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Contratos de Transferência de Tecnologia

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AULA 5 
DIREITO DIGITAL APLICADO 
Prof. Charles Emmanuel Parchen 
 
 
2 
TEMA 1 – CONTRATOS DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA 
A importância da transferência de tecnologia é inegável. Graças a ela, 
países menos desenvolvidos têm o potencial de ter acesso a bens e serviços que, 
pelos seus próprios esforços, estariam distantes da realidade. 
Como exemplo, podemos citar a aquisição no ano de 2014, pelo Brasil, das 
aeronaves de defesa suecas Gripen, fabricados pela empresa Saab. O valor inicial 
do contrato é de US$ 5,4 bilhões para a compra de 28 caças (Aeromagazine, 
2014, p. 1). Nesse sentido, o CEO da empresa à época afirmou, em entrevista: 
“Vamos transferir tecnologia e capacidade de projetar e construir caças” 
(Aeromagazine, 2014, p. 1). 
O contrato se mostrou necessário e vantajoso ao Brasil por conta da 
necessidade da renovação de sua frota de caças de defesa aérea. Contudo, os 
entraves decorrentes da ausência de tecnologia própria impediram o país de 
construir a sua própria aeronave no mesmo nível das demais nações. 
Mais recentemente, no ano de 2020 e devido à pandemia de covid-19, o 
Brasil firmou contrato de transferência de tecnologia com a empresa britânica 
AstraZeneca, para a produção de vacinas visando a imunização da população 
(Fiocruz, 2020, p. 1). 
A Fundação Oswaldo Cruz, responsável pela vacina no país, afirmou em 
nota que: “O acordo com a AstraZeneca garante não apenas o acesso a um 
volume expressivo de uma das vacinas mais promissoras que segue em estudo 
clínico de fase 3, como também assegura a transferência total da tecnologia para 
Bio-Manguinhos/Fiocruz” (Fiocruz, 2020, p. 1). 
Mas nem só de importação de tecnologia vive o Brasil: o país também é 
exportador de tecnologia, naquilo que obteve a excelência ou o “estado da arte”. 
Como exemplo, podemos citar o contrato com a Argentina, para transferência da 
tecnologia da plataforma Consumidor.gov para este país. O objetivo é promover 
a rápida resolução de conflitos entre consumidores e fornecedores (Ministério da 
Justiça, 2019, p. 1). 
Por outro lado, a empresa de fabricação de armas Taurus firmou contrato 
de transferência de tecnologia com a Índia, para que o país tenha o know-how 
(conhecimento) do processo fabril de pistolas, revólveres e fuzis. O investimento 
é da ordem de US$ 20 milhões (Exame, 2020, p. 1). 
 
 
3 
Percebemos, com esses exemplos, que os benefícios da transferência de 
tecnologia extrapolam a questão meramente econômica e rendem cooperações 
nacionais e internacionais que tem o condão de beneficiar a coletividade, de forma 
direta ou indireta. 
1.1 Origem e pequeno apanhado histórico 
Feita a contextualização do que representa a transferência de tecnologia 
em termos de mercado, contratos e importância, cumpre a nós vislumbrarmos, 
rapidamente, as fases históricas decorrentes deste tipo de contratação. O objetivo 
é verificarmos que o tema não é inédito nem novo, e advém desde o século XVIII. 
Nesta época houve a chamada 1ª fase da transferência de tecnologia, em 
que as Revoluções industriais inglesa e francesa forçaram a migração de 
trabalhadores por toda a Europa. Com isso, levaram consigo toda a sua expertise 
e know-how (conhecimento) adquirido em processos fabris que já eram liderados 
por máquinas e aparatos mecânicos, como por exemplo, a prensa hidráulica e os 
fornos a vapor. 
Aqui, precisamos perceber que a maquinaria ainda não representava, por 
si só, transferência de tecnologia, pois eram grandes e pesadas demais para 
serem transportadas. Ademais, com o surgimento do maquinário, diversas 
legislações locais impediram a circulação de equipamentos entre países, devido 
à dificuldade de transporte. 
Isso obrigou o operariado a aprender no local de trabalho (training-on-the-
job): a aprendizagem era empírica, um tanto informal e repassada de trabalhador 
para trabalhador pela experiência adquirida pelos anos de trabalho repetitivo. 
Uma segunda fase da transferência de tecnologia foi inaugurada no século 
XIX, com a padronização das máquinas e diminuição de seus tamanhos, o que 
levou os fabricantes a vendê-las em catálogos. Assim, o foco passou a ser a 
importação, em que a tecnologia rapidamente começou a se espalhar pelos 
países europeus. 
Aqui nasceram as primeiras legislações de proteção à propriedade 
industrial e intelectual, com o surgimento de contratos específicos de cessão e 
licenciamento de marca, patentes e know-how. 
Por sua vez, uma terceira fase, já no século XX foi marcada pela revolução 
das comunicações e transportes, que facilitaram o fluxo da informação e 
 
 
4 
consequentemente, da transferência de tecnologia. Ganhou corpo, nos Estados 
Unidos, o Plano Marshall, de transferência de tecnologia militar. Neste sentido: 
A despeito dos aspectos positivos oriundos das transferências 
estadunidenses aos países do Plano Marshall, Wall (2001) afirma não 
ter sido a transferência de dinheiro e de produtos, como matérias-primas, 
alimentos e produtos industriais, o fator mais importante do Plano 
Marshall, mas as condições impostas pelos norte-americanos aos 
países que receberam os investimentos, que eram a política de 
estabilização monetária e anti-inflacionária e o incentivo à integração 
europeia e à cooperação intraeuropeia. Para os Estados Unidos, o mais 
importante foi o estabelecimento da relação transatlântica entre a 
Europa e os EUA, pois isso outorgou incontáveis êxitos aos norte-
americanos, que englobavam a recuperação da Europa Ocidental, a 
garantia desses mercados e o aumento de sua projeção política. (Simon, 
2011, p. 39) 
Na mesma época houve a criação da OCDE (Organização para 
cooperação econômica e desenvolvimento). Ela foi a responsável, por exemplo, 
por mandar pesquisadores estudarem a produtividade das empresas americanas 
no pós-Guerra, replicando o modelo de superavit econômico nas demais nações 
europeias. 
Nos anos 1980, com a informática e a miniaturização, houve a 
concentração de transferência de tecnologia a nível internacional, consagrando-
se imensos oligopólios mundiais. O chamado I.D.E (investimento direto externo), 
que nada mais são do que aportes de dinheiro estrangeiro, ou ainda, aquisição de 
participação no capital social de empresa brasileira por investidor não residente 
no país ou com sede no exterior (Bacen, [S. d.], p. 1), passaram a ser o principal 
canal de transferência de tecnologia. Seus benefícios são apontados no excerto 
abaixo: 
Ademais, o IDE também teria a função de modernizar e racionalizar as 
estruturas produtivas domésticas, notadamente a da indústria, 
aportando novas tecnologias e induzindo ganhos de produtividade. 
Assim sendo, embora no curto prazo aumentassem as importações de 
máquinas, insumos e componentes industriais, a médio e longo prazos 
ter-se-ia uma ampliação da capacidade competitiva da produção 
doméstica, o que potencializaria o desempenho exportador e viabilizaria 
a internalização de parcela significativa da produção inicialmente 
importada. Em consequência, melhoraria o saldo comercial, reduzindo-
se as necessidades de financiamento externo, atualmente uma das 
maiores restrições ao crescimento econômico. (Garcia, 2000, p. 75) 
Com isso houve a fragmentação da produção em cadeias globais de valor, 
em que normas e métodos de produção passaram a ser facilmente transferidos. 
Precisamos ainda perceber que até os anos 1980, o foco era o das transferências 
cruzadas de tecnologia entre aquelas nações mais industrializadas e as menos. 
 
 
5 
Após os anos 1980, o com apoio de governos, internamente o foco mudou 
para a transferência doméstica de tecnologia. Isso abriu portas para, já nos anos 
1990, inúmeras cooperações e contratos de transferência de tecnologia de 
desenvolvimento regional econômico, tais como os feitos no âmbito do Mercosul, 
Nafta, União Europeia e outros. 
Nos anos 2000, as transferências de tecnologia passaram a ter centro em 
produtos e serviços altamentedesenvolvidos, como importação de metrôs, trens, 
escavações, fármacos, armamentos e computadores. Contemporaneamente, tal 
tônica continua a mesma, com especial atenção aos fármacos, por conta da já 
aludida pandemia de covid-19. 
TEMA 2 – CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DA TRANSFERÊNCIA DE 
TECNOLOGIA 
Passada a questão histórica afeta à transferência de tecnologia, cumpre 
vermos, agora, o seu conceito. Para Roessner, citado por Pagani (2016, p. 28) ela 
é “o movimento de know-how, conhecimento tecnológico ou de tecnologia, de um 
ambiente organizacional para outro”. Já para Cysne (1996, p. 8), é a “aquisição, 
entendimento, absorção e aplicação de uma tecnologia ou processo tecnológico”. 
No mesmo sentido, afirmam Besant e Rush, citados por Cysne (1996, p. 9): 
“conjunto de atividades e processos por meio do qual uma tecnologia é passada 
de um usuário para outro”. A finalidade da transferência é elevar o padrão 
tecnológico e competitivo de países e empresas, valendo-se do estado da arte já 
disponível (Dias, [S. d.], p. 1). 
Já sabemos que a transferência de tecnologia pode ser realizada entre 
países ou entre empresas, sendo que ela envolve firmas, governos, agências, 
laboratórios, universidades, ONGs, escolas, polícias, bombeiros, pequenos 
comércios etc.: ou seja, o escopo de aplicação é bastante amplo e flexível. 
Pode ser ela, ainda: 1) horizontal, em que há uma tecnologia produzida ou 
apropriada por uma parte (pessoa, empresa, instituto de pesquisa, dentre outros) 
que começa a ser utilizada por outra parte. Nesse último caso ocorre o processo 
de difusão das inovações entre empresas e países sendo a comercialização de 
tecnologia um dos principais modos de transferi-la horizontalmente (Santos, 2012, 
p. 30) ou; 2) vertical, em que os conhecimentos gerados em uma fase do processo 
são incorporados ou utilizados nas fases seguintes (Santos, 2012, p. 30). 
 
 
6 
Ainda, pode ser: 3) lícita, feita por intermédio de negócios jurídicos como 
os contratos ou; 4) ilícita, decorrente de contrabando, descaminho, espionagem 
etc. também pode ser classificada como: 5) total, em que todo o conhecimento é 
transferido e/ 6) parcial, em que apenas parte do know-how é objeto de 
transferência, protegendo-se os interesses soberanos e segredos industriais que 
não podem ser revelados ou compartilhados. 
Há alguns pressupostos para sua caracterização. O primeiro deles diz 
respeito ao fato de que nenhum país detém toda a tecnologia do mundo, por mais 
avançado que seja. Assim, sempre haverá algum grau de dependência, maior ou 
menor, de outras nações. 
Vemos aqui que, nesse aspecto, a transferência de tecnologia sofre 
críticas, pois podemos desde já vislumbrar que ela parece implicar, pelo país ou 
empresa que a recebe, a assunção de sua própria incapacidade de conseguir 
alcançar resultados pelos seus próprios esforços, quando a dependência do outro 
sempre será a tônica. 
Neste sentido: 
Os países periféricos já começam a reconhecer a necessidade de obter, 
principalmente por esforços próprios, maior domínio de conhecimento 
tecnológico. É preciso encontrar formas mais eficazes para que 
erradiquem a dependência tecnológica que tem caracterizado seu 
passado colonial. (Cysne, 1996, p. 5) 
Outro pressuposto é o de que a capacidade humana, sozinha, para 
invenções e criatividade é grande, mas sempre limitada. Assim, a união de 
esforços serve a romper as barreiras e entraves decorrentes da limitação humana. 
Até porque percebemos claramente que, com a transferência de tecnologia, 
existem países que simplesmente, sem ajuda de outros, não conseguem competir 
ou alcançar resultados eficazes. 
Já como motivos, podemos citar que, do ponto de vista econômico, há um 
evidente crescimento, propiciando corte de gastos, melhoria na balança 
comercial, aumento de vendas, arrecadação de royalties (direito de uso), aumento 
na lucratividade etc. 
Como motivo social, a transferência de tecnologia proporcional mais 
qualidade de vida, avanço sustentável da sociedade, aumento de empregos, 
melhoria do ambiente tecnológico, aumento de mercados e de consumo. 
 
 
7 
Os motivos operacionais são correlatos à ideia de que há uma maior escala 
de produção de produtos e serviços, uso eficiente do capital e trabalho, diminuição 
do tempo na implementação do trabalho etc. 
Motivos estratégicos também fazem parte da transferência de tecnologia: 
entrada em mercados internacionais, melhoria da qualidade dos produtos e 
serviços, maior gestão tecnológica etc. E há motivos pessoais, tais como 
benefícios com aprendizado, melhoria da carreira e profissão, aumento de renda 
e salário etc. 
2.1 Etapas da transferência de tecnologia 
Podemos representar as etapas da transferência de tecnologia, da primeira 
à última, em um fluxograma: 
Figura 1 – Etapas da transferência de tecnologia 
IMPORTAÇÃO DE 
TECNOLOGIA 
APRENDIZADO E INTERNALIZAÇÃO 
SUBSTITUIÇÃO DO 
MODELO DE 
IMPORTAÇÕES 
POR UM MODELO 
PRÓPRIO 
A figura nos permite vislumbrar que a transferência de tecnologia só 
efetivamente será benéfica a um país se ele conseguir substituir o modelo de 
importações (1ª etapa) por um desenvolvimento próprio de tecnologia agregada. 
Logo, a conclusão é a de que a dependência do modelo escolhido para ser 
importando deve ser transitória e nunca perene. 
Decompondo a ideia constante do fluxograma apresentado, pode-se 
destacar que, na primeira etapa, há a necessidade de aquisição da tecnologia, 
por contrato, e sua transferência ao âmbito local em que será aplicada. Na 
segunda fase, há o aprendizado doméstico, incorporação e adaptação do produto 
ou serviço e dos processos ao meio do receptor. 
Na terceira etapa, o país, internamente, passa a produzir parte dos 
componentes necessários à implementação de inovações ao pacote de 
tecnologias adquirido (Barbieri; Delazaro, 1993, p. 1). Se tudo isso for 
 
 
8 
devidamente observado, o resultado final são a criação de pacotes tecnológicos 
mais eficientes e produtos e serviços de melhor qualidade. 
2.2 Principais tipos de contratos de transferência de tecnologia 
Quanto aos principais tipos de contratos de transferência de tecnologia, 
importa esclarecer que o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) adota 
classificação diversa do que a encontrada na maioria da doutrina. Para o INPI, 
são os seguintes contratos, os passíveis de transferência de tecnologia: 1) uso de 
marca (licenciam a utilização de marcas registradas ou de pedidos de registro 
depositados no INPI); 2) exploração de patentes (licenciam o uso de patentes 
concedidas pelo INPI ou de pedido de patente depositado) (INPI, 2017, p. 1). 
Ainda: 3) exploração de desenho industrial (tratam do licenciamento de 
desenhos industriais concedido ou pedidos de desenhos industriais com depósito 
no INPI); 4) fornecimento de tecnologia (são os contratos que regulam a aquisição 
de "conhecimento e técnicas não amparados por direitos de propriedade 
industrial" que tenham como finalidade a aplicação na produção de bens na 
indústria ou prestação de serviços) (INPI, 2017, p. 1). 
Há também o: 5) prestação de serviços de assistência técnica e científica 
(se referem à “obtenção de técnicas, métodos de planejamento e programação”. 
Também se aplicam às atividades de pesquisa, estudos e projetos que tenham 
como objetivo a realização de serviços especializados, inclusive aqueles 
prestados no exterior) (INPI, 2017, p. 1). 
Quanto à doutrina, Roque (2012, p. 1) assevera os contratos: a) de 
know-how, muito usado na indústria, em que “uma empresa detentora de técnicas, 
fórmulas de produtos ou processos, arte de fabricação, conhecimento confidencial 
de método de trabalho, concede à outra empresa, o direito de uso desses 
conhecimentos, mediante o pagamento de remuneração”. 
Trata-se de contrato mercantil, empresarial, oneroso e comutativo, em que 
se obriga o registro no INPI e no Banco Central do Brasil (paratransferência de 
recursos ao exterior). Objetiva transferir o segredo de um método de produção de 
bens e se liga à melhoria da produção: mais em menos tempo, a menor custo, 
com mais qualidade, com padrão em larga escala etc. 
Não cria novos produtos, mas sim a forma de se fabricar algo com maior 
produtividade e não se sujeita a patentes (não tem característica de invenção, 
novidade etc.) (Roque, 2012, p. 1). Quem transmite se obriga a transferir, definitiva 
 
 
9 
ou temporariamente, seus conhecimentos técnicos a outro. Traz como obrigações 
acessórias aprimorar o know-how licenciado, fornecer à empresa receptora 
gráficos e relatórios, não fornecer o mesmo sistema a outros competidores do país 
ou em zonas restritas e garantir a eficácia técnica e controle de qualidade (Roque, 
2012, p. 1). 
Pode se dar de duas formas: por cessão, com venda, pela proprietária 
(cedente), do know-how, em que se transfere integralmente ao receptor 
(cessionário) os direitos de propriedade imaterial da tecnologia e a proprietária 
“retira-se” de cena e; por licença, com “aluguel”, pela licenciadora, do know-how, 
um arrendamento que vige por certo lapso de tempo, mediante o pagamento do 
royalty (direito de uso) pelo licenciado (Roque, 2012, p. 1). 
Ainda, Roque (2012, p. 1) afirma haver o contrato de; b) engineering – 
prestação de serviços de assistência técnica e científica, em que uma empresa 
de assessoria técnica se compromete a implantar em outra, um método de 
trabalho a partir de um existente ou aprimorar um que já era usado, em que se 
garante a assistência técnica e o controle de qualidade. 
Aqui, não podemos confundir com o contrato de know-how, pois no de 
engineering, o beneficiado já tem um método, e o prestador estuda, corrige e 
aperfeiçoa este método. O prestador cria o método não para si, mas sob medida 
para o beneficiado, com a tecnologia já existente que é deste. Como por exemplo, 
contrata-se a universidade de Oxford para prestar assessoria e consultoria no 
desenvolvimento de vacina para covid-19. 
Esse tipo de contrato pode ser aplicado dentro de um contrato de 
know-how. Por exemplo: uma empresa que detenha um conhecimento e queira 
aperfeiçoá-lo, contrata uma empresa de engineering para que o estude e o 
aperfeiçoe. 
O engineering se aplica a processos administrativos, mercadológicos, 
controle de qualidade, processamento de dados, gerenciamento, planejamento 
financeiro e operacional, elaboração de planos diretores, estudos prévios de 
viabilidade econômica, instalação, montagem e colocação de máquinas em 
funcionamento etc. (Roque, 2012, p. 1). 
Tem-se ainda, segundo Roque (2012, p. 1), o contrato de; c) turn-key 
(chave na mão) ou clé em main, em que uma empresa fornece equipamentos a 
outra, criando-os, instalando-os, fazendo-os funcionar e garantindo a eficácia 
desejada pelo receptor, sendo contrato de maquinaria dinâmica, que tem o 
 
 
10 
objetivo do correto funcionamento em condições técnicas específicas. Ele já 
contempla assistência técnica, compra e venda, montagem, treinamento de 
pessoal, transferência de know-how, de direitos de propriedade industrial, 
intelectual etc., de modo que a transferência de tecnologia se faz de forma 
completa e que adquire a tecnologia a recebe pronta e acabada para ser usada 
(por isto, com a “chave na mão”). 
Por último, e não menos importante, tem-se; d) contrato de franchising 
(franquia), em que, por definição do art. 2º da Lei n. 8.955/1994: 
Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao 
franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito 
de distribuição exclusiva ou semiexclusiva de produtos ou serviços e, 
eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação 
e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou 
detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem 
que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício. (Brasil, 1994, 
p. 1) 
O contrato de franquia é corriqueiro no nosso cotidiano e geralmente usado 
em grandes cadeias internacionais de negócios como no ramo de alimentação ou 
ainda, cosméticos. Pois bem, terminada a análise dos principais tipos contratuais 
relacionados à transferência de tecnologia, nos cabe verificar o papel do 
know-how e suas peculiaridades. 
TEMA 3 – O PAPEL DO KNOW-HOW NA TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA 
O sucesso da transferência de tecnologia pode ser exemplificado na 
Finlândia do século XIX: o país era pobre, o clima hostil, a população pequena e 
o isolamento geográfico fazia com que sua agricultura fosse pífia. O país passou 
a importar da Alemanha e Inglaterra bens de consumo de capital. 
A partir das dificuldades, internamente, a indústria cresceu, as importações 
foram substituídas, o transporte local se desenvolveu, e com o crescimento 
educacional, pesquisadores finlandeses foram estudar no estrangeiro para 
adquirir know-how. 
O exemplo deixa claro que transferência de tecnologia não é simplesmente 
comércio, mas sim, especialmente, a transmissão do conhecimento (know-how). 
O saber usar, fabricar e aplicar é de suma importância ao processo. Ao mesmo 
tempo, é necessário ter-se em mente que há uma diferença entre transferência 
de tecnologia e de conhecimento: são coisas distintas, mas inseparáveis 
(Bozeman, 2000, p. 630). 
 
 
11 
É que quando um produto tecnológico é transferido ou difundido, o 
conhecimento sobre o qual sua composição se baseia também é difundido. Sem 
a base de conhecimento, a entidade física (o produto ou serviço) não pode ser 
usada (Bozeman, 2000, p. 630). 
A conclusão dessa afirmação, portanto, é a de que, na transferência de 
tecnologia, a base de conhecimento (know-how) é inerente ao produto ou serviço, 
e não auxiliar. Assim, a transferência de tecnologia contempla em si a parte 
material (produto ou serviço) mas também a base de conhecimento, que pode ser 
empírico (learning by using) ou codificado (learning by transfer of knowledge). 
Por essa razão, a transferência de tecnologia envolve: 1) detentor da 
expertise tecnológica, que repassa, instrui, ensina, observa e treina; 2) país ou 
empresa que necessita da aplicação tecnológica, que necessita ter um mínimo de 
capacitação para escolher, negociar e adquirir a tecnologia para depois, poder 
ampliar, modificar, adaptar, atualizar a que foi recebida, desenvolvendo a sua 
própria. 
Se de um lado a Finlândia é exemplo de sucesso quanto à transferência de 
tecnologia, podemos citar como case de fracasso, a importação pelo valor de 
R$ 615 milhões, no ano de 2016, pelo Governo de São Paulo, de trens cuja bitola 
(largura entre trilhos) era diferente do padrão brasileiro, o que impedia a circulação 
da frota (El País, 2016, p. 1) 
É por causa de insucessos como este que Barry Bozeman (2000, p. 629) 
pergunta: “Então, se a transferência de tecnologia falha, é porque uma tecnologia 
social diferente foi transferida ou porque a tecnologia teve menos sucesso em um 
cenário diferente”? 
3.1 O modelo de Bozeman 
Em uma tentativa de responder a essa questão, que o referido autor 
elaborou uma metodologia própria, que ficou consagrada como o Modelo de 
Eficácia de Bozeman, para medir o sucesso ou não da transferência de tecnologia. 
Neste sentido: “Tal método se relaciona ao contexto e objetivos particulares de 
cada caso. Desse modo, o modelo estimula a investigação das peculiaridades ao 
invés de prever um padrão replicável a todas as situações” (Santos, 2012, p. 43). 
São previstas cinco categorias de análise para a eficácia da transferência: 
a) características do agente; b) características do meio de transferência; 
c) características do objeto a ser transferido; d) ambiente da demanda; 
 
 
12 
e) características do receptor (Bozeman, 2000, p. 637). Ao mesmo tempo, o 
Modelo permite identificar diversos desafios da transferência de tecnologia. 
Entre eles: 1) definir tecnologia e colocar um limitea ela: o que pode ser 
transferido e o que não pode; 2) delinear o processo de transferência é 
praticamente impossível, pois muitos são os processos que concorrem entre si; 
3) medir os impactos das transferências, sempre numerosos e difíceis de separar 
das demais partes das empresas ou organizações governamentais; 4) como 
respeitar a propriedade intelectual, o segredo industrial e o direito de autor; 
5) como evitar a obsolescência da tecnologia; 6) como respeitar a livre 
concorrência e a competição e; 7) como lidar com o problema de soberania dos 
Estados e as chamadas “guerras fiscais e comerciais” (Bozeman, 2000, p. 627). 
Podemos perceber que existem critérios objetivos e científicos de aferição 
de eficácia da transferência de tecnologia. O modelo de Bozeman é o mais 
consagrado, mas há muitos outros, sendo que não é objetivo da nossa disciplina 
adentrar na análise aprofundada dessas categorias e suas decorrências. Logo, a 
partir de agora iremos analisar a legislação aplicável, no Brasil, à transferência de 
tecnologia. 
TEMA 4 – LEGISLAÇÃO APLICÁVEL À TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA 
Desde já podemos citar o seguinte arcabouço normativo que regulamenta, 
em conjunto, a transferência de tecnologia no país: Lei n. 4.131/62 (capital 
estrangeiro), Lei n. 10.973/2004 (inovação), Lei n. 9.279/96 (propriedade 
industrial). 
Por não ser objeto principal de nossos estudos, não iremos abordar 
aspectos da lei do capital estrangeiro ou da lei de propriedade industrial. O foco é 
entender os principais aspectos da principal lei relacionada à tecnologia e seu 
fomento – lei de inovação. 
É que ela guarda total e imediata pertinência com a transferência de 
tecnologia. E nesse sentido, necessitamos entendê-la como uma típica política 
pública de fomento à ciência e tecnologia, ou como assevera Silvio Sobra Garcez 
Júnior et al. (2016, p. 310): “um instrumento facilitador no processo de 
transferência do conhecimento da ICT (instituições científicas e tecnológicas) para 
as empresas por meio da Transferência de Tecnologia (TT), beneficiando a 
sociedade e todos os atores envolvidos nos processos inovativos”. 
 
 
13 
O art. 6º garante às instituições públicas de ciência e tecnologia (ICT), a 
celebração de contratos de transferência de tecnologia: “Art. 6º é facultado à ICT 
pública celebrar contrato de transferência de tecnologia e de licenciamento para 
outorga de direito de uso ou de exploração de criação por ela desenvolvida 
isoladamente ou por meio de parceria” (Brasil, 2004, p. 1). 
Como estímulo à transferência de tecnologia no âmbito público, os 
parágrafos 5º e 6º do art. 6º determinam o interesse público como primazia na 
inventividade e produção de tecnologia, que não pode se dar com exclusividade. 
Além disso, o agente público fica obrigado a compartilhar o know-how, não 
podendo guardar o mesmo para si: 
Parágrafo 5º A transferência de tecnologia e o licenciamento para 
exploração de criação reconhecida, em ato do Poder Executivo, como 
de relevante interesse público, somente poderão ser efetuados a título 
não exclusivo. 
Parágrafo 6º Celebrado o contrato de que trata o caput, dirigentes, 
criadores ou quaisquer outros servidores, empregados ou prestadores 
de serviços são obrigados a repassar os conhecimentos e informações 
necessários à sua efetivação, sob pena de responsabilização 
administrativa, civil e penal, respeitado o disposto no art. 12. (Brasil, 
2004, p. 1) 
Referida lei tem por objetivos primários, segundo Elisabeth Kasznar Fekete 
e Juliana Viegas ([S. d.], p. 1): 
a) promover maior desenvolvimento científico e tecnológico do país; b) 
estimular a transformação das inovações concebidas no ambiente 
acadêmico (universidades e instituições científicas) em tecnologia 
efetivamente implementada no mercado produtivo; c) incentivar a 
cooperação entre as entidades públicas e o setor privado, nas diversas 
etapas do processo inovativo e produtivo, desde a criação da invenção 
até a transferência de tecnologia, mediante, por exemplo, licenciamento. 
A citada lei traz uma diversidade de benefícios a quem pesquisa ciência no 
país, tais como incentivos fiscais e econômicos (art. 28 e inciso XI do parágrafo 6º 
do art. 19). Ainda, com relação à captação de recursos, permite obtenção de 
recursos públicos para o investimento em pesquisa e desenvolvimento (art. 9º-A). 
Já com relação ao compartilhamento de estrutura, permite que 
equipamentos, recursos humanos públicos e privados sejam compartilhados 
(art. 4º). Além disso, dá estímulos para pesquisadores independentes (art. 22 e 
seguintes) e também assegura remuneração justa ao criador da invenção 
tecnológica (art. 13). 
Por sua vez, no campo internacional, guarda relação direta com a 
transferência de tecnologia as convenções denominadas de Acordo TRIPS 
 
 
14 
(Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao 
Comércio) de 1994, ratificado pelo Brasil pelo Decreto n. 1.355/94, e que 
determina como os países devem proceder para respeitar os direitos decorrentes 
dos inventores e pesquisadores das tecnologias objeto de comercialização, 
padronizando, nesse aspecto, as transferências de tecnologia, e facilitando a 
cooperação entre países e empresas transnacionais. Neste sentido, o preâmbulo 
acordo é claro quanto ao seu objetivo: 
Reduzir distorções e obstáculos ao comércio internacional e levando em 
consideração a necessidade de promover uma proteção eficaz e 
adequada dos direitos de propriedade intelectual e assegurar que as 
medidas e procedimentos destinados a fazê-los respeitar não se tornem, 
por sua vez, obstáculos ao comércio legítimo. (TRIPS, 1994, p. 1) 
Os arts. 7º e 8º da Convenção aludem que: 
Art. 7º - A proteção e a aplicação de normas de proteção dos direitos de 
propriedade intelectual devem contribuir para a promoção da inovação 
tecnológica e para a transferência e difusão de tecnologia, em benefício 
mútuo de produtores e usuários de conhecimento tecnológico e de uma 
forma conducente ao bem-estar social econômico e a um equilíbrio entre 
direitos e obrigações. 
Art. 8 par. 2 – Desde que compatíveis com o disposto neste acordo, 
poderão ser necessárias medidas apropriadas para evitar o abuso dos 
direitos de propriedade intelectual por seus titulares ou para evitar o 
recurso a práticas que limitem de maneira injustificável o comércio ou 
que afetem adversamente a transferência internacional de tecnologia. 
(TRIPS, 1994, p. 1) 
Efetivamente, se a questão afeta à propriedade intelectual não for 
devidamente regrada em nível internacional, a transferência de tecnologia corre 
sério risco de ineficácia, pois ninguém se sentirá incentivado a comercializar um 
produto ou serviço a alguém que necessita dele. Isto está explícito nos arts. 40 e 
66 do Acordo: 
Art. 40, par. 1 – Os membros concordam que algumas práticas ou 
condições de licenciamento relativas a direitos de propriedade intelectual 
que restringem a concorrência podem afetar adversamente o comércio 
e impedir a transferência e disseminação de tecnologia. 
Art. 66, par.2 – Os países desenvolvidos membros concederão 
incentivos a empresas e instituições de seus territórios com o objetivo de 
promover e estimular a transferência de tecnologia aos países de menor 
desenvolvimento relativo membros, a fim de habilitá-los a estabelecer 
uma base tecnológica sólida e viável. (TRIPS, 1994, p. 1) 
Fica, desta maneira, cristalina para nós, a importância do Acordo TRIPS 
para o sucesso global e transnacional da transferência de tecnologia. 
 
 
 
15 
TEMA 5 – O PAPEL DO INPI NA TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA 
Ademais, como restante do arcabouço normativo relativo à transferência 
de tecnologia, não podemos deixar de abordar o papel do INPI (Instituto Nacional 
da Propriedade Industrial), que tem fundamental importância regulatória no Brasil. 
E nesse sentido, podemos citar, como normativas do referido órgão, a Resolução 
n. 22/91, as InstruçõesNormativas n. 01/91 e 70/2017, bem como o revogado 
Atos Normativo n. 120/93 e o atual, de n. 135/97. 
Apenas para citar um exemplo da atuação do citado órgão governamental, 
é preciso salientar que os contratos que envolvem transferência de tecnologia 
precisam ser averbados ou registrados perante o INPI para produzirem efeitos em 
relação a terceiros. Esta é a letra do art. 211 da Lei n. 9.279/1996: 
O INPI fará o registro dos contratos que impliquem transferência de 
tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em 
relação a terceiros. Parágrafo único. A decisão relativa aos pedidos de 
registro de contratos de que trata este artigo será proferida no prazo de 
30 (trinta) dias, contados da data do pedido de registro. (Brasil, 1996, 
p. 1) 
Quanto aos efeitos do registro, eles são regulamentados pelo ato normativo 
n. 120/93, e são os seguintes: 1) remessa ao exterior, de royalties; 2) 
enquadramento tributário dos pagamentos realizados; 3) oponibilidade contra 
terceiros; 4) obtenção de autorização do BACEN para remessa de dinheiro ao 
exterior; 5) obter dedução de impostos para a empresa receptora da tecnologia, 
quando cabível. 
Os documentos obrigatórios para registro são: formulário de requerimento 
de averbação; guia de recolhimento da união (GRU) paga; procuração; carta 
explicativa; contrato e aditivo ou fatura; traduções de toda documentação em 
língua estrangeira; ficha de cadastro das empresas cessionárias brasileiras (INPI, 
2020, p. 1). 
O próprio INPI lista o que não pode ser objeto de transferência de 
tecnologia, logo, de registro: agenciamento de compras, incluindo serviços de 
logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação 
alfandegária, etc.); serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da 
empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como 
por exemplo, beneficiamento de produtos; homologação e certificação de 
qualidade de produtos; consultoria na área financeira; consultoria na área 
comercial; consultoria na área jurídica; consultoria visando participação em 
 
 
16 
licitação; serviços de marketing; consultoria remota, sem a geração de 
documentos; serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, 
integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, 
configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de 
computador (software); serviços de treinamento para usuário final ou outro 
treinamento de programa de computador (software); licença de uso de programa 
de computador (software); distribuição de programa de computador (software) e 
aquisição de cópia única de programa de computador (software) (INPI, 2020, p. 
1). 
Em suma, com essa lista, percebemos que tudo aquilo que não pode ser 
patenteado ou não são considerados inventos pela legislação, não podem ser 
objeto de transferência de tecnologia e registro de contrato. 
A centralização da transferência de tecnologia em torno do INPI é 
asseverada na doutrina. Nesse sentido: 
Entende o INPI continuar autorizado, e, mais que isto, obrigado, por força 
legal, a controlar – além dos aspectos da propriedade industrial – 
também os aspectos relativos à tributação, os aspectos cambiais e os 
aspectos anticoncorrenciais dos contratos de licenciamento e 
transferência de tecnologia submetidos à sua apreciação. (Viegas citado 
por Ribeiro; Barros, 2014, p. 51) 
O INPI, inclusive, intervém até nos valores dos contratos: 
Contratos de licenciamento de patente, desenho industrial e marca os 
tipos de pagamento usualmente negociados são: percentual incidente 
sobre o preço líquido de venda e valor fixo por unidade vendida; nos de 
fornecimento de tecnologia a remuneração é estabelecida de acordo 
com a negociação contratual, devendo ser levado em conta os níveis de 
preços praticados nacional e internacionalmente em contratações 
similares. 
Contratos de serviços de assistência técnica será exigida a explicitação 
do custo em função da taxa dia/hora detalhado por especialização do 
técnico e o valor total do serviço, ainda que estimado. Nos contratos de 
franquia a remuneração usualmente estipulada é: taxa de franquia, taxa 
de royalties (percentual sobre o preço líquido de venda ou do 
faturamento); taxa de publicidade, além de outras taxas. (INPI, 2020, 
p. 1) 
O Instituto também presta assessoria relativa à transferência de tecnologia, 
conforme preceitua o art. 5º do ato normativo 135/97: 
A diretoria de transferência de tecnologia prestará o serviço de apoio à 
aquisição de tecnologia, com objetivo de assessorar as empresas 
brasileiras interessadas em adquirir tecnologia ou obter licenciamento, 
no brasil e/ou no exterior, nas seguintes áreas, entre outras: I - na área 
tecnológica: A) elaborando e colocando à disposição do governo e dos 
interessados, estudos e relatórios relativos às contratações de 
tecnologia ocorridas nos diversos setores industriais e de serviços, com 
 
 
17 
base nas averbações levadas a efeito pelo INPI, visando dar subsídios 
à formulação de políticas setoriais e governamentais específicas; B) 
elaborando, a pedido de parte interessada, pesquisas específicas 
quanto a patentes eventualmente disponíveis para fins de licenciamento, 
e/ou identificando, selecionando e indicando fontes de aquisição de 
"know-how", dados técnicos ou assistência técnica específicos no 
exterior ou no território nacional. II - na área contratual: a) colocando à 
disposição das empresas domiciliadas no brasil, dados e 
aconselhamento de técnicos habilitados e com larga experiência na 
análise de contratos, objetivando subsidiar a negociação econômica de 
tecnologia a ser contratada; b) colhendo dados e estatísticas quanto à 
forma de negociação e aos preços médios praticados em contratos de 
licenciamento e de transferência de tecnologia em setores específicos, 
nos mercados nacional e internacional, colocando-os à disposição dos 
interessados. (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, 1997, p. 1) 
Tamanha interferência do Instituto nos contratos de transferência é objeto 
de inúmeras críticas doutrinárias, que asseveram que a intervenção do Estado 
causa paralisia e atraso tecnológico no país. Com efeito, alguns dados corroboram 
tais afirmações: o Brasil era apenas o 24º país em depósito de patentes 
internacionais, isso no ano de 2014 (Ribeiro; Barros, 2014, p. 56). 
Tal número mostra o quanto são pífias a confiança e o incentivo à pesquisa 
no país, sendo que a falta de inovação é, em grande parte, de responsabilidade 
do excesso de burocracia e da excessiva regulamentação estatal. 
Veja-se que até o ano de 2011, apenas 2.660 contratos de transferência de 
tecnologia haviam sido firmados (Ribeiro; Barros, 2014, p. 56). Em termos de 
inovação, o Brasil era apenas o 62º no ranking mundial, para o ano de 2020 
(Forbes, 2020, p. 1). No ano de 2018, a média de investimento público em 
tecnologia era de 1,8% do PIB, enquanto a média de países desenvolvidos girava 
em torno de 2% a 2,7%. A Coreia do Sul, por exemplo, investia 3,6% do seu PIB 
(Reconta Aí, 2020, p. 1). 
Esses números mostram o quanto nosso país ainda é atrasado 
tecnologicamente e o quanto necessita dos contratos de transferência de 
tecnologia, que precisam ser mais flexíveis e menos regrados pelo INPI. 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
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