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CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 1 Direito Constitucional (Ponto 9) Poder Legislativo. Processo Legislativo. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 2 CURSO MEGE Site para cadastro: www.mege.com.br Celular / Whatsapp: (99) 982622200 (Tim) Turma: Clube Delta Material: Direito Constitucional (Ponto 9) Direito Constitucional (Ponto 9) Poder Legislativo. Processo Legislativo. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 3 SUMÁRIO CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA ...................................................................... 4 1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 5 1.1. PODER LEGISLATIVO .................................................................................................. 5 2. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................ 80 3. QUESTÕES ................................................................................................................... 86 4. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 95 CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 4 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA (Conforme Edital Mege) DIREITO CONSTITUCIONAL Poder Legislativo. Processo Legislativo. (Ponto 9) CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 5 1. DOUTRINA (RESUMO) 1.1. PODER LEGISLATIVO 1.1.1. ORGANIZAÇÃO, ATRIBUIÇÕES, PRERROGATIVAS E VEDAÇÕES O Brasil adota o modelo de separação de poderes atenuado, de sorte que todos os poderes não exercem exclusivamente as funções denominadas típicas, mas também desempenham funções denominadas atípicas, isto é, assemelhadas às funções típicas de outros poderes. Tendo em conta essa nova feição do princípio da separação dos poderes, a doutrina americana consolidou o mecanismo de controles recíprocos entre os poderes, denominado sistema de freios e contrapesos (check and balances). Esse mecanismo visa garantir o equilíbrio e a harmonia entre os poderes, por meio do estabelecimento de controle recíproco. Não se trata de subordinação de um poder a outro, mas, sim, de mecanismos limitadores específicos impostos pela própria Constituição. 1.1.1.1. Funções Ao consagrar o princípio da separação de poderes, a CF de 1988 atribuiu funções determinadas a cada um dos três poderes, mas não de forma exclusiva. Todos eles possuem funções típicas e também funções atípicas, que ora são exercidas para a consecução de suas finalidades precípuas, ora para impor limites à atuação dos demais poderes, no âmbito do mecanismo de freios e contrapesos (checks and balances). As funções típicas do Poder legislativo são LEGISLAR e FISCALIZAR. No desempenho da função legislativa, cabe a ele, obedecidas as regras constitucionais do processo legislativo, elaborar normas jurídicas gerais e abstratas. Em cumprimento à função fiscalizadora, cabe ao Congresso Nacional realizar a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Poder Executivo, bem como investigar fato determinado, por meio da criação de CPI. As funções atípicas do Poder Legislativo são administrar e julgar. O Legislativo exerce função atípica administrativa quando, por exemplo, dispõe sobre sua organização interna ou sobre a criação dos cargos públicos de suas Casas, a nomeação, a promoção e a exoneração de seus servidores. O desempenho da função atípica de julgar ocorre, especialmente, quando o Senado Federal julga certas autoridades da República nos crimes de responsabilidade (CF, art. 52, I, II e parágrafo único). 1.1.1.2. Estrutura do Poder Legislativo federal A análise do Poder legislativo (ou, de modo mais técnico, órgão legislativo) deve ser empreendida levando em conta a forma de estado introduzida no Brasil (federação), CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 6 verificando-se de que modo ocorre a sua manifestação em âmbito federal, estadual, distrital e municipal. Assim, diz-se que no Brasil vigora o bicameralismo federativo, no âmbito federal, ou seja, o Poder Legislativo Federal é bicameral, isto é, composto por duas Casas: a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, a primeira constituída por representantes do povo e a segunda, por representantes dos Estados-Membros e do Distrito Federal. Diz-se bicameralismo federativo porque o Senado Federal é composto de representantes dos Estados e do DF, de forma paritária (3 representantes cada Estado), assegurando-se o equilíbrio entre eles. Já a Câmara dos Deputados é composta de representantes do povo, proporcionalmente à população de cada ente federado. Pelo exposto, outra não poderia ser a redação do art. 44 da CF/88, que diz: “o Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal”. Já nos Estados, no Distrito Federal e nos municípios o Legislativo é unicameral. A Câmara do DF é chamada Câmara Legislativa. 1.1.1.3. Composição 1.1.1.3.1. Congresso Nacional O Poder Legislativo Federal, conforme destacado é bicameral, exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Essa forma de composição do Legislativo federal está ligada à opção do constituinte pela forma federativa de Estado, o que fez nascer o chamado bicameralismo federativo, como visto acima. OBSERVAÇÃO: No Brasil, a participação dos estados e do DF no processo legislativo nacional dá-se por meio do Senado Federal. Neste sentido, municípios não participam da formação da vontade nacional, haja vista que não têm representantes no legislativo federal. Em regra, o Congresso Nacional atua por meio da manifestação das duas Casas Legislativas, em separado, situação em que as proposições tramitam pelas duas Casas e essas, de forma autônoma e sem subordinação, sobre elas deliberam. Mas, há situações excepcionais em que a Constituição exige o trabalho simultâneo das duas Casas, hipótese em que temos a denominada SESSÃO CONJUNTA. Na sessão conjunta as Casas atuam ao mesmo tempo, embora as deliberações sejam em separado, isto é, a contagem de votos se dá entre os pares de cada casa. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 7 Art. 57 – (...) § 3º - Além de outroscasos previstos nesta Constituição, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal reunir-se-ão em sessão conjunta para: I - inaugurar a sessão legislativa; II - elaborar o regimento comum e regular a criação de serviços comuns às duas Casas; III - receber o compromisso do Presidente e do Vice-Presidente da República; IV - conhecer do veto e sobre ele deliberar. Dentre outros casos previstos na CF em que as casas atuarão em sessão conjunta, merece destaque a reunião para discussão da votação da lei orçamentária: Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento comum. MEMORIZE as seguintes hipóteses de deliberações em sessão conjunta das Casas do Congresso Nacional: - inaugurar a sessão legislativa; - elaborar o regimento comum e regular a criação de serviços comuns às duas Casas; - receber o compromisso do Presidente e do Vice-Presidente da República; - conhecer do veto e sobre ele deliberar (a apreciação do veto presidencial é feita em sessão conjunta, em 30 dias, a contar do seu recebimento) - muito cobrado em provas. PEGADINHA: Cuidado com o tema Medida Provisória. A votação da medida é feita de forma separada. Antes da votação, contudo, há uma comissão mista de Deputados e Senadores que fará um exame prévio sobre o atendimento aos pressupostos constitucionais da medida. VEJAMOS: Art. 62, § 5º, da CF: "A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 8 dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais". Art. 60 § 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional. JÁ CAIU EM PROVA: O rito determinado constitucionalmente para conversão em lei de medida provisória impõe que a deliberação sobre o mérito da medida seja realizada em sessão conjunta do Congresso Nacional. Alternativa errada. As medidas provisórias devem ser votadas em sessão conjunta do Congresso Nacional, no prazo de sessenta dias a contar de sua publicação, sob pena de imediata perda da sua eficácia. Alternativa errada. O prazo é de 30 dias. PEGADINHA: A revisão constitucional não foi realizada em sessão conjunta, e sim em sessão unicameral: Art. 3º do ADCT. “A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral”. CAIU EM PROVA: A revisão constitucional foi realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão conjunta das Casas. Alternativa incorreta. A. Atribuições De acordo com o art. 48 da CF/88, cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 9 - sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas; - plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual, operações de crédito, dívida pública e emissões de curso forçado; - fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas; - planos e programas nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento; - limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo e bens do domínio da União; - incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou Estados, ouvidas as respectivas Assembleias Legislativas; - transferência temporária da sede do Governo Federal; - concessão de anistia; - organização administrativa, judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública da União e dos Territórios, e organização judiciária e do Ministério Público do Distrito Federal (EC n. 69/2012); - criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas, observado o que estabelece o art. 84, VI, “b”, já que, quando vagos os cargos ou funções públicas, caberá ao Presidente, mediante decreto, dispor sobre a extinção; - criação e extinção de Ministérios e órgãos da Administração Pública (confira, também, o art. 88 da CF/88, alterado pela EC n. 32/2001); - telecomunicações e radiodifusão; - matéria financeira, cambial e monetária, instituições financeiras e suas operações; - moeda, seus limites de emissão e montante da dívida mobiliária federal; - fixação do subsídio dos Ministros do STF, observado o que dispõem os arts. 39, § 4.º; 150, II; 153, III; e 153, § 2.º, I. Algumas questões são tratadas de forma exclusiva pelo Congresso Nacional, sem necessidade de sanção ou veto por parte do presidente, o que abrevia o processo legislativo que será adiante explicado. Dessa forma, é da competência exclusiva do Congresso Nacional (art. 49): - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 10 - AUTORIZAR o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar (cf. LC n. 90/97, com as alterações introduzidas pela LC n. 149/2015); - AUTORIZAR o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a 15 dias; - APROVAR o estado de defesa e a intervenção federal, AUTORIZAR o estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas; ATENÇÃO! Memorizar os verbos, pois as provas costumam inverter. - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. OBSERVAÇÃO: GANCHO - Tal dispositivo é apontado como hipótese excepcional de controle de constitucionalidade repressivo realizado pelo Poder Legislativo. - mudar temporariamente sua sede; - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4.º, 150, II, 153, III, e 153, § 2.º, I; - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4.º, 150, II, 153, III, e 153, § 2.º, I; - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo; - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta; - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes; - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão; - escolher 2/3 dos membros do Tribunal de Contas da União; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização,sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 11 ATENÇÃO! CAIU EM PROVA! É da competência exclusiva do Congresso Nacional escolher um terço dos membros do Tribunal de Contas da União. Alternativa incorreta. (É de competência do Congresso Nacional escolher 2/3 dos membros do TCU) - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares; - AUTORIZAR referendo e CONVOCAR plebiscito; ATENÇÃO! Memorizar os verbos, pois as provas costumam inverter. - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais; - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares. - decretar o estado de calamidade pública de âmbito nacional previsto nos arts. 167-B, 167-C, 167-D, 167-E, 167-F e 167-G desta Constituição. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021) 1.1.1.3.2. Câmara dos Deputados Composição: a Câmara dos Deputados é composta por representantes do povo, ou seja, por Deputados Federais eleitos que manifestam a vontade popular. Lembramos que todo o poder emana do povo, que o exerce, ou de forma direta (ex.: plebiscito, referendo e iniciativa popular — soberania popular, art. 14, I-III), ou por meio de seus representantes, que em âmbito federal são os Deputados Federais (cabe repetir que, nas outras esferas, o Poder Legislativo é unicameral, sendo eleitos, também, pelo povo, para representá-los, os Deputados Estaduais, Deputados Distritais e Vereadores, respectivamente para o legislativo estadual, do distrito federal e municipal). ATENÇÃO! A emenda constitucional nº 111 de 2021 promoveu alteração no procedimento de consultas populares. Essas consultas, se envolverem questões locais, deverão ser realizadas no mesmo dia das eleições. A convocação dessas consultas deverá ser feita até 90 dias antes da data das eleições. E ainda, não é permitida a utilização de propaganda gratuita no rádio e na TV para a divulgação dos argumentos favoráveis e contrários aquilo que está sendo consultado. Art. 14, § 12. Serão realizadas concomitantemente às eleições municipais as consultas populares sobre questões locais aprovadas pelas Câmaras Municipais e encaminhadas CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 12 à Justiça Eleitoral até 90 (noventa) dias antes da data das eleições, observados os limites operacionais relativos ao número de quesitos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021) § 13. As manifestações favoráveis e contrárias às questões submetidas às consultas populares nos termos do § 12 ocorrerão durante as campanhas eleitorais, sem a utilização de propaganda gratuita no rádio e na televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021) Os representantes do povo são eleitos para a Câmara dos Deputados pelo sistema proporcional. O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta deputados. Por fim, destacamos que cada Território Federal, quando criado, elegerá o número fixo de 4 Deputados Federais, independentemente da população, não havendo representação no Senado Federal, já que não terão autonomia federativa, sendo simples descentralização da União. OBSERVAÇÃO: GANCHO - Natureza jurídica dos Territórios Federais: entende-se majoritariamente que se trata de descentralização administrativa da União- natureza de autarquias federais. Art. 18. § 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar. CAIU EM PROVA: A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema majoritário, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal. O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados. Alternativa incorreta. Na Câmara dos Deputados os representantes do povo são eleitos pelo sistema proporcional. CAIU EM PROVA: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 13 “De acordo com a CF, os territórios federais, uma vez criados, não elegem representantes para o Senado Federal, mas sua população tem a prerrogativa de eleger quatro deputados para representá-la na Câmara dos Deputados” - Alternativa correta. A. Competências privativas da Câmara dos Deputados As matérias de competência privativa dos Deputados Federais estão previstas no art. 51 da CF/88 e não dependerão de sanção presidencial, nos termos do art. 48, caput. Tais atribuições são materializadas por meio de resoluções. Nos termos da Constituição, compete privativamente à Câmara dos Deputados: - autorizar, por 2/3 de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado; OBSERVAÇÃO: Quanto à autorização para a instauração de processo contra o Presidente da República por crime de responsabilidade (processo de “impeachment”), segundo o STF, a Câmara dos Deputados faz apenas uma decisão de procedibilidade, sendo o recebimento da denúncia, em sentido técnico-jurídico, feito após a decisão do Plenário do Senado Federal - Informativo 812 do STF. OBSERVAÇÃO: não há necessidade de prévia aprovação da Assembléia Legislativa para o que STJ receba denúncia contra o governador, sendo inconstitucionais as normas estaduais com tal previsão. O governador, quando do recebimento da denúncia pelo STJ, não ficará automaticamente suspenso de suas funções, devendo a corte decidir de forma fundamentada sobre eventual necessidade de afastamento. informativo 863 do STF. - proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional dentro de 60 dias após a abertura da sessão legislativa; - elaborar seu regimento interno; - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. OBSERVAÇÃO: Em relação ao art. 51, IV, cumpre notar que a Câmara dos Deputados tem competência apenas para a iniciativa de projeto de lei que vise à fixação da CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 14 remuneração dos cargos, empregos e funções de seus serviços, devendo, necessariamente, depois de aprovada nas duas Casas, a matéria ir à sanção do Presidente da República. Trata-se de novidade introduzida pela EC n. 19/98, que retirou da Câmara dos Deputados a competência privativa para a fixação da referida remuneração. Devemos alertar que a competência para fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dispõemos arts. 37, XI, 39, § 4.º, 150, II, 153, III, e 153, § 2.º, I, nos termos do art. 49, VII, é do Congresso Nacional, por Decreto Legislativo. - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII. ATENÇÃO! O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, e dele participam: I - o Vice-Presidente da República; II - o Presidente da Câmara dos Deputados; III - o Presidente do Senado Federal; IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados; V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal; VI - o Ministro da Justiça; VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução. 1.1.1.3.2. Senado Federal Composição: o Senado Federal é composto por representantes dos Estados e do Distrito Federal (3 senadores para cada unidade federativa). ATENÇÃO! Diferentemente dos deputados federais, os senadores são eleitos segundo o princípio majoritário. OBS: Quando criados, os Territórios Federais não terão representação no Senado Federal. A. Competências privativas do Senado Federal CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 15 As matérias de competência privativa do Senado Federal estão previstas no art. 52 da CF/88 e não dependerão de sanção presidencial (art. 48, caput) para a sua maturação. Tais atribuições, são materializadas por meio de resoluções. Assim, nos termos da Constituição, compete privativamente ao Senado Federal: - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles; - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade; (redação dada pela EC n. 45, de 2004) - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de: a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição; b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República; c) Governador de Território; d) Presidente e diretores do Banco Central; e) Procurador-Geral da República; f) titulares de outros cargos que a lei determinar; - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente; - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios; - fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; - dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal; - dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno; - estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 16 - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; - aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República antes do término de seu mandato; - elaborar seu regimento interno; - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII, da constituição; - avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios. ATENÇÃO! NOVIDADE JURISPRUDENCIAL. RECONDUÇÃO DOS PRESIDENTES DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO FEDERAL. Dispõe o art. 57, § 4º, da Constituição Federal: Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente. Interpretando o dispositivo, em recente decisão, o STF entendeu que é vedada a recondução dos presidentes das Casas Legislativas para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente dentro da mesma LEGISLATURA (período de quatro anos de atividade congressual), sendo permitido em casa de nova legislatura. ADI 6524, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/12/2020. ATENÇÃO! Frequentemente cobrado em provas: A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas comissões, podem convocar ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações acerca de assunto previamente determinado, configurando crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada. Os Ministros de Estado poderão comparecer ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados, ou a qualquer de suas Comissões, por sua iniciativa e mediante CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 17 entendimentos com a Mesa respectiva, para expor assunto de relevância de seu Ministério. As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão encaminhar pedidos escritos de informações a Ministros de Estado ou a qualquer das pessoas referidas no caput do art. 50 da CF, importando em crime de responsabilidade a recusa, ou o não - atendimento, no prazo de trinta dias, bem como a prestação de informações falsas. 1.1.1.4. Imunidades parlamentares Imunidades parlamentares são prerrogativas inerentes à função parlamentar, garantidoras do exercício do mandato, com plena liberdade. Não se trata de direito pessoal ou subjetivo do Parlamentar, porquanto, como dito, decorre do efetivo exercício da função parlamentar. JÁ CAIU EM PROVA: “Embora a imunidade material dos deputados e senadores exclua a responsabilidade criminal, civil, disciplinar e política por suas opiniões, palavras e votos, tal imunidade é prerrogativa de ordem subjetiva que pode ser objeto de renúncia pelo congressista”.. Alternativa incorreta. Referidas prerrogativas dividem-se em dois tipos: a) imunidade material, real ou substantiva (também denominada inviolabilidade), implicando a exclusão da prática de crime, bem como a inviolabilidade civil, pelas opiniões, palavras e votos dos parlamentares (art. 53, caput); Em relação à imunidade material, o STF já decidiu que: “a cláusulade inviolabilidade constitucional, que impede a responsabilização penal e/ou civil do membro do Congresso Nacional, por suas palavras, opiniões e votos, também abrange, sob seu manto protetor, as entrevistas jornalísticas, a transmissão para a imprensa, do conteúdo de pronunciamentos ou relatórios produzidos nas Casas Legislativas e as declarações feitas aos meios de comunicação social, eis que tais manifestações – desde que vinculadas ao desempenho do mandato – qualificam-se como natural projeção do exercício das atividades parlamentares” (Inq. 2.332 AgR, rel. Min. Celso de Mello) CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 18 A imunidade material (penal e civil) reclama que as palavras do congressista (deputado ou senador) estejam vinculadas às atividades parlamentares, ainda que fora do recinto do Congresso Nacional. Assim, manifestações de cunho político, em geral, costumam ser acobertadas pela imunidade material, pois a função do parlamentar não se resume à função legislativa estrito senso. Exemplos de afirmações de cunho político, e, portanto, relacionadas às funções parlamentares: i) declarações sobre fatos que estejam sendo debatidos pela sociedade; ii) opiniões sobre temas de interesse do eleitorado e da sociedade civil organizada; iii) discussão sobre fatos investigados em CPI ou pelos órgãos de persecução penal. JÁ CAIU EM PROVA: “Situação hipotética: Durante entrevista veiculada pela televisão, um senador da República criticou severamente determinada política de governo, a qual, à época, estava em discussão no Senado Federal. Assertiva: Como o parlamentar emitiu sua opinião fora do âmbito do Congresso Nacional, ele poderá ser responsabilizado nas esferas civil e penal, embora tenha havido vinculação entre seus comentários e o desempenho de seu mandato”. Alternativa incorreta. NÃO CONFUNDA: Conforme entendimento tradicional, quando as palavras forem proferidas dentro do recinto do Parlamento, a imunidade material seria absoluta (ainda que não tenha relação com o exercício do mandato), e, fora do Parlamento, a imunidade seria relativa (deve ser comprovado o nexo de causalidade com a função parlamentar). Contudo, tal posicionamento vem sendo flexibilizado, havendo decisões contrárias aos congressistas, de índole criminal e civil, em processos que têm como causa de pedir manifestações proferidas dentro do Parlamento. Vejamos alguns julgados importantes sobre o tema: ATENÇÃO! Deputado Estadual que, ao defender a privatização de banco estadual, presta declarações supostamente falsas sobre dívidas da instituição, não comete o delito do art. 3º da Lei 7.492/86, em razão da imunidade material - Informativo 865 do STF. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 19 ATENÇÃO! No Pet 7171/DF, julgado em 10/03/2020, a 1ª Turma do STF, por maioria, recebeu queixa-crime contra deputado federal pelos crimes de difamação e injúria, em razão de discurso proferido no Plenário da Câmara no qual afirmou que determinados artistas seriam “vagabundos da Lei Roaneut”, “bandidos”, “ladrões”, “membros de quadrilha”. Foram basicamente para três argumentos utilizados: i) embora as palavras ofensivas tenham sido proferidas no recinto da Casa Legislativa, o próprio deputado divulgou as ofensas na Internet; ii) a liberdade de expressão política dos parlamentares, ainda que vigorosa, deve ser exercida dentro dos limites da civilidade; iii) as manifestações não estariam relacionadas às funções do parlamentar e em nada acrescentou ao debate público sobre distribuição dos recursos da cultura. Oportuno trazer à baila a ementa do seguinte julgado: CONSTITUCIONAL E CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS. ATOS PRATICADOS POR DEPUTADO FEDERAL. OFENSAS VEICULADAS PELA IMPRENSA E POR APLICAÇÕES DE INTERNET. IMUNIDADE PARLAMENTAR. ALCANCE DE LIMITAÇÕES. ATOS PRATICADOS EM FUNÇÃO DO MANDATO LEGISLATIVO. NÃO ABRANGÊNCIA DE OFENSAS PESSOAIS. VIOLÊNCIA À MULHER. INTIMIDAÇÃO E REDUÇÃO DA DIGNIDADE SEXUAL FEMININA DA RECORRIDA. 1. Ação ajuizada em 16/12/2014. Recurso especial interposto em 25/04/2016 e atribuído a este gabinete em 03/10/2016. 2. O propósito recursal consiste em determinar o alcance da imunidade parlamentar por ofensas veiculadas tanto no Plenário da Câmara dos Deputados quanto em entrevista divulgada na imprensa e em aplicações na internet. 3. A imunidade parlamentar é um instrumento decorrente da moderna organização do Estado, com a repartição orgânica do poder, como forma de garantir a liberdade e direitos individuais. 4. Para o cumprimento de sua missão com autonomia e independência, a Constituição outorga imunidade, de maneira irrenunciável, aos membros do Poder Legislativo, sendo verdadeira garantia institucional, e não privilégio pessoal. 5. A imunidade parlamentar não é absoluta, pois, conforme jurisprudência do STF, "a inviolabilidade dos Deputados Federais e Senadores, por opiniões palavras e votos, prevista no art. 53 da Constituição da República, é inaplicável a crimes contra a honra cometidos em situação que não guarda liame com o exercício do mandato". 6. Na hipótese dos autos, a ofensa perpetrada pelo recorrente, segundo a qual a recorrida não "mereceria" ser vítima de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 20 estupro, em razão de seus dotes físicos e intelectual, não guarda nenhuma relação com o mandato legislativo do recorrente. 7. Considerando que a ofensa foi veiculada em imprensa e na Internet, a localização do recorrente, no recinto da Câmara dos Deputados, é elemento meramente acidental, que não atrai a aplicação da imunidade. 8. Ocorrência de danos morais nas hipóteses em que há violação da cláusula geral de tutela da pessoa humana, seja causando-lhe um prejuízo material, seja violando direito extrapatrimonial, seja praticando em relação à sua dignidade qualquer "mal evidente" ou "perturbação". 9. Ao afirmar que a recorrida não "mereceria" ser estuprada, atribui-se ao crime a qualidade de prêmio, de benefício à vítima, em total arrepio do que prevê o ordenamento jurídico em vigor. Ao mesmo tempo, reduz a pessoa da recorrida à mera coisa, objeto, que se submete à avaliação do ofensor se presta ou não à satisfação de sua lascívia violenta. O "não merece ser estuprada" constitui uma expressão vil que menospreza de modo atroz a dignidade de qualquer mulher. 10. Na hipótese dos autos, a ofensa à dignidade da recorrida é patente, e traz embutida em si a clara intenção de reduzir e prejudicar a concepção que qualquer mulher tem de si própria e perante a sociedade. 11. Recurso especial não provido. (REsp 1642310/DF, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/08/2017, DJe 18/08/2017) ATENÇÃO! “(...) o fato de o parlamentar estar na Casa legislativa no momento em que proferiu as declarações não afasta a possibilidade de cometimento de crimes contra a honra, nos casos em que as ofensas são divulgadas pelo próprio parlamentar na Internet.” STF. 1ª Turma. PET 7174/DF, rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/3/2020 (Info 969). ATENÇÃO! IMUNIDADE PARLAMENTAR E FAKE NEWS: a imunidade parlamentar material não acoberta a conduta do deputado o direito de empregar expediente fraudulento,artificioso ou ardiloso, voltado a alterar a verdade da informação. Nesse sentido, o STF condenou por difamação a conduta de deputado federal que publicou vídeo de um discurso de adversário político no qual a frase completa do orador é editada, para transmitir falsas informações. STF. 1ª Turma. AP 1021/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/8/2020 (Info 987). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 21 ATENÇÃO! Não estão protegidas pela imunidade parlamentar as manifestações injuriosas de Senador proferidas em redes sociais de forma dolosa e genérica, com intenção de destruir reputações, sem qualquer indicação de prova que pudesse corroborar as acusações. A liberdade de expressão não alcança a prática de discursos dolosos (actual malice), com intuito manifestamente difamatório, de juízos depreciativos de mero valor, de injúrias em razão da forma ou de críticas aviltantes. A garantia da imunidade parlamentar, que deve ser compreendida de forma extensiva para a garantia do adequado desempenho de mandatos parlamentares, não alcança os atos que sejam praticados sem claro nexo de vinculação recíproca do discurso com o desempenho das funções parlamentares (teoria funcional) ou nos casos em que for utilizada para a prática de flagrantes abusos, usos criminosos, fraudulentos ou ardilosos. Caso concreto: em vídeos divulgados no Twitter, Facebook, Instagram e YouTube, o Senador Jorge Kajuru afirma que determinado Senador seria um “pateta bilionário” que “entrou na política por negócio”. Também disse que um ex-Deputado Federal teria feito parte de esquema de jogos de azar e seria “chefe de quadrilha”. Prevaleceu o voto-vista do Ministro Gilmar Mendes no sentido de que as declarações de Kajuru são desvinculadas do mandato parlamentar. Para o Ministro, as manifestações do Senador têm conteúdo injurioso e foram proferidas de forma dolosa e genérica, com intenção de destruir reputações, sem qualquer indicação de prova que pudesse corroborar as acusações. STF. 2ª Turma. Pet 8242, 8259, 8262, 8263, 8267 e 8366 AgR/DF, Rel. Min. Celso de Mello, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgados em 3/5/2022 (Info 1053). b) imunidade processual, formal ou adjetiva, trazendo regras sobre prisão e processo criminal dos parlamentares (art. 53, §§ 2.º a 5.º, da CF/88). Imunidade formal quanto à prisão: em regra, deputados e senadores, desde a expedição do diploma, não poderão ser presos, salvo flagrante de crime inafiançável e por condenação criminal transitada em julgado. Imunidade formal quanto ao processo: se for proposta e recebida denúncia criminal contra membro do Congresso Nacional, por crime ocorrido após a diplomação, o STF dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação. Atenção para os marcos temporais da imunidade formal quanto à prisão (desde a expedição do diploma) e quanto ao processo (por crime ocorrido após a diplomação). CAIU EM PROVA: “A partir da posse, os membros do Congresso Nacional não podem ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável, CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 22 situação em que os autos devem ser remetidos, dentro de vinte e quatro horas, à casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, se decida a respeito da prisão”. Alternativa INCORRETA. CASO DEPUTADO DANIEL SILVEIRA (STF. Plenário. Inq 4781 Ref, Rel. Min. Alexandre de Moraes): O STF determinou a prisão em flagrante do deputado federal Daniel Silveira, relativizando a imunidade material do parlamentar, no sentido de que não deve ser utilizada para atentar frontalmente contra a própria manutenção do Estado Democrático de Direito. Além disso, entendeu-se que havia flagrante delito de crime inafiançável, possibilitando a prisão pois, resumidamente: a) O vídeo em que foram propagadas ofensas e ameaças aos Ministros do STF e propagação de medidas antidemocráticas continuava disponível e acessível na internet; b) Os atos atentavam contra a ordem constitucional e o Estado democrático (art. 5º, XLIV, da CF/88; art. 323, III, do CPP); c) Havia motivos que autorizavam a decretação de prisão preventiva, situação que impede a concessão de fiança (art. 324, IV, do CPP). Seguem em destaque outros pontos importantes para a compreensão do tema das imunidades parlamentares. ATENÇÃO 1! Deputados Estaduais gozam das mesmas imunidades formais e materiais dos Deputados Federais (art. 27, §1º, da Constituição). ATENÇÃO 2! Os Vereadores não possuem imunidade formal. Quanto à imunidade material, possuem desde que relacionada à função desempenhada e dentro da circunscrição do município. ATENÇÃO 3! Judiciário pode, excepcionalmente, impor medida cautelar de afastamento das funções de Vereador, sem necessidade de submissão à Câmara de Vereadores. Isso porque os Vereadores não gozam de imunidade formal. Informativo 617 STJ. ATENÇÃO 4! Judiciário pode impor medidas cautelares diversas da prisão (art. 319 do CPP) aos parlamentares, seja em substituição à prisão em flagrante de crime inafiançável, seja autonomamente. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 23 Entretanto, a respectiva casa legislativa pode rejeitá-las, especialmente quando se tratar de medidas que impossibilitem direta ou indiretamente o exercício do mandato parlamentar (Informativo 881 STF). ATENÇÃO 5! REGRAS SOBRE O FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO: O STF decidiu conferir interpretação teleológica e restringir o foro por prerrogativa de função para os crimes cometidos durante o exercício do mandato e que tenham relação com ele. O art. 53, § 1º e o art. 102, I, “b”, da CF/88 preveem que, em caso de crimes comuns, os Deputados Federais e os Senadores serão julgados pelo STF. Essa construção do Supremo implicou em uma interpretação restritiva a esses dispositivos e construiu a seguinte tese: O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas. STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018 (Info 900). Em outras palavras, os Deputados Federais e Senadores somente serão julgados pelo STF se o crime tiver sido praticado durante o exercício do mandato de parlamentar federal e se estiver relacionado com essa função. Vale ressaltar que essa decisão restringindo o foro por prerrogativa de função é aplicada também para outras hipóteses de foro privilegiado (e não apenas para os Deputados Federais e Senadores). O STJ, por exemplo, decidiu que: Como regra, as hipóteses de foro por prerrogativa de função perante o STJ restringem- se àquelas em que o crime for praticado em razão e durante o exercício do cargo ou função. Exceção: os Desembargadores continuam sendo julgados pelo STJ mesmo que o crime não esteja relacionado com as suas funções. STJ. Corte Especial. AgRg na APn 866-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 20/06/2018 (Info 630). STJ. APn 878/DF QO, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 21/11/2018. Momento processual a partir do qual mesmo que o réu perca o foro privilegiado, ainda assim ele continuará sendo julgado pelo Tribunal: Fim da Instrução • Se o réudeixou de ocupar o cargo antes de a instrução terminar: cessa a competência do STF e o processo deve ser remetido para a 1ª instância. • Se o réu deixou de ocupar o cargo depois de a instrução se encerrar: o STF permanece sendo competente para julgar a ação penal. Assim, o STF estabeleceu um marco temporal a partir do qual a competência para processar e julgar ações penais – seja do STF ou de qualquer outro órgão jurisdicional – não será mais afetada em razão de o agente deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo (exs: renúncia, não reeleição, eleição para cargo diverso). A tese fixada foi a seguinte: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 24 Após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação de alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será mais afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo. STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018. Pode haver determinação de busca e apreensão nas dependências da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal decretada por juízo de 1ª instância? Sim, caso o investigado NÃO seja congressista (ex: investigado assessor de parlamentar). Vejamos: A Constituição, ao disciplinar as imunidades e prerrogativas dos parlamentares, não conferiu exclusividade ao STF para determinar medidas de busca e apreensão nas dependências da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal. Assim, a determinação de busca e apreensão nas dependências do Senado Federal, desde que não direcionada a apurar conduta de congressista, não se relaciona com as imunidades e prerrogativas parlamentares. Isso porque, ao contrário do que ocorre com as imunidades diplomáticas, as prerrogativas e imunidades parlamentares não se estendem aos locais onde os parlamentares exercem suas atividades nem ao corpo auxiliar. O fato de o endereço de cumprimento da medida coincidir com as dependências do Congresso Nacional não atrai, de modo automático e necessário, a competência do STF. É necessário examinar, no caso concreto, se a investigação tinha congressista como alvo. STF. Plenário. Rcl 25537/DF e AC 4297/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 26/6/2019. Tal entendimento ocasionou o que o STF denominou de “duplo juízo de validade da mesma prova”, ou seja, a prova colhida em medida de busca e apreensão determinada por juízo de 1ª instância pode ser válida em relação ao alvo não congressista (ex: assessor de parlamentar) e inválida em relação aos parlamentares: Eventual nulidade decorrente da inobservância da prerrogativa de foro não se estende aos agentes que não se enquadrem nessa condição. STF. Plenário. Rcl 25537/DF e AC 4297/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 26/6/2019. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 25 ATENÇÃO! Art. 53, § 8º. As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a execução da medida. Súmula 245-STF: A imunidade parlamentar não se estende ao corréu sem essa prerrogativa. Segundo o atual entendimento do STF, o afastamento do Deputado ou Senador do exercício do mandato para investir-se nos cargos permitidos pela CF (art. 56, I), dentre eles o de Ministro de Estado, suspende-lhes a imunidade parlamentar (a súmula 4 do STF foi cancelada). JÁ CAIU EM PROVA: Abaixo, exemplifico como o tema é cobrado em provas, por meio de uma didática questão adaptada. “Os deputados federais, estaduais e os vereadores são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos, desde que proferidos no exercício do mandato. No entanto, os deputados estaduais e os vereadores gozam dessa garantia apenas na circunscrição do respectivo ente federativo”. Alternativa incorreta. Como visto, deputados estaduais gozam das imunidades na mesma amplitude que os deputados federais. “Os deputados federais, estaduais e os vereadores gozam de imunidade material e de imunidade processual”. Alternativa incorreta. Os vereadores não possuem imunidade processual. Possuem imunidade material, desde que suas opiniões, palavras e votos estejam relacionadas com o exercício do mandato e sejam proferidas dentro dos limites do Município. “Os deputados federais e estaduais, apesar de gozarem de imunidade processual, podem ser processados penalmente por crime cometido antes da diplomação, não sendo cabível, nesse caso, a sustação do andamento do processo pela respectiva casa legislativa”. Alternativa correta. Muito cobrado. Pela literalidade da Constituição, a sustação do andamento da ação só é possível para crime ocorrido após a diplomação. Vejamos: Art. 53, § 3º, CF: "Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação". CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 26 1.1.1.5. Incompatibilidades e impedimentos dos parlamentares federais Em decorrência de sua nobre função, aos parlamentares é vedado o exercício de algumas atividades, bem como determinados comportamentos, desde a expedição do diploma e, posteriormente, após tomarem posse. Os Deputados e Senadores não poderão, enuncia o art. 54, I e II, da CF/88: I — DESDE A EXPEDIÇÃO DO DIPLOMA - firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes; OBSERVAÇÃO: a jurisprudência excepciona desta regra os contratos de adesão, que obedeçam a cláusulas uniformes, como contrato de prestação de serviços telefônicos. - aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis ad nutum, nas entidades constantes da alínea anterior. II — DESDE A POSSE: - ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada; - ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis ad nutum, nas entidades referidas no inciso I, “a”; - patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere o inciso I, “a”; - ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo. Dica para concurso: decore as hipóteses após os verbos “firmar ou manter” e “aceitar ou exercer”, que são incompatibilidades verificadas desde a expedição do diploma. Todas as demais são verificadas desde a posse. 1.1.1.6. Perda do mandato CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 27 Nos termos do art. 55 da Constituição, perderá o mandato o Deputado ou Senador: - que infringirqualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior (incompatibilidades); - cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar; - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada; - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos; - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos na Constituição; - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado. É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas. ATENÇÃO! MEMORIZE: - Nos casos dos incisos I (infringir incompatibilidades), II (procedimento incompatível com decoro parlamentar) e VI (perda decorrente de condenação criminal transitada em julgado), a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. - Nos casos previstos nos incisos III a V (deixar de comparecer à terça parte das sessões, perda ou suspensão de direitos políticos ou decretação da Justiça Eleitoral), a perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. ESQUEMATIZANDO: Infringir incompatibilidades A perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta Procedimento incompatível com o decoro parlamentar Condenação criminal transitada em julgado CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 28 Deixar de comparecer à terça parte das sessões ordinárias, salvo licença ou missão autorizada A perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva Perda ou suspensão dos direitos políticos Decretação de Justiça Eleitoral A renúncia de parlamentar submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato, nos termos do art. 55 da Constituição Federal, terá seus efeitos suspensos até as deliberações finais de que tratam os §§ 2º e 3º (decisão ou declaração da Mesa da Casa respectiva). Não perderá o mandato o Deputado ou Senador: - investido no cargo de Ministro de Estado, Governador de Território, Secretário de Estado, do Distrito Federal, de Território, de Prefeitura de Capital ou chefe de missão diplomática temporária (nas hipóteses deste inciso, o Deputado ou Senador poderá optar pela remuneração do mandato) - licenciado pela respectiva Casa por motivo de doença, ou para tratar, sem remuneração, de interesse particular, desde que, neste caso, o afastamento não ultrapasse 120 dias por sessão legislativa. O suplente será convocado nos casos de vaga, de investidura em funções previstas neste artigo ou de licença superior a 120 dias. Ocorrendo vaga e não havendo suplente, far-se-á eleição para preenchê-la se faltarem mais de quinze meses para o término do mandato. ATENÇÃO! A CONDENAÇÃO CRIMINAL, TRANSITADA EM JULGADO, DE DEPUTADO OU SENADOR, É SUFICIENTE PARA A PERDA DO CARGO? 1ª TURMA DO STF: DEPENDE. Se o deputado for condenado a mais de 120 dias de regime fechado, a perda do cargo será uma consequência lógica da condenação, cabendo à mesa da Casa Legislativa apenas a declaração, nos termos do art. 55, III e §3º, da Constituição. 2ª TURMA DO STF: NÃO. A perda do cargo não é automática, cabendo a deliberação da Casa, conforme art. 55, VI, §2º, da Constituição. 1.1.2. PROCESSO LEGISLATIVO CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 29 Tipos Normativos - art. 59 da CF: a) EC - Emenda à CF; b) LC - Lei Complementar; c) Lei Ordinária; d) Leis Delegadas; e) MP - Medida Provisória; f) Decreto Legislativo; g) Resoluções. Fases de Formação da Lei: Fase 1 - Fase de Iniciativa: - Geral; - Concorrente; - Privativa; - Popular; - Conjunta; - Art. 67 (projeto de lei rejeitado proposto na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas); - Parlamentar ou Extraparlamentar. Fase 2 – Constitutiva: - Deliberação Parlamentar - Discussão e Votação; - Deliberação Executiva - Sanção e Veto. Fase 3 - Complementar: - Promulgação e Publicação da Lei. Vejamos cada uma das fases do processo legislativo de forma detalhada. 1.1.2.1. Iniciativa CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 30 I) INICIATIVA GERAL - art. 61 da CF - As Leis Ordinárias e Complementares, regra geral, são de iniciativa de: - Qualquer Deputado Federal ou Senador da República; - Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou Congresso Nacional; - Presidente da República; - Supremo Tribunal Federal (STF); - Tribunais Superiores; - Procurador-Geral da República; e - Cidadãos (Iniciativa popular). II) INICIATIVA CONCORRENTE - Esta refere-se à competência atribuída pela Constituição a mais de uma pessoa ou órgão para deflagrar o processo legislativo. São exemplos: II.a) Proposta de Emenda à Constituição (PEC) - art. 60, I, II e III da CF - A CF poderá ser emendada mediante proposta de: i. Um terço (1/3), no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; ii. Presidente da República; e iii. Mais da metade (1/2) das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. II.b) Iniciativa de Lei Complementar e Lei Ordinária - Iniciativa de qualquer deputado ou senador; membro ou comissão da Câmara, Senado ou Congresso; etc. III) INICIATIVA PRIVATIVA (RESERVADA OU EXCLUSIVA) - Nesse caso, somente determinadas pessoas ou entidades podem deflagrar o processo legislativo, sob pena de vício formal de iniciativa, caracterizando a inconstitucionalidade do ato. Ressalta-se que estas competências, apesar de serem também denominadas de privativas, são indelegáveis. ATENÇÃO! No ponto, atentar para a diferença da competência legislativa privativa da União, prevista no art. 22 da Constituição, e que admite delegação aos Estados, mediante lei complementar, para tratar sobre questões específicas das matérias relacionadas no artigo (art. 22, parágrafo único). A competência privativa aqui estudada, relativa à deflagração (iniciativa) do processo legislativo, é indelegável. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 31 III.a) Iniciativa Privativa do Presidente - art. 61, § 1º da CF - São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas; II - disponham sobre: a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração; ATENÇÃO! Os estados-membros e o Distrito Federal podem legislar sobre índices de correção monetária e taxas de juros de mora incidentes sobre seus créditos fiscais,limitando-se, porém, aos percentuais estabelecidos pela União para os mesmos fins (Tese de repercussão geral). Não confunda: Súmula vinculante 42: É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária. b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios; CAIU EM PROVA: São de iniciativa concorrente entre Presidente da República e membros do Congresso Nacional as leis que disponham sobre organização administrativa e judiciária. (Alternativa incorreta) CAIU EM PROVA: À luz dos dispositivos constitucionais e do entendimento jurisprudencial acerca de processo legislativo, é correto afirmar que as leis que dispõem sobre o aumento da remuneração de servidores em cargos públicos na esfera estadual da administração direta são de iniciativa privativa do governador do estado, sendo inconstitucional a vinculação desse reajuste aos índices federais de correção monetária. (Alternativa correta). OBS: Tais matérias também são de iniciativa privativa do governador, em âmbito estadual, em razão do princípio da simetria, conforme entendimento do STF. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 32 Ressalta-se que a única hipótese de iniciativa reservada em matéria tributária é a referente aos Territórios. c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria; d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; - Iniciativa Compartilhada com o Procurador-Geral da República - A iniciativa legislativa referente à organização do MPU é compartilhada com o Procurador-Geral da República (art. 128, § 5º, da CF). - Iniciativa nos Estados - No que se refere à iniciativa, aplica-se a simetria para os Estados no âmbito do Ministério Público do Estados. Assim, a iniciativa legislativa para organização do MPE é compartilhada entre o Governador e Procurador-Geral de Justiça (art. 21, XIII, da CF). - Iniciativa para o MP dos Tribunais de Contas - A iniciativa legislativa que trate da organização do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas (especial) é do próprio Tribunal de Contas (art. 130 da CF). e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI; ATENÇÃO! Já decidiu o STF: “Padece de inconstitucionalidade formal lei de iniciativa parlamentar que disponha sobre atribuições de órgãos da Administração Pública (art. 61, § 1º, II, "e" e art. 84, VI, da Constituição Federal).” (ADI 3981) NÃO CONFUNDA com a seguinte tese firmada em sede de Repercussão Geral: “Surge constitucional lei de iniciativa parlamentar a criar conselho de representantes da sociedade civil, integrante da estrutura do Poder Legislativo, com atribuição de acompanhar ações do Executivo”. Para o STF, a lei de iniciativa parlamentar que cria conselhos de representantes da sociedade civil para acompanhar as ações do Executivo não invade a competência privativa de iniciativa legiferante do chefe do Executivo, pois trata tão-somente de institucionalização de mecanismos participação popular na gestão da coisa pública. f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a reserva. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 33 III.b) Iniciativa Reservada dos Governadores dos Estados, DF e Prefeitos - As matérias de iniciativa privativa do Presidente, quando aplicáveis, são também reservadas, em razão do princípio da simetria, ao chefe do executivo estadual, distrital e municipal, sob pena de se configurar inconstitucionalidade formal subjetiva por vício de iniciativa. ATENÇÃO à forma de questionamento em provas. Está errado dizer que o Presidente terá iniciativa privativa para dispor sobre a criação de cargos, funções ou empregos públicos em todas as unidades da federação. A sua atribuição restringe-se ao âmbito federal. ATENÇÃO! É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que imponha atribuições ao DETRAN. Isso porque leis que disponham sobre atribuições e estrutura dos órgãos públicos são de iniciativa reservada do chefe do Poder Executivo (no caso, o Governador). INFORMATIVO 934 do STF. ATENÇÃO! As matérias do art. 61, §1º, da Constituição Federal, como visto, são de competência privativa do chefe do Executivo. Contudo, o STF já entendeu que EMENDA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL, de iniciativa parlamentar, pode versar sobre essas matérias, sob pena de engessamento da Constituição. No âmbito estadual, contudo, são inconstitucionais emendas à Constituição Estadual, de iniciativa dos deputados estaduais, que versem sobre as matérias cuja iniciativa de lei é reservada ao chefe do Executivo. Em resumo: Emenda constitucional, de iniciativa parlamentar, tratando sobre assuntos do art. 61, §1º, da CF: - EC à constituição Federal: pode - EC à constituição Estadual: não pode (Informativo 826 do STF) III.c) Iniciativa Reservada do Judiciário - arts. 96, II e 93 da CF: i. Iniciativa do STF para o Estatuto da Magistratura - art. 93 da CF - Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura. ii. Iniciativa do STF, Tribunais Superiores e TJs - art. 96, II da CF - Compete privativamente ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder Legislativo respectivo, observado o disposto no art. 169: a) a alteração do número de membros dos tribunais inferiores; b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos juízos que lhes forem vinculados, bem CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 34 como a fixação do subsídio de seus membros e dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores, onde houver; c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores; e d) a alteração da organização e da divisão judiciárias. ATENÇÃO! Inconstitucionalidade da lei estadual, de iniciativa parlamentar, que trate sobre isenção de custas judiciais. Ação direta de inconstitucionalidade. 2. Lei 933/2005, do Estado do Amapá, de origem parlamentar. Concessão de isenção de taxa judiciária para pessoas com renda de até dez salários-mínimos. 3. Após a EC 45/2004, a iniciativa de lei sobre custas judiciais foi reservada para os órgãos superiores do Poder Judiciário. Precedentes. 4. Norma que reduz substancialmente a arrecadação da taxa judiciária atenta contra a autonomia e a independência do Poder Judiciário, asseguradas pela Constituição Federal, ante sua vinculação ao custeio da função judicante. 5. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente. (ADI 3629, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 03/03/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-065 DIVULG 19-03-2020 PUBLIC 20-03-2020) ATENÇÃO! Inconstitucionalidade da regra da Constituição Estadual segundo a qual apenas os desembargadores mais antigos possam concorrer aos cargos diretivos dos Tribunais de Justiça-fere a autonomia administrativa dos tribunais consagrada no art. 96, I, “a”, da Constituição Federal. Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 25/06/2020) III.d) Iniciativa Reservada do Tribunal de Contas da União - arts. 73 e 96 da CF - Compete ao TCU, nos termos do art. 96, propor ao Legislativo projetos de lei referentes às matérias ali indicadas, como, por exemplo, a criação, extinção de cargos e subsídios de seus membros. Esse entendimento também deve ser aplicado para as demais Cortes de Contas, e, nesse sentido, o projeto de lei tem que ser encaminhado pelo respectivo Tribunal, sob pena de vício de inconstitucionalidade formal. Nesse sentido, já decidiu o STF: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI COMPLEMENTAR 142/2011 DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, DE INICIATIVA PARLAMENTAR, QUE DISCIPLINA QUESTÕES RELATIVAS À ORGANIZAÇÃO E AO FUNCIONAMENTO DO TRIBUNAL DE CONTAS ESTADUAL. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. VIOLAÇÃO ÀS PRERROGATIVAS DA AUTONOMIA E DO AUTOGOVERNO DOS TRIBUNAIS DE CONTAS. MATÉRIA AFETA A LEIS DE INICIATIVA PRIVATIVA DAS PRÓPRIAS CORTES DE CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 35 CONTAS. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE CONHECIDA E JULGADO PROCEDENTE O PEDIDO. 1. A Lei Complementar 142/2011 do Estado do Rio de Janeiro, de origem parlamentar, ao alterar diversos dispositivos da Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, contrariou o disposto nos artigos 73, 75 e 96, II, d, da Constituição Federal, por dispor sobre forma de atuação, competências, garantias, deveres e organização do Tribunal de Contas estadual, matéria de iniciativa legislativa privativa daquela Corte. 2. As Cortes de Contas do país, conforme reconhecido pela Constituição de 1988 e por esta Suprema Corte, gozam das prerrogativas da autonomia e do autogoverno, o que inclui, essencialmente, a iniciativa privativa para instaurar processo legislativo que pretenda alterar sua organização e funcionamento, como resulta da interpretação lógico-sistemática dos artigos 73, 75 e 96, II, d, da Constituição Federal. Precedentes. 3. O ultraje à prerrogativa de instaurar o processo legislativo privativo traduz vício jurídico de gravidade inquestionável, cuja ocorrência indubitavelmente reflete hipótese de inconstitucionalidade formal, apta a infirmar, de modo irremissível, a própria integridade do ato legislativo eventualmente concretizado. Precedentes. 4. Ação direta de inconstitucionalidade conhecida e julgado procedente o pedido, para declarar a inconstitucionalidade da Lei Complementar 142/2011 do Estado do Rio de Janeiro, confirmados os termos da medida cautelar anteriormente concedida. (ADI 4643, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 15/05/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-117 DIVULG 31-05-2019 PUBLIC 03-06-2019) No mesmo sentido, o Supremo entendeu que compete aos tribunais de contas dos estados, com exclusividade, a iniciativa legislativa de norma que disponha sobre sua organização e funcionamento (o TCU é uma espécie dos denominados “órgãos constitucionais autônomos”). NORMA DE INICIATIVA PARLAMENTAR QUE MODIFICA A LEI ORGÂNICA DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. INCONSTITUCIONALIDADE. 1. Compete aos Tribunais de Contas dos Estados, com exclusividade, a iniciativa legislativa de norma que disponha sobre sua organização e funcionamento (CF, arts. 73, 75 e 96, II, d). Precedentes: ADI 3.223, rel. Min. Dias Toffoli; ADI 4.643, rel. Min. Luiz Fux; ADI 4.418, rel. Min. Dias Toffoli. 2. Os Tribunais de Contas estaduais gozam das prerrogativas constitucionais de autonomia e autogoverno. Não se submetem às Assembleias Legislativas (CF, arts. 73 e 75). Precedentes: ADI 119, rel. Min. Dias Toffoli; ADI CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 36 4.190-MC, rel. Min. Celso de Mello. 3. Ação julgada procedente. (ADI 4191, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2020, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-198 DIVULG 07-08-2020 PUBLIC 10-08-2020) III.e) Iniciativa Reservada da Câmara dos Deputados - art. 51, IV, da CF - Compete à Câmara propor projeto de lei referente a sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. III.f) Iniciativa Reservada do Senado Federal - art. 52, XIII, da CF - Compete ao Senado propor projeto de lei referente a sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. III.g) Iniciativa em Matérias Pertinentes ao Plano Plurianual, às Diretrizes Orçamentárias e aos Orçamentos Anuais - Nos termos do art. 165 da CF, são de iniciativa do Poder Executivo o Plano Plurianual, as Diretrizes Orçamentárias e os Orçamentos anuais. Regras Sobre a Iniciativa Privativa (ou Reservada Exclusiva): i. Inexistência de Iniciativa Reservada em Matéria Tributária - Não se pode falar em iniciativa reservada em matéria tributária. No âmbito na União, Estado, DF e Municípios, a iniciativa sobre leis sobre matéria tributária é concorrente entre os Chefes do Executivo e os membros do legislativo, podendo, ainda, avançar e sustentar a iniciativa popular sobre matéria tributária, desde que observadas as devidas formalidades. Exceção é a iniciativa em matéria tributária dos Territórios Federais. Conforme o art. 61, § 1º, II, "b" da CF, a iniciativa em matéria tributária dos territórios é privativa do Presidente da República. ii. Impossibilidade do Legitimado Exclusivo ser Compelido a Deflagrar o Processo Legislativo - O STF entende que não poderá o legitimado exclusivo ser forçado a deflagrar o processo legislativo, já que a fixação de competência reservada traz, implicitamente, a discricionariedade para decidir o momento adequado de encaminhamento do projeto. Dessa forma, em regra, trata-se de matéria discricionária, salvo se houver prazo fixado na Constituição Federal. OBS: Ressalta-se que, nesse caso, poderá ser reconhecida a inconstitucionalidade por omissão quando não regulamentados os dispositivos da CF dotados de eficácia limitada e desde que observado o critério da razoabilidade. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 37 OBSERVAÇÃO: a omissão legislativa pode também ser sanada por meio do Mandado de Injunção, remédio constitucional regulamentado pelo Lei 13.300/2016, quando torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Emenda Parlamentar em Projeto de Iniciativa Reservada - Cabe emenda parlamentar a projeto de lei de iniciativa reservada. Entretanto, esta emenda deve possuir pertinência temática com a matéria do projeto e não pode caracterizar aumento de despesa (art. 63, I e II da CF). Requisitos para Cabimento da Emenda Parlamentar em projetos de iniciativa privativa: i) Os dispositivos introduzidos por emenda parlamentar não podem estar destituídos de pertinência temática com o projeto original; e ii) Os dispositivosintroduzidos por emenda parlamentar não podem acarretar aumento de despesa ao projeto original. Excepcionalmente, admite-se emenda mesmo que implique aumento de despesa nos projetos orçamentários de iniciativa exclusiva do Presidente da República (art. 61, I, da Constituição Federal). Nesse sentido, didático julgado do STF: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 2º DA LEI GAÚCHA N. 10.385/1995. PARALISAÇÃO DOS SERVIDORES DO PODER JUDICIÁRIO ESTADUAL. DIAS PARADOS CONTADOS COMO DE EFETIVO EXERCÍCIO. EMENDA PARLAMENTAR. ALTERAÇÕES DO DISPOSITIVO APONTADO COMO PARÂMETRO DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA IMPUGNADA. PREJUDICIALIDADE DA AÇÃO NÃO CONFIGURADA. DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO DOS PODERES E À AUTONOMIA ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA DO PODER JUDICIÁRIO. 1. Alterações promovidas pelas Emendas Constitucionais n. 19/1998 e 41/2003 não causam prejuízo à análise da constitucionalidade da norma impugnada à luz do art. 96, inc. II, al. b, da Constituição da República. 2. Admissão de emendas parlamentares aos projetos de lei de iniciativa privativa do Poder Executivo e Judiciário, desde que guardem pertinência temática com o projeto e não importem em aumento de despesas. 3. A Emenda Parlamentar n. 4/1995 afastou-se da temática do Projeto de Lei n. 54/1995, interferiu CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 38 na autonomia financeira e administrativa do Poder Judiciário: desrespeito ao art. 2º da Constituição da República. 4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente. (ADI 1333, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 29/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-226 DIVULG 17-11- 2014 PUBLIC 18-11-2014) CAIU EM PROVA: “Não se admite, nos projetos que versam sobre a criação e extinção de ministérios e órgãos da administração pública, emenda parlamentar que gere aumento da despesa prevista”. Alternativa correta. GANCHO: Decisão importante sobre o tema, referente à inserção, por meio de emenda parlamentar, de assunto diferente do que é tratado na medida provisória que tramita no Congresso Nacional, chamado pela doutrina de "contrabando legislativo", o que é atualmente vedado pela jurisprudência do STF: DIREITO CONSTITUCIONAL. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. EMENDA PARLAMENTAR EM PROJETO DE CONVERSÃO DE MEDIDA PROVISÓRIA EM LEI. CONTEÚDO TEMÁTICO DISTINTO DAQUELE ORIGINÁRIO DA MEDIDA PROVISÓRIA. PRÁTICA EM DESACORDO COM O PRINCÍPIO DEMOCRÁTICO E COM O DEVIDO PROCESSO LEGAL (DEVIDO PROCESSO LEGISLATIVO). 1. Viola a Constituição da República, notadamente o princípio democrático e o devido processo legislativo (arts. 1º, caput, parágrafo único, 2º, caput, 5º, caput, e LIV, CRFB), a prática da inserção, mediante emenda parlamentar no processo legislativo de conversão de medida provisória em lei, de matérias de conteúdo temático estranho ao objeto originário da medida provisória. (ADI 5127, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 15/10/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-094 DIVULG 10-05-2016 PUBLIC 11- 05-2016) Com efeito, era bastante comum, durante a tramitação de medidas provisórias, que têm um rito mais célere, a inserção de artigos estranhos ao assunto versado pela MP, prática conhecida como “contrabando legislativo”. O STF entendeu que a prática é inconstitucional, e que as emendas parlamentares em Medidas Provisórias, para serem válidas, devem guardar uma relação de pertinência temática com o assunto debatido. Em atenção à segurança jurídica, CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 39 houve a modulação dos efeitos da decisão, que foram proclamados como prospectivos (ex nunc). Emenda Parlamentar em Projeto de Lei de Organização dos Outros Poderes - Também cabe emenda a projetos de lei, desde que haja pertinência temática e não acarretem aumento de despesas, referentes à organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado, dos Tribunais Federais e do MP. Projetos que Admitem Emendas com Aumento de Despesas (art. 63, inciso I) - Admite-se a emenda com aumento de despesas nas hipóteses do art. 166, §§ 3º e 4º da CF: i) projeto de lei orçamentária anual; e ii) projeto de lei de diretrizes orçamentárias. Impossibilidade de Convalidação do Vício de Iniciativa por Sanção do Presidente - A sanção do Presidente da República não convalida o vício de iniciativa. Nesse caso se tem um vício congênito de inconstitucionalidade, não sendo possível sua convalidação. MUITO COBRADO EM PROVAS! Iniciativa popular (art. 14 da CF; art. 61, § 2º da CF; e Lei 9.709/98) - art. 61, § 2º da CF – A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento (1%) do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco (5) Estados, com não menos de três décimos por cento (0,3%) dos eleitores de cada um deles. Fundamentos Constitucionais para Iniciativa Popular de: a) Lei Federal - Art. 61, § 2º da CF; b) Lei Estadual e Distrital - Art. 27, § 4º da CF; e c) Lei Municipal - Art. 29, XIII da CF. PROCEDIMENTO PARA LEI FEDERAL - Projeto deve ser encaminhado por 1% do eleitorado nacional, distribuído em 5 estados e em cada um desses estados por 0,3% dos seus eleitores DICA de memorização: grave o número 1.503- 1% do eleitorado, 5 estados, 0,3% dos eleitores de cada um. JÁ CAIU EM PROVA: “A Constituição poderá ser emendada mediante projeto de iniciativa popular, desde que subscrito por, no mínimo, 1% do eleitoral nacional, distribuído em pelo menos 3 Estados, com não menos do que 0,5% em cada um deles”. Alternativa incorreta. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 40 Limitação de Assunto - art. 13, § 1º da Lei 9.709/98 - O projeto de iniciativa popular deve circunscrever-se a somente um assunto. Impossibilidade de Iniciativa Popular sobre Matéria de Iniciativa Reservada - Sobre a matéria de iniciativa reservada (privativa) não cabe iniciativa popular. Impossibilidade de Rejeição por Vício de Forma - art. 13, § 2º da Lei - O projeto não poderá ser rejeitado por vício de forma. Nesse caso, a Câmara dos Deputados irá corrigi-lo. Procedimento de Votação - A casa iniciadora do projeto de lei de iniciativa popular é a Câmara dos Deputados, e o Senado Federal é a casa revisora. CAIU EM PROVA: “Os projetos de lei de iniciativa popular poderão iniciar-se tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. Alternativa incorreta. Autonomia na Votação e Sanção - A Câmara ou o Senado não são obrigados a aprovar o projeto, podendo também o Presidente vetá-lo, caso entenda ser inconstitucional ou contrário aos interesses públicos e sociais. Dessa forma, o projeto não vincula o legislativo nem o executivo no que se refere a sua aprovação. PROCEDIMENTO ESTADUAL - art. 27, § 4º da CF - A iniciativa estadual e distrital será definida por lei específica. Normalmente as leis estaduais vêm utilizando a simetria e aplicando o percentual de 1% dos eleitores. Entretanto, seria razoável flexibilizar esse valor. PROCEDIMENTO MUNICIPAL - art. 29, XIII da CF - No âmbito municipal o projeto deve ser subscrito por no mínimo 5% do eleitorado municipal. PEC DE INICIATIVA POPULAR – Não há previsãono texto da Constituição Federal sobre PEC de iniciativa popular (a iniciativa popular refere-se, literalmente, apenas a projeto de lei). José Afonso da Silva, um dos mais renomados constitucionalistas brasileiros, entende que seria possível PEC de iniciativa popular, em uma interpretação sistemática e com fulcro na soberania popular. Contudo, ao menos em sede doutrinária, seu entendimento é minoritário. Ressalta-se que muitos estados têm dispositivos específicos nas Constituições Estaduais permitindo PEC de iniciativa popular para a Constituição Estadual, o que foi considerado constitucional pelo STF (informativo 921). Assim, em eventual questionamento em prova, atentar para a forma da cobrança: se perguntou a literalidade da Constituição ou o entendimento do STF quanto à possibilidade de emenda de iniciativa popular à Constituição Estadual. Objeto da Iniciativa Popular - A iniciativa popular se aplica às seguintes espécies normativas do art. 49 da CF: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 41 a) PEC – tema controvertido, como visto acima (pela literalidade da Constituição não cabe); b) LC e LO - Previsão expressa no art. 61, caput; c) Leis Delegadas - Não cabe, pois a competência é do Presidente; d) Medidas Provisórias - Não cabe, pois a competência é do Presidente; e) Decretos Legislativos - Não cabe, pois a competência é do Congresso; f) Resoluções - Não cabe, pois a competência é privativa do Senado, da Câmara ou do Congresso. Iniciativa Conjunta - Atualmente não existe iniciativa conjunta no Brasil (EC 41/03). Este modelo presume um acordo de vontades, estabelecendo a Constituição competência para que, conjuntamente, diversas pessoas/órgãos/autoridades deflagrem o processo legislativo. Iniciativa do art. 67 da CF (Projeto de Lei Rejeitado) - A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional. OBSERVAÇÃO: Sessão legislativa (ordinária) compreende um ano dos trabalhos legislativos, com funcionamento de 02 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro. Sessão legislativa extraordinária é aquela convocada nos períodos de recesso parlamentar, nas hipóteses excepcionais e específicas previstas na Constituição. i. Exceção à Irrepetibilidade dos Projetos Rejeitados - Este dispositivo é uma exceção ao princípio da irrepetibilidade dos projetos rejeitados na mesma sessão legislativa. ii. Inexistência de Limitação Quantitativa - Esta forma de iniciativa é possível tantas vezes quantas se conseguir o quórum de maioria absoluta para a repropositura. iii. Projetos de Iniciativa Reservada - Conforme doutrina majoritária, este dispositivo não se aplica aos projetos de iniciativa reservada. Assim, o princípio da irrepetibilidade dos projetos rejeitados na mesma sessão legislativa é absoluto nos projetos de iniciativa reservada. iv. Medida Provisória - Não cabe Medida Provisória sobre matérias constantes nos projetos de Lei Ordinária ou Lei Complementar rejeitados na mesma sessão. Da mesma forma, a matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 42 por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. Iniciativa Parlamentar ou Extraparlamentar: - Parlamentar - São aqueles projetos de lei encaminhados pelos membros do Congresso. - Extraparlamentar - São aqueles projetos encaminhados por outros que não membros do Congresso. Ex.: presidente, tribunais superiores, cidadão etc. 1.1.2.2. Fase constitutiva Início do Processo Deliberativo - art. 64 da CF - A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados. I) Iniciativa do PGR e Popular - Também tem início na Câmara dos Deputados projetos de iniciativa do Procurador-Geral da República e de iniciativa popular. II) Início do Processo no Senado - Perante o Senado somente terão início os projetos de seus membros ou de suas comissões, pois cada casa é responsável pelo início das deliberações de seus próprios projetos. III) Projeto de Lei Rejeitado - O projeto de lei rejeitado é arquivado. Tramitação do Projeto - O projeto de lei irá tramitar de acordo com o regimento interno. Alguns projetos poderão tramitar e ser aprovados em comissões específicas (delegação interna corporis), e não no plenário, de acordo com o disposto no regimento interno das casas. Votação na Própria Comissão - art. 58, § 2º, I da CF - Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe: discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo (1/10) dos membros da Casa; Força do Parecer das Comissões - No caso de apreciação pelo plenário, o parecer das comissões é opinativo, já que a matéria será ainda discutida e votada. Entretanto, o parecer da CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) quanto à constitucionalidade ou juridicidade da matéria será terminativo, assim como o da Comissão de Finanças e Tributação, quando de sua manifestação sobre a adequação CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 43 financeira ou orçamentária da proposição, salvo provimento de recurso a ser apreciado preliminarmente pelo Plenário, nos termos do regimento. Casa Revisora - Rejeitado o projeto ele será arquivado. Contudo, se aprovado (seja pelas comissões temáticas, nas hipóteses permitidas pelo regimento, seja pelo plenário da Casa), ele seguirá para a casa revisora, passando, também, pelas comissões, e, ao final, a casa revisora poderá aprová-lo, rejeitá-lo ou emendá-lo. Projeto Aprovado - Será enviado para sanção ou veto do Presidente. Projeto Rejeitado - Será arquivado, só podendo ser reaberto na mesma sessão legislativa por proposta da maioria absoluta dos membros de quaisquer das casas. Projeto Emendado - Deverá voltar para a casa iniciadora, sendo vedada a apresentação de emenda à emenda (subemenda). Se a casa iniciadora aceitar a emenda introduzida pela casa revisora, assim seguirá o projeto para deliberação executiva. Entretanto, caso a rejeite, o projeto seguirá em sua redação original para apreciação executiva. Espécies de Processos de Votação: i. Ostensivo - É o processo realizado por meio de votação aberta. Esta é a regra no processo legislativo; ii. Secreto - É o processo realizado por meio de votação fechada. É exceção no processo de votação, sendo aplicável nos casos previstos no art. 188 do RICD (Regimento Interno da Câmara dos Deputados); iii. Eletrônico - Ocorre por meio do painel eletrônico; iv. Cedular - Ocorre por meio de documento físico. Regime de Urgência Constitucional (Processo Legislativo Sumário) - art. 64, §§ 1º ao 4º da CF: a. Competência - § 1º - O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa. Também é possível a aplicação do regime de urgência nas hipóteses previstas no regimento interno. O regime de urgência também é aplicado na apreciação pelo Congresso da outorga ou renovaçãode autorização, permissão ou concessão de serviços de radiodifusão sonora, sons e imagens (art. 223, § 1º da CF). b. Sobrestamento de Pauta - § 2º - Se, no caso do § 1º (regime de urgência solicitado), a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição, cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco (45) dias, sobrestar- se-ão todas as demais deliberações legislativas da respectiva CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 44 Casa, com exceção das que tenham prazo constitucional determinado (ex.: Medida Provisória), até que se ultime a votação. c. Suspensão e Inaplicabilidade do Prazo - § 4º - Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de código. d. Prazo para Apreciação de Emendas - § 3º - A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados far-se- á no prazo de dez (10) dias, observado quanto ao mais o disposto no parágrafo anterior. Deliberação Executiva: a. Veto – art. 66, § 1º da CF - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional (veto jurídico) ou contrário ao interesse público (veto político), vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze (15) dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito (48) horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto. b. Impossibilidade de Veto Parcial sobre Parte de Dispositivos - § 2º - O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. A ideia é impedir que o Presidente da República subverta o sentido do projeto de lei quando da deliberação para sanção ou veto. Atenção: no ponto, o veto parcial difere-se do princípio da parcelaridade que rege o controle de constitucionalidade, o qual admite que a declaração de inconstitucionalidade recaia sobre palavra ou parte do texto da alínea, do artigo ou de parágrafo. CAIU EM PROVA: O veto parcial somente poderá abranger texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea, mas nunca poderá recair sobre palavras individualmente. Alternativa considerada correta pela banca. c. Apreciação do Veto Pelo Congresso - § 4º - O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta (30) dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores. A análise do veto é obrigatória pelo Congresso Nacional. Contudo, o STF, no julgamento do MS 31.816, permitiu ao Congresso Nacional analisar os vetos de acordo com a sua liberdade política e conveniência (chamado de “poder de agenda”). d. Escrutínio - Com a alteração introduzida pela EC 76/2013 o escrutínio para apreciação do veto passou a ser aberto. Anteriormente, este era secreto. e. Veto Derrubado - § 5º e §7º - Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Presidente da República. Se a lei não for promulgada CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 45 dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo. ATENÇÃO! Tese de repercussão geral: É constitucional a promulgação, pelo Chefe do Poder Executivo, de parte incontroversa de projeto da lei que não foi vetada, antes da manifestação do Poder Legislativo pela manutenção ou pela rejeição do veto, inexistindo vício de inconstitucionalidade dessa parte inicialmente publicada pela ausência de promulgação da derrubada dos vetos. ATENÇÃO! Novidade jurisprudencial: Sancionada a lei, evidencia-se a ocorrência de preclusão entre as etapas do processo legislativo, sendo incabível eventual retratação do veto, ou a republicação da lei para acrescentar novos vetos. ADPF 714/DF- Informativo 1.005 do STF. f. Sobrestamento de Pauta - § 6º - Esgotado, sem deliberação, o prazo estabelecido no § 4º (30 dias), o veto será colocado na ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação final. g. Características do Veto: - Expresso e Motivado - O veto sem motivação é considerado inexistente (STF), produzindo os mesmos efeitos da sanção tácita; - Sempre Escrito - Não é permitido o veto oral ou tácito; - Sempre Supressivo - Nunca pode acrescentar textos; - Pode ser Total ou Parcial - Assim, ou se veta todo o projeto (total) ou se veta determinado texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea (parcial); e - Superável ou Relativo - Este pode ser suprimido pelo congresso. h. Impossibilidade de Retratação do Veto - É vedada a retratação do veto pelo Presidente da República. i. Sanção - Em caso de concordância, de aquiescência, o Presidente sancionará o projeto de lei. Esse é o momento em que o projeto de lei se transforma em lei, já que, como se verá, o que se promulga é a lei. A sanção poderá ocorrer de duas formas: - Expressa - É a concordância do Presidente com o projeto de lei; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 46 - Tácita - Ocorre a sanção tácita quando o Presidente não se pronuncia sobre o veto do projeto no prazo de 15 dias úteis (art. 66, §§ 1º e 3º da CF). Nessa hipótese, tal como ocorre na hipótese de veto derrubado, se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo 1.1.2.3. Promulgação e publicação PROMULGAÇÃO - É ato formal que atesta a existência e validade da Lei e de sua executoriedade. Prazo e Competência para Promulgação - art. 66, § 7º da CF - A lei será promulgada dentro de 48 horas pelo Presidente da República. Competência do Senado - Caso o Presidente não promulgue a lei, cabe, no mesmo prazo, ao presidente do senado e, caso este não o faça, cabe ao vice-presidente do senado no mesmo prazo. Momento de Surgimento da Lei - O projeto vira lei com a sanção presidencial ou com a derrubada do veto pelo voto da maioria absoluta dos deputados e senadores, nos termos do art. 66, § 4º da CF. PUBLICAÇÃO - É o meio pelo qual se dá ciência da lei. É neste momento que se define a vigência da lei. ENTRADA EM VIGOR: - Em Território Nacional - Em regra, a lei entra em vigor 45 dias contados da sua publicação, salvo manifestação em contrário (art. 1º da LINDB); - Em Território Estrangeiro - Sendo em país estrangeiro, a lei brasileira, em regra, entra em vigor 3 meses contados da sua publicação (art. 1º, § 1º da LINDB). Vacatio Legis - Entre a publicação e a vigência da lei se tem o chamado vacatio legis. Este é o lapso temporal entre a publicação e a vigência de uma lei. Efeito da Publicação - A publicação enseja a presunção de conhecimento da lei por todos. Dessa forma, ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. (art. 3º da LINDB). 1.1.2.4. Espécies normativas A. Emenda à Constituição (manifestação do poder constituinte derivado reformador) CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \*MERGEF ORMAT 1 47 Natureza Jurídica - É uma manifestação do poder constituinte derivado reformador. Dessa forma, não são ilimitadas, havendo limitação formal e material. Iniciativa – art. 60, incisos I, II e III da CF: I - de um terço (1/3), no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; II - do Presidente da República; e III - de mais da metade (1/2) das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria RELATIVA (simples) de seus membros. Proposta de Emenda Decorrente de Iniciativa Popular – José Afonso da Silva sustenta, como visto, que é possível proposta de emenda decorrente da iniciativa popular. Entretanto, não existe previsão constitucional expressa para tal. Assim, atentar para a forma de cobrança da questão. Quórum de Aprovação - art. 60, § 2º da CF - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos (3/5) dos votos dos respectivos membros. O texto aprovado em cada casa não pode ser modificado sem que a matéria volte à apreciação da casa iniciadora, sob pena de vício formal de inconstitucionalidade. Promulgação - art. 60, § 3º, da CF - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem. ATENÇÃO! Diferentemente do projeto de lei ordinária, a emenda à constituição não é submetida à sanção presidencial. Proposta de Emenda Rejeitada ou Havida por Prejudicada (Irrepetibilidade) - art. 60, § 5º, da CF - A matéria constante de proposta de emenda, rejeitada ou havida por prejudicada, não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa (ordinária). Proposta de Emenda Rejeitada em Sessão Extraordinária - O entendimento do STF é de que a matéria poderá constituir nova PEC no mesmo ano civil, desde que em sessão legislativa distinta. OS LIMITES AO PODER DE EMENDA DA CONSTITUIÇÃO SE DIVIDEM EM: 1. LIMITAÇÕES PROCEDIMENTAIS OU FORMAIS: referem-se aos órgãos competentes e aos procedimentos a serem observados na alteração do texto constitucional. Art. 60, caput (limitação de iniciativa) e §§ 2º (limitação de quórum de aprovação), 3º (limitação de promulgação) e 5º (limitação de prejudicialidade). 2. LIMITAÇÕES CIRCUNSTANCIAIS: São observadas em situações nas quais a livre manifestação do poder derivado reformador possa estar ameaçada (situações de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 48 crise constitucional). Assim, de acordo com o art. 60, § 1º, da CF, a constituição não poderá ser emendada na vigência de estado de sítio, estado de defesa e intervenção federal. Aqui cabe destacar a título de exemplo a intervenção federal na segurança pública, ocorrida no Estado do Rio de Janeiro. Durante a situação, não caberia emenda à constituição. 3. LIMITAÇÕES MATERIAIS: Excluem determinadas matérias ou conteúdos da possibilidade de reforma, objetivando assegurar a identidade e integridade da Constituição. Dividem-se em explícitas e implícitas. 3.a) LIMITAÇÕES MATERIAIS EXPLÍCITAS: São as cláusulas pétreas previstas no art. 60, § 4º, da CF. Não será objeto de deliberação, a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; ii - o voto direto, secreto, universal e periódico (voto obrigatório não é cláusula pétrea); iii - a separação dos Poderes; iv - os direitos e garantias individuais. CAIU EM PROVA: “Não será admitida emenda constitucional tendente a abolir o voto obrigatório, por se tratar de cláusula pétrea”. Alternativa incorreta. ATENÇÃO! Pela literalidade da Constituição, apenas os direitos e garantias individuais seriam cláusulas pétreas, mas o STF confere interpretação ampliativa ao dispositivo para abranger os direitos e garantias fundamentais, inclusive direitos esparsos ao longo do texto constitucional. OBSERVAÇÃO: na hipótese de proposta de Emenda que viole cláusula pétrea, ou que viole o devido processo legislativo, o STF admite, excepcionalmente, mandado de segurança impetrado por parlamentar, para exercício de controle de constitucionalidade preventivo (Informativo 711 do STF). Vale ressaltar que, nessa hipótese, caso ocorra a perda superveniente do mandato parlamentar do impetrante, haverá a extinção da ação mandamental, sem resolução do mérito. Com efeito, o MS, na hipótese, tutela o direito subjetivo do parlamentar ao devido processo legislativo, não sendo admissível como sucedâneo de ADI. 3.b) LIMITAÇÕES MATERIAIS IMPLÍCITAS: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 49 Não se pode acabar com limitações expressas às emendas por meio de outras emendas. Assim, é vedada no Brasil o que a doutrina denomina de ‘dupla revisão’, ou seja, emenda que acaba com as cláusulas pétreas e outra emenda posterior que tende a abolir tais cláusulas pétreas. Não se pode, portanto, alterar as regras que limitam o poder constituinte derivado reformador. Também é considerada uma limitação implícita a impossibilidade de se alterar o titular do poder constituinte originário e do poder constituinte derivado reformador. ATENÇÃO! A CF de 1988 não consagrou limitação temporal para o poder derivado reformador. Temos a limitação temporal quando a Constituição estabelece um período durante o qual o seu texto não poderá ser modificado. A limitação temporal estabelece, portanto, um período determinado de absoluta imutabilidade do texto da Constituição. O período de impossibilidade de revisão previsto no art. 3º do ADCT não constitui uma limitação temporal, uma vez que durante este período a Constituição podia ser modificada por meio de emendas constitucionais. A limitação de 5 anos do art. 3º do ADCT cingiu-se às chamadas “emendas de revisão”, contados da promulgação da Constituição, que exigiram voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral. Tratados e Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos - art. 5º, § 3º, da CF – Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos (3/5) dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. Ex.: Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo. B. Lei complementar e lei ordinária Diferenças entre a LO e a LC: I) Aspecto Material - As matérias reguladas por Lei Complementar estão taxativamente previstas na CF. Já as matérias reguladas por Lei Ordinária são de livre criação, ou seja, seu campo de atuação é residual. Dessa forma, a Lei Ordinária regula tudo aquilo que não é de competência exclusiva de outra espécie normativa. II) Aspecto Formal - Está no Quórum de aprovação: a) Quórum de Aprovação de Lei Complementar - art. 69 da CF - Aprovada por maioria absoluta (maioria da totalidade dos membros da casa). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 50 b) Quórum de Aprovação de Lei Ordinária - art. 47 da CF - É aprovada por maioria simples ou relativa (maioria dos membros presentes, desde que respeitado o quórum de instalação). Quórum de Instalação da Sessão – art. 47 da CF - Para que haja votação de projeto de Lei Complementarou Ordinária, deve estar presente a maioria absoluta dos membros da Casa ou Comissão. Inexistência hierarquia– Segundo a doutrina e a jurisprudência majoritária, não existe hierarquia entre Lei Complementar e Lei Ordinária. Na verdade, o que existe são campos de competência diferentes, ou seja, existem diferentes campos de atuação. ATENÇÃO! A Constituição Estadual só pode exigir lei complementar para tratar das matérias que a Constituição Federal também exigiu lei complementar - informativo 962 do STF. C. Lei delegada Apesar de ainda permanecerem previstas na Constituição, com a criação das Medidas Provisórias, não existe mais necessidade de se editar Leis Delegadas, pois as MP’s já suprem essa necessidade com menos limites ao Presidente. Assim, as leis delegadas têm pouquíssima aplicabilidade prática, mas é importante memorizar seus principais aspectos, pois são cobrados em concurso. Aspecto Material (Competência) – art. 68 da CF - As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. Facultatividade de Elaboração da Lei - O Presidente não é obrigado a elaborar a lei delegada autorizada pelo Congresso Nacional. Manutenção da Titularidade Legislativa do Congresso - Mesmo autorizando a lei delegada, o congresso ainda pode legislar sobre o mesmo assunto. Dessa forma, este não perde a titularidade do poder de legislar. Controle dos Limites Delegados ao Presidente - Caso o presidente ultrapasse os limites impostos pelo Congresso duas são as formas de controle: a) Controle Político - É possível o controle político do congresso, que pode sustar os atos do executivo que ultrapassem os limites da delegação (art. 49, V, da CF); e b) Controle de Constitucionalidade - É possível o controle de constitucionalidade por vício formal. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 51 Aspecto Formal - Para a criação da Lei Delegada, o Presidente solicitará a autorização para legislar ao Congresso. Essa autorização é concedida via resolução do Congresso, que especifica os limites da lei. Inexistência da Sanção e Veto - Como é o próprio Presidente que elabora a Lei Delegada, não existe sanção e veto de lei delegada. Exceção ao Princípio da Indelegabilidade de Atribuições - As Leis Delegadas configuram uma delegação externa corporis, pois esta é feita para um órgão diferente. Delegação Típica (sem retorno para o congresso) - art. 68, § 2º, da CF - A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício. Delegação Atípica (com retorno para o congresso) - art. 68, § 3º, da CF – Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada qualquer emenda. Nesse caso, se fala que existe uma inversão no processo legislativo, pois será o Congresso Nacional que sancionará a lei (Manoel Gonçalves Ferreira Filho). Vedações (limites materiais) - art. 68, § 1º, I a III da CF - Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à Lei Complementar, nem a legislação sobre: I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; e III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos. Para fixação, segue questão interessante sobre o tema, cobrada na prova. O Presidente da República solicita ao Congresso Nacional autorização para legislar sobre a instituição de gratificação de atividades para servidores públicos civis da Administração direta federal. O Congresso edita, então, resolução, autorizando-o a legislar sobre aspectos que especifica da matéria, dentro do prazo de até 4 meses contados de sua publicação. No período estabelecido, o Presidente edita lei delegada, sobre os aspectos cogitados, dispondo que entrará em vigor 180 dias após sua publicação. A lei delegada em questão: a) atende aos requisitos materiais e procedimentais previstos na Constituição, para fins de delegação legislativa. b) é incompatível com a Constituição da República, por versar sobre matéria que, sendo reservada à lei complementar, não poderia ser objeto de delegação. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 52 c) deveria ter sido submetida à apreciação do Congresso Nacional como projeto de lei, para deliberação em votação única, vedada qualquer emenda. d) é incompatível com a Constituição da República, por versar sobre matéria de competência privativa do Congresso Nacional, não passível de delegação. e) cabe ser sustada por resolução do Congresso Nacional, por ter o Presidente extrapolado dos limites da delegação legislativa, ao estabelecer vacatio legis superior ao prazo da própria delegação. Resposta: letra A. OBS: Observe que a matéria da questão (remuneração de servidores públicos) é de iniciativa legislativa privativa do Presidente da República, sem exigência de que seja feita por lei complementar (o que exclui as alternativas B e D). Observe também que não há na questão nada que especifique que a delegação foi atípica (na forma do art. 68, §3º) ou que determine o período de vacatio legis (o que exclui as alternativas C e E). OBS: Se a matéria é de competência de iniciativa legislativa do Presidente da República, não há utilidade na solicitação. Contudo, a banca considerou que a delegação legislativa é, em tese, formalmente possível. D. Medida provisória Legitimados para Edição de MP - art. 62 da CF - O Presidente da República tem legitimidade para editar MP. Legitimidade dos Líderes do Executivo Estadual e Municipal - Na ADIn. 2391, o STF determinou que os chefes do poder executivo (governadores e prefeitos) também podem editar MP. Entretanto, para isso deve haver expressa previsão na Constituição Estadual ou na Lei Orgânica do Município, além da observação da simetria com a CF quanto ao procedimento. OBSERVAÇÃO: GANCHO - MP estadual não pode versar sobre sérvio de gás canalizado. Art. 25 § 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação. Impossibilidade de Retirada da MP do Congresso pelo Presidente - Editada a MP, o Presidente não poderá retirar sua apreciação do Congresso caso discorde de seu texto. Nesse caso o presidente poderá criar outra MP revogando a anterior (STF). Veja um precedente sobre o tema: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 53 1. Porque possui força de lei e eficácia imediata a partir de sua publicação, a Medida Provisória não pode ser “retirada” pelo Presidente da República à apreciação do Congresso Nacional. Precedentes. 2. Como qualquer outro ato legislativo, a Medida Provisória é passível de ab-rogação mediante diploma de igual ou superior hierarquia. Precedentes. 3. A revogação da MP por outra MP apenas suspende a eficácia da norma ab-rogada, que voltará a vigorar pelo tempo que lhe reste para apreciação, caso caduque ou seja rejeitada a MP ab- rogante. 4. Consequentemente,o ato revocatório não subtrai ao Congresso Nacional o exame da matéria contida na MP revogada. (...) STF. Plenário. ADI 2984 MC, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04/09/2003. JÁ CAIU EM PROVA: “Após a edição de determinada medida provisória, o presidente da República poderá retirá-la da apreciação do Congresso Nacional”. Alternativa incorreta. Pressupostos para Edição da MP (Objetivos) - Para a edição de MP deve haver hipótese de relevância e urgência. Esses dois pressupostos estão submetidos à apreciação política do Presidente da República, que goza de larga margem de apreciação sobre a sua ocorrência. O juízo do Presidente da República, porém, está sujeito ao escrutínio do Congresso Nacional, que deve rejeitar a medida provisória se vier a entendê-la irrelevante ou não urgente (art. 62, §5º, da CF). Ausência dos Pressupostos - Caso esses pressupostos não sejam observados, a MP é inconstitucional por vício formal, pois há violação aos pressupostos objetivos do ato. Controle Judicial - O Poder Judiciário pode controlar a existência desses pressupostos. Entretanto, esse controle é excepcional e cinge-se à verificação, em cada caso, de eventual abuso manifesto, pois o executivo possui discricionariedade política. Em outras palavras, o Judiciário pode fazer o controle sobre os pressupostos objetivos do ato apenas de forma excepcional, nos casos em que a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva. Vejamos um julgado recente que sintetiza o entendimento do STF: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 54 A inconstitucionalidade formal de medida provisória não se convalida com a sua conversão em lei, razão pela qual, conquanto haja perda de objeto relativamente à inconstitucionalidade material, remanesce o interesse de agir no que tange à inconstitucionalidade formal. 3. No limitado controle dos requisitos formais da medida provisória deve o Poder Judiciário verificar se as razões apresentadas na exposição de motivos pelo Chefe do Poder Executivo são congruentes com a urgência e a relevância alegadas, sem adentrar ao juízo de fundo que o texto constitucional atribui ao Poder Legislativo. 4. Ação direta julgada improcedente. (ADI 5599, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 26/10/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-280 DIVULG 25-11- 2020 PUBLIC 26-11-2020) OBS: Se a MP versar sobre a abertura de crédito extraordinário nos casos de imprevisibilidade e urgência (art. 167, § 3º, da CF) cabe o controle dos pressupostos pelo Poder Judiciário (somente será admitida para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública). Vedações (Limites Materiais) - art. 62, § 1º, da CF - É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I - relativa a: a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; b) direito penal, processual penal e processual civil (sobre direito civil pode); c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º (crédito extraordinário); Dessa forma, MP pode tratar de abertura de crédito extraordinário. Entretanto, esta somente será admitida para atender despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública, como visto. Ante o exposto, o STF admite o controle judicial dos requisitos de imprevisibilidade e urgência para a edição de MP que abre crédito extraordinário. ATENÇÃO! A proteção ao meio ambiente é um limite material implícito à edição de medidas provisórias, sendo inconstitucional a edição de MP que importe em diminuição CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 55 da proteção ao meio ambiente equilibrado, especialmente se diminuir ou suprimir áreas especialmente protegidas. Informativo 896 do STF. MP que Implique Majoração ou Instituição de Impostos - art. 62, § 2º, da CF - Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II (exceções à anterioridade tributária), só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. Impostos não sujeitos à regra disposta acima - São as exceções à anterioridade do exercício financeiro seguinte: - II - Imposto de Importação; - IE - Impostos de Exportação; - IOF - Imposto Sobre Operações Financeiras; - IPI - Impostos Sobre Produto Industrializado; e - Imposto Extraordinário de Guerra. Contagem dos prazos para produção dos efeitos dos impostos criados/majorados - A contagem do exercício financeiro seguinte para a majoração ou criação de impostos por MP é contada da conversão da medida provisória em Lei, conforme visto acima. Dessa forma, estas têm que ser convertidas em lei até o último dia daquele exercício em que foram editadas, caso contrário não produzirão efeitos no seguinte. Exceções - O II, IE, IPI, IOF e Imposto Extraordinário de Guerra não estão sujeitos a esta regra. Dessa forma, a contagem do prazo para que produzam seus efeitos começa da publicação da MP. Da mesma forma, segundo o STF, a contagem da noventena (anterioridade nonagesimal) começa também da publicação da MP. Ressalta-se que, não poderá haver alteração em matéria tributária por MP, quando a temática for reservada à lei complementar. Outras Vedações: a) Matérias que Não Podem ser Objeto de Delegação Legislativa (Não podem ser Objeto de MP) - art. 68, § 1º, da CF - Não serão objeto de delegação, os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre: I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 56 III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos. b) Matérias Reservadas à Resolução e Decreto Legislativo - São matérias de competência das casas ou do próprio Congresso Nacional. c) Vedação a Edição de MP Estadual nos Serviços de Gás Canalizado - art. 25, § 2º da CF - Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação. d) Vedação para Regulamentar Serviços de Telecomunicação - art. 2º da EC 8/95 - É vedada a adoção de medida provisória para regulamentar o disposto no inciso XI do art. 21 (serviços de telecomunicação) com a redação dada por esta emenda constitucional. e) Vedação para Regulamentar Matérias Referentes ao Petróleo - art. 3º da EC 9/95 - É vedada a adoção de medida provisória para a regulamentação da matéria prevista nos incisos I a IV e dos §§ 1º e 2º do art. 177 da Constituição Federal (referentes ao petróleo). PARA MEMORIZAR. Questão sobre vedação à edição de Medidas Provisórias: Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá editar medidaprovisória, entretanto, é vedada a edição sobre matéria relativa a) à instituição de impostos, mesmo que produza efeitos no exercício financeiro seguinte. b) à majoração de impostos, mesmo se convertida em lei. C) à organização da Administração Pública. d) à cidadania e aos partidos políticos. e) a contratos administrativos e licitações. Resposta: Letra D. Art. 62. (…) § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I - relativa a: a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral. Vigência da MP - art. 62, § 3º, da CF - As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12, perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta (60) dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 57 período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. Apesar de o § 3º do art. 62 da Constituição poder levar à impressão de que o prazo máximo de vigência de medida provisória, antes de ela caducar, é de 120 dias (60 +60), na realidade, a medida provisória pode vir a durar bem mais do que isso. Isso porque, se o Congresso Nacional estiver em recesso, a contagem do prazo de eficácia da medida provisória é suspensa (CF, art. 62, § 4º). Contagem do Prazo - art. 62, § 4º, da CF - O prazo a que se refere o § 3º contar- se-á da publicação da medida provisória, suspendendo-se durante os períodos de recesso do Congresso Nacional. Prorrogação do Prazo - art. 62, § 7º, da CF - Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória que, no prazo de sessenta (60) dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional. Exemplo de cobrança do tema em provas: De acordo com a Constituição, assinale a opção correta a respeito da Medida Provisória. a) Pode veicular matéria relativa à Organização do Poder Judiciário. b) Pode veicular matéria relativa à Carreira dos membros do Poder Judiciário. c) Pode veicular matéria relativa a Partidos Políticos. d) A vigência da medida provisória pode ser prorrogada por uma única vez, pelo prazo de 60 (sessenta) dias. Resposta: letra D. Art. 62, § 7º. Falta de Decreto Legislativo Regulamentador - art. 62, § 11, da CF - Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º, até sessenta (60) dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas. OBSERVAÇÃO: o objetivo da previsão é garantir segurança jurídica àqueles que praticaram atos embasados em medidas provisórias rejeitadas ou que não foram apreciadas no prazo legal. Contudo, o § 11 do art. 62 da CF/88 deve ser interpretado com cautela, não podendo implicar que será protraída, por prazo indeterminado, a vigência de medidas provisórias rejeitadas ou não apreciadas. Com base nisso, o STF negou a apreciação de pedidos embasados em na MP320/2006, revogada, ainda que feitos anteriormente à revogação e que o Congresso não tenha editado o respectivo decreto legislativo (ADP 216/DF). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 58 OBSERVAÇÃO 2: ATENÇÃO para a súmula vinculante 54: “A medida provisória não apreciada pelo Congresso Nacional podia, até a Emenda Constitucional 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição”. Efeitos da MP sobre Demais Atos Normativos - A Medida Provisória é ato normativo formal e material. Entretanto, esta não revoga os atos normativos em sentido contrário, apenas os suspende. Em outras palavras, a Medida Provisória é lei sob condição resolutiva. Isto ocorre, pois ela é efêmera, ou seja, tem caráter provisório. Entretanto, ressalte-se que a lei que converter a MP, revogará as leis em sentido contrário ao da MP. ATENÇÃO! Se estiver tramitando ADI contra uma lei, que posteriormente foi suspensa por Medida Provisória, a ADI perderá o seu objeto automaticamente? NÃO. Se até o dia do julgamento, a MP que suspendeu a lei impugnada não tiver sido convertida em lei, não há que se falar em perda do objeto da ADI (Informativo 935 do STF). Tramitação da MP no Congresso - Editada a medida provisória, ela deve ser prontamente submetida ao crivo do Congresso Nacional, com vistas à sua transformação em lei. No mesmo dia da publicação da medida provisória, o Presidente da República deve encaminhá-la ao Legislativo, por meio de mensagem presidencial. No Congresso Nacional, a medida provisória deve ser objeto de exame e parecer de uma comissão mista de deputados e senadores (art. 62, § 9º). A fase da apreciação da medida provisória pela comissão mista, antes do exame dos Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado, é indispensável, não podendo ser substituída por parecer apresentado pelo relator diretamente na Câmara. A desobediência ao ditame constitucional gera inconstitucionalidade, que contamina de nulidade a lei em que a medida provisória vier acaso a se converter. Isso foi o que decidiu o Supremo Tribunal Federal na ADI 4.029, julgada em 8/3/2012, sob a relatoria do Ministro Luiz Fux. Dada a continuada praxe em contrário no Congresso Nacional, o STF determinou que a nulidade pelo descumprimento do preceito da Lei Maior atingiria apenas as novas medidas provisórias editadas a partir do julgamento. Impende destacar que, nos termos do art. 62, § 5º, da CF, a deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional (em separado) sobre o mérito das medidas provisórias dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais. OBSERVAÇÃO: GANCHO - A doutrina entende que o exame prévio dos pressupostos constitucionais da Medida Provisória se trata de uma hipótese de controle de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 59 constitucionalidade repressivo exercido pelo Legislativo, pois o ato normativo (MP) já está em vigor. Regime de Urgência Constitucional da MP (Trancamento de Pauta) - § 6º - Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco (45) dias contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando. Ressalte-se que segundo recente entendimento do Supremo Tribunal Federal, somente ficam sobrestadas as matérias que podem, em tese, ser objeto de MP. Dessa forma, não há o trancamento em relação às matérias que não podem ser objeto de MP, tais como PEC, projeto de LC, Resoluções etc. Vejamos: “O trancamento da pauta da Câmara dos Deputados por conta de medidas provisórias (MPs) não analisadas no prazo de 45 dias, contados de sua publicação, só alcança projetos de lei sobre temas passíveis de serem tratados por MP.” (STF. MS 27931. Julgado em 29/06/2017) Início da votação - § 8º - As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados. O plenário, em apreciação preliminar, de cada uma das casas, verificará o atendimento dos pressupostos constitucionais da relevânciae urgência, bem como a sua adequação financeira e orçamentária, antes do exame de mérito. Análise Preliminar da MP - § 9º - Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional. Vedação à Reedição de MP Rejeitada - § 10 - É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. Nesse sentido, a jurisprudência do STF: Qualquer solução jurídica a ser dada na atividade interpretativa do art. 62 da Constituição Federal deve ser restritiva, como forma de assegurar a funcionalidade das instituições e da democracia. Nesse contexto, imperioso assinalar o papel da medida provisória como técnica normativa residual que está à serviço do Poder Executivo, para atuações legiferantes excepcionais, marcadas pela urgência e relevância, uma vez que não faz parte do núcleo funcional desse Poder a atividade legislativa. É inconstitucional medida provisória ou lei decorrente de conversão de medida provisória cujo conteúdo normativo caracterize a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória anterior rejeitada, de eficácia exaurida CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 60 por decurso do prazo ou que ainda não tenha sido apreciada pelo Congresso Nacional dentro do prazo estabelecido pela Constituição Federal. STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI 5727/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 27/3/2019 (Info 935). Por sua vez, se um projeto de lei é rejeitado pelo Congresso Nacional, de igual sorte, não é cabível a insistência na mesma normatização por via de medida provisória. A palavra definitiva do Congresso Nacional não é suscetível de desafio pelo Presidente da República na mesma sessão legislativa em que o projeto de lei se viu frustrado. APROFUNDANDO: Não confunda sessão legislativa com o ano-calendário. A sessão legislativa congressual (que começa no dia 02 de fevereiro, como visto) pode ocorrer no mesmo ano em que se dá a rejeição da medida provisória ou do projeto de lei. Ex: a medida provisória rejeitada no mês de janeiro, durante sessão legislativa extraordinária, ocorrida por força de convocação do Congresso Nacional. Isso enseja o cabimento de medida provisória editada no início da sessão legislativa ordinária, no mês seguinte. Hipóteses de Aprovação e Rejeição da MP: I) Aprovação sem Alteração de Texto - Refere-se à MP editada e convertida em lei sem modificação no texto. Esta Lei será promulgada pelo presidente da mesa do congresso nacional, ou seja, pelo Presidente do Senado, sem necessidade de análise do executivo (art. 12 da Resolução 01/02 do Congresso). II) Aprovação com Alteração de Texto - Refere-se à MP editada e convertida em lei com emenda ao texto, devendo esta, logicamente, ser correlata à matéria da MP. Nesse caso, a parte modificada passará por uma análise do executivo (sanção ou veto). ESQUEMATIZANDO: - MP aprovada sem alteração no texto: vai direto para promulgação pelo Presidente do Congresso Nacional (que é o Presidente do Senado). - MP aprovada com alteração no texto: vai para sanção/veto do Presidente da República. - Projeto de lei de iniciativa do Presidente da República aprovado com ou sem alteração no texto: vai para sanção/veto do Presidente da República. CAIU EM PROVA: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 61 . A medida provisória que, no processo de conversão em lei, for aprovada pelo Congresso Nacional sem alterações, não cabe ser submetida à sanção ou veto do Presidente da República, diferentemente do que ocorre com os projetos de lei de iniciativa do Presidente da República aprovados, sem modificações, pelo Congresso Nacional. Alternativa correta. NÃO CONFUNDA: O rito determinado constitucionalmente para conversão em lei de medida provisória restringe o poder de veto do Presidente da República apenas às partes do texto aprovado que tenham sofrido modificação substantiva pelo Poder Legislativo. Alternativa incorreta. Havendo alterações na MP durante a conversão em lei, o projeto segue para sanção ou veto presidencial, que pode ser parcial ou total. Vejamos: Art. 62, § 12, CF: "Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se- á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto". Regulamentação dos Efeitos da Matéria Alterada - Nesse caso a produção de efeitos antes da conversão em lei da parte que foi modificada deverá ser regulamentada por decreto legislativo, no prazo de 60 dias. Caso não seja editado tal decreto, os efeitos continuarão regidos pela MP conforme disposto no art. 62, §§ 3º e 11, da CF. III) Aprovação do Projeto de Lei de Conversão com Alterações - art. 62, § 12 da CF - Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se- á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto. IV) Rejeição Tácita - Ocorre quando o Congresso não se manifesta sobre a MP. Nesse caso, as MP’s perderão sua eficácia desde a sua edição, devendo o Congresso regular seus efeitos por Decreto Legislativo (art. 62, § 3º, da CF). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 62 Os efeitos da revogação são ex tunc (retroagem), assim, seus efeitos serão regulados pelo Decreto Legislativo. Caso este não seja editado, a própria MP regula seus efeitos. V) Rejeição Expressa - Ocorre quando o Congresso expressamente rejeita a MP. Nesse caso, o Congresso deverá regulamentar os efeitos decorrentes da MP em 60 dias por meio de Decreto Legislativo. Caso não regule, os efeitos continuarão regidos pela MP. Possibilidade de os Estados e o Distrito Federal editarem medidas provisórias - Não obstante o caráter excepcional da medida provisória, ela foi prevista em parte permanente da Constituição Federal. Integra o desenho da tripartição dos Poderes adotado entre nós. Sendo assim, a Constituição estadual, que conferir aos governadores de Estado a faculdade de editar medidas provisórias, não destoará da ordem constitucional federal. Soma-se a isso o fato de o § 2º do art. 25 proibir a edição de medida provisória pelos Estados, no que tange à regulação da exploração e concessão dos serviços locais de gás canalizado. De modo implícito, permitiu que, em outras hipóteses, houvesse medida provisória estadual. Se a Constituição do Estado opta por permitir o regime das medidas provisórias, deve atender à regulação do instrumento na ordem federal. MEDIDA PROVISÓRIA PODE SER DEVOLVIDA SEM ANÁLISE PELO CONGRESSO NACIONAL, ANTES MESMO DE PASSAR PELA ANÁLISE DA COMISSÃO MISTA DE DEPUTADOS E SENADORES? A Constituição não prevê tal possibilidade. A autorização para isso estaria no art. 48, XI, do Regimento Interno do Senado: Art. 48. Ao Presidente compete: (...) XI - impugnar as proposições que lhe pareçam contrárias à Constituição, às leis, ou a este Regimento, ressalvado ao autor recurso para o Plenário, que decidirá após audiência da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. O STF ainda não foi chamado para discutir a validadedeste dispositivo, que já foi utilizado algumas vezes na história constitucional recente brasileira, especialmente em assuntos com alta carga simbólica e política. E. Decreto legislativo CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 63 Incidência - Por regra, disciplinará as matérias do art. 49 da CF, ou seja, as matérias de competência exclusiva do Congresso Nacional. Além dessas matérias, o Congresso deve regulamentar por meio de Decreto Legislativo os efeitos decorrentes da medida provisória não convertida em lei. Processo Legislativo: - Deve Observar o Princípio do Bicameralismo - Dessa forma, o projeto deve passar pelas duas casas. - Iniciativa - O projeto pode ser iniciado por qualquer das casas. Assim, a outra casa será a casa revisora. - Inexistência de Sanção ou Veto - Não existe sanção ou veto do presidente, pois a matéria é de competência exclusiva do Congresso. - Publicação e Promulgação - O próprio Congresso irá publicar e promulgar o Decreto Legislativo por meio do seu Presidente (Presidente do Senado). - Quórum de Aprovação - art. 47 da CF - O Decreto segue a regra geral, será aprovado por maioria simples (relativa), desde que presente a maioria absoluta dos membros. Tratado Internacional de Direitos Humanos - Quando se tratar de tratado internacional sobre direitos humanos, o Decreto Legislativo deverá ser aprovado com quórum de emenda (3/5, em dois turnos, nas duas casas) para que o tratado tenha a mesma força destas. Decreto Legislativo e Medida Provisória - O Decreto Legislativo tem a função de regulamentar os efeitos de Medida Provisória que não foi convertida em lei por decurso de prazo ou por rejeição. Além disso, este também regulamenta os efeitos da MP alterada por emenda de conversão. O Congresso tem 60 dias para regulamentar esses efeitos por meio de Decreto Legislativo. Caso isso não seja feito, os efeitos continuarão regulados pela MP. F. Resoluções Aplicabilidade - Tem a função de disciplinar as matérias de competência privativa da Câmara, bem como do Senado, previstas nos art. 51 e 52, da CF, além de algumas competências do Congresso Nacional (ver tópico referente às competências). Ressalta-se que, nesse caso, trata-se de matéria reservada (exclusiva), assim não podem ser delegadas. Procedimento Legislativo: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 64 - Iniciativa - Se a matéria é reservada a qualquer das casas, somente esta casa irá discutir e votar a resolução (não há bicameralismo). Entretanto, nos casos das resoluções do Congresso Nacional (ex.: Lei Delegada - art. 68, § 2º, da CF), há bicameralismo. - Inexistência de Análise do Executivo - Não existe sanção ou veto do presidente, pois a matéria é de competência exclusiva da Câmara, do Senado ou do Congresso. - Promulgação e Publicação - A própria casa, por meio de seu Presidente, irá publicar e promulgar o ato normativo. - Quórum de Aprovação - art. 47 da CF - Em regra, é a maioria simples. Entretanto, em alguns casos há quórum especial (ex.: Quórum de 2/3 para o Julgamento de Autoridades pelo Senado conforme o art. 52, parágrafo único da CF). Observação final sobre processo legislativo: POSSIBILIDADE DE VOTAÇÃO VIRTUAL- PANDEMIA DA COVID 19 Ausência de violação ao processo legislativo em razão de as deliberações no Congresso Nacional terem ocorrido por meio do Sistema de Deliberação Remota. Normalidade da tramitação da lei que foi votada de forma virtual, o que não afasta a participação e o conhecimento da população em geral- informativo 1009 do STF. 1.1.3. COMISSÕES PARLAMENTARES Comissões - São organismos constituídos em cada Casa, composto de número geralmente restrito de membros, encarregados de estudar e examinar as proposições legislativas e apresentar pareceres. Podem ser permanentes ou temporárias. Segundo o §1º do art. 58 da CF, na constituição das Mesas e de cada Comissão é assegurada, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participem da respectiva Casa. a) Comissão Temática (Permanentes) - art. 58, § 2º, da CF - Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 65 i. discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo (1/10) dos membros da Casa; ii. realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil; iii. convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos inerentes a suas atribuições; iv. receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas; v. solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão; vi. apreciar programas de obras, planos nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir parecer. OBSERVAÇÃO: Durante o recesso, haverá uma Comissão representativa do Congresso Nacional, eleita por suas Casas na última sessão ordinária do período legislativo, com atribuições definidas no regimento comum, cuja composição reproduzirá, quanto possível, a proporcionalidade da representação partidária. b) Comissão Especial ou Temporária - Estas são criadas para apreciar uma matéria específica, extinguindo-se com o término da legislatura ou cumprida a finalidade para a qual foram criadas. É criada regimentalmente para uma finalidade especial. Ex.: CPI. 1.1.3.1. Comissão parlamentar de inquérito Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) - art. 58, § 3º, da CF; Leis 1.579/52 e 10.001/00; LC 105/01; e Regimento Interno. Tema importantíssimo para fins de prova. Art. 58, § 3º, da CF – As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço (1/3) de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. A CPI, enquanto projeção do Poder Legislativo da União, nada mais é, senão, a longa manus do próprio Congresso Nacional ou das Casas que o compõem. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 66 Criação - Em conjunto (comissão parlamentar mista de inquérito - CPMI) ou separadamente, pela Câmara ou pelo Senado, mediante requerimento de 1/3 de seus membros. Assim, é desnecessária a submissão do requerimento de instalação da CPI em plenário pela maioria da Casa Legislativa, o que além de violar a prerrogativa de exercício pleno da democracia pelas minorias parlamentares também vai de encontro ao direito de oposição parlamentar (STF – MS 24.849; STJ – RMS 23.618 e STF – MS 26.441). Logo, é assegurada a participação das minorias parlamentares no processo de investigação legislativa, de tal forma quea maioria legislativa não pode frustrar o exercício, pelos grupos minoritários que atuam no Congresso Nacional, do direito público subjetivo que lhes é assegurado pelo art. 58, §3º, da CF. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que: (...) além da função contramajoritária fiscalizatória do Poder Executivo, reiteradamente assentada por esta Corte, as CPIs figuram como instrumento essencial das atividades parlamentares como um todo, na medida em que objetivam "reunir dados e informações para o exercício das funções constitucionais conferidas ao Parlamento" (FERRAZ, Anna Cândida da Cunha. Conflito entre poderes. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1994, p. 174), de forma que viabilizam a atividade parlamentar em sua plenitude. Em outras palavras, incumbe às Comissões em apreço não apenas as atividades de fiscalização. (...) Como se nota, atos praticados na esfera privada não são imunes à investigação parlamentar, desde que evidenciada a presença de interesse público potencial em tal proceder. Sendo assim, mais que sustentáculo da responsabilização civil ou criminal, a apuração empreendida no contexto das CPIs deve guardar relação instrumental com o conjunto das atividades parlamentares. Ou seja, o que deve ser perquirido, portanto, é a existência potencial de interesse público no objeto de investigação, sob a perspectiva das competências, no caso concreto, do Senado Federal. Ora, se o objetivo da Comissão é investigar atos praticados pela CBF, é natural, e até inevitável, que a apuração recaia também sobre seus altos dirigentes, notadamente do impetrante. Além disso, segundo a jurisprudência deste Supremo, a CPI "não está impedida de investigar fatos que se ligam, intimamente, com o fato principal" (HC 71231).[MS 33.751, voto do rel. p/ o ac. Min. Edson Fachin, j. 15-12-2015, 1ª T, DJEde 31-3-2016.] CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 67 ATENÇÃO! A instalação de uma CPI não se submete a um juízo discricionário seja do Presidente da casa legislativa, seja do plenário da própria casa legislativa. STF. Plenário. MS 37760 MC-Ref/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 14/4/2021 (Info 1013). A instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito depende unicamente do preenchimento dos requisitos previstos no art. 58, § 3º, da Constituição Federal, ou seja: a) o requerimento de um terço dos membros das casas legislativas; b) a indicação de fato determinado a ser apurado; e c) a definição de prazo certo para sua duração. Nesses termos, a criação de comissões parlamentares de inquérito configura prerrogativa político-jurídica das minorias parlamentares, a quem a Constituição assegura os instrumentos necessários ao exercício do direito de oposição e à fiscalização dos poderes constituídos, como decorrência da cláusula do Estado Democrático de Direito. CAIU EM PROVA: “É constitucional a criação de CPI por assembleia legislativa de estado federado ficar condicionada à aprovação de seu requerimento no plenário do referido órgão”. Alternativa incorreta. O entendimento foi reafirmado em decisão recente do STF relativamente à chamada “CPI da pandemia”. Vejamos: A instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito depende unicamente do preenchimento dos requisitos previstos no art. 58, § 3º, da Constituição Federal, ou seja: a) o requerimento de um terço dos membros das casas legislativas; b) a indicação de fato determinado a ser apurado; e c) a definição de prazo certo para sua duração. STF. Plenário. MS 37760 MC-Ref/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 14/4/2021 Objeto - Apuração de um fato certo e determinado. Assim, a CPI não tem poderes universais, mas limitados a fatos determinados. Cretella Júnior explicita que fato determinado “é fato específico, bem delineado, de modo a não deixar dúvidas sobre o objeto a ser investigado”. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 68 Ademais, segundo José Celso de Mello, “constitui verdadeiro abuso instaurar- se inquérito legislativo com o fito de investigar fatos genericamente enunciados, vagos ou indefinidos”. Contudo, não significa que não possa haver mais de uma comissão para realização de investigações recomendáveis e que outros fatos inicialmente imprevistos não possam ser aditados aos objetivos da comissão de inquérito já em curso Ainda, conforme entendimento da Excelsa Corte, a CPI “não está impedida de investigar fatos que se ligam, intimamente, com o fato principal”. OBS: a CPI não pode ser instaurada para apurar fato exclusivamente privado ou de caráter pessoal. CPI’s simultâneas Impende destacar que, o STF entendeu ser possível que os regimentos internos das Casas Legislativas fixem certo número máximo de CPIs simultâneas, por caber ao regimento disciplinar o funcionamento da Casa parlamentar. CAIU EM PROVA: É inconstitucional norma regimental da Câmara dos Deputados que limite o número de CPI em funcionamento simultâneo. Alternativa incorreta. Prazos - O prazo deverá ser certo e determinado. O regimento admite prorrogação da CPI, mas esta deve obedecer ao limite da legislatura (4 anos). Unilateralidade: o STF entende que a condução da CPI é unilateral, ou seja, o procedimento é conduzido de forma discricionária pela comissão, respeitados os direitos e garantias individuais. Nesse sentido: “Não se questiona a asserção de que a investigação parlamentar reveste-se de caráter unilateral, à semelhança do que ocorre no âmbito da investigação penal realizada pela Polícia Judiciária [...]” (STF. Decisão monocrática. MS 25.617, rel. Min. Celso de Mello, j. 24.10.2005). CAIU EM PROVA: Diferentemente do que ocorre com as investigações policiais, o procedimento das CPI não é caracterizado pela unilateralidade. Alternativa incorreta. CPI e intimação do indígena: Para o STF, é nula a intimação de indígena não aculturado para oitiva em CPI, na condição de testemunha, fora de sua comunidade. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 69 Nesse sentido: “intimação de indígena para prestar depoimento na condição de testemunha, fora do seu habitat: violação às normas constitucionais que conferem proteção específica aos povos indígenas (CF, arts. 215, 216 e 231)” (STF. Plenário. HC 80.240/RR, rel. Sepúlveda Pertence, j. 20.06.2001). Para o STF, é nula a intimação de indígena não aculturado para oitiva em CPI, na condição de testemunha, fora de sua comunidade. Direito ao silêncio - No tocante à oitiva dos investigados, a CPI deve respeitar o direito ao silêncio, podendo o investigado deixar de responder perguntas que o incriminem. Também não pode ser exigida explanação que incrimine o convocado. O privilégio contra a autoincriminação consiste na faculdade de o interrogando silenciar para evitar reconhecer o cometimento de infração penal. Nesse trilhar, o STF tem concedido ordens preventivas de habeas corpus para assegurar que o paciente não seja obrigado a responder a perguntas que o incriminem. Outra hipótese que se permite o silêncio do convocado ocorre quando a sua resposta contravier dever de sigilo profissional ou funcional. Se a CPI tem os mesmos poderes de investigação do Judiciário, está, igualmente, subordinada às limitações impostas pela lei ao juiz. Frise-se, contudo, que as pessoas convocadas na condiçãode testemunhas, caso não sejam investigadas, têm o dever de dizer a verdade e não calar fato relevante que lhe seja indagado, sob pena de responder processo criminal. CASO DO EX- MINISTRO PAZUELLO: O ex-ministro da saúde Eduardo Pazuello foi convocado a depor na CPI da COVID na condição de testemunha, não de investigado. Contudo, como já respondia a procedimento criminal sobre os mesmos fatos, foi concedido HC preventivo pelo STF para ser assegurado o direito ao silêncio quanto às perguntas que poderiam implicar autoincriminação (HC 201.912). ATENÇÃO! É pacífico o direito do investigado ao silêncio e à assistência de advogado. Mas quanto ao comparecimento, o comparecimento do investigado perante a CPI é obrigatório ou facultativo? Duas correntes. 1ª. O comparecimento é facultativo, não cabendo a determinação de sua condução coercitiva. Aplicar-se-ia, de forma análoga, a decisão do ADPF 395/DF que declarou a inconstitucionalidade da condução coercitiva do investigado ou réu no âmbito do processo penal (Ministros Gilmar Mendes e Celso de Melo). 2ª. O comparecimento do investigado é compulsório, sendo possível a condução coercitiva (Ministros Edson Fachin e Carmen Lúcia). Como houve empate na votação, prevaleceu a decisão mais favorável ao acusado (HC 171438/DF). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 70 OBS: Recentemente, a ministra Rosa Weber, em decisão monocrática, endossou a 1ª corrente, que entende que o comparecimento é facultativo, assegurando ao governador do Amazonas o direito de não comparecer à CPI da Covid (HC 202.940). No ponto, é importante acompanhar a evolução da jurisprudência do STF Poderes – As CPI’s terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, tais como determinar diligências, ouvir indiciados, inquirir testemunhas, requisitar de órgãos e entidades da administração pública informações e documentos, requerer a audiência de Deputados e Ministros de Estado, tomar depoimentos de autoridades federais, estaduais e municipais, bem como requisitar os serviços de quaisquer autoridades, inclusive policiais. O STF também já aludiu à competência da CPI para requerer do Tribunal de Contas da União a realização de inspeções e auditorias. ATENÇÃO: A CPI não pode aplicar diretamente penalidades ou condenações, pois não possui poderes de julgamento. O relatório, se for o caso, será encaminhado ao Ministério Público para a persecução cível ou penal competente. Entende-se que o relatório também pode ser compartilhado com a polícia e outros órgãos competentes. Matérias Vedadas à CPI - Certas matérias são reservadas ao judiciário (postulado de reserva constitucional de jurisdição ou cláusula da reserva de jurisdição), assim a CPI não poderá realizar tais atos: 1) Busca e Apreensão Domiciliar (art. 5º, XI); 2) Interceptação das Comunicações Telefônicas (art. 5º, XII); 3) Ordem de Prisão, salvo em flagrante delito (art. 5º, LXI); 4) Sequestro, arresto e a hipoteca legal; e 5) Indisponibilidade de bens. Nesse sentido, dado que os poderes cautelares do juiz não foram atribuídos às CPIs, a jurisprudência do STF nega às comissões quaisquer das competências acima mencionadas. No tocante à busca e apreensão domiciliar, por esta se encontrar no rol de medidas que estão sob reserva de jurisdição, não é possível a sua determinação pelas Comissões Parlamentares. No entanto, vale registrar que o Supremo Tribunal Federal tem entendido pela possibilidade de determinação pelas comissões parlamentares de busca e apreensão de documentos e equipamentos que não importem em violação de domicílio. Vejamos: "Impossibilidade jurídica de CPI praticar atos sobre os quais incida a cláusula constitucional da reserva de jurisdição, como a busca e apreensão domiciliar (...). Possibilidade, contudo, de a CPI ordenar busca e apreensão de bens, objetos e computadores, desde que essa diligência não se efetive em local CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 71 inviolável, como os espaços domiciliares, sob pena, em tal hipótese, de invalidade da diligência e de ineficácia probatória dos elementos informativos dela resultantes. Deliberação da CPI/Petrobras que, embora não abrangente do domicílio dos impetrantes, ressentir-se-ia da falta da necessária fundamentação substancial. Ausência de indicação, na espécie, de causa provável e de fatos concretos que, se presentes, autorizariam a medida excepcional da busca e apreensão, mesmo a de caráter não domiciliar." (MS 33.663-MC, rel. min. Celso de Mello, decisão monocrática, julgamento em 19-6-2015, DJE de 18-8-2015.) JÁ CAIU EM PROVA: “o poder de investigação próprio das autoridades judiciais confere às CPIs o poder de requerer informações e documentos de órgãos públicos e decretar a indisponibilidade de bens e a quebra do sigilo bancário das pessoas por ela investigadas”. - ALTERNATIVA INCORRETA. CAIU EM PROVA: A CPI tem poderes para determinar a busca e apreensão de bens, objetos e computadores, desde que essa diligência não se efetive em local inviolável, como os espaços domiciliares. Alternativa correta. Quebra de Sigilo pela CPI - A CPI pode, por si só, por decisão fundamentada e motivada, quebrar o sigilo de dados bancários, fiscal e de dados telefônicos (registro de ligações/sigilo telefônico). ATENÇÃO! NÃO CONFUNDA: a quebra do sigilo telefônico não é a mesma coisa que a quebra do sigilo das comunicações telefônicas (interceptação). Não é possível que a CPI determine a interceptação telefônica dos investigados (matéria sujeita à cláusula de reserva de jurisdição), mas ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico (registros das comunicações telefônicas pretéritas). O sigilo telefônico se refere aos registros dos números telefônicos de onde procederam ligações para o investigado ou dos números telefônicos para os quais o investigado ligou, bem assim dados sobre quando as ligações foram efetivadas e quanto tempo duraram. Já a interceptação de comunicação telefônica é algo diverso. Na CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 72 interceptação, a própria comunicação (dinâmica) é objeto de escuta. O conteúdo da comunicação torna-se o alvo da interferência. O poder de quebrar sigilo bancário não se restringe às CPIs abertas no Congresso Nacional; estende-se também aos inquéritos legislativos instaurados nas Assembleias Legislativas estaduais (CPI’s estaduais). CAIU EM PROVA: Diferentemente do entendimento que se aplica às CPIs em âmbito federal, uma CPI estadual não pode requerer a quebra de sigilo de dados bancários do investigado. Alternativa incorreta. ATENÇÃO! Os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal devem ser mantidos sob reserva. Assim, a página do Senado Federal na internet não pode divulgar os dados obtidos por meio da quebra de sigilo determinada por comissão parlamentar de inquérito-Info 899 do STF. Dentro de seus poderes investigatórios a CPI pode ouvir testemunhas, sob pena de condução coercitiva; ouvir investigados ou indiciados etc. A CPI deve permitir a presença de advogados, exercendo a defesa técnica. Ressalta-se que os magistrados só podem ser chamados para depor na CPI sobre seus atos administrativos. Dessa forma, não podem ser chamadospara se explicar sobre atos judiciais, uma vez que é inviável a CPI investigar atos de conteúdo jurisdicional (Princípio da separação dos poderes). Conclusões - A CPI, ao final, deverá apresentar um relatório motivado, sob pena de nulidade (art. 93, IX, da CF). Deverá encaminhar suas conclusões para o MP ou para outras autoridades administrativas (Por exemplo, a Advocacia-Geral da União) e judiciais para que estes possam tomar as devidas providências. Admite-se que a CPI produza relatórios parciais no decorrer dos seus trabalhos. Ressalte-se que aquele que receber a resolução que aprovou o relatório da CPI informará ao remetente, no prazo de 30 dias, as providências adotadas ou a justificativa pela omissão, sendo que a autoridade que presidir processo ou procedimento, administrativo ou judicial, instaurado em decorrência de conclusões de CPI, comunicará, semestralmente, a fase em que se encontra, até a sua conclusão, garantindo-se ao referido processo ou ao procedimento prioridade sobre qualquer outro, exceto sobre aquele relativo a HC, MS ou HD, sujeitando-se a autoridade às sanções administrativas, civis e penais em razão de eventual descumprimento das normas da lei em comento (Lei 10.001/00). Motivação - Toda deliberação da CPI deverá ser motivada, sob pena de padecer do vício de ineficácia, nos termos do art. 93, IX, da CF. Ademais, deve observar o postulado da colegialidade. O STF não admite a motivação a posteriori, isto é, aquela feita depois de determinada a medida invasiva de direitos individuais. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 73 Competência – É da competência do STF processar e julgar MS e HC impetrados contra CPIs constituídas no âmbito do Congresso Nacional. Logo, uma CPI no âmbito do Congresso Nacional sujeita-se ao controle judicial, por meio de habeas corpus ou de mandado de segurança, diretamente pelo Supremo Tribunal Federal. As ações impetradas contra a CPI são consideradas prejudicadas caso não julgadas antes de encerrados os trabalhos da CPI. Nesse sentido: “A jurisprudência do STF entende prejudicadas as ações de mandado de segurança e de habeas corpus, sempre que – impetrados tais writs constitucionais contra CPIs – vierem estas a extinguir-se, em virtude da conclusão de seus trabalhos investigatórios, independentemente da aprovação, ou não, de seu relatório final” (STF. Plenário. MS 23.852/DF, rel. Min. Celso de Mello, j. 28.06.2001). CAIU EM PROVA: As ações de mandado de segurança e de habeas corpus impetradas contra CPIs não se extinguem em virtude da conclusão dos seus trabalhos investigatórios se não aprovado seu relatório final. Alternativa incorreta. As CPIs possuem permissão legal para encaminhar relatório circunstanciado não só ao Ministério Público e à AGU, mas, também, a outros órgãos públicos, podendo veicular, inclusive, documentação que possibilite a instauração de inquérito policial em face de pessoas envolvidas nos fatos apurados (art. 58, § 3º, CRFB/1988, c/c art. 6º-A da Lei 1.579/1952, incluído pela Lei 13.367/2016). [MS 35.216 AgR, rel. min. Luiz Fux, j. 17- 11-2017, P, DJE de 27-11-2017.] CPI estadual – As CPIs criadas, em âmbito estadual, pelas assembleias legislativas devem observar o regramento previsto na Constituição Federal (ADI 3619- SP). Quanto aos poderes investigatórios, em decorrência do princípio federativo, a CPI estadual não está autorizada a investigar autoridades detentoras de prerrogativa de foro federal. No tocante aos instrumentos de investigação, o STF possui precedente admitindo o poder de quebra do sigilo bancário por CPI em âmbito estadual (STF. ACO 730-QO). Embora a matéria ainda não esteja pacificada em doutrina, é a posição mais segura até o momento a ser adotada em provas. CPI municipal – É possível a criação de CPI em âmbito municipal em respeito ao princípio da simetria e da separação dos poderes. Em sua criação, deve observar o modelo delineado na Constituição Federal. Quanto aos poderes investigatórios, em decorrência do princípio federativo, deve se manter adstrita aos fatos que sejam de interesse fiscalizatório local. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 74 No tocante aos instrumentos de investigação, para a maior parte da doutrina, há um encolhimento das atribuições persecutórias na esfera municipal, uma vez que não há Poder Judiciário em âmbito municipal, de forma que está impossibilitada a transferência de poderes jurisdicionais no âmbito do Município. Portanto, não poderá determinar a quebra do sigilo bancário (disclosure das contas bancárias). Essa diferenciação se justifica também pelo federalismo assimétrico e por não ter representação no Senado Federal. No mesmo sentido já se manifestou o STF, obiter dictum, no julgamento da ACO 730-RJ. A questão ainda não está completamente pacificada. Comissão Mista - É uma comissão formada por deputados e senadores. Ex.: Comissão do Orçamento (art. 166, § 6º, da CF). Comissão Representativa do Congresso - art. 58, § 4º, da CF - Durante o recesso, haverá uma Comissão representativa do Congresso Nacional, eleita por suas Casas na última sessão ordinária do período legislativo, com atribuições definidas no regimento comum, cuja composição reproduzirá, quanto possível, a proporcionalidade da representação partidária. 1.1.4. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO O Tribunal de Contas da União é disciplinado pelos arts. 70 a 75 da Constituição, sendo órgão responsável por auxiliar o Congresso Nacional no controle externo da Administração Pública. Trata-se de órgão independente na estrutura do Estado brasileiro, com quadro próprio de pessoal e autonomia. Suas decisões têm natureza jurídica de atos administrativos passíveis de controle judicial (STF, MS 33340/DF). Seu principal objetivo é fiscalizar o correto emprego dos recursos públicos, razão pela qual representa importante instrumento republicano para a concretização da democracia e dos direitos fundamentais. O TCU é integrado por 9 ministros, que são equiparados aos Ministros do STJ no que tange às garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens. Dois terços dos Ministros (6) são escolhidos pelo Congresso Nacional e 1/3 (3) pelo Presidente da República, sendo: i) 1 dentre os auditores do TCU (indicados em lista tríplice pelo Tribunal), ii) 1 dentre os membros do MP que atuam junto ao TCU (também indicados em lista tríplice) e iii) 1 de livre escolha do Presidente (esta escolha é livre, atendidos os requisitos constitucionais). Os membros indicados pelo Presidente precisarão ser aprovados pela maioria simples do Senado, por voto secreto, após arguição pública (art. 52, III, "b", da CF/88). Os Tribunais de Contas Estaduais, por sua vez, são compostos de 7 Conselheiros, e regidos pela Constituição Estadual. Por força de simetria, os conselheiros dos Tribunais de Contas dos Estados também são equiparados aos magistrados (desembargadores do TJ), aplicando-lhes, por analogia, a Lei Orgânica da Magistratura (STJ, APn 819/DF). A Constituição Estadual deverá detalhar as normas sobre a escolha dos membros do TCE, sendo necessário que espelhem a mesma sistemática adotada para a composição do TCU. Esse entendimento está consagrado na súmula 653 do STF: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 75 Súmula 653-STF:No Tribunal de Contas estadual, composto por sete conselheiros, quatro devem ser escolhidos pela Assembleia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual, cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público, e um terceiro à sua livre escolha. Quanto ao controle externo municipal, é expressamente vedado pela Constituição Federal a criação de tribunais, conselhos ou órgãos de contas municipais (art. 31, § 4º), ressalvados os já existentes na data da promulgação da CF. NÃO CONFUNDA: - Tribunal de Contas dos Municípios - órgão estadual que auxilia as Câmaras Municipais de todo o Estado no controle externo dos municípios. A CF não proíbe que os Estados criem novos TCM. De igual modo, a CF não proíbe a extinção dos TCM’s existentes (ADI 5323/RN). - Tribunal de Contas Municipal/do Município - órgão municipal que auxilia uma câmara municipal no controle externo. Não pode ser criado, ressalvados os já existentes. OBSERVAÇÃO: O art. 75 da CF/88 estabelece que deverá haver um “espelhamento obrigatório” do modelo de controle externo do TCU previsto na CF/88 para os Tribunais de Contas dos Estados/DF e para os Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios. Por isso, o STF entende que é materialmente inconstitucional norma da Constituição Estadual (iniciativa parlamentar) que trate sobre a organização ou funcionamento do TCE de forma diferente do modelo federal. Ainda, os Tribunais de Contas, segundo o STF, possuem reserva de iniciativa (competência privativa) para deflagrar o processo legislativo que tenha por objetivo alterar a sua organização ou funcionamento. (art. 96, II c/c arts. 73 e 75 da CF/88). Assim, memorize: É inconstitucional lei estadual ou emenda à Constituição do Estado de iniciativa parlamentar, que trate sobre organização ou funcionamento do Tribunal de Contas Estadual NÃO CONFUNDA: Segundo recente entendimento do STF, NÃO HÁ SIMETRIA entre o Tribunal de Contas da União e o Tribunal de Contas dos Municípios. Não existe paralelismo entre o modelo federal estabelecido ao Tribunal de Contas da União e o do Tribunal de Contas do Município, sendo essa mais uma das assimetrias constitucionais entre os entes federados, como, por exemplo, a ausência de Poder Judiciário, Ministério Público e Polícia Militar na esfera municipal. Assim, não é obrigatória a instituição e regulamentação do Ministério Público especial junto ao CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 76 Tribunal de Contas do Município (STF. Plenário. ADPF 272/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 25/3/2021 (Info 1011). ATENÇÃO! A competência para EXECUTAR a multa aplicada pela corte de contas, que tem natureza de título executivo extrajudicial, é do titular do crédito constituído a partir da decisão, ou seja, o ente público prejudicado (AI 826676 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 08/02/2011). Não é do próprio Ministério Público nem do TCU. ATENÇÃO! Ministério público junto ao Tribunal de Contas. Trata-se de órgão previsto no art. 130 da Constituição e que possui atuação funcional exclusiva perante a Corte de Contas. Os membros do MP junto ao TC não integram o Ministério Público, sendo-lhes atribuída, contudo, as mesmas prerrogativas funcionais. O MP junto ao TC não tem fisionomia institucional própria e não tem legitimidade para impetrar mandado de segurança em face de acórdão do Tribunal de Contas perante o qual atua. Também não possui legitimidade para impetrar mandado de segurança para defender suas prerrogativas institucionais, conforme entendimento do STF. JULGADO RECENTE IMPORTANTE SOBRE O MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS: É assegurada, aos membros do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, a prerrogativa de requerer informações diretamente aos jurisdicionados do respectivo Tribunal, sem subordinação ao Presidente da Corte. STJ. 1ª Turma. RMS 51.841/CE, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 06/04/2021 (Info 691). COMPETÊNCIAS DO TCU: I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento; II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público; III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 77 provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório; IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II; V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo; VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município; VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas; VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário; IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade; X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal; XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados. § 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis. § 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito. § 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 78 § 4º O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades. JÁ CAIU EM PROVA: O TCU é competente para julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por valores públicosda administração direta e indireta, tendo eficácia de título executivo as decisões desse tribunal das quais resulte imputação de débito ou multa. Alternativa correta. Tendo em vista o artigo 71, é correto afirmar que, dentre as competências do Tribunal de Contas da União, está a de sustar a execução do contrato impugnado, se não atendido o prazo já concedido por este órgão de controle para a tomada de providências para sanar uma ilegalidade, independentemente de manifestação do Congresso Nacional. Alternativa incorreta. Cabe ao TCU sustar, se não atendido, a execução do ATO impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. No caso de CONTRATO, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis. NOVIDADE JURISPRUDENCIAL: Súmula 347 do STF: O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público. A súmula está SUPERADA. Não cabe ao Tribunal de Contas, que não tem função jurisdicional, exercer o controle de constitucionalidade de leis ou atos normativos nos processos sob sua análise. Isso representaria ofensa ao papel do STF de Guardião da Constituição e ao papel do Legislativo, que edita as leis. Foi o que decidiu o Plenário do STF no MS 35410, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 12/04/2021. EXTRA - TESES DE REPERCUSSÃO GERAL DO STF SOBRE TRIBUNAL DE CONTAS: a) É prescritível a pretensão de ressarcimento ao erário fundada em decisão de Tribunal de Contas. b) Não confunda: Segundo o STF, somente são imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato de improbidade administrativa doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92): “São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa.” (Repercussão Geral – Tema 897) c) Em relação aos demais atos ilícitos, inclusive os atos de improbidade praticados com culpa, e os atos fundados em decisão de Tribunal de Contas, incide CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 79 normalmente a prescrição. Nesse sentido: “É prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil.” (Repercussão Geral –Tema 666) d) Sobre a autonomia dos Tribunais de Contas: A competência técnica do Tribunal de Contas do Estado, ao negar registro de admissão de pessoal, não se subordina à revisão pelo Poder Legislativo respectivo. e) “É inconstitucional lei estadual ou emenda à Constituição do Estado de iniciativa parlamentar, que trate sobre organização ou funcionamento do TCE” (ADI 4643). f) Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de 5 anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas. g) O Ministério Público de Contas não tem legitimidade para impetrar mandado de segurança em face de acórdão do Tribunal de Contas perante o qual atua. h) No mesmo sentido: O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas não dispõe de fisionomia institucional própria, não integrando o conceito de Ministério Público enquanto ente despersonalizado de função essencial à Justiça (CF/88, art. 127), cuja abrangência é disciplinada no art. 128 da Constituição Federal. STF. 2ª Turma. Rcl 24162 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/11/2016. i) Competência para julgamento das contas do prefeito: Para os fins do artigo 1º, inciso I, alínea g, da Lei Complementar 64/1990, a apreciação das contas de prefeito tanto as de governo quanto as de gestão, será exercida pelas Câmaras Municipais, com auxílio dos Tribunais de Contas competentes, cujo parecer prévio somente deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos vereadores. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 80 2. JURISPRUDÊNCIA SÚMULAS VINCULANTES Súmula Vinculante nº 37 do STF: Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de isonomia. Súmula Vinculante nº 54: A medida provisória não apreciada pelo congresso nacional podia, até a Emenda Constitucional 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição. Súmula vinculante 3: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram- se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão. SÚMULAS DO STF Súmula 245 do STF: A imunidade parlamentar não se estende ao co-réu sem essa prerrogativa. Súmula 651 do STF: A medida provisória não apreciada pelo Congresso Nacional podia, até a EC 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição. Súmula 451 do STF: A competência especial por prerrogativa de função não se estende ao crime cometido após a cessação definitiva do exercício funcional. Súmula 704 do STF: Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo legal a atração por continência ou conexão do processo do corréu ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados. Súmula 721 do STF: A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela constituição estadual. Súmula 653: No Tribunal de Contas estadual, composto por sete conselheiros, quatro devem ser escolhidos pela Assembleia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual, cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público, e um terceiro à sua livre escolha. JULGADOS A previsão regimental de um regime de urgência que reduza as formalidades processuais em casos específicos, reconhecidos pela maioria legislativa, não ofende o devido processo legislativo.A adoção do rito de urgência em proposições legislativas é matéria genuinamente interna corporis, não cabendo ao STF adentrar tal seara. Precedente. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 81 Quando não caracterizado o desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo, é defeso ao Poder Judiciário exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do alcance de normas meramente regimentais das Casas Legislativas. STF. Plenário. ADI 6968/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 20/4/2022 (Info 1051). A proibição de que o trabalhador privado em greve seja substituído por servidor público não inibe a iniciativa do Governador do Distrito Federal para propor leis sobre organização administrativa, servidores públicos e regime jurídico destes. STF. Plenário. ADI 1164/DF, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 1º/4/2022 (Info 1049). A competência penal originária do STF para processar e julgar parlamentares alcança os congressistas federais no exercício de mandato em casa parlamentar diversa daquela em que consumada a hipotéticaconduta delitiva, desde que não haja solução de continuidade. STF. Plenário. Inq. 4342 QO/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 1º/4/2022 (Info 1049). A tramitação de medidas provisórias pelo Sistema de Deliberação Remota (SRD) — instituído em razão da pandemia do novo coronavírus e regulado pelo Ato Conjunto das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal n. 1/2020 — não viola o devido processo legislativo. STF. Plenário. ADI 6751/DF, ADPF 661/DF e ADPF 663/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgados em 3/9/2021 (Info 1028). O Poder Legislativo pode emendar projeto de lei de conversão de medida provisória quando a emenda estiver associada ao tema e à finalidade original da medida provisória. É constitucional o art. 6º da Lei 14.131/2021, que simplificou o processo de concessão de benefício de auxílio por incapacidade temporária. STF. Plenário. ADI 6928/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 22/11/2021 (Info 1038). É formalmente constitucional lei complementar — cujo processo legislativo teve origem parlamentar — que contenha regras de caráter nacional sobre a aposentadoria de policiais. É constitucional a adoção — mediante lei complementar — de requisitos e critérios diferenciados em favor dos policiais para a concessão de aposentadoria voluntária. STF. Plenário. ADI 5241/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 2/8/2021 (Info 1027). O controle judicial de atos “interna corporis” das Casas Legislativas só é cabível nos casos em que haja desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo (arts. 59 a 69 da CF/88). Tese fixada pelo STF: “Em respeito ao princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal, quando não caracterizado o desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo, é defeso ao Poder Judiciário exercer CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 82 o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do alcance de normas meramente regimentais das Casas Legislativas, por se tratar de matéria ‘interna corporis’.” STF. Plenário. RE 1297884/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/6/2021 (Repercussão Geral – Tema 1120) (Info 1021). EMENDA PARLAMENTAR E AUMENTO DE DESPESA. (ADI 2810/RS, rel. Min. Roberto Barroso, 20.4.2016. Plenário) DECISUM (Decisão): É inconstitucional norma resultante de emenda parlamentar a projeto de lei de iniciativa exclusiva do Chefe do Poder Executivo, na hipótese em que a emenda apresentada acarrete aumento de despesa (CF, art. 61, § 1º, II, “a” e art. 63, I). RATIO DECIDENDI (Fundamentação jurídica): Esse é o entendimento do Plenário, que, ao reafirmar a jurisprudência assentada na matéria, confirmou medida cautelar (noticiada no Informativo 299) e julgou procedente pedido formulado em ação direta de inconstitucionalidade ajuizada em face do art. 3º, “caput” e parágrafo único, da Lei 11.753/2002 do Estado do Rio Grande do Sul. Tais preceitos, de iniciativa parlamentar, dispõem sobre o realinhamento dos vencimentos de servidores do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (IPERGS). MEDIDA PROVISÓRIA: EMENDA PARLAMENTAR E “CONTRABANDO LEGISLATIVO” (ADI 5012/ Inf. 857) DECISUM (Decisão): É incompatível com a Constituição apresentar emendas sem relação de pertinência temática com a medida provisória submetida à apreciação. RATIO DECIDENDI (Fundamentação jurídica): a prática de inserção, mediante emenda parlamentar, no processo legislativo de conversão de medida provisória em lei, de matérias de conteúdo temático estranho ao objeto originário da medida provisória viola a Constituição, notadamente o princípio democrático e o devido processo legislativo (CF, arts. 1º, “caput” e parágrafo único, 2º, “caput”, e 5º, “caput” e LIV). TRANCAMENTO DE PAUTA DA CÂMARA POR MP’S NÃO ALCANÇA TODOS OS PROJETOS E PROPOSTAS. (STF.MS 27931. JULGADO EM 29.06.2017) DECISUM (Decisão): O trancamento da pauta da Câmara dos Deputados por conta de medidas provisórias (MPs) não analisadas no prazo de 45 dias, contados de sua publicação, só alcança projetos de lei sobre temas passíveis de serem tratados por MP. RATIO DECIDENDI (Fundamentação jurídica): Deu-se ao § 6º do art. 62 da Constituição, na redação resultante da EC 32/2001, interpretação conforme à Constituição, para, sem redução de texto, restringir-lhe a exegese, em ordem a que, afastada qualquer outra possibilidade interpretativa, fosse fixado entendimento de que o regime de urgência previsto em tal dispositivo constitucional – que impõe o sobrestamento das deliberações legislativas das Casas do Congresso Nacional – refere-se, tão somente, àquelas matérias que se mostram passíveis de regramento por medida provisória, excluídos, em consequência, do bloqueio imposto pelo mencionado § 6º do art. 62 da Lei Fundamental, as propostas de emenda à Constituição e os projetos de lei complementar, de decreto legislativo, de resolução e, até mesmo, tratando-se de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 83 projetos de lei ordinária, aqueles que veiculem temas pré-excluídos do âmbito de incidência das medidas provisórias (CF, art. 62, § 1º, I, II e IV) REVERSÃO JURISPRUDENCIAL. REAÇÃO LEGISLATIVA (STF. PLENÁRIO. ADI 5105/DF, JULGADO EM 1.10.2015 - Info 801) DECISUM (Decisão): No caso de reversão jurisprudencial (reação legislativa) proposta por meio de emenda constitucional, a invalidação somente ocorrerá nas restritas hipóteses de violação aos limites previstos no art. 60, e seus §§, da CF/88. Já no caso de reversão jurisprudencial proposta por lei ordinária, a lei que frontalmente colidir com a jurisprudência do STF nasce com presunção relativa de inconstitucionalidade, de forma que caberá ao legislador o ônus de demonstrar, argumentativamente, que a correção do precedente se afigura legítima. RATIO DECIDENDI (Fundamentação jurídica): As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF no julgamento de ADI, ADC ou ADPF possuem eficácia contra todos (erga omnes) e efeito vinculante (§ 2º do art. 102 da CF/88). O Poder Legislativo, em sua função típica de legislar, não fica vinculado. Assim, o STF não proíbe que o Poder Legislativo edite leis ou emendas constitucionais em sentido contrário ao que a Corte já decidiu. Não existe uma vedação prévia a tais atos normativos. O legislador pode, por emenda constitucional ou lei ordinária, superar a jurisprudência. Trata-se de uma reação legislativa à decisão da Corte Constitucional com o objetivo de reversão jurisprudencial. MEDIDA PROVISÓRIA SOBRE MEIO AMBIENTE (STF. PLENÁRIO. ADI 4717/DF, JULGADO EM 05.04.2018 - Info 896) DECISUM (Decisão): É inconstitucional a edição de MP que importe em diminuição da proteção ao meio ambiente equilibrado, especialmente em se tratando de diminuição ou supressão de unidades de conservação, com consequências potencialmente danosas e graves ao ecossistema protegido. RATIO DECIDENDI (Fundamentação jurídica): É possível a edição de medidas provisórias tratando sobre matéria ambiental, mas sempre veiculando normas favoráveis ao meio ambiente. Normas que importem diminuição da proteção ao meio ambiente equilibrado só podem ser editadas por meio de lei formal, com amplo debate parlamentar e participação da sociedade civil e dos órgãos e instituições de proteção ambiental, como forma de assegurar o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. A proteção ao meio ambiente é um limite material implícito à edição de medida provisória, ainda que não conste expressamentedo elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da CF/88. VIGÊNCIA DE MEDIDAS PROVISÓRIAS REJEITADAS OU NÃO APRECIADAS (STF. PLENÁRIO. ADPF 216/DF, JULGADO EM 14.03.2018 - Info 894) DECISUM (Decisão): O STF não concordou e afirmou que os pedidos formulados pelos interessados durante a vigência da MP 320/2006 não foram sequer examinados. Logo, não se pode dizer que havia ato jurídico perfeito. RATIO DECIDENDI (Fundamentação jurídica): O simples fato de ter sido feito o CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 84 requerimento não significa “relação jurídica constituída”, de sorte que não se pode invocar o § 11 para justificar a aplicação da medida provisória rejeitada. O mero protocolo do pedido não constitui uma “relação jurídica constituída” de que trata o § 11. DADOS OBTIDOS COM A QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO NÃO PODEM SER DIVULGADOS ABERTAMENTE EM SITE OFICIAL (STF. PLENÁRIO. MS 25940, JULGADO EM 26.04.2018 - Info 899) DECISUM (Decisão): a página do Senado Federal na internet não pode divulgar os dados obtidos por meio da quebra de sigilo determinada por comissão parlamentar de inquérito (CPI). RATIO DECIDENDI (Fundamentação jurídica): Os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal devem ser mantidos sob reserva. As atribuições do Tribunal de Contas da União são independentes em relação ao julgamento do processo administrativo disciplinar instaurado para apurar falta funcional do servidor público. Em outras palavras, o processo no TCU não depende nem está vinculado ao PAD. STF. 2ª Turma. MS 27427 AgR/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 8/9/2015 (Info 798). Não estão protegidas pela imunidade parlamentar as manifestações injuriosas de Senador proferidas em redes sociais de forma dolosa e genérica, com intenção de destruir reputações, sem qualquer indicação de prova que pudesse corroborar as acusações. STF. 2ª Turma. Pet 8242, 8259, 8262, 8263, 8267 e 8366 AgR/DF, Rel. Min. Celso de Mello, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgados em 3/5/2022 (Info 1053). O poder de veto previsto no art. 66, § 1º, da Constituição não pode ser exercido após o decurso do prazo constitucional de 15 dias. A prerrogativa do poder de veto presidencial somente pode ser exercida dentro do prazo expressamente previsto na Constituição, não se admitindo exercê-la após a sua expiração. STF. Plenário. ADPF 893/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 20/6/2022 (Info 1059). São formalmente inconstitucionais os atos normativos editados pelos Estados-membros que disponham sobre atividades que se relacionem de alguma forma com o setor nuclear em seus respectivos territórios. Isso porque, ao tratarem do assunto, incorrem em indevida invasão da competência privativa da União para explorar tais serviços e legislar a seu respeito (art. 22, XXVI; art. 177, § 3º; art. 225, § 6º, da CF/88). STF. Plenário. ADI 6858/AM, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 1º/7/2022 (Info 1061). É inconstitucional, por violação à competência privativa da União para legislar sobre direito civil (art. 22, I, da CF/88), norma estadual que impede as instituições particulares CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 85 de ensino superior de recusarem a matrícula de estudantes inadimplentes e de cobrar juros, multas, correção monetária ou quaisquer outros encargos durante o período de calamidade pública causado pela pandemia da COVID-19. STF. Plenário. ADI 7104/RJ e ADI 7179/RJ, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 5/8/2022 (Info 1062). É inconstitucional norma do provimento do Conselho da Magistratura estadual que proíbe o juiz de converter os autos de prisão em flagrante em diligência. STF. Plenário. ADI 4662/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/8/2022 (Info 1063). É inconstitucional, por violação ao princípio da simetria e à competência privativa da União para legislar sobre o tema (art. 22, I, da CF/88), norma de Constituição estadual que amplia o rol de autoridades sujeitas à fiscalização direta pelo Poder Legislativo e à sanção por crime de responsabilidade. STF. Plenário. ADI 6640/PE e ADI 6645/AM, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 19/8/2022 (Info 1064). É inconstitucional, por ofensa à competência privativa da União para legislar sobre telecomunicações, lei estadual que veda a aplicação de multa por quebra de fidelidade nos serviços de TV por assinatura, telefonia, internet e serviços assemelhados, enquanto perdurar a pandemia da Covid-19. STF. Plenário. ADI 7211/RJ, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 30/9/2022 (Info 1070). É inconstitucional, por ofensa à competência privativa da União para legislar sobre direito civil e política de seguros (art. 22, I e VII, da CF/88), lei estadual que veda, no âmbito de seu território, operadoras de plano de saúde de limitarem consultas e sessões para o tratamento de pessoas com deficiência. STF. Plenário. ADI 7172/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 17/10/2022 (Info 1072). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 86 3. QUESTÕES 1. A Constituição de 1988 define diversos procedimentos legislativos, semelhantes em alguns aspectos, diferentes em outros. Em relação a pessoas, instituições e poderes envolvidos nesses procedimentos legislativos, ela estabelece que: a) membros dos três poderes são legitimados a propor tanto projetos de lei ordinária quanto propostas de emenda constitucional. b) o Presidente da República pode vetar tanto projetos de lei ordinária quanto propostas de emenda constitucional. c) a iniciativa popular pode ser exercida tanto por meio da apresentação de projeto de lei ordinária quanto de proposta de emenda constitucional. d) qualquer membro do Congresso Nacional pode propor tanto projetos de leis ordinárias quanto propostas de emenda constitucional. e) o Presidente da República pode propor tanto projetos de lei ordinária quanto propostas de emenda constitucional. 2. Na hipótese de um parlamentar que impetrou mandado de segurança perante o STF com o objetivo de impugnar projeto de lei eivado de inconstitucionalidade por ofensa ao devido processo legislativo, mas que, posteriormente, venha a perder o mandato parlamentar, é correto afirmar que: a) o writ deve ser declarado extinto. b) deve ser dada a oportunidade aos demais legitimados constitucionais a assumir o polo ativo da ação mandamental. c) o Procurador-Geral da República deve assumir a titularidade do mandado de segurança. d) o mandado de segurança deve ter seu regular prosseguimento, continuando o ex- parlamentar no polo ativo. 3. o disposto na Constituição Federal no tocante às Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), à luz do direito pátrio vigente, assinale a alternativa correta. a) A CPI tem poderes para determinar a busca e apreensão de bens, objetos e computadores, desde que essa diligência não se efetive em local inviolável, como os espaços domiciliares. b) Tem competência a CPI para expedir decreto de indisponibilidade de bens de particular, como medida de instrução a embasar futura medida cautelar perante o Poder Judiciário. c) Diferentemente do entendimento que se aplica às CPIs em âmbito federal, uma CPI estadual não pode requerer a quebra de sigilo de dados bancários doinvestigado. d) As ações de mandado de segurança e de habeas corpus impetradas contra CPIs não se extinguem em virtude da conclusão dos seus trabalhos investigatórios se não aprovado seu relatório final. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 87 4. É possível afirmar que, no sistema constitucional brasileiro: a) embora o controle preventivo de constitucionalidade seja exercido, em regra, como fase própria do processo legislativo, existe também previsão constitucional de seu exercício por órgão jurisdicional, em via mandamental ou de ação direta de inconstitucionalidade. b) de acordo com a jurisprudência do STF, o mandado de segurança pode ser utilizado para impedir a tramitação de projeto de lei ou proposta de emenda constitucional que contenha vício de inconstitucionalidade formal ou material. c) embora o controle repressivo de constitucionalidade seja, em regra, exercido pelo Judiciário, existem exceções, uma delas correspondente ao juízo sobre a constitucionalidade das medidas provisórias que cada uma das Casas do Congresso Nacional realiza antes de deliberar sobre o seu mérito. d) de acordo com a jurisprudência do STF, têm legitimidade para a impetração de mandado de segurança com o objetivo de impedir desvios institucionais na elaboração dos atos normativos os mesmos legitimados pelo artigo 103 da Constituição para a propositura de ação direta de inconstitucionalidade. 5. À luz dos dispositivos constitucionais e do entendimento jurisprudencial acerca do processo legislativo, é correto afirmar que as leis que dispõem sobre o aumento da remuneração de servidores em cargos públicos na esfera estadual da administração direta são de iniciativa: a) exclusiva da assembleia legislativa estadual, devendo esse reajuste ser vinculado aos índices federais de correção monetária. b) privativa do presidente da República, sendo inconstitucional a vinculação desse reajuste aos índices federais de correção monetária. c) exclusiva do Congresso Nacional, devendo esse reajuste ser vinculado aos índices federais de correção monetária. d) privativa do governador do estado, sendo inconstitucional a vinculação desse reajuste aos índices federais de correção monetária. 6. Tendo em vista o artigo 71 da Constituição Federal, é correto afirmar que, dentre as competências do Tribunal de Contas da União, está: a) aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa, as sanções previstas em lei, que estabelece, entre outras cominações, multa equivalente ao dano causado ao particular. b) apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio, que deverá ser elaborado em noventa dias a contar do recebimento das mesmas. c) sustar a execução do contrato impugnado, se não atendido o prazo já concedido por este órgão de controle para a tomada de providências para sanar uma ilegalidade, independentemente de manifestação do Congresso Nacional. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 88 d) fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União a Estados ou Municípios, mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres. e) apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal na administração direta, incluídas as nomeações para cargo em comissão, excetuadas as fundações instituídas pelo Poder Público. 7. Considere a seguinte situação: um Deputado Federal apresentou um projeto de lei modificando o efetivo das Forças Armadas. Após a devida tramitação perante as Comissões da respectiva Casa e sua aprovação, o projeto foi encaminhado ao Senado Federal, que confirmou a sua aprovação. O projeto de lei foi encaminhado ao Presidente da República que o sancionou imediatamente e, posteriormente, publicou- o no Diário Oficial. Nesse caso, a partir da previsão constitucional sobre o processo legislativo, é correto afirmar que a lei é: a) inconstitucional sob o prisma formal, por vício de iniciativa, pois a competência para iniciativa sobre essa matéria é reservada a pelo menos 1/3 de deputados ou 1/3 de senadores, os quais não podem propô-la individualmente. b) constitucional, uma vez que a matéria aprovada é de iniciativa parlamentar concorrente entre o Presidente da República e membros do Congresso Nacional. c) constitucional, pois, ainda que tenha ocorrido um vício de iniciativa por se tratar de competência exclusiva do Presidente da República, a sanção posterior tem o condão de convalidar o vício indicado. d) constitucional, pois como está a se tratar de modificação e não criação das forças armadas, a iniciativa parlamentar é privativa dos membros do Congresso Nacional. e) inconstitucional sob o prisma formal, por vício de iniciativa, uma vez que a competência para iniciativa de projetos de lei tratando sobre o tema apresentado é exclusiva do Presidente da República, de modo que a sanção posterior não convalida o vício indicado. 8. A respeito do processo legislativo brasileiro, é correto afirmar que: a) o veto parcial somente poderá abranger texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea, mas nunca poderá recair sobre palavras individualmente. b) não será admitida emenda constitucional tendente a abolir o voto obrigatório, por se tratar de cláusula pétrea. c) a Constituição poderá ser emendada mediante projeto de iniciativa popular, desde que subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído em pelo menos 3 Estados, com não menos do que 0,5% em cada um deles. d) são de iniciativa concorrente entre Presidente da República e membros do Congresso Nacional as leis que disponham sobre organização administrativa e judiciária. e) em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá editar medidas provisórias, ainda que sobre matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, quando se verificar demora legislativa. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 89 9. Com relação à disciplina constitucional das comissões parlamentares de inquérito (CPI), assinale a opção correta de acordo com a doutrina e a jurisprudência do STF. a) Para o STF, é nula a intimação de indígena não aculturado para oitiva em CPI, na condição de testemunha, fora de sua comunidade. b) É constitucional a criação de CPI por assembleia legislativa de estado federado ficar condicionada à aprovação de seu requerimento no plenário do referido órgão. c) À CPI não é oponível o sigilo imposto a processos judiciais que tramitem sob o segredo de justiça. d) Diferentemente do que ocorre com as investigações policiais, o procedimento das CPI não é caracterizado pela unilateralidade. e) É inconstitucional norma regimental da Câmara dos Deputados que limite o número de CPI em funcionamento simultâneo. 10. A Câmara Municipal de uma Capital estadual pretende instalar Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possível ilicitude na conduta de empresas que, embora prestem serviço na Capital, recolhem o Imposto sobre Serviços em Município vizinho, onde tais empresas têm filiais, e no qual a alíquota incidente sobre a base de cálculo do imposto é menor, prática que, entendem os Vereadores, tem redundado em sonegação fiscal vultosa, causadora de prejuízos à Prefeitura da Capital. Nessecaso, considerada a disciplina da matéria na Constituição Federal e a jurisprudência pertinente do Supremo Tribunal Federal: a) para seu funcionamento, a CPI estará sujeita ao prazo determinado em seu ato de instalação, admitidas prorrogações, igualmente determinadas e devidamente justificadas, dentro da legislatura respectiva, cabendo-lhe, se for o caso, o encaminhamento de suas conclusões ao Ministério Público, para promoção da responsabilidade civil ou criminal dos infratores. b) a CPI não poderá ser instalada, uma vez que o objeto de investigação não se insere dentro das competências do Município, mas sim do Estado, seja por recair sobre conduta que extrapola os limites territoriais municipais, seja por existir suspeita da prática de crime, sujeita, portanto, à investigação e persecução penal. c) se instalada, a CPI estará impedida de exigir informações contábeis das empresas investigadas, por não dispor de poderes para determinar a quebra do sigilo bancário e fiscal das empresas contribuintes investigadas, ambas matérias sujeitas à reserva jurisdicional. d) os atos de investigação da CPI estarão sujeitos a controle jurisdicional, mediante provocação dos interessados, inclusive por meio de mandado de segurança, em defesa de direito líquido e certo próprio, não se aplicando, nessa hipótese, a regra da prejudicialidade por perda de objeto, ainda que haja a extinção da CPI em virtude da conclusão dos trabalhos investigatórios. e) para ser instalada, a CPI dependerá do requerimento de, no mínimo, um terço dos membros da Câmara dos Vereadores, sujeitando-se ainda a eventual aprovação do Plenário, caso assim previsto na Lei Orgânica municipal ou Regimento Interno do órgão legislativo respectivo. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 90 11. Ao disciplinar o procedimento a ser observado no julgamento das contas do chefe do Poder Executivo, o Regimento Interno da Câmara dos Vereadores do Município Alfa, situado na Região Norte do país, dispôs o seguinte: (1) a Câmara somente julga as contas de governo, não as de gestão, prevalecendo, em relação às últimas, o juízo de valor do Tribunal de Contas do respectivo Estado; (2) as contas não impugnadas por qualquer vereador, partido político ou cidadão, no prazo de sessenta dias, a contar do recebimento do parecer prévio do Tribunal de Contas, são tidas como aprovadas; (3) o parecer prévio do Tribunal de Contas somente deixará de prevalecer pelo voto da maioria de dois terços dos membros da Câmara Municipal. Considerando a disciplina estabelecida na Constituição da República de 1988 a respeito da matéria, é correto afirmar que: a) apenas o comando 1 é constitucional; b) apenas o comando 3 é constitucional; c) apenas os comandos 1 e 2 são constitucionais; d) os comandos 1, 2 e 3 são constitucionais; e) os comandos 1, 2 e 3 são inconstitucionais. 12. Sobre a regulamentação constitucional das medidas provisórias e seu alcance tal como definido pelo Supremo Tribunal Federal, assinale a afirmativa correta. a) Os requisitos constitucionais de "relevância" e "urgência" podem, em caráter excepcional, ser examinados pelo Poder Judiciário sem que isso represente violação ao princípio da separação harmônica e funcional do poder da República. b) É vedada a edição de medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos. c) Medida provisória revoga lei anterior independentemente de sua aprovação pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. d) A Constituição da República não prevê a casa legislativa federal na qual a medida provisória terá sua votação iniciada. e) É vedada a edição de medida provisória sobre matéria relativa a direito eleitoral, ressalvada a regulamentação de partidos políticos. 13. A Constituição da República e o seu intérprete oficial, o Supremo Tribunal Federal, adotam parâmetros que organizam as relações federativas (entre União, estados, Distrito Federal e municípios) no desempenho das respectivas atividades legislativas. Considere as assertivas abaixo a respeito do assunto. I - A superveniência de lei federal sobre normas gerais revoga a lei estadual no que lhe for contrária. II - A União não dispõe de poderes que lhe permitam transpor o âmbito das normas gerais para, com isso, invadir a esfera de competência normativa dos estados- membros, mas estes (os estados-membros), em existindo normas gerais veiculadas CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 91 em leis federais, não podem ultrapassar os limites da competência meramente suplementar, sob pena de declaração de inconstitucionalidade da lei estadual que assim o fizer. III - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os estados exercerão a competência legislativa plena, para atender às suas peculiaridades. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) I, II e III. 14. Considere as afirmações abaixo, segundo a Constituição da República Federativa do Brasil. I - É assegurada exclusivamente à União a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no território nacional, plataforma continental e mar territorial. II - Lei complementar poderá autorizar os estados a legislar sobre questões específicas das matérias de competência legislativa privativa da União. III - A iniciativa de leis ordinárias e complementares, um dos modos de exercício da soberania popular, é assegurada aos cidadãos na forma e nos casos previstos na Constituição da República Federativa do Brasil. IV - A Constituição poderá ser emendada mediante proposta de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando- se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. Quais estão corretas? a) Apenas I, II e III. b) Apenas II e III. c) Apenas I e III. d) Apenas II, III e IV. e) Apenas III e IV. 15. Após ampla mobilização popular, com a realização de inúmeras audiências públicas no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado Alfa, ocasião em que foram ouvidos diversos especialistas em urbanismo, meio ambiente e segurança viária, foi editada a Lei Estadual nº XX. Esse diploma normativo estabeleceu o prazo de dois anos para que todas as sociedades empresárias em atuação no Estado, que explorassem o serviço de energia elétrica, promovessem a substituição dos postes de sustentação de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 92 energia elétrica por instalações subterrâneas, ressalvada a demonstração de total impossibilidade fática. Considerando a divisão constitucional de competências, a Lei Estadual nº XX é formalmente: a) inconstitucional, pois compete privativamente aos Municípios legislar sobre assuntos de interesse local; b) constitucional, pois os Estados possuem competência concorrente com a União para legislar sobre meio ambiente; c) inconstitucional, pois somente a União, no âmbito das normas gerais, e os Municípios, na esfera local, podem legislar sobre urbanismo; d) constitucional, pois a competência concorrente do Estado para legislar sobre segurança viária permite que suas leis tangenciem a competência de outro ente federativo; e) inconstitucional, pois a competência legislativaé influenciada pela natureza da atividade desempenhada pelas referidas pessoas jurídicas, carecendo o Estado de competência. 16. Nos termos do que permite a Constituição Federal, e considerando o entendimento do Supremo Tribunal Federal, as Comissões Parlamentares de Inquérito têm poderes constitucionais para determinar a) condução coercitiva do acusado para interrogatório. b) a indisponibilidade de bens do acusado. c) a quebra de registros telefônicos pretéritos. d) a interceptação telefônica do acusado. e) diligência de busca e apreensão domiciliar. 17. O Tribunal de Contas da União (TCU), no exercício de suas atribuições, identificou que um contrato administrativo celebrado pelo poder público contém ilegalidades. Segundo o disposto na Carta Magna brasileira, nessa situação hipotética, é correto afirma que o TCU deverá a) sustar o contrato de imediato e, em seguida, comunicar a sua decisão à Procuradoria Geral da República, para as medidas judiciais cabíveis. b) determinar à Administração que anule o contrato, sob pena de comunicação ao Congresso Nacional, que tomará as medidas cabíveis. c) sustar o contrato de imediato e, em seguida, comunicar a sua decisão ao Congresso Nacional. d) comunicar imediatamente o Congresso Nacional, que deverá determinar à União que promova a anulação do contrato, sob pena de responsabilidade civil, criminal e administrativa. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 93 e) anular o contrato liminarmente e solicitar à autoridade administrativa competente que apure as irregularidades apontadas. 18. Caso o governo do estado edite, com o fim de regulamentar determinada lei estadual, decreto que exorbite o poder regulamentar e crie uma obrigação não prevista na referida lei, a Assembleia Legislativa a) poderá revogar parte do decreto por meio de resolução b) poderá revogar todo o decreto por meio de resolução. c) poderá revogar todo o decreto por meio de decreto legislativo. d) nada poderá fazer, em respeito ao princípio da separação dos poderes. e) poderá revogar parte do decreto por meio de decreto legislativo. 19. Assinale a alternativa correta. a) É constitucional ato cautelar de comissão parlamentar de inquérito requerendo a transferência indiscriminada de conteúdo telemático armazenado em nuvem, incluindo backup de aplicativos multiplataforma de mensagens instantâneas, pois que não se confunde com a interceptação telefônica sujeita à reserva de jurisdição. b) Comissão parlamentar de inquérito do Senado, da Câmara ou mista pode requerer ao Tribunal de Contas da União a realização de inspeções e de auditorias, bem como determinar a instauração de tomada de contas especial para fins de ressarcimento do erário público, por se tratar de órgão auxiliar do Poder Legislativo. c) Cabe ao regimento interno de cada casa congressual, ou ao regimento comum, limitar o número máximo de comissões parlamentares de inquérito, nunca em número superior a três, em atuação concomitantemente para manter em adequado funcionamento a atividade primacial de legislar. d) Minoria parlamentar tem direito à instalação de comissão parlamentar de inquérito, desde que o requerimento seja assinado por um terço dos membros da casa legislativa, apresente o fato determinado a ser investigado e indique o correspondente prazo de duração. Pode o parlamentar federal subscritor do requerimento impetrar mandado de segurança diretamente ao Supremo Tribunal Federal em caso de omissão. e) São deveres do indiciado nas comissões parlamentares de inquérito comparecer ao local certo na data e hora marcadas, responder às indagações e dizer a verdade sobre os fatos de conhecimento. 20. O Tribunal de Contas do Estado-membro Alfa recebeu, para fins de registro, o ato de aposentadoria de Pedro. Pouco menos de um ano depois, decidiu que (1) havia irregularidade no cálculo dos proventos, sendo promovido o seu recálculo e determinada a imediata implementação do respectivo valor pelo órgão de origem, o que importaria em redução do valor até então pago; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 94 (2) no processo de registro de aposentadoria, não foi oferecida a possibilidade de contraditório ou ampla defesa a Pedro. Ao ser intimado do teor do acórdão, o Ministério Público de Contas (MPC) entendeu que ele destoava da ordem jurídica e decidiu impetrar mandado de segurança (MS), de modo que fosse reconhecida a sua invalidade. À luz da sistemática vigente, a(s) medida(s) descrita(s) em: a) 1 e 2 estão incorretas, tendo o MPC legitimidade para impetrar MS em face de acórdão do Tribunal de Contas perante o qual atua; b) 1 e 2 estão incorretas, não tendo o MPC, de qualquer modo, legitimidade para impetrar MS em face de acórdão do Tribunal de Contas perante o qual atua; c) 1 está incorreta, e a descrita em 2 correta, não tendo o MPC legitimidade para impetrar MS em face de acórdão do Tribunal de Contas perante o qual atua; d) 1 e 2 estão corretas, não tendo o MPC, de qualquer modo, legitimidade para impetrar MS em face de acórdão do Tribunal de Contas perante o qual atua; e) 1 está correta, e a descrita em 2 incorreta, tendo o MPC, de qualquer modo, legitimidade para impetrar MS em face de acórdão do Tribunal de Contas perante o qual atua. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 95 4. GABARITO COMENTADO 1. E ALTERNATIVA A – INCORRETA. CF, art. 60: A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; II - do Presidente da República; III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. ALTERNATIVA B – INCORRETA. A PEC não está sujeita ao veto presidencial, sendo promulgada pelas mesas da Câmara e do Senado. CF, art. 60, § 3º: A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem. CF, art. 66, §1º: Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto. (apenas se aplica aos projetos de lei) ALTERNATIVA C – INCORRETA. A CF/88 não previu expressamente iniciativa popular para propor emenda à Constituição, visto que os legitimados estão taxativamente elencados no rol do art. 60, in verbis: CF, art. 60: A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; II - do Presidente da República; III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. ALTERNATIVA D – INCORRETA. Apenas, as mesas do Senado e da Câmara têm legitimidade para propor projeto de emenda à Constituição. CF, art. 60: A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; ALTERNATIVA E – CORRETA. CF, art. 60: A Constituiçãopoderá ser emendada mediante proposta: II - do Presidente da República; CF, art. 61: Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 96 Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. 2. A “CONTROLE JURISDICIONAL DO PROCESSO LEGISLATIVO. UTILIZAÇÃO, PARA TANTO, DO MANDADO DE SEGURANÇA. POSSIBILIDADE. RECONHECIMENTO, PARA ESSE EFEITO, DE LEGITIMAÇÃO PARA AGIR ATRIBUÍDA, COM EXCLUSIVIDADE, A MEMBRO DO CONGRESSO NACIONAL. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PERDA SUPERVENIENTE, PELO IMPETRANTE, DE SUA CONDIÇÃO POLÍTICO-JURÍDICA DE PARLAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE DE PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO MANDAMENTAL. LEGITIMAÇÃO ATIVA “AD CAUSAM” QUE DEVE ESTAR PRESENTE, JUNTAMENTE COM AS DEMAIS CONDIÇÕES DA AÇÃO, NO MOMENTO DA RESOLUÇÃO DO LITÍGIO (CPC, ART. 462). RELAÇÃO DE CONTEMPORANEIDADE NÃO MAIS EXISTENTE. EXTINÇÃO ANÔMALA DO PROCESSO MANDAMENTAL. DOUTRINA. PRECEDENTE ESPECÍFICO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE, ADEMAIS, DE O MANDADO DE SEGURANÇA, QUE NÃO PODE IMPUGNAR NORMAS EM TESE, CONVERTER-SE EM INADMISSÍVEL SUCEDÂNEO DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. JURISPRUDÊNCIA. PROCESSO JULGADO EXTINTO.” (STF, MS 27.971/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 1º/7/2011, DJe 1º/8/2011 – Transcrições do Informativo n° 647) (destacou-se) 3. A (A) Correta. “Impossibilidade jurídica de CPI praticar atos sobre os quais incida a cláusula constitucional da reserva de jurisdição, como a busca e apreensão domiciliar (...). Possibilidade, contudo, de a CPI ordenar busca e apreensão de bens, objetos e computadores, desde que essa diligência não se efetive em local inviolável, como os espaços domiciliares, sob pena, em tal hipótese, de invalidade da diligência e de ineficácia probatória dos elementos informativos dela resultantes. Deliberação da CPI/Petrobras que, embora não abrangente do domicílio dos impetrantes, ressentir-se- ia da falta da necessária fundamentação substancial. Ausência de indicação, na espécie, de causa provável e de fatos concretos que, se presentes, autorizariam a medida excepcional da busca e apreensão, mesmo a de caráter não domiciliar.” [MS 33.663 MC, rel. min. Celso de Mello, j. 19-6-2015, dec. monocrática, DJEde 18-8-2015.] (B) Incorreta. “Incompetência da CPI para expedir decreto de indisponibilidade de bens de particular, que não é medida de instrução – a cujo âmbito se restringem os poderes de autoridade judicial a elas conferidos no art. 58, § 3º, mas de provimento cautelar de eventual sentença futura, que só pode caber ao juiz competente para proferi-la. Quebra ou transferência de sigilos bancário, fiscal e de registros telefônicos que, ainda quando se admita, em tese, susceptível de ser objeto de decreto de CPI – porque não coberta pela reserva absoluta de jurisdição que resguarda outras garantias constitucionais –, há de ser adequadamente fundamentada: aplicação no exercício pela CPI dos poderes instrutórios das autoridades judiciárias da exigência de motivação do art. 93, IX, da Constituição da República.” [MS 23.480, rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 4-5-2000, P, DJ de 15-9-2000.] CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 97 (C) Incorreta. “Poderes de CPI estadual: ainda que seja omissa a LC 105/2001, podem essas comissões estaduais requerer quebra de sigilo de dados bancários, com base no art. 58, § 3º, da Constituição.” [ACO 730, rel. min. Joaquim Barbosa, j. 22-9-2004, P, DJ de 11-11-2005.] (D) Incorreta. “A jurisprudência do STF entende prejudicadas as ações de mandado de segurança e de habeas corpus, sempre que – impetrados tais writs constitucionais contra CPIs – vierem estas a extinguir-se, em virtude da conclusão de seus trabalhos investigatórios, independentemente da aprovação, ou não, de seu relatório final.” [MS 23.852 QO, rel. min. Celso de Mello, j. 28-6-2001, P, DJ de 24-8-2001.] 4. C (A) INCORRETA. Não existe essa previsão. No Brasil, o controle preventivo é feito pelo Legislativo via Comissão de Constituição e Justiça e pelo próprio Plenário das Casas legislativas (o projeto morre na origem, nem avançando para discussões de mérito, pois considerado inconstitucional); pelo Executivo via veto jurídico (quando o Presidente da República, Governador ou Prefeito veta a norma por entender que é inconstitucional); e pelo Judiciário em um único caso: mandado de segurança impetrado por Parlamentar para defender seus direitos líquidos e certos de participar de um processo legislativo correto do ponto de vista constitucional. (B) INCORRETA. Como regra inviável (STF, MC na ADI 466/DF), exceto no MS impetrado por parlamentar da respectiva Casa (controle concreto, não abstrato) em razão da não observância do processo legislativo constitucional 🡪 direito subjetivo do parlamentar de participar de um procedimento legislativo constitucional hígido (MS 32.033/DF), mas se a mácula for só ao regimento interno - interna corporis - não cabe controle judicial (prevaleceu não ser possível a análise prévia do ponto de vista material, sequer no caso de afronta a cláusula pétrea). (C) CORRETA, conforme estudado no tópico sobre medidas provisórias. (D) INCORRETA. Os membros do Congresso Nacional têm legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança com o objetivo de ver observado o devido processo legislativo constitucional. Com esse entendimento, o Tribunal, reconhecendo o direito público subjetivo de deputado federal à correta observância das regras da Constituição, conheceu de mandado de segurança por ele impetrado mediante o qual se impugnava a convocação de sessão do Congresso Nacional pelo 1º Vice-Presidente do Senado Federal, ante a licença do Presidente por 60 dias. Vencidos os Ministros Sepúlveda Pertence e Ilmar Galvão, que entendiam inexistir em tese direito público subjetivo do impetrante. Precedente citado: MS 22.503-DF (DJU de 6.6.97). Embora negue como regra (trata-se de juízo político), muito excepcionalissimamente, o STF admite a análise dos pressupostos formais da MP (relevância e urgência) quando a inconstitucionalidade for absolutamente flagrante e objetiva. À luz dos dispositivos constitucionais e do entendimento jurisprudencial acerca do processo legislativo, é correto afirmar que as leis que dispõem sobre o aumento da remuneração de servidores em cargos públicos na esfera estadual da administração direta são de iniciativa: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 98 (A) exclusiva da assembleia legislativa estadual, devendo esse reajuste ser vinculado aos índices federais de correção monetária. (B) privativa do presidente da República, sendo inconstitucional a vinculação desse reajuste aos índices federais de correção monetária. (B) exclusiva do Congresso Nacional, devendo esse reajuste ser vinculado aos índices federais de correção monetária. (D) privativa do governador do estado, sendo inconstitucional a vinculação desse reajuste aos índices federais de correção monetária. 5. D Como a questão versa sobre servidores estaduais, a competência legislativa é privativa(ressaltando-se que o termo “exclusiva” se relaciona à competência administrativa) do governador do estado. De outro turno, na forma da súmula vinculante 42, do STF, “é inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária”. Portanto, a única opção correta é a D. 6. D. a) ERRADA, nos termos do art. 71, VIII, da CF, cabe ao TCU aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário; b) ERRADA, nos termos do art, 71, I, cabe ao TCU apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento; c) ERRADA, nos termos do art. 71, X, da CF, cabe ao TCU sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal; d) Certo, nos termos do art. 71, VI, da CF, cabe ao TCU fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município; e) ERRADO, nos termos do art. 71, III, da CF, cabe ao TCU apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. 7. E. A. Incorreta. De fato, há vício formal subjetivo (de iniciativa), pois neste caso a iniciativa é reservada ao Presidente da República: Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 99 Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. (…) § 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas; (B) Incorreta. Iniciativa é reservada ao Presidente da República (já destacado o dispositivo) (C) Incorreta. A sanção posterior não convalida o vício de iniciativa, pois a inconstitucionalidade é vício de origem. De fato, havia inclusive Súmula do STF neste sentido, porém esta foi cancelada, e atualmente remanesce pacifico o entendimento da impossibilidade de convalidação do vício subjetivo por meio da posterior sanção. Vide: ‘’ A sanção do projeto de lei não convalida o vício de inconstitucionalidade resultante da usurpação do poder de iniciativa. A ulterior aquiescência do chefe do Poder Executivo, mediante sanção do projeto de lei, ainda quando dele seja a prerrogativa usurpada, não tem o condão de sanar o vício radical da inconstitucionalidade. Insubsistência da Súmula 5/STF. [ADI 2.867, rel. min. Celso de Mello, j. 3-12-2003, P, DJ de 9-2-2007.] = ADI 2.305, rel. min. Cezar Peluso, j. 30-6-2011, P, DJE de 5-8-2011’’ (D) Incorreta. Vide comentários anteriores (E) Correta. A sanção presidencial não convalida a inconstitucionalidade formal por vício de iniciativa. Vide comentários anteriores. 8. A. (A) Correta. Conforme abordamos em nosso material, não é possível o Veto Parcial sobre Parte de Dispositivos, nos termos do artigo 66, § 2º, da CF – diferente do que ocorre no controle de constitucionalidade realizado pelo Judiciário. § 2º - O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. (B) Incorreta. O voto obrigatório não é considerado como cláusula pétrea, e pode ser objeto de emenda à Constituição. (C) Incorreta. Embora parte da doutrina defenda a possibilidade de iniciativa popular para emendar a Constituição Federal, é certo que não consta no texto constitucional essa possibilidade, razão pela qual o candidato deve se atentar à forma de questionamento na prova. (D) Incorreta. São de iniciativa privativa do Presidente da República - art. 61 (…) § 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: II- b, organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios; (E) Incorreta. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 100 Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: (…) IV - já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. 9. A (A) Correta. STF, Tribunal Pleno, HC 80.240/RR, Rel. Sepúlveda Pertence, julgado em 20/6/2001, publicado em 14/10/2005. (B) Incorreta. STF, ADI 3.619. Rel. Min. Eros Grau, julgado em 1°/8/2006. (C) Incorreta. STF, MS 27.483 - MC/DF, Rel. Min. Cezar Peluso, julgado em 14/8/2008. (D) Incorreta. STF, MS 25.617-MC, rel. min. Celso de Mello, julgado em 24/10/2005. (E) Incorreta. STF, ADI 1.635/DF, rel. min. Maurício Corrêa, julgado em 19/10/2000. 10.A Arts. 1º e 6º da Lei nº 1.579, de 18 de março de 1952. Conforme estudado, a CPI deve ter prazo determinado e admite prorrogações, dentro da mesma legislatura, devendo, ao final, encaminhar as conclusões ao Ministério Público. (B) Perfeitamente possível a CPI em razão do interesse local. (C) A CPI pode determinar a quebra de sigilo fiscal e bancário, como estudado. (D) A extinção da CPI prejudica o MS por perda do objeto nos termos da jurisprudência do STF. (E) Não depende de aprovação do Plenário (art. 1º, p.u., Lei nº 1.579, de 18 de março de 1952.) 11. B A questão trouxe uma série de proposições a fim de o candidato julgar a sua constitucionalidade, sendo as seguintes: (1) A Câmara somente julga as contas de governo, não as de gestão, prevalecendo, em relação às últimas, o juízo de valor do Tribunal de Contas do respectivo Estado. ERRADO: Parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas tem natureza meramente opinativa, competindo exclusivamente à Câmara de Vereadores o julgamento das contas anuais do chefe do Poder Executivo local, sendo incabível o julgamento ficto das contas por decurso de prazo. STF. Plenário. RE 729744/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/8/2016 (repercussão geral) (Info 834). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 101 (2) As contas não impugnadas por qualquer vereador, partido político ou cidadão, no prazo de sessenta dias, a contar do recebimento do parecer prévio do Tribunal de Contas, são tidas como aprovadas; ERRADO: Parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas tem natureza meramente opinativa, competindo exclusivamente à Câmara de Vereadores o julgamento das contas anuais do chefe do Poder Executivo local, sendo incabível o julgamento ficto das contas por decurso de prazo. STF. Plenário. RE 729744/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/8/2016 (repercussão geral) (Info 834). (3) O parecer prévio do Tribunal de Contas somente deixará de prevalecer pelo voto da maioria de dois terços dos membros daCâmara Municipal. CORRETO: art. 31, § 2º da CF/88. O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara Municipal. Pelo exposto, o item a ser marcado é o que diz: “apenas o comando 3 é constitucional”. 12. A (A) CORRETO. É possível o controle judicial dos pressupostos de relevância e urgência para a edição de medidas provisórias, no entanto, esse exame é de domínio estrito, somente havendo a invalidação quando demonstrada a inexistência cabal desses requisitos. Inexistindo comprovação da ausência de urgência, não há espaço para atuação do Poder Judiciário no controle dos requisitos de edição de medida provisória pelo chefe do Poder Executivo. STF. Plenário. ADI 5599/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/10/2020 (Info 996). (B) INCORRETO: Art. 62, § 2º, CF/88. Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. (C) INCORRETO. As medidas provisórias, para José Afonso da Silva “são, como se nota, medidas de lei (têm força de lei) sujeitas a uma condição resolutiva, ou seja, sujeitas a perder sua qualificação legal no prazo de 120 dias (art. 62, §3º).” (D) INCORRETO. Art. 62, § 8º, CF/88. As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados. E – INCORRETO. Art. 62, § 1º, CF/88. É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I - relativa a: a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 102 13. D I – INCORRETO Art. 24, § 4º, CF/88. A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. II – CORRETO Art. 24, § 1º, CF/88. No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. III – CORRETO Art. 24, § 3º, CF/88. Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. 14. D I – INCORRETO. Art. 20, § 1º, CF/88. É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. II – CORRETO. Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo. III – CORRETO. Art. 61, § 2º, CF/88. A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. IV – CORRETO. Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. 15. E Conforme se extrai do art. 22, IV, da Constituição Federal, compete privativamente à União legislar sobre energia elétrica. Embora se trate de matéria polêmica, o STF possui entendimento majoritário no sentido de que a União, por ser titular da prestação do serviço público de energia elétrica (art. 21, XII, “b” e art. 22, IV, da CF/88), detém a prerrogativa constitucional de estabelecer o regime e as condições da prestação desse serviço por concessionárias, o qual não pode CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 103 sofrer ingerência normativa dos demais entes políticos. STF. Plenário. ADI 3763/RS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 7/4/2021 (Info 1012) 16.C O QUE UMA CPI PODE FAZER A legislação diz que a CPI tem poder de investigação próprio de autoridades judiciais. Significa dizer que uma comissão de inquérito pode: • inquirir testemunhas (que têm o compromisso de dizer a verdade); • ouvir suspeitos (que têm o direito ao silêncio para não se incriminarem); • prender (somente em caso de flagrante delito); • requisitar da administração pública direta, indireta ou fundacional informações e documentos; • tomar o depoimento de autoridades; • requerer a convocação de ministros de Estado; • deslocar-se a qualquer ponto do país para realizar investigações e audiências públicas; • requisitar servidores de outros poderes para auxiliar nas investigações; • quebrar sigilo bancário, fiscal e de dados, desde que por ato devidamente fundamentado, com o dever de não dar publicidade aos dados. VEDAÇÕES A CPI não tem poder de julgar, nem tem competência para punir investigados. Não processa ou julga, mas investiga fatos determinados. Não pode, por exemplo, determinar medidas cautelares, como prisões provisórias, indisponibilidade de bens, arresto e sequestro. Também não pode expedir mandado de busca e apreensão em domicílios; apreender passaporte; determinar a interceptação telefônica (escuta ou grampo), medidas que dependem de decisão judicial1. 1 Fonte: Agência Senado. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 104 17. C (A) INCORRETA Não é a resolução o meio adequado. (B) INCORRETA Não é a resolução o meio adequado. (C) CORRETA A questão versa sobre a teoria dos poderes implícitos, que garante, nos termos da CF/88, as mesmas garantias do Congresso Nacional ao Poder Legislativo Estadual. Segundo o art. 49, V da CF/88, é competente o Congresso Nacional sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. O poder regulamentar referido, para fins de explanação, é aquele também tipificado na CF/88, no artigo 84. Sendo assim, o Legislativo Estadual poderá revogar o decreto estadual dito na questão. (D) INCORRETA Poderá revogar, com base na teoria dos poderes implícitos tralhada alhures. (E) INCORRETA Não é outro decreto legislativo o meio idôneo para excluir a exorbitação do Poder Executivo 19.D É entendimento do Supremo Tribunal Federal: A instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito depende unicamente do preenchimento dos requisitos previstos no art. 58, § 3º, da Constituição Federal, ou seja: a) o requerimento de um terço dos membros das casas legislativas; b) a indicação de fato determinado a ser apurado; e c) a definição de prazo certo para sua duração. STF. Plenário. MS 37760 MC-Ref/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 14/4/2021 (Info 1013). Preenchidos os requisitos constitucionais (CF, art. 58, § 3º), impõe-se a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito, que não depende, por isso mesmo, da vontade aquiescente da maioria legislativa. Atendidas tais exigências (CF, art. 58, § 3º), cumpre, ao Presidente da Casa legislativa, adotar os procedimentos subsequentes e necessários à efetivainstalação da CPI, não se revestindo de legitimação constitucional o ato que busca submeter, ao Plenário da Casa legislativa, quer por intermédio de formulação de Questão de Ordem, quer mediante interposição de recurso ou utilização de qualquer outro meio regimental, a criação de qualquer comissão parlamentar de inquérito. STF. Plenário. MS 26441, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 25/04/2007. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. PAGE \* MERGEF ORMAT 1 105 20.C CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS. IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA JULGADO DO TRIBUNAL DE CONTAS PERANTE O QUAL ATUA. ILEGITIMIDADE. 1. Revela especial relevância, na forma do art. 102, § 3º, da Constituição, a questão da legitimidade do Ministério Público de Contas para impetrar mandado de segurança contra julgado do Tribunal de Contas perante o qual atua 2. Reafirma-se a jurisprudência dominante desta Corte nos termos da seguinte tese de repercussão geral: o Ministério Público de Contas não tem legitimidade para impetrar mandado de segurança em face de acórdão do Tribunal de Contas perante o qual atua. 3. Repercussão geral da matéria reconhecida, nos termos do art. 1.035 do CPC. Jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL reafirmada, nos termos do art. 323-A do Regimento Interno.