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PERCURSO HISTÓRICO DAS ARTES 
Paulo Eduardo Borzani Gonçalves 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO À ARTE .............................................................................. 3 
2 ANTIGUIDADE CLÁSSICA E IDADE MÉDIA............................................... 30 
3 ARTE NA IDADE MODERNA.................................................................... 61 
4 ARTE NO SÉCULO XX ............................................................................ 101 
5 ARTE PÓS-MODERNA .......................................................................... 139 
6 ARTE CONTEMPORÂNEA ..................................................................... 159 
 
 
 
 
 
3 
 
 
1 INTRODUÇÃO À ARTE 
Você já parou pra pensar no que é Arte? E porque é importante conhecer seu percurso 
na história da humanidade? 
Bem, arte é essencialmente comunicação e afeta diretamente nossos sentidos, 
principalmente o olhar, a audição e também o tato, mas, sobretudo, a emoção... 
 
Teoricamente a arte pode ser definida como sendo: Uma atividade humana ligada a 
manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de: percepção, emoções e 
ideias. Mas o conceito de estética varia no tempo e no espaço, ou seja, muda de 
acordo com a época que observamos e se transforma de acordo com a cultura local 
observada, dessa forma, notamos diferenças drásticas entre a arte elaborada na Pré-
história e a apresentada nos dias de hoje, bem como é clara a diferença da arte 
oriental e da ocidental, por exemplo. 
Muitas vezes, um tema abordado por dois artistas, em épocas distintas pode revelar-
se, tão próximo e tão distante, ao mesmo tempo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
Analisemos os dois exemplos a seguir: 
 
Figura 1.1 – Vênus de Willendorf (2500-200 a.C.) e Demi Moore – Capa Vanity Fair 
(1991) – Fotografia de Annie Leibovitz 
O quê separa essas duas imagens é essencialmente a época em que foram elaboradas, 
ambas são manifestações artísticas de diferentes tipos, a primeira é uma escultura de 
uma deusa grávida pré-histórica (2500 a 200 a.C.) que tinha como objetivo cultuar a 
fertilidade feminina, a segunda é uma fotografia feita para a capa da revista Vanity Fair 
em 1991, onde a atriz Demi Moore (musa de Hollywood) posou no período final de sua 
gestação, com o objetivo de revelar a beleza da mulher grávida contemporânea, ou 
seja, celebrar e cultuar a fertilidade! 
O que há de diferente entre essas imagens, além da diferença de meio de expressão da 
arte, escultura e fotografia, é que cada uma delas faz menção ao padrão estético 
vigente no momento de sua elaboração. Ainda que ambas, tratem do mesmo tema e 
tenham o mesmo objetivo, atendem cada uma, aos padrões de beleza que região e 
orientavam o gosto da sociedade na época de suas respectivas produções. 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
Vejamos outro exemplo de manifestações artísticas correlatas: 
 
Figura 1.2 – Animais representados na Caverna de Chauvet consideradas as mais 
antigas pinturas rupestres e Eduardo Kobra – Grafite Urbano 
O que essas duas obras de arte têm em comum? 
Ambas têm como suporte paredes, mas essa não é a única semelhança, ambas 
também tem o objetivo de registrar e comunicar, por meio da pintura, ideias e 
mensagens, no caso da primeira, elaborada por habitantes das cavernas, tinha com 
intuito principal a documentação do modo de vida corriqueiro neste período da 
evolução do ser humano, já a segunda, tem por intenção a manifestação de um 
protesto de indignação, com o nível de evolução do ser humano e suas ações de 
violência, não mais contra os animais, mais agora contra outros seres humanos. 
Mais uma vez, temos diferentes ideias sendo comunicadas por meio de manifestações 
artísticas, que simplesmente se adaptam aos padrões estéticos de cada período 
histórico e de desenvolvimento técnico e tecnológico. 
Por fim Varella (2018) conclui que: 
Arte (...) pode ser entendida como a atividade humana ligada às 
manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada por meio de 
uma grande variedade de linguagens, tais como: arquitetura, desenho, 
escultura, pintura, escrita, música, dança, teatro e cinema, em suas variadas 
combinações. 
Vamos então, conhecer o percurso percorrido por artistas, temas, técnicas, metas e 
objetivos alcançados, ou não, ao longo do correr da história da humanidade, com seus 
 
 
 
6 
 
acontecimentos, transformações, acidentes de percurso para além de suas vitórias e 
conquistas no mundo das artes e junto a sociedade. 
1.1 Conceituando Arte 
Quando pensamos no que é Arte, temos várias possibilidades de conceituação, 
vejamos algumas delas: 
• A arte: conceito que engloba todas as criações realizadas pelo ser humano para 
expressar uma visão/abordagem sensível do mundo, seja este real ou fruto da 
imaginação. Através de recursos plásticos, linguísticos ou sonoros, a arte 
permite expressar ideias, emoções, percepções e sensações; 
• Criação humana de valores estéticos (beleza, equilíbrio, harmonia, revolta etc.) 
que sintetizam suas emoções, sua história, seus sentimentos e sua cultura; 
• Capacidade do homem de criar e expressar-se, transmitindo ideias, sensações e 
sentimentos através da manipulação de materiais e meios diversos; 
• Atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a 
partir de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular esse 
interesse de consciência em um ou mais espectadores, e cada obra de arte 
possui um significado único e diferente. 
Você já parou para pensar o que é arte? 
Ernest Gombrich, famoso historiador de arte, afirmou que 
nada existe realmente a que se possa dar o nome de arte. Existem somente 
artistas. Arte é um tipo de fenômeno cultural. Regras absolutas sobre arte 
não sobrevivem ao tempo, mas a cada época, diferentes grupos (ou cada 
indivíduo) escolhem como compreendem esse fenômeno. 
Segundo esse ponto de vista, não nos cabe julgar a pertinência da construção de uma 
pirâmide metálica revestida de vidro, em frente ao Museu do Louvre, um clássico da 
Arquitetura Renascentista, simplesmente nos cabe contemplar e compreender a 
intenção dos arquitetos I. M. Pei que a projetaram. 
 
 
 
7 
 
 
Sabemos que o conceito de “estética” é variável de acordo com o tempo, que se tome 
como referência e também, de acordo com a localidade em que se observe desta 
forma, diferentes tipos de manifestações artísticas, não perdem seu valor intrínseco, 
ou deixam de ser consideradas como exemplos de ações de arte, por serem 
executadas em diferentes ambientes, muitas vezes inusitados, como uma “Rua”, 
vejamos os exemplos a seguir para compreender essas afirmações: 
 
 
 
 
 
Figura 1.3 – Balé: Lago dos Cisnes – Tchaikovsky e Dança de Rua: Beat it Poppin – 
John Ricardo Walker 
As duas manifestações de arte têm a mesma importância enquanto forma de 
comunicação expressiva, não importando o local onde sejam praticadas e ou 
apresentadas ao público, o que caracteriza e ação como sendo um evento artístico é o 
fato de ter-se algo a ser exibido e, de preferência, um público que se beneficie desta 
ação, ainda que seja somente, apreciando-a. 
A beleza do espetáculo, ou da obra de arte, não é unanimemente determinada, ou 
seja, a beleza é um adjetivo que tem sua utilização determinada pelo consenso do 
 
 
 
8 
 
“Conceito de Estética” em vigor no período e local em foco, por esta razão, torna-se 
necessário definir este conceito: 
É uma área da filosofia que estuda o belo, ou seja, tudo o que desperta emoção 
estética através da contemplação, e o sentimento que ele suscita nos homens. “É uma 
palavra que tem sua origem no idioma grego: aesthesis, que significa: conhecimento 
sensorial; sensibilidade”. 
A partir desta definição é possível se determinar o que é “Belo”? 
Vejamos os exemplos a seguir, qual das modelos é a realmente bela?ou 
Sabemos agora, que também o belo é relativo, uma vez que depende em sua essência 
de um conceito filosófico que é ligado diretamente ao campo das emoções e dessa 
forma, podemos definir que belo é tudo aquilo que desperta, no ser humano, boas 
emoções, sensações agradáveis e de prazer e que também podem variar de acordo 
com a cultura e costumes desses seres humanos, pois a noção de prazer, também é 
fundamentalmente uma construção cultural e não apenas um instinto irracional, como 
nos evidencia o artista colombiano Fernando Botero, que deixou claro, por meio de 
sua produção artística, qual era o seu conceito estético, qual era sua definição de 
beleza e o que lhe trazia boas emoções e consequentemente o prazer. 
 
 
 
9 
 
 
 1.2 Arte Rupestre 
Antes de falarmos da arte rupestre vale entendermos o que significa rupestre e quais 
são os períodos da pré-história e quais são suas características mais importantes. 
Rupestre é um adjetivo que deriva do vocabulário latino rupes, que pode traduzir por 
“pedra”. O conceito, por conseguinte, refere-se àquilo que está relacionado com as 
pedras. A pré-história é o período que, cronologicamente, corresponde a um longo 
período de 3,6 milhões de anos, isto é, desde o começo dos tempos históricos 
registrados até cerca de 3.500 a.C. O final da pré-história ocorre com o surgimento da 
escrita. 
OS PERÍODOS DA PRÉ-HISTÓRIA 
 
Fonte da imagem: <https://goo.gl/RnQAVy> 
 
 
 
10 
 
Idade da Pedra Lascada ou Paleolítico como é também conhecido este período. 
Cronologicamente, refere-se ao intervalo de tempo relativo a pré-história que 
começou há cerca de 2,5 milhões de anos, quando os homens começaram a produzir 
artefatos em pedra lascada. Durou até cerca de 10.000 a.C. Neste período o homem 
dependia das condições climáticas, por isso era nômade, se deslocando pelos lugares 
em busca de comida e moradia, disputando sua morada com animais selvagens. 
Viviam, basicamente, da caça e da coleta. Sua alimentação era composta por frutos, 
raízes, peixes e pequenos animais. À medida que os utensílios se aperfeiçoando, a caça 
de animais maiores se fez possível. 
 Já o Mesolítico é um período de transição entre o Paleolítico e o Neolítico e ocorreu 
entre 13.000 a.C. e 9.000 a.C. Ele esteve presente somente em algumas regiões do 
mundo, onde a transição direta não ocorreu. 
A Idade Média da Pedra, sim, Idade Média, tem significado a partir da análise 
etimológica da palavra mesolítico: de origem grega mesos que significa médio e lithos 
que significa pedra. Assim como no período Paleolítico, os homens do Mesolítico eram 
nômades, embora o sedentarismo tenha se dado em algumas regiões costeiras da 
Europa e no Oriente Próximo, regiões onde os recursos necessários para sobrevivência 
eram suficientes e regulares. 
O Neolítico é o período pré-histórico que está compreendido a partir do 10º milênio 
a.C., com o início da sedentarizarão e o surgimento da agricultura, até o 3º milênio 
a.C., dando lugar à Idade dos Metais. Os rios foram as primeiras referências para a 
formação das primeiras aldeias, as terras férteis eram utilizadas para o plantio das 
sementes e a água para uso dos seres humanos e animais. Nessa época também teve 
início a domesticação de animais. As mudanças climáticas ocorridas na Europa e a 
extinção das grandes espécies de animais o homem também devem ser considerados 
como fatores decisivos para o início do sedentarismo e da agricultura. As cabanas 
começam a aparecer e, por fim as aldeias. 
A Idade dos Metais é marcada pelo início da fabricação de ferramentas e armas de 
metal. A fundição passa a ser dominada pelo homem, que utilizava para fusão metais 
 
 
 
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com fusão mais fácil, a saber: cobre, estanho e bronze. A Idade dos Metais tem início 
no Quinto Milênio a.C. e acaba com a entrada da escrita e, consequentemente, da 
história. Ocorreu um crescimento populacional marcando o nascimento das primeiras 
cidades, sobretudo quando essas estavam em caminhos naturais e, em algumas delas, 
foi o embrião de importantes civilizações da história. 
Tendo sido explicado o recorte histórico, daremos início à história da arte na pré-
história. 
A Austrália é um importante sítio arqueológico rico em arte rupestre. A Ilha de 
Murujuga, na Austrália Ocidental, abriga a maior coleção de petroglifos do mundo. Eles 
datam de 28.000 a.C. Estão representadas imagens de formas geométricas, desenhos 
realistas de cerimônias aborígines e alguns animais, como baleias, cangurus e tigres-
da-tasmânia. 
 
Fonte da imagem: http://rockart.net.au/17.jpg. 
Figura 1.4 – Petroglifo achado na Ilha de Murujuga, na Austrália Ocidental. 
1.1.1 Paleolítico 
Que não era fácil a vida do homem pré-histórico não temos dúvida, viviam em 
ambiente hostil e ameaçador. Talvez, para muitos de nós, seja extremamente difícil 
tentar interpretar o pensamento de alguém que viveu em condições tão adversas e há 
tantos anos. Muitos estudos nos mostram caminhos para a interpretação das pinturas 
deixadas pelos homens pré-históricos no interior das cavernas. 
 
 
 
12 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/tFXiKe. 
Figura 1.5 – Pinturas rupestres em um sitio arqueológico no 
Parque Nacional Serra da Capivara. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/HikgRV. 
Figura 1.6 – Pinturas rupestres em um sítio arqueológico no 
Parque Nacional Serra da Capivara. 
Na Espanha e no Sudoeste da França também são encontradas pinturas rupestres de 
grande importância, sendo elas a de Altamira, na Espanha e Lascaux, na França. 
Em Altamira, há uma caverna em que se pode ver estampado nas paredes bisões, 
mamutes e renas, todos os animais de caça. O material utilizado para tais pinturas 
 
 
 
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foram terra colorida, carvão e gordura animal. Por estarem localizadas em locais quase 
sem acesso no interior da caverna, acredita-se que não serviam como local de longa 
permanência. Outra curiosidade bastante interessante, os arqueólogos que 
exploraram tais sítios arqueológicos identificaram marcas de flechas sobre as imagens, 
aventando duas possibilidades: serviam como alvo para treinos dos caçadores e como 
meio para ensinar técnicas de caça e/ou como local mágico que evocava forças 
sobrenaturais que auxiliavam o homem primata a dominar seu espaço e a vencer as 
feras inimigas que ameaçavam a sobrevivência do homem. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/ELv5bB. 
Figura 1.7 – O Bisão de Altamira, 15.000 anos a.C. 
Na França o Lascaux é um complexo de cavernas cujas paredes são pintadas com todo 
o universo vivenciado pelo homem pré-histórico, sendo ele: bovídeos, felinos, cavalos, 
dentre outros animais. 
 
 
 
14 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/y7KWRe. 
Figura 1.8 – Gruta de Lascaux, França 
Seria ingenuidade imaginarmos que todos os homens pré-históricos era exímios 
pintores, como podemos fazer tal afirmação? Fácil, quantas pessoas você conhece que 
possuem habilidades artísticas? A menos que você seja um artista e esteja inserido em 
tal meio, imagino que poucos. Assim era na pré-história, alguns estudos chegam a 
afirmar que os pintores pré-históricos eram solicitados em cavernas vizinhas para 
desempenharem suas funções artísticas. Para tais obras de arte os artistas da pré-
história utilizavam terras coloridas. 
É interessante notar que não foram encontradas representadas nas paredes figuras 
humanas, sendo observadas tão somente representações de animais de caça. 
Entretanto, há registro de figuras humanas representadas em esculturas pré-históricas 
e todas elas datam do período Paleolítico. 
 
 
 
 
15 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/CzHPmy. 
Figura 1.9 – Vênus de Willwndorf, 20.000 a.C. – Museu de História Natural de Viena. 
A estátua tem de altura 10,5cm e representam uma mulher nua. Ela foi encontrada na 
Áustria e foi batizada como A Vênus de Willendorf. A escultura data de 20.000 a.C. e 
está ligada à magia da fertilidade, porisso os seios fartos e o ventre e a vulva 
volumosos. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/wKcgV1. 
Figura 1.10 – Vênus de Brassempouy, Museu das Antiguidades Nacionais da França. 
Outra escultura que merece destaque é a “Vênus de Brassempouy”. É uma pequena 
cabeça de mulher de 3 cm de altura trabalhada em marfim esculpida com 
instrumentos de pedra lascada. Ela é provenientes de Brassempouy-Landes, Saint 
 
 
 
16 
 
Germain-em-Laye, Atualmente está exposta no Museu das Antiguidades Nacionais da 
França. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/95vPLF. 
Figura 1.11 – Vênus de Laussel. 
A Vênus de Laussel é outra estátua muito importante do período Paleolítico. Ela foi 
encontrada pelo 1909 na França. Essa é uma estátua talhada em bloco único de pedra 
calcária dura. Nele está representada uma mulher despida cuja mão direita sustenta o 
corno de um bisão. 
1.1.2 Neolítico 
No período Neolítico o homem tinha sua morada fixa, tornando-se sedentário. 
Começou a cultivar a terra, sendo essa a primeira forma de agricultura. Começou a 
viver em comunidade e a utilizar novas formas de manufatura. A argila passou a ser 
usada para a fabricação de utensílios domésticos. 
 
 
 
17 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/3fi4Sg. 
Figura 1.12 – Utensílio de cerâmica manufaturada no período Neolítico. Atenção 
para as linhas geométricas que ornamentam a peça. 
As gravuras não sumiram nesse período da história, elas apenas mudaram de 
característica. As pinturas passaram a representar homens estilizados, não mais 
somente animais e natureza, característica das pinturas rupestres do período 
Paleolítico. 
1.3 Mesopotâmia e Egito 
Epistemologicamente Mesopotâmia vem do grego antigo e significa “entre dois rios”. 
Geograficamente a Mesopotâmia se localizava entre os rios Tigre e Eufrates em 4.000 
a.C. Nos dias atuais corresponde à maior parte do Iraque e Kuwait e de partes orientais 
da Síria e de regiões ao longo das fronteiras Turquia-Síria e Irã-Iraque. 
 
 
 
18 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/yCYphq 
Figura 1.13 – Mapa da Mesopotâmia por volta do Século IV a.C. 
A região foi ocupada pelos sumérios, povo engenhoso que se dedicou à agricultura 
como meio de sobrevivência. Construíram uma sociedade urbana organizada e 
bastante próspera. A monarquia era o regime político que pautava aquela sociedade 
teocrática. 
Foi a primeira sociedade-estado, servindo de modelo para a civilização ocidental. 
Uruk, posterior Babilônia, estava situada à leste do Rio Eufrates. Era cercada por uma 
muralha de 9Km de extensão, construída por ordem do rei Gilgamesh, governador de 
Uruk. A religião era politeísta e cercada de rituais, devido a sua importância a arte e a 
arquitetura revelavam crenças e rituais religiosos. Grandes templos em formato de 
torre construídos com tijolo e argila estavam presentes nas cidades sumérias. Suas 
paredes eram grandes e nota-se a ausência de colunas. Os formatos oval, redondo ou 
quadrado predominavam nas construções. O formato de fortaleza desses grandes 
templos mostrava que o povo sumério estava preparado para guerras. A primeira 
língua escrita, a cuneiforme, teve aqui seu início. Os primeiros sistemas de irrigação e 
veículos sobre rodas também foram idealizados e executados por esse povo. A 
irrigação foi utilizada para o cultivo de grãos. Os veículos eram em couro e madeira, 
utilizavam um tronco como roda e a tração era feita por uma espécie de burro, o 
 
 
 
19 
 
onagro. Os veículos eram utilizados, basicamente, para o transporte de bens e de 
exércitos. 
Os sumérios eram comerciantes por excelência e seus negócios eram realizados com 
povos da África, Ásia e Europa. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/BV3SLE 
Figura 1.14 – Ruína de Uruk. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/FvU3UV 
Figura 1.15 – Palácio de Uruk. 
 
 
 
20 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/VqF3Nu 
Figura 1.16 – Relevos pintados com cores vivas decoravam os palácios. 
Decoração do Palácio de Uruk. 
Diferente do que ocorria no Egito a arte na Mesopotâmia não tinha como objetivo a 
ornamentação de túmulos e sim a de manter viva a imagem de homens poderosos. Os 
reis da Mesopotâmia solicitavam aos artistas que fizessem monumentos para que suas 
vitórias em guerras fossem celebradas e mantidas na memória das pessoas. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/3zcmDw 
Figura 1.17 – Monumento do rei Naram-Sin, 2270 a.C. Museu do Louvre, Paris. 
 
 
 
21 
 
Na sequencia destacou-se uma civilização, também ligada a hidrografia, o Egito Antigo, 
observa-se grande produção de esculturas, pinturas, arquitetura, joalheria e cerâmica, 
além das maravilhas do Mundo Clássico, as pirâmides egípcias. Mas antes de tudo, 
vamos entender onde se encontra como era sua sociedade, sua cultura e a forma de 
sobrevivência do povo egípcio. 
Localizado no nordeste da África o Egito é banhado pelo mar Mediterrâneo ao norte. 
Ao sul pelas cataratas do rio Nilo, faz fronteira oeste pelo deserto da Líbia e ao leste 
pelo Mar Vermelho. O Egito antigo, cujas fronteiras não eram demarcadas, estava 
situado em uma região bastante protegida e, especula-se, que essa localização 
estratégica tenha permitido que o país tivesse um desenvolvimento estável e 
consolidado. 
A vida que se desenvolveu as margens do rio Nilo era regida pelos ciclos de cheias e 
vazantes, uma vez que, quando o rio voltava ao seu nível normal, deixava a terra 
umedecida e preta, características essas conferidas pelo limo (argila rica em 
substâncias minerais e orgânicas) que ficava depositado ali. O Egito está localizado em 
um vale fértil, permitindo o desenvolvimento de meios de sobrevivência, como a 
agricultura, oportunizando assim a permanência do homem nesse local. 
As regiões desérticas, aquelas mais afastadas das margens dos rios, batizadas como: 
reino dos mortos serviu de morada para as pirâmides e túmulos. 
A sociedade egípcia era dividida de maneira bastante inflexível, quase sem a 
possibilidade de mudança de classe social. No mais alto escalão dessa conformação 
social estava o faraó e seu clã e parentes. O faraó era uma figura venerada como um 
verdadeiro Deus. Logo abaixo dos faraós estavam as famílias de classe privilegiada 
formada pelos sacerdotes, nobres e funcionários. Os sacerdotes e os nobres formavam 
a corte real. Já os nobres constituíam a aristocracia hereditária e juntos formavam a 
elite militar e latifundiária. A função dos funcionários era planejar, fiscalizar e controlar 
a economia, sempre a serviço do Estado. Na base dessa conformação social estavam os 
artesãos, os camponeses, os escravos e os soldados que formavam a camada não 
privilegiada. 
 
 
 
22 
 
Durante o quarto milênio a.C. a cultura egípcia se desenvolveu e culminou com o 
surgimento da escrita, o evento principal que separou o período da pré-história da 
antiguidade. 
Entre 2649 a.C. e 1070 a.C., no Egito Antigo, estiveram no poder 18 dinastias. Do ponto 
de vista da produção de arte, a escultura, pinturas, arquitetura, joalheria e cerâmica foi 
abundante. A base do conhecimento desse importante civilização está embasada na 
exploração dos templos, no que continham os túmulos, nas oferendas que eram 
colocadas junto aos mortos e das representações me relevo e nas pinturas que 
adornavam os túmulos dos nobres dessa sociedade. 
A história do Egito é dividida em três fases, a saber: 
• Antigo Império 
• Médio Império 
• Novo império 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/qhwrtJ 
 
 
 
23 
 
Antigo Império: Foi durante essa fase que os faraós adquiriram colossais poderes, 
tanto no campo religioso como no militar e administrativo. Esse período ficou 
conhecido como a época das pirâmides, sendo que Sakara recebeu a primeira pirâmide 
que foi construída pelo Rei Djezer e seu arquiteto Imhotep. Seguindo os passos do rei 
Djezer, o faraó Snefer construiu 3 pirâmides, uma vez que somente a última tinha 
condições de abrigar a múmia do rei. Sendoassim, o filho construiu Keops, o neto 
Quefrem e o bisneto Mikerinos, todas em Gizé. 
Com o intuito de enfraquecer a autoridade do faraó, por volta de 2400 a.C. o Império 
Egípcio sofreu uma série de revoltas lideradas pelos administradores de províncias. 
Com seu poder enfraquecido a autoridade do Faraó declinou e a sociedade egípcia se 
desorganizou levando a um período de distúrbios e guerra civil. 
Médio Império (2160 – 1730 a.C.) - Nobres de Tebas conseguiram por fim às revoltas 
permitindo novo crescimento do Egito do ponto de vista político, econômico e 
artístico. 
Novo Império (1500 – 1084 a.C.) - Os egípcios tornam-se mais militares e lançam-se 
em guerras e conquistas. A Rainha Hatchepsut governou o Egito e construiu 
esplêndidos monumentos. Ramsés, O Grande, além de ter sido grande guerrilheiro 
também construiu os templos de Abu Simbel. 
As pirâmides - As pirâmides são imensos morros tumulares que foram construídos por 
milhares de escravos ou trabalhadores por anos a fio. Esses homens cortavam as 
pedras e as arrastavam até o local das construções. Como os faraós eram considerados 
seres divinos e quando sua morte eles juntavam-se aos deuses e essa crença justificava 
a insana construção das pirâmides. 
Elas eram voltadas para o céu e sua forma e magnitude serviam para auxiliá-los no 
caminho após a morte. A crença dos egípcios fazia-os acreditar que, para que a alma 
continuar viva, o corpo deveria ser conservado, por isso eles se aperfeiçoaram na arte 
de embalsamar corpos e enfaixar os corpos em ataduras. 
 
 
 
24 
 
A finalidade da pirâmide era acomodar o corpo do rei que era colocado em um 
sarcófago e colocado na câmara sepulcral junto com suas riquezas, objetos utilizados 
na vida cotidiana enquanto vivos e até mesmo alguns de seus escravos. 
Encantamentos e fórmulas mágicas eram inscritos na câmera funerária para auxiliarem 
o faraó em sua jornada. Após alguns anos o costume de colocar os escravos na 
sepultura foi considerado cruel e os serviçais foram substituídos por imagens, assim 
eram pintadas figuras de servos nos túmulos do Egito. A passagem era retratada nas 
tumbas em pinturas e por meio de relevos esculpidos nas paredes. 
Gizé é um complexo funerário e suas pirâmides foram construídas pelos reis do Antigo 
Império. A maior de todas, Quéops é classificada como uma das sete maravilhas do 
mundo antigo. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/Jr3z2n 
Figura 1.18 – Esfinge e Pirâmide de Gizé, 2613 – 2363 a.C., Cairo, Egito. 
Não bastava a mumificação que tinha como objetivo a preservação do corpo do rei, 
uma fiel imagem dele também era necessária para que ele vivesse eternamente. Por 
essa razão, os egípcios esculpiam a cabeça do rei em granito e ela era colocada nos 
túmulos reais. Nas artes visuais, as estátuas tinham caráter sagrado, objetivando 
materializar a divindade. 
 
 
 
25 
 
 
Figura 1.19 – Rei Djoser – escultura em tamanho natural. Esculpido em pedra calcária 
com acabamento em policromia. Atualmente exposta no museu Egípcio no Cairo. 
 
Figura 1.20 – Faraó Quéfren: Atualmente exposta no museu Egípcio no Cairo. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/KCcZa6 
Figura 1.21 – Tumba de Horemheb, Vale dos Reis. 
 
 
 
26 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/6BfRSZ 
Figura 1.22 – Tumba de Horemheb, Vale dos Reis. 
Ao observarmos as imagens acima notamos que os artistas egípcios desenhavam as 
cabeças de perfil. Ao analisarmos os olhos percebemos que eles não acompanham o 
posicionamento da cabeça, são representados como se estivessem sendo visto de 
frente. O tronco e os braços também estão posicionados frontalmente. O movimento 
pode ser observado na representação dos braços e das pernas, entretanto, os pés 
estão de lado. 
Para que os faraós concluíssem sua transição da vida após a morte todas as partes do 
corpo deveriam estar bem representadas na imagem, o que garantia que pudessem 
manter seu movimentos, pois deveriam poder levar ou receber oferendas. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/VHG71f 
Figura 1.23 – Tuma de Horemheb – Vale dos Reis – Egito. 
 
 
 
27 
 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/yd2uTg 
Figura 1.24 – Relevo onde Amenófis IV e sua família são iluminados 
pelos raios do deus Aton. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/C4NKmk 
Figura 1.25 – Akhnaton e Nefertiti com seus filhos, c. 1345 a.C. Relevo em altar de 
pedra calcária, 32,5 x 39 com. Museu Egípcio, StaatlicheMuseum, Berlim. 
 
 
 
 
28 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/JCeJeN 
Figura 1.26 – Tempo de Ramsés II, em Abu Simbel. 
As estruturas egípcias eram pintadas em cores vivas, os complexos comportavam 
festas e procissões. Apesar dos templos dos deuses serem extraordinários, a arte 
egípcia era quase em sua totalidade voltadas aos deuses e espíritos, isto é, deviam ser 
apreciadas tão somente pela alma do morto, cuja função era de manter viva a alma do 
faraó e não causar apreciação ou deleite. 
Conclusão 
Arte pré-histórica e aquela produzida antes do aparecimento da escrita. Portanto, são 
alguns dos registros materiais mais importantes, senão os mais importantes, para 
conhecermos o pensamento e o modo de vida deste distante período. 
A primeira língua escrita, a cuneiforme, teve seu início na Mesopotâmia. Os primeiros 
sistemas de irrigação e veículos sobre rodas também foram idealizados e executados 
por esse povo. A irrigação foi utilizada para o cultivo de grãos. Os veículos eram 
construídos em couro e madeira, utilizavam um tronco como roda e a tração era feita 
por uma espécie de burro, o onagro. 
No período entre os anos de 2649 a.C. e 1070 a.C., no antigo Egito, 18 dinastias 
chegaram ao poder. Como resultado, uma grande produção de esculturas, pinturas, 
arquitetura, joalheria e cerâmica nos guia neste estudo. O conhecimento que temos da 
civilização egípcia estava baseado nos templos, no conteúdo dos túmulos, nas 
 
 
 
29 
 
oferendas colocadas junto aos mortos e nas representações em relevos e pinturas de 
túmulos dos nobres. 
REFERÊNCIAS 
ARNOLD, Dana. Introdução à história da arte. São Paulo: Ática, 2008. 
PORTO, Humberta Gomes (org.). Estética e história da arte. São Paulo: Pearson 
Education do Brasil, 2016. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
2 ANTIGUIDADE CLÁSSICA E IDADE MÉDIA 
A Antiguidade Clássica compreende os períodos de hegemonia das civilizações Grega e 
Romana respectivamente no decorrer do tempo. 
A produção artística do povo grego é de fundamental importância para todo o 
percurso histórico das artes, uma vez que é nesse período que se estabelecem os 
padrões de estética que definiram as proporções perfeitas e a busca pelo belo 
universal, ligando tais padrões a imagem dos Deuses que povoavam a mitologia grega. 
Também foi no período de domínio grego que se desenvolvem as técnicas de 
escultura, construção de Templos e principalmente espetáculos de Teatro que 
serviriam de padrão de produção, qualidade e beleza para os artistas que viriam a se 
dedicar a produção de arte nos séculos seguintes. 
Já os Romanos, que chegaram ao poder, após a invasão e decorrente domínio do povo 
grego, se apoderaram de suas técnicas e depois destruíram quase tudo o que 
puderam, das obras e símbolos que representavam o poderio da civilização Grega, às 
inscrições e registros literários que encontraram. Os romanos também inseriram um 
caráter mais militarista e menos mitológico aos temas abordados pela produção de 
elementos artísticos, servindo como símbolos de reafirmação do poder dos 
Imperadores Romanos que se sucederam. 
Com a Queda do Império Romano do Ocidente chega ao fim o poderio Romano e com 
o ingresso na Idade Média, período de repressão religiosa e doutrinação política, o 
clero se aproximou do poder, se utilizando do patrocínio de artistas e financiamento 
de obras de arte e de arquitetura, sobretudo da construção e ornamentação de 
Basílicas e Mosteiros para materializarseu poder. Foi nesse momento que os artistas 
voltaram-se às ruínas gregas e buscaram a essência da produção clássica de seus 
antecessores, com o objetivo claro de aplicarem proporções, técnicas e materiais 
identificados ou descobertos, na produção atual delineando as bases do Estilo 
Românico. 
 
 
 
31 
 
Já no período do Românico Tardio, as basílicas e mosteiros começam a se transformar 
em catedrais, a preocupação com as ocupações e invasões deram lugar a ampliação do 
número de fiéis e procuram tornar os espaços religiosos mais acolhedores e cativantes, 
sem contudo, abrir mão da opulência e da riqueza de detalhes. Foi nesse momento 
que os artistas e arquitetos ampliaram as naves das igrejas e consequentemente suas 
aberturas para o exterior, dando lugar aos vitrais, característicos do período Gótico os 
quais tinham a missão de trazer para o interior das Catedrais a “Luz Divina”, 
caracterizada pela difusão multicolorida decorrente dos temas religiosos e florais 
ricamente desenvolvidos na arte de juntar cacos de vidro colorido com estanho 
derretido. 
Vamos dar início ao percurso pelo período Clássico da produção artística de nossa 
história. 
2.1 Arte Grega e Romana 
A civilização da Grécia Antiga se define como aquele que coexistiu entre os séculos XII 
e X a.C. Aqueus, jônios, dórios e eólios compunham a formação inicial e, mais tarde, 
foram se reunindo em grupos, denominados “pólis” grega, englobando os povos da 
Grécia continental e das ilhas do Mar Egeu. Após o declínio de Micenas a Grécia 
passou por uma fase não muito gloriosa. A cerca do ano de 1.000 a.C. os povos que 
viviam próximos ao mar Egeu falavam vários dialetos, destacando-se os dórios que 
habitavam, principalmente, a Grécia continental e os jônios que se instalaram em 
várias ilhas e em parte da costa oeste da Ásia Menor. 
Do ponto de vista econômico, inicialmente eram uma sociedade pobre, tornaram-se 
ricos em meados do século VII a.C. A população aumentou significativamente e as pólis 
expandiram seu comércio permitindo o contato com outras culturas. Nessa fase a arte 
da Grécia estava voltada a obras poéticas e teatrais, mas os artesãos já eram hábeis na 
arte de produzir majestosos e lindos monumentos funerários de cerâmica. A primeira 
referência da arte grega se deu pelo contato desse povo com os egípcios, sendo eles a 
referência para escultura. 
 
 
 
32 
 
O período arcaico (desde 650 a.C. até a primeira metade do século V – 490 a 479 a.C.) 
é marcado pelo desenvolvimento de técnicas próprias tendo como referência a arte 
egípcia. 
Abaixo a linha do tempo da Grécia Antiga: 
 
Fonte da imagem: http://www.geocities.ws/starworksrpg/grecia03.jpg 
Na Grécia temos a origem da democracia e da cultura ocidental. A arte grega 
valorizava o homem, considerado o ser mais importante do universo. A inteligência do 
homem era superior a sua fé, diferente dos egípcios. Em busca da perfeição eles 
buscavam o equilíbrio, o ritmo e a harmonia. Ainda, como interesses da comunidade 
grega estavam os jogos olímpicos, a beleza e a razão. 
A arte grega adornava os templos e os edifícios públicos, solenizar vitórias em guerras, 
prestar homenagem a heróis e atletas, além de glorificar deuses. 
As primeiras estátuas produzidas pelos gregos tem influência egípcia evidenciada na 
postura linear e nas proporções. As primeiras estátuas gregas, o Koûros masculino, 
jovem nu de pé. 
A própria técnica de produção da estátua remete ao Egito, esculpidas em grandes 
blocos de mármore. Para tal façanha os gregos adotaram o mesmo método que os 
egípcios para esculpi-las, desenhavam a arte desenhando a figura a ser esculpida em 
três faces no bloco de pedra (frontal e perfil). Assim iniciavam o trabalho de esculpir 
até atingirem o resultado desejado. Koûros está em posição ereta, rigorosamente 
frontal. Ele poderia ser a representação de um deus, um objeto belo a ser oferecido 
 
 
 
33 
 
como oferenda a um deus ou, ainda, a representação in memoriam de um homem, 
colocado, eventualmente, em seu túmulo. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/xkRhiZ 
Figura 2.1 – Lápide de mármore de Mereda, Attica. Carca de 540 – 530 a.C. 
Estátua em mármore pariano, o Koûros foi encontrado no cemitério do antigo 
município de Myminousa junto com a filha Frasicheia e a altura da estátua é de 1,89 m. 
Os Gregos atingiram a perfeição em suas estátuas, insuperável até hoje em dia. 
No período clássico (500 a 330 a.C.) onde o movimento era almejado, na tentativa de 
dar vida às estátuas os escultores se utilizavam da fusão de bronze como matéria 
prima, sendo este um material resistente à ruptura, possibilitava uma variedade 
diversa de poses. O peso era outro fator importante a ser considerado, as estátuas 
confeccionadas em bronze eram mais leves que as de mármore ou granito, sendo, 
portanto, mais facilmente transportadas. 
 
 
 
 
34 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/uuL18z 
Figura 2.2 – Estátua de bronze de um atleta adolescente, em torno de 340-330 a.C. 
Foi encontrado em 1925. A estátua, menor em tamanho, representa um vencedor 
adolescente em uma luta. A estátua é uma das obras-primas do período clássico 
tardio e está relacionada com a escola de Praxiteles. Altura 1,30 m. 
É importante notar que grande parte das esculturas gregas remete ao corpo de atletas 
do sexo masculino, isto porque na Grécia predominava o ideal esportivo. Uma estátua 
com seu nome era direito dos campeões, isso deixaria seu nome gravado e a memória 
de suas vitórias para as futuras gerações. 
Míron, escultor grego nascido em Elêutras. Foi o mais velho dos três grandes 
escultores do século de Péricles: Míron, Fídias e Policleto. É autor de uma das maiores 
obras gregas, “O Discóbolo”, produzido em torno de 455 a.C. A escultura retrata um 
atleta que faz o giro sobre si mesmo para lançar um disco. A escultura original era feita 
em bronze e foi produzida no apogeu do período grego clássico. A escultura original se 
perdeu, porém a réplica da escultura em mármore feita pelos romanos permanece. 
Nessa importante obra de arte Mirón representa o corpo humano em sua máxima 
 
 
 
35 
 
tensão, porém, sem ser refletida no rosto do atleta. A harmonia, o balanceamento e a 
simetria das proporções corporais merecem destaque. 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/Qh82f9 
Figura 2.3 – O Discóbolo, do escultor Grego Miron. Cópia em mármore do original em 
bronze que fora produzido em torno de 455 a.C. para ser instalado em um palácio 
em Atenas, provavelmente criado para comemorar a vitória de um atleta vitorioso 
no antigo pentatlo. Altura: 1,24m. Museu Nacional Romano. 
Em O Discóbolo, Miron registra o estado de breve imobilidade do atleta. Os gregos 
denominam esse momento de “rhytmos” e está relacionada a uma ação de graciosa 
harmonia e equilíbrio. Por ser uma obra de tamanha importância os romanos 
solicitaram a confecção de cópias no fim do século IV a.C. Entretanto, tais réplicas 
foram feitas em mármore, material mais barato que o bronze naqueles tempos. 
Graças às cópias realizadas hoje ainda tempos a grandiosidade das esculturas originais, 
uma vez que muitas esculturas em bronze se perderam. 
Especula-se que, como o bronze tornou-se escasso na Idade Média, as estátuas gregas 
possam ter sido derretidas para o reuso do material. 
 
 
 
36 
 
Hoje nos resta contemplar o que restou das importantes obras gregas, ainda que 
sejam réplicas confeccionadas em mármore, pois elas nos fornecem pistas importantes 
sobre sua aparência original. As esculturas originais feitas em mármore eram pintadas, 
incluindo a pupila dos olhos, diferente do que vimos na atualidade, onde vemos os 
olhares inexpressivos existiam cores e expressão, tornando as estátuas “mais vivas”. O 
tempo queimou os pigmentos e fez com que desaparecessem as cores das tintas. 
Policleto (também conhecido como Policleto de Argos, Policleto de Sicião, Policleto, o 
Velho ou Policlito),ativo entre 460 a.C. e 410 a.C., foi um dos mais importantes e 
notáveis escultores da Grécia Antiga. Em parceria com Fídias fundou o Classicismo 
escultórico, ficando conhecido como “Pai da Teoria da Arte” do ocidente. Foi autor de 
estátuas em bronze e escreveu um livro sobre as técnicas e os princípios que 
norteavam suas obras. Infelizmente, o livro está perdido. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/3xbG3T 
Figura 2.4 – Diadúmeno, de Policleto. Estátua em mármore de um atleta, uma cópia 
datada de 100 a.C.. Protótipo de 450 – 425 a.C. Foi encontrado em 1894. O jovem é 
representado nu e o amarrado dos cabelos permite ser identificado como um 
vencedor. O suporte em forma de tronco de árvore, com a bainha do atleta, é uma 
adição da copiadora. Pesquisas recentes revelaram que a escultura foi de ouro. 
Altura 1,95 m. Museu Arqueológico Nacional de Atenas. 
 
 
 
37 
 
Não só os atletas serviam de inspiração para os artistas gregos, os deuses também 
constituíam um tema de extrema importância. A eles eram atribuídas formas e 
sentimentos humanos. Os poetas gregos definiam as personalidades dos deuses 
enquanto que os escultores definiam sua imagem material que iriam adornar seus 
templos, como objetos de adoração. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/ZMMCFi 
Figura 2.5 – Afrodite de Cápua, cópia romana, meados do século IV a.C. Altura 2,10 m 
– Museu Nazionale, Nápoles. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/J8TpGf 
Figura 2.6 – Afrodite de Cnido. Original de Praxiteles, cópia romana, 370 a.C. Altura 
2,04. Vaticano, Roma. 
 
 
 
38 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/Homjyd 
Figura 2.7 – Apolo de Belvedere, cópia romana a partir de um original grego em 
bronze do tardio século IV a.C., altura 2,24 m. Museu Pio Clementino. 
Entre 338 a 30 a.C. aconteceu na Grécia o período Helenístico. Em 356 a.C. nasceu 
Alexandre Magno, que mais tarde ficaria conhecido como Alexandre, o Grande. Filho 
do Rei Felipe II da Macedônia, herdou o trono de seu pai e morreu em combate. Foi 
um dos mais emblemáticos líderes políticos da antiguidade. Fez grandes conquistas 
como a Síria, o Egito e a Pérsia, dentre outras, expandindo assim o território grego. Ele 
foi aluno de Aristóteles e teve sua educação como grego e levava para as cidades 
conquistadas no oriente, a cultura grega. Do terceiro ao primeiro século antes de 
nossa era a cultura helenística foi exaltada e admirada desde as fronteiras indianas até 
as vertentes meridionais dos Alpes. 
No Helenismo a arte valorizava a experiência do homem e o conhecimento da 
realidade. Nesse momento as esculturas passaram a expor novos temas a partir dessa 
fase, com imagens mais reais ou naturalistas, refletindo toda a realidade da vida 
humana, a feiura, a fraqueza, a velhice, criando estátuas com tipos humanos mais 
convincentes. 
Dentre tantas obras do período helenístico, o grupo escultural de Laocoonte da escola 
de Rodes, século I a.C. é a que mais se destaca. A representação na escultura é 
 
 
 
39 
 
Laocoonte, filho de Priamo e sacerdote de Apolo, condenado por Atena e esganado 
por gigantescas serpentes. A tensão física e o desespero estampado em suas faces, 
seus corpos retorcidos pelo esforço dos braços em luta. 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/NTsXfm 
Figura 2.8 – Laocoonte e seus filhos Hagesandro, Atenodoro e Polidoro de Rodes 175 
– 50 a.C. Mármore, Altura 2,42m - Museo Pio Clementino, Vaticano. 
Nem só de esculturas vivia a Grécia antiga, o teatro também ocupava importante lugar 
nas formas de expressão artística dos gregos. 
Do ponto de vista arquitetônico, os teatros gregos eram divididos em três partes, a 
saber: a orquestra, espaço em forma de círculo onde ocorriam os espetáculos: as 
danças, o coro e os artistas ocupavam essa área. O semicírculo da arquibancada, local 
reservado para o público e o palco. Espaço não era problema, os teatros comportavam 
milhares de espectadores. Toda cidade grega importante tinha seu próprio teatro. 
 
 
 
 
40 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/Y6R474 
Figura 2.9 – Teatro de Epidauro – sua arquitetura conferia uma arquitetura perfeita. 
Quando estudamos a arte grega a arquitetura é um de seus maiores patrimônios. Os 
templos eram grandes estruturas destinadas ao culto de seus deuses e deusas (vale 
lembrar que os gregos eram politeístas), que eram representados por gigantescas 
esculturas. Tinham capacidade para abrigar uma legião de fiéis, porém poucas pessoas 
entravam no templo. Era do lado de fora, em um altar colocado na parte frontal da 
fachada, que os rituais eram realizados. As cores vivas predominavam na pintura dos 
templos. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/RZCsFk 
Figura 2.10 – Templo de Hefesto, templo grego Dórico, localizado no centro da 
Atenas antiga, na Grécia. Considerado o mais bem preservado do mundo. 
 
 
 
41 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/P3Gtoc 
Figura 2.11 – Templo de Hefesto, considerado o coração da cidade de Atenas antiga. 
A decoração escultural do Paternon foi realizada por Fidias, escultor de extrema 
importância na Grécia. A superioridade física e cultural da Grécia perante os Bárbaros 
foi exaltada em seu projeto. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/uiZJb1 
Figura 2.12 – Paternon – tempo grego dedicado à deusa grega Atena. Foi construído 
no século V a.C. na Acrópole de Atenas por iniciativa de Péricles e projetado pelos 
arquitetos Calícrates e Ictinos. 
 
 
 
42 
 
Na Batalha de Corinto (146 a.C.) a Grécia tornou-se província do Império Romano, 
ficando sob domínio de Roma. Contudo, a cultura grega exerceu influência importante 
sobre a romana. A arte e a literatura grega serviram de exemplo à arte romana. 
Porém nem só de influências gregas se fez a arte romana, ela teve forte influência dos 
etruscos. Apesar de tantas influências os romanos tiveram importante papel na 
arquitetura, além da pintura, mosaico e escultura. 
O Coliseu, típica construção romana, ainda hoje causa admiração. Do ponto de vista 
arquitetônico alguns estilos usados nos templos gregos podem ser observados no 
coliseu. A estrutura do Coliseu possui três ordens de arcos sobrepostos que fazem a 
sustentação dos acentos do anfiteatro inferior. E são exatamente os arcos, elementos 
básicos da construção submetida à compressão, que marcaram a topologia da 
arquitetura romana. Sua construção começou durante o governo do Imperador 
Vespasiano em 72 e foi concluído em 80 d.C., sob o governo de Tito, seu sucessor. 
Domiciano (81 – 96) realizou modificações no Coliseu. Vespasiano, Tito e Domiciano 
formaram a dinastia flaviana. 
 
Figura 2.13 – Coliseu, também conhecido como Anfiteatro Flaviano. É um anfiteatro 
oval localizado no centro da cidade de Roma. Foi construído em concreto e areia. 
Os Aquedutos: os romanos construíram muitos aquedutos com o objetivo de levar 
água de fontes muitas vezes distantes de suas cidades e vilas, abastecendo banhos 
públicos, latrinas, chafarizes e residências privadas. A água também possibilitava a 
mineração, a trituração, a agricultura e a jardinagem. A tubulação era de terracota e 
chumbo. É importante notar que o arco e o pilar de reforço sobre os quais o aqueduto 
 
 
 
43 
 
se apoia, estão na base de outras edificações colossais, como mercados, anfiteatros, 
pontes e demais construções colossais romanas. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/H9hyGn 
Figura 2.14 – Os múltiplos arcos do Pont du Grd na Gália Romana 
(atual sul da França). 
Nas artes, a grande especialidade romana é a construção. O Panteão, templo dedicado 
a todos os deuses, é um grande exemplo da excelência romana na arquitetura. Por 
muitos anos o Panteão foi utilizado como local de cultos até que, na era Cristã, foi 
transformado em igreja. Não são observadas janelas, a luz que ilumina o local entra 
através de uma abertura circular no teto da construção. 
 
Figura 2.15 – O Panteão, monumento em estilo neoclássico 
situado no monte de Santa Genoveva.44 
 
 
Figura 2.16 – Interior do Panteão, Roma, 130 d.C. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/KKzTbY 
Figura 2.17 – Detalhe da cúpula do Panteão. 
Abertura responsável pela iluminação do templo. 
 
 
 
45 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/chfrgo 
Figura 2.18 – Estátua equestre de Marco Aurélio (164-166 d.C.). Artista 
desconhecido. Confeccionado em bronze dourado. 3,50m de altura. Museu 
Capitolini, Roma, Itália. 
Gregos e Romanos, esteios da civilização ocidental, são os responsáveis por 
importantes pilares da história da arte dominando e se destacando na escultura, 
pintura, cerâmica, teatro, arquitetura, poesia e mitologia. Não só a ARTE foi deixada de 
herança pelos gregos e romanos, mas também importantes ensinamentos sobre o 
esportes, física e matemática (geometria), direito e a democracia que vivenciamos até 
os dias de hoje. 
Idade Média 
2.2 Arte Românica 
A arte esteve presente na arquitetura, na escultura, na tapeçaria, em afrescos, nos 
vitrais, nos bordados, nos crucifixos, castiçais e cálices. Período que vigorou entre os 
séculos XI e XII na Europa. Esteve intrinsecamente relacionada ao poder exercido pela 
Igreja Católica e, grande parte das obras artísticas saiam dos mosteiros, considerados 
as salas do saber. 
 
 
 
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Como não é possível separar a história da arte da história da civilização, vamos 
retomar esse importante período da história. Com a queda do Império Romano a 
Igreja Católica começou sua grande expansão pela Europa iniciando sua influência 
sobre o Estado fazendo com que ocorresse o predomínio da fé com a exaltação da 
esperança em detrimento da razão e essa preponderância aconteceu, inclusive, sobre 
a arte medieval. Pinturas, vitrais das igrejas, livros e escultura reproduziam 
ensinamentos bíblicos com o objetivo de doutrinar a população sobre os dogmas 
religiosos tendo em vista que a grande maioria era analfabeta já que a educação era 
privilégio da nobreza. Percebe-se que a arte era usada para propagar a religião nesse 
período, mas as manifestações artísticas continham estilos diferentes e a unificação se 
deu através da arte românica. A preocupação central da arte medieval era o 
decorativismo. 
O feudalismo rural marcou a economia não monetária e autossuficiente. O artesanato 
tinha como finalidade o autoconsumo e pouquíssimos escambos ou vendas eram 
realizados. 
O poder era exercido pelo Papa (foi o Papa Leão III quem coroou Carlos Magno, 
Imperador) e não por um único Rei, centralizando o poder nas mãos da Igreja Católica. 
Por essa razão um enorme número de construções religiosas imponentes como: 
Basílicas e mosteiros foram erguidos, espelhando na arquitetura a importante 
religiosidade do período. Geralmente, era o único edifício construído com a pedra da 
região, demonstrando, assim sua importância para a população. Era nítido o contraste 
entre as imponentes igrejas e as casas pobres e humildes que a cercavam. Castelos 
imensos também foram erguidos, porém, com as guerras, foram parcial ou totalmente 
destruídos, diferente das igrejas, que foram poupadas, uma vez que a arte religiosa 
recebia mais cuidados e zelo, espelhando a exaltação da fé presente no período. 
Estruturalmente, a igrejas tinham como norte a planta da basílica romana, contendo 
nave, abside e corredores com a adição de um transepto (galeria transversal entre o 
coro e a nave) cortando a nave, além de áreas que permitiam que os fiéis andassem 
através do santuário e visitassem as pequenas capelas laterais. 
 
 
 
47 
 
As igrejas românicas continham fachadas esculturais, abóbada de aresta sustentada 
por pilares, arcos arredondados e maciços pés-direitos, refletindo a robustez compacta 
de uma fortaleza. Internamente são poucos adornos, poucas janelas e, portanto, 
pouca luminosidade. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/UcaOAs 
Figura 2.19 – Sacra di San Michele dela Chiusa, mosteiro românico. Complexo 
religioso no Monte Pirchiriano situado no lado sul do Val di Susano, Turim. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/UcaOAs 
Figura 2.20 – Basílica de Santo Ambrosio, séculos XI – XII, Milão, Itália. Abóbodas 
pesadas em harmonia com arcos e pilares. 
 
 
 
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Fonte da imagem: https://goo.gl/UcaOAs 
Figura 2.21 – Abóbodas pesadas em harmonia com arcos e pilares. 
Com o objetivo claro de receber muitos fiéis durante as peregrinações as igrejas 
construídas tinham dimensões consideráveis. Seus muros, responsáveis por 
sustentarem as abóbodas, eram sólidos e resistentes, construídos de pedra. 
As esculturas que se tornaram raras no século V reaparecem na França românica entre 
1050 e 1100, por motivos religiosos ou ligados à arquitetura, adornavam fachadas e 
portais narrando eventos bíblicos. 
 
Figura 2.22 – Catedral de Módena, construção iniciada em 1099. Arquitetura 
românica de tipo Emiliano. Destaque aos beirais em diferentes níveis, galeria de 
arcos, portal sustentado por duas colunas. 
 
 
 
 
49 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/yDucQW 
Figura 2.23 – Interior da Catedral de Modena. 
A escultura românica teve destaque na abadia de Moissac, ao norte de Toulouse, 
França. O esmero na arte da escultura pode ser observado na fachada da igreja. São 
imagens humanas e de animais ricamente esculpidas. Apesar das imagens seres 
rígidas, sólidas e pesadas, sem leveza, é indiscutível o quanto tais esculturas podem 
expressar. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/HHtRxg 
Figura 2.24 – Abadia de Moissac. Fachada da igreja. 
 
 
 
 
50 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/qXcWU4 
Figura 2.25 – Detalhe dos adornos da Abadia de Moissac. Portal de St. Pierre. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/Pcs6kV 
Figura 2.26 – Campo dos Milagres, em Pisa, Itália. Fundada em 1064. 
A Itália também desenvolveu seu estilo românico e cada região desenvolveu seu 
próprio estilo. A Catedral de Pisa, fundada em 1064, é um importante representante 
do estilo agora discutido. Projetada pelos arquitetos Buschetto e Rainaldo é conhecida 
pela sua magnitude e os dois importantes monumentos que a adornam, a Torre e o 
Batistério. Uma influência oriental com motivos mulçumanos em seu interior, na altura 
dos pilares e na luminosidade difusa. 
 
 
 
51 
 
O surgimento do estilo românico se deu por toda a Europa Ocidental quase que 
simultaneamente, com uma variedade de estilos regionais com características em 
comum porém, sem uma marca central. Dentre suas principais heranças podemos 
citar: arte bárbara, paleocritão, elementos romanos tardios, bizantinos, influências 
islâmicas e cético-germânicas. 
2.3 Arte Gótica 
O tempo de vida da arte românica foi curto. Foi no século XII que surgiu na França uma 
nova técnica que modificou a arquitetura das imensas catedrais. Nesse momento 
nasceu o estilo gótico. Monumentos gigantescos e inesperados nos foram 
apresentados pela arquitetura gótica. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/NcGVzx 
Figura 2.27 – Catedral de Notre-Dame de Paris, 1163-1250. Uma das catedrais 
francesas em estilo gótico mais antigo. 
Com plena harmonia entre beleza e imponência. Sendo o maior símbolo entre a fé 
cristã e o poder exercido pela Igreja Católica, as catedrais eram imensas, maior que 
qualquer outra construção da cidade. A arquitetura gótica é marcada por sua imensa 
altura que obrigava quem a contemplasse a olhar para cima. Em seu interior as naves 
eram cobertas por abóbadas ogivais de arestas e se multiplicavam grandes janelas 
decoradas com vitrais policromos que permitiam a entrada feixes de luz colorida, 
conferindo um aspecto místico ao interior das catedrais. As grossas paredes 
observadas nas igrejas românicas foram substituídas por altas colunas e arcos que 
sustentam o peso do telhado, assim, as edificações góticas tem aspecto mais leve. 
 
 
 
52 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/c2Ky6K 
Figura 2.28 – Interior da Catedral de Notre-Dame de Paris. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/b94SySFigura 2.29 – Vitrais da Catedral de Notre-Dame de Paris. 
Os vitrais são um capítulo a parte na arquitetura gótica. Os vitrais consistem em 
centenas de pequenos pedaços de vidro colorido unidos por tiras de chumbo, 
formando assim um lindo mosaico. Os vitrais eram extremamente complexos de serem 
 
 
 
53 
 
feitos pois, além da dificuldade em cobrir superfícies tão amplas, o trabalho era 
meticuloso e exigia um planejamento metódico dos projetos a serem executados. 
A escultura e a pintura também merecem destaque na arte gótica. A escultura gótica 
deu vida às esculturas, com expressões fortes nos olhares e os tecidos das roupas 
ganharam fluidez, diferindo da arte românica que foi marcada por figuras sólidas. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/kS9Ysy 
Figura 2.30 – Portal principal da Catedral de Estrasburgo, França. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/mm4vZo 
Figura 2.31 – Tímpano da Catedral de Estrasburgo, França. 
 
 
 
 
54 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/9D3dQZ 
Figura 2.32 – Ekkehart, esposo de Uta e patrono da Catedral de Naumburg, 1260. 
Fazem parte da série de doze esculturas São consideradas as mais importantes da 
arte gótica da Alemanha. 
Entre 1300 e 1350 na Itália Central a pintura gótica viu seu apogeu e, ao norte dos 
Alpes, a partir de 1400. A pintura mural ou em painéis em madeira pintada passa a ser 
mais utilizada, em detrimento aos mosaicos, a partir do século XIII. Nas catedrais os 
altares são pintados com figuras dramáticas e Jesus Cristo crucificado entre a Virgem e 
São João. O autor que inovou na pintura italiana é Giotto di Bondone. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/yyz99X 
Figura 2.33 – A Lamentação, Giotto di Bondone, 1305. 
 
 
 
 
55 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/ocrhwa 
Figura 2.34 – A Crucificação, Giotto di Bondone, 1305. 
Giotto di Bondone pintou uma série de painéis sobre a salvação de Cristo que estão na 
Capela de Scrovegni ou Capela Arena, em Pádua. A narrativa exposta leva o admirador 
a prender sua atenção no momento mais intenso do drama. As imagens têm faces que 
transmitem muita vida e a angústia dos anjos se mostra mais teatral e caótica. Luz e 
sombra em harmonia estão presentes nas cenas bíblicas, inovação apresentada pelos 
italianos e foi essa característica que colocou a pintura em destaque na arte gótica. 
 
 
 
 
56 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/WzdWnb 
Figura 2.35 – Capela degli Scrovegni, Pádova, Italia. 
Principais diferenças arquitetônicas entre os estilos românico e gótico 
 Românico Gótico 
Ênfase Horizontal Vertical 
Elevação Altura modesta Altíssima 
Planta Múltiplas unidades Espaço unificado inteiro 
Traço principal Arco redondo Arco pontudo 
Sistema de suporte Pilastras, paredes Contrafortes externos 
Engenharia 
Abóbadas em cilindros e 
arestas 
Abóbadas com arestas e 
traves 
Ambiente exterior Simples, severo Ricamente decorado 
Ambiente interior Escuro, solene Leve, claro 
 
 
 
 
57 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/GMz2pQ 
Figura 2.36 – Catedral de Colônia, Alemanha. 
Exemplo de arquitetura no estilo Gótico. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/GMz2pQ 
Figura 2.37 – Interior da Catedral de Colônia, Alemanha. 
Exemplo de arquitetura no estilo Gótico. 
 
 
 
58 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/GMz2pQ 
Figura 2.38 – Interior da Catedral de Colônia, Alemanha. 
Exemplo de arquitetura no estilo Gótico. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/GMz2pQ 
Figura 2.39 – Vitrais da Catedral de Colônia, Alemanha. 
Exemplo de arquitetura no estilo Gótico. 
 
 
 
 
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Fonte da imagem: https://goo.gl/7QEG3M 
Figura 2.40 – Igreja de São Leão de Abadia. Situada na Alsácia, no fundo do vale 
Vosgiano de Guebwiller, na entrada da comuna de Buhl, onde uma bifurcação leva 
ao vale de Murbach.. Fundada entre 623 à 639. 
Conclusão 
Gregos e Romanos, esteios da civilização ocidental, são os responsáveis por 
importantes pilares da história da arte dominando e se destacando na escultura, 
pintura, cerâmica, teatro, arquitetura, poesia e mitologia. Não só a ARTE foi deixada de 
herança pelos gregos e romanos, mas também importantes ensinamentos sobre o 
direito e a democracia que vivenciamos nos dias de hoje. 
Na Grécia temos a origem da democracia e da cultura ocidental. A arte grega 
valorizava o homem, considerado o ser mais importante do universo. A inteligência do 
homem era superior a sua fé, diferente dos egípcios. Em busca da perfeição eles 
buscavam o equilíbrio, o ritmo e a harmonia. Ainda, como interesses da comunidade 
grega estavam os jogos olímpicos, a beleza e a razão. 
A Idade Média ou Idade das Trevas teve início em 476 e término em 1453. Tem seu 
início marcado pela queda do Império Romano após ter sofrido uma invasão bárbara, 
 
 
 
60 
 
levando à decadência de sua cultura. A Idade das Trevas é marcada por muitas 
guerras, invasões e migrações. Pouca produção de conhecimento pode ser constatada 
nessa fase. É um período de transição entre o término do mundo antigo e o 
aparecimento de uma nova forma de vida e novas crenças. A Europa encontrou o 
progresso do comércio, o crescimento das cidades e consequente desenvolvimento da 
vida urbana após ter enfrentado muitas inquietações, invasões bárbaras, medo do fim 
do mundo pela chegada do ano 1000, ataques árabes e outros inúmeros problemas. 
REFERÊNCIAS 
ARNOLD, Dana. Introdução à História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. 
NOYAMA, Samon. Estética e filosofia da arte. Curitiba: InterSaberes, 2016. (Série 
Estudos de Filosofia) 
PORTO, Humberta Gomes (org.) Estética e história da arte. São Paulo: Pearson, 2016. 
 
 
 
 
 
 
 
61 
 
 
3 ARTE NA IDADE MODERNA 
A peste negra, epidemia disseminada a partir das pulgas que continham a bactéria 
Yersinia pestis, exterminou um terço da população que habitava a Europa em meados 
do século XIV. Nesse mesmo período grandes mudanças econômicas, intelectuais, 
culturais, políticas e artísticas, crises, fome, guerras e revolta de camponeses também 
assolaram a Europa e restabeleceram as estruturas sociais. Houve a queda do sistema 
feudal e nascimento do capitalismo, um novo período histórico teve início com o 
surgimento de um novo modelo econômico comercial com a ascensão da burguesia 
mercantil, a nova classe social, que proporcionou a muitos artistas a continuidade de 
suas carreiras através de importantes incentivos fiscais. 
Também conhecido como Renascença o período que marca a passagem da Idade 
Média para o surgimento da Idade Moderna, se deu nos séculos XV e XVI. 
A Europa do século XVII foi de grandes transformações e mudanças na política, nas 
ciências e na religião. A Igreja Católica perde seu poder e o cristianismo ocidental foi 
segmentado entre as Igrejas: Católica e a Protestante. Com o objetivo de recuperar os 
fiéis perdidos, a Igreja católica passou a difundir seus preceitos religiosos por meio de 
imagens que fariam aflorar a renovação da devoção. Historicamente, surge a 
Contrarreforma e muitas riquezas coloniais e suas obras estão permeadas de temas 
religiosos. Relembrando: a contrarreforma, também conhecida por prova Reforma 
Católica. Esse foi o movimento criado pela Igreja Católica a partir de 1545 em resposta 
à Reforma Protestante de 1571, iniciada por Lutero. Foi em 1945 que a Igreja Católica 
Romana convocou na cidade de Trento o Concílio de Trento, convocado pelo papa 
Paulo III estabelecendo, dentre outras medidas, a reafirmação do poder da Igreja 
Católica e do poder papal, sendo ele o representante de Deus na Terra, a retomada do 
Tribunal do Santo Ofício, a criação do Index Librorum Prohibitorum, uma relação de 
livros proibidos pela Santa Igreja Católica e o incentivo à catequese dos povos do Novo 
Mundo. 
 
 
 
62 
 
Em meio a esse contexto nasce a Arte Barroca, sucedendo, assim, a Renascença. A 
Arte Barroca surgiu e floresceu entre o final do século XVI e meados do século XVIII na 
Itália, colocando-aem posição de destaque e como centro de disseminação artística. 
As mudanças profundas que assolaram a Europa nesse período levaram a mudanças 
de mentalidade, incluindo valores que até então eram verdades absolutas pregadas 
pela Igreja católica. Nesse contexto, pode-se incluir a crença que a Terra era o centro 
do universo, que passou a ser questionada por estudiosos como Kepler e Galileu. A 
astronomia ganhou força e a concepção de sistema solar ficou mais próxima dos 
estudos filosóficos, que refletiam sobre a irrelevância do homem neste contexto. As 
mudanças na arte foram profundas, uma vez que a arte reflete o contexto histórico. 
O Rococó é um estilo artístico que surgiu na França como desdobramento do barroco, 
com características mais leves e intimistas que os vividos no Barroco. Durou entre 
1720 e 1780. 
O Maneirismo foi um movimento artístico que nasceu e se desenvolveu na Europa 
entre 1515 e 1600. Surge como uma revisão dos valores clássicos e naturalistas 
celebrados pelo Humanismo renascentista e sedimentados na alta Renascença. 
O movimento Neoclássico (1780-1820) também nasceu na Europa Ocidental em 
meados do século XVIII e exerceu importante influência na cultura de todo o ocidente 
até meados do século XIX. 
Foi no século XIX que nasceram os movimentos que antecederam à arte moderna, e 
nessa fase o Impressionismo merece destaque. Esse importante movimento 
representou uma intensa revolução na pintura alterando as direções da arte no final 
do século XIX e início do século XX, simbolizando uma mudança estética que o público 
e a crítica estavam habituados. 
Do ponto de vista social, vale aqui entender qual era o movimento dessa época. Entre 
os séculos XVIII e XIX a Europa, mais especificamente a Inglaterra, estava vivendo a 
Revolução Industrial, fase de transformações vultosas. A Revolução Industrial 
introduziu inúmeras inovações tecnológicas, como, por exemplo, as máquinas a vapor, 
possibilitando a manufatura em série, substituindo pequenas oficinas por grandes 
 
 
 
63 
 
fábricas. Não só a manufatura sofreu grandes mudanças, do ponto de vista 
demográfico, o camponês saiu do campo e migrou para os grandes centros em busca 
do trabalho nas fábricas. E como efeito cascata houve o crescimento exponencial da 
população das grandes cidades, levando a necessidade de produção de bens de 
consumo e o consequente advento de tendências e moda. Nasce aqui o proletariado, a 
classe trabalhadora constituindo-se em elite industrial, a burguesia, importante 
consumidora da arte. 
Não só o modo como as coisas passaram a ser produzidas, a mudança nas relações de 
consumo ou distribuição demográfica sofreram mudanças. Todos esses fatores 
levaram a uma rápida urbanização que atingiu de forma certeira a arquitetura que, 
pelo grande volume de construções realizadas no século XIX, passou a considerar cada 
vez menos a beleza e o estilo, até então valorizados em demasia. 
Luz e cor foram alvos de pesquisas pelos artistas fazendo florescer novas formas de 
expressão artística. 
3.1 Arte no Século XV e XVI 
O Renascimento se deu na Itália a partir do ano de 1400 e pode ser reconhecido em: 
pinturas, esculturas e na arquitetura. 
A experimentação, a especulação e a inovação são alguns dos princípios da arte 
Renascentista. Uma nova concepção criativa e humanista revitalizou as ideologias 
clássicas da Antiguidade, dai o nome Renascimento. Assim, houve uma valorização das 
obras de arte e o artista passa a ser mais respeitado e admirado na sociedade e não 
mais visto como um escravo, artesão ou um prestador de serviço. O nascimento da 
Renascença do século XV foi Florença, na Itália e a família Médici foi a grande 
responsável pelo subsídio da arte nessa importante fase histórica. 
A análise das ruínas romanas e a recuperação de textos clássicos foram os pilares 
fundamentais da arte renascentista, ocorrendo a interrupção com as manifestações 
artísticas da Idade Média, o românico e o gótico, trazendo a nova forma de fazer arte. 
O Humanismo, que se manifestou inicialmente em Florença no século XIV e se 
 
 
 
64 
 
espalhando pela Europa Ocidental, foi a principal corrente de pensamento desse 
período, revestindo o ser humano com nova dignidade e o colocando no centro da 
criação, porém sem rejeitar o conhecimento teológico. A história e a mitologia 
romanas foram os principais temas tratados pela cultura humanista, mudando 
consideravelmente a arte da pintura, escultura e arquitetura italiana. A técnica da 
perspectiva artificial foi desenvolvida, conferindo proporção aos ambientes e 
personagens das pinturas. 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/N3Lo48 
Figura 3.1 – Catedral de Santa Maria Del Fiore, Florença, Itália. Cúpula projetada por 
Filippo Brunelleschi. A cúpula fica a 55 metros do chão, tem 45 metros de diâmetro 
interno, 55 externo e atinge 114 metros, pesa em torno de 29.000 toneladas. 
O arquiteto, ourives e pesquisador Filippo Brunelleschi (1377 – 1446) foi responsável 
pela criação de uma nova linguagem arquitetônica em parceria com o também artista 
Donatello, para Roma, aprofundando seu conhecimento na belíssima arquitetura 
romana antiga. Filippo projetou a cúpula da catedral de Santa Maria Del Fiore, entre 
1417 e 1420, ao estilo gótico, com perfil em ponta reforçado com ligaduras 
horizontais, a partir de um sistema de nervuras. 
 
 
 
 
65 
 
Filippo Brunelleschi tem sua obra concentrada em edificações destinadas ao culto 
religioso criando um novo espaço no interior do edifício, criando um novo modo de 
edificar o espaço interno do edifício. As arcadas clássicas de arcos plenos definem uma 
sucessão de espaços. A pedra escura utilizada gera um efeito perspectivo ordenado e 
claro nas igrejas florentinas de São Lourenço e do Santo Espírito 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/hVVW36 
Figura 3.2 – Catedral de São Lourenço (1419) em Florença, na Itália. 
Projeto de Filippo Brunelleschi. 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/Lj6z7p 
Figura 3.3 – Interior da Catedral de São Lourenço (1419) em Florença, na Itália. 
Projeto de Filippo Brunelleschi. 
 
 
 
66 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/bL8ijh 
Figura 3.4 – Igreja do Espírito Santo, Florença (1481) em Florença, na Itália. 
Projeto de Filippo Brunelleschi e Antonio Manetti. 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/EjtqhD 
Figura 3.5 – Interior da Igreja do Espírito Santo, Florença (1481) em Florença, na 
Itália. Projeto de Filippo Brunelleschi e Antonio Manetti. 
 
 
 
 
67 
 
Escultor de um talento imensurável, Donatello di Niccoló (1386-1466) agregava às 
figuras humanas expressões dramáticas e de extrema veracidade. Reforçando os 
conceitos humanistas aplicados à arte, Donatello demonstrou interesse pelas 
esculturas greco-romanas e expandiu seus estudos com a anatomia humana. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/TBQb4w 
Figura 3.6 – São Jorge (1416), esculpido por Donatello, Bardello, Florença, Itália. 
 
 
 
68 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/2ngUdv 
Figura 3.7 – Santa Maria Madalena penitente, 1455. Escultura em madeira. 
Donatello. Museu dell’Opera del Duomo, Florença, Itália. Escultura que privilegia a 
expressão, o corpo esquelético, a dor que transparece do rosto, representa os 
sentimentos mais profundos da alma humana. 
A pintura também teve seu lugar de glória na Renascença, Tommaso di Ser Giovanni di 
Mone (Simone) Cassai, Masaccio (1401-1428). Apesar de ter morrido muito cedo, aos 
28 anos, sua obra é bastante consistente e madura. Seus afrescos são monumentos à 
cultura Humanista introduzindo uma plasticidade na pintura nunca observada, 
desenvolveu uma nova forma de expressão através de formas modeladas de claro-
escuro. Masaccio foi o primeiro mestre pintor da Renascença italiana. Dentre suas 
obras de maior destaque estão os afrescos da Capela Brancacci, na igreja do Carmo de 
Florença, várias cenas da vida de São Pedro e A Santíssima Trindade (Santa MariaNovella) e afresco funerário, imitando uma capela, deve ser observado de baixo. 
 
 
 
 
69 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/W1yspV 
Figura 3.8 – Afrescos da Capella Brancacci (1482-1426). Santa Maria del Carmine, 
Florença, Itália. 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/RrNBFH 
Figura 3.9 – A Santíssima Trindade (1420 -1428). Igreja de Santa Maria Novella, 
Florença, Itália. Masaccio 
 
 
 
 
70 
 
Na escultura Michelangelo Buonarroti (1476-1564) foi extremamente importante no 
período do renascimento, sendo Pietà e Davi suas esculturas de maior destaque. Mas 
nem só de esculturas as obras de Michelangelo são feitas, na pintura e na arquitetura 
o artista também mereceu destaque. Foi o Papa Júlio ll dela Rovere quem pediu que 
Michelangelo decorasse o teto da Capela Sistina, local que tradicionalmente recebe os 
cardeais para o conclave. O artista substituiu a decoração que existia na Capela, 
substituindo um céu estrelado por uma ornamentação mais elaborada e arquitetônica, 
onde a Criação Divina e a Queda do Homem foram representadas. Nove painéis 
representaram as cenas do Livro do Gênesis. Pilastras foram pintadas e se estendem 
por todo o teto. Harmonicamente dividido em pinturas horizontais grandes e cenas 
adjacentes de menor tamanho, cercadas por jovens sem roupas (ignudi) evidenciam as 
quatro imagens principais organizadas cronologicamente. Os mais de 300 personagens 
representados no teto da Capela Sistina foram pintados em 4 anos, de 1508 a 1512. 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/E7k99W 
Figura 3.10 – Capela Sistina, Palácio Apostólico, residência oficial do Papa. 
 
 
 
71 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/4oG6DU 
Figura 3.11 – A Criação de Adão, 1511, Capela Sistina, Roma, Itália. Michelangelo. 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/gNL38G 
Figura 3.12 – A Separação da luz e das trevas, 1508 - 1512, 
Capela Sistina, Roma, Itália. Michelangelo. 
 
 
 
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Fonte da imagem: https://goo.gl/6ejGTN 
Figura 3.13 – O pecado original e a Expulsão do Jardim do Éden, 1508 – 1512, Capela 
Sistina, Roma, Itália. Michelangelo. 
Não há dúvidas que a pintura dos afrescos da Capela Sistina é a principal obra de 
Michelangelo como pintor. As expressões faciais e corporais retratadas na cena “A 
criação de Adão” são de notável veracidade onde Deus Pai, cercado por anjos, com sua 
barba branca e rosto austero denotam sua autoridade. Por sua vez, Adão e seu corpo 
irretocável e de magnífica perfeição recebe do dedo indicador do Criador o fluído da 
vida. A obediência e o fascínio transmitidos no olhar de Adão para Deus Pai podem ser 
observados aos que contemplam a obra. 
A obra “O Dia do Juízo Final” foi executada entre 1535 e 1541. Medindo 13,7m X 
12,2m, foi pintada na parede do altar da Capela Sistina. O trabalho foi encomendado 
pelo Papa Clemente VII, porém somente com sua morte os trabalhos tiveram início, no 
papado do Papa Paulo III que ratificou o contrato. 
Outro pintor de grande importância foi Sandro Botticelli (1444 – 1510), fascinado pela 
mitologia e filosofia, sendo O Nascimento de Vênus (1485) sua obra de maior 
importância. Medindo 172,5 X 278,5 cm, o quadro foi considerado revolucionário em 
sua época, sendo a primeira pintura renascentista com tema mitológico. A história que 
conta nascimento de Vênus é recheada de mistérios traduzindo a mensagem divina da 
beleza que veio ao mundo. A imagem reproduz Vênus ao centro cercada por Zéfiro, o 
Vento do Oeste, a Ninfa Clóris, sequestrada por Zéfero, e uma Hera que fazia 
 
 
 
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companhia a ela, portando um ramo de flores na cor rosa. Vênus é considerada uma 
das mais importantes da Antiguidade. Para os gregos ela era Afrodite, a Deusa da 
beleza e do amor humano. A representação de Vênus por Botticelli traduz a beleza 
clássica e admirada na renascença. Foi uma obra realizada por encomenda da rica e 
poderosa família Medici. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/ktVJj2 
Figura 3.14 – O Nascimento de Vênus, 1485. Obra de Sandro Botticelli. 
A escola veneziana teve em Ticiano Vecellio (1487-1576) seu maior pintor. Viveu em 
Veneza quando a cidade era considerada uma das de maior poder na Itália. Suas 
pinturas tiveram como inspiração a luz intensa e o colorido dos canais. Bem sucedido, 
Ticiano recebeu encomenda dos reis da Espanha e França e do Papa. Alfonso d’Este, 
duque de Ferrara, encomendou uma série de quadros com temas mitológicos, dentre 
eles Baco e Ariadne (1522-1523), para decorar sua casa de campo. Nessa obra o exato 
instante que a princesa grega Ariadne, recém-abandonada pelo seu amante Teseu, na 
ilha de Naxos, encontra Baco, o deus do vinho, e os dois se apaixonam à primeira vista. 
No quadro Baco, o deus do vinho, na paisagem à direita, surge com seus seguidores. 
Apaixona-se por Ariadne à primeira vista, nos seus olhos a expressão intensa e 
apaixonada pode ser observada. Ele pula de sua carruagem, que é puxada por duas 
chitas, em direção a ela. Ariadne havia sido abandonada na ilha grega de Naxos por 
Teseu, cujo navio pode ser observado à distância. A imagem mostra seu medo inicial 
 
 
 
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de Baco, mas ele a levantou para o céu e transformou-a em uma constelação, 
representada pelas estrelas acima de sua cabeça. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/n7FwBs 
Figura 3.15 – Baco e Ariadne (1520-1523), Ticiano. 
Óleo sobre tela, Nacional Gallery, Londres. 
 
Ticiano é um dos primeiros artistas a assinar seus quadros. Nessa obra a assinatura do 
artista pode ser observada em um vaso de bronze que está sobre um tecido amarelo. 
Um dos nomes mais importantes da essência humanista do Renascimento, Leonardo 
da Vinci (1452-1519) é um nome muito importante em quase todos os campos do 
saber. O estudo da anatomia e a atenção às expressões faciais que refletem o estado 
de ânimo e o sentimento de seus personagens mereceram cuidado especial do artista. 
Dentre suas obras mais importantes podemos destacar A Última Ceia (1495-97), 
afresco que ornamenta o Refeitório de Santa Maria dele Grazie, em Milão, Itália. Ele 
representa a cena bíblica da Última Ceia de Jesus com seus Apóstolos antes de sua 
prisão e crucificação. A técnica da têmpera e óleo sobre duas camadas de gesso 
aplicadas em estuque. 
 
 
 
75 
 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/G8tzyd 
Figura 3.16 – A Última Ceia (1495-8), Leonardo da Vinci. Refeitório de Santa Maria 
dele Grazie, Milão, Itália. 
O retrato de Mona Lisa ou A Gioconda (1503-06) é, muito provavelmente, a pintura 
mais famosa do mundo, um tipo retrato renascentista que pode ser admirado no 
museu do Louvre, em Paris. As dimensões do quadro muito provavelmente não 
correspondem ao imaginário popular. Em geral, as pessoas imaginam que o quadro em 
dimensões maiores que a realidade, muito provavelmente pelo vulto que a obra 
tomou dentro da História da Arte e pela sua importância no Renascimento e pela 
veracidade da arte na pintura. As dimensões reais do quadro são 77 x 53 cm, e devido 
ao seu valor está protegida por um forte vidro resistente a tiros. No quadro há a 
representação de uma mulher cuja expressão é bastante introspectiva e tímida. A 
sedução do quadro é transmitida pelo sorriso restrito e conservador. O padrão de 
beleza retratado na Gioconda é o admirado por Leonardo da Vinci era um hábil pintor 
de mãos. As belas mãos de Mona Lisa estão calmamente pousadas em seu colo, com a 
direita sobre a esquerda, em sinal de decoro. 
 
 
 
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Até nos dias atuais a Gioconda inspira esculturas, canções, poemas e inúmeros 
anúncios comerciais, ela é imortal. O sorriso enigmático de Mona Lisa nasce nos olhos 
mais no que em sua boca, quem a olha se sente olhado. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/N8waJj 
Figura 3.17 – Mona Lisa (1503-06), Leonardo da Vinci. 
Museu do Louvre, França, Paris. 
3.2 Arte Barroca 
A Arte Barroca é associada, sobretudo, à arte feita sob encomenda para a Igreja 
Católica. Sendo Roma a capital do mundocatólica, a referência na produção e 
propagação da linguagem barroca partiu de lá. A arte Barroca é caracterizada pela 
decoração intensa, adereçamento excessivo, aplicações abundantes de luzes e 
sombras. 
 
 
 
 
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A Abadia de Melk é um exemplo da Arte Barroca. Nela há a representação de muitas 
nuvens povoadas por anjos tocando músicas e fazendo gestos que remetem a plena 
felicidade do Paraíso, levando-nos a sentir as benesses desse maravilhoso local. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/WT9GFZ 
Figura 3.18 – Abadia de Melk (1738), projetada pelo arquiteto Jakob Prandtauer e 
desing de interiores Josef Munggenast. É um Cento Espiritual de grande importância 
localizado na Áustria, na cidade de Melk, junto ao rio Danúbio. 
 
 
 
 
 
 
78 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/npUW9k 
Figura 3.19 – Interior da Abadia de Melk – 1738. 
Como visto, o estilo barroco nasceu na Itália, onde ocorreu a concentração de ideias 
novas para a construção de edifícios e decorações que rapidamente se espalhou pela 
Europa. O ouro, o estuque e as pedras preciosas podem ser observados no interior das 
igrejas católicas barrocas. A imponência da decoração barroca remete a uma visão de 
glória celestial de forma muito mais intensa do que nas catedrais medievais. A Igreja 
Católica no período da arte barroca, diferente do período gótico e românico que usava 
a arte para doutrinar os não letrados, no período da arte barroca, os intelectuais 
também estavam no radar da Igreja Católica, por isso, grandes arquitetos, escultores e 
pintores foram solicitados a realizar obras com o intuito de trazer às igrejas o 
sentimento de esplendor e glória. 
 
 
 
 
79 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/P1UZG4 
Figura 3.20 – Igreja da Assunção em Rohr, na Alemanha. 
Gian Lorenzo Berrini (1598-1680), artista relevante do período barroco, atuou como 
arquiteto, escultor e coreógrafo, sendo responsável por obras de grande vulto, tais 
como: a escultura “O êxtase de Santa Teresa”, o Baldaquim (espécie de dossel) para o 
altar-mor da Basílica de São Pedro e a Cátedra de Pedro importantes símbolos da 
Contrarreforma. 
 
 
 
80 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/Pyf8gR 
Figura 3.21 – Baldaquim do altar-mor da basílica de São Pedro – 
Gian Lorenzo Bernini. 
 
 
 
81 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/3NdT3F 
Figura 3.22 – O êxtase de Santa Teresa, 1645-1652. 
 
 
 
82 
 
A arte barroca atendeu aos preceitos do Condilo de Trento (1545-1563), uma vez que 
se tornou uma eficiente maneira de realizar a propaganda religiosa, divulgando os 
ideais religiosos católicos através de imagens. 
Outra importante vertente da arte barroca é a pintura barroca italiana, que conta com 
uma grande variedade de estilos, funções e técnicas, sendo, portanto, difícil de 
determinar suas características. Três importantes variedades de pinturas ganharam 
notoriedade na Itália, sendo elas: a pintura religiosa evidenciando o poder divino, a 
pintura de gênero, retratando cenas de vida diária e a natureza-morta, que retrata 
objetos inanimados de diversas ordens, como flores, frutas, jarros, copos, dentre 
outros, muito apreciado pelos burgueses. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/sHKgKr 
Figura 3.23 – Caravaggio, Cesta de frutas, 1600. 
 
 
 
83 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/V1UNLq 
Figura 3.24 – Willem Kalf: Natureza Morta com a taça da Guilda dos Arqueiros de São 
Sebastião, lagosta e copos, 1653. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/ErsgRq 
Figura 3.25 – El aguador de Sevilla: Diego Velazquez (1599-1660). 
Apsley House, Londres. 
 
 
 
84 
 
A consolidação da monarquia absoluta ocorreu no século XVI, sendo a arte uma 
importante ferramenta de sedimentação do poder, as pinturas também retratam essa 
época. 
Caravaggio ou Michelangelo Merisi (1571-1610) foi um importante artista Barroco. 
Seu estilo naturalista revolucionou a época e quebrou com o estilo até então aceito e 
apreciado até então. Caravaggio não teve sua arte aceita, uma vez que se acreditava 
que sua intenção era chocar o público. A inadequação atribuída ao seu estilo era ligada 
à sua representação do sacro a partir do real, sem nenhuma ornamentação. O artista 
pintava pessoas comuns, com cópias fiéis da natureza, sendo ela feia ou bela. Seus 
personagens eram humanos, isto é, santos que habitavam a Terra e sofriam os dramas 
humanos. Foi um dos mais influentes de Roma e pintou várias igrejas católicas de 
Roma. 
A luz e a sombra estão bastante presentes nas obras de Caravaggio. Tenebrismo é o 
nome dado à técnica que Caravaggio utilizou para fazer seus personagens surgirem das 
trevas. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/Q18rua 
Figura 3.26 – A ceia em Emaús: Caravaggio, 1601. 
 
 
 
 
85 
 
A dramaticidade do quadro A ceia Emaus, onde Jesus é retratado abençoando seus 
discípulos após a Ressurreição, é notória. A iluminação também marca o Barroco. 
Diego Velazquez (1599-1660) foi outro artista Barroco que merece destaque por ter 
retratado a vida na corte. Velazquez era cortesão bem sucedido e precisou observar a 
vida na corte para sua representação artística. As meninas, que aborda a temática dos 
palácios, nesse caso o Palácio Alcazar, localizado em Sevilha, tem representada 
Margarita Teresa aos 5 anos de idade (observe que a luz da janela está dirigida, 
especificamente, para o rosto e vestido da infanta, criando uma convincente ilusão de 
espaço através da dicotomia luz e sombra, característica típica da arte barroca) 
acompanhada por duas damas de honra e duas anãs da corte. Ao fundo da sala, no 
grande espelho, pode-se observar o reflexo do rei Felipe IV e da rainha Marina. Don 
José Neto Velásquez, real camareiro da rainha, aparece na porta do fundo da sala e 
Diego Velázquez fez seu autorretrato, aparecendo à esquerda da tela, desempenhando 
seu ofício de pintor. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/cJz59q 
Figura 3.27 – As meninas, Diego Velázquez. 
 
 
 
86 
 
O Barroco no Brasil - O movimento acontece tempos depois no Brasil, sendo que seu 
primeiro ciclo datou de 1700 a 1730 e é denominado “período nacional português”, 
tendo as influências barrocas mais sedimentadas em Salvador e Recife. A arte barroca 
no Brasil tem características específicas marcadas nas esculturas dos santos e na 
arquitetura dos templos religiosos. A arte barroca está muito presente em Minas 
Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia. 
Foram os colonizadores portugueses: leigos e religiosos, que trouxeram o Barroco para 
o Brasil cujo desenvolvimento em sua plenitude ocorreu no século XVIII, 100 após seu 
surgimento em terras europeias. 
O estilo barroco brasileiro se apresentou como uma miscelânea de variadas escolas 
barrocas, a francesa, a italiana e a espanhola. Essa amalgama tornou-se mais evidente 
nas oficinas independentes, cujo número cresceu muito no decorrer do século, com a 
união dos mestres portugueses e os filhos de imigrantes europeus e seus 
descendentes nascidos no Brasil, filhos da miscigenação racial, caboclos e mulatos, que 
realizaram as mais esplêndidas obras do caboclo brasileiro. 
As igrejas Barrocas são marcadas por edificações luxuosas e esplendorosas, 
caracterizadas por madeira esculpida, tanto em alto como em baixo relevo. No altar, 
os grandiosos painéis ao seu fundo, os retábulos apresentam grandes colunas torcidas 
e decoração exuberante. De 1730 a 1760, as estátuas integram-se à madeira dos 
retábulos e passam a utilizar mais pinturas de grandes dimensões que apresentam 
ilusão de ótica, que geralmente recobrem o teto da igreja. 
 
 
 
 
87 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/sR52B6 
Figura 3.28 – Igreja de São Francisco – Salvador. 
Em meados de 1730 e 1760 tem início a segunda fase do barroco brasileiro com 
predomínio do estilo “joanino”, proveniente do barroco romano. 
A arquitetura foi contaminada pela intensa “barroquização”, caracterizada pela 
edificação de naves poligonaise plantas em elipses entrelaçadas, com reflexos no 
futuro pela atuação dos artistas portugueses Manuel de Brito e Francisco Xavier de 
Brito (s.d.-1751). 
 
 
 
 
88 
 
Autores literários barrocos do Brasil - Nos séculos XVII e XVIII não havia ainda 
condições para a formação de uma consciência literária brasileira. Os pequenos 
núcleos econômicos organizavam a vida social no país, não existia realmente uma 
população iniciada no hábito da leitura, fato que só viria a se concretizar no século XIX. 
Por conta do exposto, entendem-se os autores brasileiros, como tendo apenas 
incorporado as características barrocas, influenciados por fontes estrangeiras 
(portuguesa e espanhola), mas que não chegaram a constituir um movimento 
propriamente dito. Nesse contexto, merecem destaque a poesia de Gregório de 
Matos Guerra e a prosa do padre Antônio Vieira representada pelos seus sermões. 
Didaticamente, o Barroco brasileiro tem seu marco inicial em 1601, com a publicação 
do poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira. 
 
Mas vale ressaltar outros escritores que tiveram destaque no mesmo período: 
GREGÓRIO DE MATOS - O Boca do Inferno; poeta maior do Barroco brasileiro, PADRE 
ANTÔNIO VIEIRA - Maior orador sacro de nossa literatura, MANUEL BOTELHO DE 
OLIVEIRA - Autor de Música do Parnaso (1705), primeira obra publicada por um autor 
brasileiro. 
 
 
 
89 
 
A pintura barroca no Brasil - dominou no século XVII, uma importante fase de 
transição espiritual na cultura do ocidente, com duas maneiras distintas de ver o 
mundo, o paganismo e o sensualismo do Renascimento com a perpetuação de 
características religiosas que faziam referência ao poder divino que imperava na idade 
média. 
Chegou ao Brasil pelas mãos dos missionários de origem católica que fizeram uso da 
arte barroca para doutrinar novos fiéis para igreja católica. 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/qapKaU 
Figura 3.29 – Retábulo da Basílica de Nossa Senhora do Carmo – Recife. 
3.3 Impressionismo 
Em 1874, em Paris, num estúdio de fotografia o público pode apreciar, pela primeira 
vez, uma obra impressionista em uma exposição coletiva. Em um primeiro momento 
público e crítica, acostumados à pintura acadêmica clássica, não apresentaram boa 
 
 
 
90 
 
reação. Nessa ocasião a tela de Monet “Impressão, nascer do sol” foi exposta ao 
público. Foi um crítico que estava presente na exposição que, com o intuito de 
ridicularizar os pintores que ali expunham, apelidando-os de “impressionistas”. A 
crítica não foi nada gentil com os artistas, reduzindo a obra deles a telas besuntadas 
com manchas e apelidadas de arte. Os críticos não aceitavam as novas técnicas 
adotadas pelos impressionistas, como a mistura de tintas e cores diretamente nas 
telas, e não mais nas paletas, como era costume até então. 
Não só nas técnicas as pinturas impressionistas eram revolucionárias, o mesmo 
ocorreu em sua expressão. As diferentes tonalidades observadas mostravam que as 
cores da natureza se altera continuamente de acordo com a incidência da luz do sol. 
Claude Monet (Paris, 1840 – Giverny, 1926), também francês foi um dos principais 
pintores impressionistas. Foi em decorrência de um de seus quadros, “Impressão, 
nascer do sol”, que teve origem o termo impressionismo. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/pnEqg0 
Figura 3.30 – Quadro “Impressão, nascer do sol” – Claude Monet, 1872, óleo sobre 
tela. A tela retrata um ponto visto através de névoas matinais. 
 
 
 
91 
 
Monet evoluiu as técnicas de pintura, seu foco estava nas pesquisas relacionadas às 
alterações que as luzes advindas da natureza sofrem ao serem atingidas por eventos 
naturais, como, por exemplo, as modificações que o vento causa ao atingir a água ou 
quando uma nuvem cobre o sol. Todos os contornos e sombras formados a cada 
alteração de luz eram cuidadosamente observados por Monet. 
Pelo seu interesse em estudar a luz e suas diferentes incidências na pintura, Monet 
pintou inúmeras paisagens em momentos distintos. Seu objetivo era observar como as 
diferentes luminosidades e reflexos coloridos modificavam a cena representada na 
tela. Na famosa pintura Estação de St-Lazare pode-se observar o realismo de uma 
situação cotidiana ambientada em uma estação de trem de Paris onde a vida cotidiana 
é retratada. Observe o efeito da luz em relação ao telhado de vidro, o vapor se 
misturando às nuvens e equilibrando os tons claros e escuros. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/2atGcu 
Figura 3.31 – Estação de St-Lazare, 1877 – Claude Monet. 
 
 
 
92 
 
Edouard Manet (Paris 1832 – Paris 1883), pintor francês e um dos primeiros a ter a 
necessidade de rever e repensar a observação da natureza e novas maneiras de 
retratar homens e objetos. Manet e seus seguidores observaram que quando a 
natureza é vista ao ar livre, com a luz natural, não são vistos objetos isolados, cada 
qual com sua cor, luz e sombra próprias, mas sim como uma brilhante mescla de 
nuances que se combinam em nossa representação mental da paisagem ora 
observada. Quando o sol incide em objetos esses passam a ter matizes diferentes, o 
que tirou o pintor de seu ateliê e o trouxe ao ar livre. 
No ano de 1863 surgiu o Salão dos Recusados, onde quadros que não eram aceitos 
para o salão oficial tinham a oportunidade de serem expostos. Manet participou desse 
salão de 1863 com três quadros: "Victorine Mereunt em costume de toureiro", "Rapaz 
em costume espanhol" e "Almoço na relva". O quadro "Almoço na Relva" causou um 
escândalo para a época, não somente pela nudez que as elites julgaram vulgar, mas ele 
também trazia dois homens vestidos junto de uma mulher nua. Suzanne Leenhoff 
(esposa de Manet) e Victorine Meurent (sua modelo preferida) posaram para a 
composição da mulher nua, sendo retratado o corpo de Suzanne com o rosto de 
Victorine. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/JDypPe 
Figura 3.32 – Almoço na Relva – 1863. 
 
 
 
93 
 
Interessante observar também o contorno das figuras que deixaram de ser evidentes 
com linhas abstratas que representam as imagens. As pinturas impressionistas têm 
suas sombras coloridas, de acordo com a teoria das cores complementares, isto é, 
cores complementares colocadas próximas causam a sensação de luz e sombra com 
maior naturalidade que o claro e escuro compunham as sombras nas escolas de arte 
mais antigas, muito valorizado no Barroco. 
Por todas essas características a arte impressionista é adequadamente contemplada 
quando à distância. Uma possibilidade o público inicial que teve contato com a obra 
impressionista as observou muito de perto e não foi capaz de compreender as 
pinceladas ditas “ao acaso”, o que fez as pessoas desacreditarem dos artistas. 
O movimento impressionista só veio a ser considerado único, notável e inovador 
posteriormente. 
Pierre Auguste Renoir (Limoges 1841 – Cagnes-sur-Mer 1919) talvez um dos nomes 
mais conhecidos e importantes do impressionismo. Ainda em vida Renoir teve o 
reconhecimento de sua obra pela crítica. Temporalmente, sua obra retrata o final do 
século XIX e tem como temática a agitada vida em Paris. Representando de forma 
fidedigna e não erótica, o artista retratou o corpo feminino e preferia nus na luz 
natural, pessoas do cotidiano, retratos e naturezas mortas. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/J7MF9R 
Figura 3.33 – Almoço em Grenouillère, 1880-1881 – 
Coleção Phillips, Washington, D.C. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cagnes-sur-Mer
 
 
 
94 
 
A tela reproduz um grupo de amigos aproveitando uma tarde muito agradável. Repare 
nos barcos à vela pintados entre o toldo e os arbustos. O quadro combina natureza-
morta e paisagem onde se observa um grupo de amigos de Renoir na varanda da 
Maison Fournaise, próximo ao Rio Sena, na França. Na mesa pode-se observar frutas e 
vinho. 
Edgar Degas (Paris 1834 – Paris 1917) importante pintor, gravurista, escultor e 
fotógrafo francês. Ficou conhecido pela sua particularvisão do mundo do ballet, 
captando os mais belos cenários. Ao contrário dos demais pintores impressionistas, 
Degas preferia ambientes interiores e a luz artificial. Ainda que fosse simpatizante dos 
ideais impressionistas, o pintor manteve-se distante dos demais artistas. Pequenas 
nuances de sua vida cotidiana eram captadas em suas pinturas, movimentos corporais 
ou expressões faciais. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/7rc2Xo 
Figura 3.34 – Aula de Dança, 1873. Museu d’Orsay, Paris. 
 
 
 
 
95 
 
Paul Cézanne (Aix-en-Provance 1839 – Aix-em-Provance 1906), pintor pós 
impressionista francês que, com sua obra, embasou a passagem da produção da arte 
do século XIX para o século XX, isto é, do impressionismo do século XIX para o cubismo 
do início do século XX. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/ZDQBwY 
Figura 3.35 – O monte de Santa Vitória com pinheiro – Paul Cézanne, 1882. Pós-
impressionismo. Galeria Ortaulud, Londres, Reino Unido. 
Vicent Van Gogh (Zundert, 1853 – Auvers-sur-Oise, 1890), artista holandês e outro 
importante artista pós-impressionista, autodidata muito talentoso. Do ponto de vista 
emocional, Van Gogh tinha episódios de loucura e instabilidade comportamental 
importante, levando-o a internações em hospital psiquiátrico. Tanto em seus 
momentos de tormenta emocional como nos momentos de lucidez, Van Gogh pintava. 
Artista de carreira breve, uma vez que se suicidou aos 37 anos de idade, porém de 
grande projeção, já que suas obras ganharam notoriedade e popularidade, como Os 
Girassóis, O quarto do Artista em Arles, até mesmo seus autorretratos. 
O contato do artista com o impressionismo aconteceu em 1886 em Paris. As 
pinceladas e os efeitos causados pela composição de cores na luz e sombra e os efeitos 
de luminosidade encantaram o artista que passou a utilizar cores em tons mais 
brilhantes com contrastes mais intensos. 
 
 
 
96 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/IJ8oeO 
Figura 3.36 – Doze Girassóis numa jarra – Vicent Van Gogh, 1888. Atualmente no 
Neue Pinakothek, Munique. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/iuWAoE 
Figura 3.37 – A Noite Estrelada de sterrennacht, Vicent van Gogh, 1889. Atualmente 
no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. 
Em sua passagem pela França da Provença, em Arles, praticou as novas técnicas 
aprendidas. Nessa fase pintou O terraço do café à noite, em que pintou a noite sem 
utilizar a tinta preta. 
 
 
 
97 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/REz3Wi 
Figura 3.38 – Terraço do Café à Noite – Vicent van Gogh, 1888. 
Atualmente no museu Kröller-Müller, Otterlo. 
Paul Gauguin (Paris, 1848 – Ilhas Marquesas, 1903), pintor francês pós-impressionista. 
Grande amigo de Vicent Van Gogh, moraram juntos em Arles até que, em um acesso 
de loucura, van Gogh agrediu Gauguim, que mudou-se para Paris. Com sua mudança 
para o Taiti, dois anos depois, o tema de suas obras passaram a ser mais exóticas, 
equilibrando a arte primitiva aos retratos que fazia dos taitianos. Os contornos ficaram 
mais simples e as cores utilizadas eram mais intensas. 
 
 
 
98 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/ViiVZf 
Figura 3.39 – Arearea – Paul Gauguin – 1892. Atualmente no Museu de Orsay. 
A arte impressionista no Brasil 
Eliseu Visconti foi com certeza o artista que melhor representou os postulados 
impressionistas no Brasil do início do século XX. Influências do impressionismo podem 
ser detectadas nos trabalhos de Arthur Timótheo da Costa (1882-1922), Belmiro de 
Almeida (1858-1935), Almeida Júnior (1850-1899), Castagneto (1851-1900), Eliseu 
Visconti (1866-1944) e Antônio Parreiras (1860-1937) Henrique Campos Cavelleiro 
(1892-1975) Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), e mais alguns. 
 O abrandamento das cores, a preocupação com os efeitos conseguidos a partir de 
diferentes intenções luminosas, a adição de temáticas do cotidiano, o distanciamento 
do rigor acadêmico, a proliferação de pinceladas diversificadas e descontinuadas são 
 
 
 
99 
 
características inseridas e apropriadas lentamente na produção realizada pelos artistas 
brasileiros desse período. 
Com um diálogo truncado, porém fecundo entre as experimentações incorporadas 
pelos impressionistas e a arte realizada pelos pintores nacionais deve-se somar o 
desconhecimento das tendências europeias do ambiente artístico, além da resistência 
preponderante do público e das academias às novas orientações estilísticas e 
finalmente, as limitações impostas no ensino pela Academia Imperial de Belas Artes e 
nas orientações que imprimiam ao estudo de brasileiros no exterior. Muitas vezes, 
suas ações não passavam de uma adição superficial das técnicas impressionistas, 
perpetuando um olhar comprometido, ainda, com os padrões acadêmicos do 
renascimento. 
Conclusão 
A Europa do século XVII foi de grandes transformações e mudanças na política, nas 
ciências e na religião. A Igreja Católica perde seu poder e o cristianismo ocidental foi 
segmentado entre as Igrejas: Católica e a Protestante. Com o objetivo de recuperar os 
fiéis perdidos, a Igreja católica passou a difundir seus preceitos religiosos por meio de 
imagens que fariam aflorar a renovação da devoção. Historicamente, surge a 
Contrarreforma e muitas riquezas coloniais e suas obras estão permeadas de temas 
religiosos. 
O Renascimento se deu na Itália a partir do ano de 1400 e pode ser reconhecido em: 
pinturas, esculturas e na arquitetura. 
A experimentação, a especulação e a inovação são alguns dos princípios da arte 
Renascentista. Uma nova concepção criativa e humanista revitalizou as ideologias 
clássicas da Antiguidade, dai o nome Renascimento. Assim, houve uma valorização das 
obras de arte e o artista passa a ser mais respeitado e admirado na sociedade e não 
mais visto como um escravo, artesão ou um prestador de serviço. O nascimento da 
Renascença do século XV foi Florença, na Itália e a família Médici foi a grande 
responsável pelo subsídio da arte nessa importante fase histórica. 
 
 
 
100 
 
A Arte Barroca é associada, sobretudo, a arte feita, sob encomenda, para a Igreja 
Católica. Sendo Roma a capital do mundo católica, a referência na produção e 
propagação da linguagem barroca partiu de lá. A arte Barroca é caracterizada pela 
decoração intensa, adereçamento excessivo, aplicações abundantes de luzes e 
sombras. 
O movimento impressionista revolucionou a arte e influenciou muitos outros artistas 
que surgiram posteriormente. Paul Cézanne, Paul Gauguin e Vincent Van Gogh fizeram 
parte do movimento Pós-Impressionista, formando uma nova geração que ampliou as 
pesquisas de cor, luz e forma geradas pelos impressionistas. 
REFERÊNCIAS 
ARNOLD, Dana. Introdução à História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. 
DALDEGAN, Valentina; DOTTORI, Maurício. Elementos de história das artes. Curitiba: 
InterSaberes, 2016. 
PORTO, Humberta Gomes (org.) Estética e história da arte. São Paulo: Pearson, 2016. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
101 
 
 
4 ARTE NO SÉCULO XX 
Foram inúmeras as mudanças do século XX, principalmente nas ciências o salto 
tecnológico foi imenso, sem precedentes, mudando a concepção de mundo. O homem 
pisou na lua, a comunicação entre as pessoas globalizou o mundo transmitindo a 
informação em velocidade nunca antes vista e as tendências foram divulgadas com 
maior velocidade. A medicina avançou e a expectativa de vida aumentou. A 
eletricidade mudou a forma de vida das pessoas. As guerras mudaram a configuração 
do mundo, a exemplo da Primeira Guerra Mundial que inspirou todas as vertentes da 
arte contrapondo a Segunda Guerra mundial, fase do autoritarismo, que colocou a arte 
para servir os regimes políticos. O rádio, a TV e o cinema passam a entreter as pessoas. 
Em meio a um mundo totalmente diferente a arte acompanhou tais transformações, 
com caráter experimental, criando escolas de arte sucessivas, com diferentes razões, 
objetivos e modos diferentes de ver o belo. 
A arte do séculoXX foi marcada por movimentos como o Fauvismo, Cubismo, 
Abstracionismo e Dadaísmo que determinaram estilos e direcionaram o rumo não só 
da história da arte como das civilizações. A velocidade de propagação das tendências 
auxiliou não só o desenvolvimento das atividades artísticas, mas também a evolução 
das técnicas de produção, fato que refletiu diretamente na produção e obtenção de 
produtos artísticos. 
Uma grande e fundamental mudança ocorreu na fotografia, que passou a ser vista 
como uma forma de arte, alavancando a carreira de fotógrafos. Para divulgar e 
mostrar suas obras de arte, fotógrafos americanos e europeus criaram as sociedades 
organizadas. 
O cinema aparece com grande força e como a grande novidade no entretenimento 
que, para a exibição de curtas metragens, reunia pessoas nos porões dos cafés 
franceses. 
 
 
 
102 
 
O meio de locomoção também mudou radicalmente, a expansão das ferrovias, os 
navios a vapor, os diversos modelos de automóvel que surgiram alavancados pela linha 
de produção introduzida por Henry Ford mudaram a cena urbana. A energia elétrica 
provocou uma mudança radical na vida doméstica e no laboro nas fábricas. 
4.1 Arte e Estética Modernas 
Movimentos como Fauvismo, Expressionismo, Cubismo, Abstracionismo e Dadaísmo 
mostraram que a arte também ditou tendências e expressou indignação pelos 
conflitos, desconstruiu conceitos, restaurou caminhos e elaborou um novo rumo para 
a história da arte e das civilizações. 
Fauvismo - Paris, 1905, Grand Palais, jovens artistas realizam uma exposição de 
pinturas durante o Salão de Outono e perturbam o mundo das artes com suas 
manifestações artísticas pioneiras na pintura. As pinceladas despretensiosas em tons 
contrastantes, cores fortes e primitivas desconectadas com o mundo real. Com total 
liberdade, independência e atrevimento transformaram cenas corriqueiras do 
cotidiano se utilizando das cores em sua forma bruta, direto da bisnaga de tinta, com 
extensas manchas e sem contorno. 
O nome Fauvistas é decorrente de uma opinião do crítico de arte Louis Vauxcelles que 
classificou as telas como feras, bestas, pela agressividade das pinceladas. Passado o 
impacto causado pela ousadia inicial, as obras do movimento fauvista foram 
consideradas revolucionárias e inovadoras. O movimento classificou-se como uma 
associação de artistas, amigos e estudiosos que partilhavam do mesmo conceito de 
arte. São artistas importantes desse movimento: Henri Matisse (1869-1954), André 
Derain (1880-1954) e Maurice de Vlaminck (1876-1954), sendo Matisse considerado o 
rei das feras, o artista de maior projeção com sua paleta de cores altamente vibrantes. 
 
 
 
103 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/jg1vF5 
Figura 4.1 – Mulher com Chapéu – Henri Matisse, 1905. Atualmente no San Francisco 
Museum of modern Art. 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/ZdJAEN 
Figura 4.2 – Restaurant de la Machine à Bougival, 1905 – Maurice de Vlaminck. 
Atualmente no Musée d’Orsay, Paris, França. 
 
 
 
 
104 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/aJEp2Q 
Figura 4.3 – Charing Cross Bridge, 1906 – Andre Derain. 
A Europa viveu, logo no início do século, a Primeira Guerra Mundial, que influenciou a 
pintura, a arquitetura, a música, a dança, a literatura etc. 
O século XX foi um período difícil e complexo para a história das civilizações, marcado 
por grandes invenções, guerras e revoluções. 
No campo das artes não foi diferente: muitos movimentos artísticos inovaram o 
conceito de arte. Novos manifestos, propostos por movimentos artísticos de 
vanguarda, traziam modernas e pictóricas formas que correspondiam e refletiam a 
nova realidade: um mundo em constante e veloz transformação. Houve um avanço 
vertiginoso na tecnologia, trazendo inúmeras transformações para o cenário urbano. 
Desde o fim do século XIX uma verdadeira fonte de inovação criativa autônoma vinha 
se acumulando nos setores populares e de diversão de algumas grandes cidades. 
Estava longe de exaurida, e a revolução nas comunicações levou seus produtos muito 
além de seus ambientes originais (HOBSBAWM, 1995, p. 196). 
 
 
 
105 
 
A rápida evolução dos meios de comunicação auxiliava a informação e as tendências a 
serem mais facilmente propagadas. Essa grande difusão favoreceu o crescimento das 
atividades artísticas e o desenvolvimento de técnicas de produção, e, 
consequentemente, o consumo de produtos artísticos. A fotografia foi aceita como 
forma de arte, fotógrafos americanos e europeus criaram sociedades para divulgar e 
exibir suas fotos. A grande novidade no campo do entretenimento foi a invenção do 
cinema, que reunia espectadores nos porões de cafés franceses para a exibição de 
filmes com curta duração. Nos meios de transporte, as ferrovias, os navios a vapor, a 
linha de produção desenvolvida por Henry Ford, os diversos modelos de automóveis 
que passaram a fazer parte das paisagens urbanas. A chegada da eletricidade e a 
consequente mudança na vida doméstica e no trabalho nas grandes fábricas. 
Vamos compreender os caminhos percorridos pelos artistas no início deste século 
agitado, já em 1905, em Paris, um grupo de jovens artistas expôs suas pinturas no 
Salão de Outono, em um espaço chamado Grand Palais. Os salões eram grandes 
exposições, que geralmente reuniam vários artistas. 
 
 
 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/aJEp2Q 
Figura 4.4 – Salão de Outono = Grand Palais – 1905. 
A exposição de 1905 apresentou a primeira das manifestações de vanguarda do século 
XX, que perturbou o mundo das artes. O grupo causou escândalo com suas inovações: 
pinceladas espontâneas e violentas, um colorido forte e selvagem que não 
correspondia à realidade. 
 
 
 
106 
 
A liberdade, ousadia e autonomia que os artistas tiveram ao transformar cenas reais, 
uso exclusivo de cores puras, tintas utilizadas diretamente da bisnaga, manchas largas 
e abandono de contornos. O público e a crítica não estavam preparados para tanto! 
Em 1907 os fauvistas começaram a seguir caminhos diferentes, porém Henri Matisse 
continuou a desenvolver as possibilidades sugeridas pelo movimento durante muitos 
anos, sendo o uso de cores uma característica marcante em sua obra. 
O fauvismo foi o primeiro e um dos mais breves movimentos de vanguarda, que dá 
início à arte moderna do século XX. Teve seu apogeu entre 1905 e 1907. O fauvismo 
representou uma inovação na arte, e por isso causou estranhamento à primeira vista. 
Enquanto isso, na Alemanha, artistas sintonizados e influenciados pelos fauvistas 
fundam um movimento chamado Die Brucke (A Ponte). Estes artistas são Ernst Ludwig 
Kirchner (1880-1938), Eric Heckel (1883-1970), Karl Schmidt-Rottluff (1884-1976) e 
Fritz Bleyl (1880-1966). 
O grupo desenvolvia arte através de pinturas, desenhos, gravuras e esculturas. Os 
artistas tinham em comum o desejo de expressar-se verdadeiramente, e por isso 
foram chamados de Expressionistas. Além deles, outros artistas foram chamados de 
expressionistas, como os austríacos Oskar Kokoschka (1886-1980) e Egon Schiele 
(1890-1918). 
A Ponte tenta recriar a realidade buscando a essência das coisas por trás de sua 
aparência. Como nos simbolistas e nos fauvistas, os artistas expressionistas não 
precisavam mais escolher cores de acordo com a realidade, mas podiam refazê-las 
dando às imagens novos significados. 
Expressionismo - Para entender as características da pintura expressionista, sua 
história e os sentimentos expressados pelos quadros, observe a figura a seguir e 
responda a estas questôes: Quem é a pessoa retratada? Homem? Mulher? Por que 
grita? 
 
 
 
107 
 
 
Fonte da imagem: https://goo.gl/7AXWJi 
Figura 4.5 – Edvard Munch -"O Grito", (1893) uma das obras mais importantes do 
movimento expressionista. 
No quadro há uma figura andrógina (não é possível afirmar se é homem ou mulher), 
num momento de desespero e angústia. Ao fundo, está a doca de Oslofjord. 
Expressionismoé um termo aplicado às artes visuais, ao teatro, ao cinema e à 
literatura do início do século XX. Para a história da arte, o Expressionismo é um 
movimento que tem como característica o uso simbólico e emotivo das cores e das 
linhas. 
Ao contrário do Impressionismo, que registrava a impressão do mundo, o artista 
expressionista representava seu próprio temperamento sobre sua visão do mundo. 
O expressionismo estava mais ligado a uma postura ideológica do que a elementos 
estéticos, apresentando um olhar mais sombrio da humanidade do que os franceses 
fauvistas. O norueguês Edvard Munch (1863-1944) foi uma influência importante para 
 
 
 
108 
 
os expressionistas, a partir do preceito de que “arte deveria expressar a perturbação 
íntima diante de um mundo em que reinam a incompreensão e a negligência” 
(DEMPSEY, 2008, p. 71). 
O expressionismo também transformou Berlim em um centro importante da 
vanguarda internacional nos anos que precederam a Primeira Guerra Mundial. 
 
 
 
 
 
 
Fonte de imagem: https://goo.gl/kRQaBP 
Figura 4.6 
Berlin no final do século XIX e início do século XX viu suas praças ganharem 
movimentação a partir do avanço do transporte público e assistiu a mobilização dos 
trabalhadores com a participação de jovens socialistas reivindicando seus direitos. Foi 
berço de importantes artistas expressionistas, tais como: 
 
 
 
109 
 
 
Fonte de imagem: https://goo.gl/HmTLGD 
Figura 4.7 – Egon Schiele, autor de: Jovem nua de braços cruzados, 1910. 
 
“A maestria que se nota no desenho de Schiele expressa vigorosamente o desespero, a 
paixão, a solidão e o erotismo. A crua sexualidade das figuras femininas o tornou um 
artista controvertido e muitos de seus desenhos foram confiscados ou queimados” 
(DEMPSEY, 2008, p. 70). 
É como se a arte quisesse transformar a realidade e não mais segui-la simplesmente 
(CANTON, 2002, p. 43). 
O grupo A Ponte durou apenas dois anos, desfazendo-se em 1911. Cada um de seus 
integrantes seguiu uma direção diferente. Surgiu então, também na Alemanha, outro 
grupo importante: Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), que tinha como objetivo 
libertar-se da realidade. 
O Cavaleiro Azul era o nome de uma revista publicada por Wassily Kandinsky e Franz 
Marc, entre 1912 e 1913, com artigos de vários artistas. O título foi retirado de uma 
série de pinturas realizadas pelo próprio Kandinsky, que adorava mitos, contos e 
fábulas. Em suas pinturas a imagem do cavaleiro ligava-se a São Jorge, montado em 
seu cavalo, e, de forma geral, à imagem da batalha. 
 
 
 
110 
 
A cor azul, para Kandinsky, é a cor da calma, cor celeste por natureza (CANTON, 2002, 
p. 43). 
 
Fonte de imagem: https://goo.gl/Bkb9yg 
Figura 4.8 – Wassily Kandinsky - Almanaque do 'Der Blaue Reiter'. (O Cavaleiro Azul), 
CAPA de 1912. 
Os expressionistas criaram uma arte que confrontou o espectador com uma visão mais 
direta e pessoal de seu estado de espírito. Seus elementos essenciais eram: distorção 
linear, reavaliação do conceito de beleza artística, simplificação radical de detalhes e 
cores intensas. 
 
Fonte de imagem: https://goo.gl/zR85Jz 
Figura 4.9 – Erich Heckel, Dois homens à mesa, 1912. 
 
 
 
111 
 
Cubismo - Enquanto os fauvistas e os expressionistas buscavam a libertação através da 
cor, os cubistas empenhavam-se para uma nova construção para a forma. 
O cubismo foi provavelmente o mais famoso dos movimentos de vanguarda do século 
XX. Pablo Picasso (1881-1973) e Georges Braque (1882-1993) são os pais do 
movimento cubista. Algumas das características do cubismo são: múltiplas 
perspectivas, a partir de diferentes planos, conduzindo o olhar a diferentes áreas da 
pintura, criando ao mesmo tempo um sentido de profundidade. 
Pablo Picasso foi uma ilustre personalidade do século XX. Criativo e complexo, o artista 
se expressou de maneiras diferentes durante sua vida. Afastou-se do cubismo e 
explorou novas direções de pesquisa. 
 
Fonte de imagem: https://goo.gl/zR85Jz 
Figura 4.10 – Pablo Picasso - Dois autorretratos de 1901, 
da fase azul (esq.), e de 1907 (direita) 
O cubismo atribui à arte uma mudança no ponto de vista da representação da forma 
desejada e põe em evidência as muitas faces que compõem o mesmo objeto. Pela 
primeira vez na história da arte, a pintura não representa mais a aparência exterior da 
realidade e passa a inventar formas e cores autônomas. 
A partir dos vários possíveis pontos de vista, a obra cubista proporciona ao espectador 
uma visão completa, global e simultânea. A tela Les Demoiselles d’Avignon (As 
 
 
 
112 
 
Senhoritas de Avignon), de Pablo Picasso, tem uma importância, muito marcante, para 
a história da arte. A tela chocou os espectadores, não pelo tema (prostitutas em um 
bordel espanhol) e sim pelo estilo, que antecipava uma fragmentação comum às artes 
do século XX. Essa obra é considerada o início do cubismo. 
 
Fonte de imagem: https://goo.gl/LgWJq7 
Figura 4.11 – Pablo Picasso - Les Demoiselles d’Avignon. 
A tela apresenta cinco mulheres nuas, exibindo corpos com seus contornos 
simplificados, geometrizados. Nela, dois rostos de mulheres olham para frente, um 
está de perfil, pintado em uma cor mais escura, e outros dois estão fragmentados, 
distorcidos, reduzidos a formas geométricas que lembram máscaras africanas. O fundo 
também parece um tapete de fundos e cores ‘quebrados’ (CANTON, 2002, p. 47). 
O cubismo retrata as figuras da natureza por figuras geométricas, algumas figuras não 
se percebem, devido à sua forma geométrica. Teve influências sobre as tendências 
posteriores, como o abstracionismo geométrico e o minimalismo. Deixa de existir o 
claro – escuro nas obras e começa a haver um volume colorido sobre as superfícies 
planas. Sensação de pintura e de escultura. 
 
 
 
 
113 
 
 
Fonte de imagem: https://goo.gl/LgWJq7 
Figura 4.12 – Pablo Picasso (1881-1973) - "Guernica", 1937 
A pintura Guernica é talvez uma das mais célebres de todos os tempos. Vemos formas 
fragmentadas representando o bombardeamento aéreo que devastou a pequena 
cidade espanhola de Guernica, durante a Guerra Civil (1936-1939), às vésperas da 
Segunda Guerra Mundial. A pintura mostra o tormento de uma mãe, com seu filho 
morto, um cavalo simbolizando o sofrimento dos animais e fragmentos de corpos de 
soldados (PRETTE, 2008, p. 317). 
Foi somente durante a virada do século que Georges Braque decidiu que a pintura 
seria o caminho por ele a ser tomado. Ao tomar essa decisão, decidiu também que 
deveria se mudar para Paris. 
Naquele período era corriqueiro que os pintores executassem seus trabalhos ao ar 
livre e por vezes se deslocassem em busca de novas paisagens, era o que fazia também 
Georges Braques. O destino preferido eram as pequenas cidades balneárias. 
A relação entre Pablo Picasso e Georges Braque era tão intensa que um colaborava 
significativamente com a pintura do outro, de forma que é difícil distinguir a autoria 
das obras. 
 
 
 
114 
 
 
Fonte de imagem: https://mo.ma/2UtGRuu 
Figura 4.13 – Georges Braque - Homem com violão, 1911/12. 
A tela Homem com violão é um exemplo de cubismo analítico, onde a aparência do 
objeto retratado é representada com uma série de superfícies planas interconectadas, 
geralmente pintadas com uma paleta de cores tênues (FARTHING, 2011, p. 394). 
Arte Abstrata - A arte abstrata não tem como objetivo imitar a realidade. O objeto real 
é excluído da representação. Não há imagem de natureza ou vida, e sim sensações e 
percepções. A arte abstrata liberta o artista da realidade a qual estamos acostumados, 
nos apresentando formas irregulares ou geométricas, planos coloridos, linhas e 
pontos. 
Personalidade significativa, o russo Wassily Kandinsky foi um dos nomes mais 
relevantes da pintura moderna. É o pioneiro da arte abstrata, com profundas 
contribuições teóricas sobre a arte pictórica. Kandinsky Idealizou a pintura abstrata, 
inspirado por conceitosmetafísicos a respeito do triunfo do espírito sobre a matéria, 
tal como descrevia em seu primeiro texto teórico sobre a cor e a forma: Do Espiritual 
na Arte. Influenciado pelos horrores da Primeira Guerra Mundial, suas grandes 
pinturas retrataram motivos apocalípticos. 
 
 
 
115 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2HRmlyc 
Figura 4.14 – Wassily Kandinsky - Fugue – 1914. 
Você sabe qual a importância deste mictório de porcelana para a historia da arte? 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2YJlyES 
Figura 4.15 – Marcel Duchamp - Fonte, 1917, replica 1963. 
 
 
 
116 
 
Essa peça “levou o mundo da arte a se posicionar sobre sua tão propalada largueza de 
visão, ao mesmo tempo em que fazia um comentário instigante sobre o peso que uma 
assinatura tem na avaliação de uma obra de arte” (DEMPSEY, 2008, p.114). A atitude 
de Marcel Duchamp (1887-1968) chocou muita gente! 
Em 1917, por exemplo, ele mandou sua obra ‘Fonte’ para um salão de arte de Nova 
York. A obra foi impedida de participar do salão. Três anos depois, Duchamp mandou 
para uma exposição em Paris, uma réplica de Mona Lisa com um bigode comprido. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2FPCMZx 
Figura 4.16 – Marcel Duchamp - L.H.O.O.Q – 1919. 
Duchamp escandalizou, lançando mão do conceito de arte e dando um novo rumo à 
arte moderna e suas provocações. 
Dadaísmo - Surgiu na Suíça, cidade de Zurique. O nome do movimento, Dadá, também 
parecia tão absurdo e provocativo quanto suas obras. O Dadá, foi um fenômeno 
internacional e multidisciplinar, teve seu período de maior atividade em Paris, durante 
e após a Primeira Guerra Mundial (1919 e 1922). Cada vez mais, jovens artistas se 
agrupavam com o objetivo de expressar sua aversão pelo conflito. Estes artistas 
queriam, através da arte, expressar que horrores da guerra estavam comprovando a 
 
 
 
117 
 
ruína e a hipocrisia dos valores vigentes. Tinham o intuito de utilizar a arte para 
destruir sistemas baseados na razão e na lógica, dando lugar a valores baseados na 
anarquia, no primitivo e no irracional. 
Explorando métodos cínicos, os dadaístas atacavam violentamente as tradições 
consagradas na arte, na filosofia e na literatura, através de suas obras inusitadas. Para 
os dadaístas, não adiantava mais pensar ou buscar coerência nas coisas, pois o ser 
humano tinha perdido a razão. Para fugir do raciocínio, eles criaram o automatismo 
psíquico. Trata-se de uma maneira de criação automática, rápida, que só usa o instinto 
e a ação subconsciente e, assim, não dá espaço para a razão (DEMPSEY, 2008, p. 115). 
O dadaísmo não busca coerência, já que eles julgavam que a partir da guerra o homem 
perdeu a razão, a lógica e o raciocínio. O movimento foi perdendo a força com o fim da 
Primeira Guerra Mundial, mas teve uma importância indiscutível, abrindo caminho 
para discussões relevantes a respeito de pilares sensíveis da sociedade, além de 
transfigurar, de maneira significativa e essencial, os rumos da história da arte 
moderna. 
Precursores da Arte Moderna no Brasil 
Principais artistas do Expressionismo brasileiro - O expressionismo influenciou e 
impulsionou o movimento modernista. Foi com a exposição de Anita Malfatti (1989-
1964), em 1917, que Mário de Andrade (1893-1945) tomou conhecimento das 
correntes de vanguarda que aconteciam na Europa. Outro artista que produziu no 
Brasil e tem forte influência do expressionismo foi Lasar Segall (1889-1957). 
O expressionismo também foi marcante na literatura, cinema e teatro. No Brasil, o 
movimento encontrou sua máxima representação através da pintura, especialmente 
por meio de artistas como Anita Malfatti, Lasar Segall e Osvaldo Goeldi (1895-1961). 
 
 
 
118 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2OGhYGL 
Figura 4.17 – Anita Malfatti - Uma estudante. 1915-16 (óleo s/ tela). 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2FPCMZx 
Figura 4.18 – Lasar Segall "A Família Enferma" – 1920. 
 
 
 
 
 
119 
 
Principais artistas do Cubismo brasileiro - Não encontramos artistas com 
características exclusivamente cubistas em nosso país. Muitos pintores brasileiros 
foram influenciados pelo movimento e apresentaram características do cubismo em 
suas obras. Neste sentido, podemos citar os seguintes artistas: Tarsila do Amaral, Anita 
Malfatti e Di Cavalcanti (1897-1976). 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2TPHKJJ 
Figura 4.19 – Di Cavalcanti - Cinco moças de Guaratinguetá – 1930. 
Segundo o crítico Carlos Zílio (1982) “o clima de sensualidade não é a figura das 
mulatas em si, mas os fortes contrastes cromáticos, a cor dependendo do desenho, 
uma vez que predomina o cuidado na relação entre volumes e planos”. As garotas 
ocupam quase toda a tela, em planos diferentes: Em primeiro plano encontram-se 
duas delas. À esquerda, está a moça de vestido azul e chapéu de cor idêntica, de frente 
para o observador, enquanto sua companheira, à direita, encontra-se de perfil, 
embora seu olhar pareça voltado para fora do quadro. 
4.2 Arte e estética de 1920 a 1960 
Foram profundas as mudanças do mundo ocorridas durante o século XX com 
consequentes repercussões no mundo das artes, bem como no cotidiano em geral. Os 
padrões que assimilavam o belo como padrão, com formas perfeitas foram 
descartadas e as novas formas de elaborar a arte foram adotadas. 
 
 
 
120 
 
As duas grandes guerras mundiais, a Primeira e a Segunda, foram motivos para os 
artistas protestarem ou expressarem sua indignação sobre os conflitos. 
Se a Primeira Guerra Mundial (1914-18) influenciou todas as áreas do campo artístico, 
na Segunda Guerra Mundial (1939-45), período dos regimes totalitários, a arte se 
colocou a serviço dos regimes políticos. A arte do século XX teve caráter experimental, 
com a criação de uma linguagem artística em seguida da outra, com propósitos 
diferentes, renovando a estética e dando novos rumos ao sentido do belo, e novos 
caminhos para a história da arte. “A arte não aceita mais esquemas ou limitações e a 
comunicação artística pode abranger campos infinitos, acompanhando as modalidades 
de expressão mais variadas” (PRETTE, 2008, p. 309). 
Surrealismo - Nascido em Paris nos anos de 1920, vanguardista e com a missão de 
delimitar o modernismo no período estabelecido entre as duas Grandes Guerras 
Mundiais. Esse movimento formado por artistas provenientes do dadaísmo ganhou o 
mundo. 
Sigmund Freud (1856-1939), importante médico neurologista criador da psicanálise 
serviu de inspiração para os artistas surrealistas, onde o limite da razão foi 
menosprezado dando lugar às manifestações do subconsciente. A influência do 
subconsciente na construção de arte levou à construção de imagens insólitas, bizarras, 
inquietantes, com aspecto fantasioso ou onírico, cuja representação dos sonhos estava 
estampada na arte. 
Através de sua arte, os artistas surrealistas tinham a intenção de transformar a 
maneira pela qual as pessoas pensavam, derrubando a barreira entre os dois mundos, 
o interior e o exterior, libertando o inconsciente e apaziguando-o com o consciente. A 
liberdade da lógica e a razão que levaram a humanidade às guerras e ao sentimento de 
dominação aconteceria. 
Lembrando: o dadaísmo teve seu ápice em Paris entre os anos de 1919 e 1922, 
durante e após a Primeira Guerra Mundial, momento em que jovens artistas se 
reuniam para manifestar e expressar sua objeção pelo conflito. Os horrores da guerra 
 
 
 
121 
 
afirmavam a hipocrisia de todos os valores então estabelecidos. O Dadaísmo tinha 
como mote espalhar os valores anarquistas. 
André Breton (Tinchebray-França, 19.02.1896 – Paris-França, 28.09.1966) em 1924 
criou o Manifesto Surrealista, apresentando ao público a intenção do movimento: 
explorar a mente, o sonho, o pensamento alheio à razão ou considerações morais e 
éticas. 
Os principais artistas surrealistas foram: 
Max Ernst (Alemanha 1891 – Paris 1976), pintor de origem alemã que se naturalizou 
americano para,posteriormente, se naturalizar francês. Além da pintura, Ernst 
praticou poesia. Inovou ao criar a técnica de frotagem que permitia a sobreposição de 
uma folha de papel ou qualquer outra superfície lisa, sobre algum objeto com textura. 
O atrito causado entre a pintura no papel ou a superfície lisa de eleição, faz com que a 
pintura ganhe as formas do objeto texturizado. Técnica considerada renovadora no 
meio das artes, fez com que Ernst criasse a arte em sua forma abstrata que permitia ao 
apreciador a liberdade de interpretação. 
 
Fonte de imagem: https://mo.ma/2JXDdVX 
Figura 4.20 – Di Cavalcanti - Cinco moças de Guaratinguetá – 1930. Max Ernst (1941) 
– Napoleon em the Wilderness. Atualmente no MoMA. 
 
 
 
122 
 
René Magritte (1896-1967) tinha como desejo questionamentos a respeito do sentido 
da arte e a reprodução da realidade. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2fsGLOi 
Figura 4.21 – A Traição das Imagens (1928-9). Atualmente no Los Angeles Country 
Museum of Art, Los Angeles. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2TOvf0P 
Figura 4.22 – O Filho do Homem (1946) – René Magritte. 
 
 
 
 
123 
 
Joan Miró (1893-1983) importante nome do surrealismo. Antes pintor realista, 
abandonou essa maneira de se expressar para se entregar ao mundo surrealista. As 
criações de Miró eram alucinatórias, representavam figuras vagamente humanas, 
manchas e formas dispersas eram a base para suas linhas e cores. Suas obras que 
datam o início da década de 1920 são carregadas de cicatrizes do tempo em que viveu 
a pobreza e a fome. As paisagens são representadas por seres estranhos feitos de 
hastes e amebas. Cores intensas e formas magníficas são também sua marca artística. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2VdzR2i 
Figura 4.23 – Joan Miró – Mulheres, Pássaro ao Lua, 1949. 
Salvador Dali (1888-1978) baseado em objetos reais o artista criou esplêndidas 
imagens que abriam um leque de inúmeras interpretações. Uma das obras mais 
importantes de Dali é A Persistência da Memória, obra onírica com técnicas 
requintadas do realismo e absoluta irracionalidade em sua interpretação. O 
expectador observa relógios derretidos, galos secos, criaturas bizarras e formigas no 
Litoral. Aqueles que contemplam a obra são convidados a dar asas à imaginação, 
fazendo a leitura que mais lhe cabe ao que é representado na tela. 
 
 
 
 
124 
 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2WGfpqP 
Figura 4.24 – Salvador Dali - A persistência da memória, 1931. Atualmente no Museu 
de Arte Modera de Nova Iorque. 
Nem só de artistas europeus o surrealismo foi feito. 
Frida Kahlo (1907-1954) é uma importante artista mexicana, que também usou 
imagens oriundas do inconsciente para criação de suas obras de arte. Forte e exótica, 
desta maneira pode ser descrita, Frida. Sua obra versa sobre temas variados, sendo 
que os mais frequentes eram os de suas dores físicas e emocionais. Do ponto de vista 
físico, Frida sofria fortes dores advindas de um acidente de ônibus que sofreu aos 18 
anos, tendo quebrado várias vértebras. As emocionais refletem sua dor por ter sido 
casada com o pintor muralista Diego Rivera, com quem viveu uma relação passional e 
por quem foi profundamente apaixonada. A história tem percursos de traição e 
reconciliação. Ainda que classificada como uma pintora surrealista, Frida se achava 
diferente, não tinha como base em suas obras sonhos e visões inconscientes, ela 
pintava sobre sua realidade, algumas vezes exacerbada, não real, ligada aos 
sentimentos que a rodeavam. 
 
 
 
125 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2FLqjVo 
Figura 4.25 – Frida Kahlo, As Duas Fridas, 1939. 
Realismo Social - A queda da bolsa dos Estados Unidos, evento conhecido como a 
Grande Depressão, ocorrido na década de 1930. Simultâneo a isso, na Europa o 
fascismo cresce. Esses dois grandes acontecimentos fizeram com que os artistas 
americanos utilizassem diferentes abordagens em suas pinturas, representando uma 
arte consciente do ponto de vista social. Fizeram parte dessa manifestação pintores, 
fotógrafos, escritores e diretores de cinema cujas obras versam sobre o curso humano 
nas tragédias políticas e econômicas da época. 
Margaret Bourke-White (1904-1971), fotógrafa americana considerada a 
desbravadora de muitos momentos da fotografia, foi a primeira fotojornalista do sexo 
feminino da história. Fotografou para revista Fortune além de ter sido a primeira 
mulher a ter tido permissão para fotografar em território soviético. Dela foram 
herdadas fotos de uma época dolorosa dos Estados Unidos. Bourke-White foi uma das 
fundadoras da revista Life, em 1936. 
Foi durante a Segunda Guerra Mundial que o Realismo social ganhou forças e tornou-
se efetivo após o término da batalha. A vontade dos artistas era, através de sua arte, 
ser espelho da situação de perplexidade e destruição que pairava sobre o país. 
 
 
 
 
 
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Fonte de imagem: https://bit.ly/2JVLXeZ 
Figura 4.26 – Margaret Bourke-White. Louisville, Kentucky, 1937. 
Bem Shahn (1898-1969), Importante fotógrafo e pintor lituano que se mudou para os 
Estados Unidos em 1906. Em suas obras Shahn retratou as pessoas que sofreram 
injustiças. Sua indignação foi traduzida em suas obras, através do registro das 
condições de vida desfavorável na zona rural. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2OE51Nx 
Figura 4.27 – Bem Shahn, Desemprego, 1938. 
 
 
 
127 
 
Diego Rivera (1886-1957) foi um dos pintores muralistas mexicanos que serviram de 
inspiração aos realistas sociais, uma vez que traduziam de forma singular a arte 
popular figurativa de teor social. 
Em sua obra A vendedora de flores, Rivera oferece uma homenagem ao povo indígena 
do México, aclamando seu zelo e seu lavoro em paz com a terra. O muralismo 
mexicano teve como objetivo o impacto realista de suas obras, de fácil interpretação 
para todos os expectadores. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2CQejkX 
Figura 4.28 – Diego Rivera, Vendedora de Flores, 2013. 
Expressionismo abstrato - Nascido nos Estados Unidos na década de 1940, as obras 
dos artistas dessa manifestação artística causavam efeito o despertar de emoções nos 
expectadores de suas obras. Até este momento Paris era o berço da arte e, a partir da 
Segunda Guerra Mundial, muitos artistas mudaram-se para os Estados Unidos 
transformando Nova Iorque no novo centro da arte de vanguarda. 
As emoções humanas se tornaram o mote de suas obras, dividindo as mesmas 
opiniões. Marcados por eventos como a Grande Depressão ou a Segunda Guerra 
Mundial, foram atingidos por sentimentos de perda de fé e decepção em ideologias 
dominantes. Esse sentimento antagônico e melancólico fez com que os artistas do 
Expressionismo abstrato rechaçaram o Realismo Social. 
 
 
 
128 
 
Action Painting – Pintura de ação: classificada como uma pintura gestual que 
determinava uma relação do artista com sua obra. Ele permite que o gesto pictórico 
seja observado, não é pautado em esquemas preestabelecidos e tem as emoções 
liberadas através do automatismo. Esta é uma técnica autoral e pessoal. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2OGn31R 
Figura 4.29 – Jackson Pollack, Mastros azuis: número 11, 1952. 
Em sua obra, Jackson Pollock (1912-1956), sem preocupação com linhas, sua obra é 
elaborada com tinta derramada sobre uma base. Utilizou a técnica dripping, ou gotejar 
tinta sobre a tela, com frequência. Gostava de trabalhar com a base de suas obras 
estendida no chão, e não no cavalete como convencionalmente foi estabelecido. 
Caminhava ao redor de sua criação, tornando-se parte dela. 
 
 
 
 
129 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2WGLxLe 
Figura 4.30 – Jackson Pollock fazendo a dripping. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2OI2GRN 
Figura 4.31 – Mark Rothko, Sem título, 1949. Atualmente no 
Museu Guggenhein, Nova Iorque. 
Pop Art - Nascido na Inglaterra na década de 1950, a Pop Art traduziu os desejos de 
um grupo de jovens artistas, o IndependentGroup, que ansiavam em fazer arte ampla, 
com linguagem explícita e pontual, com recursos de simples reconhecimento e familiar 
ao público, como cartazes de publicidade, ficção científica, dentre outros. Desse grupo 
faziam parte arquitetos, pintores, escultores, críticos de arte e acadêmicos britânicos. 
As reuniões aconteciam no Instituto de Artes Contemporâneas de Londres e 
 
 
 
130 
 
compartilhavam que a arte tinha como endereço o grande público, isto é, a arte 
deveria ser popular. 
A obra que mereceu a condecoração de Pop Art foi a colagem realizada por Richard 
Hamilton (1922-2011). A obra intitulada O que será que torna os lares de hoje tão 
atraentes?, criada para a exposição Isto é o Amanhã, cuja organização foi em 1956 
pelo Independent Group. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2YHe0lI 
Figura 4.32 – Richard Hamilton, O que será que torna os lares de hoje tão diferentes, 
tão atraentes?, 1956. Colagem 
Andy Warhol (1928-1987) presenteou o público no início da década de 1960, com as 
serigrafias de Marilyn Monroe. Nesse mesmo período Roy Lichtenstein (1923-1997) 
publicou seus quadrinhos. Ficou conhecido como um ícone da Pop Art, o artista mais 
representativo desse movimento nos Estados Unidos, utilizando fotografia, imagens 
publicitárias, imagens de produtos e personagens da cultura pop americana. 
 
 
 
131 
 
Nesse novo modelo de pensar em arte, os produtos da cultura de massa foram 
absorvidos e reapresentados ao expectador em um contexto diferente. Os produtos 
que antes só pertenciam às prateleiras dos supermercados viraram o alvo da atenção 
do artista, que convidou ao seu público a observá-lo por outra óptica. Nesse universo, 
produto e arte se fundem. 
 
Fonte de imagem: https://mo.ma/2HQAz2l 
Figura 4.32 – Andy Warhol, Gold Marilyn Monroe, 1962. 
 
 
 
132 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2UhkCsM 
Figura 4.33 – Roy Lichtenstein, Vicky, 1964. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2TRQfDU 
Figura 4.34 – Andy Warhol, Lata de Sopa Campbell, 1964. 
 
 
 
 
 
 
133 
 
4.3 Influências Culturais e Históricas da Arte 
É fundamental que conheçamos as origens das manifestações artísticas, desde os 
primeiros momentos, ainda na pré-história, quando o ócio tornou-se produtivo, uma 
vez que o homem primitivo passava tempo demasiado dentro das cavernas e passou a 
se utilizar de suas paredes para realizar inscrições rudimentares, que tinham como 
funções primordiais, registrar seu cotidiano e comunicar seus feitos e costumes. 
Em sequencia, foi a adoração aos deuses e forças da natureza que passaram a reger a 
temática de abordagem da produção artística, no Egito, a adoração ao Sol determinava 
a posição das pirâmides e a preocupação com a vida após a morte, fez com que 
dinastias enterrassem suas riquezas em sarcófagos dentro de câmaras mortuárias. 
Na Grécia Antiga, período de abundância na elaboração e diversificação dos meios de 
produção e comunicação das manifestações artísticas, onde nasceu o Teatro, 
inicialmente para adoração aos deuses, se produziram milhares de obras de arte, que, 
entretanto não resistiram a ira humana e acabaram sendo destruídas, quase que em 
sua totalidade, quando da invasão e dominação pelos Romanos. 
A sociedade não permaneceu impassível frente aos feitos artísticos, foi por meio deles 
que Imperadores foram coroados ou vieram a ser destituídos de seu poder e foi por 
meio dela, também, que a Igreja consolidou seu poder e influência sobre os fiéis. Este 
poder é tão grande e importante, que até nossa medida de tempo é regida por um 
acontecimento religioso, que foi difundido e compartilhado por séculos e com milhões 
de crentes. 
Anos, séculos, milênios: Dentro do período denominado MUNDO ANTIGO, o 
ano 0 corresponde ao divisor de águas entre o mundo pagão e o mundo 
cristão; os anos precedentes ao nascimento de Jesus são indicados por um 
numero acompanhado da sigla a.C., ao passo que aqueles sucessivos são 
indicados simplesmente pelo número. 
Os anos de 0 a 99 estão compreendidos no século I; os de 100 a 199, no 
século II; e assim por diante (PRETTE, 2008, p. 114). 
 
Os acontecimentos, religiosos, sociais ou políticos ordenam o percurso histórico 
percorrido pela humanidade e com ele, podemos organizar e reconhecer as 
 
 
 
134 
 
manifestações artísticas, desenvolvidas e consolidadas em cada período. Para que 
possamos visualizar esse percurso, vale a pena, rever de maneira organizada no 
tempo, como se deram os fatos: 
 
Nessa linha do tempo podemos identificar os períodos e movimentos aos quais as 
manifestações artísticas se ligam, e perceber sua relação indissociável com os 
acontecimentos e transformações sofridas pela sociedade em cada desses recortes 
históricos. 
Devemos compreender que, como já relatado, as atividades artísticas se iniciam 
despretensiosamente, com a intenção primeira de registro das atividades cotidianas 
do homem e de sua luta pela sobrevivência no planeta. Posteriormente seus medos e 
suas dúvidas se mostraram intrigantes e a busca por respostas aos seus 
questionamentos, principalmente à pergunta universal: Há vida após a morte? exigiu 
que se encontrassem respostas e foi exatamente nesse momento que a crença e a arte 
se ligam pela primeira vez. 
A partir de adornos e obras de arte, o homem encontraria seu caminho para a 
transição do pós-morte, esta era a crença dos Egípcios que não pouparam esforços ou 
riquezas para garantir que suas travessias fossem exitosas. Deste momento em diante, 
0 
Século XXI 
 
 
 
135 
 
arte e religião se uniram e afastaram por diversas vezes ao longo da história, porém 
outra questão universal, também passou a atormentar o homem e os artistas: 
Deus existe? 
São inúmeras as interpretações e manifestações que buscam revelar a imagem divina, 
se há semelhança com a figura humana, ou se por ventura, se aproxima dos 
fenômenos da natureza, aos artistas cabe levantar as hipóteses, e nesse aspecto foram 
profícuos em diversos períodos. 
Com o transcorrer do tempo e com a consolidação das transformações, outras 
questões passam a assombrar a humanidade e com ela, também os artistas. 
Primeiramente a violência das Guerras e todas as consequências advindas dessas 
disputas foram largamente retratadas, fotografadas, filmadas e encenadas, de forma 
realística ou fictícia, mas todas elas legítimas enquanto manifestações artísticas. 
Novos meios de produção, de transporte, novas formas de trabalho e moradia, mas, 
sobretudo, novos e instantâneos meios de comunicação, tudo isso desencadeou um 
novo sentimento popular, que foi refletido imediatamente nas manifestações dos 
artistas da modernidade: 
O peso da vida moderna! 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2TRQfDU 
Figura 4.35 – O Grito, de Edvard Munch. (Óleo sobre madeira, Oslo, Munch Museet). 
 
 
 
 
136 
 
O peso da vida moderna causa insegurança e incertezas na sociedade, pois os novos 
costumes e as novas conquistas trazem consigo, novas exigências e novos desafios e 
são esses sentimentos, vindo da população que caracterizam as influências modernas 
da arte. 
Passado esse período inicial de questionamentos a arte se voltou para as 
manifestações culturais locais e com elas buscou identificar a identidade de cada 
população ou localidade, evidenciando costumes e valorizando as tradições regionais, 
foi também nesse momento que os artistas passaram a se apropriar de novos suportes 
para suas manifestações e nesse momento se apropria das cidades. É por meio da arte 
urbana que o artista se comunica com as massas, se expressa por meio de uma 
linguagem mais popular e toma posse de suas ideais, passando a manifestar seus 
anseios e desagravos, protestando e se apropriando de espaços públicos. Nesse 
momento a arte passa a interferir e a construir a paisagem urbana, tornando-se 
personagem atuante na requalificação de áreas degradadas e se apropriando dos 
elementos que constroem a cidade, para exporsuas ideias. 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2TRQfDU 
Figura 4.35 – Eduardo Kobra - retrato gigante Oscar Niemeyer - prédio na rua da 
Consolação, 2608 na esquina com a Av. Paulista. 
 
 
 
 
 
137 
 
Conclusão 
Durante o século XX o mundo viveu mudanças substanciais, que repercutiram na arte e 
em todas as áreas da vida. Os artistas deste período presenciaram e acompanharam 
estas transformações, renunciando aos padrões anteriores e dando novos rumos à 
forma de fazer e contemplar arte. 
A partir deste século, a arte não possui mais uma função de assimilação do belo, com a 
elaboração de formas perfeitas. A arte moderna terá um papel de questionamento, 
posicionamento e inovação, frente a mudanças profundas. 
O Surrealismo, por exemplo, foi o movimento para o qual migraram alguns artistas 
dadaístas. O que os dois movimentos tinham em comum é que ambos menosprezavam 
os limites da razão, e por isso apresentaram uma nova maneira de compor arte. 
No caso do Surrealismo, os artistas passaram a utilizar os canais do subconsciente, 
inspirados na Teoria Psicanalítica, desenvolvida pelo médico austríaco, Dr. Sigmund 
Freud. Quais características esta inspiração pode trazer aos surrealistas? 
Os artistas encontraram impulso no subconsciente e representaram imagens insólitas, 
bizarras, inquietantes, com aspecto onírico ou fantasioso, descrevendo seus sonhos, 
ou devaneios, através da arte. 
O Realismo Social foi um movimento que ganhou força durante a Segunda Guerra 
Mundial e se corporificou alguns anos depois do término do conflito. Os artistas 
almejavam refletir em suas obras a situação de intenso desgosto de um país hesitante 
e aniquilado. 
Estas condições fizeram com que alguns artistas americanos adotassem diferentes 
estilos de pintura, que representasse uma arte mais socialmente consciente. O 
movimento do Realismo Social conseguiu reunir pintores, fotógrafos, escritores e 
diretores de cinema, que tinham o objetivo de documentar e denunciar o curso 
humano das tragédias políticas e econômicas vigentes. 
 
 
 
138 
 
O Expressionismo Abstrato também nasceu numa época próxima à Segunda Guerra 
Mundial. Este termo foi utilizado para descrever arte abstrata de um grupo de artistas 
americanos que suscitavam uma repercussão expressiva com suas obras. Estes artistas 
acreditavam que o tema da arte deveria ser emoções interiores do homem e suas 
perturbações. Para isso utilizavam elementos como cor, textura, forma e gesto para 
traduzir com força simbólica e expressiva. 
Era uma maneira de contestar, através da arte, um período histórico hostil, irracional e 
cheio de absurdos. Jackson Pollock e Mark Rothko são grandes artistas representantes 
deste movimento. 
A Pop Art também foi uma manifestação artística que questionava o papel da arte e 
sua diferença entre qualquer outro produto de consumo fabricado pela indústria. Este 
movimento buscava uma maneira abrangente de fazer arte, ou seja, que apresentasse 
uma linguagem mais explícita e mais precisa, utilizando recursos fáceis de serem 
reconhecidos, e com os quais o público geral já tivesse familiaridade, como cartazes de 
cinema e de propaganda, ficção científica, as novas tecnologias, a mídia, os 
personagens de histórias em quadrinhos, embalagens de bens de consumo do dia a dia 
etc. 
REFERÊNCIAS 
ARNOLD, Dana. Introdução à História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. 
CORTELAZZO, Patricia Rita. A História da Arte por meio da leitura de imagens. Curitiba: InterSaberes, 
2012. 
DALDEGAN, Valentina; DOTTORI, Maurício. Elementos de história das artes. Curitiba: InterSaberes, 
2016. 
PERIGO, Katiucya. Diversidade e resistência: a construção de uma arte brasileira. Curitiba: InterSaberes, 
2016. 
PORTO, Humberta Gomes (org.) Estética e história da arte. São Paulo: Pearson, 2016. 
 
 
 
 
 
139 
 
 
5 ARTE PÓS-MODERNA 
A arte sofreu profundas transformações no século XX graças à tecnologia que levou a duas 
grandes invenções que transformaram o cenário artístico: a fotografia e o cinema. Apesar da 
possibilidade de se fazer arte utilizando-se o cinema e a fotografia ter acontecido no século 
XIX, sua reprodutibilidade tornou-se possível somente no século XX. 
Durante essas importantes transformações, Walter Benjamin (1892 – 1940), um dos mais 
importantes pensadores da modernidade escreveu vários textos sobre literatura, arte, vida 
social, política, entre outros. Benjamin era um dos principais expoentes da Escola de Frankfurt 
e tinha como objeto de reflexão a economia, cultura e sociedade contemporânea. Na arte, a 
grande preocupação dos pensadores estava no perigo da perda da “aura” de “obra de arte” 
em virtude de sua reprodutibilidade técnica indiscriminada. 
Setores mais conservadores, mandatários de regimes totalitários, perseguiram os membros da 
Escola de Frankfurt obrigando-os a transferirem o Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt 
para Genebra em 1933, seguindo para Paris e, por fim, Nova Iorque, já que o nacional-
racionalismo dominava a Alemanha. Hitler dominava a Alemanha e, protegido por um 
pseudônimo, Benjamin conseguiu publicar alguns de seus trabalhos. Em 1934 o pensador 
pediu exílio em Paris, onde escreveu sua obra mais significativa, A Obra de Arte na Era de sua 
Reprodutibilidade Técnica. Nessa obra o autor nos convida a refletir sobre a reprodutibilidade 
e é, sem sombra de dúvidas, um dos textos mais importantes da comunicação e da arte no 
século XX. Com a invasão alemã na França em 1934, Benjamin tentou se mudar mais uma vez, 
entretanto não teve tempo para tal, morrendo na fronteira da França com a Espanha. 
Impedidos de fugir da França por um funcionário da alfândega, o grupo de intelectuais do qual 
Benjamin fazia parte ficou detido. Com receio de ser entregue à Gestapo, a temida e cruel 
corporação nazista, o pensador, de origem judia, tirou a própria vida. 
A pós-modernidade é um movimento que seguiu em linearidade o que se iniciou na década de 
1960, com o rompimento de algumas utopias da modernidade. Verdades absolutas deixaram 
de existir, o mundo passou a ser questionado, bem como sua natureza e valor. 
Essas intensas mudanças fizeram com que o pensar artístico mudasse, os prismas pelos quais a 
arte pode ser observada são múltiplos. Assim como no happening, na pós-modernidade o 
 
 
 
140 
 
público ainda tem a possibilidade de ser participante ou também coautor ou responsável pelas 
transformações da obra de arte. 
Para Leite; Peccini, o pós-modernismo é o nome dado às mudanças cotidianas nas ciências, nas 
artes e nas sociedades desde 1960, momento que a invasão pelos eletrônicos no cotidiano é 
irreversível e as mudanças são intensas, mirando a saturação de informações. 
O pós-modernismo surgiu no século XX, contexto de diversas transformações ideológicas e 
culturais que trouxeram importantes mudanças na forma de pensar da sociedade. A definição 
da arte pós-moderna não é única, mas uma coisa é certa, ela não se limita a quadros e 
esculturas, mas sim a uma inúmera quantidade de formas para sua expressão, sendo ela 
híbrida, diversificada e múltipla, indo desde a dança e pintura, videoinstalação, vídeos, dança, 
som e escultura, pintura corporal e performance, tinta, papel, objetos reais. A liberdade de 
expressão é total 
5.1 Arte e Reprodutibilidade técnica 
A possibilidade da reprodutibilidade ressignificou a arte, sobretudo no século XX. 
Vale aqui uma ressalva, a reprodutibilidade não é uma novidade do século XX, já na Grécia as 
moedas e produtos de cerâmica eram reproduzidos e seu material de origem era a terracota. 
Em Roma não foi diferente, as esculturas gregas foram reproduzidas para aprimoramento da 
técnica e para a venda a colecionadores. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2UbePoo 
Figura 5.1 – Ânfora Grega. 
 
 
 
141 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2CPIBEi 
Figura 5.2 – Moeda grega, modelo. 
Os discípulos dos grandes mestres da pinturareproduziam a obra de seus mestres. Entretanto, 
em nada se compara à reprodutibilidade em grande escala que passou a ocorrer no século XX 
e é essa a grande novidade. As imagens passaram a ser reproduzidas e comercializadas. 
As técnicas foram reproduzidas ao longo do tempo. A xilogravura abriu as portas para a 
reprodutibilidade de desenhos. No século XIX as artes gráficas passaram a ser impressas graças 
à litografia e sua comercialização virou realidade. A fotografia passa a ser outro grande divisor 
de águas, imagens que antes eram produzidas pelas mãos passou a ter os olhos do fotógrafo 
como mediador, modificando completamente o conceito de arte. A velocidade de captação da 
imagem que o olho é capaz não é muito superior a que as mãos é capaz de reproduzir. A 
velocidade que o século XX imprimiu na humanidade não tinha precedentes, máquinas 
passaram a produzir os bens de consumo em série, as viagens passaram a ser mais velozes, os 
meios de comunicação diminuíram as distâncias, as máquinas fotográficas começaram a fazer 
o registro da imagem em um clique. 
O que antes era sempre ligado a um culto, uma admiração e, grande parte das vezes ligadas à 
religião e ao sagrado e, a partir do século XX, ela passa a ter outro ponto de contemplação. As 
obras de arte originais, como pinturas, esculturas, catedrais etc., eram únicas e só podiam ser 
admiradas mediante o deslocamento do admirador. Para ser classificada como obra de arte 
era preciso que fosse única, original e autêntica e é essa unidade que Benjamin batizou de 
“aura”, sendo ela especial e digna de adoração, ganha status de culta, é inatingível, autêntica, 
uma vez que deve durar por toda a eternidade, ainda segundo o autor. 
 
 
 
142 
 
A fotografia foi a responsável pela transição desse conceito de obra de arte. 
O cinema teve sua aparição no ano de 1895 e, assim como a fotografia, foi muito importante 
nessa transição. Por si só o cinema só ganhará o status de arte quando reproduzida e é essa 
reprodutibilidade técnica que permite que o grande público a contemple e, assim, atinja seu 
objetivo, o de ser coletiva. O cinema por si só é uma produção de cunho industrial, com mão 
de obra assalariada para sua elaboração para que fique pronta e possa ser exibida. 
Em 1980 Benjamin declarou a perda de “aura” da arte, justificando sua colocação pela 
reprodutibilidade técnica, propiciada pela fotografia e pelo cinema. Em seu ponto de vista 
passa a não mais importar o que é original e o que é cópia, a perda da autenticidade é 
salientada. A obra de arte se aproxima do público e deixa de ser inatingível. 
Benjamin, na década de 1930, passou a questionar os caminhos que a arte tomaria e o papel 
dela em relação à cultura de massa que aumentava de forma exponencial. Questionamentos 
com a questão “O que é Arte” se multiplicavam em vários movimentos artísticos. A Por Art e o 
dadaísmo causaram alvoroço, escandalizando o público e a crítica especializada, levando a 
questionamentos sobre seu real valor enquanto arte e sua autenticidade. 
Fotografia - Data de 1839 o aparecimento da fotografia, junto com outras novidades advindas 
da vida moderna. Desde sempre foi utilizada como expressão artística, como culto à saudade, 
ao rosto humano, como denúncia e manifesto, além de registro jornalístico. 
O homem comum passou a ter a possibilidade de registrar, através de seu olhar mediado pela 
câmera fotográfica, o mundo, recriando aquilo que observa. Alguns fotógrafos merecem 
destaque, sendo eles: 
Henri Cartier-Bresson (1908 -2004), fotógrafo francês e um dos mais importantes fotógrafos de 
todos os tempos. Foi ele que cunhou a expressão “Fotografia de Autor”, expondo que o 
resultado da fotografia depende do olhar do artista, de sua sensibilidade em capturar a 
imagem e não da máquina ou da tecnologia por trás dela. 
 
 
 
 
143 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2Vc1cld 
Figura 5.3 – Henri Cartir-Bresson, Atrás da estação St. Lazare, 1932. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2UeYbUP 
Figura 5.4 – Aquila degli Abruzzi, 1952. 
Robert Capa (1913 – 1954), fotógrafo húngaro conhecido por suas magníficas fotos de guerra. 
O objetivo de suas fotos era denunciar os horrores dos conflitos e colaborar com o fim do 
fascismo, ou freá-lo. Seus cliques são de forte teor de bastante polêmicos, uma vez que 
evidenciam a morte, a guerra em sua mais crua tradução de horror. Foi um dos mais 
importantes fotógrafos de guerra da história. Fez a cobertura da Guerra Civil Espanhola a 
 
 
 
144 
 
pedido da revista Vu. O registro da Segunda Guerra Mundial foi feito a pedido da revista Life, 
com o fotógrafo acompanhando as tropas dos Estados Unidos no norte da África e na Europa. 
Capa morreu enquanto trabalhava na cobertura da Guerra da Indochina em uma explosão de 
uma mina. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2TSsV8Z 
Figura 5.5 – Robert Capa, Morte de um miliciano, Guerra Civil Espanhola, 1936. 
Philippe Halsman (1906 – 1979), fotógrafo letão que iniciou sua carreira como fotógrafo em 
1930 na França fazendo cliques para revistas de moda. Após a invasão nazista em terras 
francesas, Halsman mudou-se para os Estados Unidos e, com a ajuda de seu amigo Albert 
Einstein conseguiu o visto de permanência no país. Por ser um excelente retratista o artista 
realizou muitos trabalhos com Salvador Dali. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2FRijDV 
Figura 5.6 – Phileppe Halsman, Dali atomicus, 1948. 
 
 
 
145 
 
Em 1948 não havia a tecnologia disponível de hoje, não existiam os retoques e edições digitais. 
A fotografia foi feita com filme de película 35 mm e revelado manualmente em laboratório 
fotográfico. Por isso a criação do artista torna-se ainda mais impressionante. O resultado final 
é em decorrência de uma pré-produção foi muito bem elaborada. O pintor Salvador Dali e o 
fotógrafo Halsman construíram esse projeto tendo como base a obra Leda atômica, onde os 
elementos que a compunham estavam suspensos no ar. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2UlDOET 
Figura 5.7 – Salvador Dali, Leda Atômica, obra que serviu de inspiração para a foto: 
Dali Atomicus. 
Cinema - No final do século XIX nasceu o cinema e foi um representante único de uma época 
com muitas invenções e experimentações. A Revolução Industrial que serviu como base para a 
indústria do cinema, onde cada trabalhador passou a ser responsável por uma fase específica 
da produção. Assim, a Revolução Industrial deixou heranças importantes em vários setores, 
como economia, sociedade e cultura. As ciências, como a química e a fisiologia que ajudaram 
na invenção do cinema, esse meio de comunicação coberto de magia e arte. 
No dia 28 de dezembro de 1895, no Cinematógrafo dos Irmãos Lumière, em Paris, houve a 
primeira exibição de cinema. A Chegada do Trem na estação, com duração de 30 segundos, foi 
a primeira película a ser exibida. 
 
 
 
 
146 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2JZ31RA 
Figura 5.8 – Quadro do filme dos irmãos Lumière, A Chegada do Trem na Estação, 1895. 
A partir de então, o cinema não parou mais de crescer, mudar e inovar e, a cada dia, passou a 
fazer mais parte da vida das pessoas. Duas personalidades se destacaram no mundo 
cinematográfico, o francês Georges Méliès (1861-1938) e o americano David W. Griffith (1875-
1948). 
Méliès era polivalente, quase que um time inteiro, era ator, diretor, produtor, fotógrafo e 
figurinista. Com sua arte fez os primeiros filmes de ficção que se tem conhecimento. Nos 
filmes Viagem à Lua e Conquista do Polo podendo-se reconhecer as técnicas e os efeitos 
especiais desenvolvidos por ele: exposição múltipla, utilização de maquetes, fusões e truques 
ópticos. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2I99rLd 
Figura 5.9 – Cena do filme Viagem à Lua de Georges Méliès. 
Por outro lado, David Griffith realizou filmes e desenvolveu a linguagem cinematográfica. 
 
 
 
147 
 
5.2 Arte aplicada aos meios de comunicação 
A arte abreinúmeras possibilidades no meio laboral, várias são as áreas que fazem uso de seus 
princípios para atingir as grandes massas, como produtos audiovisuais como cinema, televisão, 
videoclipe e publicidade. A arte sempre foi usada como um dos meios mais explorados pela 
publicidade. 
Alguns movimentos os conceitos de arte e propaganda se combinam: 
Art Nouveau - surgiu em 1883 como movimento artístico e se disseminou pela Europa e 
Estados Unidos até a Primeira Grande Guerra. Esse movimento quis resgatar a natureza e a 
vida bucólica em detrimento ao processo de industrialização intenso do período. 
Alphonse Mucha (1860-1939) foi um artista Art Nouveau teve seu trabalho veiculado 
intensamente e vendido como cartazes publicitários. A produção da arte gráfica para a 
divulgação de teatro, ópera, folhetos, propagandas publicitárias de produtos das mais variadas 
categorias foi um dos trabalhos do artista e, até hoje, seu estilo gráfico influencia artistas e 
propagandas. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2uGyxcE 
Figura 5.10 – Alphonse Mucha, Propaganda dos Biscoitos Lefèvre – Utile. 
 
 
 
 
148 
 
Toulouse-Lautrec (1864-1901) também teve influência Art Nouveau em sua obra. Ganhou 
notoriedade por pintar a vida boêmia de Paris no final do século XIX. Esse é outro exemplo 
importante de um artista que teve grande parte de sua obra voltada para o mercado 
publicitário, incluindo a casa de espetáculos Moulin Rouge. 
 
Fonte de imagem: https://mo.ma/2I3cBQy 
Figura 5.11 – Toulou Lautrec, Troupe de Mlle Eglantine. 
Assim, a arte e a publicidade estreitaram sua relação, uma vez que a arte mostrou-se capaz de 
tornar a propaganda criativa e funcional, impulsionando a popularidade de determinado 
produto. 
A arte adaptou-se aos novos mercados após o advento do cinema no século XIX e da televisão 
no século XX, adaptando-se ao mercado, compondo fotografia, cenários e figurinos. 
5.3 Arte e Tecnologia 
Arte e tecnologia se misturam? É possível fazer arte fazendo uso da tecnologia? Quais são os 
processos tecnológicos que podem ser usados para o processo de construção da arte? 
Na exposição “Astro Noise”, 2016, da cineasta, documentarista e escritora americana Laura 
Poitras transformou em arte a série de e-mails que ela recebeu de uma figura anônima, 
trazendo a tona documentos secretos da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos 
 
 
 
149 
 
da América. Na instalação ANARCHIST, é possível admirar o resultado das gravações secretas 
feitas pelo governo britânico de drones e jatos israelenses na Faixa de Gaza entre os anos de 
2009 e 2010, documentados nos arquivos da NSA. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2FTxyw6 
Figura 5.16 – Laura Poitras, Astro Noise, 2016. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2uCDaV0 
Figura 5.17 – Anarchist 
 
 
 
150 
 
O objetivo da exposição de Laura Poitras era o questionamento da democracia e os critérios de 
vigilância, utilizando a tecnologia para criação de suas obras, exibidas em forma de instalações. 
Não há como nos séculos XX e XXI arte e tecnologia digital serem separadas. A tecnologia 
digital faz parte do nosso dia a dia de forma tão intrínseca que muitas vezes não percebemos 
sua participação. Com a arte não poderia ser diferente, a diversidade midiática agregou 
diversidade às manifestações artísticas. Os meios de comunicação dão suporte à arte 
transpondo o muro dos museus e galerias. 
O artista transforma seu papel perante a arte com novos suportes, materiais, diversas formas 
de exposição passam a existir, possibilidades multissensoriais e a utilização de computadores 
iniciaram com a arte conceitual e com a arte performática, iniciando a nova forma de ver e 
fazer a arte. O mundo digital abre um novo mundo para o artista, ampliando os limites de 
cenários possíveis. 
O papel do artista mudou, é incontestável, novas formas de fazer arte são incorporadas, novos 
materiais, diferentes formas de exibição, experiências multissensoriais e o uso de 
computadores iniciaram na década de 1960 com a arte conceitual e a arte performática. As 
novas técnicas são casa vez mais utilizadas, experimentadas, modificadas e desenvolvidas, 
abrindo espaço para novas formas de fazer e experimentar. A criatividade é o limite, os meios 
digitais permitem que o artista deem asas à sua imaginação. 
A arte digital surgiu na década de 1980 com a utilização de programas de computador para a 
criação de desenhos, inicialmente nas cores preto e branco e posteriormente, colorido. 
Seguindo com a utilização de vídeos, animações computadorizadas, fotografias modificadas 
digitalmente e obras criadas na internet. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
151 
 
A obra Substract 18L de Thomas Ruff faz parte de uma série de impressões jato de tinta criadas 
em um computador. 
 
 
 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2YJCYB5 
Figura 5.18 – Substract 18L, 2003, C-Print, 256X186 cm 
Mark Wilson (1943), importante artista que utiliza computadores para criar arte na década de 
1980, momento em que existiam poucos programas de computadores para esse fim. O artista 
criou novos métodos de trabalho a partir de seu próprio computador, utilizando imagens 
geométricas para criar arte. Esse artista utiliza única e exclusivamente ferramentas digitais. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2FJdpHH 
Figura 5.19 – Csq3422, jato de tinta em papel, 61 X 61 com (24 X 24 in), 2008. 
 
 
 
 
152 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2I2fSzP 
Figura 5.20 – e5906, jato de tinta em papel, 61 X 61 com (24 X 24 in), 2008. 
Jeff Wall (1946) é um importante fotógrafo canadense que utiliza montagens digitais para criar 
realidade com magníficos cenários, atores e figurinos. Completamente diferente do trabalho 
do fotojornalista, retrato ou foto de rua, Wall captura momentos de cenas cotidianas, 
contudo, através de interpretações controladas e dirigidas por ele, isto é, ele faz o projeto da 
cena, cria o cenário, dirige os atores e faz a foto. Posteriormente, as fotos são convertidas em 
arquivos digitais e trabalha nelas, fazendo retoques em elementos estáticos, elaborando uma 
imagem final. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2TSEr4q 
Figura 5.21 – Jeff Wall, Um ventríloquo em uma festa de aniversário em 1947, 1990. 
 
 
 
153 
 
Não só na fotografia as imagens podem ganhar retoques digitais. Os vídeos também são 
passíveis de serem editados e, um material comum e familiar pode sofrer intervenções 
artísticas. A miniaturização das câmeras fez com que um número maior de artistas criassem 
imagens poéticas e instalações midiáticas. Câmeras de vigilância também se tornaram vias 
estéticas para a videoarte. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2YLmoRw 
Figura 5.22 – Candice Breitz, Mother + Father, 2005. Duas Instalações de 6 canais de vídeo, 
cor, som, Mother: 13 min. 15 seg. Father: 11 min. 
Segundo Martin (2006), foi na segunda metade da década de 1960, a Video Art surgiu entre 
artistas que, sob o estandarte da intermedialidade, romperam com as noções convencionais 
do gênero. Com seus drippings em finais da década de 1940. Jackson Pollock tinha introduzido 
a abordagem performativa na pintura. Na mesma altura, o compositor John Cage integrou 
acaso e sons e ruídos não instrumentais gravados nas suas partituras. Em 1959, Allan Kaprow 
convidou o público para os seus Happenings in 6 parts na Galeria Reuben, em NY. O 
cruzamento interdisciplinar entre artes plásticas, literatura, música, dança e teatro, assim 
como uma intensa troca internacional de ideias, criou vasto clima cultural no qual as novas 
tecnologias eram usadas experimentalmente e testada a sua adequação à expressão artística. 
Candice Breitz (1972) é uma artista sul-africana que criou um incrível videoinstalação Mother + 
Father para a Bienal de Veneza de 2005. Foram posicionados 12 monitores alinhados em arcos 
toscos (6 direcionados para Mother e seis para Father) com imagens de estrelas de Hollywood 
como N=Mary Steep, Shirleu McLaine,Julia Roberts, Dustin Hoffman, entre outros, com 
narrativas que versam em relações complexas entre pais e filhos. Um importante ícone da 
 
 
 
154 
 
videoinstalação que fez importante uso da tecnologia. Leva o expectador a uma reflexão e 
questionamento sobre assuntos cotidianos e controversos. 
A videoarte surgiu na década de 1960 quando os artistas apropriaram-se da linguagem 
televisiva, a espontaneidade, a descontinuidade e a diversão, com o objetivo claro de fazer 
uma denúncia dos perigos que um meio de comunicação tão abrangente e poderoso do ponto 
de vista cultural. 
 
 
 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2FIKHqu 
Figura 5.23 – Grupo Rags Media. Esp posible porque es posible, Rags media collective, 2015. 
Formado por Monica Jeebesh e Schuddhabrata Sehgupta, o Grupo Roqs Media de Nova Délhi 
se classifica que são mais praticantes mediáticos do que artistas e suas obras têm como 
referência temas urbanos e o papel da mídia e da tecnologia nos dias de hoje. 
É deles a instalação KD Vyvas Correspondência: vol 1, da qual fazem parte 18 telas de víedo, 
nove alto-falantes e uma escultura. Sua primeira exibição aconteceu na Alemanha em 2006. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2TSVweo 
Figura 5.24 – Grupo Rags Media, KD Vyas Correspondência: vol 1, 2006. 
 
 
 
155 
 
Nem somente de imagem vive a arte contemporânea, o som como suporte principal das obras 
de arte também faz parte desse movimento. A soundart, também conhecida como áudio arte, 
faz referência à arte que tem sua expressão através do som, sendo ele de qualquer natureza, 
isto é, desde os sons da natureza até os criados e modificados pelo homem. As obras podem 
assumir diferentes formas de instalação, desde a vídeo-arte até a performance. 
Uma importante exposição de soundart foi a Para Olhos & Ouvidos da Galeria Cordier & 
Ekstrom, Nova Iorque, em 1964. Foram exibidos objetos que emitiam sons ruidosos, criados 
pelos artistas dadaístas Marcel Duchamp e Man Ray, uma instalação sonora de Klüver. Foi 
nessa instalação que as primeiras criações de soundart foram apresentadas nessa exposição. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2oHzZZ7 
Figura 5.25 – Pavel Büchler, Studio Schwitters, 2010, Sound installation. 
Foi na década de 1970 que a soundart ganhou reconhecimento, mas somente na década de 
1990 ganhou o mundo e teve seu auge, com artistas de todo o mundo utilizando sons em suas 
obras. 
A mais nova forma de arte é a webart, ou arte interativa ou net art. Ela acontece dentro o 
Word Wide Web (www) onde os artistas criam suas obras que somente podem ser vistos 
dentro dos navegadores. A arte passa por todos os veículos, não somente pela tela e tinta, 
agora ela é também virtual. Essa nova forma de arte é tão importante que os três principais 
eventos mundiais de arte já tem edições voltadas para ela, sendo eles, a Documenta de Kassel, 
a Bienal de Veneza e a Bienal de São Paulo. 
 
 
 
156 
 
A internet pode ser desde um espaço para divulgação da arte até um suporte para que ela 
exista. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2YIamIu 
Figura 5.26 – Christophe Bruno, Google AdWords Happening, 2002. 
Christophe Bruno (1964) utilizou a internet para produzir um Happening, em 2002, e batizou 
como “Google Adwords Happening”. Para a divulgação do seu trabalho o artista pagou para o 
Google algumas palavras-chave no mecanismo de busca Google, permitindo ao internauta o 
acesso à sua poesia na forma de anúncios do Adwords, isto é, quanto mais usuários 
colocassem no Google palavras como dinheiro, sonho, sintoma ou mesmo o nome Maria, teria 
acesso, não a anúncios nas primeiras posições dos resultados de busca, mas sim em trechos de 
seus poemas. 
Houve censura de sua obra no dia seguinte de seu lançamento, mas o happening digital pode 
ser acessado em: http://iterature.com/adwords/ 
http://iterature.com/adwords/
 
 
 
157 
 
 
Muitas vezes, pelo fato da web arte não ter um espaço físico específico, tal como um quadro 
ou uma escultura, e sim um ciberespaço, a sua compreensão fique prejudicada. Ela não é feita 
por pincéis, tintas, cinzéis ou modelagem. Sua origem é a html (Hyper Text Markuo Language), 
a principal linguagem de programação da internet. Ela não foi criada com fins estéticos, mas 
passou a ser utilizado pelos artistas. 
A obra de Olia Liálina (1971), My boyfriens came back from war pode ser vista no site 
www.teleportacia.org/war/. A artista foi uma das pioneiras da net art. 
 
Essa obra conta uma história pessoal e política, com um repertório de imagens e textos que 
traduzem, para o espectador, uma história de um amor infeliz. 
A web art cresce a cada dia, assim como a tecnologia. Muitas são as transformações iminentes 
e muitas as formas de viver a arte. Ainda não se sabe qual é o exato caminho, mas o certo é 
que as possibilidades de transformação são inúmeras. 
http://www.teleportacia.org/war/
 
 
 
158 
 
A web art é democrática e a interatividade é sua característica fundamental. Imagem, texto, 
movimento e som, reunidos pelos artistas, podem ser navegados pelos espectadores em suas 
próprias montagens multimídias, cuja “autoria” final será aberta. Os espectadores tornam-se 
usuários (DEMPSEY, 2003, p. 286). 
Conclusão 
Com seus drippings, ainda em finais dos anos 1940, Jackson Pollock já tinha introduzido a 
abordagem performativa na pintura. 
Nos séculos XX e XXI a arte não poderia estar dissociada da tecnologia digital, tão vigente em 
nossas atividades cotidianas, desde as mais básicas até as operações mais complexas. 
Na segunda metade dos anos 1960, a Video Art surgiu entre artistas que, sob o estandarte da 
intermedialidade, romperam com as noções convencionais do gênero. 
A sound art ganhou reconhecimento na década de 1970, porém na década de 1990 teve seu 
auge, com artistas do mundo inteiro envolvidos em obras que usavam e emitiam sons. 
Já a web art está se desenvolvendo cada vez mais, assim como faz a tecnologia, e isso 
comprova o fato de que haverá muitas transformações iminentes às maneiras de fazer e 
vivenciar a arte. O progresso tecnológico modificará as práticas artísticas, desafiando os 
artistas a acompanharem ou a mais uma vez questionarem o papel da arte e a elação que esta 
tem com a tecnologia. O caminho ainda é incerto, mas não há limites para as possíveis 
transformações. 
REFERÊNCIAS 
CORTELAZZO, Patricia Rita. A História da Arte por meio da leitura de imagens. Curitiba: 
InterSaberes, 2012. 
LEITE, Adriana; GUERRA, Lisette. Figurino: uma experiência na televisão. São Paulo: Paz e 
Terra, 2002. 
LEVENTON, Melissa (org.). História ilustrada do vestuário: um estudo da indumentária, do 
Egito antigo ao final do século. São Paulo: Publifolha, 2009. 
PERIGO, Katiucya. Artes visuais, história e sociedade: diálogos entre a Europa e a América 
Latina. Curitiba: InterSaberes, 2016. 
 
 
 
159 
 
 
6 ARTE CONTEMPORÂNEA 
A arte é um elemento em constante transformação, instrumento de manifestações de 
diversas ordens: pode revelar sinais da vida de povos que viveram há milhares de anos 
antes de nós, revelar crenças religiosas e a relevância da igreja na sociedade. A arte é 
capaz de demonstrar (ou mesmo construir) o conceito de belo de uma determinada 
época. Pode representar status e condições sociais favoráveis. Pode também 
desconstruir tudo que desempenhou até então, e questionar os principais pilares de 
uma sociedade. Pode revelar-se contra guerras e conflitos; pode, também, indagar 
questões políticas e convidar para um debate coletivo. 
A arte pode tudo! 
O termo arte conceitual é usado pela primeira vez num texto de Henry Flynt, em 1961. 
Nesse texto, o artista defende que os conceitos são a matéria da arte e por isso ela 
estaria vinculada à linguagem. O mais importante para a arte conceitual são as ideias, a 
execução da obra fica em segundo plano e tem pouca relevância. Além disso, caso o 
projeto venha a ser realizado, não há exigênciade que a obra seja construída pelas 
mãos do artista. Ele pode, muitas vezes, delegar o trabalho físico a uma pessoa que 
tenha habilidade técnica específica. O que importa é a invenção da obra, o conceito, 
que é elaborado antes de sua materialização. (ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL, s/d) 
6.1 Arte, Estética e os novos paradigmas 
Arte Conceitual - Entramos em uma fase dos artistas místicos e não mais racionalistas, 
chegando a conclusões que a lógica não pode atingir. É um convite para o artista 
utilizar a arte como percepção, esquecendo o tradicional, a materialização da ideia. A 
arte passa a morar em seu conceito e não mais em seu fazer, com o questionamento 
constante de questionar a natureza da arte. Os artistas conceituais assumem nova 
relação ente arte e texto, uma vez que eles passam a utilizar textos em suas criações. 
 
 
 
160 
 
“Os artistas conceituais são místicos ao invés de racionalistas. Eles chegam a 
conclusões que “a lógica não se pode alcançar”, escreveu o artista Sol LeWitt (1928- 
2007) em 1970, em um artigo para o jornal Artforum, intitulado “Parágrafos sobre a 
arte conceitual”. Nesse texto, LeWitt sustentava a ideia de que a nova arte era uma 
inversão das práticas anteriores e que o conceito deveria ser trazido para o primeiro 
plano, tornando a produção da própria arte algo secundário (FARTHING, 2011, p. 500). 
A arte conceitual convida o artista a abandonar o objeto tradicional, a materialização 
da ideia, e passar a utilizar a arte como concepção. 
Os artistas deste movimento buscavam uma maneira de questionar a própria natureza 
da arte. 
A arte conceitual obriga o expectador a sair de sua zona de conforto ao observar uma 
obra de arte. Na obra Uma e três cadeiras, Joseph Kosuth, 1945, convida o público a 
observar três formas de um mesmo objeto, uma fotografia de uma cadeira, uma 
cadeira comum e a definição da palavra cadeira retirada de um dicionário. 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2WDOVq3 
Figura 6.1 – Joseph Kosuth, Uma e Três Cadeiras, 1965. Em exposição no MoMa, 
Nova Iorque, EUA. 
 
 
 
161 
 
Piero Manzoni (1933-1963) foi outro artista conceitual importante. De origem italiana, 
Piero reagiu à arte comercializada como produto. Em 1961, Em uma de suas obras o 
artista produziu 90 latinhas de metal que continham um rótulo com os dizeres Merda 
d’artista. Essas latinhas foram comercializadas tendo como parâmetro de valor a 
cotação diária do ouro em equivalência ao peso unitário. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2K2kto7 
Figura 6.2 – Piero Manzoni, Merda d’artista, 1961. 
O auge da arte conceitual se deu na década de 1970, com grande influência nas 
demais manifestações artísticas que seguiram nas próximas décadas. Com a ideia de 
colocar palavras ou declarações representando conceitos foi importante para gerar 
debates e abrir novas fronteiras para as instalações. 
A arte conceitual quer capturar a mente do expectador, muito mais que seu olhar ou 
suas emoções. Foi no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, o MoMa, que em 1970 
a exposição “Information” que o termo ganhou o mundo. A arte como fonte de 
informação foi a razão dessa exposição que teve como curador Kynaston McShine. A 
exposição contou com a participação de jovens artistas de todo o mundo com 
representatividade dos mais importantes movimentos artísticos do momento. Os 
artistas desejavam quebrar os padrões tradicionais na pintura, escultura, fotografia, 
filme, desenhos e gravuras. Participaram dessa mostra aproximadamente 150 artistas 
americanos, europeus e latino-americanos, como o brasileiro Helio Oiticica, que 
 
 
 
162 
 
desenvolveu a ideia dos Ninhos como células em multiplicação ligadas ao crescimento 
da comunidade e Cildo Meireles, que apresentou obras de seu projeto Inserções em 
circuitos ideológicos. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2UpgR3r 
Figura 6.3 – Cildo Meireles, Inserções em circuitos ideiológicos, 1970. 
Esse projeto baseava-se na gravação em garrafas de Coca-Cola, grandes 
representantes do capitalismo americano de consumo, informações, mensagens 
políticas e opiniões críticas. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2UpgR3r 
Figura 6.4 – Helio Oiticica, Ninhos, 1970. 
 
 
 
163 
 
Boa parte da arte conceitual assume a forma de documentos, propostas escritas, 
filmes, vídeos, performances, fotografias, instalações, mapas ou fórmulas 
matemáticas. 
6.2 O corpo como suporte da Arte 
Os movimentos de vanguarda do século XX serão revelados. O corpo entrou em 
destaque e a body art ganhou notoriedade, o corpo é visto como instrumento da arte. 
Neste hall de possibilidades temos a tatuagem. Além da body arte, a arte performática 
e o Happening (algo que ocorre, um acontecimento) também ganharam o mundo. 
A partir da década de 1950 a arte passa por um status performático em vários países e 
culturas. A arte performática usa elementos na pintura, escultura, dança, teatro, 
música, poesia etc., quebrando tabus sociais e trazendo à discussões que versavam 
com temas como sexismo, guerra, homofobia, racismo, AIDS, meio ambiente e o real 
significado da arte. 
Nas décadas de 1960 e 1970 a body art passa a usar o corpo nas performances. Ainda 
seguindo os preceitos dadaístas, onde qualquer coisa pode virar arte, percebeu-se que 
qualquer coisa pode virar arte. 
Tanto a body art como a arte performática são desdobramentos da arte conceitual e 
das instalações, que também tiram o expectador do seu tradicional papel passivo 
perante a arte. 
Allan Kaprow (1927-2007), artista americano, é conhecido como o pai da arte 
performática, faz relação entre o início do happening com a action painting de Jackson 
pollock. A Galeria Reuben, em Nova Iorque, foi inaugurada em 1959 por Kaprow, 
tornando-se consultor da programação da galeria. Nessa mesma data ocorreu o 
nascimento do happening, com a mais famosa série de Kaprow, a saber: 18 
Happenings in 6 Parts (18 acontecimentos e 6 partes). 
Nessa obra, Kaprow faz uma colagem de acontecimentos, tanto para os participantes 
como para o público. Como o happening é uma manifestação de arte viva, o 
expectador é convidado a participar e a modificar a obra, fazendo parte do elenco. 
 
 
 
164 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2I3ykYC 
Figura 6.6 – Allan Kaprow, 18 Happenings in 6 Parts, 1959. 
Foi em 1970 que a arte performática ganhou forças, surgiram novas formas de fazer 
arte. Começaram a acontecer os espetáculos – ação, com a performance sendo parte 
da criação e o happening que acontecia a construção da própria obra de arte. Música, 
poesia e multimídia faziam parte desses elementos de criação. 
Body art - é uma expressão artística que surgiu no contexto da arte performática e 
happening, tanto na Europa como nos Estados Unidos. O corpo humano virou tela, e 
esse corpo poderia ser do próprio artista ou de um modelo. 
 
Fonte de imagem: https://nyti.ms/2I6p7Pq 
Figura 6.7 – Chris Burden, Trans – fixed, 23 de abril de 1974. 
 
 
 
165 
 
Arnulf Rainer (1929) é um artista austríaco que criou obras de arte na forma de 
autorretratos, deformando com caretas e traços de tinta sua própria imagem. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2UbRbbw 
Figura 6.8 – Arnulf Rainer, Face Farces, 1968 – 1975. 
Interferências de cores sobre fotografia 
Marina Abramovic (1946), artista serva e nome de destaque na body art e na arte 
performática. Sua carreira iniciou na década de 1970 e o corpo sempre foi seu tema e 
seu meio, levando o corpo físico e o mental ao limite, a dor, a exaustão e o perigo 
traduzidos em esculturas, performances, fotografias, vídeos e sons. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2Um5xVZ 
Figura 6.9 – Marina Abramovic and Ulay. The Artist Present, MoMa, NY, 2010. 
 
 
 
166 
 
Yves Klein (1928-1962), artista francês de destaque na arte de vanguarda realizou, em 
1960, uma performance denominada Antropometrias do período azul, que consistia 
em duas moças nuas com seus corpos cobertos comtinta azul, fazendo impressões em 
uma tela escondida sob o piso, coordenadas por Klein. Simultâneo a isso uma 
orquestra tocava uma sinfonia de autoria do próprio artista. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2TMwSMx 
Figura 6.10 – Yves Klein, Antropometrias do período azul, 9 de março de 1960. 
A body art e a arte performática tem na americana Heather Hansen uma importante 
representante. Dançarina, ela utiliza o corpo como pincel e, com carvão, deixa na tela 
registro de seus movimentos corporais. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2HUe8sS 
Figura 6.11 – Heather Hansen, Emptied Gestures, 2013. 
 
 
 
167 
 
Tatuagens, pinturas corporais, deformações e escarnificações, manifestações 
primitivas, também são expressões da body art. 
Em 1970, em uma performance, a artista austríaca Valie Expor (1940) fez a tatuagem 
de uma cinta liga em sua perna. Ela foi uma das primeiras a se manifestar sobre como 
o corpo da mulher era observado. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2YEuTxD 
Figura 6.12 – Valie Export, 1970. 
A curadora Susana kumschick, em 2015, na Alemanha, realizou uma exposição que 
tinha como tema a tatuagem como obra de arte. Após uma extensa pesquisa a 
curadora percebeu que nunca antes a tatuagem havia sido exposta em museus de arte 
ou desing. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2TSE6yR 
Figura 6.13 – Thea Duskin, O quadro Sem Título. 
 
 
 
168 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2TSE6yR 
Figura 6.14 – Timm Ulrichs, Fim. 
Zhang Huan (1965) - artista contemporâneo chinês famoso por suas performances, 
esculturas e pinturas que versam sobre a história chinesa atual. Representa em suas 
obras figuras políticas de destaque, bem como intelectuais e religiosos. Anônimos e 
paisagens belas também foram contemplados. O artista tem tom crítico em suas 
criações, abordando questões sociais e ambientais, envolvendo o corpo e, 
eventualmente, o corpo nu ou em ações masoquistas. Suas instalações contam com 
objetos de uso comum, como penas, couro, cinzas de incenso e animais. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2FLww3X 
Figura 6.15 – Zhang Huan, Family tree, 2000, Nova Iorque, EUA. 
 
 
 
 
169 
 
À convite do próprio artista, três calígrafos escreveram textos em seu rosto iniciando 
pela manhã e terminando somente de noite. A instrução era que eles deveriam 
continuar escrevendo mesmo quando todo o rosto ficasse todo coberto pelos textos. 
Ao final do dia, a identidade do artista sumiu. 
6.3 Pós-modernismo, Arte e Cultura 
A ciência e a tecnologia caminham a passos largos e resultam em importantes 
fenômenos sociais e pode ser definido como modernidade, vindo a veloz urbanização 
e quantidade de informações crescendo exponencialmente. 
Este processo de intensa mudança faz surgir novas identidades e desloca estruturas, 
gerando uma nova visão de mundo. Com esta transformação, nasce uma revisão de 
valores e a reavaliação a respeito da sociabilidade, da política e, como não poderia ser 
diferente, das artes. 
Novas identidades são criadas a partir de tais mudanças e o deslocamento de 
estruturas é inevitável, levando a uma nova visão de mundo. Uma revisão de valores e 
a reavaliação de princípios na política, arte, sociedade e, na arte, não poderia ser 
diferente. 
De que maneiras o pós-modernismo está representado nas artes? 
A desordem é fértil no campo artístico. Ela propicia multiplicidade nas expressões 
artísticas através de infinitas técnicas sobre os mais variados materiais e suportes, 
como pintura, escultura, desenho, cinema, artes gráficas, arte corporal, vídeo e 
música, isto é, infinidades de possibilidades construtivas na materialização de um 
sentido que procura impactar o público. 
É um movimento que não finda e que vive em constante reorganização (LEITE; 
PECCININI, s/d). 
No final da década de 1960, uma crise criativa atingiu muitos setores da cultura, 
colocando em discussão os ideais da modernidade, da sociedade, e da cultura 
fundados na fé, no saber e no progresso. Os movimentos artísticos das últimas 
 
 
 
170 
 
décadas se sucederam em ritmo tão acelerado a ponto de exaurir rapidamente os seus 
programas inovadores, e as vanguardas pareciam rapidamente envelhecidas (PRETTE, 
2003, p. 357). 
Não há uma única definição para arte pós-moderna, mas sabemos que ela não está 
presa a quadros e esculturas, e sim expandida a uma infinidade de manifestações e 
hibridizações, como dança e pintura, videoinstalação, vídeo, dança, som e escultura, 
pintura corporal e performance, tinta + papel + objetos reais. As expressões artísticas 
são diversificadas, híbridas e múltiplas. A arte pós-moderna conta com uma vasta 
liberdade de expressão!!! 
Arte de Rua - Fenômeno expressivo da arte da pós-modernidade é a arte de rua, ou o 
Grafitismo. “Por Grafite entendem-se as inscrições murais ‘selvagens’, contestatórias, 
surgidas nas paredes das superpopulosas periferias e nos metrôs, particularmente em 
Nova York e em Paris, mas um pouco em todos os lugares, de 1968 até os nossos dias” 
(PRETTE, 2003, p. 357). 
Os primeiros grafites surgiram como um espontâneo protesto social. Jean-Michel 
Basquiat (1960-1988) foi um artista muito significativo, que levou o grafite da rua para 
importantes galerias de arte. 
Arte Urbana - Ícone da arte urbana e fenômeno expressivo da arte pós-moderna é o 
Grafismo. Grafite são as inscrições impressas em murais, em suas maiorias 
contestatórias, que surgiram em paredes de locais superpopulosos das periferias e nos 
metrôs, sobretudo em Nova Iorque e Paris. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2TQspbG 
Figura 6.16 – Grafite de Pamela Castro, artista brasileira. 
 
 
 
171 
 
Foi como protesto social que o grafite social surgiu de forma espontânea. Jean-Michel 
Basquiat (1960-1988) foi um artista muito significativo, tirando o grafite das ruas o 
interior de importantes galerias de arte. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2JZ0pmH 
Figura 6.17 – Basquiat, Sem título (Anjo Caído), 1981. Acrílico e tinta 
de óleo em barra sobre tela. 
Foi nos Estados Unidos dos anos de 1990 que a carreira de Jean-Michel Basquiat teve 
sua ascensão. Ele era pintos de grafites na região do SoHo e East Village sob o 
pseudônimo de SAMO e deixava mensagens misteriosas e espirituais. Não demorou 
para que o artista ganhasse status de celebridade, levando sua obra para Zurique, 
Nova Iorque Tóquio e Los Angeles. Despertou um interesse inicial, porém logo 
abandonado devido aos valores que suas obras atingira. O foco do artista em fama e 
dinheiro tornou sua busca cada vez mais implacável e com fins unicamente 
econômicos. Basquiat transitava entre a megalomania e a timidez e, aos 27 anos, 
morreu de overdose. 
Keith Haring (1958-1990), outro importante artista grafiteiro americano, traduz, em 
suas obras, a cultura de Nova Iorque nos anos de 1990. Utilizando o giz como meio 
para suas obras e o metrô como pano de arte, ganhou os holofotes na década de 1980. 
 
 
 
172 
 
Exposições, bienais e viagens para Austrália, Japão. Alemanha, Itália e Holanda para 
divulgação de sua obra fizeram parte de seu currículo. Vítima de HIV, Haring morreu 
aos 31 anos de idade. O artista atuou como ativista a respeito da AIDS, sendo esse o 
tema de algumas de suas obras. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2OG6uDc 
Figura 6.18 – Keith Haring, mural para conscientização a respeito da AIDS, 1989. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2FSzgxK 
Figura 6.18 – Keith Haring, A árvore da vida, 1984. 
 
 
 
 
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Haring, ao contrário dos demais grafiteiros contemporâneos a ele, ocupou os espaços 
publicitários vazios das estações do metrô e não dos trens como os demais grafiteiros 
de sua época. 
 
 
 
 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2FSzgxK 
Figura 6.19 – Kaith Haring ao lado de um de seus desenhos em uma 
estação de metrô. 
 
Arte Urbana no Brasil – Fazemos parte do cenário mundial e temos importantes 
representantes na arte de rua, com destaque para adupla conhecida como OS 
GEMEOS, formada pelos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo que trabalham juntos 
desde crianças. Foi com a chegada do Hip Hop no Brasil na década de 1980 que os 
irmãos iniciaram suas carreiras como grafiteiros e, com o passar dos anos, suas 
técnicas ficaram cada vez mais elaboradas. A linguagem visual utilizada pela dupla são 
altamente autorais, com projetos primorosamente elaborados, com o lúdico e as cores 
muito bem utilizados. Para que suas obras possam ser compreendidas é necessário 
que o imaginário tome o lugar da razão. A palavra de ordem para compreensão da 
obra de OS GEMEOS é sentir. 
O reconhecimento da dupla ultrapassou as fronteiras do Brasil. Suas obras deixaram as 
ruas e os muros e adentraram as principais galerias de arte do mundo, Cuba, Chile, 
Estados Unidos, Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanhã, Lituânia e Japão. 
 
 
 
 
 
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Fonte de imagem: https://bit.ly/1qUBBIL 
Figura 6.20 – OSGEMEOS 
Eduardo Kobra (1975) é outro importante muralista da atualidade. Nascido na 
periferia de São Paulo Kobra hoje tem mais de 500 obras espalhadas pelas ruas do 
Brasil e do mundo. Desde as olimpíadas de 2016 o artista detém o recorde mundial de 
maior mural grafitado do mundo, o Etnias, pintado para celebrar o evento. A arte tem 
2,5 mil metros quadrados. Em 2017 o artista superou sua própria marca com uma 
homenagem ao chocolate, que ocupa uma área de 5.742 metros quadrados às 
margens da Rodovia Castello Branco, na região metropolitana de São Paulo. 
 
 
 
 
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Fonte de imagem: https://bit.ly/2CKW14H 
Figura 6.21 – Eduardo Kobra, o Beijo, 2012 no High Line, em Nova Iorque. 
Alex Senna (1983), importante ilustrador e grafiteiro brasileiro nascido em São Paulo. 
Um trabalho rico em detalhes e situações simples traduzem a linguagem única do 
artista. Seus personagens tem características marcantes. Suas obras carregam muita 
emoção levam o espectador a um estado de plenitude ao se identificarem com os 
personagens e situações registradas. Seu traçado é simples e traduzem a paixão do 
artista pelas histórias em quadrinho. Seu trabalho ganhou o mundo e pode ser visto 
em São Paulo, Londres, Berlim, Paris e Barcelona. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2CKW14H 
Figura 6.22 – Alex Senna 
 
 
 
 
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Speto (1971) é um dos artistas de rua mais populares do Brasil. Ele atribui seu estilo 
visual para o hip-hop às influências e à cultura popular local e os estilos mais ecléticos 
do mundo. O grafite original de Speto mescla linhas de estilo tradicional da escultura 
em madeira nordestina com texturas sofisticadas e imagens figurativas. Utiliza como 
fundo para suas obras murais, ilustrações e gráficos, onde o artista funde técnicas 
modernas com a herança cultural brasileira para criar uma forma distinta de arte de 
rua. 
 
Fonte de imagem: https://glo.bo/2UifpRu 
Figura 6.23 – Speto, homenageado no Telão do Domingão. 
(Foto: Domingão do Faustão/TV Globo). 
Arquitetura pós-moderna - Arquitetura high tech, você já ouviu falar? São as novas 
tecnologias que a engenharia pós-moderna tornou viável as construções da atualidade. 
O impacto visual é causado pelo uso consciente e prático das novas tecnologias, com o 
uso de materiais e formas que expressam a tecnologia industrial moderna, em 
detrimento da utilização de materiais tradicionais e estéticas conservadoras. Desde 
1983 o termo arquitetura high teck passou a ser utilizado por vários arquitetos e, nesse 
ano a britânica Architectural Review passou a se dedicar ao high tech. 
 
 
 
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Graças ao esforço conjunto de arquitetos e engenheiros civis e estruturais a 
arquitetura high teck foi passível. Ove Arup (1895-1988) fundou o movimento e seu 
escritório, Ove Arup and Partners, por sua excelência na engenharia, assinou um 
grande número de projetos, com o a Ópera de Sidney (1956-74), do dinamarquês Jorn 
Utzon (1918-2008). O escritório de Anthony Hunt também merece destaque no 
movimento high teck. 
 
Fonte de imagem: https://bit.ly/2uHkjbt 
Figura 6.24 – Ópera de Sidney, Obra de John Utzon. 
A arquitetura high teck tem como objetivo levar ao usuário espaços mais eficientes. As 
obras com essa linha começaram a ser construídas a partir do século XX, indo ao 
encontro às grandes transformações desse período. Une a admiração da tecnologia, a 
força em deixar tais componentes em evidência, bem como as novas técnicas 
construtivas. 
 
 
 
 
 
 
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Figura 6.25 – Lloyd’s Bank, Londres, 1978 – 86. Richard Rogers. 
Frank O. Gehy (1929), importante arquiteto canadense naturalizado norte-americano 
foi ganhador do prêmio Pritzker, o Nobel da arquitetura. As obras de Gehry se 
tornaram mundialmente conhecidas e aclamadas por público e crítica, por sua 
grandiosidade, criatividade e inovação no uso dos materiais. Uma das principais 
características é o fato de que as linhas se misturam de maneira a parecer que os 
prédios e monumentos estão em movimento. 
 
Figura 6.26 – Frank O. Gehry, Museu Guggenheim Bilbao – 1997. 
 
 
 
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Figura 6.27 – Frank O. Gehry, Walt Disney Concert Hall – 2003. 
Segundo Colin (2013), 
Sua poética consiste no uso de figuras e materiais da arquitetura e 
engenharia industriais em programas comerciais e equipamentos urbanos, 
expondo os sistemas de instalações técnicas, estrutura, climatização e 
circulação, os quais colorem com cores fortes e acabamentos metálicos. 
Este modo de fazer um edifício subverte uma antiga metáfora utilizada na 
arquitetura, a do antropomorfismo. Diferentemente do homem, cujos 
sistemas circulatório, respiratório e digestivo são interiores e revestidos de 
carne, o edifício High Tech tem estes sistemas na periferia, à semelhança de 
certos animais primitivos. 
Vale aqui outra reflexão, a arte pós-moderna surge em um cenário com diversas 
transformações ideológicas e culturais que mudaram profundamente os pensamentos 
da sociedade do século XX. A velocidade que o mundo se desenvolveu do ponto de 
vista da comunicação, informação, transporte e tecnologia que quebraram as barreiras 
do mundo contemporâneo. 
Conclusão 
O que a maior parte das obras conceituais compartilha é um apelo às faculdades 
intelectuais do espectador. 
O que é arte? Quem determina o que ela é? Quem decide como é exposta e criticada? 
O auge da arte conceitual foi na década de 1970, porém, exerceu uma grande 
influência em diversas outras manifestações artísticas das gerações seguintes. 
Empregando palavras escritas ou declarações para representar conceitos, foi muito 
importante para fomentar debates e abrir caminhos para as instalações. 
 
 
 
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O corpo como suporte da arte - A arte performática ganha força nas décadas de 1960 e 
1970, assumindo então a forma de body art, envolvendo desta forma o corpo do 
próprio artista nas performances. A body art e a arte performática são 
desdobramentos destas manifestações, convidando o espectador a refletir sobre a 
obra, ao invés de apenas contemplá-la. 
Muitas vezes, inclusive, o público é convidado a participar da obra, sendo um coautor, 
um personagem coadjuvante ou mesmo protagonista. 
REFERÊNCIAS 
BURKE, Peter. O que é história cultural? Rio de Janeiro: Zahar, 2005. 
COLIN, Silvio. High Tech: um maneirismo do século XX. Coisas da Arquitetura, 23 fev. 
2013. Disponível em: <https://bit.ly/2YLnyft>. Acesso em: 2 abr. 2019. 
NOYAMA, Samon. Estética e filosofia da arte. Curitiba: InterSaberes, 2016. (Série 
Estudos de Filosofia) 
PERIGO, Katiucya. Artes visuais, história e sociedade: diálogos entre a Europa e a 
América Latina. Curitiba: InterSaberes, 2016.

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