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A Órfã Quando eu tinha onze anos, meus pais morreram em um acidente de carro.Fui adotado por um senhor chamado José e sua família. Morávamos numa lindamansão afastada da cidade. Vivi anos felizes nela, até que um dia, meus paisadotaram também uma menina de nome Anna.A princípio, ela se mostrou amável. Fiquei alegre e meu irmão mais novotambém. Anna chegou com poucos pertences na bolsa e ficou comovida com oquarto que ganhou.Mas algo estranho me deixou intrigado. Ela não deixou ninguém mexer emsua bolsa e, dentro dela tinha apenas uma escova de cabelo, um espelho redondo epoucos vestidos.Para a sua idade – doze anos – era muito esperta e inteligente.Nas brincadeiras, não se mostrou amigável, chegando a provocar acidentescom meu irmão. Comecei, então, a observá-la. Notei que seus modos eramdissimulados e estranhos.Desconfiado, fui até o seu quarto e, investigando os seus pertences, umruído me chamou atenção e, com medo, entrei embaixo da cama para esconder-mee a vi entrando.Começou a cantar uma melodia estranha que eu não entendia. Pegou apequena bolsa e de lá tirou o espelho. Notei que olhava sua imagem refletida commuita atenção. Quando olhei, não acreditei no que vi: ou a imagem estavadistorcida, ou era outra pessoa com o rosto totalmente envelhecido. Conseguir sairdo quarto e apavorado, contei para a minha mãe que não acreditou. E Anna atrásda porta ouviu toda a conversa. Começou, então, a me amedrontar.Até que um dia, eu a desafiei. Peguei o espelho e pedi que ela se olhasse nafrente de meus pais. Ela se negou a fazer, e meus pais disseram por que não. Elacontinuou negando.Dois dias se passaram. Fomos a um passeio e, no meio do caminho,avistamos uma pequena igreja. Quando entramos, uma surpresa: cadê Ana? Haviadesaparecido. De repente, ruídos no fundo da igreja me chamaram a atenção.Quando olhei, Anna estava dentro do espelho com os olhos vermelhos. Ela disse: -Eu voltarei! Ah, ah, ah, ah!Passados vinte e quatro anos, pessoas ainda dizem que vê o rosto da órfãno espelho da igreja. ( Raikom e Rômullo. Alunos do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011)