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Pirogênios e endotoxinas Pirogênios: Qualquer substância capaz de induzir elevações de temperatura, em resposta a injeção ou infecção, em animais e humanos. Pirogênios exógenos: Pirogênios endógenos: Produtos externos ao organismo que produzem febre ao entrar em contato com este. Mediadores endógenos que produzem febre como resposta à contaminação do organismo. São fragmentos ou toxinas, como fungos, vírus e bactérias. São citocinas, como Interleucina 1 β (IL-1 β) Interleucina 6 (IL-6) Fator de necrose tumoral α (TNF α ); que desencadeiam a liberação de prostaglandina E2 Toxinas bacterianas: Os pirogênios já existem (matérias primas, embalagens, equipamentos e ambiente) ou se desenvolveram durante o processo (processo lento, despirogenização inadequada). Despirogenização: Obs: somente isso não comprova a apirogenicidade⇒ Necessita de testes de CQ, A avaliação de pirogênios é realizada a cada novo lote produzido de injetáveis, e há 2 principais metodologias: 1. Teste in vivo para pirogênios (Farmacopeia Brasileira) 2. Teste in vitro para endotoxinas bacterianas (Farmacopeia Brasileira) Teste in vivo para pirogênios É um ensaio biológico in vivo fundamentado na medida da temperatura corporal de coelhos após injeção intravenosa da solução em análise. ● É um teste qualitativo (presença ou ausência); ● Também denominado de teste de hipertermia em coelhos. ● Modelo animal é preconizado, pois: A relação dose-resposta a pirogênios é similar com a do homem, onde 5 Unidades Internacionais de Endotoxina/kg é a dose mínima que causa febre em ambas as espécies. ● Coelhos preferencialmente do mesmo sexo, mesma raça, adultos e sadios. Constituição do grupo experimental: ● n= 3 animais ● Selecionados segundo alguns critérios 1º) Peso mínimo: 1,5 Kg 2º) Temperatura usual→ Ambientação dos animais no procedimento pelo menos 7 dias antes do teste. Procedimento: Local adequado→ deve ser em uma sala específica dentro do setor de CQ biológico ● Temperatura e umidade controladas (20 – 23 ºC); ● Livre de perturbações; ● Animais mantidos contidos durante o procedimento. Materiais: ● Devem ser estéreis e apirogênico; ● Deve-se empregar termômetros calibrados (manual, automático ou termopares). No dia do teste: ● Supressão de alimentos (2h antes); água permitida. ● Pesagem e ambientação novamente dos animais pré-selecionados. ● Temperatura basal do dia é medida 30 minutos antes da injeção da amostra. Registro e resultado do teste: Produto cumpre o teste: quando nenhum dos três coelhos apresentar número individual da temperatura ≥ 0,5 °C. Se algum coelho não cumprir a especificação, deve-se repetir o teste utilizando outros cinco animais. Produto cumpre o teste: ● No máximo, 3 dos 8 coelhos apresentarem aumentos individuais de temperaturas ≥ 0,5 °C. ● Se a soma dos aumentos individuais de todos os coelhos não exceder 3,3°C. Procedimento pós-teste: Pode haver reutilização dos animais após os testes. ➔ Após teste negativo→ Reutilização após 2 a 3 dias de intervalo ➔ Após teste positivo→ reutilização após 2 a 3 semanas de intervalo ➔ Casos especiais de evitar a reutilização→ a monografia informará Vantagens: Desvantagens: ▪ Reproduz resposta fisiopatológica da febre ▪ Detecta todos os tipos de pirogênios ▪ Não necessita padrão ▪ Uso de animais ▪ Teste qualitativo ▪ Baixa sensibilidade ▪ Alta variabilidade ▪Não aplicável à alguns produtos (ex: analgésicos, antitérmicos, anti-inflamatórios, radiofármacos) Testes alternativos: Teste in vitro para endotoxina→ parcialmente substitutivo (compendial) Teste in vitro para pirogênios → culturas celulares de monócitos (ainda não descrita em todos os compêndios) Teste in vitro para endotoxinas: O teste de endotoxinas é um ensaio biológico in vitro descrito na FB e utilizado para detectar ou quantificar endotoxinas presentes nas amostras para qual o teste é preconizado. Para a sua execução, emprega-se o reagente LAL (Lisado de Amebócitos do Limulus) → Obtido a partir do extrato aquoso dos amebócitos circulantes de alguns caranguejos, principalmente de Limulus polyphemus Fundamento do teste: O resultado do ensaio pode ser: qualitativo, semi-qualitativo ou quantitativo (dependerá da forma e avaliar o meio reacional). Método da coagulação em gel: Métodos fotométricos (turbidimétricos e cromogênicos): ▪Método Semi-quantitativo ou qualitativo. ▪ Quantitativos ▪Mais sensíveis do que método da coagulação Limite de endotoxinas: Febre em humanos→ observada a partir de 5 UI de Endotoxina/Kg Alguns exemplos de limites nos produtos são: ● Parenterais de grande volume: 0,5 UE/mL ● Água para injeção: 0,25 UE/mL ● Correlatos invasivos: 0,5 UE/mL Limite de endotoxinas calculado (LE) LE = k/M Onde: ➔ k = 5 UI/kg ou 350 UE/70 kg (Febre em humanos); ➔ M = dose humana máxima do fármaco por kg ou por 70 kg, administrada numa injeção por hora (Bula do medicamento) Cálculo da máxima diluição válida A máxima diluição válida (MDV) é a diluição máxima permitida para um produto com um determinado limite de especificação para que a endotoxina bacteriana, caso presente, possa ser detectada. Procedimentos: Avaliação da amostra e padrões: Obs: duplicatas em cada tubo. 1. Método da coagulação em gel Diluir a amostra: ● Amostra + água para injetáveis (apirogênica); ● pH: deve estar entre 6 e 8 (corrigir se necessário com tampões, ácidos ou bases diluídas e apirogênicas); ● O processo deve ser realizado de modo asséptico. ➔ Reação positiva: formação de gel firme; ➔ Reação negativa: ausência de gel ou formação de gel viscoso. Coagulação em tubo→ detecção pela observação do coágulo que não cai ao virar o tubo. 2. Métodos fotométricos: Permite a detecção e quantificação de endotoxinas baseada na turvação ou reação colorimétrica com posterior leitura da absorvância. Métodos que empregam menos padrão e menos reagentes (+econômicos, porém necessitam do equipamento para leitura). Vantagens: Desvantagens: ▪Métodos rápidos; ▪Métodos sensíveis. ▪ Não detecta todos pirogênios; ▪ Possibilidade de falsos positivos e negativos; (Limitações de uso em alguns produtos) Principais limitações de aplicações: ▪ Agentes desnaturantes ▪ Soro ou plasma (MUITOS PRODUTOS BIOLÓGICOS) ▪ Amostras com pH < 3 ou > 9 ▪ Íons cálcio > 0,67 M ▪ Lipídios, emulsões para infusão ▪ Glutationa, acetilcisteína ▪ Cloranfenicol, tetraciclina, oxitetraciclina ▪ Penicilinas semi-sintéticas