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DESCRIÇÃO Compreensão de conceitos e práticas da Psicologia aplicada à Segurança do Trabalho visando ao favorecimento de qualidade de vida e à prevenção de acidentes. PROPÓSITO Compreender as relações interpessoais envolvidas no contexto do trabalho, a partir do conhecimento das condições de grupo e pessoais que influenciam a saúde e segurança do trabalhador. Reconhecer os princípios psicológicos de ação de Segurança do Trabalho que buscam medidas preventivas para não expor o trabalhador a riscos, favorecendo o desenvolvimento profissional e as ações relacionadas à qualidade de vida. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar os modos e processos de interação, bem como os fatores pessoais e sociais no ambiente laboral como fontes de doenças ocupacionais MÓDULO 2 Analisar as características referentes à prevenção de acidentes e a doenças ocupacionais por meio de ações voltadas ao desenvolvimento de qualidade de vida no trabalho MÓDULO 3 Reconhecer a relação entre corpo e mente e como esse mecanismo auxilia ou prejudica a saúde no trabalho INTRODUÇÃO A Psicologia é uma ciência que, por ter como objeto de estudo o ser humano, interage com diversas áreas do saber. Assim, a Psicologia beneficia o homem e tudo aquilo no qual ele está envolvido e se relaciona, pois com seu conhecimento é possível identificar, compreender, prever e modificar o comportamento humano. Uma das áreas beneficiadas pelos estudos psicológicos é o âmbito do trabalho. O mundo do trabalho sofreu uma série de transformações decorrentes da globalização e inovação tecnológica, repercutindo no aumento de exigência sobre os trabalhadores. Aos poucos, passamos da necessidade de esforço físico para o esforço cognitivo. Com isso, ocorre o surgimento de novos riscos à saúde. Tanto a Medicina quanto a Psicologia passam a buscar aspectos referentes à saúde no trabalho. A Psicologia do trabalho busca compreender os comportamentos no âmbito organizacional, entre eles os aspectos que podem corroborar ou prevenir acidentes do trabalho, como as inter-relações, o grupo e a organização em geral. Os estudos, nesse âmbito, deram origem ao entendimento de fatores que auxiliam no processo de prevenção de acidentes. A partir da compreensão dos elementos do comportamento humano, tornou-se possível desenvolver métodos de intervenção com profundidade e precisão, otimizando processos e técnicas para garantia da Segurança do Trabalho. Abordaremos os tópicos relacionados aos princípios de segurança, os fatores pessoais e suas implicações no ambiente de trabalho, assim como a definição mais atual sobre o que é considerado qualidade de vida. Também serão apresentadas as principais doenças e os transtornos decorrentes de um processo laboral prejudicial, idealizando ações preventivas eficazes no âmbito da Segurança do Trabalho. Apresentaremos os benefícios gerados a partir da perspectiva de trabalho integrativo, que resultam em melhorias na rotina laboral, mas também no desenvolvimento saudável da organização com excelentes resultados. MÓDULO 1 Identificar os modos e processos de interação, bem como os fatores pessoais e sociais no ambiente laboral como fontes de doenças ocupacionais AMBIENTE DE TRABALHO E SUAS RELAÇÕES Iniciando este módulo, abordaremos no vídeo a seguir alguns tópicos sobre a importância da Psicologia para a Segurança do Trabalho. Vamos assistir! Para compreendermos o que é o ambiente de trabalho, precisamos considerar que o significado do trabalho é específico do homem, pois está atrelado à sua constituição psíquica, individual e social. Por meio dessa atividade, o homem constrói e satisfaz a si, mas também à sociedade. Esses aspectos podem ser observados ao longo da História, muito antes da mudança socioeconômica capitalista, quando os trabalhadores tinham a concepção de si por meio de seu produto. Com a mudança socioeconômica, o ambiente de trabalho e as relações dele provenientes sofrem alteração: antes, ocorriam no seio do lar, com pessoas próximas e familiares e, agora, seguem em ambiente próprio, com outros sujeitos. Essas mudanças demandaram novas adaptações, no sistema habitual de trabalho, gerando consequências na estrutura familiar, social e mental dos trabalhadores. Trabalhadoras costurando capas para travesseiro. Fonte: Everett Collection | Shutterstock.com Temos uma modificação ambiental física, mas que envolve muito além disso: a organização do trabalho, as características pessoais, os fatores sociais, entre outros – todos no mesmo contexto que afetam a organização, pois se inter-relacionam. Com base nos pressupostos da abordagem cognitivo-comportamental, os autores Chadwick e Dabu (2009) referem que a maneira como as pessoas pensam e sentem sobre seu trabalho e relacionamentos nesse contexto influenciará seu comportamento. Figura: Modelo cognitivo de Beck (2013) aplicado ao ambiente de trabalho. Ao trazermos essa compreensão para o ambiente de trabalho, os pensamentos e sentimentos das pessoas em relação às organizações e às tarefas que estão envolvidas resultarão no clima organizacional. Na prática, por vezes, as condições de trabalho são aversivas, gerando a necessidade de as pessoas criarem mecanismos internos que as auxilie. Para além dessa compreensão, Fischer (1985) já havia descrito que as relações estabelecidas no trabalho podem ser vistas como uma das formas de relacionamento social. Consideradas uma expressão da sociedade, essas relações são resultado de um funcionamento maior – político, das normativas organizacionais que direcionam o comportamento dos trabalhadores, e de como ocorrem as divisões horizontal e vertical de tarefas entre eles. É NECESSÁRIO SALIENTAR QUE AS EMPRESAS E AS RELAÇÕES DE TRABALHO SÃO CONSTITUÍDAS PELA HISTÓRIA E PELA COMPREENSÃO DE SUA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL. OUTRO FATOR RELEVANTE SÃO OS VALORES E A CULTURA QUE COMPARTILHAM. Este conjunto permite perceber que o ambiente, apesar de físico e estrutural, será muito mais determinado pelas relações ali estabelecidas: tanto em âmbito institucional com o trabalhador quanto no âmbito de trabalhadores entre si. Destarte, as variáveis envolvidas nessas relações estarão relacionadas: à organização do trabalho; à gestão; às condições de trabalho e saúde e, por fim, ao modo de regulação de conflitos (SIQUEIRA, 1991). Consideramos a influência das relações no ambiente de trabalho umas das maiores causas de sofrimento psíquico por parte dos trabalhadores. A organização do trabalho, quando mal estruturada, provoca mecanismos de defesa que levam o sujeito a transformar seu sofrimento. Essa transformação pode ser: PATOGÊNICA Quando leva o sujeito a doenças psicofísicas. CRIATIVA Quando o sujeito “cria” mecanismos de defesa contra as adversidades e dificuldades da sua organização e condições do trabalho, ou seja, adapta-se. Esses são aspectos que discutiremos mais à frente. Antes, vamos entender as condições sociais e psicológicas envolvidas no trabalho. CONDIÇÕES SOCIAIS E PSICOLÓGICAS As organizações necessitam das pessoas para seu funcionamento, e as pessoas passam parte da vida dentro das organizações, ou seja, a relação de existência é mútua. Mas, nem sempre as relações ocorridas nesse contexto foram como atualmente. Ao analisar as mudanças ocorridas após o início do modelo econômico capitalista, observa-se também mudanças nas relações e nos valores sociais. ESQUEMA RÁPIDO DA HISTÓRIA DO TRABALHO Sociedades pré-históricas – caçadores e coletores. Sociedades antigas – comerciantes e agricultores. Sociedades medievais – oradores, guerreiros e trabalhadores (comerciantes e agricultores). Sociedades modernas – agricultores, militares, trabalhadores urbanos (corporações de ofício, intelectuais e construtores). Sociedade capitalista – proletário (fábricas, militares, educadores, grande variação de trabalhadores urbanos) e agricultores. DIFERENÇA CENTRAL Sociedades pré/antigas/medievais e modernas – maioria das pessoas no campo. Sociedadescapitalistas – desde 1940, a maior parte da população nas cidades e dependente das relações com o sistema (salário e consumo). RESULTADO Economia natural X economia capitalista — da dependência da natureza à dependência da “capacidade individual”. Estresse, tensão, pressão e sensação de fracasso. Na estrutura anterior (economia natural), os trabalhadores percebiam-se como um grupo, conhecendo e defendendo os seus direitos. Contudo, ao ser estabelecida nova estruturação do trabalho, essa percepção coletivista tornou-se uma visão individualista. O trabalhador identifica-se com novos valores, voltados à diferenciação, mais qualificação e desempenho profissional, tal qual apresentado pelo mercado. O efeito da crescente industrialização também modificou as relações sociais. A realidade da diversidade nas condições de trabalho tornou-se a base dos interesses individuais, aumentando a competitividade. Em todo o movimento histórico, as relações ocorridas no trabalho têm participação importante nas vivências humanas. Assim, entendemos que as condições laborais estão presentes na formação da subjetividade do indivíduo: é pelo trabalho que os direitos civis e sociais são consolidados. Fonte: sirtravelalot | Shutterstock.com O contexto de trabalho atual, seja o emprego, o desemprego ou as distintas formas de ocupação, tem subjugado o ser humano em relação aos sentidos do trabalho. Conforme Lacaz (2000), a reconfiguração imposta pela relação capital-trabalho tem interferido na constituição das identidades coletivas, no reconhecimento e nos processos de subjetivação. Isso se dá pela: INTENSIFICAÇÃO DO TRABALHO POLIVALÊNCIA SUBMISSÃO ATENÇÃO Essa realidade tem delineado transformações no perfil patológico dos trabalhadores. Desde o início do nosso desenvolvimento psíquico, reagimos aos estímulos a que somos submetidos. O trabalho pode propiciar sofrimento ao indivíduo, restringindo seus mecanismos de defesa a modos repetitivos e ineficazes, o que aumenta a tensão psíquica. O TRABALHO E OS SENTIMENTOS Segundo Dejours (1994), o trabalho e os sentimentos estruturam o sujeito, permitem que ele pense sobre si e sobre seu contexto. Esse pensar sobre si, no contexto do trabalho, permite que o sujeito se defronte com a realidade de como está organizado seu trabalho, e isso pode lhe causar sofrimento. Tal sofrimento pode ocasionar diferentes alternativas de descarga, podendo ser patogênico ou criativo, mascaradas pelas estratégias defensivas, que podem ser coletivas ou individuais. Para Dejours, quando as ações desencadeadas pelo sofrimento no trabalho são criativas, ou seja, possibilitam o reequilíbrio do sujeito, resultam em maior resistência e estruturação positiva da identidade; mas quando o indivíduo não consegue transformar sua situação desadaptativa de sofrimento, visto que utiliza estratégias rígidas, gera a sensação de frustração, incapacidade e adoecimento psíquico. O trabalho seria, portanto, não apenas um constituinte da condição social humana, mas também um mediador no processo de saúde e doença. É NECESSÁRIO REFLETIR SOBRE AS ESTRATÉGIAS DEFENSIVAS COMO MECANISMOS DE DEFESA ELABORADOS POR UM GRUPO SOCIAL PARTICULAR, QUE COMPARTILHA DETERMINADA ORGANIZAÇÃO DE TRABALHO. PARA QUE ESSAS DEFESAS SE FAÇAM EFETIVAS, É PRECISO HAVER ADESÃO DOS TRABALHADORES ENVOLVIDOS NESSA ORGANIZAÇÃO DE TRABALHO. ESTRESSE OCUPACIONAL Vimos que o ambiente, as relações nele estabelecidas e os fatores pessoais e sociais ocorrem em conjunto no trabalho. Assim, podemos verificar que a atividade laboral é uma fonte de estresse. ATENÇÃO O estresse é uma reação natural do nosso organismo, quando somos colocados em situações novas e que nos exigem resposta física e emocional de enfrentamento ou fuga. Entretanto, quando se torna crônico, pode prejudicar não somente a saúde, mas (tendo em foco o trabalho) também o desempenho dos trabalhadores. Quando crônico, o estresse potencializa o desenvolvimento de algumas doenças, como problemas cardiovasculares, hipertensão, úlcera, doenças inflamatórias intestinais. Reconhecer os elementos estressores e avaliar a presença do estresse, não é uma tarefa simples, uma vez que se refere a um fenômeno complexo, repleto de concepções, conceitos e análises passíveis de questionamento quanto à sua amplitude, viabilidade e suas relações. Então, o que é o estresse? INGLÊS stress (dureza, desconforto); LATIM strictia e strictus (apertado, estreito); stringere (tornar apertado, apertar). A VISÃO DA MEDICINA Na Medicina, séc. XIX, o estresse era associado às más condições de saúde como um distúrbio da homeostase (busca de equilíbrio dinâmico do organismo) frente às condições de frio, falta de oxigênio e baixo nível de açúcar no sangue. Essas alterações fisiológicas que o organismo apresenta diante de qualquer tipo de desafios ou exigências do ambiente, assumiria uma conotação negativa, implicando um esforço do organismo para adaptação. Esse conceito foi construído por meio de experimentos do médico Hans Selye (1907-1982), na década de 1930. Ele foi um dos pioneiros a incorporar o fenômeno do estresse (por ele denominado Síndrome de Adaptação Geral – SAG) às ciências médicas e biológicas, definindo-o como o conjunto de reações que um organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação que exige esforço de adaptação (SELYE, 1956). Fonte: Seasontime | Shutterstock.com Selye propôs uma representação do estresse caracterizando-o em três fases: MUDANÇAS APÓS AS GUERRAS MUNDIAIS Após as Guerras Mundiais, os estudos sobre o estresse ganharam um novo impulso. Surge a compreensão de que o estresse é inevitável, e que as diversas respostas frente a ele são explicadas pela maneira com que as pessoas podem enfrentá-lo. A partir dessa visão, entende-se que determinados estímulos estressores podem propiciar um bom trabalho, trazendo uma concepção funcional e menos negativa do estresse, porém dependente do indivíduo. Fatores envolvidos no processo de estresse (LIPP, 1996). Atualmente, profissionais de todas as áreas vivem sob contínua pressão/tensão. O ritmo acelerado exige constante adaptação, seja física, mental ou social. A resposta adaptativa nem sempre acompanha esse ritmo, contribuindo para as consequências negativas do estresse sobre o trabalhador que permanece exposto de forma prolongada ao desequilíbrio. EXEMPLO Quando uma pessoa percebe seu ambiente de trabalho como ameaçador, tanto às suas necessidades de realização profissional quanto à sua saúde mental ou física, é provável que sua interação com o trabalho ocorra de maneira prejudicada: pode ser que ela esteja submetida a demandas excessivas (fator ambiental/físico), não disponha de recursos psicoemocionais adequados e suficientes (fator pessoal), ou talvez ela não consiga enfrentar tais situações. SOBRE O ESTRESSE, AS DIFERENTES RESPOSTAS INDIVIDUAIS OU GRUPAIS PRECISAM SER CONSIDERADAS, POIS ELAS VARIAM QUANTITATIVA E QUALITATIVAMENTE. FATORES PESSOAIS DE ENFRENTAMENTO SERVEM DE INDICATIVOS PARA COMPREENDER SE UMA SITUAÇÃO É ESTRESSANTE OU NÃO, SE REPRESENTA AMEAÇA OU DESAFIO PARA O INDIVÍDUO. SÍNDROME DE BURNOUT O termo surgiu no séc. XX e quer dizer “combustão completa”. A palavra burnout foi utilizada na Inglaterra, em 1940, mas foi nos EUA, em 1974, que Freundenberger (1926-1999) realizou os primeiros estudos sobre o fenômeno. Trata-se de uma síndrome psicológica que envolve uma reação prolongada frente aos elementos estressores crônicos. As principais características são reações que remetem à exaustão, ao desligamento do trabalho, à sensação de ineficácia e à falta de realização. O indivíduo sente estar além dos limites físicos e emocionais, percebe-se esgotado, sem meios nem recursos para se recompor. Fonte: REDPIXEL.PL | Shutterstock.com Segundo a Organização Mundial da Saúde (2017), a Síndrome de Burnout está incluída na 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional.Encontra-se descrita no capítulo Fatores que influenciam o estado de saúde ou o javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) contato com os serviços de saúde, o qual inclui causas pelas quais as pessoas procuram por serviços de saúde, mas que não são classificadas como doenças ou condições de saúde. Seu surgimento, geralmente, é uma resposta à sobrecarga, à exaustão emocional decorrente do trabalho e dos conflitos ligados a este. Isso leva a uma redução importante da produtividade e do desempenho, resultando em sentido negativo à sua atividade profissional. Além disso, a percepção negativa passa a ser não somente sobre si mesmo, mas também sobre os outros, levando a uma deterioração das relações interpessoais. Principais características da síndrome: REVISÃO DA CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE DOENÇAS (CID-11) A Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) é um documento publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). É revista com alguma recorrência, e as siglas acompanham essas revisões (CID-10; CID-11). Sua função é ser um registro estatístico que reúne e organiza as mais diversas doenças e sintomas conhecidos pela humanidade. EXAUSTÃO EMOCIONAL DESPERSONALIZAÇÃO REDUZIDA REALIZAÇÃO PROFISSIONAL EXAUSTÃO EMOCIONAL Sensação de esgotamento físico e mental, sentimento de não dispor de energia para absolutamente nada. DESPERSONALIZAÇÃO https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps1 https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps1 https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps2 https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps2 https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps3 https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps3 Contato frio e impessoal com os usuários de serviço, passando a denotar atitudes de cinismo e ironia em relação às pessoas e indiferença ao que acontece aos demais. REDUZIDA REALIZAÇÃO PROFISSIONAL Sentimento de insatisfação com as atividades laborais que esteja realizando; sentimento de insuficiência, baixa autoestima, fracasso profissional, desmotivação, revelando baixa eficiência no trabalho. Sintomas comuns na Síndrome de Burnout (Hospital Albert Einstein) As principais consequências da Burnout, além dos aspectos físicos, englobam os aspectos psicológicos e sociais decorrentes da exposição crônica e cumulativa aos fatores estressantes que geram um processo de erosão psicológica. SINTOMATOLOGIA Veja abaixo os sintomas observados quando falamos da síndrome de Burnout: SINTOMAS FÍSICOS Alterações menstruais nas mulheres Cefaleias e enxaquecas javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) Disfunções sexuais Distúrbios do sistema respiratórios Distúrbios do sono Dores musculares ou osteomusculares Fadiga constante e progressiva Imunodeficiência Problemas gastrointestinais Transtorno cardiovascular SINTOMAS PSÍQUICOS Alterações de memória Baixa autoestima Desânimo Desconfiança, paranoia Falta de atenção, concentração Impaciência Labilidade emocional javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) Lentificação do pensamento Sentimento de alienação Sentimento de insuficiência Sentimento de solidão SINTOMAS COMPORTAMENTAIS Aumento do consumo de substâncias Comportamento de alto risco Dificuldade na aceitação de mudanças Incapacidade de relaxar Incremento de agressividade Irritabilidade Negligência ou excesso de escrúpulos Perda de iniciativa Suicídio SINTOMAS DEFENSIVOS Absenteísmo javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) Cinismo, ironia Perda do interesse pelo trabalho (ou até pelo lazer) Sentimento de onipotência Tendência ao isolamento Diferenças entre a síndrome de Burnout e o estresse clássico: SÍNDROME DE BURNOUT Ocorre pelo acúmulo do estresse ocupacional, quando os métodos de enfrentamento falharam ou foram insuficientes. Resposta prolongada a um estado de estresse que se torna crônico. Está relacionada ao trabalho. ESTRESSE CLÁSSICO Conjunto de reações que um organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação que exige esforço de adaptação. Qualquer força que conduz a um fator psicológico ou físico além de seu limite de estabilidade, produzindo uma tensão no indivíduo. Como vimos, há algumas características que podem facilitar ou desencadear processos de adoecimento. Na Síndrome de Burnout, características pessoais podem servir tanto para amenizar o fenômeno quanto potencializá-lo, tais como: idade, sexo, nível educacional, filhos, características de personalidade (autoestima, senso de autoeficácia e autoconfiança) e estratégias de enfrentamento (coping). javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) COPING Coping é definido como um conjunto de esforços, cognitivos e comportamentais utilizado pelos indivíduos com o objetivo de lidar com demandas específicas, internas ou externas, que surgem em situações de estresse e são avaliadas como sobrecarregando ou excedendo seus recursos pessoais BURNOUT E AS OCUPAÇÕES O Burnout costuma estar relacionado a profissões que demandem cuidados pessoais e serviços assistenciais, exigindo um intenso contato pessoal e emocional como em trabalhos voltados para o auxílio e a prestação de serviços. Logo, lidar com altas exigências e recursos escassos são situações comuns. Fonte: insta_photos | Shutterstock.com EXEMPLO As áreas da saúde, do ensino e de serviços humanos, como prestação de serviços na saúde, assistência social, sistema judiciário penal, profissões religiosas, de aconselhamento, educacionais e de ensino. Estudos recentes apontam que profissionais que sofreram um processo de reestruturação produtiva também estão suscetíveis ao burnout. ATENÇÃO Para efetuar uma análise é preciso relevar as variáveis pessoais, situacionais e as do trabalho em busca de consonâncias e incompatibilidades. Sendo assim, quanto maior a dissonância/incompatibilidade entre o indivíduo e seu trabalho, maior probabilidade de vir a desenvolver Burnout. VERIFICANDO O APRENDIZADO MÓDULO 2 Analisar as características referentes à prevenção de acidentes e a doenças ocupacionais por meio de ações voltadas ao desenvolvimento de qualidade de vida no trabalho PREVENÇÃO DE ACIDENTES – AÇÕES E ESTRATÉGIAS No vídeo a seguir, conheceremos as principais teorias de prevenção de acidentes. Seguindo com nossos estudos, antes de discutirmos o que é um acidente e sua prevenção, faz-se importante diferenciar acidente e incidente. Enquanto acidentes geram um dano, seja físico ou psíquico, os incidentes são quase acidentes — situações que poderiam causar um prejuízo/dano, mas que não se concretizam, configurando apenas um imprevisto. A área que estuda e trabalha a prevenção dos acidentes do trabalho é denominada Segurança do Trabalho. Ela é compreendida como o conjunto de medidas preventivas tomadas com foco na redução de acidentes de trabalho e ocorrência de doenças ocupacionais, garantindo a manutenção da saúde física e psíquica do trabalhador (SILVA, 2011). A prevenção de acidentes, especificamente, pode ser entendida como uma série de ações que visam à higiene do trabalho, reduzindo a ocorrência de incidentes e a probabilidade de acidentes, garantindo a segurança do trabalho. Fonte: VTT Studio | Shutterstock.com SAIBA MAIS A higiene do trabalho combate doençasprofissionais por meio da identificação de fatores que afetam o ambiente do trabalho e o trabalhador, visando à eliminação ou redução de riscos — condições que podem afetar a saúde, a segurança e o bem-estar do trabalhador, do ponto de vista não médico. Apesar das estratégias e ações serem tomadas pelas empresas, elas são previamente definidas por normas e leis; no Brasil, a Legislação de Segurança do Trabalho é orientada pelas Normas Regulamentadoras (NR), Normas Regulamentadoras Rurais (NRR) e outras leis complementares, como portarias, decretos e também as convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A equipe implementadora deve ser composta por técnicos, engenheiros, médicos, enfermeiros, psicólogos entre outros profissionais que atuem na área de segurança. Esses profissionais avaliam e controlam riscos no ambiente de trabalho, que de alguma forma causam prejuízo significativo aos trabalhadores. javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) PROFISSIONAIS Parte desses profissionais forma o SESMT – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho. A equipe multidisciplinar mais os funcionários podem compor a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. Não há causa única na ocorrência de um acidente. Por ser um fenômeno multifatorial, é resultado de uma somatória de dimensões envolvidas em um contexto e, por isso, entende-se que o risco jamais é completamente eliminado. Para existir menos riscos, é necessário muito controle e ele pode falhar – uma parte do sistema que execute de modo inadequado ou deixe de executar uma função, gera um acidente. Fonte: Mike Elliott | Shutterstock.com A referência é a Teoria das Falhas. Essa teoria nasceu da necessidade de o programa militar norte-americano de mísseis prever os acidentes. Dessa necessidade, foi desenvolvida a árvore de falhas para analisar a segurança do lançamento. Veja o exemplo abaixo: Exemplo de árvore de falhas. Fonte: EnsineMe A TEORIA SE BASEIA NO FATO DE QUE UM ACIDENTE PODE ACONTECER SEGUNDO CERTA PROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA DE UMA SÉRIE DE EVENTOS. OS EVENTOS PODEM ESTAR ENCADEADOS A PARTIR DE UMA SÉRIE, DA ORIGEM ATÉ O ACIDENTE. O método de mostrar a cadeia de eventos, que podem culminar com o acidente no topo, constitui-se em uma ferramenta de previsão adequada de modo que os eventos possam ser visualizados de forma clara e prontamente compreendida. O método proporciona também que os eventos previstos sejam testados quanto à sequência lógica e proporcionem uma base para identificação dos dados necessários no evento de falha de um sistema. A Teoria das Falhas define claramente a necessidade de dados que facilitem a previsão das possibilidades de um acidente em dado sistema (CORREA e CARDOSO JUNIOR, 2007). MÉTODO DE MOSTRAR A CADEIA DE EVENTOS Nesse ponto também é possível aplicar o exemplo da árvore de falhas. Sabendo que todo acidente decorre de uma falha, a atuação preventiva atua na tentativa de amenizá-las. Para isso, ela segue dois passos: DIAGNÓSTICO É realizada avaliação e levantamento de toda a constituição organizacional (ambiente, equipamentos, processos de trabalho, recursos humanos, agentes agressivos, modelo de gestão, javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) forma de comunicação, integração do pessoal, crenças dos trabalhadores relacionadas a organização entre outros). Dentre esses aspectos, as percepções e os pensamentos dos trabalhadores e da gestão em geral são os mais nocivos e propensos a desencadear acidentes. Assim, é extremamente importante analisar como a segurança é vista por esses agentes. PLANO DE AÇÃO São elaboradas e aplicadas ações interventivas referentes a tudo o que foi avaliado e analisado com objetivo de soluções em curto, médio e longo prazo. Para isso, podem ser contratadas empresas especializadas ou criados programas por comitês da organização. Durante a execução dessas ações, instrumentos avaliativos são mantidos de maneira permanente para monitoramento de resultados. Também se faz importante estabelecer uma cultura organizacional que promova saúde e participação dos trabalhadores. Afinal, tais medidas possuem relação dependente com o trabalhador. Para aumentar a eficácia e eficiência dessas ações, é importante que os colaboradores contribuam, seja na execução das ações, seja na observação e comunicação, participando ativamente na solução de problemas. Mas para que isso funcione, é preciso definir responsabilidades por meio de Política de Segurança no Trabalho ou de diretrizes básicas da organização que delimitem responsabilidades e atribuições individuais e institucionais no cumprimento das normas. BENEFÍCIOS DAS AÇÕES PREVENCIONISTAS Ao estabelecer ações prevencionistas, é possível preservar a saúde e integridade dos trabalhadores, bem como proteger a empresa de possíveis penalizações entre outros custos. Vejamos alguns dos benefícios diretamente observáveis: AMBIENTE SAUDÁVEL REDUÇÃO DE ACIDENTES AUMENTO DE PRODUTIVIDADE https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps1a https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps1a https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps2a https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps2a https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps3a https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps3a FORTALECIMENTO DA IMAGEM DA EMPRESA EVITA MULTAS TRABALHISTAS AMBIENTE SAUDÁVEL Ao ofertar um ambiente seguro, não apenas pela estrutura, mas também de relações, há influência na motivação do funcionário em trabalhar de acordo com o que lhe é exigido, ou seja, mais adesão aos valores e objetivos da empresa. REDUÇÃO DE ACIDENTES Aderir às ações de segurança no trabalho reduz a ocorrência de riscos, diminuindo a chance de acidentes que trazem prejuízos não apenas para a organização (custos de equipamentos, afastamento de funcionários, contratação de agentes temporários, indenizações), como também ao trabalhador que se percebe em um ambiente seguro, sendo menos exposto ao estresse. AUMENTO DE PRODUTIVIDADE A percepção de segurança e motivação dos trabalhadores resultam em aumento de foco e melhora no resultado da empresa. FORTALECIMENTO DA IMAGEM DA EMPRESA Quando há percepção interna favorável ao ambiente de trabalho, essa imagem reflete no mercado, trazendo mais credibilidade para a organização. https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps4a https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps4a https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps5a https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps5a EVITA MULTAS TRABALHISTAS Existem normas e leis que regulamentam as práticas de segurança no trabalho. Quando a organização não as cumpre, isso abre precedente para eventuais multas ou processos trabalhistas. Ao garantir a implementação de ações prevencionistas, reduz a ocorrência desses prejuízos. Onde falta segurança, as consequências são acidentes que atingem o trabalhador, o meio ambiente e o patrimônio da empresa. A maior das consequências está no trabalhador, pois tem sua vida comprometida: se a lesão for permanente, nem sempre é possível o retorno à atividade laborativa, gerando prejuízo tanto para o âmbito pessoal quanto social. QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT) Com a crescente modernizaçãoe ampliação de tecnologias, tornou-se possível maior nível de produção. Para garantir a excelência e o engajamento dos trabalhadores nesse ambiente tão acelerado e mecanizado; a estrutura organizacional passou a valorizar a competência para resultados, afinal ela se vê diante de um mercado muito mais exigente. Pensar em QVT é pensar em ações que tenham por objetivo a manutenção dos níveis de desempenho e da motivação dos trabalhadores no ambiente laboral. Fonte: Pixelbliss | Shutterstock.com Mas nem sempre foi assim. Foram necessários muitos anos de estudos e observações sobre fatores que trariam influência sobre produtividade, índices de acidentes, aspectos psicológicos e sociais que contribuiriam com a saúde do trabalhador e da organização. Vamos conhecer, brevemente, teorias motivacionais que proporcionam uma visão mais completa do homem em relação ao trabalho e que contribuíram no estudo sobre QVT. TEORIA X E TEORIA Y O psicólogo Douglas McGregor (1906-1964) propõe duas visões sobre as pessoas no trabalho: uma negativa, rotulada de Teoria X, e outra basicamente positiva, rotulada de Teoria Y. Teoria X Relacionada à satisfação das necessidades mais fisiológicas — existiriam dois tipos de percepção quanto às pessoas no trabalho: as primeiras representam o grupo com aversão ao trabalho. Por essa percepção desagradável, essas pessoas teriam preferência por serem dirigidas, teriam dificuldade com responsabilidades e pouca ambição, visando apenas a uma estabilidade profissional. Teoria Y Nesta teoria, existiriam pessoas automotivadas, responsáveis e criativas que olham para o trabalho com entusiasmo e como fonte de satisfação. Assim, em condições tidas como favoráveis, trabalhar seria tão natural quanto atividades de lazer. Essas pessoas se utilizariam do autocontrole, dos níveis sociais, de estima e autorrealização como fatores motivacionais. Como podemos ver nesses pressupostos, a base da compreensão ocorre pela descrição do comportamento humano. Outra grande contribuição foi realizada por Frederick Herzberg (1923-2000), também psicólogo, que estudou a diferença entre os fatores higiênicos e motivadores dentro das empresas. A partir disso, não apenas o comportamento humano seria considerado, mas também elementos presentes no trabalho e que eram capazes de produzir tanto satisfação quanto insatisfação nos funcionários. CONTRIBUIÇÃO Também conhecida como teoria Motivação-Higiene. javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) FATORES HIGIÊNICOS Relacionados ao salário e aos benefícios, às condições de trabalho (ambiente físico e tempo), às regras e políticas da organização, à localização do cargo na hierarquia, à segurança e ao grau de controle exercido sobre os funcionários (liberdade X restrição). FATORES MOTIVADORES Relacionados ao reconhecimento de sua capacidade, à responsabilidade, possibilidade de crescimento profissional, gerando desenvolvimento psicológico do trabalhador. COMENTÁRIO A ausência dos fatores higiênicos causa insatisfação; e presentes, não são necessariamente motivadores. Podemos entender que o conceito de QVT está relacionado à dinâmica entre as condições humanas e do trabalho, que haviam sido negligenciadas a favor do volume de produtividade e crescimento tecnológico e econômico. A falta de QVT significa abrir precedente para o adoecimento dos trabalhadores. Dentre os impactos observados em ambientes organizacionais não saudáveis, estão: altos índices de absenteísmo; falta de disposição para o trabalho expressado pelo baixo desempenho; relacionamentos interpessoais problemáticos; aumento de rotatividade no trabalho e acidentes; e, principalmente, o desenvolvimento de transtornos de humor e de ansiedade. O QUE É AMBIENTE DE TRABALHO SAUDÁVEL? Um ambiente de trabalho saudável é aquele que permite que o funcionário se desenvolva a partir de uma interação dinâmica entre o sujeito e o trabalho. Por esse ponto, percebemos a junção dos aspectos inicialmente discutidos: fatores higiênicos e motivadores do ambiente em interação com as características do comportamento e da personalidade humana. A QVT estaria relacionada com a reestruturação de cargos, a organização do trabalho, as melhorias do ambiente organizacional e a formação de equipes com mais autonomia e autogerenciamento. QVT É ENTENDIDA COMO UM CONJUNTO DE AÇÕES QUE UNEM A NECESSIDADE DO TRABALHO COM O BEM-ESTAR, DESENVOLVENDO HABILIDADES, RESGATANDO TALENTOS, RESPEITANDO LIMITES DA CAPACIDADE HUMANA, TENDO EM VISTA O GRAU DE PARTICIPAÇÃO DOS INDIVÍDUOS NA EFICÁCIA ORGANIZACIONAL E RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS. IMPORTANTE Devemos ressaltar que, para introduzir políticas que visem à QVT, é necessário contemplar todos os aspectos aqui apresentados, sempre buscando a ação preventiva junto à saúde do trabalhador, independentemente de sua posição hierárquica. Afinal, doenças que apresentavam incidência até então em certas classes de trabalho têm se tornado bastante comuns a todos, atingindo milhares de trabalhadores. Como, por exemplo, podemos citar as lesões por esforços repetitivos (LER) ou os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) que designam vários processos inflamatórios que se manifestam nos músculos, tendões e ligamentos de forma isolada ou associada e que podem resultar em invalidez permanente. No Brasil, o DORT tem sido um dos principais causadores de solicitações ao sistema previdenciário de afastamento do trabalho. BENEFÍCIOS DAS AÇÕES DE QVT Como vimos no tópico anterior, um ambiente de trabalho que gera estresse e insatisfação no trabalhador, desencadeará prejuízos na produtividade da empresa e adoecimento de seus recursos humanos. Assim, entende-se que um colaborador satisfeito no seu trabalho é estimulado ao desenvolvimento, trará melhores resultados e eficiência na empresa. Desenvolver um programa de qualidade de vida, então, é desenvolver ações diferenciadas que auxiliem os trabalhadores no crescimento pessoal e profissional por meio da valorização e estimulação de comportamentos de saúde. Veja alguns exemplos: Ações que possibilitem o desenvolvimento pessoal e profissional: fazer com que o trabalhador entenda sua importância e que por meio do seu trabalho há espaço para crescimento – plano de carreira. Ações que estimulem comportamentos de saúde: parcerias externas com academias, profissionais de Saúde (psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas etc.) Uma vez implementadas ações de QVT, uma série de benefícios podem ser observados: Valorizar colaboradores é reter talentos dentro da organização. Quando o ambiente proporciona sensação de pertencimento e alinhamento de objetivos pessoais com os empresariais, a tendência é que o trabalhador permaneça em seu local de trabalho. Redução de rotatividade pessoal (turnover) – taxa média entre admissões e demissões. Melhores resultados e produtividade, porque colaboradores satisfeitos com o ambiente de trabalho tendem a apresentar menor índice de faltas, adoecimento e conflitos pessoais, além de maior motivação; produzem mais e com maior qualidade. ALÉM DISSO, PROGRAMAS DE QVT GARANTEM: • COMUNICAÇÃO CLARA E FLUÍDA ENTRE OS TRABALHADORES • CRESCIMENTO DE FUNCIONÁRIOS E DA EMPRESA • MELHOR CLIMA ORGANIZACIONAL • MELHOR IMAGEM DA EMPRESA, TANTO COM FUNCIONÁRIOS QUANTO COM OS CONSUMIDORES • PROFISSIONAIS MAIS CONSCIENTES E CRIATIVOS SAIBA MAIS Por que turnover elevado é ruim para a empresa? Quando há grande rotatividade de pessoal no local de trabalho, surge clima de instabilidade e insegurança para os funcionários, ou seja, estresse e carga psíquica, além de aumento dos custos da empresa com o alto número de rescisões. Esse comportamento organizacional ainda reflete na imagem da empresa para o público. COMO OBTER BENEFÍCIOS POR MEIO DE PROGRAMAS DE QVT? PRIMEIRO PASSO Fazer com que os conceitos de QVT façam parte da cultura organizacional e, assim, que todos os envolvidos participem das ações.Ao garantir o envolvimento de todos, é possível conhecer quais setores ou atividades são mais desgastantes, necessitando de melhorias. A partir desse diagnóstico, são identificados os pontos da empresa a serem o foco inicial da intervenção. javascript:void(0) javascript:void(0) SEGUNDO PASSO Investir em treinamento de capacitação dos colaboradores, afinal, garantir o desenvolvimento profissional do funcionário é garantir melhores resultados na organização. TERCEIRO PASSO É desenvolvido desde o início, com os passos 1 e 2, e seu objetivo é manter avaliação constante do desempenho institucional e individual, oferecendo feedback aos trabalhadores e recebendo deles. Dessa maneira, torna-se possível utilizar-se de soluções mais eficientes, ajustes de condutas prejudiciais e alinhamento de estratégias de trabalho mais próximas das motivações dos funcionários. Essas ações aproximam funcionários e empresa, garantindo melhor trabalho em conjunto, uma vez que há percepção de valorização e acolhimento profissional. Seguindo com o tema, que tal conhecer alguns programas que trazem mais qualidade de vida no trabalho das pessoas dentro das empresas atualmente? PROGRAMAS DE QUALIDADE DE VIDA Alimentação balanceada Autonomia e criatividade no processo de execução das tarefas CIPA atuante Desenvolvimento de pessoas Exames periódicos completos: sangue, radiografia do pulmão, ecografia abdominal e cardiológico Ginastica laboral Plano de carreira Plano médico e odontológico (funcionário e família) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) Tarefas compatíveis com o perfil do funcionário Treinamentos e criação de um espaço de discussão para problemas relacionados com o trabalho Chefias mediadoras Clima organizacional flexível Cumprimento das normas regulamentadoras conforme o perfil da empresa e dos riscos que incidem nos trabalhadores Diagnóstico ergonômico dos postos de trabalho Implementação de uma Política de Segurança eficaz Programa de Controle de Riscos Ambientais SESMT inter e transdisciplinar Utilização de Equipamento de Proteção Individual (EPI) durante a execução de tarefas que ofereçam riscos SAIBA MAIS Uma ação que ganhou destaque por conta do cenário pandêmico vivido em 2020 pela covid-19 refere-se ao home office. Entretanto, essa estratégia já era aplicada como uma opção para quebrar a rotina e possibilitar flexibilidade para profissionais. VERIFICANDO O APRENDIZADO MÓDULO 3 Reconhecer a relação entre corpo e mente e como esse mecanismo auxilia ou prejudica a saúde no trabalho PARADOXO PSÍQUICO O entendimento de que a mente e o corpo se influenciariam, mutuamente, pelo ponto de vista histórico, não é muito antiga. René Descartes (1596-1650), filósofo, concordou com a ideia de que a mente influenciaria o corpo, e sugeriu que o corpo ofereceria influência sobre a mente, mas de modo menos intenso e prejudicial. Entre 1867 e 1868, o médico fisiologista Helmholtz (1821-1894) introduziu o conceito inicial de que a mente seria capaz de gerar adoecimento do corpo, designando o início da compreensão das doenças somáticas. javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) René Descartes – Fonte: Frans Hals | Wikimedia Commons/PD-Art RENÉ DESCARTES Filósofo do século XVII inaugurador do racionalismo cartesiano baseado em sua proposição do cogito: penso, logo existo. Desde então, esses pressupostos foram aprimorados e passamos a compreender que quando se trata de saúde ou doença, temos um organismo que se relaciona de forma integrada, envolvendo aspectos do corpo, da mente e social. Atualmente, compreendemos o ser humano como biopsicossocial, sendo a junção destas três dimensões: BIOLÓGICA PSICOLÓGICA SOCIAL https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps1c https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps1c https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps2c https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps2c https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps3c https://stecine.azureedge.net/repositorio/psicologia_da_seguranca_no_trabalho/index.html?brand=wyden#collapse-steps3c BIOLÓGICA Envolve as características genéticas e físicas do funcionamento humano, incluindo nossos órgãos e sistemas fisiológicos. PSICOLÓGICA Relacionada às características subjetivas de cada indivíduo, de personalidade e emocionais. SOCIAL Compreende o conjunto de valores e crenças das pessoas com as quais se convive, o ambiente físico, as experiências vivenciadas em comunidade, que nos cercam durante a toda vida. Podemos verificar que, no processo do adoecer, é fundamental conceber todas essas dimensões para compreender o trabalhador como um todo. Quando temos uma alteração, em alguma dessas áreas, o indivíduo torna-se propenso a riscos, como acidentes físicos, traumas psicológicos, gerando sentimento/crenças de incapacidade, ou seja, danos físicos e emocionais. Fonte: wutzkohphoto | Shutterstock.com Devemos considerar que fatores biológicos (hereditários) e ambientais como alimentação, sono, moradia, acesso a serviços de saúde e condições de trabalho podem desencadear ou possibilitar doenças. As pessoas possuem diferenças individuais (fatores psicológicos), e a forma como elas reagem às situações adversas pode potencializar o enfrentamento adequado ou o adoecimento, principalmente no que se refere às atividades laborais. Segundo Dejours (1992), o trabalho seria um território ambivalente porque pode gerar processos de adoecimento psíquico, como também pode ser fonte de saúde. Isso porque, no trabalho, o mundo social e o mundo subjetivo relacionam-se: o trabalho não é somente a realização de atividades laborais, é também, espaço de convivência. Vemos que o trabalho suscita um paradoxo psíquico: o equilíbrio ou a fadiga. Serve como fonte de equilíbrio para uns, mas é a causa de fadiga para outros. No equilíbrio, entendemos que é o trabalho escolhido livremente, que após a execução de suas atividades, o trabalhador se sente recompensado uma vez que cumpriu com seus objetivos. Na fadiga, ocorre o contrário, é no trabalho que a energia psíquica se acumula, tornando-se fonte de tensão, não gerando alívio nem sensação de bem-estar no trabalhador e, com isso, o início de uma patologia. Fonte: fizkes | Shutterstock.com CARGA PSÍQUICA DO TRABALHO É de fundamental importância entender as implicações do ambiente do trabalho para a saúde e qualidade de vida do trabalhador, assim como os agravos que podem causar sofrimento e adoecimento (HELOANI, LANCMAN, 2004). AS DOENÇAS DECORRENTES DO EXERCÍCIO LABORAL, TANTO DE ORDEM FÍSICA QUANTO EMOCIONAL, TÊM APRESENTADO AUMENTO IMPORTANTE EM DIFERENTES SEGMENTOS PROFISSIONAIS. ALGUMAS PESQUISAS APONTAM PARA FATORES DE RISCO E, PARA ISSO, FALAREMOS SOBRE CARGA DE TRABALHO. Carga de trabalho foi conceituada como um conjunto de variáveis que atuam sobre o trabalhador, exigindo contínuo esforço de regulação e adaptação para o alcance dos resultados de seu trabalho (MARTINEZ, 2002). A carga de trabalho, presente nas atividades laborais, é composta por aspectos físicos e cognitivos-psíquicos. Essas variantes se inter-relacionam, funcionando como uma tríade e, existindo sobrecarga em alguma delas, ocorre desequilíbrio, gerando alterações em todas. Fonte: Little Pig Studio | Shutterstock.com CARGA FÍSICA Envolve o físico, o uso e desgaste das estruturas corporais durante a execução do trabalho. CARGA COGNITIVA E PSÍQUICA Envolve as exigências mentais durante a execução do trabalho, ou seja, uso da concentração, da memória, da capacidade de resolução de problemas, entre outros relacionados àcognição. Dejours (1994) acrescenta que, na carga psíquica, encontramos características afetivas e relacionais, servindo como um aspecto regulador da carga global do trabalho. Nessa compreensão, utilizando por base o modelo freudiano sobre energia pulsional, se o trabalho permite descarga dessa energia, ele se torna um instrumento de equilíbrio para o trabalhador. Se a atividade do trabalhador é reconhecida pela organização, o trabalho passa a ser estrutura na identidade do indivíduo. Mas quando a atividade não é significativa para ele, quando a relação trabalhador e organização é conflituosa, a carga psíquica se torna fonte de sofrimento. ATUALMENTE, A PREOCUPAÇÃO COM OS RISCOS INERENTES AO COMPORTAMENTO HUMANO DENTRO DO TRABALHO TEM AUMENTADO E, CONSECUTIVAMENTE, O INVESTIMENTO DAS EMPRESAS EM PROGRAMAS DE QUALIDADE DE VIDA. Esses programas são voltados à redução de comportamentos entendidos como prejudiciais em todos os âmbitos de saúde, como o tabagismo, o alcoolismo, uso de drogas e que refletem no ambiente ocupacional. Assim como no combate ao estresse e na melhoria das condições físicas do trabalho, visando ao aumento da motivação e à redução da carga psíquica. ACIDENTES DO TRABALHO – CONSEQUÊNCIAS PSÍQUICAS Quando nos referimos a acidentes de trabalho, não consideramos apenas o ambiente físico — exposição dos trabalhadores a riscos devido à falta de estrutura, de equipamentos de proteção individual ou contaminação por substâncias tóxicas. ARTIGO 19 DA LEI Nº 8.213/1991 Acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII, do art. 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. As doenças decorrentes do trabalho são resultado de condições de insegurança no trabalho, tanto física quanto psicológica, que de maneira lenta e repetitiva provoca danos perceptíveis. A insatisfação dos funcionários frente às condições de trabalho, pode resultar em baixa produtividade, perda de qualidade, elevado absenteísmo e rotação frequente de pessoal. Fonte: Sergey Nemirovsky | Shutterstock.com Por essas características, torna-se difícil ter precisão sobre quais seriam os mecanismos que ocasionariam o adoecimento ocupacional; salvo em situações de acidentes por maquinário ou causa ambiental, que são claras, sempre estamos lidando com uma soma de fatores técnicos, fisiológicos e psicológicos. As causas de um acidente, então, podem estar relacionadas concomitantemente às circunstâncias: máquina, posto de trabalho, atividades fora da empresa, deslocamento até a empresa, fatores emocionais do trabalhador, como fadiga e desmotivação devido ao trabalho, ou doenças profissionais desenvolvidas ao longo do tempo. As consequências trazem prejuízos tanto para o físico (quebra ou lesão de membro, por exemplo) quanto para o psicológico do trabalhador. Dentre os processos psicológicos, desencadeados pelo acidente de trabalho, discutiremos os dois mais frequentes. SENSIBILIDADE EMOCIONAL Manifesta-se por um aumento de irritabilidade ou agressividade. A partir dessa alteração, muitos trabalhadores podem apresentar sentimento de culpa, redução da autoeficácia e autoestima, desencadeando um episódio depressivo. Em casos graves, essas alterações podem levar ao suicídio. Autoeficácia É tida como a crença que o indivíduo tem sobre sua própria capacidade de organizar e executar determinadas atividades para alcançar um resultado específico (BANDURA, 1977). Autoestima É a capacidade de reconhecer o próprio valor. Assim, temos a junção de três aspectos: confiança nas próprias habilidades, satisfação com o que se é e a representação que se tem sobre si mesmo. Ou seja, a autoestima é uma avaliação subjetiva que cada um faz de si (MENDES et al., 2012 ). TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS- TRAUMÁTICO (TEPT) Como o nome diz: é um transtorno relacionado a trauma e a estressores. Os sintomas característicos de TEPT envolvem: memórias diurnas, imagens ou flashbacks intrusivos na consciência do sujeito, fazendo-o reviver a tragédia ocorrida; é o único transtorno psicológico reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como ligado diretamente ao trauma decorrente do acidente de trabalho. Fonte - Tero Vesalainen | Shutterstock.com Fonte: theskaman306 | Shutterstock.com Como consequência, situações semelhantes de alguma forma ao evento são evitadas ou enfrentadas com um alto nível de ansiedade. O trabalhador pode passar a desconfiar dos outros colegas e perder sua autoconfiança, gerando dificuldade de retorno às suas atividades laborais, mas também em sua saúde geral: alteração no sono, lentificação da resposta motora, dificuldade de concentração, entre outros prejuízos que afetam sua capacidade de adaptação social. ORGANIZAÇÃO E AÇÕES DECORRENTES DO ACIDENTE DE TRABALHO Os acidentes de trabalho (AT) são um problema de saúde pública, principalmente por vitimarem jovens e pessoas em idade produtiva. Eles ocasionam incapacitações e suas consequências são sociais e econômicas, tanto para o trabalhador e sua família, quanto para o empregador e o Estado. No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) se deu em 1943 pelo Decreto n° 5.452, referindo-se, dentre vários aspectos, à Saúde e Segurança do Trabalho. Fonte: Kichigin | Shutterstock.com SAIBA MAIS Existe uma forma de reconhecer e estudar os índices de acidentes de trabalho no Brasil: pelo site da Secretaria Especial de Segurança do Trabalho. Atualmente, as regulamentações referentes à Saúde e Segurança do Trabalho se dão por meio de órgãos, como o Ministério do Trabalho, a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, a ISO – International Organization for Standardization (Organização Internacional de Normalização) e outros. Observe a classificação dos acidentes do trabalho por ordem de agravos e em função dos possíveis afastamentos e danos sofridos pelos trabalhadores, de acordo com Bensoussan (1988): ACIDENTE SEM AFASTAMENTO É todo acidente que possibilita ao acidentado voltar à sua ocupação habitual no mesmo dia, ou então no dia imediato ao acidente, no horário regulamentar, resultando incapacidade temporária parcial. ACIDENTE COM AFASTAMENTO É todo acidente que impossibilita ao acidentado retornar ao trabalho até o dia imediato ao acidente, no horário regulamentar, resultando incapacidade permanente total ou parcial e incapacidade temporária total. INCAPACIDADE TEMPORÁRIA PARCIAL É a perda de parte da capacidade para o trabalho por determinado período, não afastando o acidentado do trabalho. INCAPACIDADE TEMPORÁRIA TOTAL É a perda total da capacidade para o trabalho por um período que varia do início da jornada do dia subsequente ao acidente até 360 dias após, excetuadas a morte, incapacidade permanente parcial e total. INCAPACIDADE PERMANENTE PARCIAL É a redução de parte da capacidade para o trabalho, impossibilitando a execução de algumas tarefas ou exigindo maior esforço para a sua realização, decorrente da perda de qualquer membro ou parte do corpo, perda total do uso desse membro ou parte do corpo, ou qualquer redução permanente de função orgânica. Existem normas e diretrizes a serem seguidas em caso de acidentes de trabalho, bem como um órgão responsável por cada elemento que resguarda e protege o trabalhador. LEI Nº 13.502/2017 A Lei nº 13.502, de 1º de novembro de 2017, constitui a área de competência do Ministério do Trabalho que abrange: política e diretrizes para a geração de emprego e renda e de apoio ao trabalhador; política e diretrizes para a modernização das relações do trabalho; fiscalização do trabalho, inclusive do trabalho portuário, bem como aplicação das sanções previstas em normas legais ou coletivas; política salarial; formação e desenvolvimento profissional;segurança e saúde no trabalho; política de imigração laboral; e cooperativismo e associativismo urbanos. Quando ocorre um acidente, é obrigatório registrar uma comunicação de acidente de trabalho (CAT), documento emitido para reconhecer tanto um acidente de trabalho ou de trajeto bem como uma doença ocupacional. ACIDENTE DE TRABALHO OU DE TRAJETO É o ocorrido no exercício da atividade profissional a serviço da empresa ou no deslocamento residência -> trabalho -> residência, e que provoque lesão corporal ou perturbação funcional que cause a perda ou redução – permanente ou temporária – da capacidade para o trabalho ou, em último caso, a morte. DOENÇA OCUPACIONAL É aquela produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. SEGUNDO O INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), A EMPRESA É OBRIGADA A INFORMAR À PREVIDÊNCIA SOCIAL TODOS OS ACIDENTES DE TRABALHO OCORRIDOS COM SEUS COLABORADORES, MESMO QUE NÃO ACONTEÇA AFASTAMENTO DAS ATIVIDADES, ATÉ O PRIMEIRO DIA ÚTIL APÓS O ACIDENTE. EM CASO DE MORTE, A COMUNICAÇÃO DEVER SER IMEDIATA. SE A EMPRESA NÃO INFORMAR O ACIDENTE DE TRABALHO, DENTRO DO PRAZO, ESTARÁ SUJEITA À MULTA, CONFORME DISPOSTO NOS ARTIGOS 286 E 336 DO DECRETO Nº 3.048/1999. ATENÇÃO Se, porventura, a empresa não fizer o registro da CAT, ela pode ser feita pelo próprio trabalhador ou por seu dependente, pela entidade sindical, pelo médico ou pela autoridade pública. CAT Documento governamental próprio e obrigatório das empresas chamado Comunicação de Acidente de Trabalho. Serve para solicitação de auxílio junto ao INSS, e trabalhadores afastados em acidente de trabalho precisam passar por perícias para seu retorno. É importante salientar que o INSS reconhece o uso da CAT emitida tanto para um acidente de trabalho ou de trajeto como para uma doença ocupacional. Encerraremos o módulo com um react do Prof. Dr. Rodrigo Rainha ao filme Um dia de fúria, onde ele estabelece uma relação entre o que estudamos até aqui e o filme. VERIFICANDO O APRENDIZADO CONCLUSÃO javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) CONSIDERAÇÕES FINAIS Apresentamos aqui conceitos e aspectos relacionados aos princípios de segurança e qualidade de vida, pela contribuição da ciência psicológica, a fim de que possam tornar-se práticas na gestão de ambiente de trabalho. A Segurança no Trabalho é uma área beneficiada pela Psicologia, uma vez que se encontra diretamente relacionada a comportamentos humanos e suas inter-relações. Como grande parte dos acidentes no trabalho ocorrem devido à falha humana, na etapa que antecede (não prevenção), ou na execução de uma função, compreender aspectos relacionais e pessoais contribuem para uma seleção de ações mais adequadas para determinados contextos. Como vimos, as questões de promoção da saúde não decorrem somente de fatores individuais, mas também do coletivo. É necessário considerar todos os aspectos envolvidos na atividade laboral desde a estrutura de gestão, a forma de execução, a carga horária de trabalho, os turnos, entre outros para que as medidas de prevenção de acidentes e qualidade de vida sejam eficazes. Promover os benefícios da qualidade de vida no trabalho é um elemento essencial para que os funcionários se sintam satisfeitos e motivados em desempenhar suas atividades, contribuindo para que a empresa atinja os seus objetivos e melhore os resultados. PODCAST Agora, vamos a um breve resumo do tema com o professor Rodrigo Rainha. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS BANDURA, A. (1977). Self-efficacy: toward a unifying theory of behavioral change. Psychological Review, 84 (2), 191-215. BECK, J. (2013). Terapia cognitivo-comportamental: Teoria e prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed. BENSOUSSAN, E. et al. Saúde ocupacional. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1988. BRASIL. Lei nº 8080, de 19 de setembro de 1990. Brasília, 1990. CHADWICK, C.; DABU, A. Human resources, human resource management, and the competitive advantage of firms: toward a more comprehensive model of causal linkages. In: Organization Science, v. 20, n. 1, p. 253–272, 1º jan. 2009. CORREA, C. R. P.; CARDOSO JUNIOR, M. M. Análise e classificação dos fatores humanos nos acidentes industriais. In: Revista Produção, v. 17, n. 1, p. 186-198, 2007. DEJOURS, C. As estratégias defensivas. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 5 ed. São Paulo: Cortez-Oboré, 1992. p. 27-79. DEJOURS, C. Por um novo conceito de saúde. In: Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. São Paulo, 1986, v. 14, abril, maio, junho, n. 54, p. 7-11. DEJOURS, C. Psicodinâmica do trabalho. São Paulo: Atlas, 1994. FISCHER, R. M. “Pondo os pingos nos is” sobre as relações de trabalho e políticas de administração de recursos humanos. In: FLEURY, M. T. L.; FISCHER, R. M. Processo e relações de trabalho do trabalho no Brasil. São Paulo: Atlas, 1985, p. 19-50. HELOANI, R.; LANCMAN, S. Psicodinâmica do trabalho: o método clínico de intervenção e investigação. In: Revista Produção, São Paulo, v. 14, n. 3, p. 77-86, 2004. LACAZ, F. A. C. Qualidade de vida no trabalho e saúde/doença. In: Ciênc. saúde coletiva [online]. 2000, v. 5, n. 1, p. 151-161. LIPP, M. E. N. Pesquisas sobre stress no Brasil: saúde, ocupações e grupos de risco. Campinas: Papirus, 1996. MARTINEZ, M. C. As relações entre a satisfação com aspectos psicossociais no trabalho e a saúde do trabalhador. São Paulo, 2002. MASLACH, C. Entendendo o burnout. In: ROSSI, A. M.; PERREWÉ, P. L.; SAUTER, S. L. (Orgs.). Stress e qualidade de vida no trabalho: perspectivas atuais na saúde ocupacional. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2008. MENDES, J. M. et al. Pessoa em situação crítica: representações construídas por enfermeiros. In: Revista de Enfermagem: III Série Junho 2012 Suplemento. Revista Cientifica da Unidade de Investigação Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Política nacional de saúde do trabalhador: proposta para consulta pública. Brasília, 2004. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Organização Pan-Americana da Saúde (Brasil). Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília, 2001. 508 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos, n. 114). ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CID: Burnout é um fenômeno ocupacional. Consultado eletronicamente em: 20 out. 2020. SILVA, N. R. Fatores determinantes da carga de trabalho em uma unidade básica de saúde. In: Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 16, n. 8, p. 3393-3402, ago. 2011. SELYE, H. (1956). The stress of life. New York: McGraw-Hill. p. 253 SIQUEIRA, M. M. Relações de trabalho em hospitais de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Faculdade de Ciências Econômicas, 1991 (tese, professor titular). EXPLORE+ Filmes: Um dia de fúria (1993), dirigido por Joel Schumacher, sobre as questões relacionadas à alta competitividade, aos atos éticos e ao equilíbrio emocional em ambiente corporativo. Tempos modernos (1936), dirigido por Charles Chaplin, filme clássico que surgiu como crítica à organização do trabalho nas indústrias da época em que houve mudança no mundo laboral. Livro: Gestão e indicadores em segurança do trabalho: uma abordagem prática, de André Luis Benatti, que aborda os requisitos de um sistema de gestão ocupacional e indicadores de segurança, visando a uma leitura agradável e de fácil compreensão, aliada a conteúdos didáticos. Artigos: Psicologia e saúde do trabalhador: práticas e investigações na Saúde Pública de São Paulo, de Leny Sato, Francisco Antonio de Castro Lacaz e Marcia Hespanhol Bernardo. Saúde mental e trabalho: uma reflexão sobre o nexo com o trabalho e o diagnóstico, com base na prática, das autoras Débora Glina, Lys Esther Rocha, Maria Lúcia Batista e Maria Goretti Mendonça. Síndrome de burnout: conceitos e observações para os gestores de recursos humanos, de Lais Luisa de Oliveira Solderae Leandro Gonçalves Martins. Benefícios e desafios do home office em empresas de tecnologia da informação, de Deise Bitencourt Haubrich e Cristiane Froehlich. Outros estudos: Procure saber sobre o Maslach Burnout Inventory — Inventário de Burnout de Maslach — (MBI- HSS). Esse instrumento é o mais utilizado para o diagnóstico de burnout, portanto, o objetivo do instrumento é medir o desgaste profissional. Procure saber sobre as 37 normas regulamentadoras no ambiente de trabalho. Para saber mais sobre a relação entre a saúde do trabalhador diante das novas leis trabalhistas, acesse a Biblioteca Virtual em Saúde do governo federal. Quer ler mais sobre estresse e saúde no âmbito do trabalho? procure sobre a Associação Brasileira de Medicina Psicossomática. CONTEUDISTA Glória Stefania Alves Siqueira CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0); javascript:void(0);