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2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................. 4 2 HISTÓRICO DO FOGO .................................................................................... 5 2.1 Combustão ................................................................................................. 7 2.2 Transmissão do calor ................................................................................. 8 2.3 Classes de fogo ......................................................................................... 9 2.4 Extinção do fogo ........................................................................................ 9 3 FUNDAMENTOS DO FOGO E INCÊNDIO .................................................... 11 3.1 Evolução do incêndio ............................................................................... 15 4 COMBATE E PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO ........................................... 18 4.1 Medidas de proteção contra incêndio....................................................... 20 4.2 Proteção passiva ...................................................................................... 22 4.3 Proteção ativa .......................................................................................... 23 4.4 Combate ao fogo propriamente dito ......................................................... 23 5 EXTINÇÃO DO FOGO .................................................................................... 24 5.1 Agentes extintores.................................................................................... 25 5.2 Saídas de Emergência ............................................................................. 25 5.3 Portas Para Saídas de Emergência ......................................................... 27 5.4 Iluminação de Emergência ....................................................................... 28 5.5 Sinalizações de Emergência .................................................................... 29 5.6 Extintores ................................................................................................. 31 5.7 Hidrantes e mangotinhos ......................................................................... 33 6 SISTEMA DE PREVENÇÃO DE COMBATE A INCÊNDIO E CONTROLE CONTRA PÂNICO ................................................................................................ 36 3 7 MEDIDAS DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO ....................................... 40 8 LEGISLAÇÃO RELATIVA À SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO ................. 43 8.1 Normas e regulamentações ..................................................................... 48 9 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 50 4 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 5 2 HISTÓRICO DO FOGO Fonte: http://www.bombeiros.pr.gov.br/ Segundo o texto Evolução Humana (2007), os mais antigos vestígios do uso do fogo foram registrados em acampamentos do homo erectus, há cerca de 400 mil anos a.C. Possivelmente o homem tenha aprendido a conservar o fogo de origem natural ou acidental, seja este resultante, por exemplo, de um raio ou de uma faísca que saltasse na lascagem da pedra. Somente mais tarde teria descoberto os processos de produzi-lo intencionalmente, friccionando duas varetas de madeira ou percutindo duas pedras. As consequências da descoberta do fogo retratam uma melhora no regime de alimentação, proporcionando defesa eficaz contra os perigos da vida selvagem, proteção contra o frio, talvez tenha até contribuído para estreitar os laços de solidariedade entre os membros dos bandos que se juntavam à noite em volta das fogueiras. http://www.bombeiros.pr.gov.br/ 6 O conceito de fogo, sua forma e propagação, remetem ao comportamento humano em determinadas situações que fogem do controle em princípios de incêndio. Levando-se em conta o risco de incêndio em meio a pensamentos de evacuação de pessoas, combustão de materiais conforme a carga de incêndio, os fatores de ativação em um sistema de detecção de incêndio, o perigo e o risco são existentes conforme o agente aumenta o risco de produção. Desse modo, a origem dos Corpos de Bombeiros remonta à origem do emprego do fogo pelo homem. Uma das primeiras organizações de combate ao fogo de que se tem notícia, segundo Care Z. Péterson foi criada na antiga Roma. Augusto, que se tornou Imperador em 27 a.C., formou um grupo de vigili. Esses vigili patrulhavam as ruas para impedir incêndios e também para policiar a cidade, através de patrulhas e vigilantes contra incêndios (GOMES, 1998). O fogo sempre se constituiu num elemento de grande significado para o homem. Durante muitos séculos foi considerado uma manifestação sobrenatural, cuja ocorrência era atribuída aos deuses. Porém, antes de ter sido descoberto o modo de produzi-lo e de controla-lo, provocava verdadeiro temor no homem, algo supersticioso, pois seu surgimento só ocorria naturalmente, em consequência da erupção de um vulcão, da incidência de raios ou, ainda, pela combustão espontânea da vegetação submetida à radiação solar (GOMES, 1998). Goren-Inbaret (2004) afirma que os primeiros métodos de obtenção do fogo ocorreram de forma intencional. Baseavam-se na produção de uma faísca por meio do atrito entre madeiras ou pedras. Em estágios posteriores do desenvolvimento humano a produção do fogo se dava através do atrito de peças de ferro. De acordo com pesquisas realizadas pelo autor, o fogo pode ter surgido na África, produzido pelo homo erectus há cerca de 1,8 milhões de anos. Inicialmente o homem utilizava o fogo como fonte de luz e calor. Posteriormente passou a utilizá-lo também no preparo de alimentos e como forma de proteção contra a aproximação de animais ferozes. A partir daí o fogo passou a receber cuidados especiais, sendo armazenado em crânios de animais na forma de fragmentos de brasa, para posterior utilização. Nesta fase, em que o homem vivia 7 em cavernas, os riscos da utilização inadequada do fogo não trazia maiores consequências às suas habitações. Porém, com a mudança da concepção perante a forma de habitação dos homens primitivos, que deixou as cavernas para viver em cabanas rústicas formadas de galhos, troncos e folhas de árvores, fez com que surgissem preocupações perante o risco de incêndio e seu alastramento (ARAÚJO, 2004). 2.1 Combustão A definição de combustão, segundo a ISO 8421-1, é a reação exotérmica de materiais combustíveis com oxidantes, normalmente, acompanhada por chamas, abrasamento ou emissão de fumaça (SEITO, 2008). O fogo é composto por três elementos essenciais que promovem esta reação: combustível, fonte de calor e comburente (oxigênio). Entretanto, o processo ocorre somente na presençasimultânea destes elementos em reação em cadeia. Assim sendo, a representação gráfica da combustão é interpretada pelo Tetraedro do fogo. Durante o processo, os materiais combustíveis geram calor e desprendimento de outros gases inflamáveis que, em contato com o oxigênio, darão continuidade à combustão (UMINSKI, 2003 apud GOMES, 2014). Os combustíveis são elementos que, simultaneamente, alimentam o fogo e servem de campo de propagação do mesmo. Estes materiais, após atingirem a temperatura de ignição, combinados quimicamente com outros, emitem calor e luz (CAMILLO JR, 2013 apud LUZ, 2017). Além disso, os combustíveis têm comportamentos diferentes na combustão e manutenção do fogo, tais como: estado do material – sólido, líquido ou gasoso –, massa, superfície e calor específicos, composição química, ponto de ignição, quantidade de calor e oxigênio disponível, etc. (SEITO, 2008). Gomes (2014) afirma, ainda, que a combustibilidade de um material depende de sua maior – ou menor – facilidade de combinação com o oxigênio, sob ação do calor. 8 O comburente (oxigênio) é o agente químico que, em contato com gases combustíveis, gera a mistura inflamável, ativando o fogo e conservando a combustão (BRENTANO, 2007 apud CASTRO, 2015). Não havendo concentração de oxigênio suficiente no ar, não haverá fogo; Segundo Oliveira (2018), normalmente, há uma concentração de 21% e, quando esta for inferior a 8%, não haverá combustão. O calor é o elemento que dá início ao fogo, o mantém e incentiva sua propagação através da mistura inflamável decorrente dos gases combustíveis e do comburente (BRENTANO, 2007 apud CASTRO, 2015). Na maioria dos casos, a continuidade do fogo é decorrente do calor das chamas do material em combustão. E, por fim, a reação em cadeia é o elemento responsável pela auto alimentação do fogo através da transferência de energia de uma molécula em combustão para outra intacta, de forma a propagar o fogo sucessivamente, até que todo material esteja em combustão (BRENTANO, 2007 apud CASTRO, 2015). 2.2 Transmissão do calor A partir do momento de ignição de um material, é liberado energia na forma de calor que pode incendiar elementos adjacentes (BRUNETTO, 2015). De tal modo, é fundamental, no estudo de prevenção e extinção do fogo, conhecer como o calor pode ser transmitido e propagado, haja vista que neste processo ocorre o crescimento do incêndio. A transmissão ocorre através do ar atmosférico ou do próprio material combustível por meio de condução, convecção ou radiação, que podem acontecer de maneira associada (FERIGOLO, 1977 apud GOMES, 2014). A condução é caracterizada pela transferência de calor a partir do contato direto entre dois corpos, ou através de um meio intermediário que seja bom condutor de calor (GOMES, 2014). A condutividade térmica determina a rapidez com que o calor flui em um material (REZENDE, 2008). 9 A transferência de calor por convecção ocorre através do movimento de massas de fluidos envolvendo transporte de matéria. Por exemplo, massas de ar podem levar calor suficiente para iniciar o fogo em materiais combustíveis com os quais entrarem em contato (GOMES, 2014). E, ainda, a radiação envolve a transferência de calor por meio de ondas eletromagnéticas que se deslocam através do espaço (GOMES, 2014). 2.3 Classes de fogo O fogo é classificado de acordo com os materiais envolvidos e a situação em que se encontra. Segundo Brentano (2007) apud Castro (2015), a natureza do fogo é dividida em classes. Classe A: fogo em materiais combustíveis sólidos que queimam em superfície e profundidade e deixam resíduos; Classe B: fogo em líquidos e/ou gases inflamáveis que se liquefazem por ação do calor e queimam somente em superfície; Classe C: fogo em materiais, equipamentos e instalações elétricas energizadas; Classe D: fogo em metais combustíveis. O autor menciona, ainda, as seguintes classes: Classe K para fogo em óleos e gorduras, animais e vegetais, utilizados em cozinhas; e, Classe I para fogo em materiais radioativos. 2.4 Extinção do fogo Conforme mencionado, a condição para o início e continuidade da combustão é a coexistência dos quatro elementos do Tetraedro do fogo. A eliminação de um desses, interrompe a reação em cadeia e, consequentemente, a propagação do fogo, até sua extinção. Tem-se quatro princípios básicos de 10 extinção: resfriamento, abafamento, isolamento do material e quebra da reação em cadeia. (SEITO, 2008). O resfriamento visa remover ou diminuir o calor do material incendiado, até que esse não libere mais gases que reajam com o oxigênio, impedindo, desta forma, o avanço do fogo; o abafamento tem por finalidade impedir ou reduzir o alcance do comburente (oxigênio) ao fogo, reduzindo sua concentração; o isolamento consiste na retirada, diminuição ou interrupção do material combustível não atingido pelo fogo; e, ainda, a quebra da reação em cadeia é realizada por meio da introdução de determinadas substâncias que têm a propriedade de reagir com algum dos produtos intermediários da reação de combustão, evitando que essa se complete totalmente (GOMES, 2014). 11 3 FUNDAMENTOS DO FOGO E INCÊNDIO A importância em diferenciar os comportamentos resultantes do fogo e de um incêndio serve para explicar os meios corretos para seu controle e extinção, assegurando redução nos impactos causados. O fogo é resultado de uma reação química de oxidação com desprendimento de luz e calor. Pode-se dizer, ainda, que fogo é a parte visível de uma combustão (CBM/RJ, 2003). Assim, o fogo pode se apresentar fisicamente de duas maneiras: chama e brasas. Segundo Seito (2008) o estudo do fogo como ciência é recente, iniciando os primeiros estudos na década de 80, com a criação da International Association for Fire Safety Science (IAFSS). A associação internacional reuniu cientistas dos maiores institutos e universidades do mundo para desenvolvimento de novos mecanismos que pudessem atuar com maior eficácia na prevenção e controle de incêndios. O IAFSS realiza seminários a cada dois anos em diferentes países. O Brasil possui representação nesse instituto através da Professora Dra. Rosaria Ono pertencente ao corpo docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP). Porém, apesar da representação brasileira no IAFSS e dos grandes avanços na ciência do fogo, ainda não há consenso mundial para definir o conceito de fogo. Tal fenômeno é constatado pelas diversas definições usadas em vários países (SEITO, 2008). Nos Estados Unidos da América o National Fire Protection (NFPA), define o fogo como sendo a oxidação rápida autossustentada acompanhada de evolução variada da intensidade de calor e de luz. No campo das Normas Internacionais a ISO 8421-1, define o fogo como o processo de combustão caracterizado pela emissão de calor acompanhado de fumaça, chama ou ambos e, o processo de combustão como a reação exotérmica de uma substância combustível com um oxidante usualmente acompanhada por chamas e ou abrasamento e ou emissão de fumaça. Na Inglaterra a norma BS 4422 define o fogo como processo de combustão caracterizado pela emissão de calor acompanhado por fumaça, chama ou ambos. 12 No Brasil, a NBR 13860/97 define que o fogo é o processo de combustão caracterizado pela emissão de calor e luz. O regulamento de segurança contido na Instrução Técnica n◦ 02 do Regulamento de Segurança Contra Incêndio das Edificações e Áreas de Risco do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo estabelece a definição de fogo como sendo um fenômeno físico-químico que se dá através de uma reação de oxidação com emissão de luz e calor. Para o Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro, a definição do processo de incêndio é determinada, como sendo as apresentaçõesfísicas do fogo determinadas pelo elemento combustível, quando gasoso ou líquido, este assume a forma de chamas, sendo este combustível sólido, sua apresentação se faz sob a forma de chamas e brasas ou somente em brasas (CBM/RJ - Manual de Procedimento, 2003). Independente das definições adotadas, sabe-se que a propagação rápida e violenta do fogo provoca danos e perdas materiais e humanas muitas vezes causando danos irreparáveis. Quando as chamas fogem do controle e seus meios de contenção são ineficazes, a evacuação das pessoas na edificação deve ocorrer no menor tempo possível. Por isso, a importância das saídas de emergência, portas corta-fogo, dispositivos automáticos e demais itens para controle do incêndio. Para Seito (2008), a representação gráfica do fogo inicialmente foi criada pela teoria conhecida como Triângulo do Fogo que explicava os meios de extinção do fogo pela retirada de um dos componentes, tais como, o combustível, o comburente ou o calor. Desse modo, a Figura 1 apresenta o formato dos três elementos que a compõem em cada lado do triângulo (combustível, comburente e calor). Estes devem coexistir ligados para que o fogo se mantenha. 13 As mudanças relativas às definições de fogo e incêndio ocorreram com a descoberta do agente extintor “halon”, pois foi necessário mudar a teoria, a qual atualmente é conhecida como Tetraedro do Fogo. Contudo, o bromotrifluometano é o principal componente do agente halon e possui impactos que afetam a camada de ozônio na atmosfera. O halon ou seus componentes halogênicos são atualmente proibidos na Europa conforme delibera o Protocolo de Montreal e pela Convenção de Viena para proteção da camada de ozônio (CBM/RJ, 2003). A Figura 2 apresenta cada uma das quatro faces que compõem os elementos do fogo (combustível, comburente, calor e reação em cadeia), os quais devem coexistir ligados para que o fogo se mantenha. 14 Portanto, como se pode observar, para que o fogo ocorra, há necessidade da combinação de alguns componentes em proporções adequadas, na presença de uma fonte suficiente de calor. Secco (1982) define combustível como sendo qualquer substância capaz de produzir calor por meio de uma reação química exotérmica, podendo ser encontrado no estado sólido, líquido ou gasoso. A combustão pode ser definida como uma reação química de oxidação exotérmica, que ocorre com a combinação de uma substância combustível com o oxigênio, em proporções suficientes que, ativadas por uma fonte de ignição, resulta no desenvolvimento de energia luminosa e calor. O processo de combustão, segundo Friedman (2003), é uma reação química exotérmica autossustentada, geralmente associada ao processo de oxidação de um combustível. Nesse sentido, Gouveia (2003, p.16) afirma que: A combustão é uma reação química exotérmica que resulta na produção de chamas e calor, sendo os gases dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO) e as partículas sólidas de carbono (C), os produtos mais comuns desta reação química. Para Seito (2008), uma vez iniciado o fogo deve-se levar em conta o mecanismo de transmissão da energia, ou seja, condução do calor, convecção do calor e radiação de energia. Cada modo de transmissão da energia irá influenciar na manutenção e no crescimento do fogo. A Figura 3 permite visualizar a influência do mecanismo de transmissão da energia. O exemplo da chama na imagem (1) representa a condução do calor, que é preponderante para radiação de energia. Na imagem (2) a radiação de energia e a condução do calor são preponderantes, a convecção do calor participa pouco da queima do objeto. A situação da imagem (3) apresenta a condução do calor pelo objeto, onde a convecção do calor e a radiação de energia contribuem proporcionalmente para os efeitos da queima (SEITO, 2008). 15 Assim, a condução do calor e a convecção se transmite pela movimentação do meio fluído aquecido, a radiação de energia se transmite por ondas eletromagnéticas para completar o processo de combustão e dar início às chamas (SEITO, 2008). 3.1 Evolução do incêndio Geralmente, o foco de fogo começa em pequena proporção e o avanço do mesmo depende dos materiais disponíveis, sua distribuição no ambiente e do comportamento ao fogo dos materiais adjacentes àquele que estiver em combustão (SEITO, 2008). O padrão observado na evolução do incêndio é identificado por uma curva representando a temperatura em função do tempo de desenvolvimento do sinistro 16 A partir da Curva de evolução do incêndio, nota-se que o sinistro apresenta quatro estágios bem definidos: ignição, crescimento do fogo (flashover), fase de aquecimento e extinção. Reis (2018) afirma que conhecer as diferentes fases permite a melhor compreensão do desenvolvimento do incêndio, contribuindo, assim, para o adequado combate em cada etapa. A ignição é o incêndio incipiente, no qual o crescimento é lento. Consiste em duas etapas: abrasamento, etapa de combustão lenta, sem chama e produção de pouco calor; e, chamejamento, com o desenvolvimento de calor, chamas e fumaça (SEITO, 2008). A segunda fase representa o crescimento do incêndio, no qual ocorre a propagação do fogo para objetos e ambientes adjacentes, gerando a combustão simultânea de vários materiais (SEITO, 2008). Luz (2017) menciona que a presença de oxigênio proporciona a alimentação da inflamação, permitindo o aumento da temperatura e, consequentemente, novos focos de incêndio. A etapa continuará enquanto o combustível e comburente estiverem disponíveis no local. 17 Além disso, neste estágio ocorre o espalhamento de chamas a todos os materiais combustíveis presentes no ambiente, dando início à inflamação generalizada (flashover) (PAGNUSSATT, 2017). A partir da Figura, observa-se que, no momento do flashover, a temperatura aumenta muito em pouco tempo, levando a uma situação caracterizada pela presença de chamas, grande volume de fumaça e rápida propagação do fogo (REZENDE, 2008). A terceira fase é responsável pelo desenvolvimento do incêndio, no qual todos os materiais combustíveis do ambiente entrarão em combustão. A temperatura poderá atingir valores acima de 1100°C, desta forma, o incêndio estará fora de controle e não será possível o acesso ao foco (COSTA, 2018 apud REIS, 2018). Hurtado (2013) afirma que nesta fase, aproximadamente, 70% dos materiais foram consumidos e a taxa de combustão tende a decair, apresentando uma diminuição da temperatura. Dessa forma, o incêndio entra na fase de extinção. A intensidade do incêndio irá diminuir na proporção em que ocorre a redução da combustão dos materiais, devido à falta de oxigênio para manter a reação ou após todo combustível ter sido consumido (SILVA; VARGAS; ONO, 2010). Por fim, ocorre a diminuição gradual da temperatura do ambiente, redução progressiva das chamas e extinção do fogo (BRENTANO, 2015 apud PAGNUSSATT, 2017). 18 4 COMBATE E PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO De acordo com Silveira (2011) conceitua-se incêndio como a presença de fogo em local não desejado e capaz de provocar, além de prejuízos materiais, quedas, queimaduras e intoxicações por fumaça. O fogo por sua vez é um tipo de queima, combustão ou oxidação; resulta de uma reação química em cadeia, que ocorre na medida em que atuem: a) Combustível; b) Oxigênio; c) Calor; d) Continuidade da reação de combustão. Conforme Graton (2003) o projeto de proteção contra incêndios deve nascer juntamente com o projeto de arquitetura, levando em conta as distâncias para serem alcançadas as saídas, as escadas (largura, dimensionamento dos degraus, controle de fumaça, corrimãos, resistência ao fogo etc.), a combustibilidade e a resistência ao fogo das estruturas e materiais de acabamento,a vedação de aberturas entre pavimentos adjacentes, as barreiras para evitar propagação de um compartimento a outro, o controle da carga incêndio e a localização dos demais sistemas contra incêndios No caso de edificações já existentes, deve-se primeiramente analisar classificação das ocupações. Ele determina os tipos de sistemas e equipamentos a serem executados na edificação; A partir daí devem ser pesquisadas as Normas Técnicas Brasileiras Oficiais. É importante, também a consulta à Prefeitura Municipal, pois podem existir exigências locais. Os projetos de proteção contra incêndios deverão ser elaboradas e assinadas por profissionais habilitados e com registro no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura. 19 Para tratarmos mais sobre prevenção de incêndios é necessário entendermos primeiro o que é o fogo Dreher (2004) conceitua o fogo como a consequência de uma reação química denominada combustão que libera luz e calor. Para que haja combustão deverão estar presentes quatro elementos: combustível, calor, oxigênio e reação em cadeia. Segundo Araújo (2007) os elementos fundamentais para a combustão que constitui o chamado “Tetraedro do Fogo” são: combustível é toda substância capaz de queimar e alimentar a combustão é o elemento que propaga o fogo; calor é a forma de energia que aumenta a temperatura, gerada da transformação de outras energias, através de processo físico ou químico; oxigênio é o elemento que reage com o combustível, participando da reação química da combustão, possibilitando assim vida às chamas e intensidade a combustão; reação em cadeia é a sequência de reações provocadas por um único elemento ou grupo por um grupo de elementos que gera novas reações entre elementos que podem ou não serem distintos. Através dessas quatro combinações há séculos o fogo acompanha o homem e faz seu registro na história da humanidade, fazendo parte do processo evolutivo, sendo um elo entre o passado e o presente e quando o homem dominou o fogo ele alcançou novos espaços, alterou os ecossistemas, e sofreram suas consequências, decorrentes de suas próprias atividades. O homem contemporâneo continua a utilizá-lo em suas atividades. O fogo em si não é bom nem ruim, é apenas um instrumento a nossa disposição e usá-lo corretamente é uma questão de inteligência (SILVA, 1998). Para utilização benéfica do fogo é necessário que o homem consiga mantê- lo sobre controle. Uma forma de controle é realizada pela proteção contra incêndios que é dívida segundo Schrader (2010 apud Camillo Júnior, 2004) em prevenção e extinção. A prevenção é o conjunto de normas e ações adotadas na luta contra o fogo de forma a eliminar as possibilidades de sua ocorrência. A extinção visa eliminar o fogo por diversos processos usando taticamente os equipamentos de combate ao fogo. 20 A Norma Brasileira Regulamentadora - NBR 7532 (1982) compreende fogo em quatro classes são elas: a) fogo classe A: fogo envolvendo materiais combustíveis sólidos, tais como madeiras, tecidos, papéis, borrachas, plásticos termoestáveis e outras fibras orgânicas, que queimam em superfície e profundidade, deixando resíduos; b) fogo classe B: fogo envolvendo líquidos e/ou gases inflamáveis ou combustíveis, plásticos e graxas que se liquefazem por ação do calor e queimam somente em superfície; c) fogo classe C: fogo envolvendo equipamentos e instalações elétricos energizados; d) fogo classe D: fogo em metais combustíveis, tais como magnésio, titânio, zircônio, sódio, potássio e lítio. Conhecendo as definições de fogo e a classificação do mesmo um incêndio pode ser considerado algo anormal que simplesmente se manifesta, ameaçando destruir alguma coisa ou o que, não sendo obstado, se propaga e envolve tudo o que possa alcançar. Seja ele casual ou intencional (CONCEIÇÃO e FERREIRA, 2000). A Norma de Procedimento Técnico - NPT - 003 (2011) define incêndio como o fogo sem controle, intenso, o qual causa danos e prejuízos à vida, ao meio ambiente e ao patrimônio. Existem quatro classes de incêndio o incêndio classe A (envolvendo combustíveis sólidos comuns), incêndio de classe B (envolvendo produtos inflamáveis e gases), incêndio natural (a variação da temperatura que é a simulação do incêndio real) e o incêndio padrão (eleva e padroniza em função do tempo). 4.1 Medidas de proteção contra incêndio Silveira (2011) explica que na ótica da Segurança Contra Incêndio foram divididos os seguintes grupos de Medidas de Proteção Contra Incêndio (MPCI): Prevenção de incêndio: Abrange as medidas de segurança contra incêndio que objetivam “evitar” incêndios (união do calor com combustíveis), as quais serão mais importantes quanto maior a quantidade e mais fracionado o combustível (gases, vapores, poeira). Em síntese: são medidas que trabalham o controle de materiais combustíveis 21 (armazenamento/quantidade) das fontes de calor (solda/eletricidade/cigarro) e do treinamento (educação) das pessoas para hábitos e atitudes preventivas. Proteção contra incêndio: São medidas que objetivam dificultar a propagação de incêndio e manter a estabilidade da edificação. Normalmente são divididas em proteções ativas e passivas, conforme trabalhem, reagindo ou não em caso de incêndio. Exemplos de medidas de proteção passiva: paredes e portas corta-fogo; diques de contenção; armários e contentores para combustíveis; afastamentos; proteção estrutural, controle de materiais de acabamento. Exemplos de medidas de proteção ativas: sistema de ventilação (tiragem) de fumaça; sistema de chuveiros automáticos (sprinkler). Combate a incêndio: Compreende tudo o que é usado para se extinguir incêndios, tais como: equipamentos manuais (hidrantes e extintores) complementados por equipes treinadas; sistemas de detecção e alarmes; sistemas automáticos de extinção; Planos de Auxílio Mútuo – PAM; corpo de bombeiros públicos e privados condições de acesso à edificação pelo socorro público; (reserva de água e hidrantes públicos), etc. Meios de escape: Normalmente constituído por melhorias de proteção passiva, tais como escadas seguras, paredes, portas (corta-fogo), podem incluir proteção ativa, como sistemas de pressurização de escadas e outros. Dependem ainda dos sistemas de detecção, alarme e iluminação de emergência e, em alguns casos, de uma intervenção complementar de equipes treinadas para viabilizar o abandono, especialmente nos locais de reunião de público. Essa medida de proteção contra incêndio destaca-se das demais devido à sua importância fundamental para a vida humana e por sua ação básica nos trabalhos de resposta a emergências, visto que as equipes de resposta normalmente acessam a edificação e as vítimas por meios de escape. Gerenciamento – Incluímos nessa medida de proteção contra incêndio todas às medidas administrativas e de dia-a-dia, como o treinamento e reciclagem das equipes de resposta a emergências, a existência de um plano e um procedimento de emergência, a manutenção dos equipamentos instalados, a adequação dos meios instalados com risco existente (o qual muitas vezes se alteram sem que se efetue a necessária adequação dos meios), etc. Em síntese, abrange a manutenção dos sistemas e a administração da resposta às emergências, nelas inclusos o treinamento de pessoal e sua ação fundamental em locais de reunião de público. A importância de manterem-se medidas de proteção contra incêndio pode evitar princípios de incêndio, auxiliar em como agir durante um incêndio. Tendo em mãos um plano de prevenção bem elaborado e executado o risco torna-se quase nulo acompanhado de um bom gerenciamento das medidas. Manter o controle e adequação dos equipamentos trás segurança para que sejam feitas melhorias na 22 prevenção, proteção e combate ao incêndio ao longo do tempo tendo em vista o controle e manutenção envolve melhorias. De acordo com a ABNT NBR 15575-1:2013,as medidas de segurança contra incêndio visam proteger a vida dos ocupantes em caso de sinistro; dificultar a propagação do mesmo, reduzindo danos patrimoniais e ao meio ambiente; proporcionar meios de contenção e extinção do fogo; e, ainda, permitir acesso para operações de combate externas à edificação. Gill, Oliveira e Negrisolo (2008) abordam a segurança contra incêndio a partir dos seguintes grupos: prevenção e proteção contra incêndio; combate; meios de escape; e, gerenciamento. As medidas de segurança podem ser de caráter preventivo ou de proteção. Essas são associadas a precaução e se destinam a evitar a ocorrência do sinistro, englobando atitudes preventivas, treinamento de pessoas e controle de materiais combustíveis e de fontes de calor. As medidas de proteção, utilizadas quando a prevenção falha, visam manter a estabilidade das edificações e dificultar a propagação de focos de incêndio. O combate ao sinistro têm por objetivo extinguir o fogo e, em conjunto com meios de escape, viabilizar às pessoas o abandono seguro às edificações. Por fim, o gerenciamento destas medidas prevê a manutenção de sistemas e equipamentos (GILL; OLIVEIRA; NEGRISOLO, 2008). A proteção contra incêndio deve ser analisada sobre três aspectos: as proteções passiva e ativa, e o combate ao fogo propriamente dito. 4.2 Proteção passiva A proteção passiva é caracterizada por medidas tomadas durante a fase de planejamento e elaboração do projeto arquitetônico e de seus complementares, visando evitar ao máximo a ocorrência de foco de fogo e, caso aconteça, minimizando sua propagação (BRENTANO, 2011 apud GOMES, 2014). 23 Em relação ao sistema construtivo, a distribuição e geometria dos espaços definem o nível de segurança das edificações por meio de disposições que são incorporadas à arquitetura e à construção (ONO; VALENTIN; VENEZIA, 2008). A proteção passiva é incorporada à edificação e não requer nenhum tipo de ação para o seu funcionamento em situação de incêndio. Esses meios de proteção atendem às necessidades dos usuários em condição normal de desempenho das construções, porém, em situação de fogo descontrolado, têm um comportamento especial que reduz seu crescimento e propagação, além de facilitar a saída dos ocupantes e o ingresso para as ações de combate (PIENIAK; SALGADO, 2017). São exemplos de proteção passiva: distanciamento entre edifícios; compartimentação; isolamento de risco; segurança estrutural; controle de materiais de acabamento e revestimento; saídas de emergência; proteção das rotas de fuga, entre outros. 4.3 Proteção ativa A proteção ativa é composta por medidas acionadas quando o incêndio está ocorrendo e que dependem de uma ação para o funcionamento, seja manual ou automática, com o objetivo de extingui-lo ou, em último caso, mantê-lo sob controle até sua auto extinção (GOMES, 2014). A título de exemplo, são medidas de proteção ativa: sistemas de detecção e alarme de incêndio; iluminação de emergência; extintores; hidrantes e mangotinhos; chuveiros automáticos, entre outros. 4.4 Combate ao fogo propriamente dito O combate ao fogo envolve todas as providências tomadas ao ser detectado fogo fora de controle, tais como prontidão das brigadas de incêndio, atuação do Corpo de Bombeiros e retirada dos ocupantes da edificação pelas rotas de fuga. 24 5 EXTINÇÃO DO FOGO Fonte: https://www.fengshui.com.br/ Quando a prevenção falha, os empregados e empregadores devem estar preparados para combater ao incêndio de forma rápida antes que ele se propague e saia do controle e quanto mais se demora a tomar uma atitude, maiores são as consequências causadas pelo fogo. Sendo assim a extinção de um princípio de incêndio consiste basicamente na retirada de um dos três elementos que compõem o fogo e pode ser feita através do abafamento, resfriamento ou retirada do combustível (CASTELETTI, 2010). Bezerra (2003) define as formas de extinção de incêndio da seguinte forma: ABAFAMENTO: consiste em impossibilitar a chegada de oxigênio (comburente) à combustão, diminuindo seu percentual necessário à queima, extinguindo-a. RESFRIAMENTO: consiste em diminuir a temperatura de queima, até o limite em que a temperatura de ignição do combustível não seja proporcional para que ocorra a combustão. RETIRADA DO COMBUSTÍVEL: consiste em retirar do local da queima o combustível, que poderá ser total ou parcial, diminuindo o tempo de combustão ou extinguindo-o. https://www.fengshui.com.br/ 25 5.1 Agentes extintores De acordo com Ferrari (2009) vários são os agentes extintores, sendo diferente as formas de atuação sobre a combustão, podendo ser usados um ou mais métodos simultaneamente para a eliminação do incêndio. Apesar de muitas vezes serem de fácil acesso eles devem ser utilizados de forma criteriosa, sempre se deve observar a correta forma de utilização e o tipo de classe de incêndio. Para que o fogo seja extinto com sucesso é preciso eliminar, no mínimo, um dos elementos formadores do fogo, por isso na maioria das vezes é utilizado água ou algumas substâncias químicas, sólidas, líquidas ou gasosas, que são os agentes extintores, atuantes diretos sobre um ou mais elementos (BRENTANO, 2007). 5.2 Saídas de Emergência Fonte: http://camonteiro.com.br/ http://camonteiro.com.br/ 26 De acordo com a NPT - 003 (2011) as saídas de emergência são “caminho contínuo”, devidamente protegido e sinalizado, proporcionado por portas, corredores, halls, passagens externas, balcões, vestíbulos, escadas, rampas, conexões entre túneis paralelos ou outros dispositivos de saída, ou combinações desses, a ser percorrido pelo usuário em caso de emergência, de qualquer ponto da edificação, recinto de evento ou túnel, até atingir a via pública ou espaço aberto (área de refúgio), com garantia de integridade física. Não só o fogo faz vítimas em um incêndio, a intoxicação pela fumaça contribui para o grande número de mortes e conforme (SEITO et al., 2008) a fumaça pode se deslocar a uma velocidade de 2m/s, muito mais rápido do que a capacidade de um ocupante evacuar o ambiente, torna-se é preocupante o tempo em que as pessoas demoram para iniciar uma evacuação. Segundo a NPT - 011 (2011) do CSCIP compreende saída de emergência: a) acessos; b) rotas de saídas horizontais, quando houver, e respectivas portas ou espaço livre exterior, nas edificações térreas; c) escadas ou rampas; d) descarga. As funções da iluminação de emergência devem satisfazer os seguintes requisitos: de balizamento, orientar direção e sentido das pessoas; de aclaramento, proporcionar nível de iluminamento que permita o deslocamento seguro das pessoas; prevenção de pânico (SEITO et al., 2008). 27 5.3 Portas Para Saídas de Emergência Fonte: http://www.docksteel.com.br/ Segundo a NPT - 011 (2011) as portas das rotas de saídas devem abrir no sentido do trânsito de saída. A largura vão livre ou “luz” das portas, comuns ou corta fogo, utilizadas nas rotas de saída de emergências, devem ser dimensionadas conforme as exigências legais admitindo-se uma redução no vão de luz, isto é, no vão livre. Ainda segundo a NPT - 011 (2011), as portas devem ter as seguintes dimensões mínimas de luz: a) 0,80 m, valendo por uma unidade de passagem; b) 1,0 m, valendo por duas unidades de passagem; c) 1,5 m, em duas folhas, valendo por três unidades de passagem; d) 2,0 m, em duas folhas, valendo por quatro unidades de passagem. http://www.docksteel.com.br/ 28 Nas rotas de fuga não é permitido às portas de enrolar ou de correr, exceto quando esta for utilizada somente como porta de segurança da edificação, nesse caso deve permanecer aberta durante todo o transcorrer dos eventos, desde que haja compromisso do responsável pelo uso, através de termo deresponsabilidade das saídas de emergência (NPT - 011, 2011). Ainda de acordo com a NPT - 011 (2011) é vedada a utilização de peças plásticas em fechaduras, espelhos, maçanetas, dobradiças e outros, nas portas dos seguintes locais: a) rotas de saídas; b) entrada em unidades autônomas; c) salas com capacidade acima de 50 pessoas. As portas da rota de saída que possuem sistemas de abertura automática devem possuir dispositivo que, em caso de falta de energia, pane ou defeito de seu sistema permaneçam abertas. 5.4 Iluminação de Emergência Fonte: https://cfbeletrica.com.br/ Segundo a NBR - 10898 (1998) a iluminação de emergência deve clarear áreas escuras de passagens, horizontais e verticais, incluindo áreas de trabalho e áreas técnicas de controle de restabelecimento de serviços essências e normais, na falta de iluminação normal https://cfbeletrica.com.br/ 29 A Iluminação de Emergência é definida pela NPT - 003 (2011) como um sistema que permite clarear áreas escuras de passagens, horizontais e verticais, incluindo áreas de trabalho e áreas técnicas de controle de restabelecimento de serviços essenciais e normais, na falta de iluminação normal. 5.5 Sinalizações de Emergência Fonte: https://www.solucoesindustriais.com.br/ https://www.solucoesindustriais.com.br/ 30 As sinalizações de emergência têm por finalidade minimizar o risco de ocorrência de incêndio, alertando para os riscos existentes e garantir que sejam adotadas ações adequadas à situação de risco, que orientem as ações de combate e facilitem a localização dos equipamentos e das rotas de saída para abandono seguro da edificação em caso de incêndio segundo a NPT - 020 (2011). Ainda de acordo com a NPT - 020 (2011) a sinalização de emergência divide-se em sinalização básica e sinalização complementar. A sinalização básica é um mínimo de sinalização que a edificação deve apresentar, dentro da sinalização básica está o item de proibição (que visa impedir ações capazes de dar início ao incêndio), o item de alerta (indica onde estão as áreas com alto potencial de risco de incêndio) e o uso de equipamentos (onde indicam a localização dos equipamentos de combate ao incêndio). A sinalização complementar já é mais elaborada e tem a finalidade de complementar a sinalização básica com faixas de cor ou mensagens, um exemplo dessa complementação seria a indicação continuada de rotas de saída, indicação de obstáculos e os riscos de utilização das rotas e mensagens específicas onde for necessária a complementação da sinalização básica em uma edificação ou área de risco. A sinalização complementar demarca as áreas e corredores de circulação destinados ás rotas de saídas e acesso dos equipamentos de combate ao incêndio e alarme em locais ocupados por estacionamento de veículos, depósitos de mercadorias e máquinas ou equipamentos de áreas fabris. Deve identificar o sistema fixo de combate a incêndio, identificar as rotas de saída com o trajeto completo as rotas de fuga até a saída de emergência mais próxima. É necessário também a indicação dos obstáculos nas rotas de fuga (Normas de Procedimentos Técnicos - 020, 2011). Segundo Seito et al. (2008), a sinalização de emergência é um dos principais aspectos para o sucesso do projeto de abandono de uma edificação. A sinalização de emergência irá orientar os funcionários que transitam pelas rotas de fuga, pessoas que podem ficar emocionalmente alteradas e precisam de um 31 componente de alívio para não entrar em pânico. Uma sinalização adequada e que transmita as informações necessárias a quem dela necessite é fator primordial. 5.6 Extintores Fonte: projunior.com.br Os extintores são fundamentais e, normalmente, são os primeiros equipamentos a serem utilizados no combate ao fogo em fase inicial, tendo em vista que são portáteis, relativamente leves, de fácil manuseio e disponíveis em lugares estratégicos da edificação (BRENTANO, 2015 apud PAGNUSSATT, 2017). O melhor funcionamento do sistema decorre de alguns requisitos, tais como: o princípio de fogo ser descoberto ainda em seu começo; distribuição dos extintores de maneira correta; uso direto do agente extintor para cada classe de 32 fogo; qualidade e manutenção dos equipamentos (BRENTANO, 2015 apud PAGNUSSATT, 2017). Os equipamentos têm funcionamento manual e são divididos em portáteis – com peso total até 20 kg – e sobre rodas – com o recipiente acoplado a uma carreta, não podendo ultrapassar 250 kg. Os extintores sobre rodas deverão ser instalados em locais de alto risco que necessitem de alta vazão do agente extintor, maior tempo de descarga e alcance do jato. Os portáteis devem ser posicionados de maneira que fiquem, no mínimo, 0,20 metros e, no máximo, 1,60 metros acima do piso acabado. Além disso, quando fixados em abrigos – que devem permanecer destrancados –, necessitam, além de sinalização, da visualização no interior dos mesmos (CBMMG / Instrução Técnica nº 16, 2019). A NPT - 003 (2011) esclarece que os extintores são aparelhos de acionamento manual, portátil ou sobre rodas, destinado a combater princípios de incêndio. Segundo a NPT - 020 (2011) a sinalização de equipamentos de combate a incêndio deve obedecer, a) forma: quadrada ou retangular; b) cor de fundo (cor de segurança): vermelha; c) cor do símbolo (cor de contraste): fotoluminescente; d) margem (opcional): fotoluminescente; e) proporcionalidades paramétricas. A NPT - 021 (2011) alerta sobre a certificação, validade e garantia, Os extintores devem estar lacrados, com a pressão adequada e possuir selo de conformidade concedida por órgão credenciado pelo Sistema Brasileiro de Certificação (Inmetro). Para efeito de vistoria do Corpo de Bombeiros, o prazo de validade da carga e a garantia de funcionamento dos extintores deve ser aquele estabelecido pelo fabricante, se novo, ou pela empresa de manutenção certificada pelo Inmetro, se recarregado. 33 Todo extintor deve possuir rótulo com informações acerca do agente extintor e o tipo de incêndio para o qual deve ser utilizado, tendo em vista que nem sempre o manuseio do equipamento é feito por pessoas treinadas (NOGUEIRA, 2017 apud REIS, 2018). É importante que os extintores estejam lacrados, com pressão correta e possua selo de compatibilidade fornecida pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO). Além disso, o prazo de validade da carga e de funcionamento devem estar em conformidade com o definido pelo fabricante (PIENIAK; SALGADO, 2017). 5.7 Hidrantes e mangotinhos Fonte: https://www.elfire.com.br/ https://www.elfire.com.br/ 34 O sistema de hidrantes e mangotinhos é um conjunto de equipamentos e instalações hidráulicas que possibilita armazenar, transportar e impulsionar água sobre materiais incendiados (UMINSKI, 2003 apud GOMES, 2014). É constituído por tubulações que conduzem água da reserva técnica de incêndio – por gravidade ou com auxílio de conjunto motobomba –, válvula angular, mangueira, esguicho e acessórios (CBMMG / Instrução Técnica nº 17, 2019). O sistema tem por objetivos combater, de forma manual, com recursos próprios da edificação, focos de fogo, a fim de extingui-lo ou mantê-lo sob controle, além de fornecer auxílio, quando necessário, ao Corpo de Bombeiros (GOMES, 2014). Existem três tipos de hidrantes, conforme explica Nogueira (2018) apud Reis (2018): hidrantes internos, encontrados no interior das edificações, são instalados em abrigos posicionados em locais acessíveis e visíveis; os hidrantes externos não são de responsabilidade da edificação, tendo o fluxo de água liberado pelo Corpo de Bombeiros, desta forma, são posicionados nas calçadas e abastecidos pela concessionária de água da cidade; por fim, os hidrantes de recalque têmfunção de abastecer a reserva técnica de incêndio em situação de emergência, e servem, ainda, para reabastecer o caminhão do Corpo de Bombeiros destinado a atender incidentes em outras edificações, desta forma são instaladas válvulas que permitam o fluxo nos dois sentidos. É ideal que os hidrantes sejam posicionados próximos às saídas, sendo sinalizados e permanecendo visíveis; além disso, não podem ter a localização obstruída a fim de que não comprometam o acesso às rotas de fuga (GOMES, 2014). Os mangotinhos possuem única saída de água e são constituídos com mangueira semirrígida permanentemente conectada pronta para o uso, o que torna sua utilização mais rápida e fácil, podendo o combate ao fogo ser feito por pessoas não treinadas (SILVA; VARGAS; ONO, 2010). O dimensionamento dos hidrantes e mangotinhos está associado ao caminho das tubulações e diâmetros dos acessórios atendendo às pressões e 35 vazões necessárias, além do posicionamento dos equipamentos e do reservatório. A reserva técnica de incêndio e o tipo de hidrante a ser utilizado são definidos a partir da Instrução Técnica n° 17 do CBMMG. Os pontos de localização dos equipamentos dependem do alcance das mangueiras e da área a ser protegida. Os hidrantes são posicionados de forma que qualquer ponto da edificação seja alcançado por um esguicho no plano horizontal, considerando o comprimento da mangueira, desde o local de instalação até o foco de incêndio, desprezando o alcance do jato de água (CBMMG / Instrução Técnica nº 17, 2019). 36 6 SISTEMA DE PREVENÇÃO DE COMBATE A INCÊNDIO E CONTROLE CONTRA PÂNICO Com a descoberta do fogo, pois com esta o homem deu início à utilização a seu favor e o fogo se tornou um elemento de grande importância. Ele aprendeu a utilizar a força deste elemento natural em seu proveito, empregando-o na proteção contra os predadores, e em seguida começou a empregá-lo na caça, em fogueiras com a finalidade de cozinhar e aquecer o corpo, até que, com a evolução, foi também usado no desenvolvimento e criação de armas e como força destrutiva. (GOMES, 1998). Todavia, antes de ter sido descoberto o modo de produzi-lo e de se controlá-lo, provoca verdadeiro terror no homem, algo supersticioso, pois seu surgimento só ocorria naturalmente, consequente da erupção de um vulcão, de faísca elétrica sobre o mato seco ou, ainda, pela combustão espontânea na vegetação submetida, fortemente, aos raios do Sol. Por muitos séculos o fogo foi considerado uma manifestação sobrenatural cuja ocorrência era atribuída aos deuses. (GOMES, 1998, P. 03). De forma que o fogo inicialmente era utilizado a favor do homem, e com a evolução também pode ser configurado de forma destrutiva, a Engenharia Civil identificou a importância em se empenhar em questões relacionadas a soluções de prevenção e combate a incêndios em projetos de edificações prediais. Para solucionar problemas deste tipo, encontrou-se a necessidade de se adequar às Legislações e Normas Técnicas do Corpo de Bombeiros. No Estado do Espírito Santo, ela foi regulamentada na Lei n 9.269, de 21 de julho de 2009. Esta pode ser confirmada nos Artigos 1 e 2 que a constitui: Art. 1º Ficam consolidados nesta Lei os dispositivos constantes das Leis nos 3.218, de 20.7.1978 e 7.990, de 25.5.2005 que dizem respeito ao serviço de segurança das pessoas e de seus bens, contra incêndio e pânico. Art. 2º Compete ao Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo - CBMES estudar, analisar, planejar, normatizar, exigir e fiscalizar todo o serviço de segurança das pessoas e de seus bens, contra incêndio e pânico, conforme disposto nesta Lei e em sua regulamentação. 37 A segurança contra incêndio e pânico no Brasil é de competência do Corpo de Bombeiro Militar de cada Estado do território nacional, de forma que estes se adequem às características socioculturais e históricos e registros de ocorrências de incêndios acontecidos nestas variadas localidades. (GOMES, 1998). Rosária Ono (2007), destaca que a área de segurança contra incêndio ganhou impulso no Brasil no ano de 1970, com o episódio de grandes incêndios em São Paulo - SP, no Edifício Andraus e no Edifício Joelma. Após estes incêndios históricos foram surgindo normas e códigos, na esperança de minimizar essas ocorrências. A elaboração do projeto de prevenção de incêndio é de encargo de profissionais projetistas (Engenheiro Civil e Arquiteto e Urbanista) que precisam seguir corretamente as recomendações, já que todo projeto de prevenção deverá, conforme legislações regionais ser aprovado junto ao órgão competente – Corpo de Bombeiro Militar. (GOMES, 1998). Melo (1999) relata que a classificação do risco de incêndio de uma edificação se dá em função das características da mesma, onde deve ser considerado tipo de construção, altura, área construída, a proximidade com outras edificações, a atividade que nela se desenvolve, as consequências diretas e indiretas de um incêndio na edificação (distribuição de energia, centrais de telecomunicações), além de outras características. Na obra “Parâmetros para garantir a qualidade do projeto de segurança contra incêndio em edifícios altos”, Rosaria Onu (2007, p. 98) afirma que: A segurança contra incêndio, apesar de ser considerada um dos requisitos básicos de desempenho no projeto, construção, uso e manutenção das edificações, é pouquíssimo contemplada como disciplina no currículo das escolas de engenharia e arquitetura no País. Portanto, são raros os profissionais que consideram esse fator ao projetar uma edificação. Assim, esse requisito passa a ser tratado somente como um item de atendimento compulsório/burocrático à regulamentação do Corpo de Bombeiros ou da Prefeitura local. 38 De forma que atenda as demandas ao que se refere a segurança contra incêndios, é de inteira relevância estar em atenção no que diz as legislações, e na NBR 14432 que aborda questões às exigências de resistência ao fogo de elementos construtivos. Ao que se refere às edificações residenciais que serão construídas, é necessário ter cautela com a NBR 15575 que está relaciona às normas de desempenho (como estrutura, vedações, instalações elétricas e hidros sanitárias, pisos, faixadas e coberturas) e cita que as edificações devem ser planejadas para: - Atender as necessidades de dificultar o princípio do incêndio; - Atender as necessidades de dificultar a propagação do incêndio; - Dispor de equipamentos de extinção, sinalização e iluminação de emergência; - Facilitar a fuga em situações de incêndio; - Minimizar risco de colapsos estruturais em situações de incêndio (desempenho estrutural); - Controlar os riscos na propagação de incêndio e preservar a estabilidade estrutural da edificação; - Sistemas de cobertura com resistência ao fogo; - Entrepisos com adequada resistência ao fogo para controle de propagação de fumaça e incêndio, colaborando com a estabilidade estrutural total e/ou parcial; - Dificultar inflamação generalizada e limitar a fumaça, dentre outros. Neste contexto, é importante evidenciar que em função da causa de grandes incêndios, despertou no Poder Público tratar de assuntos que dizem respeito à prevenção e ao combate a incêndios. O Ministério da Saúde aponta que o Brasil é o segundo País do mundo ao que se refere o registro de vítimas de acidentes causados por incêndios e também ressalta: Os transtornos sociais derivados dos incêndios são significativos. 20% das organizações atingidas pelo fogo desaparecem definitivamente. A perda de mercado e o desemprego para muitas pessoas são outros efeitos derivados dos incêndios. Além disto, o tratamento de queimados exige largos períodos de tempo. E ainda, as consequências das queimaduras restringem a vida social das vítimas. Na área patrimonial, a destruição de um objetohistórico, um marco moral ou espiritual para um país, é uma perda irreparável. (MINISTERIO DA SAÚDE 2005). 39 É de enorme importância que a população seja informada sobre riscos de incêndio, para que a própria por meio destes conhecimentos, garantam maior segurança e controle contra o pânico. No entanto, a segurança deve ser classificada como uma medida construtiva no que diz respeito à construção de projetos visando a segurança e preservação de vidas. (MINISTERIO DA SAÚDE 2005). 40 7 MEDIDAS DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO A prevenção de incêndios compreende um conjunto de medidas a serem adotadas com o objetivo de minimizar a possibilidade de ocorrência de um incêndio, detectar a presença de calor ou fumaça tão logo se inicie o processo de combustão, e ainda proporcionar meios para o combate às chamas em sua fase inicial (SECCO, 1982). Conforme Seito (1995), a segurança contra incêndio pode, conceitualmente, ser dividida em medidas de prevenção e medidas de proteção. Segundo o autor, as medidas de prevenção são entendidas como aquelas tomadas para evitar o início do fogo ou o alastramento do incêndio e isso pode ser obtido no projeto da edificação através da escolha de materiais com índices de reação ao fogo compatíveis com o nível de segurança que se deseja e ainda pelo isolamento das fontes de calor. Já as medidas de proteção são aquelas tomadas para evitar a rápida propagação do incêndio e isso é feito através de barreiras (compartimentação de áreas) ou por equipamentos de combate a incêndio. Analogamente a ABNT NBR 14432:2000 classifica as medidas de segurança e proteção contra incêndio de proteção ativa e de proteção passiva. De acordo com essa norma, a proteção ativa é todo tipo de proteção ativada manual ou automaticamente em resposta ao fogo, composta basicamente pelos sistemas prediais de proteção contra incêndio. A proteção passiva é o conjunto de medidas que faz parte do sistema construtivo da edificação e que reage passivamente ao desenvolvimento do incêndio, evitando condições propícias ao seu crescimento e propagação, garantindo a resistência ao fogo, facilitando a fuga dos usuários e o ingresso no edifício para as ações de combate ao incêndio. Berto (1991) também ressalta a importância de algumas medidas de prevenção de incêndios que devem ser consideradas na fase inicial do projeto arquitetônico, além das medidas específicas de combate a incêndios. O confinamento é uma das medidas que não se trata de prevenção total, mas tão 41 somente da precaução da progressão das chamas para outros locais. Dentre as medidas de prevenção estão: O confinamento de um incêndio pelo isolamento das áreas com portas corta fogo; o uso, sempre que possível de materiais incombustíveis; A previsão de saídas de emergência e instalações elétricas que venham a funcionar sem excesso de carga e com dispositivos de segurança, entre outros. Beyler (2001) afirma que o desafio do século XXI em relação à prevenção de incêndio é prover as edificações de proteção suficiente com o nível de custos atuais. Segundo ainda esse autor a educação é um dos componentes primários para a prevenção de incêndios, mas raramente recebe a atenção e os recursos que merece. Segundo Gouveia (2006), o conjunto de medidas de segurança adotadas no início da obra ou executadas posteriormente, ou ainda, as medidas relacionadas à estrutura pública, são utilizadas para balancear e determinar o risco de incêndio de uma edificação. Essas medidas são reunidas em cinco classes: Medidas sinalizadoras do incêndio; Medidas extintivas; Medidas estruturais; Medidas de infraestrutura; Medidas políticas e administrativas de fiscalização. Segundo Gouveia (2006), o emprego dessas medidas (sinalizadoras, extintivas, estruturais, de infraestrutura, políticas e administrativas) permite a extinção do incêndio ou o seu controle até completa extinção com o uso de recursos simples, instalados na maioria das edificações. Conforme o autor são consideradas ainda como medidas sinalizadoras, os sistemas de alarmes com acionamento manual e os sistemas de detecção de calor e fumaça. Afirma-se que quanto mais automatizado for o sistema, maior o fator de segurança contra incêndio, desde que se tenha a devida manutenção. 42 São consideradas medidas extintivas os sistemas que agem sobre o foco da ignição lançando substâncias que apresentam menor reatividade com o dióxido de carbono CO2, tais como, extintores de incêndio e os sistemas fixos de gases extintores. Também fazem parte das medidas extintivas as brigadas de incêndio e os chuveiros automáticos que visam interromper o ciclo de retroalimentação da reação da combustão através da redução da temperatura do ambiente (IT n. 02/CBMSP, 2004). Gouveia (2006) ressalta a eficácia dos sistemas de chuveiros automáticos e os sistemas fixos de gases no combate de início de incêndio. O autor também lembra que as brigadas de incêndio, quando bem formadas, superam em muito os demais sistemas por apresentar a vigilância contínua de um profissional bem treinado que pode agir rapidamente na extinção de um princípio de incêndio. 43 8 LEGISLAÇÃO RELATIVA À SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO Até o ano de 1976 as normas de segurança contra incêndio somente indicavam a necessidade de instalar equipamentos de prevenção nas edificações, tais como extintores, contudo, a fiscalização não se tratava de um item compulsório. O projeto construtivo da edificação não responsabilizava o engenheiro ou arquiteto da obra, pois a legislação não era embasada no pensamento voltado para prevenção de incêndio (SEITO, 2008). A regulamentação concernente à prevenção de incêndio no Brasil até o início da década de 70 era escassa, constando apenas em alguns Códigos municipais de obras, os quais contextualizavam normas para prevenção de incêndios. O corpo de bombeiros possuía pouca regulamentação para exercício de medidas para fiscalização de estabelecimentos. Nesse sentido a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tratava do assunto por intermédio do Comitê Brasileiro da Construção Civil, e através da Comissão Brasileira de Proteção Contra Incêndio, entidades que regulamentavam os assuntos ligados à produção de extintores de incêndio (DEL CARLO, 2008). Nesse contexto, órgãos regulamentadores passaram a ser pressionados pela sociedade para que promulgassem atos legais que versassem sobre a segurança contra incêndio nas edificações. Diante do temor desse enfrentamento, a verificação da fragilidade nos edifícios, muitos deles sem meios de abandono e com ausência em sistemas de proteção contra incêndio, obrigaram o poder público a regulamentar o padrão mínimo de segurança nas edificações (DEL CARLO, 2008). A União Europeia (UE), em seus 27 países já consolidaram grande parte de sua legislação e códigos individuais, muitas vezes sacrificando interesses nacionais particulares a um esforço pan-europeu para a padronização, por exemplo, fazendo com que um determinado padrão de classificações de extintor portátil ou sistema de detecção de incêndio e especificações de componentes comumente aplicáveis em todos os países membros (POTTER, 2008). 44 No âmbito federal, é praticamente inexistente a legislação específica sobre segurança contra incêndio. Contudo, as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho contribuem para que regras de proteção, que exigem um local de trabalho seguro, estabeleçam parâmetros para segurança do trabalhador (SEITO, 2008). Os itens da segurança contra incêndio estão distribuídos em Normas regulamentadoras (NRs) e são especificados na NR 23 que define itens para proteção contra incêndio. A Lei Federal n◦ 6514, de 22 de dezembro de 1977altera a redação de alguns artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-lei n. 5.452, de maio de 1943). Entre outras exigências, estabelece em seu art. 200, inc. IV, que cabe ao Ministério do Trabalho estabelecer disposições sobre a proteção contra incêndio em geral e as medidas preventivas adequadas à segurança do trabalhador. O Ministério do Trabalho publicou as Normas Regulamentadoras – NR por meio da Portaria de n◦ 3.214, de junho de 1978. O Quadro 1 mostra o número de cada NR e sua respectiva atribuição para proteção do trabalhador em risco de incêndio. Quadro 1: NRs de proteção contra incêndio do Ministério do Trabalho 45 Para o caso das normas técnicas, estas são elaboradas pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. Trata-se de um fórum nacional de normalização, com reconhecida função de utilidade pública pela Lei Federal n◦ 4.150 de 21 de novembro de 1962. As NBR – Normas Brasileiras Registradas sobre segurança contra incêndio são discutidas e preparadas pelas Comissões de Estudo (CEs) do Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio (SEITO, 2008). As normas técnicas brasileiras podem ser classificadas quanto ao tipo conforme demonstra o Quadro 2: Quadro 2: ABNTS/NBR - Classificação 46 O tipo da norma pode ser obtido conforme o preconiza o item de segurança e seu objetivo, o qual define a função e requisitos para cumprimento das medidas normatizadas. Nesse sentido, os itens descritos a seguir, apresentam exemplos das normas em vigor e seu objetivo (Quadro 3). 47 Quadro 3: ABNT/NBR – Classificação As regulamentações estaduais de segurança contra incêndio em edificações são feitas pelos corpos de bombeiros, com ou sem a participação da sociedade, e seus conteúdos diferem em cada um dos 26 estados da federação, e no Distrito Federal. Os regulamentos municipais de segurança contra incêndio em edificações estão nos códigos municipais, entretanto, dos mais de 5.500 municípios do país nem todos se preocupam com iniciativas legais para instituírem normas relativas à prevenção de incêndio (SEITO, 2008). 48 8.1 Normas e regulamentações Em suplemento especial editado em 1979, a FUNDACENTRO divulga a Norma Regulamentadora NR 23, Portaria 3214, atualizada de acordo com a Portaria nº 2, SSMT (Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho), de 2 de Fevereiro de 1979, que trata da proteção contra incêndios. De maneira evidente, podemos observar no item 1 disposições gerais da NR-23 - Proteção contra incêndio quais são os requisitos mínimos para atingir satisfatoriamente suas exigências: Seção 1.1 relata: ... Todas as empresas deverão possuir: Proteção contra incêndio; Saídas suficientes para a rápida retirada do pessoal em serviço em caso de incêndio Equipamento suficiente para combater o fogo em seu início; Pessoas adestradas no uso correto desses equipamentos... De acordo com Art. 2º do Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico – CSCIP, seus objetivos são: Proteger a vida dos ocupantes das edificações e áreas de risco, em caso de incêndio; Dificultar a propagação do incêndio, reduzindo danos ao meio ambiente e ao patrimônio; Proporcionar meios de controle e extinção do incêndio; Dar condições de acesso para operações do Corpo de Bombeiros; Proporcionar a continuidade do serviços nas edificações e áreas de risco. Para execução e implantação das medidas de segurança contra incêndio, devem ser atendidas as NPT’s - Norma de Procedimento Técnico elaboradas pelo CBMPR – Corpo de Bombeiros Militar do Paraná. As NPT’s usam como referência NBR’s correspondentes a determinado objetivo. Para manutenção adequada dos equipamentos utilizados no combate ao incêndio, os mesmos devem atender as regulamentações do Inmetro - Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, sendo este uma autarquia federal, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que atua 49 como Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro), colegiado interministerial, que é o órgão normativo do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro). 50 9 REFERÊNCIAS ARAÚJO, J. M. F. Comportamento humano em incêndios. In: SEITO, A. I. et al. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008. p. 93-100. ARAÚJO, S. M. S. Incêndio em edificações históricas: um estudo sobre o risco global de incêndio em cidades tombadas e as suas formas de prevenção, proteção e combate. A metodologia aplicada à cidade de Ouro Preto. Niterói, RJ. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade Federal Fluminense. 2004, p. 219. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15575-1: Edificações Habitacionais — Desempenho Parte 1: Requisitos gerais. Rio de Janeiro, 2013. ABNT NBR 9077: Saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 2001. CARLO, U. D. A segurança contra incêndio no Brasil. In: SEITO, A. I. et al. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008. P. 9-17. CLARET, A. M. G. Introdução à engenharia de incêndio. Núcleo de Geotecnia (NUGEO) da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto, 2009. CORPO DE BOMBEIROS DE SÃO PAULO. Instrução Técnica nº 01/2011 – Procedimentos Administrativos: Secretaria de estado dos negócios da segurança pública. DEL CARLO, Ualfrido. A segurança contra incêndio no Brasil. A segurança contra incêndio / coordenação de Alexandre Itiu Seito., et al. São Paulo: Projeto Editora, 2008, p. 1, 2 e 31. 51 GOMES, Ary Gonçalves. 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Dissertação de Mestrado. Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo.