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Jejum: Fome e Justiça

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Sumário
 
Prefácio
CAPÍTULO 01
FOME E SEDE DE JUSTIÇA
CAPÍTULO 02
O CONFLITO DA COMIDA
CAPÍTULO 03
O QUE É O JEJUM
CAPÍTULO 04
MOTIVOS PARA JEJUAR
CAPÍTULO 05
MEDO
CAPÍTULO 06
HUMILDADE
CAPÍTULO 07
TRISTEZA
CAPÍTULO 08
ARREPENDIMENTO
CAPÍTULO 09
CONFIRMAÇÃO DA CRENÇA
CAPÍTULO 10
PARA CUMPRIR O TRABALHO DE DEUS
CAPÍTULO 11
PORQUE O NOIVO NÃO ESTÁ
CAPÍTULO 12
JEJUM: UM COMPANHEIRO INSEPARÁVEL DA ORAÇÃO
CAPÍTULO 13
Como e Quando Jejuar
CAPÍTULO 14
DICAS PARA JEJUAR
CAPÍTULO 15
JEJUM DIGITAL
CAPÍTULO 16
ABSTINÊNCIA (JEJUM) SEXUAL
CAPÍTULO Final
Conclusão
 
Prefácio
 
Sinto-me honrada pelo convite para escrever sobre esta obra-prima,
pelo menos na minha humilde opinião…
 
Obra-prima porque é a primeira obra do autor sobre o assunto e,
dada sua maneira simples e clara de expressar os ensinamentos
bíblicos, se torna de suma importância para aqueles que buscam
agradar a Deus e imitar Jesus em seus passos…
 
O assunto não apenas explicita o que é Jejum, mas nos incentiva a
adotá-lo como prática constante na vida cristã. Sua abordagem é
esclarecedora e pautada não apenas no Velho Testamento, mas
também no viver diário de Jesus e seus discípulos nas páginas do
Novo Testamento.
 
Ao ler o livro me senti muito aquém daquilo que eu poderia ser ao
oferecer a Deus sacrifícios de louvor… Jejum não é um tema de
reuniões femininas, de orações, pregações, etc., o que faz com que
a leitura seja ainda mais necessária e a obra ainda mais valiosa.
Valiosa porque liga o jejum à oração e nos mostra com clareza que
era não apenas um ato espiritual, era, sobretudo um estilo de vida
do Senhor
 
Sinto-me honrada pelo convite para escrever sobre esta obra-prima,
pelo menos na minha humilde opinião…
 
Obra-prima porque é a primeira obra do autor sobre o assunto e,
dada sua maneira simples e clara de expressar os ensinamentos
bíblicos, se torna de suma importância para aqueles que buscam
agradar a Deus e imitar Jesus em seus passos…
 
O assunto não apenas explicita o que é Jejum, mas nos incentiva a
adotá-lo como prática constante na vida cristã. Sua abordagem é
esclarecedora e pautada não apenas no Velho Testamento, mas
também no viver diário de Jesus e seus discípulos nas páginas do
Novo Testamento.
 
Ao ler o livro me senti muito aquém daquilo que eu poderia ser ao
oferecer a Deus sacrifícios de louvor… Jejum não é um tema de
reuniões femininas, de orações, pregações, etc., o que faz com que
a leitura seja ainda mais necessária e a obra ainda mais valiosa.
Valiosa porque liga o jejum à oração e nos mostra com clareza que
era não apenas um ato espiritual, era, sobretudo um estilo de vida
do Senhor.
 
Teca Cruz
 
 
CAPÍTULO 01
FOME E SEDE DE JUSTIÇA
 
Em 1924 Mohandas Gandhi, mais conhecido como Mahatma
Gandhi, submeteu-se a três semanas de ‘jejum’ contra o governo
britânico no seu programa de não-violência e não-cooperação. Em
1932 ele fez outra greve de fome em protesto contra a decisão do
governo britânico de segregar as castas inferiores, os parias. Que
tipo de pessoa se sujeitaria, voluntariamente, a passar fome?
Certamente vemos neste e em outros exemplos, motivação. Alguns
líderes conhecidos mundialmente sujeitaram-se em sinal de protesto
contra governos, leis, e ideais para que suas vozes fossem ouvidas.
A motivação os faz arriscarem as suas vidas. Os motivos que
levaram Gandhi a fazer jejum podem ser, ou não, os mesmos que
motivam pessoas que têm fé no Senhor.
 
Não devemos fazer jejum contra as autoridades, mas se formos
fazer jejum e o jejum tem alguma coisa a ver com as autoridades,
deve ser a favor delas:
 
“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas,
orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os
homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos
de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda
piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso
Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e
cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Tm 2:1-4).
 
Não vemos nenhum exemplo dentro da Bíblia de alguém que tenha
feito um jejum contra as autoridades, a não ser para conseguirem da
parte do Senhor ajuda para que os homens investidos de autoridade
dessem atenção à demanda.
 
Jesus dá as bases do evangelho no conhecido “sermão do monte”.
Lá Ele destacou as bem-aventuranças. Jesus diz:
 
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão
fartos” (Mt 5:6).
 
Aqueles que jejuam segundo a vontade de Deus e para Deus, são
os mesmos que têm sede e fome de justiça. O jejum é um dos
alimentos que satisfazem a fome e sede de justiça que não pode ser
saciada com alimento.
 
As autoridades nem sempre serão justas, as autoridades nem
sempre satisfarão, mas o jejum e oração a favor delas, das nossas
necessidades e por outros motivos nobres, satisfarão a nossa alma
que tem sede e fome de justiça e, da parte de Deus, teremos uma
vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. E por que
jejuar? Porque só Deus pode alimentar aqueles que têm verdadeira
fome e sede de justiça e só Ele pode cumprir a promessa que
muitos procuram já neste mundo: um lugar onde habita justiça,
ainda que estes só o encontrarão depois que este mundo passar (1
Pe 3:13), ou seja, aqueles que estão fracos na carne, mas fortes no
Espírito. Fome e sede justiça é tão urgente quanto o alimento para a
sobrevivência física do corpo. O que está em pauta no jejum é a
urgência da sobrevivência da alma.
 
Por que Deus se agrada que nos abstenhamos do alimento? Por
que nem sempre é conveniente que nos demos o prazer da
refeição? Um motivo foi lembrado por Jesus quando estava sendo
tentando por satanás no deserto. Satanás queria persuadi-lo em
transformar as pedras em pães, pois Jesus estava com fome. Jesus
lembra do tempo que Moisés jejuou por quarenta dias e o povo
esteve peregrinando por quarenta anos no deserto e Ele mesmo
estava por quarenta dias jejuando no deserto. Acredito que foi pelo
mesmo motivo que os judeus, Moisés e Jesus ficaram no deserto
sendo provados e tentados. No Velho Testamento lemos o seguinte
como explicação pela fome que eles passaram:
 
“Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná,
que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a
entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que
procede da boca do SENHOR viverá o homem” (Dt 8:3).
 
Foi esta passagem que Jesus ‘lembrou’ quando satanás o tentou
para transformar as pedras em pães. Deus permitiu que, tanto os
judeus como Jesus, ficassem no deserto humilhados e com fome.
Deus os conduziu para lá e os alimentou no tempo certo com um
alimento que nem todo homem conhece para que soubessem que
“nem só de pão viverá o homem”, mas com certeza de toda a
palavra que procede da boca de Deus. Porque Deus é bom e dá
chuva e sol sobre os justos e injustos (Mt 5:45) e essa mesma
chuva e sol é que proporcionam a manutenção da vida, assim, Deus
não iria desamparar seus filhos Israel e Jesus.
 
Se você tem fome e sede de justiça vá em direção a Jesus, Ele
pode satisfazer a sua fome e sua sede. Jesus convidou:
 
“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer,
viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a
minha carne… Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo 6:51;
7:37).
 
Jesus convida ao jejum que nos guia e nos alimenta a alma. O jejum
é um desprendimento das necessidades essenciais para buscar o
que sente falta a nossa alma. A nossa alma precisa de justiça,
justiça para nos justificar perante Deus e a verdadeira justiça vem
da parte do próprio Deus.
 
Não acredito que seja coincidência as palavras de Jesus no seu
batismo com a direção do Espírito levando-o a jejuar no deserto por
quarenta dias. Ao ir para ser batizado por João, a princípio João
Batista não o quis, alegando que ele é quem deveria ser batizado
por Jesus, mas Jesus respondeu:
 
“Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda a
justiça. Então, ele o admitiu” (Mt 3:15).
 
Jesus procurava a justiça não deste mundo, mas a justiçae o reino
de Deus em primeiro lugar. O mesmo Espírito que conduziu Jesus
para ser tentado no deserto, onde jejuou por quarenta dias, é quem
nos conduz e nos convence da justiça e assim compreendemos que
devemos jejuar. A fome e sede de justiça são tão grandes por parte
daqueles que jejuam, que eles buscam a prioridade, não o alimento
para o corpo, mas o alimento para a alma. Porque quem jejua
procurando por justiça sabe que o pão que alimenta os homens
suscita a injustiça. São felizes os que são perseguidos por causa
desta justiça divina, deles é o reino dos céus (Mt 5:10).
 
Hoje devemos jejuar para que a nossa justiça perante Deus exceda
a dos escribas e fariseus daquele tempo e de hoje:
 
“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a
dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt
5:20).
 
Conclusão
 
João Batista andava no caminho da justiça e por isso praticava um
jejum (dieta) de gafanhotos e mel silvestre (Mt 3:4; 21:32). Jesus,
procurando satisfazer a justiça de Deus, foi batizado por João e foi
levado em jejum para o deserto. Se também andarmos no caminho
da justiça, vamos praticar uma dieta (jejum) espiritual, nos abstendo
da comida sacrificada aos ídolos, isto é, os desejos carnais. Vamos
procurar nos encher do mesmo Espírito que guiou Jesus e vamos
nos abster de nos embriagar de vinho, mas nos encher do Espírito
Santo (Ef 5:18-21).
 
Se você tem fome e sede de justiça, apenas um desprendimento do
essencial para a vida física pode aproximar você da vida espiritual,
de Deus. Não se preocupe com o que vai comer, beber ou se vestir,
coloque tudo nas mãos de Deus e busque, em primeiro lugar, o seu
reino e a sua justiça, e as necessidades essenciais, de acordo com
a vontade de Deus, serão acrescentadas (Mt 6:33).
 
CAPÍTULO 02
O CONFLITO DA COMIDA
 
 
Quando estudava para o ministério, morávamos no próprio Instituto
de Estudos Bíblicos de São Paulo. Éramos bolsistas enviados pelas
congregações e nem sempre sustentados pelas congregações que
nos enviou. Eu mesmo era meio independente e tive que ir
trabalhar. O irmão Celso Ceolim organizou alguns irmãos para
contribuírem. No meu caso o sustento veio integral no primeiro mês,
depois chegou menos a cada mês. Algumas pessoas foram fiéis do
começo ao fim. Outros irmãos de algumas congregações de São
Paulo sabiam dessa situação e nos enviavam doações em
alimentos.
 
No meio dessa situação, apareceu um irmão que tinha vindo do
Nordeste e se hospedou lá sem sermos consultados. Ele foi ficando
e se tornou um problema com o qual não soubemos lidar.
Inicialmente estava tudo bem, mas como o irmão não colaborava,
mas só consumia, logo percebemos que não seria fácil. Com o
passar do tempo, a geladeira começou a ter compartimentos e
nomes escritos nos potes e embalagens. Foi um trauma que
nenhuma das partes gostaria de repetir.
 
O alimento pode unir ou gerar um grande conflito na humanidade e
até mesmo na irmandade. Irmãos podem ficar ofendidos com
aqueles que ficam na fila na frente de idosos, visitantes e crianças,
principalmente se os furões forem gordinhos. E se não sobrar para
os últimos? Talvez, os últimos sejam os primeiros a ficarem
chateados. Será que os últimos serão os primeiros a reclamar? Na
igreja? Talvez…
 
A fome mata mais que a AIDS, malária e tuberculose. Cerca de 11
milhões morrem anualmente por causa da fome. Cerca de 1 bilhão
de pessoas não têm o que comer a cada dia no mundo. Uma a cada
7 pessoas no mundo vai dormir sem se alimentar. A fome incomoda
quem a sente, mas nem sempre quem pode ajuda.
 
Enquanto metade do mundo passa fome, a outra metade faz regime
e um número ínfimo faz jejum. Pode ser um exagero, mas retrata
uma certa realidade.
 
“Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para
a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o
Pai, o confirmou com o seu selo” (Jo 6:27).
 
A comida é uma das necessidades fundamentais para a
sobrevivência e estamos nos esforçando o tempo todo basicamente
para suprir esta necessidade, pois se não temos com o que nos
alimentar, para que serve o conforto de uma casa, o seio de uma
família, o luxo de um carro e o prazer dos amigos? Basta faltar
alguma coisa com a qual estamos acostumados que a nossa fé é
atacada por nós mesmos que damos oportunidade a satanás. Logo
ele estará ao nosso redor dizendo: “Se és Filho de Deus, manda
que estas pedras se transformem em pães”. Uma fé sólida e
concreta pode ser desafiada pela fome. Ter fome não é pecado, mas
satanás aproveita qualquer oportunidade como a necessidade, por
exemplo. Se cedermos às suas tentações, com certeza ficaremos
mesmo sem os pães, pois ele, satanás, é o pai da mentira e sua
função é enganar, mas satanás vai se alimentar como um leão que
encontrou uma brecha dada pela presa a qual ele rodeia tentando
ludibriar e minar a fé mesmo que precise explorar as necessidades
mais básicas.
 
Quantas vezes somos ingratos quando abrimos a geladeira ou
armário e só encontramos arroz e feijão para preparar e dizemos:
“Não tenho nada para comer”. E a roupa também é uma das nossas
necessidades fundamentais. Abrimos o guarda-roupas e logo
disparamos: “Não tenho nada para vestir”. Logo pensamos em nos
desfazer da fé e transformá-la em pão para comer e roupas novas
para vestir.
 
E é neste esforço que podemos perder o alvo e focar num objetivo
errado. Vivemos num grande dilema, se por um lado somos omissos
quanto ao trabalho, os resultados disto logo nos alcança:
 
“Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto
de entendimento; eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua
superfície, coberta de urtigas, e o seu muro de pedra, em ruínas.
Tendo-o visto, considerei; vi e recebi a instrução. Um pouco para
dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os
braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão,
e a tua necessidade, como um homem armado” (Pv 24:30-34)
 
E no outro extremo, por causa do desejo de viver banqueteando
sempre com finas iguarias, também pode nos fazer cair em ruína:
 
“Ouve, filho meu, e sê sábio; guia retamente no caminho o teu
coração. Não estejas entre os bebedores de vinho nem entre os
comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão caem em
pobreza; e a sonolência vestirá de trapos o homem” (Pv 23:19-21).
 
Sabedores disto, olhemos para alguns exemplos da história da
humanidade que nos atormenta enquanto parte desta enorme
família humana, descendentes destes extremos, exemplos que
podem nos levar à perdição.
 
Adão e Eva
 
Olhe para Eva em pé no meio do jardim olhando fixamente para o
fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. O fruto era algo
bonito, atraente, algo para comer:
 
“Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos
olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto
e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. Abriram-se, então,
os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram
folhas de figueira e fizeram cintas para si” (Gn 3:6, 7).
 
Satanás só usou o que Eva dispôs. A cobiça dos olhos, o desejo
pelo proibido e pelo entendimento. Eva sabia o que devia fazer, mas
não resistiu à tentação do que enchia seus olhos de beleza e
desejo. Eva foi enganada e comeu do fruto mesmo, provavelmente,
sem fome.
 
Cuidado com o que você vê. Cuidado com o desejo e trevas que
entram na sua alma pelos seus olhos. Muitas vezes dizemos que
não vamos ser como nossos pais enquanto somos jovens. Mais
tarde, no entanto, repetimos muitas atitudes que aprendemos no
berço da família. Não esqueçamos que todos somos descendentes
da mãe de todos os seres humanos: Eva. Teremos o mesmo desejo
dela, olharemos com cobiça, desejaremos o poder, o conhecimento,
o sermos deuses. Teremos fome que não pode ser saciada e abrirá
profunda vala a qual nos enterrará.
 
Esaú - Por um Prato de comida
 
“Tinha Jacó feito um cozinhado, quando, esmorecido, veio do
campo Esaú e lhe disse: Peço-te que me deixes comer um pouco
desse cozinhado vermelho, pois estou esmorecido. Daí chamar-se
Edom. DisseJacó: Vende-me primeiro o teu direito de
primogenitura. Ele respondeu: Estou a ponto de morrer; de que me
aproveitará o direito de primogenitura? Então, disse Jacó: Jura-me
primeiro. Ele jurou e vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó.
Deu, pois, Jacó a Esaú pão e o cozinhado de lentilhas; ele comeu e
bebeu, levantou-se e saiu. Assim, desprezou Esaú o seu direito de
primogenitura” (Gn 29-34).
 
Esaú estava muito cansado, enfraquecido pelo trabalho e tentado
pelo cheiro e pela aparência do cozido de Jacó. Diz a psicologia que
o vermelho atrai o homem aos seus instintos primários e
fundamentais, é a cor da paixão e da comida. Pense nas marcas de
alimentos e veja quantas delas usam esta cor para vender mais,
desde o básico até o supérfluo estão carregados de intenção e
marketing. Gordon Lindsay notou bem quando escreveu: “Havia
uma diferença fundamental entre Esaú e Jacó. O último tinha fé e,
como galardão, o direito de primogenitura. Esaú, sendo um homem
da terra, pensou apenas em termos de terra”.
 
Quando vivemos focados na comida apenas como objetivo de vida
nos tornamos impuros e profanos porque, como Esaú, perdemos
nosso direito e depois pode ser tarde demais para mudar de ideia:
 
“Nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um
repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também
que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois
não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o
tivesse buscado” (Hb 12:16, 17).
 
Os Judeus no Deserto
 
“Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná,
que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a
entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que
procede da boca do SENHOR viverá o homem” (Dt 8:3).
 
Deus levou o seu povo para o deserto e peregrinaram por quarenta
anos naquela terra estéril. Ele os deixou ter fome, Ele os humilhou
para que pudesse usá-los, Ele os sustentou com o maná, Ele tinha
um objetivo: “para te dar a entender que não só de pão viverá o
homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR viverá o
homem”. Foi o conflito com o alimento, ou a falta dele, que os fez
preferir a escravidão no Egito e esquecer cedo da mão poderosa
com a qual o Senhor os tirou de lá:
 
“Toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e
Arão no deserto; disseram-lhes os filhos de Israel: Quem nos dera
tivéssemos morrido pela mão do SENHOR, na terra do Egito,
quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos
pão a fartar! Pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de
fome toda esta multidão” (Ex 16:2, 3).
 
Veja o que a fome pode fazer com uma pessoa que vê a poderosa
mão de Deus. O pior é que Deus pode atender um pedido injusto
assim para nos arruinar:
 
“Cedo, porém, se esqueceram das suas obras e não lhe
aguardaram os desígnios; entregaram-se à cobiça, no deserto; e
tentaram a Deus na solidão. Concedeu-lhes o que pediram, mas fez
definhar-lhes a alma” (Sl 106:13-15).
 
Sim, como eles, nós também podemos cobiçar a necessidade para
a vida e dar mais importância a ela do que a poderosa mão de Deus
que age a nosso favor para nos libertar da escravidão.
 
Precisamos aprender cedo uma verdade e ensinar aos nossos
filhos. Uma verdade sobre a vida dos que têm fome e sede de
justiça, nem sempre eles terão com o que se alimentar. Não importa
quão ligeiros, valentes, sábios, prudentes, inteligentes são (Ec.
9:11). Porém, o Senhor jamais desampara os seus justos. Até
mesmo a falta tem seu propósito divino na vida daqueles que
acreditam nos propósitos de Deus.
 
O Rico e seu banquete
 
O rico se vestia muito bem com linhos finíssimos e banqueteava
todos os dias. Lázaro estava morrendo à porta da casa do rico e
tinha vontade de se alimentar, pelo menos, das migalhas que caiam
da mesa do rico. Nem isso ele tinha, pois vivia na porta e não
debaixo da mesa. Até os cães passavam melhor do que ele,
lambiam as suas feridas e ele, de tão enfermo, não conseguia
sequer espantá-los. A diferença da vida destes dois homens foi
destacada por Jesus para dizer que quem não ajuda o próximo para
a sua sobrevivência, pode ir parar no inferno (Lc 16:19-31). Veja em
que dilema eterno pode nos levar o não repartir o pão com o
próximo.
 
O Campo de um outro Homem Rico
 
“E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um
homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo,
dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E
disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstrui-los-ei
maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens.
Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para
muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe
disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens
preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si
mesmo e não é rico para com Deus” (Lc 12:16-21).
 
Este homem já era rico e trabalhou honestamente para ficar mais
rico ainda. O problema é que ele foi egoísta e pensou em si mesmo
apenas. Fez planos para si mesmo olhando horizontalmente para
seu campo fértil. Esqueceu de olhar verticalmente antes de falar
com sua alma. Ao invés de olhar para cima, olhou para baixo, para
os lados e só visou as coisas necessárias para esta vida: “Então,
direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos;
descansa, come, bebe e regala-te”. Mesmo a riqueza lícita precisa
de direção e administração vertical. Caso contrário, ou melhor, de
qualquer jeito, Deus pedirá conta da nossa alma.
 
No Tempo do Dilúvio
 
“Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos
céus, nem o Filho, senão o Pai. Pois assim como foi nos dias de
Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim
como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e
davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e
não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos,
assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt 24:26-29).
 
Notamos hoje que as pessoas estão em busca de diversão, comida
e bebida. Tudo é motivo para um churrasco, para uma festa e para
se reunir em redor de uma mesa. O alimento nos une uns aos
outros e ao mesmo tempo pode nos afastar de Deus. Quando
damos demasiada importância ao alimento, esquecemos da
promessa de um fim. Agimos normalmente e como se estivéssemos
desavisados, comemos e bebemos e fazemos festas e será no meio
de uma destas festas que Jesus vai se manifestar pela última vez.
Para muitos que só procuram os interesses deste mundo será uma
grande surpresa, para aqueles que procuram os interesses do reino
e a sua justiça, que procuram se fartar da palavra da boca do
Senhor, será o cumprimento da esperança e da fé.
 
Lições Para Hoje
 
Concluindo, precisamos pedir como o sábio pediu para Deus:
 
“Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta
de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a
riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que,
estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que,
empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus” (Pv 30:7-9).
 
Os judeus jejuaram por setenta anos todo quinto e sétimo mês de
cada ano e isso tudo foi em vão. Foi em vão porque eles choravam
e jejuavam por motivos egoístas e ritualistas e não para Deus
(conta-se algumas exceções). Da mesma forma comer e beber deve
ser feito para Deus tanto quanto jejuar. Eles estavam desanimados
porque a resposta de Deus não chegava e queriam saber dos
sacerdotes e profetas se deveriam continuar, e a resposta foi:
 
“Fala a todo o povo desta terra e aos sacerdotes: Quando jejuastes
e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta
anos, acaso, foi para mim que jejuastes, com efeito, para mim?
Quando comeis e bebeis, não é para vós mesmos que comeis e
bebeis? ” (Zc 7:5, 6).
 
Assim como Paulo ensinou:
 
“Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si.
Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o
Senhor morremos. Quer,pois, vivamos ou morramos, somos do
Senhor” (Rm 14:7, 8).
 
Parodiando esta passagem e pensando tanto na comida quanto no
jejum, podemos afirmar: “Quer, pois, comamos ou jejuemos,
façamos para o Senhor”.
 
Se comermos, para o Senhor comamos. A comida deve ser motivo
de fortalecimento físico para que possamos servir ao Senhor:
 
“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a
tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc
12:30).
 
Nos acostumamos a fazer as obras da carne com toda paixão e não
medimos esforços para nos satisfazer. Da mesma forma,
precisamos ter paixão e não medir esforços e nem gastos para fazer
a vontade de Deus.
 
“Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim
como oferecestes os vossos membros para a escravidão da
impureza e da maldade para a maldade, assim oferecei, agora, os
vossos membros para servirem à justiça para a santificação” (Rm
6:19).
 
Um corpo bem fortalecido deve ser nossa arma para lutar contra a
fraqueza espiritual. Quando um corpo fortalecido e saudável não é o
suficiente, somente o jejum e oração podem nos ajudar.
 
E assim, muitos outros exemplos poderiam ser dados sobre o
conflito que vivemos com o alimento e com a manutenção da própria
vida. Devemos aprender a nos esforçar mais por aquela comida que
vem de Jesus, não pela comida que nos faz perecer. Jesus afirmou:
 
“Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a
vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á” (Mc 8:35).
 
E ainda nos apontou uma alternativa para a eternidade que não está
no alimento desta terra:
 
“Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede
da boca de Deus… Mas ele lhes disse: Uma comida tenho para
comer, que vós não conheceis” (Mt 4:4; Jo 4:32).
 
Isto tudo sem mencionar o conflito extremo pelo qual passamos em
relação à comida, pois como diz o ditado popular: “Enquanto metade
do mundo passa fome, a outra metade faz regime”. Este é o conflito
das promessas anuais ou das segundas feiras quando começam as
dietas alimentares. Conflito que nós mesmos criamos quando temos
apenas palavras e não atitudes.
 
CAPÍTULO 03
O QUE É O JEJUM
 
Os vereadores de Santa Cruz de Capibaribe em Pernambuco,
decidiram votar em favor próprio um auxílio alimentação com um
valor absurdo para o orçamento mensal do município. Detentos em
Porto Velho, Roraima, decidiram fazer greve de fome por melhores
tratamentos. Um brasileiro fez greve de fome em frente ao
consulado da argentina em Florianópolis para poder ver a filha, fruto
de um relacionamento com uma mulher argentina. É fácil encontrar
notícias sobre greve de fome e suas motivações. Hoje em dia é
muito difícil encontrar notícias de jejum, inclusive dentro das igrejas
e pelos motivos ensinados pela Bíblia.
 
Jejum é a abstinência de comida por um período determinado pela
pessoa ou grupo que o pratica. Não há regras bíblicas especificas
sobre como fazer o jejum. No Velho Testamento havia apenas duas
ocasiões no qual era praticado um jejum coletivo, o dia da expiação
(Lv 23:27), este dia também era chamado do dia do jejum (Jr 36:6;
At 27:9), e o dia anterior a festa de Purim (Et 9:20-32).
 
Exemplos
 
Jejum não é passar fome ou greve de fome. Jejum não é falta de ter
o que comer e por isso está em jejum, isto sim, seria passar fome.
Jejum é não comer de propósito e com propósitos. O simples fato de
ficar sem comer traz consequências que não poderíamos chamar de
espirituais. Jesus não quis deixar uma multidão em jejum porque ele
sabia o efeito que o “passar fome” causaria. Provavelmente eram
famílias, mulheres e crianças envolvidas na multidão que estava
longe de suas casas. Poderíamos contar umas 15 mil pessoas.
Aquelas pessoas gostavam tanto de ouvir Jesus que deixaram de
lado a importância da alimentação, mas Jesus era um homem de
compaixão consciente:
 
“Se eu os despedir para suas casas, em jejum, desfalecerão pelo
caminho; e alguns deles vieram de longe” (Mc 8:3)
 
Aquelas pessoas nos dão um bom exemplo de que vale a pena
deixar o alimento para depois e sentar para ouvir Jesus falar. Elas
nos dizem, sem lermos suas palavras lá naquele texto, que nem só
de pão viverá o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de
Deus.
 
Na ocasião, Jesus fala sobre as três coisas mais importantes para a
sobrevivência de qualquer pessoa: comida, roupa e água. Sem
estas três coisas ninguém vive. É claro que é até possível viver sem
roupa, como algumas culturas indígenas, por exemplo, mas aqueles
não consideram a nudez e para eles estão vestidos conforme as
suas tradições e costumes (sejam pinturas, folhas ou adereços).
Mas sem água e comida ninguém vive. Quando, então, uma pessoa
propositadamente jejua, ela tem que ter objetivos.
 
O jejum diz para quem jejua e para o mundo que, se alguém pode
viver por um breve tempo sem comer, que é essencial para a vida,
pode-se viver igualmente muito bem sem o que é supérfluo como o
pecado e os desejos carnais. Jesus falando para aquela multidão
que deixou suas casas e nem pensaram no alimento sobre aquelas
três coisas essenciais para a sobrevivência humana, completa
dizendo:
 
“Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de
comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de
vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que
as vestes? ” (Mt 6:25).
 
Depois de dar exemplos para provar que Deus vai cuidar da gente,
Ele conclui dizendo:
 
“...buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e
todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33).
 
Jejum é uma atitude espiritual que exclui o alimento, uma
necessidade essencial para a sobrevivência. Quem jejua está
buscando, em primeiro lugar, mesmo acima das suas necessidades
essenciais, os interesses do reino de Deus e cumprir a Sua justiça.
Deste modo, Deus não deixará faltar o alimento e, acredito,
acrescentará todas as demais coisas necessárias para a
sobrevivência e uma vida digna perante Ele e os homens, é o que
chamamos de bênçãos.
 
Jejum é a prática de não se alimentar por certo tempo. Jejum não é
greve de fome, pois quem jejua não deve fazer por revolta ou
protesto, o objetivo do jejum é ‘chamar a atenção’ de Deus e Dele
conseguir compaixão e bênçãos tanto para si mesmo quanto para
outros. O jejum não é obrigatório, mas é necessário. Em nenhuma
parte do Novo Testamento, o qual obedecemos, diz que o jejum é
obrigatório. Os fariseus tinham muitas tradições religiosas, e foi
exatamente isso que os afastou para longe de Deus. As tradições
para os fariseus eram tão importantes que eles estipularam e
determinaram para outros momentos específicos de jejum. O jejum
tinha se tornado um motivo de exibição religiosa por parte dos
crentes daquele tempo. Um fariseu que pensava ser fiel jejuava
duas vezes por semana (Lc 18:12). O jejum se tornou um motivo de
comparação espiritual entre os que se achavam justos e os
pecadores.
 
Certa vez quando Jesus falou a respeito de Jejum, Ele tinha sido
questionado pelos discípulos de João:
 
“Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram
alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de
João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam? ” (Mc
2:18).
 
Jesus explicou:
 
“Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento,
enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver
presente o noivo, não podem jejuar. Dias virão, contudo, em que
lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão” (Mc 2:19, 20).
 
Completando este assunto Jesus diz que não se pode costurar pano
novo em vestes velhas, porque causaria maior o rasgo e não se
pode por vinho novo em odres velhos, pois o vinho novo romperia
os odres velhos, e ambos se perderiam (Mc 2:21, 22).
 
Os discípulos de João e os dos fariseus jejuavam conforme as
tradições ensinadas dos velhos para os novos de geração em
geração. Jesus não era contra o jejum e sim contra as tradições que
invalidavam a palavra de Deus. O jejum tinha se tornado, pela
tradição, uma prática espiritual vazia. Elesnão estavam jejuando
conforme a vontade de Deus e sim conforme a tradição que tinham
recebido. Este era o motivo do jejum deles condenado por Jesus.
Então por que Jesus ensinaria os seus discípulos, herdeiros de um
Novo Testamento, a obedecerem às tradições criadas a partir dos
costumes do Velho Testamento? Jesus não ensinou e não foi
cúmplice das atitudes dos religiosos. Haveria tempo para que os
discípulos de Jesus jejuassem, quando todas as coisas seriam
novas sob um Novo Testamento. O jejum tradicional e como um
mero requisito institucional e religioso é condenável. O jejum não é
para marcar pontos perante Deus e sim para mostrar um espírito
humilde, arrependido e dependente do poder daquele que é
infinitamente poderoso (Ef 3:20). Por isso os discípulos de Jesus
não praticavam o velho jejum tradicional dos religiosos porque isto
causaria maior rotura e romperia os odres novos do Novo
Testamento.
 
O jejum não manipula ou chantageia Deus ou o torna mais atento às
nossas necessidades, antes, pelo contrário, nos torna mais
próximos de Deus e mais atentos espiritualmente. O jejum tem mais
valor para nós que somos transformados e renovados na fé, Deus é
quem nos dá os meios para que possamos buscá-lo através do
jejum que envolve a abstinência do essencial para a vida. O jejum
não muda Deus, muda a gente.
 
Alguém resumiu o jejum a, basicamente, três coisas: tristeza,
confissão de pecados e a necessidade de buscar a Deus. O jejum é
a prática daqueles que têm fome e sede de justiça e que buscam
em primeiro lugar, acima das necessidades essenciais à vida, o seu
reino e sua justiça. Em relação a isto, somente Deus pode
alimentar-nos. É bom lembrar também que o jejum deve conter
abstinência de pecados. Por exemplo: se uma pessoa fuma, mas
quer servir ao Senhor, o jejum pode ser um bom motivo para abster-
se do vício que lhe causa prazer e dano e produz força para parar
de fumar, este pode ser até o motivo do jejum.
 
Tipos de Jejum
 
Desde que o jejum não tem uma regra específica para ser feito,
devemos tomar como exemplo o jejum das pessoas de dentro da
Bíblia. Nem todo jejum praticado foi igual, houve algumas diferenças
entre a prática de um personagem em comparação com outros.
 
Jejum Total
 
Alguns personagens fizeram jejum total de alimentos e até mesmo
de água. Paulo quando conheceu Jesus pessoalmente e
reconheceu que estava perseguindo o Filho de Deus, ficou três dias
sem comer e nem beber (At 9:9). A água não é, necessariamente,
um alimento. Quando uma pessoa jejua, desidrata mais facilmente.
Precisamos de água para que os rins funcionem devidamente. Ester
é outro exemplo que temos de alguém que não comeu nem bebeu
por três dias (Et 4:16). Se fizer um jejum total, considere também o
tempo máximo para não prejudicar o próprio corpo, limite o jejum
total a três dias. Excepcionalmente, encontramos Moisés que ficou
no monte sem comer e beber por quarenta dias, mas neste caso
Moisés esteve envolto na glória do Senhor, o qual Ele viu de uma
penha e quando voltou para o meio do povo até o seu rosto
resplandecia a glória do Senhor (Ex 34:28, 35).
 
Jejum Normal
 
O jejum normal é aquele que há abstinência de alimentos, mas não
de água. Este é o jejum mais praticado, levando-se em conta que a
água não é um alimento. Nos vários relatos de jejum não
encontramos nada a respeito da ingestão de água, porém quando o
escritor ou o personagem quer deixar claro que o jejum foi total,
temos a menção excluindo a água. Crê-se que Jesus jejuou aqueles
quarenta dias somente com a abstinência de alimento, desde que os
que relataram o fato não mencionam a exclusão de água, porém,
assim como Moisés, Ele estava em uma situação especial o que
pode ter envolvido abstinência total de qualquer ingestão. O corpo
pode passar dezenas de dias sem alimento, mas sem água a
situação fica complicada. Se passarmos mais de três dias sem a
ingestão de água vamos comprometer a integridade do corpo. Neste
caso precisamos lembrar que o nosso corpo é santuário do Espírito
Santo que está dentro de nós e que precisamos do corpo para fazer
a vontade de Deus. Jejuamos para nos tornar um santuário (nosso
corpo) mais útil e agradável a Deus. Então o jejum não deve ser
prejudicial ao corpo.
 
Jejum Parcial
 
O jejum parcial é aquele que é feito com base em alguns alimentos
e com tempo determinado. Por exemplo: meio dia ou a abstinência
de uma das refeições do dia.
 
Daniel fez um jejum parcial quando não quis se contaminar com a
comida do rei Nabucodonosor. Deus foi misericordioso com Daniel e
lhe abençoou e este e seus amigos tinham aparência melhor e era
mais robusto do que os outros que comiam das finas iguarias do rei
(Dn 1:8-16). Noutra ocasião Daniel absteve-se de comer o que lhe
era desejável (Dn 9:2, 3). Talvez tenha feito uma dieta de legumes e
frutas.
 
Podemos também incluir no jejum parcial algo que nos incomoda
como o jejum de palavras, vícios, tecnologia, etc.
 
Jejum Involuntário, Mas Necessário
 
Estava lendo um livro que mencionou quantas vezes Deus permitiu
que a fome, a carestia e os inimigos afligissem o povo. Tudo isso
provocou um jejum involuntário, mas necessário. E ainda hoje
somos levados a um jejum involuntário, mas necessário. O autor do
livro estava lembrando dos seus problemas financeiros quando leu
Amós 4 o qual “declarou que Deus havia retido a chuva em Israel e
ferira as suas colheitas com pragas por causa do pecado da nação.
Deus convidou Israel a voltar-se para ele”.
 
Dar importância ao horário do culto ou de um encontro bíblico
podem ser jejuns involuntários, mas necessários pela importância
que ouvir a Palavra de Deus tem.
 
O jejum involuntário nos pega de surpresa, nos entristece, nos
humilha e nos engrandece finalmente em grande banquete com a
presença do próprio Deus como o principal convidado. Lembro-me
claramente de jejuns involuntários praticados pelos judeus
peregrinando no deserto, por Jonas dentro do grande peixe, por
Paulo muitas vezes e por Jesus. Todos estes exemplos de jejuns
involuntários surtiram efeitos duradouros. Isso nos ensina que o
alimento não é tão importante quanto a vontade de Deus. Devemos
estar preparados também para jejuns involuntários e necessários.
Quando a tristeza nos afligir, quando a necessidade nos bater à
porta ou quando Deus chamar, jejuemos. Afinal, o jejum nos
sensibiliza para ouvir e entender a vontade de Deus.
 
Conclusão
 
Jejum não tem regras estabelecidas pelo Novo Testamento, mas
não é passar fome ou fazer uma greve de fome. Jejum pode ter
objetivos materiais ou espirituais.
 
Para fazer um jejum que agrada a Deus, sigamos os exemplos da
Bíblia. Neste caso exemplos do Velho e do Novo Testamento
servem para nos ensinar, mas não para colocar uma regra e torná-la
tradição ou mandamento.
 
Existem alguns tipos de jejum como o total, parcial, normal ou
involuntário. Não espere que a situação lhe pegue de surpresa e se
imponha sobre você. Crie um hábito de buscar a Deus através do
jejum e oração.
 
CAPÍTULO 04
MOTIVOS PARA JEJUAR
 
 
Os motivos que levam uma pessoa a abster-se por um período de
tempo de alimentar-se podem ser diversos. Mas o que realmente
importa são os motivos bíblicos para o jejum aceitável
espiritualmente a Deus. Porém, antes vamos considerar o que
alguns têm feito usando a abstinência de alimentos como meio para
atingirem objetivos terrenos.
 
O jejum pode ser visto de fora da fé como um motivo banal e risco
de morte. O que leva uma pessoa sem fé a fazer jejum pode ser
aversão, oposição, ira, indignação, etc. Vimos no primeiro capítulo
uma citação da história de Gandhi e seus motivos para praticar o
jejum por até 21 dias. Sua luta era política à procura de justiça para
o seu povo. De um modo geral muitas pessoas fazem jejum por
motivos pessoais, mas não necessariamente por motivos espirituais.
Um dos motivos pessoais que mais leva uma pessoa a fazer jejum
voluntário ou involuntário é a tristeza. Pode ser pela tristeza
provocada pelo luto, pela tristeza provocada por não conseguir
resultados da justiça humana ou pela tristeza dopróprio pecado.
Porém, esta tristeza não traz resultados benéficos em qualquer
sentido para a vida. Pelo contrário, a tristeza segundo o mundo
produz morte (2 Co 7:10). Os motivos pessoais nem sempre são
motivos egoístas, mas é bom a gente fazer uma autoanálise para
que realmente não sejam. Mesmo que sejam praticados
voluntariamente por um adulto, assemelha-se muito a uma criança
mimada que faz chantagem emocional com os pais para manipulá-
los. Raras vezes este tipo de jejum é praticado, altruisticamente, por
um indivíduo com resultados benéficos para todos.
 
Acredito que Deus ouve quem jejua buscando o seu reino e sua
justiça em primeiro lugar, mesmo não sendo religioso. Vemos o
exemplo de Cornélio que foi ouvido por Deus por causa das suas
esmolas e orações. Acredito que ele também observava como os
judeus os mandamentos e as tradições sobre o jejum. Mesmo sendo
romano, ele buscava o Deus dos judeus e foi ouvido (At 10).
 
Há ainda o caso de religiosos que praticam a abstinência de
alimentos por motivos hipócritas. A maioria dos povos e religiões
praticam o jejum. O jejum hipócrita é um dos mais antigos, mas
novamente cai nos motivos egoístas de uma pessoa mesmo não
sendo religiosa por serem motivos não espirituais. Os religiosos
praticam o jejum como meio de exibirem-se ou mesmo de conseguir
poder sobre alguns. Hoje há ainda outros que praticam o jejum por
avareza, pensando que Deus vai dar tudo o que desejam, não
importando que este desejo seja contra a vontade de Deus. Alguns
líderes religiosos apregoam um jejum por “causas impossíveis”,
prometendo, com antecedência, o resultado positivo sem saber por
que motivos as pessoas são levadas a jejuar. Assim, usam o nome
de Deus em vão prometendo cumprir o que Deus não prometeu.
 
Enquanto escrevia este capítulo ouvi uma notícia num telejornal
sobre o fim da greve de fome de um movimento de trabalhadores
sem-terra. O jejum estava sendo praticado coletivamente, porém, os
motivos são políticos e por interesses deste mundo. Aqueles lutam e
jejuam e até se mutilam por uma terra prometida que eles mesmos
escolhem. Os que jejuam com motivos espirituais também jejuam
por uma terra, mas esta é a que foi prometida por Deus. Muitos
outros exemplos poderiam ser dados, mas não teria muita
relevância para este estudo que tende a enfocar o jejum espiritual
que nos aproxima de Deus.
 
Motivos Para Não Jejuar
 
Imagine agora, jejuar por pacto de morte. Isso mesmo que você leu.
Alguns judeus que se consideravam filhos de Deus fizeram isso.
 
“Na manhã seguinte os judeus tramaram uma conspiração e juraram
solenemente que não comeriam nem beberiam enquanto não
matassem Paulo. Mais de quarenta homens estavam envolvidos
nessa conspiração. E, dirigindo-se aos chefes dos sacerdotes e aos
líderes dos judeus, disseram: "Juramos solenemente, sob maldição,
que não comeremos nada enquanto não matarmos Paulo. Agora,
portanto, vocês e o Sinédrio peçam ao comandante que o faça
comparecer diante de vocês com o pretexto de obter informações
mais exatas sobre o seu caso. Estaremos prontos para matá-lo
antes que ele chegue aqui" (Atos 23:12-15)
 
Conclusão
 
Certamente existem outros motivos para jejuar ou não jejuar. Nos
capítulos posteriores serão apresentados motivos justos expostos
pela Palavra de Deus, motivos para jejuar que agradam a Deus. O
jejum, não sendo uma obra vazia e sem sentido, deve ter propósitos
preenchidos pela vontade de Deus.
 
CAPÍTULO 05
MEDO
 
 
Olhe a atual situação econômica do país. Observe as grandes
metrópoles e, assistindo pela televisão, de preferência, veja a
violência social desenfreada. Procure um lugar para morar e veja
que, mesmo se você for para o interior das cidades ou do país,
encontrará problemas, falta de esperança e medo do futuro.
 
Para onde você vai fugir? As autoridades podem te ajudar? A
conjuntura política te dá alguma esperança real para mudar para um
lugar esquecido pelos homens?
 
Quando uma pessoa está com problemas sérios, geralmente os
conselheiros dizem que não adianta mudar de bairro, de cidade, de
estado ou mesmo do país, o problema vai acompanhar você. Não
adianta se esconder, o medo vai te acompanhar. Mesmo que ele
não seja tão real quanto imaginamos.
 
Certa vez ouvi dois especialistas falando sobre o medo e os temores
modernos. Um deles, um psicólogo, disse que a gente tem medo do
escuro porque quando não conseguimos usar os olhos, então o
cérebro começa a funcionar como olhos. Porém ele traz à tona os
medos que guardamos no subconsciente. Outro especialista, um
sociólogo, disse que a maior parte dos nossos temores nunca
acontece realmente. A maioria das pessoas que mora nos grandes
centros, onde se concentra a violência social, nunca foi assaltada e
não são pessoas classificadas socialmente como más. Elas
trabalham, estudam, praticam esportes, procuram lazer, etc. As suas
vidas, de um modo geral, são vidas normais. Mas, mesmo que
tenhamos estas informações confirmadas por especialistas, vai
convencer alguém que caminha à meia noite numa rua escura da
periferia que o medo é apenas imaginação? Vai convencer o
trabalhador que o seu salário no fim de cada mês vai conseguir
comprar o mesmo que o mês anterior? Vai convencer os pais que
ficam apreensivos em casa esperando os seus filhos à noite que a
imaginação é mais real do que a própria realidade?
 
Quando não conseguimos vencer a imaginação, o medo do escuro,
o medo da realidade, o medo das coisas que nunca vão acontecer,
precisamos de uma ajuda divina para nos tranquilizarmos. Oração
deve ser uma atitude constante e muitas vezes deve ser
acompanhada por jejum. Se acreditarmos que “o Senhor é o
Pastor”, então depositamos nossas esperanças nas Suas mãos. Se
afirmarmos que “confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não
temerei; que me poderá fazer o homem? ” (Hb 13:6), nossas
palavras demonstram que confiamos no Senhor. Somente em Deus
está a nossa esperança, Nele, você pode ir para onde Ele o permitir:
 
“O além e o abismo estão descobertos perante o SENHOR; quanto
mais o coração dos filhos dos homens! ” (Pv 15:11).
 
O jejum se faz necessário quando não temos esperança e só resta o
medo. E quando a força física não pode resolver. Enfraquecendo a
carne, viveremos pela força do Espírito. “Nós, porém, não somos
dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para
a conservação da alma” (Hb 10:39), precisamos manter a nossa
palavra de confiança e ao mesmo tempo não temos poder nenhum
para mantê-la. Neste ponto estaremos prontos e necessitados para
confiar no Senhor que fez as promessas e não volta atrás. Deus não
pode usar um homem que esteja forte e pode lutar por si mesmo,
este tal não precisa de ajuda do Senhor. As armas e as forças deste
mundo é que lhe dão segurança. Mas mesmo com o uso de armas,
por mais poderosas que possam ser, há guerras perdidas. Somente
o Senhor com a sua poderosa mão pode vencer.
 
Não Temais Pois a Peleja é de Deus
 
Josafá teve medo e por isso instituiu um jejum público em todo o
Judá (2 Cr 20:3). O medo de Josafá veio por saber que um grande
exército se formou para lutar contra o seu reino, por isso todo o
Judá se congregou para pedir socorro ao Senhor (2 Cr 20:4). A este
apelo de medo e dependência, Deus respondeu com o seu Espírito
dizendo: “Dai ouvidos, todo o Judá e vós, moradores de Jerusalém,
e tu, ó rei Josafá, ao que vos diz o SENHOR. Não temais, nem vos
assusteis por causa desta grande multidão, pois a peleja não é
vossa, mas de Deus” (2 Cr 20:15). Um bom motivo para jejuar é o
medo e a necessidade da ajuda de Deus.
 
Não foi com força de um exército que a guerra foi vencida, mas pelo
poder de Deus. Eles saíram em direção ao exército inimigo
cantando e louvando ao Senhor e Ele agiu:
 
“Pela manhã cedo, se levantaram e saíram ao deserto de Tecoa; ao
saírem eles, pôs-se Josafá em pé e disse: Ouvi-me, ó Judá e vós,
moradores de Jerusalém! Crede no SENHOR, vosso Deus, e
estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis.
Aconselhou-se com o povo e ordenou cantores para o SENHOR,
que, vestidos de ornamentossagrados e marchando à frente do
exército, louvassem a Deus, dizendo: Rendei graças ao SENHOR,
porque a sua misericórdia dura para sempre. Tendo eles começado
a cantar e a dar louvores, pôs o SENHOR emboscadas contra os
filhos de Amom e de Moabe e os do monte Seir que vieram contra
Judá, e foram desbaratados. Porque os filhos de Amom e de Moabe
se levantaram contra os moradores do monte Seir, para os destruir e
exterminar; e, tendo eles dado cabo dos moradores de Seir,
ajudaram uns aos outros a destruir-se. Tendo Judá chegado ao alto
que olha para o deserto, procurou ver a multidão, e eis que eram
corpos mortos, que jaziam em terra, sem nenhum sobrevivente” (2
Cr 20:20-24).
 
Uma boa aplicação para esta história é: Não deixe de frequentar as
reuniões de adoração da igreja para ficar resolvendo um problema,
para ficar limpando a casa ou preparando a comida. Vá, mesmo em
jejum, mesmo que não tenha dado tempo de comer, vá cantar e
louvar ao Senhor e tenha certeza de que “a peleja não é vossa, mas
de Deus”. Com certeza quando você chegar a sua casa não estará
limpa, o seu problema não estará resolvido, a comida não estará
pronta, mas espere a resposta do Senhor. Você pode confiar Nele?
A promessa de quem confia no Senhor e na sua palavra, só Ele
pode responder.
 
O Dia de Purim
 
A história da rainha Ester é impressionante. O jejum foi a resposta a
mais um plano para exterminar os judeus. Um dos tantos
holocaustos que enfrentou aquela nação. Vale a pena olharmos
para aquela história e resumir aqui.
 
Mordecai e Ester tiveram um medo real de serem exterminados
todos os judeus pelo plano de Hamã, um favorecido do rei Assuero.
Ester e Mordecai eram parentes, ele a criou como filha, ela era sua
prima órfã. Quando o rei se divorciou, pediu para trazer as moças e
entre sete escolhidas Ester estava no meio delas. Ela foi cuidada
por um ano de tal forma que pudesse ser a escolhida do rei.
Ninguém conhecia sua linhagem, pois Mordecai ordenou que ela
não se revelasse e, ela era obediente a ele como a um pai. O rei
apaixonou-se por Ester mais do que por todas, pois era a mais bela
das virgens. Ganhou uma coroa real e foi eleita rainha (Et 2).
 
Paralelamente à história de Ester, Hamã foi engrandecido pelo rei e
todos se inclinavam e se prostravam para ele, conforme o decreto
do rei; por ser Mordecai um judeu, não se prostrava para Hamã.
Aparentemente Hamã não sabia disso, mas os servos do rei
alertaram a Hamã e ele ficou enfurecido contra Mordecai a tal ponto
que não quis punir somente a Mordecai, mas a todos os judeus.
Hamã, muito supersticioso, lançou sortes para ver quando
executaria o seu plano. Quando ele lançou as sortes era no mês de
nisã, o primeiro mês, entre março e abril do nosso calendário. A
data propicia, segundo as sortes lançadas, caiu no mês de adar,
cerca de um ano depois, o duodécimo mês, entre fevereiro e março
do nosso calendário. Isso deu tempo para Hamã tramar contra os
judeus. Ele foi falar com o rei Assuero sobre os judeus com suas leis
particulares e diferentes das dos demais povos e que não
obedeciam às leis do rei. O rei nem quis saber que povo era esse,
tamanha a confiança em Hamã, dando seu anel como uma
permissão e selo real para fazer o que Hamã dissera. Hamã ditou
uma carta e a traduziu para todos os povos do reino:
 
“Enviaram-se as cartas, por intermédio dos correios, a todas as
províncias do rei, para que se destruíssem, matassem e
aniquilassem de vez a todos os judeus, moços e velhos, crianças e
mulheres, em um só dia, no dia treze do duodécimo mês, que é o
mês de adar, e que lhes saqueassem os bens”. A cidade ficou
perplexa com tal ordem vinda do palácio real (Et 3).
 
Mordecai, o pivô do decreto real, ficou sabendo das palavras vindas
do palácio e lamentou profundamente rasgando as suas vestes,
cobrindo-se de pano de saco e de cinza, saiu pela cidade e clamou
com grande amargo clamor até a porta do palácio do rei. “Em todas
as províncias aonde chegava a palavra do rei e a sua lei, havia entre
os judeus grande luto, com jejum, e choro, e lamentação; e muitos
se deitavam em pano de saco e em cinza” (Et 4:3). Ester soube do
decreto do rei e mesmo sendo rainha não podia ajudar, pois,
segundo as cerimônias reais ninguém poderia entrar na presença do
rei se não fosse chamado. Se aparecesse, ou seria morto conforme
a sentença ou o rei estenderia o seu cetro de ouro para que o
visitante se aproximasse, em suma, era risco de morte. “Mordecai
mandou o seguinte recado para ela:
 
"Não pense que, por morar no palácio, só você, entre todos os
judeus, escapará da morte. Se você ficar calada numa situação
como esta, do Céu virão socorro e ajuda para os judeus, e eles
serão salvos; porém você morrerá, e a família do seu pai
desaparecerá. Mas quem sabe? Talvez você tenha sido feita rainha
justamente para ajudar numa situação como esta! ” (Et 4:13, 14).
Você notou as palavras cheias de confiança de Mordecai? Era um
risco de morte de uma só pessoa para poupar a vida de todos os
judeus, por isso Ester respondeu para Mordecai: “Vá e reúna todos
os judeus que estiverem em Susã, e todos vocês jejuem e orem por
mim. Durante três dias não comam, nem bebam nada, nem de dia
nem de noite. Eu e as minhas empregadas também jejuaremos.
Depois irei falar com o rei, mesmo sendo contra a lei; e, se eu tiver
de morrer por causa disso, eu morrerei” (Et 4:16).
 
Ester entrou na presença do rei e o rei teve boa vontade para com
ela. Ester convidou ao rei e a Hamã para um jantar real. O rei foi e
queria saber qual era o seu pedido. Ela fez suspense e os convidou
para o dia seguinte voltarem e ela falaria o que desejava (Et 5). O
rei ficou curioso e não pode dormir. Providencialmente o rei com
insônia quis lembrar das suas obras registradas no livro dos feitos
memoráveis. Sendo lido o livro, mencionou-se o nome Mordecai que
ajudou o rei livrando-o de ser assassinado (Et 6:1-3). Enquanto os
judeus jejuavam, Deus estava alimentando o futuro deles. O rei quis
saber que honras e distinções tinha recebido Mordecai por este
serviço prestado, mas Mordecai não tinha sido recompensado.
Hamã chegou neste momento e o rei revelou que tinha que honrar
um homem, mordecai, arrogante como estava, pensou que fosse ele
(Et 6:6-9). O rei ordenou a Hamã que levasse as honras para
Mordecai sem omitir nada do que ele mesmo havia sugerido e
Hamã foi para casa angustiado (Et 6:10-14). Hamã tinha feito uma
forca para punir Mordecai por sugestão da sua esposa, depois que
Ester os recebeu em casa novamente, denunciou a maldade de
Hamã e ironicamente o rei o enforcou na forca preparada para
Mordecai.
 
Depois de terem jejuado, Deus respondido, a justiça feita e o
decreto real anulado por um novo decreto real, os judeus das 127
províncias receberam as novas palavras como boas-novas e “…
havia entre os judeus alegria e regozijo, banquetes e festas; e
muitos, dos povos da terra, se fizeram judeus, porque o temor dos
judeus tinha caído sobre eles” (Et 8:17). Depois do jejum por causa
do temor veio a hora de voltar a se alimentar com alegria.
 
Hamã lançou Pur para ver quando puniria a todos os judeus. Pur
quer dizer sorte, Purim é o plural de Pur. Daquele dia em diante os
judeus comemoraram o dia de Purim lembrando que Deus mudou a
‘sorte’ deles (Et 9:20-32). Naquele dia eles jejuam e oram lembrando
que Deus livra do medo e do pavor da morte. Hamã teve tanto
tempo quanto os judeus tiveram. Ele com intenção de exterminá-los,
os judeus, esperando a libertação que veio de Deus. Depois de ter
lido e estudado o livro de Ester, acredito que todo discípulo de Jesus
deve ler e estudar para que conheça o poder de Deus concedido
àqueles que jejuam acreditando que, de uma forma ou outra Deus
os livrará do medo. Devemos afirmar sem medo que, de uma forma
ou de outra, Deus salvará o seu povo.
 
CAPÍTULO 06
HUMILDADE
 
 
Humildade é uma chave no relacionamento com Deus e com os
homens. Davi, homem que tinha vindo de família humilde, sabia o
valor da humildade perante Deus, tanto que ele escreveu um salmo
dizendo:
 
“Para com o benigno,benigno te mostras; com o íntegro, também
íntegro. Com o puro, puro te mostras; com o perverso, inflexível.
Porque tu salvas o povo humilde, mas os olhos altivos, tu os abates.
Porque fazes resplandecer a minha lâmpada; o SENHOR, meu
Deus, derrama luz nas minhas trevas” (Sl 18:25-28). O humilde
alcança favor de Deus.
 
Nunca devemos nos mostrar orgulhosos e senhores do saber
perante ninguém. Muitas vezes a Bíblia nos mostra que isso não
funciona muito bem. Ninguém gosta de conversar com aquela
pessoa que sempre acredita ter razão e quer fazer valer a sua
opinião. Por outro lado, como é bom conversar com aquela pessoa
que mais ouve do que fala. As pessoas pagam pequenas fortunas
para os que ouvem, estes são chamados de psicólogos.
 
Aprendendo a Ser Humilde
 
O chamado de Jesus a quem quer ser discípulo é negar a si
mesmo: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir
após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt
16:24). Este é o primeiro passo na vida do discípulo, o segundo
passo é tomar uma atitude e seguir.
 
Na continuação do seu ensinamento Jesus apontou para os fariseus
e escribas que estavam na cadeira de Moisés, isto é, ensinavam o
povo a guardar a lei. Jesus ensina o povo a obedecê-los, mas não a
imitá-los, porque eram hipócritas nas suas práticas “porque dizem e
não fazem”. Eles amarravam fardos pesados sobre os ombros dos
outros e eles mesmos não os carregavam nem com o mínimo
esforço. A religião prática dos escribas e fariseus era exibicionista e,
como muitos hoje, gostavam de ter aparência de religiosos e de
títulos e se exaltam como mestres, guias e pais; do lado oposto,
estão os discípulos de Jesus que não são chamados por títulos
como mestre, pastor, bispo, etc. Além do mais, deviam tratar uns
aos outros como irmãos. Os verdadeiros discípulos de Jesus têm
um só Mestre, Pai e Guia, que é Jesus Cristo. E, uma das mais
importantes lições para os discípulos é: “Mas o maior dentre vós
será vosso servo” (Mt 23:11). Sempre precisamos lembrar que
Jesus desempenhou este papel na carne e, quando se fez carne,
assumiu a forma de servo (Fp 2:7). A conclusão não poderia ser
outra a não ser o que Jesus diz: “Quem a si mesmo se exaltar será
humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt
23:12).
 
Paulo, depois de ter aprendido a ser humilde e submisso a Jesus, a
quem ele perseguia, escreveu: “Porque, pela graça que me foi dada,
digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que
convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que
Deus repartiu a cada um… Tende o mesmo sentimento uns para
com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o
que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm
12:3, 16). E ele ainda explica que somos um corpo, mesmo com
funções diferentes, membros do corpo de Cristo e dependentes uns
dos outros (Rm 12:4-8). Não devemos nem sequer nos gloriar de ter
a graça maior do que a do povo judeu que foi rejeitado pela sua
incredulidade e, ele nos exorta: “Agora você dirá: Alguns galhos
foram cortados para que eu pudesse ser enxertado na oliveira”. Isso
é verdade. Mas esses galhos foram cortados porque não creram. E
você só continua a ser parte da oliveira porque tem fé. Não se
orgulhe, mas, pelo contrário, tema. Se Deus não perdoou seus
galhos naturais, também não vai perdoar você” (Rm 11:20, 21). Por
isso “pense de maneira modesta, de acordo com a fé que Deus
repartiu a cada um”. E quando começou este pensamento,
sentimento e atitude de Paulo? Quando um dia encontrou Jesus
pessoalmente e ficou jejuando e orando por três dias (At 9:9, 11b). A
humildade prática da vida começa na forma como você pensa. A
sua atitude confirma o seu pensamento e sentimento e, Deus o
aprova.
 
O jejum é um passo do aprendizado de humildade. O pensamento
toma os sentimentos e atinge as atitudes. A tristeza pelos pecados
apodera-se de nós e isso nos leva a jejuar.
 
Exemplos de Jejum Para Humilhar-se
 
O primeiro exemplo já foi apresentado, mesmo que
cronologicamente em ordem inversa. Paulo jejuou para se humilhar
perante aquele a quem perseguia. Talvez ele pensasse que estava
perseguindo uma seita nova e contrária à lei, mas deparou-se com o
próprio Deus mudando-lhe a direção a ser seguida. Ele perseguia o
Caminho, agora, humildemente, precisava perseguir pelo Caminho e
foi o que fez:
 
“E, depois de ter-se alimentado, sentiu-se fortalecido. Então,
permaneceu em Damasco alguns dias com os discípulos. E logo
pregava, nas sinagogas, a Jesus, afirmando que este é o Filho de
Deus” (At 9:1-20).
 
Jejum por causa de necessidades nos põe em nosso devido lugar,
servos de Deus, e exalta o poder de Deus. Em tempo oportuno,
Deus exaltará os que se humilham na sua presença. Esdras
convocou um jejum em sinal de humilhação na presença de Deus:
 
“Então, apregoei ali um jejum junto ao rio Aava, para nos
humilharmos perante o nosso Deus, para lhe pedirmos jornada feliz
para nós, para nossos filhos e para tudo o que era nosso” (Ed 8:21).
 
Esdras teve vergonha de pedir ajuda do rei Artaxerxes, mas não
tinha por que ter receio de pedir a Deus. A vergonha dele de confiar
na força humana vinha da sua fé na proteção divina, afinal ele tinha
dito ao rei que o Senhor estaria com eles no caminho, e Deus os
atendeu:
 
“Porque tive vergonha de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos
defenderem do inimigo no caminho, porquanto já lhe havíamos dito:
A boa mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o
bem deles; mas a sua força e a sua ira, contra todos os que o
abandonam. Nós, pois, jejuamos e pedimos isto ao nosso Deus, e
ele nos atendeu” (Ed 8:22, 23).
 
Nos humilhar em jejum perante Deus significa que confiamos Nele.
Quando nos humilhamos, Deus pode nos usar. Ele não quer usar
um homem forte e poderoso que pode resolver, por si mesmo, todas
as questões. Ele não quer ajudar aquele que acredita no dinheiro,
nos exércitos e nas armas de guerra. Quem tem dinheiro e nele
confia compra o deus que quiser, quem tem exército e armas usa
das estratégias e forças disponíveis para a guerra. Quem não tem
nada, tem que ter fé no poder divino, tem que depender, inclusive
fisicamente, da força que vem do Senhor.
 
CAPÍTULO 07
TRISTEZA
 
A tristeza tem sido rejeitada muitas vezes como sinal de castigo,
abandono e sofrimento. Precisamos aprender a lidar com a tristeza
e olhar para ela com mais simpatia. Com certeza na hora da tristeza
não encontraremos motivos para encará-la como sendo a mão de
Deus, mas graças a Ele, podemos olhar para o passado.
 
A tristeza é que nos faz dar valor para alegria que se segue.
Lembra-se da história de Ester e Mordecai? Depois de todos
aqueles acontecimentos que os deixaram tristes, ele pôde escrever
aos judeus de todas as províncias do rei Assuero, de perto e de
longe,
 
“...ordenando-lhes que comemorassem o dia catorze do mês de
adar e o dia quinze do mesmo, todos os anos, como os dias em que
os judeus tiveram sossego dos seus inimigos, e o mês que se lhes
mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de festa; para que os
fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem porções
dos banquetes uns aos outros, e dádivas aos pobres” (Et 9:20-22).
 
A tristeza é a semente da alegria assim como o cansaço é a alegria
do descanso.
 
Motivo de Tristezas
 
“Confesso a minha iniquidade; suporto tristeza por causa do meu
pecado” (Sl 38:18). A nossa consciência foi criada por Deus para
nos fazer reconhecer o pecado naturalmente, apenas quando a
consciência está cauterizada é que não sentimos o peso dos nossos
atos egoístas (1 Tm 4:2).
 
O sentimento de abandono é um grande motivo de tristeza. Durante
a época de Isaías o povo estava cativo na Assíria e continuamente
orava pedindo socorro para Deus, porém a resposta não chegava. O
que será estava acontecendo? Será que Deus estava de braços
cruzados descansando? Será que havia ficado surdo o seu ouvido?
Isaías esclarece e aponta a solução:
 
“Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não
possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para nãopoder ouvir. Mas as
vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os
vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não
ouça” (Is 59:1, 2).
 
As mãos deles tinham cor de pecado contra o próximo, estavam
com as mãos sujas de sangue, os dedos sujos de iniquidade e a
boca deles tinham traços de mentiras e maldades. Estavam pedindo
por libertação e era um pedido egoísta, pois não pediam por justiça
(Is 59:3, 4). A lista de acusações da parte de Deus se estende
contra a humanidade e o homem sente o abandono da presença de
Deus, naturalmente isso causa tristeza. Às vezes essa tristeza é
inexplicável, mas facilmente diagnosticada em stress, depressão e
suicídios. O homem está cheio de brinquedos para o entreter, mas
isso não o satisfaz na sua tristeza.
 
O pecado é o maior problema da humanidade e a fonte de todos os
problemas. É claro que o homem vai viver triste, pois a sua vida
perdeu o sentido. O sentido da vida de um pássaro é voar, de um
peixe é nadar e do homem é fazer a vontade de Deus:
 
“De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os
seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem” (Ec
12:13).
 
O BenefÍcio da Tristeza
 
Jesus foi questionado sobre o jejum pelos discípulos de João. Ele
explicou que os seus discípulos não tinham motivos para jejuar
porque estavam na festa (de despedida) com o noivo. Quando eles
não tivessem o noivo com eles, aí, então, teriam motivos para jejuar
(Mc 2:18-20). Hoje os discípulos de Jesus, olhando de fora para
dentro, andam tristes e abatidos, com olhos fundos e passando
fome e isso não é um bom motivo para convidar pessoas a
deixarem festas, diversões, esportes, emprego, desejos, etc., para
seguirem Jesus. A vida é alegre e curta demais para desperdiçá-la,
prega o mundo. Jesus previu este aparente sofrimento dos seus
discípulos e essa falsa e passageira alegria do mundo, mas também
profetizou a alegria que está por vir: “Em verdade, em verdade eu
vos digo que chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará;
vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. A
mulher, quando está para dar à luz, tem tristeza, porque a sua hora
é chegada; mas, depois de nascido o menino, já não se lembra da
aflição, pelo prazer que tem de ter nascido ao mundo um homem.
Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o
vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar. ”
(Jo 16:20-22). A tristeza nos acompanha porque o noivo não está,
neste tempo de ausência, jejuemos para que nas bodas estejamos
preparados para festejar com Ele.
 
A tristeza tem em si uma bifurcação e uma decisão necessária a ser
feita. Se por um lado ela conduz à salvação e alegria eterna, por
outro conduz a uma excessiva consumação de si mesmo e causa a
morte eterna. Alguém pecou e causou tristeza para a igreja de
Corinto, esta tristeza era uma punição coletiva, mas eles deveriam
agir para o bem daquele que se arrependeu:
 
“De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para
que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza” (2 Co 2:7).
 
Judas é um exemplo clássico de tristeza que leva à consumação de
si mesmo até à morte. Ele foi tomado de remorso e não se deu
tempo para se arrepender e suicidou-se (Mt 27:3-10). Pedro é mais
um exemplo de tristeza, mas que leva à salvação. Ele negou Jesus
por três vezes e saiu da cena chorando amargamente levando na
memória o olhar de Jesus (Lc 22:54-62).
 
A tristeza pelos pecados nos leva à abstinência de alimento e de
alegria, mas não deve nos levar à punição com a morte eterna. Se a
tristeza é a semente da alegria, o jejum é o solo fértil em que ela
deve ser plantada.
 
Paulo também entristeceu aos irmãos Coríntios com sua primeira
carta para eles, ainda que tenha escrito com profundo amor e
lágrimas. Porém ele não queria que a sua carta lhes causasse dano
maior, por isso escreveu:
 
“Porquanto, ainda que vos tenha contristado com a carta, não me
arrependo; embora já me tenha arrependido (vejo que aquela carta
vos contristou por breve tempo), agora, me alegro não porque fostes
contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento;
pois fostes contristados segundo Deus, para que, de nossa parte,
nenhum dano sofrêsseis. Porque a tristeza segundo Deus produz
arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a
tristeza do mundo produz morte” (2 Co 7:8-10).
 
Acredite que a tristeza vem de Deus! Se você o ama e quer fazer a
Sua vontade, Ele vai se aproximar de você e mudar o curso da sua
vida. Muitas vezes cantamos na igreja pedindo que Deus faça em
nós a sua vontade, mas será que estamos preparados? Estamos
preparados para enfrentar a tristeza? Como vamos reagir quando
ela nos atingir tão profundamente que até mesmo o apetite for
consumido? Olhe para Deus e veja o amor Dele sobre você
causando-lhe a tristeza do arrependimento:
 
“Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de
alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico
aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça” (Hb 12:11).
 
Confissão de Pecados
 
Neemias, um grande administrador e sacerdote por merecimento,
promoveu o jejum em Israel para começar uma purificação do povo
de Deus e fizeram uma grande adoração a Deus e lembraram das
obras de Deus confessando os seus pecados publicamente fazendo
aliança com o Senhor:
 
“No dia vinte e quatro deste mês, se ajuntaram os filhos de Israel
com jejum e pano de saco e traziam terra sobre si… Por causa de
tudo isso, estabelecemos aliança fiel e o escrevemos; e selaram-na
os nossos príncipes, os nossos levitas e os nossos sacerdotes” (Ne
9:1, 38).
 
As grandes obras de Deus, contrastam com as nossas obras
egoístas, isto deve nos causar tristeza e o resultado deve ser a
confissão dos nossos pecados.
 
Novamente olhe para Paulo jejuando completamente durante três
dias. Ele foi encontrado por Ananias orando. Quais eram as
palavras de Paulo naqueles dias? Qual era o sentimento e o
pensamento de Paulo quando conheceu o Caminho, a Verdade e a
Vida? Quase podemos ler a sua confissão de pecados enquanto
orava, não é mesmo?
 
Temos problemas de relacionamento e contendas uns com os
outros. Cobiçamos, matamos e invejamos e não nos satisfazemos,
pois nada temos. Nada temos porque não pedimos como convém,
pedimos para esbanjar em nossos próprios interesses sempre.
Somos desleais a Deus quando somos mais amigos do mundo do
que Dele. Ele tem ciúmes de nós, que somos sua propriedade. Ele
dá sua graça aos humildes, mas resiste aos soberbos. Devemos
nos aproximar de Deus e resistir ao diabo, chegar para Ele com
mãos limpas e tirar dos nossos corações toda a dúvida:
 
“Aflijam-se, lamentem e chorem! Que o riso de vocês se torne em
pranto e a sua alegria em tristeza. Humilhem-se na presença do
Senhor e Ele os exaltará” (Tg 4:1-9).
 
Se vivermos num contexto de pecados, como este, que a nossa
alegria se torne em tristeza para nos levar de volta para Deus.
 
CAPÍTULO 08
ARREPENDIMENTO
 
Quando se está arrependido é um bom momento para se fazer
jejum. Esta foi a vontade de Deus para o povo de Israel. O
arrependimento é visível no comportamento daquele que está
arrependido. Os fariseus e saduceus vinham ao batismo e João
Batista os repreendeu:
 
“Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi,
pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3:7, 8).
 
Como vimos no capítulo anterior, a tristeza é que nos conduz ao
arrependimento verdadeiro e sincero.
 
Certa vez Jezabel, a mulher que se casou com o rei Acabe e que
promoveu culto a Baal, instituiu um jejum para satisfazer os seus
próprios desejos. Um homem chamado Nabote tinha uma vinha e
Acabe a quis comprar. Nabote não quis vender e deixou Acabe
depressivo e, por isso, Jezabel promoveu um jejum em nome de
Acabe e levantou acusações falsas contra Nabote e o apedrejaram
para que Acabe pudesse possuir a vinha (1 Re 21:13). A atitude de
Jezabel estava apoiada sobre uma ação espiritual, o jejum, mas
com uma intenção egoísta e pecaminosa.Histórias como esta ocorria, aparentemente, muitas vezes em Israel.
Isaías é ordenado a expor este falso jejum. O povo jejuava e não via
resposta da parte de Deus para as suas aflições. Eles perguntaram
e de Deus veio a resposta e a reprovação:
 
“Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que
afligimos a nossa alma, e tu não o levas em conta? Eis que, no dia
em que jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses e exigis que
se faça todo o vosso trabalho. Eis que jejuais para contendas e rixas
e para ferirdes com punho iníquo; jejuando assim como hoje, não se
fará ouvir a vossa voz no alto. Seria este o jejum que escolhi, que o
homem um dia aflija a sua alma, incline a sua cabeça como o junco
e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu a isto
jejum e dia aceitável ao SENHOR? ” (Is 58:3-5).
 
O jejum tinha sido tornado uma atitude para cuidarem dos seus
próprios interesses. Pelo jejum eles exigiam de Deus a resposta e
por isso Deus pergunta: “Chamarias tu a isto jejum e dia aceitável
ao Senhor? ”. Jejum não é só um ato físico de cobrir a cabeça, ou
inclinar-se, como eles faziam. Jejum é uma obra física transformada
em espiritual pela consciência pura e sede e fome de justiça.
 
Deus já tinha apontado os erros deles, agora era preciso apontar a
sua vontade novamente:
 
“Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras
da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os
oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que
repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres
desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu
semelhante? ” (Is 58:6, 7).
 
O jejum aceitável a Deus deve incluir um arrependimento sincero e
uma mudança na vida prática. O jejum aceitável a Deus deve levar
as pessoas a soltarem aqueles que foram presos injustamente, que
seja tirado deles o peso que os faz sofrer, que sejam postos em
liberdade os que estão sendo oprimidos, e que acabe com a
escravidão. O jejum que agrada a Deus tem como resultado ainda
que os que jejuam repartam a comida com os famintos, que
recebam em casa os pobres que estão desabrigados, que deem
roupas aos que não têm e que nunca deixem de socorrer os seus
parentes. Um jejum verdadeiro sempre surte resultados justos. Não
adianta nada o empresário ser convencido de fazer jejum e não
tratar bem os seus empregados e não distribuir os lucros com a
sociedade necessitada ao seu redor e se não há mudança no
coração e no comportamento.
 
O jejum também não deve ser feito por motivos egoístas. Nos dias
do profeta Zacarias Deus reclamou disto. Eles sentiam-se afligidos e
não encontravam a resposta de Deus, então, por isso, queriam
saber se deviam continuar a chorar com jejum no quinto mês como
estavam fazendo a tantos anos. A palavra do Senhor veio a
Zacarias e ele os repreendeu:
 
“Fala a todo o povo desta terra e aos sacerdotes: Quando jejuastes
e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta
anos, acaso, foi para mim que jejuastes, com efeito, para mim?
Quando comeis e bebeis, não é para vós mesmos que comeis e
bebeis? ” (Zc 7:5, 6).
 
Como já vimos anteriormente, comer e beber tanto quanto jejuar
deve ser feito para o Senhor.
 
Jeremias recebeu a palavra do Senhor num tempo de grande seca.
O povo chorava, a nação estava arruinada, havia luto, se curvavam
até o chão e clamavam a Deus. Porém a seca continuava. Os
servos iam à procura de água nas cisternas e não encontravam, os
lavradores estavam decepcionados e confusos e os animais
estavam morrendo. Por que Deus deixa isso acontecer com o seu
próprio povo? Jeremias reconhecia os motivos:
 
“Posto que as nossas maldades testificam contra nós, ó SENHOR,
age por amor do teu nome; porque as nossas rebeldias se
multiplicaram; contra ti pecamos” (Jr 17:7).
 
Eles jejuavam, mas Deus não os estava ouvindo. Eles estavam
numa situação caótica, mas não faziam o que realmente precisava,
e Deus sabia muito bem do que eles precisavam e lhes alertou.
Jeremias conhecia o motivo, mas o povo não queria se arrepender:
 
“Assim diz o SENHOR sobre este povo: Gostam de andar errantes e
não detêm os pés; por isso, o SENHOR não se agrada deles, mas
se lembrará da maldade deles e lhes punirá o pecado. Disse-me
ainda o SENHOR: Não rogues por este povo para o bem dele.
Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor e, quando trouxerem
holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes,
eu os consumirei pela espada, pela fome e pela peste” (Jr 14:10-
12).
 
Quando falta arrependimento, falta tudo. E a coisa era mais grave
ainda porque profetas falsos estavam iludindo o povo com palavras
que não vinham de Deus. Quando falta arrependimento segundo
Deus, a necessidade, a perseguição, a fome bate à porta. As
pessoas se cercam de mestres e profetas para ouvirem o que lhes
agrada e não para reconhecerem o pecado e mudarem de vida.
Ouvimos hoje em dia a pregação enfatizando muito mais
prosperidade, saúde, sorte nos negócios, curas, etc., do que
arrependimento para entrar no reino de Deus. Mas Deus trará o
castigo sobre os que não se arrependem e jejuam por motivos
egoístas. Trará condenação e ruína a seu tempo sobre os que
profetizam palavras que Deus não falou.
 
Paulo, depois de encontrar Jesus no caminho de Damasco, ficou
três dias sem ver nos quais nada comeu nem bebeu, e estava
orando (At 9:9, 11). Fico pensando que naqueles três dias de
abstinência total de alimentos ele estava arrependido e ponderando
em seu coração o que tinha feito contra o Filho de Deus que até
então era um falso mestre para ele.
 
É claro que nenhum sacrifício físico vai nos perdoar os pecados,
para tanto já temos o sacrifício de Jesus feito uma vez por todas, o
justo pelos injustos. Não fazemos o sacrifício do jejum para perdão
dos nossos pecados, fazemos porque o pecado produz profunda
tristeza e a tristeza segundo Deus produz arrependimento para
salvação (2 Co 7:10). Praticamos o sacrifício do jejum porque um
dia fomos perdoados, mas caímos e precisamos nos levantar
espiritualmente. Enquanto por um lado o jejum enfraquece o corpo,
fortifica a nossa vida espiritual e nos faz levantar.
 
Se você está enfrentando um contexto de pecados na sua vida,
deixe a sua tristeza agir e produzir arrependimento:
 
“…que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando
obras dignas de arrependimento” (At 26:20).
 
“Ainda assim, agora mesmo, diz o SENHOR: Convertei-vos a mim
de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com
pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e
convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ele é
misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em
benignidade, e se arrepende do mal” (Jl 2:12, 13).
 
CAPÍTULO 09
CONFIRMAÇÃO DA CRENÇA
 
Jonas foi um dos exemplos missionários mais estranhos que
encontramos nas páginas da Bíblia. A Bíblia é um livro tão autêntico
que não esconde sequer a vergonha do pecado e dos erros
cometidos mesmo de homens escolhidos por Deus. Geralmente os
instrumentos vivos escolhidos por Deus não são perfeitos, mas são
aperfeiçoados.
 
Jonas foi chamado e recusou-se a ir em direção ao seu chamado
missionário. Antes pensou que podia fugir da presença de Deus
para a Espanha. Jonas tinha tanta certeza que estava escondido de
Deus que, mesmo durante uma forte tempestade, estava no porão
dormindo profundamente. Na viagem para a direção errada e
oposta, Deus interviu e mudou a direção de Jonas.
Involuntariamente, mas oportunamente, Jonas ficou em jejum por
três dias dentro do grande peixe. Acredito que foi esta oportunidade
que mudou o coração de Jonas e o levou à oração:
 
“Então, Jonas, do ventre do peixe, orou ao SENHOR, seu Deus, e
disse: Na minha angústia, clamei ao SENHOR, e ele me respondeu;
do ventre do abismo, gritei, e tu me ouviste a voz” (Jn 2:1, 2).
 
Jogado no mar foi engolido por um grande peixe que, depois de três
dias e três noites, arrependido orou ao Senhor, e o grande peixe o
vomitou na terra para a qual foi chamado, Nínive. Com uma nova
oportunidadeà frente Jonas não hesitou em obedecer ao Senhor
que o enviou, novamente, para pregar na grande cidade de Nínive:
 
“Os ninivitas creram em Deus, e proclamaram um jejum, e vestiram-
se de panos de saco, desde o maior até o menor. Chegou esta
notícia ao rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou de si as
vestes reais, cobriu-se de pano de saco e assentou-se sobre cinza.
E fez-se proclamar e divulgar em Nínive: Por mandado do rei e seus
grandes, nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas
provem coisa alguma, nem os levem ao pasto, nem bebam água;
mas sejam cobertos de pano de saco, tanto os homens como os
animais, e clamarão fortemente a Deus; e se converterão, cada um
do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos. Quem
sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da
sua ira, de sorte que não pereçamos? ” (Jn 3:5-9).
 
Praticamente todos os povos do mundo conhecem o jejum como
forma de demonstrar arrependimento e confirmar a crença e uma
mudança necessária de vida. Os ninivitas não eram hebreus, mas
sabiam o que deveriam fazer e fizeram.
 
Quando há crença e arrependimento é um bom momento para se
jejuar. Quem sabe Deus mude a nossa condenação para salvação?
E de fato foi o que aconteceu. Deus viu o que fizeram e como se
converteram do seu mau caminho e isto foi o suficiente para Deus
voltar atrás e não os castigar (Jn 3:10).
 
A história bem que poderia acabar aqui, mas onde estaria a
autenticidade bíblica preocupada em mostrar um caráter santo até
mesmo em pregadores como Jonas? Aparentemente Jonas já tinha
decidido que os ninivitas, não importando o arrependimento,
deveriam ser punidos. Ele teve a ousadia de orar e reclamar para
Deus:
 
“Então orou assim: -Ó Deus Eterno, eu não disse, antes de deixar a
minha terra, que era isso mesmo que ias fazer? Foi por isso que fiz
tudo para fugir para a Espanha! Eu sabia que és Deus que tem
compaixão e misericórdia. Sabia que és sempre paciente e bondoso
e que estás sempre pronto a mudar de ideia e não castigar. Agora,
oh Deus Eterno, acaba com a minha vida porque para mim é melhor
morrer do que viver” (Jn 4:2, 3).
 
Não adiantava discutir com a raiva e indignação de Jonas, por isso
Deus fez crescer uma planta que deu sombra para Jonas, ele
gostou da sombra. No dia seguinte Deus mandou um bicho atacar a
planta e ela morreu. Jonas ficou irado novamente e queria até
morrer, se aborreceu tanto que reclamou de novo e Deus lhe
respondeu:
 
“Essa planta cresceu numa noite e na noite seguinte desapareceu.
Você nada fez por ela, nem a fez crescer, mas mesmo assim tem
pena dela! Então eu, com muito mais razão, devo ter pena da
grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil crianças
inocentes e também muitos animais! ” (Jn 4:10, 11).
 
A lição para todos os tempos é que não devemos julgar as obras de
arrependimento das pessoas, pois o arrependimento é direcionado
para Deus, não para nós mesmos. Se as pessoas quiserem jejuar,
que jejuem e Deus os abençoe. Se as pessoas querem apenas orar,
que orem e Deus é quem vai ouvi-las. Muitas vezes temos mais
compaixão de um cachorro ou de uma planta do que das almas
inocentes.
 
CAPÍTULO 10
PARA CUMPRIR O TRABALHO DE DEUS
 
 
O Espírito Santo precisa de pessoas prontas para a obra. A obra é
espiritual e por isso nos preparamos com atitudes espirituais. O
jejum deve fazer parte do serviço a Deus. O jejum é uma obra digna
e espiritual. Foi servindo ao Senhor e jejuando que o Espírito Santo
escolheu os mais importantes missionários do evangelho:
 
“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo:
Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho
chamado” (At 13:2).
 
Antes de executarmos qualquer missão evangelística, devemos
jejuar. Os irmãos que ficaram na congregação local fizeram a sua
parte para enviá-los ao mundo:
 
“Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os
despediram” (At 13:3). Por este motivo a missão de Paulo e seus
companheiros foi tão bem-sucedida.
 
Servir ao Senhor com Jejuns
 
O ministério de Paulo começou com jejum e tinha sua continuidade
garantida pelo jejum. Foi jejuando que Paulo e Barnabé se
prepararam e se dispuseram para servir ao Senhor. Jejuar também
é servir ao Senhor.
 
Hoje precisamos continuar servindo ao Senhor desta mesma forma.
Jejum é imprescindível para preparar e separar homens preparados
para servirem à igreja de Deus. O trabalho de Paulo era completo.
Ele chegava nas cidades, anunciava o evangelho, fazia discípulos
daqueles que criam pelo batismo em nome de Jesus, fortalecia as
suas almas com exortação e deixava homens preparados para
pastorearem o rebanho de Deus. A responsabilidade não era
apenas daqueles homens, a igreja toda tinha uma grande
responsabilidade: escolher entre eles homens capacitados.
 
“E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros,
depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem
haviam crido” (At 14:23).
 
A igreja se preparava para ter presbíteros através do jejum. Dentro
do Novo Testamento ninguém chegava a uma congregação
intitulando-se o pastor. Em todo o Novo Testamento não vemos
ninguém ser chamado de pastor, a não ser Jesus (Jo 10:11, 14; Hb
13:20; 1 Pe 2:25; 5:4). Pastor é uma função para homens
biblicamente qualificados (1 Tm 3:1-7; Tt 1:5-9; 1 Pe 5:1-5). A igreja
local deve eleger homens que conhece; elegendo bispos para a
igreja, estará elegendo suas famílias exemplares. A única forma que
a igreja pode fazer isso acertadamente é através da ajuda de Deus,
por isso uma eleição de presbíteros deve sempre acontecer
acompanhada com jejuns e orações. Escolher homens preparados
não depende das nossas forças, podemos estar fracos fisicamente,
mas devemos estar fortes espiritualmente.
 
Homens preparados devem ser de boa reputação, cheios de fé, do
Espírito Santo e de sabedoria. Quando estes homens estão prontos,
servindo ao Senhor com orações e jejuns, então o Espírito pode
falar com eles.
 
Jesus Jejuava Para Servir a Deus
 
Jesus, cheio do poder do Espírito Santo depois do batismo, foi
guiado pelo mesmo Espírito para o deserto. Durante quarenta dias
jejuou e foi tentado pelo diabo. Mesmo com fome tinha forças para
resistir às tentações com respostas tiradas das Escrituras. Voltou do
deserto e da tentação cheio do poder do Espírito e foi para a
Galileia. Em Nazaré, num sábado entrou na sinagoga, segundo o
seu costume e leu:
 
“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para
evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos
cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os
oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4:18, 19).
 
Veja quantas menções o texto faz sobre Jesus e o Espírito Santo.
Jesus só começou o seu ministério público depois de estar cheio do
Espírito Santo e este Espírito o levou para um jejum de quarenta
dias. Da mesma forma hoje só poderemos ser usados para a obra
de Deus se estivermos cheios do Espírito Santo. Para estarmos
cheios do Espírito Santo precisamos nos esvaziar de nós mesmos,
nos entristecer, arrepender, confessar os nossos pecados e servir a
Deus com jejum e oração. Jesus fez isso, os servos de Deus
fizeram o mesmo, devemos fazer isso. Os dois versículos principais
na conversa entre Jesus e satanás são:
 
“Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus,
manda que estas pedras se transformem em pães. Jesus, porém,
respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de
toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:3, 4).
 
Jesus tinha o poder de transformar as coisas, até mesmo de fazer
pedras em pães. Ele multiplicou, certa vez, pães e peixes para
alimentar uma multidão em jejum.
 
Jesus se encontra com uma mulher samaritana, a surpreende
dirigindo-lhe a palavra, oferece água viva, fala de sua vida, da
verdadeira adoração e se revela como o Cristo, os qual até mesmo
os samaritanos esperavam para definir, de uma vez por todas, quem
estava certo, o judeu ou o samaritano. A mulher deixa o seu
cântaro, vai para a cidade falarde Jesus quando os seus discípulos
chegam com comida e insistem para que Ele coma. Observe a
resposta de Jesus:
 
“Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis. Diziam,
então, os discípulos uns aos outros: Ter-lhe-ia, porventura, alguém
trazido o que comer? ” (Jo 4:31-33).
 
O jejum alimenta a alma e a deixa pronta para fazer a vontade de
Deus. Precisamos fazer um ‘mini jejum’ muitas vezes por semana
quando isso envolve fazer a vontade de Deus. Por exemplo: se
estiver na hora de ir para a igreja e você não se alimentou ainda,
será que não é mais agradável a Deus chegar na hora do que se
atrasar por causa de uma refeição? Eu me agradaria se alguém se
sacrificasse para não me deixar esperando. Mas nós deixamos
Deus esperando muitas vezes por causa da comida conhecida
deste mundo. Você ficaria em casa se alimentando, mesmo que
estivesse atrasado para um encontro com o presidente da
república? Com o seu patrão? E com Deus?
 
“Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal?
E, quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal? Ora,
apresenta-o ao teu governador; acaso, terá ele agrado em ti e te
será favorável? — Diz o SENHOR dos Exércitos” (Ml 1:8).
 
Jejum é necessário quando envolve fazer a vontade de Deus.
 
Quando Jesus desceu do monte da transfiguração Ele encontrou
uma multidão cercando os seus discípulos e discutindo com eles
(Mc 9:14). Quando viram Jesus se admiraram e a discussão parou.
Jesus, como um defensor dos seus discípulos, quis saber o motivo
da discussão, um homem apresentou o seu problema: seu filho
endemoninhado. Os discípulos de Jesus não puderam expulsar o
demônio, mas Jesus o expulsou. Mais tarde eles quiseram saber de
Jesus por que eles não conseguiram expelir o demônio, Jesus
responde que aquele tipo de demônio só pode ser expulso com
oração e jejum. Ainda que não tenhamos espaço para discutir aqui
este assunto especifico sobre expulsão de demônios,
compreendemos que há coisas que nunca poderemos fazer, mas
nada é impossível para Deus. O jejum nos tira de cena e coloca
Deus na obra. O jejum nos torna fracos e Deus forte e quando
somos fracos aí é que somos fortes, pois dependemos da força que
Deus nos dá para realizar a sua obra. O jejum não nos exclui, mas
inclui a mão poderosa de Deus.
 
Dependendo de você, a igreja está pronta para ter homens
preparados, escolhidos e separados para a obra do Espírito Santo?
Jejue pelo futuro da igreja de Deus, jejue por homens que já servem
a igreja do Senhor com orações e jejuns.
 
CAPÍTULO 11
PORQUE O NOIVO NÃO ESTÁ
 
Enquanto Jesus estava andando com os discípulos, Ele não os
instruiu a jejuarem. Isso causou curiosidade nos discípulos de João
que o interrogaram sobre o que João lhes ensinou e sobre as muitas
vezes que os fariseus jejuavam, então Jesus lhes respondeu:
 
“Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento,
enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes
será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar” (Mt 9:15).
 
Jesus é o noivo. Eu considero que a festa que os discípulos
estavam tendo com Jesus era de despedida de solteiro e ao mesmo
tempo uma comemoração alegre e antecipada da festa do
casamento. Mas o noivo foi viajar preparar morada para sua noiva e,
quando voltar, finalmente vai casar com a sua noiva.
 
“O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem!
Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água
da vida” (Ap 22:17).
 
A noiva de Cristo está bem alimentada, sem ruga nem mácula,
ornamentada e esperando o dia das bodas:
 
“Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são
chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se
ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente
e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos”
(Ap 19:7-8).
 
Note com quais roupas resplandecentes e puras está vestida a
noiva de Cristo, abra os olhos veja com que tecidos finíssimos foi
feita a roupa resplandecente da noiva “o linho finíssimo são os atos
de justiça dos santos”. São os nossos atos de justiça que vestem a
igreja de pureza, resplendor e beleza. Hoje em dia numa cerimônia
de casamento a noiva é o centro da atenção. Tradicionalmente ela
casa-se de branco. Geralmente é um dia especial onde muito foi
gasto e onde muitos sonhos são depositados. O casamento ideal
acontece quando os noivos têm casa, condição de se manterem e,
acima de tudo, há amor entre eles. Quando as pessoas olham para
a igreja deveriam ver isto: “os atos de justiça dos santos”. O quanto
eles ‘gastam’ para deixar a igreja bonita. A igreja deve ser o centro
da atenção.
 
Jesus disse para os seus discípulos quem são os felizes:
 
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão
fartos… Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça,
porque deles é o reino dos céus” (Mt 5:6, 10).
 
É a justiça que nos torna felizes, são os atos de justiça dos santos
que faz a beleza da igreja, a noiva de Cristo. Ainda mais, Jesus
disse para os seus discípulos:
 
“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a
dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt
5:20).
 
Então, se os fariseus e escribas jejuavam duas vezes por semana
(Lc 18:12), a nossa justiça deve exceder à justiça deles. Isso não
significa que vamos jejuar três ou quatro vezes por semana,
significa que o nosso jejum não será esvaziado por nossos
interesses pessoais querendo nos passar por religiosos. Significa
que não faremos o jejum com hipocrisia. Significa que não faremos
esmolas, orações e jejum só para fazer barulho, ao contrário,
faremos com amor (1 Co 13:1-3). Enquanto eles esmolavam,
oravam e jejuavam com o fim de parecer aos homens que eram
religiosos e espirituais, nós somos ensinados por Jesus a jejuar com
objetivo: buscar a misericórdia e o agrado de Deus, em primeiro
lugar o seu reino e a sua justiça (Mt 6:33). Lançar sobre ele as
nossas ansiedades, porque Ele tem cuidado de nós (1 Pe 5:6-9).
Ainda que o noivo não esteja visivelmente presente ele fica sabendo
de tudo o que fazemos. “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu
vos mando” (Jo 15:14). E se a nossa justiça não exceder a dos
religiosos deste mundo, jamais vamos encontrá-lo na morada
eterna.
 
A igreja é a noiva de Jesus, mas desde já Jesus trata a igreja como
a sua esposa. Ele cuida dela e a alimenta, ele morreu para a
santificar e apresentá-la pura a si mesmo. A igreja é totalmente
sujeita a Cristo, porque Cristo é o cabeça da igreja e o salvador do
corpo. Cristo amou incondicionalmente a sua igreja e por ela se
entregou “para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da
lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja
gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém
santa e sem defeito” (Ef. 5:27). Cristo amando a igreja está amando
o seu próprio corpo. Cristo alimenta e cuida da igreja. A igreja é
como uma esposa para Cristo, a igreja é o corpo de Cristo e Cristo o
cabeça deste corpo e nós somos o corpo de Cristo. A igreja é a
esposa de Cristo (Ef 4:22-31). O casamento entre Cristo e a igreja
ainda não aconteceu, mas, como no costume judeu, o noivo já
desposou a noiva e tem compromisso de casamento com ela e Ele
não vai voltar atrás. Quando a igreja está de jejum, Cristo alimenta e
sustenta a sua igreja.
 
Hoje devemos jejuar para que um dia no banquete de casamento
entre Jesus e a sua Igreja, possamos estar prontos para desfrutar
todas aquelas bênçãos espirituais que nos faltam aqui. Um dia,
quando o noivo vier para as bodas, aqueles que têm fome e sede de
justiça serão fartos.
 
Para Não Ficarmos Desamparados
 
A igreja não está desamparada. Temos a presença de Jesus
fisicamente através do corpo de Cristo, a igreja. Temos o Espírito
Santo e a presença do próprio Deus em nosso meio na adoração.
Ainda assim, a igreja precisa de ajuda e o jejum dará as respostas
acertadas.
 
A igreja deve ser servida por membros ativos e eles devem ser
reconhecidos através da oração e jejum. Este é o exemplo que
temos da igrejado primeiro século, ou melhor, a igreja da Bíblia. A
igreja do primeiro século era guiada pelo Espírito e não tinha a
Palavra escrita. Hoje nós temos a confirmação do Espírito pela
certeza do que está escrito.
 
A igreja sempre teve líderes escolhidos pela oração e jejum. Os
apóstolos foram escolhidos por Jesus pessoalmente quando Ele,
depois de uma noite de oração e jejum, voltou e os escolheu (Lc
6:12-16). O texto não menciona jejum, mas como passou a noite
orando, provavelmente não tinha o que comer.
 
Os apóstolos escolheram Matias depois de orarem juntos.
Novamente o texto não menciona jejum, mas eles estavam tão
envolvidos na situação que não aparenta que estavam comendo
alguma coisa (At 1:13-26).
 
Jejum se faz necessário porque se Jesus estivesse conosco
pessoalmente Ele tomaria as decisões acertadas. Ele escolheria
para cada igreja homens capacitados para servir o Seu Corpo. Só
tem uma forma de chamarmos Jesus para os ajudar na escolha e
decisões: oração e jejum. Foi isso o que os apóstolos e discípulos
fizeram para escolher os servos da igreja.
 
“Paulo e Barnabé designaram-lhes presbíteros em cada igreja;
tendo orado e jejuado, eles os encomendaram ao Senhor, em quem
haviam confiado. ” (Atos 14:23)
 
Oração e jejum se faz necessário para a igreja escolher presbíteros
e suas famílias.
 
Conclusão
 
Pelo jejum e oração não estamos sós. Nós podemos nos aproximar
de Deus quando nos afastamos das coisas materiais, inclusive
aquelas coisas mais essenciais.
 
Para invocarmos a presença de Jesus devemos nos esforçar em
jejum e oração, para que o noivo venha visitar sua noiva, a igreja.
Através deste sacrifício físico, nós facilitamos as questões
espirituais e Jesus nos ajuda a guiar a igreja com membros
qualificados para ajudar os membros mais fracos.
 
CAPÍTULO 12
JEJUM: UM COMPANHEIRO INSEPARÁVEL 
DA ORAÇÃO
 
 
“Jesus tem muitos que amam o seu reino celestial, mas poucos que
carregam a sua cruz. Muitos que querem consolo, mas poucos que
suportam adversidades. Muitos que desejam partilhar da mesa de
Jesus, mas poucos que se juntam à Ele no jejum” – Thomas
Kempis.
 
Muitas coisas só fazem sentido juntas. Por exemplo: sol e mar.
Sombra e água fresca. Aniversário e presente. E assim por diante.
Se este texto falasse de lógica, o que poderia combinar mais com
jejum do que a oração? Olhe para o jejum. Você consegue ver uma
pessoa jejuando e praticando esportes, saindo para diversões
noturnas? Que tal uma festa de aniversário? Pelo contrário, você vê
a pessoa em atitude de humildade, oração e devoção a Deus.
 
Em todos estes exemplos citados nos capítulos anteriores vimos
que a oração acompanha o jejum. O objetivo do jejum é nos levar
constantemente à oração. Pode haver oração sem jejum, mas
nunca jejum sem oração. Se nos sentirmos desprotegidos devemos
jejuar e orar. Quando nos humilhamos perante Deus, jejuamos e
oramos. Quando estamos tristes por nossos pecados e estamos
arrependidos, devemos jejuar e pedir perdão através da oração.
Quando somos convencidos e convertidos para o Senhor devemos
jejuar e orar. O jejum nos lembra constantemente dos nossos
objetivos e isto nos faz orar. O jejum, a princípio, vai incomodar
bastante e, este é o objetivo mesmo, quando ele nos incomoda, ao
mesmo tempo nos aviva a lembrança dos objetivos que nos levaram
a tamanho sacrifício.
 
A oração traz em si uma promessa:
 
“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai
seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu
nome, eu o farei” (Jo 14:13, 14).
 
Enquanto a oração traz uma promessa, o jejum nos faz lembrar de
orar para receber a promessa. O jejum abre as possibilidades do
impossível. Não há dúvida que Deus é poderoso e que Ele pode
fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos, mas a
dúvida é se vamos permitir que este possa operar em nós (Ef 3:20).
Davi escreveu um salmo pedindo justiça a Deus. Mesmo por seus
inimigos ele orava e jejuava nas suas necessidades: “Quanto a mim,
porém, estando eles enfermos, as minhas vestes eram pano de
saco; eu afligia a minha alma com jejum e em oração me reclinava
sobre o peito” (Sl 35:13). Aprendemos com este salmo que o jejum
por aqueles que estão doentes se faz necessário tanto quanto a
oração.
 
Como veremos abaixo, sempre que alguém vai jejuar deve planejar
o seu jejum. Então, antes de começar o jejum, anote todos os
pedidos de oração pelos quais você estará jejuando. Deixe uma
anotação sempre perto de você para que você possa lembrar e
quando lembrar, orar objetivamente. Permita que sua lista possa
crescer, pois durante o período de jejum você pode lembrar de
necessidades ou oportunidades novas podem aparecer.
 
Estude sobre oração e jejum antes de começar, desta forma seu
jejum e oração será mais bem direcionado. Lembre-se do que a
Palavra de Deus fala sobre a necessidade de oração, sobre o que
pode impedir a oração de chegar na presença de Deus. Por
exemplo: se seu jejum é por motivos egoístas, suas orações não
serão ouvidas: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para
esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4:3). Como já vimos, não
existe jejum sem oração, e se o motivo é egoísta, o jejum é inútil.
Avalie bem o seu objetivo antes de começar a jejuar e reveja os
seus pedidos de oração para excluir todo desejo egoísta. O pecado
é outro impedimento à oração. Não podemos oferecer sacrifício se o
pecado não for resolvido:
 
“Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que
teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua
oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando,
faze a tua oferta. Entra em acordo sem demora com o teu
adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o
adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e
sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não sairás dali,
enquanto não pagares o último centavo” (Mt 5:23-26).
 
Reveja questões mal resolvidas com o teu próximo antes de
começar o jejum. Provavelmente este é um bom motivo para você
estar jejuando. Provavelmente este acontecimento não resolvido é
que está acarretando problemas, mas se não tiver condições de
resolver antes do jejum por algum impedimento qualquer, ore antes
para que Deus lhe perdoe e jejue para que Deus tenha misericórdia,
te dê um coração de perdão e te dê oportunidade de resolver
qualquer questão.
 
Outro motivo que pode impedir a sua oração de chegar até os céus
é a falta de perdão: “O que tapa o ouvido ao clamor do pobre
também clamará e não será ouvido” (Pv 21:13). Esteja disposto a
perdoar, mesmo que esteja magoado, faça uma decisão de
esquecer o acontecimento. Alguém disse: “Eu te perdoo, mas não
esqueço”. Talvez perdão não seja realmente esquecer, mas com
certeza é nunca trazer um assunto morto à tona. Talvez não dê para
esquecer, mas precisa parar de pensar e não ficar alimentando o
pensamento sobre o acontecimento:
 
“Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem
deis lugar ao diabo” (Ef 4:26, 27).
 
Por Que Orar e Jejuar?
 
“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele,
em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa
ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e
vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão
que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé,
certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na
vossa irmandade espalhada pelo mundo”. (1 Pe 5:6-9).
 
Esta passagem já fala bastante sobre o motivo de chegarmos
humildemente para Deus em jejum e oração, embora não fale
especificamente sobre jejum e oração, sabemos que é dessa
maneira que devemos chegar perante Deus. Se temos problemas,
devemos lançar sobre Ele toda a nossa ansiedade, Ele sabe do que
realmente precisamos. Lançar sobre Ele significa jogar, atirar. O
meio pelo qual atiramos as nossas necessidades para Deus é
através do jejum e oração. “Ele tem cuidado de nós”.
 
O período de jejum é um período em que estamos alertas em
oração e com atitudes espirituais;estamos, na prática, lutando
contra satanás e resistindo-lhe as investidas e resistimos firmes na
fé. O jejum nos deixa sóbrios, porque temos um objetivo bem
definido e estamos lembrando dele constantemente, em oração, e
vigilantes. O jejum nos humilha perante Deus, pois somos
necessitados e Ele pode nos ajudar. No jejum, estando nós tristes,
Deus está alegre conosco porque demonstramos nossa
dependência dEle. Ele se alegra em ajudar aquele que se humilha.
 
Sempre que jejuar, planeje muito bem a sua oração, lembre-se de
cada pedido, anote todos eles e deixem-nos bem visíveis para “orar
sem cessar”.
 
CAPÍTULO 13
Como e Quando Jejuar
 
Para que Deus aceite a nossa oferta, devemos fazer
conscientemente, com amor e alegria e não obrigatoriamente. Para
que possamos fazer conscientemente, precisamos saber como fazer
e depois de saber como, devemos planejar, cuidadosamente. Caso
contrário, deixe sua oferta sobre o altar, vai resolve a questão
pendente e depois volta e faz a tua oferta agradável a Deus.
 
Como Jejuar
 
Nenhuma obra deve ser praticada por alguém para exibir-se perante
os homens. Se uma obra está sendo praticada para que possa atrair
atenção particular para o obreiro e louvores de homens em
consequência da sua boa ação, este já recebeu o que procurava.
Costuma-se dizer que se alguém quer aparecer, que amarre uma
melancia no pescoço. Uma boa obra praticada com intenção de ser
visto pelo público, é uma obra esvaziada do seu objetivo. A prática
da boa obra já é recompensa em si, pois, como Jesus disse: “Mais
bem-aventurado é dar que receber” (At 20:35).
 
Jesus tem uma série de ensinamentos sobre isso e estes
ensinamentos vão introduzir a nossa compreensão em como jejuar.
Ele começa dizendo:
 
“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o
fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto
de vosso Pai celeste” (Mt 6:1).
 
A frase traduzida como ‘a vossa justiça’, nesta passagem é a
mesma traduzida como esmola no verso dois. E este é o primeiro
exemplo que Jesus explora e aplica corretamente: dar esmolas.
 
Aparentemente quando Jesus chegou, observou que o dar esmolas
era acompanhado de tocar trombetas para si mesmo. O som de
uma trombeta é algo inconfundível. É um sinal dado para chamar a
atenção de uma ou milhares de pessoas ao mesmo tempo. Quando
eu servi o exército lembro-me muito bem dos toques de atenção
dados pelos corneteiros. Aqueles simples toques eram palavras
bem claras para mais de mil soldados de uma vez. Um dos toques
era para que prestássemos continência. Sempre que uma
autoridade superior estava presente durante uma formatura, e elas
aconteciam todos os dias, recebíamos as instruções pelas cornetas
e o reverenciávamos. Todos os olhares eram voltados para a
pessoa que estava investida de autoridade. Mesmo em movimento
precisávamos olhar ao mesmo tempo para a direção onde estava tal
autoridade. Fosse um capitão, um coronel, um general ou o
presidente. Todos tinham nossa total atenção. Aquelas pessoas
mereciam as nossas honras, pois como nos ensina o apóstolo
Paulo, são ministros de Deus (Rm 13:1-7). Mas quando damos
esmolas, estão envolvidas três pessoas: o necessitado, o eu e
Deus, nesta ordem ‘hierárquica’. Aprendemos desde o Velho
Testamento que: “Quem se compadece do pobre ao SENHOR
empresta, e este lhe paga o seu benefício” (Pv 19:17). A esmola é
recebida por Deus, por isso, não precisamos tocar trombetas para
nós mesmos, pois, a fé nos assegura que o Senhor está vendo. Ao
contrário disso, devemos fazer segundo as instruções de Jesus: “Tu,
porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a
tua mão direita” (Mt 6:3).
 
Hoje em dia algumas pessoas famosas tocam trombetas quando
fazem uma doação através dos jornais, televisão ou outros meios de
autopromoção. Porém o que está declarado no seu imposto de
renda? Um abatimento pela doação que fizeram. Estes, agindo com
hipocrisia, já receberam a recompensa. Paulo fala sobre as atitudes
vazias em Coríntios. Não importa o melhor dom se não for feito com
amor, será como o tambor ou o sino que só fazem barulho. Dar
esmola sem amor é tocar trombeta para si mesmo:
 
“E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e
ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não
tiver amor, nada disso me aproveitará” (1 Co 13:3).
 
A esmola acaba, o amor jamais acaba. Nem sempre vamos ter
esmolas para dar, mas as pessoas não precisam de esmolas
mesmo, elas precisam de amor, aí sim, terão algo que nunca acaba.
 
Seguindo este mesmo raciocínio, Jesus continua sua aplicação
usando como segundo exemplo a oração. As orações, como todo o
culto a Deus particular ou coletivo, devem ser feitas com ordem e
decência. Por isso Jesus instruiu:
 
“E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam
de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem
vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a
recompensa” (Mt 6:5).
 
Oração particular ou coletiva deve ser feita para Deus e não para os
homens. Quem quer aparecer coloca microfone e alto falantes
potentes para duas pessoas reunidas orando ao mesmo tempo em
direção à rua. Estes já receberam a recompensa que buscavam que
é serem vistos. Oração deve ser feita assim:
 
“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta,
orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto,
te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os
gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos”
(Mt 6:6, 7).
 
Mesmo a oração coletiva deve ser feita como se entrássemos num
quarto, fechássemos a porta e fizéssemos nossa oração em secreto
ao Pai. Paulo questionou os coríntios da seguinte forma:
 
“Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a
mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente.
E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o
amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que
dizes; porque tu, de fato, dás bem as graças, mas o outro não é
edificado” (1 Co 14:15-17).
 
Oração tem que ser feita de uma forma inteligível, com a mente, ao
mesmo tempo em que tem que ser feita em espírito. Para que todas
as pessoas possam entender e concordar com o amém.
 
O terceiro exemplo que Jesus usa é sobre o jejum. Todos os demais
assuntos mencionados acima podem não parecer ter relação entre
si para o nosso estudo, mas têm. Aqueles dois exemplos
apresentados nos introduziram para compreender melhor o que
lemos das palavras de Jesus.
 
“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os
hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos
homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a
recompensa” (Mt 6:16).
 
Quem jejua deve fazer com alegria e não com hipocrisia. Que lave o
rosto, penteie o cabelo e exponha toda a sua espiritualidade a Deus:
 
“Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, com o
fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em
secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6:17,
18).
 
Se alguém souber que você está jejuando, isto não invalida a sua
comunhão com Deus. Porém você não deve buscar motivos para
parecer aos homens que jejua. Afinal de contas você está buscando
“ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único…” (1 Tm 1:17). Você
não está buscando o palpável. Talvez as bênçãos materiais sejam
apenas as consequências naturais da promessa de Jesus para
aqueles que estão buscando, em primeiro lugar, os interesses do
reino e a sua justiça. Podemos falar que jejuamos somente quando
servir como uma referência do passado, se for do tempo presente é
bom evitar ao máximo mesmo se isso for motivo de sofrimento.
 
Jejum não é esmola para Deus e glória para nós e o contrário não é
verdade. Jejum simplesmente não é esmola para ser manipulado
por nós com sentimentos hipócritas. Jejum não deve ser
acompanhado da oração exibicionista e para fazer autopromoção de
nossa espiritualidade. Jejum deve ter como destinatárioa Deus e
com o nosso saber de que “este lhe paga o seu benefício”. Assim
como a esmola deve ser dada sem publicidade e autopromoção,
bem como a oração deve ser espiritual e racional, feita com
decência e ordem, da mesma forma o jejum deve ser sem
publicidade e feito com amor e alegria para Deus. Deve ser feito de
uma forma espiritual e racional.
 
Jejum deve ser acompanhado da fé:
 
“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é
necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele
existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11:6).
 
Um jejum feito sem fé é o mesmo que passar fome. Aqueles que
buscam o visível deste mundo estão demonstrando que são, no
máximo, uma forma mais moderna daqueles que confiam em si
mesmos e oram de si para si mesmos:
 
“Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens,
roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano;
jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”
(Lc 18:11, 12).
 
Porém aquele que busca com fé ao Senhor, não tendo nem
coragem para olhar para a sua condição pecadora, abaixa a cabeça
e com humildade ora: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador! ” (Lc
18:13), estes voltam para casa justificados, porque aquele que
chega para Deus, seja em oração, seja em jejum com exaltação
pessoal, será humilhado. E aquele que se humilhar, em tempo
oportuno será exaltado (Lc 18:14).
 
Temos de Neemias um exemplo de jejum. Podemos esboçar as
atitudes de Neemias como uma boa dica para que possamos jejuar
também. Baseado em Neemias capítulo um, vemos que Neemias,
tendo um objetivo, jejuou da seguinte forma:
 
Um Alvo Com Oração e Súplica (v. 4)
 
“Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei
por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos
céus”.
 
Neemias perguntou a Hanani, um dos seus irmãos, como estavam
os judeus que escaparam e não foram levados para o exílio. Hanani
relatou que estavam vivendo em miséria, desprezo e inseguros.
Quando Neemias soube, foi tocado na sua alma de compaixão pelo
seu povo. Ele tinha alvos bem definidos: 1) pedir pelo seu povo; 2)
pedir a Deus. Ele sabia exatamente o que fazer para alcançar
misericórdia: ele jejuou e orou. Todas outras atitudes que veremos a
seguir devem acompanhar o jejum.
 
Adoração a Deus (v. 5)
 
“E disse: ah! SENHOR, Deus dos céus, Deus grande e temível, que
guardas a aliança e a misericórdia para com aqueles que te amam e
guardam os teus mandamentos”.
 
Quando Neemias ou qualquer outra pessoa adora a Deus, fala para
Deus quem Ele é. Bem, Deus sabe quem Ele é, mas quando Ele
nos ouve dizendo, Ele sabe que estamos confessando a nossa
dependência e a nossa crença no seu poder.
 
Confissão de Pecados (v. 6, 7)
 
“Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos,
para acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença,
dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos
pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois
eu e a casa de meu pai temos pecado. Temos procedido de todo
corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem
os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo”.
 
A confissão de pecados pede a Deus que nos purifique para que
possamos ser usados e habitados por Ele. Deus também sabe que
pecamos, não precisaríamos falar para Ele, mas quando falamos,
mais uma vez, na presença da sua glória, reconhecemos que
somente Ele pode nos ajudar e estamos pedindo com humildade.
Confessando os nossos pecados, mostramos que reconhecemos
que temos ido contra a Sua vontade expressa, de uma vez por
todas, na palavra escrita. Lembremos que Deus é misericordioso e
Deus de amor.
 
Lembrando-se das Promessas de Deus (v. 8-10)
 
“Lembra-te da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo:
Se transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos; mas, se
vos converterdes a mim, e guardardes os meus mandamentos, e os
cumprirdes, então, ainda que os vossos rejeitados estejam pelas
extremidades do céu, de lá os ajuntarei e os trarei para o lugar que
tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome. Estes ainda são
teus servos e o teu povo que resgataste com teu grande poder e
com tua mão poderosa”.
 
Quando jejuar, tenha sempre à mão passagens que lembram das
promessas de Deus. Ao mesmo tempo em que as palavras nos
acusam, elas também nos dão a direção para fazer a vontade de
Deus. A oração não precisa lembrar Deus de nada, Ele não
envelheceu e não tem memória curta. A oração é para nos colocar
no nosso devido lugar e direção, o de servos pecadores que
precisam da misericórdia de Deus.
 
Com Atitude de Humildade (v. 11)
 
“Ah! Senhor, estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração do teu
servo e à dos teus servos que se agradam de temer o teu nome;
concede que seja bem-sucedido hoje o teu servo e dá-lhe mercê
perante este homem. Nesse tempo eu era copeiro do rei”.
 
Muitos religiosos hoje em dia são ensinados, com doutrinas falsas, a
provarem a Deus. Frases humanas de impacto são usadas para
tentar dar autoridade a esta atitude diabólica. Frases populares
como: “Deus é pai, não padrasto” e “Eu sou o filho do rei”, são
usadas para dar às pessoas a atitude de satanás, o tentador. Nunca
vamos ser ouvidos pelo Deus eterno com uma atitude como esta,
pelo contrário, seremos desprezados por Deus. Como você dirigiria
a palavra a um rei? A um presidente, governador, prefeito? Como
você dirige um pedido a Deus? Com orgulho, cobrança, arrogância?
Veja se o seu rei, presidente, governador ou prefeito acataria seu
pedido. Quando confrontamos as autoridades estamos
desacatando-as, e para isso prescreve punição. Qual a punição
daquele que não vem com humildade para a presença de Deus? O
jejum já sugere humildade e dependência.
 
O desfecho dessa história foi que Neemias conseguiu favor do rei e
irrestrito apoio para voltar para Jerusalém como governador e
reconstruir os muros da cidade, o que ele fez com sucesso. Ele
nunca se esqueceu de Deus na sua empreitada, foi um político,
general e sacerdote do povo judeu.
 
Quando Jejuardes
 
Ainda que não encontremos nenhum mandamento especifico no
Novo Testamento sobre Jejum, não é possível dizer que o jejum não
é mais necessário. Os exemplos nos mostram que se Jesus, o Filho
de Deus, jejuou, quem somos nós para nos abstermos do jejum?
Depois de Jesus os apóstolos e discípulos inspirados e movidos
pelo Espírito também jejuaram várias vezes. Nós, como
perseverantes e descendentes da doutrina dos apóstolos,
precisamos, igualmente, fazer o uso de jejuns acompanhados das
nossas orações.
 
Um homem estava relatando as suas dificuldades e lutas para
vencer quando disse: “Eu fiz tudo o que eu pude, agora só me resta
jejuar e orar”. Ele inverteu as coisas. Deveria ter começado com
jejum e oração, buscando a orientação de Deus, em primeiro lugar,
para que pudesse ter acrescentado a solução para os seus
problemas. O jejum e oração não devem ser o último recurso, mas
sim, o próprio recurso.
 
Lendo o sermão do monte no evangelho de Mateus vemos três
ensinamentos de Jesus sobre obras espirituais. Daquele texto
entendemos que tudo o que fazemos, sejam coisas boas ou coisas
más, são transformadas em atitudes espirituais para Deus. Jesus
fala sobre três coisas: esmolas, oração e jejum. Nestas três lições e
aplicações Ele diz: “Quando deres esmola… Quando orares, e…
Quando jejuardes” (Mt 6:2, 6, 16). Jesus esperava que os discípulos
do reino jejuassem. Jesus nunca disse em lugar algum que o jejum
era opcional. Ele nunca disse: “Se jejuardes...” mas sim “Quando
jejuardes...” (Mt 6:16). A palavra ‘quando’ expressa um tempo
indeterminado, mas ao mesmo tempo expressa a necessidade. Na
continuação da passagem citada Jesus diz que Deus recompensa
quem jejua conforme a vontade Dele (Mt 6:18). Deus tem
recompensas para quando jejuarmos. Jesus diz para os seus
apóstolos irem a todo o mundo fazer discípulos através do batismo
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e que ensinassem a
estes novos discípulos a guardaremtodas as coisas que Ele tinha
ordenado. Jesus estará presente neste ensinamento até a
consumação do século (Mt 28:18-20). Então, se Jesus ensinou
como Jejuar, os discípulos de Jesus devem jejuar conforme Ele
ordenou. Desta forma o ensinamento de Jesus torna-se uma ordem.
 
Conta-se uma anedota sobre um homem que morreu e foi para o
céu. Chegando lá ele viu um monte de pacotes com belos
embrulhos escritos o conteúdo de cada pacote. Eram coisas que ele
precisou a vida toda, mas viveu sem elas. Ele leu alguns daqueles
pacotes e depois parou com um deles nas mãos e perguntou:
Senhor, por que o Senhor não me deu estas coisas quando eu
estava lá necessitando de todas elas?
E o Senhor lhe respondeu seriamente:
- Você nunca pediu!
 
Devemos fazer do jejum nosso companheiro de oração. Porém, não
devemos transformar o jejum numa prática tradicional religiosa. Mais
abaixo veremos sobre como fazer o jejum e daí poderemos colocar
alguns pontos como sugestão. Devemos jejuar, então, quando
estivermos com medo, para nos humilharmos na presença de Deus
(para que desta forma Ele possa nos usar como lhe convém),
quando estivermos tristes, necessitados, em momentos importantes
ou cruciais para a igreja de Deus, antes de tomar alguma decisão
importante, quando estivermos arrependidos, para vencer o
invisível, as tentações, os problemas, etc. Deus espera que
cheguemos a Ele em oração com toda súplica e ações de graças.
 
Nenhum homem, por maior que fosse a sua autoridade, poderia
determinar autoritariamente um dia, período ou modo de se praticar
o jejum. Se há na igreja um homem importante, este será o servo de
todos, será “...temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para
ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de
contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa,
criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém
não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de
Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e
incorra na condenação do diabo” e “é necessário que ele tenha bom
testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do
diabo” (1 Tm 3:2-7). Deve ser um homem que sabe que vai prestar
contas ao único e Supremo pastor, Jesus; por isso, ele como servo,
não pastoreará o rebanho de Deus “por constrangimento, mas
espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas
de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram
confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho” (1 Pe 5:1-4).
Pastor não é um cargo hierárquico, mas sim um serviço a Deus.
Jesus é o único Pastor da igreja e Ele pastoreia através dos
presbíteros/bispos eleitos pela igreja e reconhecidos pelo Espírito
Santo. Li certa vez sobre um ‘pastor’ que instituiu o jejum obrigatório
em ‘sua igreja’ proibindo os adeptos até mesmo de engolirem a
própria saliva. Abusos como este estão cheios nas denominações.
 
O jejum pode ser feito coletivamente, mas deve ser de comum
acordo. A igreja deve jejuar quando a própria igreja, isto é, as
pessoas, concordarem a respeito de qualquer coisa sobre a terra, e,
se assim pedirem, será concedido, “Porque, onde estiverem dois ou
três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”, disse Jesus
(Mt 18:18-20). A igreja pode jejuar coletivamente quando houver
comum acordo para isso. Da mesma forma alguns membros podem
abster-se de fazer jejum coletivo por motivos particulares, afinal o
jejum é uma atitude espiritual voluntária e não obrigatória. Como já
aprendemos, o jejum não deve ser usado como pretexto “para
contendas e rixas e para ferirdes com punho iníquo”, jejuando por
pretextos particulares, “não se fará ouvir a vossa voz no alto” (Is.
58:4). Antes devemos jejuar e orar com objetivos puros:
 
“...que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da
servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?
Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e
recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o
cubras, e não te escondas do teu semelhante” (Is 58:6, 7).
CAPÍTULO 14
DICAS PARA JEJUAR
 
 
Nada pode sair bem feito se não for planejado antes. Principalmente
o trabalho para Deus merece atenção triplicada. Por este motivo é
que algumas dicas podem ajudar na hora de jejuar. Estas dicas não
são regras, apenas considerações tendo como base a própria
Palavra de Deus. Sendo assim, vamos sugerir um planejamento
baseado no óbvio para agradar a Deus. É claro que nem tudo estará
no controle dos nossos planos, mas mesmo quando formos pegos
de surpresa pela necessidade de jejuar, devemos estar preparados;
pois nem todo jejum pode ser planejado, como já vimos pois há
jejum involuntário, mas necessário e tão benéfico, ou mais, quanto
um jejum quadrado e minuciosamente preparado. Mas, ainda assim,
estas dicas são de suma importância.
 
Defina o Objetivo
 
Como já vimos anteriormente, jejum não é passar fome. Quando for
jejuar tenha em mente, bem definido, o seu objetivo. Se precisar
escreva tudo o que você puder num papel e leve-o com você para
que você sempre lembre de orar por aqueles objetivos específicos.
Observe as necessidades que o levam a jejuar, daí sairão os seus
objetivos.
 
Quando Josafá teve medo de ser atacado e subjugado, ele
promoveu um jejum público. Ele tinha um objetivo bem definido na
sua mente e orou por ele:
 
“Então, Josafá teve medo e se pôs a buscar ao SENHOR; e
apregoou jejum em todo o Judá. Judá se congregou para pedir
socorro ao SENHOR; também de todas as cidades de Judá veio
gente para buscar ao SENHOR” (2 Cr 20:3, 4).
 
Da mesma forma o sacerdote Esdras que, confiando no Senhor, se
humilhou perante Ele (Ed 8:22, 23). Ele sabia que o seu único
refúgio era o Senhor. Devemos jejuar quando estivermos
arrependidos, se tivermos cometido pecados, com necessidades
urgentes e quando tivermos decisões importantes para tomar. Estes
são alguns dos objetivos. Escreva todos os motivos específicos para
que não se perca durante o jejum.
 
Defina o Seu Jejum
 
Antes de começar inclua nos seus planos os detalhes do seu jejum.
Defina a duração, o tipo de jejum (total, normal ou parcial), tenha os
motivos bem claros na sua mente, escolha o dia e horário para
começar com oração e terminar da mesma forma. Se você não
planejar bem, pode correr o risco de ter que interromper o jejum por
motivos que podem fugir ao seu controle.
 
Defina um Programa
 
Durante o jejum você terá intervalos que precisa estar preparado
para enfrentar. Por exemplo, se você decidiu jejuar mesmo
enquanto trabalha, o que vai fazer na hora do almoço, onde vai
estar quando todo mundo estiver almoçando? Se você não tiver um
programa definido, vai sofrer maior tentação. Não é uma boa ideia
deixar que a tentação apenas apareça, pense em desviar-se dela.
Lembre-se que sempre haverá alguém que vai questionar os seus
hábitos ou vai oferecer algum alimento que, aparentemente, por
incrível que pareça, nunca lhe oferecem em dias normais. Se você é
mulher e tem marido e filhos, lembre-se que vai ter que cozinhar.
Como vai evitar a necessidade de experimentar o que está fazendo?
E se tiver que experimentar, isto está nos seus planos ou a sua
consciência a condena como quebra de jejum? Uma boa ideia é
planejar para o período de jejum comidas prontas ou práticas para o
preparo. Pense em cozinhar antes de começar o seu jejum e deixe
pronto tudo para o período que você planejou. Não gaste muito
tempo cozinhando e dedique o tempo para a oração, leitura da
palavra para lembrar as promessas divinas, meditação e mais
oração. Minha mãe, por exemplo, é uma cozinheira e ela planeja o
seu jejum num dia em que ela não tenha que cozinhar. Não gaste
sua energia limpando a casa para passar o tempo, planeje estudo
bíblico, cânticos, e adoração a Deus. Se tiver que gastar sua
energia que seja para agradar a Deus.
 
Um bom programa de jejum contém oração constante e consciente.
Você precisa definir o que vai fazer quando acordar com fome, na
hora do almoço, à tarde, no jantar, etc. Principalmente se você se
dispôs a jejuarpor um período de pelo menos 24 h. Se o período for
maior do que isso, o planejamento para o primeiro dia pode ser um
padrão para os demais ou você pode fazer um programa espiritual
diferente para todos os outros dias.
 
Os intervalos devem ser preenchidos com os objetivos já definidos.
Um programa e oração são a chave do sucesso do jejum. Você
também pode ter tempos devocionais com leitura, oração, cânticos,
etc. Se o jejum for coletivo, você poderá combinar com os demais
participantes um grupo de oração, de testemunhos, etc.
 
Oração é imprescindível para o jejum. Aproveite este tempo de ação
espiritual e leia a Palavra de Deus reforçando os seus motivos e
objetivos. Prepare trechos bíblicos sobre o jejum e os resultados.
Isto o animará a continuar firme na luta contra a carne e seus
desejos e necessidades.
 
Cuidados Com o Jejum
 
Tendo um bom planejamento para fazer o melhor na presença de
Deus não trará mal-estar para você e o templo do Espírito Santo,
seu corpo. Cuidados físicos não são tão importantes quanto o jejum
em si, mas uma pequena lembrança sobre a necessidade de cuidar
do corpo para servir bem ao Senhor é necessária.
 
Quando Jesus foi levado pelo Espírito Santo ao deserto para ser
tentado, jejuou durante quarenta dias. No final do seu jejum teve
fome e este foi o motivo que satanás quis usar para vencer Jesus.
Ter fome não é pecado, mas satanás estará te rodeando neste
momento para aproveitar uma brecha qualquer. Se ele tentou Jesus
com uma necessidade essencial, imagine o que ele vai tentar fazer
conosco. Talvez neste momento ele estará ali mais presente do que
nunca.
 
Não sei você, mas quando eu fico um tempo sem comer, mesmo
sem estar em jejum com propósito espiritual, fico muito nervoso e
sensível. Minha mãe contou que certo dia quando estava jejuando
com a congregação para consagrar um evangelista, numa
discussão com meu pai ele perguntou: “É para isso que você está
jejuando? ” Foi aí que entendeu a mensagem de Deus pelo que
mais ela precisava continuar jejuando. Daí por diante, ela disse que
ao invés disso ter invalidado o seu jejum o tornou mais significativo,
pois ganhou um motivo a mais. Tome cuidado para que satanás não
use as suas fraquezas e necessidades contra você. Se você fica
nervoso depois de um tempo sem comer, não faça jejuns muito
longos para começar, vá se preparando aos poucos para um jejum
mais longo. Deixe algumas refeições algumas vezes e vá treinando
fisicamente para o jejum. Fique atento às suas emoções e não
perca o controle. Se acontecer algo que não te agrada, não parta
para a agressão verbal ou física, fique no controle do Espírito: “Orai
sem cessar! (1 Ts 5:17). Aproveite este treinamento para orar
constantemente.
 
Um livro que relata a vida cotidiana nos tempos bíblicos descreve
uma relação perigosa que o ser humano tem com o alimento em
relação a sua vida espiritual. Ele relata o seguinte: “A serpente
tentou Eva a comer uma fruta, e o pecado entrou no mundo. Esaú
vendeu seu direito de primogenitura por um prato de sopa. Jesus foi
tentado a transformar pedras em pão, e ele usou o alimento – pão e
vinho – como símbolo de nossa participação em seu sofrimento. O
alimento – necessidade terrena, humana – é um fio fascinante
entretecido na história da revelação de Deus à raça humana”
(James I. Packer) E muitas outras histórias poderiam ser relatadas
sobre a tênue e perigosa relação que temos com o alimento. Muito
provavelmente porque o alimento que dá vida se confunde com a
própria vida. Talvez seja a falta de confiança que temos na própria
sobrevivência.
 
Faça como Jesus, esteja pronto na Palavra de Deus para responder
à altura espiritual qualquer investida de satanás contra a sua fé e,
mesmo, contra a sua fraqueza. Jesus respondeu sempre usando
passagens das Escrituras porque Ele tinha o costume de frequentar
a comunhão e ler as Escrituras (Lc 4:16). Antes de jejuar, prepare-
se para honrar ao Senhor com a sua atitude. Se você não estiver
pronto, é melhor não se colocar em posição de tentação.
 
Cuide da Sua Saúde
 
Se você toma algum remédio, principalmente antibiótico ou está
fazendo algum tratamento, consulte o seu médico antes como parte
no planejamento para o jejum. A saúde física é muito importante
para podermos servir ao Senhor através do corpo. O apóstolo João
escreve para Gaio: “Amado, acima de tudo, faço votos por tua
prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma” (3 Jo
1:2). O apóstolo Paulo escreve para Timóteo:
 
“Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por
causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades” (1 Tm
5:23).
 
Eles preocupavam-se com as enfermidades físicas dos discípulos
que trabalhavam e serviam o Senhor. A doença também pode ser
um motivo de jejum, se tiver enfermidade, lembre-se de chegar na
presença de Deus com fé, sabendo que Ele recompensa quem o
busca desta forma (Hb 11:6). Não fique triste se não conseguir a
cura desejada, você sempre vai sair ganhando. Lembre-se destes
dois exemplos acima citados, eles precisavam de saúde e Deus não
os curou, precisavam de remédio, provavelmente. Paulo também
teve um espinho na carne, mas isto não o afetou, pelo contrário, ele
tirou a lição de Deus dos seus problemas (2 Co 12:7-10). Esteja
agradecido por toda e qualquer coisa: “Em tudo, dai graças, porque
esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts
5:18).
 
Espere ter dores de cabeça, leve tontura, fraqueza, cansaço e
sonolência. A cefaleia é comum principalmente se você tem
costume de ingerir muita cafeína e açúcar, isto indica que o seu
corpo está se desintoxicando. Quando voltar à sua dieta normal
considere diminuir a dosagem diária de cafeína e açúcar, isto vai
ajudá-lo nas próximas práticas do jejum além de tornar a sua vida
mais saudável.
 
Terminando o Jejum
 
Quando você estiver chegando ao final do seu jejum alguns
cuidados também são importantes. Quando promovemos um jejum
congregacional pelos planos da congregação, geralmente
terminamos o jejum juntos e temos um desjejum depois de oração,
cânticos, leitura e meditação da Palavra de Deus. Sempre
brincamos, mas é bom estar atento para que o jejum não acabe em
glutonaria ou desperdício de alimentos. “A fome é um dos apetites
básicos do homem, e a gula um pecado capital”. Isto pode parecer
engraçado, mas é um perigo que corremos. Tenha calma e prepare
alimentos leves para não se sentir mal depois. Mais adiante
estaremos abordando os valores nutricionais dos alimentos e dando
dicas para terminar o jejum de uma forma saudável.
 
Algumas considerações
 
Jejum é a abstinência parcial ou total de qualquer tipo de alimento,
conforme define a pessoa que jejua. Jejum deve incluir abstinência
de todo e qualquer pecado, e se há um pecado habitual, é uma boa
ideia jejuar para deixá-lo também. Já para pessoas casadas,
devemos considerar que o jejum deve ser informado ao cônjuge. O
apóstolo Paulo instruiu aos casados:
 
“Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento,
por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos
ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da
incontinência” (1 Co 7:5).
 
Talvez este “algum tempo” inclua o jejum e, por motivos físicos
óbvios, a relação sexual ficaria comprometida. Algumas pessoas
também sentem que no período do jejum a atividade sexual deve
ser suspensa por causa da consagração do corpo a Deus e por
motivo de consciência pessoal. Isto não é um mandamento, porém
uma consideração a ser feita por casais que, por mútuo
consentimento e de comum acordo, praticam o jejum. Porém, assim
como devemos ter cuidado com o excesso exagerado no jejum,
devemos também ter cuidado com as tentações, para que satanás
não use a nossa atitude espiritual para nos tentar. Por esse motivo
Paulo instrui que a abstinência sexual deve se restringir a apenas
“algum tempo”.
 
Quanto a regras pessoais de jejum é bom ter bem definido na sua
mente, baseado na sua fé para que você não peque contra o que
crê, principalmente em se tratando de um jejum congregacional e
coletivo. Sesua crença não for segundo o que foi proposto pelo
corpo de Cristo, você não deve aceitar imposição tanto quanto não
deve impor sua opinião pessoal sobre que tipo de jejum praticar,
desde que a própria Bíblia não nos cerca de limites para a prática do
jejum. Vale notar que para o jejum podemos usar Romanos 14 como
base para definição sobre o tipo de jejum a ser praticado. Paulo
ensina naquele capítulo que não devemos nos ajuntar para discutir
opiniões, antes devemos ter o propósito de nos aceitar, mesmo
sendo diferentes ou pensando que o outro irmão é fraco na fé. E, se
a igreja é comparada a um corpo e um corpo mesmo tendo vários
membros diferentes é apenas um corpo, a diferença na igreja é
bem-vinda.
 
É necessário ter na igreja pessoas que tenham opiniões diferentes.
A questão não é o que é pecado ou não, isto é claro nas páginas do
Novo Testamento, a questão daquele capítulo é clara: discussão de
opiniões. As opiniões podem tornar-se religião se não tivermos
cuidado e amor para com o próximo, se houver imposição de
qualquer uma das partes ou partidarismo em benefício de um e em
detrimento de outro. É possível que para um irmão o jejum tenha
que ser total, não podendo beber sucos, por exemplo. Outro pode
acreditar que o jejum pode ser feito com sucos ou até mesmo com
legumes. Nem um dos dois está errado, esta é a opinião de cada
um. Não devemos julgar como cada um define o seu jejum pessoal.
Não devemos julgar o que pensa o irmão ou como ele acredita (Rm
14:4).
 
Um exemplo que Paulo dá é sobre a diferenciação dos dias. Um
irmão considera todos os dias iguais, outro já crê que há diferença
entre dia e dia. Como agir nesta questão de opinião? Paulo
responde:
 
“Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come
para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come
para o Senhor não come e dá graças a Deus. Porque nenhum de
nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos,
para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos.
Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14:5-8).
 
Usando este exemplo e aplicando para o jejum, quem crê que o
jejum deve ser total, assim proceda; quem crê que pode ser com
base em legumes ou sucos, assim proceda. Tanto um quanto o
outro deve fazer para o Senhor e a Ele deve dar graças. “Não nos
julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de
não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão” (Rm 14:13). Uma
opinião só é errada para aquele que a considera errada, e não deve
impor sobre ninguém a sua opinião com julgamento. Mas se o irmão
se escandaliza com nossa opinião, nós que somos fortes nos
privamos para agradá-lo e para sua edificação. Porque a igreja não
é feita de comida ou bebida, mas de justiça, paz e alegria no
Espírito Santo, agindo desta forma agradamos a Deus e também
aos homens, pois procuramos edificar aos irmãos com nossas
atitudes (Rm 14:13-21). Se, porém, fizer jejum com dúvida, é bom
rever a sua crença e defini-la, de uma vez por todas:
 
“Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que
faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm
14:21).
 
Nesta questão devemos sempre pensar como Paulo ensina em
relação ao comportamento para com o irmão:
 
“Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos
fracos e não agradar-nos a nós mesmos. Portanto, cada um de nós
agrade ao próximo no que é bom para edificação. Porque também
Cristo não se agradou a si mesmo; antes, como está escrito: As
injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim. Pois tudo quanto,
outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela
paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.
Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo
sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que
concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo. Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como
também Cristo nos acolheu para a glória de Deus” (Rm 15:1-7).
 
Lembre-se sempre que devemos agradar ao próximo no que é bom
para a sua edificação, não devemos agradá-lo quando estiver em
pecado, e, somente para que não fique entristecido, não vamos
corrigi-lo, pelo contrário, se o amamos, vamos chamar a atenção
dele como Jesus faria. Lembremos também que a tristeza segundo
Deus produz a salvação (2 Co 7:10). Vamos sempre seguir o
exemplo de Jesus que não veio agradar a si mesmo, antes, levou na
cruz os nossos pecados. Lembremos das Escrituras e aproveitemos
o que ela nos ensina e como nos consola para que possamos
trabalhar pela edificação do nosso irmão fraco. Aproveite a
oportunidade e jejue por este irmão.
 
CAPÍTULO 15
JEJUM DIGITAL
 
Certa manhã minha esposa me ligou e me fez uma pergunta. Ela já
estava muito afetada e triste pelas palavras agressivas e libertinas
de alguns irmãos na rede social. A falta de amor e o argumento
humano a afetaram tanto que ele tomou uma decisão. Ela me ligou
e me perguntou: "Eu estou saindo do Facebook, o que você acha?".
Eu respondi: "você sabe o que deve fazer". Mais tarde naquele dia li
uma mensagem dela que deveria ser a última publicação:
 
"Para preservar a minha fé, minha sanidade, manter meu amor e
admiração pelos meus irmãos, familiares e amigos, a partir de 01/10
estou me retirando do Face... Quem precisar falar comigo, meu
WhatsApp pode ser solicitado no messenger até domingo. Que o
Senhor Deus cubra cada um de vocês com sua misericórdia."
 
Talvez, resumindo, ela poderia ter dito: "Me retiro da vida virtual para
manter a vida real e espiritual". Ou algo similar.
 
Li um artigo que falava sobre o segredo de vários homens
importantes para a história mundial considerados como gênios.
Dizia o artigo que eles tiravam um tempo só para pensar e meditar.
Baseado nisso o repórter decidiu testar ele mesmo a teoria e se
afastou de tudo o que pudesse atrapalhar como celular, computador
e outras possíveis distrações. Ele testou a teoria por um tempo e
depois fez uma avaliação do seu progresso e constatou que nunca
tinha progredido tanto em tão pouco tempo. Procurei novamente
pelo artigo para pegar detalhes e não encontrei. Pena, vai ter que
acreditar nas minhas palavras :).
 
Não é Tão Importante Assim
 
A Internet e as redes sociais são algo prazeroso, para passar o
tempo, para comunicar com quem está longe, para aprender algo de
novo e até para procurar ajuda em horas difíceis. Ela foi criada por
militares americanos como mais um meio de comunicação, de
defesa e ataque. O problema é que a Internet e as redes sociais
causam efeitos também indesejados como os de afastar os que
estão do seu lado, fazer você manter contato com quem não
deveria, absorver ideias e filosofias deste mundo, argumentos
contra a própria fé, argumentos ateístas, libertinagem, pornografia
digital, etc. Assim como falávamos no passado sobre a televisão, o
agente que traz todas estas coisas de fora para dentro da sua vida é
o mesmo e não é satanás, não. Assim como no passado, quem
apertava o botão do controle remoto da televisão, também hoje, é
você quem aperta as teclas do computador, do celular e traz para
você o que, como dizem em horas de tragédias, "nem seu pior
inimigo desejaria isso para você".
 
Este parágrafo a seguir é uma analogia. O que você acha de atrair
para a sua vida tentação, armadilhas, muitos desejos
descontrolados e nocivos, que o levaria a mergulhar na ruína e na
destruição? Certamente você faria tudo para evitar estas
coisas, não é? Mas você já pensou em se tornar uma pessoa
milionária ou bilionária da noite para o dia? Seja jogando na loteria,
uma herança inesperada ou uma invenção incrível… Pois é
exatamente isso o que atrai para a vida aquela pessoa que tem o
objetivo de ficar rico a qualquer custo, seja pelo trabalho ou não (1
Timóteo 6:9). Pense bem, dinheiro é neutro, ele não tem poder
sobre você. Você é que tem poder sobre o dinheiro. Porém, não
temos educação financeira e nem espiritual suficiente para saber
fazer o dinheiro trabalhar para nós. Não é porque não existemrecursos, mas porque nós nos tornamos negligentes e consumistas
pensando só no aqui e agora e na ostentação, mais do que no
futuro. Agora, se você é o agente que traz para a sua vida todas as
coisas ruins que a Internet tem a oferecer, o problema não é a
Internet, é você. A Internet, como o dinheiro, é neutra. A Internet não
faz mal a ninguém. Claro que há pessoas mal- intencionadas e que
alimentam a Internet com pornografia, pedofilia, libertinagem,
drogas, etc. São coisas que você faz sair do virtual para a vida real
que fazem mal a você mesmo. São seus desejos que no final
controlam sua vida. Assim como o amor ao dinheiro, o amor à
Internet (pois sabemos que vicia), pode levar você à ruína espiritual.
O dinheiro e a Internet não têm poder nenhum. Uma vida vazia dá
poder a qualquer coisa virtual como a Internet e inanimada como o
dinheiro. Qual deve ser o nosso comportamento?
 
Seguindo o conselho de Paulo para Timóteo e agora aplicado para
nós sobre o dinheiro, pensando agora em aplicar na Internet,
devemos agir diferente. Leia o conselho e medite:
 
"Você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso e busque a justiça,
a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão. Combata o
bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi
chamado e fez a boa confissão na presença de muitas
testemunhas. Diante de Deus, que a tudo dá vida, e de Cristo Jesus,
que diante de Pôncio Pilatos fez a boa confissão, eu lhe
recomendo: Guarde este mandamento imaculado, irrepreensível,
até a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Timóteo 6:11-
14)
 
Acredito mesmo que esta é uma necessidade que temos hoje em
dia: o jejum digital. Eu costumo tirar o domingo para ficar afastado
do computador, celular, etc. Não o faço de uma forma extrema,
claro, mas reconheço a importância disso em nossas vidas. Em
casa, na mesa da refeição, é a zona proibida do wifi. Não
precisamos desligar o wifi, precisamos desligar a nós mesmos do
mundo virtual e nutrir o relacionamento com Deus e com o próximo.
 
Então, que tal um jejum digital? Que tal um tempo só para você
e Deus? Um tempo para meditar, para escrever, para ler um bom
livro, para ler uma passagem bíblica previamente escolhida. Não
precisa começar de forma radical, comece num dia livre como
sábado ou domingo. Que tal de uma da manhã até às 17 horas de
sábado? Então poderia quebrar o jejum com um encontro virtual
para relatar como foi o seu dia. E o que isso incluiria? Jejum de
telefone, celular, Internet, televisão, tablet, videogame, etc. Como
fazer isso?
 
Eu acredito que você vai notar que a Internet, celular, televisão e
tantos outros meios de alienação não são tão importantes assim.
Você vai notar que o mundo vai ficar mais belo sem você saber de
tudo o que rola nas redes sociais. Você vai se sentir melhor por não
saber mais sobre crimes, fofocas e ostentações que você não pode
ter e fazer tudo o que vê. Não ver as ostentações ou pessoas
chamando atenção nas redes sociais não são tão importantes
assim. Um amigo psicólogo publicou recentemente um alerta: "Seus
problemas pessoais exigem soluções pessoais e não atenção
social". Fato!
 
Faça Um Planejamento
 
Antes de começar algo tão importante para você e Deus, para a sua
família, para a igreja, comunique-se primeiramente com Deus.
Comece seu planejamento com oração. Fale para as pessoas que
você vai fazer um jejum e pode até publicar nas redes sociais que
você frequenta. Fale com a sua família, peça ajuda deles, peça
compreensão. Não precisa impor seu desejo ou necessidade de
jejum digital sobre os outros. Comece dando o exemplo e
testemunhando sobre os resultados que colher.
 
Prepare o material que vai te auxiliar na sua desintoxicação digital.
Separe passagens bíblicas, um bom livro para ler, marque uma
visita ou convide alguém para conversar com você, prepare a
pessoa com que você vai ter contato dizendo que você está de
jejum. Prepare os pedidos de oração, prepare-se para os
imprevistos, prepare uma boa refeição (afinal é jejum digital e não
de comida, né?). Prepare-se para ser tentado. Como você vai
responder à tentação? Se preparar para isso antes vai te trazer
respostas para quando precisar.
 
Ofereça este tempo seu para Deus. Adoração é benéfica para nós.
Deus é Deus independentemente da sua adoração, mas quando
você adora a Deus, você se eleva à altura e plenitude Dele e volta a
ser imagem e semelhança de Deus.
CAPÍTULO 16
ABSTINÊNCIA (JEJUM) SEXUAL
 
 
Tenho sido convidado para falar para os jovens sobre vários
assuntos, inclusive sobre sexo. Por muitos anos eu mantive
abstinência sexual. Acho que demorei para aprender alguma coisa e
casei sem ter tido relações de fato. Não tenho mérito nenhum.
Como todo mundo, tinha muita curiosidade e vontade, mas Deus me
guardou. Então, pela misericórdia divina é que mantive abstinência
sexual.
 
Antes do casamento todos nós deveríamos manter abstinência
sexual, jejum de sexo mesmo. Todos nós que não conseguimos
manter um relacionamento puro com Deus sem nos contaminar
corporalmente, pois nosso corpo é templo do Espírito Santo,
mantemos remorsos do passado. É a falta de abstinência que faz
com que muitos percam a salvação porque dão mais importância ao
relacionamento sexual do que ao relacionamento espiritual. É
necessário confiar mais em Deus e esperar que Ele cumpra sua
promessa de satisfazer os nossos desejos e necessidades (Sl 37:4).
 
Fomos convidados para falar para casais por uma congregação da
igreja no centro oeste. Começamos com uma forma bem dinâmica e
lúdica para introduzir os vários assuntos que tínhamos para falar no
retiro. De uma forma stand-up e humorística falamos sobre sexo.
Alguém nos alertou de que tinha pessoas tradicionais e olharam
torto para a dinâmica e sobre a introdução do assunto sobre sexo.
Para a primeira palestra contextualizamos que ali era um encontro
de casais e, sendo todos cristãos, estávamos em lugar seguro para
falar de sexo. Muito estranho e até absurdo casais sentirem-se
escandalizados ao ouvir falar sobre sexo num contexto onde casais
estão reunidos para falar sobre o casamento.
 
Por que precisamos nos justificar para falar de sexo para pessoas
casadas? Falar sobre sexo sempre é delicado, por isso fazemos
com humor e respeito. Penso que tudo o que é muito sério deve ser
apresentado com um pouco de humor. O humor é um lubrificante
para que possamos absorver o que é difícil de se falar e ouvir.
 
Temos vivido uma vida tão superficial que não damos espaço para
ninguém perguntar sobre a nossa vida sexual e vamos levando.
 
Oração, Jejum e sexo no Matrimônio
 
Da mesma forma que precisamos preparar o ambiente e as pessoas
com quem vivemos sobre o jejum, precisamos preparar o cônjuge
sobre o jejum. Deve ser de comum acordo. O jejum envolve o corpo
e afeta as condições físicas. O jejum não é um mandamento e
abstinência sexual durante o jejum alimentar também não é um
mandamento. Como homem digo que o relacionamento sexual é o
casamento e o relacionamento sexual afeta o relacionamento com
Deus. Se um casal não renovar a aliança matrimonial regularmente
através do sexo, isto afetará o relacionamento com Deus.
 
O apóstolo Paulo cruza os assuntos jejum e sexo. Se temos algum
parâmetro para jejuar e para relações sexuais neste período esta é
a passagem:
 
“O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua
mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido. A
mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o
marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu
próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro,
exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se
dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás
não os tente por não terem domínio próprio. Digo isso como
concessão, e não como mandamento. Gostaria que todos os
homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da
parte de Deus; um de um modo, outro de outro. Digo, porém, aos
solteiros e às viúvas: é bom que permaneçam como eu. Mas, se não
conseguem controlar-se, devemcasar-se, pois é melhor casar-se do
que ficar ardendo de desejo” (1 Coríntios 7:3-9).
 
Fica claro que o único motivo de abstinência sexual é, por comum
acordo, para dedicação à oração, já que jejum eficaz se faz com
oração, acredito que seja bom entrar em comum acordo para jejuar
e se abster de relações sexuais por motivos fisicamente óbvios, pois
o jejum enfraquece fisicamente, mas fortalece espiritualmente e a
relação sexual, apesar de ser santificada no casamento, é uma
conjunção carnal e nada espiritual no ato em si. Lembrando também
que o sexo no casamento é uma concessão que Deus faz pois, os
nossos corpos pertencem a Ele.
 
Agora, é necessário lembrar, que este período sem relações sexuais
deve ser por curto período. Relação sexual é um sinônimo de
casamento. Não é certo se apoiar em motivos espirituais para não
manter a aliança do casamento. Deus deseja que sejamos puros e
satanás vai se aproveitar da sua abstinência sexual tanto quanto ele
se aproveita da abstinência de alimentos.
 
“A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se
da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o próprio corpo de
maneira santa e honrosa, não com a paixão de desejo desenfreado,
como os pagãos que desconhecem a Deus” (1 Tessalonicenses 4:3-
5).
 
Apesar do casamento ser santificado por Deus, é necessário investir
no relacionamento espiritual com Ele. O sexo pode atrapalhar as
orações e o jejum. Devemos pensar também nas coisas que são lá
do alto e não somente nas coisas da terra. Talvez para melhorar o
seu relacionamento com o seu cônjuge, você tenha que orar mais e
até fazer jejum em favor do seu casamento. Se você não tratar do
seu casamento com remédios espirituais, logo a porta da
oportunidade vai se fechar.
 
“O povo vivia comendo, bebendo, casando-se e sendo dado em
casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Então veio o
dilúvio e os destruiu a todos” (Lucas 17:27).
 
Você Ora Por Mim?
 
Certa vez minha esposa me perguntou: “Você ora por mim? ” Eu tive
que admitir envergonhado que nem sempre eu lembrava de orar por
ela. Já tinha muita dificuldade em parar para orar e, desde que ela
estava sempre por perto, não lembrava tanto. Depois daquele tempo
eu comecei a me esforçar por lembrar dela em minhas orações.
Ficou mais fácil depois que ela começou a trabalhar dando aulas à
noite também. Se ela atrasa alguns minutos, já entro em estado de
oração para que tudo vá bem. Claro que ainda tenho espaço para
melhorar isso.
 
Oração e jejum fazem parte da santidade tanto quanto o casamento
é santo. Devemos orar pelo nosso cônjuge para que o
relacionamento seja conservado puro. Não é possível estar todo o
tempo juntos. Certamente nosso cônjuge enfrenta tentações e
problemas e alguns deles até ignoramos. Sua esposa e seu marido
precisa das suas orações. Por que não dizer que precisam também
que jejue por eles?
 
“O casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal,
conservado puro; pois Deus julgará os imorais e os adúlteros”
(Hebreus 13:4)
 
Conclusão
 
O alimento pertence ao estômago assim como o corpo pertence ao
Senhor. O corpo é para a santidade com ou sem alimento. Devemos
nos abster (jejuar) sexualmente se ainda não somos casados. O
sexo é uma concessão divina para o casamento, pois os nossos
corpos pertencem ao Senhor.
 
Provavelmente se você precisa de um tempo a sós com Deus em
oração e jejum, você não se sentiria confortável mantendo uma
relação sexual tanto pela fraqueza do corpo quanto pelo paradoxo
entre vida sexual e espiritual.
CAPÍTULO Final
Conclusão
 
 
O jejum deve ser feito com base na fé de que Deus é quem vai nos
recompensar quando temos fome e sede de justiça. Lembremos
sempre das palavras de Jesus: “Nem só de pão viverá o homem,
mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4). Para
também aprendermos isso, precisamos sempre ter um contato com
a Palavra de Deus. Caso contrário, será somente um sacrifício
passar fome por algum motivo vazio.
 
Vimos que jejum é a abstinência de alimentos por um período
determinado de tempo com objetivos espirituais. Tudo começa com
o desejo de fazer a vontade de Deus e buscar o seu reino e a sua
justiça. Quando, então, desenvolvemos fome e sede de justiça,
somos levados por obras dignas como o jejum para dizer que Deus
é quem nos sustenta com a sua palavra. Jesus destacou três coisas
para a sobrevivência nesta terra: água, comida e roupa. No jejum
estamos dizendo que a abstinência do alimento, mesmo sendo
essencial para a sobrevivência, é prova suficiente que podemos
viver sem o supérfluo como os desejos carnais e o pecado. Jejum é
um chamado constante à oração, uma lembrança de que estamos
dependendo de Deus para viver, um pedido desesperado de socorro
àquEle que pode nos ajudar. Nos esvaziamos das nossas
necessidades essenciais para nos enchermos do Espírito Santo de
Deus. O jejum não muda quem Deus é, mas muda toda a nossa
vida em direção à vontade Dele. O jejum faz parte da santificação
da vida espiritual e esta é a vontade de Deus (1 Ts 4:3).
 
Existem muitos motivos para que possamos jejuar. A nossa vida é a
fonte do próprio jejum, porque nela é que encontramos os
problemas e Deus é quem tem a solução para todos eles. Quando
estivermos com medo, tristes, arrependidos, para confessar
pecados e dizer que estamos convencidos da vontade de Deus,
quando precisamos nos colocar no nosso lugar humildemente,
quando estamos sentindo falta de Jesus e para estarmos
preparados para fazer o trabalho que pertence a Deus, mesmo
aqueles que possam parecer humanamente impossíveis. O jejum
nos qualifica para servirmos a Deus como convém, pois,
dependendo dEle, Ele nos fortalece: “Tudo posso naquele que me
fortalece” (Fp 4:13). O jejum nos lembra que devemos viver uma
vida santa perante Deus mesmo quando não estamos em jejum.
Como escreveu Gordon Lindsay: “Jejuar é a chave mestra pela qual
o impossível torna-se possível. Porém, humildade, arrependimento e
sinceridade de coração são a chave para o jejum reconhecido por
Deus”.
 
Jesus espera a nossa dependência Nele. Ele instruiu aos seus
discípulos que sem Ele nada poderiam fazer (Jo 15:5). Hoje, da
mesma forma, precisamos entender que Deus espera nossa
dependência dEle. Quando temos força, confiança, autocontrole,
poder e orgulho, não servimos para servir ao Senhor. Precisamos
negar a nós mesmos todos os dias, tomar a nossa cruz e O seguir.
Jesus, os discípulos e apóstolos nos deram exemplo para que
jejuássemos. Jejum não é opcional, na verdade é tão importante
como fazer o bem através das esmolas e como a oração e a sua
constância.
 
O jejum deve ser feito com objetivo e amor. Qualquer ato sem amor
é uma obra vazia. O jejum deve ser feito com bases espirituais para
que possamos nos encher do Espírito Santo e não de nós mesmos
publicando ao mundo que estamos jejuando como prova de
espiritualidade. Jejum não é esmola para Deus, não é barulho para
chamar-lhe a atenção, não é um sacrifício com promoção pessoal.
Jejum é um relacionamento íntimo com o Senhor. Aquele que
procura a exaltação pessoal no jejum será rejeitado e humilhado
pelo Senhor (Lc 18:14).
 
Aproveite bem as dicas que foram pesquisadas e expostas neste
estudo. Adapte-as para as suas necessidades e consciência.
Lembre-se sempre que a Palavra de Deus é a autoridade religiosa
que deve nos guiar. Acredito que você pode planejar e executar um
jejum espiritual muito mais proveitoso, fazendo uso destas
informações.
	Prefácio
	CAPÍTULO 01
	FOME E SEDE DE JUSTIÇA
	CAPÍTULO 02
	O CONFLITO DA COMIDA
	CAPÍTULO 03
	O QUE É O JEJUM
	CAPÍTULO 04
	MOTIVOS PARA JEJUAR
	CAPÍTULO 05
	MEDO
	CAPÍTULO 06
	HUMILDADE
	CAPÍTULO 07
	TRISTEZA
	CAPÍTULO 08
	ARREPENDIMENTO
	CAPÍTULO 09
	CONFIRMAÇÃO DA CRENÇA
	CAPÍTULO 10
	PARA CUMPRIR O TRABALHO DE DEUS
	CAPÍTULO 11
	PORQUE O NOIVO NÃO ESTÁ
	CAPÍTULO 12
	JEJUM: UM COMPANHEIRO INSEPARÁVEL DA ORAÇÃO
	CAPÍTULO 13
	Como e Quando Jejuar
	CAPÍTULO 14
	DICAS PARA JEJUAR
	CAPÍTULO 15
	JEJUM DIGITAL
	CAPÍTULO 16
	ABSTINÊNCIA (JEJUM) SEXUAL
	CAPÍTULO Final
	Conclusão

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