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R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 230 U n id a d e B • O rg a n iz a çã o e p ro ce ss o s ce lu la re s O termo mitose deriva da palavra grega mitos, que significa “tecer com fios” e refere-se ao fato de que os filamentos cromossômicos se enrolam sobre si mesmos no decorrer da divisão celular, tornando-se progressivamente mais condensados e, portanto, mais visíveis ao microscópio óptico. Antes do início da divisão, ou seja, na interfase, os cromossomos estão totalmente descondensa- dos e, nessa configuração, eles são tão finos que não podem ser visualizados individualmente ao microscópio óptico. Foi exatamente por isso que se empregou, originalmente, o termo cromatina para designar o conjunto filamentoso do núcleo interfásico; na época não se sabia que a cromatina de fato correspondia a um conjunto de filamentos individualizados, os cromossomos. 2 Fases da mitose Prófase Durante a prófase (do grego protos, primeiro), a primeira fase da mitose, os cromossomos se condensam, acarretando o desaparecimento dos nucléolos, o fuso acromático começa a se formar e a carioteca se desfaz, dispersando os componentes nucleares no citoplasma. Vamos analisar mais detalhadamente o significado de cada uma dessas ocorrências. Condensação dos cromossomos A condensação cromossômica marca o início da prófase; gradativamente, os cromossomos tornam-se mais curtos e mais grossos, e cada vez mais visíveis ao microscópio óptico. A fibra cromossômica enrola-se sobre si mesma devido à ação de uma proteína, a condensina, recen- temente descoberta. A condensação facilita a separação dos cromossomos e sua posterior distribuição para as células-filhas, evitando embaraçamentos e quebras. À medida que se condensa, o cromossomo vai reduzindo sua atividade, uma vez que a com- pactação impede fisicamente o DNA de produzir moléculas de RNA. Uma consequência direta da condensação cromossômica é a redução progressiva dos nucléolos, até seu total desapareci- mento. Isso se explica porque os nucléolos são constituídos por moléculas de RNA ribossômico associadas a proteínas, e a inativação da região cromossômica organizadora do nucléolo leva à interrupção na síntese de RNA. Como os componentes nucleolares estão sempre migrando para o citoplasma, onde originam os ribossomos, o nucléolo desaparece durante a prófase e só reaparecerá quando os cromossomos voltarem a se descondensar, na telófase. Início da formação do fuso acromático Outro evento que marca a prófase é o início da formação do fuso mitótico, também chama- do de fuso acromático (acromático por não se corar com facilidade). O fuso é um conjunto de microtúbulos, também denominados fibras do fuso, orientados de um polo a outro da célula; sua função é conduzir os cromossomos para polos celulares opostos durante a anáfase. Durante a formação do fuso mitótico, há total reestruturação do citoesqueleto da célula: a maioria dos microtúbulos se desagrega e as moléculas de tubulina que os constituíam são uti- lizadas para produzir os microtúbulos do fuso mitótico. A formação do fuso é coordenada pelo centrossomo, região do citoplasma relacionada com a estruturação do citoesqueleto. O centrossomo duplica-se na fase S, simultaneamente à duplicação cromossômica, e os dois novos centrossomos permanecem juntos até o início da prófase. Nesta fase, os centrossomos migram para polos opostos da célula e, em sua migração, orientam microtúbulos em formação a se organizar, formando feixes de fibras entre os dois polos celulares. Em células animais, no centros- somo há um par de centríolos, ausente em células de vegetais e de fungos. Além disso, somente em células animais microtúbulos organizam-se ao redor de cada centrossomo, constituindo uma estrutura denominada áster. (Fig. 8.6 na página seguinte) Fragmentação da carioteca O evento que marca o final da prófase é o desaparecimento da carioteca. A lâmina nuclear se desfaz e as membranas componentes do envoltório nuclear fragmentam-se em pequenas bolsas, que se espalham pelo citoplasma. As proteínas componentes dos poros também se dissociam e ficam dispersas no líquido citoplasmático. Centrossomo com centríolos Núcleo Citoplasma Fibras do fuso mitótico em formação Fibras do áster Microtúbulos do áster Centrossomo com centríolos Microtúbulos ligados ao cromossomo Microtúbulos cromossômicos Centrômero Cinetócoros das cromátides-irmãs Cromátides-irmãs Cromossomos alinhados no equador da célula (placa metafásica) Crescimento dos microtúbulos cromossômicos Fibras do fuso unidas aos cromossomos Captura do cinetócoro R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 231 C a p ít u lo 8 • D iv is ã o c e lu la r: m it o se e m e io se Figura 8.6 A. Representação esquemática de uma célula animal em início de prófase, com o fuso em formação. B. Em maior aumento, organização geral do fuso, com fibras entre os centros celulares e fibras do áster ao redor de cada centríolo. (Representação sem escala. Cores-fantasia.) Figura 8.7 Representação esquemática do processo de união dos cromossomos ao fuso mitótico, com formação da placa metafásica. A. Captura dos cromossomos, por microtúbulos de um dos polos. B. Ligação de microtúbulos do outro polo ao cinetócoro da cromátide- -irmã. C. Alinhamento dos cromossomos, formando a placa metafásica. (Representação sem escala, cores-fantasia.) Metáfase A metáfase (do grego meta, meio) sucede a prófase e seu início é marcado pela desagregação da carioteca e liberação dos cromossomos, já altamente condensados, no citoplasma. Desde a interfase, cada cromossomo encontra-se duplicado, constituído por duas cromátides-irmãs mais intimamente unidas na região do centrômero. Apenas na metáfase, porém, essa constituição cromossômica torna-se visível, graças ao alto grau de condensação. Cada cromátide possui seu próprio cinetócoro, uma estrutura proteica localizada na região do centrômero e que tem afinidade pelas fibras do fuso. Em determinado momento, microtúbulos que partem dos centrossomos “fisgam” os cromossomos, capturando-os pelos cinetócoros. Quando o cinetócoro de uma cromátide é capturado por microtúbulos ligados a um dos polos da célula, o cinetócoro da cromátide-irmã volta-se automaticamente para o polo oposto. Isso permite que ele seja capturado por microtúbulos desse polo e, assim, as cromátides-irmãs de cada cromossomo prendem-se a polos opostos da célula. (Fig. 8.7) Figura 8.8 A. Representação esquemática do fuso mitótico com dois cromossomos alinhados na placa metafásica. B. Detalhe dos feixes de microtúbulos que prendem as cromátides-irmãs a polos opostos. (Representação sem escala, cores-fantasia.) A A B B C A B Os microtúbulos que ligam cromátides-irmãs a polos celulares opostos, chamados de micro- túbulos cromossômicos, começam a se encurtar tensionando o centrômero. O equilíbrio entre as tensões dos microtúbulos de lados opostos leva os cromossomos para a região mediana da célula, fazendo com que fiquem a meio caminho entre os polos celulares, ou seja, no plano equatorial da célula. O conjunto de cromossomos estacionados na região mediana da célula é denominado placa metafásica ou placa equatorial. O termo metáfase refere-se justamente ao fato de os cromossomos se alinharem no “meio” (meta) da célula. (Fig. 8.8) R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 232 U n id a d e B • O rg a n iz a çã o e p ro ce ss o s ce lu la re s A mitose somente prossegue quando a placa metafásica forma-se completamente, com cada cromossomo preso aos dois polos do fuso. Os cientistas denominaram esse momento de “ponto de checagem” do ciclocelular (veja no item “Regulação do ciclo celular”, mais adiante). Se os cromosso- mos duplicados não se unirem corretamente ao fuso, haverá erro em sua distribuição para as células- -filhas; assim, a mitose se detém antes que isso aconteça. Uma vez concluída a formação da placa equatorial, entra em ação uma enzima que separa as cromátides-irmãs de cada cromossomo. A prometáfase, etapa da mitose que alguns autores situam entre a prófase e a metáfase, co- meçaria com a ruptura da carioteca e terminaria com a formação da placa metafásica. Nesse caso, o termo metáfase indicaria apenas o período em que os cromossomos estão alinhados no plano equatorial, prontos para iniciar a migração em direção aos polos. Certas drogas, como a colchicina e o colcemide, impedem que os cromossomos migrem para os polos durante a anáfase, interrompendo a mitose. Essas drogas ligam-se às moléculas de tubulina e causam a desagregação dos microtúbulos. Na presença delas, a mitose prossegue normalmente até a metáfase, quando o processo é interrompido devido à ausência de microtú- bulos, necessários para puxar os cromossomos para os polos. Após algum tempo, os cromosso- mos se descondensam e a carioteca se reconstitui. O núcleo reconstituído, porém, tem agora o dobro do número de cromossomos originalmente presente na célula, pois não houve separação das cromátides-irmãs. Relembre que, no estudo dos cromossomos humanos (veja o capítulo 7), a colchicina é empregada para bloquear a divisão dos linfócitos em metáfase, o que facilita o exame do cariótipo. Anáfase A anáfase (do grego ana, separação) é a fase em que as cromátides-irmãs se separam, puxadas para polos opostos pelo encurtamento dos microtúbulos do fuso. Esse encurtamento ocorre pela liberação de moléculas de tubulina nas extremidades dos microtúbulos associadas ao cinetócoro. (Fig. 8.9) Não disjunção na mitose Raramente, ambas as cromátides de um cromos- somo podem migrar juntas para o mesmo polo celu- lar. Esse fenômeno, conhecido como não disjunção cromossômica, leva a um erro na distribuição dos cromossomos: uma das células-filhas fica com um cromossomo a mais e a outra com um cromossomo a menos. A presença de cromossomos a mais ou a menos na célula é denominada aneuploidia. Telófase Na telófase (do grego telos, fim), última fase da mitose, os cromossomos se descondensam e uma nova carioteca organiza-se ao redor de cada conjunto cromossômico, reconstituindo dois novos núcleos. Com a descondensação, os cromossomos retornam à atividade, voltando a produzir RNA, e os nucléolos reaparecem. À medida que os cromossomos se descondensam, bolsas membranosas prendem-se a eles e fundem-se entre si, reconstituindo as duas membranas da carioteca. Simultaneamente, a lâmina nuclear reconstitui-se e os componentes dos poros nucleares, que estavam dispersos no citosol, distribuem-se entre as bolsas membranosas. Estas, por sua vez, se fundem, reconstituindo os poros nucleares. Finalmente, os nucléolos reaparecem, pois, com a descondensação das regiões cromossômicas organizadoras do nucléolo, a produção de RNA ribossômico é retomada. Figura 8.9 Representação esquemática do encurtamento dos microtúbulos que faz os cromossomos serem puxados para os polos. Foi representado apenas um microtúbulo, em ampliação muito maior que a do cromossomo. (Representação sem escala, cores-fantasia.) Para o centrossomo Microtúbulo cromossômico Liberação de unidades de tubulina Cromossomo Sentido de migração do cromossomo Cinetócoro