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GÊNEROS TEXTUAIS 
EM LIBRAS 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Joana Bonato Melegari Andrade 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Gêneros textuais e gêneros do discurso 
Em nossa Aula 1, mergulhamos nos Gêneros do Discurso. Nesta Aula 2, 
iremos dialogar sobre os Gêneros Textuais, compreendendo esse Conceito e 
aplicando nosso Conhecimento nas Análises Textuais de Produções Textuais, 
com relação a Textos Sinalizados. 
Pensemos da seguinte forma: se os Gêneros do Discurso, produzidos em 
diferentes Esferas Sociais, ocupam-se dos Enunciados produzidos pelos 
sujeitos, devemos observar a concretude da Linguagem. Os Gêneros Textuais 
se ocupam das Textualidades, da Materialidade Textual imprimida nos suportes 
que carregam Enunciados Linguístico-Ideológicos em sua composição. Os 
Gêneros do Discurso englobam Textos, símbolos, imagens e até mesmo modos 
de comportamento. 
As discussões sobre os Gêneros Textuais se ocupam dos Textos 
(Escritos, Sinalizados, Visuais e Orais), podendo desconsiderar os fatores 
Sociais, analisando de forma preponderante o Texto concreto e sua estrutura; 
em essência e se distinguindo dos Textos, os Gêneros do Discurso englobam 
questões Sociais, relações Falante/Sinalizante e Enunciador/Receptor, pontos 
de vista, situacionalidade, ambiência, questões voltadas ao Contexto, ao 
Discursivo, e não apenas à estrutura desses Textos. Assim, podemos simplificar 
que os Gêneros do Discurso dizem respeito ao Contexto Histórico, Social, 
Ideológico e dos agentes envolvidos em determinado Discurso, enquanto os 
Gêneros Textuais se referem à estrutura desses Textos e sua composição. 
O Texto é aquilo que podemos ver, ler, identificar, de forma Visual ou 
Sonora. É uma concretude materializada, em sinais, palavras, sons, imagens, 
performances, vídeos, pinturas etc. O Texto carrega um sentido e sempre “diz” 
algo, seja efêmero ou perene. Uma bula de remédio é Texto, um anúncio de 
outdoor, uma receita médica, uma estátua na praça, uma pintura, uma troca de 
memes com os amigos, os gifs e figurinhas do WhatsApp®, o rito Religioso e a 
Arquitetura do prédio histórico da cidade são Textos, pois estão carregados de 
sentido, mensagem, histórias e signos. 
Nesta Aula, iremos afunilar nosso Conhecimento na Análise dos Gêneros 
Textuais, trabalhando com os aspectos composicionais que um Texto nos 
apresenta, seja um Texto em Libras, Visual ou Escrito. Nosso objetivo é 
 
 
3 
apreender como os Gêneros Textuais se estruturam e formam composições 
relativamente estáveis que se replicam. Iremos observar de forma conceitual e 
prática como os Textos podem ser analisados e aplicados em Contextos de 
Letramentos. Para isso, nossa Aula se estrutura dentro dos seguintes tópicos: 
• Tudo é Texto? 
• Gêneros Textuais; 
• Estrutura, Temática, Estilo e Finalidade; 
• Gêneros Textuais e Multimídia; 
• Gêneros Textuais em Libras; 
• Gêneros Textuais e Letramentos. 
Nossa expectativa é que, com essa Aula, você, Estudante, possa reunir 
as ferramentas necessárias para identificar os Gêneros Texturas, em especial 
os Sinalizados, bem como tenha a habilidade de realizar a descrição da 
composicionalidade dos Gêneros Textuais em Libras a partir dos Conceitos que 
iremos conhecer neste momento. 
TEMA 1 – TUDO É TEXTO? 
Na Aula anterior, tratamos acerca do comportamento que temos e a 
Linguagem1 que acionamos quando estamos em um espaço Religioso, como 
uma Igreja Católica. Retomemos esse conceito e imaginemos, mais uma vez, 
esse mesmo espaço. O formato e a disposição dos bancos frente ao altar, a 
imagem de Jesus na Cruz logo no alto, de frente para as pessoas que entram na 
igreja, imagens de diferentes Santos e as disposições de todos estes elementos 
no espaço. Tudo nos conta algo e, mesmo que não saibamos ler os símbolos e 
objetos Litúrgicos, tudo que está ali evoca uma mensagem, um sentido, 
atravessado por Séculos de elaboração da Linguagem dentro dessa Esfera 
Discursiva e Textual. A questão é: as Textualidades estão ali, mas sabemos ou 
não ler esses Textos? 
 
 
1 Optou-se, ao longo das Rotas de Aprendizagem 1, 2 e 3, pelo uso maiúsculo da primeira letra 
de ‘Linguagem’, por exemplo, de forma arbitrária, no sentido de colocar este e demais conceitos 
como objetos de estudo das Rotas em questão. O mesmo ocorrerá com outras palavras, 
observadas ao longo do texto. 
 
 
4 
Leiamos a figura a seguir: 
Figura 1 – A redenção de Cam (1985), de Modesto Brocos y Gómez (1852-1936) 
 
 Crédito: Modesto Brocos Gómez-CC/PD; Museu Nacional de Belas Artes. 
 Em um primeiro momento, esse Texto Visual nos parece uma bela pintura 
de uma Família Cristã, aparentemente de classe/origem humilde, multirracial, 
relacionando-se com um bebê. O que é ocorre é que, por vezes, Leituras 
Textuais desembocam em Discursos Históricos e Enunciados que tecem a 
interpretação de determinada imagem, revelando um Texto Visual repleto de 
Textualidade. A pintura do Artista Espanhol, Modesto Brocos, que data do final 
do Século XIX, retrata a Ideologia Política eugenista que começa a vigorar no 
Brasil após a abolição do regime de Escravização. Os patrões Brancos perdem 
a mão de obra escravizada, e, embora enriquecidos, ainda precisavam de novos 
trabalhadores, explorando o trabalho de Negros ex-escravizados, ou até mesmo 
começando a contratar mão de obra de Imigrantes da Europa, resultando em um 
contingente Racial dilacerado pela Escravidão e por todo o sistema Semiótico-
Discursivo que se operará sobre os corpos Negros. Daí o surgimento dos 
complexos periféricos, do analfabetismo das populações Racializadas e todo 
 
 
5 
Racismo Científico que vai se estabelecer ao longo do final do Século XIX e início 
do Século XX, resultado de uma Política sistêmica que abortou da população 
Negra a possibilidade de ascensão Social no Brasil Pós-Abolição. 
Voltemos à obra A Redenção de Cam. 
Estabelece-se dentro dos círculos de influência no Brasil, nas Esferas 
Científica, Acadêmica, Literária e Política, o debate sobre Miscigenação como 
possibilidade de embranquecimento da população Brasileira, tendo como fim a 
eliminação das Pessoas Negras na paisagem Social. Isso porque a população 
Negra representava o maior número de habitantes do Brasil e, com isso, 
desejava-se mudar a cor do País, torná-lo Branco, já que a branquitude seria 
sinônimo de beleza e prosperidade para os Ideais Eugênicos. A proposta Racista 
desse Discurso enxergava a branquitude como superior, necessitando da 
“redenção” da população Negra diante do embranquecimento de suas gerações. 
E por que A Redenção de Cam? No Texto Bíblico, Cam é o filho amaldiçoado 
por Noé, por expor e zombar da nudez do pai enquanto este dormia embriagado; 
com isso, toda a geração de Cam é condenada a ser “escrava de seus irmãos” 
(Gênesis, 9:18-29). Daí a reinterpretação do Espanhol Modesto Brocos, ao pintar 
a redenção da população Negra, “escrava de seus irmãos”, em submissão à 
genética da população Branca na violência da Miscigenação e o 
embranquecimento do País. 
E como a Obra nos conta tudo isso? Retorne à pintura e, após observar 
seus componentes, acompanhe a Análise a seguir. 
A senhora Negra de pele Retinta, visivelmente com roupas serviçais, está 
de pé em um chão batido, para o lado de fora da casa. Sua filha, Negra de pele 
Clara, fruto de um relacionamento inter-racial, está ao meio, entre a mãe e o 
marido, entre o chão batido e o chão de pedra. O marido, homem Branco, está 
confortavelmente sentado em um banco disposto em um chão de pedra, firme, 
assentado, mas dentro da casa. A esposa segura o filho, uma criança Branca, 
com um fruto em uma das mãos, enquanto esta observa a avó, apontando para 
ela, com indicação da mãe. A avó agradece a Deus pela geração de netos 
Brancos, pelo futuro Branco. O pai observa, em contento. 
O fruto é símbolo de Conhecimento, é metáfora do portal; lembra-se do 
fruto proibido do Éden esuas consequências? Na pintura, cada escolha 
simbólica, seja na disposição dos personagens, nos gestos destes, nas cores de 
suas roupas... tudo contribui para Leitura de uma Textualidade. 
 
 
6 
Obviamente, o Discurso Racista de Brocos não é isolado, pois é reflexo 
de um conjunto de Enunciados de sua época que tencionavam para esse 
Discurso como hegemônico e palpável aos intelectuais daquele período. O 
Racismo Científico, Teoria predominante no Século XX, iria se proliferar na 
Medicina, no Direito, na Sociologia e na Educação. Discursos formulados dentro 
de diferentes Esferas Discursivas, utilizando diferentes Gêneros do Discurso e 
Gêneros Textuais, para aplicação de uma Ideologia. 
TEMA 2 – GÊNEROS TEXTUAIS 
Os Gêneros Textuais são incontáveis, assim como os Gêneros do 
Discurso e a produtividade de Enunciados no Dialogismo Humano. Os Gêneros 
Textuais, como produtos dos Gêneros do Discurso, são mais visíveis, mais 
palpáveis, e, portanto, mais aptos para Análises de suas estruturas e 
funcionalidades. O que define um Gênero Textual é sua funcionalidade e 
forma. 
Para Luiz Antônio Marcuschi (1946-2016), os Gêneros Textuais se 
proliferam e adquirem diferentes roupagens, em especial na sua relação com as 
novas mídias, a interface com a internet, onde a todo momento novos Gêneros 
Textuais são elaborados, muito a partir de suas bases já convencionais, mas 
sempre em um processo contínuo de reprodução e circulação. Para o Autor, os 
Gêneros Textuais: 
Caracterizam-se como eventos textuais altamente maleáveis, 
dinâmicos e plásticos. Surgem emparelhados a necessidades e 
atividades sócioculturais, bem como na relação com inovações 
tecnológicas, o que é facilmente perceptível ao se considerar a 
quantidade de gêneros textuais hoje existentes em relação a 
sociedades anteriores à comunicação escrita. (Marcuschi, 2010, p.19) 
Ao analisarmos um Gênero Textual, estamos observando diretamente a 
sua estrutura. Questões de cunho mais Social, Ideológico, Inter-Relacional 
(Texto, Autor e Leitor), relações de poder, entre outras, ficam a cargo da Análise 
do Discurso. Isso não significa que essas questões não estão refletidas nos 
Gêneros Textuais, pelo contrário, as próprias composicionalidades de 
determinados Gêneros Textuais estão subordinadas às condições materiais de 
suas produções em relação à instituição a que o Gênero Discursivo está ligado. 
Como exemplo, é muito diferente o valor acadêmico de um Texto traduzido para 
Inglês, se comparado a um Texto traduzido para a Libras. Um Testamento Legal 
 
 
7 
possui muito mais valor do que uma Carta deixada na gaveta. Os Gêneros 
Discursivos e Textuais da publicidade, que movimentam um grande capital, são 
mais ornamentados e circulam mais que Gêneros Textuais produzidos nas 
Escolas. Os Gêneros Textuais da Medicina terão mais valor que os Gêneros 
Textuais produzidos por curandeiros. A mesma relação de poder que se 
estabelece entre os Discursos valora os Gêneros Textuais. 
Professores de Libras observam que a composicionalidade dos Gêneros 
Textuais está ligada às possibilidades e às condições concretas da produção de 
Videolibras. O impacto do histórico de opressão à Comunidade Surda reflete 
diretamente no corpus Linguístico e Textual que temos disponível na Atualidade. 
Retornando ao Conceito, os Gêneros Textuais nos informam sobre o 
produto da Textualidade, sua estrutura interna, mas também a exterioridade 
do seu suporte, seu formato, e como esse Gênero está exposto, relacionando-
se à Semiótica do Texto, à sua composição entre Signo Verbal (o Signo 
Sinalizado também é Verbal), e as Semióticas do Texto. Como exemplo, 
pensemos em como os outdoors apresentam informações mais Visuais, 
maiores, e com pouco texto? Justamente porque as Pessoas que passam por 
um outdoor, geralmente de transporte (carro, ônibus, entre outros), precisam 
absorver o máximo de informação em pouco tempo. O suporte e o Gênero 
Textual irão coadunar com a necessidade daquele Gênero do Discurso, 
apresentando um Texto em um suporte que dê conta da sua finalidade. 
TEMA 3 – ESTRUTURA, TEMÁTICA, ESTILO E FINALIDADE 
Observemos agora a composicionalidade de um Texto. 
• Estrutura (ou construção composicional): refere-se ao conjunto da 
Materialidade de um Texto, palavras, imagens, formatos, disposição dos 
elementos no Texto, fonte, Tipo de Suporte, canal, entre outras 
características. Quanto à Estrutura, Fiorin (2016, p. 69) explica que é: “[...] 
o modo de organizar o texto, de estruturá-lo”. 
Recomendamos que acesse a tirinha That Deaf Guy2 para continuarmos 
nossas discussões. 
 
2Disponível em: 
<https://www.facebook.com/surdalidades/photos/a.354534317912494/366666893365903/?-
type=3&theater>. Acesso em: 21 maio 2024. 
 
 
8 
Na tirinha, produzida por Matt & Kay Daygle, podemos ver como Estrutura 
a junção entre Texto Escrito, Texto Sinalizado e Textos Imagéticos, as 
imagens e disposição destas. O título e o nome dos Autores acima dos 
quadros, a composição de cenas, divididas em três quadros. Os 
personagens sinalizam e há indicação de diálogo em Sinais. 
• Conteúdo temático: trata do objetivo central, o assunto que o Texto 
pretende apresentar, seu interesse e Contexto Textual. De forma mais 
exata, “[...] O conteúdo temático não é o assunto específico de um texto, 
mas é um domínio de sentido que se ocupa do gênero.” (Fiorin, 2016, p. 
69). Na tirinha, a Temática é de humor e trabalha a questão da facilidade 
da Leitura Labial do personagem Surdo; há uma crítica ao fato de a 
Comunidade Surda não ter acesso à legenda de filmes. 
• Estilo: trata da forma da Escrita, as escolhas lexicais, o tom de voz, as 
expressões faciais, a postura, a forma como sinaliza, os Classificadores, 
uso do espaço, os trejeitos, os recursos estilísticos da escrita ou da 
sinalização, a entonação, prosódia, sotaque, paleta de cores, traço da 
pintura, densidade das linhas, ângulos e enquadramentos, composição 
sonora, entre muitas outras características que se fixam em determinado 
Texto, mostrando a recorrência e o estilo do Autor. O Estilo “[...] é o 
conjunto de procedimentos de acabamento de um enunciado.” (Fiorin, 
2016, p. 51). São “[...] os recursos empregados para elaborá-lo.” (Fiorin, 
2016). Podemos observar o Estilo, traço, cores e demais composições em 
mais duas tirinhas de Matt & Kay Daygle, que se repetem em suas 
produções. 
Recomendamos que acesse as tirinhas That Deaf Guy3 para 
continuarmos nossas discussões. 
Poderíamos realizar a mesma análise nas produções em Videolibras, 
levando em consideração o Suporte Vídeo. Observe os Videopoemas do 
Poeta Surdo Brasileiro Edinho, acessando o perfil do Instagram® 
@edinhopoesia4. 
 
3Disponível em: <http://notisurdo.com.br/chargealmococonversa.html>. Acesso em: 21 maio 
2024. 
Disponível em: <https://www.facebook.com/surdalidades/photos/tomara-que-o-papai-noel-
atenda-os-tr%c3%aas-desejos-importantes-para-a-vida-dos-
surdo/1101977513168167/?paipv=0&eav=afae2empm7fsucfjj5laxvvavyx013gxrlpb4ekwrazylzu
_ryu77hoagwgtd9d-wd0&_rdr>. Acesso em: 21 maio 2024. 
4 Postagens realizadas em 17 dez. 2017, 23 dez. 2017 e 15 set. 2018. 
 
 
9 
O Poeta se utiliza de uma mesma Linguagem em seus Poemas, o filtro 
preto e branco, o enquadramento mais aproximado/aberto (zoom in, zoom 
out), demonstrando uma repetição em sua escolha Estética, formando um 
Estilo da produção Poética do Autor. 
• Finalidade: sempre quando um Texto é produzido, ele pretende dizer 
algo; há sempre um Leitor imaginário, mesmo que não bem definido. 
Escrevemos, sinalizamos, desenhamos, filmamos, pensando em um 
público-sujeito. O que e a quem pretendemos atingir? Quem são os 
leitores, telespectadores, grupos e instituição a qual o Texto é 
publicizado? A Finalidade corresponde diretamente ao desejo de alcance 
do Autor. 
Essas informações sobre a Composicionalidade do Gênero Textual 
nos permitem observar a qual Esfera Discursivapertence o Gênero, assim como 
qual tipo de Texto se refere. Ao observar Textos, repare que os Gêneros 
mostram semelhanças, mesmo quando produzidos por Autores diferentes. Uma 
bula de remédio tem sempre uma Estrutura, assim como uma receita de comida; 
independentemente do produto, nós a reconhecemos facilmente. O Estilo, em 
especial, pode nos revelar a quem pertence o Texto. Alguns Autores 
reconhecemos pela forma da escrita, inclusive em Textualidades Visuais, como 
Tarsila de Aguiar do Amaral (1886-1973), Romero Francisco da Silva Brito 
(Britto) (1963-) e Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón (1907-1954). 
Temos certeza de que você consegue reconhecer os Estilos desses Artistas, 
mesmo à primeira vista da Obra. 
TEMA 4 – GÊNEROS TEXTUAIS EM LIBRAS 
Enfim, chegamos ao conceito primordial de nossa Disciplina. Mas, antes 
de entrarmos na discussão teórica que aloca esse Conceito, é necessário 
enfatizar que pesquisas relacionadas aos Gêneros Textuais em Libras são muito 
incipientes ainda, embora os Gêneros Sinalizados já se mostrem inúmeros e 
diversificados nas Esferas Sociais; a pesquisa Acadêmica e das Políticas 
Linguísticas ainda carece de maior aprofundamento e incentivo para circulação 
dos Textos Sinalizados. Falar sobre Políticas Linguísticas nesse contexto é 
reconhecer que Ações Públicas voltadas para a Língua de Sinais irão intensificar 
 
 
10 
a circulação da Língua em diferentes Esferas Discursivas, forjando a produção 
de mais Gêneros Textuais em Libras. 
Pesquisas desenvolvidas por um dos Professores desta Disciplina, 
Jonatas, em conjunto com a Professora Sueli de Fátima Fernandes e com o 
Professor Rhaul de Lemos Santos, encaminham uma vasta discussão no Campo 
acadêmico relacionada à necessidade de categorizar, para fins Pedagógicos, os 
diferentes Gêneros Textuais produzidos em Libras, assim como descrever 
Metodologias de Tradução de Gêneros Textuais e até mesmo descrever os 
percursos de produção desses Gêneros. 
A pesquisa dos gêneros textuais sinalizados requer a constituição de 
um corpus com número representativo do gênero em foco, de modo a 
identificar traços regulares e prototípicos que nos levem a caracterizar 
e explicar usos da língua. (Medeiros; Fernandes, 2020, p. 79) 
Entendemos que a riqueza Textual da Comunidade Surda passa, 
infelizmente, desapercebida dentro das discussões de Linguística Aplicada, 
principalmente no que tange ao uso dos Gêneros Textuais Sinalizados como 
recurso Pedagógico frutífero para o Ensino de Libras para Crianças Surdas, 
assim como para o Ensino de Português na relação entre as Línguas. Isso não 
significa que professores de Libras não utilizam vídeos como recursos 
Pedagógicos, sabemos até mesmo que a prática é recorrente, porém, não há 
sistematizações Pedagógicas e Linguísticas que possam orientar práticas de 
Ensino de forma estruturada, com fins e objetivos comuns para o Letramento das 
Comunidades Surdas em fase Escolar. 
Assim como a Língua Portuguesa, que possui um vasto corpus de Análise 
dos Gêneros Textuais e sua aplicabilidade em Sala de Aula, é urgente a 
construção de Conteúdos e Metodologias que organizem as Textualidades 
Surdas para que elas possam ser ensinadas Pedagogicamente na Educação de 
Surdos, estabelecendo objetivos comuns mínimos para a Disciplina de Libras, 
assim como o Ensino de Português para Surdos como L2 (Segunda Língua). 
4.1 O que define um Gênero Textual Sinalizado? 
Para estruturarmos essa definição, iremos analisar, em conjunto, um 
Gênero Textual sinalizado. 
 
 
 
11 
Estrutura, temática, estilo, finalidade 
Se pensarmos em uma definição ampla, os Gêneros Textuais em Libras 
podem ser identificados em Videolibras, podendo ser Sinalizados Face a Face, 
ou por meio de algum recurso tecnológico. Os Gêneros Textuais Face a Face se 
referem aos Gêneros Orais das Línguas de modalidade Oral-Auditiva. Já os 
Videolibras podem ser visualizados como Textos Materializados. 
O Enunciado, seja Sinalizado em ambiente ao vivo, seja gravado, possui 
determinadas Estruturas, com Conteúdos Temáticos, assim como uma 
composicionalidade interna na produção de seu Texto. Os Gêneros Sinalizados 
Face a Face, em rodas de conversa, diálogos, sem o objetivo do registro, são da 
natureza do Enunciado concreto, maleável, com interferências e intercorrência 
próprias da presença e da interferência do outro, por suas colocações e 
expressões, seja de concordância ou discordância, o olhar do outro que nos 
interpela e participa da construção do nosso Texto, interpelando e direcionando 
o Ato da Fala/Sinalização. 
Em relação ao Suporte Vídeo, por se tratar de um registro, o nosso 
Interlocutor é imaginado, não estando presente no instante de nossa Produção 
Textual, o que nos obriga a organizar o Texto de forma que se estabelece um 
Diálogo sem as pistas exatas daqueles que desejamos interpelar. Objetiva-se 
que um Texto Gravado seja registrado, passível de revisitação e até mesmo 
duradouro (mesmo que o tempo possa ser efêmero). Um Videolibras para 
WhatsApp®, com recurso de visualização única, é diferente de um Videolibras do 
Gênero Literário Poesia publicado em uma Rede Social. Ambos são Vídeos, 
ambos são registros, enquanto um mais é mais efêmero, e o outro, duradouro. 
4.2 Vídeo em Libras, Videolibras, Videossinalizado 
Por ser um debate emergente dentro do Campo dos Estudos Linguísticos 
da Língua de Sinais, assim como dentro da Linguística textual, é comum 
observarmos a variação conceitual na Literatura vigente sobre Gêneros Textuais 
em Libras. 
É observado o uso do termo Vídeo em Libras nas primeiras publicações 
que trazem o Vídeo como elemento do registro da Libras, debatendo questões 
relacionadas à performance dos Sinalizantes, assim como das questões técnicas 
da produção de Textos Sinalizados, em Vídeo. Em pesquisas realizadas 
 
 
12 
oriundas do debate dos Estudos da Tradução com a Linguística Textual, 
optamos por trabalhar com o uso do termo Videolibras, para distinguir os 
Gêneros Textuais em Libras de meros Vídeos em Libras, porque a composição 
desses vídeos é subordinada ao interesse de dado Contexto comunicativo. 
O Pesquisador Surdo Rodrigo Custódio da Silva cunha o termo 
Videossinalizado para denominar os mais diferentes Tipos de Gêneros Textuais 
Sinalizados em Vídeo. Essas definições, em um primeiro momento, aparecem 
como sinônimos, mas podem sofrer melhores definições, conforme haja avanço 
teórico no Campo. 
4.3 Gêneros Textuais em Multimídia 
As novas Tecnologias, evidentemente, irão interferir nos Gêneros 
Textuais, produzindo novos Gêneros ou mesmo reformulando a forma que 
determinados Gêneros Textuais são produzidos. Em certo momento histórico, 
uma carta romântica se tornou uma declaração no Orkut®, gerando disputas pelo 
“topo” da página da pessoa amada, quem não se lembra desse recurso? Hoje, 
a carta romântica pode assumir a forma de um post com a foto e/ou o vídeo de 
momentos felizes do casal. 
O Gênero se modificou, recebendo novos contornos, tornando-se outro 
Gênero. 
O universo da multimídia permite diferentes combinações Textuais, sejam 
de Textos Escritos ou Visuais, imagens, cores, layout, e afins. Diferentes 
Linguagens podem se cruzar e formar sentidos diversos de Gêneros Textuais, 
produzidos em meio a Gêneros Discursivos ligados às Esferas Sociais. Essa 
observância enriquece e complexifica nossa Leitura Textual, necessitando de 
novas ferramentas Linguísticas para leitura de mundo. Novos Letramentos e 
habilidades vão se fazendo necessárias para nos relacionarmos com as 
Textualidades Multimodais que nos interpelam. 
A Multimodalidade cria novas Gêneros Textuais que interagem palavras, 
imagens, vídeos, sons, hiperlinks e todo um universo de Linguagens e 
Modalidades que se relacionam e criam camadas de Significados e sentidos 
cada vez mais complexos e relacionais. 
 
 
 
13 
TEMA 5 – GÊNEROS TEXTUAIS E LETRAMENTOSPor fim, finalizamos nossos estudos com a articulação do debate dos 
Gêneros Textuais com o Conceito de Letramento. Antes de tudo, é importante 
definir o que se entende por Letramento nessa perspectiva dos Gêneros Textuais 
Sinalizados. 
O Letramento (ou Letramentos) se refere aos Conhecimentos que um 
indivíduo tem sobre determinando assunto, assim como sua capacidade de ler 
as Textualidades presentes naquele Gênero Discursivo. Pensemos em uma 
pessoa Acadêmica, que lê Artigos Científicos. Ela pode ser letrada e conhecer 
muito sobre o Gênero Textual Acadêmico, mas nem um pouco letrada na 
interpretação de receitas culinárias. Um advogado pode ter um Letramento do 
contexto jurídico e não conhecer nada sobre Botânica, Letramento que um 
jardineiro possui na sua prática. Uma pessoa de idade pode não ser Alfabetizada 
e conseguir discorrer Textualidades acerca da Bíblia. Um Surdo pode não 
escrever o Português, mas pode produzir Poesias Visuais únicas. 
Essa reflexão é importante, porque não existem pessoas não letradas, 
mas sim pessoas com diferentes Letramentos e esses Letramentos apreendidos 
pelas mais variadas Finalidades. O que cabe em um processo Educacional é 
colocar em diálogo os diferentes universos que nossos Educandos carregam. 
Sendo assim, torna-se fundamental articular os Gêneros Textuais na 
construção de novos Letramentos no Ensino de Língua de sinais. Os Planos de 
Ensino de Língua necessitam se organizar levando em consideração a 
diversidade de Gêneros Textuais, e a necessidade de aplicá-los em Sala. Os 
Gêneros Textuais são Materialidades em diálogo com o mundo, portanto, sua 
função Pedagógica em Sala pode e deve ser explorada. Nesse sentido, as 
Políticas Linguísticas e Educacionais de Surdos são fundamentais para fomentar 
a produção Textual na Comunidade Surda e, consequentemente, possibilitar 
mais ainda a proliferação de Gêneros Textuais Sinalizados em Videolibras. 
Propiciar o Letramento digital para a Comunidade Surda e o Letramento 
Audiovisual possibilita maior autonomia das Pessoas Surdas nas produções de 
seus Textos. Formar Educadores Bilíngues para a produção de materiais 
Bilíngues, Videolivro em Libras, Videoreceitas, Videobulas, e toda a finitude de 
Textos que devem circular dentro da Comunidade Surda como um Direito do 
acesso e da produção de Linguagem. As Políticas de Tradução também 
 
 
14 
impactam diretamente na transladação de Textos em Videolibras, ampliando de 
forma exponencial o corpus de materiais em Videolibras. Conforme Medeiros e 
Fernandes (2020) comentam: 
Essas modalidades de gêneros vão se complexificando em aspectos 
materiais, à medida que a escolarização avança e, no ensino superior, 
o conhecimento dos gêneros textuais acadêmicos se amplia com as 
práticas de letramentos, leitura e escrita de textos variados que 
possuem características estruturais, discursivas, pragmáticas e 
estilísticas próprias, como projetos, resumos, artigos, nas vivências dos 
estudantes com as práticas de ensino, pesquisa e extensão que 
envolvem sua formação universitária. (Medeiros; Fernandes, 2020, p. 
68) 
O que os Autores explanam é que, com a possibilidade de explorar novos 
Gêneros Textuais Sinalizados, produzindo uma cadeia de Gêneros Textuais que 
se estendem a toda vida Educacional da Pessoa Surda, acabam por tornar o 
Videolibras mais complexo, tanto do ponto de vista Textual-Verbal quanto 
material. 
Por fim, é importante lembrar que o Ensino de Gêneros Textuais no 
Ensino Regular atende diretamente à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), 
sustentada como central no Ensino de Português, para os Parâmetros 
Curriculares Nacionais (PCNs). O Ensino deve ser contextualizado e formar o 
Estudante para diversas Linguagens de forma crítica e reflexiva. 
NA PRÁTICA 
Para aplicar os Conhecimentos adquiridos, analisemos o Gênero Textual 
presente na postagem do dia 4 de agosto de 2023 do perfil do Instagram® 
@linguasesociedadeuninter. 
• Estrutura: Multimodal, com presença de imagens, nome do Programa em 
destaque, Tema do Programa, data, horário, imagens do Apresentador e 
da Participante, logo da Empresa, logo do Programa e das Redes Sociais 
da Rádio, símbolo de live em destaque, e ao fundo, imagem do Cantor 
Elvis Presley adicionada ao post, apontamento para a música Suspicious 
Mind, do Cantor. 
• TEMÁTICA: Convite para live no YouTube®. 
• ESTILO: post de Instagram®, no feed, Linguagem Não Verbal e Verbal 
Simétrica, disposição organizada dos elementos visuais, destaque para 
principais informações, Multimodalidade. 
 
 
15 
• Finalidade: convidar Acadêmicos do Curso de Letras e interessados na 
Língua Inglesa para dialogar acerca da Língua, com base em uma música 
do Cantor Elvis Presley. 
Poderíamos ainda elaborar reflexões acerca do canal de circulação desse 
Gênero, as Redes Sociais, a possibilidade de interação com esse Gênero e até 
mesmo a sobreposição de Gêneros Textuais incorporados a esse exemplo, uma 
vez que se trata de um post de uma divulgação convidando Acadêmicos a 
assistirem uma live, no YouTube®. O Texto, inclusive, se relaciona com outras 
mídias. Para finalizar, poderíamos discutir acerca do Gênero Discursivo desse 
Texto, ligados a uma instituição de Ensino Superior, dialogando com música e 
Cultura Americana. São muitas camadas, não é mesmo? 
FINALIZANDO 
Nesta aula, dialogamos sobre a distinção entre Gêneros do Discurso e 
Gêneros Textuais. Averiguamos como diferentes Linguagens podem ser 
carregadas de Textualidade, o quanto os símbolos e objetos carregam Textos 
Socioecológicos em sua Semiótica. 
Compreendemos também o interesse do Campo dos Gêneros Textuais 
nas Estruturas e Funcionalidades dos Textos que circulam Socialmente, que a 
Composicionalidade de um Texto pode ser analisada por sua Estrutura, 
Temática, Estilo e Finalidade. 
Foi possível, ainda, contextualizar o Conceito de Gênero Textuais em 
Videolibras e aspectos da sua Composicionalidade. Conhecemos as variações 
das Terminologias utilizadas na Literatura Acadêmica para definir os Textos 
Sinalizados em Videolibras. 
Fica a nossa reflexão final sobre o quanto a produtividade de uma Língua 
está ligada aos seus meios de produção, o que implica Políticas Linguísticas, 
Políticas de Tradução e Políticas Educacionais. Nosso trabalho como 
Professores de Libras e a qualidade do Ensino se articulam aos Gêneros 
Discursivos e Textuais que pautam ou invisibilizam nossa atividade Docente. 
Os Gêneros Textuais em Videolibras já são inúmeros, mas ainda há muito 
o que construir. 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
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<https://www.instagram.com/p/CvihSHhJxGc/>. Acesso em: 21 maio 2024.. 
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branqueamento no Brasil imperial. Nova Escola. Disponível em: 
<https://novaescola.org.br/planos-de-aula/fundamental/8ano/historia/redencao-
de-cam-imigracao-e-branqueamento-no-brasil-imperial/5467>. Acesso em: 21 
maio 2024.. 
COSTA, R. F. Aula 6: GÊNEROS TEXTUAIS ACADÊMICOS. Centro de 
Educação Superior a Distância (CESAD). Disponível em: 
<https://cesad.ufs.br/ORBI/public/uploadCatalago/13281119072021Aula_06.pdf
>. Acesso em: 21 maio 2024.. 
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<https://www.instagram.com/edinhopoesia/>. Acesso em: 21 maio 2024.. 
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Paulo, 2ª ed., 2016. 
MARCUSCHI, L. A. Gêneros Textuais: Definição e Funcionalidade. In: 
DIONISIO, A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Org.). Gêneros Textuais 
& Ensino. Editora: Parábola, São Paulo, 2010. 
MEDEIROS, J. R.; FERNANDES, S. de F. GÊNEROS TEXTUAIS EM 
VIDEOLIBRAS: UM ESTUDO DE ASPECTOS COMPOSICIONAIS. Revista 
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08 mai. 2023. 
NOTISURDO. Charge “Quelegal! seus pais usam língua de sinais, então 
eles podem conversar com boca cheia!”. Disponível em: 
<http://notisurdo.com.br/chargealmococonversa.html>. Acesso em: 21 maio 
2024.. 
RECURSOS E MATERIAIS PARA O ENSINO DE PORTUGUÊS PARA 
ALUNOS SURDOS. Tirinhas. Disponível em: 
<https://letrasdeoficina.wordpress.com/2016/11/29/tirinhas/>. Acesso em: 21 
maio 2024.. 
 
 
17 
SURDALIDADES. Tomara que o Papai Noel atenda os três desejos 
importantes para a vida dos surdos. Facebook. Disponível em: 
<https://www.facebook.com/surdalidades/photos/tomara-que-o-papai-noel-
atenda-os-tr%C3%AAs-desejos-importantes-para-a-vida-dos-
surdo/1101977513168167/?paipv=0&eav=AfZX3pYEL1s8hHh_HFoNoKoTsYg
YcwEuyzHH0j17Grq7nVkkwhTrwEX8RCd1N_GqhqE&_rdr>. Acesso em: 21 
maio 2024..

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