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Sumário Prefácio CAPÍTULO 01 FOME E SEDE DE JUSTIÇA CAPÍTULO 02 O CONFLITO DA COMIDA CAPÍTULO 03 O QUE É O JEJUM CAPÍTULO 04 MOTIVOS PARA JEJUAR CAPÍTULO 05 MEDO CAPÍTULO 06 HUMILDADE CAPÍTULO 07 TRISTEZA CAPÍTULO 08 ARREPENDIMENTO CAPÍTULO 09 CONFIRMAÇÃO DA CRENÇA CAPÍTULO 10 PARA CUMPRIR O TRABALHO DE DEUS CAPÍTULO 11 PORQUE O NOIVO NÃO ESTÁ CAPÍTULO 12 JEJUM: UM COMPANHEIRO INSEPARÁVEL DA ORAÇÃO CAPÍTULO 13 Como e Quando Jejuar CAPÍTULO 14 DICAS PARA JEJUAR CAPÍTULO 15 JEJUM DIGITAL CAPÍTULO 16 ABSTINÊNCIA (JEJUM) SEXUAL CAPÍTULO Final Conclusão Prefácio Sinto-me honrada pelo convite para escrever sobre esta obra-prima, pelo menos na minha humilde opinião… Obra-prima porque é a primeira obra do autor sobre o assunto e, dada sua maneira simples e clara de expressar os ensinamentos bíblicos, se torna de suma importância para aqueles que buscam agradar a Deus e imitar Jesus em seus passos… O assunto não apenas explicita o que é Jejum, mas nos incentiva a adotá-lo como prática constante na vida cristã. Sua abordagem é esclarecedora e pautada não apenas no Velho Testamento, mas também no viver diário de Jesus e seus discípulos nas páginas do Novo Testamento. Ao ler o livro me senti muito aquém daquilo que eu poderia ser ao oferecer a Deus sacrifícios de louvor… Jejum não é um tema de reuniões femininas, de orações, pregações, etc., o que faz com que a leitura seja ainda mais necessária e a obra ainda mais valiosa. Valiosa porque liga o jejum à oração e nos mostra com clareza que era não apenas um ato espiritual, era, sobretudo um estilo de vida do Senhor Sinto-me honrada pelo convite para escrever sobre esta obra-prima, pelo menos na minha humilde opinião… Obra-prima porque é a primeira obra do autor sobre o assunto e, dada sua maneira simples e clara de expressar os ensinamentos bíblicos, se torna de suma importância para aqueles que buscam agradar a Deus e imitar Jesus em seus passos… O assunto não apenas explicita o que é Jejum, mas nos incentiva a adotá-lo como prática constante na vida cristã. Sua abordagem é esclarecedora e pautada não apenas no Velho Testamento, mas também no viver diário de Jesus e seus discípulos nas páginas do Novo Testamento. Ao ler o livro me senti muito aquém daquilo que eu poderia ser ao oferecer a Deus sacrifícios de louvor… Jejum não é um tema de reuniões femininas, de orações, pregações, etc., o que faz com que a leitura seja ainda mais necessária e a obra ainda mais valiosa. Valiosa porque liga o jejum à oração e nos mostra com clareza que era não apenas um ato espiritual, era, sobretudo um estilo de vida do Senhor. Teca Cruz CAPÍTULO 01 FOME E SEDE DE JUSTIÇA Em 1924 Mohandas Gandhi, mais conhecido como Mahatma Gandhi, submeteu-se a três semanas de ‘jejum’ contra o governo britânico no seu programa de não-violência e não-cooperação. Em 1932 ele fez outra greve de fome em protesto contra a decisão do governo britânico de segregar as castas inferiores, os parias. Que tipo de pessoa se sujeitaria, voluntariamente, a passar fome? Certamente vemos neste e em outros exemplos, motivação. Alguns líderes conhecidos mundialmente sujeitaram-se em sinal de protesto contra governos, leis, e ideais para que suas vozes fossem ouvidas. A motivação os faz arriscarem as suas vidas. Os motivos que levaram Gandhi a fazer jejum podem ser, ou não, os mesmos que motivam pessoas que têm fé no Senhor. Não devemos fazer jejum contra as autoridades, mas se formos fazer jejum e o jejum tem alguma coisa a ver com as autoridades, deve ser a favor delas: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Tm 2:1-4). Não vemos nenhum exemplo dentro da Bíblia de alguém que tenha feito um jejum contra as autoridades, a não ser para conseguirem da parte do Senhor ajuda para que os homens investidos de autoridade dessem atenção à demanda. Jesus dá as bases do evangelho no conhecido “sermão do monte”. Lá Ele destacou as bem-aventuranças. Jesus diz: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mt 5:6). Aqueles que jejuam segundo a vontade de Deus e para Deus, são os mesmos que têm sede e fome de justiça. O jejum é um dos alimentos que satisfazem a fome e sede de justiça que não pode ser saciada com alimento. As autoridades nem sempre serão justas, as autoridades nem sempre satisfarão, mas o jejum e oração a favor delas, das nossas necessidades e por outros motivos nobres, satisfarão a nossa alma que tem sede e fome de justiça e, da parte de Deus, teremos uma vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. E por que jejuar? Porque só Deus pode alimentar aqueles que têm verdadeira fome e sede de justiça e só Ele pode cumprir a promessa que muitos procuram já neste mundo: um lugar onde habita justiça, ainda que estes só o encontrarão depois que este mundo passar (1 Pe 3:13), ou seja, aqueles que estão fracos na carne, mas fortes no Espírito. Fome e sede justiça é tão urgente quanto o alimento para a sobrevivência física do corpo. O que está em pauta no jejum é a urgência da sobrevivência da alma. Por que Deus se agrada que nos abstenhamos do alimento? Por que nem sempre é conveniente que nos demos o prazer da refeição? Um motivo foi lembrado por Jesus quando estava sendo tentando por satanás no deserto. Satanás queria persuadi-lo em transformar as pedras em pães, pois Jesus estava com fome. Jesus lembra do tempo que Moisés jejuou por quarenta dias e o povo esteve peregrinando por quarenta anos no deserto e Ele mesmo estava por quarenta dias jejuando no deserto. Acredito que foi pelo mesmo motivo que os judeus, Moisés e Jesus ficaram no deserto sendo provados e tentados. No Velho Testamento lemos o seguinte como explicação pela fome que eles passaram: “Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR viverá o homem” (Dt 8:3). Foi esta passagem que Jesus ‘lembrou’ quando satanás o tentou para transformar as pedras em pães. Deus permitiu que, tanto os judeus como Jesus, ficassem no deserto humilhados e com fome. Deus os conduziu para lá e os alimentou no tempo certo com um alimento que nem todo homem conhece para que soubessem que “nem só de pão viverá o homem”, mas com certeza de toda a palavra que procede da boca de Deus. Porque Deus é bom e dá chuva e sol sobre os justos e injustos (Mt 5:45) e essa mesma chuva e sol é que proporcionam a manutenção da vida, assim, Deus não iria desamparar seus filhos Israel e Jesus. Se você tem fome e sede de justiça vá em direção a Jesus, Ele pode satisfazer a sua fome e sua sede. Jesus convidou: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne… Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo 6:51; 7:37). Jesus convida ao jejum que nos guia e nos alimenta a alma. O jejum é um desprendimento das necessidades essenciais para buscar o que sente falta a nossa alma. A nossa alma precisa de justiça, justiça para nos justificar perante Deus e a verdadeira justiça vem da parte do próprio Deus. Não acredito que seja coincidência as palavras de Jesus no seu batismo com a direção do Espírito levando-o a jejuar no deserto por quarenta dias. Ao ir para ser batizado por João, a princípio João Batista não o quis, alegando que ele é quem deveria ser batizado por Jesus, mas Jesus respondeu: “Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o admitiu” (Mt 3:15). Jesus procurava a justiça não deste mundo, mas a justiçae o reino de Deus em primeiro lugar. O mesmo Espírito que conduziu Jesus para ser tentado no deserto, onde jejuou por quarenta dias, é quem nos conduz e nos convence da justiça e assim compreendemos que devemos jejuar. A fome e sede de justiça são tão grandes por parte daqueles que jejuam, que eles buscam a prioridade, não o alimento para o corpo, mas o alimento para a alma. Porque quem jejua procurando por justiça sabe que o pão que alimenta os homens suscita a injustiça. São felizes os que são perseguidos por causa desta justiça divina, deles é o reino dos céus (Mt 5:10). Hoje devemos jejuar para que a nossa justiça perante Deus exceda a dos escribas e fariseus daquele tempo e de hoje: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt 5:20). Conclusão João Batista andava no caminho da justiça e por isso praticava um jejum (dieta) de gafanhotos e mel silvestre (Mt 3:4; 21:32). Jesus, procurando satisfazer a justiça de Deus, foi batizado por João e foi levado em jejum para o deserto. Se também andarmos no caminho da justiça, vamos praticar uma dieta (jejum) espiritual, nos abstendo da comida sacrificada aos ídolos, isto é, os desejos carnais. Vamos procurar nos encher do mesmo Espírito que guiou Jesus e vamos nos abster de nos embriagar de vinho, mas nos encher do Espírito Santo (Ef 5:18-21). Se você tem fome e sede de justiça, apenas um desprendimento do essencial para a vida física pode aproximar você da vida espiritual, de Deus. Não se preocupe com o que vai comer, beber ou se vestir, coloque tudo nas mãos de Deus e busque, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e as necessidades essenciais, de acordo com a vontade de Deus, serão acrescentadas (Mt 6:33). CAPÍTULO 02 O CONFLITO DA COMIDA Quando estudava para o ministério, morávamos no próprio Instituto de Estudos Bíblicos de São Paulo. Éramos bolsistas enviados pelas congregações e nem sempre sustentados pelas congregações que nos enviou. Eu mesmo era meio independente e tive que ir trabalhar. O irmão Celso Ceolim organizou alguns irmãos para contribuírem. No meu caso o sustento veio integral no primeiro mês, depois chegou menos a cada mês. Algumas pessoas foram fiéis do começo ao fim. Outros irmãos de algumas congregações de São Paulo sabiam dessa situação e nos enviavam doações em alimentos. No meio dessa situação, apareceu um irmão que tinha vindo do Nordeste e se hospedou lá sem sermos consultados. Ele foi ficando e se tornou um problema com o qual não soubemos lidar. Inicialmente estava tudo bem, mas como o irmão não colaborava, mas só consumia, logo percebemos que não seria fácil. Com o passar do tempo, a geladeira começou a ter compartimentos e nomes escritos nos potes e embalagens. Foi um trauma que nenhuma das partes gostaria de repetir. O alimento pode unir ou gerar um grande conflito na humanidade e até mesmo na irmandade. Irmãos podem ficar ofendidos com aqueles que ficam na fila na frente de idosos, visitantes e crianças, principalmente se os furões forem gordinhos. E se não sobrar para os últimos? Talvez, os últimos sejam os primeiros a ficarem chateados. Será que os últimos serão os primeiros a reclamar? Na igreja? Talvez… A fome mata mais que a AIDS, malária e tuberculose. Cerca de 11 milhões morrem anualmente por causa da fome. Cerca de 1 bilhão de pessoas não têm o que comer a cada dia no mundo. Uma a cada 7 pessoas no mundo vai dormir sem se alimentar. A fome incomoda quem a sente, mas nem sempre quem pode ajuda. Enquanto metade do mundo passa fome, a outra metade faz regime e um número ínfimo faz jejum. Pode ser um exagero, mas retrata uma certa realidade. “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo” (Jo 6:27). A comida é uma das necessidades fundamentais para a sobrevivência e estamos nos esforçando o tempo todo basicamente para suprir esta necessidade, pois se não temos com o que nos alimentar, para que serve o conforto de uma casa, o seio de uma família, o luxo de um carro e o prazer dos amigos? Basta faltar alguma coisa com a qual estamos acostumados que a nossa fé é atacada por nós mesmos que damos oportunidade a satanás. Logo ele estará ao nosso redor dizendo: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”. Uma fé sólida e concreta pode ser desafiada pela fome. Ter fome não é pecado, mas satanás aproveita qualquer oportunidade como a necessidade, por exemplo. Se cedermos às suas tentações, com certeza ficaremos mesmo sem os pães, pois ele, satanás, é o pai da mentira e sua função é enganar, mas satanás vai se alimentar como um leão que encontrou uma brecha dada pela presa a qual ele rodeia tentando ludibriar e minar a fé mesmo que precise explorar as necessidades mais básicas. Quantas vezes somos ingratos quando abrimos a geladeira ou armário e só encontramos arroz e feijão para preparar e dizemos: “Não tenho nada para comer”. E a roupa também é uma das nossas necessidades fundamentais. Abrimos o guarda-roupas e logo disparamos: “Não tenho nada para vestir”. Logo pensamos em nos desfazer da fé e transformá-la em pão para comer e roupas novas para vestir. E é neste esforço que podemos perder o alvo e focar num objetivo errado. Vivemos num grande dilema, se por um lado somos omissos quanto ao trabalho, os resultados disto logo nos alcança: “Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento; eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua superfície, coberta de urtigas, e o seu muro de pedra, em ruínas. Tendo-o visto, considerei; vi e recebi a instrução. Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado” (Pv 24:30-34) E no outro extremo, por causa do desejo de viver banqueteando sempre com finas iguarias, também pode nos fazer cair em ruína: “Ouve, filho meu, e sê sábio; guia retamente no caminho o teu coração. Não estejas entre os bebedores de vinho nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência vestirá de trapos o homem” (Pv 23:19-21). Sabedores disto, olhemos para alguns exemplos da história da humanidade que nos atormenta enquanto parte desta enorme família humana, descendentes destes extremos, exemplos que podem nos levar à perdição. Adão e Eva Olhe para Eva em pé no meio do jardim olhando fixamente para o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. O fruto era algo bonito, atraente, algo para comer: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si” (Gn 3:6, 7). Satanás só usou o que Eva dispôs. A cobiça dos olhos, o desejo pelo proibido e pelo entendimento. Eva sabia o que devia fazer, mas não resistiu à tentação do que enchia seus olhos de beleza e desejo. Eva foi enganada e comeu do fruto mesmo, provavelmente, sem fome. Cuidado com o que você vê. Cuidado com o desejo e trevas que entram na sua alma pelos seus olhos. Muitas vezes dizemos que não vamos ser como nossos pais enquanto somos jovens. Mais tarde, no entanto, repetimos muitas atitudes que aprendemos no berço da família. Não esqueçamos que todos somos descendentes da mãe de todos os seres humanos: Eva. Teremos o mesmo desejo dela, olharemos com cobiça, desejaremos o poder, o conhecimento, o sermos deuses. Teremos fome que não pode ser saciada e abrirá profunda vala a qual nos enterrará. Esaú - Por um Prato de comida “Tinha Jacó feito um cozinhado, quando, esmorecido, veio do campo Esaú e lhe disse: Peço-te que me deixes comer um pouco desse cozinhado vermelho, pois estou esmorecido. Daí chamar-se Edom. DisseJacó: Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura. Ele respondeu: Estou a ponto de morrer; de que me aproveitará o direito de primogenitura? Então, disse Jacó: Jura-me primeiro. Ele jurou e vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó. Deu, pois, Jacó a Esaú pão e o cozinhado de lentilhas; ele comeu e bebeu, levantou-se e saiu. Assim, desprezou Esaú o seu direito de primogenitura” (Gn 29-34). Esaú estava muito cansado, enfraquecido pelo trabalho e tentado pelo cheiro e pela aparência do cozido de Jacó. Diz a psicologia que o vermelho atrai o homem aos seus instintos primários e fundamentais, é a cor da paixão e da comida. Pense nas marcas de alimentos e veja quantas delas usam esta cor para vender mais, desde o básico até o supérfluo estão carregados de intenção e marketing. Gordon Lindsay notou bem quando escreveu: “Havia uma diferença fundamental entre Esaú e Jacó. O último tinha fé e, como galardão, o direito de primogenitura. Esaú, sendo um homem da terra, pensou apenas em termos de terra”. Quando vivemos focados na comida apenas como objetivo de vida nos tornamos impuros e profanos porque, como Esaú, perdemos nosso direito e depois pode ser tarde demais para mudar de ideia: “Nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado” (Hb 12:16, 17). Os Judeus no Deserto “Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR viverá o homem” (Dt 8:3). Deus levou o seu povo para o deserto e peregrinaram por quarenta anos naquela terra estéril. Ele os deixou ter fome, Ele os humilhou para que pudesse usá-los, Ele os sustentou com o maná, Ele tinha um objetivo: “para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR viverá o homem”. Foi o conflito com o alimento, ou a falta dele, que os fez preferir a escravidão no Egito e esquecer cedo da mão poderosa com a qual o Senhor os tirou de lá: “Toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão no deserto; disseram-lhes os filhos de Israel: Quem nos dera tivéssemos morrido pela mão do SENHOR, na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão a fartar! Pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome toda esta multidão” (Ex 16:2, 3). Veja o que a fome pode fazer com uma pessoa que vê a poderosa mão de Deus. O pior é que Deus pode atender um pedido injusto assim para nos arruinar: “Cedo, porém, se esqueceram das suas obras e não lhe aguardaram os desígnios; entregaram-se à cobiça, no deserto; e tentaram a Deus na solidão. Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma” (Sl 106:13-15). Sim, como eles, nós também podemos cobiçar a necessidade para a vida e dar mais importância a ela do que a poderosa mão de Deus que age a nosso favor para nos libertar da escravidão. Precisamos aprender cedo uma verdade e ensinar aos nossos filhos. Uma verdade sobre a vida dos que têm fome e sede de justiça, nem sempre eles terão com o que se alimentar. Não importa quão ligeiros, valentes, sábios, prudentes, inteligentes são (Ec. 9:11). Porém, o Senhor jamais desampara os seus justos. Até mesmo a falta tem seu propósito divino na vida daqueles que acreditam nos propósitos de Deus. O Rico e seu banquete O rico se vestia muito bem com linhos finíssimos e banqueteava todos os dias. Lázaro estava morrendo à porta da casa do rico e tinha vontade de se alimentar, pelo menos, das migalhas que caiam da mesa do rico. Nem isso ele tinha, pois vivia na porta e não debaixo da mesa. Até os cães passavam melhor do que ele, lambiam as suas feridas e ele, de tão enfermo, não conseguia sequer espantá-los. A diferença da vida destes dois homens foi destacada por Jesus para dizer que quem não ajuda o próximo para a sua sobrevivência, pode ir parar no inferno (Lc 16:19-31). Veja em que dilema eterno pode nos levar o não repartir o pão com o próximo. O Campo de um outro Homem Rico “E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstrui-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus” (Lc 12:16-21). Este homem já era rico e trabalhou honestamente para ficar mais rico ainda. O problema é que ele foi egoísta e pensou em si mesmo apenas. Fez planos para si mesmo olhando horizontalmente para seu campo fértil. Esqueceu de olhar verticalmente antes de falar com sua alma. Ao invés de olhar para cima, olhou para baixo, para os lados e só visou as coisas necessárias para esta vida: “Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te”. Mesmo a riqueza lícita precisa de direção e administração vertical. Caso contrário, ou melhor, de qualquer jeito, Deus pedirá conta da nossa alma. No Tempo do Dilúvio “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt 24:26-29). Notamos hoje que as pessoas estão em busca de diversão, comida e bebida. Tudo é motivo para um churrasco, para uma festa e para se reunir em redor de uma mesa. O alimento nos une uns aos outros e ao mesmo tempo pode nos afastar de Deus. Quando damos demasiada importância ao alimento, esquecemos da promessa de um fim. Agimos normalmente e como se estivéssemos desavisados, comemos e bebemos e fazemos festas e será no meio de uma destas festas que Jesus vai se manifestar pela última vez. Para muitos que só procuram os interesses deste mundo será uma grande surpresa, para aqueles que procuram os interesses do reino e a sua justiça, que procuram se fartar da palavra da boca do Senhor, será o cumprimento da esperança e da fé. Lições Para Hoje Concluindo, precisamos pedir como o sábio pediu para Deus: “Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus” (Pv 30:7-9). Os judeus jejuaram por setenta anos todo quinto e sétimo mês de cada ano e isso tudo foi em vão. Foi em vão porque eles choravam e jejuavam por motivos egoístas e ritualistas e não para Deus (conta-se algumas exceções). Da mesma forma comer e beber deve ser feito para Deus tanto quanto jejuar. Eles estavam desanimados porque a resposta de Deus não chegava e queriam saber dos sacerdotes e profetas se deveriam continuar, e a resposta foi: “Fala a todo o povo desta terra e aos sacerdotes: Quando jejuastes e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, acaso, foi para mim que jejuastes, com efeito, para mim? Quando comeis e bebeis, não é para vós mesmos que comeis e bebeis? ” (Zc 7:5, 6). Assim como Paulo ensinou: “Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer,pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14:7, 8). Parodiando esta passagem e pensando tanto na comida quanto no jejum, podemos afirmar: “Quer, pois, comamos ou jejuemos, façamos para o Senhor”. Se comermos, para o Senhor comamos. A comida deve ser motivo de fortalecimento físico para que possamos servir ao Senhor: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc 12:30). Nos acostumamos a fazer as obras da carne com toda paixão e não medimos esforços para nos satisfazer. Da mesma forma, precisamos ter paixão e não medir esforços e nem gastos para fazer a vontade de Deus. “Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza e da maldade para a maldade, assim oferecei, agora, os vossos membros para servirem à justiça para a santificação” (Rm 6:19). Um corpo bem fortalecido deve ser nossa arma para lutar contra a fraqueza espiritual. Quando um corpo fortalecido e saudável não é o suficiente, somente o jejum e oração podem nos ajudar. E assim, muitos outros exemplos poderiam ser dados sobre o conflito que vivemos com o alimento e com a manutenção da própria vida. Devemos aprender a nos esforçar mais por aquela comida que vem de Jesus, não pela comida que nos faz perecer. Jesus afirmou: “Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á” (Mc 8:35). E ainda nos apontou uma alternativa para a eternidade que não está no alimento desta terra: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus… Mas ele lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis” (Mt 4:4; Jo 4:32). Isto tudo sem mencionar o conflito extremo pelo qual passamos em relação à comida, pois como diz o ditado popular: “Enquanto metade do mundo passa fome, a outra metade faz regime”. Este é o conflito das promessas anuais ou das segundas feiras quando começam as dietas alimentares. Conflito que nós mesmos criamos quando temos apenas palavras e não atitudes. CAPÍTULO 03 O QUE É O JEJUM Os vereadores de Santa Cruz de Capibaribe em Pernambuco, decidiram votar em favor próprio um auxílio alimentação com um valor absurdo para o orçamento mensal do município. Detentos em Porto Velho, Roraima, decidiram fazer greve de fome por melhores tratamentos. Um brasileiro fez greve de fome em frente ao consulado da argentina em Florianópolis para poder ver a filha, fruto de um relacionamento com uma mulher argentina. É fácil encontrar notícias sobre greve de fome e suas motivações. Hoje em dia é muito difícil encontrar notícias de jejum, inclusive dentro das igrejas e pelos motivos ensinados pela Bíblia. Jejum é a abstinência de comida por um período determinado pela pessoa ou grupo que o pratica. Não há regras bíblicas especificas sobre como fazer o jejum. No Velho Testamento havia apenas duas ocasiões no qual era praticado um jejum coletivo, o dia da expiação (Lv 23:27), este dia também era chamado do dia do jejum (Jr 36:6; At 27:9), e o dia anterior a festa de Purim (Et 9:20-32). Exemplos Jejum não é passar fome ou greve de fome. Jejum não é falta de ter o que comer e por isso está em jejum, isto sim, seria passar fome. Jejum é não comer de propósito e com propósitos. O simples fato de ficar sem comer traz consequências que não poderíamos chamar de espirituais. Jesus não quis deixar uma multidão em jejum porque ele sabia o efeito que o “passar fome” causaria. Provavelmente eram famílias, mulheres e crianças envolvidas na multidão que estava longe de suas casas. Poderíamos contar umas 15 mil pessoas. Aquelas pessoas gostavam tanto de ouvir Jesus que deixaram de lado a importância da alimentação, mas Jesus era um homem de compaixão consciente: “Se eu os despedir para suas casas, em jejum, desfalecerão pelo caminho; e alguns deles vieram de longe” (Mc 8:3) Aquelas pessoas nos dão um bom exemplo de que vale a pena deixar o alimento para depois e sentar para ouvir Jesus falar. Elas nos dizem, sem lermos suas palavras lá naquele texto, que nem só de pão viverá o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus. Na ocasião, Jesus fala sobre as três coisas mais importantes para a sobrevivência de qualquer pessoa: comida, roupa e água. Sem estas três coisas ninguém vive. É claro que é até possível viver sem roupa, como algumas culturas indígenas, por exemplo, mas aqueles não consideram a nudez e para eles estão vestidos conforme as suas tradições e costumes (sejam pinturas, folhas ou adereços). Mas sem água e comida ninguém vive. Quando, então, uma pessoa propositadamente jejua, ela tem que ter objetivos. O jejum diz para quem jejua e para o mundo que, se alguém pode viver por um breve tempo sem comer, que é essencial para a vida, pode-se viver igualmente muito bem sem o que é supérfluo como o pecado e os desejos carnais. Jesus falando para aquela multidão que deixou suas casas e nem pensaram no alimento sobre aquelas três coisas essenciais para a sobrevivência humana, completa dizendo: “Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? ” (Mt 6:25). Depois de dar exemplos para provar que Deus vai cuidar da gente, Ele conclui dizendo: “...buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). Jejum é uma atitude espiritual que exclui o alimento, uma necessidade essencial para a sobrevivência. Quem jejua está buscando, em primeiro lugar, mesmo acima das suas necessidades essenciais, os interesses do reino de Deus e cumprir a Sua justiça. Deste modo, Deus não deixará faltar o alimento e, acredito, acrescentará todas as demais coisas necessárias para a sobrevivência e uma vida digna perante Ele e os homens, é o que chamamos de bênçãos. Jejum é a prática de não se alimentar por certo tempo. Jejum não é greve de fome, pois quem jejua não deve fazer por revolta ou protesto, o objetivo do jejum é ‘chamar a atenção’ de Deus e Dele conseguir compaixão e bênçãos tanto para si mesmo quanto para outros. O jejum não é obrigatório, mas é necessário. Em nenhuma parte do Novo Testamento, o qual obedecemos, diz que o jejum é obrigatório. Os fariseus tinham muitas tradições religiosas, e foi exatamente isso que os afastou para longe de Deus. As tradições para os fariseus eram tão importantes que eles estipularam e determinaram para outros momentos específicos de jejum. O jejum tinha se tornado um motivo de exibição religiosa por parte dos crentes daquele tempo. Um fariseu que pensava ser fiel jejuava duas vezes por semana (Lc 18:12). O jejum se tornou um motivo de comparação espiritual entre os que se achavam justos e os pecadores. Certa vez quando Jesus falou a respeito de Jejum, Ele tinha sido questionado pelos discípulos de João: “Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam? ” (Mc 2:18). Jesus explicou: “Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar. Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão” (Mc 2:19, 20). Completando este assunto Jesus diz que não se pode costurar pano novo em vestes velhas, porque causaria maior o rasgo e não se pode por vinho novo em odres velhos, pois o vinho novo romperia os odres velhos, e ambos se perderiam (Mc 2:21, 22). Os discípulos de João e os dos fariseus jejuavam conforme as tradições ensinadas dos velhos para os novos de geração em geração. Jesus não era contra o jejum e sim contra as tradições que invalidavam a palavra de Deus. O jejum tinha se tornado, pela tradição, uma prática espiritual vazia. Elesnão estavam jejuando conforme a vontade de Deus e sim conforme a tradição que tinham recebido. Este era o motivo do jejum deles condenado por Jesus. Então por que Jesus ensinaria os seus discípulos, herdeiros de um Novo Testamento, a obedecerem às tradições criadas a partir dos costumes do Velho Testamento? Jesus não ensinou e não foi cúmplice das atitudes dos religiosos. Haveria tempo para que os discípulos de Jesus jejuassem, quando todas as coisas seriam novas sob um Novo Testamento. O jejum tradicional e como um mero requisito institucional e religioso é condenável. O jejum não é para marcar pontos perante Deus e sim para mostrar um espírito humilde, arrependido e dependente do poder daquele que é infinitamente poderoso (Ef 3:20). Por isso os discípulos de Jesus não praticavam o velho jejum tradicional dos religiosos porque isto causaria maior rotura e romperia os odres novos do Novo Testamento. O jejum não manipula ou chantageia Deus ou o torna mais atento às nossas necessidades, antes, pelo contrário, nos torna mais próximos de Deus e mais atentos espiritualmente. O jejum tem mais valor para nós que somos transformados e renovados na fé, Deus é quem nos dá os meios para que possamos buscá-lo através do jejum que envolve a abstinência do essencial para a vida. O jejum não muda Deus, muda a gente. Alguém resumiu o jejum a, basicamente, três coisas: tristeza, confissão de pecados e a necessidade de buscar a Deus. O jejum é a prática daqueles que têm fome e sede de justiça e que buscam em primeiro lugar, acima das necessidades essenciais à vida, o seu reino e sua justiça. Em relação a isto, somente Deus pode alimentar-nos. É bom lembrar também que o jejum deve conter abstinência de pecados. Por exemplo: se uma pessoa fuma, mas quer servir ao Senhor, o jejum pode ser um bom motivo para abster- se do vício que lhe causa prazer e dano e produz força para parar de fumar, este pode ser até o motivo do jejum. Tipos de Jejum Desde que o jejum não tem uma regra específica para ser feito, devemos tomar como exemplo o jejum das pessoas de dentro da Bíblia. Nem todo jejum praticado foi igual, houve algumas diferenças entre a prática de um personagem em comparação com outros. Jejum Total Alguns personagens fizeram jejum total de alimentos e até mesmo de água. Paulo quando conheceu Jesus pessoalmente e reconheceu que estava perseguindo o Filho de Deus, ficou três dias sem comer e nem beber (At 9:9). A água não é, necessariamente, um alimento. Quando uma pessoa jejua, desidrata mais facilmente. Precisamos de água para que os rins funcionem devidamente. Ester é outro exemplo que temos de alguém que não comeu nem bebeu por três dias (Et 4:16). Se fizer um jejum total, considere também o tempo máximo para não prejudicar o próprio corpo, limite o jejum total a três dias. Excepcionalmente, encontramos Moisés que ficou no monte sem comer e beber por quarenta dias, mas neste caso Moisés esteve envolto na glória do Senhor, o qual Ele viu de uma penha e quando voltou para o meio do povo até o seu rosto resplandecia a glória do Senhor (Ex 34:28, 35). Jejum Normal O jejum normal é aquele que há abstinência de alimentos, mas não de água. Este é o jejum mais praticado, levando-se em conta que a água não é um alimento. Nos vários relatos de jejum não encontramos nada a respeito da ingestão de água, porém quando o escritor ou o personagem quer deixar claro que o jejum foi total, temos a menção excluindo a água. Crê-se que Jesus jejuou aqueles quarenta dias somente com a abstinência de alimento, desde que os que relataram o fato não mencionam a exclusão de água, porém, assim como Moisés, Ele estava em uma situação especial o que pode ter envolvido abstinência total de qualquer ingestão. O corpo pode passar dezenas de dias sem alimento, mas sem água a situação fica complicada. Se passarmos mais de três dias sem a ingestão de água vamos comprometer a integridade do corpo. Neste caso precisamos lembrar que o nosso corpo é santuário do Espírito Santo que está dentro de nós e que precisamos do corpo para fazer a vontade de Deus. Jejuamos para nos tornar um santuário (nosso corpo) mais útil e agradável a Deus. Então o jejum não deve ser prejudicial ao corpo. Jejum Parcial O jejum parcial é aquele que é feito com base em alguns alimentos e com tempo determinado. Por exemplo: meio dia ou a abstinência de uma das refeições do dia. Daniel fez um jejum parcial quando não quis se contaminar com a comida do rei Nabucodonosor. Deus foi misericordioso com Daniel e lhe abençoou e este e seus amigos tinham aparência melhor e era mais robusto do que os outros que comiam das finas iguarias do rei (Dn 1:8-16). Noutra ocasião Daniel absteve-se de comer o que lhe era desejável (Dn 9:2, 3). Talvez tenha feito uma dieta de legumes e frutas. Podemos também incluir no jejum parcial algo que nos incomoda como o jejum de palavras, vícios, tecnologia, etc. Jejum Involuntário, Mas Necessário Estava lendo um livro que mencionou quantas vezes Deus permitiu que a fome, a carestia e os inimigos afligissem o povo. Tudo isso provocou um jejum involuntário, mas necessário. E ainda hoje somos levados a um jejum involuntário, mas necessário. O autor do livro estava lembrando dos seus problemas financeiros quando leu Amós 4 o qual “declarou que Deus havia retido a chuva em Israel e ferira as suas colheitas com pragas por causa do pecado da nação. Deus convidou Israel a voltar-se para ele”. Dar importância ao horário do culto ou de um encontro bíblico podem ser jejuns involuntários, mas necessários pela importância que ouvir a Palavra de Deus tem. O jejum involuntário nos pega de surpresa, nos entristece, nos humilha e nos engrandece finalmente em grande banquete com a presença do próprio Deus como o principal convidado. Lembro-me claramente de jejuns involuntários praticados pelos judeus peregrinando no deserto, por Jonas dentro do grande peixe, por Paulo muitas vezes e por Jesus. Todos estes exemplos de jejuns involuntários surtiram efeitos duradouros. Isso nos ensina que o alimento não é tão importante quanto a vontade de Deus. Devemos estar preparados também para jejuns involuntários e necessários. Quando a tristeza nos afligir, quando a necessidade nos bater à porta ou quando Deus chamar, jejuemos. Afinal, o jejum nos sensibiliza para ouvir e entender a vontade de Deus. Conclusão Jejum não tem regras estabelecidas pelo Novo Testamento, mas não é passar fome ou fazer uma greve de fome. Jejum pode ter objetivos materiais ou espirituais. Para fazer um jejum que agrada a Deus, sigamos os exemplos da Bíblia. Neste caso exemplos do Velho e do Novo Testamento servem para nos ensinar, mas não para colocar uma regra e torná-la tradição ou mandamento. Existem alguns tipos de jejum como o total, parcial, normal ou involuntário. Não espere que a situação lhe pegue de surpresa e se imponha sobre você. Crie um hábito de buscar a Deus através do jejum e oração. CAPÍTULO 04 MOTIVOS PARA JEJUAR Os motivos que levam uma pessoa a abster-se por um período de tempo de alimentar-se podem ser diversos. Mas o que realmente importa são os motivos bíblicos para o jejum aceitável espiritualmente a Deus. Porém, antes vamos considerar o que alguns têm feito usando a abstinência de alimentos como meio para atingirem objetivos terrenos. O jejum pode ser visto de fora da fé como um motivo banal e risco de morte. O que leva uma pessoa sem fé a fazer jejum pode ser aversão, oposição, ira, indignação, etc. Vimos no primeiro capítulo uma citação da história de Gandhi e seus motivos para praticar o jejum por até 21 dias. Sua luta era política à procura de justiça para o seu povo. De um modo geral muitas pessoas fazem jejum por motivos pessoais, mas não necessariamente por motivos espirituais. Um dos motivos pessoais que mais leva uma pessoa a fazer jejum voluntário ou involuntário é a tristeza. Pode ser pela tristeza provocada pelo luto, pela tristeza provocada por não conseguir resultados da justiça humana ou pela tristeza dopróprio pecado. Porém, esta tristeza não traz resultados benéficos em qualquer sentido para a vida. Pelo contrário, a tristeza segundo o mundo produz morte (2 Co 7:10). Os motivos pessoais nem sempre são motivos egoístas, mas é bom a gente fazer uma autoanálise para que realmente não sejam. Mesmo que sejam praticados voluntariamente por um adulto, assemelha-se muito a uma criança mimada que faz chantagem emocional com os pais para manipulá- los. Raras vezes este tipo de jejum é praticado, altruisticamente, por um indivíduo com resultados benéficos para todos. Acredito que Deus ouve quem jejua buscando o seu reino e sua justiça em primeiro lugar, mesmo não sendo religioso. Vemos o exemplo de Cornélio que foi ouvido por Deus por causa das suas esmolas e orações. Acredito que ele também observava como os judeus os mandamentos e as tradições sobre o jejum. Mesmo sendo romano, ele buscava o Deus dos judeus e foi ouvido (At 10). Há ainda o caso de religiosos que praticam a abstinência de alimentos por motivos hipócritas. A maioria dos povos e religiões praticam o jejum. O jejum hipócrita é um dos mais antigos, mas novamente cai nos motivos egoístas de uma pessoa mesmo não sendo religiosa por serem motivos não espirituais. Os religiosos praticam o jejum como meio de exibirem-se ou mesmo de conseguir poder sobre alguns. Hoje há ainda outros que praticam o jejum por avareza, pensando que Deus vai dar tudo o que desejam, não importando que este desejo seja contra a vontade de Deus. Alguns líderes religiosos apregoam um jejum por “causas impossíveis”, prometendo, com antecedência, o resultado positivo sem saber por que motivos as pessoas são levadas a jejuar. Assim, usam o nome de Deus em vão prometendo cumprir o que Deus não prometeu. Enquanto escrevia este capítulo ouvi uma notícia num telejornal sobre o fim da greve de fome de um movimento de trabalhadores sem-terra. O jejum estava sendo praticado coletivamente, porém, os motivos são políticos e por interesses deste mundo. Aqueles lutam e jejuam e até se mutilam por uma terra prometida que eles mesmos escolhem. Os que jejuam com motivos espirituais também jejuam por uma terra, mas esta é a que foi prometida por Deus. Muitos outros exemplos poderiam ser dados, mas não teria muita relevância para este estudo que tende a enfocar o jejum espiritual que nos aproxima de Deus. Motivos Para Não Jejuar Imagine agora, jejuar por pacto de morte. Isso mesmo que você leu. Alguns judeus que se consideravam filhos de Deus fizeram isso. “Na manhã seguinte os judeus tramaram uma conspiração e juraram solenemente que não comeriam nem beberiam enquanto não matassem Paulo. Mais de quarenta homens estavam envolvidos nessa conspiração. E, dirigindo-se aos chefes dos sacerdotes e aos líderes dos judeus, disseram: "Juramos solenemente, sob maldição, que não comeremos nada enquanto não matarmos Paulo. Agora, portanto, vocês e o Sinédrio peçam ao comandante que o faça comparecer diante de vocês com o pretexto de obter informações mais exatas sobre o seu caso. Estaremos prontos para matá-lo antes que ele chegue aqui" (Atos 23:12-15) Conclusão Certamente existem outros motivos para jejuar ou não jejuar. Nos capítulos posteriores serão apresentados motivos justos expostos pela Palavra de Deus, motivos para jejuar que agradam a Deus. O jejum, não sendo uma obra vazia e sem sentido, deve ter propósitos preenchidos pela vontade de Deus. CAPÍTULO 05 MEDO Olhe a atual situação econômica do país. Observe as grandes metrópoles e, assistindo pela televisão, de preferência, veja a violência social desenfreada. Procure um lugar para morar e veja que, mesmo se você for para o interior das cidades ou do país, encontrará problemas, falta de esperança e medo do futuro. Para onde você vai fugir? As autoridades podem te ajudar? A conjuntura política te dá alguma esperança real para mudar para um lugar esquecido pelos homens? Quando uma pessoa está com problemas sérios, geralmente os conselheiros dizem que não adianta mudar de bairro, de cidade, de estado ou mesmo do país, o problema vai acompanhar você. Não adianta se esconder, o medo vai te acompanhar. Mesmo que ele não seja tão real quanto imaginamos. Certa vez ouvi dois especialistas falando sobre o medo e os temores modernos. Um deles, um psicólogo, disse que a gente tem medo do escuro porque quando não conseguimos usar os olhos, então o cérebro começa a funcionar como olhos. Porém ele traz à tona os medos que guardamos no subconsciente. Outro especialista, um sociólogo, disse que a maior parte dos nossos temores nunca acontece realmente. A maioria das pessoas que mora nos grandes centros, onde se concentra a violência social, nunca foi assaltada e não são pessoas classificadas socialmente como más. Elas trabalham, estudam, praticam esportes, procuram lazer, etc. As suas vidas, de um modo geral, são vidas normais. Mas, mesmo que tenhamos estas informações confirmadas por especialistas, vai convencer alguém que caminha à meia noite numa rua escura da periferia que o medo é apenas imaginação? Vai convencer o trabalhador que o seu salário no fim de cada mês vai conseguir comprar o mesmo que o mês anterior? Vai convencer os pais que ficam apreensivos em casa esperando os seus filhos à noite que a imaginação é mais real do que a própria realidade? Quando não conseguimos vencer a imaginação, o medo do escuro, o medo da realidade, o medo das coisas que nunca vão acontecer, precisamos de uma ajuda divina para nos tranquilizarmos. Oração deve ser uma atitude constante e muitas vezes deve ser acompanhada por jejum. Se acreditarmos que “o Senhor é o Pastor”, então depositamos nossas esperanças nas Suas mãos. Se afirmarmos que “confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem? ” (Hb 13:6), nossas palavras demonstram que confiamos no Senhor. Somente em Deus está a nossa esperança, Nele, você pode ir para onde Ele o permitir: “O além e o abismo estão descobertos perante o SENHOR; quanto mais o coração dos filhos dos homens! ” (Pv 15:11). O jejum se faz necessário quando não temos esperança e só resta o medo. E quando a força física não pode resolver. Enfraquecendo a carne, viveremos pela força do Espírito. “Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma” (Hb 10:39), precisamos manter a nossa palavra de confiança e ao mesmo tempo não temos poder nenhum para mantê-la. Neste ponto estaremos prontos e necessitados para confiar no Senhor que fez as promessas e não volta atrás. Deus não pode usar um homem que esteja forte e pode lutar por si mesmo, este tal não precisa de ajuda do Senhor. As armas e as forças deste mundo é que lhe dão segurança. Mas mesmo com o uso de armas, por mais poderosas que possam ser, há guerras perdidas. Somente o Senhor com a sua poderosa mão pode vencer. Não Temais Pois a Peleja é de Deus Josafá teve medo e por isso instituiu um jejum público em todo o Judá (2 Cr 20:3). O medo de Josafá veio por saber que um grande exército se formou para lutar contra o seu reino, por isso todo o Judá se congregou para pedir socorro ao Senhor (2 Cr 20:4). A este apelo de medo e dependência, Deus respondeu com o seu Espírito dizendo: “Dai ouvidos, todo o Judá e vós, moradores de Jerusalém, e tu, ó rei Josafá, ao que vos diz o SENHOR. Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão, pois a peleja não é vossa, mas de Deus” (2 Cr 20:15). Um bom motivo para jejuar é o medo e a necessidade da ajuda de Deus. Não foi com força de um exército que a guerra foi vencida, mas pelo poder de Deus. Eles saíram em direção ao exército inimigo cantando e louvando ao Senhor e Ele agiu: “Pela manhã cedo, se levantaram e saíram ao deserto de Tecoa; ao saírem eles, pôs-se Josafá em pé e disse: Ouvi-me, ó Judá e vós, moradores de Jerusalém! Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis. Aconselhou-se com o povo e ordenou cantores para o SENHOR, que, vestidos de ornamentossagrados e marchando à frente do exército, louvassem a Deus, dizendo: Rendei graças ao SENHOR, porque a sua misericórdia dura para sempre. Tendo eles começado a cantar e a dar louvores, pôs o SENHOR emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe e os do monte Seir que vieram contra Judá, e foram desbaratados. Porque os filhos de Amom e de Moabe se levantaram contra os moradores do monte Seir, para os destruir e exterminar; e, tendo eles dado cabo dos moradores de Seir, ajudaram uns aos outros a destruir-se. Tendo Judá chegado ao alto que olha para o deserto, procurou ver a multidão, e eis que eram corpos mortos, que jaziam em terra, sem nenhum sobrevivente” (2 Cr 20:20-24). Uma boa aplicação para esta história é: Não deixe de frequentar as reuniões de adoração da igreja para ficar resolvendo um problema, para ficar limpando a casa ou preparando a comida. Vá, mesmo em jejum, mesmo que não tenha dado tempo de comer, vá cantar e louvar ao Senhor e tenha certeza de que “a peleja não é vossa, mas de Deus”. Com certeza quando você chegar a sua casa não estará limpa, o seu problema não estará resolvido, a comida não estará pronta, mas espere a resposta do Senhor. Você pode confiar Nele? A promessa de quem confia no Senhor e na sua palavra, só Ele pode responder. O Dia de Purim A história da rainha Ester é impressionante. O jejum foi a resposta a mais um plano para exterminar os judeus. Um dos tantos holocaustos que enfrentou aquela nação. Vale a pena olharmos para aquela história e resumir aqui. Mordecai e Ester tiveram um medo real de serem exterminados todos os judeus pelo plano de Hamã, um favorecido do rei Assuero. Ester e Mordecai eram parentes, ele a criou como filha, ela era sua prima órfã. Quando o rei se divorciou, pediu para trazer as moças e entre sete escolhidas Ester estava no meio delas. Ela foi cuidada por um ano de tal forma que pudesse ser a escolhida do rei. Ninguém conhecia sua linhagem, pois Mordecai ordenou que ela não se revelasse e, ela era obediente a ele como a um pai. O rei apaixonou-se por Ester mais do que por todas, pois era a mais bela das virgens. Ganhou uma coroa real e foi eleita rainha (Et 2). Paralelamente à história de Ester, Hamã foi engrandecido pelo rei e todos se inclinavam e se prostravam para ele, conforme o decreto do rei; por ser Mordecai um judeu, não se prostrava para Hamã. Aparentemente Hamã não sabia disso, mas os servos do rei alertaram a Hamã e ele ficou enfurecido contra Mordecai a tal ponto que não quis punir somente a Mordecai, mas a todos os judeus. Hamã, muito supersticioso, lançou sortes para ver quando executaria o seu plano. Quando ele lançou as sortes era no mês de nisã, o primeiro mês, entre março e abril do nosso calendário. A data propicia, segundo as sortes lançadas, caiu no mês de adar, cerca de um ano depois, o duodécimo mês, entre fevereiro e março do nosso calendário. Isso deu tempo para Hamã tramar contra os judeus. Ele foi falar com o rei Assuero sobre os judeus com suas leis particulares e diferentes das dos demais povos e que não obedeciam às leis do rei. O rei nem quis saber que povo era esse, tamanha a confiança em Hamã, dando seu anel como uma permissão e selo real para fazer o que Hamã dissera. Hamã ditou uma carta e a traduziu para todos os povos do reino: “Enviaram-se as cartas, por intermédio dos correios, a todas as províncias do rei, para que se destruíssem, matassem e aniquilassem de vez a todos os judeus, moços e velhos, crianças e mulheres, em um só dia, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de adar, e que lhes saqueassem os bens”. A cidade ficou perplexa com tal ordem vinda do palácio real (Et 3). Mordecai, o pivô do decreto real, ficou sabendo das palavras vindas do palácio e lamentou profundamente rasgando as suas vestes, cobrindo-se de pano de saco e de cinza, saiu pela cidade e clamou com grande amargo clamor até a porta do palácio do rei. “Em todas as províncias aonde chegava a palavra do rei e a sua lei, havia entre os judeus grande luto, com jejum, e choro, e lamentação; e muitos se deitavam em pano de saco e em cinza” (Et 4:3). Ester soube do decreto do rei e mesmo sendo rainha não podia ajudar, pois, segundo as cerimônias reais ninguém poderia entrar na presença do rei se não fosse chamado. Se aparecesse, ou seria morto conforme a sentença ou o rei estenderia o seu cetro de ouro para que o visitante se aproximasse, em suma, era risco de morte. “Mordecai mandou o seguinte recado para ela: "Não pense que, por morar no palácio, só você, entre todos os judeus, escapará da morte. Se você ficar calada numa situação como esta, do Céu virão socorro e ajuda para os judeus, e eles serão salvos; porém você morrerá, e a família do seu pai desaparecerá. Mas quem sabe? Talvez você tenha sido feita rainha justamente para ajudar numa situação como esta! ” (Et 4:13, 14). Você notou as palavras cheias de confiança de Mordecai? Era um risco de morte de uma só pessoa para poupar a vida de todos os judeus, por isso Ester respondeu para Mordecai: “Vá e reúna todos os judeus que estiverem em Susã, e todos vocês jejuem e orem por mim. Durante três dias não comam, nem bebam nada, nem de dia nem de noite. Eu e as minhas empregadas também jejuaremos. Depois irei falar com o rei, mesmo sendo contra a lei; e, se eu tiver de morrer por causa disso, eu morrerei” (Et 4:16). Ester entrou na presença do rei e o rei teve boa vontade para com ela. Ester convidou ao rei e a Hamã para um jantar real. O rei foi e queria saber qual era o seu pedido. Ela fez suspense e os convidou para o dia seguinte voltarem e ela falaria o que desejava (Et 5). O rei ficou curioso e não pode dormir. Providencialmente o rei com insônia quis lembrar das suas obras registradas no livro dos feitos memoráveis. Sendo lido o livro, mencionou-se o nome Mordecai que ajudou o rei livrando-o de ser assassinado (Et 6:1-3). Enquanto os judeus jejuavam, Deus estava alimentando o futuro deles. O rei quis saber que honras e distinções tinha recebido Mordecai por este serviço prestado, mas Mordecai não tinha sido recompensado. Hamã chegou neste momento e o rei revelou que tinha que honrar um homem, mordecai, arrogante como estava, pensou que fosse ele (Et 6:6-9). O rei ordenou a Hamã que levasse as honras para Mordecai sem omitir nada do que ele mesmo havia sugerido e Hamã foi para casa angustiado (Et 6:10-14). Hamã tinha feito uma forca para punir Mordecai por sugestão da sua esposa, depois que Ester os recebeu em casa novamente, denunciou a maldade de Hamã e ironicamente o rei o enforcou na forca preparada para Mordecai. Depois de terem jejuado, Deus respondido, a justiça feita e o decreto real anulado por um novo decreto real, os judeus das 127 províncias receberam as novas palavras como boas-novas e “… havia entre os judeus alegria e regozijo, banquetes e festas; e muitos, dos povos da terra, se fizeram judeus, porque o temor dos judeus tinha caído sobre eles” (Et 8:17). Depois do jejum por causa do temor veio a hora de voltar a se alimentar com alegria. Hamã lançou Pur para ver quando puniria a todos os judeus. Pur quer dizer sorte, Purim é o plural de Pur. Daquele dia em diante os judeus comemoraram o dia de Purim lembrando que Deus mudou a ‘sorte’ deles (Et 9:20-32). Naquele dia eles jejuam e oram lembrando que Deus livra do medo e do pavor da morte. Hamã teve tanto tempo quanto os judeus tiveram. Ele com intenção de exterminá-los, os judeus, esperando a libertação que veio de Deus. Depois de ter lido e estudado o livro de Ester, acredito que todo discípulo de Jesus deve ler e estudar para que conheça o poder de Deus concedido àqueles que jejuam acreditando que, de uma forma ou outra Deus os livrará do medo. Devemos afirmar sem medo que, de uma forma ou de outra, Deus salvará o seu povo. CAPÍTULO 06 HUMILDADE Humildade é uma chave no relacionamento com Deus e com os homens. Davi, homem que tinha vindo de família humilde, sabia o valor da humildade perante Deus, tanto que ele escreveu um salmo dizendo: “Para com o benigno,benigno te mostras; com o íntegro, também íntegro. Com o puro, puro te mostras; com o perverso, inflexível. Porque tu salvas o povo humilde, mas os olhos altivos, tu os abates. Porque fazes resplandecer a minha lâmpada; o SENHOR, meu Deus, derrama luz nas minhas trevas” (Sl 18:25-28). O humilde alcança favor de Deus. Nunca devemos nos mostrar orgulhosos e senhores do saber perante ninguém. Muitas vezes a Bíblia nos mostra que isso não funciona muito bem. Ninguém gosta de conversar com aquela pessoa que sempre acredita ter razão e quer fazer valer a sua opinião. Por outro lado, como é bom conversar com aquela pessoa que mais ouve do que fala. As pessoas pagam pequenas fortunas para os que ouvem, estes são chamados de psicólogos. Aprendendo a Ser Humilde O chamado de Jesus a quem quer ser discípulo é negar a si mesmo: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16:24). Este é o primeiro passo na vida do discípulo, o segundo passo é tomar uma atitude e seguir. Na continuação do seu ensinamento Jesus apontou para os fariseus e escribas que estavam na cadeira de Moisés, isto é, ensinavam o povo a guardar a lei. Jesus ensina o povo a obedecê-los, mas não a imitá-los, porque eram hipócritas nas suas práticas “porque dizem e não fazem”. Eles amarravam fardos pesados sobre os ombros dos outros e eles mesmos não os carregavam nem com o mínimo esforço. A religião prática dos escribas e fariseus era exibicionista e, como muitos hoje, gostavam de ter aparência de religiosos e de títulos e se exaltam como mestres, guias e pais; do lado oposto, estão os discípulos de Jesus que não são chamados por títulos como mestre, pastor, bispo, etc. Além do mais, deviam tratar uns aos outros como irmãos. Os verdadeiros discípulos de Jesus têm um só Mestre, Pai e Guia, que é Jesus Cristo. E, uma das mais importantes lições para os discípulos é: “Mas o maior dentre vós será vosso servo” (Mt 23:11). Sempre precisamos lembrar que Jesus desempenhou este papel na carne e, quando se fez carne, assumiu a forma de servo (Fp 2:7). A conclusão não poderia ser outra a não ser o que Jesus diz: “Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt 23:12). Paulo, depois de ter aprendido a ser humilde e submisso a Jesus, a quem ele perseguia, escreveu: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um… Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm 12:3, 16). E ele ainda explica que somos um corpo, mesmo com funções diferentes, membros do corpo de Cristo e dependentes uns dos outros (Rm 12:4-8). Não devemos nem sequer nos gloriar de ter a graça maior do que a do povo judeu que foi rejeitado pela sua incredulidade e, ele nos exorta: “Agora você dirá: Alguns galhos foram cortados para que eu pudesse ser enxertado na oliveira”. Isso é verdade. Mas esses galhos foram cortados porque não creram. E você só continua a ser parte da oliveira porque tem fé. Não se orgulhe, mas, pelo contrário, tema. Se Deus não perdoou seus galhos naturais, também não vai perdoar você” (Rm 11:20, 21). Por isso “pense de maneira modesta, de acordo com a fé que Deus repartiu a cada um”. E quando começou este pensamento, sentimento e atitude de Paulo? Quando um dia encontrou Jesus pessoalmente e ficou jejuando e orando por três dias (At 9:9, 11b). A humildade prática da vida começa na forma como você pensa. A sua atitude confirma o seu pensamento e sentimento e, Deus o aprova. O jejum é um passo do aprendizado de humildade. O pensamento toma os sentimentos e atinge as atitudes. A tristeza pelos pecados apodera-se de nós e isso nos leva a jejuar. Exemplos de Jejum Para Humilhar-se O primeiro exemplo já foi apresentado, mesmo que cronologicamente em ordem inversa. Paulo jejuou para se humilhar perante aquele a quem perseguia. Talvez ele pensasse que estava perseguindo uma seita nova e contrária à lei, mas deparou-se com o próprio Deus mudando-lhe a direção a ser seguida. Ele perseguia o Caminho, agora, humildemente, precisava perseguir pelo Caminho e foi o que fez: “E, depois de ter-se alimentado, sentiu-se fortalecido. Então, permaneceu em Damasco alguns dias com os discípulos. E logo pregava, nas sinagogas, a Jesus, afirmando que este é o Filho de Deus” (At 9:1-20). Jejum por causa de necessidades nos põe em nosso devido lugar, servos de Deus, e exalta o poder de Deus. Em tempo oportuno, Deus exaltará os que se humilham na sua presença. Esdras convocou um jejum em sinal de humilhação na presença de Deus: “Então, apregoei ali um jejum junto ao rio Aava, para nos humilharmos perante o nosso Deus, para lhe pedirmos jornada feliz para nós, para nossos filhos e para tudo o que era nosso” (Ed 8:21). Esdras teve vergonha de pedir ajuda do rei Artaxerxes, mas não tinha por que ter receio de pedir a Deus. A vergonha dele de confiar na força humana vinha da sua fé na proteção divina, afinal ele tinha dito ao rei que o Senhor estaria com eles no caminho, e Deus os atendeu: “Porque tive vergonha de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos defenderem do inimigo no caminho, porquanto já lhe havíamos dito: A boa mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas a sua força e a sua ira, contra todos os que o abandonam. Nós, pois, jejuamos e pedimos isto ao nosso Deus, e ele nos atendeu” (Ed 8:22, 23). Nos humilhar em jejum perante Deus significa que confiamos Nele. Quando nos humilhamos, Deus pode nos usar. Ele não quer usar um homem forte e poderoso que pode resolver, por si mesmo, todas as questões. Ele não quer ajudar aquele que acredita no dinheiro, nos exércitos e nas armas de guerra. Quem tem dinheiro e nele confia compra o deus que quiser, quem tem exército e armas usa das estratégias e forças disponíveis para a guerra. Quem não tem nada, tem que ter fé no poder divino, tem que depender, inclusive fisicamente, da força que vem do Senhor. CAPÍTULO 07 TRISTEZA A tristeza tem sido rejeitada muitas vezes como sinal de castigo, abandono e sofrimento. Precisamos aprender a lidar com a tristeza e olhar para ela com mais simpatia. Com certeza na hora da tristeza não encontraremos motivos para encará-la como sendo a mão de Deus, mas graças a Ele, podemos olhar para o passado. A tristeza é que nos faz dar valor para alegria que se segue. Lembra-se da história de Ester e Mordecai? Depois de todos aqueles acontecimentos que os deixaram tristes, ele pôde escrever aos judeus de todas as províncias do rei Assuero, de perto e de longe, “...ordenando-lhes que comemorassem o dia catorze do mês de adar e o dia quinze do mesmo, todos os anos, como os dias em que os judeus tiveram sossego dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de festa; para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem porções dos banquetes uns aos outros, e dádivas aos pobres” (Et 9:20-22). A tristeza é a semente da alegria assim como o cansaço é a alegria do descanso. Motivo de Tristezas “Confesso a minha iniquidade; suporto tristeza por causa do meu pecado” (Sl 38:18). A nossa consciência foi criada por Deus para nos fazer reconhecer o pecado naturalmente, apenas quando a consciência está cauterizada é que não sentimos o peso dos nossos atos egoístas (1 Tm 4:2). O sentimento de abandono é um grande motivo de tristeza. Durante a época de Isaías o povo estava cativo na Assíria e continuamente orava pedindo socorro para Deus, porém a resposta não chegava. O que será estava acontecendo? Será que Deus estava de braços cruzados descansando? Será que havia ficado surdo o seu ouvido? Isaías esclarece e aponta a solução: “Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para nãopoder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59:1, 2). As mãos deles tinham cor de pecado contra o próximo, estavam com as mãos sujas de sangue, os dedos sujos de iniquidade e a boca deles tinham traços de mentiras e maldades. Estavam pedindo por libertação e era um pedido egoísta, pois não pediam por justiça (Is 59:3, 4). A lista de acusações da parte de Deus se estende contra a humanidade e o homem sente o abandono da presença de Deus, naturalmente isso causa tristeza. Às vezes essa tristeza é inexplicável, mas facilmente diagnosticada em stress, depressão e suicídios. O homem está cheio de brinquedos para o entreter, mas isso não o satisfaz na sua tristeza. O pecado é o maior problema da humanidade e a fonte de todos os problemas. É claro que o homem vai viver triste, pois a sua vida perdeu o sentido. O sentido da vida de um pássaro é voar, de um peixe é nadar e do homem é fazer a vontade de Deus: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem” (Ec 12:13). O BenefÍcio da Tristeza Jesus foi questionado sobre o jejum pelos discípulos de João. Ele explicou que os seus discípulos não tinham motivos para jejuar porque estavam na festa (de despedida) com o noivo. Quando eles não tivessem o noivo com eles, aí, então, teriam motivos para jejuar (Mc 2:18-20). Hoje os discípulos de Jesus, olhando de fora para dentro, andam tristes e abatidos, com olhos fundos e passando fome e isso não é um bom motivo para convidar pessoas a deixarem festas, diversões, esportes, emprego, desejos, etc., para seguirem Jesus. A vida é alegre e curta demais para desperdiçá-la, prega o mundo. Jesus previu este aparente sofrimento dos seus discípulos e essa falsa e passageira alegria do mundo, mas também profetizou a alegria que está por vir: “Em verdade, em verdade eu vos digo que chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. A mulher, quando está para dar à luz, tem tristeza, porque a sua hora é chegada; mas, depois de nascido o menino, já não se lembra da aflição, pelo prazer que tem de ter nascido ao mundo um homem. Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar. ” (Jo 16:20-22). A tristeza nos acompanha porque o noivo não está, neste tempo de ausência, jejuemos para que nas bodas estejamos preparados para festejar com Ele. A tristeza tem em si uma bifurcação e uma decisão necessária a ser feita. Se por um lado ela conduz à salvação e alegria eterna, por outro conduz a uma excessiva consumação de si mesmo e causa a morte eterna. Alguém pecou e causou tristeza para a igreja de Corinto, esta tristeza era uma punição coletiva, mas eles deveriam agir para o bem daquele que se arrependeu: “De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza” (2 Co 2:7). Judas é um exemplo clássico de tristeza que leva à consumação de si mesmo até à morte. Ele foi tomado de remorso e não se deu tempo para se arrepender e suicidou-se (Mt 27:3-10). Pedro é mais um exemplo de tristeza, mas que leva à salvação. Ele negou Jesus por três vezes e saiu da cena chorando amargamente levando na memória o olhar de Jesus (Lc 22:54-62). A tristeza pelos pecados nos leva à abstinência de alimento e de alegria, mas não deve nos levar à punição com a morte eterna. Se a tristeza é a semente da alegria, o jejum é o solo fértil em que ela deve ser plantada. Paulo também entristeceu aos irmãos Coríntios com sua primeira carta para eles, ainda que tenha escrito com profundo amor e lágrimas. Porém ele não queria que a sua carta lhes causasse dano maior, por isso escreveu: “Porquanto, ainda que vos tenha contristado com a carta, não me arrependo; embora já me tenha arrependido (vejo que aquela carta vos contristou por breve tempo), agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus, para que, de nossa parte, nenhum dano sofrêsseis. Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte” (2 Co 7:8-10). Acredite que a tristeza vem de Deus! Se você o ama e quer fazer a Sua vontade, Ele vai se aproximar de você e mudar o curso da sua vida. Muitas vezes cantamos na igreja pedindo que Deus faça em nós a sua vontade, mas será que estamos preparados? Estamos preparados para enfrentar a tristeza? Como vamos reagir quando ela nos atingir tão profundamente que até mesmo o apetite for consumido? Olhe para Deus e veja o amor Dele sobre você causando-lhe a tristeza do arrependimento: “Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça” (Hb 12:11). Confissão de Pecados Neemias, um grande administrador e sacerdote por merecimento, promoveu o jejum em Israel para começar uma purificação do povo de Deus e fizeram uma grande adoração a Deus e lembraram das obras de Deus confessando os seus pecados publicamente fazendo aliança com o Senhor: “No dia vinte e quatro deste mês, se ajuntaram os filhos de Israel com jejum e pano de saco e traziam terra sobre si… Por causa de tudo isso, estabelecemos aliança fiel e o escrevemos; e selaram-na os nossos príncipes, os nossos levitas e os nossos sacerdotes” (Ne 9:1, 38). As grandes obras de Deus, contrastam com as nossas obras egoístas, isto deve nos causar tristeza e o resultado deve ser a confissão dos nossos pecados. Novamente olhe para Paulo jejuando completamente durante três dias. Ele foi encontrado por Ananias orando. Quais eram as palavras de Paulo naqueles dias? Qual era o sentimento e o pensamento de Paulo quando conheceu o Caminho, a Verdade e a Vida? Quase podemos ler a sua confissão de pecados enquanto orava, não é mesmo? Temos problemas de relacionamento e contendas uns com os outros. Cobiçamos, matamos e invejamos e não nos satisfazemos, pois nada temos. Nada temos porque não pedimos como convém, pedimos para esbanjar em nossos próprios interesses sempre. Somos desleais a Deus quando somos mais amigos do mundo do que Dele. Ele tem ciúmes de nós, que somos sua propriedade. Ele dá sua graça aos humildes, mas resiste aos soberbos. Devemos nos aproximar de Deus e resistir ao diabo, chegar para Ele com mãos limpas e tirar dos nossos corações toda a dúvida: “Aflijam-se, lamentem e chorem! Que o riso de vocês se torne em pranto e a sua alegria em tristeza. Humilhem-se na presença do Senhor e Ele os exaltará” (Tg 4:1-9). Se vivermos num contexto de pecados, como este, que a nossa alegria se torne em tristeza para nos levar de volta para Deus. CAPÍTULO 08 ARREPENDIMENTO Quando se está arrependido é um bom momento para se fazer jejum. Esta foi a vontade de Deus para o povo de Israel. O arrependimento é visível no comportamento daquele que está arrependido. Os fariseus e saduceus vinham ao batismo e João Batista os repreendeu: “Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3:7, 8). Como vimos no capítulo anterior, a tristeza é que nos conduz ao arrependimento verdadeiro e sincero. Certa vez Jezabel, a mulher que se casou com o rei Acabe e que promoveu culto a Baal, instituiu um jejum para satisfazer os seus próprios desejos. Um homem chamado Nabote tinha uma vinha e Acabe a quis comprar. Nabote não quis vender e deixou Acabe depressivo e, por isso, Jezabel promoveu um jejum em nome de Acabe e levantou acusações falsas contra Nabote e o apedrejaram para que Acabe pudesse possuir a vinha (1 Re 21:13). A atitude de Jezabel estava apoiada sobre uma ação espiritual, o jejum, mas com uma intenção egoísta e pecaminosa.Histórias como esta ocorria, aparentemente, muitas vezes em Israel. Isaías é ordenado a expor este falso jejum. O povo jejuava e não via resposta da parte de Deus para as suas aflições. Eles perguntaram e de Deus veio a resposta e a reprovação: “Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos a nossa alma, e tu não o levas em conta? Eis que, no dia em que jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o vosso trabalho. Eis que jejuais para contendas e rixas e para ferirdes com punho iníquo; jejuando assim como hoje, não se fará ouvir a vossa voz no alto. Seria este o jejum que escolhi, que o homem um dia aflija a sua alma, incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aceitável ao SENHOR? ” (Is 58:3-5). O jejum tinha sido tornado uma atitude para cuidarem dos seus próprios interesses. Pelo jejum eles exigiam de Deus a resposta e por isso Deus pergunta: “Chamarias tu a isto jejum e dia aceitável ao Senhor? ”. Jejum não é só um ato físico de cobrir a cabeça, ou inclinar-se, como eles faziam. Jejum é uma obra física transformada em espiritual pela consciência pura e sede e fome de justiça. Deus já tinha apontado os erros deles, agora era preciso apontar a sua vontade novamente: “Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante? ” (Is 58:6, 7). O jejum aceitável a Deus deve incluir um arrependimento sincero e uma mudança na vida prática. O jejum aceitável a Deus deve levar as pessoas a soltarem aqueles que foram presos injustamente, que seja tirado deles o peso que os faz sofrer, que sejam postos em liberdade os que estão sendo oprimidos, e que acabe com a escravidão. O jejum que agrada a Deus tem como resultado ainda que os que jejuam repartam a comida com os famintos, que recebam em casa os pobres que estão desabrigados, que deem roupas aos que não têm e que nunca deixem de socorrer os seus parentes. Um jejum verdadeiro sempre surte resultados justos. Não adianta nada o empresário ser convencido de fazer jejum e não tratar bem os seus empregados e não distribuir os lucros com a sociedade necessitada ao seu redor e se não há mudança no coração e no comportamento. O jejum também não deve ser feito por motivos egoístas. Nos dias do profeta Zacarias Deus reclamou disto. Eles sentiam-se afligidos e não encontravam a resposta de Deus, então, por isso, queriam saber se deviam continuar a chorar com jejum no quinto mês como estavam fazendo a tantos anos. A palavra do Senhor veio a Zacarias e ele os repreendeu: “Fala a todo o povo desta terra e aos sacerdotes: Quando jejuastes e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, acaso, foi para mim que jejuastes, com efeito, para mim? Quando comeis e bebeis, não é para vós mesmos que comeis e bebeis? ” (Zc 7:5, 6). Como já vimos anteriormente, comer e beber tanto quanto jejuar deve ser feito para o Senhor. Jeremias recebeu a palavra do Senhor num tempo de grande seca. O povo chorava, a nação estava arruinada, havia luto, se curvavam até o chão e clamavam a Deus. Porém a seca continuava. Os servos iam à procura de água nas cisternas e não encontravam, os lavradores estavam decepcionados e confusos e os animais estavam morrendo. Por que Deus deixa isso acontecer com o seu próprio povo? Jeremias reconhecia os motivos: “Posto que as nossas maldades testificam contra nós, ó SENHOR, age por amor do teu nome; porque as nossas rebeldias se multiplicaram; contra ti pecamos” (Jr 17:7). Eles jejuavam, mas Deus não os estava ouvindo. Eles estavam numa situação caótica, mas não faziam o que realmente precisava, e Deus sabia muito bem do que eles precisavam e lhes alertou. Jeremias conhecia o motivo, mas o povo não queria se arrepender: “Assim diz o SENHOR sobre este povo: Gostam de andar errantes e não detêm os pés; por isso, o SENHOR não se agrada deles, mas se lembrará da maldade deles e lhes punirá o pecado. Disse-me ainda o SENHOR: Não rogues por este povo para o bem dele. Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor e, quando trouxerem holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes, eu os consumirei pela espada, pela fome e pela peste” (Jr 14:10- 12). Quando falta arrependimento, falta tudo. E a coisa era mais grave ainda porque profetas falsos estavam iludindo o povo com palavras que não vinham de Deus. Quando falta arrependimento segundo Deus, a necessidade, a perseguição, a fome bate à porta. As pessoas se cercam de mestres e profetas para ouvirem o que lhes agrada e não para reconhecerem o pecado e mudarem de vida. Ouvimos hoje em dia a pregação enfatizando muito mais prosperidade, saúde, sorte nos negócios, curas, etc., do que arrependimento para entrar no reino de Deus. Mas Deus trará o castigo sobre os que não se arrependem e jejuam por motivos egoístas. Trará condenação e ruína a seu tempo sobre os que profetizam palavras que Deus não falou. Paulo, depois de encontrar Jesus no caminho de Damasco, ficou três dias sem ver nos quais nada comeu nem bebeu, e estava orando (At 9:9, 11). Fico pensando que naqueles três dias de abstinência total de alimentos ele estava arrependido e ponderando em seu coração o que tinha feito contra o Filho de Deus que até então era um falso mestre para ele. É claro que nenhum sacrifício físico vai nos perdoar os pecados, para tanto já temos o sacrifício de Jesus feito uma vez por todas, o justo pelos injustos. Não fazemos o sacrifício do jejum para perdão dos nossos pecados, fazemos porque o pecado produz profunda tristeza e a tristeza segundo Deus produz arrependimento para salvação (2 Co 7:10). Praticamos o sacrifício do jejum porque um dia fomos perdoados, mas caímos e precisamos nos levantar espiritualmente. Enquanto por um lado o jejum enfraquece o corpo, fortifica a nossa vida espiritual e nos faz levantar. Se você está enfrentando um contexto de pecados na sua vida, deixe a sua tristeza agir e produzir arrependimento: “…que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento” (At 26:20). “Ainda assim, agora mesmo, diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal” (Jl 2:12, 13). CAPÍTULO 09 CONFIRMAÇÃO DA CRENÇA Jonas foi um dos exemplos missionários mais estranhos que encontramos nas páginas da Bíblia. A Bíblia é um livro tão autêntico que não esconde sequer a vergonha do pecado e dos erros cometidos mesmo de homens escolhidos por Deus. Geralmente os instrumentos vivos escolhidos por Deus não são perfeitos, mas são aperfeiçoados. Jonas foi chamado e recusou-se a ir em direção ao seu chamado missionário. Antes pensou que podia fugir da presença de Deus para a Espanha. Jonas tinha tanta certeza que estava escondido de Deus que, mesmo durante uma forte tempestade, estava no porão dormindo profundamente. Na viagem para a direção errada e oposta, Deus interviu e mudou a direção de Jonas. Involuntariamente, mas oportunamente, Jonas ficou em jejum por três dias dentro do grande peixe. Acredito que foi esta oportunidade que mudou o coração de Jonas e o levou à oração: “Então, Jonas, do ventre do peixe, orou ao SENHOR, seu Deus, e disse: Na minha angústia, clamei ao SENHOR, e ele me respondeu; do ventre do abismo, gritei, e tu me ouviste a voz” (Jn 2:1, 2). Jogado no mar foi engolido por um grande peixe que, depois de três dias e três noites, arrependido orou ao Senhor, e o grande peixe o vomitou na terra para a qual foi chamado, Nínive. Com uma nova oportunidadeà frente Jonas não hesitou em obedecer ao Senhor que o enviou, novamente, para pregar na grande cidade de Nínive: “Os ninivitas creram em Deus, e proclamaram um jejum, e vestiram- se de panos de saco, desde o maior até o menor. Chegou esta notícia ao rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou de si as vestes reais, cobriu-se de pano de saco e assentou-se sobre cinza. E fez-se proclamar e divulgar em Nínive: Por mandado do rei e seus grandes, nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem os levem ao pasto, nem bebam água; mas sejam cobertos de pano de saco, tanto os homens como os animais, e clamarão fortemente a Deus; e se converterão, cada um do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos. Quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos? ” (Jn 3:5-9). Praticamente todos os povos do mundo conhecem o jejum como forma de demonstrar arrependimento e confirmar a crença e uma mudança necessária de vida. Os ninivitas não eram hebreus, mas sabiam o que deveriam fazer e fizeram. Quando há crença e arrependimento é um bom momento para se jejuar. Quem sabe Deus mude a nossa condenação para salvação? E de fato foi o que aconteceu. Deus viu o que fizeram e como se converteram do seu mau caminho e isto foi o suficiente para Deus voltar atrás e não os castigar (Jn 3:10). A história bem que poderia acabar aqui, mas onde estaria a autenticidade bíblica preocupada em mostrar um caráter santo até mesmo em pregadores como Jonas? Aparentemente Jonas já tinha decidido que os ninivitas, não importando o arrependimento, deveriam ser punidos. Ele teve a ousadia de orar e reclamar para Deus: “Então orou assim: -Ó Deus Eterno, eu não disse, antes de deixar a minha terra, que era isso mesmo que ias fazer? Foi por isso que fiz tudo para fugir para a Espanha! Eu sabia que és Deus que tem compaixão e misericórdia. Sabia que és sempre paciente e bondoso e que estás sempre pronto a mudar de ideia e não castigar. Agora, oh Deus Eterno, acaba com a minha vida porque para mim é melhor morrer do que viver” (Jn 4:2, 3). Não adiantava discutir com a raiva e indignação de Jonas, por isso Deus fez crescer uma planta que deu sombra para Jonas, ele gostou da sombra. No dia seguinte Deus mandou um bicho atacar a planta e ela morreu. Jonas ficou irado novamente e queria até morrer, se aborreceu tanto que reclamou de novo e Deus lhe respondeu: “Essa planta cresceu numa noite e na noite seguinte desapareceu. Você nada fez por ela, nem a fez crescer, mas mesmo assim tem pena dela! Então eu, com muito mais razão, devo ter pena da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil crianças inocentes e também muitos animais! ” (Jn 4:10, 11). A lição para todos os tempos é que não devemos julgar as obras de arrependimento das pessoas, pois o arrependimento é direcionado para Deus, não para nós mesmos. Se as pessoas quiserem jejuar, que jejuem e Deus os abençoe. Se as pessoas querem apenas orar, que orem e Deus é quem vai ouvi-las. Muitas vezes temos mais compaixão de um cachorro ou de uma planta do que das almas inocentes. CAPÍTULO 10 PARA CUMPRIR O TRABALHO DE DEUS O Espírito Santo precisa de pessoas prontas para a obra. A obra é espiritual e por isso nos preparamos com atitudes espirituais. O jejum deve fazer parte do serviço a Deus. O jejum é uma obra digna e espiritual. Foi servindo ao Senhor e jejuando que o Espírito Santo escolheu os mais importantes missionários do evangelho: “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13:2). Antes de executarmos qualquer missão evangelística, devemos jejuar. Os irmãos que ficaram na congregação local fizeram a sua parte para enviá-los ao mundo: “Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram” (At 13:3). Por este motivo a missão de Paulo e seus companheiros foi tão bem-sucedida. Servir ao Senhor com Jejuns O ministério de Paulo começou com jejum e tinha sua continuidade garantida pelo jejum. Foi jejuando que Paulo e Barnabé se prepararam e se dispuseram para servir ao Senhor. Jejuar também é servir ao Senhor. Hoje precisamos continuar servindo ao Senhor desta mesma forma. Jejum é imprescindível para preparar e separar homens preparados para servirem à igreja de Deus. O trabalho de Paulo era completo. Ele chegava nas cidades, anunciava o evangelho, fazia discípulos daqueles que criam pelo batismo em nome de Jesus, fortalecia as suas almas com exortação e deixava homens preparados para pastorearem o rebanho de Deus. A responsabilidade não era apenas daqueles homens, a igreja toda tinha uma grande responsabilidade: escolher entre eles homens capacitados. “E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido” (At 14:23). A igreja se preparava para ter presbíteros através do jejum. Dentro do Novo Testamento ninguém chegava a uma congregação intitulando-se o pastor. Em todo o Novo Testamento não vemos ninguém ser chamado de pastor, a não ser Jesus (Jo 10:11, 14; Hb 13:20; 1 Pe 2:25; 5:4). Pastor é uma função para homens biblicamente qualificados (1 Tm 3:1-7; Tt 1:5-9; 1 Pe 5:1-5). A igreja local deve eleger homens que conhece; elegendo bispos para a igreja, estará elegendo suas famílias exemplares. A única forma que a igreja pode fazer isso acertadamente é através da ajuda de Deus, por isso uma eleição de presbíteros deve sempre acontecer acompanhada com jejuns e orações. Escolher homens preparados não depende das nossas forças, podemos estar fracos fisicamente, mas devemos estar fortes espiritualmente. Homens preparados devem ser de boa reputação, cheios de fé, do Espírito Santo e de sabedoria. Quando estes homens estão prontos, servindo ao Senhor com orações e jejuns, então o Espírito pode falar com eles. Jesus Jejuava Para Servir a Deus Jesus, cheio do poder do Espírito Santo depois do batismo, foi guiado pelo mesmo Espírito para o deserto. Durante quarenta dias jejuou e foi tentado pelo diabo. Mesmo com fome tinha forças para resistir às tentações com respostas tiradas das Escrituras. Voltou do deserto e da tentação cheio do poder do Espírito e foi para a Galileia. Em Nazaré, num sábado entrou na sinagoga, segundo o seu costume e leu: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4:18, 19). Veja quantas menções o texto faz sobre Jesus e o Espírito Santo. Jesus só começou o seu ministério público depois de estar cheio do Espírito Santo e este Espírito o levou para um jejum de quarenta dias. Da mesma forma hoje só poderemos ser usados para a obra de Deus se estivermos cheios do Espírito Santo. Para estarmos cheios do Espírito Santo precisamos nos esvaziar de nós mesmos, nos entristecer, arrepender, confessar os nossos pecados e servir a Deus com jejum e oração. Jesus fez isso, os servos de Deus fizeram o mesmo, devemos fazer isso. Os dois versículos principais na conversa entre Jesus e satanás são: “Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:3, 4). Jesus tinha o poder de transformar as coisas, até mesmo de fazer pedras em pães. Ele multiplicou, certa vez, pães e peixes para alimentar uma multidão em jejum. Jesus se encontra com uma mulher samaritana, a surpreende dirigindo-lhe a palavra, oferece água viva, fala de sua vida, da verdadeira adoração e se revela como o Cristo, os qual até mesmo os samaritanos esperavam para definir, de uma vez por todas, quem estava certo, o judeu ou o samaritano. A mulher deixa o seu cântaro, vai para a cidade falarde Jesus quando os seus discípulos chegam com comida e insistem para que Ele coma. Observe a resposta de Jesus: “Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis. Diziam, então, os discípulos uns aos outros: Ter-lhe-ia, porventura, alguém trazido o que comer? ” (Jo 4:31-33). O jejum alimenta a alma e a deixa pronta para fazer a vontade de Deus. Precisamos fazer um ‘mini jejum’ muitas vezes por semana quando isso envolve fazer a vontade de Deus. Por exemplo: se estiver na hora de ir para a igreja e você não se alimentou ainda, será que não é mais agradável a Deus chegar na hora do que se atrasar por causa de uma refeição? Eu me agradaria se alguém se sacrificasse para não me deixar esperando. Mas nós deixamos Deus esperando muitas vezes por causa da comida conhecida deste mundo. Você ficaria em casa se alimentando, mesmo que estivesse atrasado para um encontro com o presidente da república? Com o seu patrão? E com Deus? “Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E, quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal? Ora, apresenta-o ao teu governador; acaso, terá ele agrado em ti e te será favorável? — Diz o SENHOR dos Exércitos” (Ml 1:8). Jejum é necessário quando envolve fazer a vontade de Deus. Quando Jesus desceu do monte da transfiguração Ele encontrou uma multidão cercando os seus discípulos e discutindo com eles (Mc 9:14). Quando viram Jesus se admiraram e a discussão parou. Jesus, como um defensor dos seus discípulos, quis saber o motivo da discussão, um homem apresentou o seu problema: seu filho endemoninhado. Os discípulos de Jesus não puderam expulsar o demônio, mas Jesus o expulsou. Mais tarde eles quiseram saber de Jesus por que eles não conseguiram expelir o demônio, Jesus responde que aquele tipo de demônio só pode ser expulso com oração e jejum. Ainda que não tenhamos espaço para discutir aqui este assunto especifico sobre expulsão de demônios, compreendemos que há coisas que nunca poderemos fazer, mas nada é impossível para Deus. O jejum nos tira de cena e coloca Deus na obra. O jejum nos torna fracos e Deus forte e quando somos fracos aí é que somos fortes, pois dependemos da força que Deus nos dá para realizar a sua obra. O jejum não nos exclui, mas inclui a mão poderosa de Deus. Dependendo de você, a igreja está pronta para ter homens preparados, escolhidos e separados para a obra do Espírito Santo? Jejue pelo futuro da igreja de Deus, jejue por homens que já servem a igreja do Senhor com orações e jejuns. CAPÍTULO 11 PORQUE O NOIVO NÃO ESTÁ Enquanto Jesus estava andando com os discípulos, Ele não os instruiu a jejuarem. Isso causou curiosidade nos discípulos de João que o interrogaram sobre o que João lhes ensinou e sobre as muitas vezes que os fariseus jejuavam, então Jesus lhes respondeu: “Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar” (Mt 9:15). Jesus é o noivo. Eu considero que a festa que os discípulos estavam tendo com Jesus era de despedida de solteiro e ao mesmo tempo uma comemoração alegre e antecipada da festa do casamento. Mas o noivo foi viajar preparar morada para sua noiva e, quando voltar, finalmente vai casar com a sua noiva. “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (Ap 22:17). A noiva de Cristo está bem alimentada, sem ruga nem mácula, ornamentada e esperando o dia das bodas: “Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos” (Ap 19:7-8). Note com quais roupas resplandecentes e puras está vestida a noiva de Cristo, abra os olhos veja com que tecidos finíssimos foi feita a roupa resplandecente da noiva “o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos”. São os nossos atos de justiça que vestem a igreja de pureza, resplendor e beleza. Hoje em dia numa cerimônia de casamento a noiva é o centro da atenção. Tradicionalmente ela casa-se de branco. Geralmente é um dia especial onde muito foi gasto e onde muitos sonhos são depositados. O casamento ideal acontece quando os noivos têm casa, condição de se manterem e, acima de tudo, há amor entre eles. Quando as pessoas olham para a igreja deveriam ver isto: “os atos de justiça dos santos”. O quanto eles ‘gastam’ para deixar a igreja bonita. A igreja deve ser o centro da atenção. Jesus disse para os seus discípulos quem são os felizes: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos… Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5:6, 10). É a justiça que nos torna felizes, são os atos de justiça dos santos que faz a beleza da igreja, a noiva de Cristo. Ainda mais, Jesus disse para os seus discípulos: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt 5:20). Então, se os fariseus e escribas jejuavam duas vezes por semana (Lc 18:12), a nossa justiça deve exceder à justiça deles. Isso não significa que vamos jejuar três ou quatro vezes por semana, significa que o nosso jejum não será esvaziado por nossos interesses pessoais querendo nos passar por religiosos. Significa que não faremos o jejum com hipocrisia. Significa que não faremos esmolas, orações e jejum só para fazer barulho, ao contrário, faremos com amor (1 Co 13:1-3). Enquanto eles esmolavam, oravam e jejuavam com o fim de parecer aos homens que eram religiosos e espirituais, nós somos ensinados por Jesus a jejuar com objetivo: buscar a misericórdia e o agrado de Deus, em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça (Mt 6:33). Lançar sobre ele as nossas ansiedades, porque Ele tem cuidado de nós (1 Pe 5:6-9). Ainda que o noivo não esteja visivelmente presente ele fica sabendo de tudo o que fazemos. “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (Jo 15:14). E se a nossa justiça não exceder a dos religiosos deste mundo, jamais vamos encontrá-lo na morada eterna. A igreja é a noiva de Jesus, mas desde já Jesus trata a igreja como a sua esposa. Ele cuida dela e a alimenta, ele morreu para a santificar e apresentá-la pura a si mesmo. A igreja é totalmente sujeita a Cristo, porque Cristo é o cabeça da igreja e o salvador do corpo. Cristo amou incondicionalmente a sua igreja e por ela se entregou “para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef. 5:27). Cristo amando a igreja está amando o seu próprio corpo. Cristo alimenta e cuida da igreja. A igreja é como uma esposa para Cristo, a igreja é o corpo de Cristo e Cristo o cabeça deste corpo e nós somos o corpo de Cristo. A igreja é a esposa de Cristo (Ef 4:22-31). O casamento entre Cristo e a igreja ainda não aconteceu, mas, como no costume judeu, o noivo já desposou a noiva e tem compromisso de casamento com ela e Ele não vai voltar atrás. Quando a igreja está de jejum, Cristo alimenta e sustenta a sua igreja. Hoje devemos jejuar para que um dia no banquete de casamento entre Jesus e a sua Igreja, possamos estar prontos para desfrutar todas aquelas bênçãos espirituais que nos faltam aqui. Um dia, quando o noivo vier para as bodas, aqueles que têm fome e sede de justiça serão fartos. Para Não Ficarmos Desamparados A igreja não está desamparada. Temos a presença de Jesus fisicamente através do corpo de Cristo, a igreja. Temos o Espírito Santo e a presença do próprio Deus em nosso meio na adoração. Ainda assim, a igreja precisa de ajuda e o jejum dará as respostas acertadas. A igreja deve ser servida por membros ativos e eles devem ser reconhecidos através da oração e jejum. Este é o exemplo que temos da igrejado primeiro século, ou melhor, a igreja da Bíblia. A igreja do primeiro século era guiada pelo Espírito e não tinha a Palavra escrita. Hoje nós temos a confirmação do Espírito pela certeza do que está escrito. A igreja sempre teve líderes escolhidos pela oração e jejum. Os apóstolos foram escolhidos por Jesus pessoalmente quando Ele, depois de uma noite de oração e jejum, voltou e os escolheu (Lc 6:12-16). O texto não menciona jejum, mas como passou a noite orando, provavelmente não tinha o que comer. Os apóstolos escolheram Matias depois de orarem juntos. Novamente o texto não menciona jejum, mas eles estavam tão envolvidos na situação que não aparenta que estavam comendo alguma coisa (At 1:13-26). Jejum se faz necessário porque se Jesus estivesse conosco pessoalmente Ele tomaria as decisões acertadas. Ele escolheria para cada igreja homens capacitados para servir o Seu Corpo. Só tem uma forma de chamarmos Jesus para os ajudar na escolha e decisões: oração e jejum. Foi isso o que os apóstolos e discípulos fizeram para escolher os servos da igreja. “Paulo e Barnabé designaram-lhes presbíteros em cada igreja; tendo orado e jejuado, eles os encomendaram ao Senhor, em quem haviam confiado. ” (Atos 14:23) Oração e jejum se faz necessário para a igreja escolher presbíteros e suas famílias. Conclusão Pelo jejum e oração não estamos sós. Nós podemos nos aproximar de Deus quando nos afastamos das coisas materiais, inclusive aquelas coisas mais essenciais. Para invocarmos a presença de Jesus devemos nos esforçar em jejum e oração, para que o noivo venha visitar sua noiva, a igreja. Através deste sacrifício físico, nós facilitamos as questões espirituais e Jesus nos ajuda a guiar a igreja com membros qualificados para ajudar os membros mais fracos. CAPÍTULO 12 JEJUM: UM COMPANHEIRO INSEPARÁVEL DA ORAÇÃO “Jesus tem muitos que amam o seu reino celestial, mas poucos que carregam a sua cruz. Muitos que querem consolo, mas poucos que suportam adversidades. Muitos que desejam partilhar da mesa de Jesus, mas poucos que se juntam à Ele no jejum” – Thomas Kempis. Muitas coisas só fazem sentido juntas. Por exemplo: sol e mar. Sombra e água fresca. Aniversário e presente. E assim por diante. Se este texto falasse de lógica, o que poderia combinar mais com jejum do que a oração? Olhe para o jejum. Você consegue ver uma pessoa jejuando e praticando esportes, saindo para diversões noturnas? Que tal uma festa de aniversário? Pelo contrário, você vê a pessoa em atitude de humildade, oração e devoção a Deus. Em todos estes exemplos citados nos capítulos anteriores vimos que a oração acompanha o jejum. O objetivo do jejum é nos levar constantemente à oração. Pode haver oração sem jejum, mas nunca jejum sem oração. Se nos sentirmos desprotegidos devemos jejuar e orar. Quando nos humilhamos perante Deus, jejuamos e oramos. Quando estamos tristes por nossos pecados e estamos arrependidos, devemos jejuar e pedir perdão através da oração. Quando somos convencidos e convertidos para o Senhor devemos jejuar e orar. O jejum nos lembra constantemente dos nossos objetivos e isto nos faz orar. O jejum, a princípio, vai incomodar bastante e, este é o objetivo mesmo, quando ele nos incomoda, ao mesmo tempo nos aviva a lembrança dos objetivos que nos levaram a tamanho sacrifício. A oração traz em si uma promessa: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14:13, 14). Enquanto a oração traz uma promessa, o jejum nos faz lembrar de orar para receber a promessa. O jejum abre as possibilidades do impossível. Não há dúvida que Deus é poderoso e que Ele pode fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos, mas a dúvida é se vamos permitir que este possa operar em nós (Ef 3:20). Davi escreveu um salmo pedindo justiça a Deus. Mesmo por seus inimigos ele orava e jejuava nas suas necessidades: “Quanto a mim, porém, estando eles enfermos, as minhas vestes eram pano de saco; eu afligia a minha alma com jejum e em oração me reclinava sobre o peito” (Sl 35:13). Aprendemos com este salmo que o jejum por aqueles que estão doentes se faz necessário tanto quanto a oração. Como veremos abaixo, sempre que alguém vai jejuar deve planejar o seu jejum. Então, antes de começar o jejum, anote todos os pedidos de oração pelos quais você estará jejuando. Deixe uma anotação sempre perto de você para que você possa lembrar e quando lembrar, orar objetivamente. Permita que sua lista possa crescer, pois durante o período de jejum você pode lembrar de necessidades ou oportunidades novas podem aparecer. Estude sobre oração e jejum antes de começar, desta forma seu jejum e oração será mais bem direcionado. Lembre-se do que a Palavra de Deus fala sobre a necessidade de oração, sobre o que pode impedir a oração de chegar na presença de Deus. Por exemplo: se seu jejum é por motivos egoístas, suas orações não serão ouvidas: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4:3). Como já vimos, não existe jejum sem oração, e se o motivo é egoísta, o jejum é inútil. Avalie bem o seu objetivo antes de começar a jejuar e reveja os seus pedidos de oração para excluir todo desejo egoísta. O pecado é outro impedimento à oração. Não podemos oferecer sacrifício se o pecado não for resolvido: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo” (Mt 5:23-26). Reveja questões mal resolvidas com o teu próximo antes de começar o jejum. Provavelmente este é um bom motivo para você estar jejuando. Provavelmente este acontecimento não resolvido é que está acarretando problemas, mas se não tiver condições de resolver antes do jejum por algum impedimento qualquer, ore antes para que Deus lhe perdoe e jejue para que Deus tenha misericórdia, te dê um coração de perdão e te dê oportunidade de resolver qualquer questão. Outro motivo que pode impedir a sua oração de chegar até os céus é a falta de perdão: “O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido” (Pv 21:13). Esteja disposto a perdoar, mesmo que esteja magoado, faça uma decisão de esquecer o acontecimento. Alguém disse: “Eu te perdoo, mas não esqueço”. Talvez perdão não seja realmente esquecer, mas com certeza é nunca trazer um assunto morto à tona. Talvez não dê para esquecer, mas precisa parar de pensar e não ficar alimentando o pensamento sobre o acontecimento: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo” (Ef 4:26, 27). Por Que Orar e Jejuar? “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo”. (1 Pe 5:6-9). Esta passagem já fala bastante sobre o motivo de chegarmos humildemente para Deus em jejum e oração, embora não fale especificamente sobre jejum e oração, sabemos que é dessa maneira que devemos chegar perante Deus. Se temos problemas, devemos lançar sobre Ele toda a nossa ansiedade, Ele sabe do que realmente precisamos. Lançar sobre Ele significa jogar, atirar. O meio pelo qual atiramos as nossas necessidades para Deus é através do jejum e oração. “Ele tem cuidado de nós”. O período de jejum é um período em que estamos alertas em oração e com atitudes espirituais;estamos, na prática, lutando contra satanás e resistindo-lhe as investidas e resistimos firmes na fé. O jejum nos deixa sóbrios, porque temos um objetivo bem definido e estamos lembrando dele constantemente, em oração, e vigilantes. O jejum nos humilha perante Deus, pois somos necessitados e Ele pode nos ajudar. No jejum, estando nós tristes, Deus está alegre conosco porque demonstramos nossa dependência dEle. Ele se alegra em ajudar aquele que se humilha. Sempre que jejuar, planeje muito bem a sua oração, lembre-se de cada pedido, anote todos eles e deixem-nos bem visíveis para “orar sem cessar”. CAPÍTULO 13 Como e Quando Jejuar Para que Deus aceite a nossa oferta, devemos fazer conscientemente, com amor e alegria e não obrigatoriamente. Para que possamos fazer conscientemente, precisamos saber como fazer e depois de saber como, devemos planejar, cuidadosamente. Caso contrário, deixe sua oferta sobre o altar, vai resolve a questão pendente e depois volta e faz a tua oferta agradável a Deus. Como Jejuar Nenhuma obra deve ser praticada por alguém para exibir-se perante os homens. Se uma obra está sendo praticada para que possa atrair atenção particular para o obreiro e louvores de homens em consequência da sua boa ação, este já recebeu o que procurava. Costuma-se dizer que se alguém quer aparecer, que amarre uma melancia no pescoço. Uma boa obra praticada com intenção de ser visto pelo público, é uma obra esvaziada do seu objetivo. A prática da boa obra já é recompensa em si, pois, como Jesus disse: “Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20:35). Jesus tem uma série de ensinamentos sobre isso e estes ensinamentos vão introduzir a nossa compreensão em como jejuar. Ele começa dizendo: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste” (Mt 6:1). A frase traduzida como ‘a vossa justiça’, nesta passagem é a mesma traduzida como esmola no verso dois. E este é o primeiro exemplo que Jesus explora e aplica corretamente: dar esmolas. Aparentemente quando Jesus chegou, observou que o dar esmolas era acompanhado de tocar trombetas para si mesmo. O som de uma trombeta é algo inconfundível. É um sinal dado para chamar a atenção de uma ou milhares de pessoas ao mesmo tempo. Quando eu servi o exército lembro-me muito bem dos toques de atenção dados pelos corneteiros. Aqueles simples toques eram palavras bem claras para mais de mil soldados de uma vez. Um dos toques era para que prestássemos continência. Sempre que uma autoridade superior estava presente durante uma formatura, e elas aconteciam todos os dias, recebíamos as instruções pelas cornetas e o reverenciávamos. Todos os olhares eram voltados para a pessoa que estava investida de autoridade. Mesmo em movimento precisávamos olhar ao mesmo tempo para a direção onde estava tal autoridade. Fosse um capitão, um coronel, um general ou o presidente. Todos tinham nossa total atenção. Aquelas pessoas mereciam as nossas honras, pois como nos ensina o apóstolo Paulo, são ministros de Deus (Rm 13:1-7). Mas quando damos esmolas, estão envolvidas três pessoas: o necessitado, o eu e Deus, nesta ordem ‘hierárquica’. Aprendemos desde o Velho Testamento que: “Quem se compadece do pobre ao SENHOR empresta, e este lhe paga o seu benefício” (Pv 19:17). A esmola é recebida por Deus, por isso, não precisamos tocar trombetas para nós mesmos, pois, a fé nos assegura que o Senhor está vendo. Ao contrário disso, devemos fazer segundo as instruções de Jesus: “Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita” (Mt 6:3). Hoje em dia algumas pessoas famosas tocam trombetas quando fazem uma doação através dos jornais, televisão ou outros meios de autopromoção. Porém o que está declarado no seu imposto de renda? Um abatimento pela doação que fizeram. Estes, agindo com hipocrisia, já receberam a recompensa. Paulo fala sobre as atitudes vazias em Coríntios. Não importa o melhor dom se não for feito com amor, será como o tambor ou o sino que só fazem barulho. Dar esmola sem amor é tocar trombeta para si mesmo: “E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (1 Co 13:3). A esmola acaba, o amor jamais acaba. Nem sempre vamos ter esmolas para dar, mas as pessoas não precisam de esmolas mesmo, elas precisam de amor, aí sim, terão algo que nunca acaba. Seguindo este mesmo raciocínio, Jesus continua sua aplicação usando como segundo exemplo a oração. As orações, como todo o culto a Deus particular ou coletivo, devem ser feitas com ordem e decência. Por isso Jesus instruiu: “E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa” (Mt 6:5). Oração particular ou coletiva deve ser feita para Deus e não para os homens. Quem quer aparecer coloca microfone e alto falantes potentes para duas pessoas reunidas orando ao mesmo tempo em direção à rua. Estes já receberam a recompensa que buscavam que é serem vistos. Oração deve ser feita assim: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” (Mt 6:6, 7). Mesmo a oração coletiva deve ser feita como se entrássemos num quarto, fechássemos a porta e fizéssemos nossa oração em secreto ao Pai. Paulo questionou os coríntios da seguinte forma: “Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente. E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes; porque tu, de fato, dás bem as graças, mas o outro não é edificado” (1 Co 14:15-17). Oração tem que ser feita de uma forma inteligível, com a mente, ao mesmo tempo em que tem que ser feita em espírito. Para que todas as pessoas possam entender e concordar com o amém. O terceiro exemplo que Jesus usa é sobre o jejum. Todos os demais assuntos mencionados acima podem não parecer ter relação entre si para o nosso estudo, mas têm. Aqueles dois exemplos apresentados nos introduziram para compreender melhor o que lemos das palavras de Jesus. “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa” (Mt 6:16). Quem jejua deve fazer com alegria e não com hipocrisia. Que lave o rosto, penteie o cabelo e exponha toda a sua espiritualidade a Deus: “Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6:17, 18). Se alguém souber que você está jejuando, isto não invalida a sua comunhão com Deus. Porém você não deve buscar motivos para parecer aos homens que jejua. Afinal de contas você está buscando “ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único…” (1 Tm 1:17). Você não está buscando o palpável. Talvez as bênçãos materiais sejam apenas as consequências naturais da promessa de Jesus para aqueles que estão buscando, em primeiro lugar, os interesses do reino e a sua justiça. Podemos falar que jejuamos somente quando servir como uma referência do passado, se for do tempo presente é bom evitar ao máximo mesmo se isso for motivo de sofrimento. Jejum não é esmola para Deus e glória para nós e o contrário não é verdade. Jejum simplesmente não é esmola para ser manipulado por nós com sentimentos hipócritas. Jejum não deve ser acompanhado da oração exibicionista e para fazer autopromoção de nossa espiritualidade. Jejum deve ter como destinatárioa Deus e com o nosso saber de que “este lhe paga o seu benefício”. Assim como a esmola deve ser dada sem publicidade e autopromoção, bem como a oração deve ser espiritual e racional, feita com decência e ordem, da mesma forma o jejum deve ser sem publicidade e feito com amor e alegria para Deus. Deve ser feito de uma forma espiritual e racional. Jejum deve ser acompanhado da fé: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11:6). Um jejum feito sem fé é o mesmo que passar fome. Aqueles que buscam o visível deste mundo estão demonstrando que são, no máximo, uma forma mais moderna daqueles que confiam em si mesmos e oram de si para si mesmos: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho” (Lc 18:11, 12). Porém aquele que busca com fé ao Senhor, não tendo nem coragem para olhar para a sua condição pecadora, abaixa a cabeça e com humildade ora: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador! ” (Lc 18:13), estes voltam para casa justificados, porque aquele que chega para Deus, seja em oração, seja em jejum com exaltação pessoal, será humilhado. E aquele que se humilhar, em tempo oportuno será exaltado (Lc 18:14). Temos de Neemias um exemplo de jejum. Podemos esboçar as atitudes de Neemias como uma boa dica para que possamos jejuar também. Baseado em Neemias capítulo um, vemos que Neemias, tendo um objetivo, jejuou da seguinte forma: Um Alvo Com Oração e Súplica (v. 4) “Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus”. Neemias perguntou a Hanani, um dos seus irmãos, como estavam os judeus que escaparam e não foram levados para o exílio. Hanani relatou que estavam vivendo em miséria, desprezo e inseguros. Quando Neemias soube, foi tocado na sua alma de compaixão pelo seu povo. Ele tinha alvos bem definidos: 1) pedir pelo seu povo; 2) pedir a Deus. Ele sabia exatamente o que fazer para alcançar misericórdia: ele jejuou e orou. Todas outras atitudes que veremos a seguir devem acompanhar o jejum. Adoração a Deus (v. 5) “E disse: ah! SENHOR, Deus dos céus, Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos”. Quando Neemias ou qualquer outra pessoa adora a Deus, fala para Deus quem Ele é. Bem, Deus sabe quem Ele é, mas quando Ele nos ouve dizendo, Ele sabe que estamos confessando a nossa dependência e a nossa crença no seu poder. Confissão de Pecados (v. 6, 7) “Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado. Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo”. A confissão de pecados pede a Deus que nos purifique para que possamos ser usados e habitados por Ele. Deus também sabe que pecamos, não precisaríamos falar para Ele, mas quando falamos, mais uma vez, na presença da sua glória, reconhecemos que somente Ele pode nos ajudar e estamos pedindo com humildade. Confessando os nossos pecados, mostramos que reconhecemos que temos ido contra a Sua vontade expressa, de uma vez por todas, na palavra escrita. Lembremos que Deus é misericordioso e Deus de amor. Lembrando-se das Promessas de Deus (v. 8-10) “Lembra-te da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Se transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos; mas, se vos converterdes a mim, e guardardes os meus mandamentos, e os cumprirdes, então, ainda que os vossos rejeitados estejam pelas extremidades do céu, de lá os ajuntarei e os trarei para o lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome. Estes ainda são teus servos e o teu povo que resgataste com teu grande poder e com tua mão poderosa”. Quando jejuar, tenha sempre à mão passagens que lembram das promessas de Deus. Ao mesmo tempo em que as palavras nos acusam, elas também nos dão a direção para fazer a vontade de Deus. A oração não precisa lembrar Deus de nada, Ele não envelheceu e não tem memória curta. A oração é para nos colocar no nosso devido lugar e direção, o de servos pecadores que precisam da misericórdia de Deus. Com Atitude de Humildade (v. 11) “Ah! Senhor, estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração do teu servo e à dos teus servos que se agradam de temer o teu nome; concede que seja bem-sucedido hoje o teu servo e dá-lhe mercê perante este homem. Nesse tempo eu era copeiro do rei”. Muitos religiosos hoje em dia são ensinados, com doutrinas falsas, a provarem a Deus. Frases humanas de impacto são usadas para tentar dar autoridade a esta atitude diabólica. Frases populares como: “Deus é pai, não padrasto” e “Eu sou o filho do rei”, são usadas para dar às pessoas a atitude de satanás, o tentador. Nunca vamos ser ouvidos pelo Deus eterno com uma atitude como esta, pelo contrário, seremos desprezados por Deus. Como você dirigiria a palavra a um rei? A um presidente, governador, prefeito? Como você dirige um pedido a Deus? Com orgulho, cobrança, arrogância? Veja se o seu rei, presidente, governador ou prefeito acataria seu pedido. Quando confrontamos as autoridades estamos desacatando-as, e para isso prescreve punição. Qual a punição daquele que não vem com humildade para a presença de Deus? O jejum já sugere humildade e dependência. O desfecho dessa história foi que Neemias conseguiu favor do rei e irrestrito apoio para voltar para Jerusalém como governador e reconstruir os muros da cidade, o que ele fez com sucesso. Ele nunca se esqueceu de Deus na sua empreitada, foi um político, general e sacerdote do povo judeu. Quando Jejuardes Ainda que não encontremos nenhum mandamento especifico no Novo Testamento sobre Jejum, não é possível dizer que o jejum não é mais necessário. Os exemplos nos mostram que se Jesus, o Filho de Deus, jejuou, quem somos nós para nos abstermos do jejum? Depois de Jesus os apóstolos e discípulos inspirados e movidos pelo Espírito também jejuaram várias vezes. Nós, como perseverantes e descendentes da doutrina dos apóstolos, precisamos, igualmente, fazer o uso de jejuns acompanhados das nossas orações. Um homem estava relatando as suas dificuldades e lutas para vencer quando disse: “Eu fiz tudo o que eu pude, agora só me resta jejuar e orar”. Ele inverteu as coisas. Deveria ter começado com jejum e oração, buscando a orientação de Deus, em primeiro lugar, para que pudesse ter acrescentado a solução para os seus problemas. O jejum e oração não devem ser o último recurso, mas sim, o próprio recurso. Lendo o sermão do monte no evangelho de Mateus vemos três ensinamentos de Jesus sobre obras espirituais. Daquele texto entendemos que tudo o que fazemos, sejam coisas boas ou coisas más, são transformadas em atitudes espirituais para Deus. Jesus fala sobre três coisas: esmolas, oração e jejum. Nestas três lições e aplicações Ele diz: “Quando deres esmola… Quando orares, e… Quando jejuardes” (Mt 6:2, 6, 16). Jesus esperava que os discípulos do reino jejuassem. Jesus nunca disse em lugar algum que o jejum era opcional. Ele nunca disse: “Se jejuardes...” mas sim “Quando jejuardes...” (Mt 6:16). A palavra ‘quando’ expressa um tempo indeterminado, mas ao mesmo tempo expressa a necessidade. Na continuação da passagem citada Jesus diz que Deus recompensa quem jejua conforme a vontade Dele (Mt 6:18). Deus tem recompensas para quando jejuarmos. Jesus diz para os seus apóstolos irem a todo o mundo fazer discípulos através do batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e que ensinassem a estes novos discípulos a guardaremtodas as coisas que Ele tinha ordenado. Jesus estará presente neste ensinamento até a consumação do século (Mt 28:18-20). Então, se Jesus ensinou como Jejuar, os discípulos de Jesus devem jejuar conforme Ele ordenou. Desta forma o ensinamento de Jesus torna-se uma ordem. Conta-se uma anedota sobre um homem que morreu e foi para o céu. Chegando lá ele viu um monte de pacotes com belos embrulhos escritos o conteúdo de cada pacote. Eram coisas que ele precisou a vida toda, mas viveu sem elas. Ele leu alguns daqueles pacotes e depois parou com um deles nas mãos e perguntou: Senhor, por que o Senhor não me deu estas coisas quando eu estava lá necessitando de todas elas? E o Senhor lhe respondeu seriamente: - Você nunca pediu! Devemos fazer do jejum nosso companheiro de oração. Porém, não devemos transformar o jejum numa prática tradicional religiosa. Mais abaixo veremos sobre como fazer o jejum e daí poderemos colocar alguns pontos como sugestão. Devemos jejuar, então, quando estivermos com medo, para nos humilharmos na presença de Deus (para que desta forma Ele possa nos usar como lhe convém), quando estivermos tristes, necessitados, em momentos importantes ou cruciais para a igreja de Deus, antes de tomar alguma decisão importante, quando estivermos arrependidos, para vencer o invisível, as tentações, os problemas, etc. Deus espera que cheguemos a Ele em oração com toda súplica e ações de graças. Nenhum homem, por maior que fosse a sua autoridade, poderia determinar autoritariamente um dia, período ou modo de se praticar o jejum. Se há na igreja um homem importante, este será o servo de todos, será “...temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” e “é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo” (1 Tm 3:2-7). Deve ser um homem que sabe que vai prestar contas ao único e Supremo pastor, Jesus; por isso, ele como servo, não pastoreará o rebanho de Deus “por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho” (1 Pe 5:1-4). Pastor não é um cargo hierárquico, mas sim um serviço a Deus. Jesus é o único Pastor da igreja e Ele pastoreia através dos presbíteros/bispos eleitos pela igreja e reconhecidos pelo Espírito Santo. Li certa vez sobre um ‘pastor’ que instituiu o jejum obrigatório em ‘sua igreja’ proibindo os adeptos até mesmo de engolirem a própria saliva. Abusos como este estão cheios nas denominações. O jejum pode ser feito coletivamente, mas deve ser de comum acordo. A igreja deve jejuar quando a própria igreja, isto é, as pessoas, concordarem a respeito de qualquer coisa sobre a terra, e, se assim pedirem, será concedido, “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”, disse Jesus (Mt 18:18-20). A igreja pode jejuar coletivamente quando houver comum acordo para isso. Da mesma forma alguns membros podem abster-se de fazer jejum coletivo por motivos particulares, afinal o jejum é uma atitude espiritual voluntária e não obrigatória. Como já aprendemos, o jejum não deve ser usado como pretexto “para contendas e rixas e para ferirdes com punho iníquo”, jejuando por pretextos particulares, “não se fará ouvir a vossa voz no alto” (Is. 58:4). Antes devemos jejuar e orar com objetivos puros: “...que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante” (Is 58:6, 7). CAPÍTULO 14 DICAS PARA JEJUAR Nada pode sair bem feito se não for planejado antes. Principalmente o trabalho para Deus merece atenção triplicada. Por este motivo é que algumas dicas podem ajudar na hora de jejuar. Estas dicas não são regras, apenas considerações tendo como base a própria Palavra de Deus. Sendo assim, vamos sugerir um planejamento baseado no óbvio para agradar a Deus. É claro que nem tudo estará no controle dos nossos planos, mas mesmo quando formos pegos de surpresa pela necessidade de jejuar, devemos estar preparados; pois nem todo jejum pode ser planejado, como já vimos pois há jejum involuntário, mas necessário e tão benéfico, ou mais, quanto um jejum quadrado e minuciosamente preparado. Mas, ainda assim, estas dicas são de suma importância. Defina o Objetivo Como já vimos anteriormente, jejum não é passar fome. Quando for jejuar tenha em mente, bem definido, o seu objetivo. Se precisar escreva tudo o que você puder num papel e leve-o com você para que você sempre lembre de orar por aqueles objetivos específicos. Observe as necessidades que o levam a jejuar, daí sairão os seus objetivos. Quando Josafá teve medo de ser atacado e subjugado, ele promoveu um jejum público. Ele tinha um objetivo bem definido na sua mente e orou por ele: “Então, Josafá teve medo e se pôs a buscar ao SENHOR; e apregoou jejum em todo o Judá. Judá se congregou para pedir socorro ao SENHOR; também de todas as cidades de Judá veio gente para buscar ao SENHOR” (2 Cr 20:3, 4). Da mesma forma o sacerdote Esdras que, confiando no Senhor, se humilhou perante Ele (Ed 8:22, 23). Ele sabia que o seu único refúgio era o Senhor. Devemos jejuar quando estivermos arrependidos, se tivermos cometido pecados, com necessidades urgentes e quando tivermos decisões importantes para tomar. Estes são alguns dos objetivos. Escreva todos os motivos específicos para que não se perca durante o jejum. Defina o Seu Jejum Antes de começar inclua nos seus planos os detalhes do seu jejum. Defina a duração, o tipo de jejum (total, normal ou parcial), tenha os motivos bem claros na sua mente, escolha o dia e horário para começar com oração e terminar da mesma forma. Se você não planejar bem, pode correr o risco de ter que interromper o jejum por motivos que podem fugir ao seu controle. Defina um Programa Durante o jejum você terá intervalos que precisa estar preparado para enfrentar. Por exemplo, se você decidiu jejuar mesmo enquanto trabalha, o que vai fazer na hora do almoço, onde vai estar quando todo mundo estiver almoçando? Se você não tiver um programa definido, vai sofrer maior tentação. Não é uma boa ideia deixar que a tentação apenas apareça, pense em desviar-se dela. Lembre-se que sempre haverá alguém que vai questionar os seus hábitos ou vai oferecer algum alimento que, aparentemente, por incrível que pareça, nunca lhe oferecem em dias normais. Se você é mulher e tem marido e filhos, lembre-se que vai ter que cozinhar. Como vai evitar a necessidade de experimentar o que está fazendo? E se tiver que experimentar, isto está nos seus planos ou a sua consciência a condena como quebra de jejum? Uma boa ideia é planejar para o período de jejum comidas prontas ou práticas para o preparo. Pense em cozinhar antes de começar o seu jejum e deixe pronto tudo para o período que você planejou. Não gaste muito tempo cozinhando e dedique o tempo para a oração, leitura da palavra para lembrar as promessas divinas, meditação e mais oração. Minha mãe, por exemplo, é uma cozinheira e ela planeja o seu jejum num dia em que ela não tenha que cozinhar. Não gaste sua energia limpando a casa para passar o tempo, planeje estudo bíblico, cânticos, e adoração a Deus. Se tiver que gastar sua energia que seja para agradar a Deus. Um bom programa de jejum contém oração constante e consciente. Você precisa definir o que vai fazer quando acordar com fome, na hora do almoço, à tarde, no jantar, etc. Principalmente se você se dispôs a jejuarpor um período de pelo menos 24 h. Se o período for maior do que isso, o planejamento para o primeiro dia pode ser um padrão para os demais ou você pode fazer um programa espiritual diferente para todos os outros dias. Os intervalos devem ser preenchidos com os objetivos já definidos. Um programa e oração são a chave do sucesso do jejum. Você também pode ter tempos devocionais com leitura, oração, cânticos, etc. Se o jejum for coletivo, você poderá combinar com os demais participantes um grupo de oração, de testemunhos, etc. Oração é imprescindível para o jejum. Aproveite este tempo de ação espiritual e leia a Palavra de Deus reforçando os seus motivos e objetivos. Prepare trechos bíblicos sobre o jejum e os resultados. Isto o animará a continuar firme na luta contra a carne e seus desejos e necessidades. Cuidados Com o Jejum Tendo um bom planejamento para fazer o melhor na presença de Deus não trará mal-estar para você e o templo do Espírito Santo, seu corpo. Cuidados físicos não são tão importantes quanto o jejum em si, mas uma pequena lembrança sobre a necessidade de cuidar do corpo para servir bem ao Senhor é necessária. Quando Jesus foi levado pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado, jejuou durante quarenta dias. No final do seu jejum teve fome e este foi o motivo que satanás quis usar para vencer Jesus. Ter fome não é pecado, mas satanás estará te rodeando neste momento para aproveitar uma brecha qualquer. Se ele tentou Jesus com uma necessidade essencial, imagine o que ele vai tentar fazer conosco. Talvez neste momento ele estará ali mais presente do que nunca. Não sei você, mas quando eu fico um tempo sem comer, mesmo sem estar em jejum com propósito espiritual, fico muito nervoso e sensível. Minha mãe contou que certo dia quando estava jejuando com a congregação para consagrar um evangelista, numa discussão com meu pai ele perguntou: “É para isso que você está jejuando? ” Foi aí que entendeu a mensagem de Deus pelo que mais ela precisava continuar jejuando. Daí por diante, ela disse que ao invés disso ter invalidado o seu jejum o tornou mais significativo, pois ganhou um motivo a mais. Tome cuidado para que satanás não use as suas fraquezas e necessidades contra você. Se você fica nervoso depois de um tempo sem comer, não faça jejuns muito longos para começar, vá se preparando aos poucos para um jejum mais longo. Deixe algumas refeições algumas vezes e vá treinando fisicamente para o jejum. Fique atento às suas emoções e não perca o controle. Se acontecer algo que não te agrada, não parta para a agressão verbal ou física, fique no controle do Espírito: “Orai sem cessar! (1 Ts 5:17). Aproveite este treinamento para orar constantemente. Um livro que relata a vida cotidiana nos tempos bíblicos descreve uma relação perigosa que o ser humano tem com o alimento em relação a sua vida espiritual. Ele relata o seguinte: “A serpente tentou Eva a comer uma fruta, e o pecado entrou no mundo. Esaú vendeu seu direito de primogenitura por um prato de sopa. Jesus foi tentado a transformar pedras em pão, e ele usou o alimento – pão e vinho – como símbolo de nossa participação em seu sofrimento. O alimento – necessidade terrena, humana – é um fio fascinante entretecido na história da revelação de Deus à raça humana” (James I. Packer) E muitas outras histórias poderiam ser relatadas sobre a tênue e perigosa relação que temos com o alimento. Muito provavelmente porque o alimento que dá vida se confunde com a própria vida. Talvez seja a falta de confiança que temos na própria sobrevivência. Faça como Jesus, esteja pronto na Palavra de Deus para responder à altura espiritual qualquer investida de satanás contra a sua fé e, mesmo, contra a sua fraqueza. Jesus respondeu sempre usando passagens das Escrituras porque Ele tinha o costume de frequentar a comunhão e ler as Escrituras (Lc 4:16). Antes de jejuar, prepare- se para honrar ao Senhor com a sua atitude. Se você não estiver pronto, é melhor não se colocar em posição de tentação. Cuide da Sua Saúde Se você toma algum remédio, principalmente antibiótico ou está fazendo algum tratamento, consulte o seu médico antes como parte no planejamento para o jejum. A saúde física é muito importante para podermos servir ao Senhor através do corpo. O apóstolo João escreve para Gaio: “Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma” (3 Jo 1:2). O apóstolo Paulo escreve para Timóteo: “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades” (1 Tm 5:23). Eles preocupavam-se com as enfermidades físicas dos discípulos que trabalhavam e serviam o Senhor. A doença também pode ser um motivo de jejum, se tiver enfermidade, lembre-se de chegar na presença de Deus com fé, sabendo que Ele recompensa quem o busca desta forma (Hb 11:6). Não fique triste se não conseguir a cura desejada, você sempre vai sair ganhando. Lembre-se destes dois exemplos acima citados, eles precisavam de saúde e Deus não os curou, precisavam de remédio, provavelmente. Paulo também teve um espinho na carne, mas isto não o afetou, pelo contrário, ele tirou a lição de Deus dos seus problemas (2 Co 12:7-10). Esteja agradecido por toda e qualquer coisa: “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5:18). Espere ter dores de cabeça, leve tontura, fraqueza, cansaço e sonolência. A cefaleia é comum principalmente se você tem costume de ingerir muita cafeína e açúcar, isto indica que o seu corpo está se desintoxicando. Quando voltar à sua dieta normal considere diminuir a dosagem diária de cafeína e açúcar, isto vai ajudá-lo nas próximas práticas do jejum além de tornar a sua vida mais saudável. Terminando o Jejum Quando você estiver chegando ao final do seu jejum alguns cuidados também são importantes. Quando promovemos um jejum congregacional pelos planos da congregação, geralmente terminamos o jejum juntos e temos um desjejum depois de oração, cânticos, leitura e meditação da Palavra de Deus. Sempre brincamos, mas é bom estar atento para que o jejum não acabe em glutonaria ou desperdício de alimentos. “A fome é um dos apetites básicos do homem, e a gula um pecado capital”. Isto pode parecer engraçado, mas é um perigo que corremos. Tenha calma e prepare alimentos leves para não se sentir mal depois. Mais adiante estaremos abordando os valores nutricionais dos alimentos e dando dicas para terminar o jejum de uma forma saudável. Algumas considerações Jejum é a abstinência parcial ou total de qualquer tipo de alimento, conforme define a pessoa que jejua. Jejum deve incluir abstinência de todo e qualquer pecado, e se há um pecado habitual, é uma boa ideia jejuar para deixá-lo também. Já para pessoas casadas, devemos considerar que o jejum deve ser informado ao cônjuge. O apóstolo Paulo instruiu aos casados: “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência” (1 Co 7:5). Talvez este “algum tempo” inclua o jejum e, por motivos físicos óbvios, a relação sexual ficaria comprometida. Algumas pessoas também sentem que no período do jejum a atividade sexual deve ser suspensa por causa da consagração do corpo a Deus e por motivo de consciência pessoal. Isto não é um mandamento, porém uma consideração a ser feita por casais que, por mútuo consentimento e de comum acordo, praticam o jejum. Porém, assim como devemos ter cuidado com o excesso exagerado no jejum, devemos também ter cuidado com as tentações, para que satanás não use a nossa atitude espiritual para nos tentar. Por esse motivo Paulo instrui que a abstinência sexual deve se restringir a apenas “algum tempo”. Quanto a regras pessoais de jejum é bom ter bem definido na sua mente, baseado na sua fé para que você não peque contra o que crê, principalmente em se tratando de um jejum congregacional e coletivo. Sesua crença não for segundo o que foi proposto pelo corpo de Cristo, você não deve aceitar imposição tanto quanto não deve impor sua opinião pessoal sobre que tipo de jejum praticar, desde que a própria Bíblia não nos cerca de limites para a prática do jejum. Vale notar que para o jejum podemos usar Romanos 14 como base para definição sobre o tipo de jejum a ser praticado. Paulo ensina naquele capítulo que não devemos nos ajuntar para discutir opiniões, antes devemos ter o propósito de nos aceitar, mesmo sendo diferentes ou pensando que o outro irmão é fraco na fé. E, se a igreja é comparada a um corpo e um corpo mesmo tendo vários membros diferentes é apenas um corpo, a diferença na igreja é bem-vinda. É necessário ter na igreja pessoas que tenham opiniões diferentes. A questão não é o que é pecado ou não, isto é claro nas páginas do Novo Testamento, a questão daquele capítulo é clara: discussão de opiniões. As opiniões podem tornar-se religião se não tivermos cuidado e amor para com o próximo, se houver imposição de qualquer uma das partes ou partidarismo em benefício de um e em detrimento de outro. É possível que para um irmão o jejum tenha que ser total, não podendo beber sucos, por exemplo. Outro pode acreditar que o jejum pode ser feito com sucos ou até mesmo com legumes. Nem um dos dois está errado, esta é a opinião de cada um. Não devemos julgar como cada um define o seu jejum pessoal. Não devemos julgar o que pensa o irmão ou como ele acredita (Rm 14:4). Um exemplo que Paulo dá é sobre a diferenciação dos dias. Um irmão considera todos os dias iguais, outro já crê que há diferença entre dia e dia. Como agir nesta questão de opinião? Paulo responde: “Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14:5-8). Usando este exemplo e aplicando para o jejum, quem crê que o jejum deve ser total, assim proceda; quem crê que pode ser com base em legumes ou sucos, assim proceda. Tanto um quanto o outro deve fazer para o Senhor e a Ele deve dar graças. “Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão” (Rm 14:13). Uma opinião só é errada para aquele que a considera errada, e não deve impor sobre ninguém a sua opinião com julgamento. Mas se o irmão se escandaliza com nossa opinião, nós que somos fortes nos privamos para agradá-lo e para sua edificação. Porque a igreja não é feita de comida ou bebida, mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo, agindo desta forma agradamos a Deus e também aos homens, pois procuramos edificar aos irmãos com nossas atitudes (Rm 14:13-21). Se, porém, fizer jejum com dúvida, é bom rever a sua crença e defini-la, de uma vez por todas: “Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm 14:21). Nesta questão devemos sempre pensar como Paulo ensina em relação ao comportamento para com o irmão: “Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar-nos a nós mesmos. Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação. Porque também Cristo não se agradou a si mesmo; antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim. Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança. Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus” (Rm 15:1-7). Lembre-se sempre que devemos agradar ao próximo no que é bom para a sua edificação, não devemos agradá-lo quando estiver em pecado, e, somente para que não fique entristecido, não vamos corrigi-lo, pelo contrário, se o amamos, vamos chamar a atenção dele como Jesus faria. Lembremos também que a tristeza segundo Deus produz a salvação (2 Co 7:10). Vamos sempre seguir o exemplo de Jesus que não veio agradar a si mesmo, antes, levou na cruz os nossos pecados. Lembremos das Escrituras e aproveitemos o que ela nos ensina e como nos consola para que possamos trabalhar pela edificação do nosso irmão fraco. Aproveite a oportunidade e jejue por este irmão. CAPÍTULO 15 JEJUM DIGITAL Certa manhã minha esposa me ligou e me fez uma pergunta. Ela já estava muito afetada e triste pelas palavras agressivas e libertinas de alguns irmãos na rede social. A falta de amor e o argumento humano a afetaram tanto que ele tomou uma decisão. Ela me ligou e me perguntou: "Eu estou saindo do Facebook, o que você acha?". Eu respondi: "você sabe o que deve fazer". Mais tarde naquele dia li uma mensagem dela que deveria ser a última publicação: "Para preservar a minha fé, minha sanidade, manter meu amor e admiração pelos meus irmãos, familiares e amigos, a partir de 01/10 estou me retirando do Face... Quem precisar falar comigo, meu WhatsApp pode ser solicitado no messenger até domingo. Que o Senhor Deus cubra cada um de vocês com sua misericórdia." Talvez, resumindo, ela poderia ter dito: "Me retiro da vida virtual para manter a vida real e espiritual". Ou algo similar. Li um artigo que falava sobre o segredo de vários homens importantes para a história mundial considerados como gênios. Dizia o artigo que eles tiravam um tempo só para pensar e meditar. Baseado nisso o repórter decidiu testar ele mesmo a teoria e se afastou de tudo o que pudesse atrapalhar como celular, computador e outras possíveis distrações. Ele testou a teoria por um tempo e depois fez uma avaliação do seu progresso e constatou que nunca tinha progredido tanto em tão pouco tempo. Procurei novamente pelo artigo para pegar detalhes e não encontrei. Pena, vai ter que acreditar nas minhas palavras :). Não é Tão Importante Assim A Internet e as redes sociais são algo prazeroso, para passar o tempo, para comunicar com quem está longe, para aprender algo de novo e até para procurar ajuda em horas difíceis. Ela foi criada por militares americanos como mais um meio de comunicação, de defesa e ataque. O problema é que a Internet e as redes sociais causam efeitos também indesejados como os de afastar os que estão do seu lado, fazer você manter contato com quem não deveria, absorver ideias e filosofias deste mundo, argumentos contra a própria fé, argumentos ateístas, libertinagem, pornografia digital, etc. Assim como falávamos no passado sobre a televisão, o agente que traz todas estas coisas de fora para dentro da sua vida é o mesmo e não é satanás, não. Assim como no passado, quem apertava o botão do controle remoto da televisão, também hoje, é você quem aperta as teclas do computador, do celular e traz para você o que, como dizem em horas de tragédias, "nem seu pior inimigo desejaria isso para você". Este parágrafo a seguir é uma analogia. O que você acha de atrair para a sua vida tentação, armadilhas, muitos desejos descontrolados e nocivos, que o levaria a mergulhar na ruína e na destruição? Certamente você faria tudo para evitar estas coisas, não é? Mas você já pensou em se tornar uma pessoa milionária ou bilionária da noite para o dia? Seja jogando na loteria, uma herança inesperada ou uma invenção incrível… Pois é exatamente isso o que atrai para a vida aquela pessoa que tem o objetivo de ficar rico a qualquer custo, seja pelo trabalho ou não (1 Timóteo 6:9). Pense bem, dinheiro é neutro, ele não tem poder sobre você. Você é que tem poder sobre o dinheiro. Porém, não temos educação financeira e nem espiritual suficiente para saber fazer o dinheiro trabalhar para nós. Não é porque não existemrecursos, mas porque nós nos tornamos negligentes e consumistas pensando só no aqui e agora e na ostentação, mais do que no futuro. Agora, se você é o agente que traz para a sua vida todas as coisas ruins que a Internet tem a oferecer, o problema não é a Internet, é você. A Internet, como o dinheiro, é neutra. A Internet não faz mal a ninguém. Claro que há pessoas mal- intencionadas e que alimentam a Internet com pornografia, pedofilia, libertinagem, drogas, etc. São coisas que você faz sair do virtual para a vida real que fazem mal a você mesmo. São seus desejos que no final controlam sua vida. Assim como o amor ao dinheiro, o amor à Internet (pois sabemos que vicia), pode levar você à ruína espiritual. O dinheiro e a Internet não têm poder nenhum. Uma vida vazia dá poder a qualquer coisa virtual como a Internet e inanimada como o dinheiro. Qual deve ser o nosso comportamento? Seguindo o conselho de Paulo para Timóteo e agora aplicado para nós sobre o dinheiro, pensando agora em aplicar na Internet, devemos agir diferente. Leia o conselho e medite: "Você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso e busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão. Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas. Diante de Deus, que a tudo dá vida, e de Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos fez a boa confissão, eu lhe recomendo: Guarde este mandamento imaculado, irrepreensível, até a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Timóteo 6:11- 14) Acredito mesmo que esta é uma necessidade que temos hoje em dia: o jejum digital. Eu costumo tirar o domingo para ficar afastado do computador, celular, etc. Não o faço de uma forma extrema, claro, mas reconheço a importância disso em nossas vidas. Em casa, na mesa da refeição, é a zona proibida do wifi. Não precisamos desligar o wifi, precisamos desligar a nós mesmos do mundo virtual e nutrir o relacionamento com Deus e com o próximo. Então, que tal um jejum digital? Que tal um tempo só para você e Deus? Um tempo para meditar, para escrever, para ler um bom livro, para ler uma passagem bíblica previamente escolhida. Não precisa começar de forma radical, comece num dia livre como sábado ou domingo. Que tal de uma da manhã até às 17 horas de sábado? Então poderia quebrar o jejum com um encontro virtual para relatar como foi o seu dia. E o que isso incluiria? Jejum de telefone, celular, Internet, televisão, tablet, videogame, etc. Como fazer isso? Eu acredito que você vai notar que a Internet, celular, televisão e tantos outros meios de alienação não são tão importantes assim. Você vai notar que o mundo vai ficar mais belo sem você saber de tudo o que rola nas redes sociais. Você vai se sentir melhor por não saber mais sobre crimes, fofocas e ostentações que você não pode ter e fazer tudo o que vê. Não ver as ostentações ou pessoas chamando atenção nas redes sociais não são tão importantes assim. Um amigo psicólogo publicou recentemente um alerta: "Seus problemas pessoais exigem soluções pessoais e não atenção social". Fato! Faça Um Planejamento Antes de começar algo tão importante para você e Deus, para a sua família, para a igreja, comunique-se primeiramente com Deus. Comece seu planejamento com oração. Fale para as pessoas que você vai fazer um jejum e pode até publicar nas redes sociais que você frequenta. Fale com a sua família, peça ajuda deles, peça compreensão. Não precisa impor seu desejo ou necessidade de jejum digital sobre os outros. Comece dando o exemplo e testemunhando sobre os resultados que colher. Prepare o material que vai te auxiliar na sua desintoxicação digital. Separe passagens bíblicas, um bom livro para ler, marque uma visita ou convide alguém para conversar com você, prepare a pessoa com que você vai ter contato dizendo que você está de jejum. Prepare os pedidos de oração, prepare-se para os imprevistos, prepare uma boa refeição (afinal é jejum digital e não de comida, né?). Prepare-se para ser tentado. Como você vai responder à tentação? Se preparar para isso antes vai te trazer respostas para quando precisar. Ofereça este tempo seu para Deus. Adoração é benéfica para nós. Deus é Deus independentemente da sua adoração, mas quando você adora a Deus, você se eleva à altura e plenitude Dele e volta a ser imagem e semelhança de Deus. CAPÍTULO 16 ABSTINÊNCIA (JEJUM) SEXUAL Tenho sido convidado para falar para os jovens sobre vários assuntos, inclusive sobre sexo. Por muitos anos eu mantive abstinência sexual. Acho que demorei para aprender alguma coisa e casei sem ter tido relações de fato. Não tenho mérito nenhum. Como todo mundo, tinha muita curiosidade e vontade, mas Deus me guardou. Então, pela misericórdia divina é que mantive abstinência sexual. Antes do casamento todos nós deveríamos manter abstinência sexual, jejum de sexo mesmo. Todos nós que não conseguimos manter um relacionamento puro com Deus sem nos contaminar corporalmente, pois nosso corpo é templo do Espírito Santo, mantemos remorsos do passado. É a falta de abstinência que faz com que muitos percam a salvação porque dão mais importância ao relacionamento sexual do que ao relacionamento espiritual. É necessário confiar mais em Deus e esperar que Ele cumpra sua promessa de satisfazer os nossos desejos e necessidades (Sl 37:4). Fomos convidados para falar para casais por uma congregação da igreja no centro oeste. Começamos com uma forma bem dinâmica e lúdica para introduzir os vários assuntos que tínhamos para falar no retiro. De uma forma stand-up e humorística falamos sobre sexo. Alguém nos alertou de que tinha pessoas tradicionais e olharam torto para a dinâmica e sobre a introdução do assunto sobre sexo. Para a primeira palestra contextualizamos que ali era um encontro de casais e, sendo todos cristãos, estávamos em lugar seguro para falar de sexo. Muito estranho e até absurdo casais sentirem-se escandalizados ao ouvir falar sobre sexo num contexto onde casais estão reunidos para falar sobre o casamento. Por que precisamos nos justificar para falar de sexo para pessoas casadas? Falar sobre sexo sempre é delicado, por isso fazemos com humor e respeito. Penso que tudo o que é muito sério deve ser apresentado com um pouco de humor. O humor é um lubrificante para que possamos absorver o que é difícil de se falar e ouvir. Temos vivido uma vida tão superficial que não damos espaço para ninguém perguntar sobre a nossa vida sexual e vamos levando. Oração, Jejum e sexo no Matrimônio Da mesma forma que precisamos preparar o ambiente e as pessoas com quem vivemos sobre o jejum, precisamos preparar o cônjuge sobre o jejum. Deve ser de comum acordo. O jejum envolve o corpo e afeta as condições físicas. O jejum não é um mandamento e abstinência sexual durante o jejum alimentar também não é um mandamento. Como homem digo que o relacionamento sexual é o casamento e o relacionamento sexual afeta o relacionamento com Deus. Se um casal não renovar a aliança matrimonial regularmente através do sexo, isto afetará o relacionamento com Deus. O apóstolo Paulo cruza os assuntos jejum e sexo. Se temos algum parâmetro para jejuar e para relações sexuais neste período esta é a passagem: “O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio. Digo isso como concessão, e não como mandamento. Gostaria que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um modo, outro de outro. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas: é bom que permaneçam como eu. Mas, se não conseguem controlar-se, devemcasar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo” (1 Coríntios 7:3-9). Fica claro que o único motivo de abstinência sexual é, por comum acordo, para dedicação à oração, já que jejum eficaz se faz com oração, acredito que seja bom entrar em comum acordo para jejuar e se abster de relações sexuais por motivos fisicamente óbvios, pois o jejum enfraquece fisicamente, mas fortalece espiritualmente e a relação sexual, apesar de ser santificada no casamento, é uma conjunção carnal e nada espiritual no ato em si. Lembrando também que o sexo no casamento é uma concessão que Deus faz pois, os nossos corpos pertencem a Ele. Agora, é necessário lembrar, que este período sem relações sexuais deve ser por curto período. Relação sexual é um sinônimo de casamento. Não é certo se apoiar em motivos espirituais para não manter a aliança do casamento. Deus deseja que sejamos puros e satanás vai se aproveitar da sua abstinência sexual tanto quanto ele se aproveita da abstinência de alimentos. “A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o próprio corpo de maneira santa e honrosa, não com a paixão de desejo desenfreado, como os pagãos que desconhecem a Deus” (1 Tessalonicenses 4:3- 5). Apesar do casamento ser santificado por Deus, é necessário investir no relacionamento espiritual com Ele. O sexo pode atrapalhar as orações e o jejum. Devemos pensar também nas coisas que são lá do alto e não somente nas coisas da terra. Talvez para melhorar o seu relacionamento com o seu cônjuge, você tenha que orar mais e até fazer jejum em favor do seu casamento. Se você não tratar do seu casamento com remédios espirituais, logo a porta da oportunidade vai se fechar. “O povo vivia comendo, bebendo, casando-se e sendo dado em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio e os destruiu a todos” (Lucas 17:27). Você Ora Por Mim? Certa vez minha esposa me perguntou: “Você ora por mim? ” Eu tive que admitir envergonhado que nem sempre eu lembrava de orar por ela. Já tinha muita dificuldade em parar para orar e, desde que ela estava sempre por perto, não lembrava tanto. Depois daquele tempo eu comecei a me esforçar por lembrar dela em minhas orações. Ficou mais fácil depois que ela começou a trabalhar dando aulas à noite também. Se ela atrasa alguns minutos, já entro em estado de oração para que tudo vá bem. Claro que ainda tenho espaço para melhorar isso. Oração e jejum fazem parte da santidade tanto quanto o casamento é santo. Devemos orar pelo nosso cônjuge para que o relacionamento seja conservado puro. Não é possível estar todo o tempo juntos. Certamente nosso cônjuge enfrenta tentações e problemas e alguns deles até ignoramos. Sua esposa e seu marido precisa das suas orações. Por que não dizer que precisam também que jejue por eles? “O casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro; pois Deus julgará os imorais e os adúlteros” (Hebreus 13:4) Conclusão O alimento pertence ao estômago assim como o corpo pertence ao Senhor. O corpo é para a santidade com ou sem alimento. Devemos nos abster (jejuar) sexualmente se ainda não somos casados. O sexo é uma concessão divina para o casamento, pois os nossos corpos pertencem ao Senhor. Provavelmente se você precisa de um tempo a sós com Deus em oração e jejum, você não se sentiria confortável mantendo uma relação sexual tanto pela fraqueza do corpo quanto pelo paradoxo entre vida sexual e espiritual. CAPÍTULO Final Conclusão O jejum deve ser feito com base na fé de que Deus é quem vai nos recompensar quando temos fome e sede de justiça. Lembremos sempre das palavras de Jesus: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4). Para também aprendermos isso, precisamos sempre ter um contato com a Palavra de Deus. Caso contrário, será somente um sacrifício passar fome por algum motivo vazio. Vimos que jejum é a abstinência de alimentos por um período determinado de tempo com objetivos espirituais. Tudo começa com o desejo de fazer a vontade de Deus e buscar o seu reino e a sua justiça. Quando, então, desenvolvemos fome e sede de justiça, somos levados por obras dignas como o jejum para dizer que Deus é quem nos sustenta com a sua palavra. Jesus destacou três coisas para a sobrevivência nesta terra: água, comida e roupa. No jejum estamos dizendo que a abstinência do alimento, mesmo sendo essencial para a sobrevivência, é prova suficiente que podemos viver sem o supérfluo como os desejos carnais e o pecado. Jejum é um chamado constante à oração, uma lembrança de que estamos dependendo de Deus para viver, um pedido desesperado de socorro àquEle que pode nos ajudar. Nos esvaziamos das nossas necessidades essenciais para nos enchermos do Espírito Santo de Deus. O jejum não muda quem Deus é, mas muda toda a nossa vida em direção à vontade Dele. O jejum faz parte da santificação da vida espiritual e esta é a vontade de Deus (1 Ts 4:3). Existem muitos motivos para que possamos jejuar. A nossa vida é a fonte do próprio jejum, porque nela é que encontramos os problemas e Deus é quem tem a solução para todos eles. Quando estivermos com medo, tristes, arrependidos, para confessar pecados e dizer que estamos convencidos da vontade de Deus, quando precisamos nos colocar no nosso lugar humildemente, quando estamos sentindo falta de Jesus e para estarmos preparados para fazer o trabalho que pertence a Deus, mesmo aqueles que possam parecer humanamente impossíveis. O jejum nos qualifica para servirmos a Deus como convém, pois, dependendo dEle, Ele nos fortalece: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13). O jejum nos lembra que devemos viver uma vida santa perante Deus mesmo quando não estamos em jejum. Como escreveu Gordon Lindsay: “Jejuar é a chave mestra pela qual o impossível torna-se possível. Porém, humildade, arrependimento e sinceridade de coração são a chave para o jejum reconhecido por Deus”. Jesus espera a nossa dependência Nele. Ele instruiu aos seus discípulos que sem Ele nada poderiam fazer (Jo 15:5). Hoje, da mesma forma, precisamos entender que Deus espera nossa dependência dEle. Quando temos força, confiança, autocontrole, poder e orgulho, não servimos para servir ao Senhor. Precisamos negar a nós mesmos todos os dias, tomar a nossa cruz e O seguir. Jesus, os discípulos e apóstolos nos deram exemplo para que jejuássemos. Jejum não é opcional, na verdade é tão importante como fazer o bem através das esmolas e como a oração e a sua constância. O jejum deve ser feito com objetivo e amor. Qualquer ato sem amor é uma obra vazia. O jejum deve ser feito com bases espirituais para que possamos nos encher do Espírito Santo e não de nós mesmos publicando ao mundo que estamos jejuando como prova de espiritualidade. Jejum não é esmola para Deus, não é barulho para chamar-lhe a atenção, não é um sacrifício com promoção pessoal. Jejum é um relacionamento íntimo com o Senhor. Aquele que procura a exaltação pessoal no jejum será rejeitado e humilhado pelo Senhor (Lc 18:14). Aproveite bem as dicas que foram pesquisadas e expostas neste estudo. Adapte-as para as suas necessidades e consciência. Lembre-se sempre que a Palavra de Deus é a autoridade religiosa que deve nos guiar. Acredito que você pode planejar e executar um jejum espiritual muito mais proveitoso, fazendo uso destas informações. Prefácio CAPÍTULO 01 FOME E SEDE DE JUSTIÇA CAPÍTULO 02 O CONFLITO DA COMIDA CAPÍTULO 03 O QUE É O JEJUM CAPÍTULO 04 MOTIVOS PARA JEJUAR CAPÍTULO 05 MEDO CAPÍTULO 06 HUMILDADE CAPÍTULO 07 TRISTEZA CAPÍTULO 08 ARREPENDIMENTO CAPÍTULO 09 CONFIRMAÇÃO DA CRENÇA CAPÍTULO 10 PARA CUMPRIR O TRABALHO DE DEUS CAPÍTULO 11 PORQUE O NOIVO NÃO ESTÁ CAPÍTULO 12 JEJUM: UM COMPANHEIRO INSEPARÁVEL DA ORAÇÃO CAPÍTULO 13 Como e Quando Jejuar CAPÍTULO 14 DICAS PARA JEJUAR CAPÍTULO 15 JEJUM DIGITAL CAPÍTULO 16 ABSTINÊNCIA (JEJUM) SEXUAL CAPÍTULO Final Conclusão