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AULA 5 DIREITO DIGITAL APLICADO Prof. Charles Emmanuel Parchen 2 TEMA 1 – CONTRATOS DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA A importância da transferência de tecnologia é inegável. Graças a ela, países menos desenvolvidos têm o potencial de ter acesso a bens e serviços que, pelos seus próprios esforços, estariam distantes da realidade. Como exemplo, podemos citar a aquisição no ano de 2014, pelo Brasil, das aeronaves de defesa suecas Gripen, fabricados pela empresa Saab. O valor inicial do contrato é de US$ 5,4 bilhões para a compra de 28 caças (Aeromagazine, 2014, p. 1). Nesse sentido, o CEO da empresa à época afirmou, em entrevista: “Vamos transferir tecnologia e capacidade de projetar e construir caças” (Aeromagazine, 2014, p. 1). O contrato se mostrou necessário e vantajoso ao Brasil por conta da necessidade da renovação de sua frota de caças de defesa aérea. Contudo, os entraves decorrentes da ausência de tecnologia própria impediram o país de construir a sua própria aeronave no mesmo nível das demais nações. Mais recentemente, no ano de 2020 e devido à pandemia de covid-19, o Brasil firmou contrato de transferência de tecnologia com a empresa britânica AstraZeneca, para a produção de vacinas visando a imunização da população (Fiocruz, 2020, p. 1). A Fundação Oswaldo Cruz, responsável pela vacina no país, afirmou em nota que: “O acordo com a AstraZeneca garante não apenas o acesso a um volume expressivo de uma das vacinas mais promissoras que segue em estudo clínico de fase 3, como também assegura a transferência total da tecnologia para Bio-Manguinhos/Fiocruz” (Fiocruz, 2020, p. 1). Mas nem só de importação de tecnologia vive o Brasil: o país também é exportador de tecnologia, naquilo que obteve a excelência ou o “estado da arte”. Como exemplo, podemos citar o contrato com a Argentina, para transferência da tecnologia da plataforma Consumidor.gov para este país. O objetivo é promover a rápida resolução de conflitos entre consumidores e fornecedores (Ministério da Justiça, 2019, p. 1). Por outro lado, a empresa de fabricação de armas Taurus firmou contrato de transferência de tecnologia com a Índia, para que o país tenha o know-how (conhecimento) do processo fabril de pistolas, revólveres e fuzis. O investimento é da ordem de US$ 20 milhões (Exame, 2020, p. 1). 3 Percebemos, com esses exemplos, que os benefícios da transferência de tecnologia extrapolam a questão meramente econômica e rendem cooperações nacionais e internacionais que tem o condão de beneficiar a coletividade, de forma direta ou indireta. 1.1 Origem e pequeno apanhado histórico Feita a contextualização do que representa a transferência de tecnologia em termos de mercado, contratos e importância, cumpre a nós vislumbrarmos, rapidamente, as fases históricas decorrentes deste tipo de contratação. O objetivo é verificarmos que o tema não é inédito nem novo, e advém desde o século XVIII. Nesta época houve a chamada 1ª fase da transferência de tecnologia, em que as Revoluções industriais inglesa e francesa forçaram a migração de trabalhadores por toda a Europa. Com isso, levaram consigo toda a sua expertise e know-how (conhecimento) adquirido em processos fabris que já eram liderados por máquinas e aparatos mecânicos, como por exemplo, a prensa hidráulica e os fornos a vapor. Aqui, precisamos perceber que a maquinaria ainda não representava, por si só, transferência de tecnologia, pois eram grandes e pesadas demais para serem transportadas. Ademais, com o surgimento do maquinário, diversas legislações locais impediram a circulação de equipamentos entre países, devido à dificuldade de transporte. Isso obrigou o operariado a aprender no local de trabalho (training-on-the- job): a aprendizagem era empírica, um tanto informal e repassada de trabalhador para trabalhador pela experiência adquirida pelos anos de trabalho repetitivo. Uma segunda fase da transferência de tecnologia foi inaugurada no século XIX, com a padronização das máquinas e diminuição de seus tamanhos, o que levou os fabricantes a vendê-las em catálogos. Assim, o foco passou a ser a importação, em que a tecnologia rapidamente começou a se espalhar pelos países europeus. Aqui nasceram as primeiras legislações de proteção à propriedade industrial e intelectual, com o surgimento de contratos específicos de cessão e licenciamento de marca, patentes e know-how. Por sua vez, uma terceira fase, já no século XX foi marcada pela revolução das comunicações e transportes, que facilitaram o fluxo da informação e 4 consequentemente, da transferência de tecnologia. Ganhou corpo, nos Estados Unidos, o Plano Marshall, de transferência de tecnologia militar. Neste sentido: A despeito dos aspectos positivos oriundos das transferências estadunidenses aos países do Plano Marshall, Wall (2001) afirma não ter sido a transferência de dinheiro e de produtos, como matérias-primas, alimentos e produtos industriais, o fator mais importante do Plano Marshall, mas as condições impostas pelos norte-americanos aos países que receberam os investimentos, que eram a política de estabilização monetária e anti-inflacionária e o incentivo à integração europeia e à cooperação intraeuropeia. Para os Estados Unidos, o mais importante foi o estabelecimento da relação transatlântica entre a Europa e os EUA, pois isso outorgou incontáveis êxitos aos norte- americanos, que englobavam a recuperação da Europa Ocidental, a garantia desses mercados e o aumento de sua projeção política. (Simon, 2011, p. 39) Na mesma época houve a criação da OCDE (Organização para cooperação econômica e desenvolvimento). Ela foi a responsável, por exemplo, por mandar pesquisadores estudarem a produtividade das empresas americanas no pós-Guerra, replicando o modelo de superavit econômico nas demais nações europeias. Nos anos 1980, com a informática e a miniaturização, houve a concentração de transferência de tecnologia a nível internacional, consagrando- se imensos oligopólios mundiais. O chamado I.D.E (investimento direto externo), que nada mais são do que aportes de dinheiro estrangeiro, ou ainda, aquisição de participação no capital social de empresa brasileira por investidor não residente no país ou com sede no exterior (Bacen, [S. d.], p. 1), passaram a ser o principal canal de transferência de tecnologia. Seus benefícios são apontados no excerto abaixo: Ademais, o IDE também teria a função de modernizar e racionalizar as estruturas produtivas domésticas, notadamente a da indústria, aportando novas tecnologias e induzindo ganhos de produtividade. Assim sendo, embora no curto prazo aumentassem as importações de máquinas, insumos e componentes industriais, a médio e longo prazos ter-se-ia uma ampliação da capacidade competitiva da produção doméstica, o que potencializaria o desempenho exportador e viabilizaria a internalização de parcela significativa da produção inicialmente importada. Em consequência, melhoraria o saldo comercial, reduzindo- se as necessidades de financiamento externo, atualmente uma das maiores restrições ao crescimento econômico. (Garcia, 2000, p. 75) Com isso houve a fragmentação da produção em cadeias globais de valor, em que normas e métodos de produção passaram a ser facilmente transferidos. Precisamos ainda perceber que até os anos 1980, o foco era o das transferências cruzadas de tecnologia entre aquelas nações mais industrializadas e as menos. 5 Após os anos 1980, o com apoio de governos, internamente o foco mudou para a transferência doméstica de tecnologia. Isso abriu portas para, já nos anos 1990, inúmeras cooperações e contratos de transferência de tecnologia de desenvolvimento regional econômico, tais como os feitos no âmbito do Mercosul, Nafta, União Europeia e outros. Nos anos 2000, as transferências de tecnologia passaram a ter centro em produtos e serviços altamentedesenvolvidos, como importação de metrôs, trens, escavações, fármacos, armamentos e computadores. Contemporaneamente, tal tônica continua a mesma, com especial atenção aos fármacos, por conta da já aludida pandemia de covid-19. TEMA 2 – CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DA TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA Passada a questão histórica afeta à transferência de tecnologia, cumpre vermos, agora, o seu conceito. Para Roessner, citado por Pagani (2016, p. 28) ela é “o movimento de know-how, conhecimento tecnológico ou de tecnologia, de um ambiente organizacional para outro”. Já para Cysne (1996, p. 8), é a “aquisição, entendimento, absorção e aplicação de uma tecnologia ou processo tecnológico”. No mesmo sentido, afirmam Besant e Rush, citados por Cysne (1996, p. 9): “conjunto de atividades e processos por meio do qual uma tecnologia é passada de um usuário para outro”. A finalidade da transferência é elevar o padrão tecnológico e competitivo de países e empresas, valendo-se do estado da arte já disponível (Dias, [S. d.], p. 1). Já sabemos que a transferência de tecnologia pode ser realizada entre países ou entre empresas, sendo que ela envolve firmas, governos, agências, laboratórios, universidades, ONGs, escolas, polícias, bombeiros, pequenos comércios etc.: ou seja, o escopo de aplicação é bastante amplo e flexível. Pode ser ela, ainda: 1) horizontal, em que há uma tecnologia produzida ou apropriada por uma parte (pessoa, empresa, instituto de pesquisa, dentre outros) que começa a ser utilizada por outra parte. Nesse último caso ocorre o processo de difusão das inovações entre empresas e países sendo a comercialização de tecnologia um dos principais modos de transferi-la horizontalmente (Santos, 2012, p. 30) ou; 2) vertical, em que os conhecimentos gerados em uma fase do processo são incorporados ou utilizados nas fases seguintes (Santos, 2012, p. 30). 6 Ainda, pode ser: 3) lícita, feita por intermédio de negócios jurídicos como os contratos ou; 4) ilícita, decorrente de contrabando, descaminho, espionagem etc. também pode ser classificada como: 5) total, em que todo o conhecimento é transferido e/ 6) parcial, em que apenas parte do know-how é objeto de transferência, protegendo-se os interesses soberanos e segredos industriais que não podem ser revelados ou compartilhados. Há alguns pressupostos para sua caracterização. O primeiro deles diz respeito ao fato de que nenhum país detém toda a tecnologia do mundo, por mais avançado que seja. Assim, sempre haverá algum grau de dependência, maior ou menor, de outras nações. Vemos aqui que, nesse aspecto, a transferência de tecnologia sofre críticas, pois podemos desde já vislumbrar que ela parece implicar, pelo país ou empresa que a recebe, a assunção de sua própria incapacidade de conseguir alcançar resultados pelos seus próprios esforços, quando a dependência do outro sempre será a tônica. Neste sentido: Os países periféricos já começam a reconhecer a necessidade de obter, principalmente por esforços próprios, maior domínio de conhecimento tecnológico. É preciso encontrar formas mais eficazes para que erradiquem a dependência tecnológica que tem caracterizado seu passado colonial. (Cysne, 1996, p. 5) Outro pressuposto é o de que a capacidade humana, sozinha, para invenções e criatividade é grande, mas sempre limitada. Assim, a união de esforços serve a romper as barreiras e entraves decorrentes da limitação humana. Até porque percebemos claramente que, com a transferência de tecnologia, existem países que simplesmente, sem ajuda de outros, não conseguem competir ou alcançar resultados eficazes. Já como motivos, podemos citar que, do ponto de vista econômico, há um evidente crescimento, propiciando corte de gastos, melhoria na balança comercial, aumento de vendas, arrecadação de royalties (direito de uso), aumento na lucratividade etc. Como motivo social, a transferência de tecnologia proporcional mais qualidade de vida, avanço sustentável da sociedade, aumento de empregos, melhoria do ambiente tecnológico, aumento de mercados e de consumo. 7 Os motivos operacionais são correlatos à ideia de que há uma maior escala de produção de produtos e serviços, uso eficiente do capital e trabalho, diminuição do tempo na implementação do trabalho etc. Motivos estratégicos também fazem parte da transferência de tecnologia: entrada em mercados internacionais, melhoria da qualidade dos produtos e serviços, maior gestão tecnológica etc. E há motivos pessoais, tais como benefícios com aprendizado, melhoria da carreira e profissão, aumento de renda e salário etc. 2.1 Etapas da transferência de tecnologia Podemos representar as etapas da transferência de tecnologia, da primeira à última, em um fluxograma: Figura 1 – Etapas da transferência de tecnologia IMPORTAÇÃO DE TECNOLOGIA APRENDIZADO E INTERNALIZAÇÃO SUBSTITUIÇÃO DO MODELO DE IMPORTAÇÕES POR UM MODELO PRÓPRIO A figura nos permite vislumbrar que a transferência de tecnologia só efetivamente será benéfica a um país se ele conseguir substituir o modelo de importações (1ª etapa) por um desenvolvimento próprio de tecnologia agregada. Logo, a conclusão é a de que a dependência do modelo escolhido para ser importando deve ser transitória e nunca perene. Decompondo a ideia constante do fluxograma apresentado, pode-se destacar que, na primeira etapa, há a necessidade de aquisição da tecnologia, por contrato, e sua transferência ao âmbito local em que será aplicada. Na segunda fase, há o aprendizado doméstico, incorporação e adaptação do produto ou serviço e dos processos ao meio do receptor. Na terceira etapa, o país, internamente, passa a produzir parte dos componentes necessários à implementação de inovações ao pacote de tecnologias adquirido (Barbieri; Delazaro, 1993, p. 1). Se tudo isso for 8 devidamente observado, o resultado final são a criação de pacotes tecnológicos mais eficientes e produtos e serviços de melhor qualidade. 2.2 Principais tipos de contratos de transferência de tecnologia Quanto aos principais tipos de contratos de transferência de tecnologia, importa esclarecer que o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) adota classificação diversa do que a encontrada na maioria da doutrina. Para o INPI, são os seguintes contratos, os passíveis de transferência de tecnologia: 1) uso de marca (licenciam a utilização de marcas registradas ou de pedidos de registro depositados no INPI); 2) exploração de patentes (licenciam o uso de patentes concedidas pelo INPI ou de pedido de patente depositado) (INPI, 2017, p. 1). Ainda: 3) exploração de desenho industrial (tratam do licenciamento de desenhos industriais concedido ou pedidos de desenhos industriais com depósito no INPI); 4) fornecimento de tecnologia (são os contratos que regulam a aquisição de "conhecimento e técnicas não amparados por direitos de propriedade industrial" que tenham como finalidade a aplicação na produção de bens na indústria ou prestação de serviços) (INPI, 2017, p. 1). Há também o: 5) prestação de serviços de assistência técnica e científica (se referem à “obtenção de técnicas, métodos de planejamento e programação”. Também se aplicam às atividades de pesquisa, estudos e projetos que tenham como objetivo a realização de serviços especializados, inclusive aqueles prestados no exterior) (INPI, 2017, p. 1). Quanto à doutrina, Roque (2012, p. 1) assevera os contratos: a) de know-how, muito usado na indústria, em que “uma empresa detentora de técnicas, fórmulas de produtos ou processos, arte de fabricação, conhecimento confidencial de método de trabalho, concede à outra empresa, o direito de uso desses conhecimentos, mediante o pagamento de remuneração”. Trata-se de contrato mercantil, empresarial, oneroso e comutativo, em que se obriga o registro no INPI e no Banco Central do Brasil (paratransferência de recursos ao exterior). Objetiva transferir o segredo de um método de produção de bens e se liga à melhoria da produção: mais em menos tempo, a menor custo, com mais qualidade, com padrão em larga escala etc. Não cria novos produtos, mas sim a forma de se fabricar algo com maior produtividade e não se sujeita a patentes (não tem característica de invenção, novidade etc.) (Roque, 2012, p. 1). Quem transmite se obriga a transferir, definitiva 9 ou temporariamente, seus conhecimentos técnicos a outro. Traz como obrigações acessórias aprimorar o know-how licenciado, fornecer à empresa receptora gráficos e relatórios, não fornecer o mesmo sistema a outros competidores do país ou em zonas restritas e garantir a eficácia técnica e controle de qualidade (Roque, 2012, p. 1). Pode se dar de duas formas: por cessão, com venda, pela proprietária (cedente), do know-how, em que se transfere integralmente ao receptor (cessionário) os direitos de propriedade imaterial da tecnologia e a proprietária “retira-se” de cena e; por licença, com “aluguel”, pela licenciadora, do know-how, um arrendamento que vige por certo lapso de tempo, mediante o pagamento do royalty (direito de uso) pelo licenciado (Roque, 2012, p. 1). Ainda, Roque (2012, p. 1) afirma haver o contrato de; b) engineering – prestação de serviços de assistência técnica e científica, em que uma empresa de assessoria técnica se compromete a implantar em outra, um método de trabalho a partir de um existente ou aprimorar um que já era usado, em que se garante a assistência técnica e o controle de qualidade. Aqui, não podemos confundir com o contrato de know-how, pois no de engineering, o beneficiado já tem um método, e o prestador estuda, corrige e aperfeiçoa este método. O prestador cria o método não para si, mas sob medida para o beneficiado, com a tecnologia já existente que é deste. Como por exemplo, contrata-se a universidade de Oxford para prestar assessoria e consultoria no desenvolvimento de vacina para covid-19. Esse tipo de contrato pode ser aplicado dentro de um contrato de know-how. Por exemplo: uma empresa que detenha um conhecimento e queira aperfeiçoá-lo, contrata uma empresa de engineering para que o estude e o aperfeiçoe. O engineering se aplica a processos administrativos, mercadológicos, controle de qualidade, processamento de dados, gerenciamento, planejamento financeiro e operacional, elaboração de planos diretores, estudos prévios de viabilidade econômica, instalação, montagem e colocação de máquinas em funcionamento etc. (Roque, 2012, p. 1). Tem-se ainda, segundo Roque (2012, p. 1), o contrato de; c) turn-key (chave na mão) ou clé em main, em que uma empresa fornece equipamentos a outra, criando-os, instalando-os, fazendo-os funcionar e garantindo a eficácia desejada pelo receptor, sendo contrato de maquinaria dinâmica, que tem o 10 objetivo do correto funcionamento em condições técnicas específicas. Ele já contempla assistência técnica, compra e venda, montagem, treinamento de pessoal, transferência de know-how, de direitos de propriedade industrial, intelectual etc., de modo que a transferência de tecnologia se faz de forma completa e que adquire a tecnologia a recebe pronta e acabada para ser usada (por isto, com a “chave na mão”). Por último, e não menos importante, tem-se; d) contrato de franchising (franquia), em que, por definição do art. 2º da Lei n. 8.955/1994: Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semiexclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício. (Brasil, 1994, p. 1) O contrato de franquia é corriqueiro no nosso cotidiano e geralmente usado em grandes cadeias internacionais de negócios como no ramo de alimentação ou ainda, cosméticos. Pois bem, terminada a análise dos principais tipos contratuais relacionados à transferência de tecnologia, nos cabe verificar o papel do know-how e suas peculiaridades. TEMA 3 – O PAPEL DO KNOW-HOW NA TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA O sucesso da transferência de tecnologia pode ser exemplificado na Finlândia do século XIX: o país era pobre, o clima hostil, a população pequena e o isolamento geográfico fazia com que sua agricultura fosse pífia. O país passou a importar da Alemanha e Inglaterra bens de consumo de capital. A partir das dificuldades, internamente, a indústria cresceu, as importações foram substituídas, o transporte local se desenvolveu, e com o crescimento educacional, pesquisadores finlandeses foram estudar no estrangeiro para adquirir know-how. O exemplo deixa claro que transferência de tecnologia não é simplesmente comércio, mas sim, especialmente, a transmissão do conhecimento (know-how). O saber usar, fabricar e aplicar é de suma importância ao processo. Ao mesmo tempo, é necessário ter-se em mente que há uma diferença entre transferência de tecnologia e de conhecimento: são coisas distintas, mas inseparáveis (Bozeman, 2000, p. 630). 11 É que quando um produto tecnológico é transferido ou difundido, o conhecimento sobre o qual sua composição se baseia também é difundido. Sem a base de conhecimento, a entidade física (o produto ou serviço) não pode ser usada (Bozeman, 2000, p. 630). A conclusão dessa afirmação, portanto, é a de que, na transferência de tecnologia, a base de conhecimento (know-how) é inerente ao produto ou serviço, e não auxiliar. Assim, a transferência de tecnologia contempla em si a parte material (produto ou serviço) mas também a base de conhecimento, que pode ser empírico (learning by using) ou codificado (learning by transfer of knowledge). Por essa razão, a transferência de tecnologia envolve: 1) detentor da expertise tecnológica, que repassa, instrui, ensina, observa e treina; 2) país ou empresa que necessita da aplicação tecnológica, que necessita ter um mínimo de capacitação para escolher, negociar e adquirir a tecnologia para depois, poder ampliar, modificar, adaptar, atualizar a que foi recebida, desenvolvendo a sua própria. Se de um lado a Finlândia é exemplo de sucesso quanto à transferência de tecnologia, podemos citar como case de fracasso, a importação pelo valor de R$ 615 milhões, no ano de 2016, pelo Governo de São Paulo, de trens cuja bitola (largura entre trilhos) era diferente do padrão brasileiro, o que impedia a circulação da frota (El País, 2016, p. 1) É por causa de insucessos como este que Barry Bozeman (2000, p. 629) pergunta: “Então, se a transferência de tecnologia falha, é porque uma tecnologia social diferente foi transferida ou porque a tecnologia teve menos sucesso em um cenário diferente”? 3.1 O modelo de Bozeman Em uma tentativa de responder a essa questão, que o referido autor elaborou uma metodologia própria, que ficou consagrada como o Modelo de Eficácia de Bozeman, para medir o sucesso ou não da transferência de tecnologia. Neste sentido: “Tal método se relaciona ao contexto e objetivos particulares de cada caso. Desse modo, o modelo estimula a investigação das peculiaridades ao invés de prever um padrão replicável a todas as situações” (Santos, 2012, p. 43). São previstas cinco categorias de análise para a eficácia da transferência: a) características do agente; b) características do meio de transferência; c) características do objeto a ser transferido; d) ambiente da demanda; 12 e) características do receptor (Bozeman, 2000, p. 637). Ao mesmo tempo, o Modelo permite identificar diversos desafios da transferência de tecnologia. Entre eles: 1) definir tecnologia e colocar um limitea ela: o que pode ser transferido e o que não pode; 2) delinear o processo de transferência é praticamente impossível, pois muitos são os processos que concorrem entre si; 3) medir os impactos das transferências, sempre numerosos e difíceis de separar das demais partes das empresas ou organizações governamentais; 4) como respeitar a propriedade intelectual, o segredo industrial e o direito de autor; 5) como evitar a obsolescência da tecnologia; 6) como respeitar a livre concorrência e a competição e; 7) como lidar com o problema de soberania dos Estados e as chamadas “guerras fiscais e comerciais” (Bozeman, 2000, p. 627). Podemos perceber que existem critérios objetivos e científicos de aferição de eficácia da transferência de tecnologia. O modelo de Bozeman é o mais consagrado, mas há muitos outros, sendo que não é objetivo da nossa disciplina adentrar na análise aprofundada dessas categorias e suas decorrências. Logo, a partir de agora iremos analisar a legislação aplicável, no Brasil, à transferência de tecnologia. TEMA 4 – LEGISLAÇÃO APLICÁVEL À TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA Desde já podemos citar o seguinte arcabouço normativo que regulamenta, em conjunto, a transferência de tecnologia no país: Lei n. 4.131/62 (capital estrangeiro), Lei n. 10.973/2004 (inovação), Lei n. 9.279/96 (propriedade industrial). Por não ser objeto principal de nossos estudos, não iremos abordar aspectos da lei do capital estrangeiro ou da lei de propriedade industrial. O foco é entender os principais aspectos da principal lei relacionada à tecnologia e seu fomento – lei de inovação. É que ela guarda total e imediata pertinência com a transferência de tecnologia. E nesse sentido, necessitamos entendê-la como uma típica política pública de fomento à ciência e tecnologia, ou como assevera Silvio Sobra Garcez Júnior et al. (2016, p. 310): “um instrumento facilitador no processo de transferência do conhecimento da ICT (instituições científicas e tecnológicas) para as empresas por meio da Transferência de Tecnologia (TT), beneficiando a sociedade e todos os atores envolvidos nos processos inovativos”. 13 O art. 6º garante às instituições públicas de ciência e tecnologia (ICT), a celebração de contratos de transferência de tecnologia: “Art. 6º é facultado à ICT pública celebrar contrato de transferência de tecnologia e de licenciamento para outorga de direito de uso ou de exploração de criação por ela desenvolvida isoladamente ou por meio de parceria” (Brasil, 2004, p. 1). Como estímulo à transferência de tecnologia no âmbito público, os parágrafos 5º e 6º do art. 6º determinam o interesse público como primazia na inventividade e produção de tecnologia, que não pode se dar com exclusividade. Além disso, o agente público fica obrigado a compartilhar o know-how, não podendo guardar o mesmo para si: Parágrafo 5º A transferência de tecnologia e o licenciamento para exploração de criação reconhecida, em ato do Poder Executivo, como de relevante interesse público, somente poderão ser efetuados a título não exclusivo. Parágrafo 6º Celebrado o contrato de que trata o caput, dirigentes, criadores ou quaisquer outros servidores, empregados ou prestadores de serviços são obrigados a repassar os conhecimentos e informações necessários à sua efetivação, sob pena de responsabilização administrativa, civil e penal, respeitado o disposto no art. 12. (Brasil, 2004, p. 1) Referida lei tem por objetivos primários, segundo Elisabeth Kasznar Fekete e Juliana Viegas ([S. d.], p. 1): a) promover maior desenvolvimento científico e tecnológico do país; b) estimular a transformação das inovações concebidas no ambiente acadêmico (universidades e instituições científicas) em tecnologia efetivamente implementada no mercado produtivo; c) incentivar a cooperação entre as entidades públicas e o setor privado, nas diversas etapas do processo inovativo e produtivo, desde a criação da invenção até a transferência de tecnologia, mediante, por exemplo, licenciamento. A citada lei traz uma diversidade de benefícios a quem pesquisa ciência no país, tais como incentivos fiscais e econômicos (art. 28 e inciso XI do parágrafo 6º do art. 19). Ainda, com relação à captação de recursos, permite obtenção de recursos públicos para o investimento em pesquisa e desenvolvimento (art. 9º-A). Já com relação ao compartilhamento de estrutura, permite que equipamentos, recursos humanos públicos e privados sejam compartilhados (art. 4º). Além disso, dá estímulos para pesquisadores independentes (art. 22 e seguintes) e também assegura remuneração justa ao criador da invenção tecnológica (art. 13). Por sua vez, no campo internacional, guarda relação direta com a transferência de tecnologia as convenções denominadas de Acordo TRIPS 14 (Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio) de 1994, ratificado pelo Brasil pelo Decreto n. 1.355/94, e que determina como os países devem proceder para respeitar os direitos decorrentes dos inventores e pesquisadores das tecnologias objeto de comercialização, padronizando, nesse aspecto, as transferências de tecnologia, e facilitando a cooperação entre países e empresas transnacionais. Neste sentido, o preâmbulo acordo é claro quanto ao seu objetivo: Reduzir distorções e obstáculos ao comércio internacional e levando em consideração a necessidade de promover uma proteção eficaz e adequada dos direitos de propriedade intelectual e assegurar que as medidas e procedimentos destinados a fazê-los respeitar não se tornem, por sua vez, obstáculos ao comércio legítimo. (TRIPS, 1994, p. 1) Os arts. 7º e 8º da Convenção aludem que: Art. 7º - A proteção e a aplicação de normas de proteção dos direitos de propriedade intelectual devem contribuir para a promoção da inovação tecnológica e para a transferência e difusão de tecnologia, em benefício mútuo de produtores e usuários de conhecimento tecnológico e de uma forma conducente ao bem-estar social econômico e a um equilíbrio entre direitos e obrigações. Art. 8 par. 2 – Desde que compatíveis com o disposto neste acordo, poderão ser necessárias medidas apropriadas para evitar o abuso dos direitos de propriedade intelectual por seus titulares ou para evitar o recurso a práticas que limitem de maneira injustificável o comércio ou que afetem adversamente a transferência internacional de tecnologia. (TRIPS, 1994, p. 1) Efetivamente, se a questão afeta à propriedade intelectual não for devidamente regrada em nível internacional, a transferência de tecnologia corre sério risco de ineficácia, pois ninguém se sentirá incentivado a comercializar um produto ou serviço a alguém que necessita dele. Isto está explícito nos arts. 40 e 66 do Acordo: Art. 40, par. 1 – Os membros concordam que algumas práticas ou condições de licenciamento relativas a direitos de propriedade intelectual que restringem a concorrência podem afetar adversamente o comércio e impedir a transferência e disseminação de tecnologia. Art. 66, par.2 – Os países desenvolvidos membros concederão incentivos a empresas e instituições de seus territórios com o objetivo de promover e estimular a transferência de tecnologia aos países de menor desenvolvimento relativo membros, a fim de habilitá-los a estabelecer uma base tecnológica sólida e viável. (TRIPS, 1994, p. 1) Fica, desta maneira, cristalina para nós, a importância do Acordo TRIPS para o sucesso global e transnacional da transferência de tecnologia. 15 TEMA 5 – O PAPEL DO INPI NA TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA Ademais, como restante do arcabouço normativo relativo à transferência de tecnologia, não podemos deixar de abordar o papel do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), que tem fundamental importância regulatória no Brasil. E nesse sentido, podemos citar, como normativas do referido órgão, a Resolução n. 22/91, as InstruçõesNormativas n. 01/91 e 70/2017, bem como o revogado Atos Normativo n. 120/93 e o atual, de n. 135/97. Apenas para citar um exemplo da atuação do citado órgão governamental, é preciso salientar que os contratos que envolvem transferência de tecnologia precisam ser averbados ou registrados perante o INPI para produzirem efeitos em relação a terceiros. Esta é a letra do art. 211 da Lei n. 9.279/1996: O INPI fará o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. A decisão relativa aos pedidos de registro de contratos de que trata este artigo será proferida no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data do pedido de registro. (Brasil, 1996, p. 1) Quanto aos efeitos do registro, eles são regulamentados pelo ato normativo n. 120/93, e são os seguintes: 1) remessa ao exterior, de royalties; 2) enquadramento tributário dos pagamentos realizados; 3) oponibilidade contra terceiros; 4) obtenção de autorização do BACEN para remessa de dinheiro ao exterior; 5) obter dedução de impostos para a empresa receptora da tecnologia, quando cabível. Os documentos obrigatórios para registro são: formulário de requerimento de averbação; guia de recolhimento da união (GRU) paga; procuração; carta explicativa; contrato e aditivo ou fatura; traduções de toda documentação em língua estrangeira; ficha de cadastro das empresas cessionárias brasileiras (INPI, 2020, p. 1). O próprio INPI lista o que não pode ser objeto de transferência de tecnologia, logo, de registro: agenciamento de compras, incluindo serviços de logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária, etc.); serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos; homologação e certificação de qualidade de produtos; consultoria na área financeira; consultoria na área comercial; consultoria na área jurídica; consultoria visando participação em 16 licitação; serviços de marketing; consultoria remota, sem a geração de documentos; serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador (software); serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software); licença de uso de programa de computador (software); distribuição de programa de computador (software) e aquisição de cópia única de programa de computador (software) (INPI, 2020, p. 1). Em suma, com essa lista, percebemos que tudo aquilo que não pode ser patenteado ou não são considerados inventos pela legislação, não podem ser objeto de transferência de tecnologia e registro de contrato. A centralização da transferência de tecnologia em torno do INPI é asseverada na doutrina. Nesse sentido: Entende o INPI continuar autorizado, e, mais que isto, obrigado, por força legal, a controlar – além dos aspectos da propriedade industrial – também os aspectos relativos à tributação, os aspectos cambiais e os aspectos anticoncorrenciais dos contratos de licenciamento e transferência de tecnologia submetidos à sua apreciação. (Viegas citado por Ribeiro; Barros, 2014, p. 51) O INPI, inclusive, intervém até nos valores dos contratos: Contratos de licenciamento de patente, desenho industrial e marca os tipos de pagamento usualmente negociados são: percentual incidente sobre o preço líquido de venda e valor fixo por unidade vendida; nos de fornecimento de tecnologia a remuneração é estabelecida de acordo com a negociação contratual, devendo ser levado em conta os níveis de preços praticados nacional e internacionalmente em contratações similares. Contratos de serviços de assistência técnica será exigida a explicitação do custo em função da taxa dia/hora detalhado por especialização do técnico e o valor total do serviço, ainda que estimado. Nos contratos de franquia a remuneração usualmente estipulada é: taxa de franquia, taxa de royalties (percentual sobre o preço líquido de venda ou do faturamento); taxa de publicidade, além de outras taxas. (INPI, 2020, p. 1) O Instituto também presta assessoria relativa à transferência de tecnologia, conforme preceitua o art. 5º do ato normativo 135/97: A diretoria de transferência de tecnologia prestará o serviço de apoio à aquisição de tecnologia, com objetivo de assessorar as empresas brasileiras interessadas em adquirir tecnologia ou obter licenciamento, no brasil e/ou no exterior, nas seguintes áreas, entre outras: I - na área tecnológica: A) elaborando e colocando à disposição do governo e dos interessados, estudos e relatórios relativos às contratações de tecnologia ocorridas nos diversos setores industriais e de serviços, com 17 base nas averbações levadas a efeito pelo INPI, visando dar subsídios à formulação de políticas setoriais e governamentais específicas; B) elaborando, a pedido de parte interessada, pesquisas específicas quanto a patentes eventualmente disponíveis para fins de licenciamento, e/ou identificando, selecionando e indicando fontes de aquisição de "know-how", dados técnicos ou assistência técnica específicos no exterior ou no território nacional. II - na área contratual: a) colocando à disposição das empresas domiciliadas no brasil, dados e aconselhamento de técnicos habilitados e com larga experiência na análise de contratos, objetivando subsidiar a negociação econômica de tecnologia a ser contratada; b) colhendo dados e estatísticas quanto à forma de negociação e aos preços médios praticados em contratos de licenciamento e de transferência de tecnologia em setores específicos, nos mercados nacional e internacional, colocando-os à disposição dos interessados. (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, 1997, p. 1) Tamanha interferência do Instituto nos contratos de transferência é objeto de inúmeras críticas doutrinárias, que asseveram que a intervenção do Estado causa paralisia e atraso tecnológico no país. Com efeito, alguns dados corroboram tais afirmações: o Brasil era apenas o 24º país em depósito de patentes internacionais, isso no ano de 2014 (Ribeiro; Barros, 2014, p. 56). Tal número mostra o quanto são pífias a confiança e o incentivo à pesquisa no país, sendo que a falta de inovação é, em grande parte, de responsabilidade do excesso de burocracia e da excessiva regulamentação estatal. Veja-se que até o ano de 2011, apenas 2.660 contratos de transferência de tecnologia haviam sido firmados (Ribeiro; Barros, 2014, p. 56). Em termos de inovação, o Brasil era apenas o 62º no ranking mundial, para o ano de 2020 (Forbes, 2020, p. 1). No ano de 2018, a média de investimento público em tecnologia era de 1,8% do PIB, enquanto a média de países desenvolvidos girava em torno de 2% a 2,7%. A Coreia do Sul, por exemplo, investia 3,6% do seu PIB (Reconta Aí, 2020, p. 1). Esses números mostram o quanto nosso país ainda é atrasado tecnologicamente e o quanto necessita dos contratos de transferência de tecnologia, que precisam ser mais flexíveis e menos regrados pelo INPI. 18 REFERÊNCIAS AEROMAGAZINE. Contrato assinado. 2014. 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