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ATIVIDADES
Observe.
Conformar-nos-emos em ser para sempre o país do futuro?
(Mas: Não nos conformaremos em ser para sempre o país do futuro.)
Ajudar-nos-ia muito mais a oposição se fizesse críticas construtivas.
(Mas: Alguém me faria o favor de trazer o jornal de amanhã?)
Sobre o uso da mesóclise, convém lembrar que essa forma de colocação 
pronominal está em franco desuso, na língua, ficando hoje restrita apenas 
a alguns contextos formais de uso escrito da linguagem.
De olho na fala
Nas raras ocorrências 
de mesóclise na linguagem 
coloquial, ela costuma ser 
utilizada para provocar um 
efeito de humor ou de ironia, 
ou para criar uma imagem 
associada ao formalismo ex-
cessivo e ao pedantismo.
 Leia atentamente as tiras abaixo para responder à questão 1. 
GARFIELD Jim Davis
MACANUDO Liniers
NÍQUEL NÁUSEA Fernando Gonsales
 1. Nas tiras apresentadas, verifica-se a recorrência de um determinado 
tipo de colocação pronominal. Transcreva essas ocorrências.
a) Qual é a posição ocupada pelo pronome oblíquo nessas ocorrências?
b) Qual seria a colocação pronominal considerada adequada, nesses casos, 
de acordo com a gramática normativa?
c) O que explicaria, no contexto de cada tira, a opção por uma colocação 
pronominal que contraria o uso prescrito pela gramática normativa? 
Justifique.
DAVIS, Jim. Garfield 
e seus amigos. 
Porto Alegre: L&PM, 
2010. p. 18.
LINIERS. Macanudo, 
N. 3. Campinas: 
Zarabatana Books, 
2010. p. 13.
GONSALES, 
Fernando. Níquel 
Náusea: minha 
mulher é uma 
galinha. São Paulo: 
Devir, 2008. p. 44.
I. 
II. 
III. 
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 Leia o texto abaixo para responder às questões de 2 a 4.
 
Papos
— Me disseram...
— Disseram-me.
— Hein?
— O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.
— Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é 
“digo-te”?
— O quê?
— Digo-te que você...
— O “te” e o “você” não combinam.
— Lhe digo?
— Também não. O que você ia me dizer?
— Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E 
que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua 
cara. Como é que se diz?
— Partir-te a cara.
— Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me 
corrigir. Ou corrigir-me.
— É para o seu bem.
— Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo 
como bem entender. Mais uma correção e eu...
— O quê?
— O mato.
— Que mato?
— Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu 
bem?
— Eu só estava querendo...
— Pois esqueça-o e para-te. Pronome no lugar certo é 
elitismo!
— Se você prefere falar errado...
— Falo como todo mundo fala. O importante é me 
entenderem. Ou entenderem-me?
— No caso... não sei.
— Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
— Esquece.
— Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E 
o certo é “esquece” ou “esqueça”? Ilumine-me. Mo diga. 
Ensines-lo-me, vamos.
— Depende.
— Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se 
o soubesses, mas não sabes-o.
— Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
— Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas 
dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
— Por quê?
— Porque, com todo este papo, esqueci-lo.
VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. 
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 65-66. 
© by Luis Fernando Verissimo.
 2. O texto trata, de forma humorística, da questão da colocação prono-
minal. Qual parece ser a intenção do cronista ao criar o contexto de 
uma conversa informal para tratar desse assunto?
 3. Quando um dos interlocutores do texto afirma que o correto é 
“disseram-me” e não “me disseram”, está fazendo referência a uma 
das regras da gramática normativa para a colocação pronominal. 
Que regra é essa?
a) Em uma conversa informal, como na situação apresentada na crô-
nica, essa correção é adequada? Justifique sua resposta.
b) Em certo momento do texto, o uso da próclise do pronome oblíquo o 
gera uma ambiguidade. Transcreva a passagem em que isso ocorre, 
explicando em que consiste seu duplo sentido.
 4. Explique que equívocos são cometidos, no que diz respeito à colocação 
pronominal, nos trechos “vê se esquece-me” e “não sabes-o”.
a) Reescreva os dois trechos, adequando-os às regras de colocação 
pronominal.
b) Na questão 3, você identificou um emprego da próclise que contraria 
as regras da gramática normativa, mas que é aceito em contextos 
informais. Por que o emprego da ênclise nos casos mencionados 
nesta questão não pode ser visto da mesma forma?
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 5. Na tira, a expressão “descolai-me” causa estranheza. O que pode ser 
considerado inadequado nessa expressão?
a) Há nessa expressão uma estrutura típica de invocações religio-
sas: verbo na 2a pessoa do plural (descolai) acompanhado por um 
pronome oblíquo enclítico. Por que a personagem reproduz essa 
estrutura?
b) Se o pedido fosse feito a outra pessoa, em um contexto informal, 
qual, provavelmente, seria a construção utilizada pela personagem? 
Por quê?
 6. Por que a personagem que representa Deus não atende ao pedido?
O humor da tira está na incoerência do comportamento dessa per-ff
sonagem. De que maneira a incoerência é representada?
 Leia o texto abaixo para responder à questão 7.
 
Inveja só
Esta saiu na coluna Gilberto Amaral, do Correio 
Braziliense : “Do imortal e sempre irreverente João 
Ubaldo Macedo [...]” E, talvez numa homenagem 
estilística ao escritor que, um dia, se chamou Ribeiro, 
deu à luz, na mesma edição, esta notinha: “A bonita 
Lisle Lucena deu um banho de simpatia no programa 
de Serginho Groismann [...] Lisle não se esquivou-se 
um só instante...”
Lamentei o se esquivou-se, porém Janistraquis, fã 
de Gilberto Amaral, atribuiu tal escorregão a algum 
sabotador invejoso que perambula pela Redação. 
[...]
JAPIASSU, Moacir. Jornal de Imprença: a notícia 
levada açério. São Paulo: Jornal dos Jornais 
Editora, 1997. p. 174. (Fragmento).
 7. O texto transcrito, extraído de um livro que publica erros presentes 
em textos jornalísticos, comentando-os humoristicamente, trata de 
um “escorregão” identificado em uma nota da imprensa. Em que 
consistiu o “escorregão” do autor da nota?
Considerando as regras de colocação pronominal prescritas pela ff
gramática normativa, qual seria a correta posição do pronome, 
nesse caso? Justifique.
DEUS Laerte
 Leia atentamente a tira abaixo para responder às questões 5 e 6.
 LAERTE. Deus 3: a missão. São Paulo: Olho d’Água, 2003. p. 43.
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