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A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma doença comum, prevenível e tratável que é
caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do �uxo aéreo.
A história natural da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) caracteriza-se por piora funcional e
clínica progressiva. Além de exacerbações agudas frequentes que podem levam à falência
respiratória com necessidade de internação em UTI e suporte ventilatório invasivo ou não invasivo.
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica 
(DPOC): o que é, sintomas e mais
https://sanarmed.com/
O que é a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)?
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória crônica e progressiva que
afeta os pulmões. É caracterizada por uma obstrução persistente do �uxo de ar que di�culta a
respiração. A DPOC é geralmente causada por danos nos pulmões ao longo do tempo,
principalmente devido ao tabagismo, embora também possa ser causada por exposição prolongada
a substâncias irritantes no ambiente de trabalho, como poeira, produtos químicos ou fumaça.
Os principais componentes da DPOC são a bronquite crônica e o en�sema pulmonar. A bronquite
crônica envolve a in�amação e irritação dos brônquios (as vias aéreas principais dos pulmões),
levando à produção excessiva de muco e tosse persistente.
O en�sema, por outro lado, envolve a destruição gradual dos alvéolos pulmonares (pequenas bolsas
de ar nos pulmões) e a perda de elasticidade pulmonar, o que di�culta a expiração do ar.
Epidemiologia
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma das principais causas de morbidade e
mortalidade em todo o mundo. A DPOC é uma doença comum, afetando cerca de 10% da população
adulta mundial. Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas tenham DPOC em todo o mundo.
A DPOC afeta homens e mulheres, mas a prevalência tende a ser maior em homens. No entanto,
devido ao aumento do tabagismo entre as mulheres, a taxa de DPOC está aumentando entre elas.
Quanto à idade, a doença é mais comum em pessoas acima dos 40 anos, embora possa ocorrer em
idades mais jovens, especialmente em casos de exposição signi�cativa a fatores de risco.
Quais os fatores de risco para o desenvolvimento da DPOC?
Usualmente, a doença decorre da interação de fatores ambientais e do indivíduo. O tabagismo é o
principal fator de risco ambiental. Os fatores individuais que favorecem o aparecimento da DPOC
são:
Alterações genéticas, em especial a de�ciência de alfa-1-antitripsina
Hiperresponsividade brônquica
Desnutrição
Redução do crescimento pulmonar durante a infância ou gestação
Infecções pulmonares recorrentes
Fisiopatologia
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é caracterizada por uma �siopatologia complexa que
envolve vários processos nos pulmões. A in�amação crônica das vias aéreas é uma das
características centrais da DPOC. Com a exposição prolongada à fumaça do tabaco e a outras
substâncias irritantes ocorre uma resposta in�amatória persistente nas vias aéreas. Isso leva ao
recrutamento de células in�amatórias, como:
Neutró�los
Macrófagos
Linfócitos
Essas células liberam mediadores in�amatórios, como citocinas e enzimas proteolíticas. Esses
mediadores in�amatórios causam danos nas células das vias aéreas, levando à obstrução do �uxo
de ar.
A obstrução do �uxo de ar é o resultado da in�amação crônica que causa alterações nas vias aéreas
e nos tecidos pulmonares. As vias aéreas tornam-se mais estreitas devido ao aumento da produção
de muco, espessamento da parede das vias aéreas e contração dos músculos ao redor delas. Além
disso, a destruição gradual dos alvéolos pulmonares, conhecida como en�sema, ocorre como
resultado da ação de enzimas proteolíticas liberadas durante a in�amação. Isso leva à perda de
elasticidade pulmonar e redução da área de superfície disponível para a troca de gases.
A combinação da in�amação crônica, obstrução das vias aéreas e destruição dos tecidos
pulmonares resulta em sintomas característicos da DPOC.
A �siopatologia da DPOC é um processo contínuo, no qual a in�amação crônica e a obstrução das
vias aéreas perpetuam-se mutuamente. Essas alterações progressivas nos pulmões levam a uma
perda irreversível da função pulmonar ao longo do tempo, resultando em uma redução na qualidade
de vida dos pacientes e um aumento do risco de complicações respiratórias, como infecções
pulmonares.
Qual o quadro clínico de um paciente com DPOC?
Os pacientes com DPOC experimentam:
Tosse crônica
Produção excessiva de muco
Dispneia
Sibilância
Além desses sintomas respiratórios principais, a DPOC também pode estar associada a sintomas
secundários e complicações, como:
Perda de peso
Fadiga
Diminuição da capacidade de exercício
Recorrência de infecções respiratórias (como pneumonia ou bronquite) e
Descompensação respiratória aguda (exacerbações).
Essas exacerbações são episódios agudos em que os sintomas da DPOC se intensi�cam, resultando
em di�culdade respiratória grave e requerendo atenção médica imediata.
Como fazer o diagnóstico de DPOC?
O diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) envolve uma avaliação clínica
abrangente, incluindo histórico médico, exame físico, testes de função pulmonar e, às vezes, exames
complementares.
Anamnese
O médico realizará uma entrevista detalhada com o paciente para obter informações sobre:
Sintomas respiratórios
Exposição a fatores de risco (como tabagismo ou exposição ocupacional)
Histórico familiar de doenças pulmonares
Impacto dos sintomas na qualidade de vida diária.
Exame físico na DPOC
Durante o exame físico, o médico pode observar sinais como:
Sibilos
Expansão reduzida do tórax
Presença de cianose
Presença de tosse crônica
Produção excessiva de muco.
Testes de função pulmonar
Os testes de função pulmonar são fundamentais para con�rmar o diagnóstico de DPOC e avaliar a
gravidade da doença.
O teste mais comum é a espirometria, que mede a capacidade pulmonar, o �uxo de ar e a capacidade
de exalação forçada. A espirometria mostra uma redução do volume expiratório forçado no primeiro
segundo (VEF1) em relação à capacidade vital forçada (CVF), con�rmando a obstrução do �uxo de ar
característica da DPOC.
Avaliação da reversibilidade
Em alguns casos, um teste adicional chamado teste de broncodilatação pode ser realizado após a
espirometria.
Nesse teste, é administrado um broncodilatador (medicamento que relaxa as vias aéreas) e a
espirometria é repetida para avaliar se há reversibilidade da obstrução do �uxo de ar.
Avaliação de outros exames
Em alguns casos, podem ser solicitados exames adicionais, como:
Radiogra�a de tórax
Tomogra�a computadorizada de tórax
Exames de sangue
Esses exames são utilizados para descartar outras condições pulmonares e avaliar complicações da
DPOC.
Por que é necessário fazer o estadiamento da DPOC?
O estadiamento da DPOC é importante para estabelecer o prognóstico e categorizar o
tratamento. Um sistema de estadiamento ideal deve estar fortemente correlacionado com a
mortalidade, morbidade e estado de saúde. Tradicionalmente, a gravidade da DPOC é de�nida pelo
grau de obstrução, avaliado pelo volume expiratório forçado no primeiro segundo após o uso de
broncodilatador (VEF1 pós-BD).
Os pontos de corte sugeridos para a mensuração do VEF1 para estadiamento variam, e há diferenças
signi�cativas entre as diretrizes emitidas pelas várias sociedades de prestígio em pneumologia. No
entanto, o VEF1 não se correlaciona bem com a dispneia, que é o sintoma mais importante em
pacientes com DPOC.
Tratamento
Quanto ao tratamento dos casos de agudização da DPOC, basicamente, se objetiva evitar a hipoxia
tecidual e controlar ou reverter a hipercapnia e a acidose. Portanto, a primeira medida que deve ser
tomada é o fornecimento de oxigenoterapia suplementar, reduzindo a vasoconstrição pulmonar e
melhorando o nível de consciência do paciente.
Após uma hora de iniciado o suporte, uma gasometria arterial deve ser colhida para garantir que a
oxigenação esteja feita de forma adequada e que não haja acidemia.Broncodilatadores
Um outro passo importante é a prescrição de broncodilatadores, sendo o β2-agonistas de curta
duração, a exemplo do Formolterol e Salbutamol Spray, os mais usados nos casos de
descompensação da DPOC. Eles preferencialmente devem ser usados por via inalatória, que é a mais
e�caz e com menos riscos de efeitos colaterais. A inalação pode ser feita por nebulização ou através
de um inalador dosimetrado, caso o paciente esteja em condições de uso.
Caso os broncodilatadores não apresentem uma resposta rápida, recomenda-se associar um
anticolinérgico (brometo de ipatrópio) aos β2-agonistas de curta duração. Por outro lado, se não
houver uma reposta adequada aos broncodilatadores de curta duração, se indica a terapia de
segunda linha através do uso de Metilxantinas IV (como Teo�lina e Amino�lina), medicamentos que
relaxam a musculatura lisa dos brônquios e bronquílos.
Corticosteroides
O uso de corticosteroides é importantíssimo no tratamento da agudização da DPOC já que eles
reduzem o tempo de internação hospitalar e a taxa de recorrência da doença, além de melhorarem a
função pulmonar. Indica-se o uso da Metilprednisolona IV, seguida pela prednisona via oral.
Antibioticoterapia
Já a antibioticoterapia é recomendada para aqueles pacientes com aumento da dispneia e aumento e
alteração no aspecto da secreção, sendo utilizada de modo empírico, já que seus principais
patógenos associados, tais como H. in�uenzae, M. catarrhalis e S. pneumoniae, não são facilmente
isolados no escarro.
O uso de agentes mucolíticos não apresenta evidências de redução do tempo da crise ou de melhora
do VEF1, não sendo assim recomendado o seu uso rotineiro.
A rotina de atendimento em ambulatórios, como Unidades Básicas de Saúde, PSFs e consultórios, é
extremamente dinâmica, exigindo que os médicos lidem com uma ampla variedade de patologias de
diferentes especialidades.
Para se preparar e atuar nesse ambiente com con�ança, é essencial estudar as doenças mais
comuns que afetam a população. É importante focar em como realizar os diagnósticos corretamente,
identi�car os principais sintomas e compreender as condutas adequadas para cada paciente.
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