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Prévia do material em texto

E-BOOK
CONTROLE DA POLUIÇÃO
Características gerais da atmosfera e 
fontes de poluição
APRESENTAÇÃO
Se não fosse pela atmosfera, a vida na Terra seria impossível. A atmosfera é constituída por 
diversos gases, entre eles o nitrogênio e o oxigênio, que são gases vitais para a vida de todos os 
seres vivos que habitam a este planeta. Nesta Unidade de Aprenziagem, você verá o que é 
atmosfera, suas camadas, a composição do ar e as principais fontes de poluição atmosférica. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Descrever o que é atmosfera e suas camadas.•
Identificar a composição do ar.•
Identificar as principais fontes de poluição atmosférica.•
DESAFIO
Em uma determina cidade, foram dados diversos incentivos para a instalação de indústrias de 
grande porte. Isso aumentou, consequentemente, e muito, o número de habitantes dessa cidade, 
pois muitos vieram de outras regiões em busca de trabalho. Com isso, a cidade aumentou 
assustadoramente, pois ruas tiveram que ser abertas e o número de carros aumentou em 
praticamente 80%, em comparação a 10 anos atrás. Infelizmente, não houve organização e 
planejamento e, atualmente a cidade apresenta altos índices de poluição atmosférica.
João é um senhor, produtor rural, que reside a cerca de 30 km dessa cidade e vive 
tranquilamente. Porém, ele anda intrigado com algumas situações que vêm ocorrendo em sua 
propriedade e arredores.
João entrou em contato com você, especialista na área ambiental e um grande conhecedor dos 
impactos que as instalações de indústrias podem causar na região.
O senhor relata que em sua lavoura de pinus está ocorrendo uma grande mortandade de árvores 
e em seus açudes alguns peixes estão morrendo. Ele cita que esses fenômenos começaram a 
ocorrer desde que a cidade vizinha começou rapidamente a se desenvolver.
Para atender à solicitação de João, você irá elaborar um pequeno laudo técnico, informando o 
que está ocasionando essa situação em sua propriedade e nos arredores.
INFOGRÁFICO
A atmosfera é essencial para a vida na Terra, mas as atitudes impensáveis do homem estão 
colocando em risco o futuro do planeta. Diversas fontes de poluição liberam grandes 
quantidades de poluentes na atmosfera diariamente.
Vejo no infográfico as camadas que compõem a atmosfera e as principais fontes de poluição na 
zona rural e urbana.
CONTEÚDO DO LIVRO
Para ler mais sobre como as diferentes fontes de poluição atmosférica estão provocando 
mudanças no clima da Terra, faça a leitura do capítulo Características gerais da atmosfera e 
fontes de poluição, que faz parte do livro "Controle da poluição", base teória desta Unidade de 
Aprendizagem.
Boa leitura.
Características gerais 
da atmosfera e fontes 
de poluição
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Descrever o que é atmosfera e quais são suas camadas.
 � Identificar a composição do ar.
 � Reconhecer as principais fontes de poluição atmosférica.
Introdução
A vida no nosso planeta seria impossível, se não fosse pela atmosfera, uma 
camada que envolve a Terra e apresenta uma espessura que ultrapassa 
2.000 km, apesar de 97% dos gases se concentrarem entre os primeiros 
30 km. Os limites superiores podem chegar a 10.000 km. 
A atmosfera é constituída por diversos gases, entre eles o nitrogê-
nio e o oxigênio, gases vitais para a vida de todos os seres vivos. No 
entanto, devido a inúmeras ações antrópicas irresponsáveis, a polui-
ção atmosférica está se agravando cada vez mais. O lançamento de 
poluentes de chaminés de fábricas e, principalmente, da queima de 
combustível fóssil de veículos automotores são as principais fontes 
de poluição.
Atmosfera: definições gerais
Segundo Boligian e Alves (2004), a atmosfera terrestre é uma mistura de gases 
que contorna o planeta Terra (sendo que, em condições normais, esses gases 
são inodoros e incolores) e está dividida pela exosfera, termosfera, mesosfera, 
estratosfera e troposfera. A atmosfera é formada por uma camada de gases 
com espessura entre 750 e 1.000 km, a qual envolve a superfície terrestre, 
sendo mantida ao redor do planeta pela força da gravidade.
Os gases que compõem a atmosfera são o nitrogênio (78%), o oxigênio 
(21%) e outros gases, tais como argônio, hélio, neônio, ozônio, dióxido de 
carbono e de vapor de água (1%), sendo que a concentração dos gases at-
mosféricos, no entanto, varia de acordo com a altitude, assim originando as 
diferentes camadas da atmosfera. Esses gases não se espalham devido à ação 
da gravidade. Do espaço, é possível vê-la contornando a Terra. A atmosfera 
exerce funções vitais que garantem a vida no planeta Terra. Entre essas fun-
ções, podemos citar a de filtragem, proteção, conservação e controle do efeito 
estuda, detalhadas a seguir.
 � Filtragem: uma das funções dos gases da atmosfera é impedir a pas-
sagem dos raios solares. Esses gases impedem cerca de dois terços das 
radiações solares, fazendo com que os raios em excesso e nocivos não 
cheguem à superfície terrestre, permitindo a vida na Terra.
 � Proteção: no espaço há muitos fragmentos de astros que se desinte-
gram, e os planetas são constantemente atingidos por esses fragmentos. 
A atmosfera é responsável por não deixar que eles cheguem até a 
superfície.
 � Conservação: ela é responsável por permitir a vida durante a noite. Todo 
o calor incidido no planeta durante o dia é conservado pela atmosfera 
para que durante a noite o planeta continue aquecido.
 � Efeito estufa: esta pode ser considerada a principal função da atmos-
fera, visando à existência de qualquer vida na Terra. O efeito estufa 
é o nome dado à capacidade que a atmosfera tem de manter as tem-
peraturas estáveis em nosso planeta. Sem esse efeito, as temperaturas 
teriam amplitudes térmicas enormes diárias e, assim, não haveria o 
desenvolvimento de nenhum tipo de vida em nosso planeta. 
À medida que se sobe em direção ao espaço, a atmosfera começa a ficar 
rarefeita, ou seja, com menor densidade e menor concentração de gases. 
Assim, a sua massa estará mais próxima da superfície do planeta. Não há 
uma separação visível entre a atmosfera e o espaço, mas geralmente o limite 
estabelecido é de 100 km de altitude, conhecido como Linha de Karman. 
Porém, levando em consideração a ação da gravidade na Terra, a espessura 
da atmosfera é bem maior, de aproximadamente 10.000 km.
Características gerais da atmosfera e fontes de poluição2
Tipos de raios solares
Em relação aos raios solares que incidem na atmosfera terrestre, eles podem 
ser divididos em três tipos: UVA, UVB e UVC. 
 � Os raios UVC são os mais perigosos, porém são filtrados na camada 
de ozônio antes de entrarem em contato com a superfície terrestre. 
 � Os raios UVA são caracterizados por estarem presentes em maior parte 
no espectro de radiação e na chegada à superfície terrestre. São mais 
longos e penetram profundamente na pele. São intensos durante todo 
o ano e causam manchas, envelhecimento cutâneo pela alteração das 
fibras de colágeno e elastina, fotoalergia e, a longo prazo, rugas, flacidez 
e câncer de pele pelo efeito acumulativo dos raios. 
 � Os raios UVB são mais intensos do que os UVA, mas são pouco longos 
e são parcialmente absorvidos pela camada de ozônio, atingindo a pele 
superficialmente. Durante o verão, em altas atitudes e em regiões próximas 
à linha do Equador, como no caso do Brasil, possuem maior intensidade, 
causando vermelhidão, queimaduras e predisposição ao câncer de pele.
Camadas da atmosfera
A atmosfera pode ser dividida em diferentes camadas: 
 � Exosfera: é a última camada atmosférica, estendendo-se da termos-
fera até o espaço exterior. É a camada onde se posicionam os satélites 
artificiais no entorno da Terra.
 � Termosfera: estende-se da mesosfera até cerca de 500 km de altitude. É uma 
camada importante para as comunicações, pois contém grande quantidade 
de gases ionizados querefletem determinados tipos de ondas de rádio.
 � Mesosfera: estende-se da estratosfera até aproximadamente 80 km. É 
a camada com as temperaturas mais baixas.
 � Estratosfera: estende-se da troposfera até cerca de 50 km de altitude. 
Nesta camada encontra-se a camada de gás ozônio (O
3
), de aproxima-
damente 22 km de altitude. Nesta mesma camada, são filtrados os raios 
ultravioletas emitidos pelo Sol.
 � Troposfera: esta é a camada mais baixa da atmosfera, estendendo-se 
até cerca de 15 km de altitude. Nesta camada ocorre a maioria dos 
fenômenos meteorológicos, tais como as tempestades, os ventos, as 
chuvas, as precipitações de neve ou granizo e a formação de geadas. 
3Características gerais da atmosfera e fontes de poluição
A Figura 1 apresenta uma ilustração da classificação das camadas 
atmosféricas.
Figura 1. Camadas da atmosfera.
Fonte: Adaptada de trgrowth/Shutterstock.com.
A
TERMOSFERA
EXOSFERA
A
ATMOSFERA
50 A 80 KM
MESOSFERA
12 A 50 KM
ESTRATOSFERA
TERMOSFERA
A
EXOSFERA
A .
A
LINHA DE KARMAN
CAMADA DE OZÔNIO
A 1.
ATMOSFERA
0 A 12 KM
TROPOSFERA
Alguns pesquisadores (BOLIGIAN; ALVES, 2004; BRYSON, 2005; 
FLANNERY, 2008) descrevem que a troposfera é parte mais importante das 
camadas terrestres, pois contém calor e oxigênio necessários para a sobre-
vivência humana. A um terço dela, encontra-se a camada mais baixa, que 
contém a metade de todos os gases na atmosfera, sendo a única parte de toda 
a atmosfera onde é possível respirar. 
Características gerais da atmosfera e fontes de poluição4
Composição do ar
O homem interfere há séculos no meio ambiente, apropriando-se dos recursos 
naturais esgotáveis para diferentes finalidades, cuja variação se dá de acordo 
com seu estágio de desenvolvimento tecnológico, com a demanda em função 
do crescimento populacional e com os padrões de consumo. Após a Revolução 
Industrial, ocorreu a intensificação das intervenções humanas, acarretando 
na degradação dos sistemas naturais. Atualmente, a poluição atmosférica é 
um problema mundial que vem se agravando devido às irresponsáveis interfe-
rências antrópicas. Há uma urgente necessidade de proteger o meio ambiente, 
visto que as ações humanas estão acarretando modificações das condições 
que possibilitam a vida nele.
É graças ao ar atmosférico que a vida na Terra se torna possível. Logo, é 
fundamental que seu aspecto biológico esteja em conformidade com os padrões 
de qualidade. O uso biológico do ar ocorre por meio da respiração aeróbia, 
pela troca de gases realizada pelos seres vivos, com o objetivo de assegurar 
a sua existência e manter o equilíbrio químico atmosférico.
O oxigênio compõe aproximadamente 21% da nossa atmosfera e é o terceiro elemento 
mais abundante do universo. Ainda assim, não é uma molécula fácil de se manter. Ele é 
extremamente reativo, formando óxidos e outros compostos com praticamente todos 
os outros elementos da tabela periódica. É com a ajuda das cianobactérias, também 
conhecidas como algas azuis, que existe tanto oxigênio na atmosfera. Essas algas 
são capazes de usar a luz solar e combinar água com dióxido de carbono, formando 
carboidratos e oxigênio. Esse processo, a fotossíntese, é feito não só pelas algas, mas 
também pelos cloroplastos das plantas, que não deixam de ser algas incorporadas 
simbioticamente.
A qualidade do ar atmosférico possui grande relevância em relação aos 
direitos à vida e à existência digna. A Constituição Federal de 1988 descreve 
que todos têm o direito de viver com qualidade, respirar o ar não poluído, 
consumir água limpa, ter acesso à proteção e à saúde. Logo, existe uma corre-
lação entre o direito à vida, à saúde e ao equilíbrio ambiental (BRASIL, 1988).
A composição do ar não é constante nem no tempo, nem no espaço. Contudo, 
se removêssemos as partículas suspensas, vapor d’água e certos gases variáveis, 
5Características gerais da atmosfera e fontes de poluição
presentes em pequenas quantidades, encontraríamos uma composição muito 
estável sobre a Terra. A seguir apresentamos a proporção dos 15 principais 
gases presente na atmosfera:
Gases permanentes:
 � Nitrogênio (N
2
): 78,08% 
 � Oxigênio (O
2
): 20,95% 
 � Argônio (Ar): 0,93% 
 � Neônio (Ne): 0,0018%
 � Hélio (He): 0,00052%
 � Criptônio (Kr): 0,00010%
 � Xenônio (Xe): 0,000009%
 � Hidrogênio (H
2
): 0,00005%
 � Óxido nitroso (N
2
O): 0,00005%
Gases variáveis: 
 � Vapor d’água (H
2
O): 5300 ppmv em média 
 � Gás carbônico (CO
2
): 0,035% 
 � Ozônio (O
3
): 0 a 0,01% 
 � Dióxido de enxofre (SO
2
): 0 a 1,0 ppmv 
 � Metanol (CH
4
): 2,0 ppmv 
 � Propanol (C
3
H
8
): 2,0 ppmv
Tais proporções compõem o padrão ideal de pureza do ar, que deve ser 
preservado ou, ao menos, servir como meta a ser atingida, dado que traduz 
o conceito de ar como matéria-prima da respiração dos seres vivos. O vapor 
d’água é um dos mais variáveis gases na atmosfera e também tem pequena 
participação relativa. Nos trópicos úmidos e quentes, ele constitui não mais do 
que 4% do volume da baixa atmosfera, enquanto, sobre os desertos e regiões 
polares, ele pode constituir uma pequena fração de 1%. Contudo, sem vapor 
d’água, não há nuvens, chuva ou neve. Além disso, o vapor d’água também 
tem grande capacidade de absorção, tanto da energia radiante emitida pela 
Terra (em ondas longas) quanto de alguma energia solar.
O oxigênio e o gás carbônico são os componentes mais importantes 
do ar atmosférico. O primeiro é um produto da fotossíntese, sendo um 
subproduto da reação que objetiva a fixação do carbono do gás carbônico 
atmosférico. Sua principal função é possibilitar a vida pela respiração 
Características gerais da atmosfera e fontes de poluição6
 aeróbica. O segundo é originado essencialmente de calcinações e com-
bustões, também fundamental na respiração aeróbica. Ele é fixado pelos 
organismos fotossintetizantes pelo processo da fotossíntese, que constrói 
as moléculas de hidrato de carbono.
O ozônio é um gás vital para a vida na Terra devido a sua capacidade 
de absorver a radiação ultravioleta do Sol na reação de fotodissociação. Na 
ausência da camada de ozônio, a radiação ultravioleta seria letal para a vida. 
Desde os anos 1970, tem havido uma contínua preocupação de que uma redução 
na camada de ozônio na atmosfera possa estar ocorrendo por interferência 
humana, principalmente devido ao uso dos clorofluorcarbonos (CFCs), que 
estão presentes nos aerossóis, ar-condicionado, gás de geladeira, espumas 
plásticas e solventes e acumulam-se nas camadas superiores da atmosfera, 
onde podem ser decompostos pela radiação ultravioleta (UV). Assim, liberam 
bromo e cloro, os quais reagem com o ozônio, decompondo-o em oxigênio. 
Com isso, o principal constituinte dessa camada, o ozônio, está aos poucos 
sendo eliminado, e um buraco na camada de ozônio está sendo formado. 
Dessa forma, os raios UV não são mais retidos e incidem sobre a atmosfera, 
causando sérios danos aos seres vivos. 
A atmosfera, além de conter gases, também contém pequenas partículas, 
líquidas e sólidas, chamadas de aerossóis atmosféricos. São partículas sólidas 
ou líquidas em suspensão em um gás e possuem várias denominações, de acordo 
com seu tamanho, origem e processo de formação. A maior concentração é 
encontrada na baixa atmosfera, próxima à sua fonte principal, a superfície 
da Terra. Eles podem se originar de incêndios florestais, erosão do solo pelo 
vento, cristais de sal marinho dispersos pelas ondas que se quebram, emissões 
vulcânicas e atividades agrícolas e industriais. Alguns aerossóis podem se 
originar na parte superior da atmosfera, como a poeira dos meteoros que se 
desintegram. 
Embora a concentração dos aerossóis seja relativamente pequena, eles 
participam de processos meteorológicos importantes:
1. Os aerossóis agem como núcleos de condensação para o vapor d’água, 
sendo importantes para a formação de nevoeiros, nuvens e precipitação. 
2. Os aerossóis podem absorver ou refletir a radiação solar incidente,influenciando a temperatura. 
3. Os aerossóis contribuem para um fenômeno ótico conhecido: as várias 
tonalidades de vermelho e laranja no nascer e no pôr do sol.
7Características gerais da atmosfera e fontes de poluição
No artigo a seguir, apresentam-se a origem do termo “aerossol” e seu histórico, bem 
como as estimativas de produção e seus efeitos. Acesse o link a seguir.
https://goo.gl/ea69Jy
Fontes de poluição atmosférica
Segundo o artigo 3º, da Lei nº 6.938/81, poluição é o dano causado ao meio 
ambiente devido às ações antrópicas, não se considerando como tal as causas 
naturais. As fontes de poluição atmosférica são predominantemente relacio-
nadas com as zonas urbanas, mas também podem estar presentes no meio 
rural. A qualidade do ar atmosférico se compromete a partir do momento em 
que substâncias como, por exemplo, o monóxido de carbono e o dióxido de 
carbono são emitidas em grandes quantidades. No meio rural, esse fato pode 
estar relacionado à ocorrência de queimadas antes de realizar o cultivo ou para 
limpeza do terreno. No entanto, existem outras fontes de poluição atmosférica 
provocadas por agrotóxicos, uso de incineradores, a utilização inadequada 
de resíduos, entre outras.
A poluição atmosférica em zonas urbanas está relacionada principalmente 
com os poluentes lançados pelas chaminés de fábricas e pelos contaminantes 
lançados da queima de combustível fóssil pelos veículos automotores.
Os poluentes emitidos pelos veículos automotores são responsáveis pelas 
emissões de gases como hidrocarbonetos, óxidos de nitrogênio e monóxido de 
carbono, bem como de material particulado. Os índices de emissões de gases 
dependem da natureza do combustível, sendo que, no Brasil, os principais com-
bustíveis utilizados são o etanol, diesel, gasolina e gás natural. Conforme Brito 
(2005), os gases mais conhecidos originados pela queima desses combustíveis 
e com os limites definidos pela legislação são o monóxido de carbono (CO), 
hidrocarbonetos (HC), óxidos de nitrogênio (NO
x
) e óxidos de enxofre (SO
x
).
Derivados de petróleo, como gasolina e óleo diesel ainda continuam sendo 
os combustíveis predominantes utilizados nos meios de transporte. No caso 
do Brasil, ocorre um amplo uso de álcool etílico ou etanol, utilizado tanto 
como combustível exclusivo quanto misturado a derivados de petróleo como a 
gasolina. Entretanto, percebe-se uma expansão no uso do gás natural veicular, 
Características gerais da atmosfera e fontes de poluição8
principalmente em veículos leves de uso intensivo (táxis e frotas cativas) em 
grandes centros urbanos (MENDES, 2004).
Brito (2005) afirma que as emissões veiculares advêm do tubo de escapa-
mento (gases), do sistema de alimentação de combustível, juntas e conexões 
(emissões evaporativas) e dos respiros do cárter, e também deve ser levado em 
conta o material particulado. Entre 1980 e 2009, com projeções para o período 
entre 2010 e 2020, foi realizada uma pesquisa sobre emissões veiculares no 
Brasil pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). Esse estudo indicou 
que, até 2020, ainda haverá um crescimento na frota veicular. Em 2009, os 
carros movidos a gasolina foram responsáveis por 71% das emissões de CO, 
enquanto o etanol foi responsável por 18%. Estima-se que, em 2020, 47% das 
emissões de CO serão de carros movidos a gasolina, e 33%, dos movidos a 
etanol. 
A quantidade e o tipo de poluente emitido dependem do tipo de combustível 
utilizado, do tipo de motor, da regularidade de manutenção e do modo como 
o veículo é conduzido. Os veículos podem emitir hidrocarbonetos mesmo 
se inoperantes pela evaporação do combustível pelo respiro do tanque e no 
sistema de carburação do motor. Já em veículos mais novos, com a adição 
de novas tecnologias como catalisadores, injeção eletrônica de combustível, 
entre outras tecnologias, esse tipo de emissão se torna insignificante, mas, ao 
se analisar o número de veículos existentes nas grandes cidades, verifica-se a 
geração de toneladas desses poluentes por dia (MANZOLI, 2009).
Conforme apresentado na Figura 2, as emissões de combustíveis fós-
seis aumentaram em 63,5% entre os anos de 1990 a 2005, de 189.635 para 
309.978 GgCO
2
 (Gigagrama de CO
2
). No período analisado, observa-se uma 
média anual de crescimento das emissões de 3,4%. Ao longo do período, as 
emissões dos fósseis líquidos se mantêm predominantes, embora tenham sua 
participação, no total de emissões, reduzida de 79,9% para 71,4% (COMPA-
NHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 2010 apud 
POZZAGNOLO, 2013).
Para Manzoli (2009), a grande maioria dos poluentes lançados na at-
mosfera por veículos automotores é devido à combustão incompleta do 
combustível. A combustão incompleta, somada ao uso de combustível de 
forma ineficiente, decorrente de proporções inadequadas de ar e combustível 
fornecidos ao motor, contribui para a presença de monóxido de carbono nos 
produtos da combustão. Quando a combustão é completa, todo o combustível 
é convertido em dióxido de carbono e água. Esse processo ocorre quando a 
quantidade de ar e de combustível são fornecidos nas proporções corretas 
para a sua queima.
9Características gerais da atmosfera e fontes de poluição
Em 2011, os principais combustíveis utilizados pela frota nacional foram o óleo diesel, 
gasolina, etanol e gás natural. Observe o gráfico da Figura 2.
Figura 2. Consumo de energia nos transportes em 2011.
Fonte: Empresa de Pesquisa Energética (2012, p. 27).
Características gerais da atmosfera e fontes de poluição10
Características gerais da atmosfera e fontes de poluição12
BOLIGIAN, L.; ALVES, A. Geografia: espaço e vivência. São Paulo: Atual, 2004. (Ensino 
Médio, v. único).
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: 
Senado Federal, 1988.
BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio 
Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providên-
cias. Brasília: Presidência da República, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm>. Acesso em: 22 jun. 2017.
BRITO, H. P. Análise das emissões atmosféricas geradas por veículos automotores em 
Natal - RN. 2005. 166 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) – Programa 
de Pós-graduação em Engenharia Mecânica, Universidade Federal do Rio Grande 
do Norte, Natal, 2005.
BRYSON, B. Breve história de quase tudo. São Paulo: Companhia da Letras, 2005.
EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Balanço energético nacional 2012. Rio de Janeiro: 
EPE, 2012. Disponível em: <https://ben.epe.gov.br/downloads/Resultados_Pre_
BEN_2012.pdf>. Acesso em: 08 jun. 2017.
FLANNERY, T. Os senhores do clima. 2. ed. São Paulo: Record, 2008.
MENDES, F. E. Avaliação de programas de controle e poluição atmosférica por veículos no 
Brasil. 2004. 189 f. Tese (Doutorado em Engenharia) – Programa de Pós-Graduação em 
Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004.
POZZAGNOLO, M. Análise das emissões de gases em veículos automotores do ciclo Otto. 
2013. 96 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Ambiental) – 
Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas, UNIVATES, 2013. Disponível em: <https://
www.univates.br/bdu/bitstream/10737/393/1/MarceloPozzagnolo%20.pdf>. Acesso 
em: 23 jun. 2017.
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
DICA DO PROFESSOR
As indústrias são grandes emissoras de poluentes atmosféricos, os quais podem variar em maior 
ou menor grau, dependendo do porte da indústria, do tipo de segmento (atividade) e da matéria 
prima utilizada.
Veja no vídeo a seguir um pouco mais sobre as medidas diretas que visam minimizar os 
poluentes atmosféricos industriais.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
EXERCÍCIOS
1) Em relaçãoà atmosfera, ela pode ser dividida em diferentes camadas. Em qual das 
camadas citadas a seguir ocorre a formação da maioria dos fenômenos 
meteorológicos?
A) Troposfera.
B) Mesosfera.
C) Estratosfera.
D) Termosfera.
E) Exosfera.
2) Sabe-se que o reflorestamento é uma maneira que visa diminuir o grau de poluentes 
encontrados na atmosfera. Em relação a tal prática, qual a alternativa correta?
A) O reflorestamento irá contribuir para uma melhoria contínua da temperatura global.
B) O reflorestamento auxilia na retenção do carbono na matéria orgânica das árvores, o que 
diminui o gás carbônico atmosférico responsável pelo efeito estufa.
C) O reflorestamento auxilia no uso de combustíveis renováveis, como o carvão vegetal, e 
contribui para a diminuição da emissão de gás carbônico na atmosfera.
D) O reflorestamento auxilia na absorção de clorofluorcarbonetos (CFC), um dos principais 
gases responsáveis pela destruição da camada de ozônio.
E) O reflorestamento pode melhorar o clima de um continente inteiro.
3) A atmosfera contém pequenas partículas, que podem ser líquidas ou sólidas e 
algumas podem ser, inclusive, visíveis em forma de nuvens. A maior concentração é 
encontrada na baixa atmosfera, próxima à sua fonte principal, a superfície da Terra. 
Eles podem originar-se de incêndios florestais, erosão do solo pelo vento, cristais de 
sal marinho dispersos pelas ondas que se quebram, emissões vulcânicas e de 
atividades agrícolas e industriais. 
Esta descrição se refere a qual alternativa?
A) Oxigênio.
B) Vapor d'água.
C) Aerossóis.
D) Ozônio.
E) Gás carbônico.
4) Em relação à atmosfera, assinale a alternativa correta.
A) O ozônio encontra-se na mesosfera.
B) A termosfera é uma camada muito importante, pois é com ela que os habitantes da Terra 
estão permanentemente em contato e é nela que se formam os ventos, as nuvens e a chuva.
C) O oxigênio existe em maior quantidade nos lugares mais altos. Pode-se, então, dizer que a 
atmosfera é homogênea.
D) Na troposfera, os gases que predominam são nitrogênio, gás carbônico, oxigênio e gás 
natural.
E) O ar, ao contrário da terra e da água, não transforma a energia solar em calor.
5) Infelizmente, as atividades desenfreadas do homem estão colocando em risco o 
planeta Terra. Os poluentes atmosféricos são um grande desafio a ser enfrentado. É 
preciso diminuir as emissões, uma vez que esses são responsáveis pelo aquecimento 
global, pelo efeito estufa, pela chuva ácida e pelo SMOG fotoquímico. 
Em relação à chuva ácida, qual das alternativas a seguir apresenta o poluente 
responsável por sua ocorrência?
A) Dióxido de enxofre.
B) Hidrofluorcarbonetos.
C) Óxido nitroso.
D) Gás metano.
E) Dióxido de carbono (CO2).
NA PRÁTICA
Carlos Menezes é especialista em gestão ambiental e foi contratado por uma empresa para 
resolver alguns problemas relacionados às emissões atmosféricas, uma vez que ela não está 
atendendo à legislação.
É fundamental que Carlos entenda que não é uma tarefa fácil, pois é necessário conhecer todas 
as tecnologias disponíveis no mercado, a fim de poder optar pela menos poluidora possível e 
diferentes segmentos de indústrias exigem diferentes cuidados, o que pode ser em maior ou 
menor grau.
Carlos precisou analisar todas as etapas de produção do empreendimento em questão para que 
pudesse resolver os problemas relacionados às emissões atmosféricas, pois elas interferem 
diretamente nas emissões.
Neste caso, Carlos optou por, inicialmente, tentar diminuir a geração de poluentes atmosféricos. 
Para isso, ele analisou se todos os equipamentos estão operando conforme manda o fabricante, 
se a caldeira não excede sua capacidade de queima e se as manutenções foram realizadas correta 
e constantemente.
No caso do controle de poluentes atmosféricos, Carlos preferiu utilizar o filtro de manga, que é 
um dos mais usados devido ao seu custo benefício. Os filtros de mangas têm por finalidade 
separar as partículas existentes no fluxo de gases industriais. A filtragem é realizada pela 
passagem do ar carregado de partículas por meio de mangas em que partículas ficam retidas na 
superfície e nos poros dos fios, formando um bolo que atua também como meio filtrante.
Com todas as ações tomadas por Carlos, a empresa conseguiu se adequar à legislação e diminuir 
consideravelmente a geração de poluentes e a sua emissão à atmosfera.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Chuva ácida: uma breve explicação
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Dica ambiental: poluição do ar
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Emissões de Fontes Veiculares - região metropolitana do Rio de Janeiro
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Mudanças Climáticas
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Principais poluentes
APRESENTAÇÃO
Desde a formação da Terra, a atmosfera contém poluentes, principalmente devido às erupções 
vulcânicas. Com a evolução da Terra, esses níveis de poluentes diminuíram drasticamente e 
favoreceram a formação de vida em nosso planeta. Porém, desde o século XX, a taxa de 
poluentes voltou a aumentar e em grande escala devido, principalmente, ao uso de combustíveis 
fósseis e queimadas ocasionadas pelo homem.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá quais são esses poluentes, onde se concentram os 
maiores geradores e as consequências para a saúde humana e para o meio ambiente. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Caracterizar o desenvolvimento da atmosfera.•
Identificar os principais poluentes atmosféricos.•
Relacionar os combustíveis fósseis aos poluentes atmosféricos.•
DESAFIO
Um empresário entrou em contato com você, profissional da área ambiental, para instruí-lo com 
aberturas de processos ambientais. Clique na imagem e veja o desenrolar da conversa.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Na situação apresentada, cabe a você, profissional da área ambiental, orientá-lo.
Para isso, faça uma pesquisa para a inclusão desses dados no formulário e apresente alguns 
equipamentos cabíveis que visam minimizar a poluição atmosférica. Em relação a esses 
equipamentos, você precisa indicá-los para seu cliente e justificar o motivo da sua escolha.
INFOGRÁFICO
Os poluentes atmosféricos são gases e partículas sólidas resultantes das atividades humanas e de 
fenômenos naturais dispersos no ar atmosférico.
Veja no infográfico os principais poluentes, os principais gases por eles emitidos e as 
consequências.
CONTEÚDO DO LIVRO
Existem diferentes tipos de poluentes atmosféricos, que podem ser encontrados, em grande 
parte, nas regiões metropolitanas devido ao grande fluxo de veículos e à concentração de 
indústrias e atividades que trazem grande impacto ambiental negativo.
Para saber mais sobre os tipos de poluentes atmosféricos, leia o livro Controle da poluição, base 
teórica desta Unidade de Aprendizagem, inciciando seus estudos pelo capítulo Principais 
poluentes.
Boa leitura.
CONTROLE DA 
POLUÍÇÃO
Guilherme Semprebom Meller
Karina Fürstenau de oliveira
Ronei Tiago Stein
Vanessa de Souza Machado
Principais poluentes 
atmosféricos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Caracterizar o desenvolvimento da atmosfera.
  Identificar os principais poluentes atmosféricos.
  Relacionar os combustíveis fósseis aos poluentes atmosféricos.
Introdução
Desde a formação da Terra, a atmosfera continha poluentes, devido 
principalmente às erupções vulcânicas. Com a evolução da Terra, esses 
níveis de poluentes diminuíram drasticamente, favorecendo a formação 
de vida em nosso planeta. Porém, desde o século XX, a taxa de poluentes 
voltou a aumentar, e em grande escala, devido principalmente ao uso 
de combustíveis fósseis e queimadas ocasionadas pelo homem.Entre 
esses poluentes, podemos citar o monóxido de carbono (CO), dióxido 
de nitrogênio (NO
2
), dióxido de enxofre (SO
2
), hidrocarbonetos e demais 
partículas. Os grandes centros urbanos são os maiores geradores de 
poluentes e, consequentemente, sofrem mais com os efeitos deles, tanto 
na saúde humana quanto no ambiente.
Poluentes na atmosfera primitiva
De acordo com Freitas (2017), a atmosfera pode ser considerada como um 
conjunto de gases que não possuem cheiro, cor ou gosto, sendo que eles estão 
envoltos na Terra. Essa parte da biosfera é indispensável por oferecer condições 
de vida no planeta, além de regular a temperatura da Terra, disponibilizar 
condições para a ocorrência do processo de combustão, facilitar a propagação 
do som e difundir a luz.
Mas como surgiu a atmosfera? Ela sempre foi da mesma forma que é atu-
almente? De acordo com estimativas, o surgimento da atmosfera ocorreu há 
cerca de 4 bilhões de anos. Porém, as condições da Terra antes do surgimento 
dos primeiros seres vivos eram muito diferentes das atuais. As erupções vul-
cânicas eram frequentes (Figura 1), liberando grandes quantidades de gases 
e de partículas para a atmosfera. Esses gases e partículas ficaram retidos por 
ação da força da gravidade e passaram a compor a atmosfera primitiva.
Figura 1. Formação da atmosfera primitiva.
Fonte: Juancat/Shutterstock.com.
Não existe um consenso entre os pesquisadores sobre a composição da 
atmosfera primitiva, porém se imagina que ela era constituída de metano 
(
CH4)
, amônia (NH
3
), gás hidrogênio (H
2
) e vapor d’água (H
2
O). Não havia gás 
oxigênio (O
2
) como na atmosfera atual, ou, caso existisse, a concentração era 
tão baixa, que a vida no planeta Terra era impossível. Em um determinado 
momento, a Terra começou a passar por um processo de resfriamento. Então, 
começou a ser expelido vapor de água e uma considerável quantidade de 
gases, dentre outros elementos. Os mesmos se dirigiram em direção ao espaço 
sideral, porém uma parte se fixou ao redor do planeta, evento proporcionado 
pela força gravitacional (FREITAS, 2017).
Segundo Galembeck e Costa (2016), as descargas elétricas e as radiações 
eram intensas e forneceram energia para que algumas moléculas presentes na 
atmosfera se unissem, dando origem a moléculas maiores e mais complexas, 
 Controle da poluição 262
ou seja, às primeiras moléculas orgânicas. Os mesmos autores comentam que, 
na atmosfera daquela época, diferentemente do que ocorre atualmente, não 
havia o escudo de ozônio (O
3
) contra as radiações, especialmente a ultravioleta, 
que, assim, atingiam a Terra com grande intensidade.
As moléculas orgânicas formadas eram arrastadas pelas águas das chuvas 
e passavam a se acumular nos mares primitivos, que eram quentes e rasos. 
Esse processo, repetindo-se ao longo de muitos anos, teria transformado os 
mares primitivos em verdadeiras “sopas nutritivas” ricas em matéria orgânica. 
Essas moléculas orgânicas poderiam ter se agregado, formando coacervados, 
nome derivado do latim coacervare, que significa formar grupos. No caso, 
o sentido de coacervados é o de conjunto de moléculas orgânicas reunidas 
em grupos envoltos por moléculas de água (GALEMBECK; COSTA, 2016).
Esses coacervados não eram seres vivos, mas uma primitiva organização 
das substâncias orgânicas em um sistema semi-isolado do meio, podendo 
trocar substâncias com o meio externo e havendo possibilidade de ocorrerem 
inúmeras reações químicas em seu interior.
Não se sabe como a primeira célula surgiu, mas pode-se supor que, se foi 
possível o surgimento de um sistema organizado como os coacervados, podem 
ter surgido sistemas equivalentes envoltos por uma membrana formada por 
lipídeos e proteínas e contendo em seu interior a molécula de ácido nucléico. 
Com a presença do ácido nucléico, essas formas teriam adquirido a capacidade 
de reprodução e regulação das reações internas. Nesse momento, teriam surgido 
os primeiros seres vivos que, apesar de muito primitivos, eram capazes de se 
reproduzir, dando origem a outros seres semelhantes a eles (GALEMBECK; 
COSTA, 2016).
A atmosfera primitiva detinha em sua composição gases com substâncias 
venenosas. A realidade inviável à vida sofreu alterações positivas a partir do 
surgimento dos oceanos e das plantas (marinhas) que, por meio do processo de 
fotossíntese, mudaram a condição adversa. A configuração atual da atmosfera 
se consolidou há cerca de 65 milhões de anos.
A atmosfera terrestre atual é constituída por diferentes gases, dos quais 
podemos destacar: o nitrogênio, com 78%; oxigênio, 21%; e outros gases (como 
dióxido de carbono, neônio, ozônio, hélio e vapor de água), 1%. Os percentuais 
apresentados são imprescindíveis para a proliferação da vida no planeta.
263Principais poluentes atmosféricos
Alterações na atmosfera atualmente
Desde o início do século XX, a composição química da atmosfera vem sofrendo 
signifi cativas alterações. Essas alterações estão relacionadas com o aumento de 
gases e partículas, as quais já estavam presente na atmosfera, e ao surgimento 
de novos gases e partículas, as quais são emitidos para a atmosfera.
Durante séculos, alguns desses gases foram produzidos e consumidos pela 
Terra de forma cíclica, mantendo um equilíbrio entre a sua emissão para a 
atmosfera e a sua retirada da mesma. Um exemplo disso é o dióxido de carbono, 
o qual é lançado para a atmosfera devido à combustão e à respiração dos seres 
vivos, sendo posteriormente absorvido pelas plantas, através da fotossíntese, e 
pelos oceanos, onde se dissolve na água, reagindo com as rochas e formando, 
desta forma, os carbonatos. A partir do momento em que a velocidade com 
que alguns desses gases começam a ser lançados para a atmosfera supera a 
velocidade com que eles são retirados dela, a sua concentração na atmosfera 
aumenta, passando a exercer efeitos nocivos sobre o meio natural e os seres 
vivos.
Existem basicamente dois tipos de causas que explicam o aumento da 
concentração desses gases na atmosfera: as causas naturais e as causas antró-
picas. Em relação às causas naturais, podem-se citar os vulcões em erupção 
e a biosfera. Os vulcões lançam milhares de metros cúbicos de matéria para 
a atmosfera (cinzas, poeiras e gases), sendo que os materiais mais leves são 
dispersos pelos ventos, atingindo vastas regiões. O gás emitido em maior quan-
tidade é o dióxido de enxofre, seguido do monóxido de carbono e do sulfureto 
de hidrogénio, entre outros gases em quantidades menores. A biosfera também 
contribui para o aumento da concentração de alguns gases na atmosfera devido 
à atividade de alguns microrganismos que liberam metano para a atmosfera. 
Alguns ruminantes (como, por exemplo, as vacas) também contribuem para 
a emissão de uma pequena porcentagem de metano para a atmosfera.
Entretanto, o maior problema do aumento de poluentes na atmosfera está 
relacionado com o aumento da população e da industrialização, principalmente 
após a Revolução Industrial. Os gases poluentes não ficam circunscritos aos 
locais onde são emitidos para a atmosfera; pelo contrário, geralmente os gases 
são emitidos a temperaturas maiores do que os gases na atmosfera em seu 
redor. São, portanto, menos densos, o que os faz subir, sendo depois arrasta-
dos pelo vento para outros locais. Esses fenômenos são mais frequentes nas 
zonas urbanas e industrializadas e podem originar atmosferas tóxicas para o 
ser humano (Figura 2).
 Controle da poluição 264
Figura 2. Poluentes espalhados na atmosfera terrestre. 
Fonte: Kris Leov/Shutterstock.com.
Principais poluentes atmosféricos
A poluição da atmosfera ocorre pela introdução de inúmeras partículas suspen-
sas no ar, alterando, dessa forma, as condições naturais de vários ecossistemas, 
bem como provocando danos à saúde humana. Os poluentes mais incidentes 
na atmosfera, em geral nas grandes metrópoles, estão relacionados à emissão 
de gases, como, por exemplo, o monóxido de carbono (CO), dióxido de nitro-
gênio (NO
2
),dióxido de enxofre (SO
2
), hidrocarbonetos e demais partículas, 
principalmente pelas atividades humanas. A seguir, você verá uma descrição 
desses poluentes e seus efeitos sobre a saúde humana.
O dióxido de enxofre (SO
2
) é introduzido na atmosfera por atividades 
naturais ou humanas e é um dos principais poluentes atmosféricos oriundos 
da queima de combustíveis que contenham enxofre, como, por exemplo, o óleo 
diesel, óleo combustível industrial e gasolina. Na atmosfera, esse poluente pode 
ser oxidado, originando ácido sulfúrico (H
2
SO
4
), segundo a Companhia De 
Tecnologia de Saneamento Ambiental (2012). Em relação aos danos à saúde 
humana, o INEA (Instituto Nacional do Meio Ambiente do Rio de Janeiro), 
descreve que o dióxido de enxofre causa irritação nas vias respiratórias, 
265Principais poluentes atmosféricos
provocando tosse e falta de ar, o que pode ocasionar no agravamento dos 
sintomas da asma e da bronquite crônica.
Já o monóxido de carbono (CO) é um gás incolor e inodoro que resulta da 
queima incompleta de combustíveis de origem orgânica, combustíveis fósseis, 
biomassa, entre outros. Geralmente é encontrado em maiores concentrações nas 
cidades (zonas urbanas) devido à intensa circulação de veículos (ALMEIDA, 
I.,1999) (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIEN-
TAL, 2012). Os efeitos da exposição ao monóxido de carbono na saúde humana 
estão associados à diminuição da capacidade de transporte de oxigênio pelo 
sangue. O monóxido de carbono apresenta afinidade pela hemoglobina 240 
vezes maior do que a do oxigênio, o que faz com que uma pequena quantidade 
de CO possa saturar uma grande quantidade de moléculas de hemoglobina, 
diminuindo a capacidade do sangue em transportar o oxigênio aos tecidos. 
Ele também pode se combinar com a mioglobina e proteínas mitocondriais 
(CLEVA; LAUDANNA, 2007). A diminuição da disponibilidade de oxigênio 
pode causar hipóxia, provocando diversos sintomas no organismo, como fadiga, 
sonolência, tontura, dor de cabeça e euforia, além de provocar alterações no tato, 
visão, discernimento, raciocínio, tempo de reação e na coordenação motora.
O monóxido de nitrogênio (NO) e o dióxido de nitrogênio (NO
2
) são 
mais dos grandes poluentes atmosféricos, sendo formados durante os processos 
de combustão. Em grandes cidades, os veículos geralmente são os principais 
responsáveis pela emissão dos óxidos de nitrogênio. O NO, sob a ação de luz 
solar, transforma-se em NO
2
, o qual apresenta papel importante na formação 
de oxidantes fotoquímicos como o ozônio. Dependendo das concentrações, 
o NO
2
 causa prejuízos à saúde, como irritação nos olhos, nariz e garganta 
(COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 2012 
apud POZZAGNOLO, 2013; FORNARI, 2001). Cavalcanti (2010) descreve que, 
devido à sua baixa solubilidade, o NO
2
 é capaz de penetrar profundamente no 
sistema respiratório, podendo dar origem às nitrosaminas, algumas das quais 
podem ser carcinogênicas. 
Os oxidantes fotoquímicos e o ozônio (O
3
) são outros exemplos de po-
luentes. Os oxidantes fotoquímicos são denominados como a mistura de 
poluentes secundários, formados pelas reações entre os óxidos de nitrogênio 
e os compostos orgânicos voláteis na presença de luz solar. Os compostos 
orgânicos voláteis são liberados na queima incompleta e na evaporação de 
combustíveis e solventes. O principal produto dessa reação é o ozônio, e é por 
isso que ele é utilizado como parâmetro indicador da presença de oxidantes 
fotoquímicos na atmosfera. Tais poluentes formam a chamada névoa foto-
química ou “smog fotoquímico”, recebendo esse nome devido à diminuição 
 Controle da poluição 266
da visibilidade (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO 
AMBIENTAL, 2012). A Figura 3 apresenta uma ilustração dessa névoa que 
ocorre principalmente em grandes centros urbanos. 
Figura 3. Névoa sobre a cidade de Tóquio, fenômeno conhecido como smog.
Fonte: humphery/Shutterstock.com.
Segundo Marschall e Greganti (2010), o ozônio é um poluente secundário 
com impacto significativo à saúde humana. O gás ozônio é capaz de provocar 
lesões nas células humanas, levando a alterações que podem ser responsáveis 
pelo aparecimento de tumores ou até mesmo provocar mutações. 
A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (2012) ressalta a 
importância de distinguir o ozônio que ocorre na estratosfera (a cerca de 25 
km de altitude) do “mau ozônio” encontrado na troposfera. Na estratosfera, 
esse composto atua como um filtro dos raios ultravioletas emitidos pelo Sol, 
protegendo a vida na Terra. Já o ozônio presente mais próximo da superfície 
da Terra, o ozônio troposférico, é prejudicial à saúde humana, assim como à 
vegetação e a outros animais.
Os hidrocarbonetos (HC) são compostos formados exclusivamente por 
átomos de carbono e hidrogênio. O petróleo é constituído principalmente de 
HC, portanto seus derivados – como gás de cozinha, gasolina, querosene e 
óleo diesel, os quais constituem a maioria dos combustíveis de uso humano 
(SILVEIRA, 2011) – também são. Em relação aos efeitos na saúde humana, 
267Principais poluentes atmosféricos
pode-se dizer que diversos hidrocarbonetos, como o benzeno, são cancerígenos 
e mutagênicos, não havendo uma concentração ambiente totalmente segura.
Os materiais particulados (MP) não constituem uma espécie química defi-
nida, mas um conjunto de partículas no estado sólido ou líquido, incluindo pós, 
poeiras, fumaças e aerossóis emitidos para a atmosfera de diversas maneiras 
(TORRES; ROCHA; RIBEIRO, 2008). O tamanho das partículas interfere 
na saúde humana. Quanto menores as partículas, maiores são as chances de 
ocorrer malefícios à saúde. Outro impacto dos materiais particulados é quanto 
à redução de visibilidade na atmosfera.
As partículas totais em suspensão (PTS) são partículas com diâmetro 
aerodinâmico (partículas não esféricas) menores que 50μm. Uma parte dessas 
partículas é inalável, causando problemas à saúde; já a outra parte afeta des-
favoravelmente a qualidade de vida da população, interferindo nas condições 
estéticas do ambiente e prejudicando as atividades normais da comunidade 
(COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 
2012).
As partículas inaláveis (PI) são todas aquelas cujo diâmetro aerodinâmico 
é menor que 10µm e podem ser classificadas como:
  Partículas inaláveis finas: com MP 2,5 (< 2,5µm);
  Partículas inaláveis grossas (2,5 a 10µm). 
As partículas finas, devido ao seu tamanho diminuto, podem atingir os 
alvéolos pulmonares, enquanto as grossas ficam retidas na parte superior do 
sistema respiratório, conforme Companhia de Tecnologia de Saneamento 
Ambiental (2012). 
Segundo Florios (2016), estima-se que 12,6 milhões de pessoas morreram em de-
corrência de viverem ou trabalharem em ambientes insalubres. Em 2012, quase 1 
em cada 4 do total de mortes globais, de acordo com as novas estimativas da OMS 
(Organização Mundial de Saúde), era ocasionada por ambientes insalubres. Fatores 
de riscos ambientais – como o ar, a água e a poluição do solo, a exposição à produtos 
químicos, as mudanças climáticas e a radiação ultravioleta – contribuem para mais 
de 100 doenças e lesões.
 Controle da poluição 268
Principais tipos de combustíveis fósseis
Se, nesse exato instante, a população mundial inteira parasse de desmatar 
as fl orestas em 100%, ainda assim a providência não seria sufi ciente para 
frear o ritmo forte do aquecimento global. Isso só seria possível se os países 
desenvolvidos parassem imediatamente de queimar combustíveis fósseis 
(JUNIOR, 2017). 
Porém, quais são os principais tipos de combustíveis fósseis utilizados 
pelo homem, e como eles interferem diretamente na poluição atmosférica 
e, consequentemente, no aquecimento global? Os combustíveis fósseis mais 
conhecidos são: gasolina, óleo diesel, gás natural e carvão mineral. A queima 
desses combustíveis é usada para gerar energia e movimentar motores de 
máquinas, veículos e até mesmo gerar energia elétrica (no caso das usinastermoelétricas). A seguir, você verá uma descrição desses tipos de combustíveis.
A gasolina é um derivado do petróleo utilizada como fonte de energia 
para veículos leves do ciclo Otto (LANDRIGAN, 2002). O ciclo Otto pode ser 
definido como sendo um ciclo termodinâmico de quatro fases, o qual teoriza 
o funcionamento de motores de combustão interna de veículos. Em 1922, 
passou a ser misturado chumbo tetraetila (aditivo antidetonante) na gasolina, 
sendo que, em 1970, ocorreram as primeiras discussões sobre a abolição do 
uso desse aditivo, levando em conta seu impacto sobre a saúde da população 
e o meio ambiente. Na década de 90, cerca de 80% de toda a gasolina vendida 
no mundo já estava sem chumbo. O Brasil, junto com a estatal Petrobras, foi 
um dos primeiros países do mundo a eliminar o chumbo da gasolina. 
Em território nacional, começou-se a investir na produção do álcool 
derivado da cana-de-açúcar, o que trouxe vantagens quanto à diminuição 
das emissões de poluentes, além de ser uma fonte de combustível renová-
vel (LANDRIGAN, 2002). Atualmente não é comercializada gasolina sem 
etanol, conforme a Portaria nº 678, de 31 de agosto de 2011, do Ministério 
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e 20% de toda gasolina 
comercializada é composta por etanol anidro.
Manzoli (2009) destaca que esse combustível é composto por uma mistura 
de hidrocarbonetos com alguns contaminantes, como enxofre, nitrogênio e 
certos metais, e sua composição também varia conforme a origem do petró-
leo, os processos de refino e especificações de qualidade como o índice de 
octanagem. O índice de octanagem é a resistência à detonação (do processo de 
combustão) de combustíveis usados em motores do ciclo Otto. Quanto maior 
for o índice, mais resistente à detonação o combustível é. 
269Principais poluentes atmosféricos
No Brasil, a Petrobras produz diversos tipos de gasolina:
  Gasolina comum: é o tipo de gasolina mais simples. Apresenta índice antidetonante, 
ou seja, capacidade de suportar altas compressões, com IAD (índice antidetonante) 
igual a 87, possuindo 1000 ppm de teor de enxofre. Não recebe nenhum tipo de 
aditivo, apenas adição de álcool anidro, conforme a legislação vigente.
  Gasolina supra-aditivada: possui a mesma octanagem da gasolina comum, 
porém apresenta detergentes/dispersantes, os quais mantêm limpo o sistema de 
combustão. A adição de álcool anidro é conforme a legislação vigente.
  Gasolina Petrobras Podium: essa gasolina foi lançada em 2002, possui octana-
gem superior (IAD = 95), aproveitando melhor a potência do motor. Ela contém 
detergentes/dispersantes que mantêm limpo o sistema de combustão e adição 
de álcool anidro, conforme a legislação vigente.
Em relação ao óleo diesel, ele é um combustível formado basicamente por 
átomos de carbono e hidrogênio (hidrocarbonetos) e, em menores concentra-
ções, por enxofre, nitrogênio e oxigênio. É um produto altamente inflamável, 
com toxidade mediana, pouco volátil, límpido, isento de material em suspensão 
e com odor forte e característico. 
O óleo diesel recebeu esse nome em homenagem a seu descobridor, o ale-
mão Rudolf Diesel, o qual inventou um meio mecânico para explorar a reação 
química originada da mistura de óleo e do oxigênio presente no ar, capaz de 
produzir uma forte explosão quando comprimida. O diesel é o combustível 
mais usado no Brasil, sendo proveniente da destilação do petróleo, e contém 
de 12 a 22 átomos de carbono. Atualmente, ele é utilizado para gerar energia 
e movimentar máquinas e motores de grande porte (veículos pesados), tais 
como: tratores, caminhões, automóveis de passeio, furgões, ônibus, pequenas 
embarcações marítimas, locomotivas, navios, entre outros.
O gás natural, de acordo com a Petrobras, é o combustível do futuro, 
sendo formado por uma mistura de hidrocarbonetos leves encontrados em 
rochas porosas no subsolo e frequentemente acompanhado por petróleo. No 
estado bruto, o gás natural apresenta baixos teores de contaminantes como 
nitrogênio e dióxido de carbono.
O gás natural como combustível é conhecido como Gás Natural Veicular 
(GNV) ou Gás Metano Veicular (GMV). A queima do GNV é reconhecidamente 
uma das mais limpas, praticamente sem emissão de monóxido de carbono. Por 
não possuir enxofre em sua composição, a queima do gás natural não lança 
 Controle da poluição 270
compostos que produzam chuva ácida quando em contato com a umidade 
atmosférica, contribuindo, dessa forma, para a melhoria da qualidade de vida 
da população e do meio ambiente. 
O GNV tem uma temperatura de ignição superior a 600ºC, muito acima 
da temperatura de ignição do álcool e da gasolina (entre 200ºC a 300ºC). A 
queima do gás natural, por ser mais completa do que a dos outros combustíveis, 
reduz as emissões de monóxido de carbono e hidrocarbonetos, em comparação 
com a gasolina (MENDES, 2004).
O carvão mineral é composto por carbono (sendo este encontrado em 
maior parte), oxigênio, hidrogênio, enxofre e cinzas. Seu uso se intensificou 
principalmente após a Revolução Industrial, sendo que, nessa época, ele 
era usado para gerar energia para as máquinas e locomotivas. Atualmente, 
sua principal função está relacionada como fonte de energia. A queima do 
carvão mineral para gerar energia lança no ar partículas sólidas e gases po-
luentes. Esses gases atuam no processo do efeito estufa e contribuem para o 
aquecimento global. Portanto, o carvão mineral não é uma fonte de energia 
limpa e deveria ser banida pelo homem. Infelizmente, devido principalmente 
a questões econômicas, sendo que em muitas regiões do mundo ele é uma 
fonte energética barata e ainda muito utilizado para gerar energia elétrica em 
usinas termoelétricas.
O carvão mineral é a principal fonte de geração de eletricidade no mundo. Apro-
ximadamente 40% de toda eletricidade do mundo depende do carvão devido ao 
abastecimento das usinas termoelétricas, onde é queimado para gerar energia. No 
Brasil, aproximadamente 3,0% da energia elétrica é gerada a partir dessa fonte, sendo 
que a maior parcela da energia é oriunda de usinas hidroelétricas. Estima-se que 40% 
de todo o gás carbônico (CO
2
) gerado no mundo tem como origem a queima do 
carvão mineral.
Os combustíveis fósseis, os quais se encontram na natureza em quantidades limitadas 
e se extinguem ao longo do tempo, são considerados recursos naturais não renováveis 
devido ao tempo necessário para sua produção. Apenas se forem considerados naturais, 
esses combustíveis trazem severos problemas ambientais, como o aquecimento global, 
causado pelo excesso de CO
2
 na atmosfera, a chuva ácida, ocasionada pela reação 
entre os poluentes e o vapor d’água, além da poluição da atmosfera e a contaminação 
das águas e solos.
271Principais poluentes atmosféricos
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Portaria nº 678, de 31 de 
agosto de 2011. Fixa em vinte por cento o percentual obrigatório de adição de etanol 
anidro combustível à gasolina, a partir de zero hora do dia 1º de outubro de 2011. 
Brasília: MAPA, 2011.
CAVALCANTI, P. M. P. S. Modelo de gestão da qualidade do ar: abordagem preventiva 
e corretiva. 2010; 269 f. Tese (Doutorado em Planejamento Energético) – Programa 
de Pós-Graduação em Planejamento Energético, Universidade Federal do Rio de 
Janeiro, Rio de Janeiro, 2010.
CLEVA, R.; LAUDANNA, A. Sinais e sintomas em gastroenterologia. In: LOPES, A. C. (Ed.) 
Diagnóstico e tratamento. São Paulo: Manole, 2007. v. 3.
FLORIOS, D. Em cada 4 mortes no mundo, 1 é em decorrência da poluição, diz OMS. 
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gens. Ubá: Geographica, consultoria, estudos e projetos ambientais, 2008
 Controle da poluição 274
DICA DO PROFESSOR
As dioxinas e os furanos são compostos que são considerados poluentes orgânicos persistentes 
(POPs). Eles são compostos altamente estáveis e que persistem no ambiente, resistindo à 
degradação química, fotolítica e biológica.
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EXERCÍCIOS
1) Visando manter o armazenamento de carbono — que foi retirado da atmosfera — 
por um maior prazo, é aconselhável: 
A) Controlar as atividades vulcânicas.
B) Transformar as florestas em zonas agrícolas.
C) Instalar hortas em grande parte das residências.
D) Impedir o desflorestamento e estimular o reflorestamento.
E) Diminuir a biodiversidade, facilitando os cálculos sobre as atividades respiratórias.
2) Em relação à gasolina, um dos combustíveis fósseis mais utilizados, qual a alternativa 
correta? 
A) A gasolina vendida atualmente é constituída por 30% de chumbo.
B) A gasolina é um produto obtido a partir do refinamento do petróleo.
C) A utilização de álcool derivado de cana de açúcar aumentou as emissões atmosféricas.
D) No Brasil, existe dois tipos de gasolinas, com a presença de etanol e sem a presença de 
etanol.
E) A densidade da água é menor do que a densidade da gasolina.
3) Assinale a alternativa correta em relação ao poluente monóxido de carbono. 
A) É um gás incolor e com um forte cheiro característico, o qual resulta da queima incompleta 
de combustíveis de origem orgânica, de combustíveis fósseis, de biomassa, entre outros.
B) É liberado na atmosfera unicamente pelas fontes naturais, como as erupções vulcânicas.
C) Na atmosfera, o monóxido de carbono pode sofrer oxidação e formar dióxido de carbono.
D) O monóxido de carbono não possui alta toxidade, por isso não apresenta grandes 
problemas de saúde.
E) Não existe um padrão de qualidade ao certo do ar para o monóxido de carbono.
4) Há estudos que apontam razões econômicas e ambientais para que o gás natural 
possa vir a se tornar, ao longo deste século, a principal fonte de energia em vez do 
petróleo. Qual alternativa está correta em relação ao gás natural? 
A) Além de muito abundante na natureza, é um combustível renovável.
B) Existem várias novas jazidas sendo exploradas, pois o gás natural é menos poluente que o 
petróleo.
C) Vem sendo produzido a partir do carvão mineral.
D) Pode ser renovado em escala de tempo muito inferior a do petróleo.
E) Não produz CO2 em sua queima, impedindo o efeito estufa.
5) Esse gás é incolor, sem cheiro ou sabor, inflamável e perigoso devido à sua grande 
toxicidade. Sua periculosidade aumenta ainda mais no inverno, quando as pessoas 
fecham totalmente suas casas e ligam os aquecedores, sendo que, caso o ambiente 
fique saturado desse gás, poderá levar a morte, uma vez que ele tem a propriedade de 
se combinar com a hemoglobina do sangue, inutilizando-a para o transporte de gás 
oxigênio. 
Essa descrição se refere a qual poluente? 
A) Dióxido de carbono.
B) Dióxido de enxofre.
C) Metano.
D) Monóxido de carbono.
E) Ozônio.
NA PRÁTICA
Mariana é uma jovem preocupada com as questões ambientais, principalmente em relação ao 
aquecimento global. Ela resolveu percorrer sua cidade para analisar quais são as principais 
formas de poluição atmosférica da sua cidade.
Clique na imagem e veja quais foram as descobertas de Mariana.
Mariana retornou para casa empolgada com as descobertas e não via a hora de chegar em seu 
curso no dia seguinte para conversar com o professor sobre elas.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Conversa periódica, química na atmosfera, os poluentes atmosféricos.
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Estudo da emissão de gases de veículos do ciclo otto no município de Lajeado/RS.
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Tipos e fonte de poluição
APRESENTAÇÃO
Infelizmente, as mais diversas atividades antrópicas ocasionam, em sua grande maioria, em 
poluição ambiental, sendo os solos um dos elementos naturais mais afetados. São diversas as 
fontes de poluição, podendo-se citar os resíduos sólidos, o lançamento de esgoto ou efluentes 
industriais, a impermeabilização do solo e, até mesmo, a poluição do ar. Logo, percebe-se que 
todas as formas de poluição (do ar, da água e do solo) estão interligadas diretamente, pois, caso 
um rio esteja contaminado, provavelmente o solo também esteja com suas características físicas, 
químicas e microbiológicas alteradas. A poluição do solo pode tanto ser em meio rural como 
urbano, porém, como a maior parcela da população brasileira vive em zonas urbanas, esta se 
encontra mais suscetível às patologias que podem surgir. Nesta Unidade de Aprendizagem, você 
verá o que é poluição do solo, como identificar suas fontes de poluição e a caracterização do 
solo em ambientes urbanos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer o conceito de poluição do solo.•
Identificar as fontes da poluição do solo.•
Caracterizar a alteração do solo nos ambientes urbanos.•
DESAFIO
Você é um consultor da área ambiental e foi convidado a participar de uma reunião na prefeitura 
de uma determinada cidade brasileira. Na reunião, é relatado que a economia está em pleno 
crescimento, ocorrendo a instalação de novas indústrias e, consequentemente, de novas 
moradias.
Veja na imagem o relato do problema ambiental que a cidade se encontra atualmente.
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Diante da situação apresentada, você deverá elaborar um pequeno relatório contendo:
A) Como as diferentes atividades antrópicas interferem no nível dos rios? 
B) Como podemos resolver esse problema?
INFOGRÁFICO
Existem várias formas de contaminação do solo, sendo que a maior parcela destas está 
relacionada com as atividades antrópicas. Porém, é fundamental entender que a poluição pode 
contaminar todos os elementos naturais, como água, ar e solo, havendo uma relação direta entre 
estas.
Veja no infográfico a seguir as formas de poluição e a consequência da impermeabilização do 
solo.
CONTEÚDO DO LIVRO
A poluição ocorre devido à deposição, ao armazenamento,ao acúmulo, à injeção, ao 
aterramento ou à infiltração de produtos, nos estados sólido, líquido ou gasoso, que provocam 
alterações na composição natural do solo.
Para saber mais sobre o assunto, leia o capítulo Tipos e fontes de poluição do livro "Controle da 
Poluição", base teórica desta Unidade de Aprendizgem.
CONTROLE 
DA POLUIÇÃO
Guilherme Semprebom Meller
Karina Furstenau de Oliveira
Ronei Tiago Stein
Vanessa de Souza Machado
Tipos e fontes de 
poluição do solo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Expressar o conceito de poluição do solo.
  Identifi car as fontes da poluição do solo.
  Caracterizar a alteração do solo nos ambientes urbanos.
Introdução
Infelizmente as mais diversas atividades antrópicas resultam, em sua 
grande maioria, em poluição ambiental, sendo o solo um dos elementos 
naturais mais afetados. São diversas as fontes de poluição, podendo-se 
citar os resíduos sólidos, o lançamento de esgoto ou efluentes indus-
triais, a impermeabilização do solo e até mesmo a poluição do ar. Logo, 
percebe-se que todas as formas de poluição (do ar, da água, do solo) 
estão interligadas diretamente, pois, caso um rio esteja contaminado, 
provavelmente o solo também esteja com suas características físicas, 
químicas e microbiológicas alteradas. A poluição do solo pode ser tanto 
em meio rural como urbano, porém, como a maior parcela da população 
brasileira vive em zonas urbanas, esta é mais suscetível às patologias que 
podem surgir. 
Poluição do solo – conceitos gerais
A poluição ambiental sempre existiu, porém os efeitos eram tão pequenos, que 
praticamente não havia consequências para o meio ambiente. Esta situação 
começou a mudar principalmente após a Revolução Industrial, durante a 
qual o homem deixou de produzir produtos e alimentos unicamente para seu 
consumo próprio e começou a produzir em larga escala. Barsano, Barbosa e 
Viana (2014) descrevem que, com o passar dos anos, a sociedade foi se modi-
fi cando de acordo com o desenvolvimento tecnológico e científi co, buscando 
melhorias na vida humana, bem como o atendimento aos objetivos individuais 
e coletivos de crescimento econômico.
Os mesmos autores ressaltam que o desenvolvimento tecnológico industrial, 
a busca desenfreada de riquezas naturais e a falta de um planejamento de 
recuperação do meio ambiente são origens de um apanhado de consequências 
negativas, como é o caso das grandes catástrofes naturais, as terríveis enchentes 
e um aquecimento global como nunca visto antes (BARSANO; BARBOSA; 
VIANA, 2014).
Em relação à poluição dos solos, estes sofrem diariamente os efeitos de-
vido às diversas atividades antrópicas que causam sua deterioração. Poluição 
refere-se a qualquer degradação das condições ambientais do habitar de uma 
coletividade humana. A poluição ocorre devido a deposição, armazenamento, 
acúmulo, injeção, aterramento ou infiltração de produtos, no estado sólido, 
líquido ou gasoso, que provocam alterações na composição natural do solo, 
ou seja, provocam mudanças nas suas características físicas, químicas e bio-
lógicas (Figura 1).
Figura 1. Exemplos de práticas que resultam na poluição dos solos.
Fonte: (a) Fotokostic/Shutterstock.com.; (b) Mikadun/Shutterstock.com.; (c) Tom Wang/Shutterstock.com.
Santos e Daibert (2014) descrevem que a poluição do solo ocorre devido à 
contaminação por substâncias capazes de provocar alterações significativas em 
sua estrutura natural. Para que os alimentos dele retirados sejam de qualidade 
e em quantidade suficiente para atender às necessidades da população, o solo 
203Tipos e fontes de poluição do solo
deve ser fértil, ou seja, deve ser um solo saudável e produtivo. Quando o solo 
é poluído, os alimentos nele cultivados ficam contaminados.
Ainda de acordo com Santos e Daibert (2014), o solo tem, em sua compo-
sição: ar, água, matéria orgânica e mineral. Essa estrutura é o que possibilita 
o desenvolvimento das mais diversas espécies de plantas que conhecemos. 
Pelo solo, é retirada direta ou indiretamente a maior parte dos alimentos con-
sumidos pela humanidade – e se ele estiver contaminado, certamente nossa 
saúde estará́ em risco (Figura 2).
Figura 2. Alimentos contaminados por pesticidas colocam em risco a saúde humana.
Fonte: Antonmaria Galante/Shutterstock.com.
Barsano, Barbosa e Viana (2014) comentam que existem muitas doenças que 
estão direta ou indiretamente relacionadas com o solo. As mais conhecidas são: 
tétano, ancilostomose (amarelão), teníase, ascaridíase (lombriga) e a oxiúricas. 
É importante ressaltar que existe diferença entre uma área degradada e uma 
área contaminada. A área degradada é uma área onde ocorreram processos de 
alteração das propriedades físicas e/ou químicas de um ou mais compartimentos 
do meio ambiente. Já uma área contaminada é uma área que contém substân-
cias ou resíduos em condições que possam causar danos à saúde humana, ao 
meio ambiente ou a outro bem a proteger, que nela tenham sido depositados, 
acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, 
acidental ou até mesmo natural. Sendo assim, uma área contaminada pode 
ser considerada um caso particular de uma área degradada, onde ocorrem 
alterações principalmente das propriedades químicas. A Figura 3 apresenta 
um exemplo de uma área contaminada e uma área degradada.
 Controle da poluição 204
Figura 3. (a) área degradada (por práticas de mineração) e (b) área contaminada (devido 
à deposição de resíduos sólidos sobre os solos).
Fonte: (a) kemdim/Shutterstock.com; (b) Dewi Putra/Shutterstock.com.
Nem toda área degradada está necessariamente contaminada. Um exemplo disso é 
uma mina, onde ocorre extração de minerais. 
Normalmente a contaminação dos solos são mais preocupantes, pois estão 
relacionados com os seguintes problemas:
  Riscos à saúde humana:
 ■ Exposição a poluentes químicos perigosos.
 ■ Acúmulo de gases em residências a partir de solos e águas subter-
râneas contaminadas por substâncias voláteis.
  Danos aos ecossistemas:
 ■ Contaminação das águas subterrâneas utilizadas para abastecimento 
público e domiciliar.
  Limitações dos usos possíveis do solo:
 ■ Restrições ao desenvolvimento urbano e redução do valor imobiliário 
das propriedades.
205Tipos e fontes de poluição do solo
Passivo ambiental é todo dano infringido ao meio natural por uma determinada 
atividade ou um conjunto das ações humanas, que podem ou não ser avaliados 
economicamente.
Para entender melhor sobre passivos ambientais em solo e água contaminada, leia 
a norma ABNT NBR 15515-1:2011, referência para avaliação preliminar.
Principais fontes de poluição dos solos
Abiko e Moraes (2009) descrevem que os principais tipos de poluição são: 
poluição do solo, do ar, da água, acústica e visual, sendo que estes tipos de 
poluição difi cilmente ocorrem de forma isolada – geralmente ocorrem con-
juntamente, com várias relações de interdependência entre elas. Os referidos 
autores exemplifi cam pela disposição inadequada de lixo em terrenos baldios, 
o qual pode causar, simultaneamente, a poluição do solo e da água pelo líquido 
gerado pelo resíduo que percola pelas camadas do solo, podendo atingir o 
lençol freático; do ar, pela queima e pelos gases gerados; e visual, pelo aspecto 
desagradável dos resíduos.
Na Tabela 1, são apresentados alguns dos principais impactos ambientais 
causados devido às diferentes atividades humanas. 
 Controle da poluição 206
 Fonte: Adaptado de Mota (1999). 
Atividades Impactos ambientais
Desmatamento Alterações climáticas; danos à flora e à fauna; erosão 
do solo; empobrecimento do solo; assoreamento 
de recursos hídricos; aumento do escoamento da 
água; redução de infiltração da água; inundações.
Movimentos 
de terra
Alterações na drenagem das águas; erosão do 
solo; assoreamento dos recursos hídricos.
Impermeabilização 
do solo
Aumento do escoamento das águas; redução da 
infiltração da água; problemasde drenagem; inundações.
Aterros de rios, 
riachos, lagoas, 
entre outros
Problemas de drenagem; assoreamento; 
inundações; prejuízos econômicos e sociais.
Destruição dos 
ecossistemas
Danos à fauna e à flora; desfiguração da paisagem; 
problemas ecológicos; prejuízos às atividades 
do homem; danos sociais e econômicos.
Emissão de 
resíduos
Poluição ambiental: 
  Prejuízos à saúde do homem 
  Danos à fauna e flora 
  Danos materiais 
  Prejuízos às atividades 
  Danos econômicos e sociais
Emissão de 
gás carbônico, 
clorofluorcarbono 
(CFC), metano, 
entre outros
Alterações de caráter global: 
  Efeito estufa (aumento da temperatura; elevação do 
nível de oceanos, alterações na precipitação; desapa-
recimento de espécies animais e vegetais)
  Destruição da camada de ozônio (aumento da radiação 
ultravioleta; riscos à diversidade genética; câncer de 
pele; catarata)
 Tabela 1. Principais impactos ambientais das diferentes atividades antrópicas. 
Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB, 2017), 
o solo atua frequentemente como um filtro, apresentando uma capacidade 
de depuração e imobilizando grande parte das impurezas nele depositadas. 
Entretanto, essa capacidade apresenta limitações, podendo ocorrer alteração 
da qualidade do solo devido ao efeito cumulativo da deposição de poluentes 
207Tipos e fontes de poluição do solo
atmosféricos, aplicação de defensivos agrícolas e fertilizantes e disposição de 
resíduos sólidos industriais, urbanos, materiais tóxicos e radioativos.
Abiko e Moraes (2009) descrevem que a poluição do solo ocorre basica-
mente sob duas formas: atividades humanas que provocam alterações em 
suas características e o lançamento de resíduos no solo. Entre essas fontes de 
poluição, podem-se citar:
  Aplicação de agentes químicos;
  Presença de dejetos oriundos de animais;
  Despejos de resíduos sólidos;
  Lançamento de resíduos líquidos, domésticos ou industriais; 
  Atividades que possam resultar na erosão do solo.
Ainda de acordo com Abiko e Moraes (2009), uma das grandes preocupa-
ções relacionadas com a poluição dos solos, principalmente em áreas urbanas, 
é quanto aos resíduos sólidos, principalmente porque estes, em muitos casos, 
são lançados no ambiente de forma incorreta. Entre as consequências negativas 
ocasionadas por essa prática inadequada dos resíduos, podem-se citar:
  Aspecto estético desagradável.
  Maus odores, resultantes da decomposição dos detritos.
  Proliferação de insetos e roedores, transmissores de doenças.
  Possibilidade de acesso de pessoas, podendo ocasionar doenças por 
contato direto.
  Poluição da água subterrânea ou superficial pela infiltração de líquidos 
e carreamento de impurezas por escoamento superficial.
  Possibilidade de queima dos resíduos, como incômodos à população e 
causando poluição do ar.
  Desvalorização de áreas próximas ao depósito de resíduos sólidos. 
Os aterros sanitários são locais destinados à decomposição final de resíduos sólidos 
gerados pelas diferentes atividades humanas. Contudo, caso o aterro não seja correta-
mente construído, ele pode provocar, além da poluição do solo, a poluição de águas 
superficiais e subterrâneas pela percolação do chorume.
 Controle da poluição 208
O lançamento de resíduos líquidos (domésticos ou industriais) no solo 
também é uma forma de poluição dos solos. A poluição do solo por essas fontes 
de poluição é consequência da falta de um sistema adequado de esgotamento 
sanitário. Além da poluição do solo, da água superficial e subterrânea, há o 
perigo de proliferação de patologias devido ao contato direto de pessoas. A 
erosão também pode ser considerada uma forma de poluição do solo devido 
ao processo de modificação de sua estrutura, além de ser uma grande fonte 
de poluição da água, ocasionado pelo carreamento de resíduos para os corpos 
d’água (ABIKO; MORAES, 2009). A Figura 4 apresenta um exemplo de 
lançamentos de resíduos líquidos e da erosão dos solos, fatores que resultam 
na poluição dos solos.
Figura 4. Poluição dos solos devido ao lançamento de resíduos líquidos e erosão dos solos.
Fonte: yurchak/Shutterstock.com; Andrii Zhezhera/Shutterstock.com.
Estima-se que 43% das residências brasileiras não possuíam rede de esgoto, segundo 
uma pesquisa realizada pela PNAD (Pesquisa Nacional de Domicílio) em 2012. Com 
isso, ocorre contaminação dos solos e da água (superficial e subterrânea), além de 
poder ocasionar em patologias (G1, 2013).
209Tipos e fontes de poluição do solo
Alteração do solo em áreas urbanas
Segundo Miranda (2006), o Brasil se tornou um país urbano, principalmente 
após 1950, devido à intensifi cação do processo de industrialização brasileiro 
ocorrido a partir de 1956. Para se ter uma ideia, em 1940, os moradores das 
cidades somavam 12,9 milhões de habitantes, representando cerca de 30% 
do total da população do país. No entanto, esse percentual cresceu acele-
radamente, e em 1970 mais da metade dos brasileiros já vivia nas cidades 
(55,9%). De acordo com o Censo de 2000, a população brasileira é agora 
majoritariamente urbana (81,2%), ou seja, de cada dez habitantes brasileiros, 
oito vivem em cidades.
Entretanto, infelizmente as cidades cresceram sem o menor planejamento, 
resultando em enormes transtornos, tanto em relação à sociedade (problemas 
de transporte, moradias em áreas de risco, entre outros) quanto a problemas 
ambientais. Entre os problemas ambientais, pode-se citar a contaminação 
dos solos, causada principalmente devido ao lançamento de metais pesados. 
Pedron et al. (2004) descrevem que existe uma grande dificuldade na 
definição de critérios para classificação dos solos urbanos, bem como na 
identificação das causas dos poluentes, consequência das complexidades de 
diferentes atividades humanas, podendo ser detectada pela alta concentra-
ção de metais pesados, como metano, deposição de rejeitos de construção e 
industriais e/ou alteração do regime hídrico e térmico do solo. Os mesmos 
autores ressaltam ainda as principais funções dos solos em áreas urbanas: 
suportar e fornecer material para obras civis, sustentar agriculturas urbanas, 
suburbanas e áreas verdes, recepcionar descarte de resíduos e armazenar e 
filtrar águas pluviais. 
No entanto, a maior parte das atividades antrópicas que ocorrem nos cen-
tros urbanos gera a impermeabilização destes (total ou parcial), o que pode 
ser considerado uma forma de poluição dos solos, pois impede-se que o solo 
cumpra sua função no ciclo hidrológico, além de resultar em alterações físico, 
químico e microbiológicos. A Figura 5 demostra como esta impermeabilização 
dos solos ocorre em áreas urbanas.
 Controle da poluição 210
Figura 5. Exemplo de como ocorre a impermeabilização do solo urbano.
Fonte: ventdusud/Shutterstock.com.
Existem diferentes tipos de solos, e cada um apresenta capacidade de infiltração da 
água de maneiras diferentes. Confira alguns dos principais tipos de solos encontrados:
Solo argiloso: apresenta consistência fina e a infiltração da água apresenta gran-
des limitações. Um dos principais tipos de solo argiloso é a terra roxa, encontrada 
principalmente nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Este tipo de solo 
favorece as práticas agrícolas.
Solo arenoso: possui consistência granulosa como a areia. Muito presente na região 
nordeste do Brasil, sendo permeável à água.
Solo humoso: presente em territórios com grande concentração de material orgânico 
em decomposição (húmus). É muito utilizado para a prática da agricultura, sendo 
extremamente fértil (rico em nutrientes para as plantas).
Solo calcário: solo formado por partículas de rochas. É um solo seco e esquenta 
muito, sendo inadequado para a agricultura. Este tipo de solo é muito comum em 
regiões de deserto.
211Tipos e fontes de poluição do solo
Impermeabilização dos solos
Entre as modifi cações ocorridas no solo urbano, a impermeabilização é uma das 
mais severas. De acordo com Tucci e Collischonn (2000), a impermeabilizaçãoé uma das principais causas de inundações e deslizamentos em áreas urbanas, 
pois ocorre a diminuição de áreas verdes, consequentemente reduzindo-se a 
capacidade de infi ltração de água no solo, além de aumentar-se a capacidade 
de escoamento devido à adoção de condutos e superfícies que facilitam a 
rápida movimentação da água. 
Com isso, durante uma chuva, a água é rapidamente drenada para os corpos 
hídricos mais próximos, porém estes não possuem capacidade de receber toda 
esta água devido ao seu tamanho ou dinâmica natural ou também devido a 
problemas como assoreamentos e depósitos de resíduos sólidos, os quais afetam 
diretamente o escoamento livre (NUCCI, 1999), conforme exemplificado na 
Figura 6. Quanto mais a cidade cresce, maior é a tendência à impermeabilização 
e, consequentemente, maior é o risco de estes fenômenos passarem a ser usuais. 
Figura 6. Enchentes em áreas urbanas muitas vezes estão relacionadas diretamente à 
impermeabilização do solo. 
Fonte: Sabina Zak/Shutterstock.com.
Além das enchentes, existem alguns outros problemas relacionados à 
dinâmica da água e do solo, como, por exemplo, deslizamentos, rastejamento – 
movimentos de massa geralmente são ligados a este último processo de remoção 
dos horizontes superficiais associado a extensas áreas impermeabilizadas. 
Quando ocorre a remoção de camadas de solo, diminui-se a capacidade que 
 Controle da poluição 212
ele tem de absorver água, provocando uma rápida saturação. Quando isso 
ocorre, a camada de solo passa a se comportar como meio liquido, escoando 
encosta abaixo (BRAGA; CARVALHO, 2003). 
De acordo com Gonçalves e Paiva (2004), ocorrem diferentes formas de 
distribuição da água pluvial:
1. Parte volta para o ar, devido ao processo de evapotranspiração (realizado
pelas plantas), dando sequência ao ciclo hidrológico e condicionando
às chuvas.
2. Parte da água infiltra no solo, abastecendo os lenções freáticos.
3. Parte da água infiltra no solo, porém de forma superficial, sendo res-
ponsável por umedecer o solo;
4. Parte escoa por sobre a superfície do solo até chegar aos recursos
hídricos mais próximos. Porém, quando esse escoamento é intenso,
podem ocorrer erosões, deslizamentos e enchentes, além de resultar
no empobrecimento do solo.
A vegetação em áreas urbanas é fundamental, pois melhora o ciclo hidrológico do 
solo, além de diminuir o escoamento superficial e aumentar a capacidade de infiltração 
da água no solo.
213Tipos e fontes de poluição do solo
 Controle da poluição 214
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MIRANDA, A. T. Urbanização do Brasil: consequências e características das cidades. 
Uol Educação, 30 jun. 2006. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/
geografia/urbanizacao-do-brasil-consequencias-e-caracteristicas-das-cidades.htm>. 
Acesso em: 30 jun. 2017. 
MOTA, S. Urbanização e meio ambiente. Rio de Janeiro: ABES, 1999.
NUCCI, J. C. Análise sistêmica do ambiente urbano, adensamento e qualidade am-
biental. Ciências Biológicas e do Ambiente, São Paulo, v.1, n.1, p. 73-88, 1999.
PEDRON, F. A. et al. Solos urbanos. Ciência Rural, Santa Maria, v. 34, n. 6, p. 1647-1653, 
2004.
SANTOS, P. R. C.; DAIBERT, J. D. Análise dos solos: formação, classificação e conservação 
do meio ambiente. São Paulo: Érica, 2014.
TUCCI, C. E. M.; COLLISCHONN, W. Drenagem urbana e controle de erosão. In: TUCCI, 
C. E. M.; MARQUES, D. M. (Org.). Avaliação e controle da drenagem urbana. Porto Alegre: 
UFRGS, 2000.
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
DICA DO PROFESSOR
Em relação às técnicas de remediação dos solos contaminados, estas objetivam reduzir os teores 
de contaminantes em níveis seguros e compatíveis com a proteção à saúde humana. Existem 
várias técnicas de remediação, sendo apresentadas com as de uso mais comum.
Acompanhe no vídeo quais são as técnidas de remediação do solo, suas vantagens e 
desvantagens.
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EXERCÍCIOS
1) Entre as consequências da poluição dos solos, podem ser citadas algumas doenças 
provocadas em humanos. Em relação às patologias citadas a seguir, qual delas é 
contraída por meio de solos contaminados?
A) Amebíase.
B) Tuberculose.
C) Cólera.
D) Hepatite A.
E) Tétano.
Sobre a poluição dos solos podemos afirmar que: 
I. Embora o solo tenha capacidade de filtrar grande parte das substâncias nele 
depositadas, existe um limite de capacidade, a partir do qual, iniciam-se processos de 
alterações das características e qualidade do solo. 
2) 
II. Os aterros sanitários são uma excelente maneira de destinação dos resíduos 
sólidos pois garantem, independentemente das condições de sua construção, que tanto 
o solo quanto a água não sejam poluídos. 
III. Apesar da maior parte da população estar concentrada em zonas urbanizadas, 
tanto as áreas urbanas quanto as rurais são igualmente sujeitas aos problemas 
relacionados à poluição dos solos. 
IV. Evitar a poluição dos solos significa manter sua qualidade de produção de 
alimentos e garantir segurança alimentar para população. 
Com base nas afirmações acima, julgue os itens a seguir: 
A) I e II estão corretas
B) I e IV estão corretas
C) I e III estão corretas
D) II e III estão corretas
E) III e IV estão corretas
3) Diariamente são produzidos milhões de toneladas de resíduos sólidos, os quais, em 
território nacional, acabam parando em lixões, em aterros controlados ou em aterros 
sanitários. Sobre a temática dos resíduos sólidos e poluição, julgue as alternativas? 
A) O descarte impróprio dos resíduos sólidos são uma das principais causas de poluição no 
meio urbano. 
B) O descarte de resíduos sólidos gera impacto negativo somente no solo onde está 
depositado. A contaminação da água por tais resíduos somente é possível caso o descarte 
seja feito diretamente em algum recurso hídrico
C) A proximidade com aterros ou lixões agrega valor econômico às propriedades imobiliárias
D) Embora os lixões e aterros favoreçam a proliferação de insetos e outros animais, não há 
risco à saúde humana, uma vez que estes seres ficam restritos ao local de instalação do 
lixão ou aterro
E) O descarte impróprio de resíduos sólidos não apresenta relação com as inundações 
eventuais nas áreas urbanas
4) Uma das maneiras dos solos ficarem contaminados é pela infiltração de água 
contaminada, sendo que as características físicas, químicas e microbiológicas dos 
solos se alteram. Em se tratando de infiltração de água no solo, assinale a alternativa 
correta: 
A) Todos os tipos de solos apresentam a mesma capacidade de armazenamento de água
B) Quanto maior o grau de compactação de um solo, maior a infiltração de água
C) As inundações em áreas urbanas estão relacionadas exclusivamente às altastaxas de 
impermeabilização do solo
D) A impermeabilização do solo possui relação com os processos de deslizamentos
E) A vegetação aumenta a capacidade de escoamento superficial das águas
5) Uma das maneiras dos solos ficarem contaminados é pela infiltração de água 
contaminada, sendo que as características físicas, químicas e microbiológicas dos 
solos se alteram. Em se tratando de infiltração de água no solo, assinale a alternativa 
correta:
A) Todos os tipos de solos apresentam a mesma capacidade de armazenamento de água.
B) Quanto maior o grau de compactabilidade de um solo, maior a infiltração de água.
C) Quanto maior for a carga hidráulica, menor a taxa de infiltração.
D) As rachaduras e fendas nos solos aumentam a taxa de infiltração da água.
E) A vegetação aumenta a capacidade de escoamento das águas.
NA PRÁTICA
João é um estudante e resolveu fazer um trabalho voluntário em uma comunidade bastante 
carente. Ao chegar lá, percebeu que muitas crianças haviam uma barriga enorme.
Intrigado, João começou a estudar mais o caso e percebeu que, na verdade, tratava-se de uma 
doença conhecida como esquistossomose, também conhecida como barriga-d’água.
No Brasil, a barriga-d’água é provocada pelo Schistosoma mansoni, verme achatado (platelmito) 
que entra pela pele (pés e pernas), aloja-se no fígado, alimenta-se de sangue e chega a ter um 
centímetro.
Clique na imagem para se apropriar do clico de transmissão deste verme, que pode ocorrer tanto 
pela água quanto pelo solo.
 
João descobriu que para controlar e combater essa doença, é de fundamental importância a 
melhoria das condições socioeconômicas da população. Construir moradias de melhor 
qualidade, dotadas de instalações sanitárias adequadas, evitam que as fezes com os ovos atinjam 
os solos e os rios, o que impede a propagação do verme.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Vamos falar sobre solos.
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Planejamento ambiental e ocupação do solo urbano em Presidente Prudente (SP).
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Bioconcentração de chumbo e micronutrientes em hortaliças cultivadas em solo 
contaminado.
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Técnicas de controle, técnicas de 
remediação e mitigação
APRESENTAÇÃO
Após a Revolução Industrial, o agravamento da poluição ambiental aumentou 
consideravelmente em todo o mundo e as águas foram uma das mais afetadas. Porém, a geração 
de esgoto doméstico e o uso intenso de pesticidas pelo setor agrícola também contribuíram 
consideravelmente para a alteração das características físicas, químicas e microbiológicas das 
águas.
Nesta Undiade de Aprendizagem, você verá como as medidas de controle, recuperação e 
mitigação das águas contaminadas podem contribuir para resolvermos essa situação.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Caracterizar os métodos utilizados para o tratamento e controle de efluentes.•
Identificar técnicas de recuperação e controle de mananciais contaminados.•
Relacionar ações de mitigação para a poluição das águas.•
DESAFIO
O reuso da água é uma forma de tentar diminuir os riscos de contaminação e de reduzir a 
quantidade de água potável consumida para atividades que muitas vezes não exigem fins tão 
nobres.
Uma indústria alimentícia, visando diminuir os custos com água potável e investir no marketing 
verde, procurou você, consultor e especialista em recuperação e minimização de águas 
contaminadas, para ajudar a reutilizar a água dentro das imediações da empresa em questão.
Clique na imagem e veja atualmente o consumo diário de água e suas etapas de tratamento.
 
Faça uma análise do processo de tratamento d'água dessa empresa:
- Para quais fins a água poderá ser reutilizada? 
- Existem leis que devem ser cumpridas em relação ao reuso de água industrial? 
- E em relação aos parâmetros físicos, químicos e microbiológicos, quais devem ser analisados?
Apresente um pequeno relatório respondendo os itens solicitados.
INFOGRÁFICO
Veja no infográfico a seguir como se dá o controle e a recuperação das águas contaminadas e as 
suas medidas de mitigação.
CONTEÚDO DO LIVRO
A Estação de Tratamento é uma infraestrutura operacional composta por unidades de 
tratamento, que, por meio de processos físicos, biológicos ou químicos, remove as cargas 
poluidoras do efluente, elevando seu potencial de reuso e garantindo que a qualidade do efluente 
final esteja em consonância com os padrões estabelecidos nas legislações ambientais vigentes.
Leia mais sobre os diferentes sistemas de tratamento de água e sobre o reuso desta, no livro 
"Controle da poluição", iniciando pelo capítulo Técnicas de controle, técnicas de remediação e 
mitigação, que é a base teórica desta Unidade de Aprendizagem.
Boa leitura!
CONTROLE
DA POLUIÇÃO
Guilherme
Semprebom Meller
Karina Fürstenau de 
Oliveira
Ronei Tiago Stein
Vanessa de Souza 
Machado
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094
C764 Controle da poluição / Guilherme Semprebom Meller ... [et 
 al.]. – Porto Alegre : SAGAH, 2017.
 290 p. il. ; 22,5 cm. 
 ISBN 978-85-9502-114-3
 1. Poluição - Controle. 2. Qualidade ambiental. I. Meller, 
 Guilherme Semprebom.
CDU 502.175
Revisão técnica:
Vanessa de Souza Machado
Bióloga (ULBRA)
Mestra e Doutora em Ciências (UFRGS)
Professora do Curso de Tecnologia e Gestão Ambiental (FATO)
Técnicas de controle, 
recuperação e mitigação 
de águas contaminadas
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Caracterizar os métodos utilizados para o tratamento e controle de 
efl uentes.
  Identifi car técnicas de recuperação e controle de mananciais 
contaminados.
  Relacionar ações de mitigação para a poluição das águas.
Introdução
Após a Revolução Industrial, o agravamento da poluição ambiental au-
mentou consideravelmente em todo o mundo, sendo as águas uma 
das mais afetadas. Porém, não são apenas as atividades industriais que 
contribuem para a alteração das características físicas, químicas e micro-
biológicas das águas. A geração de esgoto doméstico e o uso intenso 
de pesticidas pelo setor agrícola também são causas do agrave da con-
taminação das águas. Mas como é possível resolver esta situação? Com 
medidas de controle, recuperação e mitigação das águas contaminadas. 
O tratamento dos efluentes, por exemplo, uma técnica de controle que 
é eficaz e de extrema importância, visando garantir a qualidade da água. 
A recuperação de mananciais contaminados não é uma tarefa fácil, pois 
envolve questões políticas, sociais, ambientais e econômicas. Logo, a 
diminuição e, principalmente, o reuso da água, após tratamento, acabam 
sendo excelentes maneiras de mitigar a questão da poluição das águas.
Água contaminada – definições gerais
Antes de começarmos a falar sobre águas contaminadas, é preciso entender a 
defi nição de água e sua importância para as diferentes atividades antrópicas. A 
água pura é um líquido incolor, inodoro, insípido e transparente. Contudo, por 
ser considerada um dos melhores solventes existentes, raramente é encontrada 
em estado absoluto de pureza. Dos 103 elementos químicos dos quais temos 
conhecimento, a maioria é encontrada de alguma maneira em águas naturais 
(RICHTER; NETTO, 2005).
Em relação à disponibilidade hídrica do planeta, Mierzwa e Hespanhol 
(2005) comentam que o volume total de água no planeta é de 1.385.984.00 km³, 
porém apenas 2,53% desse total é composto por água doce, um percentual 
muito baixo para suprir as necessidades de uma população mundial que chega 
próxima aos 7,5 bilhões. Em relação ao total de água doce mundial, apenas 
0,29% destas águas estão disponíveis como águas superficiais, e 31,01%, 
como águas subterrâneas. O restante (68,70%)está sob forma de geleiras ou 
coberturas de neve. 
Os principais usos da água, segundo Von Sperling (2005) e Marengo 
(2008), são: o abastecimento doméstico, abastecimento industrial, irrigação, 
dessedentação do homem e animais, preservação da flora e da fauna, recreação/
lazer, criação de espécies, geração de energia elétrica, navegação, harmonia 
paisagística, diluição e transporte de despejos. Na América Latina, pode-se 
destacar a agricultura como principal consumidor de água, consumindo cerca 
de 70% de toda a água. A área industrial ocupa o segundo lugar (22%), seguido 
do uso doméstico (8%). Macêdo (2001) comenta que esses valores variam 
de diferentes continentes e países devido a inúmeros fatores, como cultura, 
disponibilidade hídrica e economia.
Segundo o Portal São Francisco (2017), o lançamento de resíduos industriais 
nas águas e nos solos é um sério problema ecológico. Substâncias poluentes, 
como detergentes, ácido sulfúrico e amônia, envenenam os rios onde são 
lançados, causando a morte de muitas espécies da comunidade aquática. Como 
a modelagem dos processos de tratamento é ampla e é usada em projetos de 
otimização de processos de tratamento físico, químico e biológico, a carac-
terização completa de águas residuais, principalmente de efluentes contendo 
resíduos industriais, é cada vez mais importante. Portanto, a compreensão da 
natureza das águas residuais é de fundamental importância para o projeto e 
operação da escolha do tratamento, instalações necessárias e reuso, quando 
possível (METCALF & EDDY INC et al., 2003).
 Controle da poluição 150
  Água poluída: toda água que apresenta modificações em suas características 
físicas e químicas.
  Água contaminada: quando ocorre a presença de organismos causadores de 
doença ou substâncias que podem trazer problemas de saúde. Nem toda água 
poluída está contaminada, mas toda água contaminada está poluída.
  Efluentes industriais: são os resíduos líquidos e gasosos provenientes das ativi-
dades industriais, que, liberados no meio ambiente sem o devido tratamento, têm 
gerado efeitos danosos para toda a biodiversidade do planeta.
Principais métodos para o tratamento de águas 
contaminadas
Em relação às técnicas de controle de águas contaminadas, é preciso analisar 
as características físicas, químicas e bacteriológicas, as quais são determinadas 
por uma série de parâmetros. Antes de analisar e identifi car os parâmetros, 
é preciso saber para qual fi m será utilizada essa água. As características das 
águas são resultado de uma série de fatores que ocorrem no corpo hídrico 
ou na bacia hidrográfi ca. A capacidade de dissolução varia de acordo com a 
substância lançada e com o transporte pelo escoamento superfi cial e subter-
râneo (LIBÂNIO, 2008). Telles e Costa (2007) comentam que, ao se realizar 
a análise da água, é preciso associar aos requisitos mínimos exigidos para 
cada tipo de aplicação. 
Porém, o grau de tratamento necessário para o lançamento em um corpo 
receptor de efluentes, tratados ou não, oriundos de atividades industriais deve 
levar em conta os padrões legais de emissão e de qualidade. Padrões de emissão 
estão relacionados às características do efluente lançado, enquanto os padrões 
de qualidade dependem das características do corpo receptor desse efluente. 
Esses padrões de emissão e qualidade são especificados via legislação Federal, 
Estadual ou Municipal (em alguns casos), de acordo com Cavalcanti (2009). 
Em nível Federal, podem-se citar a Resolução nº 410/2009 e a Resolução nº 
430/2011, as quais dispõem sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes 
ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelecem as condições 
e padrões de lançamento de efluentes, e dão outras providências. Como no 
151Técnicas de controle, recuperação e mitigação de águas contaminadas
território brasileiro temos 26 estados, mais o Distrito Federal, fica inviável 
citar todas as legislações estaduais.
A estação de tratamento é uma infraestrutura operacional composta por 
unidades de tratamento que, por processos físicos, biológicos ou químicos, 
remove as cargas poluidoras do efluente, elevando seu potencial de reuso e 
garantindo que a qualidade do efluente final esteja em consonância com os 
padrões estabelecidos nas legislações ambientais vigentes. As estações apre-
sentam diferentes etapas de tratamento, como o tratamento prévio, primário, 
secundário e terciário. A Figura 1 apresenta um exemplo de uma estação de 
tratamento.
Figura 1. Exemplo de uma estação de tratamento de efluentes (ETE).
Fonte: Kekyalyaynen/Shutterstock.com.
O tratamento prévio (também conhecido como tratamento preliminar) é a 
primeira fase de separação de sólidos. Nessa etapa de tratamento se removem 
sólidos grosseiros, detritos minerais (areia), materiais flutuantes e carreados 
e, por vezes, óleos e graxas, sendo os mecanismos de remoção de ordem física 
(TELLES; COSTA, 2007). Von Sperling (2005) ressalta que as principais 
finalidades da remoção desses sólidos grosseiros incluem a proteção dos 
dispositivos de transporte dos esgotos/efluentes (como bombas e tubulações), 
além da proteção das unidades de tratamento subsequentes e a proteção de 
corpos receptores.
 Controle da poluição 152
A remoção da areia do efluente tem por finalidade evitar entupimentos, 
obstruções, depósitos de materiais em sistemas como tubulação, tanque, 
orifícios, sifões, facilitando o transporte líquido do sistema e a transferência 
de lodos nas mais diversas fases do tratamento (TELLES; COSTA, 2007). 
Os mesmos autores afirmam que a remoção da areia ocorre por meio de de-
sarenadores. Von Sperling (2005) descreve que este mecanismo de remoção 
da areia é feito por sedimentação, na qual os grãos de maiores dimensões e 
densidade vão para o fundo do tanque, enquanto a matéria orgânica, por ser 
mais leve, permanece na superfície.
O tratamento primário é constituído basicamente por processos físico-
-químicos, nos quais ocorre a passagem do efluente por uma unidade de 
sedimentação (decantador primário), após as unidades de tratamento prévio, 
colaborando, dessa forma, para melhorar a remoção de sólidos sedimentáveis. 
Acredita-se que somente com o tratamento prévio e o preliminar seja possível 
remover cerca de 60 a 70% de sólidos em suspensão (SS), de 20 a 45% da 
Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e entre 30 a 40% de coliformes 
(TELLES; COSTA, 2007). No decantador primário (que pode ser tanto retan-
gular como circular), o efluente flui vagarosamente, permitindo que os sólidos 
em suspensão, os quais possuem maior densidade, sedimentem gradualmente 
no fundo. Esse material sedimentável recebe o nome de lodo primário bruto, 
sendo sua remoção necessária por raspadores mecânicos para não prejudicar 
a eficácia do tratamento seguinte (VON SPERLING, 2005). Ainda segundo 
Von Sperling (2005), pode-se aumentar a eficácia do tratamento primário com 
a ajuda de agentes coagulantes – como sulfato de alumínio, cloreto férrico, 
entre outros – auxiliados por um polímero. 
Além do decantador primário, encontram-se nessa etapa de tratamento os 
floculadores, em que se adicionam produtos químicos, provocando a aglutina-
ção e o agrupamento de partículas a serem removidas. Quanto mais suave a 
agitação do efluente, melhor o desempenho na formação do floco. No processo 
de flotação, trabalha-se com o princípio básico da adesão de microbolhas de 
ar na superfície das partículas. Em seguida, ocorre a remoção com a ajuda de 
raspadores manuais ou mecânicos. 
O tratamento secundário, também conhecido como tratamento biológico, 
visa à transformação da matéria orgânica presente no efluente em gases e tecido 
celular (lodo biológico). Neste processo, pode-se ter ainda a transformação 
ou remoção de nutrientes por transformação, como é o caso do fósforo e do 
nitrogênio. Em casos mais isolados, também podem-se remover constituintes 
e compostos orgânicos específicos neste processo (METCALF & EDDY INC 
et al., 2003). Von Sperling (2005) ressaltaque, nesta etapa de tratamento, a 
153Técnicas de controle, recuperação e mitigação de águas contaminadas
remoção da matéria orgânica é efetuada por reações bioquímicas realizadas por 
microrganismos. Estes, por sua vez, transformam a matéria orgânica em gás 
carbônico, água e material celular. Os decantadores secundários normalmente 
estão presentes no tratamento secundário, sendo responsáveis pela separação 
dos sólidos em suspensão presentes no tanque de aeração, permitindo a saída 
de um efluente clarificado, consequentemente havendo um aumento do teor 
de sólidos em suspensão no fundo do decantador (TELLES; COSTA, 2007).
No tratamento secundário, todas as etapas de tratamento ocorrem via 
ação biológica, dividida em dois ambientes. O ambiente aeróbio é aplicado a 
todas as variantes de lodos ativados e lagoas aeradas, nos quais o oxigênio é 
introduzido artificialmente. Neste ambiente, produz-se maior quantidade de 
lodo, ao contrário do processo anaeróbio, no qual tem-se a ação de bactérias 
que sobrevivem na ausência de oxigênio. Com isso, tem-se a produção de 
biogás (biogás = metano, CO2 e outros gases), que gera menor quantidade 
de lodo, uma vez que parte da matéria orgânica é transformada em gases 
(TELLES; COSTA, 2007).
Por fim, tem-se o tratamento terciário, também conhecido como trata-
mento avançado, porém este nem sempre está presente nas estações de trata-
mento. Geralmente é constituído de unidades de tratamento físico-químico, 
tendo como objetivo a remoção complementar da matéria orgânica e de com-
postos não biodegradáveis, de nutrientes, de poluentes tóxicos, de sólidos 
inorgânicos dissolvidos e sólidos em suspensão remanescentes e de patogenias 
por desinfecção dos esgotos/efluentes tratados. 
Os processos de tratamento dos efluentes são formados por uma série de operações 
unitárias, e estas são empregadas para a remoção de substâncias indesejáveis, ou 
para a transformação destas substâncias em outras de forma aceitável. O Quadro 1 
apresenta as principais operações unitárias de tratamento de águas contaminadas em 
uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE).
 Controle da poluição 154
Operação 
unitária Processo de operação
Troca de gás Operação pela qual gases são precipitados no 
esgoto ou tomados em solução pelo esgoto a ser 
tratado, pela sua exposição ao ar sob condição 
elevada, reduzida ou normal de pressão. 
Gradeamento Operação pela qual são retidos e removidos o material 
flutuante e a matéria em suspensão que for maior 
em tamanho do que as aberturas das grades. 
Sedimentação Operação pela qual a capacidade de carreamento e de 
erosão da água é diminuída até que as partículas em 
suspensão decantem pela ação da gravidade e não 
possam mais ser levantadas pela ação de correntes.
Flotação Operação pela qual a capacidade de carreamento 
da água é diminuída e sua capacidade 
de empuxo é, então, aumentada.
Coagulação 
química
Operação na qual há adição de substâncias químicas 
formadoras de flocos (coagulantes) ao efluente. 
Precipitação 
química
Operação de adição de substâncias químicas 
como sulfato de alumínio e sais de ferro com o 
objetivo de eliminar nutrientes como o fósforo.
Filtração Operação pela qual os fenômenos de coar, sedimentar 
e de contato interfacial se combinam para transferir a 
matéria em suspensão para grãos de areia, carvão ou 
outro material granular, de onde deverá ser removida. 
Desinfecção Operação pela qual os organismos vivos 
infecciosos em potencial são exterminados. 
Oxidação biológica Operação pela qual os microrganismos 
decompõem a matéria orgânica contida no 
efluente ou no lodo e transformam substâncias 
complexas em produtos finais simples.
Quadro 1. Principais operações unitárias encontradas em uma Estação de Tratamento de 
Efluentes (ETE).
Fonte: Jordão et al. (1997).
155Técnicas de controle, recuperação e mitigação de águas contaminadas
Técnicas de recuperação e controle de 
mananciais contaminados
Não é nenhuma novidade que boa parte dos rios espalhados pelo mundo 
apresenta algum tipo de poluição. Segundo Ratier (2016), um relatório da 
Comissão Mundial de Águas, entidade internacional ligada à ONU, aponta 
que, entre os 500 maiores rios do mundo, mais da metade enfrenta sérios 
problemas de contaminação.
Figura 2. Recurso hídrico com alto grau de poluição.
Fonte: Jack Schiffer/Shutterstock.com.
No Brasil, a Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, a qual institui o “novo 
Código Florestal”, apresenta a Área de Preservação Permanente exigida, 
conforme a largura do curso d’água, sendo estas:
  Curso de até 10 metros: devem-se respeitar 30 metros de cada lado do rio.
  Curso de 10 metros a 50 metros: devem-se respeitar 50 metros de cada 
lado do rio.
  Curso de 50 metros a 200 metros: devem-se respeitar 100 metros de 
cada lado do rio.
  Curso de 200 metros a 600 metros: devem-se respeitar 200 metros de 
cada lado do rio.
 Controle da poluição 156
  Curso acima de 600 metros: devem-se respeitar 500 metros de cada 
lado do rio.
  Nascente e olhos d’água perene: deve-se respeitar um raio mínimo de 
50 metros.
Essas margens de segurança visam basicamente evitar a erosão e o asso-
reamento dos recursos hídricos. Porém, sabe-que, na prática, essas margens 
de segurança muitas vezes não são respeitadas. As maiores cidades cresceram 
às margens de rios, resultando na erosão e contaminação deles.
Logo, a fim de evitar a erosão, deve-se realizar o reflorestamento das 
margens desses rios, contribuindo para a diminuição do assoreamento deles. 
O ideal seria transferir a população que reside às margens de rios para locais 
mais seguros, porém essa não é uma tarefa fácil devido a questões políticas, 
sociais e econômicas. 
Entretanto, como podemos recuperar um rio ou manancial poluído? Ba-
sicamente, é preciso remover a fonte de contaminação, ou seja, garantir que 
o esgoto ou o efluente industrial não seja lançado no recurso hídrico sem o 
devido tratamento, retirando os contaminantes e contando com a vigilância 
da população.
No rio Tietê (em São Paulo), por exemplo, a origem do problema de conta-
minação é basicamente de três tipos, de acordo com Ratier (2016): industrial, 
difusa (formada pelo lixo das casas e das ruas levado pela chuva) e do esgoto 
doméstico, que é considerado o mais prejudicial de todos. O tratamento do 
rio começa pela instalação de barras de proteção, as quais visam reter a maior 
parcela possível de resíduos sólidos (plásticos, papeis, vidros, entre outros) 
presente no recurso hídrico e que podem causar problemas nas etapas seguintes 
de tratamento. 
Para evitar ligações clandestinas de esgoto ou até mesmo efluente industrial, 
deve-se realizar o monitoramento periódico, pois estas colocam o tratamento 
da água em risco. Para se ter uma ideia, cerca de 70 mil ligações irregulares 
são descobertas no rio Tietê anualmente. A estação de flotação é uma das 
melhores opções para remover a sujeira presente no rio. Este sistema consiste 
na injeção de microbolhas de ar no fundo do rio, fazendo com que a sujeira 
depositada suba e seja recolhida. 
157Técnicas de controle, recuperação e mitigação de águas contaminadas
Outra forma de recuperar as águas contaminadas de mananciais é por meio 
de fitorremediação. Essa técnica consiste na remoção de poluentes de uma área 
contaminada pela utilização de plantas, podendo ser dividida em três tipos:
  Fitorremediação de águas: usada para efluentes sanitários, agrícolas 
ou industriais.
  Fitorremediação do ar: remoção de CO2, gás do efeito estufa e tóxico 
em ambientes fechados, melhorando, dessa forma, a qualidade do ar.
  Fitorremediação de solos: remoção, retenção ou degradação de conta-
minantes das camadas superficiais do solo.
O rio Tâmisa, na Inglaterra, ficou conhecido como o “Grande Fedor” devido a seu alto 
índice de poluição, sendo suas águas consideradas não potáveis já no ano de 1610. 
Entretanto, um projeto de despoluição começou a ser esboçado no século XIX. Além 
domau cheiro, as epidemias de cólera nas décadas de 1850 a 1860 foram fundamentais 
para que o governo decidisse construir um sistema de captação de esgotos da cidade. 
Ao todo, foram quase 150 anos de investimentos na despoluição das águas do rio que 
corta Londres. Veja a figura a seguir.
Situação atual do Rio Tâmisa, Inglaterra.
Fonte: Songquan Deng/Shutterstock.com.
 Controle da poluição 158
Especificamente falando sobre a fitorremediação de água, pode-se citar 
o sistema wetland. O termo wetland é utilizado para caracterizar ecossiste-
mas naturais que ficam parcial ou totalmente inundados durante o ano e que 
apresentam condições apropriadas para o crescimento de plantas macrófitas. 
De acordo com Salati (2000), as principais funções desses sistemas, além do 
tratamento de efluentes, são:
  Regularização do fluxo de água, amortecendo picos de enchentes;
  Capacidade de modificar e controlar a qualidade das águas;
  Proteção à biodiversidade, como área de refúgio da fauna terrestre; e
  Controle da erosão, evitando o assoreamento dos rios.
Os sistemas de wetlands construídos são sistemas projetados que utilizam 
tecnologia com o objetivo de reproduzir os sistemas de wetlands naturais 
(BEDA, 2011). Esses sistemas utilizam plantas aquáticas em substratos feitos 
de materiais inertes. As interações entre planta e substrato formam um biofilme 
que abriga uma população de microrganismos responsáveis pelos mecanismos 
químicos, físicos e biológicos para tratamento das águas residuárias, de acordo 
com Souza et al. (2004) e Jesus e Winckler (2015). A remoção de nutrientes 
ocorre por mecanismos químicos no solo e absorção pela biomassa vegetal 
(Figura 3).
Figura 3. Exemplo do sistema wetland.
Fonte: higrace/Shutterstock.com.
159Técnicas de controle, recuperação e mitigação de águas contaminadas
Controle de águas contaminadas
Existem iniciativas que visam melhorar a qualidade das águas. Na América 
do Sul, uma cooperação internacional efetiva tem se desenvolvido na bacia 
do Prata (compartilhada por Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai) 
e na bacia Amazônica (compartilhada por nove países). Ações conjuntas de 
monitoramento para controle da qualidade da água, estudos conjuntos para 
avaliar o impacto dos usos do solo na contaminação e degradação dos recursos 
hídricos, além da realização de programas de capacitação conjunta de gestores 
de recursos hídricos são algumas ações e atividades já desenvolvidas e que 
têm estimulado políticas públicas de longo prazo para a gestão dessas bacias 
(TUNDISI, 2008).
O mesmo autor apresenta outros exemplos relevantes em que a cooperação 
internacional tem atuado intensivamente para resolver problemas comuns de 
disponibilidade, demanda, contaminação e escassez de água:
  Programas de cooperação internacional nos dez países que compartilham 
a bacia do Rio Nilo;
  Cooperação internacional para gerenciamento do Mar Cáspio, compar-
tilhado por cinco países. Um dos principais problemas é a exploração de 
petróleo e o potencial de contaminação nessa região, além da produção 
pesqueira, que é importante economicamente;
  Cooperação internacional no Rio Danúbio, cuja bacia hidrográfica é 
compartilhada por dez países, sendo os principais problemas relaciona-
dos com a navegação e transporte, usos da água, controle da poluição 
e projetos de proteção ambiental da bacia do Rio Danúbio.
  Disponibilidade de água de melhor qualidade para abastecimento 
humano;
  Disponibilidade de água de melhor qualidade em rios e lagos para 
utilização pública em recreação (banhos e natação);
  Água menos poluída como parte das heranças locais e regionais e parte 
das ações ambientais rumo à sustentabilidade.
Formas de mitigação de águas contaminadas
Os planos de mitigação, segundo Mercado em Foco (2017), buscam reverter 
danos parciais e minimizar situações de risco e de impactos ambientais pela 
intervenção em áreas vulneráveis e pela implementação de programas ope-
 Controle da poluição 160
racionais que permitam, a curto prazo, mitigar situações críticas com base na 
defi nição de prioridades. Eles devem ser implantados com base numa gestão 
adaptativa, fundamentada em mecanismos que levem em conta a dinâmica de 
determinadas zonas naturais. Entre os principais planos de mitigação estão:
  Manter em estado próximo do natural a maior parte das zonas 
degradadas;
  Condicionar as explorações agrícola e pecuária;
  Impedir a ocupação com habitação nas áreas delimitadas de proteção;
  Condicionar as instalações industriais;
  Desviar vias e transferir construções em zonas de risco;
  Limitar a construção de estradas marginais e a intensidade de tráfego;
  Controlar a ocupação de terras e extrações;
  Investir em tecnologias que visam ao reuso da água.
A mitigação está relacionada ao ato de diminuir a intensidade de algo, 
fazendo com que fique mais brando, calmo ou relaxado. Mas como é possível 
reduzir a quantidade de água contaminada gerada? Essa não é uma tarefa 
fácil, pois precisa haver o consentimento da empresa ou das próprias pes-
soas, e normalmente são necessários investimentos financeiros, o que acaba 
colocando as medidas mitigadoras de lado. O reuso da água (ou do efluente) 
pode ser considerada a principal medida mitigadora em relação às águas 
contaminadas, pois é uma ordem direta: quanto mais água consumimos, mais 
efluentes iremos gerar.
Reuso da água
A conservação da água pode ser realizada por várias atividades, tais como a 
redução da demanda da água, melhoramento do seu uso e redução das perdas 
e desperdícios (TOMAZ, 2001). Macêdo (2001) descreve que o reuso de água é 
considerado uma das principais alternativas para um uso mais racional da água 
(Figura 4). Mierzwa e Hespanhol (2005) defi nem, de maneira geral, “reuso de 
água” como o uso de efl uentes tratados ou não para fi ns benéfi cos, tais como 
irrigação, uso industrial e fi ns urbanos não potáveis, em substituição à fonte 
de água normalmente utilizada.
161Técnicas de controle, recuperação e mitigação de águas contaminadas
Lavrador Filho (1987) apud Mancuso e Santos (2003) define a prática de 
reuso como o aproveitamento de águas já utilizadas em alguma atividade 
para suprir necessidades de outros fins, podendo ser, inclusive, o original. 
Esse mesmo autor ressalta que o reuso pode ser realizado de forma direta 
ou indireta, com ações planejadas ou não planejadas, gerando, assim, as 
seguintes definições:
a) Reuso indireto não planejado: a água é utilizada uma ou mais vezes 
para uma determinada atividade, ou seja, o efluente de uma atividade 
é destinado ao meio ambiente (sem tratamento) e captado em um ponto 
a jusante (um ponto depois do ponto em que é descartado) para ser 
reutilizada; 
b) Reuso indireto planejado: o efluente, depois de passar por tratamento, 
é destinado ao meio ambiente de forma planejada e consciente para ser 
captado novamente em um ponto a jusante com a intenção do reuso; 
c) Reuso direto: o efluente, após ser tratado, é direcionado diretamente 
ao ponto em que o reuso será realizado. Este ocorre sempre de forma 
planejada.
De acordo com Mierzwa e Hespanhol (2005), a prática de reuso pode ser 
implantada de duas maneiras: 
Figura 4. Reuso de água, medida mitigatória para diminuir a geração de águas contaminadas.
Fonte: Sergey Novikov/Shutterstock.com.
 Controle da poluição 162
  Reuso direto de efluentes: compreende o uso de efluente originado 
por um processo diretamente em outro, devido às características com-
patíveis, podendo-se utilizar parcialmente o efluente ou misturá-lo com 
a água de abastecimento. 
  Reuso de efluentes tratados: utilizam-se efluentes que tenham sido sub-
metidos a um tratamento. Após o tratamento é verificado se o efluente 
atinge as características necessárias (de acordo com leis); caso contrário, 
realiza-se um novo tratamento.
O reuso também pode ser classificado em duas grandes categorias: po-
tável e não potável, dependendo de que atividade será o objetivo do reuso(MANCUSO; SANTOS, 2003). Para Telles e Costa (2007), o reuso de água 
com características similares ao esgoto doméstico – decorrentes de atividades 
como higiene, preparação de comidas, entre outras – deve ser realizado para 
fins menos nobres, em que não são exigidos os padrões de qualidade de água 
potável, por motivos de segurança à saúde pública. O mesmo autor afirma que 
o reuso para fins não potáveis auxilia na redução do problema da escassez, 
substituindo a exploração de mananciais. Com isso, volumes de água potável 
são poupados, usando-se água de qualidade inferior para essas finalidades.
A prática do reuso de água contribui de forma significativa para a redução 
do volume de água captado pelo sistema de abastecimento convencional e 
do efluente gerado pela prática da atividade. Sobretudo, deve ser adotada no 
momento em que as características do efluente disponível sejam compatíveis 
com os requisitos de qualidade exigidos para a finalidade de sua aplicação 
(MIERZWA; HESPANHOL, 2005).
Silva (2002) ressalta que, em relação às indústrias, as águas de reuso podem 
ser usadas em sistemas de água de resfriamento, para sistemas de produção 
de água quente ou vapor – caldeiras –, em processos industriais e outros usos 
menos nobres, como rega de jardins, lavagem de tanques e pátios. O reuso de 
água pode ocorrer ainda na preparação de concreto e compactação do solo, 
lavagens de peças nas indústrias mecânicas e lavagem de gases de chaminés.
163Técnicas de controle, recuperação e mitigação de águas contaminadas
O reuso de água vem sendo adotado por algumas empresas como forma de exploração 
do marketing verde. Com a minimização do volume de efluente gerado, agrega-se 
valor ao produto final, bem como aumenta a competitividade ao cliente e consumidor 
(CONSTANZI, 1998).
O reuso de água em nível industrial já é uma realidade, porém está associado a 
iniciativas isoladas dentro do setor privado, principalmente por ser economicamente 
viável em função dos custos e por reduzir o volume de efluentes lançados em recursos 
hídricos (MACÊDO, 2001; TELLES; COSTA, 2007). Dentre os benefícios do reuso de água 
no setor industrial, podem-se citar: 
  maximização da eficiência na utilização dos recursos hídricos; 
  benefícios referentes à imagem ambiental da empresa (adoção de postura proativa 
com o meio ambiente);
  garantia na qualidade de água tratada; 
  viabilização de um sistema “fechado”, com descarte mínimo de efluentes; 
  credenciamento da empresa para futuros processos de certificação ambiental, 
International Organization Standardization – ISO 14.000; 
  independência do sistema público e de suas instabilidades (garantia no 
abastecimento).
Em diversas cidades e países, tratar a água de esgoto visando deixá-la potável ao 
consumo humano é uma prática que vem crescendo exponencialmente. Além de 
diminuir a poluição de rios ou outros mananciais hídricos, é uma excelente opção 
em locais com escassez de água.
Para entender melhor sobre o reuso de água de esgoto e o tratamento adequado, 
leia mais na reportagem “Até o fim do ano, você beberá água de esgoto” (MOURA; 
VISCONTI; IMERCIO, 2015). 
 Controle da poluição 164
1. As estações de tratamento de 
efluentes são compostas por 
diferentes etapas. Em relação a essas 
etapas, qual a alternativa correta?
a) A desinfecção consiste no uso 
de cloro, visando matar germes 
nocivos à saúde humana.
b) A filtração consiste na passagem 
da água por meio de filtros, 
compostos principalmente 
por areia, carbono e turfa.
c) A decantação visa à adição de 
sulfato de alumínio para que as 
partículas de sujeira se juntem, 
formando pequenos coágulos.
d) Os filtros de carbono auxiliam na 
retirada de partículas maiores, 
as quais podem resultar no 
entupimento de tubulações.
e) A floculação visa que a 
água fique parada para que 
os flocos mais pesados se 
depositem no fundo.
2. Uma maneira de minimizar a 
geração de águas contaminadas 
é pelo reuso da água. Em 
relação ao reuso de água, 
qual a alternativa correta?
a) O reuso indireto não planejado 
é a denominação dada quando 
ocorre o tratamento do 
efluente e posterior descarte 
em um recurso hídrico, sendo 
o efluente novamente captado 
em um ponto a jusante.
b) No reuso indireto planejado, 
o efluente não passa por 
nenhum tipo de tratamento, 
sendo destinado ao meio 
ambiente de forma planejada 
e consciente para ser captado 
novamente em um ponto a 
jusante com intenção de reuso.
c) O reuso direto pode ser 
considerado um ciclo fechado.
d) Todo reuso de água deverá 
ser aproveitado para fins não 
potáveis devido às patologias 
que podem estar presentes.
e) O reuso de água é uma forma 
de economizar financeiramente, 
porém não diminui a quantidade 
de água contaminada 
lançada nos mananciais.
3. Entre as alternativas a seguir, 
as quais se referem às técnicas 
de recuperação de mananciais 
contaminados, qual está correta?
a) Qualquer tipo de planta pode 
ser utilizado no sistema wetland, 
o que garante sua eficiência e 
simplicidade principalmente 
para o tratamento de esgotos.
b) A forma mais viável de recuperar 
mananciais contaminados é pela 
retirada da população que vive às 
margens dos recursos hídricos.
c) Em 2012, o Governo Federal 
publicou a Lei nº 12.651, a qual 
visa principalmente preservar 
os recursos hídricos nacionais, 
bem como apresentar formas de 
minimizar os passivos ambientais 
ocasionados pelo lançamento 
de efluentes/esgotos neles. 
d) A instalação de estações de 
tratamento dentro de recursos 
hídricos é uma forma de 
recuperar as suas águas.
165Técnicas de controle, recuperação e mitigação de águas contaminadas
e) A fitorremediação consiste 
em adicionar agentes 
coagulantes na água a fim de 
proporcionar a formação de 
flocos e, consequentemente, 
a deposição destes no 
fundo do recurso hídrico.
4. Em relação aos métodos de 
tratamento de águas contaminadas, 
qual a alternativa correta?
a) O tratamento de água 
sempre será igual, sendo 
composto pelos mesmos 
processos de operação. 
b) Devem-se consultar as Leis 
Federais sobre lançamento 
de efluentes em corpos 
receptores, pois elas sempre 
são mais restritivas.
c) O tratamento terciário é 
fundamental nas estações de 
tratamento e visa à retirada de 
poluentes pela ação biológica.
d) O tratamento biológico 
necessariamente consiste no 
uso de bactérias anaeróbias 
para realizarem a degradação 
da matéria orgânica.
e) No tratamento prévio, ocorre 
a remoção de material 
particulado grosseiro, como 
areia, ou até resíduos sólidos 
urbanos, como plásticos. 
5. O lançamento de esgoto na água é 
prejudicial porque causa o aumento 
do número de nutrientes e de algas. 
O aumento desses organismos forma 
uma camada que prejudica a entrada 
de luz solar e, consequentemente, 
afeta o processo de fotossíntese. 
Este fenômeno é descrito por 
qual das seguintes definições?
a) Assoreamento.
b) Eutrofização.
c) Reprodução.
d) Bioacumulação.
e) Intemperismo.
 Controle da poluição 166
BEDA, J. N. Determinação do coeficiente de decaimento bacteriano em Wetland 
(Alagado construído). 2011, 50f., Dissertação de mestrado em Engenharia Sanitária. 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2011.
BRASIL. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação 
nativa; altera as Leis nos 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro 
de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nos 4.771, de 15 de 
setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória no 2.166-67, 
de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 
2012. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/
l12651.htm>. Acesso em: 02 jul. 2017.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Reso-
lução nº 410, de 04 de maio de 2009. Brasília: CONAMA,2009. Disponível em: <http://
www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=603>. Acesso em: 02 jul. 2017.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Reso-
lução nº 430, de 13 de maio de 2011. Brasília: CONAMA, 2011. Disponível em: <http://
www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=646>. Acesso em: 02 jul 2017.
CAVALCANTI, J. E. W. A. Manual de tratamentos de efluentes industriais. São Paulo: 
Engenho Editora Técnica, 2009.
CONSTANZI, R. N. Aspecto econômico do reuso de água no processo industrial. São Paulo: 
Departamento de Hidráulica e Saneamento; Escola de Engenharia de São Carlos, 1998.
JESUS, B. M.; WINCKLER, V. L. Avaliação de um sistema de wetlands construído no pós-
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JORDÃO, E.P., et al. Controle microbiológico na operação de um sistema de lodos 
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SANITÁRIA E AMBIENTAL, 19. 1997, Foz do Iguaçu. Anais... Foz do Iguaçu: Associação 
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LIBÂNIO, M. Fundamentos de qualidade e tratamento de água. 2. ed. São Paulo: Átomo, 
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MACÊDO, J. A. B. Águas e águas. São Paulo: Livraria Varela, 2001.
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MARENGO, J. A. Água e mudanças climáticas. São Paulo: Instituto de Estudos Avançados 
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167Técnicas de controle, recuperação e mitigação de águas contaminadas
MERCADO EM FOCO. Conheça as medidas de prevenção, mitigação e remediação 
ambiental. [S.l.]: Mercado em Foco, 2017. Disponível em: <http://mercadoemfoco.
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RATIER, R. Como é possível recuperar um rio poluído. Mundo Estranho, 19 ago. 2016. 
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SOUZA, J. T. et al. Utilização de Wetland construído no pós-tratamento de esgotos 
domésticos pré-tratados em reator UASB: nota técnica. Revista Engenharia Sanitária 
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TELLES, D. A.; COSTA, R. H. P. G. Reuso da água: conceitos, teorias e práticas. São Paulo: 
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TOMAZ, P. Economia de água: para empresas e residenciais. São Paulo: Navegar, 2001.
TUNDISI, J. G. Recursos hídricos no futuro: problemas e soluções. Estudos Avançados, 
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VON SPERLING, M. V. Introdução a qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 3. 
ed. Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental; Universidade 
Federal de Minas Gerais, 2005. v. 1.
 Controle da poluição 168
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Conteúdo:
DICA DO PROFESSOR
O sistema wetland é uma forma de tratar esgoto/efluentes por intermédio do uso de plantas, no 
entanto, esse tipo de sistema apresenta vantagens e desvantagens.
Veja no vídeo quais são essas vantages e desvantagens do uso de wetland.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
EXERCÍCIOS
1) As estações de tratamento de efluentes são compostas por diferentes etapas. Em 
relação a essas etapas, qual a alternativa correta?
A) a) A desinfecção consiste no uso de cloro, visando matar germes nocivos à saúde humana.
B) b) A filtração consiste na passagem da água por meio de filtros, compostos principalmente 
por areia, carbono e turfa.
C) c) A decantação visa a adição de sulfato de alumínio para que as partículas de sujeira se 
juntem, formando pequenos coágulos.
D) d) Os filtros de carbono auxiliam na retirada de partículas maiores, as quais podem 
ocasionar entupimento de tubulações.
E) e) A floculação visa que a água fique parada para que os flocos mais pesados se depositem 
no fundo.
2) Uma maneira de minimizar a geração de águas contaminadas é por meio do reuso da 
água. Dito isso, qual a alternativa está correta sobre esse assunto?
A) a) O reuso indireto não planejado é a denominação dada quando ocorre o tratamento do 
efluente e posterior descarte em um recurso hídrico, sendo o efluente novamente captado 
em um ponto a jusante.
B) b) No reuso indireto planejado, o efluente não passa por nenhum tipo de tratamento, sendo 
este destinado ao meio ambiente de forma planejada e consciente para ser captado 
novamente em um ponto a jusante com a intenção do reuso.
C) c) O reuso direto pode ser considerado um ciclo fechado.
D) d) Todo reuso de água deverá ser aproveitado para fins não potáveis, devido às patologias 
que podem estar presentes.
E) e) O reuso de água é uma forma de economizar financeiramente, porém não diminui a 
quantidade de água contaminada lançada nos mananciais.
3) Entre as alternativas a seguir, que se referem às técnicas de recuperação de 
mananciais contaminados, qual a correta?
A) a) Qualquer tipo de planta pode ser utilizada no sistema wetland, o que garante sua 
eficiência e simplicidade principalmente para o tratamento de esgotos.
B) b) A forma mais viável de recuperar mananciais contaminados é pela retirada da 
população que vive às margens dos recursos hídricos.
C) c) Em 2012, o Governo Federal publicou a Lei 12.651, a qual visa principalmente 
preservar os recursos hídricos nacionais, além de apresentar formas de minimizar os 
passivos ambientais ocasionados pelo lançamento de efluentes/esgotos.
D) d) A instalação de estações de tratamento dentro de recursos hídricos é uma forma de 
recuperar as suas águas.
E) e) A fitorremediação consiste em adicionar agentes coagulantes na água para proporcionar 
a formação de flocos e, consequentemente, a deposição desses no fundo do recurso 
hídrico.
4) Em relação aos métodos de tratamento de águas contaminadas, qual a alternativa 
correta?
A) a) O tratamento de água sempre será igual, sendo composto com os mesmos processos de 
operação.
B) b) Deve-se consultar as Leis Federais sobre lançamento de efluentes em corpos receptores, 
pois essas sempre são mais restritivas.
C) c) O tratamento terciário é fundamental nas estações de tratamento e visa a retirada de 
poluentes por intermédio da ação biológica.
D) d) Necessariamente o tratamento biológico consiste no uso somente de bactérias 
anaeróbias para realizarem a degradação da matéria orgânica.
E) e) No tratamento prévio, ocorre a remoção de material particulado grosseiro, como areia 
ou até resíduos sólidos urbanos, como plásticos.
5) O lançamento de esgoto na água é prejudicial porque causa o aumento de nutrientes 
e do número de algas. O aumento desses organismos forma uma camada que 
prejudicaa entrada de luz solar e, consequentemente, afeta o processo de 
fotossíntese. Esse fenômeno é melhor descrito por qual das seguintes definições?
A) a) Assoreamento.
B) b) Eutrofização.
C) c) Reprodução.
D) d) Bioacumulação.
E) e) Intemperismo.
NA PRÁTICA
Mário, um jovem estudante da área ambiental, foi recém contratado por uma empresa para 
realizar controle, recuperação e mitigação de áreas contaminadas. Para iniciar seu trabalho, 
Carlos, o atual responsável por essa demanda, apresentou-lhe em reunião os dois documentos 
fundamentais para a realização de seu trabalho: o Plano de Emergência Individual (PEI) e a 
Análise Preliminar de Risco (APR).
Clique na imagem e veja as orientações que Carlos passou ao Mário em reunião.
 
A partir das informações que Carlos passou na reunião, Mário agora poderá iniciar o seu 
trabalho.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Estação de tratamento de esgoto: como funciona.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Sistema Wetland: Araruama.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Avaliação da água residuária de uma indústria alimentícia visando o reuso em descargas 
sanitárias.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Proposta de um sistema de reuso de água de lavatórios em um centro universitário: análise 
preliminar.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Poluição Atmosférica
APRESENTAÇÃO
A atmosfera é uma camada constituída por vários gases que envolvem o planeta Terra. Essa 
camada é mantida graças à ação da força da gravidade, a qual mantém os gases presos em volta 
da Terra. Infelizmente, as ações humanas estão contribuindo para o lançamento de gases e 
particulados poluentes para a atmosfera. Estima-se que a temperatura da terra possa subir cerca 
de 4 °C até o final deste século devido ao aumento do efeito estufa. Caso seja confirmada essa 
premissa, diversos efeitos negativos na Terra poderão ocorrer, como perda de biodiversidade, 
derretimento das calotas polares, aumento do nível do oceano, mudanças no clima e inundações 
de cidades litorâneas. Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá os conceitos de poluição 
atmosférica, seus poluentes e o quanto isso impacta no aquecimento global. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Apresentar os conceitos de poluição atmosférica.•
Classificar os poluentes atmosféricos.•
Identificar como a poluição atmosférica ocasiona o aquecimento global.•
DESAFIO
Os particulados (PM), ou também conhecidos como material particulado, são partículas muito 
finas de sólidos ou líquidos suspensos no ar. Para ser considerado PM, suas dimensões 
(diâmetro) variam desde 20 micra até menos de 0,05 mícron.
Uma determinada indústria visa se instalar na cidade de Curitiba, no Paraná. Para tal, os 
responsáveis legais ficaram sabendo que você é um profissional que trabalha com questões 
ambientais, sendo bastante conhecido nessa cidade.
A indústria em questão necessita construir uma chaminé, a qual utilizará madeira como 
combustível.
Elabore um pequeno laudo técnico, descrevendo os critérios de escolha em relação à altura 
mínima indicada dessa chaminé, assim como a legislação cabível que a indústria deverá seguir 
em relação à sua construção na cidade de Curitiba/PR, visando evitar a contaminação do 
ambiente e da população local.
INFOGRÁFICO
As consequências da poluição atmosférica são catastróficas para o planeta, pois causam o 
aquecimento da Terra. Se não mudarmos rapidamente o estilo de vida da humanidade, poderão 
ocorrer sérios danos, principalmente relacionado ao derretimento das calotas polares, o que 
provoca o aumento do nível dos oceanos.
Veja no infográfico a seguir as principais causas e suas consequências.
CONTEÚDO DO LIVRO
O dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC), aldeídos (R-
CHO), óxidos de nitrogênio (NOx) e óxidos de enxofre (SOx) são exemplos de gases poluentes 
que a ação humana emite para a atmosfera.
Para ler mais sobre esse assunto, faça a leitura do capítulo Poluição atmosférica, que faz parte 
do livro "Controle da poluição", base teória desta Unidade de Aprendizagem.
Boa leitura.
Ronei Tiago Stein
MEIO AMBIENTE
Revisão técnica:
Vanessa de Souza Machado
Mestre e Doutora em Ciências
Graduada em Ciências Biológicas
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB – 10/2147
M499 Meio ambiente [recurso eletrônico] / Ronei Tiago Stein
... [et al.]; [revisão técnica : Vanessa de Souza Machado]. – 
Porto Alegre : SAGAH, 2018.
ISBN 978-85-9502-573-8
Engenharia de produção. 2. Meio ambiente. I. Stein,
Ronei Tiago.
CDU 502
Poluição atmosférica
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Apresentar os conceitos de poluição atmosférica.
 � Classificar os poluentes atmosféricos.
 � Identificar como a poluição atmosférica ocasiona o aquecimento 
global.
Introdução
A atmosfera é uma camada que envolve o planeta Terra e é constituída por 
vários gases. Essa camada é mantida graças à ação da força da gravidade, 
a qual mantém os gases presos em volta da Terra. Infelizmente, as ações 
humanas estão contribuindo para o lançamento de gases e particulados 
poluentes para a atmosfera. Esses gases são oriundos principalmente da 
queima de combustíveis fósseis, sendo possível citar como exemplos 
dióxido de carbono (CO
2
), monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos 
(HC), aldeídos (R-CHO), óxidos de nitrogênio (NO
x
) e óxidos de enxofre 
(SO
x
). Estima-se que a temperatura da Terra possa aumentar cerca de 4ºC 
até o final deste século devido ao agravamento do efeito estufa. Caso 
seja confirmada essa premissa, poderão ocorrer diversos efeitos nega-
tivos na Terra, como perda de biodiversidade, derretimento das calotas 
polares, aumento do nível do oceano, mudanças no clima e inundações 
de cidades litorâneas. 
Neste texto, você verá os conceitos de poluição atmosférica, seus 
poluentes e o quanto isso impacta no aquecimento global.
Poluição atmosférica: generalidades
A poluição atmosférica é, atualmente, um dos maiores problemas ambientais 
enfrentados pela humanidade, sendo um tipo de poluição oriunda principal-
mente de centros urbanos e industriais. Entre as causas relacionadas com a 
poluição atmosférica, pode-se citar principalmente a queima de combustíveis 
fósseis nos transportes, na geração de energia elétrica e na produção fabril. 
O dióxido de carbono (CO
2
), monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos 
(HC), aldeídos (R-CHO), óxidos de nitrogênio (NO
x
), óxidos de enxofre (SO
x
) 
e material particulado (MP) são os poluentes mais emitidos na atmosfera.
Esta problemática se intensificou principalmente no início do século XVIII 
com a Revolução Industrial. A partir desse período, o homem começou a 
utilizar em demasia os combustíveis fósseis, especialmente os derivados do 
petróleo. Isso aumentou consideravelmente a emissão de gases poluentes na 
atmosfera, não havendo a menor preocupação com as consequências geradas 
por tal prática.
Infelizmente, os estudos relacionados à poluição atmosférica começaram 
apenas muito tempo depois, por volta de 1970. Com esses estudos, os cientistas 
descobriram, por exemplo, os efeitos das emissões de clorofluorcarbonos 
(CFC), um gás muito utilizado, na época, em geladeiras e em aerossóis. Os 
CFCs contribuíram amplamente para a diminuição da camada de ozônio, 
sendo considerados 15 mil vezes mais nocivos ao ozônio do que o dióxido 
de carbono (CO
2
). 
A diminuição da camada de ozônio traz como consequências a exposição 
direta da Terra ao Sol, ou seja, a camada de ozônio funciona como um filtro 
dos raios solares. Com isso, ocorre aumento dos índices de câncer de pele na 
humanidade, além de aumentar a variedade de doenças. Entretanto, os preju-
ízos tambémpodem ser percebidos na agricultura, nos recifes de coral, nas 
populações de plâncton (consequentemente afetando toda a cadeia alimentar 
dos animais), entre outros. Ou seja, a diminuição da camada de ozônio altera 
ambientes, provoca distúrbios ecológicos, fustiga a resistência das espécies e 
ainda favorece o aquecimento global.
Substituto do CFC
O substituto do CFC encontrado não pode ser considerado um produto am-
bientalmente correto. Batizado como hidroclorofluorcarbono (HCFC), ele é 
menos nocivo à camada de ozônio, mas infelizmente ainda provoca impactos 
ambientais. A expectativa é que, em pouco tempo, o hidrofluorcarbono (HFC), 
o qual não apresenta cloro em sua composição, substitua por completo o HCFC.
Poluição atmosférica214
Vesentini (2003) descreve que os poluentes são agentes que provocam a 
poluição. Como exemplos, podem-se citar ruídos excessivos, um gás nocivo na 
atmosfera, detritos ou agentes químicos que contaminam recursos hídricos ou 
solos, afetando a qualidade de vida das pessoas e do ambiente, em decorrência 
de mudanças ambientais. O problema da poluição diz respeito à qualidade de 
vida das aglomerações humanas. A degradação do meio ambiente humano 
provoca uma deterioração dessa qualidade, pois as condições ambientais são 
imprescindíveis para a vida, tanto no sentido biológico quanto no social.
A Resolução CONAMA nº 3/90 descreve “poluente atmosférico” como 
qualquer forma de matéria ou energia com intensidade e em quantidade, con-
centração, tempo ou características em desacordo com os níveis estabelecidos 
por essa norma e que tornem ou possam tornar o ar: 
 � impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde;
 � inconveniente ao bem-estar público;
 � danoso aos materiais, à fauna e à flora;
 � prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades 
normais da comunidade. 
De acordo com Viterbo Júnior (1998), no conceito europeu, a poluição 
do ar é quando há presença de substâncias estranhas ou variação importante 
dos seus constituintes com possibilidade de provocar efeitos prejudiciais ou 
doenças, levando em conta os conhecimentos científicos do momento. A 
dispersão de um poluente na atmosfera depende das condições meteorológicas 
e, depois, dos parâmetros e condições que produzem essa emissão na fonte, ou 
seja, velocidade, concentração, vazão e temperatura dos gases. Os poluentes 
que se encontram em dispersão na atmosfera podem ser de origem natural ou 
artificial, de fontes fixas ou estacionárias (processos industriais) ou móveis 
(veículos motorizados). A seguir, uma breve descrição sobre eles:
 � Origem natural: causados por agentes de ordem natural, como gases 
vulcânicos, poeiras e nevoeiro, conforme a Figura 1.
215Poluição atmosférica
Figura 1. Erupção vulcânica, a qual ocasiona geração de partículas na atmosfera.
Fonte: LukaKikina/Shutterstock.com.
 � Processos industriais: são os principais focos poluidores, seja material 
particulado, gases ou vapores lançados pelas chaminés de fabricas.
 � Veículos motorizados: principais causadores de poluição (móvel) do 
ar nas cidades, ocasionando lançamento na atmosfera de material par-
ticulado, monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos 
e aldeídos, entre outros poluentes. A Figura 2 apresenta um exemplo 
de fonte de poluição atmosférica fixa e móvel. 
Figura 2. Exemplo de fonte de poluição fixa (a) e fonte de poluição móvel (b).
Fonte: (a) homydesign/Shutterstock.com e (b) ssuaphotos/Shutterstock.com.
Poluição atmosférica216
Atualmente, o CO
2 
(dióxido de carbono) é um dos gases de maior preo-
cupação, pois ele contribui para o efeito estufa. Em 1996, foram lançados 
na atmosfera terrestre quase 24 bilhões de toneladas desse gás, sendo que 
os Estados Unidos produziram mais de 22% desses 24 bilhões (VITERBO 
JUNIOR, 1998). Para Tamdjian e Mendes (2005), a queima de combustíveis 
fósseis, como carvão mineral e dos derivados de petróleo, em grande parte 
proveniente dos veículos, são as principais fontes desse tipo de emissão. 
A frota de veículos vem aumentando assustadoramente, sendo que, em 
1950, havia 70 milhões de veículos automotores no mundo. Em 1994, esse 
número era nove vezes maior, totalizando 630 milhões de automóveis. Segundo 
uma pesquisa realizada pela Wards Auto (SOUSANIS, 2011), em 2010 a frota 
veicular no mundo ultrapassou a marca de um bilhão de unidades de veículos 
(Figura 3). 
Figura 3. Grande fluxo de veículos ocasionando poluição atmosférica.
Fonte: chuyuss/Shutterstock.com.
Esses valores refletem os números aproximados de carros, caminhões 
(médios e pesados), motocicletas e ônibus registrados em todo o mundo, porém 
não incluem os veículos considerados off-road. O termo off-road (termo em 
inglês que significa “fora da estrada”) é utilizado para veículos destinados a 
esportes automobilísticos radicais ou que realizam trabalhos forçados (como 
tratores, máquinas pesadas, entre outros veículos da categoria).
217Poluição atmosférica
Classificação dos poluentes atmosféricos
Conforme Vieira (2009), a massa de poluentes do ar é instável, tanto química 
quanto fisicamente, e as reações que ocorrem são dependentes das concen-
trações dos poluentes no ar e das variáveis meteorológicas, que determinam 
a maior ou menor concentração de poluentes. A variedade das substâncias 
que podem ser encontradas na atmosfera é muito grande, o que torna difícil 
a tarefa de estabelecer uma classificação. 
Os poluentes atmosféricos podem ser classificados quanto à sua origem 
(como primários ou secundários), composição (orgânicos ou inorgânicos) e 
estado físico (material particulado, gases e vapores). 
Origem — poluentes primários e secundários
Conforme Torres, Rocha e Ribeiro (2008), os poluentes podem ser divididos 
em primários e secundários:
 � Poluentes primários (também conhecidos como convencionais): são 
emitidos diretamente das fontes emissoras e estão presentes na atmos-
fera na forma que são emitidos, como poeiras, compostos de enxofre 
(dióxido de enxofre, gás sulfídrico etc.), óxido de carbono (monóxido 
e dióxido de carbono), compostos de nitrogênio, compostos orgânicos, 
compostos halogenados e compostos radioativos.
 � Poluentes secundários: formados na atmosfera pela reação química 
entre dois ou mais poluentes. Como exemplo, podemos citar o dióxido 
de enxofre (SO
2
), proveniente das atividades industriais (combustão de 
óleos, operações de fusão, usinas de natureza tipicamente química) e 
dos veículos automotores, que dá origem ao gás sulfúrico (H
2
S) pela 
ação do oxigênio natural do ar (catalisado pela energia solar) ou do 
ozônio (derivado do oxigênio natural por ocasião de descargas elétricas 
atmosféricas ou também a partir de poluentes primários como hidro-
carbonetos e óxidos de nitrogênio). O SO
3
 reage com o vapor d’água 
existente no ar, formando, assim, neblina de ácido sulfúrico.
Composição: orgânicos e inorgânicos 
Os poluentes atmosféricos podem ser divididos conforme sua composição, 
podendo ser orgânicos ou inorgânicos:
Poluição atmosférica218
 � Orgânicos: apresentam o carbono como elemento principal em sua 
composição. Como exemplo, podemos citar os hidrocarbonetos, com-
postos exclusivamente de carbono e hidrogênio (CxHy), os aldeídos e 
as cetonas. 
 � Inorgânicos: como exemplos, podemos citar o gás sulfídrico (H
2
S), o 
ácido fluorídrico (HF) e a amônia (NH
3
).
Em relação às dioxinas e aos furanos, eles são considerados poluentes 
orgânicos persistentes (POPs), compostos por carbono, hidrogênio, oxigênio 
e cloro. Sua decomposição não ocorre facilmente, além de serem substâncias 
sintéticas altamente tóxicas, as quais se acumulam ao longo da cadeia alimentar 
e podem ser transportadas por grandes distâncias a partir de seu local de origem 
pelo ar, rios ou oceanos. São formados como subproduto não intencional, a 
partir da produção de produtos químicos como pesticidas, nos processos de 
branqueamento de papel e celulose; e nos processos de incineração de resíduos 
de serviços de saúde,lixo urbano e resíduos industriais.
Estado físico
Como estado físico, os gases são as substâncias que, em condições normais 
de temperatura e pressão, são encontradas no estado gasoso e não sofrem 
condensação, como o ozônio (O
3
), o monóxido de carbono (CO), o dióxido 
de carbono (CO
2
) e o cloro gasoso (Cl). Já os vapores podem se condensar 
em condições normais de temperatura e pressão, como a naftalina, benzeno, 
álcool etílico, mercúrio, gasolina e vapores de água (FELLENBERG, 1980).
Por material particulado entende-se uma complexa mistura de partículas 
nos estados líquido e sólido, emitidas por fontes poluidoras ou formadas na 
atmosfera. Seu diâmetro é inferior a 100 μm, e esse tamanho está ligado ao 
potencial de causar problemas à saúde, pois quanto menor a partícula, maiores 
os efeitos provocados por ela. Eles são classificados em:
Fumos: partículas sólidas originadas por condensação ou sublimação de 
gases geralmente de metais fundidos.
Poeiras: originadas pela desintegração mecânica de corpos sólidos, nos 
processos de demolição, britagem, como a poeira de algodão e a poeira de sílica.
Fumaças: originados a partir da combustão incompleta de materiais or-
gânicos, como óleo combustível e lenha.
Névoas: gotículas líquidas em suspensão originadas pela condensação de 
vapores ou pela dispersão mecânica de líquidos provenientes de pulverização, 
respingos ou nebulização, como névoas de tinta, de ácido sulfúrico e de óleo.
219Poluição atmosférica
No Quadro 1, você pode ver um pequeno resumo da classificação dos 
poluentes atmosféricos.
Fonte: Adaptado de Assunção (1998) apud Almeida (1999, p. 13).
Classificação Exemplos
Material particulado Poeiras, fumos, fumaças, névoas
Gases e vapores CO, CO
2
, SO
2
, O
3
, NO
x
, 
HC, NH
3
, cloro, H
2
S
Poluentes primários CO, SO
2
,
 
cloro,
 
NH
3
, CH
4
,
 
mercaptanas
Poluentes secundários O
3
, aldeídos, sulfatos, ácidos 
orgânicos, nitratos orgânicos
Poluentes orgânicos HC, aldeídos, sulfatos, ácidos 
orgânicos, nitratos orgânicos, 
partículas orgânicas
Poluentes inorgânicos CO, CO
2
, cloro, SO
2
, NO
x
, poeira 
mineral, névoas ácidas e alcalinas
Composto de enxofre SO
2
, SO
3, 
H
2
S, sulfatos
Compostos nitrogenados NO, NO
2
, HNO
3
, NH
3
, nitratos
Carbonados orgânicos HC, aldeídos, álcoois
Compostos halogenados HCl, HF, CFC, cloretos, fluoretos
Óxidos de carbono CO, CO
2
Quadro 1. Classificação dos poluentes atmosféricos
Efeito estufa
O efeito estufa é um mecanismo natural do planeta Terra que é responsável 
por deixar a temperatura numa média de 15ºC no globo terrestre, temperatura 
ideal para o equilíbrio de grande parte das formas de vida no planeta. 
Infelizmente as ações humanas desenfreadas estão contribuindo para ace-
lerar o efeito estufa, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, 
resultando no aumento da temperatura no globo terrestre nas últimas décadas. 
O século XX foi considerado o mais quente dos últimos 500 anos. Alguns 
pesquisadores afirmam que, num futuro próximo, o aumento da temperatura 
Poluição atmosférica220
provocado pelo efeito estufa poderá resultar no derretimento das calotas polares, 
provocando o aumento do nível dos mares e, consequentemente, causando o 
desaparecimento de cidades litorâneas. 
Estima-se que, anualmente, são despejados na atmosfera cerca de 5 bi-
lhões de toneladas de dióxido de carbono (CO
2
), principal gás causador do 
efeito estufa. Para comparar, no início do século XX, eram lançados cerca 
de 60 milhões de toneladas desse gás anualmente na atmosfera. Com isso, a 
temperatura do planeta Terra aumentou cerca de 0,5°C nos últimos 170 anos. 
Um aumento de 4ºC na temperatura global, causado pelo efeito estufa e o 
aquecimento global, poderá provocar a extinção de milhares de espécies de 
animais e vegetais no planeta.
Aquecimento global
O aquecimento global é caracterizado como o aumento da temperatura do 
planeta causado pelo acúmulo, em grande quantidade, de gases poluentes na 
atmosfera, o que acarreta uma maior retenção da irradiação do calor solar da 
superfície terrestre.
Diversos são os gases lançados na atmosfera, como, por exemplo, o gás 
carbônico ou o dióxido de carbono, o metano, os clorofluorcarbonos (CFCs) 
e o óxido de nitrato. Esses gases formam uma camada que funciona como 
uma espécie de cobertor em torno da Terra, impedindo que a radiação solar, 
refletida pela superfície da Terra, em forma de calor, se dissipe no espaço.
O aquecimento global, segundo os pesquisadores, é o responsável pelo 
derretimento das calotas polares. O Ártico e a Antártida são considerados 
o termômetro das alterações ocorridas no clima. Os polos, devido a suas 
baixas temperaturas, ajudam a manter o clima global ameno, alimentando 
as correntes marítimas, resfriando as massas de ar e devolvendo ao espaço 
a maior parte da energia solar que recebem, graças a suas vastas superfícies 
brancas. As alterações nos ambientes polares podem quebrar o equilíbrio do 
planeta, acentuando manifestações climáticas extensas, como tempestades, 
ondas de calor e secas.
No entanto, infelizmente devido a diversas ações humanas, como desma-
tamento, exploração descontrolada do solo e queima de combustíveis fósseis, 
são liberadas grandes quantidades de dióxido de carbono, o que aumenta con-
sideravelmente sua concentração na atmosfera. O desmatamento (Figura 4) das 
florestas é um dos grandes contribuintes ao aquecimento global. A vegetação 
encontrada em florestas contribui como uma das maiores fontes dissipadoras 
221Poluição atmosférica
e de absorção do excesso de dióxido de carbono depositado na atmosfera. 
Isso é pelo fato de as plantas absorverem gás carbônico (CO
2
) e produzirem 
oxigênio. Quando cortamos uma árvore, estamos, na verdade, liberando esse 
CO
2
 absorvido para a atmosfera.
Figura 4. Desmatamento que resulta na liberação de gás carbônico para a atmosfera.
Fonte: Pedarilhos/Shutterstock.com.
Consequências do aquecimento global
As consequências do aquecimento global são diversificadas e complexas, 
podendo gerar danos irreversíveis à humanidade. Não se sabe exatamente quais 
são as consequências e a intensidade delas no planeta, porém a humanidade, 
a fauna e a flora serão severamente afetados.
Uma das consequências mais notáveis é o degelo, e as regiões mais afetadas 
são o Ártico, a Antártida e a Groenlândia. Pesquisas apontam que a camada de 
gelo do Ártico tornou-se 40% mais fina e sua área sofreu redução de cerca de 
15% nos últimos 100 anos. O derretimento (Figura 5) altera a temperatura dos 
oceanos, causando um desequilíbrio ambiental e atingindo principalmente as 
espécies marinhas. A elevação do nível dos oceanos obriga que a população 
residente em áreas costeiras migre para outras localidades — estima-se que 
pelo menos 200 milhões de pessoas sejam afetadas pelo aumento do nível 
dos oceanos.
Poluição atmosférica222
Figura 5. Derretimento do gelo que resulta no aumento do nível do mar.
Fonte: David Greitzer/Shutterstock.com.
A desertificação é mais uma consequência do aquecimento da Terra devido 
à alteração no regime de chuvas, que acarreta na intensificação das secas em 
determinados locais e em chuvas demasiadas em outros. Se esta premissa for 
confirmada, ocorrerão alterações nos ecossistemas, como redução da biodi-
versidade e perda de áreas férteis para a agricultura, além da disseminação 
de doenças como malária, esquistossomose e febre amarela. O aquecimento 
global apresenta consequências extremamente negativas para a vida de todas 
as espécies do planeta, e, portanto, é necessário tomar medidas para amenizar 
o processo de alteração climática.
Solução para diminuir o aquecimento global
Resolver esse problema certamente não é uma tarefa fácil, pois interfere dire-
tamente na forma como a humanidade obtém energia para fazer basicamente 
tudo — e as mudanças nesse modelo terão de ser drásticas. Isso quer dizer 
que a humanidade, em um futuro próximo, precisa desenvolver tecnologiasque visam substituir todas as comodidades que o petróleo fornece atualmente.
Em teoria, o mundo já tem quase todas as técnicas de que ele precisa para 
amenizar o problema, mas colocá-las em prática está longe de ser simples. 
Uma das ideias mais promissoras, por exemplo, é capturar dióxido de carbono 
que seria jogado na atmosfera e enterrá-lo em fossas a, no mínimo, 800 metros 
223Poluição atmosférica
de profundidade para que não ele saia nunca mais de lá. A ideia, por mais 
simples que pareça, enfrenta desafios, como, por exemplo, encontrar formas 
de detectar pequenos vazamentos e de levar os gases às fossas.
A maior parte dos cientistas acredita que a única solução realmente viável 
é reduzir a quantidade de gases do efeito estufa lançados na atmosfera. Esse 
projeto até chegou perto de virar realidade em 1992, quando representantes de 
quase todas as nações se juntaram para discutir o problema no Rio de Janeiro. 
O resultado foi um acordo de que os países buscariam manter as emissões 
no mesmo nível das de 1990. Entretanto, as nações não fizeram praticamente 
nada, e, 5 anos mais tarde (em 1997), houve uma nova reunião, dessa vez no 
Japão. Esse encontro resultou no protocolo de Quioto, o qual propôs que os 
países reduzissem suas emissões a um nível, em média, 5,2% menor do que 
o de 1990 e estabeleceu 2012 como prazo. Porém, a assinatura do Protocolo 
de Quioto foi realizada entre 1998 e 1999, mas somente entrou em vigor em 
fevereiro de 2005, após a Rússia ratificar o protocolo em 2004.
O dióxido de carbono permanece por mais de um século na atmosfera, sendo 
que grande parte do problema atual se deve a emissões que as nações ricas 
fizeram há décadas e que foram fundamentais para o seu desenvolvimento. 
Por isso, os países pobres ficaram isentos de obrigações — para terem alguma 
chance de se desenvolver também. 
Juntamente com o Protocolo de Quioto, foi criado o Mecanismo de Desen-
volvimento Limpo (MDL), o qual consistia na flexibilização que poderia ser 
adotada pelos países integrantes do acordo. Esse mecanismo é especialmente 
importante para os países em desenvolvimento, pois permite que eles se 
beneficiem das reduções em relação à emissão de gases do efeito estufa na 
atmosfera, sendo possível a venda das Reduções Certificadas de Emissões 
(RCEs). Esse mecanismo é também chamado de venda de créditos de carbono 
e seria um incentivo aos projetos de sustentabilidade.
Apesar de ser um importante instrumento de controle em relação às emis-
sões de gases poluentes na atmosfera, o Mecanismo de Desenvolvimento 
Limpo acabou sendo um meio pelo qual os países desenvolvidos se eximiam 
em parte de sua responsabilidade socioambiental por conta da possibilidade 
de adquirir créditos dos países que podiam efetuar a venda dos créditos que 
lhe competiam por direito, pela efetiva conscientização ambiental. Assim, os 
países comprometidos com o protocolo, e que não conseguiam atingir as metas 
propostas, podiam investir em projetos de Mecanismo de Desenvolvimento 
Limpo em países que não possuíam obrigatoriedade de redução, como é o 
caso do Brasil. Diante disso, surgiram dúvidas quanto à real preocupação 
Poluição atmosférica224
ambiental na redução dos gases poluentes ou se seria mera possibilidade de 
lucrar com a venda desses créditos.
1. A poluição atmosférica apresenta 
uma ligação direta com a saúde 
da humanidade, uma vez que 
causa problemas respiratórios 
e, em casos mais graves, pode 
ocasionar diferentes tipos de 
câncer. Marque a opção correta 
sobre a poluição atmosférica.
a) A criação de legislações 
restritivas quanto ao lançamento 
de poluentes atmosféricos 
em indústrias é a única forma 
de cobrar melhorias, visando 
aumentar a qualidade de vida 
da população e melhorar as 
características ambientais.
b) A criação de jardins verticais, 
principalmente em grandes 
centros urbanos, é uma 
forma de proporcionar 
harmonia paisagística e 
investir na qualidade de vida 
da população, pois ocorre a 
melhoria na qualidade do ar.
c) O Brasil está entre os maiores 
emissores mundiais de 
poluentes atmosféricos 
devido à alta frota veicular.
d) O câncer de pele é o 
mais frequente, atingindo 
principalmente a população 
do Norte do País.
e) Realizar manutenções nos 
veículos automotores não 
auxilia na diminuição de 
poluentes atmosféricos.
2. A temperatura da Terra alcançou, 
nos últimos 30 anos, uma rápida 
ascensão de cerca de 0,2 grau 
Celsius, fenômeno que jamais havia 
ocorrido desde que a era glacial 
terminou, há cerca de 12 mil anos. 
Qual das alternativas está correta 
em relação às consequências do 
aquecimento global na Terra?
a) O aquecimento global irá 
provocar a devastação 
das florestas e savanas 
espalhadas na Terra.
b) Haverá rebaixamento do nível 
dos oceanos e consequente 
expansão das áreas litorâneas.
c) Haverá redução da 
acidez das chuvas.
d) Ocorrerá favorecimento 
no crescimento dos 
ecossistemas coralíneos.
e) Haverá maior possibilidade de 
formações de tempestades 
e ciclones, tanto no Atlântico 
Norte como no Atlântico Sul.
3. Em relação aos poluentes 
atmosféricos, qual a 
alternativa correta?
a) As dioxinas e os furanos 
apresentam rápida 
225Poluição atmosférica
decomposição, uma vez que 
são poluentes orgânicos.
b) A névoa é definida como as 
partículas sólidas originadas por 
condensação ou sublimação 
de gases geralmente de 
metais fundidos.
c) Os poluentes orgânicos são todos 
aqueles que não apresentam o 
carbono em sua composição.
d) Os poluentes secundários 
são formados na atmosfera 
pela reação química entre 
dois ou mais poluentes.
e) A fumaça é originada da 
desintegração mecânica de 
corpos sólidos nos processos 
de demolição e britagem.
4. Analise as alternativas a seguir 
e marque aquela que indica 
corretamente o nome do fenômeno 
desencadeado pelo acúmulo de 
gás carbônico (CO
2
) e metano (CH
4
), 
substâncias que se caracterizam por 
sua propriedade de absorver calor.
a) Efeito estufa.
b) Chuva ácida.
c) Correntes de convecção.
d) Inversão térmica.
e) Smog.
5. O efeito estufa consiste no 
aquecimento anormal do planeta 
nas últimas décadas devido a uma 
maior retenção atmosférica do 
calor solar absorvido na superfície 
terrestre. Atividades típicas da Era 
Industrial são consideradas as causas 
mais prováveis. No efeito estufa, o 
calor encontra maior dificuldade 
para se irradiar para fora do planeta 
principalmente devido: 
a) à redução da concentração 
do N
2
 atmosférico fixado 
industrialmente na produção 
de fertilizantes químicos.
b) ao aumento da camada de 
ozônio, resultante principalmente 
da emissão dos gases 
CFCs (clorofluorcarbonos) 
na atmosfera.
c) ao aumento da concentração 
de SO
2
 atmosférico e da 
chuva ácida, provocados 
pela emissão de gases nos 
escapamentos dos automóveis 
e chaminés de indústrias.
d) ao aumento da concentração 
de CO
2
 atmosférico, resultante 
da combustão do petróleo 
e do carvão mineral e dos 
desmatamentos seguidos de 
queima da matéria orgânica.
e) à falta de vegetação, 
principalmente em 
centros urbanos.
Poluição atmosférica226
ALMEIDA, I. T. A poluição atmosférica por material particulado na mineração a céu 
aberto. 1999. 186 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – Escola Politécnica da 
Universidade de São Paulo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional de Meio Ambiente. Reso-
lução CONAMA nº 3, de 28 de junho de 1990. Dispõe sobre padrões de qualidade do 
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FELLENBERG, G. Introdução aos problemas da poluição ambiental. São Paulo: E.P.U., 1980.
SOUSANIS, J. A população de veículos mundiais ocupa 1 bilhão de unidade. Ward-
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te_c?depth=1&hl=ptBR&langpair=en%7Cpt&rurl=translate.google.com.br&u=http://
wardsauto.com/ar/world_vehicle_population_110815&usg=ALkJrhhGl_1KqWGsb38-gDoTUJaL-Z5uBw>. Acesso em: 07 jun. 2017.
TAMDJIAN, J. O.; MENDES, I. L. Geografia geral do Brasil. São Paulo: FTD S.A, 2005. v. único.
TORRES, P. T. F.; ROCHA, C. G.; RIBERIO, A. G. Geociências aplicadas: diferentes aborda-
gens. Ubá: Geographica, consultoria, estudos e projetos ambientais, 2008.
VESENTINI, W. J. Geografia: série Brasil. São Paulo: Ática, 2003. (Ensino médio, v. único).
VIEIRA, R. N. Poluição do ar: indicadores ambientais. Rio de Janeiro: E-papers, 2009.
VITERBO JUNIOR, E. Sistema integrado de gestão ambiental: como implementar um 
sistema de gestão que atenda à norma, a partir de um sistema baseado na norma 
ISSO 9000. 2. ed. São Paulo: Aquariana, 1998.
227Poluição atmosférica
Conteúdo:
 
DICA DO PROFESSOR
A poluição atmosférica acarreta diversos problemas em relação à saúde humana e em relação ao 
meio ambiente.
Para conhecer quais são esses problemas, suas causas e consequências, assista o vídeo a seguir.
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EXERCÍCIOS
1) A poluição atmosférica apresenta uma ligação direta com a saúde da humanidade, 
uma vez que causa problemas respiratórios e em casos mais graves, pode ocasionar 
em diferentes tipos de câncer. Entre as alternativas a seguir, qual está correta em 
relação a poluição atmosférica?
A) A criação de legislações restritivas quanto ao lançamento de poluentes atmosféricos em 
indústrias é a única forma de cobrar melhorias, visando aumentar a qualidade de vida da 
população e melhorar as características ambientais.
B) A criação de jardins verticais, principalmente em grandes centros urbanos, vem sendo uma 
forma de proporcionar a harmonia paisagística, e ao mesmo tempo investir na qualidade de 
vida da população, pois ocorre a melhoria na qualidade do ar.
C) O Brasil está entre os maiores emissores mundiais de poluentes atmosféricos devido à alta 
frota veicular.
D) O câncer de pele em território Nacional é o mais frequente, atingindo principalmente a 
população do Norte do País.
E) Realizar manutenções nos veículos automotores não auxilia na diminuição de poluentes 
atmosféricos.
2) A temperatura da Terra alcançou, nos últimos 30 anos, uma rápida ascensão de cerca 
de 0,2 graus Celsius, fenômeno este que jamais havia ocorrido dede que a era glacial 
terminou, há cerca de 12 mil anos. Qual das alternativas está correta em relação as 
consequências do aquecimento global na Terra?
A) O aquecimento global irá provocar a devastação das florestas e savanas espalhadas no 
planeta Terra.
B) Rebaixamento do nível dos oceanos e consequente expansão das áreas litorâneas.
C) Redução da acidez das chuvas.
D) Favorecimento no crescimento dos ecossistemas coralíneos.
E) Maior possibilidade de formações de tempestades e ciclones, tanto no Atlântico Norte 
como no Atlântico Sul.
3) Em relação aos poluentes atmosféricos, qual a alternativa correta?
A) Em relação as dioxinas e furanos, estão apresentam rápida decomposição, uma vez que são 
poluentes orgânicos.
B) A névoa é definida como as partículas sólidas originadas por condensação ou sublimação 
de gases geralmente de metais fundidos.
C) Os poluentes orgânicos são todos aqueles que não apresentam o carbono em sua 
composição.
D) Os poluentes secundários são formados na atmosfera, através da reação química entre dois 
ou mais poluentes.
E) A fumaça é originada através da desintegração mecânica de corpos sólidos, nos processos 
de demolição e britagem.
4) Analise as alternativas a seguir e marque aquela que indica corretamente o nome do 
fenômeno desencadeado pelo acúmulo de gás carbônico (CO2) e metano (CH4), 
substâncias que se caracterizam por sua propriedade de absorver calor.
A) Efeito estufa
B) Chuva ácida
C) Correntes de convecção.
D) Inversão térmica.
E) SMOG
5) O efeito estufa consiste no aquecimento anormal do planeta nas últimas décadas, 
devido a uma maior retenção atmosférica do calor solar absorvido na sua superfície 
terrestre. Atividades típicas da Era Industrial são consideradas as causas mais 
prováveis. No efeito estufa, o calor encontra maior dificuldade para se irradiar para 
fora do planeta, principalmente devido:
A) À redução da concentração do N2 atmosférico, fixado industrialmente na produção de 
fertilizantes químicos.
B) O aumento da camada de ozônio, resultante principalmente da emissão dos gases CFCs 
(clorofluorcarbonos) na atmosfera.
C) Ao aumento da concentração de SO2 atmosférico e da chuva ácida, provocados pela 
emissão de gases nos escapamentos dos automóveis e chaminés de indústrias.
D) Ao aumento da concentração de CO2 atmosférico, como resultante da combustão do 
petróleo e do carvão mineral e dos desmatamentos seguidos de queima da matéria 
orgânica.
E) Devido à falta de vegetação, principalmente em centros urbanos.
NA PRÁTICA
Pedro mora no centro de São Paulo e sofre com crises crônicas de rinite. Após tirar alguns dias 
de férias no interior, percebeu que suas crises sumiram. Porém, ao regressar das férias, a rinite 
voltou novamente. Logo, ele percebeu que a rinite, na verdade, está relacionada com os 
poluentes atmosféricos.
Intrigado, ele resolveu investigar se existe alguma forma de controle desses poluentes na 
atmosfera. Especificamente falando de São Paulo, a CETESB (Companhia Ambiental do Estado 
de São Paulo) monitora a qualidade do ar e visa determinar o nível de concentração de poluentes 
na atmosfera e quais os efeitos decorrentes dessa concentração, seja para o meio ambiente ou 
para a qualidade de vida da população.
Veja na imagem as substâncias poluentes que são monitoradas.
Existe um limite máximo para a concentração de cada uma dessas substâncias, sendo que a 
proporção delas determina os padrões de qualidade do ar utilizados atualmente. Em geral, 
quando esses limites são ultrapassados, podem ocorrer problemas para a saúde e bem-estar da 
população (como o caso da rinite do Pedro), além de diversos danos ao ambiente.
Em território Nacional, os padrões de qualidade do ar são definidos pelo Conselho Nacional do 
Meio Ambiente (Conama), por meio da Resolução Conama nº 03/1990, sendo de acordo com 
essa resolução divididos em padrões primários e secundários.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Meu Ambiente : Poluição do ar 18/10/2015
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Mudanças Climáticas
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A poluição do ar em ambientes internos e a síndrome dos edifícios doentes
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Poluição atmosférica proveniente da queima de combustíveis derivados do petróleo em 
veículos automotores
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Eutrofização
APRESENTAÇÃO
Passados dez anos desde a criação da Lei no 11.445/2007, a qual estabelece diretrizes nacionais 
para o saneamento básico, pouca coisa mudou em território nacional e, infelizmente, a maior 
parcela das residências brasileiras não possui nenhum sistema de esgotamento sanitário. 
Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), apenas 50,3% dos 
brasileiros têm acesso à coleta de esgoto, o que significa que mais de 100 milhões de pessoas 
utilizam medidas alternativas para lidar com os dejetos, como o uso de fossas (muitas 
construídas de forma inadequada) ou o despejo do esgoto diretamente em rios – práticas que 
contribuem para a diminuição da qualidade da água, promovendo impactos tanto ambientais 
quanto à saúde humana.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender como o desenvolvimento urbano promove, 
entre outros impactos ambientais, a Eutrofização dos rios – aumento excessivo de nutrientes na 
água, processo causado não somente pelo lançamento de esgoto em recursos hídricos, mas 
também pela drenagem de fertilizantes agrícolas, águas pluviais de cidades, detergentes, 
resíduos de minas, entre outros. Também conhecerá osimpactos ambientais e à saúde humana 
relacionados à Eutrofização como, por exemplo, a perda de vida aquática (uma vez que a 
elevada quantidade de nutrientes favorece a proliferação de algas, inibindo a passagem de luz 
solar, o que diminui os índices de oxigênio presente na água e leva à mortandade de peixes) e a 
possibilidade de proliferação de patologias em humanos, devido ao aumento de toxidades 
presentes na água. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Explicar o fenômeno de Eutrofização.•
Identificar os impactos ambientais da Eutrofização.•
Listar os principais impactos da Eutrofização na saúde humana.•
DESAFIO
Em um determinado município, cuja economia depende do turismo, um dos atrativos é um rio 
que banha a cidade. Suas águas correm lentamente e, em suas margens, são encontrados bancos 
de areia, o que dá um aspecto litorâneo ao local, propiciando a prática de esportes aquáticos, 
como natação, vela e remo. No entanto, o verão chegou, mas as águas do rio mudaram de cor, 
passando para um verde intenso, e é possível observar no local a mortandade de peixes – o que 
está causando um odor desagradável na região. Por isso, não demorou para que os turistas 
começassem a deixar o local.
A prefeitura, preocupada com a economia local, contrata você, Gestor Ambiental, para 
investigar o que está acontecendo e sugerir medidas para resolver a situação.
Veja na imagem abaixo, os dados que foi possível coletar em sua investigação.
 
De acordo com as informações fornecidas pela prefeitura e os dados observados por você, 
escreva um texto que responda as questões abaixo:
1. Qual você conclui ser a causa da situação-problema? 
2. Que medidas devem ser tomadas junto à prefeitura e à população? 
3. Existem ações preventivas que possam impedir que a situação se repita?
INFOGRÁFICO
A Eutrofização é uma das principais causas da contaminação de recursos hídricos.
Acompanhe, no Infográfico abaixo, o Processo de Eutrofização da Água.
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CONTEÚDO DO LIVRO
Nas últimas décadas, a eutrofização natural tem sido agravada pela eutrofização artificial, 
decorrente do lançamento, nos corpos d'água, de efluentes domésticos e industriais, assim como 
de água resultante de drenagem de áreas cultivadas com adubos químicos. Souza (2014) conclui 
que é necessário que o homem entenda que faz parte da natureza e que dela depende para uma 
sobrevivência e permanência no meio ambiente com bem-estar, uma vez que os desequilíbrios 
ecológicos causados pelas ações antrópicas desastrosas acarretam fenômenos indesejáveis, como 
o da Maré Vermelha – um dos problemas ambientais e sociais caudados pelo consumo 
excessivo vigente no século XXI associado à falta de governança.
Acompanhe a leitura do capítulo Eutrofização da obra "Controle de Poluição", que serve como 
base teórica desta Unidade de Aprendizagem.
Boa leitura!
CONTROLE
DA POLUIÇÃO
Guilherme
Semprebom Meller
Karina Fürstenau de 
Oliveira
Ronei Tiago Stein
Vanessa de Souza 
Machado
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094
C764 Controle da poluição / Guilherme Semprebom Meller ... [et 
 al.]. – Porto Alegre : SAGAH, 2017.
 290 p. il. ; 22,5 cm. 
 ISBN 978-85-9502-114-3
 1. Poluição - Controle. 2. Qualidade ambiental. I. Meller, 
 Guilherme Semprebom.
CDU 502.175
Revisão técnica:
Vanessa de Souza Machado
Bióloga (ULBRA)
Mestra e Doutora em Ciências (UFRGS)
Professora do Curso de Tecnologia e Gestão Ambiental (FATO)
U N I D A D E 3 
Eutrofização
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Caracterizar o fenômeno de eutrofização.
  Identificar os problemas da eutrofização.
  Listar os principais impactos à saúde humana.
Introdução
Você sabia que um dos grandes problemas da poluição aquática é 
justamente o enriquecimento orgânico das águas superficiais oriundo 
de atividades agrícolas e urbanas bem como do descarte de efluentes 
industriais?
Neste capítulo, você verá que a eutrofização é um processo que, uma 
vez iniciado, é difícil de controlar, a menos que uma ação imediata seja 
implementada. Sendo assim, veja neste texto as causas e os estágios de 
desenvolvimento para que seja possível controlar este fenômeno. 
O impacto da eutrofização na qualidade da água
Os corpos de água são utilizados de várias maneiras para diversos fi ns, como 
abastecimento de água, irrigação de lavouras, lazer e despejo de águas residuais 
brutas, sendo a eutrofi zação uma das principais modifi cações provocadas 
pelo homem, geralmente pelo excesso de nutrientes nos ambientes aquáticos. 
(MACEDO; SIPAÚBA-TAVARES, 2010).
No Brasil, e na maioria dos países em desenvolvimento, a maior parte do 
esgoto bruto é depositada diretamente em cursos d’água sem nenhum trata-
mento prévio. Essa grande quantidade de matéria orgânica e poluentes é o 
principal responsável pela eutrofização de uma grande variedade de ambientes 
aquáticos, o que gera uma crescente preocupação por causa do alto grau de 
poluição e contaminação em que lagos e outros ambientes continentais estão 
sendo expostos (TUNDISI; MATSUMURA-TUNDISI; SIDAGIS GALLI, 
2006). 
Conforme Braga et al. (2005), a eutrofização é considerada como o cres-
cimento excessivo de plantas aquáticas, tanto planctônicas quanto aderidas. 
Esse crescimento ocorre, na maioria das vezes, em corpos d’água lênticos 
como represas e lagos. Já em águas lóticas, como rios, a eutrofização é mais 
difícil de ocorrer, pois devido ao processo de autodepuração, as chances de 
crescimento de algas e o acúmulo de poluentes são menos favoráveis (VON 
SPERLING, 2005).
A eutrofização é causada, sobretudo, pelo excesso de nutrientes nos corpos d’água, 
principalmente o nitrogênio (N) e o fósforo (P) (VON SPERLING, 2005).
A eutrofização pode ser natural ou artificial e ocorre em um processo 
lento e contínuo, resultante da quantidade de nutrientes trazidos pelas chuvas 
e águas superficiais que desgastam e lavam a superfície terrestre. Na eutro-
fização natural (sem que haja interferência das atividades humanas), lagos 
profundos e com baixa produtividade biológica sofrem processo de transfor-
mação, tornando-se rasos, com alta produtividade biológica e enriquecidos 
por nutrientes. No entanto, a velocidade do processo de eutrofização natural 
é bastante lenta e ocorre em função do tempo (WETZEL, 1983). 
Já a eutrofização artificial (cultural ou antrópica), causada por conse-
quência das atividades humanas, ocorrem por diferentes razões, como uso 
de efluentes domésticos, industriais e atividades agrícolas, incluindo ainda 
os efluentes de sistemas de criação de organismos aquáticos. O crescimento 
demográfico e o aumento das atividades industriais e da descarga de nu-
trientes nos sistemas aquáticos vêm acelerando a evolução deste processo de 
maneira considerável. As principais causas de eutrofização em ecossistemas 
continentais são o aumento das concentrações de nitrogênio e fósforo, pois 
eles contribuem para o rápido desenvolvimento de algas e para o crescimento 
excessivo de plantas aquáticas, como cianobactérias e Eichhornia crassipes 
ou Pistia stratiotes, respectivamente (MARGALEF, 1983).
 Controle da poluição 120
À medida que as concentrações de nutrientes aumentam, a produtividade de 
algas acelera, alterando assim a ecologia do sistema aquático. Esses nutrientes, 
ao serem lançados na água, contribuem para o aumento da produção orgânica 
do sistema bem como elevação da biomassa fitoplanctônica e consequente 
diminuição na penetração de luz (ESTEVES, 1998). Assim, a taxa de decom-
posição e consumo de oxigênio pelos organismos podem ocasionar produção de 
metano e gás sulfídrico no sedimento. Entretanto, os nutrientes disponibilizados 
na coluna d’água irão contribuir novamente para a produção fitoplanctônica. 
Nesse estágio, o ecossistema pode produzir maismatéria orgânica do que é 
capaz de consumir e decompor, o que ocasionará profundas mudanças no 
metabolismo de todo o ecossistema e nas concentrações de oxigênio nas 
camadas superiores, devido à decomposição bacteriana da matéria orgânica 
no sedimento (HUTCHINSON, 1957; MARGALEF, 1983; WETZEL, 1983).
Para manter boas condições ecológicas da água é necessário diminuir o 
fluxo de nutrientes para o rio, principalmente os que vêm da produção agrícola 
como o nitrogênio, o fósforo e aqueles presentes em áreas urbanas e indus-
triais. Quando há condições favoráveis para o escoamento superficial, esses 
elementos químicos são transportados para os cursos d’água enriquecendo o 
meio e favorecendo o crescimento excessivo de plantas aquáticas (ZANINI 
et al., 2010).
Segundo Smith e Schindler (2009), a eutrofização é o maior problema da atualidade em 
corpos de água superficiais, sendo ela uma das maiores consequências das alterações 
causadas pelas atividades humanas à biosfera. Os autores afirmam ainda que a eutro-
fização é a condição que favorece o desenvolvimento de florações de cianobactérias 
e microalgas, secundada pelas condições de luz, temperatura e pH convenientes.
Além disso, a evolução do processo de eutrofização em um corpo d’água, 
como um lago ou represa está associada ao uso e ocupação do solo predomi-
nante na bacia hidrográfica. (VON SPERLING, 2005).
Além dos rios, os reservató rios, por estarem associados a muitas atividades 
humanas, também sofrem as influê ncias perversas do processo de eutrofizaç ã o, 
pelos depositá rios dos eventos presentes e passados de sua bacia de drenagem, 
e com sua dinâ mica, estrutura, funcionamento e caracterizaç ã o, em parte, 
121Eutrofização
sob a influê ncia externa (CALIJURI; OLIVEIRA, 2000; HENRY, 1990 apud 
ROSA; FRACETO; MOSCHINI-CARLOS, 2012).
Quanto mais interferência antrópica existir, maiores serão as chances 
de gerar a eutrofização dos corpos d´água. Estes impactos relacionados à 
ocupação, geralmente podem ocorrer devido à ocupação irregular urbana e 
rural ao longo da bacia hidrográfica (DERISIO, 2007).
Você pode ver na Figura 1 a evolução do processo de eutrofização em um 
lago ou represa, associando o seu uso e ocupação do solo com o fenômeno 
de eutrofização.
Figura 1. Vista aérea da Represa de Billings.
Fonte: Paulo Vilela / Shutterstock.com. 
Graus de trofia
Para avaliar o estágio de eutrofi zação em que um corpo d’água se encontra, 
para, dessa forma, possibilitar a tomada de decisões e medidas preventivas 
e /ou corretivas, é interessante adotar um sistema classifi catório. Veja quais 
são os níveis de trofi a:
 Controle da poluição 122
  oligotrófico (lagos claros e com baixa produtividade); 
  mesotrófico (lagos com produtividade intermediária);
  eutrófico (lagos com elevada produtividade, comparada ao nível natural 
básico).
Para aprender a estimar o grau de trofia em um reservatório com base no Índice do 
Estado Trófico (IET), você pode consultar o livro Meio Ambiente e Sustentabilidade (ROSA; 
FRACETO; MOSCHINI-CARLOS, 2012):
Lamparelli (2004) apud Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (2012) relatam 
que para avaliar com mais precisão os corpos d’água, há outras classificações 
com outros níveis tróficos, tais como: ultraoligotrófico, oligotrófico, oligome-
sotrófico, mesotrófico, mesoeutrófico, eutrófico, eupolitrófico, hipereutrófico 
(listados da menor para a maior produtividade).
Veja no Quadro 1, uma caracterização qualitativa entre os principais graus 
de trofia:
 Fonte: Rosa, Fraceto eMoschini-Carlos (2012, p. 61). 
Categoria 
Estado trófico Ponderação
Ultraoligotrófico IET ≤ 47 
Oligotrófico 47 < IET ≤ 52
Mesotrófico 52 < IET ≤ 59
Eutrófico 59 < IET ≤ 63
Supertrófico 63 < IET ≤ 67
Hipereutrófico IET > 67
 Quadro 1. Classificação do estado trófico segundo Lamparelli (2004), com base no Índice 
do Estado Trófico (IET). 
123Eutrofização
Problemas da eutrofização
Nas últimas décadas, entretanto, a eutrofi zação natural tem sido agravada 
pela eutrofi zação artifi cial. Esse agravo se deu pelo excesso de lançamento de 
efl uentes domésticos e industriais nos corpos d’água, além da contaminação por 
meio da água advinda de áreas cultivadas com adubos químicos. Esse agravo 
ocorre no mundo inteiro devido a industrialização de adubos e produtos de 
limpeza à base de componentes sintéticos (sobretudo compostos fosforados). 
(CARVALHO, 2014).
Inúmeras outras atividades que fazem parte do dia a dia do homem moderno 
também geram agentes eutrofizantes, como fosfato, amônia e nitrato. Essas 
substâncias interferem no o processo de fotossíntese das algas e das plantas 
aquáticas superiores, uma vez que pertencem à estrutura de muitos compostos 
importantes para o metabolismo da célula vegetal, como a adenosina trifosfato 
e as proteínas (Carvalho 2014).
Os efeitos da eutrofização artificial manifestam-se com a quebra do equi-
líbrio ecológico, pois passa a haver mais produção de matéria orgânica do que 
o sistema é capaz de decompor. As principais alterações ocorrem devido a 
condições físico-químicas do meio (aumento da concentração de nutrientes, 
alterações significativas no pH em curto período de tempo, aumento da con-
centração de gases, como metano e gás sulfídrico) e biológicas (alterações na 
diversidade e na densidade dos organismos) (CARVALHO, 2014).
Veja a seguir os principais efeitos indesejáveis da eutrofização, segundo 
Von Sperling (1996):
  Problemas estéticos e recreacionais; diminuição do uso da água para 
recreação, balneabilidade e redução geral na atração turística devido a:
 ■ frequentes florações das águas;
 ■ crescimento excessivo da vegetação;
 ■ distúrbios com mosquitos e insetos;
 ■ eventuais maus odores;
 ■ eventuais mortandades de peixes.
  Condições anaeróbias no fundo do corpo d’água. O aumento da pro-
dutividade do corpo d’água causa uma elevação da concentração de 
bactérias heterotróficas, que se alimentam da matéria orgânica das algas 
e de outros microrganismos mortos, consumindo oxigênio dissolvido 
do meio líquido. No fundo do corpo d’água predominam condições 
anaeróbias, devido à sedimentação da matéria orgânica, e à reduzida 
penetração do oxigênio a estas profundidades, bem como à ausência 
 Controle da poluição 124
de fotossíntese (ausência de luz). Com a anaerobiose, predominam 
condições redutoras, com compostos e elementos no estado reduzido:
 ■ O ferro e o manganês encontram-se na forma solúvel, trazendo pro-
blemas ao abastecimento de água. 
 ■ O fosfato encontra-se também na forma solúvel, representando uma 
fonte interna de fósforo para as algas.
 ■ O gás sulfídrico causa problemas de toxicidade e maus odores.
  Algumas condições anaeróbias no corpo d’água como um todo. Depen-
dendo do grau de crescimento bacteriano, podem ocorrer, em períodos 
de mistura total da massa líquida (inversão térmica) ou de ausência de 
fotossíntese (período noturno), mortandade de peixes e reintrodução dos 
compostos reduzidos em toda a massa líquida, com grande deterioração 
da qualidade da água.
  Mortandades de peixes, que podem ocorrer em função de:
 ■ anaerobiose;
 ■ toxicidade por amônia. Em condições de pH elevado (frequentes 
durante os períodos de elevada fotossíntese), a amônia apresenta-se 
em grande parte na forma livre (NH3), tóxica aos peixes, ao invés 
de na forma ionizada (NH4 +), não tóxica. 
  Maior dificuldade e elevação nos custos de tratamento da água. A 
presença excessiva de algas afeta substancialmente o tratamento da 
água captada no lago ou represa, devido à necessidade de:
 ■ remoção da própria alga;
 ■ remoção de cor;
 ■ remoção de sabor e odor;
 ■ maior consumo de produtos químicos;
 ■ lavagens mais frequentes dos filtros.
  Problemas com o abastecimento de água industrial, pois ocorre a ele-
vação dos custos para o abastecimento de água industrial devido a 
razões similares às anteriores, e também aos depósitos de algas nas 
águas de resfriamento.
  Toxicidade das algas. Rejeição da água para abastecimentohumano 
e animal em razão da presença de secreções tóxicas de certas algas.
  Modificações na qualidade e quantidade de peixes de valor comercial.
  Redução na navegação e capacidade de transporte causada pelo cres-
cimento excessivo de macrófitas enraizadas. (Interfere a navegação, 
aeração e capacidade de transporte do corpo d’água).
  Desaparecimento gradual do lago como um todo, em decorrência da 
eutrofização e do assoreamento, que aumenta a acumulação de matérias 
125Eutrofização
Você pode aprender mais sobre a maré vermelha 
(PORTAL SÃO FRANCISCO, c2017) no link ou código 
a seguir:
https://goo.gl/5D7X7w
e de vegetação, tornando o lago cada vez mais raso, até vir a desaparecer. 
Esta tendência de desaparecimento de lagos (conversão a brejos ou áreas 
pantanosas) é irreversível, porém é geralmente lenta. Com a interferência 
das atividades humanas, o processo pode se acelerar abruptamente. Caso 
não haja um controle na fonte e/ou dragagem do material sedimentado, 
o corpo d’água pode desaparecer relativamente rápido.
Impactos à saúde humana
Souza, Mello e Seixas Filho (2014) afi rma que a problemática da água nos 
últimos anos vem afetando a maioria das áreas de atuação do homem, sobretudo 
na questão sobrevivência e manutenção da qualidade de vida. E como você 
já sabe, a manutenção e tratamento das águas são de suma importância para 
a vida dos seres humanos e dos animais.
Alguns malefícios causados aos seres vivos, homens e animais, que sofrem 
com as consequências da má qualidade de vida, ocorrem pela eutrofização 
dos recursos hídricos continentais e marítimos, sendo o principal fator o 
fenômeno da maré vermelha. (SOUZA; MELLO; SEIXAS FILHO, 2014).
A poluição altera as condições físico-químicas e biológicas de um hábitat 
e, assim, este fato influenciará diretamente na cadeia alimentar. Além disso, 
poderá haver uma floração de espécies, em alta quantidade, que ocorre devido à 
grande concentração de matéria orgânica e inorgânica, lançadas nos mananciais 
hídricos, seja um rio ou seja uma baía. Este fato causa inúmeros problemas de 
 Controle da poluição 126
ordem socioambiental, visto que a maioria das parasitoses, das viroses, entre 
outras enfermidades, está associada à falta do tratamento de esgoto.
A maré vermelha é um fenômeno ecológico que está relacionado ao modo 
de consumo e ao estilo de vida adotado nos últimos anos (PEDRINE, 2011). 
Nesse sentido, diversas áreas da ciência fazem a datação do fenômeno, que 
ocorre durante os meses do ano e, esporadicamente, quando há um fluxo de 
matéria orgânica lançada no meio aquático, assim fazendo com que a biota, a 
flora e fauna daquele lugar tornem-se alterada ou até mesmo cause uma grande 
mortandade de peixes (Figura 2) devido às substâncias tóxicas lançadas no 
local (BRUSCA; BRUSCA, 2007; PROENÇA, 2013).
Figura 2. Mortandade de peixes causada pelo fenômeno da maré vermelha.
Fonte: Mark Winfrey / Shutterstock.com.
Ainda com relação ao fenômeno da maré vermelha, Souza, Mello e Seixas 
Filho (2014) relataram que uma das substâncias prejudiciais é o nitrato, que 
fermenta algumas bactérias do gênero Labisella. Essa bactéria consome parte 
do oxigênio presente na água, afetando o metabolismo de outras espécies, como 
bactérias ou animais. Além disso, lançar fluidos domésticos como o esgoto 
não tratado, que é infestado de metis, azóis, benzenos e amidas primárias, 
ocasionam o desequilíbrio osmótico e químico do lugar.
127Eutrofização
A maré vermelha causa muitos malefícios aos seres marinhos e aos seres 
humanos. As algas produzem e liberam toxinas que envenenam as águas, 
provocando a morte de peixes e, consequentemente a diminuição da atividade 
pesqueira. Além disso, também pode ocorrer o envenenamento de forma 
indireta. Alguns moluscos, como os mexilhões, não são afetados diretamente 
por estas toxinas. Porém, podem acumular estas algas em seus corpos, por 
possuírem como característica filtrar a água do mar e dela extrair seu alimento. 
Assim, ela intoxica outros animais como os pássaros, mamíferos marinhos e 
também seres humanos que se alimentam destes moluscos. 
Ao ingerir um molusco intoxicado, o ser humano pode desenvolver uma paralisia por 
envenenamento, envenenamento diarreico ou envenenamento amnésico (OLIVEIRA; 
PUPO; VIEIRA, 2013). 
Não é porque não se vê o malefício imediato que ele não acontece. O de-
sequilíbrio biológico, químico e físico ocorre em camadas e etapas decisivas 
para a qualidade de vida do homem e a sua sobrevivência na natureza de modo 
harmonioso. Segundo Marin et al. (2013), fenômeno da maré vermelha não afeta 
somente algumas das espécies viventes do local, mas também interfere no co-
mércio e no câmbio econômico de um país, visto que alguns são, muitas vezes, 
dependentes da venda de peixes e frutos do mar. Devido ao fenômeno maré 
vermelha, esses países que tem como base econômica a atividade pesqueira, 
assistem à queda nas vendas de forma drástica, fazendo com que maricultores 
realizem outras funções no mercado de trabalho, aceitem subempregos ou 
tornem-se dependentes de auxílio do governo. Além dos problemas citados, 
o consumo de peixe ou outro animal marinho contaminado pode levar ao 
aumento da população na procura dos centros médicos que, muitas vezes, não 
possuem infraestrutura adequada para atender a todos (CARVALHO, 2014). 
É importante você saber que o número de indivíduos que vão a óbito por se 
alimentar de animais oriundos da pesca da fase da maré vermelha é alarmante. 
Isso ocorre por consequência de um problema socioambiental e econômico, 
uma vez que esses alimentos chegam ao consumidor sem nenhuma informação 
sobre o perigo de seu consumo (CASTRO; HURBER, 2012).
 Controle da poluição 128
Para ver mais exemplos sobre os impactos da eutro-
fização na saúde humana, leia o artigo “A eutrofização 
das águas causa malefícios à saúde humana e animal” 
(SOUZA; MELLO; SEIXAS FILHO, 2014). Disponível no 
link ou código a seguir:
https://goo.gl/lX4fCI
A eutrofização das águas está diretamente relacionada às atividades an-
trópicas juntamente com a irresponsabilidade ambiental. Essas atividades 
irresponsáveis favorecem as condições para que se estabeleça o fenômeno 
da maré vermelha, que é considerado um dos mais importantes problemas 
ambientais e sociais causados pelo consumismo imposto à contemporaneidade.
Desse modo, deve haver a conscientização humana quanto às atividades 
irresponsáveis aqui discutidas, visto que os seres humanos são parte da natureza 
e dela dependem para a própria sobrevivência.
129Eutrofização
1. Durante o processo de eutrofização 
ocorre a diminuição da concentração 
de oxigênio no ambiente e, 
nesse sentido, ações devem ser 
imediatamente executadas. Marque 
a alternativa que apresenta uma 
maneira de minimizar e evitar que o 
processo de eutrofização continue.
a) Aquecer as águas dos rios para 
aumentar a velocidade de 
decomposição dos dejetos.
b) Identificar fontes de esgotos, 
materiais ricos em materiais 
orgânicos no sistema 
límnico e efetuar canalização 
adequada para ETE.
c) Adicionar bactérias 
anaeróbicas às águas dos rios 
para que eles sobrevivam 
mesmo sem o oxigênio.
d) Substituir produtos não 
degradáveis por biodegradáveis 
para que as bactérias possam 
utilizar os nutrientes.
e) Aumentar a solubilidade dos 
dejetos no esgoto para que 
os nutrientes fiquem mais 
acessíveis às bactérias.
2. O nível de eutrofização está 
diretamente relacionado às 
formas de ocupação de uma 
bacia hidrográfica. Desta forma, 
quanto mais interferência antrópica 
existir, maiores são as chances de 
gerar a eutrofização dos corpos 
d´água. Quanto a estes impactos 
relacionados à ocupação, elas 
geralmente podem ocorrer 
devido à ocupação irregular 
urbana e rural ao longo da bacia 
hidrográfica. A respeito da ocupação 
de uma bacia hidrográfica em 
relação ao nível de eutrofização, 
assinale a alternativa correta:
a) Uma represa ou um lago situado 
em uma bacia dedrenagem,
ocupada por matas e florestas, 
apresenta usualmente uma 
grande produtividade, isto é, há 
grande atividade biológica de 
produção (síntese) no mesmo.
b) Um dos principais problemas 
de deterioração da qualidade 
da água é a remoção da mata 
ciliar para a introdução da 
agricultura e pastagens. Em um 
segundo momento, observa-se 
um agravamento do problema 
com a adição de quantidades 
elevadas de fertilizantes 
artificiais, como o Bário (Ba).
c) As consequências mais drásticas 
para os recursos hídricos 
acontecem quando ocorrem 
as ocupações desordenadas, 
urbanas e industriais, ao 
longo da bacia hidrográfica. 
Estas ocupações, assim como 
ocorrem nas áreas rurais, iniciam 
com a remoção das matas 
ciliares deixando os recursos 
hídricos vulneráveis à entrada 
de poluentes, principalmente 
por esgotos domésticos.
d) A drenagem urbana transporta 
uma carga muito maior de 
nutrientes que os demais 
tipos de ocupação da bacia. 
Este aporte de nutrientes 
 Controle da poluição 130
contribui para uma redução 
do teor de algas na represa.
e) Caso se substitua a área 
agricultável da bacia hidrográfica 
por ocupação urbana, uma 
série de consequências irá 
ocorrer, como por exemplo 
uma grande elevação do aporte 
de N e P ao lago ou represa, 
trazendo, em decorrência, uma 
diminuição nas populações 
de algas e outras plantas.
3. A eutrofização é um problema 
ambiental que gera muitos danos 
para o ambiente aquático. Um 
desses danos está relacionado com 
o aumento da quantidade de algas 
e cianobactérias no ambiente, um 
processo conhecido como: 
a) Floração
b) Erosão
c) Aquecimento Global
d) Nitrificação
e) Acidificação
4. Com base em seus conhecimentos 
é correto afirmar que ocorre um 
comprometimento da vida aquática 
quando os dejetos são lançados na 
água, pois estes promovem: 
a) Um aumento da quantidade 
de nutrientes nesses 
ambientes (eutrofização), 
tendo como consequência a 
proliferação de microrganismos 
aeróbicos, que consomem o 
oxigênio dissolvido na água, 
comprometendo a vida aquática.
b) Uma diminuição da quantidade 
de nutrientes nesses 
ambientes (eutrofização), 
tendo como consequência a 
proliferação de microrganismos 
anaeróbicos, que consomem 
o oxigênio dissolvido na água, 
comprometendo a vida aquática.
c) Um aumento da quantidade 
de nutrientes nesses 
ambientes, tendo como 
consequência a proliferação 
inicial de microrganismos 
anaeróbicos, que consomem 
o oxigênio dissolvido na água, 
comprometendo a vida aquática.
d) Um aumento da quantidade de 
gás carbônico nesses ambientes, 
tendo como consequência a 
proliferação de microrganismos 
aeróbicos, que consomem os 
nutrientes dissolvidos na água, 
comprometendo a vida aquática.
e) Uma diminuição da quantidade 
de nutrientes nesses ambientes 
(eutrofização), tendo como 
consequência a redução da 
quantidade de microrganismos 
aeróbicos responsáveis 
pela oxigenação da água, 
comprometendo a vida aquática.
5. A eutrofização acontece pelo 
excesso de nutrientes (compostos 
químicos contendo nitrogênio ou 
fósforo) em uma determinada região 
de água, causando o aumento 
de algas que dão origem a maré 
vermelha. Em 2015 tivemos um caso 
de Maré Vermelha em Fortaleza, 
estado do Ceará (SOUZA, 2015). 
O trecho acima faz referência a um 
fenômeno causado pela: 
a) Multiplicação acentuada de 
várias espécies de produtores 
e consumidores marinhos, 
geralmente em virtude da 
eutrofização do ambiente.
b) Multiplicação acentuada 
de dinoflagelados, 
131Eutrofização
BRAGA, B et al. Introdução à engenharia ambiental. São Paulo: Prentice Hall. 2005.
BRUSCA, G. J.; BRUSCA, R. C. Invertebrados. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2007.
CARVALHO, G. M. Enfermagem do trabalho. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2014.
CASTRO, P.; HUBER, E. M. Biologia marinha. 8. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012.
DERISIO, J. C. Introdução ao controle da poluição ambiental. São Paulo: Signus, 2007.
ESTEVES, F. A. Fundamentos de limnologia. Rio de Janeiro: Interciência, 1998.
HUTCHINSON, G. E. A treatise on limnology: geography physics and chemistry. New York: 
John Wiley & Sons, 1957. v. 1.
MACEDO, C. F; SIPAÚBA-TAVARES, L. H. Eutrofização e qualidade da água na piscicul-
tura: consequências e recomendações. Boletim do Instituto de Pesca, São Paulo, v. 36, 
n. 2, p. 149-163, 2010. Disponível em <ftp://ftp.sp.gov.br/ftppesca/36_2_149-163rev.
pdf >. Acesso em: 04 abr. 2017.
MARGALEF, R. Limnologia. Barcelona: Omega, 1983.
MARIN, T. G. et al. Intoxicación paralítica por ingesta de moluscos: reporte de caso. Anales 
Médicos, México, v. 58, n. 3, p. 192-195, jul./sept. 2013.
OLIVEIRA, L. G.; PUPO, M. T.; VIEIRA, P. C. Exploring microbial natural products in the fron-
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PEDRINE, A. G. Educação ambiental: reflexões e práticas contemporâneas. 8. ed. Petró-
polis: Vozes, 2011.
PORTAL SÃO FRANCISCO. Maré vermelha. [S.l.]: Portal São Francisco, c2017. Disponível 
em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/biologia/mare-vermelha>. Acesso em: 
04 abr. 2017.
geralmente em virtude da 
eutrofização do ambiente.
c) Multiplicação acentuada de 
várias espécies de produtores 
e consumidores marinhos em 
virtude do aumento do nível 
de oxigênio no ambiente.
d) Baixa capacidade de 
reprodução de dinoflagelados, 
geralmente em virtude da 
eutrofização do ambiente
e) Diminuição da concentração 
de nutrientes em 
ambientes aquáticos.
 Controle da poluição 132
PROENÇA, L. A. O. Microalgas nocivas produtoras de ficotoxinas no Brasil. In: SEMINÁRIO 
SOBRE ECOTOXICOLOGIA AQUÁTICA, 3., 2013, Cabo Frio. Anais... Cabo Frio: IFF, 2013.
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Porto Alegre: Bookman, 2012.
SÃO PAULO. Secretaria do Meio Ambiente. Billings. São Paulo: SMA, 2010. (Cadernos 
de Educação Ambiental – Edição Especial Mananciais, v. 1). Disponível em: <http://
www.creasp.org.br/biblioteca/wp-content/uploads/2012/05/mananciais-billings-
-edicao-especial-2011.pdf>. Acesso em: 21 maio 2017.
SMITH, V. H.; SCHINDLER, D. W. Eutrophication science: where do we go from here? Trends 
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SOUZA, F. Por que aconteceu uma Maré Vermelha em Fortaleza? Fatos Desconhecidos, 
29 set. 2015. Disponível em: <http://www.fatosdesconhecidos.com.br/por-que-
-aconteceu-uma-mare-vermelha-em-fortaleza/>. Acesso em: 21 maio 2017.
TUNDISI, J. G.; MATSUMURA-TUNDISI, T.; SIDAGIS GALLI, C. (Ed.). Eutrofização na América 
do Sul: causas, consequência e tecnologias de gerenciamento e controle. [S.l.]: IIE, IIEGA, 
ABC, IAP, IANAS, 2006.
VON SPERLING, M. Introdução a qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 2. ed. 
Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade 
Federal de Minas Gerais, 1996.
VON SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 3.ed. 
Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade 
Federal de Minas Gerais; 2005..
WETZEL, R. G.Limnology. Philadelphia: W. B. Saunders Company, 1983.
ZANINI, H. L. H. T. et al. Caracterização da água da microbacia do córrego Rico avaliada 
pelo índice de qualidade de água e de estado trófico. Engenharia Agrícola, Jaboticabal, 
v. 30, n. 4, p. 732-741, jul./ago. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/eagri/
v30n4/17.pdf>. Acesso em: 04 abr. 2017.
Leitura recomendada
LIMA, C. A. I; VIEGAS, M.O.; BERNSTEIN, A. O impacto da urbanização em Lagoas do 
Rio de Janeiro: estudo de caso sobre as LagoasRodrigo de Freitas e de Araruama. 
Educação Pública, 14 jan. 2014. Disponível em: <http://www.educacaopublica.rj.gov.
br/biblioteca/meioambiente/0045.html> Acesso em: 04 abr 2017.
133Eutrofização
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
Conteúdo:
DICA DO PROFESSOR
A Eutrofização gera problemas ambientais, sociais e econômicos. Por isso, é importante que 
você, como profissional da área ambiental, domine as estratégias para resolver esta situação. 
Acompanhe, no vídeo abaixo, quais são essas estratégias e de que forma é possível recuperar 
águas eutrofizadas.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
EXERCÍCIOS
1) A eutrofização ocorre devido a qual fenômeno? 
A) Florações.
B) Fotossíntese.
C) Mesotrofia.
D) Assoreamento.
E) Oligotrofia.
2) O aumento nos níveis de nutrientes dissolvidos na água, aliado a condições ideais de 
temperatura e luminosidade, ocasionam no fenômeno conhecido como eutrofização. 
A respeito deste fenômeno, qual a alternativa correta? 
A) É causado unicamente por fontes antrópicas, como o lançamento de esgoto sanitário em 
rios.
B) Esse fenômeno ocorre apenas em águas paradas, como lagos.
C) A eutrofização pode ser ocasionada em fontes localizadas ou então em fontes dispersas.
D) Na grande maioria dos casos, é causado pelo aumento exagerado de bactérias, as quais 
liberam toxinas na água.
E) Acarreta na perda da vida aquática, como morte de peixes, devido principalmente ao 
aumento da temperatura da água.
3) Em relação à eutrofização das águas, assinale a alternativa correta. 
A) A eutrofização resulta na diminuição da biomassa de fitoplâncton.
B) A eutrofização provoca o aumento da hipoxia.
C) Algumas espécies de algas produzem toxinas, as quais são liberadas na água.
D) A disponibilidade de cálcio (Ca) e Potássio (K) são os responsáveis pela eutrofização de 
recursos hídricos.
E) Na grande maioria dos casos, a eutrofização de recursos hídricos está relacionada ao uso 
de fertilizantes agrícolas.
4) É fundamental para os profissionais da área ambiental saber identificar as 
tecnologias que podem ser utilizadas no tratamento de ambientes contaminados. 
Entre as alternativas a seguir, qual é considerada uma medida preventiva para evitar 
a eutrofização de recursos hídricos? 
Realizar a coleta e reaproveitamento dos resíduos inorgânicos, como plásticos, vidros e A) 
metais.
B) Fazer uso da fitorremediação, ou seja, processo que utiliza as plantas como agentes de 
purificação de ambientes aquáticos e terrestres.
C) Realizar o repovoamento da vida aquática (de peixes, por meio de alevinos) nativos da 
região.
D) Realizar o tratamento de esgotos e efluentes industriais em Estações de Tratamento de 
Esgoto/efluentes (ETE) antes de serem lançados em recursos hídricos.
E) Realizar a coleta e retirada diária das algas que crescem nas águas.
5) Dentre os vários problemas causados pela ação humana no meio ambiente, destaca-se 
a eutrofização de mananciais e o consequente crescimento de algas. O florescimento 
algal decorrente do aumento da concentração de nutrientes no manancial pode ter 
efeitos diretos, dentre estes: 
A) Diminuir o potencial Hidrogeniônico (pH).
B) Diminuição de substâncias orgânicas dissolvidas, que podem conferir sabor e odor à água.
C) Redução na navegação e capacidade de transporte no manancial.
D) A eutrofização inibe a liberação de sulfeto de hidrogênio, amônia, ferro, manganês e 
fósforo.
E) Diminuição da matéria orgânica particulada.
NA PRÁTICA
A contaminação das águas causada pela Eutrofização é comum em todo o Brasil. O acúmulo de 
nutrientes na água produz a floração das cianobactérias, popularmente conhecidas como algas. 
São elas que geram odor e gosto ruim na água que, se não tratada, causa doenças de transmissão 
hídrica, como infecções intestinais e diarreias.
Acompanhe, na imagem abaixo, as medidas existentes para garantir a potabilidade da água para 
consumo humano.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Eutrofização em rios brasileiros
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Contribuição média de fósforo em reservatório de abastecimento de água – Parte 1
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
O que é eutrofização? Suas causas e consequencias
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Aspectos gerais e usos do solo
APRESENTAÇÃO
Os solos são formados, basicamente, pelo intemperismo das rochas, sendo que existem alguns 
fatores que interferem neste processo, como o clima, o tempo, o relevo e a presença de 
organismos. Logo, existem diferentes tipos de solos, sendo que no Brasil eles são classificados 
segundo o Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos (SiBCS).
Para cada tipo de solo, existem diferenças na quantidade de minerais, na matéria orgânica, na 
porosidade, entre outros, sendo que estes são fatores fundamentais para o planejamento 
adequado de ocupação e uso do solo. Solos mais porosos absorvem maior quantidade de água, 
diferentemente dos solos mais argilosos. Em relação às ferramentas que podem ser utilizadas 
para o planejamento dos solos, pode-se citar o Plano Diretor (principalmente em áreas urbanas), 
o cultivo de práticas diretas e a adoção de plantio de alimentos orgânicos (em áreas agrícolas). 
Porém, existem outras ferramentas e tecnologias que o profissional que for trabalhar nesta área 
deve estar atento e buscando achar medidas sustentáveis que respeitem o ambiente e o 
desenvolvimento econômico.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá os aspectos gerais e como usar adequadamente cada 
tipo de solo. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Determinar os aspectos gerais do solo.•
Identificar os diferentes tipos de solo.•
Planejar o uso adequado do solo.•
DESAFIO
Os resíduos sólidos são uma das grandes causas de poluição dos solos, sendo estes definidos de 
acordo com a NBR 10.004 (ABNT, 2004) como: "aqueles resíduos nos estados sólidos e 
semissólidos, que resultam de atividades da comunidade de origem industrial, doméstica, 
hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e varrição".
Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, 
aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como 
determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública 
de esgotos ou corpos de águas, ou exijam, para isso, soluções técnicas e economicamente 
inviáveis em face a melhor tecnologia disponível.
Você é um consultor ambiental e a Prefeitura Municipal local lhe procurou para auxiliar na 
resolução de um problema ambiental urgente.
Clique na imagem para se apropiar da problemática ambiental do município.
Após firmar contrato de prestação de serviço com a prefeitura, você começa então a elaborar um 
relatório contendo a solução ambientalmente correta para a questão, além de elencar as 
características da área que são necessárias para a implementação de sua indicação. A partir de 
seu relatório, o município saberá o que fazer e que área será mais indicada para a instalação da 
atividade de deposição final dos resíduos.
INFOGRÁFICO
As características dos solos são fundamentais, pois estas interferem no seu uso e na sua 
ocupação, assim como também podem favorecer ou não o grau de contaminação.
Veja no infográfico a seguir as características do solo e ao que se referem algumas.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
 
CONTEÚDO DO LIVRO
O solo é um recurso natural renovável, sendo considerado a camada superficial da terra e 
disposto por meio de uma coleção de corpos naturais que recobrem parte desta superfície. É 
composto por partes sólidas, líquidas e gasosas e formado a partirdo processo de intemperismo 
devido à decomposição das rochas. Por conta da formação do solo que se consolida a 
composição da camada superficial da terra, possibilitando os seus diferentes tipos de uso.
Leia mais no capítulo Aspectos gerais e usos do solo, que faz parte do livro Controle da 
Poluição, base teórica desta Unidade de Aprendizagem.
Boa leitura!
CONTROLE DA 
POLUIÇÃO 
Ronei Tiago Stein
Aspectos gerais e 
usos do solo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Determinar os aspectos gerais do solo.
 Identifi car os diferentes tipos de solo.
 Planejar o uso adequado do solo.
Introdução
Os solos são formados basicamente pelo intemperismo das rochas, sendo 
que existem alguns fatores que interferem nesse processo, como o clima, 
o tempo, o relevo e a presença de organismos. Logo, existem diferentes 
tipos de solos, sendo que, no Brasil, eles são classificados segundo o
Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos (SiBCS).
Para cada tipo de solo, existem diferenças na quantidade de minerais, 
matéria orgânica, porosidade, entre outros, sendo estes fatores funda-
mentais no planejamento adequado para cada tipo de solo. Solos mais 
porosos absorvem maior quantidade de água, diferentemente dos solos 
mais argilosos. Em relação às ferramentas que podem ser utilizadas para o 
planejamento dos solos, podem-se citar o Plano Diretor (principalmente 
em áreas urbanas) e o cultivo de práticas diretas e a adoção de plantio 
de alimentos orgânicos (em áreas agrícolas).
Solos: aspectos gerais
O solo pode ser defi nido com um material solto e macio que recobre a super-
fície da Terra. Entretanto, ele apresenta enormes variações, tanto em relação 
à espessura como em relação às suas características, como cor, quantidade e 
organização das partículas de que são compostos, como, por exemplo, areia, 
silte, argila, entre outros. O solo é composto basicamente de minerais prove-
nientes da degradação das rochas e de material orgânico de origem vegetal e/
ou animal. O processo de origem dos solos é chamado de pedogê nese.
Todo processo de formação do solo começa com a desagregação e a de-
composição de rochas. Em contato com a atmosfera, as rochas têm sua com-
posição química e suas características físicas alteradas pela ação do calor do 
sol, da água das chuvas, dos ventos e de outros fatores ambientais. Dizemos, 
em outras palavras, que as rochas sofrem intemperismos físicos e químicos.
Com a ação dos intemperismos, as rochas são reduzidas a pequenos frag-
mentos, formando um material solto que pode servir de habitat para micror-
ganismos, plantas e pequenos animais. Então, esses seres vivos, à medida que 
completam seu ciclo de vida, vão sendo decompostos, dando origem ao húmus, 
camada de matéria orgânica do solo.
Simultaneamente, os minerais mais vulneráveis ao intemperismo se trans-
formam em argila, que pode ser conduzida de uma região para outra pelas 
águas das chuvas infiltradas naquela porção de terra.
Assim, a ação de uma série de processos químicos, físicos e biológicos 
começa a dar forma ao solo, que se organiza numa sequência de camadas de 
diferentes aspectos e composições. Essas camadas sobrepostas recebem o nome 
de horizontes do solo, e o conjunto de horizontes, por sua vez, dão origem 
ao perfil do solo. Quando o solo é bem desenvolvido, seu perfil apresenta, 
pelo menos, 4 tipos diferentes de horizontes.
O intemperismo, também conhecido como meteorização, é o nome atri-
buído ao processo de transformação e desgaste das rochas e dos solos. Esta 
transformação pode ocorrer por processos químicos (decomposição), físicos 
(desagregação) e biológicos. Sua dinâmica acontece pela ação dos chamados 
agentes exógenos ou externos de transformação de relevo, como, por exemplo, 
a água, o vento, a temperatura e os próprios seres vivos (Figura 1).
 Controle da poluição 184
Figura 1. Exemplo de intemperismo em rochas.
Fonte: Darren J. Bradley/Shutterstock.com. 
No entanto, é importante não confundir intemperismo com erosão. O 
intemperismo é o processo de transformação das rochas em sedimentos. Já 
a erosão se refere ao conjunto de etapas que reúne ao desgaste, o transporte 
e a deposição de material sedimentar. Em outras palavras, a erosão é o pro-
cesso de transporte das partículas de rochas decompostas ou desagregadas 
pelo intemperismo. Logo, os dois fenômenos estão ligados diretamente e 
contribuem para a transformação do relevo. 
Segundo Coelho et al. (2017), os solos apresentam basicamente cinco papéis 
ou funções básicas no ambiente: 
1. O solo sustenta o crescimento das plantas, principalmente fornecendo
suporte mecânico, água e nutrientes para as raízes, que posteriormente
distribuem para a planta inteira e são essenciais para sua existência.
As características dos solos podem determinar os tipos de vegetação
que neles se desenvolvem, sua produtividade e, de maneira indireta,
determinam o número e tipos de animais (incluindo pessoas) que po-
dem ser sustentados por essa vegetação. A Figura 2 apresenta uma
comparação de uma (a) vegetação densa (devido à fertilidade do solo)
e uma (b) vegetação mais escassa, (devido à falta de nutrientes e água
presente no solo).
185Aspectos gerais e usos do solo
Figura 2. Dois tipos de vegetação – devido à presença de água e nutrientes presentes 
no solo.
Fonte: (a) Aleksey Stemmer/Shutterstock.com; (b) InnaVar/Shutterstock.com.
2. As características dos solos determinam o destino da água na super-
fície da Terra, essencial para a sobrevivência. A perda de água, sua
utilização, contaminação e purificação são todas afetadas pelo solo. Se
pensarmos que grande parte da água doce existente no planeta (rios,
lagos e aquíferos) ou já escorreu na superfície do solo ou viajou através
dele, percebemos a importância dos solos na distribuição, manutenção
e qualidade da água dos nossos reservatórios e para a manutenção da
vida na Terra.
3. O solo desempenha um papel essencial na reciclagem de nutrientes
e no destino que se dá aos corpos de animais (incluindo o homem) e
restos de plantas que morreram na superfície da Terra. Se esses corpos
e resíduos não tivessem sido assimilados pelo solo, reincorporados e
convertidos em matéria orgânica ou húmus do solo (reciclagem), plantas
e animais teriam esgotado seus alimentos anos atrás.
4. O solo é o habitat de muitos organismos. Um punhado de solo pode
conter bilhões de organismos vivos e mortos que influenciam as carac-
terísticas do solo, como a porosidade, que é responsável pelo movimento
e manutenção de água e ar no solo.
5. Os solos não fornecem apenas o material (tijolos, madeira) para a cons-
trução de nossas casas e edifícios; proporcionam também a fundação,
a base para todas as estradas, aeroportos, casas e edifícios erguidos
pelo homem.
A unidade básica do solo é chamada de pedon (do grego, significando “solo/
terra”), a qual vai da superfície ao material de origem (rocha), de acordo com 
Santos e Zaroni (2017). A face do pedon é chamada de perfil de solo, que, 
 Controle da poluição 186
segundo Coelho et al. (2017), con tém camadas aproximadamente paralelas à 
superfície do terreno, as quais são denominadas de horizontes (Figura 3). O 
solo é composto por diferentes hori zontes (O, A, B e C), que podem variar 
quanto a cor, espessura, tipo de estrutura, textura, entre outras características.
Os horizontes do solo podem apresentar cor e espessura bastante variadas, ou até 
mesmo estar ausentes em determinados solos. 
Figura 3. Exemplo dos perfis do solo com seus diferentes horizontes.
Fonte: Designua/Shutterstock.com
187Aspectos gerais e usos do solo
A descrição de cada camada é descrita de acordo com Coelho et al. (2017):
 Horizonte O: é composto por matéria orgânica devido à presença de
vegetação e animais.
 Horizonte A: é o horizonte mais superficial do solo. Geralmente apre-
senta coloração mais escura devido à presença de matéria orgânica
bastante decomposta, resultando em coloraçõespretas ou amar ronzadas.
 Horizonte B: localizado abaixo do horizonte A, geralmente de coloração
amarelada ou avermelhada, cuja cor é mais in fluenciada pelas partí-
culas minerais do solo, uma vez que apresenta muito menos partículas
orgânicas em relação ao horizonte A. Geralmente o horizonte B tem
maior quantidade de argila, bem como apresenta estrutura de tama nho
maior em relação aos horizontes A e C.
 Horizonte C: aparece abaixo do horizonte B, estando mais próximo
da rocha e, por isso, geralmente apresenta fragmentos de rocha na sua
massa. Sua coloração é bastante variada.
 Horizonte R: é composto pela rocha-mãe, também conhecida como
rocha matriz.
Coelho et al. (2017) descrevem que, em média, o solo da Região Amazônica apresenta 
horizonte A de aproximadamente 20 cm; horizonte B de dezenas de metros de pro-
fundidade; e horizonte C e rocha matriz geralmente a profundida des abaixo de 10 
metros de profundidade, a partir da superfície do solo. 
Fatores que interferem na formação dos solos
Existem alguns fatores que interferem na formação dos solos: o clima, o 
material de origem, os organismos, o relevo e o tempo, os quais são descritos 
a seguir, de acordo com Lima, Lima e Melo (2007).
 Clima: exerce influência sobre a formação dos solos (intemperismo)
principalmente devido às precipitações (chuvas) e à variação de tem-
peratura. Por exemplo, em regiões de clima quente e úmido, a ação
 Controle da poluição 188
dos intemperismos é mais intensa e rápida, pois temperaturas mais 
elevadas aceleram a velocidade das reações químicas (que provocam a 
decomposição das rochas). A umidade reage com os minerais presente 
nas rochas, resultando em ácidos, que provocam a corrosão das rochas.
 Material de origem: a rocha que dá origem ao solo é chamada de rocha 
matriz, ou seja, o material de origem é a matéria-prima a partir da qual
os solos se desenvolvem, podendo ser de natureza mineral (rochas ou
sedimentos) ou orgânica (resíduos vegetais). Dependendo do tipo de
material de origem, os solos podem ser arenosos, argilosos, férteis ou
pobres. Cabe ressaltar que uma mesma rocha pode originar solos muito
diferentes, pois depende da variação dos demais fatores de formação.
 Relevo: o formato desigual do relevo favorece a distribuição irregular
da água das chuvas, do calor e da luz. Dependendo do tipo de relevo
(plano, inclinado ou abaciado), a água da chuva pode entrar no solo
(infiltração), escoar pela superfície (ocasionando erosão) ou se acumular
(formando banhados).
 Presença de organismos: os organismos que vivem no solo, como
vegetais, minhocas, insetos, fungos, bactérias, entre outros, exercem
grande influência na formação dos solos, pois, além de seus corpos
serem fonte de matéria orgânica, atuam também na transformação dos
constituintes orgânicos e minerais. A vegetação exerce influência na
formação do solo pelo fornecimento de matéria orgânica, na proteção
contra a erosão pela ação das raízes fixadas no solo, assim como as
folhas evitam o impacto direto da chuva. Ao se decompor, a matéria
orgânica libera ácidos que também participam na transformação dos
constituintes minerais do solo.
 Tempo: para a formação do solo, é necessário determinado tempo para
atuação dos processos que levam à sua formação. O tempo que um solo
leva para se formar depende do tipo de rocha, do clima e do relevo. Solos
desenvolvidos a partir de rochas mais fáceis de ser intemperizadas se
formam mais rapidamente, em comparação com aqueles cujo material
de origem é uma rocha de difícil alteração.
Os solos desempenham um papel fundamental na sobrevivência de diversos 
povos no planeta. Trata-se de um importantíssimo recurso natural que pode 
ser explorado de diversas formas e que, por isso, deve ser preservado.
189Aspectos gerais e usos do solo
Tipos de solos
De acordo com Santos e Daibert (2014), os solos podem ser divididos em dois 
grandes grupos: 
 Os transportados, também conhecidos como sedimentares.
 Os não transportados, também conhecidos como residuais.
Os solos sedimentares ou transportados, segundo Santos e Daibert (2014), 
sofrem o intemperismo em um determinado local e depois são transportados 
por agentes geológicos, como, por exemplo, o mar, rio, vento, gelo, gravidade, 
entre outros, sendo depositados em forma de sedimentos em distâncias va-
riadas. Na composição desse tipo de solo, há grande quantidade de matéria 
orgânica, sendo que não há uma ligação com a rocha original. Em geral, os 
solos sedimentares são depositados com menor consolidação que os residuais, 
apresentando maior heterogeneidade e profundidade variável, sendo estes 
solos menos resistentes e com maior permeabilidade. Como exemplos de 
solos transportados, podem-se citar: os solos de aluvião, solos orgânicos, 
solos coluviais e solos eólicos.
 Solos de aluvião: depósitos de sedimentos clássicos (areia, cascalho e/
ou lama). São transportados e arrastados pela água. Sua constituição
depende da velocidade das águas no momento de deposição, sendo
encontrado material mais grosseiro próximo às cabeceiras, enquanto
o material mais fino (argila) é carregado a maiores distâncias. Esses
solos apresentam baixa resistência, elevada compressibilidade e são
suscetíveis à erosão.
 Solos orgânicos: mistura do material transportado com quantidades
variáveis de matéria orgânica decomposta. Formados em áreas de topo-
grafia bem caracterizada (bacias e depressões continentais, nas baixadas
marginais dos rios e litorâneas). Normalmente são identificados pela
cor escura, cheiro forte e granulometria fina. Esse tipo de solo possui
alta compressibilidade e baixíssima resistência. Provavelmente esse é
o pior tipo de solo para os propósitos do engenheiro geotécnico.
 Solos coluviais (ou depósito de tá lus): o transporte se deve exclusiva-
mente à gravidade, e o solo formado possui grande heterogeneidade.
São de ocorrência localizada, geralmente ao pé́ de elevações e encostas, 
provenientes de antigos escorregamentos. Apresentam boa resistência,
 Controle da poluição 190
porém elevada permeabilidade. Colú vio é um material predominante-
mente fino, e tá lus é predominantemente grosseiro.
 Solos eólicos: são formados pela ação dos ventos, e os grãos dos solos
possuem forma arredondada. É o mais seletivo tipo de transporte de
partículas de solo. Não são muito comuns no Brasil, destacando-se
somente os depósitos ao longo do litoral.
Já o solo residual, de acordo com Santos e Daibert (2014), é resultado da 
decomposição da rocha matriz e não ocorre transporte do mesmo, havendo 
preservação da estrutura da rocha matriz da qual se originou. O solo residual é 
mais homogêneo, mais resistente e mais impermeável. Para ocorrer a formação 
do solo residual, é necessário que a velocidade de decomposição da rocha seja 
maior do que a velocidade de remoção por agentes externos. Regiões tropicais 
favorecem a degradação da rocha mais rapidamente. Diante desse contexto, 
sua ocorrência é mais comum no Brasil. O solo residual pode apresentar 
diferentes classificações:
 Solo residual maduro: é um solo mais homogêneo e não apresenta
nenhuma relação com a rocha- mãe.
 Solo residual jovem: apresenta boa quantidade de material, podendo
ser classificado como pedregulho (o qual apresenta diâmetro maior
que 4,8 mm). São bastante irregulares quanto a resistência, coloração,
permeabilidade e compressibilidade (a intensidade do processo de
alteração não é igual em todos os pontos).
 Solo saprolí tico: guarda características da rocha e apresenta basi-
camente os mesmos minerais, porém sua resistência já se encontra
bastante reduzida. Pode ser caracterizado como uma matriz de solo
que envolve grandes pedaços de rocha altamente alterada. Apresenta
pequena resistência ao manuseio.
 Solo de alteração de rocha: ainda preserva parte de sua estrutura e de
seus minerais, porém com dureza inferior à da rocha matriz, em geral
muito fraturada, permitindo grande fluxo de água nas descontinuidades.
Sistema Brasileiro de Classificação deSolos (SiBCS)
Conforme já mencionado, os solos são formados devido à decomposição das 
rochas. Como existem diferentes tipos de rochas (ígneas, magmáticas e sedi-
mentares) na crosta terrestre, existem diferentes tipos de solos. Coelho et al. 
(2017) comentam que existem diferentes sistemas de classifi cação de solos no 
191Aspectos gerais e usos do solo
mundo. Em território nacional, tem-se o Sistema Brasileiro de Classifi cação de 
Solos, publicado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) 
em 1999, passando por algumas atualizações posteriormente. 
A classificação de um solo é obtida a partir da avaliação dos dados morfo-
lógicos, físicos, químicos e mineralógicos do perfil que o representam. Essa 
classificação inicia com a descrição morfológica do perfil e coleta de material 
de campo, que devem ser conduzidas conforme critérios estabelecidos em 
manuais, observando-se o máximo de zelo, paciência e critério na descrição 
do perfil e da paisagem que ele ocupa no ecossistema.
Para entender mais sobre os tipos de solos e sua classificação, leia o texto “Classificação 
dos solos” (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA, 2017). 
Segundo o SiBCS, no Brasil os solos são divididos em 13 ordens. Santos 
e Daibert (2014) apresentam algumas definições importantes: 
 Argissolos: ocupam o terço inferior das colinas e morros do cerrado. O
acúmulo de argila reduz muito a permeabilidade dos argissolos. Somado
ao fato de o horizonte superficial muitas vezes ser arenoso, faz com
que a grande limitação agrícola dos argissolos seja o risco de erosão.
Por esse motivo, os argissolos devem preferencialmente ser utilizados
com culturas perenes ou pastagens.
 Cambissolos: são pouco desenvolvidos, com pedogê nese pouco avan-
çada e ausência ou quase ausência da estrutura da rocha.
 Chernossolos: são um dos solos mais ricos do Brasil, com presença
de argilominerais e de um horizonte rico em matéria orgânica e com
alto conteúdo de cálcio e magnésio, sendo encontrados em maior escala
na Bahia.
 Espodossolos: apresenta uma coloração variando de cinza até preto,
compostos de alumínio com ou sem ferro em presença de húmus ácido.
 Gleissolos: desenvolvem-se em sedimentos recentes próximos a cursos
d’água e em materiais colú vio-aluviais sob condições de hidromorfia,
podendo se formar também em áreas de relevo plano de terraços flu-
 Controle da poluição 192
viais, lacustres ou marinhos e em materiais em depressões. Ocorrem 
sob vegetação higró fila ou higró fila herbácea, arbustiva ou arbórea.
 Latossolos: evolução muito avançada com expressiva latolizaç ã o
(ferralitizaç ã o ou laterizaç ã o), intemperizaç ã o intensa dos minerais
primários e secundários menos resistentes e concentração relativa de
argilominerais resistentes e/ou óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio,
com inexpressiva mobilização ou migração de argila, ferró lise, gleizaç ã o
ou plintitizaç ã o.
 Luvissolos: em geral, são medianamente profundos a rasos (60 a 120
cm).
 Neossolos: Grupamento de solos pouco evoluídos. Solos em via de
formação, seja pela reduzida atuação de processos pedogené ticos ou
por características inerentes ao material de origem.
 Nitossolos: são solos minerais, não hidromó rficos, de cor vermelho-
-escura tendendo a arroxeada. São derivados do intemperismo de rochas 
básicas e ultrabásicas, ricas em minerais ferromagnesianos. Na sua
maioria, são estróficos, com ocorrência menos frequente de distró ficos
e raramente á licos. Compreendem solos de grande importância agrícola.
 Organossolos: grupamento de solos orgânicos, pouco evoluídos, de
coloração preta, cinzenta muito escura ou marrom e com elevados
teores de carbono orgânico. São solos fortemente ácidos, com baixa
saturação em bases. Predomínio de constituintes orgânicos em relação a
inorgânicos. Ocorrem em ambientes de drenagem livre ou em condições
de saturação com água, permanente ou periódica (maldrenados a muito
maldrenados, ou úmidos de altitude elevada).
 Planossolos: ocorrem preferencialmente em áreas de relevo plano
ou suave ondulado, sob condições ambientais e do próprio solo que
favorecem vigência periódica anual de excesso de água, ainda que de
curta duração, e até́ mesmo sob condições de clima semiárido. Podem
ocorrer ainda em baixadas, várzeas e áreas de depressões.
 Plintossolos: solos minerais formados sob condições de restrição à
percolação de água, sujeitos ao efeito temporário de excesso de umidade,
em geral imperfeitamente ou mal drenados. Predominantemente são
solos fortemente ácidos, com saturação de bases baixa. Ocorrem em
várzeas, áreas com relevo plano ou suavemente ondulado.
 Vertissolos: apresentam grande representatividade no ambiente se-
miárido do Nordeste brasileiro. Por suas características intrínsecas,
destacadamente a presença de argilas expansivas, necessitam de um
manejo especial. Por serem essencialmente argilosos, esses solos ainda
193Aspectos gerais e usos do solo
apresentam produtividades razoáveis com irrigação superficial, exem-
plificada pela irrigação por sulcos.
Os solos mais comuns do Brasil são os latossolos e argissolos, que ocupam aproxima-
damente 60% das terras brasileiras (COELHO et al., 2017). 
Planejamento adequado dos solos
O planejamento adequado do solo é uma etapa fundamental não apenas para 
conservar as características físicas, químicas e biológicas dele, mas também 
para melhorar e otimizar o uso dos solos. De maneira geral, pode-se dizer 
que os solos possuem dois usos básicos: o uso industrial e o uso agrícola. A 
seguir, você vai conhecer esses dois itens de forma mais detalhada, bem como 
algumas ferramentas que visam melhor o planejamento dos solos.
Planejamento dos solos urbanos
O planejamento dos solos é um processo de extrema importância para os 
centros urbanos atualmente, auxiliando na ocupação racional e no equilíbrio 
ambiental. Com a Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), houve uma 
melhora nas temáticas relacionadas à política urbana e à gestão das cidades 
no Brasil. Honda et al. (2015) destacam que o planejamento urbano passou a 
ocupar um lugar de destaque nas mais diversas esferas institucionais, políticas 
e sociais, resultando em um fortalecimento dos municípios, os quais receberam 
maior autonomia no setor político, administrativo e fi nanceiro.
Nos artigos 182 e 183 da Constituição (BRASIL, 1988), foram definidas 
as diretrizes básicas para a política urbana brasileira, assim como a obrigato-
riedade de algumas cidades em aprovar um plano diretor. Honda et al. (2015) 
comentam que, em 2001, esses artigos foram regulamentados por meio da 
instituição da Lei Federal de nº 10.257, a qual é conhecida como Estatuto 
das Cidades (BRASIL, 2001). O Plano Diretor está definido no Estatuto das 
 Controle da poluição 194
Cidades, sendo este um instrumento básico para orientar a política de desenvol-
vimento e de ordenamento da expansão urbana de um determinado município.
Ou seja, o Plano Diretor é uma lei municipal elaborada pela prefeitura com 
a participação da Câmara Municipal e da sociedade civil a fim de estabelecer 
e organizar o crescimento, o funcionamento, o planejamento territorial da 
cidade, além de orientar as prioridades de investimentos (Figura 4).
Figura 4. Exemplo de uma cidade planejada.
Fonte: ideldesign/Shutterstock.com.
Porém, nem todos os municípios são obrigados por Lei a possuírem o Plano 
Diretor; apenas os municípios que:
 Possuem mais de 20 mil habitantes;
 São integrantes de regiões metropolitanas;
 Têm áreas com interesse turístico;
 Estão situados em áreas de influência de empreendimentos ou atividades
com significativo impacto ambiental.
195Aspectos gerais e usos do solo
Em relação às funções do Plano Diretor, podem-se citar:
 Garantir o atendimento das necessidades da cidade;
 Garantir uma melhor qualidade de vida na cidade;
 Preservar e restaurar os sistemas ambientais (solo, ar, água, entre outros);
 Promover a regularização fundiária;
 Consolidar os princípios da reforma urbana.Com o Plano Diretor, é possível dividir e organizar a cidade por áreas. Ou 
seja, qual área será destinada unicamente à construção de moradias, onde 
serão instaladas as indústrias (área industrial), qual a área destinada à zona 
rural etc. Com isso, é possível controlar e organizar a ocupação do território, 
bem como criar medidas que visam evitar a contaminação dos solos.
Planejamento dos solos agrícolas
Segundo Oliszeski (2011), em qualquer empreendimento rural, uma dúvida 
é em relação à quantidade dos e quais serão os produtos a serem produzidos, 
tendo em vista os recursos disponíveis e o retorno desejado. Participam dessa 
decisão diversos fatores que podem ser alinhados segundo suas principais 
vertentes: características dos recursos disponíveis e condições de mercado.
Ou seja, a agricultura é um setor fundamental tanto na economia como 
na sociedade, pois é ela que coloca alimento na mesa de bilhões de pessoas 
diariamente. Porém, este também é um setor que contribui significativamente 
para a degradação dos solos. Entre as várias técnicas de planejamento dos 
solos, você conhecerá duas específicas: a prática de cultivo orgânico e o 
cultivo de plantio direto.
A prática de cultivo orgânico está fundamentada na preocupação com 
a saúde humana, dos animais e das plantas, uma vez que seres humanos 
saudáveis são frutos de solos equilibrados e biologicamente ativos, adotando 
técnicas integradoras e apostando na diversidade de culturas (OLISZESKI, 
2011). Entre os fundamentos básicos do cultivo de orgânicos, destacam-se:
 Respeito à natureza: reconhecimento da dependência de recursos na-
turais não renováveis;
 Diversificação de culturas: leva ao desenvolvimento de inimigos natu-
rais, sendo item chave para a obtenção de sustentabilidade;
 Controle da poluição 196
 Solo como um organismo vivo: o manejo do solo propicia oferta cons-
tante de matéria orgânica (adubos verdes, cobertura morta e composto
orgânico), resultando em fertilidade do solo;
 Independência dos sistemas de produção: ao substituir insumos tecno-
lógicos e agroindustriais.
Oliszeski (2011) destaca ainda que, entre os objetivos da produção orgâ-
nica, pode-se destacar o equilíbrio sustentável do meio ambiente. Nela, não 
é permitido o uso de agrotóxicos, adubos químicos e sementes transgênicas, 
garantindo a produção de alimentos mais saudáveis e naturais, bem como 
a preservação do solo, que fica mais fértil e livre da toxicidade (Figura 5).
Figura 5. Produção de alimentos orgânicos.
Fonte: Lucky Business/Shutterstock.com.
O cultivo em plantio direto é um sistema de manejo do solo em que a palha 
e os restos vegetais são deixados na superfície do solo, conforme o Instituto 
Agronômico de Campinas (2005) apud Oliszeski (2011). Ou seja, o plantio 
direto compreende um conjunto de técnicas integradas que visam melhorar 
as condições ambientais (água–solo–clima) para explorar da melhor forma 
possível o potencial genético de produção das culturas (Figura 6).
197Aspectos gerais e usos do solo
Figura 6. Cultivo em plantio direto.
Fonte: Santanor/Shutterstock.com.
A remoção do solo ocorre apenas no sulco onde são depositados fertili-
zantes e sementes. As plantas infestantes são controladas por herbicidas. Não 
existe preparo do solo além da mobilização no sulco de plantio. Considera-se 
que, para o sucesso do sistema, são fundamentais a rotação de culturas e o 
manejo integrado de pragas, doenças e plantas invasoras. Dentre as vantagens 
agronômicas do cultivo em sistema de plantio direto, Oliszeski (2011) destaca:
 Controle da erosão;
 Aumento da água armazenada no solo;
 Redução da oscilação térmica;
 Aumento da atividade biológica;
 Aumento dos teores de matéria orgânica;
 Melhoria da estrutura do solo.
A adoção do plantio direto é a perfeita harmonia do homem com a natureza, propor-
cionando economias significativas para a sociedade como um todo. Oliszeski (2011) 
descreve que, com o plantio direto, é possível minimizar custos de produção, bem 
como maximizar a produtividade de insumos e de mão de obra.
 Controle da poluição 198
199Aspectos gerais e usos do solo
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1998. Brasília: Presidência da 
República, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicao.htm>. Acesso em: 05 jul. 2017.
BRASIL. Lei nº 10.257, 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constitui-
ção Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. 
Brasília: Presidência da República, 2001.
COELHO, M. R.; FIDALGO, E. C.; SANTOS, H. G.; BREFIN, M. L. M. S.; PÉREZ, D. V. Solos: tipos, 
suas funções no ambiente, como se formam e sua relação com o crescimento das plan-
tas. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/94212/1/
Ecossistema-cap3C.pdf. Acesso: 28 de junho de 2017.
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Classificação de solos. Brasília: 
EMBRAPA, [2017]. Disponível em: <https://www.embrapa.br/solos/sibcs/classificacao-
-de-solos>. Acesso em: 05 jul. 2017.
HONDA, S. C. A. L. et al. Planejamento ambiental e ocupação do solo urbano em 
Presidente Prudente (SP). Revista Brasileira de Gestão Urbana, Curitiba, v. 7, n. 1, p. 62-
73, jan./abr. 2015.
LIMA, V. C.; LIMA, M. R.; MELO, V. F. O solo no meio ambiente: abordagem para pro-
fessores do ensino fundamental e médio e alunos do ensino médio. Curitiba: UFPR, 
Departamento de Solos e Engenharia Agrícola, 2007.
OLISZESKI, C. A. N. Modelos de planejamento agrícola: um cenário para otimização 
de processos agroindustriais. 2011. 99 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de 
Produção) –Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade 
Tecnológica Federal do Paraná, Ponta Grassa, 2011.
SANTOS, H. G.; ZARONI, M. J. Perfil do solo. Brasília: AGEITEC, [2017]. Disponível em: 
<http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/solos_tropicais/arvore/CON-
TAG01_5_2212200611537.html>. Acesso em: 29 jun. 2017.
SANTOS, P. R. C.; DAIBERT. J. D. Análise dos solos: formação, classificação e conservação 
do meio ambiente. São Paulo: Érica, 2014.
DICA DO PROFESSOR
Os solos são fundamentais para a sobrevivência da vida no planeta Terra. Estes são formados 
basicamente pelo intemperismo das rochas.
Acompanhe no vídeo as diferentes classificações, de acordo com a cor a a textura.
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EXERCÍCIOS
1) Você está atuando como gestor de uma unidade de conservação ambiental e solicitou 
um estudo do solo da região. O ambiente pode ser caracterizado como tendo uma 
vasta vegetação. Nesse sentido, podemos afirmar que: 
A) A região apresenta solo de calcário, pois este é considerado próprio para a agricultura.
B) A região apresenta solo arenoso, pois a vegetação apresenta facilidade no crescimento, o 
que caracteriza a vasta vegetação.
C) A região apresenta solo característico de silte, pois, devido às pequenas partículas, há 
facilidade de crescimento vegetativo.
D) A região apresenta solo argiloso, que é considerado próprio para a vegetação.
E) A região apresenta solo arenoso, o que facilita o desenvolvimento da vegetação, devido à 
presença de quantidade expressiva de óxido de ferro.
2) Um dos papéis do gestor ambiental refere-se à preocupação da definição de local 
adequado para a implantação de um determinado projeto, como por, exemplo, uma 
empresa ou unidade de conservação. Refletindo sobre a questão, podemos dizer que: 
A) Ao considerarmos um local, deve-se levar em consideração exclusivamente a legislação.
B) O planejamento do uso do solo é a única medida que deve ser tomada ao considerar a 
escolha do local.
C) O zoneamento ambiental é extremamente importante para a organização territorial.
D) Analisar o tipo de solo presente no local de instalação de um determinado empreendimento 
visa, unicamente, saber se este está mais suscetível a contaminações.
E) O levantamento do uso do solo é importante para determinarmos a a organizaçãodo 
espaço. Contudo, a realização desse levantamento é opcional.
3) O plano diretor pode ser uma excelente ferramenta visando não somente a 
"organização" territorial das cidades, mas também pode contribuir para evitar a 
contaminação dos solos. Em relação ao plano diretor, qual alternativa está correta? 
A) Todos os municípios são obrigados a possuírem o plano diretor.
B) O plano diretor visa unicamente apresentar o uso e a ocupação dos solos permitidos em 
território municipal.
C) Após aprovado o plano diretor, este não poderá ser alterado, a não ser em caso de 
emergências.
D) O plano diretor deve apresentar ferramentas do que deve ser feito, em caso de um acidente 
na área industrial municipal, que possa colocar em risco a qualidade dos solos.
E) O plano diretor deve ser elaborado por uma equipe multidisciplinar, sendo que a população 
precisa estar ciente do conteúdo, além de aprová-lo.
4) Existem diferentes tipos de solos, sendo que cada um possui características distintas. 
No Brasil, o Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos (SiBCS) descreve 13 ordens 
distintas de solos, sendo que, dentre as alternativas a seguir, este é encontrado na 
maior parte do território e é o ideal para práticas de pastagens e culturas perenes. 
Assinale a alternativa correta. 
A) Gleissolos.
B) Luvissolos.
C) Nitossolos.
D) Planossolos.
E) Argissolos.
5) Os solos são formados, basicamente, pelo intemperismo ocasionados nas rochas, 
sendo compostos por diferentes horizontes. Em relação ao horizonte A, qual a 
alternativa correta? 
A) É o horizonte mais superficial do solo, sendo que geralmente apresenta coloração mais 
escura devido à presença de matéria orgânica bastante decomposta.
B) Geralmente apresenta uma coloração amarelada ou avermelhada, cuja cor é mais 
influenciada pelas partículas minerais do solo.
C) É composto por matéria orgânica, devido à presença de vegetação e animais
D) Geralmente apresenta fragmentos de rocha na sua massa, por isso sua coloração é bastante 
variada.
E) É composto pela rocha mãe, também conhecida como rocha matriz.
NA PRÁTICA
Marcelo, profissional da área ambiental, foi contratado para verificar a qualidade do solo da 
propriedade agrícola do senhor Jorge, pois este pretende iniciar a plantação.
Veja os esclarecimentos dados por Marcelo ao cliente sobre alguns aspectos do solo e algumas 
medidas caso o solo não seja adequado para o plantio.
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É importante alertar que algumas técnicas agrícolas têm provocado vários problemas 
ambientais, como a poluição dos solos, devido ao uso desenfreado de agrotóxicos, aos 
desmatamentos, às queimadas, à contaminação dos recursos hídricos, às erosões, entre outros.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Aspectos gerais e uso do solo.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Conhecendo o solo.
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Conflitos de uso e ocupação do solo em áreas de preservação permanente na microbacia 
hidrográfica do córrego do Karamacy, Itapeva – SP.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Mapeamento dos conflitos de uso nas áreas de preservação permanente (APPs) da 
microbacia do Riacho do Roncador, Timon (MA).
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Mapeamento do conflito do uso do solo em áreas de preservação permanente do município 
de Piedade dos Gerais/MG.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Danos causados pela poluição, dispersão 
de poluentes e técnicas de controle
APRESENTAÇÃO
O aquecimento global surgiu como consequência da emissão de gases para a atmosfera. Ele é 
responsável pelo derretimento das calotas polares, pela elevação do nível dos oceanos, pela 
maior incidência de determinados tipos de doenças, pelo aumento da desertificação, pelas 
mudanças climáticas, entre outras.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá sobre o quão é fundamental investir em tecnologias 
que visam minimizar não somente as emissões atmosféricas, mas a diminuição do uso de 
matérias primas e a geração de resíduos para garantir um futuro de qualidade ao planeta Terra.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Apresentar os principais impactos ambientais oriundos da poluição atmosférica.•
Identificar os mecanismos de dispersão dos poluentes atmosféricos.•
Descrever as principais técnicas de controle de poluição atmosférica.•
DESAFIO
Em relação às indústrias, ainda não existem tecnologias ou processos industriais 100% livres de 
emissão de poluentes, há sempre algum tipo de resíduo sólido, efluentes ou emissões 
atmosféricas. Porém, existem equipamentos, processos e tecnologias voltados a otimizar a 
matéria-prima e, dessa forma, reduzir a quantidade de resíduos gerados. Por isso, os 
profissionais devem estar atentos às novidades que surgem no mercado.
Uma determinada empresa, visando investir em marketing verde, entrou em contato com você, 
especialista em emissões atmosféricas industriais, para auxiliá-los com a escolha do melhor tipo 
de filtro que pode ser utilizado e com isso reduzir as emissões.
Como você poderia ajudar essa empresa? Apresente um pequeno relatório que descreva o tipo 
de filtro que você indicaria e as formas de limpeza e as suas vantagens e desvantagens.
INFOGRÁFICO
Resolver o problema do efeito estufa pode ser considerado o desafio da humanidade, pois 
envolve um conflito de interesses políticos, econômicos, tecnológicos e sociais em nível global. 
Veja no infográfico a seguir as principais causas, efeitos e desafios do efeito estufa.
CONTEÚDO DO LIVRO
Existem alguns cuidados, tecnologias e equipamentos que podem ser utilizados visando a 
minimização dos poluentes atmosféricos. Em nível industrial, os equipamentos mais utilizados 
são a câmara de sedimentação gravitacional, o ciclone, os filtros, os lavadores e os 
precipitadores eletrostáticos.
Para saber mais, leia o livro "Controle da poluição", base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, inciando seus estudos pelo capítulo Danos causados pela poluição, dispersão de 
poluentes e técnicas de controle.
Boa leitura!
CONTROLE
DA POLUIÇÃO
Guilherme
Semprebom Meller
Karina Fürstenau de 
Oliveira
Ronei Tiago Stein
Vanessa de Souza 
Machado
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094
C764 Controle da poluição / Guilherme Semprebom Meller ... [et 
 al.]. – Porto Alegre : SAGAH, 2017.
 290 p. il. ; 22,5 cm. 
 ISBN 978-85-9502-114-3
 1. Poluição - Controle. 2. Qualidade ambiental. I. Meller, 
 Guilherme Semprebom.
CDU 502.175
Revisão técnica:
Vanessa de Souza Machado
Bióloga (ULBRA)
Mestra e Doutora em Ciências (UFRGS)
Professora do Curso de Tecnologia e Gestão Ambiental (FATO)
Danos causados pela 
poluição, dispersão de 
poluentes e técnicas 
de controle
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste capítulo, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar os principais impactos ambientais oriundos da poluição 
atmosférica.
  Identificar os mecanismos de dispersão dos poluentes atmosféricos.
  Descrever as principais técnicas de controle de poluição atmosférica.
Introdução
As emissões antrópicas de gases para a atmosfera vêm causando sérios 
problemas ambientais, sociais e econômicos. A emissão de dióxido de 
carbono é o principal responsável pela intensificação do efeito estufa, 
decorrente principalmente da queima de combustíveis fósseis, como 
carvão, petróleo e gás natural, além de processos de modificação do 
uso do solo, como desmatamentos e queimadas. Como consequências, 
tem-se o aquecimento global, ocasionando o derretimento das calotas 
polares, elevação do nível dos oceanos, maior incidência de determinados 
tipos de doenças, aumento da desertificação, mudanças climáticas, entre 
outras. Logo, é fundamentalinvestir em tecnologias que visam minimizar 
não somente as emissões atmosféricas, mas também à diminuição do 
uso de matérias-primas e à geração de resíduos, visando garantir um 
futuro de qualidade ao planeta Terra.
Impactos da poluição atmosférica – 
considerações gerais
As fontes poluidoras emitem substâncias indesejáveis, as quais recebem a 
denominação de contaminantes atmosféricos (poluentes). Logo, considera-se 
como poluente qualquer substância presente no ar que, devido a sua concen-
tração, pode torná-lo impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, inconveniente 
ao bem-estar público, danoso aos materiais, à fauna, à fl ora ou prejudicial à 
segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade 
(DAMILANO; JORGE, 2006). 
Segundo dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (2011), 
a poluição atmosférica, principalmente em centros urbanos, vem sendo um 
dos maiores problemas que assolam a sociedade – não apenas de países in-
dustrializados, mas também dos em desenvolvimento. Com o aumento das 
emissões atmosféricas, principalmente após a Revolução Industrial, são vários 
os impactos causados pela poluição atmosférica, tanto para a população quanto 
ao meio ambiente, os quais são afetados negativamente de modo constante pelos 
níveis elevados de poluição do ar, visto que a qualidade do ar é diretamente 
influenciada pela distribuição de emissões veiculares e industriais. Entre os 
maiores problemas ambientais relacionados à poluição atmosférica, pode-se 
citar o efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.
Efeito estufa
O efeito estufa é um fenômeno natural e extremamente importante para a 
manutenção da vida na Terra, sendo que, antes da Revolução Industrial, havia 
um equilíbrio de emissão e absorção dos Gases de Efeito Estufa (GEE) na 
Terra, em que o fl uxo de entrada desses gases para a atmosfera era igual ao de 
saída (biossíntese), estabilizando a temperatura da Terra (ALMEIDA, 2007). 
No entanto, devido à elevada utilização de combustíveis fósseis e à prática do 
desmatamento, com o passar do tempo ocorreu o desequilíbrio desse ciclo. 
Controle da poluição276
Consequências do efeito estufa
As consequências do efeito estufa ainda estão sendo estudadas por pesqui-
sadores, não se sabendo com exatidão se as premissas realmente poderão se 
confi rmar. Sabe-se que a temperatura da Terra está aumentando em um nível 
global – para os próximos 100 anos, estima-se um aumento entre 2ºC e 6ºC, 
fenômeno conhecido como aquecimento global. Um aquecimento dessa ordem 
O efeito estufa é semelhante ao fenômeno de aquecimento que ocorre quando 
agricultores, em países temperados, cultivam plantas dentro de estufas no inverno. 
Essas estufas apresentam a capacidade de reter calor, mantendo a temperatura interna 
mais elevada do que a externa, o que pode ser explicado devido à luz emitida pelo 
Sol, tanto no espectro visível quanto no ultravioleta, atravessar o vidro. 
Os gases emitidos para a atmosfera capturam parte da radiação infravermelha que 
a Terra devolve para o espaço, provocando o aumento da temperatura atmosférica 
com as decorrentes mudanças climáticas. O gás de efeito estufa de maior relevância 
é o dióxido de carbono, que é o principal composto resultante da combustão com-
pleta de combustíveis. Quando presente em grande quantidade, o gás carbônico, 
juntamente com outros poluentes, acaba formando uma espécie de camada na 
atmosfera (ver imagem a seguir). Com essa camada de poluentes, o calor fica retido 
na Terra, provocando um aumento na temperatura média, segundo Moreira (2007). 
O efeito estufa resulta no aumento da temperatura terrestre.
Fonte: Designua/Shutterstock.com.
277Danos causados pela poluição, dispersão de poluentes e técnicas de controle
de grandeza acarretará na alteração do clima mundial e aumentará o nível 
médio das águas do mar em pelo menos 30 centímetros, interferindo na vida 
de milhões de pessoas que vivem em áreas costeiras.
Outra consequência do aquecimento global é a proliferação de patogenias, 
colocando em risco a saúde humana e de animais. É previsível um aumento 
de doenças como malária e cólera, e as sociedades mais pobres e menos 
desenvolvidas seriam as mais vulneráveis a tais problemas. Almeida (2007) 
ressalta que a habilidade de as pessoas se adaptarem às mudanças climáticas 
depende de fatores como riqueza, tecnologia, infraestrutura e acesso aos 
recursos naturais. As sociedades mais pobres do mundo dependem muito mais 
de recursos hídricos e agrícolas, sendo justamente estes que mais deverão 
sofrer os efeitos da mudança do clima.
Entre as consequências decorrentes do efeito estufa, segundo Almeida 
(2007), estão:
  derretimento das calotas polares, acarretando em um aumento no nível 
dos oceanos e, consequentemente, inundações em cidades litorâneas;
  mudança nos regimes de chuva, podendo diminuir os índices pluvio-
métricos em algumas regiões drasticamente e, em outros, ocasionar 
um aumento excessivo;
  doenças típicas de regiões tropicais podem se estender para regiões onde 
não eram encontradas devido ao aumento da temperatura;
  a agricultura mundial poderá ser drasticamente afetada, pois depende 
do clima. Caso o clima mude, regiões que atualmente são propícias 
para a prática poderão se tornar áridas;
  aquecimento das grandes cidades, pois, com o aumento do efeito estufa, 
as temperaturas vão subir, afetando a saúde da população;
  interferência na energia: países como o Brasil, que possui a energia 
hidrelétrica como a maior fonte de energia, poderão sofrer com a falta 
de chuvas, acarretando em menos água nos reservatórios;
  a extinção de espécies de animais e vegetais devido ao aquecimento – um 
exemplo típico é o urso polar, que está perdendo seu habitat;
  desertificação, pois terras ocupadas por campos e florestas poderão 
virar desertos;
  ocorrência de grandes incêndios, pois, com o aquecimento da Terra, 
os grandes incêndios florestais vão se tornar cada vez mais comuns, e 
seu combate, cada vez mais difícil;
Controle da poluição278
  elevação do nível de muitos rios, ocasionando inundações de cidades 
localizadas à beira dos mesmos, e, em casos mais extremos, ocasionando 
inundações em barragens e hidrelétricas;
  intensificação de fenômenos climáticos como o El Niño e La Niña;
  alteração do gradiente de temperatura das correntes marinhas, como, 
por exemplo, a Corrente do Golfo;
  aumento do número de fenômenos climáticos extremos, como furações, 
ciclones, tornados, tufões, entre outros. 
Bangladesh, Barbados, Butão, Gana, Quênia, Kiribati, Maldivas, Nepal, Ruanda, Tanzâ-
nia e Vietnã formam o grupo autointitulado V11, os mais vulneráveis a inundações, 
desertificações e tufões devido ao aquecimento global.
Dispersão de poluentes
O processo da poluição atmosférica se inicia com a emissão dos poluentes pelas 
fontes, sendo transportados pelas massas de ar até que atingem um receptor, 
sendo que cada poluente apresenta características próprias de dispersão na 
atmosfera. Em relação à dispersão dos poluentes atmosféricos, estes podem 
resultar em impactos de alcances locais, regionais e globais. 
Os impactos locais são aqueles verificados nas áreas próximas às fontes de 
poluição, e sua ocorrência, de acordo com Moreira (2007), é pelo aumento da 
concentração de poluentes do ar sem que sejam adequadamente dispersos pela 
ação da meteorologia, da topografia e de outros fatores, provocando problemas 
de saúde na população vizinha a essas fontes de poluição. Um fenômeno típico 
ocasionado pela poluição local é o efeito smog, o qual provoca a diminuição da 
visibilidade, extremamente prejudicial ao tráfego veicular e aéreo (Figura 1).
279Danos causados pela poluição, dispersão de poluentes e técnicas de controle
Os impactos regionais podem ser observados a distâncias maiores das 
fontes; segundo Mota (2000), a chuva ácida é um exemplo característico deste 
tipo de impacto. Devido àscorrentes aéreas e regimes pluviais, as nuvens 
ácidas, que são formadas pelos gases NO
x
 e SO
2
, podem se deslocar por vários 
quilômetros do ponto de origem, resultando em efeitos deletérios em regiões 
onde esses gases não são normalmente observados. 
O impacto global dos poluentes atmosféricos refere-se àqueles que po-
dem afetar o planeta como um todo. Lora e Teixeira (2006) comentam que o 
efeito estufa e o aquecimento global são exemplos de impactos globais, sendo 
causados pelo uso de combustíveis fósseis. 
As concentrações de poluentes na atmosfera podem oscilar ao longo do tempo e do 
espaço devido, basicamente:
  à intensidade das emissões das diferentes atividades, as quais variam ao longo 
do tempo; 
  à topografia local, que pode promover ou não o movimento de massas de ar;
  às condições meteorológicas: uma atmosfera estável limita a dispersão de poluentes 
e favorece picos de poluição;
  à estrutura térmica da atmosfera: uma inversão térmica limita a dispersão de 
poluentes.
Figura 1. Emissão de poluentes atmosféricos locais – podendo causar o efeito smog.
Fonte: (a) kubais/Shutterstock.com e (b) testing/Shutterstock.com.
Controle da poluição280
As concentrações meteorológicas apresentam um importante papel em 
relação à dispersão dos poluentes atmosféricos. O regime dos ventos, a umidade 
do ar, a radiação solar, a temperatura ambiente, a opacidade, a estabilidade 
atmosférica, a altura da camada de mistura e a ocorrência de chuvas são alguns 
fatores climáticos locais que podem interferir no tempo de permanência dos 
poluentes na atmosfera (DAMILANO; JORGE, 2006). A circulação geral da 
atmosfera também interfere na dispersão, uma vez que a movimentação das 
grandes massas de ar afeta a circulação local.
As brisas são um fenômeno de grande importância para a caracterização 
das condições de dispersão dos poluentes devido aos efeitos de recirculação 
que estão associados. Damilano e Jorge (2006) comentam que, no verão, as 
massas de ar oceânicas que são transportadas para a terra, durante a tarde, 
pela brisa marítima podem conter poluentes envelhecidos (principalmente 
hidrocarbonetos e NO
x
) de dias anteriores. A mistura desses poluentes pri-
mários com outros já existentes na atmosfera local favorecem a produção de 
oxidantes fotoquímicos, os quais, associados às condições de forte radiação 
solar, resultam na produção de elevados teores de ozônio (O
3
).
A umidade relativa do ar é outro fator que contribui para o tempo de 
permanência dos poluentes na atmosfera. Este é um parâmetro meteorológico 
que caracteriza o tipo de massa de ar que está atuando sobre a região. A 
ocorrência de baixa umidade relativa do ar pode agravar doenças e quadros 
clínicos da população, além de causar desconforto em pessoas saudáveis. Em 
relação à radiação solar, a qualidade do ar diz respeito à indução desta na 
formação de oxidantes atmosféricos como poluentes secundários. O ozônio, 
que é formado na atmosfera por reações fotoquímicas, depende da intensidade 
da radiação solar, apresentando uma distribuição de episódios ao longo dos 
meses totalmente distinta dos poluentes primários.
A temperatura do ar, segundo Damilano e Jorge (2006), constitui um 
parâmetro de interesse para o estudo da dispersão de poluentes. Temperaturas 
mais elevadas conduzem à formação de movimentos verticais ascendentes mais 
pronunciados (convecção), gerando um eficiente arrastamento dos poluentes 
localizados dos níveis mais baixos para os níveis mais elevados. Por outro 
lado, temperaturas mais baixas não induzem aos movimentos verticais ter-
micamente induzidos, o que permite a manutenção de poluentes atmosféricos 
em níveis mais baixos. 
A estabilidade atmosférica é que determina a capacidade do poluente de 
se expandir verticalmente. Em situações estáveis na atmosfera, cria-se uma 
barreira ao deslocamento vertical dos poluentes. Quando ocorre o fenômeno 
da inversão térmica, a capacidade de dispersão fica bem limitada. A inversão 
281Danos causados pela poluição, dispersão de poluentes e técnicas de controle
térmica acontece quando uma camada de ar quente se instala acima de cama-
das mais frias próximas da terra. Em geral, a atmosfera esfria à medida que 
aumenta a altitude, porém, devido ao movimento das massas de ar ou pelo 
tipo de incidência dos raios solares sobre a Terra, o fenômeno da inversão 
térmica ocorre e, com ele, todos os poluentes que estão presentes no ar e mais 
próximos do solo ficam ali confinados. As inversões térmicas são as que mais 
contribuem para o aumento da concentração de poluentes mais próximo à 
superfície (DAMILANO; JORGE, 2006).
As condições que favorecem a acumulação e concentração de poluentes 
no ar são contrabalançadas pelos processos naturais de limpeza e remoção de 
poluentes. Por exemplo, alguns aerossóis são removidos do ar quando se chocam 
com estruturas e construções. Os aerossóis com grandes raios (maiores do 
que 0,1 micrometro) são chamados de sedimentos. Estes, por sua vez, devido 
a seu peso, atingem velocidades terminais, depositando-se mais rapidamente 
do que os aerossóis menores. Por essa razão, aerossóis maiores tendem a se 
depositar na superfície, enquanto os menores podem ser transportados por 
muitos quilômetros e atingir grandes altitudes antes de se depositarem. A 
combinação desses processos é chamada de deposição seca.
As precipitações, como a chuva ou a neve, apresentam uma grande impor-
tância em relação à limpeza do ar. O ar, principalmente em centros urbanos, 
possui um aspecto de limpeza após uma chuva. De fato, nas regiões que 
possuem uma precipitação moderada, essa varredura pela chuva é responsável 
pela remoção de 90% dos aerossóis. Embora os gases poluentes sejam menos 
suscetíveis a essa varredura do que os aerossóis, eles se dissolvem nas gotas 
de chuva ou nas nuvens.
Os efeitos devastadores sobre o meio ambiente são uma das inúmeras consequências 
das guerras. Os bombardeios, o intenso movimento de veículos militares e tropas, 
a grande concentração de voos de combates, os mísseis jogados sobre territórios 
ou a destruição de estruturas militares e industriais durante todos esses conflitos 
provocaram a emissão de metais pesados e outras substâncias que contaminaram 
o solo, a água e o ar.
Controle da poluição282
Técnicas de controle de poluição atmosférica
Existem alguns cuidados, tecnologias e equipamentos que podem ser utilizados 
visando à minimização dos poluentes atmosféricos. Em um nível industrial, 
os equipamentos mais utilizados são a câmara de sedimentação gravitacional, 
o ciclone, os fi ltros, os lavadores e os precipitadores eletrostáticos.
Para saber mais sobre equipamentos utilizados em indústria visando a diminuir as 
emissões atmosféricas, leia o livro “Emissões atmosféricas” (FERNANDES, 2002, cap. 3).
As câmaras de sedimentação gravitacional realizam a separação dos 
poluentes do fluxo gasoso. Nesses equipamentos, os gases, após entrarem em 
uma câmara de secção maior do que a da tubulação que os conduz, perdem 
velocidade, fazendo com que as partículas de maior massa sejam atraídas para 
baixo devido à força gravitacional, sendo coletadas em um compartimento 
inferior, enquanto o restante do fluxo segue sem mudar de direção e sentido 
(FERNANDES, 2002).
O mesmo autor ressalta, como desvantagens, que essas câmaras são ina-
dequadas para coleta de partículas de diâmetros inferiores a 20 µm, devido 
a sua eficiência depender do diâmetro e da densidade das partículas. Como 
o índice de coleta é muito baixo para partículas de pequenas dimensões, tais 
equipamentos são normalmente utilizados apenas para tratamento preliminar, 
capturando o particulado mais grosso, em geral com diâmetro superior a 40 
µm, e preparando o fluxo para um tratamento posterior mais refinado. 
Já os ciclones utilizam tanto a força gravitacional quanto a força centrípeta 
simultaneamente. Esse equipamento consiste em levaras partículas de encontro 
às paredes cônicas do equipamento, ocasionando a perda de energia e fazendo 
com que elas se depositem, seguindo uma trajetória circular e formando um 
vórtice descendente. Em seguida, são coletadas em um compartimento na 
parte inferior do equipamento, enquanto o restante do fluxo, mais leve, sai por 
uma abertura na parte superior do cone invertido, seguindo seu caminho para 
ser lançado na atmosfera. O ciclone é um dos equipamentos de controle mais 
usados, principalmente como pré-coletor. O fluxo gasoso adentra sua câmara 
cônica de forma radial ou tangencial, com velocidade projetada de 15 a 21 m/s.
283Danos causados pela poluição, dispersão de poluentes e técnicas de controle
Dentre suas características principais, os ciclones apresentam: 
  baixo custo de construção e poucos problemas de manutenção; 
  configuração relativamente simples, apresentando perdas de cargas 
não muito grandes; 
  possibilidade de operar em amplas faixas de temperatura e a seco, 
embora não adequados para operar com partículas aderentes; 
  normalmente usados para coleta de partículas maiores do que 5 µm, 
apresentando eficiência muito baixa para diâmetros menores.
Fernandes (2002) descreve que a filtração é o mecanismo mais utilizado 
no controle da poluição do ar. Basicamente os filtros podem se dividir em 
descartáveis e não descartáveis, os mecanismos de coleta para particulados 
podem envolver diferentes fenômenos, tais como: impactação inercial, inter-
cepção e difusão, bem como as forças eletrostática e gravitacional.
Os filtros mais comumente empregados no controle de particulados são 
os de tecido, nos quais o fluxo gasoso relativamente limpo atravessa os poros 
existentes no meio filtrante, enquanto as partículas ficam retidas nas tramas 
do tecido.
Filtros descartáveis: Os filtros descartáveis são largamente aplicados em 
equipamentos e procedimentos analíticos laboratoriais e de monitoramento da 
qualidade do ar. São também muito comuns em equipamentos de uso domici-
liar, tais como aparelhos de ar-condicionado, aspiradores de pó, entre outros.
Filtros não descartáveis: Esses filtros são os que possuem maior interesse 
do ponto de vista industrial. Como o próprio nome já diz, não são descartáveis, 
e, quando ficam saturados, podem ser limpos por vários métodos e, assim, 
continuar a operar sem a necessidade de serem descartados. No controle de 
particulados, os filtros não descartáveis mais usados são os de tecido, do tipo 
manga ou envelope.
Controle da poluição284
Os filtros do tipo manga são feitos de tecidos, e os mais usados estão no controle da 
poluição atmosférica industrial, podendo ser aplicados também como método de 
separação de materiais sólidos presentes em alguns processos produtivos.
As mangas, que compõem esse tipo de filtro, podem ser definidas como bolsas, 
normalmente de formato cilíndrico, cujo tecido é usado para a retenção das partículas 
quando o gás passa por suas tramas. Essa passagem pode ocorrer de dentro para fora, 
no caso de filtragem interna, ou de fora para dentro, no caso de filtragem externa. 
Os lavadores são equipamentos que utilizam, como princípio básico de 
funcionamento, a absorção das partículas presentes em um fluxo gasoso, por 
um meio líquido, mediante contato forçado, ou impactação inercial, a qual 
pode ocorrer de diferentes maneiras, variando de um tipo de lavador para 
outro. O líquido, após o contato com o gás, carreia as partículas para um 
sistema de tratamento de efluentes líquidos, onde a parte sólida é separada da 
líquida, que retorna ao equipamento para reiniciar o processo de lavagem do 
fluxo gasoso, enquanto a fase sólida é retida e enviada para uma destinação 
adequada. Os lavadores podem ser usados tanto para o controle de particulados 
como de gases e vapores. 
Os lavadores apresentam como vantagens a possibilidade de tratar fluxos 
gasosos com partículas aderentes, umidade e elevadas temperaturas, com alta 
eficiência de retenção. O principal ponto negativo associado a esse sistema 
está no alto custo operacional.
Os precipitadores eletrostáticos se baseiam na ionização das partículas 
presentes no fluxo gasoso, de forma que, ao atravessarem um campo elétrico 
criado entre dois eletrodos metálicos, elas sejam atraídas para esses eletrodos, 
onde se descarregam e caem na tremonha de coleta ou ficam aderidas ao 
eletrodo e são retiradas posteriormente, por meio de uma forte vibração ou 
impacto na placa de coleta (rapping), sendo a segunda forma preferencialmente 
utilizada.
Em relação à minimização dos poluentes atmosféricos, algumas dicas que 
podem ser adotadas, segundo Freitas (2017):
  estipular limites dos níveis de poluição nos ambientes urbanos e rurais;
  criar maior rigor em relação às normas de emissão de gases;
  monitorar periodicamente as fontes poluidoras;
285Danos causados pela poluição, dispersão de poluentes e técnicas de controle
  incentivar o uso de tecnologias menos poluentes;
  utilizar equipamentos que reduzem os níveis de gases emitidos, dentre 
os quais podemos citar: catalisadores automotivos, filtros despoluidores 
nas chaminés das indústrias, entre outros;
  monitorar constantemente lugares onde são depositados resíduos sólidos 
para que não haja incêndios ou liberação de gases tóxicos, como metano;
  controlar diariamente a qualidade do ar;
  promover o reflorestamento de áreas degradadas;
  elaborar projetos de caráter preventivo contra possíveis poluições at-
mosféricas de grande proporção;
  controlar as queimadas (lavouras, pastagens e florestas), principalmente 
em meio rural;
  evitar o uso de agrotóxicos, dando preferência para o controle biológico;
  preservar as florestas naturais;
  implantar um sistema de transporte coletivo de qualidade;
  criar e expandir áreas verdes em meio urbano, como praças arborizadas, 
parques ecológicos, jardins, entre outros.
O gás natural vem ganhando maior espaço em território Nacional, prin-
cipalmente como forma de combustível veicular. Mesmo que ele seja um 
combustível fóssil considerado não renovável, apresenta algumas vantagens, 
como as apresentadas por Potigas (2017):
  gera energia mais econômica e limpa em relação a outros combustíveis;
  oferece maior proteção do ambiente – o gás natural é o combustível 
fóssil mais limpo;
  reduz sensivelmente a emissão de poluentes;
  contribui para a preservação da natureza e do meio ambiente;
  substitui o uso de madeira, reduzindo o desmatamento e a desertificação;
  melhora o rendimento energético;
  diversifica a matriz energética;
  reduz a dependência do petróleo pelo uso de fontes de energia regional;
  aumenta a competitividade das empresas;
  atrai investimentos externos;
  reduz o uso do transporte rodoferroviário e hidroviário;
  permite obter as vantagens oferecidas pelo Protocolo de Kyoto.
Controle da poluição286
1. Em relação ao efeito estufa, uma 
das principais consequências 
da poluição atmosférica, qual 
alternativa está correta?
a) O efeito estufa intensifica a 
dispersão dos raios solares antes 
que eles alcancem a superfície.
b) O efeito estufa contribui para 
uma maior conservação de 
radiação solar na atmosfera.
c) O efeito estufa aumenta as 
temperaturas em razão da 
diminuição da concentração 
média de oxigênio no ar.
d) O efeito estufa diminui as 
condições ideais para a 
manutenção de toda e qualquer 
forma de vida sobre a Terra.
e) O efeito estufa irá interferir 
negativamente sobre todas as 
formas de energias renováveis.
2. A dispersão dos poluentes 
atmosféricos atinge diferentes 
esferas, podendo ser local, 
regional e global. Qual alternativa 
cita um exemplo de impacto 
atmosférico de nível local?
a) Chuva ácida.
b) Derretimento das calotas polares.
c) Mudanças climáticas.
d) Ilha de calor.
e) Efeito estufa.
3. As indústrias são responsáveis por 
emitir uma considerável parcela 
dos poluentesatmosféricos, 
portanto, é fundamental investir 
em equipamentos e tecnologias 
que minimizem essas emissões. 
Em relação aos ciclones (um 
dos equipamentos possíveis de 
serem utilizados para reduzir 
as emissões atmosféricas), 
qual é a alternativa correta?
a) Apresentam como desvantagem 
altos custos de implantação.
b) Exigem treinamento 
especializado de funcionários, 
pois sua configuração é 
extremamente complexa.
c) São excelentes para coletar 
material particulado 
menor do que 5 µm.
d) Como desvantagem, esses 
equipamentos apresentam 
possibilidade de entupimento.
e) Esse equipamento não 
opera com diferentes 
faixas de temperatura.
4. Entre as alternativas a seguir, 
qual está correta em relação 
ao aquecimento global?
a) O aquecimento global é o 
principal responsável pelo 
aumento da temperatura 
global devido a ele 
favorecer o efeito estufa.
b) O aquecimento global 
interfere apenas nos países 
com cidades costeiras.
c) Os países em desenvolvimento 
são os principais responsáveis 
pelo aquecimento global 
devido, principalmente, às 
queimadas e desmatamentos.
d) O aquecimento global irá 
ocasionar patologias unicamente 
em países tropicais.
e) Nos próximos anos, em 
território nacional, as regiões 
Sul e Sudeste vão sofrer 
287Danos causados pela poluição, dispersão de poluentes e técnicas de controle
com chuvas e inundações 
cada vez mais frequentes. 
5. Em relação à dispersão dos 
poluentes atmosféricos, sabe-se 
que as condições meteorológicas 
interferem diretamente nesse 
fenômeno. Com base no exposto, 
qual a alternativa correta? 
a) Não existe uma relação 
direta entre a ocorrência de 
baixa umidade relativa e o 
agravamento de doenças e 
quadros clínicos da população.
b) Temperaturas mais 
elevadas normalmente 
auxiliam na dispersão dos 
poluentes atmosféricos.
c) As brisas estão relacionadas 
diretamente com a 
formação de oxidantes 
atmosféricos como poluentes 
atmosféricos secundários.
d) A topografia regional não exerce 
grande interferência na dispersão 
de poluentes atmosféricos.
e) Quando ocorrem altos índices 
pluviométricos, não ocorre 
a dispersão dos poluentes 
atmosféricos, pois eles ficam 
retidos na atmosfera.
Controle da poluição288
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MOREIRA, L. C. O. Comparação entre os poluentes atmosféricos e ruídos emitidos por uma 
caldeira flamotubular movida a gás natural e a óleo combustível BPF 2A. 2007. 165 f. Dis-
sertação (Mestrado na área de concentração em Saneamento Ambiental e Recursos 
Hídricos) – Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Ambientais, Universidade 
Federal do Mato Grosso de Sul, Campo Grande, 2007.
MOTA, S. Impactos ambientais das atividades humanas: introdução à engenharia 
ambiental. 2. ed. Rio de Janeiro: ABES, 2000.
POTIGAS. Vantagens do gás natural. Natal: Potigas, 2017. Disponível em: <http://www.
potigas.com.br/vantagens>. Acesso em: 15 jun. 2017.
289Danos causados pela poluição, dispersão de poluentes e técnicas de controle
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
Conteúdo:
DICA DO PROFESSOR
O aquecimento global e as mudanças climáticas são uma realidade que a humanidade precisa 
encarar, pois estão ocorrendo várias alterações no planeta, colocando não somente em risco a 
existência de espécies de animais e vegetais, mas a do próprio homem também.
Veja no vídeo alguns impactos que ocorrem devido ao aquecimento global.
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EXERCÍCIOS
1) Em relação ao efeito estufa, uma das principais consequências da poluição 
atmosférica, qual alternativa está correta?
A) a) O efeito estufa intensifica a dispersão dos raios solares antes que eles alcancem a 
superfície.
B) b) O efeito estufa contribui para uma maior conservação de radiação solar na atmosfera.
C) c) O efeito estufa aumenta as temperaturas em razão da diminuição da concentração média 
de oxigênio no ar.
D) d) O efeito estufa diminui as condições ideais para a manutenção de toda e qualquer forma 
de vida sobre a Terra.
E) e) O efeito estufa irá interferir negativamente sobre todas as formas de energias 
renováveis.
2) A dispersão dos poluentes atmosféricos atingem diferentes esferas, podendo ser 
locais, regionais e globais. Dentre as alternativas, qual é considerada um exemplo de 
impacto atmosférico de nível local?
A) a) Chuva ácida.
B) b) Derretimento das calotas polares.
C) c) Mudanças climáticas.
D) d) Ilha de calor.
E) e) Efeito estufa.
3) As indústrias são responsáveis por emitir uma considerada parcela dos poluentes 
atmosféricos, logo, é fundamental investir em equipamentos e tecnologias que 
minimizem essas emissões. O ciclone é um dos equipamentos possíveis de serem 
utilizados e visa reduzir as emissões atmosféricas. Das afirmativas abaixo, qual está 
correta em relação ao ciclone?
A) a) Apresentam como desvantagem altos custos de implantação.
B) b) Exige treinamento especializado de funcionários, pois sua configuração é extremamente 
complexa.
C) c) São excelentes para coletar material particulado menor que 5 μm.
D) d) Como desvantagem, esses equipamentos apresentam possibilidade de entupimento.
E) e) Esse equipamento não opera com diferentes faixas de temperatura.
4) Entre as alternativa a seguir, qual está correta em relação ao aquecimento global?
a) O aquecimento global é o principal responsável pelo aumento da temperatura global por A) 
favorecer o efeito estufa.
B) b) O aquecimento global interfere apenas nos países com cidades costeiras.
C) c) Os países em desenvolvimento são os principais responsáveis pelo aquecimento global, 
devido às queimadas e aos desmatamentos.
D) d) O aquecimento global irá ocasionar patologias unicamente em países tropicais.
E) e) Nos próximos anos, em território Nacional, as regiões Sul e Sudeste vão sofrer com 
chuvas e inundações cada vez mais frequentes.
5) Em relação à dispersão dos poluentes atmosféricos, é sabido que as condições 
meteorológicas interferem diretamente nesse fenômeno. Com base nos conteúdos 
expostos, qual a alternativa correta?
A) a) Não existe uma relação direta entre a ocorrência de baixa umidade relativa e o 
agravamento de doenças e quadros clínicos da população.
B) b) Temperaturas mais elevadas normalmente auxiliam na dispersão dos poluentes 
atmosféricos.
C) c) As brisas estão diretamente relacionadas com a formação de oxidantes atmosféricos 
como poluentes atmosféricos secundários.
D) d) A topografia regional não exerce grande interferência na dispersão de poluentes 
atmosféricos.
E) e) Quando há altos índices pluviométricos, a dispersão dos poluentes atmosféricos não 
ocorre, pois eles ficam retidos na atmosfera.
NA PRÁTICA
José, um rapaz de 30 anos, residente da cidade de Porto Alegre/RS, nunca se preocupou muito 
coma saúde, pois achava desnecessário passar protetor solar, usar chapéus e evitar o sol, 
principalmente das 10 às 16 horas. Porém, ele percebeu algumas manchas em sua pele e ficou 
preocupado com a possibilidade de ser um câncer de pele.
Após procurar um médico e realizar exames, o diagnóstico não se confirmou, para sorte do José. 
O susto foi grande, por isso ele resolveu buscar maiores informações sobre essa patologia e o 
fator que intensifica a sua causa. Clique na imagem abaixo e veja as informações que José 
encontrou.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Como as mudanças climáticas mudarão nossas vidas em 2050?
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nordeste.
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Poluição atmosférica proveniente da queima de combustíveis derivados do petróleo em 
veículos automotores.
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Poluição do ar como fator de risco para a saúde: uma revisão sistemática no estado de São 
Paulo.
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Autodepuração
APRESENTAÇÃO
A autodepuração é um processo natural e essencial que busca o equilíbrio e o bem-estar de um 
corpo hídrico envolvendo aspectos ambientais físicos, biológicos e químicos. Devido ao 
aumento da poluição ambiental, estudos apontam a utilização da temática como uma forma de 
analisar a saúde ambiental de um corpo d'água. Para um profissional da área ambiental, 
conhecer sobre a autodepuração influencia na atuação quanto às devidas tomadas de decisão 
sobre condição ambiental de um corpo hídrico.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá sobre o conceito de autodepuração e suas 
especificidades pela utilização em sua prática profissional, o que contribui para a análise das 
condições gerais de um corpo hídrico. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar as condições ambientais para a autodepuração de um corpo hídrico.•
Descrever as fases que compõem a autodepuração.•
Analisar parâmetros estabelecidos que contribuem para a autodepuração.•
DESAFIO
Uma das funções técnicas de um gestor ambiental é elaborar e manter os indicadores referentes 
aos processos da empresa, dessa forma, auxiliando na avaliação ambiental do local. Assim, para 
a avaliação ambiental de uma empresa, é importante a utilização da legislação ambiental como 
fonte de consulta, considerando os parâmetros estabelecidos na lei como possíveis indicadores 
de eficácia e eficiência ambiental.
Você foi contratado como gestor ambiental em uma determinada empresa que realiza 
lançamentos de efluente tratado em um corpo d'água. Sua atuação na empresa está direcionada 
em avaliar a eficiência ambiental, considerando os parâmetros do efluente lançado mensalmente.
Com objetivo de verificar se o efluente lançado pela sua empresa pode afetar a autodepuração 
do corpo hídrico receptor, você solicitou para a sua equipe técnica que realizasse uma análise 
laboratorial. No relatório da análise foram encontrados os seguintes resultados, considerando 
como comparativo os padrões de lançamento de efluentes estabelecido na Resolução CONAMA 
430/2011:
Considerando a análise e os padrões de lançamento estabelecidos na Resolução CONAMA 
430/2011, você deverá elaborar um parecer simplificado, com ênfase na seguinte pergunta:
Os efluentes lançados pela empresa podem afetar a autodepuração do corpo hídrico receptor? 
Por quê?
INFOGRÁFICO
Acompanhe o infográfico que apresenta as características das zonas de autodepuração de um 
corpo hídrico.
CONTEÚDO DO LIVRO
Para que você verifique se um determinado corpo hídrico se encontra ecologicamente 
equilibrado, há fatores que contribuem para a autodepuração do sistema hídrico, tais como 
físicos, químicos e biológicos. Estes fatores auxiliam na determinação da condição do corpo 
d'água e são essenciais para que você possa realizar uma identificação da situação do local.
No capítulo Autodepuração do livro "Controlde da poluição" - base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem -, você poderá acompanhar mais sobre os fatores determinantes, bem como as 
zonas que compõem a autodepuração.
CONTROLE
DA POLUIÇÃO
Guilherme
Semprebom Meller
Karina Fürstenau de 
Oliveira
Ronei Tiago Stein
Vanessa de Souza 
Machado
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094
C764 Controle da poluição / Guilherme Semprebom Meller ... [et 
 al.]. – Porto Alegre : SAGAH, 2017.
 290 p. il. ; 22,5 cm. 
 ISBN 978-85-9502-114-3
 1. Poluição - Controle. 2. Qualidade ambiental. I. Meller, 
 Guilherme Semprebom.
CDU 502.175
Revisão técnica:
Vanessa de Souza Machado
Bióloga (ULBRA)
Mestra e Doutora em Ciências (UFRGS)
Professora do Curso de Tecnologia e Gestão Ambiental (FATO)
Autodepuração
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identifi car as condições ambientais para a autodepuração de um 
corpo hídrico.
  Descrever as fases que compõem a autodepuração.
  Analisar parâmetros estabelecidos que contribuem para a 
autodepuração.
Introdução
A autodepuração é um processo natural e essencial que busca o equilíbrio 
e o bem-estar de um corpo hídrico envolvendo aspectos ambientais 
físicos, biológicos e químicos. Devido ao aumento da poluição ambiental, 
estudos apontam a utilização da temática como uma forma de analisar 
a saúde ambiental de um corpo d’água. Para um profissional da área 
ambiental, conhecer a autodepuração influencia na atuação quanto às 
devidas tomadas de decisão quando se refere à condição ambiental de 
um corpo hídrico.
Neste capítulo, você aprenderá sobre o conceito de autodepuração 
e suas especificidades pela utilização em sua prática profissional que 
contribui na análise das condições gerais de um corpo hídrico.
Condições ambientais essenciais para a 
autodepuração
A autodepuração é um processo ambiental natural que busca manter a condição 
de equilíbrio do corpo hídrico receptor. Segundo Sperling (2005) e Andrade 
(2010), ela pode ser considerada como um processo de sucessões ecológicas 
que estabelece um sistema aquático por diversas fases naturais que buscam o 
retorno do estágio inicial do sistema, ou seja, antes da presença do poluente 
no corpo d’água. Uma das questões importantes é em relação à autodepuração 
contribuir para a capacidade de assimilação de um rio e a possibilidade de 
impedimento de um corpo hídrico receber um volume de efl uente acima do 
suporte de vida. É a partir dessas constatações que se eleva a importância de 
conhecer as condições essenciais para a sobrevivência de um corpo hídrico.
Para que você verifique se um determinado corpo hídrico se encontra 
ecologicamente equilibrado, é necessário verificar os fatores que contribuem 
na autodepuração do sistema hídrico, tais como fatores físicos, químicos e 
biológicos. Esses fatores auxiliam na determinação da condição do corpo 
d’água e são essenciais para que você possa realizar uma identificação da 
situação do local.
Os primeiros fatores que você deve observar são os físicos (Figura 1). 
Nesse contexto, os processos de natureza física devem ser considerados como 
a diluição, a sedimentação e a reaeração atmosférica. No local, você deve 
verificar a velocidade do fluxo, vazão, declividade, largura, profundidade, 
característica da dispersão do poluente e temperatura. Quanto aos fatores 
químicos, é importante verificar se há variação do teor do oxigênio dissolvido, 
pH, acidez, alcalinidade, sólidos dissolvidos totais e materiais tóxicos, como, 
por exemplo, alguns tipos de materiais pesados. Para você considerar os fatores 
biológicos, é importante que você compreenda a contribuição dos processos de 
oxidação e decomposição na autodepuração.Assim, é importante também que 
você utilize o critério de ausência ou presença de um determinado indivíduo. 
Para o processo de autodepuração, alguns indivíduos são importantes indica-
dores da qualidade de um rio, tais como: bactérias e vírus, peixes, macrófitas 
e população bentônica como um todo.
135Autodepuração
Figura 1. Verificação dos fatores físicos, químicos e biológicos em um corpo hídrico.
Fonte: Production Perig/ Shutterstock.com.
Ao participar de um processo de verificação das condições de um rio, não se esqueça 
de consultar a legislação vigente para verificar os parâmetros fundamentais em sua 
análise. É importante ainda que você verifique as legislações estaduais e municipais, 
pois elas podem direcionar para peculiaridades que existem somente em sua região.
O processo de autodepuração sempre leva em consideração o tempo e a 
direção do corpo hídrico. Uma questão interessante refere-se ao processo de 
capacidade de um corpo hídrico quanto ao despejo do poluente. Considerando 
que os corpos hídricos apresentam limites de capacidade, um forte indicador 
de que o local se encontra nesse limite é o nível de oxigênio dissolvido. Se, 
após o despejo de efluente em um curso hídrico, for realizada uma análise 
do oxigênio dissolvido (OD) e for apresentado como indicador um parâmetro 
considerado alto, isso significa que o corpo d’água se encontra dentro dos 
parâmetros para a autodepuração ocorrer naturalmente. Dessa forma, a pre-
sença de oxigênio dissolvido em grau elevado favorece o curso hídrico, em 
especial a biodiversidade do local. Um fato interessante é que esses locais 
são indicados até mesmo para pesca esportiva. Com isso, podemos concluir 
 Controle da poluição 136
que o nível de oxigênio dissolvido é um indicador de capacidade do despejo 
de resíduo, apontado até para as questões vinculadas ao excesso de poluente 
e limites de autodepuração – na qual é um processo natural, conforme co-
mentado anteriormente.
Assim, devido às alterações dentro do processo de autodepuração, busca-se 
o equilíbrio do ambiente considerando-se, ainda, dois parâmetros conexos: 
o balanço entre a massa de oxigênio dissolvido e a demanda bioquímica de 
oxigênio (DBO) alinhados ao processo de mistura do rio.
Ao ocorrer o processo de despejo no curso d’água, inicia-se um processo 
de equilíbrio do local utilizando-se o fluxo do rio e a vazão para a mistura 
e possível diluição dos poluentes, conforme apontado na Figura 2. Ou seja, 
conforme a mistura vai se dispersando, diminuem-se os poluentes ao longo 
do corpo hídrico. Ao mesmo tempo, para que a autodepuração seja eficaz, 
inicia-se um processo de balanço entre o oxigênio dissolvido e a demanda 
bioquímica de oxigênio. Nesse processo estão envolvidas as misturas iniciais 
do despejo (resíduo e águas do local). Dessa forma, Davis e Masten (2016, p. 
403) apontam de uma forma bem simples o que ocorre: 
[...] uma tubulação lança os despejos poluentes no rio. O retângulo que 
encerra a região no ponto de despejo é o volume de controle. É com 
base nele que desenvolveremos nossa expressão do balanço de massa, 
na hipótese de que o poluente despejado permaneça no volume de 
controle e que este possa ser considerado uma entidade indivisível, que 
acompanhe o fluxo das águas do rio. No tempo zero, o volume está 
localizadono ponto de despejo. 
Esta questão está representada nas Figuras 2 e 3.
137Autodepuração
Figura 3. Balanço entre DBO e OD.
Fonte: Davis e Masten (2016, p. 403).
Além dos processos envolvidos, segundo autores como Braga, Hespanhol 
e Lotufo (2002), há presença de estágios de sucessão presentes e bem identi-
ficados por elementos que compõem o local. Esses estágios são conhecidos 
como zonas de autodepuração.
As zonas que compõem a autodepuração
O desenvolvimento da autodepuração abrange uma série de zonas que pro-
porcionam a descrição e o detalhamento de um determinado corpo hídrico. 
Pesquisadores consideram a divisão em quatro zonas: zona de águas limpas; 
zona de degradação; zona de decomposição (ou de decomposição ativa); e zona 
de recuperação. No fl uxo apresentado na Figura 4, ocorre a repetição da zona 
de águas limpas. Isso ocorre devido à meta de atingir novamente a estrutura 
inicial de um corpo hídrico, ou seja, a limpeza dessas águas.
Figura 2. Processo de mistura do rio.
Fonte: Davis e Masten (2016, p. 403).
 Controle da poluição 138
Quando tratamos de autodepuração e sua composição zonal, estamos considerando 
que determinado corpo hídrico consegue buscar naturalmente seu equilíbrio. Se, no 
processo de autodepuração, for identificado que o corpo hídrico não consegue mais 
se “autodepurar” naturalmente, deve ocorrer uma intervenção no local em busca de 
tratamento. Dessa forma, há a necessidade de você utilizar técnicas para descontamina-
ção do local. Servem de exemplo as denominadas lagoas de oxidação, que buscam o 
tratamento de efluentes domésticos em pequenas comunidades. Essas lagoas podem 
ser classificadas em: lagoas aeróbias, lagoas anaeróbias, lagoas facultativas, lagoas de 
maturação (ou lagoas terciárias) e lagoas aeradas.
Essa divisão em trechos proporciona focar os estudos de modo a facilitar 
o entendimento do processo. A seguir, você verá a descrição de cada um 
desses trechos.
Zona de águas limpas
A zona de águas limpas é caracterizada por apresentar aspecto estético (visu-
almente) bom, com demanda bioquímica de oxigênio (DBO) de 1-3 mg/L com 
80% de saturação referente ao oxigênio dissolvido (OD) com vida aquática 
superior. As condições do rio podem ser classifi cadas como “muito limpo”, 
“limpo” e “relativamente limpo” devido à elevada concentração de oxigênio 
dissolvido presente na água. Essa zona é localizada a montante do ponto 
receptor do efl uente. 
Zona de degradação
A zona de degradação é caracterizada por apresentar aspecto estético turvo 
com DBO de 5-6 mg/L com média de 50% de saturação referente ao oxigênio 
dissolvido (OD) com vida aquática existente somente para espécies mais 
resistentes a essas condições. Nessa zona ocorre o início da diminuição da 
concentração de oxigênio dissolvido devido à presença de poluentes. Geral-
mente é nessa zona que você encontra o ponto de liberação do esgoto e está 
localizada à jusante do ponto de lançamento. 
139Autodepuração
Zona de decomposição ativa (ou zona séptica)
A zona de decomposição ativa é caracterizada por apresentar aspecto estético 
ruim com água em coloração cinza-escura, quase negra, com DBO e saturação 
de oxigênio dissolvido (OD) quase nulos e pela presença de bactérias e fungos 
que auxiliam no processo de decomposição do ambiente. Nessa zona ocorre o 
início da diminuição da concentração de oxigênio dissolvido devido à presença 
de poluentes. Geralmente essa zona se caracteriza por apresentar, ainda, bancos 
de lodo no fundo com presença de indivíduos anaeróbicos; ambiente escuro e 
fétido. No fi nal dessa zona, inicia-se a clarifi cação da água, porém ela ainda 
é imprópria para animais aquáticos considerados superiores (p. ex., peixes).
Zona de recuperação
A zona de recuperação é caracterizada por apresentar aspecto mais claro, com 
água límpida com proliferação de algas que contribuem para a alimentação de 
larvas de inseto e crustáceos, contribuindo com a reinserção de peixes mais 
resistentes ao ambiente. Geralmente apresenta DBO de 6–7,5 mg/L com média 
de 50% de saturação referente ao oxigênio dissolvido (OD). 
Zona de águas limpas após processo de autodepuração
A zona de águas limpas após o processo de autodepuração é conhecida também 
como zona não poluída. Além disso, essas zonas ainda não são consideradas 
com o mesmo grau de limpeza do ideal almejado no início. As características 
desses locais geralmente apresentam eutrofi zação, com a água não sendo 
considerada limpa devido à presença de algas verdes. Há uma melhora da água 
quanto ao aspecto da produção de alimentos, porém ela geralmente não podeser considerada como naturalmente potável. Identifi cam-se, ainda, grandes 
assoreamentos nas margens e invasão e predomínio de plantas aquáticas 
consideradas indesejáveis.
 Controle da poluição 140
Figura 4. Zonas de autodepuração.
Fonte: Davis e Masten (2016, p. 402).
Ao identificarmos a ineficácia da autodepuração em um curso hídrico, indica-se o 
tratamento com o uso de outras técnicas. Isso não quer dizer que o curso d’água 
não pode retomar, no futuro, seu processo de autodepuração. Nesse processo, há a 
possibilidade de auxiliar a retomada natural pela escolha da técnica e local adequados. 
Ou seja, conhecer as zonas de autodepuração auxilia na escolha do local adequado 
para o tratamento.
Para saber mais sobre o processo e as zonas de autodepuração, leia o texto “Auto-
depuração dos corpos d’água” (ANDRADE, 2010).
Parâmetros ambientais
Os parâmetros ambientais são fundamentais para a interpretação das análises. 
No processo de autodepuração, o acompanhamento desses parâmetros auxilia 
na efi ciência e na efi cácia do estudo realizado. O papel do gestor ambiental 
é organizar e responsabilizar-se perante esses dados, prestando assistência e 
informação sempre que solicitado. Para que você possa acompanhar o pro-
cesso de autodepuração de um rio, é necessária atenção quanto às seguintes 
diferenças de classifi cação.
141Autodepuração
Para a determinação da eficiência do processo de autodepuração de um corpo receptor, 
há uma série de modelos matemáticos utilizados por pesquisadores nos quais se 
utilizam os parâmetros ambientais como base. Para verificar qual o melhor modelo, 
analise se o modelo de Streeter e Phelps (1925) pode ser utilizado. Para conhecer 
outros modelos, leia o livro Princípios da engenharia ambiental indicado nas referências 
desta unidade.
Para classificar um corpo d’água, você deve utilizar os parâmetros indicados 
na Resolução nº 357/2005, na qual se apresentam as diferentes classificações 
dos corpos d’água e as diretrizes para o seu enquadramento. Dentro desse 
contexto, essa resolução CONAMA trata da classificação de parâmetros 
para águas doces, salobras e salinas. Veja abaixo uma breve descrição dessas 
diferenças, retirada da Resolução nº 357/2005.
Águas Doces podem ser classificadas em: 
  águas destinadas ao abastecimento para consumo humano, com desin-
fecção; à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; 
e à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação 
de proteção integral. 
  águas que podem ser destinadas ao abastecimento para consumo 
humano, após tratamento simplificado; à proteção das comunidades 
aquáticas; à recreação de contato primário, tais como natação, esqui 
aquático e mergulho; à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas 
e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas 
cruas sem remoção de película; e à proteção das comunidades aquáticas 
em Terras Indígenas. 
  águas que podem ser destinadas ao abastecimento para consumo hu-
mano, após tratamento convencional; à proteção das comunidades 
aquáticas; à recreação de contato primário, tais como natação, esqui 
aquático e mergulho; à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de 
parques, jardins, campos de esporte e lazer com os quais o público 
possa vir a ter contato direto; e à aquicultura e à atividade de pesca. 
  águas que podem ser destinadas ao abastecimento para consumo hu-
mano, após tratamento convencional ou avançado; à irrigação de culturas 
 Controle da poluição 142
arbóreas, cerealíferas e forrageiras; à pesca amadora; à recreação de 
contato secundário; e à dessedentação de animais. 
  águas que podem ser destinadas à navegação e à harmonia paisagística.
Águas Salinas podem ser classificadas em: 
  águas destinadas à preservação dos ambientes aquáticos em unidades 
de conservação de proteção integral; e à preservação do equilíbrio 
natural das comunidades aquáticas. 
  águas que podem ser destinadas à recreação de contato primário; à 
proteção das comunidades aquáticas; e à aquicultura e à atividade de 
pesca. 
  águas que podem ser destinadas à pesca amadora e à recreação de 
contato secundário.
  águas que podem ser destinadas à navegação e à harmonia paisagística.
  Não há classe 4 para águas salinas.
Águas Salobras podem ser classificadas em: 
  águas destinadas à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de 
conservação de proteção integral e à preservação do equilíbrio natural 
das comunidades aquáticas.
  águas que podem ser destinadas à recreação de contato primário; à pro-
teção das comunidades aquáticas; à aquicultura e à atividade de pesca; 
ao abastecimento para consumo humano após tratamento convencional 
ou avançado; à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de 
frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas 
sem remoção de película; e à irrigação de parques, jardins, campos de 
esporte e lazer com os quais o público possa vir a ter contato direto. 
  águas que podem ser destinadas à pesca amadora e à recreação de 
contato secundário. 
  águas que podem ser destinadas à navegação e à harmonia paisagística.
143Autodepuração
Para a determinação de corpos hídricos onde há possibilidade de recebimento de 
efluente como corpo receptor, você deve considerar também a Resolução nº 430/2011. 
Nessa legislação, você encontrará uma listagem de parâmetros ambientais importantes 
e essenciais para contribuir em suas análises quanto à autodepuração. Não se esqueça: 
a presença de metais pesados pode interferir no processo de autodepuração, portanto 
é importante verificar essa resolução para conhecer os valores máximos permitidos por 
parâmetro. Atente-se sempre na utilização desta resolução se seu objetivo é aplicar 
a autodepuração em um corpo receptor.
A legislação define também parâmetros para a verificação das condições e 
padrões da qualidade das águas que devem ser utilizados como critérios para 
a análise da autodepuração de um corpo hídrico. Veja abaixo um exemplo de 
condições postas pela Resolução nº 357/2005 para águas doces de Classe 1:
  não verificação de efeito tóxico crônico a organismos, em concordância 
com os critérios estabelecidos pelo órgão ambiental; 
  materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente 
ausentes; 
  óleos e graxas: virtualmente ausentes; 
  substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes; 
  corantes provenientes de fontes antrópicas: virtualmente ausentes; 
  resíduos sólidos objetáveis: virtualmente ausentes; 
  coliformes termotolerantes: para o uso de recreação de contato primário, 
deverão ser obedecidos os padrões de qualidade de balneabilidade. Para 
os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 200 coliformes ter-
motolerantes por 100 mL em 80% ou mais, de pelo menos seis amostras, 
coletadas durante o período de um ano, com frequência bimestral. No 
caso de E. Coli, poderá ser determinada em substituição ao parâmetro 
coliformes termotolerantes de acordo com limites estabelecidos pelo 
órgão ambiental competente. DBO 5 dias a 20°C até 3 mg/L O
2
; OD, em 
qualquer amostra, não inferior a 6 mg/L O
2
; turbidez até 40 unidades 
nefelométricas de turbidez (UNT); cor verdadeira: nível de cor natural 
do corpo de água em mg Pt/L; pH: 6,0 a 9,0.
 Controle da poluição 144
Para que você possa verificar outros parâmetros que considerem as demais classes, é 
importante estar sempre a par das resoluções e legislações ambientais. Com aporte 
das legislações, você conseguirá alcançar seus objetivos quanto aos estudos práticos 
da autodepuração em corpos hídricos. Você pode conhecer um pouco mais sobre 
os parâmetros ambientais! Pesquise sobre os padrões de lançamento de efluentes 
realizando a leitura da Resolução nº 430/2011.
1. A qualidade da água de um rio 
contribui diretamente com o 
equilíbrio ambiental. O processo 
de autodepuração de um corpo 
hídrico é divididoem zonas. 
Ao realizar a identificação das 
condições ambientais dessas zonas, 
podemos considerar que: 
a) na zona de recuperação ocorre 
um crescimento da Demanda 
Bioquímica de Oxigênio (DBO).
b) na zona de degradação 
ocorre um crescimento do 
Oxigênio Dissolvido (OD).
c) na zona de decomposição 
ativa há ausência de 
fungos e bactérias.
d) o tempo e a distância de um 
processo de autodepuração 
contribui para a diminuição 
dos poluentes.
e) na zona com águas limpas 
encontramos uma combinação 
de organismos mais resistentes 
e organismos anaeróbicos 
como por exemplo, os fungos.
2. Você foi convidado para participar 
de uma expedição com intuito 
de contribuir na identificação 
da qualidade do processo de 
autodepuração de um rio. Ao 
chegar no local, você identificou as 
condições ambientais constatando 
que o rio apresentava aspecto 
estético turvo, com DBO5 de 
7,5mg/L com temperatura de 
20°C e OD com saturação de 49%; 
apresentando como vida aquática 
somente peixes caracterizados 
como mais resistentes aos processos 
de poluição. Considerando as 
características evidenciadas, 
você pode constatar que:
a) trata-se de uma zona 
com águas limpas com 
condições péssimas do rio.
b) trata-se de uma zona de 
degradação com condições 
do rio descritas como 
muito limpo, justificada por 
um DBO5 de 7,5mg/L.
145Autodepuração
c) trata-se de uma zona de 
recuperação, pois os dados 
apresentados indicam 
este tipo de ambiente.
d) trata-se de uma zona de 
decomposição ativa devido 
à presença de peixes.
e) trata-se de má zona de 
decomposição ativa devido 
à presença de água turva.
3. Para a atuação de um gestor 
ambiental, é importante que ele 
saiba diferenciar os parâmetros de 
forma a estabelecer quais podemos 
considerar como químicos, físicos e 
biológicos. Das alternativas abaixo, 
escolha aquela que apresenta 
a consideração correta quanto 
aos parâmetros químicos?
a) Parâmetros como PH, acidez e 
alcalinidade são consideradas 
características químicas 
importantes para determinar 
a qualidade da água.
b) Parâmetros como a presença 
de peixes, a velocidade e a 
alcalinidade são consideradas 
características químicas 
importantes para determinar 
a qualidade da água.
c) Parâmetros como a vazão, a 
alcalinidade, a temperatura 
e o PH são consideradas 
características químicas 
importantes para determinar 
a qualidade da água.
d) Parâmetros como a acidez, 
a presença de macrófitas, 
temperatura, alcalinidade são 
consideradas características 
químicas importantes para 
determinar a qualidade da água.
e) Parâmetros como a dispersão do 
poluente através da característica 
da mistura são consideradas 
características químicas 
para a qualidade da água.
4. Para constatar a poluição hídrica, 
uma das principais medidas é a 
verificação do oxigênio dissolvido 
(OD) após o lançamento do 
poluente no corpo hídrico. Esta 
questão é importante, pois:
a) a concentração de OD é um 
fator importante devido à 
oscilações entre as zonas da 
autodepuração, auxiliando na 
manutenção da vida aquática.
b) a concentração de OD é um 
fator importante contudo não 
há importância na determinação 
das zonas de autodepuração.
c) a concentração de OD é 
importante somente para a 
manutenção de um sistema 
hídrico no âmbito físico, não 
interagindo com a manutenção 
do sistema aquático.
d) a concentração de OD é um 
fator importante, contudo, a 
velocidade do curso d’água não 
interfere nessas oscilações.
e) a concentração de OD é 
importante somente para a 
manutenção de um sistema 
hídrico no âmbito químico, não 
interagindo com a manutenção 
do sistema aquático.
5. Em um processo de autodepuração 
objetiva-se restabelecer o equilíbrio 
dos corpos d’água. Uma das 
questões importantes quanto aos 
parâmetros da legislação ambiental 
refere-se a possibilidade de impedir a 
liberação de efluentes considerando 
as medidas do suporte do corpo 
hídrico. Para esse impedimento é 
verificado os parâmetros de OD 
 Controle da poluição 146
e as características das Classes de 
água. Utilizando-se dos padrões 
estabelecidos pela Resolução 
CONAMA n°357/2005 para águas 
doces, podemos dizer que: 
a) um corpo hídrico classificado 
como CLASSE ESPECIAL 
deve apresentar OD 6,0 
mg/L e DBO 3,0mg/L.
b) um corpo hídrico classificado 
como CLASSE III deve apresentar 
OD 6,0 mg/L e DBO 10mg/L.
c) um corpo hídrico classificado 
como CLASSE I deve apresentar 
OD 6,0 mg/L e DBO 3,0mg/L.
d) um corpo hídrico classificado 
como CLASSE IV deve apresentar 
OD 4,0 mg/L e DBO 5,0mg/L.
e) um corpo hídrico classificado 
como CLASSE II deve apresentar 
OD 5,0 mg/L e DBO 10mg/L.
147Autodepuração
ANDRADE, L. N. Autodepuração dos corpos d’água. Revista da Biologia, São Paulo, v. 
5, p. 16-19, dez. 2010.
BRAGA, B.; HESPANHOL, I.; LOTUFO, J. G. Introdução à engenharia ambiental. São Paulo: 
Prentice Hall, 2002.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional de Meio Ambiente. Resolu-
ção nº 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e 
diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições 
e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Brasília: MMA, 2005. 
Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=459>. 
Acesso em: 28 maio 2017.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução 
nº 430, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre as condições e padrões de lançamento 
de efluentes, complementa e altera a Resolução nº 357, de 17 de março de 2005, do 
Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA. Brasília: MMA, 2011. Disponível 
em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=646>. Acesso 
em: 28 maio 2017.
DAVIS, M. L.; MASTEN, S. J. Princípios de engenharia ambiental. 3. ed. Porto Alegre: 
AMGH, 2016.
SPERLING, V. M. Estudos e modelagem da qualidade da água de rios. 3. ed. Belo Hori-
zonte: UFMG, 2007.
STREETER, H. W.; PHELPS, E. B. A study of the pollution and natural purification of the 
Ohio River. Public Health Bulletin, Washington D. C., n. 146, 1925..
Leitura recomendada
SARDINHA, D. S. Avaliação da qualidade da água e diagnóstico ambiental na bacia 
hidrográfica do Ribeirão do Meio, Leme (SP). Ribeirão Preto: Faculdades COC, 2005.
 Controle da poluição 148
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
Conteúdo:
DICA DO PROFESSOR
As ferramentas da qualidade são importantes metodologias para auxiliar na gestão ambiental, 
podendo ser aplicadas na organização dos dados metodológicos, objetivando auxiliar na 
identificação das condições ambientais e na análise de parâmetros quanto ao processo de 
autodepuração.
Neste vídeo, você acompanhará a possibilidade de aplicação de duas ferramentas da qualidade 
na contribuição do monitoramento quanto à autodepuração de cursos hídricos.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
EXERCÍCIOS
1) A qualidade da água de um rio contribui diretamente para o equilíbrio ambiental. O 
processo de autodepuração de um corpo hídrico é dividido em zonas. Ao realizar a 
identificação das condições ambientais dessas zonas, podemos considerar que:
A)  Na zona de recuperação ocorre um crescimento da demanda bioquímica de oxigênio 
(DBO).
B) Na zona de degradação ocorre um crescimento do oxigênio dissolvido (OD).
C) Na zona de decomposição ativa há ausência de fungos e bactérias.
D) O tempo e a distância de um processo de autodepuração contribui para a diminuição dos 
poluentes.
E) Na zona com águas limpas, encontramos uma combinação de organismos mais resistentes 
e organismos anaeróbios, como, por exemplo, os fungos.
Você foi convidado para participar de uma expedição com intuito de contribuir na 2) 
identificação da qualidade do processo deautodepuração de um rio. Ao chegar no 
local, você identificou as condições ambientais e constatou que o rio apresentava 
aspecto estético turvo, com DBO de 6,0 mg/L, temperatura de 20 °C e OD com 
saturação de 49%. Quanto a vida aquática, contava somente com peixes 
caracterizados como os mais resistentes aos processos de poluição. Considerando as 
características evidenciadas, você enquadraria esse local como: 
A) Trata-se de uma zona de águas limpas, pois apresenta águas com aspecto turvo, saturação 
de 49% e é rico em vida aquática. 
B) Trata-se de uma zona de recuperação, pois apresenta apresenta águas com aspecto turvo e 
DBO entre 6 - 7,5 mg/L. 
C) Trata-se de uma zona de degradação, pois apresenta águas turvas e presença de fauna 
tolerante, apesar do DBO estar no limite. 
D) Trata-se de uma zona de decomposição ativa devido a colocação escura da água e e 
presença de vida incipiente. 
E) Esta entre a zona de águas limpas e de recuperação, apresentando águas ainda turvas, mas 
com presença de animais tolerantes a poluição. 
3) Para a atuação de um gestor ambiental, é importante que ele saiba diferenciar os 
parâmetros de forma a estabelecer quais podemos considerar como químicos, físicos 
e biológicos. Das alternativas abaixo, escolha aquela que apresenta a consideração 
correta quanto aos parâmetros químicos.
A) Parâmetros como PH, acidez e alcalinidade são consideradas características químicas 
importantes para determinar a qualidade da água.
B) Parâmetros como a presença de peixes, a velocidade e a alcalinidade são consideradas 
características químicas importantes para determinar a qualidade da água.
C) Parâmetros como a vazão, a alcalinidade, a temperatura e o PH são considerados 
características químicas importantes para determinar a qualidade da água.
D) Parâmetros como a acidez, a presença de macrófitas, a temperatura e a alcalinidade são 
considerados características químicas importantes para determinar a qualidade da água.
E) Parâmetros como a dispersão do poluente pela característica da mistura são considerados 
características químicas para a qualidade da água.
4) Para constatar a poluição hídrica, uma das principais medidas é a verificação do 
oxigênio dissolvido (OD) após o lançamento do poluente no corpo hídrico. Esta 
questão é importante, pois:
A) A concentração de OD é um fator importante devido a oscilações entre as zonas da 
autodepuração, o que auxilia na manutenção da vida aquática.
B) A concentração de OD é um fator importante, contudo, não há importância na 
determinação das zonas de autodepuração.
C) A concentração de OD é importante somente para a manutenção de um sistema hídrico no 
âmbito físico, não interagindo com a manutenção do sistema aquático.
D)  A concentração de OD é um fator importante, no entanto, a velocidade do curso d'água 
não interfere nessas oscilações.
E) A concentração de OD é importante somente para a manutenção de um sistema hídrico no 
âmbito químico, não interagindo com a manutenção do sistema aquático.
Em um processo de autodepuração, objetiva-se restabelecer o equilíbrio dos corpos 
d'água. Uma das questões importantes quanto aos parâmetros da legislação 
ambiental se refere à possibilidade de impedir a liberação de efluentes, considerando 
5) 
as medidas do suporte do corpo hídrico. Para este impedimento, são verificados os 
parâmetros de OD e as características das classes de água. 
Utilizando-se dos padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA N° 357/2005 para 
águas doces, podemos dizer que:
A) Um corpo hídrico classificado como classe especial deve apresentar OD 6,0 mg/L e DBO 
3,0 mg/L.
B) Um corpo hídrico classificado como classe III deve apresentar OD 6,0 mg/L e DBO 10 
mg/L.
C) Um corpo hídrico classificado como classe I deve apresentar OD 6,0 mg/L e DBO 3,0 
mg/L.
D) Um corpo hídrico classificado como classe IV deve apresentar OD 4,0 mg/L e DBO 5,0 
mg/L.
E) Um corpo hídrico classificado como classe II deve apresentar OD 5,0 mg/L e DBO 10 
mg/L.
NA PRÁTICA
Cíntia avalia mensalmente a autodepuração de um rio. Seu papel como gestora ambiental prevê 
a análise minuciosa de dados coletados por diferentes profissionais da área ambiental, sendo sua 
equipe composta por biólogos, engenheiros e técnicos ambientais, químicos, entre outros.
Ao realizar uma avaliação de autodepuração, o gestor ambiental precisa levar em consideração 
diversos aspectos. Clique na imagem abaixo e veja os principais aspectos a serem considerados 
pelo gestor ambiental.
Mediante análise dos aspectos, o gestor ambiental poderá contribuir para a definição dos 
processos adequados ao controle da poluição, partindo da premissa que a avaliação da 
autodepuração pode ser utilizada como um indicador de gestão ambiental.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Estudo da capacidade de autodepuração e diluição de efluentes no Rio Taquerizinho.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Avaliação da qualidade de água e autodepuração do ribeirão do meio, Leme (SP).
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Estudo da autodepuração do Rio Jordão, localizado na bacia hidrográfica do Rio 
Dourados.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Planos de recursos hídricos e o enquadramento de corpos d'água.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Flutuador do Rio Tietê encontra trecho menos obstruído pela sujeira.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!

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