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CENTRO UNIVERSITÁRIO MATER DEI – UNIMATER CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO REGIME DE SEPARAÇÃO DE BENS E USUFRUTO E ADMINISTRAÇÃO DOS BENS DE FILHOS MENORES PATO BRANCO/PR 2023 KAUEH SCHMIDT JOSIANE DA ROSA MILENA L. FASSINI RAYANNA DO AMARAL VANIÇA PETKOWICS VITOR MATHEUS REGIME DE SEPARAÇÃO DE BENS E USUFRUTO E ADMINISTRAÇÃO DOS BENS DE FILHOS MENORES PATO BRANCO/PR 2023 REGIME DE SEPARAÇÃO DE BENS O regime da separação de bens, disposto nos artigos 1.687 e 1.688 do Código Civil, caracteriza-se pela incomunicabilidade entre os bens dos cônjuges. Nesse interim, conceituam Carlos Alberto Dabus Maluf e Adriana Maluf (ANO, p.257): [...]cada cônjuge conserva em seu patrimônio pessoal os bens que possuía antes do casamento, sendo também incomunicáveis os bens que cada um deles vier a adquirir na constância do casamento. O regime da separação de bens poderá ser legal ou convencional. Será legal toda a vez que lei obrigar sua aplicação, considerando a situação fática elencada no artigo 1.641 do Código Civil (Luz, 2009, p. 289), enquanto que convencional quando partir de livre disposição das partes, desde que previamente acordado por meio de pacto antenupcial. A principal característica deste regime de bens pode ser localizada na jurisprudência abaixo citada: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL. PARTILHA. REGIME DA SEPARAÇÃO CONVENCIONAL DE BENS. PRETENSÃO DE PARTILHA DE DÍVIDA ADQUIRIDA POR UM DOS CONSORTES. IMPOSSIBILIDADE. LIVRE MANIFESTAÇÃO DE VONTADE DAS PARTES, AO ELEGER O REGIME DE BENS. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 377 DO STF. PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E DESTA CORTE. SENTENÇA REFORMADA. “(...) 2.2. O pacto realizado entre as partes, adotando o regime da separação de bens, possui efeito imediato aos negócios jurídicos a ele posteriores, havidos na relação patrimonial entre os conviventes, tal qual a aquisição do imóvel objeto do litígio, razão pela qual este não deve integrar a partilha.3. Inaplicabilidade, in casu, da Súmula 377 do STF, pois esta se refere à comunicabilidade dos bens no regime de separação legal de bens (prevista no art. 1.641, CC), que não é caso dos autos.3.1. O aludido verbete sumular não tem aplicação quando as partes livremente convencionam a separação absoluta dos bens, por meio de contrato antenupcial. Precedente. (...)”(REsp n. 1.481.888/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 10/4/2018, DJe de 17/4/2018.)RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (TJPR - 12ª Câmara Cível - 0000418-97.2020.8.16.0168 - Terra Roxa - Rel.: DESEMBARGADORA IVANISE MARIA TRATZ MARTINS - J. 25.07.2022) No caso, é possível verificar a característica da incomunicabilidade de bens, haja vista que, neste caso, não foi possível que uma dívida em nome de um dos cônjuges fosse dividida entre ambos no momento da dissolução da união estável. USUFRUTO E ADMINISTRAÇÃO DOS BENS DE FILHOS MENORES Art. 1.689: Art. 1.689. O pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar: I - são usufrutuários dos bens dos filhos; II - têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua autoridade. O artigo trata do instituto do usufruto legal que visa a proteção dos interesses dos filhos menores, e deve ser interpretado conforme o princípio do maior interesse. O professor Rolf Madaleno explica que esse poder de administração dos bens dos filhos já foi um poder exclusivamente do pai que detinha o pátrio poder e que foi extinto quando o princípio da igualdade entre homens e mulheres passou a ser enaltecido pela Constituição Federal em 1988. Art. 1.690: Art. 1.690. Compete aos pais, e na falta de um deles ao outro, com exclusividade, representar os filhos menores de dezesseis anos, bem como assisti-los até completarem a maioridade ou serem emancipados. Parágrafo único. Os pais devem decidir em comum as questões relativas aos filhos e a seus bens; havendo divergência, poderá qualquer deles recorrer ao juiz para a solução necessária. O artigo aborda sobre a responsabilidade dos genitores, ou na falta de um deles, ao outro, de exercer o papel de representação dos filhos até os 16 anos e de assistência até a maioridade (18 anos) ou até a emancipação. Já o parágrafo único retrata a situação de divergência entre os pais, que deve ser solucionada através do poder judiciário. No entanto, é preciso considerar que a divergência ocasionada pela falta de diálogo entre os pais (que muitas vezes são separados) acaba por prejudicar os interesses econômicos do menor, visto que a decisão judicial substituirá uma decisão que poderia ser rápida e eficaz. O judiciário e sua morosidade certamente trarão a decisão com atraso e por isso torna-se desaconselhável substituir a boa conversa por demandas judiciais que raramente refletirão a solução ideal no tempo esperado. Jurisprudência: DIREITO DAS FAMÍLIAS. DIREITOS HUMANOS. ALVARÁ JUDICIAL. APELAÇÃO CÍVEL. DETERMINAÇÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE REFERENTE À QUOTA PARTE DOS FILHOS MENORES E DE PRESTAÇÃO DE CONTAS, POR PARTE DA GENITORA. DESARRAZOABILIDADE E DESPROPORCIONALIDADE DA DECISÃO JUDICIAL. VALOR DE BAIXA MONTA. MONTANTE INFERIOR A UM SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL. COMPANHEIRA SUPÉRSTITE DESEMPREGADA. RENDA FAMILIAR ORIUNDA DA PENSÃO POR MORTE DO PAI, NO IMPORTE DE MIL E CEM REAIS. EXERCÍCIO DO PODER FAMILIAR EXCLUSIVAMENTE PELA MÃE. RESPONSABILIDADE DA GENITORA PELA ADMINISTRAÇÃO DOS BENS E RECURSOS DOS FILHOS, DE TRÊS E SEIS ANOS DE IDADE. PROTEÇÃO ESPECIAL DA PRIMEIRA INFÂNCIA. GARANTIA DA DIGNIDADE HUMANA DOS INFANTES. DETERMINAÇÃO DE DEPÓSITO DO VALOR EM JUÍZO CONTRÁRIO AO MELHOR INTERESSE DAS CRIANÇAS. DISPÊNDIO NECESSÁRIO À SUBSISTÊNCIA E EDUCAÇÃO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. 1. Os valores de FGTS, não recebidos em vida pelos respectivos titulares, serão pagos, em quotas iguais, aos dependentes habilitados perante a Previdência Social. Sendo os dependentes civilmente incapazes em razão da idade, as quotas a eles atribuídas ficarão depositadas em caderneta de poupança, e só ficarão disponíveis para saque após os beneficiários atingirem a maioridade civil. Exegese do artigo 1º da Lei 6.858/1980. 2. Havendo, contudo, comprovação de que o montante se prestará à aquisição de imóvel destinado à residência dos beneficiários incapazes, ou de que o valor precisa ser empregado para a subsistência e educação da criança ou adolescente, há a possibilidade de autorização judicial para o seu imediato levantamento. Inteligência do artigo 1º, §1º, da Lei 6.858/1980. 3. In casu, o montante total do pedido de alvará não é expressivo (menos que um salário mínimo nacional), e a renda familiar mensal atual é de R$ 1.100,00, cuja fonte é a pensão por morte recebida pelos dependentes do de cujus. As crianças/apelantes contam com apenas três e seis anos de idade – ou seja, se encontram na primeira infância - , de forma que suas necessidades são presumidas. 4. O encargo do poder familiar e suas responsabilidades inerentes recaem, atualmente, apenas sobre a mãe (família monoparental), e a ela compete a administração dos bens dos filhos. Interpretação do artigo 226, § 4º, da Constituição Federal em conjunto com o artigo 1.689, inc. II, do Código Civil. 5. Inexistindo nos autos qualquer indicativo de que a genitora/apelante não esteja atuando em benefício de sua prole, não se denota qualquer impedimento para a liberação imediata do montante pleiteado, de modo a suprir as necessidades atuais das crianças. 6. Deve ser reconhecida a função social da maternidade como indispensável à educação e ao desenvolvimento dos filhos. Interpretação do artigo 1º, §1º, da Lei 6.858/1980 em conformidade com o artigo 5º, “b”, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminaçãocontra a Mulher, promulgada pelo Decreto nº 4.377/2002. 7. Cabe ao Estado-juiz, como garantidor da dignidade humana e do princípio pro persona, contribuir para o desenvolvimento integral do ser humano e, por meio da promoção e da defesa dos direitos fundamentais, assegurar às crianças e adolescentes – que, em virtude da falta de maturidade física e mental, são seres humanos vulneráveis, que necessitam de especial proteção jurídica - seu direito a uma existência digna, evitando formalismos exacerbados que acabem por tolher referidos indivíduos de suas necessidades básicas. Preâmbulo da Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas, Recomendação nº 123/2022 do Conselho Nacional de Justiça e Precedente da Corte Interamericana de Direitos Humanos – Caso de los “Niños de la Calle” (Villagrán Morales y otros) Vs. Guatemala (1999).8. O Direito, como substrato das relações sociais, não pode desconsiderar a repercussão decorrente de sua aplicação, ainda mais quando se está diante da probabilidade de afronta à sobrevivência, bem-estar e à dignidade humana de crianças. Aplicação dos artigos 1º, inc. III, e 227, caput, da Constituição Federal, 3º, caput, do Estatuto da Criança e do Adolescente e 3.2 da Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas.9. Neste contexto, a determinação de depósito judicial de metade do valor existente a título de FGTS – até que as crianças completem 18 (dezoito) anos de idade -, acompanhado do dever de prestar contas, afigura-se desarrazoada e desproporcional, e revela excessivo apego à literalidade da previsão legal, cuja finalidade não é outra senão o resguardo dos direitos e interesses da criança. Inteligência do artigo 8º do Código de Processo Civil, combinado com os artigos 5º e 20, caput, do Decreto-lei nº 4.657/1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro). 10. Diante da ausência de prova em contrário, é presumível que tal valor - inferior a 1 (um) salário mínimo - , será utilizado na manutenção ordinária dos infantes, que, além de terem perdido o pai, precisam lidar com a situação de desemprego da mãe e a consequente dificuldade financeira advinda de todo o contexto fático apresentado. 11. Recurso conhecido e provido. (TJPR - 12ª Câmara Cível - 0004004-03.2022.8.16.0030 - Foz do Iguaçu - Rel.: EDUARDO AUGUSTO SALOMAO CAMBI - J. 06.03.2023) Artigo 1.691: São responsáveis, por preservar o patrimônio de modo a não o onerarem nem o diminuírem, não extrapolando os limites da mera administração patrimonial. Todavia o poder de disposição dos pais não é absoluto. É vedada a prática de quaisquer atos que impliquem redução do patrimônio, tais como alienar, gravar de ônus reais, doar, dar em pagamento, permutar: "Art. 1691: Não podem os pais alienar, ou gravar de ônus real os imóveis dos filhos, nem contrair, em nome deles, obrigações que ultrapassem os limites da simples administração, salvo por necessidade ou evidente interesse da prole, mediante prévia autorização do juiz". A intenção do legislador foi a de estabelecer a máxima preservação do patrimônio dos menores frente a uma eventual má administração por parte dos pais. Não obstante, em caráter excepcional e mediante comprovação de premente necessidade, é possível requerer-se uma autorização judicial (procedimento de alvará) para realização de algum desses negócios jurídicos, como, por exemplo, a venda de algum bem. A concessão do alvará, bem como a utilização do produto de eventual alienação, será subordinada ao controle do Poder Judiciário e fiscalização do Ministério Público. A propósito, os ilustres juristas Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (2020, p. 585) atentam: "Essa limitação da autonomia da vontade dos pais na administração dos bens se justifica exatamente pela busca da preservação dos interesses dos menores. Se os bens não são de titularidade dos pais, mas, sim, dos próprios menores, a responsabilidade pela eventual dilapidação desse patrimônio, sem motivo razoável, justificaria a intervenção judicial”. Julgado: EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL- AÇÃO DECLARATÓRIA NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO- NEGOCIAÇÃO DE BEM IMÓVEL DE MENOR PELO REPRESENTANTE LEGAL/GENITOR- CERCEAMENTO DE DEFESA- INEXISTÊNCIA- DECADÊNCIA- INEXISTÊNCIA - AUSENCIA DE FORMA PRESCRITA EM LEI- NULIDADE DE PLENO DIREITO- MEDIDA QUE SE MANTEM- Não há falar em cerceamento de defesa se foi dada às partes a oportunidade de produzirem provas nos autos, tendo o magistrado, nos termos do artigo 370 do CPC/15, a faculdade de julgar o feito, que se encontra apto a pronto julgamento, como ocorreu no presente caso concreto. - Segundo o art. 169 do CC/02, a nulidade não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo e, portanto, não está sujeita à prescrição ou decadência. - Nos termos do artigo 1691 do CC, não podem os pais alienar, ou gravar de ônus real os imóveis dos filhos, nem contrair, em nome deles, obrigações que ultrapassem os limites da simples administração, salvo por necessidade ou evidente interesse da prole, mediante prévia autorização do juiz, o que não restou demonstrado neste sítio. Art. 1.692: O Artigo 1.692 trata da situação em que há um conflito de interesses entre os pais e o filho no exercício do poder familiar. O poder familiar refere-se aos direitos e deveres dos pais em relação à criação, educação e proteção de seus filhos. De acordo com o artigo, quando ocorre essa colisão de interesses, seja por uma questão específica ou contínua, o filho ou o Ministério Público têm o direito de solicitar ao juiz a nomeação de um curador especial. O curador especial é uma pessoa designada pelo juiz para representar e proteger os interesses do filho em questões relacionadas ao poder familiar. Essa medida é tomada quando o interesse do filho é prejudicado ou negligenciado de alguma forma pelos pais. O curador especial é responsável por garantir que os direitos e necessidades do filho sejam adequadamente considerados e protegidos, atuando como um defensor dos interesses da criança. Essa nomeação ocorre por meio de um requerimento feito pelo próprio filho ou pelo Ministério Público, que é a instituição responsável por zelar pelos interesses da sociedade e, especialmente, das crianças. O juiz analisará o pedido e, caso julgue necessário, nomeará o curador especial para representar o filho no processo. Essa disposição legal busca garantir que os direitos e interesses das crianças sejam preservados em situações em que possa haver um conflito entre os pais e o bem-estar do filho. Jurisprudência: Acidente de veículo. Indenização por danos materiais e morais. Acordo. Menor incapaz.A pensão mensal pleiteada a título de indenização por danos materiais tem caráter alimentar e não admite renúncia ou transação, nos termos apresentados.Tendo em vista que os interesses da mãe e do menor colidiram, necessária a nomeação de curador especial, nos termos do art. 1692, do Código Civil.Recurso provido. (TJ-SP - APL: XXXXX SP, Relator: Cesar Lacerda, Data de Julgamento: 22/06/2010, 28ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 01/07/2010) O julgado em questão trata de um caso de acidente de veículo no qual foi pleiteada uma indenização por danos materiais e morais. No entanto, um acordo foi realizado envolvendo um menor incapaz. O tribunal ressaltou que a pensão mensal solicitada como indenização por danos materiais possui caráter alimentar e não pode ser renunciada ou objeto de transação. Além disso, devido à colisão de interesses entre a mãe e o menor, foi considerada necessária a nomeação de um curador especial, conforme o Artigo 1.692 do Código Civil. O recurso foi provido, indicando que a decisão anterior foi revista e modificada pelo tribunal. Esse julgado demonstra a importância de proteger os interesses do menor incapaz e garantir que os aspectos alimentares daindenização sejam adequadamente considerados, além de assegurar a representação adequada do menor por meio da nomeação de um curador especial. Art. 1.693: Art. 1.693. Excluem-se do usufruto e da administração dos pais: I - os bens adquiridos pelo filho havido fora do casamento, antes do reconhecimento; II - os valores auferidos pelo filho maior de dezesseis anos, no exercício de atividade profissional e os bens com tais recursos adquiridos; III - os bens deixados ou doados ao filho, sob a condição de não serem usufruídos, ou administrados, pelos pais; IV - os bens que aos filhos couberem na herança, quando os pais forem excluídos da sucessão. O artigo 1.693 do Código Civil estabelece que certas situações excluem os pais do usufruto e da administração dos bens do menor. Isso inclui os valores e bens adquiridos pelo filho maior de 16 anos por meio do exercício de atividade profissional. Em tais casos, os pais não têm controle sobre esses bens e valores. No inciso I, diz respeito aos bens e valores que já pertenciam ao menor quando um dos pais o reconheceu. O outro pai não poderá usufruir desses bens, pois o direito é exclusivo de quem registrou o nascimento. Isso evita que o reconhecimento seja feito com o objetivo de se beneficiar dos bens do filho ou que conflitos prejudiquem a administração dos bens. Ao que tange o inciso II, abrange os valores obtidos pelo trabalho do menor. Isso se aplica a qualquer tipo de trabalho ou atividade profissional, assim como aos bens adquiridos com esses valores. Esses bens são reservados para o maior de 16 anos e com capacidade especial, e não se aplica a regra de assistência dos pais. Essas circunstâncias podem levar à cessação total da incapacidade, conforme previsto no artigo 5º do Código Civil. O inciso III, se refere aos bens que o filho tenha recebido por herança ou doação com cláusula que impeça os pais de usufruir ou administrar esses bens. O testador ou doador pode reservar para si mesmo esse direito ou designar um terceiro. Caso não seja feita essa designação, um curador especial deve ser designado para resolver o conflito de interesses entre os pais. Ao que se observa no inciso IV, diz respeito à exclusão dos pais da sucessão quando estes tenham cometido certos atos graves. Os filhos do excluído sucedem o patrimônio como se o mesmo estivesse morto antes da abertura da sucessão. São considerados excluídos da sucessão os herdeiros autores ou coautores de homicídio ou tentativa de homicídio contra a pessoa de quem herdariam os bens, bem como seu cônjuge, companheiro, descendentes e ascendentes. Além disso, os herdeiros que tenham ofendido o autor da herança, bem como seu cônjuge e companheiro, ou que tenham inibido ou obstado a liberdade de disposição do autor da herança, também estão excluídos. Nesse sentido as restrições previstas no art. 1693, do CC, de acordo com entendimento do professor Paulo Lobo, o qual orienta que “As quatro hipóteses não são excludentes de outras, em virtude da primazia do melhor interesse do menor”. (LOBÔ, 2022, p. 348, 349), deve-se observar e assegurar a proteção dos bens e valores dos filhos menores, garantindo que sejam preservados e utilizados de acordo com o melhor interesse da criança ou adolescente. Referências: LUZ, Valdemar P da. Manual de Direito de Família. Editora Manole, 2009. E-book. ISBN 9788520446591. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520446591/. Acesso em: 04 jun. 2023. MADALENO, Rolf. Manual de Direito de Família. Grupo GEN, 2021. E-book. ISBN 9786559642489. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786559642489/. Acesso em: 04 jun. 2023. MALUF, Carlos Alberto D.; MALUF, Adriana Caldas do Rego Freitas D. Curso de Direito da Família. Editora Saraiva, 2021. E-book. ISBN 9786555598117. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555598117/. Acesso em: 04 jun. 2023. TARTUCE, Flávio. Direito Civil: Direito de Família. v.5 . Grupo GEN, 2023. E- book. ISBN 9786559647132. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786559647132/. Acesso em: 04 jun. 2023.