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<p>ESTÉTICA E HISTÓRIA DA ARTE</p><p>AULA 2</p><p>Prof.ª Marcia Silveira Munhoz Arzua Costa</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Anteriormente, vimos como a estética abrange um estudo amplo e</p><p>multifacetado da beleza, da arte e da apreciação estética. Começamos com uma</p><p>introdução ao campo, definindo o termo estética e explorando sua evolução</p><p>histórica desde os filósofos antigos até as teorias contemporâneas. Estudamos</p><p>as diversas teorias estéticas propostas por filósofos, pois compreender essas</p><p>teorias é crucial para analisar as várias maneiras como a beleza e a arte são</p><p>concebidas e interpretadas. Exploramos o conceito de beleza, investigando</p><p>como ela é percebida, avaliada e interpretada em diferentes contextos culturais,</p><p>sociais e históricos. Também tratamos de questões fundamentais sobre a</p><p>natureza da arte, como definição, propósito, função na sociedade, relação entre</p><p>forma e conteúdo, e seu papel na expressão humana.</p><p>Agora, iniciaremos nossos estudos em História da Arte, analisando as</p><p>estéticas de cada período histórico.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>Os temas a serem abordados, que abrangem a pré-história, o Egito, a</p><p>Grécia, Roma e a arte bizantina, desempenham um papel fundamental na</p><p>formação e no desenvolvimento do profissional de Design. Esses períodos</p><p>históricos não apenas representam marcos cruciais na evolução da arte e da</p><p>cultura, mas também oferecem uma riqueza de inspiração e conhecimento que</p><p>enriquece a prática do Design contemporâneo.</p><p>Em relação à pré-história, o estudo das primeiras expressões artísticas</p><p>revela as origens da criatividade humana e o impulso essencial para a criação</p><p>visual. As pinturas rupestres, esculturas em pedra e artefatos cerâmicos não</p><p>apenas testemunham a habilidade técnica dos primeiros artistas, mas também</p><p>refletem a profunda conexão entre arte, cultura e ambiente. Para o profissional</p><p>de Design, compreender essas origens primordiais é essencial para cultivar uma</p><p>apreciação pela diversidade da expressão visual e para reconhecer a</p><p>importância da adaptação ao ambiente e das narrativas visuais na prática do</p><p>Design.</p><p>O Egito antigo é uma fonte inesgotável de inspiração e aprendizado para</p><p>os designers. As majestosas pirâmides, as elegantes esculturas de faraós e</p><p>deuses representam um legado de excelência artística e uma compreensão</p><p>3</p><p>sofisticada da forma, simbolismo e comunicação visual. Ao estudar arte egípcia,</p><p>os designers podem aprender sobre o uso poderoso de símbolos, a harmonia</p><p>entre formas geométricas e orgânicas, e a habilidade técnica empregada na</p><p>criação de obras duradouras.</p><p>A Grécia antiga é considerada o berço da estética ocidental e um tesouro</p><p>de ideias e conceitos que continuam a influenciar o design contemporâneo. Das</p><p>proporções ideais da arquitetura grega à beleza atemporal das esculturas de</p><p>mármore, a arte grega personifica a busca pela perfeição estética e a expressão</p><p>da excelência humana. Estudar arte grega oferece aos designers insights sobre</p><p>simetria, equilíbrio, ritmo e proporção, além de uma compreensão mais profunda</p><p>dos ideais estéticos que moldaram o design ocidental.</p><p>Roma, a grande herdeira da tradição grega, expandiu e adaptou conceitos</p><p>estéticos e técnicas artísticas, deixando um legado duradouro na arte e no</p><p>Design. Os arcos triunfais, os monumentos imponentes e os mosaicos coloridos</p><p>testemunham a engenhosidade técnica e a grandeza visual da arte romana. Para</p><p>os designers, o estudo da arte romana oferece lições sobre monumentalidade,</p><p>ornamentação, uso eficaz do espaço e comunicação visual impactante.</p><p>A arte bizantina, marcada por sua riqueza ornamental e espiritualidade,</p><p>representa uma síntese fascinante de influências orientais e ocidentais. Os</p><p>icônicos mosaicos, as pinturas religiosas e a arquitetura monumental refletem</p><p>uma estética distinta e uma compreensão profunda da espiritualidade. Ao</p><p>estudar a arte bizantina, os designers podem explorar o uso expressivo de cores,</p><p>padrões e símbolos, bem como a integração harmoniosa de elementos</p><p>arquitetônicos e decorativos.</p><p>Ao compreender e apreciar a diversidade e a profundidade da expressão</p><p>visual ao longo da história, os designers estão mais bem equipados para criar</p><p>designs significativos, impactantes e culturalmente relevantes.</p><p>TEMA 1 – ARTE NA PRÉ-HISTÓRIA</p><p>A arte na pré-história representa uma das formas mais antigas e</p><p>fascinantes de expressão humana, oferecendo um vislumbre vívido das vidas e</p><p>das crenças dos nossos antepassados distantes. Ao longo de milênios, os seres</p><p>humanos desenvolveram uma rica variedade de formas artísticas, desde as</p><p>pinturas rupestres nas paredes das cavernas até esculturas intrincadas e</p><p>artefatos cerâmicos.</p><p>4</p><p>A pré-história, que começa aproximadamente em 3 milhões de anos a.C.</p><p>e vai até a invenção da escrita, em aproximadamente 3.500 a.C., é dividida em</p><p>idades/eras. Vamos concentrar nossos estudos no Paleolítico Superior (cerca de</p><p>30.000 a.C.) e o Neolítico (cerca de 10.000 a.C.), porque é a partir desse</p><p>momento que os pesquisadores registram as primeiras manifestações artísticas.</p><p>1.1 A arte no paleolítico superior</p><p>Vem do grego paleos lithos = (velha pedra, ou = pedra lascada). Foi uma</p><p>época de clima muito frio, a última era glacial. No período do paleolítico superior</p><p>(entre 30.000 e 8.000 a.C., aproximadamente) a arte era uma forma fundamental</p><p>de expressão para os primeiros seres humanos. Durante esse longo período a</p><p>arte paleolítica passou por várias fases e manifestações, com destaque para as</p><p>famosas pinturas rupestres encontradas em abrigos rochosos e cavernas em</p><p>diferentes partes do mundo (Proença, 2001).</p><p>As pinturas rupestres são talvez as manifestações mais icônicas da arte</p><p>paleolítica. Elas foram encontradas em locais como Lascaux e Chauvet, na</p><p>França, Altamira na Espanha, e em muitos outros lugares ao redor do globo.</p><p>Essas pinturas geralmente retratavam animais selvagens, como bisões, cavalos,</p><p>mamutes e cervos, muitas vezes em cena de caça ou em poses naturais. A</p><p>principal característica dos desenhos é o naturalismo. O artista retratava apenas</p><p>o que o artista via: ele pintava os seres, um animal, por exemplo, do modo como</p><p>via, reproduzindo a natureza tal qual sua vista a captava.</p><p>As técnicas utilizadas na criação das pinturas rupestres variavam, mas</p><p>muitas envolviam o uso de pigmentos naturais, como ocre, misturados com água</p><p>ou gordura de animal, e aplicados nas paredes das cavernas com os dedos,</p><p>pincéis feitos de cabelo animal ou sopros por meio de canudos, que poderiam</p><p>ser feitos com ossos ocos, bambu ou plantas ocas. Essas pinturas revelam uma</p><p>habilidade técnica surpreendente e uma observação meticulosa da anatomia e</p><p>do comportamento dos animais.</p><p>O significado e o propósito da arte paleolítica ainda são objeto de debate</p><p>entre os estudiosos. Alguns acreditam que as pinturas rupestres tinham um</p><p>propósito ritual ou mágico, possivelmente relacionado a crenças religiosas ou à</p><p>prática de caça. Outros sugerem que elas poderiam servir como registros</p><p>narrativos ou como formas de comunicação entre os grupos humanos.</p><p>5</p><p>Figura 1 – Pinturas na caverna de Altamira, Espanha</p><p>Crédito: Luisrsphoto/Shutterstock.</p><p>Além das pinturas rupestres, outras formas de arte paleolítica incluem</p><p>gravuras em pedra, ossos e chifres, esculturas em argila ou pedra, e objetos</p><p>decorativos como colares feitos de dentes de animais ou conchas marinhas.</p><p>Embora em menor quantidade do que as pinturas rupestres, essas formas de</p><p>arte também oferecem insights valiosos sobre a vida e as crenças dos povos</p><p>paleolíticos.</p><p>Os artistas realizaram também trabalhos em esculturas. A Vênus de</p><p>Willendorf, na Figura 2, de cerca de 15.000-10.000 a.C., que está no Museu de</p><p>História Natural em Viena, na Áustria, é uma das mais antigas figuras humanas</p><p>conhecidas. Os seios enormes, o ventre protuberante e a cabeça redonda</p><p>estilizada constituem mais um amontoado</p><p>de esferas do que uma mulher</p><p>individualizada. Provavelmente é um fetiche de fertilidade, simbolizando</p><p>abundância (Strickland, 2002).</p><p>6</p><p>Figura 2 – Vênus de Willendorf</p><p>Crédito: Dan Shachar/Shutterstock.</p><p>Independentemente de seu propósito exato, a arte paleolítica reflete a</p><p>profunda conexão dos primeiros seres humanos com o mundo natural e sua</p><p>necessidade de expressar suas experiências e crenças pela arte.</p><p>1.2 A arte no Neolítico</p><p>Vem do grego neo lithos (nova pedra, ou pedra polida). No período do</p><p>neolítico, que começou por volta de 10.000 a.C. e marcou a transição da</p><p>sociedade humana de uma economia de caça e coleta para uma baseada na</p><p>agricultura e domesticação de animais, a arte continuou a desempenhar um</p><p>7</p><p>papel significativo na vida das comunidades. Foi o último período da pré-história,</p><p>de uma vida nômade para uma vida mais estabilizada. A fixação do homem,</p><p>garantida pelo cultivo da terra e pela manutenção de manadas de animais,</p><p>ocasionou um aumento rápido da população e o desenvolvimento das primeiras</p><p>instituições, como família e a divisão do trabalho. Desenvolveu a técnica de tecer</p><p>panos, fabricar cerâmica e construir as primeiras moradias. Todas essas</p><p>conquistas técnicas tiveram um forte reflexo na arte. O homem tornara-se um</p><p>camponês e seu poder de observação foi substituído pela abstração e</p><p>racionalização. A consequência imediata foi o abandono do estilo naturalista,</p><p>como a Figura 1, surgindo então um estilo simplificado e geométrico, como o</p><p>exemplo na Figura 3.</p><p>Em lugar de representações que imitam fielmente a natureza, vamos</p><p>encontrar sinais e figuras que mais sugerem do que reproduzem exatamente a</p><p>aparência os seres. Mas não foi apenas a maneira de desenhar e pintar que</p><p>sofreu modificações. Os próprios temas da arte mudaram, começaram as</p><p>representações de vida coletiva. As pessoas passaram a ser representadas em</p><p>suas atividades cotidianas. A partir daí, tiveram que dar movimento por meio da</p><p>imagem fixa. A preocupação com o movimento fez com que os artistas criassem</p><p>figuras livres, ágeis, pequenas e de pouca cor.</p><p>Figura 3 – Pintura rupestre neolítica em Tassili N’Ajjer, Argélia</p><p>Crédito: Dmitry Pichugin/Shutterstock.</p><p>8</p><p>Uma das formas mais proeminentes da arte no neolítico é a cerâmica.</p><p>Com o desenvolvimento da agricultura, as comunidades neolíticas começaram</p><p>a produzir recipientes de cerâmica para armazenar alimentos, água e outros</p><p>bens. Esses potes, vasos e jarros muitas vezes eram decorados com padrões</p><p>geométricos, figuras humanas ou animais estilizados, demonstrando uma</p><p>preocupação estética mesmo em objetos utilitários.</p><p>Figura 4 – Cerâmica Tokat, Turquia</p><p>Crédito: Savas_Bozkaya/Shutterstock.</p><p>O significado e o propósito da arte no neolítico continuam a ser objeto de</p><p>debate entre os estudiosos. Alguns sugerem que ela poderia ter tido um papel</p><p>ritual ou religioso, possivelmente associado a práticas agrícolas ou crenças</p><p>relacionadas à fertilidade. Outros argumentam que ela poderia ter servido como</p><p>uma forma de comunicação visual entre as comunidades, ou como uma</p><p>expressão da identidade cultural e da coesão social.</p><p>O homem do neolítico começou também a abandonar as cavernas e a</p><p>construir suas próprias moradias. Dessas construções são conhecidas os</p><p>nuragues – edificações em pedra, sem nenhuma argamassa e em forma de cone</p><p>truncado.</p><p>9</p><p>Figura 5 – Nuragues, Aldeia de Barumini, na Sardenha, Itália</p><p>Crédito: Adwo/Shutterstock.</p><p>São também desse período as construções denominadas dolmens.</p><p>Consistem em duas ou mais pedras grandes fincadas verticalmente no chão,</p><p>como se fossem paredes, e em uma grande pedra colocada horizontalmente</p><p>sobre elas, parecendo um teto. O porquê dessas construções ainda não foi</p><p>suficientemente esclarecido pela história e pela antropologia. Algumas teorias</p><p>sugerem que foi usado como um observatório astronômico para marcar eventos</p><p>como solstícios e equinócios. Outras teorias propõem que era um local religioso</p><p>ou cerimonial.</p><p>No santuário de Stonehenge, na Inglaterra, os monumentos em pedra</p><p>estão dispostos em forma circular e de ferradura. O círculo exterior tem 100 m</p><p>de diâmetro e as pedras que servem de pilares medem 4,20 m de altura. Dada</p><p>a disposição dos dolmens, de acordo com um plano preestabelecido, essa</p><p>construção pode ser considerada uma das primeiras obras de arquitetura que a</p><p>história registra.</p><p>10</p><p>Figura 6 – O círculo de Stonehenge, Inglaterra</p><p>Crédito: Drone Explorer/Shutterstock.</p><p>Se liga!</p><p>11</p><p>TEMA 2 – ARTE EGÍPCIA</p><p>A arte egípcia é produzida entre 3.100 a.C. a 332 a.C. Essa civilização é</p><p>formada no vale do Rio Nilo. O povo vivia da agricultura. A planta papiro era</p><p>usada para produzir o papel. Havia muitas riquezas, como o ouro, o cobre e a</p><p>turquesa. O Egito passou por 30 dinastias de faraós (reis egípcios). Sua mais</p><p>alta preocupação era garantir uma vida após a morte confortável para seus</p><p>soberanos, que eram considerados deuses. A colossal arquitetura e as obras de</p><p>arte existiam para cercar o espírito do faraó de glória eterna. O Egito sustentou</p><p>o primeiro estado unificado de grande porte durante três milênios.</p><p>2.1 A Religião</p><p>Além de crer em deuses que poderiam interferir na história humana, os</p><p>egípcios acreditavam também na vida após a morte, que consideravam mais</p><p>importante do que a que viviam no presente. Inevitavelmente, a arte criada por</p><p>esse povo refletiu suas crenças fundamentais. Dessa forma, a arte egípcia</p><p>concretizou-se, desde o início, nos túmulos, nas estatuetas e nos vasos deixados</p><p>junto aos mortos. Determinante de toda vida e cultura egípcia. Baseada na vida</p><p>após a morte, a religião tinha um culto fúnebre e conferia à vida egípcia o aspecto</p><p>de transitoriedade. O que importava era estar preparado para a morte e a</p><p>ressurreição para a vida eterna. O embalsamento (mumificação) era para</p><p>garantir a preservação do corpo e tem relação com a crença na vida após a</p><p>morte: se o corpo ficasse conservado, a alma poderia retornar a ele. No início da</p><p>civilização egípcia, os faraós eram considerados uma espécie de divindade e</p><p>mais tarde seriam vistos como uma espécie de parentes dos deuses. Sua alma</p><p>após a morte deveria retornar para junto dos deuses. Para isso, seu corpo</p><p>precisaria ser facilmente identificável (motivo das tantas esculturas do faraó no</p><p>tampo do sarcófago e no interior da câmara mortuária) e o padrão de vida que</p><p>levava aqui na terra seria recriado no plano espiritual. Para isso, o faraó teria que</p><p>levar consigo seu tesouro, comida, pertences, escravos etc.</p><p>2.2 A arte</p><p>A arte egípcia estava intimamente ligada à religião, servindo de veículo</p><p>para a difusão dos preceitos e das crenças religiosas. Por isso, era bastante</p><p>padronizada, não dando margem à criatividade ou à imaginação pessoal. Assim,</p><p>12</p><p>os artistas egípcios foram criadores de uma arte anônima, pois a obra deveria</p><p>revelar um perfeito domínio das técnicas de execução, e não o estilo do artista.</p><p>Mais uma vez, lembramos que as obras egípcias não foram criadas como “arte</p><p>pela arte”; todas tinham função. Na pintura e nos baixos-relevos existiam muitas</p><p>regras a serem seguidas. Dentre delas, a lei da frontalidade, que tanto</p><p>caracterizava a arte egípcia, era rigidamente obrigatória. Essa lei determinava</p><p>que o tronco fosse representado sempre de frente, enquanto sua cabeça, suas</p><p>pernas e seus pés eram vistos de perfil. A arte não deveria apresentar uma</p><p>reprodução naturalista que sugerisse ilusão à realidade. O observador não</p><p>poderia confundir o desenho com o próprio ser humano real, e sim identificá-lo</p><p>apenas como uma representação.</p><p>Figura 7 – Tumba de Nefertari, Luxor, Egito</p><p>Crédito: Randa G/Shutterstock.</p><p>Na escultura, a arte egípcia desenvolveu uma expressividade que</p><p>surpreende o observador. A estátua revela dados particulares do retratado: sua</p><p>fisionomia, seus traços</p><p>raciais e sua condição social.</p><p>13</p><p>Figura 8 – Escriba egípcio, Museu do Cairo, Egito</p><p>Crédito: Ivan Moreno Sl/Shutterstock.</p><p>2.3 A arquitetura</p><p>As edificações mais notáveis foram monumentos religiosos e mortuários,</p><p>construídos em pedra para durar para sempre. A arquitetura era monumental,</p><p>religiosa, pois retratava a vida além-túmulo, e tinha um caráter pétreo, ou seja,</p><p>feito de pedra, devido ao clima rigoroso e à abundância de pedras. As mais</p><p>utilizadas eram o calcário, o basalto, granitos e arenitos. Eram usados também</p><p>grossos adobes (tijolos de barro misturados com vegetação, secos ao sol). Eram</p><p>usados troncos de palmeiras, junco e outros vegetais.</p><p>Mas são as pirâmides do deserto de Gizé as obras arquitetônicas mais</p><p>famosas. Foram construídas por importantes reis do Antigo Império: Quéops,</p><p>Quéfren e Miquerinos. A maior, a de Quéops, tem 146 metros de altura. Esse</p><p>monumento revela o domínio que os egípcios demonstraram em sua técnica de</p><p>construção, pois não existe nenhuma espécie de argamassa entre os blocos de</p><p>pedra que formam suas imensas paredes.</p><p>14</p><p>Figura 9 – Pirâmide de Gizé, Egito</p><p>Crédito: Samarabbas101/Shutterstock.</p><p>Saiba mais</p><p>Para saber mais sobre o assunto, leia: BATTISTONI FILHO, D. Pequena</p><p>história da arte. 1. ed. Campinas: Papirus, 2022. Capítulo 3 – Arte Egípcia, p.</p><p>7.</p><p>TEMA 3 – ARTE GREGA</p><p>A arte grega, desde seus primórdios, tinha uma função prática, fosse</p><p>ornamentar os templos dos deuses ou enfeitar um jarro. Em todos os níveis, o</p><p>artista era considerado um membro útil da sociedade, respeitado por sua</p><p>habilidade artesanal. A arte grega é simplesmente o nascimento da arte</p><p>ocidental. Reconhecemo-nos esteticamente nela, e ao contemplar outras</p><p>tradições artísticas, tendemos a, às vezes de modo inconsciente, torná-la como</p><p>modelo de referência. Dos povos da antiguidade, os que apresentaram uma</p><p>produção cultural mais livre foram os gregos. Eles não se submeteram às</p><p>imposições de sacerdotes ou de reis autoritários e valorizaram especialmente as</p><p>ações humanas, na certeza de que o homem era a criatura mais importante do</p><p>universo. Assim, o conhecimento, por meio da razão, esteve sempre acima da</p><p>fé em divindades. Destaque para a filosofia, literatura e artes. Na religião, eles</p><p>eram politeístas (ou seja, cultuavam vários deuses) e seres mitológicos faziam</p><p>15</p><p>parte do imaginário popular. Não eram dominados pela religião, e, sim,</p><p>inspirados por ela. Diversos templos foram construídos usando pedra e</p><p>mármore. Tornou-se uma província romana em 150 a.C.</p><p>3.1 A pintura</p><p>Na Grécia, como em outras civilizações, a pintura apareceu como</p><p>elemento de decoração da arquitetura. Vastos painéis pintados recobriam as</p><p>paredes das construções. Entretanto, a pintura grega encontrou também uma</p><p>forma de realização na arte da cerâmica. Os vasos gregos são conhecidos não</p><p>só pelo equilíbrio de sua forma, mas também pela harmonia entre o desenho, as</p><p>cores e o espaço utilizado para a ornamentação.</p><p>Após o ano 800 a.C., surge o mais antigo estilo caracteristicamente grego</p><p>na pintura de cerâmicas, o chamado estilo geométrico. Esse período foi</p><p>caracterizado por uma abordagem artística que enfatizava formas simples e</p><p>padrões geométricos, como linhas retas, círculos, triângulos e padrões</p><p>repetitivos. Essas cerâmicas tinham uma função prática e eram frequentemente</p><p>usadas como recipientes para armazenar água, vinho, azeite e alimentos</p><p>(Janson, 1996).</p><p>Figura 10 – Vaso em estilo geométrico</p><p>Crédito: Lefteris Papaulakis/Shutterstock.</p><p>16</p><p>O período Arcaico foi a época áurea da pintura em cerâmica. No estilo</p><p>de figura negra, adotado no final desse período, as figuras se destacavam em</p><p>negro contra fundo avermelhado. O artista riscava os detalhes do desenho com</p><p>uma agulha, expondo a tonalidade da argila (Strickland, 2002). As pinturas dos</p><p>vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e cenas da mitologia</p><p>grega.</p><p>Figura 11 – Figura negra</p><p>Crédito: Hoika Mikhail/Shutterstock.</p><p>O estilo de figura vermelha, que teve início por volta de 530 a.C., invertia</p><p>o esquema de cores. As figuras delineadas contra fundo negro eram compostas</p><p>pelo vermelho natural da argila com os detalhes pintados em preto. O efeito</p><p>conseguido com essa inversão cromática, foi, sobretudo, dar maior vivacidade</p><p>às figuras.</p><p>17</p><p>Figura 12 – Figura vermelha</p><p>Crédito: Mitzo/Shutterstock.</p><p>3.2 A escultura</p><p>Aproximadamente no final do século VII a.C., os gregos começaram a</p><p>esculpir, em mármore, grande figuras de homens. Era evidente, nessas</p><p>esculturas, a influência do Egito, não como só fonte inspiradora, mas também da</p><p>própria técnica de esculpir grandes blocos. Existem três períodos distintos:</p><p>• O período arcaico: o escultor grego acreditava que uma estátua que</p><p>representasse um homem não deveria ser apenas semelhante a um</p><p>homem, mas também um objeto belo em si mesmo. Apreciavam a simetria</p><p>natural do corpo humano. O artista esculpia as figuras masculinas nuas e</p><p>eretas e em rigorosa posição frontal, com o peso distribuído igualmente</p><p>sobre as duas pernas.</p><p>18</p><p>Figura 13 – Kouros (homem jovem)</p><p>Crédito: Bill Anastasiou/Shutterstock.</p><p>19</p><p>• O período clássico: os artistas gregos não estavam submetidos a</p><p>convenções rígidas, pois as estátuas não tinham uma função religiosa,</p><p>como no Egito. Em vista disso, a escultura grega pôde evoluir livremente.</p><p>Na procura da superação da rigidez das estátuas, o mármore mostrou-se</p><p>um material inadequado, era pesado demais e se quebrava sob seu</p><p>próprio peso, quando determinadas partes do corpo não estavam</p><p>apoiadas. A solução para esse problema foi trabalhar esculturas em</p><p>bronze, pois esse material permitia ao artista criar figuras que</p><p>expressassem melhor o movimento (Proença, 2001).</p><p>Figura 14 – Zeus de Artemísio</p><p>Crédito: Arne Beruldsen/Shutterstock.</p><p>• O período helenístico: comparada às estátuas clássicas, a escultura do</p><p>período helenístico mostra, em geral, um realismo e expressividade</p><p>acentuados, bem como uma maior experimentação com os tecidos e a</p><p>postura, que frequentemente exibem um movimento de torsão</p><p>considerável. A escultura do século IV a.C. apresentava traços bem</p><p>característicos. O primeiro deles é o crescente naturalismo: os seres</p><p>humanos não eram representados apenas de acordo com a idade e a</p><p>personalidade, mas também segundo as emoções e o estado de espírito</p><p>de um momento. Outro é a representação, sob forma humana, de</p><p>conceitos e sentimentos, como a paz, o amor, a liberdade e a vitória. Um</p><p>terceiro é o surgimento do nu feminino, pois nos períodos arcaico e</p><p>clássico as figuras de mulher eram esculpidas sempre vestidas.</p><p>20</p><p>Figura 15 – Vênus de Milo</p><p>Crédito: Cosmin Sava/Shutterstock.</p><p>3.3 A arquitetura</p><p>As realizações gregas em arquitetura têm sido identificadas, desde os</p><p>tempos romanos antigos, com a criação das três ordens arquitetônicas clássicas:</p><p>a dórica, a jônica e a coríntia. Dentre elas, a dórica pode muito bem ser</p><p>considerada a ordem básica, sendo mais antiga e mais exatamente definida que</p><p>a jônica; a coríntia é uma variante da última (Figura 17).</p><p>O grande feito da arquitetura grega foi muito mais que apenas belos</p><p>edifícios. Os templos gregos são regidos por uma lógica estrutural que os faz</p><p>parecer estáveis devido à organização harmoniosa de suas partes. Os gregos</p><p>tentaram regular seus templos de acordo com a harmonia da natureza,</p><p>construindo-os segundo unidades calculadas, tão proporcionais que estariam</p><p>todas em perfeita harmonia (“perfeito” era um conceito que significava tanto para</p><p>os gregos quanto “eterno” significava para os egípcios).</p><p>Os gregos clássicos não se preocupavam muito com finos palácios ou</p><p>com a ornamentação de suas modestas casas. No entanto, eram pródigos em</p><p>21</p><p>facilidades para beneficiar a população, como estruturas para a transação de</p><p>negócios públicos ou para</p><p>competições de atletas.</p><p>Figura 16 – Parthenon, Grécia</p><p>Crédito: Victoria Kurylo/Shutterstock.</p><p>Se liga!</p><p>22</p><p>Dica</p><p>Das três ordens gregas, a dórica é a mais antiga e sólida; a coluna não</p><p>tem base, tem corpo canelado e um capitel (parte superior da coluna) simples. A</p><p>coluna jônica é um desenvolvimento mais leve da dórica; o corpo canelado da</p><p>coluna tem uma base e um capitel com volutas (ornamento em espiral). A</p><p>coríntia, com seu plinto (base quadrangular da coluna) e corpo canelado, é uma</p><p>variação da jônica e tem um capitel ornamentado característico.</p><p>Figura 17 – Ordens das colunas gregas</p><p>Crédito: Julie A. Felton/Shutterstock.</p><p>TEMA 4 – ARTE ROMANA</p><p>Fundado em 753 a.C., o império romano foi a última fase do mundo</p><p>clássico. Civilização descendente dos etruscos, povo que vivia em Roma quando</p><p>derrotados pelos romanos. Os etruscos recebiam influência da Grécia. De uma</p><p>23</p><p>simples vila, transforma-se em cidade-estado, e por meio de guerras e</p><p>conquistas, em grande império. Quando declina (devido a sucessões de</p><p>governantes imaturos e a vitória do cristianismo), Roma volta à condição de</p><p>simples vila. Na religião, eram politeístas e, assim como os gregos, não eram</p><p>dominados por ela. Declínio do império romano acontece em 476 d.C.</p><p>(Strickland, 2002).</p><p>4.1 A pintura</p><p>Os romanos não possuíam a sensibilidade artística dos gregos. Tomavam</p><p>para si o que de melhor encontravam em outras culturas, sem alterar muito. A</p><p>maior parte das pinturas romanas que conhecemos hoje provém das cidades de</p><p>Pompeia e Herculano, que foram soterradas pela erupção do Vesúvio em 79 d.C.</p><p>As pinturas faziam parte das decorações em afresco (pintura feita em um</p><p>revestimento de argamassa ainda fresco) dos interiores.</p><p>Figura 18 – Afresco na cidade de Pompeia, Itália</p><p>Crédito: Adryphoto1/Shutterstock.</p><p>24</p><p>4.2 A escultura</p><p>Os romanos eram grandes admiradores da arte grega. Por serem realistas</p><p>e práticos, suas esculturas são uma representação fiel das pessoas, e não a de</p><p>um ideal de beleza humana, como fizeram os gregos. Retratavam os traços</p><p>particulares de uma pessoa, mas eram muito influenciados pela arte grega.</p><p>Embora os romanos tivessem copiado maciçamente a estatuária grega,</p><p>desenvolveram gradualmente um estilo próprio. Os romanos tinham em casa</p><p>máscaras mortuárias, feitas em cera, dos ancestrais, essas imagens realísticas</p><p>eram moldes totalmente reais das feições do falecido. Havia também a produção</p><p>em série de bustos, semelhantes a deuses, de imperadores, políticos e líderes</p><p>militares, dispostos nos prédios públicos de toda a Europa, reafirmando uma</p><p>presença política a milhares de quilômetros de Roma. Outra corrente importante</p><p>da escultura romana foi o relevo narrativo. Painéis de figuras esculpidas</p><p>representando feitos militares decoravam arcos de triunfo, sob os quais</p><p>desfilavam os exércitos vitoriosos conduzindo longas filas de prisioneiros</p><p>acorrentados.</p><p>Figura 19 – Coluna de Trajano em Roma e detalhe dos relevos</p><p>Crédito: Ruth Swan/Shutterstock; Paolo Grandi/Shutterstock.</p><p>4.3 A arquitetura</p><p>Se a autonomia da escultura e pintura romanas têm sido questionada, a</p><p>arquitetura romana é uma proeza criativa de tal magnitude que exclui quaisquer</p><p>dúvidas. Desde o primeiro instante, refletiu uma forma especificamente romana</p><p>de vida pública e privada. Os romanos aprenderam muito sobre a arte de</p><p>construir com os etruscos (povo antigo que viveu onde é hoje a região da</p><p>Toscana, Itália). Talvez a única característica mais importante desse legado</p><p>25</p><p>etrusco tenha sido o arco. É muito difícil pensar no desenvolvimento da capital</p><p>romana sem o arco e o sistema de construção de abóbodas (cobertura curvada)</p><p>que dele se origina. Quando se tratava de fornecer aos cidadãos tudo aquilo de</p><p>que necessitavam, da água à diversão em grande escala, o modelo grego não</p><p>era mais suficiente, então novas formas radicais tiveram de ser criadas, bem</p><p>como materiais mais baratos e métodos mais rápidos tiveram de ser utilizados.</p><p>Figura 20 – Coliseu, Roma</p><p>Crédito: Levy/Shutterstock.</p><p>Saiba mais</p><p>Para saber mais sobre a temática, leia: REIS, E. V. Manual compacto de</p><p>arte. 1. ed. São Paulo: Rideel, 2010. Capítulo 3, p. 41-43.</p><p>TEMA 5 – ARTE BIZANTINA</p><p>Em 395, o imperador Teodósio dividiu em duas partes o imenso território</p><p>que dominava: o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente.</p><p>O Império Romano do Ocidente, que ficou com a capital em Roma, sofreu</p><p>sucessivas ondas de invasões bárbaras até cair completamente, no ano de 476,</p><p>data que marca o fim da Idade Antiga e o início da Idade Média.</p><p>26</p><p>Já o Império Romano do Oriente tinha como cidade capital</p><p>Constantinopla. Constantinopla foi fundada pelo imperador Constantino, em 330,</p><p>no local onde ficava Bizâncio, antiga colônia grega, atualmente Istambul. Essa</p><p>parte oriental do Império Romano conseguiu manter sua unidade até 1453,</p><p>quando os turcos tomaram sua capital (Proença, 2001).</p><p>A afirmação do cristianismo coincidiu historicamente com o momento de</p><p>esplendor da capital do Império Bizantino. A arte cristã depois da oficialização</p><p>do cristianismo, em 380, assume um caráter majestoso, que exprime poder e</p><p>riqueza. A arte bizantina tinha um objetivo: expressar a autoridade absoluta do</p><p>imperador, considerado sagrado, representante de Deus e com poderes</p><p>temporais e espirituais.</p><p>5.1 Os mosaicos</p><p>Para que a arte atingisse melhor esse objetivo, uma série de convenções</p><p>foi estabelecida. Uma delas foi a frontalidade, em que as figuras eram sempre</p><p>retratadas de frente, pois a postura rígida da figura leva o observador a uma</p><p>atitude de respeito e veneração pelo personagem representado. Por outro lado,</p><p>quando o artista reproduz frontalmente as figuras, ele mostra um respeito pelo</p><p>observador, que vê nos soberanos e nas personagens sagradas seus senhores</p><p>e protetores.</p><p>Além da frontalidade, outras regras minuciosas foram estabelecidas pelos</p><p>sacerdotes para os artistas, determinando o lugar de cada personagem sagrado</p><p>na composição e indicando como deveriam ser os gestos, as mãos, os pés, as</p><p>dobras das roupas e os símbolos. A representação de personalidades oficiais</p><p>sugeria que se tratava de personagens sagrados. O Imperador Justiniano e a</p><p>Imperatriz Teodora, por exemplo, chegaram a ser representados com uma</p><p>auréola na cabeça, símbolo usado para caracterizar as figuras sagradas. Cristo,</p><p>por exemplo, aparecia como um rei e Maria como uma rainha.</p><p>Será conveniente usarmos como exemplo dos mosaicos sob o reinado de</p><p>Justiniano o retrato do próprio cercado por seus cortesãos, que sobreviveu em</p><p>boas condições na Igreja de San Vitale em Ravena (Itália). Aqui encontramos</p><p>um novo ideal de beleza humana: figuras extraordinariamente altas e esguias,</p><p>com pés minúsculos, pequenos rostos em forma de amêndoa, dominados por</p><p>grandes olhos, e corpos que só parecem capazes de gestos cerimoniais, além</p><p>da exibição de trajes magníficos.</p><p>27</p><p>Figura 21 – Mosaico bizantino do Imperador Justiniano, Ravena, Itália</p><p>Crédito: Wjarek/Shutterstock.</p><p>Dica</p><p>O mosaico consiste na colocação, lado a lado, de pequenos pedaços de</p><p>pedras de cores diferentes sobre uma superfície de gesso ou argamassa. Essas</p><p>pedrinhas coloridas são dispostas de acordo com o desenho previamente</p><p>determinado. Em seguida, a superfície recebe uma solução de cal, areia e óleo</p><p>que preenche os espaços vazios, aderindo melhor os pedacinhos de pedra.</p><p>Como resultado obtém-se uma obra semelhante a uma pintura.</p><p>5.2 Pintura e escultura</p><p>O desenvolvimento da pintura e escultura bizantinas após a era de</p><p>Justiniano (que governou desde 527 até à sua morte, em 565) foi rompido devido</p><p>à Questão Iconoclasta, que se iniciou com um decreto imperial de 726, proibindo</p><p>as imagens religiosas, e que vigorou por mais de 100 anos. As raízes do conflito</p><p>eram muito profundas: no plano teológico envolviam a questão básica da</p><p>relação</p><p>entre o humano e o divino na pessoa de Cristo, enquanto social e politicamente</p><p>refletiam uma luta pelo poder entre Estado e Igreja. O decreto conseguiu reduzir</p><p>muito a produção de imagens sagradas, mas não foi capaz de eliminá-las</p><p>totalmente (Janson, 1996).</p><p>28</p><p>5.3 Os ícones</p><p>Além dos trabalhos em mosaicos, os artistas bizantinos criaram os ícones,</p><p>uma nova forma de expressão artística na pintura.</p><p>A palavra ícone é grega e significa “imagem”. Como trabalho artístico, os</p><p>ícones são quadros que representam figuras sagradas como Cristo, a Virgem,</p><p>os apóstolos, santos e mártires. Em geral, são bastante luxuosos, conforme o</p><p>gosto oriental pela ornamentação suntuosa.</p><p>Geralmente, os ícones eram venerados nas igrejas, mas não era raro</p><p>encontrá-los nos oratórios familiares, mantendo-se por muito tempo como</p><p>expressão artística e religiosa.</p><p>Figura 22 – Ícone Virgem Maria</p><p>Crédito: Kocetoiliev/Shutterstock.</p><p>29</p><p>5.4 A arquitetura</p><p>A mudança do estilo greco-romano para o bizantino refletiu uma mudança</p><p>religiosa. Sob o paganismo (grego e romano), o projeto arquitetônico enfatizava</p><p>a aparência externa, exatamente como a religião oficial exigia obediência</p><p>aparente, mas nenhuma convicção sincera. Da mesma forma, os templos</p><p>romanos eram apenas aparência, sem acontecimentos internos (as cerimônias</p><p>eram realizadas do lado de fora, em frente aos templos). No cristianismo, dava-</p><p>se o oposto, a ênfase era na conversão interna, e as novas formas das igrejas</p><p>investiam no visual dos interiores das construções.</p><p>Justiniano, imperador do império do oriente, em Constantinopla,</p><p>revolucionou não apenas a construção de igrejas, mas a arquitetura como um</p><p>todo, com um dos mais magníficos e aventurosos edifícios de todos os tempos,</p><p>a igreja Hagia Sophia, ou Basílica de Santa Sophia (construção entre 532 a 537).</p><p>Ela foi, de longe, a maior das 30 igrejas ou mais que ele ergueu durante seu</p><p>reinado.</p><p>Essa igreja apresenta a marca mais significativa da arquitetura bizantina:</p><p>o equilíbrio de uma grande cúpula sobre uma planta quadrada. A cúpula é</p><p>formada por quatro arcos e ampliada por duas absides (nicho semicircular de</p><p>teto abobadado) que, por sua vez, são ampliados por mais cinco pequenas</p><p>absides.</p><p>Figura 23 – Basílica Hagia Sophia, Istambul, Turquia</p><p>Crédito: Mehmet Cetin/Shutterstock; Vvoe/Shutterstock.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>Sugerimos que realize uma pesquisa sobre a arte grega e romana.</p><p>Depois, faça uma análise das características estilísticas da escultura, incluindo</p><p>30</p><p>a representação idealizada do corpo humano e a busca pela expressão de</p><p>emoções. Em seguida, sugerimos discutir sobre suas conclusões no fórum com</p><p>os colegas.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Estudamos os estilos de arte da antiguidade. Várias culturas diferentes,</p><p>mas com uma mesma finalidade: a de contar suas histórias. Agora, faça uma</p><p>comparação com imagens gregas e romanas, marcando as semelhanças e</p><p>diferenças entre elas. Como, na arquitetura, o Parthenon e o Coliseu, ou as</p><p>esculturas Discóbolo, de Míron, e Augusto, de Prima Porta.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Vimos uma jornada fascinante que reflete a evolução da civilização</p><p>humana. Começando com as pinturas rupestres e esculturas simples da Pré-</p><p>História, vemos uma progressão para a grandiosidade da arte egípcia e a</p><p>perfeição idealizada da arte grega. A influência romana expandiu as fronteiras</p><p>da escultura e da arquitetura, enquanto o surgimento do Cristianismo deu origem</p><p>à arte bizantina, marcada por mosaicos e ícones religiosos. Cada período e</p><p>cultura contribuíram para um legado artístico, demonstrando uma variedade de</p><p>estilos, técnicas e temas que continuam a inspirar e influenciar a arte</p><p>contemporânea.</p><p>31</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>CARR-GOMM, S. Dicionário de símbolos na arte: guia ilustrado da pintura e</p><p>da escultura ocidentais. Bauru: Edusc, 2004.</p><p>CLOTTES, J. World Rock Art. Los Angeles: Getty Publications, 2002.</p><p>GLANCEY, J. A história da arquitetura. São Paulo: Loyola, 2001.</p><p>GOMBRICH, E. H. A História da arte. Rio de Janeiro: LTC, 2013.</p><p>GUTHRIE, R. D. The Nature of paleolithic art. Chicago: University of Chicago</p><p>Press, 2005.</p><p>JANSON, H. W. Iniciação à história da arte. São Paulo: Martins Fontes, 1996.</p><p>LEWIS-WILLIAMS, D. The mind in the cave. Consciousness and the origins of</p><p>art. London: Thames & Hudson, 2002. Tradução castelhana: La mente en la</p><p>caverna. La conciencia y los orígenes del arte. Madrid: Akal, 2005.</p><p>PEARSON, M. P.; POLLARD, J.; RICHARDS, C.; THOMAS, J. and WELHAM,</p><p>K. Stonehenge: Making Sense of a Prehistoric Mystery. York: Council for British</p><p>Archaeology, 2015.</p><p>PROENÇA. G. História da arte. São Paulo: Ática, 2001.</p><p>PROUS, A. A arte rupestre brasileira-Arqueologia brasileira. 1. ed. Brasília:</p><p>Editora da UNB, 1992.</p><p>SHERRATT, A. The Cambridge Encyclopedia of Archaeology. Cambridge</p><p>University Press, 1980.</p><p>STRICKLAND, C. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. Rio de</p><p>Janeiro: Ediouro, 2002.</p><p>______. Arquitetura comentada: uma breve viagem pela história da arquitetura.</p><p>Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.</p><p>WATKIN, D. História da arquitetura ocidental. Londres: Konemann, 2001.</p><p>Conversa inicial</p><p>Contextualizando</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>Na prática</p><p>FINALIZANDO</p><p>REFERÊNCIAS</p>

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