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Química Ambiental Jovana Bavaresco Vivian Cristina Spier 2017 Curitiba-PR Química Ambiental Jovana Bavaresco Vivian Cristina Spier Catalogação na fonte pela Biblioteca do Instituto Federal do Paraná Atribuição - Não Comercial - Compartilha Igual INSTITUTO FEDERAL DO PARANÁ – EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Este Caderno foi elaborado pelo Instituto Federal do Paraná para a rede e-Tec Brasil. Presidência da República Federativa do Brasil Ministério da Educação Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica Odacir Antonio Zanatta Reitor pro tempore Marcos Paulo Rosa Chefe de Gabinete Amarildo Pinheiro Magalhães Pró-Reitor de Ensino Celso Luiz Buiar Pró-Reitor de Administração Marcelo Estevam Pró-Reitor de Extensão, Pesquisa e Inovação Eliane Aparecida Mesquita Pró-Reitor de Gestão de Pessoas Marcos Antonio Barbosa Diretor Geral de Educação a Distância Kriscie Kriscianne Venturi Diretor de Ensino e Desenvolvimento de Recursos Educacionais Gisleine Bovolim Diretora de Planejamento e Administração Vania Carla Camargo Coordenadora de Ensino dos Cursos Técnicos Gustavo Luis Lopes Silveira Coordenador do Curso Lucilene Fátima Baldissera Coordenadora de Design Educacional Lídia Emi Ogura Fujikawa Kenedy Rufino Designer Educacional Édna Irene Haboski Designer Instrucional Fabíola Penso Izabel Cristina Portugal Diagramação Paulo Pesinato Mirian de Brito Revisão ortográfica Everton Moraes Iconografia Adrian Silva Yuki Sabanay Marlon Anjos Ilustração Ester dos Santos Oliveira Lídia Emi Ogura Fujikawa Projeto Instrucional Diego Windmoller Projeto Gráfico Apresentação e-Tec Brasil Prezado estudante, Bem-vindo à Rede e-Tec Brasil! Você faz parte de uma rede nacional de ensino, que por sua vez constitui uma das ações do Pronatec - Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. O Pronatec, instituído pela Lei nº 12.513/2011, tem como objetivo principal expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) para a po- pulação brasileira, propiciando um caminho de acesso mais rápido ao emprego. É neste âmbito que as ações da Rede e-Tec Brasil promovem a parceria entre a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) e as instâncias promotoras de ensino técnico como os Institutos Federais, as Secretarias de Educação dos Estados, as Universidades, as Escolas e Colégios Tecnológicos e o Sistema S. Assim, a Educação a Distância no nosso país, de dimensões continentais e grande diversidade regional e cultural, longe de distanciar, aproxima as pessoas ao garantir acesso à educação de qualidade, e promover o fortalecimento da formação de jovens moradores de regiões distantes, geograficamente ou economicamente, dos grandes centros. A Rede e-Tec Brasil leva diversos cursos técnicos a todas as regiões do país, incentivando os estudantes a concluir o Ensino Médio e realizar uma formação e atualização contínuas. Os cursos são ofertados pelas instituições de educação profissional e o atendimento ao estudante é realizado tanto nas sedes das instituições quanto em suas unidades remotas, os polos. Os parceiros da Rede e-Tec Brasil acreditam em uma educação profissional qualificada – integradora do ensino médio e educação técnica, sendo capaz de promover o cidadão com capacidades para produzir, mas também com autonomia diante das diferentes dimensões da realidade: cultural, social, familiar, esportiva, política e ética. Nós acreditamos em você! Desejamos sucesso na sua formação profissional! Ministério da Educação Março de 2017 Nosso contato etecbrasil@mec.gov.br Indicação de ícones Os ícones são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas de linguagem e facilitar a organização e a leitura hipertextual. Fique atento! Indica o ponto de maior relevância no texto. Pesquise! Orienta ao estudante que desenvolva atividades de pesquisa, que complementem seus estudos em diferentes mídias: vídeos, filmes, jornais, livros e outras. Glossário Indica a definição de um termo, palavra ou expressão utilizada no texto. Você sabia? Oferece novas informações que enriquecem o assunto ou “curiosidades” e notícias recentes relacionadas ao tema estudado. Pratique! Apresenta atividades em diferentes níveis de aprendizagem para que o estudante possa realizá-las e conferir o seu domínio do tema estudado. Design do componente Unidade Unidade Unidade Unidade Unidade 1 3 5 2 4 Química ambiental, o mundo onde vivemos Definição de química ambiental Estrutura e composição do planeta Estrutura e composição da atmosfera Solo Perfil dos solos Composição dos solos Contaminantes dos solos Solos como receptor de produtos perigosos Legislação vigente Ar Atmosfera Poluição atmosférica Smog e inversão térmica Chuva ácida Efeito Estufa Água Distribuição das águas Ciclo da água e mudanças de estado físico Qualidade da água Usos da água e os principais poluentes Sedimentos Características do sedimento Origem, transporte e depósitos dos sedimentos no meio ambiente 13 14 14 16 29 30 31 32 33 35 43 44 45 45 46 47 21 22 23 25 26 37 38 40 Unidade Unidade Unidade Unidade Unidade 6 8 10 7 9 Química verde Definição de química verde Princípios da química verde Benefícios da química verde Saúde humana Meio Ambiente Utilização da química verde: reaproveitamento de resíduos Contaminantes orgânicos e inorgânicos Resíduos sólidos Qual o problema ambiental do lixão? Aterro controlado Aterro sanitário Metais pesados Produtos orgânicos tóxicos Estudo de casos Mortandade no rio dos Sinos Área de tratamento de madeira Caso de Mariana-MG Remediação de passivos ambientais Tipos de remediação Etapas da remediação Gestão ambiental Técnicas de remediação Ciclos biogeoquímicos Ciclo do carbono Ciclo do nitrogênio Fixação bacteriológica Fixação atmosférica Fixação Industrial Ciclo do enxofre 89 90 91 92 92 93 94 67 68 70 71 72 72 75 99 100 102 105 81 82 83 84 85 55 56 58 59 60 60 62 A sustentabilidade ambiental é um desafio para a humanidade. Com ela podemos evitar muitas tragédias que, hoje, ocorrem por descuido ou por má intenção. De modo geral, os químicos, muitas vezes, são taxados de poluidores do meio ambiente. Agora, com o surgimento de novas tecnologias, temos a opção de reverter esse pensamento, pois é nossa a obrigação de cuidar do meio ambiente e de montar estratégias que minimizem ou inibam a degradação ambiental. Os técnico em meio ambiente, conhecedores de técnicas e processos devem tomar a frente e garantir que o futuro da humanidade não seja tomado por desastres ambientais. Com os conhecimentos adquiridos durante o curso de técnico em meio ambiente, é pos- sível remediar locais isolados por contaminação, limpar a água de fontes hoje contami- nadas, não permitir a liberação de substâncias tóxicas para a atmosfera e muitas outras ações que minimizam ou previnem a poluição. Com essas e outras ações, esperamos ter, em alguns anos, uma qualidade ambiental muito melhor do que a que temos hoje. Nosso desejo a você, futuro técnico em meio ambiente, é que possa contribuir para que isso aconteça! Bons estudos! Jovana Bavaresco Vivian Cristina Spier Palavra das autoras Apresentação do componente curricular A disciplina de Química Ambiental é bastante ampla e complexa. Para facilitar o enten- dimento de todos, iniciamos o livro com uma ideia geral do mundo no qual vivemos e do que é formado o planeta Terra (capítulo 1). Os próximos capítulos vão caracterizar os elementos principais: água, solo, sedimento e ar (capítulos 2, 3, 4 e 5 respectivamente). Tendo esse conhecimento inicial, passamos a estudar as reações dos compostos químicos com o meio ambiente, através do estudo dos ciclos biogeoquímicos (capítulo 6). No capí- tulo 7, mostramos quais os principais compostos orgânicos e inorgânicos contaminantes do meio ambiente. Obviamente muitos outros existem e cada um deles deve ser ava- liado por um profissional.De nada vale essa avaliação profissional se não for feita uma remediação do ambiente contaminado, e é esse o tema do capítulo 8. Na sequência, abordamos um tema que é relativamente novo no Brasil, a química verde (capítulo 9). O futuro químico ambiental deve não apenas conhecer, mas praticar a química verde em toda sua carreira. Para finalizar, no capítulo 10, optamos por descrever três casos reais de contaminação ambiental. Queremos mostrar que desastres acontecem e que devemos estar sempre preparados para colocar em prática os conhecimentos assimilados e, assim, melhorar nosso meio ambiente. Unidade 1 Fonte: WikimediaCommons / NASA/GSFC/ NOAA/ USGS / CC 0 Química ambiental, o mundo onde vivemos 14 Química Ambiental Nesta primeira unidade, veremos a definição de química ambiental e o conhecimen- to sobre o mundo em que vivemos, como sua composição química. E este é o primei- ro passo para aprofundar nosso conhecimento nesta área que, além de importante, é extremamente interessante (BAIRD, 2002). Para entendermos as transformações que ocorrem no meio ambiente, é necessário co- nhecer sua composição e distribuição. Vivemos em um dos oito planetas do sistema so- lar, que é regido pelo sol, que é uma estrela entre as 100 bilhões de estrelas pertencentes a uma galáxia, a via Láctea, que por sua vez é uma dentre as 200 bilhões de galáxias existentes em um universo, dentre os possíveis. Podemos perceber que conhecer tudo é praticamente impossível, assim, nos dedicare- mos a estudar apenas o Planeta Terra. Definição de química ambiental A química ambiental pode ser definida como o estudo das fontes, reações, transporte e efeitos das espécies químicas em água, solo, ar e ambientes de vida. A química ambiental é uma ciência interdisciplinar que envolve química, biologia, geologia, ecologia, entre outras áreas de conhecimento. As transformações do ambiente podem ser naturais ou causadas pelo homem. E em alguns casos essas transformações podem trazer sérios danos à humanidade (ROCHA. 2004). Estrutura e composição do planeta A ciência acredita que o início do universo se deu a partir de uma grande explosão, o chamado Big Bang, da qual se originou toda a matéria do Universo. O planeta Terra tem aproximadamente 4,5 bilhões de anos, e nesse incrível espaço de tempo muitas coisas mudaram. Para estudar e entender melhor a composição do planeta Terra vamos separá-lo em ca- madas (Figura 1.1). 15Unidade 1 – Química ambiental, o mundo onde vivemos A camada mais superficial da Terra, conhecida como crosta terrestre, é fundamental para as atividades humanas. Esta camada é a mais estreita, variando de 20 a 70 km de es- pessura nas áreas continentais, e de 5 a 15 km nas zonas oceânicas. A parte superior da crosta terrestre, chamada SIAL, é formada por minerais ricos em silício (Si) e alumínio (Al). Já a parte inferior da crosta é composta por rochas formadas por minerais compostos por Si e magnésio (Mg). O quadro 1.1 mostra os principais elementos químicos da crosta terrestre. Eles correspondem a 98% do total. Tabela 1.1: Composição básica da crosta terrestre Elemento Símbolo % Oxigênio O 46,6 Silício Si 27,7 Alumínio Al 8,1 Ferro Fe 5,0 Cálcio Ca 3,6 Sódio Na 2,8 Potássio K 2,6 Magnésio Mg 2,1 Figura 1.1 – Camadas do planeta Terra. Fonte: Wikimedia Commons / Linuxerist / CC BY-AS Fonte: Adaptado de Leinz, V. (1989) 16 Química Ambiental O manto é a segunda camada da Terra, apresenta profundidade de 30 a 2.900 km. Nes- sa camada, a temperatura pode chegar a 2.000ºC, o que propicia o derretimento das rochas, transformando-as em magma. Entre a crosta terrestre e o manto encontra-se a descontinuidade de Mohorovicic , onde variações sísmicas costumam ocorrer. Entre o manto e a terceira camada da Terra, o núcleo, encontra-se a descontinuidade de Gutenberg totalmente em estado líquido e com temperaturas maiores que as do manto. Não se conhece exatamente a composição do núcleo, mas há fortes indícios de que ele seja formado por uma liga de ferro (Fe) e níquel (Ni). O núcleo externo encontra-se no estado líquido, e o núcleo interno é sólido em virtude da influência da pressão interna do planeta sobre ele. Estrutura e composição da atmosfera Nosso planeta é envolvido pela atmosfera, a qual é de grande importância para nossa vida. A atmosfera pode ser dividida em cinco camadas conforme sua composição (Figura 1.2). Descontinuidade de Mohorovicic É uma camada descontínua entre a crosta e o manto terrestre, sua espessura varia de 0,1 km até alguns quilômetros. O nome foi dado em homenagem a seu descobridor, Andrija Mohorovicic (1857-1936). A descontinuidade foi descoberta através da análise da propagação de ondas sísmicas dos tipos S e P. As ondas sísmicas sofrem uma variação de velocidade brusca (aumentam suas velocidades) ao passarem por essa camada, em razão da diferença existente entre os tipos de material constituintes da crosta e do manto superior da Terra e, consequentemente, da diferença existente entre suas densidades. Descontinuidade de Gutemberg É situada a cerca de 2.900 km de profundidade, entre o manto e o núcleo, marca o limite abaixo do qual as ondas S não se propagam e as ondas P diminuem de velocidade o que evidencia uma alteração das propriedades dos materiais que constituem o interior da Terra. Seu nome é uma homenagem ao seu descobridor, o alemão Beno Gutenberg. É também conhecida por descontinuidade C, devendo esta designação ao termo “cor” de origem latina, que significa núcleo. Disponível em: <wikiciencias.casadasciencias.org/index.php/Descontinuidade_ sísmica>. 17Unidade 1 – Química ambiental, o mundo onde vivemos A exosfera é a camada mais externa, ela antecede o espaço sideral. É formada basicamente por hé- lio (He) e hidrogênio (H), e pode atingir 1.000°C. Nessa camada não existe gravidade e as partículas se desprendem da terra com facilidade, é onde permanecem os satélites de transmissão de infor- mações e telescópios espaciais, e ocorre a aurora boreal. Figura 1.2 - Camadas da atmosfera terrestre Fonte: IFPR (2017) A aurora boreal é um fenômeno que ocorre apenas nas regiões polares do norte do planeta Terra.Pode ser vista a olho nu durante a noite ou no final da tarde. Durante o fenômeno são vistos no céu luzes coloridas e brilhantes, geralmente avermelhadas e esverdeadas. 18 Química Ambiental A termosfera é a segunda camada atmosférica mais extensa. Composta por oxigênio atômico, gás que absorve a energia solar em grande quantidade. As temperaturas po- dem atingir os 1.000°C. A mesosfera é a terceira camada, cuja tempera- tura varia de –10°C até –100°C. A temperatura é extremamente fria, pois não há gases ou nuvens capazes de absorver a energia solar. Nesta cama- da ocorre o fenômeno da aeroluminescência. A quarta camada, chamada estratosfera, possui temperaturas que variam de –5°C a –70°C, apre- senta pouco fluxo de ar e é muito estável. Na estratosfera localiza-se a camada de ozô- nio, que funciona como uma espécie de filtro natural do planeta Terra, protegendo-o dos raios ultravioletas do Sol. Aviões supersônicos e balões de medição climática podem atingir esta camada. A troposfera é a camada mais próxima da crosta terrestre, é nesta camada que ocorrem os fenômenos climáticos (chuvas, formação de nuvens, relâmpagos). Nessa camada en- contra-se o ar, usado na respiração de plantas e animais. Ele é composto basicamente por Nitrogênio (N), Oxigênio (O) e Gás Carbônico (CO2). Quase todo o vapor encontrado na atmosfera situa-se na troposfera, que ocupa 75% da massa atmosférica. As tempera- turas podem variar de 40°C até –60°C. Na troposfera pode-se observar a poluição do ar e o voo dos aviões de transporte de cargas e passageiros. O estudo do meio ambiente não é fácil e nem simples, pois trabalhamos com interações entre sólidos, líquidos e gases e essas reações nuncaocorrem isoladas. O conhecimento do planeta nos auxilia a ter uma visão geral do nosso compromisso com o meio ambien- te. Aeroluminescência Fenômeno ótico da atmosfera terrestre que ocorre entre 80 e 300 km de altitude, consistindo na emissão da radiação eletromagnética pelos constituintes atmosféricos em decorrência de processos de reações fotoquímicas e iônicas. 19Unidade 1 – Química ambiental, o mundo onde vivemos Pratique • O surgimento dos elementos químicos aconteceu a partir da grande expansão do universo há cerca de 15 bilhões de anos. Nesta ocasião, se formaram os átomos leves e simples como o hidrogênio (H) e o hélio (He). Esses elementos, além de serem os primeiros a surgir, são os que constituem praticamente toda a massa do universo. Sabendo disso, procure descobrir como os outros elementos químicos da tabela pe- riódica foram formados. Unidade 2 Fonte: Wikimedia Commons / Angeloleithold / CC BY-SA Água 22 Química Ambiental Nesta unidade, aprenderemos como a água circula no planeta e como se dão as mudanças de estados físicos. Vamos entender como são feitos os tratamentos da água depois de utilizada, e a legislação que regulamenta os padrões de qualidade mínimos. A água é o nosso bem mais precioso, dependemos dela para quase tudo. Assim, o co- nhecimento das fontes, das transformações no ambiente e do cuidado que devemos ter é primordial para a manutenção da vida na Terra. Distribuição das águas A água é um componente vital, tanto para os animais quanto para as plantas. O ser humano possui aproximadamente 73% de água e o nosso planeta é constituído por ¾ de água. Toda a água se encontra distribuída nos três estados físicos da matéria: sólido, líquido e gasoso. A fase sólida é representada pelas geleiras e são compostas por águas doces. Elas repre- sentam cerca de 67,5% da água doce do planeta. A fase líquida pode ser subdividida entre águas superficiais e subterrâneas, sendo que elas podem ser doces ou salgadas. Dentre as águas salgadas, temos os mares e oceanos que correspondem a 97,5% do total de água do planeta Terra. As águas subterrâneas representam 30% da água doce do planeta. Considerando que 67,5% é representada pelas geleiras e glaciais, e 30% pelas águas subterrâneas, é fácil verificar que apenas 2,5% das águas doces correspondem aos rios, lagos e vapores de água da atmosfera. 23Unidade 2 – Água Ciclo da água e mudanças de estado físico A quantidade de água que temos à disposição é sempre a mesma, mas nunca está para- da, isto é, a água vai se transformando e mudando de fase. Nesse ciclo da água (figura 2.2), temos algumas mudanças de fases que devemos olhar mais detalhadamente. Figura 2.1 – Fontes de águas doces. Fonte: Pixabay/Pixipixa/ CC 0 / Pixabay /hongmyeon/ CC 0 / Pixabay / Azulia/ CC 0 / Pixabay / Maru_vdv/ CC 0 O maior lago de água doce do mundo em extensão é o lago Superior, localizado numa região de fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá. Possui aproximadamente 82.100 km2 de extensão. Já o lago com maior quantidade de água doce do planeta é o lago Baikal, na Sibéria, com cerca de 23 mil quilômetros cúbicos de água. 24 Química Ambiental Na figura 2.3, vemos que o esquema de mudança de fase (sólido, líquido, gasoso) possui um nome específico: sublimação, fusão, evaporação, condensação e solidificação. Figura 2.3 - Esquema de mudança de estado físico Fonte: IFPR (2017) Figura 2.2 – Ciclo da água no meio ambiente Fonte: IFPR (2017) 25Unidade 2 – Água Para que ocorram essas mudanças, necessitamos de uma variação de temperatura. Por exemplo, para que se forme um cubo de gelo, colocamos uma porção de água líquida no congelador e aguardamos até o liquido resfriar e congelar; usando a nomenclatura científica, solidificar. Perceba que a água deve resfriar, e que durante a mudança de fase, a temperatura é mantida constante. A regra da temperatura constante serve para todas as mudanças de fases. Veja na figura 2.4 o gráfico onde essas mudanças podem ser observadas. Qualidade da água A manutenção da qualidade da água doce é extremamente importante para nós na quí- mica ambiental. Por esse motivo, os órgãos governamentais regulamentadores estabele- cem muitos critérios para impedir que o ser humano prejudique, contamine e/ou polua as reservas de águas potáveis. Figura 2.4 - Gráfico de mudança de fase a temperatura constante Fonte: IFPR (2017) Conceitualmente, há diferença entre os termos poluição e contaminação. Poluição é uma alteração ecológica provocada pelo ser humano, que prejudica, direta ou indiretamente, sua vida ou seu bem-estar, trazendo danos aos recursos naturais e impedimento a atividades econômicas. Contaminação é a presença, em um ambiente, de seres patogênicos ou substâncias em concentração nociva ao ser humano. No entanto, se não resultar em uma alteração das relações ecológicas, a contaminação não é uma forma de poluição. 26 Química Ambiental No Brasil, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) é responsável por legislar sobre os padrões de qualidade das águas. Por exemplo, existem valores quantitativos que estabelecem se as águas salgadas podem ser utilizadas para balneabilidade (permissão para to- mar banhos nas praias), ou se águas doces têm potabilidade para permitir o consumo humano, ou até mesmo legislar sobre as águas que a in- dústria pode devolver ao ambiente após uso na fabricação de seus produtos. Especificamente, o padrão de qualidade das águas é subdividido em controle físico-quí- mico, metais e microrganismos. Usos da água e os principais poluentes A água é utilizada para diversos fins. No uso doméstico, utilizamos para o consumo humanos e animal, na limpeza e higienização de alimentos e de nossas casas e nos sa- nitários. Na área agrícola, a irrigação das plantas consome grande quantidade de água, que, em geral, é retirada de rios e açudes. Na área industrial, a água é utilizada como matéria-prima, no resfriamento de equipamentos industriais, na geração de energia e na limpeza dos ambientes. Todos esses usos geram um volume de água de qualidade inferior. Nesse caso, a água deve ser tratada quantas vezes for necessária para ser não só reutilizada, mas ter tam- bém a mesma qualidade inicial. Dentre os tratamentos, temos aquele voltado para o consumo humano, onde a água é retirada de fontes superficiais ou subterrâneas, como rios ou poços. Essas águas passam por processos de purificação químicos e físicos (figura 2.5), até obter os padrões de qua- lidade regulamentados pelo Ministério da Saúde (Portaria 2.914/2011). Figura 2.5 - Tratamento padrão para águas residenciais Fonte: IFPR (2017) Para saber mais sobre a legislação ambiental e suas resoluções, CONAMA 357/2005 e CONAMA 430/2011, consulte o site <http:// www.mma.gov.br/port/conama/legi.cfm>. Acesso em: 20 out. 2016. 27Unidade 2 – Água A água utilizada na indústria geralmente sai com uma carga de contaminante bastante elevada, seja ela orgânica (resíduos de frigoríficos) ou inorgânica (resíduos de indústrias metalúrgicas). Esses resíduos líquidos não podem simplesmente ser despejados no meio ambiente. A Portaria do CONAMA 357/2005 regulamenta esse assunto e relaciona um teor máximo permitido para o lançamento desses efluentes no meio ambiente. Para isso, a indústria necessita de tratamentos que diminua a carga contaminante. Dentre os tratamentos mais utilizados estão: filtração – utilizada para remover os materiais sólidos; aeração de lagoas de estabilização – aumenta o teor de oxigênio na água e permite a decomposição de resíduos orgânicos; floculação – utilizada para reter coloides; estabili- zação do pH neutro (próximo à 7), seja pela adição de ácidos ou bases. Tratamentos mais complexos são exigidos em casos mais específicos, como na contaminação por metais pesados tóxicos, como mercúrio, cádmio e chumbo. Percebemos, no estudo desta unidade, que na química ambiental a água é um fator pri- mordial.O cuidado e os tratamentos devem ser feitos de modo a manter ou, até mesmo, melhorar a qualidade de nossas águas. Pratique • A queima de combustíveis fósseis (gasolina, óleo diesel) contribui para a formação de chuvas ácidas, principalmente em áreas bastante industrializadas. Pesquise e descreva quais os principais compostos que geram a chuva ácida. E quais suas consequências. Unidade 3 Fonte: Pixabay / skeeze/ CC 0 Solo 30 Química Ambiental Nesta aula, você irá conhecer os tipos de solos e suas propriedades. Por ser o estudo dos solos um assunto bastante complexo, que envolve fatores químicos, físicos e biológicos, abordaremos primeiramente os tipos de solos e suas propriedades para então falar de como evitar ou corrigir solos contaminados. Um conceito geral sobre os solos foi escrito por Beck et al. (2000), onde o autor diz que o solo é um corpo natural da superfície terrestre, constituído de materiais minerais e or- gânicos, resultantes das interações dos fatores de formação através do tempo, contendo matéria viva e em parte modificada pela ação humana, capaz de sustentar plantas, reter água, armazenar e transformar resíduos e suportar edificações. Perfil dos solos Os solos se diferem em suas propriedades de acordo com seu material de origem. Cada material de origem será afetado pelo clima, organismos vivos e topografia, gerando solos com características únicas. Esses tipos de solos formados podem ser estudados observando um corte vertical do solo até que se atinja a camada rochosa. Esse estudo do perfil do solo possibilita a visualização de diferentes camadas, que nesse caso são chamadas de horizon- tes. As letras A, E, B e C representam horizontes principais. As letras O e R representam horizontes orgânicos em solos minerais e rocha inalterada, respectivamente (figura 3.1). Figura 3.1 - Representação gráfica de um perfil de solo com diferentes horizontes Fonte: IFPR (2017) 31Unidade 3 – Solo No perfil de solos reais, podemos não encontrar todas as camadas como vemos na figura 3.1, isso se deve ao seu material de origem e aos fatores da sua formação. A profun- didade dos solos pode variar de alguns centímetros até vários metros. E a textura varia de horizonte para horizonte. Entre esses horizontes são marcantes as variações de cor, textura, teor de nutrientes e porosidade. Composição dos solos Os solos são formados por uma fase sólida, composta por minerais e material orgânico, uma fase porosa que pode ser preenchida tanto pela solução do solo quanto pelo ar. Na fase sólida mineral, encontram-se partículas de tamanhos e formatos diferentes, classificadas de acordo com o diâmetro em frações granulo- métricas, sendo elas: cascalho (diâmetro de 20 – 2mm), areia (de 2 a 0,05mm), silte (diâmetro de 0,05 a 0,002mm) e argila (diâmetro menor que 0,002mm) (MacBride, 1994). Na fase líquida, encontramos uma solução constituída por água acrescida de íons e com- postos orgânicos dissolvidos. Essa solução é importante para a nutrição das plantas, pois é dela que as raízes conseguem absorver os nutrientes. Figura 3.2 - Fases do solo Fonte: IFPR (2017) Silte Substância mineral cujas partículas possuem diâmetro de 2 a 0,05mm, podem ser carregadas por água corrente e depositada como sedimento. 32 Química Ambiental A fase gasosa se refere ao espaço poroso do solo. Nesse espaço, a concentração de CO2 é de 10 a 100 vezes maior que na atmosfera. A fase orgânica é constituída por microrganismos e por materiais orgânicos vegetais. Essa fase é uma fonte de nitrogênio para as plantas e microrganismos presentes nos solos. Contaminantes dos solos Os solos são utilizados de diferentes formas e isso contribui para que se tenha uma di- versidade de contaminantes e poluentes. Como foi visto, o solo é constituído de parte mineral, líquida e também por uma vasta diversidade de microrganismos que podem catalisar reações e facilitar a disponibilidade de possíveis contaminantes. Em áreas industriais, derramamentos e vazamentos são responsáveis pela contaminação dos solos. Nesses casos, tanto compostos orgânicos como inorgânicos podem atingir os solos e causar contaminações pontuais. Dependendo da contaminação, esse poluente pode ser inativado, como também pode ser transformado em compostos ainda mais perigosos, voláteis ou solúveis em água e assim gerar uma contaminação secundária, chamada contaminação difusa, no ar e nas águas superficiais e também subterrâneas próximas. Nas áreas agrícolas que recebem fertilizantes, se- jam eles orgânicos ou minerais, inseticidas, fun- gicidas e herbicidas de forma não controlada e inadequada, pode ocorrer um efeito cumulativo e quando não biodegradável pode ser transferido pela cadeia trófica. Em relação aos contaminantes inorgânicos, deve- mos ter cuidado com os chamados metais pesados ou elementos-traço, pois possuem a característica de ser não biodegradável e em alguns casos podem ser cumulativo ou até mesmo ocorrer biomagnificação, como no caso do mercúrio (MANAHAN, 2001). Os fertilizantes orgânicos, como estercos, possuem grandes quantidades de metais e devem ser utilizados com cautela para não contaminar os solos. Já os fertilizantes minerais, geralmente, são purificados para aumentar o teor de nutriente, retirando impurezas que poderiam ser contaminantes ao solo. Metais pesados Grupo de elementos que possuem peso atômico entre 63 e 200 e densidade superior a 4,0 g/cm3. Biomagnificação É o acúmulo progressivo ao longo da cadeia alimentar de substâncias não biodegradáveis. 33Unidade 3 – Solo Os resíduos orgânicos adicionados ao solo podem conter compostos prejudiciais ao solo. Entre os resíduos orgânicos podemos destacar a vinhaça, os resíduos de curtumes, petroquímicos, lodos de estação de tratamento de efluentes, compostos de lixo urbano, estercos animais e resíduos vegetais. Cada tipo de resíduo pode prejudicar o solo de uma maneira, seja ela acidificando os solos, aumentando os valores de DBO (demanda bioquímica de oxigênio) e DQO (demanda química de oxigênio), introduzir óleos e graxas e inclusive adicionando altas concentra- ções de elementos-traço, como é o caso dos resí- duos de curtumes, lodos de estação de tratamen- to de efluentes e lixo domiciliar urbano. Solos como receptores de produtos perigosos Por muitos anos, os solos foram usados como depósitos de substâncias tóxicas, pois se acreditava que dessa forma estaríamos seguros e evitaríamos problemas maiores. Com o avanço industrial e urbano associado com a pesquisa ambiental, essa prática tornou-se insustentável. Ainda hoje utilizamos os solos para armazenar resíduos sólidos, porém essas áreas, cha- madas “áreas de sacrifício” possuem legislação específica, onde é considerado o tipo de solo. Essa legislação minimiza os impactos ambientais, visando garantir proteção total ao meio ambiente. Os solos mais adequados para se construir esses depósitos, conhecidos como ARIP (aterro de resíduos industriais perigosos) devem possuir características como ser naturalmente impermeáveis, baixo grau de saturação, profundidade do lençol freáti- co e predominância, no subsolo, de material argiloso com coeficiente de permeabilidade menor ou igual a x10-7 cm/s. Não é permitida a instalação de aterros em áreas inundáveis, em áreas de recarga de aquíferos, em áreas de proteção de mananciais, mangues e habitat de espécies protegi- das, ecossistemas de áreas frágeis ou em todas aquelas definidas como de preservação ambiental permanente, conforme legislação em vigor, e nem em áreas onde haja pre- dominância no subsolo de material com coeficiente de permeabilidade muito alto. Além disso, os aterros devem respeitar as distâncias mínimas, estabelecidas na DZ-1311, para corpos d’água, núcleos urbanos, rodovias e ferrovias, e não é permitida a construção de Vinhaça É o resíduo pastoso e malcheiroso que resta após a destilação fracionada do caldo de cana de açúcarfermentado, para a obtenção do etanol. Curtume Nome dado às operações de processamento da pele crua e, por extensão, ao local onde este processamento é feito. Tem por finalidade deixá-lo resistente, sendo útil para a indústria calçadista e de móveis. 34 Química Ambiental aterros em áreas cujas dimensões não possibilitem vida útil para o aterro igual ou supe- rior a 20 anos, conforme definido na DZ-1311. Para cada tipo de resíduo há um aterro adequado. Existem três tipos principais: 1. Aterro sanitário: deve ser constituído por um sistema de drenagem de efluentes líquidos percolados (chorume) acima de uma camada impermeável de polietileno de alta densidade, sobre uma camada de solo compactado para evitar o vazamento de material líquido para o solo, evitando assim a contaminação de lençóis freáticos. O chorume deve ser tratado e/ou recirculado (reinserido ao aterro), causando assim me- nor poluição ao meio ambiente. Seu interior deve possuir um sistema de drenagem de gases que possibilite a coleta do biogás que é constituído por metano, gás carbô- nico (CO2) e água (vapor), entre outros, e é formado pela decomposição dos resíduos. Falaremos com mais detalhes sobre o chorume na Unidade 7. 2. Lixão: é uma área a céu aberto onde os resíduos são despejados, sem nenhum tipo de impermeabilização do solo. 3. Aterro controlado: normalmente é um lixão remediado, coberto por sucessivas ca- madas de terra e lixo, mas sem procedimento de impermeabilização do solo ou cap- tação do chorume. Figura 3.3 - Aterro sanitário Fonte: IFPR (2017) 35Unidade 3 – Solo Legislação vigente O Ministério do Meio Ambiente, através do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CO- NAMA), dispõe sobre critérios e valores orientadores de qualidade do solo quanto à presença de substâncias químicas e estabelece diretrizes para o gerenciamento ambiental de áreas contaminadas por essas substâncias em decorrência de atividades antrópicas. As reso- luções 420/2009 e 460/2013 estabelecem esses valores para compostos orgânicos e inorgânicos e diferenciam as atividades no qual esse solo será utilizado. A classificação se difere em valor de referência de qualidade, onde cada Estado deve fazer seu próprio estudo de caso, valor de prevenção, o qual é utilizado como um aler- ta, e valores de investigação, os quais são divididos entre solos agrícolas, residenciais e industriais. Dentro de cada classificação temos os valores máximos permitidos de cada composto para sua utilização. Valores superiores aos descritos na legislação devem ser tratados como área contaminada, sendo necessário um plano de descontaminação do local. A descontaminação pode ser feita in-situ, isto é, no mesmo local, ou retirando todo o solo contaminado para um tratamento apropriado fora do local de origem. Concluindo, podemos dizer que o solo é um ambiente bastante complexo e necessita de cuidados especiais, pois a adição de compostos que excedem sua capacidade de inativa- ção ou de retenção pode gerar contaminação em outras matrizes ambientais, como as águas superficiais e subterrâneas e a atmosfera. As características dos solos para a implantação de aterros de resíduos sólidos industriais podem ser vistas na Fepam, na Revista disponível em:<http://www.fepam.rs.gov.br/fepamemrevista/downloads/FEPAM_REVISTA_ V6N2_2012.pdf>. Antrópica É o termo que se refere a tudo aquilo que resulta da ação humana. 36 Química Ambiental Pratique • De acordo com a legislação, os resíduos de curtumes devem ser destinados a aterros especiais de resíduos de classe I, isto é, a classe mais perigosa. Esses resíduos são assim classificados por conter alto teor de cromo. Considerando que sapatos, bolsas, roupas e estofamentos de carro são produzidos com o mesmo material, por que esses produtos não têm a obrigação de seguir para o mesmo tipo de aterro? Unidade 4 Fonte: Pixabay / werner22brigitte / CC0 Sedimentos 38 Química Ambiental Nesta unidade, você entenderá o que são sedimentos e conhecerá os benefícios e malefícios que essas partículas podem acarretar ao meio ambiente. Os sedimentos ajudam a contar a história do ambiente onde se depositaram. Essas par- tículas foram transportadas por arraste/rolamento ou por suspensão. A deposição se dá principalmente pelo tamanho da partícula e pelo fluxo a qual é submetida. Características do sedimento Sedimentos são constituídos por partículas mine- rais (areia, silte e argila) e por matéria orgânica. Em termos geológicos, um sedimento é o material sólido que se acumula na superfície terrestre e que surge pela ação de diversos fenômenos naturais que atuam na atmosfera, na hidrosfera e na bios- fera. Os ventos, as precipitações e as variações de temperatura são alguns dos fatores relacionados com a formação de sedimentos. Esses sedimentos podem, em algum tempo, sofrer o processo de litificação e tornar-se rocha. Figura 4.1 - Depósitos sedimentares que sofreram o processo de litificação, formando as rochas sedimentares Fonte: Wikimedia Commons / BrigitteWerner(werner22brigitte)/ CC0 Litificação Conjunto complexo de processos que convertem sedimentos em rocha consolidada, graças, principalmente, à pressão exercida pelos sedimentos acumulados nos vários tipos de erosão. A litificação pode envolver vários processos como: desidratação, compactação, cimentação, recristalização, lateritização e enriquecimento iônico. 39Unidade 4 – Sedimentos Normalmente, os sedimentos são constituídos por partículas de diferentes tamanhos, formas e composição química, transportadas por água, ar ou gelo, distribuídos ao longo dos vales do sistema de drenagem, e são orientados a partir da interação constante e contínua dos processos de intemperismo e erosão. Esse tipo de sedimento não consoli- dado é chamado de sedimento de fundo. O material em suspensão e os sedimentos estão interligados por meio da sedimentação e dos processos de erosão. Entre os sedimentos e os poluentes da água intersticial ocorrem os processos de adsorção/desorção e de precipitação/dissolução. A adsorção é a adesão de moléculas de um fluido a uma superfície sólida, podem ser adsorvidas por processos químicos, pelas ligações químicas ou físicas por interações de Van der Waals. A elevada concentração desses elementos na água intersticial pode influenciar os seus níveis nas águas superficiais através de processo, como: difusão, consolidação e bioturvação. Os sedimentos tendem a acumular organismos patogênicos, nutrientes, metais e com- postos orgânicos. Esses são adsorvidos sobre as superfícies de materiais particulados, especialmente os orgânicos que se encontram em suspensão na água e, finalmente, decantam-se no fundo do corpo d’água. Quando a concentração dos contaminantes alcança um valor que causa efeitos adversos à biota ou, ainda, põe em risco a saúde humana, o sedimento é considerado contaminado. A produção e adição de sedimentos em nanopartículas também é uma forma de des- contaminação de águas. A síntese de óxidos de ferro (como magnetita e maghemita) magnéticos propicia a geração de um produto com alta ca- pacidade de adsorção de ânions. A adição destes compostos na forma de sedimentos em tratamen- tos de água propicia a adsorção de contaminantes da água. Posteriormente, são removidos da água – por magnetização (imã) – o óxido de ferro mais os contaminantes. Os contaminantes químicos podem ser classificados em dois grupos distintos de acordo com as fontes de contaminação: litogênicos e antropogênicos. O primeiro é formado pe- las espécies presentes nos solos e rochas da região, ou seja, origem natural. O segundo é constituído pelas espécies introduzidas pela ação do homem no meio e são os responsá- veis pelas alterações causadas à biota, ou seja, origem antropogênica. São exemplos de fontes naturais os processos físicos e químicos como intemperismo, atividade vulcânica, carregamento de solo e de rochas etc. E os de fonte antropogênicassão os descartes de efluentes urbanos, industriais, agropecuária, praguicidas, queima de combustíveis etc. Para saber mais sobre a utilização de minerais/sedimentos para descontaminação de águas, leia o artigo ‘Materiais magnéticos baseados em diferentes zeólitas para remoção de metais em água’. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ qn/v28n5/25894.pdf>. 40 Química Ambiental Origem, transporte e depósitos dos sedimentos no meio ambiente Normalmente, os sedimentos são produzidos pela desagregação de rochas ou solo. A de- sagregação das rochas é uma das formas com que ocorre a formação do solo através do intemperismo. A desagregação do solo é um dos principais fatores que potencializam os processos erosivos e transporte de sedimentos. Como em nosso ambiente, os sedimen- tos são transportados principalmente por água, daremos foco a esse meio. No entanto, em outros ecossistemas, o vento tem grande importância no transporte. O transporte das partículas pode se dar por suspensão, salteamento ou rolamento/ar- rastamento. No transporte por suspensão, as partículas são carregadas pela água sem qualquer contato com o fundo do canal. No salteamento, as partículas vão “pulan- do” à medida que se chocam com o fundo do canal. E no rolamento/arrastamento as partículas vão literalmente rolando no fundo do canal. O tipo de transporte está relacionado com o tamanho e densidade das partículas. Partículas finas, do tipo argi- la (diâmetro >0,002mm), são transportadas por suspensão, enquanto partículas mais grosseiras, como areia muito grossa (2mm), podem ser carregadas por rolamento/arras- tamento. Obviamente, o transporte depende da velocidade com que a água se move. A contaminação de águas subterrâneas pode acontecer naturalmente. Em Bangladesh, milhares de pessoas morrem pelos efeitos causados pela contaminação natural de poços subterrâneos com arsênio. Para saber mais sobre o assunto, acesse o link disponível em: <http://www.news-medical.net/news/20101201/664/Portuguese. aspx>. Figura 4.2 - Tipos de transporte de sedimentos Fonte: IFPR (2017) 41Unidade 4 – Sedimentos Em certo momento, as partículas cessam com seu movimento e tendem a se depositar no fundo de rios, lagos ou mares. As partículas de maior massa se depositam primeiro, ou seja, aquelas que foram transportadas por rolamento/arrastamento. Com o passar do tempo, as partículas mais finas depositam-se nas camadas mais superficiais de depósitos sedimentares. A velocidade de deposição das partículas é descrita pela Lei de Stocks, a qual considera o diâmetro da partícula, sua densidade, temperatura e viscosidade do meio. O processo é semelhante a você pegar um punhado de solo e largá-lo lentamente diante de um ventilador: próximo a você cairão as partículas mais grosseiras (areia), e mais distante as partículas menores (argila). O depósito dos sedimentos altera ou constrói/de- senha diferentes formas geomorfológicas do lei- to. As formas mais comuns são marcas onduladas (preservadas), dunas subaquáticas, leito plano, antidunas e barras compostas. Essas formas alte- ram o escoamento da água, capacidade de vazão do rio e a navegabilidade. Os depósitos de sedimentos podem conter grandes quantidades de elementos benéficos para as plantas. Se os sedimentos adsorvem elementos químicos, eles também podem dissolver. Comunidades anaeróbias e espécies vegetais se desenvolvem de forma aquáti- ca; podem ter as raízes conectadas ao leito de rios ou lagos, de onde absorvem nutrien- tes, como fósforo e nitrogênio. O monitoramento da qualidade ambiental dos cursos d’água é de fundamental impor- tância para a manutenção da qualidade de vida da população. Nesse sentido, é muito importante a avaliação ambiental da qualidade dos sedimentos, sendo que esses interfe- rem diretamente nos corpos hídricos. A legislação brasileira que se refere a sedimentos é a Resolução CONAMA nº 344, de 25 de março de 2004. Essa resolução estabelece as diretrizes gerais e os procedimentos mínimos para a avaliação do material a ser dragado em águas jurisdicionais brasileiras e dá outras providências. A Lei de Stocks mede diretamente a distribuição de populações em função do tempo necessário para essas partículas se sedimentarem em uma célula vertical ou centrífuga com um líquido conveniente. A velocidade de cada partícula é proporcional à diferença de densidade em relação ao meio e ao quadrado do seu diâmetro. Para saber mais sobre a Resolução CONAMA nº 344, de 25 de março de 2004, acesse o link disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=445>. 42 Química Ambiental Nesta unidade, foram abordados os conceitos, a formação, a importância de sedimentos naturais ou sintéticos para a manutenção ou melhoria de um meio natural. Pratique • Algumas partículas naturais ou sintéticas, por vezes consideradas sedimentos, podem auxiliar na retenção, inativação e diminuição do conteúdo de elementos químicos no ambiente. Investigue e descubra dois tipos de partículas e indique com quais elemen- tos químicos elas têm interação. Unidade 5 Fonte: Pixabay / MarquinhosLourenco Ar 44 Química Ambiental Nesta unidade, serão apresentados os padrões de qualidade e as fontes de emissão de poluentes do ar atmosférico. A presença de poluentes na atmosfera forma o smog e a inversão térmica, além da formação da chuva ácida. Assim sendo, vamos verificar quais são os fatores que influenciam a formação desses fenômenos. Veremos também que a camada de ozônio é essencial para manutenção da vida na Terra. Vamos compreender sua importância e conhecer as fontes causadoras da sua destruição e as alterações climáticas decorrentes desse processo e, por fim, vamos conhecer a Re- solução do CONAMA nº 03 de 1990, que estabelece os padrões nacionais de qualidade do ar, e o Protocolo de Kyoto (acordo internacional que estipula a emissão de gases na atmosfera). Atmosfera A atmosfera é a camada gasosa que envolve a Terra. Ela regula o clima e atua como meio de transporte de substâncias indispensáveis à vida humana, como oxigênio, dióxido de carbono e água. Além disso, a atmosfera tem também a função de proteger a vida do planeta absorvendo as radiações ultravioletas provenientes do sol e das radiações cósmi- cas, aquece a superfície através da retenção de calor (o chamado “efeito estufa”) e reduz os extremos de temperatura entre o dia e a noite. A atmosfera terrestre é composta majoritariamente por nitrogênio (77%) e oxigênio (21%), o restante é composto por outros gases considerados nobres, entre eles: o argô- nio, neônio, hélio, criptônio e xenônio que repre- sentam cerca de 0,09%, o monóxido e dióxido de carbono (CO e CO2) correspondem a 0,04%. Hidrogênio (H2) e ozônio (O3) juntos representam aproximadamente 0,01% e outros gases, em me- nores concentrações, como metano (CH4), amô- nia (NH4), óxido nitroso (N2O), dióxido de enxofre (SO2) e os clorofluorcarbonos (CFC). São também constituintes da atmosfera vapor de água, cristais de sais e material particulado orgânico e inorgâni- co (MOZETO, 2001). O monóxido de carbono (CO2), também conhecido como gás carbônico, é um dos compostos essenciais para a realização da fotossíntese – processo pelo qual os organismos transformam a energia solar em energia química. Esta energia química, por sua vez, é distribuída para todos os seres vivos por meio da cadeia alimentar. Este processo é uma das fases do ciclo do carbono e é vital para a manutenção dos seres vivos. 45Unidade 5 – Ar Quando ocorrem alterações na composição química da atmosfera, há um desequilíbrio e alguns fenômenos podem ser observados em decorrência da poluição atmosférica. Poluição atmosférica É o efeito provocado na atmosfera pela presença de diferentes elementos sólidos, líqui- dos, ou gasosos, provenientes, sobretudo, da atividade humana. Nas áreas urbanas, a poluição do ar ocorre devido à poluição proveniente dosauto- móveis, que emitem grandes quantidades de CO e CO2. Em regiões industrializadas, a poluição se forma a partir de dejetos de processos e pela fumaça industrial. Em áreas agrícolas, os incêndios florestais e as pulverizações com pesticidas são as principais cau- sas da poluição atmosférica. A emissão dessas partículas na atmosfera influencia o clima no planeta e favorece a for- mação do smog, da inversão térmica e da chuva ácida. Smog e inversão térmica A palavra smog é uma combinação das palavras em inglês smoke (fumaça) e fog (ne- blina), sendo então uma combinação de fumaça e de nevoeiro que ocorre em áreas urbano-industriais. Sua formação é favorecida pela poluição, onde ocorre um aumento do número de núcleos de condensação que são poeiras ou partículas dispersas na at- mosfera. Uma das consequências da formação do smog é a inversão térmica, mostrados na figura 5.1. A inversão térmica é uma mudança abrupta de temperatura devido à inversão das cama- das de ar frias e quentes. A camada de ar fria, sendo mais pesada, acaba descendo e fica próxima à superfície terrestre, retendo os poluentes. O ar quente, sendo mais leve, fica numa camada superior, impedindo assim a dispersão dos poluentes. Esses fenômenos podem causas alguns problemas à saúde como: irritação e danos nos olhos, na pele e nos pulmões; secura nas membranas protetoras do nariz e da garganta; alterações no sistema imunológico, e agravamento das doenças respiratórias como a asma. 46 Química Ambiental Chuva ácida A chuva ácida é uma das principais consequências da poluição do ar. A queima dos combustíveis fósseis pelas indústrias e pelos veículos produz o gás carbônico (CO2), e junto com outras formas oxidadas do nitrogênio e do enxofre que são liberados para a atmosfera. O acúmulo desses gases na atmosfera e a presença de partículas poluentes acabam se depositando no solo na forma seca ou na úmida, um esquema deste processo é mostrado na figura 5.2. A deposição úmida é quando o dióxido de enxofre (SO2) e o dióxido de nitrogênio (NO2) reagem com o vapor d’água presente na atmosfera, formando o ácido sulfúrico (H2SO4) e o ácido nítrico (HNO3) que precipitam na superfície terrestre em forma de chuva. Essa água da chuva apresenta pH menor que 5,6. Figura 5.1 - Esquema da formação do smog e inversão térmica Fonte: IFPR (2017) 47Unidade 5 – Ar Essas chuvas dão origem a solos ácidos o que causa prejuízos ao solo e à vegetação. Também contamina a água, esta acidificação prejudica os organismos em rios e lagoas, comprometendo a pesca. Monumentos de mármore são corroídos ao longo dos anos pela chuva ácida. Embora esse fenômeno afete regiões industrializadas, hoje é um problema global, pois os poluentes do ar são carregados pelos ventos e viajam milhares de quilômetros; assim, as chuvas ácidas podem precipitar a grandes distâncias das fontes poluidoras, prejudi- cando outras regiões. Efeito Estufa Figura 5.2 - Esquema da formação da chuva ácida Fonte: IFPR (2017) O efeito estufa é um fenômeno natural de aquecimento térmico da Terra, sendo imprescindível na manutenção da temperatura do planeta, fornecendo condições ideais para sobrevivência da vida no planeta. 48 Química Ambiental A presença de gases do efeito estufa na atmosfera, principalmente o CO2, permitem a passagem da radiação solar, porém funciona como uma barreira para que o calor, refle- tido pela superfície terrestre, se concentre formando o efeito de estufa. Sem a presença destes gases do efeito estufa, a temperatura média do planeta seria muito baixa, cerca de 30°C mais fria do que é hoje, inviabilizando o desenvolvimento das espécies animais e vegetais como as conhecemos hoje. A atmosfera é altamente transparente à luz solar, porém cerca de 35% da radiação, que incide sobre o planeta, é refletida de novo para o espaço. Somente 65% dessa radiação é retida pela superfície da Terra. Isso acontece devido à presença natural dos gases do efeito estufa na atmosfera que é transformada em calor, e mantém a temperatura média global em torno de 15°C, ideal para a manutenção de grande parte das formas de vida (TOLENTINO e ROCHA, 2008). Atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento contri- buem para o aumento nos níveis atmosféricos de gases estufa, causando um desequi- líbrio no ecossistema, produzindo um fenômeno conhecido como aquecimento global. A elevação da temperatura da Terra provocada pela liberação, na atmosfera, de quanti- dades excessivas de gases, gera o efeito estufa, sendo o seu principal agente causador o gás carbônico (CO2), resultante da combustão do carvão, lenha e combustíveis fósseis como o petróleo. As consequências desse fenômeno são catastróficas ao meio ambiente, causando o aquecimento e a alteração do clima, favorecendo a ocorrência de furacões, tempestades e até terremotos; também o degelo das calotas polares, aumentando o nível do mar e inundando regiões litorâneas; ou afetando o equilíbrio ambiental com o surgimento de epidemias. Essas alterações climáticas aceleram também o processo de desertificação. Um aumento de 4ºC na temperatura global, causado pelo efeito estufa e aquecimento global, poderá provocar a extinção de milhares de espécies animais no planeta. Os animais mais afetados serão aqueles que vivem nas regiões polares, pois esse aumento de temperatura provocará derretimento de gelo em grandes proporções, afetando diretamente o habitat dessas espécies. Os recifes de corais também serão muito afetados com o aumento da temperatura das águas oceânicas. 49Unidade 5 – Ar Camada de ozônio A camada de ozônio protege o planeta dos raios ultravioleta do sol, que são extrema- mente prejudiciais à vida. Essa camada funciona como uma espécie de “escudo prote- tor” para o planeta Terra, pois absorve aproximadamente 98% da radiação ultravioleta de alta frequência emitida pelo Sol. Sem essa camada, a vida humana em nosso planeta seria praticamente impossível de existir, as plantas teriam sua capacidade de fotossíntese reduzida e os casos de câncer de pele, catarata e alergias aumentariam, além de afetar o sistema imunológico humano. A degradação da camada de ozônio é um dos grandes problemas da atualidade. Esse fenômeno é conhecido como “buraco na camada de ozônio”. No entanto, não ocorre a formação de buracos e sim a rarefação dessa camada, que fica mais fina, permitindo que uma maior quantidade de raios ultravioletas atinja a Terra. Em determinadas épocas do ano, ocorrem reações químicas na atmosfera, tornando a camada de ozônio mais fina em várias partes do mundo, especialmente nas regiões próximas do Polo Sul e, recen- temente, do Polo Norte, mas logo ela volta a sua forma original. Veja na figura 5.3 “o buraco” na camada de ozônio sobre a região da Antártida. Diversas substâncias químicas acabam destruindo o ozônio quando reagem com ele. Tais substâncias contribuem também para o aquecimento do planeta, conhecido como efeito estufa. A lista negra dos produtos danosos à camada de ozônio inclui os óxi- dos nítricos e nitrosos expelidos pelos exaustores dos veículos e o CO2 produzido pela queima de combustíveis fósseis, como o carvão e o petróleo. Mas, em termos de efeitos destrutivos sobre a camada de ozônio, nada se compara ao grupo de gases chamado clorofluorcarbonos, os CFCs. Figura 5.3 - O “buraco” na camada de ozônio sobre a região da Antártida Fonte: MMA-BR / NASA/ CC0 1980 2013 50 Química Ambiental Poluição do ar A poluição atmosférica afeta o clima no planeta e contribui para o efeito estufa que cau- sa o aquecimento global, acelerando o degelo das calotas polares, causando o aumento do nível das águas do mar. Essa cadeia põe em perigo o ecossistema do planeta e a vida do próprio homem, além da destruição das florestas tropicais, contribui para o avanço da desertificação. Os processos de transporte e deposição dos poluentes presentes no ar são responsáveispelo retorno de parte dessas substâncias aos solos, oceanos e corpos d’água. Os fatores meteorológicos que interferem nesse processo de disseminação da poluição são tempe- ratura, precipitação e ventos, além das condições topográficas. A temperatura se torna gradativamente mais fria com a altitude, logo, não existem con- dições favoráveis para a dispersão dos poluentes. O ar quente fica aprisionado entre duas camadas de ar frio, gerando condições de estagnação de poluentes, ocasionando a inversão térmica, já comentado nesta unidade. A precipitação é o volume de água que cai sobre a superfície como resultado do resfria- mento, através do processo de condensação do vapor de água contido na atmosfera. É um processo que normalmente retém e aglomera os poluentes e tem como consequên- cia a formação de chuva ácida. Os ventos são ar em movimento. Ele se forma quando existe uma diferença de pressão do ar entre vários locais. O ar circula das zonas de alta pressão para as zonas de baixa pressão e favorecem a dispersão dos poluentes, transportando as partículas e os gases dispersos na atmosfera para outras regiões. As irregularidades na topografia de uma região influenciam a circulação de massas de ar e alteram a dispersão de poluentes. Por exemplo, em áreas costeiras, à noite, as massas de ar não se deslocam da mesma forma como durante o dia. De fato, durante o dia a brisa marítima transporta os poluentes para a costa. Mas à noite, esse fenômeno se in- verte, já que o solo se esfria mais rápido do que o mar, assim a poluição é transportada para o mar. Como os CFCs destroem a camada de ozônio? Quais as consequências da destruição da camada de ozônio? 51Unidade 5 – Ar Poluentes primários e secundários A poluição atmosférica é resultado do aumento da concentração dos gases e de par- tículas dispersas na atmosfera, onde ocorrem reações e produzem as transformações químicas e físicas, formando novas espécies. Os poluentes podem ser classificados como poluentes primários (CO, CO2, SO2, NO e NO2) que são aqueles emitidos diretamente pelas fontes poluidoras. Poluentes secundá- rios (SO3, HNO3, H2SO4) são os formados na atmosfera, através de reações químicas entre esses poluentes e os compostos presentes na atmosfera. A principal atividade antropogênica, ou seja, a ação humana, que contribui para a poluição do ar, é a utilização de combustível, como o carvão e os derivados do petróleo e queimada de florestas. Os principais compostos emitidos pela combustão de combustíveis fósseis são apresentados no qua- dro 5.1. Quadro 5.1 - Origem dos poluentes da atmosfera gerados na combustão de combus- tíveis fósseis POLUENTE ORIGEM Monóxido de carbono Produzido por veículos automotores. Dióxido de carbono Produzido na combustão de combustíveis fósseis para produção de energia. Queima- das de florestas. Óxidos de nitrogênio Liberados pelos vulcões. Queima de combustíveis fósseis. Queimadas de florestas. Hidrocarbonetos Queima de combustíveis fósseis em veículos e na indústria. Dióxido de Enxofre Liberado pelos vulcões. Queima de combustíveis fósseis. Processos industriais. Material particulado Indústrias, mineração, veículos, queimadas e construção civil. A emissão de poluentes na atmosfera traz também riscos à saúde humana, como: irri- tação dos olhos e das vias respiratórias, redução da capacidade pulmonar, redução do desempenho físico, agravamento de doenças crônicas do aparelho respiratório, dentre outras. As consequências desses poluentes à saúde estão mostradas no quadro 5.2. Antropogênica Refere-se a atividades causadas pelo ser humano, contrapondo-se às ações naturais no planeta sem interferência humana. Fonte: Elaborado pelas autoras (2016) 52 Química Ambiental Quadro 5.2 - Consequência dos compostos poluentes da atmosfera POLUENTE CONSEQUÊNCIA Óxidos de nitrogênio Afecções respiratórias e alterações sanguíneas, edema pulmonar, favorecem o envelhe- cimento precoce. Material particulado Sujeira com fuligem nos prédios e na paisagem produz bruma e reduz a visibilidade, tóxicos para os pulmões, modificações no clima terrestre, distúrbios digestivos. Hidrocarbonetos Formam névoa escura e amarelada sobre as cidades, irritam olhos e mucosas, alguns são cancerígenos. Óxidos de Enxofre Irritam as vias respiratórias, correm ferro, aço e mármore, causam danos irreversíveis aos pulmões, quando combinados com partículas, provocam a acidez da chuva. Óxidos de Carbono Níveis muito baixos provocam problemas cardíacos, comprometem o funcionamento normal do cérebro. Níveis elevados causam a morte por asfixia, e é o principal responsável do efeito estufa. Legislação para material atmosférico Os padrões nacionais foram estabelecidos pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) e aprovados pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), por meio da Resolução CONAMA nº 3/1990. Os padrões de qualidade do ar definem legalmente o limite máximo para a concentração dos poluentes na atmosfera, tendo como objetivo garantir a proteção da saúde do ser humano e do meio ambiente. Os padrões de qualidade do ar são baseados em estudos científicos dos efeitos produzidos por poluentes específicos e fixados em níveis que pos- sam propiciar uma margem de segurança adequada ao ser humano. Segundo a resolução, considera-se poluente atmosférico qualquer forma de matéria ou energia com intensidade e em quantidade, concentração, tempo ou características em desacordo com os níveis estabelecidos e que tornem ou possam tornar o ar impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem-estar público, danoso aos materiais, à fauna e à flora ou prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade. Protocolo de Kyoto É um acordo internacional estabelecido em 1997 na cidade de Kyoto no Japão. Consiste em reduzir emissões de gases estufas dos países industrializados e garantir um modelo de desenvolvimento limpo aos países em desenvolvimento. Fonte: Elaborado pelas autoras (2016) 53Unidade 5 – Ar O protocolo prevê redução da emissão de poluentes, em relação ao ano de 1990, de 7% para os EUA, 8% para a Europa e 6% para o Japão, os maiores poluentes do planeta. Para países em desenvolvimento, como China, México e Brasil, não foram estipulados níveis de redução. A atmosfera é uma camada gasosa que envolve a Terra, regula o clima e atua como meio de transporte de substâncias indispensáveis à vida, como oxigênio, dióxido de carbono e água. A poluição atmosférica é resultado do aumento da concentração dos gases e de partículas na atmosfera. A principal atividade antropogênica que afeta a atmosfera é a queima de combustível e florestas. Os poluentes podem ser classificados em primários (emitidos diretamente pelas fontes de emissão) e secundários (formados através da rea- ção química na atmosfera). A inversão térmica é consequência da formação do smog e ocorre quando a camada de ar fria é bloqueada por uma camada quente e impede o movimento de gases e partículas, impedindo a dispersão desses poluentes. A chuva ácida é uma das principais consequências da poluição do ar e proveniente, principalmente, da queima incompleta dos combustíveis fósseis. O efeito estufa é um fenômeno natural de aquecimento tér- mico da Terra. A camada de ozônio protege a Terra dos raios ultravioletas do Sol, que são extremamente prejudiciais à vida. A redução do ozônio contribui para o aumento do efeito estufa. Os padrões nacionais de qualidade do ar foram estabelecidos pelo IBAMA e aprovados pela Resolução CONAMA nº 003/1990.E o Protocolo de Kyoto estipula a redução de emissões de gases estufas dos países industrializados. Quais são as consequências da assinatura do Protocolo de Kyoto nos dias de hoje? 54 Química Ambiental Pratique • O aumento do efeito estufa é gerado pela queimada de florestas e o lançamento de gases poluentes na atmosfera, principalmente os que resultam da queimade com- bustíveis fósseis. A queima do óleo diesel e da gasolina, nos grandes centros urbanos, tem colaborado para o efeito estufa. O dióxido de carbono e o monóxido de carbono ficam concentrados em determinadas regiões da atmosfera formando uma camada que bloqueia a dissipação do calor. Essa camada de poluentes, tão visível nas grandes cidades, funciona como um isolante térmico do planeta Terra. O calor fica retido nas camadas mais baixas da atmosfera trazendo graves problemas ao planeta. Mediante isso, responda: quais são as alterações climáticas causadas pelo efeito estufa? Unidade 6 Fonte: Pixabay / Clker-Free-Vector-Images / 29620/ CC0 Ciclos biogeoquímicos 56 Química Ambiental No mundo nada se cria, tudo se transforma. É com esse pensamento que estuda- remos nesta unidade os ciclos biogeoquímicos. Na natureza ocorre um reaproveita- mento de elementos ou compostos químicos através de reações químicas, físicas e biológicas. O estudo desses ciclos torna-se cada vez mais importante para avaliar o impacto ambiental que um material pode causar no meio ambiente. Os ciclos biogeoquímicos são processos naturais de reutilização, ou reciclagem de vários elementos ou compostos químicos. Esses compostos podem ser transformados por pro- cessos bióticos ou abióticos, e assim variam de forma e de função e retornam à forma inicial no fim do ciclo para reinício da jornada (MARTINS, 2003). Ciclo do carbono O carbono (C) é o quarto elemento mais abundante do nosso planeta, possui número atômico 6 e massa atômica 12 u.m.a (6 prótons e 6 elétrons) e é sólido a temperatura ambiente. Possui raio atômico pequeno, o que permite formar cadeias múltiplas. Com- binado com oxigênio (O), forma o dióxido de carbono, essencial para o crescimento das plantas; com o hidrogênio (H) forma os hidrocarbonetos, essenciais para a indústria. Figura 6.1 - Ciclo biogeoquímico do carbono Fonte: Wikimedia Commons / FischX / (Translated ans slightly modified by Pedro Spoladore) 57Unidade 6 – Ciclos biogeoquímicos O ciclo do carbono pode ser dividido em duas categorias: o longo ou geológico (envolve as rochas, minerais, oceanos e a atmosfera) e o curto ou bioquímico (ligado ao proces- so de fotossíntese das plantas). Nesse processo, o CO2 da atmosfera é absorvido pelas plantas e transformado em O2 e compostos orgânicos, que servem de nutrientes para os vegetais. No espaço de um ano, o ciclo rápido do carbono movimenta entre 1015 e 1017 g de carbono. Esses compostos orgânicos sintetizados pelas plantas serão fonte de nutrientes para as plantas e animais. Essas plantas e animais geram resíduos, que por sua vez podem se transformar, ao longo de muitos anos, em combustíveis fósseis. A respiração das plantas e animais e o consumo de energia geram grandes quantidades de CO2, que retornam à atmosfera para que se reinicie o ciclo do carbono. Esses dois processos podem ser resumidos pelas seguintes reações: Fotossíntese: H2O + CO2 + energia (CH2O)n + O2 Respiração: (CH2O)n + O2 CO2 + H2O + energia No ciclo longo do carbono, o CO2 é transferido para o fundo dos oceanos pela sedi- mentação de carbonato de cálcio insolúvel (CaCO3), exoesqueletos, conchas, moluscos etc. Sua decomposição ao longo dos anos pode levar à formação de depósitos ricos em hidrocarbonetos (petróleo, por exemplo) e carvão, ou ser redissolvida por processos quí- micos e biológicos, permanecendo como fração solúvel. Fotossíntese Processo físico-químico, a nível celular, realizado pelos seres vivos clorofilados, que utilizam dióxido de carbono e água, para obter glicose através da energia da luz solar. Ao contrário do que se pensa, não são as florestas, mas sim os oceanos que absorvem a maior parte do carbono da atmosfera. Assim, os oceanos é que são os “pulmões do mundo”. 58 Química Ambiental Ciclo do nitrogênio O nitrogênio (N) possui número atômico 7 e massa 14 (7 prótons e 7 nêutrons). É o quinto elemento mais abundante no universo. Nas condições ambientes é encontrado no estado gasoso, obrigatoriamente em sua forma molecular biotômica (N2), formando cerca de 78% do volume do ar atmosférico. A quebra dessa molécula necessita muita energia, dessa forma, o N2 se torna bastante inerte. O nitrogênio circula através das plantas e do solo pela ação de organismos vivos. Esse é um dos ciclos mais importantes nos ecossistemas terrestres. O nitrogênio é usado pelos seres vivos para a produção de moléculas complexas necessárias ao seu desenvolvimento, tais como: aminoácidos, proteínas e ácidos nucleicos. O principal repositório de nitrogênio é a atmosfera, mas também pode ser obtido da ma- téria orgânica, nos solos e oceanos. Apesar de extremamente abundante na atmosfera, o nitrogênio é frequentemente o nutriente limitante do crescimento das plantas. Isso acontece porque as plantas não conseguem usar o nitrogênio na forma de N2. A fixação do N2 é o processo através do qual o nitrogênio é capturado da atmosfera e convertido em formas úteis para as plantas e animais, como amoníaco (NH3), nitrato (NO3 -) e nitrito (NO2 -). Essa conversão pode ocorrer através de três processos, fixação por bactérias especializadas, atmosférica ou industrial. Figura 6.2 - Ciclo do nitrogênio Fonte: WikimediaCommons / Pedro Spoladore / CC BY-SA 59Unidade 6 – Ciclos biogeoquímicos Fixação bacteriológica Algumas bactérias têm a capacidade de capturar moléculas de nitrogênio (N2) e trans- formá-las em componentes úteis para os restantes dos seres vivos. Entre essas, existem bactérias que estabelecem uma relação de simbiose com algumas espécies de plantas (leguminosas) e bactérias que vivem livres no solo. As bactérias se associam às raízes das plantas para retirar delas alimentos e energia, em troca disponibilizam o NH3 para as plantas, essa tro- ca de favores é chamada simbiose. A figura 6.3 mostra a simbiose em uma planta de soja, onde a interação entre o rizóbio e a planta forma nó- dulos que são responsáveis pelas reações. Essas bactérias especializadas produzem uma enzima, a nitrogenase, que catalisa a rea- ção transformando o N2 em NH3. Rizóbio São bactérias muito conhecidas devido à capacidade que possuem em fixar o nitrogênio atmosférico quando em simbiose com leguminosas. Enzimas São proteínas especiais que aceleram as reações químicas. Funcionam como catalisadores, cuja função é diminuir a energia de ativação da reação. Assim, com menos energia é possível a conversão de uma molécula em outra. Figura 6.3 - Nódulos de uma planta de soja Fonte: ©Shuteerstock.com ID 345198950 60 Química Ambiental O NH3- formado nos nódulos servirá para a síntese de moléculas orgânicas nitrogenadas, que serão utilizadas pelas plantas e pelas bactérias, e parte será exsudada para o solo, onde será consumida por outras bactérias capazes de nitrificar o amô- nio. A amônia liberada reage com a água e forma o íon amônio, como a reação NH3 + H2O NH4 + + OH- As bactérias consomem o NH3 para gerar energia para si. Nesse processo, geram nitritos e nitratos, de acordo com as reações descritas a seguir: A nitrificação ocorre em duas etapas, a oxidação de NH3 em nitrito e a oxidação de nitrito em nitrato. O nitrato pode ser absorvido pelas plantas como fonte de nutrientes, e ser transferido para camadas mais profundas do solo pela água, e pode ainda ser desnitrificado por bactérias. A desnitrificação consiste na utilização do nitrogênio (N) no lugar do oxigênio (O) para o processo de respiração das bactérias. Na falta de O2, elas conseguem utilizar o oxigênio ligado ao nitrato. Assim, as bactérias liberam o N2 que volta para a atmosfera. Fixação atmosférica A fixação atmosférica ocorre através dos relâmpagos, cuja elevada energia quebra a tri- pla ligação entre os átomos de nitrogênio, o que permite que os seus átomos se liguem com moléculas de oxigênio existentes no ar, formando monóxido de nitrogênio (NO). Esse é posteriormente dissolvidona água da chuva e depositado no solo. A fixação at- mosférica contribui com cerca de 3 a 4% de todo o nitrogênio fixado. Fixação Industrial Por intermédio de processos industriais (síntese de Haber-Bosch – reação abaixo) é possí- vel produzir amoníaco (NH3) a partir de N2 e H2. O amoníaco é produzido principalmente para uso, como fertilizante, cuja aplicação sustenta cerca de 40% da população mundial. Exsudado Refere-se à saída de líquidos orgânicos através das paredes e membranas celulares. 61Unidade 6 – Ciclos biogeoquímicos N2 (g) + 3 H2 (g) 2 NH3 (g) + energia Depois de fixado o N, os nitratos formados são absorvidos pelas plantas e transformados em compostos orgânicos para produzir aminoácidos e outros compostos orgânicos de nitrogênio. A incorporação do nitrogênio em compostos orgânicos ocorre em grande parte nas células jovens em crescimento das raízes. Através da mineralização, a matéria orgânica morta é transformada em íon amônio (NH4 +) por intermédio de bactérias aeróbicas, anaeróbicas e alguns fungos. Quando o amoníaco é oxidado (processo chamado de nitrificação) são produzidos nitritos e nitratos. Esse processo é feito por bactérias, sendo que na primeira fase o amoníaco é convertido em nitritos por nitrosomonas, e numa segunda fase as bactérias nitrobacters os nitritos são convertidos em nitratos, sendo assim assimilados pelas plantas. O nitrato é solúvel em água e bastante móvel nos solos. Parte desse composto não absorvido pelas plantas ou consumido pelos microrganismos dos solos pode ser perdido por lixiviação. Ainda pode ocorrer a desnitrificação, isto é, o nitrogênio retorna à atmosfera sob a forma de gás (N2). Bactérias como as Pseudomonas e Clostridium são responsáveis por essa transformação. Essas bactérias utilizam nitratos alternativamente ao oxigênio como forma de respiração e libertam N2. Dentro do ciclo do N, ainda tem o processo de eutrofização, isso ocorre quando um excesso de nutrientes é inserido nos corpos d’água, aumentando a quantidade de al- gas, esse aumento da biomassa pode levar a uma diminuição do oxigênio dissolvido, provocando a morte e consequente decomposição de muitos organismos, diminuindo a qualidade da água e, eventualmente, a alteração profunda do ecossistema. A obtenção da amônia pela síntese de Haber-Bosch foi de extrema importância para a obtenção de alimentos, mas a ideia inicial para a sua síntese foi a obtenção de uma arma química. Veja o artigo e descubra mais sobre esse assunto disponível em: <http://www.fc.up.pt/pessoas/jfgomes/pdf/vol_1_num_1_26_art_ processoHaberBosch.pdf>. Lixiviação É o processo de perda dos minerais do perfil do solo, causado pela “lavagem” promovida pelas chuvas torrenciais e pela infiltração de água no solo. A água que se infiltra pelos poros, como em uma esponja, vai, literalmente, lavando os sais minerais hidrossolúveis (sódio, potássio, cálcio etc.) e diminuindo a fertilidade do solo. 62 Química Ambiental Ciclo do enxofre O enxofre (S) possui número atômico 16 e massa atômica 32 u.m.a. À temperatura am- biente, o enxofre encontra-se no estado sólido, é um não metal insípido e inodoro. O enxofre é um elemento químico essencial para todos os organismos vivos, sendo consti- tuinte importante de muitos aminoácidos. É utilizado em fertilizantes, além de ser cons- tituinte da pólvora, de medicamentos laxantes, de palitos de fósforos e de inseticidas. Esse não metal possui coloração amarela, estrutura frágil e odor característico a ovo podre. Quando reage com o hidrogênio forma o gás sulfídrico (H2S) que é incolor, muito tóxico e corrosivo. É insolúvel em água, parcialmente solúvel em álcool etílico, porém se dissolve em dissulfeto de carbono e em tolueno aquecido. É multivalente e apresenta como estados de oxidação mais comuns os valores -2, +2, +4 e +6. Esses múltiplos estados de oxidação tornam o S muito versátil. O enxofre é um elemento essencial à vida na Terra, sendo alguns de seus compostos de grande importância bioló- gica: organismos vivos, incluindo plantas, assimilam espécies de enxofre, enquanto que ao mesmo tempo, várias formas de enxofre são emitidas como produto final de seus metabolismos. O enxofre representa aproximadamente 0,5% da massa seca de plantas Figura 6.4 - Ciclo do nitrogênio e suas formas químicas nos solos Fonte: IFPR (2017) 63Unidade 6 – Ciclos biogeoquímicos e microrganismos, e 1,3% do tecido animal. Quando reduzido é nutriente-chave para manutenção da vida (ex.: integridade estrutural de proteínas). Oxidado como SO4 2- é o segundo ânion mais abundante nos rios e oceanos; é o principal agente causador de acidez em água de chuva H2SO4.Pode reagir com ferro e formar substâncias insolúveis (FeS2) em solos, sedimentos e minerais O enxofre é encontrado no solo em combinações de sais de sulfato, sulfetos e minério. Nas proximidades de vulcões, o enxofre é encontrado na forma original, razão pela qual há muitas unidades de exploração nessas regiões. A formação de proteínas depende basicamente do enxofre, pois é um importante cons- tituinte de alguns aminoácidos, como a cisteína. Em muitos seres vivos, moléculas com átomos desse elemento atuam como cofator (estimulador) de reações químicas promo- vidas por enzimas. O S apresenta um ciclo com dois reservatórios: um maior, nos sedimentos da crosta ter- restre, e outro menor, na atmosfera (figura 6.6). Nos sedimentos, o enxofre permanece armazenado na forma de minerais de sulfato. Com a erosão, fica dissolvido na água do solo e assume a forma iônica de sulfato (SO4 2-); sendo assim, facilmente absorvido pelas raízes dos vegetais. Na atmosfera, o enxofre existe combinado com o oxigênio, Figura 6.5 - Fonte de enxofre natural Fonte: Max Pixel / PublicDomain/ CC0 64 Química Ambiental formando cerca de 75% dele, o SO2 (dióxido de enxofre). Outra parcela está na forma de anidrido sulfídrico (SO3). O gás sulfídrico (H2S) tem vida curta na atmosfera, apenas de algumas horas, sendo logo transformado em SO2. Esses óxidos de enxofre (SO2 e SO3) incorporam-se ao solo com as chuvas, sendo então transformado em íons de sulfato (SO4 2-). Podem, também, ser capturados diretamente pelas folhas das plantas, no pro- cesso de adsorção, para serem usados na fabricação de aminoácidos. O único retorno natural do enxofre para a atmosfera é através da ação de decomposito- res que produzem o gás sulfídrico. As sulfobactérias realizam o processo inverso, como forma de obtenção de energia para a quimiossíntese. A contribuição das atividades vulcânicas para o acúmulo de enxofre na atmosfera é pouco significativa, enquanto que a atividade industrial contribui mais expressivamente (figura 6.6). A queima de combustíveis fósseis que possuem enxofre em sua composição (3% no carvão, e 0,05% no petróleo) produz SO2 e SO3, aumentando sua concentração na atmosfera das grandes cidades. Essa fonte é responsável por 80% da poluição por enxofre. A litosfera é o maior reservatório de enxofre, com um tempo de permanência da ordem dos 1010 anos. Rochas sedimentares, como o gesso (CaSO4), as rochas ígneas incluem sul- fetos metálicos (pirites, blenda, galena etc.). O enxofre encontra-se ainda na forma na- tiva, junto a fontes hidrotermais e em depósitos vulcânicos, na superfície ou no subsolo. Figura 6.6 - Ciclo do enxofre no meio ambiente Fonte: WikimediaCommons / Bantle/ CC0 65Unidade 6 – Ciclos biogeoquímicos Nos oceanos, o enxofre encontra-se na forma de íon sulfato, SO4 2– e como sulfeto de hidrogênio dissolvido, enxofre elementar e substâncias resultantes do metabolismo das plantas marinhas. O enxofre existente no oceano e nos sedimentos resulta na maior parte do intemperismo das rochas. Os sais dissolvidos pelo escoamento da água são transportados pelos rios e acabam depositados nas bacias continentais e nos oceanos. As algas marinhas produzem dimetil-sulfônico-propionato (DMSP), que se degrada em sulfureto de dimetilo(DMS), em parte libertado para a atmosfera, num total estimado em 40×106 toneladas de enxofre por ano, e que majoritariamente regressa ao mar com a precipitação. Os solos contêm minerais e matéria orgânica com enxofre na sua composição, e sulfatos e outros compostos na solução do solo. As principais fontes são o intemperismo das rochas, a deposição dos compostos de enxofre presentes na atmosfera, a decomposição de matéria orgânica e origens antrópicas direta como fertilizantes, pesticidas e água de irrigação. As principais formas de enxofre inorgânico no solo são o sulfato, formas redu- zidas como dióxido de enxofre (SO2), sulfito (SO3 -2), enxofre elementar (S) e sulfeto (S2 –). Em ambientes aeróbios, o composto inorgânico de enxofre mais estável é o sulfato, que é solúvel em água. Assim, em solos bem drenados, as formas reduzidas são facilmente oxidadas a sulfato, SO4 2– sendo essa a forma inorgânica predominante e através da qual o enxofre é absorvido pelas plantas via sistema radicular. As formas reduzidas, principal- mente H2S e outros sulfetos, estão mais presentes em solos alagados ou em condições anaeróbicas onde, devido à baixa solubilidade, normalmente permanecem inertes. A atmosfera contém pequenas quantidades de dióxido de enxofre (SO2), de ácido meta- nosulfonico (CH3SO3H) e de sulfureto de carbonila (COS). Destes, o COS é o composto gasoso de enxofre com maior tempo de permanência. Grandes fluxos de partículas de sal marinho e poeira terrestre, contendo sulfatos, são adicionados à atmosfera, mas a sua abundância restringe-se a altitudes inferiores a um quilômetro. Essas partículas têm tempos de permanência de 1 a 7 dias apenas, o que evidencia o seu controle pela pre- cipitação. As erupções vulcânicas ejetam compostos de enxofre, atingindo algumas na estratosfera, onde os tempos de permanência do enxofre são muito superiores. A quei- ma do carvão mineral produz grande quantidade de SO2 que se transforma em H2SO4 produzindo a chuva ácida. Os seres vivos oxidam e reduzem diferentes compostos de enxofre, inorgânicos e orgâ- nicos, produzindo um miniciclo de S, onde as plantas e bactérias absorvem sulfatos e produzem aminoácidos. Outros seres vivos alimentam-se delas. Outras bactérias decom- põem os aminoácidos com enxofre nos restos de animais e plantas, produzindo sulfeto de hidrogênio. Outras oxidam o sulfeto a enxofre elementar e esse enxofre a sulfato. 66 Química Ambiental Como você pôde perceber, o enxofre está presente em todos os lugares, porém o Minis- tério da Saúde, através da Portaria nº 257 de 2005, estabelece procedimentos e respon- sabilidades relativas ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de portabilidade. Tendo como padrão de aceitação para consumo humano o valor máximo permitido de 250 mg/L de sulfato e 0,002 mg/L de sulfeto. Os ciclos biogeoquímicos são importantes para o conhecimento das transformações dos elementos e como cada composto formado participa de diferentes processos, sendo eles orgânicos ou inorgânicos. O estudo desses ciclos contribui para uma visão mais ampla sobre o que acontece no mundo a nossa volta. Pratique • Os ciclos biogeoquímicos facilitam nosso entendimento das transformações que ocorrem com os elementos químicos. Dentre esses elementos está o fósforo, que participa do RNA e DNA e possui a característica de não ser encontrado na atmosfera. Pesquise sobre o fósforo e desenhe um ciclo que represente as transformações do fósforo na natureza. Unidade 7 Fonte: WikimediaCommons / Mary Barkley / CC0 Contaminantes orgânicos e inorgânicos 68 Química Ambiental Nesta unidade, vamos definir e classificar os resíduos sólidos perigosos. Entender o funcionamento e conhecer as frações formadas com a deposição do lixo nos aterros. Vamos estudar também a ação tóxica dos metais e dos compostos orgânicos. Resíduos sólidos Constituem aquilo que genericamente chamamos “lixo”: materiais sólidos considerados sem utilidade, supérfluos ou perigosos, gerados pela atividade humana, e que devem ser descartados ou eliminados. Porém, uma grande parte do que é descartado não é perigoso. São exemplos os entulhos de construção e demolição; resíduos gerados pelo setor comercial, industrial e hospitalar, também os resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços e o lixo doméstico. O que são resíduos sólidos? São os resíduos nos estados sólidos e semissólidos resultantes de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços. Ficam incluídos nessa definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o lançamento na rede pública de esgotos ou cor- pos de água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível. Dentre os resíduos, podemos classificá-los em: • Resíduo industrial: é todo aquele resíduo sólido, líquido, gasoso, ou combinação desses, provenientes dos processos industriais e que por suas características físicas ou químicas ou microbiológicas não podem assimilar-se aos resíduos domésticos, sendo caracterizados como contaminantes e altamente prejudiciais ao meio ambiente e à saúde, não devendo ser lançados na rede pública de esgotos ou corpos d’água. 69Unidade 7 – Contaminantes orgânicos e inorgânicos • Resíduo hospitalar: resíduos perigosos produzidos dentro de hospitais, como se- ringas usadas, jalecos etc. Por conter agentes causadores de doenças, esse tipo de lixo é separado do restante dos resíduos produzidos dentro de um hospital (restos de comida e etc.), e é geralmente incinerado. Porém, certos materiais hospitalares, como aventais que estiveram em contato com raios eletromagnéticos de alta energia, como raios X, são categorizados de forma diferente (o mencionado avental, por exemplo, é considerado lixo nuclear), e recebem tratamento diferente. Os resíduos hospitalares constituem o lixo produzido em unidades de prestação de cuidados de saúde, incluin- do as atividades médicas de diagnóstico, prevenção e tratamento da doença em seres humanos ou em animais e, ainda, em atividades de investigação relacionadas. • Resíduos especiais: são aqueles que representam riscos para o meio ambiente e à saúde pública, podendo ser provenientes de atividades industriais, hospitalares, agrícolas etc. Exigem cuidados especiais desde o acondicionamento, transporte, tra- tamento até destinação final. • Classe I – Perigosos: são aqueles que contêm constituintes que apresentam risco para o ambiente, especialmente para os seres vivos. Esses são classificados em resídu- os inflamáveis, resíduos corrosivos, resíduos reativos e resíduos radioativos. • Resíduo inflamável: é substância que queima rápido e facilmente. A inflamabilida- de de um líquido é medida do seu ponto de ignição, ou seja, a menor temperatura na qual o vapor do líquido inflama-se quando exposto a uma chama. Resíduos infla- máveis podem ser classificados em líquido inflamável e líquido combustível. O líquido inflamável tem ponto de ignição inferior a 60,5°C. São exemplos os líquidos pirofóricos (inflamar-se espontaneamente no ar) e a hidrazina (N2H4), que tem odor de- sagradável e é usado como fabricação de espuma e fabricação de foguete. Resíduo sólido É encontrado no estado sólido e semissólido, resultante de atividades da comunidade de origem: doméstica, industrial, hospitalar, comercial, agrícola, varrição, serviços gerais. Ficam também incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamentos de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede de esgotos ou corpos da água, ou exijam para isso soluções – técnica e economicamente– inviáveis em face à tecnologia disponível (ABNT:NBR 10004/2004). 70 Química Ambiental Os líquidos combustíveis têm ponto de ignição entre 60,5°C e 93,3°C, ou seja, se infla- mam com menos facilidade do que os inflamáveis. • Resíduos corrosivos: são substâncias que provocam a deterioração dos materiais com os quais entram em contato, podem atacar tecidos vivos (desidratantes além de serem oxidantes). São exemplos de substâncias corrosivas: H2SO4, HCl, HNO3, NaOH, KOH. • Resíduos reativos: são aqueles que experimentam reações violentas, não necessi- tam de outro material para reagir, a própria molécula tem grupos oxidantes e redu- tores que reagem exotermicamente entre si. São exemplos a trinitrotolueno (TNT) e nitroglicerina, as substâncias que reagem violentamente com água (metais alcalinos) e as substâncias que reagem com água ou soluções ácidas ou básicas desprendendo gases venenosos (cianeto de hidrogênio e sulfeto de hidrogênio). • Resíduos radioativos: são aqueles que emitem radiação. As usinas nucleares pos- suem reatores capazes de produzir a radiação. Numa usina nuclear, o reator produz calor que vai aquecer na caldeira a água, gerando vapor para a turbina, e essa turbi- na, por sua vez, moverá o gerador que produz a energia elétrica. Os resíduos radioa- tivos são classificados em: • Classe II A - resíduos não inertes: são aqueles que não se enquadram nas classi- ficações de resíduo perigoso ou inerte. Esses resíduos têm propriedades, tais como: combustibilidade ou solubilidade em água. • Classe II B - resíduos inertes: quaisquer resíduos que não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor. • Lixo doméstico e aterros sanitários: O lixo descartado pela sociedade urbana é uma mistura complexa e de natureza muito diversa. Seus principais constituintes são material orgânico (resto de alimentos e de material vegetal), plásticos, papel, vidro e metais. Qual o problema ambiental do lixão? O chorume é o maior problema ambiental associado à operação e gerenciamento de aterros, por causa da considerável poluição que pode causar em contato com o solo, águas superficiais e subterrâneas. O problema surge quando o aterro opera sem uma 71Unidade 7 – Contaminantes orgânicos e inorgânicos adequada impermeabilização das paredes e fundo, e sem um eficiente sistema de coleta e tratamento do chorume antes da sua destinação final. Qual é a diferença entre lixão, aterro controlado e aterro sanitário? Vamos ver como funciona cada um deles. Há diversas formas de tratar o lixo, a mais usada é justamente a pior: os lixões. Eles são depósitos de lixo a céu aberto. Ele é uma área de disposição final de resíduos sólidos sem nenhuma preparação anterior do solo. Nesse local, não há sistema de tratamento de efluentes líquidos – o chorume. Em consequência disso, esse líquido penetra na terra, contaminando o solo e o lençol freático. No lixão, os resíduos ficam expostos, sem ne- nhum procedimento que evite as consequências ambientais e sociais negativas. Aterro controlado Com o objetivo de amenizar os depósitos a céu aberto, foram criados os aterros contro- lados, uma categoria intermediária entre o lixão e o aterro sanitário. Trata-se de uma célula adjacente ao lixão que foi remediada e passou a reduzir os im- pactos ambientais e a gerenciar o recebimento de novos resíduos. Essa célula adjacente Figura 7.1 - Esquema do funcionamento do aterro controlado Fonte: IFPR (2017) 72 Química Ambiental é preparada para receber resíduos com uma impermeabilização (manta de PVC) como pode ser observado na figura 7.1. Os aterros controlados são cobertos com terra ou saibro diariamente, fazendo com que o lixo não fique exposto e não atraia animais. Esses locais recebem uma cobertura de argila e grama, fazem a captação dos gases sendo queimado, e o chorume é recolhido para a superfície. Aterro sanitário O aterro sanitário é a disposição adequada dos resíduos sólidos urbanos. O diferencial é a responsabilidade com que o lixo é tratado e armazenado no local. Tudo é pensado, preparado e operado de maneira racional para evitar danos à saúde pública e ao meio ambiente – desde a escolha da área até a preparação do terreno, operação, determina- ção de vida útil e recuperação da área após o seu encerramento. Trata-se de um projeto arrojado de engenharia. Antes de iniciar a disposição do lixo, o terreno é preparado com a impermeabilização do solo e o selamento da base com argila e mantas de PVC. Com esse processo, o lençol freático e o solo não são contaminados pelo chorume. Há também um sistema de captação desse líquido para posterior tratamento; ele é cole- tado por meio de drenos, encaminhado para o poço de acumulação, de onde, nos seis primeiros meses de operação, é recirculado sobre a massa de lixo aterrada. Após esses seis meses, quando a vazão e os parâmetros já são adequados para tratamento, o choru- me acumulado é encaminhado para a estação de tratamento de efluentes. O aterro sanitário também prevê a cobertura diária do lixo, evitando a proliferação de vetores, mau cheiro e poluição visual, também contam com um sistema de captação e armazenamento ou queima do gás metano, resultante da decomposição da matéria or- gânica. Ao final da vida útil do aterro sanitário, a empresa que o opera é responsável por efetuar um plano de recuperação do terreno. Metais pesados Os metais pesados são elementos químicos, na grande maioria tóxicos para o homem. Os seres vivos necessitam de pequenas quantidades de alguns desses metais, incluindo 73Unidade 7 – Contaminantes orgânicos e inorgânicos cobalto, cobre, manganês, molibdênio, vanádio, estrôncio e zinco, para a realização de funções vitais no organismo. Porém, níveis excessivos desses elementos podem ser ex- tremamente tóxicos. Outros metais pesados como o chumbo, mercúrio e cádmio não possuem nenhuma função dentro dos organismos, e a sua acumulação pode provocar graves doenças, sobretudo nos mamíferos, como câncer e outras doenças graves. Quando lançados como resíduos industriais, na água, no solo ou no ar, esses elementos podem ser absorvidos pelos vegetais e animais das proximidades, provocando graves intoxicações ao longo da cadeia alimentar. Chumbo (Pb) O chumbo inorgânico é proveniente de diversas fontes industriais e de mineração, da gasolina, ocorre na água com estado de oxidação (+2). As principais fontes de emissões são indústrias de construção de chapas para telhados, combinado ao estanho em soldas usadas na eletrônica e em munição (balas de chumbo). Além das fontes poluidoras, o calcário, contendo chumbo, e a galena (PbS) contribuem para os teores de chumbo em águas naturais, em alguns locais. O chumbo elementar e o PbO2 são usados como eletrodos nas baterias. E o chumbo orgânico Pb (CH3)4 e Pb (C2H3)4 são usados são usados como aditivos na gasolina. Essa forma de emissão já não aflige os brasileiros, pois o chumbo já foi substituído por outros elementos nos aditivos da gasolina como, por exemplo, o cobre. Nos humanos, o envenenamento agudo por chumbo causa doença grave nos rins, afe- tando também o fígado, o sistema reprodutor, o cérebro e o sistema nervoso central, resultando em doenças e morte. Sabe-se que o envenenamento por chumbo pela expo- sição ambiental foi o agente de deficiência intelectual em muitas crianças. O chumbo é absorvido pelos pulmões, intestino e pele. É depositado pelos ossos, fígado, rim, baço, gengiva, cérebro e músculos, apresenta efeito carcinogênico. O envenenamento moderado por chumbo também causa anemia. A vítima pode ter dores de cabeça e musculares, além de sentir cansaço e irritabilidade (QUITERIO, 2006). Carcinogênico Processo de formação de câncer, devido à exposição à substância com potencial cancerígeno, isto é, que tem como propriedade o potencial de desenvolvimentode câncer. Esse processo, em geral, se dá lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere e dê origem a um tumor visível. Esse processo passa por vários estágios antes de chegar ao tumor. 74 Química Ambiental Mercúrio (Hg) O mercúrio é o mais volátil dos metais e seu vapor é altamente tóxico. Na forma líquida não é tóxico, sendo excretada a maior quantidade ingerida. As principais fontes de emissões de mercúrio são as indústrias, a queima de combustíveis (carvão, óleo) e a incineração de lixo. Na mineração também é uma fonte potencial desse elemento. Um exemplo é a exploração do mercúrio nos garimpos. Desde 1570 a 1900 estima-se ter sido emitido pela mineração cerca de 200.000 toneladas de mercúrio, na América do Sul e Central. Isso tem causado poluição considerável no ar e no rio Ama- zonas. O mercúrio difunde-se dos pulmões para a corrente sanguínea e depois atravessa a bar- reira sangue-cérebro, resultando em dano ao sistema nervoso central, sendo absorvido pelos pulmões, fígado, coração, baço, intestino, manifestando-se na forma de dificuldade de co- ordenação, visão, tato. Apresenta efeito carcino- gênico e mutagênico. Como efeito subagudo tem a salivação, a respiração ruidosa, a perda de dentes. São efeitos agudos: náuseas, vômitos, diarreia, dores abdominais (MICARONI, 2000). Cádmio (Cd) O cádmio é um elemento químico poluente da água, que tem origem nos resíduos de mineração e despejos industriais, sobretudo do processo de metalização, na combustão de carvão, incineração de lixo e em áreas adjacentes à fundição de chumbo, zinco e co- Mutagênico É todo agente físico, químico ou biológico que, em exposição às células, pode causar mutação, ou seja, um dano na molécula de DNA que não é reparado no momento da replicação celular, e é passado para as gerações seguintes. O nitrato de mercúrio (II), solúvel em água, foi muito usado para preparar o couro para fabricação de chapéus. Os trabalhadores da fábrica expostos ao Hg(II) apresentavam com frequência desordem nervosa, tremores musculares, depressão, perda de memória, paralisia e demência. Devido aos sintomas causados pela contaminação do mercúrio, criou-se a expressão “louco como um chapeleiro”, frase familiar aos admiradores de “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll. 75Unidade 7 – Contaminantes orgânicos e inorgânicos bre. Outra forma de emissão são as baterias Níquel–Cádmio, que contêm cerca de 5gra- mas desse elemento, onde grande parte do metal é volatilizada na incineração do lixo. A maior exposição ao cádmio se dá pela dieta alimentar. A ingestão se dá pelo consumo de batatas, trigo, arroz, cereais. As plantas absorvem o cádmio da água de irrigação e do solo. Sabe-se que uma das fontes de contaminação do solo é por fertilizantes fosfatados, que contêm cádmio na sua composição. O cádmio é absorvido pelos pulmões e intestino. É depositado no fígado, rim e, em me- nor proporção, em ossos e músculos. E excretado em pequenas quantidades pela urina. Nos seres humanos, os efeitos do envenenamento agudo por cádmio causam hiperten- são arterial, dano renal, dano ao tecido testicular e destruição dos glóbulos vermelhos. Os fumantes estão expostos ao cádmio absorvido do solo e da água de irrigação pelas plantas do tabaco (fumantes ingerem o dobro do cádmio que os não fumantes). Além disso, o cádmio substitui com facilidade o cálcio no organismo humano. Produtos orgânicos tóxicos Milhares de compostos orgânicos individuais entram nos corpos d’água como resultado da atividade humana. Esses compostos têm propriedades físicas, químicas e toxicológicas diferentes. Monitorar cada composto individual é praticamente inviável. É possível fazer uma seleção de prioridades baseada no tempo de permanência, toxici- dade e outras propriedades. A maioria dos produtos químicos sintéticos comerciais são compostos orgânicos, em geral, derivados do petróleo ou gás natural (D’Amato et al., 2002). Dentre os compostos orgânicos, destacam-se os pesticidas, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, bifenilaspolicloradas e produtos orgânicos persistentes. Fontes de poluição por Cd a O Cd2+ são usados, principalmente como pigmento na forma de CdS e CdSe, em plásticos coloridos para dar a cor amarela brilhante. Se não fosse esse pigmento, o pintor famoso Van Gogh não poderia ter pintado o seu famoso óleo “Os girassóis”, onde usou os tons amarelos do cádmio. Tem-se cogitado que o estado mental de angústia do pintor pode ter sido resultado da contaminação pelo cádmio. 76 Química Ambiental Pesticidas Os pesticidas são substâncias que podem matar diretamente ou controlar um organismo indesejável. Todos os pesticidas têm a propriedade comum de bloquear um processo metabólico vital dos organismos para os quais são tóxicos. As três categorias mais usadas são os inseticidas, herbicidas e fungicidas. Esses compostos exercem impacto potencial sobre a saúde humana, devido à ingestão de alimentos contaminados. O pesticida mais conhecido é o diclorodifeniltricloretano (DDT). O acelerado crescimento da população mundial, acompanhado do desenvolvimento tec- nológico e da migração de pessoas da zona rural para a zona urbana, tem trazido várias desvantagens aos ecossistemas. O aumento da população mundial produz uma demanda crescente de alimentos e isso tem motivado o uso de pesticidas nas plantações para prevenir ou combater pragas, visando assegurar maior produtividade. Isso gera um acúmulo de compostos químicos indesejáveis no meio ambiente. Em consequência disso, há um aumento do número de áreas contaminadas. Já que o uso de tais compostos tem causado contaminação de sistemas aquáticos, sendo importante monitorar as águas subterrâneas, especialmente em áreas próximas a regiões agrícolas e locais que constituem fontes de água potável. Os resíduos tóxicos passam para a água causando grande mortalidade de peixes e aves, e também para os alimentos. As águas superficiais são contaminadas pela lavagem do solo por enxurradas e pela ação do vento que carrega o pesticida, ao passo que os lençóis freáticos podem ser contaminados com a percolação desses compostos. Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPA) Constituem uma família de compostos caracterizada por possuírem dois ou mais anéis aromáticos condensados. Esses compostos podem ser absorvidos pela pele, por ingestão ou por inalação, sendo rapidamente distribuídos pelo organismo. Inseticidas são produtos utilizados para matar insetos. Herbicidas: produto químico utilizado para destruir ou controlar o crescimento de plantas daninhas, arbustos ou qualquer tipo de vegetação indesejável. Fungicidas: usados no controle de fungos, ferrugem, entre outros. 77Unidade 7 – Contaminantes orgânicos e inorgânicos Sua principal fonte são os processos de combustão de material orgânico (particularmen- te a exaustão de motores a diesel ou a gasolina), a queima de carvão, a exaustão de plan- tas de incineração de rejeitos, a fumaça de cigarro, além de vários processos industriais. Os alimentos são considerados outra importante fonte de exposição humana, devido à deposição sobre grãos, vegetais e frutas. São poluentes prioritários, devido à toxicidade, persistência e predominância no meio ambiente. Esses compostos estão associados ao aumento da incidência de diversos tipos de cânce- res no homem, pois são capazes de reagir diretamente, ou após sofrerem transformações metabólicas, com o DNA, tornando-se potenciais carcinógenos e eficientes mutagênicos (Netto et al, 2000). Bifenilas Policloradas (PCB) São hidrocarbonetos clorados que consistem de dois anéis de benzeno unidos por uma ligação simples de carbono-carbono, com até 10 átomos de cloro. Sendo assim, são compostos organoclorados (PENTEADO e VAZ, 2001). Os PCBs tiveram diversas aplicações comerciais, tendo sua produção comercial iniciada em 1929. São utilizados em sistemas de transferênciade calor, fluído dielétrico em trans- formadores e capacitores, fluídos hidráulicos, lubrificantes, plastificantes para tinta. Esses compostos apresentam alta resistência à degradação, capacidade de bioacumular e biomagnificar na cadeia trófica e ampla distribuição ambiental, sendo o transporte atmosférico o principal mecanismo para a dispersão desses compostos. Devido às implicações à saúde humana e ao impacto no ambiente, o uso e a produção de PCBs foram severamente restritos ou banidos em muitos países. Produtos Orgânicos Persistentes (POP) Em reunião do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), ocorrida em maio de 2001 em Estocolmo, representantes de noventa países, incluindo o Brasil, assi- naram a Convenção sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, que visa proibir a produção e o uso de compostos orgânicos tóxicos, denominadas Produtos Orgânicos Persistentes (POP). Os POP provocam doenças graves, em especial o câncer, além de má-formação em seres vivos. Muitas vezes, são encontrados em locais distantes das fontes emissoras, sendo, portanto, um problema de caráter global (ALMEIDA et al., 2007). 78 Química Ambiental São compostos pouco solúveis em água, mas são solúveis em gorduras. Os animais têm um ótimo sistema de eliminação de toxinas solúveis em água, que são expelidas na uri- na, mas não possuem mecanismo eficaz de eliminação de substâncias pouco solúveis na água. Tal efeito é intensificado em animais ditos superiores, que se alimentam das gorduras de outros animais. Podem percorrer longas distâncias pelas correntes aéreas e oceânicas. Ou seja, eles não contaminam só o local de emissão, mas também os locais distantes e remotos como: o Ártico, as cadeias montanhosas e os oceanos. Evaporam rapidamente em regiões quentes e lentamente em locais frios. Devido a fato- res geográficos e meteorológicos, o Polo Norte é um depósito global para contaminantes POP (GREENPEACE, 2016). Legislação para material contaminante orgânico Visando proteger o meio ambiente e a sociedade, e regular e controlar a utilização desses compostos, existem algumas legislações que estão em vigor no país, onde estabelecem padrões e procedimentos, viabilizam a reparação dos danos ambientais, atendendo as exigências da globalização. A Constituição Federal de 1988, Art. 225, diz que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- -lo para a presente e futura geração”. A Lei 6.938/81 que “Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências” constitui-se na linha dorsal do direito ambiental brasileiro. Essa lei esclarece que “poluidor” é qualquer pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável direta ou indiretamente por atividade causadora de degradação ambiental, e define a obrigatoriedade de o poluidor indenizar pelos danos ambientais causados, independentemente da culpa. A Lei 9.605/98 que “Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de con- dutas e atividades lesivas ao meio ambiente e dá outras providências” também esclarece que o autor (ou o coautor) da infração, devido à falta de licença ambiental, pode ser penalizado com até 4 anos de prisão e/ou multa. Resolução CONAMA n° 237/97 que “Dispõe sobre a revisão e complementação dos procedimentos e critérios utilizados para o licenciamento ambiental” explica que todos os projetos de localização, construção, modificação e ampliação de empreendimentos 79Unidade 7 – Contaminantes orgânicos e inorgânicos previstos na resolução, obrigatoriamente, deverão ter prévio licenciamento do órgão ambiental competente, sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis. De acordo com a resolução do CONAMA, a emissão das licenças ambientais é de res- ponsabilidade dos estados ou municípios, estabelecendo normas peculiares sobre suas próprias exigências que deverão ser respeitadas. Nesta unidade, foram apresentados e classificados os resíduos sólidos perigosos. Em seguida, abordado o problema urbano causado pelos lixões. Na decomposição do lixo é formado o chorume, que pode contaminar os mananciais e até mesmo os lençóis freáti- cos. Também foi apresentado o funcionamento de um aterro sanitário, com duas frações sendo tratadas. O chorume (fração líquida) é tratado por uma Estação Tratamento de Esgoto (ETE), e o metano (fração gasosa) é queimado. Vimos também a ação tóxica dos metais pesados e a química dos pesticidas, hidrocar- bonetos aromáticos policíclicos, bifenilaspolicloradas e produtos orgânicos persistentes. 80 Química Ambiental Pratique • Com o crescimento da população mundial, há necessidade do aumento da produção de alimentos em grande escala, que precisa ser cada vez maior para suprir essa de- manda. Essa grande produção alimentícia requer o uso de produtos químicos, agro- tóxicos e/ou fertilizantes, que irão garantir essa produção de controle de pragas. Para fazer o controle das pragas, foram desenvolvidas várias substâncias químicas, os agrotóxicos ou pesticidas. O uso desses produtos químicos tem auxiliado a aumen- tar a produção de alimentos, mas o uso indiscriminado e sem os devidos cuidados, acarretam muitos problemas, tanto ambientais quanto para a saúde de animais e do próprio homem. Assim sendo, responda: quais são as alternativas para erradicar ou diminuir o uso desses produtos e minimizar os impactos negativos sobre o ambiente e a saúde humana? Unidade 8 Fonte: Flickr / Agência Brasília/ CC BY Remediação de passivos ambientais 82 Química Ambiental A Unidade 8 visa proporcionar conhecimento de técnicas de remediação de áreas contaminadas, bem como elucidar o quão complexo é este tema. A função de um profissional de meio ambiente não é apenas avaliar e evitar contamina- ções, mas também remediar os passivos ambientais causados ou gerados no passado pelo desconhecimento de procedimentos seguros. A remediação ambiental é a remoção de poluição ou contaminantes, tanto da água como do solo. Esses resíduos são removidos para a proteção da saúde humana e para restaurar o ambiente. Os locais que foram usados para eliminar resíduos perigosos representam um desafio para a reme- diação. Esta é altamente regulamentada e sujeita a uma série de requisitos legais, que geralmente são baseados em avaliações de riscos para a saú- de humana e ambientais. Os projetos de remediação podem variar de projetos grandes e caros [nos quais um gran- de esforço é gasto para limpar locais contaminados a projetos menores e menos onero- sos [como a limpeza de um acidente de estrada em que o combustível é derramado]. Em alguns casos, um local está tão contaminado que só pode ser vedado e isolado o máximo possível do resto do ambiente. Projetos de remediação geralmente começam com uma avaliação do local para determinar os custos do projeto, bem como a tecnologia que seria mais adequada para o local específico. Tipos de remediação Remediação é um conjunto de ações de intervenção para reabilitação de área contami- nada, que consiste em aplicação de técnicas, visando remoção, contenção ou redução das concentrações de contaminantes. Ela é realizada em várias matrizes ambientais, in- cluindo solo, sedimentos, águas subterrâneas e superficiais. A remediação (do solo e da Passivo ambiental Obrigações de curto e longo prazo que as empresas assumem, a fim de promover o melhoramento ambiental. São investimentos em ações para amenização ou extinção de danos causados pela produção e os processos relacionados. São consideradas, ainda, as dívidas contraídas para a preservação do meio ambiente, sejam elas novas ou antigas. Multas e indenizações também se encaixam nessa categoria. 83Unidade 8 – Remediação de passivos ambientais água) pode tambémser realizada separadamente ou em conjunto, dependendo do tipo e extensão da poluição. A remediação ambiental pode ser classificada como in-situ ou ex-situ. O método de remediação in-situ trata a contaminação no local sem remover o solo. Enquanto que o modo ex-situ envolve a escavação de solo ou sedimento, envio para seu tratamento e realocação do material ao seu local original. Etapas da remediação O estudo das áreas contaminadas deve seguir uma metodologia para que todo o tra- balho seja eficaz. Para isso, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) elaborou um manual com etapas pré-determinadas para o gerenciamento de uma área contaminada. As principais etapas para o diagnóstico ambiental são: • Investigação preliminar – com coleta de dados históricos sobre as atividades de- senvolvidas no local, levantamento de dados sobre os aspectos geográficos, geológi- cos e hidrogeológicos, vistoria para reconhecimento do local, entrevista com pessoas ligadas ao empreendimento e vizinhas à área e levantamento de dados para alimen- tar um modelo conceitual. • Investigação confirmatória – áreas onde foram encontrados indícios de conta- minação serão investigadas para sua confirmação, onde será efetuada sondagem para reconhecimento da qualidade ambiental, coletas de amostras e, caso necessário, abertura de poços de monitoramento. Área contaminada (terreno, local, instalação, edificação ou benfeitoria) é aquela que apresenta quantidades ou concentrações de quaisquer substâncias ou resíduos em condições que causem ou possam causar danos à saúde humana, ao meio ambiente ou a outro bem a proteger, que nela tenham sido depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, acidental ou até mesmo natural. 84 Química Ambiental • Investigação detalhada – se as amostras coletadas resultarem em valores acima dos máximos delimitados pela legislação, uma investigação detalhada é iniciada. Nes- sa etapa, o local será mapeado vertical e horizontalmente, os contaminantes serão quantificados; e identificadas as vias de exposição e receptores para uma avaliação de risco que subsidiará um plano de ação. • Avaliação de risco – corresponde a uma estimativa prévia da probabilidade de ocor- rência de um acidente e a avaliação das consequências sociais, econômicas e ambien- tais. As ações para reabilitar uma área devem ser constantes até que as concentrações das substâncias detectadas atinjam níveis aceitáveis para uso pretendido futuro. O uso posterior do local determinará o nível de eficiência de remoção das substâncias da área, o teor máximo dos compostos poluentes, as tecnologias de remediação, o tempo de operação e seu custo. Gestão ambiental É um sistema de administração empresarial que dá ênfase à sustentabilidade, e visa o uso de práticas e métodos administrativos para reduzir, ao máximo, o impacto ambiental das atividades econômicas nos recursos da natureza. As empresas que possuem uma gestão ambiental, seja de forma obrigatória ou não, pos- suem política, planejamento e gerenciamento que regulamentam o processo, evitando que gerem passivos ambientais como ocorria no passado. A expressão “política ambiental” pode ser definida como o conjunto de princípios que aproximam as aspirações sociais e/ou governamentais referentes à regulamentação ou modificação no uso, controle, proteção e conservação do ambiente. O planejamento ambiental é um estudo prospectivo que visa a adequação do uso, con- trole e proteção do ambiente às aspirações sociais e/ou governamentais expressas formal ou informalmente em uma política ambiental, através da coordenação, compatibiliza- ção, articulação e implantação de projetos de intervenções estruturais e não estruturais. Gerenciamento ambiental é definido como um conjunto de ações destinado a regular o uso, controle, proteção e conservação do meio ambiente, e avaliar a conformidade da situação corrente com os princípios doutrinários estabelecidos pela política ambiental. 85Unidade 8 – Remediação de passivos ambientais A adoção de gestão ambiental associa a imagem da empresa ao da preservação ambien- tal, melhorando no mercado as marcas de seus produtos. Empresas que adotam esse sis- tema conseguem reduzir seus custos, evitando desperdícios e reutilizando materiais que antes eram descartados, também melhoram as relações comerciais com outras empresas que também seguem esses princípios. A empresa que possui uma gestão ambiental organizada e efetiva pode receber a certi- ficação ISO 14000, que é um conjunto de normas técnicas e administrativas que estabe- lecem parâmetros e diretrizes à gestão ambiental para as empresas dos setores privado e público. Técnicas de remediação A remediação ambiental utiliza grande variedade de tecnologias e métodos para a limpe- za de áreas contaminadas. Os métodos utilizados num determinado local dependem do tipo e extensão da poluição, bem como das características do próprio sítio. Áreas onde a poluição se infiltrou profundamente no solo e águas subterrâneas requerem métodos diferentes de áreas onde uma pequena quantidade de produto químico foi derramada sobre o solo. Existem muitos métodos de remediação diferentes e novas tecnologias es- tão sendo desenvolvidas regularmente. Escavação e dragagem A escavação é um método ex-situ que envolve a remoção de solo contaminado ou de ou- tros materiais. Essa é a forma mais comum de remediação do solo. O processo pode ser tão simples quanto transportar o solo e substituí-lo por outro não contaminado, ou pode envolver processos mais complexos, como arejamento (circulação do ar através de uma substância) ou biorremediação (descrito posteriormente). Se o solo estiver contaminado com poluentes que não podem ser removidos com segurança, como resíduos radioativos ou nucleares, o solo é escavado, colocado em contentores seguros e transportado para uma instalação de armazenamento seguro. A dragagem é a remoção de sedimentos submarinos. Isso é feito com equipamentos es- peciais operados a partir da costa, ou de barcaças e navios. Uma draga é um dispositivo para raspar ou bombear material sólido do fundo de rios, lagos e outros corpos de água fresca ou salgada. 86 Química Ambiental Bombeamento e tratamento Bombear água subterrânea contaminada para fora do solo e purificá-lo antes de retorná- -lo ao solo. Uma bomba de vácuo traz água para a superfície, onde é tratada com uma variedade de técnicas, dependendo do tipo de contaminação. Se a água é contaminada com produtos petrolíferos, por exemplo, a água é tratada com carvão ativado, que se liga com os produtos químicos em uma forma sólida, permitindo que eles sejam separados da água. A água pode ser filtrada para remover certos contaminantes, ou ser tratada com agentes biológicos. Outra técnica utilizada para limpar a água subterrânea poluída é a remoção do ar, durante o qual certos contaminantes são vaporizados e sugados por uma corrente de ar para serem separados e removidos. Solidificação e estabilização A solidificação envolve a adição de materiais que se ligam aos contaminantes formando complexos não solúveis. Embora isso não remova os contaminantes do ambiente, impe- de que a contaminação se espalhe para uma área maior ou que atinja águas subterrâ- neas subjacentes. Por exemplo, um projeto de remediação misturaria solo contaminado com cimento para formar um bloco sólido, aprisionando poluentes e impedindo que a chuva espalhe a contaminação, mudando de uma contaminação pontual para contami- nação difusa. Estabilização utiliza materiais que reagem quimicamente com os contaminantes. Esses materiais alteram a composição do contaminante e o torna menos perigoso, ou mais fácil de conter ou remover por ligação com contaminantes, e prevenir a sua propagação. A estabilização é frequentemente utilizada em locais contaminados com metais pesados, tais como arsênio e mercúrio (Barra et al., 2000). OxidaçãoAs tecnologias de oxidação utilizam oxidantes fortes, que aumentam o número de oxi- dação dos contaminantes do solo ou água subterrânea. Nesse processo, um oxidante químico (como o peróxido de hidrogênio) é bombeado para o solo, onde se mistura com a água subterrânea, quebrando certos produtos químicos. Em alguns casos, a oxidação é usada para aumentar o teor de oxigênio do solo ou da água subterrânea, aumentando o crescimento de bactérias que ocorrem naturalmente e outros micróbios. Esses organis- mos ajudam a quebrar certos tipos de poluição química. 87Unidade 8 – Remediação de passivos ambientais Extração do vapor do solo A extração do vapor do solo é uma técnica de remediação que purifica o solo e as águas subterrâneas ao mesmo tempo. O ar ou o vapor é injetado no solo por um sistema de sopradores e poços de injeção. Os vapores são então extraídos e tratados confor- me necessário. A extração de vapor de solo é utilizada para tratar uma variedade de contaminantes, especialmente produtos petrolíferos. Dessorção térmica A dessorção térmica remove compostos predominantemente orgânicos a partir de ma- trizes sólidas, tipicamente solos, lamas e bolos de filtração sem destruí-los termicamente. É uma tecnologia de separação e posterior coleta e recuperação, e repita-se, não uma tecnologia de incineração, a qual apresentaria predominante decomposição de compos- tos. Uma vez que o processo é regulado através de transferência de massa, o tempo de aquecimento e a quantidade de mistura também são parâmetros importantes na otimi- zação da eficiência de remoção. Dessorção térmica já foi usada com sucesso para quase todos os contaminantes orgâni- cos encontrados até o momento. Isso não significa que a dessorção térmica é a melhor escolha para cada projeto que objetiva tratar solo contaminado. Com a exceção do mercúrio, a dessorção térmica não pode ser usada para remover metais pesados. No entanto, os agentes estabilizantes podem ser adicionados ao solo tratado ou à corrente de alimentação de solo durante o processo de umedecimento, objetivando diminuir a lixiviação da maioria dos metais Figura 8.1 - Esquema de dessorção térmica Fonte: IFPR (2017) 88 Química Ambiental Biorremediação Biorremediação é o uso de microrganismos para remover poluentes do solo ou da água. Isso é feito pelo tratamento de materiais contaminados no local ou pela remoção de materiais contaminados que serão, posteriormente, tratados em outro local. Diferentes microrganismos (como fungos, bactérias ou certas espécies de plantas) são utilizados para remover contaminantes e, normalmente, são adequados para certos tipos de pro- dutos químicos. Biorremediação é comum no uso de derramamentos de óleo, porque os microrganismos são extremamente eficazes em quebrar cadeias carbônicas longas, encontrados no óleo. Essa técnica é, muitas vezes, menos dispendiosa do que outras tecnologias, mas geralmente leva mais tempo para descontaminar completamente um ambiente. Concluindo, existe uma grande diversidade de métodos que contribuem para a descon- taminação de áreas contaminadas, que devem ser estudadas especificamente para cada tipo de contaminante e cada matriz ambiental. Pratique • O meio ambiente não é uma solução pura que podemos tratar no laboratório. Seus diversos componentes fazem com que as interações sejam complexas. Assim, consi- derando que houve um acidente de trânsito, e um caminhão contendo óleo de soja tenha virado e perdido boa parte de seu conteúdo no solo, e próximo a essa área tenha um córrego, responda: qual a melhor técnica para evitar que a contaminação se espalhe? Unidade 9 Fonte: Freepik / kjpargeter / CC BY Química verde 90 Química Ambiental A química verde não é apenas um ramo de estudo para a química, mas sim um tema interdisciplinar, que pode envolver química, física, biologia e engenharia. O conhe- cimento sobre o conceito e as aplicações de tecnologias sustentáveis é o objetivo dessa unidade que estudaremos a partir de agora. Em relação meio ambiente, a química, muitas vezes, é vista como vilã. É responsabilizada por grandes desastres ambientais e por prejudicar a fauna e a flora. No contrafluxo desse pensamento, há grupos de pesquisas que buscam utilizar a química de modo sustentá- vel, utilizando-a para prevenir e melhorar nosso ambiente como um todo, minimizando o consumo de reagentes e modificando antigos processos analíticos. Definição de química verde A química verde promove produtos e processos químicos que reduzem ou eliminam o uso ou geração de substâncias perigosas. Sua filosofia se aplica a todas as áreas da química. Pode ser aplicado em todo o ciclo de vida de um produto químico, incluindo a sua fabricação, utilização e descarte final. A química verde também é conhecida como química sustentável, pois possui soluções científicas inovadoras para os problemas am- bientais do mundo real. A ideia de reduzir ou miniaturizar as reações impede a geração de contaminantes, reduz os impactos negativos de produtos e processos químicos na saúde humana e no ambiente, diminuindo e, por vezes, eliminando riscos resultantes de produtos e processos existentes. A União Internacional de Química Pura e Aplicada (em inglês, International Union of Pure and Applied Chemistry - IUPAC) define o termo “química verde” da seguinte maneira: “é a invenção, desenvolvimento e aplicação de produtos e processos químicos para reduzir ou eliminar o uso e a geração de substâncias perigosas”. Princípios da química verde Embora alguns desses princípios pareçam ser pouco mais do que a aplicação do senso comum aos processos químicos, a verdade é que a sua implementação combinada re- quer um grande esforço no desenvolvimento dos produtos e processos. 91Unidade 9 – Química verde A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos da América (Environmental Pro- tection Agency – EPA ou USEPA, 2016) propôs 12 princípios para nortear o estudo, de- monstrado a amplitude do conceito da química verde: 1. Prevenção: evitar a formação de resíduos tóxicos do que tratá-los depois de produ- zidos. 2. Eficiência atômica: desenvolver metodologias sintéticas de modo a incorporar o maior número possível de átomos dos reagentes no produto final. 3. Síntese segura: desenvolver metodologias sintéticas que utilizem e gerem substân- cias com pouca ou nenhuma toxicidade à saúde humana e ao ambiente. 4. Desenvolvimento de produtos seguros: buscar o desenvolvimento de produtos químicos que, após realizarem a função desejada, não causem danos ao meio am- biente. 5. Uso de solventes e auxiliares seguros: a utilização de substâncias auxiliares (como solventes, agentes de purificação e secantes) precisa ser evitada ao máximo. Caso seja inevitável o uso de solventes e auxiliares, então, essas substâncias devem ser inócuas ou facilmente reutilizáveis. 6. Busca pela eficiência de energia: os métodos sintéticos devem ser conduzidos sempre que possível à pressão e temperatura ambientes, para diminuir a energia gas- ta durante um processo químico que representa um impacto econômico e ambiental. 7. Uso de fontes de matéria-prima renováveis: uso de biomassa como matéria-pri- ma deve ser priorizado no desenvolvimento de novas tecnologias e processos. 8. Evitar a formação de derivados: a derivatização (uso de reagentes bloqueadores, de proteção ou desproteção, modificadores temporários) deve ser minimizada ou evitada quando possível, pois esses passos reacionais requerem reagentes adicionais e, consequentemente, podem produzir subprodutos indesejáveis. 9. Catálise (seletividade): em substituição aos reagentes estequiométricos, a apli- cação de catalisadores para aumentar a velocidade e o rendimento dos processos químicos. 10. Produtos degradáveis: produtos químicos devem ser desenvolvidos para a degra- dação inócua de produtos tóxicos, para não persistirem no ambiente. 92 Química Ambiental 11. Análise em tempo real para a prevençãoda poluição: as metodologias analí- ticas precisam ser desenvolvidas para permitirem o monitoramento do processo em tempo real, para controlar a formação de compostos tóxicos. 12. Química intrinsecamente segura para a prevenção de acidentes: as substân- cias usadas nos processos químicos devem ser escolhidas para minimizar acidentes em potencial, tais como: explosões e incêndios. Benefícios da química verde Além dos benefícios ambientais, tal pensamento apresenta também um impacto econô- mico graças à diminuição de gastos com o armazenamento e tratamento de resíduos, a descontaminação e o pagamento de indenizações. Saúde humana Com a não geração de grandes quantidades de resíduos, temos uma melhora na quali- dade de diversas matrizes ambientais, como: • Menor liberação de substâncias químicas perigosas para a atmosfera, causando me- nores danos aos pulmões. • Menor lançamento de resíduos químicos perigosos para a água, necessitando menos tratamentos químicos para torná-la potável, sendo possível consumir e utilizar como recreação. • Segurança aumentada para os trabalhadores da indústria química; menor uso de materiais tóxicos; menos equipamentos de proteção individual necessários; menor Inócuas Inofensivas, que não causam danos. Estequiométrico Baseia-se na lei da conservação das massas, na lei das proporções definidas e na lei das proporções múltiplas. Em geral, as reações químicas combinam proporções definidas de compostos químicos. Já que a matéria não pode ser criada ou destruída, a quantia de cada elemento deve ser a mesma antes, durante e após a reação. 93Unidade 9 – Química verde potencial de acidentes (por exemplo, incêndios ou explosões). • Produtos de consumo mais seguros de todos os tipos. • Alimentos mais seguros: a eliminação de substâncias tóxicas persistentes que podem entrar na cadeia alimentar; pesticidas mais seguros que são tóxicos apenas para de- terminadas pragas e degradam-se rapidamente após o uso. • Menor exposição a esses produtos químicos tóxicos como desreguladores endócrinos. Meio Ambiente Muitos produtos químicos atingem o meio ambiente através da aplicação intencional durante o uso (por exemplo, pesticidas), não intencionais (incluindo as emissões durante a fabricação), ou por disposição de resíduos. Esses produtos químicos podem ser degradados ou não, dependendo de suas caracte- rísticas e das características do ambiente. Locais ricos em material orgânico e com diver- sidade microbiológica pode atenuar muitos compostos tóxicos, mas com resíduos em excesso modificam o ambiente e dificultam sua recuperação. A química verde utiliza produtos que facilmente se degradam a produtos inócuos ou que possuem fácil e rápida degradação. Assim, plantas e animais sofrem menos danos. Além disso, tem-se um menor potencial de aquecimento global, destruição do ozônio e for- mação de smog, menor uso de aterros sanitários e de aterros de resíduos industriais perigosos. Economia e negócios • Rendimentos mais elevados para reações químicas, maiores eficiências nas reações consomem pequenas quantidades de matéria-prima para se obter a mesma quanti- dade de produto. • Menor utilização de etapas sintéticas, permitindo fabricação mais rápida dos produ- tos, aumentando a capacidade da planta, e economia de energia e água. • Redução do desperdício, eliminando remediação de alto custo de resíduos. 94 Química Ambiental • Permitir a substituição de uma matéria-prima por um subproduto ou um resíduo de outra indústria. • Redução do uso de produtos petrolíferos, retardando seu esgotamento e evitando perigos e as flutuações de preços. • Redução do tamanho das fábricas devido ao aumento da taxa de transferência. • O aumento das vendas de consumo por ganhar e exibindo uma etiqueta de produto mais seguro. • Melhoria da competitividade dos fabricantes químicos e seus clientes. Utilização da química verde: reaproveitamento de resíduos A minimização ou redução de resíduos inclui qualquer prática, ambientalmente segura, de redução na fonte, reuso ou reciclagem e recuperação de materiais e/ou do conteúdo energético dos resíduos, visando reduzir a quantidade ou volume dos resíduos a serem tratados e adequadamente dispostos (CETESB). Tanto o reuso quanto a reciclagem possuem diferentes conceitos que muitas vezes são confundidos pela população. O reuso é qualquer prática ou técnica que permite a reutilização do resíduo, sem que o mesmo seja submetido a um tratamento que altere as suas características físico-químicas. A reciclagem é qualquer técnica ou tecnologia que permite o reaproveitamento de um resíduo, após o mesmo ter sido submetido a um tratamento que altere suas característi- cas físico-químicas. A reciclagem pode ser classificada como: • reciclagem dentro do processo: permite o reaproveitamento do resíduo como in- O tema “química verde” foi assunto tratado em revistas como a Superinteressante. Leia a reportagem e fique por dentro. Disponível em: <http://www.superinteressante.pt/index.php?option=com_content&id=1222:a- quimica-verde&Itemid=98>. 95Unidade 9 – Química verde sumo no processo que causou sua geração (exemplo, o reaproveitamento de água tratada no processamento industrial); • reciclagem fora do processo: permite o reaproveitamento do resíduo em um pro- cesso diferente do gerador (exemplo, o reaproveitamento de cacos de vidro, de dife- rentes origens, na produção de embalagens de vidro, ou ainda o reaproveitamento de latas de refrigerante ou cerveja). Energias limpas A utilização de fontes energéticas renováveis (figura 9.1), além de economia a longo prazo, não gera resíduos tóxicos. Entretanto, seu custo de implantação ainda é uma barreira para a utilização em massa. Estudiosos acreditam que à medida que nos aproxi- memos da escassez dos combustíveis fósseis, haverá um aumento gradativo na busca de alternativas de biocombustíveis, que hoje são consideradas de preço elevado, atingirão rapidamente valores competitivos. Dentre essas alternativas, o Brasil domina a tecnologia mundial de bioprodução de eta- nol a partir da cana-de-açúcar e possui a maior frota de veículos movida por esse bio- combustível, de fonte renovável, e que não produz os gases tóxicos típicos dos derivados de petróleo. Aceleração de processos Sempre que uma reação química é necessária, deve-se levar em conta a matéria-prima, o solvente que será utilizado e a energia necessária para essa reação acontecer. A energia Figura 9.1 - Energia eólica e solar Fonte: Pixabay / tpsdave / Pixabay / InspiredImages 96 Química Ambiental de ativação de uma reação química pode ser diminuída por ação de agentes externos que não participam da reação. Dentre esses agentes temos os catalisadores químicos e diferentes formas de energia, como o ultrassom e as micro-ondas. Um exemplo de catálise utilizada diariamente são os conversores catalíticos dos automó- veis. Os catalisadores são em geral uma liga de paládio e ródio (para motores a gasolina) e de paládio e molibdênio (para motores a álcool). Dentro desse catalisador ocorrem rea- ções químicas nas quais os gases provenientes da combustão incompleta são convertidos em gases não tóxicos. Ultrassom é outro tipo de transferência de energia, seu efeito é importante principal- mente em reações em meio aquoso e bifásico, pois há aumento do rendimento e das velocidades das reações. A irradiação por micro-ondas contribui para separar a água dos óleos pesados da área petroquímica e, por outro lado, para o aumento da seletividade e eficiência das opera- ções. A irradiação por micro-ondas permite aquecimento rápido e seletivo de materiais, além de possibilitar processos limpos e de baixo custo. O maior desafio é continuar o desenvolvimento, diminuir os danos causados ao meio ambiente, gerar menos resíduos e efluentes tóxicos, bem como menor produção de ga- ses indesejáveis ao ambiente. O mundo está passando por um processo de conscientização em relação aomeio am- biente, que foi utilizado de modo inconsequente. Por conta disso, a química verde busca o desenvolvimento sustentável para garantir de forma eficaz as matérias-primas necessá- rias para nosso dia a dia, mas que isso não interfira de forma irreparável no nosso meio ambiente. Busca a conscientização de todos para um bem comum. Em cada aplicação de algum dos princípios da química verde, estaremos caminhando para uma utilização mais consciente dos nossos recursos naturais e para a manutenção da vida no planeta. 97Unidade 9 – Química verde Pratique • Resíduos da agricultura, em geral, não são valorizados. Porém, novos produtos como o biochar vem ganhando espaço e pode ser uma ótima opção para aproveitar resídu- os. Trabalhos mostram o uso de cascas de arroz e fibras de coco sendo transformado em biochar. Como é o processo de transformação desses compostos e onde pode- riam ser aplicados? Unidade 10 Fonte: Pixabay / WikiImages/ CC0 Estudo de casos 100 Química Ambiental Exemplos do que aconteceu no passado nos ajudam a pensar no futuro, a corrigir os erros cometidos. Quando os desastres são inevitáveis, contribuir para tomarmos decisões acertadas para remediar a contaminação de forma rápida e eficiente. Assim sendo, nesta unidade mostraremos três casos de desastres ambientais, discutindo porque aconteceu, o que foi feito e como foram solucionados. No primeiro estudo, o caso do rio dos Sinos, onde ocorreu a morte de mais de 80 toneladas de peixes em poucos dias. O segundo, a contaminação de uma área industrial de tratamento de madeiras com CCA (arseniato de cobre cromatado) e, por fim, um caso recente de desastre ambiental, o caso de Mariana. Mortandade no rio dos Sinos A bacia hidrográfica do rio dos Sinos está situada a nordeste do Rio Grande do Sul, pos- sui uma área de 3.820 km2, com uma população aproximada de 975.000 habitantes, sendo que 90,6% ocupam as áreas urbanas e 9,4% estão nas áreas rurais. Seu curso d’água principal tem uma extensão aproximada de 190 km, e uma precipitação pluvio- métrica anual de 1.350mm. Em outubro de 2006, ocorreu um dos maiores desastres ambientais do Rio Grande do Sul, uma grande mortandade de peixes no rio dos Sinos. Um conjunto de fatores foi necessário para que esse desastre ocorresse: O rio dos Sinos é considerado o mais poluído da região, possui importante parque indus- trial (coureiro-calçadista, petroquímico e metalúrgico). Assim, os efluentes lançados pelas indústrias, embora geralmente fiquem dentro dos valores limites válidos, contribuem para uma pequena modificação do ambiente aquático. Um efluente para ser lançado ao meio ambiente, como nos rios, deve ter uma qualidade mínima. Essa qualidade segue a Resolução do CONAMA nº 357/2005 e 430/2011. A contribuição para a má qualidade das águas desse rio não é apenas devido ao grande número de indústrias, mas também pela grande população que vive no entorno. O lixo lançado diretamente no rio, a retirada/derrubada das matas ciliares facilitando a erosão e assoreamento e o lançamento de esgoto municipal sem o devido tratamento foram os pontos mais problemáticos desse desastre ambiental. 101Unidade 10 – Estudo de casos Junto a isso, em 2006, o Rio Grande do Sul passou por uma época de estiagem, com chuvas abaixo do esperado. Adicionado a isso, outubro é época de piracema, quando os peixes sobem o rio para desovar. Dessa forma, os níveis de oxigênio das águas ficaram abaixo do nível crítico, e os peixes que ali se concentravam para obter alimento acabaram morrendo. Medidas após o episódio Os peixes foram contidos com uma barreira de proteção, assim não se espalhariam pelo rio e poderiam ser removidos. A retirada não foi tarefa fácil, sendo necessário uso de máquinas e envolvimento da comunidade para a conclusão da tarefa. Figura 10.1 - Canal despejando esgoto não tratado no rio dos Sinos Fonte: Relatório da FEPAM/RS Figura 10.2 - Barreira para retirada dos peixes mortos no rio dos Sinos Fonte: Relatório da FEPAM/RS/CC BY 102 Química Ambiental Após a retirada dos peixes, foram coletadas amostras de água, sedimento, peixes para análise no laboratório. Com essa amostragem, foi possível detectar a causa mortis (ex- pressão latina “causa da morte”) dos peixes e tomar uma decisão final. No período emergencial, foram colocados aeradores no rio para promover melhora no índice de oxigênio dissolvido. Algumas empresas que não estavam cumprindo a lei foram autuadas; as prefeituras que lançavam os esgotos municipais diretamente no rio foram notificadas e incentivadas a realizar um pré-tratamento de seus esgotos. Os resultados das análises dos parâmetros físicos, químicos e biológicos avaliados du- rante os eventos de mortandade comprovaram o desajuste ambiental do trecho onde ocorreu o desastre ecológico. Também mostraram a importante contribuição de alguns afluentes para a alteração da qualidade do corpo hídrico principal. O rio dos Sinos estava recebendo uma carga de poluentes muito além da sua capacidade de suporte. Área de tratamento de madeira A indústria madeireira necessita madeiras resistentes as condições ambientais. Dessa for- ma, o tratamento de madeiras é feito com o uso de compostos químicos como o CCA (arseniato de cobre cromatado) que preserva as fibras e age como um fungicida (NEW ZEALAND, 1997). A madeira tratada é utilizada em diversos locais e não causa nenhum malefício desde que não seja queimada. O grande problema está no processo de tratamento desse material. A falta de cuidado e os equipamentos antiquados permitem que a solução excedente atinja os solos causan- do a contaminação. Uma antiga fábrica de postes de madeira, que atuou de 1960 a 2005, deixou um passivo ambiental que precisou ser estudado por uma equipe interdisciplinar para garantir que seria possível recuperar a área e, efetivamente, eliminar o passivo. O processo de tratamento de madeiras consistia na colocação dos postes dentro de uma autoclave, a qual era cheia de solução de CCA e sob alta pressão e temperatura, o 103Unidade 10 – Estudo de casos composto penetrava na madeira e reagia de modo que a madeira não perderia o produto por lixiviação quando em contato com a água da chuva, por exemplo. O volume excedente era bombeado para fora do sistema e reutilizado no próximo lote. Os postes eram retirados da autoclave e permaneciam por um curto período de tempo sob uma bacia de contenção, para que o gotejamento da solução pudesse ser recupe- rado. Esse período de gotejamento na bacia de contenção nem sempre era respeitado e o gotejamento era feito diretamente no solo, no percurso entre a autoclave e a área de estocagem. Por ser uma área bastante antiga, a bacia de contenção possuía rachaduras na parte inferior, o que contribuía para o vazamento da solução para o solo. Em 2005, quando a empresa fechou suas portas, a área foi isolada e se iniciou estudos para verificar o nível de contaminação, e como poderia ser feito o processo de reme- diação. Dentre as análises, foram investigados os solos, as águas superficiais das lagoas de estabilização, os sedimentos dessas lagoas e também o sedimento do rio que passa próximo à área, e a água subterrânea através de poços de monitoramento. Figura 10.3 - Fábrica de tratamento de madeiras desativada por contaminação Fonte: Imagem da autora 104 Química Ambiental Os resultados da investigação: • A análise dos solos mostrou que a contaminação é pontual e limitada à área de pro- dução e armazenamento dos postes tratados. • A análise de águas superficiais mostrou contaminação moderada no entorno da área, e extrema na bacia de contenção. • Os sedimentos da lagoa de estabilização também apontaram grande conteúdo de contaminantes, mas o rio próximo não foi atingido. • O monitoramento das águas subterrâneas mostrou que o solo do local não foi capaz de conter a pluma de contaminação e o contaminante atingiu o lençol freático con-taminando as águas. Remediação Como medida de remediação, foi adotada a metodologia ex-situ, isto é, retirada do ma- terial contaminado e tratamento em outro local. Em primeiro lugar, o solo superficial foi retirado e levado para tratamento para a inativa- ção do CCA. Da lagoa de estabilização foi cuidadosamente retirada a água (que não estava contami- nada) e uma raspagem no fundo da lagoa foi feita para a retirada do lodo depositado ao longo dos anos. Através dos poços de monitoramento, as águas subterrâneas foram bombeadas até o esgotamento total. Esse esgotamento era feito periodicamente para que toda a pluma de contaminação pudesse ser eliminada. A área, embora tenha sido removida a contaminação mais preocupante, ainda não foi totalmente remediada e, por enquanto, não pode ser utilizada para outra função, deve permanecer isolada. 105Unidade 10 – Estudo de casos Caso de Mariana-MG O rompimento de barragem do Fundão, localizada na cidade histórica de Mariana (MG), lançou 34 milhões de m³ de lama de rejeitos de mineração no meio ambiente em no- vembro de 2015. De acordo com o IBAMA, 663,2 quilômetros de rios foram atingidos pela lama de re- jeitos, nos estados de Espírito Santo e Minas Gerais, com destruição de 1.469 hectares de terras, incluindo Áreas de Preservação Permanente (APP). A enxurrada de rejeitos rapidamente se espalhou, deixando mais de 600 famílias desabrigadas e confirmando a morte de 19 pessoas. Esses são apenas alguns números após um ano da maior catástrofe ambiental da história do país. Em questão de horas, a lama chegou ao rio Doce, cuja bacia é a maior da região sudeste do País, abrange 230 municípios dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, muitos dos quais abastecem sua população com a água do rio, com uma área total de 82.646 quilômetros quadrados, área equivalente a duas vezes o Estado do Rio de Janeiro. O aumento da turbidez da água, devido à contaminação pelo rejeito, provocou a morte de milhares de peixes e de outros animais. De acordo com o IBAMA, das mais de 80 Figura 10.4 - Cidade de Mariana (MG) coberta pela lama de rejeitos da mineradora Samarco Fonte: WikimediaCommons / Senado Federal 106 Química Ambiental espécies de peixes apontadas como nativas antes da tragédia, onze são classificadas como ameaçadas de extinção, e 12 existiam apenas no rio Doce. A ameaça às espécies da fauna e flora do rio Doce, devido a tragédia do rompimento da barragem seguem por todo o percurso da lama até chegar ao mar. O fornecimento de água para os moradores de cidades abastecidas pelos rios da região teve que ser temporariamente interrompido, sendo retomado dias depois, quando os laudos de órgãos técnicos do governo descartaram a contaminação da água por mate- riais tóxicos. A lama avançou pelo rio com grande velocidade, chegando ao litoral norte do Espírito Santo em menos de cinco dias. Ambientalistas consideraram que o efeito dos rejeitos no mar continuará por, pelo menos, mais 100 anos, mas não houve uma avaliação detalha- da de todos os danos causados pelo desastre. Um laudo técnico parcial, divulgado pelo IBAMA no início de dezembro de 2015, aponta para a gravidade sem precedentes do desastre. “O nível de impacto foi tão profundo e perverso, ao longo de diversos estratos ecológicos, que é impossível estimar um prazo de retorno da fauna ao local, visando o reequilíbrio das espécies na bacia”, diz o docu- mento. O trabalho de ajuda às vítimas começou logo após o acidente, assim como as ações emergenciais de preservação da fauna e da flora locais. O desafio será reconstruir o que foi danificado, garantir alternativas de subsistência a quem perdeu seus meios de traba- lho, responsabilizar os culpados pelo desastre e recuperar o rio Doce. “Importa para nós transformar novamente o rio Doce naquilo que ele foi outrora. Um local com margens reflorestadas, com nascentes preservadas, recuperando inteiramente o rio. Esse é um projeto que não se esgota no curto prazo, mas que se estende até que o rio seja, de fato, aquele rio que nós herdamos dos nossos ancestrais”, dis- se a ex-presidente Dilma Rousseff. O investimento necessário para reposição das perdas ocasionadas pelo desastre está estimado em US$ 5,2 bilhões. Dados históricos O rompimento da barragem de Fundão é o maior desastre socioambiental da história brasileira e o maior do mundo envolvendo barragens de rejeitos. Outros dois No site do IBAMA você encontra todos os documentos relacionados ao desastre da Samarco em Mariana/MG, disponível em: <http://www.ibama.gov.br/publicadas/ documentos-do-ibama-sobre-o-desastre- da-samarco-no-rio-doce>. 107Unidade 10 – Estudo de casos acontecimentos desse tipo foram registrados nas Filipinas, um em 1982, com 28 milhões de m³, e outro em 1992, com 32,2 milhões de m³ de lama. Não é apenas em relação ao volume que a tragédia mineira sai negativamente na frente, mas também em termos de distância percorrida, a lama percorreu 600 quilômetros. No histórico desse tipo de acidente, em segundo lugar aparece um registro ocorrido na Bolí- via, em 1996, com metade da distância do trajeto da lama, 300 quilômetros. A tragédia ambiental, social e econômica Um ano depois do rompimento da barragem da mineradora em Minas Gerais, os seguin- tes fatos marcam a tragédia: • as vidas impactadas pelo desastre ainda sofrem com as marcas deixadas pela lama; • a ciência ainda não consegue dizer com exatidão quais são os impactos causados pelo desastre em Mariana ao meio ambiente e à saúde humana; • ainda não se sabe como será a relação dos ribeirinhos, dos pescadores e das maris- queiras com o rio Doce daqui para frente. Qual o impacto ambiental da tragédia? Não se consegue estimar quais são os impactos causados pelo desastre em Mariana ao meio ambiente, à saúde humana e sobre a qualidade da água do rio Doce e nem qual é a extensão do problema. Análises da água (APHA, 2005) do rio realizadas em fevereiro de 2016, mostram a alta concentração de metais: ferro, cromo, manganês e alumínio. As análises também apontaram para o aumento considerável da quantidade de nutrientes na água, como nitrato, nitrogênio amoniacal e silício. “A água do rio Doce na região do Espírito Santo, depois de tratada, está dentro dos parâmetros”, garante a Agência Na- cional de Águas (ANA). Também é o que informa o Sanear, concessionária de distribuição de água em Colatina, cidade que tem captação exclusiva no rio Doce. Uma certeza que se tem é de que a lama dos rejeitos de minério e os metais pesados encontrados em análises, logo depois da tragédia continuam lá, fisicamente, depositada no fundo do rio, o que não é mais tão visível a olho nu. A pesca foi proibida no rio Doce 108 Química Ambiental desde novembro de 2015, quando a lama atingiu o local. Apesar de a calha do rio ter sido atingida pela lama, seus afluentes podem ser fundamentais para que ele viva. Os rejeitos continuam espalhados em um raio de 115 quilômetros na região, e as obras de contenção e recuperação estão atrasadas. A turbidez que é a presença de partícu- las em suspensão da água próximo ao local do rompimento da barragem está acima do normal. Segundo o IBAMA, a mineradora cumpriu apenas 5% das recomendações feitas. Com a chegada do período de chuva, o perigo de que essa massa de rejeitos de minério volte a se deslocar, poluin- do ainda mais a bacia do rio Doce, é grande, pois as obras para conter a lama estão atrasadas. Legislação De acordo com a Política Nacional de Segurança de Barragens (Lei nº 12.334/2010), a responsabilidade pela fiscalização dos barramentos de rejeitos de mineração é do De- partamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e do Ministério de Minas e Energia, porém as empresas que exercem atividades com riscos conhecidos, como a mineração, assumem o ônus por eventuais acidentes. Por isso, o monitoramento das barragens é um dos pontos críticos do empreendimento. Quandose fala em dano ambiental deve-se ressaltar que o causador do dano deve res- ponder nas esferas: civil, administrativa e ambiental, tendo em vista que a Constituição Federal estabelece que “as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados” (art. 225, § 3º CF/88). O IBAMA já aplicou multas preliminares no valor de 250 milhões de reais à mineradora, esse é o valor máximo previsto na Lei de Crimes Ambientais, a multa para a mineradora abrange infrações por poluir rios, tornar áreas urbanas impróprias para a ocupação hu- mana, causar interrupção do abastecimento público de água, lançar resíduos em desa- cordo com as exigências legais, provocar a morte de animais e a perda da biodiversidade ao longo do rio Doce, colocando em risco a saúde humana, além de arcar indenização às pessoas afetadas e com os custos de reconstrução da região atingida. Da lama ao caos - entenda o que aconteceu e quais as consequências do rompimento da barragem da mineradora, observando o infográfico, disponível em: <http:// infograficos.oglobo.globo.com/brasil/da- lama-ao-caos.html>. 109Unidade 10 – Estudo de casos A Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais multou a mineradora em mais de R$112 milhões pelos danos ambientais resultantes dos rompi- mentos. Foram também protocoladas 9,5mil in- denizações por danos morais pleiteadas em ações na Justiça no Espírito Santo. Esses três exemplos de desastres ambientais nos mostram que temos ainda muito a aprender, é um alerta à necessidade de cuidado que devemos ter com o meio ambiente para que possamos usufruí-lo por muitos anos. Pratique • A tragédia do rompimento da barragem de Mariana causou impacto na fauna e na flora da região afetada pela lama de rejeitos. A mineradora propôs programas de remediação socioambientais e econômicos. Quais são as ações de remediação pro- postas pela mineradora a serem realizadas na região? Ações dos órgãos ambientais federais - desde o início do desastre - estão à frente de ações de emergência para proteção da fauna na região afetada pela catástrofe, bem como do monitoramento da qualidade da água. Para saber mais sobre esse assunto, acesse: <http://www.mma.gov.br/ destaques/item/10587>. 111 Referências ALMEIDA, F.V., CENTENO, A.J., BISINOTI, M.C., JARDIM, W.F. Substâncias tóxicas persistentes (STP) no Brasil. Química Nova, 30(8) 1976-1985, 2007. APHA. Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. 21.ed. Washington DC: APHA, 2005. BAIRD, C. Química Ambiental. 2a ed. Porto Alegre, Bookman, 2002. BARRA, C.M.; SANTELLI, R.E.; ABRÃO, J.J., DE LA GUARDIA, M. Especiação de arsênio - uma revisão. Química nova, 23(1), 58-70, 2000. CONAMA - CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução nº 003, de 28 de junho de 1990. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 22ago. 1990. Seção 1, p. 15937-15939. CONAMA - CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução nº 344, de 25 de março de 2004. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 07 mai. 2004. Seção 1, p. 56-57. CONAMA - CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução nº 357, de 17 de março de 2005. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 18 mar. 2005. Seção 1, p. 58-63. CONAMA - CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução nº 420, de 28 de dezembro de 2009. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 30 dez. 2009. Seção 1, p. 81-84. D’AMATO, C.; TORRES, J.P.M.; MALM, O. DDT (Diclorodifeniltricloretano): toxicidade e contaminação ambiental – uma revisão. Química Nova, 25(6), 995-1002, 2002. FEPAM. VARGAS, V.M.F. (coord.). Estratégias ecotoxicológicas para caracterizar áreas contaminadas como medida de risco à saúde populacional. Porto Alegre: FEPAM, 2010. Eco- Risco Saúde Project Report. GREENPEACE. Poluentes Orgânicos Persistentes: poluição invisível e global. Disponível em:<http:// greenpeace.org.br/toxicos/pdf/poluentes.pdf>. Acesso: 15 out. 2016. MACBRIDE, M.B. Environmental Chemistry of Soils. 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Test Methods for Evaluating Solid Waste, Physical/ Chemical Methods – SW-846. Washington, DC: US EPA, 2008. 113 Currículo das autoras Jovana Bavaresco Graduada em Química Industrial pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2007). Mestre em Ciência do Solo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2012). Doutora em Ciência do Solo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2016), com estágio doutoral na Universidade de Córdoba, Espanha. Experiência na área de meio ambiente e agronomia, com ênfase em química do solo, atuando principalmente nos seguintes temas: peixes, exposição humana, metais e elementos-traços e sedimento. Vivian Cristina Spier Graduada em Química pela Universidade Federal de Santa Catarina (2000), Mestre em Ciência e Enge- nharia de Materiais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (2005). Doutora em Físico-Química de Biopolímeros pela Universidade Federal do Paraná (UFPR, 2016), com estágio doutoral na Tulane University/USA. Experiência em indústria multinacional, atuando na área de Procurement, no desenvol- vimento de fornecedores e produtos e analista de laboratório químico dando suporte para P&D. Atuação na área docente: Instituto Federal do Paraná (IFPR) no ensino a distância, ensino superior na Facear, Sociesc e Univille como professor das disciplinas de Química Geral para cursos de engenharia. Química Ambiental Jovana Bavaresco Vivian Cristina Spier