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de SementeS
Prof. João Manoel da Silva
Produção e 
tecnologia
Indaial – 2023
1a Edição
Impresso por:
Elaboração:
Prof. João Manoel da Silva
Copyright © UNIASSELVI 2023
 Revisão, Diagramação e Produção:
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.
Núcleo de Educação a Distância. SILVA, João Manoel da.
Produção e Tecnologia de Sementes. João Manoel da Silva. Indaial - SC: 
Arqué, 2023.
190p.
ISBN 978-65-5646-608-8
ISBN Digital 978-65-5646-609-5
“Graduação - EaD”.
1. Agricultura 2. Semente 3. Planta
CDD 633.7
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
A produção de sementes e grãos é um dos principais segmentos do setor 
agrícola mundial, assim como a semente é o veículo que leva ao agricultor todo o 
potencial genético de uma cultivar com características superiores. 
Em seu caminho, do melhorista à utilização pelo agricultor, pequenas 
quantidades de sementes são multiplicadas até que sejam alcançados 
volumes em escala comercial, no decorrer do qual a qualidade dessas 
sementes está sujeita a uma série de fatores capazes de causarem 
perda de todo potencial genético. A minimização dessas perdas, com 
a produção de quantidades adequadas, é o objetivo principal de um 
programa de sementes (PESKE; ROSENTHAL; ROTA, 2006, p. 16).
No Brasil, a soja é o “carro chefe” do agronegócio, especialmente no que trata 
da produção de grãos, além dela, toda a produção de grãos já representa mais de 
170 milhões de toneladas por ano. Entretanto, não seria possível tamanha produção 
sem que houvesse a boa qualidade da semente, a qual representa o sucesso dos 
empreendimentos agrícolas brasileiros fundamentado na exploração comercial de 
cultivos vegetais, exigindo o constante emprego de sementes de alta qualidade. Assim, 
espera-se que sempre atinja o máximo potencial de produção de plantas vigorosas, de 
maneira uniforme e no menor tempo possível. E para atingir esses objetivos, a pesquisa, 
juntamente com a iniciativa privada, tem colocado à disposição dos agricultores 
inúmeras tecnologias, visando o aprimoramento do desempenho das sementes sob as 
mais variadas condições ambientais. 
Na agricultura tradicional, ainda é comum o agricultor separar parte de sua 
produção para utilizar na safra seguinte como semente. Além dessa prática, pouca 
distinção é feita entre o grão, que se utiliza para alimentação, e a semente utilizada para 
multiplicação. A agricultura moderna, porém, requer a multiplicação e disseminação 
rápida e eficaz das cultivares melhoradas, tão logo sejam criadas (PESKE; ROSENTHAL; 
ROTA, 2006, p. 16). 
 
O estudo da semente e das estruturas associadas é de grande relevância quer do 
ponto de vista da ciência fundamental quer do ponto de vista prático. De fato, a formação 
da semente implica uma série de processos de desenvolvimento interligados entre si, 
que asseguram a reprodução das plantas, mas que também têm um papel fundamental 
na agricultura. Como já foi referido, grande parte daquilo que comemos resulta direta ou 
indiretamente das plantas; e o que bebemos também, se nos lembrarmos que o café, o 
chocolate e a cerveja são produtos obtidos a partir de sementes (PESKE; ROSENTHAL; 
ROTA, 2012). 
APRESENTAÇÃO
Na Unidade 1, serão abordados os principais pontos característicos envoltos na 
importância da semente, apresentando como esta é fundamental para a existência de vida 
no planeta, funcionando como mecanismo de manutenção e perpetuação das espécies, 
bem como sendo compreendida como fonte de alimento e recurso para o homem.
Em seguida, na Unidade 2, estudaremos o processo de formação das sementes 
e quais os mecanismos que estão envolvidos nesse fenômeno.
Por fim, na Unidade 3, aprenderemos como a semente está fisicamente 
estruturada, entendendo todo o processo de formação e como a evolução das espécies 
vegetais contribui para que as estruturas das sementes funcionem. Será visto também 
como ocorrem as peculiaridades decorrentes da vasta diversidade encontrada no reino 
vegetal.
 
Bom estudo!
Prof. Dr. João Manoel da Silva
GIO
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – 
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que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, 
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ENADE
LEMBRETE
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Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
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Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
QR CODE
SUMÁRIO
UNIDADE 1 — INTRODUÇÃO E IMPORTÂNCIA, FORMAÇÃO E ESTRUTURA 
DA SEMENTE .....................................................................................1
TÓPICO 1 — IMPORTÂNCIA DAS SEMENTES ......................................................... 3
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 3
2 SEMENTES COMO MECANISMO DE PERPETUAÇÃO DAS ESPÉCIES ................4
2.1 SURGIMENTO DAS SEMENTES .........................................................................................4
2.1.1 SEMENTE COMO MODIFICADORA DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE ................6
2.2 MECANISMO DE SOBREVIVÊNCIA DA ESPÉCIE .......................................................... 8
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................... 10
AUTOATIVIDADE ....................................................................................................11
TÓPICO 2 — FORMAÇÃO DAS SEMENTES ........................................................... 13
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 13
2 COMO SE FORMAM AS SEMENTES ................................................................... 13
2.1 ENTENDENDO A FORMAÇÃO DAS SEMENTES ............................................................15
2.2 A MATURAÇÃO DAS SEMENTES.................................................................................... 23
3 ALTERAÇÕES BIOQUÍMICAS NO DESENVOLVIMENTO DA SEMENTE ..............25
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................... 27
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................28
TÓPICO 3 — ESTRUTURA DAS SEMENTES .......................................................... 31
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 31
2 A PROTEÇÃO DAS SEMENTES .......................................................................... 31
2.1 O EMBRIÃO .......................................................................................................................... 36
2.2 O ENDOSPERMA ................................................................................................................ 39
2.3 TECIDOS DE RESERVAS NAS SEMENTES ....................................................................41
3 APOMIXIA E POLIEMBRIONIA ...........................................................................46
LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................49
RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................54
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................55
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 57
UNIDADE 2 — ESTRUTURA QUÍMICA E FISIOLOGIA DAS SEMENTES ...............59
TÓPICO 1 — COMPOSIÇÃO QUÍMICA DAS SEMENTES ........................................ 61
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 61
2 CARBOIDRATOS .................................................................................................62
3 LIPÍDIOS .............................................................................................................64
4 PROTEÍNAS ........................................................................................................65
5 OUTROS COMPONENTES IMPORTANTES NAS SEMENTES ............................ 67
RESUMO DO TÓPICO 1 ..........................................................................................69
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................70
TÓPICO 2 — FISIOLOGIA DA GERMINAÇÃO ......................................................... 73
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 73
2 EMBRIOGÊNESE E MATURAÇÃO ....................................................................... 74
2.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE A EMBRIOGÊNESE .............................................................74
2.2 MATURAÇÃO FISIOLÓGICA DAS SEMENTES ...............................................................75
3 GERMINAÇÃO E DORMÊNCIA DAS SEMENTES ................................................78
3.1 GERMINAÇÃO ..................................................................................................................... 78
3.1.1 Fase de embebição ...................................................................................................80
3.1.2 Metabolismo e tipos de germinação ...................................................................80
3.1.3 Tolerância das sementes à dessecação .............................................................82
3.1.4 Fatores que afetam a germinação .......................................................................86
3.2 DORMÊNCIA DAS SEMENTES ........................................................................................89
3.2.1 As sementes apresentam diferentes tipos de dormência .............................89
3.2.2 Causas da dormência em sementes ..................................................................90
3.2.3 Classificação da dormência ................................................................................. 93
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................ 101
AUTOATIVIDADE .................................................................................................102
TÓPICO 3 — QUALIDADE FISIOLÓGICA DAS SEMENTES..................................105
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................105
2 FATORES QUE AFERAM A QUALIDADE DA FISIOLOGIA EM SEMENTES ......106
2.1 TESTE DE VIGOR EM SEMENTES ................................................................................. 106
2.2 TESTE DE CONDUTIVIDADE ELÉTRICA ..................................................................... 109
3 LONGEVIDADE DAS SEMENTES ...................................................................... 111
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 113
RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................117
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 118
REFERÊNCIAS .....................................................................................................120
UNIDADE 3 — FATORES QUE AFETAM E CONTRIBUEM PARA PRODUÇÃO 
DE SEMENTES ............................................................................. 127
TÓPICO 1 — CERTIFICAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DE SEMENTES ........................ 129
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 129
2 O PROCESSO DE CERTIFICAÇÃO DAS SEMENTES ........................................130
2.1 QUEM PARTICIPA DA CERTIFICAÇÃO DE SEMENTES? ............................................ 131
2.2 CLASSES DE SEMENTES ..............................................................................................132
2.2.1 Estabelecendo campos para produção de sementes certificadas/
fiscalizadas .............................................................................................................. 133
3 INSPEÇÃO DE SEMENTES ............................................................................... 136
3.1 FASE DE CAMPO DA INSPEÇÃO ...................................................................................137
3.2 INSPEÇÃO - FASE DE LABORATÓRIO ........................................................................ 138
4 FATORES DE ORIGEM DAS SEMENTES .......................................................... 139
5 TRATAMENTO E PRODUÇÃO DAS SEMENTES ............................................... 141
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................144
AUTOATIVIDADE .................................................................................................145
TÓPICO 2 — BENEFICIAMENTO DE SEMENTES ................................................147
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 147
2 BASES DA RECEPÇÃO E SEPARAÇÃO DAS SEMENTES ................................148
2.1 AMOSTRAGEM DE SEMENTES ...................................................................................... 149
2.1.1 Pré limpeza e cuidados iniciais com as sementes ......................................... 149
2.2 LIMPEZA DAS SEMENTES .............................................................................................. 151
2.3 DENSIDADE DAS SEMENTES ....................................................................................... 155
2.4 COMPRIMENTO DAS SEMENTES ................................................................................. 156
2.5 FORMA DAS SEMENTES ................................................................................................ 158
3 TRATAMENTO E TRANSPORTE DE SEMENTES .............................................. 159
3.1. EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DE SEMENTES ....................... 160
3.2. TRASPORTE DAS SEMENTES ...................................................................................... 161
4 PLANEJAMENTO DE UMA UBS ........................................................................161
4.1 TIPOS DE UBS ................................................................................................................... 162
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................164
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 165
TÓPICO 3 — FITOSSANIDADE DE SEMENTES ................................................... 167
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 167
2 TRANSMISSÃO DE PATÓGENOS NAS SEMENTES .........................................168
2.1 PREJUÍZOS DE CAMPO OCASIONADOS POR PATÓGENOS .....................................171
2.2 COMO OS PATÓGENOS AFETAM A QUALIDADE DAS SEMENTES ........................175
2.3 COMO OS FUNGOS PODEM AFETAR O ARMAZENAMENTO DE SEMENTES ........176
2.4 VÍRUS E NEMATOIDES COMO CAUSADORES DE DANOS ÀS SEMENTES .......... 177
3 COMO OS PATÓGENOS PODEM SER TRANSPORTADOS PELAS SEMENTES ......177
3.1 MÉTODOS DE DETECÇÃO DE PATÓGENOS EM SEMENTES ...................................179
3.1.1 Ensaios com semente não-incubada .................................................................179
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................182
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................186
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 187
REFERÊNCIAS .....................................................................................................189
1
UNIDADE 1 — 
INTRODUÇÃO E 
IMPORTÂNCIA, FORMAÇÃO 
E ESTRUTURA DA SEMENTE
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender como surge a semente;
• compreender como a semente se torna importante para manutenção da vida;
• conhecer os principais aspectos da semente para a agricultura;
• compreender como surge e é formada a semente;
• entender a estrutura da semente.
 A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – IMPORTÂNCIA DAS SEMENTES
TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – FORMAÇÃO DAS SEMENTES
TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – ESTRUTURA DAS SEMENTES
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
IMPORTÂNCIA DAS SEMENTES
TÓPICO 1 — UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO 
Como você deve imaginar, a relação entre homem e a natureza sofreu profunda 
modificação, principalmente em relação às sementes, ao se descobrir que as semente, 
eram responsáveis por multiplicar a planta que lhe deu origem. Essa descoberta 
modificou o comportamento social dos humanos, que, de nômades que se deslocavam 
atrás da caça, agora poderiam se fixar em local desejado, cultivando seus alimentos, 
motivando a formação das primeiras comunidades. Portanto, ao compreender a relação 
semente-planta-sementes, os humanos promovem o desenvolvimento da agricultura, 
mudando o rumo da história da civilização (LUPPI, 2010).
As sementes representam um meio de sobrevivência das espécies 
vegetais, visto que resistem a condições adversas que seriam fatais a 
essas espécies e, mesmo após a extinção das plantas que lhes deram 
origem, elas podem se desenvolver e originar novas plantas. Elas são 
o principal veículo de reprodução das plantas através do tempo e 
no espaço, e a forma de distribuir os melhoramentos genéticos às 
sucessivas gerações. Além disso, também apresentam importância 
econômica como alimento (correspondem a 60-70% dos alimentos 
consumidos mundialmente) e são transformadas pela agroindústria 
em uma variedade de produtos (LUPPI, 2010, p. 2). 
Nessa perspectiva, entende-se a importância da semente, que desde os 
primórdios da humanidade até os dias contemporâneos, a solução para alimentar a 
crescente população mundial passa pelo aumento na produção de grãos, proporcionado 
pela utilização de sementes de alta qualidade. Fenômeno que só é possível por meio do 
conhecimento e pesquisa, tanto do órgão vegetal em toda sua complexidade, quanto 
das formas de produção e comercialização das sementes. 
A comercialização das sementes, um seguimento importante da produção e 
tecnologia de sementes, exigiu a regulamentação da reprodução e multiplicação vegetal 
em todo o território nacional, o que levou a criação da Lei nº 10711, de 5 de agosto de 
2003, que apresenta um conceito amplo, em que definiu semente como o “material de 
reprodução vegetal de qualquer gênero, espécie ou cultivar, proveniente de reprodução 
sexuada ou assexuada, que tenha finalidade específica de semeadura” (BRASIL, 2003). 
Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 1, abordaremos a importância geral das 
sementes, entendendo seu papel na manutenção da vida na terra como um todo, bem 
como sua importância para a agricultura. Entenderemos seu papel ecológico e suas 
peculiaridades.
4
2 SEMENTES COMO MECANISMO DE PERPETUAÇÃO DAS 
ESPÉCIES 
A semente em sua complexidade, conforme Carvalho e Nakagawa (2012), pode 
ser definida como um óvulo maduro e fecundado, contendo em seu interior uma planta 
embrionária e substâncias de reserva, protegidas por um ou dois envoltórios, que é o 
tegumento ou casca. Sendo assim, a semente é a precursora da geração seguinte na 
vida de uma planta e consta de: 1) embrião que cresce para formar a nova planta, 2) 
endosperma e/ou cotilédones que nutri a planta para crescer até desenvolver uma folha 
verde e 3) tegumento(s) que protegem a plântula e pode ajudar no seu desenvolvimento. 
Nas gramíneas, o tegumento estar aderido ao pericarpo do fruto pelo que as reservas 
de nutrientes se acham armazenadas no endosperma, enquanto nas leguminosas as 
reservas de nutrientes se encontram nos cotilédones.
As sementes apresentam basicamente uma estrutura única que participa da 
disseminação, proteção e reprodução das espécies. Suas propriedades, tanto internas 
(pureza varietal, potencial genético, carência de enfermidades, germinação e vigor) 
como as externas (pureza analítica, classificação por tamanho, peso de 1000 grãos e 
teor de umidade), afetam a qualidade das mesmas, logo, a semente de alta qualidade 
deve ter essas características bem definidas e se apresentar livre de qualquer tipo de 
impureza, tal como sementes de ervas daninhas, sementes de outras culturas e material 
inerte (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012).
Poucas pessoas têm esse conhecimento, isto é, aconsciência de quão importante 
e maravilhosa é uma semente. Em culturas de expressão econômica, a semente é o 
material utilizado para a implantação da cultura (multiplicação das plantas) e os grãos 
colhidos para a comercialização e/ou consumo. Logo, as denominações “sementes” e 
“grãos” são empregados para identificar as formas de utilização, vez que, botanicamente, 
não há distinção a ser feita.
2.1 SURGIMENTO DAS SEMENTES
Acredita-se que as plantas produtoras de sementes apareceram, provavelmente, 
em meados do final do período Devoniano (era Paleozóica), cerca de 350 milhões de 
anos atrás, assim como apresenta a paleobotânica (Figura 1). Logo, as sementes teriam 
surgido como uma extensão da heterosporia (a produção de diversos tipos de esporos 
assexuais), em resposta a pressões ambientais (TIFFNEY, 1997), ocorrendo como 
mecanismo desenvolvido mediante processos evolutivos por meio da necessidade de 
adaptação e das mudanças climáticas que ocorreram.
5
Figura 1 – Paleobotânica e representação dos primórdios das sementes
Fonte: Universidade de São Paulo (2023)
O grande sucesso da semente como órgão de perpetuação e de disseminação 
das espécies vegetais se deve, especialmente, a duas características que, de modo 
conjunto, a tornam um órgão ímpar no Reino Vegetal (Domínio Eukarya). Sendo essas 
características: a capacidade de distribuir a germinação no tempo (fenômeno que 
ocorre por meio dos mecanismos de dormência) e no espaço (ocorrendo por meio dos 
mecanismos de dispersão, tais como espinhos, pelos, asas etc.).
O mecanismo da dormência impede que as sementes germinam todas ao 
mesmo tempo após a maturação, evitando, assim, a possível destruição da espécie, 
caso sobrevenha alguma calamidade climática após a germinação. É, portanto, um 
mecanismo pelo qual a semente busca germinar só quando “sabe” que as condições 
climáticas vão ser propícias não só para a germinação, mas também para as fases 
subsequentes de crescimento da plântula/planta (BARROS NETO et al., 2014).
Já os mecanismos de dispersão das sementes poderiam ser encarados como 
meios pelos quais a espécie vegetal tenta “conquistar” novas áreas. Mediante esses 
recursos a espécie vegetal tenta fugir do local onde se formou e “arriscar a vida” em 
outras plagas. Essa capacidade de distribuição aleatória da germinação no espaço, 
conferida pelos mecanismos de dispersão, seria o fundamental da heterogeneidade 
das populações vegetais. Essa heterogeneidade, por sua vez, teria sido o fator mais 
importante na manutenção e na expansão dos vegetais sobre a Terra. Unidas, essas duas 
características, num mesmo órgão, as espécies produtoras de sementes dominaram 
por completo o reino vegetal (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012).
As sementes em seu tecido de reserva possuem três substâncias importantes, 
que são os carboidratos, lipídios e proteínas, encontradas em quantidades variáveis, 
conforme a espécie. Normalmente, uma das três substâncias predomina sobre as outras 
duas, classificando as sementes, conforme a predominância, em amiláceas, oleaginosas 
e proteicas. Em que, no reino vegetal há predominância das duas primeiras (amiláceas 
6
e oleaginosas). O amido é a substância de mais fácil obtenção para a elaboração de 
diversos tipos de alimentos. Tanto isso é verdade que as gramíneas, ricas em carboidratos, 
constituíram-se na base de todas as civilizações do mundo. O trigo provavelmente seja 
a espécie mais antiga cultivada pelo homem, servindo de sustento das civilizações da 
Mesopotâmia e do Nilo (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012).
Além de seu valor como alimento, seja diretamente ou indiretamente pela 
industrialização, a semente é também fonte de outros produtos que servem ao homem, 
destacando-se os vestuários e produtos medicinais. Ademais, de ser uma importante 
fonte alimentar, na forma de rações, para utilização na produção animal.
2.1.1 SEMENTE COMO MODIFICADORA DA HISTÓRIA DA 
HUMANIDADE 
Durante os milhares de anos da existência humana, humanos consumiam 
alimentos de origem animal e vegetal, incluindo as sementes, mas, durante grande 
parte de sua existência, não associavam a semente como uma forma de propagação 
vegetal e garantia de alimentos em determinadas épocas e locais, o que fazia com que 
dependesse da caça para sua subsistência.
Desse modo, a movimentação dos animais, no decorrer das estações, fazia 
com que as primeiras civilizações humanas se deslocassem atrás das caças, sendo 
considerados totalmente nômades (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012).
Em determinada época, que se supõe ter ocorrido há mais ou menos 
10.000 anos, a relação semente-planta-semente foi compreendida 
pelo homem, e isto provocou profunda modificação em sua vida: uma 
semente posta no solo, dava origem a uma planta que a multiplicava 
enormemente. Como as plantas não andam e como há necessidade 
de ficar perto, a fim de protegê-las contra inimigos naturais 
(animais, plantas daninhas etc.), o homem foi forçado a modificar 
profundamente seus hábitos da vida nômade para a sedentária. 
Como fonte de alimentos mais segura, mais à mão e mais fácil, os homens 
começaram a se agrupar em comunidades que cresciam rapidamente. A vida em 
comunidade exige, porém, uma organização social, econômica e política. Foi o que 
aconteceu, originando-se todas as diferentes civilizações de que se tem conhecimento. 
Pode-se, então, dizer que a semente é a “pedra fundamental” da civilização, tal como se 
conhece hoje (CARVALHO; NAKAGAWA, 2000, p. 8).
Como você já deve ter percebido, caro acadêmico, a semente é um órgão das 
plantas que foi e é responsável pela modificação da história, pois bem, isso se deve a 
seu potencial nutricional, destinado à alimentação, principalmente por ser responsável 
pela propagação vegetal. Uma semente é composta por três tipos básicos de tecidos: 
O tecido meristemático, que, em Tecnologia de Sementes, convencionou-se chamar 
de “eixo embrionário”, isto é, aquele que, em condições propícias para a germinação, 
7
irá crescer e originar a planta; um tecido de reserva, que pode ser tanto cotiledonar, 
endospermático ou perispermático, ou, ainda, resultante da associação de dois deles 
ou dos três e, por fim, um tecido de proteção mecânica, que nada mais é que o envoltório da 
semente, conhecido como casca (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012).
Quanto ao tecido de reserva, este é caracterizado por ser especialmente rico 
em três substâncias: carboidratos, lipídios e proteínas. A quantidade de cada uma 
dessas substâncias e sua composição química na semente é variável, dependendo 
principalmente da espécie de planta. Outro ponto importante é que geralmente, uma 
dessas três substâncias irá predominar amplamente sobre as outras duas, a depender 
da espécie vegetal, com destaque principalmente para as amiláceas (carboidratos) e a 
oleaginosas (lipídeos) (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012).
As gramíneas por exemplo, são ricas em carboidratos, e sua importância 
na alimentação está relacionada ao fato de que os carboidratos são facilmente 
industrializáveis (provavelmente nenhuma outra substância pode ser extraída dos 
tecidos de reserva e submetida a posteriores processos de industrialização através de 
tecnologia tão rudimentar quanto os carboidratos), mas também por serem alimentos 
calóricos (o que explica a agradável sensação de saciedade que produzem ao serem 
ingeridos) e porque os carboidratos, nessas espécies, ocorrem em proporções que 
podem ser consideradas muito elevadas (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012). 
Essa substância se destaca, pois, nenhuma outra substância da semente ocorre em 
proporções entre 70 e 75%, como é o caso dos carboidratos. A abundância com que os 
carboidratos ocorrem em gramíneas, associados a características mencionadas, fizeram 
delas o fator básico impulsionador das grandes civilizações do mundo. Ao lado das gramíneas, 
estão as leguminosas, que se destacam por fornecer, até hoje, os complementos em 
proteínas e lipídios necessários para nutrição (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012).
Devido às características mencionadas, e outrasmais, há a ideia de que 
sementes foram e ainda são, a maneira mais fácil e barata de alimentação de um povo. 
Isto porque, além de seu valor como alimento, seja diretamente, seja indiretamente pela 
industrialização, a semente é, também, a fonte de inúmeros outros produtos que servem 
ao homem, das mais diversas maneiras, tais como: vestuários, produtos medicinais, entre 
outros. Outro ponto interessante é que a semente é uma importante fonte alimentar, na 
forma de ração, para os animais de criação (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012).
Ainda, a importância da semente pode ser pautada na sua utilização como 
material de pesquisa. Portanto, a semente apresenta algumas características que 
a tornam de incomparável valor. Num primeiro momento, vem seu tamanho e forma. 
Em linhas gerais, a semente é pequena, o que possibilita seu armazenamento em 
recipientes relativamente pequenos, além de proporcionar que esse feito possa 
ocorrer em um grande número delas, permitindo assim repetir n números de vezes, 
determinada observação. Sua forma, de maneira geral tendendo para arredondada, 
facilita enormemente sua manipulação, diretamente com as mãos, ou pinças.
8
A semente compreende um órgão vegetal que usualmente se beneficia da 
desidratação e isto permite conservá-la em bom estado durante muito tempo. Os 
pesquisadores da área de tecnologia de sementes compreendem bem a comodidade que 
isto acarreta, uma vez que é frequente não se poder realizar um estudo para quando 
programado, e a semente, desde que bem conservada, permite que o trabalho seja 
realizado no momento mais adequado, uma vez que suas características morfofisiológicas 
estarão mantidas adequadamente e sem deficiências. 
Ainda, a semente é um órgão que, não obstante uma organização morfológica 
muito simples, apresenta organização fisiológica e bioquímica altamente complexa, 
permitindo amplo espectro de estudos da área da Biologia Vegetal em aspectos 
ecológicos e produtivos para agricultura e conservação de recursos genéticos e naturais.
Também é possível analisar e estudar a semente na perspectiva de que 
esta seja inimiga do homem, isto pois, seus mecanismos de dispersão e dormência 
possibilitam às espécies produtoras de sementes a conquista da Terra em várias 
condições pedoclimáticas, sendo esses os mesmos que tornam ao homem tão difícil e 
tão caro o controle das plantas daninhas/invasoras/espontâneas, justamente dadas as 
peculiaridades e complexidades morfofisiológicas das sementes.
Outro aspecto importante a se considerar é que as sementes são veículos 
altamente eficientes de disseminação de pragas agrícolas de uma região para outra, 
o que faz com que seja exigida grande atenção e cuidados por parte do produtor e 
profissionais da agricultura para evitar que isso aconteça.
2.2 MECANISMO DE SOBREVIVÊNCIA DA ESPÉCIE
As plantas que se reproduzem sexuadamente iniciam e terminam o ciclo de 
vida com a produção de sementes, sendo responsáveis pela multiplicação de pelo 
menos 70% das espécies vegetais descritas pelo homem. Proporção essa que também 
é mantida quando se considera apenas as culturas de expressão econômica.
Como mencionado anteriormente, no reino vegetal, especialmente em se tratando 
de plantas superiores, a semente é responsável pela disseminação e perpetuação das 
espécies, especialmente por reunir duas características que, juntas, as tornam ímpar 
no reino vegetal, que são a capacidade de distribuir a germinação no tempo pelos 
mecanismos de dormência, e no espaço pelos mecanismos de dispersão.
O mecanismo de dormência impede que as sementes germinem todas de uma 
única vez, evitando assim, a possível destruição de determinada espécie, caso ocorra em 
seu habitat alguma calamidade climática após a germinação. Através desse mecanismo, 
a semente germinará apenas quando as condições climáticas são favoráveis ao seu 
desenvolvimento.
9
Enquanto, para os mecanismos de dispersão, as sementes podem se desenvolver 
em diferentes áreas do planeta, garantindo assim a expansão dos vegetais sobre a Terra. 
Essa propriedade aliada à ação do vento, homem, animais e outros agentes, assegura a 
continuidade da vida da espécie por período de tempo prolongado; sendo as espécies 
de plantas silvestres, talvez, os principais representantes dessa alta capacidade de 
sobrevivência e longevidade.
Acadêmico, convido-o a leitura do artigo “MECANISMO DE SOBREVIVÊNCIA 
DA ESPÉCIE. O artigo é sobre o Banco de semente mundial e a 
conservação ex situ de espécies ou variedades de plantas de importância 
econômica mundial” disponível no link http://twixar.me/Tbxm.
DICA
Nessa perspectiva, ao estudarmos as sementes como mecanismo de 
perpetuação das espécies, compreendemos quão fundamental para toda a vida é essa 
unidade vegetal. Ainda, podemos observar que as sementes apresentam uma grande 
diversidade estrutural e morfológica, que afetará vários outros processos das plantas 
no que trata de sua fisiologia e crescimento, como será abordado na próxima unidade.
10
Neste tópico, você aprendeu:
• De onde surgiu a semente e seu papel na manutenção da vida. 
• A versatilidade da importância da semente, onde vai além da reprodução de plantas 
para alimentação. 
• Que conhecer a importância das sementes é fundamental para se manejar culturas 
agrícolas e também plantas indesejadas. 
• A perpetuação das espécies no planeta depende desse órgão vegetal.
RESUMO DO TÓPICO 1
11
1 Ao longo da história da vida na Terra, inúmeras transformações ocorreram por 
meio de processos evolutivos e adaptativos, proporcionando a várias espécies a 
sobrevivência e permanência no planeta. Desde então, o ser humano conseguiu 
domesticar espécies para benefício próprio e caracterizou-se como ser “dominante”. 
Nessa perspectiva, as sementes também apresentaram várias modificações ao longo 
do tempo. Acerca do que é considerada a semente, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Meio de perpetuação e disseminação das espécies;
b) ( ) Como elemento modificador da história do homem.
c) ( ) Como alimento.
d) ( ) Como material de pesquisa.
e) ( ) Todas as alternativas anteriores.
2 Acredita-se que as plantas produtoras de sementes apareceram, provavelmente, 
em meados do final do período Devoniano (era Paleozóica), cerca de 350 milhões de 
anos atrás, assim como apresenta a paleobotânica. Logo, as sementes teriam surgido 
como uma extensão da heterosporia em resposta a pressões ambientais. Sobre isso, 
analise as sentenças a seguir:
I- As plantas apresentaram baixa evolução ao longo do tempo, por isso foram facil-
mente domesticadas.
II- As alterações morfológicas oriundas da evolução nas plantas contribuíram para que 
estas se estabelecessem e se disseminassem ao longo do tempo e espaço, como é 
visto ainda hoje.
III- As plantas devem ser compreendidas apenas como instrumento de produção de 
comida para as populações. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 Em uma determinada época, mais ou menos 10.000 anos atrás, o homem percebeu 
a influência mútua “planta-semente-planta”, isto é, as sementes quando lançadas ao 
solo e as condições lhe fossem propicias, essas produziriam dezenas e até centenas 
de vezes a planta que lhe deu origem. Com base nessa assertiva, classifique V para 
as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
AUTOATIVIDADE
12
( ) As plantas só puderam se desenvolver melhor a partir da domesticação.
( ) O Homem ao observar os ciclos de vida das plantas conseguiram compreendê-las.
( ) As sementes fazem parte da história do homem desde o surgimento da agricultura.
a) ( ) V – V – V.
b) ( ) V – F – F.
c) ( ) F – V – V.
d) ( ) F – F – F.
4 Considerando a importância dos vegetais, num panorama geral, e considerando 
também a importância ecológica desses. Disserte sobre a importância do estudo das 
sementes para alémda agricultura.
5 Discorra sobre a importância das sementes e seus mecanismos de perpetuação da 
espécie.
13
FORMAÇÃO DAS SEMENTES
UNIDADE 1 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO
As plantas angiospermas possuem um ciclo de vida composto por uma fase 
esporofítica, que inicia a partir da fecundação indo até o momento em que inicia o 
desenvolvimento da planta adulta, e outra fase chamada gametofítica, que inicia quando 
as estruturas especializadas masculinas e femininas da flor produzem esporos haploides. A 
fase vegetativa de uma cultivar, por exemplo, pode variar, contudo, a fase reprodutiva é 
praticamente constante, irreversível e, como resultado, são formadas as estruturas de 
perpetuação da espécie, as quais são denominadas sementes. 
As sementes representam para a planta um meio de sobrevivência e perpetuação 
das espécies vegetais, uma vez que resistem a condições adversas que seriam fatais 
a essas espécies e, mesmo após a extinção das plantas que lhes deram origem, elas 
podem se desenvolver e originar novas plantas. Ainda, considera-se que são o principal 
veículo de reprodução das plantas através do tempo e no espaço. Pode-se, também, 
inferir que é uma forma de distribuir os melhoramentos genéticos às sucessivas 
gerações de plantas, aproveitando seus máximos potenciais produtivos de acordo com 
suas características. 
Como você deve lembrar, botanicamente, pode-se conceituar que a semente 
é o óvulo desenvolvido após a fecundação, contendo embrião, reservas nutritivas e 
tegumento. Por isso, acadêmico, no Tema de Aprendizagem 2, abordaremos o processo 
que leva à formação da semente, apresentando o percurso desenvolvido pelas plantas 
para que possam apresentar a manutenção das espécies ao longo do tempo e espaço. 
Estaremos entendendo não somente como são formadas de modo físico e estrutural, 
mas os mecanismos que proporcionam esse fenômeno biológico. 
2 COMO SE FORMAM AS SEMENTES
A reprodução sexuada ocorre em todas as plantas, desde as briófitas às angios-
pérmicas. Contudo, a capacidade de formar sementes fica restrita às plantas designa-
das espermatófitas (Spermatophyta) ou seja, às gimnospérmicas (Acrogymnospermae) 
e às angiospérmicas (Angiospermae). As primeiras plantas produtoras de sementes, de 
acordo com o registo fóssil, surgiram no Devónico Superior, há cerca de 365 milhões de 
anos, o que significa que o aparecimento da semente é ulterior ao surgimento do em-
brião (mais de 450 milhões de anos) produzido por todas as plantas terrestres. As plan-
tas produtoras de embrião são vulgarmente denominadas de embriófitas e que incluem, 
para além das já referidas gimnospérmicas e angiospérmicas, as briófitas (Bryophyta) 
(s.l.) e as pteridófitas (Lycophyta e Monilophyta) (CANHOTO, 2017) (Figura 2). 
14
Figura 2 – Representação geral da formação das sementes
Fonte: adaptada de Silva (2019).
Como resume Canhoto (2017, p. 1): 
A entidade precursora da semente é o óvulo onde se localiza 
o saco embrionário (angiospérmicas) ou o(s) arquegónio(s) 
(gimnospérmicas) e, dentro destes, o gameta feminino (oosfera). O 
desenvolvimento da semente inicia-se com a formação do zigoto 
resultante da fecundação. Nas espermatófitas atuais as sementes 
apresentam-se nuas nas gimnospérmicas e protegidas pelo fruto 
nas angiospérmicas. 
Após a fecundação, os tecidos do óvulo sofrem modificações 
profundas e, no caso das angiospérmicas, forma-se mesmo um novo 
tecido que resulta da fusão de um dos gametas masculinos (haploide) 
com a célula central (mesocisto) do saco embrionário (diploide ou com 
dois núcleos haploides). Deste modo, nas angiospérmicas, ocorre 
aquilo a que vulgarmente se chama dupla fecundação, e que tem 
como consequência a formação de um novo esporófito, o embrião, e 
de um tecido de reserva triploide chamado endosperma (Endosperma 
II), onde se acumulam compostos de reserva que serão necessários 
durante a germinação. Pelo contrário, nas gimnospérmicas, a 
fecundação é simples e o tecido de reserva forma-se antes de ocorrer 
a fecundação como resultado da proliferação do megagametófito 
feminino, um tecido haploide. 
A formação do embrião e do tecido de reserva é acompanhada 
por alterações profundas nos tecidos do óvulo, em particular dos 
tegumentos que sofrem uma série de modificações estruturais que 
dão origem ao tegumento da semente (testa), um tecido protetor, 
de complexidade variável, normalmente com uma camada rígida 
de células lenhificadas. De uma forma simples, podemos dizer que 
uma semente não é mais que uma caixa (tegumento) que contém o 
embrião e os tecidos de reserva.
15
2.1 ENTENDENDO A FORMAÇÃO DAS SEMENTES
Em detrimento à estrutura da semente quando completamente formada, essa 
pode ser dividida em dois tipos: sementes endospérmicas e sementes não endospérmicas. 
Como o nome indica, as primeiras são aquelas que possuem endosperma quando 
maduras. Como exemplo, podem ser citadas as sementes de alfarrobeira ou de rícino, de 
cujos endospermas podem ser extraídos compostos de interesse. 
Pelo contrário, um feijão, planta dicotiledônea, não apresenta endosperma 
quando maduro. Isto não significa que durante o processo de formação da semente 
o endosperma não se tenha formado. Nas sementes de muitas leguminosas, como o 
feijão, a fava ou a ervilha, se separam facilmente em duas metades, que não são mais 
que os cotilédones muito nutritivos devido ao elevado teor de compostos de reserva que 
apresentam. Existem ainda sementes, como no caso do cafeeiro, em que o tecido de 
reserva resulta da proliferação do nucelo e tem a designação particular de perisperma.
Ainda do ponto de vista da formação das sementes, Silva (2019, p. 9) destaca que:
Nas flores, órgão de grande importância para a reprodução vegetal, é 
desenvolvido todo o material para a combinação genética entre duas 
plantas, como grãos de pólen e óvulos, que, por meio de sua fusão, 
promovem a fecundação e, a partir daí, gera-se o que denominamos 
semente. Entretanto, antes de ser gerada uma semente, existem 
várias etapas a serem percorridas para o sucesso da perpetuação 
das espécies. Por isso, perceba o quão importante é o processo de 
formação das sementes do ponto de vista biológico e do ponto de 
vista de produção para um agricultor.
Importante lembrar que para se compreender essa a formação da 
semente, é necessário recordar e conhecer a fase de floração das 
plantas, as condições ideais para polinização e fecundação, assim 
como a maneira que se desenvolvem o embrião, endosperma e 
tegumento de uma semente. Sem esses conhecimentos, seria 
impossível, por exemplo, diagnosticar o motivo do enrugamento 
das sementes de soja.
IMPORTANTE
Como deve ter percebido em sua leitura até aqui, caro estudante, não há como 
responder à pergunta “como as sementes são formadas? ”, sem antes conhecermos 
mais profundamente as Angiospermas, que como já viu até aqui, são as plantas 
que produzem sementes. As Angiospermas, representam o filo Antófitas, o qual 
representa o maior filo de organismos fotossintetizantes no planeta, que compreende 
aproximadamente 450.000 espécies com grande diversidade morfológica (EVERT; 
ELCHORN, 2013, apud SILVA, 2019). Essas características tornam as Angiospermas um 
16
grupo de plantas com grande sucesso evolutivo, justamente pelo fato de apresentarem 
um ciclo de vida distinto, devido a sua vasta diversidade, que inclui desde a produção 
de flores, produção do material genético propagativo e adaptações morfológicas. 
Essas adaptações contribuem e facilitam os processos de polinização e fecundação, e 
também a formação e dispersão dos frutos, aspecto fundamental para a manutenção 
das espécies (SILVA, 2019).
A flor das Angiospermas apresenta como estrutura de suporte uma haste 
(pedicelo), responsável por ligar a flor ao ramo da planta. Na porção terminal do pedicelo, a 
estrutura modificou-se para a formação de um receptáculo floral, no qual é suportado todas 
as estruturas das flores: sépalas, pétalas, androceu e gineceu. As sépalas, são chamadas 
coletivamentede cálice, e compreendem a região externa da flor (variam amplamente em 
número, forma e coloração). “Normalmente, servem de proteção às outras partes florais, 
mas também podem ser atrativas aos polinizadores, apresentando tecido com aspecto 
mais folioso quando comparado às pétalas” (SILVA, 2019, p. 12) (Figura 3).
Figura 3 – Estrutura da flor.
Fonte: adaptada de Silva (2019).
As pétalas, conhecidas como corola, além de proporcionar proteção às flores, 
destacam-se por serem atrativas aos polinizadores, possuindo cores vistosas e pode 
ainda produzir compostos voláteis como atrativo. Também podem possuir canais de 
néctar, estruturas visíveis com colorações específicas, que indicam para os polinizadores 
a disponibilidade de néctar na flor. Estas estruturas (pétalas), assim como as sépalas 
fazem parte da estrutura externa da flor, e juntas são responsáveis pela proteção, e 
também a atração de polinizadores, os quais são considerados agentes importantes na 
reprodução das plantas (SILVA, 2019).
17
O androceu, considerado como o aparelho reprodutivo masculino das flores, é 
composto pela antera (estrutura responsável por produzir os grãos de pólen), pelo filete 
(estrutura de suporte às anteras) e o conectivo (estrutura que une o filete na antera). 
Juntos, antera, filete e conectivo formam os estames. Os grãos de pólen possuem 
células contendo o material genético masculino. Em uma flor, podemos encontrar todo 
um conjunto de anteras e filetes, que, normalmente, circundam o gineceu, posicionados 
de diferentes maneiras nas flores, a fim de facilitar, ou não (fecundação cruzada), a 
deposição de pólen, das anteras para o gineceu de uma mesma flor (SILVA, 2019).
Já o gineceu, por sua vez, também conhecido como pistilo, é considerado o 
aparelho reprodutivo feminino das flores, e apresenta em sua estrutura: estigma, estilete, 
ovário e óvulos. O estigma é a porção superior do gineceu, normalmente dilatada e com a 
função de receber os grãos de pólen depositados sobre ele. O estilete é um canal contínuo 
ao estigma, que o liga ao ovário, possui a função de conduzir o material genético do grão 
de pólen para dentro do ovário. A flor pode apresentar um ou mais ovários que possui em seu 
interior os óvulos, constituídos por células que contém o material genético feminino da flor 
(SILVA, 2019).
Uma vez conhecida as estruturas da flor, agora podemos dar 
segmento a responder a pergunta “como as sementes são 
formadas? ” Continue nos acompanhando nesta jornada, pois 
antes vamos conhecer como são originados os grãos de pólen e 
o saco embrionário, já que eles estão diretamente relacionados à 
formação das sementes.
ESTUDOS FUTUROS
A microsporogênese e gametogênese masculina dizem respeito à formação 
dos grãos de pólen dentro das anteras e, consequentemente, dos gametas masculinos. 
As anteras são divididas em duas partes, chamadas de tecas, e cada teca possui duas 
estruturas chamadas de sacos polínicos, em que em cada um está localizada a célula-
mãe do grão de pólen. A célula-mãe do grão de pólen, ao passar pelo processo de meiose, 
gera células haploides, que, ao serem produzidas, são envoltas por uma parede celular, 
constituindo-se, então, o grão de pólen. A parede celular do grão de pólen é dupla, uma 
interna (intina) e outra externa (exina), e tem a função de proteção do material genético 
e de se fixar nos estigmas das flores, pois apresentam uma superfície rugosa e muitas 
vezes com pontas, que fixa no estigma durante o processo de polinização (SILVA, 2019).
18
Na megasporogênese e gametogênese feminina ocorre a formação da 
oosfera e dos núcleos polares do saco embrionário. O ovário possui o saco embrionário 
com uma célula-mãe, e essa célula-mãe sofre meiose, produzindo quatro células 
haploides, os megásporos. Dentro do saco embrionário, apenas um megásporo 
permanece vivo, enquanto que os outros são degenerados, como uma seleção evolutiva 
do mais resistente. Esse megásporo remanescente gera oito núcleos a partir de divisões 
consecutivas e estes se organizam dentro do saco embrionário em dois grupos de quatro 
núcleos, dispostos em regiões distintas na célula. Um núcleo de cada grupo migra para 
o centro da célula, formando os núcleos polares. Três núcleos formam a oosfera e duas 
sinérgides, enquanto que, do lado oposto, três núcleos formam as antípodas. Toda essa 
estrutura forma o saco embrionário (SILVA, 2019).
Agora, com base no estudo da importância das flores, sua morfologia, a formação 
dos gametas masculinos e da oosfera, vamos concatenar esses conhecimentos para 
compreender os processos de polinização e fecundação. A polinização é conceituada 
como o processo de transferência do grão de pólen da antera para o estigma da 
flor, certo? E como você deve lembrar, a polinização pode ser feita numa mesma flor 
(autopolinização) ou de uma flor para outra (polinização cruzada) (SILVA, 2019). Portanto, 
alguns aspectos gerais sobre a transferência dos grãos de pólen para o estigma 
precisam ser compreendidos. Logo, ao se falar de polinização, é importante salientar 
que o transporte do grão de pólen pode ocorrer por diferentes mecanismos, isto é, 
existem vários agentes promotores da polinização (SILVA, 2019). 
O primeiro mecanismo de transporte de pólen que vamos abordar é o vento, 
um dos grandes dispersores de grãos de pólen, podendo levá-los a longas distâncias, 
processo denominado anemofilia. Em seguida temos a gravidade, que também 
promove a polinização, pois quando as anteras se abrem (o que chamamos de deiscência 
da antera) são liberados os grãos de pólen, que, pela força da gravidade, podem cair e 
serem depositados no estigma das flores. Essa polinização promovida pela gravidade 
ocorre principalmente em flores que promove a autopolinização, principalmente nas 
flores hermafroditas (SILVA, 2019).
Em relação ao tipo de polinização de grande importância ecológica, devido à 
interação planta-animal, temos principalmente a polinização promovida por insetos, de-
nominada de entomofilia. Dentre os insetos polinizadores – os que frequentam flores 
em busca de néctar ou pólen – e encontramos diferentes ordens com uma grande di-
versidade de espécies, tais como: himenópteros (abelhas, vespas e formigas), coleópteros 
(besouros), lepidópteros (borboletas e mariposas) e dípteros (moscas) (SILVA, 2019). 
Esses grupos (ordens taxonômicas) de insetos visitam as plantas porque o 
pólen e néctar disponibilizados por elas são fontes alimentares para eles. O néctar é uma 
importante fonte de energia, por apresentar açúcares como sacarose, glicose e frutose. 
Enquanto que o pólen é rico em proteínas, amido, vitaminas, entre outros compostos. 
19
Dessa forma, é possível compreender que a polinização promovida pelos insetos, na 
verdade, faz parte da coevolução de insetos e plantas, pois as fl ores precisam ser 
polinizadas como forma de perpetuação das espécies, enquanto os insetos necessitam 
de fontes alimentares para sobreviverem (SILVA, 2019).
Então, dentre todos esses insetos polinizadores, qual seria aquele mais 
representativo e importante ao se considerar as populações vegetais e sua manutenção? 
As abelhas garantem esse local de destaque (Figura 4): 
Elas são reconhecidas como os principais agentes polinizadores. 
Quando visitam as fl ores em busca de recursos alimentares, ao 
tocarem nas anteras, os grãos de pólen das fl ores fi cam aderidos ao 
seu corpo, visto que a maioria das abelhas possuem pelos no corpo; 
dessa maneira, elas conseguem transportar o pólen entre diferentes 
plantas. Ao visitarem outra fl or, o grão de pólen se desprende de seu 
corpo e pode ser depositado sobre o estigma da fl or, promovendo a 
polinização. Outra forma de contribuição das abelhas na polinização, 
é permitir o transporte de pólen das anteras para os estigmas de uma 
mesma fl or. Isso acontece quando a abelha se movimenta sobre a 
fl or, normalmente com movimentos circulares que promovem a 
distribuição de pólen das anteras para o estigma (SILVA, 2019, p. 15).
Figura4 – Polinização das fl ores por abelha.
Fonte: o autor
Levando em consideração que as abelhas são consideradas as principais 
agentes polinizadoras, elas têm sido manejadas cada vez mais em cultivos agrícolas, 
com vistas ao aumento da polinização e, consequentemente, da produção agrícola 
(BARTOMEUS et al., 2014, p.13 apud SILVA, 2019). Assim, tem sido comum o incremento 
de colmeias manejadas nos cultivos agrícolas para o serviço de polinização, sendo 
as principais espécies, como nos exemplos a seguir: Apis mellifera, no morangueiro 
(Fragaria x ananassa Duchesne ex Rozier) (ZAPATA et al., 2014, p. 85 apud SILVA, 
2019) e Melipona quadrifasciata anthidioides e também em M. scutellaris, no pimentão 
20
(Capsicum annuum L.) (ROSELINO et al., 2010. p. 154 apud SILVA, 2019). Outra conduta 
importante é a adoção de práticas de cultivo que permitem maiores visitações das 
abelhas às flores, como a redução no uso de agrotóxicos e a diversificação dos tipos de 
cultivos, favorecendo também a diversidade de polinizadores (VIANA et al., 2015, p. 25 
apud SILVA, 2019).
Uma vez polinizada a flor, isto é, o pólen foi transportado com sucesso para o 
estigma, mecanismos importantes ocorrem para que a ocorra a formação da semente. A 
superfície do estigma, que possui condições favoráveis à germinação do grão de pólen: 
umidade e pH, promove a formação de um tubo polínico (que é um conjunto de células 
que se dividem) que cresce através do estilete do gineceu, até que o mesmo alcance o 
ovário da flor (SILVA, 2019). 
A fecundação ocorre quando há o rompimento do tubo polínico e os gametas 
masculinos são liberados dentro do ovário, um núcleo do grão de pólen fecundará a 
oosfera, formando o zigoto, e o outro fecundará núcleos polares formando o núcleo do 
endosperma. O zigoto formado dentro do saco embrionário do óvulo é envolto por uma 
parede celular e ocorrem diversas divisões celulares, dando início à embriogênese, isto 
é, ao desenvolvimento do embrião da semente. É importante lembrar que esse processo 
se dá pela via sexuada, visto que ocorre a união dos gametas masculino e feminino 
(SILVA, 2019). 
À medida que as divisões celulares vão ocorrendo, a arquitetura do embrião se 
torna mais complexa, até que, ao final da embriogênese, haverá um embrião pluricelular 
com potencial para formar uma planta completa, constituído das seguintes partes: 
radícula, hipocótilo, cotilédone(s) e plúmula (SILVA, 2019).
Contudo, é importante destacar que a embriogênese é apenas uma parte da 
formação da semente, pois também faz parte do processo, a formação do endosperma 
e dos tegumentos. Ainda de acordo com Silva (2019, p. 17) temos que: 
No momento da liberação dos gametas masculinos do tubo polínico 
para dentro do ovário da flor, um desses gametas masculinos fecunda 
os núcleos polares, gerando o núcleo do endosperma por meio da 
fusão tripla. O endosperma da semente é oriundo justamente dessa 
fusão tripla. Após o processo de fecundação, os tegumentos do óvulo 
fecundado são reaproveitados e se tornam os tegumentos da semente.
[...] Em algumas plantas pode acontecer a formação do embrião e 
endosperma pela via assexuada, o que se entende por apomixia, 
ou seja, não há união dos gametas feminino e masculino, pois a 
formação do embrião e endosperma ocorre pela diferenciação do 
tecido materno, não ocorrendo prévia fecundação da oosfera. De 
maneira simplificada, é possível dizer que, na apomixia, o embrião 
se desenvolverá a partir da oosfera por meio de partenogênese 
(ausência de fecundação), e o endosperma, por meio dos núcleos 
polares, dessa forma, o embrião e o endosperma possuirão apenas o 
material genético materno. Do ponto de vista agronômico, a apomixia 
se faz presente em algumas gramíneas forrageiras, como as espécies 
Panicum maximum Jacq. e Brachiaria decumbens Stapf.
21
Também é importante estar claro que, para que todas essas etapas aconteçam 
com perfeição, a planta não poderá passar por nenhum tipo signifi cativo de estresse, 
seja hídrico, térmico, fi tossanitário, entre outros, já que estas condições poderão 
acarretar problemas na fase de formação da semente (SILVA, 2019). Veja este exemplo: 
se a temperatura e a umidade relativa do ar não estiverem adequadas, 
os grãos de pólen podem não germinar e não haverá a formação 
do tubo polínico, assim como o estigma das fl ores não se tornará 
receptivo ao grão de pólen, já que os estigmas também necessitam 
de condições apropriadas para funcionarem de maneira adequada. O 
mesmo vale para a fase de formação do embrião, endosperma e dos 
tegumentos, pois estresses ambientais – como os citados - também 
podem ocasionar a má formação dessas partes constituintes da 
semente (SILVA, 2019, p. 18).
Levando em consideração que durante a formação das sementes tudo estará 
interligado à planta-mãe, qualquer estresse a que ela for submetida afetará diretamente 
as sementes. Desse modo, é possível “fugir” de períodos com condições adversas, como 
elevadas temperaturas e defi cit hídrico, fazendo a semeadura em épocas adequadas 
para que, na fase de formação das sementes, as plantas não sejam submetidas a tais 
condições adversas (SILVA, 2019).
A fase de formação das sementes (Figura 5), ocorre em várias etapas, que se 
inicia na fl oração e segue até a sua completa formação. “Considerando que a planta 
está submetida a condições ideais de umidade relativa do ar, temperatura, pluviosidade, 
fi tossanitárias, entre outras, há possibilidade de as sementes apresentarem-se bem 
formadas, sem qualquer alteração em sua estrutura” (SILVA, 2019, p. 19).
Figura 5 – Embriogênese.
Fonte: Universidade de Nairóbi (2023)
22
O embrião é a estrutura da semente que assegura a descendência. Assim como o 
endosperma é a testa da semente, o embrião também é muito variável, em função das 
diferentes espécies, não apenas em relação ao tamanho do embrião, mas também na 
sua organização. Nas dicotiledôneas, o embrião possui dois cotilédones, enquanto nas 
monocotiledôneas existe apenas um (SILVA, 2019) (Figura 6). 
A função dos cotilédones também é diferente consoante as espécies. Na maioria 
das leguminosas, os cotilédones são a fonte de nutrientes para a jovem planta em 
desenvolvimento e se degeneram após a garantia de que desenvolvimento da planta 
está assegurado. Já em muitas outras espécies, os cotilédones originam o primeiro par 
de folhas fotossintéticas, isto é, são capazes de realizar a fotossíntese, assim como as 
folhas que se formam ulteriormente. Em gramíneas (cereais), o cotilédone tem o nome de 
escutelo e sua função é diferente, pois funciona como um tecido de transferência, pelo 
qual passam nutrientes para a plântula em desenvolvimento. Embora temos focado nas 
angiospermas, nas gimnospérmicas o número de cotilédones também é variável, mas por 
norma superior a dois (CANHOTO, 2017).
Figura 6 – Representação de diferença entre monocotiledôneas e dicotiledôneas
Fonte: Enciclopédia Global, AgroPos (2023)
Embora aprendemos aqui que a fecundação é precursora da formação da 
semente, em algumas espécies, não há necessidade de fecundação para que as 
sementes sejam produzidas, isto é, as sementes são formadas mesmo que não ocorra 
a reprodução sexuada. Esse processo é vulgarmente conhecido como apomixia. A 
apomixia resulta de uma anomalia na meiose e de um mecanismo de desenvolvimento 
embrionário a partir de uma célula não fecundada. “A anomalia meiótica conduz à 
formação de uma oosfera com um número diploide de cromossomas e geneticamente 
igual a todas as células da planta mãe” (CANHOTO, 2017, p. 3). 
23
Ainda de acordo com Canhoto (2017, p. 3): 
Em determinadas condições esta célula pode sofrer partenogénese, 
formando um embrião diploide geneticamente igual à planta mãe sem 
que ocorra fecundação. A apomixia é um processo de reprodução 
interessante porque permite obter plantas geneticamente iguais 
à planta mãe (um clone) através da formação de sementes. A 
clonagem de plantas é interessante quando se pretende manter as 
característicasde uma determinada planta e é normalmente obtida 
por métodos como a estacaria. Através da apomixia, o processo é 
mais simples, pois ocorre naturalmente. No entanto, entre as plantas 
que apresentam apomixia não se encontra nenhuma das principais 
plantas usadas na alimentação, mas encontram-se plantas bem 
conhecidas, como o dente-de-leão (Taraxacum officinale).
Muitas sementes apresentam estruturas associadas que resultam 
da proliferação de tecidos do óvulo. Muitas vezes essas estruturas 
tornam as sementes muito apelativas para os humanos. É o caso 
das sementes de noz-moscada parcialmente cobertas por um arilo 
avermelhado ou das sementes de romã, cujo arilo é comestível. Para 
algumas espécies estas estruturas são essenciais para assegurar a 
germinação das sementes. Por exemplo, muitas espécies de acácias, 
possuem elaiossoma que possui compostos açucarados que atraem 
formigas. Estas transportam a semente para a colônia, alimentam as 
larvas com o elaiossoma e libertam a semente que depois germina.
2.2 A MATURAÇÃO DAS SEMENTES
Após a fecundação, ou dupla fertilização, o óvulo sofre uma série de modificações 
morfológicas (em sua forma) e fisiológicas (funções), dando origem a semente que, em 
seu estágio final de desenvolvimento, atinge o seu maior tamanho e maior peso seco. 
Neste estágio as sementes atingem máxima germinação e vigor. Os atributos, tais como 
peso (matéria seca), tamanho, germinação, vigor, somados às variações nutricionais 
da semente (proteína, lipídios e carboidratos), e aos mecanismos de autoproteção, 
como o aparecimento de inibidores no momento da maturação fisiológica, são estados 
marcantes da formação completa da semente (PESKE et al., 2006).
Considerando o período total de maturação, após a fertilização, o tamanho 
da semente aumenta rapidamente e atingindo o máximo em curto período de tempo. 
O rápido crescimento é devido à multiplicação e ao desenvolvimento das células do 
embrião e do tecido de reserva. Ao atingir o tamanho máximo, ele vai diminuindo devido 
à perda de água pelas sementes (PESKE et al., 2006).
Peske et al. (2006, p. 56) descreve que:
Paralelamente, os produtos formados nas folhas, pela fotossíntese, 
são encaminhados para a semente em formação, onde são trans-
formados e aproveitados para a formação de novas células, tecidos 
e como futuro material de reserva. Na realidade, o que denomina-
mos “matéria seca” da semente são as proteínas, açúcares, lipídios 
e outras substâncias que são acumuladas nas sementes durante o 
24
seu desenvolvimento. Logo após a fertilização, o acúmulo de matéria 
seca se processa de maneira lenta, pois as divisões celulares predo-
minam, ou seja, está ocorrendo um aumento expressivo no número 
de células. Em seguida, verifica-se um aumento contínuo e rápido 
na matéria seca acompanhado por um aumento na germinação e no 
vigor, até atingir o máximo. Desse modo, pode-se afirmar que, em ge-
ral, a semente deve atingir a sua máxima qualidade fisiológica quan-
do o conteúdo de matéria seca for máximo.
É importante observar que durante esta fase de intenso acúmulo 
de matéria seca, o grau de umidade da semente permanece alto, 
visto ser a água o veículo responsável pela translocação do material 
fotossintetizado da planta para a semente. Portanto, durante esta 
fase é primordial que haja adequada disponibilidade de água e de 
nutrientes no solo para que o “enchimento” das sementes seja 
satisfatório.
Vários estudos feitos com maturação de sementes das mais variadas espécies 
declaram que o ponto de máximo conteúdo de matéria seca é o melhor e mais seguro 
indicativo de que as sementes atingiram a maturidade fisiológica. Desse modo, a 
maturidade fisiológica fica caracterizada como o ponto após o fluxo de nutrientes da planta 
para a semente se esgota, isto é, o ponto no qual a semente não recebe mais nutrientes 
da planta mãe, cessando a conexão planta - semente. A partir de então, a semente 
permanece fisicamente ligada à planta, mas apenas isso. Outra informação importante 
é que nessa fase também devemos ter cuidados com a semente, pois o conteúdo de 
reservas é máximo e o grau de umidade ainda é muito alto (PESKE et al., 2006).
Para evitar problemas com o alto grau de umidade na fase relatada acima, a 
planta aciona mecanismos a fim de promover rápida diminuição no teor de água das 
sementes. Um exemplo visível é em plantas de soja que começam a amarelecer ao 
perderem água, iniciando o processo de secagem no campo. A secagem natural é 
uma estratégia importante para a sobrevivência da semente, já que a medida em que 
ocorre a perda de água, as reações metabólicas da semente diminuem, de modo a 
evitar a sua germinação ainda no fruto, também preservar as reservas acumuladas e, 
consequentemente, a sua qualidade (PESKE; BARROS, 2006).
Nesse sentido, a partir da maturidade fisiológica, o teor de água diminui 
rapidamente até o ponto em que começa a oscilar de acordo com a umidade relativa do 
ar, de modo que a partir daí, a planta mãe não mais influencia a umidade das sementes. 
Porém, como deve imaginar, é importante que as condições ambientais permitam esta 
rápida desidratação das sementes. Em casos de chuvas prolongadas e alta umidade 
relativa do ar neste estágio de maturação das sementes, retardarão o processo de 
secagem natural, comprometendo a qualidade das sementes, que estarão sujeitas à 
deterioração no campo. Sementes de soja, por exemplo, que apresentam entre 50-55% 
de umidade na maturidade fisiológica, quando em condições ambientais favoráveis, 
terão seu teor de água reduzido para 15-18% em aproximadamente 15 dias. Já para as 
sementes de milho em espiga, o tempo para reduzir a umidade de 35% para 13-18% é 
entre 30 e 45 dias (PESKE et al., 2006).
25
Ainda de acordo com Peske et al. (2006, p. 57-58):
É importante ressaltar que, em condições de campo, a evolução 
de cada uma destas características não é fácil de ser monitorada e 
a fixação de uma data ou época para a ocorrência da maturidade 
fisiológica em função de eventos como semeadura, florescimento e 
frutificação pode apresentar diferenças para uma mesma espécie 
e cultivar em função das condições de clima, estado nutricional 
das plantas, dentre outros fatores. Portanto, torna-se interessante 
conhecer outros parâmetros que permitam detectar a maturidade 
fisiológica, correlacionando-a com características morfológicas da 
planta, dos frutos e/ou sementes.
Em soja, a maturidade fisiológica pode ser caracterizada por: início da 
redução do tamanho das sementes, ausência de sementes verde-
amareladas e hilo não apresentando mais a mesma coloração do 
tegumento. No caso de sementes de milho, aparece a ponta negra. 
O reconhecimento prático da maturidade fisiológica tem grande 
importância, pois caracteriza o momento em que a semente deixa 
de receber nutrientes da planta, passando a sofrer influência do 
ambiente. Inicia-se então um período de armazenamento no campo, 
que pode comprometer a qualidade da semente, já que elafica 
exposta às intempéries, o que pode ser especialmente grave em 
regiões onde o final da maturação coincide com períodos chuvosos.
Pelo exposto, conclui-se então que o ponto de maturidade fisiológica 
seria, teoricamente, o mais indicado para a colheita, pois representa o 
momento em que a qualidade da semente é máxima. Evidentemente, 
a colheita das sementes nesta fase se torna difícil, uma vez que a 
planta ainda apresenta grande quantidade de ramos e folhas verdes, 
o que dificultaria a colheita mecânica. Além disso, o alto teor de 
água ocasionaria danos mecânicos e haveria ainda a necessidade 
de utilização de um método rápido e eficiente de secagem, que na 
prática nem sempre é possível.
3 ALTERAÇÕES BIOQUÍMICAS NO DESENVOLVIMENTO DA 
SEMENTE
As pesquisas em torno do desenvolvimento das sementes buscam compreender 
as mudanças que ocorrem em carboidratos, proteínas e lipídeos em decorrência 
do desenvolvimento das sementes, principalmente em Fabaceae e Gramineae, 
especialmente devido à importância econômica.Em muitas das espécies estudadas, é 
observado que há acúmulo de açúcares, dentre eles a sacarose, frutose e glucose nos 
óvulos até que ocorra o desenvolvimento do núcleo do endosperma. 
Esses açúcares são solúveis e iniciam um processo de redução de suas 
concentrações com o início dos processos metabólicos para formação das paredes 
celulares. Acredita-se que são utilizados para formar celulose e outros carboidratos 
complexos que constituem as paredes do endosperma. Maior parte do N presente nas 
sementes imaturas se encontra na forma de aminoácidos e amida. Esses compostos 
geralmente diminuem com a maturação das sementes, enquanto que as proteínas de 
reserva são elaboradas no endosperma, cotilédones ou no perisperma.
26
Os açúcares solúveis também decrescem em suas concentrações, enquanto 
que se verifica acúmulo de amido e proteínas. Os aminoácidos presentes nas proteínas 
são advindos de aminoácidos como da amida, previamente presentes e também dos 
açúcares solúveis. Os compostos solúveis precursores são então translocados para a 
semente durante o período de seu desenvolvimento.
Em leguminosas (Fabaceae), o crescimento inicial do endosperma se processa 
de modo rápido e dinâmico. Inicialmente, o crescimento do embrião é lento, entretanto 
acelera-se em seguida. O número final de células do embrião é atingido ainda na fase inicial 
de sua ontogenia. Em seguida, sofre um acúmulo concomitante de amido e proteínas 
de reserva. Ocorre ainda o desenvolvimento dos cotilédones (esses funcionarão como 
grandes armazéns de proteína, amido e fosfato) pelo consumo total do endosperma.
Por meio do estudo da formação da semente e suas estruturas, podemos 
compreender mais detalhadamente quão complexa é a anatomia dos vegetais e como 
estes se reproduzem, podendo entender também como as espécies se mantém e evoluem 
ao longo do tempo. Cada uma das estruturas, como visto, apresenta suas devidas funções 
de modo interligado entre elas. 
Desse modo, compreender as sementes para a produção agrícola vai além 
da obtenção de variedades de alta performance. Esse evento só é possível por 
meio da compreensão holística da ciência das sementes, estudando suas partes e 
compreendendo o todo para que a tecnologia dessa área de atuação seja possível.
27
Neste tópico, você aprendeu:
• A formação do embrião e do tecido de reserva é acompanhada por alterações 
profundas nos tecidos do óvulo, em particular dos tegumentos que sofrem uma 
série de modificações estruturais que dão origem ao tegumento da semente e outros 
tecidos estruturantes.
• A flor é o momento primordial e importante para que se forme a semente, ou seja, é 
importante compreender a fenologia da planta para compreender a semente.
• Além da nutrição e morfologia da planta, outros aspectos são importantes e fun-
damentais para a boa manutenção da propagação dos vegetais, especialmente os 
insetos.
• A formação das sementes exige uma grande e complexa rede de processos físicos e 
bioquímicos para assegurar sua qualidade e fecundidade.
RESUMO DO TÓPICO 2
28
1 Plantas Angiospermas representam o filo Antófitas, que é conhecido como o maior filo 
de organismos fotossintetizantes, podendo chegar a 450.000 espécies com grande 
diversidade nas suas características vegetativas e florais. Com base no exposto, 
assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) A flor apresenta como estrutura de suporte uma haste, chamada de caule, que 
liga a flor ao aos esigmas.
b) ( ) Na estrutura inicial do pedicelo, o mesmo modificou-se em uma estrutura, cha-
mada de receptáculo polinar, que suporta todas as estruturas das flores para 
fecundação.
c) ( ) O que torna as Angiospermas um grupo de plantas com grande sucesso evolutivo 
é justamente o fato de apresentarem um ciclo de vida distinto.
d) ( ) A coloração das flores não as torna atrativas aos polinizadores.
2 Considerando a estrutura floral e como ocorre a fecundação e observando as 
peculiaridades existentes no reino vegetal, analise as sentenças a seguir:
I- A célula-mãe do grão de pólen passa pelo processo de meiose, gerando células 
diplóides.
II- Megasporogênese e gametogênese masculina dizem respeito à formação da 
oosfera e dos núcleos polares do saco embrionário.
III- A microsporogênese e gametogênese masculina dizem respeito à formação dos 
grãos de pólen dentro das anteras e, consequentemente, dos gametas masculinos. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 Existem vários mecanismos de polinização e que são importantes para a manutenção 
da reprodução de várias plantas. Nesse sentido, classifique V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas:
( ) Em relação ao tipo de polinização mais efetiva, aquela de maior importância ecológica 
para as plantas, considera-se a polinização promovida pelos insetos polinizadores. 
( ) Dentre todos esses insetos polinizadores, as abelhas são os mais irrelevantes.
( ) A utilização de colmeias para incrementar a polinização pode causar danos agrícolas.
AUTOATIVIDADE
29
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) V – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 Comente sobre os dois tipos de formação de sementes com base em sua estrutura.
5 A entidade precursora da semente é o óvulo onde se localiza o saco embrionário 
(angiospérmicas) ou o(s) arquegónio(s) (gimnospérmicas) e, dentro destes, o gâmeta 
feminino (oosfera). O desenvolvimento da semente se inicia com a formação do zigoto 
resultante da fecundação. Nas espermatófitas atuais, as sementes apresentam-se 
nuas nas gimnospérmicas e protegidas pelo fruto nas angiospérmicas. Comente 
sobre o processo de formação das sementes.
30
31
TÓPICO 3 — 
ESTRUTURA DAS SEMENTES
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
O conhecimento da estrutura da semente é importante, para que, ao manuseá-
la, tenha-se o cuidado necessário, com a finalidade de evitar ou minimizar as injúrias 
mecânicas que podem levar à perda da qualidade das sementes. Também, o conhecimento 
da estrutura da semente e da plântula é necessário em alguns testes utilizados para 
a avaliação da qualidade fisiológica das sementes, como os testes de tetrazólio e o de 
germinação.
A semente é o órgão responsável pela dispersão e perpetuação das espermatófitas 
(plantas que produzem sementes). Esse termo (semente) é utilizado para designar um óvulo 
maduro, possuindo um embrião em algum estágio de desenvolvimento, material de reserva 
alimentar (raramente ausente) e um envoltório protetor, o tegumento (SILVA, 2019).
Entretanto, algumas unidades de dispersão, tais como as cariopses (milho), 
os aquênios (girassol), as drupas (palmeiras) são incorretamente denominadas de 
“sementes”. Portanto, o correto é referir-se a tais unidades como diásporo, que consiste de 
unidade orgânica destinada à propagação das plantas superiores, e que é essencialmente 
o embrião, acompanhado de estruturas acessórias (semente, fruto, etc). Lembre-se 
também, que sementes de espécies diferentes variam muito quanto a tamanho, forma, 
cor, características externas e internas, quantidade e natureza dos tecidos de reserva 
alimentar, devido às maneiras de dispersão e germinação de cada espécie (CARVALHO; 
NAKAGAWA, 2012). 
Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 3, abordaremos alguns conceitos acerca 
da estrutura das sementes e como esta está organizada, destacando a importância de 
cada parte que a compõe.
2 A PROTEÇÃO DAS SEMENTES
As estruturas do óvulo, até certo ponto são preservadas durante sua 
transformação em semente. Em óvulos com dois tegumentos, o tegumento externo 
forma a testa e o interno o tégmen. Quando um único tegumento está presente no 
óvulo, há então apenas a testa (PRATA, 2009). 
No tegumento seminal podemos distinguir a micrópila como um 
poro, ou esta pode ser totalmente obliterada. O funículo (pedúnculo 
que sustentao óvulo) ou parte dele cai deixando uma cicatriz no 
segmento seminal, o hilo. Num óvulo anátropo, a base do funículo 
fundida com o tegumento permanece reconhecível como uma região 
saliente, a rafe (PRATA, 2009, p. 166). 
32
Na Figura 7, é possível observar um quadro geral da estrutura de uma semente.
Figura 7 – Representação estrutural da semente
Fonte: o autor 
O tegumento da semente pode se tornar resistente, coriáceo, seco (ou carnoso) 
na semente madura. As variações do tegumento, tanto na sua estrutura externa quanto 
interna são relativamente constantes e marcantes em muitos grupos de plantas, e 
servem como caracteres taxonômicos. Análises do tegumento em microscópio eletrônico 
de varredura mostram as sementes como variadas e belas esculturas (PRATA, 2009).
Talvez você já tenha percebido, caro acadêmico, que a função principal do tegu-
mento é a proteção do embrião, mas ele também está envolvido no processo da dor-
mência e germinação da semente. Quando o tegumento seminal é impermeável à água 
e aos gases, comum em várias Angiospermas, principalmente leguminosas, a germinação 
só se dá após a quebra do tegumento, geralmente pela ação de microorganismos, ou 
ácidos do solo, pela alternância de temperaturas altas e baixas, ou ainda pela ação de 
animais, especialmente pelos ácidos do seu trato gastrintestinal (PRATA, 2009).
Outro papel importante do tegumento seminal é na dispersão das sementes 
devido as suas características e respectivas funções: quando carnoso, atrai animais; 
estruturas como pelos no algodoeiro (Gossypium), alas nas sementes de ipê (Tabebuia, 
Bignoniaceae), podem facilmente ser levadas pelo vento; ou tecidos de cor viva nas 
sementes de olho-de-cabra (Ormosia, Leguminosae) (PRATA, 2009), que atuam como 
atrativo para dispersores, mas que devido às características indigeríveis, acabam 
dispersas através das fezes para longe da planta mãe. 
33
Algumas estruturas anatômicas especiais que aparecem na superfície de certas 
sementes são:
• Carúncula (grifo nosso) – estrutura carnosa, presente na 
extremidade micropilar da semente de muitas Euphorbiaceae, 
resultante da proliferação de células do tegumento externo. Além 
de atuar na dispersão (porque sendo açucarada a carúncula, as 
formigas transportam as sementes), a carúncula tem papel na 
germinação por ser higroscópica e absorver água do solo para o 
embrião.
• Arilo (grifo nosso) – surge do funículo (pedúnculo do ovário) 
e envolve o óvulo parcial a totalmente, após a fecundação. Na 
semente madura, o arilo aparece como um tecido carnosos, 
pulposo, incolor ou muito colorido. No maracujá (Passiflora, 
Passifloraceae), o arilo é transparente, mucilaginoso, envolve toda 
a semente, contendo óleo e amido. Outras plantas com arilo na 
semente são a noz moscada (Myristica fragrans, Myristicaceae), o 
guaraná (Paullinia cupana) e outras Sapindaceae, além de muitas 
Guttiferae (Clusia), Connaraceae, Meliaceae, Sterculiaceae, 
Bombacaceae. 
Quando é a testa da semente (ou parte dela) que se torna pulposa e 
comestível, fala-se em sarcotesta (grifo nosso), como ocorre em 
Magnolia e no mamão (Carica papaya, Caricaceae) (PRATA, 2009, p. 166).
Em fruto seco indeiscente, com o pericarpo soldado à testa da semente em 
toda a sua superfície – tipo de fruto conhecido como cariopse, a testa da semente 
está adnata (unida) em toda a extensão ao pericarpo do fruto, característica comum 
em gramíneas (Gramineae), especialmente os cereais como milho, trigo e arroz. Já nas 
demais monocotiledôneas, em que o único cotilédone tem função fotossintética por ser 
o primeiro órgão foliar do embrião, nas sementes de algumas gramíneas, por exemplo, 
aparecem estruturas de interpretação mais difícil, havendo ainda certa controvérsia 
entre os morfologistas (PRATA, 2009).
Quanto ao grão de milho, este possui um grande embrião inserido lateralmente 
a uma massa de endosperma amiláceo. Esse embrião em corte longitudinal se mostra 
diferenciado em (PRATA, 2009, p. 167): 
a) uma coleoptile que como um pequeno capuz envolve o ápice 
caulinar com várias folhas embrionárias; 
b) uma raiz embrionária envolta por uma bainha de tecido chamada 
coleorriza; 
c) um órgão em forma de escudo, o escutelo, disposto em contato 
direto com o tecido do endosperma adjacente.
Ainda de acordo com Prata (2009, p. 167), “o escutelo corresponde ao único 
cotilédone desta semente para muitos autores, e a coleoptile seria um segundo apêndice 
foliar. Divergindo, outros autores interpretam o escutelo como apenas o haustório 
cotiledonar, sendo a coleoptile homóloga à base em bainha do cotilédone”.
34
É a estrutura externa que delimita a semente, denominada de tegumento e/ou 
pericarpo. O tegumento é constituído por camadas celulares originárias dos integumentos 
ovulares. O pericarpo é originado da parede do ovário e em algumas espécies, como milho, 
fica intimamente unida ao tegumento, sendo impossível identificar o ponto delimitante.
Nas sementes bitegumentadas, o tegumento consiste da testa, que é o 
resultado do desenvolvimento do integumento externo, e do tégmen, resultado do 
desenvolvimento interno do óvulo. 
Os envoltórios da semente (tegumento, pericarpo), além da função protetora, 
também apresentam função reguladora e delimitante. Essas funções mais detalhadas 
são:
a) Manter unidas as partes internas da semente.
b) Proteger as partes internas contra choques e abrasões.
c) Servir como barreira à entrada de micro-organismos na semente.
d) Regular a velocidade de reidratação da semente.
e) Regular a velocidade das trocas gasosas (oxigênio e gás carbônico).
f) Regular a germinação, causando dormência (em alguns casos).
Na face externa da semente, de acordo com a espécie, encontram-se algumas 
cicatrizes na testa: micrópila, hilo, rafe, calaza. Essas cicatrizes podem ser usadas para 
identificação da espécie:
a) Micrópila – pequena abertura, deixada pela cicatriz da micrópila do óvulo, que pode 
ou não ser perceptível, estando muitas vezes fechada (como ocorre no feijão).
b) Hilo – cicatriz deixada pela separação do óvulo e do ovário (do fruto e da semente), 
no local onde o mesmo se unia à placenta (caso da soja).
c) Rafe – saliência típica de óvulos anátropos ou campilótropos, resultado de uma 
cicatriz do feixe vascular que atravessa o funículo e chega à calaza (feijão).
d) Calaza – base da nucela do óvulo, até onde chega o feixe vascular. Em certas 
sementes, a calaza subsiste na forma de uma saliência ou mancha escura no 
tegumento, que se encontra a curta distância do hilo, unida a ela pela rafe, do lado 
oposto à micrópila (urucum).
A consistência e a coloração dos tegumentos também variam de acordo com 
a espécie. Quando a semente está encerrada em um fruto indeiscente, o tegumento é 
pouco consistente, como nos aquênios. Em frutos deiscentes, ele pode ser lignificado, 
como em sementes de leguminosas.
A coloração marrom é de maior ocorrência e mais da metade de todos os tipos 
de sementes tem coloração marrom a negra. Também ocorrem sementes bicolores, 
como em olho-de-cabra, que possui tegumento vermelho coral com mancha negra.
35
Facilitando a função de dispersão por animais, algumas espécies apresentam 
sementes com a testa ou sua parte mais externa carnosa (sementes de romã e de 
mamão), sendo esta denominada de sarcotesta. Outras espécies apresentam sementes 
ou frutos (mucilagem na parede do fruto) com as células epidérmicas mucilaginosas, 
que incham após a absorção de água e que se aderem a animais e locais úmidos de 
regiões áridas.
Outras estruturas se desenvolvem no tegumento e estão relacionadas também 
com a dispersão das sementes: asas, pêlos ou tricomas, arilos, pleurograma (Figura 8).
Figura 8 – Meios de dispersão das sementes
Fonte: adaptada de Royalt-Free (2023)
a) Asas – expansão da testa, que pode ser totalmente periférica ou ser restrita a 
determinados pontos da semente. A expansão alada da semente difere da expansão 
alada do fruto (sâmara) pelo fato de a primeira não possuir nervuras (Ipês).b) Pelos ou tricomas – a presença de pelos na superfície da semente está ligada à 
dispersão pelo vento ou por animais e pode, ainda, servir como aumento de superfície 
para a dispersão pela água (algodão).
c) Arilos – como visto anteriormente, constituem qualquer excrescência carnosa no 
tegumento das sementes que os possuem. Nem todos os arilos tiveram suas funções 
definidas pelos pesquisadores da área, porém, acredita-se que muitas espécies, 
os tem para impedir que as sementes germinem ainda no fruto, uma condição 
conhecida como alelopatia. Alguns arilos recebem denominação especial, como a 
carúncula - pequena excrescência na extremidade micropilar (mamona) e estrofíolo 
(uma crista de tecido carnoso ao longo da rafe – Chelidonium majus).
36
d) Pleurograma – é uma linha bem definida localizada lateralmente em algumas 
sementes. Como exemplo podem ser citadas as espécies abóbora, melancia, 
moranga e melão.
Enquanto se processa o desenvolvimento embrionário e endospermático, 
os tegumentos do óvulo também sofrem modificações visíveis, as quais constituem, 
principalmente, em reduzir suas dimensões no que trata de espessura, bem como sua 
desorganização. Contudo, em muitas ocasiões podem ser formadas novas camadas de 
células, fazendo com que sua espessura possa aumentar. Também, o funículo sofre 
abscisão deixando uma cicatriz, que será chamada de hilo. A porção que se liga a 
um óvulo anátropo aparece como um sulco longitudinal no tegumento da semente, 
denominando como rafe.
Nos óvulos que apresentam dois tegumentos, as sementes poderão tê-los 
formados a partir da contribuição de ambos. Contudo, esse número pode decrescer por 
fusão, redução, ou modificação, tornando-se um tegumento único, como também, em 
algumas situações, sem nenhum tegumento.
Em Acanthaceae, por exemplo, a qual possui apenas um tegumento, parte é 
consumido durante o processo de desenvolvimento endospermático, persistindo somente 
a epiderme na semente madura. Algumas espécies podem apresentar camadas externas 
do endosperma, a qual funciona como tegumento (PESKE; ROSENTHAL; ROTA, 2012). 
Para exemplificação, visco e espécies de Santalaceae e famílias correlatas não 
apresentam tegumento, ou este é pouco desenvolvido, se existe é consumido pelas 
atividades metabólicas decorrentes do processo de formação e desenvolvimento 
endospermático. Por outro lado, Crinum apresenta tegumentos bem desenvolvidos, que 
são inteiramente digeridos pelo endosperma. A presença de certas estruturas externas 
ao tegumento, como a carúncula, arilo, asas e elaissonas, e diferentes protusões de 
rafe ou calaza, é resultado das divisões celulares que ocorrem nos tecidos durante o 
desenvolvimento da semente. 
2.1 O EMBRIÃO
Suas partes básicas são o eixo embrionário e um ou mais cotilédones, que 
constituem o rudimento da futura planta. O eixo embrionário é a parte vital da semente, o 
tecido meristemático, tem função reprodutiva sendo capaz de iniciar divisões celulares, 
e de crescer. É denominado de eixo porque inicia o crescimento em duas “direções”: 
para as raízes e para o caule. O eixo embrionário geralmente é pequeno em relação às 
outras partes da semente, sendo constituído nas dicotiledôneas de plúmula, radícula e 
hipocótilo. Nas monocotiledôneas, apresenta as seguintes partes: coleóptilo, plúmula, 
raízes adventícias seminais, radícula e coleorriza. Essa estrutura pode ser observada na 
Figura 10.
37
Os cotilédones não têm capacidade de crescimento, tendo a função de reservar 
e ou sintetizar alimentos. Nas gramíneas, o único cotilédone é denominado de escutelo 
e tem a função de haustório, permitindo a translocação de alimentos do endosperma 
para o eixo embrionário (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012).
O embrião de dicotiledôneas apresenta (como por exemplo, as sementes de feijão):
a) Radícula – raiz rudimentar; originará a raiz primária da nova planta.
b) Hipocótilo – região do embrião localizada abaixo do ponto de inserção dos 
cotilédones e acima da radícula; na maioria das dicotiledôneas e em algumas 
monocotiledôneas é a parte bem diferenciada do embrião. Como nem todas as 
espécies apresentam essa região de forma muito nítida, o eixo do embrião abaixo do 
nó cotiledonar é denominado de eixo hipocótilo – raiz.
c) Epicótilo – porção do eixo embrionário acima do nó cotiledonar. A extremidade do 
epicótilo possui uma gema apical, que originará a futura parte aérea da planta. Às 
vezes são encontradas folhas diferenciadas em um nó abaixo da gema apical, sendo 
chamadas de folhas primárias.
d) Plúmula – o conjunto da gema apical e das folhas primárias. 
e) Cotilédones – primeiras folhas embrionárias e não são folhas verdadeiras; 
podem surgir em número de um (monocotiledôneas) ou dois (dicotiledôneas) nas 
Angiospermas; na maioria das dicotiledôneas tem função temporária de armazenar 
substâncias nutritivas. Podem ser grossos, com função específica de reserva e 
frequentemente torcidos, ou foliáceos, que apenas temporariamente funcionam 
como órgãos de reserva, como em mamoneira.
O embrião das monocotiledôneas (como nas sementes de milho) apresenta um 
cotilédone, também chamado de escutelo. Em sementes de monocotiledôneas como o 
milho, o eixo embrionário prende-se lateralmente ao único cotilédone por uma região 
mais ou menos extensa denominada de mesotótilo (porção caulinar situada entre o 
hipocótilo e o epicótilo). Abaixo do mesocótilo, distingue-se a radícula, coberta por 
uma bainha protetora, a coleorriza. Acima do mesocótilo,observa-se a plúmula, bem 
diferenciada e protegida também por uma bainha, o coleóptilo.
Dois são os principais estágios do desenvolvimento do embrião: pró-embrião 
e o embrião propriamente dito (completamente formado). Tanto monocotiledôneas 
quando as dicotiledôneas apresentam os primeiros estágios da embriogênese, sendo 
semelhantes até o estágio de formação do pró-embrião.
O zigoto passará por um período de repouso, o qual apresenta duração mais 
longa quando o endosperma é nuclear, isso ao se comparar com o tipo celular. O zigoto 
se divide então depois do núcleo primário do endosperma iniciar seu processo de 
divisão. Em seguida, apresentará uma simetria axial do estabelecimento de polaridade, 
sendo causada por uma diferenciação interna do zigoto. Potencialidades para o 
desenvolvimento posterior do embrião são localizadas no polo apical que está mais 
próximo ao centro do saco embrionário.
38
O pró embrião possui uma simetria axial, sendo esta uma herança do ovo. Nas 
dicotiledôneas, essa simetria continua até que ocorra o aparecimento do primórdio 
cotiledonar, enquanto nas monocotiledôneas, a simetria axial é mantida até que ocorra 
uma diferenciação lateral da gema apical, a partir de onde surge então a simetria bilateral.
A divisão do zigoto, por sua vez, é transversal, raramente vertical ou oblíqua. 
Em Loranthaceae, por exemplo, o zigoto apresenta uma divisão de caráter longitudinal. 
Como resultado transversal, formam-se duas células, uma menor próxima à cavidade do 
saco embrionário, sendo esta a célula distal, e uma maior, chamada de célula proximal, 
a qual está voltada para a micrópila.
O embrião possui seu desenvolvimento dentro do óvulo, geralmente ocorrendo 
a partir de uma célula ovo fertilizada, ou também um zigoto. Contudo, aparentemente 
o crescimento inicial do embrião pareça simples, a primeira divisão já revela, na maioria 
das dicotiledôneas, uma sequência determinada de desenvolvimento. Num primeiro 
momento, ocorre a participação de duas primeiras células, a célula proximal, torna-se a 
parte inferior do embrião e a célula distal a parte superior. Nesse sentido, é observado 
que já ocorre uma polaridade do embrião, havendo um polo radicular e outro caulinar. 
A oosfera já aparenta citologicamente um grande vacúolo em sua parte proximal, e um 
citoplasma denso e o núcleo no distal, sugerindo que a polaridade esteja estabelecida 
mesmo antes do momento da fertilização.
Em linhas gerais, a primeira divisão é transversal, ou aparentemente oblíquaem relação ao eixo do zigoto. Divisões sucessivas no sentido transversal, ou vertical, 
ocorrem em determinadas partes do embrião, sempre de modo ordenado. Inicialmente, 
o embrião assume um formato cilíndrico ou claviforme, para, logo em seguida, a parte 
distal tornar-se sede ativa de divisões celulares. Desse modo, essa parte aumenta de 
volume, tornando-se uma estrutura mais ou menos esférica.
A partir dessa modificação morfológica, surge uma diferenciação entre o corpo do 
embrião e o suspensor. Antes de atingir esse estágio, recebe-se o nome de pró-embrião. 
O suspensor, que antes era considerado como um simples ancoradouro ou suporte do 
embrião, apresenta enorme função de transferência de nutrientes e reguladores de 
crescimento dos tecidos maternos para o embrião, assim como postula Bryant (1989).
Nas fases subsequentes, ocorrem mudanças de simetria do embrião. Dessa 
forma, o corpo esférico de simetria radial se desenvolve com estrutura distalmente 
achatada, passando a apresentar simetria bilateral. Após esse achatamento, segue-se o 
início da formação dos cotilédones. Estes últimos se formam a partir das divisões celulares 
que ocorrem nas das partes que ladeiam a porção terminal achatada. Inicialmente, os 
cotilédones apresentam-se como pequenas protrusões para, em seguida, assumirem o 
aspecto semelhante a folhas, o que ocorre em consequência de novas divisões celulares 
e aumento dos volumes das células. O eixo observado abaixo dos cotilédones diferencia 
em sua porção terminal um meristema de raiz ou uma radícula, formando-se um eixo 
hipocótilo-radícula.
39
É na fase de pró-embrião que ocorre a diferenciação da futura planta, iniciando 
por meio da formação de células que originarão as camadas epidérmicas. Na fase de 
formação dos cotilédones, há o estabelecimento dos meristemas apicais da radícula e da 
parte aérea, e, quando o eixo hipocótilo-radícula se encontra formando, diferenciam-se 
os tecidos vasculares, os quais se tornarão ativos após a germinação da semente.
Os embriões de plantas monocotiledôneas, em seus estágios iniciais de 
desenvolvimento (pró-embrião), apresentam uma sequência semelhante de divisões, 
tornando-se corpos cilíndricos ou claviformes. A diferença com o embrião das plantas 
dicotiledôneas torna-se evidente por ocasião do início da formação do cotilédone. 
Por apresentar um único cotilédone, o embrião monocotiledôneo deixa de apresentar 
extremidade distal bilobada. Por outro lado, o único cotilédone desenvolve-se de tal 
modo que frequentemente, parece uma continuação do eixo embrionário.
Em outras palavras, o cotilédone apresenta uma posição terminal, enquanto 
que o meristema apical do caule é visto ao lado do cotilédone. A relação ontogenética 
entre o cotilédone e o meristema apical do caule é assunto controverso, uma vez que se 
baseia na natureza morfológica das plantas monocotiledôneas.
O cotilédone apresenta algumas interpretações e entendimentos por parte de 
alguns pesquisadores, sendo esta como uma estrutura realmente terminal e consideram 
as monocotiledôneas como um simpódio de ramos laterais, cada qual produzindo uma 
folha terminal e novo meristema apical do ramo. Outros pesquisadores consideram que a 
posição terminal do cotilédone é apenas aparente, resultante de um deslocamento do 
meristema apical do caule em consequência do crescimento do cotilédone.
2.2 O ENDOSPERMA
Compreende-se por endosperma (Figura 9) um tecido característico das 
Angiospermas. O primeiro núcleo do endosperma resulta da fusão dos núcleos polares 
com um núcleo masculino. Geralmente, todos os três núcleos são haploides e como 
resultado, obtêm-se um núcleo triploide. O tecido endospermático é formado da 
divisão sucessiva do primeiro núcleo do endosperma. Nesse sentido, há três tipos de 
desenvolvimento do endosperma: nuclear, celular e helobial.
40
Figura 9 – Representação do endosperma em Arecaceae.
Fonte: adaptada de Costa e Marchi (2008)
No endosperma nuclear, observa-se que o núcleo primário do endosperma 
sofre uma série de divisões, levando a originar núcleos livres, podendo as últimas divisões 
serem sincronizadas. Quando determinado número de núcleos se forma, estes se dispões 
perifericamente em uma camada do citoplasma, seguindo-se então à formação de 
centrípetas de paredes celulares. Verifica-se então algumas variações na formação das 
paredes celulares de acordo com as famílias. A formação de células inicia-se na região 
da micrópila e dela se estende, com isto, o saco embrionário torna-se totalmente cheio 
de células. Inicialmente, as células são poligonais e apresentam paredes finas e cheias de 
material de reserva. Em algumas famílias, na região da calaza, permanecem os núcleos 
livres, sendo que muitas vezes esta região se alonga e funciona como um haustório. 
Portanto, apresenta comportamento, forma e estrutura bastante variados de acordo com 
as espécies.
O endosperma celular, por sua vez, caracteriza-se pelo fato das divisões do 
núcleo primário do endosperma serem seguidas, invariavelmente, pela formação da 
parede celular. Uma característica do endosperma celular é a formação dos haustórios 
que são mais variados que no tipo nuclear, podendo se desenvolver tanto na região da 
micrópila, como da calaza ou em ambas.
Já no endosperma helobial o núcleo se divide formando-se dois compar-
timentos: macropilar maior e o calazal. No compartimento macropilar, ocorrem várias 
divisões organizando os núcleos livres com posterior formação das paredes celulares. 
No compartimento calazal ocorre outra situação. O seu núcleo pode ou não se dividir. 
Desse nodo, normalmente permanece cenocítico, podendo, contudo, tornar-se celular.
Muitas vezes o endosperma pode apresentar-se irregular ou desuniforme, 
chamando-se nesse caso de ruminata, esse não pode ser classificado como um tipo 
diferente de endosperma, porque não se origina nos estágios iniciais de formação do 
endosperma. Sua forma irregular pode ser oriunda da superfície irregular da testa, 
podendo ainda ser resultante tanto da atividade do tegumento como do endosperma.
41
Observa-se ainda que, por vezes, tanto o endosperma como tecidos das 
sementes e frutos externos ao endosperma podem sofrer influência direta do pólen. 
Desse modo, o endosperma pode ser modificado fenotipicamente por meio do núcleo 
espermático do grão de pólen, recebendo a denominação de xênia para este fenômeno. 
Em outras situações ainda, a influência do pólen pode ocorrer por sobre os tecidos da 
semente e da parede do fruto que estão localizados externos ao endosperma, ocorrendo 
assim metaxênia (RUTISHAUSER, 1982).
Os casos de xênia são os mais estudados e, destes, se destacam os que 
apresentam o endosperma em mosaico, ou seja, os não uniformes quanto cor e 
morfologia. O milho é o material botânico mais utilizado nas pesquisas, isto por apresentar 
o endosperma bastante variável e afetado quanto à cor, forma e conteúdo resultante 
da xênia. Exemplificando a metaxênia, observa-se a tamareira, sendo esta uma planta 
dioica, onde o pólen afeta tamanho dos frutos e época de maturação (HESS, 1966). 
2.3 TECIDOS DE RESERVAS NAS SEMENTES
O tecido de reserva das sementes é constituído pelo endosperma, cotilédones e, 
em algumas plantas, pelo perisperma. Em função de algumas substâncias acumuladas 
nestes tecidos é que o eixo embrionário, na germinação, consegue obter energia 
metabólica necessária para realizar o trabalho de desenvolver uma planta autotrófica.
Os tecidos de reserva atuam como reservatório e como fornecedor de compostos 
orgânicos em formas simples, que podem ser utilizadas pelo eixo embrionário desde o 
início da germinação até que a plântula se torne autotrófica. Os tecidos de reserva podem 
estar localizados no endosperma (monocotiledôneas), cotilédones (dicotiledôneas) ou 
no perisperma, como em sementes de beterraba. Assim, são apresentadas as principais 
formas encontradas como tecidos de reserva nas sementes. 
Endosperma – originado do desenvolvimento do núcleo do endospermaprimário. O endosperma nutre o embrião durante o desenvolvimento deste, e pode ser 
ou não completamente absorvido. As sementes maduras desprovidas de endosperma 
são denominadas “exalbuminosas” (exemplos: feijão, soja), e aquelas com endosperma 
são chamadas de “albuminosas” (exemplos: arroz, mamona, trigo).
O endosperma, apresentado em quantidades variáveis em decorrência da 
diversidade das sementes, resulta na fusão dos núcleos polares com um dos núcleos 
reprodutivos do grão de pólen. Sua estrutura, após completo desenvolvimento, varia 
de modo considerável entre as espécies. Pode estar sendo constituída por um tecido 
vacuolado e de membranas delgadas, ausentes de substâncias de reserva.
Nessa condição, o endosperma é utilizado parcial ou completamente para o 
desenvolvimento embrionário. Nas espécies em que o endosperma é consumido apenas 
parcialmente na formação do embrião, o tecido endospermático remanescente será 
consumido na transformação do eixo embrionário em plântula durante a germinação.
42
A longevidade endospermática, tipo e quantidade de material nos tecidos variam 
de acordo com as espécies. Em muitos vegetais, este pode ser bastante reduzido, 
como ocorre nas crucíferas, ou não se forma, como nas orquídeas, como também pode 
permanecer completamente líquido como no caso de Cocos nucifera. 
O material mais frequentemente armazenado é o amido, contudo, outros 
açúcares também podem ser encontrados como polissacarídeos e hemicelulose, 
como também pode ser encontrada a presença de óleos e proteínas, que estarão na 
constituição química do endosperma. O endosperma composto por amido em algumas 
espécies parece não estar vivo ao atingir a maturidade, pois os núcleos se apresentam 
degenerados. A exemplo podem ser citadas as gramíneas, Polygonceae, dentre outras. 
Contudo, parece vivo em Liliaceae, Amarylidaceae, Ricinus, dentre outros. Nas sementes 
dos cereais, a camada de aleurona que se encontra na periferia do endosperma é viva. 
O amido presente aparece em forma de grãos, as hemiceluloses e os carboidratos 
encontram-se em membranas espessadas. 
As proteínas encontram-se sob duas formas principais: o glúten, com estrutura 
amorfa e como grãos de aleurona. O glúten é a forma mais comum de apresentação de 
proteínas nas células que contém amido, como as sementes de cereais, por exemplo, 
enquanto que os grãos de aleurona se encontram em todas as células do endosperma 
de Ricinus e na camada das Polygonaceae e Gramineae. O endosperma sem amido 
pode conter lipídeos e proteínas.
Como dito anteriormente, sementes com endosperma são denominadas 
sementes albuminosas, compreendendo a maioria das monocotiledôneas, enquanto que 
as sementes sem endosperma ou com apenas quantidade deste, são compreendidas 
como sementes exalbuminosas, onde o embrião é grande em relação ao tamanho da 
semente, ocupando a quase totalidade de seu volume. Nas sementes albuminosas, a 
relação entre o tamanho do embrião e do endosperma possui alta variação.
Cotilédones - originam-se do próprio zigoto e fazem parte do embrião. Em 
muitas espécies, o embrião desenvolve-se bastante, absorvendo todo o endosperma, e 
acumulando substâncias nos cotilédones. Nestes casos, os cotilédones apresentam-se 
volumosos. Exemplo: feijão.
Os cotilédones, junto com o eixo embrionário, formam o embrião, que se desen-
volveu a partir de um zigoto, o qual é oriundo da fusão da oosfera com um dos núcleos 
reprodutivos do grão de pólen. Os cotilédones podem armazenar reservas alimentares 
ou sintetizá-las. Algumas plantas apresentam os cotilédones bem delgados, asseme-
lhando-se a folhas pequenas, que não armazenam reservas, mas, após emergirem do 
solo, tornam-se verdes e passam a realizar fotossíntese. Isso ocorre após se livrarem 
dos tegumentos da semente (Figura 10).
43
Figura 10 – Representação do cotilédone nas sementes.
Nos casos em que os cotilédones se apresentam como lâminas foliares, sua 
funcionalidade parece ser apenas de liberar enzimas durante o processo de germinação 
para o tecido endospermático com o intuito de disponibilizar as proteínas de reserva 
que ora estavam ali armazenadas. 
Plantas que apresentam cotilédones volumosos, armazenam uma 
quantidade considerável de reservas nutricionais. A germinação e 
posterior emergência da plântula de sementes que se apresentam 
a esse tipo de cotilédones pode ser epígea, quando os cotilédones 
saem acima do solo e passam a realizar fotossíntese limitada, ou 
hipógea quando os cotilédones permanecem no interior do solo.
INTERESSANTE
Sendo parte do embrião, o cotilédone é compreendido como um tecido 
vivo. Essa designação para essa estrutura sugere que o cotilédone é um tecido que 
dispõe de um completo aparato metabólico-enzimático necessário para realizar 
a degradação e transporte de suas próprias substâncias de reserva, com o objetivo 
de nutrir o crescimento do eixo embrionário no processo de germinação. O tecido de 
reserva endospermático, ao contrário do cotiledonar, não possui um sistema enzimático 
autônomo. Este necessita de prévia ativação para que possa desdobrar e transportar 
suas substâncias de reserva. Assim, acredita-se que esse fenômeno é mediado por 
enzimas presentes no eixo embrionário.
Perisperma - este desenvolve-se de partes da nucela, quando esta não é 
completamente absorvida durante a formação do embrião. O perisperma é comumente 
encontrado como tecido de reserva nas sementes das chenopodiáceas. Exemplo: 
beterraba.
44
Em algumas sementes, os materiais de reserva se encontram no perisperma 
ou no endosperma e no perisperma. O perisperma resulta de parte da nucela que 
se conservou, ou seja, não foi completamente absorvida pelo embrião durante seu 
desenvolvimento e não do saco embrionário como é o caso do endosperma.
Já as reservas que se acumulam no endosperma tendem a ser de diferentes 
tipos nas espécies de plantas. Em alguns casos, as sementes não possuem mesmo 
endosperma, como acontece no em orquídeas, onde os nutrientes necessários à 
germinação e subsequente desenvolvimento da plântula resultam de uma associação 
simbiótica entre fungos e as próprias sementes. Em outros casos, o endosperma da 
semente é o protagonista, pois as reservas nele acumulado servem inclusive para 
alimentação humana e animal. Como a alimentação humana depende em grande parte 
dos tecidos de reserva das plantas, o arroz, o milho e o trigo, por terem essa característica 
bem acentuada, são considerados as três plantas mais importantes para a alimentação 
humana (CANHOTO, 2017).
Além do amido, proteínas e lípidos que se acumulam no endosperma, também é 
frequente o acúmulo de reservas minerais nas sementes, mais precisamente de catiões 
como o cálcio, magnésio, potássio e o ferro) que se encontram na fitina (sal derivado do 
ácido fítico (hexafosfato de mio-inositol)) (CANHOTO, 2017). 
De modo semelhante ao que se observa nas reservas orgânicas, esses sais são 
mobilizados durante a germinação quando uma fosfatase (a enzima fitase), hidrolisa a 
fitina libertando fosfato, catiões e myo-inositol. Outro ponto importante é que, mesmo 
em menores concentrações, as sementes podem acumular metabolitos secundários 
como compostos fenólicos ou alcaloides (CANHOTO, 2017).
Ainda de acordo com Canhoto (2017, p. 3): 
Alguns destes compostos têm uma função ecológica importante, 
inibindo a germinação de outras sementes ou que podem ser tóxicos 
para herbívoros. Noutros casos, como acontece com a presença 
do hormônio vegetal ácido abscísico, trata-se de compostos que 
causam a dormência das sementes, ou seja, a sua incapacidade 
de germinar mesmo quando as condições são favoráveis. Algumas 
sementes possuem pigmentos na testa (e.g., Magnolia sp.) o que as 
torna bastante atrativas não apenas para os humanos, que as usam 
no fabrico de colares ou pulseiras, mas também para os animais que 
ajudam na sua dispersão.
O eixo embrionário constitui a parte mais importante na estrutura das 
sementes, por possui a habilidade de se desenvolver em funçãoda presença de tecido 
meristemático nas suas duas extremidades. Em decorrência disso, possui condições 
de promover o crescimento desse eixo nos dois sentidos, o das raízes e da plúmula, 
originando assim uma plântula com condições de se fixar e estabelecer no solo e 
fotossintetizar as substâncias necessárias ao seu desenvolvimento. 
45
Junto a essa estrutura são encontrados unidos dois ou um cotilédone, que 
funcionará como tecido de reserva. Esse eixo normalmente é pequeno em relação às 
outras estruturas das sementes, podendo atingir diferentes graus de diferenciação e 
tamanho, e também apresentar-se com localização variada dentro da semente.
Nas plantas dicotiledôneas, o embrião maduro é constituído pelo eixo embrionário 
e pelas duas primeiras estruturas foliares, os cotilédones. A parte do eixo que se situa 
abaixo dos cotilédones é denominada hipocótilo, e a sua porção terminal inferior origina 
os primórdios radiculares de uma nova planta. Este primórdio é representado com 
frequência apenas por um meristema apical de raiz e revestido pela coifa, porém, em 
algumas situações a porção terminal deste eixo adquire característica de raiz, mesmo 
antes que ocorra a germinação da semente.
Essa raiz embrionária é denominada radícula. E como a radícula nem sempre 
apresenta boa e completa diferenciação em relação ao hipocótilo, é preferível se referir 
a esse conjunto como eixo hipocótilo-radícula. A parte do eixo acima do nó cotiledonar 
é constituída pelo epicótilo e pela plúmula. Esta última é constituída pela gema apical e 
pelos primórdios foliares. O tecido interno do eixo hipocótilo-radícula.
Em plantas monocotiledôneas, existe uma certa dificuldade na interpretação 
morfológica do eixo embrionário, sendo ainda maior esta dificuldade quando se trata das 
gramíneas, onde alcança um alto grau de diferenciação. Quando observado no interior 
de uma cariopse madura, o embrião apresenta-se justaposto ao endosperma por meio 
de um cotilédone maciço, também denominado escutelo. A parte inferior desse eixo é o 
primórdio radicular, que apresenta meristema apical e coifa na parte terminal. A radícula 
encontra-se no nó cotiledonar, tornando-se, por esse motivo, difícil distinguir entre 
hipocótilo e radícula. Segue-se então o epicótilo provido de vários primórdios foliares. O 
primórdio mais externo é o coleóptilo, um cone oco, provido de um pequeno poro no ápice.
A parte do eixo localizada entre o coleópilo e o nó do esculeto é um intermódio, 
denominado mesocótilo (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012). Em algumas gramíneas, uma 
pequena saliência, o epiblasto, é encontrada em posição oposta ao escutelo. Essa es-
trutura é compreendida como um segundo cotilédone rudimentar. Um sistema procambial 
complexo se desenvolve no eixo embrionário e escutelo.
46
3 APOMIXIA E POLIEMBRIONIA
Algumas espécies vegetais produzem sementes sem que ocorra a fertilização. 
A esse fenômeno dá-se o nome de apomixia. Portanto, as sementes formadas, estas 
denominadas, apomíticas, dão origem a plântulas com as mesmas características 
em termos de composição genética da planta mãe, com exceção a possibilidade de 
ocorrência de diferenças oriundas de variações somáticas.
A apomixia pode ser dividida em dois grupos: apomixia vegetativa e agamos-
permia, o que se conceitua de acordo com o tecido propagativo que toma parte do 
processo (CARVALHO; NAKAGAWA, 2012) (Figura 11).
Figura 11 – Esquematização da apomixia.
Fonte: Embrapa (2019)
Define-se como apomixia vegetativa a propagação feita através da semente 
ou órgãos vegetativos, tais como bulbos, colmos, rizomas, estolões, não havendo assim 
o desenvolvimento esporofítico. Em espécies de alho selvagem, cebola e grama-azul 
bulbosa, há formação de bulbilos aéreos, enquanto em muitas cultivares de Pia pratensis 
ocorre a formação da semente apomítica a partir de células diploides externas ao óvulo, 
não havendo, então, desenvolvimento esporofítico. Nessa situação, a formação da 
semente parece ser estimulada pela polinização, apesar de apenas ocorrer um pequeno 
crescimento do tubo polínico, como também pode não ocorrer.
47
Na agamospermia ocorre a formação do tecido esporofítico antes do 
desenvolvimento da semente, neste grupo são colocadas a embrionia adventícia, a 
agamogonia e apomixia não recorrente.
Na embrionia adventícia, as sementes apresentam desenvolvimento direta-
mente a partir dos tecidos esporofíticos do óvulo, não havendo então a formação de 
gametófito. Nesse processo, também denominado embrionia nuclear, pode-se ter es-
pécies que desenvolvem endospermia e outras que não desenvolvem essa condição. 
Em espécies com desenvolvimento de endosperma, como em Eugena jambos, 
ocorre a formação de pequenos embriões nucleares de maneira autônoma, ou seja, 
sem necessidade de polinização. Esta, entretanto, é necessária para que ocorra o 
desenvolvimento de sementes com capacidade germinativa. Em alguns biótipos de 
Citrus há necessidade de polinização para desenvolvimento de embriões nucleares 
(CARVALHO; NAKAGAWA, 2012).
Na agamogamia, determinadas células sofrem um processo chamado 
apomelose, sendo essa uma meiose com anormalidades, o que resulta num caso 
embrionário de caráter diploide, em vez de ocorrer haploide, como ocorre normalmente 
após o processo de meiose. Assim, se o gametófito é de origem arquesporal, denomina-
se diplospórico. Nesse sentido, tem-se uma partenogênese diploide, quando a 
semente se desenvolveu da oosfera não fertilizada, e pseudogamia diploide, quando o 
estímulo da polinização é necessário. Tem-se a apogamia diploide, quando a semente 
se desenvolve de célula do saco embrionário diferente da oosfera, e, quando se faz 
necessária a polinização, denomina-se então como apogamia pseudogâmica.
Na pseudogamia diploide, ocorre uma fertilização simplificada, ou seja, 
ocorre somente a fertilização dos núcleos polares, mas não da oosfera. Apenas o 
endosperma deve ser estimulado, o que ocorre mediante a fertilização para que ocorra 
o desenvolvimento da semente. Em algumas espécies, para que ocorra a divisão da 
oosfera e o seu crescimento, é necessário que se desenvolva o endosperma. 
Na partenogênese diploide, as sementes desenvolvem-se sem o estímulo 
externo, no que se trata do endosperma e o tecido materno. A divisão da oosfera, sem 
meiose, e o desenvolvimento do embrião, pode ocorrer antes ou após o desenvolvimento 
do endosperma, o que ocorre em função das particularidades das espécies.
A apomixia pode ser total ou parcial. Na apomixia não recorrente, verifica-
se uma meiose normal, formando-se, portanto, um gametófito haploide, o qual dará 
origem a um embrião haploide. Havendo a necessidade do estímulo da polinização para 
o desenvolvimento da semente apomítica, o processo é denominado pseudogamia 
haploide. Quando ocorre a formação sem estímulo, compreende-se por partenogênese 
haploide. Como todas as plantas formadas são estéreis, estas apresentam apenas 
interesse genético.
48
A poliembrionia é compreendida como um fenômeno no qual ocorre mais 
de um embrião dentro da semente. Estes embriões podem ser de origem sexuada 
ou apomítica. Em Citrus, onde a poliembrionia é bastante conhecida e estudada, são 
apresentadas três formas possíveis, como definido por Prates (1977):
a) Poliembrionia nuclear – dando origem a um número variável de plântulas idênticas e 
derivadas da nucela.
b) Poliembrionia por “clivagem” – originada pela bipartição do embrião de origem 
sexuada.
c) Poliembrionia de mais de um gametófito normal no mesmo óvulo, em função de mais 
de um saco embrionário no óvulo.
A poliembrionia (Figura 12) ocorre em outras plantas como manga e orquídeas, 
sendo de grande interesse e importância na área do melhoramento genético de plantas e 
também para desenvolvimento da horticultura.
Figura 12 – Exemplo de poliembrionia. Exemplares de sementes de H. serratifolius, com apenas um embrião 
por semente (A), com dois embriões (B), com três embriões (C-D) e com quadro embriões (E)
Fonte: adaptada de Bragaet al. (2019)
Vimos até aqui conteúdos relacionados à formação das sementes. Pudemos 
entender como esta unidade do vegetal é formada e quão importante é para o 
desenvolvimento do vegetal e sua manutenção. Ainda, foi possível entender sua imensa 
importância para a manutenção da vida na terra. Logo, as sementes apresentam 
uma grande complexidade no que trata de suas estruturas e formas de fecundação e 
reprodução, o que faz carecer de bastante atenção em seus estudos. 
49
SEMENTES CRIOULAS: IMPORTÂNCIA SOCIAL E ODS’S
Elder Antonio Tomassevski
Raquel Soares Juliano
Deise Maria Boursheidt
Alberto Feiden 
As intensas mobilizações populares pelas questões ambientais ocorridas nos 
anos 1980, em decorrência dos diversos desastres ambientais dos finais dos anos 50 
aos anos 70 (smog de Londres ou “Névoa Matadora em 1952, a contaminação da baía 
de Minamata no Japão em 1956, entre outros), obrigaram os órgãos governamentais e a 
aprovar as primeiras leis ambientais e a criação dos primeiros organismos internacionais 
como o “Clube de Roma” e a Conferência de Estocolmo em 1972 (POTT; ESTRELA, 2017).
Nas últimas décadas do século XX a sociedade tem demonstrado essa 
preocupação com os impactos da ação humana sobre os Recursos Naturais aumentou 
em muito. Como resultado da pressão de organizações sociais, a Organização das 
Nações Unidas (ONU) planejou uma série de conferências resultando em uma agenda 
internacional (SANTOS et al., 2018).
São construídas várias agendas, como os Objetivos do Desenvolvimento do 
Milênio (ODM), consolidados em 2000, acordados anteriormente, em 1992, na Carta da 
Terra, durante a Conferência do Rio de Janeiro. As reuniões posteriores resultam nos 
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que fazem parte de um desdobramento 
dos ODMs. Os ODS’s, reunidos no documento conhecido como “Agenda 2030”, acima de 
tudo, resultam da ação social de 193 países e foram assumidos pela Organização das 
Nações Unidas – ONU em 2015 (SANTOS et al., 2018).
Embora muito aquém das demandas dos movimentos ambientais, os ODS’s, 
baseados na sustentabilidade econômica, social e ambiental, estão estruturados em 
17 objetivos, e cada um possui seu escopo, que ao todo somam 169 metas. Toda essa 
estrutura busca atuar em áreas de importância crítica, assim definidas pela ONU como 
Paz, Prosperidade, Planeta, Pessoas e Parcerias (SANTOS et al., 2018).
Como se trata de um acordo internacional que tangencia as mais profundas 
mazelas da sociedade como a fome, as suas ações e metas devem estar presentes 
nas agendas dos governos. Por isso, um dos mais emblemáticos objetivos, certamente, 
LEITURA
COMPLEMENTAR
50
é o ODS número dois: Fome Zero e Agricultura Sustentável (ONU, 2015). Esse ODS 
pressupõe acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a melhoria nutricional 
e promover a Agricultura Sustentável. Devido a sua amplitude, está subdividido em 8 
metas, com a meta 2.5, essencial para a compreensão do presente texto, redigida da 
seguinte forma:
Até 2020, manter a diversidade genética de sementes, plantas 
cultivadas, animais de criação e domesticados e suas respectivas 
espécies selvagens, inclusive por meio de bancos de sementes e 
plantas diversificados e bem geridos em nível nacional, regional e 
internacional, e garantir o acesso e a repartição justa e equitativa 
dos benefícios decorrentes da utilização dos recursos genéticos 
e conhecimentos tradicionais associados, como acordado 
internacionalmente (ONU, 2015).
Cabe destacar a importância dos Movimentos Sociais ligados à Agroecologia. 
Esses Movimentos, aliados às entidades de classe, protagonistas de uma mudança de 
paradigma, e que muito antes da adoção dos ODS’s pela ONU em 2015, geraram demanda 
para a construção de políticas de fortalecimento da Agroecologia e do Desenvolvimento 
Rural Sustentável (DIESEL et al., 2015).
Uma das bandeiras fortemente levantadas por esses Movimentos Sociais, é o 
resgate, multiplicação e conservação de variedades de sementes crioulas. Segundo 
esse público, as sementes crioulas possuem um valor imaterial ligado a mitos, crenças 
e afetos, e o seu valor se aproxima daquilo que é considerado sagrado, portanto, a sua 
apropriação é indevida (MENDONÇA, 2013).
[...] Sementes Crioulas e o ODS nº 2 
Como resultados da análise do referencial teórico e dos documentos pertinentes, 
apresentam-se abaixo dois tópicos. O primeiro refere-se às mobilizações sociais e ao 
contexto político pertinente às sementes crioulas, e o segundo, mostra a importância 
dos eventos e dos guardiões de sementes crioulas na preservação dessas sementes e 
na sua relação com o ODS nº 2. 
 
Mobilizações Sociais e Contextualização Política 
Para Fernandes (2017), as demandas, aliadas a questões ambientais, geraram 
uma elevada pressão das Organizações Sociais sobre os governos, em especial no 
Brasil. A pauta levantada por essas organizações, iniciada na década de 1970, denunciou 
a exploração insustentável dos recursos naturais, expôs as consequências e sugeriu 
alternativas sustentáveis aos padrões.
 
Santos et al. (2018) aponta que a pressão social sob os governos levou a Organização 
das Nações Unidas (ONU) a adotar uma Agenda Internacional. Como resultado, surgem os 
Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), que acabaram se tornando os Objetivos 
do Desenvolvimento Sustentável (ODS), conhecidos como “Agenda 2030”. 
51
Paralelamente, outra importante ação adotada pela Organização das Nações 
Unidas para a Alimentação e Agricultura – FAO foi a aprovação do Tratado Internacional 
sobre Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura. Esse tratado, que 
reconhece o risco de erosão genética e a importância desses recursos para a alimentação, 
teve como objetivo promover a conservação e uso sustentável desses recursos, 
reconhecendo as formas de Conservação in situ e ex situ como primordiais para mitigar 
os efeitos da fome, uma vez que as reconhecem como formas de conservação dos 
recursos fitogenéticos para a alimentação e agricultura (FAO, 2001).
As ações adotadas nas agendas internacionais, como o Tratado Internacional 
sobre Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura, bem como a adoção 
dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS, em 2015, legitimam o trabalho de 
conservação historicamente realizado pelos Guardiões de Sementes Crioulas, bem como 
pelos Movimentos Sociais. Um exemplo disso, é a produção e reprodução de variedades 
de milho crioulo na região oeste de Santa Catarina, que através de um processo histórico 
de conservação, resultou na descoberta de um Microcentro de Diversidade de milho 
naquela região, em meados da segunda década do século XXI (COSTA et al., 2017).
Com uma metodologia que possibilitou o alcance de 2.049 unidades de produção 
camponesa e da Agricultura Familiar, Costa et al. (2017) elencaram 1.513 populações de 
milho, compreendendo 37 populações específicas para farinha, 61 de milho doce, 337 
de milho crioulo comum, e a maior variedade é a de milho pipoca, dispondo de 1.078 
populações. 
Corroborando com o fato de o Oeste Catarinense ser um Microcentro, Silva et 
al. (2015) identificaram 136 populações de Teosinto. Como visto por Terra (2009), há 
possibilidade de fluxos genéticos entre as populações de Teosinto e milho, aumentando 
a variabilidade genética, e possibilitando o surgimento de variedades endêmicas. 
Os trabalhos de Silva et al. (2015) e em especial a publicação de Costa et al. 
(2017), que joga luz ao número de unidades de produção, e a considerável quantidade de 
populações de milho, revelam que os agricultores adotam as estratégias de conservação 
naquela região. 
O Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Agricultura e 
Alimentação, que legitima essas ações já adotadas pelos Guardiões de Sementes Crioulas 
e de suas organizações, foi aprovado pela ONU em 2001, assinado pelo Brasil em 2002, 
e promulgado apenas em 2008 (BRASIL, 2008). Apesar do longo período entre a sua 
aprovação e promulgação,o tratado começou a ser implantado, de fato, através da Política 
Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica - PNAPO, em 2012 (BRASIL, 2012).
 
52
Essa política possibilitou a incorporação e reestruturação de outras preexistentes, 
como é o caso do Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE, do Programa Nacional 
de Aquisição de Alimentos – PAA, e, especialmente reestruturou o Programa Nacional de 
Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF, que passou a ter linhas especiais de 
créditos que visam o fomento da agroecologia e da agricultura orgânica. Paralelamente 
desobrigou os agricultores a financiarem outros tipos de sementes, fazendo do PRONAF 
um programa de financiamento da agroecologia (TROVATTO et al., 2017).
A PNAPO reconheceu a produção de base agroecológica e passou a valorizar a 
conservação da agrobiodiversidade. Segundo a Câmara Interministerial de Agroecologia 
e Produção Orgânica – CIAPO (2015), pelo PAA, no período entre 2013 a 2015, a PNAPO 
destinou, para aquisição e distribuição de recursos fitogenéticos, dentre eles as 
sementes crioulas, 150 milhões de reais, e 17,1 milhões de reais para implantação de 
bancos de germoplasma comunitários, o que representou um importante fomento à 
conservação das sementes crioulas no Brasil.
Esse histórico de ações sociais e políticas implementadas, aliadas ao Grupo 
de Trabalho Aberto sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, composto por 
27 ministérios, possibilitou ao Brasil apresentar na 70° Assembleia Geral das Nações 
Unidas a sua Agenda Pós-2015. Em sua agenda, o país se comprometeu a fomentar 
a pesquisa, utilizar de forma sustentável e a conservar a sua agrobiodiversidade e os 
recursos fitogenéticos (BRASIL, 2015).
Contudo, apesar de em 2018 o país resgatar as formas de conservação in situ 
e ex situ do Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a 
Agricultura, e adotá-las para tentar cumprir a meta 2.5 do ODS 2 (IPEA, 2018), o contexto 
político e econômico em curso no país foi alterado, e a agenda seriamente afetada. 
Após o ano de 2016 vários Ministérios foram extintos ou transformados em 
Secretarias, como é o caso do Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA, que na 
época passou suas competências ao Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário 
– MDS (BRASIL, 2016), e hoje está sob a tutela do Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento (BRASIL, 2019a).
O PAA Sementes, implementado em 2015, sofreu cortes orçamentários. 
Conforme os dados de 2019, apesar de haver aumento em relação a 2018, R$ 3 milhões 
foram destinados à região nordeste, e R$ 2 milhões à região sul, com as demais regiões 
ficando desassistidas pelo PAA Sementes. 
 
Além do PAA Sementes, as suas outras linhas sofreram substanciais cortes 
orçamentários. Em 2015, somando todas as linhas, foram investidos R$ 287.515 milhões e 
em 2018 o valor caiu para R$ 63.300 milhões (CONAB, 2019). 
Outra importante política desestabilizada com os arranjos institucionais e com 
cortes orçamentários, foi o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar 
– PRONAF. 
53
Segundo Araújo; Vieira Filho (2019), para a safra 2015/2016 foram destinados R$ 
165 bilhões para o Pronaf, ao passo que, para a safra 2019/2020, esse valor cai para R$ 
31,22 bilhões (BRASIL, 2019c). Esse programa possui linhas de créditos que fomentam 
o Desenvolvimento Rural Sustentável, como é o caso do Pronaf Floresta, Semiárido, 
Agroecologia, Mais Alimentos e Pronaf Eco (ARAÚJO; VIEIRA FILHO, 2019). Contudo, 
o montante orçamentário cortado afetou essas linhas, principalmente o Pronaf Jovem, 
Pronaf Mulher, Pronaf Produtivo Orientado, Pronaf Mais Alimentos e Pronaf Agroecologia, 
que foram suspensos (CONTAG, 2020; FETAG/PI, 2019).
Sobre o Pronaf, vale destacar que há críticas no universo científico de que esse 
programa beneficiou em sua grande maioria, agricultores (as) com renda mais elevada, 
porém, por outro lado, os dados sugerem que essa política reestruturou a Agricultura 
Familiar, e contribuiu com as estratégias de conservação e de desenvolvimento local [...]. 
[...] O presente ensaio buscou mostrar a importância das Mobilizações Sociais 
no resgate, multiplicação e conservação de sementes crioulas, e a introdução de suas 
Estratégias de Conservação nas agendas internacionais, em consonância com as metas 
do ODS nº 2. Para essa análise, efetuou-se um resgate histórico das políticas públicas, a 
função dos Guardiões de Sementes e a importância dos eventos e redes que promovem 
a difusão desse material genético e dos saberes. 
Conclui-se que a luta histórica dos Guardiões das Sementes Crioulas, aliada 
há uma intensa mobilização social, culminou na adoção e implementação de Políticas 
Públicas, no aumento de feiras e eventos de sementes crioulas, e na legitimação das 
Estratégias de Conservação através das Agendas Internacionais [...].
Fonte: TOMASSEVSK, E. A.; JULIANO, R. S.; BOURSHEIDT, D. M.; FEIDEN, A. Sementes Crioulas: Importância 
Social e ODS’s. Cadernos de Agroecologia, v. 15, n. 4, 2020. 
54
Neste tópico, você aprendeu:
• A semente é uma estrutura complexa que demanda compreensão botânica desde a 
morfologia floral para que se possa imergir nessa ciência. 
• As complexidades e diversidades botânicas influenciam nas características morfológi-
cas das sementes, fazendo com que seja necessário apoiar-se na botânica e siste-
mática para compreender a funcionalidade de cada uma das estruturas e como estas 
darão forma às futuras plantas.
• Morfologia e estrutura das sementes são elementos fundamentais para compreender 
propagação e manejo das plantas cultivadas. 
• A compreensão da função estrutural das sementes contribui também para a 
manutenção do patrimônio genérico vegetal, contribuindo para o enriquecimento da 
área do melhoramento genético de plantas cultivadas.
RESUMO DO TÓPICO 3
55
1 Nas sementes bitegumentadas, o tegumento consiste da testa, que é o resultado do 
desenvolvimento do integumento externo, e do tégmen, resultado do desenvolvimento 
interno do óvulo. Os envoltórios da semente (tegumento, pericarpo), além da função 
protetora, também apresentam função reguladora e delimitante. Acerca do que são 
essas funções, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Manter unidas as partes das sementes, proteger, servir de barreira contra entrada 
de umidade.
b) ( ) Permitir a entrada de micro-organismos, impedir a hidratação e proteger contra 
choques amebientais.
c) ( ) Regular a velocidade de reidratação, proteger contra choques e abrasões, 
proteger contra micro-organismos.
d) ( ) Limitar a entrada de água, servir como barreira protetora, manter as partes 
internas unidas.
2 A consistência e a coloração dos tegumentos também variam de acordo com a 
espécie. Quando a semente está encerrada em um fruto indeiscente, o tegumento é 
pouco consistente, como nos aquênios. Em frutos deiscentes, ele pode ser lignificado, 
como em sementes de leguminosas. Sobre isso, analise as sentenças a seguir:
I- A coloração marrom é de maior ocorrência e mais da metade de todos os tipos de 
sementes tem coloração marrom a negra.
II- Asas são expansão da testa, que pode ser totalmente periférica ou ser restrita a 
determinados pontos da semente.
III- As modificações que ocorrem no processo de formação das sementes não podem 
ser visíveis, uma vez que ocorrem a nível microscópico.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 Enquanto se processa o desenvolvimento embrionário e endospermático, os 
tegumentos do óvulo também sofrem modificações visíveis, as quais constituem, 
principalmente, em reduzir suas dimensões no que trata de espessura, bem como 
sua desorganização. Contudo, em muitas ocasiões podem ser formadas novas 
camadas de células, fazendo com que sua espessura possa aumentar. Nesse sentido, 
classifiqueV para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
AUTOATIVIDADE
56
( ) O funículo sofre abscisão deixando uma cicatriz, a qual será chamada de hilo. 
( ) Algumas espécies podem apresentar camadas externas do endosperma, a qual 
funciona como tegumento.
( ) A presença de algumas estruturas externas ao tegumento, é resultado das 
polinizações.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) V – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 A semente, como visto, é uma estrutura complexa e bem desenvolvida. Suas estruturas 
compreendem heranças da flor fecundada. Comente sobre as generalidades estruturais 
da semente.
5 Existem muitas diferenças estruturais quando se trata de plantas monocotiledôneas 
e dicotiledôneas. Nesse sentido, sabe-se que são diferenças que surgem das 
morfologias herdadas ao longo dos processos evolutivos. Assim, comente sobre as 
cariopses.
57
AgroPos. http://twixar.me/xbxm. Acesso em: 6 abr. 2023.
BARROS NETO, J. J. S.; ALMEIDA, F. A. C.; QUEIROGA, V. P.; GONÇALVES, C. C. 
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PESKE, S. T.; ROSENTHAL, M. D.; ROTA, G. R.M. Sementes: fundamentos científicos e 
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https://didatico.igc.usp.br/fosseis/paleobotanica1/
https://didatico.igc.usp.br/fosseis/paleobotanica1/
59
ESTRUTURA QUÍMICA E 
FISIOLOGIA DAS SEMENTES
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender como é estruturada a composição química das sementes;
•	 entender	quais	as	funções	fisiológicas	das	estruturas	das	sementes;
•	 analisar	e	compreender	os	mecanismos	de	dormência	e	germinação	das	sementes;
•	 entender	a	fisiologia	das	sementes;
	 A	cada	tópico	desta	unidade	você	encontrará	autoatividades	com	o	objetivo	de	
reforçar o conteúdo apresentado.
TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – COMPOSIÇÃO QUÍMICA DAS SEMENTES
TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – FISIOLOGIA DA GERMINAÇÃO
TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – QUALIDADE FISIOLÓGICA DAS SEMENTES
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
60
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
Acesse o 
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61
TÓPICO 1 — 
COMPOSIÇÃO QUÍMICA DAS SEMENTES
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Assim	como	os	 demais	 órgãos	que	 compõem	a	 estrutura	 basal	 das	 plantas,	
as	semente	apresentam	composição	química	variável	–	especialmente	ao	se	comparar	
as	 famílias	botânicas	–	 onde	possuem	por	 característica	básica	 apresentar,	 em	 linhas	
gerais,	dois	grupos	químicos	componentes	essenciais,	os	quais	ocorrem	geralmente	na	
constituição	dos	tecidos	da	planta,	bem	como	aqueles	compreendidos	como	materiais	de	
reserva,	como	visto	na	unidade	anterior.
Esses	compostos	possuem	origem	na	translocação	dos	elementos	anteriormente	
acumulados	em	outras	partes	da	planta	ou	por	meio	dos	produtos	da	fotossíntese,	o	
que	ocasiona	na	formação	e	desenvolvimento	das	sementes.
Embora	 maior	 parte	 dos	 compostos	 químicos	 presentes	 nas	 sementes	 não	
apresentarem	diferenças	daqueles	que	são	encontrados	nos	demais	órgãos	vegetais,	
as proteínas presentes em sementes podem diferir na composição química e em suas 
propriedades	 em	 relação	 às	 demais	 proteínas	 encontradas	 nas	 plantas	 (CARVALHO;	
NAKAGAWA,	2012).	
Em	outra	perspectiva,	grande	concentração	dos	lipídios	armazenados	nas	sementes	
em	algumas	espécies,	diferenças	de	outros	tecidos	da	planta	podem	ser	observado,	
salvo	algumas	exceções	que	também	apresentam	alguns	teores	consideráveis,	 pois,	
geralmente,	os	lipídios	não	ocorrem	em	quantidades	consideráveis	em	outros	órgãos.	
Ao	se	considerar	o	principal	composto	de	armazenamento,	sementes	podem	ser	
divididas	em	ricas	em	carboidratos	(onde	se	enquadra	a	maioria	dos	cereais)	e	aquelas	
ricas	em	lipídios,	sendo	que	as	espécies	ricas	nesses	componentes	são	historicamente	
cultivadas	 com	 o	 intuito	 de	 utilização	 como	 alimento,	 ou	 como	matéria-prima	 para	
agroindústria.	
Por	natureza,	as	espécies	que	possuem	proteínas	como	seu	material	de	reserva	
predominante	são	ainda	pouco	conhecidas,	onde	uma	das	exceções	é	a	soja.	
A	composição	química	da	semente	é	definida	por	meio	de	sua	genética,	apesar	
de	poder	ser	influenciada	também	por	condições	ambientais,	porém	não	tão	significativo.	
Desse	modo,	variações	proteicas	em	função	das	espécies	e	de	suas	cultivares	podem	
apresentar	algumas	variações.
62
Nessa	perspectiva,	melhoristas,	visando	a	finalidade	produtiva	de	determinadas	
espécies,	 realizam	 pesquisas	 com	 intuito	 de	 aumentar	 o	 potencial	 produtivo	 destas	
em	detrimento	de	determinadas	substâncias	que	estão	presentes	nas	sementes.	Em	
particular,	 ao	 se	 observar	 a	 soja,	 as	 quais	 produzem	 duas	 partes	 de	 proteínas	 para	
uma	de	lipídio,	é	conhecida	a	relação	entre	esses	teores,	e	podem	ser	utilizados	para	
desenvolvimento	de	cultivares	com	aptidões	particulares.
O	interesse	em	se	conhecer	a	composição	química	das	sementes	é	de	aplicação	
prática	da	Tecnologia	 de	Produção	de	Sementes,	 uma	vez	que	 tanto	 o	vigor	 quanto	
seu	potencial	de	armazenamento	são	influenciados	por	sua	composição	química.	Outro	
ponto	 importante	é	que	a	 composição	química	 influenciaráno	gasto	energético	das	
plantas	para	as	produzir	(CARVALHO;	NAKAGAWA,	2012).	
Acadêmico,	no	Tema	de	Aprendizagem	1,	abordaremos	quais	são	os	componentes	
químicos	das	sementes	e	suas	funções,	denotando	não	apenas	os	aspectos	estruturais,	
mas	também	a	funcionalidade	biológica	e	agronômica	destes.
2 CARBOIDRATOS
Em	termos	quantitativos,	os	carboidratos	(hidratos	de	carbono)	são	compreen-
didos	como	os	componentes	mais	importantes	nos	cereais,	os	quais	formam	cerca	de	
83%	da	matéria	seca	total	das	sementes	em	trigo,	cevada,	arroz,	milho,	sorgo,	e	79%	em	
aveia.	Dentre	os	carboidratos	de	maior	importância,	podem	ser	citados	o	amido,	o	qual	é	
predominante,	a	celulose	e	hemicelulose,	as	pentosanas,	dextrinas	e	os	açúcares.
O	 amido	 é	 o	 principal	 carboidrato	 nos	 cereais,	 constituindo	 cerca	 de	 65%	
das	 sementes	 de	 trigo	 e	 79%	 de	 seu	 endosperma,	 sendo	 também	 um	 componente	
importante	encontrado	nas	Fabaceae.	No	caso	da	soja,	sabe-se	que	o	teor	de	amido	
sofre	aumento	durante	o	desenvolvimento	da	semente,	para	que	depois	decresça	em	
função	dos	processos	fisiológicos	da	maturação.
Amido	é	um	polímero	da	glucose,	 ocorrendo	uma	união	α na maior parte das 
posições	 da	 molécula	 (1-4)	 e	 algumas	 posições	 1-6.	 Essa	 macromolécula	 pode	 ser	
encontrada	 em	duas	 formas	 nas	 sementes:	 amilose,	 a	 qual	 é	 predominantemente	 de	
cadeia reta com uniões α-1-4	com	300-400	unidades	de	glucose	amilopectina	em	cadeia	
ramificada	com	unidades	de	α-1-4	e	algumas	unidades	de	α-1-6	de	maior	tamanho.	A	
amilose	é	quase	que	totalmente	digerida	pela	atividade	enzimática	da	α-amilase,	enquanto	a	
amilopectina	possui	digestão	em	apenas	50%	de	seu	volume	total.
Quanto	ao	iodo,	amilose	colore-se	de	azul	e	amilopectina	de	vermelho	púrpura.	
Cerca	de	25%	em	milho,	sorgo	comum	e	trigo	constitu-se	de	amilose.	Em	milho	com	
alto	teor	de	amido	essas	taxas	podem	atingir	75%.	Já	em	arroz	e	trigo	ceroso	podemos	
encontrar	valores	na	magnitude	de	99%	(CARVALHO;	NAKAGAWA,	2012).	
63
O	 amido	 é	 encontrado	 na	 forma	 de	 grânulos	 de	 formato	 esférico,	 lenticular,	
fusiforme,	angular	e	com	tamanhos	variáveis,	sendo	que	os	grânulos	do	trigo,	centeio,	
cevada	e	milho	são	com	formato	simples,	enquanto	que	em	arroz	são	compostos.	Em	
aveia,	encontra-se	ambos	os	tipos.
A	 celulose	 compreende	 o	 principal	 constituinte	 das	 parcelas	 celulares	 das	
sementes	e	compõe	o	conjunto	que	se	denomina	fibra	bruta	nas	sementes.	Constitui	
um	polímero	da	glucose,	com	a	mesma	fórmula	bioquímica	empírica	do	amido,	contudo,	
possui	uniões	beta	muito	mais	estáveis.	A	maior	porcentagem	da	fibra	de	uma	semente	é	
encontrada	no	tegumento.	Embrião	e	endosperma	são	pobres	em	fibra	bruta.
Hemicelulose	 constitui	 um	 outro	 polissacarídeo	 não	 pertencente	 ao	 grupo	 do	
amido,	sendo	compreendido	como	outro	carboidrato	de	armazenamento	importante	para	
as	plantas.	Esse	polímero	pode	ser	encontrado	nas	paredes	celulares	do	endosperma	de	
Arecaceae.	A	presença	desse	carboidrato	confere	rigidez	ao	endosperma.	Muitas	vezes,	a	
hemicelulose	é	referida	como	pentosana,	contudo,	ao	considerar	o	trigo,	hemicelulose	é	
um	termo	utilizado	para	tratar	do	polissacarídeo	não	amido,	insolúvel	em	água,	enquanto	
que	o	termo	pentosana	refere-se	àqueles	que	apresentam	solubilidade	em	água.
Em	 linhas	 gerais,	 os	 açúcares	 apresentam	 uma	 pequena	 porcentagem	 de	
carboidratos	presentes	na	semente.	O	milho,	por	exemplo,	apresenta	aproximadamente	
2%	de	 açúcares,	 sendo	a	maior	 porcentagem	destes,	 encontrada	no	 embrião.	 Já	 ao	
se	 observar	 o	 milho	 doce,	 condicionado	 por	 mutantes	 genéticos,	 os	 açúcares	 são	
armazenados	no	endosperma,	com	decréscimo	no	teor	de	amido.	Entre	os	açúcares	
encontrados	 nas	 sementes,	 temos	 monossacarídeos	 (glucose,	 frutose,	 galactose),	
dissacarídeos	(sacarose)	e	oligossacarídeos	(rafinose	estaquiose).	As	proporções	destes	
mostram-se	variáveis	dentro	da	espécie,	em	função	de	cultivares.	
As	mucilagens	são	resultantes	dos	carboidratos	e	podem	ocorrer	no	tegumento	
de	 sementes	 de	 algumas	 espécies,	 podendo	 estar	 relacionadas	 com	 a	 dispersão	 ou	
absorção	de	água	durante	a	germinação.	Quimicamente,	são	poliuronídeos,	principalmente	
galactouranídeos,	apresentando	ainda	vários	açúcares	como	hexoses	e	pentoses.	Podendo	
haver	 ainda,	 esporadicamente,	 celulose	 (CARVALHO;	 NAKAGAWA,	 2012).	 De	 modo	
semelhante	podem	ser	encontradas	outras	pentohexoses,	tais	como	as	gomas	e	pectinas,	
além	de	 outros	 polissacarídeos	 não	 amiláceos	 como	beta-glucanas,	 beta-glucanosas,	
moléculas	de	alto	peso	de	glucofrutanas	(CARVALHO;	NAKAGAWA,	2012).	
64
3 LIPÍDIOS
Esse	 grupo	 de	 macromoléculas	 são	 constituintes	 encontrados	 em	 todas	 as	
partes	da	semente,	ocorrendo	em	maior	porcentagem	no	embrião	 (cotilédones)	ou	no	
endosperma.	Em	algumas	espécies	predominam	em	outras	estruturas	como	hipocótilo	
em	castanha	do	Pará	e	o	megagametófilo	em	pinos	japoneses,	os	quais	são	presentes	
como	tecidos	de	reserva	nestas	sementes.	Geralmente,	são	apresentados	na	forma	de	
glicerídeos	de	ácidos	graxos,	onde,	majoritariamente,	ocorrem	nas	sementes	os	ácidos	
graxos	insaturados.	Os	ácidos	graxos	de	ocorrência	mais	comum	são	ácido	oleico,	linoleico	
e	linolênico	e,	dentre	os	ácidos	graxos	saturados,	ocorrem	o	palmítico	e	o	esteárico.	
Glicerídeos	 de	 outros	 ácidos	 de	 outros	 ácidos	 orgânicos,	 tanto	 saturados	
como	insaturados,	podem	ocorrer	como,	por	exemplo,	ácido	acético,	butírico,	mirístico,	
araquídico,	dentre	outros.	Essa	diversidade	quanto	a	composição	pautada	nos	lipídeos	faz	
com	que	as	sementes	garantam	um	olhar	especial	em	sua	produção	e	aplicação	culinária	
e	industrial.	
As	reservas	de	triglicerídeos	encontram-se	em	organelas	esféricas	denominadas	
esferossomos,	corpúsculos	de	óleo	ou	corpúsculo	de	 lipídios,	os	quais	possuem	diâmetro	
entre	0,2	a	2,0	micrômetros.
Ainda,	 podem	 ser	 encontrados	 nas	 sementes	 outros	 tipos	 de	 lipídeos,	 além	
dos	 glicerídeos.	 Temos,	 então,	 os	 fosfolipídios,	 tais	 como	 ácido	 fosfatídico,	 fosfatidil-
colina	 (lectina),	 fosfatidil-etanolamina,	 N-acitil-fosfatidil-etanolamina,	 fosfatidil-glicerol,	
difosfatidil-glicerol,	dentre	vários	outros,	sendo	que	em	sementes	de	trigo,	por	exemplo,a	
fosfatidil-colica	 compreende	 45,5%	 do	 total	 e	 0,4%	 de	 fosfolipídios.	 Outros	 componentes	
seriam	os	 glicolipídios,	 como	monogalactosil-diglicerídeo,	 digalactosil-diglicerídeo,	 assim	
como	os	tocoferóis,	os	quais	estão	presentes	de	diversas	formas	em	relação	à	disposição	
molecular.
A	porção	 insaponificável	 dos	óleos	vegetais	 contém	hidrocarbonetos	 saturados,	
esqualeno,	álcoois	alifáticos,	álcoois	terpeno	e	esteróis	(CARVALHO;	NAKAGAWA,	2012).	
Dentre	os	esteróis,	os	fitoesteróis,	os	mais	conhecidos	são	os	sitoesteróis	e	estigmasteróis,	
os	 quais	 se	 fazem	 presentes	 em	 sementes	 de	 soja.	 Os	 lipídios	 podem	 estar	 ainda	
complexados	 com	 proteínas	 e	 carboidratos,	 como	 também	 podem	 estar	 localizados	
dentro	das	matrizes	de	glúten	ou	grânulos	de	amido,	que	são	quase	impermeáveis	aos	
solventes	não	polares.	Os	lipídios	extraídos	por	solventes	não	polares	são	denominados	
livres,	enquanto	que	os	extraídos	por	solventes	polares	são	referidos	como	fixados.	
O	 teor	 de	 óleos	 nas	 sementes	 pode	 variar	 de	 acordo	 com	 a	 função	 das	
características	 genéticas,	 tais	 como	 cultivar	 e	variedade,	 bem	 como	 em	 função	 das	
condições	 ambientais.	 Carvalho	 e	 Nakagawa	 (2012)	 discorrem	 que	 há	 acentuada	
influência	da	temperatura	ambiente	sobre	o	teor	de	óleo	em	sementes	de	três	cultivares	
de	sola.	Afirmam	ainda	que	essa	influência	exerce	poder	não	somente	sobre	os	teores	
de	óleos,	mas	também	na	composição	final	dos	ácidos	graxos.	
65
Durante	o	desenvolvimento	da	semente,	ocorrem	variações	na	composição	em	
teor	e	em	componentes	dos	ácidos	graxos.	Desse	modo,	entende-se	que	o	aumento	
dos	 teores	 de	 óleo	 em	 sementes	 de	 soja,	 por	 exemplo,	 podem	 ocorrer	 durante	 seu	
desenvolvimento.Afirma-se	ainda	que	teores	de	ácido	oleico	e	linoleico	podem	aumentar	
com	o	desenvolvimento,	enquanto	que	ácido	palmítico,	esteárico	e	 linolênico	podem	
decrescer	para	que	se	mantenham	constante	ao	final	do	desenvolvimento	da	planta.	
4 PROTEÍNAS
Proteínas	são	os	componentes	básicos	de	toda	célula	viva.	São	compreendidos	
como	 polímeros	 de	 aminoácidos	 sintetizados	 biologicamente	 pela	 célula	 e	 podem	
funcionar	como	enzimas,	componentes	estruturais	e	como	material	de	reserva.
As	 sementes	 caracterizam-se	 por	 apresentarem	 uma	 parte	 das	 proteínas	
metabolicamente	 ativa,	 como	 as	 enzimas	 e	 as	 nucleoproteínas,	 e	 outra	 parcela	
metabolicamente	inativa.	Esta	segunda	parte	constitui	as	proteínas	de	reserva,	as	quais	
apresentam	composição	variável	de	acordo	com	as	espécies.	As	sementes	dos	cereais	
apresentam	geralmente	menor	teor	de	proteínas	ao	se	comparar	com	as	leguminosa	e	
aquelas	sementes	ricas	em	óleos	(oleaginosas).	
Observa-se	 ainda	 que,	 dentre	 os	 componentes	 químicos	 das	 sementes,	 as	
proteínas	sempre	se	apresentam	em	menor	proporção	do	que	os	carboidratos	ou	os	
lipídios,	 com	 exceção	 da	 soja.	 Como	 visto	 previamente,	 as	 variações	 nos	 teores	 de	
proteína	das	cultivares	de	soja	são	amplas.
O	teor	e	composição	de	proteínas	 (aminoácidos)	varia	também	em	função	das	
condições	do	ambiente	e	das	tecnologias	empregadas	aos	sistemas	de	cultivo	que	afetam	
o	estado	nutricional	das	plantas.	Salienta-se	então	que	a	boa	correlação	entre	fertilidade	
e	teor	de	proteínas	é	fundamental	para	formação	de	sementes	de	uma	série	de	culturas.	
As	proteínas	são	encontradas	em	todos	os	tecidos	das	sementes,	apresentando-
se	 em	 maiores	 concentrações	 no	 embrião.	 Em	 sementes	 de	 cereais,	 as	 maiores	
concentrações	são	observadas	no	embrião	e	na	camada	de	aleurona	do	que	no	endosperma,	
pericarpo	e	tegumento,	sendo	que	no	endosperma	as	concentrações	diminuem	da	periferia	
para	o	centro	dessa	estrutura	(CARVALHO;	NAKAGAWA,	2012).	
Com	base	na	diferença	de	solubilidade	das	proteínas,	ao	menos	quatro	classes	
podem	 ser	 diferenciadas,	 sendo:	 albuminas,	 globulinas,	 prolaminas	 e	 gluteínas.	
As	 gluteínas	 e	 prolaminas	 são,	 em	 maior	 parte	 dos	 cereais,	 os	 componentes	 mais	
abundantes	das	proteínas,	enquanto	que	as	albuminas	e	globulinas	contribuem	com	
percentuais	em	torno	de	20%	ou	menos.	Contudo,	ao	se	observar	a	aveia,	as	globulinas	
são	predominantes,	constituindo	cerca	de	565	das	proteínas	de	reserva.	
66
A	 divisão	 das	 proteínas	 de	 armazenamento	 em	 prolaminas	 e	 gluteínas	 é	
arbitrária,	de	acordo	com	o	método	de	obtenção,	 sendo,	portanto,	mais	 interessante	
referir-se	às	proteínas	mais	bem	conhecidas,	cujas	propriedades	estão	bem	elucidadas.	
Desse	modo,	no	caso	das	prolaminas,	têm-se	a	gladina	no	trigo,	hordeína	na	cevada,	a	
zeína	no	milho,	orizina	em	arroz,	dentre	outras	(CARVALHO;	NAKAGAWA,	2012).
Em	dicotiledôneas,	as	prolaminas,	na	maioria	das	ocasiões,	estão	ausentes	ou	
em	baixo	teor,	enquanto	as	gluteínas	ocorrem	em	níveis	superiores.	Nas	leguminosas,	as	
globulinas	são	as	principais	proteínas	armazenadas,	representando	mais	de	70%	do	total	
de N	da	semente.	Essas	proteínas	estão	bem	definidas	para	estas	espécies,	das	quais	as	
principais	são	a	legumina	e	a	vicilina.	A	glicilina	na	sola,	a	araquina	e	a	conaraquina	no	
amendoim	e	a	faseolina	no	feijão	são	algumas	das	globulinas	específicas.	
Quanto	 os	 teores	 de	 aminoácidos	 em	 algumas	 sementes	 de	 alguns	 cereais,	
pode	ser	inferido	que	em	cevada	e	milho	podem	ser	encontrados	conteúdos	similares	de	
lisina	e	triptofano,	os	quais	são	superiores	a	trigo	e	triticale,	tornando-os	mais	nutritivos,	
podendo	comparar	até	mesmo	à	soja.
Durante	o	desenvolvimento	das	sementes,	observa-se	que	o	teor	de	proteínas	
apresenta comportamento distinto de acordo com a espécie. Os teores de proteínas 
mantêm-se	 relativamente	constante	em	função	da	espécie	 e	 condições	ambientais,	
podendo	também	apresentar	variações	que	podem	ser	alteradas	decorrente	de	manejo.
As	proteínas	de	 reserva	 encontram-se	normalmente	depositadas	 em	organelas	
celulares	denominadas	corpúsculos	de	proteínas.	Essas	organelas	possuem	dimensões	
com	 variação	 entre	 0,1	 a	 25	 micrômetros	 e	 são	 envolvidas	 –	 ao	 menos	 durante	 o	
desenvolvimento	–	por	uma	membrana	simples.	Esses	corpúsculos	podem	ocorrer	em	
todo	embrião	ou	endosperma,	ou,	em	algumas	situações,	podem	estar	restritos	apenas	
a	uma	camada,	como	a	de	aleurona.
Além	das	proteínas	que	foram	citadas	até	então,	outras	podem	ainda	ocorrer,	
como	 aquelas	 referidas	 como	 fatores	 de	 hemaglutinação	 (glicoproteínas),	 também	
denominados	 fitohemaglutinas	 (lectinas,	 presentes	 em	 trigo,	 feijões	 e	 algumas	
outras	 Fabaceae,	 podendo	 constituir	 problemas	 na	 alimentação	 animal	 (CARVALHO;	
NAKAGAWA,	2012).	
Outra	fração	de	proteínas	são	as	enzimas,	as	quais	ocorrem	principalmente	nas	
células	encontradas	na	camada	de	aleurona	e	que	são	ativadas	em	sementes	durante	
o	processo	de	germinação,	tendo	como	exemplos,	no	caso	de	trigo	e	cevada,	a	alfa-
amilase,	alfa-glucosidade,	protease,	dipeptidase,	esterase,	fitase	e	nitrito-redutase.	
67
5 OUTROS COMPONENTES IMPORTANTES NAS SEMENTES
Além	 dos	 componentes	 –	 macromoléculas	 –	 anteriormente	 mencionados,	 as	
sementes	 contém	 também	 outras	 substâncias.	 Desse	 modo,	 todas	 as	 sementes,	
apresentam em sua composição os mesmos minerais que são encontrados em outras 
partes	da	planta,	constituídos	por	macro	e	micro	nutrientes.	
Outros	elementos	são	encontrados	como	traços	nas	cinzas	como	bário,	bromo,	
lítio,	alumínio,	estrôncio,	níquel,	estanho,	flúor,	chumbo,	cobalto,	iodo,	arsênio,	Cerca	de	
95%	dos	minerais	em	cereais	de	sementes	nuas	e	no	albúmen	de	cereais	de	sementes	
com	casca	são	formados	por	fosfatos	e	sulfatos	de	potássio,	magnésio	e	cálcio.	Uma	
parte	do	fosfato,	em	muitas	sementes,	ocorre	na	forma	de	fitina,	que	é	um	sal	de	mistura	
de	 cátions	 como	 o	 ácido	 mioinositol	 hexaquifosfórico,	 conhecido	 como	 ácido	 fítico	
(CARVALHO;	NAKAGAWA,	2012).	
Os	 cátions	mais	 comuns	 são	 o	magnésio,	 potássio	 e	 cálcio,	 ocasionalmente	
podendo	ocorrer	o	bário,	cobre,	ferro,	manganês,	sódio	e	zinco	em	função	da	espécie.	
A	fitina,	representa	importante	fonte	de	fosfato	e	outros	minerais	na	fase	de	germinação,	
após	 sofrer	 a	 ação	da	enzima	fitase.	Os	ácidos	nucleicos	constituem	um	 importante	
grupo	 de	 substâncias	 contendo	 fósforo,	 ocorrendo	 uma	 parte	 na	 forma	 de	 ácidos	
nucleicos	 livres	 e	 outra	 parte	 na	 forma	 de	 nucleoproteínas.	 A	 relação	 RNA:DNA	 em	
muitas	sementes	é	aproximadamente	10:1	(CARVALHO;	NAKAGAWA,	2012).
Prezado aluno, considerando a composição química das 
sementes e as peculiaridades que podem ser encontradas em 
algumas delas, convido-os à leitura dos seguintes textos:
http://twixar.me/Fgxm
http://twixar.me/Lgxm
Aqui você poderá conhecer sobre a presença do selênio em 
castanhas-do-pará. Boa leitura.
DICA
As	 sementes	 apresentam	ainda	 compostos	 nitrogenados,	 além	das	 proteínas,	
uma	 certa	 quantidade	 de	 aminoácidos	 e	 amidas.	 Entre	 estas,	 as	 mais	 comumente	
encontradas	são	glutamina	e	asparagina,	enquanto	os	aminoácidos	 livres	são	quase	
todos os mesmos que compõem a estrutura das proteínas. 
http://twixar.me/Lgxm
68
Além	 disso,	 ainda	 se	 tem	 os	 alcaloides	 como	 constituintes	 nitrogenados	 das	
sementes,	que	nem	sempre	apresentam	a	mesma	proporção	que	as	outras	partes	das	
plantas.	Como	exemplos,	podemos	citar	a	cafeína	no	café,	a	teobromina	no	cacau,	sojina	
na	soja,	ricina	em	mamona.	As	sementes	apresentam	um	número	razoável	em	pigmentos	
como	os	carotenoides,	antocianinas,	pigmentos	flavonoides,	além	de	outros	compostos.	
Contudo,	a	clorofila	normalmente	encontra-se	ausente,	apesar	de	ocorrer	em	sementes	de	
Gimnospermas.	As	sementes	de	algodão,	por	exemplo,	apresentam	em	sua	composição	
um	pigmento	de	cor	amarela,	denominado	gossipol.
As	 vitaminas	 são	 outro	 grupo	 de	 substânciasencontradas	 nas	 sementes,	
sendo	de	grande	interesse	as	utilizadas	na	alimentação.	Todavia,	sua	funcionalidade	na	
germinação	das	sementes	ainda	não	é	completamente	conhecida.	Dada	a	importância	
alimentar,	 têm	 sido	 desenvolvidas	 pesquisas	 com	 intuito	 de	 aumentar	 os	 teores	 de	
vitaminas	em	sementes,	bem	como	verificar	a	distribuição	de	diferentes	proteínas	ao	
longo	das	partes	das	sementes.
Além	desses	compostos,	encontra-se	ainda	os	fitohormônios	ou	os	hormônios	
vegetais,	 tanto	 aqueles	 que	 atuam	 como	 promotores	 de	 crescimento	 como	 aqueles	
que	 atuam	 como	 inibidores,	 os	 quais	 estariam	 relacionados	 com	 os	 fenômenos	 de	
dormência	 e	 germinação.	 Algumas	 destas	 substâncias	 são	 bem	 conhecidas,	 ao	
menos	em	algumas	espécies,	como	é	o	caso	do	ácido	indol	acético,	ácido	giberélico	e	
substâncias	semelhantes,	como	também	ácido	abiscísico	e	as	citocininas.
Essas	substâncias	são	importantes	desde	a	formação	das	sementes	e	encontram-
se	em	suas	maiores	porções	em	formas	moleculares	 ligadas	ou	conjugada.	Outras	são	
observadas	após	a	germinação	das	sementes,	como	é	o	caso	do	etileno,	contudo,	um	
número	considerável	dessas	substâncias	pode	ser	encontrado	em	extratos	de	sementes.
A	 compreensão	 da	 estrutura	 e	 composição	 química	 das	 sementes	 é	 algo	
fundamental	ao	se	analisar	por	várias	óticas.	Importante	entender,	num	primeiro	momento,	
a	questão	ecológica	e	a	importância	desses	compostos	para	as	funções	metabólicas	das	
semente.	Em	outra	perspectiva,	mas	que	está	intrinsecamente	ligada	à	anterior,	temos	a	
necessidade	de	entender	esses	aspectos	para	poder	adotar	manejo	adequado	em	toda	a	
fenologia	das	culturas,	desde	o	plantio	ao	beneficiamento	das	sementes.
69
Neste tópico, você aprendeu:
•	 As	sementes	apresentam	uma	constituição	química	diversa	e	complexa.	Essa	cons-
tituição	 (macromoléculas)	 desempenharão	papeis	 específicos	em	todo	o	processo	
fisiológico.	
•	 A	 composição	 química	 das	 sementes	 é	 fundamental,	 não	 apenas	 em	 quesitos	
estruturais,	mas	metabólicos.	
•	 Lipídios	e	carboidratos	são	moléculas	altamente	importantes	em	sementes,	atuando	
como	objeto	de	estudo	em	várias	espécies,	determinando	seus	potenciais	produtivos	e	
aplicações	na	agricultura.
•	 Entender	a	composição	química	é	determinante	para	compreender	os	fenômenos	
fisiológicos	 das	 sementes,	 consequentemente	 o	 manejo	 das	 culturas	 e	 posterior	
beneficiamento.a
RESUMO DO TÓPICO 1
70
1	 Com	base	na	composição	química	das	sementes,	é	possível	determinar	parâmetros	
produtivos.	Nesse	sentido,	em	algumas	sementes,	os	teores	de	lipídios	são	desejados	
para	determinação	de	manejo	e	colheita.	Sobre	essa	afirmativa,	assinale	a	alternativa	
CORRETA:
a)	 (			)	 Em	sementes	de	soja,	ocorre	o	aumento	nos	teores	de	lipídios	ao	longo	do	seu	
desenvolvimento.
b)	 (			)	 As	sementes	que	apresentam	grandes	teores	de	carboidratos	são	desejáveis	na	
produção	de	óleos.
c)	 (			)	 Ao	longo	do	desenvolvimento	das	sementes,	não	ocorrerá	alterações	nos	teores	
de	lipídios.
d)	 (			)	 A	composição	química	das	sementes	influencia	nas	condições	de	cultivo,	mas	
não	no	manejo	das	culturas.
2	 As	proteínas	são	encontradas	em	sementes,	apresentando-se	em	maiores	concen-
trações	em	algumas	partes	da	semente.	Em	cereais,	as	maiores	concentrações	podem	
ser	observadas	em	diferentes	partes,	sendo	que	no	endosperma	as	concentrações	
diminuem da periferia para o centro dessa estrutura. Com	 base	 nessa	 afirmativa,	
analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 As	maiores	concentrações	de	proteínas	nas	sementes	podem	ser	encontradas	no	
embrião.
II-	 A	 concentração	 de	 proteínas	 nas	 sementes	 não	 apresenta	 alterações	 em	 suas	
estruturas.
III-	 Apenas	o	tegumento	das	sementes	possui	quantidades	consideráveis	de	proteínas.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Somente	a	sentença	I	está	correta.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 Sobre	 as	 macromoléculas	 que	 constituem	 a	 composição	 química	 das	 sementes,	
classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
AUTOATIVIDADE
71
(			)	As	 reservas	de	triglicerídeos	encontram-se	em	organelas	esféricas	denominadas	
esferossomos. 
(			)	O	teor	e	composição	de	proteínas	não	varia	função	das	condições	do	ambiente	e	
das	tecnologias	empregadas.
(			)	Durante	 o	 desenvolvimento	 das	 sementes,	 observa-se	 que	 o	 teor	 de	 proteínas	
apresenta comportamento distinto de acordo com a espécie.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	F.
b)	 (			)	 V	–	F	–	V.
c)	 (			)	 F	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V.
4	 Como	visto,	 as	 sementes	 apresentam	 uma	 riqueza	 no	 que	 trata	 sua	 composição	
química,	 possuindo	 variabilidade	 ao	 longo	 de	 suas	 estruturas,	 bem	 como	 ao	 se	
observar	as	diferentes	famílias	botânicas	e	espécies.	Nesse	sentido,	sabe-se	também	
que	 existem	 alguns	 outros	 compostos	 que	 são	 importantes	 para	 a	 manutenção	
fisiológica	das	sementes.	Disserte	sobre	os	outro	componentes	químicos	que	fazem	
parte das sementes.
5	 Nas	plantas,	de	modo	geral,	os	carboidratos	desempenham	fundamental	papel	em	
sua	 estrutura,	 bem	 como	 nos	mecanismos	 de	 reserva	 das	 plantas,	 fazendo	 com	
que	seja	 importante	sua	compreensão.	Nas	sementes,	por	sua	vez,	esse	grupo	de	
moléculas	complexas	atua	de	modo	não	diferente.	Nesse	sentido,	discorra	sobre	a	
importância	dos	açúcares	nas	sementes.
72
73
FISIOLOGIA DA GERMINAÇÃO
UNIDADE 2 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO
Contrariamente	 aos	 animais,	 os	 quais	 migram	 e	 conseguem	 habitar	 novos	
ambientes,	as	plantas	são	organismos	sésseis	e	usam	variadas	estruturas	e	mecanismos	
para	auxiliar	na	sua	dispersão	e	manutenção	das	espécies.	Portanto,	a	semente	está	
entre	os	mecanismos	evolutivos	mais	 incríveis	conhecidos,	podendo	ser	considerada	
um	pacote	no	qual	a	informação	para	o	desenvolvimento	de	uma	planta	completa	pode	
permanecer	viável	por	centenas	ou	até	milhares	de	anos.	
O	entendimento	dos	fatores	que	influenciam	o	desenvolvimento	das	sementes,	sua	
sazonalidade,	a	presença	ou	tipo	de	dormência,	sua	capacidade	de	tolerar	a	dessecação,	
sua	germinação	e	sua	longevidade,	fazem	parte	de	um	campo	de	estudo	conhecido	como	
fisiologia	de	sementes	e	seu	entendimento	é	fundamental	frente	à	necessidade	crescente	
de	conservar	e	propagar	as	espécies	vegetais.	Isso	se	torna	ainda	mais	importante	quando	
se	considera	a	diversidade	de	tamanhos,	formas	e	comportamentos	verificados	entre	as	
sementes	das	diferentes	espécies	nativas	do	Brasil.	
O	 desenvolvimento	 da	 semente	pode	 ser	 compreendido	 como	a	 formação	do	
embrião	e	outros	tecidos	da	semente,	o	qual	ocorre	por	meio	de	um	padrão	ordenado	
de	 divisão	 e	 diferenciação	 celular.	 Esse	 fenômeno	 pode	 ser	 dividido	 em	 três	 fases:	 a	
primeira	fase	é	chamada	de	embriogênese;	a	segunda,	de	maturação,	e	a	terceira,	de	
maturação	tardia	(BEWLEY	et	al.,	2013).	No	primeiro	processo,	a	embriogênese,	ocorre,	
de	início,	a	formação	do	zigoto,	em	seguida	o	pró-embrião	e	finalmente,	o	embrião.	Na	
segunda	metade	 do	 desenvolvimento,	 mais	 precisamente	 na	 fase	 de	maturação,	 em	
muitas	sementes	há	a	aquisição	da	tolerância	à	dessecação,	 indução	de	dormência	e	a	
deposição	de	reservas,	como	os	carboidratos,	as	proteínas	e	os	 lipídios.	A	terceira	fase	
do	desenvolvimento	é	 importante	para	a	aquisição	da	longevidade	e	para	o	término	dos	
eventos	que	ocorrem	durante	o	desenvolvimento	da	semente.	Além	disso,	a	maturação	
tardia	leva	à	mudança	do	modo	de	desenvolvimento	da	semente	para	o	modo	germinativo.
Acadêmico,	no	Tema	de	Aprendizagem	2,	abordaremos	as	principais	caracte-
rísticas	e	fenômenos	envoltos	no	processo	de	germinação	das	sementes,	levando-nos	
a	compreender	como	ocorre	esse	mecanismo	e	quais	fatores	estarão	influenciando-o.
74
2 EMBRIOGÊNESE E MATURAÇÃO
O	conhecimento	 da	 embriogênese	 é	 importante,	 pois	 essa	 fase	 determinao	
padrão	parte	aérea/raiz	da	planta	e	as	zonas	meristemáticas,	para	que	haja	diferenciação	
dos	tecidos	primários	da	planta,	gerando	um	órgão	especializado	no	armazenamento	
de	 reservas	 (HARADA,	 1997).	 Nas	 angiospermas,	 logo	 após	 a	 fertilização,	 ocorre	 a	
diferenciação	das	células	apicais	e	basais,	dando	origem	ao	zigoto.	A	célula	apical	dará	
origem	ao	embrião,	 enquanto	a	 célula	basal	 dará	origem	ao	 suspensor.	A	 função	do	
suspensor	é	suprir	o	embrião	com	nutrientes	durante	a	embriogênese	e	dar	suporte	físico.	
Após	desempenhar	a	sua	função,	o	suspensor	é	degradado	ao	final	da	embriogênese.
2.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE A EMBRIOGÊNESE 
As	diferenças	entre	plantas	e	animais	podem	ser	compreendidas	parcialmente	
em	 termos	 de	 estratégias	 de	 sobrevivência	 contrastantes.	 Sendo	 fotossintéticas,	 as	
plantas	dependem	de	padrões	de	crescimento	flexíveis	que	permitem	a	elas	se	adaptar	a	
locais	fixos	onde	as	condições	podem	ser	inferiores	ao	ideal,	especialmente	em	relação	
à	luz	solar,	e	variar	com	o	tempo.
Os	 animais,	 sendo	 heterotróficos,	 em	 vez	 disso,	 desenvolveram	 mecanismos	
para	 a	mobilidade.	 Neste	 tema	 de	 aprendizagem,	 são	 consideradas	 as	 características	
essenciais	do	desenvolvimento	vegetal	e	a	natureza	dos	mecanismos	que	dirigem	esses	
padrões	 flexíveis	 do	 crescimento	 vegetal.	 Ao	 querer	 compreender	 o	 desenvolvimento	
vegetal,	os	pesquisadores	são	confrontados	com	algumas	questões	como	o	desafio	de	
formular	descrições	claras	e	relevantes	das	mudanças	que	ocorrem	ao	longo	do	tempo.	À	
medida	que	um	organismo	cresce,	há	aumentos	correspondentes	em	sua	complexidade.	
O	 termo	 embriogênese	 descreve	 o	 processo	 pelo	 qual	 uma	 única	 célula	 é	
transformada	 em	 uma	 entidade	 multicelular	 com	 uma	 organização	 característica,	
mas	normalmente	rudimentar.	Na	maioria	das	espermatófitas,	a	embriogênese	ocorre	
dentro	do	rudimento	seminal	(óvulo),	uma	estrutura	especializada	formada	no	interior	
dos	carpelos	da	flor.	A	sequência	global	do	desenvolvimento	embrionário	é	altamente	
previsível,	talvez	refletindo	a	necessidade	de	o	embrião	ser	efetivamente	acondicionado	
dentro	 dos	 tegumentos,	 maternalmente	 derivados,	 que	 formam	 a	 semente.	 Com	
essa	consistência,	a	embriogênese	fornece	alguns	dos	exemplos	mais	evidentes	dos	
processos	básicos	de	padronização	em	plantas	(TAIZ	et al.,	2017).
Entre	esses	processos,	destacam-se	aqueles	responsáveis	pelo	estabelecimento	
da	polaridade,	desse	modo	proporcionando	a	estrutura	na	qual	as	células	se	diferenciam	
de	acordo	com	suas	posições	no	embrião.	Dentro	dessa	estrutura,	grupos	de	células	
tornam-se	funcionalmente	especializados	para	formar	tecidos	epidérmicos,	corticais	e	
vasculares.
75
Certos	grupos	de	células,	conhecidos	como	meristemas	apicais,	são	estabelecidos	
nas	extremidades	em	crescimento	do	caule	e	da	raiz	e	possibilitam	a	elaboração	de	tecidos	e	
órgãos	adicionais	durante	o	crescimento	vegetativo	subsequente.	Ao	final	da	embriogênese,	
ocorrem	numerosas	mudanças	fisiológicas	que	tornam	o	embrião	apto	a	resistir	a	longos	
períodos	de	dormência	e	condições	ambientais	adversas	(TAIZ	et al.,	2017).
O	embrião	das	angiospermas	contém	o	eixo	embrionário	e	os	cotilédones.	O	
eixo	embrionário	contém	o	meristema	apical	e	radicular,	e	originará	a	planta	adulta	após	
a	germinação	da	semente.	O	meristema	radicular	dará	origem	à	raiz	primária,	enquanto	
que	o	meristema	apical,	diretamente	e	 indiretamente,	dará	origem	a	todos	os	órgãos	
vegetativos	e	reprodutivos	da	planta	adulta	(HARADA,	1997).	No	início	da	embriogênese	
ocorre	intensa	divisão	celular,	até	que	o	corpo	do	embrião	seja	formado.	Após	a	formação	
do	zigoto,	 inicia-se	a	formação	do	pró-embrião	que	passa	pelas	fases	chamadas	de	
pré-globular,	 globular,	 transição,	 coração	 (onde	 já	é	possível	 observar	os	cotilédones	
em	formação)	e	a	fase	de	torpedo.	Ao	final	da	embriogênese,	cessa	a	divisão	celular	e	
inicia-se	a	expansão	celular.
2.2 MATURAÇÃO FISIOLÓGICA DAS SEMENTES
O	processo	de	maturação	fisiológica	das	sementes	é	o	período	mais	apropriado	
para	 a	 colheita,	 durante	o	qual	 as	 sementes	não	 recebem	mais	ou	 recebem	apenas	
quantidades	mínimas	de	nutrientes	da	planta-mãe.	É	afirmado	que	o	momento	 ideal	
para	a	colheita	de	um	cultivo,	a	fim	de	maximizar	a	produção	e	a	qualidade	das	sementes,	
varia	de	acordo	com	a	espécie,	a	variedade	e	as	condições	ambientais	do	campo	em	
que	a	planta	cresce	(CARVALHO;	NAKAGAWA,	2012	apud	SILVA;	RIBEIRO,	2017).
Existem	consequências	negativas	de	colher	sementes	fora	do	momento	consi-
derado	ideal.	Quando	a	colheita	é	atrasada	após	as	sementes	se	tornarem	independentes	
da	planta-mãe,	elas	ficam	expostas	a	condições	ambientais	desfavoráveis	por	um	
período	relativamente	longo,	o	que	pode	causar	sérios	problemas.	Porém,	a	colheita	das	
sementes	no	momento	em	que	atingem	a	maturidade	fisiológica	também	não	é	aconse-
lhável,	pois	o	alto	nível	de	umidade	torna	o	manejo	mecanizado	incompatível	(MARCOS	
FILHO	2005	apud	SILVA;	RIBEIRO,	2017).
Conforme	Carvalho	e	Nakagawa	(2012,	apud	SILVA;	RIBEIRO,	2017),	é	essencial	
compreender	 o	processo	de	maturação	das	 sementes	para	determinar	 o	 seu	máximo	
potencial	 de	 germinação	 e	 vigor.	 É	 igualmente	 importante	 distinguir	 o	 momento	 da	
colheita	 da	 maturidade	 fisiológica.	 A	 maturação	 é	 um	 processo	 que	 envolve	 uma	
sequência	ordenada	de	mudanças	em	várias	características	das	sementes,	culminando	
na	maturidade,	enquanto	a	decisão	sobre	o	momento	da	colheita	é	baseada	em	uma	
análise	de	parâmetros	tecnológicos	e	econômicos,	como	explicado	por	Marcos	Filho	(2005	
apud	SILVA;	RIBEIRO,	2017).	Portanto,	existe,	alguns	parâmetros	tecnológicos	usados	para	
avaliar	e	medir	a	maturação	fisiológicas	das	sementes	que	serão	explicadas	a	seguir.	
76
Carvalho	e	Nakagawa	(2012	apud	SILVA;	RIBEIRO,	2017,	p.	5),	afirmam	que:
O	teor	de	água	de	uma	semente	determina	o	seu	nível	de	atividade	
metabólica.	Assim,	sendo	superior	a	variação	de	40-60%,	verifica-se	
a	protrusão	da	 raiz	pelo	fenômeno	da	germinação;	entre	18-20%	e	
40-60%	a	respiração	das	sementes,	dos	microrganismos	(fungos	e	
bactérias)	e	dos	insetos	é	elevada.
A	semente	tem	a	capacidade	de	absorver	ou	perder	água	devido	à	sua	propriedade	
higroscópica,	que	depende	da	umidade	do	ambiente	em	que	se	encontra.	Há	diferentes	
formas	de	água	nas	sementes:	a)	água	livre,	que	ocupa	espaços	intercelulares	e	poros	do	
material	através	de	forças	capilares;	b)	água	adsorvida,	que	fica	retida	no	sistema	molecular	
do	material	sólido	por	adesão	molecular;	c)	água	de	constituição	ou	composição,	que	faz	
parte	da	estrutura	molecular	e	é	quimicamente	presa	aos	componentes	das	sementes,	
constituindo	as	substâncias	de	reserva	(PESKE	et al.,	2006	apud	SILVA;	RIBEIRO,	2017).
A	 quantia	 de	 umidade	 tem	 um	 impacto	 significativo	 no	 comportamento	 das	
sementes	em	todas	as	etapas	da	produção,	desde	a	colheita	até	a	comercialização.	É	
importante	realizar	medições	regulares	do	nível	de	umidade	para	determinar	e	implementar	
procedimentos	adequados	que	evitem	ou	reduzam	os	danos	frequentes	que	ocorrem	nas	
sementes,	especialmente	durante	a	colheita	 (PESKE	et al.,	2006	apud	SILVA;	RIBEIRO,	
2017).
Um	parâmetro	crucial	é	a	massa	seca,	que	inclui	proteínas,	açúcares,	lipídios	e	
outras	substâncias	que	se	acumulam	durante	o	desenvolvimento.	Após	a	fertilização,	
o	acúmulo	de	matéria	seca	é	 lento,	devido	às	divisões	celulares	predominantes	e	ao	
aumento	significativo	no	número	de	células.	Posteriormente,	há	um	aumento	rápido	e	
contínuo	na	matéria	seca,	acompanhado	de	um	aumento	no	vigor	e	na	germinação,	até	
atingir	o	todo	(CARVALHO;	NAKAGAWA,	2000	apud SILVA;	RIBEIRO,	2017).
De	maneira	geral,	pode-se	estabelecer	que	a	qualidade	fisiológica	da	semente	é	
alcançada	quando	o	teor	de	matéria	seca	atinge	o	seu	máximo	(PESKE	et al.,	2006	apud 
Silva;	Ribeiro,	2017).	Esse	teor	é	mantido	por	um	período,	podendo	sofrer	uma	pequena	
redução	no	final	devido	às	perdas	resultantes	da	respiração	da	semente(CARVALHO;	
NAKAGAWA,	2000	apud SILVA;	RIBEIRO,	2017).
Contudo,	os	autores	enfatizam	que	o	teor	de	matéria	seca	não	deve	ser	o	único	
indicador	da	capacidade	máxima	de	germinação,	uma	vez	que	existem	evidências	de	
mudanças	fisiológicas	e	bioquímicas	na	semente,	mesmo	após	ter	alcançado	o	máximo	
de	conteúdo	de	matéria	seca	(SILVA;	RIBEIRO,	2017).
Mauad et al.	 (2013,	apud SILVA;	RIBEIRO,	2017)	descobriram	que,	no	caso	do	
crambe	(Crambe	abyssinica	L.),	as	folhas	contribuem	significativamente	para	a	produção	
de	matéria	 seca	 nas	 fases	 iniciais	 de	 desenvolvimento	 das	 plantas,	mas	 a	 partir	 do	
florescimento,	a	queda	dessas	folhas	é	pronunciada	e	a	contribuição	dos	caules	e	ramos	
77
aumenta.	Além	disso,	 a	produção	de	matéria	 seca	da	parte	aérea	das	plantas	e	dos	
frutos	é	baixa.	No	entanto,	devido	ao	ciclo	curto	e	à	rápida	transição	entre	as	fases	de	
florescimento	e	maturação	dos	frutos,	a	adubação	na	semeadura	é	crucial	para	obter	
rendimentos adequado.
Assim	sendo,	as	sementes	apresentam	um	rápido	crescimento	em	tamanho,	
alcançando	o	tamanho	máximo	em	um	curto	período	de	tempo	em	relação	ao	tempo	
total	de	maturação.	Após	atingir	o	tamanho	máximo,	esse	tamanho	é	mantido	por	um	
período,	e	no	final	do	processo	de	maturação,	há	uma	ligeira	redução,	que	varia	de	acordo	
com	a	espécie	e	corresponde	ao	período	de	rápida	e	intensa	desidratação (CARVALHO;	
NAKAGAWA,	2012 apud	SILVA;	RIBEIRO,	2017).
Conforme	 a	 revisão	 feita	 por	 Kaiser	et al.	 (2016,	apud	 SILVA;	 RIBEIRO,	 2017),	
o	 tamanho	 das	 sementes	 é	 uma	 característica	 que	 possui	 flexibilidade	 e	 pode	 ser	
modificado	dentro	das	populações,	plantas	individuais,	inflorescências	e	nos	frutos,	em	
decorrência	de	variações	ambientais	durante	o	amadurecimento,	influências	genéticas,	
taxa	de	polinização,	disponibilidade	de	nutrientes,	água,	luz	e	posição	do	fruto	na	planta.
O	vigor	das	sementes	é	uma	combinação	de	características	que	são	capazes	de	
ser	consideradas	como	atributos	independentes	do	potencial	fisiológico	das	sementes,	
tais	como	velocidade	de	germinação,	crescimento	da	plântula,	capacidade	de	germinar	
em	 temperaturas	 abaixo	 ou	 acima	 da	 ótima,	 e	 outras	 características	 relacionadas	 à	
tolerância	ao	estresse.	Devido	a	essa	complexidade,	não	é	possível	estabelecer	uma	
definição	 precisa	 para	 o	vigor,	 uma	vez	 que	muitos	 fatores	 estão	 envolvidos	 na	 sua	
composição	e	manifestação	(MARCOS	FILHO,	2015,	apud	SILVA;	RIBEIRO,	2017).
A	 revisão	 realizada	 por	 Peske	 et al.	 (2006,	 apud	 SILVA;	 RIBEIRO,	 2017),	
denominadas	"vigorosas"	são	as	sementes	que	possuem	bom	desempenho,	"sementes	
de	 baixo	vigor"	 são	 aquelas	 com	 desempenho	 fraco.	 Informações	 sobre	 o	vigor	 das	
sementes	são	complementares	às	obtidas	por	meio	do	teste	de	germinação.
Um	 dos	 principais	 objetivos	 dos	 testes	 de	 vigor	 é	 identificar	 discrepâncias	
na	 qualidade	 fisiológica	 entre	 lotes	 com	 alta	 taxa	 de	 germinação	 e	 diferenciar	 com	
confiabilidade	os	 lotes	de	alta	e	baixa	qualidade.	Conforme	o	processo	de	maturação	
ocorre,	o	vigor	das	sementes	varia,	alcançando	seu	ponto	máximo	quando	as	sementes	
atingem	a	máxima	acumulação	de	matéria	seca,	conforme	mencionado	por	Carvalho	e	
Nakagawa	(2012,	apud SILVA;	RIBEIRO,	2017).
A	qualidade	das	sementes	e	sua	capacidade	de	germinação	e	vigor	são	fatores	
cruciais	 para	 o	 sucesso	 da	 cultura	 no	 campo.	 Vários	 fatores	 podem	 afetar	 essas	
características,	incluindo	as	condições	ambientais	às	quais	as	sementes	estão	expostas	
após	a	maturação	(NONOGAKI;	BASSEL,	BEWLWY,	2010	apud	SILVA;	RIBEIRO,	2017).
78
Dessa	forma,	é	possível	observar	que	as	condições	ambientais	durante	a	formação	
das	 sementes	 têm	um	papel	 importante	 na	 determinação	 do	vigor	 dessas	 sementes.	
Compreender	esses	aspectos	é	crucial	para	entender	os	processos	de	germinação,	que	
serão	abordados	em	seguida	(SILVA;	RIBEIRO,	2017).
3 GERMINAÇÃO E DORMÊNCIA DAS SEMENTES
A	germinação	da	semente,	do	ponto	de	vista	fisiológico,	é	definida	como	o	evento	
que	se	inicia	com	a	embebição	de	água	pela	semente	e	é	finalizada	quando	parte	do	
eixo	embrionário,	a	radícula,	alonga-se	e	atravessa	as	estruturas	que	o	circundam.
Portanto,	são	os	eventos	que	ocorrem	desde	a	embebição	da	água,	pela	semente,	
até	a	protrusão	da	radícula.	Para	o	tecnologista	de	sementes,	a	germinação	é	definida	
como	sendo	o	momento	em	que	ocorre	a	formação	de	uma	plântula	normal,	ou	seja,	
quando	as	estruturas	essenciais	de	uma	plântula	estão	presentes	(raiz	primária,	hipocótilo,	
cotilédones,	epicótilo	e	plúmula).
3.1 GERMINAÇÃO 
A	 germinação	 pode	 ser	 definida	 como	 o	 processo	 biológico	 no	 qual	 o	 eixo	
embrionário	retoma	o	crescimento,	resultando	na	ruptura	do	tegumento	pela	radícula,	
segundo	a	perspectiva	botânica.	No	entanto,	para	os	profissionais	que	trabalham	com	
sementes,	a	germinação	é	considerada	como	tal	apenas	quando	as	plântulas	atingem	
um	tamanho	adequado	para	que	seja	possível	avaliar	a	normalidade	de	suas	partes	e	a	
capacidade	de	sobrevivência,	conforme	apontado	por	Labouriau	(1983	apud MORAES,	
2007).
As	espermatófitas,	 que	 são	plantas	que	produzem	sementes,	 contam	com	a	
semente	como	órgão	responsável	pela	sua	dispersão	e	perpetuação.	O	termo	"semente"	é	
utilizado	para	se	referir	a	um	óvulo	maduro	que	contém	um	eixo	embrionário	em	algum	
estágio	 de	 desenvolvimento,	 além	 de	 material	 de	 reserva	 alimentar,	 que	 raramente	
está	ausente,	e	um	envoltório	protetor	chamado	tegumento.	A	semente	desempenha	
funções	importantes	relacionadas	à	sobrevivência	e	à	dispersão	das	plantas,	mesmo	em	
condições	adversas	como	extremos	de	temperatura	(até	certo	limite)	e	seca	(DAMIÃO	
FILHO;	MÔRO	2001	apud MORAES,	2007).
Durante	a	maturação	da	semente,	o	embrião	começa	a	se	formar	a	partir	do	
momento	em	que	o	óvulo	é	fertilizado	e	continua	a	crescer	até	que	seu	desenvolvimento	
pare	 e	 o	 nível	 de	 umidade	diminua	 a	 um	ponto	 em	que	 a	 atividade	metabólica	 seja	
reduzida.	Nessa	fase,	a	semente	está	em	estado	de	quiescência,	já	que	normalmente	a	
quantidade	de	água	disponível	é	insuficiente	para	iniciar	a	germinação	(BORGES;	RENA,	
1993	apud	MORAES,	2007).
79
Quando	todas	as	condições	externas	e	internas	são	satisfeitas,	o	eixo	embrionário	
que	foi	interrompido	durante	a	fase	final	da	maturação	é	reiniciado	através	da	germinação.	
Em	 outras	 palavras,	 quando	 uma	 semente	 viável	 está	 em	 repouso,	 em	 estado	 de	
quiescência	ou	dormência,	o	crescimento	do	eixo	embrionário	ocorre	quando	todas	as	
condições	ambientais	e	intrínsecas	são	atendidas,	resultando	na	germinação.	Do	ponto	
de	vista	fisiológico,	a	germinação	pode	ser	vista	como	um	processo	de	sair	do	estado	de	
repouso	e	aumentar	a	atividade	metabólica	(BORGES;	RENA,	1993	apud	MORAES,	2007).
Embora	 não	 exista	 um	 teste	 universalmente	 reconhecido	 para	 avaliar	 o	
potencial	fisiológico	das	sementes	de	uma	espécie	ou	grupo	de	espécies,	a	germinação	
das	sementes	e	seu	impacto	no	desempenho	das	plantas	têm	sido	de	grande	interesse	
desde	a	descoberta	do	potencial	do	uso	de	sementes	para	multiplicação	de	plantas	e	o	
estabelecimento	da	agricultura	(MARCOS	FILHO,	2015	apud SILVA;	RIBEIRO,	2017).
De	 acordo	 com	 Carvalho	 e	 Nakagawa	 (2012	 apud	 SILVA;	 RIBEIRO,	 2017)	 é	
comum	 definir	 germinação	 como	 o	 processo	 pelo	 qual	 o	 eixo	 embrionário	 continua	
seu	desenvolvimento	sob	condições	apropriadas,	após	ter	sido	interrompido	durante	a	
maturação	fisiológica	das	sementes.	Em	um	ambiente	de	laboratório,	a	germinação	de	
sementes	é	avaliada	pela	emergência	e	desenvolvimento	das	estruturas	essenciais	do	
embrião,	o	que	demonstra	a	capacidade	da	semente	de	produzir	uma	planta	saudável	
sob	condições	favoráveis	no	campo	(BRASIL,	2009	apud	SILVA;	RIBEIRO,	2017).
De	 acordo	 com	 alguns	 autores,	 a	 definição	 de	 germinação	 inclui	 todos	 os	
processos	fisiológicos	que	ocorrem	antes	do	crescimento	visível	das	partes	do	embrião.	
Segundo	Nonogaki	et al.	(2010	apud	SILVA;	RIBEIRO,	2017),	a	germinaçãoé	um	processo	
complexo	 que	 frequentemente	 envolve	 a	 recuperação	 da	 semente	 após	 a	 secagem	
durante	a	maturação,	bem	como	a	restauração	do	metabolismo.	Em	algumas	espécies,	
é	necessário	superar	a	dormência	e	preparar	a	semente	para	completar	a	germinação.	
Como	 a	 germinação	 e	 as	 etapas	 pós-germinação	 são	 eventos	 distintos	 que	 ocorrem	
antes	e	depois	da	emergência	da	raiz	primária,	é	presumível	que	ocorram	mudanças	no	
metabolismo	durante	a	preparação	do	embrião	para	o	subsequente	estabelecimento	da	
plântula.
A	 dormência	 pode	 afetar	 a	 porcentagem	 de	 germinação	 em	 culturas	 anuais,	
levando	 a	 uma	 subestimação	 desse	 valor	 e	 também	 à	 emergência	 de	 plantas	 não	
desejadas	no	campo	após	anos	da	colheita.	Devido	às	diferentes	naturezas	da	germinação	
e	da	dormência,	o	resultado	do	teste	de	germinação	pode	ser	apenas	uma	aproximação	
do	estado	de	dormência	das	sementes	(SILVA;	RIBEIRO,	2017).
80
3.1.1 Fase de embebição
Muitas	espécies	apresentam	um	padrão	trifásico	durante	a	embebição	durante	
a	germinação (BEWLEY;	BLACK,	1994	apud SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
“Todavia,	vários	trabalhos	têm	mostrado	que	o	padrão	trifásico	nem	
sempre	é	observado.	Para	aquelas	que	 seguem	o	padrão	 trifásico,	
pode-se	descrever	que	a	fase	I	inicia-se	com	uma	rápida	embebição	
influenciada,	 principalmente,	 pelo	 potencial	 matricial	 (ψm)	 muito	
baixo	na	semente	seca.	As	matrizes	(paredes	celulares	e	componentes	
insolúveis	 na	 célula,	 como	 amido	 e	 algumas	 proteínas)	 absorvem	
água.	 O	 potencial	 para	 absorver	 água	 é	 o	 potencial	matricial,	 que	
puxa	a	água	para	dentro	da	semente.	Este	processo	é	físico,	ou	seja,	
ocorre	independentemente	de	a	semente	ser	viável	ou	dormente,	a	
não	ser	que	se	trate	de	dormência	 imposta	pela	 impermeabilidade	
do	tegumento”	(CARVALHO;	NAKAGAWA,	2012	apud SILVA;	OLIVEIRA;	
PEREIRA,	2018,	p.18).
A	segunda	fase,	em	geral,	é	mais	longa	do	que	a	primeira	e	é	marcada	por	um	
platô,	no	qual	a	entrada	de	água	na	semente	diminui	porque	as	células	da	semente	estão	
totalmente	túrgidas.	Isso	significa	que	a	quantidade	de	água	que	sai	das	células	é	igual	
à	quantidade	de	água	que	entra.	A	embebição	da	água	só	recomeça	após	a	protrusão	
da	radícula,	que	é	a	fase	III.	Nessa	fase,	o	crescimento	e	o	alongamento	celular	ajudam	
na	retomada	da	embebição	de	água.	É	somente	após	a	germinação,	com	a	protrusão	da	
radícula,	que	ocorrem	eventos	como	a	duplicação	do	DNA,	o	aumento	da	presença	de	
proteínas	do	ciclo	celular	e	a	degradação	de	reservas,	como	proteínas,	amido	e	lipídios,	
de	forma	mais	intensa	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
3.1.2 Metabolismo e tipos de germinação
Durante	 a	 embebição	 da	 semente,	 diversos	 eventos	 metabólicos	 acontecem	
simultaneamente.	 Segundo	 Bewley	 (1997	 apud SILVA;	 OLIVEIRA;	 PEREIRA,	 2018),	 o	
primeiro	evento	que	ocorre	quando	a	semente	entra	em	contato	com	a	água	é	a	lixiviação	
de	solutos.	A	partir	desse	momento,	a	semente	 inicia	processos	como	respiração,	síntese	
de	proteínas,	formação	de	mitocôndrias	e	alongamento	celular.	Esses	são	os	principais	
eventos	metabólicos	que	acontecem	nas	sementes	a	partir	da	embebição	até	a	protrusão	
radicular.
A	maneira	como	a	parte	aérea	é	exposta	à	superfície	pode	influenciar	a	emergência	
da	plântula,	que	pode	ser	classificada	como	epígea	ou	hipógea.	Na	germinação	epígea,	a	
parte	aérea	emerge	envolta	pelos	cotilédones	devido	ao	alongamento	do	hipocótilo.	Já	
na	germinação	hipógea,	o	epicótilo	cresce	rapidamente	e	a	plúmula	cresce	para	formar	
a	parte	aérea	(CARVALHO;	NAKAGAWA,	2012	apud	SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
81
Os	cotilédones	de	espécies	com	germinação	epígea	são	geralmente	
pequenos	 e	 pobres	 em	 nutrientes.	 Por	 isso,	 nestas	 espécies,	 o	
primeiro	 par	 de	 folhas	 encontra-se	 totalmente	 formado	 e	 dobrado	
entre	 os	 cotilédones	 que,	 quando	 emergem	 e	 abrem,	 expõem	 as	
folhas	 e	 permitem	 que	 estas	 iniciem	 a	 fotossíntese	 prontamente.	
Os	cotilédones	de	espécies	com	germinação	epígea	são	geralmente	
fotossinteticamente	ativos	e	contribuem	para	o	crescimento	 inicial	
da	 planta.	 Entretanto,	 porque	 os	 cotilédones	 estão	 posicionados	
acima	 do	 solo,	 estes	 são	 muito	 mais	 vulneráveis	 a	 danos	 como	
a	 geada	 ou	 ataque	 por	 herbívoros.	 Em	 geral,	 as	 plantas	 que	
apresentam	 germinação	 epígea	 precisam	 de	 nutrientes	 externos	
para	 se	 desenvolver,	 de	modo	 que	 são	mais	 frequentes	 em	 solos	
mais	 ricos.	 Estas	 espécies	 também	 precisam	 de	muita	 luz	 solar	 e	
são	 frequentemente	 encontradas	 em	 áreas	 de	 campos,	 borda	 de	
florestas	 ou	 como	 espécies	 pioneiras	 (PAROLIN	 et al.	 2003	 apud 
SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA;	2018,	p.	20).
As	plantas	que	têm	germinação	do	tipo	epígea	tendem	a	crescer	mais	rapida-
mente	do	que	as	hipógeas,	especialmente	nas	fases	iniciais	de	estabelecimento.	Isso	
ocorre	porque	o	primeiro	par	de	folhas,	localizado	entre	os	cotilédones,	se	abre	e	inicia	a	
fotossíntese.	Essas	plantas	são	comuns	em	áreas	alagáveis,	pois	sua	germinação	rápida	e	
desenvolvimento	inicial	acelerado	permitem	que	as	plântulas	se	estabeleçam	antes	da	
próxima	inundação,	um	processo	evolutivo	adaptativo.	Após	o	rápido	desenvolvimento	
inicial,	essas	plantas	crescem	mais	lentamente	do	que	as	de	germinação	hipógea	(SILVA,	
OLIVEIRA,	PEREIRA,	2018).
As	 sementes	 com	 germinação	 do	 tipo	 hipógea	 possuem	 cotilédones	 mais	
carnudos	e	ricos	em	nutrientes,	com	maiores	concentrações	de	carboidratos	e	proteínas,	
que	 são	 utilizados	 durante	 a	 germinação	 e	 no	 estabelecimento	 inicial	 da	 plântula,	
atuando	como	fonte	de	nutrientes	 (reserva).	Uma	das	vantagens	desses	cotilédones	
é	que,	por	ficarem	abaixo	do	solo,	eles	são	menos	vulneráveis	a	danos	causados	por	
geada	 e	 ataques	 de	 herbívoros.	 Diferentemente	 dos	 cotilédones	 das	 sementes	 com	
germinação	 epígea,	 os	 cotilédones	 das	 sementes	 com	germinação	hipógea	não	 são	
capazes	de	realizar	fotossíntese,	o	que	explica	esse	comportamento	(SILVA;	OLIVEIRA;	
PEREIRA,	2018).
Plantas	 originadas	 de	 sementes	 com	 germinação	 hipógea	
geralmente	 precisam	 de	 menos	 nutrientes	 para	 se	 desenvolver	 e	
são	 frequentemente	 encontradas	 em	 solos	 pobres.	 Espécies	 que	
produzem	sementes	com	germinação	hipógea	também	necessitam	
de	menos	 luz	 para	 se	 estabelecer	 e,	 por	 isso,	 são	 encontradas	no	
interior	de	florestas	onde	a	competição	por	 luz	é	mais	 intensa.	Tais	
plantas	estabelecem-se	mais	 lentamente,	entretanto	elas	crescem	
mais	rápido	do	que	plantas	originadas	de	sementes	com	germinação	
epígea,	após	a	fase	de	estabelecimento	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	
2018,	p.	20).	
No	Quadro	1,	podemos	observar	alguns	exemplos	de	espécies	que	apresentam	
germinação	epígea	e	germinação	hipógea.
82
Quadro 1 – Exemplos de espécies em função da germinação
Germinação Epígea Germinação Hopógea
Annonaceae Arecaceae
Araticun	(Annona crassiflora) Açaí	(Euterpe oleraceae)
Graviola	(Annona muricata) Araucariaceae
Fabaceae Pinheiro	do	Paraná	(Araucaria angustifólia)
Jacarandá-violeta	(Dalbergia cearensis) Clusiaceae
Sesbânia	(Sesbania virgata) Bacuri	(Platonia insignis)
Euphorbiaceae Myrtaceae
Purga-de-lagarto	(Jatropha elliptica) Batinga	(Eugenia rostrifolia)
Myrtaceae Araçá-boi	(Eugenia stipitata)
Guabiroba	(Campomanesia xanthocarpa) Sterculiaceae
Araçá-pêra	(Psidium acutangulum) Cupuaçu	(Theobroma grandiflorum)
Rubiaceae
Jenipapo	(Genipa americana)
Fonte: adaptado de Añez et al. (2005), Araújo et al. (2004), Carvalho et al. (1998), Nogueira et al. (2010), 
Santos et al.(2004), Rosa et al. (2005) apud Silva; Oliveira; Pereira (2018, p. 21)
3.1.3 Tolerância das sementes à dessecação
A	 escassez	 de	 água	 é	 o	 principal	 fator	 limitante	 nos	 sistemas	 biológicos.	 As	
moléculas	 de	 água	 são	 predominantes	 no	 volume	 celular	 tanto	 de	 plantas	 quanto	
de	outros	organismos.	Devido	às	 suas	propriedades,	 essas	moléculas	 são	cruciais	 em	
reações	químicas	e	para	manter	a	estabilidade	de	proteínas,DNA,	lipídios	e	membranas.	A	
sobrevivência	de	diferentes	organismos	em	condições	de	falta	ou	quantidades	reduzidas	
de	água	ainda	é	um	tema	em	aberto	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
Antonie	van	Leeuwenhoek	foi	o	primeiro	a	observar	esse	fenômeno	e	documentou	
seus	 achados	 em	 uma	 série	 de	 cartas	 e	 anotações	 (KEIIJN,	 1959	 citado	 em	 SILVA,	
OLIVEIRA,	PEREIRA,	2018).	Em	seus	estudos,	Leeuwenhoek	relatou	o	comportamento	
de	certos	"animálculos"	(que	hoje	sabemos	ser	micro-organismos)	quando	submetidos	
a	desidratação	e	reidratação	(KEIIJN,	1959	apud	SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
após	 derramar	 água	 neste	 sedimento	 seco,	 vários	 animálculos	
desdobravam	seus	corpos	secos	e	‘voltavam’	à	vida.	Ele	repetiu	estes	
experimentos	 muitas	 vezes	 com	 o	 mesmo	 sucesso	 e	 até	 mesmo	
animálculos	que	estavam	em	um	sedimento	seco,	que	foi	mantido	
em	 seu	 escritório	 durante	 meses,	 foram	 capazes	 de	 recuperar	 a	
vida	 após	 serem	 reidratados.	 Posteriormente,	 esse	mecanismo	 de	
sobrevivência	no	estado	seco	foi	batizado	como	anidrobiose	(vida	sem	
água)	e	os	organismos	capazes	de	ativar	os	mecanismos	necessários	
para	sobreviver	em	tais	condições	são	classificados	como	organismos	
83
tolerantes	à	dessecação.De	forma	mais	técnica,	uma	das	definições	
mais	aceitas	de	tolerância	à	dessecação	é	a	que	a	descreve	como	a	
capacidade	que	determinados	organismos	possuem	para	 lidar	com	
a	 perda	 da	 quase	 totalidade	 da	 água	 em	 seus	 tecidos,	 atingindo	
conteúdos	de	água	abaixo	de	0,1	g	de	H2O	por	grama	de	massa	seca	
(cerca	de	9%	em	base	úmida)	e	a	subsequente	re-hidratação,	sem	
que	haja	acúmulo	de	danos	letais	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018,	
p.	21-22).
Tolerância	à	dessecação	e	tolerância	à	seca	são	conceitos	distintos.	Tolerância	
à	dessecação	refere-se	à	habilidade	de	suportar	a	remoção	quase	completa	da	água	
celular,	substituindo-a	por	moléculas	protetoras	e	outras	capazes	de	formar	 ligações	
de	hidrogênio,	que	irão	assumir	as	funções	desempenhadas	pela	água	em	relação	aos	
diversos	componentes	celulares.	Em	contrapartida,	tolerância	à	seca	é	a	capacidade	de	
suportar	a	desidratação	moderada,	até	aproximadamente	0,3	g	de	H2O	por	grama	de	
massa	seca	(cerca	de	23%	em	base	úmida)	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).	
O	 termo	 "seca"	 é	 comumente	 usado	para	 se	 referir	 a	 um	 tipo	 temporário	 de	
estresse	em	que	o	organismo	mantém	a	maioria	de	suas	funções	fisiológicas,	como	o	
fechamento	de	estômatos	ou	o	acúmulo	de	solutos,	para	evitar	a	perda	de	água.	No	
entanto,	se	a	seca	persistir	por	um	período	prolongado,	organismos	capazes	de	tolerar	
a	escassez	de	água	acabarão	morrendo	devido	ao	esgotamento	de	energia	necessário	
para	sobreviver	sob	o	estresse	hídrico (SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
A	 capacidade	 de	 tolerar	 a	 dessecação	 está	 estreitamente	 relacionada	 à	
longevidade	das	sementes.	Para	ser	considerado	tolerante	à	dessecação,	um	organismo	
deve	ser	capaz	de	sobreviver	no	estado	seco	por	períodos	que	podem	variar	de	dias	a	
séculos.	Plantas	que	possuem	essa	característica	não	necessariamente	evitam	a	perda	
de	água,	mas,	em	vez	disso,	lidam	com	a	desidratação	de	suas	células	e	tecidos.	Elas	se	
equipam	com	moléculas	protetoras	e	entram	em	um	estado	metabolicamente	inativo,	
permitindo	assim	o	armazenamento	por	longos	períodos,	seja	em	condições	alteradas	
pelo	homem	ou	na	natureza,	como	em	solos	(GAFF	&	OLIVER	2013;	OLIVER	et al.	2000	
apud SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
Considera-se	que	essa	característica	tenha	surgido	pela	primeira	vez	quando	algas	
unicelulares	começaram	a	colonizar	as	zonas	entremarés,	em	suas	primeiras	tentativas	
de	adaptação	a	ambientes	terrestres.	Essas	algas	apresentaram	os	prováveis	precursores	
das	briófitas	e	traqueófitas	terrestres,	que	desenvolveram	ainda	mais	a	capacidade	de	
tolerar	a	dessecação	em	suas	estruturas	vegetativas	e	reprodutivas.	Conforme	ocorreu	
o	surgimento	da	vascularização	e	outras	estruturas,	como	estômatos	e	folhas	com	uma	
camada	 protetora	 de	 cera,	 a	 tolerância	 à	 dessecação	 foi	 perdida	 ou	 desativada	 nos	
tecidos	vegetativos	e	mantida	em	esporos,	pólen	e,	posteriormente,	em	sementes	(GAFF	
&	OLIVER	2013;	OLIVER	et al.	2000	apud SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
84
Uma	 ampla	 variedade	 de	 organismos,	 incluindo	 bactérias,	 algas,	 musgos,	
samambaias,	 plantas	 superiores,	 fungos,	 nematoides,	 tardigrados,	 esporos,	 pólen	 e	
formas	 císticas,	 desenvolveram	 a	 capacidade	 de	 tolerar	 a	 dessecação	 devido	 à	 sua	
importância	 adaptativa.	 Para	 ser	 capaz	 de	 sobreviver	 à	 dessecação,	 os	 organismos	
empregam	respostas	complexas	que	envolvem	a	percepção	e	transdução	de	sinais	de	
estresse	e	desenvolvimento,	a	modificação	da	composição	das	paredes	celulares,	órgãos	
e	organelas,	o	acúmulo	de	macromoléculas	protetoras	e	a	remoção	de	espécies	reativas	de	
oxigênio	(ERO).	Além	disso,	a	tolerância	à	dessecação	exige	a	desativação	coordenada	do	
metabolismo	e	a	presença	de	mecanismos	de	proteção	e	reparo	para	suportar	os	danos	
causados	pela	reidratação.	A	tolerância	à	dessecação	é	uma	característica	fundamental	
para	a	sobrevivência	desses	organismos	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
Segundo	 Roberts	 (1973	 apud	 SILVA;	 OLIVEIRA;	 PEREIRA,	 2018),	 as	 sementes	
ortodoxas,	também	conhecidas	como	tolerantes	à	dessecação,	desenvolvem	a	capacidade	
de	 tolerar	 a	 falta	 de	 água	 durante	 sua	 formação	 através	 da	 ativação	 de	 programas	
genéticos	expressos	durante	o	desenvolvimento	do	embrião.	Ainda	não	se	compreende	
completamente	os	mecanismos	de	sinalização	que	coordenam	essa	tolerância,	porém,	
alguns	estudos	sugerem	que	a	alteração	nas	concentrações	endógenas	de	ácido	abscísico	
(ABA)	em	resposta	à	desidratação	é	necessária	para	a	aquisição	dessa	habilidade	(SILVA;	
OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
De	acordo	com	Silva,	Oliveira	e	Pereira	 (2018),	as	concentrações	de	ABA	são	
capazes	de	variar	consideravelmente	durante	o	desenvolvimento	das	sementes	ou	em	
resposta	a	situações	de	estresse,	e	geralmente,	níveis	mais	elevados	de	ABA,	sejam	em	
resposta	ao	estresse	hídrico	ou	ao	 longo	do	desenvolvimento,	estão	associados	com	
um	aumento	na	capacidade	de	tolerar	a	dessecação.	Durante	o	desenvolvimento	da	
semente,	o	teor	de	ABA	em	diferentes	tecidos	pode	aumentar	substancialmente	e	isso	
coincide	com	a	acumulação	de	reservas	na	semente,	como	açúcares	e	proteínas	LEA	
(Late Embryogenesis Abundant),	 bem	como	com	o	desenvolvimento	da	 tolerância	 à	
dessecação,	o	que	sugere	uma	possível	relação	entre	altos	teores	de	ABA	e	a	capacidade	
de	tolerância	à	dessecação.
Ainda	que	existem	evidências	que	relacionam	o	aumento	do	conteúdo	de	ABA	
à	obtenção	da	tolerância	à	dessecação,	não	há	provas	conclusivas	desse	mecanismo.	
Além	disso,	outros	fatores,	como	a	ciclagem	(síntese	-	degradação	-	conjugação)	do	
ABA	e	a	sensibilidade	ao	hormônio,	também	podem	ser	importantes	para	a	expressão	da	
tolerância	à	dessecação.	Recentemente,	foi	constatado	que	o	ABA	é	necessário	para	o	
funcionamento	do	transcriptoma	e	proteoma	envolvidos	na	tolerância	à	dessecação	em	
sementes de Arabidopsis,	e	que	o	aumento	da	sensibilidade	ao	ABA,	em	vez	do	aumento	
do	seu	conteúdo,	é	responsável	pela	ativação	da	tolerância	à	dessecação.	Em	um	estudo	
semelhante,	foi	mostrado	que	sementes	de	mutantes	com	menor	sensibilidade	ao	ABA	
são	menos	capazes	de	 reativar	mecanismos	 relacionados	à	tolerância	à	dessecação,	
mesmo	quando	o	ABA	é	aplicado	exogenamente,	o	que	sustenta	essa	hipótese	(MAIA	et 
al.,	2014	apud	SILVA,	OLIVEIRA,	PEREIRA,	2018).
85
A	 obtenção	 da	 tolerância	 à	 dessecação	 em	 sementes	 normalmente	 começa	
durante	 o	 acúmulo	 de	 reservas	 e	 é	 adquirida	 um	 pouco	 antes	 da	 dormência.	 Essa	
tolerância	é	completamente	estabelecida	 imediatamente	antes	da	fase	de	secagem,	
que	ocorre	no	final	da	fase	de	maturação	da	semente	(BEWLEY	et al.	2013	apud	SILVA,	
OLIVEIRA,	PEREIRA,	2018).	
As	 plantas	 mais	 cultivadas,	 tais	 como	 arroz,	 trigo,	 milho,	 cevada,	
soja	 e	 feijão,	 produzemsementes	 tolerantes.	 Dentre	 a	 diversidade	
de	 espécies	 arbóreas	 nativas	 as	 quais	 possuem	 importância	 para	
a	 atividade	 humana,	 a	 copaíba	 (Copaifera langsdorffii),	 a	 candeia	
(Eremanthus erythropappus),	a	sesbânia	(Sesbania virgada),	o	cedro	
(Cedrela fissilis),	 a	 sucupira	 preta	 (Bowdichia virgilioides)	 e	 muitas	
outras	 espécies	 produzem	 sementes	 ortodoxas.	 No	 entanto,	 um	
grande	número	de	espécies	não	cultivadas,	particularmente	de	áreas	
de	clima	úmido,	produzem	sementes	sensíveis	à	dessecação	(também	
chamadas	recalcitrantes)	que	são	de	difícil	armazenamento.	De	modo	
geral,	sementes	recalcitrantes	são	dispersas	com	conteúdo	de	água	
elevado	e	com	longevidade	muito	limitada	(ROBERTS	1973;	BERJAK;	
PAMMENTER,	2008	apud	SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018,	p.	23-24).	
Cerca	de	20	a	25%	das	plantas	com	sementes	produzem	sementes	não	ortodoxas,	
mas	em	ecossistemas	úmidos,	como	as	florestas	tropicais,	esse	número	pode	chegar	a	
quase	50%.	 Isso	torna	a	conservação	ex	situ	dessas	espécies	difícil	ou	até	 impossível,	
mesmo	a	curto	prazo	 (WALTERS	et	al.,	 2013	apud	Silva,	Oliveira,	Pereira,	2018).	Muitos	
estudos	têm	sido	conduzidos	para	classificar	as	sementes	de	espécies	nativas	em	relação	
à	sua	tolerância	à	dessecação	(JOSÉ	et al.,	2012	apud SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018),	
e	eles	têm	identificado	um	número	considerável	de	espécies	arbóreas	classificadas	como	
recalcitrantes.	Medeiros	e	Eira	(2006	apud	SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018)	destacaram	
que,	entre	as	82	espécies	mencionadas,	22	são	classificadas	como	"não	tolerantes"	ou	
recalcitrantes.
Dentre	essa	vasta	diversidade	de	espécies	que	produzem	sementes	
recalcitrantes,	 algumas	 plantas	 economicamente	 importantes	
são	 o	 abacate	 (Persea	 americana),	 o	 cacau	 (Theobroma cacao),	 a	
manga	 (Mangifera indica),	 a	 lichia	 (Litchi chinensis),	 a	 seringueira	
(Hevea brasiliensis),	 o	 palmito	 juçara	 (Euterpe edulis),	 a	 pitangueira	
(Eugenia uniflora),	a	grumixameira	(Eugenia brasiliensis),	o	guanandi	
(Calophyllum brasiliense),	Eugenia handroana,	 o	 guamirim,	Cupania 
vernalis,	 o	 camboatã,	 e	 Calyptranthes lucida,	 também	 conhecido	
popularmente	como	guamirim	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018,	p.	24).	
Durante	muito	tempo,	a	capacidade	de	vários	organismos	de	sobreviverem	à	
dessecação	foi	considerada	um	evento	biológico	comum	e	pouco	valorizado.	No	entanto,	
desde	o	final	dos	anos	1970,	houve	um	aumento	na	pesquisa	científica	em	áreas	como	
fisiologia,	física,	biofísica	e,	mais	 recentemente,	genética	de	organismos	tolerantes	à	
dessecação.	Atualmente,	muitos	 pesquisadores	 de	 diversas	 áreas	 estão	 trabalhando	
juntos	para	entender	a	tolerância	à	dessecação	não	apenas	em	plantas,	mas	também	
em	bactérias,	leveduras,	fungos,	vermes,	artrópodes	e	até	mesmo	em	células	humanas.	
Esses	 esforços	 conjuntos	 têm	 avançado	 nossa	 compreensão	 de	 como	 os	 sistemas	
vivos	lidam	com	a	falta	de	água	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
86
Além	 disso,	 existem	muitos	 exemplos	 de	 aplicação	 prática	 desse	 conhecimento,	
como	 a	 estabilização	 de	 biomoléculas	 e	 células	 eucarióticas	 em	 condições	 in vitro,	
que	já	foram	comprovados.	Com	essas	descobertas,	juntamente	com	o	surgimento	de	
tecnologias	de	alto	rendimento	e	a	redução	dos	custos	de	sequenciamento	de	DNA	e	
identificação	de	proteínas,	estamos	vivenciando	um	momento	único	em	que	podemos	
investigar	 profundamente	 os	 mecanismos	 moleculares	 envolvidos	 na	 tolerância	 à	
dessecação	e,	assim,	programar	ou	reativar	esses	mecanismos	em	organismos	sensíveis	
à	seca.	Isso	nos	permitirá	prevenir	os	possíveis	impactos	causados	pelo	aquecimento	
global	no	clima	do	planeta	e,	consequentemente,	na	segurança	alimentar	(SILVA;	OLIVEIRA;	
PEREIRA,	2018).
3.1.4 Fatores que afetam a germinação
A	germinação	das	sementes	é	um	fenômeno	que	necessita	da	interação	de	vários	
fatores,	sendo	eles	externos	e	internos	os	quais,	em	conjunto,	atuarão	na	ativação	de	suas	
propriedades	metabólicas.	Dentre,	estes,	a	água	é	primordial,	O	processo	de	germinação	
começa	com	a	absorção	de	água	por	embebição,	uma	vez	que	isso	é	necessário	para	que	
a	semente	atinja	o	nível	apropriado	de	hidratação	que	permita	a	retomada	dos	processos	
metabólicos.	A	umidade	adequada	é	variável	entre	as	espécies,	ou	seja,	a	quantidade	de	
água	necessária	à	embebição	será	diferente	de	acordo	com	cada	necessidade	fisiológica	
das	espécies,	sendo	também	moldada	pela	composição	química	destas	(YAP,	1981	apud 
MORAES,	2007).
De	acordo	com	Yap	(1981	apud	MORAES,	2007),	as	sementes	de	Shorea materialis 
germinaram	imediatamente	após	a	embebição	com	uma	pequena	quantidade	de	água,	
enquanto as de Shorea roxburghii	precisaram	de	um	teor	de	água	mais	alto.	O	processo	
de	embebição	pode	ser	dividido	em	três	etapas,	conforme	observado	por	Ching	(1972	
apud	MORAES,	2007).	A	primeira	etapa	é	rápida	e	envolve	um	processo	puramente	físico,	
em	que	a	água	entra	na	semente	por	adsorção.	Essa	etapa	é	independente	de	inibidores	
de	germinação	e	é	observada	em	todas	as	sementes,	vivas	ou	mortas.	A	segunda	etapa	
é	mais	lenta	e	é	a	principal	responsável	pelo	tempo	necessário	para	a	germinação	da	
semente.	Por	fim,	a	terceira	etapa	é	rápida.	A	embebição	é	influenciada	pela	natureza	do	
tegumento,	pela	composição	química	e	tamanho	da	semente	e	pela	temperatura.
O	processo	de	germinação	é	 influenciado	pela	presença	de	água,	que	age	no	
tegumento	da	semente,	tornando-o	mais	flexível	e	permitindo	a	entrada	de	oxigênio	e	
a	transferência	de	nutrientes	solúveis	para	as	diferentes	partes	da	semente	 (TOLEDO;	
MARCOS	FILHO,	1977	apud	MORAES	2007).	A	quantidade	de	água	absorvida	pode	variar	
conforme	a	espécie	da	semente	e	a	temperatura	ambiente,	podendo	levar	desde	alguns	
minutos	até	dias	para	completar	o	processo	de	embebição	(CHING,	1972	apud	MORAES,	
2007).
87
Excesso	de	água	pode	prejudicar	a	germinação,	uma	vez	que	dificulta	a	entrada	
de	oxigênio	e	reduz	todo	o	processo	metabólico	resultante.	Opea odorata,	por	exemplo,	
teve	a	infestação	por	fungos	e	a	redução	na	viabilidade	das	sementes	quando	exposta	
ao	excesso	de	água	(YAP,	1981	apud	MORAES	2007).	Por	outro	 lado,	a	deficiência	de	
água	também	pode	ser	prejudicial	 à	germinação,	pois	a	 semente	não	será	capaz	de	
manter	 o	metabolismo	adequado.	 Em	estudos	 realizados	 com	sementes	de	Populus 
tremuloides,	germinaram	bem	quando	submetidas	a	potenciais	hídricos	superiores	a	
-0,2	Mpa,	porém	foi	observado	que	a	germinação	foi	fortemente	reduzida	em	potenciais	
hídricos	de	-0,4	MPa	e	eliminada	a	-0,78	MPa,	tanto	em	condições	de	campo	quanto	de	
laboratório	(McDONOUGH,	1979	apud MORAES,	2007).
Ao	considerar	a	germinação	como	um	processo	resultante	de	reações	bioquímicas,	
pode-se	observar	que	a	temperatura	desempenha	um	papel	crucial.	Como	acontece	em	
qualquer	 reação	química,	existe	uma	temperatura	 ideal	para	a	qual	o	processo	ocorre	
de	maneira	mais	rápida	e	eficiente,	enquanto	temperaturas	abaixo	ou	acima	dos	limites	
máximo	e	mínimo,	respectivamente,	resultam	em	germinação	nula.	É	importante	destacar	
que	 essa	 faixa	 de	 temperatura	 varia	 entre	 diferentes	 espécies,	 e	 que	 temperaturas	
extremas	podem	 levar	à	morte	da	semente	ou	à	dormência	térmica.	Geralmente,	uma	
faixa	de	20	a	30	ºC	é	adequada	para	a	germinação	de	muitas	espécies	subtropicais	e	
tropicais.	Conforme	a	semente	envelhece,	suas	necessidades	de	temperatura	se	tornam	
mais	específicas	para	que	ocorra	a	germinação	(BEWLEY;	BLACK,	1994	apud MORAES,	2007	).
A	temperatura	adequada	para	a	germinação	de	sementes	de	espécies	
arbóreas	nativas	vem	sendo	determinada	por	muitos	pesquisadores.	
Como	 exemplo,	 foram	 definidas	 como	 ótimas	 para	 germinação,	 a	
temperatura	 de	 25	 ºC	 para	 sementes	 de	 Stevia rebaudiana Bert.	
(RANDI;	FELIPE,	1981),	as	de	30	e	35	ºC	para	sementes	de	Prosopis 
juliflora	 (Sw.)	DC.	 (PEREZ;	MORAES,	1990),	e	as	de	25	e	30	ºC	para	
sementes de Mabea fistulifera	 Mart.	 (LEAL	 FILHO;	 BORGES,	 1992),	
dentre	outros	exemplos	(MORAES,	2007,	p.	7).No	que	diz	 respeito	ao	processo	de	germinação	em	espécies	fotossensíveis,	é	
possível	encontrar	sementes	que	germinam	imediatamente	após	breve	exposição	à	luz,	
enquanto	outras	precisam	de	um	período	mais	longo	de	iluminação	e	há	ainda	aquelas	
que	só	germinam	na	escuridão	 (VIDAVER,	 1980	apud MORAES	2007).	Adicionalmente,	
há	 sementes	 que	 não	 são	 afetadas	 pela	 luz,	 podendo	 germinar	 tanto	 em	 ambientes	
iluminados	quanto	escuros	(VAZQUEZ-YANES;	OROZCO-SEGOVIA,	1991	apud	MORAES,	2007).
Ao	considerar	a	germinação	de	sementes	sensíveis	à	luz,	é	importante	lembrar	
que	a	sensibilidade	das	sementes	à	 iluminação	pode	ser	alterada	por	diversos	fatores,	
como	temperatura,	 idade	das	 sementes,	 condições	de	armazenamento,	 tratamentos	
para	superar	a	dormência	e	condições	de	cultivo	da	planta.	A	luz	pode	desempenhar	um	
papel	crucial	na	quebra	da	dormência	em	sementes,	e	seus	efeitos	podem	ser	afetados	
pela	temperatura	(FERREIRA;	BORGHETTI,	2004	apud	MORAES,	2007).
88
Algumas	sementes	apresentam	tegumentos	que	são	 impermeáveis	ao	oxigênio	
ou	 ao	 dióxido	 de	 carbono,	 o	 que	 impede	 a	 troca	 gasosa	 e,	 consequentemente,	 a	
germinação	das	sementes.	O	oxigênio	é	um	componente	essencial	para	a	 realização	
de	reações	metabólicas	importantes	na	semente,	especialmente	para	a	respiração.	Embora	
a	 respiração	 durante	 os	 primeiros	 estágios	 da	 germinação	 seja	 predominantemente	
anaeróbica,	logo	se	torna	inteiramente	dependente	do	oxigênio	(BORGES	&	RENA,	1993	
apud MORAES,	2007).
Diversos	fatores	podem	afetar	a	respiração	das	sementes,	 incluindo	o	tipo	de	
tegumento,	o	teor	de	água,	a	temperatura,	a	concentração	de	dióxido	de	carbono,	a	
dormência	e	a	presença	de	fungos	e	bactérias.	Antes	da	quebra	do	tegumento	pela	
radícula,	 as	 reações	 metabólicas	 ocorrem	 em	 um	 ambiente	 anaeróbico.	 Durante	 a	
primeira	fase	de	absorção	de	água,	a	disponibilidade	de	oxigênio	não	é	um	fator	limitante.	
Entretanto,	a	emergência	da	radícula	e	a	dependência	da	respiração	aeróbica	ocorrem	
na	segunda	fase	de	absorção	de	água	(BORGES;	RENA,	1993	apud	MORAES,	2007).
Os	hormônios	vegetais	e	as	substâncias	inibidoras	hormonais	são	fatores	internos	
cruciais	que	atuam	como	reguladores	da	germinação	das	sementes	(MORAES	2007).
O	 ácido	 abscísico	 (AAb)	 é	 amplamente	 reconhecido	 como	 o	 principal	 inibidor	
hormonal,	possivelmente	o	único.	Embora	sua	localização	nas	sementes	seja	variável,	os	
tegumentos	podem	bloquear	a	germinação	ao	fornecer	inibidores.	As	barreiras	impostas	
pelos	envoltórios	das	sementes	ao	embrião	exigem	uma	pressão	de	crescimento	para	
que	possam	ser	 penetradas.	A	 capacidade	de	 crescimento	do	eixo	 embrionário	 está	
relacionada	 a	 vários	 fatores,	 incluindo	 a	 redução	 da	 concentração	 de	 inibidores	 na	
semente	e/ou	o	aumento	da	concentração	de	agentes	que	promovem	a	germinação	
nos	tecidos	(FERREIRA;	BORGHETTI,	2004	apud	MORAES,	2007).
O	 uso	 de	 determinados	 compostos	 químicos	 e	 o	 pré-resfriamento	 têm	 se	
mostrado	 eficazes	 na	 estimulação	 da	 germinação	 em	 algumas	 espécies.	 Além	 das	
giberelinas,	 outras	 substâncias	 também	 demonstraram	 efeitos	 semelhantes	 na	
germinação	de	várias	espécies.	É	possível	que	as	citocininas	estejam	relacionadas	ao	
crescimento	da	 radícula	durante	a	germinação.	Provavelmente,	existe	uma	 interação	
entre	as	citocininas,	giberelinas,	 inibidores	e	germinação/dormência,	e	o	processo	de	
germinação	é	 resultado	do	equilíbrio	 entre	esses	 fatores	 (MORAES,	2007).	Conforme	
relata	Moraes	(2007,	p.9):
a concentração e a duração do tratamento dependem da espécie 
a	 ser	 tratada,	 e	 a	 principal	 vantagem	 desses	 compostos	 químicos	
é	a	facilidade	de	utilização	e	a	 rapidez	na	obtenção	de	 resultados.	
Embora	tenham	sido	observadas	mudanças	nos	níveis	de	promotores	
do	crescimento	(giberelinas	e	citocininas)	e	inibidores	nas	sementes,	
o	 papel	 dessas	 substâncias	 na	 germinação	 ainda	 é	 motivo	 de	
controvérsia	(BORGES;	RENA,	1993).	Pré-embebição	de	sementes	de	
Nothofagus obliqua e Nothofagus procera,	em	GA3	200	ppm,	reduziu	
o	tempo	de	germinação	de	28	para	oito	e	seis	dias,	respectivamente.
89
3.2 DORMÊNCIA DAS SEMENTES
Conforme	 Bewley	 (1997	 apud	 SILVA;	 OLIVEIRA;	 PEREIRA,	 2018),	 quando	 uma	
semente	intacta	e	viável	não	consegue	germinar	em	condições	aparentemente	favoráveis,	
isso	 pode	 ser	 interpretado	 como	 dormência.	 Já	 Laboriau	 (1983	 apud	 SILVA;	 OLIVEIRA;	
PEREIRA,	2018)	define	dormência	de	sementes	como	uma	condição	negativa	em	que	a	
germinação	 não	 ocorre,	 mesmo	 em	 condições	 ambientais	 normalmente	 adequadas	
ou	 favoráveis.	 Portanto,	 dormência	 de	 sementes	 é	 um	 fenômeno	 que	 leva	 à	 ausência	
temporária	ou	à	germinação	lenta	de	sementes	viáveis,	apesar	das	condições	ambientais	
serem	propícias	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
3.2.1 As sementes apresentam diferentes tipos de dormência
Durante	a	fase	de	maturação,	a	dormência	primária	é	estabelecida,	fazendo	com	
que	a	semente	seja	 liberada	 já	em	um	estado	dormente	e	necessitando	de	condições	
especiais	 para	 que	 a	 germinação	 ocorra.	 Embora	 algumas	 sementes	 possam	 ter	 a	
capacidade	 de	 germinar	 logo	 após	 a	 maturação,	 a	 maioria	 das	 espécies	 apresenta	
mecanismos	que	limitam	o	crescimento	do	embrião	e	impedem	a	germinação	enquanto	a	
semente	ainda	está	na	planta-mãe	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
A	dormência	primária	é	definida	pela	persistência	de	fatores	que	restringem	a	
germinação	das	sementes.	Dois	hormônios	vegetais,	ácido	abscísico	(ABA)	e	giberelinas	
(GA),	 regulam	 a	 dormência	 das	 sementes,	 onde	 ABA	 é	 responsável	 pela	 indução	 e	
manutenção	da	dormência	e	pela	 inibição	da	germinação,	enquanto	GA	neutraliza	os	
efeitos	inibitórios	do	ABA,	promovendo	a	germinação.	O	estado	dormente	é	caracterizado	
por	um	equilíbrio	entre	a	biossíntese	e	o	catabolismo	desses	hormônios,	ao	 invés	de	
uma	quantidade	absoluta.	Além	disso,	a	dormência	primária	não	é	apenas	determinada	
pelo	genótipo	da	planta,	mas	também	pelas	condições	ambientais	durante	a	maturação,	
como	a	posição	da	flor	ou	da	inflorescência,	a	posição	da	semente	no	fruto	e	a	idade	
da	 planta	mãe	 durante	 a	 indução	 floral	 ou	 a	maturação	 da	 semente.	 Esses	 fatores	
influenciam	diretamente	o	grau	de	dormência	das	sementes,	afetando	sua	capacidade	
de	germinação	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
A	 dormência	 primária	 possui	 duas	 funções	 básicas:	 a	 primeira	 é	 prevenir	 a	
germinação	prematura	das	sementes	durante	o	processo	de	maturação,	enquanto	a	
segunda	é	promover	uma	distribuição	temporal	da	germinação	das	sementes,	impedindo	
que	todas	elas	germinem	simultaneamente.	Essa	estratégia	aumenta	as	chances	de	
sobrevivência	da	espécie,	mas	dificulta	sua	propagação,	uma	vez	que	a	germinação	das	
sementes	pode	levar	muito	tempo	para	ocorrer	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
90
A	dormência	 secundária	 é	 um	processo	que	 ocorre	 após	 a	 disseminação	da	
semente,	podendo	afetar	sementes	que	anteriormente	não	eram	dormentes	ou	que	 já	
tinham	superado	a	dormência	primária.	Embora	a	literatura	ainda	não	tenha	esclarecido	
completamente	a	dormência	secundária,	sabe-se	que	as	sementes	que	a	apresentam	
podem	germinar	 normalmente,	mas	 podem	entrar	 em	estado	 de	 dormência	 quando	
expostas	 a	 condições	ambientais	desfavoráveis.	De	acordo	com	Hilhorst	 (1998	apud	
Silva;	Oliveira;	Pereira,	2018),	durante	o	processo	de	germinação,	pode	ocorrer	que	as	
sementes	passem	por	"ciclos	de	dormência"	devido	à	ocorrência	sucessiva	de	indução	
e	superação	da	dormência	secundária,	dependendo	das	variações	ambientais,	até	que	as	
condições	se	tornem	favoráveis	para	a	germinação	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
3.2.2 Causas da dormência em sementes
De	 acordo	 com	 Bewley	 e	 Black	 (1982	 apud	 Silva;	 Oliveira;	 Pereira,	 2018),	 as	
principais	causas	da	dormência	em	sementes	são	a	dormência	do	embrião,	que	inclui	
casos	 de	 inibição	metabólica	 e	 imaturidade,	 e	 a	 dormência	 imposta	 pelo	 envoltório,que	 está	 relacionada	 à	 impermeabilidade	 do	 tegumento,	 presença	 de	 inibidores	 e	
restrição	mecânica.	Outro	sistema	mais	abrangente	classifica	a	dormência	do	embrião	
em	fisiológica,	morfológica	e	morfofisiológica,	 e	 a	dormência	 imposta	pelo	envoltório	
em	física,	química	e	mecânica	(BASKIN;	BASKIN	1998	apud SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	
2018).	Em	uma	abordagem	mais	tradicional,	as	causas	de	dormência	em	sementes	são	
a	impermeabilidade	do	tegumento	à	água,	a	impermeabilidade	da	cobertura	protetora	a	
trocas	gasosas,	a	resistência	mecânica	do	tegumento,	pericarpo	ou	tecidos	de	reserva,	
a	 ação	de	 substâncias	 inibidoras	da	germinação	e	a	 imaturidade	do	embrião	 (SILVA;	
OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
Existem	 sementes	 que	 são	 denominadas	 como	 "sementes	 duras"	 devido	 à	
impermeabilidade	do	seu	tegumento.	Esse	mecanismo	de	dormência	é	induzido	durante	
o	processo	de	maturação,	no	período	de	acúmulo	de	matéria	seca.	O	tegumento	dessas	
sementes	 contém	 substâncias	 orgânicas	 e	 hidrofóbicas,	 como	 lipídios,	 suberinas,	
cutinas	e	 ligninas,	depositadas	em	uma	ou	mais	camadas	de	célula	que	 impedem	a	
passagem	de	água	na	semente.	A	superação	da	dormência	e	a	hidratação	das	sementes	
estão	relacionadas	à	formação	de	aberturas	em	estruturas	anatômicas	especializadas,	
como	o	hilo,	que	está	localizado	na	superfície	da	semente.	Esse	é	o	local	onde	ocorre	
a	 resistência	 das	 sementes	 à	 embebição,	 ou	 seja,	 à	 entrada	 de	 água	 nas	 sementes	
ultrapassando	a	casca	(BASKIN;	BASKIN,	2004	apud	SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
A	 impermeabilidade	 do	 tegumento	 à	 água	 é	 considerada	 uma	 das	
causas	mais	comuns	de	dormência	em	sementes	de	espécies	tropicais.	
Em	algumas	famílias,	inclusive,	ocorre	com	frequência,	como	Fabaceae	
(leguminosas,	 principal	 grupo).	 Algumas	 espécies	 comuns	 que	
apresentam	este	mecanismo	são	a	canafístula	(Peltophorum dubium);	
o	 olho-de-cabra	 (Ormosia arborea);	 jatobá	 (Hymenaea courbaril),	 a	
copaíba	 (Copaifera langsdorffii),	 pau-ferro	 (Libidibia ferrea),	 fedegoso	
(Senna macranthera),	 mutamba	 (Guazuma ulmifolia)	 e	 cássia-
carnaval	(Senna spectabilis)	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018,	p.	30).
91
Os	 diferentes	 níveis	 de	 impermeabilidade	 à	 água	 ou	 dureza	 das	 sementes	
podem	 resultar	 de	 fatores	 como	genótipo,	maturação	 desuniforme	 e	mudanças	 nas	
condições	climáticas	durante	a	fase	de	amadurecimento,	afetando	assim	sua	dispersão.	
A	profundidade	da	dormência	 das	 sementes	varia	 e	 esse	mecanismo	 tem	um	papel	
importante	na	distribuição	e	germinação	ao	longo	do	tempo.	Na	natureza,	a	superação	da	
dormência	causada	pela	impermeabilidade	à	entrada	de	água	é	resultado	de	processos	
que	envolvem	a	participação	e	interação	de	microrganismos	e	temperaturas	alternadas,	
além	da	ingestão	das	sementes	por	animais	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
A	presença	de	dormência	mecânica	nas	sementes	é	causada	por	tecidos	que	
impedem	a	expansão	do	embrião	e	protrusão	da	radícula.	Nesse	tipo	de	dormência,	as	
sementes	absorvem	água	e	oxigênio	normalmente,	mas	o	crescimento	do	embrião	é	
limitado	pela	 rigidez	dos	tecidos	que	o	envolvem.	Essa	dormência	é	frequentemente	
associada	ao	endosperma,	como	é	o	caso	do	endosperma	micropilar,	que	fica	localizado	
na	frente	da	radícula.	O	endosperma	micropilar	rígido	já	foi	observado	em	várias	espécies,	
como	a	lobeira	(Solanum lycocarpum)	e	o	jenipapo	(Genipa americana).	Para	que	ocorra	
a	protrusão	da	radícula,	é	necessário	enfraquecer	o	endosperma	micropilar,	o	que	pode	
ser	alcançado	pela	ação	de	diversas	enzimas,	incluindo	a	“β-galactose,	β-manosidase	
e	endo-β-mananase,	no	enfraquecimento	do	endosperma	micropilar	por	hidrólise	de	
mananas	e	galactomananas,	presentes	nas	paredes	celulares	do	endosperma	micropilar	
das	sementes”	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018	p.	31).
A	dormência	causada	por	inibidores	está	relacionada	às	substâncias	
produzidas	 tanto	 fora	 como	 dentro	 das	 sementes	 que,	 quando	
translocadas	 para	 o	 embrião,	 podem	 inibir	 a	 germinação.	 As	
substâncias	inibidoras	por	vezes	podem	estar	presentes	na	semente	
como em Zeyheria montana	 (DOUSSEAU	 et	 al.,	 2007)	 e	 braúna	
(Schinopsis brasiliensis)	(OLIVEIRA;	OLIVEIRA,	2008),	ou	mesmo	no	
fruto.	Em	pequizeiro	(Caryocar	brasiliense)	foi	observada	a	presença	
de	 inibidores	 da	 germinação	 em	 estruturas	 do	 fruto	 (endocarpo	 e	
mesocarpo),	mas	não	em	estruturas	da	semente	(MELO;	GONÇALVES,	
2001).	Nos	casos	em	que	os	 inibidores	são	acumulados	nos	frutos,	
a	 remoção	 destas	 estruturas	 pode	 ser	 suficiente	 para	 propiciar	
a	 germinação,	 como	 observado	 em	Passiflora alata	 (Ferreira	 et	 al.	
2005),	cuja	remoção	do	arilo	resultou	no	aumento	da	germinação	das	
sementes		(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018,	p.31).
Existem	vários	compostos	inibidores	de	germinação,	incluindo	o	ácido	abscísico,	que	
é	frequentemente	relatado	como	um	deles	(BEWLEY;	BLACK,	1994;	FERREIRA;	BORGHETTI,	
2004	apud	Silva;	Oliveira;	Pereira,	2018).	No	entanto,	a	ação	de	substâncias	como	taninos	
e	compostos	fenólicos	é	mais	comumente	observada.	Outros	compostos	inibidores	incluem	
ácidos	 graxos	 de	 cadeia	 curta	 e	 íons	 inorgânicos	 (BEWLEY;	 BLACK,	 1994	 apud	 SILVA;	
OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).	Sementes	podem	conter	compostos	inibidores	de	diversos	tipos,	
sendo	a	cumarina	um	exemplo	específico	desses	compostos	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	
2018).	De	acordo	com	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018,	p.	31)	a	cumarina:
92
Esta	 está	 presente,	 por	 exemplo,	 no	 tegumento	 de	 sementes	 de	
copaíba	 (Copaifera langsdorffii).	 A	 eliminação	 do	 inibidor	 é	 um	
dos	 passos	 necessários	 para	 a	 germinação	 das	 sementes	 sendo,	
normalmente,	 metabolizado	 ou	 lixiviado	 para	 fora	 da	 semente	
durante	a	embebição.	
 
A	maturidade	do	embrião	também	pode	ser	um	fator	crucial	para	a	germinação.	
Em	algumas	espécies	vegetais,	as	sementes	podem	ser	dispersas	com	o	embrião	ainda	
não	completamente	desenvolvido,	o	que	impede	a	germinação	imediata.	Nestes	casos,	
as	sementes	são	dispersas	pela	planta	mãe	com	um	embrião	não	diferenciado,	no	qual	
as	 partes	 principais,	 como	 cotilédones,	 hipocótilo	 e	 radícula,	 não	 são	 identificáveis.	
Assim,	 o	 desenvolvimento	 do	 embrião	 ocorre	 após	 a	 dispersão.	 Em	 orquídeas,	 por	
exemplo,	 as	 sementes	 são	 dispersas	 com	 um	 embrião	 formado	 por	 uma	massa	 de	
células	indiferenciadas	que	não	permitem	a	identificação	das	partes	do	embrião	(SILVA;	
OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
A	dormência	descrita	pode	ser	 identificada	como	dormência	morfológica.	Em	
algumas	plantas,	as	sementes	são	dispersas	com	um	embrião	pouco	desenvolvido,	mas	
já	diferenciado	em	cotilédones	e	eixo	hipocótilo-radícula,	 ainda	assim,	apresentando	
algumas	barreiras	fisiológicas.	Nestes	casos,	 a	germinação	ocorre	após	uma	fase	de	
crescimento	desencadeada	por	condições	ambientais	favoráveis	àquela	espécie	(SILVA;	
OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
A	união	da	dormência	morfológica	e	fisiológica	é	designada	como	dormência	
morfofisiológica.	 Annona crassiflora,	 uma	 espécie	 também	 conhecida	 como	 marolo	
ou	araticum,	apresenta	dormência	morfofisiológica.	Durante	o	mês	de	abril,	quando	as	
sementes de Annona crassiflora	foram	enterradas,	a	superação	da	dormência	fisiológica	
ocorreu	durante	os	meses	de	inverno,	quando	as	temperaturas	mínimas	mensais	eram	
mais	baixas	(maio-agosto),	antes	da	primeira	precipitação	ocorrer	no	início	de	setembro.	
A	superação	da	dormência	fisiológica	permitiu	o	começo	do	crescimento	do	embrião	
na	semente	durante	os	primeiros	dois	meses	da	estação	chuvosa	(setembro-outubro),	
resultando	em	um	pico	de	germinação	em	novembro	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
O	embrião	cresceu	principalmente	por	meio	de	expansão	celular,	mas	também	
foram	observadas	algumas	células	em	processo	de	divisão.	A	degradação	do	endosperma	
começou	 na	 região	 ao	 redor	 do	 embrião,	 próxima	 ao	micrópilo,	 e	 se	 espalhou	 para	
as	demais	 regiões.	Quando	a	giberelina	exógena	 foi	 aplicada,	houve	estímulo	para	ocrescimento	do	embrião	e	para	a	atividade	da	enzima	endo-β-mananase	em	sementes	
dormentes	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
93
3.2.3 Classificação da dormência 
De	acordo	com	Ferreira	(2022),	diversos	modelos	de	classificação	de	dormência	
em	sementes	foram	desenvolvidos	pelos	pesquisadores	com	o	objetivo	de	compreender	
melhor	o	fenômeno.	Entre	os	mais	notáveis	estão	os	esquemas	de	Harper	(1957,	1977),	
Nikolaeva	 (2001),	 Lang	et al.	 (1985,	 1987)	 e	 Lang	 (1987).	 Ferreira	 (2022)	 relata	 que	 o	
sistema	de	Harper	(1957,1977),	apesar	de	ter	sido	amplamente	utilizado	em	estudos	de	
ecologia	e	fisiologia	da	semente,	não	contemplava	adequadamente	os	diversos	tipos	
de	dormência	(BASKIN;	BASKIN,	1985,	1998),	sendo	criticado	por	outros	autores	como	
Vleeshouwers	et al.	(1995)	e	Thompson	et al.	(2003).
O	sistema	criado	por	Lang,	que	divide	a	dormência	em	endodormência,	
paradormência	 e	 ecodormência	 com	 fundamentação	 exclusiva	 na	
fisiologia,	 apesar	 de	 ser	 geral	 para	 qualquer	 órgão	 da	 planta,	 também	
permitia	 que	 se	 classificasse	 sementes	 dessa	 forma	 (LANG,	 1987).	
Entretanto,	 tal	 modelo	 não	 leva	 em	 consideração	 os	 embriões	
subdesenvolvidos,	os	tegumentos	impermeáveis	à	água	e	demais	critérios	
importantes	para	a	classificação	da	dormência	que	ocorre	em	sementes.	
Além	 disso,	 este	 sistema	 ainda	 exclui	 as	 intensidades,	 chamadas	
hoje	de	níveis	e	tipos	de	dormência	 (BASKIN;	BASKIN,	2004).	Simpson	
(1990)	discute	certos	detalhes	do	sistema	de	Lang	e	afirma	a	 falta	de	
abrangência	das	classes	aqui	mencionadas	(endo,	para	e	ecodormência).	
O	modelo	criado	por	Nikolaeva	passou	por	inúmeras	adequações	ao	longo	
do	tempo.	Como	por	exemplo:	a	mudança	das	siglas	para	identificar	cada	
um	dos	tipos,	as	separações	em	subtipos	e	níveis,	a	alteração	de	nomes,	
os	símbolos	que	foram	substituídos	por	nomes	e	as	determinações	de	
onde	ocorrem	(epicótilo	(ep)	ou	raiz		(FERREIRA,	2022,	p.	15-16).
Nikolaeva	propôs	um	modelo	que	inspirou	Baskin	e	Baskin	(2004	apud	Ferreira,	2022)	
a	criarem	outro	sistema	de	classificação.	Neste	sistema,	há	a	aquisição	de	uma	hierarquia	
semelhante	à	usada	na	Taxonomia	vegetal,	 com	a	divisão	da	dormência	da	semente	em	
classes,	níveis	e	tipos.	Um	quadro	com	essa	classificação	pode	ser	visto	no	Quadro	2.
Quadro 2 – Sistema de classificação de dormência
Classe da dormência Níveis Tipo
Fisiológica Não	profunda,	intermediária,	profunda. 1,	2,	3,	4	e	5
Morfológica* Simples	não	profunda,	simples	
intermediária,	simples	profunda,	
simples	profunda	no	epicótilo,	simples	
profunda	dupla,	complexa	não	
profunda,	complexa	intermediária	e	
complexa	profunda.
-
Morfofisiológica*
Física
Não profunda. 1 e 2
Combinada
*Não inclui sementes com embriões indiferenciados. 
Fonte: Baskin e Baskin (2004 apud FERREIRA, 2022, p. 17)
94
No	Quadro	3,	é	possível	observar	a	separação	e	a	descrição	detalhada	dos	níveis	
de	dormência	fisiológica	(não	profunda,	intermediária	e	profunda).
Quadro 3 – Níveis de dormência fisiológica
Níveis	da	dormência	fisiológica Características
Não profunda
O	embrião	excisado	(rompido)	produz	plântulas	de	
características	normais;	Giberelina	(GA)	promove	a	
germinação;	Quebra	da	dormência	é	dependente	
da	espécie:	pode	ser	realizado	o	procedimento	de	
estratificação	fria	(0–10ºC)	ou	quente	(15	°C);	As	
sementes	podem	amadurecer	em	armazenamento	a	
seco;	A	escarificação	pode	estimular	a	germinação.
Intermediária
O	embrião	excisado	produz	plântulas		normais;	GA	
promove	a	germinação	em	algumas	espécies,	apenas;	
As	sementes	precisam	de	2	a	3	meses	de	estratificação	
a	frio	para	a	quebra	da	dormência;	O	armazenamento	a	
seco	pode	reduzir	o	período	de	estratificação	a	frio.
Profunda
O	embrião	excisado	gera	mudas	anormais;	GA	não	induz	
a	germinação;	As	sementes	necessitam	de	3	a	4	meses	
de	estratificação	fria	para	germinar.
Fonte: Baskin e Baskin (1998 apud de Ferreira, 2022 p.18)
Os	modelos	desenvolvidos	por	Harper	(1957,	1977),	Lang	et al.	(1985,	1987)	e	Lang	
(1987)	tiveram	importância	no	estudo	da	dormência	de	sementes,	mas	não	contemplavam	
todos	os	critérios	de	classificação	ou	características	presentes	em	outros	modelos.	Por	
outro	lado,	o	sistema	proposto	por	Nikolaeva	é	o	mais	completo	para	classificar	a	dormência	
de	sementes	(BASKIN;	BASKIN,	2004	apud FERREIRA,	2022).	A	contribuição	de	Nikolaeva	
para	a	compreensão	da	dormência	é	tão	significativa	que	a	síntese	de	informações	sobre	o	
assunto,	seja	de	perspectivas	filogenéticas,	biogeográficas	ou	evolutivas,	seria	impossível	
sem	seu	sistema	(BASKIN;	BASKIN,	1998,	2004a		apud Ferreira,	2022).	É	importante	destacar	
que	o	esquema	de	classificação	de	Nikolaeva	engloba	vários	tipos	de	dormência	que	se	
adequam	perfeitamente	a	uma	chave	dicotômica,	considerando	fatores	como	a	perme-
abilidade	do	revestimento	à	água	(impermeável	ou	permeável),	a	morfologia	do	embrião	
(subdesenvolvido	ou	totalmente	desenvolvido)	e	as	respostas	fisiológicas	à	temperatura	
ou	a	uma	sequência	de	temperaturas	(BASKIN;	BASKIN,	2004	apud	FERREIRA,	2022).
É	possível	distinguir	a	dormência	em	primária	e	secundária.	A	dormência	é	um	as-
pecto	pouco	conhecido	da	biologia	das	sementes,	uma	vez	que	está	relacionada	a	múltiplos	
fatores	(FINKELSTEIN	et al.,	2008	apud FERREIRA,	2022).	Sua	classificação	é	baseada	na	ori-
gem,	localização	e	nos	mecanismos	envolvidos	no	processo.	A	maioria	das	classificações	
utilizadas	tem	como	base	o	sistema	proposto	por	Nikolaeva	(2001	apud	FERREIRA,	2022),	
que	considera	a	morfologia	da	semente.	Além	disso,	é	possível	classificar	a	dormência	de	
acordo	com	o	momento	em	que	ela	ocorre:	a	dormência	primária	ocorre	antes	da	disper-
são,	como	parte	do	programa	de	desenvolvimento	da	semente,	enquanto	a	dormência	
secundária	é	adquirida	por	uma	semente	madura	após	a	embebição,	como	resultado	da	
falta	de	condições	adequadas	para	a	germinação	(AMEN,	1968	apud	FERREIRA,	2022).
95
A	localização	dos	mecanismos	de	dormência,	as	classificações	geralmente	se	ba-
seiam	em	dois	critérios	fundamentais:	a	dormência	do	embrião	e	a	dormência	imposta	
pelos	envoltórios.	No	que	diz	respeito	à	dormência	do	embrião,	essa	pode	ser	caracterizada	
por	eventos	como	inibição	metabólica	e	imaturidade.	Já	a	dormência	imposta	pode	ser	
determinada	pela	impermeabilidade	dos	tegumentos,	presença	de	inibidores	e	restrição	
mecânica,	entre	outros	(BEWLEY	et al.,	2013	apud FERREIRA,	2022).	Uma	classificação	
mais	abrangente,	proposta	pela	pesquisadora	Marianna	Nikolaeva,	divide	a	 "dormência	
do	embrião"	em	dormência	endógena,	que	inclui	categorias	como	fisiológica,	morfológica	
e	morfofisiológica,	e	a	"dormência	imposta",	chamada	de	dormência	exógena,	que	é	dividida	
em	categorias	como	física,	química	e	mecânica	(BASKIN;	BASKIN,	1998	apud	FERREIRA,	2022).
O	 estado	 da	 dormência	 fisiológica	 é	 causada	 por	mecanismos	 que	 inibem	 a	
atividade	 celular	 do	 embrião,	 impedindo	 que	 a	 raiz	 primária	 se	 desenvolva	 (BASKIN;	
BASKIN,	1998	apud	Ferreira,	2022).	Esse	tipo	de	dormência	está	relacionado	ao	equilíbrio	
hormonal	e	de	reguladores	vegetais,	que	são	fundamentais	para	a	germinação	(PIROLI	
et	al.,	2005	apud Ferreira,	2022).	A	dormência	fisiológica	é	mantida	pela	supressão	de	
diversas	atividades	celulares	relacionadas	à	germinação.	O	ABA	tem	um	papel	importante	
nessa	supressão,	enquanto	o	GA	atua	de	forma	oposta.	O	equilíbrio	entre	o	GA	e	o	ABA	
parece	 ser	 um	 fator	 chave	 na	 dormência	 fisiológica,	 que	 pode	 ser	 interrompida	 ou	
permanecer	(BEWLEY	et al.,	2013	apud	FERREIRA,	2022).
De	acordo	com	os	estudos	de	Nikolaeva	(2001	apud FERREIRA,	2022),	a	dormência	
fisiológica	pode	ser	classificada	em	três	níveis:	não	profunda,	intermediária	e	profunda.	É	
importante	destacar	que	a	maioria	das	sementes	com	dormência	fisiológica	apresenta	o	
nível	não	profundo.	“Além	disso,	cinco	tipos	de	dormência	fisiológica	não	profunda	são	
conhecidos,	baseados	nos	padrões	de	alteração	de	respostas	fisiológicas	à	temperatura	
no	decorrer	do	processo	de	quebra	da	dormência”	(BASKIN;BASKIN,	2004	apud	FERREIRA,	
2022	p.	20).	os	três	primeiros	tipos	de	dormência	fisiológica	não	profunda,	conforme	a	
dormência	diminui,	a	faixa	de	temperatura	também	se	altera,	aumentando	em	direção	à	
faixa	na	qual	ocorre	a	germinação	(BASKIN;	BASKIN,	2004	apud	FERREIRA,	2022).
De	 acordo	 com	 a	 classificação	 proposta	 por	 Baskin	 e	 Baskin	 (2004, apud 
Ferreira,	2022),	o	tipo	1	de	dormência	fisiológica	não	profunda	apresenta	uma	mudança	
de	temperatura	de	baixa	para	alta,	enquanto	no	tipo	2	a	mudança	ocorre	de	alta	para	
baixa.	Já	no	tipo	3,	as	temperaturas	são	intermediárias	e	mudam	em	direção	a	ambos	
os	extremos.	Nos	tipos	4	e	5,	não	há	um	aumento	progressivo	da	faixa	de	temperatura.	
No	tipo	4,	as	sementes	germinam	apenas	em	temperaturas	elevadas,	enquanto	no	tipo	
5,	elas	germinam	apenas	em	temperaturas	baixas	após	a	quebra	da	dormência	(BASKIN;	
BASKIN,	2004,	apud	FERREIRA,	2022).
96
Os	limites	de	temperatura	mínima	e	máxima	para	germinação	são	conhecidos	
como	 temperaturas	 cardeais	 e	 estão	 relacionados	 com	 as	 respostas	 da	 semente	 à	
variação	 de	 temperatura	 (LABOURIAU,	 1983	 apud FERREIRA,	 2022).	 A	 germinação	
ocorre	 apenas	 quando	 a	 temperatura	 se	 encontra	 dentro	 dessa	 faixa,	 sendo	 que	
sementes	mais	dormentes	possuem	uma	faixa	menor	entre	as	temperaturas	mínima	e	
máxima.	Quando	a	dormência	é	total	ou	absoluta,	a	temperatura	mínima	se	aproxima	
da	 temperatura	máxima,	 tornando	 a	 germinação	 impossível	 (CARDOSO,	 2004,	 apud 
FERREIRA,	2022).
De	acordo	com	Labouriau	 (1983	apud FERREIRA,	2022),	os	tipos	1,	2	e	3	são	
considerados	como	dormência	relativa,	a	qual	pode	ser	tratada	por	meio	de	tratamentos	
pós-maturação	que	 aumentam	a	 faixa	 térmica	de	germinação,	 embora	 a	 dormência	
ainda	persista.	A	superação	dessa	dormência	ocorre	gradualmente	e	pode	ser	observada	
através	de	um	aumento	na	resposta	germinativa	quando	exposta	a	uma	combinação	
adequada	de	fatores	como	luz	e	temperatura.	Contudo	a	dormência	fisiológica	pode	ser	
influenciada	por	fatores	externos,	mas	é	considerada	principalmente	como	um	processo	
intrínseco	da	semente,	 	e	as	condições	ambientais	não	está	diretamente	relacionado	
(CARDOSO,	2009 apud	FERREIRA,	2022).
A	dormência	morfológica	é	caracterizada	por	um	embrião	subdesenvolvido	e	
indiferenciado,	em	que	as	partes	da	semente	 (cotilédones,	hipocótilo	e	 radícula)	não	
se	distinguem	(BASKIN;	BASKIN,	1998	apud	FERREIRA,	2022).	De	acordo	com	Cardoso	
(2009 apud	 FERREIRA,	 2022),	 a	 dormência	morfológica	 é	 identificada	 por	 embriões	
que	 apresentam	 cotilédones	 e	 o	 eixo	 hipocótilo-radícula	 reconhecíveis,	 porém	 são	
subdesenvolvidos	 em	 relação	 ao	 tamanho	 esperado	 para	 a	 espécie.	 Neste	 tipo	 de	
dormência,	a	germinação	é	precedida	de	uma	fase	de	crescimento	intrasseminal,	que	
ocorre	 sob	 condições	 ambientais	 favoráveis.	 Diferente	 da	 dormência	 fisiológica,	 os	
embriões	 que	 apresentam	 dormência	morfológica	 não	 são	 fisiologicamente	 dormentes	 e	
não	necessitam	de	um	tratamento	específico	para	a	quebra	da	dormência,	precisando	
apenas	 de	 tempo	 para	 crescer	 até	 um	 tamanho	 adequado	 para	 germinar	 (BASKIN;	
BASKIN,	2004	apud	FERREIRA,	2022).	
No	entanto,	segundo	Vivian	et	al.	(2008	apud	Ferreira,	2022),	é	improvável	que	
a	dormência	morfológica	ocorra	isoladamente,	geralmente	estando	associada	a	outras	
formas	de	dormência.	Na	maioria	das	espécies	que	apresentam	dormência	morfológica,	
se	as	condições	ambientais	não	estiverem	favoráveis,	a	dormência	fisiológica	pode	se	
desenvolver	após	a	maturação.	Os	autores	afirmam	que	a	dormência	morfofisiológica,	
que	é	comum	em	famílias	como	Liliaceae	e	Apiaceae,	pode	ocorrer	como	resultado	da	
combinação	de	ambas	as	dormências.	Sob	condições	favoráveis,	as	sementes	recém-
maduras	têm	seus	embriões	crescendo	dentro	de	alguns	dias	a	uma	ou	duas	semanas	
e	podem	germinar	em	torno	de	30	dias,	conforme	observado	por	Baskin	e	Baskin	(2004	
apud	FERREIRA,	2022).	
97
Na	 dormência	 morfofisiológica,	 ocorre	 a	 soma	 das	 dormências	 morfológica	 e	
fisiológica,	resultando	em	um	embrião	subdesenvolvido	que	necessita	de	tratamentos	para	a	
quebra	da	dormência.	O	crescimento	do	embrião	pode	ocorrer	antes	ou	simultaneamente	
à	quebra	da	dormência	morfofisiológica,	dependendo	da	espécie	(BASKIN;	BASKIN,	1998	
apud	Ferreira,	2022).	Existem	vários	tipos	e	níveis	de	dormência	morfofisiológica,	e	cada	
um	requer	um	método	específico	para	sua	quebra,	como	tratamentos	térmicos,	incluindo	
a	 estratificação,	 e	 tratamentos	 com	 ácido	 giberélico.	 Os	 tratamentos	 térmicos	 para	
quebrar	a	dormência	incluem	na	sequinte	ordem:	estratificação	a	quente;	estratificação	
quente	seguida	de	estratificação	fria;	estratificação	fria,	seguida	de	quente	e	novamente	
fria;	estratificação	fria,	conforme	explica	Cardoso	(2009	apud FERREIRA,	2022).
Segundo	Baskin	e	Baskin	(1998	apud	FERREIRA,	2022),	em	alguns	casos,	o	ácido	
giberélico	pode	ser	usado	como	alternativa	aos	tratamentos	de	estratificação	quente	ou	fria	
para	a	quebra	da	dormência.	Além	disso,	existem	oito	níveis	de	dormência	morfofisiológica,	
os	quais	são	identificados	com	base	no	protocolo	utilizado	para	a	quebra	da	dormência.
Quadro 4 – Níveis de dormência morfofisiológica e as temperaturas necessárias para superá-la. 
(Q: estratificação quente; F: estratificação fria)
Tipos de dormência 
morfofisiológica
Quebra de 
dormência
Instante de 
crescimento 
embrionário
GA3 supera a 
dormência
Simples	não	profunda Q ou F Q Sim
Simples	intermediária Q + F Q Sim
Simples	profunda Q + F Q +/-
Simples	profunda	no	
epicótilo
Q + F Q +/-
Simples	profunda	dupla F + Q + F Q Desconhecido
Complexa	não	profunda F F Sim
Complexa	intermediária F F Sim
Complexa	profunda F F Não
Fonte: Baskin e Baskin, (1998) Walck et al. (1999 apud FERREIRA, 2022 p.23 )
Logo	o	mecanismo	de	dormência	física	está	relacionado	à	impermeabilidade	à	
água,	que	é	protegida	por	uma	ou	duas	camadas	de	células	lignificadas.	Essa	dormência	é	
comumente	encontrada	em	espécies	com	sementes	grandes,	onde	o	embrião	armazena	a	
maior	parte	das	reservas	para	o	processo	de	germinação.	A	quebra	dessa	dormência	em	
sementes	com	dormência	física	pode	ocorrer	naturalmente	ou	artificialmente,	através	
da	formação	de	uma	abertura	ou	redução	na	espessura	do	tegumento,	ou	ainda	pela	
remoção	 de	 estruturas	 morfológicas	 especializadas,	 como	 carúnculas	 e	 estrofólios,	
permitindo	assim	a	absorção	de	água	até	o	embrião.	(BASKIN	et al.,	2000;	VIVIAN	et al.,	
2008	apud	FERREIRA,	2022	).De	acordo	com	Ferreira	(2022,	p.23-24):		
98
Cuscuta pedicellata e C. campestris	 são	 plantas	 parasitas	 que	
apresentam	dormência	física,	mas	não	estão	representadas	no	Brasil.	
O	 tegumento	das	 sementes	destas	espécies	possui	dupla	camada	
de	células	paliçádicas,	impedindo	a	embebição,	ainda	que	a	primeira	
camada	aparente	ser	a	responsável	(LYSHEDE,	1992).	Estas	camadas	
apresentam	 células	 esclerificadas,	 com	 parede	 celular	 secundária	
com	lignina,	proporcionando	às	sementes	a	característica	dura,	cuja	
ocorrência	é	comum	nas	espécies	das	famílias	Fabaceae,	Malvaceae	
e	Convolvulaceae,	que	englobam	várias	plantas	daninhas,	como	por	
exemplo,	Sida	sp.,	Malva rotundifolia, Crotalaria spectabilis, Abutilon 
theophrasti,	Vicia hirsuta e Trifolium sp. 
Do	ponto	de	vista	ecológico,	a	dormência	física	pode	ser	superada	por	meio	da	
ação	de	animais	dispersos	que,	durante	a	digestão,	removem	as	estruturas	impermeáveis	
ou	diminuem	a	espessura	do	tegumento	da	semente.	Em	ecossistemas	adaptados	a	
determinado	regime	de	fogo,	como	é	o	caso	do	Cerrado,	o	fogo	pode	ser	o	responsável	
pela	quebra	da	dormência.	Além	disso,	existem	processos	naturais	que	enfraquecem	o	
tegumento,	como	aqueles	bioquímicos	e	físicos	que	ocorrem	no	solo,	influenciados	pela	
microbiota	edáfica.	Existem	também	vários	métodos	artificiais	para	superar	a	dormência	
física,	tais	como	escarificação	mecânica	ou	química	com	ácido	sulfúrico	concentrado,	
submersão	em	água	fervente,	incubação	emaltas	temperaturas,	tratamento	com	etanol,	
fogo,	armazenamento	a	seco,	congelamento	e	descongelamento,	choques	térmicos	e	
umedecimento	seguido	de	secagem	(BASKIN;	BASKIN,	2004 apud	FERREIRA,	2022).
Ferrerira	(2022,	p.	24	)	relata	que:
A	 escarificação	 mecânica	 ou	 química	 também	 promoverá	 a	
germinação	em	sementes	com	dormência	fisiológica	não	profunda.	
Assim,	não	é	incomum	relatos	de	que	sementes	de	um	determinado	
táxon	têm	dormência	física,	quando,	na	verdade,	esse	não	é	o	caso	
(BASKIN;	BASKIN,	2004).	
A espécie pioneira Colubrina glandulosa	 Perkins,	 da	 família	
Rhamnaceae,	pode	ser	encontrada	em	grande	parte	do	Brasil	e	pode	
ser	 utilizada	 na	 restauração	 florestal.	 As	 sementes	 de	 tal	 espécie	
possuem	 dormência	 física,	 o	 que	 permite	 a	 elas	 permanecerem	
inativas	 no	 banco	 de	 sementes,	 um	 importante	 recurso	 para	 a	
dinâmica	 populacional	 (SILVA	 et	 al.,	 2015;	 MARCOS-FILHO,	 2015;	
CAMARA	et	al.,	2017,	MORAIS-JÚNIOR	et	al.,	2018;	MELO-JÚNIOR	et	
al.,	2018).	É	 importante	ressaltar	que	a	dormência	física	é	bastante	
comum	 em	 espécies	 florestais	 e	 a	 imersão	 em	 água	 quente,	
escarificação	mecânica	ou	ácida	são	suficientes	para	a	superação.
 
De	acordo	com	Nikolaeva	(2001	apud	FERREIRA,	2022),	a	dormência	química	
é	causada	por	 inibidores	de	crescimento	presentes	no	pericarpo,	mas	a	definição	foi	
atualizada	por	Baskin	e	Baskin	 (1998 apud	 FERREIRA,	2022)	para	 incluir	 substâncias	
sintetizadas	fora	da	semente	que	inibem	o	crescimento	do	embrião	por	translocação.	É	
importante	notar	que	a	dormência	química	está	relacionada	a	fatores	externos,	enquanto	
a	dormência	fisiológica	também	pode	envolver	inibidores	de	germinação,	como	o	ABA.	
A	maioria	dos	estudos	que	relatam	a	presença	de	inibidores	químicos	em	sementes	ou	
frutos	foram	realizados	em	sementes	que	também	apresentavam	dormência	fisiológica	
(BASKIN;	BASKIN,	1998	apud	FERREIRA,	2022).
99
De	 acordo	 com	 estudos	 baseados	 em	 bioensaios,	 inibidores	 de	 germinação	
foram	 encontrados	 em	 sementes	 e	 frutos,	 especialmente	 no	 embrião,	 endosperma,	
tegumento	 ou	 outras	 estruturas	 que	 se	 dispersam	 juntamente	 com	 as	 sementes	
(BASKIN;	 BASKIN,	 1998	 apud Ferreira,	 2022).	 Sementes	 da	 espécie	 Onopordum 
acanthium são	naturalmente	dormentes	e	contêm	altas	concentrações	de	 inibidores	
solúveis.	Para	superar	essa	dormência,	as	sementes	precisam	ser	lavadas	para	reduzir	a	
concentração	de	inibidores	(PEREZ	GARCIA,	1993;	CAVERS	et al.,	1998	apud FERREIRA,	
2022).
O	 ácido	 abscísico	 (ABA)	 é	 amplamente	 reconhecido	 como	 o	 inibidor	 mais	
potente	da	germinação	quando	encontrado	externamente	nas	sementes,	o	que	resulta	
em	uma	dormência	química.	Em	algumas	sementes,	o	ABA	inibe	a	transcrição	do	RNAm	
da α-amilase,	o	que	impede	a	síntese	de	enzimas	hidrolíticas	necessárias	para	degradar	
as	 reservas.	 Por	 outro	 lado,	 o	 ácido	 giberélico	 (AG)	 estimula	 a	 camada	 de	 aleurona	
encontrada	em	sementes	endospermáticas	a	produzir	tanto	α-amilase	quanto	outras	
enzimas.	Portanto,	o	equilíbrio	entre	esses	dois	compostos	reguladores	é	crucial	para	
superar	a	dormência	de	maneira	eficaz	(GOMEZ-CADENAS,	2001	apud	FERREIRA,	2022).
De	acordo	com	Karssen	et	al.	(1989	apud	Ferreira,	2022),	o	ácido	giberélico	(AG)	
pode	estar	presente	tanto	na	parte	externa	quanto	na	parte	interna	da	semente.	Embora	
o	AG	tenha	propriedades	promotoras	de	germinação,	conforme	relatado	por	Vivian	et	al.	
(2008 apud	Ferreira,	2022),	ele	não	é	capaz	de	superar	a	dormência	química	sozinho.		
Nesta	condição	de	dormência	outros	fatores	precisam	estar	presentes	para	promover	a	
germinação	(METZGER,	1983	apud	FERREIRA,	2022).	
A	 dormência	 mecânica	 é	 caracterizada	 pela	 incapacidade	 de	 uma	 semente	
germinar,	ou	seja,	ter	o	crescimento	da	 radícula,	mesmo	após	absorver	água,	devido	
a	uma	barreira	mecânica	 rígida.	Essa	barreira	é	geralmente	formada	pela	 lignificação	
de	um	ou	mais	tecidos	do	fruto,	especialmente	o	endocarpo.	É	importante	ressaltar	a	
diferença	entre	a	dormência	mecânica	e	a	física.	Estudos	mostram	que	a	dormência	
mecânica	 não	 é	 causada	 pela	 impermeabilização	 do	 tegumento,	 mas	 sim	 por	 uma	
limitação	mecânica	ao	crescimento,	mesmo	após	a	embebição	da	semente	(NIKOLAEVA,	
2001,	SLATOR	et al.	2013 apud	FERREIRA,	2022).
Baskin	e	Baskin	 (2004	apud FERRREIRA,	2022)	não	distinguem	a	dormência	
mecânica	em	uma	categoria	separada,	assim	como	a	dormência	química	é	incluída	na	
categoria	fisiológica,	argumentando	que	a	barreira	 impede	o	crescimento	do	embrião	
(germinação)	devido	ao	baixo	potencial	de	crescimento	deste	em	uma	semente	intacta,	
mas	 dormente	morfologicamente.	 No	 entanto,	 submeter	 a	 semente	 dormente	 a	 um	
processo	 de	 quebra	 de	 dormência	 aumenta	 o	 potencial	 de	 crescimento	 do	 embrião	
(conhecido	 como	 força	 expansiva),	 permitindo	que	 a	 radícula	 rompa	 as	 camadas	de	
revestimento	que	mantêm	sua	resistência	mecânica	inalterada	(FERREIRA,	2022).
100
Além	 disso,	 esses	 autores	 retomam	 que	 mesmo	 Nikolaeva	 (2001)	
demonstra	que,	em	sementes	da	maioria	das	espécies	nas	quais	a	
restrição	mecânica	desempenha	um	papel	na	dormência,	a	restrição	
mecânica	é	combinada	com	a	dormência	fisiológica.	Ela	ressalta	que	
a	 dormência	 da	 semente	 devida	 apenas	 à	 restrição	 mecânica	 do	
embrião	é	rara	de	ser	encontrada	(FERREIRA,	2022,		p.	27).	
O mecanismo de dormência nas sementes é importante para sobre-
vivência das espécies. Algumas sementes podem apresentar caracte-
rística onde necessita de dois eventos “ideais” para germinação. Por 
exemplo: uma semente pode receber quantidade ideal de água para 
germinar, porém, só germinará quando receber, posteriormente, uma 
outra quantidade de água. Desse modo, a semente evita que no primei-
ro momento o embrião morra por um evento de seca após hidratação.
INTERESSANTE
101
Neste tópico, você aprendeu:
•	 O	conhecimento	da	embriogênese	é	importante,	pois	essa	fase	determina	o	padrão	
parte	aérea/raiz	da	planta	e	as	zonas	meristemáticas,	para	que	haja	diferenciação	
dos	tecidos	primários	da	planta,	gerando	um	órgão	especializado	no	armazenamento	
de	reservas.	
•	 As	sementes	apresentam	tolerância	à	dessecação	e	esta	característica	está	intima-
mente	ligada	à	longevidade	e	para	que	um	organismo	seja	considerado	tolerante	à	
dessecação,	ele	tem	que	sobreviver	no	estado	seco	por	períodos	que	podem	variar	
desde	dias	até	esmo	séculos.
•	 A	germinação	das	sementes	é	um	fenômeno	fisiológico	complexo	e	que	envolve	uma	
série	de	fatores	internos	e	externos	à	semente.	
•	 As	 sementes	 apresentam	 diferentes	 formas	 de	 sobrevivência	 e	 manutenção	 do	
metabolismo.	Desses	sistemas	observamos	que	as	sementes	apresentam	dormências	
que	podem	ser	inferidas	em	tipos	e	níveis.
RESUMO DO TÓPICO 2
102
1	 Ao	querer	compreender	o	desenvolvimento	vegetal,	os	pesquisadores	são	confrontados	
com	algumas	questões	como	o	desafio	de	formular	descrições	claras	e	 relevantes	
das	mudanças	que	ocorrem	ao	longo	do	tempo.	Nesse	sentido,	a	embriogênese	e	o	
processo	de	germinação	das	sementes	nos	conferem	informações	sobre	as	questões	
evolutivas	e	adaptativas	dos	vegetais.	Sobre	a	embriogênese,	assinale	a	alternativa	
CORRETA:
a)	 (			)	 A	embriogênese	não	é	capaz	de	fornecer	evidências	dos	processos	básicos	de	
padronização	em	plantas.
b)	 (			)	 Dentro	 do	 óvulo,	 grupos	de	 células	 tornam-se	 funcionalmente	 especializados	
para	formar	tecidos	epidérmicos,	corticais	e	vasculares.
c)	 (			)	 A	 embriogênese	 ocorre	 dentro	 do	 rudimento	 seminal	 (óvulo),	 uma	 estrutura	
especializada	formada	no	interior	dos	carpelos	da	flor.
d)	 (			)	 Ao	final	da	embriogênese,	ocorrem	mudanças	apenas	na	estrutura	das	sementes.
2	 Ao	 longo	 do	 processo	 de	 embriogênese,	 vários	 fenômenos	 ocorrem	 e	 alteram	 a	
estrutura	das	sementes,	seja	de	magnitude	física	ou	bioquímica.	Nessa	perspectiva,	
analise	as	sentenças	a	seguir.
I-	 Após	a	formação	do	zigoto,	inicia-se	a	formação	do	embrião	que	passa	pelasfases	
chamadas	de	pré-embrião.
II-	 No	início	da	embriogênese	ocorre	intensa	divisão	celular,	até	que	o	corpo	do	embrião	
seja	formado.
III-	 O	embrião	das	angiospermas	contém	o	eixo	embrionário	e	os	cotilédones.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	II	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 Várias	são	as	implicações	no	que	trata	da	maturação	da	semente,	podendo	interferir	
na	 colheita,	 beneficiamento,	 bem	 como	 auxiliar	 ou	 prejudicar	 o	 armazenamento	
destas.	De	acordo	com	os	princípios	abordados	sobre	a	maturação	fisiológica	das	
sementes,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
AUTOATIVIDADE
103
(			)	O	grau	de	umidade	não	influencia	o	comportamento	da	semente	quando	submetida	
às	mais	diferentes	situações	que	acompanham	todas	as	etapas	de	produção. 
(			)	O	teor	de	água	de	uma	semente	determina	o	seu	nível	de	atividade	metabólica.
(			)	A	semente	deve	atingir	a	sua	máxima	qualidade	fisiológica,	quando	o	conteúdo	de	
umidade	for	máximo.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	F.
b)	 (			)	 V	–	F	–	V.
c)	 (			)	 F	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V.
4	 Para	que	uma	semente	tenha	uma	boa	qualidade,	alguns	parâmetros	são	avaliados	
e	considerados	para	tal.	Desse	modo,	um	destes	parâmetros	é	o	vigor	das	sementes,	
o	qual	é	indispensável	para	que	se	possa	inferir	sobre	sua	qualidade.	Nesse	sentido,	
disserte	sobre	o	vigor	das	sementes	e	sua	importância.	
5	 O	 crescimento	 da	 planta	 até	 a	 formação	 de	 suas	 unidades	 reprodutivas	 envolve	
uma	série	de	fenômenos	que	causam	alterações	morfológicas	e	fisiológicas,	sendo	
mediados	 por	 vários	 fatores	 e	 condicionantes.	 A	 germinação	 pode	 ser	 entendida	
como	esse	primeiro	passo	fisiológico	da	planta.	Defina	a	germinação	em	seu	aspecto	
fisiológico.
104
105
TÓPICO 3 — 
QUALIDADE FISIOLÓGICA DAS SEMENTES
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO 
A	utilização	de	sementes	de	alta	qualidade	é	fator	preponderante	para	obtenção	de	
sucesso	na	atividade	agrícola,	 independentemente	da	cultura	empregada.	A	qualidade	
das	 sementes	 é	 influenciada	 por	 diversos	 fatores	 durante	 o	 processo	 de	 produção,	
colheita,	beneficiamento	e	armazenamento	 (KRYZANOWSKI	et	al.,	2006).	Esses	fatores	
serão	determinantes	na	obtenção	de	sementes	de	alta	qualidade,	e	consequentemente	
influenciando	também	na	produtividade	agrícola.
Nessa	perspectiva,	cabe	salientar	que	a	deterioração	das	sementes	 inicia-se	
a	partir	 da	maturidade	fisiológica	e	culmina	com	a	perda	da	capacidade	germinativa	
(MARCOS	FILHO,	2015),	fato	este	agravado	quando	as	condições	de	armazenamento	
não	 são	 adequadas.	A	 identificação	precoce	dos	processos	degenerativos	 é	 um	dos	
principais	 desafios	 da	 tecnologia	 de	 sementes,	 que,	 além	 da	 utilização	 dos	 testes	
tradicionais	para	determinação	da	germinação	e	vigor,	tem	buscado	encontrar	novas	
características	que	possibilitem	a	detecção	de	estádios	iniciais	de	deterioração.	
Portanto,	 é	 necessário	 identificar	 quais	 os	 fatores	 que	 afetam	 a	 qualidade	
fisiológica	das	sementes,	proporcionando	compreensão	por	sobre	os	aspectos	produtivos	
particulares	 de	 cada	 espécie/cultura/variedade.	 Essas	 informações	 serão	 aportadas	
de	início	pela	compreensão	de	suas	estruturas	–	como	visto	na	unidade	1	–	bem	como	
aqueles	fatores	apresentados	nesta	unidade:	as	características	químicas	das	sementes.
Tais	 características	 possuem	 funções	 bioquímico-metabólicas	 específicas,	
as	quais	estarão	atuando	no	processo	de	germinação	e	 influenciando	em	seu	vigor	e	
qualidade,	 levando	 ao	 entendimento	 de	 sua	 longevidade.	 Fator	 este	 último	 que	 será	
determinante	para	que	futuramente	possamos	entender	os	meios	e	processos	necessários	
que	proporcionarão	o	beneficiamento	e	armazenamento	das	sementes.	
Acadêmico,	no	Tema	de	Aprendizagem	3,	abordaremos	os	principais	fatores	que	
contribuem	para	a	qualidade	fisiológica	das	sementes,	entendendo	como	cada	um	deles	
atuará	de	modo	individual,	e,	assim,	podermos	entender	sua	atuação	por	sobre	a	semente.
106
2 FATORES QUE AFERAM A QUALIDADE DA FISIOLOGIA 
EM SEMENTES
Marcos	 Filho	 (2005	apud	Moraes	 2007)	 afirma	que	 a	 qualidade	fisiológica	 das	
sementes	 é	 diretamente	 influenciada	 pelo	 genótipo,	 atingindo	 seu	 máximo	 potencial	
na	maturidade.	No	entanto,	a	partir	desse	ponto,	as	alterações	degenerativas	começam	
a	 ocorrer,	 e	 a	 qualidade	 fisiológica	 pode	 ser	 mantida	 ou	 diminuída,	 dependendo	 das	
condições	 ambientais	 antes	 da	 colheita,	 dos	 cuidados	 durante	 a	 colheita,	 secagem,	
beneficiamento	e	das	condições	de	armazenamento.
Segundo	Silva	et al.	(1998	apud Moraes	2007),	é	amplamente	reconhecido	que	
o	uso	de	sementes	de	alta	qualidade	é	essencial	para	o	sucesso	de	uma	cultura.	No	
entanto,	o	teste	de	germinação,	que	é	o	único	indicador	oficial	da	qualidade	fisiológica	
das	sementes,	apresenta	algumas	limitações	que	afetam	sua	precisão	na	avaliação	da	
qualidade	das	sementes,	conforme	destacado	por	Vieira	et al.	(1994	apud	MORAES,	2007).	
Como	 resultado,	 os	pesquisadores	 têm	buscado	a	utilização	de	 testes	de	vigor	 para	
complementar	a	avaliação	da	qualidade	das	sementes.	Além	disso,	empresas	produtoras	
e	 instituições	 governamentais	 têm	 adotado	 esses	 testes	 em	 programas	 internos	 de	
controle	de	qualidade	e	garantia	da	qualidade	das	sementes	comercializadas,	conforme	
salientado	por	Marcos	Filho	(2005	apud	MORAES,	2007).
2.1 TESTE DE VIGOR EM SEMENTES
Segundo	Carvalho	e	Nakagawa	(2012),	um	teste	de	vigor	precisa	ser	de	execução	
rápida	e	fácil,	sem	necessidade	de	equipamentos	complexos	e	ter	baixo	custo.	Além	disso,	
deve	ser	aplicável	tanto	para	avaliar	a	vigor	de	uma	única	semente	quanto	de	um	lote	
delas,	sendo	eficiente	para	detectar	diferenças	de	vigor,	tanto	pequenas	quanto	grandes.
A	 instalação	de	uma	cultura	geralmente	é	efetuada	com	base	nos	
resultados	 do	 teste	 de	 germinação,	 realizado	 rotineiramente	 em	
laboratórios	de	análise	de	sementes.	Sua	condução	segue	instruções	
detalhadas	 apresentadas	 nas	 Regras	 para	 Análise	 de	 Sementes,	
editadas	 em	 diversos	 países,	 dentre	 os	 quais	 o	 Brasil	 (BRASIL,	
Ministério	 da	Agricultura,	 1992),	 e	 por	 organizações	 internacionais,	
como a International Seed Testing Association	(ISTA)	e	a	Association 
of Official Seed Analysts	(AOSA)		(MORAES,	2007,	p.	12).
O	teste	de	tetrazólio,	desenvolvido	por	Lakon	em	1939	e	posteriormente	
aperfeiçoado	 e	 divulgado	 por	Moore	 em	 1972	 (PRETE	 et	 al.,	 1993),	
baseia-se	 na	 atividade	 das	 desidrogenases	 nos	 tecidos	 vivos	
(MENEZEZ	et	al.,	1994).	Estas	enzimas	catalisam	reações	respiratórias	
nas	mitocôndrias	durante	a	glicólise	e	o	ciclo	do	ácido	Cítrico	(ciclo	de	
Krebs).	Durante	a	respiração	ocorre	a	liberação	de	íons	de	hidrogênio,	
com	os	quais	o	sal	2,3,5	trifenil	cloreto	de	tetrazólio,	ou	simplesmente	
tetrazólio,	 incolor	e	solúvel,	reage	formando	uma	substância	de	cor	
vermelha	e	insolúvel	denominada	formazam	(KRZYZANOSWSHI	et	al.,	
1991),	(MORAES,	2007,	p.	13).
107
A	seleção	de	amostras	de	sementes	para	o	teste	deve	ser	representativa	do	lote	
e	coletada	de	acordo	com	as	Regras	para	Análise	de	Sementes.	Os	testes	devem	ser	
realizados	em	duas	repetições	de	100	ou	quatro	repetições	de	50	sementes,	de	acordo	
com	 as	 orientações	 do	 (Brasil,	 1992	apud	MORAES,	 2007).	 Dependendo	 do	 objetivo,	
Piña-Rodrigues	e	Santos	(1988,	apud	Moraes,	2007)	e	Piña-Rodrigues	e	Valentini	(1995,	
apud	MORAES,	2007)	sugerem	diferentes	números	de	repetições	e	sementes	para	obter	
resultados	precisos.	Eles	 recomendam	o	uso	de	quatro	 repetições	de	 100	sementes,	
que	 podem	 ser	 reduzidas	 para	 duas	 de	 100	 sementes	 (boa	 estimativa),	 duas	 de	 50	
sementes	e/ou	uma	de	100	sementes	(informações	confiáveis),	ou	uma	de	50	sementes	
(estimativa	aproximada).
Existem	várias	opções	de	concentrações	dasolução	de	tetrazólio	disponíveis	
para	o	teste,	que	podem	ser	escolhidas	com	base	na	espécie	avaliada,	no	método	de	
preparação	das	sementes	e	na	permeabilidade	do	tegumento.	No	entanto,	devido	ao	
alto	custo	do	sal	e	à	necessidade	de	detectar	facilmente	distúrbios	de	coloração	dos	
tecidos	e	diferentes	tipos	de	injúrias,	é	preferível	usar	concentrações	mais	baixas.	As	
concentrações	 mais	 comuns	 são	 0,075%,	 0,1%,	 0,2%,	 0,5%	 e	 1,0%.	 No	 entanto,	 nos	
últimos	anos,	o	preço	do	sal	de	tetrazólio	tem	diminuído	graças	à	produção	por	várias	
empresas,	o	que	o	torna	mais	acessível	ao	consumidor	final.	É	importante	ressaltar	que	
concentrações	mais	baixas	dificultam	a	visualização	adequada	(MARCOS	FILHO,	2005 
apud	MORAES,	2007).
Segundo	FRANÇA	NETO	et al.	(1998	apud	MORAES,	2007),	é	necessário	que	a	
solução	de	tetrazólio	esteja	com	pH	entre	6	e	8	para	se	obter	uma	coloração	apropriada.	
Já	PIÑA-RODRIGUES	e	SANTOS	(1998, apud	MORAES,	2007)	afirmam	que	soluções	ácidas	
não	proporcionam	uma	coloração	ideal,	pois	interferem	na	velocidade	e	intensidade	da	
coloração	dos	tecidos,	o	que	pode	dificultar	a	interpretação	dos	resultados.	De	acordo	
com	Moraes	(2007,	p.	14-15):	
Entretanto,	para	se	obter	uma	coloração	mais	rápida	recomenda-se	
colocar	as	sementes	em	recipientes	com	solução	de	tetrazólio	e	levá-
las	à	estufa	com	temperatura	entre	35	e	40	ºC	(FRANÇA	NETO	et al.,	
1998).	Para	espécies	florestais	recomenda-se	o	uso	de	temperaturas	
entre	30	e	40	ºC	(PIÑA-RODRIGUES;	VALENTINI,	 1995).	A	utilização	
de	 temperaturas	 superiores	 a	 45	 ºC	 não	 é	 recomendada.	 Em	
temperaturas	acima	de	45	ºC	poderá	ocorrer	a	inativação	de	enzimas.
Conforme	Piña-Rodrigues	e	Santos	(1988),	a	velocidade	com	que	o	sal	
de	tetrazólio	atinge	os	tecidos	das	sementes	colorindo-os,	depende	
do	número	de	barreiras	que	este	encontra.	Em	muitas	espécies,	o	
preparo	da	semente	se	faz	necessário	visando	uma	rápida,	mas	não	
brusca,	penetração	de	tetrazólio.	Entre	os	métodos	de	preparo	mais	
utilizados	encontram-se	a	punção,	o	corte	e	a	retirada	do	tegumento.	
A	 remoção	 do	 tegumento	 das	 sementes	 de	 amendoim,	 antes	 de	
serem	submetidas	à	solução	de	tetrazólio,	embora	seja	uma	operação	
delicada	e	trabalhosa,	possibilita	reduzir	em	torno	de	5	horas	o	tempo	
necessário	para	que	estas	adquiram	a	coloração	necessária.
108
O	 processo	 de	 embebição	 das	 sementes	 antes	 da	 realização	 do	 teste	 é	
responsável	pelo	amolecimento	das	mesmas,	o	que	facilita	a	remoção	do	tegumento	
e	a	preparação	dos	cortes,	além	de	ativar	o	sistema	enzimático	para	permitir	a	penetração	
da	solução	de	tetrazólio	e	o	desenvolvimento	de	uma	coloração	mais	clara	e	evidente.	
Embora	 a	 remoção	 do	 tegumento	 após	 o	 pré-condicionamento	 possa	 proporcionar	
maior	uniformidade	e	rapidez	no	desenvolvimento	da	coloração,	a	ocorrência	de	danos	
ao	 embrião	durante	 esse	processo	pode	afetar	 os	 resultados	 (MARCOS	FILHO,	 2005	
apud MORAES,	2007	).
É	fundamental	que	as	sementes	permaneçam	imersas	na	solução	de	tetrazólio	
durante	o	período	de	coloração,	em	um	ambiente	sem	luz,	visto	que	esta	pode	interferir	
na	coloração	da	solução,	prejudicando	a	interpretação	do	teste.	É	importante	ressaltar	
que	o	 sal	 de	 tetrazólio	 é	 altamente	 sensível	 à	 luz,	 o	que	pode	 resultar	 em	falhas	na	
reação	 com	 o	 hidrogênio	 ou	 na	 formação	 de	 formazan.	 O	 tempo	 necessário	 para	 o	
desenvolvimento	da	coloração	varia	de	espécie	para	espécie,	contudo,	normalmente	
situa-se	entre	30	e	240	minutos.	(MARCOS	FILHO,	2005	apud	MORAES,	2007).	
Após	o	período	de	coloração,	as	sementes	devem	ser	lavadas	e	mantidas	em	
água	até	o	momento	da	avaliação.	Caso	não	seja	possível	realizar	a	análise	imediatamente	
após	 a	 coloração,	 é	 possível	 manter	 as	 sementes	 em	 ambiente	 refrigerado	 por	 um	
período	de	até	 12	horas.	Para	espécies	florestais,	é	possível	manter	as	sementes	em	
água,	no	escuro,	no	refrigerador,	por	até	24	horas	(1995,	PIÑA-RODRIGUES;	VALENTINI,	
1995,	FRANÇA	NETO	et al.	1998, apud	MORAES,	2007).
Segundo	DIAS	e	BARROS	(1999	apud MORAES,	2007),	para	tornar	a	interpretação	
do	teste	de	tetrazólio	mais	eficiente	e	menos	cansativa,	é	recomendável	realizar	a	análise	
sob	 uma	 lupa	 de	 seis	 aumentos	 (6X),	 com	 iluminação	 fluorescente.	 A	 avaliação	 da	
viabilidade	das	sementes	deve	ser	feita	 individualmente,	observando-se	tanto	os	danos	
internos	quanto	externos,	sua	extensão	e	localização.	É	importante	dar	maior	atenção	
à	cor,	à	localização	das	manchas,	à	presença	de	fraturas	e	à	turgescência	dos	tecidos,	
conforme	 recomendado	 por	 PIÑA-RODRIGUES	 e	 VALENTINI	 (1995	 apud	 MORAES,	
2007).	Vale	ressaltar	que,	durante	a	interpretação	do	teste,	não	se	deve	focar	apenas	
na	coloração,	devendo-se	observar	também	a	turgescência	dos	tecidos	e	a	ausência	
de	fraturas	ou	lesões	em	regiões	vitais	da	semente,	como	alertado	por	MARCOS	FILHO	
(2005	apud	MORAES,	2007).
Tecidos	saudáveis	e	vigorosos	tendem	a	colorir	de	forma	uniforme	e	gradual,	
apresentando-se	com	turgidez	quando	embebidos.	A	presença	de	coloração	vermelho	
intenso	pode	indicar	tecidos	que	estão	em	processo	de	deterioração,	os	quais	possuem	
membranas	celulares	comprometidas	que	permitem	a	difusão	mais	fácil	da	solução	de	
tetrazólio.	Quando	esses	tecidos	são	expostos	ao	ar,	perdem	rapidamente	sua	turgidez	
em	comparação	com	os	tecidos	saudáveis.	A	cor	branca	pode	indicar	tecidos	mortos	e	
flácidos	que	não	possuem	atividade	enzimática	suficiente	para	produzir	trifenilformazam	
(FRANÇA	NETO	et al.,	1998	apud MORAES,	2007).
109
O	teste	de	tetrazólio	tem	se	mostrado	uma	ferramenta	promissora	na	avaliação	
da	viabilidade	de	sementes	florestais,	especialmente	em	espécies	que	apresentam	um	
longo	período	de	germinação,	tornando	difícil	a	obtenção	de	resultados.	No	entanto,	para	
a	maioria	das	espécies,	ainda	é	necessário	estabelecer	procedimentos	padronizados,	
divulgá-los	e	utilizá-los	de	forma	rotineira	para	uma	melhor	aplicação	do	teste	(PIÑA-
RODRIGUES;	VALENTINI,	1995	apud	MORAES,	2007).	
2.2 TESTE DE CONDUTIVIDADE ELÉTRICA
O	 teste	 de	 condutividade	 elétrica	 é	 considerado	 um	 dos	 mais	 importantes	
para	avaliar	o	vigor	de	sementes,	tanto	pela	 ISTA	como	pela	AOSA.	Esse	teste	possui	
base	teórica	sólida,	é	objetivo,	rápido,	fácil	de	realizar	e	pode	ser	padronizado	como	um	
teste	de	rotina	devido	à	sua	alta	reprodutibilidade	(VIEIRA;	KRZYZANOWSKY,	1999,	apud 
MORAES,	2007).	O	princípio	da	condutividade	elétrica	está	relacionado	ao	aumento	da	
permeabilidade	da	membrana	conforme	a	semente	se	deteriora,	que	é	causado	pela	
desestruturação	das	membranas.	Esse	teste	é	baseado	na	modificação	da	resistência	
elétrica,	que	é	causada	pela	lixiviação	de	eletrólitos	dos	tecidos	da	semente	para	a	água	
destilada	em	que	ficou	imersa,	ou	seja,	na	capacidade	da	membrana	em	regular	o	fluxo	
de	entrada	e	saída	dos	solutos	(CARVALHO,	1994	 apud	MORAES,	2007).
As	 pesquisas	 relacionadas	 com	 o	 teste	 de	 condutividade	 elétrica	 foram,	 em	
grande	parte,	conduzidas	com	sementes	de	ervilha	e,	posteriormente,	com	sementes	de	
soja.	Assim,	as	principais	modificações	realizadas	no	teste	para	obtenção	de	resultados	
confiáveis	foram	obtidas	a	partir	de	experimentos	com	essa	espécie	(DIAS	e	MARCOS	
FILHO,	1995	apud MORAES,	2007).	A	partir	daí,	a	medição	da	condutividade	elétrica	na	
solução	de	embebição	das	sementes	passou	a	ser	estudada	e	utilizada	para	diferentes	
espécies	(MARCOS	FILHO,	2005	apud MORAES,	2007).
O	 teste	 de	 condutividade	 elétrica	 tem	 sido	 amplamente	 utilizado	 no	 Brasil	
para	avaliar	a	qualidade	fisiológica	de	sementes	de	milho	e	soja,	e	recentemente	tem	
sido	testado	em	algumas	espécies	florestais	com	o	objetivo	de	adaptar	a	metodologia.	
Sua	aplicação	 tem	se	mostrado	promissora	para	determinar	 a	qualidade	de	 lotes	de	
sementes(	VIEIRA	et al.,	1995,	DIAS;	MARCOS	FILHO,	1995	apud MORAES,	2007)	.
A	condutividade	elétrica	pode	ser	avaliada	fisicamente	por	meio	de	equipamentos	
que	monitoram	 a	 qualidade	 do	 exsudato	 das	 sementes	 liberadopara	 o	meio	 externo	
quando	colocadas	em	água.	Existem	duas	opções	de	avaliação:	a	condutividade	de	massa	
ou	sistema	de	copo,	que	avalia	as	sementes	como	um	todo	(em	conjunto),	e	a	avaliação	
individual	da	condutividade	de	cada	semente,	(HAMPTON,1995	apud	MORAES,	2007).
110
A	quantidade	e	a	 intensidade	de	material	 lixiviado	são	 influenciadas	pelo	nível	
de	 vigor	 das	 sementes,	 que	 por	 sua	 vez,	 está	 relacionado	 à	 permeabilidade	 de	 suas	
membranas.	Esses	solutos	apresentam	propriedades	eletrolíticas	e	carga	elétrica,	o	que	
permite	 que	 sejam	 detectados	 por	 aparelhos	 especializados,	 como	 condutivímetros.	
Portanto,	a	avaliação	da	quantidade	de	solutos	lixiviados	é	um	método	importante	para	
determinar	a	qualidade	fisiológica	das	sementes	(PAIVA	AGUERO,	1995 apud	MORAES,	2007).
A	 condutividade	 elétrica	 tem	 como	 finalidade	 avaliar	 o	 vigor	 de	
sementes,	 uma	 vez	 que	 sementes	 com	 baixo	 vigor	 apresentam,	
geralmente,	 certa	 desorganização	 na	 estrutura	 das	 membranas,	
proporcionando	 um	 aumento	 na	 quantidade	 de	 lixiviados	 que	 são	
exsudados	pelas	células.	Como	consequência,	isto	resulta	em	maior	
perda	 de	 açúcares,	 aminoácidos,	 enzimas,	 nucleosídeos,	 ácidos	
graxos	e	íons	inorgânicos,	tais	como	K+,	Ca+,	Mg+ e Na+	(AOSA,	1983 
apud	MORAES,	2007,	p.19-20).
O	 aumento	 na	 quantidade	 de	 eletrólitos	 presentes	 na	 água	 de	 embebição	 é	
diretamente	 associado	 à	 deterioração	 das	membranas	 das	 sementes,	 o	 que	 resulta	
na	perda	de	controle	da	permeabilidade	dessas	membranas.	Com	o	aumento	do	grau	
de	 deterioração,	 a	 capacidade	 de	 reorganização	 das	 membranas	 celulares	 diminui,	
resultando	em	uma	redução	na	germinação	e	no	vigor	das	sementes,	como	observado	
por	Lin	(1990,	apud	MORAES,	2007)	em	sementes	de	feijão.	O	teste	de	condutividade	
elétrica	mede	a	condutividade	total	dos	solutos	lixiviados,	sem	diferenciar	a	quantidade	
ou	a	importância	relativa	de	cada	um	desses	compostos.	No	entanto,	pesquisas	na	área	
indicam	que	os	íons	inorgânicos	têm	uma	participação	mais	significativa.	De	fato,	alguns	
autores,	como	Marcos	Filho	(2005, apud	MORAES,	2007),	utilizaram	a	liberação	isolada	
de	potássio	como	um	teste	de	vigor	para	sementes	de	soja.
Acredita-se	que	a	integridade	e	a	organização	das	membranas	das	sementes	
não	são	completamente	estabelecidas	imediatamente	após	a	embebição	e	podem	levar	
alguns	minutos	para	serem	completadas.	Com	o	tempo,	a	situação	pode	mudar	à	medida	
que	as	membranas	retornam	naturalmente	à	sua	configuração	mais	estável	ou	por	meio	
de	algum	mecanismo	enzimático	ainda	não	claramente	 identificado.	No	entanto,	 em	
sementes	mais	deterioradas	ou	 inviáveis,	 esses	mecanismos	de	 reparo	podem	estar	
ausentes	ou	serem	 ineficazes,	ou	as	membranas	podem	estar	tão	danificadas	que	o	
reparo	é	impossível	(BEWLEY;	BLACK,	1994	apud	MORAES,	2007).	
O	teste	de	condutividade	elétrica	é	considerado	um	método	de	vigor	confiável,	
pois	possui	fundamentos	teóricos	sólidos,	está	bem	relacionado	com	a	emergência	das	
plantas	no	campo	e	é	reproduzível.	Entretanto,	assim	como	outros	testes	que	utilizam	
as	propriedades	da	membrana	para	avaliar	o	potencial	de	germinação,	a	condutividade	
elétrica	é	influenciada	por	vários	fatores.	Esses	fatores,	que	afetam	as	membranas	e	o	
tegumento	das	sementes,	podem	ter	um	impacto	direto	ou	indireto	nos	resultados	do	
teste	de	condutividade	elétrica	(POWELL,	1998	apud	MORAES,	2007).
111
3 LONGEVIDADE DAS SEMENTES
Alguns	 aspectos	 para	 determinação	 da	 qualidade	 das	 sementes	 devem	 ser	
analisados	e	descritos	para	que	se	 tenham	 informações	consistentes	acerca	de	 sua	
qualidade	fisiológica,	e,	consequentemente	uma	boa	produtividade.
A	longevidade	é	definida	como	sendo	a	capacidade	que	uma	semente	
quiescente	 tem	 de	 permanecer	 viável	 por	 longos	 períodos	 durante	 o	
armazenamento.	 A	 longevidade	 das	 sementes	 é	 uma	 característica	
importante	para	a	conservação	de	sementes	de	forma	ex	situ	em	bancos	
de	germoplasma.	A	longevidade	também	tem	importância	na	conservação	
in	situ	no	banco	de	sementes	do	solo	em	áreas	agrícolas	e	também	em	
áreas	de	floresta.	Portanto,	a	longevidade	é	uma	característica	importante	
do	 ponto	 de	 vista	 ecológico,	 agronômico	 e	 econômico.	 Na	 verdade,	
os	 estudos	 que	 têm	 sido	 conduzidos	 para	 analisar	 a	 longevidade	 das	
sementes	 têm	 investigado	 os	 mecanismos	 que	 indiretamente	 estão	
associados	com	deterioração	de	sementes,	envelhecimento	e	perda	de	
vigor	da	semente	(SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018,	p.32).
A	 viabilidade	 das	 sementes	 pode	 variar	 consideravelmente,	 desde	 algumas	
poucas	 horas	 até	 centenas	 de	 anos.	 Exemplos	 de	 sementes	 com	 longevidade	
comprovada	 incluem	Cassia multijuga,	 coletada	em	1776	e	germinada	com	sucesso	em	
1934	após	158	anos,	além	de	Cassia	bicapsularia,	com	115	anos,	e	Mimosa glomerata,	
com	81	anos	 (BEWLEY	et al.,	 2013	apud SILVA;	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).	Algumas	
espécies	apresentam	naturalmente	maior	ou	menor	longevidade	em	relação	a	outras.	
Na	literatura,	há	relatos	de	sementes	com	longevidade	de	poucos	dias,	como	Avicennia 
marina,	e	de	centenas	de	anos,	como	Malva rotundifolia e Verbascum blattaria	(BEWLEY	
et al.,	 2013;	 apud SILVA;	 OLIVEIRA;	 PEREIRA,	 2018).	 Geralmente,	 a	 longevidade	 das	
sementes	é	adquirida	após	a	aquisição	da	tolerância	à	dessecação	durante	o	processo	de	
desenvolvimento	da	semente,	conforme	ilustrado	na	Figura	1.
Figura 1 – Representação esquemática dos principais parâmetros interativos que determinam 
a longevidade de sementes ao longo do tempo e em relação à germinação
Fonte: adaptada de Rajjou e Debeaujon (2008 apud SILVA; OLIVEIRA; PEREIRA, 2018, p.34)
112
Conforme	apontado	por	Silva,	Oliveira,	Pereira	(2018,	p.34),	sugere-se	que:		
os	 mecanismos	 envolvidos	 com	 proteção	 das	 sementes	 durante	
aquisição	de	tolerância	à	dessecação	estão	também	envolvidos	na	
manutenção	da	viabilidade	durante	o	armazenamento	 (SANO	et al. 
2015).	De	acordo	com	Probert	et al.	(2007),existem	três	tipos	de	perfil	
de	aquisição	de	longevidade	que	podem	ser	observados	em	relação	
à	 abscisão	do	 fruto	ou	da	dispersão	da	 semente:	 1)	 a	 longevidade	
aumenta	 progressivamente	 durante	 a	 fase	 pós-abscisão.	 Esse	
perfil	 é	 encontrado	 nas	 sementes	 de	 tomate,	 pimenta	 e	 arroz;	 2)	
no	milheto,	 cevada	 e	mostarda	 selvagem,	 a	 longevidade	 aumenta	
e	 depois	 diminui	 gradualmente	 antes	 da	 dispersão	 das	 sementes.	
Este	 perfil	 também	 ocorre	 em	 sementes	 de	 Medicago truncatula 
(CHATELAIN	 et al.	 2012);	 3)	 as	 sementes	 de	 Digitalis purpúrea e 
Ranunculus sceleratus são	 caracterizadas	 por	 aumento	 constante	
na	 longevidade	 ao	 longo	 do	 desenvolvimento,	 após	 o	 período	 de	
abscisão	e	dispersão.
Os	resultados	indicam	que	a	qualidade	das	sementes,	ou	seja,	a	sua	capacidade	
de	germinação	e	sobrevivência,	geralmente	aumenta	à	medida	que	se	aproximam	da	
fase	de	dispersão	natural.	Isso	é	especialmente	verdadeiro	para	as	sementes	de	espécies	
que	não	são	cultivadas.	Essas	descobertas	têm	implicações	práticas	importantes	para	a	
coleta	e	o	armazenamento	prolongado	dessas	sementes	em	bancos	de	germoplasma.	É	
fundamental	 levar	em	consideração	esses	fatores	ao	realizar	essas	atividades	(SILVA;	
OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).
Apesar	 de	 ser	 amplamente	 reconhecida	 a	 importância	 da	 longevidade	 das	
sementes	 na	 agricultura,	 ainda	 há	 pouca	 compreensão	 sobre	 os	 mecanismos	 que	
determinam	 como	 as	 sementes	 adquirem	 essa	 capacidade.	 Estudos	 sugerem	 que	
proteínas	como	as	LEA,	proteínas	de	choque	térmico	 (HSP)	e	açúcares	não	 redutores	
podem	desempenhar	um	papel	fundamental	na	aquisição	e	manutenção	da	longevidade	
(SILVA,	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018).	Além	disso,	antioxidantes	como	a	glutationa	(KRANNER	
et al.,	2006 apud	SILVA,	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018),	tocoferóis	e	flavonoides	presentes	
no	tegumento	(DEBEAUJON	et al.,	2000 apud	SILVA,	OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018)	também	
podem	desempenhar	um	papel	importantena	manutenção	da	longevidade,	ao	reduzir	a	
oxidação	que	ocorre	durante	o	armazenamento.	Rajjou	e	Debeaujon	(2008	apud SILVA,	
OLIVEIRA;	PEREIRA,	2018)	propuseram	um	modelo	esquemático	que	ilustra	os	principais	
fatores	envolvidos	na	perda	de	longevidade	das	sementes,	bem	como	os	processos	que	
atuam	na	manutenção	da	longevidade	durante	o	armazenamento.
A	qualidade	fisiológica,	como	visto,	é	uma	característica	estritamente	fundamental	
para	as	sementes,	Nesse	contexto,	é	 importante	compreender	não	apenas	a	estrutura	
fífica,	mas	compreender	como	estas	estarão	influenciando	em	todo	o	desenvolvimento,	
desde	 à	 germinação	 até	 o	 desenvolvimento	 das	 plantas.	 Ainda,	 as	 estruturas	 das	
sementes	 também	atuarão	 em	 conjunto	 com	a	 composição	 química,	 assim,	 podendo	
sendo	importante	entender	as	possibilidades	de	dormência	e	maturação,	bem	como	os	
mecanismos de superação da primeira. 
113
LEITURA
COMPLEMENTAR
OS BANCOS DE SEMENTES QUE CONSERVAM O 
FUTURO DA ALIMENTAÇÃO NO BRASIL
Sibélia	Zanon
Numa	ilha	na	Lagoa	dos	Patos,	bem	ao	sul	do	estado	do	Rio	Grande	do	Sul,	uma	
senhora	guardava	um	tesouro	na	geladeira.	Há	anos	uma	gaveta	abrigava	o	presente	
que	havia	ganhado	de	casamento:	sementes	de	feijão	e	de	espécies	de	abóbora.
“Ela	disse	que	 ia	me	dar	as	sementes	que	ganhou	da	sogra”,	conta	Rosa	Lía	
Barbieri.	“Eram	sementes	de	uma	abóbora	que	eles	chamam	de	abóbora	gila	(Cucurbita 
ficifolia),	que	se	usa	muito	para	fazer	doce”,	diz	a	pesquisadora	da	Empresa	Brasileira	
de	 Pesquisa	Agropecuária	 (Embrapa)	 que,	 na	 época,	 era	 responsável	 pelo	 banco	 de	
germoplasma	de	cucurbitáceas.
Hoje,	 as	 sementes	 de	 abóbora	 doadas	 pela	 agricultora	 e	 por	 muitos	 outros	
agricultores	de	todo	o	Brasil	estão	preservadas	em	geladeiras	ainda	mais	especializadas:	
os	bancos	de	germoplasma	da	Embrapa.	A	parceria	entre	pesquisadores	e	agricultores	
é	preciosa	para	alimentar	a	coleção	de	164	bancos	espalhados	pelas	cinco	regiões	do	
país,	guardando	recurso	genético	ou	material	reprodutivo	de	plantas	relevantes	para	a	
alimentação	e	a	agricultura.
A	coleção	de	sementes	da	Embrapa	conta	hoje	com	cerca	de	120	mil	amostras	
de	 quase	 700	 espécies	 agrícolas,	 coletadas	 ao	 longo	 dos	 49	 anos	 de	 existência	 da	
estatal.	Todas	elas	conservadas	a	20	graus	centígrados	abaixo	de	zero.
“Em	resumo,	a	gente	tem	três	formas	de	conservar.	Conservamos	as	sementes	
a	baixas	temperaturas,	em	culturas	de	tecidos	[tubos	de	ensaio	com	crescimento	lento],	
ou	as	plantas	no	campo”,	conta	Rosa	Lía	sobre	a	diversidade	dos	bancos	de	germoplasma.
O	 feijão,	 o	 arroz,	 o	 milho	 e	 as	 abóboras	 produzem	 sementes	 chamadas	
ortodoxas,	que	podem	ser	armazenadas	em	baixa	umidade	e	temperatura	em	câmaras	
frias,	durando	por	séculos.	Já	a	manga,	o	pêssego	e	o	abacate	produzem	sementes	
ditas	recalcitrantes,	que	não	suportam	o	frio	e,	para	germinar,	precisam	ser	usadas	logo	
após	colhidas.	Nesse	caso,	o	banco	de	germoplasma	se	traduz	em	uma	plantação	no	
campo.	Em	diversas	localidades	do	país,	são	mantidos	os	bancos	de	fruteiras	nativas,	
apelidados	afetivamente	de	arca	de	Noé	das	frutas	nativas	brasileiras.
114
“O	 banco	 de	 castanha-do-pará	 [também	 chamada	 castanha-do-brasil],	 por	
exemplo,	fica	no	Pará,	na	Embrapa	Amazônia	Oriental,	e	as	plantas	são	cultivadas	no	
campo.	A	gente	não	consegue	conservar	a	semente	da	castanha-do-pará	por	muito	
tempo,	ela	perde	a	viabilidade”,	diz	Rosa	Lía.	“Temos	vários	bancos	de	germoplasma	de	
frutas	da	Amazônia,	como	cupuaçu	e	camu-camu,	mantidos	no	campo”.
Nos	últimos	50	anos	a	produtividade	da	agricultura	foi	afetada	mundialmente	
pelas	 mudanças	 climáticas.	 O	 último	 relatório	 do	 Painel	 Intergovernamental	 sobre	
Mudanças	Climáticas	 (IPCC,	 na	 sigla	 em	 Inglês)	 sugere	que	 eventos	 extremos	 como	
secas,	ondas	de	calor	e	enchentes	terão	 impacto	sobre	a	agricultura	no	Brasil.	Num	
panorama	de	altas	emissões,	estudos	mostram	que	a	produção	de	arroz	poderia	cair	6%,	
a	produção	de	trigo	21%,	e	a	de	milho	10%.
“A	questão	das	mudanças	climáticas,	com	o	possível	degelo	das	calotas	polares,	
foi	um	fator	levado	em	conta.	Tanto	é	que	o	Banco	Mundial	de	Sementes	de	Svalbard	
foi	construído	a	130	metros	acima	do	mar”,	conta	Rosa	Lia,	que	também	ocupa	uma	
cadeira	no	Painel	Consultivo	Internacional	na	gestão	do	Banco	Global	de	Sementes	de	
Svalbard,	localizado	em	Longyearbyen,	a	cidade	mais	ao	norte	do	planeta,	no	meio	do	
Oceano Ártico.
Por	 lá,	 não	 são	 pastores	 alemães	 ou	 gansos	 que	 cuidam	 da	 segurança.	 O	
arquipélago	norueguês	de	Svalbard	conta	com	quase	mil	ursos	polares,	um	para	cada	três	
pessoas.	Inaugurado	em	fevereiro	de	2008	com	o	objetivo	de	conservar	a	biodiversidade	
das	 espécies	 de	vários	 cultivos	 do	mundo,	 o	 cofre	 de	 sementes	 da	 humanidade	 foi	
escavado	em	rocha	sólida	de	montanha	para	resistir	às	catástrofes	climáticas	e	até	a	
uma	explosão	nuclear.	A	porta	de	aço	repleta	de	sistemas	de	segurança	abre	passagem	
para	um	túnel	de	125	metros	de	comprimento	que	conduz	a	três	câmaras	refrigeradas	
a	18	graus	centígrados	negativos,	capazes	de	armazenar	4,5	milhões	de	amostras	de	
sementes.
O	também	chamado	“Cofre	de	sementes	do	fim	do	mundo”	já	guarda	mais	de	1	
milhão	de	amostras.	Caixas	lacradas	com	a	bandeira	do	Brasil	e	recheadas	de	sementes	
de	 arroz,	 feijão,	 pimenta,	 cebola,	 abóbora,	 melão,	 melancia	 e	 milho	 integram	 suas	
prateleiras.	Uma	próxima	remessa	de	sementes	brasileiras	já	se	aproxima.
“As	 sementes	 já	 estão	 nas	 caixas,	 embaladas,	 e	 estamos	 na	 fase	 de	
documentação.	Em	breve	serão	remetidas	pelo	correio”,	diz	Rosa	Lía.	Nas	caixas	estão	
espécies	 forrageiras	 para	 alimentação	 de	 animais,	 variedades	 de	 milho	 crioulo,	 de	
maracujá	e	de	caju.	“A	castanha	de	caju	se	comporta	como	semente	ortodoxa,	então	
estamos	enviando	as	primeiras	sementes	de	caju	para	Svalbard,	nenhum	país	enviou	
ainda	pra	lá”.
115
As	 sementes	 armazenadas	 no	 arquipélago	 norueguês	 continuam	 sendo	 de	
propriedade	de	quem	as	depositou	e	só	podem	ser	retiradas,	ou	repatriadas,	em	caso	
de	catástrofe.	A	primeira	retirada	de	sementes	do	cofre	foi	feita	em	2016	pela	Síria,	que	
teve	seus	bancos	locais	de	sementes	bombardeados.
Erosão genética 
Na	década	de	1990,	indígenas	do	povo	Krahô	chegaram	à	sede	da	Embrapa	em	
Brasília,	acompanhados	de	um	indigenista	da	Funai,	para	recuperar	antigas	variedades	
de	sementes	de	milho	que	haviam	desaparecido	de	suas	aldeias.
Um	movimento	messiânico	na	década	de	1950,	que	estimulava	o	abandono	das	
práticas	 tradicionais,	 associado	ao	 incentivo	de	 substituir	 as	 roças	pela	monocultura	
do	arroz	tinha	levado	os	Krahô	a	um	estado	de	pobreza	e	fome,	com	a	perda	de	grande	
parte	de	sua	variedade	agrícola,	inclusive	das	sementes	tradicionais	de	milho.
Os	indígenas	pediram	aos	gestores	e	pesquisadores	da	Embrapa	que	abrissem	
as	 câmaras	 frias	 para	 a	 busca.	 Foi	 a	 primeira	 vez	 que	 isso	 ocorreu	 por	 demanda	
comunitária.	Na	ocasião,	 quatro	variedades	de	milho,	 que	haviam	sido	coletadas	em	
décadas	anteriores	 junto	ao	povo	 indígena	Xavante,	foram	reconhecidas	pelos	Krahô	
como	exemplares	de	milho	da	sua	cultura.
“A	gente	gosta	de	brincar	que	os	Krahô	bateram	uma	flecha	no	Banco	de	Sementes	
da	Embrapa	porque	 fomos	 sensibilizados	por	 eles	 nesse	processo”,	 conta	Terezinha	Dias,	
pesquisadora	da	Embrapa	que	há	20	anos	coordena	ações	em	etnociência,	conservação	
de	recursos	genéticos	e	promoção	da	segurança	alimentar	junto	ao	povo	Krahô.
Naquela	 ocasião,	 cada	 cacique	 pôde	 levar	 para	 a	 sua	 aldeia	 de	 seis	 a	 oito	
sementes.	Depois	de	um	ano,	retornaram	a	Brasília	trazendo	sacos	de	sementes	que	
haviam	sido	multiplicadas	em	suas	roças.	A	partir	da	busca	dos	Krahô,	surgiu	a	parceria	
da	Embrapa	com	a	Kapéy,	União	das	Aldeias	Krahô,	 e	 a	Fundação	Nacional	do	 Índio	
(Funai),	gerando	um	diálogo	entre	sabedorias	tradicionais	e	saberes	científicos.
Uma	das	experiências	resultantes	da	parceria	é	a	interação	de	duas	estratégias	
de	conservação	desementes:	a	ex-situ,	que	é	a	conservação	fora	do	seu	ambiente,	
como	no	caso	dos	bancos	de	sementes	da	Embrapa,	e	a	on-farm,	que	é	a	conservação	
no	campo,	por	meio	do	constante	plantio,	como	ocorre	nas	roças	dos	Krahô.
O	processo	de	desvalorização	de	sementes	tradicionais	ou	crioulas	é	herança	
da	 Revolução	 Verde,	 movimento	 mundial,	 que	 em	 meados	 do	 século	 20	 passou	 a	
incentivar	o	aumento	da	produção	agrícola.	A	aposta	do	movimento	foi	na	mecanização,	
nos	agroquímicos,	e	nas	sementes	melhoradas	geneticamente	em	centros	de	pesquisa	
—	muitas	vezes	vulneráveis	e	pouco	adaptadas	a	variações	climáticas	e	ao	solo	de	cada	
região.	Consequência	adicional	foi	a	contaminação	de	plantios	tradicionais	pelo	pólen	
das	crescentes	lavouras	transgênicas.
116
“O	modelo	de	monocultivo	da	Revolução	Verde	foi	ampliado	no	mundo	inteiro	
e	as	empresas	que	começaram	a	trabalhar	com	agroquímicos	começaram	no	processo	
de	melhoramento	de	plantas”,	diz	Terezinha.	“As	empresas	já	chegavam	influenciando	
governos	 de	 cada	 país	 para	 que	 as	 leis	 de	 sementes	 locais	 proibissem	 o	 uso	 das	
sementes	tradicionais”.
O	 resultado	foi	 o	empobrecimento	da	agrobiodiversidade,	 com	a	extinção	de	
muitas	variedades	vegetais	e	a	perda	dos	conhecimentos	culturais	sobre	o	manejo	das	
espécies	—	processo	denominado	tecnicamente	de	erosão	genética.
Um	 dos	 esforços	 que	 têm	 sido	 empreendidos	 contra	 essa	 tendência	 são	 as	
feiras	de	sementes,	iniciadas	em	1997	pelo	povo	Krahô	depois	do	resgate	das	espécies	
de	 milho	 tradicionais.	 Desde	 então,	 diversas	 feiras	 foram	 realizadas	 para	 troca	 de	
sementes	e	saberes,	 incluindo	a	participação	de	outros	povos	 indígenas.	Em	2020,	a	
Feira	de	Sementes	Tradicionais	dos	Krahô	foi	uma	das	10	iniciativas	contempladas	com	
o	valor	 de	 50	mil	 reais	 pelo	Prêmio	BNDES	de	Boas	Práticas	 em	Sistemas	Agrícolas	
Tradicionais.
“Aqui	no	nosso	banco	de	sementes	ex-situ	a	gente	consegue	conservar	tudo?	
Claro	que	não.	Nós	temos	que	ter	parcerias	com	os	 índios,	 com	os	quilombolas”,	 diz	
Terezinha.	“Os	territórios	indígenas	são	arcas	de	conservação.	Se	a	gente	tem	um	banco	
de	 sementes	 aqui,	 imagina	 o	 que	 tem	 dentro	 dessas	 comunidades?	 Uma	 coisa	 é	 a	
semente	que	você	coleta	e	que	fica	parada	aqui,	congelada.	Outra	coisa	é	a	semente	
que	está	na	mão	do	agricultor,	que	ele	vai	adaptando”.	
Fonte: Disponível em: http://twixar.me/9gxm. Acesso em: 20 jan. 2023. 
117
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Utilizar	sementes	de	alta	qualidade	é	fator	preponderante	para	obtenção	de	sucesso	
na	atividade	agrícola,	 independentemente	da	cultura	empregada.	A	qualidade	das	
sementes	 é	 influenciada	 por	 diversos	 fatores	 durante	 o	 processo	 de	 produção,	
colheita,	beneficiamento	e	armazenamento.	
•	 A	 qualidade	 fisiológica	 das	 sementes	 é	 influenciada	 diretamente	 pelo	 genótipo,	
sendo	 máxima	 por	 ocasião	 da	 maturidade.	 Este	 último	 acarretará	 em	 alterações	
degenerativas	 começam	 a	 ocorrer,	 de	modo	 que	 a	 qualidade	 fisiológica	 pode	 ser	
mantida	ou	decrescer,	dependendo	das	condições	de	manejo	e	ambiente.	
•	 Os	testes	de	vigor	são	extremamente	 importante	para	se	 inferir	sobre	a	qualidade	
fisiológica	das	sementes,	pois,	além	do	teste	de	germinação,	os	testes	de	vigor	nos	
fornecem	 informações	acerca	da	viabilidade	fisiológica	das	sementes,	 implicando	em	
condições	ideais	para	manutenção	da	produtividade.	
•	 As	pesquisas	apontam	que	a	 longevidade	de	muitas	sementes,	principalmente	as	
de	espécies	não	cultivadas,	aumenta	continuadamente	até	a	sua	dispersão.	Embora	
esteja	bem	clara	a	 importância	da	 longevidade	na	agricultura,	pouco	se	sabe	sobre	
como	as	sementes	adquirem	longevidade.
RESUMO DO TÓPICO 3
118
1	 Após	compreensão	da	composição	química	das	sementes,	entendemos	que	alguns	
pontos	que	precisam	ser	analisados	para	que	tenhamos	 indicadores	de	qualidade	
fisiológica	 das	 sementes.	 Assim,	 acerca	 da	 qualidade	 fisiológica	 das	 sementes,	
assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Testes	de	vigor	das	sementes	são	utilizados	para	fins	de	mensuração	morfológica.
b)	 (			)	 A	qualidade	fisiológica	das	sementes	é	influenciada	diretamente	pelo	genótipo,	
sendo	máxima	por	ocasião	da	maturidade.
c)	 (			)	 Um	 teste	 de	 vigor	 deve	 ser	 rápido,	 de	 fácil	 execução,	 exigir	 equipamentos	
complexos	e	sempre	será	oneroso,	o	que	faz	com	que	seja	inacessivel.
d)	 (			)	 O	teste	de	germinação	é	mais	eficiente	para	se	 inferir	vigor	do	que	os	demais	
testes.
2	 Vários	testes	e	ensaios	podem	ser	utilizados	para	se	avaliar	a	qualidade	fisiológica	das	
sementes.	Com	base	nessa	perspectiva,	analise	as	sentenças	a	seguir.
I-	 A	amostra	de	sementes	a	ser	utilizada	na	 realização	de	testes	deve	ser	coletada	
conforme	disponibilidade	do	produtor.
II-	 No	teste	de	terazólio,	soluções	base	não	proporcionam	coloração	ideal,	pois	alteram	
a	velocidade	e	a	intensidade	de	coloração	dos	tecidos.
III-	 A	instalação	de	uma	cultura	geralmente	é	efetuada	com	base	nos	resultados	do	teste	
de	germinação,	realizado	rotineiramente	em	laboratórios	de	análise	de	sementes.	 
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	II	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 De	 acordo	 com	 os	 princípios	 abordados	 sobre	 os	 testes	 de	 vigor	 em	 sementes,	
classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(			)	 O	grau	de	umidade	não	influencia	o	comportamento	da	semente	quando	submetida	
às	mais	diferentes	situações	que	acompanham	todas	as	etapas	de	produção. 
(			)	O	teor	de	água	de	uma	semente	determina	o	seu	nível	de	atividade	metabólica.
(			)	A	semente	deve	atingir	a	sua	máxima	qualidade	fisiológica,	quando	o	conteúdo	de	
umidade	for	máximo.
AUTOATIVIDADE
119
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	F.
b)	 (			)	 V	–	F	–	V.
c)	 (			)	 F	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V.
4	 Para	que	uma	semente	tenha	uma	boa	qualidade,	alguns	parâmetros	são	avaliados	e	
considerados	para	tal,	assim	como	sua	qualidade	fisiológica	implicará	em	indicadores	
na	produtividade.	Nesse	sentido,	disserte	sobre	teste	de	tetrazólio	empregado	para	
se	avaliar	a	qualidade	fisiológica	das	sementes.
5	 Além	 do	 teste	 tetrazólio.	 Outros	 testes	 têm	 sido	 empregados	 para	 se	 avaliar	 a	
qualidade	fisiológica	das	sementes,	com	vários	princípios.	Assim,	explique	o	que	é	e	
qual	o	princípio	fundamental	do	teste	de	condutividade	elétrica.
120
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126
127
FATORES QUE AFETAM 
E CONTRIBUEM PARA 
PRODUÇÃO DE SEMENTES
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender os procedimentos e fatores logísticos inerentes à produção de sementes;
•	 entender	o	processo	de	certificação	e	manutenção	de	qualidade	das	sementes;
•	 analisar	e	compreender	como	fatores	biológicos	afetam	a	qualidade	das	sementes;
•	 estudar	os	fatores	que	afetam	a	produtividade	das	sementes.
	 A	cada	tópico	desta	unidade	você	encontrará	autoatividades	com	o	objetivo	de	
reforçar	o	conteúdo	apresentado.
TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – CERTIFICAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DE SEMENTES
TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – BENEFICIAMENTO E ARMAZENAMENTO DE SEMENTES
TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – FITOSSANIDADE DE SEMENTES
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
128
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
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129
TÓPICO 1 — 
CERTIFICAÇÃO E FISCALIZAÇÃO 
DE SEMENTES
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
O	setor	de	produção	de	sementes	e	mudas	no	Brasil	funciona	sob	a	regência	do	
Ministério	da	Agricultura,	Pecuária	e	Abastecimento	(MAPA).	Esse	órgão	federal	estabelece	
procedimentos para a organização, sistematização e controle de toda produção e 
comercialização	de	sementes	e	mudas	no	país,	e	instituiu,	por	meio	da	Lei	nº	10.711,	de	
5	de	agosto	de	2003,	e	de	seu	Regulamento,	estabelecido	pelo	Decreto	nº	10.586,	de	18	
de	dezembro	de	2020,	o	Sistema	Nacional	de	Sementes	e	Mudas	(SNSM)	(BRASIL,	2020).	
O	referido	sistema	tem	por	objetivo	promover	a	garantia	de	identidade	e	de	qualidade	do	
material	biológico	(sementes	e	mudas)	de	multiplicação,	bem	como	a	reprodução	vegetal	
de	todo	material	que	por	estes	seja	produzido,	comercializado	e	utilizado	em	todo	o	país.	
A operacionalização do Registro Nacional de Sementes e Mudas 
(RENASEM),	do	Registro	Nacional	de	Cultivares	–	RNC,	do	Sistema	de	
Gestão	da	Fiscalização	(SIGEF);	a	edição	de	normas	para	produção	
e comercialização de material de propagação e dos padrões por 
espécie,	visando	a	garantias	de	identidade	e	qualidade;	e	a	fiscalização	
da	 produção,	 do	 beneficiamento,	 da	 amostragem,	 da	 análise,	 da	
certificação,	da	 reembalagem,	do	armazenamento,	do	transporte	e	
da comercialização e da utilização de sementes e mudas estão entre 
as	principais	atribuições	do	MAPA	(BRASIL,	2019).
Conforme	elucidam	Peske	e	e	Barros	(2003),	a	legislação	compreende	uma	expressão	
da	 política	 governamental,	 que	 é	 composta	 por	 objetivos	 econômicos	 e	 aspirações	
sociais,	onde	o	equilíbrio	entre	ambos	se	 reflete	nas	 leis	de	sementes,	as	quais	têm	a	
finalidade	fomentar	a	produção	e	proteger	o	agricultor	do	risco	de	utilizar	sementes	de	
baixa	qualidade.	Portanto,	não	é	fácil	assegurar	que	a	qualidade	da	semente	dentro	da	
embalagem	seja	aquela	que	o	agricultor	deseja.	Esse	fato	se	dá	por	vários	motivos,	pois	
as	sementes	de	plantas	daninhas,	por	exemplo,	podem	não	estar	facilmente	visíveis	e	o	
poder	germinativo	e	seu	vigor	não	pode	ser	mensurado	apenas	com	a	visualização	das	
sementes.	
Ainda,	 a	 utilização	 de	 semente	 de	 baixa	 qualidade	 pelos	 produtores	 pode	
fazer	com	que	este	esteja	exposto	à	perdas,	não	apenas	do	material	propagativo,	mas	
também	de	todo	um	ano	de	trabalho	e	investimentos,	ocasionando	perdas	financeiras	
severas.	Desse	modo,	a	Lei	protege	o	agricultor	para	a	fraude,	a	negligência	e	o	acidente,	
inclusive,	protege	também	ao	vendedor	em	casos	de	competidores	pouco	escrupulosos	
(PESKE;	BARROS,	2003).
130
Acadêmico,	no	Tema	de	Aprendizagem	1,	abordaremos	os	mecanismos	legais	que	
são	fundamentais	para	manutenção	da	qualidade	das	sementes.	Entenderemos	como	
esses	meios	são	necessários	e	como	contribuem	para	manutenção	da	cadeia	produtiva	
de	sementes,	bem	como	para	o	agronegócio	como	um	todo.	
2 O PROCESSO DE CERTIFICAÇÃO DAS SEMENTES
O	 processo	 de	 certificação	 e	 fiscalização	 de	 sementes	 é	 um	 percurso	 que	
demanda	uma	série	de	procedimentos	legais	para	que	possa	ocorrer	com	a	maior	lisura	
entre	 participantes	 produtivos	 e	 as	 entidades	 legais.	 Logo,	 entende-se	 que	 não	 são	
processos	que	possam	ser	desempenhados	por	quaisquer	pessoas	ou	grupos.
A	semente,	como	já	discutido	nas	unidades	anteriores,	é	a	unidade	vegetal	que	
leva	ao	agricultor	todo	o	potencial	genético	e	produtivo	de	uma	plantação,	ou	a	variedade	
com	características	superiores,	garantindo	a	produtividade	e	retorno	financeiro.	Na	sua	
atuação,	 o	melhorista	vegetal	 proporciona	ao	agricultor/produtor	que	a	utilização	de	
pequenas	quantidades	de	sementes	sejam	multiplicadas	para	que	possam	atingidos	
altos	 volumes	 de	 produtividade	 em	 escala	 comercial.	 Para	 que	 esse	 fenômeno	 seja	
possível,	a	qualidade	(fisiológica,	física	e	sanitária)	dessas	sementes	está	sujeita	a	uma	
série	de	fatores	que	proporcionam	todo	este	potencial	genético.	
O	agricultor,	por	sua	vez,	está	fazendo	aquisição	das	sementes	para	suas	lavouras	
e	tem	o	direito	do	retorno	financeiro	e	todo	o	tempo	investido	na	execução	das	tarefas,	
que	vão	desde	 antes	da	 semeadura	 até	 o	momento	da	 colheita.	 Portanto,	 a	 partir	 do	
momento	em	que	o	agricultor	realiza	a	semeadora	no	campo,	deverá	ocorrer	no	menor	
tempo	possível,	de	acordo	como	a	cultivar	ou	variedade,	a	obtenção	de	plantas	sadias	e	
vigorosas.	Ainda,	deverão	apresentar	características	fidedignas	às	respectivas	espécies,	
principalmente	no	que	se	diz	à	produtividade.	Podemos	abordar	ainda	que	o	processo	
de	produção	de	sementes	deve	possibilitar	resistência	e	eficiência	quanto	ao	ataque	de	
pragas.
Para	que	possam	ser	atingidos	os	objetivos	e	meta	dos	programas	de	produção	
de	 sementes,	 existe	um	esquema	de	 trabalho	que	é	genericamente	denominado	de	
sistema	de	produção	de	sementessob	controle,	ou	seja,	este	sistema	pressupõe	que	as	
sementes	produzidas	venham	a	ser	regidas	por	um	controle	rígido	em	detrimento	dos	
fatores	que	possam	afetar	sua	sanidade.	
Logo,	o	controle	da	qualidade	das	sementes	se	alonga	até	as	fases	de	produção	
e	comercialização,	não	ficando	restritos	ao	 local	onde	elas	estão	sendo	produzidas	e	
embaladas.	Desse	modo,	pode	ser	garantida	sua	qualidade	e	 identidade	genética,	os	
quais	são	fundamentais	para	obtenção	de	altas	produtividades.	
131
Contudo,	o	ramo	da	agricultura	brasileira	em	sua	totalidade	só	investiu	na	era	
da	produção	de	sementes	por	sistemas	controlados	a	partir	da	Lei	da	Semente	(Lei	nº	
4727	de	13/07/65).	Conforme	essa	Lei,	não	se	poderia	mais	realizar	a	comercialização	
de	sementes	no	Brasil	sem	que	estas	tivessem	sido	submetidas	a	testes	de	germinação	
e	pureza,	meio	que	proporcionou	melhorias	na	obtenção	de	material	genético	de	qualidade.	
Então,	esse	sistema	passa	a	ser	chamado,	genericamente,	de	sistema	de	fiscalização	
de	sementes.
2.1 QUEM PARTICIPA DA CERTIFICAÇÃO DE SEMENTES?
Conforme elucidam Barros Neto et al.	(2014,	pág.	99),	existem	algumas	entidades	
que	participam	da	certificação	de	 sementes.	 São	entidades	públicas	ou	privadas,	 as	
quais	 exercem	 a	 função	 controladora	 da	 certificação	 e	 fiscalização	 de	 sementes,	
desempenhando	vários	papéis,	os	quais	são	elencados	abaixo:
• Estabelece normas, padrões e procedimentos relacionados ao 
sistema	de	certificação/fiscalização;
•	 É	responsável	pela	eleição	e	recomendação	das	espécies	e	cultivares;
• É a controladora da origem e do número de gerações de 
multiplicação das sementes;
•	 Exerce	a	inspeção	das	diversas	etapas	do	processo	de	produção	
de	 sementes	 certificadas/fiscalizadas,	 nas	 fases	 de	 campo,	 de	
beneficiamento,	de	embalagem	e	de	loteamento,	com	autoridade	
para	aprovar	ou	rejeitar	o	serviço	que	está	sendo	feito;
•	 No	caso	do	sistema	de	certificação,	analisa	a	semente	produzida	
quanto	a	sua	qualidade	física,	fisiológica	e,	para	algumas	espécies,	
a	sanitária	e,	estando	ela	dentro	dos	padrões,	emite	certificado	e	
etiqueta. 
Outra	entidade	importante	no	que	trata	da	certificação	e	produção	de	sementes	
de	 qualidade	 é	 a	 entidade	 produtora,	 sendo	 esta,	 compreendida	 como	 entidade	
juridicamente	responsável,	perante	o	público	consumidor,	pela	qualidade	das	sementes	
que	comercializa	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	No	sistema	de	fiscalização	de	sementes,	
o compromisso da entidade produtora é ainda mais sério ao se contrapor aos demais, 
uma	vez	que	ela	mesma	é	 responsável	pelas	análises	das	sementes	que	ela	mesma	
produz e emite seus Atestados de Garantia	de	qualidade	por	meio	de	um	Responsável	
Técnico,	o	qual	também	compreende	à	própria	entidade.	Em	quaisquer	um	dos	casos,	
é	 corriqueiro	 que	 a	 comercialização	 das	 sementes	 seja	 realizada	 por	 meio	 de	 um	
representante	comercial	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
Ainda,	 temos	o	cooperante,	o	qual	compreende	a	pessoa	em	cujas	terras	as	
sementes	serão	produzidas.	Quando	a	entidade	produtora	não	tem	condições	de	produzir	
sozinha	toda	a	semente	que	pretende	em	seu	planejamento,	entra	em	cena	a	figura	dos	
cooperantes	(podendo	também	ser	denominados	cooperados	ou	cooperações).	Desse	
modo,	busca-se	em	sua	região	de	produção	o	auxílio	de	agricultores	que,	por	meio	de	
contratos	específicos,	produzem,	em	suas	terras,	a	semente	solicitada	pela	entidade	
produtora	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
132
2.2 CLASSES DE SEMENTES 
O	fundamento	da	semente	certificada	compreende	uma	pequena	quantidade	de	
sementes,	as	quais	foram	obtidas	por	meio	do	melhoramento	genético	de	uma	cultivar	
em	específico,	ou	também	por	meio	da	multiplicação	de	sementes	de	uma	cultivar	 já	
conhecida,	 onde	ocorre	por	meio	de	condições	controladas.	Esse	processo	constitui	
um	momento	 em	 que	 as	 sementes	 ainda	 não	 são	 suficientes,	 em	 quantidade,	 para	
distribuição	entre	as	entidades	responsáveis	pela	produção	das	sementes	certificadas.	
Desse	modo,	é	necessário	que	estas	sementes	sejam	multiplicadas,	e	para	isso,	é	necessário	
que	 exista	 uma	 classificação	 das	mesmas	 até	 que	 possam	 ser	 entregues	 e	 que	 se	
obtenham	as	sementes	denominadas	certificadas	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
Nesse processo geralmente ocorre o aparecimento de algumas classes inter-
mediárias,	até	que	se	chegue	a	semente	certificada.
Num primeiro momento, depreendemos das sementes genéticas, sendo 
entendidas	como	aquelas	produzida	sob	a	 responsabilidade	do	melhorista	e	mantida	
dentro	de	suas	características	de	pureza	genética	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	Esse	tipo	
de	semente	é	esporadicamente	direcionado	para	a	distribuição	certificada.	 Isto	pois,	sua	
produção	ocorre	por	responsabilidade	da	instituição	que	a	criou	ou	que	a	introduziu.	Essa	
entidade	pode	ser	oficial	ou	privada,	sendo	a	responsável	por	realizar	a	multiplicação	das	
cultivares,	produzindo,	portanto,	sementes	básicas,	ou	também	sementes	certificadas.	
A semente básica,	por	sua	vez,	é	compreendida	como	aquela	 resultante	da	
multiplicação	da	 semente	genética	ou	da	própria	 semente	básica.	Sua	multiplicação	
ocorre	sob	a	égide	da	entidade	que	a	criou,	obteve	ou	introduziu.	Num	modo	generalista	
e	 teórico,	 essa	 classe	 de	 sementes	 constitui	 a	 classe	 da	 qual	 serão	 produzidas	 as	
sementes	certificadas	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
A semente registrada	 é	 resultado	 da	 multiplicação	 da	 semente	 básica	
ou	 da	 própria	 semente	 registrada,	 a	 qual	 é	manipulada	 de	 tal	 forma	 que	mantenha	
sua	 identidade	 genética,	 bem	 como	 sua	 pureza	 varietal,	 conforme	 estipulam	 as	
especificações	estabelecidas	pela	entidade	certificadora	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
Semente certificada compreende a semente resultante da multiplicação da 
semente	básica,	da	semente	registrada	ou	mesmo	da	própria	semente	certificada.	Essa	
classe de sementes “é produzida pela entidade produtora de acordo com as normas 
estabelecidas	 pela	 entidade	 certificadora.	 É	 esta	 a	 classe	 de	 sementes	 que	 vai	 ser	
distribuída	comercialmente	entre	os	agricultores”	(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.	101).
133
Caro estudante, antes de adentrar à próxima seção, convido-os à leitura 
do texto “Produção de sementes”, disponível em: http://twixar.me/Nwxm
DICA
O	processo	de	certificação/fiscalização	de	sementes	é	realizado	em	duas	fases.	
A primeira fase compreende à fase de campo,	sendo	uma	etapa	onde	as	atividades	
compreendem desde a semeadura até o momento de colheita e, durante todo esse 
período,	 o	 campo	 é	 submetido	 a	 inspeções	 por	meio	 de	 fiscalizações	 realizadas	 por	
Engenheiros	Agrônomos	da	entidade	certificadora/fiscalizadora	e	do	produtor,	os	quais	
determinarão	laudos	acerca	desses	processos	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
Um	campo,	ou	parte	desse	campo,	somente	será	submetido	à	colheita	como	
semente	a	partir	do	momento	em	que	este	preencher	os	padrões	mínimos	de	campo.	
Esse	processo	resultará	de	um	laudo	conclusivo	de	aprovação	de	campo.	Porém,	esse	
laudo	de	aprovação	ainda	não	constitui	garantia	de	que	as	sementes	de	determinado	
campo	 recebam	a	certificação	ou	atestado	de	garantia	das	sementes.	Após	o	 laudo,	
essas	sementes	precisam	ser	submetidas	ao	processo	de	beneficiamento,	ocorrendo	
após	sua	chegada	à	Unidade	de	Beneficiamento	de	Sementes	(UBS).	Após	sua	chegada,	
as	sementes	são	armazenadas	e	loteadas	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
A	próxima	fase	do	processo	de	certificação/fiscalização	denomina-se	fase de 
laboratório.	Nessa	fase,	 são	tomadas	amostras	dos	 lotes	oriundos	da	fase	anterior,	
seguindo, então, os processos de amostragem estabelecidos pelas Regras para 
Análise	de	Sementes	(RAS	-	MAPA,	1992).	Estas	sementes	são	então	encaminhadas	ao	
respectivo	laboratório	de	análise	de	sementes	onde	serão	submetidas	a	análises	para	
se	verificar	se	estão	enquadradas	nos	padrões	desejados	para	sementes	de	qualidade.	
Para	que	o	laboratório	realize	a	análise	decisiva,	em	caso	de	certificação,	este	deve	ser	
obrigatoriamente	da	redeoficial.	Para	a	fiscalização,	poderá	ser	um	laboratório	da	rede	
provada,	desde	que	possua	credenciais	para	tal	atividade	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
2.3.1 Estabelecendo campos para produção de sementes 
certificadas/fiscalizadas
Para	 que	 um	campo	de	 produção	 de	 sementes	 certificadas/fiscalizadas	 seja	
estabelecido	e	reconhecido,	é	necessário	uma	série	de	medidas	e	procedimentos	que	o	
diferenciam	da	instalação	de	um	campo	de	produção	de	grãos	(BARROS	NETO	et	al.et 
al.,	2014).	Esses	padrões	e	diretrizes	serão	abordados	a	seguir:
134
O passo fundamental e inicial é o credenciamento do produtor.	Num	primeiro	
momento,	é	preciso	solicitar	junto	ao	órgão	oficial	competente	-		Secretaria	da	Agricultura	
ou	a	Delegacia	Federal	de	Agricultura	do	MAPA	-	a	autorização	para	que	se	possa	produzir	
as	sementes,	onde	o	produtor	deverá	preencher	formulário	próprio	para	esta	finalidade.	
Para	que	se	obtenha	este	credenciamento,	existe	uma	série	de	exigências	que	devem	
ser	integralmente	atendidas,	dentre	as	quais:		registro	de	produtor	de	sementes	junto	ao	
órgão	responsável;	termo	de	responsabilidade	de	um	Engenheiro	Agrônomo	ou	Florestal	
com registro em conselho, o registro da marca comercial e o laudo de inspeção da unidade 
de	processamento	de	sementes	do	interessado	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
O Cooperante também é uma peça importante no processo de produção 
de	 sementes	 certificadas/fiscalizadas.	 É	 possível	 encontrar	 as	 pessoas	 que	 reúnam	
as	 qualidades	 de	 idoneidade,	 responsabilidade,	 dinamismo,	 conhecimento	 técnico	 e	
receptividade	a	ideias	e	técnicas	novas	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
A escolha da espécie e cultivar é mais um dos elementos fundamentais para 
selecionar	o	campo	de	produção	de	sementes.	Nessa	seara.	é	importante	entender	que	
apenas	cultivares	e	variedades	de	espécies	selecionadas	pela	entidade	de	certificação/
fiscalização	podem	ser	produzidas.	Para	as	principais	culturas	amplamente	exploradas	
no	país,	existem	as	Comissões	Regionais	de	Recomendação	de	Cultivares,	que	indicam	os	
materiais	mais	promissores	para	a	Região	ou	Estado	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
Atrelado	à	espécie	(cultivar/variedade),	a	escolha da região também é um fator 
preponderante.	O	produtor	de	sementes	certificadas/fiscalizadas,	antes	de	se	estabelecer	
em	 uma	 região,	 necessita	 fazer	 um	 estudo	 de	 viabilidade	 mercadológica,	 e	 também	
técnica,	para	espécie	ou	cultivar	que	pretenda	multiplicar,	entendendo,	portanto,	como	
um	conjunto	de	fatores	estará	influenciando	na	produção,	tais	como	os	fatores	climáticos,	
por	exemplo.	Dessa	forma,	as	condições	ambientais	dos	possíveis	campos	de	produção	de	
sementes	compreendem	grande	importância	para	maximizar	os	rendimentos	e	obtenção	
de	alto	padrão	de	qualidade	das	sementes	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
Escolha da gleba	 em	 muitas	 ocasiões	 é	 um	 problema	 do	 qual	 a	 solução	
dependerá	 consideravelmente	 o	 sucesso	 da	 produção	 de	 sementes.	 A	 área	 onde	
uma	 cultura	 estará	 implantada	 e	 se	 desenvolverá	 pode	 possuir	 vários	 meios	 de	
contaminação,	tais	como,	patogênica,	varietal,	física,	dentre	outros.	Restos	culturais	e	
plantas	hospedeiras	de	pragas,	por	exemplo,	tornam	uma	gleba	dotada	de	solo	fértil	
inadequada	 para	 implantação	 de	 uma	 cultura.	 Outro	 fator	 importante	 a	 se	 observar	
é	a	presença	de	plantas	mesmo	que	nativas,	uma	vez	que	estas	podem	inviabilizar	a	
implantação	da	cultura	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
135
Renovação periódica do estoque de sementes:
se prende à necessidade de se manterem puras as sementes, dos 
pontos	de	vista	genético	e	varietal.	No	sistema	de	fiscalização	não	
há	controle	de	gerações,	de	sorte	que	o	produtor	poderá	fazer	uso,	
geração	após	a	geração,	de	suas	próprias	sementes.	Nas	normas	para	
produção	de	sementes	fiscalizadas,	as	 recomendações	são	de	que	
se	usem	sementes	básicas,	registradas,	certificadas	ou	fiscalizadas	
(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.	103).
Isolamento	compreende	a	medida	onde	o	campo	de	uma	determinada	cultivar	
é	separado	de	outro,	para	evitar	que	ocorra	entre	ambos	alguns	fenômenos	físicos	e	
biológicos,	como	a	troca	de	pólen,	o	que	ocasiona	em	contaminação	genética,	fazendo	
com	que	ocorra,	em	consequência,	a	perda	da	identidade	da	cultivar	em	multiplicação.	
Esse	fenômeno	inviabiliza	um	lote	ou	mesmo	toda	a	produção.	Para	que	o	isolamento	
seja	 completamente	 efetivo,	 é	 feito	 não	 somente	 de	 modo	 físico,	 mas	 também	 no	
tempo,	fazendo	as	semeaduras	em	distintos	períodos	para	que	não	ocorra	sincronia	de	
florescimento	(BARROS	NETO	et al et al.,	2014).
Purificação ou “roguing” é	 uma	 prática	 que	 compreende	 a	 eliminação	 de	
plantas	com	potencial	contaminante	em	um	campo	destinado	à	produção	de	sementes.	
Logo,	o	responsável	da	execução	dessa	etapa	deverá	ser	capaz	de	identificar	as	várias	
cultivares	da	espécie	com	que	está	trabalhando.	Além	disso,	também	deverá	ser	capaz	
de	 reconhecer	os	sintomas	de	doenças	que	podem	ser	transmitidos	pelas	sementes	
para	 as	 próximas	 gerações.	 Para	 minimização	 de	 possíveis	 falhas	 no	 processo	 de	
implantação,	alguns	pontos	devem	ser	observados,	conforme	destacam	Barros	Neto	et 
al.	(2014,	págp.	104	e	1-105):	
•	 Treinar	 cuidadosamente	 a	 equipe	 que	 vai	 realizar	 os	 trabalhos	
mostrando-lhes	quais	são	as	plantas	atípicas	ou	fora	de	padrão;
•	 Trabalhar	com	equipes	pequenas;	
•	 Não	manter	sempre	as	mesmas	pessoas	numa	mesma	equipe;
•	 Os	operários	que	executam	a	purificação	devem	caminhar	juntos,	
ao	longo	das	linhas	e	o	supervisor	logo	atrás,	em	linhas	oblíquas;
•	 Ficam	 mais	 visíveis	 as	 características	 quando	 o	 sol	 incide	
obliquamente	sobre	as	plantas;
•	 Não	se	deve	trabalhar	quando	estiver	ventando;
•	 A	 eficiência	 do	 trabalhador	 depende	 muito	 do	 seu	 grau	 de	
acuidade,	que	diminui	 rapidamente	à	medida	que	aumenta	seu	
cansaço	mental.
Em	 linhas	 gerais,	 distinguir	 as	 cultivares	 conforme	 suas	 características	 é	
mais	 fácil	 no	 período	 fenológico	 da	 floração	 e	 pós-floração,	 ou	 também	 quando	 do	
desenvolvimento	 das	 sementes	 ou	 na	 pré-colheita.	 Isso	 ocorre,	 pois,	 as	 diferenças	
botânicas	evidenciam-se	com	maior	clareza	nessas	fases	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
136
A limpeza de materiais e equipamentos,	 embora	 pareça	 uma	 atividade	
corriqueira,	 por	 muitas	 vezes	 é	 negligenciada	 e	 ocasiona	 em	 diversos	 problemas	 de	
contaminação	na	produção	de	 sementes	certificadas,	 bem	como	na	agricultura	como	
um	 todo.	 Sacarias	 e	máquinas	 usadas	 desde	 a	 semeadura	 até	 o	 beneficiamento	 das	
sementes	compreendem	 importantes	 fontes	de	contaminação	varietal,	 como	também	
de	pragas.	 Sacas	usadas	 com	espécies	 ou	 cultivares	 diferentes,	 principalmente	 se	 as	
sementes	forem	palhentas	ou	apresentarem	apêndices	que	facilitem	a	aderência	às	fibras	
do	tecido,	costumam	ser	séria	fonte	de	contaminação	física	e	varietal.	Frequentemente,	
sementes	presas	à	na	máquina	podem	vir	a	se	soltar	posteriormente	durante	a	colheita,	
secagem	ou	beneficiamento,	se	juntando	ao	lote	atual	de	sementes	de	uma	outra	cultivar.	
Esse	feito	caracteriza	um	exemplo	de	contaminação	varietal	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
3 INSPEÇÃO DE SEMENTES
Inspeção	depreende	uma	atividade	na	qual	se	atribuem	duas	funções.	A	primeira	
destas, considerada também a mais importante, corresponde a de relações públicas e 
de	educação.	O	profissional	por	ela	responsável,	denominado	inspetor,	deverá	atuar	de	
modo	com	que	o	envolvimento	entre	a	entidade	produtora	e	a	entidade	certificadora/
fiscalizadora	seja	a	mais	cordial	e	profissional	possível	resultando,	então,	como	produto	
final,	uma	semente	de	alta	performance.
A	segunda	função	do	inspetor	é	a	de	“juiz”,	sendo	a	função	mais	conhecida	desse	
profissional.	 O	 inspetor,	 ao	 entrar	 num	campo	produtivo	 ou	UBS	 julgará	 a	 condução	
dos trabalhos ali em andamento em conformidade com as regras preestabelecidas para 
produção	e	beneficiamento	de	sementes.	Se,	porventura,	for	constatado	que	um	fator	
contaminantequaisquer	-	dos	aqui	abordados	-	estiver	ocorrendo	em	nível	não	tolerado	
e	que	apresente	potencial	de	prejuízo	à	qualidade	das	sementes,	mas	que	seja	passível	
de	correção,	o	 laudo	deverá	ser	de	aprovado.	Contudo,	deve-se	 levar	em	conta	uma	
advertência	de	que	o	problema	deverá	ser	resolvido	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
A	emissão	de	um	laudo	negativo	pelo	inspetor	ocorrerá,	somente,	quando	nem	
mesmo	a	erradicação	do	fator	contaminante	puder	evitar	algum	tipo	de	prejuízo.	Portanto,	
para	 que	 a	 função	 de	 inspetor	 possa	 ser	 exercida	 corretamente,	 este	 deverá	 possuir	
seguridade nos seguintes aspectos, conforme Barros Neto et al.	(2014,	pág	.	106):
•	 Características	das	cultivares	da	espécie	a	ser	 inspecionada,	 in-
cluindo	atípicas	inconfundíveis	e	atípicas	questionáveis,.
• Anormalidades	fisiológicas	que	podem	ocorrer	devido	a	deficiências	
nutricionais,	variações	de	temperatura	e	deficiências	hídricas;
• Sintomas das doenças de importância da espécie, em particular as 
transmissíveis	pela	semente;
• Plantas	daninhas	consideradas	plantas	silvestres	comuns	ou	no-
civas;
•	 Métodos	de	amostragem	aplicáveis	às	tolerâncias	permitidas	para	
as	espécies	a	serem	inspecionadas.
137
3.1 FASE DE CAMPO DA INSPEÇÃO 
A	 inspeção	das	sementes	durante	a	fase	de	campo	compreende	três	grupos	
de	problemas,	de	soluções	relativamente	mais	difíceis	do	que	os	da	inspeção	durante	
o	beneficiamento.	Portanto,	alguns	pontos	deverão	ser	analisados	para	que	essa	fase	
entre	em	ação:	“quando	inspecionar;	fixação	dos	níveis	toleráveis	de	contaminantes	no	
campo;	métodos	 de	 amostragem	para	 avaliar	 se	 os	 contaminantes	 estão	 ocorrendo	
dentro	dos	limites	tolerados	ou	não”	(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.	107).
O	primeiro	desses	problemas	de	campo	é	o	que	apresenta	a	mais	fácil	solução.	
Porém	não	há	padronização	entre	as	várias	instituições	de	certificação/fiscalização	de	
sementes	quanto	a	esse	quesito.	Para	o	sistema	de	fiscalização,	o	número	de	inspeções	
recomendado	 é	 normalmente	menor	 do	 que	 a	 de	 certificação,	 desse	modo	 ocorrem	
diferenças	consideráveis	entre	os	estados	e,	principalmente,	entre	o	que	recomenda	o	
MAPA	e	alguns	estados	da	federação	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
O	 segundo	 problema	 é	 de	 mais	 difícil	 solução	 em	 comparação	 ao	 que	 foi	
supracitado.	O	conceito	de	tolerância,	em	certificação	de	sementes,	“tem	um	significado	
essencialmente	 econômico,	 isto	 é,	 admite-se	 que	 fica	 mais	 econômico	 permitir	 a	
presença,	em	determinados	níveis,	de	um	contaminante	em	um	campo	de	sementes	do	
que	tentar	erradicá-lo	por	completo”	(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.	107).	
O	 terceiro	 problema	 de	 inspeção	 em	 campo	 é	 a	 amostragem	 da	 área	 a	 ser	
examinada.	Ao	contrário	da	purificação,	não	é	preciso	trabalhar	com	a	toda	área	para	
se	realizar	uma	eficiente	inspeção.	Isso	se	dá,	especialmente,	devido	ao	fato	de	que	ao	
inspetor	cabe	a	outorga	de	examinar	um	grande	número	de	campos,	os	quais	apresentam	
diferentes	 tamanhos,	 topografias	 e	 cultivados	 com	 diferentes	 espécies/variedades/
cultivares,	o	que	demanda	grande	carga	de	trabalho,	tempo	e	recursos.	Desse	modo,	
inspetor	deve	se	apropriar	de	metodologias	de	amostragem	para	executar	o	trabalho	
(Figura	1).	 “O	maior	problema	consiste	em	se	determinar	o	tamanho	da	amostra,	pois	
esta	tem	que	ser	a	mais	representativa	possível,	e	ao	mesmo	tempo,	do	menor	tamanho,	
com	intuito	de	exigir	menos	trabalho	do	inspetor”	(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.	107).
138
Figura 1 – Esquema de percursos que podem ser adotados para 
coleta de sementes na inspeção de campo
Fonte: Aadaptado de Barros Neto et al. , (2014).
Finalizando,	 outro	 aspecto	 relacionado	 à	 inspeção	 está	 atrelado	 ao	 modelo	
de	 caminhamento	 dentro	 dos	 lotes	 e	 amostragem	 da	 área	 a	 ser	 examinada.	
“Independentemente	 do	 número	 de	 subamostras,	 encontrando-se	 um	 número	 total	
de	contaminantes	superior	a	três	plantas,	o	campo	seria	reprovado,	enquanto	igual	ou	
menor	a	três,	o	campo	seria	aprovado”	(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.	109).
3.2 INSPEÇÃO - FASE DE LABORATÓRIO
Como	observado	até	então,	uma	das	últimas	fases	da	certificação/fiscalização	
compreende	a	análise	em	laboratório,	das	sementes	já	processadas	e	que	tenham	sido	
cuidadosamente	 amostradas,	 seguindo-se	 as	 recomendações	 encontradas	 nas	 RAS	
(BRASIL,	2009	apud BARROS NETO et al.,	2014).
Contudo,	“essa	análise	de	laboratório	pode	ser	considerada	uma	inspeção	feita	
às	sementes	quanto	a	pureza	física,	à	verificação	de	espécies	e	cultivares,	à	germinação,	
ao	número	de	sementes	silvestres	nocivas	e	ao	teor	de	água”	 (BARROS	NETO	et al.,	
2014,	pág.	109).	De	acordo	com	as	diferentes	espécies,	existem	análises	extras	a	realizar,	
além	das	básicas	determinadas	pela	RAS,	como,	por	exemplo,	seu	peso,	porcentagem	
de	sementes	infestadas,	sementes	defeituosas	(%),	peso	de	determinadas	quantidades	
de	sementes,	dentre	outros	aspectos	de	ordem	morfológica	ou	química.	Portanto,	“os	
resultados obtidos para as características analisadas são comparados aos padrões de 
sementes”,	os	quais	são	previamente	estabelecidos,	“e	se	forem	inferiores	aos	requisitos	
mínimos	estabelecidos,	as	sementes	são	rejeitadas”	(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.109).
139
4. FATORES DE ORIGEM DAS SEMENTES
Dentre	 os	 fatores	 que	 apresentam	 potencial	 de	 influenciar	 o	 comportamento	
da própria semente e da planta dela resultante, a origem da semente é um dos menos 
estudados,	 porém,	 requer	 grande	 atenção.	A	 falta	 de	 informação	 sobre	 a	 origem	 das	
sementes	pode	afetar	 significativamente	 seu	comportamento,	 pelo	menos	na	 fase	de	
germinação.	Isso	foi	comprovado	não	apenas	por	alguns	estudos	sobre	o	assunto,	mas	
também	pelas	observações	dos	próprios	agricultores	em	muitas	circunstâncias.	A	influência	
da	“origem	das	sementes	deve	estar	relacionada	às	condições	climáticas	a	que	as	plantas	
foram	expostas	durante	a	fase	de	produção,	e	isso	se	reflete	na	qualidade”	(BARROS	NETO	
et al.,	 2014,	pág.	 109),	 independentemente	de	afetar	ou	não	sua	composição	química.	
Desses	fatores	climáticos,	a	temperatura,	por	ter	grande	influência	no	desenvolvimento	
e	maturação	das	sementes,	deve	ter	um	grande	peso	no	efeito	da	origem	da	semente.	
Ao	escolher	as	áreas	de	produção,	é	muito	importante	saber	a	influência	da	origem	na	
qualidade	fisiológica	das	sementes	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
Caro estudante, lembre sempre de revisar os conteúdos das 
unidades anteriores. Perceba que todo conteúdo sempre estará 
atuando em complemento ao anterior e vice-versa. Bons estudos.
ATENÇÃO
O	vigor	das	sementes	é	determinado	pela	Associação	dos	Analistas	Oficiais	de	
Sementes	(AOSA,	do	inglês,	Association of Official Seed Analysts).	O	vigor	da	semente	
é	 definido	 como	 "a	 propriedade	 de	 uma	 semente	 que	 determina	 o	 potencial	 para	
emergência	rápida	e	uniforme	e	desenvolvimento	de	plântulas	normais	sob	uma	ampla	
gama	de	condições	de	campo"	(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.111).	A	partir	de	agora,	
nesta seção, serão considerados separadamente os efeitos da força no comportamento 
das	sementes	e	nos	aspectos	finais	da	planta.	Barros	Neto	et al.	(2014)	discorrem	alguns	
aspectos	importantes,	os	quais	são	discutidos	abaixo.	
Potencial de armazenamento:	 “O	vigor	 das	 sementes	 afeta	 seu	 potencial	 de	
armazenamento.	Sementes	menos	vigorosas	deterioram	rapidamente	e	atingem	a	condição	
de	total	inviabilidade	antes	do	que	as	de	alto	vigor”	(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.	111).
 
A germinação: 
A	 redução	do	nível	 de	vigor	 afeta	a	 capacidade	de	germinação	de	
sementes	de	três	maneiras	distintas:
Reduzindo	a	velocidade	de	germinação;
Aumentando	a	heterogeneidade	de	desenvolvimento	das	plântulas	
de uma amostra de sementes e;
Aumentando a porcentagem de plântulas anormais, bem como o 
grau	dessas	anormalidades	[...](BARROS	NETO	et	al.,	2014,	pág.111)
140
Uma	semente,	cujas	estruturas	morfológicas	e	bioquímicas	sofreram	
alguma	deterioração,	não	tem	capacidade,	quando	armazenada,de	
restaurar	os	tecidos	injuriados.	Para	que	a	restauração	se	processe	
é	necessário	que	a	semente	absorva	água,	o	que	só	vai	ocorrer	na	
germinação	(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.	111).
A	água	absorvida	pelas	sementes	no	início	da	germinação	ativa	o	metabolismo,	
liberando	 	desse	modo	energia	ao	mesmo	tempo	em	que	embebe.	Essa	energia	não	
deve	 ser	 totalmente	utilizada	para	 a	germinação;	A	energia	 também	pode	 ser	usada	
para	reparar	tecidos	danificados.	Quanto	maior	o	dano,	mais	energia	e	tempo	leva	para	
repará-lo.	O	processo	de	germinação	só	pode	continuar	após	a	conclusão	da	restauração	
(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
Ao	observar	o	efeito	do	vigor	na	germinação	a	partir	da	perspectiva	do	número	
de	sementes,	os	resultados	mais	óbvios	são	taxas	de	germinação	mais	baixas,	maior	
heterogeneidade	no	desenvolvimento	das	mudas	e,	finalmente,	 redução	da	taxa	 (em	
porcentagem	final)	da	germinação	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
Em relação ao desenvolvimento vegetativo da planta: As mudas menos 
vigorosas	emergem	mais	tarde	do	que	as	mais	vigorosas,	assumindo	que	as	sementes	
com	 vigor	 reduzido	 têm	 capacidade	 e	 condições	 para	 promover	 suficientemente	
a	 reparação	do	 seu	tecido	danificado,	porém	o	atraso	é	 inevitável.	 Esse	atraso	afeta	
o	 desenvolvimento	 subsequente,	 portanto,	 pelo	 menos	 nos	 estágios	 iniciais	 de	
crescimento,	as	mudas	de	sementes	menos	vigorosa	se	desenvolvem	mais	lentamente	
do	que	as	mudas	de	sementes	de		maior	vigor.	
Em relação ao desenvolvimento reprodutivo da planta:	atrasar	a	emergência	
da	planta	e	o	crescimento	 inicial	pode	atrasar	o	 início	da	floração.	As	populações	de	
plantas	 -	 um	 dos	 principais	 fatores	 que	 afetam	 a	 produtividade,	 são	 diretamente	
afetadas	pela	redução	do	vigor	das	sementes,	falha	na	germinação	ou	falha	das	plantas	
em	sobreviver	até	o	estágio	de	produção.	A	vitalidade,	portanto,	tem	um	efeito	indireto	
na	produtividade.	Porque	nesse	caso	o	efeito	direto	é	no	estabelecimento	da	planta	e	
não	na	produção.	Esta	distinção	é	importante	para	nos	permitir	interpretar	o	impacto	da	
vitalidade	na	produtividade	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
O tamanho das sementes também é uma característica fundamental para os 
programas	de	certificação	e	fiscalização	de	sementes.	Embora	seja	uma	característica	
amplamente	estudada,	ainda	não	possui	completa	elucidação	pela	comunidade	cientifica.	
Nesse sentido, considerando os efeitos na germinação e vigor das plântulas, 
na	população	de	sementes	virgens,	aquelas	não	beneficiadas,	descobrimos	que	uma	certa	
porcentagem	dessas	sementes	tem	uma	relação	mensurável	entre	germinação	e	tamanho	
–	elas	são	compostas	pelas	sementes	menores,	produz	mudas	mais	fortes.	Como	resultado,	
diferentes "stands"	podem	ocorrer	em	favor	de	sementes	maiores	em	diferentes	condições	
de	campo.	O	tamanho	da	semente	parece	ter	um	efeito	significativo	no	peso	da	plântula	
resultante	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	Isso	faz	sentido,	pois	sementes	maiores	são	aquelas	
com	maior	quantidade	de	material	de	reserva	para	o	desenvolvimento	do	hipocótilo.
141
O	tamanho	das	sementes	 influencia	ainda	na	fase	de	crescimento	 inicial	das	
plantas,	com	a	força	diminuindo	à	medida	que	a	planta	amadurece.	Plantas	de	sementes	
pequenas	inicialmente	crescem	mais	lentamente	do	que	plantas	de	sementes	grandes.	
Ela	 se	 recupera	 com	 o	 tempo,	 e	 eventualmente	 atinge	 o	 tamanho	 característico	 da	
cultivar	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
Em relação à produção, o impacto do tamanho da semente pode ser sentido 
de	 forma	diferente	dependendo	do	produto	utilizado	 (raízes,	 caules,	 folhas,	madeira,	
fibra,	 flores,	 frutos,	 grãos)	 e	 quando	 o	 produto	 é	 colhido.	 É	 provável	 que	 o	 tamanho	
tenha	um	grande	efeito	no	crescimento	inicial	da	planta,	que	é	semelhante	a	um	'efeito	
residual',	ou	seja,	diminui	com	o	tempo.	Sementes	maiores	podem	produzir	os	maiores	
rendimentos	se	o	produto	for	colhido	relativamente	cedo	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
Também	é	importante	observar	que	sementes	grandes	podem	ter	desempenho	
inferior em algumas situações, pois as condições ambientais de produção foram 
desfavoráveis	para	alta	qualidade	ou	sofreram	maiores	danos	mecânicos	do	que	outras	
classes	de	tamanho	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
5 TRATAMENTO E PRODUÇÃO DAS SEMENTES
O	 tratamento	 químico	 de	 sementes	 pode	 ser	 realizado	 com	vários	 produtos,	
sempre	com	o	objetivo	final	de	ter	uma	melhor	capacidade	de	germinação	no	substrato	
em	que	as	sementes	germinam.	A	decisão	de	tratar	um	lote	de	sementes	com	fungicida	
deve	ser	baseada	em	várias	questões:	As	sementes	realmente	precisam	ser	tratadas?	
Há	garantia	de	mercado?	Quais	os	produtos	adequados	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
O	 vigor	 das	 sementes	 na	 semeadura	 tem	 um	 efeito	 marcante	 na	 resposta	
aos tratamentos com fungicidas, e as sementes também são protegidas de doenças 
causadas	por	fungos	do	solo.	Sementes	vigorosas	não	reagem	a	tratamentos	químicos,	
enquanto	queenquanto	as	de	médio	vigor	responderá	com	alguma	intensidade	à	medida	
que	seu	nível	de	resistência	diminui.	A	partir	de	certo	ponto,	a	taxa	de	resposta	diminui	
e	as	sementes	de	crescimento	fraco	tornam-se	praticamente	insensíveis	ao	tratamento	
químico	com	fungicidas.	A	decisão	de	usar	um	tratamento	fungicida	depende	de	muitos	
fatores	e	pode	ser	razoavelmente	tomada	a	favor	ou	contra	o	tratamento.	As	opções	de	
processamento	são	sempre	fáceis	para	produtores	e	agricultores.	Isto	é	para	fornecer	
uma	excelente	garantia	de	um	bom	“stand”	(BARROS	NETO	et al.,	2014).
Questionar	a	existência	de	um	mercado	não	é	apenas	questionar	a	conveniência	
de	tratar	 	 as	sementes.	Confirma-se	que	o	tratamento	é	eficaz.	A	questão	é	quando	
isso	acontece.	O		problema	decorre	da	incerteza	e		imaturidade	da	indústria	brasileira	
de	sementes	e	do	comércio	de	sementes.	Em	um	país	como	o	Brasil,	 os	produtores	
não	podem	ter	certeza	de	como	se	comportará	o	mercado	de	suas	sementes.	Nesse	
caso,	a	semente	não	vendida	pode	ser	vendida	como	grão,	a	menos	que	seja	tratada	
quimicamente	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
142
Existem	 muitas	 empresas	 privadas	 que	 pesquisam	 e	 fabricam	 os	 melhores	
produtos	 e	 equipamentos	 e	 podem	 recomendar	 formulações	 ótimas	 e	 dosagens	
corretas.	Esse	controle	é	importante	pois	os	s	microorganismos	tendem	a	desenvolver	
resistência	a	produtos	químicos,	o	que	requerem	altas	doses	que	podem	ser	prejudiciais	
às	sementes.	Como	podem	ver,	este	assunto	requer	pesquisa	contínua	e	novos	produtos	
são	constantemente	sendo	 lançados,	dado	o	potencial	de	torná-los	cada	vez	menos	
agressivos	às	sementes,	às	pessoas,	aos	animais	e	ao	meio	ambiente	(BARROS	NETO	
et al.,	2014).
Sobre a época e densidade de semeadura	 alguns	pontos	podem	e	devem	
também	ser	questionados	e	elucidados	para	melhor	compreensão	das	necessidades	
de	produção	no	campo.	Aparentemente,	a	ocorrência	de	condições	climáticas	quentes	
e	secas	favorece	a	secagem	e	auxilia	na	obtenção	de	sementes	de	boa	qualidade.	A	
ocorrência	de	chuva	durante	a	fase	de	acúmulo	de	matéria	seca	também	é	de	grande	
importância.	O	local	ideal	para	a	produção	de	sementes	é	onde	não	há	chuva	por	pelo	
menos	uma	estação,	mas	onde	a	irrigação	está	disponível	para	permitir	que	as	plantas	
cresçam.	No	entanto,	a	produção	de	sementes	não	pode	ser	confinada	a	nenhum	'local	
ideal'	(BARROS	NETO	et al.,	2014).	
A	chuva	na	fase	de	acúmulo	de	matéria	seca	e	o	clima	favorável	na	fase	de	
secagem	 são	 garantidos	 apenas	 na	 época	 da	 semeadura.	 Segundo	 Távora	 (1982	
Apudapud	(BARROS	NETO	et al.,	2014),	em	áreas	com	baixa	pluviosidade,	a	semeadura	
deve	ser	feita	no	início	da	estação	chuvosa,	enquanto	em	áreas	com	alta	pluviosidade,	
a	semeadura	deve	ser	adiada	para	evitar	chuvas	fortes	quando	as	sementes	estiverem	
em	processo	de	maturação	e	secagem.	Por	outro	lado,	o	desenvolvimento	precoce	das	
cultivares	 deve	 beneficiar	 as	 condições	 do	 semiárido	 nordestino,	 que	 apresenta	 um	
curto	período	chuvoso	na	maioria	dos	casos.	(BARROS	NETO	et	al.,	2014)Outro	ponto	que	merece	atenção	é	a	densidade de semeadura.	A	população	
de plantas utilizadas no campo de produção de sementes, em função do espaçamento 
utilizado,	é	outro	fator	que	contribui	para	a	produtividade	e	qualidade	das	sementes.	
Portanto,	 a	 densidade	 de	 semeadura	 exibe	 uma	 propriedade	 muito	 interessante,	
a	 "elasticidade".	 As	 plantas	 crescem	 mais	 ou	 menos	 dependendo	 do	 espaço.	 Uma	
característica	que	é	sensível	a	esta	'elasticidade'	é	o	tamanho	da	semente,	e	uma	vez	
que	 as	 sementes	maiores	 dentro	 da	mesma	 cultivar	 são,	 de	muitas	maneiras,	mais	
vigorosas	do	que	as	sementes	menores,	o	vigor	também	deveria	ser	afetado	(BARROS	
NETO et al.,	2014).
Outros	 dois	 fatores,	 juntamente	 aos	 já	 discutidos	 serão	 necessários	 de	
compreensão	e	atenção	quando	se	trabalha	com	a	produção	de	sementes,	sendo	eles	a	
adubação	e	a	possibilidade	de	ocorrência	de	injúrias mecânicas.	
143
Solos	naturalmente	férteis	devem	ser	preferidos	para	a	propagação	de	sementes,	
pois	produzem	não	apenas	os	maiores	 rendimentos,	mas	também	a	maior	qualidade	
de	sementes.	Plantas	bem	alimentadas	podem	produzir	sementes	bem	formadas.	As	
necessidades	alimentares	da	maioria	das	espécies	tornam-se	mais	intensas	à	medida	
que	o	estágio	reprodutivo	começa	e	tornam-se	mais	importantes	durante	a	formação	
das	 sementes	quando	quantidades	 significativas	 de	nutrientes	 (fósforo	 e	 nitrogênio)	
são	transferidas	para	elas.	
Juntamente	 com	 as	 misturas,	 a	 injúria	 mecânica	 é	 considerada	 por	 muitos	
engenheiros	 um	 dos	 problemas	 mais	 sérios	 na	 produção	 de	 sementes.	 Os	 danos	
mecânicos	são	em	grande	parte	resultado	da	mecanização	das	atividades	agrícolas	e	
se	tornaram	um	problema	quase	inevitável.	Existem	muitas	causas	diferentes	de	danos	
mecânicos.
Peske,	 Rosenthal	 e	 Rota	 (2003)	 e	 Barros	 Neto et al. (2014)	 apresentam	 os	
principais	 danos	 por	 injúrias	 mecânicas	 que	 podem	 comprometer	 a	 qualidade	 das	
sementes:
• Na máquina de semeadura:	“Ocorre	em	sementes	quando	o	sistema	de	semeadura	
usado	é	a	força	motriz,	as	quais	passam	através	dos	furos	de	um	disco	na	semeadora”	
(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.	117).
• Na máquina de colheita:	“No	momento	em	que	forças	consideráveis	são	aplicadas	
sobre	as	sementes,	a	fim	de	separá-las	da	estrutura	que	as	contém”	(BARROS	NETO	
et al.,	2014,	pág.	117).
• Durante o beneficiamento:	 “Ocorre	 principalmente	 pelas	 quedas	 sucessivas	 de	
alturas	variadas”	(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.	117).
• Durante o armazenamento:	 Dependendo	 da	 altura	 da	 pilha,	 as	 sementes	 que	
ficarem	na	parte	de	baixo	poderão	sofrer	danos	por	pressão.	
• Durante o transporte:	 Ocorrem	 “quedas	 que	 operários	 impõem	 às	 sacarias	 de	
sementes	que	transportam	sobre	a	cabeça,	ao	atirá-las	descuidadamente	sobre	o	
piso	do	armazém”	(BARROS	NETO	et al.,	2014,	pág.	117).
144
Neste tópico, você aprendeu:
•	 A	certificação	e	fiscalização	de	sementes	compreende	processos	rígidos	e	moldados	
conforme	estabelecido	pela	legislação	e	órgãos	e	entidades	competentes.	
•	 Certificar	sementes	exige	a	compreensão	de	fatores	biológicos,	climáticos	e	físicos	
para	a	produção	e	pleno	desempenho	no	que	trata	da	performance	das	cultivares	e/
ou	variedades.	
•	 O	profissional	atuante	na	certificação	de	sementes	necessita	de	uma	ótima	formação	
e	 entendimento	de	diversas	 áreas	dentro	da	 agronomia	para	desenvolvimento	de	
uma	inspeção	digna	e	imparcial.	
•	 A	produção	de	sementes	de	ótima	qualidade	depreende	da	correta	 implementação,	
execução	e	manutenção	da	cultura	em	campo,	desde	a	semeadura	ao	beneficiamento.
RESUMO DO TÓPICO 1
145
1	 Nos	 estudos	 teóricos	 foi	 abordado	 que	 há	 uma	 série	 de	 fatores	 e	 determinações	
que	regem	o	processo	de	certificação	e	fiscalização	de	sementes,	tudo	isso	com	o	
intuito	de	se	manter	as	melhores	condições	e	qualidades	produtivas	e	prol	da	melhor	
performance	das	cultivares/variedades.	Sobre	esta	afirmativa,	assinale	a	alternativa	
CORRETA:
a)	 (			)	 O	 controle	da	qualidade	das	 sementes	 se	 alonga	até	 as	 fases	de	produção	e	
comercialização,	não	ficando	restritos	ao	local	onde	elas	estão	sendo	produzidas	
e	embaladas.
b)	 (			)	 O	 processo	 de	 certificação	 depende	 única	 e	 exclusivamente	 das	 unidades	
produtivas	que	devem	manter	a	sanidade	das	sementes.
c)	 (			)	 Apenas	o	Ministério	da	Agricultura	pode	atuar	nos	processos	de	certificação	de	
sementes.
d)	 (			)	 Pequenos	 agricultores	 possuem	 dificuldades	 de	 obter	 sementes	 certificadas	
uma	vez	que	são	onerosas.
2	 Para	 que	 possam	 ser	 atingidos	 os	 objetivos	 e	meta	 dos	 programas	 de	 produção	
de	 sementes,	 há	 um	 esquema	 de	 trabalho	 que	 é	 genericamente	 denominado	 de	
sistema	de	produção	de	sementes	sob	controle. Com	base	nessa	afirmação,	analise	
as sentenças a seguir:
I-	 Os	sistemas	de	Produção	de	sementes	requerem	apenas	a	participação	de	produ-
tores	e	entidades	civis.
II-	 O	sistema	supracitado	pressupõe	que	as	sementes	produzidas	venham	a	ser	regidas	
por	um	controle	rígido	em	detrimento	dos	fatores	que	possam	afetar	sua	sanidade.
III-	 Não	 há	 necessidade,	 nesse	 momento,	 de	 se	 garantir	 a	 qualidade	 genética	 das	
sementes,	mas	apenas	de	que	estas	possam	produzir.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 A	produção	de	sementes	no	Brasil	possui	leis	e	determinações	que	regem	todo	seu	
processo,	desde	o	campo	até	a	colheita,	beneficiamento	e	distribuição.	Conforme	os	
pressupostos	legais	abordados	em	aula,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	
e F para as falsas:
AUTOATIVIDADE
146
(			)	O	Ministério	da	Agricultura,	pecuária	e	abastecimento	possui	mecanismos	de	orga-
nização	e	sistematização	da	produção	de	mudas	e	sementes. 
(			)	 Apenas	por	serem	submetidas	a	testes	de	germinação,	as	sementes	estão	aptas	à	
comercialização.
(			)	 As	entidades	produtoras	também	participam	do	processo	de	certificação	de	sementes.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	F.
b)	 (			)	 V	–	F	–	V.
c)	 (			)	 F	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V.
4	 No	processo	de	certificação/fiscalização	de	sementes	de	alta	qualidade,	vimos	que	
algumas	entidades	possuem	participação	e	papéis.	Disserte	sobre	esse	processo	e	
suas	entidades	participantes	ativamente,	abordando	também	sua	importância.
5	 As	 sementes	 não	 existem	 e	 funcionam,	 na	 agricultura,	 de	 modo	 simplesmente	
aleatório	e	existencial.	Para	que	se	tenha	um	processo	de	produção	e	beneficiamento	
de	 sementes,	 estas	 precisas	 ser	 completamente	 compreendidas	 e	 classificadas.	
Nesse	sentido,	explique	como	são	classificadas	as	sementes.
147
BENEFICIAMENTO DE SEMENTES
UNIDADE 3 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO
Nos	 últimos	 anos,	 a	 produção	 agrícola	 brasileira	 tem	 apresentado	 taxas	 de	
crescimento	significativas.	No	entanto,	essa	boa	produtividade	não	vem	acompanhada	
de	 melhorias	 nas	 atividades	 de	 pós-colheita	 como	 secagem,	 beneficiamento	 e	
principalmente	 armazenamento	 de	 grãos	 (KOLLING	 et al.,	 2012	 aApud SOUZA et 
al.,	 2014).	 	A	qualidade	das	sementes	pode	ser	afetada	pelas	operações	de	colheita,	
secagem,	beneficiamento,	armazenamento	e	semeadura,	além	de	aspectos	genéticos	e	
de	cultivo	(FERREIRA;	SÁ,	2010,	Apudapud SOUZA et al.,	2014).	
O	 beneficiamento	 é	 uma	 das	 	 etapas	 finais	 de	 um	 programa	 de	 produção	
de	 sementes	 (SOUZA	 et	 al,	 2014).	 Na	 unidade	 de	 beneficiamento,	 após	 retirada	 de	
impurezas	como,	por	exemplo,	sementes	imaturas,	rachadas	ou	quebradas,	sementes	
de	 ervas	 daninhas,	 substâncias	 inertes,	 partes	 de	 plantas,	 os	 produtos	 adquirem	
padrões	de	classificação	considerando	características	físicas,	fisiológicas	e	sanitárias,	
para		comercialização	(SILVA	et al.,	2008,	Apudapud SOUZA et al.,	2014).	
Portanto,	 o	 beneficiamento	 de	 sementes	 énecessário	 para	 remover	 os	
contaminantes.	Nesta	etapa,	separa-se	as	sementes	puras	 (todas	as	sementes	e/ou	
propágulos	pertencentes	à	espécie	testada,	declaradas	pelo	expedidor	ou	dominantes	
na	amostra)	de		outras	sementes	(todas	as	espécies	vegetais	que	não	sementes	puras)	
sementes	e/ou	propágulos),	além	dos	materiais	 inertes	(incluindo	propágulos	e	todos	os	
outros	materiais	e	estruturas	não	definidos	como	sementes	puras	ou	outras	sementes)	
(SOUZA	et al.,	2014).	
De	 acordo	 com	Carvalho	 e	 Nakagawa	 (2012,	Apudapud SOUZA et al.,	 2014),	
remoção	 de	 impurezas,	 sementes	 de	 outras	 espécies	 ou	 variedades,	 sementes	 da	
mesma	 espécie,	 ou	 cultivar	 com	 características	 indesejáveis	 e	 posterior	 separação	
em	 frações	 mais	 homogêneas.	 Outro	 ponto	 importante	 para	 o	 beneficiamento	 das	
sementes	é	a	seleção	do	maquinário	para	as	unidades	de	beneficiamento,	que	deve	
ser	feita	levando	em	consideração	as	características	da	semente	(SOUZA	et al.,	2014).	
Segundo Giomo et al.	(2008),	o	beneficiamento	de	sementes	foram	desenvolvidos	para	
permitir	a	separação	relativamente	fácil	de	sementes	de	uma	miríade	de	espécies		com	
base	em	propriedades	físicas	que	variam	amplamente	dentro	dos	lotes	na	colheita.
Acadêmico,	 neste	 Tema	 de	Aprendizagem	 2,	 abordaremos	 como	 funciona	 o	
processo	de	beneficiamento	de	sementes	e	sua	importância	para	a	manutenção	da	boa	
qualidade	das	mesmas.	Ainda,	visualizaremos	também	o	funcionamento	dos	principais	
equipamentos	necessários	para	que	essa	etapa	seja	desenvolvida	em	sua	plenitude.	
148
2 BASES DA RECEPÇÃO E SEPARAÇÃO DAS SEMENTES
O	 recebimento/recepção	 de	 sementes	 é	 o	 processo	 de	 caracterização	 e	
identificação	dos	lotes	de	sementes	que	uma	UBS	recebe.	Um	lote	é	definido	como	"um	
número	 limitado	 de	 sementes	 com	 características	 físicas	 e	 fisiológicas	 semelhantes	
dentro	de	tolerâncias	especificadas".	Cada	lote	de	sementes	tem	uma	"história"	devido	a	
regimes	de	cultivo,	contaminação	de	sementes	de	ervas	daninhas,	regimes	de	colheita,	
combinações	varietais,	atrasos	na	colheita,	condições	climáticas	e	manuseio.	Portanto,	
o	pagamento	deve	ser	pessoal	e	específico.	
A importância desses dados decorre, conforme destacam Peske e 
Vilella	(2003,	pág.	322),	as	seguintes	razões:	
a)	 quanto	 ao	 registro	 do	 produtor,	 sabe-se	 que	 a	 conduta	 do	
indivíduo	 interfere	 na	 avaliação	 da	 responsabilidade,	 capricho,	
idoneidade e tino comercial; 
b)	 a	procedência	 irá	 informar	em	que	condições	edafoclimáticas	a	
semente foi produzida; 
c)	 o	número	do	lote	é,	na	realidade,	o	"batismo"	da	semente	na	UBS;	
d)	 o	 registro	da	quantidade	de	semente	 lembra	que	a	balança	é	o	
"caixa"	da	UBS,	sendo	igualmente	importante	perante	o	ICM,	pois	
sobre a semente não incide imposto; 
e)	 a	data	de	recepção	poderá	informar	quanto	à	ocorrência	de	chuva	
após	as	sementes	terem	atingido	a	maturação,	e	quanto	à	demora	
da secagem, entre outros fatores; 
f)	 a	indicação	da	espécie	e	cultivar	contribui	no	sentido	de	evitar	ou	
minimizar	misturas	varietais	durante	o	manuseio	das	sementes	na	
UBS; 
g)	 o	 registro	 do	 teor	 de	 umidade	 informa	 sobre	 a	 necessidade	 de	
secagem, o potencial de armazenamento, a suscetibilidade à 
danificação	mecânica	 e	 sobre	 o	 desconto.	 Como	 se	 sabe,	 todo	
lote	de	sementes	recebido	com	mais	de	13	%	de	umidade	sofre,	
na	liquidação,	o	desconto	do	percentual	de	água	em	excesso;	
h)	 a	pureza	física	do	lote	informará	quanto	à	perda	no	beneficiamento,	
às	máquinas	necessárias	para	a	limpeza	e	quanto	à	contaminação	
por	sementes	de	plantas	daninhas	nocivas	ou	de	difícil	separação,	
como	 é	 o	 caso	 de	 arroz	 preto	 e	 vermelho	 no	 arroz	 comercial,	
polígono	e	nabo	no	trigo,	feijão	miúdo	na	soja,	rumex	e	cuscuta	
em	forrageiras	 leguminosas.	Para as grandes culturas,	 98%	é	o	
mínimo	de	pureza	aceito	para		comercialização.	
i)	 a	 semente,	 para desempenhar sua função na agricultura, 
necessita	estar	viável,	portanto	todos	os	mecanismos	devem	ser	
utilizados	para	evitar	que	 lotes	de	sementes	de	baixa	qualidade	
sejam	recebidos	na	UBS.	O	teste	de	germinação	é o mais utilizado 
para	verificação	da	viabilidade	da	semente;	entretanto,	nos	últimos	
anos,	 outros	 testes	 têm	 sido	 desenvolvidos	 para	 determinação	
rápida	 da	 viabilidade,	 como	 tetrazólio,	 condutibilidade	 e	 pH	 do	
exsudato,	os	quais,	num	período	de	horas	ou	minutos,	determinam	
a	viabilidade	das	sementes.
149
2.1 AMOSTRAGEM DE SEMENTES
O	processo	de	obtenção	de	uma	pequena	porção	das	sementes	representará	o	
lote	de	teste	para	avaliar	a	qualidade	e	determinar	a	umidade,	pureza	e	potência.	Como	
os	 lotes	de	sementes	geralmente	excedem	10	toneladas	ou	200	sacas,	a	amostragem	
deve	atender	a	alguns	critérios.	Desta	forma,	pequenas	amostras	são	retiradas	de	um	
determinado	número	de	sacos	para	formar	uma	única	amostra.	Nas	normas	brasileiras	
de	testes	de	sementes,	há	uma	tabela	indicando	o	número	de	sacos	a	serem	testados	
de	acordo	com	o	tamanho	do	 lote;	mas,	do	ponto	de	vista	prático,	deve-se	observar	
que	se	um	lote	contiver	no	máximo	5	sacas,	retira-se	uma	amostra	de	cada	saca;	Se	
o	número	de	 sacos	exceder	 esse	número,	 5-10%	do	número	de	 sacos	do	 lote	 serão	
amostrados,	mas	não	mais	do	que	30	amostras	serão	exibidas.	A	coleta	de	amostras	
individuais	formará	a	amostra	composta,	que	após	homogeneização	e	fracionamento,	
se	 tornará	uma	amostra	 intermediária,	 que	 será	enviada	ao	 laboratório	de	 sementes	
para	análise.	A	pureza,	a	umidade	e	a	vivacidade	do	lote	são	obtidas	analisando	a	média	
da	amostra,	mas	é	importante	obter	o	teor	de	umidade	de	várias	amostras	individuais	
para	verificar	se	a	secagem	é	necessária,	pois	pode	haver	gradientes	de	umidade	no	lote	
que	não	foram	detectadas	na	amostra	intermediária,	o	que	aumenta	o	risco	de	danos	
por	deterioração	durante	o	armazenamento	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
A	fim	de	exemplificar,	veja	o	exemplo	de	PESKE;	VILELLA,	(2003)	com	sementes	
de arroz:
1	grama	contém	40	sementes,	 1kg	40.000,	 1t	40	milhões	e	 10t	400	
milhões.	 Assim,	 para	 a	 germinação,	 as	 400	 sementes	 utilizadas	
no	 teste	 irão	 representar	 os	 400	milhões	 de	 sementes	 no	 lote.	   É	
necessário	que	essa	relação	de	grandeza	esteja	presente	no	espírito	
do	indivíduo	que	faz	a	amostragem	(PESKE;	VILELLA,	2003,	pág.	323).
2.1.1 Pré limpeza e cuidados iniciais com as sementes
Logo	após	a	colheita,	como	visto	anteriormente,	quando	as	sementes	chegam	
à	UBS,	as	mesmas	podem	estar	misturadas	com	diversos	materiais	indesejados	como	
inertes,	 sementes	 de	 ervas	 daninhas,	 sementes	 de	 outras	 espécies	 e	 cultivares,	
sementes deformadas e sementes fora dos padrões preestabelecidos conforme a RAS 
(PESKE;	VILELLA,	2003).	Em	alguns	casos,	a	contaminação	de	materiais	indesejados	é	
alta	e	é	necessária	uma	pré-limpeza.
A	pré-limpeza	compreende	basicamente	a	retirada	do	material	maior,	 	menor	
e	 	mais	 leve	 do	 lote	 de	 sementes.	 Nesse	 processo	 são	 utilizadas	máquinas	 de	 ar	 e	
peneiras de alta performance,	 pois	 nessa	 etapa	 do	 beneficiamento	 o	 desempenho	
é	mais	 importante	do	que	a	qualidade,	pois	todas	as	sementes	 recebidas	devem	ser	
previamente	limpas.	De	acordo	com	Peske	e	Vilella	(2003,	pág.	324),	podemos	entender	
as	principais	vantagens	da	pré-limpeza,	como	descrito	abaixo:
150
a)	 Facilidade de secagem -	Na	secagem	artificial	das	sementes	
a remoção de sementes de plantas daninhas e de restos de 
culturas,	[...]	que	possuem	maior	umidade,	irá	acelerar	a	secagem	
e	auxiliará	no	fluxo	das	sementes	através	do	secador.
b)	 Redução de volume a armazenar	-	O	emprego	de	combinadas	
automotrizes	com	altas	capacidades	de	colheita	resulta	em	que	
muitos	lotes	de	sementes	das	grandes	culturas	atinjam	menos	
de	95%	de	pureza	e,	em	forrageiras,	menos	de	50%...
c)	 Facilidade de transporte por elevadores	 -–	 [...]	 Se	 a	
alimentação for com materiais de pouca mobilidade ou de 
diversos	tamanhos,	o	transporte	pelas	caçambas	será	dificultado	
e	as	possibilidadesde	entupimento	serão	grandes.
d)	 Facilidade de operação das máquinas subsequentes	 -	 A	
remoção	prévia	do	material	bem	maior,	bem	menor	e	bem	mais	
leve	do	meio	do	lote	de	sementes	tornará	mais	eficaz	o	trabalho	
das	peneiras	e	do	ar,	pois	possibilitará	o	uso	de	peneiras	com	
perfurações	 de	 dimensões	mais	 próximas	 às	 da	 semente	 e	 a	
regulagem	do	ar	com	mais	precisão.
e)	 Melhores condições no armazenamento de fluxo	 -	Sementes	
partidas	 e	 danificadas	 e	 restos	 de	 cultura	 fazem	 com	 que	 os	
processos	metabólicos	 das	 sementes	 sejam	 acelerados,	acar-
retando uma maior deterioração.	Daí	a	importância	da	remoção	
desses	materiais	na	pré-limpeza.
Aliado	 a	 esse	 conhecimento,	 algumas	 sementes	 requerem	 manipulação	
especial	para	serem	utilizadas.	Exemplos	 incluem	palha,	sementes	aristadas,	espigas	
de	milho,	algodão,	amendoim	e	sementes	múltiplas	e	duras.	Equipamentos	especiais	
são	necessários	para	realizar	essas	operações	Peske	e	Vilella	(2003).
Usado	 em	 canudos	 secadores	 e	 sementes	 preferencialmente	 palhentas	 (como	
sementes	 de	 gramíneas,	 por	 exemplo)	 para	melhorar	 o	 fluxo	 através	 dos	 lavadores.	
Consiste	basicamente	em	um	eixo	no	qual	os	garfos	giram	dentro	de	um	cilindro	ao	
qual	 cada	 garfo	 é	 fixado.	As	 sementes	 ficam	 livres	 de	 bordas	 e	 outras	 saliências	 ao	
passarem	pelos	garfos,	melhorando	o	fluxo	e	o	peso	volumétrico.	 	Para	evitar	danos	
às	 sementes,	 é	 recomendado	 revestir	 os	 garfos	 com	 um	 material	 emborrachado	 e	
colocar	as	sementes	na	máquina	"rapidamente".	Aveia,	cevada	e	algumas	forragens	são	
exemplos	de	sementes	que	precisam	passar	por	esta	máquina.	Por	exemplo,	a	debulha	
da semente de milho pode ser feita em uma colheitadeira (PESKE;	VILELLA,	2003).	
No	caso	do	milho,	por	exemplo,	para	minimizar	os	danos	mecânicos,	recomenda-
se	colher	as	espigas	(25-30%	de	umidade)	e	secar	a	14-15%	antes	da	debulha.	O	processo	
de descascamento consiste na passagem da espiga de milho por um macaco cilíndrico 
preenchido	com	 "dentes"	que	prendem	a	espiga	de	milho	próximo	ao	alojamento	da	
debulhadora,	removendo	assim	as	sementes	de	milho	por	fricção.	As	sementes	e	espigas	
são	posteriormente	separadas	por	uma	peneira	e	em	alguns	modelos	por	um	ventilador	
integrado	ao	sistema.	Recomenda-se	girar	a	debulhadora	a	aproximadamente	400	rpm	
para	 evitar	 danos	mecânicos	 à	 semente.	 Em	 alguns	 casos,	 é	 necessário	 solicitar	 ao	
fabricante uma debulhadora de sementes especial (PESKE;	VILELLA,	2003).
151
Às	vezes,	o	revestimento	da	semente	precisa	ser	removido	para	promover	ou	
acelerar	a	semeadura,	mas	às	vezes	esse	revestimento	deve	ser	aberto	após	a	semeadura	
para	permitir	que	as	sementes	absorvam	água	e	iniciem	o	processo	de	germinação.	As	
operações	de	decapagem	e	escarificação,	podem	ser	realizadas	separadamente	ou	em	
combinação,	mas	é	mais	comum	realizar	ambas	em	conjunto,	utilizando	para	isso	rolos	
e rugosidade de superfície (PESKE;	VILELLA,	2003).
2.2 LIMPEZA DAS SEMENTES
A	remoção	de	material	indesejado	do	meio	de	um	lote	de	sementes	só	é	possível	se	
houver	diferenças	físicas	entre	os	componentes.	As	propriedades	físicas	atualmente	
usadas	para	 	separação	são	 largura,	espessura,	comprimento,	peso	forma,	gravidade	
específica,	estrutura	da	superfície,	cor,	condutibilidade	elétrica	e	afinidade	por	líquidos	
(PESKE;	VILELLA,	2003).	
Uma	tela	de	orifício	redondo	é	usada	para	classificação	de	largura e uma tela de 
orifício	com	fenda	é	usada	para	classificação	de	espessura.	A	separação	gravimétrica	
usa	 um	 ventilador	 para	 forçar	 o	 ar	 através	 das	 sementes	 para	 remover	 o	 material	
mais	 leve,	 sendo	 esta	 a	 separação	 por	peso.	 Para	 além	 desses	 parâmetros,	 alguns	
equipamentos	 são	 utilizados	 para	 separação,	 limpeza	 e	 classificação	 das	 sementes	
(PESKE;	VILELLA,	2003).
As telas de orifício circular são caracterizadas por diâmetros de orifício em 
milímetros	que	variam	de	0,6	a	31	mm.	No	entanto,	a	nomenclatura	norte-americana	
é	diferente	e	 incluem	convenções.	É	assim	que	as	peneiras	maiores	que	2,0	mm	são	
caracterizadas	por	 1/64	de	polegada,	 tais	 como,	 5,5/64,	 60/64,	 ...,	 80/64,	 já	 as	 telas	
com	diâmetro	de		perfuração	inferior	a	2,0	mm	são	caracterizadas	por	frações	de		1/12,	
1/13,	 ...,	 1/30	 .	O	Brasil	usa	o	sistema	decimal,	mas	a	nomenclatura	norte-americana	
costuma	 ser	 esquecida.	 As	 telas	 de	 furos	 oblongos	 são	 identificadas	 pela	 largura	 e	
comprimento	dos	furos	em	milímetros.	Eles	vêm	nas	mesmas	variações	que	as	telas	
de	 orifício	 redondo	 em	 largura,	mas	 comprimentos	 de	 7,0	mm,	 12,0	mm	ou	 20	mm,	
sendo	este	último	o	mais	comum.	Na	nomenclatura	norte-americana,	a	largura	segue	a	
mesma	designação	dos	furos	redondos	e	o	comprimento	é	expresso	em	frações	como	
1/4,	1/2,	3/4	(PESKE;	VILELLA,	2003).
Telas	 com	 orifícios	 triangulares	 também	 estão	 disponíveis.	 São	 telas	 pouco	
utilizadas	e	suas	perfurações	são	expressas	em	função	do	diâmetro	do	triângulo	ou	do	
círculo	circunscrito	aos	lados	do	triângulo.	Aquelas	com	orifícios	redondos,	oblongos	e	
triangulares	são	feitos	de	chapa	metálica	e	alguns	têm	tela	de	arame	trançado.	Essas	
peneiras	têm	a	vantagem	de	ter	aproximadamente	o	dobro	da	área	aberta	e	a	ondulação	
natural	 facilita	 a	 triagem	 das	 sementes.	 São	 de	 furos	 quadrados	 ou	 retangulares	
e	 expressos	 em	número	 de	 aberturas	 por	 polegada	 bidirecional,	 isto	 é,	 uma	peneira	
152
de	 furos	 retangulares	 como	8	 x	 8	 terá	 numa	 direção	 na	 distância	 de	 25,4mm	 (uma	
polegada)	8	furos	quadrados	e,	na	outra	direção,	também	8,	enquanto	na	peneira	de	
furos	 retangulares,	 como	 4	 x	 10,	 terá	 4	 aberturas	 num	 sentido	 (numa	 distância	 de	
25,4mm)	e	10	aberturas	no	outro	(PESKE;	VILELLA,	2003).	Além	do	número	de	aberturas,	
a	espessura	dos	fios	também	afeta	a	interface.
O	 uso	 das	 peneiras	 de	 arame	 está	 se	 difundindo	 cada	 vez	 na	 produção	 e	
beneficiamento	 de	 sementes,	 enquanto	 no	 beneficiamento	 em	 indústria	 do	 fumo	 o	
uso	de	peneira	de	arame	é	generalizado	(PESKE;	VILELLA,	2003).	Porém,	em	uma	UBS,	
outros	equipamentos	são	necessários	e	serão	apresentados	a	seguir.
A Máquina de ar e peneiras	 (MAP)	 é	 um	 dispositivo	 que	 utiliza	 telas	 e	
ventiladores	 para	 separar	 o	 material	 indesejado	 das	 sementes	 de	 interesse.	 É	
considerada	a	máquina	base	do	UBS,	pois	todos	os	lotes	passam	por	esta	máquina	e	
geralmente	é	 suficiente	 remover	 todo	o	material	 indesejado	do	 lote.	Dependendo	da	
marca	e	modelo,	o	MAP	pode	ter	de	1	a	8	telas	planas	e/ou	até	2	telas	cilíndricas	e	1	a	
3	ventiladores.	A	certificação	do	produtor	de	sementes	requer,	entre	outras	coisas,	um	
MAP	com	um	determinado	número	de	telas	e	separação	por	ar.	Para	o	Rio	Grande	do	
Sul	são	necessárias	três	telas	e	duas	separações	por	ar.	Com	menos	telas	e	uma	única	
separação	de	ar,	é	considerada	uma	máquina	de	pré-limpeza.	Os	MAPs	mais	comuns	
são	de	quatro,	cinco	e	seis	peneiras.	A	operação	da	máquina	é	explicada	usando	um	
MAP	com	quatro	telas	(peneiras)	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
Existem	duas	convenções	para	identificar	telas	em	máquinas,	como	mostrado	
abaixo	(PESKE;	VILELLA,	2003):
1	-	1ª	,	2ª	,	3ª		e	4ª	,	de	cima	para	baixo	e,
2	-	1ª		peneira	superior,	1ª		peneira	inferior,	2ª		peneira	superior	e	2ª		peneira	inferior.	
Relacionando	as	duas	convenções,	entende-se	que	a	1ª	é	a	1ª	peneira	superior,	
a		2ª	é	a	1ª	peneira	inferior,	uma	vez	que	irá	separar	inicialmente	os	materiais	menores,	a	
3ª	é	a	2ª	peneira	superior,	sendo	responsável	por	separar	pela	segunda	vez	os	materiais	
maiores	que	a	 semente,	e	a	4ª	peneira	é	a	2ª	peneira	 inferior.	Numa	MAP	de	quatro	
peneiras,	 obtêm-se	 cinco	 materiais,	 os	 quais	 são:	 a)	 semente	 (parte	 desejável);	 b)	
material	grande;	c)	material	pequeno;	d)	material	bem	grande	e	e)	material	bem	pequeno	
(PESKE;	VILELLA,	2003).
O	 tamanho	médio	da	 semente	varia	de	 lote	para	 lote,	 especialmente	de	ano	
para	ano.	Para	selecionar	uma	peneira,	use	primeiro	uma	peneira	manual	de20	x	20	
cm.	A	máquina	é	então	colocada	em	operação	normal	e	testada	para	analisar	o	grau	
de	separação	e	 	perda	de	sementes	para	uma	separação	efetiva.	Algumas	sementes	
desejáveis	saem	com		materiais	indesejáveis,	mas	nesses	casos,	devem	ser	o	mínimo	
possível.	Para	referência,	muitos	produtores	de	sementes	de	soja	usam	uma	peneira	4,5	
x	20	na	4ª	posição	durante	o	processamento.	Isso	causa	perda	de	sementes	na	ordem	
de	10%	ou	mais,	somente	nesta	peneira	para	muitas	cultivares.
153
A	máquina	deve	ser	devidamente	ajustada	em	relação	aos	seguintes	fatores:	
Alimentação	-	As	sementes	devem	entrar	na	máquina	em	um	fluxo	contínuo	e	
uniforme	para	obter	melhor	separação	e	rendimento.	Por	isso	a	MAP	utiliza	um	recipiente	
(depósito)	 com	 capacidade	 para	 operar	 a	 máquina	 por	 1	 hora.	 Lotes	 com	 uma	 alta	
porcentagem	principalmente	de	sementes	de	palha	ou	material	indesejado	geralmente	
não	escorrem.	Isso	requer	a	ajuda	de	alimentadores	que	consistem	em	rolos	estriado	
ou		garfos,	no	entanto,	nem	todos	os	MAPs	possuem	esse	mecanismo.		A	alimentação	
é	ajustada	abrindo	um	controle	deslizante	com	um	contrapeso	ou	uma	manivela	que	
empurra	a	massa	de	sementes.	Como	regra	geral,	a	MAP	está	bem	alimentado	quando	
a	segunda	tela	é	coberta	por	±	2	cm	de	sementes	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
Velocidade do vento (ar)	 -	Diferentes	 tipos	 de	 sementes	 se	 beneficiam	do	
MAP.	 Portanto,	 é	 importante	 que	 cada	 lote	 seja	 exposto	 ao	fluxo	de	 ar	 adequado.	A	
velocidade	do	ar	que	entra	na	máquina	deve	ser	menor	que	a	velocidade	de	saída.	Um	
bom	ajuste	é	aquele	no	qual	algumas	sementes	desejáveis	saem	juntamente	com	os	
materiais	indesejáveis	(leves).	A	separação	de	ar	não	é	precisa.	Portanto,	é	aconselhável	
não	forçar	muito,	pois	a	perda	será	maior	e	ainda	assim	o	material	mais	leve	passará	junto	
com	as	sementes.	Para	separação	por	densidade,	utilizam-se	uma	mesa	de	gravidade	
(PESKE;	VILELLA,	2003).	
Vibração da peneira	-	Durante	a	separação	é	 importante	utilizar	a	vibração	
da	peneirapara	que	as	sementes	fiquem	repetidamente	expostas	aos	furos	da	peneira	
ao	 passarem	 pelo	 MAP.	 Acontece	 que	 esse	movimento	 não	 pode	 ser	 muito	 alto,	 já	
que	 as	 sementes	 passam	 pela	 peneira	muito	 rapidamente.	 Portanto,	 recomenda-se	
que	a	soja	seja	menos	agitada	que	o	arroz.	As	máquinas	mais	simples	não	possuem	
estas	possibilidades	de	ajustes,	e	funcionam	com	uma	vibração	constante	de	400	rpm	
(PESKE;	VILELLA,	2003).	
Gradiente da Peneira	-	Normalmente	a	primeira	peneira	tem	uma	inclinação	
menor	que	a	segunda	peneira,	dando	mais	tempo	para	as	sementes	passarem	pelos	
furos.	É	 importante	que	a	 inclinação	seja	maior	para	sementes	de	arroz	do	que	para	
soja.	De	todos,	esta	configuração		foi	considerado	com		a	menos	importante	por	Peske	
e	Vilella,	(2003).	
Seleção de Telas (peneiras) -	Existem	mais	de	200	tipos	diferentes	de	telas	
disponíveis	para	os	operadores,	mas	em	relação	àa	trocas,	elas	devem	ser	fáceis	de	mudar	
no	MAP,	pois	a	seleção	de	tela	é	a	configuração	mais	importante	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
Limpeza da tela (peneiras) -	A	eficiência	da	tela	também	depende	do	número	
de	 furos	 deixados	 desobstruídos	 durante	 o	 processo.	 Um	 ou	 mais	 dos	 seguintes	
mecanismos	são	usados	para	evitar	o	entupimento	dos	orifícios	da	tela:	1)	Uma	escova	
de	 fibra	 sintética	 que	 se	 move	 sob	 a	 tela.	 2)	 Martelo	 que	 bata	 em	 uma	 das	 telas,	
geralmente	usado	em	associação	com	a	escova,	e	3)	coloque	uma	bola	de	borracha		em	
um	compartimento	especial	sob	a	tela	(PESKE;	VILELLA,	2003).
154
Algumas técnicas especiais são usadas para melhorar o desempenho do MAP:
Capa de Tela (peneiras) -	Consiste	em	uma	 lona	plástica	ou	de	tecido	que	
pressiona	 suavemente	 a	 tela	 (geralmente	 de	 terço).	 Desta	 forma,	 as	 sementes	 são	
empurradas	para	fora,	passando	pelos	orifícios.	Caso	contrário,	mesmo	que	a	semente	
seja	menor	que	o	picotado,	pode	escorrer	para	fora	da	tela.	Recomendado	para	sementes	
de	soja	(PESKE;	VILELLA,	2003).
Placa Não Perfurada	-	Utilizada	para	fechar	os	furos	na	metade	traseira	da	
primeira	tela.	Pode	ser	feito	de	chapa	sólida,	lona	ou	uma	tela	com	perfurações	muito	
pequenas.	Por	esse	motivo,	em	muitos	MAPs,	a	1ª	e	a	2ª	telas	têm	metade	do	tamanho	
da	3ª	e	4ª	telas.	Essa	técnica	é	usada	em	sementes	de	trigo	e	arroz	para	evitar	que	
hastes	muito	mais	longas	do	que	as	sementes	"se	levantem"	e	passem	pelos	orifícios	da	
tela	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
Peneira corrugada	 -	 As	 telas	 selecionadas	 possuem	 tamanhos	 de	 picotes	
muito	próximos	das	sementes	quando	o	material	indesejável	e	semente	possui	pouca	
diferença	entre	si.	Se	a	espessura	for	diferente,	use	uma	tela	oblonga,	que	facilitará	a	
separação.	No	entanto,	no	caso	do	arroz	largo,	como	o	arroz	do	grupo	Patna	e	o	arroz	
vermelho,	é	difícil	classificar	com	uma	peneira	plana	e	o	rendimento	do	MAP	cai	para	
10%.	Sementes	de	arroz	com	o	comprimento	de	mais	de	duas	vezes	a	largura	são	difíceis	
de	levantar-se	para	passar	pelas	perfurações.	Então,	usamos	corrugações	(ondulações)	
na	peneira	para	forçar	as	sementes	para	cima	(PESKE;	VILELLA,	2003).
Embora	a	MAP	realize	a	separação	de	sementes	através	do	seu	peso,	há	outros	
equipamentos	 importantes	 para	 sementes	 leves	 e	 pesadas,	 a	 qual	 é	 denominada	
ventilão,	 sendo	 uma	máquina	 geralmente	 implementada	 após	 a	MAP,	 podendo	 ser	
utilizada	em	todo	tipo	de	semente	(PESKE;	VILELLA,	2003).
O	 ventilão	 nada	mais	 é	 que	 um	 ventilador	 que	 cria	 uma	 pressão	 superior	 à	
pressão	atmosférica,	que	força	o	ar	a	fluir	pelas	sementes	que	são	alimentadas	por	uma	
saída	de	jato	(bica)	em	uma	coluna	vertical	de	ar.	Os	materiais	mais	leves	são	levantados	
pela	coluna	onde	são	direcionados	para	o	bocal	de	descarga.	A	matéria	mais	pesada	
cai pela coluna de ar, atinge e cruza a tela inclinada e segue para a bica de descarga 
(PESKE;	VILELLA,	2003).
O	principal	ajuste	é	a	velocidade	do	ar.	Reduzir	o	suprimento	de	ar	permitirá	que	
menos	ar	passe	pelas	sementes.	A	sangria	ocorre	logo	após	o	MAP,	dificultando	a	regulagem	
da	alimentação,	pois	necessita	de	uma	moega	para	controlar	a	saída	de	sementes.	
Além do peso do material, muitos fatores afetam a separação, incluindo 
formato,	gravidade	específica,	acabamento	da	superfície,	área	exposta,	área	frontal	e	
dimensões	gerais.	Portanto,	a	separação	nesta	máquina	não	é	muito	precisa.	Existem	
outros	modelos	de	ventilões,	fabricados	em	outros	países	(PESKE;	VILELLA,	2003).
155
2.3 DENSIDADE DAS SEMENTES
Os	 lotes	 variam	 em	 densidade	 de	 sementes	 devido	 a	 infestação	 de	 insetos,	
doenças,	maturidade	e	chuva	pouco	antes	da	colheita.	Sementes	de	baixa	densidade	
não	são	viáveis			ou	têm	baixo	vigor	e	devem	ser	retiradas	do	meio	do	lote.	Pedras,	palha,	
sementes	 quebradas	 ou	 descascadas	 e	 sementes	 de	 ervas	 daninhas	 também	 são	
exemplos	que	requerem	classificação	de	densidade	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
As	 separações	 mais	 precisas	 por	 densidade	 são	 através	 de	 meios	 líquidos.	
Porém,	 como	 a	 tecnologia	 para	 isso	 ainda	 não	 foi	 desenvolvida,	 são	 utilizadas	 as	
chamadas	 mesas	 de	 gravidade,	 que	 são	 muito	 melhores	 que	 os	 ventiladores,	 que	
também	 possuem	 boas	 características.	 As	 mesas	 de	 gravidade	 são	 finalizadores,	
geralmente colocados imediatamente após o MAP e são recomendados para todos os 
tipos	de	sementes,	principalmente	forrageiras.	O	método	consiste	na	própria	mesa	e	
ventiladores	 colocados	 sob	a	mesa	e	no	quadro.	A	mesa	é	mutável	 e	pode	 ser	 feita	
de	tecido	para	sementes	mais	 leves	e	arame	trançado	para	sementes	mais	pesadas	
como	trigo,	arroz	e	soja.	A	forma	da	mesa	pode	ser	retangular	ou	triangular	dependendo	
do	modelo.	A	triangulação	é	recomendada	quando	há	muito	material	 leve	ao	 lado	de	
material	pesado,	como	é	o	caso	da	grama	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
A	separação	por	densidade	é	feita	em	duas	etapas.	A	primeira	etapa	estratifica	
a	massa	de	sementes.	As	mais	leves	entram	em	contato	com	o	topo	e	as	mais	pesadas	
com	o	fundo.	A	segundaetapa	consiste	na	separação	propriamente	dita,	com	os	itens	
mais	pesados	passando	para	o	topo	da	mesa	e	os	mais	leves	para	a	parte	inferior.	Essa	
separação	é	possível	porque	objetos	leves	que	não	estão	em	contato	com	a	mesa	não	são	
afetados	pela	vibração	e	são	movidos	pela	gravidade	e	são	descarregados	na	parte	inferior,	
enquanto	objetos	pesados	que	estão	em	contato	com	a	mesa	são	afetados	lateralmente	
pela	vibração	e	são	descarregados	no	ponto	mais	alto.	Entre	o	pesado	e	o	leve	há	sempre	
uma	peça	intermediária	que	alimenta	a	máquina	(PESKE;	VILELLA,	2003).
Uma mesa de gravidade	–	ou	mesa	densimétrica	–	deve	ser	devidamente	ajustada	
para	funcionar	bem	em	relação	a	uma	série	de	elementos	(PESKE;	VILELLA,	2003):	
• Velocidade do ar	 -	O	excesso	de	ar	 levita	 até	os	objetos	mais	
pesados,	para	que	não	sejam	afetados	pelas	vibrações	da	mesa.	
Um	sinal	de	excesso	de	ar	é	a	formação	de	bolhas	de	ar	na	parte	
superior	da	betonilha	e	o	aparecimento	de	áreas	sem	sementes	
na	parte	final	mais	alta	da	mesa.	Se	não	houver	ar	 suficiente,	a	
estratificação	não	ocorrerá	e	até	objetos	leves	podem	permanecer	
em	contato	com	a	mesa	sob	a	influência	de	vibrações.	Um	sinal	de	
falta	de	ar	é	o	aparecimento	de	uma	área	sem	sementes	na	parte	
inferior	da	mesa.	
Para	permitir	que	a	mesa	de	queda	manuseie	sementes	mais	leves,	
use	uma	mesa	com	capa	de	tecido	para	reduzir	a	velocidade	do	ar.	
156
• Vibração da mesa	-	as	sementes	devem	ser	separadas	após	a	
estratificação.	A	vibração	através	do	fluxo	de	sementes	(no	sentido	
transversal	ao	fluxo)	direciona	as	sementes	pesadas	para	o	topo	
da	mesa.	Vibração	muito	alta	pode	levar	todas	as	sementes	para	
parte	mais	 alta	da	mesa,	 enquanto	queenquanto	a	vibração	 for	
muito	baixa,	pode	direcionar	todas	as	sementes		para	o	fundo	da	
mesa.	
• Inclinação lateral	–	Junto	com	a	vibração,	a	 inclinação	 lateral	
separa	 as	 sementes.	 A	 inclinação	 lateral	 deve	 ser	 tal	 que	 as	
partículas	 sejam	 menos	 propensas	 a	 subir.	 Caso	 contrário,	 a	
vibração	tenderá	a	depositar	todas	as	partículas	na	parte	mais	alta	
da	mesa.	Uma	inclinação	muito	alta	é	capaz	de	fazer	com	que	até	
mesmo	 sementes	mais	 pesadas	 sejam	descarregadas	 à	 sessão	
mais	baixa	da	mesa.	
• Alimentação	–	Deve	apresentar	uma	camada	de	2	a	4	cm	seja	
distribuída	uniformemente	sobre	a	mesa.	
• Inclinação longitudinal	 -	 Esta	 é	 uma	 configuração	 menos	
usada.	Apenas	aumenta	ou	diminui	o	fluxo	de	sementes	na	mesa.	
Recomenda-se	 que	 os	 ajustes	 sejam	 feitos	 um	 de	 cada	 vez	 e	
aguardar	cerca	de	5	minutos	entre	eles.
O	grande	impacto	da	densidade	de	sementes	na	qualidade	fisiológica	significa	
que	 as	mesas	 de	 gravidade	muitas	 vezes	 podem	melhorar	muito	 essa	 propriedade.	
Trata-se	principalmente	de	sementes	de	gramíneas	e,	 em	menor	grau,	de	sementes	
de	 leguminosas.	 Isso	se	deve	ao	enchimento	de	sementes,	que	pode	fazer	com	que	
ocorra	formação	de	espaços	vazios,	com	diminuição	da	densidade.	Um	exemplo	são	as	
sementes	de	cebola	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
Se	 um	 lote	 de	 sementes	 que	 passou	 pela	 mesa	 de	 queda	 ainda	 contiver	
substâncias pesadas, como pedras ou areia, recomendamos o uso de separadores 
especiais,	 os	chamados	separadores	de	pedra,	que	separam	também	por	diferenças	
de	gravidade	específica.	As	peças	e	o	 funcionamento	são	semelhantes	a	uma	mesa	
de	 gravidade,	 com	 a	 diferença	 de	 que	 existem	 apenas	 duas	 frações,	 uma	 em	 cada	
ponta	da	máquina,	para	separar	o	lote	de	sementes	em	leve	e	pesado.	As	sementes	são	
introduzidas	no	centro	da	plataforma,	que	vibra	para	frente	e	para	trás,	fazendo	com	
que	o	material	pesado	não	levantado	pelo	ar	seja	carregado	para	o	topo	da	plataforma	e	
o	material	mais	leve,	levantado	pelo	ar	e	que	não	está	em	contato	com	a	plataforma,	é	
descarregado	na	parte	inferior	da	mesma	(PESKE;	VILELLA,	2003).
2.4 COMPRIMENTO DAS SEMENTES
Particularmente	no	beneficiamento	de	sementes,	principalmente	trigo	e	arroz,	é	
comum	encontrar	material	 indesejado	que	difere	em	comprimento	das	sementes.	No	
caso	do	trigo,	encontra-se	sementes	partidas	ao	meio,	assim	como	em	aveia	e	nabo	
com	menor	 frequência.	 Em	 arroz	 são	 encontradas	 sementes	 descascadas,	 cortadas	
ao	meio,	e	também	sementes	de	Angiquinho	(Aschynomene rudis Bench)	e de arroz 
vermelho	(PESKE;	VILELLA,	2003).
157
Máquinas	que	separam	por	comprimento	são	chamadas	de	cilindros	de	separação	
ou trieur.	Consiste	basicamente	em	três	partes:	 1)	Base;	2)	o	próprio	cilindro,	 também	
chamado	de	camisa;	e	3)	calha.	A	base da máquina	serve	de	suporte	para	os	cilindros,	
sendo	 que	 em	muitas	 UBS	 contém	 rodas	 para	 facilitar	 o	 deslocamento	 da	máquina.	
Essa	capacidade	de	manobra	é	 importante,	pois	é	a	máquina	de	acabamento	que	no	
geral	é	posicionada	após	a	MAP,	de	modo	que	quando	não	estiver	em	uso,	sua	remoção	
facilita	a	inspeção	e	a	operação	de	outras	máquinas.	Outra	justificativa	importante	para	a	
mobilidade	da	máquina	é	quanto	a	limpeza	do	UBS	(PESKE;	VILELLA,	2003).
O cilindro	possui	em	seu	interior	milhares	de	alvéolos,	todas	do	mesmo	tamanho,	
nas	quais	será	colocado	o	material	a	ser	separado.	Todas	os	materiais	entram	nos	alvéolos,	
inclusive	os	mais	longas;	no	entanto,	apenas	os	de	comprimentos	mais	curtos	permanecem	
dentro	 dos	 alvéolos,	 permitindo	 que	 o	 cilindro	 suba	 a	 uma	 altura	maior	 quando	 girado,	
separando-os	 dos	 materiais	 mais	 longos.	 O	 material	 levantado	 pela	 unidade	 até	 uma	
possível	altura	de	separação	onde	mais	de	 	5/8	de	seu	comprimento	 	esteja	dentro	do	
alvéolo.	Existem	orifícios	dentro	do	cilindro	para	coletar	os	materiais	curtos	que	caem	por	
gravidade	após	serem	levantados	pelos	alvéolos	do	cilindro	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
Embora	a	separação	por	cilindros	não	seja	tão	precisa	quanto	as	peneiras,	se	
a	máquina	 estiver	 funcionando	 corretamente,	 pode-se	 obter	 um	 bom	 desempenho,	
graças	a	(PESKE;	VILELLA,	2003):	
Inclinação da calha	-	Em	muitos	tipos	de	cilindros	separadores,	a	inclinação	
da	calha	pode	ser	ajustada	de	30	a	60	graus.	Esta	configuração	é	visual		e	depende	do	
material	que	está	sendo	levantado.	No	caso	da	semente,	a	 inclinação	deve	ser	baixa.	
Outro	fator	que	afeta	a	 inclinação	é	o	grau	de	mistura	de	materiais	 indesejados,	que	
pode	ser		do	tipo	curto	ou	longo.	
Alimentação	 -	 para	 que	 o	 material	 entre	 no	 alvéolo,	 existe	 uma	 posição	
adequada;	Portanto,	é	 importante	expô-lo	várias	vezes	à	medida	que	entra,	e	quanto	
menor	a	quantidade	de	matéria	dentro	do	cilindro,	maior	a	probabilidade	de	entrar	no	
alvéolo.	A	capacidade	de	1,2	t/h	por	cilindro	pode	ser	considerada	alta;	Para	proporcionar	
um	fluxo	uniforme	nas	 linhas	de	beneficiamento,	 recomenda-se	 a	utilização	de	dois	
cilindros	por	linha.		
Rotação do cilindro	-	quanto	maior	a	rotação,	mais	alto	o	material	curto	será	
lançado.	Trata-se	de	um	ajuste	feita	em	conjunto	com	a	inclinação	da	calha,	e	que	está	
disponível	em	apenas	alguns	tipos	de	cilindros.	A	Rotação	pode	variar	entre	30	e	50	
rotações	por	minuto.	
Inclinação do cilindro	-	Esta	configuração	é	utilizada	para	controlar	a	velocidade	
das	sementes	dentro	do	cilindro.	Taxas	de	fluxo	mais	altas	são	recomendadas	se	houver	
menos	material	indesejado.	Porém,	poucos	tipos	de	cilindro	têm	essa	configuração.	
158
Tamanho do alvéolo	-	É	caracterizado	pelo	diâmetro	do	alvéolo	em	milímetros	
ou,	no	sistema	americano,	por	64	avos	de	polegadas.	O	que	importa	é	a	profundidade	
do	material	a	ser	acomodado,	um	alvéolo	de	10mm,	se	for	semiesférico,	terá	5mm	de	
profundidade	e	 levantará	facilmente	um	material	de	até	8mm	a	uma	altura	 razoável.	
No	cultivo,	existem	vários	tipos	de	sementes,	e	mesmo	dentro	de	uma	mesma	espécie,	
existem	muitas	variedades	que	podem	diferir	no	comprimento,	como	no	caso	do	arroz	
curto,	médio,	longo	e	extra	longo.	Para	cada	um	deve	ser	usado	o	tamanho	correto	de	
alvéolo	do	cilindro.
2.5 FORMA DAS SEMENTES
O	 beneficiamento	 das	 sementes	 quanto	 a	 diferenciação	 de	 forma	 é	 usada	
principalmente	no	processamento	de	soja	paraseparar	sementes	danificadas,	defeituosas	
e	 infestadas	por	pragas.	Nos	Estados	Unidos,	também	é	usado	para	separar	a  Ipomea 
turbinata	 da	 soja,	 onde	 um	 dispositivo	 chamado	 espiral	 é	 usado	 para	 realizar	 essa	
separação.	O	separador	espiral	consistem	em	um	tubo	central	ao	qual	são	fixados	dois	
tipos	de	espirais:	 interna	e	externa.	A	espiral	 interna	é	o	que	se	separa	a	semente,	as	
mesmaselas	ficam	em	cima	dela	e	começa	a	rolar	e	deslizar.	Os	materiais	que	atingem	
velocidades	maiores	 não	 conseguem	seguir	 as	 curvas	 do	 espiral	 e	 são	 lançados	para	
fora	e	recolhidos	pela	espiral	externa.	Para	melhorar	o	desempenho,	são	utilizadas	ou	5	
espirais	internas,	cada	uma	com	capacidade	de	±	100	kg/h.	Cada	linha	de	processamento	
requer	de	16	a	20	espirais	(PESKE;	VILELLA,	2003).
“Existem	vários	tipos	de	espirais,	pois	é	relativamente	fácil	construí-las,	diferindo	
entre	si	quanto	a:	a)	altura	da	espiral,	que	determinará	o	número	de	curvas	(voltas);	b)	
passo,	que	é	a	distância	entre	cada	volta;	c)	largura	da	espiral	e	d)	existência	da	espiral	
externa”	(PESKE;	VILELLA,	2003,	pág.	345).
Quando	ocorrer	a	mistura	de	sementes	de	soja	com	asde	feijão	miúdo	 (Vigna 
unguiculata	Walp),	recomenda-se	utilizar	dispositivos	com	espirais	largas	(20	cm),	pois	há	
pouca	diferença	de	formato	entre	os	materiais.	Essa	característica	leva	a	uma	alta	taxa	de	
quebra	de	30-40%	em	cultivares	de	soja	com	sementes	ovais	ou	pequenas.	Para	evitar	
esse	dano,	use	espirais	internas	de	largura	menor.(12-15cm)	(PESKE;	VILELLA,	2003).
O separador em espiral	 foi	 desenvolvido	 inicialmente	 para	 isolar	 o	 gênero	
Vicia spp. de	sementes	de	trigo.	No	entanto,	hoje	em	dia,	não	é	mais	usado	para	esse	
fim.	Rumex	spp.	e	Plantago	spp.	são	espécies	onde	se	há	recomendação	do	uso	desses	
separadores	quando	estão	misturadas	com	cornichão.	Para	 isso,	a	espiral	 interna	só	
precisa	ter	6,5	cm	de	largura	e	14	cm	de	passo	(PESKE;	VILELLA,	2003).
O	uso	de	separadores	em	espiral,	além	de	melhorar	a	qualidade	física,	também	
pode	melhorar	a	qualidade	fisiológica	de	lotes	de	sementes	de	soja,	separando	sementes	
danificadas,	 infestadas	 por	 pragas	 e	 danificadas	 mecanicamente.	 Como	 espiral	 é	
159
feito	 de	 chapa	 galvanizada,	 faz	muito	 barulho	 durante	 a	 operação.	 Para	 evitar	 esse	
inconveniente,	alguns	fabricantes	retiram	a	espiral	externa	e	colocam	todas	as	espirais	
internas	dentro	de	um	invólucro	de	"madeira",	o	que	reduz	bastante	o	ruído	dentro	da	
UBS	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
Além	 das	 espirais	 separadoras	 de	 formas,	 também	 existem	 separadores	 de	
fricção	para	sementes	de	feijão.	O	separador	consiste	principalmente	em	uma	esteira	
revestida	por	carpete		onde	as	sementes	são	depositadas.	Existem	dois	anteparos	na	
parte	 superior	 do	 tapete,	 um	com	base	de	metal	 e	 outro	 com	base	de	borracha.	As	
sementes	de	feijão	assim	como	as	pedras	e	sementes	quebradas	são	colocadas	em	cima	
da	esteira	e	são	forçadas	através	do	anteparo	com	suporte	de	borracha,	fazendo	com	
que	as	pedras	e	a	maioria	das	sementes	quebradas	passam	por	baixo	e	são	separadas	
pelo	suporte	com	base	de	metal,	enquanto	as	sementes	de	feijão	são	seguradas	pelo	
suporte	 de	 borracha	 (PESKE;	VILELLA,	 2003)..	 Existem	 também	vibro	 separadores	 e	
correias	inclinadas,	que	separam	de	acordo	com	o	formato.
É comum em sementes de leguminosas forrageiras encontrar materiais 
indesejáveis	que	diferem	da	semente	na	textura superficial, como sementes de  Rumex 
spp., cuscuta,,	pedras	e	torrões.	O	dispositivo	que	possibilita	essa	separação	é	chamado	
de	rolo	separador,	que	consiste	basicamente	em	dois	rolos	revestidos	de	lã	que	giram	em	
direções	opostas.	As	sementes	entram	no	canal	formado	pelos	dois	rolos,	onde	as	texturas	
grossas	ou	ásperas	ao	toque,	grudam	na	flanela	e	são	arrastadas	para	fora,	lateralmente,	
enquantoque	 	as	sementes	 lisas	entram,	guiadas	pela	gravidade	sem	serem	 levantadas	
pelos	rolos	de	suas	pontas,	separando	das	sementes	rugosas	(PESKE;	VILELLA,	2003).
3 TRATAMENTO E TRANSPORTE DE SEMENTES
Após	 retirar	 o	 material	 indesejado	 do	 lote	 de	 sementes,	 recomenda-se	 em	
alguns	 casos	 protegê-lo	 de	 insetos	 e	micro-organismos.	Alguns	 países	 têm	 normas	
comerciais	que	exigem	que	os	produtores	tratem	as	sementes	antes	de	vendê-las;	No	
Brasil, o tratamento de sementes não é obrigatório, embora as empresas produtoras 
de	 sementes	 de	 milho	 hídrico	 muitas	 vezes	 tratem	 as	 sementes	 com	 inseticidas	 e	
fungicidas	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
Outros	exemplos	são	as	sementes	de	trigo	e	feijão,	que	devem	ser	protegidas	
da	infestação	de	insetos.	Tratamentos	também	são	aplicados	para	ajudar	as	sementes	
a	 suportar	 condições	desfavoráveis	de	umidade	e	 temperatura	do	 solo	no	momento	
da	 semeadura.	 Essa	 operação	 é	 realizada	 alguns	minutos	 antes	da	 semeadura,	 pois	
o	 tratamento	 fungicida,	 que	 é	 voltado	 principalmente	 para	 a	 soja,	 não	 beneficia	 as	
sementes	 durante	 o	 armazenamento.	 Essa	 escolha	 se	 justifica	 porque	 as	 sementes	
tratadas	não	podem	ser	vendidas	como	grãos	se	não	forem	utilizadas	para	o	plantio.	
Alguns	produtores	processam	apenas	uma	pequena	parte	das	 sementes	para	evitar	
perdas	caso	não	consigam	vender	todas	as	sementes	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
160
Existem	vários	pré-requisitos	para	um	tratamento	eficaz,	como	o	tipo	de	produto	
químico		utilizado,	o	tipo	de	patógeno,	a	forma	como	o	patógeno	sobrevive	na	semente,	
a	possibilidade	de	inoculação	na	superfície	da	semente	ou	dentro	dela	e	a	diversidade	do	
patógeno.	e	a	suscetibilidade	dos	insetos	ao	tratamento	químico,	as	condições	do	local	
onde	as	sementes	tratadas	serão	cultivadas,	a	taxa	de	aplicação	do	produto	químico	e	
os	métodos	e	equipamentos	utilizados	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
3.1. EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DE 
SEMENTES 
As	máquinas	de	processamento	(tratadoras)	de	sementes	são	mais	comumente	
usadas	para	produtos	líquidos,	que	têm	menor	impacto	na	saúde	do	operador.	No	entanto,	
também	existem	modelos	de	tratadoras	para	produtos	em	pó.	Tratadoras	mecânicas	são	
colocados	na	UBS,	geralmente	pouco	antes	do	ensacamento	das	sementes,	enquanto	
que	as	tratadoras	manuais	em	túneis	 são	frequentemente	transportados	para	o	campo	
para	tratamento	de	sementes	antes	do	plantio	(PESKE;	VILELLA,	2003).	
Os	 processadores	 mecânicos	 (tratadoras	 mecânicas)	 geralmente	 contêm	 um	
pequeno	tanque	para	sementes,	outro	para	produtos	químicos,	uma	câmara	para	misturar	
as	sementes	com	o	líquido	e	um	grande	tanque	com	bomba	e	agitador	para	processar	os	
produtos	químicos	líquidos	(PESKE;	VILELLA,	2003).
A	dosagem	correta	de	um	produto	é	fundamental	para	sua	eficácia;	Portanto,	
com	tratores	mecânicos,	há	duas	possibilidades	de	regulagem:	
1	-	 a	quantidade	de	semente	no	tanque	do	trator	pode	ser	regulada	por	um	contrapeso	
externo	 para	 	 que	 seja	 regulado	 para	 atingir	 um	 “vazio”	 de	 uma	 determinada	
quantidade	(1-8	kg)	de	semente	do	depósito;	
2	-	 Dentro	 do	pequeno	depósito	 do	produto	 líquido	há	duas	 colheres	para	 entregar	
o	 produto	 às	 sementes,	 onde	o	 tamanho	destas	 colheres	 pode	 ser	 alterado.	No	
processador	manual	(túnel	giratório),	sabendo	o	peso	das	sementes,	 	a	dosagem	
do	produto	é	preparada	individualmente,	e		as	sementes	são	misturadas	e	depois	
homogeneizadas,	 pois	 a	 mistura	 homogênea	 dos	 produtos	 químicos	 com	 as	
sementes	é	importante	para	a	eficiência	do	tratamento	(PESKE;	VILELLA,	2003).
161
3.2. TRASPORTE DAS SEMENTES
De	acordo	com	Peske	e	Vilella	(,	2003,	pág.	356):
Os	 lotes	 de	 sementes	 são	 manuseados	 muitas	 vezes	 durante	 as	
diferentes	 etapas	 do	 beneficiamento,	 sendo	 necessário,	 portanto,	
considerar	 que	 os	 transportadores	 deverão	 enfrentar	 todas	 as	
necessidades	 de	 transporte	 de	 um	 modo	 eficiente	 e	 contínuo,	
visando:	a)	evitar	mistura	varietal;	b)	minimizar	os	danos	mecânicos;	
c)	reduzir	os	custos	de	operação	e	d)	manter	a	eficiência	da	sequência	
do	beneficiamento.
O	transporte	de	sementes	consistena	movimentação	de	material,	de	
um	ponto	a	outro,	horizontal	ou	vertical,	num	plano	inclinado	ou	pela	
gravidade.	Assim,	um	só	transportador	não	pode	cobrir	exitosamente	
todas	as	operações,	existindo	disponíveis	no	mercado	diversos	tipos	
de	transportadores.
Os elevadores	 são	 um	 dos	meios	 de	 transporte	mais	 utilizados	 no	 UBS.	 O	
elevador de descarga centrífuga	opera	em	alta	velocidade	e	 lança	as	sementes	com	
força	centrífuga.	Ele	é	recomendado	para	sementes	pequenas	e	médias	e	de	fácil	fluxo.	
Danos	mecânicos	 são	 uma	 das	maiores	 desvantagens.	Os elevadores de gravidade 
operam	a	velocidades	mais	baixas	do	que	os	elevadores	centrífugos.	O	que	ele	faz	é	
despejar	as	sementes	na	parte	de	trás	da	caçamba	(caneca)	da	frente	e	depois	pelo	cano	
de	descarga.	Recomendado	para	sementes	frágeis.	Os	elevadores de descarga interna 
são	ideais	para	levantamento	de	sementes.	A	carga	e	descarga	é	realizada	dentro	de	
uma	linha	contínua	de	caçambas,	o	que	permite,	em	alguns	modelos,	várias	fileiras	de	
caçambas	para	movimentar	diversos	materiais	ao	mesmo	tempo,	minimizando	danos	
mecânicos	e	a	possibilidade	de	tipos	mistos.	Suas	desvantagens	são	o	grande	tamanho	
da	UBS	e	o	custo	inicial	do	equipamento.
4 PLANEJAMENTO DE UMA UBS
No	 beneficiamento	 de	 sementes	 são	 levadas	 em	 consideração	 as	
características	 físicas	diferenciais	pelas	quais	 as	 sementes	podem	
ser	 separadas	 de	 outros	 componentes	 indesejáveis	 presentes	 no	
lote,	bem	como	os	princípios	mecânicos	utilizados.	[...]	A	instalação	
de	uma	UBS	requer	um	alto	 investimento	e,	para	que	se	tenha	um	
adequado	retorno	de	capital,	deve	ser	planejada	de	modo	a	funcionar	
com	eficiência	em	termos	de	capacidade,	de	facilidade	de	limpeza	e	
que	a	semente	beneficiada	venha	a	ter	a	qualidade	desejada	(PESKE;	
VILELLA,	2003,	pág.	359).
Ao	 planejar	 uma	 UBS,	 muitos	 fatores	 devem	 ser	 considerados	 para	 que	 se	
obtenha	o	sucesso	total.	A	UBS	deve	ser	projetada	para	que	as	sementes	possam	ser	
recebidas	 e	 processadas	 por	meio	 de	 pré-limpa,	 secagem,	 limpeza	 e	 triagem,	 cura,	
tratamento	e	embalagem	e,	finalmente,	armazenamento	e	distribuição,	com	o	mínimo	
de	mistura	varietal,	tempo	e	pessoal	de	atendimento.	Os	equipamentos	de	transporte,	
secagem,	 limpeza	 e	 classificação	 devem	 ser	 customizados	 para	 que	 haja	 um	 fluxo	
contínuo de sementes desde o ponto de recebimento até o ponto de transporte para 
162
distribuição.	O	arranjo	de	equipamentos	deve	ser	flexível	o	suficiente	para	permitir	que	o	
lote	seja	transportado	de	qualquer	equipamento	UBS,	sem	afetar	a	qualidade.		Também	
é	importante	fornecer	um	sistema	para	remover	poeira	e	materiais	indesejados	durante	
as	várias	operações	de	limpeza	e	classificação	de	sementes	(PESKE;	VILELLA,	2003).
 
Há	muitos	aspectos	a	considerar	antes	de	comprar,	como	controle	de	potência	
(alimentação)	da	máquina,	peneira,	fluxo	de	ar,	vibração	das	peneiras,	 limpeza,	tipo	e	
tamanho	do	alvéolo	do	cilindro,	rotação	do	cilindro,	consumo	de	energia,	durabilidade,	
tamanho	da	máquina,	danos	mecânicos,	controle	de	temperatura,	controle	de	umidade	
etc.	 Outro	 aspecto	 importante	 na	 seleção	 dos	 equipamentos	 é	 a	 capacidade	 das	
diferentes	 máquinas,	 que	 deve	 ser	 aproximadamente	 equivalente	 para	 garantir	 um	
fluxo	contínuo	de	operações.	Se	um	equipamento	tiver	desempenho	 inferior	ao	outro,	
considere	a	instalação	de	dois	desses	dispositivos,	por	exemplo,	dois	cilindros	para	cada	
MAP	com	quatro	peneiras	(PESKE;	VILELLA,	2003).
4.1 TIPOS DE UBS
Existem	vários	tipos	de	UBS,	mas	as	mais	comuns	são	aquelas	em	que	todo	o	
maquinário	utilizado	para	limpar	e	separar	as	sementes	fica	no	mesmo	nível.	Este	tipo	de	
arranjo	requer	um	elevador	para	cada	máquina	para	transportar	as	sementes	beneficiada	
para	 outro	 local	 no	 fluxograma	 operacional.	 Elevadores	 capazes	 de	 descarregar	 em	
dois	 ou	mais	 locais	proporcionarão	maior	flexibilidade	de	fluxo	de	 sementes	 (PESKE;	
VILELLA,	2003).	
Outras	vantagens	desse	tipo	de	UBS,	conforme	Peske	e	Vilella	(2003,	pág.	361)	
são:
•	 Uma	só	pessoa	poderá	supervisionar	toda	a	UBS,	sem	problemas	
maiores de locomoção;
•	 Uma	máquina	 pode	 deixar	 de	 ser	 usada	 e	 a	 distância	 em	 que	
a	 semente	 deverá	 ser	 transportada	 para	 outra	 máquina	 não	
aumentará	muito;
•	 Máquinas	 montadas	 em	 bases	 móveis,	 como,	 por	 exemplo,	 o	
cilindro separador e o tratador, poderão ser utilizadas;
•	 As	 bases	 para	 a	 fixação	 das	 diferentes	 máquinas	 podem	 ser	
menos	reforçadas.
Outro	tipo	de	UBS	é	onde	o	aparelho	é	instalado	em	vários	níveis,	porém	todos	
num	mesmo	pavimento.	Você	precisa	de	menos	elevadores,	mas	o	número	necessário	
deve	ser	maior.	“É	interessante	ressaltar	nesse	tipo	de	UBS	que	as	plataformas	ao	redor	
de	cada	máquina	devem	ter	espaço	suficiente	para	que	as	pessoas	possam	trabalhar	
com	facilidade”	(PESKE;	VILELLA,	2003,	pág.	361).	É	um	UBS	menos	flexível	e	a	altura	
de	queda	das	sementes	aumenta	muito	se	não	for	necessário	o	uso		da	máquina.	Outra	
desvantagem	é	que	é	difícil	para	uma	pessoa	controlar	todo	o	trabalho	na	UBS.
 
163
Portanto,	conforme	elucidado	e	discutido	até	aqui	nesse	tema	de	aprendizagem,	
compreende-se	 que	 o	 beneficiamento	 de	 sementes	 é	 uma	 etapa	 fundamental	 na	
manutenção	 da	 qualidade	 das	 sementes.	 Essa	 qualidade	 obtida	 através	 da	 seleção	
das sementes proporciona aos produtores uma ótima performance em campo, onde 
as	cultivares	e	variedades	alcançarão	seus	máximos	desempenhos	de	produtividade	e	
retornos	aos	investimentos.	
164
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Beneficiar	sementes	compreende	uma	cadeia	complexa	e	que	requer	uma	série	de	
atenções.	
•	 As	técnicas	e	maquinários	necessários	para	o	beneficiamento	serão	preponderantes	
na	manutenção	de	qualidade	das	sementes.	
•	 O	beneficiamento	necessita	de	um	profissional	atento	e	qualificado	para	a	função.	
•	 Instalações	de	UBS	carecem	de	um	pleno	e	cauteloso	planejamento	para	que	sejam	
evitadas	 perdas	 em	 grandes	 magnitudes,	 as	 quais	 impactarão	 no	 momento	 de	
distribuição	de	sementes	e	implantação	das	culturas.	
RESUMO DO TÓPICO 2
165
1	 O	recebimento/recepção	de	sementes	é	o	processo	de	caracterização	e	identificação	
dos	 lotes	de	sementes	que	uma	Unidade	de	Beneficiamento	de	Sementes	recebe.	
Nesse	procedimento,	algumas	observações	e	cuidados	são	necessários.	Sobre	esta	
afirmativa,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Quanto	ao	registro	do	produtor,	sabe-se	que	a	conduta	do	indivíduo	não	interfere	
na	avaliação	da	responsabilidade,	capricho,	idoneidade	e	tino	comercial.
b)	 (			)	 O	teor	de	umidade	informará	o	quanto	essa	semente	deverá	ser	embebida	para	
armazenamento.
c)	 (			)	 Ao	se	encaminhar	à	UBS,	as	sementes	não	devem	apresentar,	necessariamente,	
boa	qualidades	de	cultivo.	
d)	 (			)	 A	data	de	recepção	de	um	lote	poderá	informar	quanto	à	ocorrência	de	chuva	
após	as	sementes	terem	atingido	a	maturação,	e	quanto	à	demora	da	secagem,	
entre	outros	fatores.
2	 Ao	encaminhar	um	lote	de	sementes	à	UBS	para	beneficiamento,	alguns	parâmetros	
devem	 ser	 seguidos	 e	 alguns	 cuidados	 devem	 ser	 observados. Com base nessa 
afirmação,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 Logo	após	a	colheita,	quando	as	sementes	chegam	à	UBS,	podem	estar	misturadas	
com	diversos	materiais	indesejados	como	inertes,	compreendendo	contaminantes.
II-	 Embora	as	sementes	precisem	ser	analisadas	inicialmente,	sabe-se	que	não	haverá	
contaminação	por	outras	sementes	ou	sujeiras	durante	a	colheita.
III-	 Na	secagem	artificial	das	sementes	a	remoção	de	sementes	de	plantas	daninhas	e	
de	restos	de	culturas	que	possuem	maior	umidade,	acelera	a	secagem.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 Aliado	 aos	 conhecimentos	 técnicos	 e	 teóricos,	 algumas	 sementes	 requerem	
manipulação	especial	para	seremutilizadas.	Exemplos	de	sujidades	incluem	palha,	
sementes aristadas, espigas de milho, algodão, amendoim e sementes múltiplas 
duras.	 Equipamentos	 especiais	 são	 necessários	 para	 realizar	 essas	 operações.	
Conforme	 os	 parâmetros	 para	 beneficiamento,	 classifique	 V	 para	 as	 sentenças	
verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
AUTOATIVIDADE
166
(			)	Para	evitar	danos	às	sementes,	é	recomendado	revestir	os	garfos	com	um	material	
emborrachado	e	colocar	as	sementes	na	máquina	"rapidamente".
(			)	Apenas	 em	 sementes	 muito	 pequenas	 é	 realizado	 o	 processo	 de	 limpeza	 no	
beneficiamento.
(			)	 Às	vezes,	o	revestimento	da	semente	precisa	ser	removido	para	promover	ou	acelerar	
a	semeadura,	mas	às	vezes	esse	revestimento	deve	ser	aberto	após	a	semeadura	
para	permitir	que	as	sementes	absorvam	água	e	iniciem	o	processo	de	germinação.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	V	–	F	–	F.
b)	 (			)	V	–	F	–	V.
c)	 (			)	 F	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V.
4	 Junto	 à	 certificação	 e	 beneficiamento	 das	 sementes,	 alguns	 pontos	 precisam	 ser	
bem	 conhecidos.	 Nesse	 sentido,	 há	 parâmetros	 para	 que	 as	 sementes	 sejam	
encaminhadas	ao	beneficiamento	na	UBS.	Comente	sobre	o	processo	de	obtenção	
de	amostras	para	encaminhamento	à	UBS.
5 Algumas propriedades das sementes podem ser utilizadas como parâmetros em 
algumas	 etapas	 no	 processo	 de	 produção	 de	 sementes.	 Nesse	 sentido,	 comente	
sobre	os	parâmetros	morfométricos	que	podem	ser	utilizados	no	beneficiamento.
167
TÓPICO 3 — 
FITOSSANIDADE DE SEMENTES
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO 
Existem	 muitos	 fatores	 que	 afetam	 a	 qualidade	 da	 semente.	 Esses	 fatores	
podem	ser	divididos	em	quatro	categorias:	fatores	genéticos,	fatores	biológicos,	fatores	
físicos	 e	 fatores	 de	 saúde.	 Os	 fatores	 genéticos	 que	 podem	 afetar	 a	 qualidade	 das	
sementes	têm	a	ver	com	as	diferenças	observadas	no	vigor	e	tempo	de	vida	dentro	de	
uma	mesma	espécie,	bem	como	a	dominância	adquirida	pela	heterose	(vigor	híbrido)	
(LUCCA	FILHO,	2003).	
A	 influência	 dos	 fatores	 fisiológicos	 depende	 principalmente	 do	 ambiente	
em	 que	 as	 sementes	 são	 formadas	 e	 seu	 tratamento	 durante	 as	 fases	 de	 colheita,	
beneficiamento	 e	 armazenamento.	 Nesse	 processo,	 alguns	 contaminantes	 podem	
afetar	o	funcionamento	fisiológico	das	sementes	por	meio	de	processos	de	deterioração	
de	ordem	biológica	externa	à	semente.	O	fator	sanidade	é	caracterizado	pelos	efeitos	
adversos	 causados	 pela	 presença	 de	microrganismos	 e	 insetos	 aderidos	 à	 semente	
desde	a	produção	até	o	armazenamento.	Os	insetos	podem	causar	danos	significativos,	
incluindo	danos	aos	embriões	e	tecidos	de	reposição	necessários	para	alimentação	e	
danos	causados	pela	postura	de	ovos,	aumento	da	temperatura,	umidade	e	produção	
de	dióxido	de	carbono	(LUCCA	FILHO,	2003).
Por	outro	lado,	os	micro-organismos	são	outro	fator	importante	para	a	qualidade	
das sementes, pois também podem ser fatores limitantes na produção, como doenças 
bacterianas,	 virais	 e	 fúngicas	 presentes	 em	 diferentes	 regiões	 agrícolas.	 Ao	 tentar	
determinar	os	padrões	de	distribuição	dos	principais	omicro-organismos	patogênicos	
presentes	em	diferentes	 culturas	 comerciais,	 esses	aspectos	devem	ser	 levados	em	
consideração	com	muito	cuidado	para	que	as	sementes	distribuídas	aos	agricultores	
apresentem	 alta	 qualidade	 e	 desempenho	 satisfatório	 na	 área	 de	 produção	 (LUCCA	
FILHO,	2003).
Acadêmico,	 neste	Tema	de	Aprendizagem	3,	 abordaremos	 os	 principais	 fatores	
relacionados	 à	 qualidade	 fitossanitária	 das	 sementes,	 mais	 especificamente	 no	 que	
trata	das	patologias	das	sementes,	sendo	este	um	assunto	de	grande	interesse	na	área	
e	que	repercute	em	grandes	impactos	na	produção	de	culturas	agrícolas.
168
2 TRANSMISSÃO DE PATÓGENOS NAS SEMENTES
Ao longo das Unidades, foi estudado e discutido acerca da estruturação e 
composição	das	sementes,	elucidando	a	importância	de	cada	mecanismo	e	processo.	
Nesse percurso, entendemos também como funciona o metabolismo das sementes e 
como	ele	atua	para	manutenção	da	propagação	das	espécies.
Embora	haja	todo	esse	processo	biológico	evolutivo,	as	sementes	apresentam	
suas	 fraquezas,	 podendo	 ser	 de	 origem	 física	 ou	 biológica.	 Aqui,	 estudaremos	 as	
potencialidades	de	outros	organismos	em	causar	doenças	em	sementes,	os	fitopatógenos,	
os	quais	são	majoritariamente	fungos	que	podem	atuar	tanto	em	campo,	como	também	
podem	atacar	as	sementes	durante	seu	processo	de	beneficiamento	e	armazenamento.	
Então,	vamos	lá!
A	maioria	dos	patógenos	presentes	no	campo	de	produção	de	sementes	que	
causam	a	maioria	dos	tipos	de	danos	podem	ser	transmitidos	através	das	sementes.	
Os	 mecanismos	 (ciclos)	 de	 transmissão	 utilizados	 pelos	 patógenos	 são	 variados	 e	
podem	ser	classificados	de	acordo	com	sua	localização	na	semente	(misturado,	aderido	
à	 superfície	 ou	 no	 interior	 da	 semente)	 e	 desenvolvimento	 do	 patógeno	 durante	 o	
desenvolvimento	da	planta	(LUCCA	FILHO,	2003).	
Os	 termos	 infestação	 e	 infecção,	 frequentemente	 utilizados	 na	 patologia	 de	
sementes,	têm	seu	próprio	significado.	O	termo	 infestação	é	usado	para	descrever	a	
presença	ou	fixação	de	patógenos	misturados	 (escleródio,	galhas	etc.)	ou	aderidos	à	
superfície	da	semente.	O	termo	infecção	indica	que	o	patógeno	está	dentro	da	semente	
(cotilédone,	embrião	etc.)	(LUCCA	FILHO,	2003).	
Alguns patógenos presentes no interior das sementes podem causar infecção 
sistêmica	na	planta,	enquanto	outros	podem	causar	 infecções	 localizadas	em	folhas,	
pecíolos,	caules,	vagens	etc.	O	mesmo	vale	para	patógenos	que	atacam	as	sementes.	
A	semente	infestada	quando	germina	pode	originar	uma	planta	que	poderá	apresentar	
uma	infecção	sistêmica	ou	local,	como	ocorre	por	exemplo,	com	o	fungo	carvão	do	trigo	
(LUCCA	FILHO,	2003).	
Como	podem	ver	na	figura	2,	a	infestação	por	carvão	do	trigo,	inicia-se	na	espiga	
infectada,	onde	muitas	das	sementes	são	destruídas	pelo	fungo	(1),	formando	uma	massa	
negra	composta	por	milhares	de	esporos	fúngicos	(micosporos),	que	se	espalham	para	
plantas	sãs	e	estádios	de	espiga	durante	a	 formação	 inicial	 (2).	Uma	vez	colocado	na	
espiral	de	uma	espiga	saudável,	o	teleosporo	começa	a	germinar	penetrando	na	semente	
(3)	e	ligando-se	ao	seu	embrião,	onde	permanecerá	como	uma	micélio	dormente	(4)	até	
que	a	semente	possa	germinar.	Após	a	semeadura	e	o	início	da	germinação,	o	micélio	do	
fungo	também	começam	a	se	desenvolver	e	acompanham	sistematicamente	todo	o	ciclo	
vegetativo	da	planta	sem	causar	sintomas.	O	fungo	se	instalará	na	nova	espiga	(etapa	5,	
figura	2),	impedindo	a	formação	de	novas	sementes,	e	em	vez	disso	aparecerá	uma	massa	
de	teleosporos	(1),	que	infectarão	novas	espigas	saudáveis.
169
Figura 2 – Esquema do processo de infecção de patógeno no trigo
Fonte: adaptado de Peske, Rosenthal e Rota (2003) e Barros Neto et al. (2014).
A	prevalência	de	patógenos	em	sementes	deve	ser	entendida	em	dois	termos	
gerais,	 pois	os	danos	causados	são	variáveis.	Alguns	patógenos	causam	perdas	nos	
campos,	 limitando	seu	impacto	na	redução	da	produtividade	sem	afetar	o	viabilidade	
das	 sementes.	 Outros	 patógenos	 são	 caracterizados	 por	 concentrar	 seus	 efeitos	
nocivos	nas	sementes,	com	diminuição	da	porcentagem	de	germinação	e	também	do	
vigor,	além	de	causar	perdas	na	produtividade	devido	aà	indisponibilidade	de	sementes	
sadias	suficientes	para	o	próximo	plantio	(LUCCA	FILHO,	2003).	
Micro-organismos,	 patogênicos	 ou	 não,	 podem	 ser	 encontrados	 em	 uma	
variedade	de	plantas	hospedeiras,	cultivadas	ou	não	cultivadas,	nos	solos	e	sementes.	
Micro-organismos	 patogênicos	 podem	 ser	 transmitidos	 entre	 as	 plantas	 através	 do	
vento,	chuva,	ferramentas	agrícolas,	vetores	,etc.	O	inoculo	presente	no	solo	pode	se	
espalhar,	principalmente	pela	ação	da	água.	A	importância	desses	modos	de	transmissão	
varia	para	cada	grupo	de	microrganismos.	Portanto,	a	propagação	do	vírus	é

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