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E-BOOK MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Introdução à manutenção industrial APRESENTAÇÃO Manutenção é uma palavra derivada do latim, cujo significado é “manter o que se tem”, e que sempre foi praticada, mesmo antes da Revolução Industrial. Quando a produção artesanal começou a decair, dando espaço à produção industrial, por volta do século XVI, a manutenção industrial tornou-se significativa, devido à constante necessidade de manter as ferramentas e os equipamentos em plenas condições de trabalho. Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará os tipos de manutenção e suas relações, verá algumas normas relacionadas a ela e também diferentes conceitos ligados diretamente à manutenção industrial. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir os conceitos fundamentais de manutenção e as normas relacionadas.• Reconhecer os conceitos de confiabilidade, produtividade, eficiência, qualidade, performance, disponibilidade e manutenabilidade. • Relacionar os tipos de manutenção.• DESAFIO A manutenção industrial está presente, em maior ou menor escala, em todos os ramos da indústria. Isso se deve à necessidade de existir ferramentas, máquinas e equipamentos em condições de uso, cumprindo a sua função. Imagine que você é o chefe de manutenção em uma pequena indústria do interior. Como sua contratação é recente, você precisa se ambientar aos procedimentos que, anteriormente, eram feitos por outro funcionário. Quais questionamentos você faria e quais ações tomaria, buscando reduzir a ocorrência de panes e, consequentemente, a necessidade de manutenção corretiva? INFOGRÁFICO Em uma indústria, dependendo de seu porte e de suas necessidades, podem ser aplicados diferentes tipos de manutenção, visando a reduzir ao máximo o tempo de máquina parada, sempre levando em conta a segurança de todos os envolvidos e também o cuidado com o meio ambiente. Para ilustrar os tipos de manutenção, este Infográfico apresenta quais são eles e suas principais características. CONTEÚDO DO LIVRO A manutenção é uma atividade que sempre esteve presente em nosso cotidiano, mas que ganhou destaque após a Revolução Industrial, com a necessidade constante de equipamentos e ferramentas em condições de executar as suas funções. A manutenção é de grande importância dentro de indústrias, independentemente de seu porte. No capítulo Introdução à manutenção industrial, do livro Manutenção industrial, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você verá os diferentes tipos de manutenção e suas aplicações, as normas relacionadas, alguns conceitos e o cálculo de indicadores. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Aline Morais da Silveira Introdução à manutenção industrial Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir os conceitos fundamentais de manutenção e as normas relacionadas. Reconhecer os conceitos de confiabilidade, produtividade, eficiência, qualidade, performance, disponibilidade e manutenabilidade. Relacionar os tipos de manutenção. Introdução Manutenção é uma palavra derivada do latim, significa “manter o que se tem” e é muito antiga. Já a manutenção industrial teve origem por volta do século XVI, quando a produção artesanal começou a decair, dando espaço à produção industrial. Neste capítulo, você vai estudar os tipos de manutenção e a relação entre eles, algumas normas pertinentes à manutenção industrial e tam- bém conceitos importantes quando se trata desse tipo de manutenção. Conceitos fundamentais de manutenção e normas relacionadas A manutenção industrial teve seu surgimento no século XVI, quando a produ- ção industrial começou a crescer, de modo que manter as máquinas em pleno funcionamento era de grande importância. Com a Segunda Guerra Mundial (a partir de 1939), a manutenção industrial tornou-se ainda mais necessária, fazendo com que fossem desenvolvidas técnicas de planejamento, organização e controle das manutenções. Segundo Kardec e Nascif (2009), a evolução da manutenção pode ser dividida em quatro gerações: Primeira geração: abrange o período antes da Segunda Guerra Mun- dial, quando os equipamentos eram simples. A produtividade não era prioridade, então, eram realizados apenas serviços de limpeza e lubrifi- cação, além de reparos após a quebra, caracterizando uma manutenção corretiva não programada. Segunda geração: entre os anos 1950 e 1970, houve aumento da me- canização e necessidade de maior disponibilidade, confiabilidade e produtividade. Os custos de manutenção começaram a se elevar e surgiu o conceito de manutenção preventiva. Terceira geração: inicia a partir da década de 1970, quando o sistema just in time fazia com que pequenas pausas para manutenção parali- sassem a fábrica. A necessidade de monitoramento de condições deu origem à manutenção preditiva, facilitada pelo uso de tecnologias. Quarta geração: caracterizada por minimização de manutenções cor- retivas e preventivas, análise de falhas, preocupação com segurança e meio ambiente, gerenciamento de ativos. Quinta geração: ocorre a partir de 2005, em que o foco é a gestão de ativos, que devem produzir em sua capacidade máxima para obter o melhor retorno. A manutenção preditiva ganha ainda mais atenção com o monitoramento das condições de forma on e off-line. Segundo a ABNT NBR 5462/1994, manutenção é a combinação de todas as ações técnicas e administrativas destinadas a manter ou recolocar um item em um estado no qual ele possa desempenhar uma função requerida. Conforme foi configurando-se a necessidade, algumas normas foram criadas para estabelecer procedimentos de manutenção. Dentre as normas brasileiras (ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas), podemos citar a NBR 5462/1994, para confiabilidade e mantenabilidade, a NBR 5674/2012, para manutenção predial, e a NBR ISO 55000/2014, para gestão de ativos. Temos, também, algumas Normas Regulamentadoras, como a NR10, que trata da segurança em instalações e serviços em eletricidade, e a NR12, que trata da segurança do trabalho em máquinas e equipamentos, incluindo a manutenção. Introdução à manutenção industrial2 Ativo é algo que tem valor real ou potencial para uma organização, como, por exemplo, ferramentas, equipamentos, veículos, estoques, entre outros. A norma NBR 5462 (ASSOCIAÇÃO..., 1994) define alguns conceitos básicos relacionados à manutenção: Item: qualquer parte, componente, dispositivo, subsistema, uni- dade funcional, equipamento ou sistema que possa ser considerado individualmente. Função requerida: função ou combinação de funções de um item que são consideradas necessárias para prover um dado serviço. Defeito: desvio de uma característica de um item em relação a seus requisitos. Falha: evento caracterizado pelo término da capacidade de um item de desempenhar a função requerida. Pane: o estado de item caracterizado pela incapacidade de desempenhar uma função requerida e, normalmente, ocorre depois da falha, mas também pode existir sem uma falha anterior. Um item, dependendo de sua disponibilidade, pode ser caracterizado por diferentes estados, conforme mostra a Figura 1. Figura 1. Estados de um item. Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (1994). Conforme Nepomuceno (1989, p. 31), a manutenção tem as seguintes responsabilidades: 3Introdução à manutenção industrial planejar, com a produção, um programa coerente de manutenção e reparos; conservar toda a instalação em condições tão perfeitas quanto possível, visando a minimização de custos; executar e controlar reparos e consertos, tanto eventuais quanto emer- genciais, no menor prazo possível; obedecer aos intervalos de conservação rotineira para limpezas, ajustes, lubrificação, buscando que as interrupções na produção sejam mínimas; manter reuniões constantes com aprodução para troca de informações e diagnósticos de problemas; verificar o motivo para que algumas máquinas e alguns equipamentos apresentem elevado índice de interrupções, buscando eliminar as causas; executar treinamentos para os funcionários da produção sobre proce- dimentos emergenciais recomendados em caso de necessidade. Para Seleme (2015), a manutenção, quando realizada de forma planejada, apresenta benefícios que justificam a sua realização, como, por exemplo: Segurança: menos riscos de falhas e acidentes de trabalho. Qualidade: desempenho dentro ou acima do padrão. Confiabilidade: menos interrupções nas atividades de produção. Vida útil: cuidado regular, limpeza e lubrificação prolongam a vida útil dos equipamentos. Conceitos da manutenção industrial Para um melhor entendimento da importância da manutenção industrial, é necessário apreender a defi nição de alguns conceitos, assim como sua forma de cálculo, possibilitando que sejam elaborados indicadores de manutenção e que ações sejam tomadas, buscando melhores resultados. Confiabilidade Confi abilidade é a capacidade que um item tem de desempenhar, de forma satisfatória, uma função requerida sob condições especifi cadas durante um dado intervalo de tempo, ou seja, é uma probabilidade. O termo confi abilidade também é usado como uma medida de desempenho de confi abilidade. Introdução à manutenção industrial4 A confiabilidade sempre deve estar atrelada a um período de tempo. Por exemplo: a probabilidade de uma bomba operar, de acordo com a suas especificações de projeto, é de 99,5% nas próximas 3500 horas. Produtividade Produtividade, também chamada de fator de produtividade na manutenção, é o percentual de tempo que o funcionário passa fazendo a atividade para a qual foi contratado. Em uma indústria, se o fator de produtividade da equipe de eletricistas é de 40% e um eletricista trabalha 8 horas por dia, isso significa que o tempo durante o qual o funcionário passa trabalhando é de 3 horas e 20 minutos por dia. Quanto mais alto o fator de produtividade, mais eficiente está sendo o pla- nejamento da manutenção. Nos EUA e na Europa, esse valor se encontra entre 25% e 35% e, no Brasil, fica entre 12 e 25%, conforme dados de Teles (2017). Eficiência Efi ciência é a capacidade que um equipamento tem de realizar seu trabalho de modo efi caz e com o mínimo de desperdício possível. Disponibilidade A disponibilidade ocorre quando um item está em condições de executar uma certa função em um determinado instante ou durante um intervalo de tempo preestabelecido. Tempos de paradas para manutenção, setup, limpeza e organização do setor não podem ser contabilizados como de disponibilidade do equipamento. 5Introdução à manutenção industrial Qualidade Qualidade é quando um produto está de acordo com o que é esperado ou exigido. Uma manutenção de qualidade favorece que produtos com qualidade sejam fabricados pelo equipamento. Performance Performance é a capacidade de alcançar o resultado desejado com efi ciência, ou seja, é a capacidade de produção de um equipamento em relação à produção teórica. Manutenabilidade Manutenabilidade ou mantenabilidade é a capacidade que um componente, produto, equipamento ou sistema tem de receber manutenção, dentro de um período de tempo determinado e com um custo preestabelecido. Tipos de manutenção Conforme Viana (2006), alguns fatores devem ser levados em consideração para a defi nição da melhor estratégia de manutenção industrial: Recomendação do fabricante: informações sobre conservação, pe- riodicidade de manutenção, ajustes e calibrações, procedimentos para correção de falhas, entre outros. Segurança do trabalho e meio ambiente: é necessário obedecer às exigências legais a fim de obter a integração perfeita entre homem/ máquina/meio ambiente. Características do equipamento (falha e reparo): observar o tempo médio entre falhas, a vida mínima, o tempo médio de reparo, etc. Fator econômico: custos de manutenção, como recursos humanos, material, interferência na produção e perdas no processo. Após a análise desses fatores, é escolhida a melhor estratégia de manutenção industrial: corretiva, preventiva ou preditiva. Em alguns casos, também é indicada a manutenção detectiva. Introdução à manutenção industrial6 Manutenção corretiva A manutenção corretiva é efetuada após a ocorrência de uma pane, quando o componente é usado até a sua exaustão. Essa manutenção tem o objetivo de recolocar um item em condições de executar a função requerida e pode ser subdividida em: manutenção corretiva não programada: corrige uma falha quando ela ocorre, paralisando as atividades produtivas do equipamento. manutenção corretiva programada: corrige desempenho inferior ao esperado, ou seja, defeito que não tenha implicado falha. Segundo Viana (2006), a manutenção corretiva é uma intervenção imediata, a fim de evitar consequências graves ao equipamento, ao trabalhador e ao meio ambiente. Normalmente, nesse tipo de manutenção, o custo com a parada da produção não é relevante. Manutenção preventiva A manutenção preventiva é realizada de forma planejada, em intervalos prede- terminados ou de acordo com critérios específi cos, em equipamentos que não estejam em falha. Esse tipo de manutenção é destinado a reduzir a probabilidade de falha ou a degradação do funcionamento de um item. O principal objetivo é evitar uma parada indesejada da produção. Com isso, é necessária uma equipe permanente de manutenção e também a compra de componentes para reposição. Manutenção preditiva A manutenção preditiva aplica, de forma planejada e sistemática, técnicas de análise com o objetivo de reduzir ao mínimo as manutenções preventiva e corretiva. Dessa forma, o componente é utilizado durante toda a sua vida útil, não havendo perda de tempo de produção. Por outro lado, os custos de manutenção são elevados, pois são utilizadas ferramentas sofi sticadas e que requerem constante atualização. Alguns fenômenos que são detectados pela manutenção preditiva são: alteração no nível de vibração de equipamentos rotativos, contaminação de óleos lubrificantes, alteração nos níveis de pressão, entre outros. 7Introdução à manutenção industrial Manutenção detectiva A manutenção detectiva, conforme Engeman (2018), é realizada em sistemas de proteção ou comando para detectar falhas ocultas ou não perceptíveis à equipe de operação ou manutenção. Por exemplo, o circuito que comanda a entrada de um gerador em um hospital no caso de falta de energia deve sofrer manutenção detectiva, a fi m de garantir seu perfeito funcionamento no momento de necessidade. Confira, no link a seguir, a evolução da manutenção. https://goo.gl/gTN7Ks ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5462. Confiabilidade e mante- nabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 1994. ENGEMAN. Manutenção: tipos e tendências. 2018. Disponível em: <http://blog.engeman. com.br/manutencao-tipos-e-tendencias/>. Acesso em: 06 nov. 2018. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: função estratégica. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2012. NEPOMUCENO, L. X. Técnicas de manutenção preditiva. São Paulo: Blucher, 1989. SELEME, R. Manutenção industrial: mantendo a fábrica em funcionamento. Curitiba: Intersaberes, 2015. TELES, J. Fator de produtividade na manutenção industrial. 2017. Disponível em: <https:// engeteles.com.br/fator-de-produtividade-na-manutencao-industrial/>. Acesso em: 06 nov. 2018. VIANA, H. R. G. PCM: planejamento e controle da manutenção. Rio de Janeiro: Quali- tymark, 2006. Introdução à manutenção industrial8 Leituras recomendadas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 5674. Manutenção de edifi- cações: requisitos para o sistema de gestão de manutenção. Rio de Janeiro: ABNT, 2012. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 55000. Gestão de ativos: visão geral, princípios e terminologia. Rio de Janeiro:ABNT, 2014. BRASIL. Ministério do trabalho. NR10, Segurança em instalações e serviços em eletrici- dade. Brasília, DF, 1978. Disponível em: <http://www.ccb.usp.br/arquivos/arqpes- soal/1360237189_nr10atualizada.pdf>. Acesso em: 09 nov. 2018. BRASIL. Ministério do trabalho. NR12, Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos. Brasília, DF, 1978. Disponível em: <http://www.segurancanotrabalho.eng.br/nr/nr_12. pdf>. Acesso em: 09 nov. 2018. TELES, J. Confiabilidade: o que é e como medir? 2017. Disponível em: <https://engeteles. com.br/o-que-e-confiabilidade/>. Acesso em: 06 nov. 2018. TELES, J. O que é OEE? 2017. Disponível em: <https://engeteles.com.br/o-que-e-oee/>. Acesso em: 06 nov. 2018. 9Introdução à manutenção industrial Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Para a manutenção industrial ser efetiva, é preciso que seja escolhida a melhor estratégia de manutenção e, para facilitar essa escolha, alguns fatores devem ser levados em consideração. Nesta Dica do Professor, você verá quais são os quatro tipos de manutenção e os fatores para a correta escolha da estratégia de manutenção. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Para estabelecer uma estratégia de manutenção industrial, alguns fatores devem ser levados em consideração. Das opções a seguir, qual apresenta um desses fatores? A) Histórico de falhas de empresa concorrente. B) Mão de obra terceirizada disponível. C) Recomendação do fabricante. D) Aguardar a ocorrência da pane. E) Baixo estoque de produção. 2) Entende-se por ____________________ a capacidade que um equipamento tem de realizar seu trabalho com o mínimo de desperdício possível. A) disponibilidade B) qualidade C) manutenabilidade D) eficiência E) performance 3) Qual opção, dentre as alternativas abaixo, apresenta três vantagens de uma manutenção planejada? A) Segurança, confiabilidade e vida útil. B) Confiabilidade, qualidade e motivação. C) Segurança, confiabilidade e redução de custos. D) Qualidade, segurança e redução do número de funcionários. E) Vida útil, confiabilidade e melhora na imagem perante os clientes. 4) Qual conceito tem a seguinte definição: “término da capacidade de um item de desempenhar a função requerida”? A) Defeito. B) Manutenabilidade. C) Vida útil. D) Confiabilidade. E) Falha. 5) Das opções a seguir, qual tipo de manutenção geralmente ocorre de forma não programada? A) Preditiva. B) Corretiva. C) Preventiva. D) Detectiva. E) Predial. NA PRÁTICA Em qualquer ramo industrial, a manutenção busca sempre evitar ou solucionar uma falha. Mas, além disso, outros pontos também são importantes, como o menor tempo de máquina parada, a segurança de todos os envolvidos, o cuidado com o meio ambiente e a qualidade do produto. Unindo esses fatores, há ganhos para a empresa, para os funcionários, para os clientes e para toda a comunidade. Veja o caso de uma empresa que optou por investir no treinamento do setor de manutenção a fim de diminuir a quantidade de acidentes. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Manutenção e confiabilidade: introdução aos tipos de manutenção Histórico e esclarecimentos sobre manutenção e confiabilidade. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O que é e como calcular o MTBF? Vídeo sobre o significado de MTBF, como calculá-lo e como utilizar seus resultados. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Manutenção e a segurança do trabalho: uma análise sobre a influência da manutenção industrial no processo de trabalho seguro A preocupação básica deste estudo é fazer uma reflexão sobre as influências que a manutenção de máquinas e equipamentos exerce para proporcionar um ambiente de trabalho seguro. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Organização, planejamento e controle de manutenção APRESENTAÇÃO Nenhum sistema é isento de defeitos e falhas. Algumas falhas podem trazer consequências graves para clientes, funcionários, meio ambiente, sociedade e a própria organização. Outras podem oferecer consequências intermediárias ou de menor impacto. O fato é que falhas contribuem para reduzir a confiabilidade das operações produtivas, e isso pode trazer uma série de implicações: ambientes de trabalho inseguros, perdas de produção, redução de vantagens competitivas, dentre outros. Diante disso, o planejamento, a organização e o controle da manutenção industrial assumem um papel estratégico na empresa. Nesta Unidade de Aprendizagem, você avaliará os tipos de manutenção industrial mais adequados a cada situação, identificará as formas de organizar os recursos de manutenção para realização de suas atividades e, por fim, conhecerá as potenciais atribuições da manutenção industrial. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer os conceitos de manutenção industrial, os principais termos e as definições.• Identificar os modelos de organização da manutenção: centralizada, descentralizada, híbrida e terceirizada. • Descrever as responsabilidades da manutenção.• DESAFIO Planejar a manutenção é premissa para melhoria dos resultados organizacionais. Uma das atribuições mais importantes ao planejar a manutenção é definir o seu tipo mais adequado para cada máquina e/ou equipamento na indústria. Muitas vezes, um tipo de manutenção se mostra mais adequado que outro, se você considerar as consequências da falha do equipamento para produção, segurança, meio ambiente e custo. Existem diferentes categorias de manutenção que podem ser subdivididas e aplicadas na indústria de forma combinada ou individual, sendo elas planejadas ou não planejadas. As planejadas se subdividem em: corretiva planejada, preventiva (sistemática ou de oportunidade), preditiva e detectiva. Já a não-planejada é chamada de "corretiva não-planejada". Considere uma petroquímica que opera em processo contínuo, ou seja, 24 horas por dia, 7 dias por semana. No processo de refino do petróleo, a lucratividade da organização depende da produção e venda do produto em alto volume. Assim, a confiabilidade e a disponibilidade dos equipamentos são indicadores importantes para a indústria. Um dos equipamentos gargalo do processo é o forno, cuja função principal é aumentar a temperatura da carga para alimentar a coluna de destilação. Veja como ele funciona: Em determinada petroquímica, esse equipamento falhou de forma aleatória, causando uma parada de, aproximadamente, 12 horas no processo de refino. Você, como responsável pelo setor de manutenção da empresa, deverá: 1. identificar o(s) tipo(s) de manutenção mais adequado(s) para esse equipamento e justificar. 2. Apresentar os ganhos principais que a refinaria pode obter ao adotar este(s) tipo(s) de manutenção para o equipamento. 3. Apresentar duas dificuldades e/ou problemas que a empresa pode ter ao implementar esse(s) tipo(s) de manutenção. 1. INFOGRÁFICO Estruturar o modelo de organização da manutenção do ponto de vista da dimensão espacial consiste em definir onde estarão alocados os recursos materiais e pessoais para realização das ações de manutenção. Conheça, neste Infográfico, os modelos centralizados, descentralizados e mistos. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! CONTEÚDO DO LIVRO Garantir os recursos materiais e humanos organizados de forma adequada, planejar as detecções, os monitoramentos, as restaurações, as substituições e as inspeções e controlar as execuções das ações de manutenção contribuem com o aumento da eficácia do sistema de produção. Para tanto, é necessário: reconhecer as estruturas organizacionais existentes, selecionar os tipos de manutenções mais adequados e conhecer ferramentas e mecanismos de controle que possam auxiliar na elaboração do plano de manutenção. No capítulo Organização, planejamento e controle damanutenção, da obra Engenharia de manutenção, você verá os principais conceitos e termos relacionados aos tipos de manutenção, as ferramentas e os indicadores que podem ser utilizados pela área, as estruturas organizacionais existentes e as responsabilidades da manutenção industrial. ENGENHARIA DE MANUTENÇÃO Gabriela Fonseca Parreira Gregorio Organização, planejamento e controle da manutenção Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer os conceitos de manutenção industrial, principais termos e definições. Identificar os modelos de organização da manutenção: centralizada; descentralizada; híbrida; terceirizada. Descrever as responsabilidades da manutenção. Introdução A manutenção industrial ganhou destaque nas organizações, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, diante do aumento da complexidade dos equipamentos, dos avanços tecnológicos, das exigências do mercado por produtos sem defeitos, das alterações nos sistemas de produção, dentre outros fatores. Com base nisso, o desenvolvimento de novas técnicas de trabalhos e novos instrumentos e mecanismos de gestão têm sido preocupação frequente nas indústrias, que perceberam que os resultados organizacionais dependem, também, do desempenho do setor de manutenção. A organização e o planejamento da manutenção, por meio da re- flexão e da decisão sobre o que fazer, quando fazer, quem deve fazer, como fazer, onde fazer, etc., substituíram as práticas de trabalho empí- ricas em muitas indústrias. Controlar as ações de manutenção também ganhou destaque, pois contribuiu para avaliar a efetividade das ações planejadas e realizadas ao apresentar os pontos críticos, nos quais mu- danças mostram-se necessárias, e os pontos não críticos, mas passíveis de melhoria contínua. U N I D A D E 1 Neste capítulo, então, você compreenderá os principais conceitos, termos e definições relacionados à manutenção industrial e aprenderá formas de estruturar os recursos para realização das atribuições da manutenção. Conceitos, termos e definições de manutenção industrial Manutenção pode ser defi nida como um conjunto de ações técnicas e ad- ministrativas com o objetivo de manter ou recolocar um item em um estado no qual possa desempenhar uma função requerida. A função requerida de um item é o conjunto de funções necessárias à realização de determinada ação (ASSOCIAÇÃO..., 1994). Desempenhar uma função exigida signifi ca eliminar falhas e/ou defeitos de determinados componentes, subsistemas e sistemas. Segundo Slack et al. (2007), manutenção é um termo utilizado para definir a forma como as empresas cuidam de suas instalações físicas ao tentar evitar falhas, considerando as consequências dessas para o sistema. A manutenção pode ser feita no campo, ou seja, efetuada no local onde o item é utilizado, pode ser fora do local de utilização do item ou, ainda, remota, sem acesso direto do pessoal ao item (ASSOCIAÇÃO..., 1994). As indústrias combinam três estratégias básicas de manutenção para cuidar de suas instalações, sendo elas: manutenção corretiva, preventiva e preditiva. No entanto, para a compreensão dessas abordagens, é necessário, antes, dife- renciar um defeito de uma falha. Falha, defeito, pane e tipos de manutenção De acordo com a NBR 5462 (ASSOCIAÇÃO..., 1994), falha é um evento que faz com que o equipamento não tenha a capacidade de desempenhar as funções preestabelecidas, enquanto defeito representa uma irregularidade de uma característica de um componente em relação aos seus requisitos. Assim, a falha impede o funcionamento do equipamento; já o defeito impede o desempenho de sua função normal ou, pelo menos, o desempenho de forma satisfatória. Ainda segundo a norma, pane é um estado de um item assinalado pela incapacidade de cumprir uma função requerida. As falhas, as panes e os defeitos podem ser críticos ou não críticos. A causa de uma falha ou defeito pode estar relacionada ao projeto, à fabricação ou ao uso Organização, planejamento e controle da manutenção2 do item. O conjunto de processos (físicos e/ou químicos) que conduzem a uma falha são reconhecidos como mecanismo de falha (ASSOCIAÇÃO..., 1994). Esclarecida a diferença entre falha e defeito, fica mais fácil compreender os tipos de manutenção existentes, conforme ilustrado na Figura 1. Figura 1. Tipos básicos de manutenção. A manutenção corretiva refere-se à realização das ações de reparo apenas após a falha do equipamento. Ela pode ser emergencial, quando realizada imediatamente após a falha, ou programada, quando se planeja a ação para um momento posterior à mesma. A manutenção preventiva é a realização do reparo ou troca antes da falha, mas pode ser após um defeito. Pode ser sistemática, muitas vezes baseada em intervalos de tempo pré-definidos, ou por oportunidade, ao aproveitar determi- nadas condições operacionais do equipamento para a realização da manutenção. Entende-se como manutenção preditiva o monitoramento de um ou mais parâmetros de um item com o objetivo de realizar as ações necessárias antes que a falha aconteça – também é conhecida como manutenção baseada na condição. É possível que alguns parâmetros sejam monitorados pelo próprio operador do equipamento por meio de sua experiência. Outros parâmetros devem ser monitorados pela equipe de manutenção em função de necessitarem de conhecimentos e/ou instrumentos específicos. Algumas atividades de manutenção frequentes são denominadas manu- tenções de rotina, como as inspeções, as lubrificações e os ajustes – trata-se de ações preventivas para evitar falhas. A corresponsabilização de todos na empresa por algumas ações de ma- nutenção e pela operação adequada dos equipamentos é conhecida como manutenção autônoma. Essa filosofia de trabalho constitui um dos pilares da Manutenção Produtiva Total (MPT), que é um método de gerenciamento da 3Organização, planejamento e controle da manutenção manutenção realizado por todos os funcionários da organização a partir das ações de pequenos grupos (SLACK et al., 2007). Por fim, a manutenção detectiva é a busca por falhas ocultas em sistemas de proteção dos processos industriais. Um exemplo desse tipo de manutenção é a busca por falhas em geradores de hospitais ou em válvulas de proteção na indústria. A engenharia de manutenção consiste em identificar as causas básicas de determinada falha com o objetivo de eliminá-las. Significa deixar de ficar consertando, modificar situações de desempenho insatisfatório e de conviver com problemas crônicos ao modificar padrões e sistemáticas de trabalho. É fazer benchmarks e estar nivelado com as melhores práticas de manutenção. É uma mudança de cultura (PINTO; XAVIER, 2002). Confiabilidade, disponibilidade e mantenabilidade As empresas combinam diferentes estratégias em relação aos tipos de ma- nutenção, com o objetivo de aumentar a confi abilidade e disponibilidade dos ativos e, consequentemente, do sistema de produção. Os ativos industriais físicos representam itens que têm valor real ou potencial para a empresa (ASSOCIAÇÃO..., 2014). A manutenção deve preocupar-se com o ativo ao longo de todo o seu ciclo de vida, que é representado pelo período entre a identificação da necessidade do ativo até a desativação do mesmo ou o término de todas as responsabilidades posteriores (ASSOCIAÇÃO..., 2014). A almejada confiabilidade refere-se à probabilidade de um sistema desem- penhar suas funções quando requeridas em determinado período de tempo (LEEMIS, 1995 apud SAMPAIO; FERNANDES NETO, 2013). Já a disponi- bilidade refere-se ao percentual de tempo em que o equipamento encontra-se disponível para realizar as atividades exigidas. Quanto maior o número de componentes, subsistemas e sistemas de um equipamento e quanto maior o número de interações e interdependências entre eles, mais complexas podem tornar-se as atividades de manutenção. As indústriastêm buscado, nos equipamentos, a facilidade de um item em receber manutenção considerando um custo pré-determinado, ou seja, Organização, planejamento e controle da manutenção4 aumentar a probabilidade de um item, após falhar, retornar às condições requeridas, conhecida como mantenabilidade (ASSOCIAÇÃO..., 1994). Termos utilizados em manutenção Alguns termos utilizados para designar indicadores de manutenção são avaliados de forma permanente pelas empresas e auxiliam na elaboração do plano de manutenção. A seguir, são apresentados as siglas, os termos e suas defi nições: MTBF (Tempo Médio entre Falhas): indica, em média, quando poderá ocorrer uma falha em determinado item. Responde a seguinte questão: em média, de quanto em quanto tempo este equipamento falha? MTTR (Tempo Médio de Reparo): indica, em média, quanto tempo o equipamento demora para ser reparado após uma falha. Responde a seguinte questão: em média, quanto tempo demora para reparar este equipamento após um episódio de falha? Taxa de falhas: indica o número médio de falhas do equipamento em determinado período de tempo. Responde a questão: em média, quantas falhas este equipamento apresenta a cada unidade de tempo? Backlog: representa a carga futura de trabalho da equipe de manutenção. Responde a seguinte questão: quanto tempo de trabalho a equipe de manutenção tem pela frente? Técnicas e ferramentas As ações de manutenção se baseiam, prioritariamente, em identifi car falhas reais e potenciais com o objetivo de eliminá-las, o que pode ser feito por meio de algumas técnicas, ferramentas e metodologias, como as descritas a seguir: Análise de falhas: exame sistemático e lógico que busca analisar a probabilidade de causa ou consequência de uma falha (BRANCO FI- LHO, 2008). Árvore de manutenção: diagrama lógico que apresenta as diversas sequências de ações elementares de manutenção possíveis de serem executadas sobre um item, além das condições de seleção de cada alternativa (ASSOCIAÇÃO..., 1994). 5Organização, planejamento e controle da manutenção Análise de Modo e Efeito de Falhas (FMEA): ferramenta utilizada para identificar falhas, suas causas, consequências e estimar o risco de cada uma delas, com o objetivo de concentrar os esforços de manutenção. Análise de Modo, Efeito e Criticidade de Falhas (FMECA): ferramenta utilizada para identificar as falhas, consequências, estimar o risco e a criticidade do modo de falha. Para conhecer outros termos e conceitos relacionados à manutenção, consulte a NBR 5462 – 1994, disponibilizada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas. Modelos de organização da manutenção Estruturar a organização da manutenção é defi nir como será a divisão das ações e dos recursos materiais e humanos para o alcance de determinados objetivos. Para defi nir o modelo mais adequado, é necessário estruturar a organização tanto do ponto de vista da dimensão espacial quanto do ponto de vista da hierarquia. Do ponto de vista da dimensão especial, as perguntas que precisam ser respondidas são: Onde estarão alocados os recursos de manutenção? Onde serão realizadas as atividades de manutenção? Do ponto de vista da hierarquia, as questões que precisam ser discutidas são: A quem a equipe de manutenção estará subordinada? Como serão as ligações entre os elementos de um grupo? Não existe uma estrutura organizacional melhor, todas apresentam van- tagens e desvantagens. Assim, um tipo de estrutura pode ser mais adequado de acordo com a estratégia da empresa. Organização, planejamento e controle da manutenção6 Do ponto de vista da dimensão espacial Do ponto de vista da dimensão espacial, os modelos de organização da ma- nutenção são: estrutura centralizada; estrutura descentralizada; estrutura mista. Na estrutura centralizada, todos os recursos necessários à realização das atividades de manutenção ficam alocados em uma oficina central e são utili- zados para as atividades de manutenção em todas as unidades produtivas da empresa, conforme ilustrado na Figura 2. Figura 2. Estrutura centralizada de manutenção. Fonte: Adaptada de Branco Filho (2006). Quando necessário, os recursos de manutenção são deslocados até a unidade produtiva ou os itens da unidade produtiva são deslocados até a oficina central para a realização das atividades. Esta estrutura apresenta como vantagens: equipe de manutenção mais enxuta; otimização da utilização dos recursos de manutenção; habilidade da equipe em lidar com problemas de todas as unidades produtivas; maior facilidade em contratar especialistas. 7Organização, planejamento e controle da manutenção As desvantagens deste tipo de estrutura são: tempo de deslocamento dos recursos; supervisão dos trabalhos dificultada; tempo necessário para familiarização com todos os problemas das diversas unidades produtivas. Na estrutura descentralizada, cada unidade produtiva tem seus próprios recursos de manutenção e estes não são compartilhados com outras unidades da empresa. Nesta estrutura, não existe a oficina central, conforme ilustrado na Figura 3. Figura 3. Estrutura descentralizada de manutenção. Fonte: Adaptada de Branco Filho (2006). Este tipo de estrutura é comum onde existe uma diversidade entre os itens de cada unidade produtiva. Além disso, os problemas de manutenção frequentes são de baixa complexidade. As vantagens da estrutura descentralizada são: tempo mínimo de deslocamento dos recursos de manutenção; maior familiarização da equipe com os ativos da unidade produtiva; supervisão do trabalho facilitada. As desvantagens desta estrutura são: equipe de manutenção mais robusta; mecanismos de gestão diferentes em unidades distintas; Organização, planejamento e controle da manutenção8 maior dificuldade para contratar especialistas; aquisição de equipamentos idênticos. A combinação da estrutura centralizada com a descentralizada recebe o nome de estrutura mista. A Figura 4 representa esse tipo de estrutura. Figura 4. Estrutura mista de manutenção. Fonte: Adaptada de Branco Filho (2006). Na estrutura mista, as atividades e os recursos de manutenção são divididos entre oficinas centrais e as oficinas de cada unidade produtiva. Geralmente, nas oficinas centrais são realizados os trabalhos de maior complexidade, menos frequentes e comuns em unidades produtivas distintas. Já as oficinas de cada unidade produtiva são responsáveis pelos problemas específicos da unidade, de menor complexidade e mais frequentes. A estrutura mista combina as vantagens e desvantagens das estruturas centralizadas e mista. A utilização dessa estrutura é uma tendência nas or- ganizações de grande porte. Do ponto de vista da hierarquia Do ponto de vista da hierarquia, os modelos de organização da manutenção são: centralizada; descentralizada; mista. 9Organização, planejamento e controle da manutenção Na estrutura centralizada, a equipe de manutenção é organizada por es- pecialidade e é subordinada a um gestor de manutenção, confirme ilustrado na Figura 5. Figura 5. Estrutura centralizada de manutenção. Fonte: Branco Filho (2006). Nesta estrutura, o gestor de manutenção centraliza o processo de tomada de decisão e tem a mesma autonomia que o gestor da produção. Na estrutura descentralizada, a equipe de manutenção é ligada à unidade produtiva na qual atua, sendo, muitas vezes, gerenciada por supervisores. É comum existir uma interação maior entre a produção e a manutenção. Esse tipo de estrutura está ilustrado na Figura 6. Organização, planejamento e controle da manutenção10 Figura 6. Estrutura descentralizada de manutenção. Fonte: Branco Filho (2006). Na estrutura mista, a equipe de manutenção atua por meio de times destina- dos a cada unidade produtiva e são subordinados a um gestor de manutenção, como ilustrado na Figura 7. Figura 7. Estrutura mista de manutenção. Fonte: Branco Filho (2006). 11Organização,planejamento e controle da manutenção Terceirização da manutenção A terceirização, segundo Giosa (1999 apud PAIVA; SOUZA, 2012, p. 796), “[...] é um processo de gestão em que se decide repassar algumas atividades para terceiros, e com os quais se deve estabelecer relações de parceria, devendo a empresa focar nas demais atividades de produção propriamente ditas”. Tem-se percebido um aumento nos índices de terceirização dos serviços de manutenção no Brasil. Segundo Roger (2011 apud TAVARES, 2014), as empresas terceirizam por quatro motivos: liberar a empresa para cuidar de suas atividades principais; obter especialização (tecnologia); melhorar a qualidade dos serviços; reduzir custos operacionais. Em manutenção, algumas empresas terceirizam: serviços de alta complexidade de conhecimento específico de especialistas; serviços que demandam alta avançada; serviços esporádicos. Algumas empresas adotam um modelo híbrido ao terceirizar parte do processo de manutenção e internalizar outras atividades. Terceirizar é sempre uma boa opção? No link a seguir, você identificará casos de algumas empresas que, após terceirizar, voltaram atrás em sua escolha. https://goo.gl/jNUkSg Organização, planejamento e controle da manutenção12 Responsabilidades da manutenção A manutenção passou por transformações a partir de 1930 e, consequente- mente, suas responsabilidades sofreram alterações. Na primeira geração, a manutenção era basicamente corretiva, uma vez que os equipamentos eram de baixa complexidade e superdimensionados. A segunda geração foi mar- cada por manutenções preventivas, pois começou a se processar a visão de disponibilidade e confi abilidade. A terceira geração reforçou a necessidade de manutenção preditiva devido à maior automatização dos processos e à tendência mundial de utilização do just-in-time (PINTO; XAVIER, 2002). Já passamos pela quarta geração, que atuou em projetos voltados para manutenibilidade e aumento das manutenções preditivas, e estamos na quinta geração da manu- tenção, que busca gerenciar ativos e otimizar seu ciclo de vida. As responsabilidades da manutenção dependem da visão e da estratégia da organização. Em algumas empresas, a manutenção tem um papel mais restrito, uma vez que a direção considera que o seu papel é apenas manter os ativos em funcionamento. Em outras, a manutenção assume uma função estratégica e existe, como todos os outros setores, para tornar a empresa mais competitiva. A segunda visão parece ser mais adequada ao avaliarmos o impacto que a manutenção tem nos resultados organizacionais. Assim, considerando essa visão, a manutenção tem uma série de responsabilidades e atribuições. As responsabilidades da manutenção podem ser divididas em quatro gran- des grupos: 1. atribuições relacionadas ao planejamento; 2. atribuições relacionadas à organização; 3. atribuições relacionadas à execução; 4. atribuições relacionadas ao controle. Todas as atribuições devem convergir para que a empresa atinja seus objetivos, zelando pelo meio ambiente e pelo bem-estar e segurança dos funcionários, clientes e sociedade. A Figura 8 ilustra os quatro grandes grupos de atribuições. 13Organização, planejamento e controle da manutenção Figura 8. Responsabilidades da manutenção. Em relação ao planejamento, cabe à manutenção: definir o(s) tipo(s) de manutenção mais adequado(s) para cada equipamento; definir os procedimentos operacionais para a realização das trocas e dos reparos; identificar o momento mais adequado para a realização das atividades de manutenção; planejar as necessidades de aquisição de sobressalentes e outros recursos; definir prioridades; identificar os indicadores mais adequados para avaliar as ações de manutenção; planejar ações de melhoria contínua; planejar a integração das ações de manutenção com as de outros departamentos. As funções relacionadas à organização são: garantir os recursos materiais e humanos necessários à realização das atividades. Organização, planejamento e controle da manutenção14 As atribuições do grupo execução são: realizar reparos, trocas e restaurações dos itens; efetuar os monitoramentos de parâmetros dos ativos; acompanhar os equipamentos; executar treinamentos; manter a equipe motivada; acompanhar projetos e montagens das instalações; instalar equipamentos; realizar gestão do conhecimento; registrar boas práticas; atualizar os sistemas de gestão da manutenção. Ao controlar, a manutenção deve: medir os indicadores; avaliar os indicadores. Usa-se com frequência uma combinação de abordagens de manutenção. A seguir, veja um exemplo simples do uso de manutenção corretiva, preventiva e preditiva em um automóvel. Figura 9. Exemplo de combinação de estratégias distintas de manutenção. Fonte: Adaptada de Slack et al. (2007). 15Organização, planejamento e controle da manutenção 1. Do ponto de vista da dimensão espacial, existem três estruturas organizacionais de manutenção: centralizada, descentralizada e mista. Considerando a estrutura centralizada, assinale a alternativa correta: a) Nesta estrutura, o compartilhamento das melhores práticas de trabalho e de experiências entre a equipe de manutenção é dificultado pelo fato de que os profissionais de manutenção estão espalhados pelas unidades produtivas da indústria. b) Se comparada à estrutura mista, a estrutura centralizada apresenta como desvantagem a impossibilidade de compartilhar recursos entre as unidades produtivas. c) É muito comum o uso da estrutura centralizada em indústrias nas quais as atividades mais frequentes nas unidades produtivas são de baixa complexidade e, por isso, as demandas são atendidas por profissionais com formação técnica. d) A principal desvantagem desta estrutura, se comparada com a descentralizada, é o tempo de deslocamento da equipe que, dependendo da indústria, contribui para aumentar consideravelmente o tempo médio de reparo dos equipamentos. e) Esta estrutura é muito utilizada em empresas grandes do ponto de vista da dimensão espacial, visto que permite o compartilhamento de mão de obra entre as unidades produtivas. 2. As ações de manutenção podem ser divididas em corretivas, preventivas, preditivas e detectivas. Todos esses tipos apresentam vantagens e desvantagens. Dessa forma, cabe à empresa avaliar e adotar a(s) forma(s) mais adequada(s) aos objetivos organizacionais. Considerando o que foi exposto, responda: a) Avaliar a(s) consequência(s) da falha para a sociedade, o custo, a qualidade, a produção e o meio ambiente é um meio utilizado para definir o(s) tipo(s) de manutenção(ões) mais adequado(s) para cada classe de equipamentos; no entanto, não é utilizado pelas indústrias que atuam no setor metal-mecânico. b) Geralmente, o setor de manutenção determina a estratégia de adotar apenas um tipo de manutenção e aplica-o a todas as classes de equipamentos presentes na indústria. c) As combinações dos diferentes tipos de manutenções, definidas de acordo com o potencial grau de severidade da consequência Organização, planejamento e controle da manutenção16 de uma falha, têm sido uma estratégia adotada por muitas indústrias na elaboração do plano de manutenção. d) Adotar a estratégia preventiva de manutenção mostra-se a opção mais assertiva para a indústria, pois a melhor opção é sempre atuar antes da falha. e) A opção por um tipo de manutenção é um opção estática, ou seja, uma vez definida, não deve ser alterada, independentemente das mudanças organizacionais. 3. Em relação aos tipos de manutenção, responda: a) Como a manutenção corretiva é realizada após uma falha e esta acontece de forma aleatória, nunca é possível planejar esse tipo de manutenção. b) A manutenção preditiva busca monitorar um ou mais parâmetros deum equipamento e deve ser feita, preferencialmente, quando o equipamento estiver atuando no contexto operacional ideal. c) A manutenção preventiva, se bem aplicada, traz o melhor custo-benefício para a organização e, dessa forma, deve ser adotada para todos os SSCs (Sistemas, Subsistemas e Componentes). d) A manutenção preditiva, por exigir conhecimentos de especialistas, nunca deve ser realizada pelo operador do equipamento. e) A manutenção preventiva sistemática é realizada, muitas vezes, em intervalos de tempo preestabelecidos, considerando o histórico de funcionamento do equipamento. 4. A estrutura organizacional para manutenção deve ser definida tanto do ponto de vista da dimensão espacial quanto do ponto de vista da subordinação/hierarquia. Considerando a subordinação, assinale a alternativa correta: a) Na estrutura centralizada, a tomada de decisão pelo gestor de manutenção é mais rápida, o que contribui para reduzir o tempo médio de reparo dos equipamentos. b) Na estrutura descentralizada, cada supervisor de manutenção tem autonomia para definir os mecanismos de gestão e padrões de trabalho, o que minimiza conflitos organizacionais. c) Na estrutura mista, a equipe de manutenção é subordinada ao gerente de produção e, dessa forma, a função manutenção perde um nível hierárquico. d) Na estrutura descentralizada, o relacionamento entre a produção e a manutenção é dificultado. e) Na estrutura mista, os profissionais de manutenção são organizados por meio da formação de times, subordinados a um gestor de manutenção. Esse gestor, muitas vezes, é subordinado ao nível estratégico da empresa. 17Organização, planejamento e controle da manutenção 5. Entre as atribuições do setor de manutenção estão: a) Realizar reparos e trocas de sobressalentes, monitorar parâmetros, acompanhar os indicadores de manutenção e adotar estratégias de melhoria contínua. b) Priorizar as necessidades específicas do setor de manutenção em detrimento dos objetivos estratégicos organizacionais. c) Prever e comprar os materiais sobressalentes necessários às atividades do setor. d) Responsabilizar pelos projetos e montagens das instalações industriais. e) Identificar e contratar treinamentos necessários à atualização e à qualificação da equipe de manutenção. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 55000. Gestão de Ativos – Visão geral, princípios e terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5462. Confiabilidade e man- tenabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 1994. BRANCO FILHO, G. A organização, o planejamento e o controle da manutenção. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2006. BRANCO FILHO, G. Dicionário de termos de manutenção, confiabilidade e qualidade. 4. ed. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2008. PAIVA, J. A.; SOUZA, F. M. C. Modelo de contrato de terceirização da manuten- ção: uma abordagem principal-agente. Produção, v. 22, n. 4, p. 796-806, set./dez. 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi d=S0103-65132012000400012>. Acesso em: 30 jun. 2018. PINTO, A. K.; XAVIER, J. A. N. Manutenção: função estratégica. 4. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2012. SAMPAIO, P. G. V.; FERNANDES NETO, A. P. Análise da manutenção numa empresa do setor salineiro do Rio Grande do Norte. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO. 33., Salvador, 2013. Artigos... Rio de Janeiro: ABEPRO, 2013. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2013_TN_STO_177_011_21940. pdf>. Acesso em: 30 jun. 2018. SLACK, N. et al. Administração da produção. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007. Organização, planejamento e controle da manutenção18 TAVARES, A. D. Gestão eficaz da terceirização na manutenção industrial para garantir qualidade, eficiência e produtividade. 2014. 84f. Dissertação (Mestrado em Sistemas de Gestão) - Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2014. Disponível em: <http://www. bdtd.ndc.uff.br/tde_arquivos/14/TDE-2015-06-27T152527Z-4521/Publico/DISSERT%20 ALEXANDRE%20DIAS%20TAVARES.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2018. 19Organização, planejamento e controle da manutenção Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Após identificar os equipamentos e conhecer a importância deles para o sistema de produção, mostra-se importante definir o tipo de manutenção mais adequado para cada um deles. Neste vídeo, você verá os tipos de manutenção corretiva, preventiva e preditiva, suas vantagens e desvantagens e os motivos que podem conduzir o gestor a optar por determinado tipo de manutenção para um ativo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Do ponto de vista da dimensão espacial, existem três estruturas organizacionais de manutenção: centralizada, descentralizada e mista. Considerando a estrutura centralizada, selecione uma das alternativas. A) Nessa estrutura, o compartilhamento das melhores práticas de trabalho e de experiências entre a equipe de manutenção é dificultado pelo fato de os profissionais de manutenção estarem espalhados pelas unidades produtivas da indústria. B) Se comparada à estrutura mista, a estrutura centralizada apresenta como desvantagem a impossibilidade de compartilhar recursos entre as unidades produtivas. C) É muito comum o uso da estrutura centralizada em indústrias onde as atividades mais frequentes nas unidades produtivas são de baixa complexidade, e que, por isso, as demandas são atendidas por profissionais com formação técnica. D) A principal desvantagem dessa estrutura, se comparada com a descentralizada, é o tempo de deslocamento da equipe que, dependendo da indústria, contribui para aumentar consideravelmente o tempo médio de reparo dos equipamentos. E) Essa estrutura é muito utilizada em empresas grandes do ponto de vista da dimensão espacial, visto que permite o compartilhamento de mão de obra entre as unidades produtivas. 2) As ações de manutenção podem ser divididas em corretivas, preventivas, preditivas e detectivas. Todos esses tipos apresentam vantagens e desvantagens. Dessa forma, cabe à empresa avaliar e adotar a(s) forma(s) mais adequada(s) aos objetivos organizacionais. A esse respeito, é correto afirmar que: A) avaliar consequência(s) da falha para a sociedade, custo, qualidade, produção e meio ambiente é um meio utilizado para definir o(s) tipo(s) de manutenção mais adequado(s) para cada classe de equipamentos; no entanto, não é utilizado pelas indústrias que atuam no setor metal-mecânico. B) eeralmente, o setor de manutenção determina a estratégia de adotar apenas um tipo de manutenção e aplica-o a todas as classes de equipamentos presentes na indústria. C) as combinações dos diferentes tipos de manutenção, definidas de acordo com o potencial grau de severidade da consequência de uma falha, têm sido uma estratégia adotada por muitas indústrias ao elaborar o plano de manutenção. D) adotar a estratégia preventiva de manutenção mostra-se a opção mais assertiva para a indústria, pois o mais acertivo é sempre atuar antes da falha. E) a opção por um tipo de manutenção é uma opção estática, ou seja, uma vez definida não deve ser alterada, independentemente das mudanças organizacionais. 3) Em relação aos tipos de manutenção, é correto afirmar que: A) como a manutenção corretiva é realizada após uma falha e acontece de forma aleatória, nunca é possível planejar esse tipo de manutenção. B) a manutenção preditiva busca monitorar um ou mais parâmetros de um equipamento e deve ser feita, preferencialmente, quando o equipamento estiver atuando no contexto operacional ideal. C) a manutenção preventiva, se bem aplicada, traz o melhor custo-benefício para a organização e, dessa forma, deve seradotada para todos os SSCs (sistemas, subsistemas e componentes). D) a manutenção preditiva, por exigir conhecimentos de especialistas, nunca deve ser realizada pelo operador do equipamento. E) a manutenção preventiva sistemática é realizada, muitas vezes, em intervalos de tempo preestabelecidos, considerando o histórico de funcionamento do equipamento. 4) A estrutura organizacional para manutenção deve ser definida tanto do ponto de vista da dimensão espacial quanto da subordinação/hierarquia. Considerando a subordinação, assinale a alternativa correta. A) Na estrutura centralizada, a tomada de decisão pelo gestor de manutenção é mais rápida, o que contribui para reduzir o tempo médio de reparo dos equipamentos. B) Na estrutura descentralizada, cada supervisor de manutenção tem autonomia para definir os mecanismos de gestão e padrões de trabalho, o que minimiza conflitos organizacionais. C) Na estrutura mista, a equipe de manutenção é subordinada ao gerente de produção, e, dessa forma, a função manutenção perde um nível hierárquico. D) Na estrutura descentralizada, o relacionamento entre a produção e a manutenção é dificultado. Na estrutura mista, os profissionais de manutenção são organizados por meio da formação E) de times, subordinados a um gestor de manutenção, que, muitas vezes, é subordinado ao nível estratégico da empresa. 5) Entre as atribuições do setor de manutenção, estão: A) realizar reparos e trocas de sobressalentes, monitorar parâmetros, acompanhar os indicadores de manutenção e adotar estratégias de melhoria contínua. B) priorizar as necessidades específicas do setor de manutenção em detrimento dos objetivos estratégicos organizacionais. C) prever e comprar os materiais sobressalentes necessários às atividades do setor. D) responsabilizar-se pelos projetos e montagens das instalações industriais. E) identificar e contratar treinamentos necessários à atualização e qualificação da equipe de manutenção. NA PRÁTICA Adotar uma estrutura organizacional adequada contribuiu com a melhoria dos resultados do setor de manutenção ao possibilitar a redução de movimentações e transportes internos, a redução do tempo médio de reparo, a otimização da utilização dos recursos de manutenção, dentre outros. Do ponto de vista da dimensão espacial, existem três estruturas organizacionais: centralizada, descentralizada e mista. Todas apresentam vantagens e desvantagens. Cabe à indústria optar pela estrutura mais adequada à sua estratégia de manutenção. A montadora OOX tem apresentado alguns problemas de manutenção. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Terceirização na gestão da manutenção: estudo de caso de uma mineradora Neste artigo, você poderá avaliar estratégias de terceirização da manutenção e sua relação com a redução de custos numa empresa mineradora. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! A falha não é uma opção Compreenda a importância do exame de falhas no processo de manutenção e tenha acesso a uma metodologia de análise de falhas. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Evolução da manutenção Acompanhe a evolução da manutenção e tenha acesso aos principais termos de manutenção. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) APRESENTAÇÃO A confiabilidade pode ser definida como a capacidade que um item tem em desempenhar, de forma satisfatória, uma função requerida, durante um intervalo de tempo. Na Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM, do inglês Reliability Centred Maintenance), é possível analisar as diferentes formas pelas quais um item pode falhar, permitindo a tomada de decisão e, consequentemente, evitando essas falhas. Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará os conceitos de Manutenção Centrada na Confiabilidade, identificará a relação entre confiabilidade, disponibilidade e manutenabilidade, assim como discutirá a análise de falhas na implementação da RCM. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever os conceitos de Manutenção Centrada na Confiabilidade.• Identificar as relações entre confiabilidade, disponibilidade e manutenabilidade.• Discutir o conceito de análise de falhas na implantação da RCM.• DESAFIO A Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) pode ser utilizada nos mais diferentes ramos industrias, sempre com o objetivo de estudar as diversas formas que um componente pode falhar, buscando realizar ações para evitar essas falhas. Uma das etapas da RCM é a análise do modo e efeitos de falhas (do inglês Failure Mode and Effects Analysis — FMEA), a qual prevê efeitos indesejados e possibilita a tomada de decisão antecipada. Com base nessas informações, responda o Desafio a seguir, supondo que você irá participar de uma reunião de FMEA em uma indústria plástica. Que contribuições você daria a respeito de materiais, máquinas, método, meio ambiente, mão de obra e medida para a solução dessa falha? INFOGRÁFICO Na Manutenção Centrada em Confiabilidade (RCM), a definição do tipo de manutenção a ser adotada depende da probabilidade de falhas de cada componente. Por meio da análise de dados pode-se determinar o comportamento das falhas ao longo do tempo (mortalidade infantil, maturidade ou desgaste), assim como escolher o tipo de manutenção mais adequada. Para equipamentos com mortalidade infantil, recomenda-se a manutenção corretiva; para os equipamentos na fase de maturidade, sugere-se manutenção preditiva e corretiva; já para os equipamentos em fase de desgaste, são indicadas manutenção preventiva e preditiva. A expressão mortalidade infantil é utilizada em manutenção, indicando as falhas que ocorrem no início da vida útil do equipamento, como problemas de fabricação, componentes com defeitos, instalação ou montagem incorretas; já a maturidade é quando o equipamento entrou em um período de estabilidade, com as falhas já corrigidas, ocorrendo em menor quantidade e de forma aleatória. Neste Infográfico, você vai ver as seis curvas de falha que podem ser usadas para caracterizar a vida dos equipamentos na RCM. CONTEÚDO DO LIVRO Para que seja realizada uma manutenção industrial de qualidade é necessário que a confiabilidade esteja presente. Uma forma de garantir isso é por meio da Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM), que nada mais é do que um processo utilizado para determinar requisitos de manutenção, estudando as diversas formas de como um componente pode falhar e realizando ações para evitar essas falhas. No capítulo Manutenção Centrada na Confiabilidade, do livro Manutenção industrial, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender os conceitos de Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) e as relações entre confiabilidade, disponibilidade e manutenabilidade, além da análise de falhas na implementação da RCM. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Aline Morais da Silveira Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever os conceitos de Manutenção Centrada na Confiabilidade. Identificar as relações entre confiabilidade, disponibilidade e manutenabilidade. Discutir o conceito de análise de falhas na implantação da RCM. Introdução A manutenção tem como principal objetivo manter a performance de equipamentos, mas falhas podem ocorrer, incapacitando o equipamento a desenvolver a sua função. A partir da Manutenção Centrada na Confiabili- dade (RCM, do inglês Reliability Centred Maintenance), é possível analisar as diferentes formas pelas quais um item pode falhar, permitindo a tomada de decisão e, consequentemente, evitando essas falhas. Neste capítulo, você vai estudaros conceitos de Manutenção Centrada na Confiabilidade, identificar a relação entre confiabilidade, disponibi- lidade e manutenabilidade, bem como discutir a análise de falhas na implementação da RCM. Manutenção Centrada na Confiabilidade Segundo Viana (2008), a Manutenção Centrada na Confi abilidade (do inglês Reliability Centred Maintenance — RCM) foi desenvolvida entre as décadas de 1960 e 1970, mas apenas em 1978 ela iniciou de fato, com a publicação de um livro de mesmo nome pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, no qual foram lançadas diretrizes para um gerenciamento efi ciente de equi- pamentos por meio da análise de suas possíveis falhas. A RCM é um processo utilizado para determinar requisitos de manutenção de qualquer item físico no seu contexto operacional, estudando as diversas formas pelas quais um componente pode falhar e realizando ações para evitar essas falhas. A RCM pode ser considerada uma ferramenta para tomada de decisão sobre quais políticas de manutenção devem ser adotadas. Um item é colocado em serviço para cumprir determinada função. Cabe à manutenção preservar esse estado para que o item possa cumprir a função que os usuários esperam (KARDEC; NASCIF, 2009, p. 143). A RCM tem quatro objetivos principais: preservar as funções do sistema; identificar modos de falha que influenciam tais funções; identificar a importância de cada falha funcional; definir tarefas preventivas em relação às falhas funcionais. Kardec e Nascif (2009) recomendam que sete perguntas sejam realizadas para enquadrar um item no processo de RCM: 1. Quais são as funções e os padrões de desempenho do item no seu contexto operacional atual? 2. De que forma ele falha em cumprir as suas funções? 3. O que causa cada falha operacional? 4. O que acontece quando ocorre cada falha? 5. De que forma cada falha tem importância? 6. O que pode ser feito para prevenir cada falha? 7. O que deve ser feito se não for encontrada uma tarefa preventiva apropriada? Com a análise de falhas por meio da RCM, segundo Kardec e Nascif (2009), alguns benefícios podem ser obtidos: aprimoramento do desempenho operacional, ajudando a adotar o tipo de manutenção mais eficaz para cada máquina, em cada situação; Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM)2 maior custo/benefício com a adoção do tipo de manutenção adequado; melhoria das condições ambientais e de segurança; aumento da vida útil dos equipamentos; banco de dados de manutenção; maior motivação do pessoal e geração de senso de equipe; maior compartilhamento dos problemas de manutenção. Na RCM, seis curvas de falha podem ser usadas para caracterizar a vida dos equipamentos, conforme a mostra a Figura 1. Essas curvas foram levantadas pela United Airlines ao longo de 30 anos. Os valores nas colunas representam os resultados dos estudos da United Airlines (UAL), em 1968, da Bromberg da Suécia, para aviões, em 1973, e da Marinha dos Estados Unidos (US Navy), para navios, em 1982. Figura 1. Tipos de curvas de falhas. Fonte: Kardec e Nascif (2009, p. 145). Segundo Kardec e Nascif (2009): Padrão A: é a curva da banheira, onde há uma grande ocorrência de falhas no início da operação, seguida por uma frequência menor constante e, finalmente, um aumento pela degradação ou por desgaste do equipamento. Padrão B: tem probabilidade constante de falha, com um aumento significativo no final da vida útil devido ao desgaste ou, então, um aumento gradual ao longo de toda a vida útil. É comum em equipamentos que tenham contato com produto e fluidos de processos. 3Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) Padrão C: aumento lento e gradual da probabilidade de falha, sem uma idade definida ou identificada de desgaste. É comum em equipamentos com erosão, corrosão e fadiga. Padrão D: baixa probabilidade de falha inicial, seguida de um rápido aumento até atingir um patamar constante. É comum em sistemas complexos, como hidráulicos e pneumáticos, e a maior influência se dá pelo conhecimento técnico dos operadores de manutenção, com a substituição de operadores mais qualificados por menos qualificados. Padrão E: probabilidade constante para qualquer idade do equipamento, apresentando falha aleatória. É comum em equipamentos nos quais não há trabalho de manutenção, como elementos rodantes de rolamentos e bulbos de lâmpadas incandescentes. Padrão F: alta probabilidade no início de vida, caindo para uma proba- bilidade constante para as demais idades. É comum em sistemas com- plexos sujeitos a ciclos de partidas e paradas, frequentes manutenções ou flutuações cíclicas de produção. Confiabilidade, disponibilidade e manutenabilidade Para um melhor entendimento da RCM, a defi nição de conceitos como con- fi abilidade, disponibilidade e manutenabilidade se faz necessária, assim como sua forma de cálculo. Confiabilidade A confi abilidade, representada por R(t), é a capacidade de um item de desempe- nhar, de forma satisfatória, uma função requerida sob condições especifi cadas durante um dado intervalo de tempo, ou seja, é uma probabilidade. O termo con- fi abilidade também é usado como uma medida de desempenho de confi abilidade. A confiabilidade sempre deve estar atrelada a um período de tempo. Por exemplo: a probabilidade de uma bomba operar, de acordo com as suas especificações de projeto, é de 99,5% nas próximas 3500 horas. Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM)4 Para o cálculo da confiabilidade, seguindo uma distribuição exponencial, é necessária a taxa de falhas do equipamento (λ). Onde MTBF (do inglês Mean Time Between Failures) é a média dos tempos entre o fi m de uma falha e o início de outra em equipamentos reparáveis. De posse dessas informações e do período (t) para a projeção do cálculo, a confiabilidade com distribuição exponencial e a taxa de falhas constante pode ser calculada por: Disponibilidade A disponibilidade é quando um item está em condições de executar uma certa função em um determinado instante ou durante um intervalo de tempo preestabelecido, ou seja, é a relação entre o tempo produzindo e o tempo programado. A disponibilidade pode ser calculada pela equação: Onde MTTR (do inglês Mean Time To Repair) é a média aritmética dos tempos de reparo de um equipamento. Manutenabilidade A manutenabilidade ou mantenabilidade, representada por M(t), é a capaci- dade que um componente, produto, equipamento ou sistema tem de receber manutenção, dentro de um período de tempo determinado e com um custo preestabelecido. Ela pode ser calculada pela equação: 5Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) Onde μ é a taxa de reparos, calculada por: Análise de falhas na implementação da RCM A falha é um evento indesejável em equipamentos e, a partir de sua análise, é possível descobrir suas causas e realizar ações para que não ocorram nova- mente. A análise de falhas pode revelar defi ciência no projeto, imperfeição do material, erros em processamento do material, erros de montagem, manutenção inadequada, entre outros fatores. Falha potencial é uma condição identificável e mensurável de uma falha funcional pendente ou em processo de ocorrência. Já a falha funcional é a incapacidade de um item de desempenhar uma função específica dentro dos limites desejados de performance. Todo componente possui uma vida útil, que pode ser representada a partir da curva PF (Figura 2), que projeta o intervalo de tempo entre a falha potencial e a falha funcional. Figura 2. Curva PF. Fonte: Teles (2017, documento on-line). Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM)6 Com a intenção de evitar que a falha potencial tenha início, é possível realizar a análise do modo e efeitos de falhas. Análise do modo e efeitos de falhas A análise do modo e efeitos de falhas (do inglês Failure Mode and Effects Analysis — FMEA) é um método de análise de falhas em processos e produtos com o objetivo de prever efeitos indesejados e possibilitar uma tomada dedecisão antecipada que foi desenvolvido pelo exército norte-americano por volta de 1949. Existem quatro tipos de FMEA, conforme Seleme (2015): FMEA de produto ou de projeto: evita falhas no produto ou no pro- cesso decorrentes do projeto do produto. FMEA de processo: evita falhas no processo, tendo como base as não conformidades das especificações do projeto. FMEA de serviço: previne falhas durante a prestação de serviços. FMEA de sistema: analisa o design de um produto durante a fase de concepção para evitar falhas por um design deficiente. Para a aplicação do FMEA, existem duas abordagens diferentes: Bottom-up: é a abordagem mais utilizada e avalia as causas para a identificação do defeito. Top-down: normalmente utilizada na fase inicial de concepção, analisa as principais funções do sistema e como elas podem falhar. A FMEA utiliza a relação de causa e efeito, de modo que os itens de análise podem ser categorizados conforme o diagrama de causa e efeito proposto por Kaoru Ishikawa, também chamado de espinha de peixe (Figura 3). 7Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) Figura 3. Diagrama de causa e efeito. Fonte: Seleme (2015, p. 77). Para priorização das falhas potenciais, é possível calcular o índice de risco (IR), que consiste no produto entre a ocorrência (IO), a gravidade (IG) e a detecção (ID), conforme mostra equação a seguir: A ocorrência é a frequência de incidência da falha, a gravidade é o grau de impacto da falha e a detecção é a capacidade de detectar a falha antes que ela ocorra. Com esse índice, é possível definir a criticidade das falhas, facilitando a tomada de decisão. No Quadro 1, são apresentadas algumas sugestões de valores para IO, IG e ID. Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM)8 Fonte: Adaptado de Viana (2008, p. 113). Índices Valores normalizados Índice de ocorrência Probabilidade de ocorrência Muito remota (excepcional) = 1 Muito pequena = 2 Pequena = 3 Moderada = 4 – 5 – 6 Alta (frequente) = 7 – 8 Muito alta (inevitável) = 9 – 10 Índice de gravidade Sem consequência = 1 Leve consequência = 2 Média consequência = 3 Parada de subsistema por menos de quatro horas = 4 Parada de subsistema por MAIS de quatro horas = 5 Índice de detecção Facilmente detectada = 1 Razoavelmente detectada = 2 Dificilmente detectada = 3 Muito dificilmente detectada = 4 Impossível de ser detectada = 5 Índice de risco IR = IG x IO x ID Quadro 1. Valores normalizados para índices de ocorrência, gravidade e detecção Roteiro de implementação da RCM A implementação da RCM deve seguir alguns passos, segundo Viana (2008), conforme descritos a seguir: Seleção do sistema que será estudado: determinação do que será analisado e em que nível. É fundamental a escolha de ativos ou sistemas que podem beneficiar-se com a implementação da RCM. Formação da equipe: com representantes de todas as áreas que têm influência sobre o sistema escolhido, sendo indispensável um espe- cialista em RCM. 9Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) Levantamento de dados: informações de projeto, operacionais e de confiabilidade que podem ser encontradas em diagramas de instrumen- tação, diagramas de bloco ou esquemas do sistema, manuais e memo- riais de venda dos equipamentos, arquivos históricos do equipamento, manuais de operação do sistema, especificações e dados descritivos do projeto, entre outros. Definição das fronteiras do sistema: identifica as fronteiras entre os sistemas componentes da unidade fabril. O conhecimento das trans- formações que ocorrem entre a entrada e a saída do sistema garantem que nenhuma função importante seja negligenciada. Descrição do sistema e subsistemas: integração de informações, como descrição do sistema (o nível de detalhamento varia conforme a aplica- ção), diagrama de blocos funcional (quando o sistema é muito complexo, facilita o gerenciamento de informações), interfaces de entrada e saída (a existência de interação indica que um subsistema depende da função de outro), lista de equipamentos e seu histórico (lista de itens físicos dos subsistemas, histórico de manutenção e falhas dos itens físicos). Identificação das funções e falhas funcionais: o que se analisa são as funções do sistema, e não o que o item físico representa no sistema. Embora a falha ocorra no item físico, o processo de análise foca na perda funcional, e não na perda do item físico. Análise de modos de falhas (FMEA): identifica os modos de falha dominantes dos itens críticos — cada FMEA deve ser elaborada para cada falha funcional. Diagrama de decisão: identifica e distingue as falhas evidentes das ocultas, bem como classifica cada modo de falha (relacionado com segurança, com integridade ambiental, com parada forçada de produção ou com perdas econômicas). Posteriormente, selecionam-se as tarefas de manutenção aplicáveis e define-se a periodicidade. Para facilitar a tomada de decisão de qual tipo de manutenção, o dia- grama apresentado na Figura 4, proposto por Kardec e Nascif (2009), pode ser utilizado: Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM)10 Figura 4. Diagrama de seleção dos tipos de manutenção a serem aplicados. Fonte: Kardec e Nascif (2009, p. 159). A análise de falhas por RCM traz quatro resultados principais, conforme destacados por Kardec e Nascif (2009): melhoria na compreensão do funcionamento do equipamento ou sistema; desenvolvimento do trabalho em grupo, favorecendo a análise, a solução de problemas e o estabelecimento de programas de trabalho; definição de como o item pode falhar e as causas básicas de cada falha, possibilitando evitar falhas; elaboração de planos para garantir a operação de um item em um nível de performance desejado. 11Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: função estratégica. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. SELEME, R. Manutenção industrial: mantendo a fábrica em funcionamento. Curitiba: Intersaberes, 2015. TELES, J. Curva PF: o que é e como usar. 2017. Disponível em: <https://engeteles.com. br/curva-pf/>. Acesso em: 20 nov. 2018. VIANA, H. R. G. PCM: planejamento e controle da manutenção. Rio de Janeiro: Quali- tymark, 2008. Leitura recomendada LIMA, M. J. Gestão da dependabilidade de equipamentos médico-hospitalares. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA BIOMÉDICA, 20., 2006, São Pedro. Anais... Rio de Janeiro: SBEB, 2006. Disponível em: <http://bt.fatecsp.br/system/articles/892/ original/Artigo%20GEDEM%20Dependabilidade_corrigido%20em%202-11-%202011. pdf>. Acesso em: 22 nov. 2018. Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM)12 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR O correto entendimento de alguns conceitos é fundamental para uma Manutenção Centrada na Confiabilidade, pois por meio de seus resultados é possível buscar a melhoria constante. Entre esses conceitos é possível citar confiabilidade, disponibilidade e manutenabilidade, os quais estão diretamente ligados a indicadores de manutenção como o tempo médio entre falhas e o tempo médio para reparos. Nesta Dica do Professor, você vai ver os conceitos de confiabilidade, disponibilidade e manutenabilidade, assim como as suas formas de cálculo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) A Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) é um processo utilizado para determinar requisitos de manutenção de qualquer item, estudando as diversas formas sobre como ele pode falhar e realizando ações para evitar essas falhas. Qual das opções a seguir é um dos objetivos da RCM? A) Interagir com filiais. B) Reduzir custos dos produtos. C) Preservar as funções do sistema. D) Cuidado com o meio ambiente. E) Aumentar a concorrência. Na RCM, seis curvas de falha podem ser usadas para caracterizar a vida dos 2) equipamentos. O padrão A, também chamado de curva da banheira, tem qual comportamento? A) Aumento lento e gradual da probabilidade de falha sem uma idade definida de desgaste.B) Grande ocorrência de falhas no início, seguida por uma frequência menor constante e finalmente um aumento novamente. C) Alta probabilidade de falha no início de vida, caindo para uma probabilidade constante para as demais idades. D) Baixa probabilidade de falha inicial, seguida de um rápido aumento até atingir um patamar constante. E) Probabilidade constante para qualquer idade do equipamento, apresentando falha aleatória. 3) Calcule a disponibilidade de um equipamento que operou durante 1000 horas, tendo sofrido 5 paradas para manutenção que duraram um total de 20 horas. A) 35%. B) 55%. C) 75%. D) 98%. E) 100%. 4) A Análise do Modo e Efeitos de Falhas (FMEA) é um método de análise de falhas com o objetivo de prever efeitos indesejados, possibilitando uma tomada de decisão antecipada. Quais são os quatros tipos de FMEA? A) De produto, processo, serviço e sistema. B) De processo, serviço, sistema e gestão. C) De produto, serviço, sistema e vendas. D) De serviço, sistema, vendas e gestão. E) De processo, sistema, gestão e vendas. 5) Durante uma FMEA, é calculado o índice de risco para a priorização das falhas potenciais. O cálculo do índice de risco consiste na multiplicação de três outros diferentes índices, quais são eles? A) De gravidade, de detecção e de custo. B) De ocorrência, de gravidade e de custo. C) De ocorrência, de detecção e de reclamação. D) De gravidade, de detecção e de reclamação. E) De ocorrência, de gravidade e de detecção. NA PRÁTICA Quando alguns indicadores e conceitos de manutenção apresentam resultados não tão satisfatórios, algumas técnicas podem ser aplicadas para que estes sejam melhorados. A Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) é uma delas, estudando as diversas formas sobre como um componente pode falhar e realizando ações para evitar essas falhas. Neste Na Prática, você vai ver as aplicações da RCM em uma indústria de componentes eletrônicos. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Quando e por que fazer uma análise de falha Veja neste vídeo mais detalhes sobre a análise de falha, ferramenta utilizada para a identificação de causas das falhas. Saiba o que é e quando realizá-la, lembrando da importância de estar munido de todas as informações referentes à falha. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Estudo da Manutenção Centrada em Confiabilidade aplicada a um sistema de refrigeração Leia neste artigo a aplicação da Manutenção Centrada em Confiabilidade em um sistema de refrigeração à base de água de um shopping no interior Pernambucano. Durante a aplicação, os subsistemas, os componentes, as suas funções e os modos de falha são identificados, selecionando as funções significantes para a definição das atividades aplicáveis a cada falha e, por fim, definindo as atividades de manutenção. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Manutenção corretiva APRESENTAÇÃO A manutenção corretiva compõe a primeira geração da manutenção e se preocupava em reparar o equipamento após a falha. Embora tenham surgido outras políticas de manutenção ao longo do tempo, muitas empresas optam por corrigir as falhas por inúmeros motivos: ausência de mão de obra e recursos tecnológicos necessários para implantar ações preventivas, opção de não parar a produção para realização de trocas e/ou restaurações ou, simplesmente, pelo fato de a manutenção corretiva ser a mais adequada para determinadas situações. A manutenção corretiva, assim como outras estratégias de manutenção, apresenta vantagens e desvantagens que precisam ser analisadas durante o processo de tomada de decisão. Sob determinadas condições, a implantação da manutenção corretiva planejada em alguns itens da instalação pode ser benéfica para as indústrias. Nesta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá sobre manutenção corretiva e suas aplicações; identificará as condições necessárias para aplicação da manutenção corretiva e, por fim, conhecerá o processo de análise de falhas dos ativos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o conceito de manutenção corretiva e suas aplicações.• Determinar em que condições a manutenção corretiva deve ser utilizada.• Descrever o processo de análise de falhas.• DESAFIO A escolha do tipo de manutenção mais adequado para cada equipamento é importante para melhoria dos resultados organizacionais. Todos os tipos de manutenção apresentam vantagens e desvantagens. Assim, o gestor, de posse de todas as informações necessárias relacionadas ao equipamento e ao processo, deve avaliar e definir a política de manutenção. Uma das decisões a serem tomadas está relacionada ao momento de atuação da equipe de manutenção: é melhor atuar antes ou após a falha? A resposta para essa questão depende da análise de uma série de variáveis. No desafio a seguir, você terá a oportunidade de avaliar um caso e considerar suas variáveis, aplicando seus conhecimentos sobre manutenção programada e não programada. Considerando que você seja o responsável pelo setor de manutenção da empresa e que o técnico lhe telefonou para saber como proceder, responda as questões abaixo: a) Qual o tipo de manutenção você orientaria o técnico a adotar? Justifique. b) Quais as vantagens da adoção nesse tipo de manutenção e nessa situação? c) Quais as desvantagens da adoção desse tipo de manutenção? INFOGRÁFICO Observar o desempenho do equipamento ao longo do tempo e coletar informações acerca do seu funcionamento são funções importantes para definição das próximas ações de manutenção. Muitos equipamentos utilizados no processo de produção não apresentam um comportamento previsível. Além disso, falhas aleatórias acontecem e, assim, algumas ações de manutenção emergenciais se tornam necessárias. Neste Infográfico, você avaliará o desempenho do equipamento em função do tempo quando adotada a estratégia de manutenção corretiva. CONTEÚDO DO LIVRO Adotar a estratégia adequada de manutenção é muito importante para a melhoria dos resultados organizacionais. Algumas empresas consideram que a melhor estratégia é sempre adotar políticas preventivas de manutenção. No entanto, essa opção nem sempre é a mais adequada. Em algumas situações, o uso da manutenção corretiva pode ser indicado. Para tanto, compreender suas aplicações, suas vantagens e desvantagens e aprender a analisar as falhas para definir as ações de manutenção são fundamentais. No capítulo Manutenção Corretiva, da obra Manutenção Industrial, você aprenderá os conceitos desse tipo de manutenção; identificará as condições necessárias para sua adoção e conhecerá os passos para a realização de uma análise de falhas. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Gabriela Fonseca Parreira Gregorio Manutenção corretiva Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o conceito de manutenção corretiva e suas aplicações. Determinar em que condições a manutenção corretiva deve ser utilizada. Descrever o processo de análise de falhas. Introdução Até o final do século XIX, a manutenção era, muitas vezes, de respon- sabilidade do usuário do equipamento. No início do século XX, com o aumento do volume de produção e o surgimento da produção em série, a manutenção passou a ser de responsabilidade de um departamento específico da organização. Nessa época, a filosofia das empresas era “operar sem parar” e, diante disso, a prática de manutenção corretiva era adotada. Até a II Guerra Mundial, a adoção exclusiva desse tipo de manutenção não trazia grandes problemas para a organização, uma vez que a com- plexidade dos equipamentos era baixa, os mesmos eram superdimen- sionados e as empresas possuíam estoque de produto acabado, o que fazia com que, diante de algum problema no equipamento,o tempo de reparo fosse baixo e o mercado não fosse afetado pela falta do produto. Posteriormente, diante dos avanços tecnológicos, surgiram outras estra- tégias quanto aos tipos de manutenção, como a manutenção preventiva e preditiva, que, hoje, são combinadas de acordo com o objetivo de cada organização. No entanto, a manutenção corretiva ainda pode ser indicada como a estratégia mais adequada diante de alguns casos e situações. Neste capítulo, você compreenderá o que é manutenção corretiva e as suas aplicações, reconhecerá as condições para o uso desse tipo de manutenção e aprenderá sobre o processo de análise de falhas. Manutenção corretiva e suas aplicações Existem diversos conceitos relacionados à manutenção corretiva, e as orga- nizações, muitas vezes, adaptam esses conceitos à sua realidade. Assim, é necessário que os profi ssionais busquem conhecer o conceito adotado pela sua empresa para que haja uma comunicação assertiva entre os envolvidos. Quando se aborda a manutenção corretiva, surge uma questão central: para que a manutenção seja considerada corretiva, o equipamento precisa estar em estado de quebra ou apenas ter o desempenho inferior ao esperado? Diante desta questão, é fundamental que, antes de entrar nos conceitos de manutenção corretiva, seja explicada a distinção entre defeito, falha e pane. A NBR 5462 (ASSOCIAÇÃO...,1994) determina que a falha é o fim da capacidade do equipamento de desempenhar as funções demandadas. Após a falha, o item entra em estado de pane. Já o defeito é qualquer desvio de uma ou mais características de um equipamento em relação às especificações e que pode, ou não, afetar sua capacidade de desempenho. De acordo com a norma supracitada, a manutenção corretiva é a atuação realizada após o início do estado de pane do sistema com o objetivo de recolocá- -lo em condições de executar as funções requeridas (ASSOCIAÇÃO..., 1994). Branco Filho (2008) considera como manutenção corretiva os trabalhos de manutenção realizados em máquinas em falha para repará-las. Por outro lado, Pinto e Xavier (2012) consideram que manutenção corretiva é a ação para corrigir a falha ou o desempenho menor que o exigido, ou seja, o defeito. Dessa forma, ainda segundo os autores, pode-se observar duas condições que podem conduzir à manutenção corretiva: desempenho deficiente identificado por meio do monitoramento de algum parâmetro do equipamento; ocorrência da falha. Percebe-se uma diferença entre os conceitos apresentados: enquanto a norma determina que, para ser corretiva, o equipamento deve estar em estado de pane, alguns autores já consideram corretiva a atuação após o defeito. Diante disso, surge a necessidade de conhecer o conceito adotado por cada empresa. Quando existente, as políticas adotadas estão no manual de manutenção da organização. Independentemente do conceito adotado, existem dois tipos de manutenção corretiva: não programada e programada. A manutenção corretiva não programada, também conhecida como manutenção corretiva de emergência, consiste no reparo, na troca ou na res- Manutenção corretiva2 tauração no momento em que a falha foi identificada. Branco Filho (2008) relata que, nesse tipo de manutenção, “a falha aconteceu agora, é preciso fazer o reparo agora”. Como a falha acontece de maneira aleatória, não é possível planejar o serviço, o que pode trazer algumas desvantagens para a organização que adota esse tipo de manutenção, como (PINTO; XAVIER, 2012): aumento altos custos; perdas de produção; redução da qualidade do produto; aumento dos custos indiretos de manutenção. A manutenção corretiva programada ou planejada, por outro lado, é um conjunto de ações para a recuperação do sistema em data posterior ao evento da falha. Segundo Pinto e Xavier (2012), trata-se de decisão gerencial em função do acompanhamento preditivo do equipamento ou de operar até quebrar. Ainda segundo os autores, como qualquer ação planejada, esse tipo de manutenção apresenta as seguintes vantagens: trabalho mais rápido; trabalho mais seguro; menor custo. Na Figura 1, o gráfico mostra como o monitoramento auxilia no planeja- mento da manutenção corretiva planejada. Figura 1. Momento de identificação de defeito como auxílio ao plane- jamento da manutenção corretiva. 3Manutenção corretiva Observa-se, no gráfico da Figura 1, que, por meio de monitoramentos, é possível identificar defeitos e gerar informações que auxiliam na previsão da ocorrência da falha e contribuem com a programação da manutenção corretiva. A manutenção corretiva por si só, geralmente, é aplicada em indústrias nas quais não são necessários padrões de qualidade altos, as demandas de produção são pequenas e é mais barato reparar depois da falha do que usar programas de revisões periódicas (BRANCO FILHO, 2008). O uso exclusivo da manutenção corretiva conduz a uma contínua e lenta degradação das máquinas e pode contribuir com perdas de produção, riscos à integridade das pessoas, do meio ambiente, das instalações, dos clientes e usuários dos produtos. Além disso, o ambiente de trabalho é mais tenso e constituído de improvisações (BRANCO FILHO, 2008). Por isso, as empresas com as melhores práticas de manutenção combinam as estratégias corretivas, preventivas e preditivas. Condições para o uso da manutenção corretiva A manutenção corretiva de emergência não é uma política de manutenção adequada, uma vez que traz uma série de desvantagens para o sistema. No entanto, não é possível prever a ocorrência de todas as falhas e esse tipo de manutenção acaba tornando-se realidade nas organizações — o que pode existir é uma busca incessante pela sua redução. Por outro lado, a manutenção corretiva programada pode ser uma estratégia de manutenção adequada e aplicada por meio de decisões gerenciais. Algumas condições que podem conduzir à adoção dessa política de manutenção são (PINTO; XAVIER, 2012): a falha não apresenta risco para os funcionários, a instalação, o meio ambiente, o cliente e o usuário; a falha não provoca deterioração do produto; a qualidade não é um objetivo de desempenho da organização; empresas que não precisam produzir em alto volume; a existência de sobressalentes, equipamentos e ferramentas; a existência de recursos humanos para execução dos serviços; Manutenção corretiva4 a existência de tecnologia para execução dos serviços; a possibilidade de compatibilizar a necessidade de intervenção com os interesses da produção. A Figura 2 apresenta algumas questões básicas que podem orientar quanto às decisões para aplicação da manutenção corretiva. Figura 2. Questões que orientam a adoção da manutenção corretiva. Embora existam algumas condições básicas para aplicação da manutenção corretiva, percebe-se a adoção desse tipo de manutenção em muitas ativos e processos que não atendem aos requisitos necessários. Segundo Oliveira e Silva (2013), a adoção predominante da manutenção corretiva pode advir do baixo nível de organização das empresas, por não se tratar a manutenção como função estratégica ou pela baixa disponibilização de recursos. O link a seguir apresenta dados da ABRAMAN (2013) sobre a aplicação dos recursos em cada tipo de manutenção, segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Manutenção. Consulte a página 13 do documento para visualizar esses dados: https://goo.gl/HtuPhH 5Manutenção corretiva Cerca de 31% dos recursos de manutenção são aplicados em manutenção corretiva. Na indústria, esse investimento perde apenas para a estratégia de manutenção preventiva. Quando aplicada sobre as condições ideais, a manu- tenção corretiva planejada pode trazer as seguintes vantagens: reduz o índice de paradas desnecessárias; enquanto não existe falhas, não existe custos; reduz o uso de sobressalentes. Processo de análise de falhas Analisar as falhas, suas consequências e causas são etapas importantes para planejar as ações necessáriaspara aumentar a confi abilidade e a disponibilidade do sistema, que são alguns dos objetivos do setor de manutenção. Confiabilidade é a “capacidade de um item de desempenhar uma função requerida sob condições especificadas durante um dado intervalo de tempo”, enquanto a dis- ponibilidade é a “capacidade de um item de estar em condições de executar uma certa função em um dado instante ou durante um intervalo de tempo determinado” (ASSOCIAÇÃO..., 1994). Existem algumas técnicas e ferramentas que auxiliam no processo de análise de falhas, como: FMEA (Análise de modo e efeito de falhas): busca estimar o risco de uma falha e contribuir com a priorização das ações de manutenção. Árvore de Falhas: começa com uma falha e trabalha para identificar todas as possíveis causas dessa falha (SLACK; CHAMBERS; JOHNS- TON, 2007). Análise da causa raiz: buscar identificar causas que, se forem elimi- nadas, contribuem com a eliminação de determinada falha e/ou de outras similares. Manutenção corretiva6 Independentemente da ferramenta, é importante conhecer alguns aspectos relacionados ao processo de falhas, para o qual os seguintes questionamentos precisam ser feitos: Como o item falha? Ao analisar uma falha, a primeira ação está relacio- nada a identificar como o item falha, como a falha é percebida, ou seja, a maneira como a falha se manifesta. A falha pode se identificada por meio de inspeções feitas por meio dos sentidos (visão, tato, audição) ou pode exigir o uso de algum instrumento específico para sua identificação. Vale lembrar que a análise pode ser feita, também, para falhas potenciais, ou seja, que ainda não aconteceram em determinado contexto operacional, mas podem vir a acontecer se nada for mudado na organização. O que acontece quanto esse item falha? É necessário avaliar as con- sequências da falha, que são importantes para que a empresa possa definir a estratégia mais adequada de manutenção. Por que esse item falha? Identificar as causas raízes de uma falha é importante para definição das ações a serem implantadas. Buscar a eliminação da causa de uma falha é o ideal para que a falha não volte a acontecer. No entanto, tais ações nem sempre são possíveis. Assim, algumas organizações definem ações para reduzir a incidência de uma falha ou para que as consequências da falha tenham gravidades menores. O que é feito, atualmente, para controlar a falha e suas causas? Analisar se a empresa já tem alguma medida de controle atual em relação a essa falha. Essa ação é importante para que novas ações sejam propostas, uma vez que as ações atuais, provavelmente, não estão surtindo os efeitos esperados. O que deve ser feito para que o item volte a desempenhar as funções requeridas? Pensar no plano de ação para que o item volte a desempenhar as funções necessárias, de acordo com as estratégias da organização. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANUTENÇÃO E GESTÃO DE ATIVOS. A situação da manutenção no Brasil: documento nacional. Salvador: ABRAMAN, 2013. Disponível em: <http://www.abraman.org.br/Arquivos/403/403.pdf>. Acesso em: 13 nov. 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5462. Confiabilidade e mante- nabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 1994. 7Manutenção corretiva BRANCO FILHO, G. A organização, o planejamento e o controle da manutenção. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2008. OLIVEIRA, J. C. S.; SILVA, A. P. Análise de indicadores de qualidade e produtividade da manutenção nas indústrias brasileiras. GEPROS: Gestão da Produção, Operações e Sistemas, v. 8, n. 3, p. 53-69, jul./set. 2013. Disponível em: <https://revista.feb.unesp.br/index.php/ gepros/article/download/1021/501>. Acesso em: 13 nov. 2018. PINTO, A. K.; XAVIER, J. A. N. Manutenção: função estratégica. 4. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2012. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da produção. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007. Manutenção corretiva8 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Analisar as falhas é uma das atribuições da manutenção. Trata-se de um processo importante que gera novas informações e auxilia na elaboração dos planos de manutenção. Existem alguns métodos e técnicas que podem auxiliar no processo de análise de falhas. Um desses métodos é a FMEA – Análise de Modo e Efeito de Falhas. Nesta Dica do Professor, você conhecerá os passos para a implantação da FMEA, um método amplamente utilizado em indústrias, que permite concentrar esforços nas falhas que possuem maior potencial de risco. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Existem definições distintas sobre o conceito de manutenção corretiva. Para defini- las, é importante, antes, compreender o que é um defeito, uma falha e uma pane. Considerando as definições da NBR 5462 (1994) sobre essas variáveis, é correto o que se afirma em: A) defeito está relacionado ao fim da capacidade do equipamento de desempenhar a função requerida. B) falha é uma alteração de alguma característica de um item se comparado às exigências e especificações. C) pane é um desvio de um atributo de um ativo em relação à especificação. D) enquanto a pane é um evento, a falha é um estado. Assim, primeiro o item entra em pane e, posteriormente, entra em estado de falha. E) falha é o término da capacidade de um ativo de desempenhar uma ou mais funções a ele atribuídas. 2) Existem dois tipos de manutenção corretiva: emergencial e programada. A manutenção corretiva emergencial pode apresentar uma série de desvantagens para a organização. Por outro lado, a manutenção corretiva programada pode apresentar benefícios se algumas condições forem satisfeitas. Dentre essas condições, está: A) a falha apresenta risco baixo para os funcionários, instalação, meio ambiente, cliente e usuário. B) as empresas precisam produzir alto volume, por isso, devem operar até falhar. C) a qualidade não é um objetivo de desempenho da organização. D) a impossibilidade de compatibilizar a necessidade de intervenção com os interesses da produção. E) a falha provoca baixa deterioração do produto final. 3) Adotar um processo sistematizado de análise de falhas é importante para o aumento da confiabilidade e disponibilidade dos equipamentos. Sobre este processo, pode-se afirmar que: A) a equipe formada para fazer uma análise de falhas deve ser composta exclusivamente por técnicos especializados em uma área de conhecimento determinada pela empresa. B) a primeira ação do processo deve ser analisar os efeitos das falhas para os profissionais, clientes, meio ambiente e instalação. o processo de análise de falhas só é bem-sucedido se a empresa adota como estratégia de C) melhoria a eliminação da causa de uma falha. D) antes de iniciar a análise das falhas, é necessário planejar as ações, ou seja, definir a abrangência da análise, formar o grupo de trabalho, planejar as reuniões e reunir a documentação necessárias. E) o processo de análise de falhas não é adequado à manutenção corretiva não planejada, uma vez que, neste tipo de manutenção, não existe tempo hábil para análise, já que as ações são emergenciais. 4) Considerando os cenários apresentados a seguir, assinale aquele em que a adoção da estratégia de manutenção corretiva pode ser uma alternativa adequada. A) Um destilador de uma petroquímica. B) Bombas hidráulicas redundantes de uma piscina. C) Uma envasadora de um laticínio. D) Câmaras frias de armazenamento de vacinas. E) Gerador de energia em hospital. 5) A FMEA (Análise de Modo e Efeito de Falhas) é um método estruturado que auxilia no processo de análise de falhas por meio de ações sistematizadas. É amplamente utilizado em indústrias, visto que auxilia a: A) priorizar a atuação da equipe de manutenção por meio de uma análise qualitativa do risco de uma falha. B) priorizar a atuação sobre as falhas que apresentem maior risco, sendo este estimado por meio da multiplicação dos índices de gravidade, urgência e tendência. C) priorizaras ações de manutenção com base no risco de cada falha, sendo este estimado por meio da multiplicação dos índices de severidade, ocorrência e detecção. D) priorizar as ações de manutenção com base no risco de cada falha, sendo este estimado por meio da adição dos índices de severidade, ocorrência e detecção. E) priorizar a atuação sobre as falhas que apresentem maior risco, sendo este estimado por meio da adição dos índices de gravidade, urgência e tendência. NA PRÁTICA Nenhum processo está isento de falhas. No entanto, em alguns processos, as falhas acontecem com maior frequência por inúmeros motivos relacionados ao contexto operacional: matéria- prima que não atende às especificações, condições ambientais inadequadas, operador não capacitado, alto índice de improvisações nas ações de manutenção, entre outros. Fazer uma análise de falhas pode auxiliar a reduzir as ocorrências. O supervisor de manutenção da empresa Alcoolira Ltda. deve estruturar o processo de análise de falhas da empresa para melhorar os resultados organizacionais. Veja, Na Prática, quais etapas devem ser seguidas para sistematizar este processo. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: A falha não é uma opção Neste artigo, você compreenderá a importância da análise de falhas para a Engenharia de Manutenção. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Utilizando a abordagem de escolha estratégica para manutenção corretiva em redes de distribuição de água A partir deste artigo, você poderá analisar o uso da abordagem de escolha estratégica para manutenção corretiva em redes de distribuição de água. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Análise de falhas como subsídio para definição de procedimentos de manutenção produtiva total: estudo de caso em máquina gargalo na fabricação de latas de alumínio Neste artigo, você conhecerá o processo de análise de falhas utilizado como subsídio para definição de procedimentos de manutenção produtiva total. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Coleta e análise de dados de manutenção APRESENTAÇÃO Quanto maior o índice de informações confiáveis, menor o risco envolvido no processo de tomada de decisão, no entanto a disponibilidade de informações depende do quão estruturado é o processo de coleta de dados. Empresas diferentes necessitam de dados distintos relacionados à manutenção, uma vez que as estratégias organizacionais, os ativos que compõem o processo produtivo e o grau de automação são diferentes. Os dados tornam possíveis as definições de indicadores que apresentam o desempenho de determinado sistema, mostrando as possibilidades de melhorias. Alguns indicadores merecem destaque quando se trata de manutenção industrial, como o OEE (Overall Equipment Effectiveness – eficiência global do equipamento) e o TEEP (Total Effectiveness Equipment Performance – performance efetiva total dos equipamentos). Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá algumas formas de coleta de dados utilizadas na indústria, aprenderá a diferença entre uma métrica e um indicador e reconhecerá a importância da coleta de dados para o cálculo do OEE e TEEP. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever as principais formas de coletas de dados em uma indústria.• Definir os conceitos de métricas e indicadores.• Identificar a importância da coleta de dados para análise e uso da OEE e TEEP.• DESAFIO De posse de dados adequados, a equipe de manutenção pode mensurar uma série de indicadores que contribuem com a elaboração do plano de manutenção e com o controle do desempenho do processo. Existem muitas formas de coleta de dados e inúmeros indicadores que podem ser utilizados pela indústria. Mas quais serão os mais adequados? Uma empresa de pequeno porte de confecção de sapatos está reestruturando as ações da área de manutenção. Atualmente, a empresa age com base na intuição e na experiência de 2 mantenedores, mas percebeu que os resultados não têm sido satisfatórios devido ao excesso de paradas não programadas. A equipe de manutenção conhece apenas as seguintes informações: - O número de quebras apresentadao por alguns equipamentos. - O percentual de tempo que o equipamento encontra-se disponível para operação. Considerando as informações supracitadas, como gestor de manutenção conseguirá: a) Identificar ao menos duas alternativas de formas de coleta de dados que possam aumentar o índice de informações. b) Classificar as informações “número de quebras apresentado por cada equipamento” e “percentual de tempo que o equipamento encontra-se disponível para operação” como métricas ou indicadores de manutenção. Além disso, explicar as diferenças entre elas. c) Adotar alguma estratégia que auxilie na definição dos indicadores mais adequados para a empresa. INFOGRÁFICO Existem dezenas de indicadores que podem ser utilizados pela equipe de manutenção em conjunto com o setor de produção. A escolha dos indicadores chave de sucesso é importante para que as decisões tomadas tenham maior probabilidade de serem assertivas. Assim, surge a questão: como escolher os indicadores mais adequados? Veja, no Infográfico, como a metodologia SMART auxilia na definição de indicadores e metas organizacionais. Conheça os critérios adotados. CONTEÚDO DO LIVRO Planejar, organizar e controlar a manutenção são as principais responsabilidades do gestor de manutenção e de sua equipe. No entanto, para que essas ações sejam concretizadas, é necessária uma série de dados e informações. Com os avanços tecnológicos, é cada vez maior o número de dados disponíveis e eles precisam ser identificados, analisados e filtrados de acordo com as necessidades organizacionais. De posse desses dados, podem ser quantificados alguns indicadores de manutenção que apresentam o desempenho do sistema e as oportunidades de melhoria. No capítulo Coleta e análise de dados de manutenção, da obra Manutenção industrial, você conhecerá algumas formas de coleta de dados, aprenderá as diferenças entre métricas e indicadores e identificará os dados necessários para o cálculo do OEE (eficiência global do equipamento) e TEEP (performance efetiva global do equipamento). Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Gabriela Fonseca Parreira Gregorio Coleta e análise de dados de manutenção Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever as principais formas de coletas de dados em uma indústria. Definir os conceitos de métricas e indicadores. Identificar a importância da coleta de dados para análise e uso do OEE e do TEEP. Introdução Com elevada frequência, o gestor de manutenção precisa tomar decisões na organização. Questões como “qual tipo de manutenção é a mais ade- quada para este ativo?”; “quando realizar o reparo neste equipamento?”; “como fazer este reparo?”; “é melhor trocar, restaurar ou reparar?”, entre outras, surgem a todo momento e uma deliberação inadequada pode acarretar consequências graves para segurança, meio ambiente, qualidade, produção e custo. O processo de tomada de decisão é mais assertivo quando o gestor se cerca de informações confiáveis sobre o histórico de funcionamento dos equipamentos, as falhas apresentadas, as causas das falhas, as ações de manutenção já realizadas, etc. Por meio dessas informações, muitos indicadores de manutenção podem ser mensurados, o que permite averiguar a eficiência das ações implantadas e melhorar o plano de manutenção. Neste capítulo, você conhecerá ferramentas que auxiliam na coleta de dados na indústria, aprenderá sobre métricas e indicadores e reconhecerá a importância da coleta de dados para análise e uso dos índices OEE (Overall Equipment Effectiveness — Eficiência Global do Equipamento) e TEEP(Total Effectiveness Equipment Performance — Performance Efetiva Total dos Equipamentos). Principais formas de coleta de dados em uma indústria Adotar um processo estruturado de coleta de dados é importante para reduzir o índice de perdas e garantir a periodicidade adequada dos mesmos. Os dados podem ser coletados por diversos colaboradores da organização. No caso da manutenção industrial, alguns dados são coletados pelo próprio operador do equipamento, outros, pelo especialista de manutenção e outros são obtidos automaticamente por meio de sistemas de informações. Existem várias formas que auxiliam na coleta de dados em uma indústria. A seguir, acompanhe a sua descrição. Ordens de serviço (OS) Embora o principal objetivo da ordem de serviço (OS) seja registrar a prestação de serviços de manutenção, uma OS bem estruturada fornece uma série de dados importantes para a indústria. Segundo Branco Filho (2008), em condições normais, nenhum serviço deveria ser executado sem a emissão e A autorização prévia de uma OS (Figura 1). Ainda segundo o autor, cada empresa, de acordo com seu pla- nejamento, organização e controle da manutenção e com as necessidades de engenharia de manutenção, deve personalizar a OS, determinando as informações que devem ser fornecidas ao mantenedor e que tipo de informação o executante deve fornecer após a realização dos reparos, trocas ou restaurações. Coleta e análise de dados de manutenção2 Figura 1. Modelo de ordem de serviço. Fonte: Branco Filho (2008). Por meio das OSs abertas para determinado ativo ao longo do tempo, é possível ter acesso aos seguintes dados e informações: número de falhas apresentadas pelo equipamento; datas de ocorrência das falhas; data de finalização da ação de manutenção; trocas, reparos e/ou restaurações realizadas; cumprimento, ou não, das ações planejadas. 3Coleta e análise de dados de manutenção Folha de verificação Kume (1993) defi niu uma lista de verifi cação ou folha de verifi cação como um formulário que contém os itens a serem inspecionados, facilitando o processo de coleta de dados (SANTOS; PEREIRA; OKANO, 2012). Na Figura 2, você pode conferir um exemplo de modelo de folha de verifi cação. Figura 2. Modelo de folha de verificação. A empresa pode personalizar a folha de verificações de acordo com as necessidades de dados a serem obtidos pela organização. Na folha de verificação apresentada na Figura 2, é possível identificar os desvios/falhas apresentados e a frequência com que ocorreram. Checklist Um checklist, de forma geral, é utilizado para avaliar a adequação, ou não, de determinados parâmetros e condições de ativos. Nesse formulário, os profi ssionais verifi cam cada item e atestam se eles estão de acordo com as especifi cações. Coleta e análise de dados de manutenção4 Na Figura 3, está ilustrado um checklist. Figura 3. Exemplo de checklist. Fonte: Biehl e Sellito (2015, p. 1137). A forma de coleta de dados mais adequada pode ser distinta entre uma em- presa e outra e depende das informações que a empresa necessita no processo de tomada de decisão e na elaboração do plano de manutenção. Independentemente da forma adotada, é importante que ela seja simples, de fácil compreensão e preenchimento e personalizada para cada organização. 5Coleta e análise de dados de manutenção Com os avanços tecnológicos, a coleta de dados tem sido feita, cada vez mais, por meio de sistemas de informação e tecnologias móveis. As empresas personalizam os formulários, de acordo com suas necessidades de dados e informações, e os profissionais, de posse dos dispositivos, coletam os dados em campo. Existem, também, as tecnologias de monitoramento dos equipamentos, denominadas tecnologias onboard, que oferecem dados importantes acerca de equipamentos de grande importância para o processo. Conceitos de métricas e indicadores Os dados coletados na indústria, ao serem tratados, serão transformados em informações que auxiliarão os gestores. Parte dessas informações está relacionada às métricas e aos indicadores de processos. Métricas e indicadores são importantes para a gestão do processo de ma- nutenção, no entanto, segundo BPM CBOK (ASSOCIATION..., 2013), são termos, muitas vezes, utilizados indistintamente e não são bem decodificados. Sendo assim, é necessário esclarecer essas diferenças. Métrica “[...] é uma extrapolação de medidas, isto é, uma conclusão com base em dados finitos”, enquanto indicador “[...] é uma representação de forma simples ou intuitiva de uma métrica ou medida para facilitar sua in- terpretação quando comparada a uma referência alvo” (ASSOCIATION..., 2013, documento on-line). As métricas são representadas por qualquer variável passível de ser quan- tificada na organização, são geradas no dia a dia e são constituídas por dados primários e brutos. Os indicadores de desempenho são dados que quantificam a performance de acordo com os objetivos organizacionais. Métricas fornecem dados, por meio de sensores, que são utilizados para o cálculo dos indicadores. O indicador pode ser classificado em indicador direcionador (drives) e indicador de resultado (outcome). O primeiro monitora a causa, enquanto o segundo monitora o efeito (ASSOCIATION..., 2013). Como exemplo de métrica relacionada à manutenção, pode-se citar o tempo total do equipamento funcionando. Já como indicador, pode-se citar o tempo médio entre falhas de determinado equipamento. Percebe-se que a métrica auxilia no cálculo do indicador, já que, para identificar o tempo médio entre falhas, é necessário dividir o tempo de bom funcionamento do ativo pelo número de intervenções realizadas Coleta e análise de dados de manutenção6 no mesmo em determinado período de tempo. O indicador pode ser utilizado, por exemplo, para programação das manutenções preventivas na organização. A Figura 4 representa a relação entre métricas, indicadores e metas organizacionais. Figura 4. Relação entre métricas, indicadores e metas. Assim, são necessários sensores que fornecem dados (métricas) para que os indicadores sejam produzidos, analisados e comparados com as metas preestabelecidas pela indústria. Os indicadores podem mensurar o desempenho do processo, do produto ou do equipamento. Em relação à manutenção, existem dezenas de indicadores que podem ser utilizados para mensurar a performance dos equipamentos e o impacto dessa no processo de produção. No entanto, não é possível acom- panhar bem muitos indicadores. Assim, a empresa deve definir os KPIs (Key Performance Indicators — Indicadores Chave de Sucesso), e as boas práticas indicam que: deve-se adotar poucos indicadores; devem ser acompanhados de perto; devem ser claros; devem orientar o processo de tomada de decisão; devem refletir a estratégia organizacional. A seleção dos indicadores mais adequados para cada organização pode ser feita por meio do uso de alguma metodologia. A metodologia SMART orienta quanto à definição dos KPI’s, sugerindo que os mesmos sejam (BEIJER, 2012 apud SOUZA, 2017): 7Coleta e análise de dados de manutenção S (Specific) — Específico: relacionado a um problema ou situação específica e ser facilmente interpretado. M (Measurable) — Mensurável: passível de ser quantificado. A (Achievable) — Alcançável: relacionado a alguma meta passível de ser alcançada. R (Realistic) — Real: representativo da realidade. T (Time bounded) — Temporal: passível de ser avaliado e alcançado em determinado período de tempo. O uso dos KPIs tem como objetivo eliminar subjetividade e orientar quanto às possibilidades de melhoria contínua. Importância da coleta de dados para análise e uso de OEE e TEEP A preocupação com a medida do OEE (Overall Equipment Effectiveness — Efi ciência Global do Equipamento) surgiu na década de 1960, mas foi amplamente divulgada na década de 1980. Trata-se de um indicador queune a manutenção, a produção e a engenharia com a perspectiva de identifi car oportunidades de melhoria. Para quantificar o OEE, uma série de coleta de dados é importante. Para tanto, é necessário adotar as estratégias e formas de coleta de dados adequadas. Alguns dos dados necessários estão relacionados às seis perdas relativas ao equipamento, produto e processo, listadas a seguir (BRAGLIA et al., 2009 apud BUSSO, 2012): paradas provocadas por falhas de equipamentos; paradas para setup ou ajustes; paradas ou interrupções pequenas devido ao mal funcionamento dos ativos; redução de velocidade do equipamento devido a algum defeito; produção defeituosa; perdas de startup ou perdas geradas no início de produção. A Figura 5, a seguir, representa as perdas que precisam ser coletadas para quantificação do OEE. Coleta e análise de dados de manutenção8 Figura 5. Dados necessários para cálculo do OEE. Fonte: Braglia (2009) apud Busso (2012). Percebe-se, a partir da Figura 5, que o OEE depende de três grandes perdas: perdas de disponibilidade, perdas de desempenho e perdas de qualidade. Os dados para a identificação das perdas podem ser coletados por meio de ordens de serviço, checklist, folha de verificação, entre outros. Além das perdas, o OEE exige que seja conhecido o tempo que o equipa- mento ou processo está programado para produzir. Do OEE, podem-se derivar outros indicadores, como o TEEP (Total Effective- ness Equipment Performance — Performance Efetiva Total dos Equipamentos), que mede a efetividade global de um equipamento considerando o tempo total (não apenas o tempo programado para produzir), ou seja, mede a efetividade considerando sua capacidade máxima (OEE, 2018). Na Figura 6 estão apresen- tados os tempos utilizados para o cálculo dos índices de OEE e TEEP. Figura 6. Tempo para cálculo do OEE e do TEEP. Fonte: OEE (2018). 9Coleta e análise de dados de manutenção Por meio da Figura 6, é possível identificar que, para conhecer o OEE, além das perdas, é necessário conhecer o tempo programado para produzir, enquanto, para o cálculo do TEEP, é necessário mensurar o tempo total, que é o somatório do tempo programado para produzir, do tempo planejado para não produzir e do horário não alocado, explicados a seguir: Tempo programado para produzir: tempo que o equipamento está dispo- nível e alocado para a produção dos produtos e/ou prestação dos serviços. Tempo planejado para não produzir: tempo que o equipamento não está disponível para que a produção faça uso do mesmo. Horário não alocado: turnos e dias de trabalho (feriados e finais de semana, se for o caso) que a empresa não opera. Quando se estima que o OEE de um equipamento seja de 70%, isso significa que há uma perda de capacidade de 30% em relação ao tempo planejado de produção. Caso o TEEP seja estimado em 60%, estima-se que exista uma perda de capacidade de 40% em relação ao tempo total. ASSOCIATION OF BUSINESS PROCESS MANAGEMENT PROFESSIONALS BRASIL. BPM CBOK: guia para o gerenciamento de processos de negócio: corpo comum de conhe- cimento. Versão 3.0. São Paulo: ABPMP, 2013. Disponível em: <https://c.ymcdn.com/ sites/www.abpmp.org/resource/resmgr/Docs/ABPMP_CBOK_Guide__Portuguese. pdf>. Acesso em: 5 nov. 2018. BIEHL, N. C.; SELLITO, M. A. TPM e manutenção autônoma: estudo de caso em uma empresa da indústria metal-mecânica. Produção Online, v.15, n. 4, p. 1123-1147, out./dez. 2015. Disponível em: <https://producaoonline.org.br/rpo/article/view/1632>. Acesso em: 5 nov. 2018. BRANCO FILHO, G. A organização, o planejamento e o controle da manutenção. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2008. Coleta e análise de dados de manutenção10 BUSSO, C. M. Aplicação do indicador Overall Equipment Effectiveness (OEE) e suas derivações como indicadores de desempenho global da utilização da capacidade de produção. 2012. 135 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3136/ tde-16072013-115859/en.php>. Acesso em: 5 nov. 2018. OEE. TEEP - Total Effectiveness Equipment Performance. 2018. Disponível em: <www. oee.com.br/ferramenta/teep-total-effectiveness-equipment-performance/>. Acesso em: 6 nov. 2018. SANTOS, O. S.; PEREIRA, J. S. C.; OKANO, M. T. A implantação da ferramenta da quali- dade MASP para melhoria contínua em uma indústria vidreira. Caleidoscópio, v. 1, n. 4, 2012. Disponível em: <https://ojs.eniac.com.br/index.php/Anais/article/view/81/75>. Acesso em: 6 nov. 2018. SOUZA, C. E. T. Processo de aquisição de bens e serviços aeronáuticos na força aérea: mo- delo de avaliação de fornecedores. Trabalho de Investigação Individual do CPOS-FA. Lisboa: Instituto Universitário Militar, 2017. 11Coleta e análise de dados de manutenção Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Conhecer a eficiência de um equipamento é fundamental para planejar as ações de manutenção. Questões como "qual é a frequência de paradas do equipamento?" ou "qual é o percentual de produtos com defeitos produzidos no equipamento?", ou ainda "qual é o desempenho do equipamento?" são indagações frequentes dos setores de manutenção e de produção. O OEE é um indicador que busca estimar a eficiência global de um equipamento. Para o seu cálculo, alguns dados e informações serão necessários. Na Dica do Professor, você conhecerá mellhor os fatores que influenciam no OEE. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) A coleta de dados relacionados à manutenção tem como objetivo gerar informações para auxiliar o processo de tomada de decisão. Esses dados são transformados em métricas e indicadores. Muitas vezes, esses termos são utilizados indistintamente. Acerca desses termos, é correto afirmar que: A) métrica é a representação de forma simples de uma medida, para facilitar sua explicação quando comparada a uma referência. B) indicador é a extrapolação de medidas que geram uma conclusão tirada a partir de dados finitos. C) métrica pode ser classificada como direcionadora ou de resultado. Enquanto a primeira monitora uma causa, a segunda monitora um efeito. indicador é um dado bruto, passível de ser quantificado, gerado rotineiramente na D) organização. E) indicador é a quantificação, por meio de dados, do desempenho de um equipamento ou processo, de acordo com os objetivos organizacionais. 2) Existem dezenas de indicadores que podem ser utilizados para o controle das ações de manutenção. Ao selecionar os indicadores mais adequados, a empresa deve: A) adotar o maior número de indicadores possível, para que tenha o maior número de informações para auxiliar o processo de tomada de decisão. B) utilizar apenas indicadores direcionadores, ou seja, que monitoram a causa de determinado problema. C) selecionar indicadores complexos, pois assim obterá mais informações acerca do desempenho organizacional. D) selecionar indicadores específicos, mensuráveis, reais e temporais. Além disso, ela deve selecionar um número de indicadores que possam ser acompanhados com atenção. E) escolher indicadores espelhados nos objetivos do setor de manutenção e não necessariamente que reflitam os objetivos organizacionais. 3) Ordem de serviço é um documento que deveria ser preenchido diante da necessidade de qualquer ação de manutenção na empresa. Quando preenchida corretamente, fornece dados que subsidiam o processo de tomada de decisão. Sobre a ordem de serviço, pode-se afirmar que: A) é um documento padrão e pode ser utilizada em qualquer organização. é uma forma de coleta de dados que traz informações acerca dos problemas apresentados B) pelos equipamentos. No entanto, trata-se de um formulário restrito, uma vez que não permite identificar as ações realizadas no ativo. C) é difícil de ser adotada como documento em empresas que não possuem sistemas de informação de manutenção.D) deve ser preenchida exclusivamente por um especialista de manutenção e baseia-se em um formulário que contém os itens a serem inspecionados. E) tem o objetivo de registrar a prestação de serviços de manutenção e, quando bem estruturada, fornece uma série de dados importantes para a indústria. 4) Dois indicadores de manutenção utilizados por muitas indústrias são o OEE (eficiência global do equipamento) e TEEP (performance efetiva total dos equipamentos). Sobre esses indicadores, é correto afirmar que: A) o TEEP é derivado do OEE e a principal diferença entre eles é que o segundo estima a eficiência somente em relação ao tempo programado para produzir, já o primeiro considera o tempo total. B) o TEEP é derivado do OEE e a principal diferença entre eles é que o primeiro estima a eficiência em relação apenas ao tempo programado para produzir, já o segundo considera o tempo total. C) o OEE é derivado do TEEP e a principal diferença entre eles é que o segundo estima a eficiência em relação apenas ao tempo programado para produzir, já o primeiro considera o tempo total. D) o OEE é derivado do TEEP e a principal diferença entre eles é que o primeiro estima a eficiência em relação apenas ao tempo programado para produzir, já o segundo considera o tempo total. E) o TEEP é derivado do OEE e a principal diferença entre eles é que o TEEP considera apenas a existência de 5 perdas relacionadas a produto/processo/equipamento, já o OEE considera 6 perdas. 5) Uma metodologia adotada para auxiliar na definição dos KPIs (indicadores chave de sucesso) é denominada SMART. Nesse método, a orientação é que os indicadores e metas sejam: A) simples, mensuráveis, atingíveis, reais, temporais. B) específicos, mensuráveis, atingíveis, reais, temporais. C) específicos, mensuráveis, atingíveis, rápidos, temporais. D) simples, mensuráveis, atingíveis, rápidos, temporais. E) simples, dimensionáveis, alcançáveis, reais, temporais. NA PRÁTICA Alguns indicadores, mesmo sendo calculados pelas empresas, não são devidamente utilizados, pois os responsáveis pela sua análise não conseguem interpretá-los adequadamente. Isso se dá devido ao grande número de indicadores existentes e à semelhança entre eles. Tal fato pode acontecer com os indicadores OEE e TEEP, uma vez que o segundo deriva do primeiro. Acompanhe, Na Prática, o caso da empresa VIGAJU - Indústria e Comércio, cujo responsável pela manutenção não consegue diferenciar os indicadores supracitados. Veja a diferença entre esses indicadores e as informações que os dois podem trazer para os setores de manutenção e produção. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: O que é ordem de serviço? Série Engeman No vídeo a seguir, você conhecerá as informações que devem estar presentes nas ordens de serviço de manutenção. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Estudo de indicadores chave de desempenho em manutenção e construção de um dashboard em uma indústria do ramo petrolífero Conheça os indicadores mais importantes que devem ser acompanhados com maior atenção em uma indústria do ramo petrolífero. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Lubrificação Industrial APRESENTAÇÃO A lubrificação industrial é uma forma de manutenção preventiva com o objetivo de eliminar o contato entre superfícies sólidas, reduzindo assim o atrito e o desgaste entre elas. Engrenagens, mancais, compressores, sistemas hidráulicos, entre outros, necessitam de lubrificação, a qual pode ser realizada com óleos ou graxas que atendam às características necessárias. Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará o conceito de tribologia, a diferença e a classificação de óleos e graxas, assim como práticas de lubrificação industrial. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o conceito de tribologia.• Explicar a classificação de óleos e graxas.• Descrever as práticas de lubrificação industrial.• DESAFIO As esteiras de transporte têm as mais diversas aplicações, sendo muito comum em indústrias alimentícias. Para o correto funcionamento dessas esteiras, de modo a garantir a qualidade do serviço prestado, é necessário que elas sejam lubrificadas periodicamente, seguindo o plano de lubrificação. Ao elaborar o plano de lubrificação dessas esteiras, quais questionamentos você faria e quais informações seriam importantes de inserir nesse plano para guiar o operador de manutenção pela atividade de lubrificação? INFOGRÁFICO A lubrificação industrial é utilizada nos mais diversos componentes e equipamentos, como engrenagens, mancais, atuadores, caixas de redução, compressores, sistemas hidráulicos, máquinas-ferramentas, entre outros. Para uma lubrificação eficiente é necessário que sejam utilizados o lubrificante correto, na quantidade exata, no local certo e o método adequado. Neste Infográfico, você vai ver os métodos de aplicação dos lubrificantes. CONTEÚDO DO LIVRO Por meio da lubrificação é possível evitar o desgaste em componentes e equipamentos, o que poderia gerar falhas e paradas indesejadas. Para uma lubrificação industrial de qualidade é necessário que haja planejamento, além de um profissional treinado e de um lubrificante adequado. No capítulo Lubrificação industrial, do livro Manutenção industrial, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender o conceito de tribologia e a classificação de óleos e graxas, além de práticas de lubrificação industrial. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Aline Morais da Silveira Lubrificação industrial Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o conceito de tribologia. Explicar a classificação de óleos e graxas. Descrever as práticas de lubrificação industrial. Introdução A lubrificação consiste em introduzir uma película fluida entre duas su- perfícies rígidas que possuem movimento relativo com o objetivo de reduzir o atrito entre essas superfícies, evitando desgastes e possível aumento de temperatura. Neste capítulo, você vai estudar sobre o conceito de tribologia, vai aprender a classificação de óleos e graxas e a descrever as principais práticas de lubrificação industrial. Tribologia Conforme Radi et al. (2007), o termo tribologia vem do grego tribo (esfregar) + logos (estudo) e indica a ciência e a tecnologia de superfícies interativas em movimento relativo e dos assuntos e práticas relacionados. A tribologia reúne conhecimentos adquiridos na física, na química, na mecânica e na ciência dos materiais para explicar e prever o comportamento de sistemas físicos que são utilizados em sistemas mecânicos. A tribologia tem como objetivo principal minimizar ou eliminar perdas por desgaste. Segundo Radi et al. (2007), tradicionalmente, são considerados quatro modos de desgaste (Figura 1): Desgaste adesivo: ocorre uma ligação adesiva entre as superfícies, resistindo ao deslizamento e causando uma deformação plástica na região de contato, o que gera uma trinca que pode propagar-se, gerando um terceiro corpo e a transferência completa de material. Desgaste abrasivo: em função do formato e da dureza dos dois materiais em contato, ocorre remoção de material da superfície. Desgaste por fadiga: é ocasionado pelo elevado número de repetições de um movimento. Desgaste corrosivo: ocorre em meios corrosivos, líquidos ou gasosos, nos quais são formados produtos de reação devido às interações químicas e eletroquímicas. Figura 1. Modos de desgaste: (a) adesivo, (b) abrasivo, (c) fadiga e (d) corrosivo. Fonte: Adaptada de Kato e Adachi (2001). Lubrificação industrial2 Tribômetro Tribômetro (Figura 2) é o equipamento utilizado para medição de propriedades de atrito e desgaste decombinações de materiais e lubrifi cantes em condições específi cas, como velocidade, carga, temperatura e atmosfera. Figura 2. Tribômetro. Fonte: Anton Paar (2018, documento on-line). Classificação de lubrificantes As principais funções dos lubrifi cantes são: Controle de atrito e desgaste: reduzir o contato entre as superfícies. Controle da temperatura: absorver o calor gerado pelo contato das superfícies. Inibidor de corrosão: evitar a ação de ácidos que destroem os metais. Absorção de choques: transformar a energia mecânica em energia fluida. Remoção de contaminantes: evitar a formação de borras, lacas e vernizes. Vedação: impedir a saída de lubrificante e a entrada de partículas estranhas. 3Lubrificação industrial A falta de lubrificação pode causar o aumento do atrito e do desgaste, aquecimento, dilatação, desalinhamento, ruído e até a ruptura de peças. Para que haja a formação da película lubrificante, é necessário que o fluido tenha oleosidade, ou seja, adesividade (capacidade de aderir às superfícies) e coesividade (capacidade de não se romper). Segundo Rousso (1990), a lubrificação pode ser classificada de duas dife- rentes formas, dependendo de variáveis como a viscosidade do lubrificante, a velocidade relativa entre as partes metálicas e a carga existente sobre as partes metálicas: Hidrodinâmica (fluida): as superfícies metálicas são completamente separadas pela película lubrificante. Como não há contato metálico entre elas, o atrito é baixo e o desgaste é praticamente insignificante. Limítrofe (semifluida): a película lubrificante é rompida em certas regiões devido a sua espessura reduzida, baixas velocidades, pressões elevadas ou movimento intermitente. Viscosidade é a resistência que um fluido oferece ao movimento e varia com a influência da temperatura. Os lubrificantes são classificados conforme o estado físico, ou seja, gasosos (ar, nitrogênio, gás halogenado), sólidos (grafite, molibdênio, talco, mica), líquidos (óleos) ou pastosos (graxas). Lubrificação industrial4 Óleo lubrificante Os lubrifi cantes líquidos são os mais comuns e são classifi cados por Rousso (1990) da seguinte forma: Óleos vegetais: podem ser de mamona, de palma, de oliva, etc. São pouco utilizados de forma isolada devido à baixa resistência à oxidação. Óleos animais: podem ser de sebo bovino, de mocotó, de banha de porco, etc. São pouco utilizados de forma isolada devido à baixa re- sistência à oxidação. Óleos minerais: produzidos a partir da destilação e do refinamento de petróleo. Podem ser parafínicos (alto índice de viscosidade e elevado ponto de fluidez) ou naftênicos (baixo índice de viscosidade e baixo ponto de fluidez). Muitas vezes, os óleos minerais são aditivados com óleos vegetais ou animais. Óleos sintéticos: também são derivados do petróleo, mas com melho- res propriedades que os óleos minerais e custo mais elevado. Os mais comuns são os silicones (alto índice de viscosidade para trabalhar em elevadas temperaturas e atmosfera corrosiva), os poliglicóis (alto índice de viscosidade para trabalhar em elevadas temperaturas com custo inferior aos silicones) e os ésteres fosfatados (elevada resistência à oxidação, utilizados em turbinas a vapor). O ponto de fluidez indica a menor temperatura a que o óleo lubrificante pode ser submetido sem que a sua condição de fluidez seja alterada. Os óleos lubrificantes também podem receber aditivos para atingir objetivos, como a melhora nas características de proteção ao desgaste, e para atuação em pressões severas, aumentar a resistência à oxidação e corrosão, aumentar a ativi- dade dispersante e detergente, aumentar a adesividade e aumentar a viscosidade. 5Lubrificação industrial Graxa Os lubrifi cantes pastosos ou semissólidos também são chamados de graxas. As graxas são utilizadas sempre que o uso de lubrifi cantes líquidos não é recomendado, como em regiões nas quais há alto risco de contaminação e de constante vazamento, assumindo a função de um vedante. Conforme Rousso (1990), a graxa é composta basicamente por três in- gredientes: sabão, óleo lubrificante e aditivos. As características da graxa dependem das características desses três componentes e de suas proporções. O sabão é o agente espessante que confere a propriedade de resistência a serviços na presença de água. O óleo lubrificante dá estabilidade estrutural, possibilitando o serviço em temperaturas e velocidades extremas. Já os aditivos fornecem ao produto características importantes que não são obtidas com os componentes citados anteriormente. As graxas podem ser subdivididas em: Graxas de sabão metálico: são as mais comuns, sendo compostas por óleos minerais puros e sabões metálicos (mistura de substância gordurosa com substância alcalina metálica). Graxas sintéticas: são mais modernas, compostas por óleos e sabões sintéticos, mas apresentam como desvantagem o alto custo. Graxas especiais: são produzidas para processos industriais específicos, como estampagem, moldagem, etc. Uma propriedade que caracteriza a graxa é o ponto de gota, que é a tem- peratura em que a graxa passa do estado sólido ou semissólido para o estado líquido, servindo de orientação para a temperatura mais alta a que a graxa pode ser submetida durante o trabalho. Práticas de lubrificação industrial Os componentes que, de forma mais comum, recebem lubrifi cação são en- grenagens, mancais, atuadores e guias de deslizamento. Existem, também, equipamentos de uso geral que necessitam de lubrifi cação, como caixas de redução, compressores, sistemas hidráulicos, acoplamentos, motores elétricos, bombas e máquinas ferramenta (torno, fresadora, serra, retifi cadora, etc). Para que um método de lubrificação seja eficiente, é necessário que ele permita a aplicação da quantidade ideal de lubrificante no local correto e Lubrificação industrial6 que seja utilizado o lubrificante adequado. De acordo com Rousso (1990), na lubrificação a óleo, os métodos podem ser intermitentes ou contínuos. No método intermitente, quando o lubrificante deixa a zona de lubri- ficação, ele não é mais utilizado, sendo possível optar por lubrificantes de qualidade inferior e menor custo. Por outro lado, há dificuldade no controle de lubrificação em relação à quantidade e à periodicidade. Já no método contínuo, não há perda de lubrificante, pois, após lubrificar as partes móveis do equipamento, ele retorna ao depósito central. Os métodos para aplicação de lubrificante podem ser por: Gravidade (intermitente): de forma manual, com almotolia (Figura 3), com copo com agulha ou vareta ou com copo conta-gotas. Capilaridade (intermitente): com copo com mecha ou com estopa ou almofada. Salpico (contínuo): por anel, por corrente ou por colar. Imersão (contínuo): por banho de óleo. Sistema forçado (contínuo): por perda ou por circulação. Graxa: manual com pincel ou espátula, manual com pistola, com copo Stauffer ou por enchimento. Figura 3. Almotolia. Fonte: AlexLMX/Shutterstock.com. Segundo Soeiro, Olivio e Lucato (2017), o plano de lubrificação deve conter os equipamentos e informações relevantes, como os pontos a serem lubrificados, tipo e volume de lubrificante, frequência de lubrificação, método de aplicação e informações extras, como verificação de nível, reposição ou substituição com- pleta. Muitas dessas informações podem ser obtidas nos manuais dos fabricantes. 7Lubrificação industrial O roteiro de lubrificação deve ser criado de acordo com similaridades, seja de equipamento, de tipo de lubrificante ou de método e frequência de lubrificação. Os equipamentos e os pontos a serem lubrificados devem ser identificados de forma que não ocorram equívocos. A inspeção de nível de óleo lubrificante pode ser realizada pelo próprio operador no momento da inspeção diária do equipamento. Caso haja necessidade, a reposição deóleo lubrificante pode ser solicitada à equipe de manutenção. A atividade de lubrificação deve ser realizada por um profissional treinado para tal atividade, sempre seguindo os planos e roteiros e com o preenchimento dos relatórios. Também é possível instalar sistemas de lubrificação de forma a tornar o processo mais eficiente. Os sistemas de lubrificação podem ser subdivididos de três formas: Sistema operado manualmente: a lubrificação é realizada em pontos específicos e com frequência moderada. Sistema centralizado: o lubrificante tem a função de lubrificar uma grande quantidade de pontos, é abastecido com a quantidade exata de lubrificante e reduz custos de mão de obra. Sistema automatizado: utilizado quando há necessidade de lubrificação contínua. Durante a estocagem dos lubrificantes, é importante evitar contaminações por água, por impurezas, por outros tipos de lubrificantes ou por outros tipos de produtos, assim como também deve ser evitada a deterioração por tempe- raturas extremas ou por armazenagem prolongada. Para controlar a qualidade dos lubrificantes e evitar falhas nos equipa- mentos, análises podem ser realizadas. Dessa forma, o estado do lubrificante em serviço pode ser determinado, contaminações podem ser identificadas, os períodos de troca podem ser estabelecidos e desgastes de equipamentos podem ser identificados. Lubrificação industrial8 A amostra de lubrificante deve ser representativa, o recipiente de co- leta deve estar livre de contaminações e o maior número de informações (tipo, marca, horas de serviço, equipamento, etc.) deve ser fornecido ao laboratório. É obrigatório captar e envasar as sobras de lubrificante para envio às empresas especializadas em recuperação. É proibido o descarte de lubrificantes em esgotos, afluentes, rios e mar, bem como a queima em caldeiras e fornos. ANTON PAAR. Tribômetros MCR. 2018. Disponível em: <https://www.anton-paar.com/ br-pt/produtos/detalhes/tribometros-mcr/>. Acesso em: 11 nov. 2018. KATO, K.; ADACHI, K. Wear Mechanisms. In: BHUSHAN, B. (Ed.). Modern Tribology Hand- book: Principles of Tribology. Boca Raton: CRC, 2001. v. 1. RADI, P. A. et al. Tribologia, conceitos e aplicações. In: ENCONTRO DE INICIAÇÃO CIEN- TÍFICA E PÓS-GRADUAÇÃO DO ITA, 13, 2007, São José dos Campos. Anais... São José dos Campos: Instituto Tecnológico de Aeronáutica, 2007. Disponível em: <http://www. bibl.ita.br/xiiiencita/FUND18.pdf>. Acesso em: 11 nov. 2018. ROUSSO, J. Lubrificação Industrial. 4. ed. Rio de Janeiro: CNI/DAMPI, 1990. SOEIRO, M. V. A.; OLIVIO, A.; LUCATO, A. V. R. Gestão da manutenção. Londrina: Educa- cional, 2017. Leitura recomendada VIANA, H. R. G. PCM: planejamento e controle da manutenção. Rio de Janeiro: Quali- tymark, 2002. 9Lubrificação industrial Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Ao elaborar um plano de lubrificação é importante que seja selecionado um lubrificante que atenda às necessidades do equipamento, evitando o desgaste de componentes e aumentando a sua vida útil. Nesta Dica do Professor, você vai ver a classificação dos lubrificantes, com alguns exemplos de óleo lubrificante e graxa, além de algumas propriedades que devem ser consideradas. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) A tribologia estuda o movimento relativo entre superfícies interativas, buscando reduzir ou eliminar as perdas por desgaste. O desgaste no qual há a remoção de material da superfície é o: A) desgaste por camadas. B) desgaste por fadiga. C) desgaste corrosivo. D) desgaste abrasivo. E) desgaste adesivo. 2) Os lubrificantes podem ser gasosos, sólidos, líquidos ou pastosos. Qual das opções a seguir apresenta um exemplo de lubrificante pastoso? A) Talco. B) Óleo de mamona. C) Graxa. D) Mica. E) Grafite. 3) Qual é a propriedade do óleo lubrificante que indica a menor temperatura que ele pode ser submetido sem que a sua condição de fluidez seja alterada? A) Oleosidade. B) Coesividade. C) Viscosidade. D) Adesividade. E) Ponto de fluidez. 4) O ponto de gota de uma graxa indica: A) a adesividade da graxa no momento em que ela passa do estado semissólido para o líquido. B) a temperatura em que a graxa passa do estado semissólido para o líquido. C) a oleosidade da graxa no momento que ela passa do estado semissólido para o líquido. D) a pressão em que a graxa passa do estado semissólido para o líquido. E) a viscosidade da graxa no momento em que ela passa do estado semissólido para o líquido. 5) O plano de lubrificação deve conter informações relevantes para que o profissional responsável pela lubrificação realize o seu trabalho corretamente. Dentre essas informações, podemos citar: A) o método de aplicação. B) o custo do lubrificante. C) a razão social do fornecedor. D) o ano de fabricação do equipamento. E) o resultado da última análise do lubrificante. NA PRÁTICA O armazenamento de lubrificantes é um quesito importante para garantir a lubrificação adequada. Erros como exposição ao sol, contato com o ar e danos em embalagens podem alterar as propriedades de um lubrificante, fazendo com que o resultado não seja o esperado, favorecendo assim a ocorrência de falhas e paradas de produção. Veja a seguir. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Como elaborar um plano de lubrificação Veja o vídeo a seguir, por meio do qual você vai conhecer os cinco principais erros na elaboração de planos de lubrificação. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Proposta de um método de gestão de lubrificação industrial para indústrias de alimentos A seguinte dissertação propõe a gestão e o monitoramento da lubrificação industrial em máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de alimentos, prevenindo acidentes de contaminação. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Fundamentos de lubrificação Texaco Veja a seguinte apostila, a qual traz informações sobre produção, aditivação e classificação de lubrificantes. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O gerenciamento de óleos lubrificantes usados ou contaminados e suas embalagens: estudo de caso de uma empresa de logística na Região Norte do Brasil O seguinte artigo analisa o gerenciamento de resíduos provenientes do processo de trocas realizadas por uma empresa de logística na Região Norte do Brasil. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Tecnologias aplicadas à manutenção APRESENTAÇÃO Diferentes tecnologias podem ser aplicadas à manutenção, visto que é uma área que está em constante evolução, acompanhando sempre as necessidades das empresas e as novas tecnologias que passam a ser aplicadas. Pode-se dizer que a manutenção está em sua quinta geração, sendo cada geração caracterizada por alguma nova tecnologia. Atualmente, o que ganha destaque são as inovações tecnológicas em automação, controle e tecnologia da informação. Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá algumas tecnologias aplicadas à manutenção e à gestão de ativos, assim como a evolução da manutenção, além de seus benefícios e tendências futuras. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Discutir as aplicações de tecnologias voltadas para a manutenção.• Listar as tecnologias emergentes em manutenção e gerenciamento de ativos.• Descrever a evolução da manutenção, benefícios e tendências futuras.• DESAFIO A digitalização é um processo cada vez mais comum em indústrias, no qual, com o uso da Internet, há uma maior troca de informações, permitindo a comunicação entre um número ilimitado de dispositivos. A incorporação da digitalização à atividade industrial resultou no conceito de Indústria 4.0, caracterizada pela integração e pelo controle da produção a partir de sensores e equipamentos conectados em rede e da fusão do mundo real com o virtual, criandoos chamados sistemas ciberfísicos, viabilizando assim o emprego da inteligência artificial. Quais tecnologias são consideradas importantes de serem implementadas na linha de produção e que, consequentemente, seriam benéficas para a manutenção na adequação à Indústria 4.0? INFOGRÁFICO A manutenção, ao longo dos anos, passou por modificações devido, principalmente, à evolução das empresas e às necessidades de adaptação. Com essa evolução, as técnicas de manutenção também evoluíram, passando pela manutenção corretiva não planejada, chegando até a gestão de ativos. Neste Infográfico, você vai ver uma linha do tempo com a evolução da manutenção. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! CONTEÚDO DO LIVRO A manutenção industrial necessita estar em constante evolução, sempre se adaptando às novas tecnologias, pois com isso, requisitos como qualidade, confiabilidade e disponibilidade apresentarão bons resultados. Com a Indústria 4.0, muitos benefícios serão agregados à manutenção, facilitando o acesso às informações e possibilitando o uso de robôs, entre outras tecnologias. No capítulo Tecnologias aplicadas à manutenção, do livro Manutenção industrial, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai ver a aplicação de tecnologias voltadas para a manutenção, algumas tecnologias emergentes em manutenção e gestão de ativos, além da evolução da manutenção com seus benefícios e tendências futuras. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Aline Morais da Silveira Tecnologias aplicadas à manutenção Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Discutir as aplicações de tecnologias voltadas para a manutenção. Listar as tecnologias emergentes em manutenção e gerenciamento de ativos. Descrever a evolução da manutenção, os benefícios e as tendências futuras. Introdução A manutenção está em constante evolução, visto que as necessidades das empresas mudam e novas tecnologias passam a ser aplicadas. Até o momento, podemos dizer que a manutenção está na sua quinta geração, na qual a gestão de ativos ganha destaque, assim como o monitoramento das condições de modo on e off-line. Neste capítulo, você vai estudar algumas tecnologias aplicadas à manutenção e à gestão de ativos, bem como a evolução da manutenção e também seus benefícios e tendências futuras. Tecnologias voltadas para a manutenção Diferentes tecnologias podem ser aplicadas à manutenção com o objetivo atingir resultados, como a redução no número de falhas, o aumento da confi abilidade e qualidade, um menor tempo de máquina parada, o aumento da segurança, entre outros. A seguir, você verá algumas dessas tecnologias em destaque. Monitoramento e diagnóstico de equipamentos O monitoramento e o diagnóstico de equipamentos tiveram início com o surgimento da manutenção preditiva, quando questões como disponibilidade, confi abilidade, preservação do meio ambiente e custo-benefício passaram a ter destaque. Para o monitoramento de um equipamento, é necessário que ele seja avaliado previamente e, então, que seja definida sua condição atual. Após a escolha das técnicas de monitoramento e da coleta de dados, um banco pode ser formado e as análises podem ser realizadas. A partir das análises, possí- veis falhas podem ser diagnosticadas e as correções (manutenção corretiva planejada), realizadas. Dentre as técnicas preditivas para monitoramento de equipamentos, pode- mos citar análises de: defeitos em materiais metálicos, vibrações, temperatura, espessura, estanqueidade, lubrificante, entre outras. Com essas técnicas de monitoramento, é possível realizar o diagnóstico de falhas como trincas, porosidade, folga excessiva, desalinhamento, desbalan- ceamento, deformações, falta de lubrificação, desgaste, danos no isolamento térmico, mau contato em equipamentos elétricos, contaminações, entre outras. Programação de manutenção automatizada Sem a automatização da manutenção, é necessária uma equipe que mantenha as planilhas atualizadas com dados sobre manutenção e os documentos das máquinas, além de técnicos específi cos para cada tipo de manutenção. Com o uso de tecnologias de Internet das Coisas (IoT, do inglês Internet of Things), dados críticos são coletados com maior velocidade e precisão e são submetidos a análise por sistemas de inteligência artificial, tornando a manutenção mais eficiente. Com a automatização da manutenção, é possível estimar o tempo de vida útil de cada componente, organizar datas de inspeções, interromper o fun- cionamento de equipamentos no momento adequado, entre outros benefícios. Aprendizado de máquina e inteligência artificial De acordo com ABINC (ASSOCIAÇÃO..., 2017), a inteligência artifi cial envolve máquinas que realizam tarefas que são características de inteligência humana, como compreensão da linguagem, reconhecimento de objetos e sons, Tecnologias aplicadas à manutenção2 resolução de problemas, etc. Já o aprendizado de máquina (machine learning) é uma forma de alcançar a inteligência artifi cial “treinando” o algoritmo para que ele se ajuste e melhore com base em uma grande quantidade de dados. Na manutenção, essas tecnologias podem ser utilizadas com o uso de sensores, que se comunicam em tempo real durante o processo produtivo, possibilitando o monitoramento preditivo com o uso de algoritmos; assim, a partir dos dados obtidos, é possível controlar custos de manutenção, evitar falhas e reduzir os tempos de máquina parada. Gestão de documentação técnica A gestão de documentação técnica é de grande importância para o controle de documentos como laudos, relatórios, análises, procedimentos, manuais, entre outros. Por meio dessa gestão, é realizado o correto arquivamento, de modo que os documentos que precisam ser mais acessados (fase corrente) sejam de fácil localização e arquivamento, enquanto os documentos que são menos acessados (fase intermediária) são armazenados em local adequado. Conforme Docusign (2017), com a correta gestão de documentação técnica, é possível: Redução de custos: impressão de cópias na quantidade ideal, armaze- namento otimizado, ganho de tempo dos funcionários. Diminuição de volume: corte de documentos duplicados, eliminação de papéis que não são mais necessários, digitalização correta de docu- mentos que não precisam existir em cópia física. Aumento da qualidade: documentos não são danificados por calor, umidade, mau uso, manipulação, emissão e transporte. Agilidade no acesso: leva em conta a natureza do documento e a ne- cessidade de que ele seja acessado de maneira constante ou esporádica. Os arquivos mais usados são colocados em locais de fácil acesso. Garantia de segurança jurídica: garante a integridade dos documen- tos, deixando-os disponíveis quando requisitados, e assegura que eles sejam realmente válidos, com assinaturas, carimbos ou certificados. Preservação de memórias: ajuda a preservar a história, identificando a linha de crescimento, os objetivos e valores, o desenvolvimento, etc. Uniformização de processos: todos os interessados têm acesso às mesmas informações, padronizando processos (produção, manutenção, compras, etc.). 3Tecnologias aplicadas à manutenção A temporalidade ou prazo de validade de cada documento deve ser levada em consideração. Uma forma de organizar os prazos é por meio de uma tabela, listando os documentos de acordo com a natureza, a localização e a data de descarte. A digitalização de documentos é uma boa opção, pois não demanda grandes espaços físicos, facilita a localização, o acesso e o transporte, não causa deterioração e contribui para a preservação do meio ambiente e para a redução de custos. Existem ferramentas que garantem a validade dos documentos diante da legislação, além de assinaturas eletrônicas. Integração de dados e processos A integração de dados e processos como manutenção, produção, qualidade, logística, entreoutros, aumenta a disponibilidade dos equipamentos, otimiza a performance e atende a normas de segurança. Segundo Devecchi (2016), em muitas empresas, essa integração é feita por meio de um único software de gestão, que integra e centraliza as informações de todas as áreas. Informações sobre ativos, como cadastro, custo de aquisição, depreciação, roteiros de fabricação, horas de trabalho, planos de manutenção, entre outras, são geradas por diferentes áreas, mas são necessárias para a gestão da manu- tenção; assim, integrando os dados, é possível agilizar a troca de informações, além de aumentar a confiabilidade. Tecnologias emergentes para manutenção e gestão de ativos A Quarta Revolução Industrial, também chamada de Indústria 4.0, engloba inovações tecnológicas em automação, controle e tecnologia da informação, traz ganhos de efi ciência, redução de custos de manutenção e de consumo de energia. Com ela, os processos se tornam mais autônomos e customizáveis e é possível antecipar a detecção de problemas, o que seria uma manutenção proativa, com a qual, em vez de solucionar falhas, são identifi cadas as suas causas a partir de análise de indicadores de desempenho, removendo-as antes do início da falha. O planejamento da manutenção proativa utiliza softwares que reconhecem prováveis razões de falha e propõem ações corretivas, facilitando a tomada de decisão. Tecnologias aplicadas à manutenção4 A Primeira Revolução Industrial (início em 1780) se concentra na energia mecânica e nos motores a vapor. Já a Segunda Revolução Industrial (início em 1870) se carac- teriza pela eletrificação da fábrica e pela produção em massa. Na Terceira Revolução Industrial (início em 1970), a informatização entra na fábrica para automatizar tarefas mecânicas e repetitivas. Segundo Teles (2017a), com a informatização, foram introduzidos softwares para gestão da manutenção, automatizando ações e evitando ocorrências de falhas humanas. Com isso, as seguintes mudanças ocorrem na manutenção: Total previsão de falhas: com técnicas de rastreabilidade, Internet das Coisas, Big Data, Data Analytics e computação em nuvem, falhas funcionais não são mais aceitas. Elevação da produtividade da manutenção: com técnicas de realidade aumentada, visão artificial e robô colaborativo, a produtividade pode ser otimizada. Redução dos custos de manutenção: redução do estoque de peças de reposição por meio de manufatura aditiva ou total previsão de falhas, robôs colaborativos, reduzindo a necessidade de mão de obra humana, e técnicas avançadas de simulação, evitando falhas de projetos e processos. Desenvolvimento técnico da equipe de manutenção: uso de realidade aumentada, visão artificial e simulação avançada para desenvolvimento técnico e intelectual da equipe. Boa parte das novas tecnologias da Indústria 4.0 já está disponível, mas a transição não ocorrerá de forma repentina, e, sim, de modo gradual, já que a velocidade de implementação depende de fatores econômicos, estratégicos e da capacitação tecnológica de cada indústria. Rastreabilidade Segundo Teles (2017b), a rastreabilidade pode ser defi nida como a capacidade de usar a Tecnologia da Informação para acompanhar os movimentos do produto, prazo de validade, entre outras informações, por meio da aplicação de dispositivos digitais, como códigos de barras, etiquetas, entre outros. 5Tecnologias aplicadas à manutenção Internet das Coisas Segundo o portal Proof (2017), a Internet das Coisas pode ser considerada como o modo pelo qual os objetos físicos estão conectados e se comunicam entre si e com o usuário por meio de sensores e softwares. O termo foi criado no final dos anos 1990 pelo empresário Kevin Ashton, que fazia parte de um time que descobriu como conectar objetos à internet por meio de uma etiqueta. Big Data e Data Analytics De acordo com Cetax (2018), Big Data é uma palavra-chave usada para des- crever imensos volumes de dados que não podem ser efetivamente processados com softwares/tecnologias tradicionais. Já Data Analytics é a ciência de examinar dados brutos com o objetivo de encontrar padrões e tirar conclusões, aplicando um processo algorítmico ou mecânico para obter informações. Computação em nuvem Segundo CNI Digital (2017a), computação em nuvem (cloud computing) é a possibilidade de acessar e utilizar serviços como armazenamento, bancos de dados, rede, software e análise, entre outros, pela internet. O conceito surgiu na década de 1960, formulado por J. C. R. Licklider e John McCarthy, enquanto o termo cloud computing foi utilizado pela primeira vez pelo professor Ramnath Chellappa, durante uma palestra, em 1997. Na prática, a nuvem foi desenvolvida em 1999, com o surgimento da Salesforce, e, a partir daí, surgiram serviços de nuvem como Amazon, Google, IBM e Microsoft. Realidade aumentada Conforme CNI Digital (2017b), realidade aumentada é a tecnologia que permite a interação entre os universos virtual e real ou, ainda, a sobreposição de objetos e imagens reais no ambiente virtual por meio de um dispositivo tecnológico. Na indústria, camadas virtuais em ambientes reais são utilizadas para modernizar treinamentos e manutenção. Teve origem em 1968, quando Ivan Sutherland criou o Head Mounted Display, um capacete que proporcionou a primeira experiência com elementos virtuais em comunhão com um espaço real. Tecnologias aplicadas à manutenção6 Visão Artificial Segundo LLK (2018), visão artifi cial é uma metodologia que utiliza câmeras industriais e um sistema de iluminação para otimizar processos, tornando possível a captura e o tratamento de imagens em tempo real e a inspeção com alto nível de precisão. Robô colaborativo Robô colaborativo, de acordo com Siautec (2018), é um tipo de robô que associa o conhecimento humano com a praticidade e a efi ciência das máquinas. Ele não realiza movimentos bruscos e acelerados, tendo sido desenvolvido para desem- penhar funções de forma mais lenta, mas sem deixar de ser efi ciente e produtivo; com isso, há segurança para robô e funcionário, que trabalham lado a lado. Manufatura aditiva Conforme CNI Digital (2017c), a manufatura aditiva consiste na criação de um objeto por meio da adição de camadas ultrafi nas, de materiais como plástico, metal, cerâmica, entre outros, por meio de impressoras de três dimensões (3D) a partir de objetos desenhados com um software de modelagem tridimensional. Evolução, benefícios e tendências da manutenção A evolução da manutenção, segundo Kardec e Nascif (2009), pode ser dividida em cinco gerações, e, em cada uma delas, há evolução nas necessidades das empresas e também nas técnicas de manutenção. Veja, a seguir, uma descrição dessas gerações. Primeira geração A primeira geração da manutenção abrange o período antes da Segunda Guerra Mundial, com a indústria pouco mecanizada e os equipamentos simples. A produtividade não era prioridade, não sendo necessária uma manuten- ção sistematizada. Eram realizadas atividades como limpeza, lubrificação e reparos após a quebra, ou seja, uma manutenção corretiva não planejada. O que se esperava era a habilidade do executante em realizar o reparo necessário. 7Tecnologias aplicadas à manutenção Segunda geração A segunda geração ocorreu entre os anos de 1950 e 1970, após a Segunda Guerra Mundial. Houve um aumento da mecanização, assim como na complexidade das instalações industriais. Maiores disponibilidade e confiabilidade dos equipamentos se tornaram necessárias, com o objetivo de atingir uma maior produtividade. A ideia de que as falhas nos equipamentos deveriam ser evitadas deu origem ao conceito de manutenção preventiva, principalmente em intervalos fixos, o que aumentou o custo da manutenção em comparação a outros custos operacionais. Terceira geração A terceira geração ocorreu entre as décadas de 1970 e 1990. Com a utilização de sistemas just in time, pequenas paradas de produção poderiam parar uma fábrica,dando destaque à manutenção preditiva. Houve um aumento da automação e da mecanização, assim como das exigências ligadas à segurança e ao meio ambiente, fazendo com que empresas fossem impedidas de trabalhar se não se adequassem. Just in time é um sistema de administração da produção em que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora certa. O estoque de matéria-prima é mínimo e suficiente para poucas horas de produção. Normalmente, a produção é por demanda, ou seja, primeiro, vende-se o produto para, depois, comprar a matéria-prima e fabricá-lo. Quarta geração Na quarta geração, ocorrida de 1990 até 2005, aproximadamente, a disponibi- lidade seguiu sendo uma das medidas de performance mais importante, além da busca pela confi abilidade. Tecnologias aplicadas à manutenção8 O maior desafio é a minimização de falhas prematuras. A manutenção preditiva e o monitoramento de condição dos equipamentos e do processo são cada vez mais utilizados. Há, também, um aprimoramento na contratação e na terceirização dos serviços. Quinta geração A quinta geração, que ocorre a partir de 2005, mantém as boas práticas da quarta geração, focando na gestão de ativos, que devem produzir na sua capacidade máxima para obter o melhor retorno. A manutenção preditiva ganha ainda mais foco com o monitoramento das condições de forma on e off-line. A gestão está focada em melhorias para a redução de falhas a partir da performance de ativos, da engenharia de manutenção e da contratação de serviços terceirizados por resultados. Tendências De acordo com o Asalit (2015), algumas tendências para a manutenção in- dustrial são: Gestão de performance de ativos, tendo uma visão completa sobre o negócio e os equipamentos, buscando otimizar a manutenção, a aqui- sição e o uso. Padronização com o uso de softwares de gestão da manutenção, a partir dos quais as máquinas poderiam regular-se e emitir ordens de compra ou manutenção. Aumento na capacidade analítica para análise de dados e tomadas de decisões. Troca de dados de forma contínua, com o uso de tecnologias, possibi- litando o monitoramento à distância. Treinamento diferenciado dos profissionais para que saibam lidar com equipamentos com cada vez mais tecnologias e necessidades específicas. 9Tecnologias aplicadas à manutenção ASALIT. Manutenção industrial: conheça 4 tendências do segmento. 2015. Disponível em: <http://asalit.com.br/manutencao-industrial-conheca-4-tendencias-do-segmento/>. Acesso em: 21 nov. 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INTERNET DAS COISAS. A Diferença entre Inteligência Artificial, Aprendizado de Máquinas e Aprendizagem Profunda. 27 out. 2017. Disponível em: <https://abinc.org.br/a-diferenca-entre-inteligencia-artificial-aprendizado-de- -maquinas-e-aprendizagem-profunda/>. Acesso em: 21 nov. 2018. CETAX. Diferença entre data science, big data e data analytics. 2018. Disponível em: <ht- tps://www.cetax.com.br/blog/data-science-vs-big-data-vs-data-analytics/>. Acesso em: 21 nov. 2018. CNI DIGITAL Sé rie pilares da indú stria 4.0 (parte 3 de 9): computação em nuvem. 26 jul. 2017a. Disponível em: <http://www.cnidigital.com.br/artigo/se-rie-pilares-da-indu- -stria-4-0-parte-3-de-9-computa-o-em-nuvem>. Acesso em: 21 nov. 2018. CNI DIGITAL. Sé rie pilares da indú stria 4.0 (parte 8 de 9): manufatura aditiva. 27 jul. 2017c. Disponível em: <http://www.cnidigital.com.br/artigo/se-rie-pilares-da-indu-stria-4- -0-parte-8-de-9-manufatura-aditiva>. Acesso em: 21 nov. 2018. CNI DIGITAL. Sé rie pilares da indú stria 4.0 (parte 9 de 9): realidade aumentada. 26 jul. 2017b. Disponível em: <http://www.cnidigital.com.br/artigo/se-rie-pilares-da-indu- -stria-4-0-parte-9-de-9-realidade-aumentada>. Acesso em: 21 nov. 2018. CNI DIGITAL. Sé rie pilares da indú stria 4.0 (parte 8 de 9): manufatura aditiva. 27 jul. 2017c. Disponível em: <http://www.cnidigital.com.br/artigo/se-rie-pilares-da-indu-stria-4- -0-parte-8-de-9-manufatura-aditiva>. Acesso em: 21 nov. 2018. DEVECCHI, T. Manutenção industrial x PCP: vantagens da integração. 09 ago. 2016. Disponível em: <http://qsconsultoria.com.br/manutencao-industrial-integrada-erp/>. Acesso em: 21 nov. 2018. DOCUSIGN. Guia completo da gestão de documentos. 06 jul. 2017. Disponível em: <ht- tps://www.docusign.com.br/blog/gestao-de-documentos/>. Acesso em: 21 nov. 2018. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: função estratégica. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. LLK. O que é Visão Artificial e onde essa tecnologia pode ser aplicada na indústria e manu- fatura? 26 mar. 2018. Disponível em: <http://www.llk.com.br/o-que-e-visao-artificial- -e-onde-essa-tecnologia-pode-ser-aplicada-na-industria-e-manufatura/>. Acesso em: 21 nov. 2018. PROOF. Internet das coisas: um desenho do futuro. 2017. Disponível em: <https://www. proof.com.br/blog/internet-das-coisas/>. Acesso em: 21 nov. 2018. Tecnologias aplicadas à manutenção10 SIAUTEC. Robô colaborativo é a nova tendência na indústria. 8 fev. 2018. Disponível em: <https://siautec.com.br/robo-colaborativo-e-nova-tendencia-na-industria>. Acesso em: 21 nov. 2018. TELES, J. O Planejamento e Controle da Manutenção na Indústria 4.0. 2017a. Disponível em: <https://engeteles.com.br/pcm-na-industria-4-0/>. Acesso em: 21 nov. 2018. TELES, J. Indústria 4.0: tudo que você precisa saber sobre a Quarta Revolução In- dustrial. 2017b. Disponível em: <https://engeteles.com.br/industria-4-0/>. Acesso em: 21 nov. 2018. 11Tecnologias aplicadas à manutenção Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Tecnologias podem ser aplicadas à manutenção, buscando reduzir o número de falhas, aumentar a confiabilidade do equipamento e a qualidade do produto, reduzir tempos de máquina parada, aumentar a segurança dos trabalhadores, entre outros. Nesta Dica do Professor, você vai ver algumas tecnologias aplicadas à manutenção. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Dentre as tecnologias voltadas para a manutenção, qual delas possibilita que não seja necessária uma equipe para atualização de planilhas com dados de manutenção? A) Inteligência artificial. B) Realidade aumentada. C) Aprendizado de máquina. D) Gestão de documentação técnica. E) Programação de manutenção automatizada. 2) A _______________ é uma boa opção na gestão de documentação técnica, pois não demanda de grandes espaços físicos, além de ajudar na preservação do meio ambiente. A) digitalização B) temporalidade C) eliminação D) duplicação E) encadernação 3) As tecnologias aplicadas atualmente à manutenção e à gestão de ativos estão diretamente ligadas à Quarta Revolução Industrial, sendo que com essas tecnologias surgiu um novo tipo de manutenção. Como pode ser chamada essa manutenção? A) Preditiva. B) Corretiva. C) Proativa. D) Cumulativa. E) Preventiva. 4) Qual das ações a seguir é imprescindível para que seja realizado o correto monitoramento e diagnóstico de equipamentos? A) Compra de elevado estoque de peças de reposição. B) Contratação de mão de obra excedente. C) Definição do investimento desejado. D) Definição da condição atual. E) Definição do objetivo a ser atingido. 5) A ____________________ é a capacidade de usar a Tecnologia da Informação para acompanhar os movimentos e o prazo de validade de produtos. A) computação em nuvem B) rastreabilidade C) visão artificial D) manufatura aditiva E) Big Data NA PRÁTICA A aplicação de tecnologias em indústrias pode demandar um elevado investimento inicial, devido à aquisição de equipamentos, instalação, treinamento de funcionários, entre outros fatores. Normalmente esses investimentos, quando realizados de forma planejada, apresentam um rápido retorno, visto que aumentam a segurança, reduzem a necessidade de manutenção, valorizam o produto, motivam funcionários, etc. Veja aplicações de tecnologias da Indústria 4.0 em uma fábrica de celulares, resultando em reduções de custos de manutenção e de reclamaçõesde clientes. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Docol diminui manutenções e ganha em produtividade com robô colaborativo Neste link você vai acessar a experiência da empresa Docol, fabricante de metais sanitários, que, buscando melhorias em seus processos, implementou o uso de robôs colaborativos na operação de carga e descarga de peças. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Introdução ao TEEP - Performance Efetiva Total dos Equipamentos APRESENTAÇÃO Um indicador de desempenho amplamente utilizado para avaliar a performance do gargalo é denominado TEEP (Total Effectiveness Equipment Performance — Perfomance Efetiva Total dos Equipamentos). Por meio desse indicador é possível avaliar a capacidade do equipamento de produzir produtos que atendam aos padrões de qualidade preestabelecidos, considerando o tempo total (24 horas por dia, todos os dias do ano). Conhecer a produtividade efetiva do recurso restritivo contribui com a elaboração do plano de manutenção e do plano de produção, os quais são documentos importantes para a condução das ações industriais de forma satisfatória. Nesta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá o que é o TEEP e saberá reconhecer a sua importância para indústria. Além disso, conhecerá os tempos que influenciam no cálculo desse indicador. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o conceito de Performance Efetiva Total dos Equipamentos (TEEP).• Discutir a importância do TEEP nas aplicações industriais.• Descrever os tempo e os horários vinculados ao TEEP.• DESAFIO Decidir o indicador mais adequado para avaliar a performance de um equipamento é fundamental para a tomada de decisão adequada na organização. Uma empresa produtora de café de médio porte precisa avaliar a performance do descascador, um dos principais equipamentos do processo produtivo, pelo fato de ter a menor capacidade produtiva, além de limitar os ganhos da empresa. O gestor chama você para auxiliá-lo nessa questão. Portanto, responda: a) É mais adequado para a empresa o uso do OEE ou TEEP para avaliar o descascador? Explique a sua resposta. b) Qual é a principal diferença entre o OEE e o TEEP? c) O que significa para a empresa o fato de o indicador mais adequado alcançar um índice de 65%? INFOGRÁFICO O indicador é um mecanismo de controle importante ao permitir avaliar o desempenho de uma ou mais variáveis. Para os setores de manutenção e produção, dois indicadores merecem destaque pelas informações que geram aos tomadores de decisões, são eles: OEE (Eficiência Global do Equipamento) e TEEP (Performance Efetiva Total do Equipamento). O TEEP é derivado do OEE e, por isso, as diferenças entre eles não são bem compreendidas pelos profissionais. Neste infográfico, você vai identificar as principais diferenças entre os indicadores supracitados. Além disso, você ainda vai poder conferir os tempos e os horários vinculados ao TEEP. CONTEÚDO DO LIVRO Avaliar a eficiência e a performance de cada ativo que compõe o sistema de produção é importante para o planejamento de ações de melhoria contínua. Existem alguns indicadores que podem ser utilizados para a avaliação da performance, entre os quais o TEEP (Performance Efetiva Total do Equipamento) merece destaque, uma vez que avalia a capacidade que um recurso gargalo tem de produzir produtos de acordo com os padrões de qualidade preestabelecidos. No capítulo Introdução ao TEEP — Performance Efetiva Total dos Equipamentos, da obra Manutenção industrial, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer o conceito do TEEP. Além disso, vai verificar a sua importância para a indústria e identificar os tempos e horários que influenciam o indicador. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Gabriela Fonseca Parreira Gregorio Introdução ao TEEP — Performance Efetiva Total dos Equipamentos Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o conceito de Performance Efetiva Total Dos Equipamentos (TEEP). Discutir a importância do TEEP nas aplicações industriais. Descrever os tempos e horários vinculados ao TEEP. Introdução O TEEP (Performance Efetiva Total dos Equipamentos) é um indicador derivado do OEE (Eficiência Global dos Equipamentos) e ambos surgiram a partir da Manutenção Produtiva Total, um método de manutenção desenvolvido no Japão, na década de 1970, que busca a redução de falhas e defeitos e o aumento da eficiência do sistema de produção. Medir o TEEP pode gerar informações úteis para a melhoria do sistema de produção, indicando o percentual da capacidade de uma operação, máquina ou posto de trabalho que está sendo efetivamente utilizado. Por meio dessa informação, é possível avaliar a produtividade de um equipamento e tomar uma série de decisões na indústria. Neste capítulo, você aprenderá o que é o TEEP, verificará a sua im- portância para a indústria e identificará os tempos necessários para o cálculo do indicador. Conceito de Performance Efetiva Total dos Equipamentos O indicador TEEP (Total Eff ectiveness Equipment Performance — Perfomance Efetiva Total dos Equipamentos) avalia a efetividade global de um processo produtivo, de uma célula ou de uma linha de produção, considerando todo o tempo, ou seja, 24 horas por dia, 365 dias por ano (OEE, 2018). Ressalta-se que um processo de produção é um conjunto de operações que interagem entre si, com o objetivo de transformar entradas (inputs), que são matéria-prima, insumos e informações, em saídas (outputs), caracterizadas por produtos e/ou serviços (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2007). As- sim, um processo pode ser constituído de vários equipamentos, dispostos em determinado arranjo físico, e o TEEP tem como objetivo medir a efetividade global dos ativos. Hansen (2006) apud Paraboni e Oliveira (2011) menciona que o TEEP mede o desempenho total do ativo em relação a cada minuto do relógio, ou seja, leva em consideração o tempo calendário. O TEEP também é denominado IROG (Índice de Rendimento Operacional Global) e “indica a produtividade real do sistema no gargalo” (SOUZA, 2017). O TEEP é o percentual do tempo total que o equipamento funciona e produz produtos de acordo com a especificação (é a razão entre o tempo de valor agregado e o tempo total). Também pode ser medido em função do produto dos índices de disponibilidade, desempenho, qualidade e utilização (FONSECA, 2017), sendo: Disponibilidade: percentual de tempo em que o equipamento perma- neceu disponível para executar a função requerida. Desempenho: avalia a velocidade com a qual o ativo produziu deter- minado item. Qualidade: percentual de produtos que atendem às especificações para as quais foram produzidos. Utilização: relação entre o tempo programado para produzir e o tempo total. A Figura 1 apresenta os fatores/índices que influenciam no cálculo do TEEP. Introdução ao TEEP — Performance Efetiva Total dos Equipamentos2 Figura 1. Índices utilizados para medição do TEEP. O TEEP, assim como o indicador OEE (Overall Equipment Effectiveness — Eficiência Global do Equipamento), é influenciado pelas 6 grandes perdas indicadas por Nakagima (1988), denominadas: perdas por quebras; perdas por setups; perdas por redução de velocidade; perdas por pequenas paradas; perdas por retrabalho; perdas por queda de rendimento. O TEEP diferencia-se do OEE, pois, enquanto o primeiro avalia a perfor- mance do equipamento considerando o tempo total (24 horas por dia, todos os dias do ano), ou seja, em relação à capacidade máxima do ativo, o OEE mede a eficiência considerando um tempo programado para produzir (VINCE, 2016 apud NOGUEIRA; DAMASCENO; MOUSINHO, 2017). No TEEP, o tempo de máquina não utilizado influencia o indicador, enquanto o OEE nãoé afetado por esse tempo. Nakajima (1988) recomenda o uso do TEEP, em vez do OEE, quando o ativo for o recurso crítico do sistema de produção, ou seja, quando ele for o gargalo, que é o recurso cuja capacidade produtiva é menor ou igual à demanda imputada nele. Nesse caso, para não limitar o ganho do sistema, o tempo total disponível para o gargalo não deve incluir paradas programadas, pois isso limitaria ainda mais a capacidade do processo. 3Introdução ao TEEP — Performance Efetiva Total dos Equipamentos O ideal, para a indústria, é fazer uso em conjunto do OEE e do TEEP, uma vez que são complementares na avaliação do desempenho e na geração de informações para auxiliar no processo de tomada de decisão. O TEEP foi definido como alternativa para medir a produtividade de um equipamento, mas pode-se ampliar a sua utilização para a avaliação de um sistema de produção maior, como uma planta de processos ou fábrica do tipo flow shop, que pode ser tratada como uma instituição de produção (BUSSO; MIYAKE, 2013). Importância do TEEP nas aplicações industriais O TEEP pode ser um indicador-chave de sucesso e, quando bem aplicado, permite identifi car alternativas de melhoria da efi ciência do sistema de pro- dução. Deve ser medido frequentemente e de forma sistemática. Trata-se de um indicador importante, uma vez que mede a performance de um recurso restritivo (gargalo), e, para seu cálculo, deve-se utilizar o tempo total disponível para a produção, não considerando paradas programadas. Assim, pode-se buscar o aproveitamento total do tempo disponível no gargalo, evitando todos os tipos de paradas, programadas e não programadas (MUCHIR; PINTELON; 2008 apud PIRAN et al., 2015). Avaliar a performance do gargalo é muito importante, uma vez que essa operação limita os ganhos organizacionais — de nada adianta elevar a ca- pacidade de outras operações uma vez que o gargalo restringe a capacidade de produção de um processo. Assim, as melhorias nos processos produtivos devem passar, prioritariamente, pela análise da restrição do sistema. Dentre os benefícios do uso do TEEP como indicador, pode-se citar: avaliar o potencial de capacidade de uma instalação industrial (HAN- SEN, 2006 apud PIRAN et al., 2015); indicar a capacidade que ainda existe em um ativo existente (HANSEN, 2006 apud PIRAN et al., 2015); Introdução ao TEEP — Performance Efetiva Total dos Equipamentos4 conhecer a capacidade máxima real do processo; avaliar se o equipamento é suficiente para atender às demandas; avaliar se o ativo está sendo utilizado de acordo com a capacidade máxima, se isso for necessário; evitar compras desnecessárias de recursos adicionais; orientar quanto às oportunidades de melhorias reais no sistema de produção; indicar o potencial de aumento de eficiência e produtividade. Busso e Miyake (2013) apresentam algumas vantagens do uso do TEEP para o setor de manutenção: demonstra de forma clara como a manutenção impacta na produtividade; indica como as melhores práticas de manutenção podem resultar no melhor aproveitamento dos ativos. A Figura 2 sintetiza os benefícios da aplicação do TEEP na indústria. Figura 2. Benefícios do uso do TEEP. Tempos e horários vinculados ao TEEP Para compreender e estimar o TEEP, é necessário conhecer os tempos e horários vinculados ao indicador. 5Introdução ao TEEP — Performance Efetiva Total dos Equipamentos A Figura 3 apresenta os tempos necessários para avaliação do TEEP. Figura 3. Tempos para cálculo do TEEP. Fonte: Adaptada de Nakagima (1988) apud Piran et al. (2015). Veja, a seguir, o que define cada um dos tempos importantes para o TEEP. Tempo total: também conhecido como tempo calendário, é todo tempo que pode ser utilizado pelo ativo, ou seja, 24 horas por dia, todos os dias do ano. Tempo programado: é o tempo planejado para utilização do equi- pamento, ou seja, exclui-se do tempo total os horários de não funcio- namento da empresa e as paradas programadas. Os horários de não funcionamento são compostos, por exemplo, por finais de semana e feriados, se a empresa não funcionar nesses períodos. As paradas programadas são paradas maiores, previamente estabelecidas pela organização, como, por exemplo, para manutenções preventivas. Tempo real de operação: é o tempo durante o qual o ativo per- maneceu disponível para operação, ou seja, é o tempo durante o qual ele estava programado para operar menos o tempo de paradas não programadas. As paradas não programadas são compostas por períodos curtos de tempo, muitas vezes, para ações emergenciais, como manutenção corretiva emergencial. Introdução ao TEEP — Performance Efetiva Total dos Equipamentos6 Tempo real efetivo de operação: esse tempo é medido em função da velocidade de operação do equipamento, ou seja, é o tempo real de operação, excluindo os desvios negativos de performance do ativo. O tempo real é afetado quando o ativo não opera de acordo com a velocidade nominal. Tempo de agregação de valor: é o tempo em que o ativo realmente funcionou e produziu produtos de acordo com as especificações. A razão entre o tempo de agregação de valor e o tempo total mede o TEEP, enquanto a razão entre o tempo de agregação de valor e o tempo programado para produzir mede o OEE. Assim, quando uma empresa apresenta um TEEP de 70%, isso significa que essa empresa não está utilizando 30% de sua capacidade, indicando pontos de melhoria. Esses pontos de melhoria podem estar relacionados a: alterações nas estratégias adotadas de manutenção; implantação de troca rápida de ferramentas; monitoramento de parâmetros dos equipamentos, evitando paradas emergenciais; avaliação dos materiais e insumos que chegam nos equipamentos; lubrificação; limpeza; sequenciamento adequado da produção; planejamento e organização da manutenção. No link a seguir, você pode ver como a aplicação do Índice de Rendimento Global do Equipamento (OEE e TEEP) e da Troca Rápida de Ferramentas podem contribuir com a eficiência de uma aplicadora de adesivos. https://goo.gl/RyDgbe 7Introdução ao TEEP — Performance Efetiva Total dos Equipamentos BUSSO, C. M.; MIYAKE, D. I. Análise da aplicação de indicadores alternativos ao Overall Equipment Effectiveness (OEE) na gestão do desempenho global de uma fábrica. Produção, v. 23, n. 2, p. 205-225, 2013. Disponível em: <http://www.redalyc.org/articulo. oa?id=396742052001>. Acesso em: 14 nov. 2018. FONSECA, A. C. R. OEE: aplicação transversal do indicador de gestão a empresa multinacional de componentes automóveis. 2017. 71 f. Dissertação (Mestrado integrado de Engenharia e Gestão Industrial) - Universidade do Porto, Porto, 2017. Disponível em: <https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/106088>. Acesso em: 14 nov. 2018. NAKAJIMA, S. Introduction to TPM: Total Productive Maintenance. Cambridge: Produc- tivity Press, 1988. NOGUEIRA, K. D. M.; DAMASCENO, M. T. S.; MOUSINHO, M. M. Análise da aplicação dos indicadores Overall Equipment Effectiveness (OEE) e Total Equipment Effectiveness Performance (TEEP): estudo de caso na indústria. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 7., 2017, Ponta Grossa. Anais... Rio de Janeiro: ABEPRO, 2017. Disponível em: <http://www.aprepro.org.br/conbrepro/2017/anais.php>. Acesso em: 14 nov. 2018. PARABONI, P. B.; OLIVEIRA, R. P. Eficiência global dos equipamentos pela abordagem da gestão do posto de trabalho: um estudo de caso na indústria metal-mecânica. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 31., 2011, Belo Horizonte. Anais... Rio de Janeiro: ABEPRO, 2011. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ enegep2011_TN_STP_135_855_19035.pdf>. Acesso em: 14 nov. 2018. PIRAN, F. A. S. et al. A utilização do índice de rendimento operacional global (IROG) na gestão dos postos de trabalho: estudo aplicado em uma empresa do segmento metal mecânico. Espacios, v. 36, n. 24, 2015. Disponível em: <http://www.revistaespacios.com/a15v36n24/15362414.html>. Acesso em: 14 nov. 2018. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007. SOUZA, J. Eficiência Geral de Equipamento (OEE): um estudo da associação entre o OEE e outros indicadores da atividade produtiva. Dissertação (Mestrado Profissional em Administração) - Faculdade Campo Limpo Paulista, Campo Limpo Paulista, 2017. Introdução ao TEEP — Performance Efetiva Total dos Equipamentos8 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Os indicadores de controle de manutenção conduzem à análise do quão bem elaborado e executado foi o plano de manutenção da organização. No entanto, as aplicações dos indicadores exigem que os profissionais compreendam seus conceitos, suas aplicações e as variáveis que influenciam em sua estimativa. Nesta Dica do Professor, você vai conhecer melhor as utilizações do TEEP, ou seja, vai aprender quando utilizar e como interpretar os resultados gerados pelo indicador. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O TEEP (Perfomance Efetiva Total do Equipamento) é um indicador de desempenho que mede: A) a efetividade global de um processo produtivo considerando todo o tempo programado para produzir ao longo de determinado período. B) o desempenho total do ativo em relação a cada minuto do relógio, ou seja, leva em consideração o tempo efetivo de produção. C) o percentual do tempo total que o equipamento funciona e produz produtos conformes e não conformes. D) a probabilidade do equipamento desempenhar as funções requeridas em determinado período de tempo. E) a produtividade efetiva de um equipamento considerando o tempo total ou tempo calendário (24 horas por dia, todos os dias do ano). 2) O TEEP (Performance Efetiva Total do Equipamento) é um indicador derivado do OEE (Eficiência Global do Equipamento). Existem algumas diferenças entre esses indicadores, a saber: A) Enquanto o OEE é estimado considerando o tempo total, o TEEP é medido considerando o tempo planejado de produção. B) O OEE é o indicador mais utilizado pelo nível estratégico da organização, enquanto o TEEP é mais utilizado pelos níveis táticos e operacionais. C) Enquanto o OEE mede a perda de capacidade em relação ao tempo programado de produção, o TEEP mede a perda de capacidade em relação ao tempo total. D) O TEEP é mais útil para avaliar os equipamentos com capacidade superior à demanda, enquanto o uso do OEE é mais adequado para avaliar o recurso gargalo. E) No OEE o tempo de máquina não utilizado influencia no indicador, o que não ocorre na estimativa do TEEP. 3) Sobre os tempos necessários para estimar a Performance Efetiva Total do Equipamento, é correto o que se afirma em: A) O tempo total, também conhecido como tempo calendário, é todo o tempo que pode ser utilizado pelo ativo, ou seja, 24 horas por dia, todos os dias do ano, incluindo as paradas programadas de manutenção. B) Tempo programado ou tempo planejado é o tempo predefinido para utilização do equipamento, ou seja, exclui-se do tempo total apenas os horários de não funcionamento da empresa. Tempo real efetivo de operação é o tempo que o ativo permaneceu disponível para C) operação, ou seja, é o tempo que ele estava programado para operar menos o tempo de paradas não programadas. D) Tempo real de operação é medido em função da velocidade de operação do equipamento. E) Tempo de agregação de valor é o tempo que o ativo realmente funcionou e dispendeu para produzir todos os produtos. 4) O TEEP é um indicador importante para a indústria, uma vez que pode gerar informações que auxiliam no processo de tomada de decisão. Entre os benefícios do uso do TEEP, pode-se afirmar que: A) permite conhecer a capacidade mínima de produção do processo. B) possibilita avaliar a interação entre equipamentos e pessoas que compõem o processo de produção. C) gera informações que permitem avaliar a necessidade de compras de recursos adicionais. D) possibilita identificar com assertividade as causas de perdas nos equipamentos. E) permite avaliar como a produtividade da empresa influencia nas ações de manutenção. 5) O fato de um equipamento apresentar um TEEP de 60% significa que: A) a empresa não está utilizando 60% de sua capacidade total. B) a empresa está utilizando 40% de sua capacidade total. C) a empresa não está utilizando efetivamente 40% de sua capacidade planejada de produção. D) a empresa não está utilizando efetivamente 40% de sua capacidade total. E) a disponibilidade do equipamento da empresa é de 60%, ou seja, o equipamento permaneceu disponível 60% do tempo. NA PRÁTICA Nenhum equipamento é isento de perdas. Várias perdas podem incidir sobre os ativos e reduzir seu desempenho, como, por exemplo, quebras, redução de velocidade, defeitos, setups, etc. Medir a eficiência ou performance de um equipamento auxilia a identificar os impactos dessas perdas no sistema de produção e conduzem na priorização de ações para melhoria dos ativos industriais. Imagine que os gestores de manutenção e produção de uma tecelagem desejam implementar indicadores de desempenho para o monitoramento de dois equipamentos: enfestadeira e fusionadeira. Neste Na Prática, você vai ver qual é o indicador mais adequado para cada equipamento e com que frequência o indicador deve ser medido, além das informações necessárias para a sua estimativa. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: A utilização do índice de rendimento operacional global (IROG) na gestão dos postos de trabalho: estudo aplicado em uma empresa do segmento metal mecânico No texto a seguir, você vai conhecer as diferenças entre o TEEP e o OEE por meio de um estudo de caso em uma empresa do setor metal mecânico. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! TEEP No texto a seguir você vai identificar os tempos envolvidos no cálculo do TEEP. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! OEE, OOE ou TEEP? Qual a diferença? O texto a seguir traz uma reflexão sobre as diferenças dos indicadores OEE, OOE e TEEP, mostrando uma comparação entre os três índices, explicando qual o mais adequado para cada objetivo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Manutenção Produtiva Total (TPM) APRESENTAÇÃO A Manutenção Produtiva Total (TPM — do inglês Total Productive Maintenance) é um método destinado a melhorias, que, por meio da aplicação de técnicas e ferramentas adequadas, principalmente em sistemas produtivos — mas também em sistemas administrativos e de suporte —, possibilita que os objetivos sejam atendidos. Ela é uma filosofia derivada da manutenção preventiva, a qual tem como objetivo a eficácia da empresa. Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará o conceito de Manutenção Produtiva Total, assim como a sua aplicação na área industrial, os seus oito pilares, os passos para a sua implementação e os seus os benefícios. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer o conceito da Manutenção Produtiva Total (TPM) e sua lógica de aplicação na área industrial. • Descrever os oito pilares da TPM.• Identificar os passos para a implementação e os benefícios da TPM.• DESAFIO A Manutenção Produtiva Total (TPM) é uma filosofia derivada da manutenção preventiva, a qual surgiu no Japão. Para que ela seja aplicada corretamente é necessário que haja o comprometimento de todos e que grupos multidisciplinares sejam formados. Também é importante que algumas habilidades sejam desenvolvidas nos operadores de produção e manutenção. Você é um operador de produção em uma indústria fabricante de eletrodomésticos. Responda: Que habilidades você julga importante ter para que os objetivos da TPM sejam alcançados? INFOGRÁFICO A Manutenção Produtiva Total (TPM) surgiu no Japão na década de 1970 com a intenção de eliminardesperdícios, obter um melhor desempenho dos equipamentos, reduzir a quantidade de interrupções de produção, mudar conhecimentos e habilidades dos funcionários e modificar a sistemática de trabalho. A TPM é estruturada em oito pilares com objetivos específicos, os quais devem ser aplicados para atingir uma maior eficiência produtiva. Neste Infográfico, você vai ver esses oito pilares. CONTEÚDO DO LIVRO O sistema de Manutenção Produtiva Total é uma filosofia de melhoria contínua, a qual visa a maximização da efetividade de equipamentos e sistemas, aumentando sua via útil e reduzindo perdas de tempo com reparos não programados. Na obra Manutenção industrial, leia o capítulo Manutenção Produtiva Total (TPM), base teórica desta Unidade de Aprendizagem, por meio do qual você vai aprender o conceito de Manutenção Produtiva Total, assim como a sua aplicação na indústria, os seus oito pilares, as etapas para a sua implementação e os seus benefícios. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Aline Morais da Silveira Manutenção Produtiva Total (TPM) Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer o conceito da Manutenção Produtiva Total (TPM) e sua lógica de aplicação na área industrial. Descrever os oito pilares da TPM. Identificar os passos para implementação e benefícios da TPM. Introdução Com a intenção de reduzir ao máximo os tempos de parada de produção e com o objetivo de que o índice de quebras de máquinas tendesse a zero, foi desenvolvido o conceito de Manutenção Produtiva Total (TPM), que adota princípios de trabalho em equipe e melhoria contínua para a redução de falhas, buscando melhoria tanto nas práticas de manutenção quanto em processos produtivos, administrativos e de suporte. Neste capítulo, você vai estudar o conceito de Manutenção Produtiva Total com aplicação na área industrial, seus oito pilares, os passos para a sua implementação e, também, seus benefícios. Manutenção Produtiva Total A Manutenção Produtiva Total (TPM — do inglês Total Productive Mainte- nance) surgiu no Japão, na década de 1970, chegando ao Brasil por volta de 1986. Segundo Kardec e Nascif (2009), ela pode ser considerada uma fi losofi a derivada da manutenção preventiva, eliminando desperdícios, obtendo um melhor desempenho dos equipamentos, reduzindo a quantidade de interrup- ções de produção, mudando conhecimentos e habilidades dos funcionários e modifi cando a sistemática de trabalho. A TPM tem como principal objetivo a eficácia da empresa e, para isso, é preciso qualificação das pessoas e melhorias em equipamentos. Dentro da eficácia, podemos citar algumas frentes de trabalho, como a minimização de paradas de máquinas, a maximização da utilização dos equipamentos, a diminuição de despesas operacionais, o uso de novas tecnologias, etc. A filosofia TPM baseia-se em duas estratégias: redução de uso e redução de custos, aumentando a competitividade e a flexibilidade do processo produtivo. Os operadores passam a executar tarefas mais simples de manutenção, como limpeza, lubrificação, regulagem, trocas de lâmpadas e filtros, entre outros. Além disso, há um relacionamento efetivo do operador com o equipamento, criando um sentimento de “propriedade”. A manutenção executa tarefas na área da mecatrônica (mecânica, elétrica, automação, etc), enquanto os engenheiros planejam, projetam e desenvolvem equipamentos que necessitem de menos manutenção. De acordo com Seleme (2015), existem algumas habilidades que são de- sejadas em operadores, como: identificar fontes de pequenos defeitos; entender as funções e os mecanismos dos equipamentos; entender a relação entre o equipamento e as características da qualidade do produto; Manutenção Produtiva Total (TPM)2 tomar atitudes de emergência e consertar o equipamento; promover a melhoria contínua, prolongando a vida útil do equipamento. Em relação ao pessoal de manutenção: instruir a correta operação e manutenção do equipamento; identificar se o funcionamento do equipamento está normal; implementar métodos de restauração corretos; atingir os objetivos econômicos. As habilidades, segundo a filosofia TPM, podem ser classificadas em cinco fases, de acordo com o grau de conhecimento e a prática do colaborador, conforme Cyrino (2018): 1. Não sabe: falta de conhecimento ou compreensão adequada. 2. Conhece a teoria: falta de treinamento, conhece os princípios e regras, mas não consegue praticá-los. 3. Conhece até certo ponto: falta de treinamento, age na prática, mas o desempenho não atende às necessidades. 4. Consegue com segurança: tem conhecimento e aprendeu praticando. 5. Consegue ensinar: tem total domínio e é capaz de explicar os porquês e ensinar. Cada operador é avaliado conforme suas habilidades, e uma matriz é pre- enchida, como mostra a Figura 1. Nessa matriz, cada quadrado é subdividido em quatro quadrados menores, indicando as fases das habilidades. Nenhum quadrado pintado indica “não sabe”, um pintado indica “conhece a teoria”, dois pintados indicam “conhece até certo ponto”, três pintados indicam “consegue com segurança” e completamente pintado indica “consegue ensinar”. 3Manutenção Produtiva Total (TPM) Figura 1. Matriz de habilidades. Fonte: Silveira (2016, documento on-line). É importante dar o feedback para o operador, de forma a buscar melhorar os pontos fracos e manter os pontos fortes. Na visão da TPM, conforme Kardek e Nascif (2009), existem seis grandes perdas em uma fábrica, sendo que as perdas 1 e 2 se referem à disponibilidade, as perdas 3 e 4, à performance, e as perdas 5 e 6, à qualidade: Manutenção Produtiva Total (TPM)4 1. Perdas por quebras: são as perdas que mais contribuem para a queda de desempenho operacional. Podem ocorrer em função da falha repentina de um equipamento ou, então, por uma degeneração gradativa. 2. Perdas por mudança de linha: ocorrem quando há uma interrupção na linha de produção, como, por exemplo, a preparação da máquina para um novo produto, necessitando de ajustes. 3. Perdas por operação em vazio e pequenas paradas: interrupções momentâneas na produção que exigem a intervenção imediata, como sobrecarga de um equipamento causando seu desligamento ou entupimento do sistema de alimentação. 4. Perdas por queda de velocidade de produção: provocadas por condições que necessitam da redução da velocidade, como desgaste, supera- quecimento, vibração excessiva, etc. 5. Perdas por produtos defeituosos: causadas por necessidade de retrabalho ou descarte de produtos defeituosos, bem como o que foi produzido além do programado. 6. Perdas por queda de rendimento: não aproveitamento da capacidade nominal do equipamento, causadas por instabilidade operacional ou falta de matéria-prima. A filosofia TPM possui o conceito quebra zero, visto que a quebra é o fator principal na queda do rendimento operacional. Dessa forma, considera-se que a máquina não pode parar durante o período em que foi programada para operar. A eficiência é a capacidade que um equipamento tem de realizar seu trabalho de modo eficaz e com o mínimo de desperdício possível. Para mensurar a eficiência da TPM, é utilizado o indicador Eficiência Global do Equipamento (OEE — do inglês Overall Equipment Effectiveness), em que qualidade é quando um produto está de acordo com o que é esperado ou exigido; a performance é a capacidade de alcançar o resultado desejado; e disponibilidade é quando um item está em condições de executar sua função em um determinado instante ou durante um intervalo de tempo preestabelecido. 5Manutenção Produtiva Total (TPM) Os oito pilares da TPM Buscando atingir uma maior efi ciência produtiva, a TPM possui oito pilares, con- forme ilustrados na Figura 2 e detalhados a seguir, de acordo com Seleme (2015). Figura 2. Oito pilares da TPM. Fonte: Seleme (2015, p. 67). Saúde e segurança Uma das metas da TPM é zero acidente,de modo que esse pilar é de grande importância. A maioria dos operadores não são contratados para integrar a manutenção, então é importante avaliar os riscos de cada tarefa, gerar o mapa de riscos e implementar os conceitos de segurança. Educação e formação Ampliação da capacidade técnica, gerencial e comportamental, tanto da ope- ração quanto da manutenção, por instrutor qualifi cado. Os treinamentos têm efeito de longo prazo e, se realizados preliminarmente, podem potencializar os resultados da TPM. Manutenção Produtiva Total (TPM)6 Manutenção autônoma Treinando operadores para realizar tarefas básicas, é possível torná-los mais habilitados e responsáveis pelo funcionamento do equipamento. Os profi ssionais são treinados para reconhecer uma operação anormal ou o início de falhas. Algumas tarefas básicas que podem ser citadas são limpeza periódica, controle de instrumentos, lubrificação e pequenos reparos. Segundo Shigunov Neto e Scarpim (2014), a manutenção autônoma é composta por sete passos: 1. limpeza inicial; 2. eliminação das fontes de sujeira e das áreas de difícil acesso; 3. elaboração dos padrões provisórios de limpeza, inspeção e lubrificação; 4. inspeção geral; 5. inspeção autônoma; 6. padronização; 7. programa de manutenção autônoma totalmente implementado. Manutenção programada Na manutenção programada, ocorre a identifi cação das causas do problema e a implementação de soluções, de forma a melhorar a efi ciência dos equipamentos, atingindo o objetivo “quebra zero”. Shigunov Neto e Scarpim (2014) citam que esse pilar é composto por quatro fases: 1. reduzir a dispersão do tempo médio entre as falhas; 2. prolongar a vida útil dos equipamentos; 3. implementar a manutenção periódica baseada no tempo, restauração periódica das deteriorações; 4. desenvolver e implementar a manutenção preditiva, predição da vida útil dos equipamentos. 7Manutenção Produtiva Total (TPM) Manutenção da qualidade Inclui atividades com o objetivo de excluir defeitos de qualidade (programa zero defeito), com a ideia de que mesmo equipamentos perfeitos não produzem produtos perfeitos. Esse pilar utiliza uma equipe multidisciplinar a fi m de excluir variações nos processos e melhorar o desempenho. Para Shigunov Neto e Scarpim (2014), a manutenção da qualidade busca zero defeito, zero retrabalho e zero rejeito, o que reduz custos e aumenta a produtividade, mas é o pilar mais difícil de implementar. Melhorias específicas Atividades para erradicar as grandes perdas que reduzem a efi ciência do equipa- mento, como a redução de pequenas paradas e a redução de setup. Nesse pilar, tam- bém é utilizada uma equipe multidisciplinar para investigar e encontrar soluções. De acordo com Shigunov Neto e Scarpim (2014), 80% dos resultados da TPM são conseguidos por meio desse pilar. Sistemas de suporte Todos os departamentos da empresa causam impacto na produção, então os sistemas de suporte utilizam técnicas da TPM para identifi car e resolver problemas administrativos, como falta de peças, prazos excessivos, falta de padronização, entre outros. Gestão da fase inicial Nesse pilar, as equipes são criadas para avaliar cada etapa da produção, bus- cando evitar perdas no período entre o desenvolvimento do produto e o início da produção plena. Também tem como objetivo melhorar a capacidade de fabricação do produto. A equipe deve investigar o sistema completo do início ao fi m do processo, procurando maneiras de fazer melhorias. Implementação e benefícios da TPM Conforme Kardec e Nascif (2009), a implementação da TPM segue, basica- mente, as seguintes etapas: Manutenção Produtiva Total (TPM)8 1. Comprometimento da alta administração: divulgação da TPM em todas as áreas da empresa para criar conscientização e clima de colaboração. 2. Divulgação e treinamento inicial: seminário interno para gerentes de níveis superior e intermediário e treinamento de operadores para um melhor entendimento da filosofia TPM. 3. Definição do órgão responsável pela implementação: estruturação e definição das pessoas. Criação de grupos multifuncionais para acom- panhar a implementação e a efetividade. 4. Definição da política e metas: escolha das metas e dos objetivos a serem alcançados para médio e longo prazo. 5. Elaboração do plano diretor de implementação: detalhamento do plano em todos os níveis, com cronograma, desde os preparativos iniciais até a avaliação dos resultados. 6. Outras atividades relacionadas com a introdução: convite a forne- cedores, clientes e empresas contratadas. 7. Melhorias em máquinas e equipamentos: definição de áreas e equi- pamentos, bem como definição da equipe de trabalho, com o objetivo de zerar as grandes perdas. 8. Estruturação da manutenção autônoma: implementação por etapas, de acordo com o programa, com auditoria em cada etapa. 9. Estruturação do setor de manutenção e condução da manutenção preventiva: definições de peças sobressalentes, desenhos, ferramen- tas, etc. 10. Desenvolvimento e capacitação profissional: treinamentos dos en- volvidos em operação e manutenção, formação de líderes e educação de todo o pessoal. 11. Estrutura para gestão e controle dos equipamentos numa fase inicial: gestão de fluxo inicial e LCC (Life Cycle Cost). 12. Realização da TPM e seu aperfeiçoamento: candidatura ao prêmio PM e busca de objetivos mais ambiciosos. A implementação da TPM deve começar pela alta gestão até chegar ao chão de fábrica. Assim, a estrutura deve conter um comitê executivo (gerente industrial e gerentes das áreas), um comitê gerencial (supervisores), um comitê operacional (grupo com os líderes das áreas) e pequenos grupos de trabalho (colaboradores envolvidos no processo produtivo). 9Manutenção Produtiva Total (TPM) Benefícios Segundo Suzuki (1994), os benefícios da implementação da TPM podem ser divididos em tangíveis (que podem ser mensurados) e intangíveis (que não pode ser mensurado o impacto no sistema), conforme citados a seguir: Benefícios tangíveis ■ aumento da produtividade líquida; ■ redução de paradas repentinas; ■ aumento da eficiência global da planta; ■ redução nos defeitos de processos; ■ redução nas reclamações de clientes; ■ redução dos custos de produção; ■ aumento das sugestões de melhorias por parte dos funcionários. Benefícios intangíveis ■ funcionários cuidam melhor de seus equipamentos; ■ autoconfiança e atitude dos colaboradores para redução de paradas e defeitos; ■ local de trabalho mais limpo e organizado; ■ imagem de uma companhia mais organizada; ■ tendência a aumento do número de pedidos. CYRINO, L. Habilidades segundo metodologia TPM. 2018. Disponível em: <https://www.manu- tencaoemfoco.com.br/habilidades-segundo-metodologia-tpm/>. Acesso em: 23 nov. 2018. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: função estratégica. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. SELEME, R. Manutenção industrial: mantendo a fábrica em funcionamento. Curitiba: Intersaberes, 2015. SHIGUNOV NETO, A.; SCARPIM, J. A. Terceirização em serviços de manutenção industrial. Rio de Janeiro: Interciência, 2014. SILVEIRA, C. B. A capacitação técnica na manutenção produtiva total. 2016. Disponível em: <https://www.citisystems.com.br/capacitacao-tecnica-tpm/>. Acesso em: 23 nov. 2018. SUZUKI, T. TPM in process industries. Portland: Productivity Press, 1994. Manutenção Produtiva Total (TPM)10 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Para a correta implementação da Manutenção Produtiva Total (TPM), algumas etapas devem ser seguidas, garantindo uma maior eficiência nos resultados decorrentes desta filosofia. Nesta Dica do Professor, você vai ver as etapas para a implementação da TPM. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) A Manutenção Produtiva Total (TPM) tem como objetivo aumentar a eficácia da empresa e, para isso, se baseia em duas estratégias. Quais são elas? A) Redução de ativos e redução de uso. B) Redução de custos e redução de ativos. C) Redução de uso e reduçãode setores. D) Redução de setores e redução de custos. E) Redução de uso e redução de custos. 2) Na TPM, os operadores de produção realizam tarefas simples de manutenção, de modo que haja um relacionamento efetivo do operador com o equipamento, criando um sentimento de propriedade. Qual das opções a seguir apresenta duas habilidades desejadas em operadores? A) Promover a melhoria contínua e encomendar peças de reposição. B) Identificar fontes de pequenos defeitos e promover melhoria contínua. C) Selecionar a equipe de manutenção e encomendar peças de reposição. D) Entender as funções dos equipamentos e selecionar a equipe de manutenção. E) Tomar atitudes de emergência e aprovar peças defeituosas no controle de qualidade. 3) A implementação da TPM traz benefícios para a empresa, sendo que esses benefícios podem ser tangíveis ou intangíveis. Qual das opções a seguir apresenta um exemplo de benefício intangível? A) Aumento da eficiência global da planta. B) Redução dos custos de produção. C) Aumento da limpeza do local de trabalho. D) Redução de paradas repentinas. E) Aumento nas sugestões de melhorias. 4) A manutenção autônoma, um dos pilares da TPM, tem sete passos e é caracterizada pela realização de tarefas básicas por parte do operador. Das opções a seguir, qual delas representa um dos passos da manutenção autônoma? A) Aumento de custos e estoques. B) Eliminação de procedimentos. C) Redução de operadores. D) Padronização das atividades. E) Demissão da equipe de manutenção. 5) A TPM é composta por oito pilares na busca de atingir uma maior eficiência produtiva. Qual deles tem como objetivo a identificação das causas do problema e da implementação de soluções, atingindo o objetivo “quebra zero”? A) Manutenção programada. B) Melhorias específicas. C) Manutenção da qualidade. D) Sistemas de suporte. E) Manutenção autônoma. NA PRÁTICA A aplicação de técnicas da filosofia da Manutenção Produtiva Total (TPM) em uma indústria pode trazer diversos benefícios, tanto tangíveis quanto intangíveis. Esses benefícios refletem na satisfação dos funcionários, na produtividade e nos lucros da empresa. Neste Na Prática, você vai conhecer os benefícios da implementação da TPM em uma indústria de laticínios. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Conheça os fundamentos da Manutenção Produtiva Total No seguinte vídeo você vai ver mais detalhes sobre a Manutenção Produtiva Total (TPM), no qual são apresentadas informações como origem, benefícios, pilares e características da TPM. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! TPM e manutenção autônoma: estudo de caso em uma empresa da indústria metal- mecânica Leia este estudo de caso sobre a aplicação da manutenção autônoma em três centros de usinagem. Os principais resultados foram o aumento em mais de 700% no tempo médio entre falhas, a redução de mais de 40% no tempo médio até o reparo, o aumento de mais de 5% na disponibilidade das três máquinas e a redução de quase 60% no custo de materiais de manutenção. Veja a seguir. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! TEEP: cálculos e aplicações APRESENTAÇÃO Alguns indicadores podem ser utilizados para avaliar o desempenho de equipamentos no sistema de produção, dentre os quais podem ser citados o TEEP (Total Equipment Effectiveness Performance — Performance Efetiva Total do Equipamento), o OOE (Overall Operations Effectiveness — Eficiência Global da Operação) e o OEE (Overall Equipment Effectiveness — Eficiência Global do Equipamento). O uso adequado desses indicadores exige o conhecimento das suas diferenças e aplicações. Nesta Unidade de Aprendizagem, você reconhecerá as diferenças entre TEEP, OOE e OEE, aprendendo também a calcular o TEEP e a identificar a aplicação dele em alguns casos específicos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar a diferença entre TEEP, OOE e OEE.• Descrever como o TEEP é calculado.• Apontar exemplos de utilização do TEEP.• DESAFIO O cálculo do TEEP é importante para avaliar o desempenho de um equipamento gargalo no processo produtivo, além de gerar informações sobre o grau de utilização deste recurso pela empresa. Suponha que uma montadora de automóveis ainda não faz uso do TEEP para avaliar a eficiência de uma prensa no setor de estamparia. Assim, a equipe de manutenção desconhece a produtividade real do ativo e não sabe se existe a necessidade de investir na aquisição de um novo equipamento para atender à demanda existente. O gestor de manutenção levantou os dados relacionados ao uso da prensa na última semana, os quais são apresentados a seguir. A partir do que foi exposto, auxilie o gestor de manutenção no cálculo do TEEP e indique a informação que este indicador traz para a montadora. INFOGRÁFICO Embora o TEEP (Total Equipment Effectiveness Performance), o OOE (Overall Operations Effectiveness) e o OEE (Overall Equipment Effectiveness) sejam aplicados para a avaliação de desempenho dos ativos do sistema de produção, existe uma diferença principal entre eles: o tempo que cada um considera na estimativa da eficiência. Esse tempo influencia significativamente na aplicação de cada indicador. Neste Infográfico, você vai conhecer o tempo considerado por cada um desses indicadores ao avaliar o desempenho de um equipamento. Confira. CONTEÚDO DO LIVRO Que indicador utilizar para avaliar a eficiência no sistema de produção? Essa é uma questão amplamente discutida nas organizações. As boas práticas orientam que as empresas utilizem poucos indicadores e que estes sejam simples e passíveis de serem mensurados em determinado período. Existem vários indicadores que atendem aos requisitos supracitados, como o TEEP, o OOE e o OEE. Mas no que eles consistem? Compreender bem os mecanismos de avaliação de um ativo na indústria gera informações importantes sobre as perdas que incidem sobre o equipamento. No capítulo TEEP: cálculos e aplicações, da obra Manutenção industrial, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar as diferenças existentes entre o TEEP, o OOE e o OEE, assim como compreender as formas de cálculo do TEEP, acompanhando exemplos de sua aplicação. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Gabriela Fonseca Parreira Gregorio TEEP: cálculos e aplicações Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar a diferença entre TEEP, OOE e OEE. Descrever como o TEEP é calculado. Apontar exemplos de utilização do TEEP. Introdução Vários indicadores surgiram a partir do desenvolvimento da Manutenção Produtiva Total, um método de manutenção desenvolvido no Japão, na década de 1970, com o objetivo de alcançar zero falhas, zero defeitos, zero acidentes e aumentar o índice de produtividade organizacional. Dentre esses indicadores, pode-se citar o OEE (Overall Equipment Effec- tiveness — Eficiência Global do Equipamento), o TEEP (Total Effectiveness Equipment Performance — Performance Efetiva Total do Equipamento) e o OOE (Overall Operations Effectiveness — Eficiência Global das Operações). Embora apresentem algumas semelhanças, são indicadores distintos, uma vez que consideram parâmetros/variáveis diferentes ao avaliar a performance de um ativo ou de uma operação. Neste capítulo, você conhecerá as diferenças entre TEEP, OOE e OEE, aprenderá como é calculado o TEEP e verificará a aplicação do TEEP em alguns estudos de casos. TEEP, OOE e OEE: diferenças A efi ciência, de forma geral, pode ser defi nida como a relação entre os re- sultados obtidos e os resultados esperados. Existem vários indicadores que podem ser utilizados para mensurar a efi ciência de um ativo/equipamento, de um processo ou de um sistema de produção. O rendimento de um ativo diz muito sobrea eficiência do mesmo. Segundo Antunes et al. (2009), o índice operacional global de um ativo pode ser ava- liado por meio da razão entre o tempo de valor agregado e tempo total para se realizar a produção no equipamento. Ainda segundo os autores, esse tempo total pode ser definido segundo a necessidade de utilização do equipamento, ou seja, esse tempo total pode sofrer alterações se o recurso produtivo for considerado, ou não, o gargalo. O TEEP (Performance Efetiva Total dos Equipamentos) e o OOE (Eficiência Global das Operações) são indicadores de avaliação de eficiência derivados do OEE (Eficiência Global do Equipamento). Embora todos os indicadores considerem as seis grandes perdas que podem incidir sobre um ativo, conforme proposto por Nakagima (NAKAGIMA, 1988) — quebras, setups, pequenas paradas, redução de velocidade, retrabalho e queda de rendimento —, existem algumas diferenças relacionadas aos seus cálculos e aplicações. O OEE é um indicador que mede a eficiência de ativo não restritivo do processo produtivo, ou seja, deve ser utilizado para avaliar a performance de recursos não gargalos. Trata-se de um método cada vez mais popular para medir a eficácia de itens individuais de equipamentos de processos produtivos e considera três aspectos de desempenho (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2007): tempo em que o ativo encontra-se disponível para exercer as funções requeridas; velocidade ou tempo de ciclo do equipamento, que é o tempo necessário para a produção de uma unidade do produto; qualidade do serviço ou produto fabricado. Segundo Antunes et al. (2009), o OEE pode ser medido por meio da relação entre o tempo de valor agregado e o tempo total disponível, que é o tempo total menos o tempo das paradas programadas. O TEEP é um indicador utilizado para avaliar a performance de um recurso crítico ou recurso gargalo (recurso que limita os ganhos de um processo) e também é conhecido como Produtividade Total Efetiva do Equipamento. Segundo Gasperin e Palomino (2006), a ideia é que o tempo disponível de um recurso gargalo deve ser o tempo total, ou seja, sobre o mesmo não deve incidir nenhum tipo de parada programada. TEEP: cálculos e aplicações2 Segundo Antunes et al. (2009), o TEEP pode ser avaliado pela razão entre o tempo de valor agregado e o tempo total, ou seja, 24 horas por dia, todos os dias do ano. O OOE considera, na avaliação da eficiência, o tempo total da operação para produção, desconsiderando algumas paradas (refeições, entre outras), ou seja, considera integralmente a duração do(s) turno(s) de trabalho programados para produzir. Se uma empresa opera em um turno de 8 horas, o OOE será medido em função dessas 8 horas. Assim, o OOE pode ser medido em função da relação entre o tempo de valor agregado e o tempo total programado. O Quadro 1 sintetiza as diferenças entre os tempos considerados na ava- liação de OEE, TEEP e OOE. Indicador OEE TEEP OOE Tempo considerado Tempo disponível para operar (tempo total menos horário não planejado e horário não alocado) Tempo total (24 horas por dia, todos os dias do ano) Tempo programado (tempo total do(s) turno(s) de trabalho) Quadro 1. Diferenças entre os tempos utilizados para o cálculo de OEE, TEEP e OOE Todos os indicadores supracitados podem indicar pontos de melhoria no ativo por meio da redução de uma ou mais das seis perdas que podem incidir sobre o mesmo. Enquanto o OEE apresenta a capacidade do ativo de produzir itens bons considerando o tempo disponível, o TEEP indica quanto da capa- cidade máxima do ativo foi utilizada para produzir itens bons, e o OOE mede quanto da capacidade relacionada ao tempo de operação do ativo foi utilizada para produzir produtos que atendem às especificações. 3TEEP: cálculos e aplicações Como interpretar os indicadores OEE, OOE e TEEP Um OEE de 80% indica que o ativo produziu 80% de produtos conformes conside- rando o período em que o mesmo permaneceu disponível (tempo total menos as pardas programadas). Um OOE de 70% em uma empresa que opera em um turno de 8 horas que indica que o ativo produziu 70% de produtos conformes considerando o tempo de operação (tempo total que o mesmo poderia ser utilizado de acordo com a programação de funcionamento da empresa, ou seja, as horas). Um TEEP de 60% indica que o equipamento produziu 60% de produtos conformes considerando todo o tempo que poderia ser utilizado (24 horas por dia, todos os dias do ano). Como o TEEP é calculado O TEEP (Performance Efetiva Total de um Equipamento ou Produtividade Real de um Equipamento) avalia a performance do ativo em função do tempo total, 24 horas por dia, todos os dias do ano. Assim, pode ser medido ao dividir o tempo de valor agregado aos produtos pelo tempo total, conforme expresso nas equações 1 e 2 (ANTUNES et al., 2009): Onde: tpi = taxa de processamento do item “i” no equipamento (unidade de tempo por unidade de produção); qi = quantidade produzida do item “i” no equipamento (unidade de produção); Ttotal = tempo total. TEEP: cálculos e aplicações4 O TEEP pode ser calculado, também, por meio da multiplicação dos índices de disponibilidade, performance, qualidade e utilização de um ativo. A seguir, estão as explicações de cada um desses índices (FONSECA, 2017): Disponibilidade: percentual de tempo durante o qual o equipamento permaneceu disponível para executar a função requerida. Performance: avalia a velocidade com a qual o ativo produziu deter- minado item. Qualidade: percentual de produtos que atendem às especificações para as quais foram produzidos. Utilização: relação entre o tempo programado para produzir e o tempo total. Cada um dos índices supracitados pode ser medido por meio das equações 3, 4, 5, e 6, apresentadas a seguir (ANTUNES et al., 2009; FONSECA, 2017): Assim, o TEEP pode ser expresso por meio da equação 7: Segundo Antunes et al. (2009), o índice de TEEP irá variar entre 0 e 1 e pode ser expressado em termos percentuais. Exemplos de utilização do TEEP A seguir, são apresentados alguns exemplos de aplicação das fórmulas para cálculo do TEEP indicadas neste texto. 5TEEP: cálculos e aplicações Exemplo 1 de aplicação do TEEP Considere um equipamento que é o gargalo de um processo e opera em dois turnos de 8 horas por dia, 5 dias por semana. Durante esse período, o ativo fi cou sem operar durante 20 minutos por dia devido à necessidade de setups e 80 minutos em um dia devido a uma quebra. O equipamento produziu 120 peças por dia, e o tempo padrão ou tempo de ciclo do mesmo é de 4,5 minutos. Após inspecionadas, 47 peças por semana retornaram ao equipamento por problemas relacionados à qualidade. Disponibilidade Tempo programado: 16 (horas/dia) x 5(dias/semana) x 60 (minutos/dia) = 4800 minutos/semana Tempo operacional: 4800(minutos/semana) - (20 (minutos/dia) x 5 (dias por semana) + 80 (minutos)) = 4620 minutos/semana Performance Qualidade TEEP: cálculos e aplicações6 Utilização Assim: Exemplo 2 de aplicação do TEEP Uma impressora de mesa grande utilizada por uma gráfi ca apresenta um tempo de ciclo de 0,5 minutos. O equipamento imprimiu 1400 páginas em um dia, das quais 17% saíram borradas e, por esse motivo, não atenderam às especifi cações. A impressora é o recurso restritivo da gráfi ca. No numerador, avalia-se o tempo total gasto para a produção dos produtos bons, ou seja, dos produtos que atenderam às especificações. No denominador, encontra-se o tempo total do equipamento no dia. 7TEEP: cálculos e aplicações ANTUNES, J. et al. Sistemas de Produção: conceitos e práticas para projeto e gestão da produção enxuta. Porto Alegre: Bookman, 2009. FONSECA, A. C. R. OEE: aplicação transversal do indicador de gestão a empresa multina- cional de componentes automóveis. Dissertação (Mestrado integrado de Engenharia e Gestão Industrial) - Universidade do Porto, Porto, 2017. GASPERIN,C.; PALOMINO, R. C. Aplicação do índice de eficiência global dosequipamen- tos numa indústria metal-mecânica de pequeno porte. In: SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 13., 2006, Bauru. Anais.... Bauru: Unesp, 2006. Disponível em: <http:// www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/211.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2018. NAKAJIMA, S. Introduction to TPM: Total Productive Maintenance. Cambridge: Produc- tivity Press, 1988. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007. Leitura recomendada PALOMINO, R. C.; MANICA, C. R.; MIRANDA, B. B. Incremento na produção através do índice OEE: um estudo de caso em uma empresa fabricante de luminárias para lâmpadas fluorescentes. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 30., 2012, São Carlos. Anais... Rio de Janeiro: ABEPRO, 2012. Disponível em: <http://www.abepro. org.br/biblioteca/enegep2010_TN_STO_113_745_15548.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2018. TEEP: cálculos e aplicações8 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Avaliar a eficiência dos ativos é importante para que os setores de manutenção e produção façam o planejamento de suas atividades. No entanto, essa avaliação exige o conhecimento das diferenças entre os vários indicadores existentes. Enquanto alguns são mais utilizados pelo nível estratégico, outros fazem mais sentido para os níveis táticos e operacionais. Enquanto alguns avaliam a eficiência do recurso gargalo, outros são mais adequados para medir o desempenho de recursos não restritivos. Sendo assim, é importante conhecer os indicadores, assim como as suas diferenças e aplicações. Nesta Dica do Professor, você vai ver as diferenças de conceito, uso e informações geradas pelos indicadores TEEP, OOE e OEE. Acompanhe. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O TEEP (Total Equipment Effectiveness Performance) é calculado considerando quatro índices: disponibilidade, performance, qualidade e utilização. Sobre esses índices, é correto afirmar que: A) o índice de utilização é a relação entre o tempo operacional e o tempo total ou tempo calendário. B) o índice de disponibilidade avalia o tempo que o equipamento permaneceu disponível para a produção em relação ao tempo total. C) o índice de performance avalia a quantidade de produtos realmente produzidos em relação à capacidade máxima efetiva do equipamento no tempo programado de produção. D) o índice de qualidade refere-se ao percentual de produtos produzidos que não atendem aos padrões de qualidade pré-estabelecidos pela organização. E) o índice de utilização é a relação entre o tempo programado para produzir e o tempo total ou tempo calendário. 2) Inúmeras variáveis impactam na produtividade real de um equipamento ou TEEP. Enquanto algumas contribuem com o aumento do indicador, outras pioram significativamente este índice. Sobre essas variáveis, pode-se afirmar que: A) quanto menor o tempo operacional em relação ao tempo programado, maior o índice de disponibilidade e, assim, maior o TEEP. B) quanto maior o índice de produtos fabricados que não atendem às especificações, maior o índice de qualidade e maior o TEEP. C) quanto maior a velocidade real do equipamento ou quanto mais a velocidade real se aproximar da velocidade nominal, maior o TEEP. D) quanto maior o tempo total ou tempo calendário, maior o TEEP. E) quanto maior a quantidade de produtos produzidos em determinado período de tempo, maior o TEEP, independentemente dos produtos atenderem ou não às especificações. 3) Considere que um ativo opera em dois turnos de 8 horas. Durante esse período, o ativo operou todo o tempo. Foram produzidas 700 unidades de produtos em um dia no ativo que apresenta um tempo de ciclo de 1,2 minutos. Cerca de 27% dos produtos produzidos foram refugados por problemas relacionados à qualidade. O TEEP do equipamento é: A) 42,6%. B) 58,3%. C) 87,5%. D) 63,9%. E) 19,7%. 4) Os indicadores TEEP (Total Equipment Effectiveness Performance) e OOE (Overall Operations Effectiveness) são derivados do OEE (Overall Equipment Effectiveness). Embora todos esses indicadores mensurem a performance de um ativo, existe uma diferença entre o tempo considerado por cada um deles. Sobre a relação entre esses indicadores e esses tempos, é correto o que se afirma em qual das alternativas? A) O OOE avalia a eficiência de um ativo em função do tempo calendário, que é o tempo total dos turnos de trabalho que a empresa opera. B) O OEE avalia a eficiência de um ativo por meio do tempo operacional, que é o tempo que o ativo permaneceu disponível para exercer a função requerida. C) O TEEP avalia a eficiência de um ativo por meio do tempo que este permaneceu disponível para a produção. D) O TEEP avalia a eficiência em função do tempo total ou tempo calendário, que considera todo o período de tempo, ou seja, 24 horas, todos os dias. O OEE avalia a eficiência de um ativo em função do tempo total que este poderia ser E) utilizado pela operação. 5) Um equipamento, que é o gargalo de um processo, opera em um turno de 8 horas por dia. Durante esse período, o ativo ficou sem operar 10 minutos por dia devido à necessidade de setups e 20 minutos devido a uma quebra. O equipamento produziu 80 peças por dia e o tempo padrão ou tempo de ciclo deste é de 5,5 minutos. Após inspecionadas, 27 peças por semana retornaram ao equipamento por problemas relacionados à qualidade. O TEEP do equipamento é: A) 60,7%. B) 20,2%. C) 91,7%. D) 30,9%. E) 64,8%. NA PRÁTICA O cálculo dos indicadores de eficiência/performance de um equipamento gera uma série de informações úteis ao tomador de decisão, como, por exemplo, as perdas que estão incidindo sobre o ativo, quando da capacidade máxima está sendo utilizada na produção de produtos conformes, necessidade de investimento em novos equipamentos ou ampliação dos turnos de trabalho, etc. A empresa de móveis G&V precisa avaliar a performance do gargalo do processo, o qual é a serra seccionadora. No entanto, o responsável não sabe qual indicador utilizar, nem como mensurar esta eficiência. Neste Na Prática, você vai ver como o responsável decidiu avaliar a performance dessa serra. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Análise da eficiência produtiva na indústria automotiva: integrando teoria das restrições e o índice de rendimento operacional global (IROG) No link a seguir, você vai ter acesso a um artigo sobre a aplicação da TEEP na análise da eficiência da indústria automotiva. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O índice de rendimento operacional global e a troca rápida de ferramentas aliadas à eficiência de uma aplicadora de adesivos Acesse o link a seguir e leia um artigo sobre a aplicação do índice de rendimento global para a avaliação de desempenho em uma aplicadora de adesivos. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Introdução ao OEE — Eficiência Global de Equipamentos APRESENTAÇÃO Os indicadores de desempenho auxiliam no controle do plano de manutenção e mostram o quão assertivas foram as ações de monitoramentos, trocas, reparos e restaurações, considerando as metas organizacionais. Assim, cada empresa deve selecionar os indicadores mais adequados à sua estratégia. Um indicador amplamente utilizado pelo setor de manutenção é denominado OEE — Overall Equipment Effectiveness e tem o objetivo de mensurar a eficiência global de um equipamento do sistema de produção. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender o conceito do OEE, verá como identificar os benefícios e a importância desse indicador e ainda vai conhecer as classificações do OEE de acordo com a abrangência do sistema de produção. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o conceito de Eficiência Global de Equipamentos (OEE). • Enumerar os benefícios e a importância da OEE.• Descreveras classificações da OEE quanto à abrangência do sistema produtivo.• DESAFIO Diante da existência de inúmeros indicadores de desempenho, as empresas precisam selecionar aqueles que mais se adequam às suas metas organizacionais, os KPIs (Key Performance Indicators). Alguns KPIs que mensuram eficiência vêm sendo amplamente utilizados pela indústria. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Explique como o profissional pode encontrar as respostas para as seguintes questões: a) Como proceder para identificar o ativo com a menor eficiência no processo? b) Quais perdas contribuem com a redução da eficiência do equipamento? c) Qual ferramenta pode ser utilizada para auxiliar o responsável pela manutenção a identificar a(s) causa(s) dessas perdas? INFOGRÁFICO Para estimativa e interpretação adequada da Eficiência Global do Equipamento (OEE), mostra- se necessário conhecer e diferenciar alguns tempos que influenciam no cálculo do indicador. Neste Infográfico, você vai identificar esses tempos e aprender o conceito de cada um deles. CONTEÚDO DO LIVRO As metas organizacionais orientam a elaboração do plano de manutenção. No entanto, planejar e não controlar a execução das ações dificulta o gerenciamento da manutenção. Os indicadores de desempenho têm a função de permitir a avaliação das ações implantadas na indústria. Alguns indicadores, como o OEE (Eficiência Global do Equipamento), consolidam uma série de informações importantes que auxiliam no processo de tomada de decisão. No capítulo Introdução ao OEE - Eficiência Global de Equipamentos, da obra Manutenção industrial, você vai aprender o conceito desse indicador e saberá como identificar as vantagens de sua aplicação. Você ainda vai conhecer suas classificações de acordo com a abrangência do sistema de produção. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Gabriela Fonseca Introdução ao OEE — Eficiência Global de Equipamentos Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o conceito de Eficiência Global de Equipamentos (OEE). Enumerar os benefícios e a importância do OEE. Descrever as classificações do OEE quanto à abrangência do sistema produtivo. Introdução Existem muitos indicadores de desempenho que podem ser utilizados pela equipe de manutenção na elaboração do PCMO (Planejamento, Organização e Controle da Manutenção). No entanto, alguns merecem destaque pelo conjunto de informações que fornecem aos gestores. O OEE é um indicador de manutenção importante, uma vez que busca medir a eficiência dos ativos que compõem o processo produtivo. Surgiu com o objetivo de estabelecer metas e permitir o acompanha- mento da evolução do desempenho dos equipamentos em empresas que adotavam o TPM (Manutenção Produtiva Total). Segundo Pinto e Xavier (2012), o TPM busca a eficácia da empresa por meio da maior qualificação dos profissionais e da introdução de melhorias nos equipa- mentos. Nesse sentido, O OEE pode auxiliar no controle e na avaliação do alcance desse objetivo. Neste capítulo, você aprenderá o que é o OEE (Eficiência Global de Equipamentos), analisará os benefícios e a importância de sua implantação como um indicador de desempenho na empresa e co- nhecerá as suas classificações, considerando a abrangência do sistema de produção. Eficiência Global de Equipamentos (OEE) O OEE (Overall Equipment Effectiveness — Efi ciência Global de Equi- pamentos) é um indicador de desempenho dos equipamentos do processo produtivo que considera todos os impactos causados na operação derivados da indisponibilidade de seus recursos físicos (CORRÊA; CORRÊA, 2017). Segundo Slack, Chambers e Johnston (2002), essa medida tem-se tornado cada vez mais popular ao julgar os itens individuais de equipamentos de operações produtivas. O indicador OEE foi introduzido por Nakajima, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do TPM (Manutenção Produtiva Total), como uma medida importante para a avaliação da performance de um ativo. É amplamente utilizado em empresas que adotam sistema de produção enxuta (lean manu- facturing), mas não está restrito às mesmas (OEE, 2018). O objetivo do OEE é proporcionar dados suficientes para o processo de tomada de decisão com o intuito de obter o melhor aproveitamento possível em relação ao tempo total programado para produção (PARIS, 2016). O OEE baseia-se em três índices (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002): tempo de ciclo, que está relacionado à velocidade ou à taxa de atraves- samento do equipamento; qualidade do produto ou serviço ofertado pela organização; tempo em que o equipamento se encontra disponível para operar. Ainda segundo Slack, Chambers e Johnston (2002), o desempenho do equipamento depende do alcance de altos níveis de performance nos três índices supracitados, ou seja, depende da melhoria na taxa de atravessamento do equipamento, da qualidade do produto e do aumento do tempo disponível para operar. Introdução ao OEE — Eficiência Global de Equipamentos2 A Figura 1 apresenta a relação entre disponibilidade, desempenho, qua- lidade e o OEE. Figura 1. Relação entre disponibilidade, desempenho, qualidade e OEE. Percebe-se, a partir da Figura 1, que o OEE é produto da disponibilidade, do desempenho e da qualidade do ativo. Cada um desses itens será explicado a seguir: Índice de disponibilidade: considera paradas por falhas, por setups e/ ou por necessidades de ajustes no equipamento. Índice de performance: leva em conta as perdas de ritmo causadas por problemas nos recursos (redução de velocidade, atrasos, aumento no tempo de ciclo). Índice de qualidade: leva em conta produtos fora de especificação que tiveram origem em falhas nos ativos. 3Introdução ao OEE — Eficiência Global de Equipamentos Um OEE de 70%, por exemplo, indica que a máquina tem 70% de capacidade de produzir produtos de qualidade durante um período em relação ao tempo de produção programado para o ativo. Segundo Hansen (2001) apud Rabelo (2016), uma classificação global orienta a análise do OEE, sendo: Índice menor que 65%: inaceitável, o processo deverá sofrer ações o quanto antes. Índice entre 65% e 75%: processo considerado bom. Índice entre 75% e 85%: processo considerado muito bom. Índice acima de 85%: empresa de classe mundial. Sabe-se que, muitas vezes, o contexto operacional real difere-se do contexto operacional ideal. Assim, o OEE traz para o nível do equipamento a diferença entre o estado ideal e o estado real e faz uma medição do ativo de forma individual, ou seja, não considera suas relações com outros equipamentos e pessoas da organização (PARIS, 2016). Benefícios e importância do OEE O OEE é um indicador simples e fácil de ser mensurado quando a empresa dispõe de todos os dados necessários. Permite que a empresa visualize as perdas relacionadas à operação de determinado equipamento e, assim, possibilita o planejamento de ações que contribuam com a redução de desperdícios. A redução ou eliminação de desperdícios contribui com o aumento da produtividade industrial por meio da otimização da utilização dos recursos físicos presentes no sistema de produção. Segundo Nakajima (1989) apud Paris (2016), o OEE procura revelar os custos ocultos na empresa. A Figura 2 apresenta a relação entre o indicador OEE e o aumento da produtividade industrial. Introdução ao OEE — Eficiência Global de Equipamentos4 Figura 2. Relação entre o OEE e o aumento da produtividade. Muitas indagações importantes para a indústria podem ser respondidas por meio do OEE, como (OEE, 2018): Quão efetivamente o ativo foi utilizado? Quantos itens de acordo com a especificação o equipamento produziu em relação à quantidade de itens bons que ele tinha a capacidade de produzir? Quão veloz o equipamento foi ao produzir determinado item? Outras grandes contribuições que retratam a importância do OEE são: Permite identificaro recurso com menor eficiência ao longo do processo produtivo, sendo o recurso com a menor eficiência o gargalo do sistema e é ele que determina o rendimento do processo. Aumentar a eficiência do gargalo é fundamental para melhoria nos resultados organizacionais. Assim, eles devem ter prioridade diante do planejamento de manutenção. Orienta quanto ao local das perdas reais e potenciais. Permite quantificar o grau de melhoria do ativo ao longo do tempo, possibilitando a avaliação de sua evolução. Assim, pode-se medir os resultados das ações implementadas. 5Introdução ao OEE — Eficiência Global de Equipamentos Embora o indicador apresente inúmeras vantagens, existem algumas li- mitações relacionadas à sua aplicação. O Quadro 1, a seguir, sintetiza os benefícios e as limitações relacionados ao OEE. Fonte: Adaptado de Busso e Miyake (2013). Benefícios Limitações Possibilita a análise de proble- mas de produção ou manu- tenção e consequente atuação na causa raíz (JEONG; PHILLIPS, 2001); Possibilita a identificação de má- quinas que devem ser foco de atividades de gestão da manu- tenção (BAMBER et al., 2003); Permite comparação interna en- tre as máquinas de uma mesma planta (BAMBER et al., 2003); e Registros de paradas para iden- tificação das perdas permitem a complementação dos planos de manutenção já existentes (CHAND; SHIRVANI, 2000). Quando aplicado a um escopo maior que uma única máquina (linha de produção ou planta), não direciona adequadamente as ações para me- lhoria contínua (BRAGIA; FROSOLINI, ZAMMORI, 2009); Não fornece visão sistêmica das perdas do negócio, pois não con- sidera interações além do equipa- mento (JONSSON; LESSHAMMAR, 1999); A utilização somente do OEE pode definir responsabilidades para a área de produção que não necessaria- mente são da mesma (LJUNGBERG, 1998); e Dificuldade de reconhecer outras perdas com base na taxonomia das seis grandes perdas do OEE (JEONG; PHILLIPS, 2001). Quadro 1. Benefícios e limitações relacionadas ao OEE Diante de um equipamento com OEE não satisfatório, identificar as causas das perdas é fundamental. Assim, algumas ferramentas podem auxiliar nesse processo, como o Diagrama de Ishikawa, que orienta quanto às causas potenciais de determinados problemas. Segundo essa ferramenta, as causas que conduzem a determinado efeito podem estar relacionadas a: mão de obra, meio ambiente, método, medida, máquinas, material. Introdução ao OEE — Eficiência Global de Equipamentos6 Classificações da OEE quanto à abrangência do sistema produtivo O OEE estima a efi ciência do equipamento por meio da análise de 6 perdas (NAKAJIMA, 1988 apud PIRAN et al., 2015): perdas por quebras; perdas por ociosidade; perdas por pequenas paradas; perdas por redução de velocidade; perdas por problemas de qualidade; perdas por redução de rendimento. Trata-se de um indicador específico para avaliação da eficiência do equipa- mento e não considera a interação desse com outros ativos do processo e nem com as pessoas/operadores, ou seja, é um indicador de abrangência limitada. Dessa forma, algumas variações do OEE podem suprir as carências que ele apresentada. Nesta seção, serão apresentadas algumas variações do OEE que ampliam a abrangência do sistema produtivo e que consideram além do equipamento isolado, ou seja, o conjunto de ativos e suas inter-relações (BUSSO; MIYAKE, 2013). Enquanto o OEE apresenta a eficiência global de um equipamento, outros indicadores podem apresentar a eficiência de uma linha ou célula de produção e a eficiência de toda a fábrica/planta. Assim, cada indústria, de acordo com os dados disponíveis e com as ne- cessidades relacionadas ao PCMO (Planejamento, Organização e Controle da Manutenção), devem selecionar os indicadores mais aqeuados. A Figura 3 apresenta algumas classificações do OEE. Figura 3. Indicadores derivados do OEE. 7Introdução ao OEE — Eficiência Global de Equipamentos A Figura 4 apresenta a abrangência do sistema produtivo e o indicador mais adequado para a avaliação do seu desempenho. Figura 4. Indicador utilizado de acordo com a abrangência do sistema de produção Fonte: Busso e Miyake (2013, p. 211). Overall Equipment Effectiveness of a Manufacturing Line (OEEML) Quando máquinas e equipamentos atuam em conjunto em uma linha de ma- nufatura, o OEE isoladamente não é aceitável para avaliar a performance do sistema de forma integral, sendo necessário recorrer ao uso de outro indicador denominado Efi cácia Global de uma Linha de Manufatura — OEEML (Overall Equipment Effectiveness of a Manufacturing Line) (PROENÇA, 2011). Braglia, Frosolini e Zammori (2009) apud Busso e Miyake (2013) definem o OEEML como um indicador de desempenho que, além das perdas de dis- ponibilidade e qualidade, considera as seguintes perdas: perdas originadas por problemas de abastecimento de matéria-prima na linha; perdas relacionadas às ineficiências da restrição do processo (gargalo), ou seja, perdas geradas pelo recurso que limita a capacidade do processo produtivo; perdas por paradas programadas de manutenção. Assim, o OEEML é um indicador mais amplo que o OEE, uma vez que avalia o desempenho da linha de manufatura, e não apenas de um equipamento. Introdução ao OEE — Eficiência Global de Equipamentos8 Overall Factory Effectiveness (OFE) A Efi cácia Global da Fábrica — OFE (Overall Factory Effectiveness) é um indicador sistêmico que avalia o desempenho considerando as interações entre os diversos ativos que compõem o processo e as decisões tomadas pelos diversos sistemas e subsistemas (OECHSNER et al., 2003 apud BUSSO; MYAKE, 2013). Segundo Muchiri e Pitelon (2008) apud Busso e Myake (2013), embora existam iniciativas, ainda não existe uma padronização dos índices a serem considerados no cálculo do OFE, ou seja, as métricas utilizadas pelas fábricas para avaliar sua eficácia global podem ser definidas por cada uma, de acordo com suas metas. BUSSO, C. M.; MIYAKE, D. I. Análise da aplicação de indicadores alternativos ao Overall Equipment Effectiveness (OEE) na gestão do desempenho global de uma fábrica. Produção, v. 23, n. 2, p. 204-225, 2013. Disponível em: <http://www.redalyc.org/articulo. oa?id=396742052001>. Acesso em: 11 nov. 2018. CORRÊA, C. A.; CORRÊA, L. H. Administração de produção e operações: manufatura e serviços, uma abordagem estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2017. OEE. O que é OEE. 2018. Disponível em: <http://www.oee.com.br/o-que-e-oee/>. Acesso em: 11 nov. 2018. PARIS, L. Overall Equipment Effectiveness – OEE: necessário, mas não suficiente, uma análise integrando o OEE e a Data Envelopment Analysis – DEA. 2016. 195 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2016. Disponível em: <http://www.repositorio.jesuita.org.br/bitstream/han- dle/UNISINOS/6036/Ala%C3%A9rcio%20de%20Paris_.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 11 nov. 2018. PINTO, A. K.; XAVIER, J. A. N. Manutenção: função estratégica. 4. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2012. PIRAN, F. A. S. et al. A utilização do índice de rendimento operacional global (IROG) na gestão dos postos de trabalho: estudo aplicado em uma empresa do segmento metal mecânico. Espacios, v. 36, n. 24, 2015. Disponível em: <http://www.revistaespacios.com/ a15v36n24/15362414.html>. Acesso em: 11 nov. 2018 PROENÇA, E. T. Método para monitoramento do OEE em tempo real e a cadeia de ajuda como apoio a estratégia da manufatura enxuta. 2011. 144 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/83666>. Acesso em: 11 nov. 2018. 9Introdução ao OEE — Eficiência Global de Equipamentos RABELO, G. M. Estudo e Análise do Indicador Overall Equipment Effectiveness of a Manu- facturing Line Aplicado em uma Empresa de Autopeças. 2016. 88 f. Dissertação (Mestradoem Engenharia Mecânica) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2016. Disponível em: <http://repositorio.unicamp.br/jspui/bitstream/REPOSIP/321237/1/ Rabelo_GilmaraMachado_M.pdf>. Acesso em: 11 nov. 2018. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da produção. 2. ed. São Paulo, Atlas, 2002. Introdução ao OEE — Eficiência Global de Equipamentos10 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR O OEE e suas classificações são indicadores simples, que geram uma série de informações para o processo de tomada de decisão. Estruturar e sistematizar ações para sua implantação pode auxiliar a equipe de manutenção. Nesta Dica do Professor, você conhecerá algumas sugestões para implantação do OEE e suas classificações na indústria. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O indicador OEE (Eficiência Global do Equipamento) mede o desempenho de um ativo no sistema de produção. É um indicador amplamente utilizado na indústria desde a década de 1980. Sobre esse indicador, é correto o que se afirma em: A) Esse indicador é adequado para avaliar o desempenho de um ativo em empresas. No entanto, seu uso é restrito às indústrias que adotam sistema de produção enxuta. B) Sua estimativa está baseada em três índices, sendo eles: disponibilidade, desempenho e performance. C) O índice de disponibilidade, utilizado para mensurar o OEE, considera as perdas relacionadas à redução na velocidade do ativo e atrasos. D) O índice denominado performance, utilizado para mensurar o OEE, considera as perdas relacionadas às setups e paradas por falhas. E) O OEE pode ser estimado considerando o tempo de ciclo ou taxa de atravessamento do equipamento, a qualidade dos produtos e o tempo que o equipamento encontra-se disponível para operar. 2) Existem vários indicadores que podem ser utilizados para avaliar o desempenho dos ativos e suas inter-relações no sistema de produção. Esses indicadores podem ser quantificados e utilizados pelas empresas de acordo com as metas da Engenharia de Manutenção. Sobre esses indicadores, pode-se afirmar: A) A eficácia global de uma planta apresenta a performance da fábrica considerando as interações entre os equipamentos, as decisões/ações e as pessoas que compõem o processo de produção. B) A eficácia global da fábrica considera, além das perdas de disponibilidade e qualidade, aquelas relacionadas a problemas de abastecimento de matéria-prima na linha, às ineficiências do gargalo e perdas por paradas programadas de manutenção. C) A eficiência global de um equipamento avalia a performance de um equipamento na organização e de suas interações com os outros ativos e pessoas. D) A eficácia global de uma linha de manufatura permite avaliar o desempenho, considerando as interações entre os diversos ativos que compõem o processo e as decisões tomadas pelos diversos sistemas e subsistemas. E) A eficiência global de um equipamento considera as perdas relacionadas à ausência de matéria-prima, ao gargalo do processo e às paradas de manutenção programadas. 3) O uso do OEE pode trazer benefícios para a empresa. Dentre esses benefícios, é correto o que se afirma em: A) Permite avaliar a eficiência de um processo produtivo, apresentando problemas reais e potenciais. B) Permite avaliar a eficiência da fábrica e orienta quanto às causas raízes dos problemas. C) Fornece visão sistêmica das perdas existentes na empresa. D) Permite concentrar esforços em máquinas que devem ser prioridade de atuação da manutenção. E) Contribui com a eliminação de 8 grandes perdas, o que constitui o objetivo da manutenção produtiva total. 4) Embora seja amplamente utilizado na indústria, o OEE apresenta algumas restrições. É uma limitação desse indicador: A) Não possibilita a análise de problemas de produção. B) Não possibilita identificar máquinas que devem ser o foco das ações de manutenção. C) Não permite visão sistêmica das perdas, uma vez que não avalia a interação entre os ativos. D) Não permite a comparação entre máquinas de uma mesma unidade industrial. E) Não permite complementar os planos de manutenção existentes. 5) Considere que um ativo de uma indústria apresente um OEE de 77%. Sobre esse índice, pode-se interpretar que: A) A linha de manufatura tem uma eficiência de 77%, ou seja, esse processo é capaz de produzir 77% de itens bons, durante determinado período, em relação ao tempo planejado. B) A planta apresenta uma eficiência de 77%, ou seja, esse processo é capaz de produzir 77% de itens bons, durante determinado período, em relação ao tempo planejado. C) O ativo apresenta uma capacidade de produção de 77% em relação ao tempo total. D) Existe uma perda de capacidade do equipamento de 23% em relação ao tempo programado de produção. E) O processo apresenta uma capacidade de produção de 77% em relação ao tempo total. NA PRÁTICA A interpretação adequada dos indicadores é premissa para a condução das ações de manutenção. Reconhecer as informações que podem ser geradas por meio de determinado índice, a fim de conduzir as melhorias no sistema de produção, exige uma equipe de manutenção devidamente capacitada. Em relação ao OEE, surgem questões como: o que significa um equipamento apresentar um OEE de 65%? Qual é o índice de OEE ideal para sua empresa? O responsável pela manutenção na empresa Suita Indústria e Comércio Ltda. tem dúvidas relacionadas à interpretação do OEE. Veja, neste Na Prática, como analisá-lo. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: O uso do indicador OEE como ferramenta na tomada de decisões em uma indústria gráfica Leia o artigo a seguir e saiba mais sobre como o OEE pode auxiliar no processo de tomada de decisão. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Análise da aplicação de indicadores alternativos ao Overall Equipment Effectiveness (OEE) na gestão do desempenho global de uma fábrica Leia este artigo e conheça algumas derivações do OEE que podem ser utilizadas para avaliar a eficiência de sistemas produtivos. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Overall Equipment Effectiveness (OEE) No texto a seguir, você poderá conferir como é simples avaliar o desempenho de um equipamento por meio do OEE. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! OEE: análise de perdas APRESENTAÇÃO A análise de perdas do equipamento é uma atividade que compete aos setores de manutenção e produção. Trata-se de uma atribuição importante para a melhoria dos resultados organizacionais, uma vez que impacta no desempenho do processo de produção. Um ativo do sistema de produção pode estar sujeito a inúmeras perdas devido às falhas que permeiam o contexto operacional. Algumas podem contribuir ainda mais com a redução da eficiência global do equipamento (OEE) e, por esse motivo, precisam ser priorizadas. Nesta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá sobre as seis grandes perdas dos equipamentos, reconhecerá a qual categoria cada perda pertence e identificará uma ferramenta que pode auxiliar na priorização das ações de manutenção. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever as seis grandes perdas dos equipamentos.• Categorizar e exemplificar as seis grandes perdas.• Classificar ações prioritárias para melhoria dos resultados do OEE.• DESAFIO A análise de perdas é uma ação importante para o planejamento de ações de manutenção, com o objetivo de redução de custos e aumento da produtividade. Uma gráfica de médio porte apresenta um índice de eficiência global de sua impressora digital insatisfatório (OEE < 65%). Tal fato está gerando atrasos nas entregas dos pedidos e um alto índice de reclamação dos clientes. Você pode auxiliar os gestores, respondendo as questões a seguir: e qualidade utilizados para o cálculo do OEE, identifique como os problemasidentificados influenciam nos referidos índices. c) Diante da necessidade de concentrar esforços, qual ferramenta pode auxiliar a empresa na priorização de ações de manutenção? INFOGRÁFICO As seis grandes perdas que incidem sobre o ativo estão relacionadas a: perdas por quebra, setup, redução de velocidade, pequenas paradas, refugo e retrabalho. Elaborar propostas para redução e/ou eliminação destas pode acarretar aumento da produtividade e redução de custos, o que contribuiu com o aumento da competitividade industrial. Neste infográfico, você vai conhecer algumas ações que podem contribuir para a redução das perdas supracitadas. CONTEÚDO DO LIVRO Ao elaborar o plano de manutenção, é necessário definir o que será feito, quando será feito, os responsáveis, os métodos, os custos envolvidos, entre outros aspectos. A definição das ações de manutenção necessárias deve envolver uma análise das perdas reais e potenciais que podem incidir sobre determinado ativo. Nakagima, ao propor o método de manutenção produtiva total, listou seis grandes perdas que podem incidir sobre um ativo, reduzindo o seu índice de eficiência (OEE). No capítulo OEE: análise de perdas, do livro Manutenção industrial, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer as seis grandes perdas de um ativo, vai identificar a qual categoria cada uma pertence e vai aprender sobre uma ferramenta que auxilia na priorização de ações para redução das perdas. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Gabriela Fonseca Parreira Gregorio OEE: análise de perdas Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever as seis grandes perdas dos equipamentos. Categorizar e exemplificar as seis grandes perdas. Classificar ações prioritárias para melhoria dos resultados do OEE. Introdução Existem inúmeras perdas potenciais que permeiam o processo e seus ativos. No entanto, algumas perdas merecem atenção pelos impactos gerados na redução da produtividade e no aumento dos custos organiza- cionais. Um método de manutenção denominado Manutenção Produtiva Total listou as perdas comuns aos equipamentos e aos processos e definiu alguns pilares que conduzem à redução dessas perdas. Identificar as perdas reais e potenciais e definir estratégias de prioriza- ção de atuação sobre elas permite que a empresa concentre os esforços da equipe de manutenção, o que contribui com a melhoria dos resultados organizacionais. Neste capítulo, você conhecerá as seis grandes perdas dos equipa- mentos, identificará as categorias às quais elas pertencem, estudará alguns exemplos dessas perdas e aprenderá sobre ferramentas que auxiliam na classificação de ações prioritárias para melhoria dos resultados do OEE (Eficiência Global dos Equipamentos, do inglês Overall Equipment Effectivences). As seis grandes perdas dos equipamentos A identifi cação das seis perdas que impactam na produtividade de um processo foi realizada por Nakajima e explicitada no método de manutenção denominado Manutenção Produtiva Total (TPM, do inglês Total Productive Maintenance). Segundo Branco Filho (2008), TPM é uma fi losofi a de manutenção que surgiu no Japão, com o objetivo de aumentar a disponibilidade total da fábrica, a qualidade do produto e a utilização dos recursos. De acordo com o TPM, seis perdas principais contribuem com redução da eficiência global do equipamento (Figura 1). Figura 1. Perdas que contribuem com a redução do OEE. Percebe-se, pela análise da Figura 1, que as perdas podem ocasionar redução do volume de produção e/ou produção de produtos defeituosos — e ambos vão restringir a lucratividade da organização. Alguns autores atribuem nomes distintos às perdas, mas com o mesmo objetivo de retratar problemas que impactam no sistema de produção. De acordo com Pinto e Xavier (2012), as perdas, na visão do TPM, são: Perdas por quebras: são as de maior impacto no desempenho do ativo no sistema de produção. As perdas por quebras podem ser oriundas de falhas nos ativos ou em função da degeneração desses ativos que torna os produtos defeituosos. OEE: análise de perdas2 Perdas por mudanças de linha: são as perdas originadas pelo setups e ajustes nos equipamentos, principalmente, diante da produção de um novo tipo de produto. Perdas por pequenas paradas ou perdas por operação em vazio: são paradas momentâneas, originadas por problemas no ativo ou na produção, que exigem uma ação emergencial do profissional para que o processo volte a operar. Perdas por queda de velocidade: são geradas quando o ativo trabalha numa velocidade inferior à velocidade nominal. Exemplos de algumas causas desse tipo de perda são desgastes localizados, superaquecimento, vibração excessiva. Perdas por produtos fora de especificação: são produtos que são retrabalhados ou descartados por apresentarem defeitos. Perdas por queda no rendimento: são perdas devido ao não aprovei- tamento da capacidade nominal do ativo por problemas operacionais. Como causas que geram esse tipo de perda, pode-se citar: instabilidade operacional, que gera produtos com defeitos ou redução do volume de produção, e ausência de matéria-prima. As perdas são denominadas pela Manutenção Produtiva Total como genba genbutsu. Existem outras perdas que contribuem com a redução da eficiência, como: perdas por acionamento do equipamento, perdas por desorganização, perdas por problemas logísticos, entre outras. Para obter mais informações sobre a Manutenção Produtiva Total, leia o texto disponível no link a seguir. https://goo.gl/7GAjkX Categorias e exemplos das seis grandes perdas As seis perdas supracitadas podem ser categorizadas em três índices utilizados para o cálculo do OEE: índice de disponibilidade, índice de performance e índice de qualidade. No Quadro 1, é possível identifi car a qual categoria cada perda está relacionada. 3OEE: análise de perdas Fonte: Adaptado de Nakajima (1989) apud De Souza e Cartaxo (2016). Índice impactado Perdas Disponibilidade Perdas por quebras Perdas por setups, ajustes e preparações Performance Pequenas paradas Redução de velocidade Qualidade Refugos Retrabalhos Quadro 1. Categorização das seis perdas As perdas por quebras, setups e ajustes de preparações contribuem com a redução do índice de disponibilidade, que, de acordo com a NBR 5462 (AS- SOCIAÇÃO..., 1994), é a capacidade de um item de estar apto a desempenhar uma função requerida em determinado período de tempo. Como exemplo dessas perdas, pode-se citar: Quebra: uma bomba que deixa de fornecer energia cinética no processo de refino do petróleo. Nesse caso, o equipamento fica indisponível até que a equipe de manutenção consiga sanar o problema. Setups e preparações: uma injetora fica parada para que a matriz possa ser trocada para diversificar a produção numa empresa de plásticos. As perdas relacionadas a pequenas paradas e à redução de velocidade impactam na redução do índice de performance, que está relacionado ao aproveitamento da capacidade de produção do equipamento. Quanto maior o número de pequenas paradas e quanto mais tempo o equipamento operar em velocidade inferior à nominal, menor será a performance do ativo. Como exemplos desses tipos de perdas, tem-se: Pequenas paradas: sobrecarga de algum equipamento que gera seu desligamento, acarretando uma parada momentânea (PINTO; XAVIER, 2012). Redução de velocidade: defeitos e desgastes dos ativos que reduzem seu desempenho, como corrosão, abrasão ou parâmetros que não atendem às especificações (temperatura, vibração, ruído, etc.). OEE: análise de perdas4 Por fim, retrabalhos e refugos contribuem com a piora do índice de qua- lidade. Esse último avalia o percentual de produtos produzidos que atendem às especificações predeterminadas. Enquanto o retrabalho busca retornar com o produto alguma operação do processo produtivo para queo produto possa atender às especificações, o refugo está relacionado à destinação de um produto que não atende às especificações, como o descarte ou alternativas ambientalmente adequadas. Refugo: produtos que serão descartados, destinados à reciclagem ou ao mercado secundário, uma vez que não atendem às especificações da indústria. Retrabalho: produtos que retornarão a alguma etapa do processo produtivo para correção de defeitos ou desvios. Pinto e Xavier (2012) categorizam as seis perdas de acordo com a sua causa, conforme mostra o Quadro 2. Fonte: Pinto e Xavier (2012). As seis grandes perdas Causa da perda Influência Quebras Mudanças de linha Perda por paralisação Tempo de operação Operação em vazio e pequenas paradas Velocidade reduzida em relação à nominal Perda por queda de velocidade Tempo efetivo de operação Defeitos de produção Queda de rendimento Perda por defeitos Tempo efetivo de produção Quadro 2. Abordagem das perdas, causas e influência Todas as perdas contribuem com a redução da Eficiência Global do Equi- pamento (OEE), gerando desperdícios, queda de produtividade e redução da competitividade da empresa. Assim, estratégias adequadas de manutenção podem auxiliar na prevenção das perdas supracitadas. 5OEE: análise de perdas Classificação de ações prioritárias para melhoria dos resultados do OEE Inúmeras causas podem conduzir às seis grandes perdas. Além disso, algumas perdas podem apresentar mais impactos negativos ao sistema de produção de acordo com os objetivos estratégicos de cada empresa. Assim, é necessário o uso de ferramentas que auxiliam na priorização das ações de manutenção e produção para melhoria dos resultados do OEE. Uma ferramenta simples e amplamente utilizada para classificação de ações prioritárias é o diagrama de Pareto. Segundo Slack, Chambers e Johnston (2007), o objetivo da ferramenta é “distinguir entre as questões ‘pouco vitais’ e as ‘muito triviais’” com base na ordem de importância dos problemas ou das causas dos problemas. A análise de Pareto é baseada no fenômeno, que ocorre com frequência, de poucas causas explicarem a maior parte dos efeitos (SLACK; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, 2007). Assim, pode-se inferir que a maior parte das perdas seja originada por poucas causas e que essas causas deveriam ser priorizadas durante o planejamento das ações de melhoria. Visivelmente, diagrama de Pareto apresenta, por meio de um gráfico de barras, as frequências de determinado evento, ordenadas de forma decrescente, e a curva de porcentagens acumuladas dos referidos eventos. A Figura 2 exemplifica o diagrama de Pareto aplicado para a priorização das falhas apresentadas por equipamentos de costura. Figura 2. Exemplo de aplicação do diagrama de Pareto. Fonte: Braile e Andrade (2013, p. 07). OEE: análise de perdas6 Segundo Baba (2008), o gráfico apresenta, de forma geral: os problemas, as falhas e/ou causas no eixo horizontal agrupadas em classe; a frequência acumulada no eixo vertical, representada por meio de barras verticais, em cada uma das classes, dispostas em ordem decrescente; a curva apresenta a frequência acumulada dos problemas, falhas ou causas. Analisando a Figura 2 de forma isolada, percebe-se que a principal falha apresentada pelo equipamento é “fio da linha arrebentando”, seguida de “falha na programação”, “falha da navalha” e “falha da mola da caixa da bobina”. Somadas, essas falhas representam 70% das falhas identificadas. Assim, se a empresa implantar ações para eliminação dessas falhas, essas falhas reduziriam em 70% em relação à frequência. A identificação das falhas e suas respectivas frequências exigirão meca- nismos de coleta de dados adequados, como folhas de verificação, check-list e formulários, que podem ser preenchidos de forma manual ou por meio de sistemas de informação. A identificação das causas das falhas vão recorrer a outras ferramentas, como 5 porquês ou digrama de Ishikawa, que orienta na identificação da causa raiz de determinado problema. A implantação do diagrama de Pareto pode ser feita por meio de um processo estruturado, conforme explica-se a seguir (CARPINETTI, 2016): 1. selecione os tipos de problemas e causas que deseja comparar; 2. selecione a unidade de comparação; 3. defina o período de tempo sobre os quais os dados serão coletados; 4. colete os dados no local; 5. liste as categorias, da esquerda para a direita, no eixo horizontal, na ordem decrescente de frequência da ocorrência; 6. acima de cada categoria, desenhe uma barra vertical cuja altura repre- sente a frequência ou o custo daquela ocorrência; 7. no topo da barra, uma linha de tendência pode representar a frequência cumulativa das categorias. No vídeo deste link, você conhecerá melhor o diagrama de Pareto. https://goo.gl/nLqu1w 7OEE: análise de perdas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5462. Confiabilidade e mante- nabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 1994. BABA, V. A. Diagnóstico e análise de oportunidade de melhoria em um restaurante universi- tário por meio da filosofia seis sigma. 2008. 115 f. Dissertação (Mestrado em Administração das Organizações) - Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2008. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/96/96132/tde-29042008-113937/pt-br. php>. Acesso em: 13 nov. 2018. BRAILE, N. A.; ANDRADE, J. J. O. Estudo de falhas em equipamentos de costura industriais utilizando o FMEA e a análise de confiabilidade. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHA- RIA DE PRODUCAO, 33., 2013, Salvador. Anais... Rio de Janeiro: ABEPRO, 2013. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2013_tn_sto_177_007_22575.pdf>. Acesso em: 13 nov. 2018. BRANCO FILHO, G. A organização, o planejamento e o controle da manutenção. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2008. CARPINETTI, L. C. R. Gestão da Qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. PINTO, A. K.; XAVIER, J. A. N. Manutenção: função estratégica. 4. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2012. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da produção. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007. SOUZA, M. C. M.; CARTAXO, G. A. A. Aplicação do indicador OEE (Overall Equipment Effec- tiveness) em uma indústria fornecedora de cabos umbilicais. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 36., 2016, João Pessoa. Anais... Rio de Janeiro: ABEPRO, 2016. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/TN_STO_226_323_28802. pdf>. Acesso em: 13 nov. 2018. Leitura recomendada RESENDE, A. A.; DIAS, L. P. Manutenção Produtiva Total (TPM): considerações sobre casos de sucesso. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 34., 2014, Curitiba. Anais... Rio de Janeiro: ABEPRO, 2014. Disponível em: <http://www.abepro.org. br/biblioteca/enegep2014_TN_STO_195_105_24987.pdf>. Acesso em: 13 nov. 2018. OEE: análise de perdas8 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Planejar a análise e a execução de atividades para redução das seis grandes perdas que podem incidir sobre os ativos requer um processo estruturado e sistematizado. Além da identificação das perdas, é necessário levantar as causas relacionadas e avaliar quais são as perdas mais significativas. Nesta Dica do Professor, você vai conhecer o passo a passo que pode auxiliar na análise das seis grandes perdas propostas por Nakagima no método de manutenção produtiva total. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Seis grandes perdas contribuem com a redução do índice de eficiência global de um equipamento. Sobre essas perdas, pode-se afirmar que: A) perda por refugo está relacionada aos materiais que retornam ao processo produtivo para que os reparos e adequações possam ser feitos. B) perda por pequenas paradas refere-se ao não funcionamento do ativo por um curto período devido a alguma atuação programada ou planejada. C) perda por retrabalho está relacionada aos produtos que são descartados, reciclados ou destinados ao mercadosecundário por não atenderem às especificações preestabelecidas. D) perda por quebra é aquela que gera uma redução de velocidade do equipamento por causa de uma falha. Assim, o ativo funciona com uma velocidade inferior à nominal. E) perda por setup e preparação é originada pela necessidade de adaptar o equipamento para que se possa produzir um novo tipo de produto. 2) As perdas de um ativo contribuem com a redução dos índices de disponibilidade, performance e/ou qualidade. Esses índices influenciam na eficiência global de um equipamento (OEE). Sobre a relação entre essas perdas e os respectivos índices, é correto o que se afirma em: A) As perdas por pequenas paradas impactam fortemente no índice de disponibilidade. B) As perdas com setups, ajustes e preparações influenciam na redução do índice de disponibilidade do ativo. C) As perdas por quebras geram efeitos consideráveis no índice de performance. D) As perdas com retrabalho impactam no índice de disponibilidade. E) A redução de velocidade do ativo ou aumento do tempo de ciclo acarreta redução do índice de qualidade. 3) Várias falhas reais podem afetar um ativo no sistema de produção e nem sempre é possível ou benéfico atuar sobre todas elas. Assim, concentrar os esforços das equipes de manutenção e produção é importante para as organizações. Uma ferramenta que auxilia no processo de priorização é o diagrama de Pareto. Sobre essa ferramenta, é correto o que se afirma em: A) O diagrama de Pareto orienta que a menor parte dos efeitos podem estar relacionados a muitas causas. B) No eixo horizontal do diagrama de Pareto são expressas as frequências ou custos associados a determinado problema. C) No eixo vertical do diagrama de Pareto são representadas as falhas ou causas de determinado problema. D) A principal função do diagrama de Pareto é auxiliar no processo de coleta de dados relacionados à ocorrência de determinado problema. E) A principal função do diagrama de Pareto é contribuir com a priorização das ações de manutenção e produção, permitindo concentrar os esforços nos problemas/causas que geram mais efeitos. 4) Identifique, entre as alternativas a seguir, um exemplo de perda por pequenas paradas ou operação em vazio. A) Bomba hidráulica de um processo de tratamento de efluentes que parou de transformar energia mecânica em energia hidráulica. B) Máquina estampadora que ficou parada para troca de molde. C) Superaquecimento de um compressor que promoveu o aumento do tempo de ciclo. D) Entupimento de telas de aço de uma peneira vibratória devido ao material fora de especificação. E) Máquina injetora que produziu recipientes plásticos com deformação. Identificar as perdas reais, potenciais e definir estratégias de priorização de atuação sobre elas permite que a empresa concentre os esforços da equipe de manutenção, o que contribui com a melhoria dos resultados organizacionais. 5) As perdas que contribuem com a redução da Eficiência Global do Equipamento (OEE), assim estratégias podem ser utilizadas dentre elas: I. A implantação do diagrama de Pareto pode ser feita por meio de um processo estruturado, tais como selecionar os tipos de problemas e causas que deseja compara, selecionar a unidade de comparação, defina o período de tempo, coletar dados, desenhar barra vertical sobre cada categoria e desenhar linha de tendência. II. Inúmeras causas podem conduzir às seis grandes perdas. Além disso, algumas perdas podem apresentar mais impactos positivos ao sistema de produção de acordo com os objetivos estratégicos de cada empresa. III. A identificação das falhas e suas respectivas frequências exigirão mecanismos de coleta de dados adequados, como folhas de verificação, checklist e formulários, que podem ser preenchidos de forma manual ou por meio de sistemas de informação Qual das afirmações são de fato verdadeiras: A) Somente I e III B) Somente I C) Somente I e II D) Somente II e III. E) Todas são corretas. NA PRÁTICA Priorizar ações é fundamental para a otimização dos ganhos. Nem sempre é possível ou vantajoso atuar sobre todas as perdas dos equipamentos. Assim, surgem questionamentos sobre qual serviço fazer no momento, qual a ordem mais adequada para a atuação da equipe de manutenção, quais ações podem gerar mais efeitos positivos para a empresa, etc. Neste Na Prática, você vai ver o uso de uma ferramenta para concentrar esforços nas atividades essenciais. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Você sabe quais são as 6 grandes perdas do OEE? Neste vídeo você vai aprender sobre as seis perdas que contribuem com a redução do índice de eficiência global do equipamento. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Incremento na produção através do índice OEE O seguinte trabalho aborda a utilização do indicador de eficiência global de equipamentos, Overall Equipment Effectiveness (OEE) ou Índice de Rendimento Operacional Global (IROG), como forma de gestão e melhoria contínua de equipamentos. Veja a seguir. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Aplicação da ferramenta TPM para otimização da eficiência global em máquina de conformação de tampa básica de alumínio para latas de bebidas O seguinte trabalho mostra a aplicação das ferramentas da manufatura enxuta, com maior relevância para o TPM (Total Productive Maintenance) ou MPT (Manutenção Produtiva Total), que gerou um ganho na ordem de 10,5% na capacidade produtiva. Veja a seguir. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Paradas temporárias de equipamentos APRESENTAÇÃO Nenhum ativo está isento de paradas temporárias. Essas paradas, principalmente quando frequentes, podem gerar inúmeras consequências, como: perda de capacidade produtiva, aumento dos custos, não atendimento da demanda em tempo hábil, insatisfação dos clientes, ambiente de trabalho mais tenso, etc. Assim, compreender as causas das paradas e definir estratégias adequadas para eliminá-las e/ou reduzi-las é importante para as indústrias. Para tanto, mostra-se necessário a obtenção de dados que possam gerar informações para a definição de um processo estruturado de tratamento dessas paradas. Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá as categorias de paradas temporárias, aprenderá sobre estratégias adotadas diante de paradas de manutenção e identificará modelos de lista de verificação que podem ser utilizados para a coleta de dados sobre paradas temporárias. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Categorizar as paradas temporárias de equipamentos.• Discorrer sobre as estratégias das paradas de manutenção.• Construir modelos de listas de verificação e ações para paradas temporárias de equipamentos. • DESAFIO A análise de paradas, mesmo que temporárias, é uma ação importante para o aumento da capacidade do equipamento. Em um ativo que é o recurso restritivo do processo, essa análise se mostra fundamental, uma vez que o gargalo limita os ganhos organizacionais. No processo de reciclagem de pneus, o triturador tem apresentado pequenas paradas com frequência, gerando impactos nas operações que estão a jusante no processo produtivo, como a moagem. Sabe-se que, diante de tantas paradas pequenas, o triturador tem limitado o rendimento do processo. O responsável pela empresa pensou em estruturar um processo para avaliar o impacto das pequenas paradas no triturador para o processo. Você pode auxiliá-lo, respondendo as questões a seguir: a) De acordo com os motivos apresentados pelo operador experiente, quais são as categorias geradoras das pequenas paradas? b) Qual ferramenta o gestor pode orientar o operador a utilizar para registrar dados relacionados às pequenas paradas? Como funciona essa ferramenta? c) Após quantificar as pequenas paradas, qual indicadoro gestor pode utilizar para avaliar a performance do equipamento? Como as pequenas paradas influenciam esse indicador? INFOGRÁFICO As pequenas paradas não podem ser negligenciadas pelas empresas, uma vez que podem impactar significativamente nos resultados organizacionais. Assim, elas precisam ser identificadas, analisadas e quantificadas. Além disso, é importante planejar ações que contribuam com a redução ou eliminação dessas paradas. Neste Infográfico, você vai identificar algumas ações que podem ser implantadas nas empresas para a redução das paradas temporárias, além de conhecer as ferramentas que podem ser utilizadas para identificar as causas das paradas e priorizar a atuação sobre aquelas de maior impacto. CONTEÚDO DO LIVRO As paradas temporárias também são conhecidas como pequenas paradas e constituem uma das seis grandes perdas do método denominado Manutenção Produtiva Total, que, além das perdas por pequenas paradas, considera, também, as perdas por quebras, por setup, retrabalho, queda de rendimento e redução de velocidade. Essa perda promove a redução da performance de um equipamento e pode limitar a capacidade produtiva de um sistema. Diante desses impactos, as empresas precisam dar atenção a essa perda e traçar estratégias para a sua redução. No capítulo Paradas temporárias de equipamentos, do livro Manutenção industrial, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender o que é uma parada temporária e vai conhecer as suas categorias. Além disso, vai identificar estratégias para reduzir essas paradas e conhecer modelos de lista de verificação que podem ser utilizados para a coleta de dados relacionados às paradas. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Gabriela Fonseca Parreira Gregorio Paradas temporárias de equipamentos Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Categorizar as paradas temporárias de equipamentos. Discorrer sobre as estratégias das paradas de manutenção. Construir modelos de listas de verificação e ações para paradas tem- porárias de equipamentos. Introdução Várias perdas podem atingir um equipamento no sistema produtivo. Algumas podem gerar mais impactos que outras, mas mesmo as menores perdas, quando frequentes, podem impedir que a organização alcance seus resultados. As pequenas paradas ou paradas temporárias podem incidir sobre qualquer ativo do sistema produtivo por motivos diversos. Essas paradas, muitas vezes, exigem ações emergenciais das equipes de manutenção e/ou produção. Por sua vez, essas ações emergenciais podem gerar am- bientes de trabalho mais tensos e onerar os custos. Assim, é importante que as empresas façam uma análise dessas paradas. Neste capítulo, você conhecerá as categorias das paradas temporárias de equipamentos, aprenderá estratégias que podem ser utilizadas diante dessas paradas e identificará modelos de lista de verificação para coleta de dados. Categorias das paradas temporárias de equipamentos As paradas temporárias também são conhecidas como pequenas paradas e constituem uma das seis grandes perdas do método denominado Manuten- ção Produtiva Total, que, além das perdas por pequenas paradas, considera, também, as perdas por quebras, por setup, retrabalho, queda de rendimento, redução de velocidade (NAKAJIMA, 1988). Segundo Tondato (2004), as pequenas paradas estão relacionadas com problemas temporais, que fazem com que a operação fique ociosa por um curto período. Ainda segundo o autor, diferem-se das paradas por avarias, que geram perdas de tempo e materiais devido à parada do equipamento por quebras ou falhas. As paradas temporárias são interrupções momentâneas resultantes de um problema qualquer e geram perdas por operação em vazio ou pequenas tarefas (NASCIMENTO, 2002). Segundo Raposo (2011), as pequenas paradas, geralmente, são geradas por problemas insignificantes e contribuem com a redução do tempo de processo. São pequenas paradas durante o tempo de ciclo do ativo que podem ser recuperadas ligeiramente, mas acontecem com frequência. Apesar de serem consideradas perdas de importância menor, estudos confirmam que elas con- tribuem significativamente com a perda de Eficiência Global do Equipamento (OEE — Overall Equipment Effectiveness) (TONDATO, 2004). De acordo com Kardec e Nascif (2009), perdas por pequenas paradas ou perdas por operação em vazio são paradas momentâneas originadas por problemas no ativo ou na produção que exigem uma ação emergencial do profissional para que o processo volte a operar. Ainda segundo os autores, esse tipo de perda influencia diretamente no tempo efetivo de operação. As perdas relacionadas a pequenas paradas contribuem com a redução do índice de performance, que está relacionado ao aproveitamento da ca- pacidade de produção do equipamento. Quanto maior o número de pequenas paradas ou quanto maior o tempo dessas paradas, menor será a performance do equipamento. Shirose (1992) retrata que, diante de uma pequena parada, o próprio ope- rador consegue fazer com que a função requerida volte a ser desempenhada pelo ativo, uma vez que se trata de problemas mais simples. Pode-se dividir as paradas temporárias em categorias, de acordo com a sua causa geradora. O Quadro 1 apresenta algumas categorias de paradas temporárias. Paradas temporárias de equipamentos2 Fonte: Kardec e Nascif (2009). Causa/categorias Exemplos Pequenas anomalias Entupimentos do sistema de alimentação Recursos escassos ou inadequados Ausência de ferramentas para realização de ações emergenciais Mal uso Sobrecarga do equipamento que gera seu desligamento Produtos fora de especificação Detecção de produtos não conformes por sensores e paradas da linha Quadro 1. Classificação das pequenas paradas e exemplos de cada categoria Percebe-se, por meio da análise do Quadro 1, que podem existir pequenas paradas oriundas de pequenas anomalias, escassez de recursos para execução de ações de manutenção, mal uso ou uso inadequado do ativo ou porque se deixa que produtos fora de especificação passem pelo ativo. Estratégias de paradas de manutenção As paradas infl uenciam na efi ciência dos ativos do processo produtivo, contri- buindo com a redução da produtividade e com o aumento dos custos organi- zacionais. Assim, a redução dessas paradas, mesmo que elas sejam pequenas, mostra-se importante para a indústria. Paradas pequenas, mas frequentes, acabam acarretando perdas no sistema de produção. Além disso, essas paradas acontecem de forma aleatória, gerando ainda mais impactos negativos. Assim, é necessário que a equipe reveja as estratégias adotadas e gerencie essas pequenas paradas de forma a reduzi-las e melhorar o processo produtivo. A Teoria das Restrições (TOC, do inglês Theory of Constraints), proposta por Goldratt, por meio do Processo de Raciocínio (PR), conduz ao uso de ferramentas que podem auxiliar no processo de definição de ações para reduzir essas paradas temporárias no ativo. Segundo Cox III e Spencer (2002), o processo de raciocínio é formado por um conjunto de ferramentas que podem ser utilizadas de forma individual, inter-relacionadas, baseadas em um relacionamento causal. Ainda segundo os autores, esse processo orienta a fazer as seguintes questões: 3Paradas temporárias de equipamentos 1. O que mudar? 2. Para que mudar? 3. Como causar a mudança? Adaptando ao processo de manutenção, pode-se fazer as seguintes questionamentos: O que mudar? Indica a necessidade de identificar as paradas temporárias e priorizar aquelas que mais impactam na eficiência do ativo. Para que mudar? Orienta quanto à avaliação dos ganhos advindos da redução e/ou eliminação das paradas temporárias. Podem ser feitas questões como: quanto aumento haverá no tempo efetivo de produção? Quanto aumento haverá no volume de produção? Qual é o impacto da redução de paradastemporárias na produtividade real do equipamento? Como causar a mudança? Indica a necessidade de identificar as causas das paradas temporárias para que as ações de manutenção e produção possam ser executadas com o objetivo de eliminar ou tornar essas paradas menos frequentes. As paradas temporárias podem fazer com que o ativo se torne o gargalo do processo — lembrando que o recurso gargalo é aquele que limita os ganhos organizacionais e, geralmente, é o recurso com a menor capacidade produtiva. A avaliação da performance do gargalo é importante para avaliar a capaci- dade da empresa de produzir produtos conforme especificação, considerando o tempo total ou tempo calendário (24 horas por dia, todos os dias do ano). Essa medição pode ser feita por meio de um indicador denominado TEEP (Total Equipment Effectiveness Performance — Performance Efetiva Total do Equipamento), que avalia a eficiência por meio do produto dos índices de disponibilidade, performance, qualidade e utilização de um ativo. Figura 1. Relação entre pequenas paradas e TEEP. Paradas temporárias de equipamentos4 As pequenas paradas contribuem com a redução do índice de performance, que avalia a velocidade de operação do ativo em relação à velocidade nominal. A redução de pequenas paradas contribui para que o ativo opere em velocidade normal durante uma maior parte do tempo e, assim, contribui com o aumento da sua produtividade real. Algumas medidas podem ser adotadas para reduzir essas paradas tem- porárias, como: adoção de estratégia de manutenção adequada nos dispositivos; avaliação da conformidade dos materiais que são inseridos nos equipamentos; manutenção autônoma: permitir que os operadores dos equipamentos possam realizar algumas tarefas de manutenção. A Teoria das Restrições também propõe cinco passos globais que podem contribuir com o alcance das metas industriais, gerenciando o processo a partir do gargalo. Como as paradas temporárias frequentes podem fazer com que determinado ativo se torne o gargalo do processo, a aplicação desses passos pode auxiliar o pessoal de produção e manutenção. Segundo Antunes et al. (2009), os 5 passos são: 1. identificar as restrições do sistema; 2. utilizar da melhor forma possível as restrições do sistema; 3. subordinar todos os demais recursos à decisão tomada no passo 2; 4. elevar a capacidade das restrições; 5. voltar a o passo 1, não deixando que a inércia tome conta do sistema. Adaptando esses 5 passos ao processo de manutenção, focando nas paradas temporárias, podem ser feitas as seguintes análises: Qual ativo é o recurso restritivo desse sistema? Como utilizar melhor esse recurso restritivo? Fazer com que todos os outros recursos do sistema produzam de acordo com a capacidade do recurso restritivo, reduzindo os inventários. Como aumentar a eficiência desse recurso gargalo? A eliminação ou redução de paradas temporárias pode contribuir com o aumento do TEEP do equipamento. Pensar sempre em estratégia de melhoria contínua e iniciar o ciclo novamente. 5Paradas temporárias de equipamentos Modelos de listas de verificação e ações para paradas temporárias de equipamentos Uma das principais difi culdades das empresas em avaliar os impactos das paradas temporárias e defi nir estratégias para a redução dessas paradas está relacionada à falta de dados e informações sobre as mesmas. Como são paradas curtas e, muitas vezes, exigem ações emergenciais, os operadores e mantenedores não costumam fazer os seus registros, o que faz com que uma série de informações deixe de ser gerada para auxiliar nos planos de manutenção e produção. A adoção de formas adequadas de registro de dados pode auxiliar no pro- cesso de coleta, e existem alguns formulários que podem auxiliar as equipes nesses registros, como a lista ou folha de verificação, que é uma ferramenta que tem o objetivo de gerar dados para que, posteriormente, eles sejam analisados e tratados. Não existe nenhum padrão preestabelecido e essa lista pode ser adequada de acordo com as necessidades de cada empresa. Cada organiza- ção deve desenvolver seu formulário, que, além de registrar os dados, deve identificar os responsáveis pelas medições, quando e como elas aconteceram (MARTINS JUNIOR, 2002 apud LUNA, 2013). Kume (1993), citado por Santos, Pereira e Okano (2012), define lista de verificação ou folha de verificação como um formulário que contém os itens a serem verificados, auxiliando no processo de coleta de dados. Segundo Andersen e Fagerhaug (2006 apud OLIVEIRA, 2017), a folha de verificação permite registrar dados de forma sistemática, é fácil de usar e permite que todos os dados sejam capturados. Por outro lado, algumas categorias de dados que não foram capturadas podem ser negligenciadas. O Quadro 2 apresenta um modelo de lista de verificação. Equipamento: Data: Código: Responsável pela coleta: Categoria da parada Causa da parada Horário de início Horário de término Ações realizadas Quadro 2. Modelo de lista de verificação Paradas temporárias de equipamentos6 A lista de verificação apresentada no Quadro 2 coleta dados que podem gerar uma série de informações para a empresa, como: Categorias de paradas comuns no ativo: mal uso, problemas relacionados à qualidade, ausência de ferramentas, entre outras. Causas das paradas: os motivos que conduziram às paradas temporárias. Tempo total das paradas temporárias. Ações necessárias para que o ativo voltasse a exercer a função requerida. Outro modelo de folha de verificação, apresentado no Quadro 3, permite avaliar a frequência de cada tipo de parada temporária, inclusive para priorizar ações por meio das paradas mais frequentes. As empresas devem customizar as listas de acordo com suas necessidades de dados para auxiliar na definição da estratégia mais adequada de manutenção para o aumento do TEEP. Tipo de parada temporária Verificações Frequência Quadro 3. Modelo de lista de verificação 7Paradas temporárias de equipamentos Alguns fatores podem orientar quanto à elaboração da folha de verificação, como (BOCHNIA, 2012): Quais perguntas precisam ser respondidas? Quais dados devem ser registrados? Quais são as variáveis para estratificação? Quais são as definições operacionais? Qual será a duração da coleta de dados? Onde os dados serão coletados? ANTUNES, J. et al. Sistemas de produção: conceitos e práticas para projetos e gestão da produção enxuta. Porto Alegre: Bookman, 2009. COX III, J. F.; SPENCER, M. S. Manual da Teoria das Restrições. Porto Alegre: Bookman, 2002. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: função estratégica. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. LUNA, A. V. M. Gestão e melhoria de processos em uma indústria farmacêutica pública: estudo de caso do processo de fabricação de comprimidos revestidos. 2013. 77 f. Dis- sertação (Mestrado em Sistemas de Gestão) - Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2013. Disponível em: <https://app.uff.br/riuff/handle/1/972>. Acesso em: 22 nov. 2018. NAKAJIMA, S. Introduction to TPM: Total Productive Maintenance. Cambridge: Produc- tivity Press, 1988. NASCIMENTO, L. H. M. Manutenção produtiva total: um estudo no Departamento de Comandos Mecanizados da Secretaria da Agricultura e Abastecimento - RS. 2002. 101 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Mestrado Profissionalizante em Engenharia) - Uni- versidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2002. Disponível em: <https:// lume.ufrgs.br/handle/10183/3737>. Acesso em: 22 nov. 2018. OLIVEIRA, M. A. Sistema de gestão da manutenção baseada no grau de maturidade da organização no âmbito da manutenção. 2017. 275 f. Tese (Doutorado em Engenharia Industrial e Sistemas) - Universidade do Minho, Minho, 2017. Disponível em: <http:// repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/48721/1/Tese%20de%20Doutora-mento_Marcelo%20Albuquerque%20Oliveira_2017.pdf>. Acesso em: 22 nov. 2018. Paradas temporárias de equipamentos8 RAPOSO, C. F. C. Overall Equipment Effectiveness: aplicação em uma empresa do setor de bebidas do pólo industrial de Manaus. Revista Produção Online, Florianópolis, v.11, n. 3, p. 648-667, jul./set. 2011. Disponível em: <https://producaoonline.org.br/rpo/article/ view/529>. Acesso em: 22 nov. 2018. SANTOS, O. S.; PEREIRA, J. C. S.; OKANO, M. T. A implantação da ferramenta da qualidade MASP para melhoria contínua em uma indústria vidreira. In: SIMPÓSIO DE ADMINIS- TRAÇÃO DA PRODUÇÃO, LOGÍSTICA E OPERAÇÕES INTERNACIONAIS, 15., 2012. São Paulo. Anais... São Paulo: FGV, 2012. Acesso em: 22 nov. 2018. SHIROSE, K. TPM for Workshop Leaders. London: Routledge, 1992. TONDATO, R. Manutenção Produtiva Total: estudo de caso na indústria gráfica. 2004. 119 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Mestrado Profissionalizante em Engenharia) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004. Disponível em: <https:// lume.ufrgs.br/handle/10183/5167>. Acesso em: 22 nov. 2018. Leitura recomendada BOCHNIA, A. L. Utilização da metodologia análise PM para solução de problema. 2012. 62 f. Monografia (Curso de Especialização em Gestão Industrial, Produção e Manutenção) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Ponta Grossa, 2012. Disponível em: <http:// repositorio.roca.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/1439/3/PG_CEGIPM_VII_2012_03.pdf>. Acesso em: 22 nov. 2018. 9Paradas temporárias de equipamentos Conteúdo: DICA DO PROFESSOR As paradas temporárias podem gerar novos gargalos no sistema de produção e um gargalo limita os ganhos organizacionais. A Teoria das Restrições, proposta por Goldratt, apresenta processos estruturados para a análise de uma restrição e melhoria do sistema de produção. Nesta Dica do Professor, você vai conhecer cinco passos da Teoria das Restrições, os quais podem ser utilizados para a análise das paradas temporárias em recursos restritivos. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) As paradas temporárias podem contribuir com a redução da eficiência do sistema produtivo, além de limitar os ganhos organizacionais. Sobre as paradas temporárias, pode-se afirmar que: A) são paradas originadas pelas quebras dos equipamentos, sendo constituídas pelo tempo decorrido entre a quebra e o término do reparo. B) são paradas para ajustes e adaptação no equipamento para a produção de um novo produto. C) estão relacionadas a problemas temporais, os quais fazem com que a operação fique ociosa por um curto período. D) são paradas devido à incidência de uma falha em um ativo que compõe o processo produtivo. E) são paradas que recorrem a ações planejadas e não emergenciais da equipe de manutenção para que o ativo volte a operar. 2) Existem vários exemplos de eventos que geram pequenas paradas nos equipamentos. É um exemplo de pequena parada: A) Paradas geradas por entupimento do sistema de alimentação. B) Paradas para troca de matriz de uma máquina. C) Parada devido à falha mecânica de um componente do ativo. D) Parada para troca de molde de um equipamento. E) Parada devido ao desgaste de um rolamento. 3) As pequenas paradas contribuem com a redução da Performance Efetiva do Equipamento (TEEP — Total Equipment Effectiveness Performance), indicador utilizado para avaliar a capacidade produtiva do ativo utilizada para produzir produtos conformes em relação ao tempo total ou tempo calendário. O TEEP é medido por meio do produto dos índices de disponibilidade, performance, qualidade e utilização. Assinale a alternativa que explica o motivo das pequenas paradas impactarem no TEEP. A) Contribuem com a redução do índice de performance, o qual mede o percentual de tempo que o equipamento permaneceu disponível para as atividades de produção. B) Reduzem o índice de qualidade, uma vez que as pequenas paradas aumentam o índice de produtos não conformes produzidos. C) Reduzem o índice de utilização que avalia a velocidade de funcionamento do equipamento em relação à velocidade nominal. D) Contribuem com a redução do índice de disponibilidade, o qual está relacionado ao percentual de tempo que o equipamento permaneceu disponível para a produção. E) Contribuem com a redução do índice de performance, o qual avalia a velocidade de operação do ativo em relação à velocidade nominal. 4) Uma ferramenta adequada à coleta de dados para a avaliação dos impactos gerados pelas pequenas paradas é a folha de verificação ou lista de verificação. Sobre essa ferramenta, é correto o que se afirma em: A) Trata-se de uma ferramenta padronizada, com os campos preestabelecidos, a qual pode ser utilizada por qualquer organização. B) A folha de verificação deve conter a categoria da parada, causa da parada, horário de início e término da parada, além de ações realizadas para que o ativo voltasse a desempenhar as funções requeridas. C) A vantagem da lista de verificação é que o operador pode registrar as pequenas paradas ao final do dia de trabalho, detalhando as intercorrências nos equipamentos. D) Trata-se de uma ferramenta simples e de fácil preenchimento. É uma ferramenta flexível e a empresa pode personalizá-la de acordo com os dados que julgar necessário coletar. E) A lista de verificação é uma ferramenta amplamente utilizada, no entanto, requer cuidados ao preenchê-la e treinamento do operador, pela complexidade das informações inseridas. 5) A análise das pequenas paradas pode ser feita sob a ótica da Teoria das Restrições (TOC, do inglês Theory of Constraints), uma vez que paradas temporárias frequentes reduzem ainda mais a capacidade de um recurso gargalo, podendo fazer com que um recurso se torne o gargalo do sistema. Sobre a aplicação da Teoria das Restrições, pode-se afirmar que: A) o Processo de Raciocínio na Teoria das Restrições orienta que sejam feitos os seguintes questionamentos para mudar determinada situação: o que mudar? quando mudar? onde mudar? B) os cinco passos que conduzem ao alcance das metas são, ordenadamente: identificar a restrição do sistema, elevar a capacidade dessa restrição, subordinar os demais recursos ao recurso restritivo, explorar a restrição e registrar as lições aprendidas. C) o Processo de Raciocínio na Teoria das Restrições orienta que sejam feitos os seguintes questionamentos para mudar determinada situação: o que mudar? para que mudar? como mudar? D) os cinco passos que conduzem ao alcance das metas são, ordenadamente: identificar a restrição do sistema, subordinar os demais recursos ao recurso restritivo, explorar a restrição, elevar a capacidade desta restrição e voltar ao primeiro passo. E) a organização, ao aplicar a TOC para a análise das pequenas paradas, deve escolher entre o processo de raciocínio ou aplicação dos cinco passos, uma vez que os dois não podem ser implementados simultaneamente. NA PRÁTICA As informações assertivas são importantes para a condução do processo de tomada de decisão. No entanto, elas dependem das formas de registro dos dados adotadas pelas empresas. Existem inúmeras ferramentas que podem auxiliar na coleta de dados, no entanto, algumas empresas não fazem o uso destas. Isso faz com que essas organizações não tenham as informações necessárias para avaliar o desempenho de um ativo no sistema de produção. Neste Na Prática, você vai ver o uso da lista de verificação na coleta de dados sobre paradas temporárias, assim como as informações que ela pode gerar para o tomador de decisões. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Aplicação da metodologia TPM/OEE em processo de estampagem: um estudo de caso para melhoria da eficiência em uma prensa mecânica Neste artigo você vai acompanhar a aplicação da Manutenção Produtiva Total, a qual reconhece as paradas temporárias como perda, podendo contribuir coma melhoria da eficiência de uma prensa mecânica. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! TPM e manutenção autônoma Neste artigo você vai ver como a TPM e a manutenção autônoma podem contribuir com a melhoria da eficiência dos equipamentos, contribuindo também com a redução de paradas. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Teoria das Restrições como uma ferramenta de análise e solução de problemas: um estudo de caso em uma confecção na cidade de Limoeiro do Norte-CE Neste artigo você vai estudar como a Teoria das Restrições pode ser utilizada como ferramenta de solução de problemas, incluindo problemas relacionados às paradas de equipamentos. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Troca Rápida de Ferramentas e importância do gargalo APRESENTAÇÃO À medida que aumenta a diversidade de produtos a serem ofertados pelas empresas, aumenta a necessidade de preparações dos equipamentos para que se deixe de produzir um tipo de produto e se comece a produzir outro, com outras necessidades e características. Esse tempo é denominado setup e influencia diretamente na eficiência de um equipamento, uma vez que é um tempo em que o ativo permanece parado para realização das preparações necessárias Em recursos restritivos, como o gargalo do processo, o tempo de setup se torna um problema organizacional ainda maior. Assim, é necessário que as empresas adotem estratégias para a redução do tempo de preparação. A Troca Rápida de Ferramenta (TRF) consiste em um conjunto de etapas estruturadas que podem melhorar, progressivamente, as operações de setup e aumentar a disponibilidade dos ativos. Nesta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá sobre a Troca Rápida de Ferramentas, assim como os seus estágios de implantação. Além disso, estudará sobre o conceito de gargalo do sistema de produção e reconhecerá a relação entre a Troca Rápida de Ferramentas e a disponibilidade do ativo. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever o conceito de Troca Rápida de Ferramentas.• Discutir o conceito de gargalo nos sistemas produtivos.• Relacionar o uso de Sistemas de Troca Rápida de Ferramentas com o conceito de disponibilidade. • DESAFIO O tempo de setup é visto como uma perda que incide sobre determinado equipamento e contribuiu com a redução da disponibilidade deste. Assim, é necessário implementar estratégias para a sua redução. Uma injetora de plásticos tem um alto tempo de setup, o que está influenciando no alcance dos resultados organizacionais da empresa. As atividades necessárias para a troca de molde da injetora estão descritas no quadro a seguir. Atualmente, todas as atividades são realizadas com a injetora parada. O arranjo físico da empresa não favorece e o operador tem que se deslocar por grandes distâncias para buscar as ferramentas necessárias. O gestor de produção decidiu estruturar ações para reduzir o tempo de setup do equipamento. Você pode auxiliá-lo, respondendo as questões a seguir: a) Qual é a técnica que a empresa pode utilizar para contribuir com a redução do tempo de setup? b) Considerando que a empresa já avaliou a situação atual, qual é o próximo passo para reduzir o tempo de setup? c) Indicar a principal mudança que poderia ocorrer no método adotado para a preparação do equipamento. INFOGRÁFICO A Troca Rápida de Ferramentas consiste em um conjunto de técnicas que objetivam simplificar e reduzir o tempo de preparação dos equipamentos. Neste Infográfico, você vai conhecer as oito principais técnicas da Troca Rápida de Ferramentas, propostas por Shigeo Shingo. CONTEÚDO DO LIVRO Conhecer os tempos de setup dos equipamentos é importante para planejar e programar a produção. Além de conhecê-los, é fundamental que as organizações avaliem estratégias que possibilitem a minimização do setup, uma vez que este contribui com a redução da disponibilidade do ativo, gerando impactos negativos para a produtividade da indústria. No capítulo Troca Rápida de Ferramentas e importância do gargalo, da obra Manutenção industrial, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai descobrir o que é a Troca Rápida de Ferramentas. Além disso, vai aprender sobre o recurso gargalo de um sistema produtivo e compreender a relação entre a Troca Rápida de Ferramentas e a disponibilidade de um equipamento. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Gabriela Fonseca Parreira Gregorio Troca Rápida de Ferramentas e importância do gargalo Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever o conceito de Troca Rápida de Ferramentas. Discutir o conceito de gargalo nos sistemas produtivos. Relacionar o uso de Sistemas de Troca Rápida de Ferramentas com o conceito de disponibilidade. Introdução À medida que aumenta a diversidade de produtos a serem ofertados pelas empresas, aumenta a necessidade de preparações dos equipamentos para que se deixe de produzir um tipo de produto e se comece a produzir outro, com outras necessidades e características. Esse tempo é denominado setup e influencia diretamente na eficiência de um equipamento, uma vez que é um tempo em que o ativo permanece parado para realização das preparações necessárias. Dessa forma, as organizações precisam pensar em técnicas e ferramentas que contribuam com a redução desse desperdício. A Troca Rápida de Ferramentas tem o objetivo de conciliar o aumento da diversidade de produtos, cada vez mais exigida pelo mercado, com a eficiência operacional, por meio de técnicas que possibilitam a redução do tempo de preparação do ativo. Neste capítulo, você conhecerá o que é a Troca Rápida de Ferramentas, aprenderá sobre o recurso gargalo de um sistema produtivo e compre- enderá a relação entre a Troca Rápida de Ferramentas e a disponibilidade de um equipamento. Troca Rápida de Ferramentas e importância do gargalo2 Conceito de Troca Rápida de Ferramentas A Troca Rápida de Ferramentas (TRF) consiste em um conjunto de técnicas que tem o objetivo de reduzir o tempo de setup de um ativo. Surgiu na década de 1950, quando Shigeo Shingo criou o sistema SMED (Single Minute Exchange of Die and Tools), que signifi ca que o tempo de preparação de um ativo deve ser, no máximo, 9 minutos e 59 segundos (ANTUNES et al., 2009). Segundo Costa Júnior (2008) apud Costa, Lima e Gomes (2012), a Troca Rápida de Ferramentas refere-se a um método que possibilita a redução dos tempos necessários para “mudanças de utensílios, de matérias ou de séries pela preparação antecipada da mudança de referência e pela sincronização e simplificação das tarefas”. De acordo com Black (1998) apud Rangel et al. (2010), a Troca Rápida de Ferramentas é um procedimento científico, baseado no estudo de tempos e mo- vimentos das operações de preparações necessárias, ou seja, operações de setup. O tempo de setup é composto pelo tempo decorrido na troca do processo final da produção de um lote até a produção da primeira peça boa do próximo lote (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2007). Shingo dividia os setups em dois tipos (CORRÊA; CORRÊA, 2017): Setup interno: formado pelas atividades que só podem ser realizadas com a máquina parada. Setup externo: constituído pelas atividades que podem ser realizadas com a máquina em operação com o molde antigo ou com o molde novo já em funcionamento. O Quadro 1, a seguir, apresenta alguns exemplos de operações de setup interno e setup externo. Fonte: Adaptado de Corrêa e Corrêa (2017). Tipos de setups Exemplos de operações Setup interno Remoção ou montagem de ferramentas ou moldes Setup externo Transporte dos moldes antes e após as trocas, procura e separação dos itens necessários à troca, aquecimento de ferramenta. Quadro 1. Exemplos de operações de setup interno e externo 3Troca Rápida de Ferramentas e importância do gargaloConforme Moura (1996) apud Rangel et al. (2010), a Troca Rápida de Ferramentas propõe passos para eliminação das atividades desnecessárias e melhoria da execução das atividades necessárias para preparação da máquina. De acordo com Shingo (2008), os passos que conduzem a implantação da Troca Rápida de Ferramentas e contribuem com a melhoria do tempo de setup são: 1. Estágio 1: avaliar as condições atuais do sistema de produção. 2. Estágio 2: separar o setup interno do setup externo, ou seja, avaliar as atividades que só podem ser realizadas com a máquina parada e as atividades que podem ser realizadas com a máquina em funcionamento. 3. Estágio 3: transformar setup interno em setup externo, ou seja, avaliar se uma atividade que está sendo realizada com a máquina parada pode ser realizada com a máquina em funcionamento. 4. Estágio 4: racionalizar as atividades de setup com o objetivo reduzir o tempo de setup interno e as falhas de setup externo. A finalidade da TRF é a redução e a simplificação do setup por meio da redução ou da eliminação das perdas que incidem sobre as atividades de preparação. Na prática, a TRF é desdobrada em estratégias e técnicas de implantação. A metodologia de implantação da TRF pode ser organizada por meio de etapas, descritas a seguir (FOGLIATTO; FAGUNDES, 2003): 1. Etapa estratégica: convencer a alta gerência, definir metas, escolher a equipe de implantação, treinamento da equipe e escolha da estratégia de implantação. 2. Etapa preparatória: escolher o produto, processo e operação a serem abordados como projeto piloto. 3. Etapa operacional: analisar operação, identificar operações de setup interno e externo, converter setup interno em externo, praticar e padro- nizar operação de setup, eliminar ajustes e eliminar setup. 4. Etapa de consolidação: consolidar a Troca Rápida de Ferramentas em todos os processos da empresa. Troca Rápida de Ferramentas e importância do gargalo4 Para conhecer mais sobre as sobre as estratégias e técnicas de implantação da Troca Rápida de Ferramentas, leia o artigo disponível no link a seguir. https://goo.gl/yGcjG5 O gargalo nos sistemas produtivos O gargalo é um recurso que apresenta capacidade de produção disponível inferior à capacidade necessária para atender à demanda do mercado, con- siderando determinado tempo de análise. Caso existam muitos recursos no sistema de produção cuja capacidade seja inferior à demanda, o gargalo principal é o recurso com maior défi cit de capacidade produtiva (ANTUNES et al., 2009). Segundo Davis et al. (2001) apud Leão e Santos (2009), gargalos são aqueles recursos que, mesmo utilizando 100% de sua capacidade, não acom- panham o ritmo de outros recursos, restringindo a quantidade de produtos que saem de um processo. Assim, o gargalo limita o desempenho de um sistema de produção. A Figura 1, a seguir, exemplifica um recurso gargalo no sistema produtivo. Figura 1. Exemplo de gargalo no sistema de produção. A Figura 1 mostra um sistema de produção em que a operação 1 tem uma capacidade produtiva de 16 unidades por hora; a operação 2, de 7 unidades por hora; a operação 3, de 10 unidades por hora; e a operação 4, de 9 unidades por hora. A demanda de mercado é de 14 unidades por hora. Percebe-se, por 5Troca Rápida de Ferramentas e importância do gargalo meio de uma análise desse sistema, que as operações 2, 3 e 4 possuem uma capacidade produtiva inferior à demanda de mercado e que o gargalo principal é a operação 2, uma vez que é a etapa do processo que possui o maior déficit de capacidade produtiva em relação à demanda (a demanda é o dobro da capacidade produtiva do recurso). A Teoria das Restrições, elaborada por Goldratt e Cox (1990), definiu alguns princípios de gestão a partir do gargalo, entre os quais se destacam os dois a seguir: Uma hora perdida no gargalo é uma hora perdida no sistema inteiro: não é possível recuperar tempo perdido no gargalo, incluindo os tempos com a preparação desse recurso. Uma hora economizada em um recurso não gargalo é apenas uma ilusão: o gargalo vai determinar o ganho. Assim, não adianta economizar tempo em recursos que não sejam gargalos se nada for feito para melhorar o recurso que é a restrição do sistema. Segundo Antunes et al. (2009), o gargalo apresenta algumas características: Se não forem adotadas estratégias de melhorias, o gargalo tende a permanecer no mesmo lugar. Nas indústrias, os gargalos tendem a ser poucos e, muitas vezes, pode ser apenas um por determinado período de tempo. Para alterar o gargalo, são possíveis dois tipos de ações: as que podem aumentar a capacidade de produção do ativo e as que podem reduzir a demanda de produtos que passam por esse ativo. A redução do tempo de setup contribui com o aumento da capacidade de produção de um recurso gargalo, uma vez que reduz o tempo em que o equi- pamento permanece parado, aumentando a disponibilidade do mesmo para as atividades de produção. Assim, avalia-se a importância que a Troca Rápida de Ferramentas tem para a eficiência de um processo produtivo. Shingo (2000) apud Leote e Pacheco (2014) afirma que uma alternativa de aumento da capacidade da fábrica está relacionada à implantação da Troca Rápida de Ferramentas no recurso gargalo. Kannenberg (1994) apud Fogliatto e Fagundes (2003) confirma essa afirmação ao retratar que, considerando a Teoria das Restrições proposta por Goldratt e Cox (1990), após identificar o gargalo, a aplicação da metodologia de TRF pode solucionar a restrição por meio do aumento de sua capacidade produtiva e evitar a aquisição de novos equipamentos desnecessariamente. Troca Rápida de Ferramentas e importância do gargalo6 Sistemas de Troca Rápida de Ferramentas e o conceito de disponibilidade Segundo Harmon e Peterson (1991) apud Rangel et al. (2010), a redução do tempo de setup é importante para redução do custo de sua preparação pelos seguintes motivos: Quando o custo de setup é alto, as empresas tendem aumentar o lote de produção, o que aumenta o estoque, que é uma forma de desperdício considerada pelo sistema de produção enxuta. Quando o tempo de setup é reduzido, aumenta o tempo de operação do equipamento. Esse último motivo destaca que os tempos de setup influenciam na dispo- nibilidade de um ativo. A disponibilidade, segundo a NBR 5462 (ASSOCIA- ÇÃO..., 1994), é a capacidade de um item de estar em condições de executar uma determinada função em um intervalo de tempo. De acordo com Fonseca (2017), a disponibilidade é o percentual de tempo que o equipamento perma- neceu disponível para executar a função requerida. Segundo Nakagima (1988), duas perdas principais influenciam na redução do índice de disponibilidade de um equipamento, conforme apresentado na Figura 2. Figura 2. Perdas que influenciam no índice de disponibilidade. Assim, quanto maior o tempo parado do ativo devido às perdas por quebras e perdas por setups, menor será a disponibilidade do equipamento, ou seja, menor será o período de tempo durante o qual o equipamento permanecerá disponível para executar as funções necessárias no processo produtivo. 7Troca Rápida de Ferramentas e importância do gargalo A disponibilidade de um ativo pode ser medida pelo tempo operacional dividido pelo tempo programado de produção, conforme expressa a equação 1 (NAKAJIMA, 1989 apud PALAMINO; MANICA; MIRANDA, 2010): O tempo operacional é o tempo em que efetivamente o ativo funcionou ou desempenhou a função requerida pela organização, ou seja, tempo em que efetivamente o ativo permaneceu produzindo, enquanto o tempo programado é o tempo total planejado para o funcionamento do equipamento. O tempo de setup contribui com a redução do tempo operacional e, con- sequentemente, com o índice de disponibilidade de um ativo. Assim, o conjunto de técnicas e métodos que constituem a Troca Rápida de Ferramentas, ao contribuírem com a redução do tempo de preparação do equipamento (setup), possibilita o aumentoda disponibilidade do equipamento e, logo, proporciona o aumento da sua eficiência. A Figura 3 retrata a relação entre a Troca Rápida de Ferramentas e o índice de disponibilidade do ativo. Figura 3. Relação entre a Troca Rápida de Ferramentas e o índice de disponibilidade. Troca Rápida de Ferramentas e importância do gargalo8 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5462. Confiabilidade e mante- nabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 1994. ANTUNES, J. et al. Sistemas de Produção: conceitos e práticas para projeto e gestão da produção enxuta. Porto Alegre: Bookman, 2009. CORRÊA, C. A.; CORRÊA, L. H. Administração de produção e operações: manufatura e serviços: uma abordagem estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2017. COSTA, A. H.; LIMA, J. F. G.; GOMES, L, M. B. Redução do tempo de setup na produção de botas de PVC através da técnica TRF. Revista Produção Online, Florianópolis, v.12, n. 1, p. 119-132, jan./mar. 2012. Disponível em: <https://www.producaoonline.org.br/rpo/ article/viewFile/770/867>. Acesso em: 26 nov. 2018. FOGLIATTO, F. S.; FAGUNDES, P. R. M. Troca rápida de ferramentas: proposta metodoló- gica e estudo de caso. Revista Gestão e Produção, v. 10, n. 2, p. 163-181, 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-530X2003000200004&script=sci_ abstract&tlng=pt>. Acesso em: 26 nov. 2018. FONSECA, A. C. R. OEE: aplicação transversal do indicador de gestão a empresa multina- cional de componentes automóveis. Dissertação (Mestrado integrado de Engenharia e Gestão Industrial) - Universidade do Porto, Porto, 2017. GOLDRATT, E.; COX, J. A Meta. 4. ed. São Paulo: Claudiney Fullmann, 1990. LEÃO, S. R. D. C.; SANTOS, M. J. Aplicação da troca rápida de ferramentas (TRF) em inter- venções de manutenção preventiva. 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Aumento da eficiência produtiva através da redução do tempo de setup: aplicando a troca rápida de ferramentas em uma empresa do setor de bebidas. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 30., 2010, São Carlos. Anais... Rio de Janeiro: ABEPRO, 2010. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ enegep2010_tn_stp_113_745_16703.pdf>. Acesso em: 26 nov. 2018. SHINGO, S. Sistema de Troca Rápida de Ferramenta: uma revolução nos sistemas pro- dutivos. Bookman, 2008. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007. Leitura recomendada SHINGO, S. O Sistema Toyota de Produção do ponto de vista da Engenharia de Produção. Porto Alegre: Bookman, 1996. Conteúdo: DICA DO PROFESSOR A divisão da Troca Rápida de Ferramentas (TRF) em estágios facilita a implantação das técnicas pela equipe de operação, uma vez que a orienta quanto às ações necessárias para melhoria das operações de setup. Nesta Dica do Professor, você vai conhecer os quatro estágios para implantação da TRF propostos por Shigeo Shingo, o desenvolvedor da ferramenta. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) A troca rápida de ferramentas consiste em um conjunto de técnicas e métodos para redução do tempo de setup de um ativo. Quatro estágios podem contribuir com a implantação dessa ferramenta na empresa. Sobre esses estágios, qual é a alternativa correta? A) O primeiro estágio consiste na avaliação das operações de setup interno e operações de setup externo, com o objetivo de promover alterações nas atividades para redução do tempo de preparação. B) O segundo estágio corresponde à seleção do equipamento no qual a Troca Rápida de Ferramentas será implantada. Geralmente o gargalo do sistema é uma boa opção para iniciar a implantação da ferramenta. C) O terceiro estágio consiste na conversão do setup externo em setup interno, ou seja, converter as operações que são feitas com a máquina parada em operações a serem executadas com a máquina em funcionamento. D) O primeiro estágio consiste na realização de estudos de tempos e movimentos para identificação das atividades necessárias para realização do setup e definição do tempo padrão da operação. E) O quarto estágio consiste na avaliação de implantação de melhorias nas operações de setup como avaliação de atividades que podem ser feitas de forma paralela e eliminação de ajustes. 2) Em todo sistema produtivo existe, pelo menos, um gargalo. Esse recurso limita os ganhos organizacionais e, por isso, merece grande atenção das equipes de produção e manutenção. Sobre o gargalo de um sistema de produção, pode-se afirmar que: A) os sistemas produtivos tendem a apresentar vários gargalos e, quanto maior o número de gargalos, maior a complexidade de gestão do sistema. B) o gargalo é o recurso com a menor capacidade produtiva e, dessa forma, a Troca Rápida de Ferramentas pode auxiliar no aumento de sua capacidade, ao reduzir o tempo de preparação. C) o gargalo principal é a operação com o menor déficit de produção em relação à demanda imputada nele. D) a elevação da capacidade de produção de recursos não gargalos, assim como do recurso gargalo, contribuem com o aumento dos ganhos organizacionais. E) qualquer tempo perdido em uma operação gargalo pode ser recuperado quando o ativo volta a operar em condições adequadas. Um dos fatores que influenciam o índice de eficiência global de um equipamento é o índice de disponibilidade que avalia o percentual de tempo que um ativo permaneceu 3) disponível para operação. O aumento do índice de disponibilidade pode contribuir com o aumento da eficiência do ativo. Existe uma relação entre índice de disponibilidade, setup e Troca Rápida de Ferramentas (TRF). Sobre essa relação, pode-se afirmar que: A) a Troca Rápida de Ferramentas contribuiu com a redução do tempo de setup. A redução do tempo de setup aumenta o tempo planejado de funcionamento do ativo, o que contribuiu com o aumento da disponibilidade. B) uma ferramenta que contribui com a redução do tempo de setup é a Troca Rápida de Ferramentas. O tempo de setup em um dígito em segundos é uma meta da TRF e contribui com o aumento da disponibilidade do ativo. C) a redução do tempo de setup pode ser obtida por meio de implantação da Troca Rápida de Ferramentas. Essa redução possibilita o aumento do tempo operacional, o que proporciona aumento da disponibilidade. D) a disponibilidade é a relação entre o tempo planejado e o tempo operacional. A Troca Rápida de Ferramentas contribuiu com a redução do tempo operacional e, consequentemente, promove o aumento da disponibilidade. E) a disponibilidade é a relação entre o tempo operacional e o tempo planejado. A Troca Rápida Ferramentas contribuiu com a redução do tempo planejado e, consequentemente, promove o aumento da disponibilidade. As operações de setup podem ser classificadas em setup interno e externo. O primeiro consiste em um conjunto de atividades que só podem ser realizadas com a máquina parada. O segundo compreende um conjunto de operações que é realizado com o ativo em funcionamento. Uma das principais atividades da Troca Rápida deFerramentas é a avaliação das atividades de setup e conversão das atividades de setup interno em externo. Das alternativas a seguir, selecione aquela que relaciona adequadamente a atividade 4) com o tipo de setup. A) Buscar um molde para trocá-lo: setup interno. B) Trocar molde: setup externo. C) Organizar o ambiente de trabalho: setup interno. D) Remover matriz: setup externo. E) Aquecer ferramenta: setup externo. 5) Segundo Fogliatto e Fagundes (2003), a metodologia para implantação da Troca Rápida de Ferramentas pode ser dividida nas seguintes etapas: estratégica, preparatória, operacional e consolidação. Sobre essas etapas, pode-se afirmar que: A) na etapa operacional deve ser feita a análise e a classificação das operações de setup, conversão de setup interno em externo e identificação das oportunidades de melhoria. B) na etapa estratégica deve-se escolher o produto, processo e operação a serem abordados como projeto piloto. C) na etapa de preparação é necessário convencer a alta gerência, definir metas, escolher a equipe de implantação, treinamento da equipe e escolha da estratégia de implantação. D) na etapa operacional busca-se a ampliação e a implantação da Troca Rápida de Ferramentas em todos os processos da empresa. na etapa de consolidação é necessário identificar o gargalo principal do sistema produção e E) implantar a técnica para redução de setup deste, com o objetivo de aumentar a sua capacidade produtiva. NA PRÁTICA O gargalo de um sistema produtivo precisa ser bem avaliado e explorado, pois o rendimento do sistema produtivo depende desse recurso. Os tempos de setup podem reduzir ainda mais a capacidade desse recurso restritivo. O gerente de produção precisa elevar a capacidade do sistema e, para tanto, precisa identificar o gargalo, além de definir estratégias para elevar a sua capacidade. Neste Prática, você vai ver como o gerente deve proceder. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Aplicação da troca rápida de ferramentas em uma empresa de corte e dobra de aço Por meio deste artigo você vai descobrir como a implantação da Troca Rápida de Ferramentas contribuiu com a redução de 48,6% do tempo de setup em uma empresa de corte e dobra de aço. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SMED Assista ao vídeo a seguir para aprender sobre o SMED (Single Minute Exchange of Die). Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Ferramenta Single Minute Exchange of Die (SMED): estudo de caso em uma caldeiraria Leia este artigo, no qual você vai compreender como a implantação do SMED (Single Minute Exchange of Die) contribuiu com a redução do tempo de setup em 87,9% em uma caldeiraria. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Fórmulas e resultados de eficiência global APRESENTAÇÃO A eficiência de um equipamento diz muito sobre a disponibilidade, a performance e a qualidade de seus produtos, sendo possível, por meio deste indicador, realizar a gestão de ativos. Estes dados podem servir de comparação entre diferentes equipamentos ou então para a comparação de diferentes fases de um mesmo equipamento, sempre buscando os melhores resultados de eficiência. Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará a importância de estudos comparativos na gestão de ativos do sistema produtivo, poderá reconhecer a relação entre a teoria e a prática na aplicação do indicador de Eficiência Global do Equipamento (Overall Equipment Effectiveness — OEE), assim como a construção e a interpretação de gráficos de análise de eficiência. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Discutir a importância de estudos comparativos de eficiência na gestão dos ativos do sistema produtivo. • Reconhecer a relação da teoria com a prática na aplicação da OEE.• Construir e interpretar gráficos de análise de eficiência.• DESAFIO Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, eficiência é a qualidade de algo ou alguém que produz com o mínimo de erros ou de meios. Uma forma de calcular a eficiência em uma indústria é por meio do indicador de Eficiência Global do Equipamento (Overall Equipment Effectiveness — OEE), considerando os dados de qualidade, performance e disponibilidade. Com base nessas informações e nos seus conhecimentos, responda ao Desafio a seguir, supondo que você vai participar da implementação do cálculo da OEE em uma indústria de pequeno porte. Quais informações a respeito da produção você deve coletar para que o cálculo da OEE reflita a realidade da empresa? Quais sugestões você daria para que a eficiência fosse melhorada? INFOGRÁFICO O benchmarking é uma estratégia na qual o desempenho de uma empresa, setor ou equipamento é melhorado a partir de comparações com uma referência para que as melhores práticas sejam aplicadas. Neste Infográfico, você vai ver as cinco etapas para a implementação de um benchmarking. CONTEÚDO DO LIVRO A eficiência global é uma boa forma de medir o desempenho de um equipamento, setor ou empresa em relação a sua disponibilidade, performance e qualidade. A partir dessas informações, estudos comparativos podem ser realizados e melhorias implementadas. No capítulo Fórmulas e resultados de eficiência global, da obra Manutenção industrial, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender a importância dos estudos comparativos de eficiência na gestão dos ativos do sistema produtivo, entender a relação entre a teoria e a prática na aplicação do indicador de Eficiência Global do Equipamento (Overall Equipment Effectiveness — OEE), assim como aprender a construir e interpretar gráficos de análise de eficiência. Boa leitura. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Aline Morais da Silveira Fórmulas e resultados de eficiência global Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Discutir a importância de estudos comparativos de eficiência na gestão dos ativos do sistema produtivo. Reconhecer a relação da teoria com a prática na aplicação do OEE. Construir e interpretar gráficos de análise de eficiência. Introdução A eficiência global de um equipamento é um indicador de manutenção que permite que as empresas avaliem a utilização de seus recursos e ativos. Para o cálculo desse indicador, são levadas em consideração informações como disponibilidade, qualidade e performance. Neste capítulo, você vai estudar a importância dos estudos compa- rativos de eficiência na gestão dos ativos do sistema produtivo, a relação da teoria com a prática na aplicação do OEE e, também, como construir e interpretar gráficos de análise de eficiência. Estudos comparativos na gestão de ativos Segundo a norma NBR ISO 55000, ativo é um item, algo ou entidade que tem valor real ou potencial para uma organização. Esse valor pode ser tangível ou intangível, fi nanceiro ou não fi nanceiro. Os ativos físicos, normalmente, são equipamentos, estoques e propriedades; já os ativos não físicos são contratos, marcas, direitos de propriedade intelectual, reputação, entre outros. A gestão de ativos é uma forma de a organização obter valor a partir dos ativos, maximizando a eficácia do ativo durante seu ciclo de vida, minimi- zando as falhas, reduzindo as perdas e maximizando ganhos, ou seja, é um equilíbrio entre custos, riscos e desempenho. Uma das formas de aplicar a gestão de ativos é por meio do benchmarking. Benchmarking pode ser considerada uma estratégia competitiva na qual o de- sempenho de uma empresa, de um setor ou equipamento é melhorado a partir de comparações para que melhores práticas sejam aplicadas. Segundo Britto (2016), existem basicamente quatro tipos de benchmarking: Interno: os pontos de referência são os processos internos da própriaempresa que realiza o benchmarking. Competitivo: uma empresa utiliza como modelo outras com altos padrões de excelência, com o objetivo de superar o concorrente. Funcional: possui como ponto de referência o melhor resultado de um processo em relação a outro semelhante, sem a necessidade de ser da mesma empresa. Estratégico: visa absorver as melhores práticas de mercado com o objetivo de prover a alavancagem da inovação. Para Hansen (2006), o processo de benchmarking deve iniciar com o objetivo final em mente. Duas fábricas, dois setores ou dois equipamentos não são iguais, de modo que é necessário determinar o quanto os números do benchmarking podem variar em relação ao esperado. A elaboração de um benchmarking, de acordo com Britto (2016), tem cinco etapas: Planejar: identificar o que quer comparar, fazendo um levantamento do seu próprio processo e estudando as oportunidades de melhoria. Coletar: coletar dados e informações de boas práticas da referência utilizando alguma metodologia. Analisar: analisar os dados coletados, verificando a possibilidade de algum encaixe dos processos analisados com os processos da própria Fórmulas e resultados de eficiência global2 empresa. Cenários são desenhados e testes de hipóteses aplicados para testar a robustez das possíveis mudanças. Adaptar: adaptar os procedimentos à rotina, criando o plano de me- lhoria da empresa. Melhorar: os planos de melhoria são implementados e monitorados, fazendo parte do planejamento estratégico se produzirem resultados positivos. Existem quinze classificações que influenciam na eficiência de uma área de trabalho, segundo Hansen (2006), sendo importante responder questões referentes a essas classificações na aplicação do benchmarking: 1. estudo de capacidade de produção; 2. compreensão do processo; 3. apoio gerencial; 4. cultura e estratégia organizacional; 5. medições de performance; 6. estratégias de treinamento; 7. avaliação básica da manutenção; 8. estratégia de estoques; 9. manutenção periódica; 10. manutenção preditiva; 11. manutenção proativa; 12. excelência operacional; 13. auditorias e processo de segurança; 14. práticas de calibração; 15. integração com infraestrutura. O exercício de responder questões sobre as diferentes classificações deve ser repetido de tempos em tempos para que as melhorias sejam evidentes. É importante utilizar recursos humanos com conhecimento e experiência para avaliar as melhores práticas para as diferentes classificações. 3Fórmulas e resultados de eficiência global A partir dos resultados de eficiência de equipamentos, é possível realizar benchmarking, seja comparando a eficiência entre diferentes equipamentos ou, então, do mesmo equipamento em diferentes instantes. A eficiência nada mais é do que a capacidade que um equipamento tem de realizar seu trabalho de modo eficaz e com o mínimo de desperdício possível. Uma forma de calcular a eficiência de um equipamento é por meio do indicador de Eficiência Global do Equipamento (Overall Equipment Effectiveness – OEE), para a qual são necessários dados como qualidade, performance e disponibilidade. A qualidade é quando um produto está de acordo com o que é esperado ou exigido. Nesse cálculo, é levada em conta a quantidade de peças produzidas e quantas estavam dentro do padrão de qualidade esperado (peças boas). Já a performance é a capacidade de alcançar o resultado desejado, ou seja, é a capacidade real de produção de um equipamento em relação à produção teórica. A disponibilidade é quando um item está em condições de executar sua função em um determinado instante ou durante um intervalo de tempo prees- tabelecido. Esse cálculo é uma relação entre o tempo produzindo e o tempo programado. O tempo produzindo é o tempo em que se gerou alguma produção, descar- tando paradas para manutenção, setup, limpeza, organização do setor, etc. Já o tempo programado é o tempo total de programação para aquela demanda de produção. Fórmulas e resultados de eficiência global4 Aplicação do OEE De acordo com Hansen (2006), o OEE deve ser primeiramente aplicado em gargalos que afetem ganhos e qualidade, assim como em áreas cruciais e dispendiosas na linha de manufatura. Para o autor, um resultado de OEE de 65% ou inferior é sinônimo de dinheiro jogado fora; entre 65% e 75%, só é aceitável se a tendência estiver melhorando; e acima de 75% é bom, mas deve continuar melhorando para chegar ao nível da classe mundial (maior que 85% para processos em lotes e maior que 90% para processos discretos e contínuos). Gargalos são os pontos dentro de um sistema industrial que limitam a capacidade de produção, ou seja, são redutores de produtividade. Atividades realizadas ao longo do tempo programado, mas que não geram alguma produção, afetam diretamente o resultado do OEE, pois a produ- tividade é reduzida. Segundo Hansen (2006), ajustes como trocas rápidas de ferramentas, projetos de confiabilidade e monitoramento das condições focadas nos gargalos podem contribuir para o aumento da disponibilidade e, consequentemente, para o aumento do OEE. Normalmente, mudanças em procedimentos básicos, sem necessidade de investimentos, reduzem os gargalos, como mudança na política de suprimentos e de distribuição, melhor gerenciamento da manutenção, limpeza e organização ao final do expediente de trabalho. Para se obter uma melhoria na performance do OEE, é importante que haja uma relação entre a teoria e a prática. Hansen (2006) cita algumas etapas para a aplicação do indicador: Calcular o valor do OEE da performance atual. Ser disciplinado e honesto com os resultados, elaborando um plano para se aproximar dos níveis do OEE da classe mundial. Definir a hierarquia dos gargalos e processos críticos, com metas e plano de ação. 5Fórmulas e resultados de eficiência global Compartilhar com todos os trabalhadores, de forma a motivá-los. Treinamento de todos os envolvidos (medição, coleta e conciliação das informações). Gerar recursos (treinamento, tempo, dinheiro, pessoas) para as mudanças acontecerem. Utilizar as medidas do OEE em todos os níveis da planta, comparti- lhando os resultados. Hansen (2006) reforça que a implementação do OEE deve ser lançada com os cinco passos da Teoria das Restrições de Eliyahu Goldratt: Identificar: a estratégia deve ser implementada na planta ou fábrica piloto com base na lista prioritária de ativos gargalo. Explorar: a estratégia deve concentrar os recursos e o programa inicial no gargalo principal. Subordinar: todas as outras áreas da planta devem ser informadas sobre as metas de OEE do equipamento-chave e devem dar apoio à lista prioritária. Elevar: a área gargalo selecionada deve incorporar todas as mudanças necessárias para obter um valor elevado de OEE. Voltar: quando esta área for bem-sucedida, o próximo ativo-chave a ser priorizado deve implementar os novos métodos. Gráficos de análise de eficiência A coleta e a análise de dados para o cálculo do OEE, segundo Hansen (2006), muitas vezes, parecem fácil na teoria, mas, na prática, nem sempre o são. Independentemente da forma utilizada para coleta de dados, a acurácia nas informações coletadas é requisito primordial para uma estratégia bem-sucedida de cálculo do OEE. A coleta de dados pode ser realizada de forma manual, por meio de con- tadores de ciclos, cronômetros e outros dispositivos de medição, inserindo essas informações em formulários (Figura 1) e planilhas (Figura 2) ou, então, de forma automática, com coletores de dados que monitoram os processos e fornecem as informações necessárias — a coleta de dados de forma automática aumenta as chances de acurácia, visto que não ocorrem erros de interpretação, atrasos na coleta ou falha humana. Fórmulas e resultados de eficiência global6 Figura 1. Exemplo de formulário para ordem de operação.Fonte: Hansen (2006, p. 45). Figura 2. Exemplo de planilha com apontamentos de produção e paradas. Fonte: Lean Solutions (2018, documento on-line). 7Fórmulas e resultados de eficiência global A partir das informações coletas, um banco de dados vai sendo elaborado, possibilitando a análise dos resultados e a implementação das melhorias. Uma forma que facilita a organização dos dados e a análise do OEE é o uso de planilhas eletrônicas. Nelas, os resultados podem ser comparados e gráficos podem ser produzidos para um monitoramento constante, principalmente por meio de dashboards. Dashboards são painéis que mostram métricas e indicadores importantes, facilitando a compreensão das informações geradas. Na Figura 3, é apresentado um dashboard com gráficos de disponibilidade, qualidade e performance, assim como o resultado do OEE para um equipa- mento específico em um determinado período. No gráfico de barras, a barra mais à esquerda representa a disponibilidade; a barra do meio, a qualidade; a barra mais à direita, a performance; a linha reta, a meta; e a linha que flutua, o OEE. São apenas dados fictícios, mas nesse exemplo, em nenhum mês o OEE atingiu a meta. Figura 3. Dashboard de disponibilidade, qualidade, performance e OEE. Fonte: Lean Solutions (2018, documento on-line). Fórmulas e resultados de eficiência global8 BRITTO, E. Qualidade total. São Paulo: Cengage Learning, 2016. HANSEN, R. C. Eficiência global dos equipamentos: uma poderosa ferramenta de produ- ção/manutenção para o aumento dos lucros. Porto Alegre: Bookman, 2006. LEAN SOLUTIONS. Planilha de OEE. 2018. Disponível em: <https://www.leansolutions. com.br/planilha-oee-download>. Acesso em: 11 nov. 2018. Leitura recomendada ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 55000. Gestão de ativos: visão geral, princípios e terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. 9Fórmulas e resultados de eficiência global Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Os resultados do indicador de Eficiência Global do Equipamento (Overall Equipment Effectiveness — OEE) dizem muito sobre o processo produtivo de uma empresa, logo, a implementação desse indicador é muito importante, sendo capaz de medir características como qualidade, performance e disponibilidade. Nesta Dica do Professor, você vai ver alguns detalhes sobre a implementação da OEE, como coleta e análise de dados, além de algumas mudanças que podem trazer melhorias para o seu resultado. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O benchmarking ________________ tem como ponto de referência o melhor resultado de um processo em relação a outro semelhante. A) competitivo. B) funcional. C) estratégico. D) interno. E) corporativo. A partir de qual valor o resultado da OEE é considerado de nível classe mundial para 2) processos em lotes? A) 55%. B) 65%. C) 75%. D) 85%. E) 95%. 3) Entre as alternativas a seguir, qual delas pode contribuir para o aumento da OEE? A) Trocas rápidas de ferramentas. B) Mudança da equipe de manutenção. C) Redução do estoque de produtos. D) Menos turnos de trabalho. E) Maior variedade de produtos. 4) A implementação da OEE deve ser lançada em conjunto com os cinco passos da teoria das restrições. Qual das alternativas a seguir apresenta um passo dessa teoria? A) Compartilhar. B) Questionar. C) Modificar. D) Testar. E) Voltar. 5) A coleta de dados para o cálculo da OEE pode ser realizada de forma manual ou automática. A forma automática tem maior acuracidade por: A) necessitar de maior investimento. B) necessitar de uma maior equipe envolvida. C) não ter erros de interpretação. D) não necessitar de treinamento para os envolvidos. E) não necessitar de acompanhamento dos resultados. NA PRÁTICA O nível da classe mundial foi criado pelo JIPM (Japan Institute of Plant Maintenance) e representa plantas extremamente produtivas, nas quais, para processos em lotes, o nível da classe mundial é maior que 85%, ou seja, os resultados da OEE são superiores a 85%. Neste Na Prática, você vai ver algumas ações que foram realizadas na fábrica de louças sanitárias na qual Luis trabalaha, de modo a melhorar os seus resultados do indicador de Eficiência Global do Equipamento (Overall Equipment Effectiveness — OEE). SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Como Calcular OEE A Eficiência Global do Equipamento é um dos indicadores mais usados por indústrias, sendo capaz de medir e representar a eficiência operacional no chão de fábrica. No vídeo a seguir você vai conhecer a forma de calcular a OEE. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! As grandes perdas da produção Alguns fatores podem ocasionar perdas da produção e, consequentemente, redução no índice de OEE. Neste artigo, são citadas algumas dessas perdas, assim como as formas de evitá-las. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!