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1 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S 2 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S 3 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Núcleo de Educação a Distância GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino Revisão Ortográfica: Águyda Beatriz Teles PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira. O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho. O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem. 4 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Prezado(a) Pós-Graduando(a), Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional! Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as suas expectativas. A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra- dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a ascensão social e econômica da população de um país. Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida- de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas pessoais e profissionais. Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi- ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu- ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe- rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de ensino. E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos conhecimentos. Um abraço, Grupo Prominas - Educação e Tecnologia 5 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S 6 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas! É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo- sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve- rança, disciplina e organização. Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho. Estude bastante e um grande abraço! Professor: Yuri Sotero Bonfim 7 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc- nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela conhecimento. Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in- formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao seu sucesso profisisional. 8 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Os estudos sobre incêndios, assim como as atividades que envolvem o tema, são assuntos que crescem diariamente, com procu- ras por novos métodos e procedimentos, que previnam acontecimen- tos catastróficos, causados pelo fogo. Novas legislações e normas técnicas são estudadas e criadas, bem como materiais, equipamentos e procedimentos são inovados, para que a segurança do edifício e, principalmente, de seus usuários seja garantida. Assim, é essencial que os profissionais se tornem qualificados e preparados para asse- gurar a eficácia e concretização dos projetos, diante das obras que serão executadas. Notícias de que incêndios causaram tragédias são anunciadas frequentemente. O desafio dos profissionais da segurança é trabalhar com novas ferramentas, que garantam a proteção à vida, ao patrimônio e ao meio ambiente. Prevenção e Combate a Incêndio. Segurança. Corpo de Bombeiros. 9 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 01 ESTUDO SOBRE O FOGO, O INCÊNDIO, A COMBUSTÃO E SEUS EFEITOS Apresentação do Módulo ______________________________________ 11 12 22 Contextualização ______________________________________________ Conceitos sobre o Fogo __________________________________________ 27Combustão ____________________________________________________ 26Propagação do Calor ___________________________________________ 30Recapitulando ________________________________________________ CAPÍTULO 02 PROTEÇÃO E COMBATE CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 34 35 Causas e Fases de Incêndios ____________________________________ Classes de Incêndio _____________________________________________ 39Métodos de Extinção de Incêndio _______________________________ 37Fenômenos Característicos de Incêndio ________________________ 39Agentes Extintores de Incêndio ________________________________ 46Equipamentos de Proteção Individual - EPI _____________________ 44Materiais e Equipamentos _____________________________________ 47Explosivos _____________________________________________________ 10 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Recapitulando __________________________________________________ 51 55Legislações e Decretos _________________________________________ CAPÍTULO 03 LEGISLAÇÃO E NORMAS RELATIVAS À PROTEÇÃO CONTRA IN- CÊNDIOS, TÉCNICAS DE SALVAMENTO E BRIGADAS DE INCÊNDIO Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT _______________ 55 Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros – AVCB ________________ 57 56Normas Regulamentadoras – NRS ______________________________ Técnicas de Salvamento e Brigadas de Incêndio ________________ 59 63Plano de Emergência __________________________________________ Primeiros Socorros _____________________________________________ 60 Brigadas de Incêndio __________________________________________ 69 65Técnicas de Transportes de Emergência para Salvamento _______ Recapitulando _________________________________________________ 71 Fechando a Unidade __________________________________________ 79 Referências ____________________________________________________ 83 11 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Ao iniciar os estudos mais a fundo sobre incêndios, fica clara a necessidade de literaturas e materiais completos, que envolvam a segu- rança contra incêndios, que possam ser usados como base à formação de novos profissionais na área. O Brasil é um país que apresenta diferenças quanto às condi- ções climáticas, considerando suas cinco regiões de formação, embora ultimamente as temperaturas permaneçam altas em grande parte dos locais. Nessa perspectiva,as administrações públicas tendem a ela- borar legislações que sejam comuns a todos os estados, bem como legislações federais, normas técnicas e novos cursos que envolvam a segurança e combate incêndio para que haja evolução e redução des- ses eventos ocorridos com frequência no país. O termo incêndio é conceituado como fogo que não possui con- trole, com potencial para causar danos à vida, ao meio ambiente e ao patri- mônio. De forma clara, o fogo está diretamente ligado a incêndio e, desse modo, o presente material faz uma abordagem sobre a composição dele. O objetivo da disciplina de Prevenção e Combate a Incêndio é possibilitar ao aluno um conhecimento sobre os conceitos, as definições e todas as técnicas que são necessárias para que os trabalhos de pre- venção e de combate às chamas sejam realizados com sucesso. O material contém os conceitos sobre a teoria do fogo, bem como seus elementos fundamentais e a explicação sobre cada um deles, para que a chama se mantenha em funcionamento. Em seguida, são abordadas as causas e fases dos incêndios e suas classes, bem como as técnicas de prevenção e extinção de incêndio e os agentes extintores, que são utiliza- dos em cada técnica e seus modos de atuação sobre o fogo. São abordadas algumas das principais normas técnicas de pre- venção e de combate a incêndio, assim como normas regulamentares que visam à proteção dos profissionais que trabalham nesse ambiente, e sobre a Lei Kiss sancionada em 2017, sobre prevenção e combate ao incêndio em estabelecimentos com concentração de pessoas. A apostila de estudos também trata dos assuntos referentes à brigada de incêndio e suas formações, composições e atribuições com base na NBR (Norma Brasileira) 14276. São estudadas também algu- mas técnicas de salvamento, como transportes de emergência e planos de emergência, em especial os planos de abandono e evacuação da área em chamas, ação que é extremamente importante ao colocar em execução um plano de emergência. 12 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S CONTEXTUALIZAÇÃO O fogo, energia que existe desde a formação da Terra, foi uma das primeiras formas de energia natural que o homem utilizou. Essa relação entre o homem e o fogo vem sendo utilizada para suprir a ne- cessidade do homem em diversos meios, seja iluminação, aquecimento e preparação de alimentos. Apesar do fogo ter sido utilizado, no início, para suprir as ne- cessidades básicas do homem, hoje ele vem sendo um dos principais contribuintes da evolução da tecnologia. Ao longo do tempo, o ser hu- mano aprendeu a forma de utilizá-lo sem comprometer sua saúde e bem-estar físico. Entretanto, um dos principais desafios do homem continua sen- ESTUDO SOBRE O FOGO, O INCÊNDIO A COMBUSTÃO E SEUS EFEITOS P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S 12 13 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S do o controle do fogo. Ainda hoje, quando o fogo nos ameaça, o homem atual mantém a reação do homem primitivo, fugir. Os primeiros homens, ao lidar com o fogo, fugiam por não conhecer sua natureza e reações e mal sabiam que um pouco de terra poderia apagar uma pequena cha- ma. A falta de conhecimento fazia com que abandonassem o local por não saber como combater a chama acesa e, assim, o fogo se expandia tomando grandes proporções. O fogo, quando tomado por proporções maiores e fora de controle, se desencadeia em incêndios, capaz de pro- vocar perdas irreparáveis, não só à vida, mas ao patrimônio e ao meio ambiente. Hoje, o ser humano não precisa mais fugir, visto que conhece o fogo como o conjunto de elementos químicos que o compõe e as téc- nicas, métodos e equipamentos adequados para lutar contra ele. Nas ações contra o fogo, tem-se a prevenção e extinção de incêndios, que se dá pelo conjunto de normas e atitudes adotadas, que visam eliminar as possibilidades de sua ocorrência, assim como a re- dução de sua expansão e sua extensão, com o uso de equipamentos estudados e profissionais habilitados para usá-los. A extinção, por sua vez, busca eliminar o fogo, por meio dos mais variados processos, com o uso de táticas e equipamentos que podem funcionar de modo automá- tico ou pela ação direta antrópica. Grandes Incêndios no Brasil Infelizmente no Brasil já aconteceram incêndios devastadores, que provocaram a morte de centenas de pessoas, além da destruição de patrimônios e do meio ambiente. O mais recente foi o incêndio ocor- rido no campo de Treinamento do Flamengo, clube de futebol do estado do Rio de Janeiro. Podemos ver abaixo as mais trágicas perdas que esse tipo de acidente causou, seja por negligência ou incidente. O fato é que a prevenção e o combate ao incêndio devem ser assuntos cada vez mais recorrentes, para que esses eventos não se repitam ou sejam reduzidos, sem causar grandes perdas. Incêndio no Campo de Treinamento do Flamengo (08/02/2019) Um incêndio atingiu o CT do Flamengo, no Rio de Janeiro na madrugada do dia 08/02/2019. No local, ficavam os jogadores da base do clube carioca. Segundo os profissionais que sobreviveram, antes do fogo iniciar, houve uma explosão no aparelho de ar-condicionado, cau- sando curto-circuito e rápido alastramento do fogo. O incêndio deixou 14 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S 10 mortos, entre jovens de 14 a 16 anos, e três feridos. Figura 1- Incêndio CT Flamengo Fonte: Veja, 2019. Figura 2- Incêndio CT Flamengo Fonte: Veja, 2019. Figura 3- Incêndio CT Flamengo 15 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Fonte: Veja, 2019. Figura 4- Incêndio CT Flamengo Fonte: Veja, 2019. Figura 5- Incêndio CT Flamengo Fonte: Veja, 2019. Incêndio no Museu Nacional (02/09/2018) O Museu Nacional, um dos principais museus do país, localiza- do na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, foi devastado por chamas após o horário de visitação, assim ninguém se feriu. Entretanto, estima- -se que 90% do acervo, com mais de 20 milhões de itens, tenham sido totalmente destruídos. Figura 6 – Incêndio Museu Nacional 16 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Fonte: Correio Braziliense, 2019. Figura 7 – Incêndio Museu Nacional Fonte: Correio Braziliense, 2019. Figura 8 – Incêndio Museu Nacional Fonte: Correio Braziliense, 2019. Incêndio na Creche Gente Inocente, na cidade de Janaúba, MG (05/10/2017) Em 2017, o vigia da creche invadiu o local e ateou fogo com vários alunos e alguns profissionais dentro, e em seguida ateou fogo em si mesmo. Além do vigia, morreram mais 13 pessoas e outras 50 ficaram feridas. Figura 9 - Incêndio na Creche Gente Inocente Fonte: Correio Braziliense, 2019. 17 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Figura 10 - Incêndio na Creche Gente Inocente Fonte: Correio Braziliense, 2019. Incêndio na Boate Kiss (27/01/2013) Uma das maiores tragédias quando se trata de vítimas decor- rentes de incêndios. A boate Kiss pegou fogo durante um show em uma festa universitária, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e se tornou o segundo maior evento desse tipo, com número de vítimas no país, deixando 242 mortos e 636 feridos. Figura 11 - Incêndio na boate Kiss Fonte: Correio Braziliense, 2019. Figura 12 - Incêndio na boate Kiss Fonte: Correio Braziliense, 2019. 18 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Figura 13 - Incêndio na boate Kiss Fonte: Correio Braziliense, 2019. Figura 14 - Incêndio na boate Kiss Fonte: Correio Brazileinse, 2019. Incêndio Edifício Joelma (01/02/1974) Em 1974, o edifícioJoelma, localizado no centro de São Paulo, foi totalmente consumido por um incêndio. Houve um curto-circuito no sistema de refrigeração de um banco, que ficava localizado em boa par- te do edifício. Essa tragédia, apesar de ter acontecido há muitos anos, deixou 190 mortos e mais de 300 feridos. Esse evento ficou conhecido pelas imagens das pessoas que ocupavam o prédio se atirando do local em chamas, na tentativa de se salvarem. Figura 15 – Incêndio no Edifício Joelma 19 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Fonte: Correio Braziliense, 2019. Incêndio Canecão Mineiro (24/11/2001) A casa de shows Canecão Mineiro pegou fogo devido a fogos de artifício, deixando 7 mortos e mais de 300 pessoas feridas. O teto, que era de isopor, contribuiu para a propagação das chamas do incêndio e, além disso, o local não contava com saídas de emergência para o público. Figura 16 - Incêndio no Canecão Mineiro Fonte: Correio Braziliense, 2019. Figura 17 - Incêndio no Canecão Mineiro Fonte: Correio Braziliense, 2019. Incêndio Gran Circo Norte-Americano (17/12/1961) Esse incêndio se tornou o maior incêndio da história do país, em relação ao número de vítimas. Um funcionário não tinha aceitado sua demissão e para se vingar do proprietário do circo, ele ateou fogo na lona que cobria o espetáculo, composta de material com alto teor de inflamabilidade. A lona caiu em cima das pessoas, o que dificultou o pro- 20 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S cesso de fuga. A única saída que existia, estava composta por grades. O número de vítimas fatais declarado oficialmente foi de 503 mortes, entretanto acredita-se que esse número é bem maior. Figura 18 – Incêndio Gran Circo Norte-Americano Fonte: Vellamo, acesso em 2019. Figura 19 – Incêndio Gran Circo Norte-Americano Fonte: Correio Braziliense, 2019. Incêndio Lojas Renner (27/04/1976) Um prédio onde havia uma das unidades das lojas Renner pe- 21 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S gou fogo e foi devastado pelas chamas. O evento deixou 41 mortos e mais de 60 feridos. Assim como o edifício Joelma, esse incêndio também foi marcado pelas pessoas se jogando dos edifícios para fugir do fogo. Figura 20 - Incêndio lojas Renner Fonte: Correio Braziliense, 2019. No Brasil, ocorreram inúmeros outros acidentes, que deixaram centenas de vítimas, devido à proporção dos incêndios. Acima, encon- tram-se os maiores, de forma lamentável. Deve-se agilizar ações para que esses eventos aqui citados, quem sabe, possam ser os mais re- centes ao longo dos anos seguintes. Para ler mais sobre outros casos ocorridos no país, consulte as matérias disponíveis nos links abaixo. Relembre 10 incêndios que marcaram a história do Brasil Disponível em: <https://www.correiobraziliense.com.br/ app/noticia/brasil/2019/02/08/interna-brasil,736353/relembre-dez- -incendios-que-marcaram-a-historia-do-brasil.shtml>. Os 12 Maiores Incêndios do Brasil: Existe Algo em Comum? 22 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Disponível em: <https://www.vellamo.eng.br/noticias/os-maiores-incen- dios-do-brasil>. Os maiores incêndios do Brasil antes de Santa Maria Disponível em: <https://exame.abril.com.br/brasil/os-maiores-incendios-no- -brasil/>. Grandes Incêndios no Mundo Disponível em: <https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/grandes-incen- dios-no-mundo-21500628>. CONCEITOS SOBRE O FOGO Para que o fogo tenha início, é preciso que haja o comburente e o combustível, denominados como reagentes. Esse processo, conhe- cido como combustão, é a reação química que libera luz e calor. Para que a reação se inicie, é necessário que haja a energia de ativação fornecida por fontes de ignição. A presença do combustível, do combu- rente, da reação química, que ocorre pela presença da fonte de ignição, e do calor da reação, fonte envolvida no processo, onde se ganha ou se perde energia, forma o conhecido tetraedro do fogo. O tetraedro é representado por um triângulo, e não por um quadrado, para que cada um dos quatro elementos esteja conec- tado diretamente com cada um dos outros elementos. Quando se retira um ou mais componentes do tetraedro, esse fica incompleto e, assim, a reação se extingue. Figura 21 - Tetraedro de Fogo 23 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Fonte: APSEI - Associação Portuguesa de Segurança, 2016. TEORIA DO FOGO - PARTE 1 Tetraedro do Fogo | Triângulo do Fogo | Pirólise | A teoria do fogo Acesse o link: <https://www.youtube.com/watch?v=kwZA- ZzxdpVs>. Combustível Entende-se como combustível qualquer substância que seja capaz de queimar e alimentar a combustão, ou seja, de proporcionar o desenvolvimento do fogo. Assim, onde houver combustível, o fogo percorrerá por ele, de forma a aumentar ou diminuir sua faixa de ação. Podem ser encontrados em forma de matéria líquida, sólida ou gasosa. Grande parte dos combustíveis entra em combustão na fase gasosa. Quando o componente é aquecido, o combustível transforma- -se em vapor antes de reagir com o oxigênio para, assim, se iniciar o processo de combustão. Dessa forma, quando um combustível é líquido ou sólido, é preciso que haja algum tipo de energia térmica para aque- cê-los e levá-los ao estado gasoso. O quadro abaixo apresenta exemplos de combustíveis. Quadro 1 - Exemplos de Combustíveis Fonte: Elaborada pelo autor, 2019. Combustíveis Sólidos Em grande parte dos casos, os vapores, oriundos desses ma- teriais após seu aquecimento, que apresentam inflamabilidade. Entre- tanto alguns componentes sólidos como ferro, parafina ou bronze se 24 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S tornam líquidos quando são aquecidos e só após esse processo produ- zem os vapores inflamáveis. Combustíveis Líquidos Os combustíveis líquidos podem ser classificados entre com- bustíveis e inflamáveis, conforme o seu ponto de fulgor. Pontos de fulgor inferiores a 37,8ºC classificam o líquido como inflamável. Temperaturas superiores a esta, consideram o líquido como combustível. Esses níveis de temperaturas são padronizados pela NFPA/EUA - National Fire Pro- tection Association. Combustíveis Gasosos Os combustíveis gasosos precisam se concentrar em uma mistu- ra ideal para que se inflamem, considerando o limite de inflamabilidade de cada gás. A tabela abaixo mostra os limites de alguns exemplos de gases. Tabela 1 - Limites de Inflamabilidade Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. Com os dados da tabela, vê-se, por exemplo, que o acetileno, ao se misturar com o ar, inicia seu processo de queima em qualquer concentração que esteja entre 2% e 85%. Dessa forma, é um gás em 25 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S que se deve ter uma atenção redobrada em casos de incêndios. Comburente O comburente é o componente que mantém as chamas ace- sas e mais intensas. A presença deste torna a temperatura do processo mais elevada e permite a ocorrência da combustão. O oxigênio, combu- rente mais comum devido a sua concentração na atmosfera (21%), faz com que a queima se dê de forma mais rápida e mais completa. Conforme a taxa de oxigênio presente no ambiente dimi- nui, o processo de combustão é reduzido. A combustão se mantém fraca quando os níveis de taxa de oxigênio ficam entre 15% e 9%, e onde há níveis inferiores a 9%, ocorre à finalização da combustão. Um exemplo muito comum para demonstrar a ação de um comburente é colocar um copo sobre uma vela acesa, o que impede a entrada de oxigênio, e, consequentemente, a chama diminuirá gradati- vamente até se apagar por completo.Esse fenômeno ocorre devido à insuficiência de oxigênio dentro do copo, ou seja, ao colocar o copo sobre a vela, a entrada de ar para fornecer oxigênio à vela foi interrompida. Existem combustíveis que possuem oxigênio em sua com- posição, ou seja, podem queimar em qualquer lugar, tendo ou não a presença do ar. É o caso de nitratos, pólvoras, celuloides, dentre outros. No ser humano, as concentrações variadas de oxigênio podem causar algumas reações, conforme tabela abaixo: 26 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Tabela 2 - Reações devido às concentrações de oxigênio Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. Calor Calor é a fonte de energia que dá início ao processo de com- bustão. Por meio dessa fonte de energia, a temperatura dos elementos envolvidos no processo é elevada. Reação em Cadeia As reações em cadeia são as reações que acontecem durante o fogo, onde o calor que existe no processo é originado para ativar a queima do combustível com o comburente, mantendo-se em um ciclo enquanto houver a presença de ambos os elementos. Essa reação se dá por conta dos combustíveis, que após iniciarem o processo de com- bustão, geram mais calor. Esse calor irá provocar o desprendimento de outros gases e vapores combustíveis, o que permite o desenvolvimento de uma transformação em cadeia ou reação de cadeia. PROPAGAÇÃO DO CALOR Para que haja equilíbrio térmico, é necessário que o elemento que possui menor temperatura absorva calor, até estar com a mesma quantidade de energia dos outros elementos. Dessa maneira, há três formas dessa energia a serem transferidas de um componente para o outro: por condução, convecção ou irradiação. 27 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Condução O processo de condução é a forma de transferir calor por meio de um corpo sólido de molécula, para molécula ao longo do corpo con- tínuo. Ao aquecer, por exemplo, uma barra de ferro em uma de suas ex- tremidades, as moléculas dessa extremidade receberão calor. O aque- cimento ao longo da barra acontecerá de forma gradual, até chegar à outra extremidade. Isso acontece porque as moléculas vibram de forma vigorosa e se chocam com as outras moléculas, transferindo-lhes calor. Convecção A convecção ocorre pelo processo de transferência de calor, pelo movimento ascendente de massas de líquidos ou gases, dentro do mesmo elemento. Isso é possível pela diferença de densidade presente no mesmo fluido. É possível observar essa troca quando, por exemplo, uma água é aquecida dentro de um recipiente de vidro, onde é possível observar um movimento dentro da própria água, de baixo para cima. Conforme a água é aquecida, ocorre sua expansão e ela se torna me- nos densa, ou seja, mais leve, o que provoca seu movimento para cima. De forma análoga, o ar, também aquecido nesse processo, se expande e tende a subir para as partes mais altas do ambiente e o ar mais frio ocupa os lugares mais baixos. Irradiação A irradiação é a transmissão de calor por ondas de energia que se deslocam no espaço. Essas ondas se propagam em todas as dire- ções e, à medida que os corpos se aproximam ou se afastam da fonte de calor, a intensidade com que os elementos são atingidos pela fonte também aumenta ou diminui, respectivamente. COMBUSTÃO A combustão pode ser classificada em relação a sua velocida- de, sendo ativa, lenta, explosiva e espontânea. Consequentemente, a velocidade da combustão vai depender da quantidade de concentração disponível do comburente (normalmente é o oxigênio), visto que o com- burente é o ativador do fogo. 28 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Quadro 2 - Tipos de combustão Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. Além da sua velocidade, a combustão em sua forma produz quatro produtos; gases de combustão, a chama, o calor e a fumaça. Gases de Combustão Os gases de combustão são os gases que permanecem no ambiente, quando a temperatura dos produtos de combustão é reduzida ao normal. A toxicidade desses gases vai depender da sua composição, da sua concentração e, em relação ao indivíduo exposto, vai depender das condições físicas e do tempo de exposição aos gases. Chama A chama é a reação intensa da queima de elementos, visto que 29 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S a combustão ocorre na presença de atmosfera normal, que é rica em oxigênio. Um indivíduo exposto diretamente à chama fica suscetível a queimaduras e a perda de danos materiais diante do calor que irradiam. Calor O indivíduo exposto a essa forma de energia produzida pelo incêndio corre o risco de desidratação, esgotamento físico, problemas respiratórios e queimaduras diante da elevação de temperatura. Fumaça A fumaça produzida pelo incêndio varia com o tipo de combus- tível utilizado como elemento. As fumaças de cor branca ocorrem na fase inicial, devido à presença de umidade nos materiais. As madeiras, por exemplo, provocam fumaças de cor marrom, os plásticos de cor cin- za, quando esses possuem superfícies pintadas, e os hidrocarbonetos produzem fumaça de cor preta durante o processo de combustão. 30 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2018 Banca: PR4 (UFRJ) Órgão: UFRJ Prova: Mecânica Nível: Fácil. Uma das formas de transmissão de calor é a transmissão por con- dução. Esse tipo de transmissão: a) ocorre somente em fluidos. b) pode ocorrer no vácuo. c) tem fluxo de calor independentemente da condutividade da matéria onde ela ocorre. d) é exatamente igual ao processo de transmissão por convecção. e) ocorre devido à diferença de temperaturas entre duas regiões de uma partícula. QUESTÃO 2 Ano: 2018 Banca: CESGRANRIO Órgão: LIQUIGÁS Prova: Técnico - Instalações I Nível: Médio. Um sistema de refrigeração central leva ar resfriado a diversos am- bientes de uma edificação através de dutos instalados sobre o for- ro. Esses dutos são formados por três camadas: • Camada interna: de pouca espessura, composta de ferro galvani- zado, com função apenas de garantir estanqueidade do duto; • Camada intermediária: de grande espessura, composta de lã de rocha; • Camada externa: de pouca espessura, composta por folhas de alumínio polido. Com relação ao isolamento térmico do duto, é função predominan- te das camadas intermediária e externa, respectivamente, minimi- zarem as transferências de calor por: a) condução e irradiação b) convecção e condução c) convecção e irradiação d) irradiação e condução e) irradiação e convecção QUESTÃO 3 Ano: 2017 Banca: CESGRANRIO Órgão: PETROBRÁS Prova: Téc- nico de Enfermagem do Trabalho Junior Nível: Médio. O fogo é o resultado da oxidação das propriedades de materiais ou substâncias combustíveis, momento no qual são liberados diver- sos elementos. 31 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S O combustível, o comburente e o calor formam o triângulo de fogo e são necessários para que ocorra, em um primeiro momento, o (a): a) luz b) fumaça c) faísca d) combustão e) formação de gases QUESTÃO 4 Ano: 2017 Banca: FUNDATEC Órgão: IGP-RS Prova: Perito Crimi- nal - Engenharia Civil Nível: Médio. Entende-se por fogo o resultado de uma reação química exotérmi- ca autossustentada, envolvendo combustíveis (sólidos, líquidos e gasosos), comburente, que é o oxidante, luz e calor. Sendo assim, é correto afirmar que: a) Um incêndio tem início quando, em atmosfera com concentração de comburente suficiente, o calor, gerado pela fonte, aquece os vapores combustíveis até a temperatura de inflamação (flash point) evoluindo à temperatura de combustão (fire point), sendo que nesse ponto a com- bustão semantém mesmo sem a presença da fonte de ignição. b) combustível, comburente e calor formam o tetraedro do fogo, que representa a interação entre esses três vértices e sua interdependência. Não há incêndio sem esses elementos em conjunto e em proporções estequiométricas. c) O incêndio é uma reação química em cadeia, ou seja, uma reação cí- clica que envolve combustível, comburente e uma energia de ativação, que se autoalimentará até que um destes for extinto: quando a concen- tração de oxigênio presente na atmosfera aumentar significativamente; quando a fonte de calor se esfriar; quando o combustível acabar. d) Os combustíveis líquidos queimam diretamente: primeiro, transformam- -se em vapor e, depois, queimam nesse estado como se fossem um gás. e) A superfície dos combustíveis sólidos influencia a condição e propen- são à queima, sendo uma condição importante para que um incêndio se desenvolva no tempo; assim, poeiras, com grande superfície de contato com o ar, devido à superfície ser imensamente maior por unidade do que o peso (baixíssima densidade) diminui o risco de incêndio e explosão. QUESTÃO 5 Ano: 2018 Banca: CEPS UFPA Órgão: UFPA Prova: Engenheiro - Mecânica Nível: Médio. Em relação aos mecanismos de transferência de calor, analise as afirmativas seguintes. 32 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S I. Na condução a energia é transferida de uma região de alta tempe- ratura para outra de temperatura mais baixa dentro de um meio (só- lido, líquido ou gasoso) ou entre meios diferentes em contato direto. II. Na radiação o calor é transferido de uma superfície em alta tem- peratura para outra superfície em temperatura mais baixa, quando tais superfícies estão em contato uma com a outra no espaço ou mesmo separadas, ainda que exista vácuo entre elas. III. Na convecção a energia é transferida das regiões quentes para as regiões frias de um fluido através da ação combinada de condu- ção de calor, armazenamento de energia e movimento de mistura. IV. Somente corpos em temperatura acima de 0°C emitem conti- nuamente radiação térmica. Estão corretas a) I e IV, somente. b) I e III, somente c) I, II e IV, somente. d) I, II e III, somente. e) II, III e IV, somente. QUESTÃO DISSERTATIVA - DISSERTANTO A UNIDADE Discorra sobre quais são e como funcionam os quatro componentes do fogo quando entram em contato. TREINO INÉDITO Preencha as lacunas com os números correspondentes as suas definições: (1) Irradiação (2) Reação em Cadeia (3) Combustíveis Gasosos (4) Tetraedro (5) Condução ( ) O aquecimento ao longo da barra acontecerá de forma gradual até chegar à outra extremidade. ( ) Os combustíveis gasosos precisam se concentrar em uma mistura ideal para que se inflamem. ( ) É a transmissão de calor por ondas de energia que se deslocam no espaço. ( ) A presença do combustível, do comburente, da reação química, que ocorre pela presença da fonte de ignição e do calor da reação, fonte envolvida no processo onde se ganha ou se perde energia. ( ) Tratam das reações que acontecem durante o fogo, onde o calor que existe no processo é originado para ativar a queima do combustível com o comburente. 33 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S NA MÍDIA SÃO FRANCISCO SOFRE COM A POLUIÇÃO DA FUMAÇA ORIGI- NADA EM INCÊNDIO NA CALIFÓRNIA Em novembro de 2018, um grande incêndio causou pelo menos 60 mor- tos e deixou centenas de pessoas desaparecidas. O evento se prolon- gou por dias e durante algum tempo, os moradores da região sofreram com a poluição causada pela fumaça originada do incêndio. Fonte: G1 - O Portal de Notícias da Globo Data: 16/11/2018 Leia a notícia na íntegra: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/11/16/ sao-francisco-sofre-com-a-poluicao-da-fumaca-originada-em-incendio- -na-california.ghtml NA PRÁTICA Apesar de saber dos conceitos, propriedades, características e riscos sobre os componentes físicos e químicos, e seus efeitos envolvidos no fogo, que é a base de um incêndio, o que se vê comumente é a ação criminosa de pessoas provocando incêndios nos mais diversos locais ao redor do mundo, sem se preocupar em ferir o direito à vida e à segu- rança da população como um todo. Por mais que o evento incêndio seja controlado por profissionais com- petentes e qualificados, os efeitos posteriores que a toxicidade, de fu- maças e gases, por exemplo, pode causar nos seres humanos, são danosos, podendo levar até mesmo à morte, ainda que a vítima tenha sido salva do incêndio em si, ou mesmo não ter sido atingida por ele. É necessário que as pessoas que praticam esse tipo de crime se cons- cientizem do mal causado, bem como devem ser aplicadas as punições cabíveis, com rigor e severidade. 34 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Os incêndios podem ser oriundos de diversas causas, sendo elas causas naturais ou artificiais. Quando um incêndio é provocado naturalmente, entende-se que foi provocado pelos fenômenos da natu- reza, e que tal ação independe da natureza ou vontade humana. Já um incêndio desencadeado artificialmente, quer dizer que foi provado pela ação humana, seja ela acidental, quando o homem não teve a intenção de provocá-lo, ou proposital, quando há a intenção de provocá-lo e tor- na-se uma ação criminosa. CAUSAS E FASES DE INCÊNDIOS Para facilitar a compreensão sobre incêndios, eles foram dividi- dos em três fases: a fase inicial, a queima livre e a queima lenta. PROTEÇÃO E COMBATE CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S 34 35 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Fase Inicial A fase inicial do incêndio é a parte onde o calor é consumido em grande parte durante o aquecimento dos combustíveis. Com a tem- peratura do ambiente pouco elevada em relação à temperatura normal, o calor também está sendo produzido e toma maiores proporções, de acordo com o aumento das chamas. Nessa fase, a temperatura ambiente fica em torno de 38ºC, há produção de gases inflamáveis, bem como gases como dióxido de carbono, monóxido de carbono e vapores d’água, além da ampla oferta de oxigênio presente o ar, com níveis superiores a 20%. Queima Livre Nessa fase, diante do oxigênio presente, o ar é levado para dentro do ambiente em que ocorre o incêndio pela pressão negativa (convecção). Reciprocamente o ar quente é expulso do ambiente ocu- pando lugares mais altos. Na queima livre, os gases aquecidos se espalham tomando o am- biente de cima para baixo e a temperatura nos locais mais altos podem ultrapassar 700ºC. Além disso, as elevadas temperaturas nesses lugares podem provocar ignição (faíscas) de combustíveis situados nessas áreas. Queima Lenta No processo de queima lenta, as chamas podem se apagar, caso o comburente seja insuficiente para manter a combustão. Nessas situações, os níveis de oxigênio podem ser inferiores a 9%. Nesse processo, o ambiente é ocupado por fumaça densa e, devido ao aumento de pressão interna, há saída de gases pelas abertu- ras existentes de forma rápida. Além disso, o calor intenso no local faz com que os combustíveis presentes liberem vapores combustíveis. CLASSES DE INCÊNDIO Para facilitar as ações de combate a incêndio, e torná-las mais eficientes e seguras, a NFPA (National Fire Protection Association) elaborou uma classificação dos incêndios, conforme tipo de material combustível envolvidos no processo. O emprego dessas classes visa 36 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S facilitar o uso do agente extintor adequado para cada tipo de elemento combustível. São elas, classes A, B, C e D. Os combustíveis empregados na classe A são materiaisque possuem fácil combustão e propriedade de queimar em sua superfície e profundidade. São os sólidos comuns, como a madeira, o papel, os tecidos, a borracha, entre outros. Diante de suas dimensões, há sobras de resíduos após a queima desses materiais. Sendo assim, o método adequado para a extinção de incêndios com esses tipos de materiais é o resfriamento com o uso de água. Na classe B, os combustíveis utilizados são líquidos inflamáveis, líquidos combustíveis e gases inflamáveis, como óleos, gasolinas, gra- xas, vernizes, tintas, entre outros. Além disso, os materiais envolvidos aqui não queimam em superfície e não deixam resíduos após o proces- so de queima. Diante dessas características, os métodos indicados para acabar com o incêndio são o abafamento com espumas e a quebra de re- ação em cadeia. Quando se tratar de gases, o método mais eficiente é o isolamento, onde há retirada ou controle do material combustível, seja por meio da retirada de fontes, ou pelo fechamento de registros, por exemplo. Na classe C, são classificados materiais elétricos energizados tais como transformadores, fios, motores, entre outros. Nesse caso, a utilização de água é vedada, visto que pode ocorrer a condução de energia e risco para os envolvidos no combate ao fogo. Se um material é sólido e não se encontra energizado, o incêndio assume a propriedade da classe A. Porém, caso o ma- terial possua capacitores ou quaisquer outros equipamentos que mantêm energia elétrica, mesmo que não estejam ligados a uma fonte de energia, os procedimentos de combate ao incêndio devem assumir as orientações da classe C. A classe D agrupa os combustíveis mais peculiares, visto que a utilização da água é impossível como emprego total ou parcial. Nes- sa classe estão os combustíveis metálicos, alcalinos em sua maioria. Grande parte deles queima de forma agressiva e produz luz e calor de forma elevada e, assim, os incêndios precisam ser contidos por abafa- mento e quebra de reação em cadeia. Nos EUA, Europa, Ásia e na Austrália, os incêndios ainda pos- suem a classe K, conhecida no continente americano, e para o restante 37 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S conhecido como classe F. Esse extintor ainda é pouco utilizado no Brasil e, por ser raro, o preço de acesso se torna inviável. Para essa clas- se, esse tipo de extintor é utilizado em incêndios que envolvem óleos vegetais, animais ou gorduras com equipamentos de cozinha, sejam residenciais, ou comerciais. É conhecido também por Kitchen, por ser empregado em cozinhas e a letra inicial ser a “K”. Quadro 3 - Simbologia das Classes de Incêndio Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. FENÔMENOS CARACTERÍSTICOS DE INCÊNDIO Os fenômenos característicos de incêndio são fenômenos que 38 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S caracterizam a rápida propagação do incêndio, seja por uma ignição súbita, uma ignição explosiva ou por outras formas. A ignição súbita também é conhecida por flashover e a ignição explosiva por backdraft. Em um espaço confinado, por exemplo, onde há presença de radiação térmica total, é gerado nos combustíveis presentes a pirólises, momento em que os gases elevam a temperatura e há partículas em suspensão. A presença de uma fonte de ignição faz com que ocorra a transição de um incêndio, que se encontra em progressão para um incêndio generalizado, de proporção maior. O fator que permite essa mudança de estado dos incêndios é denominado flashover. Já o fenômeno backdraft, se dá por uma explosão diante de entrada inesperada de ar, em um ambiente pouco ventilado, com alta concentração de gases aquecidos. Algumas diferenças foram colocadas no quadro a seguir, para facilitar a compreensão desses fenômenos. Quadro 4 - Características Flashover e Backdraft Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. Room Flashover Videos Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=QqM- Vm72FMRk>. Veja o fenômeno backdraft em câmera lenta Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=THR- DLkDZV5Y>. Backdraft training Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Et_Y_ kZXoQQ>. 39 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S MÉTODOS DE EXTINÇÃO DE INCÊNDIO Conforme visto no tópico sobre o fogo, a extinção de um incên- dio se dá pela eliminação de um ou mais de seus elementos, que com- põem o tetraedro de fogo. Dessa forma, se um de seus lados for extinto, a chama não terá o que é necessário para permanecer acesa. Nessa perspectiva, há alguns métodos utilizados para extinção dos incêndios. Abafamento A técnica de abafamento consiste em eliminar o comburente do fogo, em sua maioria o oxigênio, de forma com que a chama per- maneça fraca, até se apagar por completo. Alguns agentes extintores, que serão vistos nó tópico principal a seguir, podem ser utilizados para a realização dessa técnica, como terra, areia, cobertores, vapor d’água, espumas, entre outros. Isolamento O isolamento consiste na retirada do material combustível do processo que ainda não foi queimado, ou separá-lo do combustível que ainda está em processo de queima. Assim, a chama se apagará sem a combustão, pois, não terá combustível para ser consumido. Resfriamento O resfriamento se dá pela retirada de calor do material, ou seja, redução de temperatura do combustível, resfriando-o para que o mate- rial atinja medidas abaixo de seu ponto de fulgor. AGENTES EXTINTORES DE INCÊNDIO Água A água é o agente extintor mais conhecido e utilizado na ex- tinção de incêndios, devido a sua abundância na natureza. É indicada principalmente para conter incêndios de classe A e age por resfriamento, visto que possui alta propriedade de absorção de calor, e por abafamen- 40 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S to, quando aplicada em forma de neblina ou jato contínuo, por exemplo. Possui baixo custo, facilidade de obtenção e transporte, e algumas carac- terísticas particulares, como alta capacidade de absorção de calor, alto grau de expansão, elevada tensão superficial, condutibilidade elétrica, baixa viscosidade e capacidade de reagir com outros componentes, por esse motivo, em algumas situações podem ser desconsiderado seu uso. Espuma A espuma possui ação por abafamento, e por conter água em sua formação, possui uma ação secundária de resfriamento. É constitu- ída de bolhas de ar ou gás CO2, envolvidas por películas de água. A espuma pode ter formação química ou mecânica. A Espuma Química é resultado da combinação da reação entre soluções aquosas de sulfato de alumínio e bicarbonato de sódio. Já a Espuma Mecânica é com- posta por uma mistura de água com pequenas porcentagens de concen- trado gerador de espuma e entrada de ar forçada (entre 1% e 6%). Dessa maneira, é produzido um volume alto da solução, formando a espuma. Uma característica da espuma é sua expansividade. Além dis- so, por conter a presença de água e, consequentemente, conduzir ele- tricidade, o uso de espumas não é indicado para incêndios com focos em equipamentos energizados. Assim, seu uso é indicado para focos em líquidos e sólidos combustíveis, apesar de ter um custo elevado para aplicação em componentes sólidos. A NFPA classifica as espumas de combate a incêndio em três tipos, conforme sua capacidade de expansão: Espuma Baixa: possui taxa de expansão até 20:1. Essa es- puma é eficiente no controle e extinção de incêndios provocados por líquidos inflamáveis da classe B. Ela também pode ser empregada em incêndios de classe A, que requer o resfriamento e bom poder de pe- netração. Espuma Média: Taxa de expansão entre 20:1 a 200:1. A es- puma média pode ser utilizada no abafamento de vapores de produtos químicos perigosos. Espuma Alta: Taxa de expansão acima de 200:1. Espumascom alta taxa de expansão são empregadas em incêndios ocorridos em espaços confinados. Sua aplicação geralmente é feita por geradores especiais, pois, utilizam espuma sintética. 41 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Pós Químicos Os Pós Químicos são eficientes no combate de incêndios que envolvam líquidos inflamáveis. Seu funcionamento se dá pelas partículas do produto químico divididas, que interceptam os radicais livres e que- bram o processo de oxidação da reação em cadeia da combustão da chama. Sem capacidade para resfriar, não isenta o combustível contra a “re-ignição” caso esse seja exposto a alguma outra fonte de ignição. Os principais tipos de Pós Químicos utilizados são o bicarbo- nato de sódio (NaHCO3), o bicarbonato de potássio (KHCO3) e o fos- fato de monoamônio (NH4H2PO4). Com o uso desse tipo de material, as chamas podem se extinguir por abafamento, resfriamento, quebra de reação em cadeia e por proteção contra a irradiação do calor. Gás Carbônico (CO2) Esse tipo de material extintor é o mais recomendado para in- cêndios classe C, pois, além de não conduzir eletricidade, o gás carbôni- co possui pressão própria para descarregar o extintor. Sua propriedade de gás permite penetrar e espelhar com facilidade na área incendiada e não deixa resíduos em sua ação combatente. Sua ação é por abafamento e pode ter efeito de resfriamento dependendo da condição como é aplicado. É importante estar atento ao utilizar o CO2, já que é um gás asfixiante simples. Uma concentração desse gás de 20% por exemplo, pode causar a morte de um indivíduo entre 20 e 30 minutos. Extintores de Incêndio Para a história sobre como surgiu os extintores, há relatos de que o médico alemão M. Fuches inventou, no ano de 1734, algumas bolas de vidro cheias de solução salina para serem atiradas no fogo. O extintor com modelo mais moderno e automático foi criado por um militar inglês, o Capitão George William Manby. O capitão esteve pre- sente em um incêndio no ano de 1813, que começou no quinto andar de uma edificação, onde as mangueiras utilizadas normalmente para conter incêndios não alcançavam por causa da altura do edifício, que era superior ao comprimento das mangueiras. Com isso, não pôde ser feito para conter o incêndio e evitar que o fogo se espalhasse, tomando conta do quarteirão. Diante de tal fato, o capitão George fez uma declaração certei- 42 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S ra de que a aplicação de água em uma situação momentânea crítica, mesmo que em pequena quantidade, surtiria algum efeito. Entretanto, caso uma quantidade maior de água fosse utilizada num momento pos- terior do incêndio, a aplicação da água não teria efeito para conter o fogo, pois, as chamas se alastrariam significativamente com alta veloci- dade e causariam destruição certeira. Seguindo sua linha de pensamento, em 1816, ele criou um equipamento cilíndrico feito de cobre, com altura de 60 centímetros e capacidade para suportar 15 litros. O objeto era envasado com até três/ quartos de um líquido que ele descrevia como um líquido antichamas, sendo uma solução de potassa cáustica. O um/quarto recente era pre- enchido com ar comprimido. Os extintores são aparelhos elaborados com o intuito de conter as chamas em sua fase imediata, ou seja, na sua fase inicial. Assim, são feitos para serem utilizados rapidamente e, dessa forma, sua eficácia é garantida se for permitido fácil acesso a esses aparelhos, um bom trabalho de manutenção e ao conhecimento do operador, em relação às técnicas de extinção de incêndio e da operação dos aparelhos extinto- res propriamente ditos. Os extintores recebem o nome do agente extintor, que preen- chem seu interior. Podem ser divididos em portáteis, quando são ma- nuais e operados por uma única pessoa, ou podem ser sobre rodas, quando exige um ou mais indivíduos para operá-lo. Os extintores que funcionam por reação química são chamados de extintores químicos, e os demais extintores são denominados pressurizados, sendo de pres- são interna ou de pressão injetada. Os extintores de pressão interna já possuem o gás dentro do re- cipiente misturado com o agente extintor. Outra maneira de se encontrar esse tipo é quando o próprio agente extintor se encontra comprimido. Os extintores de incêndio são equipamentos utilizados para combater pequenos incêndios ou princípios de incêndio, visto que pos- suem pequenas quantidades de agentes dentro de seus compartimen- tos. São caracterizados e vantajosos pela sua eficácia, pela portabili- dade e pela fácil mobilidade. Podem ser classificados como portáteis, feitos para serem transportados com peso inferior a 20kg e podem vir sobre rodas, com pesos maiores e maior quantidade de agente extintor. Os extintores também são regidos por algumas regras quan- to a sua utilização, sua capacidade extintora, seu manuseio e modo de aplicação. Sua capacidade extintora se relaciona com a quantidade, tipo e eficácia do agente extintor e mede o quão eficiente tal agente será diante do princípio de incêndio. Para garantir a segurança de quem estiver manuseando o 43 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S equipamento, deve-se manter uma distância segura do foco de incên- dio, observar a direção do vento, escolher o extintor, de acordo com a classe de incêndio e observar que o extintor é usado sempre para prin- cípios de incêndios, e não para eventos maiores. Os extintores também devem ser inspecionados de forma peri- ódica, por profissional habilitado, para verificar se este se encontra em condições adequadas de operação como localização devida, acesso ao equipamento, identificação, lacre, peso, integridade física, selo con- forme norma técnica (NBR 12962 - Extintores de Incêndio - Inspeção e Manutenção) entre outros requisitos. Conforme o resultado da inspe- ção, pode haver a necessidade de reparos ou substituições nas peças, para garantir a funcionalidade do extintor. Podem ser realizadas recar- gas totais ou parciais do agente extintor contido no aparelho e deve ser realizado, a cada cinco anos, o teste hidrostático nas peças do extintor que estiverem sujeitas à pressão. O quadro a seguir descreve os extintores mais recomendados, de acordo com as classes de incêndio. Quadro 5 - Aplicação de Extintores de Acordo com o Incêndio Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. 44 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Figura 22 - Alguns Componentes do Extintor Fonte: Extinfran, 2018. Os extintores devem vir dotados de sistema de segurança, sendo o lacre, que comprova que o extintor ainda não foi utilizado e o pino de segurança, que trava o extintor e impede que esse seja usado acidentalmente. MATERIAIS E EQUIPAMENTOS Para a realização do combate a incêndio com eficiência, o uso de alguns materiais e equipamentos complementares é necessário para auxiliar nas operações que serão realizadas. Materiais como manguei- ras, mangotes, esguichos para a aplicação de água, ferramentas como chaves e peças para transportes além de acessórios hidráulicos e esca- das são fundamentais para o controle total do incêndio. As mangueiras são os equipamentos utilizados na condução da água sob pressão. São tubos enroláveis para melhor manuseio, de nylon e possuem revestimento interno de borracha. Possuem compri- mento entre 15m e 30m. Os esguichos são os equipamentos metálicos que possuem uma extremidade para a entrada, junta storz e comando para as operações de fechamento, jato de chuveiro e jato compacto. As chaves de mangueira são hastes de ferro utilizadas na conexão de mangueiras que possuem juntas storz. Há equipamentos de proteção, que agem de formas passiva ou ativa, mediante os incêndios. As medidas de proteção passivassão incorporadas no sistema construtivo da edificação. Assim, sua funcio- nalidade está durante o uso habitual do edifício e que reage de forma passiva ao desenvolvimento do incêndio, sem condições que propor- 45 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S cionem o crescimento das chamas. Garantem resistência ao fogo, atu- am no escape dos usuários mediante situação de incêndio, e ajudam no ingresso da edificação para ações de combate e resgate, como por exemplo dampers corta fogo e portas corta fogo. Já a proteção ativa, é o tipo de proteção que precisa ser acio- nada manualmente ou de forma automática em resposta aos eventos provocados pelo fogo, como por exemplo, os extintores portáteis. Visando a segurança, a agilidade e a orientação diante de um incêndio, são utilizados alarmes e iluminação de emergência e sinaliza- ção para rotas de fuga. Os alarmes de emergência são ativados em uma central, que permite que todos os alarmes de abandono de uma determinada área sejam ativados simultaneamente. Figura 23 - Alarme de Incêndio Fonte: Airduto - Engenharia e Execução, 2019. O sistema de iluminação de emergência é instalado em todas as áreas de acessos, circulações, escadas e áreas de escape, para permitir que qualquer evacuação necessária seja realizada com segurança. A ilu- minação deve ser forte o bastante para garantir que local seja esvaziado, principalmente mediante a fumaça produzida pelo incêndio. Esse tipo de sistema possui autonomia por 2 horas e sinaliza todas as rotas de fuga, que podem ser utilizadas no momento de abando do local em chamas. Figura 24 - Iluminação de Emergência 46 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Fonte: Fireneze, 2019. Figura 25- Iluminação de Emergência Fonte: Expolux, 2019. As sinalizações de rotas de fuga são dotas de placas fotolumines- centes e localizadas em pontos estratégicos da edificação, de modo a per- mitir a saída mais rápida e segura do local. As placas devem ser elabora- das para que qualquer pessoa seja capaz de identificar a saída do prédio. Figura 26 - Sinalização de Rota de Fuga Fonte: Projeb Extintores, 2019. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL - EPI Diante do ambiente ao qual o profissional do corpo de bombei- ros está submetido, é fundamental que seja utilizado os EPIs - Equipa- mentos de Proteção Individual, para garantir sua proteção e seu desem- penho profissional. É necessário que os EPIs garantam a proteção da cabeça, dos olhos, proteção auditiva e respiratória, do tronco e de todos os membros do corpo. Por isso devem ser usados capacetes, balaclavas (uma es- pécie de capuz que protege o rosto e pescoço do calor), óculos, vesti- mentas que ofereçam proteção ao calor, luvas e botas específicas para combate a incêndios, máscara facial, dentre outros. 47 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S EXPLOSIVOS De acordo com a NR 19, explosivos são materiais ou substân- cias que, quando iniciados, sofrem decomposição muito rápida em pro- dutos mais estáveis, com grande liberação de calor e desenvolvimento súbito de pressão. Embora tenham ações destruidoras e serem conhecidos pela destruição que causam às vidas humanas e ao meio ambiente, os ex- plosivos possibilitaram a execução de grandes obras ao redor do mun- do inteiro, que a priori, seriam impossíveis de serem concretizadas sem a utilização destes elementos. Definições Algumas definições são importantes para a caracterização dos explosivos. São elas Explosão: ato violento e expansivo que resulta de uma grande pressão, originados pela ação de um explosivo por meio de detonação, deflagração ou outro meio que libere pressão. Detonação: evento em que uma onda de choque com alta energia sustentada passa pelo corpo de um explosivo, provocando sua transformação em produtos mais estáveis, com a liberação de alta quantidade de calor. É característico de autos explosivos. Deflagração: é a autocombustão de um corpo, independente- mente de seu estado físico, e que contém em sua composição os rea- gentes, combustível e comburente, misturados em proporção correta. Ocorre na superfície, por causa da transferência de calor presente na zona de chama em contato com a zona gasosa, também presente na superfície. É característico dos baixos explosivos. Classificações Os explosivos são classificados em três formas: pelo ponto de vista químico, pela sua aplicação na prática e quanto à sua combustão, descritos a seguir. Ponto de Vista Químico De acordo com esse ponto de vista, os explosivos podem ser 48 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S compostos por substâncias simples (presença de apensas uma subs- tância explosiva) ou por substâncias mistas (compostas por substâncias que, quando isoladas, não são explosivas). Essa classificação leva em conta a teoria dos explosóforos, em que as propriedades explosivas das substâncias dependem da presença do grupamento estrutural ex- plosóforo. Esses explosóforos são caracterizados pelo baixo calor na formação de suas ligações químicas, assim, eles estão expostos a se decompor com apenas um pequeno impulso. Aplicação na Prática Nessa classificação, os explosivos ainda são classificados como altos (nessa categoria ainda são subdivididos em altos explosivos primários e secundários) ou baixos explosivos. Altos explosivos primários ou iniciadores: São explosivos cuja finalidade é transformar outros explosivos. O impulso inicial exigido nesse tipo de explosivo é a chama ou um choque, transformando, em sequência, em uma detonação. Possuem características de sensibili- dade, visto que podem explodir pela ação do fogo ou pelo impacto de um golpe e de manuseio perigoso. Além disso, apresentam velocidade de detonação menor do que os explosivos que se iniciam, são menos estáveis em relação aos explosivos não iniciadores e em sua maioria são inorgânicos. Para iniciar uma explosão, são necessárias pequenas quantidades em relação a explosivos menos sensíveis e, normalmente, são utilizados em espoletas, detonadores e espoletas de percussão. Altos explosivos secundários: Esses explosivos são utilizados em trabalhos de destruição, pela ação dos gases produzidos em seu pro- cesso de transformação. Para iniciação completa, precisam da detonação de outro explosivo detonado por chama ou choque. Possuem característi- cas de insensibilidade ao choque mecânico e à chama, entretanto, se ex- plodem com muita violência ao serem ativados por um choque explosivo. Baixos explosivos ou propelentes: A finalidade destes explosivos é a produção de um efeito balístico. São exigidos pelo impulso inicial de uma chama e possuem transformação de deflagração, com velocidade de transformação regular e sua decomposição é dada pela queima ou a deflagração. Sua ação é considerada menos destrutiva e libera altos volumes de gás de combustão, de forma definida e controlável. 49 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Quanto à Combustão Quanto à combustão, os explosivos se classificam em comple- to e incompleto. Explosivos de combustão completa: Nesse tipo de combustão, há queima até o CO2 e H2O, tendo em alguns casos a queima do O2. Explosivos de combustão incompleta: Nessa classificação, acontece a queima de forma incompleta, gerando o CO como subproduto. - O ≥ 2C + H/2 → O explosivo é combustão completa - O < - 2C + H/2 → O explosivo é de combustão incompleta Para fixar, veja o exemplo a seguir: A nitroglicerina (fórmula elementar C3H5O9N3) é um explosivo de combustão completa? C=3, O=9, H=5 De acordo com a fórmula para saber se a combustão é completa, a soma “2C + H/2” deve ser menor ou igual à quantidade de O. Vejamos: 2C + H/2 = 2(3) + 5/2= 8,5 A quantidade de O é igual a 9. Como 9>8,5 podemos afirmar que a nitroglicerina é um explo- sivo de combustão completa. Propriedade dos Explosivos Os explosivos apresentam inúmeras propriedades que os tor- nam particulares. Por isso, é importante observar suas características, para escolher o melhor produto a ser utilizado, de acordo com a finali- dade do trabalho. Dentre as propriedades que mais se destacam estão a brisân- cia, a estabilidade, a sensibilidade, compatibilidade com outros mate- riais, a potência explosiva, o processo de combustão, especialmente a quantidade de calor liberado, a temperatura e a velocidade de deto- nação desses explosivos. Leva-se em consideração também o custo de fabricação e emprego de tais produtos e o grau de toxicidade das substâncias liberadas no processo. A sensibilidade, por exemplo, é de- terminada pela altura ao qual deve cair um peso sobre o explosivo para 50 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S provocar sua detonação. Quanto maior a sensibilidade, menor a quan- tia de energia que será preciso para fazer com que o produto exploda, ou seja, romper a resistência à detonação. Já a velocidade de detona- ção é medida pela velocidade necessária para decompor o explosivo. É importante para otimizar o desempenho do explosivo e definir o modo como vai ocorrer a liberação de energia. Há muitos tipos de explosivos no mercado, como explosivos plásticos, pólvoras, petardo, anfo, entre outros. Seu uso, por exemplo, pode ser militares ou industriais, mas seja qual for a finalidade, é impor- tante estar atento sobre o material que está sendo usado, ser ministrado por profissionais, e atender as legislações específicas para atividades com esses materiais. 51 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2018 Banca: CESGRANRIO Órgão: TRANSPETRO Prova: Au- xiliar de Saúde Nível: Médio. Para haver fogo, é necessária a presença de três elementos que formam o triângulo do fogo ou, mais modernamente, o quadrado ou tetraedro do fogo. Para extinguirmos o fogo, basta retirar um desses elementos. Quando retiramos ou reduzimos o elemento denominado de com- burente, estamos extinguindo o fogo pelo método denominado de a) Abafamento b) Isolamento c) Resfriamento d) Sufocamento e) Quebra da reação em cadeia QUESTÃO 2 Ano: 2018 Banca: CESGRANRIO Órgão: TRANSPETRO Prova: Au- xiliar de Saúde Nível: Fácil Os extintores de pó-químico seco são constituídos de um cilindro que possui, no seu interior, um pó a base de bicarbonato de sódio ou bicarbonato de potássio, o qual é impulsionado para fora por meio de gás propelente, geralmente o nitrogênio. Esse extintor é indicado para combater princípios de incêndios das classes a) A e B b) B e C c) C e D d) A e C e) B e D QUESTÃO 3 Ano: 2018 Banca: CESGRANRIO Órgão: TRANSPETRO Prova: Moço Nível: Fácil. O brigadista de incêndio de uma embarcação é informado de que está ocorrendo um incêndio em um paiol, onde se encontram ar- mazenados tambores contendo gasolina. O agente extintor mais adequado a ser utilizado para combater esse incêndio é a(o) a) água b) espuma 52 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S c) dióxido de carbono d) pó químico especial e) pó químico seco QUESTÃO 4 Ano: 2017 Banca: FCC Órgão: TRT 24ª Região Prova: Administrati- va - Segurança Nível: Médio. Um Técnico Judiciário com especialização em segurança de dig- nitários adentra no setor de segurança eletrônica e vigilância da Instituição e se depara com um cenário de princípio de incêndio. As chamas vieram dos monitores de TV que estavam juntamente com o DVR. Para a extinção do fogo, o técnico terá que buscar o extintor de incêndio para a classe de incêndio do tipo a) C b) A c) B d) D e) K QUESTÃO 5 Ano: 2017 Banca: CESPE Órgão: TRE BA Prova: Segurança Judi- ciária Nível: Médio Os extintores de incêndio são concebidos segundo os métodos de extinção a que eles se destinam: por abafamento, resfriamen- to, quebra da reação em cadeia ou pelo conjunto de dois ou mais elementos. Nesse sentido, o extintor de incêndio à base de água destina-se à extinção de incêndios pelos métodos de a) resfriamento e extinção conjuntiva b) abafamento e extinção conjuntiva. c) resfriamento e quebra da reação monoestática. d) abafamento e resfriamento. e) abafamento e quebra da reação monoestática. QUESTÃO DISSERTATIVA - DISSERTANTO A UNIDADE Exemplifique e discorra sobre os principais tipos de pós químicos utili- zados para combater o incêndio. TREINO INÉDITO Marque "V" para verdadeiro ou "F" para falso nas afirmativas a se- guir. Justifique as alternativas que julgar como falsas. ( ) A Espuma Química é composta por uma mistura de água com peque- nas porcentagens de concentrado gerador de espuma e entrada de ar 53 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S forçada. Já a Espuma Mecânica é o resultado da combinação da reação entre soluções aquosas de sulfato de alumínio e bicarbonato de sódio. ( ) Os Pós Químicos são eficientes no combate de incêndios que envol- vam líquidos inflamáveis. ( ) O gás carbônico, ao contrário do que é dito, não é o material extintor mais recomendado para incêndios classe C, pois, conduz eletricidade e não possui pressão própria para descarregar o extintor. ( ) Os agentes água e espuma são adequados para classe A, B e C, mas não para a classe D, pois, nessa classe o agente extintor deve ser compatível com metais. NA MÍDIA PF PRENDE 73 PESSOAS POR EXTRAÇÃO ILEGAL DE PEDRAS COM EXPLOSIVOS NA SERRA DA CANASTRA O foco do grupo preso pela Polícia Federal era a extração de quartzito no Parque da Serra da Canastra. O material era feito com o uso de explosivos. Fonte: Folha de São Paulo Data: 20/02/2019 Leia a notícia na íntegra: https://www1.folha.uol.com.br/cotidia- no/2019/02/pf-prende-73-pessoas-por-extracao-ilegal-de-pedras-com- -explosivos-na-serra-da-canastra.shtml NA PRÁTICA Ainda no que tange ao uso de explosivos, como podemos observar na notícia acima, nota-se que as pessoas não possuem o conhecimento devido quanto ao uso desses materiais. É muito comum que bandidos tenham fácil acesso aos explosivos, para realizar crimes desta magnitu- de, o que evidencia a facilidade de obtenção destes produtos. Conforme estudado, é sabido que conforme a propriedade do explosivo, esse pode precisar de apenas um impacto para dar início à sua ação. Além disso, certos explosivos possuem sensibilidade elevada e alta velocidade para sua detonação. O uso indevido, em especial por pessoas que não são habilitadas para lidar com tais materiais, coloca em risco a própria vida e a de pessoas ao redor, além do crime direto contra o meio ambiente. 54 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S A proteção e o combate contra incêndio são compostos por equipamentos e sistemas que precisam ser acionados, manual ou au- tomaticamente, para funcionarem em situação de incêndio, detectando com rapidez os focos de incêndio, para eliminá-los e garantir a vida e a segurança de todos os envolvidos. Para que tais ações sejam conclu- ídas com eficácia, as normas técnicas e legislações são elaboradas, para orientar os profissionais técnicos habilitados e permitir conheci- mento e entendimento sobre a proteção, o combate e a segurança con- tra incêndio, sejam nas edificações, indústrias, meio ambiente ou qual- quer outra área de risco. LEGISLAÇÃO E NORMAS RELATIVAS À PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO, TÉCNI- CAS DE SALVAMENTO E BRIGADAS DE INCÊNDIO P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S 54 55 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S -G R U P O P R O M IN A S ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT A ABNT é o órgão de utilidade pública, responsável pelas nor- matizações técnicas do país em todos os setores, com o objetivo de garantir que os produtos originados da produção sejam desenvolvidos com tecnologia e segurança. Dessa forma, a seguir se destacam como os principais siste- mas de proteção contra incêndios, de acordo com a Associação Brasi- leira de Normas Técnicas (ABNT): NBR 5419:2015 - Proteção contra descargas atmosférias; NBR 5667:2006 - Hidrantes urbanos de incêndio de ferro fun- dido dúctil; NBR 9077:2001 - Saídas de Emergência em Edifícios; NBR 10897:2020 - Sistemas de proteção Contra Incêndio por Chuveiros Automáticos - Requisitos; NBR 10898:2023 - Sistema de Iluminação De Emergência; NBR 11742:2018 - Porta Corta-Fogo Para Saída de Emergência; NBR 11861:1998 - Mangueira de Incêndio - Requisitos e Méto- dos de Ensaio; NBR 12615:2020 - Sistema de combate a incêndio por espuma – Espuma de baixa expansão; NBR 12962:2016 - Extintores de Incêndio - Inspeção e Manu- tenção; NBR 12779:2009 - Mangueira de Incêndio - Inspeção, Manu- tenção e Cuidados; NBR 16820:2022 - Sistemas de Sinalização de Emergência – Projeto, Requisitos e Métodos de Ensaio; NBR 13714:2000 - Sistemas de Hidrantes e de Mangotinhos Para Combate A Incêndio; NBR 14276:2020 - Brigada de Incêndio; NBR 15219:2020 - Plano de emergência — Requisitos e pro- cedimentos NBR 15808:2017 - Extintores de Incêndio Portáteis; NBR 17240:2010 - Sistema de Detecção e Alarme Automático de Incêndio - Projeto, Instalação, Comissionamento e Manutenção de Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio – Requisitos. LEGISLAÇÕES E DECRETOS Em 2017, foi aprovada a Lei 13.425/2017 que estabelece as regras gerais sobre prevenção e combate a incêndios em estabeleci- 56 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S mentos, edificações e áreas de concentração de pessoas. A lei ficou conhecida como Lei Kiss Federal, uma menção à boate Kiss, que foi alvo de um incêndio na cidade de Santa Maria, em RS, no ano de 2013, matando 242 jovens. Além do exemplo da lei federal acima citada, cada estado pos- sui sua legislação referente à segurança, à proteção e ao combate ao incêndio, no que tange a legislações, decretos, portarias cobranças de taxas de acordo com o tipo de serviço, além das Instruções Técnicas - ITs e pareceres. O estado de Minas Gerais, por exemplo, possui 44 Its (https://www.bombeiros.mg.gov.br/normastecnicas), enquanto o estado de São Paulo tem 45 Instruções Técnicas publicadas (http://www.ccb. policiamilitar.sp.gov.br/portalcb/_seguranca-contra-incendio/legiscon- sulta.php). Ambos são publicados pelo Serviço de Segurança Contra incêndio e pânico no site do Corpo de Bombeiros do estado em questão. As normas estaduais e municipais devem ser analisadas no que se refere à prevenção e combate a incêndios. Elas podem ser mais restritivas do que as normas nacionais, mas nunca po- dem ser menos restritivas. Legislações referentes ao estado de Minas Gerais http:// www.bombeiros.mg.gov.br/legislacao.html NORMAS REGULAMENTADORAS – NRS Outro documento normativo importante é o que contém as Nor- mas Regulamentadoras. Ao todo, são 38 NRs que visam a segurança dos trabalhadores (sendo duas revogadas até a elaboração desse mate- rial), nos mais diversos setores produtivos do país. As NRs que lidam com serviços relacionados a incêndios e explosivos são as NRs 19, 20 e 23. NR 19 - Explosivos NR 20 - Segurança e Saúde com Inflamáveis e Combustíveis NR 23 - Proteção Contra Incêndios 57 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S A NR 19 chama atenção para a maneira de armazenar os ex- plosivos, bem como seu manuseio e transportes adequados, para man- ter a segurança e integridade dos trabalhadores. Além disso, trata não só de explosivos para fins de detonação, mas também para comércio de fogos de artifício e outros artefatos acessíveis com facilidade. A NR 20 lida com os fatores de risco de acidentes provenientes das atividades de extração, produção, armazenamento, transferência, manuseio e manipulação de inflamáveis e líquidos combustíveis, con- forme descrito na própria norma. A NR 23 responsabiliza os empregadores pela adoção de me- didas de prevenção de incêndios, bem como informações sobre utiliza- ção dos equipamentos, procedimentos para evacuação dos locais de trabalho de forma segura e sobre os dispositivos de alarme existente. Além disso, há outras definições sobre alguns conceitos básicos sobre o fogo, treinamentos e brigadistas. As NRs são disponibilizadas no site do Governo Federal, estão em constante atualização e são publicadas sempre em suas versões mais recentes (https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/compo- sicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e- -saude-no-trabalho/ctpp-nrs/normas-regulamentadoras-nrs). AUTO DE VISTORIA DO CORPO DE BOMBEIROS – AVCB De acordo com a Lei Estadual nº 14.130/2001 e Decreto Estadual nº 46.595/2014, no estado de Minas Gerais, as edificações destinadas ao uso coletivo devem ser regularizadas junto ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais - CBMMG. Esse processo de regularização tem o objetivo de garantir a segurança mínima contra incêndio e pânico nas edificações. Para atestar a segurança da edificação, foi criado pelo CBM- -MG (Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais) o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros - AVCB. Esse documento é emitido após a ve- rificação das medidas de segurança instaladas em acordo com o Pro- cesso de Segurança Contra Incêndio e Pânico - PSCIP. O AVCB possui validade de 05 anos, excetuado pelas edificações que fazem recepção de público, cuja validade é de 03 anos. É importante lembrar que cada estado do país possui sua for- ma de regularização e certificação de que as edificações se encontram em segurança para ocupação. 58 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Figura 27- Exemplo de modelo de AVCB estado de SP Fonte: Soluções Industriais, 2019. 59 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Figura 28 - Exemplo de modelo de AVCB estado de MG Fonte: Vellamo, 2019. TÉCNICAS DE SALVAMENTO E BRIGADAS DE INCÊNDIO Além de controlar o incêndio de determinado local, um dos 60 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S principais trabalhos dos profissionais que lidam com fogo é salvar as vítimas que se encontram em situações perigosas, sendo muitas vezes, a ação prioritária em casos mais complicados. Alguns procedimentos de emergência podem ser aplicados nas vítimas de incêndio, para manter os sinais vitais e evitar complica- ções mais graves. Esses procedimentos são os denominados primeiros socorros, que consistem em fazer um atendimento imediato à vítima de incêndio, nesse caso, ou que seja vítima de outros tipos de acidentes, bem como em qualquer indivíduo que esteja com um mal súbito. De acordo com o Código Penal Brasileiro, qualquer pessoa, ainda que leiga na área da saúde, estará sujeita a complicações penais, caso deixe de prestar ajuda a algum necessitado ou acidentado, seja com procedimentos de primeiros socorros ou ao chamar algum outro tipo de ajuda para a vítima. PRIMEIROS SOCORROS A finalidade dos primeiros socorros prestados às vítimas de in- cêndio é preservar a vida, reduzir a situação grave das lesões e, depois de feitos os primeiros socorros, encaminhar os indivíduos ao socorro completo adequado. Ao deparar-se com a situação, é necessário agir com calma e cautela, transmitir confiança e tranquilidade às vítimas em desespero, agir rapidamente dentro dos limites conhecidos sobre primeiros socor- ros. É precisosaber identificar como a vítima se encontra, para saber aplicar os procedimentos adequados, analisar o local, para verificar se o ambiente está seguro para a realização do atendimento, utilizar os equipamentos adequados de segurança e fazer a sinalização da área. Há inúmeros procedimentos de primeiros socorros, que são exe- cutados conforme a situação e os sintomas apresentados pela vítima. Vias Aéreas Quando os primeiros socorros devem ser feitos pelas vias aé- reas, é necessário fazer contato com a vítima, em seguida imobilizar a coluna cervical e posicionar as costas da vítima em uma superfície dura. Na sequência, efetuam-se manobras de elevação do queixo ou da mandíbula e deve-se visualizar a cavidade oral para retirada de corpos estranhos, se for o caso. 61 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Respiração e Ventilação É necessário expor o tórax do paciente para ver, ouvir e sentir algum movimento respiratório e, após a análise, realiza-se a respiração boca a boca. Para verificar a respiração, o socorrista deve sentir o ar que é expirado pela vítima e observar os movimentos respiratórios do tórax. Em caso de parada respiratória, recomenda-se posicionar a ca- beça da vítima e iniciar a respiração boca a boca. Vias Circulatórias: Hemorragias Nessa situação, é indicado verificar a existência de pulso, e caso haja ausência de pulso, deve dar início ao procedimento de mas- sagem cardíaca. Caso haja pulso, é feito o controle dos sangramentos e o aquecimento do paciente. É importante lembrar que a cabeça da vítima deve se manter alinhada em todo o tempo. Reanimação Cardiopulmonar - RCP A recomendação sobre a reanimação cardiopulmonar – RCP é que as compressões torácicas sejam executadas continuadamente, para manter o fluxo contínuo de sangue para o coração, cérebro e ou- tros órgãos vitais. Estado de Choque Uma situação de choque é identificada quando há falha no re- cebimento de sangue pelo sistema circulatório. Os principais sintomas de uma vítima que se encontra nesse estado é a frequência do pulso, que se dá de forma rápida, respirações curtas, rápidas e irregulares, apresenta a pele fria, úmida, pálida e extremidades arroxeadas e nível de consciência agitado ou lento. Causas como hemorragias e/ou fraturas graves, dores inten- sas, queimaduras graves, exposições prolongadas a frio ou calor ex- tremos, acidente por choque elétrico, ferimentos extensos ou graves e infecções graves são comuns nesse tipo de ocorrência. Para socorrer a vítima nesses casos é indicado deitar a vítima de costas, sempre com a cabeça alinhada e cervical imobilizada, elevando os membros infe- riores, caso não haja fraturas. Se houver a presença de hemorragia, 62 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S deve-se comprimir o local. Após, cubra a vítima e providencie transporte para remoção imediata para atendimento hospitalar adequado. Hemorragia A hemorragia se dá pela perda constante de sangue, ocasio- nada pelo rompimento dos vasos sanguíneos, podendo ser externa ou interna. A hemorragia externa é visível, portanto, é mais fácil de identi- ficar. Caso seja prestado algum atendimento, a vítima pode chegar ao estado de choque. Para atendimentos em casos de hemorragia externa é necessário fazer a proteção com o uso de luvas. Identifica-se o local da hemorragia, e se atentar para não realizar atendimento no local er- rado. Colocar um pano limpo no local do ferimento e uma atadura em volta, pronta ou improvisada com objetos que não causem dificuldade circulatória, como fios, barbantes, entre outros. Em sequência deve ser feito o curativo compressivo, sem prejudicar a circulação do membro em questão. Se a hemorragia for em um braço ou uma perna, deve-se elevar o membro, excetuado em casos em que há fraturas. Faça pressão na área com os dedos para auxiliar a estancar a hemorragia. Caso o sangue continue saindo, mesmo após a realiza- ção dos procedimentos anteriores, não retire os panos já posicionados. Coloque outro pano limpo por cima para não causar interferências no processo de coagulação. O uso de torniquete pode levar à amputação cirúrgica de mem- bro, caso não seja afrouxado corretamente e no tempo certo, portando, evite o uso desses objetos, ou tenha certeza de usá-los corretamente. Queimaduras Diversas são as causas das queimaduras, mas as mais co- muns em relação ao combate a incêndio são as chamas (térmicas), va- pores quentes, líquidos ferventes, sólidos superaquecidos, substâncias químicas, radiações, frio ou calor excessivo e eletricidade. Queimaduras Térmicas: São causadas pelo calor, por meio de líquidos, sólidos, gases quentes e do calor de chamas. Para os cuidados com esse tipo de queimadura deve-se utilizar água corrente no local atingi- do e nunca estourar as bolhas que poderão ser formadas na área afetada. Queimaduras Elétricas: São causadas pelo contato com a ele- tricidade de alta e baixa tensão à medida que a corrente elétrica atra- vessa o corpo. A prioridade de atendimento nesse tipo de emergência 63 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S está em saber se a vítima ainda permanece em contato com a fonte elétrica que originou a queimadura. O indivíduo pode precisar de reani- mação cardiopulmonar, devido ao risco de paradas cardíacas, por isso, ele deve ser encaminhado ao hospital o mais rápido possível. Queimaduras Químicas: As queimaduras químicas são provo- cadas pelo contato de substâncias corrosivas, líquidas ou sólidas com a pele. A reação do produto químico com a pele continua até que seja totalmente removido. Deve-se retirar a roupa com substância e fazer a lavagem no local imediatamente. Nesse caso, é extremamente impor- tante a identificação do produto que causou a queimadura. Queimadura por Radiação: É causada pela exposição à luz solar ou a fontes nucleares. É indicada a aplicação de água corrente ou toalhas molhadas no local e ingerir muito líquido devido ao risco de desidratação. A gravidade das queimaduras depende da causa, da profundi- dade, do percentual e do local afetado e do comprometimento das vias aéreas. Elas podem ser classificadas, de acordo com a profundidade, em 1º, 2º ou 3º graus. Queimaduras de 1º apresentam vermelhidão, dor, edemas; de 2º, bolhas e dores intensas e queimaduras; e de 3º apre- sentam pele esbranquiçada, necrose e indolor. Nesses casos, a área afetada não deve ser tocada, não tentar retirar os pedaços de roupa grudados na pele. Caso seja necessário, fazer um recorte em volta da roupa que está sobre a região afetada. Nunca usar manteigas, pomadas, creme dental ou qualquer outro pro- duto doméstico sobre a queimadura. Não utilizar algodão para cobrir a queimadura e não fazer o uso de ou água gelada para resfriar a região. PLANO DE EMERGÊNCIA A elaboração de um plano de emergência necessita de uma metodologia que necessita de um conjunto de execuções e coordena- ções compenetradas, adaptadas de acordo com a situação em anda- mento, visando a proteção da vida, do patrimônio e ao meio ambiente. O plano é desenvolvido levando em consideração os riscos, os recursos a serem utilizados e a situação de emergência, no caso os in- cêndios. O objetivo desse plano é unir as operações que serão executas ao combate contra o incêndio, bem como se atentar às informações e fornecê-las ao corpo de bombeiros, para tornar o atendimento eficiente. Para elaborar o plano de emergência, que deve ser elaborado por uma equipe capacitada ou profissional habilitado, é necessário levar em consideração os seguintes aspectos: a localização, a estrutura da constru- 64 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S ção, o tipo de ocupação, a população, as características de funcionamento do local, sehá portadores de deficiência, se há profissionais com recursos e qualificações para prestar serviços imediatos (brigadistas, bombeiros ci- vil, entre outros) e os materiais existentes para serem usados no ato, como extintores de incêndio, hidrantes, iluminação de emergência, entre outros. Para qualificar o local, algumas técnicas mais comuns de aná- lise de risco podem ser utilizadas, como as técnicas What If, Checklist, Hazop e Árvore de falhas, lembrando que existem outras técnicas que também podem ser aplicadas. No que tange à implantação do plano de emergência elaborado, devem ser feitos trabalhos completos de divulgação e treinamento aos usu- ários do local, para garantir que todos estejam informados e conheçam os procedimentos de emergência a serem executados. Além disso, sempre que houver a presença de um visitante, esse também deve ser informado do plano de emergência e deve haver uma cópia do plano, que deve estar sempre disponível, em locais de fácil acesso. Ainda sobre a implantação, deve-se também realizar exercícios de simulação de evacuação e aban- dono da área, com a participação de toda a população, sendo simulados parciais a cada 6 meses e simulados completos a cada 12 meses. Ao identificar uma situação de emergência contra incêndio é ide- al que siga uma sequência de passos, para que o controle da situação seja feito de forma mais eficaz e segura possível. De início, identificada a situação de emergência, emite-se um alerta aos ocupantes do local e aos responsáveis por prestar apoio à situação, como brigadistas ou bom- beiros civis. Dado o alerta, é feita uma análise para a identificação dos procedimentos a serem tomados, colocando em preferência as situações que exigem emergência com uso dos recursos disponíveis no local. O corpo de bombeiros, bem como outros órgãos competentes, deve ser acionado de forma imediata. É importante passar informações como nome e telefone utilizado para contato, endereço do local e carac- terísticas da situação de emergência aos profissionais que atenderem ao chamado. No local, os primeiros socorros devem ser prestados às vítimas, priorizando seus sinais vitais, até que chegue socorro especializado. Deve-se eliminar o maior número possível de riscos, como pos- síveis fontes de energia, válvulas de gás inflamável e solicitar o aban- dono parcial ou total da área para o ponto de encontro definido. Faz-se um isolamento da área para a realização dos trabalhos de emergência e para evitar que outras pessoas não autorizadas acessem o local de incêndio. É feito o confinamento do incêndio para evitar e minimizar sua evolução e consequências, e realizado o combate até que as chamas estejam contidas, para restabelecer a situação normal da área. Devem ser realizadas manutenções no plano de emergência 65 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S sempre que for necessário, pelos profissionais competentes, bem como uma revisão do plano, quando houver alguma alteração significativa nas características do local, quando for constatada necessidade de melhoria no plano, e quando a última revisão realizada tiver completado 12 meses. TÉCNICAS DE TRANSPORTES DE EMERGÊNCIA PARA SALVA- MENTO A ação de impulso ao se deparar com uma situação de incêndio, onde é possível a visualização de pessoas, é fazer a remoção dessas do local em chamas. Entretanto, o ideal é que não se retire o indivíduo, visto que os socorristas devem ser os responsáveis pelo cuidado e pela manutenção do estado estável do paciente, até que a equipe de resgate chegue ao local. Todavia, haverá situações em que será necessário o transporte das vítimas, conhecido como transportes de emergência. Os transportes de emergência podem ser feitos dos seguintes modos: Transporte apoiado: Nesse tipo de transporte, a vítima deve estar consciente, e caso possa andar, ela é apoiada pela pessoa socor- rista. O braço da vítima é passado pelos ombros do socorrista, por trás do pescoço e segurado por uma das mãos do socorrista. Com o outro braço, a vítima é envolvida pela cintura. Transporte cadeirinha: Nesse caso a vítima também deve estar consciente. Os socorristas se posicionam um de frente para o outro em pé. Com a mão esquerda, cada um segura seu próprio punho direito, e com a mão direita, seguram o punho esquerdo do socorrista a sua frente. Figura 29 - Transporte cadeirinha Fonte: Rosa, 2019. 66 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Transporte por cadeira: Para esse tipo de transporte, a vítima não precisa estar consciente. A vítima deve ser colocada em uma cadei- ra que não seja de abrir e fechar e que seja resistente. Figura 30 - Transporte por cadeira Fonte: Rosa, 2019. Transporte por arrastamento: O transporte por arrastamento deve ser feito somente por um brigadista, caso a vítima esteja incons- ciente, podendo ser executado em um local plano ou inclinado. Figura 31 - Transporte por arrastamento Fonte: Rosa, 2019. Levantamento pelos membros/extremidades: A vítima é trans- portada por dois socorristas, sendo segurada pelos braços, nas axilas e pelas pernas, em posição aberta. Após posicionamento, ambos erguem 67 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S a vítima ao mesmo tempo. Figura 32 - Levantamento por extremidade Fonte: Rosa, 2019. Transporte nos braços: esse transporte é executado por um bombeiro, e se torna ágil e eficaz, especialmente quando as vítimas possuem estrutura física pequena. Figura 33 - Transporte nos braços Fonte: Rosa, 2019. Arrasto pelo pescoço: o socorrista deve amarrar as mãos da ví- tima uma à outra e depois passá-las por trás de seu pescoço. Dessa for- ma, será possível arrastar o indivíduo acidentado pelo percurso. Esse transporte não deve ser empregado caso a vítima esteja com fratura na 68 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S coluna ou no pescoço. Figura 34 - Arrasto pelo pescoço Fonte: Rosa, 2019. Arrasto tipo bombeiro: Utilizado em situações onde a vítima se encontra inconsciente. Consiste em segurar a vítima, levantá-la, apoiá- -la em pé, ajoelhar-se e erguer a vítima, passando-a para as costas. Há melhores detalhes nas imagens abaixo. Figura 35 - Arrasto tipo bombeiro Fonte: Rosa, 2019. Transporte pendurado: Pode ser usado em vítimas conscientes ou não. O socorrista fica de costas para a vítima, passa os ombros dela em volta do pescoço e a inclina para frente para levantá-la. 69 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S Figura 36 - Transporte pendurado Fonte: Rosa, 2019. Noções Básicas de Primeiros Socorros https://www.youtube.com/watch?v=64gG42Lpp8c Links de acesso aos vídeos sobre transporte de emergência: Transporte cadeirinha https://www.youtube.com/watch?v=RIp167L8ozY Transporte cadeira https://www.youtube.com/watch?v=vMkDtw_5yaY Transporte por arrastamento https://www.youtube.com/watch?v=Y7vxaF78Iwg Levantamento pelos membros/extremidades https://www.youtube.com/watch?v=gGYblsnmHyg Transporte nos braços https://www.youtube.com/watch?v=QJScmEZMcE8 Arrasto pelo pescoço https://www.youtube.com/watch?v=P3fMB3LVqdA Arrasto tipo bombeiro https://www.youtube.com/watch?v=vGSl8cupnTk Transporte pendurado https://www.youtube.com/watch?v=kDY6fNk28ts BRIGADAS DE INCÊNDIO Segundo a NBR 14276, brigada de incêndio é um grupo orga- nizado de pessoas, de preferência voluntárias ou indicadas, treinadas e capacitadas para atuar na prevenção e no combate ao princípio de 70 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S incêndio, abandono de área e primeiros socorros, dentro de uma área preestabelecida na planta. O brigadista é qualquer pessoaque pertença a brigada de incêndio. A função da brigada de incêndio é orientar as pessoas em uma evacuação com segurança, prestar primeiros socorros, combater os fo- cos de incêndio protegendo a vida, as propriedades e o meio ambiente e prestar informações necessárias ao corpo de bombeiros sobre a situ- ação decorrente. Para ser um candidato brigadista, deve-se atender aos crité- rios, ou sua maioria, a seguir: - Permanecer na edificação durante seu turno de trabalho; - Possuir boa condição física e boa saúde; - Possuir bom conhecimento das instalações; - Ter mais de 18 anos; - Ser alfabetizado. Após o processo de seleção, os candidatos selecionados devem realizar o curso de formação, com carga horária mínima definida pela nor- ma. Seja qual for a carga horária, a validade do treinamento completo de todo brigadista é de no máximo 12 meses. Os certificados de brigadista são emitidos àqueles que concluírem o curso com aproveitamento mínimo de 70% na avaliação teórica e prática, e são expedidos por instrutor em in- cêndio e instrutor em primeiros socorros, também com validade de um ano. Dentre as ações preventivas atribuídas à brigada de incêndio, as que se destacam são o conhecimento do plano de emergência con- tra incêndio da planta em questão, a avaliação dos riscos existentes, a inspeção dos equipamentos de combate a incêndio e das rotas de fuga. Além disso, para ações de emergência, deve-se aplicar os procedimen- tos estabelecidos no plano de emergência contra incêndio, até que seus recursos estejam esgotados. Todos os membros brigadistas devem receber EPIs, de acordo com sua função, sendo EPIs para proteção da cabeça, dos olhos, do tronco, dos membros superiores e inferiores e do corpo todo. É válido ressaltar ainda que, todo brigadista deve utilizar o tem- po todo algum objeto de identificação, que o permita ser identificado como membro da brigada de incêndio. 71 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2014 Banca: FCC Órgão: METRO SP Prova: Engenheiro de Segurança do Trabalho Nível: Médio. Deseja-se realizar o dimensionamento do número mínimo de bri- gadistas, conforme Decreto Estadual vigente e Instruções técnicas do Corpo de Bombeiro do Estado de São Paulo, em uma Indústria na área de infraestrutura de energia e transporte, em único pavi- mento (térreo), grau de risco alto e com uma população fixa de 5000 funcionários, para um único setor. Dados: População fixa por pavimento ou compartimento até 10 funcionários igual a seis brigadistas. O número mínimo total de brigadistas desta indústria deverá ser de a) 250 pessoas. b) 256 pessoas. c) 334 pessoas. d) 500 pessoas. e) 505 pessoas. QUESTÃO 2 Ano: 2014 Banca: FCC Órgão: TRF 3ª Região Prova: Segurança e Transporte Nível: Difícil. Atenção: Considere o texto que segue para responder à questão. “O barracão de uma fábrica de isopor no bairro Planta Perneta, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, foi destruído por conta de um incêndio na tarde de quarta-feira (12/09/2012). O fogo come- çou por volta das 13 horas, em um depósito onde ficavam máqui- nas desativadas e tambores de cola, segundo o proprietário. O teto do local era de madeira, o que também facilitou a propagação das chamas. Parte da estrutura, máquinas e todo o estoque foram des- truídos. Apenas um escritório de contabilidade ficou intacto. O pro- prietário contou que não tinha seguro do estabelecimento. Ninguém ficou ferido. O fogo foi controlado às 15 horas, aproximadamente. O Corpo de Bombeiros utilizou um hidrante de uma escola ao lado para auxiliar na extinção do fogo. Até a tarde desta quarta-feira, ain- da não era possível determinar a causa do incêndio.” (Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteu- do. phtml?id=1296604 Data: 12/09/2012, 18h34min, Patrícia Pereira, com informações de Marcelo Andrade.) O AVCB, conforme os Decretos Estaduais que instituem o Regu- lamento de Segurança contra incêndio são exigidos para todas as 72 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S edificações comerciais e industriais. Este documento refere-se a) ao Parecer Técnico, que é emitido pelo profissional técnico para cons- tatar as condições mínimas satisfatórias de segurança contra incêndios, devendo ser revalidado anualmente. b) à Autorização para Adequação, que é uma licença de funcionamento que estabelece um período para adequação e execução das medidas exigidas, devendo ser revalidado a cada ano. c) ao Laudo de Inspeção, que é emitido pelo Corpo de Bombeiros e rela- ta que a edificação possui as condições de segurança contra incêndios previstas pela legislação vigente, devendo ser revalidado a cada 2 anos. d) ao Auto de Vistoria, documento emitido pelo Corpo de Bombeiros, que certifica que as condições de segurança contra incêndio estão de acordo com a legislação vigente, devendo constar no processo e ser revalidado a cada 3 anos. e) ao Auto de Licença de funcionamento, documento emitido após a intervenção técnica de profissional habilitado e, que autoriza o funcio- namento das atividades comerciais e industriais e que estão de acordo com a legislação vigente, devendo ser revalidado a cada 3 anos. QUESTÃO 3 Ano: 2014 Banca: FCC Órgão: METRO SP Prova: Engenheiro de Segurança do Trabalho Nível: Médio. Para o dimensionamento do número de brigadistas de uma Enti- dade Beneficente que apoia a inclusão de crianças e jovens por- tadores de deficiência física, de acordo com a Instrução Técnica − IT 17 do Corpo de Bombeiro do Estado de São Paulo, com uma população fixa de 10 funcionários em um único pavimento térreo, o percentual de brigadistas desta população é de a) 50% b) 70% c) 80% d) 90% e) 100% QUESTÃO 4 Ano: 2015 Banca: FCC Órgão: CNMP Prova: Técnico Administrati- vo Nível: Médio O Decreto Distrital nº 23.154/2002 dispõe sobre as infrações às nor- mas técnicas vigentes de instalação de sistema de proteção contra incêndio e pânico. Para efeito de entendimento e aplicação deste Decreto Distrital, são adotadas as seguintes normas técnicas: I. Normas da ABNT pertinentes e aplicáveis a cada sistema. 73 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S II. Normas da ISO ( International Organization for Standardization) pertinentes e aplicáveis a cada sistema. III. Normas da NFPA ( National Fire Protection Association) perti- nentes e aplicáveis a cada sistema. IV. Regulamento de Segurança contra Incêndio e Pânico do Distrito Federal. V. Normas técnicas editadas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. Está correto o que consta em a) I e IV, apenas. b) I, II, III, IV e V. c) IV e V, apenas. d) I, IV e V, apenas. e) II, III e IV, apenas. QUESTÃO 5 Ano: 2015 Banca: FCC Órgão: CNMP Prova: Técnico Administrati- vo Nível: Médio Adelson, responsável pela prevenção contra incêndios, em uma edificação do CNMP com 13 m de altura e área de 1.300 m 2, infor- mou ao seu superior que, para atender às disposições da Norma Técnica nº 001/2002 do CBMDF, dentre outros, são exigidos siste- mas de proteção para esta edificação coletiva: I. hidrantes de parede. II. SPDA. III. chuveiros automáticos. A afirmação de Adelson está correta quanto a a) II e III, apenas. b) I e II, apenas. c) I, II e III. d) I e III, apenas. e) III, apenas. QUESTÃO 6 Ano: 2014 Banca: FCC Órgão: TRF 3ª Região Prova: Segurança do Trabalho Nível: Médio. As Brigadas de Incêndio nas empresas e em repartições são grupos organizados por pessoas voluntárias ou não, treinadas e capacitadas para atuar na prevenção de incêndios. De acordo com a NBR 14276 (atual), o dimensionamento total de brigadistas de uma agência ban- cária, de grupo D − serviço profissional, divisão D1 − condução de ne- 74 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P OP R O M IN A S gócios, grau de risco médio, com uma composição mínima de Briga- da de Incêndio por pavimento ou compartimento até 10 funcionários, é de 4 brigadistas. O número total de brigadistas, para uma população fixa de 36 funcionários, para um único pavimento, é de a) 6 b) 7 c) 8 d) 18 e) 29 QUESTÃO 7 Ano: 2015 Banca: FCC Órgão: TRT 9ª Região Prova: Segurança Nível: Médio. Definem-se Primeiros Socorros como avaliações e intervenções que podem ser realizadas por um leigo com ou sem equipamentos médicos. Para um atendimento de primeiros socorros, considere que I. Diante de uma vítima com episódio de desmaio o socorrista deve ajudá-la a deitar-se no chão. II. Durante uma crise convulsiva o socorrista deve colocar um ob- jeto entre os dentes da vítima e restringir-lhe os movimentos dos membros. III. Para controle de hemorragia, o socorrista deve aplicar gaze ou compressa diretamente sobre a lesão e aplicar pressão manual. Está correto o que se afirmar em a) I e III, apenas. b) I, II e III. c) II e III, apenas. d) I e II, apenas. e) II, apenas QUESTÃO 8 Ano: 2018 Banca: OBJETIVA CONCURSOS Órgão: LIQUIGÁS Pro- va: Atendente I Nível: Fácil. Sobre prevenção de acidentes e primeiros socorros, analisar os itens abaixo: I - Manter a sala organizada e colocar proteção em tomadas de energia elétrica são algumas medidas que contribuem para a pre- venção de acidentes na sala. II - Para evitar contaminações e acelerar o processo de cicatriza- ção, os cortes leves devem ser lavados com álcool ou vinagre, an- tes de aplicação do curativo. 75 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S a) Os itens I e II estão corretos. b) Somente o item I está correto. c) Somente o item II está correto. d) Os itens I e II estão incorretos. QUESTÃO 9 Ano: 2016 Banca: FCC Órgão: ELETROSUL Prova: Técnico de Se- gurança do Trabalho Nível: Médio Um técnico de segurança foi designado para formar a brigada de incêndio de uma empresa que atua na área de geração, transmis- são e comercialização de energia elétrica. A empresa possui 90 funcionários em uma das unidades descentralizadas e o nível do treinamento é intermediário. De acordo com a NBR-14276 − Briga- da de Incêndio, são pontos importantes a serem considerados: I. Se o funcionário já foi um brigadista da empresa por mais de um ano, para reciclagem, ele pode ser dispensado de participar da par- te teórica do treinamento e/ou primeiros-socorros, desde que seja aprovado em pré-avaliação em que obtenha 70% de aproveitamento. II. No caso de uma situação real, simulado de emergência ou even- tos, os brigadistas devem usar somente um botton ou broche visí- vel para facilitar sua identificação e auxiliar na sua atuação. III. A carga horária mínima (em horas), para o nível de treinamento intermediário, da parte teórica de combate e incêndio e primeiros socorros é de 4 horas e para a parte prática é de 4 horas. IV. Para o dimensionamento de instrutores e auxiliares (treinamen- to intermediário), na parte teórica de incêndio será 1 instrutor para um grupo de 30 alunos e para a parte prática de incêndio será 1 instrutor e 2 auxiliares do instrutor para o grupo de 30 alunos. Está correto o que se afirma APENAS em a) II e III. b) I e II. c) I e IV. d) I, II, e IV. e) III e IV. QUESTÃO 10 Ano: 2018 Banca: FCC Órgão: SABESP Prova: Técnico de Segu- rança do Trabalho Nível: Médio Determinada empresa conta com uma Brigada de Incêndio classifi- cada como “Grupo D − Serviço profissional”, tipo de Atividade “D-3 Serviço de reparação”, caracterizado como grau de risco baixo; po- pulação fixa por pavimento ou compartimento até 10 funcionários 76 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S igual a 2 brigadistas, de acordo com a NBR-14.276 − Brigada de In- cêndio e/ou Instrução técnica do corpo de bombeiro IT 17 − Briga- da de Incêndio. Para uma população fixa de 110 colaboradores, em 2018, em um galpão de 1500 metros quadrados de único pavimento, o número mínimo total de brigadistas dessa empresa será de a) 22 brigadistas. b) 10 brigadistas. c) 12 brigadistas. d) 07 brigadistas. e) 27 brigadistas. QUESTÃO DISSERTATIVA - DISSERTANTO A UNIDADE 1- A NR 19, que aborda sobre explosivos, cita os procedimentos que devem ser tomados quanto à fabricação de explosivos, visando a segu- rança do trabalhador envolvido no processo. Decorra-os. 2- De acordo com a norma 14276, como procede o brigadista que dese- ja fazer a reciclagem de seu curso? TREINO INÉDITO 1 - A saída de emergência, de acordo com a NBR 9077:2002 com versão em vigor, compreende os seguintes componentes para saí- da de emergência, exceto: a) acessos ou rotas de saídas horizontais, isto é, acessos às escadas, quando houver, e respectivas portas ou ao espaço livre exterior, nas edificações térreas; b) escadas ou rampas; c) túneis como rota alternativa; c) descarga. 2 - Marque V ou F conforme informações que constam na NBR 14276:2020. ( ) O candidato a brigadista deve permanecer na edificação, possuir ex- periência anterior como brigadista, possuir robustez física e boa saúde, possuir bom conhecimento das instalações, ter responsabilidade legal e ser alfabetizado. ( ) A brigada de incêndio deve ser organizada funcionalmente por briga- distas, por um líder, por um chefe da brigada e um coordenador geral. ( ) As empresas que possuem em sua planta somente uma edificação com apenas um pavimento/compartimento não precisam ter um líder para coordenar a brigada. ( ) Não há necessidade de formação de brigada de incêndio para ocu- pação residencial descrita como hotéis ou prédios residenciais. 77 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S NA MÍDIA 'LEI KISS' É SANCIONADA COM VETOS POR MICHEL TEMER A sanção da lei ocorreu em 2017, mas o crime aconteceu em janeiro de 2013, deixando 242 mortos e familiares com sensação de impunidade. Fonte: G1 - O Portal de Notícias da Globo Data: 31/03/2017 Leia a notícia na íntegra: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noti- cia/2017/03/lei-kiss-e-sancionada-com-vetos-por-michel-temer.html BOMBEIROS SIMULAM INCÊNDIO E SALVAMENTO DE VÍTIMAS EM VITÓRIA Após incêndio em um prédio de 24 andares que pegou fogo e desabou no Centro, em São Paulo, bombeiros do estado do Espírito Santo fazem simulação de incêndio e salvamento de vítimas. Fonte: G1 - O Portal de Notícias da Globo Data: 05/07/2018 Leia a notícia na íntegra: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/ bombeiros-simulam-incendio-e-salvamento-de-vitimas-em-vitoria.ghtml NA PRÁTICA 1- A criação da Lei Kiss foi um importante passo a ser dado em relação a espaços como edificações ou estabelecimentos para reunião de pú- blico. Torna o projeto para estes locais mais rigoroso e, em tese, é mais um ponto para garantir a segurança dos que frequentam locais com essas características. Apesar de positiva essa legislação, alguns pontos importantes foram vetados em sua aprovação, como a proibição do uso de comandas em casas noturnas, a responsabilidade das prefeituras pela fiscalização dos projetos e a previsão de punição a bombeiros, prefeitos e donos de estabelecimentos. Além disso, foi vetada a vistoria anual em casas noturnas pela prefeitura e pelo corpo de bombeiros. Os tópicos vetados são extremamente importantes para garantir a aplica- ção dos projetos necessários e uma conduta imparcial e responsável por parte dos donos desses locais, dos profissionais habilitados e da admi- nistração pública. Lacunas como essas dão espaço para que a sensação de impunidade em crimes como o que ocorreu esteja sempre presente. 2- Quando se trata de salvamento de vítimas de incêndio, todo tempo é precioso. Por mais que sejam feitos treinamentos e simulações cotidianas, a situação real é sempre mais dramática e exige preparação não só físi- ca, mas também psicológica, por parte dos profissionais envolvidos.Um caso de incêndio recente que aconteceu em São Paulo, em maio de 2018, terminou com uma vítima que poderia ter sido salva, se contasse com 40 segundos a mais para terminar de colocar o equipamento de resgate. Dito isso, é importante ressaltar que as condições estruturais do local em 78 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S incêndio sejam observadas com atenção ao realizar o salvamento da víti- ma. Os bombeiros são as peças-chave para garantir a eficácia das opera- ções e a conclusão de eventos deste tipo de forma mais positiva possível. 79 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S GABARITOS CAPÍTULO 01 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA Os quatro componentes do fogo são o combustível, o comburente a reação em cadeia e o calor. Para que o fogo tenha início, é preciso que existam os reagentes, que são o comburente e o combustível. Esse processo, conhecido como combustão, é a reação química que libera luz e calor, e para que a reação se inicie, é necessário que haja a energia de ativação fornecida por fontes de ignição. A presença do combustível, do comburente, da reação química, que ocorre pela presença da fonte de ignição, e do ca- lor da reação, fonte envolvida no processo onde se ganha ou se perde energia, forma o conhecido tetraedro do fogo. TREINO INÉDITO Gabarito: 5, 3, 1, 4, 2 80 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 02 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA Bicarbonato de sódio [NaHCO3]; Bicarbonato de sódio é comumente re- ferido como pó químico comum. É aplicado para as classes de incêndio B e C. Ele não é compatível com espumas de proteína, porque contém aditivos que são agentes antiespumantes e que causam a quebra das espumas de proteína. Bicarbonato de potássio [KHCO3]; Este pó tem maior capacidade de extinção em incêndios classe B do que o bicarbonato de sódio. Pode ser usado na classe C. Dependendo do processo de fabricação pode ser usado com espuma proteica. Fosfato de monoamônio [NH4H2PO4]. É um pó químico de múltiplo uso “ABC”, é o único pó químico que é eficiente em incêndios de combustí- veis da classe A. Ele é mais eficaz em incêndios classe B que o bicar- bonato de sódio, mas é menos eficiente que o bicarbonato de potássio. TREINO INÉDITO Gabarito: F, V, F, F. (F) A Espuma Química é composta por uma mistura de água com pe- quenas porcentagens de concentrado gerador de espuma e entrada de ar forçada. Já a Espuma Mecânica é o resultado da combinação da reação entre soluções aquosas de sulfato de alumínio e bicarbonato de sódio. Justificativa: O conceito está trocado. A Espuma Química é o resultado da combinação da reação entre soluções aquosas de sulfato de alumínio e bicarbonato de sódio. Já a Espuma Mecânica é composta uma mistura de água com pequenas porcentagens de concentrado ge- rador de espuma e entrada de ar forçada. (V) Os Pós Químicos são eficientes no combate de incêndios que envol- vam líquidos inflamáveis. (F) O gás carbônico, ao contrário do que é dito, não é o material extintor mais recomendado para incêndios classe C, pois, conduz eletricidade, e não possui pressão própria para descarregar o extintor. Justificativa: Esse tipo de material extintor é o mais recomendado para incêndios classe C, pois, além de não conduzir eletricidade, o gás carbônico pos- sui pressão própria para descarregar o extintor. 81 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S (F) Os agentes da água e espuma são adequados para classe A, B e C, mas não para a classe D, pois, nessa classe o agente extintor deve ser compatível com metais. Justificativa: A água é adequada apenas para a classe A e a espuma é adequada nas classes A e B. O restante da afirmativa está correto. 82 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 03 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA 1- A fabricação de explosivos somente é permitida às empresas portado- ras de Título de Registro - TR emitido pelo Exército Brasileiro. O terreno em que se achar instalado o conjunto de edificações das empresas de fabricação de explosivos deve ser provido de cerca adequada e de sepa- ração entre os locais de fabricação, armazenagem e administração. As atividades em que explosivos sejam depositados em invólucros, tal como encartuchamento, devem ser efetuadas em locais isolados, não podendo ter em seu interior mais de quatro trabalhadores ao mesmo tempo. Os locais de fabricação de explosivos devem ser mantidos em perfei- to estado de conservação, arejados, construídos com paredes e tetos de material incombustível e pisos antiestáticos. Devem ser dotados de equipamentos devidamente aterrados e, se necessárias, instalações elétricas especiais de segurança, prover sistemas de combate a incên- dios de manejo simples, rápido e eficiente, dispondo de água em quan- tidade e com pressão suficiente aos fins a que se destina e não devem conter materiais combustíveis ou inflamáveis. Ao manusear de explosivos, é proibido utilizar ferramentas ou utensílios que possam gerar centelha ou calor por atrito, fumar ou praticar atos suscetíveis de produzir fogo ou centelha, usar calçados cravejados com pregos ou peças metálicas externas e manter objetos que não tenham relação direta com a atividade. Além das orientações anteriores, nos locais de manuseio de explosivos, matérias-primas que ofereçam risco de explosão devem permanecer nas quantidades mínimas possíveis, admitindo-se, no máximo, material para o trabalho de quatro horas. 2- Para a reciclagem, o brigadista pode ser dispensado de participar da par- te teórica do treinamento de incêndio e/ou primeiros socorros, desde que seja aprovado em pré-avaliação em que obtenha 70% de aproveitamento. TREINO INÉDITO 1- Gabarito: C / 2- Gabarito: V, V, F, F 83 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E E X P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14276:2020 – Brigada de Incêndio - Requisitos. Rio de Janeiro: 2020. _______. NBR 12962:2016 - Extintores de Incêndio - Inspeção e Manu- tenção. Rio de Janeiro: 2016. _______. NBR 9077:2002 - Saídas de Emergência em Edifícios - Inspe- ção e Manutenção. Rio de Janeiro: 2002. _______. NBR 10898:2013 - Sistema de Iluminação De Emergência. Rio de Janeiro: 2013. Airduto - Engenharia e Execução. Disponível em: <http://airduto.com. br/site/>. APSEI - Associação Portuguesa de Segurança. Disponível em: <https:// www.apsei.org.pt/homepage/>. AITA, José Carlos Lorentz; PEIXOTO, Nirvan Hofstadler. Prevenção e combate a sinistros. Universidade Federal de Santa Maria, Colégio Téc- nico Industrial de Santa Maria. Santa MAria, 2012. Acesso em 04 fev. 2019. Disponível em: <http://estudio01.proj.ufsm.br/cadernos_seguran- ca/segunda_etapa/prevencao_combate_sinistros.pdf> BRASIL. Lei n° 13.425 de 30 de março de 2017. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13425.htm>. Acesso em: 21 fev. 2019. _______. Norma Regulamentadora – NR 19: Explosivos. Portaria GM, nº 3214, 08 de junho de 1978. DOU 06/07/1978. _______. Norma Regulamentadora – NR 20: Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis. Portaria GM, nº 3214, 08 de junho de 1978. DOU 06/07/1978. _______. Norma Regulamentadora – NR 23: Proteção contra incêndio. Portaria GM, nº 3214, 08 de junho de 1978. DOU 06/07/1978. Correio Braziliense Brasil. Disponível em: <www.correiobraziliense. com.br>. Acesso em 27 fev. 2019. 84 P R O TE Ç Ã O C O N TR A IN C Ê N D IO S E EX P LO SÕ E S - G R U P O P R O M IN A S CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE GOIÁS. Funda- mentos de Combate a Incêndio. Goiás, 2016. Acesso em 21 fev. 2019. Disponível em: <http://cbmerj.rj.gov.br/pdfs/semana_prevencao/aposti- la_semana_prev_2018.pdf> CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Minas Gerais, 2019. CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEI- RO. Apostila da Semana de Prevenção Contra Incêndio e Pânico. Rio de Janeiro, 2018. Acesso em 21 fev. 2019. Disponível em: <http://cbmerj. rj.gov.br/pdfs/semana_prevencao/apostila_semana_prev_2018.pdf> CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO. São Paulo, 2019. EXAME. Disponível em: < exame.abril.com.br>. 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