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Indaial – 2022
EnfErmagEm na 
SaúdE mEntal
 Prof.ª Cristina Albuquerque Douberin
2a Edição
aSSiStência dE
Elaboração:
 Prof.ª Cristina Albuquerque Douberin
Copyright © UNIASSELVI 2022
 Revisão, Diagramação e Produção: 
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
Impresso por:
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.
Núcleo de Educação a Distância. DOUBERIN, Cristina Albuquerque.
Assistência de Enfermagem na Saúde Mental. Cristina Albuquerque Doube-
rin. Indaial - SC: Arqué, 2022.
225p.
ISBN Digital 978-65-5466-177-5
“Graduação - EaD”.
1. Assistência 2. Enfermagem 3. Mental 
CDD 610.7
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
Caro acadêmico! É perceptível, hoje, que parcela considerável da população 
está afetada de alguma forma por afecções de natureza mental. A busca crescente 
pelo cuidado da saúde mental tem levado muitos dispositivos e profissionais que neles 
trabalham a se aperfeiçoarem para atender aos usuários com o máximo de excelência 
possível. Por outro lado, convém ressaltar que inúmeros são os obstáculos a serem 
superados dentro desse campo, uma vez que os estigmas sociais que delimitam uma 
de suas características históricas ainda se fazem presentes na época contemporânea, 
dificultando, inclusive, o repasse de recursos financeiros para investimento nessa área. 
Para reverter essa conjuntura, você será desafiado a entender os principais conceitos 
atrelados à saúde mental e, posteriormente, a demonstrar habilidades por meio de 
atitudes capazes de gerir um cuidado eficaz em sua prática profissional.
Este livro didático está dividido em três unidades e, cada uma delas, em 
outras subunidades.
Na Unidade 1 serão apresentados os principais conceitos dentro da saúde 
mental, incluindo toda a perspectiva histórica do que se denomina de loucura. Serão 
narrados os eventos que culminaram na Reforma Psiquiátrica, perpassando pelas 
consequências deste quadro, tais como o surgimento dos serviços substitutivos para 
cuidado em saúde mental, das políticas públicas imbricadas nesse campo do saber e 
pelas questões éticas inerentes à abordagem ao paciente com problemas de natureza 
mental. Por fim, também serão mencionados a organização da Rede de Atenção 
Psicossocial, a caracterização da linha de cuidado em saúde mental e suas tecnologias 
leves do cuidado; como também o papel do profissional de enfermagem dentro da saúde 
mental, que se volta principalmente para o processo de reabilitação e/ou reinserção 
social do usuário, fomentando o processo de autonomia dele.
Na Unidade 2, abre-se espaço para a explanação dos principais tipos de 
transtornos mentais que afetam a população mundial, como também as principais 
funções psíquicas que são afetadas em cada tipo de problema mental. As situações 
de crise serão caracterizadas com o olhar voltado para a abordagem do atendimento 
emergencial. Também serão abordados os principais fármacos utilizados na terapêutica 
medicamentosa dentro dessa área.
Por fim, na Unidade 3, a inserção das considerações sobre a atuação da 
enfermagem no processo de cuidado em saúde mental se fará presente. Serão 
pontuados quesitos como a sistematização da assistência de enfermagem, o processo 
de enfermagem e a comunicação terapêutica perante o atendimento ao paciente.
Você está preparado?
 Prof.ª Cristina Albuquerque Douberin 
APRESENTAÇÃO
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e 
dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes 
completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você 
acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar 
essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só 
aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
GIO
QR CODE
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
SUMÁRIO
UNIDADE 1 - CONCEITOS HISTÓRICOS INICIAIS, PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL, 
PREVENÇÃO DA DOENÇA MENTAL E ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM 
SAÚDE MENTAL ......................................................................................................................................1
TÓPICO 1 - CONCEITOS INICIAL E HISTÓRICO DA PSIQUIATRIA ........................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3
2 A PERSPECTIVA HISTÓRICA DA LOUCURA ......................................................................4
2.1 REFORMA PSIQUIÁTRICA BRASILEIRA ..............................................................................................7
3 CRÍTICA AO MODELO HOSPITALOCÊNTRICO ................................................................... 7
4 SURGIMENTO DOS SERVIÇOS SUBSTITUTIVOS AO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO ..........18
5 POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE MENTAL NO BRASIL ................................................. 21
6 QUESTÕES ÉTICAS EM SAÚDE MENTAL ........................................................................ 23
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 32
AUTOATIVIDADE................................................................................................................. 33
TÓPICO 2 - MODELO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL .......................................................... 35
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 35
2 DETERMINANTES EM SAÚDE MENTAL ........................................................................... 36
3 DISPOSITIVOS PARA TRATAMENTO EM SAÚDE MENTAL ............................................. 39
4 REDE DE APOIO SOCIAL EM SAÚDE MENTAL ................................................................ 53
RESUMO DO TÓPICO 2 .........................................................................................................57
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 58
TÓPICO 3 - ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA NA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE 
MENTAL (RAPS) ...................................................................................................................59
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................59
2 LINHA DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL (CONSTRUÇÃO COLETIVA) .......................... 60
3 TECNOLOGIAS DO CUIDADO (ACOLHIMENTO, ESCUTA, VÍNCULO, 
MATRICIAMENTO, ATUAÇÃO EM EQUIPE, AÇÕES INTERSETORIAIS) .......................... 65
LEITURA COMPLEMENTAR .................................................................................................67
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 69
AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................70
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................72
UNIDADE 2 — TRANSTORNOS MENTAIS E SUAS CLASSIFICAÇÕES, FUNÇÕES 
PSÍQUICAS, CRISE/EMERGÊNCIA PSIQUIÁTRICA E PSICOFARMACOLOGIA ...........................79
TÓPICO 1 — TRANSTORNOS DO HUMOR .............................................................................81
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................81
2 TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR .................................................................................. 82
2.1 DEPRESSÃO ......................................................................................................................................... 84
RESUMO DO TÓPICO 1 .........................................................................................................87
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 88
TÓPICO 2 - SÍNDROMES ANSIOSAS, TRANSTORNO DO ESTRESSE 
PÓS-TRAUMÁTICO E TRANSTORNOS PSICÓTICOS ......................................................... 89
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 89
2 TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG) ................................................. 89
2.1 TRANSTORNO DO PÂNICO ................................................................................................................. 91
2.2 FOBIAS ..................................................................................................................................................93
2.3 TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (TOC) .........................................................................94
2.4 TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO (TEPT).........................................................95
2.5 TRANSTORNOS PSICÓTICOS ...........................................................................................................96
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................100
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 101
TÓPICO 3 - TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE ..........................................................103
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................103
2 TIPOS DE TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE ......................................................... 104
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................111
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 112
TÓPICO 4 - SÍNDROMES RELACIONADAS À ALIMENTAÇÃO, À SEXUALIDADE, 
AO SONO E AO ABUSO DE SUBSTÂNCIAS ........................................................................ 113
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 113
2 SÍNDROMES RELACIONADAS À ALIMENTAÇÃO ........................................................... 113
2.1 SÍNDROMES RELACIONADAS À SEXUALIDADE ..........................................................................116
2.2 SÍNDROMES RELACIONADAS AO SONO ......................................................................................121
2.3 SÍNDROMES RELACIONADAS AO ABUSO DE SUBSTÂNCIAS ................................................ 124
2.4 ÍNDROME DE DEPENDÊNCIA E ABSTINÊNCIA ........................................................................... 125
2.5 TRANSTORNOS MENTAIS E COMPORTAMENTOS CAUSADOS PELO USO DE 
SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS (SPA) .............................................................................................. 126
2.6 PROGRAMA DE REDUÇÃO DE DANOS ........................................................................................ 127
RESUMO DO TÓPICO 4 .......................................................................................................129
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................130
TÓPICO 5 - CRISE/EMERGÊNCIA PSIQUIÁTRICA............................................................ 131
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 131
2 CARACTERÍSTICAS, CLASSIFICAÇÕES E FASES DA CRISE ........................................ 131
2.1 EMERGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS ..................................................................................................... 133
2.2 IDEAÇÃO SUICIDA E SUICÍDIO/PROTOCOLO DE SUICÍDIO ..................................................... 134
2.3 CONTENÇÃO FÍSICA ......................................................................................................................... 137
RESUMO DO TÓPICO 5 .......................................................................................................139
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 140
TÓPICO 6 - FUNÇÕES PSÍQUICAS E PSICOFARMACOLOGIA .......................................... 141
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 141
2 CONSCIÊNCIA ................................................................................................................. 141
3 ATENÇÃO ......................................................................................................................... 141
4 SENSO-PERCEPÇÃO ...................................................................................................... 141
5 AFETIVIDADE ..................................................................................................................1426 IMPULSIVIDADE ..............................................................................................................142
7 INTELIGÊNCIA .................................................................................................................142
8 MEMÓRIA .........................................................................................................................142
9 JUÍZO ...............................................................................................................................142
10 PENSAMENTO ...............................................................................................................143
11 LINGUAGEM ...................................................................................................................143
12 ORIENTAÇÃO .................................................................................................................143
13 PSICOMOTRICIDADE ....................................................................................................143
14 PSICOFARMACOLOGIA – ASPECTOS HISTÓRICOS E GERAIS DOS 
PSICOFÁRMACOS ........................................................................................................ 144
15 ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS .................................................................................... 144
16 ANTIDEPRESSIVOS .......................................................................................................145
17 ESTABILIZADORES DO HUMOR ....................................................................................145
18 ANTIPSICÓTICOS (NEUROLÉPTICOS) .........................................................................145
RESUMO DO TÓPICO 6 .......................................................................................................146
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 147
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................149
UNIDADE 3 — SAE, PROCESSO E ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL, E 
COMUNICAÇÃO E RELACIONAMENTO TERAPÊUTICO .................................................... 151
TÓPICO 1 — SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM SAÚDE 
MENTAL ..............................................................................................................................153
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................153
2 OBSERVAÇÃO E AVALIAÇÃO INICIAL ............................................................................155
2.1 SEMIOLOGIA PSIQUIÁTRICA (ANAMNESE REALIZADA PELO ENFERMEIRO) ...................... 156
2.2 EXAME PSÍQUICO (AVALIAÇÃO DO ESTADO MENTAL) ............................................................ 165
3 ETAPAS SUBSEQUENTES DO PROCESSO DE ENFERMAGEM ...................................... 175
3.1 ABORDAGEM DO PACIENTE E DA FAMÍLIA ................................................................................. 179
3.2 ANOTAÇÕES DE ENFERMAGEM ....................................................................................................182
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................183
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................184
TÓPICO 2 - CLIMA TERAPÊUTICO, TERAPIAS E INTERVENÇÕES ..................................187
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................187
2 RELAÇÃO INTERPESSOAL .............................................................................................189
3 COMUNICAÇÃO TERAPÊUTICA......................................................................................194
4 CONSTRUÇÃO DO PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR (PTS) PARA 
DIRECIONAMENTO DO TRATAMENTO ...........................................................................198
4.1 INTERVENÇÃO PSICOTERAPÊUTICA DE ENFERMAGEM ........................................................ 202
4.2 INTERVENÇÃO PSICOEDUCACIONAL ......................................................................................... 203
4.3 INTERVENÇÃO BREVE .................................................................................................................... 203
4.4 INTERVENÇÃO EM CRISE .............................................................................................................. 204
4.5 INTERVENÇÃO EM GRUPO ............................................................................................................ 204
5 TERAPIAS COMPLEMENTARES EM SAÚDE MENTAL ................................................... 205
6 TERAPIA COMUNITÁRIA ................................................................................................ 207
7 VISITAS DOMICILIARES ................................................................................................. 207
8 TERAPIAS DE RELAXAMENTO ...................................................................................... 207
9 TERAPIAS BIOLÓGICAS (PSICOFARMACOTERAPIA, 
ELETROCONVULSOTERAPIA E ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA TRANSCRANIANA) ..........208
10 MINDFULNESS E SAÚDE MENTAL .............................................................................. 209
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................210
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 211
TÓPICO 3 - PAPEL DO ENFERMEIRO NO CAMPO DA SAÚDE MENTAL E EM SEUS 
CONTEXTOS ESPECÍFICOS ...............................................................................................213
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................213
2 INFLUÊNCIA DA TEORIA DE ENFERMAGEM DE HILDEGARD PEPLAU (RELAÇÕES 
INTERPESSOAIS) ............................................................................................................213
3 TRANSFORMAÇÕES DA ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO DE SAÚDE MENTAL ATÉ A 
CONTEMPORANEIDADE .................................................................................................214
4 ENFERMAGEM DE SAÚDE MENTAL POR GRUPOS E CONTEXTOS SOCIAIS 
DIVERSOS .......................................................................................................................215
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................218
RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................... 220
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................221
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 222
1
UNIDADE 1 - 
CONCEITOS HISTÓRICOS INICIAIS, 
PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL, 
PREVENÇÃO DA DOENÇA 
MENTAL E ORGANIZAÇÃO DA 
ASSISTÊNCIA EM SAÚDE MENTAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
 
• conceituar saúde e doença mental;
• identificar elementos-chave do contexto histórico da loucura;
• conhecer os pressupostos que culminaram na reforma psiquiátrica brasileira;
• conhecer as políticas públicas brasileiras de saúde mental;
• identificar os diferentes dispositivos de tratamento e de rede de apoio social à pessoa 
com transtorno mental;
• compreender o conceito e funcionalidade das principais tecnologias do cuidado em 
saúde mental perante a organização da raps;
• conhecer a atuação da enfermagem nos dispositivos de saúde mental.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividadescom o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – CONCEITOS INICIAL E HISTÓRICO DA PSIQUIATRIA
TÓPICO 2 – MODELO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
TÓPICO 3 – ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA NA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE MENTAL (RAPS)
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
CONCEITOS INICIAL E HISTÓRICO 
DA PSIQUIATRIA
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 1 - UNIDADE 1
Partindo-se do pressuposto de que todo indivíduo é um ser considerado sob 
três esferas principais, que juntas se constituem o que se denomina de biopsicossocial, 
torna-se possível compreender o motivo pelo qual o conceito de saúde, frequentemente, 
é definido, através da vertente do senso comum, como um completo estado de bem-
estar físico, psíquico e social.
Por outro lado, quando alguma dessas esferas se encontra em desequilíbrio, 
toda a completude do ser humano se vulnerabiliza, uma vez que são interdependen-
tes; o que acarreta uma desarmonia em seu processo saúde-doença e culmina em 
seu adoecimento.
Diante do exposto, percebe-se que um dos alicerces dessa tríade é o componente 
psicológico, ou seja, mental. Assim, como definir saúde e doença mental? A princípio, 
pode parecer algo simples, mas como envolve múltiplos fatores, infere-se que denotam 
significados mais complexos.
Primeiramente, pode-se dizer que é pertinente fazer alusão ao fato de que a mente 
controla todos os processos corporais e é bastante influenciada por eles. Dessa forma, se a 
mente não está bem, provavelmente a saúde biológica também será afetada e vice-versa. 
Acrescido a isso, sabe-se que as questões sociais também interferem diretamente nas 
faculdades mentais, regendo sua funcionalidade de forma positiva ou negativa.
Inúmeras variáveis de natureza biológica, psicológica e ambiental se coadunam, 
portanto, para determinar a integridade da saúde mental. A exemplo, citam-se: capa-
cidades inatas, tendências, sexo, idade, aprendizagem e constitucionalidade, traumas e 
situações estressoras. A saúde mental não se caracteriza apenas como a ausência de 
transtornos mentais que, por sua vez, levam a alterações de comportamentos; nem tam-
pouco apenas como a inaptidão para se adaptar ao meio ambiente em que se vive.
Saúde mental é compreendida como um estado de bem-estar no qual o indivíduo 
revela concretude de seu próprio potencial, obtendo capacidade de enfrentamento aos 
eventos estressores cotidianos, conseguindo trabalhar de forma produtiva e contribuinte 
para com as pessoas ao seu entorno (OMS, 2014).
4
Se o ser humano experimenta relações interpessoais saudáveis, participa de 
forma sustentável para com o meio, rege seus próprios conflitos internos e destina 
tempo ao alcance de objetivos de vida, deduz-se que ele exprime boa saúde mental.
Em contrapartida, fala-se em doença mental quando, de fato, existe algum 
transtorno mental diagnosticado; bem como quando o indivíduo é dotado de condutas 
comportamentais que fogem daquelas moralmente aceitas pela sociedade, não 
conseguindo administrar seus papéis quando inserido em contextos coletivos (família, 
trabalho, lazer).
Dentro do campo da doença mental, por fim, consideram-se situações de 
surtos, crises (como as de ansiedade, que elevam o estresse) e emergências, todas 
requerentes de intervenções rápidas e eficazes; bem como situações de estabilidade 
do quadro clínico, que exigem reavaliações periódicas e condutas de manutenção 
terapêutica, quase sempre.
2 A PERSPECTIVA HISTÓRICA DA LOUCURA 
Quando se fala em perspectiva histórica da loucura, significa que será feita 
menção de como ela era considerada desde os tempos mais remotos, nos âmbitos 
internacional e nacional. Pois bem, antes de qualquer outra coisa, convém definir o 
termo loucura. Em seu sentido denotativo, ou seja, aquele encontrado no dicionário, 
esse termo pode ser compreendido como um substantivo feminino traduzido como a 
ausência da razão e/ou insanidade mental. No que concerne ao sentido conotativo, 
entretanto, o termo loucura pode assumir diversos significados, pois a conotação 
abrange contextos específicos de emprego da palavra. 
Apropriando-se do significado do termo em suas mais variadas nuances, 
facilmente se prossegue com suas considerações históricas ao longo dos anos. Na era 
antes de Cristo, muito comum eram as justificativas de viés místico para tudo aquilo que 
se desviava da normalidade, inclusive a loucura. Em outras palavras, isso quer dizer que 
os seres humanos eram tachados pejorativamente de loucos ou alienados quando suas 
atitudes comportamentais comprometiam as relações de vida em sociedade.
Acreditava-se que esses indivíduos adotavam esses desvios por terem 
cometido muitos pecados, por estarem recebendo castigo de divindades adoradas na 
época e/ou por estarem possuídas por alguma força maligna. Tais pessoas, portanto, 
eram excluídas, marginalizadas e escanteadas da sociedade. Frequentemente, também 
eram duramente perseguidas e assoladas, queimadas vivas, jogadas em calabouços, 
torturadas ou levadas para viverem enclausuradas e isoladas de tudo e de todos.
5
Essa situação vigorou ao longo dos séculos, fazendo-se presente, ainda, em 
épocas depois de Cristo. A lógica consistia em retirá-las brutalmente do convívio 
coletivo sob duas formas principais: maltratando-as até a morte e levando-as para 
locais distantes semelhantes a prisões, pois, assim, assegurava-se a paz e harmonia 
dos demais membros da sociedade, sem sua contaminação.
Essa realidade começou a apresentar algumas transformações após a época 
do Renascimento, ou seja, no período em que se passou a justificar os fatos com foco 
no raciocínio crítico humano. Assim, quando grupos de profissionais da saúde, mais 
especificamente médicos, reuniram-se para discutir e reivindicar melhorias em termos 
de promoção de dignidade e tratamento para os cidadãos denominados de loucos 
(hoje, entende-se que são os doentes mentais), construíram-se os chamados asilos, 
manicômios ou hospitais de alienados.
Cabe dizer, portanto, que a doença mental lapidou o conceito de loucura e que a 
construção e multiplicação de instituições asilares para os alienados representaram um 
resquício da formulação de políticas públicas voltadas aos doentes mentais. Há, a partir 
dessa ideia, um elo íntimo entre o surgimento dos manicômios (hoje denominados de 
hospitais psiquiátricos) e a representação histórica da loucura.
Diferentes momentos históricos retratam e defendem uma corrente de 
pensamento a respeito dessa relação supracitada. Na antiguidade clássica, cita-se 
a visão dos pensadores gregos; nos séculos XV e XVI, tem-se o ponto de vista dos 
exorcistas; nos séculos XVII e XVIII, considera-se o enfoque médico e o século XIX 
aborda os manicômios (RAMMINGER, 2002).
Desde a antiguidade clássica até a era cristã, a loucura foi interpretada sob 
alguns ângulos principais. Destaca-se a figura de Homero com o enfoque mitológico 
religioso; o de Eurípedes, com o enfoque passional ou psicológico; e a de Hipócrates 
e Galeno, com o enfoque das disfunções somáticas. Na Idade Média, a loucura foi, de 
fato, considerada preponderantemente como uma possessão diabólica por iniciativa 
própria ou por intermédio de algum bruxo, cidadãos ou entidades existentes na época. 
No que tange à possessão, considera-se a bifurcação entre duas vertentes: a primeira 
se exprime com a incorporação do diabo; ao passo que a segunda revela alterações de 
sensopercepção (FIGUEIRÊDO; DELEVATI; TAVARES, 2014).
A partir de Hipócrates, a justificativa para a loucura seguiu a tendência de uma 
consideração patológica, sendo algumas alterações cognitivas como perturbações do 
intelecto, um gatilho para a insanidade e, consequentemente, diagnóstico de loucura ou 
doença mental. Este fenômeno delimitou um marco na inauguração da psiquiatria como 
especialidade médica e, a partir de então, a loucurafoi compreendida por três maneiras 
distintas, conforme segue.
6
[...] a primeira consiste em introduzi-la no quadro nosológico cons-
truído pelo saber psiquiátrico e considerá-la uma psicose (paranoia, 
esquizofrenia, psicose maníaco-depressiva); a segunda visa elaborar 
uma antropologia de suas diferentes manifestações de acordo com 
as culturas [...] a terceira, finalmente, propõe abordar a questão pelo 
ângulo de uma escuta transferencial da fala, do desejo, ou da vivên-
cia do louco (psiquiatria dinâmica, análise existencial, fenomenologia, 
psicanálise, antipsiquiatria) (ROUDINESCO, 1998, p. 478).
Nos séculos XVII, XVIII e XIX, diferentes concepções sobre a loucura foram 
também consideradas, mas a herança que perpassou durante os séculos anteriores 
não foi abandonada. A exemplo disso, menciona-se o fato quão comum é a expressão 
da loucura como a perda da razão. O enfoque, por sua vez, passou a ser o da alienação 
mental, com olhares e condutas voltados para o tratamento do que hoje se chama de 
transtornos mentais. Subentende-se aí a predominância de uma abordagem clínica, 
mesmo que em seu início simples (FIGUEIRÊDO; DELEVATI; TAVARES, 2014).
Dentre os séculos supracitados, especifica-se que, no XVIII, houve a atuação 
marcante do médico Philippe Pinel (1745-1826), uma vez que ele propulsionou a 
preconização de tratamentos mais humanizados para o doente mental. Existem indícios 
de que ele libertou pacientes internados em dois renomados hospitais franceses, sendo a 
grande maioria recluso de longas datas (MELLO, 2008). 
Pinel identificou que os transtornos mentais admitiam um caráter ou componente 
genético, sendo, portanto, influenciado pela hereditariedade. Estudando a loucura, 
ele chegou à conclusão de que ela possibilitava três mecanismos etiológicos: físico, 
puramente ligado às questões biológicas; hereditariedade, também relacionada às 
questões orgânicas; e causas morais, atreladas a relacionamentos amorosos intensos, 
excessos, inadequações e estilo de vida. Acrescido a tudo isso, é sabido também que 
Pinel defendia uma espécie de tratamento moral da loucura, pautado em estruturação 
rígida de rotina, medicalização, bem como atividades de lazer e trabalho.
Com o intuito de ratificar essa linha de raciocínio, um renomado filósofo da área e 
contemporâneo a esta época, Michel Foucault publica claramente em sua obra História 
da Loucura que a loucura é exatamente o caminho para se alcançar a razão, ou melhor, 
o objeto de estudo da própria vertente clínica psiquiátrica se consiste na loucura, sendo 
capaz de reestruturar os atos de ver e de se expressar. Dessa forma, o temor, o horror e 
até a admiração pelo louco, transformam-se na busca incansável pela integralidade dos 
sujeitos (SANDER, 2010).
O local de estudo da loucura por parte dos profissionais, em sua maioria médicos, 
era o manicômio, também considerado hospício, hospital ou asilo para alienados. Para 
tal, nele, os loucos eram recolhidos, aprisionados e isolados do contato e convívio com 
os membros da população tida como normal. É válido ressaltar que, embora fossem 
locais propícios ao estudo da loucura, esses ambientes se caracterizavam por serem 
dotados de precária infraestrutura, de oferta irrisória ou nula de condições de higiene e 
de situação geográfica distante dos grandes centros urbanos.
7
Enfatiza-se, ainda, que uma justificativa plausível para essa realidade se 
fundamenta no considerável propósito de realizar uma “limpeza social”, livrando a 
população dos indivíduos considerados pertencentes a uma categoria social inferior e 
com práticas comportamentais inadequadas, e atendendo aos padrões de civilização 
por ela estabelecidos. Apesar de todos esses fatos, essas instituições dominaram toda 
a Europa a partir do século XIX, regendo lógicas de tratamentos que passaram a ser 
consideradas por escolas de pensamentos da psiquiatria. A influência sobre outras 
grandes nações, como o Brasil, também foi inevitável (ARBEX, 2013).
2.1 REFORMA PSIQUIÁTRICA BRASILEIRA
O Hospício Dom Pedro II, na cidade do Rio de Janeiro, foi criado em 1952, 
demarcando o primeiro manicômio/hospital psiquiátrico no território brasileiro. Seguiu o 
que era preconizado pela escola alienista francesa, cujo precursor foi o médico psiquiatra 
Philippe Pinel: a concepção de que o saber psiquiátrico é proveniente de observação e 
análise sistemática de eventos perceptíveis na enfermidade.
No período político do Segundo Reinado brasileiro, que transcorreu entre 1840-
1889, o número de instituições destinadas ao cuidado de alienados aumentou: São Paulo 
(1852), Pernambuco (1864), Pará (1873), Bahia (1874), Rio Grande do Sul (1884) e Ceará 
(1886). Médicos diversos, preocupados com o descaso que assolava os doentes mentais 
na sociedade, juntaram-se e passaram a reivindicar pela existência e construção dessas 
instituições, como se pode visualizar no trecho que se segue.
[...] as primeiras instituições psiquiátricas surgiram em meio a 
um contexto de ameaça à ordem e à paz social, em resposta aos 
reclamos gerais contra o livre trânsito de doidos pelas ruas das 
cidades; acrescentem-se os apelos de caráter humanitário, as 
denúncias contra os maus tratos que sofriam os insanos. A recém-
criada Sociedade de Medicina engrossa os protestos, enfatizando a 
necessidade de dar-lhes tratamento adequado, segundo as teorias e 
técnicas já em prática na Europa (RESENDE, 2007, p. 38).
Muitos problemas relacionados a essas instituições, entretanto, passaram a 
vigorar a tal ponto que culminaram na urgência de uma reforma psiquiátrica, ou seja, 
uma transformação nos campos a elas relacionados de assistência e gestão.
3 CRÍTICA AO MODELO HOSPITALOCÊNTRICO
Percebe-se, diante de tudo o que já está sendo comentado nesta unidade até 
agora, que o dispositivo hospitalar foi conquistando espaço e notoriedade no que dizia 
respeito ao tratamento do doente mental, fazendo jus ao conceito do termo hospitalo-
cêntrico, que significa dizer que o hospital passou a delimitar o centro desse cuidado.
8
Por outro lado, nem tudo estava devidamente adequado e satisfatório nesses 
dispositivos, implicando inúmeras críticas ao seu modelo. Para entender essa conjuntura, 
urge mencionar alguns pontos principais. Dentre eles, destaca-se que, praticamente, 
todos foram erguidos de forma ostensiva em sua arquitetura no que se pode denominar 
de “fundos” ou “quintal” de hospitais gerais maiores, na época denominados de Santas 
Casas de Misericórdias, ficando, pois, sob a administração das irmãs de caridade ou 
entidades religiosas que ali trabalhavam. Além disso, mesmo sem a devida formação 
científica na área médica e, consequentemente, sem o conhecimento dela oriundo, elas 
camuflavam a atuação dos poucos médicos psiquiatras neles atuantes, realizando os 
procedimentos assistenciais também, com exceção da prescrição medicamentosa.
Conclui-se, a partir dessas ideias, que havia a coadunação de vários nós críti-
cos, o que levou especificamente a um médico, Teixeira Brandão, liderar um movimento 
delator das problemáticas que ele identificou ao longo de sua vivência dentro dessas 
instituições, em especial do Hospital Dom Pedro II. A saber: o fato de que a disponibi-
lidade de vagas era bem maior para os alienados que podiam pagar pela internação; a 
assistência religiosa, e não médica, dada pelas irmãs de caridade; a falta de critérios 
diagnósticos para a internação dos alienados; a superlotação do hospício; a falta de 
médicos; a mistura das diferentes formas de moléstias mentais na mesma enfermaria; 
a presença de alienados criminosos no hospital e não em celas ou hospitais especiais; e 
a existência de crianças misturadas com alienados adultos. Não é difícil depreender, en-
tão, que a imagem transpassada era de caos, desorganização e ineficácia terapêutica.
A síntese das ideias deste panorama está explícita no parágrafo a seguir:
[...] por mais parciais e ambíguas que tenham sido as primeiras 
conquistas dos alienistas brasileiros, elas estiverampautadas, 
desde o início, na ampliação do significado da moléstia mental que, 
ultrapassando em muito os limites da loucura associada ao delírio, 
procurava legitimar a reclusão de indivíduos que manifestassem os 
mais diversos comportamentos considerados moral e/ou socialmente 
perigosos, ao mesmo tempo em que viabilizava as perspectivas de 
ampliação de poder do alienista (ENGEL, 2001, p. 331).
Em termos ilustrativos, tem-se na Figura 1 que segue, uma imagem rica em 
detalhes do extremo descaso referente às internações que ocorriam nesse cenário.
9
Figura 1 – Condições de descaso para com os alienados no hospital D. Pedro II
FONTE: Revadam e Scartezini (2020, s. p.)
Dando-se prosseguimento à sequência cronológica dos fatos, teve início, após 
tudo isso, o período republicano no Brasil, mais precisamente no ano de 1889. Essa 
fase marcou o estopim de mudanças nos planos político e social, assegurando novas 
nuances para a paz, a ordem e o progresso. No setor da saúde, houve a desvinculação 
do Hospício Pedro II da Santa Casa, ficando aquele sob a égide da administração pública, 
passando a ser denominado de Hospício Nacional dos Alienados (JABERT, 2005).
No tocante a essa transição, defendeu-se a ideologia que se segue no parágrafo 
a seguir.
Pode-se estabelecer grosseiramente o período imediatamente pos-
terior à Proclamação da República como o marco divisório entre a 
psiquiatria empírica do vice-reinado e a psiquiátrica científica, a lai-
cização do asilo, a ascensão dos representantes da classe médica ao 
controle das instituições e ao papel de porta-vozes legítimos do Es-
tado, que avocara a si as atribuições da assistência ao doente men-
tal, em questões de saúde e doença mental tal como a gravidade da 
situação exigia (RESENDE, 2007, p. 43).
Nesse ínterim, torna-se inevitável a medicalização da loucura e a continuidade 
de uma abordagem psiquiátrica fundamentada na marginalização da figura do louco, o 
que acabou por originar a Assistência Médico-Legal aos Alienados dentro de colônias 
agrícolas, espaços físicos que proporcionaram suporte aos hospitais psiquiátricos 
mais tradicionais. Essas medidas resultaram na primeira reforma psiquiátrica brasileira, 
que encontrou um ambiente político e ideológico favorável ao seu desenvolvimento 
(AMARANTE, 1998).
Como a prática psiquiátrica não existe num vazio social, era de se 
esperar que ela assimilasse aos seus critérios de diferenciação do 
normal e do patológico os mesmos valores da sociedade onde se 
inseria, e se empenhasse em devolver à comunidade indivíduos 
tratados e curados, aptos para o trabalho. O trabalho passou a ser 
ao mesmo tempo meio e fim do tratamento (RESENDE, 2007, p. 47).
10
Teixeira Brandão foi o primeiro diretor tanto da Assistência Médico-Legal dos 
Alienados, quanto do Hospício Nacional dos Alienados. Seu sucessor, Juliano Moreira, 
teve uma gestão marcada pela atenuação da influência da escola francesa de Philippe 
Pinel e, consequentemente, transição para o crescimento da escola alemã, que teve 
como precursor Emil Kraepelin, considerado o pai da psiquiatria contemporânea.
A ideologia alemã preconizava uma etiologia orgânica ou fisicalista para as 
doenças mentais, realocando o doente mental para a posição de objeto de análise, uma 
vez que se baseia em uma operação intelectual a partir do qual o psíquico é compreendido 
como meramente uma coisa. Essa operação exige dissociação e distanciamento.
Na década de 1920 do século XX, mais precisamente no ano de 1923, a figura 
de Gustavo Riedel lança a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), o que demarca 
uma radicalização do organicismo. Tal liga consegue se consolidar através da defesa de 
ideais eugênicos, racistas, xenofóbicos e antiliberais. Em outras palavras, isso quer dizer 
que a psiquiatria também passa a preterir a recuperação e purificação das raças, através 
da constituição de coletividades humanas sadias, requerendo do Estado uma atuação 
rígida de controle social com forte poder de intervenção (FONTE, 2012).
O lema da Liga era “controlar, tratar e curar” e a visão que detinha dos eventos 
de natureza psíquica é a de que eles são produtos do meio. Assim, medidas restritivas 
de liberdade e de cidadania passaram a ser defendida e implementadas a partir de 
esterilizações em massa e proibição de casamentos. Já a vertente higienista faz jus ao 
termo sanitário, quando se lutava pela defesa também da modificação dos hábitos e 
costumes de vida de toda uma população, a fim que ela se prevenisse do diagnóstico de 
doenças mentais e se tornasse, assim, impura (PASSOS, 2009).
No início da década de 1930 do século XX, foram criados, no Brasil, serviços 
nacionais por doenças, o que equivale comparar com um processo de verticalização de 
ações de saúde vinculadas a determinadas enfermidades, inserindo nesse contexto as 
doenças mentais. Pode-se dizer que no ano de 1941, por exemplo, foi criado o Serviço 
Nacional de Doenças Mentais (SNDM), através do qual o poder público, representado 
pelo Ministério da Saúde, passou a intermediar uma coparticipação administrativa dos 
hospitais psiquiátricos já existentes. Nessa época, quase a totalidade dos hospitais 
psiquiátricos eram de iniciativa pública, portanto (PAULIN; TURATO, 2004).
11
A 3 de janeiro de 1946, o Decreto-Lei nº 8.555 propiciou uma autorização 
ao SNDM a realização de convênios com os governos estaduais para a 
construção de hospitais psiquiátricos. Esses dispositivos passaram a ser 
denominados mesmo de hospitais, uma vez que o Código Brasileiro de 
Saúde, publicado em 1945, julgava pejorativos termos como asilos ou retiros.
NOTA
A psiquiatria vinha, então, tentando se firmar como especialidade médica e, 
com essa significativa consideração na área da saúde, novas abordagens biológicas de 
tratamento foram sendo introduzidas no Brasil: choque cardiazólico, cirurgias psíquicas, 
insulinoterapia e eletroconvulsoterapia (ECT). É possível entender um pouco mais sobre 
esta última abordagem através das Figuras 2 e 3 a seguir.
Figura 2 – Eletroconvulsoterapia (Ect) e seu mecanismo de ação
FONTE: https://www.estimulacaoneurologica.com.br/o-que-e-neuromodulacao/. 
Acesso em: 18 ago. 2022.
COMO FUNCIONA A ESTIMULAÇÃO CEREBRAL COM CORRENTE ELÉTRICA 
Bateria comum acoplada a eletrodos sobre a cabeça altera atividade de neurônios
1- O QUE É
Um aparelho de 
estimulação movido 
a bateria é ligado 
a dois eletrodos 
fixados sobre o couro 
cabeludo, criando um 
circuito elétrico que 
atravessa o cérebro
2- 0 QUE FAZ
A técnica muda a 
atividade cerebral 
porque altera a 
facilidade com que 
o impulso nervoso 
passa de um neurônio 
para o outro (limlar de 
transmissão nervosa)
3- COMO FUNCIONA
Neuronios próximos 
ao eletrodo negative 
ficam mais excitados (a 
transmissão é facilitada), 
enquanto os próximos 
ao eletrodo positivo 
ficam mais inibidos (a 
transmissão é dificultada)
Corrente 
elétrica
Bateria 
de 9 volts
Aparelho de 
estimulação
Solucão 
salina
Eletrodo
Cérebro
limiar para 
transmissão 
do impulso
Eletrodo 
negativo
Eletrodo 
positivo
Cérebro sem 
estímulo externo
impulso 
nervoso
Cérebro 
estimu-
lado
Limiar menor,
facilita 
condução 
nervasa
Limiar maior,
dificulta 
condução 
nervasa
12
Figura 3 – Preparo do paciente para a eletroconvulsoterapia
FONTE:https://www.estimulacaoneurologica.com.br/o-que-e-neuromodulacao/. 
Acesso em: 18 ago. 2022.
Nos anos 1960 do século XX, o Estado passa a realizar compras de leitos 
psiquiátricos hospitalares no setor privado, ao invés de investir em ações capazes de 
alterar o precário cenário nos hospitais psiquiátricos públicos. Isso se justifica porque o 
raciocínio que imperava na época girava em torno da internação, que inclusive deveria 
ser prolongada. Assim, as empresas privadas lucravam bastante com essas internações, 
e para elas quanto mais internações ocorressem, melhor, financeiramente falando. 
Por outro lado, o paciente não recebia cuidado direcionado, mas ficava sob verdadeiro 
descaso. Esta fase tornou-seconhecida como “indústria da loucura” (FONTE, 2012).
13
O filme “Bicho de sete cabeças” retrata claramente esse panorama da indústria 
da loucura. É um filme de sucesso brasileiro, com a duração de 1 hora e 14 
minutos. Direção de Lais Bodanzky e Roteiro de Luis Bolognesi; baseado na 
autobiografia de Austregésilo Carrano Bueno, Canto dos Malditos. Realizado 
com colaboração das produtoras Buriti Filmes, Dezenove Som e Imagem 
Produções Ltda., Gullane Filmes, Rio Filmes, Fábrica e Cinema. Com Othon 
Bastos (como Sr Wilson), Rodrigo Santoro (como Neto) e Cassia Kiss Magro 
(como Meire). Seu Wilson e seu filho Neto possuem um relacionamento difícil, 
com um vazio entre eles aumentando cada vez mais. Seu Wilson despreza o 
mundo de Neto e este não suporta a presença do pai. A situação entre os dois 
atinge seu limite, e Neto é enviado para um manicômio, onde terá que suportar 
as agruras de um sistema que lentamente devora suas presas.
DICAS
Em contrapartida, após a Segunda Guerra, na Europa e nos Estados Unidos, 
eclodiram alguns movimentos que se opunham à forma de tratamento e abordagem 
geral que ocorriam nos hospitais psiquiátricos. Dentre eles, citam-se o Movimento 
Institucional na França, Comunidades Terapêuticas na Inglaterra e Psiquiatria 
Preventiva nos Estados Unidos. Todos eles defendiam abordagens mais humanistas no 
campo da saúde mental, chegando a propor alterações de natureza técnica, científica e 
administrativa nessa área, sendo pertinente dizer, então, que representaram o estopim 
de uma luta antimanicomial ou simplesmente movimento de reforma psiquiátrica 
(GOULART, 2006).
No Brasil, a denúncia dos casos de violência nas instituições asilares, bem como 
das precárias condições de trabalho dentro dos manicômios, culminaram, na década 
de 1970, com o surgimento do Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM). 
Esse evento serviu de âncora para que os olhares fossem voltados a uma emergência 
de reforma psiquiátrica em território nacional também (SANDER, 2010).
Em período anterior e concomitantemente contemporâneo ao surgimento do 
MTSM, o Brasil estava experimentando a vivência sob a “Era do Temor”, em que o sistema 
psiquiátrico vinha sendo completamente deteriorado. Dessa forma, subentende-se o 
motivo pelo qual muitos manicômios, casas de repouso e leitos de hospitais psiquiátricos 
abriam e fechavam em curto espaço de tempo. Neles, o direito mais básico do ser 
humano, o de cidadania, estava sendo violado através de maus tratos, isolamento social 
e formas de tratamento brutais e inadequadas para os alienados mentais (CAMPELLO; 
SANTIAGO, 2015).
A situação vigente era alarmante e, à medida em que as denúncias se intensi-
ficavam e as reivindicações aumentavam, proporciona-se notoriedade para a categoria 
profissional de psicologia a partir do fomento de sua atuação na saúde pública dentro 
dos dispositivos de saúde mental, acarretando uma multiprofissionalidade, até então 
inexistente (ZAMBENEDETTI; SILVA, 2008).
14
Na medicina, a atuação da figura da médica psiquiatra Nise da Silveira (1905-
1999) representou, também, um marco divisor na forma de tratamento ao paciente 
psiquiátrico, pois ela instigou e implementou um trabalho de terapia ocupacional por 
meio da arte em detrimento do uso da eletroconvulsoterapia, da camisa de força, da 
lobotomia, da insulinoterapia e do confinamento (VEIGA, 2022).
Para saber mais sobre a biografia e modo de atuação profissional de Nise da 
Silveira, assista ao filme brasileiro “Nise: O Coração da Loucura”, baseado em 
fatos reais e que foi lançado em 2015, tendo como temática central a ruptura 
do sistema manicomial até, então, vigente na década de 1950.
DICAS
Na esfera científica, alguns eventos de considerável importância vinham sendo 
promovidos e, neles, muito se discutiam as ideias para alterações na abordagem do 
cuidado ao doente mental. O grande intuito era, de fato, propagar essas informações, 
a fim de sensibilizar a população. A exemplos destes, citam-se o V Congresso de 
Psiquiatria, I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições e o III 
Congresso Mineiro de Psiquiatria. Enaltece-se, entretanto, que o I Encontro Nacional 
de Trabalhadores da Saúde Mental, ocorrido em 1987, e que teve como lema “por uma 
sociedade sem manicômios”, foi o grande responsável pelo surgimento do Movimento 
da Luta Antimanicomial no Brasil (FIGUEIRÊDO; DELEVATI; TAVARES, 2014). O trecho a 
seguir explicita o que se defendeu nesse encontro:
Eliminar os meios de contenção presentes no tratamento, reesta-
belecer a relação do indivíduo com seu próprio corpo, reconstruir 
o direito e a capacidade de uso da palavra e dos objetos pessoais, 
produzir relações, espaços de interlocução, restituir os direitos civis, 
eliminando a coação, as tutelas judiciais e o estatuto da periculosi-
dade, reativando uma base de inserção para poder ter acesso aos 
intercâmbios sociais (RAMMINGER, 2002, p. 115).
Diante disso, os dirigentes governamentais brasileiros foram se inteirando cada 
vez mais com as propostas divulgadas nesses eventos sobre a Reforma, o que culminou 
com a confecção do documento Diretrizes para a área de Saúde Mental, onde constava a 
defesa de um tratamento realizado fora do ambiente hospitalar, limitação da internação 
hospitalar, reintegração ou participação da família, e incentivo às pesquisas na área de 
saúde mental (VASCONCELLOS, 2008).
15
Vale salientar que a conjuntura política vigente nesse período no 
Brasil também contribuiu para a implementação do processo de luta 
antimanicomial ou desospitalização. Ela foi caracterizada pelas fases de 
redemocratização e de outra reforma, a sanitária. Isso abriu oportunidade 
para espaços de discussão e elaboração de propostas de novos 
dispositivos da esfera do cuidado em saúde mental.
IMPORTANTE
A Reforma Psiquiátrica é demarcada por quatro dimensões características: 
teórico-conceitual, técnico-assistencial, jurídico-política e sociocultural. 
No que concerne à dimensão teórico-conceitual, foi preconizado e defendido 
que novos conceitos e olhares constroem outros modos de entendimento sobre a 
loucura e, consequentemente, promovem práticas diferenciadas; foram questionados 
alguns pontos como os conceitos de doença mental, de normalidade, de cura, de 
periculosidade, bem como a função terapêutica do hospital psiquiátrico e a noção de 
que a loucura é um comportamento desviante, de que o indivíduo considerado louco 
deve ser “consertado”. 
Pregou uma proposta de desconstrução das teorias e conceitos da psiquiatria 
tradicional e que novas práticas desse contexto levam em consideração que a 
intervenção médica tradicional reduz o sujeito aos sintomas e diagnósticos, deixando de 
lado as outras características das pessoas. Para ela, o louco passa a ser considerado um 
sujeito e a doença mental deixa de ser o foco central, consequentemente a internação 
no hospital psiquiátrico deixa de ser uma possibilidade terapêutica, e a cura não se torna 
o único fim a ser atingido com o tratamento. O paciente é visto como sujeito e cidadão, 
com direitos e deveres e responsabilidades.
O cuidado psicossocial pretende tratar da pessoa em sua integralidade e em sua 
complexidade e todas as pessoas, consideradas doentes ou não, possuem capacidades 
e competências, mas acima de tudo projetos e desejos de vida, pois, ao invés da cura 
da doença da doença mental, o foco é a “invenção de saúde”, que significa pensar na 
qualidade de vida da pessoa que está sendo cuidada, criando condições de tratamento 
e de vida digna, considerando a especificidade de cada sujeito na sua história. Todos 
esses preceitos estão representados na Figura 4 que segue.
16
Figura 4 – Representação dos preceitos da dimensão teórico-conceitual
FONTE: https://bhdicas.uai.com.br/luta-antimanicomial-bh/. Acesso em: 18 ago. 2022.
Com relação à dimensão técnico-assistencial, pode-se dizer que ela defendeu 
a existência de três aspectos fundamentais – planejamento das novas estruturas 
assistenciais,tipo de atendimento às diferentes demandas de tratamento e modelo 
de atendimento, tipos de terapia medicamentosa, psicoterápica e de sociabilidade; 
preconizou a substituição do atendimento centrado na hospitalização e no isolamento 
por uma atenção integrada ao indivíduo no seu local de domicílio, em seu território. 
Aqui, o território passa a ser entendido como o lugar social onde tecemos 
nossas referências de vida, onde dominamos os códigos segundo os quais montamos 
nossa rede de relações sociais. Lutou-se pelos direitos dos pacientes e oportunidade de 
participação destes em diferentes espaços na sociedade, bem como pela defesa de que 
o tratamento da doença mental não tem como finalidade a construção de um sujeito ideal, 
completamente “normal”, perfeito, sem problemas, visto a impossibilidade desta ideia 
para qualquer ser humano na sociedade. A atenção psicossocial lida com a subjetividade 
através da singularidade dos sujeitos por meio de atuações transdisciplinares e 
intersetoriais. A Figura 5, a seguir, revela os preceitos dessa dimensão.
17
Figura 5 – Representação dos preceitos da dimensão técnico-assistencial
FONTE: https://www.unijui.edu.br/comunica/institucional/34780-pos-graduacao-em-saude-
mental-tem-carga-horaria-ampliada. Acesso em: 18 ago. 2022.
A dimensão jurídico-política, por sua vez, tece considerações a respeito da 
inimputabilidade do louco; de sua interdição civil; da ideia ultrapassada do fato de ele ser 
louco e, consequentemente, perigoso e incapaz; e sobre a Lei da Reforma Psiquiátrica 
Brasileira (Lei nº 10.216/01). Nela, expressa-se, ainda, a Carta de Direito dos Usuários de 
Saúde Mental. Na Figura 6, há sua representatividade.
Figura 6 – Representatividade da dimensão jurídico-política
FONTE: https://www.amazon.com.br/Dimens%C3%A3o-jur%C3%ADdico-pol%C3%ADtica-
reforma-psiqui%C3%A1trica-brasileira/dp/8559682090. Acesso em: 18 ago. 2022.
18
Por fim, tem-se a dimensão sociocultural, que objetiva transformar o imaginário 
social, lança a proposta de deslocamento da loucura do espaço médico e psicológico 
para os diversos espaços do meio social e preconiza o protagonismo de usuários 
e familiares dos serviços de saúde mental e a criação de associações de usuários e 
familiares, o que pode ser exemplificado na Figura 7, a seguir.
Figura 7 – Ideal da dimensão sociocultural
FONTE: https://bit.ly/3AbGp7g. Acesso em: 21 ago. 2022.
4 SURGIMENTO DOS SERVIÇOS SUBSTITUTIVOS AO 
HOSPITAL PSIQUIÁTRICO
Após a redemocratização, como se está vendo, eventos de natureza científica 
voltados para a discussão de questões a respeito da saúde mental foram se tornando 
cada vez mais comuns. Nos anos de 1987 e 1992, ocorreram, por exemplo, duas 
Conferências Nacionais de Saúde Mental, nas quais muito se debateu sobre novas 
formas de abordagem à loucura e tratamento do doente mental; como também sobre 
a importância de se ter uma atuação multiprofissional nessa área, considerando a 
participação de categorias profissionais como médicos, enfermeiros, psicólogos, 
terapeutas ocupacionais e assistentes sociais (FIGUEIRÊDO; DELEVATI; TAVARES, 2014).
Em 1992, após o Brasil assinar a Declaração de Caracas e após a realização 
da II Conferência Nacional de Saúde Mental, é que passaram a vigorar as primeiras 
normas federais de regulamentação e implantação de serviços alternativos. Esse foi um 
processo fundamental para a área da saúde mental, uma vez que garantiu aos usuários a 
universalidade à assistência, a sua integralidade (CANÔNICO; NEVES; SOUZA et al., 2018).
19
Veja a Declaração de Caracas, documento que marca as reformas na atenção à 
saúde mental no continente americano. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.
br/bvs/publicacoes/declaracao_caracas.pdf.
DICAS
Um dos resultados provenientes das discussões desses eventos, indubitavel-
mente foi o surgimento de serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos, totalmente 
assegurados e regulamentados por normas federais. Os assuntos referentes à saúde 
mental passaram, ainda, a compor pautas de reuniões nas agendas governamentais de 
todas as esferas.
Desde então, os serviços substitutivos ao modelo hospitalocêntrico têm sido 
notadamente fortalecidos com a criação de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), 
Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS), Hospitais-Dia, Centros de Convivência, 
Serviços de Urgência e Emergência Psiquiátrica nos Hospitais Gerais de referência, 
dentre outros.
A princípio, no final da década de 1980 e início da década de 1990, surgiram os 
Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e os Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS). 
O perfil dos usuários prioritariamente atendidos no CAPS, em seus primórdios, está 
descrito no trecho a seguir:
[...] como aquela “sociedade invalidada”, com “formas diferentes 
e especiais de ser”, com “patologias de maior complexidade”, de 
“pessoas que tenham enveredado por um circuito de cronificação”, 
de “pessoas com graus variáveis de limitações sociais” e com “graves 
dificuldades de relacionamento e inserção social” (AMARANTE; 
TORRE, 2001, p. 29).
Ao longo desta unidade, você ainda será apresentado e familiarizado 
com as características dos CAPS, no que diz respeito a sua infraestrutura, 
metodologias de trabalho dos profissionais, serviços ofertados à população 
e seus objetivos.
ESTUDOS FUTUROS
20
O NAPS, por sua vez, adota algumas estratégias cabíveis ao seu funcionamento 
e aos seus objetivos para atenuar a influência da lógica manicomial ao tratamento do 
doente mental. Dentre essas estratégias, é possível citar a regionalização, que visa 
à transformação cultural a partir da coleta de dados de necessidades; o percurso da 
demanda psiquiátrica; diálogo com a comunidade a partir da participação em entidades 
de representação civil na sociedade; e implementação do projeto terapêutico singular 
(AMARANTE; TORRE, 2001).
Como marco importante na luta antimanicomial, tem-se também a atuação do 
deputado federal Paulo Delgado, que lançou a proposta de um Projeto de Lei nº 3657, 
defendendo o fechamento intensivo dos manicômios. Por outro lado, somente a partir 
da década de 2000, mais precisamente no ano de 2001, esse projeto é devidamente 
aprovado, tendo como produto e legado para as ciências da saúde, a promulgação da Lei 
Nacional da Reforma Psiquiátrica, Lei nº 10.216, acarretando mudanças consideráveis na 
forma de abordagem ao cuidado do doente mental. Essa lei previa a proteção e os direitos 
das pessoas portadoras de transtornos mentais (FIGUEIRÊDO; DELEVATI; TAVARES, 
2014). Ainda em 2001, pode-se dizer que a Reforma Psiquiátrica foi consolidada como 
política de governo, na III Conferência Nacional de Saúde.
 A Lei federal nº 10.216 ficou conhecida como Lei Antimanicomial. Ela destaca os seguintes 
direitos do usuário do SUS (CANÔNICO; NEVES; SOUZA et al.; 2018):
I- Ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, de acordo com suas necessidades.
II- Ser tratado com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, 
visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade.
III- ser protegido contra qualquer forma de abuso e exploração.
IV- Ter garantia de sigilo nas informações prestadas.
V- Ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a 
necessidade, ou não, de sua hospitalização involuntária.
VI- Ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis.
VII- receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de 
seu tratamento.
VIII- ser tratado em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis.
IX- Ser tratado, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.
IMPORTANTE
21
Em termos de fortalecimento e medida de apoio nesse contexto, no ano de 
1992 se instituiu a portaria ministerial de nº 224, que defendeu a instalação 
de leitos ou unidades psiquiátricas dentro de hospitais gerais.
FONTE: https://www.saude.mg.gov.br/images/documentos/Portaria_224.pdf. 
Acesso em: 21 ago. 2022.
NOTA
Os serviços substitutivosse caracterizam, portanto, como grandes legados 
da Reforma Psiquiátrica, uma vez que surgiram para implementar alternativas de 
tratamento bastante diversificadas em detrimentos de bases teórico-práticas defasadas 
e inadequadas até então vigentes (HIRDES, 2009).
O atendimento advindo da Reforma Psiquiátrica representou um enorme ganho 
na área de saúde mental, porém é válido salientar que a luta pela implementação do 
que por ela é preconizado tem sido diária, pois muitos cidadãos ainda ignoram suas 
conquistas, travando-se uma problemática ainda presente até hoje.
5 POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE MENTAL NO BRASIL
Após anos de luta para implementar mecanismos de abordagens à loucura e, 
consequentemente, ao tratamento dos doentes mentais, pode-se dizer que apenas ao 
final da década de 1990 houve a concretização de uma nova política nacional de saúde 
mental, que foi pautada nos princípios da Reforma Psiquiátrica e em uma lógica de 
cuidados humanizados.
A Política Nacional de Saúde Mental (PNSM) surge para barrar métodos vergo-
nhosos e extremamente brutais de tratamento na área da psiquiatria. Não se tolerava 
mais o desrespeito e a ínfima qualificação em termos científicos-metodológicos e sociais, 
bem como a falta de empatia com à falta de direcionamento do olhar para o doente men-
tal e a exclusão social ocasionada pelo enclausuramento em ambiente hospitalar.
O estopim da criação e implementação da Política Nacional de Saúde Mental 
foi o Projeto de Lei nº 3657 do deputado federal Paulo Delgado, já supracitado, pois 
objetivava à progressiva extinção dos leitos em hospitais psiquiátricos com consequente 
substituição deles por outros dispositivos do cuidado, que não viessem apenas a somar 
om os já até então existente, mas de fato que os substituísse.
22
Com a ampliação do projeto de lei em questão para a Lei nº 10.216/2001, deu-se 
destaque à criação dos CAPS em suas mais diversas nuances (adulto, infanto-juvenil e 
álcool e drogas) por todo território nacional. Neles, também se passou a valorizar e enxergar 
o espaço para a prática de um trabalho multidisciplinar, fazendo com que os profissionais, 
cada um em sua categoria, estivessem mais próximos dos pacientes ou usuários.
A Política Nacional de Saúde Mental obedece aos princípios do SUS, pois conta 
com a característica de ser política pública. A exemplo desses princípios, está o fato de 
considerar a integralidade do sujeito, assumindo e compreendendo que ele se apresenta 
sob três esferas principais: a biológica, a psicológica e a social. As equipes que trabalham 
nesses dispositivos, no entanto, devem se atentar às questões sociais, uma vez que, 
mais do que nunca, hoje se sabe que elas influenciam positiva ou negativamente o seu 
estado de saúde mental.
Com o advento dessa nova política de saúde mental, estados e municípios 
precisaram também se ajustar no que concerne à adaptação às novas demandas 
impostas pelos serviços substitutivos recém-criados em território nacional.
Apesar de vários avanços, alguns retrocessos parecem querer ressurgir, pois no 
ano de 2017, a Comissão Intergestores Tripartite (CIT) aprovou a Portaria nº 3588, no dia 
21 de dezembro, sem comunicação ou consulta prévia com ninguém que representasse 
a sociedade civil ou algum outro órgão. O retrocesso que a caracteriza se justifica 
pelo fato de propor a desestruturação da lógica de organização da Rede de Atenção 
Psicossocial (RAPS) (VALENTE, 2022).
Alguns dos pontos de alterações sugeridos por essa Portaria foram: a inclusão 
do hospital psiquiátrico na Rede de atenção Psicossocial (RAPS); o aumento do valor 
da diária de internação em hospitais psiquiátricos; o não fechamento do leito com 
a desinstitucionalização do paciente cronificado; o aumento do número de leitos 
psiquiátricos em hospitais gerais de 15% para 20%; o aumento do número mínimo de 
quatro para oito leitos de saúde mental em hospital geral para recebimento de custeio; 
e a exigência de taxa de ocupação de 80% em leitos de saúde mental em hospital geral, 
como condicionante para recebimento de recursos de custeio (ALMEIDA, 2019).
Corroborando com esse retrocesso, o Ministério da Saúde publicou uma nota 
técnica em 2019, anunciando que tais alterações objetivam “tornar a rede assistencial 
mais acessível, eficaz, resolutiva e humanizada, por meio de uma reforma do modelo 
de assistência em saúde mental, que necessitava de aprimoramentos, sem perder a 
essência de respeito à Lei 10.216/01” (BRASIL, 2019).
Não é difícil compreender, portanto, que a interrupção dos serviços substitutivos 
coloca o hospital psiquiátrico novamente no centro do cuidado em saúde mental, o que 
implicará atenuação do acesso a uma atenção de qualidade; elevação de violações de 
direitos humanos e intensificação da marginalização das pessoas com sofrimento de 
natureza mental.
23
Não obstante a todo esse caos, menciona-se, ainda, a criação de Unidades 
Psiquiátricas Especializadas dentro de hospitais gerais e Unidades Ambulatoriais 
Especializadas. Esses serviços revelam um certo grau de importância na lógica do 
cuidado em saúde mental, porém, seguindo a lógica do que se estabelece na nota técnica 
de 2019, eles passariam a funcionar de forma desligada de um território específico, como 
também não estariam matriciados a um CAPS, levando a uma fragmentação do sistema 
e a uma perda da longitudinalidade do cuidado. Tais mudanças ignoram literalmente os 
pilares de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação da saúde, distanciando-se, 
também, dos preceitos da Política Nacional de Saúde Mental (PATEL et al., 2018).
A Figura 8 expressa bem o que se tem visto em termos de manifestos a esse 
retrocesso. As pessoas estão tendo que lutar no grito, ou seja, na marra, fazendo-se ouvir 
por parcela considerável da população, para que não aceitem um retorno ao descaso, ao 
desrespeito, à patologização do transtorno mental e à precificação dos internamentos.
Figura 8 – Expressão da luta contra retrocessos da nota técnica de 2019
FONTE: Valente (2022, s. p.)
6 QUESTÕES ÉTICAS EM SAÚDE MENTAL
É natural, ao falar sobre questões éticas, que se pense imediatamente em toma-
das de decisões, entre escolher o certo e o errado, o bem e o mal, entre a vida e a morte. 
No campo da saúde, de uma forma geral, a tomada de decisões faz parte da prática dos 
profissionais que nela trabalham e, mais especificamente, dos enfermeiros, que necessi-
tam se manter no nível mais elevado dos princípios legais e éticos de sua profissão.
24
No momento em que existe uma legislação determinando o que é correto ou 
bom dentro de uma vida em sociedade, faz-se necessário conhecer esses conceitos, 
inclusive atrelados à prática de enfermagem em saúde mental, uma vez que tal 
entendimento tende a aumentar a qualidade da assistência prestada ao paciente por 
esta categoria profissional, bem como a conferir-lhe o respaldo suficiente perante o 
exercício de suas obrigações legais.
Alguns conceitos importantes e fundamentais precisam ser aqui expostos: ética, bioética, 
valores, comportamento moral e direito. Eles serão definidos nesta ordem, sequencialmente. 
A ética é o ramo de ciência humana que se detém ao estudo das tratativas de abordagens 
sistemáticas que diferenciam comportamentos entre certo e errado (BUTTS; RICH, 2008). 
Quando esses princípios precisam ou são, de fato, aplicados nas ciências da 
saúde, onde se inclui a enfermagem, tem-se a consideração da bioética. 
Comportamento moral que, por sua vez, pode ser definido como o respeito 
básico que cada pessoa tem por outra dentro de uma sociedade, o que 
engloba a consciência de até onde vão certos limites para se ter uma 
convivência harmoniosa e pacífica (PAPPAS, 2006). Já os valores são crenças 
pessoais sobre o que se considera importante e se tem como desejável 
(BUTTS; RICH, 2008). Por fim, um direito se consiste em uma reivindicação 
legalmente reconhecida, que a sociedade concordou e formalizou em lei 
(LEVY; RUBENSTEIN, 1996).
NOTA
Existem, também, alguns princípiosque proporcionam a capacidade de tomada 
de decisões éticas, levando em consideração determinadas diretrizes. Dentre as 
principais diretrizes compreendidas como considerações éticas, citam-se o utilitarismo, o 
kantismo, a ética cristã, o direito natural, o egoísmo ético, o dilema ético. Nos próximos 
parágrafos, serão abordadas considerações a respeito de cada um deles.
• O utilitarismo, de acordo com Towsend (2017), é considerado uma espécie de princípio 
de maior felicidade, ou seja, defende a ideia de que as atitudes são corretas quando 
tendem a promover felicidade; ao passo que são erradas quando tendem a causar o 
contrário da felicidade. Uma decisão ética baseada no utilitarismo tem por objetivo os 
resultados que ela vai acarretar, ou melhor, a ação é realizada tendo-se por fundamento 
os resultados que produzem maior felicidade para a maioria das pessoas.
• O Kantismo, por sua vez, já corresponde ao oposto do utilitarismo quando defende 
que a motivação sobre a qual a ação se baseia representa o fator moralmente decisivo 
para que ela seja certa ou errada; e não as consequências ou seus resultados. 
Geralmente é uma teoria entendida e considerada como uma deontologia, pois as 
decisões são tomadas com base no que é moralmente aceito e obrigatoriamente 
deve ser cumprido.
25
• A ética cristã fundamenta-se na maneira de viver e nos ensinamentos de Jesus 
Cristo. Um de seus ensinamentos clássicos é o fato de fazer aos outros o que se 
gostaria que fizessem com você, concentrando-se no amor de Deus, no seu perdão 
e na honestidade. Já o direito natural se baseia nos ensinamentos de São Tomás de 
Aquino, afirmando que, na condição de ser humano racional, Deus concedeu a cada 
um o saber sobre a diferença entre o bem e o mal, o certo e o errado.
• Egoísmo ético preconiza a defesa da tomada de decisão baseada nas ações de 
um indivíduo que sejam mais vantajosas para ele, não podendo a ação ser melhor 
para nenhuma outra pessoa. Por fim, um dilema ético é a situação que requer que o 
indivíduo tome sua decisão entre duas possibilidades igualmente desfavoráveis.
A partir de agora serão aqui pontuados princípios da bioética que devem ser 
considerados pelos profissionais da saúde em sua prática profissional quando se tem 
que agir tomando decisões. Eles são autonomia, beneficência, não maleficência, justiça 
e veracidade.
• A autonomia é aquele princípio que considera até o último instante a faculdade 
mental de uma pessoa, ou seja, seu autopoder decisório de realizar escolhas sobre 
seu processo saúde-doença. Quando o paciente não tiver poder responsivo (criança, 
indivíduo comatoso e doente mental grave), os representantes legais desses 
pacientes precisam consentir a realização de procedimentos assistenciais a serem 
neles realizados.
• A beneficência é o princípio que consiste em proporcionar apenas o bem de outra 
pessoa. Dessa forma, o profissional de saúde que atua atendendo os interesses de 
seus pacientes é dito beneficente. 
• A não maleficência é o oposto da beneficência, pois se conceitua em como evitar 
fazer o mal, intencionalmente ou não, ao seu paciente (AIKEN, 2004).
• A justiça exprime o dever que cada cidadão tem de tratar todas as pessoas sem 
fazer-lhes acepção alguma, ou seja, de forma igual e justa, de fato. No campo da 
saúde isso deve ser visto mediante a distribuição igualitária de todos os recursos 
disponíveis para proporcionar o melhor cuidado possível aos cidadãos da população. 
• O princípio da veracidade, por sua vez, refere-se ao dever de uma pessoa ser 
sempre verdadeira. No caso de um profissional da saúde, estes precisam entender 
e implementar o fato de que os pacientes têm o direito de saber seu diagnóstico, 
tratamento e prognóstico.
Com o intuito de exemplificar a tomada de decisões éticas na prática de um 
profissional de saúde, será explanado um estudo de caso, a seguir.
26
ESTUDO DE CASO
Estudo de caso para tomada de decisões éticas. 
Etapa 1 – Avaliação 
Tonja tem 17 anos e atualmente encontra-se na unidade psiquiátrica com o 
diagnóstico de transtorno de conduta. Tonja relata que é sexualmente ativa desde 
os 14 anos. Ela fez um aborto quando tinha 15 anos e um segundo aborto apenas 
há seis semanas atrás. Ela afirma que a mãe lhe disse que “fez seu último aborto” e 
que ela tem que começar a tomar pílula anticoncepcional. Ela pede a sua enfermeira, 
Kimberly, que lhe informe sobre as pílulas e como consegui-las. Kimberly acredita 
que Tonja precisa muito de informações sobre pílulas anticoncepcionais e sobre 
outros tipos de contraceptivos, porém a unidade psiquiátrica é parte de um hospital 
católico e a política desse hospital proíbe a propagação desse tipo de informação.
Etapa 2 – Identificação do problema 
Existe um conflito entre a necessidade de informação da cliente, o desejo 
da enfermeira de dar tais informações e a política da instituição que proíbe a 
disseminação de dessas informações.
Etapa 3 – Alternativas benefícios e consequências
Alternativa 1: informar à cliente e se arriscar a perder o emprego.
Alternativa 2: não informar à cliente e comprometer os próprios valores de 
enfermagem holística.
Alternativa 3: encaminhar a cliente para outra fonte fora do hospital e arriscar-se a 
uma repreensão do supervisor.
Etapa 4. Considerar princípios de teorias éticas
Alternativa 1: informar à cliente que, certamente, respeitaria a sua autonomia e a 
beneficiaria por diminuir sua probabilidade de engravidar novamente. Não seria o 
melhor para Kimberly, pois ela provavelmente perderia seu emprego. E, de acordo 
com o ponto de vista do hospital católico, as leis naturais de Deus seriam violadas.
Alternativa 2: não informar restringe a autonomia da cliente. Tem o potencial lesivo 
em que, sem o uso de contraceptivos, a cliente pode engravidar novamente (e ela 
deixa transparecer que não é o que deseja). A ética cristã de Kimberly é violada 
porque esta ação não é o que ela gostaria que “lhe fizessem”.
Alternativa 3: um encaminhamento respeitaria a autonomia da cliente, promoveria o 
bem, não seria lesivo (exceto talvez para o ego de Kimberly pela possível repreensão) 
e essa decisão estaria de acordo com a ética cristã de Kimberly.
27
Etapa 5. Selecionar uma alternativa
A alternativa 3 é selecionada com base nas teorias éticas do utilitarismo (fazer o 
máximo de bem para o maior número de pessoas), a ética cristã (crença de Kimberly 
de “fazer aos outros o que gostaria que os outros lhe fizessem”), o kantismo (fazer seu 
dever) e os princípios éticos de autonomia, beneficência e não maleficência. O sucesso 
dessa decisão depende do acompanhamento da cliente com o encaminhamento e a 
adesão ao uso dos anticoncepcionais.
Etapa 6. Agir e comunicar
Agir envolve informar por escrito à Tonja, talvez, fazendo um telefonema e marcando 
um horário para ela no consultório Planned Parenthood [Paternidade/Maternidade 
Planejada]. A comunicação sugere compartilhar informações com a mãe de Tonja. 
A comunicação também inclui documentação do encaminhamento no prontuário 
da cliente.
Etapa 7. Avaliar o resultado
O resultado aceitável indicaria que Tonja de fato compareceu à consulta no Planned 
Parenthood e está seguindo o esquema contraceptivo prescrito. Também poderia 
incluir a iniciativa de Kimberly no processo de mudança na sua instituição a fim 
de implementar esses tipos de encaminhamentos para outras clientes que deles 
necessitassem. Um desfecho inaceitável seria indicado por Tonja não comparecer à 
consulta no Planned Parenthood ou por ela não usar os contraceptivos, resultando 
em nova gravidez. Kimberly também pode se deparar com uma repreensão do 
supervisor como um resultado inaceitável, particularmente se lhe falarem que ela 
deverá selecionar alternativas caso a mesma situação ocorra no futuro. Isso pode 
motivar Kimberly a tomar outra decisão, procurar emprego em uma instituição que 
apoie uma filosofia mais compatível com a sua própria.
FONTE: TOWSEND, M. C. Enfermagem psiquiátrica: conceitos de cuidados na práticabaseada em evidências. 7. ed. [Reimpr.]. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
Dando-se seguimento nas questões éticas, é chegado o momento de 
considerá-las, especificamente, no contexto do campo da saúde mental. Dessa forma, é 
imprescindível mencionar antecipadamente que os portadores de transtornos mentais 
são dotados de proteção e direitos, em conformidade com o modelo assistencial em 
saúde mental vigente no Brasil (BRASIL, 2001).
No que tange aos principais direitos do paciente, consideram-se os seguintes: 
acesso ao melhor tratamento no sistema de saúde, conforme suas necessidades; 
benefício para sua saúde e garantia de sua inserção na família, trabalho e comunidade; 
proteção contra abuso e exploração; garantia de sigilo; acesso aos meios de 
comunicação; orientações sobre sua doença e tratamento; tratamento em ambiente 
terapêutico e realizado, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental 
(MELLO, 2008).
28
Alguns pontos específicos merecem destaque. Um deles diz respeito ao direito 
de recusa de medicação. Na psiquiatria, as consequências clínicas desta ação podem 
abranger internação involuntária, audiência de competência legal ou alta do paciente. 
Isso significa que o princípio da autonomia impera, na área de psiquiatria existem 
algumas limitações, a saber:
A equipe de tratamento deve determinar que três critérios sejam 
satisfeitos para forçar medicação sem o consentimento do cliente. 
Este deve exibir comportamento perigoso para si ou para outrem; a 
medicação prescrita pelo médico deve ter uma possibilidade razoável 
de ajudar o cliente; e os clientes que recusam a medicação precisam 
ser julgados incompetentes para avaliar os benefícios do tratamento 
em questão (WEISS-KAFFIE; PURTELL, 2001, p. 361).
Com relação aos tipos de internação autorizados na psiquiatria, existem três 
principais: 
• a voluntária, que se caracteriza por ocorrer em concordância do paciente, que assina 
um termo de consentimento e pode solicitar alta do dispositivo caso deseja; 
• a involuntária, que ocorre por solicitação de terceiros, sem consentimento da pessoa, 
devendo o Ministério Público Estadual ser comunicado dentro de 72 horas; e
• a compulsória, que é determinada pela justiça (BRASIL, 2001).
Outro ponto específico de destaque é o direito do portador de transtorno mental 
à alternativa de tratamento minimamente restritivo. Os pacientes podem ser tratados em 
nível ambulatorial, em hospitais-dia ou por hospitalizações através dos internamentos; 
mas o nó crítico parece surgir quando se tem que decidir entre uma intervenção de 
tratamento medicamentoso involuntário, reclusão e restrições mecânica ou terapia 
eletroconvulsiva. Diante disso, afirma-se:
A distinção entre essas intervenções com base na restrição mostra-
se um exercício puramente subjetivo carregado com tendências 
pessoais. Além disso, cada uma dessas três intervenções é, ao 
mesmo tempo, mais ou menos restritiva do que as outras duas. Não 
obstante, deve-se esforçar para pensar em termos de restritividade 
ao se decidir como tratar pacientes (SADOCK; SADOCK, 2007, p. 1376).
Com relação ao tratamento a ser realizado em ambiente hospitalar, no caso 
brasileiro se consideram diretrizes e normas preconizadas e estabelecidas por uma 
portaria ministerial. Esta define o hospital psiquiátrico como o espaço, cuja maioria 
de leitos é destinada aos tratamentos psiquiátricos especializados, em regime de 
internação; estabelece que ele deve articular-se com a rede comunitária de saúde 
mental e estar situado no mesmo território da porta de entrada; ele não deve conter 
espaços restritivos (celas fortes); defende a inviolabilidade de comunicação do paciente 
29
e o registro semanal dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos em prontuário 
único, sendo a anotação da equipe de enfermagem diária. O paciente deve receber 
atendimento semanal de pelo menos um profissional conforme seu plano terapêutico 
(BRASIL, 2002).
Ainda em conformidade com a Portaria do Gabinete Ministerial nº 251/2002, 
tem-se que as modalidades de atendimento individual correspondem ao medicamen-
toso, à psicoterapia breve, à terapia ocupacional, principalmente; ao passo que as 
modalidades de atendimento grupal correspondem ao grupo operativo, psicoterapia 
em grupo, atividades socioterápicas, dentre outras. A garantia da longitudinalidade do 
cuidado deve ser implementada após o preparo para alta, e seu projeto terapêutico 
singular encaminhado para a instituição de referência. A família precisa ser esclareci-
da sobre a doença e os aspectos relativos ao tratamento. Há obrigatoriedade da pre-
sença de uma sala de intercorrências clínicas com insumos suficientes e necessários 
(cama Fowler, oxigênio, aspirador de secreções, vaporizador, nebulizador, bandeja de 
curativo e carrinho de parada cardiorrespiratória), bem como, de área externa para 
lazer e prática de esportes.
Por fim, a portaria supracitada ainda divulga que o quadro mínimo de pessoal 
assistencial para hospitais psiquiátricos deve ser: um médico plantonista nas 24 
horas; um enfermeiro, das 19h às 7h, para cada 240 leitos; um médico para cada 40 
pacientes; um enfermeiro para cada 40 pacientes; um assistente social, um psicólogo, 
um terapeuta ocupacional para cada 60 pacientes; quatro técnicos de enfermagem 
para cada 40 leitos; um clínico geral para cada 120 pacientes; e um nutricionista e um 
farmacêutico para cada 240 leitos.
Em âmbito internacional, no ano de 1980, foi aprovada a Lei de Sistemas de 
Saúde Mental nos Estados Unidos. Ela inclui uma carta de direitos para pacientes 
psiquiátricos como mostra a Quadro 1 a seguir.
Quadro 1 – Carta de direitos para pacientes psiquiátricos
Direito de tratamento apropriado e serviços relacionados em um ambiente de apoio máximo e 
mínima restrição à liberdade pessoal.
Direito à individualização, com tratamento ou plano de serviços descritos; direito a tratamento 
com base em tal plano; e direito à revisão periódica e restabelecimento do plano com base nas 
necessidades de tratamento.
Direito, compatível com a capacidade de cada um, de participar e de receber uma explicação 
razoável dos cuidados e do processo de tratamento.
Direito de recusar tratamento, exceto em uma emergência ou conforme permitido por lei.
Direito de não participar de experimentação sem consentimento informado voluntário e por escrito.
Direito à liberdade sem restrição ou reclusão, exceto em emergência.
30
O direito a um tratamento humanizado que proporcione proteção razoável contra lesão e 
privacidade adequada.
Direito à confidencialidade de registros clínicos (também aplicável após a alta do paciente).
Direito a acesso aos prontuários médicos, exceto informações recebidas de terceiros sob 
promessa de confidencialidade e quando o acesso seria prejudicial à saúde do paciente 
(também aplicável sucedendo a alta do paciente)
Direito de acesso ao uso do telefone, correio postal e visitas, a menos que considerados 
inadequados para os fins de tratamento.
Direito de ser informado sobre esses direitos em linguagem compreensível.
Direito de registrar reclamações se os direitos forem infringidos.
Direito a encaminhamento, conforme adequado, a outros provedores de serviços de saúde 
mental após alta.
Fonte: EUA (1980, p. 1564)
Dentro desta carta, há a inclusão do direito à liberdade de contenção ou reclusão, 
exceto em emergências. Esse ponto tem sido gerador de bastante polêmica, uma vez 
que muitos esforços têm sido implementados nas alçadas federais e estaduais, com 
o intuito de atenuar ou eliminar seu uso. Durantes algumas tentativas de uso, houve 
casos de lesões e até de óbito, fazendo com que seja requerida atenção cuidadosa em 
sua utilização (TOWSEND, 2017).
O significado do termo contenção afirma que se consiste numa técnica de 
aplicação de um conjunto de tiras de couro ou de faixas de material ortopédico ou ainda 
medicações para conter os membros de um indivíduo, cujo comportamento esteja 
fora do controle e que represente riscopara a segurança física de si mesmo e para os 
demais que estiverem em seu entorno, incluindo profissionais que estejam ofertando 
assistência. Por outro lado, a reclusão é um tipo de contenção física em que o paciente 
é confinado sozinho em uma sala através da qual ele não consegue sair. Sendo assim, 
padrões específicos relacionados ao uso de reclusão e contenção foram estabelecidos 
por entidades que realizam processo de acreditação hospitalar. Alguns exemplos 
incluem (THE JOINT COMMISSION, 2010):
Reclusão ou contenção é suspensa no menor tempo possível, independentemente 
de quando a ordem está agendada de expirar; a menos que a lei estadual seja mais 
restritiva, as ordens para conter ou colocar em reclusão devem ser revistas a cada 
4h para adultos com 18 anos de idade ou mais, a cada duas horas para crianças e 
adolescentes com idade entre 9 e 17 anos e de hora em hora para crianças com menos 
de 9 anos. As ordens devem ser revistas de acordo com esses limites de tempo para um 
máximo de 24 horas consecutivas; uma avaliação pessoal (por um médico, psicólogo 
clínico ou outro profissional independente graduado e responsável pelos cuidados do 
paciente) deve ser conduzida em até 1 hora de início da contenção ou da reclusão. 
31
Enfermeiras e médicos assistentes devidamente treinados também podem conduzir essa 
avaliação, mas precisam consultar o médico responsável; os pacientes que estiverem 
simultaneamente contidos e reclusos deverão ser monitorados continuamente pela 
equipe treinada, seja pessoalmente, seja por meio de equipamento de áudio ou vídeo, 
posicionado próximo do paciente; a equipe envolvida na contenção e na reclusão de 
pacientes deve ser treinada para monitorar o bem-estar físico e psicológico do paciente, 
incluindo (mas não limitado a) status respiratório e circulatório, integridade cutânea e 
sinais vitais.
32
Neste tópico, você aprendeu:
• A diferença entre saúde mental e doença mental, compreendendo que ambos são inti-
mamente relacionados pelo equilíbrio-desequilíbrio do processo saúde-doença e seus 
fatores condicionantes e determinantes de saúde que influenciam a vida do indivíduo. 
• A definição e o entendimento sobre a loucura, termo considerado hoje pejorativo, 
mas muito utilizado ao longo dos séculos para a designação ou referência à pessoa 
com problemas de doença mental e tudo o que dizia respeito a sua abordagem. 
• Como esse histórico recebeu diversas críticas por ser inadequado, foi inevitável a 
ocorrência de uma Reforma Psiquiátrica no mundo e no Brasil. 
• Esse movimento foi bastante influenciado por escolas de corrente de pensamento 
alienista (francês), que preconiza um tratamento diferenciado para a loucura; e 
organicista (alemão), que se propunha a colocar o doente mental em posição de 
objeto de investigação. 
• A partir dessa reforma, os hospitais psiquiátricos, que inicialmente foram construídos 
como espaços anexos das santas casas de misericórdia, deixaram de ser o foco do 
local de tratamento do doente mental, cedendo lugar aos vários tipos de serviços 
substitutivos como os Centros de Atenção Psicossocial.
• Após anos de luta, foram implementadas políticas públicas na área de saúde mental, 
bem como elencados preceitos de dimensão ética a serem considerados neste 
campo de atuação.
RESUMO DO TÓPICO 1
33
AUTOATIVIDADE
1 O cuidado em saúde mental deve obedecer a mesma ótica do cuidado em qualquer 
outra área da saúde, que considera o ser humano como sendo um indivíduo. Diante 
deste excerto, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Biopsíquico.
b) ( ) Biossocial.
c) ( ) Biopsicossocial.
d) ( ) Psíquicosocial.
2 Definida pela OMS como o estado de bem-estar físico, mental e social, a saúde pode 
ainda ser mais especificada quando o ser humano se encontra apto a responder 
adequadamente pelos seus atos e a enfrentar eventos estressores em seu cotidiano. 
Neste caso, ela é designada de:
a) ( ) Doença mental.
b) ( ) Saúde mental.
c) ( ) Saúde espiritual.
d) ( ) Saúde social.
3 Os espaços anexos das santas casas de misericórdia serviram como primeiros locais 
para o cuidado ao indivíduo com problemas mentais. O modelo de cuidado em saúde 
mental resultante dessa iniciativa e que sofreu duras críticas, culminando na Reforma 
Psiquiátrica, chama-se:
a) ( ) Substitutivo.
b) ( ) Hospitalocêntrico.
c) ( ) Transitório.
d) ( ) Escalonado.
4 O dispositivo hospitalar foi conquistando espaço e notoriedade no que dizia respeito 
ao tratamento do doente mental, fazendo jus ao conceito do termo hospitalocêntrico, 
cujo significado é que o hospital passou a delimitar o centro desse cuidado. Cite três 
críticas que foram realizadas ao modelo hospitalocêntrico.
5 É natural, ao falar sobre questões éticas, que se pense imediatamente em tomadas 
de decisões, entre escolher o certo e o errado, o bem e o mal, entre a vida e a morte. 
No campo da saúde, de uma forma geral, a tomada de decisões faz parte da prática 
dos profissionais que nela trabalham e, mais especificamente, dos enfermeiros, que 
necessitam se manter no nível mais elevado dos princípios legais e éticos de sua 
profissão. Diante disso, disserte um pouco sobre questões éticas relativas aos direitos 
dos usuários em saúde mental.
34
35
MODELO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 
Um modelo de atenção é uma forma de organização elencada para padronizar 
as técnicas, as tecnologias e o processo de trabalho de maneira igualitária com 
determinado ideário ético-político (MERHY, 1998). No caso da área de saúde mental, 
o modelo de atenção psicossocial é aquele que mais se assemelha a uma perspectiva 
de saúde que atenda aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito 
de equidade, universalidade, integralidade, participação, defesa de direitos humanos, 
cuidado em liberdade, e não criminalização de usuários de drogas (CAMPOS, 1992).
Com o intuito de compreender este modelo relativamente recente, será inserida 
aqui Quadro 2, que se trata de um quadro comparativo entre esse modelo e o modelo 
de atenção asilar, que perdurou por vários séculos da história de vida da psiquiatria. 
Alguns quesitos como organização do processo de trabalho, incluindo objeto e meios 
de trabalho, cenários de campo prático, organização institucional, relacionamento com 
o usuário, finalidade e efeitos terapêuticos e éticos são de suma importância para essa 
compreensão (COSTA-ROSA, 2000).
Quadro 2 – Quadro comparativo entre modelo de atenção asilar e psicossocial 
MODELO ASILAR MODELO PSICOSSOCIAL
OBJETO DE TRABALHO Doença/Transtorno mental Sofrimento/Existência
MEIOS DE TRABALHO
Recursos multiprofissionais
Divisão tradicional e 
fragmentada do trabalho em 
saúde
Médico-centrado
Medicação e controle 
disciplinar como principais 
instrumentos de trabalho
Recursos multiprofissionais
Integração dos processos de 
trabalho
Centralidade no usuário
Técnico de referência (função 
intercessora e facilitação de 
vínculos)
Conjunto amplo de dispositivos 
de reintegração sociocultural
CENÁRIO DE PRÁTICAS Hospital psiquiátrico Serviços territoriais abertos
36
ORGANIZAÇÃO 
INSTITUCIONAL 
(RELAÇÕES INTRA-
INSTITUCIONAIS)
Organogramas piramidais ou 
verticais
Amálgama entre poder 
decisório e de coordenação
Estratificações de poder e saber
Organograma horizontal
Diferenciação entre poder 
decisório e de coordenação
Horizontalização das relações de 
poder
Ênfase à participação popular
RELACIONAMENTO COM A 
CLIENTELA
Instituição como lócus 
depositário da clientela 
potencial
Interdição de espaços aos 
usuários e população geral
Interdição do diálogo
Reprodução de relações 
intersubjetivas verticais
Espaços de interlocução 
horizontais
Suporte transferencial 
compatível com a singularidade
FINALIDADE Cura
Subjetivação da queixa
Desospitalização
Desmedicalização
Implicação subjetiva e 
sociocultural
EFEITOS TERAPÊUTICOS 
E ÉTICOS (FINS POLÍTICOS 
E SOCIOCULTURAIS)
Supressão sintomática
Cronificação
Reposicionamentosubjetivo
Reinserção sociocultural
 Fonte: Adaptado de Costa-Rosa (2000)
2 DETERMINANTES EM SAÚDE MENTAL
Falar em determinantes em saúde mental remete a alguns aspectos da saúde 
pública, o que não deixa de fazer sentido, já que as políticas públicas na área de 
saúde mental também estão, após anos de luta, inseridas no panorama do Sistema 
Único de Saúde (SUS). Existe um ramo da saúde pública, a Epidemiologia, que estuda 
detalhadamente os chamados fatores determinantes e condicionantes de saúde. Esses 
fatores, conjuntamente considerados nos setores que regem a vida em sociedade, 
podem influenciar positiva ou negativamente o processo saúde-doença dos indivíduos, 
desde que eles estejam mais ou menos expostos a alguns deles.
Em termos conceituais, portanto, os determinantes sociais são tidos como 
pressupostos que se equiparam a situações de vida e de trabalho das pessoas, 
individualmente falando, ou delas em coletividades com suas condições de saúde, 
37
considerando suas vertentes sociais, econômicas, culturais, étnico/raciais, psicológicas e 
comportamentais que, de fato, influenciam a ocorrência de problemas de saúde e seus 
fatores de risco nas populações (BOSI et al., 2014).
Assim, os determinantes em saúde mental são motivo de preocupação da 
Organização Mundial da Saúde (OMS), uma vez que podem elevar de forma considerável 
as doenças de natureza mental. Fatores psicológicos podem ser preditores do 
desenvolvimento de transtornos mentais. A pobreza, a dependência de uma economia 
baseada no dinheiro, altos níveis de violência, reduzido apoio social, a migração, que 
resulta frequentemente em altos índices de desemprego, os conflitos, as guerras e a 
inquietação social são também para a Organização Mundial da Saúde fatores sociais 
altamente associados a taxas elevadas de problemas de saúde mental, o que requer 
maiores estudos de aprofundamento (OMS, 2001).
No que diz respeito aos determinantes biológicos, citam-se fatores genéticos, 
idade e gênero, principalmente. Os primeiros influenciam o processo saúde-doença na 
saúde mental induzindo alterações químicas no cérebro, alterando comportamentos, 
a forma de se vivenciar emoções e a expressão de algumas doenças psiquiátricas. A 
idade, epidemiologicamente falando, está associada ao desenvolvimento de transtornos 
mentais, tendo grande parte deles início entre o final da puberdade e o início da fase 
adulta; mas, alguns casos se apresentam desde a infância e outros em idades mais 
avançadas. O gênero se relaciona com o desenvolvimento de transtornos mentais com 
grandes divergências, pois alguns casos são mais prevalentes no sexo masculino, como 
a esquizofrenia; ao passo que outros são mais prevalentes no sexo feminino, como a 
depressão. Para alguns outros transtornos, como o Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) a 
distribuição entre os gêneros é semelhante. A Figura 9 traz imagens representativas 
desses determinantes, respectivamente.
Figura 9 – determinantes biológicos (genético, idade, gênero)
FONTE: Adaptado de https://www.marianasaadeh.com.br/determinantes-saude-mental. 
Acesso em: 19 ago. 2022.
38
Os determinantes sociais, por sua vez, são representados pela renda, pela 
educação, pela estrutura familiar e pelo trabalho, principalmente. A relação entre renda 
e doença mental é bastante conhecida e prevalente, uma vez que alguns quadros 
específicos estão fortemente imbricados a condições econômicas desfavoráveis. 
Alguns transtornos mentais graves são provenientes de uma situação de baixa renda 
familiar, tais como a tentativa de suicídio e a depressão pós-parto. O cesso à educação 
se associa a melhores níveis de saúde mental, pois experiências positivas nesse ramo 
contribuem para bons resultados acadêmicos e escolares. No que tange à estrutura 
familiar, sabe-se que quanto menos harmoniosa ela for, e consequentemente mais 
conturbada, funciona como fator de risco direto para o desenvolvimento de transtornos 
mentais e comportamentos agressivos na fase adulta da vida; o mesmo raciocínio é 
válido para os mais variados tipos de relacionamentos. 
A interligação entre o trabalho e a saúde mental é inegável apesar de complexa. 
Em geral o trabalho remunerado contribui para o bem-estar e para a saúde mental 
individual, não só por compor parte da renda, mas também por promover satisfação, 
sentido e propósito para alguns. No entanto, algumas vezes, o trabalho pode representar 
uma sobrecarga de stress e uma ameaça à saúde mental das pessoas. Situações de 
violência, falta de reconhecimento, cargas de trabalho excessivas, ausência de suporte 
social, isolamento, assédio e incerteza são fatores de risco bem descritos. O desemprego 
também está fortemente ligado ao desenvolvimento de problemas mentais, por 
causar estresse, ansiedade e outros distúrbios. As representações simbólicas desses 
determinantes são apresentadas na Figura 10.
Figura 10 – Determinantes sociais (renda, trabalho, relacionamentos, estrutura familiar e educação)
FONTE: Adaptado de https://www.marianasaadeh.com.br/determinantes-saude-mental. 
Acesso em: 19 ago. 2022.
39
3 DISPOSITIVOS PARA TRATAMENTO EM SAÚDE MENTAL
Dispositivos de cuidado representam possibilidades de investidas, processos 
ou serviços capazes de realizar reabilitação e reinserção social ao sujeito portador de 
transtorno mental. Dessa forma, é possível admitir que estão ou são relacionados à 
saúde mental, quando se sabe que os usuários experimentam vivências nesses locais 
dentro do território, alcançando bem-estar e diminuindo seu sofrimento (SOUZA, 2011).
Esses dispositivos requerem, para seu melhor funcionamento, uma conforma-
ção em rede, a fim de que o usuário possa ser atendido em suas demandas de saúde 
com foco nos princípios do SUS, tais como integralidade, multidisciplinaridade e criação 
de vínculo (PEIXOTO; MEIRA; SANTOS et al., 2017).
Dentre os dispositivos a serem caracterizados nesta unidade, citam-se: Centros 
de Atenção Psicossocial (CAPS), Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), Centros de 
Convivência e Cultura, Comunidades Terapêuticas, Unidades de Acolhimento (UA) e os 
Leitos de Atenção Integral (em Hospitais Gerais e nos CAPS III), Hospital-dia, e Equipes 
de Consultório de Rua.
Na alçada da Atenção Básica, existem os Centros de Convivência e Cultura 
(CECCO), que são considerados dispositivos cuja atuação se dá, principalmente, com 
foco na promoção de saúde e nos processos de reabilitação psicossocial através do 
estabelecimento de espaços de convívio sociabilidade, produção e intervenção na 
cultura e na cidade. Neles, o que se oferta são atividades criativas e diferenciadas 
relacionadas às questões culturais, sendo as oficinas terapêuticas seu eixo de 
organização. As oficinas podem ser bastante variadas, como: artes plásticas (desenho, 
pintura, gravura, papel marchê, mosaico, cerâmica, artes visuais), oficinas de música, 
artes cênicas, dança, teatro, artesanato (bordado, costura, tapeçaria), esportivas, 
culinária e horta (CANÔNICO; NEVES; SOUZA et al., 2018). A Figura 11 a seguir retrata 
usuários em uma oficina terapêutica.
 Figura 11 – Oficina terapêutica em entro de convivência e cultura
FONTE: https://www.otaboanense.com.br/centro-de-convivencia-e-cultura-de-taboao-da-serra-inicia-
campanha-seja-um-doador/. Acesso em: 19 ago. 2022.
40
Considerando-se, agora, a Atenção Psicossocial, existem os Centros de Aten-
ção Psicossocial (CAPS), que consistem em espaços de serviços de abordagem comu-
nitária e aberto do SUS que oferta cuidado a pessoas que estão sendo acometidas por 
sofrimentos psíquicos diversos, especificamente os transtornos metais mais graves e 
recorrentes. Neles, as intervenções implementadas consideram a inserção familiar e a 
confecção do projeto terapêutico singular, respeitando-se o princípio ético da autono-
mia e o princípio moral de cidadania, atenuando a marginalização da loucura.
É conveniente acrescentar aqui que os CAPS são subdivididos em algumas modalidades 
conforme critérios específicos (CANÔNICOet al., 2018). Eis as modalidades de CAPS:
• CAPS I: atende a pessoas com transtornos mentais graves e persistentes e com 
necessidades decorrentes do uso de crack, álcool ou outras drogas de todas as faixas 
etárias; indicado para municípios com população entre 20 mil e 70 mil habitantes.
• CAPS II: atende a pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, podendo 
também atender a pessoas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool ou 
outras drogas, conforme a organização da rede de saúde local; indicado para municípios 
com população entre 70 mil e 200 mil habitantes.
• CAPS III: atende a pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. Proporciona 
serviços de atenção contínua, com funcionamento 24 horas, incluindo feriados e finais de 
semana, ofertando retaguarda clínica e acolhimento noturno a outros serviços de saúde 
mental, inclusive CAPS-Ad; indicado para municípios ou regiões com população acima de 
duzentos mil habitantes.
• CAPS-AD: atende a adultos ou crianças e adolescentes, considerando as normativas do 
Estatuto da Criança e do Adolescente, com necessidades decorrentes do uso de crack, 
álcool ou outras drogas. Serviço de saúde mental aberto e de caráter comunitário; 
indicado para municípios ou regiões com população acima de setenta mil habitantes;
• CAPS-AD III: atende a adultos ou crianças e adolescentes, considerando as 
normativas do Estatuto da Criança e do Adolescente, com necessidades 
de cuidados clínicos contínuos. Serviço com no máximo doze leitos para 
observação e monitoramento, de funcionamento 24 horas, incluindo 
feriados e finais de semana; indicado para municípios ou regiões com 
população acima de duzentos mil habitantes;
• CAPS Infantojuvenil: atende a crianças e adolescentes com transtornos 
mentais graves e persistentes e os que fazem uso de crack, álcool ou outras 
drogas. Serviço aberto e de caráter comunitário; indicado para municípios 
ou regiões com população acima de cento e cinquenta mil habitantes.
ATENÇÃO
41
A partir das classificações dos tipos de CAPS supracitadas, termos 
semelhantes, mas com definições diferentes apareceram naturalmente. 
Você sabe, por exemplo, diferenciar hospitalidade noturna de internação?
Pois bem, o primeiro se caracteriza por um suporte em momentos de crise 
ou vulnerabilidade de um usuário, ficando em permanência de tempo 
integral o CAPS por um período aproximado de até duas semanas. Durante 
esse tempo, ele recebe acompanhamento e monitoração constantes, 
evitando-se uma internação propriamente dita, que é o segundo dos 
termos em questão.
INTERESSANTE
Por fim, as principais atividades realizadas dentro dos CAPS são: atendimentos 
em grupo; atendimentos em oficinas terapêuticas; atividades externas coletivas; 
medicação supervisionada e atendimento à desintoxicação; ações de matriciamento 
com visitas domiciliares e discussão de casos; atendimentos aos familiares; reuniões e 
supervisões institucionais e acompanhamento às Unidades de Acolhimento (UAA). Veja 
nas Figuras 12, 13 e 14, a seguir, respectivamente, a estrutura física da fachada de um 
CAPS, o passo a passo de atendimento psicossocial inicial e em situações de crise.
O enfermeiro, dentro dos CAPS, adota uma atuação profissional pautada na 
subjetividade dos usuários. A depender do perfil destes, o enfermeiro pode ofertar 
tratamento na forma de psicoterapia de grupo, sessão de psicodrama, grupo de 
acompanhamento ao uso de psicofármacos, grupo de sala de espera, técnicas de 
relaxamento dirigido, meditação e aquecimento com exercício físico com inúmeros 
objetivos como vivenciar relações interpessoais em ambiente protegido de grupo, 
favorecer o autoconhecimento, compartilhar de problemas semelhantes, resgatar a 
criatividade e a espontaneidade dos usuários, ajudá-los para melhor compreender a 
própria doença e a entender que existem formas complementares de lidar com ela que, 
associadas aos medicamentos, podem propiciar mais qualidade de vida e autonomia. O 
enfermeiro realiza, ainda, visitas domiciliares, triagem de atendimento, coordenação de 
serviço e estruturação de grupos terapêuticos (FRAGA, 2000).
42
Figura 12 – Estrutura física de um CAPS
Fonte: https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQHe5sNp4Hi4-sHPXN4Np1jMA
TPzksd4mJzXWLRhmaUgfVnc5_G. Acesso em: 19 ago. 2022.
Figura 13 – Passo a passo do atendimento psicossocial inicial
Fonte: https://www.cartaosus2020.com/psiquiatra-como-conseguir-consulta/.
 Acesso em: 19 ago. 2022.
43
Figura 14 – Passo a passo do atendimento psicossocial em crise
Fonte: https://www.noticianatela.com.br/2022/01/saude-mental-campanha-de-alerta-para.html
 Acesso em: 19 ago. 2022.
Outro ponto de cuidado da área de saúde mental, a Atenção Residencial 
Transitória, contempla as Unidades de Acolhimento e as Comunidades Terapêuticas. 
No que diz respeito às Unidades de Acolhimento (UA), elas correspondem a dispositivos 
de atenção residencial, incluindo abordagem para os usuários de álcool e outros tipos 
de drogas. São serviços substitutivos que asseguram direitos de moradia, educação, 
convivência de âmbito familiar e social; tudo o que confere oportunidade de projeção 
da cidadania.
Muitas literaturas as consideram como uma parcela do projeto terapêutico 
desenvolvido dentro do CAPS-AD, uma vez que objetivam a reinserção social através 
de espaço para convivência, trabalho e atividades lúdicas, contribuindo para atenuar 
possíveis preconceitos, e ampliar a autonomia do usuário.
Nesses serviços, o enfermeiro baseia sua atuação profissional na ampliação 
de trocas, circulação de diferenças e promoção de um espaço no qual os egressos 
das internações psiquiátricas sejam efetivamente sujeitos de si, ou seja, de sua vida 
(SUIYAMA; ROLIM; COLVERO, 2007).
44
A Portaria nº 121/12 instituiu as Unidades de Acolhimento, ao passo que a 
Portaria nº 855/12 esclareceu seus procedimentos. Estas e outras informações 
podem ser visualizadas no link disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/
saudelegis/gm/2012/prt0121_25_01_2012.html.
DICAS
Os usuários nelas acolhidos vivenciam o processo de corresponsabilização 
de tarefas, pois executam a divisão do trabalho em relação ao que desempenham 
dentro delas. Isso tudo é discutido e pactuado a partir de assembleias semanais. No 
que concerne ao funcionamento, é sabido que funcionam por 24 horas, podendo o 
usuário permanecer nela por um período de seis meses. Normalmente, os profissionais 
nelas atuantes são os terapeutas especializados em dependência química, e uma outra 
equipe de agentes redutores de danos, atuantes numa escala de 12x36 horas. A fachada 
de uma Unidade de Acolhimento está apresentada na Figura 15 que segue.
Figura 15 – Fachada de uma unidade de acolhimento
Fonte: https://www.fortaleza.ce.gov.br/noticias/prefeitura-inaugura-nova-unidade-de-
acolhimento-para-usuarios-de-alcool-crack-e-outras-drogas. Acesso em: 19 ago. 2022.
45
O dispositivo de referência da UA é o CAPS, portanto, os dois precisam ser ou 
estar bem articulados, obedecendo alógica da clínica ampliada e solicitando 
aceite por parte do usuário nessa pactuação.
ATENÇÃO
Partindo-se agora para as considerações a respeito das Comunidades Tera-
pêuticas (CT), pontua-se aqui que elas também são dispositivos de caráter residencial, 
porém pautadas na convivência entre os pares e na capacidade voluntária para sanar 
problemas atrelados ao uso de substâncias psicoativas. São serviços regulamentados 
pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
(Anvisa) nº 29/2011, bem como pela Resolução nº 01/2015 do Conselho Nacional e Polí-
ticas sobre Drogas (CONAD) (CANÔNICO; NEVES; SOUZA et al., 2018).
Ainda conforme Canônico et al. (2018), as regulamentações que merecem des-
taque a respeito das CT são: precisam comunicar o início e o encerramento de suas 
atividades, bem como o seu programa de acolhimento, para os órgãos de controle e 
atuar de forma integrada com a rede de cuidados; garantir que todos os acolhidoste-
nham passado por avaliação prévia na rede de saúde; devem elaborar Plano de Atendi-
mento Singular (PAS), em consonância com o Programa de Acolhimento da entidade; 
precisam desenvolver atividades recreativas, de desenvolvimento da espiritualidade, de 
promoção do autocuidado e da sociabilidade e de capacitação, de promoção da apren-
dizagem, formação e as atividades práticas inclusivas; devem informar os critérios de 
admissão, permanência e saída; necessitam permitir a visitação de familiares, bem 
como acesso aos meios de comunicação que permitam contato com familiares; não 
devem praticar ou permitir ações de contenção física ou medicamentosa, isolamento 
ou restrição à liberdade da pessoa acolhida; precisam manter os ambientes de uso dos 
acolhidos livres de trancas, chaves ou grades; não podem praticar ou permitir castigos 
físicos, psicológicos ou morais, nem utilizar expressões estigmatizantes com os acolhi-
dos ou familiares; não podem submeter os acolhidos a atividades forçadas ou exaus-
tivas, sujeitando-os a condições degradantes; e devem garantir ao acolhido o direito à 
privacidade. A seguir, tem-se a ilustração de usuários de uma Comunidade Terapêutica 
realizando atividade de recreação com música na Figura 16.
46
 Figura 16 – usuários em atividade com música em uma comunidade terapêutica
Fonte: l1nq.com/8WALH. Acesso em: 19 ago. 2022.
Para a atenção hospitalar, os dispositivos que abrangem cuidados destinados 
a pessoas em sofrimento psíquico são os leitos ou enfermarias especializadas em 
hospitais gerais. Veja na Figura 17 o cenário desse dispositivo.
Nesses dispositivos, a prática da enfermagem ainda está voltada prioritaria-
mente para a abordagem clínica, ou seja, curativa. O enfermeiro foca na terapêutica 
medicamentosa; contenção verbal, química ou mecânica; medidas de vigilância e con-
trole de relacionamento interpessoal para com seus pacientes; além das atividades bu-
rocráticas de gestão do cuidado (MACHADO; COLVERO, 2003).
Figura 17 – Enfermaria psiquiátrica em hospital geral
Fonte: https://img.jornalcruzeiro.com.br/img/2014/08/05/media/156972_CSA050814A005F01.jpg. 
Acesso em: 19 ago. 2022.
47
Os hospitais gerais são dispositivos de atendimento à população em suas mais 
variadas enfermidades, mas que também apresentam um determinado setor, ala ou 
andar destinado à internação de pacientes que possuem transtornos psiquiátricos. Essa 
internação é de curta duração, ou seja, o paciente não vai residir no hospital, como 
acontecia em hospitais exclusivamente psiquiátricos. O acesso a esses hospitais para o 
processo de internação ocorre através da central de regulação de leitos ou pelo CAPS, 
a depender da logística de cada município.
A Lei Antimanicomial nº 10.216/01 estabelece aspectos legais no que diz respeito ao processo 
de internação (CANÔNICO et al., 2018). A saber: 
Art. 4º A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos 
extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.
§ 1º O tratamento visará, como finalidade permanente, à reinserção social 
do paciente em seu meio.
§ 2º O tratamento em regime de internação será estruturado de forma a 
oferecer assistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, 
incluindo serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, 
de lazer, e outros.
§ 3º É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais 
em instituições com características asilares, ou seja, aquelas desprovidas 
dos recursos mencionados no § 2º e que não assegurem aos pacientes os 
direitos enumerados no parágrafo único do Art. 2º.
IMPORTANTE
Existem, também, dispositivos classificados dentro da lógica de estratégias de 
desinstitucionalização, como os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT). Uma de suas 
definições mais completas está descrita a seguir: 
As Residências Terapêuticas são moradias inseridas preferencialmente 
na comunidade, destinadas a acolher pessoas com internação de 
longa permanência (dois anos ou mais ininterruptos), egressas de 
hospitais psiquiátricos e hospitais de custódia. A inserção em um 
SRT compõe o longo processo de reabilitação que deverá buscar 
a progressiva inclusão social do morador. Assim, as Residências 
Terapêuticas constituem-se como alternativas de moradia para um 
grande contingente de pessoas que estão internadas há anos em 
hospitais psiquiátricos por não contarem com suporte adequado na 
família e na comunidade (FORMIGONI; DUARTE, 2018, p. 87).
A Figura 18 traz uma cartilha que expressa a representatividade de um Serviço 
Residencial Terapêutico.
48
Figura 18 – Serviço residencial terapêutico
Fonte: https://pt.slideshare.net/Ministerio_Publico_Santa_Catarina/manual-sobre-residencias-
terapeuticas. Acesso em: 19 ago. 2022.
Outra modalidade de dispositivo de cuidado em saúde mental é o Hospital-Dia 
(HD). Ele consiste em um serviço através do qual pessoas com quadros psiquiátricos 
de neuroses e/ou psicoses recebem suporte psicoemocional para seu processo de 
reabilitação e reinserção social. Sua indicação, portanto, visa atender a pacientes que 
revelem dificuldades no que tange à convivência social, seja ela é de natureza familiar, 
laboral ou afetiva, independente até de sua faixa etária e do seu diagnóstico psiquiátrico.
O paciente em tratamento no Hospital-Dia recebe abordagem de membros 
de uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, técnicos de 
enfermagem, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e 
farmacêuticos. Seu período de funcionamento se dá em dias úteis em horário comercial.
Em um momento inicial, o paciente passa pelo processo de acolhimento, etapa 
em que ele e seus possíveis acompanhantes são ouvidos por algum profissional de 
referência, a fim de que se possa detectar sus principais demandas. Logo após este 
momento, um plano terapêutico individual será confeccionado, contemplando, dentre 
outros aspectos, a frequência semanal dos atendimentos pelos quais o paciente passará, 
bem como os grupos terapêuticos dos quais ele participará. A seguir, nas Figuras 21 e 
22, tem-se um grupo terapêutico sendo realizado com usuários de um Hospital-Dia.
49
Figura 19 – Atendimento de usuários em hospital-dia
Fonte: https://www.saude.ce.gov.br/2020/08/20/hospital-dia-lugar-de-vida-retoma-atendimento-a-
pacientes-com-transtornos-mentais/. Acesso em: 19 ago. 2022.
Figura 20 – Usuários realizando dinâmica de grupo em hospital-dia
Fonte: https://www.saude.ce.gov.br/2020/08/20/hospital-dia-lugar-de-vida-retoma-atendimento-a-
pacientes-com-transtornos-mentais/. Acesso em: 19 ago. 2022.
Para saber mais sobre hospital-dia, acesse o link a seguir e assista ao vídeo 
sobre essa modalidade de dispositivo. Acesse em: https://holiste.com.br/o-que-
e-um-hospital-dia-de-saude-mental-webvideo/.
DICAS
50
Nos hospitais-dia de saúde mental, o enfermeiro executa procedimentos 
assistenciais diretos e indiretos através de ações nos âmbitos individual e coletivo, 
priorizando o fomento à autonomia dos usuários (DAMÁSIO; MELO; ESTEVES, 2008).
Por fim, um último dispositivo de cuidado em saúde mental a ser aqui abordado 
é a equipe de Consultório de Rua (e-CR). Esses consultórios realizam atendimentos 
ditos extramuros, ou seja, para além da alçada hospitalar, para pessoas que usam 
drogas psicoativas e que se encontram em condições de extrema vulnerabilidade social. 
Complementando suas características fundamentais:
São dispositivos clínico-comunitários que ofertam cuidados em 
saúde aos usuários em seus próprios contextos de vida, adaptados 
para as especificidades de uma população complexa. Promovem a 
acessibilidade a serviços da rede institucionalizada, a assistência 
integral e a promoção de laços sociais para os usuários em situação 
de exclusão social, possibilitando um espaço concreto do exercício 
de direitos e cidadania (BRASIL, 2010b, p.10).
A equipe de atuação desses consultórios também é multidisciplinar com 
expertise em saúde mental: médicos,enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, 
redutores de danos, técnicos de enfermagem e educadores sociais. Eles exercem sus 
funções literalmente nas ruas, necessitando para isso de um carro (Kombi, Van) cedido 
pela prefeitura. Esse carro, além de transportar os membros da equipe e os insumos de 
que se utilizam, se constituem referência para os usuários, uma vez que, ao visualizarem 
o carro, já sabem que ali se encontram profissionais de saúde que apenas lhes fazem 
bem. Isso contribui para a criação positiva de vínculo do binômio usuário-profissional. 
Daí, infere-se a importância de o veículo apresentar identificações institucionais, com o 
nome Consultório de Rua – SUS.
Como os consultórios não tem infraestrutura física fixa, faz-se necessário que 
eles demarquem um ponto estratégico para realizar suas intervenções, e em dias e 
horários pactuados com os usuários, com o intuito de estabelecer uma referência e 
tornar os contatos mais constantes e acessíveis para eles. O trecho a seguir ratifica a 
ideia contida nesta explicação:
Diferentemente do trabalho dentro de uma instituição, quando é o 
usuário que busca o serviço e cujas condições de atendimento já 
estão dadas, com toda a ambiência ajudando a compor o setting 
terapêutico, incluindo o lugar que o profissional ocupa na organização 
do serviço, na rua esses “lugares” precisam ser construídos a partir 
do trabalho e da posição em que os profissionais se colocam para os 
usuários. No seu posicionamento, a equipe deve explicitar o propósito 
da presença do Consultório de Rua e quais as características do seu 
trabalho, diferenciando-o de outras ações desenvolvidas na rua, 
como ações de cunho caritativo. Assim, gradativamente, vai-se 
demarcando o lugar do Consultório de Rua, enquanto um dispositivo 
do campo da saúde (BRASIL, 2010b, p. 11).
51
Quando um município conta com população superior a 300 mil habitantes e 
apresenta um perfil epidemiológico considerável de usuários de substâncias psicoativas, 
isso se caracteriza como indicações diretas para a implantação de equipe de Consultório 
de Rua. Para que ele seja operacionalizado, portanto, é imprescindível que se realize o 
mapeamento da cidade, identificando locais em que existam maior concentração de 
jovens sob situação de risco psicossocial e em uso de drogas. Em seguida, faz-se a 
abertura de campo, ou seja, uma busca pela identificação de lideranças comunitárias, 
para lhes solicitar aval de atuação da equipe de Consultório de Rua em território 
específico, sem que isso venha a interferir de forma negativa no seu espaço social 
(GIOVANNI et al., 2010).
Você sabia que os Consultórios de Rua têm diretrizes próprias? Sim, elas existem e estão 
documentadas (BRASIL, 2010a). São elas: 
- Constituir-se como dispositivos públicos componentes da rede de atenção integral em 
álcool e outras drogas, que ofereçam ações de promoção, prevenção e cuidados primários 
no espaço da rua a usuários com problemas decorrentes do uso de substâncias psicoativas.
- Priorizar o direito ao tratamento de qualidade a todo usuário de álcool e outras drogas, 
ofertado pela rede de serviços públicos de saúde, assegurando o acesso a ações e serviços 
compatíveis com as demandas dos usuários.
- Promover ações que enfrentem as diversas formas de vulnerabilidade e risco, especialmente 
em crianças, adolescentes e jovens.
- Ter como eixo político o respeito às diferenças, a promoção de direitos humanos e da 
inclusão social, o enfrentamento do estigma.
- Atuar a partir do reconhecimento dos determinantes sociais de vulnerabilidade, risco e 
dos padrões de consumo, levando em consideração a estreita relação entre a dinâmica 
social e os processos de adoecimento.
- Assegurar o cuidado no território, na perspectiva da integralidade, do trabalho em redes, 
garantido uma atenção diversificada aos usuários de álcool e outras drogas.
- Priorizar as ações dirigidas às crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade, 
haja vista a iniciação cada vez mais precoce do consumo de substâncias psicoativas e as 
graves repercussões do seu uso no desenvolvimento psicossocial dos jovens.
- Considerar a rede social de relacionamento da população alvo, como fatores de 
agravamento ou redução das condições de vulnerabilidade, isto é, levar em conta fatores 
de risco e de proteção, em cada contexto.
- Incentivar o trabalho de natureza interdisciplinar e enfoque intersetorial, considerando 
a complexidade que envolve os contextos de vida da população que vive em situação 
de rua, e a necessidade de ações de atenção integral aos usuários de psicoativos com 
tais características;
- Manter articulação permanente da rede de saúde e intersetorial visando à 
sensibilização dos serviços e profissionais da rede para o acolhimento com 
qualidade aos usuários de drogas em situação de rua.
- Garantir o alinhamento com as diretrizes da Política para Atenção Integral 
a Pessoas que Usam Álcool e Outras Drogas, do Plano Emergencial de 
Ampliação do Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e outras 
Drogas, do Plano Integrado de Enfrentamento do Crack, da Política 
Nacional de Saúde Mental, da Política Nacional de DST/AIDS, da Política de 
Humanização e da Política de Atenção Básica do Ministério da Saúde.
NOTA
52
Após a explanação das características pormenorizadas das equipes de 
Consultório de Rua, segue demonstração ilustrativa de duas figuras, 21 e 22, a respeito 
do emblema dessas equipes e da atuação de seus membros.
Figura 21 – Ambulância do consultório de rua
Fonte: https://gcpstorage.caxias.rs.gov.br/images/2020/10/503c0722-f144-4244-b0dd-
fc0dcde567ca_1000.jpg. Acesso em: 20 ago. 2022.
Figura 22 – Atendimento da equipe de consultório de rua
Fonte: https://www.ipatinga.mg.gov.br/detalhe-da-materia/info/consultorio-na-rua-amplia-equipe-
com-a-inclusao-de-medico/95169. Acesso em: 20 ago. 2022.
53
Dentre as atribuições do enfermeiro nas equipes de Consultório de Rua, citam-
se: realização de atenção integral e reabilitação social; supervisão e coordenação de 
técnicos de enfermagem e agentes sociais; realização de consulta de enfermagem e 
atividades em grupo; realização de atividades programadas e de atenção à demanda 
espontânea; contribuir na construção de um projeto terapêutico singular; organizar 
insumos necessários ao funcionamento do dispositivo em questão e participar das 
atividades de educação permanente da equipe (BRASIL, 2012).
4 REDE DE APOIO SOCIAL EM SAÚDE MENTAL
Quando se fala em rede de apoio social em saúde mental, urge lembrar que 
ela tomará como referência a implementação de políticas de assistência social. A 
assistência social passou a ser regulamentada após a promulgação da Constituição de 
1988, o que pode ser conferido através da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) ou 
Lei nº 8742/1993.
Os objetivos desta Lei são a proteção social, que tem por intuito a garantia 
de vida e a redução de danos; a vigilância socioassistencial, que tem por intenção a 
detecção de vulnerabilidades nas famílias em seus territórios; e a defesa dos direitos, 
que visa garantir o pleno acesso aos direitos de forma geral. Esses objetivos foram 
materializados através da implementação do Sistema Único de Assistência Social 
(SUAS), inserido dentro da Política Nacional de Assistência Social (PNAS).
A PNAS é dotada de algumas diretrizes principais: descentralização político-
administrativa; participação popular; destaque responsório do Estado e 
centralidade na família.
IMPORTANTE
O Sistema Único de Assistência Social (SUAS), por sua vez, gere a assistência 
social em território nacional, organizando a Política de Assistência Social sob os 
seguintes princípios organizativos: supremacia do atendimento às necessidades sociais; 
universalização dos direitos sociais; respeito à dignidade do cidadão, a sua autonomia 
e ao seu direito a benefícios e serviços de qualidade, bem como à convivência familiar 
e comunitária; igualdade de direitos no acesso ao atendimento, sem discriminação de 
qualquernatureza; e divulgação ampla dos benefícios, serviços, programas e projetos 
assistenciais, bem como dos recursos oferecidos pelo Poder Público e dos critérios para 
sua concessão (NEVES et al., 2018).
54
Torna-se compreensível o porquê da inserção deste tópico nesta unidade, pois 
os cuidados aplicados aos usuários portadores de transtornos mentais e os usuários de 
substâncias psicoativas são norteados por princípios semelhantes aos considerados por 
tais políticas. Esses pacientes, quase em sua totalidade, encontram-se sob condições de 
extrema vulnerabilidade social, sendo marginalizados do convívio para com os demais 
membros da população; cenário que exige mudanças o mais breve possível.
O trabalho dos assistentes sociais é de suma importância dentro de dispositivos 
que ofertam serviços de saúde mental. Eles precisam estar inseridos na composição 
da equipe multiprofissional que trabalha para eles, dialogando com todos os demais 
integrantes a respeito dos projetos terapêuticos singulares de cada usuário. Dessa 
forma, a equipe estará bem articulada e os pilares da promoção, prevenção, tratamento 
e reabilitação da saúde, em sua total funcionalidade, pois todos os atores participam do 
processo de cuidado. 
A grande estratégia de atuação dos assistentes sociais consiste na implementação 
de um conjunto de serviços, programas, projetos e benefícios para atenuar situações de 
vulnerabilidades sociais a partir da Proteção Social Básica. A família serve de referência 
em todo esse percurso e a principal modalidade de operacionalização dessa proteção 
se dá através dos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), uma vez que eles 
funcionam como dispositivos que servem para articular a rede de serviços protetivos 
através de encaminhamentos, estabelecimento de fluxos, intervenções e promoção da 
intersetorialidade. Os Serviços de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) e os 
Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) estão inseridos nos CRAS 
e na lógica da proteção social básica (NEVES et al. 2018).
No Quadro 3 a seguir, encontra-se um quadro com a exemplificação compa-
rativa desses dois serviços. Percebe-se que ambos realizam atendimentos aos mem-
bros da população.
Quadro 3 – Comparação entre os serviços protetivos PAIF e SCFV
Organização dos serviços de Proteção Social Básica
PAIF SCFV
Atendimentos e 
Ações individuais
Ações coletivas Atendimento e ações coletivas
Acolhida Grupos
Ações 
particularizadas
Oficinas com famílias
Oficinas Ações comunitárias
Encaminhamento Ações comunitárias
Fonte: Adaptado de Brasil (2016)
55
Além da Proteção Social Básica, existe a Proteção Social Especial, que 
revela como diferencial o público-alvo, que corresponde a cidadãos e famílias com a 
problemática decorrente do uso de substâncias psicoativas, de violência, de abandono, 
situação de rua, trabalho infantil, ou seja, pessoas que tiveram seus direitos básicos 
violados a partir do convívio com membros da família biológica. Seu caráter é preventivo e 
ela é subdividida em duas modalidades principais: a Proteção Social Especial de Média 
Complexidade e a Proteção Social Especial de Alta Complexidade. Fazendo-se uma 
analogia aos CRAS que integra a proteção social básica; na proteção social especial 
existem os Centros de Referência Especializadas da Assistência Social (CREAS).
No Quadro 4, observa-se um comparativo entre essas duas modalidades, 
focando os serviços por elas ofertados. 
Média Complexidade Alta Complexidade
• Serviço Especializado de Abordagem Social a 
pessoas em situação de rua (SEAS)
• Serviço Especializado de Abordagem a 
Adultos em situação de rua (SEAS Adulto)
• Serviço Especializado de Abordagem a 
Crianças e Adolescentes em situação de 
rua (SEAS Crianças e Adolescentes)
• Serviço Especializado de Abordagem a 
Pessoas que fazem uso das ruas para 
o consumo ou abuso de substâncias 
psicoativas em cenas de uso (SEAS 4)
• Núcleos de convivência para pessoas em 
situação de rua
• Núcleos de apoio e reabilitação na 
comunidade e inclusão social para pessoas 
com deficiência
• Serviços de medidas socioeducativas em 
meio aberto
• Prestação de serviço à comunidade
• Serviços de orientação e apoio 
sociofamiliar
• Liberdade assistida
• Serviços de plantão social
• Núcleo de Proteção Jurídico-Social e 
Apoio Psicológico (NPI)
• Os equipamentos de acolhimento 
institucional para crianças e adolescentes
• Família acolhedora ou substituta
• Centros de acolhida emergencial
• Centros de acolhida para adultos
• Centros de acolhida especial, que 
se destinam a públicos específicos, 
oferecendo atendimento diferenciado, 
respeitando os diferentes ciclos de 
vida, gênero, período de convalescença 
e famílias como: Idosos, Mulheres; 
Gestantes, Mães e Bebês; Famílias 
imigrantes; transexuais
• República social
• Serviços de medidas socioeducativas 
restritiva e privativa de liberdade, 
semiliberdade, internação provisória, 
internação sentenciada
Fonte: Adaptado de Brasil (2016)
Quadro 4 – Comparação entre serviços protetivos especiais de média e alta complexidade
56
Para finalizar as considerações a respeito do suporte social à saúde mental, cita-
se o dispositivo denominado de Centro Pop, que é de média complexidade e especializado 
para atendimento a pessoas que estão em condições de rua, direcionando-os para 
que providenciem a retirada de documentos perdidos, questões de vínculos familiares 
perdidos, assuntos relacionados a benefícios, oferta de higienização, como o banho e 
lavagem de roupas (BRASIL, 2012).
57
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
• Em tempos hodiernos, principalmente após a implementação do Sistema Único 
de Saúde (SUS), passaram a existir políticas públicas de saúde, bem como aquelas 
voltadas para a saúde mental, especificamente.
 
• Dentro da Rede de Atenção à Saúde (RAS) estão inseridos os serviços substitutivos de 
saúde mental (CAPS, residências terapêuticas, centros de convivência, consultórios 
na rua, dentre outros) que se comunicam pela tecnologia do matriciamento com 
foco na reinserção e reabilitação social dos usuários, pois a principal ótica do 
cuidado nessa área, hoje, é promover autonomia para o usuário, possibilitando uma 
vivência em sociedade mais ou menos parecida com a que ele já tinha antes de se 
encontrar doente. 
• Além desses serviços voltados aos cuidados dos usuários, propriamente ditos, existem 
os serviços de assistência social que prestam apoio à rede de atenção psicossocial 
(RAPS), com o intuito de tentar atenuar questões extremas de vulnerabilidade a que 
estão submetidos.
58
AUTOATIVIDADE
1 Os espaços anexos das santas casas de misericórdia serviram como primeiros locais 
para o cuidado ao indivíduo com problemas mentais. O modelo de cuidado em saúde 
mental resultante desta iniciativa e que sofreu duras críticas, culminando na Reforma 
Psiquiátrica, chama-se:
a) ( ) Substitutivo
b) ( ) Hospitalocêntrico
c) ( ) Transitório
d) ( ) Escalonado
2 Local de tratamento para pessoas em sofrimento mental, com diagnóstico instalado 
ou sob efeito de substâncias e que se caracteriza por ser o principal dispositivo 
substitutivo do cuidado em saúde mental:
a) ( ) SRT.
b) ( ) UA.
c) ( ) CAPS.
d) ( ) CECCO.
3 Quem reside na rua está altamente propenso à utilização de substâncias químicas 
chamadas de drogas psicoativas, o que lhes acarreta problemas de saúde diversos, 
incluindo aqueles atrelados aos de natureza mental. Diante disso, qual o dispositivo 
de cuidado em saúde mental que atende a população em situação de rua:
a) ( ) Consultório na rua.
b) ( ) Consultório de rua.
c) ( ) Consultório da rua.
d) ( ) Consultório para rua.
4 Falar em determinantes em saúde mental remete a alguns aspectos da saúde pública, 
o que não deixa de fazer sentido, já que as políticas públicas na área de saúde mental 
também estão, após anos de luta, inseridas no panorama do Sistema Único de Saúde 
(SUS). Qual a relação entre determinantes de saúde mentale desenvolvimento de 
transtornos mentais?
5 A interrupção dos serviços substitutivos coloca o hospital psiquiátrico novamente 
no centro do cuidado em saúde mental, o que implicará atenuação do acesso a uma 
atenção de qualidade; elevação de violações de direitos humanos e intensificação da 
marginalização das pessoas com sofrimento de natureza mental. Diante do exposto, 
cite os principais dispositivos substitutivos do cuidado em saúde mental.
59
TÓPICO 3 - 
ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA NA REDE 
DE ATENÇÃO À SAÚDE MENTAL (RAPS)
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 1
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que foi regulamentada pela Portaria 
nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011 e instituída pelo Decreto Presidencial nº 7508, 
do mesmo ano, tem como componentes a Estratégia de Saúde da Família (ESF), os 
Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), as Equipes de Consultório na Rua, os 
Centros de Convivência e Cultura, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS – principais 
dispositivos), as Unidades de Acolhimento, as Comunidades Terapêuticas, os Serviços 
de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), as Unidades de Pronto Atendimento (UPA), 
os Hospitais Psiquiátricos Gerais, os Serviços Residenciais Terapêuticos, Programa 
Geração de Renda e o Programa De Volta Para Casa (FORMIGONI; DUARTE, 2018). Na 
Figura 23 a seguir, enaltece-se a organização da RAPS.
Figura 23 – Organização da RAPS
Fonte: https://marcozero.org/a-rede-de-atencao-psicossocial/. Acesso em: 20 ago. 2022.
CONSULTO-
RIO DE RUA
UNIDADE 
BÁSICA DE 
SAÚDE
NÚCLEO DE 
APOIO A SAÚDE 
DA FAMÍLIA 
NASF
EQUIPE DE AB DE 
APOIO AS CT
COMUNIDADE 
TERAPÊUTICA
CENTRO ESPECIA-
LIZADO EM ÁLCOOL 
E DROGAS
CENTRO DE ATENÇÃO 
PSICOSSOCIAL
ENFERMARIAS ES-
PECIALIZADAS EM 
ÁLCOOL E DROGAS
UNIDADE DE ACOLHI-
MENTO TERAPÊUTICO 
TRANSITÓRIO
UATT I
UNIDADE DE ACOLHI-
MENTO TERAPÊUTICO 
TRANSITÓRIO 
UATT II
60
2 LINHA DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL 
(CONSTRUÇÃO COLETIVA)
A criação do SUS é baseada em alguns princípios, tais como universalidade, 
igualdade e integralidade. Dentre eles, este último é considerado um princípio doutrinário 
desse Sistema, e pode ser definido como um conjunto articulado e contínuo das ações 
e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em 
todos os níveis de complexidade do sistema (BRASIL, 1990). Para garantir a integralidade 
de forma eficaz, se faz necessário operar mudanças na produção do cuidado, a qual 
se encontra muito deficitária, em todos os níveis assistenciais. A implementação da 
tecnologia das Linhas de Cuidado (LCs), por exemplo, é capaz de ampliar e estender o 
domínio deste princípio (MERHY et al., 2003; CARRIJO, 2012).
Entende-se por Linhas de Cuidado, estratégias gerenciais capazes de 
organizar o percurso dos usuários pela rede de serviços e de qualificar as portas 
de entrada do sistema, permitindo que a equipe de profissionais de saúde acolha, 
compreenda, corresponsabilize, crie um vínculo e produza autonomia, ofertando, pois, 
um atendimento de qualidade voltado para as necessidades de cada indivíduo. Dessa 
forma, elas reorganizam os serviços de saúde, superando a fragmentação da prática e 
alcançando uma assistência integral (MARINHO et al., 2011).
Assim, é possível fazer uso de uma expressão conhecida por “Linha de Cuidado 
Integral”, a qual incorpora a ideia da integralidade na assistência à saúde, o que significa 
unificar ações preventivas, curativas e de reabilitação; proporcionar o acesso a todos os 
recursos tecnológicos que o usuário necessita, e ainda requer uma opção de política de 
saúde e boas práticas dos profissionais. O cuidado integral é pleno, feito com base no ato 
acolhedor do profissional de saúde, no estabelecimento de vínculo e na responsabilização 
diante do seu problema de saúde (FRANCO; SANTOS; SALGADO, 2011).
Tratando-se especificamente do campo da Saúde Mental, pode-se dizer que a 
atual Política brasileira referente à área preconiza uma Linha de Cuidado pautada nos 
legados da Reforma Psiquiátrica (RP), os quais enfatizam uma reorientação do modelo 
hospitalocêntrico ao modelo de atenção extra-hospitalar. Com base nesse preceito, 
foi instituída a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), efetivando, portanto, uma rede 
assistencial substitutiva ao hospital psiquiátrico e objetivando alcançar o patamar de 
integralidade da atenção em todos os níveis (BORGES, 2016).
Para se alcançar uma Linha de Cuidado desinstitucionalizante, entretanto, 
vários obstáculos necessitam ser superados, pois é fato que existem demandas de 
atenção muitas vezes não atendidas devido à escassez de recursos, inadequação de 
assistência profissional, estigmatização, violação dos direitos dos doentes e dificuldade 
de acesso (BORGES, 2016). Torna-se imprescindível transpor essas barreiras para 
poder garantir toda uma resolutividade e integralidade do atendimento, sem nenhum 
resquício de discriminação.
61
Os dispositivos inseridos na Atenção Básica são as Unidades Básicas de Saúde 
(UBS), dentre as quais algumas são dotadas de Estratégia de Saúde da Família (ESF); 
os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF); os Consultórios na Rua e os Centros de 
Convivência e Cultura (CECCO). Serão abordados, neste tópico, todos, exceto os CECCO, 
uma vez que eles já foram devidamente caracterizados anteriormente.
As UBSs se constituem como serviços de porta de entrada no tocante ao acesso 
pelo usuário da rede pública de saúde, e estão obedecendo à lógica da territorialização 
no que diz respeito ao fato de estarem localizadas em proximidade da população 
adscrita. Nelas, atuam profissionais de diversas categorias, formando uma equipe 
multiprofissional, a qual trabalha conforme a metodologia de uma clínica ampliada, 
enxergando e considerando o cidadão em sua totalidade e, consequentemente, 
desenvolvendo ações de promoção da saúde mental, prevenção e cuidado dos 
transtornos mentais, todas compartilhadas com os demais dispositivos da rede.
Você pode se aprofundar na caracterização das UBSs o que diz respeito à 
infraestrutura e funcionamento, acessando o link da Portaria nº 2436/2017. 
Acesse em: 189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/pnab.pdf. https://
bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html.
DICAS
Algumas UBSs contam com Equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESFs), 
desde que elas cubram uma população adscrita de 2000 a 3500 pessoas, assegurando 
o cumprimento dos princípios e diretrizes do SUS, alcançando a resolutividade das 
demandas dos usuários. A composição delas também é multiprofissional, englobando 
as figuras do médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e agente comunitário de 
saúde. Além destes, também podem compor essa equipe, os agentes comunitários 
de endemias, cirurgiões-dentistas e técnicos de saúde bucal. O diferencial que as 
ESFs conferem às UBSs é o maior grau de proximidade para com a comunidade e sua 
realidade, através da realização das visitas domiciliares e da elaboração do projeto 
terapêutico singular (FORMIGONI; DUARTE, 2018).
Com o objetivo de conferir apoio logístico técnico-pedagógico às ESF, o Minis-
tério da Saúde criou, em 2008, os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). Esse 
apoio é direcionado para a ampliação das ações de saúde, favorecendo a troca de ex-
periências e saberes. Os NASF são literalmente equipes multiprofissionais (nutricionis-
tas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, arteterapêutas, as-
sistentes sociais, farmacêuticos, psicólogos, médicos, sanitaristas, dentre outros) que 
oferecem cuidados clínicos aos usuários das ESFs na Atenção Básica e que asseguram 
a longitudinalidade do cuidado quando necessita serem implementadas a referência e 
contrarreferência, ou seja, os fluxos deles dentro da rede (BRASIL, 2017).
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html
62
Em suma, o trabalho desenvolvido pelos profissionais do NASF segue a óticado matriciamento, uma vez que consegue criar espaços, mesmo não sendo dotada 
de ambiente físico próprio, de discussão para gerenciar o cuidado e a elaboração 
conjunta dos projetos terapêuticos singulares. Os NASF são classificados em algumas 
modalidades específicas de acordo com o número de equipes de saúde da família em 
territórios bem delimitados.
De acordo com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), as modalidades dos NASFs 
são as seguintes (BRASIL, 2017):
NASF I – (carga horária total: 200 h/semana) – vinculados com 5 a 9 equipes 
da Esf (equipe de saúde da família) e/ou eAB (equipe de atenção básica) para 
populações específicas. Cada ocupação deve ter no mínimo 20h e no máximo 
80h de carga horária semanal.
NASF II – (carga horária mínima de 120h/semana) – vinculados com 3 a 4 
equipes da eSF e/ou eAB para populações específicas. Cada ocupação deve 
ter no mínimo 20h e no máximo 40h de carga horária semanal.
NASF III – (carga horária total mínima de 80h/semana) – vinculados com uma 
ou duas eSF e/ou eAB para populações específicas. Cada ocupação deve ter 
no mínimo 20h e no máximo 40h de carga horária semanal.
NOTA
As equipes de Consultório na Rua (eCR) fazem parte da Rede de Atenção 
Psicossocial (RAPS), tendo sido instituídas pela Portaria nº 122 de 2011 da Política Nacional 
de Atenção Básica (PNAB). Elas oportunizam a ampliação do acesso da população 
moradora de rua em diversos pontos da atenção básica, exercendo sua dinâmica de 
trabalho de modo itinerante, conforme a lógica da intersetorialidade, proporcionando, 
também, cuidados na perspectiva da redução de danos e da clínica ampliada (BRIGUET 
et al., 2018).
A composição das equipes de consultório na rua é formada por enfermeiro, 
médico, assistente social, psicólogo, terapeuta ocupacional, técnico de enfermagem 
e agente comunitário de saúde e, conforme a lotação desses profissionais, as eCRs 
são classificadas em três modalidades principais: modalidade I, quando é formada 
minimamente por quatro profissionais, sendo dois profissionais de nível superior e dois 
profissionais de nível médio, não incluindo médico; modalidade II, quando é formada 
minimamente por seis profissionais, sendo três profissionais de nível superior e três 
profissionais de nível médio, não incluindo médico; e a modalidade III, quando além da 
equipe da modalidade II é também acrescida de um médico (BRASIL, 2017).
63
Basicamente, todos os serviços ofertados pela Estratégia de Saúde da Família 
também o são pelas equipes de Consultório na Rua: exames laboratoriais, vacinas, teste 
rápido para HIV, hepatites B e C e Sífilis, consultas especializadas, exames de imagem, 
pré-natal, curativos, distribuição de medicamentos e supervisão de doses, tratamento 
odontológico, dentre outros.
A Atenção Psicossocial Estratégica é formada pelos Centros de Atenção 
Psicossocial (CAPS), que tem revelado um valor estratégico, uma vez que oferecem 
atendimento clínico especializado a todas as pessoas portadoras de transtorno mental, 
seja este grave e/ou persistente, embasando-se nos atendimentos individuais e nas 
práticas de grupo de forma que o sofrimento mental seja acolhido (BRASIL, 2017).
A intersetorialidade é alcançada na saúde mental através do CAPS, já que o 
indivíduo é visto por completo, mas não apenas como uma doença. Dessa forma, as 
redes se tornam fortalecidas, implicando a implementação de políticas sociais que 
assegurem a integralidade do usuário através de ações intersetoriais que envolvam 
educação, esporte, cultura, atividades lúdicas e de lazer (BRASIL, 2013).
 A atenção às urgências e emergências é composta por serviços de atendi-
mento pré-hospitalar, incluindo as demandas de saúde mental e de intoxicação agu-
da por uso de substâncias psicoativas, sendo representadas pelo SAMU 192, salas de 
estabilização, UPA (Unidades de Pronto Atendimento) e emergências hospitalares de 
forma geral. Esses serviços realizam classificação de risco e tratamento das pessoas 
com transtorno mental e/ou necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras 
drogas em situações de urgência e emergência, ou seja, em momentos de crise forte. 
Veja alguns exemplos na Figura 24.
Figura 24 – Serviços de urgência e emergência atuantes na raps
Fonte: https://www.cruzdasalmas.ba.gov.br/admin/noticias/5e1628bed4b73.jpg. 
Acesso em: 20 ago. 2022.
64
Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, o Serviço de Atendimento Móvel de 
Urgência (SAMU 192) tem como objetivo chegar precocemente à vítima após ter ocorrido 
alguma situação de urgência ou emergência que possa levar ao sofrimento, sequelas ou 
mesmo à morte. Seu atendimento é iniciado a partir do chamado telefônico, quando são 
prestadas orientações sobre as primeiras ações. A ligação é gratuita para telefones fixo 
e móvel. Os técnicos do atendimento telefônico identificam a emergência e coletam as 
primeiras informações sobre as vítimas e sua localização. Em seguida, as chamadas são 
remetidas ao Médico Regulador, que presta orientações de socorro às vítimas e aciona as 
ambulâncias quando necessário (QUEVEDO; SCHMITT; KAPCZINSK, 2008).
No caso de emergências psiquiátricas, o SAMU deverá ser acionado quando 
houver agitação e situação de violência, autoagressão ou tentativa de suicídio. Nesses 
quadros devem ser considerados os seguintes aspectos: agitação psicomotora; alteração 
súbita de consciência; déficit neurológico agudo; história de inconsciência; história de 
overdose; história psiquiátrica importante; risco de agressão às outras pessoas; risco de 
autoagressão (OMS, 2014).
Já na UPA, o paciente é acolhido com prioridade de acordo com o protocolo 
de classificação de risco. O paciente é estabilizado e, em situações de emergência 
psiquiátrica, é regulado via SAMU e encaminhado para algum hospital geral de referência 
(QUEVEDO; SCHMITT; KAPCZINSK, 2008).
Por fim, no que tange à Estratégia de Reabilitação Psicossocial, é possível citar 
a o Programa Geração de Renda, que tem como intuito observar usuários com aptidão 
para produção de algum insumo ou artigo que possa ser colocado à venda sob preço 
simbólico, gerando trabalho e renda para eles. Isso proporciona a inclusão produtiva, 
capacitando-os para a inserção no mercado de trabalho de acordo com suas limitações 
e possibilidades (BRASIL, 2017).
O Programa de Volta para Casa, por sua vez, foi instituído por lei federal e se 
caracteriza por ser uma das estratégias mais eficazes para o desligamento de cidadãos 
com transtornos mentais da logística de desospitalização tanto nos estados quanto 
nos municípios. O objetivo é contribuir firmemente para o processo de reinserção 
social de indivíduos com histórico de longas internações psiquiátricas através de uma 
remuneração mensal de um auxílio-reabilitação através de um convênio estabelecido 
entre o Ministério da Saúde e o Banco da Caixa Econômica Federal (BRASIL, 2013).
Para saber mais sobre o Programa de Volta para Casa, clique no link a seguir 
e tenha acesso ao conteúdo de um vídeo que contempla mais detalhes do 
Programa. https://www.youtube.com/watch?v=H6tvUufX8os.
DICAS
65
3 TECNOLOGIAS DO CUIDADO (ACOLHIMENTO, ESCUTA, 
VÍNCULO, MATRICIAMENTO, ATUAÇÃO EM EQUIPE, 
AÇÕES INTERSETORIAIS)
É sabido que o acolhimento, o vínculo e a responsabilização caracterizam-
se como diretrizes das Linhas de Cuidado, uma vez que norteiam todo o processo de 
trabalho dos profissionais, produzindo cuidado aos usuários e facilitando seu fluxo 
dentro da rede. Convém explanar, ainda, que elas funcionam com base em Projetos 
Terapêuticos, que, por sua vez, correspondem ao conjunto dos atos assistenciais 
pensados para sanar problemas de saúde específicos dos usuários, através de uma 
avaliação de risco não somente clínico, mas também social, econômico, ambiental e 
afetivo (FRANCO; SANTOS; SALGADO, 2011).
A desinstitucionalização tem tido como alicerces a valorização de tecnologias 
leves, tais como acolhimento, vínculo, corresponsabilização e autonomia, todas carac-
terizadas como diretrizesde Linha de Cuidado. Estas, por sua vez, vêm ressignificando 
as práticas e os serviços de saúde mental, envolvendo nesse aspecto diferentes atores: 
usuários, familiares e profissionais (MARTINHAGO; OLIVEIRA, 2015).
Pela lógica de raciocínio das LC, novos arranjos vêm sendo exigidos, como 
trabalho intersetorial, deslocamento das práticas no campo psicossocial para a 
comunidade, bem como a articulação e integração com as equipes de saúde da família, 
mediante uma ótica de apoio matricial.
Pensar na produção do cuidado de forma sistêmica ou integralizada traz, 
também, as ideias de construção de laços com outros serviços (intersetorialidade), o que 
acaba considerando, consequentemente, a continuidade do cuidado (longitudinalidade), 
bem como de família, que, nas relações de cuidado, passa a ser vista como produto e 
produtora da prática de saúde.
A integralidade do cuidado em saúde mental também pode ser alcançada 
mediante implementação de outras duas ferramentas: o Projeto Terapêutico Singular 
(PTS), que se traduz como o conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas, 
planejado entre a equipe multidisciplinar e o usuário, de forma que busque resgatar 
sua autonomia e cidadania; e o Matriciamento, o qual implica no compartilhamento do 
cuidado entre serviços de saúde, significando a aplicabilidade direta do fluxo assistencial 
inerente à Linha de Cuidado (BORGES, 2016).
Considerando-se outra ótica de integralidade, torna-se importante mencionar 
o fato de que sua garantia é imprescindível para operar mudanças na produção 
do cuidado, a partir da rede básica, secundária, da rede de atenção à urgência e de 
todos os outros níveis assistenciais, incluindo a polêmica atenção hospitalar. Assim, os 
serviços de saúde mental devem seguir uma vertente de organização em rede, em cada 
município, nos diversos níveis de complexidade do sistema de saúde, pelas equipes 
multiprofissionais existentes no território, pelo poder de articulação dos serviços entre 
si e pelos demais setores sociais (BENEVIDES, 2009).
66
No CAPS, alguns dispositivos de tecnologia leve, propulsores de uma relação 
terapêutica entre usuário-profissional e inerentes ao processo de funcionamento de 
uma Linha de Cuidado na área vêm tendo seu uso destacado e valorizado, tais como 
acolhimento, vínculo, corresponsabilização e autonomia. Dessa forma, torna-se 
possível inferir que a organização das linhas de produção do cuidado vem assegurando 
às equipes de saúde mental, as responsabilidades sobre o cuidado, devendo gestar 
os projetos terapêuticos de seus usuários, garantindo o acesso aos demais níveis de 
complexidade e a referência e contrarreferência como forma de continuidade do vínculo 
aos cuidados de todos que necessitam do serviço; e fortalecendo a eficácia e efetividade 
da relação terapêutica usuário-profissional (JORGE et al., 2014).
67
SAÚDE MENTAL NO BRASIL: AVANÇOS, RETROCESSOS E DESAFIOS
Rosana Teresa Onocko
Parece impossível, hoje, pensar na Reforma Psiquiátrica Brasileira sem contex-
tualizar, na história recente, a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) na Constituinte 
de 1988 e o advento dos governos progressistas dos anos 2000. Apesar da crise finan-
ceira permanente e da restrição orçamentária que se arrastrou desde o momento da 
criação do SUS e de sua regulamentação, é inegável que a redemocratização e o pro-
cesso da Reforma Psiquiátrica permitiram a criação de redes assistenciais ao longo e ao 
largo do país com grande expansão de serviços comunitários. 
Esse processo, assentado em valores humanitários e no usufruto de direitos, 
esteve permanentemente marcado por uma forte disputa ideológica com certo setor 
da psiquiatria tupiniquim. E, apesar de muito alardeado e de fato efetivado em alguns 
grandes centros urbanos, no geral, contou com um fraco envolvimento da sociedade 
civil. Apesar de que a nouvelle familiar da Reforma Psiquiátrica destaque os movimentos 
de usuários e de trabalhadores como fundantes e importantes, estes movimentos não 
conseguiram se espalhar pelo Brasil afora e a Reforma foi impulsionada como política 
pública de saúde e não como reivindicação da sociedade civil. 
Não queremos com isso negar que houvesse articulação entre esses campos, 
mas contribuir para a compreensão dos rumos presentes e das defesas possíveis da 
Reforma. Após quase 30 anos de Reforma Psiquiátrica, a produção científica brasileira 
permite-nos hoje apontar alguns resultados consolidados na literatura, sendo os 
principais, comentados a seguir. Houve uma efetiva inversão do gasto em saúde mental, 
com os serviços comunitários recebendo mais recursos do que os hospitais psiquiátricos 
desde 2006. Os serviços comunitários brasileiros são, quase em sua maioria, Centros de 
Atenção Psicossocial (CAPS) nas modalidades I, II ou III (com leitos-noite). 
Houve fechamento de leitos em hospitais monovalentes, hoje reconhecidos 
como ineficazes pela literatura mundial (processo inconcluso, do qual ainda restam em 
diversos lugares do país inúmeros hospitais monovalentes com práticas de duvidosa 
efetividade e suspeitas de maus-tratos a pacientes). É preciso destacar que a expansão 
de serviços comunitários está praticamente estanque após 2011, e que se carece de 
dados após 2015, numa lamentável perda de transparência do Ministério da Saúde. 
LEITURA
COMPLEMENTAR
68
Também vale ressaltar que, apesar dessa importante expansão de cobertura de serviços 
comunitários, permaneceu a falta de escala para alguns dispositivos relevantes para a 
efetivação do recovery na sociedade como o Programa de Volta para Casa, os centros 
de convivência, os centros de geração de renda etc. (...).
FONTE: adaptada de ONOCKO-CAMPOS, R. T. Saúde mental no Brasil: avanços, retrocessos e 
desafios. Cad. Saúde Pública, v. 35, n. 11:e00156119, 2019.
69
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu:
• A rede de atenção psicossocial (RAPS) está organizada conforme princípios e 
diretrizes do SUS, como os doutrinários (universalidade, equidade e integralidade), 
bem como os organizativos (hierarquização, descentralização, regionalização e 
participação social). 
• Dentro dessa rede, o usuário perpassa por vários dispositivos de cuidado e esse 
itinerário que ele realiza é compreendido como linha de cuidado em saúde mental.
• A linha de cuidado em saúde mental é regida pela utilização de algumas tecnologias 
leves e complexas do cuidado como vínculo (estabelecimento de uma relação 
pactuada entre profissional e usuário), acolhimento (escuta amiga da demanda em 
saúde do paciente), matriciamento (dinamismo da comunicação entre serviço de 
referência e outros da rede por onde o usuário passou), dentre outras. 
70
AUTOATIVIDADE
1 Quando uma pessoa está com demanda de saúde de natureza mental, ele pode 
perpassar por vários dispositivos de cuidado que integram a rede de atenção 
psicossocial. Dessa forma, como se denomina o itinerário do usuário na RAPS:
a) ( ) Matriciamento.
b) ( ) Acolhimento.
c) ( ) Linha de cuidado em saúde mental.
d) ( ) Vínculo.
2 Quando um indivíduo acessa a porta de entrada de um serviço de atenção à saúde 
com alguma demanda, ele não pode sair desse dispositivo sem ter recebido a 
mínima atenção de algum profissional de saúde, em um processo denominado de 
acolhimento. Qual a tecnologia leve do cuidado em saúde mental que é implementada 
no acolhimento:
a) ( ) Vínculo.
b) ( ) Escuta.
c) ( ) Matriciamento.
d) ( ) Ação intersetorial.
3 Com a instituição da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), urgiu a necessidade 
de implementar a clínica ampliada, atendendo o indivíduo em todas as esferas do 
cuidado, física, psíquica e social, o que levou, por exemplo, ao surgimento da RAPS. 
Assim, qual a portaria que regulamentou a funcionalidade da RAPS:
a) ( ) 3088/11.
b) ( ) 3090/11.
c) ( ) 7508/11.
d) ( ) 7580/11.
71
4 Para garantir a integralidade de forma eficaz, se faz necessário operar mudanças 
na produção do cuidado, a qual se encontra muito deficitária,em todos os níveis 
assistenciais. A implementação da tecnologia das Linhas de Cuidado (LCs), por 
exemplo, é capaz de ampliar e estender o domínio deste princípio (MERHY et al., 
2003; CARRIJO, 2012). Conceitue linha de cuidado em saúde mental.
Fonte: MERHY, E. E. et al. O trabalho em saúde: 
olhando e experienciando o sus no cotidiano. Hucitec, 
São Paulo, 2003.
CARRIJO, E. R. Implementação das linhas de cuidado 
na saúde pública brasileira: O caso da unidade 
de saúde escola da UFSCar. 2012. 88 f. Dissertação 
(Mestrado em Ciência Política) –Universidade Federal de 
São Carlos, São Carlos, 2012.
5 Dentro da Rede de Atenção à Saúde (RAS) estão inseridos os serviços substitutivos de 
saúde mental (CAPS, residências terapêuticas, centros de convivência, consultórios 
na rua, dentre outros) que se comunicam pela tecnologia do matriciamento com foco 
na reinserção e reabilitação social dos usuários, pois a principal ótica do cuidado 
nessa área, hoje, é promover autonomia para o usuário, possibilitando uma vivência 
em sociedade mais ou menos parecida com a que ele já tinha antes de se encontrar 
doente. Diante do exposto, explique o que é o matriciamento.
72
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http://pepsic.bvsalud.org/pdf/per/v14n1/v14n1a08.pdf
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TRANSTORNOS MENTAIS E SUAS 
CLASSIFICAÇÕES, FUNÇÕES PSÍQUICAS, 
CRISE/EMERGÊNCIA PSIQUIÁTRICA E 
PSICOFARMACOLOGIA
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• identificar os principais tipos de transtornos mentais, bem como seus sinais e sintomas;
• compreender os distúrbios ocasionados pelo uso e abuso de substâncias químicas;
• diferenciar e entender situações de crise e emergência psiquiátrica;
• conhecer as principais funções psíquicas e como elas se apresentam na debilidade mental;
• conhecer os principais psicofármacos e seus mecanismos de ação.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – TRANSTORNOS DO HUMOR
TÓPICO 2 – SÍNDROMES ANSIOSAS, TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO E 
TRANSTORNOS PSICÓTICOS
TÓPICO 3 – TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE
TÓPICO 4 – SÍNDROMES RELACIONADAS À ALIMENTAÇÃO, À SEXUALIDADE, AO SONO 
E AO ABUSO DE SUBSTÂNCIAS
TÓPICO 5 – CRISE/EMERGÊNCIA PSIQUIÁTRICA
TÓPICO 6 – FUNÇÕES PSÍQUICAS E PSICOFARMACOLOGIA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
80
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A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
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81
TÓPICO 1 — 
TRANSTORNOS DO HUMOR
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, serão abordados dois tipos de transtornos mentais principais e 
que, comumente, são denominados de transtornos do humor. Antes de caracterizar 
cada um, porém, faz-se necessário conversar um pouco sobre alguns conceitos 
importantes e clássicos.
Pois bem, dentre os conceitos supracitados, serão aqui definidos os termos 
“síndrome” e “transtorno”. Neste momento, talvez você tenha se perguntado: “Esses 
termos não são iguais?” A resposta é clara e uma só: não! Você sabe a diferença entre 
os dois? Eles serão esclarecidos a partir de agora.
A síndrome significa um conjunto de sintomas. Entenda esse conjunto como 
sendo uma reunião, quando se considera o real sentido da palavra, ou seja, sua 
etimologia. Além, disso, partindo-se da premissa que este tópico tratará de doenças, 
pode-se inferir que a síndrome é essa reunião ou conjunto de diversos e diferentes 
sintomas que ocorrem em uma determinada doença, mas que não tem uma etiologia 
definida. Por outra vertente, diz-se que a síndrome pode desvelar inúmeras origens, 
bem como pode ser que ela nunca exiba um comportamento unicausal genuíno. 
O transtorno, por sua vez, é aquilo que tem a capacidade de perturbar, 
desorganizar e transtornar, mesmo em seu sentido mais literal enquanto palavra. Dessa 
forma, surge a ideia de que desorganizaçãona saúde não implica obrigatoriamente uma 
doença, mesmo ocasionando prejuízos de natureza mental.
Para os profissionais que atuam nessa área de saúde mental ou psiquiatria, 
os transtornos mentais assolam quesitos diversos da vida do indivíduo e podem ser 
provenientes de lacunas biológicas concomitantes às psicológicas, ou não.
Agora que você entendeu as principais diferenças entre esses termos, torna-
se possível pontuar sobre as síndromes depressivas e maníacas, onde se inserem dois 
transtornos do humor principais, como a depressão e o transtorno afetivo bipolar.
Urge, também, a conveniência de dialogar a respeito do humor propriamente dito. 
Por outro lado, como muitas literaturas se utilizam da nomenclatura “transtorno afetivo” 
ao se referirem aos transtornos do humor, torna-se pertinente explanar alguns esclareci-
mentos a respeito do que vem a ser humor e do que vem a ser afeto ou afetividade.
82
A afetividade está relacionada aos sentimentos de uma forma geral, ou melhor, 
das experiências internas de cada pessoa, as suas emoções, aos seus prezares; todos 
manifestados sob as mais variadas nuances. Também costuma ser admitida como uma 
das funções psíquicas, assunto a ser tratado ainda nesta unidade.
Já o humor é algo mais voltado para o sentido de estado, ou melhor, a maneira 
temporal de expressão das emoções e dos sentimentos em que o indivíduo se encontra 
ou simplesmente está. Diante do exposto, é possível dizer que uma pessoa está triste, 
alegre, eufórica, abatida, ou seja, em uma espécie de jogo de alternância desses 
sentimentos e emoções.
Os transtornos do humor ou afetivos acarretam, portanto, oscilação do estado 
de humor ou do afeto, podendo o ser humano apresentar uma depressão ou uma mania, 
ambos sentimentos antagônicos. Eles ocasionam mudanças amplas na execução de 
atividades, são recorrentes (ou seja, apresentam períodos de remissão e exacerbação) e 
revelam um ínfimo elo para com situações de estresse.
Dando prosseguimento ao conteúdo deste tópico, cabe enfatizar que ele será 
didaticamente apresentado da seguinte forma: inicialmente será explanado o transtorno 
afetivo bipolar e suas características; e, depois, a depressão com suas características.
2 TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR
O transtorno afetivo bipolar (TAB), epidemiologicamente falando, revela 
incidência semelhante entre os gêneros, costuma se manifestar ao início da segunda 
década de vida, é mais frequente entre cidadãos solteiros do que em casados e atinge 
mais expressivamente as pessoas de poder aquisitivo mais elevado. É considerado, 
ainda, a sexta maior causa de incapacidade por volta da quinta década de vida, uma 
vez que tende a levar o enfermo à perda de rendimentos e de produtividade, ou seja, 
reflete-se negativamente nas atividades laborais que geram remuneração ao cidadão 
(TOWNSEND, 2017).
De todos os nomes que compõem a expressão transtorno afetivo bipolar 
está faltando definir “bipolar”, pois sobre transtorno e afeto você já foi devidamente 
esclarecido. Assim, é sabido que o termo “bipolar” significa dois polos, estando 
coadunado à definição do transtorno, uma vez que se considera que ele é caracterizado 
por alterações do humor entre dois polos: a tristeza profunda (depressão) e a euforia 
(mania), intercaladas pelas remissões, ou melhor, os momentos de normalidade em que 
o indivíduo não aparenta ter esse diagnóstico. A Figura 1 mostra a analogia entre os dois 
estados de humor sob os quais a pessoa com TAB apresenta.
83
Figura 1 – Analogia entre os estados de humor do TAB
Fonte: https://www.psiquiatraportoalegre.com.br/diferencas-entre-transtorno-bipolar-e-
transtorno-borderline/. Acesso em: 12 jul. 2022.
A fase de depressão é entendida e evidenciada como uma tristeza profunda. Isso 
quer dizer que a pessoa é insuficientemente capaz de enfrentar essa tristeza, fazendo com 
ela perdure por, pelo menos, duas semanas aproximadamente. Como as demais caracterís-
ticas dessa fase estão imbricadas à depressão, elas serão inseridas posteriormente.
A mania, entretanto, demarca a fase do transtorno em que o humor está 
consideravelmente elevado e acelerado, incorporado e transfigurado no paciente a 
ponto de torná-lo inesgotavelmente enérgico e, assim, atrapalhar sua convivência em 
sociedade. Alguns dos comportamentos por ele adotados que justificam esse prejuízo são 
o erotismo, a agressividade, a desinibição e a insensatez.
Quando essas ocasiões extrapolam todos os limites, o paciente pode precisar 
de internação hospitalar, pois, assim, se previnem maiores riscos a ele mesmo e aos 
outros membros da sociedade. 
Contrariamente a esses eventos extremos, tem-se a situação de hipomania, 
ou seja, o estado de mania que não implica prejuízo profissional ou social. A hipomania 
também não leva à ocorrência de sintomas psicóticos, como delírios e alucinações.
Existem alguns critérios diagnósticos que denotam um quadro de episódio 
maníaco, sendo suficiente e necessário que a pessoa apresente três ou mais deles. 
Os critérios são: inflação da autoestima com sentimento de grandeza; redução das 
horas de sono dormidas; logorreia (falando demais); extrapolação de ideias; distração; 
hiperatividade e envolvimento em atividades de prazeres momentâneos e iminência de 
consequências drásticas (APA, 2000).
https://www.psiquiatraportoalegre.com.br/diferencas-entre-transtorno-bipolar-e-transtorno-borderline/
https://www.psiquiatraportoalegre.com.br/diferencas-entre-transtorno-bipolar-e-transtorno-borderline/
84
Para o paciente receber o diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), 
ele tem que apresentar, ao menos, um episódio maníaco, que perdure por 
aproximadamente uma semana. Uma vez tendo apresentado o(s) episódio(s) 
maníaco(s), intercalado(s) com a depressão, ele será assim diagnosticado.
IMPORTANTE
O transtorno afetivo bipolar é classificado em TAB tipo I, no qual o episódio de ma-
nia está presente pelo menos uma vez; e TAB tipo II, em que se tem a hipomania. Indepen-
dentemente do tipo de TAB, os estudos indicam uma associação entre fatores biológicos, 
psicológicos, ambientais e sociais no que concerne a sua etiologia (MELLO, 2008).
Importante mencionar que o TAB tipo II revela como precursor a ciclotimia e/ou 
Transtorno Ciclotímico. A denominação possibilita duas nomenclaturas, uma vez que não 
necessariamente esse quadro se classifica como um transtorno do humor maior, mas 
como variações extremas do humor, que se caracterizam por períodos hipomaníacos e 
períodos de minidepressão que duram poucos dias, seguem um curso irregular e são 
menos graves que os apresentados no transtorno bipolar (DSM-5, 2013).
No que tange ao tratamento, este é pautado na manutenção da qualidade 
de vida do paciente, a partir do direcionamento dele para adoção de hábitos de vida 
saudáveis, como a prática regular de atividade física, dieta balanceada e equilibrada 
e esquiva quanto ao uso de substâncias. Os outros pilares terapêuticos do TAB são 
a psicoeducação, inclusive da família, que precisa ofertar suporte, acima de tudo, 
emocional; psicoterapia e medicamentos ditos estabilizadores do humor, sendo 
o Lítio o mais utilizado. No último tópico desta unidade, o foco da discussão será a 
psicofarmacologia, logo, em breve, você terá outros detalhes sobre os fármacos desse 
e dos demais transtornos.
2.1 DEPRESSÃO
A partir de agora, o espaço será dedicado às definições e caracterizações 
sobre a depressão. Também conhecida por transtorno depressivo maior, é a doença 
mental de maior notoriedade desde os tempos mais remotos. Isso porque era bastante 
comum sua ocorrência desde a Antiguidade. Nesse período, era identificada como um 
estado de intensa melancolia, o que se traduz, em tempos hodiernos, por tristeza. Em 
épocas contemporâneas, tem tido, inclusive, seu número de casos crescente, já sendo, 
portanto, considerada como o grande mal do século em termos de afecções mentais.
85
Sentir-se triste ou desapontado com algo ou alguém se consiste em eventos 
corriqueiros da vida dequalquer pessoa. Em outras palavras, isso quer dizer que, quan-
do o ser humano é frustrado, decepcionado, lesado ou algo do tipo, é natural que ele 
reaja a essas situações com sentimento de tristeza. Com o transcorrer das primeiras 
horas ou dias após essas situações, essa tristeza não mais existe, o que permite inferir 
que ela é passageira.
Continuando a linha de raciocínio supracitada, significa que a pessoa imple-
mentou sua capacidade de enfrentamento perante os fatos adversos de sua vida e 
deixou esse estado de desânimo, tendo se adaptado à realidade. 
Por outro lado, com a ocorrência desses eventos e o advento da tristeza, se esta 
última se fizer presente por um período superior a duas semanas, pode-se dizer que a 
pessoa não está conseguindo reagir satisfatoriamente a essas situações e quem está 
ao seu entorno precisa ficar de alerta para tentar impedir que essa falta de adaptação à 
realidade se transforme em algo patológico.
Diante disso, define-se a depressão como uma patologia na qual ocorrem 
alterações no estado de humor que culminam na expressão dos sentimentos de tristeza, 
negativismo, pessimismo por parte do paciente. Dessa forma, ele perde o interesse ou 
prazer por tudo, a tal ponto que não sente vontade de sair da cama, de se alimentar, de 
se higienizar, de interagir com os demais; enfim, de nada (TOWNSEND, 2017). A Figura 2 
representa as características de uma pessoa depressiva.
Figura 2 – Características da pessoa depressiva
Fonte: https://pxhere.com/pt/photo/1458889. Acesso em: 12 jul. 2022.
Sob a nuance epidemiológica, pesquisas indicam ser maior a incidência de 
depressão nas mulheres do que nos homens, o que se justifica pelo materialismo 
histórico transfigurado pelos papéis sociais exercidos por cada gênero. Esse fenômeno, 
https://pxhere.com/pt/photo/1458889
86
conhecido por “socialização do gênero” explica que existiu a elaboração de um 
estereótipo atrelado ao gênero, que acabou por promover comportamentos femininos 
típicos como impotência, fraqueza e passividade, relacionadas com o quadro de 
depressão (KORNSTEIN, 2006).
Para Hudson (2005), a depressão age de forma inversamente proporcional ao 
status econômico, ou seja, pessoas de classe social mais baixa estão mais propensas 
à ocorrência de depressão. Com relação à etnia, os brancos têm maior tendência à 
depressão, mas os sintomas dela são mais graves nos negros. O estado civil com maior 
prevalência de depressão é o de solteiro, quando comparado ao de casado. 
A depressão pode se fazer presente na vida de uma pessoa através de um único 
episódio, porém é mais comum que seja ou se revele de forma recorrente, levando o 
indivíduo a ser dotado de um histórico de episódios pregressos. No tocante ao grau de 
sintomatologia, a depressão pode ser considerada leve, moderada e grave.
Para receber um diagnóstico de depressão, são levados em consideração alguns 
critérios. Caso o cidadão apresente cinco ou mais deles durante um período de pelo 
menos quatorze dias, ele será assim diagnosticado. Eis os critérios: humor deprimido 
boa parte do dia, cotidianamente; anedonia (falta de prazer em tudo ou quase tudo); 
alteração do peso (para mais ou para menos); insônia ou hipersonia; agitação ou retardo 
psicomotor; fadiga ou anergia; sensação de desvalorização de si mesmo ou sentimento 
de culpa excessiva; dificuldade de raciocínio ou de concentração; e ideação suicida 
(APA, 2000). 
Uma vez diagnosticada a depressão, seu curso é variável, mas sua natureza, 
crônica. Os fatores etiológicos que contribuem significativamente para seu surgimento 
são biológicos, com destaque para o componente genético; os psicológicos, os 
ambientais e os sociais.
Por fim, no que diz respeito ao seu tratamento, sabe-se que ele tem como alicerce 
os psicofármacos, sendo os antidepressivos os mais eficazes. Outras modalidades tera-
pêuticas utilizadas são a eletroconvulsoterapia e a estimulação eletromagnética transcra-
niana, a psicoterapia, a psicoeducação e a reabilitação psicossocial (MELLO, 2008).
87
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:
• A diferença entre síndromes e transtornos, compreendendo que ambos os termos 
tendem a ser confundidos, mas significam coisas diferentes.
• Segundo a etimologia da palavra, a síndrome significa um conjunto de sintomas. 
• Na síndrome se considera um conjunto de sinais e sintomas sem etiologia definida; a 
síndrome é a reunião ou conjunto de diversos e diferentes sintomas que ocorrem em 
uma determinada doença.
 
• O transtorno, por sua vez, é aquilo que tem a capacidade de perturbar, desorganizar 
e transtornar, mesmo em seu sentido mais literal enquanto palavra. 
• Dentre os principais tipos de transtornos de humor, fala-se em transtorno afetivo 
bipolar, no qual se alternam dois ciclos (a depressão e a mania); e na depressão, 
entendida e visualizada como uma tristeza profunda propriamente dita e que interfere 
significativamente na qualidade de vida da pessoa.
88
AUTOATIVIDADE
1 O transtorno afetivo bipolar é caracterizado por uma alternância típica entre duas 
fases ou momentos extremos, vindo disso o nome bipolar. Diante do exposto, assinale 
a alteernayiva CORRETA:
a) ( ) Mania e loucura.
b) ( ) Mania e depressão.
c) ( ) Euforia e depressão.
d) ( ) Depressão e loucura.
2 Quando a pessoa não revela um mecanismo adaptado de enfrentamento aos efeitos 
adversos da vida dentro de poucas horas ou poucos dias, esse quadro torna-se 
patológico, podendo se enquadrar em uma depressão. No tocante a quantos dias se 
faz presente uma depressão, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) 18 dias. 
b) ( ) 15 dias.
c) ( ) 20 dias.
d) ( ) 10 dias. 
3 Após estudar os dois principais tipos de transtornos do humor (depressão e transtorno 
afetivo bipolar), surge uma dúvida comum sobre como o profissional médico realiza 
o diagnóstico clínico de cada um deles. Sobre qual o critério diagnóstico para o 
transtorno afetivo bipolar, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Pelo menos um episódio de mania.
b) ( ) Um episódio de depressão.
c) ( ) Dois episódios de mania.
d) ( ) Dois episódios de depressão.
4 O transtorno afetivo bipolar (TAB), epidemiologicamente falando, revela incidência 
semelhante entre os gêneros, costuma se manifestar ao início da segunda década de 
vida. Já a depressão, também conhecida por transtorno depressivo maior, é a doença 
mental de maior notoriedade desde os tempos mais remotos. Diante disso, disserte 
sobre o que diferencia a depressão do transtorno afetivo bipolar?
5 A depressão em épocas contemporâneas, tem tido, inclusive, seu número de casos 
crescente, já sendo, portanto, considerada como o grande mal do século em termos 
de afecções mentais. Diante do exposto, disserte sobre a definição de depressão.
89
SÍNDROMES ANSIOSAS, TRANSTORNO 
DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO E 
TRANSTORNOS PSICÓTICOS
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 
Neste tópico, o conteúdo abordado tratará das síndromes ansiosas, transtorno 
do estresse pós-traumático e síndromes psicóticas. No primeiro caso, se inserem, 
obviamente, os transtornos ansiosos. Dentre eles, os que serão aqui discutidos são: 
transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico, agorafobia e o transtorno 
obsessivo compulsivo.
No caso do transtorno do estresse pós-traumático, sabe-se que ele se enquadra 
na categoria de Transtorno Obsessivo Compulsivo e Transtornos Relacionados. Já as 
síndromes psicóticas, envolvem distúrbios que desorganizam a vida da pessoa, sendo o 
principal deles a Esquizofrenia.
2 TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG)
Para dar início, é válido tecer comentários a respeito da ansiedade em si. Sobre 
ela, é sabido que está presente na vida do ser humano desde o tempo das primeiras 
civilizações até as épocas contemporâneas. Você sabe o porquê disso? Caso não saiba, 
não se preocupe, pois você entenderá agora.
A ansiedade corresponde a uma resposta emocional. Em outras palavras, significa 
um mecanismo de defesa corporal diante de estímulosque surgem abruptamente ou 
inesperadamente, elevando os níveis de cortisol, mais conhecido como hormônio do 
estresse, e, consequentemente, desorganizando a homeostase. 
Inúmeras são as situações que culminam no surgimento de ansiedade, sendo as 
mais comuns, processos de doenças e hospitalizações, dores, perdas de entes queridos 
e amigos, desemprego e término de relacionamentos.
Quando esse evento estressor se finda ou até mesmo quando ele ainda perdura, 
mas o organismo demonstra capacidade de enfrentamento e resolução perante a essas 
situações, o nível de ansiedade diminui, considerando-se, assim, um quadro normal 
diante dos fatos. Por outro lado, depois de um certo tempo, com o cessar ou não dos 
estímulos estressores, a falta de adaptação do indivíduo, nesse caso, o direciona para 
um problema de origem psicológica, mas com efeitos biológicos que podem chegar a 
ser paralisantes, incapacitantes ou trágicos.
90
Essa reação normal frente a uma ameaça, chamada ansiedade pode, ainda, 
ser classificada em leve, moderada, intensa e estado de pânico, sendo este último o 
mais grave. O grau leve permite o direcionamento para novas formas de adaptação. O 
moderado, atenua a sensopercepção, mas ainda permite a realização de escolhas. O 
intenso altera bastante as faculdades cognitivas, incluindo a concentração. Já o estado 
de pânico simboliza imenso temor e pavor, paralisando quase todas as funções vitais, 
podendo causar colapso e morte (MELLO, 2008).
Ainda conforme Mello (2008), dentre a sintomatologia dos casos mais graves 
de ansiedade, ou seja, a ansiedade dita patológica, citam-se: taquicardia, taquipneia, 
alterações na temperatura e na pressão arterial, relaxamento da musculatura lisa das 
vísceras, inquietação motora, pele úmida, calafrio, midríase, boca seca, cefaleia e 
rebaixamento de autoestima.
No que tange aos dados epidemiológicos, pode-se dizer que os transtornos de 
ansiedade são os mais frequentes na sociedade e afetam mais as mulheres do que 
os homens. Especificamente para cada tipo de transtorno ansioso, estudos indicam 
uma taxa de prevalência entre 3% e 5% para transtornos de ansiedade generalizada 
e transtorno do pânico, 2% e 3% para transtorno obsessivo compulsivo, 8% para 
transtornos do estresse pós-traumático e 25% para fobias (TOWNSEND, 2017). Os 
principais mecanismos etiológicos envolvidos para os transtornos de ansiedade são de 
natureza biológica, psicológica, ambiental e social.
O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) assola até 5% da população e 
é marcado pela presença excessiva da ansiedade com intensa preocupação sobre os 
fatos da vida na maioria dos dias e por pelo menos um período de seis meses. Ocasiona 
inquietação, fadiga, falta de concentração, irritabilidade e tensão que levam à perda da 
capacidade de convivência normal em sociedade. Veja na Figura 3 a seguir uma síntese 
desses e outros sintomas decorrentes da TAG.
91
Figura 3 – Sintomas da TAG
Fonte: https://br.pinterest.com/pin/730427633315138706/. Acesso em: 14 jul. 2022.
2.1 TRANSTORNO DO PÂNICO
O Transtorno do Pânico, por sua vez, é aquele que se caracteriza por constantes 
ataques de pânico. Estes correspondem a curtos períodos (cerca de dois minutos), de 
início abrupto em que a pessoa apresenta extrema ansiedade, angústia e pavor, mas 
que somatizam, ou seja, acarretam outros sintomas, os de natureza física, que podem 
ser diversos. 
A pessoa que apresenta pelo menos quatro sintomas físicos está tendo um 
ataque de pânico. Eis os sintomas: palpitações, sudorese, tremores, falta de ar, engasgo, 
dores no peito, náuseas, tonturas, desrealização, medo de perder o controle da situação, 
medo de morrer, parestesias e extremos de temperatura (APA, 2000).
https://br.pinterest.com/pin/730427633315138706/
92
O transtorno do pânico pode ser acompanhado também da Agorafobia, ou 
melhor, um tipo de fobia (medo) de pessoas e ambientes em que não conheçam ou não 
se sintam seguros a ponto de não terem a quem recorrer na ocorrência dos ataques. 
Esse pavor atinge fortemente a condição de ir e vir do indivíduo, pois a pessoa evita 
sair de casa e de perto das pessoas de seu convívio. Alguns exemplos de situações 
agorafóbicas são: estar em meio a uma multidão, em um supermercado, em um avião, 
dentre outros.
As figuras 4 e 5 exibem situações de agorafobia e pânico, respectivamente.
Figura 4 – Situação de agorafobia
Fonte: https://www.vittude.com/blog/transtorno-do-panico-o-que-e-como-lidar/. Acesso em: 14 jul. 2022
Figura 5 – Situação de pânico
Fonte: https://ipecs.com.br/transtorno-de-panico/. Acesso em: 14 jul. 2022.
https://www.vittude.com/blog/transtorno-do-panico-o-que-e-como-lidar/
https://ipecs.com.br/transtorno-de-panico/
93
2.2 FOBIAS
Existe, também, a agorafobia sem associação com o transtorno do pânico, 
mesmo sendo menos frequentes. Os critérios diagnósticos para esse caso envolvem 
o medo de desenvolver sintomas semelhantes ao pânico e restrição dos movimentos 
com consequente necessidade da companhia de alguém de sua confiança para sair de 
casa (APA, 2000).
Além da agorafobia, existem outros tipos de fobia, que significa meramente o 
medo, por antecipação, de alguém ou alguma situação específica. Quando exposta a 
essas pessoas ou situações, o indivíduo desvela intensa ansiedade que só finda com a 
retirada desses estímulos (MELLO, 2008).
Os medos mais comuns correspondem a pequenos animais, injeções, sangue, 
altura, escuridão, lugares fechados, dentre outros. Vale salientar que a questão do medo 
é subjetiva, o que significa que diferentes pessoas não terão necessariamente o mesmo 
tipo de medo. Esses medos, portanto, são denominados de fobias específicas e se 
constituem reações excessivas e desaptativas que escapam do controle do indivíduo, 
levando-o à fuga ou esquiva.
Por fim, no tocante às fobias, convém mencionar a fobia social, que se 
caracteriza como sendo aquela em que o cidadão apresenta medo de estar em público 
nas mais variadas circunstâncias. O exemplo mais clássico desta fobia é quando a 
pessoa se preocupa com a possibilidade de estar em alguma atividade pública, sendo 
avaliada e observada, bem como passando por alguma situação de constrangimento ou 
humilhação. Isso a atrapalha bastante. A Figura 6 evidencia esse fenômeno.
Figura 6 – Fobia social
Fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/07/28/fobia-social-quando-o-sofrimento-pela-
timidez-e-tanto-que-a-saida-e-se-esconder.ghtml. Acesso em: 14 jul. 2022.
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/07/28/fobia-social-quando-o-sofrimento-pela-timidez-e-tanto-que-a-saida-e-se-esconder.ghtml
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/07/28/fobia-social-quando-o-sofrimento-pela-timidez-e-tanto-que-a-saida-e-se-esconder.ghtml
94
2.3 TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (TOC)
Outro tipo de síndrome ansiosa é o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), 
que, como o próprio nome revela, é uma condição de obsessão seguida de compulsão. 
O que vem a ser, entretanto, obsessão e compulsão? 
A primeira diz respeito a pensamentos irracionais, involuntários, persistentes, 
mas que denotam algo bastante marcante para a pessoa; ao passo que a compulsão 
são atitudes desempenhadas de forma indesejada pela pessoa, a fim de atenuar as 
tensões ocasionadas pelas obsessões. Quando se juntam essas condições, torna-se fácil 
compreender que a vida da pessoa tende a ficar incapacitada e densamente prejudicada, 
pois acaba por interferir inclusive nas suas atividades laborais (MELLO, 2008).
A exemplo de algumas situações obsessivas compulsivas, tem-se a lavagem 
constante das mãos por entender que tudo o que se toca está contaminado; como 
também a conferência do fechamento de uma porta através do manuseio repetido da 
maçaneta. A Figura 7 traz esses e outros exemplos.
Figura 7 – Exemplos de TOC
Fonte: https://www.psiquiatraportoalegre.com.br/tratamento-de-transtorno-obsessivo-compulsivo/. 
Acesso em: 14 jul. 2022.
https://www.psiquiatraportoalegre.com.br/tratamento-de-transtorno-obsessivo-compulsivo/95
2.4 TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO (TEPT)
O Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) se consiste no desenvolvimento 
de uma série de sintomas específicos, após a pessoa ter vivenciado uma situação 
bastante estressora, marcante ou traumática, de fato, uma vez que sua integridade física 
ou pessoal ficou em xeque. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico, em sua 
quinta edição, o TEPT se enquadra na categoria de Transtorno Obsessivo Compulsivo e 
Transtornos Relacioinados.
Por exemplo, suponha que alguém estava na parada do ônibus e foi abordada 
por dois homens encapuzados e armados, que a ameaçaram de atirar nela caso ela 
não lhes entregasse a bolsa. Mesmo que a vítima não tenha sofrido dano físico e tenha 
entregado a bolsa, como lhe foi solicitado, essa situação funcionará como gatilho mental 
em forma de flashbacks (lembranças) que, por sua vez, fomentarão o medo, o estresse, o 
nervosismo a ponto de imaginar que poderá acontecer novamente a qualquer momento 
da mesma forma ou pior. Esses pensamentos passam a se fazer presentes praticamente 
todos os dias, interferindo no padrão de sono, no padrão alimentar, dentre outros.
O mesmo tipo de raciocínio se aplica quando a pessoa passa por um acidente 
automobilístico, presencia um desastre aéreo, experiencia um desastre ambiental, é 
torturado, é tomado como refém, recebe um diagnóstico de uma grave doença, dentre 
outros. A pessoa passa a apresentar inibição ou desinibição excessivas, hipervigilância, 
pensamentos obsessivos e comportamentos de esquiva para evitar nova ocorrência ao 
evento traumático que perduram por mais de um mês. É recomendável não conversar 
com a pessoa sobre o ocorrido, pois isso tende a ser doloroso para ela. A Figura 8 faz 
alusão ao que ocorre com o indivíduo nessa situação.
Figura 8 – Estado do paciente no TEPT
Fonte: https://nadiabossa.com.br/web/transtorno-de-estresse-pos-traumatico/. Acesso em: 14 jul. 2022.
https://nadiabossa.com.br/web/transtorno-de-estresse-pos-traumatico/
96
2.5 TRANSTORNOS PSICÓTICOS
Falar em transtornos psicóticos requer uma série de considerações. Para início 
de conversa, convém trazer a definição de psicose. Pois bem, esta é uma condição 
mental séria em que se evidencia desorganização da personalidade, prejuízo do 
funcionamento social e distanciamento ou distorção da realidade. Pode ainda existir a 
alucinação e o delírio (TOWNSEND, 2017).
O distúrbio psicótico, que será explorado aqui, é o da Esquizofrenia, transtorno 
mental também bastante antigo na história e que resulta da influência de um conjunto de 
fatores, como predisposição genética, estresse psicológico, mecanismos fisiológicos, e 
do metabolismo como um todo. 
Foram formuladas diversas teorias a respeito do que é decisivo para o indivíduo 
receber o diagnóstico de esquizofrenia, porém uma delas, também mais atual, sugere 
que ela seja uma enfermidade de base biológica, cujo estopim é influenciado por eventos 
ambientais (internos ou externos), sendo, portanto, designada de Modelo Transacional 
de Estresse/Adaptação (TOWNSEND, 2017).
De todos os transtornos mentais existentes e conhecidos, a esquizofrenia é 
notoriamente marcada por necessidade de hospitalizações do paciente, que, muitas 
vezes, são longas; por desestruturação no convívio familiar e por ideação suicida. Não 
tem cura, mas tratamento. Este é pautado pelo trabalho de uma equipe multidisciplinar 
que se empenha para proporcionar autonomia e qualidade de vida aos pacientes, 
através do fomento à execução de habilidades sociais e da farmacoterapia.
Diante dessas características, cabe citar uma das opiniões mais marcantes a 
respeito desse quadro clínico, como se pode visualizar a seguir.
[Esquizofrenia] é provavelmente a doença mais devastadora tratada 
pelos psiquiatras. [Ela] ataca as pessoas exatamente quando elas es-
tão se preparando para entrar na fase de suas vidas em que podem 
alcançar o seu maior crescimento e produtividade – tipicamente na 
adolescência ou no início dos 20 anos –, deixando a maioria delas in-
capaz de retornar para as vidas normais da idade adulta jovem: ir para 
a escola, encontrar um emprego ou casar e ter filhos. De acordo com 
The Global Burden of Disease (Carga Global da Doença), um estudo 
patrocinado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o custo 
das doenças clínicas em todo o mundo, a esquizofrenia está entre as 
10 principais causas de incapacidade no mundo entre as pessoas na 
faixa etária de 15 a 44 anos (BLACK; ANDREASEN, 2011, p. 107).
Partindo-se da premissa da história natural da doença, a esquizofrenia é dividida 
em quatro fases principais: pré mórbida, prodrômica, progressão e estabilização. Na 
fase pré mórbida se evidencia baixa sociabilidade do indivíduo, com direcionamento ao 
isolamento e alterações nas funções cognitivas, principalmente as relativas à memória e 
atenção. Isso pode ser identificado conforme Sadock e Sadock (2007, p. 481) descrevem:
97
Na história pré-mórbida típica, mas não invariável, de esquizofrenia, 
os pacientes tinham personalidades esquizoides ou esquizotípicas 
caracterizadas como quietas, passivas introvertidas; quando crianças, 
tinham poucos amigos. Os adolescentes pré-esquizofrênicos podem 
não ter amigo próximo nem namorado(a) e podem evitar esportes 
em equipe. Eles podem gostar de [atividades solitárias] para excluir 
atividades sociais.
A fase prodrômica, por sua vez, se traduz por um período variável no qual a 
pessoa pode revelar um estado de apreensão e perplexidade sem causa aparente, ficando 
em verdadeiro estado de alerta imaginando que algo está para acontecer. O indivíduo 
apresenta mudança comportamental, com exibição de pensamentos psicóticos breves, 
antecedendo as manifestações típicas da doença propriamente dita (TOWNSEND, 2017). 
Dessa forma, foi afirmado que:
Durante a fase prodrômica a pessoa experimenta comprometimento 
funcional substancial e sintomas inespecíficos como distúrbios do 
sono, ansiedade, irritabilidade, humor deprimido, dificuldade de 
concentração, fadiga e déficits comportamentais, como deterioração 
da função do papel e isolamento social. Os sintomas positivos, como 
anormalidades perceptuais, ideias de referência e desconfiança, 
desenvolvem-se tardiamente na fase prodrômica e anunciam o início 
iminente de psicose (LEHMAN et al., 2006, p. 625-626).
Perceba que, os autores supracitados, mencionaram o termo “sintomas 
positivos”. Partindo-se, pois, dessa premissa, convém pontuar que no quadro 
esquizofrênico existem sintomas ditos positivos, negativos e cognitivos. Os positivos 
se reportam a ideais persecutórios; os negativos, à redução da expressão das emoções, 
com embotamento afetivo e anedonia; e os cognitivos, à agitação, aparência bizarra e 
catatonia, ou seja, uma perturbação da motricidade, já que correspondem a déficits no 
processamento de informações e na resolução de problemas (MELLO, 2008).
Também se faz pertinente diferenciar alucinação de delírio, sintomas que 
costumam causar certo teor de confundimento. A alucinação é o sintoma condizente 
com uma falsa percepção das coisas, sejam elas visuais, auditivas, táteis, olfativas ou uma 
mescla delas, ou seja, o paciente acredita piamente que está ouvindo, vendo, sentindo 
e inalando coisas que só existem para ele. Já o delírio, é uma crença exacerbada, ou 
melhor, uma sensopercepção errônea da realidade de forma bizarra. A Figura 9 retrata 
um enigma que gira em torno desses sintomas.
98
Figura 9 – Alucinação ou delírio?
Fonte: http://lavrapalavra.blogspot.com/2013/08/alucinacao-ilusao-delirio-qual-desses.html. 
Acesso em: 14 jul. 2022.
Dando seguimento às fases da esquizofrenia, fala-se agora na fase de 
progressão, que se trata da esquizofrenia propriamente dita. Os sintomas típicos como 
delírios, alucinações, fala desorganizada, comportamento bizarro e catatonia, bem 
como a disfunção social e ocupacional se fazem presentes. Por fim, em seguida, tem-se 
a fase de estabilização, ou seja, aquela em que o quadro geral é estável,mas sujeito a 
recaídas; como também aquela em que os sintomas negativos podem ser detectados 
continuamente e os positivos, mais nas fases de crise (TOWNSEND, 2017).
Além dessa divisão de fases, a esquizofrenia é classificada em alguns tipos 
principais, como o subtipo paranóide, a hebefrênica, a catatônica, a indiferenciada 
e a residual. A esquizofrenia paranóide é aquela em que o paciente apresenta ideias 
delirantes de forma relativamente estável, acompanhadas de alucinação; ao passo que 
perturbações relativas ao afeto, à linguagem e os sintomas catatônicos são discretos 
ou inexistentes. Já a esquizofrenia hebefrênica, é aquela em que o paciente denota 
perturbações afetivas constantemente, seu comportamento irresponsável e imprevisível 
também está presente, há uma tendência ao isolamento social e à perda da volição, ou 
seja, do poder de escolha ou tomada de decisão (MELLO, 2008).
A esquizofrenia catatônica é aquela em que verifica predominância de distúrbios 
da motricidade, alternando entre extremos de hipercinesia e estupor. Há a aparição do 
que se denomina de flexibilidade cérea, ou melhor, posturas adotadas e mantidas por 
longos períodos, como se pode ver na Figura 10 a seguir.
http://lavrapalavra.blogspot.com/2013/08/alucinacao-ilusao-delirio-qual-desses.html
99
Figura 10 – Flexibilidade cérea
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Flexibilidade_cerosa. Acesso em: 14 jul. 2022.
A catatonia propriamente dita é manifestada no paciente por intermédio 
das agitações psicomotoras, precursoras da execução de movimentos frenéticos, 
acompanhados de discurso por meio de gritos incoerentes. Dessa forma, compreende-
se que o paciente precisa, o mais precocemente possível, de intervenção médica para 
providenciar o controle físico; caso contrário, tanto a vida dele quanto a dos demais 
envolvidos em seu entorno podem estar ameaçadas por episódios de violência 
(TOWNSEND, 2017).
A esquizofrenia indiferenciada é também denominada de esquizofrenia atípica 
porque preenchem os critérios gerais para a esquizofrenia, mas não revelam nenhum 
sintoma específico ou especificamente marcante que lhe diferencie das demais. Pode 
ser interpretada, ainda, quando os pacientes apresentam sintomas associados entre 
um e outro tipo de esquizofrenia.
A esquizofrenia residual é aquela em que o paciente já recebeu o diagnóstico 
de esquizofrenia há muitos anos e que se encontra com o quadro relativamente 
estabilizado, na ausência de delírios e alucinações, por exemplo. Os sintomas residuais 
corriqueiros são representados por retraimento social, comportamento excêntrico, 
déficit do autocuidado, embotamento afetivo e discurso pobre com pensamento ilógico 
(TOWNSEND, 2017).
https://pt.wikipedia.org/wiki/Flexibilidade_cerosa
100
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
• As síndromes ansiosas são vertentes patológicas diversas, quando o organismo não 
consegue enfrentar situações adversas dentro da normalidade. 
• Existe o transtorno de ansiedade generalizada, que ocasiona inquietação, fadiga, 
falta de concentração, irritabilidade e tensão que levam à perda da capacidade de 
convivência normal em sociedade.
• O transtorno do pânico se caracteriza por constantes ataques de pânico, que 
correspondem a curtos períodos (cerca de dois minutos), de início abrupto em que a 
pessoa apresenta extrema ansiedade, angústia e pavor.
• As fobias se constituem em reações excessivas e desaptativas, que escapam do 
controle do indivíduo, levando-o à fuga ou esquiva. 
• O transtorno obsessivo compulsivo é aquele em que a vida social da pessoa tende a 
ficar incapacitada e densamente prejudicada, pois acaba por interferir inclusive nas 
suas atividades laborais. 
• O transtorno do estresse pós-traumático, por sua vez, se consiste no desenvolvimento 
de uma série de sintomas específicos, após a pessoa ter vivenciado uma situação 
bastante estressora, marcante ou traumática, de fato, uma vez que sua integridade 
física ou pessoal ficou em xeque. 
• O transtorno psicótico principal, a esquizofrenia, resulta da influência de um conjunto 
de fatores, como predisposição genética, estresse psicológico, mecanismos 
fisiológicos, e do metabolismo como um todo.
101
AUTOATIVIDADE
1 A síndrome ansiosa é aquela em que o nível do hormônio cortisol, bem como o 
estresse, se encontram elevados. Marque a alternativa que não contempla uma 
síndrome ansiosa:
a) ( ) TAG.
b) ( ) TEPT.
c) ( ) TOC.
d) ( ) TAB.
2 Transtorno que é caracterizado por flashbacks de fatos ocorridos inesperadamente 
por pelo menos um mês. Com relação ao exposto, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) TAG.
b) ( ) TOC.
c) ( ) TEPT.
d) ( ) TAB.
3 A esquizofrenia apresenta quatro fases principais em seu curso, após diagnosticada. 
Sobre as fases clínicas da esquizofrenia, assinale a alternativa que apresenta a 
sequência CORRETA:
a) ( ) Pré mórbida, prodrômica, progressão, estabilização.
b) ( ) Prodrômica, pré mórbida, estabilização, progressão.
c) ( ) Estabilização, progressão, prodrômica, pré mórbida.
d) ( ) Pré mórbida, progressão, estabilização, prodrômica.
4 No que tange aos dados epidemiológicos, pode-se dizer que os transtornos de 
ansiedade são os mais frequentes na sociedade e afetam mais as mulheres do que 
os homens. Diante disso, caracterize o transtorno de ansiedade generalizada (TAG).
5 Na fase de progressão, que se trata da esquizofrenia propriamente dita, se fazem 
presentes os sintomas típicos como delírios, alucinações, fala desorganizada, 
comportamento bizarro e catatonia, bem como a disfunção social e ocupacional. 
Diante de excerto, diferencie delírio de alucinação.
102
103
TÓPICO 3 - 
TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 2
A personalidade é definida por ser a principal característica que diferencia uma 
pessoa da outra, pois determina sua individualidade. Ela se desenvolve em um processo 
lento, cujo gatilho inicial se dá na transição entre infância e adolescência; e se encerra 
na transição da adolescência para início da fase adulta.
Quando se diz que uma pessoa tem uma personalidade fácil ou difícil, significa 
que ela tem um conjunto de características comportamentais que fazem com ela seja 
reconhecida dessa forma. Essas características estão distribuídas por todos os campos 
da vida: o pessoal, o afetivo, o profissional, o financeiro, dentre outros.
A personalidade é reconhecida como normal quando a pessoa adota padrões de 
comportamento socialmente e moralmente aceitos; como também adequados perante 
as adversidades da vida, respondendo e se adaptando bem a elas.
Segundo Sigmund Freud, um dos grandes estudiosos da área psicanalítica, a 
personalidade se desenvolve por estágios, os quais são dotados de alguns componentes: 
o id, o ego e o superego. O id é o componente da personalidade demarcado pelo princípio 
do prazer, tendo características inatas com tendências à satisfação de necessidades 
e obtenção de bônus imediatos. O ego, é tido como o momento em que surge a 
realidade do mundo externo, obrigando o ser a se adaptar a ele. À medida em que se 
desenvolve, porém, o ego interfere sobre o id com o intuito de substituir o princípio do 
prazer pelo da realidade. Já o superego, corresponde ao princípio da perfeição, em que 
valores e princípios morais são internalizados e são responsáveis pelo indivíduo, sendo 
extremamente importante para o processo de socialização (MELLO, 2008).
Os estágios do desenvolvimento ocorrem em cinco fases: oral, anal, fálica, de 
latência e genital, nesta ordem. A fase oral tem a boca como foco de energia e nela há 
a satisfação de necessidades básicas; a fase anal tem o controle dos esfíncteres como 
foco de energia e é marcada pela interação social e normas de higiene; a fase fálica 
revela a zona genital como foco de energia e a libido passa a ser investida sobre as 
figuras do pai e da mãe; a fase de latência vai até a puberdade e a pessoa passa a focar 
nos grupos de amigos de mesmo gênero; por fim, a fase genital abrange a adolescênciae é nela que as relações interpessoais proporcionam prazer a partir da interação sexual, 
por exemplo (TOWNSEND, 2017).
104
2 TIPOS DE TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE
Quando se diz que alguém apresenta transtorno de personalidade, infere-se que 
se trata de um distúrbio grave do seu comportamento que envolve todas as suas áreas de 
atuação, ocasionando desmembramentos de sua vida em sociedade. Sua origem revela 
como fator predisponente o componente genético. Eles são de difíceis diagnósticos, mas 
quando isso ocorre, geralmente acontece ao final da infância ou na adolescência.
Esses tipos de transtornos são, ainda, classificados por grupos, a depender da 
modalidade de comportamento apresentado pelo paciente. Existem três grupos: A, B e C.
As pessoas que apresentam transtornos de personalidade do grupo A expres-
sam comportamentos descritos como estranhos ou excêntricos. Dentro desse grupo, 
estão inseridos três subtipos de transtornos: transtorno da personalidade esquizotípica, 
transtorno da personalidade paranoide e transtorno da personalidade esquizoide.
O transtorno da personalidade paranoide é aquele no qual o paciente revela 
sensibilidade exagerada em qualquer instante; tende a guardar as emoções negativas 
de mágoa, rancor e ódio, assumindo sentimento de culpa; sempre está desconfiado, 
chegando a interpretar erroneamente as atitudes amistosas de terceiros; não dá 
credibilidade a nenhuma forma de fidelidade nos relacionamentos; autovaloriza-se em 
excesso; acredita que tudo é misterioso e se preocupa com eventos conspiratórios. A 
Figura 11 a seguir revela esse tipo de comportamento.
Figura 11 – Transtorno da personalidade paranóide
Fonte: https://psicoativo.com/2016/07/transtorno-de-personalidade-paranoide-causas-sintomas-
tratamentos.html. Acesso em: 14 jul. 2022.
O transtorno da personalidade esquizoide revela pacientes frios e distantes 
emocionalmente falando. Sentem dificuldades de expressar sentimentos de extremos; 
apresentam muita anedonia; são indiferentes aos elogios ou críticas que recebem e 
não tem interesse sexual aflorado, tanto que dificilmente se relacionam com alguém de 
forma amorosa, preferindo a solidão, como se pode ver na Figura 12 a seguir.
https://psicoativo.com/2016/07/transtorno-de-personalidade-paranoide-causas-sintomas-tratamentos.html
https://psicoativo.com/2016/07/transtorno-de-personalidade-paranoide-causas-sintomas-tratamentos.html
105
Figura 12 – Transtorno da personalidade esquizóide
Fonte: https://psicoativo.com/2016/07/transtorno-da-personalidade-esquizoide-causas-
sintomas-tratamentos.html. Acesso em: 14 jul. 2022.
Já o transtorno de personalidade esquizotípica exprime como características 
o fato de os pacientes serem dotados de afeto inapropriado ou constrangido, de 
retraimento social, serem crentes em coisas estranhas, terem aparência excêntrica, 
não possuírem amigos e denotarem pensamentos vagos e estereotipados, como 
representado através da Figura 13.
Figura 13 – Transtorno da personalidade esquizotípica
Fonte: https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-
atualmente/. Acesso em: 14 jul. 2022.
Os transtornos da personalidade do grupo B agregam pacientes com 
comportamentos descritos como dramáticos e emocionais. Nesse grupo, estão inseridos 
quatro subtipos de transtornos: transtorno da personalidade antissocial, transtorno 
da personalidade borderline, transtorno da personalidade histriônica e transtorno da 
personalidade narcisista.
https://psicoativo.com/2016/07/transtorno-da-personalidade-esquizoide-causas-sintomas-tratamentos.html
https://psicoativo.com/2016/07/transtorno-da-personalidade-esquizoide-causas-sintomas-tratamentos.html
https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-atualmente/
https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-atualmente/
106
O transtorno da personalidade antissocial atinge pacientes que são indiferentes 
pelos sentimentos alheios; que são irresponsáveis e desrespeitosos perante as normas; 
que não conseguem manter relacionamentos duradouros; que tem pouca tolerância 
às frustrações; que não expressam sentimentos de culpa frente às adversidades da 
vida, assumindo a tendência de culpabilizar os outros, como representado na figura 
14 a seguir.
Figura 14 – Transtorno da personalidade antissocial
Fonte: https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-
atualmente/. Acesso em: 14 jul. 2022.
O transtorno de personalidade borderline, por sua vez, é aquele em que o 
indivíduo revela instabilidade na regulação do afeto e dos impulsos; tem fragilidade 
no humor; manifesta sua impulsividade de duas formas principais, a automutilação e 
a tentativa de suicídio, ou através do abuso de substâncias, distúrbios alimentares e 
participação em orgias; bem como apresentam imenso medo de abandono. A figura 15 
que se segue mostra esse comportamento.
Figura 15 – Transtorno da personalidade borderline
Fonte: https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-
atualmente/. Acesso em: 14 jul. 2022.
https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-atualmente/
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107
No transtorno da personalidade histriônica, os pacientes são dramáticos, 
teatrais, exagerados e superficiais em seus relacionamentos; gostam de chamar a 
atenção e direcionar os holofotes para si mesmo, apresentando intensa preocupação 
com a aparência; são manipuladores; exigem atenção constantemente e fazem de 
tudo para conseguirem essa atenção; bem como possuem o dom da sedução e gostam 
disso, mas não mantêm relações genuínas, como se vê representado na Figura 16.
Figura 16 – Transtorno da personalidade histriônica
Fonte: https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-
atualmente/. Acesso em: 14 jul. 2022.
O transtorno da personalidade narcisista é aquele em que os pacientes expres-
sam padrão generalizado de grandiosidade, ausência de empatia e muita sensibilidade 
às críticas, reagindo a elas com sentimento de raiva, vergonha, humilhação, indignação; 
exploram os sentimentos de seus relacionamentos para alcançarem o que desejam; 
julgam-se muito importantes e almejam ser tratados sempre de forma especial. A Figura 
17 a seguir demonstra esse comportamento.
Figura 17 – Transtorno da personalidade narcisista
Fonte: https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-
atualmente/. Acesso em: 14 jul. 2022.
https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-atualmente/
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Por fim, os transtornos da personalidade do grupo C são aqueles em que os 
comportamentos descritos são tidos como ansiosos ou medrosos. Ele contém três 
tipos principais: transtorno da personalidade de abstenção ou de esquiva, transtorno da 
personalidade dependente e transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva.
No transtorno da personalidade de abstenção ou esquiva, o paciente teve um 
processo iniciado nas primeiras etapas de vida adulta a respeito do medo de avaliação 
negativa e de timidez; só estabelece relação com outras pessoas se identificarem 
que não serão rejeitadas; preocupam-se constantemente com seus defeitos; e 
consideram a perda e a rejeição dolorosos a ponto de preferirem não se arriscar mais 
em relacionamentos. A Figura 18 revela esse comportamento.
Figura 18 – Transtorno da personalidade de abstenção ou esquiva
Fonte: https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-atualmente/. Acesso em: 14 jul. 2022.
O transtorno da personalidade dependente se traduz como aquele em que a 
pessoa tem enormes dificuldades para tomadas de decisão, permitindo a interferência 
de terceiros nesse quesito de sua vida; costuma esquecer de si e de suas próprias 
vontades, submetendo-se às necessidades dos outros; e denotam dificuldade de se 
utilizar do “não” e de fazer exigências. É representado através da Figura 19.
https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-atualmente/
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Figura 19 – Transtorno da personalidade dependente
Fonte: https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-
atualmente/. Acesso em: 14 jul. 2022.
O paciente com transtorno da personalidade obsessiva-compulsivo se 
caracteriza por ser dotado de sentimentos duvidosos e cautelosos em excesso; 
é perfeccionista a ponto desse perfeccionismo interferir nas realizações de suas 
atividades de vida diária; costuma ser rígido e teimoso e insistente ao fato de moldar 
as demais pessoas as suas ordens ou maneiras. A Figura 20 a seguir demonstra esse 
comportamento.
Figura 20 – Transtorno da personalidade obsessiva-compulsivo
Fonte: https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-
atualmente/. Acesso em: 14 jul. 2022.
https://segredosdomundo.r7.com/10-transtornos-de-personalidade-mais-comuns-atualmente/
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110
Para finalizar a parte dos transtornos da personalidade, cabe dizer que eles não 
têm cura, apenas tratamento, que, por sua vez, pode ser medicamentoso ou não. No 
primeiro caso, todos os fármacos prescritos só têm princípio ativo para os sintomas 
desvelados pelo paciente, mas não curam, até porque a personalidade não é algo 
modificável. Já em relação ao segundo tipo de terapêutica, frisa-se a necessidade de 
psicoterapia, que, inclusive, frequentemente se caracteriza como o único tratamento 
adequado no qual o paciente exibe controle perante os sintomas.
111
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu:
• A personalidade se define como a principal característica que diferencia uma pessoa 
da outra, pois determina sua individualidade. Consiste em um processo lento, cujo 
gatilho inicial se dá na transição entre infância e adolescência; e se encerra na 
transição da adolescência para início da fase adulta. 
• O transtorno de personalidade se trata de um distúrbio grave de comportamento que 
envolve todas as áreas de atuação da pessoa, ocasionando desmembramentos de 
sua vida em sociedade.
• Os transtornos de personalidade são, ainda, classificados por grupos, a depender da 
modalidade de comportamento apresentado pelo paciente. Existem três grupos: A, B e C. 
• Dentro do grupo A, tem-se: transtorno da personalidade esquizotípica, transtorno da 
personalidade paranoide e transtorno da personalidade esquizoide. 
• No grupo B, tem-se: transtorno da personalidade antissocial, transtorno da 
personalidade borderline, transtorno da personalidade histriônica e transtorno da 
personalidade narcisista. 
• Por fim, no grupo C, tem-se: transtorno da personalidade de abstenção ou de es-
quiva, transtorno da personalidade dependente e transtorno da personalidade ob-
sessivo-compulsiva.
112
AUTOATIVIDADE
1 Os transtornos de personalidade são classificados em grupos, cada um reunindo 
características específicas. Assim, assinale a única alternativa que NÃO contempla 
um desses grupos.
a) ( ) Grupo D.
b) ( ) Grupo C.
c) ( ) Grupo B.
d) ( ) Grupo A.
2 A característica desse transtorno parece inocente, mas, se exacerbada, o indivíduo, 
além do medo de perder o apoio dos que estão em volta, tem enormes dificuldades 
para tomadas de decisão, permitindo a interferência de terceiros. A respeito de que tipo 
de Transtorno de personalidade estamos nos referindo, assinale a alternativa CORRETA: 
a) ( ) Narcisista.
b) ( ) Dependente.
c) ( ) Histriônica.
d) ( ) Obsessivo compulsivo.
3 Correspondem ao tipo de transtorno mental mais difíceis de serem diagnosticados, 
uma vez que revela um processo lento, cujo gatilho inicial se dá na transição entre 
infância e adolescência; e se encerra na transição da adolescência para início da fase 
adulta. Diante disso, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Psicóticos.
b) ( ) Ansiosos.
c) ( ) Personalidade.
d) ( ) Humor.
4 O transtorno de personalidade narcisista está entre os transtornos de personalidade 
mais comuns atualmente. Defina esse transtorno.
5 O transtorno de personalidade histriônica apresenta mudanças emocionais repenti-
nas. Defina esse tipo de transtorno.
113
TÓPICO 4 - 
SÍNDROMES RELACIONADAS À 
ALIMENTAÇÃO, À SEXUALIDADE, AO 
SONO E AO ABUSO DE SUBSTÂNCIAS
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 2
Neste tópico, serão abordadas síndromes relativas à alimentação, à sexualidade, 
ao sono e ao abuso de substâncias, didaticamente nessa ordem. Cada uma delas possui 
algumas classes de transtornos específicos que serão também explanados aqui.
2 SÍNDROMES RELACIONADAS À ALIMENTAÇÃO
Iniciando-se pelas síndromes relacionadas à alimentação, convém salientar, 
antes de tudo, que a alimentação consiste em uma das etapas do ato de nutrição, tão 
essencial à manutenção da vida, pois a partir dela, o ser humano tem acesso aos mais 
variados tipos de nutrientes energéticos para serem distribuídos para as células e, 
assim, elas desempenharem seu metabolismo.
É possível dizer que todos os indivíduos têm um comportamento alimentar 
adotado ao longo de sua vida. Esse comportamento pode ser conceituado, conforme 
Halmi (2008, p. 971).
O comportamento alimentar é agora conhecido por refletir uma 
interação entre um estado fisiológico do organismo e condições 
ambientais. As variáveis fisiológicas salientes incluem o equilíbrio de 
vários neuropeptídios e neurotransmissores, estado metabólico, taxa 
metabólica, condição do trato gastrintestinal, quantidade de tecido 
de armazenamento e receptores sensoriais para paladar e olfato. 
As condições ambientais incluem características do alimento, como 
sabor, textura, novidade, acessibilidade e composição nutricional, e 
outras condições externas, como temperatura ambiente, presença 
de outras pessoas e estresse.
Quando esse comportamento passa por problemas, ocasionando perda ou ganho 
de peso e perda ou acentuação do apetite, diz-se que, muito provavelmente, pode estar 
havendo algum tipo de transtorno alimentar. Esses transtornos, por sua vez, mexem 
com vários aspetos, incluindo a percepção da imagem corporal, já que esta é uma forma 
pessoal de enxergar a aparência física, tão influenciada pela alteração do peso.
114
Diante do que já foi exposto, você é capaz de concluir que a etiologia dos 
transtornos alimentares é bem diversificada, envolvendo fatores biológicos, psicológicos, 
ambientais e socioculturais, principalmente. Dentre os transtornos alimentares, a 
anorexia nervosa, a bulimia nervosa, o transtorno da compulsão alimentar periódica e a 
Picafagia serão aqui abordados por serem os mais prevalentes na sociedade.
A anorexia nervosa é caracterizada pelo medo constante e considerável do 
ganho de peso, mesmo quando a pessoa está abaixo do peso considerado ideal. Nesse 
caso, existe a distorção da imagem corporal da seguinte forma: o indivíduo se enxerga 
gordo ou acima do peso, mesmo não estando. Devido ao fato de ele ter essa percepção 
errônea da imagem corporal, ele evita comer a todo custo para não aumentar o peso. 
Perceba que o problema está no fato de ele evitar comer/alimentar-se, e não em 
não sentir fome. Por isso mesmo que somente o termo anorexia para descrever esse 
distúrbio está errado, como era denominado antigamente.
Dentre as principais característicasapresentadas na anorexia nervosa, desta-
cam-se: importante perda de peso; negação da fome; sensopercepção normal do próprio 
comportamento alimentar; amenorréia; inatividade sexual; obsessão e perfeição; intro-
versão; iminência de morte por inanição ou suicídio e utilização de purgantes, diuréticos e 
laxantes (MELLO, 2008). Na Figura 21 a seguir, percebe-se esse comportamento.
Figura 21 – Anorexia nervosa
Fonte: https://www.posuscs.com.br/anorexia-nervosa-saiba-como-identificar-e-tratar/noticia/217. 
Acesso em: 14 jul. 2022.
A bulimia nervosa, por sua vez, se caracteriza por uma rápida, incontrolada 
e compulsiva ingestão de grandes quantidades de alimentos. Aqui também existe a 
sensação de fome, mas a pessoa come exageradamente em curto espaço de tempo, 
representando uma compulsão. 
https://www.posuscs.com.br/anorexia-nervosa-saiba-como-identificar-e-tratar/noticia/217
115
Como há, ainda, a preocupação considerável com a imagem corporal, o paciente 
recorre à utilização de laxantes, diuréticos, bem como à prática exacerbada de atividade 
física e realização de dietas e jejuns no intuito de compensar a ingestão em excesso, 
anterior. Vale enfatizar que esses comportamentos purgativos (como vômitos e outros) 
acabam por acarretar também problemas de disfunção no equilíbrio hidroeletrolítico 
com consequente desidratação (TOWNSEND, 2017).
As principais características do paciente com bulimia nervosa, portanto, podem 
ser compiladas da seguinte forma: peso próximo do normal, apresentando menor perda 
que o anoréxico; maior extroversão que o anoréxico; sensação de fome; sensopercepção 
adequada do comportamento alimentar errado; sexualmente mais ativo que o anoréxico; 
revelar obsessão e esquiva; menstruação irregular; iminência de morte por hipocalcemia 
e suicídio; como também adoção de comportamentos impulsivos como a cleptomania e 
uso de substâncias (MELLO, 2008). A Figura 22 representa tais características.
Figura 22 – Bulimia nervosa
Fonte: https://www.istockphoto.com/br/vetor/transtorno-nutricional-da-mulher-bulimia-problema-
vetor-gm1277727210-376858774?phrase=bulimia%20nervosa. Acesso em: 14 jul. 2022.
O transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) é aquele no qual a pes-
soa exprime vários eventos de hiperfagia, adquirindo sofrimento e vergonha como con-
sequência. Perde-se o controle sobre o comportamento alimentar, mas não há tomada 
de providência para evitar ganhar peso (MELLO, 2008). A Figura 23 ilustra essa realidade.
https://www.istockphoto.com/br/vetor/transtorno-nutricional-da-mulher-bulimia-problema-vetor-gm1277727210-376858774?phrase=bulimia nervosa
https://www.istockphoto.com/br/vetor/transtorno-nutricional-da-mulher-bulimia-problema-vetor-gm1277727210-376858774?phrase=bulimia nervosa
116
Figura 23 – Transtorno da compulsão alimentar periódica
Fonte: https://hospitalsantamonica.com.br/tag/compulsao-alimentar/. Acesso em: 14 jul. 2022.
A Picafagia, por fim, é o transtorno que corresponde à ingestão frequente de 
conteúdos de natureza não alimentar, e, consequentemente, não nutritivo, como areia, 
papel, argila, cabelo, giz, dentre outros; por um período mínimo ou superior a um mês 
(TOWNSEND, 2017).
No que tange ao tratamento dos transtornos alimentares, é sabido que seu 
maior objetivo é promover a recuperação do estado nutricional do paciente e trabalhar 
com o paciente a psicoterapia, a fim de ele modificar os hábitos alimentares.
2.1 SÍNDROMES RELACIONADAS À SEXUALIDADE
Conversando, agora, sobre as síndromes relativas à sexualidade, destina-
se aqui algum espaço para considerações iniciais e importantes sobre a temática da 
sexualidade. Inicialmente, urge frisar que inexiste um consenso sobre comportamento 
sexual adequado ou normal. 
Há alguns anos, o normal para essa situação era o que ocorria entre cônjuges, 
heterossexuais e com finalidade de gerar uma prole, perpetuando a espécie. Em tempos 
hodiernos, porém, existem múltiplas possibilidades de comportamento sexual socialmente 
aceitos e abrangentes, uma vez que há de se considerar as questões de gênero.
Tendo-se por base essa vertente, é pertinente esclarecer que orientação 
sexual é a atração que se sente por outra pessoa, seja ela do mesmo gênero, do gênero 
oposto ou de ambos; ao passo que identidade de gênero é a noção subjetiva de ser um 
https://hospitalsantamonica.com.br/tag/compulsao-alimentar/
117
homem, uma mulher ou ambíguo. Independentemente dessas questões, entretanto, é 
possível pontuar a respeito de comportamento sexual bem adaptado, sendo aquele que 
acontece entre dois indivíduos adultos, com consentimento de ambos, sem prejuízo de 
nenhuma natureza e que aconteça em espaço privado (MELLO, 2008).
As síndromes de natureza sexual são subdivididas em três categorias: as 
disfunções sexuais, os transtornos de preferências sexuais e os transtornos de 
identidade sexual.
As principais disfunções sexuais englobam o vaginismo, a dispareunia, o 
transtorno orgásmico e o transtorno de excitação sexual. O vaginismo se consiste 
em uma contração involuntária do canal vaginal, acarretando dor. Está geralmente 
relacionado a casos de violência sexual. A dispareunia é, meramente, a dor durante o ato 
sexual propriamente dito, sendo ocasionado frequentemente por doenças no aparelho 
pélvico, infecções e redução da lubrificação. O transtorno orgásmico se caracteriza 
como a inibição do orgasmo por estimulação inadequada de zonas erógenas ou até 
outros eventos de natureza mental. Por fim, o transtorno de excitação sexual se reporta 
à ausência de excitação durante a relação sexual.
Atente-se, a partir da Figura 24 a seguir, que essas disfunções correspondem a 
problemas orgânicos, mas que acabam por afetar as esferas psicológicas e sociais dos 
relacionamentos ou de seus participantes.
Figura 24 – Disfunções sexuais
Fonte: https://br.mundopsicologos.com/artigos/o-que-voce-precisa-saber-sobre-disfuncoes-sexuais. 
Acesso em: 15 jul. 2022.
https://br.mundopsicologos.com/artigos/o-que-voce-precisa-saber-sobre-disfuncoes-sexuais
118
Os transtornos de preferências sexuais, também intitulados de parafilias, 
são aqueles que dizem respeito aos fetiches ou fantasias sexuais, podendo ser 
desempenhados pela preferência de uso de objeto não humano; pela realização do 
ato sexual que envolva sofrimento real ou simulado e pelo desempenho de atividade 
sexual repetitiva não consentida por um dos envolvidos. Todos eles são geradores de 
sentimento angustiante de pelo menos seis meses para quem é portador e levam ao 
prejuízo da convivência em nível social e laboral. Os principais transtornos inseridos 
nessa vertente correspondem à pedofilia, ao exibicionismo, ao fetichismo, ao voyeurismo, 
ao tranvestismo fetichista e ao sadismo sexual.
A pedofilia se caracteriza pelos impulsos, fantasias e comportamentos sexuais 
recorrentes, envolvendo uma criança ou adolescente. A faixa etária do molestador é de 
pelo menos 16 anos e a maior parte das moléstias envolve carícias genitais e sexo oral 
(APA, 2000). A Figura 25 a seguir demonstra a situação vivenciada pela criança vítima 
dessa situação.
Figura 25 – Pedofilia
Fonte: https://www.conexaopolitica.com.br/congresso/comissao-aprova-projeto-de-lei-que-cria-
cadastro-nacional-de-pedofilos/. Acesso em: 15 jul. 2022. 
O exibicionismo é o transtorno em que o indivíduo sente intenso prazer em se 
exibir para outrem. Em outras palavras, essa situação denota exposição dos órgãos 
sexuais a algum estranho, podendo, ainda, envolver a masturbação (KING, 2009). Na 
Figura 26 a seguir, evidencia-se essa situação.
https://www.conexaopolitica.com.br/congresso/comissao-aprova-projeto-de-lei-que-cria-cadastro-nacional-de-pedofilos/
https://www.conexaopolitica.com.br/congresso/comissao-aprova-projeto-de-lei-que-cria-cadastro-nacional-de-pedofilos/
119
Figura 26 – Exibicionismo
Fonte: https://pt.sainte-anastasie.org/articles/sexologa/exhibicionismo-causas-y-sntomas-de-esta-
parafilia-sexual.html. Acesso em: 15 jul. 2022.
O fetichismo, porsua vez, envolve os impulsos, desejos e comportamentos sexuais 
recorrentes de pelo menos seis meses a partir da utilização de objetos inanimados, que 
frequentemente são manipulados durante a masturbação ou incorporado à atividade 
sexual com outra pessoa para provocar a excitação (APA, 2000).
Ainda em conformidade com a Associação Americana de Psiquiatria (APA) 
(2000), o tranvestismo fetichista é o fetichismo que abrange o chamado cross-dressing, 
ou seja, a utilização de peças do vestuário feminino por homens quando estão sozinhos. 
Nesse ínterim, afirma-se que a excitação sexual acontece a partir da fantasia imaginada 
pelo homem ao se enxergar vestido de mulher sem atenção voltada pera a genitália.
As Figuras 27 e 28 que se seguem abordam essas duas últimas situações, 
respectivamente.
Figura 27 – Fetichismo
Fonte: https://areademulher.r7.com/curiosidades/fetiche/. Acesso em: 15 jul. 2022.
https://pt.sainte-anastasie.org/articles/sexologa/exhibicionismo-causas-y-sntomas-de-esta-parafilia-sexual.html
https://pt.sainte-anastasie.org/articles/sexologa/exhibicionismo-causas-y-sntomas-de-esta-parafilia-sexual.html
https://areademulher.r7.com/curiosidades/fetiche/
120
Figura 28 – Tranvestismo fetichista
Fonte: https://psicoterapeutas.eu/tratamiento-del-fetichismo-trasvestista/. Acesso em: 15 jul. 2022.
O sadismo sexual é o transtorno sexual em que se verifica excitação ao 
presenciar ou provocar sofrimento de natureza psicológica ou física, inclusive o ato de 
humilhação, da vítima. Admitem atos consensuais ou não, portanto. Os exemplos mais 
clássicos de sadismo sexuais são os atos de bater, estuprar, torturar, queimar e conter. 
A Figura 29 demonstra essa situação.
Figura 29 – Sadismo sexual
Fonte: https://falauniversidades.com.br/praticas-fetiches-sexuais-guia-explicativo/. 
Acesso em: 15 jul. 2022.
Por fim, o voyeurismo consiste-se nos impulsos, excitações e desejos 
provenientes do ato de observar alguém inocente que se encontra despido ou em 
processo de retirada da roupa durante o ato sexual. Importante chamar atenção para 
o fato de que esses sentimentos são despertados apenas pelo ato de olhar, mas não 
de ter que realizar algum contato (APA, 2000). Essa modalidade de transtorno pode ser 
verificada na Figura 30 a seguir.
https://psicoterapeutas.eu/tratamiento-del-fetichismo-trasvestista/
https://falauniversidades.com.br/praticas-fetiches-sexuais-guia-explicativo/
121
Figura 30 – Voyeurismo
Fonte: https://iracemateixeira.com.br/voyeurismo-nao-e-so-curiosidade-sobre-a-intimidade-alheia/. 
Acesso em: 15 jul. 2022.
2.2 SÍNDROMES RELACIONADAS AO SONO
Para concluir este tópico, serão trazidos à tona as síndromes relacionadas 
ao sono. Uma das primeiras considerações a ser feita é sobre o próprio processo de 
sono. Este consiste em um momento que foi destinado ao repouso ou descanso do 
ser humano, ou seja, um período em que o homem para de realizar suas atividades 
a fim de poupar energia para o dia seguinte. Esse momento em que se descansa é 
evidenciado desde os tempos mais remotos como sendo aquele em que a luz solar 
se põe e o planeta é iluminado pela luz da lua, o chamado entardecer ou cair da noite. 
Quando isso acontece, o corpo humano automaticamente entende que é o momento 
de fazer uma pausa e dormir.
Partindo-se das nuances fisiológicas, o sono, juntamente com a vigília, fase 
antagônica a este, são regulados pelo denominado ciclo ou ritmo circadiano, em que se 
identifica a atuação dos sistemas nervoso e endócrino. Esse ciclo tem duração de um 
dia, mas acontece diariamente, porque é essencial para a manutenção do metabolismo 
ou do funcionamento do relógio biológico.
O controle do ciclo é regido pelo hipotálamo, uma glândula do sistema nervoso 
que, dentre várias funções, capta a sensibilidade aos raios luminosos, estabelecendo 
esse padrão de sono e vigília ao longo do dia. Após captar esses raios, os estímulos 
luminosos são direcionados para outra glândula de suma importância, a hipófise que, 
por sua vez, desempenha a produção de um hormônio chamado melatonina.
Este hormônio tem seus níveis acentuados quando o dia anoitece, preparando o 
corpo para o descanso diminuindo a atividade metabólica da seguinte forma: abaixando 
a temperatura basal, a pressão arterial, a frequência cardíaca, a respiração; enfim, os 
sinais vitais. Por outro lado, quando o dia amanhece, esse hormônio tem seus níveis 
diminuídos em contraposição, também, aos níveis do hormônio cortisol que se elevam 
para deixar o corpo em estado de vigília e alerta.
https://iracemateixeira.com.br/voyeurismo-nao-e-so-curiosidade-sobre-a-intimidade-alheia/
122
O ciclo circadiano pode ser desequilibrado diante de alguns eventos que 
hodiernamente demarcam o estilo de vida da maioria das pessoas em todo o mundo. 
Esses eventos são exemplificados pelo ato de dormir tarde; inversão do horário do 
próprio ciclo sono-vigília, com o trabalho noturno e repouso diurno; realização de 
viagens para lugares cujo fuso horário apresente uma enorme diferença em relação ao 
local de origem; dentre outros.
Quando isso acontece, o corpo humano começa a dar sinais de cansaço 
extremo, perda de concentração e atenção, irritabilidade, cefaleia e alterações do 
padrão alimentar. Algumas dessas mudanças podem evoluir para distúrbios do sono 
mais sérios, assunto que será tratado nos próximos parágrafos.
Antes dessas considerações, é válido, ainda, ressaltar que o sono se subdivide em 
quatro fases principais: fase 1, fase 2, fase 3 e fase REM. Durante as três primeiras fases, o 
corpo poupa energia, promovendo a restauração tecidual, aumentando a massa muscular 
e liberando o hormônio somatotrófico ou hormônio do crescimento. Já na fase REM, fun-
ções cognitivas como a memória e o aprendizado são devidamente consolidadas.
Inúmeros distúrbios relacionados ao sono já foram identificados e são, portanto, 
conhecidos. Esses distúrbios são denominados de transtornos do sono e são frequentes 
na população. As formas como se manifestam podem ser má qualidade do sono, 
insônia, sonolência excessiva diurna, dificuldade em dormir ou acordar na hora desejada 
e por movimentos/comportamentos anormais relacionados ao sono (NEVES; MACEDO; 
GOMES, 2017). 
A insônia se caracteriza pela dificuldade de dormir, considerando as vertentes 
inicial do sono e de manutenção dele. Por outro ângulo, pode-se dizer que suas queixas 
são pautadas à dificuldade de iniciar o sono, ao despertar noturno inúmeras vezes com 
dificuldade de retomar o sono e ao despertar precoce (MARGIS, 2015).
 Quando isso acontece, a pessoa sente as manifestações clínicas no âmbito 
físico, como sonolência e cansaço; no âmbito mental, como alterações das principais 
funções cognitivas; e no âmbito social, como prejuízos nos relacionamentos. Esse 
problema não é diagnosticado ao ocorrer apenas uma vez, pois se faz necessário que 
exista uma durabilidade de pelo menos três meses, como episódios de frequência de 
três vezes na semana, impactando na qualidade de vida da pessoa ou piorando outras 
patologias de base já pré-existentes (MACEDO et al., 2015).
A sonolência excessiva diurna (SED) significa a incapacidade de se manter 
acordado ou em estado de alerta durante o momento do dia, podendo ser proveniente 
de algum transtorno de sono já existente, à privação de sono, à má qualidade deste e 
algum outro transtorno de base, o que acaba por interferir negativamente nas atividades 
de cunho laboral, por exemplo (NEVES; MACEDO; GOMES, 2017).
123
Quadro 1 – Caraçonas relacionadas ao sono REM
Despertar confusional
Usualmente menores de cinco anos de idade, com despertar 
confuso antes da primeira parte do sono, com duração 
de menos de 5 minutos. O comportamento é benigno, 
ocasionalmente podem estar agressivos e violentos. Resolução 
espontânea no adulto, podendo persistir ao longo do tempo e 
com comportamentos automáticos/inapropriados.
Sonambulismo
Usualmente, inicia assim que a criança começa a andar, na 
adolescência ou em qualquer fase da vida (incluídaa sétima 
década). Deixam a cama, andam, correm, podendo apresentar 
comportamentos inapropriados e violentos com prejuízo da 
memória retrógrada e anterógrada.
Terror noturno
1% a 6,5% das crianças (início entre 4 e 12 anos) e 2,2% 
nos adultos. Geralmente, os sintomas desaparecem na 
adolescência. Acompanhados de choros, gritos, sonhos 
e sintomas motores e autonômicos intensos (taquicardia, 
taquipneia, dilatação pupilar e diaforese) diferente do despertar 
confusional. Desorientação e amnésia após cada episódio, 
término súbito e resistência ao consolo.
Sono associado com 
comportamentos 
sexuais anormais
Comportamentos sexuais anormais (masturbação, molestação 
sexual e vocalização sexual alta) durante o sono com 
consequências interpessoais, clínicas e até criminais com 
amnésia matinal.
Transtornos do sono 
relacionados 
à alimentação
Episódios recorrentes de ingestão de alimentos de forma 
disfuncional durante o sono. Consumo de combinações de 
alimentos peculiares ou de substâncias tóxicas podendo causar 
lesões na procura da comida ou no seu cozimento e aumento 
de peso.
Fonte: Adaptado de Neves; Macedo; Gomes (2018)
A dificuldade para dormir ou acordar na hora desejada ocorre quando existem 
transtornos do ritmo circadiano, situação em que há um desequilíbrio do ciclo sono-
vigília. Isso pode ocorrer por necessidades sociais ou não. Se for por causas sociais, 
fala-se que o ciclo se torna fora de sincronia para atender as demandas da rotina de 
vida da pessoa; se for por causas não sociais, o ciclo se desregula devido a mecanismos 
fisiopatológicos diversos.
Por fim, existem os transtornos do sono associados aos movimentos e 
comportamentos anormais durante sua ocorrência. Aqui se inserem, as parassonias, 
que se enquadram em fenômenos clínicos oriundos nas transições entre as fases 
REM e NREM (não REM) do sono. As Figuras 31 e 32 a seguir demonstram todas as 
possibilidades de parassonias existentes hoje, com seus principais sintomas, tanto para 
a fase REM quanto para a fase NREM, respectivamente.
124
Fonte: Adaptado de Neves; Macedo; Gomes (2018)
2.3 SÍNDROMES RELACIONADAS AO ABUSO DE SUBSTÂNCIAS
A partir de agora, você conhecerá as principais síndromes relacionadas ao 
abuso de substâncias. Que substâncias são essas, entretanto? Elas são substâncias de 
natureza química denominadas genericamente de drogas.
Você sabe qual a definição para o termo drogas? A droga é conceituada 
como qualquer tipo de substância que não é produzida pelo organismo e que tem a 
capacidade de agir sobre um ou mais dos sistemas orgânicos, acarretando alterações 
em seu funcionamento.
Há quem considere a droga como má, como também há quem a considere 
como boa. Por outro lado, saiba que ela não é uma coisa nem outra, pois algumas são 
medicamentos, outras são venenos ou tóxicos, bem como, algumas podem funcionar 
como medicamentos e venenos concomitantemente.
Quadro 2 – Parassonias relacionadas ao sono NREM
Transtorno 
comportamental do sono 
REM
Geralmente, ocorre em homens acima de 50 anos, podendo 
manifestar-se também em mulheres e indivíduos mais jovens. 
Esses episódios podem se expressar por vocalizações ou 
comportamentos motores complexos e relatos de sonhos 
violentos com agressões ao próprio paciente ou ao (a) 
companheiro (a)
Pesadelos
Acontece mais em crianças (entre 6 a 10 anos) acompanhados 
de medo, terror e/ou ansiedade. Comuns em pacientes 
que usam drogas anticolinérgicas, betabloqueadoras, 
antiparkinsonianas e na retirada de drogas supressoras do 
sono REM (antidepressivos tricíclicos, inibidores da MAO, lítio, 
anfetaminas, metilfenidato e clonidina).
Paralisia Recorrente 
Isolada do Sono
Início na segunda e terceira década de vida. Incapacidade para 
falar e movimentar tronco e membros durante o início do sono 
ou ao acordar com duração de alguns segundos ou minutos 
causando ansiedade ou medo de adormecer, não estando 
relacionada com a narcolepsia.
Promulgação dos sonhos 
– Dream-enactment 
behavior
Os pacientes apresentam pesadelos ou sonhos perturbadores. 
As mulheres falam, choram, riem e sentem-se amendrontadas. 
Homens tem mais comportamento sexual. Pode ser frequente 
nas gestantes e no puerpério. As crises são menos frequentes e 
violentas do que na doença comportamental do sono REM. São 
independentes de outras parassonias e não estão relacionadas 
ao conteúdo do sonho.
125
Dentre as classificações existentes para as drogas, salienta-se a do ponto 
de vista legal, que as divide em lícitas e ilícitas. As drogas ditas lícitas são aquelas 
comercializadas de forma legal, podendo ou não ser submetidas a algum tipo de restrição. 
Como exemplo, citam-se o álcool e os cigarros (tabaco). Já as drogas ditas ilícitas, são 
aquelas cuja comercialização não ocorre de forma legal, existindo na clandestinidade, 
portanto. Como exemplos, citam-se a maconha e a cocaína.
No tocante ao mecanismo de ação da droga nas células do sistema nervoso 
central, elas podem ser depressoras, estimulantes e perturbadoras. As drogas 
depressoras do sistema nervoso central implicam diminuição da atividade global ou de 
pontos específicos no cérebro. Reduzem a motricidade, a reatividade à dor e à ansiedade. 
É bastante comum que originem um efeito inicial de euforia e, posteriormente, do 
aumento de sonolência. Os exemplos que se encaixam aqui são o álcool, os barbitúricos, 
os benzodiazepínicos, os opioides, os solventes e os inalantes.
As drogas estimulantes do sistema nervoso central aumentam a atividade 
de espaços cerebrais específicos, levando ao estado de alerta exacerbado, insônia 
e aceleração dos processos químicos como consequência. O tabaco, a cafeína, as 
anfetaminas e a cocaína são alguns dos seus exemplos.
As drogas perturbadoras do sistema nervosos central, por sua vez, alteram 
a atividade mental, de forma a gerar diversos fenômenos psíquicos anormais, como 
alucinações e delírios. Como exemplo, citam-se a maconha, o LSD, o ecstasy, os 
anticolinérgicos e os esteróides.
2.4 ÍNDROME DE DEPENDÊNCIA E ABSTINÊNCIA
Um dos dois grupos de transtornos relacionados com o uso de substâncias 
corresponde aos transtornos por uso de substâncias (dependência e uso abusivo). 
Tanto o uso quanto o abuso de substâncias são tidos como importantes problemas de 
saúde pública e que ocorrem pela interação entre fatores e condicionantes de saúde em 
suas esferas individual, cultural e social.
O abuso de substâncias consiste em seu uso contínuo; já a dependência 
é uma avidez extrema da droga pelo organismo, ocasionando sintomas físicos, 
psíquicos e comportamentais. Ambas as condições levam a variados prejuízos. Faz-
se imprescindível inserir o conceito de tolerância também, pois ela está relacionada à 
necessidade de elevar a quantidade de droga ingerida com o intuito de gerar os mesmos 
efeitos anteriores (MELLO, 2008).
Acrescenta-se o conceito de abstinência, como sendo o quadro de sintomas 
físicos e psicológicos, de moderado a grave, o qual resulta de uma parada gradual ou 
abrupta de uma determinada substância em que já existia um histórico de dependência, 
126
quando, por algum motivo, não há mais como fazer uso dela (MALBERGIER, 2002). Os 
principais sintomas de uma síndrome de abstinência são tontura, náusea, cefaleia, 
alucinação, paresia, sonolência e alteração do apetite. A Figura 33 a seguir traz um exemplo 
dessas situações supracitadas, diferenciando através da ilustração, seus conceitos.
Figura 31 – Síndromes de dependência e abstinência
Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/5647692/. Acesso em: 15 jul. 2022.
2.5 TRANSTORNOS MENTAIS E COMPORTAMENTOS 
CAUSADOS PELO USO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS (SPA)
Existem inúmeros transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de 
substâncias psicoativas. O que os diferencia é a gravidade e a sintomatologia diversa 
deles. O diagnóstico é realizado por um profissional médico competente, que leva em 
consideração a substância utilizada pelo paciente e o quadro clínico por ele apresentado.Para fazer sua anamnese da forma mais completa possível, o médico se utiliza 
de toda fonte de informação disponível, tal como o próprio paciente, os resultados de 
exames, os sintomas físicos e psicológicos do paciente, outras evidências como drogas 
de que os pacientes estejam de posse e relatos de acompanhantes.
Nessas categorias, existem os transtornos psicóticos relacionados ao uso de 
substâncias que são caracterizados pela presença de alucinações, ideias delirantes, 
perturbações psicomotoras e de afetos anormais, comprometimento da sensopercepção, 
podendo também existir um certo grau de obnubilação da consciência.
https://slideplayer.com.br/slide/5647692/
127
Outro tipo de transtorno é a síndrome amnésica, que ocasiona importantes 
lapsos de memória tanto para fatos recentes quanto para os remotos. A memória recente, 
entretanto, encontra-se tipicamente mais perturbada que a remota. Normalmente 
o paciente experiencia perturbações de orientação temporal da cronologia dos 
acontecimentos e apresenta confabulação intensa.
Considera-se, anda, o transtorno psicótico residual ou de instalação tardia, ou 
seja, aquele em que as alterações persistem além do período, durante o qual pode ser 
subentendido como efeito direto da substância.
2.6 PROGRAMA DE REDUÇÃO DE DANOS
Antes de falar sobre a redução de danos, convém tecer algumas considerações 
sobre a Política Nacional sobre Drogas (PNAD). Esta política estabelece os fundamentos, 
os objetivos, as diretrizes e as estratégias indispensáveis para que os esforços, voltados 
para a redução da demanda e da oferta de drogas, possam ser conduzidas de forma 
planejada e articulada.
O sistema nacional dessa política apresenta como objetivos a contribuição para 
inclusão social do cidadão; a promoção da construção e a socialização do conhecimento 
sobre drogas no país; a prevenção de danos; a repressão da produção não autorizada 
e o tráfico ilícito de drogas, bem como a promoção de políticas públicas setoriais dos 
órgãos das três esferas do poder.
Quando se fala em drogas, muito se é discutido a respeito de como diminuir 
seus efeitos e danos à saúde. Dessa forma, surgiu o que se chama de Redução de Danos 
(RD), que nada mais é do que um conjunto de estratégias que objetivam minimizar os 
danos causados pelo uso de diferentes drogas, sem que necessariamente o usuário 
realize uma parada abrupta da substância (DOMANICO, 2006). Analisando-se essa 
ideia por outra ótica, pode-se dizer que a RD pretende fazer com que o usuário evite 
outros tipos de danos e riscos a sua saúde, apesar de não entrar em abstinência da 
droga totalmente. 
Os princípios básicos da Redução de Danos são: ser uma alternativa de saúde 
pública para modelos morais e criminais relativos ao uso das drogas; reconhecer a 
abstinência como resultado ideal, mas admitir outras possibilidades que reduzam os 
danos; ser implementada como uma abordagem de “baixo para cima”; promover acesso 
a serviços de baixa exigência; e basear-se em princípios de um pragmatismo empático 
em detrimento a um idealismo moralista (MARLLAT, 1999).
As principais atividades dos programas de redução de danos, no Brasil, incluem 
a localização e abordagem dos usuários; a substituição de seringas usadas por novas; 
informações e orientações à saúde; testagem anônima para infecções sexualmente 
128
transmissíveis; exames para os demais problemas de saúde e encaminhamento para 
tratamento da dependência. Torna-se, ainda, imprescindível salientar que toda essa 
abordagem ao usuário é pactuada entre ele e o profissional de referência, ou seja, nada 
lhe é imposto, nada lhe é forçado. Ele tem autonomia para decidir se quer participar de 
um programa de redução de danos ou não. Na Figura 32 a seguir, retrata-se a lógica da 
Redução de Danos.
Figura 32 – Lógica da Redução de Danos
Fonte: https://redehumanizasus.net/reducao-de-danos-com-usuarios-de-drogas-e-alcool-no-sistema-
de-saude/. Acesso em: 15 jul. 2022.
https://redehumanizasus.net/reducao-de-danos-com-usuarios-de-drogas-e-alcool-no-sistema-de-saude/
https://redehumanizasus.net/reducao-de-danos-com-usuarios-de-drogas-e-alcool-no-sistema-de-saude/
129
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu:
• Quando o comportamento alimentar passa por problemas, ocasionando perda ou 
ganho de peso e perda ou acentuação do apetite, diz-se que, muito provavelmente, 
pode estar havendo algum tipo de transtorno alimentar. 
• A anorexia nervosa é caracterizada pelo medo constante e considerável do ganho de 
peso, mesmo quando a pessoa está abaixo do peso considerado ideal. 
• A bulimia nervosa, por sua vez, se caracteriza por uma rápida, incontrolada e 
compulsiva ingestão de grandes quantidades de alimentos. 
• O transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) é aquele no qual a pessoa 
exprime vários eventos de hiperfagia, adquirindo sofrimento e vergonha como 
consequência. 
• A Picafagia, por fim, é o transtorno que corresponde à ingestão frequente de conteú-
dos de natureza não alimentar, e, consequentemente, não nutritivo, como areia, papel, 
argila, cabelo, giz, dentre outros; por um período mínimo ou superior a um mês. 
• As síndromes de natureza sexual são subdivididas em três categorias: as disfunções 
sexuais, os transtornos de preferências sexuais e os transtornos de identidade sexual. 
• As formas como os distúrbios do sono se manifestam podem ser má qualidade do 
sono, insônia, sonolência excessiva diurna, dificuldade em dormir ou acordar na hora 
desejada e por movimentos/comportamentos anormais relacionados ao sono. 
• Existem inúmeros transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de 
substâncias psicoativas. O que os diferencia é a gravidade e a sintomatologia 
diversa deles. O diagnóstico deles é realizado por um profissional médico compe-
tente, que leva em consideração a substância utilizada pelo paciente e o quadro 
clínico por ele apresentado. 
• Os princípios básicos da Redução de Danos são: ser uma alternativa de saúde 
pública para modelos morais e criminais relativos ao uso das drogas; reconhecer a 
abstinência como resultado ideal, mas admitir outras possibilidades que reduzam 
os danos; ser implementada como uma abordagem de “baixo para cima”; promover 
acesso a serviços de baixa exigência; e basear-se em princípios de um pragmatismo 
empático em detrimento a um idealismo moralista.
130
AUTOATIVIDADE
1 Quando uma pessoa não consegue enxergar-se fisicamente como realmente é, diz-
se que ela tem a distorção da imagem corporal. Com relação a qual transtorno se 
trata, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Personalidade.
b) ( ) Ansioso.
c) ( ) Alimentar.
d) ( ) Sono.
2 Os transtornos relacionados ao comportamento sexual são diversos. Com relação 
àquele que consiste nos impulsos, excitações e desejos provenientes do ato de 
observar alguém inocente que se encontra despido, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Exibicionismo.
b) ( ) Voyeurismo.
c) ( ) Pedofilia.
d) ( ) Narcisismo.
3 As drogas ocasionam várias alterações na vida de um usuário. Quando isso chega a 
um extremo, é necessário propor mecanismos de intervenção. Sobre o Programa que 
consiste em diminuir os riscos à saúde sem a interrupção total do uso das drogas, 
assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Redução de males.
b) ( ) Redução de danos.
c) ( ) Redução de riscos.
d) ( ) Redução dos fatores.
4 Para ser devidamente diagnosticada como insônia, é necessário que exista uma 
durabilidade de pelo menos três meses, com episódios de frequência de três vezes na 
semana, impactando na qualidade de vida da pessoa ou piorando outras patologias 
de base já pré-existentes. Diante disso, disserte sobre o que é insônia?
5 Tanto o uso quanto o abuso de substâncias são tidos como importantes problemas 
de saúde pública e que ocorrem pela interação entre fatores e condicionantes de 
saúde em suas esferas individual, cultural e social. Diante disso, descreva a diferença 
entre abstinência e dependência.
131
CRISE/EMERGÊNCIA PSIQUIÁTRICA1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 2 TÓPICO 5 - 
Este tópico tem sua importância devido ao fato de qualquer pessoa estar 
sujeita a apresentar crises em sua vida. Para quem já tem o diagnóstico de algum tipo 
de transtorno psiquiátrico, inclusive, isso não foge à regra, até porque a própria crise 
funciona como fator predisponente para a ocorrência da emergência psiquiátrica.
Na literatura, existem vários conceitos para o termo “crise”. Dois desses conceitos 
serão aqui considerados. O primeiro deles, alega que a crise se refere à inabilidade da 
pessoa para resolver um problema, o que provoca um aumento crescente da ansiedade 
e deve ser considerada um evento crítico (AGUILERA, 1998; FORTINASH; HOLODAY-
WORRET, 1999).
Já o segundo afirma que a crise é um evento que surge quando a pessoa se 
depara com uma situação de conflito para o seu equilíbrio e não se sente capaz de 
ignorar ou de resolver o problema com seus mecanismos habituais de enfrentamento, 
o que também contribui para a elevação da ansiedade (SCOTT; VARCAROLIS, 2006; 
TOWNSEND, 2017).
2 CARACTERÍSTICAS, CLASSIFICAÇÕES E FASES DA CRISE
Agora que você já sabe o que é uma crise, convém conhecer suas características 
mais marcantes, o que pode ser visualizado na Figura 33 a seguir.
132
Figura 33 – Características da crise
Fonte: a autora
Primeiramente, percebe-se que a crise ocorre em pessoas saudáveis, mesmo 
funcionando como fator predisponente para uma emergência psiquiátrica em casos 
específicos. Seu caráter é agudo e sua duração limitada porque ela é proveniente de 
eventos estressores abruptos que elevam os níveis do hormônio cortisol, provocando 
um mecanismo de reação rápido do corpo para sair da situação.
Sua reação emocional é opressora porque enquanto a pessoa não sai da 
situação estressora que serviu de gatilho, ela sofre. A gravidade é determinada pela 
experimentação, uma vez que vai depender bastante da capacidade de o indivíduo 
responder bem e o mais breve possível aos eventos estressores. Para finalizar, diz-se 
que ela serve de oportunidade para crescimento porque a pessoa tende a aprender com 
os fatos adversos da vida.
No que tange a sua classificação, a crise apresenta três tipos principais: 
maturacional, situacional e acidental. A crise maturacional é aquela que faz jus ao nome 
no sentido de ser evidenciada como cada evento estressor que surge para cada estágio 
do desenvolvimento da vida humana, ou seja, na infância, na adolescência, na fase 
adulta e na senilidade. Dessa forma, para cada etapa de vida, o indivíduo apresenta uma 
capacidade de reação proveniente da maturidade do que aprendeu na anterior.
Já a crise situacional é aquela que depende de alguma situação específica e 
ao mesmo tempo corriqueira que surge de forma repentina e inesperada. Diferencia-se 
da crise acidental, uma vez que esta decorre de episódios raros e inesperados que não 
costumam ocorrer, tais como desastres naturais e interpessoais.
Com relação às fases, as crises apresentam quatro em sequência de evolução 
cronológica, conforme aparece na Figura 34 a seguir.
133
Figura 34 – Fases da crise
Fonte: a autora
Na primeira fase, a crise aparece na vida da pessoa, levando-a ao aumento 
do estresse e ansiedade. Nela, os mecanismos primários de reação não evoluem com 
sucesso, o que faz com que aumente mais ainda o nível de estresse e de ansiedade, 
entrando na segunda fase. Nesta fase, os mecanismos de defesa e reação também não 
surtem efeito, então a pessoa entra na fase três, onde o estresse e a ansiedade estão 
extremamente exacerbados e o corpo adota mecanismos de defesa e reação “extras”, 
despendendo muita energia. 
Ainda assim, não surte efeito satisfatório, até que ela entra na fase quatro ou de 
colapso total, porque sua vida passa a se tornar sem sentido, um verdadeiro caos. Todos 
os mecanismos de defesa e reação foram explorados e a pessoa entra em exaustão, 
paralisando tudo a ponto de ficar na iminência da morte.
2.1 EMERGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS
Emergência psiquiátrica (EP) é qualquer situação na qual exista risco significativo 
e iminente de morte ou lesão grave, provocado por sentimentos, pensamentos ou 
ações que colocam em risco a integridade da própria pessoa, de outras, do ambiente 
e da sociedade. Exige intervenção terapêutica imediata, em minutos ou horas 
(GUERTZEINSTEIN, 2007; SPODE; FLECK, 2001).
As situações mais comuns de emergência psiquiátrica são as tentativas de 
suicídio, que irão requerer vigilância constante de 24 horas da pessoa que estiver com 
ideação para tentar; agitação e agressividade, que requer intervenção de contenção 
física ou química para acalmar a situação; ansiedade aguda; surtos psicóticos, que 
podem culminar em extrema irritabilidade e agressividade, requerendo ações de 
contenção; e intoxicação alcóolica, que pode levar ao coma e óbito e, portanto, requer 
intervenções imediatas de procedimentos assistenciais. O manejo dessas situações 
pode ser verificado na Figura 35.
134
Figura 35 – Manejo de Emergências Psiquiátricas
Fonte: https://www.sanarmed.com/emergencias-psiquiatricas-como-manejar. Acesso em: 16 jul. 2022.
2.2 IDEAÇÃO SUICIDA E SUICÍDIO/PROTOCOLO DE SUICÍDIO
O suicídio é um fenômeno presente ao longo de toda história da humanidade, 
em todas as culturas. Apresenta determinantes e condicionantes de saúde multifatoriais 
que são acumulados ao longo de toda a vida de um indivíduo: psicológicos, culturais, 
socioambientais e biológicos/genéticos.
Falar sobre essa temática não é algo tão prático por conta de muitos estigmas 
existentes a seu respeito, mas, por se tratar de um grave problema de saúde pública 
com taxas crescentes ao longo dos últimos anos, urge essa necessidade. No caso do 
Brasil, é possível dizer que, levando-se em consideração essa atual conjuntura, no ano 
de 2017, o Ministério da Saúde criou uma agenda estratégica de prevenção ao suicídio.
Quando se diz que as taxas de suicídio vêm crescendo nos últimos anos, 
considera-se as esferas nacional e internacional. É sabido que ele vem sendo 
considerado umas das principais causas de morte entre pessoas jovens, onde se 
incluem os adolescentes e adultos jovens.
Diante desse cenário preocupante, faz-se necessário pensar sobre o porquê 
desse comportamento epidemiológico. Uma das possíveis justificativas para tal situação 
é a de que pode estar faltando capacidade de enfrentamento para os fatos adversos da 
vida; pois, se assim não fosse, esses indicadores não estariam se elevando.
O comportamento suicida é regido por uma fase de ideação, em que a pessoa 
pensa em eliminar a própria vida e, portanto, planeja como isso pode ser feito; em 
seguida, existe a fase de tentativa desse suicídio, que pode ser concretizado ou não. No 
primeiro caso, não há mais o que ser feito por essa pessoa, uma vez que o plano dela 
https://www.sanarmed.com/emergencias-psiquiatricas-como-manejar
135
deu certo e ela estará morta. No segundo caso, em que a tentativa não foi feliz, vale 
ressaltar que essa pessoa precisa de enorme apoio social e, por isso mesmo, o correto 
é que ela permaneça sob vigilância constante de 24 horas para não voltar a tentar. 
Alguém com planejamento de suicídio nunca deve ficar sozinho.
Convém salientar, que também no tocante à prevenção, ainda existem barreiras 
por parte de alguns profissionais, o que pode ser exemplificado por medo e vergonha de 
falar a respeito do assunto; desconhecimento sobre o assunto, bem como dos próprios 
sinais de alerta e fatores de risco.
As pessoas frequentemente dão fortes indícios da sua intenção de se suicidar, 
modificando o comportamento e falando com amigos e profissionais a respeito; por 
isso, conversar abertamente sobre o assunto ajuda a preveni-lo, uma vez que alivia a 
angústia e o desespero.
No que tange aos fatores de risco, estes são demarcados por questões sociais, 
psicológicas, por doenças mentais e condições de saúde limitantes, principalmente. 
Dentre os aspectos sociais, é possível citar a idade mais jovem, bem como a idade acima 
dos65 anos; o desemprego; os problemas financeiros e a fragilidade dos vínculos nos 
relacionamentos interpessoais.
Já em relação aos aspectos psicológicos, é possível mencionar alguma perda 
recente (de amigos, familiares); baixa resiliência, que é a capacidade de se adaptar às 
mudanças ou situações adversas da vida; personalidade difícil; vivência de algum tipo 
de violência e falta de esperança.
As doenças mentais que mais levam à tentativa de suicídio são a depressão, o 
transtorno afetivo bipolar, a esquizofrenia, os transtornos de personalidade e aqueles 
relacionados ao uso de substâncias. Já as condições de saúde limitantes que mais 
conduzem ao mesmo tipo de comportamento são as neoplasias malignas e outras 
doenças crônicas.
Os tratamentos recomendados para as situações de comportamento suicida 
são pautados na psicoterapia e nos medicamentos. Os fatores protetivos, por sua vez, 
são a ausência de transtornos mentais, a fé ou crença religiosa, os relacionamentos 
interpessoais saudáveis e a prática de atividade física associada a momentos de lazer.
Diante do exposto, percebe-se que podem ser variados os riscos de pessoas 
com comportamento suicida. Sendo assim, é possível falar na existência de um protocolo 
de prevenção ao suicídio que objetiva pontuar sobre ações e tomada de decisão por 
equipes de profissionais em sua abordagem aos pacientes que revelem esse tipo de 
comportamento em sua admissão ou ao longo de sua internação em dispositivos de 
saúde ambulatoriais e hospitalares.
136
As Figuras 36 e 37 a seguir, mostrarão dois tipos de protocolos de prevenção 
ao suicídio implementados em um hospital universitário brasileiro, sendo um para 
atendimentos em nível ambulatorial e outro para atendimentos hospitalares. Convém 
apenas definir alguns termos neles presentes, como pacientes de baixo, médio e alto 
risco para esse tipo de comportamento.
O paciente de baixo risco é aquele que apresenta pensamentos suicidas 
esporádicos e que revelam grau de suporte social e familiar adequados. O paciente de 
médio risco é aquele que pensa e planeja o suicídio, mas nunca chegou a tentá-lo e que 
tem um bom suporte social. Já o paciente de alto risco é aquele com planos e tentativas 
recentes e com baixo ou nenhum suporte social.
Figura 36 – Fluxograma de pacientes ambulatoriais
Fonte: Batista Filho (2020, p. 14)
137
Figura 37 – Fluxograma para pacientes internados
Fonte: Batista Filho (2020, p. 15)
2.3 CONTENÇÃO FÍSICA
A contenção física é uma conduta assistencial na prática psiquiátrica utilizada 
quando os pacientes estão agressivos e agitados, colocando em risco a si mesmo, os 
profissionais e outros internos.
Existe muito tabu a respeito desta técnica, mas convém salientar que ela pode 
ser implementada de forma humanizada, desde que seja utilizada a técnica correta, o 
que assegura também a integridade e dignidade do próprio paciente. Dessa forma, faz-
se importante pontuar que essa técnica não deve ser posta em prática por conveniência 
ou até como alternativa de punição.
A primeira observação a ser feita é a de que esse procedimento deve ser prescrito 
por um profissional médico, após terem sido colocadas em prática outras técnicas como 
comunicação verbal e aplicação de medicamentos que não surtiram efeito. 
Em seguida, após a prescrição, é importante destacar que deve ser realizada 
por uma equipe de pelo menos três membros em que um deles assuma o papel de 
condutor da situação, mas todos agindo com extremo profissionalismo, claro. Os 
pertences pessoais do paciente devem ser retirados de perto dele, para não oferecer 
risco de manuseio de sua parte, como também para não colocar a equipe em risco. Após 
138
RESUMO DO TÓPICO 5tudo isso, as articulações dos membros do paciente serão imobilizadas, aplicando-se a 
contenção física ao leito. Restrições torácicas também são realizadas, a depender da 
necessidade, mas vale enfatizar a observância a ser mantida perante os movimentos 
respiratórios. Podem ser utilizados fitas de bandagens ortopédicas, lençóis, por exemplo. 
A seguir, na Figura 38, observam-se as partes do corpo de um paciente, nas quais essa 
técnica pode ser implementada.
Figura 38 – Locais de realização da contenção física
Fonte: https://bit.ly/3yCM2v8. Acesso em: 13 out. 2022.
139
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico, você aprendeu:
• Um dos conceitos para o termo “crise” alega que a crise se refere à inabilidade da pes-
soa para resolver um problema, o que provoca um aumento crescente da ansiedade 
e deve ser considerada um evento crítico. O outro afirma que a crise é um evento que 
surge quando a pessoa se depara com uma situação de conflito para o seu equilíbrio e 
não se sente capaz de ignorar ou de resolver o problema com seus mecanismos habi-
tuais de enfrentamento, o que também contribui para a elevação da ansiedade. 
• Emergência psiquiátrica (EP) é qualquer situação na qual exista risco significativo 
e iminente de morte ou lesão grave, provocado por sentimentos, pensamentos ou 
ações que colocam em risco a integridade da própria pessoa, de outras, do ambiente 
e da sociedade. Exige intervenção terapêutica imediata, em minutos ou horas. 
• O comportamento suicida é regido por uma fase de ideação, em que a pessoa pensa 
em eliminar a própria vida e, portanto, planeja como isso pode ser feito; em seguida, 
existe a fase de tentativa desse suicídio que, pode ser concretizado ou não. 
• A contenção física é uma conduta assistencial na prática psiquiátrica utilizada 
quando os pacientes estão agressivos e agitados, colocando em risco a si mesmo, os 
profissionais e outros internos. 
140
AUTOATIVIDADE
1 Variados eventos adversos ocorrem cotidianamente em nossas vidas e de forma 
abrupta. Quando um evento inesperado ocorre na vida de uma pessoa, seu nível de 
estresse e ansiedade se elevam. A respeito disso, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Depressão.
b) ( ) Emergência psiquiátrica.
c) ( ) Ideação suicida.
d) ( ) Crise.
2 A crise ocorre em pessoas saudáveis, mesmo funcionando como fator predisponente 
para uma emergência psiquiátrica em casos específicos. Sobre o que NÃO contempla 
um tipo de crise, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Situacional.
b) ( ) Maturacional.
c) ( ) Ocasional.
d) ( ) Acidental.
3 As crises apresentam uma sequência de evolução cronológica. Com relação às fases 
de uma crise, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Uma Fase.
b) ( ) Três fases.
c) ( ) Duas fases.
d) ( ) Quatro fases.
4 As situações mais comuns de emergência psiquiátrica são as tentativas de suicídio, 
agitação e agressividade; ansiedade aguda; surtos psicóticos, e intoxicação alcóolica. 
Diante de excerto, conceitue emergências psiquiátricas.
5 Quando se diz que as taxas de suicídio vêm crescendo nos últimos anos, considera-
se as esferas nacional e internacional. É sabido que ele vem sendo considerado 
umas das principais causas de morte entre pessoas jovens, onde se incluem os 
adolescentes e adultos jovens. Diante disso, caracterize o suicídio.
141
FUNÇÕES PSÍQUICAS E 
PSICOFARMACOLOGIA
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 2 TÓPICO 6 - 
As funções psíquicas são diversas e correspondem a elementos observados 
durante a avaliação inicial e de rotina realizada diante de um paciente em exame 
do estado mental. Dentre elas, citam-se: consciência, atenção, sensopercepção, 
afetividade, impulsividade, inteligência, memória, juízo, pensamento, linguagem, 
orientação e psicomotricidade. 
Neste tópico, serão abordados, ainda, alguns pontos principais, como a 
evolução histórica dos tratamentos dos psicofármacos; a relação entre a descoberta 
dos psicofármacos e o papel do enfermeiro na área de psiquiatria, e as principais 
características dos psicofármacos mais utilizados hoje no mercado.
2 CONSCIÊNCIA
Com a avaliação da consciência, percebe-se se o paciente está vígil, sonolento, 
torporoso ou em coma. Quando está vígil, ele está responsivo a ponto de apresentar 
abertura ocular espontânea. Com a sonolência, há a lentificaçãodos processos 
ideacionais. Em estado de torpor, ele dorme, exceto quando estimulado e, em coma, ele 
não pode ser acordado.
3 ATENÇÃO
Para a função de atenção, deve-se observar a vigilância, que compreende a 
manutenção de um foco de atenção para estímulos externos; a tenacidade, que é a 
capacidade de se manter em uma tarefa específica; e a concentração, que se consiste 
na capacidade de manter a atenção voluntária em alguma atividade.
4 SENSO-PERCEPÇÃO
Na avaliação da sensopercepção, tenta-se identificar ilusões, ou seja, 
interpretações errôneas de um estímulo real; alucinações, que correspondem à 
percepção sensorial na ausência de estímulo externo, tendo o paciente uma percepção 
real de um objeto inexistente; despersonalização, que ocorre quando o paciente não tem 
a percepção de si adequada, manifestando estranheza ou irrealidade; desrealização, 
quando ele não percebe o ambiente tal qual é.
142
5 AFETIVIDADE
Nesta função, o que se avalia é a qualidade do afeto (tristeza, culpa, alegria, 
vergonha); a sua modulação, podendo ela estar aumentada – hipermodulação, ou 
diminuída – hipomodulação, ou embotamento, quando não há expressão afetiva 
alguma; e a tonalidade do afeto (hipotimia – sintomas depressivos, hipertimia – euforia 
e disforia – mau humor).
6 IMPULSIVIDADE
A impulsividade é a função representativa por uma atividade básica e espon-
tânea que se apresenta inibida por questões pertinentes à moral. Elas não podem ser 
contidas ou controladas, manifestando-se como atos isolados, involuntários e sem 
um objetivo certo.
7 INTELIGÊNCIA
A inteligência é a capacidade de pensar e agir de forma racional e lógica, discer-
nindo o que é de fato essencial na vida. Costuma ser mensurada através de testes, mas 
suas alterações não correspondem a patologias propriamente ditas. Dentre as modifi-
cações, citam-se a oligofrenia, que consiste em uma deficiência intelectual herdada ou 
adquirida; e demência, que é um declínio progressivo da capacidade intelectual.
8 MEMÓRIA
A avaliação da memória envolve os subtipos de memória: a imediata, relativa 
aos últimos cinco minutos; a recente, que abrange os últimos dias e horas; e a remota, 
que engloba o passado, desde o início da vida da pessoa.
9 JUÍZO
Também conhecido por juízo crítico, corresponde à ideia ou ao pensamento que 
o indivíduo tem de si mesmo (neste caso, uma autoavaliação) e das outras coisas e 
pessoas, adquirindo ou implementando capacidade de julgamento, ou seja, de opinar a 
respeito, definindo seus valores e atributos.
143
10 PENSAMENTO
O pensamento consiste-se na capacidade de suceder a ideias expressas por 
meio da linguagem e, assim, compreender e adaptar-se ao mundo. Ele pode estar 
relacionado à experiência de vida, por exemplo. Ele é avaliado quanto à velocidade, à 
forma e ao conteúdo. 
Com relação à velocidade, ele pode ser lentificado, inibido ou acelerado. Quanto 
ao conteúdo, pode ser denominado de ruína, culpa, tristeza, grandeza e poder. Já em 
relação à forma, ele pode ser arborizado, quando o raciocínio não é concluído; roubado, 
quando transmite a sensação de roubo dele; prolixo, quando está preso a ideias supér-
fluas; fugitivo, quando os assuntos são modificados subitamente; ambivalente, quando 
ideias antagônicas coexistem; e incoerente, quando tem seu discurso perdido.
11 LINGUAGEM
A linguagem é a função psíquica relativa à forma de se comunicar através de 
um discurso, dependendo de fatores de um certo contexto. Ela sofre alterações na sua 
quantidade (mutismo, monossilábico, espontânea ou não espontânea); quanto a sua 
velocidade (rápida, lenta, hesitante); e ao volume (alta ou baixa).
12 ORIENTAÇÃO
A orientação é a capacidade de a pessoa se situar adequadamente no tempo e 
no espaço. Pode admitir alterações qualitativas, como desorientação autopsíquica (de 
si mesmo); alopsíquica (de outras pessoas); temporal (sobre o tempo) e espacial (local 
em que encontra).
13 PSICOMOTRICIDADE
Uma vez que todo evento psíquico culmina em eventos motores, a psicomo-
tricidade representa a exteriorização e o resultado da elaboração interna de estímulos. 
Suas variantes podem ser: hipercinesia ou movimentação elevada; hipocinesia ou mo-
vimentação diminuída; ecopraxia ou repetição imitativa do movimento; e maneirismo ou 
repetição estereotipada de movimentos exagerados.
144
14 PSICOFARMACOLOGIA – ASPECTOS HISTÓRICOS E 
GERAIS DOS PSICOFÁRMACOS
No que diz respeito à evolução histórica dos tratamentos em psiquiatria, pode-se 
dizer que até o ano de 1950 prevalecia a insulinoterapia, eletroconvulsoterapia e a conten-
ção e vigilância dos pacientes; todos já explicados anteriormente. Após o ano de 1950, en-
tretanto, aconteceu uma mudança radical na terapêutica da área de saúde mental devido 
à introdução do uso da Clorpromazina, iniciando-se aí a terapia medicamentosa.
Com o advento do uso dos psicofármacos, pois, a atuação do enfermeiro da área 
de saúde mental também sofreu alterações, passando a ser mais próxima do paciente 
e um tanto menos opressora, uma vez que houve a redução no tempo de contenção e 
vigilância do paciente. Acresce-se a isso, a possibilidade de convívio com a comunidade 
e família do paciente.
Os psicofármacos são substâncias que alteram a atividade psíquica, aliviando 
sintomas de transtornos psiquiátricos ou promovendo alterações na percepção ou 
no pensamento. Sua utilização se baseia em algumas etapas de tratamento: início, 
estabilização, manutenção e retirada; e suas principais classes são a dos hipnóticos e 
ansiolíticos (benzodiazepínicos), a dos antidepressivos, a dos estabilizadores do humor 
e os antipsicóticos.
15 ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS
Essas classes de medicamentos são denominadas de benzodiazepínicos, cujo 
início de ação é rápido; o tempo de tratamento pelo qual devem ser utilizados gira em 
torno de 8 semanas e seus efeitos se pronunciam sobre a memória e a aprendizagem.
Suas principais indicações são como adjuvantes no tratamento de transtornos 
ansiosos e depressivos, na síndrome da abstinência ao álcool, nas convulsões e como 
relaxantes musculares. De forma geral, são amplamente utilizados, proporcionam alívio 
dos sintomas como ansiedade e insônia, não devem ser utilizados concomitantemente 
com o álcool, apresentam alguns efeitos colaterais e precisam ser descontinuados 
através de um desmame.
Como exemplos de benzodiazepínicos de longa duração (ansiolíticos), é possível 
citar o Diazepam, o Rivotril e o Clobazam. Já os benzodiazepínicos de curta duração 
(hipnóticos) podem ser exemplificados pelo Alprazolam, Dormonid e Lorazepan.
145
16 ANTIDEPRESSIVOS
Esta classe de medicamentos revela risco para superdosagem, no caso de 
algum paciente que tenha ideação suicida; necessidade de restrição ao consumo de 
álcool e precisam ser desmamados, ou seja, ter sua retirada gradual. São indicados 
para quadros depressivos, transtornos ansiosos, bulimia, TDAH (transtorno do déficit de 
atenção e hiperatividade), incontinência urinária, dor crônica, nevralgias e enxaquecas 
(FUKUDA; STEFANELLI; ARANTES, 2017).
Como exemplos dessas medicações, citam-se a Amitriptilina, o Anafranil, a 
Fluoxetina, a Paroxetina, a Sertralina, dentre outros.
17 ESTABILIZADORES DO HUMOR
Os estabilizadores do humor são os medicamentos utilizados primariamente 
na emergência do transtorno afetivo bipolar; são eficazes em oitenta por cento dos 
casos de mania aguda; mas como sua dose terapêutica é muito próxima da dose tóxica, 
originam alguns efeitos colaterais principais como tremores, problemas dermatológicos, 
ganho de peso e alterações no funcionamento da tireoide; mas devem ser mantidos 
como profiláticos (FUKUDA; STEFANELLI; ARANTES, 2017).
Muitos medicamentos dessa classe, contém o elemento químico Lítio em 
sua estrutura, logo a equipe de enfermagem deve ficar atenta aos efeitos da litemia 
(concentração dele no sangue), que são: náuseas, vômitos, fadiga, letargia, tremor 
fino, confusão, agitação, disartria, ataxia, hipertonia, hiperreflexia, nistagmo, fraquezamuscular, coma, convulsões, mioclonia, hipertermia e colapso cardiovascular, que são 
sinais de toxicidade (OLIVEIRA, 2011).
Como exemplos desses medicamentos, citam-se: a Carbamazepina, o Carboli-
tium, o Depakene, o Topamax, dentre outros.
18 ANTIPSICÓTICOS (NEUROLÉPTICOS)
Esta classe de medicamentos é usada no controle de delírios e alucinações, 
sendo também eficazes no controle da agitação. São indicados para a esquizofrenia, 
episódios de mania, episódios mistos maníaco-depressivos, depressões psicóticas, 
comportamento de violência e alterações do mesmo, psicoses orgânicas e Parkinson e 
Alzheimer (OLIVEIRA, 2011).
Os neurolépticos típicos ou de primeira geração são o Haldol, a Clorpromazina 
e o Akeneton. Já os neurolépticos atípicos ou de segunda geração são a Olanzapina, a 
Risperidona, a Clozapina e a Quetiapina.
146
RESUMO DO TÓPICO 6
Neste tópico, você aprendeu:
• As funções psíquicas são diversas e correspondem a elementos observados du-
rante a avaliação inicial e de rotina realizada diante de um paciente em exame do 
estado mental. 
• As funções psíquicas são: consciência, atenção, sensopercepção, afetividade, 
impulsividade, inteligência, memória, juízo, pensamento, linguagem, orientação e 
psicomotricidade. 
• No que diz respeito à evolução histórica dos tratamentos em psiquiatria, pode-se 
dizer que até o ano de 1950 prevalecia a insulinoterapia, eletroconvulsoterapia e a 
contenção e vigilância dos pacientes. 
• Após o ano de 1950, entretanto, aconteceu uma mudança radical na terapêutica da 
área de saúde mental devido à introdução do uso da Clorpromazina, iniciando-se aí a 
terapia medicamentosa. 
• Os psicofármacos são substâncias que alteram a atividade psíquica, aliviando 
sintomas de transtornos psiquiátricos ou promovendo alterações na percepção ou 
no pensamento. Sua utilização se baseia em algumas etapas de tratamento: início, 
estabilização, manutenção e retirada; e suas principais classes são a dos hipnóticos 
e ansiolíticos (benzodiazepínicos), a dos antidepressivos, a dos estabilizadores do 
humor e os antipsicóticos.
147
AUTOATIVIDADE
1 As funções psíquicas são diversas e correspondem a elementos observados durante 
a avaliação inicial e de rotina realizada diante de um paciente em exame do estado 
mental. Com relação a quais são as funções psíquicas, assinale alternativa CORRETA:
a) ( ) Consciência, atenção, sensopercepção, afetividade, impulsividade, inteligência, 
memória, juízo, pensamento, linguagem, orientação e psicomotricidade. 
b) ( ) Consciência, atenção, sensopercepção, afetividade, impulsividade, inteligência, 
memória, juízo, pensamento, irritabilidade, desorientação.
c) ( ) Afetividade, impulsividade, inteligência, memória, juízo, pensamento, miopia, 
tontura, labirintite, hiperatividade.
d) ( ) Afetividade, impulsividade, inteligência, linguagem, orientação, psicomotricidade, 
senso comum, parcialidade, bulimia.
2 Essa função psíquica se refere à capacidade de pensar e agir de forma racional e 
lógica, discernindo o que é de fato essencial na vida. Dentre as modificações que 
acontecem, citam-se a oligofrenia, que consiste em uma deficiência intelectual 
herdada ou adquirida; e demência, que é um declínio progressivo da capacidade 
intelectual. Com relação a denominação dessa função psíquica, assinale a 
alternativa CORRETA:
a) ( ) Juízo.
b) ( ) Afetividade.
c) ( ) Inteligência.
d) ( ) Sensopercepção.
3 Essas classes de medicamentos têm início de ação rápido; o tempo de tratamento 
pelo qual devem ser utilizados gira em torno de oito semanas e seus efeitos se 
pronunciam sobre a memória e a aprendizagem, sendo ministrados para tratamento: 
Alprazolam, Dormonid e Lorazepan. Assinale a alternativa CORRETA, que denomina a 
classe desses medicamentos:
a) ( ) Benzodiazepínicos.
b) ( ) Antidepressivos.
c) ( ) Neurolépticos.
d) ( ) Estabilizadores do humor.
148
4 Os psicofármacos são substâncias que alteram a atividade psíquica, aliviando 
sintomas de transtornos psiquiátricos ou promovendo alterações na percepção ou 
no pensamento. Sua utilização se baseia em algumas etapas de tratamento: início, 
estabilização, manutenção e retirada; e suas principais classes são a dos hipnóticos 
e ansiolíticos (benzodiazepínicos), a dos antidepressivos, a dos estabilizadores do 
humor e os antipsicóticos. Caracterize os antidepressivos e cite exemplos.
5 Neurolépticos são utilizados no controle de delírios e alucinações, sendo também 
eficazes no controle da agitação. Cite exemplos dessa classe de medicamentos.
149
REFERÊNCIAS
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TOWNSEND, M. C. Enfermagem psiquiátrica: conceitos de cuidados na práticabaseada em evidências. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
151
SAE, PROCESSO E ATUAÇÃO 
DE ENFERMAGEM EM SAÚDE 
MENTAL, E COMUNICAÇÃO E 
RELACIONAMENTO TERAPÊUTICO
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender o desenvolvimento da entrevista do usuário dos serviços de saúde men-
tal, bem como o da implementação da sistematização de assistência de enfermagem;
• conhecer os conceitos e métodos terapêuticos utilizados em saúde mental;
• identificar as principais técnicas de relacionamento e comunicação terapêuticos para 
com o paciente com transtorno mental;
• identificar os principais cuidados de enfermagem em saúde mental, os papéis e 
funções do enfermeiro em quaisquer níveis de assistência;
• conhecer as causas de transtornos mentais em diversos grupos e contextos sociais, 
bem como entender as intervenções de enfermagem frente a cada um deles.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar 
o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL
TÓPICO 2 – CLIMA TERAPÊUTICO, TERAPIAS E INTERVENÇÕES
TÓPICO 3 – PAPEL DO ENFERMEIRO NO CAMPO DA SAÚDE MENTAL E EM SEUS 
CONTEXTOS ESPECÍFICOS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
152
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
Acesse o 
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153
TÓPICO 1 — 
SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE 
ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
A Enfermagem, enquanto ciência integrante da área da saúde, é composta por 
conhecimentos teóricos e práticos a serem tomados como alicerce pelo enfermeiro 
para o alcance da oferta de uma assistência a mais adequada e segura possível aos 
pacientes sob seus cuidados.
A partir desse raciocínio, torna-se possível deduzir que o trabalho desempenhado 
pelo enfermeiro dentro de sua equipe requer uma organização que deve ser cumprida 
de forma padronizada nos mais variados tipos de dispositivos de saúde onde exista o 
cuidado de enfermagem, sejam eles de cunho público ou privado.
O ponto ápice dessa padronização foi obtido através da consideração e 
implementação de uma tecnologia leve e essencial, denominada de Sistematização da 
Assistência de Enfermagem (SAE). Esta, por sua vez, conceitua-se como um aparato 
de normas e regras com natureza teórico-filosófica que possibilitam a organização e 
operacionalização do trabalho do enfermeiro, ou seja, um método científico capaz de 
promover a melhoria da qualidade da assistência de enfermagem e ampliar a função 
gerencial dele (OLIVEIRA; ALMEIDA; MOREIRA et al., 2019).
Convém salientar, ainda, que a SAE abrange um conjunto de etapas a serem 
executadas pelo enfermeiro definido como Processo de Enfermagem (PE), e que o 
amparo legal de sua implementação é respaldado pela Resolução do Conselho Federal 
de Enfermagem – COFEN nº 358/2009, que revogou a edição de uma outra Resolução, 
a de nº 272/2002.
Essa resolução conta com oito artigos, dos quais seis expressam critérios 
estabelecidos ao exercício da profissão de enfermagem no que tange à aplicabilidade 
da SAE e, consequentemente, do PE. Em seu primeiro artigo, a resolução explicita a 
necessidade de realização do PE de modo deliberado e sistemático em todos os 
ambientes públicos ou privados, de fato, em que se identifique cotidianamente o cuidado 
de enfermagem. Esse artigo contém dois parágrafos, sendo o primeiro deles aquele que 
faz menção aos tipos de ambientes em questão, referindo-se a eles como instituições 
hospitalares, ambulatoriais, domiciliares, escolares, comunitárias e empresariais, 
principalmente; ao passo que o segundo estabelece que o PE desenvolvido fora do 
âmbito hospitalar corresponde à Consulta de Enfermagem.
154
O segundo artigo da resolução contempla a informação de que o PE é formado 
por cinco etapas que se inter-relacionam, sendo elas sequencialmente representadas: 
1) coleta de dados; 2) diagnóstico de enfermagem; 3) planejamento de enfermagem; 
4) implementação e 5) avaliação de enfermagem. Estas etapas são cíclicas e, 
concomitantemente, interdependentes, o que pode ser visualizado na Figura 1 a seguir.
Figura 1 – Etapas do processo de enfermagem
Fonte: Barros e Lemos (2017)
Em seu artigo terceiro, a Resolução – COFEN nº 358/2009 salienta a 
imprescindibilidade de um aporte teórico por parte do enfermeiro para que ele execute 
com extrema maestria as etapas do Processo de Enfermagem. Torna-se propício 
enfatizar, portanto, a importância que o enfermeiro deve dar ao binômio ensino-
aprendizagem em sua formação, uma vez que ela será decisiva para uma habilidosa 
execução do PE por parte dele.
A resolução, em seu quarto artigo, direciona a incumbência da liderança do en-
fermeiro no que concerne à execução e avaliação do PE, clarificando que a ele cabe, de 
forma privativa, a realização das etapas de elaboração dos diagnósticos e prescrições de 
enfermagem. Em complementaridade ao exposto neste último artigo, o quinto determina 
a participação dos profissionais técnicos de enfermagem e auxiliar de enfermagem na 
execução do PE sob supervisão do enfermeiro naquilo que lhes for cabível.
Por fim, o sexto artigo preconiza a outorga do registro formal de todas as 
informações inerentes à execução do PE, pois, indubitavelmente, a documentação da 
prática profissional corresponde ao maior respaldo do trabalho da enfermagem. 
A sistematização da assistência de enfermagem e o processo de enfermagem, 
por fim, devem ser aplicados em todos os setores de atuação possíveis para esta 
categoria profissional, incluindo o de saúde mental. Por outro lado, a saúde mental se 
consiste em um campo cuja abordagem ao paciente é completamente diferenciada 
dentro da enfermagem, o que implica, consequentemente, uma implementação da SAE 
e do PE pautada nessa diferença que será a partir de agora explanada.
O PE em saúde mental é dinâmico, contínuo e composto pelas cinco etapas 
já supracitadas: histórico, diagnósticos, planejamento, implementação e avaliação 
dos resultados.
155
2 OBSERVAÇÃO E AVALIAÇÃO INICIAL
A avaliação inicial é entendida aqui como sendo o primeiro momento em que o 
enfermeiro terá contato com o paciente para abordá-lo através das etapas do processo 
de enfermagem e realizar a sistematização de sua assistência.
Para tanto, uma das ferramentas fundamentais das quais o enfermeiro se 
vale, neste momento de avaliação inicial, é a observação. Isso significa que ele se 
utiliza da técnica propedêutica da inspeção visual para observar aspectos físicos e 
comportamentais aparentados e apresentados pelo paciente.
Com relação ao aspecto físico, o enfermeiro deve observar se o paciente está 
com a higiene preservada ou não; vestindo trajes limpos ou não; com a pele íntegra ou 
com algum ferimento ou lesão, por exemplo, atentando-se para o fato de que essas 
feridas podem ser indícios do fenômeno da automutilação. Já em relação ao aspecto 
comportamental, o enfermeiro precisa observar se o paciente está tranquilo, agitado, 
responsivo, tímido, eufórico, logorreico, agressivo; ou seja, observar todas as funções 
psíquicas, dentre outros quesitos fundamentais.
Enquanto observa, o enfermeiro também precisa, nesta avaliação inicial, 
apresentar-se para o paciente, ou seja, dizer seu nome e sua função na instituição; 
mencionar o que pretende desempenhar com o paciente neste momento, frisando 
que está ali para ajudá-lo; perguntar se o paciente sabe onde está e qual o papel da 
instituição; tentar realizar o toque terapêutico enquanto conversa com ele; perguntar 
o nome dele para referir-se a ele pelo nome; tentar passar tranquilidade ao paciente; 
implementar a escuta amiga e dizer que ali ele está seguro.
Dessa forma, é possível dizer que o enfermeiro agiu de maneira bastante 
assertiva para o estabelecimento do vínculo para com seu paciente, ponto imprescindívelpara o estabelecimento de toda a sistematização da assistência de enfermagem e 
longitudinalidade do cuidado a ele. Essa atitude assertiva é pautada no modelo de 
Relacionamento Terapêutico, preconizado por Hildegard Peplau, como será visto ao 
final da unidade. Caso contrário, se o paciente não se sente seguro e confortável, o 
enfermeiro não cria este vínculo e não consegue implementar adequadamente uma 
abordagem terapêutica para com ele. 
Nesse momento, o enfermeiro se utiliza, ainda, de uma comunicação terapêutica 
assertiva, adequada à situação e com demonstração de aceitação e observa as 
expressões verbais e não verbais do paciente.
156
2.1 SEMIOLOGIA PSIQUIÁTRICA (ANAMNESE REALIZADA 
PELO ENFERMEIRO)
A semiologia, em seu sentido etimológico enquanto palavra, significa estudo 
dos sinais. Mas que sinais são esses? Os sinais dizem respeito às condições físicas, 
psíquicas e sociais instaladas ou estabelecidas na vida de uma pessoa, de forma aguda 
ou crônica, e que são expressos por ela como algo que incomoda e que, portanto, 
precisa ser sanado.
Além desse significado, acrescenta-se o conceito do que vem a ser a semiologia. 
Pois bem, esta é designada como uma das disciplinas cursadas por estudantes da área 
de saúde, sob as nuances teórica e prática, e que lhes propicia o entendimento sobre os 
sinais e sintomas deflagrados por alguma condição das esferas biopsicossocial que já 
implica alteração do funcionamento adequado do organismo.
Para conseguir implementar o objetivo do estudo da semiologia, o profissional 
de saúde capacitado para tal se utiliza de técnicas propedêuticas específicas e inerentes 
ao que se denomina de exame físico, a fim de investigar os sinais e sintomas; bem como 
de técnicas de comunicação, também específicas, para a realização de uma entrevista 
ou anamnese com o paciente.
Todas essas técnicas podem e devem ser aplicadas quando se pretende 
avaliar qualquer pessoa no papel de paciente ou usuário dos serviços de saúde, 
independentemente da área ou especialidade médica para a qual ele tenha se destinado 
e procurado por assistência. Dessa forma, a área psiquiátrica ou de saúde mental não 
fica descoberta.
Neste subtópico, primeiramente, serão explicadas as características da 
entrevista ou anamnese. Uma entrevista, em seu sentido mais geral, consiste em uma 
conversa, neste caso de caráter profissional, entre uma pessoa que ajuda e uma outra 
pessoa que necessita dessa ajuda.
Convém salientar, entretanto, que nem sempre o elo da entrevista se dará entre 
profissional e paciente, uma vez que se admite permuta entre a pessoa que recebe 
cuidado para com algum membro familiar seu ou algum cuidador direto que não seja 
necessariamente da alçada familiar.
Em saúde mental, por exemplo, a entrevista realizada pelo profissional 
enfermeiro deve ir muito mais além do que a abordagem ao paciente ou a essa outra 
pessoa inserida no contexto devido à permuta, pois sua finalidade é observar o doente 
e lhe propor condições de ajuda para melhorar seu quadro clínico.
157
Sendo assim, os objetivos principais da anamnese consistem na coleta de 
dados ou informações; no suporte psicológico, na psicoeducação para o autocuidado; 
na resolução de problemas e de crise e na alteração de certos comportamentos. 
Importante frisar que a entrevista pode ser influenciada por fatores relacionados com o 
paciente, como seu nível de compreensão e de motivação; por fatores relacionados ao 
próprio entrevistador (enfermeiro), como suas atitudes e disponibilidade; e por fatores 
relacionados com o ambiente, que pode ou não ofertar tranquilidade e privacidade.
Existem alguns tipos de entrevistas mais utilizadas pelos profissionais de saúde, 
dentre eles, o enfermeiro. A entrevista pode ser do tipo estruturada ou direta, quando 
sua intenção é a de coletar dados através da aplicação de escalas ou instrumentos 
padronizados com perguntas fechadas; pode ser também não direta, quando sua 
maior pretensão é promover um suporte emocional através de uma conversa simples 
e espontânea composta por questionamentos abertos; e pode ser semidireta, quando 
objetiva que o paciente se expresse livremente de forma informal.
Para realizar a entrevista, independentemente da sua classificação, é necessário 
que o enfermeiro inicie por um momento de preparo, que envolve a escolha do local, os 
meios de registro, a apresentação pessoal adequada e o que ele vai objetivar com essa 
técnica. Após isso, ele estará apto a fazer um bom acolhimento promotor de escuta, 
questionamentos, aprofundamentos; uma boa análise de comportamentos e uma clara 
identificação de problemas.
Especificamente no campo da enfermagem psiquiátrica, a abordagem ao 
paciente é alicerçada em sua história biopsicossocial e do seu estado mental atual por 
meio de observação e anamnese. A observação, como já referida em tópico anterior, é 
uma ferramenta essencial para identificar aspectos nos âmbitos físico, comportamentais 
e emocionais do paciente.
A história biopsicossocial, por sua vez, é propícia ao fornecimento de dados 
pessoais e clínicos, tais como motivo de internamento; evolução da doença; história 
pregressa; história familiar; história social; fatores culturais e de valores e princípios. 
Os estados mental e físico serão estudados em tópicos subsequentes. Capta-se, 
ainda, dados referentes a possíveis usos de medicações; capacidade de adaptação do 
paciente; efeito atual de sua situação no seu cotidiano e atividades desenvolvidas e 
seus recursos disponíveis para sair dessa situação.
Finda-se o momento da entrevista agradecendo o paciente pela presença, 
valorizando seu envolvimento nesse momento e preparando-o para a marcação 
do próximo encontro. A seguir as Figuras de 1 a 6 obtêm trechos de um modelo de 
questionário que pode ser utilizado como ferramenta norteadora da entrevista a ser 
realizada pelo enfermeiro a seu paciente na área de saúde mental.
158
Quadro 1 – Informações pessoais gerais
Informação geral
Nome do cliente:
Alergias:
Número do quarto:
Dieta:
Médico:
Altura/peso:
Idade:
Sinais vitais: TPR/PA
Nome e número de telefone de pessoa de contato:
Sexo:
Cor/Raça (branco, preto, pardo, amarelo, indígena por autodeclaração):
Língua dominante:
Cidade de residência:
Estado civil:
Diagnóstico (na admissão e atual):
Queixa principal:
Condições na admissão:
Data:
Hora:
Acompanhado por:
Meio de admissão (cadeira de rodas, deambulando, maca):
Admitido de:
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
Quadro 2 – Fatores predisponentes genéticos
Fatores predisponentes
A. Influências genéticas
1. Configuração familiar (use genogramas):
Família de origem: ______________________________________________
Família atual: __________________________________________________
Dinâmica familiar (descreva relacionamentos 
significantes entre membros familiares):
 
 
159
 
2. História clínica/psiquiátrica:
a. Cliente: ______________________________________________________________
 
 
 
b. Membros da família: ______________________________________________________________
 
3. Outras influências genéticas que afetem a adaptação atual. 
Podem incluir efeitos específicos para sexo, grupo étnico, 
aparência, como defeitos físicos genéticos
ou qualquer outro fator relacionado que afete a adaptação do cliente,
que ainda não foi mencionada em algum outro local desta avaliação.
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
Quadro 3 – Fatores predisponentes de experiências passadas
B. Experiências passadas
1. História cultural e social:
a. Fatores ambientais (arranjos familiares, tipo de vizinhança,
 condições especiais de trabalho):
 
 
 
 
 
b. Crenças e práticas relacionadas com a saúde 
(responsabilidade pessoal pela saúde; práticas de autocuidado especiais):
 
 
 
 
 
160
c. Crenças e práticas religiosas:
 
 
 
 
 
d. Formação educacional:
 
 
 
 
 
e. Perdas/alterações significativas (incluir datas):
 
 
 
 
 
f. Relacionamentos com pares/amigos:g. História ocupacional:
 
 
 
 
 
h. Padrão prévio para lidar com o estresse:
 
 
 
 
 
161
i. Outros fatores de estilo de vida que contribuem para a adaptação atual:
 
 
 
 
 
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
Quadro 4 – Fatores relacionados a condições já existentes
C. Condições existentes
 
1. Estágio de desenvolvimento (Erikson):
a. Teórico: __________________________________
 
b. Comportamental: _________________________
c. Racional: _________________________________
 
 
2. Sistemas de apoio:_________________________
 
 
3. Segurança econômica: _____________________
 
 
4. Vias de produtividade/contribuição: _________________
 
a. Estado profissional atual: ___________________
 
b. Contribuições e responsabilidade por outros:
 
 
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
162
Quadro 5 – Outros fatores relacionados
III. Evento precipitante
Descreva a situação ou os eventos que precipitaram esta doença/
hospitalização:__________________________________________________
 
IV. Percepção do cliente sobre o estressor
Compreensão do cliente ou membros familiares ou descrição do estressor/doença e 
expectativas da hospitalização:
 
 
V. Respostas adaptacionais
A. Psicossocial
1. Nível de ansiedade (circule o nível e marque os comportamentos que se aplicam): 
 leve, moderado, grave,
pânico ____ calmo____ alerta____ percebe corretamente o ambiente____ 
cooperativo____ atenção prejudicada____ agitado____ incapaz de concentração____ 
hiperventilando____ interpretação incorreta do ambiente (alucinações)____
despersonalização ____ obsessões ____ Compulsões ____ queixas somáticas ____
hiperatividade excessiva ____ amistoso ____ pacífico ____outros _________________________
 
2. Humor/afeto (circule todos que se aplicam): 
Felicidade, tristeza, abatimento, desespero, exaltação, euforia, suspeição, apatia (baixo tônus 
emocional), raiva, hostilidade.
 
3. Mecanismos de defesa por ego (descreva como é utilizado pelo cliente)
Projeção 
Supressão
Anulação
Deslocamento
Intelectualização
Isolamento 
Regressão 
Formação de reação 
Divisão 
Religiosidade
Sublimação 
163
Compensação 
 
4. Nivel de autoestima (+B13:B34circular um): baixo moderado alto
Coisas que o cliente gosta em si: 
Coisas que o cliente gostaria de mudar em si: 
Avaliação objetiva da autoestima: 
Contato visual:
Aparência geral: 
Higiene pessoal: 
Participação em atividades de grupo e interações com outros: 
 
 
5. Estágio e manifestações de luto (circular um)
negação raiva barganha depressão aceitação
Descreva os comportamentos do cliente que estão associados 
a esse estágio de luto em resposta à perda ou mudança
 
 
6. Processos de raciocínio (circular todos os que se aplicam): 
Explícito, lógico, facilidade de acompanhamento, relevante, confuso, bloqueado, delirante, 
fluxo rápido de pensamentos, lentidão na associação de pensamentos, suspeição
Memória recente: perda intacta Memória remota: perda intacta Outros:
 
 
 
7. Padrões de comunicação (circular todos os que se aplicam): 
claro, coerente, fala arrastada, incoerente, neologismos, associações frouxas, voo de ideias, 
afásico, perseveração. 
Ruminação, fala tangencial, loquacidade, lento, fala empobrecida, impedimento da fala 
(descrever) 
 
 
164
 Outros:
8. Padrões de interação (descrever o padrão do cliente de interações interpessoais com o 
staff e pares na unidade, como, por exemplo, manipulativo, introvertido, isolado, verbal ou 
fisicamente hostil, argumentativo, passivo, assertivo, agressivo, passivo-agressivo, outros): 
 
 
 
 
9. Orientação sobre a realidade (marcar todos os que se aplicam):
Orientado para: Tempo Local
 Pessoa Situação 
 
 
10. Ideias de destruição própria/outros? Sim _______ Não _______
Em caso positivo, considerar plano e meios disponíveis:
Fonte: Adaptado de Townsend (2017)
Quadro 6 – Fatores de natureza fisiológica
B. Fisiológico
1. Manifestações psicossomáticas (descreva quaisquer queixas somáticas que possam estar 
relacionadas com o estresse):
 
 
 
 
2. História medicamentosa e avaliação: 
 Uso de medicamentos prescritos:
Nome Dosagem Prescrito para Resultados
 
 
 
Uso de medicamentos de venda livre:
 
Nome Dosagem Utilizado para Resultados
 
165
 
 
 
 
Uso de drogas recreativas (ou ilícitas) ou álcool
 
Nome Quantidade utilizada Frequência de Uso Último Uso Efeitos Produzidos
 
 
 
 
 
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
2.2 EXAME PSÍQUICO (AVALIAÇÃO DO ESTADO MENTAL)
O exame físico realizado pelo enfermeiro de saúde mental abrange as vertentes 
de um exame físico geral e comum a todas as outras áreas de especialidades, mas revela 
como foco a avaliação do estado mental do indivíduo, sendo, portanto, denominado de 
exame psíquico.
O exame do estado mental é realizado após a entrevista ou anamnese, mas 
ambos integram a primeira etapa do processo de enfermagem, que representa o histórico 
ou coleta de dados. Sua implementação é imprescindível para dar continuidade a esta 
etapa, bem como as demais etapas subsequentes do processo de enfermagem, pois, a 
partir dele, obtém-se um alicerce para futuras comparações, caso o paciente venha a 
precisar de nova abordagem, por exemplo.
Todas as informações colhidas na anamnese e no exame psíquico do paciente 
devem ser devidamente registradas na evolução de enfermagem, o que 
ratifica a importância da realização dessa etapa do processo de enfermagem.
NOTA
166
O exame do estado mental tem por principais objetivos a detecção de disfunções 
psicológica e de causas de psicopatologias; e a avaliação do nível de consciência, 
da aparência geral, da fala, do comportamento, do humor e afeto, do desempenho 
intelectual, da capacidade de julgamento, da percepção e do conteúdo de pensamento; 
ou seja, de várias funções psíquicas. Sendo assim, o exame psíquico será descrito a 
seguir por categorias.
A primeira categoria aqui contemplada é a de descrição geral, em que se avalia a 
aparência, a fala, a atividade motora e a interação durante a anamnese. A aparência vai 
servir de parâmetro para reflexão dos estados emocional e mental do paciente, uma vez 
que será observado se ele está vestido e arrumado de forma adequada para a idade; se 
a pele e seus anexos estão limpos; se a forma de se vestir é apropriada; se, se tratando 
de paciente do gênero feminino, o uso de maquiagem e outros cosméticos está com a 
aplicação correta e se existe um auto descaso, ou seja, a ausência de roupas coloridas 
nas vestimentas.
Através da aparência, deve-se notar, ainda, a postura, a marcha, as expressões 
faciais e o contato visual do paciente; bem como o processo de dilatação/contração das 
pupilas e o estado geral de saúde e nutrição. Quando o paciente exibe midríase, associa-
se à uma provável intoxicação por substâncias; ao passo que, na miose, supõe-se que 
ele pode estar sob dependência de narcóticos, por exemplo. Uma postura inclinada, por 
sua vez, soa como forte indicativo de depressão; e a vestimenta com cores chamativas 
e artigos incomuns geralmente são vistas em pacientes com quadro de mania.
No que tange à fala, é sabido que ela é a principal ferramenta de comunicação 
do ser humano e que pode ser avaliada na quantidade, velocidade e qualidade. Quando 
há a restrição na qualidade, o que se evidencia por repostas monossilábicas, diz-se que 
existe uma pobreza da fala. Com relação a sua velocidade, identifica-se a logorreia para 
o seu aumento; e bradilalia para sua diminuição. A respeito do volume, a fala pode ser 
alta ou baixa; e sobre a quantidade, pode existir escassez,mutismo ou pressão, sendo 
esta última rápida e dificilmente interrompida. 
Cabe enfatizar que as alterações da fala frequentemente são ocasionadas por 
lesões cerebrais. Uma fala arrastada pode indicar intoxicação do paciente; uma fala 
logorreica é muito visualizada em pacientes maníacos, ao passo que, nos depressivos, 
identifica-se a relutância em falar.
A atividade motora é a característica que diz respeito ao movimento físico 
do paciente, devendo o enfermeiro analisar e registrar o seu nível (letargia, tensão, 
inquietação ou agitação); seu tipo (tiques e outros tremores); e gestos incomuns, 
maneirismos ou compulsões.
167
Quando o indivíduo desempenha movimentos corporais excessivos, ele pode 
estar ansioso, em quadro de mania ou até sob efeito de estimulantes. Por outro lado, 
se sua atividade corporal estiver reduzida, ele pode estar vivenciando uma depressão, 
uma esquizofrenia catatônica ou outras causas puramente orgânicas. Os tiques ou 
outros tremores, uma vez presentes, podem ser indicativos de efeitos colaterais 
de medicações; e a realização de movimentos repetitivos podem indicar quadro de 
transtornos obsessivos-compulsivos. 
No que concerne à interação durante a entrevista, diz-se que esta é a maneira 
como o paciente se porta durante sua realização. O enfermeiro deve se valer do maior 
grau de impessoalidade possível, no intuito de analisar os seguintes comportamentos: 
hostilidade, cooperação, irritabilidade, apatia e desconfiança, principalmente. Esta 
última pode indicar quadro de paranoia e a irritabilidade, um transtorno ansioso.
A categoria do estado emocional abrange os quesitos de humor e afeto. O 
primeiro diz respeito a um sentimento que dá sentido à percepção que a pessoa tem 
do mundo, refletindo sua situação de vida. Ele pode ser avaliado a partir de uma única 
pergunta simples, que consiste em saber como o paciente está se sentindo. A maioria 
das pessoas com depressão refere desesperança, por exemplo. O paciente, entretanto, 
admite várias possibilidades do estado de humor, podendo este ser eufórico, lábil, 
irritável, disfórico e eutímico.
Já o afeto consiste no padrão observável dos sentimentos atuais do paciente, 
sendo, portanto, mais variável no tempo do que o humor. Ele pode ser descrito de acordo 
com os parâmetros de amplitude, duração, intensidade e adequação. Seu espectro pode 
ser dito normal ou amplo; e restrito ou embotado, dependendo do contexto cultural do 
paciente. Sua amplitude pode ser normal, excessiva ou reduzida. Quando se evidencia 
discordância do discurso do paciente, seu afeto está inadequado, e quando ele varia de 
modo abrupto, ele é dito lábil.
Na categoria das experiências, avaliam-se as percepções. Estas são definidas 
como sendo a reação frente a um estímulo físico nos órgãos do sentido. Quando essas 
reações estão anormalmente aumentadas, identifica-se uma hiperestesia; ao passo 
que, quando o paciente revela diminuição da sensibilidade aos estímulos, ele está 
hipoestésico. Existem, ainda, dois tipos de problemas de percepção: as alucinações e 
as ilusões.
As alucinações são as falsas impressões ou experiências sensitivas; e as ilusões 
são falsas percepções ou interpretações dos estímulos externos reais. Aquelas podem 
ocorrer em quaisquer um dos cinco sentidos, sendo as auditivas mais comuns em 
pacientes esquizofrênicos; e as visuais, em causas orgânicas, abuso de substâncias e 
tremores oriundos dos delírios.
168
A categoria dos pensamentos abrange o conteúdo e o processo pertinente a 
eles. O pensamento, propriamente dito, se caracteriza por ser o fluxo das ideias com 
alguma meta, sendo integrado pelo curso, forma e conteúdo. O curso diz se o fluxo do 
pensamento é normal, lento ou acelerado. A forma, por sua vez, é a estrutura básica a 
partir da qual as ideias se apresentam, podendo ser lógica e organizada; incoerente; 
frouxa, quando há uma desconexão entre os temas e desagregada, quando não exibe 
sentido, por exemplo.
O conteúdo do pensamento pode ser pobre, quando é vago ou expressa 
repetições vazias; obsessivo, quando há persistência de um pensamento irresistível; 
fóbico, quando revela um certo temor; delirante, quando se acredita em uma falsa crença. 
Diante disso, é sabido que uma associação desconexa de ideias sugere esquizofrenia e 
uma fuga de ideias sugere mania, por exemplo.
Por fim, a categoria sensorial e cognitiva avalia variáveis como o nível de 
consciência, a memória, a inteligência e o julgamento. O nível de consciência, quando 
avaliado, detecta se o paciente está consciente, letárgico, torporoso ou comatoso. Ele 
depende de estruturas encefálicas presentes no tronco cerebral; pode ser afetado por 
lesões corticais difusas ou bilaterais, mas a lesão de um único hemisfério pode afetá-lo 
por conta do edema surgido no outro.
A memória aborda o nível de concentração e cálculos, sendo, portanto, uma 
função psíquica extremamente complexa, armazenando informações, inclusive. A 
concentração é a capacidade de o paciente conseguir prestar atenção no decorrer 
da entrevista. A memória exibe perturbações quantitativas, como a amnésia, que é a 
incapacidade de recordar informações; e a hipermnésia, que é um grau exagerado de 
retenção dessas recordações. Existem, ainda, as perturbações quantitativas, como o 
déjà-vu, que é uma ilusão de reconhecimento visual na qual nova situação é reconhecida 
como repetição de lembranças anteriores; e amnésia lacunar, que é uma incapacidade 
de recordar fatos sucedidos em um intervalo de tempo.
A inteligência, por sua vez, consiste na capacidade de entender, recordar, 
mobilizar e integrar construtivamente algum aprendizado pregresso, tendo relação 
com o vocabulário e a gama de conhecimentos adquiridos pelo indivíduo. Com relação 
as suas alterações, menciona-se o retardo mental, caracterizado pela ausência de 
inteligência que interfere no desempenho social e ocupacional, podendo ser adquirido 
ou congênito.
Por fim, tem-se o julgamento que é a capacidade de tomada de decisões a 
partir da compreensão dos fatos, pode ser crítico, quando está adequado; automático, 
quando consiste no desempenho reflexo de uma ação; e prejudicado, quando está 
inadequado ou diminuído. 
169
No que tange ao restante do exame físico de um paciente com problemas 
psiquiátricos, este é realizado da mesma forma como para os pacientes que tem 
diagnóstico clínico, sendo feito por sistemas orgânicos no sentido cefalocaudal. A 
sequência dos Quadros 7 a 12 a seguir, mostra trechos de um modelo de que serve como 
roteiro para a realização do exame físico.
Quadro 7 – Avaliação física dos sinais vitais e dos sistemas tegumentar, musculoesquelético, 
neurológico e cardiovascular
3. Avaliações físicas pertinentes:
 
a. Respiração: normal Laboriosa
 Frequência Ritmo
 
b. Pele aquecida seca úmida fria pegajosa
rósea cianótica turgor diminuído edemaciada
 
Evidência de eritemas/exantemas 
escoriações marcas de agulhas
hirsutismo perda de pelos outros
 
c. Estado musculoesquelético: fraqueza tremores
Grau de amplitude de movimentos (descreva limitações) _____________
 
 
Dor (descrever) ______________________________________________
 
Deformidades esqueléticas (descrever)___________________________
 
 
Coordenação (descrever limitações) ______________________________
 
 
d. Estado neurológico:
 
História de (marcar todos os que se aplicam): convulsões
 
170
(descrever método de controle) __________________________________
dores de cabeça (descrever localização e frequência) ________________
 
fala desorientada _____________________________________________
tonturas ____________________________________________________formigamento/torpor (descrever localização) _______________________
 
e. Cardiovascular: PA Pulso
 
História de (marcar todos os que se aplicam):
 
hipertensão__________________________________________________
palpitações__________________________________________________
sopros cardíacos_____________________________________________
dor torácica__________________________________________________
falta de ar___________________________________________________
dor nos membros inferiores_____________________________________
flebite_______________________________________________________
edema em tornozelos/pernas___________________________________
torpor/formigamento nas extremidades____________________________
veias varicosas______________________________________________
 
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
Quadro 8 – Avaliação física do sistema gastrintestinal
f. Gastrointestinal
Padrões usuais de dieta __________________________________________
Alergias alimentares
Próteses dentárias? Superior Inferior
Quaisquer problemas com a mastigação ou deglutição? ________________
Qualquer mudança recente no peso? ________________________________
Qualquer problema com:
Indigestão/queimação? ___________________________________________
Aliviada por ___________________________________
Náuseas/vômitos? ______________________________________________
Aliviada por História de úlceras? ____________________________________
171
Padrão intestinal usual ___________________________________________
Constipação intestinal? ___________________________________________
Diarreia? ______________________________________________________
Tipo de assistência para o autocuidado de cada um dos problemas citados
 
 
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
Quadro 9 – Avaliação física do sistema geniturinário/reprodutivo
g. Geniturinário/reprodutivo
Padrão usual de micção ______________________________
Polaciúria? __________________________________________
Frequência? _________________________________________
Nictúria? ____________________________________________
Dor/queimação? ______________________________________
Incontinência? _______________________________________
Quaisquer lesões genitais? ____________________________
Secreções? ________________________________________
Odor? _____________________________________________
História de doença sexualmente transmitida? ______________
Em caso positivo, favor explicar: ________________________
Quaisquer preocupações sobre sexualidade/atividade sexual*
 
Método de contracepção utilizado ________________________
Mulheres:
Data do último ciclo menstrual___________________________
Duração do ciclo______________________________________
Problemas associados à menstruação? __________________
Mamas: Dor/sensibilidade? _____________________________
Edema? ____________________________________________
Secreções? _________________________________________
Protuberâncias? ______________________________________
Depressões? ________________________________________
Prática do autoexame das mamas? _____________________
Frequência? ________________________________________
172
Homens: ___________________________________________
Secreção peniana? ___________________________________
Problemas de próstata? ________________________________
 
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
Quadro 10 – Avaliação física do sistema sensorial
h. Olhos 
Sim ____ Não _____ Explicar:
 
 
 
Óculos? _________________________________
Lentes de contato? _________________________
Edema? __________________________________
Secreção? _______________________________
Prurido? _________________________________
Visão turva? _____________________________
Visão dupla? _____________________________
 
i. Ouvidos 
Sim ____ Não _____ Explicar:
 
 
 
Dor? ____________________________________
Drenagem? ______________________________
Dificuldade auditiva? _______________________
Tinido? __________________________________
 
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
173
Quadro 11 – Avaliação física de alguns padrões comportamentais
j. Efeitos adversos de medicamentos:
Quais sintomas o cliente está experimentando que podem ser atribuídos ao uso da medicação atual?
 
 
k. Valores laboratoriais alterados e possível significância
 
 
l. Padrões de atividade/repouso:
Exercício (quantidade, tipo, frequência)
 
Atividades de lazer
 
Padrões do sono: Número de horas por noite ___________________________________________________
Uso de auxílio para dormir? __________________________________________________________________
Padrão de acordar durante a noite? ____________________________________________________________
Sente-se descansado ao acordar? ______________________________________________________________
 
m. Higiene pessoal/atividades diárias:
Padrões de autocuidado: independente ________________________________________________________
Requer assistência com: mobilidade ___________________________________________________________
higiene _____________________________________________________________________________
toalete________________________________________________________________________
alimentação___________________________________________________________________
vestimenta____________________________________________________________________
outros________________________________________________________________________
 
Declaração descrevendo higiene pessoal e aparência geral
 
 
n. Outras avaliações físicas pertinentes
 
 
 
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
174
Quadro 12 – Resumo da avaliação física e psicossocial
VI. Resumo da avaliação psicossocial/física inicial
 
 
 
Déficits de conhecimento identificados:
 
 
 
Diagnósticos de enfermagem indicados:
 
 
 
 
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
Segue agora o Quadro 13, que representa um modelo de uma avaliação rápida 
do estado mental de um paciente.
Quadro 13 – Modelo de avaliação rápida do estado mental
Área da função mental avaliada Atividade de avaliação
Orientação para o tempo
“Em que ano estamos? Qual é o mês? Que dia 
é hoje?” (3 pontos)
Orientação para o lugar “Onde você está agora?” (1 ponto)
Atenção e lembrança imediata
“Repita estas três palavras agora: sino, livro e 
vela” (3 pontos)
“Memorize estas palavras, pois pedirei que 
você as repita em alguns minutos”
Pensamento abstrato
“O que isto significa: Não chore sobre o leite 
derramado?” (3 pontos)
Memória recente
“Diga as três palavras que eu pedi que você 
memorizasse” (3 pontos)
Nomeação de objetos
Aponte para um par de óculos e pergunte: 
“O que é isso?” Repita com outro item (p. ex., 
calendário, relógio, lápis) (2 pontos possíveis)
Capacidade de seguir comandos 
verbais simples
“Rasgue este pedaço de papel no meio e 
coloque na lata do lixo” (2 pontos)
175
Capacidade de seguir um comando simples 
por escrito
Escreva um comando em um pedaço de 
papel (p. ex., toque seu nariz), dê o papel ao 
seu cliente e diga: “Faça o que está escrito 
neste papel” (1 ponto para ação correta)
Capacidade de utilizar corretamente 
a linguagem
Peça para o paciente escrever uma frase 
(3 pontos se a sentença possui sujeito, um 
verbo e um significado válido)
Capacidade de concentração
“Diga os meses do ano de trás para frente, 
começando em dezembro” (1 ponto para cada 
resposta correta de novembro a agosto. 4 
pontos possíveis)
Compreensão das relações espaciais
“Desenhe um relógio, coloque todos os 
números e os ponteiros na posição de 
3h (círculo do relógio = 1 ponto; números 
na sequência correta = 1 ponto; números 
colocados corretamente no relógio = 1 
ponto; dois ponteiros no relógio = 1 ponto; 
ponteiros sobre a hora correta = 1 ponto (5 
pontos possíveis)
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
3 ETAPAS SUBSEQUENTES DO PROCESSO 
DE ENFERMAGEMApós a primeira etapa do processo de enfermagem, coleta de dados ou histórico, 
segue – se com as demais fases, denominadas respectivamente de Diagnóstico de 
Enfermagem; Planejamento; Implementação e Avaliação.
O diagnóstico de enfermagem é definido como uma espécie de julgamento 
clínico sobre as respostas do indivíduo, de sua família ou da comunidade, que foram 
fornecidas ou percebidas na etapa anterior, a fim de identificar principais e potenciais 
problemas do processo saúde-doença dele. Sendo assim, infere-se que o diagnóstico 
de enfermagem serve de base para o elenco das intervenções de enfermagem na etapa 
subsequente (HERDMAN; KAMITSURU, 2021).
A Associação de Diagnósticos de Enfermagem Norte Americana (NANDA 
Internacional) foi desenvolvida para refinar e promover a terminologia que culmina com 
a precisão dos julgamentos clínicos supracitados. 
176
Ela se pauta exclusivamente nas evidências e inclui dimensões nas esferas 
sociais, psicológicas e espirituais do cuidado. Dessa forma, essa taxonomia 
será a considerada nesta unidade.
NOTA
Torna-se pertinente salientar que a padronização das ações de enfermagem, 
bem como de sua terminologia consiste em importante ferramenta para uma oferta 
de cuidados assistenciais eficazes em sua longitudinalidade, entre os enfermeiros que 
trabalham nos diversos dispositivos de saúde.
O diagnóstico de enfermagem, segundo a taxonomia da NANDA-I, é formado 
por três componentes essenciais: problemas de saúde (P), etiologia (E) E sinais e 
sintomas (S), que são combinados a partir de termos de ligação. Assim, o diagnóstico 
de enfermagem é escrito da seguinte maneira: problema “relacionado com” etiologia 
“evidenciado por” sinais e sintomas. 
Uma vez que o problema é o componente que pode ser identificado como 
resposta humana aos desequilíbrios de saúde reais ou potenciais; que a etiologia 
pode ser representada por experiências pregressas do próprio indivíduo, alterações 
fisiopatológicas e influências dos estratos biopsicossocial; e que os sinais e sintomas 
simbolizam o que o paciente declara e o que o enfermeiro observa; todos são tidos 
como a base do planejamento para o cuidado. 
Convém mencionar que esta é a estrutura básica, mas que nem sempre esses 
termos de ligação estarão todos presentes, até porque as versões da NANDA-I são 
atualizadas periodicamente. A edição mais recente da NANDA-I, versão 2021-2023, é 
dotada da seguinte estrutura: 13 domínios, 47 classes e 267 diagnósticos. A Figura 2 a 
seguir mostra os quatro tipos de diagnósticos existentes hoje nessa edição mais atual.
177
Figura 2 – Tipos de diagnósticos de acordo com a NANDA 2021–2023
Fonte: a autora
Quando o diagnóstico tem como foco o problema, tem-se que seu julgamento clí-
nico leva em consideração uma resposta humana indesejada a algum fator determinante 
ou condicionante do processo saúde-doença de alguma pessoa/família/comunidade.
O diagnóstico de risco, por sua vez, tem por base alguma vulnerabilidade da pes-
soa/família/comunidade para deflagrar uma resposta indesejável ao processo saúde-do-
ença. O diagnóstico de promoção da saúde é aquele que julga clinicamente a motivação 
e o desejo para elevação do bem-estar e melhor estado de saúde. Já a síndrome, realiza 
julgamento clínico para um grupo de diagnósticos que ocorrem simultaneamente.
A NANDA-I 2021-2023 traz, ainda, duas novidades: os conceitos de população de 
risco e de condições associadas, que podem figurar nos diagnósticos de enfermagem. O 
primeiro diz respeito a um grupo de pessoas que possui alguma característica partilhada, 
tornando, portanto, cada membro suscetível à resposta humana específica; ao passo que 
o segundo é representado por diagnósticos médicos que conferem apoio para uma maior 
adequabilidade dos diagnósticos de enfermagem (HERDMAN; KAMITSURU, 2021).
Diante de tudo isso, o diagnóstico de enfermagem da NANDA-I 2021-2023, ou 
seja, sua edição mais atualizada, é formado pelas seguintes estruturas: título (nome 
do diagnóstico); definição (termo que diferencia os diagnósticos entre si); indicadores 
diagnósticos (característica definidora, fator relacionado e fator de risco); condições 
associadas e população de risco.
O diagnóstico de enfermagem, por fim, é uma parte do processo de enfermagem 
que identifica respostas humanas para algum problema de saúde atual e potencial; 
privativo do enfermeiro, tendo este último responsabilidade legal perante sua confecção, 
portanto; e que fornece a base para as prescrições de intervenções específicas, também 
de enfermagem.
178
Dando-se prosseguimento às etapas do processo de enfermagem, após os 
diagnósticos de enfermagem terem sido elaborados, tem-se a fase de planejamento. 
Esta fase é aquela em que o enfermeiro confecciona um plano de cuidados propriamente 
dito, inserindo nele as prescrições das intervenções de enfermagem para alcançar os 
resultados esperados. Cada paciente tem um planejamento, o que significa dizer que o 
plano deve ser individualizado, pois cada um tem problemas específicos e responde a 
eles de forma diferente. As intervenções e os resultados esperados são elencadas para 
cada diagnóstico elaborado.
A fase de implementação, por sua vez, de forma bem simples, é aquela em que 
o enfermeiro coloca em prática tudo o que foi planejado na etapa anterior, ou seja, ele 
implementa, de fato, as intervenções que pensou e elaborou com vistas à melhoria do 
estado de saúde do seu paciente.
Por fim, a última fase, a de avaliação, consiste na verificação da assertividade, 
ou não, de todas as outras etapas do processo de enfermagem. Isso significa que o 
enfermeiro precisa averiguar se o paciente melhorou, alcançou os resultados esperados; 
ou, se o paciente não evoluiu ou apresentou uma piora, tendo que, neste último caso, 
repensar e refazer todo ou muitos dos quesitos planejados para ele. Na Figura 3 a seguir, 
você encontra alguns dos principais diagnósticos de enfermagem. 
Figura 3 – Principais diagnósticos de enfermagem em saúde mental 
Fonte: a autora
Para o diagnóstico de ansiedade, alguns dos fatores que podem estar 
relacionados são: abuso de substâncias, ameaça de morte, crises situacionais, estresse 
e mudança no ambiente e no estado de saúde. Essas causas podem ser evidenciadas 
por aflição, ansiedade, sofrimento, insônia, preocupação, dentre outros. Algumas 
das prescrições de enfermagem para este caso são: uso de uma abordagem calma 
e segura, escuta atenta, ajuda ao paciente no tocante à identificação de situações 
precipitadoras da ansiedade, dentre outras. O diagnóstico de confusão aguda, por sua 
179
vez, se relaciona com abuso de substâncias, delírios, demências e alterações no ciclo 
circadiano. Pode ser evidenciado por agitação intensa, alucinações e inquietações 
exacerbadas. Como possíveis prescrições de enfermagem para este caso, citam-se: 
manejo das alucinações, oferta de ambiente seguro, controle de medicamentos, dentre 
outros (TOLEDO; MOTOBU; GARCIA, 2015).
Ainda conforme os mesmos autores supracitados, a percepção sensorial 
perturbada se relaciona com o estresse psicológico e estímulos ambientais excessivos, 
podendo ser evidenciada por agitação, alucinação, desorientação e mudança no 
padrão comportamental; cabendo como prescrições de enfermagem o controle de 
ideias delirantes, o manejo de alucinações, o controle de medicamentos e a redução 
de ansiedade. Por fim, em relação ao risco de suicídio, os possíveis fatores relacionados 
são impulsividade, abuso de substâncias, histórias pregressas de tentativas de suicídio, 
isolamento social e história familiar de suicídio. As prescrições de enfermagem para esse 
caso, podem ser: orientação sobre estratégia de enfrentamento, retirada de objetos que 
possam ser usados para provocar autolesão e investigação de ideação suicida.
3.1 ABORDAGEM DO PACIENTE E DA FAMÍLIA
Considerando que, muitas vezes, o paciente é dotado de uma família, cabe, 
inicialmente, definir esse termo. Pois bem, uma família é caracterizada como um grupo 
depessoas que se considera como tal, admitindo algumas nuances. Existe, portanto, 
a família intitulada biológica, que gerou uma prole de descendentes; a nuclear, que 
abrange um ou mais membros da família de origem; a monoparental, constituída por 
um único membro responsável (pai ou mãe); dentre outras. Independentemente do tipo 
familiar, os atributos encontrados normalmente em uma família são afeição, durabilidade 
de convívio e emoção fortalecida (WRIGHT; LEAHEY, 2009).
Essa definição e demais considerações supracitadas se fazem pertinentes, 
uma vez que uma doença ou processos de hospitalização acabam por afetar todos os 
membros de uma família, o que requer imenso aprendizado da equipe de enfermagem 
para trabalhar com eles questões específicas do cuidado.
Dentro de um ambiente familiar, os membros exprimem os mais diversos tipos de 
sentimento perante as situações de vida a que são expostos, através da interação e co-
municação. Um ambiente familiar dito positivo é aquele onde se encontra leveza, confian-
ça, amor e respeito entre seus membros; ao passo que no ambiente familiar disfuncional 
ou negativo existe tensão, sofrimento, raiva e desesperança (TOWNSEND, 2017).
Levando-se em consideração principalmente a última vertente, a do ambiente 
familiar negativo, faz-se imprescindível a aplicabilidade de uma terapia familiar, que 
consiste em um tipo de terapia aplicada a famílias integradas por membros com algum 
tipo de relacionamento. Essa terapia busca compreender os problemas que a permeiam. 
Dessa forma, os relacionamentos familiares são determinantes para a saúde mental.
180
Conforme Mello (2008), o ambiente familiar apresenta-se como negativo 
quando existe uma mãe super protetora ou pai ausente por trabalho, alcoolismo, dentre 
outros; quando há um cônjuge superprotetor ao lado de outro passivo; falta de uma 
figura parental que coloque limites nos filhos; algum membro usuário de drogas; e 
comportamento denotativo de algum tipo de abuso.
Para trabalhar a questão da terapia familiar, é importante mencionar que a família 
também é compreendida como um sistema, considerando uma vertente holística. Mas, 
por que um sistema? Porque um sistema é o todo de várias partes e funciona com 
dinamismo. Quando uma parte sofre alterações, estas acarretam mudanças nas outras 
partes e, consequentemente, no sistema como um todo. Sendo assim, é possível falar 
em hierarquia de sistemas quando se estuda família. A Figura 4 transmite o esquema 
que serve de base para o estudo dessa teoria sistemática familiar.
Figura 4 – Hierarquia sistemática para estudo da família
Fonte: adaptada de Townsend (2017)
Segundo Bowen (1978), a utilização da abordagem do sistema em um trabalho 
de terapia com a família envolve oito conceitos principais: diferenciação do self; triângulo; 
processo emocional da família nuclear; processo de projeção familiar; processo de 
transmissão multigeracional; posição entre irmãos; rompimento emocional e processo 
emocional societário.
181
A diferenciação do self se traduz como a capacidade de a pessoa se enxergar 
como um ser separado; o triângulo é a conformação estrutural emocional entre três 
pessoas, em que a terceira pessoa é abrangida com a intenção de equilibrar alguma 
tensão entre os outros dois membros. O processo emocional da família nuclear se 
reporta aos padrões comportamentais de seus membros ao longo de uma geração.
Já o processo de uma projeção familiar é aquele que geralmente ocorre na forma 
de um triângulo pai-mãe-filho, em que os pais geram ou geraram esse filho para tentar 
sanar algum problema de suas vidas que lhes causa ansiedade, o que resulta sempre na 
tendenciosa atitude de culpabilizar esse filho por tudo o que acontecer de errado.
O processo de transmissão multigeracional, por sua vez, surge para fazer 
menção ao fato de um conjunto de parâmetros entre membros de uma família ser 
transmitido aos demais membros da próxima geração e assim sucessivamente. Esses 
parâmetros são representados por comportamentos, valores, crenças, dentre outros. 
Um bom exemplo desse processo consiste na utilização dos genogramas, ou seja, 
espécies de gráficos que representam, através dos símbolos legendados dos caracteres 
de cada um dos membros familiares, conforme se vê na Figura 5 a seguir.
182
Figura 5 – M
odelo de G
enogram
a
Fonte: adaptada de Tow
nsend (2017)
183
O rompimento emocional é o evento designado como sendo o grau de ligação 
emocional não resolvida em relação aos genitores, não sofrendo influência da distância 
entre esses membros. Por fim, o processo emocional societário é aquele que vê a sociedade 
como causadora de crise emocional, elevando os indivíduos ao estresse e à ansiedade, 
que, assim, passam a tomar soluções impensadas, acarretando mais problemas.
Diante disso, algumas das técnicas que um terapeuta pode empregar para 
implementar a terapia familiar sistêmica são: juntar-se à família, tornando-se parte dela 
em posição de liderança para que sua reestruturação ocorra; avaliar a estrutura familiar, o 
que pode ser alcançado através da observação de padrões de comportamentos diversos 
de seus membros; e reestruturar a família, a partir do estabelecimento de um contrato.
3.2 ANOTAÇÕES DE ENFERMAGEM
As anotações de enfermagem representam documentos de caráter legal que 
servem para registrar todo tipo de cuidado realizado pelo profissional de enfermagem 
frente aos seus pacientes. Sendo assim, infere-se que elas correspondem a informações 
salutares da assistência prestada, adquirindo, também, qualidade de ser fonte para a 
área do ensino e pesquisa.
As anotações de enfermagem contribuem para a implementação da 
sistematização da assistência de enfermagem (SAE) quando identificam alterações 
do estado e das condições biopsicossociais do paciente, possibilitando a detecção 
de novos problemas e, dessa forma, asseguram a longitudinalidade do cuidado. 
Essa garantia implica, ainda, a comunicação eficaz entre os membros da equipe de 
enfermagem, tornando-os todos cientes sobre o que está sendo realizado sobre o 
processo de saúde-doença do paciente.
As anotações, legalmente falando, cabem a todos os membros da 
equipe de enfermagem e cada instituição de saúde tem seus impressos 
timbrados, inclusive os destinados a elas. Dentre os itens que se fazem 
necessários nas anotações, é possível citar: a data, o horário, os sinais 
vitais, as condições de aparência e de higiene, os padrões de alimentação 
e hidratação, as eliminações fisiológicas, as medicações administradas, 
os exames realizados, os encaminhamentos para consultas e outros 
exames, as atividades terapêuticas desempenhadas, as intercorrências 
e queixas e as condutas e tomadas de decisão da equipe. Por outro 
lado, as evoluções de enfermagem são privativas do enfermeiro e 
correspondem a relatos sobre o estado de saúde de um paciente 
decorrente das últimas 24 horas.
IMPORTANTE
184
RESUMO DO TÓPICO 1Para tantos dados importantes presentes nas anotações, faz-se imprescindível 
que a escrita em seus impressos seja legível, formal, padronizada, em sequência lógica 
e sem rasuras. Ao final, é necessário identificar a anotação com o nome completo do 
profissional que a realizou.
185
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:
• A sistematização da assistência de enfermagem e o processo de enfermagem, 
devem ser aplicados em todos os setores de atuação possíveis para esta categoria 
profissional, incluindo o de saúde mental. 
• A avaliação inicial é entendida, aqui, como o primeiro momento em que o enfermeiro 
terá contato com o paciente para abordá-lo, através das etapas do processo de 
enfermagem, e realizar a sistematização de sua assistência. 
• Especificamente no campo da enfermagem psiquiátrica, a abordagem ao paciente 
é alicerçada em sua história biopsicossocial e do seu estado mental atual por meio de 
observação e anamnese. 
• O exame do estado mental tem como principais objetivos a detecção de disfunções 
psicológicas e de causas de psicopatologias;e a avaliação do nível de consciência, 
da aparência geral, da fala, do comportamento, do humor e afeto, do desempenho 
intelectual, da capacidade de julgamento, da percepção e do conteúdo de 
pensamento; ou seja, de várias funções psíquicas. 
• Após a primeira etapa do processo de enfermagem, coleta de dados ou histórico, 
segue-se com as demais fases, denominadas respectivamente de Diagnóstico de 
Enfermagem; Planejamento; Implementação e Avaliação.
186
AUTOATIVIDADE
1 O processo de enfermagem é formado por cinco etapas que se inter-relacionam, sendo 
elas sequencialmente representadas: 1) coleta de dados; 2) diagnóstico de enferma-
gem; 3) planejamento de enfermagem; 4) implementação e 5) avaliação de enferma-
gem. Sendo assim, qual a etapa do PE em que o enfermeiro realiza a anamnese:
a) ( ) Histórico.
b) ( ) Diagnóstico de enfermagem.
c) ( ) Avaliação.
d) ( ) Planejamento.
2 A avaliação inicial é entendida aqui como sendo o primeiro momento em que o 
enfermeiro terá contato com o paciente para abordá-lo, através das etapas do 
processo de enfermagem, e realizar a sistematização de sua assistência. Sobre o 
que enfermeiro precisa alcançar em uma avaliação inicial de saúde mental, assinale 
a alternativa CORRETA:
a) ( ) Segurança.
b) ( ) Observação.
c) ( ) Vínculo.
d) ( ) Humanização.
3 O exame físico realizado pelo enfermeiro de saúde mental abrange as vertentes de 
um exame físico geral e comum a todas as outras áreas de especialidades, mas revela 
como foco a avaliação do estado mental do indivíduo, sendo, portanto, denominado 
de exame psíquico. A respeito do que NÂO contempla um parâmetro analisado no 
exame psíquico, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Concentração e cálculo.
b) ( ) Afeto.
c) ( ) Temporalidade.
d) ( ) Motricidade.
4 O exame físico realizado pelo enfermeiro de saúde mental abrange as vertentes de 
um exame físico geral e comum a todas as outras áreas de especialidades, mas revela 
como foco a avaliação do estado mental do indivíduo, sendo, portanto, denominado 
de exame psíquico. Diante disso, descreva quais os principais objetivos do exame 
psíquico (mental).
187
5 As anotações de enfermagem representam documentos de caráter legal que servem 
para registrar todo tipo de cuidado realizado pelo profissional de enfermagem frente 
aos seus pacientes. Cite descrições que não podem deixar de estar presentes nas 
anotações de enfermagem:
188
189
CLIMA TERAPÊUTICO, TERAPIAS 
E INTERVENÇÕES
1 INTRODUÇÃO
UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 
Quando se fala em clima terapêutico, imediatamente se imagina a estruturação 
de um ambiente que se apresente favorável à prestação do cuidado, isso se justifica 
porque é dentro do ambiente em que recebe tratamento que o paciente deve ter suas 
demandas, em termos de saúde, atendidas ou efetivamente satisfeitas. O enfermeiro é 
o profissional responsável pelo preparo ou estabelecimento desse ambiente dentro das 
instituições de saúde mental. Para estabelecer o clima terapêutico ideal, o enfermeiro, 
portanto, lida com aspectos de infraestrutura, arrumação e conforto.
Os principais objetivos de um clima terapêutico consistem na ajuda por 
resgate de autoestima; no estabelecimento de relacionamentos saudáveis; na 
aquisição de confiança no próximo e na reinserção social. Já no que tange às 
vantagens ao paciente, o ambiente ou clima terapêutico é oportuno para estabelecer 
suas necessidades físicas; para respeitá-los enquanto cidadãos; para protegê-los; 
para que adotem outros padrões de comportamentos diferentes dos habituais e para 
interagirem socialmente (STUART, 2001).
A figura 6 a seguir contempla um exemplo de clima terapêutico propício ao 
desenvolvimento do cuidado.
Figura 6 – Exemplo de clima terapêutico
Fonte: https://zenklub.com.br/blog/palavra-de-especialista/o-que-e-setting-terapeutico/. 
Acesso em: 18 ago. 2022.
https://zenklub.com.br/blog/palavra-de-especialista/o-que-e-setting-terapeutico/
190
De acordo com Mello (2008), existe um instrumento bastante empregado 
na área de saúde mental capaz de mensurar o clima terapêutico, o Ward 
Atmosphere Scale (WAS).
NOTA
Segundo tal escala, o ambiente terapêutico abrange dez variáveis que dizem 
respeito ao paciente, como:
• Envolvimento: mede o grau de envolvimento no funcionamento da unidade e 
avalia sentimentos como orgulho por pertencer ao setor, entusiasmo geral pelo que 
acontece e espírito de grupo.
• Oferecimento de suporte (apoio): mede o grau de suporte que existe entre os 
pacientes e a disposição da equipe de tratamento em encorajar e ajudar. 
• Espontaneidade: avalia até que ponto o ambiente proporciona oportunidade de agir 
abertamente e expressar sentimentos. 
• Autonomia: avalia a autossuficiência em relação aos assuntos pessoais e o quanto a 
equipe de tratamento estimula esse comportamento. Também detecta até que ponto 
a equipe de trabalho é aberta a sugestões, críticas e iniciativas dos pacientes. 
• Orientação prática para a vida: avalia o quanto o ambiente ajuda a preparar para a 
vida fora da unidade de saúde, através de treinamentos para empregos e perspec-
tivas de vida. 
• Orientação para problemas de cunho pessoal: mede o quanto são encorajados a 
se envolverem com sentimentos e problemas, abordá-los e discuti-los entre eles e 
equipe de tratamento. 
• Abordagem da raiva e agressão: observa quanto há encorajamento para discussão de 
problemas com as demais pessoas do ambiente e expressão aberta de sentimentos, 
principalmente de raiva ou agressividade. 
• Ordem e organização: mede a influência da organização dos espaços, ordem e 
horários no comportamento dos pacientes, e quanto a equipe de tratamento ajuda 
em relação a esses itens. 
• Clareza do programa: averigua o conhecimento que possuem do programa 
terapêutico, das regras e dos procedimentos da unidade. 
• Controle efetivo pela equipe de saúde: mede até que ponto a equipe precisa restringir 
cumprimento de horários, regras, relações entre pacientes e quais medidas são 
tomadas para manter controle efetivo. 
191
2 RELAÇÃO INTERPESSOAL
Em seu sentido etimológico, a expressão “relação interpessoal” significa uma 
interação estabelecida entre pessoas, que, no caso em questão se reporta à relação 
entre profissional de saúde (enfermeiro) e seu paciente. Vale salientar que nesta relação, 
o foco não é a doença, ou seja, o sofrimento mental ou o transtorno psiquiátrico; mas 
sim o paciente, ou melhor, a pessoa. Neste caso, a relação interpessoal passa a ser 
denominada de relação terapêutica.
O enfermeiro, neste momento de estabelecimento de vínculo, se vale das 
ferramentas essenciais a este processo, todas já mencionadas em tópicos anteriores: 
técnicas de comunicação, de observação e de sensibilidade. Apropriando-se desses 
recursos, o enfermeiro consegue enaltecer aspectos positivos de seu paciente, tais 
como seu crescimento, sua autonomia, seu discernimento e seus hábitos saudáveis. 
Em meio a tudo isso, uma tecnologia leve do cuidado deve se fazer presente 
também: a empatia, principalmente quando o paciente não está vivenciando um 
bom momento em sua vida. A partir da empatia, realiza-se a escuta amiga, faz-se o 
acolhimento e tenta-se ser resolutivo. Veja a seguir, no Quadro 13, algumas condições 
essenciais para o desenvolvimento de uma relação terapêutica satisfatória ou ideal.
Quadro 13 – Condições ideais para um relacionamento terapêutico
Harmonia Confiança
• Capacidade verdadeira de importar-
se com os outros, ocorrendo entre o 
enfermeiro e o cliente.
• Aceitação, calor, amizade, interesses 
comuns, confiança e atitude não critica.
• Base de uma relação terapêutica.
• Oferecer o que o cliente precisa, cumprir 
com o prometido, por exemplo. Considerar 
suas opiniões.
Respeito Autenticidade
• Ato de não fazer para os outros aquilo que 
não gostaríamos que fizessem conosco.
• Chamar pelo nome, permitir o tempo de 
resposta, não usar clichês.
• Ser franco e honesto.
• Cuidado para não ultrapassar o papel de 
enfermeiro.
Empatia• Tendência para sentir o que sentiria se estivesse na situação experimentada por 
outra pessoa.
Fonte: a autora
Importante salientar que, quando essas condições satisfatórias não se fazem 
presentes, acontece o que se denomina de impasse terapêutico ou meramente um 
bloqueio no relacionamento enfermeiro-paciente. As causas que levam a esse bloqueio 
são bastante variadas, mas é sabido que elas servem de gatilho para deflagração de 
sentimentos intensos entre os dois envolvidos, tais como ansiedade, frustração e raiva. 
192
Os impasses terapêuticos podem ser, ainda, classificados em três tipos 
principais: resistência, transferência e contratransferência. A resistência se caracteriza 
como sendo uma tentativa de o indivíduo não ter sensopercepção do que lhe causa 
ansiedade, o que se evidencia por uma defesa ou espécie de negação da mudança 
de seu comportamento, mesmo reconhecendo que ela é necessária. O paciente 
demonstra isso através de comportamento teatral, falta ou atraso em uma consulta, 
autodepreciação e visão negativa do futuro (TOWNSEND, 2017).
A transferência, por sua vez, consiste na resposta inconsciente através da 
qual o paciente vivencia sentimentos e atitudes do enfermeiro, os quais ele associou a 
pessoas significativas em sua vida e, assim, o paciente tenta atenuar sua ansiedade. A 
transferência se torna um problema real quando permanece ignorada.
Por fim, a contratransferência é o tipo de impasse terapêutico expresso pelo 
profissional em defesa à resistência do paciente. Essa defesa se traduz como uma 
resposta emocional perante um conflito prévio vivenciado a partir de temas como 
autoridade, autonomia e/ou afirmação sexual.
Considerando-se o ângulo em que o profissional de saúde não consegue separar 
o espaço limítrofe do relacionamento terapêutico, estabelecendo uma relação social, 
pessoal ou financeira com o paciente, diz-se que houve uma transgressão dos limites. 
Para sanar esses bloqueios supracitados, faz-se necessário que os sentimentos 
e outras emoções sejam expostas ou dialogadas; que esses problemas sejam devida-
mente reconhecidos por alguma das partes envolvidas; e que as metas e objetivos do 
relacionamento terapêutico sejam reavaliadas para se alcançar um acordo mútuo.
No que tange aos objetivos do relacionamento terapêutico, pode-se dizer que 
existem aqueles que se voltam para a evolução do paciente enquanto cidadão e aqueles 
voltados para a concretização dos planos do enfermeiro. No primeiro caso, objetiva-se 
que o paciente cresça por meio da autorrealização, autoaceitação e autoconhecimento; 
por meio da sensopercepção de sua identidade; por meio da capacidade de 
estabelecimento de relações interpessoais de outras naturezas e por meio do estímulo 
ao alcance daquilo que lhe traz prazer e satisfação em nível pessoal.
Para o enfermeiro atingir suas metas ele deve encorajar a socialização do 
paciente com a família e os amigos; identificar e corrigir eventuais problemas de 
comunicação e estimular novos padrões de comportamento por parte do paciente. 
Por outro lado, o enfermeiro conseguirá tudo isso e inclusive mais, se tiver sua 
autoconsciência desenvolvida, o que é fundamental para o profissional que trabalha 
nessa área, pois possibilita, por exemplo, a implementação de uma comunicação eficaz 
e do reconhecimento das diferenças e singularidades de cada pessoa.
193
Segundo o modelo holístico de autoconsciência de Campbell, a utilização da 
figura do “eu” acarreta a capacidade de alcance pleno da personalidade com o intuito 
de estabelecer vínculos. Esse modelo revela um componente psicológico, que inclui 
o conhecimento a respeito das emoções, motivações, autoconceito e personalidade; 
um componente físico, que abrange a fisiologia pessoal e geral, como também a 
propriocepção e imagem corporal; um componente ambiental, que considera os 
espaços socioculturais e socioambientais; e um componente filosófico, que corresponde 
à sensação de que a vida tem sentido (TOWNSEND, 2011).
Em suma, para o enfermeiro ser considerado um agente terapêutico, ele 
precisa apresentar certas condutas, como o desenvolver a autoconsciência; discernir 
sobre seus valores; explorar sentimentos; servir de exemplo; ter motivação altruísta, 
ou seja, de preocupação com o próximo sem interesse; e comportar-se com ética e 
responsabilidade. A Figura 7 a seguir demonstra um momento do relacionamento 
terapêutico entre o profissional e seu paciente.
Figura 7 – Momento de relacionamento terapêutico
Fonte: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4109578/mod_resource/content/1/
Relacionamento%20terap%C3%AAutico.pdf. Acesso em: 19 ago. 2022.
O relacionamento terapêutico profissional-paciente admite quatro fases 
específicas. A primeira, ou fase de pré-interação, é aquela em que ambos se preparam 
para o encontro e a partir desse encontro, o profissional realiza a coleta de dados, 
avaliando potencialidades e fragilidades de seu paciente. A segunda fase, ou introdutória, 
ou ainda de orientação, é aquela que determina a razão pela qual o paciente buscou 
ajuda e estabelece-se o vínculo terapêutico. A terceira, ou fase de trabalho, é aquela 
em que, fazendo jus ao nome, toda a terapêutica é desenvolvida. E a quarta fase, 
ou de encerramento, se caracteriza por aquela em que as metas terapêuticas foram 
alcançadas e o paciente pode receber alta. A seguir, nas Figuras 8 a 9, visualiza-se a 
representatividade de cada uma dessas quatro fases.
194
Figura 8 – Fase de pré-interação
Fonte: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4109578/mod_resource/content/1/
Relacionamento%20terap%C3%AAutico.pdf. Acesso em: 19 ago. 2022.
Figura 9 – Fase de orientação
Fonte: https://pt-static.z-dn.net/files/d80/f4c8493b4186805c1a7a40bc16612b4d.png. 
Acesso em: 19 ago. 2022
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4109578/mod_resource/content/1/Relacionamento terap%C3%AAutico.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4109578/mod_resource/content/1/Relacionamento terap%C3%AAutico.pdf
195
Figura 10 – Fase de trabalho
Fonte: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4109578/mod_resource/content/1/
Relacionamento%20terap%C3%AAutico.pdf. Acesso em: 19 ago. 2022.
Figura 11 – Fase de encerramento
Fonte: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4109578/mod_resource/content/1/
Relacionamento%20terap%C3%AAutico.pdf. Acesso em: 19 ago. 2022.
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4109578/mod_resource/content/1/Relacionamento terap%C3%AAutico.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4109578/mod_resource/content/1/Relacionamento terap%C3%AAutico.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4109578/mod_resource/content/1/Relacionamento terap%C3%AAutico.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4109578/mod_resource/content/1/Relacionamento terap%C3%AAutico.pdf
196
3 COMUNICAÇÃO TERAPÊUTICA
A comunicação terapêutica é um instrumento fundamental a ser posto em 
prática durante o relacionamento terapêutico entre o enfermeiro e seu paciente. Isso se 
deve ao fato de ela se revelar como um meio através do qual as pessoas influenciam o 
comportamento umas das outras. As modalidades básicas de comunicação terapêutica 
são a verbal e a não verbal.
No que diz respeito à comunicação terapêutica verbal, é sabido que ela ocorre 
através de palavras escritas ou proferidas, que transmitem pensamentos e sensações 
diversos e levam em consideração os aspectos étnicos e culturais das pessoas que se 
comunicam por meio dela.
Por outro lado, a comunicação não verbal simboliza tudo o que não seja 
mensagem escrita ou falada, mas que abrange os cinco sentidos. Os tipos de 
comunicação não verbal expressos através do comportamento podem ser de sugestões 
vocais (tom, volume, intensidade da voz, velocidade e ritmo de fala e sons não verbais 
como os risos e sons de hesitação); ser de sugestões de ações (movimentos corporais 
como a postura, expressão facial, gestos); ser de sugestões por objetos (vestuário, 
adornos) e de espaço (espaço íntimo, pessoal, social ou público).A comunicação terapêutica é representada por algumas técnicas, que serão 
apresentadas logo a seguir, através do Quadro 14.
Quadro 14 – Técnicas da comunicação terapêutica
Técnica Explicação/Análise Racional Exemplo
Silêncio
Dá ao cliente a oportunidade 
de juntar e organizar 
pensamentos, de pensar 
em algo ou de considerar 
introduzir um tópico de maior 
preocupação que aquele que 
está a ser debatido.
_____
Aceitação
Transmite uma atitude de 
recepção e consideração.
“Sim entendo o que disse” 
(contato visual, acenar).
Reconhecimento
Reconhecimento e indicação 
de percepção consciente; 
melhor que elogiar; que reflete 
a opinião do enfermeiro.
“Olá Sr. L...., vi que fez 
um cinzeiro na terapia 
ocupacional.”
“vi que fez a sua cama.”
Oferecer-se a si 
(offering self)
Mostrar-se disponível 
incondicionalmente – aumenta 
o sentimento de amor-próprio 
do cliente.
“Eu fico um pouco contigo.”
“Podemos almoçar juntos.”
“Quero saber de você.”
197
Abertura
Permite ao cliente tomar 
iniciativa e introduzir o tópico, 
enfatiza a importância do papel 
do cliente na interação.
“Sobre o que gostaria de falar 
hoje?”
“Diga-me no que está a 
pensar?”
Reforçar pistas
Oferece ao cliente 
encorajamento para continuar
“Sim, entendo, continue”,
“e depois?”
Localizar um evento no 
tempo ou sequência
Clarifica no tempo os eventos 
da relação para que o cliente e 
o enfermeiro possam vê-los em 
perspectiva.
“O que fez o levar a isso?”
“Isso foi antes ou depois?”
“Quando foi que aconteceu?”
Fazer observações
Verbalizar o que é observado ou 
entendido. Isso encoraja o cliente 
a reconhecer comportamentos 
específicos e a comparar 
percepções com o enfermeiro.
“Parece-me tenso.”
“Reparei que ainda anda muito 
de um lado para o outro.”
“Parece-me desconfortável 
quando...”
Encorajar a descrição de 
percepções
Pedir ao cliente para 
verbalizar o que é entendido; 
frequentemente utilizado em 
clientes que tem alucinações.
“Diga-me o que está a passar 
agora...”
“Está novamente ouvindo 
vozes?”
“O que dizem as vozes?”
Encorajar a comparação
Pedir ao cliente para comparar 
semelhanças e diferenças 
em ideias, experiências ou 
relações interpessoais: isso 
ajuda o cliente a reconhecer 
experiências de vida que 
tendem a ser recorrentes, 
assim como aspectos da vida 
que são alteráveis
“Isso foi como...”
“Com o que isso se compara?”
“Qual foi a sua resposta da 
última vez que essa situação 
ocorreu?”
Repetição
A ideia principal do que o 
cliente disse é repetida, dá a 
entender ao cliente se algo que 
foi dito foi entendido e dá-lhe 
a hipótese de continuar ou 
clarificar, se necessário.
Cliente: “Não consigo estudar, 
a minha mente continua às 
voltas.”
Enfermeiro: “tem dificuldade 
em concentrar-se?”
Cliente: “Não posso aceitar 
o novo trabalho. E se não 
conseguir fazê-lo?”
Enfermeiro: “Tem medo de 
falhar nesse novo cargo?”
Reflexão
Questões e sentimentos são 
relembrados ao cliente para 
que possam ser reconhecidos 
e aceitos, e para que o cliente 
possa reconhecer em que o seu 
ponto de vista tem valor (uma 
boa técnica para utilizar quando 
o cliente pede conselhos ao 
enfermeiro).
Cliente: “O que acha que eu 
devia fazer em relação ao 
problema da minha mulher 
com o álcool?”
Enfermeiro: “o que acha que 
devia fazer?”
Cliente: “A minha irmã 
não ajuda em nada com o 
problema da minha mãe. 
Tenho de fazer tudo sozinho.”
Enfermeiro: ‘sente-se zangado 
por ela não ajudar?”
198
Focalização
Fazer notar cada ideia ou 
cada palavra, funciona 
especialmente bem com um 
cliente que passa rapidamente 
de um pensamento para outro.
No entanto, essa técnica não 
será terapêutica com um 
cliente ansioso. Não deve 
ser utilizada até o nível de 
ansiedade estar diminuído.
“Parace-me interessante 
focarmos neste ponto com 
mais atenção. Talvez o 
possamos discutir juntos.”
Exploração
Explorar um assunto, ideia, 
experiência ou relação; 
especialmente útil com clientes 
que tem tendência a manter-
se num nível superficial de 
comunicação.
No entanto, se o cliente optar 
por não dar mais informações, 
o enfermeiro deve evitar forçar 
uma área que obviamente é de 
desconforto.
“Por favor, explique-
me a situação mais 
detalhadamente.”
“Fale-me mais desta situação 
em particular.”
Clarificação e validação
Tentar explicar o que é vago 
ou incompreensível e procurar 
o entendimento mútuo: 
clarificar o significado do que 
foi dito facilita e aumenta o 
entendimento tanto para o 
cliente como para o enfermeiro.
“Não sei se entendi; pode 
explicar, por favor.”
“Diga-me se o meu 
entendimento é o mesmo que 
o seu.”
“Percebi bem o que disse?”
Apresentar a realidade
Quando o cliente tem uma 
percepção errada do ambiente, 
o enfermeiro define a realidade 
ou indica ao cliente a sua 
percepção da situação.
“Entendo que as vozes lhe 
pareçam reais, mas eu não as 
ouço.”
“Não há mais ninguém na sala 
para além de nós.”
Expressão de dúvida
Expressar a incerteza em 
relação à realidade das 
percepções do cliente; 
frequentemente utilizado com 
clientes que experienciam 
pensamentos delirantes 
“É difícil acreditar”
“Parece-me duvidoso”
“Entendo que possa achar que 
isso é verdade, mas eu vejo a 
situação de modo diferente.”
Verbalização do implícito
Verbalizar o que o cliente 
disse indiretamente ou deixou 
implícito pode também ser 
utilizado com o cliente que 
não fala ou que experiencia 
problemas de comunicação 
verbal: isso clarifica o que está 
implícito e não-implícito.
Cliente: “É uma perda de 
tempo estar aqui. Não posso 
falar com você nem com 
ninguém.”
Enfermeiro: “sente que 
ninguém a entende?”
Cliente: (silêncio)
Enfermeiro: “Deve ter sido 
difícil para você quando o seu 
marido morreu no incêndio.”
199
Descodificação de 
sentimentos
Quando são exprimidos 
sentimentos indiretamente, 
o enfermeiro tenta traduzir 
o que foi dito e encontrar 
pistas para os verdadeiros 
sentimentos implícitos.
Cliente: “Ando à deriva.”
Enfermeiro: “Deve sentir-se 
muito só neste momento.”
Formular um plano de ação
Quando um cliente tem um 
plano em mente para lidar com 
o que considera uma situação 
estressante, este pode servir 
para evitar que a raiva ou 
ansiedade aumentem para um 
nível impossível de gerir.
“O que poderia fazer para 
soltar a sua raiva de modo 
inofensivo?”
“Da próxima vez que isso 
surgir, o que pode fazer para 
lidar melhor com isso?”
Fonte: adaptado de Stuart e Laraia (2001)
Como exemplos de técnicas de comunicação não terapêutica, entretanto, citam-
se: dar conselhos; sondar; defender; fazer pouco caso dos sentimentos expressos; e 
introduzir um tópico não relacionado na conversa.
Dar conselho consiste em dizer ao paciente o que ele deve fazer, indicando 
que o enfermeiro sabe o que é melhor (por exemplo: “acho que você deveria aceitar...”; 
o certo é “o que você acha que deveria fazer?”). Sondar é interrogar o paciente de 
modo insistente, forçando-o a proclamar respostas sobre problemas que ele não quer 
discutir (por exemplo: “conte-me como aconteceu seu primeiro abuso sexual?”; o certo 
é perceber a resposta e interromper quando houver sinal de mal-estar).
Defender significa tentar proteger alguém, o que não implica melhora do 
sentimento do paciente. Defender alguém que o paciente tenha criticado faz com que 
ele não tenha direito de expressar suas ideias e sentimentos. Fazer pouco caso dos 
sentimentos expressos consiste em julgar erroneamente o nível de desconforto do 
paciente (por exemplo: “todo mundo fica por baixo às vezes, até eu me sinto assim...”; 
o certo é “você deve estar muito preocupado ou aborrecido, diga-me o que está 
sentindo agora”).
Por fim, introduzir um tópico não relacionado na conversa consiste em mudar 
de assunto (por exemplo: o paciente diz: “não tenho nenhuma razão para viver” e o 
enfermeiro fala: “você teve visitas nesse fim de semana?”; o certo é permanecer acessível 
à escuta do paciente, assumindo tudo o que é comunicado de forma verbal e não verbal.
2004 CONSTRUÇÃO DO PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR 
(PTS) PARA DIRECIONAMENTO DO TRATAMENTO
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é um conjunto de propostas de condutas 
terapêuticas articuladas, para um sujeito individual ou coletivo, resultado da discussão 
coletiva de uma equipe interdisciplinar, com apoio matricial se necessário. Geralmente 
é dedicado a situações mais complexas. Foi bastante desenvolvido em espaços de 
atenção à saúde mental como forma de propiciar uma atuação integrada da equipe 
valorizando outros aspectos, além do diagnóstico psiquiátrico e da medicação, no 
tratamento dos usuários (BRASIL, 2008).
Esses espaços de atenção à saúde mental supracitados podem ser representados 
pela Estratégia de Saúde da Família; pelo Núcleo de Apoio à Saúde da Família; pelo 
Consultório na Rua, dentre outros.
Para sua confecção, faz-se necessário conhecer a pessoa envolvida; delinear 
ações coerentes ao seu contexto de vida; envolver discussões em equipe e participação 
de vários atores; bem como identificar potencialidades e fragilidades das esferas 
biopsicossocial do paciente. Já no tocante à metodologia utilizada para sua elaboração, 
sabe-se que existem cinco etapas principais a serem seguidas: diagnóstico, definição 
de objetivos, distribuição de tarefas e prazos, coordenação e negociação, e reavaliação.
Na etapa de diagnóstico deve existir uma avaliação orgânica, psicológica 
e social, que possibilite uma conclusão a respeito dos riscos e da vulnerabilidade do 
usuário. Deve-se tentar captar como o sujeito singular se produz diante de forças como 
as doenças, os desejos e os interesses, assim como, também o trabalho, a cultura, a 
família e a rede social.
Na definição dos objetivos, uma vez que a equipe fez os diagnósticos, ela faz 
propostas de curto, médio e longo prazo, que serão negociadas com o sujeito doente 
pelo membro da equipe que tiver um vínculo melhor. Na distribuição de tarefas e prazos, 
subdivide-se as funções de cada ator do processo. Na coordenação e negociação são 
pactuados os cumprimentos dos objetivos por cada ator dentro dos respectivos prazos 
elencados. Na reavaliação, discutir-se-á a evolução, a fim de sanar possíveis lacunas.
Ainda sobre a etapa de diagnóstico, convém salientar que nela são utilizadas 
algumas ferramentas técnicas imprescindíveis como o genograma e o ecomapa. O 
primeiro é uma representação gráfica utilizada para evidenciar diferentes arranjos 
familiares. Entende-se por arranjo familiar um grupamento de pessoas que convivem 
em uma unidade domiciliar, mesmo sem relação de parentesco (OLIVEIRA, 2010). Em 
outras palavras, o genograma informa de maneira completa e objetiva os dados de 
uma determinada família, fazendo de forma realista uma revisão do passado familiar 
e dos potenciais problemas de saúde, assim como fornece informações ricas sobre os 
relacionamentos, incluindo ocupação, religião, etnia e migração (NASCIMENTO; ROCHA; 
HAYES, 2005).
201
Os componentes de um genograma são: simbologia própria, no mínimo três 
gerações, nomes dos membros da família, idade ou ano de nascimento, mortes, doenças 
ou problemas significativos, datas de casamentos e divórcios. A partir deles, exprimem-
se relacionamentos intergeracionais, interpessoais e as funções e os papéis na família. 
Verifique a seguir, na figura 12, um exemplo de genograma.
202
Figura 12 – Exem
plo de genogram
a
Fonte: N
ascim
ento, Rocha e H
ayes (2005)
203
Sua utilização confere uma série de vantagens, como observar e analisar 
barreiras e padrões de comunicação entre as pessoas; explorar aspectos emocionais e 
comportamentais em um contexto de várias gerações; auxiliar os membros da família a 
identificar aspectos comuns e únicos de cada um deles; discutir e evidenciar opções de 
mudanças na família; prevenir o isolamento de um membro da família.
O ecomapa, por sua vez, é a representação gráfica dos contatos dos membros 
da família com os outros sistemas sociais, incluindo a rede de suporte sócio sanitário. 
Pode representar a presença ou ausência de recursos sociais, culturais e econômicos, 
sendo eminentemente, um retrato de um determinado momento na vida dos membros 
da família e, portanto, dinâmico (NASCIMENTO; ROCHA; HAYES, 2005).
No tocante a sua representação, é sabido que a família se apresenta dentro 
de um círculo, enquanto os contatos da família com a comunidade ou com pessoas 
e grupos significativos são representados em círculos externos. Nele, são incluídos 
serviços da comunidade (creche, escolas, unidade de saúde); grupos sociais (igrejas, 
associação de moradores do bairro); relações significativas (amigos, vizinhos, família); 
trabalho; dentre outras (Lazer). A Figura 13 mostra um exemplo de ecomapa.
Figura 13 – Exemplo de ecomapa
Fonte: Nascimento, Rocha e Hayes (2005)
204
O PTS visa, acima de tudo, à autonomia do sujeito sobre suas condições de vida 
e saúde por meio da busca de seu protagonismo. Por isso, é essencial que uma parte 
das responsabilidades terapêuticas seja assumida por ele. Também é fundamental a 
construção de um cronograma de ações com a respectiva identificação dos responsáveis 
específicos por elas.
Nesse cronograma de ações é interessante constar a periodicidade de reavalia-
ção do caso, considerando o tempo necessário para produção do efeito desejado, assim 
como a tolerância que não signifique riscos ou danos aos sujeitos, e, principalmente, 
que as equipes não percam a familiaridade com o caso.
A etapa de reavaliação é imprescindível porque busca identificar e ajustar 
a proposta inicial às novas necessidades e resoluções atingidas, considerando as 
hipóteses anteriormente descartadas na primeira etapa de construção de hipóteses 
diagnósticas e da proposta de intervenção. Em outras palavras, essa fase corresponde 
a um momento de reconhecimento das falhas, mas também das conquistas, em que o 
grupo compartilha da força de superação e estímulo para vencer novos desafios.
4.1 INTERVENÇÃO PSICOTERAPÊUTICA DE ENFERMAGEM
Um modelo de intervenção psicoterapêutica de enfermagem foi criado para 
embasar os cuidados gerais de um enfermeiro especialista em saúde mental e psiquiatria. 
Para sua elaboração, as teorias de enfermagem, bem como suas principais taxonomias 
serviram de pilares fundamentais. Os profissionais de enfermagem atuantes na área 
em questão, portanto, necessitam da sua apropriação antes de executarem sua prática 
clínica (SAMPAIO; SEQUEIRA; CANUT, 2018).
Importante frisar que essa intervenção se caracteriza por ser uma aplicabilidade 
informada e intencional de algumas técnicas de psicoterapia, e não nesta propriamente 
dita. Ela revela por alicerces os seguintes princípios: intervenção estruturada, 
sistematizada, progressiva e sequencial; realizada por enfermeiro especialista em saúde 
mental ou psiquiatria; baseada em uma ou mais obras de teóricos da psicoterapia; é 
decorrente da percepção de algum diagnóstico de enfermagem no âmbito da saúde 
mental; dinamicidade e autoconsciência do paciente; dotada de três a doze sessões; 
admite como suporte a relação terapêutica com a comunicação de mesma nuance; 
e objetiva alguma mudança de comportamento do paciente (SAMPAIO; SEQUEIRA; 
CANUT, 2014).
Em suma, diante do exposto, essa intervenção, quando comparada à psicoterapia 
propriamente dita, difere desta porque tem uma duração menor de tempo; parte de um 
diagnóstico de enfermagem e pode ser desenvolvida em outro ambiente que não seja o 
consultório de enfermagem (BULECHEK et al., 2012). 
205
4.2 INTERVENÇÃO PSICOEDUCACIONAL
A psicoeducação é uma forma de intervenção que insere ensinamentos ou 
simplesmente educação, a fim de instruir o paciente ou seu responsável sobre algum 
ponto ou consideração importante do seu tratamento, inclusive para que algum método 
tenha reprodutilidade por ele quando estiver sozinho.
As intervenções psicológicas de maior sucesso são aquelas que se fazem valer de 
elementos de cunho educativo. Tais elementos consistem no ensino ao paciente ou aos 
seus responsáveisde saber lidar com quesitos como o estigma; manter estilo de vida 
saudável; evitar abuso de substâncias e aderir ao tratamento (MELLO, 2008).
As principais funções dessa intervenção giram em torno da oferta de suporte 
emocional e do ensino para o manejo de problemas já identificados através de métodos 
básicos e simples, portanto. É possível verificar, por meio da implementação da psicoe-
ducação que: o transtorno mental é legitimado através do conhecimento e compreen-
são de sua base biológica; a cooperação dos familiares do paciente aumenta; a família tor-
na-se mais hábil em monitorar sintomas, evitando recaídas e internações; e as emoções 
negativas de familiares e comunidade diminuem (YACUBIAN; LOTUFO NETO, 2002).
Por fim, considera-se que uma psicoeducação adequada precisa apresentar: 
informação sobre índices de recorrência dos transtornos mentais e o fato de eles ainda 
não terem cura; fatores desencadeantes e treinamento para identificação; informação 
sobre psicofármacos: uso e efeitos colaterais; detecção e manejo precoce de sintomas; 
necessidade de o paciente e família terem um “plano de emergência” para situações 
críticas; riscos associados ao uso de drogas ilícitas e legais; importância de manter 
rotinas e hábitos saudáveis de vida; gerenciamento de estresse; informação clara e 
objetiva sobre gravidez em portadoras de transtornos mentais e riscos associados; e 
enfrentamento do estigma e da discriminação relacionados aos transtornos mentais 
(COLON; VIETA, 2004).
4.3 INTERVENÇÃO BREVE
A técnica de intervenção breve (IB) foi proposta, no campo da saúde mental, 
para o trabalho com usuários de droga, que, por sua vez, é focado na promoção do 
suporte e desenvolvimento da autonomia deles. O significado da expressão que confere 
nome ao tipo de intervenção se justifica pelo fato de ela ser considerada uma técnica de 
atendimento com tempo curto ou limitado, sendo, portanto, objetiva e focal.
Essa intervenção é composta pelos seguintes princípios: feedback; responsabi-
lidade; aconselhamento; menu de opções; empatia e autoeficácia. O feedback é o prin-
cípio norteador em que, por meio de instrumentos padronizados, o profissional avalia 
o consumo de substâncias pelo usuário e lhe dá um retorno sobre os riscos que essa 
utilização pode causar.
206
No princípio de responsabilidade, o profissional negocia com o paciente algumas 
metas para a redução no consumo da substância ou abstinência. No aconselhamento, 
o profissional reforça algumas atitudes já prévias com a oferta de materiais informativos 
sobre o uso de substâncias, por exemplo. Com o menu de opções, o profissional vai 
estimular o paciente a refletir sobre formas de parar ou reduzir o consumo da substância. 
Na empatia, o profissional se mostra acessível ao usuário para ouvi-lo e ajudá-lo. Já 
com a autoeficácia, o profissional intensifica a motivação do usuário para o processo de 
mudança pelo qual ele está passando.
4.4 INTERVENÇÃO EM CRISE
Uma outra modalidade de intervenção com tempo curto e, portanto, breve, 
intensa, focal e objetiva consiste na intervenção em crise, cujo objetivo é pautado na 
busca por mecanismos adaptativos novos do usuário, a fim de que ele possa conseguir 
superar uma determinada situação estressora, sozinho.
Para implementar essa técnica, o enfermeiro deve seguir algumas etapas, tais 
como a identificação de um evento tido como crítico, solicitando ao paciente que o 
relate minuciosamente; a exploração de sentimentos, pensamentos e comportamentos, 
solicitando a sensopercepção do usuário sobre o evento; a identificação de mecanismos 
de enfrentamento, solicitando ao paciente que proclame como ele já reagiu a alguma 
situação semelhante em momento anterior; o desenvolvimento de um plano adaptado 
ao manejo, envolvendo o paciente nesse planejamento; e a avaliação de como o paciente 
percebe o plano de enfrentamento, perguntando sobre isso a ela (MELLO, 2008).
4.5 INTERVENÇÃO EM GRUPO
A intervenção em grupo se caracteriza como sendo um método de psicoterapia 
que objetiva investigar semelhanças entre atitudes de indivíduos que estão participando 
da reunião do grupo no presente momento. A atitude de uma pessoa que fala sobre 
suas experiências, expondo-as ao grupo, encoraja outras que, até então, não tinham 
estímulo para partilhar suas vivências, verbalizando-as. Participa deste grupo um 
profissional de saúde mental, o qual coleta dados e praticamente monitora toda a 
dinâmica de ocorrência dele.
Ela consiste, frequentemente, em falar durante a terapia, admitindo, entretanto, 
outras modalidades terapêuticas, inclusive a terapia não falada, como a expressão cor-
poral, a pintura, o artesanato, o cuidado com plantas, dentre outras. Nela são exploradas 
questões em uma conjuntura social cuja reflexão sobre a vida real é bastante fidedigna, 
o que serve de oportunidade para observação e pensamentos sobre as próprias habi-
lidades sociais; bem como para dar e receber apoio imediato sobre preocupações das 
mais variadas nuances, de forma confidencial.
207
Os participantes escutam uns aos outros, manifestando-se de forma a 
proclamar como e porque iniciaram e convivem com problemas diversos, dentre eles, a 
dependência química. Quando existe a procura pela participação em grupo por parte de 
algum cidadão, geralmente se verifica que ele chegou à convicção da necessidade de 
ajuda pela reinserção social.
A princípio, a intervenção em grupo adquiriu a finalidade de diminuir custos em 
instituições que a ofertavam como modalidade de terapia, mas foi mantida, sobretudo, 
porque passou a revelar vantagens não observadas nas terapias meramente individuais. 
5 TERAPIAS COMPLEMENTARES EM SAÚDE MENTAL
Uma terapia dita complementar é aquela que se baseia em implementar inter-
venções diferentes de um tratamento convencional ou tradicional, ou complementan-
do-a, de fato. Por isso mesmo, a terapia complementar é vista e compreendida como 
cuidados de saúde holísticos, ultrapassando as barreiras do corpo físico e enxergando o 
indivíduo como um ser biopsicossocial. Essas terapias, inclusive, são plenamente capa-
zes de ocasionar mudanças positivas no estilo de vida das pessoas, as quais tem como 
educadores nesse processo, os profissionais de saúde.
As diferenças entre os tipos de terapia convencional e complementar podem 
ser visualizadas no Quadro 15.
Quadro 15 – Diferenças entre terapias convencionais e complementares
Convencional Complementar/alternativa
Quimioterapia Plantas e outros produtos naturais
Curar/tratar Cicatrização/cuidado pastoral
Indivíduo considerado como a doença Indivíduo visto como um ser único
Estágio terminal Confiança/esperança
Foco na doença e no mal-estar Foco na saúde e no bem-estar
Tratamento da doença Promoção da saúde e prevenção de doença
Nutrição é adjunta e apoia o tratamento
Nutrição como base de saúde, bem-estar e 
tratamento
Objetivismo: a pessoa é separada de 
sua doença
Subjetivismo: integralidade da pessoa em 
relação à doença
Paciente/cliente Indivíduo/pessoa
Profissional como autoridade Profissional como facilitador
Paternalismo do profissional/dependência 
do paciente
Profissional como parceiro/emponderador do 
indivíduo
Positivismo/materialismo: os dados são 
mensuráveis fisicamente
Metafísica: a entidade é um sistema de energia 
ou força vital
208
reducionista Holística
Cuidados especializados Autocuidado
Alívio dos sintomas Alívio de fatores causais
Modelo somático (biológico e fisiológico) Modelo comportamental-psicossocial-espiritual
Ciência como única fonte de 
conhecimento e verdade
Múltiplas fontes de conhecimento e verdade
Tecnológica/invasiva Natural/não invasiva
Fonte: adaptado de Townsend (2017)
Dentre as modalidades de terapias complementares, tem-se a fitoterapia, que 
consiste no uso de plantas para fins medicinais. A ela muito se tem recorrido, tendo 
em vista que as plantas deflagram menos efeitos colaterais que os medicamentos já 
conhecidos no mercado farmacológico.
Considera-se, também, as modalidades

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