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1. Práticas Inclusivas na Educação Profissional e Tecnológica
2. Acessibilidade e Tecnologia
PÁGINA
Acessibilidade e Tecnologia
      
Acessibilidade
O termo "acessível" é bastante utilizado no cotidiano da sociedade. Você sabe o que esse adjetivo significa?
Acessível: Diz-se do que é possível alcançar, conseguir ou atingir de modo fácil; Que é descomplicado, inteligível ou compreensível; Que é desobstruído, disponível ou abordável; Diz-se do que ou de quem é tratável ou sociável.  Disponível em:<https://www.lexico.pt/acessivel/>
É fato que esses significados se aplicam à várias situações, mas quando se considera a acessibilidade, no contexto da inclusão, o conceito refere-se a "[...] oferecer possibilidades de transpor as barreiras que existem na sociedade, garantindo que todas as pessoas possam participar dos diversos âmbitos sociais." Disponível em:<https://cta.ifrs.edu.br/acessibilidade-digital/conceito/>
Para conhecer sobre os tipos de acessibilidade, assista a animação a seguir.
1 Tecnologia Assistiva
Para iniciar o estudo sobre a Tecnologia Assistiva(TA), você precisa saber que este é o nome dado ao conjunto de recursos utilizados para ajudar pessoas com deficiência com suas habilidades funcionais, tornando sua vida mais fácil e independente, promovendo melhor qualidade de vida e inclusão social. As tecnologias assistivas agem de forma a ampliar a mobilidade, comunicação e habilidades de aprendizado.
É também definida como "uma ampla gama de equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para minorar os problemas encontrados pelos indivíduos com deficiências" (Cook e Hussey in Assistive Technologies: Principles and Practices, Mosby - Year Book, Inc., 1995).
O termo Assistive Technology, traduzido no Brasil como Tecnologia Assistiva, foi criado em 1988 como importante elemento jurídico dentro da legislação norte-americana conhecida como Public Law 100-407, que compõe, com outras leis, o ADA - American with Disabilities Act. Este conjunto de leis regula os direitos dos cidadãos com deficiência nos EUA, além de prover a base legal dos fundos públicos para compra dos recursos que estes necessitam.
Nele, a Tecnologia Assistiva se compõe de Recursos e Serviços. Os Recursos são todo e qualquer item, equipamento ou parte dele, produto ou sistema fabricado em série ou sob-medida utilizado para aumentar, manter ou melhorar as capacidades funcionais das pessoas com deficiência. Os Serviços, são definidos como aqueles que auxiliam diretamente uma pessoa com deficiência a selecionar, comprar ou usar os recursos acima definidos.
Os recursos podem variar de uma simples bengala a um complexo sistema computadorizado. Estão incluídos brinquedos e roupas adaptadas, computadores, softwares e hardwares especiais, que contemplam questões de acessibilidade, dispositivos para adequação da postura sentada, recursos para mobilidade manual e elétrica, equipamentos de comunicação alternativa, chaves e acionadores especiais, aparelhos de escuta assistida, auxílios visuais, materiais protéticos e milhares de outros itens confeccionados ou disponíveis comercialmente.
Os serviços são aqueles prestados profissionalmente à pessoa com deficiência visando selecionar, obter ou usar um instrumento de tecnologia assistiva. Como exemplo, podemos citar avaliações, experimentação e treinamento de novos equipamentos.
Os serviços de Tecnologia assistiva são normalmente transdisciplinares envolvendo profissionais de diversas áreas.
Para exercitar seus conhecimentos, leia o texto Recursos de TA e Invenções de TA.
Para conhecer alguns exemplos de TA na prática, assista ao vídeo a seguir.
Por fim, mas não esgotando as possibilidade de estudo dessa área, convidamos você a ler sobre as aplicações de TA, considerando as especificidades das deficiências, no meio digital.
2 Desenho Universal 
O conceito do Desenho universal surgiu a partir da constatação de que os recursos de acessibilidade destinados a reduzir ou eliminar barreiras no ambiente não beneficiam somente as pessoas com deficiência. Por exemplo: uma rampa não facilita somente a locomoção de uma pessoa que usa cadeira de rodas, mas também pais que transportam um bebê no carrinho.
O desenho universal prevê que produtos, espaços, meios de comunicação, tecnologias e serviços sejam concebidos de modo a garantir sua utilização pelo maior número de pessoas possível, independentemente de suas características. Um projeto orientado pelo desenho universal considera a diversidade humana, buscando garantir a acessibilidade para todos. Como exemplos, podemos citar: tesouras desenhadas para destros e canhotos; maçanetas do tipo alavanca, que são de fácil utilização para todos os tipos de pessoas, podendo ser acionadas até com os cotovelos; torneiras com sensor, que minimizam o esforço das mãos para acioná-las, entre muitos outros. (DIVERSA, 2019)
É importante saber que existem princípios que regem o DU, que são ilustrados na Figura 1. Agora, para entender melhor cada um desses princípios, leia o item 1.4 do livro Acessibilidade e Tecnologia Assistiva (p. 37-43).
3 Desenho universal para a aprendizagem (DUA)
Vamos começar a entender o DUA assistindo ao vídeo a seguir.
Além de orientar a concepção e desenvolvimento de espaços físicos e artefatos, o desenho universal também se aplica à educação por meio do desenho universal para a aprendizagem (DUA).
O termo Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) foi adotado pelo Centro de Tecnologia Especial Aplicada e divulgado pelo Centro Nacional de Design Universal para Aprendizagem.
Os pesquisadores do Centro de Tecnologia Especial Aplicada identificaram três áreas principais ou ‘redes’ no DUA relacionadas ao currículo:
· Rede de conhecimento - o currículo oferece vários meios de representação: o assunto pode ser apresentado em modos alternativos para os alunos que aprendem melhor a partir de informação visual ou auditiva, ou para aqueles que precisam de diferentes níveis de complexidade. Representa “o quê” da aprendizagem;
· Rede Estratégica - o currículo oferece vários meios de expressão: para permitir que os alunos respondam utilizado sua mídia preferida e/ou de acordo com a sua habilidade. Isso acomoda as diferentes estratégias cognitivas e controles do sistema sensório motor dos alunos. É o “como” da aprendizagem;
· Rede Afetiva - o currículo oferece vários meios de envolvimento: interesse dos alunos na aprendizagem são combinados com o modo de apresentação e sua mídia preferida para expressão. Os alunos estão mais motivados quando estão envolvidos com o que eles estão aprendendo. É o “porquê” da aprendizagem, das atividades e das ideias que são responsáveis pela motivação no processo de ensino e de aprendizagem.
Os estudos do DUA apontam que no lugar da escolha de uma mídia mais apropriada para determinado conteúdo educacional, existe a necessidade do uso de múltiplas mídias para apresentar um mesmo conteúdo, bem como as atividades e as formas de avaliação adotadas. É natural que cada indivíduo tenha uma tendência a gostar mais de determinada mídia, por exemplo: existem alunos que gostam de ler no material impresso, outros preferem ler nas telas dos computadores, existem alunos mais auditivos e/ou visuais, alguns preferem os trabalhos em grupos, outros optam por desenvolvê-los sozinhos.(SONDERMANN & BALDO, 2015).
O DUA é um conceito que aponta para a necessidade de criar objetivos educacionais, métodos, materiais e avaliações que funcionem com todos – não como uma solução única, do tipo um-tamanho-serve-a-todos, mas sim como uma abordagem mais flexível, que pode ser personalizada e ajustada para as necessidades individuais. Pode auxiliar os educadores a desenvolver ou optar por estratégias pedagógicas que possibilitem que todos os estudantes, independentemente de suas características e formas de aprendizagem, apropriem-se do conhecimento. A finalidade do DUA é desenvolver práticas pedagógicas que permitam o acesso ao currículo, a participação e o pleno desenvolvimento do potencial de todos os alunos, indiscriminadamente.O DUA se baseia em um conjunto de princípios que fomenta a elaboração de um planejamento pedagógico que contemple estratégias diversas para:
· Apresentar as informações, de modo que todos compreendam;
· Envolver os estudantes, suscitando seu interesse e motivando-os a participar das atividades;
· Avaliar cada um dos alunos, possibilitando múltiplas formas de expressar o que aprenderam.
Para tanto,
1- buscar conhecer bem os estudantes, individual e coletivamente;
2- definir os conteúdos e estabelecer os objetivos de aprendizagem da área do conhecimento a ser trabalhada.
É o que chamamos de currículo flexível. Trata-se da convergência entre a base curricular comum e a realidade dos estudantes presentes em sala de aula: suas características sociais, culturais e individuais – o que inclui seus interesses.
É importante esclarecer que o desenho universal para a aprendizagem indica não somente a possibilidade, mas a necessidade de haver variações no modo como o currículo será acessado por cada um dos alunos, ou seja, a diversificação das estratégias pedagógicas de acordo com as características e os estilos de aprendizagem individuais (DIVERSA, 2019).
Uma outra temática interessante dentro do DUA é a sua aplicação à web com foco na acessibilidade.
4 Acessibilidade em Materiais Digitais
Para que um material digital seja considerado acessível, deve possibilitar acesso, utilização e compreensão facilitada para o maior número possível de pessoas. Um material mais acessível é o que tem menos barreiras. 
Algumas práticas que podem agregar acessibilidade são:
• Oferecer descrição para as imagens que transmitem conteúdo;
• Disponibilizar meios que facilitem a navegação pelo teclado;
• Utilizar cores com uma boa relação de contraste (por exemplo: fundo branco com fonte preta, fundo preto com fonte amarela);
• Dar preferência a fontes sem serifa (mais limpas, por exemplo: Arial, Tahoma) e não com serifa ( por exemplo: Courier, Georgia) pois dificulta a leitura;
• Utilizar linguagem simples e clara;
• Utilizar cada elemento para o seu propósito (itens de lista para listas, estilos de título para títulos, tabelas para dados tabulares, etc.);
• Oferecer alternativas para áudio e vídeo (legenda, transcrição textual, Libras, etc.).
  
Dicas de acessibilidade em Documentos de Texto
· 
· Utilize os Estilos do software editor: hierarquia dos títulos e subtítulos no documento;
· Descreva as imagens: texto alternativo, legenda, contexto;
· Utilize links descritivos: é essencial para quem utiliza leitor de tela;
· Utilize o atalho "Ctrl + Enter" para nova página, não espaços;
· Não divida o documento em colunas: dificulta navegação;
· Não utilize caixas de texto: use borda;
· Não disponibilize conteúdo no cabeçalho ou rodapé;
· Evite mesclar células em tabelas;
· Disponibilize sumário com hiperlinks: facilita a navegação;
· Utilize uma boa relação de contraste: pessoas com baixa visão ou com daltonismo;
· Não utilize apenas cor para transmitir informações.
Dicas de acessibilidade em Apresentações de Slides
· 
· Utilize as opções de layout já disponíveis no software de apresentação, ao invés de inserir caixas de texto ou outros elementos em uma área ainda não definida: facilita a navegação e leitura de pessoas que navegam por teclado e utilizam leitores de tela;
· Escolha tipos de fonte e cores apropriadas para o conteúdo, por exemplo, manter um tamanho adequado para a fonte (tamanho mínimo de 24 para conteúdo e 32 para títulos);
· Evite utilizar animações: podem distrair ou confundir quem utiliza leitor de tela;
· Evite mesclar linhas e colunas em tabelas;
· Forneça alternativas para elementos de áudio e vídeo (legendas, transcrição textual, audiodescrição);
· Descreva as Imagens;
· As demais orientações de acessibilidade para documento de texto que se aplicam a apresentações também podem ser utilizadas.
Dicas de acessibilidade em Planilhas
Para quem não tem deficiência visual, a leitura e compreensão de tabelas ocorre de forma simples e intuitiva, através do cruzamento visual de linhas e colunas. Mas, para quem utiliza leitor de tela, essa é uma tarefa mais complicada, que pode acabar gerando confusão e dificuldade.
Para que planilhas sejam disponibilizados no meio digital com um bom nível de acessibilidade, é importante tomar cuidados com a formatação e disposição dos elementos em tabelas. Algumas dicas úteis são:
· 
· Descreva imagens e gráficos;
· Use uma estrutura simples para as tabelas: evite células mescladas, divididas ou em branco;
· Adicione cabeçalho às células: para que os leitores de tela consigam associá-las corretamente às células de conteúdo;
· Procure não inserir mais de uma tabela em uma mesma planilha;
· Renomeie as guias de planilha e remova planilhas em branco;
· Utilize um bom contraste;
· Não utilizar cor como único meio de transmitir uma informação.
· As demais orientações de acessibilidade para documento de texto que se aplicam a planilhas também podem ser utilizadas.
Dicas de acessibilidade em Documentos PDF
O PDF é um formato de arquivo usado para exibir e compartilhar documentos de maneira compatível, independentemente de software, hardware ou sistema operacional.
Além de elementos como texto, imagens, links, tabelas, formulários e gráficos, que formam o conteúdo de um documento em PDF, esses arquivos contêm também uma estrutura, responsável por definir a ordem lógica de leitura do documento, a apresentação correta de listas e tabelas, dentre outros.
Para gerar um PDF estruturado, são utilizadas tags ou marcações. Por meio delas, é possível fornecer a um documento em PDF:
· 
· Ordem lógica de leitura;
· Texto alternativo para as imagens;
· Tabelas com estrutura correta (células de cabeçalho e células de dados);
· Campos de formulário acessíveis, entre outros;
· Por meio das tags ou marcações utilizadas para definir a estrutura, podem ser criados documentos PDF acessíveis.
É possível realizar essa marcação:
· 
· Criando um documento nos editores de texto, apresentações de slide e planilhas, tomando-se os cuidados para garantir a acessibilidade, e salvando-o como PDF;
· Criando um documento acessível utilizando o editor de PDF da Adobe, o Adobe Acrobat.
O Adobe Acrobat disponibiliza ferramentas para verificar e modificar a ordem de leitura, para inserir texto alternativo, para editar os níveis de título, para tornar acessível tabelas e formulários, entre outras. Uma forma prática de realizar essas marcações para a acessibilidade no Adobe Acrobat é através da ferramenta Acessibilidade. Para acessá-la, clique em Ferramentas e, posteriormente, no item Acessibilidade.
5 Audiodescrição
A audiodescrição é um recurso de acessibilidade que amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual em eventos culturais, gravados ou ao vivo, como peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, músicas, óperas, desfiles e espetáculos de dança; eventos turísticos, esportivos, pedagógicos e científicos, tais como aulas, seminários, congressos, palestras, feiras e outros, por meio de informação sonora. É uma atividade de mediação linguística, uma modalidade de tradução intersemiótica, que transforma o visual em verbal, abrindo possibilidades maiores de acesso à cultura e à informação, contribuindo para a inclusão cultural, social e escolar. Além das pessoas com deficiência visual, a audiodescrição amplia também o entendimento de pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos (MOTTA & ROMEU FILHO, 2010, p.11).
Leia mais sobre Audiodescrição no site da Fundação Dorina.
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Material Complementar
Como sugestão de material complementar para aprofundar-se nessa temática, sugerem-se os materiais a seguir.
Para conhecer mais sobre Acessibilidade em Documentos Digitais, também recomenda-se a leitura do Capítulo 4: Ferramentas e Recursos, do livro Manual de acessibilidade em documentos digitais (SALTON, 2017).
O livro O uso pedagógico dos recursos de Tecnologia Assistiva é fruto da terceira edição do curso de aperfeiçoamento de mesmo nome, o qual faz partedas ações da Rede Nacional de Formação Continuada dos Profissionais do Magistério da Educação Básica Pública (RENAFORM), subsidiado pela extinta Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação – MEC.
Capítulos:
· Capítulo 1: Ambientes Virtuais de Aprendizagem na Educação a Distância;
· Capítulo 2: Marcos Legais, Políticos e Pedagógicos da Educação Especial na Perspectiva Inclusiva;
· Capítulo 3: O Público-alvo da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva;
· Capítulo 4: Recursos de Tecnologia Assistiva e sua Aplicabilidade Pedagógica;
· Capítulo 5: Recursos Pedagógicos Acessíveis.
Acessibilidade Digital
Escola acessível - um direito de todos
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Referências
BERSCHE, R; TONOLLI, J. C. Introdução ao Conceito de Tecnologia Assistiva e Modelos de Abordagem da Deficiência. Disponível em: < http://www.bengalalegal.com/tecnologia-assistiva>. Acesso em 24 de abril de 2021.
COOK, A. M.  e HUSSEY, J.M.P. Assistive Technologies: Principles and Practices, Mosby - Year Book: Elsevier, Missouri, EUA, 1995.
DIVERSA. Plataforma colaborativa de práticas em educação inclusiva. Disponível em: <https://diversa.org.br/educacao-inclusiva/por-onde-comecar/conceitos-fundamentais/#-strong-desenho-universal--strong->
MOTTA, L.M.V.M. ; FILHO, P. R. (Org.). Audiodescrição: Transformando Imagens em Palavras. São Paulo, Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, 2010.
SALTON, Bruna Poletto. Manual de acessibilidade em documentos digitais. Bento Gonçalves, RS : Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, 2017. Disponível em: <https://cta.ifrs.edu.br/livro-manual-de-acessibilidade-em-documentos-digitais/>
SONDERMANN, D. V. C. ; BALDO, Y. P. Universal Design for Learning e as Tecnologias Assistivas: Interlocuções para prática pedagógica. In I International Workshop on Assistive Technology - IWAT 2015. Vitória - ES, 2015. Disponível em: https://www.cefor.ifes.edu.br/images/stories/Documentos_Institucionais/publicacoes/2015/sondermann_artigoiwat-2015.pdf
Última atualização: sexta-feira, 23 set. 2022, 11:13
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