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𝕮𝖔𝖓𝖋𝖗𝖆𝖗𝖎𝖆 𝖉𝖔𝖘 𝕷𝖎𝖛𝖗𝖔𝖘 𝕭𝖔𝖓𝖘@
𝕮𝖔𝖓𝖋𝖗𝖆𝖗𝖎𝖆 𝖉𝖔𝖘 𝕷𝖎𝖛𝖗𝖔𝖘 𝕭𝖔𝖓𝖘@
A	você,	que	vai	entrar	agora	nesta	linda	e	reveladora	psicografia,	desejo	muita
luz,	paz,	amor	e	felicidade.	Que	as	linhas	por	mim	escritas	lhe	ajudem	em	sua
jornada	evolutiva.
São	meus	sinceros	votos,
Nesta versão eletrônica, a numeração de algumas das páginas não seguerigorosamente a da versão impressa, pois as páginas em branco e as meramente ilustrativas foram removidas.
𝕮𝖔𝖓𝖋𝖗𝖆𝖗𝖎𝖆 𝖉𝖔𝖘 𝕷𝖎𝖛𝖗𝖔𝖘 𝕭𝖔𝖓𝖘@
Book	Espírita	Editora
1ª	Edição
|	Rio	de	Janeiro	|	2021	|
Osmar	Barbosa
pelo	espírito	de	Nina	Brestonini
𝕮𝖔𝖓𝖋𝖗𝖆𝖗𝖎𝖆 𝖉𝖔𝖘 𝕷𝖎𝖛𝖗𝖔𝖘 𝕭𝖔𝖓𝖘@
BOOK	ESPÍRITA	EDITORA
Capa
Marco	Mancen
Projeto	Gráfico	e	Diagramação
Marco	Mancen	/	Andressa	Andrade
Imagem	capa
Arte	digital	sobre	imagens	de	Depositphotos
Revisão
Camila	Coutinho
Marketing	e	Comercial
Michelle	Santos
Pedidos	de	Livros	e	Contato	Editorial
comercial@bookespirita.com.br
Copyright	©	2021	by
BOOK	ESPÍRITA	EDITORA
Região	Oceânica,	Niterói,	Rio	de	Janeiro.
ISBN:	978-65-89628-30-9
1ª	edição
Prefixo	Editorial:	991053
Impresso	no	Brasil
mailto:comercial@bookespirita.com.br
Todos	os	direitos	reservados	e	protegidos	pela	Lei	9.610,	de	19/02/1998.
Nenhuma	parte	deste	livro	pode	ser	reproduzida	ou	transmitida	por	quaisquer
formas	ou	meios	eletrônicos	ou	mecânicos,	incluindo	fotocópia,	gravação,
digitação,	entre	outros,	sem	permissão	expressa,	por	escrito,	dos	editores.
Outros	livros	psicografados	por	Osmar	Barbosa
Cinco	Dias	no	Umbral
Gitano	–	As	Vidas	do	Cigano	Rodrigo
O	Guardião	da	Luz
Orai	&	Vigiai
Colônia	Espiritual	Amor	e	Caridade
Ondas	da	Vida
Antes	que	a	Morte	nos	Separe
Além	do	Ser	–	A	História	de	um	Suicida
A	Batalha	dos	Iluminados
Joana	D’Arc	–	O	Amor	Venceu
Eu	Sou	Exu
500	Almas
Cinco	Dias	no	Umbral	–	O	Resgate
Entre	nossas	Vidas
O	Amanhã	nos	Pertence
O	Lado	Azul	da	Vida
Mãe,Voltei!
Depois...
O	Lado	Oculto	da	Vida
Entrevista	com	Espíritos	–	Os	Bastidores
do	Centro	Espírita
Colônia	Espiritual	Amor	e	Caridade	–	Dias	de	Luz
O	Médico	de	Deus
Amigo	Fiel
Impuros	–	A	Legião	de	Exus
Vinde	à	Mim
Autismo	–	A	escolha	de	Nicolas
Umbanda	para	Iniciantes
Parafraseando	Chico	Xavier
Cinco	Dias	no	Umbral	–	O	Perdão
Acordei	no	Umbral
A	Rosa	do	Cairo
Deixe-me	Nascer
Obssessor
Regeneração	–	Uma	Nova	Era
Deametria	–	Hospital	Espiritual	Amor	e	Caridade
A	Vida	depois	da	Morte
Deametria	–	A	Desobsessão	Modernizada
O	Suicídio	de	Ana
Cinco	Dias	no	Umbral	–	O	Limite
Guardião	–	Exu
Colônia	Espiritual	Laços	Eternos
Despertando	o	Espiritual
Por	que	Você	Morreu?
Aconteceu	no	Umbral
O	Diário	de	um	Suicida
Superior	Tribunal	Espiritual
Um	Espírita	no	Umbral
𝕮𝖔𝖓𝖋𝖗𝖆𝖗𝖎𝖆 𝖉𝖔𝖘 𝕷𝖎𝖛𝖗𝖔𝖘 𝕭𝖔𝖓𝖘@
Agradecimentos
Agradeço,	primeiramente,	a	Deus,	por	ter	me	concedido	esse	verdadeiro
privilégio	de	servir	humildemente	como	um	mero	instrumento	dos	planos
superiores.
A	Jesus	Cristo,	espírito	modelo,	por	guiar,	conduzir	e	inspirar	meus	passos
nessa	desafiadora	jornada	terrena.
A	Nina	Brestonini,	e	aos	demais	espíritos	ao	lado	dos	quais	tive	a	honra	e	o
privilégio	de	passar	alguns	dias	psicografando	este	livro.	Agradeço	também,
pela	oportunidade,	e	por	permitirem	que	essas	humildes	palavras,	registradas
nesta	obra,	ajudem	as	pessoas	a	refletirem	sobre	suas	atitudes,	evoluindo.
A	minha	família	pela	cumplicidade,	compreensão	e	dedicação.	Sem	vocês	ao
meu	lado,	me	dando	todo	tipo	de	suporte,	nada	disso	seria	possível.
E	a	você,	leitor	amigo,	que	comprou	este	livro,	e	com	a	sua	colaboração	nos
ajudará	a	levar	a	Doutrina	Espírita	e	todos	os	seus	benefícios	e	ensinamentos
para	mais	e	mais	pessoas.
Obrigado!
A	todos,	os	meus	mais	sinceros	agradecimentos.
Osmar	Barbosa
Para	uma	melhor	compreensão	dessa	psicografia,	recomendamos	a	leitura	dos
livros	anteriores:	Cinco	Dias	no	Umbral
Cinco	Dias	no	Umbral	–	O	Resgate	Cinco	Dias	no	Umbral	–	O	Perdão
O	Editor
Conheça	um	pouco	mais	de	Osmar	Barbosa:
www.compralivro.com.br
http://www.compralivro.com.br
Sumário
PREFÁCIO
COLÔNIA	ESPIRITUAL	AMOR	&	CARIDADE
DIA	1
DIA	2
DIA	3
DIA	4
O	PERGAMINHO
DIA	5
O	ÚLTIMO	LIVRO
“Para	cada	ofensa	que	você	sofrer	ofereça	ao	mundo	um	sorriso.	Isso	vai
transformar	tudo	a	sua	volta!”
Nina	Brestonini
Prefácio
Era	para	ser	mais	um	dia	comum	como	todos	os	outros	dias	da	minha	simples
vida.
Eu	estava	sentado	em	meu	escritório,	e	triste	olhava	pela	janela.	Confesso,	meus
amigos,	que	eu	também	tenho	os	meus	dias	de	tristeza,	afinal,	ainda	estou
encarnado,	e	as	provas	que	enfrento	todos	os	dias	não	são	amenizadas	pelo	fato
de	ser	médium,	muito	pelo	contrário,	sofro	ataques	espirituais	diariamente,	e
conviver	com	eles	não	é	nada	fácil.
Nós,	médiuns,	mensageiros	do	além,	estamos	à	mercê	de	poderosos	obsessores
que	tentam,	a	todo	custo,	impedir	que	informações	como	essas	cheguem	até
vocês	todos	os	dias.
Lembro-me	de	certa	passagem	sofrida	por	Chico	Xavier	na	qual,	ao	ser
perseguido	por	poderosos	obsessores,	foi	jogado	no	chão	de	maneira	brusca,
batendo	fortemente	a	cabeça,	em	um	tombo	que	irritou	o	famoso	médium	que,
imediatamente,	foi	advertido	por	Emmanuel:
–Chico,	agradeça	o	tombo.
–		Como	assim,	Emmanuel?	Agradecer	por	terem	me	derrubado	e	quase	me
quebrado	todo?	A	minha	cabeça	não	para	de	doer…
–Agradeça	rapidamente.
Muito	contrariado,	Chico	obedeceu	ao	seu	mentor	espiritual	e	agradeceu	àqueles
espíritos	por	terem	lhe	derrubado:
–Obrigado	pela	queda	que	fortalece	a	minha	fé.	–	disse	o	iluminado.
Passadas	algumas	horas	e	incomodado	com	o	ocorrido,	Chico	questiona
Emmanuel	sobre	o	agradecimento,	ao	que	sabiamente	explica	o	mentor:
–Chico,	se	você	tivesse	resmungado	ou	praguejado	pelo	o	que	lhe	aconteceu,
você	estaria	vibrando	na	mesma	sintonia	daquele	infeliz	irmão,	e	estabeleceria	a
sintonia	mental	tão	desejada	por	ele,	atendendo	assim	ao	desejo	daquele	ser.
Porém,	ao	agradecer,	você	deixa	de	emitir	sentimentos	que	alegram	seus
inimigos,	tirando-lhes	a	força	maligna	e,	com	isso,	não	vibra	na	mesma	sintonia
que	eles.
Mais	uma	vez,	Chico	agradeceu	a	Emmanuel	por	tamanha	sabedoria	e
benevolência	para	com	ele,	e	seguiu	aprendendo	a	partir	de	então,	que	tudo	é
sentimento,	sintonia,	vibração,	atenção	e	oração.	Entretanto,	naquele	dia,	o	meu
coração	estava	partido,	pois	as	coisas	não	estavam	exatamente	do	jeito	como	eu
sempre	havia	sonhado.
A	gente	vai	envelhecendo	e	descobre	que	deixamos	passar	muitas	chances	pela
nossa	vida,	as	quais	não	deveríamos	desperdiçar.	As	“oportunidades”	existem,
então,	por	qual	motivo	as	deixamos	passar?	Pessoas,	momentos,	amores,	amigos,
lugares,	profissão,	enfim,	muitas	coisas…
Por	que	tantas	pessoas	ingratas	passam	por	nossas	vidas?	Por	que	sofremos
tanto?
Sou	uma	pessoa	como	qualquer	outra,	também	tenho	os	meus	“altos	e	baixos”	e,
para	ser	bem	sincero,	ser	médium	e	fazer	o	que	eu	faço,	me	direciona	sempre
para	baixo,	pois	estou	em	constante	sofrimento	devido	aos	ataques	dos
obsessores,	como	disse	acima,	e	lidar	com	eles	não	é	nada	fácil.
Esses	algozes	estão	sempre	à	espreita	esperando	uma	oportunidade	para	nos
desequilibrar.	Tentam	a	todo	custo	nos	desviar	do	propósito	caridoso,	da	nossa
reforma	íntima,	da	dedicação	e	do	amor	aos	nossos	irmãos	mais	humildes.
Confesso	que	não	é	nada	fácil	viver	sofrendo	incessantemente	esses	ataques.
Assim	como	também	é	muito	difícil	conviver	com	as	pessoas,	sobretudo	quando
elas	não	são	iguais	a	você,	quando	não	possuem	os	mesmos	desejos,	os	mesmos
pensamentos,	o	mesmo	dom,	as	mesmas	vontades	e,	principalmente,	os	mesmos
propósitos	evolutivos,	e	é	por	isso	que	eu	estava	tão	triste	naquele	dia…
É	extremamente	complicado	estar	em	contato	com	esses	amigos	de	luz	e,	ao
mesmo	tempo,	deparar-se	comrealidades	absurdas	ao	voltar	para	o	meu	mundo
real.	Um	mundo	escuro,	vazio,	egoísta	e	denso.	Um	lugar	cheio	de	maldades	e	de
pessoas	que,	embora	se	vejam	como	espíritos	eternos	que	são,	insistem	em	viver
pela	materialidade,	pela	ganância,	pelo	ego	e	pelo	ódio.
Confessoque,	muitas	vezes,	a	vontade	é	a	de	não	voltar…
Pessoas	assim	como	eu,	que	se	dedicam	à	caridade,	ao	amor	ao	próximo	e	ao
auxílio	de	pessoas	necessitadas,	sofrem	muito	com	a	ingratidão.	Dediquei	toda	a
minha	vida	a	ajudar	as	pessoas,	e	é	muito	triste	sofrer	com	a	falta	de
reconhecimento.
Eu	acho	que	a	dor	da	ingratidão	é	a	mais	dilacerante	que	existe.	Para	mim	é
árduo	conviver	com	pessoas	que	simulam	acreditar	em	tudo	o	que	eu	vejo	e
escrevo	já	há	muitos	anos.	As	pessoas	fingem	aceitar	e	compreender.
Porém,	eu	entendo	que	cada	um	tem	o	seu	lugar	nesse	imenso	Universo	de	luz.
Ser	médium	é	uma	tarefa	extremamente	dolorosa.	Imagina	viver	dentro	de
Colônias	Espirituais,	visitar	as	Cidades	de	Luz,	ver	e	sentir	coisas	que	até	faltam
palavras	para	explicar…	Imaginem	estar	ao	lado	da	Nina	e	dos	demais	espíritos
e,	em	seguida,	ver	que	a	realidade	na	qual	eu	vivo	aqui	é	muito	distante	do
mundo	desses	amigos…
Eu	costumo	dizer	que	quando	decidi	pela	vida	mediúnica,	fui	condenado	a	viver
como	eu	vivo.	É	uma	prisão,	podem	acreditar.
Todos	podem	negar	o	que	eu	faço,	escrevo,	relato	e	vejo,	mas	se	há	alguém	nesse
mundo	que	nada	pode	negar,	esse	alguém	sou	eu,	e	isso	faz	com	que	eu	seja	uma
pessoa	diferente,	e	pessoas	diferentes	nesse	mundo,	infelizmente,sofrem.
As	pessoas	podem	negar	esta	psicografia,	menos	eu,	pois	tenho	que	viver
diariamente	tudo	o	que	eu	experimento	com	os	espíritos,	e	isso	não	é	fácil.
Às	vezes,	tenho	vontade	de	pedir	a	eles	para	que	não	voltem	nunca	mais,	ou	para
que	me	levem	junto	deles	para	a	vida	espiritual,	mas	os	sentimentos	que	ainda
me	ligam	a	esta	encarnação,	são	maiores	que	as	minhas	vontades,	e	eles	me
impedem	de	ir	embora	nesse	momento.
Que	seja	natural.	Que	se	cumpra	a	vontade	do	Pai	Eterno…	um	dia,	na	hora
certa,	eu	vou…Espero	que	a	minha	partida	deste	plano	demore	bastante,	pois
apesar	de	viver	tudo	o	que	eu	vivo	‘mediunicamente’,	eu	amo	viver	ao	lado	dos
meus	filhos	e	das	pessoas	que	tanto	amo,	e	que	valorizam	tudo	o	que	faço.
Poisbem…euestavaalisentadoe,pelajanela,olhava
para	o	prédio	que	fica	ao	lado	da	minha	sala.	Fiquei	observando	as	pessoas	que
seguiam	seus	ritmos	naturais	e,	por	um	instante,	lembrei	da	minha	querida
mãezinha.	Ahh,	há	quanto	tempo	não	te	vejo,	não	te	abraço,	não	sinto	o	seu
cheiro…	Éramos	tão	amigos,	tão	ligados…	por	que	você	não	me	procura?
Ah,	mãe,	se	eu	pudesse	mudar	as	coisas,	certamente	uma	delas	seria	não	ter
deixado	você	sair	naquele	dia.	Eu	não	deixaria	você	entrar	naquele	carro,	não	te
deixaria	sozinha.
O	acidente	que	te	vitimou,	dilacerou	o	pobre	coração	de	um	menino	de	apenas
14	anos	de	idade.	Um	menino	que	sofreu	os	horrores	da	vida	de	um	órfão,	mas
que	seguiu	em	frente.	Hoje	eu	espero,	de	verdade,	que	você	tenha	muito	orgulho
de	mim,	mãe.
Eu	vivi…	vivi	para	ver	os	meus	filhos	crescerem,	para	abraçar	as	minhas	netas,	e
ver	que	algo	de	bom	e	real	eu	ainda	fiz	nessa	vida.
Onde	você	está,	mãe?
Toda	vez	que	encontro	os	meus	amigos	espirituais,	tenho	uma	imensa	vontade	de
perguntar	por	você,	mas	aprendi	com	esses	mesmos	amigos,	que	tudo	tem	o
tempo	certo	para	acontecer,	tudo	tem	sua	hora	certa.
Quem	sabe	um	dia,	mesmo	sem	perguntar,	eles	possam	revelar	algo	sobre	você?
Eu	espero	ansiosamente	por	notícias	suas,	mãe.
Quais	são	os	reais	valores	de	nossas	vidas?	O	que	realmente	é	valioso	em	uma
vida?	Por	que	você	não	se	mostra	para	mim,	mãe?	Onde	você	está?
Eram	perguntas	que	eu	fazia	a	mim	mesmo	sentado	ali,	como	órfão	que	sempre
fui	da	sua	presença.	A	saudade	é	um	sentimento	que	não	avisa	a	hora	que	vai
chegar,	simplesmente	nos	coloca	para	baixo	sem	mais	explicações.
O	meu	coração	estava	em	pedaços.	Lembrei-me	do	sorriso	do	meu	falecido	pai,
que	morreu	praticamente	em	meus	braços,	acometido	por	um	câncer.
Lembrei	das	suas	brincadeiras	e	sorrisos.	Como	você	era	engraçado,	pai.	Que
saudade	de	você,	velho	Mazinho…	homem	simples,	de	palavras	fáceis,	e	gestos
humildes	que	moldaram	o	meu	jeito	de	ser.
Pai,	você	pode	não	saber,	mas	muitas	das	minhas	decisões	de	hoje	são
espelhadas	em	você.	Eu	tenho	muito	orgulho	de	ter	sido	seu	filho	viu,	seu
Osmar.
Você	não	foi	um	pai	perfeito,	mas	foi	perfeito	em	permitir	que	eu	fosse	seu	filho,
e	ter	me	ensinado	do	seu	jeito,	pois	temos	que	respeitar	o	jeito	das	pessoas	nos
amarem.
Comecei	a	relembrar	a	minha	infância,	os	amigos,	os	irmãos,	os	colegas	de
trabalho	que	tanto	me	ajudaram	para	que	eu	chegasse	aonde	cheguei.	Alguns
reencontrei	pela	minha	caminhada,	outros	tenho	saudades	e	alimento	uma
gratidão	eterna.
Fiquei	ali	relembrando	também	as	minhas	dificuldades	e	as	minhas	lutas	diárias
para	modificar	a	mim	mesmo,	e	tudo	o	que	suportei	para	estabelecer	uma	obra
de	caridade	sobre	o	orbe	terreno,	obra	essa	que	consegui	construir	com	muitas
lágrimas,	chorando	sozinho,	calado	e	sem	reclamar.
Não	foram	poucos	os	momentos…
Não	foi	nada	fácil	chegar	aonde	cheguei…
Tudo	pronto,	projetos	sociais	andando…	Projetos	espirituais	que	atendem	e
auxiliam	muitas	pessoas	que,	assim	como	eu,	lutam	todos	os	dias	para	serem
felizes.
Os	meus	livros	que	também	auxiliam	tanto	as	pessoas	a	mudarem	a	direção,
esclarecendo	as	mentes	e	amparando	os	desassistidos	do	amor.	As	minhas	redes
sociais	respondendo	ao	meu	trabalho	e	à	minha	dedicação.
Eu	recebo	muitas	mensagens	em	agradecimento,	e	isso	me	dá	forças	para
continuar,	saibam	disso…
Quantas	vezes	fui	chamado	‘disso’	ou	‘daquilo’,	tudo	em	nome	da	minha	fé	e
dos	direcionamentos	que	foram	dados	a	mim	pelos	espíritos	amigos.	Espíritos
evoluídos	que	só	querem	estabelecer	no	orbe	terreno,	o	amparo	a	todos	que
sofrem,	e	a	elucidação	das	coisas	depois	da	vida.
Quanta	injúria,	quanta	inverdade,	quantos	julgamentos	sem	ao	menos
conhecerem	quem	sou,	sem	ao	menos	saberem	o	meu	sobrenome,	a	minha
origem,	a	minha	história,	o	meu	CPF…
Por	que	julgamos	os	outros?	Por	que	injuriamos	os	outros?
Lembrei-me	do	sofrimento	de	médiuns	como	eu…	lembrei-me	de	Chico	Xavier
que,	uma	vez,	quase	infartou	com	medo	de	ser	preso,	simplesmente	porque
psicografou	uma	mensagem	de	alguém.
Quanta	maldade…
Foram	tempos	difíceis,	que	somente	os	meus	amigos	espirituais	e	eu	sabemos.
Não	foi	e	não	tem	sido	fácil	fazer	o	que	eu	faço.
Eu	estava	triste	naquele	dia.	Parecia	que	haviam	arrancado	algo	de	dentro	de
mim.	Meu	coração	estava	em	pedaços.	Eu	também	tenho	dias	de	pedaços…
Porém,	naquele	momento,	a	minha	sala	começou	a	se	modificar.	Sim,	nós
médiuns	podemos	sentir	quando	um	espírito	de	luz	aproxima-se	de	nós,	e	eles
têm	a	capacidade	de	alterar	tudo	ao	nosso	redor.
Foi	quando	Nina	chegou.
O	meu	peito	se	encheu	de	alegria	e	esperança	imediatamente.	Será	que	ela	estava
ouvindo	o	meu	coração?	O	que	Nina	fazia	ali	àquela	hora?
Olhei	bem	para	ela,	e	não	consegui	conter	a	minha	emoção	ao	revê-la.	Os	meus
olhos	marejaram	lágrimas	de	alegria.
Finalmente,	algo	de	bom	naquele	dia…
Envergonhado,	eu	secava	as	gotas	de	dor	dos	meus	olhos	com	a	barra	da	camisa
que	usava.	Eu	soluçava	em	um	pranto	de	um	médium	solitário,	trancado	em	meu
mundo	mediúnico,	experimentando	e	expiando	provas	que	modificam	o	meu	ser
todos	os	dias.
Com	um	leve	sorriso	no	rosto,	Nina	se	aproximou	de	mim,	e	gentilmente	sentou-
se	ao	meu	lado.	Sempre	deixo	uma	cadeira	disponível	para	os	emissários	do
além.
Olhava	para	ela	como	se	pedisse:	“Me	ajuda,	Nina?”
–Oi,	Osmar!
–Oi,	Nina.
–Por	que	você	está	assim?
–Assim,	como?
–Triste.
–Você	notou?
–Não	tem	como	não	notar,	Osmar.
–Eu	estou	muito	triste,	Nina.
–Por	quê?
–		Ah,Nina,estouficandovelho,eosvelhossãomais	sensíveis.
–Os	velhos	não	são	mais	sensíveis,	Osmar…	os	velhos	são	mais	amorosos,	mais
experientes	e	mais	sábios,	mas,	claro,	isso	quando	sabem	aproveitar	a
encarnação	para	a	própria	melhoria.
–É,	talvez	seja	isso.
–Não	fique	assim.
–Eu	vou	me	recuperar,	Nina.	Só	me	dê	alguns	minutos,	por	favor.
–Tenho	todo	o	tempo	do	mundo,	pode	se	recuperar.
Respirei	fundo,	sequei	as	minhas	lágrimas	e	me	preparei	para	conversar	com	a
Nina.	Após	beber	um	pouco	de	água,	me	acalmei.	Meu	coração	estava	em	paz…
–Você	está	melhor,	Osmar?
–		Sim,	Nina.	Desculpe-mepor	estar	assim.	Eu	não	sou	digno	de	me	sentir	desse
jeito.	Estar	ao	lado	de	vocês	é	extremamente	consolador,	conforta	e	me	faz
muitobem.
–Você	ainda	está	encarnado	e	vive	os	sentimentos	dos	encarnados.	Quando
voltares	à	condição	de	espírito,	poderás	perceber	que	as	coisas	são	bem	mais
simples	do	que	imaginas.
–É	verdade,	Nina.	Eu	deveria	sempre	recordar	as	coisas	boas	que	vivo	ao	lado	de
vocês,	e	esquecer	dos	problemas	diários,	mas	confesso	que	é	muito	difícil	estar
aqui,	Nina.	A	encarnação	é	uma	prova	extremamente	difícil.
–Se	fosse	fácil,	você	não	estaria	encarnado.	Compreenda	que	você	ainda	tem
muito	o	que	fazer	nessa	vida,	portanto,	aproveite	para	extrair	dela	experiências
renovadoras	para	o	seu	ser	espiritual.	Os	momentos	ruins	são	necessários	para
que	possas	compreender	que	tudo	precisa	ser	modificado.	As	provas	da
encarnação	são	oportunidades	evolutivas,	Osmar,	lembre-se	sempre	disso.
–Sou	grato,	imensamente	grato	a	todas	as	oportunidades	que	vocês	me	dão.	Não
sei	o	que	seria	da	minha	vida	sem	vocês,	nem	sei	se	estaria	aqui	hoje…
–Osmar,	na	verdade,	a	vida	de	encarnado	é	um	grande	desafio.	É	bom	lembrar
que	foi	você	mesmo	quem	pediu	por	essa	oportunidade.	Sendo	assim,	toda	vez
que	você	se	sentir	fora	do	‘pote’,	volte	para	o	‘pote’.	Foi	você	quem	escolheu
suas	provas,	logo,	está	capacitado	para	suportá-las,	basta	crer	que	não	há	acasos,
e	que	tudo	foi	arquitetado	por	você	e	pelos	seus	pares.	Eu	preciso	dizer	que
vocêimplorou	por	essa	encarnação,	e	prometeu	que	suportaria	as	provas
necessárias	para	a	sua	evolução,	portanto,	suporte-as	com	amor.
–“Pares”,	Nina?	Como	assim?
–Sim,	os	espíritos	que	estiveram	ligados	a	você	em	algum	momento	da	sua	vida
terrena,	os	que	se	ligam	a	você	nos	dias	de	hoje,	e	aqueles	que	ainda	irão	se
aproximar	de	você,	todos	eles	cumprem	um	papel	muito	importante	na	sua
jornada	evolutiva.	Nada	é	acaso,	tudo	é	vida,	aprendizado,	resgate	e	lição.
–Compreendo,	Nina.
–A	encarnação,	Osmar,	é	um	laboratório	de	experiências	que	você	mesmo
escolheu,	portanto,	tenha	os	seus	momentos	de	tristeza,	pois	eles	são	muito
importantes	e	de	muito	aprendizado,	mas	entregue-se	verdadeiramente	aos
momentos	de	alegria	e	prazer,	esses	sim,	são	eternos.	Essa	memória	afetiva	não
termina	em	uma	única	vida.	Ela	é	eterna.	Carregamos	dentro	de	nós	os	amores
eternos,	Osmar…
–		Não	tenho	palavras	para	agradecer	a	você	por	esses	ensinamentos,	Nina.
–			Na	vida	terrena	enfrentarás	momentos	diversificados,	e	são	eles	que	moldam
o	seu	caráter	e	o	seu	intelecto,	aperfeiçoando	o	seu	espírito.	As	experiências
traumáticas	servemparamodificarapartebrutaquetodoscarregam	consigo.
Moldando-se,	chegarás	à	liberdade	eterna,	e	ela	é	a	parte	mais	importante	do
espírito.
A	saudade,	Osmar,	é	prova	do	amor	eterno.	Sem	ela,	és	um	pote	vazio,	como	eu
disse.	Observe	os	sorrisos	que	você	consegue	tirar	de	rostos	tão	sofridos,	as
lições	que	você	transmite	àqueles	que	sofrem,	veja	quantas	vidas	modificadas
pelo	seu	trabalho	e	amor.
Colha	a	alegria	das	suas	mensagens	e	dedicação	ao	outro.	O	homem	é	eternizado
pelo	que	constrói	de	bom,	Osmar.	Exteriorize	sempre	o	melhor	que	tiveres	em
seu	coração.
Não	se	importe	com	os	julgamentos,	eles	fazem	parte.	Aqueles	que	não
compreenderem	a	sua	mensagem	hoje,	receberão	a	mesma	mensagem,	através	de
outro	meio,	em	algum	outro	momento	de	suas	vidas,	e	quando	isso	acontecer,
você	será	lembrado	pela	sua	luta,	pela	sua	dedicação,	por	tudo	o	que	sofreu	e,
principalmente,	pelo	amor	depositado	em	tudo	o	que	você	realizou.
Ame	sempre	que	puder,	dê	carinho	aos	que	sofrem.	Abrace	os	que	sentem
solidão.	Sorria	para	os	que	estão	sisudos	pelas	dores	sofridas.	Alimente	os	que
tem	fome,	ampare	os	solitários.	Aconselhe	sempre,	pois	um	bom	conselho	é
sempre	instrumento	de	reflexão.	Agasalhe	os	que	sentem	frio,	não	somente	o	frio
do	corpo,	mas,	principalmente,	o	frio	da	alma.
E,	por	fim…	seja	você	o	exemplo	de	superação,	seja	o	guia	dos	que	estão
vagando	pelos	caminhos	da	vaidade,	do	orgulho,	da	soberba,	do	ego	e	da
incompreensão.
Osmar,	mostre	às	pessoas	que	a	fé	é	fonte	inesgotável	e	inspiradora,
direcionadora	de	todas	as	coisas,	pois	quando	você	crê,	o	Universo	entende	que
precisa	devolver	a	você,	suas	mais	íntimas	necessidades.	Essa	é	uma	Lei	natural
criada	pelo	Pai	para	todos	os	seus	filhos	amados.Lembre-se,	a	fé	é	o	que	te
aproxima	de	nós,	sem	ela,	és	um	ermitão.
Na	realidade,	o	homem	só	morre	mesmo	quando	é	esquecido,	Osmar,	porque
enquanto	alguém	pegar	uma	peça	de	roupa	sua	para	sentir	o	seu	cheiro,	pois
sente	a	sua	falta,	ou	“se	pegar”	sorrindo	por	alguma	coisa	que	você	fez,	ou	ainda,
olhar	para	um	porta-retratos,	e	lá,	ver	uma	foto	sua	e	sentir	saudade,	você	estará
mais	vivo	do	que	nunca	entre	aqueles	que	sempre	irão	te	amar.	O	homem	é
eternizado	naquilo	que	faz,	e	não	nas	coisas	que	deixa.
–Obrigado,	Nina,	já	me	sinto	bem	melhor.	Na	verdade,	estou	envergonhado.	Não
sou	digno	desses	sentimentos.	Gratidão	a	tantos	ensinamentos	que	me	deixam
até	envergonhado	por	me	sentir	assim.
–Osmar,	tudo	é	lícito	quando	o	objetivo	é	a	sua	evolução.	A	dor	da	carne	é
recompensada	na	luz	que	o	espírito	precisa	para	superar	as	encarnações,	e	viver
plenamente	a	vida	espiritual.	Você	não	está	errado	em	se	sentirassim,	só
aproveite	esse	momento	para	refletir	sobre	tudo	e	sobre	todos	a	sua	volta.	Decida
sempre	pelo	coração,	pois	é	nele	que	está	a	resposta	para	todos	os	sofrimentos.
–É,	Nina,	mas	não	é	fácil.
–Nunca	dissemos	que	seria…
–É	verdade.
–Aqueles	que	estão	predispostos	a	amparar,	naturalmente	sofrem	mais	com	os
julgamentos	daqueles	que	ainda	não	se	compreenderam	como	espíritos	eternos.
–Mas,	por	que	isso	acontece,	Nina?
–Pela	imperfeição.	Seu	plano	é	muito	denso,	Osmar.	Vive-se	como	se	não
houvesse	o	amanhã,	junta-se	aquilo	que	não	vão	gastar	e,	por	fim,	desperdiçam
uma	vida	inteira	sem	ouvir	seus	corações.
–Se	ouvíssemos	os	nossos	corações,	certamente	a	vida	não	seria	assim,	Nina.
–Osmar,	Ele	encarnou	entre	vocês	para	direcioná-los,	no	entanto,	nem	todos
creem	sequer	em	sua	existência	terrena,	imagina	acreditar	no	que	escrevemos?
–Isso	também	me	entristece	muito,	Nina.
–Se	entristece	a	você,	imagina	a	nós?
–Nem	consigo	imaginar.
–		Mas	nem	por	isso	desistimos	de	vocês,	nem	por	isso	deixamos	de	lado	as
mensagens	importantes	que	devemos	transmitir.	Estamos	há	milhares	de	anos
levando	mensagens	edificantes	e	consoladoras	e,	em	nenhum	momento,	passou
pela	nossa	cabeça	desistir	de	vocês.
–Eu	agradeço	de	coração,	Nina.	Em	meu	nome	e	em	nome	dos	meus	milhares	de
leitores	que	te	amam	e	te	admiram	de	verdade.
–		Não	agradeça.	Escreva!	Faça	a	sua	parte.	Nós	estamos	fazendo	a	nossa,	e	os
nossos	leitores	que	façam	a	deles.	Éassim.	Deixe-me	te	dizer	uma	coisa.
–Sim,	Nina.
–Você	acredita	em	Deus,	Osmar?
–Claro	que	sim,	Nina.
–Você	conhece	pessoas	que	não	acreditam	em	Deus?
–Muitas,	infelizmente.
–No	que	essas	pessoas	acreditam?
–Elas	acreditam	que	tudo	começou	a	partir	de	uma	explosão,	do	Big	Bang.
–Conte-me	essa	história.
–Claro,	Nina,	vamos	lá…	a	maioria	dos	físicos	dizem	que	há	aproximadamente
13,8	bilhões	de	anos,	quando	o	Universo	era	pequeno,	quente	e	denso,	não	havia
absolutamente	nada,	nem	o	tempo,	nem	o	espaço,	e	muito	menos	a	gravidade,	foi
quando	houve	uma	grande	explosão	e	tudo	começou.
–Mas,	se	não	havia	nada,	por	que	hoje	existe	algo?
–Como	assim,	Nina?
–Se	antes	da	explosão	não	havia	nada,	por	que	hoje	há	tudo	o	que	vocês
experimentam?
–Porque	houve	uma	explosão	e,	a	partir	dela,	tudo	o	que	temos	hoje,
aconteceu…	é	o	que	dizem	os	físicos.
–Osmar,	o	que	é	que	surge	do	nada?
–Não	sei.
–Então,	se	há	algo	hoje	é	porque	havia	algo	antes	do	nada,	concorda?	Antes	da
explosão…
–Concordo,	mas	você	poderia	me	explicar	melhor?
–Claro!	Osmar,	antes	do	nada,	havia	um	princípio,	concorda?
–Sim,	tem	que	ter	existido	algo	antes	do	nada.	O	princípio	foi	o	que	criou	o
nada,	eu	acho.
–Osmar,	o	princípio	criou	o	tempo,	o	espaço,	a	gravidade	e	o	Universo.	Se	não
houvesse	esse	princípio,	nada	existiria,	nem	mesmo	o	princípio,	e	ele	tem	que	ser
eterno,	casocontrário,	teríamos	que	achar	um	criador	para	o	princípio,	concorda?
–Como	somos	ignorantes…
–		E	tem	mais,	Osmar.	Se	o	princípio	não	existisse,	alguém	teria	que	ter	criado
tudo	antes	do	princípio.
–Nossa,	Nina!	Só	você	para	provar	a	existência	de	Deus	para	todos	nós.
–Ele	sempre	existiu,	Osmar,	e	sempre	existirá.
–		Temos	que	rever	os	nossos	pensamentos	e	estudar	muito	para	modificar	essa
forma	bruta	que	carregamos	dentro	de	nós,	Nina.
–Faça	isso,	pois	esse	é	o	caminho.	E	tem	mais…
–O	quê,	Nina?
–		Nunca	julgue	o	que	você	não	conhece,	pois	existem	muitas	coisas	pelas	quais
vocês	ainda	sequer	tem	noção	que	existem,	portanto,	seja	humilde	de	coração,	e
aprenda	que	tudo	o	que	Ele	criou	e	cria	todos	os	dias,	é	para	o	seu	bem-estar	e
para	a	sua	evolução.
–Gratidão,	Nina.
–Não	agradeça,	estude	as	coisas	de	Deus.
–Sim,	Nina,	precisamos	estudar	mais	as	coisas	de	Deus.
–Osmar,	o	que	você	sabe	sobre	a	sua	Galáxia?
–Sobre	a	minha	Galáxia,	como	assim?
–O	que	você	sabe	sobre	a	sua	Galáxia?
–Que	o	nosso	planeta	está	na	Via	Láctea,	é	isso	o	que	eu	sei.
–E,	por	acaso,	você	sabe	quantas	Galáxias	existem	no	Universo?
–Não	faço	a	menor	ideia,	Nina.
–O	Universo	pelo	qual	vocês	conhecem	é	constituído	de	bilhões	e	bilhões	de
Galáxias.
–Bilhões	de	Galáxias,	Nina?	Como	assim?
–Muitos	bilhões	de	Galáxias,	Osmar.	Você	nem	imagina	quantas…
–Meu	Deus!
–A	Galáxia	na	qual	vocês	vivem,	por	exemplo,	tem	aproximadamente	duzentos
bilhões	de	sóis,	você	sabia?
–A	Via	Láctea?
–Sim,	ela	mesma.
–Meu	Deus!
–São	sóis,	Osmar,	como	o	que	te	aquece	todos	os	dias…	e,	a	sua	volta,	tem	oito
planetas	girando.
–Isso	eu	sei.
–Isso	acontece,	Osmar,	porque	a	gravidade	no	Sol	é	tão	forte,	que	ela	mantém	os
planetas	do	sistema	solar	girando	ao	redor	dele.	No	seu	sistema	solar	existe	um
planeta	habitado,	aquele	que	vocês	chamam	carinhosamente	de	planeta	Terra,
concorda?
–Sim,	é	onde	estou	agora.
–Se	em	seu	sistema	solar	existe	um	planeta	habitado,	imaginemos	que,	para	cada
Sol	existente	em	sua	Galáxia,	há	pelo	menos	um	planeta	igual	ao	seu.
–Lá	vem	bomba…
–		Podemos	considerar	então,	Osmar,	que	somente	em	sua	Galáxia,	vocês	têm
duzentos	bilhões	de	planetas	iguais	ao	seu.	Planetas	azuis	e	habitados.	Se,	para
cada	Sol,	há	um	planeta,	a	conta	é	essa.
–Jesus!
–É	Ele	mesmo	quem	governa	essa	sua	Galáxia.
–Precisamos	estudar	as	coisas	de	Deus,	Nina.
–Osmar,	faça	a	conta	que	quiser,	qualquer	probabilidade	que	você	achar	será	um
número	absurdo	de	planetas	e	possibilidades.	Isso	sem	contar	o	número	infinito
de	Galáxias…
Vocês	acham	mesmo	que	conhecem	a	Deus?
Vocês	acham	mesmo	que	estão	sozinhos	no	Universo?
Vocês	acham	mesmo	que	essa	vida	é	única?	Que	não	há	nada	além	da	vida
corpórea?
–Meu	Deus!
–Ele	mesmo,	Osmar.	Ele	é	a	inteligência	suprema,	o	criador	de	todas	as	coisas.
–Perdoe	a	minha	ignorância,	Nina.
–Pense,	Osmar,	quando	vocês	desencarnarem	e	se	depararem	com	essa	realidade,
o	que	irão	pensar	da	vida	e	deDeus?
–Precisamos	ser	mais	inteligentes	e	nos	aprofundar	no	estudo	das	coisas	de
Deus,	Nina.
–Ele	é	paciente,	bondoso	e	amoroso,	tenham	calma…	todos	têm	o	tempo	certo
para	conhecer	a	Deus.
–Espero	estar	no	caminho	certo.
–Você	está	indo	bem.
–Obrigado,	Nina.
–Não	agradeça,	escreva.
–Vamos	em	frente,	Nina.
–Osmar,	eu	vou	te	contar	onde	está	a	sua	mãe,	quer	saber?
–Sim,	claro!	Nossa,	eu	nem	imaginava	isso…	o	tanto	que	eu	pedi	por	notícias	da
minha	mãe,	e	que	bom	que	agora	você	poderá	me	contar.
–AsuamãeestáemumaColôniaEspiritualchamada
LaçosEternos.EssaColôniaficasobreoestadodoRiode	Janeiro,	adentra	o	estado	do
Espírito	Santo,	e	faz	fronteira	com	a	Colônia	da	Praia.	A	sua	maior	parte	está
sobre	o	oceano	Atlântico.	É	uma	Colônia	bem	grande,	e	que	recebe	os	espíritos
recém-desencarnados.
A	Colônia	Laços	Eternos	é	o	local	onde	a	maioria	de	vocês	chegará,	pois	ela
recebe	os	espíritos	que	desencarnam	na	região	Sudeste	do	Brasil.	Ali	estão	os
seus	familiares,	à	espera	de	vocês.
Ao	chegar	em	Laços	Eternos,	os	espíritos	recebem	o	devido	tratamento	nos
hospitais	que	lá	existem	e,	após	a	conscientização	e	o	refazimento	necessário,
eles	são	encaminhados	para	outras	Colônias.	Há	muito	trabalho	em	Laços
Eternos,	Osmar.
Sua	mãe	recebeu	uma	oportunidade	de	trabalho,	e	a	aceitou	prontamente.
Aproveitou	o	pouco	conhecimento	que	tinha	em	hospitais	no	plano	físico,	e	se
ofereceu	ao	trabalho	caridoso	nessa	linda	Colônia.
–		Meu	Deus!	A	minha	mãe	trabalhou	mesmo	em	um	hospital	enquanto	esteve
encarnada,	eu	lembro	disso.	Eu	era	bem	pequenino	quando	corríamos	no
caminho	que	levava	até	a	nossa	casa,	cantando	uma	música	quando	ela	aparecia
no	topo	do	monte	desse	caminho.
–Você	se	lembra	disso?
–Sim,	eu	era	bem	pequeno,	mas	lembro	muito	bem.
–A	sua	mãe	passou	por	provas	muito	difíceis,	Osmar,	mas	o	suficiente	para
purgar	tudo	o	que	precisava.	Agora,	é	uma	trabalhadora	da	Colônia	Espiritual
Laços	Eternos.
–O	que	especificamente	ela	faz?
–Trabalha	no	Hospital	da	Luz.
–Esse	é	o	nome	do	hospital	dessa	Colônia?
–É	o	nome	de	um	deles.
–Eu	poderei	encontrá-la,	Nina?
–Se	continuar	como	está,	lhe	asseguro	que	sim.
–Meu	Deus!	Obrigado,	Nina.
–Não	agradeça.	Lembre-se	que	tudo	é	merecimento.
–É,	eu	sei.
–Nina,	eu	nunca	tinha	escutado	nada	sobre	essa	Colônia…
–Há	poucas	linhas,	neste	mesmo	livro,	eu	disse	a	você	que	existem	muitas	coisas
pelas	quais	vocês	ainda	não	sabem,	lembra	disso?
–Sim,vocêdisseparanãojulgarmosodesconhecido.
Não	sabemos	nada	da	vida	além	da	vida,	ainda.
–Isso	mesmo.	Sempre	que	for	possível	revelaremos	mais	coisas	para	vocês.
–Obrigado,	Nina!	Nós	agradecemos.
–Não	agradeça,	escreva…
–Você	pode	falar	mais	sobre	a	minha	mãe?
–Sim.	Quando	a	sua	mãezinha	chegou	à	vida	espiritual,	ela	foi	recebida	pelos
avós	dela,	entre	outros	familiares	que	já	estavam	aqui.	Assim	que	chegou,	ela
pediu	para	fazer	algo	que	fosse	útil	a	todos.	Estava	triste	por	ter	deixado	vocês
ainda	meninos,	mas	ela	sabia	que	tudo	o	que	havia	acontecido	tinha	um	motivo
e,	com	o	passar	dos	dias,	logo	integrou-se	ao	grupo	de	trabalho	do	Hospital	da
Luz	e	começou	a	trabalhar.
Sabe,	Osmar,	as	coisas	daqui	são	muito	parecidas	com	as	coisas	daí,	porém,	ao
nos	conscientizarmos	realmente	do	que	somos,	e	dos	propósitos	da	vida	de
encarnado,	compreendemos	que	tudo	tem	o	tempo	certo	para	acontecer,	logo,
tudo	ao	nosso	redor	será	transformado.
–Será	que	algum	dia	você	poderá	me	levar	a	essa	Colônia	para	que	eu	possa	ver
a	minha	mãe?
–Talvez,	Osmar,	talvez…	vamos	ter	fé	que	um	dia	isso	será	possível	para	nós
dois.
–Eu	agradeço,	Nina.	Agradeço	de	coração!
–Osmar,	todos	nós	precisamos	de	permissão	para	tudo	o	que	acontece	conosco,
desta	forma,	não	garanto	que	você	verá	a	sua	mãe	em	desdobramento,	mas
vamos	continuar	trabalhando	e,	quem	sabe	um	dia,	teremos	essa	permissão…
–Está	bem,	Nina,	mas	poderei	vê-la	quando	desencarnar?
–Certamente	que	sim,	pois	os	reencontros	são	reais	por	aqui.	Todos	se
reencontram	na	vida	eterna	para	novamente	traçarem	novos	destinos.	Tem	muita
gente	te	esperando	por	aqui,	você	sabia?
–Sério?
–Você	não	teve	somente	uma	vida,	Osmar,	e	muito	menos,	uma	única	mãe.
–E	o	meu	pai?	Você	pode	me	falar	onde	ele	está?
–Ainda	não,	por	ora,	só	temos	permissão	para	lhe	falar	sobre	a	sua	mãe.	Mas,
tenha	calma,	nada	está	ao	acaso.
–Mas,	ele	está	bem?	Pelo	menos	isso	você	pode	me	dizer?
–Sim,	ele	está	muito	bem,	posso	lhe	assegurar.
–Obrigado,	Nina.	E	perdoe-me	por	tantas	perguntas,	mas	são	respostas	que	todos
nós	que	já	perdemos	alguém	precisamos	ouvir.
–De	nada,	Osmar.	Não	agradeça,	continue	o	seu	trabalho	e,	quem	sabe	um	dia,
poderemos	rever	todos	os	seus.
–Obrigado,	Nina.
–Osmar,	você	é	um	espírito	imortal	e	eterno,	tens	ainda	muitas	coisas	a	descobrir
e	relembrar.	Você	não	deveficar	triste	com	as	duras	provas	que	enfrentas.	Deveis
agradecer	às	oportunidades	de	aprendizado,	mesmo	que	essas	provas	sejam
difíceis	e	lhe	magoem.	Há	momentos	em	que	precisamos	deixar	os	trilhos	da
viagem	para	poder	enxergar	novas	paisagens!
–É	verdade.	Que	sentimento	tolo	esse	meu.
–Somos	amados,	Osmar.	Há	muitahistória	por	detrás	de	uma	vida.	Há	muitos
mistérios	que	serão	revelados	quando	você	chegar	aqui.	Todas	as	memórias,
todas	as	vidas,	todos	os	amores,	e	toda	a	sua	família	espiritual,	que	é	muito
maior	do	que	a	sua	família	terrena,	tudo	será	relembrado,	tenha	certeza	disso.
–Eu	não	vejo	a	hora	de	abrir	o	livro	da	minha	vida	e	relembrar	todas	as	minhas
encarnações.
–Há	muita	coisa	para	você	relembrar,	viver	e	amar.
–			Espero	que	dê	tudo	certo	comigo	na	vida	espiritual,Nina.
–Merecimento,	Osmar…	merecimento	e	disciplina	com	a	vida	que	você	vive
agora.	Assim,	quando	chegar	a	hora	de	você	vir	para	cá,	estaremos	de	braços
abertos	te	esperando,	para	revelar	a	você	tudo	o	que	for	permitido.
–Viu	como	eu	não	sou	digno	desses	sentimentos,	Nina?
–A	tristeza?
–Sim,	pois	sabendo	de	tudo	isso,	não	devo	entristecer	o	meu	coração.	Olha
quanta	coisa	boa	espera	por	mim	na	vida	espiritual.
–Isso,	Osmar,	muito	bem,	pense	sempre	assim…
–Se	não	fosse	você	chegar	aqui,	Nina,	e	revelar	tudo	isso,	talvez	eu	ainda
estivesse	remoendo	esses	sentimentos	egoístas,	e	não	teria	conseguido	abandonar
a	tristeza.
–Tomara	que	todas	as	pessoas	que	lerem	este	livro	entendam	que	a	tristeza	só
serve	para	reavaliar	o	passado,	e	que	não	adianta	ficar	assim.	Olhe	para	frente,	e
não	se	importe	com	os	julgamentos,	pois	vocês	serão	sempre	julgados.	Seja	feliz,
seja	grato	à	vida	e	às	pessoas	que	viveram	e/ou	vivem	ao	seu	lado,	porque	elas
são	eternas,	assim	como	você,	e	todos	se	reencontrarão	no	grande	projeto
evolutivo.	Nada	está	ao	acaso,	posso	lhe	assegurar	isso.
–Gratidão,	Nina.
–Vamos	aproveitar	esse	nosso	encontro	para	escrevermos	um	novo	livro?
–Sim,	claro.	É	uma	honra	para	mim	ser	seu	instrumento.	E	desculpe-me	por	não
ter	perguntado	antes	qual	era	o	motivo	da	sua	chegada.
–Seja	sempre	um	instrumento	de	luz,	de	paz,	de	amor	e	de	caridade,	assim,
estaremos	sempre	ao	seu	lado.	O	motivo	de	estar	aqui,	é	que	sempre	que	você	se
sentirsozinho,	nós	estaremos	ao	seu	lado	para	lhe	abraçar	e	dizer…	“isso
também	passa”.
–Nossa,	Nina,	não	sei	como	te	agradecer.
Algumas	lágrimas	voltaram	aos	meus	olhos	naquele	momento.	Mas	eram
lágrimas	de	emoção,	e	não	mais	de	tristeza.
–Não	agradeça,	Osmar,	escreva.
–Eu	sei,	e	é	isso	que	vamos	fazer.
–Que	bom,	Osmar.
–Nina,	eu	posso	te	fazer	somente	mais	umapergunta?
Prometo	ser	a	última.
–Sim.	Claro	que	sim!
–Você	falou	em	merecimento	e	disciplina,	então	são	essas	as	qualidades	que	um
médium	precisa	ter	para	usufruir	de	companhias	como	as	de	vocês?
–Sim,	é	isso	que	vocês	precisam	ter	para	que	possamos	nos	aproximar,	não	só
dos	médiuns,	mas	de	qualquer	espírito	encarnado.	Na	verdade,	Osmar,	nós
precisamos	mesmo	de	duas	coisas.
–Duas	coisas?	E	o	que	seriam	essas	duas	coisas,	Nina?
–Permissão	e	sintonia.
–Permissão?
–Sim.	Nós,	benfeitores,	podemos	nos	aproximar	e	ajudar	somente	àqueles	que
permitem	a	nossa	ajuda.	E,	sintonia,	é	quando	vocês	conseguem	nos	ouvir.
Abram	suas	consciências	e	despertem	para	todas	as	possibilidades,	é	aí	que	estão
os	espíritos.
–Entendi,	Nina.
–Vamos	escrever,	Osmar?
–Sim,	Nina,	mas	sobre	o	que	iremos	escrever?
–Cinco	Dias	no	Umbral	-	O	Limite.
–Meu	Deus!	Obrigado,	Nina!	Vamos	começar	logo.
–Estarei	aguardando	por	você	na	Colônia.
–Está	bem,	Nina,	só	vou	organizar	os	papéis	e	vou	para	lá.
–Até	breve!	–	disse	a	mentora.
Assim,	após	organizar	tudo,	dirigi-me	em	desdobramento	à	Colônia	Espiritual
Amor	e	Caridade	para	começarmos	a	psicografia	do	livro.
Naquele	dia,	eu	entendi	que	não	devemos	ficar	tristes	e	desesperançosos,	pois	a
vida	é	assim,	feita	de	dias	bons	e	dias	ruins,	e	o	que	devemos	fazer	é	lembrar
sempre	que	não	há	acasos,	que	todo	sofrimento	tem	seu	objetivo,	e	traz	com	ele
uma	grande	lição.
Reparem	que	foi	pela	dor	que	eu	me	conectei
novamentecomaNina,erecebidessailuminadamentoralições	que	jamais
esquecerei.	Agradeci	muito	a	Nina	às	informações	recebidas	sobre	a	minha
querida	mãe.
Que	Deus	abençoe	a	todos	vocês,	e	sempre	que	se	sentirem	tristes,	lembrem-se
que	Deus	os	ama	infinitamente.	Há	anjos	a	nos	iluminar	em	todos	os	segundos
da	vida.	Eu	já	tenho	o	meu	anjo,	e	ele	se	chama	Nina	Brestonini.	Trabalhe,
modifique-se,	transforme-se,	e	seja	humilde	de	coração	para	encontrar	o	seu.
Não	há	acasos…	estamos	todos	em	evolução.
Bem-vindos	ao	livro:	Cinco	Dias	no	Umbral	–	O	Limite.
Osmar	Barbosa
“O	ontem	é	história.
O	amanhã	é	um	mistério,	mas	o	hoje	é	uma	dádiva.
E	é	por	isso	que	se	chama	presente!”
Osmar	Barbosa
Colônia	Espiritual	Amor	e	Caridade
Naquele	momento,	Nina	convidou-me	para	ir	com	ela	até	a	Colônia	Espiritual
Amor	eCaridade.
Após	preparar-me	em	desdobramento,	fui	ao	seu	encontro	na	Colônia.
Mas,	antes,	eu	vou	explicar	a	vocês	o	que	é	e	quais	são	os	objetivos	de	uma
Colônia	Espiritual,	assim	como	é	a	Colônia	Amor	e	Caridade.
No	mundo	espiritual,	existem	cidades	espirituais;	alguns,	chamam	essas	cidades
de	Colônias	Espirituais;	uns,	de	Mundos	Transitórios;	e	outros	de	Cidades
Espirituais,	e	por	aí	vai.
A	Colônia	Espiritual	Amor	e	Caridade	fica	dentro	da	Colônia	das	Flores,	que	é
uma	das	Colônias	Espirituais	mais	antigas	e	uma	das	maiores	instaladas	sobre	o
Brasil.	Ela	fica	acima	do	Estado	de	Santa	Catarina,	adentra	o	Estado	do	Paraná,
Mato	Grosso	do	Sul,	e	um	bom	pedaço	do	Estado	de	São	Paulo.	Como	todos
podem	concluir,	a	Colônia	das	Flores	é	bem	grande.
A	Colônia	Amor	e	Caridade	foi	criada	há	pouco	tempo,	há	cerca	de	cento	e	vinte
anos.	Ela	foi	instituída	para	oportunizar	condições	a	alguns	espíritos	que	têm
como	objetivo	seguir	aperfeiçoando	e	evoluindo	seusseres.
A	Colônia	das	Flores	é	especializada	no	atendimento	às	pessoas	que
desencarnam	vítimas	de	câncer.	A	Colônia	Amor	e	Caridade	também	tem	como
especialidade	socorrer	crianças	que	são	vítimas	da	mesma	doença.	Além	disso,
ela	é	uma	Colônia	que	auxilia	alguns	Centros	Espíritas	instalados	no	orbe
terreno.
Alguns	mentores	desta	Colônia	auxiliam	os	médiuns	a	desenvolverem	um
trabalho	de	orientação,	auxílio,	amparo	e	conscientização	da	vida	eterna	aos
doentes	que	são	levados	a	esses	Centros	Espíritas.	Tudo	se	comunica	segundo
esses	amigos.	Misericórdia	divina,	dizem	eles.
Daniel	é	o	presidente	da	Colônia	Espiritual	Amor	e	Caridade.	Ele	foi	frei,	e
viveu	no	Brasil	há	cerca	de	cem	anos.	Hoje,	preside	com	muita	competência	e
amor	essa	divina	Colônia.
Cheguei	lá	muito	ansioso	para	o	encontro	com	a	Nina.	Logo	na	entrada,
encontrei-me	com	Marques,	que	é	o	assessor	direto	de	Daniel.
É	tudo	muito	organizado	nas	Colônias	Espirituais.	Em	Amor	e	Caridade	há
vários	espíritos,	todos	muito	atarefados.	E	há	quem	pense	que	quando	morremos
vamos	descansar…	Tolice,	pois	temos	muitas	coisas	a	fazer	quando	retornamos	à
consciência	da	vida	eterna.
Na	Colônia	Espiritual	Amor	e	Caridade	há	ruas,	avenidas,	prédios,	lagos,
campos	verdejantes,	árvores	coloridas,	e	flores	das	quais	eu	nunca	vi	por	aqui.
Sempre	vejo	animais	por	lá	também,	cães,	pássaros,	entre	outros	que	vivem	em
meio	aos	espíritos	e	à	linda	vegetação	das	Colônias.	Eu	tive	até	a	valiosa
oportunidade	de	ver	como	são	recebidos	os	nossos	cães	quando	eles
desencarnam,	na	psicografia	do	livro	Amigo	Fiel.
Na	entrada	da	Colônia	Amor	e	Caridade	há	um	imenso	portão	que	separa	Amor
e	Caridade	do	espaço	existente	entre	o	plano	físico	e	o	plano	espiritual.	Há
também	um	enorme	muro	que	cerca	toda	a	Colônia,	e	eu	já	havia	perguntado	ao
Daniel	sobre	aquele	muro,	o	qual	já	relatei	nas	psicografias	anteriores,	mas	para
não	deixar	vocês	curiosos,	vou	comentar	sobre	ele	aqui	também.
O	muro	é	para	proteger	a	Colônia	de	espíritos	mal-intencionados,	que	tentam	a
todo	momento	invadir	o	lugar	de	luz.	As	Colônias	Espirituais	são	cidades	de	luz,
e	espíritos	que	não	se	afinam,	não	podem	entrar,	portanto,	em	volta	de	todas	as
Colônias	Espirituais,	existem	esses	muros.	Mas	não	apenas	eles,	existem
também	espíritos	chamados	“guardiões”,	que	cuidam	e	protegem	as	Colônias,
relatado	no	livro	O	Guardião	da	Luz.
É	como	aqui,	que	para	proteger	o	nosso	patrimônio	temos	a	polícia	ou	os
seguranças.	Assim	é	a	vida	espiritual,	um	reflexo	detudo	o	que	temos	aqui.
Logo	que	cheguei,	fui	recebido	por	Marques.	Ao	me	ver,	ele	aproximou-se	para
me	cumprimentar.
–Seja	bem-vindo,	Osmar!
–Eu	é	que	agradeço	a	mais	essa	oportunidade	de	estar	aqui	com	vocês,	Marques.
Estou	muito	feliz!
–Venha,	meu	rapaz,	levarei	você	para	se	encontrar	com	a	Nina.
–Estou	ansioso,	e	obrigado	pelo	“rapaz”!
Marques	é	de	estatura	mediana,	cabelos	curtos,	barba	bem-feita	e	olhos
castanhos.	É	muito	simpático,	embora	seja	bem	acelerado.
Caminhamos	até	o	prédio	da	Regeneração.	Ele	é	um	dos	maiores	que	existem	em
Amor	e	Caridade.	A	base	do	prédio	é	redonda,	e	tem	uma	pirâmide	na	qual	é
possível	ver	uma	luz	que	desce	do	céu	(espaço	que	não	compreendo),	e	entra	na
cúpula	do	lugar.	O	edifício	é	esverdeado,	assim	como	todos	os	outros	prédios	da
Colônia.
Andamos	cerca	de	dez	minutos	por	uma	longa	e	larga	avenida,	e	eu	pude	ver
vários	outros	prédios	e	muitos	espíritos	que	estavam	sentados	sobre	os	extensos
gramados,	pareciam	estar	descansando.	Eram	jovens,	meninas,	meninos,	idosos,
rapazes,	moças…	todos	com	um	sorriso	no	rosto,	me	cumprimentavam	com	um
gesto	de	cabeça.
A	roupa	parecia	ser	única,	todos	vestiam	uma	espécie	de	bata	que	cobria	o	corpo
todo,	algumas	eram	brancas,	outras	azuis,	lilás,	rosas,	amarelas,	e	umas	eram	de
uma	cor	que	parecia	branco,	mas	era	um	tom	mais	branco	que	o	próprio	branco,
não	sei	se	fui	claro…
Alguns	usam	calça	comprida	branca	e	jaleco	daqueles	que	são	usados	em	alguns
Centros	Espíritas.	Porém,	a	maioria	veste	mesmo	essa	túnica	que	cobre	todo	o
corpo.	As	coisas	nas	Colônias	são	diferentes	e	lindas.
–Marques,	eu	posso	te	fazer	uma	pergunta?
–Claro	que	sim,	Osmar.
–Há	quanto	tempo	você	está	na	vida	espiritual?
–Uns	cento	e	trinta	anos,	aproximadamente.	É	que	aqui	nós	não	contamos	o
tempo,	sabe	como	é,	né?
–Sim,	eu	sei,	se	a	vida	é	eterna,	para	que	contar	o	tempo?
–Isso,	meu	rapaz.
–Mas,	então,	como	é	definido	o	tempo	por	aqui?	Se	é	que	vocês	precisam	de
tempo,	ou	espaço	de	tempo	para	alguma	coisa.
–O	tempo	aqui	é	relativo,	quando	precisamos	contar	o	tempo	para	alguém	ou	por
algum	motivo,	esperamos	até	o
momentoemqueoqueestiverparaacontecer,aconteça,	simples	assim.
–Você	poderia	explicarmelhor?
–Sim.	Vou	dar-lhe	um	exemplo	que	é	muito	comum	poraqui.
–Pois	não,Marques.
–Quando	um	espírito	chega	até	aqui	muito	angustiado	pelo	seu	desencarne,	o
que	é	muito	comum,	aliás,	nós	explicamos	a	ele	que	a	vida	na	Terra	cessou,	e
que	agora	ele	está	na	vida	espiritual.	A	primeira	coisa	que	acontece	é	do	espírito
se	arrepender	imensamente	por	ter	perdido	tanto	tempo	com	coisas	inúteis	à	sua
evolução	pessoal,	sim,	porque	a	evolução	é	pessoal	e	intransferível.	Desta	forma,
após	receber	a	notícia,	o	espírito	que	acabara	de	chegar	entra	em	estado
depressivo,	e	pela	experiência	que	temos,	nós	sabemos	que	ele	tem	o	tempo	dele
para	superar	seus	traumas.	Assim,	o	tempo	é	relativo	para	os	espíritos	que	se
encontram	aqui.
–Cada	um	tem	o	seu	tempo?
–Exato,	cada	um	tem	o	tempo	certo	para	se	estabilizar	e	refazer	aquilo	que
abandonou	quando	encarnou.
–Quer	dizer	que	quando	eu	encarno	deixo	os	meus	planos	para	trás	?
–Não,	Osmar,	você	encarna	justamente	para	realizaros	seus	planos.	O	problema	é
que	vocês	demoram	a	acreditar	n’Ele	e,	com	isso,	atrasam	a	evolução	de	vocês.
A	encarnação	nada	mais	é	que	uma	oportunidade	evolutiva,	uma	sala	de	aula,	em
uma	das	milhares	de	escolas	criadas	por	Ele	para	os	seus	filhos.
–Para	todos?
–Sim,	para	todos.	Alguns	desviam	do	caminho	e	paralisam	a	evolução,	mas
recebem	outra	oportunidade.	São	repetentes…
–Isso	eu	já	aprendi.
–O	que	aprendestes?
–Oportunidades!	Elas	não	podem	ser	desperdiçadas.
–Muito	bem,	Osmar,	não	desperdice	as	suas	oportunidades.
–Marques,	e	quando	uma	pessoa	que	errou	a	vida	inteira	descobre	que	ela	é
eterna	só	quando	está	velha	e	cansada…	ela	pode	reparar	os	seus	erros?
–Basta	fazer	um	pedido	de	perdão	sincero,	e	Ele	perdoará	os	seus	erros.
–E	os	pecados?	Ele	também	os	perdoa	quando	pedimos	com	sinceridade?
–Ele	é	amor,	perdão	e	misericórdia.	Sempre	foi,	e	sempre	será	assim.
–		Então,valeapenapecaravidainteirae,depois,se	arrepender	no	final?
–Pecar	é	uma	coisa,	Osmar,	perdoar…	é	outra	coisa.	Se	você	errou	a	vida	inteira,
e	pediu	perdão	a	Ele	com	sinceridade,	eu	tenho	certeza	que	Ele	irá	te	perdoar,
agora,	se	você	pecou	a	vida	inteira,	eu	já	não	posso	garantir	o	perdão	doPai.
–Entendi,	Marques,	errar	é	uma	coisa,	pecar	é	outra.
–Isso,	errar	é	quando	você	faz	algo	sem	intenção,	sem	conhecimento,	agora,
pecar	é	transgredir	a	Lei	maior.	E	a	segunda	opção	que	você	citou,	é	sobre
contrariar	as	Leis	maiores	de	forma	consciente.	E	ao	contrariá-las,	não	podemos
reclamar	se	não	houver	o	perdão.
–Você	tem	razão,	Marques.	Então,	como	reparar	um	pecado?
–Refazendo	o	caminho,	simples	assim.
–Reencarnando?
–Algumas	vezes,	sim.	Outras,	não.
–Você	pode	explicarmelhor?
–O	que	você	acha	que	estamos	fazendo	aqui	nas	Colônias?
–Trabalhando,	ué!
–Reparando	as	nossas	falhas,	Osmar.	Refazendo	o	caminho	e	consertando	o	que
fizemos	de	errado,	além	disso,	é	claro,	estamos	auxiliando	o	Criador.
–		Quer	dizer	que	eu	poderei	reparar	as	minhas	falhas	em	uma	reencarnação	ou
trabalhando	em	uma	Colônia?
–Isso,	meu	rapaz,	é	isso.	Se	você	for	útil	em	uma	Colônia	e	merecedor	dela,	será
aproveitado	para	trabalhar	em	uma	delas,	agora,	se	suas	falhas	precisarem	ser
reparadas	em	uma	encarnação,	você	reencarnará	para	que	possa	reparar	todos	os
seus	erros.
–Amor	divino	né,	Marques?
–Amor	pelos	seus	filhos,	misericórdia	divina,	Osmar.
–Como	é	bom	ser	o	portador	desses	ensinamentos.	Obrigado,	Marques!
–De	nada,	meu	amigo.
–Marques,	você	está	sabendo	o	porquê	de	eu	estar	aqui?
–Sim,	sei.	Vocês	vão	escrever	um	novolivro.
–Você	sabe	ondeserá?
–A	Nina	vai	te	explicar,	fiquetranquilo.
–Estou	muito	ansioso	para	saber.	Um	novo	livro!Cinco
Dias	no	Umbral	–	O	Limite.
–Estamos	chegando,	venha!	–	disse	Marques,	acelerando	os	passos.
Ele	abriu	a	porta	principal	e	entramos	juntos	no	lindo	prédio	da	Regeneração.	No
hall	de	entrada	havia	um	enorme	balcão,	onde	dois	jovens	faziam	a	triagem,	e
vários	espíritos	aguardavam	para	serem	atendidos.
Os	jovens	cumprimentaram	Marques	com	um	sinal	de	cabeça,	e	permitiram	a
nossa	entrada	pela	porta	lateral,	que	dá	acesso	a	um	extenso	corredor	com	várias
salas.
Alguns	espíritos	estavam	sentados	em	bancos	localizados	ao	lado	dessas	portas,
esperando	para	serem	chamados	para	o	atendimento.	Marques	seguiu	a	passos
firmes	e	rápidos	logo	à	minha	frente.	Eu,	um	pouco	desesperado,	corri	atrás	dele.
Até	que,	finalmente,	ele	parou	diante	de	uma	porta	na	qual	pude	ler:	“Diretoria”.
Marques,	então,	abriu	a	tal	porta	e	permitiu	a	minhaentrada.
–Entre,	Osmar.
Na	sala	estavam	Daniel,	Nina	e,	novamente,	o	Lucas.
–Olá,	Lucas!
–Seja	bem-vindo,	Osmar!	–	disse	ele,	com	um	leve	sorriso	no	rosto.
–Oi,	Nina!	–	disse.
–Sente-se,Osmar.
Porém,	antes	mesmo	de	sentar,	beijei	a	mão	de	Daniel,	que	sorria	gentilmente
para	mim.
A	sala	era	bem	grande,	com	várias	cadeiras	espalhadas	pelo	ambiente.	Havia	um
oratório	no	canto	da	sala	onde	pude	ver	uma	linda	imagem	de	Catarina	de
Alexandria.
–Obrigado	pela	oportunidade!	–	disse-lhes.
–Nós	é	quem	agradecemos.	–	disse	Lucas.
Naquele	momento,	Marques	pediu	licença	e,	após	se	despedir	de	todos,	dirigiu-
se	à	porta	para	deixar	a	sala.
–Obrigado	pelo	carinho	e	pelos	ensinamentos,	Marques.
–De	nada,	Osmar,	até	breve!	–	Senhores,	com	licença.	–	disse	ele	deixando	o
lugar.
Nina	olhou	para	mim,	e	questionou-me	sobre	o	Lucas.
–Osmar,	você	se	lembra	de	tudo	o	que	já	escreveu	ao	lado	de	Lucas?
–Sim,	eu	o	conheço	bem.	–	Sou	grato	a	todos	os	livros	e	a	todos	os
ensinamentos,	Lucas.	Você	é	muito	especial	em	minha	vida.	–	disse	emocionado.
–Eu	é	que	agradeço,	Osmar.	–	disse	Lucas,	com	o	leve	sorriso	no	rosto	de
sempre.
–Pois	bem,	então	você,	o	Lucas,	eu	e	mais	alguns	companheiros	voltaremos	ao
Umbral.	–	disse	Nina.
–Você	tinha	dito	que	iria	me	mostrar	mais	uma	missão	no	Umbral,	não	é	isso,
Nina?	Um	novo	livro?
–		ANinanãotempropriamentemissõesnoUmbral,Osmar.	–	disse	Daniel,
interrompendo	a	nossa	conversa.
–Entendi,	Daniel.
–Ela	vai	mostrar	a	você	algumas	coisas	muito	importantes	para	que	você
transmita	a	todos	os	que	ainda	precisam	saber	mais	sobre	o	Umbral.
Osmar,	quando	você	atinge	um	determinado	estágio	evolutivo,	você	fica
dispensado	de	determinadas	tarefas	na	vida	espiritual,	mas	a	Nina	faz	questão	de
auxiliar	os	que	mais	necessitam.
E	ela	tem	motivos	próprios	para	estar	sempre	auxiliando	àqueles	que	sofrem	no
Umbral.	Nessa	viagem,	em	especial,	ela	tem	um	motivo	muito	pessoal	para	estar
lá,	e	você	poderá	relatar.
–Nós	voltaremos	àquela	região	de	sofrimento,	Nina?
–Sim,	vamos	voltar	aonde	tudo	começou.
–Nossa,	e	quando	partiremos?
–Amanhã,	Osmar.	Estamos	organizando	a	equipe,	portanto,	amanhã	esteja
preparado	para	nos	acompanhar.
–Não	vejo	a	hora,	meus	amigos.
-Lucas,	você	não	gostaria	de	passar	alguma	recomendação	para	o	Osmar?	–	disse
Daniel.
–Sim.Prestebastanteatenção,Osmar.Duranteoperíodo	dessa	psicografia,	você
deverá	se	manter	em	constante	oração.
–Por	que	devo	fazer	isso?	Por	que	tenho	que	seguir	esse	preceito?	Ou	essa	regra?
Sei	lá…
–Você	precisará	estar	em	condições	psíquicas	perfeitas	para	entrar	conosco	no
Limbo.
–Meu	Deus!	Eu	já	ouvi	falar	desse	lugar.
–Calma,	Osmar,	nós	estaremos	com	você.	–	disse	Nina,	preocupada.
–Eu	confio	em	você,	Nina.	Aliás,	perdoem-me	senhores,	eu	confio	em	todos
vocês!
Lucas,	então,	prossegue:
–Você	terá	que	evitar	aborrecimentos,	tristezas	e,	principalmente,	deverá	estar
descansado.	Será	uma	viagem	cansativa	e	com	muitas	surpresas.	O	Limbo	é	uma
região	de	muito	sofrimento,	e	você	precisará	estar	bem.
–Certo,	Lucas,	vou	seguir	as	suas	orientações.
–Procure	descansar,	pois	amanhã	eu	mesmo	vou	te	buscar	para	darmos	início	à
caminhada.
–Certo,	estarei	pronto.
Nina	olhou	para	mim	preocupada.	Daniel	permaneceu	calado.
–Está	tudo	bem,	Osmar?	–	perguntou	Nina,	lendo	os	meus	pensamentos.
–Sim,	Nina,	estou	bem!	Mas,	posso	fazer	uma	observação?	Se	vocês	permitirem,
é	claro.
–Sim.
–Confesso	que	estou	preocupado	em	ir	para	uma	região	de	tanto	sofrimento.	Eu
já	estudei	um	pouco	sobre	o	Limbo,	e	sei	que	é	muito	ruim	estar	lá.	Sei	também
que	não	deveria	estar	preocupado,	mas	algo	dentro	de	mim	está	apreensivo,	se	é
que	vocês	me	entendem…
–O	lugar	para	o	qual	iremos	é	o	Limbo,	Osmar,	e	ele	fica	muito	longe	da	região
para	a	qual	fomos	anteriormente.	O	Umbral	é	enorme,	e	sua	dimensão	é
incalculável.	Embora	eu	tenha	dito	que	voltaremos	ao	mesmo	lugar,	na	verdade,
eu	quis	dizer	que	voltaremos	ao	Umbral.	Portanto,	não	se	preocupe,	pois	nós
estaremos	muito	bem-acompanhados,	o	Negro	e	o	Ventania	estarãoconosco.
–Obrigado	pela	explicação,	Nina.	Eu	compreendo,	e	perdoe	a	minha	indiscrição,
é	que	fico	ansioso	para	conhecer	tudo	e	poder	relatar	cada	ensinamento	trazido
por	vocês.	Há	milhares	de	leitores	ansiosos	também	para	lerem	tudo	sobre	você	e
sobre	o	Umbral.
–Então,	faça	assim,	vá	com	o	Lucas	e	volte	para	a	sua	casa.	Descanse,	pois
amanhã	a	Nina	irá	te	buscar.	–	disseDaniel.
Nesse	mesmo	instante,	levantei-me	sem	nada	mais	questionar,	e	voltei	para	a
minha	casa	acompanhado	do	Lucas,	nos	mantivemos	em	silêncio.
Aquela	noite	demorei	a	dormir	preocupado	com	essa	missão	de	voltar	ao
Umbral,	mas	eu	confio	muito	na	Nina	e	nos	demais	espíritos,	e	tenho	certeza	que
teremos	um	lindo	ensinamento	neste	livro.
Na	verdade,	ser	médium	é	um	privilégio	inexplicável.	Eu	sou	muito	grato	a	esses
amigos	espirituais	e	a	Deus	por	permitirem	a	mim	esse	dom,	esse	verdadeiro
privilégio,	como	disse	acima.	Sou	grato	também	às	orientações	recebidas	todos
os	dias,	sem	elas,	certamente	eu	já	teria	me	perdido,	pois	não	é	fácil	administrar
tudo	isso.
Voltei	à	rotina	do	meu	lar,	esperando	pelo	chamado	dos	espíritos	amigos	para
escrever	mais	este	livro.	Me	mantive	em	oração	e	cuidando	do	sono,	conforme	a
orientação	do	Lucas.
Contudo,	naquela	noite,	após	ser	avisado	que	no	dia	seguinte	começaríamos	a
escrever,	confesso	que	não	dormi	nada	bem.	Ansioso,	logo	cedo	dirigi-me	ao
meu	escritório	e	me	pus	a	esperar	pela	Nina	para	darmos	início	a	esta
psicografia.
As	horas	pareciam	dias	intermináveis…
“O	amanhã,	é	o	esforço	do	hoje”.
Osmar	Barbosa
Dia	1
Eu	estava	no	meu	escritório	organizando	algumas	contas	que	teria	que	pagar
naquele	dia,	quando	Lucas	chegou	e	logo	convidou-me	para	acompanhá-lo	em
desdobramento.
Deixei	tudo	para	terminar	depois,	e	segui	ansioso	ao	lado	dele.
–Vamos,	Osmar?
–Sim,	vamos.
–Está	tudo	pronto?	Você	estábem?
–Sim,	como	não	ficar	bem	ao	seu	lado?	Só	estou	muito	ansioso	por	mais	essa
psicografia.
–Não	fique,	venha!	Vamos	a	um	dos	portais	do	Umbral.
Naquele	momento,	me	desdobrei	e	o	segui.
O	desdobramento	que	faço	em	todas	as	psicografias	é	de	forma	consciente.	E	o
que	isso	significa?	Significa	que	vejo	tudo	em	uma	tela	fluídica	que	se	abre	à
minha	frente,	logo,	eu	entro	nela	e	vivo	realmente	tudo	o	que	escrevo	paravocês.
Na	maioria	das	vezes	é	muito	bom	fazer	isso.	Às	vezes,	passo	por	momentos
difíceis,	principalmente	quando	me	distraio	e	perco	a	concentração,	afinal,	eu
vivo	tudo	o	que	escrevo.
Vejo	paisagens	ainda	não	permitidas	para	a	maioria	dos	mortais.	Ando	pelas
Colônias,	visito	os	hospitais	espirituais,	conheço	espíritos	muito	elevados,	e
outros,	nem	tanto.	É	algo	que,	por	vezes,	fica	até	difícil	explicar.
Desde	menino,	entro	e	saio	desses	ambientes	com	certa	facilidade,	mas	sempre
acompanhado	por	algum	espírito	amigo.	Já	vi	e	vivi	muitas	coisas	boas,	mas
infelizmente,	outras,	nem	tanto.	Quando	assisto	ao	martírio	de	alguns	espíritos,
sofro	muito	ao	lado	deles.	É	tudo	muito	real.
Lembro-me	perfeitamente	de	quando	assisti,	ao	lado	do	meu	mentor,	ao	martírio
de	Catarina	de	Alexandria.	Eu	confesso	que	nunca	havia	imaginado	existir	tanta
maldade	de	um	ser	humano	para	com	o	seu	semelhante.
Catarina	era	só	uma	menina,	apenas	uma	menina	que	por	ser	bondosa,
inteligente,	caridosa,	e	muitíssimo	evoluída,	era	diferente.	Ela	só	fazia	o	bem,	e
por	ser	extremamente	boa	de	coração,	foi	condenada	pelo	imperador	a	morrer
em	uma	roda	construída	pelos	carrascos,	com	o	objetivo	de	causar	muito
sofrimento	a	quem	fosse	submetido	aela.
Felizmente,	a	roda	se	quebrou,	mas	mesmo	assim	eu	vi,	com	esses	olhos	que	a
terra	há	de	comer,	a	maior	covardia	que	já	existiu	nessa	minha	vida	mediúnica.
Porém,	mesmo	sentindo	muita	dor,	ela	deu	para	nós	a	maior	lição	de	fé,	quando
clamava	e	pedia	a	Jesus	o	perdão	pelos	seus	algozes.
Mas,	como	assim,	pedir	perdão	por	aquele	que	te	leva	à	morte	após	tanto
sofrimento?	Somente	um	espírito	muito	evoluído	para	fazer	isso.
Hoje	eu	compreendo	que	mesmo	que	achemos	que	o	nosso	planeta	não	esteja
evoluindo,	eu	enxergo	claramente	também	que	já	estamos	muito	distantes
daqueles	tempos	em	que	a	vida	não	valia	absolutamente	nada.	Hoje	em	dia
temos	as	leis	dos	homens	para	nos	proteger.	Muita	coisa	já	mudou	e	ainda	vai
mudar,	tudo	para	o	progresso	da	humanidade.
Bem,	segui	ao	lado	de	Lucas	até	que	chegamos	a	um	portal,	que	mais	parecia
uma	grande	bola	de	fogo,	mas	que	não	nos	queimava.	Paramos	um	pouco
distantes	dele.
Havia	um	espírito	nos	esperando	e,	pela	silhueta,	logo	vi	que	se	tratava	de	uma
mulher.	Ela	vestia	uma	capa	a	qual	cobria	todo	o	seu	corpo.	Na	cabeça,	um
capuz.	As	mãos	não	estavam	visíveis.
Era	um	vulto	que	estava	diante	de	nós.	O	que	vi,	naquele	momento,	era	somente
um	vulto	feminino	em	meioàquele	nevoeiro	e	àquela	escuridão,	iluminado
apenas	pelo	portal	de	fogo.
Lucas,	então,	disse:
–Venha,	Osmar,	vamos	prosseguir.
Imediatamente	eu	segui	os	passos	do	amado	mentor.	Ele	caminhava	rápido,	e	eu
já	estava	cansado	pela	caminhada	forte	e	rítmica.
Nos	aproximamos	do	espírito	que	nos	esperava,	e	fiquei	aliviado	ao	ver	que	era	a
Nina	Brestonini.
Rapidamente,	cheguei	até	ela.	Meu	peito	se	encheu	de	alegria	e	esperança.
–Oi,	Osmar.
–Nossa,	Nina,	isso	aqui	me	dá	muito	medo.
–Não	tenha	medo,	eu	estou	ao	seu	lado.	Aliás,	nós	estamos	ao	seu	lado.	–	disse
Nina,	sorrindo	para	Lucas.
–Olá,	Lucas.
–Oi,	Nina.
–Onde	estão	os	nossos	amigos?	–	perguntei.–Que	amigos?
–Os	outros	espíritos	que	seguirão	conosco	nesse	resgate.
–Eles	já	estão	vindo,	Osmar.
Naquele	momento,	Nina	parou	e	ficou	com	o	olhar	perdido	no	horizonte.	Eu
parei	ao	seu	lado,	e	esperava	por	alguma	palavra,	mas	Nina	estava	distante.
Fiquei	até	um	pouco	preocupado…	por	que	será	que	a	Nina	agiu	assim?	Por	que
ela	estava	tão	distante?	O	que	será	que	a	afligia?	Onde	estão	os	outros	que	irão
conosco	no	resgate?
Essas	e	tantas	outras	perguntas	passavam	pela	minha	mente	naquele	momento.	O
que	estava	acontecendo?	Lucas	estava	atrás	de	nós,	calado	e	com	a	cabeça
abaixada.
O	lugar	era,	na	verdade,	um	grande	vale.	Havia	uma	vegetação	rasteira	e	seca,
parecia	até	que	um	grande	incêndio	havia	acontecido	ali	e	destruído	tudo.
Tinham	árvores	retorcidas	e	queimadas,	e	muito	lixo	espalhado	em	meio	às
cinzas	deixadas	pelo	possível	incêndio.
Continuamos	ali,	parados	e	esperando	pelas	ordens	da	Nina.	O	tempo	passou,	e
após	algumas	horas	resolvi	perguntar	a	ela:
–Eles	vão	demorar,	Nina?	Está	tudo	bem?
–Não,	Osmar,	eles	não	vão	demorar.	Os	nossos	companheiros	já	estão	a
caminho,	e	logo	estarão	aqui.
–Certo.	Você	está	bem,	Nina?
–Sim,	só	estou	um	pouco	preocupada.
–Eu	posso	te	ajudar?
–Não,	Osmar,	não	há	nada	que	você	possa	fazer.	Aliás,	estar	aqui	conosco	é	a
sua	parte	nesse	resgate.	Lembre-se	que	você	ainda	está	encarnado,	e	isso	limita
as	suas	ações	e	os	seus	sentidos	aqui.
–Sério?
–Sim,	embora	o	desdobramento	permita	com	que	você	esteja	ao	nosso	lado,	ele
também	limita	as	suas	energias,	por	isso,	utilize	a	sua	para	se	manter	desdobrado
e	saudável	ao	nosso	lado.	Você	já	está	consumindo	muita	energia	para	estar	aqui,
Osmar.
–Eusei.Sabe,Nina,emalgumaspsicografiaseufico	muito	cansado,	já	em	outras,
nem	tanto,	isso	é	normal?
–Claro	que	sim!	Dependendo	da	região	para	a	qual	você	for,	em	desdobramento,
você	tanto	pode	se	cansar	mais	como	se	cansar	menos.
–Como	assim,	Nina?
–Se,	mesmo	estando	ao	nosso	lado,	a	região	em	que	você	estiver,	for	como	essa
que	iremos	visitar	agora,	você	precisará	utilizar	muitos	fluidos,	desta	forma,	o
desgaste	é	natural.	Já	em	regiões	como	a	nossa	Colônia,	por	exemplo,	você	não
precisa	despender	energia	para	estar	lá,	entende?
–Quanto	mais	denso,	mais	energia,	é	isso?
–		Exatamente.	Lembre-se	que	só	ficamos	confortáveis	aqui	no	Umbral	pelo
prazo	de	cinco	dias,	após	esse	tempo,	mesmo	nós	que	temos	bastante	energia,
começamos	a	perdê-la	em	proporção	maior,	por	isso,	o	ideal	é	que	façamos	tudo
o	que	tivermos	para	fazer	no	Umbral	em,	no	máximo,	cinco	dias.
–Lembrei-me	agora	que	no	primeiro	livro	que	escrevemos	juntos,	você	me
avisou	sobre	isso.
–Sim,	no	livro	Cinco	Dias	no	Umbral.
–É	verdade.	Você	nos	alertou	para	o	fato	de	que	mesmo	com	toda	a	luz	que
vocês	possuem,	o	ideal	é	que	fiquem	no	Umbral	por	um	período	de,	no	máximo,
cinco	dias.
–O	Umbral	é	muito	denso,	Osmar.	Ficar	aqui	é	como	se	estivéssemos	nos
“desenergizando”,	fora	que	ainda	há	questões	perispirituais	que	envolvem	todo
esse	processo,	entende?
–Sim,	entendo	perfeitamente.	Eu	posso	me	sentar,	Nina?
–Sim,	sente-se,	descanse.
–Eu	ainda	não	estou	cansado,	mas	vou	me	sentar.
–Mas,	descanse,	pois	você	precisará	de	toda	a	sua	energia	para	escrever	este
livro.
–Não	me	assuste,	Nina.
–Não	estou	te	assustando,	estou	apenas	te	alertando.
–Meu	Deus!
Perto	de	nós	havia	algumas	pedras	que	mediam,	aproximadamente,	três	metros
de	altura.	Sentei-me	na	base	de	uma	delas.
Nina	olhava	fixamente	para	o	portal,	como	se	esperasse	que	alguém	viesse	nos
buscar.	Eu	estava	muito	preocupado,	pois	nunca	tinha	visto	a	Nina	daquele	jeito.
Ela	estava	distante…
Passados	alguns	minutos,	eu	ouvi	um	estrondo	muito	parecido	com	um	trovão.
Parecia	que	havia	caído	um	raio	muito	próximo	a	nós,	mas	se	não	tinha	nenhum
sinal	de	chuva,	como	poderia	ser	um	raio?
Os	trovões	insistiam.	Um	após	o	outro.	Parecia	que	estavam	disparando	de
vários	canhões	muito	poderosos.
Nina,	então,	aproximou-se	de	mim.
–Venha,	Osmar,	vamos	nosabrigar.
Levantei	imediatamente	e	segui	a	iluminada	mentora	até	uma	pequena	gruta,	a
qual	ficava	um	pouco	distante	do	lugar	em	que	estávamos.
Lucas	nos	seguia.
–Venha,	Osmar.	–	insistiaNina.
–Estou	indo.
Apertamos	o	passo	para	chegar	logo	ao	local,	e	assim	que	chegamos,	entramos
rapidamente	ela,	eu	e	o	Lucas.
–Que	lugar	é	esse,	Nina?	–	questionei.
–O	portal.
–O	portal?
–Sim,	esse	lugar	se	chama	“O	portal”.
–Entendo,	mas,	e	esses	estrondos?	O	que	são?
–Abrigue-se!	–	disse	Nina,	me	protegendo.
Naquele	mesmo	instante,	uma	chuva	torrencial	desabou	naquele	lugar.	Era	uma
chuva	muito	forte,	e	confesso	que	fiquei	muito	assustado.
–Que	chuva	é	essa,	Nina?
–Ela	acontece	todos	os	dias,	nesse	mesmo	horário.
–Mas,	que	horas	são,	Nina?
–		No	plano	físico	são,	aproximadamente,	cinco	horas	datarde.
–Cinco	horas	da	tarde?	Como?	Se	saímos	do	meu	escritório	há	pouco	mais	de
dez	minutos?
–		O	tempo	aqui	é	diferente	do	tempo	no	plano	físico,	Osmar.	Na	vida	espiritual
não	temos	relógio,	aqui	não	se	conta	o	tempo,	ele	não	existe	para	espíritos
eternos.
–Bemqueeurepareiqueparecequeestamosemum	fim	de	tarde.
–Aqui	é	sempre	assim,	Osmar,	lamacento,	escuro	e	fétido.	E	essa	chuva	é	diária.
–Mas,	por	que	é	assim,	Nina?
–Porque	todos	os	que	vivem	aqui	se	sentem	na	escuridão,	se	sentem	assim.
–Então,	o	Umbral	reflete	o	estado	dos	espíritos	que	aqui
se	encontram?
–Exatamente.
–Meu	Deus!
–O	Umbral	é	a	soma	das	mentes	que	vivem	aqui.	Se	sua	mente	for	boa,	tudo	ao
seu	redor	será	bom,	se	sua	mente	for	escura,	tudo	a	sua	volta	será	escuro.	O
pensamento	e	a	vontade	plasmam	o	ambiente	em	que	vives,	ou	seja,	se	em	sua
casa	existe	amor,	compreensão,	cumplicidade	e	ternura,	tens	uma	casa	feliz.	Do
contrário,	tens	o	caos.
–Aqui	não	há	luz,	Nina?
–Somente	a	luz	dos	bons	espíritos	que	vêm	ao	Umbral	para	resgatar	e	auxiliar
àqueles	que	precisam	de	ajuda.
–Entendo.	Eu	reparei	que	você	e	o	Lucas	brilham	nesse	lugar,	parece	que	vocês
são	fluorescentes.
–Essa	é	a	nossa	estrutura	espiritual,	é	assim	que	somos	em	todos	os	lugares.
Mas,	não	pense	você	que	para
ficarmosassimfoifácil,porquenãofoi,Osmar.Àmedidaque	o	espírito	evolui,	ele	se
torna	menos	denso	e	mais	sutil,	e	a	sutileza	espiritual	é	refletida	em	nossa	forma
física.	Na	verdade,	o	que	você	consegue	ver	é	o	nosso	corpo	fluídico,	por	isso,	é
tão	sutil.
–Que	lindo,	Nina!
–Obrigada,	Osmar.
A	chuva	não	dava	uma	trégua.	Trovões	muito	altos	rasgavam	o	silêncio	do
Umbral.	O	forte	temporal	alagava	tudo.
Nina,	Lucas	e	eu	estávamos	isolados	em	uma	pequena	gruta	que	nos	protegia	dos
raios	e	do	estrondoso	temporal.
Passados	alguns	minutos,	dirigi-me	novamente	a	Nina.	Lucas	estava	um	pouco
distante	de	nós,	ele	entrou	conosco	na	pequena	caverna,	mas	preferiu	se	sentar
mais	ao	fundo.
–			Demora	muito	ainda	para	essa	forte	chuva	passar,	Nina?
–Não,	ela	passará	logo.
–Nina,	eu	posso	te	perguntar	uma	coisa?
–Claro	que	sim.
–O	que	é	o	Limbo?
–		Osmar,	o	Umbral	é	subdividido,	como	já	te	informamos.	A	região	umbralina	é
o	local	no	astral	considerado	como	Astral	Inferior.	Está	justamente	na	dimensão
“Astralina”	(ou	espiritual)	do	plano	terreno,	logo,	cada	orbe	habitado	possui	o
seu	próprio	Umbral,	e	isso	vale,	é	claro,	para	todos	os	planetas	habitados.
–Entendi,	Nina.
–Osmar,	o	Umbral	é	um	local	de	transição,	e	é	subdividido	em	diversas	áreas,
conforme	a	simpatia	e	a	afinidade	dos	espíritos	que	vivem	aqui.	Ele	possui
divisões	e	escalas	de	ascensão	até	chegar	ao	Astral	Superior.	Muitos	espíritos
que	ainda	estão	presos	à	matéria,	acabam	ficando	nos	círculos	próximos	à	crosta
terrestre,	o	que	chamamos	de	plano	zero.
–Entendi.
–Um	outro	lugar	que	existe	aqui	é	o	que	chamamos	de	Crosta.
–Crosta?
–Exato.	Não	é	propriamente	um	local	para	a	habitação	dos	espíritos,	mas	sim,	o
próprio	plano	terreno.	É	onde	se	encontram	espíritos	vagantes,	errantes,	e
aqueles	que	nem	ao	menos	se	reconhecem	como	espíritos,	os	quais	podemos
chamar	de	espíritos	sem	rumo.	Alguns	sequer	têm	a	consciência	de	que	ainda
estão	presos	aqui,	devido	às	vidas	anteriores	ou	até	mesmo	por	ainda	nãosaberem	que	estãomortos.
São	aqueles	que	vocês	chamam	de	“almas	penadas”.
–Caramba!	–	disse	assustado.
–		A	Crosta	não	é	um	local	de	habitação	contínua,	na	verdade,	há	uma	interseção
entre	o	Umbral	e	a	Crosta.	Quando	viemos	para	cá,	nós	passamos	por	ela,	mas
você	sequer	percebeu.
–Por	que	eu	não	percebi,Nina?
–Porque	você	tem	plena	consciência	do	que	é.
–Como	assim?
–Você	tem	plena	consciência	de	que	é	o	Osmar,	e	que	está	desdobrado	aqui
conosco.
–Entendi.
–Outro	local	é	o	que	chamamos	de	Limbo,	e	é	para	lá	que	estamos	nos	dirigindo.
–Limbo?
–Sim,	o	Limbo	é	um	lugar	bem	complexo,	Osmar.	É	um	lugar	mais	denso.	É
onde	ficam	os	espíritos	que	perderam	a	capacidade	de	pensar,	ou	que	se
cristalizaram	de	tal	forma	em	suas	evoluções,	que	perderam	qualquer	capacidade
cognitiva.
Lembre-se,	Osmar,	que	aquele	espírito	que	é	desprendido	da	matéria,	ele
consegue	lembrar	dos	seus	passados,	das	suas	encarnações,	das	suas
experiências,	e	tem	total	acesso	aos	conhecimentos	acumulados,	conjuntamente
com	a	sua	história.
–Meu	Deus!
–Os	espíritos	que	habitam	o	Limbo	perderam	essa	capacidade.
–Meu	Deus!
–É	lá	também,	Osmar,	que	se	pode	encontrar	os	ovoides.
–Ovoides?	O	que	são	ovoides,	Nina?
–Espíritos	que	perderam	quase	que	completamente	os	seus	perispíritos.	São
como	mônada,	ainda	albergando	a	essência	espiritual,	mas	enclausurado	em	um
meio	que	não	lhe	permite	externar	nada.
–Castigo	de	Deus,	Nina?
–Não,	Osmar,	Deus	não	castiga	os	seus	filhos.
–Então,	por	que	eles	ficam	assim?
–Porque	contrariaram	todas	as	Leis	naturais,	todas	as	Leis	divinas,	e	agora
colhem	na	vida	espiritual,	a	semeadura	terrena,	como	sabes.
–Sim,	colhemos	na	vida	espiritual,	o	fruto	da	semeadura	terrena.
–Isso,	Osmar.	Esses	espíritos	perderam	totalmente	as	suas	memórias,	tendo	que
passar	por	experiências	de	reencarnação	para	recuperar	tudo	desde	o	início.	Na
verdade,	eles	não	perdem	as	experiências,	mas	ficam	impossibilitados	de	acessá-
las.	É	como	se	perdessem	a	memória,	entende?
–Sim,	entendo.
–Com	o	tempo,	e	através	de	sucessivas	reencarnações,	eles	conseguem	recuperar
seus	corpos	espirituais	ou	seus	perispíritos,	como	preferir,	e	darem	continuidade
à	evolução	de	cada	um.	É	através	das	provas	que	tudo	se	aperfeiçoa,	Osmar.
–E	é	para	esse	lugar	que	iremos?
–Sim,	a	nossa	missão	é	no	Limbo.
–Não	vejo	a	hora	de	estar	lá,	e	de	poder	aprender	com	você	como	podemos
ajudar	aos	que	mais	precisam.
–Tenha	calma,	pois	tudo	será	revelado	a	você	para	que	possas	também	revelar
aos	seus	leitores…	um	pouco	mais	sobre	a	vida	no	Umbral.
–Obrigado,	Nina.
–Osmar,	existe	um	outro	lugar	o	qual	eu	também	gostaria	de	explicar	para	vocês.
–Sou	seu	lápis	diante	de	uma	folha	em	branco,	a	todo	e	qualquer	momento,
Nina.
–Um	outro	lugar	que	é	muito	comentado	na	Doutrina	Espírita,	mas	que	é	pouco
revelado…	esse	lugar	é	conhecido	como	Inferno.
–Então,	existe	mesmo	o	Inferno?
–Sim.	O	Inferno	fica	localizado	na	zona	maisprofunda	do	Astral	Inferior,	e	é
onde	estão	os	espíritos	maisnefastos	e	trevosos.	Local	esse	onde	habitam	os
Magos	Negros,	os	Feiticeiros,	os	Doutores	do	Mal,	e	tantos	outros	espíritos
malfazejos.
Porém,	ao	contrário	do	que	todos	creem,	os	espíritos	que	habitam	o	Inferno	estão
completamente	desinteressados	do	ser	humano	na	forma	individual.
–Como	assim,	Nina?
–São	eles	que	estão	organizados	para	destruírem	tudo	o	que	é	criado	para	o	bem
comum.	São	esses	os	espíritos	que	aliciam	os	diversos	espíritos	do	Umbral,	para
colocarem	em	prática	tudo	o	que	eles	criam	para	o	mal	da	humanidade.
São	verdadeiros	cientistas	do	mal.	Legiões	negativas	que	têm	como	objetivo
desarmonizar	o	ambiente	terreno.	Eles	agem,	principalmente,	sobre	as	entidades
que	vivem	nosUmbrais.
–E	eles	conseguem,	Nina?
–Essa	é	a	grande	batalha.
–Que	batalha?
–A	batalha	do	Bem	contra	o	Mal.	Ela	sempre	existiu,	e	sempre	existirá.
–Por	que	isso,	Nina?
–Sois	livres,	lembra?
–Sim,	o	livre-arbítrio.
–Isso	mesmo,	Osmar.
–Não	sei	até	que	ponto	isso	é	positivo	para	nós…
–O	quê?
–O	livre-arbítrio.
–Encare	o	livre-arbítrio	como	a	capacidade	de	decidir.
–Sim.	Eu,	particularmente,	acredito	que	ele	tenha	sido	criado	para	isso.
–Liberdade,	Osmar,	liberdade…
–Deus	nos	quer	livres,	não	é,	Nina?
–Sim,	és	livre	para	evoluir	quando	quiseres.
–Ainda	bem	que	eu	conheço	vocês,	e	recebo	esses	ensinamentos	todos	os	dias.
Eles	me	direcionam	e	me	permitem	escolher	sempre	o	melhor.
–Viu	como	o	livre-arbítrio	é	bom?
–		O	que	eu	não	entendo,	Nina,	é	como	que	os	espíritos	mesmo	sabendo	de	tudo
isso,	ainda	insistem	em	fazer	omal?
–		Normalmente,	os	espíritos	que	se	destinam	ao	mal,	Osmar,	o	fazem	por	terem
consciência	de	que	são	eternos.
–Será	sempre	assim,	Nina?
–Assim,	o	quê?
–Será	sempre	o	bem	contra	o	mal?
–Osmar,	aprenda	com	a	Leinatural.
–Como?
–Tudo	nasce,	cresce	e	morre,	para	depois,	nascer	novamente.	Assim,	não	há	mal
que	dure	para	sempre.	Tudo	se	renova	e	cumpre	um	ciclo.	Infelizmente,	esses
irmãos	insistem	em	viver	assim.
–Verdade,	Nina,obrigado!
–A	chuva	parou,	venha!	Vamos	ao	portal.	–	Venha,	Lucas.	–	disse	Nina.
Caminhamos	em	direção	à	enorme	bola	de	fogo	que	estava	aberta.	O	que	víamos
agora	era	um	enorme	círculo	de	fogo,	um	lindo	portal	aberto,	esperando	para	nos
receber.
Ao	nos	aproximarmos	eu	pude	ver	que	havia	alguns	espíritos	nos	esperando.
Feliz	e	surpreso,	me	aproximei	do	grupo.
A	minha	ansiedade	era	tanta	que	me	distanciei	da	Nina	e	cheguei	rapidamente	ao
encontro	dos	amigos	espirituais.	Estavam	ali,	nos	esperando,	o	Rodrigo,	o
Felipe,	a	Soraya,	o	Caboclo	Ventania	e,	ao	seu	lado,	oNegro.
Eles	estavam	de	pé	e,	logo	que	cheguei,	todos	me	cumprimentaram	felizes.
–Olá,	Osmar!	–	disse	Rodrigo,	me	abraçando.
–Olá,	Osmar!	–	disse	Soraya,	sorrindo.
A	alegria	tomou	conta	de	mim,	e	fiquei	sem	palavras	para	expressar	a	minha
surpresa	e	tamanha	felicidade	naquele	momento.	Abracei	a	todos	com	carinho	e
alegria.
Nina	aproximou-se	de	Felipe	e	o	abraçou	carinhosamente.	Soraya	aproximou-se
de	Nina	e	a	abraçou	fortemente.	Lucas	cumprimentou	a	todos	com	um	aperto	de
mãos.	Pois	bem,	estávamos	ali,	todos	prontos	para	mais	uma	missão	no	temido
Umbral.
O	meu	coração	acelerou	quando	Rodrigo	ordenou	para	que	formássemos	um
grupo	para	que	ele	pudesse	nos	passar	as	instruções	daquela	missão.	Fizemos	um
círculo	em	volta	do	iluminado	Cigano.
Rodrigo,	então,	começou	a	falar:
–		“Meus	amigos,	temos	mais	uma	nobre	missão	pela	frente.	Iremos	a	uma	das
regiões	mais	perigosas	do	Umbral.	Todos	sabem,	eu	não	preciso	alertar,	que
precisamos	manter	nossos	pensamentos	alinhados	com	o	amor	e	a	caridade,	para
que	nada	de	mal	possa	nos	atingir.
Passo,	às	mãos	de	todos,	colares	que	impedem	com	que	alguns	espíritos	nos
vejam,	e	com	isso,	nos	manterão	protegidos	desses	infelizes	irmãos.	Mas,	como
todos	também	sabem,	existem	alguns	que	não	conseguem	nos	ver,	porém,
percebem	a	nossa	presença,	assim,	todo	cuidado	é	pouco.
Os	cavalos	estão	preparados.	Na	carroça	irão	a	Nina	e	a	Soraya,	o	cocheiro	será
o	Felipe.	O	Índio	e	o	Negro	serão	nossos	batedores	e	irão	à	frente	para	nos
alertar	caso	haja	algum	perigo	iminente.	Embora	sejamos	espíritos,	a	região	na
qual	adentraremos	é	uma	região	de	espíritos	como	nós,	mas	que,	infelizmente,
escolheram	outro	caminho.
Nosso	objetivo	é	o	resgate	de	uma	irmã	que	está	recebendo	de	Amor	e	Caridade,
uma	oportunidade	evolutiva.	Estamos	autorizados	a	resgatar	essa	irmã	e	levá-la
para	o	nosso	hospital,	onde	receberá	os	fluidos	necessários	ao	seu	reequilíbrio.
Coloquem	os	seus	colares,	e	vamos	seguir	em	frente.	Que	a	nossa	mentora
espiritual	esteja	ao	nosso	lado,	iluminando	a	nossa	caminhada,	e	que	não	nos
falte	coragem	para	esse	nobre	desafio.
Façamos	agora	uma	oração,	meus	amados	companheiros…”
Todos	demos	as	mãos	quando,	naquele	momento,	o	Cigano	Rodrigo	proferiu
uma	linda	prece.	O	círculo	formado	emanava	uma	linda	e	luminosa	luz	na	cor
violeta,	a	qual	clareava	e	iluminava	todo	o	lugar.	Eu	estava	muito	emocionado	e
feliz,	porque	as	minhas	mãos	faziam	parte	daquela	corrente	de	amor.	E,	então,
oramos	a	Catarina	de	Alexandriapela	nossa	missão.
Assim,	disse	o	Cigano:
“Amada	mentora	espiritual.
Nesse	momento	invocamos	sua	luz	para	clarear	nossa	caminhada	nesse
ambiente	inóspito.
Que	tudo	corra	dentro	dos	planos	de	Deus
para	esse	resgate.
Que	não	nos	falte	coragem	e	fé	para	seguirmos	nosso	caminho,	e	que
consigamos	cumprir	a	nossa	missão
resgatando	mais	esse	espírito	que	recebe	através	de	vossa	bondade	uma
oportunidade	redentora.
Pedimos	sua	proteção,	ajuda	e	amor.	Que	Jesus	esteja	conosco,	neste	dia.
Que	assim	seja…	Todos	dissemos…	Que	assim	seja!”
Após	a	prece,	montamos	em	nossos	cavalos	e	nos	aproximamos	do	círculo	de
fogo.	Começamos	a	cavalgada	em	uma	pequena	trilha	que	nos	levava	em	direção
ao	enorme	círculo.
Embora	o	anel	de	fogo	que	moldava	aquele	portal	resplandecesse	em	chamas
altas	e	fortes,	o	fogo	não	aquecia	a	quem	dele	se	aproximava.	Era	como	se	fosse
uma	chama	de	fogo	muito	forte,	mas	extremamente	fria.
À	nossa	frente,	iam	o	Negro	e	o	Ventania.	Atrás	deles,	o	Rodrigo,	o	Lucas	e	eu.
A	mim	foi	dado	um	lindo	cavalo	na	cor	marrom.	Rodrigo	montava	em	seu	lindo
cavalo	Hió.	Um	outro	cavalo	branco	vinha	preso	à	carroça	em	que	estavam	Nina,
Soraya	e	Felipe.
A	chuva	deixava	tudo	enlameado	e	a	carroça	tinha	dificuldade	em	passar	pela
estreita	trilha.
–Vamos!	–	dizia	Rodrigo	em	voz	alta.
Densa	névoa	cobria	tudo	a	nossa	frente,	enquanto	atravessávamos	o	círculo	de
fogo,	única	luz	daquele	lugar.	Ao	nos	distanciarmos	do	local	de	partida,
ficávamos	cada	vez	mais	no	escuro	do	terrível	Umbral.
Todos	nós	vestíamos	uma	capa	a	qual	cobria	todo	o	nosso	corpo,	e	havia	sido
fornecida	pelo	Negro.	Um	largo	capuz	cobria	as	nossas	cabeças.	Seguíamos	em
silêncio	por	dentro	do	denso	nevoeiro	que	agora	se	instalava.
A	escuridão	era	total,	e	já	não	enxergávamos	nada	a	nossa	frente,	muito	menos
ao	nosso	redor.	Os	cavalos	seguiam	pela	trilha	instintivamente.	Parecia	que	os
animais	conheciam	muito	bem	o	lugar.	Confiávamos	apenas	neles	que
acostumados	àquele	ambiente,	seguiam	a	trilha	em	uma	fila	silenciosa.
A	carroça	vinha	atrás	de	nós.	Nina	e	Soraya	estavam	debaixo	da	cobertura
daquela	antiga	carruagem.	Calados,	continuamos	por	cerca	de	oito	horas	naquele
terrível	e	lúgubre	caminho	do	Umbral.
Foi	quando	o	Ventania	assoviou	bem	alto,	como	se	nos	alertasse	para	algo	a
nossa	frente.	Repentinamente,	todos	os	cavalos	obedeceram	ao	comando	do
Caboclo,	e	pararam.
Naquele	momento,	além	do	medo,	comecei	a	sentir	frio,	muito	frio…
O	Negro	veio	até	a	gente	e	nos	entregou	uma	pequena	lança	afiada	e	negra.
Parecia	uma	flecha,	mas	bem	grossa	e	feita	de	madeira,	uma	madeira	preta	e
muito	estranha.
–Segure	isso,	Osmar.	–	disse	ele,	me	entregando	a	lança	e	dirigindo-se	à	carroça
que	estava	atrás	de	mim.
Todos	nós	recebemos	uma	lança	daquelas.	Após	isso,	o	Negro	retornou	para	a
frente	da	caravana,	e	posicionou-se	ao	lado	de	Ventania.
A	nossa	cavalgada	era	lenta,	pois	a	escuridão	do	local	e	o	terreno	enlameado
atrasavam	demais	a	viagem.	Todos	nós	permanecíamos	calados	e	esperando
pelas	ordens	a	seguir.
Naquele	momento,	eu	vi	quando	Nina	aproximou-se	de	Felipe	e	questionou	a	ele
sobre	o	que	estava	acontecendo…	Felipe,	então,	respondeu	que	não	sabia,	que
muito	provavelmente	era	algum	perigo	surgindo	a	nossa	frente.
Naquele	mesmo	instante,	ele	pediu	para	que	Nina	voltasse	para	dentro	da
cobertura	da	carruagem,	e	ficasse	ao	lado	de	Soraya.
O	meu	medo	só	aumentou	ainda	mais	naquela	hora.
Foi	quando	eu	vi	que	dois	homens	aproximavam-se	de	nós,	e	vinham	em	nossa
direção	pela	mesma	trilha	em	que	estávamos.	Cada	um	deles	trazia	nas	mãos,
uma	tocha	acesa,	para	que	pudessem	cavalgar	pela	escuridão.
Ficamos	ali	parados,	esperando	com	que	eles	se	aproximassem.	Estávamos	em
silêncio,	e	o	medo	tomou	conta	de	mim	novamente.	Eu	me	sentia	seguro	ao	lado
dos	meus	mentores	espirituais,	mas	algo	dentro	de	mim	dizia	para	tomar
cuidado.
Os	dois	homens	vestiam	capas	como	as	nossas,	que	lhes	cobriam	todo	o	corpo,	e
também	um	chapéu	preto	cada	um,	que	lhes	protegiam	da	névoa.
Naquele	instante,	lembrei-me	do	colar	que	estava	em	meu	pescoço,	o	qual
garantia	que	alguns	espíritos	não	poderiam	nos	ver	no	Umbral.	Aquilo	me	deu
uma	certa	paz	e	confiança.
Será	que	eles	conseguirão	nos	ver?	Estamos	mesmo	seguros?
Quem	são	esses	espíritos?
Essas	eram	as	perguntas	sem	repostas	que	atordoavam	o	meu	ser.
Os	homens	eram	altos,	negros	e	muito	fortes,	eu	consegui	ver	mesmo	à	distância,
que	naquele	momento	era	de,	aproximadamente,	20	metros.	Seus	cavalos	eram
negros	e	tinham	crinas	que	desciam	até	o	chão,	os	animais	eram	lindos.
Seriam	eles	espíritos	obsessores?	Amigos?
–Meu	Deus,	nos	ajude!	–	eu	orava	pedindo	ajuda.
Todos	nós	paramos	à	espera	do	encontro.	Ventania	e	Negro	desceram	de	seus
cavalos	e	empunharam	as	lanças	negras.
Foi	quando	os	viajantes	pararam	a	nossa	frente,	e	um	deles,	do	alto	de	seu
cavalo,	disse:
–Bons	dias,	viajores!
–Bom	dia.	–	disse	Ventania.
–O	que	fazem	por	essas	bandas?
–Estamos	em	viagem	ao	Limbo.
Os	dois	homens	se	entreolharam,	como	se	quisessem	dizer	algo	para	nós.
O	silêncio	tomou	conta	de	todos.
Nesse	instante,	o	outro	homem	desceu	lentamente	de	seu	cavalo	e	pegou	algo	em
uma	bolsa	presa	no	dorso	do	animal.	Dentro	dessa	bolsa	havia	alguns	objetos.
Felipe	empunhou	sua	lança	e	olhou	para	mim	como	se	dissesse:	“pegue	sua
lança	e	se	prepare”.
Confesso	que	naquele	momento	senti	um	tremor	por	dentro.
O	homem,	então,	se	aproximou	de	Ventania	e	lhe	entregou	uma	sacola,
perguntando	a	ele:
–Vocês	são	de	Amor	eCaridade?
–Sim,	somos.	–	disse	o	Índio.
–Pois	bem…	nós	viemos	ao	encontro	de	vocês	para	avisá-los	que	esse	caminho
pelo	qual	vocês	escolheram	para	ir	ao	Limbo,	está	bloqueado	por	poderosos
Magos.
–Está	acontecendo	uma	batalha	lá	neste	exato	momento,	e	aconselhamos	que
vocês	sigam	por	outro	caminho.	–	disse	o	outro	homem.
–Quem	mandou	vocês	até	aqui	para	nos	alertar?
–Foi	um	pedido	de	Porfírio.	Ele	nos	pediu	para	que	entregássemos	esta	sacola	a
vocês.
–Porfírio?
–Sim,	somos	do	seu	Exército,	e	já	estamos	há	alguns	dias	na	estrada	para
encontrá-los.
–E	o	que	tem	aqui	dentro?
–Nesta	sacola	há	um	velho	pergaminho	com	um	mapa	para	guiá-los	nessa
jornada,	há	também	uma	chave	que,	segundo	ele,	vocês	precisarão	dela	mais
tarde,	e	ainda,	um	pequeno	vasilhame	lacrado	com	um	pó	dentro,	o	qual
confesso	não	saber	para	o	que	serve,	mas	que,	segundo	o	Porfírio,	vocês	saberão
na	hora	certa,	pois	esses	objetos	lhes	foram	entregues	durante	esse	resgate.
Ah,	sim…	meu	nome	é	Tobias,	e	este	ao	meu	lado	é	o	Leônidas.
–		Muito	prazer!	–	disse	Ventania,	estendendo	sua	mão	direita	para	cumprimentá-
los.	–	Eu	acho	que	os	conheço…	–	disse	o	Índio.
–Provavelmente	já	nos	vimos	aqui	pelo	Umbral.	Leônidas	então,	nos
cumprimentou	e	saudou,	um	a	um.	Naquele	momento,	meu	coração	se	encheu	de
paz.	Graças	a	Deus	aqueles	espíritos	eram	amigos.
Rodrigo	aproximou-se	de	nós	sugerindo	que	descansássemos.
–Amigos,	vamos	aproveitar	essa	parada	para	descansar	e	cuidar	dos	animais,
afinal,	já	estamos	viajando	há	muitas	horas.
Todos	concordaram	e	se	organizaram	para	um	momento	de	descanso.	Negro
reuniu	todos	os	cavalos	e	os	levou	para	trás	da	carruagem	para	que	eles
pudessem	descansar.
Nina	e	Soraya	desceram	da	carruagem	e	aproximaram-se	do	grupo.	Estávamos
em	círculo,	nos	cumprimentando,	quando	a	iluminada	surpreendeu	a	todos	ao	se
aproximar	de	Tobias.
–Tobias?
–Nina?
–Meu	Deus!	O	que	você	faz	aqui,	meu	amigo?
–Olha	se	não	é	a	Nina	Brestonini?	–	disse	Tobias,	feliz.
–Sim,	sou	eu,	meu	amigo.
–Meu	Deus,	menina!	Como	você	está	bonita	e	iluminada!
–São	os	seus	olhos,	meu	caro	amigo.
–Há	quanto	tempo	não	a	vejo,	Nina.	O	Porfírio	pediu	para	que	eu	encontrasse
um	grupo	de	amigos	seus	que	estariam	entrando	no	Umbral	para	uma	nobre
missão,	mas	não	me	disse	que	eram	vocês.
–Acredito	que	faça	muito	tempo	mesmo.	–	disse	Nina,	abraçando	Tobias.
–Meu	Deus!	O	Porfírio	não	me	falou	que	você	fazia	parte	desse	grupo,	ele
apenas	pediu	para	interceptá-los	e	avisá-los	sobre	o	perigo	que	corriam.	Estou
muito	surpreso	efeliz.
–Porfírio	e	a	sua	preocupaçãoconosco.	–	disse	Nina.
–Venha	cá,	menina!	Deixa	eu	te	abraçar	novamente.
Nina,	então,	aproximou-se	de	Tobias	e	o	abraçou	com	ternura.
–Quanto	tempo,	menina…
–Que	saudade	de	você!	E	como	está	a	Eulália?	–	quis	saber	Nina.
–Ela	está	muito	bem.
–Onde	vocês	estão	vivendo?
–Aqui	no	Umbral.
–E	o	que	vocês	fazem	aqui?
–		Resgates.	Catarina	pediu	para	que	fizéssemos	esse	trabalho.
–Meu	Deus!	Quanto	tempo,	meu	amigo…	–	disse	Nina,	abraçando	Tobias	sem
parar.
Nina	estava	visivelmente	emocionada	com	aquele	encontro	inesperado.
Rodrigo	aproximou-se	de	nós	e	sugeriu	que	descansássemos.
–		Meus	amigos,	vamos	aproveitar	esse	momento	para	descansar	e	conversar	um
pouco.
–Nossa,	isso	é	tudo	o	que	eu	preciso.	–	disse	Soraya.
–Essa	aqui	é	a	Soraya,	Tobias.	–	disse	Nina,	apresentando-a.
–E	esse	é	o	meu	fiel	amigo	Leônidas,	senhores.
–Venham,	vamos	nos	sentar.	–	disse	Felipe,	convidando	a	todos	para	sentarem
em	algumas	pedras	ao	redor.
O	Negro	aproximou-se	carregando	alguns	gravetos,	e	logo	providenciou	uma
pequena	fogueira.
Fogo	aceso,	todos	sentados,	descansando	e	conversando.	Nina	estava
notoriamente	feliz.
Sentamo-nos,	Ventania,	Rodrigo,	Felipe,	Nina,	Soraya,	Lucas,	eu	e	os	viajantes.
Fizemos	um	círculo	em	volta	da	pequena	fogueira	que	nos	iluminava	e	nos
aquecia.
Eu	estava	muito	ansioso	para	relatar	e	curioso	para	descobrir	quem	eram	aqueles
espíritos,	e	o	porquê	daquele	encontro.
–E	você,	Nina,	onde	está	trabalhando?
–Em	Amor	e	Caridade.
–Todos	vocês	trabalham	em	Amor	e	Caridade?	–	perguntou	Leônidas.
–Sim,	todos	nós.	–	respondeu	o	Lucas.
–Mas,meconte,comovocêestá,Tobias?EaEulália?	Fale	um	pouco	mais	sobre	ela.
–Após	o	martírio	de	Catarina	em	Alexandria,	e	após	ela	chegar	à	vida	espiritual,
nós	fomos	assassinados,	como	vocês	já	sabem.
–Sim,	eu	acompanhei	tudo	isso	bem	de	perto,	e	lamento	muito	o	que	fizeram
com	você	e	com	a	Eulália,	Tobias.	–	disse	Nina.
–Estava	em	nosso	plano	encarnatório,	Nina.
–Eu	não	sabia.
–		Nem	nós.	Só	tivemos	consciência	de	tudo	ao	desencarnarmos.	Quando
chegamos	à	vida	espiritual,	fomos	recebidos	por	Catarina,	que	nos	acolheu	e	quis
nos	manter	ao	seu	lado.
–Tiveram	esse	privilégio?
–Sim,	fomos	recebidos	por	ela.
–Parabéns!
–Obrigado,	Nina.	Como	é	do	seu	conhecimento,	éramos	espíritos	perdidos,	mas
devido	às	transformações	que	realizamos	naquela	encarnação,	foi	possível	com
que	fôssemos	recebidos	por	ela,	e	também	convivido	ao	seu	lado	por	um	tempo.
Na	verdade,	foi	o	amor	de	Catarina	que	nos	acolheu	após	o	trágico	desencarne.
–Vocês	fizeram	muito	por	ela.	–	disse	Rodrigo.
–		Eu	sei,	meu	amigo	Rodrigo,	e	sou	grato	a	ajuda	que	você	nos	deu	naquela
época.
–Não	fiz	mais	que	a	minha	obrigação.	–	disse	Rodrigo.
–Você	fez	mais	que	a	sua	obrigação,	sim.	Você	nos	escondeu	quando	os	soldados
nos	caçavam	em	seu	acampamento,	mas	nós	não	demos	ouvidos	às	suas
recomendações	e	não	tivemos	a	confiança	necessária	para	nos	mantermos	vivos.
Porém,	como	já	disse,	estava	tudo	em	nosso	plano	encarnatório.
–Fiz	e	faria	tudo	novamente,	Tobias.
–Eu	agradeço	de	coração,	Rodrigo.
–Conte	mais	sobre	o	que	vocês	fazem	aqui,	Tobias.
–O	meu	amigo	Leônidas,	a	Eulália,	eu,	e	além,	claro,	de	alguns	outros	amigos,
trabalhamos	em	resgates	que	são	autorizados	na	Crosta.
–Quantos	espíritos	trabalham	com	vocês?
–Aproximadamente,	cento	e	vinte.
–É	grande	a	sua	responsabilidade.	–	disse	Felipe.
–Sim,	meu	amigo,	estamos	muito	atarefados	nesse	momento.
–O	que	propriamente	vocês	fazem?	–	perguntou	Soraya.
–A	Crosta,	como	todos	sabem,	é	o	local	onde	encontramos	os	espíritos	vagantes,
errantes,	e	aqueles	que	sequer
sereconheceramaindacomoespíritos,podemoschamá-los	de	espíritos	sem	rumo.
Alguns,	nem	ao	menos	têm	a	consciência	de	que	ainda	estão	presos	aqui	devido
às	vidas	anteriores,	ou	simplesmente	porque	ainda	não	sabem	que	morreram.	O
nosso	trabalho	consiste	em	resgatá-los,	quando	temos	a	permissão	para	isso,	e	de
levá-los	ao	nosso	Posto	de	socorro,	onde	o	Gilberto,	após	alguns	tratamentos,	os
encaminha	para	as	Colônias.
–Que	saudade	do	Gilberto!	–	disse	Nina.
–Ele	está	bem,	Nina,	apenas	muito	atarefado,	como	todos	vocês	já	sabem.
–Então,	quer	dizer	que	vocês	estão	trabalhando	no	resgate	de	espíritos	em
sofrimento	na	Crosta?
–Sim,	Ventania.
–É	uma	excelente	oportunidade	evolutiva.
–Sem	dúvida.	Agradecemos	à	Catarina	todos	os	dias	por	permitir	que	auxiliemos
nossos	irmãos	em	sofrimento.
–Aproveitem	a	oportunidade	e	evoluam.	–	disse	Ventania.
–Estamos	fazendo	o	melhor.
–Os	irmãos	desejam	tomar	um	chá?	–	pergunta	Lucas.
Todos	afirmaram	que	sim.	Lucas,	então,	foi	até	a	carroça	para	pegar	um
vasilhame,	no	qual	providenciou	um	delicioso	chá.
–Estou	muito	feliz	em	rever	você,	Tobias!	–	disseNina.
–Eu	também,	Nina,	estou	feliz	em	revê-los.
–Vejam!	O	Negro	está	trazendo	algo…	–	disse	Felipe.
Negro	aproximava-se	do	grupo,	carregando	em	suas	mãos,	um	ramo	de	mato
com	algumas	folhas	verdes.
Eu	estranhei…	como	é	que	ele	conseguiu	algo	vivo,	naquele	lugar	morto?	O	que
seria	aquele	ramo?
Todos	ficaram	à	espera	do	Negro,	que	se	aproximava
lentamente	do	grupo.
–O	que	trouxeste,	meu	amigo?	–	questionou	Ventania.
–Trouxe	ervas	vivas	para	vocês,	meus	amigos.	Quero	lhes	presentear	com	essa
erva	que	serve	para	várias	coisas	aqui	no	Umbral.	–	disse	Negro,	entregando	os
ramos	de	ervas	verdes	ao	Tobias.
Ele	pegou	as	ervas	e	agradeceu.
–Obrigado,	meu	amigo,	eu	conheço	essa	erva.
–Que	erva	é	essa?	–	quis	saber	Soraya,	curiosa.
–Alecrim.	–	disse	o	Negro.
–E	serve	para	o	quê?
–Éparaaproteção,Soraya,alémdeserumexcelente	chá.	–	afirmou	Negro.
–E	de	onde	você	tirou	isso,	já	que	tudo	aqui	está	morto?
–Estava	em	meus	pertences	junto	ao	meu	cavalo,	eu	trouxe	para	a	nossa	viagem.
Tobias	tomou	a	erva	em	suas	mãos,	e	agradeceu	a	gentileza	de	Negro.
–Obrigado,	meu	amigo,	há	tempos	não	vejo	erva	fresca	assim.
–Guarde-a,	Tobias.	–	disse	Nina,	carinhosamente.
Os	viajores	ficaram	ali	conversando	sobre	o	passado	deles	por	mais	algumas
horas.	As	vidas	vividas	nas	encarnações	são	memórias	vivas	para	esses	amigos
espirituais.	E	prestem	muita	atenção	nisso…	há	muitas	histórias	a	serem
lembradas	nesses	reencontros.
Ficamos	ali	por	muitas	horas	até	que,	após	todos	descansarem,	Tobias	e
Leônidas	se	despediram	de	nós,	e	seguiram	em	uma	viagem	de	volta	para	a
região	na	qual	eles	trabalham.
Ventania	abriu	o	pergaminho	e	chamou	Rodrigo	e	Lucas	para	uma	conversa.
Felipe	preparou	a	carroça	para	darmos	prosseguimento	a	nossa	viagem.
O	Negro,	após	buscar	todos	os	animais,	se	preparou	para	darmos	início	a	uma
nova	jornada.
–Veja,	Rodrigo,	não	poderemos	ir	por	aqui.	–	disse	Ventania,	apontando	para
uma	estrada	no	pergaminho,	em	um	pequeno	mapa	desenhado.
–E	por	onde	iremos?
–Vamos	ao	Sul.	Será	mais	longo,	porém,	mais	seguro.	–	disse	o	Índio.
–O	que	você	acha,	Lucas?
–Vamos	seguir	as	orientações	do	Ventania,	pois	ele	está	acostumado	com	essa
região.	E	o	Tobias	disse	que	nãopodemos	ir	por	aqui.	–	disse	Lucas,	apontando
para	a	estrada	a	nossa	frente.
–Então,	vamos	pelo	Sul,	amigos.	–	disse	Rodrigo.
Imediatamente,	Ventania	guardou	o	pergaminho	dentro	da	sacola	e,	após
montarmos	em	nossos	animais,	seguimos	por	uma	trilha	até	chegarmos	a	uma
estrada	muito	larga	ao	sul	do	lugar	em	que	estávamos.
As	horas	passavam	lentamente	enquanto	cavalgávamos	na	escuridão	sombria
daquele	lugar.	E	assim,	seguíamos	juntos	nas	estradas	ermas	do	Umbral.
“Suas	escolhas	definem	sua	próxima	vida.”
Caboclo	Ventania
Dia	2
O	Umbral	é	terrível.
Estávamos	na	estrada	há	mais	de	doze	horas	já,	cavalgando	lentamente	dentro	de
um	imenso	nevoeiro,	e	nem	um	feixe	de	luz	conseguia	romper	a	escuridão	fria	e
densa	daquele	lugar.
Os	nossos	cavalos	relinchavam	expelindo	de	suas	narinas	uma	fumaça	branca
que	saía	de	seus	pulmões	cansados.	Tudo	era	frio	e	congelante	naquela	região.
A	pouca	vegetação	que	ainda	restava,	era	totalmente	coberta	de	gelo.	Todos
estavam	em	silêncio	e	cavalgando	pelo	frio	do	Umbral.
Eu	estava	muito	impressionado	com	tudo	o	que	via	ali.	Como	assim,	gelo?	Frio?
Escuridão	total?	Que	lugarmaldito	é	esse?
Foi	quando	começamos	a	ouvir	uns	gemidos	que	vinham	de	algum	lugar	a	nossa
esquerda.	Eu	pude	ver	que	havia	uma	pequena	vila	abandonada.	As	casas
estavam	em	pedaços,	e	o	gelo	cobria	tudo.
Os	gemidos	se	intensificavam	na	medida	em	que	nos	aproximávamos	da
pequena	aldeia.	Ventania	parou	o	seu	cavalo	e	esperou	a	nossa	aproximação.
Eu	estava	cavalgando	ao	lado	de	Lucas	e	Rodrigo.	Atrás	de	nós,	vinha	Felipe
guiando	a	carruagem	que	trazia	Nina	e	Soraya,	encolhidas	e	envolvidas	em	uma
manta.
Paramos	ao	lado	de	Ventania	e	Negro.	Todos	pararam.
–O	que	houve,	Ventania?
–Vamos	passar	pela	Vila	Fria.
–Vila	Fria?	Que	lugar	é	esse?	–	perguntou	Felipe.
–Aqui,	alguns	irmãos	estão	enterrados	somente	do	pescoço	para	baixo.	São
espíritos	assassinos,	que	agora	colhem	as	mazelas	da	maldade	praticada	na
encarnação.
–Eles	estão	enterrados?
–Sim.	Somente	com	a	cabeça	para	fora	da	terra.	–	disse	Ventania.
–Mas,	por	que	isso?	–	insistia	Felipe.
–Colheita.	–	disse	o	Negro.
–Por	terem	praticado	o	mal,	por	terem	assassinado	inocentes,	esses	espíritos	são
atraídos	para	essa	região,	onde	o	sofrimento	purga	toda	a	maldade	praticada
àqueles	que	não	tinham	defesa	terrena.
Neste	local,	sofrem	aqueles	que	decidiram	pela	maldade	sem	escrúpulos.
Assassinos	frios.	Maridos	que	assassinaram	suas	esposas	inocentes,	por	ciúmes,
ou	mesmo	para	manter	o	domínio	total	sobre	elas.	Esposas	que	fizeram	o
mesmo.
Traficantes	cruéis,	que	para	manterem	o	poder	nas	regiões	do	tráfico	de	drogas,
aterrorizavam	a	comunidade	pobre,	vitimando	inocentes.	Inocentes	esses,	que
distribuíam	drogas,	criando	uma	verdadeira	legião	de	zumbis	viciados	nas
drogas	por	eles	oferecidas.
Pedófilos,	estupradores,	psicopatas…	espíritos	que	não	creem	na	existência	de
uma	Lei	Maior	e	que,	com	isso,	praticam	toda	a	espécie	de	maldade	para	com	os
outros	encarnados.	Há	uma	Lei	natural	que	atrai	esses	espíritos	para	cá,	portanto,
não	é	castigo,	e	sim,	atração,	Felipe.
Assim	são	as	coisas	aqui,	como	vocês	sabem,	meus	amigos.	–	disse???
–É,	eu	sei	perfeitamente	como	tudo	acontece	por	aqui.	Seremos	atraídos	para	o
lugar	onde	o	nosso	coração	estiver,	como	Ele	nos	disse.
–Isso,	Felipe.	“Onde	estiver	o	seu	coração,	ali	estará	o	seu	tesouro.”	–	Jesus.
–Verdade,	Nina.
Ela	apareceu,	e	nos	disse:
–			Meus	irmãos,	confiemos	no	caminho	traçado	pela	nossa	Mentora	Espiritual
para	esse	resgate.	Vamos	passar	pela	Vila.	Infelizmente,	nada	podemos	fazer	por
esses	irmãos	que	sofrem	aqui.	Eles	escolheram	e	traçaram	seus	destinos.
Sabemos	que	a	região	umbralina	é	o	lugar	onde	colhemos	os	frutos	da	nossa
semeadura	terrena.	Todos	passarão	por	aqui	um	dia	para	aperfeiçoarem	seus
sentimentos.	O	Umbral	e	suas	regiões	são	locais	de	muita	dor,	mas	também,	de
muito	aprendizado	e	perdão.
Vamos	em	frente,	e	confiemos	em	nossos	colares.
–É	isso	mesmo,	vamos	em	frente.	–	disse	Soraya.
–Felipe,	vá	a	nossa	frente.	Siga	o	Negro.	Vamos,	senhores.	–	disse	Rodrigo.
Assim,	Negro	ia	à	frente,	Felipe	o	seguia,	Lucas,	eu	e	Rodrigo	íamos	atrás	da
carroça,	e	Ventania	estava	atrás	de	nós,	um	pouco	distante	para	dar	cobertura	a
nossa	retaguarda.
Os	gemidos	aumentavam	na	medida	em	que	nos	aproximávamos	daquele	lugar.
Ouvíamos,	naquele	momento,	alguns	gritos	apavorantes.
As	casas,	feitas	de	madeira,	estavam	totalmente	destruídas,	parecia	ser	uma
cidade	bem	antiga.	Tudo	estava	muito	escuro.
Precisávamos	descer	uma	ladeira	para	passar	pela	cidade.	Assim,	lentamente,
cavalgávamos	bem	próximos	uns	dos	outros	para	evitar	qualquer	surpresa.
O	lindo	cavalo	branco	preso	à	carroça	era	a	única	luz	que
podíamosvernaquelelugar.Foiquando,aochegarmosà	parte	mais	baixa	do	local,
alguns	espíritos	colocaram-se	a	nossa	frente.
Imediatamente,	Negro	pegou	sua	lança	e,	descendo	de	seu	cavalo,	colocou-se	em
posição	de	defesa.	Ventania	galopou	seu	cavalo	e	repetiu	o	gesto.
Ali,	a	nossa	frente,	estavam	Negro	e	Ventania	em	posição	de	batalha	para	nos
defender.
Eram	cerca	de	vinte	espíritos.	Todos	muito	malvestidos.	Alguns	sequer	tinham
roupas.	Eram	todos	homens.
–O	que	querem	aqui,	iluminados?	–	Gritou	um	deles,	posicionando-se	a	nossa
frente.
–Tenham	calma!	Estamos	somente	de	passagem.	–	disse	Lucas.
–Vocês	não	podem	invadir	a	nossa	Vila.
–Nós	não	estamos	invadindo,	estamos	apenas	de	passagem.	–	insistia	Lucas.
De	repente,	uma	linda	mulher	apareceu	montada	em	um	enorme	cavalo	na	cor
marrom.
–O	que	eles	querem	aqui,	Loui?
–Não	sabemos,	condessa.
–Só	estamos	de	passagem,	senhora.	–	Lucas	tornou	adizer.
–Vocês	não	podem	passar	por	nossas	terras.
–Temos	que	ir	ao	Limbo.	–	disse	Ventania.
–O	Limbo	não	fica	aqui.	–	disse	a	linda	mulher.
–Recebemos	um	mapa	que	nos	guia	a	passar	por	essas	terras	para	atingir	o	nosso
objetivo.
–O	que	vão	fazer	no	Limbo?
–Um	resgate,	senhora.	–	disse	Lucas.
–Não	é	permitido	passar	por	aqui.
Naquele	momento,	Rodrigo	desceu	de	seu	cavalo	e	aproximou-se	da	mulher.
–Não	se	aproxime,	intruso.	–	disse	o	soldado	ao	lado	da	condessa.
–Eu	só	quero	que	ela	veja	quem	sou.	–	disse	o	cigano.
–Não	se	aproxime!	–	insistiu	o	homem.
Ventania	desceu	do	cavalo	e	posicionou	sua	lança	na	direção	dos	soldados.
–Tenham	calma,	senhores!	Aproxime-se,	meu	rapaz.	–	disse	a	mulher.
Rodrigo	então,	aproximou-se	até	onde	pôde	ser	visto	pela	condessa.
–Olha	se	não	é	o	cigano	Rodrigo!	–	disse	a	condessa,	surpresa.
–Bons	dias,	senhora!
–Bons	dias,	Rodrigo.	O	que	fazes	aqui?
–			Estamos	em	direção	ao	Limbo,	precisamos	buscar	umairmã.
–Mas,	como	disse,	o	Limbo	não	fica	nessa	região.
–Sabemos	disso,	mas	fomos	informados	de	que	estaria	acontecendo	uma	grande
batalha	entre	poderosos	obsessores	e,	por	esse	motivo,	desviamo-nos	do	nosso
caminho	inicial.
–E	como	está	Tirá?
–Minha	irmã?
–Sim,	sua	única	irmã.
–Ela	está	bem.
–Ainda	ao	lado	de	Jorge?
–Sim.	Estão	juntos	até	hoje.
–Sabe,	Rodrigo,	eu	não	devia	deixar	vocês	passarem	por	minhas	terras,	mas	não
carrego	raiva	em	meu	coração.	Eu	vou	permitir	com	que	vocês	passem,	pois	não
queremos	problemas	com	Catarina	e,	muito	menos,	com	Daniel.
–Lhe	sou	grato,	condessa!	–	disse	Rodrigo.
–Rapazes,	deixem	o	grupo	passar,	levem-nos	até	a	ponte,	e	indiquem	o	caminho
pelo	qual	eles	deverão	seguir.
–Sim,	senhora.	–	disse	um	dos	soldados.
–Lhe	sou	grato,	condessa!
–Podem	passar,	Rodrigo.	–	disse	a	mulher,	se	afastando	com	seu	cavalo.
Uma	fila	de	soldados	foi	feita	para	indicar	o	caminho	que	deveríamos	seguir.
Assim,	passamos	entre	os	soldados,	que	olhavam	atentamente	para	nós.
Logo	a	nossa	frente,	um	soldado	nos	guiava	entre	as	velhas	construções,	até	que
o	caminho	ficou	muito	estreito,	mal	dava	para	passar	com	a	carroça	que
transportava	Nina	e	Soraya.
Finalmente,	chegamos	a	uma	ponte	estreita,	e	o	soldado	que	nos	guiava	parou
repentinamente.	–	Podem	seguir	por	esse	caminho,	senhores.	Boa	viagem!
–Obrigado!	–	disse	Lucas,	adentrando	o	estreito	caminho.
Atrás	dele,	fomos	o	Negro,	o	Ventania	e	eu.	Felipe	conduzia	a	carruagem,	e
Rodrigo	vinha	por	último.
Confesso	que	estranhei	o	comportamento	daquela	mulher	e	de	seus	soldados,
mas	quem	sou	eu	para	falar	algo?	Afinal,	estou	desdobrado	ao	lado	desses
espíritos,	e	minha	missão	aqui	é	a	de	escrever	sobre	tudo	o	que	vejo,	sinto	e
experimento.
Após	uns	cinco	minutos	cavalgando	na	trilha,	nos	vimos	dentro	de	um	grande
armazém,	daqueles	bem	antigos.	E,	para	a	nossa	surpresa,	o	lugar	não	tinha
saída.
Caímos	em	uma	cilada.	Estávamos	reféns	daquela	mulher.	Presos	em	um	velho
armazém,	com	alguns	amarrados	de	feno,	mas	que	estavam	estragados.	Havia
também	alguns	barris	feitos	de	madeira,	e	cordas	penduradas	do	teto	até	a	altura
de	nossos	pescoços.
Aquilo	me	assustou	muito.
–		Vamos	voltar,	esse	lugar	é	uma	armadilha.	–	disse	o	Negro.
Porém,	ao	olharmos	para	trás,	o	estreito	caminho	que	havia	nos	levado	até	ali,
tinha	sumido.	Estávamos	realmente	presos	naquele	lugar.
–			Tenham	calma,	senhores!	Eu	conheço	muito	bem	aquela	mulher.	Ela	vai
aparecer	para	conversar.	–	disse	Rodrigo,	descendo	do	seu	cavalo	Hió,
calmamente.
–			Desçam	e	descansem,	não	fiquem	preocupados.	A	condessaé	uma	conhecida
minha	de	longa	data.	–	disse	Rodrigo,	tentando	nos	acalmar.
O	lugar	estava	iluminado	por	algumas	tochas	presas	às	paredes	altas.	Eram
poucas,	mas	o	suficiente	para	vermos	todo	o	local.	Todos	desceram	de	seus
cavalos	e	começaram	a	procurar	por	uma	saída.
–Nãotemsaída,Rodrigo.–disseLucas,apósverificar	todo	o	ambiente.
–O	que	está	fazendo,	Ventania?
–Me	concentrando.	–	disse	ele,	sentado	na	parte	mais	alta	daquele	lugar	antigo.
Nina	e	Soraya	finalmente	apareceram	e	desceram	da	carroça	ajeitando	suas	saias.
–Era	ela,	Rodrigo?	–	perguntou	Nina,	ao	se	aproximar	de	Rodrigo.
–Sim,	Nina,	é	ela.
–Deus!	E	o	que	ela	faz	aqui?
–Parece	que	lidera	este	lugar.
–Quem	é	essa	mulher,	Nina?	–	perguntou	Soraya.
–É	de	um	caso	bem	antigo,	Soraya,	você	não	conhece.
–Por	que	ela	nos	aprisionou?
–Tenham	calma,	senhores!	Eu	conheço	muito	bem	a	condessa,	e	ela	vai	aparecer
para	nos	explicar	tudo	isso.	–	disse	Rodrigo,	tentando	nos	acalmar	novamente.
–Prisioneiros!	Só	me	faltava	essa!	–	disse	Lucas,	contrariado.
–Vamos	aproveitar	esse	momento	para	descansarmos,	senhores.
–Negro,	por	favor,	arrume	um	lugar	para	os	cavalos.
–Pode	deixar,	Rodrigo.
Nina	aproveitou	para	se	sentar	em	uma	caixa	de	madeira,	que	estava	ali	à
disposição,	ao	lado	do	monte	de	feno,	e	Soraya	sentou-se	ao	seu	lado.
–Nina?
–Sim,	Soraya.
–Por	que	fomos	aprisionados?
–Nós	não	estamos	aprisionados.
–Estamos	sim.
–Soraya,	entenda,	o	Rodrigo,	o	Lucas,	eu,	você…	qualquer	um	de	nós,	através
das	conquistas	já	alcançadas,	podemos	desintegrar	essa	estrutura	a	qual	nos
prende	nesse	momento,	e	nos	libertar	integralmente	dessa	situação.	As
conquistas	do	espírito	são	infinitas,	Soraya.
–E,	então,	por	que	vocês	não	fazem	isso?
–Precisamos	dar	uma	chance	a	esse	espírito	que	pensa	que	está	nos	aprisionando,
para	entender	os	reais	motivos	de	tudo	isso.
–Nossa!	É	muita	bondade	a	de	vocês.
–É	para	isso	que	estamos	aqui.	Quando	algo	acontece
conoscoéporquetemqueacontecer.Todas	asexperiências	do	espírito	tem	a
evolução	como	objetivo.	Esperemos	a	condessa	reaparecer	para	vermos
realmente	quais	são	os	propósitos	dela	para	fazer	isso.	Qual	é	a	sua	verdadeira
intenção.
–Agora	eu	entendo	o	motivo	de	você	estar	onde	está,	Nina.
–Todos	podem	alcançar	a	luz,	basta	serem	pacientes,	bondosos,	caridosos	e
amorosos.	O	amor	é	o	que	nos	permite	tudo	Soraya,	sem	ele	dentro	de	nós,
somos	potes	vazios.
O	Rodrigo	e	eu	conhecemos	a	condessa	há	muitos	anos.	Ela	poderia	muito	bem
ter	deixado	a	gente	passar	sem	nenhum	problema,	mas	se	ela	fez	o	que	fez,
certamente	tem	um	motivo	para	isso.	Entretanto,	não	há	mal	que	possa	nos
atingir	no	estágio	espiritual	em	que	estamos,	por	isso,	sejamos	pacientes	e
esperemos	pelos	próximos	acontecimentos.
–Só	você	mesmo,	Nina.	–	disse	Soraya.
–Aprenda,	Soraya…	aproveite	essa	experiência	para	aprender.	E,	aprendendo,
vamos	evoluindo…	e,	evoluindo,	nos	aproximaremos	cada	vez	mais	dos	desejos
do	Criador.
–Obrigada,	Nina!
–De	nada,	meu	amor.
–Senhores,	vamos	arrumar	nossas	coisas	e	descansar.	–	disse	Rodrigo.
As	horas	passavam	lentamente.
O	Negro	já	havia	até	providenciado	uma	fogueira,	e	estávamos	todos	sentados	ao
redor	dela,	quando	ouvimos	um	barulho	vindo	de	fora.
Negro	levantou-se	rapidamente,	e	ao	seu	lado,	o	Ventania.	Eles	então,
empunharam	suas	lanças	afiadas.	Rodrigo	também	se	colocou	de	pé	à	espera	dos
acontecimentos.
Foi	quando	um	grande	portão	se	abriu	a	nossa	frente,	e	dele	saiu	a	condessa.	Ela
usava	um	vestido	todo	preto	que	lhe	cobria	todo	o	corpo.
Lucas	lembrou	da	sacola	que	lhe	foi	dada	por	Ventania	com	as	coisas	enviadas
por	Porfírio.	Se	lembrou,	ainda,	daquele	enigmático	pó…	“afinal,	ele	serviria
para	o	quê?”	–	pensou	Lucas.
Naquele	momento,	ele	pegou	o	pote	em	que	o	pó	estava	armazenado,	e	abriu
lentamente	a	tampa.	Lucas	observou	que	lá	continha	um	pó	branco,	e	algo	em
seu	íntimo	lhe	alertava	para	deixar	o	pó	a	sua	disposição.
Pensou	que	se	por	acaso	algo	de	ruim	acontecesse,	ele	não	hesitaria	em	jogar	o
pó	sobre	os	soldados	e	sobre	a	condessa	e,	com	isso,	todos	aproveitariam	o
momento	para	fugir.	Estava	tudo	planejado	em	sua	mente.
Lucas	então,	colocou-se	atrás	de	Rodrigo.
Naquele	instante,	a	condessa	se	aproximou.
–Olha	se	não	é	a	jovem	Nina!	–	disse	a	mulher	em	tom	de	ironia.
–Olá,	condessa,	como	vai?	–	disse	Nina.
–Eu	estou	ótima,	e	vejo	que	você	também	está.
–Sim,	estamos	todos	bem.
–Estão	presos?
–Por	um	momento,	sim.	–	disse	Rodrigo.
–Viram	o	meu	poder?
–Sim,	vimos.	Você	parece	ser	bem	poderosa.	–	disse	Rodrigo.
–Lidero	mais	de	mil	homens	nessa	região,	e	sou	muito	amada,	admirada	e
idolatrada	pelo	meu	poder.
–Deverias	usar	seu	poder	para	ajudar	esses	irmãos	a	saírem	dessa	situação,
condessa.
–Eu	não	tenho	o	seu	coração,	Nina.	E	não	me	interesso	por	esse	assunto.
–Deverias.	–	disse	Rodrigo.
–Senhores,	eu	aprisionei	vocês	aqui	para	que	vejam	todo	o	meu	poder.	Quando
nos	encontramos	pela	última	vez,	na	Capadócia,	eu	fui	aprisionada	por	Jorge	e
levada	ao	meu	martírio.
Confesso	que	fui	merecedora	de	tudo	o	que	aconteceu	comigo,	e	não	tenho	raiva
de	vocês,	mas	gostaria	de	poder	encontrar	o	Jorge	um	dia,	e	mostrar	para	ele	a
mulher	que	me	tornei	hoje.	Sabem	o	que	eu	também	não	entendi	até	agora,	o
porquê	de	vocês	não	me	socorrerem?
Eu	vou	mantê-los	aqui	por	mais	alguns	dias,	pois	quero	testar	essa	tal
luminosidade	que	vocês	dizem	possuir.	Vejo	que	você,	Nina,	está	bem	à	frente
dos	demais.	Quero	ver	até	quando	vocês	suportarão	viver	sob	o	meu	comando,
meus	amigos…	–	disse	a	mulher.
Lucas	ameaçou	ir	na	direção	da	condessa,	mas	Rodrigo	impediu	com	que	ele	se
aproximasse	dela.
–Não	faça	nada,	Lucas.	–	disse	Rodrigo.
–Quer	virar	herói,	senhor?	–	disse	a	condessa	em	tom	irônico.
–O	Lucas	só	está	preocupado	conosco,	senhora.	–	disse	Nina.
–Pois	vocês	ficarão	aqui	pelo	tempo	que	eu	achar	necessário.
Vamos!	–	disse	ela,	virando-se	e	saindo	do	lugar	ao	lado	de	seus	soldados.
Após	a	saída	de	todos,	Rodrigo	e	Nina	trocaram	olhares.
–Venham,	amigos.	–	disse	Nina,	dirigindo-se	para	o	centro	do	velho	armazém.
Todos	seguiram	a	iluminada	mentora.
–O	que	você	faz	com	esse	pote	nas	mãos,	Lucas?
–Eu	pensei	em	jogar	o	pó	que	tem	dentro	dele	sobre	a	condessa	e	seus	soldados.
–Esse	pó	não	tem	todo	esse	poder.	–	disse	Rodrigo.
–E,	para	o	que	serve,	então?
–Ele	será	útil	no	momento	em	que	encontrarmos	a	pessoa	pela	qual	viemos
buscar.
–Eu	pensei	que	se	tratasse	de	algo	mágico.
–Não,	Lucas,	esse	pó	não	serve	para	isso.	–	disse	Nina.
–Senhores,	vamos	nos	agrupar.	–	disse	Rodrigo,ficando
em	pé	no	centro	do	lugar.
Todos	se	aproximaram	de	Rodrigo.
–Deixem	as	suas	coisas	bem	próximas	a	vocês,	vamos	volitar	e	deixar	este	lugar.
A	condessa	esqueceu-se	que	não	estamos	em	sintonia	com	as	suas	vontades.	–
disse	Nina.
De	repente,	uma	luz	verde,	muito	forte,	invadiu	todo	o	lugar.	Tudo	ficou
esverdeado	naquele	lugar,	mas	era	incrivelmente	bom	estar	ali…
Nina,	Rodrigo,	eu	e	os	demais	volitamos	e	deixamos	aquela	região.	E,	após
alguns	minutos,	chegamos	aum	lugar	mais	claro.	Estávamos	no	alto	de	um
monte.	Os	animais	logo	apareceram,	bem	como	tudo	o	que	tínhamos	levado	para
aquela	viagem.
–Todos	estãobem?
–Sim,	Nina,	estamos	bem.
–Vamos	arrumar	as	nossas	coisas,	e	seguirviagem.
–Deus	ilumine	a	condessa	e	os	seus	seguidores	para	que	não	venham	atrás	de
nós.
–Ela	não	sabe	onde	estamos.	–	disse	Rodrigo.
–Ainda	bem.	–	disse	Soraya.
–Vamos	amigos,	montem	em	seus	cavalos	e	vamos	seguir	nosso	destino.
–Vamos!	–	disse	Felipe,	subindo	nacarroça.
Todos	montaram	em	seus	animais,	e	seguiram	por	uma	estrada	no	topo	daquela
colina.	Uma	brisa	suave	acariciava	os	nossos	rostos	cansados,	mas	aliviados
após	deixarmos	as	terras	da	malvada	condessa	para	trás.	E	eu	pensava…	o	que
será	dela	quando	souber	que	escapamos?
Os	cavalos	andavam	em	fila	na	estrada	do	Umbral.
Todos	em	silêncio.
Nina	estava	deitada	dentro	da	carroça	e,	ao	seu	lado,	a	Soraya.
O	Negro	e	o	Ventania	seguiam	à	frente.	Atrás	deles,	Rodrigo,	Lucas	e	eu.
Era	entardecer	no	Umbral,	eu	podia	ver	os	fracos	raios	solaresque	insistiam	em
atravessar	as	densas	nuvens	daquele	terrível	lugar.
Assim,seguíamossolitários,masesperançososeconfiantes	de	que	logo
chegaríamos	ao	nosso	objetivo.
“Um	dia	compreenderás	o	significado	de	amai-vos.”
Nina	Brestonini
Dia	3
Após	uma	longa	noite	de	descanso,	finalmente	chegamos	ao	terceiro	dia.	Na
noite	anterior	quase	não	conversamos,	pois	todos	estavam	muito	cansados	e
recolheram-se	logo	cedo.
Depois	que	todos	acordaram,	o	Negro	aproximou-se	de	nós	e	ofereceu	uma
xícara	de	chá	bem	quentinho.	O	lugar	era	muito	frio.
Naquele	momento,	eu	percebi	que	o	dia	começava	a	nascer	em	nosso	plano.	Eu
podia	ver	que	o	Sol	tentava	inutilmente	adentrar	a	região	em	que	estávamos.
Foi	quando	o	Caboclo	Ventania	convocou	a	todos	para	uma	reunião	em	volta	das
últimas	chamas	da	fogueira	que	nos	aqueceu	durante	toda	a	noite.
–				Senhores,	precisamos	conversar.	Venham,	aproximem-se,	por	favor.
Nos	reunimos	para	ouvir	as	instruções	do	nobre	protetor.
–		Meus	amigos,	olhem	para	o	vale	a	nossa	frente,	por	favor.
Todos	nós	olhamos	ao	mesmo	tempo	para	um	enorme	vale	que	estava	à	frente.
–Iremos,	agora,	por	uma	trilha	que	nos	levará	ao	Limbo.	O	caminho	é	escuro	e
muito	perigoso.	Passaremos	por	um	desfiladeiro	onde	há	enormes	muros	escuros
de	granito.	O	trajeto	é	estreito	e	cheio	de	cascalhos,	o	que	atrapalharia	demais	a
passagem	dos	nossos	cavalos.
Daqui	em	diante	teremos	que	caminhar,	ou	seja,	irmos	sem	os	nossos	animais.
Como	vamos	precisar	levar	as	nossas	coisas,	peço	a	colaboração	de	todos	para
que	levem	o	mínimo	possível.
No	final	desse	labirinto	de	rochas	estará	o	Limbo,	nosso	destino.	Ao	nos
aproximarmos	dele,	vocês	verão	milhares	de	buracos	que	medem,
aproximadamente,	1,50	metros	de	diâmetro	e	três	metros	de	profundidade.
Temos	que	ter	o	máximo	de	atenção	para	não	cairmos	em	nenhum	deles.
O	que	todos	irão	ver	é	muito	triste.	Dentro	de	cada	um	desses	buracos,	estão
espíritos	que	harmonizam	com	esse	lugar.	São	covas	com	cerca	de	três	metros	de
profundidade,	como	disse.	São	como	poços	que	foram	cavados	para	receber
esses	espíritos	em	específico.	Alguns	desses	poços	têm	até	água,	mas	não	são
águas	limpas,	elas	são	podres	e	fedorentas.
Como	todos	sabem,	os	espíritos	que	estão	no	Limbo	perderam	quase	toda	a
capacidade	cognitiva,	ou	seja,	eles	não	têm	mais	individualidade	psicológica,
esqueceram	os	conhecimentosadquiridos,nãopercebemoquesãoecomo	são,
perderam	a	memória,	o	raciocínio,	o	juízo,	a	imaginação,	o	pensamento	e	a
linguagem.
São	ovoides.	É	como	se	estivessem	sob	o	efeito	de	uma	droga	muito	poderosa
que	lhes	apagasse	todo	o	Ser.	Eles	colhem	aqui	aquilo	que	fizeram	por	muito
tempo	nas	encarnações.	Não	é	uma	punição,	como	todos	sabem,	mas	é,	sim,	uma
das	piores	colheitas.
Aqui	estão	sacerdotes,	padres,	pastores,	bispos,	políticos	em	geral,	ladrões,
assassinos	cruéis,	estupradores,	enganadores	da	fé	alheia,	e	tantos	outros	que
causaram	muito	mal	a	grupos	de	pessoas	de	bem.
Há	uma	organização	própria	nesse	lugar,	assim	como	em	todos	os	lugares	da
espiritualidade,	como	todos	sabem.	Portanto,	ao	chegarmos	ao	nosso	destino,
teremos	que	ser	pacientes	com	o	resgate	da	nossa	irmã.	Muito	provavelmente,
ela	estará	em	estado	lastimável.
Rodrigo	está	com	todas	as	informações	que	precisamos.	O	Lucas	está	incumbido
de	acompanhar	todo	o	resgate.	Você,	Felipe,	terá	que	tomar	conta	das	meninas.
E	o	Negro	e	eu	daremos	todo	o	suporte	necessário	para	que	vocês	possam
encontrar	a	nossa	paciente.
Meus	amigos	e	irmãos,	agora	precisamos	nos	concentrar	na	tarefa	exigida.
Vamos	preparar	tudo	e	partir.	Caminharemos	até	o	final	do	dia	quando,
finalmente,	chegaremos	ao	nosso	destino.
Devemos	ser	rápidos	no	resgate,	pois	precisaremos	voltar	o	quanto	antes.	Não
temos	muito	mais	tempo	para	ficar	nessa	região,	ela	é	muito	densa	e,	como	vocês
sabem,	vamos	perdendo	nossos	fluidos	ao	permanecer	por	muito	tempo	aqui.	–
explicou	Ventania.
Todos	se	entreolharam	preocupados.
Eu	confesso	que	fiquei	muito	assustado	com	as	recomendações	dele.	Como
assim,	poços?	Espíritos	enterrados?	Energias?	O	que	nos	esperava	pela	frente?
Imediatamente,	começamos	a	arrumar	nossas	coisas	e	a	preparar	nossa
caminhada.	Os	animais	foram	deixados	sem	os	arreios	e	livres	para	poderem
voltar,	se	assim	decidissem,	e	a	carroça,	deixamos	escondida	atrás	de	uma
grande	pedra,	ao	lado	de	algumas	árvores	que	estavam	caídas.
Juntamos	as	nossas	coisas	em	um	pedaço	de	pano,	fornecido	por	Felipe.	Ele
retirou	a	lona	que	cobria	a	carroça,	transformou	em	pedaços	quadrados	e	deu
para	cada	um	de	nós	que,	após	amarrar	as	pontas,	serviu	de	mochila	para
colocarmos	nossas	capas,	entre	outras	coisas	que	carregávamos.
Tudo	pronto,	começamos	a	nossa	caminhada	rumo	ao	Limbo.	À	frente,	iam	o
Negro	e	o	Ventania.	Nina,	Felipe	e	Soraya,	iam	atrás,	e	protegendo	a	retaguarda
do	grupo,	Rodrigo	e	eu.
Ao	perceber	que	seria	deixado	para	trás,	Hió	relinchou	para	Rodrigo,	que	voltou
rapidamente	e	acariciando	a	cabeça	do	cavalo	explicou	para	ele	que	iríamos,	mas
que	voltaríamos	para	buscá-lo.
Assim,	seguimos	agrupados	e	calados.
Começamos	a	descer	por	uma	estrada	cheia	de	pedras,	mal	conseguíamos	andar
naquele	caminho.	Com	muita	dificuldade	e	ajudando	a	Soraya	e	a	Nina,
conseguimos	andar	por	cerca	de	uma	hora	até	o	caminho	ficar	plano	e	com
poucas	pedras.
–Até	que	enfim	a	estrada	melhorou.
–Sim,	Nina,	você	está	bem?
–Estou,	Felipe,	não	se	preocupe	comigo,	eu	estou	bem.
–Venha,	Soraya,	vamos	por	aqui.	–	disse	Nina,	mostrando	a	Soraya	um	caminho
melhor.
Estávamos	caminhando	ao	lado	de	dois	paredões	de	granito	preto.	Embora	a
estrada	fosse	muito	feia,	aqueles	paredões	de	granito	embelezavam	o	lugar,	se	é
que	existe	algo	bonito	no	Umbral.
Após	alguns	quilômetros	encontramos	um	oásis,	um	lugar	com	uma	fonte	de
água	cristalina,	algumas	pequenas	árvores	com	folhas	verdes	e	poucas	flores
amarelas.	Eu	fiquei	muito	impressionado	com	aquele	pequeno	local	tão	singular.
Porém,	paramos	um	pouco	distantes,	seguindo	as	recomendações	do	Negro.
–Senhores,esperemaqui,vouatéafonteverificara
nossa	segurança.
Todos	concordaram	com	um	gesto	de	cabeça.	Sentamo-nos	em	algumas	pedras
mais	próximas,	e	ficamos	esperando	pelo	retorno	dele.
Ventania	permaneceu	ali	conosco	cuidando	de	tudo.	Rodrigo	não	se	sentou,	e	eu
pude	ver	quando	ele	se	adiantou	e,	discretamente,	fez	um	sinal	para	o	Ventania
para	se	afastarem	do	grupo	para	poderem	conversar	mais	reservadamente.
Ninguém	do	grupo	percebeu,	mas	eu	estava	atento	e	vi	quando	Rodrigo	fez	o
sinal	e,	ao	lado	de	Ventania,	se	afastou	de	nós.	Eu	estava	muito	curioso	para
saber	sobre	o	que	eles	estavam	conversando,	e	fui	para	uma	pedra	um	pouco
mais	próxima	a	eles.
Eu	sabia	que	não	era	certo	o	que	eu	estava	fazendo,	mas	sou	um	escritor,	e	sentia
que	precisava	saber	do	que	se	tratava	para	poder	relatar,	neste	livro,	tudo	o	que
estava	acontecendo	com	os	amigos	de	Amor	e	Caridade.
Me	aproximei	sem	que	eles	percebessem,	e	pude	ouvir	sobre	o	que	conversavam.
–Não	sei	se	ela	vai	consentir,	Rodrigo.
–Temos	que	ter	paciência	com	a	Nina,	ela	já	buscou	os
últimosfamiliaresdaúltimaencarnação.Seuirmão,pelo	o	que	nos	foi	informado,
trabalha	na	Colônia	da	Regeneração,	e	ela	não	o	vê	já	há	algum	tempo.	Seu	pai
recebeu	a	oportunidade	que	precisava	para	recomeçar.	Agora,	só	falta	a	mãe
dela,	que	está	no	Limbo,	como	todos	sabemos.	Temos	que	resgatá-la	e	levá-la
para	a	recuperação.
–Eu	não	sei	se	vai	ser	fácil	fazer	isso,	Rodrigo.
–Vamos	conseguir,	Ventania.
–Que	nós	vamos	conseguir,	eu	não	tenho	dúvida,	o	problema	será	despertar	algo
bom	em	um	espírito	que	se	encontra	em	condições	tão	precárias	no	Limbo.
–Tenho	certeza	de	que	a	nossa	mentora	irá	nos	ajudar.
–Eu	também.	–	respondeu	o	Índio,	sem	disfarçar	que	também	estava	atento	à
conversa	dos	iluminados.
–Por	que	será	que	o	Negro	está	demorando	tanto?
–Quer	que	eu	vá	procurá-lo?
–Acho	melhor	esperar	mais	um	pouco.
–Está	bem,	vamos	esperar.
–Vamos	voltar	para	o	grupo?
–Sim.	–	disse	Ventania.
Tenho	certeza	que,	ao	passarem	por	mim,	Rodrigo	e	Ventania	perceberam	que	eu
havia	me	posicionadomelhor	para	ouvi-los,	mas	nada	disseram.
Nina	estava	sentada	ao	lado	de	Felipe	quando	Soraya	se	levantou	e	aproximou-se
de	todos.
–O	Negro	está	demorando,	vocês	não	acham,	pessoal?
O	alerta	foi	dado…	“por	que	o	Negro	estava	demorando	tanto?”	–	pensei.
Imediatamente,	Rodrigo	se	afastou	de	nós	e	ficou	olhando	para	o	caminho	que	o
Negro	tinha	percorrido	quando	saiu.
Após	alguns	minutos,	ele	retornou.
–Ventania,	vamos	seguir	adiante?
–Se	for	da	sua	vontade,	Rodrigo,	podemos	ir,	sim,	mas	eu	acho	melhor
esperarmos	pelo	Negro.
–Ele	está	demorando	muito	e,	na	verdade,	eu	estou	é	louca	para	beber	um	pouco
da	água	cristalina	daquela	fonte.
–Soraya,	essa	é	uma	água	da	qual	ninguém	bebe	aqui	no	Umbral.
–Por	quê?
–Na	verdade,	aquilo	que	vocês	estão	vendo	ali	não	é	uma	fonte	e,	sim,	uma
armadilha.	–	disse	Negro,	se	aproximando	de	nós.
–Que	bom	que	você	apareceu,	meu	amigo!	–	disse	Ventania.
–Eu	estava	investigando	melhor	sobre	aquela	“fonte”,	e	vi	que	não	é
propriamente	uma	fonte,	mas,	sim,	uma	ilusão.
–Como	assim?	–	questionou	Felipe.
–		Meus	amigos,	aqui,	tudo	é	feito	e	movido	pela	força	mental,	como	todos
sabem.	Aquela	fonte	é	algo	que	foi	criado	por	poderosos	Magos	para	atrair
espíritos	sedentos,	com	o	intuito	de	escravizá-los	em	cavernas	existentes	neste
local.
Logo	mais	à	frente,	teremos	que	passar	por	um	corredor	muito	estreito,	feito
dentro	de	enormes	jazidas	de	granito,	onde	existem	essas	cavernas.	Lá	vivem
espíritos	escravizados.	É	muito	triste	o	que	esses	Magos	fazem	com	esses
espíritos.
Nina	se	levantou	e	aproximou-se	de	Negro.
–Me	conte	isso	com	mais	detalhes,	por	favor,	Negro.
–Conto	sim,	mas	só	após	passarmos	pelo	lugar.	Não	podemos	perder	nem	mais
um	minuto	aqui.	É	muito	importante	que	nos	apressemos	a	passar	logo	pelo
corredor.
–Não	é	perigoso	passarmos	por	esse	lugar?
–Sim,	é	muito	perigoso,	Soraya,	mas	eu	convoquei	alguns	amigos	e,	neste
momento,	eles	estão	no	corredor	para	fazer	a	nossa	segurança.	Acredito	que	os
Magos	e	os	seus	servos	não	vão	querer	atrapalhar	a	nossa	passagem.
–E	se	tentarem?	–	perguntou	Nina.
–Teremos	que	lutar.
–Lutar?
–Sim,	esses	infelizes	irmãos	encontram-se	totalmente	“magiados”	por	seus
líderes.
–Mas,	com	que	armas	iremos	lutar?
–Fiquem	tranquilos,	pois	a	maioria	deles	não	conseguirá	nos	ver.	Estamos	com
os	nossos	colares.	Sei	que	alguns	até	perceberam	a	nossa	presença,	mas	se
formos	rápidos,	passaremos	ilesos,	e	tudo	dará	certo.
–Meu	Deus!	–	disse	Nina.
–Não	há	outro	caminho,	Negro?
–Não,	Rodrigo,	pois	a	nossa	paciente	está	a	poucos	metros	desse	corredor,	e	é
para	lá	que	temos	que	ir.
–Seja	o	que	Deus	quiser!	–	disse	Felipe.
–Peguem	suas	coisas	e	vamos	passar.	–	disse	Negro,	se	preparando.
Após	pegarmos	nossas	coisas,	começamos	a	caminhada	em	direção	ao	grande
corredor	de	granito.	E	logo	ao	nos	aproximarmos,	eu	pude	ver	alguns	guardiões
sobre	os	rochedos.
Eram	espíritos	que	mediam,	aproximadamente,	dois	metros	e	meio	de	altura,
eram	magros,	vestiam	roupas	pretas,	como	se	fossem	gladiadores.	Eles	eram
barbudos,	e	tinham	os	cabelos	longos.	Tinham	também	espadas	e	lanças	nas
mãos.
Usavam	um	chapéu	do	tipo	viking,	aliás,	eles	se	pareciam	com	soldados	vikings,
mas	eram	todos	amigos	e	estavam	ali	para	cuidar	da	nossa	passagem.
Eram	cerca	de	trinta	homens.	Havia	também	algumas	mulheres,	vestidas	da
mesma	forma,	mas	eram	poucas,	eu	pude	contar	apenas	três.	Eles	olhavam	para
nós	como	se	dissessem:	“passem	logo,	estamos	cuidando	de	vocês…”
À	frente	ia	o	Negro.	O	Rodrigo,	o	Felipe,	a	Nina,	a	Soraya,	o	Lucas	e	eu
andávamos	agrupados	e,	atrás	de	todos	nós,	vinha	o	Caboclo	Ventania.
Estávamos	assustados,	pois	o	lugar	era	sombrio	e	muito	úmido.	Havia	várias
portas	feitas	de	madeira	e	ferro	que	pareciam	ser	moradias.	As	portas	eram
largas	e	mediam	uns	dois	metros	cada	uma.	Estavam	todas	fechadas.
Caminhávamos	juntos	e	muito	preocupados	com	aquele	lugar.	No	alto,	os
guardiões	olhavam	para	nós	sem	pronunciarem	nenhuma	palavra.
Foi	quando	ouvimos	um	enorme	estrondo	e	vimos	quando	os	guardiões	foram
jogados	para	longe.	Eles	caíam	do	alto	das	pedras	como	marionetes	manipuladas
pela	força	do	vento,	que	soprava	forte	àquela	hora.
Naquele	momento,	ficamos	sozinhos	e	desamparados.	O	Negro	empunhou	sua
lança	e	pediu	para	que	todos	nós	ficássemos	juntos.	E,	sem	que	percebêssemos,
estávamos	todos	encostados	em	uma	das	dezenas	de	portas	daquele	corredor.
Um	homem	de,	aproximadamente,	uns	dois	metros	de	altura,	vestido	de	preto,
com	uma	capa	enorme	e,	com	um	tridente	na	mão,	vinha	em	nossa	direção.
Estávamos	todos	muito	assustados,	até	que	o	Ventania	e	o	Negro	se
posicionaram	para	nos	defender.
O	homem	se	aproximava	ainda	mais	de	nós,	foi	quando	a	porta	na	qual
estávamos	encostados	se	abriu,	e	todos	nós	caímos	dentro	de	um	cômodo.
Imediatamente,	o	Negro	a	fechou	mantendo	o	homem	de	preto	para	o	lado	de
fora.	Ele	ficou	furioso	e	começou	a	esmurrar	a	porta.
Felipe	arrastou	Nina	e	Soraya	para	o	fundoda	caverna	em	que	estávamos.
Rodrigo	e	Lucas,	junto	com	Negro	e	Ventania,	seguravam	a	porta	para	que	o
nosso	algoz	não	conseguisse	entrar.	Foram	momentos	de	muito	nervosismo.
Passados	alguns	minutos,	tudo	do	lado	de	fora,	parou.	O	silêncio	tomou	conta	do
lugar.	O	homem	não	batia	mais	à	porta.	Ouvíamos	somente	alguns	barulhos
como	se	houvesse	uma	batalha.
–Acho	que	os	guardiões	conseguiram	afastar	aquele	Mago.	–	disse	Negro.
Nina,	que	estava	muito	nervosa,	disse:
–Precisamos	de	ajuda!
–Sim.	–	disse	Felipe.
–Precisamos	pedir	a	ajuda	da	nossa	mentora.
–Tenha	calma,	Nina,	vamos	esperar	mais	um	pouco.	–	disse	Ventania.
–Venham,	sentem-se	amigos.	–	disse	Rodrigo,	nos	mostrando	uma	mesa	com
várias	cadeiras.
Sentamo-nos,	e	o	Negro	providenciou	um	cantil	e	nos	ofereceu	um	pouco	de
água.	Todos	nós	aceitamos	e	nos	acalmamos.
–O	que	faremos,	Rodrigo?
–Estou	pensando,	Nina.
–Vamos	aguardar	mais	um	pouco,	está	tudo	bem	lá	fora.	–	disse	o	Negro.
–O	que	te	faz	acreditar	que	está	tudo	bem,	meu	amigo?
–O	silêncio	e	também	a	confiança	que	tenho	nosmeus	amigos	guardiões.	Vamos
esperar	por	um	sinal	deles.
–É	isso,	vamos	esperar.	–	disseVentania.
O	lugar	não	tinha	saída,	não	tinha	janelas…	tinha	somente	uma	porta,	aquela
pela	qual	havíamos	entrado,	mesmo	sem	querer.	Algumas	tochas,	presas	nas
quatro	paredes	do	lugar,	iluminavam	um	pouco	o	ambiente.	Estávamos	ali
sentados,	esperando	por	algum	sinal	de	que	poderíamos	sair	e	continuar	nossa
caminhada.
As	horas	foram	passando	e	nada	acontecia.
–Há	quanto	tempo	já	estamos	aqui,Ventania?
–Umas	duas	horas,	Nina.
–Não	vamos	sair?
–O	Negro	acha	melhor	esperarmos.
–Por	quanto	tempo	mais	iremos	esperar,	meu	amigo,	Negro?
–Tenha	calma,	Nina,	eu	não	acho	seguro	abrirmos	essa	porta,	não	sei	o	que	nos
espera	lá	fora.
Lucas,	então,	se	aproximou	e	disse:
–Amigos,	há	uma	saída!
–Onde,	Lucas?
–Olhem,	há	uma	pequena	porta	naquele	canto.
–Onde?	–	disse	Rodrigo.
Lucas	pegou	uma	das	tochas	da	parede,	e	dirigiu-se	ao	canto	esquerdo	do
cômodo.	Ele	clareou	o	local,	e	realmente	foi	possível	ver	uma	pequena	porta.
Rodrigo	aproximou-se	e	puxou	a	maçaneta	tentando	abri-la.
A	porta	estava	trancada.
–Está	trancada,	amigos.
–Essa	talvez	seja	a	saída.	–	disse	Soraya.
–Eu	tenho	uma	chave.	–	lembrou-se	Lucas.
–Uma	chave?
–		Sim,	Leônidas	e	Tobias	nos	entregaram	uma	chave,	um	pergaminho,	e	um
pote	com	um	pó	misterioso.	Eles	disseram	que	iríamos	precisar.
–Então,	tente	abrir	a	porta	com	essa	chave.	–	disse	Felipe.
Imediatamente,	Lucas	abriu	sua	bolsa	e	retirou	a	tal	chave.	Ele	se	dirigiu	à	porta
e,	cuidadosamente,	introduziu	a	chave	na	fechadura,	e	sem	esforço	algum,	a
porta	se	abriu.
–Abriu!	–	disse	Lucas.
Ventania	então,	se	aproximou,	pegou	a	tocha	das	mãos	de	Lucas,	e	a	posicionou
dentro	do	estreito	corredor	que	se	apresentou	à	nossa	frente.
–É	um	corredor.	Vamos	entrar?
Todos	se	entreolharam	e	decidiram	que	devíamos,	sim,	entrar	por	aquele	estreito
corredor.	Após	rápida	conferência,	decidimos	que	iríamos	sair	por	ali.
A	chave	que	Porfírio	havia	pedido	para	ser	entregue	aos	iluminados	abriu	aquela
portacom	facilidade.	Ou	seja,	tudo	estava	correndo	conforme	o	planejado	pela
espiritualidade	superior.
O	primeiro	a	entrar	foi	o	Negro.
Ventania	pegou	todas	as	tochas	e	as	distribuiu	entre	nós.	Entramos	naquele
corredor	com	a	esperança	de	que	iríamos	sair	logo	daquele	maldito	lugar.
O	espaço	do	corredor	só	permitia	a	passagem	de	um	por	vez.	Assim,	em	fila,
caminhamos	por	alguns	minutos	seguindo	o	Negro,	até	que	chegamos	a	um	lugar
amplo,	e	logo	percebemos	que	já	tínhamos	atravessado	toda	aquela	montanha	de
granito.
O	lugar	era	escuro	e	muito	frio.	Um	vento	com	intensidade	moderada	quase	não
nos	deixava	caminhar.
Vimos	que	a	uns	trezentos	metros	dali	havia	uma	pequena	cabana	com	a	luz	da
varanda	acesa.	Decidimos	que	iríamos	em	sua	direção.
Estávamos	mais	calmos	e	confiantes.	Felipe	abraçado	a	Nina,	seguia	ao	meu
lado.	Soraya	estava	ao	lado	de	Rodrigo.	O	Negro	e	o	Ventania	iam	à	frente,	e
Lucas	estava	atrás	de	todos.
Foi	quando	eu	vi	a	cena	mais	triste	de	toda	a	minha	vida	mediúnica.	Amigos,
como	é	difícil	para	mim,	relatar	o	que	vi	naquele	momento.
O	lugar	era	um	enorme	campo,	como	esses	campos	de	plantação.	Não	havia
nenhum	relevo	no	solo,	era	tudo	plano,	escuro,	frio	e	muito	grande.
Uma	rasteira	vegetação	cobria	todo	o	lugar.	A	cada	dois	metros,	havia	poços
cavados	e,	dentro	deles,	espíritos	em	posição	fetal.	Parecia	que	eles	estavam
dentro	de	um	útero,	mas,	na	verdade,	era	aquele	buraco	cavado	no	grande
campo.
E	era	grande	mesmo,	eu	não	consigo	sequer	mensurar	o	tamanho	daquele	lugar,
mas	posso	precisar	que	ali	tinham	mais	de	mil	poços	e,	dentro	de	cada	um,	havia
um	espírito.	Todos	em	posição	fetal.	É	muito	triste	ver	que	um	espírito	pode
chegar	a	tal	condição.
Naquele	momento,	Felipe	abraçou	Nina	carinhosamente	de	novo,	e	todos	nos
solidarizamos	com	a	dor	daquela	iluminada	mentora.	Nina	estava	triste,	pois	ela
sabia	que,	em	algum	buraco	daqueles,	acabaria	encontrando	a	sua	mãe.
–Vamos	até	a	cabana,	lá	deve	ser	o	centro	de	controle	desse	lugar.	Deve	ter
alguém	que	possa	nos	ajudar.	–	disse	Rodrigo,	tentando	nos	afastar	daquele	lugar
de	sofrimento.
Caminhamos	com	muita	dificuldade	entre	aqueles	buracos	até	que,	finalmente,
chegamos	à	cabana.	Entramos	todos,	exceto	o	Negro	e	o	Ventania	que	ficaram
do	lado	de	fora	para	nos	dar	segurança.
Havia	um	balcão	lá	dentro,	em	um	lugar	organizado	como	se	fosse	uma
recepção.	Atrás	desse	balcão,	tinham	algumas	mesas.	Não	havia	ninguém	no
local.	Um	grande	banco	de	espera	estava	posicionado	na	entrada.	Decidimos
então	nos	sentar	e	esperar	até	que	alguém	aparecesse.
Nina	e	Felipe	saíram	e	ficaram	sentados	na	varanda,	esperando	por	nós.	Após
alguns	minutos	um	rapaz	apareceu.
–Boa	tarde!	–	disse	ele.
Rodrigo	levantou-se	e	se	aproximou	do	grande	balcão.
–Boa	tarde!	Estamos	procurando	por	uma	irmã,	e	sabemos	que	ela	está	aqui.
O	rapaz,	então,	interrompeu	Rodrigo.
–Vocês	são	de	Amor	e	Caridade?
–Sim,	somos	de	lá.
–Temos	preparado	a	paciente	ao	longo	dos	anos	para	esse	grande	dia.
–Qual	é	o	seu	nome,	meu	rapaz?
–Estevam.	Você	é	o	Rodrigo?
–Sim,	eu	sou	o	Rodrigo.
–Estávamos	esperando	por	vocês	há	um	bom	tempo	já.
Naquele	momento,	ao	perceberem	que	estávamos	sendo	atendidos,	Nina	e	Felipe
entraram	no	recinto.
–Você	deve	ser	a	Nina	Brestonini?
–Sim,	sou	eu.
–Sejam	bem-vindos	ao	Limbo!
–Obrigada!	Qual	é	o	seu	nome?
–Meu	nome	é	Estevam.
–Obrigada	por	nos	receber,	Estevam!
–Eu	estava	esperando	por	vocês	há	bastante	tempo,	e	ontem	eu	pude	ouvir	que
estava	acontecendo	algo	no	vale,	foi	então	que	eu	percebi	que	alguém	estava
para	chegar.
–Você	ouviu	o	que	aconteceu	conosco	ontem?
–		Sempre	que	espíritos	como	vocês	vêm	até	aqui	para	fazer	resgates,	eles	ficam
furiosos	e	tentam	interferir	no	processo,	mas	quase	sempre	perdem	a	batalha.
–Nossa!	Nós	pensamos	mesmo	que	não	conseguiríamos	chegar	aqui.
–Chegaram!	Graças	aos	nossos	mentores.
–Sim,	estamos	aqui	graças	a	nossa	mentora.
–Você	deve	ser	o	Felipe?
–Sim,	sou	o	Felipe.
–Sejam	bem-vindos!
–Essa	é	a	Soraya,	e	esse	é	o	Lucas,	lá	fora	estão	o	Negro	e	o	Ventania.	–	disse
Rodrigo,	apresentando	todos	nós.
–		Sejam	bem-vindos,	meus	irmãos.	Agora,	eu	preciso	lhes	passar	algumas
informações	sobre	a	paciente	que	vocês	vieram	buscar.
–Ela	está	bem?
–Ela	vem	sendo	preparada	para	esse	resgate	há	bastante	tempo,	Nina.	Um
espírito	amigo	vem	até	aqui	todos	os	dias	para	prepará-la.
–Um	espírito	amigo?
–Sim.
–De	onde	ele	é?
–Eu	não	sei.	Só	sei	que	ele	vem	aqui	todos	os	dias	no	início	do	meu	expediente
para	preparar	a	sua	mãe.
–Meu	Deus!	Quem	será	que	está	fazendo	isso?
–É	um	rapaz.	Ele	vem	sempre	sozinho.	Traz	alguns	pergaminhos	e	faz	a	leitura
deles	para	a	sua	mãe.
–Quem	será?
–Eu	apenas	o	cumprimento,	nunca	perguntei	o	seu	nome.	Vocês	estão	sempre
nos	surpreendendo	quando	a	missão	de	vocês	é	o	resgate	de	algum	espírito,	por
isso,	estou	acostumado	com	essas	visitas	e	não	costumo	fazer	muitas	perguntas,
pois	nem	todos	gostam	de	falar,	espero	que	compreendas.
–Você	disse	que	ele	traz	pergaminhos?
–Sim,	os	pergaminhos	são	as	encarnações	dos	espíritos	que	perderam	toda	a
memória,	por	isso,	estão	aqui	e	vivem	assim.
Bondosamente,	esse	rapaz	sempre	traz	novos	relatos	sobre	as	encarnações	dessa
mulher,	e	lhe	relata	tudo	com	muita	paciência	para	que	ela	recupere	seu
perispírito.	Ele	é	muito	paciente	e	bondoso.
–Eu	preciso	saber	quem	é	esse	rapaz.	–	diz	Nina.
–Se	vocês	decidirem	esperar,	talvez	eu	possa	ajudar.
–Obrigada,	Estevam.
–De	nada,	Nina.
Rodrigo	olhou	para	Nina,	carinhosamente.
Felipe	ficou	impressionado	com	essa	revelação,	afinal,	quem	seria	esse
misterioso	espírito	o	qual	estaria	cuidando	da	mãe	de	Nina	sem	que	ela
soubesse?	Com	que	permissão	esse	espírito	estaria	fazendo	isso?	De	onde	vem?
Quemé?
–Ele	vem	todos	os	dias?	–	perguntou	Felipe	novamente	ao	Estevam.
–Sim,	Felipe.
–Ele	já	esteve	aqui	hoje?
–Sim,	já	fez	seu	trabalho	e	foi	embora.
–A	que	horas	ele	costuma	vir?	–	perguntou	Rodrigo.
–Ele	vem	sempre	pela	manhã.
Nina	olhou	para	Rodrigo	como	se	lhe	pedisse	para	ficarem	lá	para	esperar	pelo
rapaz.	–	Estevam,	você	teria	algum	lugar	por	aqui	no	qual	pudéssemos	passar	a
noite?
–Tenho	sim,	venham	comigo.
–Não	iremos	te	atrapalhar?	–	perguntou	Lucas.
–De	forma	nenhuma,	amigos,	temos	acomodações	preparadas	para	espíritos
como	vocês	que	vêm	até	aqui	para	os	resgates.
–Somos	muito	gratos.
–Sem	problema.
–É	que	eu	quero	saber	quem	é	esse	amigo	espiritual	que	está	cuidando	da	minha
mãe	durante	todo	esse	tempo.
–Amanhã,	logo	cedo,	ele	aparecerá,	e	eu	aviso	a	vocês	assim	que	ele	chegar.
Agora,	venham,	vocês	precisam	descansar,	posso	ver	pelo	rosto	de	vocês	e	pelas
roupas	que	estão	muito	cansados.
–Estamos	sim.	–	disse	Soraya.
Estevam	nos	levou	para	uma	pequena	hospedaria	muito	próxima	dali.	Todos
descansavam	curiosos	para	saber	quem	seria	a	pessoa	que	estaria	cuidando	da
mãe	de	Nina	durante	tanto	tempo…
Era	tarde	da	noite	quando	Estevam	apareceu	para	conversar	com	a	Nina	e	com
os	demais	espíritos.
Um	leve	toque	foi	dado	à	porta	do	ambiente	em	que	todos	estavam	descansando
da	longa	viagem.	Rodrigo	se	levantou	e	abriu	a	porta,	onde	Estevam	aguardava
para	falar	com	todos.
–Entre,	meu	amigo.	–	disse	Rodrigo.
–Obrigado,	amigo.	–	disse	Estevam,	entrando	no	ambiente.
–Seja	bem-vindo,	Estevam,	sente-se	aqui	conosco,	por	favor.	–	disse	Felipe,	se
levantando.
Estevam	sentou	em	uma	cadeira	à	mesa	onde	todos	estavam.
–		Eu	resolvi	vir	até	aqui,	primeiro,	para	me	desculpar	com	os	amigos.	É	que
quase	não	conversamos,	e	eu	gostaria	que	todos	entendessem	que	o	meu	trabalho
aqui	não	permite	muito	com	que	eu	dê	a	todos,	a	atenção	merecida.	Vocês	são
amigos	iluminados,	e	merecem	toda	a	dedicação	possível.
–Sem	problema,	Estevam.	–	disse	Nina,	carinhosamente.
–Eu	sei	que	todos	vocês	estão	ansiosos	para	o	reencontro,	mas	eu	gostaria	de
alertá-los	que	a	nossa	querida	irmã	ainda	está	bem	distante	de	ser	o	que	era.
Nina	olhou	para	baixo	com	os	olhos	marejados.
–		Você	poderia	nos	contar	um	pouco	sobre	este	lugar,	Estevam?
–Claro	que	sim,	Soraya.
O	Limbo,	assim	comotodas	as	cidades	do	Umbral,	é	subdividido.
Há	várias	regiões	no	Limbo.	A	que	vocês	estão	é	onde	se	encontram	espíritos	em
processo	de	socorro.	Há	também	outros	lugares,	como,	por	exemplo,	o	Sub-
limbo.
–O	que	seria	o	Sub-limbo?
–É	onde	estão	mônadas,	parasitas	espirituais,	e	espíritos	em	total	desequilíbrio.
Na	verdade,	são	espíritos	que	estão	vivendo	a	segunda	morte.
–Segunda	morte?	–	questionou	Soraya.
–Sim.	Quando	o	espírito	perde	totalmente	seu	perispírito,	ele	passa	pela	segunda
morte.	E	é	ela	que	possibilita	ao	espírito,	reconstruir	sua	nova	encarnação.	É	um
processo	lento	e	doloroso	para	todos	os	envolvidos.	Aqui	existem	várias	formas
e	muitos	estágios	espirituais.	Os	espíritos	que	estão	aqui	é	porque	chegaram	ao
limite	existencial,	testaram	os	seus	limites,	entendem?
–Como	assim,	Estevam?	–	perguntou	Lucas.
–Como	todos	sabemos,	há	limites	pelos	quais	nós,	espíritos,	não	podemos
ultrapassar,	aliás,	há	limites	em	todas	as	coisas	da	criação.
–Sim,	sabemos.	Somos	regidos	pelas	Leis	naturais,	e	são	elas	que	estabelecem	o
equilíbrio	em	todos	os	lugares.	Mas,	você	poderia	citar	alguns	dos	limites	pelos
quais	esses	espíritos	experimentaram	antes	de	serem	trazidos	para	cá?	Ou
melhor,	quais	seriam	os	limites	humanos	que	fazem	com	que	esses	espíritos
venham	para	cá?
–Sim,	posso	sim.	Citarei	os	mais	comuns	por	aqui.
–Obrigado,	Estevam.
–Vamos	lá!
Os	motivos	mais	comuns	são:	suicídio	sucessivo,	abortos	contínuos,	crimes
bárbaros,	falta	de	amor	ao	próximo,	inexistência	de	fé,	agir	como	o	Anticristo,
maldade	sem	limites,	assassinato	de	crianças,	psicopatia,	sádicos	e
desequilibrados	que	encontram	prazer	na	dor	alheia,	a	política	destrutiva,
crueldade,	pregação	da	religião	para	benefício	próprio,	estupradores,	e	tantas
outras	mazelas	humanas	que	direcionam	esses	espíritos	para	esse	lugar.
O	que	todos	precisam	compreender	é	que	há	sim	justiça	divina	para	a	proteção
de	todos,	e	é	aqui	no	Limbo	e	em	suas	subdivisões,	que	se	encontram	os	piores
espíritos	que	já	viveram	sob	o	orbe	terreno.	Esses	irmãos	são	atraídos	para	cá
após	várias	encarnações	fracassadas.
É	aqui	que	são	testados	todos	os	limites	das	experiências	espirituais.	Aqui	colhe-
se	o	fruto	mais	amargo	das	existências	terrenas.	Quando	o	perispírito	mais
grosseiro	é	perdido,	perde-se	também	a	forma	humana.	Desta	forma,	podemos
dizer	que	esses	irmãos	estão	aqui	como	ovoides.
–O	que	é	um	ovoide,	Estevam?	–	perguntou	Soraya.
–O	corpo	ovoide	é	o	corpo	mental,	é	a	parte	mental	do	espírito	que	viveu	as
encarnações,	e	transgrediu	os	limites	que	citei	acima.	É	o	que	resta	da	forma
física	perispiritual,	o	restante	foi	perdido,	entendeu?
–Sim.
–É	o	que	sobra	do	perispírito	que	foi	construído	através	das	encarnações.
Quando	transgredimos	as	Leis	naturais,	Soraya,	destruímos	a	nossa	forma	física,
assim,	o	que	nos	resta	é	a	parte	mental.	É	isso,	não	é,	Estevam?
–Sim,	Lucas,	é	exatamente	isso,	mas	tenho	que	ressaltar	também	que	a	parte
mental	fica	adormecida,	e	é	preciso	ser	acordada	lentamente	para	que	o	espírito
consiga	se	refazer.
Infelizmente,	esses	irmãos	não	foram	capazes	de	se	sustentar	na	forma	humana.
Perderam-se	após	a	transgressão	das	Leis	naturais	e,	mentalmente,	eles	não
conseguiram	se	fixar	na	forma	humana.
O	que	todos	precisam	saber	é	que	o	perispírito	é	composto	por	vários
perispíritos,	assim,	quando	se	evolui,	os	perispíritos	tornam-se	mais	sutis,	e	ao
transgredir	às	Leis	maiores,	os	perispíritos	tornam-se	mais	densos,	até	perderem
totalmente	a	forma,	tornando-se	um	ovoide.
E,	para	que	haja	a	reencarnação,	é	necessário	que	o	perispírito	mais	grosseiro
morra	em	definitivo,	afinal,	o	espírito	“encarnante”	está	construindo	uma	nova
forma,	um	novo	perispírito.	Isso	é	o	que	chamamos	de	segunda	morte.
–Então,	cada	vez	que	um	perispírito	morre,	este	evento	é	chamado	de	segunda
morte?
–Exatamente,	Lucas.	Toda	vez	que	o	espírito	modifica	o	seu	perispírito,	tanto
para	a	forma	mais	sutil	quanto	para	a	forma	mais	grosseira,	chamamos	isso	de
segunda	morte.
–Nossa,	eu	nunca	pensei	que	fosse	assim.	–	disse	Soraya.
–Aqui	temos	bastante	trabalho,	Soraya.
–E,	o	que	faz	esse	rapaz	que	visita	a	minha	mãe	todos	os	dias?
–Ele	traz	pergaminhos,	Nina,	que	narram	as	encarnações	da	sua	mãe.	Sempre
que	vem	aqui,	ele	traz	um	pouco	das	histórias	vividas	por	ela.	Pacientemente,	ele
se	senta	à	beira	do	poço	e	começa	a	contar	a	ela	sobre	seu	passado.	Isso	ativa	as
boas	memórias	no	ovoide,	que	começa	a	reconstruir-se	para,	novamente,
experimentar	a	vida	terrena.
–Quer	dizer	que	a	minha	tia	está	sendo	preparada	para	reencarnar?
–Sim,	Soraya,	esse	é	o	processo.
Veja,	Soraya,	para	que	o	espírito	possa	se	instalar	no	útero	para	renascer,	é
necessário	que	ele	passe	por	vários	processos.	A	sua	tia	terá	que	refazer	o
caminho,	e	precisará	passar,	por	exemplo,	pelo	processo	de	miniaturização	ou,	se
preferir,	passará	por	um	processo	de	restringimento	do	corpo	perispiritual,	assim,
o	espírito	poderá	experimentar	uma	nova	vida.
É	o	recomeço.	Ela	precisa	ser	preparada	para	tudo	isso.
–Então,	por	que	viemos	buscá-la?
–Eu	não	sei.	–	disse	Estevam.
Naquela	hora,	todos	se	entreolharam	preocupados.	Rodrigo	permaneceu	calado	e
sentado	à	cabeceira	da	mesa.
–Todos	precisam	saber	que	o	perispírito	perece,	o	perispírito	morre	quando	o
espírito	precisa	mudar	de	estágio	evolutivo,	ou	não.
Desculpem-me	por	insistir	nesse	assunto,	mas	foram	os	limites	do	espírito	que	os
trouxeram	para	cá,	por	isso	o	título	sugerido	dessa	obra	psicografada	pelo
médium	que	está	aqui	conosco:	“O	limite”.
–Pouco	é	falado	sobre	isso,	Estevam,	e	acho	extremamente	oportuno	esses	teus
ensinamentos.	–	disse	Lucas.
–Sim,	mas	é	importante	que	todos	saibam	que,	para	que	o	espírito	possa
ascender	ou	descender	rebaixar-se,	ele	precisa	se	modificar.
–Certo,	sabemos	disso.	–	disse	Nina.	–	Realmente	é	importante	que	destaquemos
esse	ensinamento	neste	livro.	Sou	grata	a	você,	Estevam,	por	tamanha	bondade.
–Você	poderia	explicar	isso	para	mim,	Estevam?
–Explicar	o	que,	Soraya?	–	perguntou	Nina.
–Ascender	ou	descender	.
–Somos	espíritos	semeeiros	,	concorda,	Soraya?
–Sim,	concordo.
–Então,	por	favor,	Soraya,	nos	explique	o	que	você	entende	por	semeeiros?
–Colhemos	o	fruto	da	semeadura	terrena	ou	espiritual.	Eu	sei	que	sou	um
espírito	eterno	e	imortal,	e	evoluir	só	depende	de	mim,	pois	só	evoluo	quando
melhoro	intelectual	e	moralmente,	e	é	isso	o	que	estamos	fazendo	em	Amor	e
Caridade.
–Pois	bem,	Soraya,	para	poder	adentrar	em	planos	ainda	desconhecidos,	sejam
eles	superiores	ou	inferiores,	é	necessário	ter	uma	vestimenta	nova	e	adequada,
se	assim	posso	dizer.
–Para	viver	em	dimensões	superiores	é	necessário	que	haja	mudanças
perispirituais,	Soraya.
–Muito	bem,	Rodrigo.	–	disse	Estevam.
–Quanto	mais	elevada	a	dimensão	pela	qual	você	acessar,	mais	sutil	será	o	corpo
espiritual	que	você	necessitará	para	viver	lá,	e	quanto	mais	denso	for	o	lugar
pelo	qual	você	estiver,	mais	grosseira	será	a	sua	forma	perispiritual.
–Meu	Deus!
–O	que	todos	precisam	compreender	é	que	o	perispírito	é	composto	por	vários
corpos	espirituais,	sendo	assim,	em	cada	região	que	o	perispírito	estiver,	ele
deverá	adequar-se	a	esse	lugar.	Nós	chamamos	isso	de	segunda	morte.	–
disseEstevam.
–Morre	o	velho	para	nascer	o	novo.	O	que	vemos	aqui	são	corpos	espirituais	que
morreram	e	renasceram	nessa	densa	região.	Aqui	são	colhidas	as	piores	mazelas
humanas.	O	vaso	perispirítico	também	é	transformável	e	perecível,	embora	seja
estruturado	em	um	tipo	de	matéria	maisrarefeita.
Enquanto	o	espírito	possuir	invólucros	ele	terá	a	necessidade	de	perder	esses
invólucros.	O	espírito	puro	é	o	puro	espírito,	todos	nós	possuímos	vários
perispíritos,	que	são	perdidos	ao	longo	da	nossa	evolução,	até	nos	tornarmos
puros.	–	disse	Rodrigo.
–Essa	sua	colocação	explica	perfeitamente	o	que	é	o	Limbo,	Rodrigo.	–	disse
Estevam,	com	um	olhar	de	felicidade.
–Quantos	corpos	espirituais	nós	temos,	Rodrigo?
–Bem,	os	grossos,	aqueles	que	podemos	considerar	mais	densos,	posso	te
assegurar	que	é	um	total	de	sete,	mas	também	possuímos	tantosoutros,	mais
sutis,	Soraya.
–Obrigada!	–	disse	a	jovem.
–Meus	amigos,	agora	eu	também	preciso	de	um	descanso.
Todosnóslevantamosrapidamenteparanosdespedirmos	de	Estevam.
–Amanhã,	assim	que	o	rapaz	chegar,	eu	venho	avisá-los	de	sua	presença.
Nina	estendeu	a	mão	para	cumprimentar	Estevam	que,	carinhosamente,	beijou	a
sua	mão	em	despedida.
–Mas,	antes	de	deixá-los,	devo	informar	que	os	espíritos	que	vivem	no	Umbral,	e
estão	dedicados	à	tarefa	do	mal,	também	estão	perdendo	suas	formas.	Colhe-se
na	vida	espiritual,	as	mazelas	humanas	e	também	a	maldade	espiritual.	Nenhum
de	nós	está	livre	da	justiça	divina	que	está	presente	em	todos	os	lugares.
Aqui,	e	nas	regiões	umbralinas,	encontram-se	milhares	de	espíritos	deformados
por	estarem	desintegrando	seus	perispíritos	e	insistindo	na	maldade.	Um	dia,
todos	terão	que	trilhar	o	caminho	do	recomeço,	desde	os	ovoides	até	os	espíritos.
Há	leis	em	todos	os	lugares.
–			Gratidão	a	tantos	ensinamentos,	Estevam.	–	disse	Soraya.
Todos	cumprimentaram	Estevam	que,	feliz	pelo	encontro	evolutivo,	deixou	o
lugar.
Após	uma	xícara	de	chá,	todos	foram	descansar	e	esperar	pelo	próximo	dia.
Nina	estava	ansiosa	para	saber	quem	era	o	espírito	que	cuidava	de	sua	amada
mãe.
“Todas	as	conquistas	morais	e	intelectuais	na	encarnação	são	patrimônios	da
alma!”
Nina	Brestonini
Dia	4
Logo	pela	manhã,	Ventania	levantou-se	e	saiu	do	lugar	onde	todos	estavam
descansando.
O	Negro	não	havia	dormido	com	eles.
Rodrigo	também	já	estava	de	pé	ao	lado	de	Lucas,	o	qual	preparava	um	delicioso
chá	para	todos.
Nina,	Felipe	e	Soraya	logo	se	levantaram	ansiosos	para	o	encontro	com	o
misterioso	rapaz	que	cuidava	com	tanto	carinho	da	mãe	de	Nina.
–Bom	dia,	Nina.
–Bom	dia,	Rodrigo.
–Dormiu	bem?
–			Não.	Confesso	que	estou	muito	curiosa	para	saber	quem	é	que	está	cuidando
da	minha	mãe	por	tanto	tempo.
–Provavelmente	é	um	benfeitor	amigo.	–	disse	Lucas,	se	aproximando.
–Não	creio.
–Logo	mais	saberemos,	Nina.	–	disse	Rodrigo.
–Onde	será	o	local	pelo	qual	esperaremos	pelo	misterioso	rapaz?
–Vamos	aguardar	o	Estevam	aparecer,	Felipe,	ele	disse	que	assim	que	o	rapaz
chegasse,	iria	trazê-lo	até	nós.
–Verdade.	–	disse	Soraya,	se	aproximando.
–Vamos	nos	sentar,	tomar	esse	chá	delicioso	que	preparei	com	tanto	carinho,	e
esperar	pelo	nosso	anfitrião.	Todos	se	sentaram	e	ficaram	à	espera	de	Estevam.
Passados	alguns	minutos,	Ventania	chegou	e	adentrou	ao	cômodo	onde	todos
estavam	sentados	à	mesa.
–Bom	dia,	amigos!
–Bom	dia,	Ventania,	onde	você	estava?
–Eu	estava	lá	fora	com	o	Negro,	Nina.
–Algum	sinal	do	nosso	amigo?
–O	Estevam?
–Sim.
–Acabou	de	passar	por	mim,	ele	estava	indo	em	direção	à	cabana.
–E	ele	falou	sobre	o	rapaz?
–Não	disse	nada,	apenas	me	cumprimentou	e	seguiu	para	atender	a	alguns
irmãos	que	chegaram	para	buscar	alguém.
–Um	grupo	de	espíritos?
–Sim,	um	grupo	de	irmãos	da	Colônia	da	Regeneração.
–Você	conhece	alguém?
–Sim,	eu	pude	ver	a	Heloisa,	o	Alceu	e	mais	alguns	auxiliares.
–Saudade	do	Alceu.	–	disse	Nina.
–Vamos	até	lá	para	falar	com	eles?
–Não	recomendo,	é	melhor	esperarmos	pelo	Estevam.	–	disse	Rodrigo,
preocupado.
–Eu	também	acho.	–	disse	Lucas.
–Ontem	ele	nos	disse	que	assim	que	o	rapaz	chegasse,	ele	o	traria	aqui,	não	foi
isso?
–Sim,	e	é	por	isso	que	estamos	aqui	sentados	e	esperando	por	ele.	–	disse	Felipe.
–Então,	vamos	esperar,	amigos.	–	disse	o	Índio.
–O	que	vocês	acharam	desse	lugar?	–	perguntou	Soraya.
–Horrível!	–	disse	Felipe.
–Eu	também	não	gostei	daqui.	–	disse	Nina.
–É	muito	sofrimento.	–	disse	Lucas.
–Esse	lugar	reflete	os	espíritos	que	estão	aqui.	Como	todos	sabemos,	esses
infelizes	irmãos	precisam	passar	por	esse	momento	para	reconstruírem	suas
vidas.	Não	há	sofrimento	sem	propósito,	tudo	está	em	conformidade	para	que
todos	nós	possamos	evoluir	e,	um	dia,	permanecermos	na	vida	plena.
–Sabemos	disso,	meu	amado	Rodrigo.	Mas	é	muito	triste	tudo	o	que	estamos
presenciando	aqui.	–	disse	Nina.
–Meu	peito	também	sente	dor,	Nina.	–	disse	Rodrigo.
–Infelizmente,	ainda	há	muitos	irmãos	que	insistem	em	viver	dessa	forma,	eles
não	ouvem	os	nossos	conselhos.	–	disse	Lucas,	emocionado.
–Não	fique	assim,	Lucas,	pois	estamos	fazendo	nossa	parte,	se	cada	um	fizer	a
sua,	um	dia,	tudo	será	melhor.
–EstánosplanosdeDeusquetudofiquemelhor.–	disse	Nina.
–Um	dia,	esse	lugar	estará	vazio,	sem	nenhum	espírito.
–Deus	seja	louvado!	–	disse	Rodrigo.
Naquele	momento,	o	Negro	chegou	à	porta	e,	ao	seu	lado,	um	rapaz	usando	uma
capa	que	lhe	cobria	todo	o	corpo.	A	roupa	era	num	tom	escuro	de	roxo.	Nos	pés,
o	rapaz	usava	uma	bota	que	ia	até	a	metade	das	canelas.	Sobre	a	cabeça,	um
capuz	que	lhe	cobria	toda	a	face.	Nas	mãos,	luvas	de	cor	preta.
–Senhores,	esse	é	o	rapaz	enviado	por	Estevam.	–	disse	o	Negro,	abrindo	a	porta
e	permitindo	a	entrada	dojovem.
Todos	ficaram	de	pé	à	espera	da	revelação	de	quem	seria	aquele	rapaz.
O	jovem	adentrou	o	lugar	e	posicionou-se	à	frente	de	todos.	Ele	carregava	uma
bolsa	transversal	com	alguns	papéis	e	alguns	pergaminhos.
O	rapaz,	então,	olhou	para	todos	e,	lentamente,	retirou	o	capuz	lhe	revelando	a
face.	Todos	ficaram	surpresos	com	a	juventude	do	menino.
Nina,	ao	ver	quem	era,	não	conteve	as	lágrimas	e	começou	a	chorar
compulsivamente.	Estava	ali,	na	sua	frente,	seu	irmão	mais	novo,	o	Reginaldo.
Ela	correu	e	se	jogou	nos	braços	do	irmão.	Ambos	choravam	emocionados.
Todos	se	emocionaram	com	o	encontro.
Soraya	também	chorou	com	a	ilustre	visita	do	primo.
Felipeficoumuitofeliz,enãoconseguiaescondera	surpresa.
Nina	estava	abraçada	ao	irmão.
E	Negro,	finalmente	entrou	no	cômodo	e	fechou	a	porta.
Todo	o	ambiente	encheu-se	de	luz.
–Eu	não	poderia	imaginar	que	você	estivesse	por	aqui,	meu	amado	irmão.	–
disse	Nina,	emocionada.
–		Eu	estou	aqui	há	bastante	tempo,	tenho	cuidado	da	nossa	mãe,	pois	ela	precisa
muito	sair	desse	estado,	Nina.
–Meu	Deus!	Eu	sequer	sabia	que	você	já	tinha	desencarnado.
–Eu	desencarnei	logo	após	a	sua	partida.	Sofri	um	terrível	acidente	de	moto,	e
cheguei	à	vida	espiritual	há	apenas	dois	anos	do	seu	desencarne.
–Mas,	por	que	eu	não	fui	avisada?
–Estava	nos	planos	de	Deus	que	nos	encontrássemos	aqui	hoje,	para	juntos
levarmos	a	nossa	mãe	daqui,	e	acompanharmos	sua	próxima	vida.	Agora,	Nina,
mamãe	não	errará	mais,	pois	nós	seremos	os	mentores	espirituais	dela.
–Como	estou	feliz	em	te	ver,	meu	amado	Naldo.
–Você	lembrou	do	meu	apelido?
–Nunca,	e	em	nenhum	segundo	da	minha	existência,	eu	esqueci	de	você.	Sempre
fomos	um	para	o	outro.
–Vocês	não	acham	melhor	se	sentarem	e	beberem	um	chá?	–	disse	Ventania,	se
aproximando.
(Risos)
Todos	se	sentaram	e	começaram	a	conversar	sobre	a	vida	de	Reginaldo.
–Conte-me	sobre	como	você	desencarnou,	meu	irmão.
–Após	a	sua	morte,	as	coisas	ficaram	bem	difíceis	lá	em	casa.	Mesmo	tendo
recebido	a	cartinha	que	você	escreveu	para	a	mamãe	e	o	papai,	eles	se	desviaram
da	doutrina	dos	espíritos.
Foram	para	uma	igreja,	e	lá	parece	que	sofreram	uma	lavagem	cerebral.	Ficaram
irreconhecíveis.
Eu	já	não	dormia	mais	em	casa.	Fui	morar	com	a	vovó.	Foi	quando	sofri	um
terrível	acidente	de	moto.	Desencarnei	imediatamente	após	a	queda.
Cheguei	rapidamente	à	vida	espiritual.	Eu	fui	levado	para	a	Colônia	Laços
Eternos,	e	logo	que	cheguei,	fui	procurar	por	você.
Naquele	momento,	Ventania	serviu	uma	xícara	de	chá	para	todos.
–Obrigada,	Ventania.	–	disse	Nina,	carinhosamente.
–Obrigado,	meu	amigo.	–	disse	Reginaldo.
–Você	não	me	encontrou	em	Laços	Eternos?
–		Não.	Eu	fui	informado	que	você	estava	em	Amor	e	Caridade.
–E	por	que	você	não	foi	até	lá	para	me	ver?
–Assim	que	eu	me	recuperei,	fui	convidado	a	trabalhar	aqui	no	Limbo.	Acho	que
eles	estavam	me	preparando	para	receber	a	mamãe.
–Eu	também	acho.	–	disse	Soraya.
–Perdoe-me,	Soraya,	nem	falei	direito	com	você.
–Não	se	preocupe,	Reginaldo,	mas	saiba	que	eu	estou	muito	feliz	em	ver	você.
–Eu	também,	prima.
–Foi	a	Nina	quem	me	salvou	no	Umbral,	Reginaldo.
–A	Nina	te	buscou	no	Umbral?
–Sim,	ela	e	o	Felipe.	Foram	eles	que	me	ajudaram	a	sair	daquele	lugar.
–Eu	soube	da	sua	morte,Soraya,	e	lamento	muitopelo	que	fizeram	com	você.
–Eu	agradeço	o	que	aconteceu	comigo,	Reginaldo,	pois,	assim,	reencontrei	a
Nina,	e	estou	muito	feliz	em	Amor	e	Caridade.
–Você	não	é	aquele	garoto	que	vivia	atrás	da	Nina	na	escola?
–Sou	eu	mesmo,	Reginaldo,	o	Felipe.
–Caramba!	Como	vocês	se	reencontraram?
–Eu	também	estava	no	Umbral,	mas	isso	é	uma	longa	história.
–Que	legal	você	ter	reencontrado	a	Nina.	Olha,	deixa	eu	te	contar	uma	coisa…
ela	sempre	gostou	muito	de	você,	Felipe.
–Reginaldo…	–	advertiu	Nina.
Todos	riram…
–Esse	aqui	é	o	Rodrigo,	ele	é	o	meu	amigo	de	muitas
vidas,estamosligadospormuitasvidas,elogo,vocêtambém	poderá	se	lembrar	das
vidas	as	quais	estivemos	juntos,	ligados	um	ao	outro.
–Eu	estou	ligado	a	você	por	outras	vidas,	Nina?
–Sim,	meu	amado	irmão	e,	no	momento	certo,	eu	vou	te	conduzir	às	lembranças
necessárias.
–Que	bom!
–Conte	mais,	como	está	o	nosso	irmão,	o	George	Filho?
–Não	sei,	Nina,	acho	que	ainda	está	encarnado.	Eu	já	tentei	ir	até	lá	em	casa,	mas
mamãe	e	papai	doaram	tudo	o	que	nós	tínhamos	para	a	igreja.	Pela	última
informação	que	tive,	o	nosso	irmão	foi	morar	em	outro	Estado	após	se	casar	com
a	Marcília.
–Eles	se	casaram?
–		Sim,etiveramdoisfilhos…duasmeninas.Mas,por	que	você	não	foi	visitar	a
gente,	Nina?
–		Assim	que	cheguei	em	Amor	e	Caridade,	e	recordei	quem	verdadeiramente	eu
era,	acabei	me	envolvendo	com	as	tarefas	da	nossa	Colônia.	Sabe,	Naldo,	eu	sou
diretora	de	uma	escola,	sou	vice-diretora	de	um	hospital,	sou	assistente
administrativa	da	Colônia,	e	ainda	tenho	algumas	tarefas	em	casas	espíritas	em
outra	Colônia.	Então,	não	é	que	eu	não	tive	vontade	de	visitar	vocês,	mas	logo
que	cheguei	aqui,	eu	aprendi	uma	coisa.
–O	que	você	aprendeu,	Nina?
–Aprendi	que,	um	dia,	todos	nos	reencontraremos	na	vida	espiritual.	Papai,
mamãe,	você	e	George	têm	seus	destinos	e	eles	precisam	se	cumprir.	Para
evoluírem,	vocês	escolheram	encarnar	e	passar	pelas	provas	as	quais	já
enfrentaram	e	ainda	enfrentam.
Ao	chegarmos	aqui,	nos	conscientizamos	do	que	somos	verdadeiramente,	e	não
temos	o	direito	e,	muito	menos,	permissão	para	interferir	nos	destinos	traçados
antes	da	vida	terrena.	E	tem	mais	uma	coisinha	que	eu	tenho	que	te	falar,	meu
irmão.
–Diga,	Nina.
–Nem	sempre,	as	escolhas	que	fazemos	quando	estamos	encarnados,	nos	trazem
alegrias	e,	a	pior	coisa	que	existe	para	quem	está	na	vida	espiritual,	é	ver	sofrer
quem	a	gente	ama,	sem	poder	fazer	nada.	Por	esse,	e	tantos	outros	motivos,	é
que	nós	recomendamos	a	todos	os	que	chegam	aqui,	para	que	deixem	os	que
ficaram,	seguirem	seus	caminhos.	Um	dia,	todos	nos	reencontraremos,	para
juntos,	traçarmos	novos	destinos,	esse	é	o	caminho	da	maioria	dos	espíritos	que
está	nesse	planeta.
Esse	é	o	meu	novo	destino,	meu	amado	Naldo.	Sou	mentora	espiritual	de	alguns
espíritos	afins	que	ainda	expiam	na	Terra.	Tenho	muito	trabalho	a	fazer	na
vidaespiritual.
Viemos	aqui	para	buscar	a	mamãe	e,	como	em	tudo,	não	há	acasos,	reencontrei
você,	um	espírito	que	tanto	amo.	E	olha,	eu	tenho	que	te	dizer	uma	coisa…	estou
muito	orgulhosa	de	ver	que	você	é	um	espírito	bom,	que	trabalha	para	a	sua
evolução,	e	isso	me	deixa	extremamente	feliz.
–Sabe,	Nina,	quando	mamãe	e	papai	foram	para	a	igreja,	eu	decidi	que	iria	me
dedicar	ao	espiritismo.	Ainda	bem	que	eu	me	dediquei	a	isso,	pois	foi	de	fácil
compreensão,	para	mim,	o	meu	desencarne.	Não	sei	se	eu	aceitaria	muito	bem	a
minha	morte	tão	precoce,	caso	não	fossem	os	ensinamentos	espíritas.
–Não	há	acasos,	meu	amigo.	–	disse	Felipe.
–		Realmente,	nada	está	ao	acaso,	precisamos	crer	que	há	um	projeto	de	Deus
para	todos	nós.	–	disse	Soraya.
–Um	dia,	todos	poderemos	compreender	que	a	vida	não	se	resume	a	uma	vida
apenas.	–	disse	Rodrigo.
–Agora,	é	seguir	em	frente,	sem	medo,	conscientes	de	que	não	somos	“o	nada”,
somos	espíritos	e,	sendo	assim,	precisamos	viver	intensamente	a	vida	dos
espíritos.	–	disse	Lucas.
–		Meus	amigos,	posso	ver	a	felicidade	estampada	em	cada	rosto	nesse
momento,	mas	temos	uma	missão	a	cumprir,	então,	eu	sugiro	a	todos
prosseguirmos	com	o	resgate	de	nossa	irmã.	–	disse	Ventania,	se	aproximando.
–Sim,	sim,	vamos!	–	disse	Nina,	se	levantando.
–Porém,	antes	de	irmos,	eu	gostaria	de	mostrar	uma	coisa	para	você,	Nina.
Sente-se,	por	favor.
–Para	mim,	Naldo?
–Sim.	Ontem	à	noite,	eu	estava	no	meu	quarto,e	Estevam	me	disse	que	hoje	eu
me	encontraria	com	você.	Disse	também	para	que	me	preparasse	e	trouxesse
esse	pergaminho	para	que	pudéssemos	lê-lo	juntos.	Eu	confesso	que	não	sei	seu
conteúdo,	mas	o	Estevam	está	aqui	há	muito	tempo,	e	tudo	o	que	ele	deseja	é	a
nossa	felicidade.	Segundo	ele,	esse	pergaminho	o	qual	iremos	ler	para	a	mamãe,
foi	trazido	até	aqui	alguns	anos	atrás	por	uma	mensageira	de	Catarina	de
Alexandria.
–Você	estava	por	aqui	ontem?	O	que	será	que	tem	nesse	pergaminho?	Qual
surpresa	Catarina	nos	apresentará	desta	vez?
–Eu	não	li.	Estou	em	uma	instalação	próxima	daqui.	Existe	um	lugar	onde	ficam
todos	os	que	trabalham	aqui.	Não	é	muito	longe	e,	se	vocês	quiserem,	eu	posso
levá-los	até	lá.	Posso	lhes	mostrar	o	lugar.
–Você	não	irá	conosco?
–Para	onde?
–Para	Amor	e	Caridade.
–Meu	trabalho	é	aqui,	Nina.
Os	olhos	da	iluminada	mentora	se	encheram	de	lágrimas.
–Não	fique	assim,	minha	querida	irmã.
–		Eu	estou	bem.	–	disse	Nina,	secando	as	lágrimas	de	seu	rosto	com	os
polegares.
Felipe	se	aproximou	de	Nina	e	a	abraçou.
Todos	nós	ficamos	emocionados.
–Vamos	nos	sentar?	–	sugeriu	Rodrigo.
Todos	se	sentaram	para	ouvir	a	leitura	do	pergaminho	levado	por	Reginaldo.	A
emoção	estava	estampada	em	todos	os	rostos.
Nina,	ao	lado	de	Felipe,	não	conseguia	esconder	a	tristeza	por	ter	que	se	separar
mais	uma	vez	do	seu	irmão.
Soraya	deixava	correr	pelo	rosto,	algumas	lágrimas	de	amor	por	seus	familiares.
Rodrigo	sentou-se	à	cabeceira	da	mesa,	ele	estava	distante	e	pensativo.
Ventania	e	Negro	estavam	próximos	à	porta	de	entrada	do	lugar.
E,	Lucas,	preparava	mais	uma	rodada	de	chá	para	servir	a	todos.
O	que	teria	no	pergaminho	que	Estevam	havia	entregado	a	Reginaldo,	para	que
fosse	lido	antes	do	resgate?
Quais	revelações	ainda	teríamos	pela	frente?
Cada	segundo	que	passava,	aumentava	ainda	mais	a	minha	ansiedade.	O	que
mais	eu	teria	para	escrever?
Quem	é	Nina	Brestonini?
Por	qual	motivo	Catarina	pediu	para	que	esse	pergaminho	fosse	lido	por
Reginaldo?
“O	encontro	das	almas	se	dá	na	vida	eterna.”
Nina	Brestonini
O	pergaminho
Era	nítida,	nos	olhos	de	todos,	a	curiosidade.
Reginaldo	pegou	o	pergaminho	e	soltou	as	fitas	que	o	mantinha	fechado.	Todos
estavam	à	espera	da	leitura	do	mesmo.
Algumas	batidas	foram	ouvidas	à	porta,	naquele	momento.	Negro	foi	até	a
varanda	do	lugar	para	atender	a	um	emissário,	que	se	identificou	para	ele.
Enquanto	isso,	aguardávamos	para	saber	o	que	estava	acontecendo.	Foi	quando
Negro	retornou	à	sala	e	aproximou-se	da	mesa,	colocou	sua	mão	sobre	o
pergaminho,	edisse:
–Esse	pergaminho	não	pode	ser	lido	aqui.
Todos	se	espantaram	com	a	atitude	do	Negro.
–		Mas,	por	que	eu	não	posso	lê-lo	aqui?	–	questionou	Reginaldo,	assustado.
–Esse	pergaminho	é	para	ser	lido	no	poço,	local	onde	está	a	mãe	de	vocês.
Nina	surpreendeu-se	com	a	atitude	de	Negro.	Todos	se	entreolharam	esperando
por	uma	ordem	de	Rodrigo.
–Quem	te	falou	que	temos	que	ler	ao	lado	da	minha	mãe,	Negro?
–Ordens	de	Daniel,	Rodrigo.
–Daniel?
–Sim,	o	enviado	pelo	qual	atendi	à	porta	agora,	ordenou	para	que	a	leitura	desse
pergaminho	fosse	feita	no	poço	onde	está	a	mãe	de	vocês.	Segundo	ele,	essa	é	a
última	mensagem	na	qual	ela	precisa	ouvir,	antes	de	ser	levada	daqui	por	nós.
–Eu	sabia	que	tinha	alguma	coisa	que	não	estava	se	encaixando.	–	disse
Reginaldo.
–Como	assim,	Reginaldo?	–	perguntou	Nina.
–Eu	já	tinha	terminado	o	trabalho	com	a	mamãe	há	dois	dias.	Fui	informado	que
o	meu	trabalho	havia	acabado,	e	que	ela	estaria	pronta	para	o	resgate,	mas	que	eu
deveria	aguardar	mais	um	pouco.	Mas,	ontem,	antes	de	ir	embora	para	a	minha
Colônia,	Estevam	me	procurou	pedindo	para	que	eu	ficasse,	oferecendo	a
oportunidade	de	eu	participar	do	resgatedela.
Eu	estranhei	o	convite,	mas	por	se	tratar	da	minha	última	mãe,	não	suspeitei	da
chegada	de	vocês.
–O	que	será	que	tem	nesse	pergaminho?
–Não	faço	a	menor	ideia,	Nina.
–		Então,	vamos	ao	local	para	ler	e	fazer	o	resgate	da	mamãe.
–Estão	todos	bem?
–Sim,	Rodrigo,	estamos	todos	bem.	–	disse	Nina.
–		Senhoras	e	senhores,	confiemos	nas	orientações	de	Daniel,	e	vamos	até	o	poço
onde	está	a	nossa	querida	irmã,	para	terminarmos	a	nossa	tarefa.	–	disse	Rodrigo,
selevantando.
Todos	se	levantaram	e	se	dirigiram	ao	local	onde	está	a	mãe	de	Reginaldo	e
Nina.
–Onde	ela	está,	Reginaldo?
–Temos	que	caminhar	um	pouco.	–	disse	o	rapaz,	seguindo	à	nossa	frente.
Todos	seguiram	o	Reginaldo	pelos	caminhos	entre	vários	poços	do	lugar.	No
caminho,	encontramos	Estevam	muito	próximo	ao	poço	e	à	espera	dos	amigos
de	Amor	e	Caridade.
–Vejam	quem	nos	espera!	–	disse	Reginaldo.
–É	o	Estevam.	–	disse	Nina.
Aceleramos	o	passo	para	nos	encontrarmos	logo	com	ele.
–		Sejam	bem-vindos	ao	poço	de	nossa	irmã.	–	disse	Estevam,	recebendo	atodos.
O	lugar	era	escuro,	porém,	Estevam	tinha	ao	seu	lado,	dois	rapazes	com	duas
tochas	as	quais	possibilitavam	uma	boa	visão	do	lugar.	Ao	lado	dos	rapazes,
havia	uma	maca	branca,	alguns	lençóis,	e	o	cavalo	branco,	levado	pelos	enviados
de	Amor	e	Caridade,	preso	a	uma	pequena	carroça,	onde	são	transportados	os
ovoides	para	hospitais	espirituais.
Havia	também	alguns	guardiões	que,	de	longe,	vigiavam	a	todos.	Eram	soldados,
e	estavam	vestidos	como	soldados	romanos.	Todos	empunhavam	lanças,	e
tinham	nas	mãos,	escudos	com	o	símbolo	de	um	dragão.	O	símbolo,	e	somente	o
símbolo,	era	dourado.
Nina	ajoelhou-se	e	olhou	para	o	fundo	do	poço	onde	estava	a	sua	mãe	e,	naquele
momento,	o	choro	da	linda	Nina	emocionou	a	todos	que	ali	estavam.	Soraya	se
ajoelhou	ao	seu	lado	e,	abraçando-a,	também	começou	a	chorar.
Felipe	estava	de	pé	ao	lado	de	Nina.	Reginaldo,	repetindo	o	gesto	de	Soraya,	se
ajoelhou	ao	lado	de	Nina,	e	também	abraçou	a	mentora.
Todos	estávamos	muito	emocionados.	A	cena	era	de	partir	qualquer	coração.
Imagina	para	uma	filha	reencontrar	a	própria	mãe	em	um	dos	piores	lugares	do
triste	Umbral,	e	ainda	em	condições	lamentáveis?
–Mãe,	por	que	você	não	seguiu	os	sinais	que	deixei	pela	minha	caminhada
terrena?	Por	que	abandonastes	a	verdade?	Por	que	tudo	isso?
Todos	ficaram	preocupados	com	Nina	e	aproximaram-se	dela.	Rodrigo	estendeu
suas	mãos	em	direção	a	Nina,	e	eu	pude	ver,	naquele	momento,	muitos	fluidos
saindo	em	sua	direção,	principalmente,	na	direção	do	coração	dela.
Estevam	aproximou-se	de	Reginaldo	e	pediu	o	pergaminho	para	ele.
–Conceda-me	a	honra	de	ler	esse	pergaminho,	Reginaldo?
–Sim,	Estevam,	por	favor!
Um	círculo	em	volta	do	poço	foi	feito	pelos	espíritos	ali	presentes.	Foi	quando
Estevam	abriu	lentamente	o	pergaminho,	e	começou	a	leitura:
Século	cinco.	Capadócia.
Essa	é	mais	uma	encarnação	de	um	espírito	que	recebe	a	graça	de	trabalhar	em
prol	de	tantas	almas	sofridas.
Encarnei	nesse	tempo	para	me	aproximar	de	Nina	e	dos	meus	filhos.	Eu	não
sabia,	mas	esse	era	o	encontro	mais	importante	de	minha	existência.
Eu	sempre	fui	uma	mulher	de	bom	coração,	sempre	ajudei	a	quem	precisasse,
mesmo	sendo	muito	pobre,	mas	pobreza	não	nos	impedia	de	ajudarmos	os	mais
necessitados,	foi	quando	ainda	jovem,	conheci	Catarina.
Ela	era	doce,	meiga	e	tinha	algo	que	me	chamou	a	atenção.
Percebendo	que	eu	poderia	ajudar	muitas	pessoas,	me	dediquei	ao	trabalho	na
governança	do	palácio	onde	Catarina	vivia	com	os	seus	pais.
Meus	pais	mudaram	de	cidade	e	eu	fiquei	sozinha,	mas	eu	estava	decidida,
havia	algo	que	me	prendia	àquela	jovem	menina.
Logo	no	primeiro	ano	em	que	trabalhava	no	castelo,	fui	encarregada	de	cuidar
da	menina	que	só	queria	estudar.
Inteligente	e	muito	caridosa,	Catarina	me	dizia	que	tínhamos	que	fazer	algo
pelas	pessoas	mais	pobres	de	Alexandria.
Foi	quando	ela	se	ligou	definitivamente	a	Nina.
As	duas	jovens	resolveram	que	deveriam	oferecer	comida	aos	que	passavam
necessidade.
Mesmo	sem	a	permissão	de	seu	pai	e	de	sua	mãe,	Catarina	tendo	a	mim	como
sua	fiel	cúmplice,	me	pediu	que	organizássemos	uma	sopa	que	serviríamos
durante	a	noite	para	os	mais	necessitados,	para	os	moribundos	que	viviam	nas
ruas	de	Alexandria.
Assim	fizemos.
Todas	as	noites	elas	desciam	para	o	porão	do	castelo	onde	eu	as	esperava	com	a
iguaria	pronta.
Eram	centenas	de	almas	que	se	alimentavam	ali	todas	as	noites	frias	de
Alexandria.
Nina	não	satisfeita	recolhia	entre	as	amigas	e	conhecidos	de	confiança,	mudas
de	roupas	que	eram	distribuídas	para	os	que	sentiam	muito	frio.
Em	um	pequeno	papel,	Nina	e	Catarina	escreviam	mensagem	de	Jesus	que	eram
entregues	a	esses	moribundos,	Nina	dizia:	precisamos	evangelizar	essas	almas,
Catarina.
Juntas	nós	fizemos	isso	por	algum	tempo,	até	que	o	Imperador	soube	das
travessuras	das	duas	meninas	e	decidiu	pôr	fim	em	tudo.
O	pai	de	Catarina	não	suportou	a	angústia	e	morreu	ao	saber	da	perseguição
do	Imperador	para	com
a	sua	família.
Eu	já	estava	ligada	a	Nina	e	ao	George	que	era	quem	nos	trazia	os	legumes.
Casei-me	com	ele	depois	do	martírio	de	Catarina	e	nunca	mais	vi	Nina	e	mais
ninguém.
Fui	perseguida	pelos	soldados	do	imperador,
mas	graças	aos	conhecimentos	de	George	conseguimos	fugir	para	o	Egito.
Após	muitas	vidas	consegui	ser	mãe	desses	espíritos	amigos	e	os	criei	com	todo
amor	que	um	espírito	pode	ter	por	outro.
Nina	chorava	copiosamente	ao	lado	de	Reginaldo,	que	a	abraçava	enquanto
Estevam	lia,	lentamente,	aquele	pergaminho.	Todos	estávamos	emocionados.
Rodrigo	se	aproximou	de	Estevam	e	lhe	disse:
–Se	for	possível,	seja	breve.
–Serei,	meu	amigo.
Nina	olhava	para	o	fundo	do	poço,	quando	eu	pude	ver	sua	mãe	em	forma	de
ovoide.	Como	e	por	que	fazemos	tanto	mal	a	nós	mesmos?	Deixamos	de	lado
tantos	ensinamentos	que	são	tão	importantes	para	a	nossa	evolução.	Por	que
somos	assim?	Eu	refletia…
–Posso	prosseguir,	meus	irmãos?
–Sim,	Estevam.	–	disse	Nina.
–Quero	que	todos	saibam	que	essa	leitura	é	para	que	a	nossa	irmã	ouça	de	nós,
as	suas	últimas	lembranças,	as	quais	auxiliarão	em	seu	processo	de	refazimento.
–Sabemos	disso,	Estevam,	e	somos	muito	gratos	à	sua	bondade.	–	disse
Reginaldo.
–Prosseguindo:
Os	anos	se	passaram,	tive	dois	filhos,	Reginaldo	e	George	Filho.
Após	nosso	desencarne	e	ao	chegar	à	vida	espiritual,	percebemos	que	nossa
ligação	espiritual	estava	traçada,	trabalharíamos	pelo	resto	de	nossas	vidas	a
serviço	de	Catarina	de	Alexandria.
Imploramos	para	sermos	pais	de	Nina,	que	descobrimos	ser	um	espírito	muito
evoluído,	e	oferecemo-nos	para	ser	seus	pais	em	todas	as	suas	encarnações.
Graças	a	Catarina	fomos	atendidos.
Assim,	fizemos	o	melhor	de	nós.
Peço	aos	amigos	do	plano	maior	que	se	algum	dia	eu	ou	o	George	falhamos	em
nossas	encarnações	que	me	seja	lido	esse	pergaminho	para	que	em	reconexão
com	o	meu	passado	eu	receba	uma	nova	oportunidade.
A	oportunidade	de	refazer	minha	caminhada	espiritual.
Um	espírito	em	busca	da	luz.
–Porquesomenteessepergaminhoficouparaofinal,	estevam?
–Porque	esse	foi	o	desejo	da	mãe	de	vocês,	Reginaldo.	Agora,	vamos	tirá-la
desse	lugar,	e	levá-la	para	a	Colônia	Espiritual	Amor	e	Caridade,	onde	ela
receberá	o	tratamento	necessário	à	condução	de	uma	nova	encarnação.	Essa,
certamente	será	a	melhor	oportunidade	que	ela	e	o	seu	pai	George,	receberão.
Encarnarão	juntos.	E,	você	Nina,	e	você	Reginaldo,	serão	os	seus	mentores
espirituais.	A	missão	de	vocêsparacomessesespíritosaindanãoterminou,mas	essa
será	a	melhor	oportunidade	para	todos.	Agora,	vamos	terminar	o	que	viemos
fazer	aqui?
–Sou	muito	grata	a	você,	Estevam,	por	ter	permitido	com	que	eu	estivesse	ao
lado	da	minha	mãe	novamente.	Agradeço	a	sua	bondade	e	ao	seu	carinho	para
com	todos	nós	de	Amor	e	Caridade.
Farei	o	meu	melhor	para	que	nessa	próxima	oportunidade,	eu	consiga	ajudar
esses	dois	espíritos,	que	há	tantos	anos	estiveram	ao	meu	lado,	a	finalmente
encontrarem	a	luz	tão	necessária	à	perfeição.
Sou	grata	a	vocês,	meus	amigos,	grata	ao	Daniel	e,	principalmente,	a	Catarina.
Eu	me	lembro	muitobem	desse	tempo,	aliás,	eu	jamais	esquecerei	esse	tempo.
Minha	mãe	se	chamava	Solimar	nessa	época,	espero	auxiliá-la	a	encontrar	o	Sol
de	sua	vida	nessa	próxima	vida	que,	agora,	se	inicia.	Estarei	sempre	ao	lado	dela,
do	meu	irmão,	e	do	nosso	pai.	Espero	que	George	esteja	bem	onde	estiver…	–
disse	Nina,	emocionada.
Ela,	então,	colocou-se	de	pé	e	abraçou	a	todos	naquele	momento.	Reginaldo
estava	muito	emocionado,	e	ao	abraçar	a	Nina,	não	conteve	as	lágrimas	que
desciam	do	rosto	cansado	do	jovem	rapaz.
–Lucas,	você	ainda	tem	aquele	pó	que	foi	entregue	pelos	emissários	de	Porfírio?
–Sim,	Estevam.
–Derrame-o	sobre	o	ovoide,	por	favor.
Lucas	retirou	o	frasco	com	o	pó	de	dentro	de	sua	mochila,	e	o	entregou	a	Nina.
Emocionadíssima,	ela	derramou	todo	o	conteúdo	do	pote	sobre	o	buraco.	Logo
que	o	pó	entrou	em	contato	com	o	lugar,	uma	forte	luz	iluminou	o	corpo	ovoide
de	sua	mãe.	Todos	ficaram	felizes	ao	ver	que	o	processo	já	se	iniciava.
Os	enfermeiros,	então,	retiraram	a	mãe	de	Nina	de	lá,	a	colocaram	sobre	a	maca,
e	a	levaram	para	a	carroça	que	estava	preparada	para	o	resgate.	Um	enorme	túnel
de	luz	se	abriu	à	nossa	frente,	e	eu	pude	ver	os	maqueiros	entrarem	nele,	levando
a	mãe	de	Nina.
O	resgate	estava	consumado.
Emocionados,	todos	assistiam	aos	últimos	momentos	da	nobre	irmã	que,	agora,
iria	para	os	cuidados	dos	médicos	da	Colônia	Espiritual	Amor	e	Caridade,	onde
seria	preparada	para	uma	nova	vida.
Estevam	convidou	a	todos	para	um	chá	em	sua	cabana.	Todos	deixaram	o
lugar…
Finalmente,	eu	pude	ver	Nina	e	seu	irmão	abraçados	e	muito	felizes.
“O	sono	da	morte,	conduz	o	espírito	eterno	às	esferas	maiores	da
espiritualidade.”
Rodrigo
Dia	5
Os	dias	eram	de	despedidas.	Estevam	e	todos	os	demais	estavam	muito	felizes
pelo	encerramento	de	mais	uma	tarefa	de	amparo	e	auxílio.
Rodrigo	convidou	a	todos	para	se	reunirem	em	frente	à	cabana	onde	tudo
começou.
–Amigos,	precisamos	voltar	para	a	nossa	Colônia.
Todos	se	aproximaram	já	com	suas	mochilas	nas	costas.	Reginaldo	estava	ali
entre	nós,	quando	Ventania	se	aproximou	e	perguntou	a	ele:
–Você	irá	conosco?
–Estou	pensando	seriamente	em	passar	alguns	dias	em	Amor	e	Caridade,	se	for
permitido,	é	claro.
–Será	um	enorme	prazer	tê-lo	entre	nós.
–Nina	me	pediu	para	ficar	com	ela	por	uns	dias.
–Será	ótimo	para	ela.	Veja	como	ela	está	feliz.
Nina	estava	muito	próxima	a	eles,	e	ria	de	alguma	coisa	que	ela	e	Soraya
estavam	conversando.
–Sim,	a	felicidade	de	Nina	enobrece	o	meu	coração.	–	disse	Reginaldo,	feliz.
–Senhores,	precisamos	ir!	–	disse	Negro	em	voz	alta.	Todos	abraçaram	Estevam
e	se	despediram	do	amigo.
Ele	ficou	de	pé	na	varanda	dando	um	até	logo	com	as	mãos,	enquanto	Ventania	e
os	demais	espíritos	se	afastavam	lentamente	caminhando	pela	trilha.
Após	algumas	horas	de	caminhada,	eles	já	se	encontravam	distantes	do	Limbo.
Todos	estavam	satisfeitos	por	terem	terminado	mais	um	resgate	no	terrível
Umbral.
Foi	quando	Negro	levantou	o	braço	em	sinal	de	parada.	Ele	estava	bem	à	frente.
Todos	pararam	à	espera	das	instruções	do	guardião.
Ventania	foi	até	o	local	em	que	o	Negro	estava,	e	conversavam	sem	que	ninguém
ouvisse	o	que	eles	estavam	dizendo.
Nina	ficou	preocupada	e	abraçou	o	irmão.
Felipe	se	aproximou	e	ficou	muito	próximo	a	Nina	e	a	Soraya.
Rodrigo	e	Lucas	ficaram	à	espera	de	informações	sobre	o	que	realmente	estaria
acontecendo.
Foi	quando	Ventania	voltou	e	reuniu-se	com	o	grupo.
–Rodrigo,	há	um	grupo	à	nossa	frente,	e	eles	estão	acampados.	Não	parecem	ser
desse	lugar.
–Talvez	seja	uma	equipe	de	resgate.
–		Épossívelqueseja,masoNegroficoupreocupado.	Precisamos	de	sua	autorização
para	seguirmos.
–		Não	há	outro	caminho?	Um	caminho	que	evite	esse	encontro?
–		Não.	Eles	estão	na	trilha	do	muro	de	granito.	Só	há	esse	caminho	para	sair
daqui.
Após	alguns	segundos	pensando,	Rodrigo	ordenou:
–Vamos	em	frente,	confiemos	em	nossa	mentora.
Todos,	então,	se	prepararam	para	caminhar	em	direção	aos	desconhecidos.	Mas,
antes,	Felipe	se	aproximou	de	Rodrigo	e	falou	baixinho	com	ele.
–Rodrigo,	estou	muito	preocupado	com	a	Nina.
–O	que	houve?
–Ela	está	muito	quieta,	ela	não	é	assim.	Ela	estava	bem	quando	saímos	de	lá,
mas	a	partir	de	determinado	local	ela	se	fechou.
–Nina	é	um	espírito	muito	elevado,	Felipe,	certamente,	ela	está	pensativa.
–Eu	conheço	muito	bem	a	Nina,	e	posso	te	assegurar	que	algo	de	muito	ruim	está
para	acontecer.	Ela	é	assim,	pressente	tudo	o	que	vai	lhe	acontecer.
–Confiemos	na	nossa	mentora.	–	repetiu	Rodrigo.
–Eu	confio,	tenho	certeza	de	que	vai	dar	tudo	certo,só	estou	preocupado	com	ela.
–Pois,	não	fique.	Vamos	em	frente,	Felipe.
O	Negro	e	o	Ventania	foram	os	primeiros	a	chegarem	perto	do	grupo	de	espíritos
que	estavam	acampados	na	estrada.
–Bons	dias,	senhores!	–	disse	Ventania,	se	aproximando.
Todos	os	que	estavam	sentados	em	volta	de	uma	pequena	fogueira	se	levantaram
para	cumprimentar	o	Ventania	e	o	Negro	que,	neste	momento,	já	estavam	ao	lado
do	amigo	Índio.
Rodrigo	fez	um	gesto	com	as	mãos	para	que	todos	esperassem	o	desenrolar	do
encontro.	Todos	pararam	a	alguns	metros	do	grupo.
Um	rapaz	se	levantou	para	cumprimentar	o	Ventania	e	o	Negro.
–Sejam	bem-vindos,	viajores!
Todos	se	levantaram	e	cumprimentaram	o	Ventania.
–Seja	bem-vindo,	meu	amigo.	Eu	me	chamo	Luiz.	Esses	são	Eduardo,
Herculano,	Fabiano	e	Martha.	Podem	se	aproximar,	amigos!	–	gritou	o	rapaz
para	o	restante	do	grupo.
Emocionado,	e	sem	conseguir	esconder	a	surpresa,	Reginaldo	correu	ao	encontro
dos	estranhos.
–		O	que	vocês	fazem	aqui,	meus	irmãos?	–	quis	saber	Reginaldo,	se
aproximando	e	cumprimentando	os	desconhecidos.
–Estamos	esperando	por	você.
–Me	esperando?
–Sim,	fomos	requisitados	para	te	acompanhar	nessa	viagem	de	volta.
–Mas,	eu	decidi	passar	alguns	dias	em	Amor	e	Caridade.
–Não	fomos	informados	disso.	–	afirmou	Luiz.
–Meu	Deus!	Será	que	não	poderei	ir	com	a	minha	irmã?	–	disse	Reginaldo,
apresentando	Nina	ao	grupo.
–Essa	é	a	minha	irmã,	Nina	Brestonini.	Todos	cumprimentaram	Nina.
–Esses	são	os	meus	amigos	de	Amor	e	Caridade.	–	disse	Nina,	apresentando
todo	o	restante	do	grupo.
–Sejam	bem-vindos,	meus	amigos.	–	disse	Eduardo.
Martha	pegou	uma	jarra	e	serviu	um	chá	para	todos	os	que	acabavam	de	chegar.
–Vamos	nos	sentar,	meus	amigos.	–	disse	Herculano.
Todos	se	sentaram	para	descansar	e	beber	um	pouco	de	chá.	Rodrigo	foi	o	único
a	ficar	de	pé.
Nina	demonstrou	uma	certa	tristeza	ao	perceber	que	o	seu	irmão	não	iria	mais
com	ela	até	Amor	e	Caridade.
Naquele	momento,	Felipe	se	aproximou	de	Rodrigo.
–Eu	não	te	disse…	agora	ele	não	poderá	mais	ir	conosco,	e	a	Nina	vai	sofrer
mais	uma	vez.
Rodrigo	permaneceu	calado.	Lucas	se	aproximou.
–Tenta	dar	um	jeito	nisso,	Rodrigo.
–Eu	vou	conversar	com	a	nossa	mentora,	prometo.	Agora,	vão	lá	tomar	o	chá,
vocês	dois.
Felipe	e	Lucas	se	sentaram	à	roda	de	amigos	para	se	deliciarem	do	chá	servido
por	Martha.
Reginaldo	estava	feliz	ao	rever	os	amigos	de	sua	Colônia.	Nina	não	conseguia
disfarçar	a	frustração.
Soraya	sorria	das	brincadeiras	de	Reginaldo	ao	contar	para	todos,	como	era	o	dia
a	dia	da	Colônia	Regeneração,	lugar	em	que	viviam	os	novos	amigos.
Martha	sentou-se	ao	lado	de	Reginaldo,	e	parecia	que	eles	eram	amigos	íntimos.
A	alegria	era	total.
Somente	Nina	não	demonstrava	tal	felicidade.
Sem	que	percebessem,	Rodrigo	se	afastou	do	grupo	para,	em	oração,	tentar	uma
resposta	de	Catarina	de	Alexandria.
Após	algum	tempo,	era	chegada	a	hora	da	decisão.	Rodrigo	retornou	ao	grupo,	e
sentou-se	muito	próximo	a	todos.
Nina	estava	ansiosa.
–Meus	amigos,	eu	tentei	falar	com	a	nossa	mentora	para	pedir	a	ela	uma
orientação	sobre	se	deveríamos	levar	o	Reginaldo	conosco	ou	não,	e,
infelizmente,	não	obtive	resposta	satisfatória.
A	nossa	mentora	pediu	para	que	tenhamos	paciência,	pois	há	um	tempo	certo
para	todas	as	coisas.	Infelizmente,	Nina,	o	Reginaldo	não	poderá	ir	conosco	para
Amor	e	Caridade,	ele	tem	muitas	coisas	a	fazer.	Há	pacientes	no	Limbo	que
precisam	do	serviço	caridoso	do	nosso	nobre	irmão.
É	necessário	que	ele	vá	até	a	Colônia	da	Regeneraçãopara	receber	as	instruções
necessárias	para	o	socorro	dos	próximos	irmãos	que	se	encontram	no	Limbo.
Esses	amigos	que	aqui	chegaram,	vieram	para	lhe	fazer	companhia	na	viagem	de
volta.	Precisamos	respeitar	as	decisões	superiores.
A	alegria	dos	reencontros	é	alimento	diário	de	nossos	corações,	sabemos	disso,
mas	o	compromisso	evolutivo	é	oportunidade	que	não	se	deve	perder.	Um	dia,
Reginaldo	poderá	nos	visitar	e,	quem	sabe,	até	trabalhar	conosco	em	Amor	e
Caridade,	mas,	hoje,	não	foi	permitido	a	nós,	levá-lo	conosco.
Nina,	sem	falar	nada,	levantou	e	sentou-se	ao	lado	de	Reginaldo,	abraçando-o
carinhosamente.
Todos	se	emocionaram.	Reginaldo	começou	a	chorar.
Nina,	com	seus	polegares,	secou	as	lágrimas	do	rosto	do	irmão	caçula,	lhe
dizendo:
–Meu	amado	irmão.	Nada	separará	você	de	mim.	Saiba	que	tenho	muito	orgulho
em	te	ver	assim,	em	saber	que	há	um	pedaço	de	mim	nessa	região	de	tanto
sofrimento,	auxiliando	àqueles	que	precisam	de	uma	nova	oportunidade.	Estarei
em	nossa	Colônia	contando	os	dias	para	o	dia	em	que	você	entrará	pelo	portão
principal	de	Amor	e	Caridade	e,	juntos,	poderemos	traçar	o	nosso	destino
evolutivo.
Não	chore!	Sei	que	suas	lágrimas	não	são	de	tristeza,	e	sim,	da	saudade	que
sempre	estará	presente	em	nossos	corações.	Nosso	pai	foi	resgatado	por	mim.
Agora,	eu	tive	o	privilégio	de	assistir	o	seu	trabalho,	o	qual	salvou	a	nossa	mãe.
Siga	o	seu	caminho,	que	eu	seguirei	o	meu.	Não	há	distância	para	o	amor.
Você	está	e	estará	sempre	em	meus	pensamentos	e	em	minhas	orações.	Agora,	vá
com	os	seus	amigos	e	cumpra	seu	papel	dentro	desse	projeto	que	Deus	criou	para
todos	nós.	Eu	já	sabia	que	você	não	poderia	ir	comigo	para	Amor	e	Caridade,
mas	aproveitei	cada	segundo	desse	nosso	curto	encontro	para	te	amar	um	pouco
mais.
Um	dia	te	encontrarei…	Te	amo,	meu	irmão…
Nina	e	Reginaldo	se	abraçaram…	ficaram	de	pé	e	se	despediram…
Todos	ficamos	muito	emocionados	também.
Lucas	convidou	o	grupo	a	caminhar.
–Precisamos	continuar,	meus	irmãos.	–	disse	o	mentor.
–Antes	de	irmos,	eu	quero	presenteá-los,	meusirmãos.	–	disse	Ventania,	retirando
o	seu	colar	protetor	do	pescoço,	e	colocando-o	em	Herculano.
Nina	também	retirou	o	seu,	e	colocou	em	seu	irmão.
O	gesto	foi	repetido	por	todos	os	mentores	de	Amor	e	Caridade,	e	todos	os	novos
amigos	foram	agraciados	com	o	presente	especial.
–Gratidão	a	vocês	por	nos	presentear	com	esses	colares.	–	disse	Martha,
emocionada.
Um	a	um,	os	mentores	de	Amor	e	Caridade	deixavam	o	lugar.	Todos	se
afastavam	do	local	deixando	lá,	sentados,	os	missionários	da	Colônia	Espiritual
da	Regeneração.
–Venham,	vamos	amigos!	–	disse	o	Negro,	à	frente.
Todos	caminhavam	pela	trilha	e	se	afastavam	definitivamente	do	grupo,	que
permaneceu	descansando	e	se	preparando	para	seguirem	seus	destinos.
Nina	estava	melhor.
Soraya	caminhava	ao	seu	lado.	Felipe	estava	mais	aliviado.
A	caminhada	continuou	por	algumas	horas,	até	que	o	grupo	chegou	a	uma	trilha
mais	larga,	que	mais	parecia	uma	estrada.
O	portal	já	era	visto	por	todos.
–Olhem,	o	portal!	–	disse	Felipe.
–Finalmente,	chegamos.	–	disse	Lucas.
–Vamos	amigos!	–	disse	Soraya.
Todos	correram	em	direção	ao	portal	e,	ao	chegarem	muito	próximos	à	saída,
eles	notaram	que	Rodrigo	caminhava	a	passos	lentos.
–Venha,	Rodrigo.	–	disse	Soraya.
Todos	ficaram	a	esperar	por	Rodrigo.
Após	alguns	minutos,	finalmente,	o	nobre	instrutor	se	aproximou	do	grupo.
–Que	demora,	Rodrigo.
–Soraya,	aqui	terminamos	mais	um	resgate	no	Umbral,	não	devemos	ter	pressa.
Agora,	nós	precisamos	agradecer	por	tudo	o	que	vivemos	nesses	dias.	Me	deem
as	mãos,	vamos	orar.	Todos	deram	as	mãos	em	forma	de	círculo,	muito	próximos
ao	portal.	Rodrigo	proferiu	uma	prece:
Querida	e	amada	mentora	espiritual.
Somos	todos	gratos	à	oportunidade	que	recebemos	de	ti	nesse	tempo.
Agora,	estamos	voltando	para	a	nossa	querida	Colônia	Espiritual	Amor	e
Caridade.
Rogamos	a	ti	que	proteja	e	guarde	nosso	irmão	Reginaldo,
Estevam	e	todos	aqueles	que	estiveram	conosco	nesse	lugar.
Sabemos	que	sua	bondade	e	benevolência	nos	permitiu	tudo	o	que	vivemos	aqui.
Voltamos	a	nossa	caminhada	evolutiva,	confiantes	em	teu	amor	e	bondade.
Pedimos	por	todos	os	espíritos	que	se	encontram	nessa	região,	que	eles	possam
sair	daqui	o	mais	rápido	possível	e	que	se	compreendam	e	aceitem	seus	desafios
evolutivos	de	forma	amorosa,	pois	só	o	amor	liberta	o	espírito	das	mazelas
encarcionistas.
Graças	te	damos	nesse	dia…	Amém!
Foi	quando	todos	ouviram	Hió	e	os	demais	cavalos	se	aproximarem	a	galope.
Rodrigo	sorriu,	afinal,	ali	estava	o	seu	amigo.	Todos	sorriram.	Nina	abraçou
Rodrigo	carinhosamente,	e	disse:
–Sabe,	Rodrigo,	a	melhor	coisa	que	já	aconteceu	em	minha	vida	foi	ter	te
conhecido.	Já	passamos	por	tantas	coisas	juntos,	não	é,	meu	amigo?
Quantos	encontros	e	desencontros...
Quantos	amores…
Quantas	dificuldades	já	enfrentamos	juntos…
Mas,	eu	quero	que	você	saiba	de	uma	coisa…
Eu	sou	grata,	todos	os	dias,	por	ter	você	em	minha	vida.	Não	sei	se	eu	seria	o
que	sou	hoje,	se	não	tivesse	encontrado	você	naquele	dia…	naquele	momento…
naquela	cidade…
Nina	olhou	para	trás	e,	abraçada	a	todos,	disse:
–Eu	não	sei	o	que	seria	de	mim	sem	todos	vocês…	Que	Deus	e	a	minha	amiga
Catarina	permitam	com	que	eu	viva	toda	a	minha	existência	ao	lado	de	amigos
tão	especiais…	Amigos,	não.	Irmãos!
Todos	se	abraçaram	emocionados.
O	portal	se	abriu	para	receber	aos	iluminados	espíritos	da	Colônia	Espiritual
Amor	e	Caridade.
“Somente	amando	é	que	compreenderemos	que	as	separações	são	temporárias.”
Nina	Brestonini
“A	maior	caridade	que	podemos	fazer	pela	Doutrina	Espírita	é	a	sua
divulgação”
.
Chico	Xavier	e	Emmanuel
O	último	livro
Quando	terminei	essa	psicografia,	Nina	me	disse	que	precisava	ter	uma	conversa
comigo.
Confesso	que	eu	fiquei	muito	preocupado,	pois	não	é	um	hábito	dela	me	trazer
para	casa	após	os	desdobramentos.
Após	as	psicografias	dos	livros,	sempre	sou	informado	de	que	posso	voltar	para
casa	e	que	devo	desligar-me	dos	fatos	que	escrevo.
Porém,	nessa	psicografia	foi	diferente,	ela	disse:
–Agora,	irei	com	você	até	a	sua	casa,	pois	precisamos	ter	uma	conversa…
Eu	me	assustei,	mas	obedeci.
Ao	chegarmos	ao	lugar	onde	escrevo,	Nina	se	sentou	ao	meu	lado,	e	disse:
–Osmar,	você	gostou	de	tudo	o	que	viu?
–Sim,	achei	o	Limbo	um	lugar	impressionante.
–O	que	mais	você	gostou?
–		Ah,Nina,eusoususpeitoparafalar,masgosteide	tudo,	embora	tenha	ficado	com
uma	pequena	dúvida.
–Qual	foi	a	sua	dúvida?
–Se	vocês	levitaram	para	se	livrarem	da	condessa,	por	que	é	que	vocês	não
chegaram	até	o	Limbo	levitando	também?
–Levitar	é	algo	que	consome	muito	a	energia	do	espírito,	principalmente	se	ele
estiver	em	uma	região	como	a	do	Umbral.	Somos	espíritos	elevados,	e	o	nosso
períspirito	é	mais	sutil,	por	isso,	não	será	em	todos	os	lugares	que	estaremos
confortáveis.
Lembre-se	que	já	te	informamos	que,	à	medida	que	vamos	evoluindo,	vamos
trocando	nossos	perispíritos,	assim,	para	cada	dimensão,	temos	um	corpo.
Regiões	sutis,	corpos	sutis,	regiões	densas,	corpos	densos,	entendeu?
–Já	não	está	mais	aqui	quem	tinha	essa	dúvida.	E	eu	aprendi	que	vamos	trocando
de	períspirito	na	medida	em	que	vamos	evoluindo,	ou	não.
–Isso	mesmo,	Osmar,	quanto	mais	elevado,	mais	sutil	será	o	seu	períspirito.	Isso
se	dá	por	merecimento,	mas	também,	para	que	possamos	nos	adequar	ao	novo
ambiente	no	qual	viveremos,	você	entendeu	isso?
–Só	não	entende	quem	tem	preguiça	de	estudar.	É	simples	e	muito
compreensível	que	as	coisas	sejam	assim.
–Pois	bem,	e	é	sobre	isso	o	que	eu	quero	te	falar.
–Sou	todo	ouvidos,	Nina,	aliás,	lápis.
–Osmar,	quando	chegamos	na	sua	vida	e	lhe	apresentamos	a	nossa	proposta	de
trabalho,	ficamos	muito	felizes	com	a	sua	recepção,	mas	confesso	que	eu	não
tinha	tanta	certeza	assim	de	que	você	conseguiria	fazer	o	que	fez	e	faz.	Rodrigo
sempre	dizia:	“Confie	nele,	Nina,	ele	vai	conseguir…”
Não	digo	isso	para	desmerecer	tudo	o	que	você	já	fez,	mas	vocês	têm	o	livre-
arbítrio,	e	ele	pode	nos	trair.	Muitas	coisas	são	traçadas	na	vida	espiritual	e
modificadas	pelo	espírito	emprovas.
–Eu	sempre	confiei	em	seus	ensinamentos	e,	principalmente,	em	suas	palavras,
Nina.	Aprendi	e	aprendo	todos	os	dias	com	você,	e	eu	é	que	sou	eternamente
grato	a	tudo	o	que	escrevemos	e	estamos	fazendo	juntos.
–Eu	quero	te	parabenizar	por	você	não	ter	desistido	de	nós,	Osmar.
–Jamais	desistiria,	Nina.	Você	vai	me	fazer	chorar…
–“Lágrimas	são	as	expressões	mais	sinceras	do	coração,	Osmar.”
Tivemos	que	fazer	uma	pausa…
Após	me	refazer,	ela	voltou,	pacientemente,	a	conversar	comigo	de	novo.
–Estamos	extremamente	felizes	por	termos	confiado	a	você	a	materialização	do
Hospital	Espiritual	Amore	Caridade.	Agora,	está	consumado	no	plano	terreno,
aquilo	que	nos	propomos	a	fazer	espiritualmente.
Parabéns	por	ter	sido	forte	e	determinado.	Parabéns	por	ter	aguentado	tanta
ingratidão	e	tantos	julgamentos.	Saiba	que	ter	suportado	essa	sua	prova,	elevou
muito	o	seu	ser,	você	poderá	ver	isso	quando	chegar	aqui.
Eu	quero	te	agradecer	também,	Osmar,	por	ter	permitido	a	nós	este	lugar	o	qual
acolhe	tantas	almas	e	que	transmite	tantos	ensinamentos.	Vocês	precisam	de
mais	instituições	como	a	que	você	conseguiu	fundar	aqui.
–Nossa,	Nina,	eu	é	que	tenho	que	agradecer	muito	a	vocês	por	tudo,	afinal,	se
não	fossem	os	livros,	nada	disso	teria	sido	construído.
–Quando	começamos	a	escrever	sobre	o	Cinco	Dias	no	Umbral,	eu	informei	a
você	que	seriam	cinco	livros,	você	lembra	disso?
–Sim,	esse	que	acabamos	de	escrever	foi	o	quarto	livro.
–E	esse	capítulo	do	livro,	é	o	quinto	livro	prometido.
–Como	assim,	Nina?
–Esse	capítulo	do	quarto	livro,	é	o	quinto	livro.	Eu	vou	ditar	e	você	vai	entender,
pode	ser?
–Sim,	claro!
–Vamos	lá?
–Vamos.
–		Osmar,	o	plano	em	que	vocês	estão	nesse	momento	recebe	benesses	evolutivas
todos	os	dias.	Nós,	espíritos,	estamos	no	Universo	para	auxiliar	a	todos	os	nossos
irmãos,	estejam	eles	encarnados,	ou	não.
Você	foi	escolhido	por	nós,	por	escrever	de	maneira	simples,	pois	precisávamos
atingir	pessoas	também	simples,	e	palavras	rebuscadas	desestimulam	o	leitor	e
afastam	muitas	pessoas	das	leituras	espíritas.	Precisávamos	de	alguém	que
levasse	os	ensinamentos	espíritas	aos	mais	humildes,	entende?
–Perfeitamente,	e	sou	muito	grato	por	ter	recebido	essa	oportunidade.
–Em	todos	os	lugares	em	que	for	necessária	a	ajuda	evolutiva,	lá	estaremos.	Não
importa	a	forma,	a	linguagem,	o	jeito,	o	dia,	a	hora,	o	momento,	o	lugar…
precisamos	evangelizar...	e,	às	vezes,	precisamos	dar	uma	volta	inteira	no
quarteirão	da	vida,	para	poder	despertar	e	abrir	a	porta	da	conscientização	do	que
realmente	somos.
Temos	consciência	de	que	o	jeito	com	o	qual	você	coloca	no	papel	tudo	o	que	vê
em	desdobramento,	atinge	o	nosso	objetivo.	Precisávamos	de	alguém	como
você,	Osmar.
–Nossa,	Nina,	eu	nunca	poderia	imaginar	que	fui	escolhido	por	vocês.
–Todos	os	emissários	são	escolhidos.
–Agradeça	a	todos	aí	por	mim.
–Pode	deixar,	farei	isso.
–Quer	dizer	que	não	teremos	o	quinto	livro?
–Não	há	mais	a	necessidade	de	outro	livro	no	projeto	Cinco	Dias	no	Umbral,	já
atingimos	o	nosso	objetivo	com	essas	quatro	obras.	Agora,	vamos	nos	dedicar	a
trazer	para	vocês	e	para	os	nossos	amigos	leitores,	outros	ensinamentos.
Continuaremos	a	falar	sobre	o	Umbral,	inclusive,	oLucas	acaba	de	conseguir
uma	permissão	para	psicografar	um	novo	livro	com	você	sobre	o	Umbral.	Em
breve,	ele	irá	te	procurar	para	que	vocês	possam	levar	mais	essa	mensagem	a
tantos	corações	aflitos	e	ávidos	de	conhecimento	sobre	as	regiões	de	sofrimento
no	Umbral.
–Nossa,	que	legal!
–Ele	mesmo	vai	te	falar.	Mas,	é	importante	que	todos	saibam	que	nós	não
viemos	para	mudar	a	Lei	e,	sim,	para	fazer	cumpri-la.	Deus	fala	com	seus	filhos
de	diversas	formas,	e	aquilo	que	você	acha	ser	impossível,	é	perfeitamente
possível	quando	se	trata	de	amor	ao	próximo.
Há	muitas	coisas	ainda	a	serem	reveladas	por	nós.	Há	muitas	informações	que
ainda	precisamos	passar	para	todos	os	encarnados.	Não	se	prendam	aos	velhos
livros	e,	muito	menos,	às	doutrinas	que	te	impedem	de	enxergar	além	de	si
mesmo.
O	Universo	ainda	está	em	expansão,	só	para	que	vocês	possam	ter	uma	ideia	de
quem	é	Deus.	Não	deixem	que	velhos	ensinamentos	norteiem	a	sua	caminhada
espiritual,	lembre-se	que	a	evolução	é	pessoal	e	intransferível.	Não	caiam	nas
armadilhas	de	falsos	profetas,	falsos	pregadores,	falsos	médiuns,	e	dirigentes
espirituais	inescrupulosos,	pois	eles	estão	em	todos	os	lugares.
Tem	muita	gente	sendo	enganada	e	o	nosso	objetivo	é	unicamente	o	de	despertar
mentes	para	a	realidade	que	todos	encontrarão	na	vida	espiritual	um	dia.
Ninguém	evolui	pelo	outro	e	nenhum	espírito	sabe	mais	que	o	outro.	Somos
aprendizes	de	um	projeto	chamado	AMOR.
Todos	nós	estamos	no	Universo	aprendendo	todos	os	dias.	Não	há	uma	religião
certa,	melhor	ou	pior	que	a	outra.	Lembre-se	que	Jesus	não	instituiu	nenhuma
religião	na	Terra.	Ele	não	doutrinou	ninguém,	Ele	apenas	ensinou	o	AMAR.
Religião	é	coisa	do	homem,	que	habituado	a	doutrinas,	doutrina-se	seguindo
supostos	preceitos	involutivos.
–Involutivos,	Nina?
–		Sim,	doutrina	é	algo	muito	ruim	para	vocês	encarnados.	Não	há	nenhuma
doutrina	nos	ensinamentos	do	Cristo,	pelo	contrário,	Ele	disse:	“sois	livre,	sois
único,	sois	Deuses…”
–É	verdade.
–Portanto,	as	mensagens	que	trazemos	em	todas	as	obras	psicografadas	por	você,
são	ensinamentos	que	fogem	totalmente	às	doutrinas	atuais,	pois	há	muitas
possibilidades	na	vida	eterna…	vocês	precisam	se	conscientizar	de	que	há
infinitas	possibilidades	quando	o	assunto	é	espírito,	evolução	e	amor.
Allan	Kardec	não	criou	nenhuma	religião.	Chico	Xavier	quase	foi	internado
como	louco…	e	muitos,	ainda	hoje,	não	leem	as	obras	dos	queridos	André	Luiz	e
Emmanuel,	por	acharem	que	estão	fora	da	doutrina…	como	assim?
Doutrinar	é	pecar…
Doutrinar-se	é	andar	para	trás…	Acordem!
A	nossa	missão	é	trazer	o	novo.	É	despertar	mentes,	e	revelar	para	todos	aqueles
que	se	predispõem	a	ler	nossas	obras,	a	se	enxergarem	como	espíritos,	e	não
como	marionetes	nas	mãos	de	organizações	religiosas,	que	impedem
propositalmente	a	evolução	dos	espíritos.	Não	retroajam,	evoluam,	por	favor…
A	humanidade	vai	evoluir,	sabemos	disso,	e	estamos	muito	orgulhosos	de	fazer
parte	do	despertar	espiritual	da	humanidade.	Está	próximo	o	dia	em	que	todos
serão	conscientizados	da	vida	após	a	vida,	da	vida	em	outros	planetas,	como	já
informamos.
Quando	vocês	receberem	nossos	irmãos	de	outras	galáxias,	quando	suas	naves
pousarem	em	seu	planeta,	vocês	logo	correrão	para	essas	obras	psicografadas	por
médiuns	dedicados	a	trazerem	o	novo,	a	despertar	mentes,	informando	que	vocês
nunca	estiveram	sozinhos	no	Universo.	E	esse	dia	não	está	longe…
Não	haverá	espaço	físico	nas	casas	espíritas	para	receber	a	multidão	que
despertará,	e	sedenta	por	ensinamentos,	procurará	a	religião	de	todas	as	religiões.
Como	já	dissemos:	“O	espiritismo	não	é	a	religião	do	futuro,	o	espiritismo	é	o
futuro	de	todas	as	religiões”.
Não	viemos	destruir	a	Lei…	lembrem-se	sempre	disso.	Osmar,	esse	é	o	quinto
livro.	Um	desabafo	de	um	espírito	que	já	se	reconhece	como	espírito	imortal	e
eterno,	e	deseja	que	todos	vocês	despertem	para	a	próxima	realidade	que	todos
terão.
“A	vida	não	se	resume	a	essa	vida.”
–Penso	como	você,	Nina.	Precisamos	despertar	almas…
–Então,	façamos	o	nosso	trabalho.
–O	que	tenho	que	fazer,	Nina?
–Escreva,	Osmar,	escreva…
FIM
“Dedico	este	livro	a	todos	que,	de	alguma	forma,	me	ajudaram	a	materializar	o
Hospital	Espiritual	Amor	e	Caridade.”
Osmar	Barbosa
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	Cover Page
	book title
	Sumário
	Prefácio
	Colônia Espiritual Amor e Caridade
	Dia 1
	Dia 2
	Dia 3
	Dia 4
	O pergaminho
	Dia 5
	O último livro
	Outros títulos lançados por Osmar Barbosa

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