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𝕮𝖔𝖓𝖋𝖗𝖆𝖗𝖎𝖆 𝖉𝖔𝖘 𝕷𝖎𝖛𝖗𝖔𝖘 𝕭𝖔𝖓𝖘@ 𝕮𝖔𝖓𝖋𝖗𝖆𝖗𝖎𝖆 𝖉𝖔𝖘 𝕷𝖎𝖛𝖗𝖔𝖘 𝕭𝖔𝖓𝖘@ A você, que vai entrar agora nesta linda e reveladora psicografia, desejo muita luz, paz, amor e felicidade. Que as linhas por mim escritas lhe ajudem em sua jornada evolutiva. São meus sinceros votos, Nesta versão eletrônica, a numeração de algumas das páginas não seguerigorosamente a da versão impressa, pois as páginas em branco e as meramente ilustrativas foram removidas. 𝕮𝖔𝖓𝖋𝖗𝖆𝖗𝖎𝖆 𝖉𝖔𝖘 𝕷𝖎𝖛𝖗𝖔𝖘 𝕭𝖔𝖓𝖘@ Book Espírita Editora 1ª Edição | Rio de Janeiro | 2021 | Osmar Barbosa pelo espírito de Nina Brestonini 𝕮𝖔𝖓𝖋𝖗𝖆𝖗𝖎𝖆 𝖉𝖔𝖘 𝕷𝖎𝖛𝖗𝖔𝖘 𝕭𝖔𝖓𝖘@ BOOK ESPÍRITA EDITORA Capa Marco Mancen Projeto Gráfico e Diagramação Marco Mancen / Andressa Andrade Imagem capa Arte digital sobre imagens de Depositphotos Revisão Camila Coutinho Marketing e Comercial Michelle Santos Pedidos de Livros e Contato Editorial comercial@bookespirita.com.br Copyright © 2021 by BOOK ESPÍRITA EDITORA Região Oceânica, Niterói, Rio de Janeiro. ISBN: 978-65-89628-30-9 1ª edição Prefixo Editorial: 991053 Impresso no Brasil mailto:comercial@bookespirita.com.br Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610, de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou transmitida por quaisquer formas ou meios eletrônicos ou mecânicos, incluindo fotocópia, gravação, digitação, entre outros, sem permissão expressa, por escrito, dos editores. Outros livros psicografados por Osmar Barbosa Cinco Dias no Umbral Gitano – As Vidas do Cigano Rodrigo O Guardião da Luz Orai & Vigiai Colônia Espiritual Amor e Caridade Ondas da Vida Antes que a Morte nos Separe Além do Ser – A História de um Suicida A Batalha dos Iluminados Joana D’Arc – O Amor Venceu Eu Sou Exu 500 Almas Cinco Dias no Umbral – O Resgate Entre nossas Vidas O Amanhã nos Pertence O Lado Azul da Vida Mãe,Voltei! Depois... 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A Jesus Cristo, espírito modelo, por guiar, conduzir e inspirar meus passos nessa desafiadora jornada terrena. A Nina Brestonini, e aos demais espíritos ao lado dos quais tive a honra e o privilégio de passar alguns dias psicografando este livro. Agradeço também, pela oportunidade, e por permitirem que essas humildes palavras, registradas nesta obra, ajudem as pessoas a refletirem sobre suas atitudes, evoluindo. A minha família pela cumplicidade, compreensão e dedicação. Sem vocês ao meu lado, me dando todo tipo de suporte, nada disso seria possível. E a você, leitor amigo, que comprou este livro, e com a sua colaboração nos ajudará a levar a Doutrina Espírita e todos os seus benefícios e ensinamentos para mais e mais pessoas. Obrigado! A todos, os meus mais sinceros agradecimentos. Osmar Barbosa Para uma melhor compreensão dessa psicografia, recomendamos a leitura dos livros anteriores: Cinco Dias no Umbral Cinco Dias no Umbral – O Resgate Cinco Dias no Umbral – O Perdão O Editor Conheça um pouco mais de Osmar Barbosa: www.compralivro.com.br http://www.compralivro.com.br Sumário PREFÁCIO COLÔNIA ESPIRITUAL AMOR & CARIDADE DIA 1 DIA 2 DIA 3 DIA 4 O PERGAMINHO DIA 5 O ÚLTIMO LIVRO “Para cada ofensa que você sofrer ofereça ao mundo um sorriso. Isso vai transformar tudo a sua volta!” Nina Brestonini Prefácio Era para ser mais um dia comum como todos os outros dias da minha simples vida. Eu estava sentado em meu escritório, e triste olhava pela janela. Confesso, meus amigos, que eu também tenho os meus dias de tristeza, afinal, ainda estou encarnado, e as provas que enfrento todos os dias não são amenizadas pelo fato de ser médium, muito pelo contrário, sofro ataques espirituais diariamente, e conviver com eles não é nada fácil. Nós, médiuns, mensageiros do além, estamos à mercê de poderosos obsessores que tentam, a todo custo, impedir que informações como essas cheguem até vocês todos os dias. Lembro-me de certa passagem sofrida por Chico Xavier na qual, ao ser perseguido por poderosos obsessores, foi jogado no chão de maneira brusca, batendo fortemente a cabeça, em um tombo que irritou o famoso médium que, imediatamente, foi advertido por Emmanuel: –Chico, agradeça o tombo. – Como assim, Emmanuel? Agradecer por terem me derrubado e quase me quebrado todo? A minha cabeça não para de doer… –Agradeça rapidamente. Muito contrariado, Chico obedeceu ao seu mentor espiritual e agradeceu àqueles espíritos por terem lhe derrubado: –Obrigado pela queda que fortalece a minha fé. – disse o iluminado. Passadas algumas horas e incomodado com o ocorrido, Chico questiona Emmanuel sobre o agradecimento, ao que sabiamente explica o mentor: –Chico, se você tivesse resmungado ou praguejado pelo o que lhe aconteceu, você estaria vibrando na mesma sintonia daquele infeliz irmão, e estabeleceria a sintonia mental tão desejada por ele, atendendo assim ao desejo daquele ser. Porém, ao agradecer, você deixa de emitir sentimentos que alegram seus inimigos, tirando-lhes a força maligna e, com isso, não vibra na mesma sintonia que eles. Mais uma vez, Chico agradeceu a Emmanuel por tamanha sabedoria e benevolência para com ele, e seguiu aprendendo a partir de então, que tudo é sentimento, sintonia, vibração, atenção e oração. Entretanto, naquele dia, o meu coração estava partido, pois as coisas não estavam exatamente do jeito como eu sempre havia sonhado. A gente vai envelhecendo e descobre que deixamos passar muitas chances pela nossa vida, as quais não deveríamos desperdiçar. As “oportunidades” existem, então, por qual motivo as deixamos passar? Pessoas, momentos, amores, amigos, lugares, profissão, enfim, muitas coisas… Por que tantas pessoas ingratas passam por nossas vidas? Por que sofremos tanto? Sou uma pessoa como qualquer outra, também tenho os meus “altos e baixos” e, para ser bem sincero, ser médium e fazer o que eu faço, me direciona sempre para baixo, pois estou em constante sofrimento devido aos ataques dos obsessores, como disse acima, e lidar com eles não é nada fácil. Esses algozes estão sempre à espreita esperando uma oportunidade para nos desequilibrar. Tentam a todo custo nos desviar do propósito caridoso, da nossa reforma íntima, da dedicação e do amor aos nossos irmãos mais humildes. Confesso que não é nada fácil viver sofrendo incessantemente esses ataques. Assim como também é muito difícil conviver com as pessoas, sobretudo quando elas não são iguais a você, quando não possuem os mesmos desejos, os mesmos pensamentos, o mesmo dom, as mesmas vontades e, principalmente, os mesmos propósitos evolutivos, e é por isso que eu estava tão triste naquele dia… É extremamente complicado estar em contato com esses amigos de luz e, ao mesmo tempo, deparar-se comrealidades absurdas ao voltar para o meu mundo real. Um mundo escuro, vazio, egoísta e denso. Um lugar cheio de maldades e de pessoas que, embora se vejam como espíritos eternos que são, insistem em viver pela materialidade, pela ganância, pelo ego e pelo ódio. Confessoque, muitas vezes, a vontade é a de não voltar… Pessoas assim como eu, que se dedicam à caridade, ao amor ao próximo e ao auxílio de pessoas necessitadas, sofrem muito com a ingratidão. Dediquei toda a minha vida a ajudar as pessoas, e é muito triste sofrer com a falta de reconhecimento. Eu acho que a dor da ingratidão é a mais dilacerante que existe. Para mim é árduo conviver com pessoas que simulam acreditar em tudo o que eu vejo e escrevo já há muitos anos. As pessoas fingem aceitar e compreender. Porém, eu entendo que cada um tem o seu lugar nesse imenso Universo de luz. Ser médium é uma tarefa extremamente dolorosa. Imagina viver dentro de Colônias Espirituais, visitar as Cidades de Luz, ver e sentir coisas que até faltam palavras para explicar… Imaginem estar ao lado da Nina e dos demais espíritos e, em seguida, ver que a realidade na qual eu vivo aqui é muito distante do mundo desses amigos… Eu costumo dizer que quando decidi pela vida mediúnica, fui condenado a viver como eu vivo. É uma prisão, podem acreditar. Todos podem negar o que eu faço, escrevo, relato e vejo, mas se há alguém nesse mundo que nada pode negar, esse alguém sou eu, e isso faz com que eu seja uma pessoa diferente, e pessoas diferentes nesse mundo, infelizmente,sofrem. As pessoas podem negar esta psicografia, menos eu, pois tenho que viver diariamente tudo o que eu experimento com os espíritos, e isso não é fácil. Às vezes, tenho vontade de pedir a eles para que não voltem nunca mais, ou para que me levem junto deles para a vida espiritual, mas os sentimentos que ainda me ligam a esta encarnação, são maiores que as minhas vontades, e eles me impedem de ir embora nesse momento. Que seja natural. Que se cumpra a vontade do Pai Eterno… um dia, na hora certa, eu vou…Espero que a minha partida deste plano demore bastante, pois apesar de viver tudo o que eu vivo ‘mediunicamente’, eu amo viver ao lado dos meus filhos e das pessoas que tanto amo, e que valorizam tudo o que faço. Poisbem…euestavaalisentadoe,pelajanela,olhava para o prédio que fica ao lado da minha sala. Fiquei observando as pessoas que seguiam seus ritmos naturais e, por um instante, lembrei da minha querida mãezinha. Ahh, há quanto tempo não te vejo, não te abraço, não sinto o seu cheiro… Éramos tão amigos, tão ligados… por que você não me procura? Ah, mãe, se eu pudesse mudar as coisas, certamente uma delas seria não ter deixado você sair naquele dia. Eu não deixaria você entrar naquele carro, não te deixaria sozinha. O acidente que te vitimou, dilacerou o pobre coração de um menino de apenas 14 anos de idade. Um menino que sofreu os horrores da vida de um órfão, mas que seguiu em frente. Hoje eu espero, de verdade, que você tenha muito orgulho de mim, mãe. Eu vivi… vivi para ver os meus filhos crescerem, para abraçar as minhas netas, e ver que algo de bom e real eu ainda fiz nessa vida. Onde você está, mãe? Toda vez que encontro os meus amigos espirituais, tenho uma imensa vontade de perguntar por você, mas aprendi com esses mesmos amigos, que tudo tem o tempo certo para acontecer, tudo tem sua hora certa. Quem sabe um dia, mesmo sem perguntar, eles possam revelar algo sobre você? Eu espero ansiosamente por notícias suas, mãe. Quais são os reais valores de nossas vidas? O que realmente é valioso em uma vida? Por que você não se mostra para mim, mãe? Onde você está? Eram perguntas que eu fazia a mim mesmo sentado ali, como órfão que sempre fui da sua presença. A saudade é um sentimento que não avisa a hora que vai chegar, simplesmente nos coloca para baixo sem mais explicações. O meu coração estava em pedaços. Lembrei-me do sorriso do meu falecido pai, que morreu praticamente em meus braços, acometido por um câncer. Lembrei das suas brincadeiras e sorrisos. Como você era engraçado, pai. Que saudade de você, velho Mazinho… homem simples, de palavras fáceis, e gestos humildes que moldaram o meu jeito de ser. Pai, você pode não saber, mas muitas das minhas decisões de hoje são espelhadas em você. Eu tenho muito orgulho de ter sido seu filho viu, seu Osmar. Você não foi um pai perfeito, mas foi perfeito em permitir que eu fosse seu filho, e ter me ensinado do seu jeito, pois temos que respeitar o jeito das pessoas nos amarem. Comecei a relembrar a minha infância, os amigos, os irmãos, os colegas de trabalho que tanto me ajudaram para que eu chegasse aonde cheguei. Alguns reencontrei pela minha caminhada, outros tenho saudades e alimento uma gratidão eterna. Fiquei ali relembrando também as minhas dificuldades e as minhas lutas diárias para modificar a mim mesmo, e tudo o que suportei para estabelecer uma obra de caridade sobre o orbe terreno, obra essa que consegui construir com muitas lágrimas, chorando sozinho, calado e sem reclamar. Não foram poucos os momentos… Não foi nada fácil chegar aonde cheguei… Tudo pronto, projetos sociais andando… Projetos espirituais que atendem e auxiliam muitas pessoas que, assim como eu, lutam todos os dias para serem felizes. Os meus livros que também auxiliam tanto as pessoas a mudarem a direção, esclarecendo as mentes e amparando os desassistidos do amor. As minhas redes sociais respondendo ao meu trabalho e à minha dedicação. Eu recebo muitas mensagens em agradecimento, e isso me dá forças para continuar, saibam disso… Quantas vezes fui chamado ‘disso’ ou ‘daquilo’, tudo em nome da minha fé e dos direcionamentos que foram dados a mim pelos espíritos amigos. Espíritos evoluídos que só querem estabelecer no orbe terreno, o amparo a todos que sofrem, e a elucidação das coisas depois da vida. Quanta injúria, quanta inverdade, quantos julgamentos sem ao menos conhecerem quem sou, sem ao menos saberem o meu sobrenome, a minha origem, a minha história, o meu CPF… Por que julgamos os outros? Por que injuriamos os outros? Lembrei-me do sofrimento de médiuns como eu… lembrei-me de Chico Xavier que, uma vez, quase infartou com medo de ser preso, simplesmente porque psicografou uma mensagem de alguém. Quanta maldade… Foram tempos difíceis, que somente os meus amigos espirituais e eu sabemos. Não foi e não tem sido fácil fazer o que eu faço. Eu estava triste naquele dia. Parecia que haviam arrancado algo de dentro de mim. Meu coração estava em pedaços. Eu também tenho dias de pedaços… Porém, naquele momento, a minha sala começou a se modificar. Sim, nós médiuns podemos sentir quando um espírito de luz aproxima-se de nós, e eles têm a capacidade de alterar tudo ao nosso redor. Foi quando Nina chegou. O meu peito se encheu de alegria e esperança imediatamente. Será que ela estava ouvindo o meu coração? O que Nina fazia ali àquela hora? Olhei bem para ela, e não consegui conter a minha emoção ao revê-la. Os meus olhos marejaram lágrimas de alegria. Finalmente, algo de bom naquele dia… Envergonhado, eu secava as gotas de dor dos meus olhos com a barra da camisa que usava. Eu soluçava em um pranto de um médium solitário, trancado em meu mundo mediúnico, experimentando e expiando provas que modificam o meu ser todos os dias. Com um leve sorriso no rosto, Nina se aproximou de mim, e gentilmente sentou- se ao meu lado. Sempre deixo uma cadeira disponível para os emissários do além. Olhava para ela como se pedisse: “Me ajuda, Nina?” –Oi, Osmar! –Oi, Nina. –Por que você está assim? –Assim, como? –Triste. –Você notou? –Não tem como não notar, Osmar. –Eu estou muito triste, Nina. –Por quê? – Ah,Nina,estouficandovelho,eosvelhossãomais sensíveis. –Os velhos não são mais sensíveis, Osmar… os velhos são mais amorosos, mais experientes e mais sábios, mas, claro, isso quando sabem aproveitar a encarnação para a própria melhoria. –É, talvez seja isso. –Não fique assim. –Eu vou me recuperar, Nina. Só me dê alguns minutos, por favor. –Tenho todo o tempo do mundo, pode se recuperar. Respirei fundo, sequei as minhas lágrimas e me preparei para conversar com a Nina. Após beber um pouco de água, me acalmei. Meu coração estava em paz… –Você está melhor, Osmar? – Sim, Nina. Desculpe-mepor estar assim. Eu não sou digno de me sentir desse jeito. Estar ao lado de vocês é extremamente consolador, conforta e me faz muitobem. –Você ainda está encarnado e vive os sentimentos dos encarnados. Quando voltares à condição de espírito, poderás perceber que as coisas são bem mais simples do que imaginas. –É verdade, Nina. Eu deveria sempre recordar as coisas boas que vivo ao lado de vocês, e esquecer dos problemas diários, mas confesso que é muito difícil estar aqui, Nina. A encarnação é uma prova extremamente difícil. –Se fosse fácil, você não estaria encarnado. Compreenda que você ainda tem muito o que fazer nessa vida, portanto, aproveite para extrair dela experiências renovadoras para o seu ser espiritual. Os momentos ruins são necessários para que possas compreender que tudo precisa ser modificado. As provas da encarnação são oportunidades evolutivas, Osmar, lembre-se sempre disso. –Sou grato, imensamente grato a todas as oportunidades que vocês me dão. Não sei o que seria da minha vida sem vocês, nem sei se estaria aqui hoje… –Osmar, na verdade, a vida de encarnado é um grande desafio. É bom lembrar que foi você mesmo quem pediu por essa oportunidade. Sendo assim, toda vez que você se sentir fora do ‘pote’, volte para o ‘pote’. Foi você quem escolheu suas provas, logo, está capacitado para suportá-las, basta crer que não há acasos, e que tudo foi arquitetado por você e pelos seus pares. Eu preciso dizer que vocêimplorou por essa encarnação, e prometeu que suportaria as provas necessárias para a sua evolução, portanto, suporte-as com amor. –“Pares”, Nina? Como assim? –Sim, os espíritos que estiveram ligados a você em algum momento da sua vida terrena, os que se ligam a você nos dias de hoje, e aqueles que ainda irão se aproximar de você, todos eles cumprem um papel muito importante na sua jornada evolutiva. Nada é acaso, tudo é vida, aprendizado, resgate e lição. –Compreendo, Nina. –A encarnação, Osmar, é um laboratório de experiências que você mesmo escolheu, portanto, tenha os seus momentos de tristeza, pois eles são muito importantes e de muito aprendizado, mas entregue-se verdadeiramente aos momentos de alegria e prazer, esses sim, são eternos. Essa memória afetiva não termina em uma única vida. Ela é eterna. Carregamos dentro de nós os amores eternos, Osmar… – Não tenho palavras para agradecer a você por esses ensinamentos, Nina. – Na vida terrena enfrentarás momentos diversificados, e são eles que moldam o seu caráter e o seu intelecto, aperfeiçoando o seu espírito. As experiências traumáticas servemparamodificarapartebrutaquetodoscarregam consigo. Moldando-se, chegarás à liberdade eterna, e ela é a parte mais importante do espírito. A saudade, Osmar, é prova do amor eterno. Sem ela, és um pote vazio, como eu disse. Observe os sorrisos que você consegue tirar de rostos tão sofridos, as lições que você transmite àqueles que sofrem, veja quantas vidas modificadas pelo seu trabalho e amor. Colha a alegria das suas mensagens e dedicação ao outro. O homem é eternizado pelo que constrói de bom, Osmar. Exteriorize sempre o melhor que tiveres em seu coração. Não se importe com os julgamentos, eles fazem parte. Aqueles que não compreenderem a sua mensagem hoje, receberão a mesma mensagem, através de outro meio, em algum outro momento de suas vidas, e quando isso acontecer, você será lembrado pela sua luta, pela sua dedicação, por tudo o que sofreu e, principalmente, pelo amor depositado em tudo o que você realizou. Ame sempre que puder, dê carinho aos que sofrem. Abrace os que sentem solidão. Sorria para os que estão sisudos pelas dores sofridas. Alimente os que tem fome, ampare os solitários. Aconselhe sempre, pois um bom conselho é sempre instrumento de reflexão. Agasalhe os que sentem frio, não somente o frio do corpo, mas, principalmente, o frio da alma. E, por fim… seja você o exemplo de superação, seja o guia dos que estão vagando pelos caminhos da vaidade, do orgulho, da soberba, do ego e da incompreensão. Osmar, mostre às pessoas que a fé é fonte inesgotável e inspiradora, direcionadora de todas as coisas, pois quando você crê, o Universo entende que precisa devolver a você, suas mais íntimas necessidades. Essa é uma Lei natural criada pelo Pai para todos os seus filhos amados.Lembre-se, a fé é o que te aproxima de nós, sem ela, és um ermitão. Na realidade, o homem só morre mesmo quando é esquecido, Osmar, porque enquanto alguém pegar uma peça de roupa sua para sentir o seu cheiro, pois sente a sua falta, ou “se pegar” sorrindo por alguma coisa que você fez, ou ainda, olhar para um porta-retratos, e lá, ver uma foto sua e sentir saudade, você estará mais vivo do que nunca entre aqueles que sempre irão te amar. O homem é eternizado naquilo que faz, e não nas coisas que deixa. –Obrigado, Nina, já me sinto bem melhor. Na verdade, estou envergonhado. Não sou digno desses sentimentos. Gratidão a tantos ensinamentos que me deixam até envergonhado por me sentir assim. –Osmar, tudo é lícito quando o objetivo é a sua evolução. A dor da carne é recompensada na luz que o espírito precisa para superar as encarnações, e viver plenamente a vida espiritual. Você não está errado em se sentirassim, só aproveite esse momento para refletir sobre tudo e sobre todos a sua volta. Decida sempre pelo coração, pois é nele que está a resposta para todos os sofrimentos. –É, Nina, mas não é fácil. –Nunca dissemos que seria… –É verdade. –Aqueles que estão predispostos a amparar, naturalmente sofrem mais com os julgamentos daqueles que ainda não se compreenderam como espíritos eternos. –Mas, por que isso acontece, Nina? –Pela imperfeição. Seu plano é muito denso, Osmar. Vive-se como se não houvesse o amanhã, junta-se aquilo que não vão gastar e, por fim, desperdiçam uma vida inteira sem ouvir seus corações. –Se ouvíssemos os nossos corações, certamente a vida não seria assim, Nina. –Osmar, Ele encarnou entre vocês para direcioná-los, no entanto, nem todos creem sequer em sua existência terrena, imagina acreditar no que escrevemos? –Isso também me entristece muito, Nina. –Se entristece a você, imagina a nós? –Nem consigo imaginar. – Mas nem por isso desistimos de vocês, nem por isso deixamos de lado as mensagens importantes que devemos transmitir. Estamos há milhares de anos levando mensagens edificantes e consoladoras e, em nenhum momento, passou pela nossa cabeça desistir de vocês. –Eu agradeço de coração, Nina. Em meu nome e em nome dos meus milhares de leitores que te amam e te admiram de verdade. – Não agradeça. Escreva! Faça a sua parte. Nós estamos fazendo a nossa, e os nossos leitores que façam a deles. Éassim. Deixe-me te dizer uma coisa. –Sim, Nina. –Você acredita em Deus, Osmar? –Claro que sim, Nina. –Você conhece pessoas que não acreditam em Deus? –Muitas, infelizmente. –No que essas pessoas acreditam? –Elas acreditam que tudo começou a partir de uma explosão, do Big Bang. –Conte-me essa história. –Claro, Nina, vamos lá… a maioria dos físicos dizem que há aproximadamente 13,8 bilhões de anos, quando o Universo era pequeno, quente e denso, não havia absolutamente nada, nem o tempo, nem o espaço, e muito menos a gravidade, foi quando houve uma grande explosão e tudo começou. –Mas, se não havia nada, por que hoje existe algo? –Como assim, Nina? –Se antes da explosão não havia nada, por que hoje há tudo o que vocês experimentam? –Porque houve uma explosão e, a partir dela, tudo o que temos hoje, aconteceu… é o que dizem os físicos. –Osmar, o que é que surge do nada? –Não sei. –Então, se há algo hoje é porque havia algo antes do nada, concorda? Antes da explosão… –Concordo, mas você poderia me explicar melhor? –Claro! Osmar, antes do nada, havia um princípio, concorda? –Sim, tem que ter existido algo antes do nada. O princípio foi o que criou o nada, eu acho. –Osmar, o princípio criou o tempo, o espaço, a gravidade e o Universo. Se não houvesse esse princípio, nada existiria, nem mesmo o princípio, e ele tem que ser eterno, casocontrário, teríamos que achar um criador para o princípio, concorda? –Como somos ignorantes… – E tem mais, Osmar. Se o princípio não existisse, alguém teria que ter criado tudo antes do princípio. –Nossa, Nina! Só você para provar a existência de Deus para todos nós. –Ele sempre existiu, Osmar, e sempre existirá. – Temos que rever os nossos pensamentos e estudar muito para modificar essa forma bruta que carregamos dentro de nós, Nina. –Faça isso, pois esse é o caminho. E tem mais… –O quê, Nina? – Nunca julgue o que você não conhece, pois existem muitas coisas pelas quais vocês ainda sequer tem noção que existem, portanto, seja humilde de coração, e aprenda que tudo o que Ele criou e cria todos os dias, é para o seu bem-estar e para a sua evolução. –Gratidão, Nina. –Não agradeça, estude as coisas de Deus. –Sim, Nina, precisamos estudar mais as coisas de Deus. –Osmar, o que você sabe sobre a sua Galáxia? –Sobre a minha Galáxia, como assim? –O que você sabe sobre a sua Galáxia? –Que o nosso planeta está na Via Láctea, é isso o que eu sei. –E, por acaso, você sabe quantas Galáxias existem no Universo? –Não faço a menor ideia, Nina. –O Universo pelo qual vocês conhecem é constituído de bilhões e bilhões de Galáxias. –Bilhões de Galáxias, Nina? Como assim? –Muitos bilhões de Galáxias, Osmar. Você nem imagina quantas… –Meu Deus! –A Galáxia na qual vocês vivem, por exemplo, tem aproximadamente duzentos bilhões de sóis, você sabia? –A Via Láctea? –Sim, ela mesma. –Meu Deus! –São sóis, Osmar, como o que te aquece todos os dias… e, a sua volta, tem oito planetas girando. –Isso eu sei. –Isso acontece, Osmar, porque a gravidade no Sol é tão forte, que ela mantém os planetas do sistema solar girando ao redor dele. No seu sistema solar existe um planeta habitado, aquele que vocês chamam carinhosamente de planeta Terra, concorda? –Sim, é onde estou agora. –Se em seu sistema solar existe um planeta habitado, imaginemos que, para cada Sol existente em sua Galáxia, há pelo menos um planeta igual ao seu. –Lá vem bomba… – Podemos considerar então, Osmar, que somente em sua Galáxia, vocês têm duzentos bilhões de planetas iguais ao seu. Planetas azuis e habitados. Se, para cada Sol, há um planeta, a conta é essa. –Jesus! –É Ele mesmo quem governa essa sua Galáxia. –Precisamos estudar as coisas de Deus, Nina. –Osmar, faça a conta que quiser, qualquer probabilidade que você achar será um número absurdo de planetas e possibilidades. Isso sem contar o número infinito de Galáxias… Vocês acham mesmo que conhecem a Deus? Vocês acham mesmo que estão sozinhos no Universo? Vocês acham mesmo que essa vida é única? Que não há nada além da vida corpórea? –Meu Deus! –Ele mesmo, Osmar. Ele é a inteligência suprema, o criador de todas as coisas. –Perdoe a minha ignorância, Nina. –Pense, Osmar, quando vocês desencarnarem e se depararem com essa realidade, o que irão pensar da vida e deDeus? –Precisamos ser mais inteligentes e nos aprofundar no estudo das coisas de Deus, Nina. –Ele é paciente, bondoso e amoroso, tenham calma… todos têm o tempo certo para conhecer a Deus. –Espero estar no caminho certo. –Você está indo bem. –Obrigado, Nina. –Não agradeça, escreva. –Vamos em frente, Nina. –Osmar, eu vou te contar onde está a sua mãe, quer saber? –Sim, claro! Nossa, eu nem imaginava isso… o tanto que eu pedi por notícias da minha mãe, e que bom que agora você poderá me contar. –AsuamãeestáemumaColôniaEspiritualchamada LaçosEternos.EssaColôniaficasobreoestadodoRiode Janeiro, adentra o estado do Espírito Santo, e faz fronteira com a Colônia da Praia. A sua maior parte está sobre o oceano Atlântico. É uma Colônia bem grande, e que recebe os espíritos recém-desencarnados. A Colônia Laços Eternos é o local onde a maioria de vocês chegará, pois ela recebe os espíritos que desencarnam na região Sudeste do Brasil. Ali estão os seus familiares, à espera de vocês. Ao chegar em Laços Eternos, os espíritos recebem o devido tratamento nos hospitais que lá existem e, após a conscientização e o refazimento necessário, eles são encaminhados para outras Colônias. Há muito trabalho em Laços Eternos, Osmar. Sua mãe recebeu uma oportunidade de trabalho, e a aceitou prontamente. Aproveitou o pouco conhecimento que tinha em hospitais no plano físico, e se ofereceu ao trabalho caridoso nessa linda Colônia. – Meu Deus! A minha mãe trabalhou mesmo em um hospital enquanto esteve encarnada, eu lembro disso. Eu era bem pequenino quando corríamos no caminho que levava até a nossa casa, cantando uma música quando ela aparecia no topo do monte desse caminho. –Você se lembra disso? –Sim, eu era bem pequeno, mas lembro muito bem. –A sua mãe passou por provas muito difíceis, Osmar, mas o suficiente para purgar tudo o que precisava. Agora, é uma trabalhadora da Colônia Espiritual Laços Eternos. –O que especificamente ela faz? –Trabalha no Hospital da Luz. –Esse é o nome do hospital dessa Colônia? –É o nome de um deles. –Eu poderei encontrá-la, Nina? –Se continuar como está, lhe asseguro que sim. –Meu Deus! Obrigado, Nina. –Não agradeça. Lembre-se que tudo é merecimento. –É, eu sei. –Nina, eu nunca tinha escutado nada sobre essa Colônia… –Há poucas linhas, neste mesmo livro, eu disse a você que existem muitas coisas pelas quais vocês ainda não sabem, lembra disso? –Sim,vocêdisseparanãojulgarmosodesconhecido. Não sabemos nada da vida além da vida, ainda. –Isso mesmo. Sempre que for possível revelaremos mais coisas para vocês. –Obrigado, Nina! Nós agradecemos. –Não agradeça, escreva… –Você pode falar mais sobre a minha mãe? –Sim. Quando a sua mãezinha chegou à vida espiritual, ela foi recebida pelos avós dela, entre outros familiares que já estavam aqui. Assim que chegou, ela pediu para fazer algo que fosse útil a todos. Estava triste por ter deixado vocês ainda meninos, mas ela sabia que tudo o que havia acontecido tinha um motivo e, com o passar dos dias, logo integrou-se ao grupo de trabalho do Hospital da Luz e começou a trabalhar. Sabe, Osmar, as coisas daqui são muito parecidas com as coisas daí, porém, ao nos conscientizarmos realmente do que somos, e dos propósitos da vida de encarnado, compreendemos que tudo tem o tempo certo para acontecer, logo, tudo ao nosso redor será transformado. –Será que algum dia você poderá me levar a essa Colônia para que eu possa ver a minha mãe? –Talvez, Osmar, talvez… vamos ter fé que um dia isso será possível para nós dois. –Eu agradeço, Nina. Agradeço de coração! –Osmar, todos nós precisamos de permissão para tudo o que acontece conosco, desta forma, não garanto que você verá a sua mãe em desdobramento, mas vamos continuar trabalhando e, quem sabe um dia, teremos essa permissão… –Está bem, Nina, mas poderei vê-la quando desencarnar? –Certamente que sim, pois os reencontros são reais por aqui. Todos se reencontram na vida eterna para novamente traçarem novos destinos. Tem muita gente te esperando por aqui, você sabia? –Sério? –Você não teve somente uma vida, Osmar, e muito menos, uma única mãe. –E o meu pai? Você pode me falar onde ele está? –Ainda não, por ora, só temos permissão para lhe falar sobre a sua mãe. Mas, tenha calma, nada está ao acaso. –Mas, ele está bem? Pelo menos isso você pode me dizer? –Sim, ele está muito bem, posso lhe assegurar. –Obrigado, Nina. E perdoe-me por tantas perguntas, mas são respostas que todos nós que já perdemos alguém precisamos ouvir. –De nada, Osmar. Não agradeça, continue o seu trabalho e, quem sabe um dia, poderemos rever todos os seus. –Obrigado, Nina. –Osmar, você é um espírito imortal e eterno, tens ainda muitas coisas a descobrir e relembrar. Você não deveficar triste com as duras provas que enfrentas. Deveis agradecer às oportunidades de aprendizado, mesmo que essas provas sejam difíceis e lhe magoem. Há momentos em que precisamos deixar os trilhos da viagem para poder enxergar novas paisagens! –É verdade. Que sentimento tolo esse meu. –Somos amados, Osmar. Há muitahistória por detrás de uma vida. Há muitos mistérios que serão revelados quando você chegar aqui. Todas as memórias, todas as vidas, todos os amores, e toda a sua família espiritual, que é muito maior do que a sua família terrena, tudo será relembrado, tenha certeza disso. –Eu não vejo a hora de abrir o livro da minha vida e relembrar todas as minhas encarnações. –Há muita coisa para você relembrar, viver e amar. – Espero que dê tudo certo comigo na vida espiritual,Nina. –Merecimento, Osmar… merecimento e disciplina com a vida que você vive agora. Assim, quando chegar a hora de você vir para cá, estaremos de braços abertos te esperando, para revelar a você tudo o que for permitido. –Viu como eu não sou digno desses sentimentos, Nina? –A tristeza? –Sim, pois sabendo de tudo isso, não devo entristecer o meu coração. Olha quanta coisa boa espera por mim na vida espiritual. –Isso, Osmar, muito bem, pense sempre assim… –Se não fosse você chegar aqui, Nina, e revelar tudo isso, talvez eu ainda estivesse remoendo esses sentimentos egoístas, e não teria conseguido abandonar a tristeza. –Tomara que todas as pessoas que lerem este livro entendam que a tristeza só serve para reavaliar o passado, e que não adianta ficar assim. Olhe para frente, e não se importe com os julgamentos, pois vocês serão sempre julgados. Seja feliz, seja grato à vida e às pessoas que viveram e/ou vivem ao seu lado, porque elas são eternas, assim como você, e todos se reencontrarão no grande projeto evolutivo. Nada está ao acaso, posso lhe assegurar isso. –Gratidão, Nina. –Vamos aproveitar esse nosso encontro para escrevermos um novo livro? –Sim, claro. É uma honra para mim ser seu instrumento. E desculpe-me por não ter perguntado antes qual era o motivo da sua chegada. –Seja sempre um instrumento de luz, de paz, de amor e de caridade, assim, estaremos sempre ao seu lado. O motivo de estar aqui, é que sempre que você se sentirsozinho, nós estaremos ao seu lado para lhe abraçar e dizer… “isso também passa”. –Nossa, Nina, não sei como te agradecer. Algumas lágrimas voltaram aos meus olhos naquele momento. Mas eram lágrimas de emoção, e não mais de tristeza. –Não agradeça, Osmar, escreva. –Eu sei, e é isso que vamos fazer. –Que bom, Osmar. –Nina, eu posso te fazer somente mais umapergunta? Prometo ser a última. –Sim. Claro que sim! –Você falou em merecimento e disciplina, então são essas as qualidades que um médium precisa ter para usufruir de companhias como as de vocês? –Sim, é isso que vocês precisam ter para que possamos nos aproximar, não só dos médiuns, mas de qualquer espírito encarnado. Na verdade, Osmar, nós precisamos mesmo de duas coisas. –Duas coisas? E o que seriam essas duas coisas, Nina? –Permissão e sintonia. –Permissão? –Sim. Nós, benfeitores, podemos nos aproximar e ajudar somente àqueles que permitem a nossa ajuda. E, sintonia, é quando vocês conseguem nos ouvir. Abram suas consciências e despertem para todas as possibilidades, é aí que estão os espíritos. –Entendi, Nina. –Vamos escrever, Osmar? –Sim, Nina, mas sobre o que iremos escrever? –Cinco Dias no Umbral - O Limite. –Meu Deus! Obrigado, Nina! Vamos começar logo. –Estarei aguardando por você na Colônia. –Está bem, Nina, só vou organizar os papéis e vou para lá. –Até breve! – disse a mentora. Assim, após organizar tudo, dirigi-me em desdobramento à Colônia Espiritual Amor e Caridade para começarmos a psicografia do livro. Naquele dia, eu entendi que não devemos ficar tristes e desesperançosos, pois a vida é assim, feita de dias bons e dias ruins, e o que devemos fazer é lembrar sempre que não há acasos, que todo sofrimento tem seu objetivo, e traz com ele uma grande lição. Reparem que foi pela dor que eu me conectei novamentecomaNina,erecebidessailuminadamentoralições que jamais esquecerei. Agradeci muito a Nina às informações recebidas sobre a minha querida mãe. Que Deus abençoe a todos vocês, e sempre que se sentirem tristes, lembrem-se que Deus os ama infinitamente. Há anjos a nos iluminar em todos os segundos da vida. Eu já tenho o meu anjo, e ele se chama Nina Brestonini. Trabalhe, modifique-se, transforme-se, e seja humilde de coração para encontrar o seu. Não há acasos… estamos todos em evolução. Bem-vindos ao livro: Cinco Dias no Umbral – O Limite. Osmar Barbosa “O ontem é história. O amanhã é um mistério, mas o hoje é uma dádiva. E é por isso que se chama presente!” Osmar Barbosa Colônia Espiritual Amor e Caridade Naquele momento, Nina convidou-me para ir com ela até a Colônia Espiritual Amor eCaridade. Após preparar-me em desdobramento, fui ao seu encontro na Colônia. Mas, antes, eu vou explicar a vocês o que é e quais são os objetivos de uma Colônia Espiritual, assim como é a Colônia Amor e Caridade. No mundo espiritual, existem cidades espirituais; alguns, chamam essas cidades de Colônias Espirituais; uns, de Mundos Transitórios; e outros de Cidades Espirituais, e por aí vai. A Colônia Espiritual Amor e Caridade fica dentro da Colônia das Flores, que é uma das Colônias Espirituais mais antigas e uma das maiores instaladas sobre o Brasil. Ela fica acima do Estado de Santa Catarina, adentra o Estado do Paraná, Mato Grosso do Sul, e um bom pedaço do Estado de São Paulo. Como todos podem concluir, a Colônia das Flores é bem grande. A Colônia Amor e Caridade foi criada há pouco tempo, há cerca de cento e vinte anos. Ela foi instituída para oportunizar condições a alguns espíritos que têm como objetivo seguir aperfeiçoando e evoluindo seusseres. A Colônia das Flores é especializada no atendimento às pessoas que desencarnam vítimas de câncer. A Colônia Amor e Caridade também tem como especialidade socorrer crianças que são vítimas da mesma doença. Além disso, ela é uma Colônia que auxilia alguns Centros Espíritas instalados no orbe terreno. Alguns mentores desta Colônia auxiliam os médiuns a desenvolverem um trabalho de orientação, auxílio, amparo e conscientização da vida eterna aos doentes que são levados a esses Centros Espíritas. Tudo se comunica segundo esses amigos. Misericórdia divina, dizem eles. Daniel é o presidente da Colônia Espiritual Amor e Caridade. Ele foi frei, e viveu no Brasil há cerca de cem anos. Hoje, preside com muita competência e amor essa divina Colônia. Cheguei lá muito ansioso para o encontro com a Nina. Logo na entrada, encontrei-me com Marques, que é o assessor direto de Daniel. É tudo muito organizado nas Colônias Espirituais. Em Amor e Caridade há vários espíritos, todos muito atarefados. E há quem pense que quando morremos vamos descansar… Tolice, pois temos muitas coisas a fazer quando retornamos à consciência da vida eterna. Na Colônia Espiritual Amor e Caridade há ruas, avenidas, prédios, lagos, campos verdejantes, árvores coloridas, e flores das quais eu nunca vi por aqui. Sempre vejo animais por lá também, cães, pássaros, entre outros que vivem em meio aos espíritos e à linda vegetação das Colônias. Eu tive até a valiosa oportunidade de ver como são recebidos os nossos cães quando eles desencarnam, na psicografia do livro Amigo Fiel. Na entrada da Colônia Amor e Caridade há um imenso portão que separa Amor e Caridade do espaço existente entre o plano físico e o plano espiritual. Há também um enorme muro que cerca toda a Colônia, e eu já havia perguntado ao Daniel sobre aquele muro, o qual já relatei nas psicografias anteriores, mas para não deixar vocês curiosos, vou comentar sobre ele aqui também. O muro é para proteger a Colônia de espíritos mal-intencionados, que tentam a todo momento invadir o lugar de luz. As Colônias Espirituais são cidades de luz, e espíritos que não se afinam, não podem entrar, portanto, em volta de todas as Colônias Espirituais, existem esses muros. Mas não apenas eles, existem também espíritos chamados “guardiões”, que cuidam e protegem as Colônias, relatado no livro O Guardião da Luz. É como aqui, que para proteger o nosso patrimônio temos a polícia ou os seguranças. Assim é a vida espiritual, um reflexo detudo o que temos aqui. Logo que cheguei, fui recebido por Marques. Ao me ver, ele aproximou-se para me cumprimentar. –Seja bem-vindo, Osmar! –Eu é que agradeço a mais essa oportunidade de estar aqui com vocês, Marques. Estou muito feliz! –Venha, meu rapaz, levarei você para se encontrar com a Nina. –Estou ansioso, e obrigado pelo “rapaz”! Marques é de estatura mediana, cabelos curtos, barba bem-feita e olhos castanhos. É muito simpático, embora seja bem acelerado. Caminhamos até o prédio da Regeneração. Ele é um dos maiores que existem em Amor e Caridade. A base do prédio é redonda, e tem uma pirâmide na qual é possível ver uma luz que desce do céu (espaço que não compreendo), e entra na cúpula do lugar. O edifício é esverdeado, assim como todos os outros prédios da Colônia. Andamos cerca de dez minutos por uma longa e larga avenida, e eu pude ver vários outros prédios e muitos espíritos que estavam sentados sobre os extensos gramados, pareciam estar descansando. Eram jovens, meninas, meninos, idosos, rapazes, moças… todos com um sorriso no rosto, me cumprimentavam com um gesto de cabeça. A roupa parecia ser única, todos vestiam uma espécie de bata que cobria o corpo todo, algumas eram brancas, outras azuis, lilás, rosas, amarelas, e umas eram de uma cor que parecia branco, mas era um tom mais branco que o próprio branco, não sei se fui claro… Alguns usam calça comprida branca e jaleco daqueles que são usados em alguns Centros Espíritas. Porém, a maioria veste mesmo essa túnica que cobre todo o corpo. As coisas nas Colônias são diferentes e lindas. –Marques, eu posso te fazer uma pergunta? –Claro que sim, Osmar. –Há quanto tempo você está na vida espiritual? –Uns cento e trinta anos, aproximadamente. É que aqui nós não contamos o tempo, sabe como é, né? –Sim, eu sei, se a vida é eterna, para que contar o tempo? –Isso, meu rapaz. –Mas, então, como é definido o tempo por aqui? Se é que vocês precisam de tempo, ou espaço de tempo para alguma coisa. –O tempo aqui é relativo, quando precisamos contar o tempo para alguém ou por algum motivo, esperamos até o momentoemqueoqueestiverparaacontecer,aconteça, simples assim. –Você poderia explicarmelhor? –Sim. Vou dar-lhe um exemplo que é muito comum poraqui. –Pois não,Marques. –Quando um espírito chega até aqui muito angustiado pelo seu desencarne, o que é muito comum, aliás, nós explicamos a ele que a vida na Terra cessou, e que agora ele está na vida espiritual. A primeira coisa que acontece é do espírito se arrepender imensamente por ter perdido tanto tempo com coisas inúteis à sua evolução pessoal, sim, porque a evolução é pessoal e intransferível. Desta forma, após receber a notícia, o espírito que acabara de chegar entra em estado depressivo, e pela experiência que temos, nós sabemos que ele tem o tempo dele para superar seus traumas. Assim, o tempo é relativo para os espíritos que se encontram aqui. –Cada um tem o seu tempo? –Exato, cada um tem o tempo certo para se estabilizar e refazer aquilo que abandonou quando encarnou. –Quer dizer que quando eu encarno deixo os meus planos para trás ? –Não, Osmar, você encarna justamente para realizaros seus planos. O problema é que vocês demoram a acreditar n’Ele e, com isso, atrasam a evolução de vocês. A encarnação nada mais é que uma oportunidade evolutiva, uma sala de aula, em uma das milhares de escolas criadas por Ele para os seus filhos. –Para todos? –Sim, para todos. Alguns desviam do caminho e paralisam a evolução, mas recebem outra oportunidade. São repetentes… –Isso eu já aprendi. –O que aprendestes? –Oportunidades! Elas não podem ser desperdiçadas. –Muito bem, Osmar, não desperdice as suas oportunidades. –Marques, e quando uma pessoa que errou a vida inteira descobre que ela é eterna só quando está velha e cansada… ela pode reparar os seus erros? –Basta fazer um pedido de perdão sincero, e Ele perdoará os seus erros. –E os pecados? Ele também os perdoa quando pedimos com sinceridade? –Ele é amor, perdão e misericórdia. Sempre foi, e sempre será assim. – Então,valeapenapecaravidainteirae,depois,se arrepender no final? –Pecar é uma coisa, Osmar, perdoar… é outra coisa. Se você errou a vida inteira, e pediu perdão a Ele com sinceridade, eu tenho certeza que Ele irá te perdoar, agora, se você pecou a vida inteira, eu já não posso garantir o perdão doPai. –Entendi, Marques, errar é uma coisa, pecar é outra. –Isso, errar é quando você faz algo sem intenção, sem conhecimento, agora, pecar é transgredir a Lei maior. E a segunda opção que você citou, é sobre contrariar as Leis maiores de forma consciente. E ao contrariá-las, não podemos reclamar se não houver o perdão. –Você tem razão, Marques. Então, como reparar um pecado? –Refazendo o caminho, simples assim. –Reencarnando? –Algumas vezes, sim. Outras, não. –Você pode explicarmelhor? –O que você acha que estamos fazendo aqui nas Colônias? –Trabalhando, ué! –Reparando as nossas falhas, Osmar. Refazendo o caminho e consertando o que fizemos de errado, além disso, é claro, estamos auxiliando o Criador. – Quer dizer que eu poderei reparar as minhas falhas em uma reencarnação ou trabalhando em uma Colônia? –Isso, meu rapaz, é isso. Se você for útil em uma Colônia e merecedor dela, será aproveitado para trabalhar em uma delas, agora, se suas falhas precisarem ser reparadas em uma encarnação, você reencarnará para que possa reparar todos os seus erros. –Amor divino né, Marques? –Amor pelos seus filhos, misericórdia divina, Osmar. –Como é bom ser o portador desses ensinamentos. Obrigado, Marques! –De nada, meu amigo. –Marques, você está sabendo o porquê de eu estar aqui? –Sim, sei. Vocês vão escrever um novolivro. –Você sabe ondeserá? –A Nina vai te explicar, fiquetranquilo. –Estou muito ansioso para saber. Um novo livro!Cinco Dias no Umbral – O Limite. –Estamos chegando, venha! – disse Marques, acelerando os passos. Ele abriu a porta principal e entramos juntos no lindo prédio da Regeneração. No hall de entrada havia um enorme balcão, onde dois jovens faziam a triagem, e vários espíritos aguardavam para serem atendidos. Os jovens cumprimentaram Marques com um sinal de cabeça, e permitiram a nossa entrada pela porta lateral, que dá acesso a um extenso corredor com várias salas. Alguns espíritos estavam sentados em bancos localizados ao lado dessas portas, esperando para serem chamados para o atendimento. Marques seguiu a passos firmes e rápidos logo à minha frente. Eu, um pouco desesperado, corri atrás dele. Até que, finalmente, ele parou diante de uma porta na qual pude ler: “Diretoria”. Marques, então, abriu a tal porta e permitiu a minhaentrada. –Entre, Osmar. Na sala estavam Daniel, Nina e, novamente, o Lucas. –Olá, Lucas! –Seja bem-vindo, Osmar! – disse ele, com um leve sorriso no rosto. –Oi, Nina! – disse. –Sente-se,Osmar. Porém, antes mesmo de sentar, beijei a mão de Daniel, que sorria gentilmente para mim. A sala era bem grande, com várias cadeiras espalhadas pelo ambiente. Havia um oratório no canto da sala onde pude ver uma linda imagem de Catarina de Alexandria. –Obrigado pela oportunidade! – disse-lhes. –Nós é quem agradecemos. – disse Lucas. Naquele momento, Marques pediu licença e, após se despedir de todos, dirigiu- se à porta para deixar a sala. –Obrigado pelo carinho e pelos ensinamentos, Marques. –De nada, Osmar, até breve! – Senhores, com licença. – disse ele deixando o lugar. Nina olhou para mim, e questionou-me sobre o Lucas. –Osmar, você se lembra de tudo o que já escreveu ao lado de Lucas? –Sim, eu o conheço bem. – Sou grato a todos os livros e a todos os ensinamentos, Lucas. Você é muito especial em minha vida. – disse emocionado. –Eu é que agradeço, Osmar. – disse Lucas, com o leve sorriso no rosto de sempre. –Pois bem, então você, o Lucas, eu e mais alguns companheiros voltaremos ao Umbral. – disse Nina. –Você tinha dito que iria me mostrar mais uma missão no Umbral, não é isso, Nina? Um novo livro? – ANinanãotempropriamentemissõesnoUmbral,Osmar. – disse Daniel, interrompendo a nossa conversa. –Entendi, Daniel. –Ela vai mostrar a você algumas coisas muito importantes para que você transmita a todos os que ainda precisam saber mais sobre o Umbral. Osmar, quando você atinge um determinado estágio evolutivo, você fica dispensado de determinadas tarefas na vida espiritual, mas a Nina faz questão de auxiliar os que mais necessitam. E ela tem motivos próprios para estar sempre auxiliando àqueles que sofrem no Umbral. Nessa viagem, em especial, ela tem um motivo muito pessoal para estar lá, e você poderá relatar. –Nós voltaremos àquela região de sofrimento, Nina? –Sim, vamos voltar aonde tudo começou. –Nossa, e quando partiremos? –Amanhã, Osmar. Estamos organizando a equipe, portanto, amanhã esteja preparado para nos acompanhar. –Não vejo a hora, meus amigos. -Lucas, você não gostaria de passar alguma recomendação para o Osmar? – disse Daniel. –Sim.Prestebastanteatenção,Osmar.Duranteoperíodo dessa psicografia, você deverá se manter em constante oração. –Por que devo fazer isso? Por que tenho que seguir esse preceito? Ou essa regra? Sei lá… –Você precisará estar em condições psíquicas perfeitas para entrar conosco no Limbo. –Meu Deus! Eu já ouvi falar desse lugar. –Calma, Osmar, nós estaremos com você. – disse Nina, preocupada. –Eu confio em você, Nina. Aliás, perdoem-me senhores, eu confio em todos vocês! Lucas, então, prossegue: –Você terá que evitar aborrecimentos, tristezas e, principalmente, deverá estar descansado. Será uma viagem cansativa e com muitas surpresas. O Limbo é uma região de muito sofrimento, e você precisará estar bem. –Certo, Lucas, vou seguir as suas orientações. –Procure descansar, pois amanhã eu mesmo vou te buscar para darmos início à caminhada. –Certo, estarei pronto. Nina olhou para mim preocupada. Daniel permaneceu calado. –Está tudo bem, Osmar? – perguntou Nina, lendo os meus pensamentos. –Sim, Nina, estou bem! Mas, posso fazer uma observação? Se vocês permitirem, é claro. –Sim. –Confesso que estou preocupado em ir para uma região de tanto sofrimento. Eu já estudei um pouco sobre o Limbo, e sei que é muito ruim estar lá. Sei também que não deveria estar preocupado, mas algo dentro de mim está apreensivo, se é que vocês me entendem… –O lugar para o qual iremos é o Limbo, Osmar, e ele fica muito longe da região para a qual fomos anteriormente. O Umbral é enorme, e sua dimensão é incalculável. Embora eu tenha dito que voltaremos ao mesmo lugar, na verdade, eu quis dizer que voltaremos ao Umbral. Portanto, não se preocupe, pois nós estaremos muito bem-acompanhados, o Negro e o Ventania estarãoconosco. –Obrigado pela explicação, Nina. Eu compreendo, e perdoe a minha indiscrição, é que fico ansioso para conhecer tudo e poder relatar cada ensinamento trazido por vocês. Há milhares de leitores ansiosos também para lerem tudo sobre você e sobre o Umbral. –Então, faça assim, vá com o Lucas e volte para a sua casa. Descanse, pois amanhã a Nina irá te buscar. – disseDaniel. Nesse mesmo instante, levantei-me sem nada mais questionar, e voltei para a minha casa acompanhado do Lucas, nos mantivemos em silêncio. Aquela noite demorei a dormir preocupado com essa missão de voltar ao Umbral, mas eu confio muito na Nina e nos demais espíritos, e tenho certeza que teremos um lindo ensinamento neste livro. Na verdade, ser médium é um privilégio inexplicável. Eu sou muito grato a esses amigos espirituais e a Deus por permitirem a mim esse dom, esse verdadeiro privilégio, como disse acima. Sou grato também às orientações recebidas todos os dias, sem elas, certamente eu já teria me perdido, pois não é fácil administrar tudo isso. Voltei à rotina do meu lar, esperando pelo chamado dos espíritos amigos para escrever mais este livro. Me mantive em oração e cuidando do sono, conforme a orientação do Lucas. Contudo, naquela noite, após ser avisado que no dia seguinte começaríamos a escrever, confesso que não dormi nada bem. Ansioso, logo cedo dirigi-me ao meu escritório e me pus a esperar pela Nina para darmos início a esta psicografia. As horas pareciam dias intermináveis… “O amanhã, é o esforço do hoje”. Osmar Barbosa Dia 1 Eu estava no meu escritório organizando algumas contas que teria que pagar naquele dia, quando Lucas chegou e logo convidou-me para acompanhá-lo em desdobramento. Deixei tudo para terminar depois, e segui ansioso ao lado dele. –Vamos, Osmar? –Sim, vamos. –Está tudo pronto? Você estábem? –Sim, como não ficar bem ao seu lado? Só estou muito ansioso por mais essa psicografia. –Não fique, venha! Vamos a um dos portais do Umbral. Naquele momento, me desdobrei e o segui. O desdobramento que faço em todas as psicografias é de forma consciente. E o que isso significa? Significa que vejo tudo em uma tela fluídica que se abre à minha frente, logo, eu entro nela e vivo realmente tudo o que escrevo paravocês. Na maioria das vezes é muito bom fazer isso. Às vezes, passo por momentos difíceis, principalmente quando me distraio e perco a concentração, afinal, eu vivo tudo o que escrevo. Vejo paisagens ainda não permitidas para a maioria dos mortais. Ando pelas Colônias, visito os hospitais espirituais, conheço espíritos muito elevados, e outros, nem tanto. É algo que, por vezes, fica até difícil explicar. Desde menino, entro e saio desses ambientes com certa facilidade, mas sempre acompanhado por algum espírito amigo. Já vi e vivi muitas coisas boas, mas infelizmente, outras, nem tanto. Quando assisto ao martírio de alguns espíritos, sofro muito ao lado deles. É tudo muito real. Lembro-me perfeitamente de quando assisti, ao lado do meu mentor, ao martírio de Catarina de Alexandria. Eu confesso que nunca havia imaginado existir tanta maldade de um ser humano para com o seu semelhante. Catarina era só uma menina, apenas uma menina que por ser bondosa, inteligente, caridosa, e muitíssimo evoluída, era diferente. Ela só fazia o bem, e por ser extremamente boa de coração, foi condenada pelo imperador a morrer em uma roda construída pelos carrascos, com o objetivo de causar muito sofrimento a quem fosse submetido aela. Felizmente, a roda se quebrou, mas mesmo assim eu vi, com esses olhos que a terra há de comer, a maior covardia que já existiu nessa minha vida mediúnica. Porém, mesmo sentindo muita dor, ela deu para nós a maior lição de fé, quando clamava e pedia a Jesus o perdão pelos seus algozes. Mas, como assim, pedir perdão por aquele que te leva à morte após tanto sofrimento? Somente um espírito muito evoluído para fazer isso. Hoje eu compreendo que mesmo que achemos que o nosso planeta não esteja evoluindo, eu enxergo claramente também que já estamos muito distantes daqueles tempos em que a vida não valia absolutamente nada. Hoje em dia temos as leis dos homens para nos proteger. Muita coisa já mudou e ainda vai mudar, tudo para o progresso da humanidade. Bem, segui ao lado de Lucas até que chegamos a um portal, que mais parecia uma grande bola de fogo, mas que não nos queimava. Paramos um pouco distantes dele. Havia um espírito nos esperando e, pela silhueta, logo vi que se tratava de uma mulher. Ela vestia uma capa a qual cobria todo o seu corpo. Na cabeça, um capuz. As mãos não estavam visíveis. Era um vulto que estava diante de nós. O que vi, naquele momento, era somente um vulto feminino em meioàquele nevoeiro e àquela escuridão, iluminado apenas pelo portal de fogo. Lucas, então, disse: –Venha, Osmar, vamos prosseguir. Imediatamente eu segui os passos do amado mentor. Ele caminhava rápido, e eu já estava cansado pela caminhada forte e rítmica. Nos aproximamos do espírito que nos esperava, e fiquei aliviado ao ver que era a Nina Brestonini. Rapidamente, cheguei até ela. Meu peito se encheu de alegria e esperança. –Oi, Osmar. –Nossa, Nina, isso aqui me dá muito medo. –Não tenha medo, eu estou ao seu lado. Aliás, nós estamos ao seu lado. – disse Nina, sorrindo para Lucas. –Olá, Lucas. –Oi, Nina. –Onde estão os nossos amigos? – perguntei.–Que amigos? –Os outros espíritos que seguirão conosco nesse resgate. –Eles já estão vindo, Osmar. Naquele momento, Nina parou e ficou com o olhar perdido no horizonte. Eu parei ao seu lado, e esperava por alguma palavra, mas Nina estava distante. Fiquei até um pouco preocupado… por que será que a Nina agiu assim? Por que ela estava tão distante? O que será que a afligia? Onde estão os outros que irão conosco no resgate? Essas e tantas outras perguntas passavam pela minha mente naquele momento. O que estava acontecendo? Lucas estava atrás de nós, calado e com a cabeça abaixada. O lugar era, na verdade, um grande vale. Havia uma vegetação rasteira e seca, parecia até que um grande incêndio havia acontecido ali e destruído tudo. Tinham árvores retorcidas e queimadas, e muito lixo espalhado em meio às cinzas deixadas pelo possível incêndio. Continuamos ali, parados e esperando pelas ordens da Nina. O tempo passou, e após algumas horas resolvi perguntar a ela: –Eles vão demorar, Nina? Está tudo bem? –Não, Osmar, eles não vão demorar. Os nossos companheiros já estão a caminho, e logo estarão aqui. –Certo. Você está bem, Nina? –Sim, só estou um pouco preocupada. –Eu posso te ajudar? –Não, Osmar, não há nada que você possa fazer. Aliás, estar aqui conosco é a sua parte nesse resgate. Lembre-se que você ainda está encarnado, e isso limita as suas ações e os seus sentidos aqui. –Sério? –Sim, embora o desdobramento permita com que você esteja ao nosso lado, ele também limita as suas energias, por isso, utilize a sua para se manter desdobrado e saudável ao nosso lado. Você já está consumindo muita energia para estar aqui, Osmar. –Eusei.Sabe,Nina,emalgumaspsicografiaseufico muito cansado, já em outras, nem tanto, isso é normal? –Claro que sim! Dependendo da região para a qual você for, em desdobramento, você tanto pode se cansar mais como se cansar menos. –Como assim, Nina? –Se, mesmo estando ao nosso lado, a região em que você estiver, for como essa que iremos visitar agora, você precisará utilizar muitos fluidos, desta forma, o desgaste é natural. Já em regiões como a nossa Colônia, por exemplo, você não precisa despender energia para estar lá, entende? –Quanto mais denso, mais energia, é isso? – Exatamente. Lembre-se que só ficamos confortáveis aqui no Umbral pelo prazo de cinco dias, após esse tempo, mesmo nós que temos bastante energia, começamos a perdê-la em proporção maior, por isso, o ideal é que façamos tudo o que tivermos para fazer no Umbral em, no máximo, cinco dias. –Lembrei-me agora que no primeiro livro que escrevemos juntos, você me avisou sobre isso. –Sim, no livro Cinco Dias no Umbral. –É verdade. Você nos alertou para o fato de que mesmo com toda a luz que vocês possuem, o ideal é que fiquem no Umbral por um período de, no máximo, cinco dias. –O Umbral é muito denso, Osmar. Ficar aqui é como se estivéssemos nos “desenergizando”, fora que ainda há questões perispirituais que envolvem todo esse processo, entende? –Sim, entendo perfeitamente. Eu posso me sentar, Nina? –Sim, sente-se, descanse. –Eu ainda não estou cansado, mas vou me sentar. –Mas, descanse, pois você precisará de toda a sua energia para escrever este livro. –Não me assuste, Nina. –Não estou te assustando, estou apenas te alertando. –Meu Deus! Perto de nós havia algumas pedras que mediam, aproximadamente, três metros de altura. Sentei-me na base de uma delas. Nina olhava fixamente para o portal, como se esperasse que alguém viesse nos buscar. Eu estava muito preocupado, pois nunca tinha visto a Nina daquele jeito. Ela estava distante… Passados alguns minutos, eu ouvi um estrondo muito parecido com um trovão. Parecia que havia caído um raio muito próximo a nós, mas se não tinha nenhum sinal de chuva, como poderia ser um raio? Os trovões insistiam. Um após o outro. Parecia que estavam disparando de vários canhões muito poderosos. Nina, então, aproximou-se de mim. –Venha, Osmar, vamos nosabrigar. Levantei imediatamente e segui a iluminada mentora até uma pequena gruta, a qual ficava um pouco distante do lugar em que estávamos. Lucas nos seguia. –Venha, Osmar. – insistiaNina. –Estou indo. Apertamos o passo para chegar logo ao local, e assim que chegamos, entramos rapidamente ela, eu e o Lucas. –Que lugar é esse, Nina? – questionei. –O portal. –O portal? –Sim, esse lugar se chama “O portal”. –Entendo, mas, e esses estrondos? O que são? –Abrigue-se! – disse Nina, me protegendo. Naquele mesmo instante, uma chuva torrencial desabou naquele lugar. Era uma chuva muito forte, e confesso que fiquei muito assustado. –Que chuva é essa, Nina? –Ela acontece todos os dias, nesse mesmo horário. –Mas, que horas são, Nina? – No plano físico são, aproximadamente, cinco horas datarde. –Cinco horas da tarde? Como? Se saímos do meu escritório há pouco mais de dez minutos? – O tempo aqui é diferente do tempo no plano físico, Osmar. Na vida espiritual não temos relógio, aqui não se conta o tempo, ele não existe para espíritos eternos. –Bemqueeurepareiqueparecequeestamosemum fim de tarde. –Aqui é sempre assim, Osmar, lamacento, escuro e fétido. E essa chuva é diária. –Mas, por que é assim, Nina? –Porque todos os que vivem aqui se sentem na escuridão, se sentem assim. –Então, o Umbral reflete o estado dos espíritos que aqui se encontram? –Exatamente. –Meu Deus! –O Umbral é a soma das mentes que vivem aqui. Se sua mente for boa, tudo ao seu redor será bom, se sua mente for escura, tudo a sua volta será escuro. O pensamento e a vontade plasmam o ambiente em que vives, ou seja, se em sua casa existe amor, compreensão, cumplicidade e ternura, tens uma casa feliz. Do contrário, tens o caos. –Aqui não há luz, Nina? –Somente a luz dos bons espíritos que vêm ao Umbral para resgatar e auxiliar àqueles que precisam de ajuda. –Entendo. Eu reparei que você e o Lucas brilham nesse lugar, parece que vocês são fluorescentes. –Essa é a nossa estrutura espiritual, é assim que somos em todos os lugares. Mas, não pense você que para ficarmosassimfoifácil,porquenãofoi,Osmar.Àmedidaque o espírito evolui, ele se torna menos denso e mais sutil, e a sutileza espiritual é refletida em nossa forma física. Na verdade, o que você consegue ver é o nosso corpo fluídico, por isso, é tão sutil. –Que lindo, Nina! –Obrigada, Osmar. A chuva não dava uma trégua. Trovões muito altos rasgavam o silêncio do Umbral. O forte temporal alagava tudo. Nina, Lucas e eu estávamos isolados em uma pequena gruta que nos protegia dos raios e do estrondoso temporal. Passados alguns minutos, dirigi-me novamente a Nina. Lucas estava um pouco distante de nós, ele entrou conosco na pequena caverna, mas preferiu se sentar mais ao fundo. – Demora muito ainda para essa forte chuva passar, Nina? –Não, ela passará logo. –Nina, eu posso te perguntar uma coisa? –Claro que sim. –O que é o Limbo? – Osmar, o Umbral é subdividido, como já te informamos. A região umbralina é o local no astral considerado como Astral Inferior. Está justamente na dimensão “Astralina” (ou espiritual) do plano terreno, logo, cada orbe habitado possui o seu próprio Umbral, e isso vale, é claro, para todos os planetas habitados. –Entendi, Nina. –Osmar, o Umbral é um local de transição, e é subdividido em diversas áreas, conforme a simpatia e a afinidade dos espíritos que vivem aqui. Ele possui divisões e escalas de ascensão até chegar ao Astral Superior. Muitos espíritos que ainda estão presos à matéria, acabam ficando nos círculos próximos à crosta terrestre, o que chamamos de plano zero. –Entendi. –Um outro lugar que existe aqui é o que chamamos de Crosta. –Crosta? –Exato. Não é propriamente um local para a habitação dos espíritos, mas sim, o próprio plano terreno. É onde se encontram espíritos vagantes, errantes, e aqueles que nem ao menos se reconhecem como espíritos, os quais podemos chamar de espíritos sem rumo. Alguns sequer têm a consciência de que ainda estão presos aqui, devido às vidas anteriores ou até mesmo por ainda nãosaberem que estãomortos. São aqueles que vocês chamam de “almas penadas”. –Caramba! – disse assustado. – A Crosta não é um local de habitação contínua, na verdade, há uma interseção entre o Umbral e a Crosta. Quando viemos para cá, nós passamos por ela, mas você sequer percebeu. –Por que eu não percebi,Nina? –Porque você tem plena consciência do que é. –Como assim? –Você tem plena consciência de que é o Osmar, e que está desdobrado aqui conosco. –Entendi. –Outro local é o que chamamos de Limbo, e é para lá que estamos nos dirigindo. –Limbo? –Sim, o Limbo é um lugar bem complexo, Osmar. É um lugar mais denso. É onde ficam os espíritos que perderam a capacidade de pensar, ou que se cristalizaram de tal forma em suas evoluções, que perderam qualquer capacidade cognitiva. Lembre-se, Osmar, que aquele espírito que é desprendido da matéria, ele consegue lembrar dos seus passados, das suas encarnações, das suas experiências, e tem total acesso aos conhecimentos acumulados, conjuntamente com a sua história. –Meu Deus! –Os espíritos que habitam o Limbo perderam essa capacidade. –Meu Deus! –É lá também, Osmar, que se pode encontrar os ovoides. –Ovoides? O que são ovoides, Nina? –Espíritos que perderam quase que completamente os seus perispíritos. São como mônada, ainda albergando a essência espiritual, mas enclausurado em um meio que não lhe permite externar nada. –Castigo de Deus, Nina? –Não, Osmar, Deus não castiga os seus filhos. –Então, por que eles ficam assim? –Porque contrariaram todas as Leis naturais, todas as Leis divinas, e agora colhem na vida espiritual, a semeadura terrena, como sabes. –Sim, colhemos na vida espiritual, o fruto da semeadura terrena. –Isso, Osmar. Esses espíritos perderam totalmente as suas memórias, tendo que passar por experiências de reencarnação para recuperar tudo desde o início. Na verdade, eles não perdem as experiências, mas ficam impossibilitados de acessá- las. É como se perdessem a memória, entende? –Sim, entendo. –Com o tempo, e através de sucessivas reencarnações, eles conseguem recuperar seus corpos espirituais ou seus perispíritos, como preferir, e darem continuidade à evolução de cada um. É através das provas que tudo se aperfeiçoa, Osmar. –E é para esse lugar que iremos? –Sim, a nossa missão é no Limbo. –Não vejo a hora de estar lá, e de poder aprender com você como podemos ajudar aos que mais precisam. –Tenha calma, pois tudo será revelado a você para que possas também revelar aos seus leitores… um pouco mais sobre a vida no Umbral. –Obrigado, Nina. –Osmar, existe um outro lugar o qual eu também gostaria de explicar para vocês. –Sou seu lápis diante de uma folha em branco, a todo e qualquer momento, Nina. –Um outro lugar que é muito comentado na Doutrina Espírita, mas que é pouco revelado… esse lugar é conhecido como Inferno. –Então, existe mesmo o Inferno? –Sim. O Inferno fica localizado na zona maisprofunda do Astral Inferior, e é onde estão os espíritos maisnefastos e trevosos. Local esse onde habitam os Magos Negros, os Feiticeiros, os Doutores do Mal, e tantos outros espíritos malfazejos. Porém, ao contrário do que todos creem, os espíritos que habitam o Inferno estão completamente desinteressados do ser humano na forma individual. –Como assim, Nina? –São eles que estão organizados para destruírem tudo o que é criado para o bem comum. São esses os espíritos que aliciam os diversos espíritos do Umbral, para colocarem em prática tudo o que eles criam para o mal da humanidade. São verdadeiros cientistas do mal. Legiões negativas que têm como objetivo desarmonizar o ambiente terreno. Eles agem, principalmente, sobre as entidades que vivem nosUmbrais. –E eles conseguem, Nina? –Essa é a grande batalha. –Que batalha? –A batalha do Bem contra o Mal. Ela sempre existiu, e sempre existirá. –Por que isso, Nina? –Sois livres, lembra? –Sim, o livre-arbítrio. –Isso mesmo, Osmar. –Não sei até que ponto isso é positivo para nós… –O quê? –O livre-arbítrio. –Encare o livre-arbítrio como a capacidade de decidir. –Sim. Eu, particularmente, acredito que ele tenha sido criado para isso. –Liberdade, Osmar, liberdade… –Deus nos quer livres, não é, Nina? –Sim, és livre para evoluir quando quiseres. –Ainda bem que eu conheço vocês, e recebo esses ensinamentos todos os dias. Eles me direcionam e me permitem escolher sempre o melhor. –Viu como o livre-arbítrio é bom? – O que eu não entendo, Nina, é como que os espíritos mesmo sabendo de tudo isso, ainda insistem em fazer omal? – Normalmente, os espíritos que se destinam ao mal, Osmar, o fazem por terem consciência de que são eternos. –Será sempre assim, Nina? –Assim, o quê? –Será sempre o bem contra o mal? –Osmar, aprenda com a Leinatural. –Como? –Tudo nasce, cresce e morre, para depois, nascer novamente. Assim, não há mal que dure para sempre. Tudo se renova e cumpre um ciclo. Infelizmente, esses irmãos insistem em viver assim. –Verdade, Nina,obrigado! –A chuva parou, venha! Vamos ao portal. – Venha, Lucas. – disse Nina. Caminhamos em direção à enorme bola de fogo que estava aberta. O que víamos agora era um enorme círculo de fogo, um lindo portal aberto, esperando para nos receber. Ao nos aproximarmos eu pude ver que havia alguns espíritos nos esperando. Feliz e surpreso, me aproximei do grupo. A minha ansiedade era tanta que me distanciei da Nina e cheguei rapidamente ao encontro dos amigos espirituais. Estavam ali, nos esperando, o Rodrigo, o Felipe, a Soraya, o Caboclo Ventania e, ao seu lado, oNegro. Eles estavam de pé e, logo que cheguei, todos me cumprimentaram felizes. –Olá, Osmar! – disse Rodrigo, me abraçando. –Olá, Osmar! – disse Soraya, sorrindo. A alegria tomou conta de mim, e fiquei sem palavras para expressar a minha surpresa e tamanha felicidade naquele momento. Abracei a todos com carinho e alegria. Nina aproximou-se de Felipe e o abraçou carinhosamente. Soraya aproximou-se de Nina e a abraçou fortemente. Lucas cumprimentou a todos com um aperto de mãos. Pois bem, estávamos ali, todos prontos para mais uma missão no temido Umbral. O meu coração acelerou quando Rodrigo ordenou para que formássemos um grupo para que ele pudesse nos passar as instruções daquela missão. Fizemos um círculo em volta do iluminado Cigano. Rodrigo, então, começou a falar: – “Meus amigos, temos mais uma nobre missão pela frente. Iremos a uma das regiões mais perigosas do Umbral. Todos sabem, eu não preciso alertar, que precisamos manter nossos pensamentos alinhados com o amor e a caridade, para que nada de mal possa nos atingir. Passo, às mãos de todos, colares que impedem com que alguns espíritos nos vejam, e com isso, nos manterão protegidos desses infelizes irmãos. Mas, como todos também sabem, existem alguns que não conseguem nos ver, porém, percebem a nossa presença, assim, todo cuidado é pouco. Os cavalos estão preparados. Na carroça irão a Nina e a Soraya, o cocheiro será o Felipe. O Índio e o Negro serão nossos batedores e irão à frente para nos alertar caso haja algum perigo iminente. Embora sejamos espíritos, a região na qual adentraremos é uma região de espíritos como nós, mas que, infelizmente, escolheram outro caminho. Nosso objetivo é o resgate de uma irmã que está recebendo de Amor e Caridade, uma oportunidade evolutiva. Estamos autorizados a resgatar essa irmã e levá-la para o nosso hospital, onde receberá os fluidos necessários ao seu reequilíbrio. Coloquem os seus colares, e vamos seguir em frente. Que a nossa mentora espiritual esteja ao nosso lado, iluminando a nossa caminhada, e que não nos falte coragem para esse nobre desafio. Façamos agora uma oração, meus amados companheiros…” Todos demos as mãos quando, naquele momento, o Cigano Rodrigo proferiu uma linda prece. O círculo formado emanava uma linda e luminosa luz na cor violeta, a qual clareava e iluminava todo o lugar. Eu estava muito emocionado e feliz, porque as minhas mãos faziam parte daquela corrente de amor. E, então, oramos a Catarina de Alexandriapela nossa missão. Assim, disse o Cigano: “Amada mentora espiritual. Nesse momento invocamos sua luz para clarear nossa caminhada nesse ambiente inóspito. Que tudo corra dentro dos planos de Deus para esse resgate. Que não nos falte coragem e fé para seguirmos nosso caminho, e que consigamos cumprir a nossa missão resgatando mais esse espírito que recebe através de vossa bondade uma oportunidade redentora. Pedimos sua proteção, ajuda e amor. Que Jesus esteja conosco, neste dia. Que assim seja… Todos dissemos… Que assim seja!” Após a prece, montamos em nossos cavalos e nos aproximamos do círculo de fogo. Começamos a cavalgada em uma pequena trilha que nos levava em direção ao enorme círculo. Embora o anel de fogo que moldava aquele portal resplandecesse em chamas altas e fortes, o fogo não aquecia a quem dele se aproximava. Era como se fosse uma chama de fogo muito forte, mas extremamente fria. À nossa frente, iam o Negro e o Ventania. Atrás deles, o Rodrigo, o Lucas e eu. A mim foi dado um lindo cavalo na cor marrom. Rodrigo montava em seu lindo cavalo Hió. Um outro cavalo branco vinha preso à carroça em que estavam Nina, Soraya e Felipe. A chuva deixava tudo enlameado e a carroça tinha dificuldade em passar pela estreita trilha. –Vamos! – dizia Rodrigo em voz alta. Densa névoa cobria tudo a nossa frente, enquanto atravessávamos o círculo de fogo, única luz daquele lugar. Ao nos distanciarmos do local de partida, ficávamos cada vez mais no escuro do terrível Umbral. Todos nós vestíamos uma capa a qual cobria todo o nosso corpo, e havia sido fornecida pelo Negro. Um largo capuz cobria as nossas cabeças. Seguíamos em silêncio por dentro do denso nevoeiro que agora se instalava. A escuridão era total, e já não enxergávamos nada a nossa frente, muito menos ao nosso redor. Os cavalos seguiam pela trilha instintivamente. Parecia que os animais conheciam muito bem o lugar. Confiávamos apenas neles que acostumados àquele ambiente, seguiam a trilha em uma fila silenciosa. A carroça vinha atrás de nós. Nina e Soraya estavam debaixo da cobertura daquela antiga carruagem. Calados, continuamos por cerca de oito horas naquele terrível e lúgubre caminho do Umbral. Foi quando o Ventania assoviou bem alto, como se nos alertasse para algo a nossa frente. Repentinamente, todos os cavalos obedeceram ao comando do Caboclo, e pararam. Naquele momento, além do medo, comecei a sentir frio, muito frio… O Negro veio até a gente e nos entregou uma pequena lança afiada e negra. Parecia uma flecha, mas bem grossa e feita de madeira, uma madeira preta e muito estranha. –Segure isso, Osmar. – disse ele, me entregando a lança e dirigindo-se à carroça que estava atrás de mim. Todos nós recebemos uma lança daquelas. Após isso, o Negro retornou para a frente da caravana, e posicionou-se ao lado de Ventania. A nossa cavalgada era lenta, pois a escuridão do local e o terreno enlameado atrasavam demais a viagem. Todos nós permanecíamos calados e esperando pelas ordens a seguir. Naquele momento, eu vi quando Nina aproximou-se de Felipe e questionou a ele sobre o que estava acontecendo… Felipe, então, respondeu que não sabia, que muito provavelmente era algum perigo surgindo a nossa frente. Naquele mesmo instante, ele pediu para que Nina voltasse para dentro da cobertura da carruagem, e ficasse ao lado de Soraya. O meu medo só aumentou ainda mais naquela hora. Foi quando eu vi que dois homens aproximavam-se de nós, e vinham em nossa direção pela mesma trilha em que estávamos. Cada um deles trazia nas mãos, uma tocha acesa, para que pudessem cavalgar pela escuridão. Ficamos ali parados, esperando com que eles se aproximassem. Estávamos em silêncio, e o medo tomou conta de mim novamente. Eu me sentia seguro ao lado dos meus mentores espirituais, mas algo dentro de mim dizia para tomar cuidado. Os dois homens vestiam capas como as nossas, que lhes cobriam todo o corpo, e também um chapéu preto cada um, que lhes protegiam da névoa. Naquele instante, lembrei-me do colar que estava em meu pescoço, o qual garantia que alguns espíritos não poderiam nos ver no Umbral. Aquilo me deu uma certa paz e confiança. Será que eles conseguirão nos ver? Estamos mesmo seguros? Quem são esses espíritos? Essas eram as perguntas sem repostas que atordoavam o meu ser. Os homens eram altos, negros e muito fortes, eu consegui ver mesmo à distância, que naquele momento era de, aproximadamente, 20 metros. Seus cavalos eram negros e tinham crinas que desciam até o chão, os animais eram lindos. Seriam eles espíritos obsessores? Amigos? –Meu Deus, nos ajude! – eu orava pedindo ajuda. Todos nós paramos à espera do encontro. Ventania e Negro desceram de seus cavalos e empunharam as lanças negras. Foi quando os viajantes pararam a nossa frente, e um deles, do alto de seu cavalo, disse: –Bons dias, viajores! –Bom dia. – disse Ventania. –O que fazem por essas bandas? –Estamos em viagem ao Limbo. Os dois homens se entreolharam, como se quisessem dizer algo para nós. O silêncio tomou conta de todos. Nesse instante, o outro homem desceu lentamente de seu cavalo e pegou algo em uma bolsa presa no dorso do animal. Dentro dessa bolsa havia alguns objetos. Felipe empunhou sua lança e olhou para mim como se dissesse: “pegue sua lança e se prepare”. Confesso que naquele momento senti um tremor por dentro. O homem, então, se aproximou de Ventania e lhe entregou uma sacola, perguntando a ele: –Vocês são de Amor eCaridade? –Sim, somos. – disse o Índio. –Pois bem… nós viemos ao encontro de vocês para avisá-los que esse caminho pelo qual vocês escolheram para ir ao Limbo, está bloqueado por poderosos Magos. –Está acontecendo uma batalha lá neste exato momento, e aconselhamos que vocês sigam por outro caminho. – disse o outro homem. –Quem mandou vocês até aqui para nos alertar? –Foi um pedido de Porfírio. Ele nos pediu para que entregássemos esta sacola a vocês. –Porfírio? –Sim, somos do seu Exército, e já estamos há alguns dias na estrada para encontrá-los. –E o que tem aqui dentro? –Nesta sacola há um velho pergaminho com um mapa para guiá-los nessa jornada, há também uma chave que, segundo ele, vocês precisarão dela mais tarde, e ainda, um pequeno vasilhame lacrado com um pó dentro, o qual confesso não saber para o que serve, mas que, segundo o Porfírio, vocês saberão na hora certa, pois esses objetos lhes foram entregues durante esse resgate. Ah, sim… meu nome é Tobias, e este ao meu lado é o Leônidas. – Muito prazer! – disse Ventania, estendendo sua mão direita para cumprimentá- los. – Eu acho que os conheço… – disse o Índio. –Provavelmente já nos vimos aqui pelo Umbral. Leônidas então, nos cumprimentou e saudou, um a um. Naquele momento, meu coração se encheu de paz. Graças a Deus aqueles espíritos eram amigos. Rodrigo aproximou-se de nós sugerindo que descansássemos. –Amigos, vamos aproveitar essa parada para descansar e cuidar dos animais, afinal, já estamos viajando há muitas horas. Todos concordaram e se organizaram para um momento de descanso. Negro reuniu todos os cavalos e os levou para trás da carruagem para que eles pudessem descansar. Nina e Soraya desceram da carruagem e aproximaram-se do grupo. Estávamos em círculo, nos cumprimentando, quando a iluminada surpreendeu a todos ao se aproximar de Tobias. –Tobias? –Nina? –Meu Deus! O que você faz aqui, meu amigo? –Olha se não é a Nina Brestonini? – disse Tobias, feliz. –Sim, sou eu, meu amigo. –Meu Deus, menina! Como você está bonita e iluminada! –São os seus olhos, meu caro amigo. –Há quanto tempo não a vejo, Nina. O Porfírio pediu para que eu encontrasse um grupo de amigos seus que estariam entrando no Umbral para uma nobre missão, mas não me disse que eram vocês. –Acredito que faça muito tempo mesmo. – disse Nina, abraçando Tobias. –Meu Deus! O Porfírio não me falou que você fazia parte desse grupo, ele apenas pediu para interceptá-los e avisá-los sobre o perigo que corriam. Estou muito surpreso efeliz. –Porfírio e a sua preocupaçãoconosco. – disse Nina. –Venha cá, menina! Deixa eu te abraçar novamente. Nina, então, aproximou-se de Tobias e o abraçou com ternura. –Quanto tempo, menina… –Que saudade de você! E como está a Eulália? – quis saber Nina. –Ela está muito bem. –Onde vocês estão vivendo? –Aqui no Umbral. –E o que vocês fazem aqui? – Resgates. Catarina pediu para que fizéssemos esse trabalho. –Meu Deus! Quanto tempo, meu amigo… – disse Nina, abraçando Tobias sem parar. Nina estava visivelmente emocionada com aquele encontro inesperado. Rodrigo aproximou-se de nós e sugeriu que descansássemos. – Meus amigos, vamos aproveitar esse momento para descansar e conversar um pouco. –Nossa, isso é tudo o que eu preciso. – disse Soraya. –Essa aqui é a Soraya, Tobias. – disse Nina, apresentando-a. –E esse é o meu fiel amigo Leônidas, senhores. –Venham, vamos nos sentar. – disse Felipe, convidando a todos para sentarem em algumas pedras ao redor. O Negro aproximou-se carregando alguns gravetos, e logo providenciou uma pequena fogueira. Fogo aceso, todos sentados, descansando e conversando. Nina estava notoriamente feliz. Sentamo-nos, Ventania, Rodrigo, Felipe, Nina, Soraya, Lucas, eu e os viajantes. Fizemos um círculo em volta da pequena fogueira que nos iluminava e nos aquecia. Eu estava muito ansioso para relatar e curioso para descobrir quem eram aqueles espíritos, e o porquê daquele encontro. –E você, Nina, onde está trabalhando? –Em Amor e Caridade. –Todos vocês trabalham em Amor e Caridade? – perguntou Leônidas. –Sim, todos nós. – respondeu o Lucas. –Mas,meconte,comovocêestá,Tobias?EaEulália? Fale um pouco mais sobre ela. –Após o martírio de Catarina em Alexandria, e após ela chegar à vida espiritual, nós fomos assassinados, como vocês já sabem. –Sim, eu acompanhei tudo isso bem de perto, e lamento muito o que fizeram com você e com a Eulália, Tobias. – disse Nina. –Estava em nosso plano encarnatório, Nina. –Eu não sabia. – Nem nós. Só tivemos consciência de tudo ao desencarnarmos. Quando chegamos à vida espiritual, fomos recebidos por Catarina, que nos acolheu e quis nos manter ao seu lado. –Tiveram esse privilégio? –Sim, fomos recebidos por ela. –Parabéns! –Obrigado, Nina. Como é do seu conhecimento, éramos espíritos perdidos, mas devido às transformações que realizamos naquela encarnação, foi possível com que fôssemos recebidos por ela, e também convivido ao seu lado por um tempo. Na verdade, foi o amor de Catarina que nos acolheu após o trágico desencarne. –Vocês fizeram muito por ela. – disse Rodrigo. – Eu sei, meu amigo Rodrigo, e sou grato a ajuda que você nos deu naquela época. –Não fiz mais que a minha obrigação. – disse Rodrigo. –Você fez mais que a sua obrigação, sim. Você nos escondeu quando os soldados nos caçavam em seu acampamento, mas nós não demos ouvidos às suas recomendações e não tivemos a confiança necessária para nos mantermos vivos. Porém, como já disse, estava tudo em nosso plano encarnatório. –Fiz e faria tudo novamente, Tobias. –Eu agradeço de coração, Rodrigo. –Conte mais sobre o que vocês fazem aqui, Tobias. –O meu amigo Leônidas, a Eulália, eu, e além, claro, de alguns outros amigos, trabalhamos em resgates que são autorizados na Crosta. –Quantos espíritos trabalham com vocês? –Aproximadamente, cento e vinte. –É grande a sua responsabilidade. – disse Felipe. –Sim, meu amigo, estamos muito atarefados nesse momento. –O que propriamente vocês fazem? – perguntou Soraya. –A Crosta, como todos sabem, é o local onde encontramos os espíritos vagantes, errantes, e aqueles que sequer sereconheceramaindacomoespíritos,podemoschamá-los de espíritos sem rumo. Alguns, nem ao menos têm a consciência de que ainda estão presos aqui devido às vidas anteriores, ou simplesmente porque ainda não sabem que morreram. O nosso trabalho consiste em resgatá-los, quando temos a permissão para isso, e de levá-los ao nosso Posto de socorro, onde o Gilberto, após alguns tratamentos, os encaminha para as Colônias. –Que saudade do Gilberto! – disse Nina. –Ele está bem, Nina, apenas muito atarefado, como todos vocês já sabem. –Então, quer dizer que vocês estão trabalhando no resgate de espíritos em sofrimento na Crosta? –Sim, Ventania. –É uma excelente oportunidade evolutiva. –Sem dúvida. Agradecemos à Catarina todos os dias por permitir que auxiliemos nossos irmãos em sofrimento. –Aproveitem a oportunidade e evoluam. – disse Ventania. –Estamos fazendo o melhor. –Os irmãos desejam tomar um chá? – pergunta Lucas. Todos afirmaram que sim. Lucas, então, foi até a carroça para pegar um vasilhame, no qual providenciou um delicioso chá. –Estou muito feliz em rever você, Tobias! – disseNina. –Eu também, Nina, estou feliz em revê-los. –Vejam! O Negro está trazendo algo… – disse Felipe. Negro aproximava-se do grupo, carregando em suas mãos, um ramo de mato com algumas folhas verdes. Eu estranhei… como é que ele conseguiu algo vivo, naquele lugar morto? O que seria aquele ramo? Todos ficaram à espera do Negro, que se aproximava lentamente do grupo. –O que trouxeste, meu amigo? – questionou Ventania. –Trouxe ervas vivas para vocês, meus amigos. Quero lhes presentear com essa erva que serve para várias coisas aqui no Umbral. – disse Negro, entregando os ramos de ervas verdes ao Tobias. Ele pegou as ervas e agradeceu. –Obrigado, meu amigo, eu conheço essa erva. –Que erva é essa? – quis saber Soraya, curiosa. –Alecrim. – disse o Negro. –E serve para o quê? –Éparaaproteção,Soraya,alémdeserumexcelente chá. – afirmou Negro. –E de onde você tirou isso, já que tudo aqui está morto? –Estava em meus pertences junto ao meu cavalo, eu trouxe para a nossa viagem. Tobias tomou a erva em suas mãos, e agradeceu a gentileza de Negro. –Obrigado, meu amigo, há tempos não vejo erva fresca assim. –Guarde-a, Tobias. – disse Nina, carinhosamente. Os viajores ficaram ali conversando sobre o passado deles por mais algumas horas. As vidas vividas nas encarnações são memórias vivas para esses amigos espirituais. E prestem muita atenção nisso… há muitas histórias a serem lembradas nesses reencontros. Ficamos ali por muitas horas até que, após todos descansarem, Tobias e Leônidas se despediram de nós, e seguiram em uma viagem de volta para a região na qual eles trabalham. Ventania abriu o pergaminho e chamou Rodrigo e Lucas para uma conversa. Felipe preparou a carroça para darmos prosseguimento a nossa viagem. O Negro, após buscar todos os animais, se preparou para darmos início a uma nova jornada. –Veja, Rodrigo, não poderemos ir por aqui. – disse Ventania, apontando para uma estrada no pergaminho, em um pequeno mapa desenhado. –E por onde iremos? –Vamos ao Sul. Será mais longo, porém, mais seguro. – disse o Índio. –O que você acha, Lucas? –Vamos seguir as orientações do Ventania, pois ele está acostumado com essa região. E o Tobias disse que nãopodemos ir por aqui. – disse Lucas, apontando para a estrada a nossa frente. –Então, vamos pelo Sul, amigos. – disse Rodrigo. Imediatamente, Ventania guardou o pergaminho dentro da sacola e, após montarmos em nossos animais, seguimos por uma trilha até chegarmos a uma estrada muito larga ao sul do lugar em que estávamos. As horas passavam lentamente enquanto cavalgávamos na escuridão sombria daquele lugar. E assim, seguíamos juntos nas estradas ermas do Umbral. “Suas escolhas definem sua próxima vida.” Caboclo Ventania Dia 2 O Umbral é terrível. Estávamos na estrada há mais de doze horas já, cavalgando lentamente dentro de um imenso nevoeiro, e nem um feixe de luz conseguia romper a escuridão fria e densa daquele lugar. Os nossos cavalos relinchavam expelindo de suas narinas uma fumaça branca que saía de seus pulmões cansados. Tudo era frio e congelante naquela região. A pouca vegetação que ainda restava, era totalmente coberta de gelo. Todos estavam em silêncio e cavalgando pelo frio do Umbral. Eu estava muito impressionado com tudo o que via ali. Como assim, gelo? Frio? Escuridão total? Que lugarmaldito é esse? Foi quando começamos a ouvir uns gemidos que vinham de algum lugar a nossa esquerda. Eu pude ver que havia uma pequena vila abandonada. As casas estavam em pedaços, e o gelo cobria tudo. Os gemidos se intensificavam na medida em que nos aproximávamos da pequena aldeia. Ventania parou o seu cavalo e esperou a nossa aproximação. Eu estava cavalgando ao lado de Lucas e Rodrigo. Atrás de nós, vinha Felipe guiando a carruagem que trazia Nina e Soraya, encolhidas e envolvidas em uma manta. Paramos ao lado de Ventania e Negro. Todos pararam. –O que houve, Ventania? –Vamos passar pela Vila Fria. –Vila Fria? Que lugar é esse? – perguntou Felipe. –Aqui, alguns irmãos estão enterrados somente do pescoço para baixo. São espíritos assassinos, que agora colhem as mazelas da maldade praticada na encarnação. –Eles estão enterrados? –Sim. Somente com a cabeça para fora da terra. – disse Ventania. –Mas, por que isso? – insistia Felipe. –Colheita. – disse o Negro. –Por terem praticado o mal, por terem assassinado inocentes, esses espíritos são atraídos para essa região, onde o sofrimento purga toda a maldade praticada àqueles que não tinham defesa terrena. Neste local, sofrem aqueles que decidiram pela maldade sem escrúpulos. Assassinos frios. Maridos que assassinaram suas esposas inocentes, por ciúmes, ou mesmo para manter o domínio total sobre elas. Esposas que fizeram o mesmo. Traficantes cruéis, que para manterem o poder nas regiões do tráfico de drogas, aterrorizavam a comunidade pobre, vitimando inocentes. Inocentes esses, que distribuíam drogas, criando uma verdadeira legião de zumbis viciados nas drogas por eles oferecidas. Pedófilos, estupradores, psicopatas… espíritos que não creem na existência de uma Lei Maior e que, com isso, praticam toda a espécie de maldade para com os outros encarnados. Há uma Lei natural que atrai esses espíritos para cá, portanto, não é castigo, e sim, atração, Felipe. Assim são as coisas aqui, como vocês sabem, meus amigos. – disse??? –É, eu sei perfeitamente como tudo acontece por aqui. Seremos atraídos para o lugar onde o nosso coração estiver, como Ele nos disse. –Isso, Felipe. “Onde estiver o seu coração, ali estará o seu tesouro.” – Jesus. –Verdade, Nina. Ela apareceu, e nos disse: – Meus irmãos, confiemos no caminho traçado pela nossa Mentora Espiritual para esse resgate. Vamos passar pela Vila. Infelizmente, nada podemos fazer por esses irmãos que sofrem aqui. Eles escolheram e traçaram seus destinos. Sabemos que a região umbralina é o lugar onde colhemos os frutos da nossa semeadura terrena. Todos passarão por aqui um dia para aperfeiçoarem seus sentimentos. O Umbral e suas regiões são locais de muita dor, mas também, de muito aprendizado e perdão. Vamos em frente, e confiemos em nossos colares. –É isso mesmo, vamos em frente. – disse Soraya. –Felipe, vá a nossa frente. Siga o Negro. Vamos, senhores. – disse Rodrigo. Assim, Negro ia à frente, Felipe o seguia, Lucas, eu e Rodrigo íamos atrás da carroça, e Ventania estava atrás de nós, um pouco distante para dar cobertura a nossa retaguarda. Os gemidos aumentavam na medida em que nos aproximávamos daquele lugar. Ouvíamos, naquele momento, alguns gritos apavorantes. As casas, feitas de madeira, estavam totalmente destruídas, parecia ser uma cidade bem antiga. Tudo estava muito escuro. Precisávamos descer uma ladeira para passar pela cidade. Assim, lentamente, cavalgávamos bem próximos uns dos outros para evitar qualquer surpresa. O lindo cavalo branco preso à carroça era a única luz que podíamosvernaquelelugar.Foiquando,aochegarmosà parte mais baixa do local, alguns espíritos colocaram-se a nossa frente. Imediatamente, Negro pegou sua lança e, descendo de seu cavalo, colocou-se em posição de defesa. Ventania galopou seu cavalo e repetiu o gesto. Ali, a nossa frente, estavam Negro e Ventania em posição de batalha para nos defender. Eram cerca de vinte espíritos. Todos muito malvestidos. Alguns sequer tinham roupas. Eram todos homens. –O que querem aqui, iluminados? – Gritou um deles, posicionando-se a nossa frente. –Tenham calma! Estamos somente de passagem. – disse Lucas. –Vocês não podem invadir a nossa Vila. –Nós não estamos invadindo, estamos apenas de passagem. – insistia Lucas. De repente, uma linda mulher apareceu montada em um enorme cavalo na cor marrom. –O que eles querem aqui, Loui? –Não sabemos, condessa. –Só estamos de passagem, senhora. – Lucas tornou adizer. –Vocês não podem passar por nossas terras. –Temos que ir ao Limbo. – disse Ventania. –O Limbo não fica aqui. – disse a linda mulher. –Recebemos um mapa que nos guia a passar por essas terras para atingir o nosso objetivo. –O que vão fazer no Limbo? –Um resgate, senhora. – disse Lucas. –Não é permitido passar por aqui. Naquele momento, Rodrigo desceu de seu cavalo e aproximou-se da mulher. –Não se aproxime, intruso. – disse o soldado ao lado da condessa. –Eu só quero que ela veja quem sou. – disse o cigano. –Não se aproxime! – insistiu o homem. Ventania desceu do cavalo e posicionou sua lança na direção dos soldados. –Tenham calma, senhores! Aproxime-se, meu rapaz. – disse a mulher. Rodrigo então, aproximou-se até onde pôde ser visto pela condessa. –Olha se não é o cigano Rodrigo! – disse a condessa, surpresa. –Bons dias, senhora! –Bons dias, Rodrigo. O que fazes aqui? – Estamos em direção ao Limbo, precisamos buscar umairmã. –Mas, como disse, o Limbo não fica nessa região. –Sabemos disso, mas fomos informados de que estaria acontecendo uma grande batalha entre poderosos obsessores e, por esse motivo, desviamo-nos do nosso caminho inicial. –E como está Tirá? –Minha irmã? –Sim, sua única irmã. –Ela está bem. –Ainda ao lado de Jorge? –Sim. Estão juntos até hoje. –Sabe, Rodrigo, eu não devia deixar vocês passarem por minhas terras, mas não carrego raiva em meu coração. Eu vou permitir com que vocês passem, pois não queremos problemas com Catarina e, muito menos, com Daniel. –Lhe sou grato, condessa! – disse Rodrigo. –Rapazes, deixem o grupo passar, levem-nos até a ponte, e indiquem o caminho pelo qual eles deverão seguir. –Sim, senhora. – disse um dos soldados. –Lhe sou grato, condessa! –Podem passar, Rodrigo. – disse a mulher, se afastando com seu cavalo. Uma fila de soldados foi feita para indicar o caminho que deveríamos seguir. Assim, passamos entre os soldados, que olhavam atentamente para nós. Logo a nossa frente, um soldado nos guiava entre as velhas construções, até que o caminho ficou muito estreito, mal dava para passar com a carroça que transportava Nina e Soraya. Finalmente, chegamos a uma ponte estreita, e o soldado que nos guiava parou repentinamente. – Podem seguir por esse caminho, senhores. Boa viagem! –Obrigado! – disse Lucas, adentrando o estreito caminho. Atrás dele, fomos o Negro, o Ventania e eu. Felipe conduzia a carruagem, e Rodrigo vinha por último. Confesso que estranhei o comportamento daquela mulher e de seus soldados, mas quem sou eu para falar algo? Afinal, estou desdobrado ao lado desses espíritos, e minha missão aqui é a de escrever sobre tudo o que vejo, sinto e experimento. Após uns cinco minutos cavalgando na trilha, nos vimos dentro de um grande armazém, daqueles bem antigos. E, para a nossa surpresa, o lugar não tinha saída. Caímos em uma cilada. Estávamos reféns daquela mulher. Presos em um velho armazém, com alguns amarrados de feno, mas que estavam estragados. Havia também alguns barris feitos de madeira, e cordas penduradas do teto até a altura de nossos pescoços. Aquilo me assustou muito. – Vamos voltar, esse lugar é uma armadilha. – disse o Negro. Porém, ao olharmos para trás, o estreito caminho que havia nos levado até ali, tinha sumido. Estávamos realmente presos naquele lugar. – Tenham calma, senhores! Eu conheço muito bem aquela mulher. Ela vai aparecer para conversar. – disse Rodrigo, descendo do seu cavalo Hió, calmamente. – Desçam e descansem, não fiquem preocupados. A condessaé uma conhecida minha de longa data. – disse Rodrigo, tentando nos acalmar. O lugar estava iluminado por algumas tochas presas às paredes altas. Eram poucas, mas o suficiente para vermos todo o local. Todos desceram de seus cavalos e começaram a procurar por uma saída. –Nãotemsaída,Rodrigo.–disseLucas,apósverificar todo o ambiente. –O que está fazendo, Ventania? –Me concentrando. – disse ele, sentado na parte mais alta daquele lugar antigo. Nina e Soraya finalmente apareceram e desceram da carroça ajeitando suas saias. –Era ela, Rodrigo? – perguntou Nina, ao se aproximar de Rodrigo. –Sim, Nina, é ela. –Deus! E o que ela faz aqui? –Parece que lidera este lugar. –Quem é essa mulher, Nina? – perguntou Soraya. –É de um caso bem antigo, Soraya, você não conhece. –Por que ela nos aprisionou? –Tenham calma, senhores! Eu conheço muito bem a condessa, e ela vai aparecer para nos explicar tudo isso. – disse Rodrigo, tentando nos acalmar novamente. –Prisioneiros! Só me faltava essa! – disse Lucas, contrariado. –Vamos aproveitar esse momento para descansarmos, senhores. –Negro, por favor, arrume um lugar para os cavalos. –Pode deixar, Rodrigo. Nina aproveitou para se sentar em uma caixa de madeira, que estava ali à disposição, ao lado do monte de feno, e Soraya sentou-se ao seu lado. –Nina? –Sim, Soraya. –Por que fomos aprisionados? –Nós não estamos aprisionados. –Estamos sim. –Soraya, entenda, o Rodrigo, o Lucas, eu, você… qualquer um de nós, através das conquistas já alcançadas, podemos desintegrar essa estrutura a qual nos prende nesse momento, e nos libertar integralmente dessa situação. As conquistas do espírito são infinitas, Soraya. –E, então, por que vocês não fazem isso? –Precisamos dar uma chance a esse espírito que pensa que está nos aprisionando, para entender os reais motivos de tudo isso. –Nossa! É muita bondade a de vocês. –É para isso que estamos aqui. Quando algo acontece conoscoéporquetemqueacontecer.Todas asexperiências do espírito tem a evolução como objetivo. Esperemos a condessa reaparecer para vermos realmente quais são os propósitos dela para fazer isso. Qual é a sua verdadeira intenção. –Agora eu entendo o motivo de você estar onde está, Nina. –Todos podem alcançar a luz, basta serem pacientes, bondosos, caridosos e amorosos. O amor é o que nos permite tudo Soraya, sem ele dentro de nós, somos potes vazios. O Rodrigo e eu conhecemos a condessa há muitos anos. Ela poderia muito bem ter deixado a gente passar sem nenhum problema, mas se ela fez o que fez, certamente tem um motivo para isso. Entretanto, não há mal que possa nos atingir no estágio espiritual em que estamos, por isso, sejamos pacientes e esperemos pelos próximos acontecimentos. –Só você mesmo, Nina. – disse Soraya. –Aprenda, Soraya… aproveite essa experiência para aprender. E, aprendendo, vamos evoluindo… e, evoluindo, nos aproximaremos cada vez mais dos desejos do Criador. –Obrigada, Nina! –De nada, meu amor. –Senhores, vamos arrumar nossas coisas e descansar. – disse Rodrigo. As horas passavam lentamente. O Negro já havia até providenciado uma fogueira, e estávamos todos sentados ao redor dela, quando ouvimos um barulho vindo de fora. Negro levantou-se rapidamente, e ao seu lado, o Ventania. Eles então, empunharam suas lanças afiadas. Rodrigo também se colocou de pé à espera dos acontecimentos. Foi quando um grande portão se abriu a nossa frente, e dele saiu a condessa. Ela usava um vestido todo preto que lhe cobria todo o corpo. Lucas lembrou da sacola que lhe foi dada por Ventania com as coisas enviadas por Porfírio. Se lembrou, ainda, daquele enigmático pó… “afinal, ele serviria para o quê?” – pensou Lucas. Naquele momento, ele pegou o pote em que o pó estava armazenado, e abriu lentamente a tampa. Lucas observou que lá continha um pó branco, e algo em seu íntimo lhe alertava para deixar o pó a sua disposição. Pensou que se por acaso algo de ruim acontecesse, ele não hesitaria em jogar o pó sobre os soldados e sobre a condessa e, com isso, todos aproveitariam o momento para fugir. Estava tudo planejado em sua mente. Lucas então, colocou-se atrás de Rodrigo. Naquele instante, a condessa se aproximou. –Olha se não é a jovem Nina! – disse a mulher em tom de ironia. –Olá, condessa, como vai? – disse Nina. –Eu estou ótima, e vejo que você também está. –Sim, estamos todos bem. –Estão presos? –Por um momento, sim. – disse Rodrigo. –Viram o meu poder? –Sim, vimos. Você parece ser bem poderosa. – disse Rodrigo. –Lidero mais de mil homens nessa região, e sou muito amada, admirada e idolatrada pelo meu poder. –Deverias usar seu poder para ajudar esses irmãos a saírem dessa situação, condessa. –Eu não tenho o seu coração, Nina. E não me interesso por esse assunto. –Deverias. – disse Rodrigo. –Senhores, eu aprisionei vocês aqui para que vejam todo o meu poder. Quando nos encontramos pela última vez, na Capadócia, eu fui aprisionada por Jorge e levada ao meu martírio. Confesso que fui merecedora de tudo o que aconteceu comigo, e não tenho raiva de vocês, mas gostaria de poder encontrar o Jorge um dia, e mostrar para ele a mulher que me tornei hoje. Sabem o que eu também não entendi até agora, o porquê de vocês não me socorrerem? Eu vou mantê-los aqui por mais alguns dias, pois quero testar essa tal luminosidade que vocês dizem possuir. Vejo que você, Nina, está bem à frente dos demais. Quero ver até quando vocês suportarão viver sob o meu comando, meus amigos… – disse a mulher. Lucas ameaçou ir na direção da condessa, mas Rodrigo impediu com que ele se aproximasse dela. –Não faça nada, Lucas. – disse Rodrigo. –Quer virar herói, senhor? – disse a condessa em tom irônico. –O Lucas só está preocupado conosco, senhora. – disse Nina. –Pois vocês ficarão aqui pelo tempo que eu achar necessário. Vamos! – disse ela, virando-se e saindo do lugar ao lado de seus soldados. Após a saída de todos, Rodrigo e Nina trocaram olhares. –Venham, amigos. – disse Nina, dirigindo-se para o centro do velho armazém. Todos seguiram a iluminada mentora. –O que você faz com esse pote nas mãos, Lucas? –Eu pensei em jogar o pó que tem dentro dele sobre a condessa e seus soldados. –Esse pó não tem todo esse poder. – disse Rodrigo. –E, para o que serve, então? –Ele será útil no momento em que encontrarmos a pessoa pela qual viemos buscar. –Eu pensei que se tratasse de algo mágico. –Não, Lucas, esse pó não serve para isso. – disse Nina. –Senhores, vamos nos agrupar. – disse Rodrigo,ficando em pé no centro do lugar. Todos se aproximaram de Rodrigo. –Deixem as suas coisas bem próximas a vocês, vamos volitar e deixar este lugar. A condessa esqueceu-se que não estamos em sintonia com as suas vontades. – disse Nina. De repente, uma luz verde, muito forte, invadiu todo o lugar. Tudo ficou esverdeado naquele lugar, mas era incrivelmente bom estar ali… Nina, Rodrigo, eu e os demais volitamos e deixamos aquela região. E, após alguns minutos, chegamos aum lugar mais claro. Estávamos no alto de um monte. Os animais logo apareceram, bem como tudo o que tínhamos levado para aquela viagem. –Todos estãobem? –Sim, Nina, estamos bem. –Vamos arrumar as nossas coisas, e seguirviagem. –Deus ilumine a condessa e os seus seguidores para que não venham atrás de nós. –Ela não sabe onde estamos. – disse Rodrigo. –Ainda bem. – disse Soraya. –Vamos amigos, montem em seus cavalos e vamos seguir nosso destino. –Vamos! – disse Felipe, subindo nacarroça. Todos montaram em seus animais, e seguiram por uma estrada no topo daquela colina. Uma brisa suave acariciava os nossos rostos cansados, mas aliviados após deixarmos as terras da malvada condessa para trás. E eu pensava… o que será dela quando souber que escapamos? Os cavalos andavam em fila na estrada do Umbral. Todos em silêncio. Nina estava deitada dentro da carroça e, ao seu lado, a Soraya. O Negro e o Ventania seguiam à frente. Atrás deles, Rodrigo, Lucas e eu. Era entardecer no Umbral, eu podia ver os fracos raios solaresque insistiam em atravessar as densas nuvens daquele terrível lugar. Assim,seguíamossolitários,masesperançososeconfiantes de que logo chegaríamos ao nosso objetivo. “Um dia compreenderás o significado de amai-vos.” Nina Brestonini Dia 3 Após uma longa noite de descanso, finalmente chegamos ao terceiro dia. Na noite anterior quase não conversamos, pois todos estavam muito cansados e recolheram-se logo cedo. Depois que todos acordaram, o Negro aproximou-se de nós e ofereceu uma xícara de chá bem quentinho. O lugar era muito frio. Naquele momento, eu percebi que o dia começava a nascer em nosso plano. Eu podia ver que o Sol tentava inutilmente adentrar a região em que estávamos. Foi quando o Caboclo Ventania convocou a todos para uma reunião em volta das últimas chamas da fogueira que nos aqueceu durante toda a noite. – Senhores, precisamos conversar. Venham, aproximem-se, por favor. Nos reunimos para ouvir as instruções do nobre protetor. – Meus amigos, olhem para o vale a nossa frente, por favor. Todos nós olhamos ao mesmo tempo para um enorme vale que estava à frente. –Iremos, agora, por uma trilha que nos levará ao Limbo. O caminho é escuro e muito perigoso. Passaremos por um desfiladeiro onde há enormes muros escuros de granito. O trajeto é estreito e cheio de cascalhos, o que atrapalharia demais a passagem dos nossos cavalos. Daqui em diante teremos que caminhar, ou seja, irmos sem os nossos animais. Como vamos precisar levar as nossas coisas, peço a colaboração de todos para que levem o mínimo possível. No final desse labirinto de rochas estará o Limbo, nosso destino. Ao nos aproximarmos dele, vocês verão milhares de buracos que medem, aproximadamente, 1,50 metros de diâmetro e três metros de profundidade. Temos que ter o máximo de atenção para não cairmos em nenhum deles. O que todos irão ver é muito triste. Dentro de cada um desses buracos, estão espíritos que harmonizam com esse lugar. São covas com cerca de três metros de profundidade, como disse. São como poços que foram cavados para receber esses espíritos em específico. Alguns desses poços têm até água, mas não são águas limpas, elas são podres e fedorentas. Como todos sabem, os espíritos que estão no Limbo perderam quase toda a capacidade cognitiva, ou seja, eles não têm mais individualidade psicológica, esqueceram os conhecimentosadquiridos,nãopercebemoquesãoecomo são, perderam a memória, o raciocínio, o juízo, a imaginação, o pensamento e a linguagem. São ovoides. É como se estivessem sob o efeito de uma droga muito poderosa que lhes apagasse todo o Ser. Eles colhem aqui aquilo que fizeram por muito tempo nas encarnações. Não é uma punição, como todos sabem, mas é, sim, uma das piores colheitas. Aqui estão sacerdotes, padres, pastores, bispos, políticos em geral, ladrões, assassinos cruéis, estupradores, enganadores da fé alheia, e tantos outros que causaram muito mal a grupos de pessoas de bem. Há uma organização própria nesse lugar, assim como em todos os lugares da espiritualidade, como todos sabem. Portanto, ao chegarmos ao nosso destino, teremos que ser pacientes com o resgate da nossa irmã. Muito provavelmente, ela estará em estado lastimável. Rodrigo está com todas as informações que precisamos. O Lucas está incumbido de acompanhar todo o resgate. Você, Felipe, terá que tomar conta das meninas. E o Negro e eu daremos todo o suporte necessário para que vocês possam encontrar a nossa paciente. Meus amigos e irmãos, agora precisamos nos concentrar na tarefa exigida. Vamos preparar tudo e partir. Caminharemos até o final do dia quando, finalmente, chegaremos ao nosso destino. Devemos ser rápidos no resgate, pois precisaremos voltar o quanto antes. Não temos muito mais tempo para ficar nessa região, ela é muito densa e, como vocês sabem, vamos perdendo nossos fluidos ao permanecer por muito tempo aqui. – explicou Ventania. Todos se entreolharam preocupados. Eu confesso que fiquei muito assustado com as recomendações dele. Como assim, poços? Espíritos enterrados? Energias? O que nos esperava pela frente? Imediatamente, começamos a arrumar nossas coisas e a preparar nossa caminhada. Os animais foram deixados sem os arreios e livres para poderem voltar, se assim decidissem, e a carroça, deixamos escondida atrás de uma grande pedra, ao lado de algumas árvores que estavam caídas. Juntamos as nossas coisas em um pedaço de pano, fornecido por Felipe. Ele retirou a lona que cobria a carroça, transformou em pedaços quadrados e deu para cada um de nós que, após amarrar as pontas, serviu de mochila para colocarmos nossas capas, entre outras coisas que carregávamos. Tudo pronto, começamos a nossa caminhada rumo ao Limbo. À frente, iam o Negro e o Ventania. Nina, Felipe e Soraya, iam atrás, e protegendo a retaguarda do grupo, Rodrigo e eu. Ao perceber que seria deixado para trás, Hió relinchou para Rodrigo, que voltou rapidamente e acariciando a cabeça do cavalo explicou para ele que iríamos, mas que voltaríamos para buscá-lo. Assim, seguimos agrupados e calados. Começamos a descer por uma estrada cheia de pedras, mal conseguíamos andar naquele caminho. Com muita dificuldade e ajudando a Soraya e a Nina, conseguimos andar por cerca de uma hora até o caminho ficar plano e com poucas pedras. –Até que enfim a estrada melhorou. –Sim, Nina, você está bem? –Estou, Felipe, não se preocupe comigo, eu estou bem. –Venha, Soraya, vamos por aqui. – disse Nina, mostrando a Soraya um caminho melhor. Estávamos caminhando ao lado de dois paredões de granito preto. Embora a estrada fosse muito feia, aqueles paredões de granito embelezavam o lugar, se é que existe algo bonito no Umbral. Após alguns quilômetros encontramos um oásis, um lugar com uma fonte de água cristalina, algumas pequenas árvores com folhas verdes e poucas flores amarelas. Eu fiquei muito impressionado com aquele pequeno local tão singular. Porém, paramos um pouco distantes, seguindo as recomendações do Negro. –Senhores,esperemaqui,vouatéafonteverificara nossa segurança. Todos concordaram com um gesto de cabeça. Sentamo-nos em algumas pedras mais próximas, e ficamos esperando pelo retorno dele. Ventania permaneceu ali conosco cuidando de tudo. Rodrigo não se sentou, e eu pude ver quando ele se adiantou e, discretamente, fez um sinal para o Ventania para se afastarem do grupo para poderem conversar mais reservadamente. Ninguém do grupo percebeu, mas eu estava atento e vi quando Rodrigo fez o sinal e, ao lado de Ventania, se afastou de nós. Eu estava muito curioso para saber sobre o que eles estavam conversando, e fui para uma pedra um pouco mais próxima a eles. Eu sabia que não era certo o que eu estava fazendo, mas sou um escritor, e sentia que precisava saber do que se tratava para poder relatar, neste livro, tudo o que estava acontecendo com os amigos de Amor e Caridade. Me aproximei sem que eles percebessem, e pude ouvir sobre o que conversavam. –Não sei se ela vai consentir, Rodrigo. –Temos que ter paciência com a Nina, ela já buscou os últimosfamiliaresdaúltimaencarnação.Seuirmão,pelo o que nos foi informado, trabalha na Colônia da Regeneração, e ela não o vê já há algum tempo. Seu pai recebeu a oportunidade que precisava para recomeçar. Agora, só falta a mãe dela, que está no Limbo, como todos sabemos. Temos que resgatá-la e levá-la para a recuperação. –Eu não sei se vai ser fácil fazer isso, Rodrigo. –Vamos conseguir, Ventania. –Que nós vamos conseguir, eu não tenho dúvida, o problema será despertar algo bom em um espírito que se encontra em condições tão precárias no Limbo. –Tenho certeza de que a nossa mentora irá nos ajudar. –Eu também. – respondeu o Índio, sem disfarçar que também estava atento à conversa dos iluminados. –Por que será que o Negro está demorando tanto? –Quer que eu vá procurá-lo? –Acho melhor esperar mais um pouco. –Está bem, vamos esperar. –Vamos voltar para o grupo? –Sim. – disse Ventania. Tenho certeza que, ao passarem por mim, Rodrigo e Ventania perceberam que eu havia me posicionadomelhor para ouvi-los, mas nada disseram. Nina estava sentada ao lado de Felipe quando Soraya se levantou e aproximou-se de todos. –O Negro está demorando, vocês não acham, pessoal? O alerta foi dado… “por que o Negro estava demorando tanto?” – pensei. Imediatamente, Rodrigo se afastou de nós e ficou olhando para o caminho que o Negro tinha percorrido quando saiu. Após alguns minutos, ele retornou. –Ventania, vamos seguir adiante? –Se for da sua vontade, Rodrigo, podemos ir, sim, mas eu acho melhor esperarmos pelo Negro. –Ele está demorando muito e, na verdade, eu estou é louca para beber um pouco da água cristalina daquela fonte. –Soraya, essa é uma água da qual ninguém bebe aqui no Umbral. –Por quê? –Na verdade, aquilo que vocês estão vendo ali não é uma fonte e, sim, uma armadilha. – disse Negro, se aproximando de nós. –Que bom que você apareceu, meu amigo! – disse Ventania. –Eu estava investigando melhor sobre aquela “fonte”, e vi que não é propriamente uma fonte, mas, sim, uma ilusão. –Como assim? – questionou Felipe. – Meus amigos, aqui, tudo é feito e movido pela força mental, como todos sabem. Aquela fonte é algo que foi criado por poderosos Magos para atrair espíritos sedentos, com o intuito de escravizá-los em cavernas existentes neste local. Logo mais à frente, teremos que passar por um corredor muito estreito, feito dentro de enormes jazidas de granito, onde existem essas cavernas. Lá vivem espíritos escravizados. É muito triste o que esses Magos fazem com esses espíritos. Nina se levantou e aproximou-se de Negro. –Me conte isso com mais detalhes, por favor, Negro. –Conto sim, mas só após passarmos pelo lugar. Não podemos perder nem mais um minuto aqui. É muito importante que nos apressemos a passar logo pelo corredor. –Não é perigoso passarmos por esse lugar? –Sim, é muito perigoso, Soraya, mas eu convoquei alguns amigos e, neste momento, eles estão no corredor para fazer a nossa segurança. Acredito que os Magos e os seus servos não vão querer atrapalhar a nossa passagem. –E se tentarem? – perguntou Nina. –Teremos que lutar. –Lutar? –Sim, esses infelizes irmãos encontram-se totalmente “magiados” por seus líderes. –Mas, com que armas iremos lutar? –Fiquem tranquilos, pois a maioria deles não conseguirá nos ver. Estamos com os nossos colares. Sei que alguns até perceberam a nossa presença, mas se formos rápidos, passaremos ilesos, e tudo dará certo. –Meu Deus! – disse Nina. –Não há outro caminho, Negro? –Não, Rodrigo, pois a nossa paciente está a poucos metros desse corredor, e é para lá que temos que ir. –Seja o que Deus quiser! – disse Felipe. –Peguem suas coisas e vamos passar. – disse Negro, se preparando. Após pegarmos nossas coisas, começamos a caminhada em direção ao grande corredor de granito. E logo ao nos aproximarmos, eu pude ver alguns guardiões sobre os rochedos. Eram espíritos que mediam, aproximadamente, dois metros e meio de altura, eram magros, vestiam roupas pretas, como se fossem gladiadores. Eles eram barbudos, e tinham os cabelos longos. Tinham também espadas e lanças nas mãos. Usavam um chapéu do tipo viking, aliás, eles se pareciam com soldados vikings, mas eram todos amigos e estavam ali para cuidar da nossa passagem. Eram cerca de trinta homens. Havia também algumas mulheres, vestidas da mesma forma, mas eram poucas, eu pude contar apenas três. Eles olhavam para nós como se dissessem: “passem logo, estamos cuidando de vocês…” À frente ia o Negro. O Rodrigo, o Felipe, a Nina, a Soraya, o Lucas e eu andávamos agrupados e, atrás de todos nós, vinha o Caboclo Ventania. Estávamos assustados, pois o lugar era sombrio e muito úmido. Havia várias portas feitas de madeira e ferro que pareciam ser moradias. As portas eram largas e mediam uns dois metros cada uma. Estavam todas fechadas. Caminhávamos juntos e muito preocupados com aquele lugar. No alto, os guardiões olhavam para nós sem pronunciarem nenhuma palavra. Foi quando ouvimos um enorme estrondo e vimos quando os guardiões foram jogados para longe. Eles caíam do alto das pedras como marionetes manipuladas pela força do vento, que soprava forte àquela hora. Naquele momento, ficamos sozinhos e desamparados. O Negro empunhou sua lança e pediu para que todos nós ficássemos juntos. E, sem que percebêssemos, estávamos todos encostados em uma das dezenas de portas daquele corredor. Um homem de, aproximadamente, uns dois metros de altura, vestido de preto, com uma capa enorme e, com um tridente na mão, vinha em nossa direção. Estávamos todos muito assustados, até que o Ventania e o Negro se posicionaram para nos defender. O homem se aproximava ainda mais de nós, foi quando a porta na qual estávamos encostados se abriu, e todos nós caímos dentro de um cômodo. Imediatamente, o Negro a fechou mantendo o homem de preto para o lado de fora. Ele ficou furioso e começou a esmurrar a porta. Felipe arrastou Nina e Soraya para o fundoda caverna em que estávamos. Rodrigo e Lucas, junto com Negro e Ventania, seguravam a porta para que o nosso algoz não conseguisse entrar. Foram momentos de muito nervosismo. Passados alguns minutos, tudo do lado de fora, parou. O silêncio tomou conta do lugar. O homem não batia mais à porta. Ouvíamos somente alguns barulhos como se houvesse uma batalha. –Acho que os guardiões conseguiram afastar aquele Mago. – disse Negro. Nina, que estava muito nervosa, disse: –Precisamos de ajuda! –Sim. – disse Felipe. –Precisamos pedir a ajuda da nossa mentora. –Tenha calma, Nina, vamos esperar mais um pouco. – disse Ventania. –Venham, sentem-se amigos. – disse Rodrigo, nos mostrando uma mesa com várias cadeiras. Sentamo-nos, e o Negro providenciou um cantil e nos ofereceu um pouco de água. Todos nós aceitamos e nos acalmamos. –O que faremos, Rodrigo? –Estou pensando, Nina. –Vamos aguardar mais um pouco, está tudo bem lá fora. – disse o Negro. –O que te faz acreditar que está tudo bem, meu amigo? –O silêncio e também a confiança que tenho nosmeus amigos guardiões. Vamos esperar por um sinal deles. –É isso, vamos esperar. – disseVentania. O lugar não tinha saída, não tinha janelas… tinha somente uma porta, aquela pela qual havíamos entrado, mesmo sem querer. Algumas tochas, presas nas quatro paredes do lugar, iluminavam um pouco o ambiente. Estávamos ali sentados, esperando por algum sinal de que poderíamos sair e continuar nossa caminhada. As horas foram passando e nada acontecia. –Há quanto tempo já estamos aqui,Ventania? –Umas duas horas, Nina. –Não vamos sair? –O Negro acha melhor esperarmos. –Por quanto tempo mais iremos esperar, meu amigo, Negro? –Tenha calma, Nina, eu não acho seguro abrirmos essa porta, não sei o que nos espera lá fora. Lucas, então, se aproximou e disse: –Amigos, há uma saída! –Onde, Lucas? –Olhem, há uma pequena porta naquele canto. –Onde? – disse Rodrigo. Lucas pegou uma das tochas da parede, e dirigiu-se ao canto esquerdo do cômodo. Ele clareou o local, e realmente foi possível ver uma pequena porta. Rodrigo aproximou-se e puxou a maçaneta tentando abri-la. A porta estava trancada. –Está trancada, amigos. –Essa talvez seja a saída. – disse Soraya. –Eu tenho uma chave. – lembrou-se Lucas. –Uma chave? – Sim, Leônidas e Tobias nos entregaram uma chave, um pergaminho, e um pote com um pó misterioso. Eles disseram que iríamos precisar. –Então, tente abrir a porta com essa chave. – disse Felipe. Imediatamente, Lucas abriu sua bolsa e retirou a tal chave. Ele se dirigiu à porta e, cuidadosamente, introduziu a chave na fechadura, e sem esforço algum, a porta se abriu. –Abriu! – disse Lucas. Ventania então, se aproximou, pegou a tocha das mãos de Lucas, e a posicionou dentro do estreito corredor que se apresentou à nossa frente. –É um corredor. Vamos entrar? Todos se entreolharam e decidiram que devíamos, sim, entrar por aquele estreito corredor. Após rápida conferência, decidimos que iríamos sair por ali. A chave que Porfírio havia pedido para ser entregue aos iluminados abriu aquela portacom facilidade. Ou seja, tudo estava correndo conforme o planejado pela espiritualidade superior. O primeiro a entrar foi o Negro. Ventania pegou todas as tochas e as distribuiu entre nós. Entramos naquele corredor com a esperança de que iríamos sair logo daquele maldito lugar. O espaço do corredor só permitia a passagem de um por vez. Assim, em fila, caminhamos por alguns minutos seguindo o Negro, até que chegamos a um lugar amplo, e logo percebemos que já tínhamos atravessado toda aquela montanha de granito. O lugar era escuro e muito frio. Um vento com intensidade moderada quase não nos deixava caminhar. Vimos que a uns trezentos metros dali havia uma pequena cabana com a luz da varanda acesa. Decidimos que iríamos em sua direção. Estávamos mais calmos e confiantes. Felipe abraçado a Nina, seguia ao meu lado. Soraya estava ao lado de Rodrigo. O Negro e o Ventania iam à frente, e Lucas estava atrás de todos. Foi quando eu vi a cena mais triste de toda a minha vida mediúnica. Amigos, como é difícil para mim, relatar o que vi naquele momento. O lugar era um enorme campo, como esses campos de plantação. Não havia nenhum relevo no solo, era tudo plano, escuro, frio e muito grande. Uma rasteira vegetação cobria todo o lugar. A cada dois metros, havia poços cavados e, dentro deles, espíritos em posição fetal. Parecia que eles estavam dentro de um útero, mas, na verdade, era aquele buraco cavado no grande campo. E era grande mesmo, eu não consigo sequer mensurar o tamanho daquele lugar, mas posso precisar que ali tinham mais de mil poços e, dentro de cada um, havia um espírito. Todos em posição fetal. É muito triste ver que um espírito pode chegar a tal condição. Naquele momento, Felipe abraçou Nina carinhosamente de novo, e todos nos solidarizamos com a dor daquela iluminada mentora. Nina estava triste, pois ela sabia que, em algum buraco daqueles, acabaria encontrando a sua mãe. –Vamos até a cabana, lá deve ser o centro de controle desse lugar. Deve ter alguém que possa nos ajudar. – disse Rodrigo, tentando nos afastar daquele lugar de sofrimento. Caminhamos com muita dificuldade entre aqueles buracos até que, finalmente, chegamos à cabana. Entramos todos, exceto o Negro e o Ventania que ficaram do lado de fora para nos dar segurança. Havia um balcão lá dentro, em um lugar organizado como se fosse uma recepção. Atrás desse balcão, tinham algumas mesas. Não havia ninguém no local. Um grande banco de espera estava posicionado na entrada. Decidimos então nos sentar e esperar até que alguém aparecesse. Nina e Felipe saíram e ficaram sentados na varanda, esperando por nós. Após alguns minutos um rapaz apareceu. –Boa tarde! – disse ele. Rodrigo levantou-se e se aproximou do grande balcão. –Boa tarde! Estamos procurando por uma irmã, e sabemos que ela está aqui. O rapaz, então, interrompeu Rodrigo. –Vocês são de Amor e Caridade? –Sim, somos de lá. –Temos preparado a paciente ao longo dos anos para esse grande dia. –Qual é o seu nome, meu rapaz? –Estevam. Você é o Rodrigo? –Sim, eu sou o Rodrigo. –Estávamos esperando por vocês há um bom tempo já. Naquele momento, ao perceberem que estávamos sendo atendidos, Nina e Felipe entraram no recinto. –Você deve ser a Nina Brestonini? –Sim, sou eu. –Sejam bem-vindos ao Limbo! –Obrigada! Qual é o seu nome? –Meu nome é Estevam. –Obrigada por nos receber, Estevam! –Eu estava esperando por vocês há bastante tempo, e ontem eu pude ouvir que estava acontecendo algo no vale, foi então que eu percebi que alguém estava para chegar. –Você ouviu o que aconteceu conosco ontem? – Sempre que espíritos como vocês vêm até aqui para fazer resgates, eles ficam furiosos e tentam interferir no processo, mas quase sempre perdem a batalha. –Nossa! Nós pensamos mesmo que não conseguiríamos chegar aqui. –Chegaram! Graças aos nossos mentores. –Sim, estamos aqui graças a nossa mentora. –Você deve ser o Felipe? –Sim, sou o Felipe. –Sejam bem-vindos! –Essa é a Soraya, e esse é o Lucas, lá fora estão o Negro e o Ventania. – disse Rodrigo, apresentando todos nós. – Sejam bem-vindos, meus irmãos. Agora, eu preciso lhes passar algumas informações sobre a paciente que vocês vieram buscar. –Ela está bem? –Ela vem sendo preparada para esse resgate há bastante tempo, Nina. Um espírito amigo vem até aqui todos os dias para prepará-la. –Um espírito amigo? –Sim. –De onde ele é? –Eu não sei. Só sei que ele vem aqui todos os dias no início do meu expediente para preparar a sua mãe. –Meu Deus! Quem será que está fazendo isso? –É um rapaz. Ele vem sempre sozinho. Traz alguns pergaminhos e faz a leitura deles para a sua mãe. –Quem será? –Eu apenas o cumprimento, nunca perguntei o seu nome. Vocês estão sempre nos surpreendendo quando a missão de vocês é o resgate de algum espírito, por isso, estou acostumado com essas visitas e não costumo fazer muitas perguntas, pois nem todos gostam de falar, espero que compreendas. –Você disse que ele traz pergaminhos? –Sim, os pergaminhos são as encarnações dos espíritos que perderam toda a memória, por isso, estão aqui e vivem assim. Bondosamente, esse rapaz sempre traz novos relatos sobre as encarnações dessa mulher, e lhe relata tudo com muita paciência para que ela recupere seu perispírito. Ele é muito paciente e bondoso. –Eu preciso saber quem é esse rapaz. – diz Nina. –Se vocês decidirem esperar, talvez eu possa ajudar. –Obrigada, Estevam. –De nada, Nina. Rodrigo olhou para Nina, carinhosamente. Felipe ficou impressionado com essa revelação, afinal, quem seria esse misterioso espírito o qual estaria cuidando da mãe de Nina sem que ela soubesse? Com que permissão esse espírito estaria fazendo isso? De onde vem? Quemé? –Ele vem todos os dias? – perguntou Felipe novamente ao Estevam. –Sim, Felipe. –Ele já esteve aqui hoje? –Sim, já fez seu trabalho e foi embora. –A que horas ele costuma vir? – perguntou Rodrigo. –Ele vem sempre pela manhã. Nina olhou para Rodrigo como se lhe pedisse para ficarem lá para esperar pelo rapaz. – Estevam, você teria algum lugar por aqui no qual pudéssemos passar a noite? –Tenho sim, venham comigo. –Não iremos te atrapalhar? – perguntou Lucas. –De forma nenhuma, amigos, temos acomodações preparadas para espíritos como vocês que vêm até aqui para os resgates. –Somos muito gratos. –Sem problema. –É que eu quero saber quem é esse amigo espiritual que está cuidando da minha mãe durante todo esse tempo. –Amanhã, logo cedo, ele aparecerá, e eu aviso a vocês assim que ele chegar. Agora, venham, vocês precisam descansar, posso ver pelo rosto de vocês e pelas roupas que estão muito cansados. –Estamos sim. – disse Soraya. Estevam nos levou para uma pequena hospedaria muito próxima dali. Todos descansavam curiosos para saber quem seria a pessoa que estaria cuidando da mãe de Nina durante tanto tempo… Era tarde da noite quando Estevam apareceu para conversar com a Nina e com os demais espíritos. Um leve toque foi dado à porta do ambiente em que todos estavam descansando da longa viagem. Rodrigo se levantou e abriu a porta, onde Estevam aguardava para falar com todos. –Entre, meu amigo. – disse Rodrigo. –Obrigado, amigo. – disse Estevam, entrando no ambiente. –Seja bem-vindo, Estevam, sente-se aqui conosco, por favor. – disse Felipe, se levantando. Estevam sentou em uma cadeira à mesa onde todos estavam. – Eu resolvi vir até aqui, primeiro, para me desculpar com os amigos. É que quase não conversamos, e eu gostaria que todos entendessem que o meu trabalho aqui não permite muito com que eu dê a todos, a atenção merecida. Vocês são amigos iluminados, e merecem toda a dedicação possível. –Sem problema, Estevam. – disse Nina, carinhosamente. –Eu sei que todos vocês estão ansiosos para o reencontro, mas eu gostaria de alertá-los que a nossa querida irmã ainda está bem distante de ser o que era. Nina olhou para baixo com os olhos marejados. – Você poderia nos contar um pouco sobre este lugar, Estevam? –Claro que sim, Soraya. O Limbo, assim comotodas as cidades do Umbral, é subdividido. Há várias regiões no Limbo. A que vocês estão é onde se encontram espíritos em processo de socorro. Há também outros lugares, como, por exemplo, o Sub- limbo. –O que seria o Sub-limbo? –É onde estão mônadas, parasitas espirituais, e espíritos em total desequilíbrio. Na verdade, são espíritos que estão vivendo a segunda morte. –Segunda morte? – questionou Soraya. –Sim. Quando o espírito perde totalmente seu perispírito, ele passa pela segunda morte. E é ela que possibilita ao espírito, reconstruir sua nova encarnação. É um processo lento e doloroso para todos os envolvidos. Aqui existem várias formas e muitos estágios espirituais. Os espíritos que estão aqui é porque chegaram ao limite existencial, testaram os seus limites, entendem? –Como assim, Estevam? – perguntou Lucas. –Como todos sabemos, há limites pelos quais nós, espíritos, não podemos ultrapassar, aliás, há limites em todas as coisas da criação. –Sim, sabemos. Somos regidos pelas Leis naturais, e são elas que estabelecem o equilíbrio em todos os lugares. Mas, você poderia citar alguns dos limites pelos quais esses espíritos experimentaram antes de serem trazidos para cá? Ou melhor, quais seriam os limites humanos que fazem com que esses espíritos venham para cá? –Sim, posso sim. Citarei os mais comuns por aqui. –Obrigado, Estevam. –Vamos lá! Os motivos mais comuns são: suicídio sucessivo, abortos contínuos, crimes bárbaros, falta de amor ao próximo, inexistência de fé, agir como o Anticristo, maldade sem limites, assassinato de crianças, psicopatia, sádicos e desequilibrados que encontram prazer na dor alheia, a política destrutiva, crueldade, pregação da religião para benefício próprio, estupradores, e tantas outras mazelas humanas que direcionam esses espíritos para esse lugar. O que todos precisam compreender é que há sim justiça divina para a proteção de todos, e é aqui no Limbo e em suas subdivisões, que se encontram os piores espíritos que já viveram sob o orbe terreno. Esses irmãos são atraídos para cá após várias encarnações fracassadas. É aqui que são testados todos os limites das experiências espirituais. Aqui colhe- se o fruto mais amargo das existências terrenas. Quando o perispírito mais grosseiro é perdido, perde-se também a forma humana. Desta forma, podemos dizer que esses irmãos estão aqui como ovoides. –O que é um ovoide, Estevam? – perguntou Soraya. –O corpo ovoide é o corpo mental, é a parte mental do espírito que viveu as encarnações, e transgrediu os limites que citei acima. É o que resta da forma física perispiritual, o restante foi perdido, entendeu? –Sim. –É o que sobra do perispírito que foi construído através das encarnações. Quando transgredimos as Leis naturais, Soraya, destruímos a nossa forma física, assim, o que nos resta é a parte mental. É isso, não é, Estevam? –Sim, Lucas, é exatamente isso, mas tenho que ressaltar também que a parte mental fica adormecida, e é preciso ser acordada lentamente para que o espírito consiga se refazer. Infelizmente, esses irmãos não foram capazes de se sustentar na forma humana. Perderam-se após a transgressão das Leis naturais e, mentalmente, eles não conseguiram se fixar na forma humana. O que todos precisam saber é que o perispírito é composto por vários perispíritos, assim, quando se evolui, os perispíritos tornam-se mais sutis, e ao transgredir às Leis maiores, os perispíritos tornam-se mais densos, até perderem totalmente a forma, tornando-se um ovoide. E, para que haja a reencarnação, é necessário que o perispírito mais grosseiro morra em definitivo, afinal, o espírito “encarnante” está construindo uma nova forma, um novo perispírito. Isso é o que chamamos de segunda morte. –Então, cada vez que um perispírito morre, este evento é chamado de segunda morte? –Exatamente, Lucas. Toda vez que o espírito modifica o seu perispírito, tanto para a forma mais sutil quanto para a forma mais grosseira, chamamos isso de segunda morte. –Nossa, eu nunca pensei que fosse assim. – disse Soraya. –Aqui temos bastante trabalho, Soraya. –E, o que faz esse rapaz que visita a minha mãe todos os dias? –Ele traz pergaminhos, Nina, que narram as encarnações da sua mãe. Sempre que vem aqui, ele traz um pouco das histórias vividas por ela. Pacientemente, ele se senta à beira do poço e começa a contar a ela sobre seu passado. Isso ativa as boas memórias no ovoide, que começa a reconstruir-se para, novamente, experimentar a vida terrena. –Quer dizer que a minha tia está sendo preparada para reencarnar? –Sim, Soraya, esse é o processo. Veja, Soraya, para que o espírito possa se instalar no útero para renascer, é necessário que ele passe por vários processos. A sua tia terá que refazer o caminho, e precisará passar, por exemplo, pelo processo de miniaturização ou, se preferir, passará por um processo de restringimento do corpo perispiritual, assim, o espírito poderá experimentar uma nova vida. É o recomeço. Ela precisa ser preparada para tudo isso. –Então, por que viemos buscá-la? –Eu não sei. – disse Estevam. Naquela hora, todos se entreolharam preocupados. Rodrigo permaneceu calado e sentado à cabeceira da mesa. –Todos precisam saber que o perispírito perece, o perispírito morre quando o espírito precisa mudar de estágio evolutivo, ou não. Desculpem-me por insistir nesse assunto, mas foram os limites do espírito que os trouxeram para cá, por isso o título sugerido dessa obra psicografada pelo médium que está aqui conosco: “O limite”. –Pouco é falado sobre isso, Estevam, e acho extremamente oportuno esses teus ensinamentos. – disse Lucas. –Sim, mas é importante que todos saibam que, para que o espírito possa ascender ou descender rebaixar-se, ele precisa se modificar. –Certo, sabemos disso. – disse Nina. – Realmente é importante que destaquemos esse ensinamento neste livro. Sou grata a você, Estevam, por tamanha bondade. –Você poderia explicar isso para mim, Estevam? –Explicar o que, Soraya? – perguntou Nina. –Ascender ou descender . –Somos espíritos semeeiros , concorda, Soraya? –Sim, concordo. –Então, por favor, Soraya, nos explique o que você entende por semeeiros? –Colhemos o fruto da semeadura terrena ou espiritual. Eu sei que sou um espírito eterno e imortal, e evoluir só depende de mim, pois só evoluo quando melhoro intelectual e moralmente, e é isso o que estamos fazendo em Amor e Caridade. –Pois bem, Soraya, para poder adentrar em planos ainda desconhecidos, sejam eles superiores ou inferiores, é necessário ter uma vestimenta nova e adequada, se assim posso dizer. –Para viver em dimensões superiores é necessário que haja mudanças perispirituais, Soraya. –Muito bem, Rodrigo. – disse Estevam. –Quanto mais elevada a dimensão pela qual você acessar, mais sutil será o corpo espiritual que você necessitará para viver lá, e quanto mais denso for o lugar pelo qual você estiver, mais grosseira será a sua forma perispiritual. –Meu Deus! –O que todos precisam compreender é que o perispírito é composto por vários corpos espirituais, sendo assim, em cada região que o perispírito estiver, ele deverá adequar-se a esse lugar. Nós chamamos isso de segunda morte. – disseEstevam. –Morre o velho para nascer o novo. O que vemos aqui são corpos espirituais que morreram e renasceram nessa densa região. Aqui são colhidas as piores mazelas humanas. O vaso perispirítico também é transformável e perecível, embora seja estruturado em um tipo de matéria maisrarefeita. Enquanto o espírito possuir invólucros ele terá a necessidade de perder esses invólucros. O espírito puro é o puro espírito, todos nós possuímos vários perispíritos, que são perdidos ao longo da nossa evolução, até nos tornarmos puros. – disse Rodrigo. –Essa sua colocação explica perfeitamente o que é o Limbo, Rodrigo. – disse Estevam, com um olhar de felicidade. –Quantos corpos espirituais nós temos, Rodrigo? –Bem, os grossos, aqueles que podemos considerar mais densos, posso te assegurar que é um total de sete, mas também possuímos tantosoutros, mais sutis, Soraya. –Obrigada! – disse a jovem. –Meus amigos, agora eu também preciso de um descanso. Todosnóslevantamosrapidamenteparanosdespedirmos de Estevam. –Amanhã, assim que o rapaz chegar, eu venho avisá-los de sua presença. Nina estendeu a mão para cumprimentar Estevam que, carinhosamente, beijou a sua mão em despedida. –Mas, antes de deixá-los, devo informar que os espíritos que vivem no Umbral, e estão dedicados à tarefa do mal, também estão perdendo suas formas. Colhe-se na vida espiritual, as mazelas humanas e também a maldade espiritual. Nenhum de nós está livre da justiça divina que está presente em todos os lugares. Aqui, e nas regiões umbralinas, encontram-se milhares de espíritos deformados por estarem desintegrando seus perispíritos e insistindo na maldade. Um dia, todos terão que trilhar o caminho do recomeço, desde os ovoides até os espíritos. Há leis em todos os lugares. – Gratidão a tantos ensinamentos, Estevam. – disse Soraya. Todos cumprimentaram Estevam que, feliz pelo encontro evolutivo, deixou o lugar. Após uma xícara de chá, todos foram descansar e esperar pelo próximo dia. Nina estava ansiosa para saber quem era o espírito que cuidava de sua amada mãe. “Todas as conquistas morais e intelectuais na encarnação são patrimônios da alma!” Nina Brestonini Dia 4 Logo pela manhã, Ventania levantou-se e saiu do lugar onde todos estavam descansando. O Negro não havia dormido com eles. Rodrigo também já estava de pé ao lado de Lucas, o qual preparava um delicioso chá para todos. Nina, Felipe e Soraya logo se levantaram ansiosos para o encontro com o misterioso rapaz que cuidava com tanto carinho da mãe de Nina. –Bom dia, Nina. –Bom dia, Rodrigo. –Dormiu bem? – Não. Confesso que estou muito curiosa para saber quem é que está cuidando da minha mãe por tanto tempo. –Provavelmente é um benfeitor amigo. – disse Lucas, se aproximando. –Não creio. –Logo mais saberemos, Nina. – disse Rodrigo. –Onde será o local pelo qual esperaremos pelo misterioso rapaz? –Vamos aguardar o Estevam aparecer, Felipe, ele disse que assim que o rapaz chegasse, iria trazê-lo até nós. –Verdade. – disse Soraya, se aproximando. –Vamos nos sentar, tomar esse chá delicioso que preparei com tanto carinho, e esperar pelo nosso anfitrião. Todos se sentaram e ficaram à espera de Estevam. Passados alguns minutos, Ventania chegou e adentrou ao cômodo onde todos estavam sentados à mesa. –Bom dia, amigos! –Bom dia, Ventania, onde você estava? –Eu estava lá fora com o Negro, Nina. –Algum sinal do nosso amigo? –O Estevam? –Sim. –Acabou de passar por mim, ele estava indo em direção à cabana. –E ele falou sobre o rapaz? –Não disse nada, apenas me cumprimentou e seguiu para atender a alguns irmãos que chegaram para buscar alguém. –Um grupo de espíritos? –Sim, um grupo de irmãos da Colônia da Regeneração. –Você conhece alguém? –Sim, eu pude ver a Heloisa, o Alceu e mais alguns auxiliares. –Saudade do Alceu. – disse Nina. –Vamos até lá para falar com eles? –Não recomendo, é melhor esperarmos pelo Estevam. – disse Rodrigo, preocupado. –Eu também acho. – disse Lucas. –Ontem ele nos disse que assim que o rapaz chegasse, ele o traria aqui, não foi isso? –Sim, e é por isso que estamos aqui sentados e esperando por ele. – disse Felipe. –Então, vamos esperar, amigos. – disse o Índio. –O que vocês acharam desse lugar? – perguntou Soraya. –Horrível! – disse Felipe. –Eu também não gostei daqui. – disse Nina. –É muito sofrimento. – disse Lucas. –Esse lugar reflete os espíritos que estão aqui. Como todos sabemos, esses infelizes irmãos precisam passar por esse momento para reconstruírem suas vidas. Não há sofrimento sem propósito, tudo está em conformidade para que todos nós possamos evoluir e, um dia, permanecermos na vida plena. –Sabemos disso, meu amado Rodrigo. Mas é muito triste tudo o que estamos presenciando aqui. – disse Nina. –Meu peito também sente dor, Nina. – disse Rodrigo. –Infelizmente, ainda há muitos irmãos que insistem em viver dessa forma, eles não ouvem os nossos conselhos. – disse Lucas, emocionado. –Não fique assim, Lucas, pois estamos fazendo nossa parte, se cada um fizer a sua, um dia, tudo será melhor. –EstánosplanosdeDeusquetudofiquemelhor.– disse Nina. –Um dia, esse lugar estará vazio, sem nenhum espírito. –Deus seja louvado! – disse Rodrigo. Naquele momento, o Negro chegou à porta e, ao seu lado, um rapaz usando uma capa que lhe cobria todo o corpo. A roupa era num tom escuro de roxo. Nos pés, o rapaz usava uma bota que ia até a metade das canelas. Sobre a cabeça, um capuz que lhe cobria toda a face. Nas mãos, luvas de cor preta. –Senhores, esse é o rapaz enviado por Estevam. – disse o Negro, abrindo a porta e permitindo a entrada dojovem. Todos ficaram de pé à espera da revelação de quem seria aquele rapaz. O jovem adentrou o lugar e posicionou-se à frente de todos. Ele carregava uma bolsa transversal com alguns papéis e alguns pergaminhos. O rapaz, então, olhou para todos e, lentamente, retirou o capuz lhe revelando a face. Todos ficaram surpresos com a juventude do menino. Nina, ao ver quem era, não conteve as lágrimas e começou a chorar compulsivamente. Estava ali, na sua frente, seu irmão mais novo, o Reginaldo. Ela correu e se jogou nos braços do irmão. Ambos choravam emocionados. Todos se emocionaram com o encontro. Soraya também chorou com a ilustre visita do primo. Felipeficoumuitofeliz,enãoconseguiaescondera surpresa. Nina estava abraçada ao irmão. E Negro, finalmente entrou no cômodo e fechou a porta. Todo o ambiente encheu-se de luz. –Eu não poderia imaginar que você estivesse por aqui, meu amado irmão. – disse Nina, emocionada. – Eu estou aqui há bastante tempo, tenho cuidado da nossa mãe, pois ela precisa muito sair desse estado, Nina. –Meu Deus! Eu sequer sabia que você já tinha desencarnado. –Eu desencarnei logo após a sua partida. Sofri um terrível acidente de moto, e cheguei à vida espiritual há apenas dois anos do seu desencarne. –Mas, por que eu não fui avisada? –Estava nos planos de Deus que nos encontrássemos aqui hoje, para juntos levarmos a nossa mãe daqui, e acompanharmos sua próxima vida. Agora, Nina, mamãe não errará mais, pois nós seremos os mentores espirituais dela. –Como estou feliz em te ver, meu amado Naldo. –Você lembrou do meu apelido? –Nunca, e em nenhum segundo da minha existência, eu esqueci de você. Sempre fomos um para o outro. –Vocês não acham melhor se sentarem e beberem um chá? – disse Ventania, se aproximando. (Risos) Todos se sentaram e começaram a conversar sobre a vida de Reginaldo. –Conte-me sobre como você desencarnou, meu irmão. –Após a sua morte, as coisas ficaram bem difíceis lá em casa. Mesmo tendo recebido a cartinha que você escreveu para a mamãe e o papai, eles se desviaram da doutrina dos espíritos. Foram para uma igreja, e lá parece que sofreram uma lavagem cerebral. Ficaram irreconhecíveis. Eu já não dormia mais em casa. Fui morar com a vovó. Foi quando sofri um terrível acidente de moto. Desencarnei imediatamente após a queda. Cheguei rapidamente à vida espiritual. Eu fui levado para a Colônia Laços Eternos, e logo que cheguei, fui procurar por você. Naquele momento, Ventania serviu uma xícara de chá para todos. –Obrigada, Ventania. – disse Nina, carinhosamente. –Obrigado, meu amigo. – disse Reginaldo. –Você não me encontrou em Laços Eternos? – Não. Eu fui informado que você estava em Amor e Caridade. –E por que você não foi até lá para me ver? –Assim que eu me recuperei, fui convidado a trabalhar aqui no Limbo. Acho que eles estavam me preparando para receber a mamãe. –Eu também acho. – disse Soraya. –Perdoe-me, Soraya, nem falei direito com você. –Não se preocupe, Reginaldo, mas saiba que eu estou muito feliz em ver você. –Eu também, prima. –Foi a Nina quem me salvou no Umbral, Reginaldo. –A Nina te buscou no Umbral? –Sim, ela e o Felipe. Foram eles que me ajudaram a sair daquele lugar. –Eu soube da sua morte,Soraya, e lamento muitopelo que fizeram com você. –Eu agradeço o que aconteceu comigo, Reginaldo, pois, assim, reencontrei a Nina, e estou muito feliz em Amor e Caridade. –Você não é aquele garoto que vivia atrás da Nina na escola? –Sou eu mesmo, Reginaldo, o Felipe. –Caramba! Como vocês se reencontraram? –Eu também estava no Umbral, mas isso é uma longa história. –Que legal você ter reencontrado a Nina. Olha, deixa eu te contar uma coisa… ela sempre gostou muito de você, Felipe. –Reginaldo… – advertiu Nina. Todos riram… –Esse aqui é o Rodrigo, ele é o meu amigo de muitas vidas,estamosligadospormuitasvidas,elogo,vocêtambém poderá se lembrar das vidas as quais estivemos juntos, ligados um ao outro. –Eu estou ligado a você por outras vidas, Nina? –Sim, meu amado irmão e, no momento certo, eu vou te conduzir às lembranças necessárias. –Que bom! –Conte mais, como está o nosso irmão, o George Filho? –Não sei, Nina, acho que ainda está encarnado. Eu já tentei ir até lá em casa, mas mamãe e papai doaram tudo o que nós tínhamos para a igreja. Pela última informação que tive, o nosso irmão foi morar em outro Estado após se casar com a Marcília. –Eles se casaram? – Sim,etiveramdoisfilhos…duasmeninas.Mas,por que você não foi visitar a gente, Nina? – Assim que cheguei em Amor e Caridade, e recordei quem verdadeiramente eu era, acabei me envolvendo com as tarefas da nossa Colônia. Sabe, Naldo, eu sou diretora de uma escola, sou vice-diretora de um hospital, sou assistente administrativa da Colônia, e ainda tenho algumas tarefas em casas espíritas em outra Colônia. Então, não é que eu não tive vontade de visitar vocês, mas logo que cheguei aqui, eu aprendi uma coisa. –O que você aprendeu, Nina? –Aprendi que, um dia, todos nos reencontraremos na vida espiritual. Papai, mamãe, você e George têm seus destinos e eles precisam se cumprir. Para evoluírem, vocês escolheram encarnar e passar pelas provas as quais já enfrentaram e ainda enfrentam. Ao chegarmos aqui, nos conscientizamos do que somos verdadeiramente, e não temos o direito e, muito menos, permissão para interferir nos destinos traçados antes da vida terrena. E tem mais uma coisinha que eu tenho que te falar, meu irmão. –Diga, Nina. –Nem sempre, as escolhas que fazemos quando estamos encarnados, nos trazem alegrias e, a pior coisa que existe para quem está na vida espiritual, é ver sofrer quem a gente ama, sem poder fazer nada. Por esse, e tantos outros motivos, é que nós recomendamos a todos os que chegam aqui, para que deixem os que ficaram, seguirem seus caminhos. Um dia, todos nos reencontraremos, para juntos, traçarmos novos destinos, esse é o caminho da maioria dos espíritos que está nesse planeta. Esse é o meu novo destino, meu amado Naldo. Sou mentora espiritual de alguns espíritos afins que ainda expiam na Terra. Tenho muito trabalho a fazer na vidaespiritual. Viemos aqui para buscar a mamãe e, como em tudo, não há acasos, reencontrei você, um espírito que tanto amo. E olha, eu tenho que te dizer uma coisa… estou muito orgulhosa de ver que você é um espírito bom, que trabalha para a sua evolução, e isso me deixa extremamente feliz. –Sabe, Nina, quando mamãe e papai foram para a igreja, eu decidi que iria me dedicar ao espiritismo. Ainda bem que eu me dediquei a isso, pois foi de fácil compreensão, para mim, o meu desencarne. Não sei se eu aceitaria muito bem a minha morte tão precoce, caso não fossem os ensinamentos espíritas. –Não há acasos, meu amigo. – disse Felipe. – Realmente, nada está ao acaso, precisamos crer que há um projeto de Deus para todos nós. – disse Soraya. –Um dia, todos poderemos compreender que a vida não se resume a uma vida apenas. – disse Rodrigo. –Agora, é seguir em frente, sem medo, conscientes de que não somos “o nada”, somos espíritos e, sendo assim, precisamos viver intensamente a vida dos espíritos. – disse Lucas. – Meus amigos, posso ver a felicidade estampada em cada rosto nesse momento, mas temos uma missão a cumprir, então, eu sugiro a todos prosseguirmos com o resgate de nossa irmã. – disse Ventania, se aproximando. –Sim, sim, vamos! – disse Nina, se levantando. –Porém, antes de irmos, eu gostaria de mostrar uma coisa para você, Nina. Sente-se, por favor. –Para mim, Naldo? –Sim. Ontem à noite, eu estava no meu quarto,e Estevam me disse que hoje eu me encontraria com você. Disse também para que me preparasse e trouxesse esse pergaminho para que pudéssemos lê-lo juntos. Eu confesso que não sei seu conteúdo, mas o Estevam está aqui há muito tempo, e tudo o que ele deseja é a nossa felicidade. Segundo ele, esse pergaminho o qual iremos ler para a mamãe, foi trazido até aqui alguns anos atrás por uma mensageira de Catarina de Alexandria. –Você estava por aqui ontem? O que será que tem nesse pergaminho? Qual surpresa Catarina nos apresentará desta vez? –Eu não li. Estou em uma instalação próxima daqui. Existe um lugar onde ficam todos os que trabalham aqui. Não é muito longe e, se vocês quiserem, eu posso levá-los até lá. Posso lhes mostrar o lugar. –Você não irá conosco? –Para onde? –Para Amor e Caridade. –Meu trabalho é aqui, Nina. Os olhos da iluminada mentora se encheram de lágrimas. –Não fique assim, minha querida irmã. – Eu estou bem. – disse Nina, secando as lágrimas de seu rosto com os polegares. Felipe se aproximou de Nina e a abraçou. Todos nós ficamos emocionados. –Vamos nos sentar? – sugeriu Rodrigo. Todos se sentaram para ouvir a leitura do pergaminho levado por Reginaldo. A emoção estava estampada em todos os rostos. Nina, ao lado de Felipe, não conseguia esconder a tristeza por ter que se separar mais uma vez do seu irmão. Soraya deixava correr pelo rosto, algumas lágrimas de amor por seus familiares. Rodrigo sentou-se à cabeceira da mesa, ele estava distante e pensativo. Ventania e Negro estavam próximos à porta de entrada do lugar. E, Lucas, preparava mais uma rodada de chá para servir a todos. O que teria no pergaminho que Estevam havia entregado a Reginaldo, para que fosse lido antes do resgate? Quais revelações ainda teríamos pela frente? Cada segundo que passava, aumentava ainda mais a minha ansiedade. O que mais eu teria para escrever? Quem é Nina Brestonini? Por qual motivo Catarina pediu para que esse pergaminho fosse lido por Reginaldo? “O encontro das almas se dá na vida eterna.” Nina Brestonini O pergaminho Era nítida, nos olhos de todos, a curiosidade. Reginaldo pegou o pergaminho e soltou as fitas que o mantinha fechado. Todos estavam à espera da leitura do mesmo. Algumas batidas foram ouvidas à porta, naquele momento. Negro foi até a varanda do lugar para atender a um emissário, que se identificou para ele. Enquanto isso, aguardávamos para saber o que estava acontecendo. Foi quando Negro retornou à sala e aproximou-se da mesa, colocou sua mão sobre o pergaminho, edisse: –Esse pergaminho não pode ser lido aqui. Todos se espantaram com a atitude do Negro. – Mas, por que eu não posso lê-lo aqui? – questionou Reginaldo, assustado. –Esse pergaminho é para ser lido no poço, local onde está a mãe de vocês. Nina surpreendeu-se com a atitude de Negro. Todos se entreolharam esperando por uma ordem de Rodrigo. –Quem te falou que temos que ler ao lado da minha mãe, Negro? –Ordens de Daniel, Rodrigo. –Daniel? –Sim, o enviado pelo qual atendi à porta agora, ordenou para que a leitura desse pergaminho fosse feita no poço onde está a mãe de vocês. Segundo ele, essa é a última mensagem na qual ela precisa ouvir, antes de ser levada daqui por nós. –Eu sabia que tinha alguma coisa que não estava se encaixando. – disse Reginaldo. –Como assim, Reginaldo? – perguntou Nina. –Eu já tinha terminado o trabalho com a mamãe há dois dias. Fui informado que o meu trabalho havia acabado, e que ela estaria pronta para o resgate, mas que eu deveria aguardar mais um pouco. Mas, ontem, antes de ir embora para a minha Colônia, Estevam me procurou pedindo para que eu ficasse, oferecendo a oportunidade de eu participar do resgatedela. Eu estranhei o convite, mas por se tratar da minha última mãe, não suspeitei da chegada de vocês. –O que será que tem nesse pergaminho? –Não faço a menor ideia, Nina. – Então, vamos ao local para ler e fazer o resgate da mamãe. –Estão todos bem? –Sim, Rodrigo, estamos todos bem. – disse Nina. – Senhoras e senhores, confiemos nas orientações de Daniel, e vamos até o poço onde está a nossa querida irmã, para terminarmos a nossa tarefa. – disse Rodrigo, selevantando. Todos se levantaram e se dirigiram ao local onde está a mãe de Reginaldo e Nina. –Onde ela está, Reginaldo? –Temos que caminhar um pouco. – disse o rapaz, seguindo à nossa frente. Todos seguiram o Reginaldo pelos caminhos entre vários poços do lugar. No caminho, encontramos Estevam muito próximo ao poço e à espera dos amigos de Amor e Caridade. –Vejam quem nos espera! – disse Reginaldo. –É o Estevam. – disse Nina. Aceleramos o passo para nos encontrarmos logo com ele. – Sejam bem-vindos ao poço de nossa irmã. – disse Estevam, recebendo atodos. O lugar era escuro, porém, Estevam tinha ao seu lado, dois rapazes com duas tochas as quais possibilitavam uma boa visão do lugar. Ao lado dos rapazes, havia uma maca branca, alguns lençóis, e o cavalo branco, levado pelos enviados de Amor e Caridade, preso a uma pequena carroça, onde são transportados os ovoides para hospitais espirituais. Havia também alguns guardiões que, de longe, vigiavam a todos. Eram soldados, e estavam vestidos como soldados romanos. Todos empunhavam lanças, e tinham nas mãos, escudos com o símbolo de um dragão. O símbolo, e somente o símbolo, era dourado. Nina ajoelhou-se e olhou para o fundo do poço onde estava a sua mãe e, naquele momento, o choro da linda Nina emocionou a todos que ali estavam. Soraya se ajoelhou ao seu lado e, abraçando-a, também começou a chorar. Felipe estava de pé ao lado de Nina. Reginaldo, repetindo o gesto de Soraya, se ajoelhou ao lado de Nina, e também abraçou a mentora. Todos estávamos muito emocionados. A cena era de partir qualquer coração. Imagina para uma filha reencontrar a própria mãe em um dos piores lugares do triste Umbral, e ainda em condições lamentáveis? –Mãe, por que você não seguiu os sinais que deixei pela minha caminhada terrena? Por que abandonastes a verdade? Por que tudo isso? Todos ficaram preocupados com Nina e aproximaram-se dela. Rodrigo estendeu suas mãos em direção a Nina, e eu pude ver, naquele momento, muitos fluidos saindo em sua direção, principalmente, na direção do coração dela. Estevam aproximou-se de Reginaldo e pediu o pergaminho para ele. –Conceda-me a honra de ler esse pergaminho, Reginaldo? –Sim, Estevam, por favor! Um círculo em volta do poço foi feito pelos espíritos ali presentes. Foi quando Estevam abriu lentamente o pergaminho, e começou a leitura: Século cinco. Capadócia. Essa é mais uma encarnação de um espírito que recebe a graça de trabalhar em prol de tantas almas sofridas. Encarnei nesse tempo para me aproximar de Nina e dos meus filhos. Eu não sabia, mas esse era o encontro mais importante de minha existência. Eu sempre fui uma mulher de bom coração, sempre ajudei a quem precisasse, mesmo sendo muito pobre, mas pobreza não nos impedia de ajudarmos os mais necessitados, foi quando ainda jovem, conheci Catarina. Ela era doce, meiga e tinha algo que me chamou a atenção. Percebendo que eu poderia ajudar muitas pessoas, me dediquei ao trabalho na governança do palácio onde Catarina vivia com os seus pais. Meus pais mudaram de cidade e eu fiquei sozinha, mas eu estava decidida, havia algo que me prendia àquela jovem menina. Logo no primeiro ano em que trabalhava no castelo, fui encarregada de cuidar da menina que só queria estudar. Inteligente e muito caridosa, Catarina me dizia que tínhamos que fazer algo pelas pessoas mais pobres de Alexandria. Foi quando ela se ligou definitivamente a Nina. As duas jovens resolveram que deveriam oferecer comida aos que passavam necessidade. Mesmo sem a permissão de seu pai e de sua mãe, Catarina tendo a mim como sua fiel cúmplice, me pediu que organizássemos uma sopa que serviríamos durante a noite para os mais necessitados, para os moribundos que viviam nas ruas de Alexandria. Assim fizemos. Todas as noites elas desciam para o porão do castelo onde eu as esperava com a iguaria pronta. Eram centenas de almas que se alimentavam ali todas as noites frias de Alexandria. Nina não satisfeita recolhia entre as amigas e conhecidos de confiança, mudas de roupas que eram distribuídas para os que sentiam muito frio. Em um pequeno papel, Nina e Catarina escreviam mensagem de Jesus que eram entregues a esses moribundos, Nina dizia: precisamos evangelizar essas almas, Catarina. Juntas nós fizemos isso por algum tempo, até que o Imperador soube das travessuras das duas meninas e decidiu pôr fim em tudo. O pai de Catarina não suportou a angústia e morreu ao saber da perseguição do Imperador para com a sua família. Eu já estava ligada a Nina e ao George que era quem nos trazia os legumes. Casei-me com ele depois do martírio de Catarina e nunca mais vi Nina e mais ninguém. Fui perseguida pelos soldados do imperador, mas graças aos conhecimentos de George conseguimos fugir para o Egito. Após muitas vidas consegui ser mãe desses espíritos amigos e os criei com todo amor que um espírito pode ter por outro. Nina chorava copiosamente ao lado de Reginaldo, que a abraçava enquanto Estevam lia, lentamente, aquele pergaminho. Todos estávamos emocionados. Rodrigo se aproximou de Estevam e lhe disse: –Se for possível, seja breve. –Serei, meu amigo. Nina olhava para o fundo do poço, quando eu pude ver sua mãe em forma de ovoide. Como e por que fazemos tanto mal a nós mesmos? Deixamos de lado tantos ensinamentos que são tão importantes para a nossa evolução. Por que somos assim? Eu refletia… –Posso prosseguir, meus irmãos? –Sim, Estevam. – disse Nina. –Quero que todos saibam que essa leitura é para que a nossa irmã ouça de nós, as suas últimas lembranças, as quais auxiliarão em seu processo de refazimento. –Sabemos disso, Estevam, e somos muito gratos à sua bondade. – disse Reginaldo. –Prosseguindo: Os anos se passaram, tive dois filhos, Reginaldo e George Filho. Após nosso desencarne e ao chegar à vida espiritual, percebemos que nossa ligação espiritual estava traçada, trabalharíamos pelo resto de nossas vidas a serviço de Catarina de Alexandria. Imploramos para sermos pais de Nina, que descobrimos ser um espírito muito evoluído, e oferecemo-nos para ser seus pais em todas as suas encarnações. Graças a Catarina fomos atendidos. Assim, fizemos o melhor de nós. Peço aos amigos do plano maior que se algum dia eu ou o George falhamos em nossas encarnações que me seja lido esse pergaminho para que em reconexão com o meu passado eu receba uma nova oportunidade. A oportunidade de refazer minha caminhada espiritual. Um espírito em busca da luz. –Porquesomenteessepergaminhoficouparaofinal, estevam? –Porque esse foi o desejo da mãe de vocês, Reginaldo. Agora, vamos tirá-la desse lugar, e levá-la para a Colônia Espiritual Amor e Caridade, onde ela receberá o tratamento necessário à condução de uma nova encarnação. Essa, certamente será a melhor oportunidade que ela e o seu pai George, receberão. Encarnarão juntos. E, você Nina, e você Reginaldo, serão os seus mentores espirituais. A missão de vocêsparacomessesespíritosaindanãoterminou,mas essa será a melhor oportunidade para todos. Agora, vamos terminar o que viemos fazer aqui? –Sou muito grata a você, Estevam, por ter permitido com que eu estivesse ao lado da minha mãe novamente. Agradeço a sua bondade e ao seu carinho para com todos nós de Amor e Caridade. Farei o meu melhor para que nessa próxima oportunidade, eu consiga ajudar esses dois espíritos, que há tantos anos estiveram ao meu lado, a finalmente encontrarem a luz tão necessária à perfeição. Sou grata a vocês, meus amigos, grata ao Daniel e, principalmente, a Catarina. Eu me lembro muitobem desse tempo, aliás, eu jamais esquecerei esse tempo. Minha mãe se chamava Solimar nessa época, espero auxiliá-la a encontrar o Sol de sua vida nessa próxima vida que, agora, se inicia. Estarei sempre ao lado dela, do meu irmão, e do nosso pai. Espero que George esteja bem onde estiver… – disse Nina, emocionada. Ela, então, colocou-se de pé e abraçou a todos naquele momento. Reginaldo estava muito emocionado, e ao abraçar a Nina, não conteve as lágrimas que desciam do rosto cansado do jovem rapaz. –Lucas, você ainda tem aquele pó que foi entregue pelos emissários de Porfírio? –Sim, Estevam. –Derrame-o sobre o ovoide, por favor. Lucas retirou o frasco com o pó de dentro de sua mochila, e o entregou a Nina. Emocionadíssima, ela derramou todo o conteúdo do pote sobre o buraco. Logo que o pó entrou em contato com o lugar, uma forte luz iluminou o corpo ovoide de sua mãe. Todos ficaram felizes ao ver que o processo já se iniciava. Os enfermeiros, então, retiraram a mãe de Nina de lá, a colocaram sobre a maca, e a levaram para a carroça que estava preparada para o resgate. Um enorme túnel de luz se abriu à nossa frente, e eu pude ver os maqueiros entrarem nele, levando a mãe de Nina. O resgate estava consumado. Emocionados, todos assistiam aos últimos momentos da nobre irmã que, agora, iria para os cuidados dos médicos da Colônia Espiritual Amor e Caridade, onde seria preparada para uma nova vida. Estevam convidou a todos para um chá em sua cabana. Todos deixaram o lugar… Finalmente, eu pude ver Nina e seu irmão abraçados e muito felizes. “O sono da morte, conduz o espírito eterno às esferas maiores da espiritualidade.” Rodrigo Dia 5 Os dias eram de despedidas. Estevam e todos os demais estavam muito felizes pelo encerramento de mais uma tarefa de amparo e auxílio. Rodrigo convidou a todos para se reunirem em frente à cabana onde tudo começou. –Amigos, precisamos voltar para a nossa Colônia. Todos se aproximaram já com suas mochilas nas costas. Reginaldo estava ali entre nós, quando Ventania se aproximou e perguntou a ele: –Você irá conosco? –Estou pensando seriamente em passar alguns dias em Amor e Caridade, se for permitido, é claro. –Será um enorme prazer tê-lo entre nós. –Nina me pediu para ficar com ela por uns dias. –Será ótimo para ela. Veja como ela está feliz. Nina estava muito próxima a eles, e ria de alguma coisa que ela e Soraya estavam conversando. –Sim, a felicidade de Nina enobrece o meu coração. – disse Reginaldo, feliz. –Senhores, precisamos ir! – disse Negro em voz alta. Todos abraçaram Estevam e se despediram do amigo. Ele ficou de pé na varanda dando um até logo com as mãos, enquanto Ventania e os demais espíritos se afastavam lentamente caminhando pela trilha. Após algumas horas de caminhada, eles já se encontravam distantes do Limbo. Todos estavam satisfeitos por terem terminado mais um resgate no terrível Umbral. Foi quando Negro levantou o braço em sinal de parada. Ele estava bem à frente. Todos pararam à espera das instruções do guardião. Ventania foi até o local em que o Negro estava, e conversavam sem que ninguém ouvisse o que eles estavam dizendo. Nina ficou preocupada e abraçou o irmão. Felipe se aproximou e ficou muito próximo a Nina e a Soraya. Rodrigo e Lucas ficaram à espera de informações sobre o que realmente estaria acontecendo. Foi quando Ventania voltou e reuniu-se com o grupo. –Rodrigo, há um grupo à nossa frente, e eles estão acampados. Não parecem ser desse lugar. –Talvez seja uma equipe de resgate. – Épossívelqueseja,masoNegroficoupreocupado. Precisamos de sua autorização para seguirmos. – Não há outro caminho? Um caminho que evite esse encontro? – Não. Eles estão na trilha do muro de granito. Só há esse caminho para sair daqui. Após alguns segundos pensando, Rodrigo ordenou: –Vamos em frente, confiemos em nossa mentora. Todos, então, se prepararam para caminhar em direção aos desconhecidos. Mas, antes, Felipe se aproximou de Rodrigo e falou baixinho com ele. –Rodrigo, estou muito preocupado com a Nina. –O que houve? –Ela está muito quieta, ela não é assim. Ela estava bem quando saímos de lá, mas a partir de determinado local ela se fechou. –Nina é um espírito muito elevado, Felipe, certamente, ela está pensativa. –Eu conheço muito bem a Nina, e posso te assegurar que algo de muito ruim está para acontecer. Ela é assim, pressente tudo o que vai lhe acontecer. –Confiemos na nossa mentora. – repetiu Rodrigo. –Eu confio, tenho certeza de que vai dar tudo certo,só estou preocupado com ela. –Pois, não fique. Vamos em frente, Felipe. O Negro e o Ventania foram os primeiros a chegarem perto do grupo de espíritos que estavam acampados na estrada. –Bons dias, senhores! – disse Ventania, se aproximando. Todos os que estavam sentados em volta de uma pequena fogueira se levantaram para cumprimentar o Ventania e o Negro que, neste momento, já estavam ao lado do amigo Índio. Rodrigo fez um gesto com as mãos para que todos esperassem o desenrolar do encontro. Todos pararam a alguns metros do grupo. Um rapaz se levantou para cumprimentar o Ventania e o Negro. –Sejam bem-vindos, viajores! Todos se levantaram e cumprimentaram o Ventania. –Seja bem-vindo, meu amigo. Eu me chamo Luiz. Esses são Eduardo, Herculano, Fabiano e Martha. Podem se aproximar, amigos! – gritou o rapaz para o restante do grupo. Emocionado, e sem conseguir esconder a surpresa, Reginaldo correu ao encontro dos estranhos. – O que vocês fazem aqui, meus irmãos? – quis saber Reginaldo, se aproximando e cumprimentando os desconhecidos. –Estamos esperando por você. –Me esperando? –Sim, fomos requisitados para te acompanhar nessa viagem de volta. –Mas, eu decidi passar alguns dias em Amor e Caridade. –Não fomos informados disso. – afirmou Luiz. –Meu Deus! Será que não poderei ir com a minha irmã? – disse Reginaldo, apresentando Nina ao grupo. –Essa é a minha irmã, Nina Brestonini. Todos cumprimentaram Nina. –Esses são os meus amigos de Amor e Caridade. – disse Nina, apresentando todo o restante do grupo. –Sejam bem-vindos, meus amigos. – disse Eduardo. Martha pegou uma jarra e serviu um chá para todos os que acabavam de chegar. –Vamos nos sentar, meus amigos. – disse Herculano. Todos se sentaram para descansar e beber um pouco de chá. Rodrigo foi o único a ficar de pé. Nina demonstrou uma certa tristeza ao perceber que o seu irmão não iria mais com ela até Amor e Caridade. Naquele momento, Felipe se aproximou de Rodrigo. –Eu não te disse… agora ele não poderá mais ir conosco, e a Nina vai sofrer mais uma vez. Rodrigo permaneceu calado. Lucas se aproximou. –Tenta dar um jeito nisso, Rodrigo. –Eu vou conversar com a nossa mentora, prometo. Agora, vão lá tomar o chá, vocês dois. Felipe e Lucas se sentaram à roda de amigos para se deliciarem do chá servido por Martha. Reginaldo estava feliz ao rever os amigos de sua Colônia. Nina não conseguia disfarçar a frustração. Soraya sorria das brincadeiras de Reginaldo ao contar para todos, como era o dia a dia da Colônia Regeneração, lugar em que viviam os novos amigos. Martha sentou-se ao lado de Reginaldo, e parecia que eles eram amigos íntimos. A alegria era total. Somente Nina não demonstrava tal felicidade. Sem que percebessem, Rodrigo se afastou do grupo para, em oração, tentar uma resposta de Catarina de Alexandria. Após algum tempo, era chegada a hora da decisão. Rodrigo retornou ao grupo, e sentou-se muito próximo a todos. Nina estava ansiosa. –Meus amigos, eu tentei falar com a nossa mentora para pedir a ela uma orientação sobre se deveríamos levar o Reginaldo conosco ou não, e, infelizmente, não obtive resposta satisfatória. A nossa mentora pediu para que tenhamos paciência, pois há um tempo certo para todas as coisas. Infelizmente, Nina, o Reginaldo não poderá ir conosco para Amor e Caridade, ele tem muitas coisas a fazer. Há pacientes no Limbo que precisam do serviço caridoso do nosso nobre irmão. É necessário que ele vá até a Colônia da Regeneraçãopara receber as instruções necessárias para o socorro dos próximos irmãos que se encontram no Limbo. Esses amigos que aqui chegaram, vieram para lhe fazer companhia na viagem de volta. Precisamos respeitar as decisões superiores. A alegria dos reencontros é alimento diário de nossos corações, sabemos disso, mas o compromisso evolutivo é oportunidade que não se deve perder. Um dia, Reginaldo poderá nos visitar e, quem sabe, até trabalhar conosco em Amor e Caridade, mas, hoje, não foi permitido a nós, levá-lo conosco. Nina, sem falar nada, levantou e sentou-se ao lado de Reginaldo, abraçando-o carinhosamente. Todos se emocionaram. Reginaldo começou a chorar. Nina, com seus polegares, secou as lágrimas do rosto do irmão caçula, lhe dizendo: –Meu amado irmão. Nada separará você de mim. Saiba que tenho muito orgulho em te ver assim, em saber que há um pedaço de mim nessa região de tanto sofrimento, auxiliando àqueles que precisam de uma nova oportunidade. Estarei em nossa Colônia contando os dias para o dia em que você entrará pelo portão principal de Amor e Caridade e, juntos, poderemos traçar o nosso destino evolutivo. Não chore! Sei que suas lágrimas não são de tristeza, e sim, da saudade que sempre estará presente em nossos corações. Nosso pai foi resgatado por mim. Agora, eu tive o privilégio de assistir o seu trabalho, o qual salvou a nossa mãe. Siga o seu caminho, que eu seguirei o meu. Não há distância para o amor. Você está e estará sempre em meus pensamentos e em minhas orações. Agora, vá com os seus amigos e cumpra seu papel dentro desse projeto que Deus criou para todos nós. Eu já sabia que você não poderia ir comigo para Amor e Caridade, mas aproveitei cada segundo desse nosso curto encontro para te amar um pouco mais. Um dia te encontrarei… Te amo, meu irmão… Nina e Reginaldo se abraçaram… ficaram de pé e se despediram… Todos ficamos muito emocionados também. Lucas convidou o grupo a caminhar. –Precisamos continuar, meus irmãos. – disse o mentor. –Antes de irmos, eu quero presenteá-los, meusirmãos. – disse Ventania, retirando o seu colar protetor do pescoço, e colocando-o em Herculano. Nina também retirou o seu, e colocou em seu irmão. O gesto foi repetido por todos os mentores de Amor e Caridade, e todos os novos amigos foram agraciados com o presente especial. –Gratidão a vocês por nos presentear com esses colares. – disse Martha, emocionada. Um a um, os mentores de Amor e Caridade deixavam o lugar. Todos se afastavam do local deixando lá, sentados, os missionários da Colônia Espiritual da Regeneração. –Venham, vamos amigos! – disse o Negro, à frente. Todos caminhavam pela trilha e se afastavam definitivamente do grupo, que permaneceu descansando e se preparando para seguirem seus destinos. Nina estava melhor. Soraya caminhava ao seu lado. Felipe estava mais aliviado. A caminhada continuou por algumas horas, até que o grupo chegou a uma trilha mais larga, que mais parecia uma estrada. O portal já era visto por todos. –Olhem, o portal! – disse Felipe. –Finalmente, chegamos. – disse Lucas. –Vamos amigos! – disse Soraya. Todos correram em direção ao portal e, ao chegarem muito próximos à saída, eles notaram que Rodrigo caminhava a passos lentos. –Venha, Rodrigo. – disse Soraya. Todos ficaram a esperar por Rodrigo. Após alguns minutos, finalmente, o nobre instrutor se aproximou do grupo. –Que demora, Rodrigo. –Soraya, aqui terminamos mais um resgate no Umbral, não devemos ter pressa. Agora, nós precisamos agradecer por tudo o que vivemos nesses dias. Me deem as mãos, vamos orar. Todos deram as mãos em forma de círculo, muito próximos ao portal. Rodrigo proferiu uma prece: Querida e amada mentora espiritual. Somos todos gratos à oportunidade que recebemos de ti nesse tempo. Agora, estamos voltando para a nossa querida Colônia Espiritual Amor e Caridade. Rogamos a ti que proteja e guarde nosso irmão Reginaldo, Estevam e todos aqueles que estiveram conosco nesse lugar. Sabemos que sua bondade e benevolência nos permitiu tudo o que vivemos aqui. Voltamos a nossa caminhada evolutiva, confiantes em teu amor e bondade. Pedimos por todos os espíritos que se encontram nessa região, que eles possam sair daqui o mais rápido possível e que se compreendam e aceitem seus desafios evolutivos de forma amorosa, pois só o amor liberta o espírito das mazelas encarcionistas. Graças te damos nesse dia… Amém! Foi quando todos ouviram Hió e os demais cavalos se aproximarem a galope. Rodrigo sorriu, afinal, ali estava o seu amigo. Todos sorriram. Nina abraçou Rodrigo carinhosamente, e disse: –Sabe, Rodrigo, a melhor coisa que já aconteceu em minha vida foi ter te conhecido. Já passamos por tantas coisas juntos, não é, meu amigo? Quantos encontros e desencontros... Quantos amores… Quantas dificuldades já enfrentamos juntos… Mas, eu quero que você saiba de uma coisa… Eu sou grata, todos os dias, por ter você em minha vida. Não sei se eu seria o que sou hoje, se não tivesse encontrado você naquele dia… naquele momento… naquela cidade… Nina olhou para trás e, abraçada a todos, disse: –Eu não sei o que seria de mim sem todos vocês… Que Deus e a minha amiga Catarina permitam com que eu viva toda a minha existência ao lado de amigos tão especiais… Amigos, não. Irmãos! Todos se abraçaram emocionados. O portal se abriu para receber aos iluminados espíritos da Colônia Espiritual Amor e Caridade. “Somente amando é que compreenderemos que as separações são temporárias.” Nina Brestonini “A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação” . Chico Xavier e Emmanuel O último livro Quando terminei essa psicografia, Nina me disse que precisava ter uma conversa comigo. Confesso que eu fiquei muito preocupado, pois não é um hábito dela me trazer para casa após os desdobramentos. Após as psicografias dos livros, sempre sou informado de que posso voltar para casa e que devo desligar-me dos fatos que escrevo. Porém, nessa psicografia foi diferente, ela disse: –Agora, irei com você até a sua casa, pois precisamos ter uma conversa… Eu me assustei, mas obedeci. Ao chegarmos ao lugar onde escrevo, Nina se sentou ao meu lado, e disse: –Osmar, você gostou de tudo o que viu? –Sim, achei o Limbo um lugar impressionante. –O que mais você gostou? – Ah,Nina,eusoususpeitoparafalar,masgosteide tudo, embora tenha ficado com uma pequena dúvida. –Qual foi a sua dúvida? –Se vocês levitaram para se livrarem da condessa, por que é que vocês não chegaram até o Limbo levitando também? –Levitar é algo que consome muito a energia do espírito, principalmente se ele estiver em uma região como a do Umbral. Somos espíritos elevados, e o nosso períspirito é mais sutil, por isso, não será em todos os lugares que estaremos confortáveis. Lembre-se que já te informamos que, à medida que vamos evoluindo, vamos trocando nossos perispíritos, assim, para cada dimensão, temos um corpo. Regiões sutis, corpos sutis, regiões densas, corpos densos, entendeu? –Já não está mais aqui quem tinha essa dúvida. E eu aprendi que vamos trocando de períspirito na medida em que vamos evoluindo, ou não. –Isso mesmo, Osmar, quanto mais elevado, mais sutil será o seu períspirito. Isso se dá por merecimento, mas também, para que possamos nos adequar ao novo ambiente no qual viveremos, você entendeu isso? –Só não entende quem tem preguiça de estudar. É simples e muito compreensível que as coisas sejam assim. –Pois bem, e é sobre isso o que eu quero te falar. –Sou todo ouvidos, Nina, aliás, lápis. –Osmar, quando chegamos na sua vida e lhe apresentamos a nossa proposta de trabalho, ficamos muito felizes com a sua recepção, mas confesso que eu não tinha tanta certeza assim de que você conseguiria fazer o que fez e faz. Rodrigo sempre dizia: “Confie nele, Nina, ele vai conseguir…” Não digo isso para desmerecer tudo o que você já fez, mas vocês têm o livre- arbítrio, e ele pode nos trair. Muitas coisas são traçadas na vida espiritual e modificadas pelo espírito emprovas. –Eu sempre confiei em seus ensinamentos e, principalmente, em suas palavras, Nina. Aprendi e aprendo todos os dias com você, e eu é que sou eternamente grato a tudo o que escrevemos e estamos fazendo juntos. –Eu quero te parabenizar por você não ter desistido de nós, Osmar. –Jamais desistiria, Nina. Você vai me fazer chorar… –“Lágrimas são as expressões mais sinceras do coração, Osmar.” Tivemos que fazer uma pausa… Após me refazer, ela voltou, pacientemente, a conversar comigo de novo. –Estamos extremamente felizes por termos confiado a você a materialização do Hospital Espiritual Amore Caridade. Agora, está consumado no plano terreno, aquilo que nos propomos a fazer espiritualmente. Parabéns por ter sido forte e determinado. Parabéns por ter aguentado tanta ingratidão e tantos julgamentos. Saiba que ter suportado essa sua prova, elevou muito o seu ser, você poderá ver isso quando chegar aqui. Eu quero te agradecer também, Osmar, por ter permitido a nós este lugar o qual acolhe tantas almas e que transmite tantos ensinamentos. Vocês precisam de mais instituições como a que você conseguiu fundar aqui. –Nossa, Nina, eu é que tenho que agradecer muito a vocês por tudo, afinal, se não fossem os livros, nada disso teria sido construído. –Quando começamos a escrever sobre o Cinco Dias no Umbral, eu informei a você que seriam cinco livros, você lembra disso? –Sim, esse que acabamos de escrever foi o quarto livro. –E esse capítulo do livro, é o quinto livro prometido. –Como assim, Nina? –Esse capítulo do quarto livro, é o quinto livro. Eu vou ditar e você vai entender, pode ser? –Sim, claro! –Vamos lá? –Vamos. – Osmar, o plano em que vocês estão nesse momento recebe benesses evolutivas todos os dias. Nós, espíritos, estamos no Universo para auxiliar a todos os nossos irmãos, estejam eles encarnados, ou não. Você foi escolhido por nós, por escrever de maneira simples, pois precisávamos atingir pessoas também simples, e palavras rebuscadas desestimulam o leitor e afastam muitas pessoas das leituras espíritas. Precisávamos de alguém que levasse os ensinamentos espíritas aos mais humildes, entende? –Perfeitamente, e sou muito grato por ter recebido essa oportunidade. –Em todos os lugares em que for necessária a ajuda evolutiva, lá estaremos. Não importa a forma, a linguagem, o jeito, o dia, a hora, o momento, o lugar… precisamos evangelizar... e, às vezes, precisamos dar uma volta inteira no quarteirão da vida, para poder despertar e abrir a porta da conscientização do que realmente somos. Temos consciência de que o jeito com o qual você coloca no papel tudo o que vê em desdobramento, atinge o nosso objetivo. Precisávamos de alguém como você, Osmar. –Nossa, Nina, eu nunca poderia imaginar que fui escolhido por vocês. –Todos os emissários são escolhidos. –Agradeça a todos aí por mim. –Pode deixar, farei isso. –Quer dizer que não teremos o quinto livro? –Não há mais a necessidade de outro livro no projeto Cinco Dias no Umbral, já atingimos o nosso objetivo com essas quatro obras. Agora, vamos nos dedicar a trazer para vocês e para os nossos amigos leitores, outros ensinamentos. Continuaremos a falar sobre o Umbral, inclusive, oLucas acaba de conseguir uma permissão para psicografar um novo livro com você sobre o Umbral. Em breve, ele irá te procurar para que vocês possam levar mais essa mensagem a tantos corações aflitos e ávidos de conhecimento sobre as regiões de sofrimento no Umbral. –Nossa, que legal! –Ele mesmo vai te falar. Mas, é importante que todos saibam que nós não viemos para mudar a Lei e, sim, para fazer cumpri-la. Deus fala com seus filhos de diversas formas, e aquilo que você acha ser impossível, é perfeitamente possível quando se trata de amor ao próximo. Há muitas coisas ainda a serem reveladas por nós. Há muitas informações que ainda precisamos passar para todos os encarnados. Não se prendam aos velhos livros e, muito menos, às doutrinas que te impedem de enxergar além de si mesmo. O Universo ainda está em expansão, só para que vocês possam ter uma ideia de quem é Deus. Não deixem que velhos ensinamentos norteiem a sua caminhada espiritual, lembre-se que a evolução é pessoal e intransferível. Não caiam nas armadilhas de falsos profetas, falsos pregadores, falsos médiuns, e dirigentes espirituais inescrupulosos, pois eles estão em todos os lugares. Tem muita gente sendo enganada e o nosso objetivo é unicamente o de despertar mentes para a realidade que todos encontrarão na vida espiritual um dia. Ninguém evolui pelo outro e nenhum espírito sabe mais que o outro. Somos aprendizes de um projeto chamado AMOR. Todos nós estamos no Universo aprendendo todos os dias. Não há uma religião certa, melhor ou pior que a outra. Lembre-se que Jesus não instituiu nenhuma religião na Terra. Ele não doutrinou ninguém, Ele apenas ensinou o AMAR. Religião é coisa do homem, que habituado a doutrinas, doutrina-se seguindo supostos preceitos involutivos. –Involutivos, Nina? – Sim, doutrina é algo muito ruim para vocês encarnados. Não há nenhuma doutrina nos ensinamentos do Cristo, pelo contrário, Ele disse: “sois livre, sois único, sois Deuses…” –É verdade. –Portanto, as mensagens que trazemos em todas as obras psicografadas por você, são ensinamentos que fogem totalmente às doutrinas atuais, pois há muitas possibilidades na vida eterna… vocês precisam se conscientizar de que há infinitas possibilidades quando o assunto é espírito, evolução e amor. Allan Kardec não criou nenhuma religião. Chico Xavier quase foi internado como louco… e muitos, ainda hoje, não leem as obras dos queridos André Luiz e Emmanuel, por acharem que estão fora da doutrina… como assim? Doutrinar é pecar… Doutrinar-se é andar para trás… Acordem! A nossa missão é trazer o novo. É despertar mentes, e revelar para todos aqueles que se predispõem a ler nossas obras, a se enxergarem como espíritos, e não como marionetes nas mãos de organizações religiosas, que impedem propositalmente a evolução dos espíritos. Não retroajam, evoluam, por favor… A humanidade vai evoluir, sabemos disso, e estamos muito orgulhosos de fazer parte do despertar espiritual da humanidade. Está próximo o dia em que todos serão conscientizados da vida após a vida, da vida em outros planetas, como já informamos. Quando vocês receberem nossos irmãos de outras galáxias, quando suas naves pousarem em seu planeta, vocês logo correrão para essas obras psicografadas por médiuns dedicados a trazerem o novo, a despertar mentes, informando que vocês nunca estiveram sozinhos no Universo. E esse dia não está longe… Não haverá espaço físico nas casas espíritas para receber a multidão que despertará, e sedenta por ensinamentos, procurará a religião de todas as religiões. Como já dissemos: “O espiritismo não é a religião do futuro, o espiritismo é o futuro de todas as religiões”. Não viemos destruir a Lei… lembrem-se sempre disso. Osmar, esse é o quinto livro. Um desabafo de um espírito que já se reconhece como espírito imortal e eterno, e deseja que todos vocês despertem para a próxima realidade que todos terão. “A vida não se resume a essa vida.” –Penso como você, Nina. Precisamos despertar almas… –Então, façamos o nosso trabalho. –O que tenho que fazer, Nina? –Escreva, Osmar, escreva… FIM “Dedico este livro a todos que, de alguma forma, me ajudaram a materializar o Hospital Espiritual Amor e Caridade.” Osmar Barbosa Outros títulos lançados por Osmar Barbosa Conheça outros livros psicografados por Osmar Barbosa. Procure nas melhores livrarias do ramo ou pelos sites de vendas na internet. Acesse www.bookespirita.com.br https://www.bookespirita.com.br/ Cover Page book title Sumário Prefácio Colônia Espiritual Amor e Caridade Dia 1 Dia 2 Dia 3 Dia 4 O pergaminho Dia 5 O último livro Outros títulos lançados por Osmar Barbosa