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DIREITO INTERNACIONAL RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL Por Bruna Daronch SUMÁRIO 1. CONCEITO: 3 2. NATUREZA JURÍDICA: 4 3. CARACTERÍSTICAS E CLASSIFICAÇÃO: 6 4. ELEMENTOS ESSENCIAIS: ATO ILÍCITO + IMPUTABILIDADE + DANO 9 5. MODOS DE DETERMINAÇÃO DE RESPONSABILIDADE: 19 a) Modo unilateral (iudex in causa sua): 19 b) Modo coletivo: 19 6. O ESTUDO DA PROTEÇÃO DIPLOMÁTICA: 20 7. DISPOSITIVOS PARA O CICLO DE LEGISLAÇÃO 30 8. BIBLIOGRAFIA INDICADA 30 ATUALIZADO EM 11/06/2017[footnoteRef:1] [1: As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal aberto de diálogo (setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e equívocos, porventura identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado contenha o título do material e o número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal não se destina a tirar dúvidas jurídicas acerca do conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o aluno reporte à equipe quaisquer dos eventos anteriormente citados.] RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL Conceito: Segundo Portela, a responsabilidade internacional é o instituto que permite que o ESTADO OU OI, que viole uma regra de DIP e cause dano a outro ESTADO OU OI, ou que provoque prejuízo a outrem em decorrência de determinadas atividades lícitas, arque com as consequências do ato ou do fato, devendo reparar os prejuízos eventualmente causados. Podem gerar responsabilização internacional certos ATOS LÍCITOS com potencial de causar dano a outros atores internacionais. Como a responsabilização pode ocorrer a partir de ato lícito, o instituto nem sempre terá efeito de sanção. As OI podem ser responsabilizadas pela prática de um ilícito internacional ou figurarem como vítimas, fazendo jus a uma reparação (ex.: reparação à ONU pela morte de Folke Bernadotte na Palestina). Caráter PATRIMONIAL e MORAL: é a “responsabilidade civil do Estado no DIP”, e, em geral, não se reveste de aspecto penal ou repressivo. Dessa forma, André de Carvalho Ramos entende que os fundamentos da responsabilidade são a IGUALDADE SOBERANA e a JURIDICIDADE DAS NORMAS INTERNACIONAIS. Qualquer discussão de responsabilidade internacional está no coração do Direito internacional. Por sua vez, Portela ensina que o fundamento da responsabilidade internacional compõe-se de dois pilares: o dever de cumprir as obrigações internacionais livremente avençadas e a obrigação de não causar dano a outrem. A responsabilidade internacional visa, portanto, a contribuir para a aplicação prática das normas internacionais e a promover a eventual reparação dos prejuízos sofridos pelos sujeitos de Direito Internacional. A responsabilidade internacional se resolve, como regra geral, em reparação de natureza civil e, em casos excepcionais, em sanções penais (papel secundário). A responsabilização internacional, via de regra, culmina em obrigações de fazer e de pagar, com o escopo de reparar os danos causados ou indenizar pelos danos irreparáveis. A responsabilidade internacional penal de Estados é tema altamente controverso (parte da doutrina diz que não existe). Contudo, não se pode esquecer-se da responsabilidade penal internacional dos indivíduos, pelos atos previstos no Estatuto de Roma. A Teoria Geral da Responsabilidade divide as normas em primárias e secundárias. A responsabilidade internacional do Estado é uma obrigação secundária. As normas primárias de Direito Internacional representam as regras de conduta, que se violadas, fazem nascer as obrigações secundárias. As normas primárias contêm regras de condutas impostas aos Estados e as secundárias visam determinar quando se dá o descumprimento da obrigação internacional e as consequências desse descumprimento. Normas secundárias englobam elementos da responsabilidade, reparação e sanção. Por isso, a Teoria da Responsabilidade é aplicada ao Direito Ambiental, aos Direitos Humanos, ao Direito Econômico etc., porque basta que exista uma norma primária violada, aí todo arcabouço do Direito Internacional se movimenta. Por fim, lembrar: a responsabilidade internacional reforça a juridicidade do Direito Internacional. Caso ela não existisse, a própria juridicidade do Direito Internacional seria abalada. #PERGUNTA: Se está vigente um tratado e ele é descumprido, o que ocorre? Quais são as consequências jurídicas? Há duas: (i) extinção do tratado pela violação do seu conteúdo pela outra parte, mormente nos casos de tratados bilaterais. Nos tratados multilaterais a extinção pode ser parcial. O art. 44 da CVDT traz o Princípio da Divisibilidade da Extinção dos Tratados: pode existir extinção parcial se for possível; (ii) responsabilização internacional do Estado, caso verificados, além do ato passível de responsabilização, que no caso é o descumprimento do tratado, os seguintes requisitos: dano, nexo de causalidade entre o ato (violação do tratado) e o dano e a imputabilidade da ação ou omissão ao Estado ou OI. Natureza jurídica: Quanto à natureza jurídica da responsabilidade internacional, existem 3 teorias: SUBJETIVA (“TEORIA DA CULPA”) OBJETIVA (“TEORIA DO RISCO”) MISTA Não basta a mera configuração do ilícito, exigindo-se a presença de DOLO OU CULPA na ação ou omissão do sujeito de DIP. Exige-se apenas o NEXO CAUSAL ENTRE O ATO E A LESÃO. Basta a afronta a uma norma de DIP e o resultado (o dano para outro Estado ou OI). Quando houver omissão do Estado ou da OI, deve ser verificada a existência de culpa, na modalidade negligência. Nos atos comissivos, basta haver um nexo entre a conduta e o prejuízo. #ATENÇÃO: A RESPONSABILIDADE OBJETIVA POSSUI CARÁTER EXCEPCIONAL EM DIP[footnoteRef:2]. Dois requisitos: PREVISÃO EM CONVENÇÃO + ATIVIDADE DE RISCO. Atualmente, existem tratados prevendo a responsabilidade objetiva dos Estados nas áreas de meio ambiente, atividades nucleares e atividades espaciais, podendo ser citadas: a) Convenção sobre responsabilidade civil por danos nucleares (Viena, 1963); b) Convenção sobre responsabilidade civil no domínio da energia nuclear (Paris, 1960); c) Declaração de Princípios Legais concernentes às atividades do Estado na exploração e uso do espaço exterior (AGNU-1963); d) tratado para a exploração do espaço (ONU, 1967). [2: A banca FCC, na prova da DPE/BA de 2016, considerou correta a seguinte alternativa: “prevalece que, em matéria de Direitos Humanos, a responsabilidade é objetiva, devendo haver a violação de uma obrigação internacional, acompanhada do nexo de causalidade entre a mencionada violação e o dano sofrido.” ] #JÁCAIU QUESTÃO CESPE AGU (2004): O regime jurídico preponderante no sistema internacional de responsabilidade por danos ambientais, previsto nas principais convenções internacionais relativas ao tema, é o da responsabilidade objetiva. (CORRETA) QUESTÃO CESPE: Entre os danos ambientais transfronteiriços, apenas aqueles causados por atividades de risco proibidas pelo direito internacional geram para as vítimas direito de reparação dos prejuízos. (errada, responsabilidade objetiva) #APROFUNDAMENTO: Para André de Carvalho Ramos, há espaço para falar-se em uma responsabilidade absoluta, consistindo naquela em que não permite alegação de excludentes. Mesmo que na ocorrência de força maior ou caso fortuito, o Estado tem de reparar. É muito rara. Somente é aceita nos casos extremamente perigosos. Ex.: a Convenção sobre Responsabilidade Internacional por Danos Causados por Objetos Espaciais, da qual o Brasil é parte. Assim, um Estado lançador será responsável absoluto pelo pagamento de indenização por danos causados por seus objetos espaciais na superfície da Terra ou a aeronaves em voo. Essa Convenção é um exemplo de aplicação excepcional da responsabilidade objetiva no âmbito do DIP. A responsabilização do Estado ou da OI pode ser reclamada por intermédio dos mecanismos de solução de controvérsias existentes no cenário internacional, que incluem desde meios diplomáticos a órgãos jurisdicionais, quepoderão apurar a imputabilidade do ato e determinar a forma de reparação cabível. Também os Judiciários nacionais podem agir, à luz, porém, das regras relativas à imunidade de jurisdição dos Estados e OIs. Para a teoria tradicional, o instituto da responsabilidade não se referia diretamente ao indivíduo, o qual, em caso de dano sofrido em decorrência do descumprimento de norma internacional, podia, no máximo, recorrer à proteção diplomática do Estado do qual é nacional. No entanto, atualmente, entende-se que já é possível a pessoa humana responsabilizar diretamente o Estado ou OI. É o caso dos mecanismos existentes dentro da UE e da OEA, que permitem que indivíduos pleiteiem as devidas reparações. Por outro lado, está em desenvolvimento a noção de que a pessoa natural também pode ser responsabilizada diretamente por transgredir norma internacional, não só no âmbito penal, dentro do qual essa ideia se encontra mais consolidada, mas também no campo civil, não se descartando, por exemplo, que o patrimônio de um indivíduo responda pelo pagamento de indenizações a vítimas de transgressões do DIP, especialmente no campo dos direitos humanos. Características e classificação: A responsabilidade é, em regra, INSTITUCIONAL. Nesse sentido, os Estados e as OIs assumem a responsabilidade pelos atos de seus funcionários, bem como de particulares para os quais tenham concorrido. A responsabilidade tem FINALIDADE REPARATÓRIA e NATUREZA CIVIL. Visa a reparar um prejuízo, não a punir um Estado ou OI. Até hoje, a maior parte das normas relativas à responsabilidade internacional é costumeira. Comissional (ação) Convencional (tratado) Direta Atos ilícitos Omissional (omissão) Delituosa (costume) Indireta Atos lícitos Vejamos cada uma das classificações: a) Quanto à posição do Estado: a.1) Responsabilidade direta: aquela que nasce imediatamente das relações interestatais. Estado alega que o outro descumpriu normas em relação ao primeiro; a.2) Responsabilidade indireta ou proteção diplomática[footnoteRef:3]: Aquela que nasce depois de uma etapa anterior na qual não há uma relação direta entre um Estado e outro, mas sim entre um indivíduo e um Estado. O Estado se responsabiliza por um evento que não é inicialmente no plano internacional, mas no plano doméstico. Há um mecanismo, que é o endosso, que transforma esse litígio inicialmente doméstico, em um litígio internacional. [3: O assunto de proteção diplomática será aprofundado posteriormente (vide tópicos abaixo).] Responsabilidade DIRETA Responsabilidade INDIRETA - Atos do Poder Executivo, de seus órgãos ou de seus funcionários ou, ainda, de particulares que exercem atividades em nome do Estado. - Atos do Legislativo e Judiciário. - Atos dos entes subnacionais (Estados, municípios). Decorre de atos de pessoas naturais ou jurídicas protegidas por um Estadi e ainda que resultem de violações das próprias normas de direito interno. b) Quanto ao tipo de ato: comissivo e omissivo; #ATENÇÃO: Por fim, a responsabilidade decorre, em regra, de atos ilícitos, mas pode também ser consequência de atos lícitos. c) Quanto à gravidade da conduta do Estado: nasce a responsabilidade internacional por crime do Estado (responsabilidade penal do Estado). Há uma resposta internacional mais gravosa contra o Estado que comete atos violadores dos valores essenciais. Nesse ponto, convém distinguir responsabilidade convencional e delituosa e a diferença entre delito internacional e crime internacional. Responsabilidade convencional Responsabilidade delituosa Delito internacional Crime internacional Quando tem a sua origem na violação de um tratado internacional. Surge da violação de uma norma consuetudinária, de um costume internacional. É todo fato internacionalmente ilícito que não seja crime internacional. No caso de crime, a relação de responsabilidade se estabelece com todos os Estados, enquanto no caso de delito só com o Estado lesado. É a violação de uma obrigação internacional para a salvaguarda de interesses fundamentais da comunidade internacional, e a sua violação é considerada crime (ex.: genocídio, apartheid, agressão, escravidão). É ligado à idéia de jus cogens. Segundo Karl Zemaneck, nem toda violação do jus cogens é crime internacional, mas todo crime internacional é violação do jus cogens. É de se destacar que vários Estados se opõem à responsabilidade penal do Estado (França, Israel, Alemanha). ELEMENTOS ESSENCIAIS: ATO ILÍCITO + IMPUTABILIDADE + DANO Ato ilícito Imputabilidade Dano Ação ou omissão que viola a norma de DIP. Vínculo entre a violação da norma de DIP e seu responsável. Prejuízo causado a outro Estado, OI ou a pessoa protegida pelo Estado ou OI. Pode ser material e moral, com ou sem expressão econômica. a) Fato ilícito/lícito internacional: O primeiro elemento é que tenha existido uma conduta omissiva ou comissiva que seja uma violação ao direito internacional (elemento objetivo). Mas não basta isso. É necessário que esse fato (essa conduta) seja imputado ao Estado ou OI (elemento subjetivo: quem realizou a conduta). Essa imputação é uma operação normativa, não é naturalística. Esse fato pode consistir em ato ilícito. O ato ilícito é a conduta comissiva (uma ação) ou omissiva (um omissão contrária ao DI) que viola norma de Direito Internacional. Ainda, nesse ponto, a doutrina faz uma importante observação: o fato de o ato ilícito à luz do direito internacional estar em conformidade com o direito interno do Estado não exclui a transgressão e, portanto, a responsabilidade estatal, a teor da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, de 1969, que dispõe no art. 27: “Uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o descumprimento de um tratado”. Esse fato pode consistir em um ato lícito. A responsabilidade internacional por atos lícitos é também chamada, pela Comissão de Direito Internacional da ONU, de “responsabilidade por atos não proibidos pelo Direito Internacional”. É um tipo de responsabilidade internacional OBJETIVA, a partir da qual os Estados devem indenizar os prejuízos eventualmente causados por suas ações e omissões, ainda que para tais danos não tenham concorrido. Trata-se de hipótese excepcional de responsabilização e, por isso, segundo SOARES, “a responsabilização por atividades lícitas deve se dar apensas diante da ocorrência de condições ‘objetivamente fixadas numa norma escrita’”. Ex.: energia nuclear para fins pacíficos, uso do petróleo e derivados, exploração espacial etc. Fato Ilícito Internacional = conduta (objetivo) + Estado infrator (subjetivo) Conduta (objetivo) > Imputação > Estado Infrator (subjetivo) > Dano (prejuízo) > Responsabilidade Internacional #IMPORTANTE: RESPONSABILIDADE POR ATOS LÍCITOS: Como não é a hipótese tradicional de responsabilidade internacional, a regulamentação deve ser precisa. Os requisitos são: a) Definição clara do dano; b) Concessão da faculdade de a vítima exigir reparação; c) “Canalização da responsabilidade” (atribuição da autoria da lesão, de maneira inequívoca, a uma pessoa ou ente, que terá o ônus de provar a inexistência da responsabilidade); d) Obrigatoriedade da constituição de seguros e, eventualmente, de garantias suplementares para as atividades de risco reguladas, a serem providenciadas pelos executores dessas atividades; e) Fixação de explícita de causas de limitação ou exclusão da responsabilidade; f) Indicação dos foros internos dos Estados onde as eventuais vítimas podem buscar a reparação cabível. Alguns tratados que regulam a responsabilidade objetiva por atos lícitos: Convenção de Viena sobre a Responsabilidade Civil por Danos Nucleares (1963); Convenção de Bruxelas sobre Responsabilidade Civil por Danos Causados por Poluição por Óleo (1969); Convenção de Bruxelas relativa à Responsabilidade Civil no Estabelecimento de um Funo Internacional para Compensações por Danos de Poluição por Óleo (1971); Convenção de Londres sobre Responsabilidade Civil por Dano decorrente de Poluição por Óleo,resultante da Exploração de Recursos Minerais do Subsolo Marinho (1977); Convenção sobre a Responsabilidade Internacional por Danos causados por Objetos Espaciais (1972). #JÁCAIUEMPROVA: “Entre os danos ambientais transfronteiriços, apenas aqueles causados por atividades de risco proibidas pelo direito internacional geram para as vítimas direito de reparação dos prejuízos”. Está errada porque atividades não proibidas (lícitas, portanto) também podem causar danos. #JÁCAIUEMPROVA: “Se um satélite alemão adentrar a atmosfera e atingir avião da Air France, haverá responsabilização internacional”. Está correta a alternativa. #PERGUNTA: A teoria do abuso de direito é aplicada ao Direito Internacional? Sim, o DIP tende a acolher a ideia de abuso de direito, que permite que a norma não se desvincule da necessidade de resguardar os direitos e liberdades das demais pessoas e de que haja o equilíbrio necessário entre interesses individuais e sociais. Assim, o exercício de um direito com abuso no modo pelo qual é exercido gera efeitos deletérios para terceiros. Os atos comissos ou omissivos que podem ensejar a responsabilidade civil podem ser oriundos: · Poder Executivo: por exemplo, se um delegado de polícia torturou, o Brasil responde. Qual é a defesa do Estado? Que ele não deu ordens (ato “ultra vires” – ato além do mandato), pelo contrário, ele tem uma legislação contra a tortura, o delegado “agiu sozinho”. O Brasil não terá sucesso nessa defesa. O Direito Internacional é pacífico: considera-se que o ato de um agente público vinculado ao Poder Executivo consiste em uma violação de seus deveres de vigilância ou escolha, no mínimo in vigilando ou in eligendo: o Brasil que contratou aquele delegado, o Brasil que devia vigiá-lo, o Brasil que devia ter mecanismos internos que impedissem que ele torturasse. · Poder Legislativo: também vincula. Pode ser lei, Emenda Constitucional ou até mesmo norma do Poder Constituinte Originário. Não adianta o Estado buscar argumentos como Separação de Poderes porque não haverá sucesso. · Poder Judiciário: há dois momentos. A) denegação de Justiça: consiste na existência de delonga injustificada ou de barreiras de acesso à Justiça. Então, por exemplo, o Brasil responde se não tiver um número mínimo de defensores, se o trâmite processual for lento etc. Exemplo: os mensaleiros peticionaram à Comissão Interamericana alegando que a AP 470 teria tido só um grau (competência originária) – e o duplo grau de jurisdição? B) Decisão injusta: o Brasil responde também (e aí é polêmico) pela decisão esdrúxula, a decisão violatória de direitos humanos, a decisão injusta. Ou seja, eu vou me debruçar sobre a justiça da decisão local. Isso é muito polêmico, tanto no sistema europeu quanto no sistema interamericano. · Ente federado: Ato de ente federado é todo ato imputado a um elemento constitutivo da Federação (Estados, Municípios e DF). #OLHAOGANCHO: A “cláusula federal” é um dispositivo inserido em tratados que desonera o Estado Federal de cumprir o tratado se aquela atribuição for do ente federado. Ela não é aceita no Brasil. Para superar esse mal estar, não se aceita a cláusula federal nos Tratados de direitos humanos. O Brasil responde por ato do Maranhão, São Paulo e qualquer outro Estado-membro. · Particular: o Brasil responde desde que tenha uma conduta própria no contexto da realização do ato de particular. Ou seja, em geral não vincula o Estado. Entretanto, é possível que o Estado responda caso, no contexto da conduta, tenha violado os seus deveres de prevenção e repressão. Em outras palavras, tal responsabilidade pode emergir se restar comprovado que o ente estatal deixou de cumprir, como afirma Rezek, seus deveres elementares de prevenir o ilícito e de reprimi-lo adequadamente. Exemplos: Atentados praticados por indivíduos contra chefes de Estado estrangeiros ou contra seus representantes diplomáticos, insultos à bandeira ou aos símbolos nacionais de determinados Estados. #ATENÇÃO: #OBS1: Em princípio, o Estado não responde pelos danos decorrentes de atos praticados por seus cidadãos. Entretanto, o dever de reparar o prejuízo pode emergir se ficar provado que o ente estatal deixou de cumprir seus deveres elementares de “prevenção e repressão”. Ex.: quando o Estado concorda com ações de seus nacionais que configuram ilícitos internacionais ou se omite frente a tais atos. #OBS2: Prevalece que o Estado deve ser responsabilizado pelas ações de grupos de revolucionários quando tiver concorrido para a ocorrência do conflito ou quando tiver faltado com a “diligência devida” para impedir ou reprimir o fato. #OBS3: O reconhecimento do caráter de beligerante ou de insurgente de um movimento revolucionário por parte do ente estatal que tenha sofrido o dano exclui a responsabilidade do Estado onde atua esse movimento, a qual passa a recair sobre o beligerante ou insurgente. Caso os revoltosos assumam o governo, a responsabilidade por seus atos passa a caber ao Estado. #APROFUNDAMENTO: Só assim podemos entender por que o Brasil foi responsabilizado pela COMISSÃO INTERAMERICANA pelo Caso Maria da Penha. O caso Maria da Penha vem da Convenção de direito Humanos e é fruto da Convenção de Belém do Pará. Essa convenção completou 20 anos em 2014. A convenção de Belém do Pará estabelece um Mandado de Criminalização. O Brasil tem que prevenir e reprimir a violência doméstica. Quem atirou e tentou eletrocutar a senhora Maria da Penha? O marido, ou seja, um particular. E por que o Brasil foi responsabilizado no caso? Pela OMISSÃO na repressão. Houve tentativa de homicídio e ele quase prescreveu. O Brasil responde por ato do Poder judiciário também e nesse caso houve omissão do Judiciário. #CASCADEBANANA: Maria da penha é caso da COMISSÃO INTERAMERICANA. Não é Corte Interamericana de Direitos Humanos. · Ministério Público: O Brasil responde por eventual leniência, atuação negligente ou mesmo inação do MP. #JÁCAIUEMPROVA: O Estado cujo Poder Judiciário emita decisão contrária a norma incontrovertida do DIP estará violando referida norma internacional, ato pelo qual poderá ser responsabilizado. #JÁCAIUEMPROVA: O que se demanda de um Estado é que ele ofereça um tratamento de caráter igualitário e não discriminatório entre seus nacionais e estrangeiros. Não se exige proteção especial e diferenciada. b) Imputabilidade ou nexo de causalidade: Trata-se do vínculo entre o fato internacionalmente ilícito/lícito, a conduta imputada ao Estado e o dano. A imputabilidade refere-se à necessidade de que o ato ilícito seja atribuído ao ente a ser responsabilizado. Deve haver, portanto, um vínculo entre a violação da norma internacional e seu responsável. A imputabilidade pode ser direta ou indireta: b.1) Responsabilidade (imputabilidade) internacional direta: quando se trata de ato ilícito cometido pelo seu governo, um órgão ou seus funcionários ou por uma coletividade pública do Estado que age em nome dele. Também quando se trata de ato de particular, quando sua atividade possa ser imputada ao Estado (o qual será responsabilizado por não empregar a devida diligência para prevenir estes atos). b.2) Responsabilidade (imputabilidade) internacional indireta: quando o ilícito foi cometido por simples particulares ou por uma coletividade que o Estado representa na ordem internacional (ex.: Município). É o caso de um ilícito cometido por uma coletividade sob tutela ou um Estado protegido, em que o responsável na ordem internacional é a potência administradora ou o Estado protetor. A responsabilidade do Estado decorre da omissão em não advertir ou punir seus particulares pelos atos praticados. Ex.: violação de um Estado Federado brasileiro a uma norma protetiva de direitos humanos – responsabilidade da União na ordem internacional. #PERGUNTA: Quais são os atos que excluem ou atenuam a responsabilidade internacional? a) Legítima defesa: Trata-se da reação a um ataque armado, real ou iminente, tendo como função protetora, punitiva e reparadora, estando voltado a interromper o ataque, a punir o agressore a reparar o dano causado. No entanto, os atos de legítima defesa devem ser proporcionais à agressão ou ao perigo e devem ser praticados apenas até que o Conselho de Segurança tome as medidas necessárias para a manutenção ou restauração da paz. b) Represálias: Segundo Portela, a represália é a retaliação a um ato ilícito de outro Estado. Normalmente, não é permitida pelo Direito Internacional, mas é admissível quando é uma RESPOSTA À VIOLAÇÃO DE NORMAS INTERNACIONAIS por parte de outro ente estatal. Para que exclua ou atenue a responsabilidade internacional requer ainda a ocorrência de um dano e deve ser proporcional ao gravame sofrido pelo Estado que recorre à represália. c) Contramedidas em geral: Configuram reação pacífica a um ato ilícito anterior, praticado por outro Estado, e deve ser proporcionais ao agravo sofrido, devendo haver, ainda, a advertência prévia. Todas as contramedidas – e não apenas a legítima defesa – têm função protetiva, punitiva e reparadora. Por fim, a CONTRAMEDIDA é ATO DE ESTADO (relação horizontal), diferenciando-se assim das sanções coletivas, que são medidas que também caracterizam reações a ilícitos, mas que são tomadas por Organizações Internacionais. d) Prescrição: Perda do direito de o Estado ou de a organização internacional reclamar a reparação de um dano decorrente de ato ilícito de outro sujeito de direito internacional e) Estado de necessidade: Trata-se da lesão à bem jurídico de outrem para salvar bem jurídico próprio; O Esboço de Artigos sobre a Responsabilidade de Estados por Atos ilícitos Internacionais, da Comissão de Direito Internacional da ONU, previu o estado de necessidade como excludente de ilicitude internacional, desde que o ato aparentemente ilícito seja “a única maneira de salvaguardar um interesse essencial do Estado contra um perigo grave e iminente.”. f) Contribuição do Estado para o dano que sofreu: Pode excluir ou atenuar a responsabilidade do Estado que violou a norma internacional; g) Força maior, caso fortuito e perigo extremo; h) Imprecisão da regra internacional; i) Tomada, pelo Estado, de medidas cabíveis para evitar um dano; j) Reconhecimento de beligerância ou de insurgência por parte do Estado que tenha sofrido o dano. #ATENÇÃO: Não exclui a responsabilidade o descumprimento da norma internacional por conta de sua incompatibilidade com o direito interno. Previsão no art. 27 da Convenção de Viena, de 1969: "Uma parte pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o descumprimento de um tratado". #JÁCAIUEMPROVA: A legítima defesa é a única excludente de ilicitude consagrada na Carta da ONU, e implica uma reação proporcional à agressão sofrida pelo Estado vítima, podendo ser individual ou coletiva, nos ditames do art. 51 da Carta. c) Dano: Ele pode ser material ou imaterial. Segundo Rezek, só o Estado vitimado por alguma forma de dano — causado diretamente a si, ao seu território, ao seu patrimônio, aos seus serviços, ou ainda à pessoa ou aos bens de particular que seja seu nacional — tem qualidade para invocar a responsabilidade internacional do Estado faltoso. Assim, no domínio dos tratados, a violação de norma convencional só pode, em princípio, dar origem à reclamação das outras partes, não à de terceiros. A reparação pode ou não ter expressão econômica. Em qualquer caso, a reparação deve corresponder à natureza da lesão e a seus efeitos. A responsabilidade internacional tem natureza cível, embora seus agentes do Estado possam eventualmente responder pelos crimes internacionais. #CURIOSIDADE: Um sujeito de DIP vitimado por DANO MORAL pode pleitear reparação. A primeira vez que um tribunal reconheceu o pedido de danos morais em ilícito internacional ocorreu no caso relativo às viúvas do navio americano Lusitana, em 1923, que fora bombardeado pela Alemanha. As reparações dos danos podem dar-se das seguintes maneiras: 1) Restituição na Íntegra: consiste em espécie de reparação que objetiva o retorno ao status quo ante (anterior à violação). É a melhor espécie de reparação. A Corte Interamericana usa muito, mas, muitas vezes, é impossível no aspecto material. A restituição na íntegra nunca pode ser impossível juridicamente: cabe ao Estado mudar as suas regras. Não é possível dizer: não vou libertar a Sra. Tamayo (é um caso da Corte Interamericana) porque ela está presa por decisão judicial transitada em julgado – impossibilidade jurídica. Isso é bobagem: se houver necessidade de soltura, deve-se rescindir a sentença, criar uma norma que possibilite a rescisão de sentença transitada em julgado por determinação de órgão internacional. A impossibilidade tem que ser material: a Sra. Tamayo está morta, por exemplo (não foi o caso, ela foi solta). 2) Cessão do ilícito: É uma maneira de restituição na íntegra. A jurisprudência internacional, no entanto, separa a cessão do ilícito da reparação na íntegra. 3) Indenização: se não for possível a restituição na íntegra, uma fórmula de reparação muito utilizada pelas Cortes é a indenização. Danos morais: há presunção absoluta. É uma compensação pelos danos causados (materiais e morais) por meio do pagamento de uma quantia em pecúnia. 4) “Projeto de vida”: uma forma nova de reparação. Vai muito além de indenização, vai muito além de compensação dos danos, dos lucros cessantes. Vai, na realidade, tentar resgatar aquilo que a pessoa seria se não houvesse a violação. É uma restituição na íntegra maximizada. Por exemplo: não é só devolver a liberdade à Sra. Tamayo. A Sra. Tamayo era uma professora que foi acusada de crime de agressão à Pátria, crime de terrorismo e, por isso, perdeu o cargo na Universidade etc. Não é só devolver o cargo, é devolver o cargo e o posto, uma láurea acadêmica, que, eventualmente, ela teria obtido se não fosse aquela interrupção do seu “Projeto de Vida”. Isso é muito interessante, mas, na prática, é quase que uma futurologia, arbítrio. #OLHAOGANCHO: O que se entende por “greening” (esverdeamento)? Ocorre quando se tenta proteger direitos humanos de cunho ambiental nos sistemas regionais de direitos humanos, que são sistemas aptos - em princípio - a receber queixas e petições que contenham denúncias de violação de direitos civis e políticos. O caso Belo Monte acaba por tutelar, ainda que de forma indireta ou por “ricochete”, interesses ambientais. Por isso, a doutrina diz que, no caso Belo Monte, houve um verdadeiro “esverdeamento do direito à vida” ou ainda um “esverdeamento do direito à integridade física das comunidades indígenas”. 5) Satisfação: espécie de reparação na qual se busca compensar o dano ao patrimônio imaterial das vítimas. A satisfação é uma fórmula tradicional no direito internacional, não é novidade. É um conjunto de medidas que visa reparar o chamado dano ao patrimônio imaterial. Essa é a forma de reparação mais comum no mundo. Não é a indenização. É a satisfação na modalidade “desculpas”. É o famoso pedido de desculpas. Quais são as formas tradicionais de satisfação? Publicação de sentença; Dia de Homenagem aos Mortos; Feriado Nacional; Homenagem às Vítimas. Nos casos brasileiros, a satisfação mais utilizada é a publicação da sentença em jornal de grande circulação nacional – “Gomes Lund” foi no Jornal “O Globo”. 6) Garantias de não repetição: há um destaque para o chamado dever de investigar, perseguir em juízo e punir criminalmente os violadores. Esse dever tem uma dupla natureza: o dever de investigar é a garantia de não repetição mais conhecida na jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos – vide os primeiros casos hondurenhos: Vesláquez Rodrigues, Godines Cruz, Farem Garbi e Corrales. Desde então, a Corte pede para que os Estados punam os violadores para prevenir novas violações. É uma forma de reparação muito conhecida no direito internacional – a garantia de não repetição. Entende-se que o lesado tem o direito de exigir essa reparação. Mas é também violação da própria Convenção (CADH) a ausência desse dever. A natureza dúplice desse dever: a ausência do dever de investigar é uma violação daobrigação de garantia em relação a atos de particulares. Ou seja, caso um particular viole direitos, deve-se punir. Se não o fizer, o Estado estaria violando a Convenção no tocante ao direito à verdade e ao direito de acesso à justiça. Além de ser também uma garantia de não repetição. O Brasil agora tem reparações duríssimas a serem cumpridas. #ATENÇÃO: O mero reconhecimento do ilícito não configura, por si só, espécie de reparação, podendo se transformar em satisfação caso venha acompanhado de um pedido formal de desculpas. #ATENÇÃO: O ente responsável pela reparação é o Estado ou a OI, cabendo a estes exercer o direito de regresso contra o agente que efetivamente tenha causado o prejuízo. #JÁCAIU QUESTÃO TRF 5º: A responsabilidade internacional enseja a reparação de danos tanto da parte do agente causador quanto da parte do Estado do qual esse agente se origine. Comentário: Errada. O agente não responde diretamente pelo ilícito internacional. A responsabilidade é do Estado Soberano ou da OI. #JÁCAIUEMPROVA: A responsabilidade internacional é atribuída à pessoa jurídica detentora de personalidade jurídica de direito internacional, ou seja, Estados e OIs, o que significa que os agentes do Estado causador do dano não responderão em caráter pessoal pela violação internacional, pois quem o fará será o Estado, podendo se aventar, no máximo, uma posterior ação regressiva deste contra o agente que deu causa ao ilícito. #CURSO DPU: Considere que o Estado “a” tenha adentrado o espaço aéreo do Estado “b” sem a sua autorização, e que, após tratativas diplomáticas, ele tenha reconhecido que cometera uma violação ao direito do Estado b, tendo apresentado pedido formal de desculpa pelo ocorrido. Nessa situação, de acordo com os artigos da comissão de direito internacional da ONU sobre responsabilidade internacional dos Estados, o reconhecimento da violação e o pedido de desculpas realizado pelo Estado a caracterizam a forma de reparação denominada satisfação. Perceba-se que a satisfação possui caráter excepcional, de cunho estritamente moral. Pode consistir em um reconhecimento da violação, uma expressão de arrependimento, um pedido formal de desculpas ou outra modalidade adequada. Uma das modalidades mais comuns de satisfação, prevista nos casos de dano moral, é uma declaração da ilicitude do ato por uma Corte ou Tribunal competente. Outra forma comum de satisfação é o pedido de perdão, que pode ser verbal ou escrito por um Oficial apropriado, ou até mesmo pelo Chefe de Estado. Modos de determinação de responsabilidade: a) Modo unilateral (iudex in causa sua): Esse é o modo mais comum, estando configurado quando o Estado lesionado exige reparação do Estado infrator. O grande problema esse modo de determinação de responsabilidade é que o Estado infrator não reconhece que violou Direito internacional, então ele vai receber a sanção como sendo algo indevido. Com isso. há uma guerra de sanção. Toda vez que é aplicada uma sanção e o Estado é inocente, há violação ao Direito internacional. Por exemplo, no congelamento de haveres, nos embargos, etc., e isso só é devido se o Estado pretensamente infrator de fato tiver violado o Direito internacional. b) Modo coletivo: Existência de terceiros para avaliar a responsabilidade internacional. Nesse caso rompe-se o iudex in causa sua. Quais são os principais modos coletivos? Há diversas formas de intervenção de terceiros para determinar a responsabilidade internacional. Pode ser por meio de mediação, conciliação e pode ser pelos chamados métodos jurídicos, tais como a arbitragem. b.1) Mediação: Os terceiros não fornecem uma solução, eles simplesmente tentam aproximar, mostrar que os pontos não são tão divergentes. Esse é um meio político. b.2) Conciliação: Aqui os terceiros apresentam uma solução que não é vinculante. O conciliador apresenta uma solução, mas não a implementa. Esse também é um meio político. b.3) Arbitragem e tribunais internacionais: Aqui, tem-se o típico caso de gramática dos direitos. Não é considerado um meio político, mas apenas um modo jurídico. #PERGUNTA: Qual a diferença entre arbitragem e tribunais penais internacionais? A arbitragem existe desde o século XVIII no Direito internacional. Consiste na intervenção de terceiro, que é escolhido com a confiança das partes para dirimir a controvérsia (que no caso é a determinação da responsabilidade internacional). A decisão é VINCULANTE. Existem vários tipos de arbitragem, mas podemos dizer que a arbitragem pode ser ad hoc (para o caso específico) ou arbitragem institucional. A grande vantagem da arbitragem é que ela é barata e célere. A grande desvantagem é que ela NÃO gera jurisprudência constante, não fornece segurança jurídica (formação de precedente), além de não possuir força executiva. O Mercosul vai acabar adaptando a arbitragem ad hoc. Gerou-se uma expectativa de que seria superada rapidamente. Entretanto, veio o protocolo de Olivos, em 2004, e criou no máximo uma segunda instância que é o Tribunal Permanente de Revisão. Então, o Mercosul é uma arbitragem híbrida. O primeiro grau é “arbitragem”, mas tem ainda o “recurso de apelação para um tribunal permanente de revisão”. O ESTUDO DA PROTEÇÃO DIPLOMÁTICA: Em princípio, não é possível que uma pessoa, natural ou jurídica, solicite qualquer indenização no âmbito internacional, embora em geral possa acionar o próprio Judiciário do Estado que causou o dano. Entretanto, nada impede que o ente estatal de origem da pessoa possa formular pedidos, a outro Estado, de reparação em favor de seu nacional, configurando o instituto da proteção diplomática, pelo qual o Estado decide acolher a reclamação apresentada por um nacional seu que haja sofrido o dano, dirigindo contra o infrator o pedido de indenização. Ex.: desapropriação dos bens do indivíduo, sob a forma de encampação ou de nacionalização. #TENDÊNCIA: Indivíduo que sofre lesão: a quem recorrer? Prevalecia que o indivíduo que sofresse um dano por violação de uma norma internacional poderia se valer, no máximo, dos instrumentos jurídicos disponibilizados pelo Estado do qual fosse nacional, mormente pelo instituto da proteção diplomática. Todavia, já se permite a postulação perante Organismos Internacionais, citando-se o sistema de petições no âmbito da União Europeia e da OEA, com as devidas peculiaridades. A proteção diplomática concretiza-se a partir do ENDOSSO, ato pelo qual o ente estatal do qual o indivíduo ou entidade é nacional assume como sua reclamação de particular contra outro Estado. Há três condições para o requerimento de proteção diplomática: · Nacionalidade do prejudicado (que deve perdurar durante toda a demanda); · Esgotamento dos recursos internos (administrativos e judiciais); · Conduta correta do autor da reclamação. O indivíduo que tenha mais de uma nacionalidade pode requerer a proteção diplomática de qualquer Estado de que seja nacional. Entretanto, o ente estatal não poderá oferecer proteção diplomática para um polipátrida contra o Estado de que este também seja nacional (caso Canevaro). A proteção diplomática só pode ser conferida se a nacionalidade do beneficiário for efetiva (caso Nottebohm). A nacionalidade do beneficiário deve ser contínua, devendo o vínculo com o Estado que prefere a proteção existir desde a ocorrência do dano e durante toda a demanda. #ATENÇÃO: A pessoa não pode mudar de nacionalidade após o fato que enseja a reclamação. A demanda deve ser nacional desde sua origem. A proteção diplomática não beneficia quem tiver contribuído para o ato ilícito, especialmente pela violação de normas internacionais ou internas. #IMPORTANTE: A CONCESSÃO DE PROTEÇÃO DIPLOMÁTICA NÃO É DIREITO DO NACIONAL, E SIM ATO DISCRICIONÁRIO DO ESTADO. A proteção pode ser oferecida até mesmo independentemente de pedido do interessado. Uma vez concedido o endosso, o Estado assume a demanda como se fosse própria, podendo exercer todos os poderes a isso inerentes, como o de conduzir o caso de acordo com seus interesses, escolher os meios de solução da controvérsia,transigir ou até desistir. O conteúdo da reparação pertence, em princípio, ao ente estatal, embora possa ser repassado às pessoas protegidas, nos termos das normas cabíveis. Dentro do instituto da proteção diplomática, desenvolveu-se a: “CLÁUSULA CALVO”, pela qual os estrangeiros renunciavam à possibilidade de solicitar a proteção diplomática de seus Estados de origem, aceitando os foros locais como os únicos competentes para apreciar as reclamações contra atos estatais. A cláusula foi criticada, por significar renúncia a um direito que não pertence à pessoa, e sim ao Estado, único ente capaz de conferir a proteção diplomática, inclusive independentemente de pedido de interessado. Ao mesmo tempo, a concessão da proteção diplomática é ato discricionário do Estado, fundamentada em seu direito interno. Tecnicamente, as OIs não oferecem “proteção diplomática”, e sim “proteção funcional[footnoteRef:4]”, voltada a resguardar pessoas a seu serviço. A proteção funcional prefere à diplomática quando o indivíduo está à serviço do OI e pode ser exercida contra o próprio Estado do qual o funcionário é nacional, o que se deve à necessidade de assegurar a independência do agente e, em última instância, da própria entidade. [4: A matéria está disciplinada no final do documento “sujeitos do DIP”.] #ATUALIZAÇÃOLEGISLATIVA: #DIZERODIREITO: #COMPLEMENTAÇÃO: #ATUAÇÃOAGU: A Lei 13.170/2015 (entra em vigor em 17/01/2016) passa a dispor sobre a ação de indisponibilidade de bens, valores e direitos, das pessoas físicas ou jurídicas, submetidas a esse tipo de sanção por Resolução do Conselho de Segurança da ONU. NOÇÕES PRELIMINARES Conselho de Segurança da ONU O Conselho de Segurança da ONU (CSNU) é o órgão interno da ONU responsável por garantir a manutenção da paz e da segurança internacional. As decisões do CSNU são chamadas de “resoluções” e podem ser obrigatórias (vinculantes) ou não-obrigatórias. Caso o CSNU tenha editado uma decisão obrigatória, ela será vinculante para todos os Estados-membros da ONU. Vale ressaltar que é possível até mesmo que o CSNU determine intervenção militar em um Estado com o objetivo de garantir a execução de suas resoluções. O Conselho de Segurança é composto por 15 membros, sendo 5 membros permanentes e 10 membros eleitos para mandato de 2 anos. Os membros permanentes são os seguintes: EUA, China, Rússia, Reino Unido e França. Brasil deve cumprir as Resoluções do CSNU O Brasil é membro da ONU, tendo assinado e promulgado a Carta das Nações Unidas (Decreto n.º 19.841/45). Por essa razão, as resoluções do CSNU são obrigatórias para o Brasil, conforme previsto no artigo 25 da Carta das Nações Unidas: Artigo 25. Os Membros das Nações Unidas concordam em aceitar e executar as decisões do Conselho de Segurança, de acordo com a presente Carta. Incorporação e cumprimento das resoluções do CSNU Importante esclarecer que a resolução do CSNU é um documento internacional que, para produzir efeitos no Brasil, precisa ser previamente incorporado em nosso ordenamento jurídico. Antes de sua incorporação, ela não tem como ser cumprida. Agora veja que interessante: as resoluções do CSNU são incorporadas ao direito brasileiro por meio de simples decreto presidencial, editado com base no art. 84, IV, da CF/88: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Atente, portanto, para o fato de que, em regra, não é necessária nem mesmo a participação do Congresso Nacional, bastando a edição do Decreto. Exceção: para a participação do Brasil em operações de paz, enviando tropas, é necessária a aprovação do Congresso Nacional, por força da Lei n.º 2.953/56. Neste caso, o Congresso precisará editar um decreto-legislativo autorizando. Ressalte-se que alguns doutrinadores criticam essa não-participação do Congresso Nacional na incorporação ao direito brasileiro das Resoluções do CSNU sob o argumento de que haveria violação ao art. 49, I, da CF/88. No entanto, apesar do registro desta crítica, o certo é que, na prática, as resoluções são incorporadas por Decreto presidencial, sem prévia participação do Parlamento. Veja um exemplo recente: DECRETO Nº 8.520, DE 28 DE SETEMBRO DE 2015 Dispõe sobre a execução, no território nacional, da Resolução 2174 (2014), de 27 de agosto de 2014, do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que altera o embargo de armas aplicável à Líbia e autoriza a imposição de sanções a indivíduos e a entidades. O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 25 da Carta das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto nº 19.841, de 22 de outubro de 1945, e Considerando a adoção pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas da Resolução 2174 (2014), de 27 de agosto de 2014, que altera o embargo de armas aplicável à Líbia e autoriza a imposição de sanções a indivíduos e a entidades; DECRETA: Art. 1º A Resolução 2174 (2014), adotada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em 27 de agosto de 2014, anexa a este Decreto, será executada e cumprida integralmente em seus termos. Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 28 de setembro de 2015; 194º da Independência e 127º da República. Sanções impostas pelo CSNU O Conselho de Segurança da ONU pode impor sanções a países, bem como a pessoas físicas ou jurídicas. Essas sanções são aplicadas por meio de resoluções. Dentre as sanções existentes, o CSNU pode determinar a indisponibilidade de bens, valores e direitos que pertençam à pessoa física ou jurídica punida. Normalmente, o CSNU aplica tais sanções a pessoas que tiveram participação comprovada no financiamento ou na prática de ações terroristas. Cumprimento da sanção de indisponibilidade: processo judicial Temos um problema no momento de fazer cumprir no Brasil a Resolução do CSNU que aplica como sanção a indisponibilidade de bens, valores e direitos. Isso porque, em primeiro lugar, é necessário, como vimos acima, editar um Decreto Presidencial determinando a execução e cumprimento da medida no Brasil. No entanto, mesmo após esse Decreto, a indisponibilidade dos bens não é imediata, automática, uma vez que a CF/88 determina que ninguém pode ser privado de seus bens sem o devido processo legal (art. 5º, LIV). Logo, um simples Decreto não tem o condão de gerar a indisponibilidade dos bens de qualquer pessoa, sendo necessário processo judicial. Ação de indisponibilidade de bens, valores e direitos Antes da Lei n.º 13.170/2015, não havia um procedimento disciplinando o processo judicial para decretação de indisponibilidade dos bens em cumprimento de resolução do CSNU. Diante disso, a União tinha que ingressar com uma ação ordinária pedindo a indisponibilidade, sendo que esse procedimento era demorado, custoso e não havia previsão de um regramento próprio. A Lei n.º 13.170/2015 veio alterar esse cenário e criou, em nosso ordenamento jurídico, uma ação de indisponibilidade a fim de dar cumprimento mais célere e simplificado às resoluções do CSNU que imponham tal sanção. Veja o que diz o art. 1º: Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a ação de indisponibilidade de bens, valores e direitos de posse ou propriedade e de todos os demais direitos, reais ou pessoais, de titularidade, direta ou indireta, das pessoas físicas ou jurídicas submetidas a esse tipo de sanção por resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas - CSNU. ANÁLISE DOS PRINCIPAIS ASPECTOS DA LEI Resolução de indisponibilidade deve ter sido incorporada Para que a ação de indisponibilidade seja proposta, é indispensável que tenha havido prévia incorporação da Resolução no ordenamento jurídico nacional. Nesse sentido: Art. 1º (...) § 1º A ação de que trata esta Lei decorre do ato que incorporar ao ordenamento jurídico nacional a resolução do CSNU. Comunicação à AGU Depois de a resolução do CSNU ser incorporada ao ordenamentojurídico, o Ministério da Justiça comunicará essa situação à Advocacia-Geral da União, que proporá, no prazo de 24 horas, a ação de indisponibilidade de bens, valores e direitos (art. 4º). A ação tramitará sob segredo de justiça. Recebimento da Inicial e concessão de tutela provisória Recebida a petição inicial, o juiz decidirá a tutela provisória no prazo de 24 horas (art. 5º). Repare que a Lei nº 13.170/2015 corretamente emprega a expressão "tutela provisória", considerando que esta é a nomenclatura adotada pelo novo CPC (art. 294 do CPC 2015). O juiz providenciará a imediata intimação da União sobre a decisão tomada. Administrador dos bens, valores e direitos bloqueados Deferida a tutela provisória e executada a medida, o juiz designará uma pessoa para a administração, guarda ou custódia dos bens, valores e direitos bloqueados, quando isso se revelar necessário (art. 7º). O juiz providenciará a imediata intimação da União sobre a decisão tomada. Aplicam-se à pessoa designada, no que couber, as disposições legais relativas ao administrador judicial. Tratando-se de ativos financeiros, a sua administração caberá às instituições em que se encontrem, incidindo o bloqueio também dos juros e quaisquer outros frutos civis e rendimentos decorrentes do contrato. Intimação do interessado Depois de conceder a tutela provisória e executar a medida de indisponibilidade, o juiz determinará a intimação do interessado para, em 10 dias, apresentar razões de fato e de direito que possam levar ao convencimento de que o bloqueio foi efetivado irregularmente (art. 5º). Efetivado o bloqueio, as instituições e pessoas físicas responsáveis deverão comunicar o fato, de imediato: • ao órgão ou entidade fiscalizador ou regulador da sua atividade (ex: a instituição financeira comunica ao BACEN); • ao juiz que determinou a medida; • à Advocacia-Geral da União; e • ao Ministério da Justiça. Se a pessoa punida havia praticado atos de disposição de seu patrimônio, isso pode ser anulado A declaração de indisponibilidade de bens, valores e direitos implicará a nulidade de quaisquer atos de disposição, ressalvados os direitos de terceiro de boa-fé (§ 2º do art. 1º). Assim, se a pessoa que foi punida pelo CSNU houver praticado atos de disposição de seu patrimônio, tais negócios jurídicos serão anulados por decisão judicial, salvo se ficar demonstrado que os adquirentes são terceiros de boa-fé. Alienação antecipada Deverá ser realizada a alienação antecipada dos bens que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação ou quando houver dificuldade para sua manutenção (art. 6º). Isso com o objetivo de preservar o seu valor. Antes da alienação, será feita uma avaliação dos bens e o interessado será intimado da avaliação para, querendo, manifestar-se no prazo de 10 dias. Será determinada a alienação dos bens em leilão ou pregão, preferencialmente eletrônico, por valor não inferior a 75% do valor atribuído pela avaliação. Realizado o leilão ou pregão, a quantia apurada será depositada em conta bancária remunerada. Serão deduzidos da quantia apurada no leilão ou pregão os tributos e multas incidentes sobre o bem alienado. Possibilidade de liberação parcial dos valores Os recursos declarados indisponíveis poderão ser parcialmente liberados para o pagamento de despesas pessoais necessárias à subsistência do interessado e de sua família, para a garantia dos direitos individuais assegurados pela CF/88 ou para o cumprimento de disposições previstas em resoluções do CSNU (§ 3º do art. 1º). Ministério das Relações Exteriores comunicará ao CSNU as providências adotadas O Ministério da Justiça comunicará ao Ministério das Relações Exteriores as providências adotadas no território nacional para cumprimento das sanções impostas pela resolução. De posse dessas informações, o Ministério das Relações Exteriores as repassará ao CSNU para que este fique ciente das medidas empregadas (art. 3º). Perdimento definitivo Quando ocorrer o trânsito em julgado da sentença condenatória, será decretado o perdimento definitivo dos bens, valores e direitos (art. 8º). Essa decisão pode ocorrer em processo judicial nacional ou estrangeiro. O juiz providenciará a imediata intimação da União sobre a decisão tomada. A decisão transitada em julgado em processo estrangeiro que decretar o perdimento definitivo de bens ficará sujeita à homologação pelo STJ (art. 105, I, "i", da CF/88). Expiração ou revogação da sanção Apesar de não ser comum na prática, pode ocorrer de, durante a tramitação da ação, haver uma alteração na decisão do CSNU ou já ter expirado o seu prazo. Pensando nisso, a Lei determina que, em caso de expiração ou revogação da sanção pelo CSNU, a União solicitará imediatamente ao juiz o levantamento dos bens, valores ou direitos (art. 9º). Considera-se também como revogação da sanção a comunicação oficial emitida pelo Ministério das Relações Exteriores de que o nome de pessoa física ou jurídica foi excluído das resoluções do CSNU. O juiz providenciará a imediata intimação da União sobre a decisão tomada. Aplicação subsidiária do CPC A ação de indisponibilidade é uma ação cível, de forma que o CPC deverá ser aplicado subsidiariamente quando não houver norma específica na Lei nº 13.170/2015. Lei 13.170/2015 poderá servir também para demandas de cooperação jurídica internacional As disposições da Lei nº 13.170/2015 poderão ser usadas também para atender a demandas de cooperação jurídica internacional, advindas de outras jurisdições, em conformidade com a legislação nacional vigente (§ 4º do art. 1º). Intimação da União sobre sentenças condenatórias de terrorismo A Lei nº 13.170/2015 determinou que o juiz deverá providenciar a imediata intimação da União quando proferir sentenças condenatórias relacionadas à prática de atos terroristas. O que é terrorismo? O Min. Celso de Mello, de forma precisa, constata que até hoje, “a comunidade internacional foi incapaz de chegar a uma conclusão acerca da definição jurídica do crime de terrorismo, sendo relevante observar que, até o presente momento, já foram elaborados, no âmbito da Organização das Nações Unidas, pelo menos, 13 (treze) instrumentos internacionais sobre a matéria, sem que se chegasse, contudo, a um consenso universal sobre quais elementos essenciais deveriam compor a definição típica do crime de terrorismo ou, então, sobre quais requisitos deveriam considerar-se necessários à configuração dogmática da prática delituosa de atos terroristas” (STF PPE 730/DF, julgado em 16/12/2014). Em outras palavras, trata-se ainda de um tema polêmico. Apesar disso, podemos citar uma definição feita por René Ariel Dotti e que é bastante difundida no âmbito doutrinário: “O terrorismo pode ser definido como a prática do terror como ação política, procurando alcançar, pelo uso da violência, objetivos que poderiam ou não ser estabelecidos em função do exercício legal da vontade política. Suas características mais destacadas são: a indeterminação do número de vítimas; a generalização da violência contra pessoas e coisas; a liquidação, desativação ou retração da vontade de combater o inimigo predeterminado; a paralisação contra a vontade de reação da população; e o sentimento de insegurança transmitido principalmente pelos meios de comunicação” (Terrorismo e devido processo legal. RCEJ, ano VI, Brasília, set. 2002, p. 27-30 apud LIMA, Renato Brasileiro de. Legislação Criminal Especial Comentada. Niterói: Impetus, 2013, p. 58). O terrorismo é tipificado como crime no Brasil? Para a maioria da doutrina, a legislação brasileira ainda não definiu o crime de terrorismo. “O elemento normativo atos de terrorismo constante do art. 20 da Lei nº 7.170/83 é tão vago e elástico que não permite ao julgador, por ausência de uma adequada descrição do conteúdo fático desse ato, enquadrar qualquer modalidade da conduta humana. Logo, o crime do art. 20 da Lei nº 7.170/83 não pode ser tratado como terrorismo, sob pena de evidente violação ao princípio da taxatividade (nullum crimen nulla poena sine lege certa).”(LIMA, Renato Brasileiro de., p. 59). É a corrente sustentada por Alberto Silva Franco, José Cretella Neto, Damásio de Jesus, Gilberto Pereira de Oliveira. Desse modo, para a maioria da doutrina, o terrorismo não é tipificado pela legislação brasileira, não sendo válido o art. 20 da Lei nº 7.170/83 para criminalizar essa conduta. #ATENÇÃO: Deve ser cuidado com essa temática, já que, em 16 de março de 2016, sobreveio a Lei 13.260/2016, que regulamenta o disposto no inciso XLIII do art. 5o da Constituição Federal, disciplinando o terrorismo, tratando de disposições investigatórias e processuais e reformulando o conceito de organização terrorista; e altera as Leis nos 7.960, de 21 de dezembro de 1989, e 12.850, de 2 de agosto de 2013. Assim, deve-se aguardar a nova posição do STF a respeito do assunto, já que, em tese, com o advento da Lei estaria superada tal celeuma. Dispositivos para o ciclo de legislação DIPLOMA DISPOSITIVOS Decreto 7.030/2009 (Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados) Art. 27 Decreto 19.841/1945 (Carta da ONU) Art. 51 Lei 13.170/2015 Integralmente Bibliografia indicada Foca no Resumo Paulo Henrique Gonçalves Portela Resumo do TRF5 Resumos do Ponto a Ponto Concursos (Danilo Guedes) Material Especial do Ciclosr3 para a turma da 1ª Fase da DPU Informativos do Dizer o Direito. Anotações Pessoais. image1.jpeg image2.jpeg