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Nutrição Ilustrada e Esquematizada: Doenças renais e hepáticas Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com É com muita alegria que apresento a você mais um pacote da coleção "Nutrição Ilustrada e Esquematizada", dessa vez sobre Doenças renais e hepáticas. Nele vão estar presentes referências super importantes e muito recorrentes nas provas de concursos e residências! Contém mais de 100 páginas de conteúdos com muitos esquemas, cores e figuras, para te ajudar a estudar esse tema de forma descomplicada. Cada página foi feita com muito carinho, para que você possa aprender da melhor forma possível. O grande objetivo é contribuir na sua jornada de estudos, para que você consiga chegar aos resultados que tanto almeja. Espero que goste e que atenda às suas expectativas. Atenção: O material foi elaborado com as melhores intenções. Fiz um trabalho árduo para justamente reduzir o seu trabalho e tempo precioso de estudo. Portanto, esse conteúdo destina-se exclusivamente a você, de forma privada. É proibido e ilegal qualquer tipo de reprodução, distribuição ou comercialização do conteúdo, sob penas da lei (artigo 184 do código penal brasileiro). Oi, nutri, Te desejo um excelente estudo, Rikeciane Brandão. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Sumário 2 1) Doenças renais - Cuppari, 2019........................................4 2) Diretriz de Terapia Nutricional no paciente com Doença renal - BRASPEN, 2021............................................46 3) Diretriz de Prática Clínica KDOKI para Nutrição em DRC - KDOQI, 2020..............................................................65 4) Doenças hepáticas - Cuppari, 2019............................81 5) Diretriz ESPEN sobre Nutrição Clínica na Doença hepática - ESPEN, 2020........................................121 6) Referência Bibliográficas.................................................134 Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 2 DOENÇAS RENAIS 1 Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com que afetam a estrutura e a função dos rins Introdução 5 Considerada importante problema de saúde pública mundial Doença renal crônica Em decorrência do expressivo aumento nas taxas de incidência prevalênciae Os distúrbios nutricionais são frequentes e podem compreender tanto aqueles relacionados à obesidade quanto aqueles relacionados à desnutrição Como a doença compromete praticamente todos os órgãos e sistemas, complicações metabólicas e hormonais são frequentes E tem importante impacto sobre a morbimortalidade Definição e causas da DRC Definida como: Termo genérico de desordens heterogêneas presentes por mais de 3 meses e que tragam implicações para a saúde Assim, a definição é baseada em 3 componentes: 1 componente anatômico ou estrutural (marcadores de dano renal) 1 componente funcional - baseado na Taxa de Filtração Glomerular (TFG) 1 componente temporal Baseado nisso, é portador de DRC qualquer indivíduo que, por um período ≥ 3 meses apresenta TFG < 60 ml/min/1,73 m², ou TFG > 60 associada a alguma evidência de lesão da estrutura renal Anormalidade urinária: hematúria glomerular, microalbuminúria, proteinúria, alteração em exame de imagem como cistos renais, anormalidades histológicas e história de transplante (Tx) renal. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com A depuração deve ser corrigida pela superfície corpórea Obs: 6 Doença renal crônica Definição e causas da DRC Excreção urinária de 24h de albumina: De 30 a 300mg: Microalbuminúria > 300mg: Proteinúria ou macroalbuminúria Estadiamento da DRC de acordo com a TFG e albuminúria: 1 Normal ou elevada ≥ 90 - Monitorar Encaminhar 30 a 300< 30 > 300 Moderadamen- te aumentada Normal a levemente aumentada Gravemente aumentada A2A1 A3 Estágios de albuminúria persistente RAC (mg/g) 2 Redução leve 60 a 89 - Monitorar Encaminhar 3A Red. leve a moderada 45 a 59 Monitorar Monitorar Encaminhar Estágios de TFG (ml/min/1,73m²): 3B Red. moderada a grave 30 a 44 Monitorar Monitorar Encaminhar 4 Redução grave 15 a 29 Encaminhar Encaminhar Encaminhar 5 Falência renal < 15 Encaminhar Encaminhar Encaminhar RAC: razão albumina/creatinina. *Avaliação do risco e monitoramento: consultar na tabela do livro. Na ausência de evidências de dano renal, os estágios 1 e 2 não preenchem critérios pra DRC. Estimativa da TFG: Determinação do clearence ou depuração de creatinina Pois a creatinina depende da massa muscular O valor deve ser dividido pela superfície corporal, e o resultado, multiplicado por 1,73m² Normalidade: entre 80 e 120 ml/min/1.73m² Essa depuração superestima a TFG em estágios mais avançados Equações que possibilitem estimar a depuração de creatinina foram desenvolvidas Mais usadas: MDRD, e preferencialmente CKD-EPI Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Portadores de glomerulopatias Transplantados renais com rejeição crônica Indivíduos expostos a drogas nefrotóxicas Portadores de litíase renal, uropatia obstrutiva Indivíduos com infecção sistêmica e neoplasias 7 Doença renal crônica Definição e causas da DRC HAS DM São as duas principais causas de DRC no Brasil e no mundo Entre as causas com menor frequência estão: Glomerulonefrites crônicas Pielonefrites/nefropatias tubulointerticiais crônicas (infecções, drogas etc) Doenças autoimunes (lúpus, vasculites, etc) Doenças obstrutivas crônicas (litíase renal, bexiga neurogênica, etc) Doenças hereditárias (doença renal policística, síndrome de alport, etc) Indivíduos com risco de desenvolver DRC: Risco elevado Portadores de HAS Portadores de DM Portadores de DCV Idosos História familiar de DRC Risco moderado Fisiopatologia da DRC Formados por um conjunto de néfrons contidos na mesma cápsula Cada néfron é uma unidade funcional autônoma composta por: Um glomérulo Túbulos coletores Ductos coletores Função dos rins: Excretar a maior parte dos produtos finais do metabolismo orgânico Controlar a concentração da maioria dos líquidos corporais Manter a composição iônica do volume extracelular Participar na regulação do equilíbrio ácido-básico Sintetizar hormônios e enzimas (eritropoietina, 1,25 di-hidroxivitamina D) Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com caráter progressivo que se mantém independente da presença de fator causal inicial que leva à hipertensão glomerular com consequente hiperfiltração glomerular e lesão das estruturas do glomérulo Essas modificações funcionais e morfológicas resultam em perda de seletividade da membrana dos capilares glomerulares Desencadeando uma série de respostas imunológicas, inflamatórias e hormonais 8 Doença renal crônica Fisiopatologia da DRC A DRC possui: Por isso, muitos fatores causais que geram insultos renais graves, não controlados quase sempre evoluem para esclerose glomerular atrofia tubular com perda total da função renal Os mecanismos que determinam esse caráter progressivo ainda não foram elucidados Teoria mais aceita: Após o insulto, os glumérulos remanescentes (ou seja, os ainda funcionantes) sofrem hipertrofia decorrente da hiperperfusão resultando na passagem de macromoléculas, princ. proteínas que contribuem para a fibrose renal levando a subsequentes reduções do número dos néfrons remanescentes Ou seja: O processo de adaptação que permite a manutenção das funções renais mesmo após a redução significativa do número dos néfrons funcionantes, determina a progressão da doença Outros fatores que contribuem para a progressão da DRC: Hiperlipidemia Hiperfosfatemia Acidose Toxinas urêmicas Esses mecanismos têm um limite: onde os distúrbios hidroeletrolíticos, metabólicos e hormonais ficam evidentes Desencadeando sinais, sintomase manifestações clínicas Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 9 Doença renal crônica Fisiopatologia da DRC Principais sinais, sintomas e manifestações clínicas da DRC: Neurológicos centrais Cardiovasculares e pulmonares Insônia/sonolência Tremor Fadiga Dificuldade de concentração Irritabilidade Pericardite HAS Aterosclerose acelerada Insuficiência cardíaca (IC) Arritmia Edema Edema agudo de pulmão Disfunção endotelial Neurológicos periféricos Dermatológicos Redução de reflexos Fraqueza muscular Neuropatia autônoma Cãibras Soluço Pele seca Prurido Equimoses Conjutivite Dificuldade de cicatrização Gastrointestinais Metabólicos e hormonais Anorexia Náusea, vômito Soluço Gastrite Sagramento digestivo Hálito urêmico Distúrbio mineral e ósseo Desnutrição energético-proteica Fraqueza muscular Acidose metabólica Hiperparatireoidismo Intolerância à glicose Resistência à insulina Dislipidemia Hipoalbuminemia Hipercatabolismo proteico Redução da libido Impotência Hipotermia Hematológicos e imunológicos Anemia Sangramento Disfunção granulocítica Disfunção dos linfócitos Imunodeficiência Susceptibilidade à infecções Inflamação Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com e excesso de água 10 Doença renal crônica Parâmetros bioquímicos e hematológicos Ureia (Ur) e creatinina (Cr) Apresentam elevações discretas e constantes no curso da DRC Na, K, Ca e P Permanecem normais ou muito próximas do normal até os estágios mais avançados da doença É mantido até fases mais avançadas, porém com queda progressiva nos níveis de bicarbonato Principalmente nos estágios 4 e 5: Pode ocorrer elevação de K, P, PTH e redução do calcitriol Redução da eritropoietina Gerando diminuição na concentração da hemoglobina Caracterizando a anemia normocrômica e normocítica Terapia renal substitutiva (diálise) É uma terapêutica empregada para remoção de solutos urêmicos Além disso, permite o restabelecimento do equilíbrio eletrolítico e ácido-básico do organismo Hemodiálise (HD) Diálise peritoneal (DP) Em ambas, o plasma urêmico do paciente é colocado em contato com uma solução de diálise (dialisato) separados apenas por uma membrana permeável artificial na HD e a própria membrana do peritôneo na DP por meio da qual, por difusão, ultrafiltração e osmose, ocorrem as passagens dos solutos e da água acumulada A monitoração da adequação da diálise pode ser feita por meio da medida dos índices de Ur O principal é o kt/V de ureia Na HD: ≥ 1,2 (sessão) DP: ≥ 1,7 (semanal) Adequação: Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 11 Doença renal crônica Estado nutricional na DRC DESNUTRIÇÃO Fatores que contribuem para a redução da ingestão alimentar e aumento do catabolismo proteico na DRC Redução da ingestão alimentar Redução da acuidade do paladar Inflamação crônica Restrição alimentar excessiva Grande número de medicamentos Aspectos emocionais e psicológicos Piora da qualidade de vida Sedentarismo Uremia HD: diálise insuficiente ou inadequada DP: sensação de plenitude gástrica e saciedade Aumento do catabolismo proteico Resistência à insulina Acidose metabólica Comorbidades: DM, hiperparatireoidismo secundário, DCV, câncer e AIDS Hiperparatireoidismo Inflamação crônica causada principalmente por: Depuração reduzida de citocinas pró- inflamatórias, periodontite, inflamação do acesso para diálise, incompatibilidade das membranas e da solução para diálise, peritonite. Sarcopenia Definida como redução concomitante de massa e função muscular, sendo decorrente primariamente do envelhecimento e secundariamente de outras causas, como de enfermidades crônicas e/ou inflamatórias como a DRC. Se associa à:Menor sobrevida Maior número de hospitalizações Pior qualidade de vida Logo, a avaliação da massa e função muscular torna-se importante na prática clínica para o rastreamento da sarcopenia Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 12 Doença renal crônica Estado nutricional na DRC Causas e critérios para o diagnóstico de sarcopenia Causas: Primária ao: Envelhecimento: Quando não há outra causa além do envelhecimento gerando redução de massa e função. Secundária à: Mobilidade limitada: Confinamento ao leito, sedentarismo, cadeirantes e outras condições semelhantes Enfermidades: Com falhas de órgãos, inflamatórias, malignas ou endócrinas. Deficiência nutricional: Ingestão inadequada de energia e/ou proteína, má absorção de nutrientes, distúrbios GI ou uso de medicação anorexígena Critérios e diagnóstico Critério Método e medida Ponto de corte Redução de massa muscular DXA: Índice de massa muscular apendicular¹ Homem: < 7,25 Kg/m² Mulher: < 5,67 Kg/m² BIA: Índice de massa muscular apendicular (equação de Janssen)² Homem: Redução grave: ≤ 8,50 Kg/m² Redução moderada: 8,51 a 10,75 Kg/m² Normal: ≥ 6,76 Kg/m² Redução de função muscular Força de preensão manual por dinamômetro manual ou desempenho físico: velocidade de marcha Homem: < 30 Kg Mulher: < 20 Kg < 0,8 m/s ¹ Índice de massa muscular esquelética a partir da DXA = (massa magra das pernas + massa magra dos braços)/estatura (m²) ² Equação de Janssen a partir da BIA para estimativa da massa muscular esquelética (MME). MME (Kg) = (estatura em cm²)²/resistência x 0,401) + (sexo x 3,825) + (idade x -0,071) + 5,102. Sexo: M = 0; H: 1. Para transformar em índice: MME/estatura em m² Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com SOBREPESO E OBESIDADE Fator de risco independente para o desenvolvimento de DRC e risco de morbimortalidade para a população em geral. Fator protetor na sobrevida, principalmente naqueles em HD. A maior reserva corporal pode conferir proteção frente aos episódios catabólicos ser usado isoladamente, pois: e nenhum parâmetro isolado é capaz de fornecer informação ampla sobre a condição nutricional do paciente 13 Doença renal crônica Estado nutricional na DRC O sobrepeso e a obesidade também são distúrbios frequentes nessa população Para a população com DRC: Mas esses achados não são uniformes e dependem de vários fatores Além disso, o IMC não deve Não discrimina a gordura da massa magra Não discrimina o acúmulo de gordura visceral (associada a complicações CV) Não detecta as mudanças na composição corporal com o avanço da idade Não detecta mudanças entre homens e mulheres e estado de hidratação Assim, o uso do IMC como marcador de gordura corporal pode levar a uma interpretação equivocada do papel da obesidade como fator protetor. Avaliação nutricional Não existe um protocolo único pra avaliação do estado nutricional Uma combinação de métodos objetivos e subjetivos deve ser empregada Objetivos: Medidas antropométricas, bioquímicas, de consumo alimentar, força de preensão manual. Subjetivos: O mais comumente empregado: ASG. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Em pacientes em HD Particularidades na avaliação nutricional de pacientes com DRC 14 Doença renal crônica Avaliação nutricional Em razão dos distúrbios hídricos o peso deve ser analisado junto com a Avaliação de edema e/ou ascite ou ainda em relação ao peso seco que é o peso corporal, especialmente em pacientes em diálise, na ausência de edema periférico detectável e PA normalo peso dever ser sempre após a sessão de HD, e os demais parâmetros antropométricos Na DP: O volume da solução de diálise presente na cavidade peritoneal deve ser descontado do peso aferido IMC < 23 Kg/m² Indicativo de risco nutricional por se associar com aumento nas taxas de mortalidade Marcadores bioquímicos: Interpretar com cautela, pois podem ser influenciados pelos distúrbios da DRC Marcadores bioquímicos mais utilizados na av. nutricional do paciente com DRC: limite de normalidade, valores desejados e principais limitaçõesLimite de normalidade Parâmetro Val. desejados na DRC Limitações 3,5 a 5 (método VBC) Albumina (g/dL) > 3,8 a 4 Vida média longa (~20 dias); Aumenta na desidratação; Reduz na hipervolemia; Reduz na inflamação; Reduz na acidose. 19 a 38 Pré-albumina (mg/dL) > 30 Depende do catabolismo renal; Não é válida para a fase não dialítica; Reduz na inflamação; Reduz na acidose. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Independente do método empregado, o dia da sessão de HD deve ser contemplado na avaliação 15 Doença renal crônica Avaliação nutricional 250 a 450 Transferrina (mcg/dL) DLN Reduz na inflamação; Aumenta na deficiência de ferro; Reduz na sobrecarga de ferro. Depende da fase da DRC (ingestão proteica) PNA (g/Kg/dia) Fase não dialítica: ~0,6 a 0,8 HD: ~1,2 DP: ~1,3. Não representa a ingestão de PTN em condições de hipercatabolismo ou anabolismo; É uma medida pontual, podendo não refletir a ingestão habitual. < 200Colesterol (mg/dL) 100 a 200 Diminui na inflamação. VBC: Método calorimétrico verde de bromocresol; PNA: equivalente proteico do aparecimento de nitrogênio. Consumo alimentar Ingestão de PTN: Pode ser estimada por meio de equações que empregam a geração de nitrogênio (como a PNA) Vantagem: Avalia a ingestão independente do relato do paciente Avaliar também a qualidade da dieta ingerida. Interpretação do PNA O PNA pode ser usado como estimativa da ingestão de PTN somente quando o paciente estiver em balanço nitrogenado (quando não houver mudanças significativas nos marcadores nutricionais e se ele não apresentar nenhuma condição clínica catabólica) Em pacientes catabólicos, o PNA excederá a ingestão de PTNs Em pacientes em anabolismo, o PNA subestimará a verdadeira ingestão de PTN O PNA medido em um só dia pode não refletir a ingestão proteica usual Quando a ingestão proteica é muito elevada, o PNA subestima a ingestão, provavelmente pelo aumento da excreção de nitrogênio não medido (ex: pele e respiração) Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Prevenção e tratamento do hiperparatireoidismo secundário, acidose metabólica, intolerância à glicose, HAS, hipercalemia, etc. PTN: Aumento da proteinúria, danos histológicos renais e morte. P: danos renais importantes 16 Doença renal crônica Tratamento: Fase não dialítica ou tratamento conservador Principais objetivos: Retardar a progressão da DRC Prevenir as complicações Tratar comorbidades Preparar o paciente para a TRS Medidas que comprovadamente retardam a progressão da DRC: Controle da PA (< 130/80 mmHg) Tratamento do DM (HbA1c entre 6,5 e 7,0%) Controle da ingestão proteica Restrição na ingestão de sódio Tratamento da dislipidemia Correção da anemia e acidose Tratamento da obesidade e desnutrição TN na fase não dialítica: Proteínas Recomendações de proteína Dieta elevada em PTN e P Por outro lado, a restrição de PTN e P protege o rim contra danos subsequentes e reduz o ritmo de progressão da doença renal Benefícios da redução da proteína dietética: Diminuição da pressão intraglomerular e proteinúria; Redução no consumo renal de O2; Redução do estresse oxidativo renal; Redução na geração de produtos nitrogenados tóxicos e de íons orgânicos responsáveis pelos distúrbios clínicos e metabólicos característicos da uremia; Esses indivíduos conseguem ativar mecanismos adaptativos para manutenção do balanço nitrogenado e estado nutricional, desde que as necessidades de energia sejam atendidas. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 17 Doença renal crônica TN na fase não dialítica: Proteínas No entanto, em algumas situações, esse mecanismo adaptativo pode estar prejudicado. Condições clínicas e mecanismos que podem prejudicar a adaptação metabólica à restrição proteica Condição clínica Mecanismos Anorexia Reduzida ingestão de energia Acidose metabólica Estimulação da degradação de PTN e AA Infecção/inflamação Estimulação da degradação proteica Diabete mal controlado Estimulação da degradação e supressão da síntese proteica Utilizar o peso desejável ou ajustado para o cálculo das recomendações caso a adequação do peso seja > 115% ou < 95%. Recomendação de proteína e energia na fase não dialítica da DRC Estágios 1 e 2 (TFG > 60) Normal - 0,8 a 1 g/Kg/dia Proteína: Estágio 3 (TFG entre 30 a 59) 0,6 a 0,75 g/Kg/dia 0,6 a 0,75 g/Kg/dia ou 0,3 g/Kg/dia suplementada com AAE e cetoácidos Estágio 4 (TFG entre 15 a 29) 0,6 a 0,75 g/Kg/dia ou 0,3 g/Kg/dia suplementada com AAE e cetoácidos Estágio 5 (TFG < 15) Diabete descompensado 0,8 g/Kg/dia Proteinúria > 3 g/24h 0,6 a 0,8 g/Kg/dia 0,8 + 1 g de PTN para cada g de proteinúria > 60 anos 30 a 35 Kcal/Kg/dia Energia: < 60 anos 35 Kcal/Kg/dia Carboidratos 50 a 60% do VET Lipídios 25 a 35% do VET 0,75g/Kg: Para pacientes que tenham muita dificuldade em aderir a maior restrição. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com A quantidade de PTN pode ser um pouco mais elevada (0,8 g/Kg) pra compensar o aumento do catabolismo resultante do descontrole glicêmico. No máximo 0,8 g/Kg. Se a perda proteica for > 3g/24h, acrescenta-se 1g de PTN para cada g excretada. 18 Doença renal crônica Nefropatia diabética A restrição proteica com 0,6 g/Kg retarda o ritmo de progressão da doença particularmente nos pacientes com DM1. Controle inadequado do DM Quando o controle glicêmico é alcançado, a dieta pode retornar a 0,6 g/Kg Proteinúria Caso reduza para <3g/24h, reajustar para 0,6 g/Kg Independente da quantidade, ao menos 50% do total da dieta deve ser de alto valor biológico (alimentos de origem animal não processados) Deve-se usar 1 comprimido para cada 5 Kg de peso corporal Cetoácidos e AAE Os cetoácidos são análogos de AAE sem o nitrogênio, de forma que, no fígado, através da via da transaminação, ocorre incorporação do nitrogênio disponível à cadeia carbônica do AA, formando o AAE correspondente. Assim, além de suprir as necessidades de AAE do organismo Promovem diminuição da disponibilidade de nitrogênio Reduzindo a formação de compostos nitrogenados tóxicos Vantagens Diminuição mais acentuada de sintomas urêmicos, acidose metabólica, carga de fósforo e resistência à insulina Limitações Precisa de ingestão energética adequada, boa adesão à dieta (princ. com alimentos de origem vegetal), elevado custo TN na fase não dialítica: Proteínas Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 35 Kcal/Kg Dar ênfase a alimentos com elevado teor de energia e baixo teor de proteínas 19 Doença renal crônica TN na fase não dialítica: Energia Necessidades semelhantes à de indivíduos saudáveis com ativ. física leve Paciente com obesidade ou > 60 anos:Aproximadamente 30 Kcal/Kg Podem rececer aporte energético menor: E não menos que 25 Kcal/Kg Piora da condição nutricional ou desnutrição estabelecida > 35 Kcal/Kg Orientação dietética: Como mandioca e derivados (tapioca, farinha de mandioca e sagu), mel, doces de frutas/geleias e óleos vegetais ricos em ác. graxos mono e poli-insaturados TN na fase dialítica Causas de desnutrição e possíveis intervenções em pacientes em diálise Consumo alimentar isuficiente Intervenção Anorexia Diálise insuficiente (uremia) Melhorar eficiência da diálise Kt/V > 1,2/sessão (HD) Kt/V > 1,7/sessão (DP) Dietas muito restritas ou pouco palatáveis Prescrições dietéticas mais liberais e adequadas em energia e proteína ou instituição de TNO/TNE Doenças GI (úlceras, gastrite, gastroparesia) Instituir precocemente tratamento medicamentoso e dietético Sobrecarga hídrica Adequar a restrição hídrica e a ultrafiltração Anemia (fadiga, desânimo) Avaliar a necessidade de uso de eritropoietina e/ou ferro Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 20 Doença renal crônica TN na fasedialítica Quantidade excessiva de medicamentos e interação medicamento/nutriente Reavaliar e restringir dentro do possível Avaliar interações Doenças associadas (DM, IC, etc) e doenças intercorrentes (infecção, inflamação) Minimizar os efeitos dessas doenças com tratamentos medicamentoso e nutricional adequados Pressão intraperitoneal (DP) Avaliar a possibilidade de diminuir o volume da solução de diálise Absorção contínua de glicose (DP) Avaliar a possibilidade da utilização de soluções com menor concentração de glicose Peritonites (DP) Tratamento medicamentoso precoce e TN específica (dieta hiperproteica) Fatores psicológicos (depressão, solidão) e sociais (baixa renda, desestruturação familiar) Prover suporte psicológico e social Fatores catabólicos e alterações metabólicas Promover adequação no consumo alimentar para repor perdas e suplementar vitaminas Perda de nutrientes: - aminoácidos e peptídeos (10 a 12g/sessão na HD e 3g/dia na DP) - proteína (< 1 a 3 g/sessão na HD e 5 a 15 g/dia na DP) - vitaminas (complexo B e vit. C) Bioincompatibilidade das membranas em HD e do dialisato em CAPD Condições que aumentam o catabolismo proteico Utilização de materiais biocompatíveis Acidose metabólica (proteólise muscular) Manter bicarbonato sérico > 22 mmol/L Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Para > 60 anos: A energia estimada proveniente da glicose absorvida do dialisato (cerca de 40 a 60% do total da glicose infundida) deve ser subtraída do total de energia recomendada 21 Doença renal crônica TN na fase dialítica Inflamação (aumento do catabolismo proteico e energético) TN adequada. Investigar e tratar as causas de inflamação Resistência à ação de hormônios anabólicos (insulina, hormônio do crescimento) e aumento de hormônios catabólicos (paratormônio, glucagon) Tratar as anormalidades Hiperparatireoidismo secundário Prevenir e/ou tratar precocemente Atividade física reduzida Orientar e incentivar a prática de atividade física regular TN na fase dialítica: Proteína Hemodiálise: 1,1 a 1,2 g/Kg Diálise peritoneal: 1,1 a 1,2 g/Kg 50% das proteínas devem ser de alto valor biológico TN na fase dialítica: Energia 35 Kcal/Kg 30 Kcal/Kg Na DP: Para pacientes subnutridos, não é necessário descontar Resumo das recomendações de proteína e energia para pacientes em diálise: Hemodiálise 1,1 a 1,2 g/Kg Diálise peritoneal 1,2 a 1,3 g/Kg Energia HD e DP 30 a 35 Kcal/Kg Proteína (50% de alto valor biológico) Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Hiperpo- tassemia A restrição deve ser mais cuidadosa, principalmente para os anúricos O processo de cozimento em água das hortaliças e frutas promove perda significativa de K (aprox. 60%). 22 Doença renal crônica Recomendações de potássio Definida quando a concentração sérica de potássio está > 5,5 mEq/L Principal consequência: Arritmias cardíacas Fase não dialítica O controle de K deve ocorrer quando houver elevação ou quando houver perda significativa da função renal (< 15 ml/min). Hemodiálise Já na DPRaramente apresentam hiperpotassemia Apesar de a alimentação contribuir de forma significativa para os níveis séricos de K Outras condições também podem causar ou agravar a hipercalemia e devem ser tratadas sempre que possível Fatores não dietéticos e condições clínicas que podem gerar hiperpotassemia Acidose metabólica Constipação crônica e grave Uso de betabloqueadores Condições de hipercatabolismo Deficiência de insulina ou hiperglicemia Uso de diuréticos poupadores de K Uso de inibidores da enzima de conversão da angiotensina Elevada concentração de potássio na solução de diálise Recomendação < 70 mEq/dia (aproximadamente 3g/dia) Hortaliças, frutas, leguminosas e oleaginosas apresentam elevado teor de K Mas não há necessidade e não é recomendada a ingestão somente de alimentos cozidos Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 23 Doença renal crônica Recomendações de potássio Orientação inicial na hipercalemia: Consumo de 2 a 3 porções/dia de frutas com pequena e média quantidade de K Ou 1 a 2 porções do grupo com elevada quantidade de K Hortaliças cruas: 2 porções/dia das hortaliças com menor teor de K Ou 1 a 2 porções diárias das hortaliças com maior quantidade de K Essas orientações são gerais e devem ser adaptadas de acordo com a concentração sérica de K e com a análise do consumo de fontes de K Não deve-se produzir ausência ou oferta muito reduzida desses alimentos Pois são importantes fontes de nutrientes e compostos bioativos Trat. conservador Recomendações de eletrólitos, minerais e líquidos para pacientes com DRC HD DP 50 a 70 50 a 70 70 a 100K (mEq/dia) 2000 a 2300 2000 a 2300 2000 a 2300Na (mg/dia) ~700 800 a 1000 800 a 1000P (mg/dia) Ca (mg/dia) 1400 a 1600 Máx. 2000 (dieta + quelantes de P à base de Ca Máx. 2000 (dieta + quelantes de P à base de Ca Fe (mg/dia) Homens: 8 Mulheres: 15 Homens: 8 Mulheres: 15 Homens: 8 Mulheres: 15 Zn (mg/dia) Homens: 10 a 15 Mulheres: 8 a 12 Homens: 10 a 15 Mulheres: 8 a 12 Homens: 10 a 15 Mulheres: 8 a 12 55 55 55Se (mcg/dia) Líquidos (mL/dia) Sem restrição 500 a 1000 ml/dia + diurese 24h Individualizada Fe: Avaliar a necessidade de suplementação. Se: Sem suplementação Zn: Não deve ser suplementado, salvo se a ingestão energética e proteica for insuficiente e se o paciente apresentar sintomas de deficiência. (dim. do paladar e/ou olfato, pele sensível, impotência e neuropatia periférica) Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 24 Doença renal crônica Recomendações de potássio Teor de potássio em porções usuais de alimento: Alimentos com pequena e média quantidade de K (< 5 mEq/porção) Frutas 1 banana-maçã média 1 caqui médio 2 pires de chá de jabuticaba 1 fatia média de abacaxi 1 laranja-lima pequena 10 morangos 1 maçã média 10 acerolas 1/2 manga média 1 pêra média 1 pêssego médio 1 ameixa fresca média 1/2 copo de suco de limão Hortaliças 5 folhas de alface 2 pires (chá) de agrião 1/2 pepino pequeno 1 pires (chá) de repolho 3 rabanetes médios 1 pimentão médio 1 tomate pequeno 1/2 cenoura média 1 pires (chá) de escarola crua Alimentos com elevada quantidade de K (> 5,1 mEq/porção) Frutas 1 banana nanica média 1 fatia média de melão 1 laranja-pêra média pequena 1 kiwi médio 1/2 abacate médio 1 mexerica/tangerina média 1/2 copo de água de coco 1 fatia média de mamão 1 cacho pequeno de uva Hortaliças 1 pires (chá) de acelga crua 2 pires (chá) de couve crua 3 colheres (sopa) de beterraba crua 1 pires (chá) de batata frita 2 colheres (sopa) de massa de tomate 1 concha pequena de feijão 1 concha pequena de lentilha 1 pires (chá) de erva-doce/funcho Demais hortaliças devem ser cozidas sem casca em água e esta deve ser desprezada O sal dietético ou sal light (cloreto de potássio) comumente usado por pacientes com HAS não deve ser usado por pacientes com DRC Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Pois contém um composto neurotóxico Que normalmente é depurado pelos rins, mas na DRC esse composto é acumulado 25 Doença renal crônica Recomendações de potássio Vários alimentos contém quantidade elevada de potássio Assim, dependendo do caso, sua ingestão deve ser controlada. São eles: Amendoim, nozes, castanhas, avelãs, amêndoas, pinhões Tomate seco, molho, extrato e massa de tomate Chocolate e achocolatados Água de coco, chimarrão Frutas secas (ameixa, uva passa, damasco), caldas de compotas Vinhos, suco de fruta concentrado, refri a base de laranja Alimentos processados que na lista de ingredientes contenham aditivos à base de potássio devem ser evitados na hipercalemia Carambola Portadores de DRC não devem consumi- la e nenhum de seus subprodutos Desencadeando uma série de sintomas: Soluços persistentes, vômitos, confusão mental, agitação,diminuição da força muscular, insônia, convulsão, óbito. Sódio e líquidos Sódio A HAS comumente observada pode ser mais bem controlada se houver restrição A menor ingestão contribui para a potencialização da resposta aos anti-hipertensivos Fase não dialítica A ingestão de Na pode ser estimada pela medida da excreção em urina de 24h O controle hídrico é raramente empregado já que o mecanismo de sede regula o balanço hídrico quando o balanço de Na está bem controlado Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com A restrição de Na é indicada não somente para controle da PA, como tbm para o controle na ingestão de líquidos Fósforo Hiperfos- fatemia HIPERPARATIREOIDISMO SECUNDÁRIO Doenças ósseas associadas à DRC, calcificação vascular e óbito Em parte mediada pela elevação do PTH e do FGF-23 26 Doença renal crônica Sódio e líquidos Fase dialítica e consequentemente minimizar o ganho de peso interdialítico que não deve ultrapassar 4 a 4,5% do peso seco Recomendação Na: 2000 a 2300 mg/dia (que corresponde a 5 a 6g/dia de sal) Utilizar pouco sal no preparo dos alimentos Não ingerir alimentos processados (embutidos, enlatados, condimentos industrializados) Recomendação Líquidos: A prescrição é baseada na capacidade individual de excreção de água pela urina e suor Recomenda-se de 500 a 1000 ml + volume de diurese residual de 24h Paciente em DP tem maior liberdade na ingestão tanto de Na quanto de líquidos, pois fazem diálise diariamente Está entre os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento do Função renal reduz Homeostase de P fica comprometida Mecanismo compensatório inicial: Redução na taxa de reabsorção tubular de P (aumento da excreção) Quando a TFG fica < que 20 a 25 ml/min, a excreção de P não consegue compensar a sua ingestão Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com É ineficiente na remoção de P, por isso a hiperfofatemia (P > 5,0 mg/dL) é muito frequente 27 Doença renal crônica Fósforo Controle de P Quando o P sérico for > que o valor de referência Quando os níveis de PTH forem > que o recomendado, mesmo que o P sérico esteja normal Recomenda-se que a ingestão de P nos estágios 3 e 4 da DRC não seja > 700 mg/dia Como grande parte dos alimentos ricos em P são tbm fontes de PTN não é dificil manter a ingestão < 700 mg/dia Atenção aos aditivos alimentares Onde o P se encontra na forma inorgânica, sendo sua absorção praticamente 100% 60 a 80% nas carnes e laticínios Cerca de 50% nos vegetais (digestão limitada por boa parte estar na forma de fitato) Absorção de P orgânico (presente naturalmente nos alimentos): Na diálise: Além da maior ingestão de PTN nessa fase Uma forma de atender à recomendação de PTN sem elevar muito a ingestão de P é escolher alimentos com menor relação P/PTN Principais alimentos fontes de fósforo e proteína: Alimento Quant (g) Med caseira P (mg) PTN (g) Relação PTN/P 15080 Carne de frango 1 filé de peito médio 23 6,5 14780 Carne de porco 1 bisteca média 21,2 6,9 20985Carne bovina 1 bife médio 26 8 24184 Pescada branca 1 filé médio 20,6 11,7 9050Ovo inteiro 1 unidade 6 15 4,330Clara de ovo 1 unidade 1,3 3,3 Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 34 48 30 54 154 50 40 Não deve ser usado por pacientes com hipercalcemia e/ou com risco ou presença de calcificação de tecidos moles 28 Doença renal crônica Fósforo 40485 Fígado de boi 1 bife médio 22,7 17,8 170Sardinha 1 unidade 8,4 20,2 136Presunto 2 fatias M 14 9,7 153Queijo prato 2 fatias finas 7,5 20,4 159120Iogurte 1 pote pequeno 6,3 25,2 140150Leite 1 copo americano 4,9 28,6 130Soja cozida 5 col de sopa 9 14,5 133Feijão cozido 1 concha M 6,9 19,3 253Amendoim 1 pacote P 13 19,5 92Chocolate 1 barra P 3 30,7 Queijos processados, embutidos, biscoitos, alimentos semiprontos, pratos congelados prontos para o consumo, sucos artificiais e macarrão instantâneo contém conservantes à base de P e devem ser evitados na hiperfosfatemia Quando a orientação dietética não for suficienteQuelantes de P Contém compostos que se ligam ao P no TGI, reduzindo sua absorção Geralmente os sais de Ca Nesse caso, o cloridrato de sevelamer (que não tem Ca) é mais seguro O quelante deve ser ingerido junto com os alimentos ricos em P Cálcio Ainda não é possível estabelecer com segurança uma recomendação de ingestão na DRC Recomenda-se que a ingestão total (alimentação + quelante) não ultrapasse 2000 mg/dia Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Perda nos processos dialíticos, principalmente hidrossolúveis (vitamina C e complexo B) 29 Doença renal crônica Cálcio Pacientes em uso de vit. D, especialmente na forma ativa (calcitriol) E por essa razão os níveis séricos de cálcio devem ser monitorados regularmente Ferro As recomendações são semelhantes às de indivíduos saudáveis Suplementação oral Pode ser necessária quando a ingestão de fontes alimentares é reduzida Ferro endovenoso Pode ser empregada para pacientes em uso de eritropoietina recombinante humana Vitaminas Entre as causas da deficiência de vitaminas: Restrição dietética de proteínas, potássio e fósforo Por isso, na maior parte das vezes, a suplementação torna-se necessária A menos que haja deficiência, as vit. A e K não precisam ser suplementadas O calcitriol deve ser prescrito pelo médico individualmente de acordo com a condição do paciente Recomendação diária de suplementação com vitaminas Conservador HD DP Não suplementar Não suplementar DesconhecidoVitamina A e K 400 a 800 400 a 800 400 a 800Vitamina E (UI) 1,1 a 1,2 1,1 a 1,2 1,1 a 1,2Tiamina (mg) 1,1 a 1,3 1,1 a 1,3 1,1 a 1,3Riboflavina (mg) 5 10 10Vitamina B6 (mg) Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 2,4 75 a 90 1 14 a 16 30 5 Individualizado Quando a ingestão alimentar espontânea encontra-se reduzida e a orientação dietética não for capaz de promover aumento significativo na ingestão energética e proteica; 30 Doença renal crônica Vitaminas 2,4 2,4Vitamina B12 (mcg) 75 a 90 75 a 90Vitamina C (mg) 1 1Ácido fólico (mg) 14 a 16 14 a 16Niacina (mg) 30 30Biotina (mcg) 5 5Ácido pantotên. (mg) Individualizado IndividualizadoVitamina D Tratamento da desnutrição na DRC A desnutrição é multicausal, por isso a TN deve ser associada a outras ações, como: Adequação da diálise Correção dos distúrbios metabólicos e hormonais Tratamento das comorbidades Atividade física A TN com foco na prevenção e/ou tratamento da desnutrição é indicada nas seguintes situações: Especial atenção deve ser dada aos pacientes idosos Em situações de hipercatabolismo (p. ex., quadro inflamatório ou infeccioso) acompanhado de hiporexia e perda de peso; Pacientes em terapia dialítica com IMC < 20 Kg/m² ou que apresentem redução > 10% de seu peso seco em 6 meses. Primeira opção de TN: Suplementação oral por não ser invasiva e ser a de mais fácil aceitação Deve-se dar preferência aos suplementos específicos pra DRC, pois atendem às necessidades sem provocar efeitos adversos Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Caixa (200 ml) Apresentação Caixa (200 ml) Caixa (200 ml) Envelope (90g) Caixa (200 ml) é capaz de reduzir o balanço energético e proteico negativo causado pela diálise minimizando a mobilização de reservas corporais de gordura e de massa muscular 31 Doença renal crônica Tratamento da desnutrição na DRC No entanto os suplementos não especializados (padrão) também podem ser empregados desde que forneçam no máx. 20 a 25% do VET e por tempo < 30 dias. Caso não haja melhora do estado nutricional A TNE (preferencialmente noturna) ou TNP durante a sessão de HD podem ser emregadas Suplementos nutricionais para pacientes com DRC Nova Source Renal (Nestlé) 200 14,8 7,7 110 Kcal PTNK P Nutri renal (Nutrimed) 400 8 2,8 130 Nutri renal D (Nutrimed) 400 15 6,9 200 Nutrison advanced nefro (Danone) 391 7,19,9 114 HDmax (Prodiet) 300 13,4 1,9 162 Vale ressaltar que, independente da condição nutricional do paciente há evidências de que a oferta de suplemento, refeição ou lanche durante a sessão de diálise Além dessa oferta ser uma importante ferramenta de educação nutricional O nutri deve estar atento para que o planejamento dietético seja compatível com uma dieta saudável que não leve à deficiência de nutrientes monotonia alimentar LESÃO RENAL AGUDA (LRA) Pode ser definida como uma queda brusca da função renal, marcada por diminuição do ritmo de filtração glomerular e/ou do volume urinário, e distúrbios no controle do equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-básico. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Resposta fisiológica à hipoperfusão renal, sem defeito estrutural nos rins. Pode ser consequente principalmente a condições como hemorragia, depleção de volume, ICC e cirrose hepática descompensada. Redução < 0,5 ml/Kg/h por 6 horas 32 Lesão renal aguda LESÃO RENAL AGUDA (LRA) Atualmente, a LRA pode ser diagnosticada conforme os critérios descritos: Cr sérica Diu- rese Aumento ≥ 0,3 mg/dL em 48h Aumento de pelo menos 50% do valor basal em 7 dias Etiologia da LRA Costuma ser dividida em 3 etiologas: Pré-renal (antes do rim) Renal (no rim) Pós-renal (depois do rim) Pré- renal: Afeta diretamente o parênquima renal, desencadeada, na maioria dos casos, por isquemia ou nefrotoxinas que induzem à necrose tubular aguda. Ex: sepse, antibióticos nefrotóxicos, agentes radiocontrastes, quimioterápicos, hemoglobinúria, mioglobinúria, mieloma, DCV, glomerulonefrites agudas e nefrite intersticial aguda (associada a drogas) Renal: A manutenção da perfusão adequada possibilita o retorno ao funcionamento normal dos rins em curto período (até 48h), sem grandes consequências ao estado nutricional. Costuma apresentar duração maior (pelo menos 1 semana) e necessidade de diálise mais frequente. Costuma trazer implicações nutricionais mais importantes Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Inapetência, náuseas, vômitos incoercíveis e sangram. GI Depressão imunológica e tendência a infecções Hipercatabolismo e perda de massa muscular Alterações no metabolismo dos LIP podem ocorrer com aumento de VLDL e LDL e redução do CT e HDL. A hipertrigliceridemia é muito comum, consequente à lipólise prejudicada. Deve-se ofertar 1,2 a 1,5 g/kg/dia. 33 Lesão renal aguda Etiologia da LRA É aquela em que a passagem da urina está impedida por alguma obstrução na pelve renal, ureter, bexiga ou uretra. A função renal geralmente volta ao normal após a desobstrução da via urinária. Pós- renal: Principais sintomas da LRA: Sistema Sintomas Dispneia, edema, HA, IC, edema agudo de pulmão, arritmias, pericardite e pleurite Cardiorrespiratório Cutâneo Prurido Digestivo Hematológico Sangramentos, anemia e distúrbios plaquetários Imunológico Neurológico Sonolência, tremores, agitação, torpor, convulsão e coma Nutricional Metabolismo dos macronutrientes O metabolismo de todos os macronutrientes está alterado na LRA, tendo como principais consequências: Hiperglicemia Hipercatabolismo Hipertrigliceridemia A hiperglicemia é comum e é decorrente da resistência à insulina (RI) (principalmente), além de presença de citocinas inflamatórias e acidose metabólica. CHO LIP Níveis de TAG séricos > 400 mg/dL são suficientes para contraindicar ou suspender a emulsão lipídica no suporte nutricional Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Catabolismo proteico intenso e liberação de aminoácidos do músculo esquelético, além de síntese proteica prejudicada (sustentado balanço nitrogenado negativo). 34 Lesão renal aguda Metabolismo dos macronutrientes PTN Outros fatores que contribuem para o hipercatabolismo: Presença de mediadores inflamatórios, acidose, aumento da circulação de hormônios catabólicos e perda de substratos decorrente do procedimento dialítico. A RI tem como consequência a utilização dos aminoácidos como fonte de substrato energético Contribuindo sobremaneira para a perda de massa magra corporal Suporte nutricional na LRA: Energia Padrão-ouro: Calorimetria indireta Na ausência desse método: Usar equações preditivas A estimativa do peso seco é uma tarefa difícil Pois a maioria se encontra acamado e não contactuante, podendo haver erros na utilização dos valores provenientes das fórmulas preditivas. Recomendação: 25 a 30 Kcal/Kg de peso atual Ofertas > 30 kcal/kg não proteicas: Não apresentam benefícios na redução do catabolismo e podem desencadear complicações (hiperglicemia, hipervolemia e hipertrigliceridemia) Suporte nutricional na LRA: Proteínas Sabendo que o hipercatabolismo é comum na LRA A oferta adequada de PTN é um dos principais objetivos da TN A oferta de dieta normoproteica é rara, mas pode ser praticada nos pacientes estáveis, sem catabolismo e diálise associada A oferta proteica se dá com base no grau de catabolismo Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Catabolismo grave, em diálise contínua ou estendida > - 10 Vitaminas hidrossolúveis Ácido fólico Selênio 35 Lesão renal aguda Suporte nutricional na LRA: Proteínas Referência Recomendações de proteínas para pacientes com LRA: RecomendaçãoCondição clínica Fiaccadori et al. 0,8 a 1 g/kgSem catabolismo e sem diálise 1,2 a 1,5 g/kgCatabolismo moderado, em diálise 1,7 a 2 g/kg ASPEN, 2016 1,2 a 2,5 g/kgSem catabolismo e sem diálise Pacientes em diálise estendida (6 a 12h/dia) ou contínua apresentam taxa de catabolismo proteico em torno de 1,4 a 1,8 g/kg ofertas próximas a esses valores podem ser necessárias para manter balanço nitrogenado próximo da neutralidade Balanço nitrogenado (gN/dia) Classificação do catabolismo conforme balanço nitrogenado: Classificação do catabolismo ≥ 0 Neutro ou anabolismo < - 5 Leve Entre - 5 e - 10 Moderado Grave Meta desejável: Um catabolismo menos negativo possível Micronutrientes Pacientes com LRA apresentam deficiências de muitos micro Principalmente em razão das perdas que ocorrem durante a diálise É possível supor que maior oferta de alguns micro seja necessária Porém não existem informações claras sobre as reais necessidades desses nutrientes para pacientes com LRA Fiaccadori et al. Fiaccadori et al. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Albumina, pré-albumina e colesterol - significativamente reduzidos na inflamação Via enteral nas primeiras 24 a 48h (receber pelo menos 80% das necessidades em 72h) 36 Lesão renal aguda Avaliação nutricional na LRA A maioria são pacientes críticos com presença frequente de edema e inflamação Tornando os métodos convencionais de diagnóstico nutricional pouco úteis e confiáveis edema - dificulta determinação do peso seco, circunferências, pregas e albumina Esses são mais utilizados como prognóstico clínico do que marcadores do estado nutricional Assim como na DRC, a obesidade parece exercer efeito protetor sobre esses pacientes Diagnóstico de risco nutricional: Paciente não crítico: NRS-2002 Paciente crítico: NUTRIC SCORE Via de administração da dieta na LRA Via preferencial: Oral Utilização de suplementos hipercalóricos e/ou hiperproteicos Quando não é possível: Sempre monitorar para que não ocorra Síndrome da Realimentação Parenteral Quando não for possível oferecer pelo menos 60% das necessidades por mais de 7 a 10 dias pela NE Deve ser iniciada o mais rápido possível em pacientes com alto risco nutricional (NRS 2002 e/ou NUTRIC ≥ 5) ou gravemente subnutridos Litíase renal Caracterizada por um processo patológico de biomineralização que ocorre no sistema urinário pelo desequilíbrioentre precipitação e solubilidade de sais na urina. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com pois as alterações metabólicas encontradas na urina podem ser amplamente justificadas pela composição da dieta avaliação do consumo alimentar 37 Litíase renal Litíase renal Os cálculos renais são formados a partir da supersaturação de compostos insolúveis contendo cálcio, oxalato e ácido úrico Decorrente da excreção excessiva desses componentes na urina E da menor excreção de inibidores da cristalização (citrato e magnésio) que promovem a nucleaçãocrescimentoagregação de partículas cristalinas e que podem ser influenciados por vários fatores: genéticos ambientais hábitos alimentares estilo de vida anormalidades anatômicas alterações metabólicas A maioria dos cálculos é composta por sais de cálcio como os de oxalato de cálcio e fosfato de cálcio, enquanto os demais são compostos por ácido úrico, fosfato amônio magnésio (estruvita) e cistina A alimentação tem importante contribuição na nefrolitíase O tratamento deve ser definido de acordo com as alterações encontradas na análise bioquímica Incluindo dosagem de Ca, Na, oxalato, ácido úrico, pH, citrato, volume e creatinina Deve ser feita também uma Registro alimentar de 3 dias (que inclua o dia que a urina foi coletada) Questionário de freq. alimentar, etc. e de fatores de risco nutricionais para fornecer recomendações terapêuticas Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Definida por elevada excreção urinária de cálcio, a HI ocorre na vigência de normocalcemia, ausência de doença sistêmica e sob dieta habitual O mecanismo é decorrente da carga ácida gerada pelo metabolismo de aminoácidos sulfurados 38 Litíase renal Hipercalciúria A hipercalciúria idiopática (HI) é o distúrbio metabólico mais frequente na nefrolitíase Embora uma maior ingestão de Ca possa aumentar a absorção intestinal e causar aumento da excreção estudos já demonstraram associação inversa entre ingestão de Ca e risco de formação de cálculos renais Proteínas O consumo elevado aumenta excreção urinária de Ca presentes em maior quantidade na PTN de origem animal E pode estar relacionado a maior reabsorção óssea e a menor reabsorção tubular de Ca Além disso, o baixo consumo de Ca gera um balanço negativo de Ca e contribui para redução da massa óssea Sódio O consumo elevado aumenta a calciúria A reabsorção renal de Ca é reduzida na dieta rica em Na Por causa do transporte em comum desses eletrólitos no túbulo renal proximal E, portanto, a excreção urinária de Ca aumenta Recomendação OMS: < 5g/dia (2g de Na) Dessa forma, no indivíduo com litíase renal, deve-se: Reduzir o uso de sal de adição; Reduzir o uso de temperos prontos; Reduzir alimentos processados (embutidos, conservas, congelados e enlatados). Hiperoxalúria Definida por uma excreção urinária de oxalato maior que 45 mg/24h Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Do aumento da absorção de oxalato (hiperoxalúria entérica); De alterações da microbiota intestinal; De quantidade excessiva de precursores de oxalato (como vit. C). E a proporção de oxalato urinário proveniente do oxalato dietético varia de 10 a 50%. 39 Litíase renal Hiperoxalúria Oxalato É o componente mais frequente nos cálculos renais Sendo 75% dos cálculos formados por OxCa (oxalato de cálcio) Hiperoxalúria primária Quando ocorre aumento do endógeno da produção de oxalato Hiperoxalúria secundária Quando ocorre: Suplementos de vit. C devem ser evitados E o consumo de fontes alimentares deve ser estimulado Uma grande quantidade de oxalato urinário é proveniente do metabolismo endógeno da glicina, do glicolato, da hidroxiprolina e da vit. C Por isso ainda é controverso o efeito do oxalato dietético na sua excreção urinária Conteúdo de oxalato nos alimentos (em 100g): Espinafre cru - 1.145 mg Espinafre cozido - 460 mg Ruibarbo cru - 532 mg Ruibarbo cozido - 309 mg Cacau em pó - 623 mg Amêndoa torrada - 469 mg Castanha de caju torrada - 262 mg Avelã crua - 222 mg Pinhão torrado - 140 mg Chocolate - 117 mg Chá, infusão - 72 mg Beterraba crua - 64 mg Beterraba cozida - 48 mg Cenoura crua - 44 mg Cenoura cozida - 18 mg Brócolis cru - 13 mg Brócolis cozido - 5 mg Leguminosas cozidas - 25 a 80 mg Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Isso se deve ao fato de o cálcio exercer ação quelante sobre o oxalato por formar um complexo insolúvel de OxCa que é excretado pelas fezes. 40 Litíase renal Hiperoxalúria A baixa ingestão dietética de cálcio é reconhecida como um fator de risco para a nefrolitíase cálcica Desse modo, a redução do cálcio disponível no lúmen intestinal, em razão da menor ingestão, permite uma maior absorção de oxalato livre. Recomenda-se uma dieta pobre em oxalato e adequada em Ca para indivíduos com cálculo de OxCa O aumento pode ocorrer tbm como consequência de baixos níveis de colonização bacteriana intestinal pela Oxalobacter formigenes que é responsável pela degradação do oxalato por meio da catalização de reações de oxidação e descarboxilação Por outro lado, bactérias comensais como Enterococus faecalis, eubacterium lentum e algumas bactérias acidoláticas tbm podem levar à diminuição da oxalúria por utilizarem o oxalato como fonte de energia Hipocitratúria Quando a excreção urinária de citrato é < 320 mg/dia Pode ser decorrente de: Doenças GI; Acidose tubular renal; Deficiência de K; Uso de alguns medicamentos; Alta ingestão de PTN animal; Baixo consumo de frutas e vegetais. O citrato possui um importante efeito inibidor da cristalização e do crescimento de cálculos de OxCa Em virtude da formação de um complexo com o Ca no túbulo renal que aumenta sua solubilidade e reduz a concentração de Ca livre na urina Além disso, ele: Aumenta o pH urinário por causa de sua metabolização em bicarbonato no fígado, reduzindo tbm o risco de cálculos de ácido úrico e cistina. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Reduz a excreção de citrato, o pH urinário, e aumenta a excreção de Ca urinário Quando a dieta hiperproteica é seguida de restrição significativa de CHO, o estado acidótico se intensifica (formação de cetonas) 41 Litíase renal Hipocitratúria Aumentam a reabsorção: Carga ácida e acidose Reduzem a reabsorção: Carga alcalina e alcalose (promovendo aumento da excreção urinária) A alcalinização sistêmica pode ser obtida: Pelo consumo de alimentos ricos em citrato e potássio (preferencialmente); Ou por meio de terapia farmacológica, com o uso de citrato de potássio. Entretanto, a adesão ao citrato de K geralmente é difícil em razão de efeitos colaterais GI. Utilização de frutas cítricas para aumento da citratúria: Já está bem estabelecida e representa uma ótima estratégia dietética para auxiliar no tratamento. Dieta rica em PTN animal Por causa da sobrecarga ácida oferecida, promovendo um leve estado de acidose. Frutas e vegetais: Fornecem carga alcalina e/ou potássio que amenizam os efeitos da ingestão proteica Por isso, é importante que: O planejamento alimentar esteja adequado de acordo com a recomendação de PTN; O consumo de frutas e hortaliças deve ser incentivado. Hiperuricosúria Definida por excreção urinária de ácido úrico > 600 mg (mulheres) e 800 mg (homens) Pode estar associado a: Hiperuricemia, como em portadores de gota primária; Secundária a fatores dietéticos: obesidade, DM, síndrome metabólica (SM) e medicamentos. Fator determinante para a formação: pH urinário volume urinário Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com O consumo de vegetais e frutas levando em consideração a utilização de sucos naturais (alternativa terapêutica); A redução de peso, controle e melhora dos componentes da SM; A ingestãoadequada de proteínas (entre 0,8 e 1,0 g/Kg); A maior ingestão hídrica. 42 Litíase renal Hiperuricosúria O baixo volume urinário também contribui para essa formação, uma vez que a desidratação, em virtude da transpiração excessiva ou do exercício físico extenuante (acidose lática), a perda intestinal de álcalis, como na diarreia crônica, ou uma sobrecarga de PTN animal (fonte de purinas) levam ao aumento da supersaturação do ácido úrico e redução do pH da urina. Encontra-se anormalmente baixo entre os indivíduos com nefrolitíase úrica, o que promove uma alta concentração de ácido úrico insolúvel, e eleva o risco de formação de cálculos desse tipo pH Volu- me Alimentos fontes de purinas: Carnes vermelhas Peixes Aves Obesidade e SM Condições que influenciam de forma importante a formação de cálculos de ácidos úrico Associação com a diminuição do pH da urina e maior excreção de ácido úrico urinário e na formação de outros tipos de cálculos renais. A alcalinização urinária deve ser a prioridade no manejo terapêutico de formadores de cálculos de ácido úrico. Incentivando: Cistinúria Doença genética rara caracterizada pela formação de cálculos renais decorrentes de alterações no transporte do aminoácido cistina no túbulo renal proximal e nas células epiteliais do sistema GI. Excreção normal: 30 mg/dia Na cistinúria: > 400 mg/dia Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Preferencialmente de água; Sucos ricos em citrato e potássio (limão e laranja); Chá de flores, ervas ou frutas 43 Litíase renal Cistinúria Objetivo do tratamento: Alterar as características urinárias com objetivo de manter solúveis os elevados níveis de cistina excretada, evitando a supersaturação, e reduzir a excreção absoluta de cistina. Abordagens para prevenir cálculos de cistina recorrentes Reduzir a excreção de cistina Reduzir a ingestão de Na na dieta; Reduzir a ingestão de PTN animal (reduzir a ingestão de cistina e metionina). Reduzir a concentração de cistina Aumentar a ingestão hídrica (manter a concentração de cistina urinária < 250 mg/dL); Aumentar o pH urinário para > 7,5. Reduzir a cistina para cisteína (mais solúvel) Volume Os cálculos renais são consequência da supersaturação de fatores litogênicos urinários Quando a ingestão de líquidos é baixa, consequentemente o volume urinário tbm é baixo Dessa forma, a urina fica mais concentrada facilitando a precipitação de solutos como Ca, oxalato, P e ácido úrico Portanto, a elevada ingestão de líquidos é um fator importante na prevenção e tratamento da nefrolitíase Ingerir 30 ml/Kg/dia (2 a 2,5 L de líquidos/dia) Chá preto e chá mate têm um maior teor de oxalato - Consumir com moderação; - Se possível consumir com leite ou substituir pelos de ervas e frutas. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Pois a quantidade presente nas frutas é menor e a presença dos álcalis (citrato/K/Mg) tem papel importante na redução do risco de nefrolitíase 44 Litíase renal Volume Bebidas alcoólicas: Aumentam o volume urinário (por causa da inibição do hormônio antidiurético) Consequentemente reduzem a saturação de elementos urinários O consumo deve ser moderado, principalmente de cerveja, por conterem purinas Frutose livre Contribuem para maior excreção de oxalato e cálcio --> formação de cristais de OxCa (a frutose é precursora de carbonos na síntese de oxalato) ATENÇÃO A frutose intrínseca às frutas não exerce o mesmo efeito da frutose livre presente nas bebidas industrializadas Além disso, as frutas e vegetais apresentam fitatos que podem inibir a formação de OxCa Resumindo, deve-se: Preferir o consumo de água e sucos naturais de frutas; Evitar o consumo de refrigerantes e bebidas intustrializadas. Recomendações nutricionais gerais na nefrolitíase Orientações individualizadas de acordo com o distúrbio encontrado na urina de 24h Evitar o excesso de peso Cálcio entre 800 e 1000 mg/dia Oxalato entre 40 e 50 mg/dia Proteína entre 0,8 e 1 g/Kg/dia Sódio < 2,4 g/dia Aumentar o consumo de citrato (sucos de laranja e limão) Aumentar o consumo de potássio (frutas e vegetais) Ingestão de líquidos > 2L/dia Evitar o uso de suplementos de vit C (preferir alimentos fonte, como as frutas) Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Anotações Escreva aqui tudo que você julgar ser importante 1245 Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 2 DIRETRIZ DE TERAPIA NUTRICIONAL NO PACIENTE COM DOENÇA RENAL Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 47 Introdução QUADRO - Lista de recomendações TRIAGEM E AVALIAÇÃO 1. Não há instrumento de triagem específico para pacientes com doenças renais crônicas e agudas. O MST pode ser recomendado para a triagem de risco de desnutrição. 2. Não há indicador isolado para diagnóstico de desnutrição. Os indicadores recomendados mais importantes são: perda de peso (PP) involuntária, IMC baixo (<18 kg/m2), ingestão de energia e proteínas < que o recomendado, e redução da força e funcionalidade muscular. Para o diagnóstico de obesidade, o excesso de gordura abdominal é o indicador mais importante. 3. O instrumento recomendado para diagnosticar desnutrição é a SGA tradicional. INJÚRIA RENAL AGUDA (IRA) 4. A recomendação de energia para pacientes com IRA é 20-30 kcal/kg/dia de peso seco ou ideal (em caso de obesidade ou muito baixo peso). Em estresse grave, a recomendação é 20-25 kcal/kg/dia. A nutrição hipocalórica (<70% do gasto energético) é recomendada na fase inicial da enfermidade aguda, com aumento para 80% a 100% da meta depois de, aproximadamente, três dias. 5. A recomendação de proteínas para pacientes hipercatabólicos com IRA e sem terapia de reposição renal (TRR) é de 1,3-1,5 g/kg/dia. Em TRR intermitente, a recomendação é de cerca de 1,5 g/kg/dia. Em TRR contínua, deve ser de 1,7- 2,5 g/kg/dia. Proteínas não devem ser restringidas para pacientes hipercatabólicos com objetivo de evitar ou retardar o início de TRR. Porém, pode ser controlada para aqueles não hipercatabólicos e sem necessidade de TRR, com recomendação em torno de 0,8-1,0 g/kg/dia. 6. A suplementação de glutamina não é indicada para pacientes hipercatabólicos com IRA. 7. A suplementação de micronutrientes é recomendada para pacientes com IRA em TRR. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 48 Introdução QUADRO - Lista de recomendações 8. O manejo de eletrólitos de pacientes com IRA deve ser individualizado, de acordo com os níveis séricos. A necessidade de reposição depende de resultados séricos de cada paciente e de cada eletrólito. Níveis elevados podem indicar necessidade de TRR. 9. Formulações padrão de nutrição enteral e/ou parenteral são recomendadas para pacientes hipercatabólicos com IRA e/ou em TRR. Formulações com restrição de eletrólitos podem ser indicadas de acordo com a necessidade individual. DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC) 10. A recomendação de energia é de 25-35 kcal/kg/dia para pacientes metabolicamente estáveis, baseado em idade, sexo, atividade física, estado nutricional, estágio da DRC e comorbidades associadas. 11. A recomendação de proteínas para adultos com DRC 3-5 é de 0,6-0,8 g/kg/dia, com aporte energético adequado. A variação mais baixa é recomendada para preservação da função renal de pacientes sem risco nutricional. A taxa mais elevada tem o mesmo objetivo, mas contempla a necessidade daqueles com diabetes mellitus, desnutrição, idade avançada e/ou outras condições de risco. Para adultos com DRC G5D, em HD DP, a recomendação proteica é de 1,2 g/kg/dia, com ingestão energética adequada. 12. A dieta com, aprox., 0,3-0,4 g/kg/dia de proteína suplementada com cetoanálogos, ou aminoácidos (aa) essenciais, para pacientes com DRC G4-5 diminui o risco de falência renal, reduz proteinúria,e pode ter efeitos benéficos sobre complicações metabólicas, sem causar prejuízos no estado nutricional. 13. Embora as proteínas de origem vegetal possam ter ação biológica positiva e possível benefício clínico para pacientes com DRC, as evidências são insuficientes para recomendar a substituição de proteínas animais por vegetais. Efeitos benéficos podem estar associados não somente ao tipo de proteína, mas ao padrão dietético, baseado em maior proporção de alimentos de origem vegetal. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 49 Introdução QUADRO - Lista de recomendações 14. Para pacientes adultos com DRC G3-5D, a ingestão de P deve ser ajustada para manter os níveis séricos dentro da normalidade. Restrição deve ser indicada na presença de hiperfosfatemia persistente e progressiva, e após a avaliação, também, de níveis séricos de Ca e PTH. A intervenção em nutrição deve considerar não somente a quantidade de P, mas suas fontes dietéticas e a presença de aditivos em alimentos processados. A ingestão de K deve ser ajustada para manter os níveis séricos dentro da normalidade. A ingestão de Na é recomendada em <2,3 g/dia, em conjunto com intervenções farmacológicas aplicáveis. 15. O ganho de peso interdialítico (GPID) recomendado em HD é de 2-4% do peso corporal seco. A ingestão diária recomendada de líquidos depende do GPID. 16. A ingestão alimentar de pacientes com DRC G3-5D deve suprir a necessidade de vitaminas e oligoelementos da mesma forma que para a população saudável. A suplementação individualizada é indicada quando houver risco ou presença de deficiência. Pacientes DRC G5D apresentam perdas durante o procedimento dialítico e podem necessitar de suplementação quando a ingestão alimentar estiver insuficiente por períodos longos de tempo. Vitaminas lipossolúveis devem ser suplementadas somente em caso de deficiência. 17. Suplemento nutricional oral (SNO) é recomendado quando a ingestão somente com a dieta não alcança as necessidades de energia e proteína, e há risco ou presença de desnutrição. Formulações padrão de SNO são recomendadas, exceto em casos de alterações metabólicas que exijam ajustes na composição química. 18. A nutrição enteral (NE) é indicada para pacientes adultos com DRC G3-5D, quando a ingestão oral (dieta e SNO) estiver insuficiente para alcançar as necessidades de energia e nutrientes, e exista risco ou presença de desnutrição. Formulações especializadas podem ser indicadas de acordo com necessidades individuais do paciente. 19. A nutrição parenteral intradialítica (NPID) é indicada para pacientes em HD, quando a ingestão da dieta e SNO não alcança as necessidades de energia e nutrientes, e há risco ou presença de desnutrição. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 50 Introdução QUADRO - Lista de recomendações SITUAÇÕES ESPECIAIS 20. A recomendação de energia para gestantes com DRC G1-5 é de 35 kcal/kg/dia, com uso do peso pré-gestacional. Devem ser acrescentadas 85 kcal/dia no primeiro, 275 kcal/dia no segundo e 475 kcal/dia no terceiro trimestre de gestação. Para gestantes com DRC G5 em HD é de 25-35 kcal/kg/dia, e em DP, é de 25 kcal/kg/dia. A recomendação de proteína para gestantes com DRC G1-2 é semelhante às mulheres saudáveis. Para DRC G3-4, a recomendação é de 0,6-0,8 g/kg/dia com 6-10 g adicionais de proteína, aminoácidos ou cetoanálogos. Para pacientes com DRC 5D, a recomendação é de 1,2 g/kg/dia para HD e 1,4 g/kg/dia para DP. 21. As recomendações de energia e proteínas para crianças com DRC G2-5 são semelhantes àquelas saudáveis, para a idade cronológica, mas no limite mais alto recomendado. Não é recomendada restrição proteica para crianças e adolescentes com DRC 3-5D. 22. A recomendação de energia para idosos com DRC é de 25-35 kcal/kg/dia, e a de proteínas para aqueles com DRC G4-5 é de 0,6-0,8 g/kg/ dia. A dieta muito baixa em proteína (0,3 g/kg/dia), associada à suplementação com cetoanálogos, parece segura. A recomendação proteica para idosos com DRC G5D, em HD ou DP, é de 1,2-1,5 g/kg/dia. 23. A recomendação de energia e nutrientes depende do período do transplante renal (TR). A recomendação média de energia é de 25-35 kcal/ kg/dia. No TR imediato e em caso de rejeição aguda do enxerto, a recomendação de proteínas é de 1,3-1,5 g/kg de peso atual ou ideal. No pós-TR tardio, a recomendação é em torno de 0,8 g/kg/dia. A restrição de 0,6 g/kg/dia pode ser considerada em caso de rejeição crônica. Características gerais Principais funções dos rins: Manutenção do balanço hídrico, da osmolaridade, das concentrações de eletrólitos (ex.: Na, K, cloreto, Ca, Mg e P) e do estado acidobásico do organismo Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 51 Características gerais Características gerais Excreção de produtos finais do metabolismo, como ureia, ácido úrico, fosfatos e sulfatos, e também de outras substâncias, fármacos e drogas Produção e secreção de hormônios e enzimas envolvidas na hemodinâmica sistêmica e renal (renina, angiotensina II, prostaglandinas e bradicinina), na maturação de hemácias na medula óssea (eritropoietina), no balanço de Ca e P, bem como o metabolismo ósseo (por conta da ativação da vitamina D) Para manutenção da homeostasia: Equilíbrio entre Quantidade de substâncias produzida + quantidade ingerida Quantidade consumida + quantidade excretada Definições de doença renal aguda e crônica Enfermidade renal Critério funcional Critério estrutural Nenhum critério Injúria Renal Aguda (IRA) Aumento da creatinina (Cr) sérica em ≥50% dentro de 7 dias, OU Aumento da Cr sérica em ≥0,3 mg/dL dentro de 48 horas OU Oligúria Dano renal <3 meses Doença Renal Aguda (DRA) DRA OU TFG <60 mL/min por 1,73 m2 <3 meses OU Diminuição da TFG por ≥50% por <3 meses Dano renal ≥3 meses Doença Renal Crônica (DRC) TFG <60 mL/min por 1,73 m2 por ≥3 meses Sem dano renalSem Doença Renal TFG ≥60 mL/min por 1,73 m2 Cr sérica estável sem IRA/DRA/DRC Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com As Terapias de Reposição Renal (TRR) incluem: 52 Características gerais Características gerais É uma síndrome, caracterizada pelo declínio rápido e repentino da função renal, com acúmulo de metabólitos, toxinas e medicamentos no sangue. Também ocorre alteração nas funções intrínsecas dos rins. É uma subcategoria da DRA. IRA O espectro de sintomas e eventos é muito amplo e variável Pode ocorrer anúria, mas também volume urinário elevado Corresponde à perda da função renal em até três meses. DRA Quando a disfunção renal persiste por mais de três meses.DRC Frequentemente é causada por enfermidade grave Por isso a taxa de mortalidade em IRA é extremamente alta Estágios de acordo com a TFG: G1 = ≥90 G2 = 60 a 89 G3a = 45 a 59 G3b = 30 a 44 G4 = 15 a 29 G5 = <15 G5D = diálise A DRC G1-2 é definida pela evidência de dano renal, usualmente albuminúria (>30 mg/g ou >3 mg/mmol), com TFG >60. Já a DRC G3-5 compreende variações mais baixas e progressivas da TFG. Diálise Transplante renal (TR) e podem ser de curto e longo prazo Principais modalidades dialíticas HD; DP ambulatorial ou automatizada; Hemofiltração venovenosa contínua (HFVVC); hemodiafiltração venovenosa contínua (HDFVVC). A frequência pode ser contínua ou intermitente (curta ou prolongada) Indicadas para pacientes com IRA (em instabilidade hemodinâmica e/ou necessidade de remoção agressiva de líquido), quando há hipercatabolismo grave, e o aporte nutricional pode precipitar hipervolemia ou uremia. São complexas, e impõem perdas ou ganhos significativos de macronutrientes, micronutrientes e eletrólitos. TRR contí- nua Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com TRIAGEM E AVALIAÇÃO NUTRICIONAL Não há indicador isolado para diagnóstico de desnutrição. Os mais importantessão: 53 Características gerais Características gerais Estado nutricional Desnutrição Intimamente associada a resultados clínicos adversos e aumento da taxa de hospitalização, complicações e mortalidade Obesidade Associada diretamente ao risco de DRC, além de promover outras comorbidades. Em diálise, particularmente em HD, o IMC elevado tem sido inversamente correlacionado com mortalidadePARADOXO DA OBESIDADE Questão (Q) 1 - Há instrumentos de triagem de desnutrição específicos para pacientes com IRA ou DRC? Não Mas o MST (Malnutrition Screening Tool), pode ser recomendado para a triagem de risco de desnutrição. Q2 - Quais indicadores de diagnóstico de desnutrição e obesidade são recomendados para pacientes com doença renal (DR)? PP involuntária IMC baixo (<18 kg/m²) ingestão de energia e PTN < que o recomendado Redução da força e funcionalidade muscular. Para o diagnóstico de obesidade, o excesso de gordura abdominal é o indicador mais importante. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 54 Triagem e av. nutricional A PP não intencional > 10%, nos últimos 6 meses, é considerada significativa para diagnóstico de desnutrição. Q2 - Quais indicadores de diagnóstico de desnutrição e obesidade são recomendados para pacientes com DR? O GPID <2% pode indicar baixa ingestão alimentar, e também foi associado com aumento da mortalidade A bioimpedância (BIA) e a bioimpedância por espectroscopia (BIS) têm sido usadas para monitorar o estado de hidratação e estabelecer metas de peso seco em pacientes com DRC G1-G5D A BIA de multifrequência pode ser usada para avaliar a composição corporal de adultos com DRC G5D em HD. Deve ser realizada depois de, pelo menos, 30 min do término da sessão, para permitir redistribuição dos líquidos corporais Para adultos com DRC G3-5 ou G5D em DP, não há evidências suficientes para sugerir a BIA para avaliar a composição corporal. Índice de creatinina Avalia a cinética dela, mas é insatisfatório para avaliar a massa corporal magra (influenciado pelo estado catabólico, função renal residual e condição de hidratação). Força e funcionalidade muscular A qualidade da massa muscular parece ser mais importante do que a quantidade. A avaliação da força e da função possibilitam a identificação precoce de perdas. A força muscular pode ser medida de forma direta, por meio da dinamometria. Obesidade A gordura abdominal, mais do que o IMC, identifica risco CV. O índice de conicidade (IC), ou taxa da CC/estatura, é mais sensível do que a CC e o IMC para detectar risco CV e de doenças crônicas Q3: Há instrumentos de diagnóstico de desnutrição específicos para DR? Sim A SGA (Subjective Global Assessment) tradicional. É produtivo recomendar a avaliação em nutrição dentro do primeiro mês de início da diálise e mensalmente, a partir disso. Pacientes com DRC G4-5 ou pós-TR devem ser avaliados, pelo menos, a cada 3 meses, e aqueles com DRC G1-3, a cada 6 meses Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 20-30 kcal/kg/dia de peso ideal (na obesidade ou muito baixo peso) A nutrição hipocalórica (<70% do gasto energético) é recomendada na fase inicial da enfermidade aguda Em TRR intermitente: Em TRR contínua: 55 Injúria Renal Aguda Q4 - Qual é a recomendação de energia para pacientes graves com IRA? INJÚRIA RENAL AGUDA seco, ou com aumento progressivo após o terceiro dia, nos pacientes em recuperação. Quanto mais grave, menor o aporte recomendado As TRRC podem ser fontes significativas de energia, que devem ser subtraídas do aporte total (soro glicosado e emulsões lipídicas usados para administrar medicamentos, glicose, citrato). EVITAR HIPERALIMENTAÇÃO Q5 - Qual é a recomendação de proteínas para pacientes com IRA? Pacientes hipercatabólicos com IRA e sem TRR: 1,3-1,5 g/kg/dia Cerca de 1,5 g/kg/dia 1,7-2,5 g/kg/dia Proteínas não devem ser restringidas para pacientes hipercatabólicos com objetivo de evitar ou retardar o início de TRR. Porém, pode ser controlada para aqueles não hipercatabólicos e sem necessidade de TRR, com recomendação de: Em torno de 0,8-1,0 g/kg/dia Vale ressaltar a importância de ingestão adequada de energia (30 kcal/kg/dia) Ou até menos, dependendo do estado nutricional e da causa da IRA Q6 - A suplementação de glutamina é indicada para pacientes com IRA? Não Pois o metabolismo de glutamina gera amônia Com isso, a suplementação de glutamina pode aumentar, rapidamente, níveis de amônia sérica Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com A necessidade de reposição depende de resultados séricos de cada paciente e de cada eletrólito 56 Injúria Renal Aguda Q7 - Quando é recomendada a suplementação de micronutrientes na IRA? A suplementação de micronutrientes é recomendada para pacientes com IRA em TRR Hidrossolúveis - Vit C: pode ser protetora de dano renal oxidativo e para a função vascular - recomendação de 60-100 mg/dia (o excesso pode elevar o risco de oxalose secundária). - As demais são recomendadas de acordo com as RDAs. Lipossolúveis Para a vitamina A, também há risco de acúmulo e de toxicidade. Se suplementada, deve haver monitoramento cuidadoso dos níveis séricos. Q8 - Como deve ser o manejo de eletrólitos de pacientes com IRA? Individualizado De acordo com os níveis séricos Níveis elevados podem indicar TRR Q9 - Que tipos de formulações de NE e de NP são indicadas na IRA? Formulações padrão para pacientes hipercatabólicos com IRA e/ou em TRR. Formulações com restrição de eletrólitos podem ser indicadas de acordo com a necessidade individual. Devido ao risco de acúmulo de líquidos na IRA Formulações com densidade calórica (DC) mais elevada (por exemplo, 1,5-2,0 kcal/mL) são preferidas formulações que contenham aminoácidos padrão (mistura de essenciais e não essenciais) e ricas em proteína Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 0,6-0,8 g/kg/dia 57 Doença Renal Crônica Q10 - Qual é a recomendação de energia para pacientes com DRC? DOENÇA RENAL CRÔNICA 25-35 kcal/kg/dia baseado na: para pacientes metabolicamente estáveis idade; sexo; atividade física;. estado nutricional; estágio da DRC; comorbidades associadas. Q11 - Qual é a recomendação de PTN para pacientes com DRC G3-5 e DRC 5D? DRC 3-5: com aporte energético adequado Variação mais baixa: Recomendada para preservação da função renal de pacientes sem risco nutricional. Taxa mais elevada: Tem o mesmo objetivo, mas contempla a necessidade daqueles com DM, desnutrição, idade avançada e/ou outras condições de risco. DRC G5D, em HD ou DP: 1,2 g/kg/dia com ingestão energética adequada Princípios fisiológicos que embasam controle na ingestão proteica: 1) redução de acúmulo de toxinas urêmicas, que pode evitar sinais clínicos e retardar o início de diálise; 2) redução de hiperfiltração renal e de fibrose intersticial, que pode retardar a queda da TFG. Restrição proteica rigorosa pode não ser racional para indivíduos com idade avançada Em resumo, o grau de restrição de proteína não deve ser baseado, somente, na TFG. Deve considerar fatores múltiplos, como idade, estado nutricional e funcional, velocidade de progressão da DRC, sobrevida do paciente versus prognóstico renal, impacto da dieta no controle de outras comorbidades e viabilidade de monitoramento da nutrição. Além disso, deve considerar o desejo do indivíduo, após ter sido informado sobre potenciais benefícios e dificuldades da restrição proteica Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 58 Doença Renal Crônica Q11 - Qual é a recomendação de PTN para pacientes com DRC G3-5 e DRC 5D? Para indivíduos hipercatabólicos, como aqueles com: Internação hospitalar recente; Doenças infecciosas ou inflamatórias ativas; Neoplasias e PP recente significativa; Arestrição proteica não é recomendada, pois a baixa ingestão está associada a altas taxas de hospitalização e risco de mortalidade Já em caso da terapia dialítica não ser opção ou necessitar ser postergada (maturação de acesso vascular, organização de transplante preemptivo), a restrição proteica é indicada Para pacientes com DRC G5D a necessidade proteica é aumentada por conta da: Perdas de aminoácidos e PTNs durante a diálise; Dificuldades de síntese de novas PTNs; Hipercatabolismo proteico muscular (devido a acidose metabólica, processos inflamatórios, etc). A necessidade pode ser > 1,2, dependendo do nível de estresse e de alterações metabólicas e para manter controle glicêmico Q12 - Qual é o papel da dieta hipoproteica suplementada com cetoanálogos? Dieta com, aproximadamente 0,3-0,4 g/kg/dia de PTN suplementada com cetoanálogos, ou aminoácidos essenciais Para pacientes com DRC G4-5: diminui o risco de falência renal reduz proteinúria Pode ter efeitos benéficos sobre complicações metabólicas sem causar prejuízos no estado nutricional. Os cetoanálogos são análogos de aa essenciais sem o radical nitrogênio Na reação de transaminação pode incorporar o nitrogênio disponível e formar o aa correspondente Assim, supre a necessidade de aa essenciais, e promovem diminuição do excesso de nitrogênio e da carga de compostos nitrogenados tóxicos. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Ajustar ingestão de P para manter os níveis séricos dentro da normalidade na presença de hiperfosfatemia persistente e progressiva, e após a avaliação, também, de níveis séricos de Ca e PTH. 59 Doença Renal Crônica Q13 - As proteínas vegetais são recomendadas na dieta de pacientes com DRC? Embora as PTNs de origem vegetal possam ter ação biológica positiva e possível benefício clínico as evidências são insuficientes para recomendar a substituição de PTNs animais por vegetais. Efeitos benéficos podem estar associados não somente ao tipo de PTN mas ao padrão dietético baseado em maior proporção de alimentos de origem vegetal. Q14 - Quais são as recomendações para controle de P, K e Na? Adultos com DRC G3-5D: Restrição: Considerar: fontes dietéticas Aditivos alimentares A ingestão de K, de forma prudente, deve ser ajustada para manter seus níveis séricos dentro da normalidade. A ingestão de Na é recomendada em <2,3 g/dia, em conjunto com intervenções farmacológicas aplicáveis. Q15 - Quais são as recomendações para GPID e controle hídrico? GPID recomendado em HD: 2-4% do peso seco A ingestão diária recomendada de líquidos depende do GPID Estratégias para controle do GPID: Controle de Na Controle de líquidos Seleção de dialisato com concentração mais baixa de Na O volume de excreção urinária é bom indicador para a recomendação Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Em deficiência/insuficiência de vit. D, a suplementação é recomendada na forma de colecalciferol ou ergocalciferol Q16: A suplementação de vitaminas e oligoelementos é indicada na rotina de pacientes com DRC? 60 Doença Renal Crônica A ingestão alimentar de pacientes com DRC G3-5D deve suprir a necessidade de vitaminas e oligoelementos da mesma forma que para a população saudável. Suplementação individualizada Quando a avaliação ou monitoramento em nutrição indicarem risco ou presença de deficiência. Pacientes DRC G5D apresentam perdas durante o procedimento dialítico e podem necessitar de suplementação quando a ingestão alimentar estiver insuficiente por períodos longos de tempo Vit. lipossolúveis devem ser suplementadas somente em caso de deficiência. Quando indicada, a suplementação deve estar de acordo com a RDA, exceto em casos específicos Pacientes que recebem medicamentos anticoagulantes, que inibem a atividade da vitamina K (por exemplo, varfarina), não têm indicação de suplementação desta vitamina Q17 - Quando indicar suplemento nutricional oral (SNO)? E quais características? SNO quando a ingestão não alcança as necessidades de energia e proteína e há risco ou presença de desnutrição. Formulações padrão de SNO são recomendadas exceto em casos de alterações metabólicas que exijam ajustes na composição química. Os SNO podem ser industrializados ou artesanais (elaborados a partir de alimentos) A composição/característica ideal e a frequência de uso de SNO ainda não estão definidas Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Uma estratégia tem sido o fornecimento de SNO durante as sessões de HD. 61 Doença Renal Crônica Q17 - Quando indicar suplemento nutricional oral (SNO)? E quais características? Formulações padrão Quando não há alterações metabólicas graves, e o aporte com SNO não ultrapassar 20-25% da necessidade total do paciente, formulações não especializadas podem ser indicadas. Formulações especializadas Já no caso de o paciente apresentar alterações metabólicas (por exemplo, hipercalemia, hiperfosfatemia), são recomendadas formulações especializadas Os pacientes podem ser aconselhados a não substituir refeições por SNO e usá-los, preferencialmente, 2 a 3x/dia, 1h após as refeições a oferta de alimentos, refeições e lanches e/ou SNO durante a HD deve ser considerada, para melhora do estado nutricional Mas ainda apresenta controvérsias, pois pode resultar em hipotensão, que está relacionada a riscos e mortalidade desses pacientes Além disso, alimentos ou líquidos ingeridos durante a diálise podem aumentar o risco de engasgos e broncoaspiração, e necessitam de cuidados especiais Q18 - Quando indicar a NE? Há necessidade de formulações especializadas? A NE é indicada para pacientes adultos com DRC G3-5D quando a ingestão oral (dieta e SNO) estiver insuficiente para alcançar as necessidades de energia e nutrientes e exista risco ou presença de desnutrição. Formulações especializadas podem ser indicadas de acordo com necessidades individuais do paciente. Formulações especializadas para pacientes com DRC G5HD podem ser preferidas pois permitem aporte energético e de nutrientes com redução de eletrólitos (Na, K e P) e maior densidade calórica (favorece o balanço hídrico), comparadas às padrões. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com SITUAÇÕES ESPECIAIS 0,6-0,8 g/kg/dia 62 Doença Renal Crônica Q19 - Quando há indicação de nutrição parenteral intradialítica (NPID)? NPID Para pacientes em HD quando a ingestão da dieta e SNO não alcança as necessidades de energia e nutrientes e há risco ou presença de desnutrição Vantagens: não necessidade de instalação de acesso venoso e a ultrafiltração na terapia dialítica, que evita a sobrecarga hídrica recebida pela infusão. considerada eficiente para controlar o hipercatabolismo do procedimento de HD 3x/sem, a NPID pode ofertar quantidades de nutrientes semelhantes ao uso diário de SNO O aporte é em torno de 1.000 kcal e 50-60 g de aa cada vez, aproximadamente 3.000 kcal e 150-180 g de aa por semana. Q20 - Quais são as recom. de energia e proteínas para gestantes com DRC? 35 kcal/kg/dia DRC G1-5: com uso do peso pré-gestacional Acréscimo: 1º trimestre: 85 Kcal/dia; 2º trimestre: 275 Kcal/dia; 3º trimestre: 475 Kcal/dia. 25-35 kcal/kg/dia DRC G5 em HD: 25 kcal/kg/dia DRC G5 em DP: Proteínas: Semelhante às mulheres saudáveis DRC G1-2: DRC G3-4: com 6-10 g adicionais de PTN, aa ou cetoanálogos. 1,2 g/kg/dia DRC 5 em HD: 1,4 g/kg/dia DRC 5 em DP: Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 63 Situações Especiais Q21 - Quais são as recomendações de energia e de proteínas para crianças e adolescentes com DRC? DRC G2-5: semelhantes àquelas saudáveis, para a idade cronológica, mas no limite mais alto recomendado. Não é recomendada restrição proteica para crianças e adolescentes com DRC 3-5D Q22 - Quais são asrecomendações de energia e de proteínas para idosos com DRC? 25-35 kcal/kg/dia Energia: 0,6-0,8 g/ kg/dia. PTN - DRC G4-5: A dieta muito baixa em proteína (0,3 g/kg/ dia), associada à suplementação com cetoanálogos, parece segura1,2-1,5 g/kg/dia DRC G5D em HD ou DP: Q23 - Quais são as recomendações de energia e proteínas para pacientes com TR? As recomendações dependem do período do TR: 25-35 kcal/kg/dia Rec. média de energia: 1,3-1,5 g/kg de peso atual ou ideal PTN - TR imediato e rejeição aguda do enxerto: 0,8 g/kg/dia PTN - Pós-TR tardio: A restrição de 0,6 g/kg/dia pode ser considerada em caso de rejeição crônica Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Anotações Escreva aqui tudo que você julgar ser importante 1264 Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 2 DIRETRIZ DE PRÁTICA CLÍNICA KDOQI PARA NUTRIÇÃO EM DRC Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com é razoável que o nutricionista conduza uma avaliação nutricional abrangente 66 KDOQI: Doença Renal Crônica 1.0 Declarações sobre cuidados usuais DIRETRIZ 1: AVALIAÇÃO NUTRICIONAL Triagem nutricional de rotina Em adultos com DRC 3-5D ou pós- transplante é razoável considerar a triagem nutricional de rotina pelo menos semestralmente com a intenção de identificar aqueles em risco de perda proteico-energética Ferramentas de avaliação nutricional Em adultos com DRC 3-5D ou pós- transplante há evidências limitadas para sugerir o uso de uma ferramenta em detrimento de outras para identificar aqueles em risco de perda energético-proteica (PEW) Avaliação nutricional de rotina Em adultos com DRC 3-5D ou pós- transplante incluindo, mas não se limitando a: Apetite história de ingestão alimentar peso e IMC dados bioquímicos exame físico medidas antropométricas pelo menos: Nos primeiros 90 dias após o início da diálise; anualmente; ou quando indicada por triagem nutricional ou por referência. 1.1 Declarações sobre Dispositivos Técnicos e Medidas Antropométricas para Avaliar a Composição Corporal Impedância bioelétrica para pacientes em hemodiálise de manutenção (MHD) Em adultos com DRC 5D em MHD sugerimos o uso de bioimpedância e, de preferência, bioimpedância elétrica multifrequencial (MF-BIA) para avaliar a composição corporal, quando disponível Devem ser realizadas no mínimo 30 min ou mais após o término da sessão de HD para permitir a redistribuição dos fluidos corporais Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com é razoável usar DEXA quando viável, pois continua a ser o padrão-ouro para a medição da composição corporal é razoável considerar a avaliação da composição corporal em combinação com peso corporal / IMC na primeira consulta é razoável medir o peso corporal e o IMC e monitorar as mudanças no peso corporal / IMC e composição corporal conforme necessário é razoável que um nutricionista registrado (RDN) ou um equivalente internacional ou médicos usem julgamento clínico para determinar o método para medir o peso corporal 67 KDOQI: Doença Renal Crônica BIA para pacientes com DRC que não estão em diálise ou em DP 1.1 Declarações sobre Dispositivos Técnicos e Medidas Antropométricas para Avaliar a Composição Corporal Em adultos com DRC 1-5 ou 5D em DP não há evidências suficientes para sugerir o uso de BIA para avaliar composição corporal DEXA para avaliação da composição corporal Em adultos com DRC 1-5D ou pós- transplante apesar de ser influenciado pelo status do volume Composição Corporal e Peso Corporal / IMC Em adultos com DRC 1-5D ou pós- transplante e monitorar o estado nutricional geral periodicamente ao longo do tempo Frequência de Avaliação de Peso Corporal / IMC e Composição Corporal Em adultos com DRC 1-5D ou pós-transplante que estão clinicamente estáveis Pelo menos mensalmente em pacientes com MHD e PD Pelo menos a cada 3 meses em pacientes com DRC 4-5 ou pós-tx Pelo menos a cada 6 meses em pacientes com DRC 1-3 Avaliação do peso corporal Em adultos com DRC 1-5D ou pós- transplante peso real medido; histórico de alterações de peso; medidas seriadas de peso; ajustes para suspeita de impacto de edema, ascite e órgãos policísticos Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 68 KDOQI: Doença Renal Crônica IMC como preditor de mortalidade 1.1 Declarações sobre Dispositivos Técnicos e Medidas Antropométricas para Avaliar a Composição Corporal Em adultos com DRC 5D em DP sugerimos que o estado de baixo peso (com base no IMC) pode ser usado como um preditor de mortalidade. Em adultos com DRC 5D em MHD sugerimos que o estado de sobrepeso ou obesidade (com base no IMC) pode ser usado como um preditor de menor mortalidade ao passo que, baixo peso e obesidade mórbida (com base no IMC) podem ser usados como um preditor de maior mortalidade Em adultos com DRC 1-5 é razoável considerar o uso de baixo peso (com base no IMC) como um preditor de maior mortalidade embora o risco de mortalidade associado ao estado de sobrepeso ou obesidade (com base no IMC) não seja claro Em adultos com DRC pós-Tx é razoável considerar o uso de baixo peso e sobrepeso ou obesidade (com base no IMC) como preditor de maior mortalidade IMC e PEW Em adultos com DRC 1-5D ou pós- transplante IMC sozinho não é suficiente para estabelecer um diagnóstico de PEW a menos que o IMC seja muito baixo (<18 kg /m²) Espessura da dobra cutânea Em adultos com DRC 1-5D ou pós- transplante na ausência de edema, sugerimos o uso de dobras cutâneas medidas de espessura para avaliar a gordura corporal. Circunferência da cintura Em adultos com DRC 5D sugerimos que a CC pode ser usada para avaliar a obesidade abdominal, mas sua confiabilidade em avaliar as mudanças ao longo do tempo é baixa Índice de Conicidade Em adultos com DRC 5D em MHD, sugerimos que o índice de conicidade pode ser usado para avaliar o estado nutricional e como um preditor de mortalidade Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Em adultos com DRC 5D, sugerimos que a cinética da creatinina possa ser usada para estimar a massa muscular biomarcadores, como taxa catabólica de proteína normalizada (nPCR), soro albumina e/ou pré-albumina sérica (se disponível) podem ser consideradas ferramentas complementares para avaliar o estado nutricional. 69 KDOQI: Doença Renal Crônica Cinética da Creatinina 1.1 Declarações sobre Dispositivos Técnicos e Medidas Antropométricas para Avaliar a Composição Corporal embora a ingestão dietética muito alta ou muito baixa de carne e/ou suplementos de creatina influencie a precisão dessa medida 1.2 Declarações sobre avaliação com medições de laboratório Medições de biomarcador único Em adultos com DRC 1-5D ou pós- transplante No entanto, eles não devem ser interpretados isoladamente para avaliar o estado nutricional, pois são influenciados por fatores não nutricionais Níveis de albumina sérica Em adultos com DRC 5D em MHD a albumina sérica pode ser usada como preditor de hospitalização e mortalidade, com níveis mais baixos associado a maior risco Em adultos com DRC 1-5D, sugerimos que a força de preensão manual pode ser usada como um indicador do estado energético-protéico e do estado funcional quando os dados basais (medidas prévias) estiverem disponíveis para comparação 1.3 Declaração sobre força de preensão manual 1.4 Declarações sobre métodos para avaliar as necessidades de energia Avaliação do Gasto Energético de Repouso (GER) Em adultos com DRC 1-5D ou pós-Tx, é razoável usar a calorimetria indireta (CI) para medir o GER quando viável e indicado, pois continua sendo o padrão-ouro para determinar o GER. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com sugerimos que, na ausência de CI, equações preditivasespecíficas da doença possam ser usadas para estimar o GER 70 KDOQI: Doença Renal Crônica 1.4 Declarações sobre métodos para avaliar as necessidades de energia Equações de GER Em adultos com DRC 5D que são metabolicamente estáveis uma vez que incluem fatores que podem influenciar a taxa metabólica nessa população 1.5 Declarações sobre instrumentos de diagnóstico de desnutrição Avaliação subjetiva global de 7 pontos (SGA) Em adultos com DRC 5D, recomendamos o uso da SGA de 7 pontos como uma ferramenta válida e confiável para avaliação do estado nutricional Escore de Desnutrição-Inflamação (MIS) Em adultos com DRC 5D em MHD ou pós-transplante, o MIS pode ser usado para avaliar o estado nutricional 1.6 Declarações sobre ferramentas/métodos usados para avaliar a ingestão de proteínas e calorias Considerações ao avaliar a ingestão alimentar Em adultos com DRC 3-5D ou pós-transplante é razoável avaliar fatores além da ingestão alimentar: Medicamentos; Conhecimento; Crenças; Atitudes; Comportamento; Acesso a alimentos; Depressão; Função cognitiva. para planejar com eficácia as intervenções nutricionais Registros alimentares de 3 dias para avaliar a ingestão dietética Em adultos com DRC 3-5D, sugerimos o uso de um registro alimentar de 3 dias, realizado durante a diálise e não diálise Métodos alternativos de avaliação da ingestão alimentar Em adultos com DRC 3-5 ou DRC 5D , R24h, QFA e nPCR podem ser considerados como métodos alternativos de avaliação da ingestão energética e proteica da dieta Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Recomendamos que um nutricionista registrado (RDN) ou um equivalente internacional, em estreita colaboração com um médico ou outro provedor (enfermeiro ou médico assistente), forneça MNT 71 KDOQI: Doença Renal Crônica 2.0 Declarações sobre terapia nutricional médica (MNT) DIRETRIZ 2: TERAPIA NUTRICIONAL MÉDICA MNT para melhorar os resultados Em adultos com DRC 1- 5D Os objetivos são: Otimizar o estado nutricional e minimizar os riscos impostos por comorbidades e alterações do metabolismo na progressão da doença renal e nos desfechos clínicos adversos Conteúdo da MNT Em adultos com DRC 1- 5D ou pós-Tx é razoável prescrever MNT que seja adaptado às necessidades dos indivíduos estado nutricional comorbidades Monitoramento e Avaliação da MNT Em adultos com DRC 3-5D ou pós-Tx é razoável que o nutricionista registrado (RDN) ou um equivalente internacional monitore e avalie o (a): apetite; ingestão alimentar; alterações de peso; dados bioquímicos; medidas antropométricas; achados físicos. para avaliar a eficácia da MNT DIRETRIZ 3: INGESTÃO DE PROTEÍNA E ENERGIA 3.0 Declarações sobre a quantidade de proteína Restrição de proteínas: pacientes com DRC que não fazem diálise e sem DM Em adultos com DRC 3-5 metabolicamente estáveis recomendamos, sob estreita supervisão clínica, a restrição de PTN com ou sem análogos de cetoácidos para reduzir o risco de DR em estágio final, morte e melhorar a qualidade de vida 0,55-0,60g de PTN/Kg OU 0,28-0,43g de PTN/Kg com análogos de cetoácidos/aa essenciais (para atender 0,55-0,60g/Kg) Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 1,0-1,2g de PTN/Kg 72 KDOQI: Doença Renal Crônica 3.0 Declarações sobre a quantidade de proteína Restrição de proteínas: pacientes com DRC sem diálise e com diabetes No adulto com DRC 3-5 e quem tem DM é razoável prescrever, sob estreita supervisão clínica 0,6-0,8g de PTN/Kg para manter um estado nutricional estável e otimizar o controle glicêmico Ingestão de proteínas: pacientes com MHD e DP sem DM Em adultos com DRC 5D em MHD ou PD que são metabolicamente estáveis recomendamos a prescrição PTN de: para manter um estado nutricional estável. Ingestão de proteínas: pacientes com MHD e diálise DP com DM Em adultos com DRC 5D e diabéticos é razoável prescrever uma ingestão de PTN de 1,0-1,2g de PTN/Kg para manter um estado nutricional estável. Para pacientes com risco de hiper e/ou hipoglicemia, pode ser necessário considerar níveis mais altos de ingestão de proteínas na dieta para manter o controle glicêmico Em adultos com DRC 1-5D ou pós-Tx metabolicamente estáveis recomendamos a ingestão de 25-35 Kcal/Kg com base na idade, sexo, nível de atividade física, composição corporal , metas de peso, estágio da DRC e doença concomitante ou presença de inflamação para manter o estado nutricional normal. Em adultos com DRC 1-5D ou pós-Tx não há evidências suficientes para recomendar um determinado tipo de proteína (planta vs animal) em termos de efeitos no estado nutricional, níveis de cálcio ou fósforo ou perfil lipídico no sangue 3.1 Declaração sobre o consumo de energia 3.2 Declaração sobre o tipo de proteína Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com DIRETRIZ 4: SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL sugerimos um teste mínimo de 3 meses de suplementos nutricionais orais (SNO) para melhorar o estado nutricional 73 KDOQI: Doença Renal Crônica 3.3 Declarações sobre padrões dietéticos Dieta mediterrânea Em adultos com DRC 1-5 sem diálise ou pós-Tx, com ou sem dislipidemia, sugerimos que prescrever uma dieta mediterrânea pode melhorar o perfil lipídico Em adultos com DRC 1-4, sugerimos que prescrever o aumento da ingestão de frutas e vegetais pode diminuir o peso corporal, a pressão arterial e a produção líquida de ácido (NEAP) Frutas e vegetais 4.1 Declarações sobre suplem. nutricional parenteral, oral, enteral e intradialítica Suplementação Oral de Proteína-Energia Em adultos com DRC 3-5D ou pós-Tx em risco ou com perda protéico-energética se o aconselhamento dietético por si só não atingir ingestão de energia e proteína suficiente para atender às necessidades nutricionais. Suplementação de Nutrição Enteral Em adultos com DRC 1-5D, com ingestão cronicamente inadequada e cujas necessidades proteicas e energéticas não podem ser atendidas por aconselhamento dietético e SNO, é razoável considerar uma tentativa de alimentação por sonda enteral Nutrição Parenteral Total (NPT) e Nutrição Parenteral Intradialítica (IDPN) Suplementação Proteica e Energética Em adultos com DRC com perda protéico-energética sugerimos um teste de NPT para pacientes com DRC 1-5 e IDPN para DRC 5D em pacientes com MHD para melhorar e manter o estado nutricional se as necessidades nutricionais não puderem ser atendidas com ingestão oral e enteral existente. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com sugerimos não substituir o dialisato de dextrose convencional por dialisato de aminoácidos como estratégia geral para melhorar o estado nutricional 74 KDOQI: Doença Renal Crônica 4.2 Declaração sobre Suplementação Nutricional - Dialisato Suplementação de proteína-energia no dialisato Em adultos com DRC 5D em DP com perda protéico-energética embora seja razoável considerar uma tentativa de dialisato de aminoácidos para melhorar e manter o estado nutricional se as necessidades nutricionais não puderem ser atendidas com a ingestão oral e enteral existente 4.3 Declarações sobre ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 (LC n-3 PUFA) Suplementos nutricionais de PUFA LC n-3 para mortalidade e DCV Em adultos com DRC 5D em MHD ou pós-Tx sugerimos não prescrever rotineiramente LC n-3 PUFA, incluindo aqueles derivados de peixe ou linhaça e outros óleos para diminuir o risco de mortalidade ou eventos CV Em adultos com DRC 5D em DP é razoável não prescrever rotineiramente LC n-3 PUFA, incluindo aqueles derivados de peixe ou linhaça e outros óleos para diminuir o risco de mortalidade ou eventos CV Suplementos nutricionais de PUFA LC n-3 para perfil lipídico Em adultos com DRC 5D em MHD, sugerimos que 1,3-4g/d de LC n-3 PUFA podem ser prescritos para reduzir TAG e LDL e aumentar os níveis de HDL Em adultos com DRC 5D em DP, é razoável considerar a prescrição de 1,3-4g/d de LC n-3 PUFA para melhorar o perfil lipídico Em adultos com DRC 3-5, sugerimos prescrever ~2 g/d de LC n-3 PUFA para diminuir os níveis séricos de TAG Suplementos Nutricionais LC n-3 PUFA para permeabilidade do Enxerto Arteriovenoso (AV) e fístulas Em adultos com DRC 5D em MHD sugerimos não prescrever óleo de peixe rotineiramente para melhorar as taxas de permeabilidade primária em pacientes com enxertos AV ou fístulas Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com DIRETRIZ 5: MICRONUTRIENTES 75 KDOQI: Doença Renal Crônica 4.3 Declarações sobre ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 (LC n-3 PUFA) Suplementos Nutricionais LC n-3 PUFA para Sobrevivência do Aloenxerto Renal Em adultos com DRC pós-Tx, sugerimos não prescrever rotineiramente PUFA LC n-3 para reduzir o número de episódios de rejeição ou melhorar a sobrevivência do enxerto 5.0 Declarações para Orientação Geral Ingestão dietética de micronutrientes Em adultos com DRC 3-5D ou pós-Tx é razoável que o nutricionista registrado (RDN) ou um equivalente internacional encoraje a ingestão de uma dieta que atenda à recomendação dietética (RDA) para ingestão adequada de todas as vitaminas e minerais Avaliação e suplementação de micronutrientes Em adultos com DRC 3-5D ou pós-Tx é razoável que o nutricionista registrado (RDN) ou um equivalente internacional, em estreita colaboração com um médico ou assistente médico, avalie periodicamente a ingestão de vitaminas na dieta e considere a suplementação multivitamínica para indivíduos com ingestão inadequada Suplementação de micronutrientes: diálise Em adultos com DRC 5D que apresentam ingestão alimentar inadequada por períodos sustentados de tempo: é razoável considerar suplementação com multivitaminas, incluindo todas as vitaminas hidrossolúveis e oligoelementos essenciais para prevenir ou tratar as deficiências de micronutrientes 5.1 Declarações sobre ácido fólico (vit. B9) Suplementação de ácido fólico para hiper-homocisteinemia Recomendamos não suplementar folato rotineiramente com ou sem complexo B, pois não há evidências que demonstrem redução nos desfechos CV adversos Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 76 KDOQI: Doença Renal Crônica 5.1 Declarações sobre ácido fólico (vit. B9) Suplementação de ácido fólico para deficiência e insuficiência de ácido fólico Em adultos com DRC 1-5D ou pós-Tx sugerimos prescrever suplemento de folato, vitamina B12 e/ou complexo B para corrigir a deficiência/insuficiência de folato ou vitamina B12 com base nos sinais clínicos e sintomas 5.2 Declarações sobre vitamina C Suplementação de vitamina C Em adultos com DRC 1-5D ou pós-Tx com risco de deficiência de vitamina C, é razoável considerar a suplementação para atingir a ingestão recomendada de pelo menos 90 mg/d para homens e 75 mg/d para mulheres 5.3 Declarações sobre vitamina D Suplementação de vitamina D para deficiência e insuficiência de vitamina D Em adultos com DRC 1-5D ou pós-Tx sugerimos prescrever suplementação de vitamina D na forma de colecalciferol ou ergocalciferol para corrigir a deficiência/ insuficiência de 25-hidroxivitamina D (25(OH)D). Proteinúria e suplementação de vitamina D Em adultos com DRC 1-5 com proteinúria nefrótica é razoável considerar a suplementação de colecalciferol, ergocalciferol, ou outros precursores de 25 (OH) D seguros e eficazes 5.4 Declaração sobre as vitaminas A e E Suplementação e toxicidade de vitaminas A e E Em adultos com DRC 5D em MHD ou PD é razoável não suplementar rotineiramente vitamina A ou E por causa do potencial para toxicidade dessas vitaminas. No entanto, se a suplementação for necessária, deve-se tomar cuidado para evitar doses excessivas, e os pacientes devem ser monitorados quanto à toxicidade Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com DIRETRIZ 6: ELETRÓLITOS recomendamos reduzir a NEAP através do aumento de bicarbonato ou de uma suplementação de solução de ácido cítrico/citrato de Na 77 KDOQI: Doença Renal Crônica 5.5 Declaração sobre a vitamina K Medicação anticoagulante e suplementação de vitamina K Em adultos com DRC 1-5D ou pós-Tx é razoável que pacientes recebendo medicamentos anticoagulantes conhecidos por inibir a atividade da vit K (ex: compostos de varfarina) não recebam suplementos de vit K 5.6 Declaração sobre minerais traço - selênio e zinco Suplementação de selênio e zinco Em adultos com DRC 1-5D, sugerimos não suplementar rotineiramente selênio ou zinco, pois há poucas evidências de que melhore o estado nutricional, inflamatório ou de micronutrientes 6.1 Declarações sobre carga ácida Gestão Dietética da Produção Líquida de Ácido (NEAP) Em adultos com DRC 1-4, sugerimos reduzir a NEAP pelo aumento da ingestão de frutas e vegetais a fim de reduzir a taxa de declínio da função renal residual. Manutenção de bicarbonato Em adultos com DRC 3-5D para reduzir a taxa de declínio da função renal residual Em adultos com DRC 3-5D, é razoável manter os níveis de bicarbonato sérico em 24-26 mmol/L 6.2 Declarações sobre cálcio Em adultos com DRC 3-4 que não tomam análogos ativos da vit D, sugerimos que uma ingestão total de Ca elementar de 800-1.000 mg /d (incluindo cálcio dietético, suplementação de cálcio e aglutinantes de fosfato à base de cálcio) devem ser prescritos para manter um equilíbrio de cálcio neutro Ingestão total de cálcio Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 78 KDOQI: Doença Renal Crônica 6.2 Declarações sobre cálcio Em adultos com DRC 5D, é razoável ajustar a ingestão de Ca (na dieta, suplementos de Ca ou à base de Ca ligantes) com consideração do uso simultâneo de análogos da vit D e calcimiméticos, a fim de evitar hipercalcemia ou sobrecarga de Ca 6.3 Declarações sobre Fósforo Quantidade de P na dieta Em adultos com DRC 3-5D, recomendamos ajustar a ingestão de P na dieta para manter os níveis de fosfato sérico na faixa normal Fonte de P na dieta Em adultos com DRC 1-5D ou pós-Tx, é razoável ao tomar decisões sobre o tratamento de restrição de P considerar a biodisponibilidade de fontes de P (ex: animal, vegetal, aditivos) Ingestão de P na hipofosfatemia Para adultos com DRC pós-Tx com hipofosfatemia, é razoável considerar a prescrição de alta ingestão de P (dieta ou suplementos) para repor o fosfato sérico 6.4 Declarações sobre Potássio Quantidade de K na dieta Em adultos com DRC 3-5D ou pós-Tx é razoável ajustar a ingestão dietética de K para manter o K sérico dentro da faixa normal Ingestão alimentar e suplementar de potássio para hipercalemia ou hipocalemia Em adultos com DRC 3-5D ou pós-Tx com hipercalemia ou hipocalemia sugerimos que a ingestão dietética ou suplementar de potássio seja baseada nas necessidades individuais do paciente e no julgamento clínico 6.5 Declarações sobre sódio Ingestão de Na e pressão arterial Em adultos com DRC 3-5, 5D ou pós-Tx, recomendamos limitar a ingestão de Na para < 100 mmol / d (ou <2,3 g / d) para reduzir a PA e melhorar o controle de volume Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Em adultos com DRC 3-5, sugerimos limitar a ingestão de Na a 79 KDOQI: Doença Renal Crônica 6.5 Declarações sobre sódio Ingestão de Na e proteinúria < 100 mmol / d (ou <2,3 g / d) para reduzir a proteinúria sinergicamente com as intervenções farmacológicas disponíveis Ingestão de Na e peso corporal seco Em adultos com DRC 3-5D sugerimos a redução da ingestão de sódio na dieta como uma estratégia adjuvante de modificação do estilo de vida para obter melhor controle de volume e um peso corporal mais desejável Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Anotações Escreva aqui tudo que você julgar ser importante 1280 Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 -P rotegido por E duzz.com 2 DOENÇAS HEPÁTICAS Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Introdução 82 Doenças Hepáticas As doenças hepáticas agudas e crônicas podem ser consequentes a lesões no parênquima hepático provacadas por agentes químicos virais farmacológicos ou outros componentes tóxicos que alteram a estrutura morfológica e a capacidade funcional dos hepatócitos O fígado é considerado o órgão central do metabolismo, pesando aprox. 1200 e 1500g, com células altamente diferenciadas e que desempenham diversas funções essenciais é perfundido com sangue venoso proveniente da circulação portal (rico em nutrientes) e também com sangue proporcionalmente rico em O2, proveniente da artéria hepática essa dupla irrigação confere ao órgão heterogeneidade funcional e grande capacidade metabólica Principais agentes etiológicos das doenças hepáticas agudas e crônicas Agentes Doenças hepáticas Aguda Crônica Virais Vírus A (HAV) -x Vírus B (HBV) xx Vírus C (HCV) xx Vírus D (HDV) xx Vírus E (HEV) xx Fármacos Acetaminofeno -x Halotano -x Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Introdução 83 Doenças Hepáticas Distúrbios metabólicos Doença de Wilson xx Hemocromatose xx Galactosemia x- Tóxicos Álcool xx Extratos de ervas e chás -x Doença secundária Cirrose biliar primária x- Colangite esclerosante x- Fibrose cística x- Principais funções do fígado: Formação da bile; Síntese de ureia; Metabolismo do colesterol; Glicogênese e gicogenólise, gliconeogênese; Armazenamento de ferro, vit. lipossolúveis e B12; Síntese de proteínas plasmáticas: albumina, globulina, transferrina, etc Detoxificação de diversas drogas e toxinas externas (xenobióticos) Caracterização das doenças hepáticas crônicas (DHC) Caracteriza todas as doenças hepáticas que podem apresentar curso crônico como: hepatite, cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular (CHC) CIRROSE forma mais grave do dano hepático, tendo como causas: HBV, HCV, excesso de etanol, fármacos, doenças autoimunes, alimentação rica em produtos industrializados contendo xarope de milho rico em frutose, gordura saturada e trans Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 84 Doenças Hepáticas Caracterização das doenças hepáticas crônicas (DHC) As DHC podem ser caracterizadas por: agressão e necrose celular resposta imunológica regeneração nodular que comprometem a estrutura hepática e a capacidade funcional dos hepatócitos. Pela grande capacidade funcional e regenerativa, as manifestações clínicas tendem a surgir tardiamente quando o parênquima hepático já apresenta lesões graves e muitas vezes irreversíveis Sinais clínicos de doença hepática crônica, investigação e TN na DHC Quadro clínico Investigação Terapia nutricional Identificar presença de esteatorreia ou sangue nas fezes Diarreia Indicar TCM e suplementos de Fe e complexo B, respectivamente Albumina, proteínas totais, Na e K séricos Ascite e edema Suplementação vitamínica e administração de albumina oral ou endovenosa Avaliação nutricional com BIA e semiologia nutricional Perda de peso Rever prescrição de proteína, energia e restrições desnecessárias Exame clínico, semiologia nutricional e identificação de anemia Adinamia Rever prescrição dietética e analisar custo-benefício de suplementação hipercalórica e hiperproteica ou de micronutrientes específicos Endoscopia comescleroterapia Hemorragia digestiva Suspender alimentação até o controle da hemorragia / Introdução de SNG sob aspiração Níveis de amônia plasmática Testes psicométricosEncefalopatia hepática Instituir terapia especializada com AACR, probióticos, simbióticos e controle da ingestão proteica pref. de origem vegetal Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com A inflamação no microambiente e a maior produção de colágeno favorece a evolução da esteato-hepatite não alcoólica (NASH) para a cirrose Geralmente é resultante de alterações fisiopatológicas crônicas, envolvendo aumento da síntese hepática, oxidação deficiente e redução da secreção hepática de lipídeos para a corrente sanguínea e tecidos extra-hepáticos. Pode ocorrer na: obesidade, doença alcoólica do fígado (DAF), caquexia, distúrbios metabólicos, hepatite C, na resistência à insulina (RI) e no DM. 85 Doenças Hepáticas Principais Doenças Hepáticas Crônicas ESTEATOSE HEPÁTICA Caracterizada pela infiltração gordurosa nos hepatócitos sendo que a morfologia e o tamanho das vesículas caracterizam o acúmulo de gordura como um processo agudo ou crônico Geralmente está associada com a disfunção hepática grave, por sua vez relacionada com alteração na via de betaoxidação dos ácidos graxos livres. Essa alteração pode ocorrer de forma aguda na gestação e na síndrome de Reye. Esteatose microvesi- cular Esteatose macrovesi- cular A esteatose hepática de qualquer etiologia está relacionada à atividade necroinflamatória e fibrose diagnosticadas pela biópsia hepática promove a fibrose hepática, com consequente indução da cirrose, da insuficiência hepática e possivelmente do CHC DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO ALCOÓLICA (DHGNA) É um termo genérico para designar várias anormalidades hepáticas relacionadas com depósito de lipídeos no citoplasma dos hepatócitos em pacientes sem consumo excessivo de etanol. Inclui desde a esteatose hepática benigna até a NASH Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Gatilho importante no processo patogênico da DHGNA, pois aumenta a lipogênese de novo no fígado e estimula a lipólise Os sistemas antioxidantes enzimáticos e não enzimáticos não são capazes de evitar o dano hepático gatilhos relacionados com um ambiente obesogênico e dismetabólico Esses gatilhos ou múltiplos eventos (hits) ambientais podem induzir a 86 Doenças Hepáticas Principais Doenças Hepáticas Crônicas Os mecanismos envolvidos na patogênese da DHGNA são complexos e envolvem diferentes gatilhos inflamatórios ativados concomitantemente associados à Suscetibilidade genética Resistência à insulina (RI) Padrão alimentar ocidental Presença de disbiose intestinal RI aumentando o influxo de ácidos graxos livres para os hepatócitos além de aumentar a produção e a liberação de citocinas pró- inflamatórias e adipocinas. Ocorre ainda o acúmulo de gordura no fígado na forma de TAG em consequência da: lipotoxicidade, altos níveis circulantes de ácidos graxos e colesterol livre e outros metabólicos lipídicos e esses processos inflamatório e oxidativo hepático crônicos estão relacionados à evolução da esteatose para a NASH A NASH é mais prevalente entre obesos, sobretudo naqueles com HAS, hiperglicemia, RI, hipertrigliceridemia > 150 mg/dL, com valores de HDL < 40 mg/dL e 50 mg/dL, para homens e mulheres, respectivamente. Portanto, a DHGNA pode ser induzida por disbiose, estresse oxidativo, inflamação subclínica e RI lipogênese hepática de novo lipotoxicidade disfunção mitocondrial via ativação da transcrição gênica Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 87 Doenças Hepáticas Principais Doenças Hepáticas Crônicas Mecanismos fisiopatológicos associados à DHGNA e à NASH A DHGNA está também relacionada com alterações no metabolismo lipídico, glicídico e inflamação, envolvendo ativação ou inativação dos receptores ativados por proliferadores de peroxissoma (PPAR-alfa, PPAR-beta e PPAR-gama) Esses receptores formam um subgrupo de fatores de transcrição ativados por ligante, que pertencem à família receptor nuclear hormonal expressos diferencialmente nos tecidos hepático, adiposo e muscular. O PPAR-alfa superexpresso no fígado modula o catabolismo lipídico e é alvo de drogas hipolipemiantes. Agonistas PPAR-alfa podem inibir a atividade transcricional do fatorde transcrição nuclear kappa B (NF-Kb), que modula a ativação de genes responsáveis pelo desenvolvimento de inflamação, sugerindo um benefício terapêutico promissor dos ligantes de PPAR-alfa no tratamento de doenças inflamatórias como a DHGNA Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com Sendo, portanto, recomendada para pacientes com excesso de peso (> 25 Kg/m²) A redução de até 1 kg/semana é desejável e pode ser obtida pela redução de 500 a 1.000 kcal/dia, mas não são recomendadas estratégias que induzam o rápido emagrecimento. 88 Doenças Hepáticas Principais Doenças Hepáticas Crônicas A perda de peso, princ. de forma gradual, pode contribuir para total reversão do quadro histológico Perda de 5% do peso: já é suficiente para promover estabilização da fibrose em 94% dos casos; Perda de aprox. 10% em 6 meses e redução da CA: redução da inflamação e da fibrose hepática. Devem-se evitar restrições energéticas excessivas, > 1.000 kcal/dia, porque promovem PP rápida e intensa, promovendo a mobilização dos TAG armazenados no tecido adiposo, a evolução da esteatose e a intensificação do dano hepatocelular. Oferta de CHO: 45 a 65% do VET Priorizar CHO complexos de média e baixa carga glicêmica; Mono e dissacarídeos: não deve ser estimulada a ingestão (máx. 5% do VET); Produtos contendo xarope de milho e frutos (flocos e cereais, biscoitos doces, refrigerantes, sucos artificiais, “barrinhas” de cereais e iogurtes industrializados), devem ser evitados em razão da ação da sobrecarga de frutose sobre o desequilíbrio da lipogênese hepática. Gorduras totais: Até 30% do VET Os PUFA ômega 3 apresentam efeitos positivos. Os DHA e EPA induzem biologicamente o catabolismo de constituintes lipídicos no parênquima hepático, por meio da ativação da via medida pelo PPAR-alfa e inibem a transcrição de genes com ação lipogênica no fígado. .Efeito favorável também na redução das transaminases, do percentual de gordura intra-hepática e dos níveis de TAG. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 89 Doenças Hepáticas Principais Doenças Hepáticas Crônicas Está relacionado com a redução do acúmulo de lipídeos hepáticos mesmo sem a perda de peso, o que indica que a composição da dieta é fundamental para o tratamento da DHGNA. Padrão alimentar mediterrâneo: Também podem modular o metabolismo hepático de lipídeos. A administração de aprox. 25 g de proteína da soja pode controlar a dislipidemia associada, reduzir a GJ e aumentar a tolerância à glicose. A soja atua no metabolismo lipídico nos tecidos hepático e adiposo, favorecendo a manutenção da homeostase orgânica. Constituintes bioativos da soja (isoflavonoides, genisteína, daidzeína): Parece ter efeito protetor contra o CHC, com efeito redutor da inflamação e do estresse oxidativo. O consumo de 2 a 3 xícaras/dia associa-se com redução de aprox. 40% do risco de CHC. Café (cafeína e compostos fenólicos): Também parecem ter efeito benéfico. Diferentes cepas probióticas e fibras prebióticas, têm sido testadas indicando redução dos níveis de ALT, TNF-alfa, PCR, endotoxina e do índice HOMA-IR. Adicionalmente, a terapia com simbióticos parece ter efeitos na redução da GJ, TAG e citocinas. Probióticos, prebióticos e simbióticos: Outros compostos bioativos como betaína, same, antocianinas, reveratrol, flavonoides, quercetina, silibina, vitaminas C, D e E e minerais como cobre e selênio são potenciais candidatos na promoção de efeitos benéficos para pacientes com DHGNA, mas que ainda precisam ser comprovados em estudos clínicos bem conduzidos. DOENÇA HEPÁTICA ALCOÓLICA OU DOENÇA ALCOÓLICA DO FÍGADO (DAF) Geralmente, a DAF pode apresentar-se de três formas diferentes: Esteatose hepática Hepatite alcoólica aguda ou crônica Cirrose alcoólica Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com que é convertido em acetil- CoA pela acetaldeído desidrogenase nas mitocôndrias 90 Doenças Hepáticas Principais Doenças Hepáticas Crônicas Ocorre em aprox. 80% dos casos que apresentam ingestão excessiva de álcool (geralmente quando o consumo diário de etanol for de aprox. 40 a 60 g.) Caracteriza-se pelo acúmulo de TAG no citoplasma celular, geralmente com manutenção da função hepática e reversão total do quadro após abstinência alcoólica. Esteatose hepática Ocorre quando o consumo excessivo de álcool persiste por 15 a 20 anos, podendo estar associada com a colestase importante, geralmente mais grave em mulheres em razão de maior suscetibilidade ao abuso do etanol. Hepatite alcoólica aguda É a forma mais grave e ocorre por causa de inflamação persistente, necrose tecidual ocasionada pelo efeito tóxico do acetaldeido com consequente ativação das células de Ito e síntese de colágeno. Observa-se a deposição de colágeno, com formação de pontes e nódulos de regeneração com tecido fibroso e inativo. Cirrose alcoólica O metabolismo do álcool ocorre por 2 principais vias: O etanol é oxidado pela enzima álcool desidrogenase (ADH) com liberação de acetaldeído Essa via ocorre nos hepatócitos, sendo ativada quando o alcoól é ingerido em baixas concentrações e resulta no aumento da NAD+, com consequente redução da betaoxidação e esteatose hepática É ativada em situações de elevada concentração de etanol. Ocorre por meio da ativação da CYP2E1 e observa-se alta de produção de espécies reativas de oxigênio, que resulta em peroxidação lipídica, depleção mitocondrial de glutationa e S-adenosilmetionina (SAMe). A ativação continuada dessas duas vias resulta em estresse oxidativo e lesão hepatocelular. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com A sintomatologia da fase aguda geralmente é controlada em 30 dias naqueles com desnutrição moderada e em 6 meses ou mais naqueles com desnutrição grave 91 Doenças Hepáticas Desnutrição Associada com aumento na taxa de mortalidade, que pode atingir 80% em pacientes subnutridos graves Anorexia, decorrente da saciedade precoce por níveis elevados de TNF-alfa, ou resultante de náusea e vômito Causas da baixa ingestão alimentar: Substituição do alimento por álcool No hospital: suspensão da ingestão para realizar procedimentos ou testes diagnósticos Ingestão comprometida por complicações associadas à doença avançada, como hemorragia GI, pancreatite ou hipertensão portal Restrição da ingestão de sódio e fluidos (baixa palatabilidade) As diretrizes da Associação Americana para o Estudo de Doenças Hepáticas recomendam uma oferta proteica e energética de: 1,2 a 1,5 g/kg/dia 35 a 40 kcal/kg/dia Recomendações e estratégias nutricionais para controle da esteatose hepática alcoólica e não alcoólica Recomendações Estratégias Ofertar alimentos energéticos em quantidade para manter ou alcançar o peso ideal Fracionar a dieta de forma a evitar o jejum prolongado Energia 45 a 65% do VET Ofertar refeições de baixa a média carga glicêmica Carboidratos Oferta máxima de 5% do VET Evitar açúcar de adição, doces e alimentos processados contendo xarope de milho rico em frutose Mono e dissacarídeos Principais Doenças Hepáticas Crônicas Aspectos Nutricionais da DAF Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 92 Doenças Hepáticas Principais Doenças Hepáticas Crônicas 20 a 30g/dia ou 14g/1000 kcal Estimular o consumo de cereais integrais , raízes e tubérculos / Incluir alimentos fontes de fibras prebióticas, como alho, cebola, farelo de aveia, chicória, alcachofra e cogumelos Fibras 20 a 30% do VETGordura < 10% do VET Evitar consumo de carne bovina e suína, especialmente carne processada (salsicha, linguiça, presunto, salame, mortadela, etc), maionese, margarina, molhos prontos, banha, óleo de coco e excesso de manteiga SFA < 20% do VET Incluir azeite de oliva extravirgem, oleaginosas e abacte MUFA < 10% do VET Preferir consumo de peixes de carne branca, óleo delinhaça, gergelim e girassol / Evitar frituras e uso excessivo de óleo de soja, preferindo alimentos grelhados, assados, cozidos e ensopados / Suplementação sugerida com 1,2 a 2 de ác. graxos w-3 PUFA 15 a 20% do VET ou 0,8 a 1 g/Kg Incentivar o consumo de peixes, aves e fontes de proteína vegetal, com grãos de soja, alimentos à base de soja fermentada, ervilha, lentilha, grão-de-bico, feijões e outras leguminosas Proteína Atender à DRI Consumir aprox. 4 a 5 porções de frutas e hortaliças, sendo uma porção de folhosos verde-escuros e uma porção de oleaginosas Vitaminas e minerais Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 93 Doenças Hepáticas Ofertar diferentes compostos bioativos com polifenois, sulforafanos e resveratrol Além do consumo de frutas e hortaliças , alimentos crucíferos como brócolis, couve-flor, couve- de-bruxelas, rúcula, repolho, couve, agrião devem ser estimulados. Deve-se ainda estimular o consumo de café e especiarias como cravo, cúrcuma, gengibre e canela Compostos bioativos Principais Doenças Hepáticas Crônicas HEPATITE CRÔNICA VIRAL São causadas por 5 vírus: VHA VHB VHC VHD VHE Tem um amplo espectro clínico, que varia desde formas assintomáticas até a insuficiência hepática grave Geralmente o diagnóstico das hepatites virais, principalmente HBV e HCV, ocorre quando a infecção viral já está na fase crônica É a mais prevalente. Principal via de contágio: fecal-oral, por contato inter- humano ou por meio de água e alimentos contaminados. Na maioria dos casos é autolimitada e de caráter benigno e a vacina hepatite A faz parte do calendário de vacinação do SUS para crianças com menos de 12 a 23 meses. VHA Podem apresentar-se nas formas aguda e crônica. Transmissão: via parenteral, princ. por meio do compartilhamento de objetos perfurocortantes (alicates, agulhas e seringas), piercings, tatuagens, manicure, procedimentos odontológicos, ou cirúrgicos realizados em locais que não seguem adequadamente as normas de segurança; via sexual, princ. por relações sexuais desprotegidas e parto normal. Outros líquidos orgânicos, como saliva, sêmen, secreção vaginal e leite materno podem igualmente conter o vírus e constituir fontes de infecção. A HBV é uma doença imunoprevenível. VHB e VHC Importante problema de saúde pública, estando associadas à significativa taxa de morbimortalidade por DHC. O HCV apresenta grande variabilidade genética, podendo ser classificado em genótipos Os genótipos 1 e 3 estão associados com maior RI e maior risco para esteatose hepática, devendo-se considerar isso para um tratamento nutricional adequado. Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com 94 Doenças Hepáticas Principais Doenças Hepáticas Crônicas Características clínicas e impacto nutricional das hepatites virais mais prevalentes VHB VHC Infecção aguda e crônica Infecção aguda e crônicaApresentação HBsAg/anti-HBs HBeAg/anti-HBe anti-HBc total HBV-DNA Anti-HCV HCV-RNA Sorologia Desde formas assintomáticas ou casos subclínicos com presença de fadiga, anorexia, náuseas e mal-estar geral. O período da doença aguda pode caracterizar-se pela presença de urina escura (colúria), fezes esbranquiçadas (acolia) e icterícia. A doença crônica pode apresentar hipertensão portal, edema, ascite ou encefalopatia hepática. Sintomatologia IFN-alfa peguilado (PegIFN- alfa) e os análogos de nucleotídeos (entecavir e tenofovir) Ribavirina e inibidor de protease (ledispavir, sofosbuvir, daclastavir, ritonavir, ombitasvir, dasabubir, simeprevir) Tratamento medicamentoso Fadiga, anorexia, alopecia, alteração do humor, ansiedade e irritabilidade, depressão Febre, cefaleia, anemia, mal- estar, anorexia, perda de peso, hipotireoidismo, distúrbios psiquiátricos, alopecia, plaquetopenia, leucopenia Eventos adversos Considerar aspecto clínico (sintomatologia, estágio da doença, uso de medicamentos e presença de comorbidades) e estado nutricional Obesidade e comorbidades associadas (RI, DM, HAS, DLP e DCV). Implicações sobre a TN RI, esteatose hepática, síndrome metabólica e desnutrição Aspectos nutricionais da Hepatite Crônica Viral Objetivos da TN: Promover alimentação saudável, manutenção do peso adequado, prevenir ou tratar obesidade, desnutrição ou deficiência de nutrientes específicos Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com - Oferta adequada de nutrientes - Manutenção do peso saudável - Melhorar resposta imunológica - Incorporação de recomendações específicas da presença de comorbidades - Promover melhor qualidade de vida 95 Doenças Hepáticas Principais Doenças Hepáticas Crônicas A TN deve ser individualizada mas geralmente os pacientes com hepatite viral não precisam seguir restrições alimentares específicas. Pacientes em tratamento antiviral podem apresentar efeitos colaterais. Intervenções nutricionais podem ajudar a gerenciar o desconforto provocado pela medicação, no manejo de comorbidades, bem como situações de erros alimentares, tabus, aversões ou intolerâncias alimentares. Energia Levar em consideração a história clínica do paciente e o diagnóstico nutricional; Dieta normo a hipercalórica Hiperproteica Normoglicídica Normolipídica Recomendações para macronutrientes, líquidos e sódio nas hepatites B e C Hepatites crônicas B e C sem cirrose Objetivo da TN 25 a 40 Kcal/diaEnergia 1,2 a 1,5 g/Kg/diaProteína 50 a 55%Carboidratos 30 a 35%Gordura 1 ml/Kcal ou 20 a 55 anos = 35 ml/Kg 55 a 75 anos = 30 ml/Kg Líquidos Até 2g/dia na presença de ascite ou edema Sódio Auxílio na prevenção e tratamento da HAS e da retenção hídrica Podem-se adotar também as recomendações da OMS e FAO HEPATITE AUTOIMUNE É uma doença hepática inflamatória, de origem desconhecida, caracterizada por altos níveis de transaminases e imunoglobulina G (IgG) Afeta todas as idades e tem prepoderância no sexo feminino Licenciado para - A riane de O liveira R ocha - 13467331637 - P rotegido por E duzz.com