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DESIGN EDITORIAL
2
Felipe Orsini Martinelli
Londrina
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
2023
 DESIGN EDITORIAL
1ª edição
3
2023
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
Homepage: https://www.cogna.com.br/
Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM
Silvia Rodrigues Cima Bizatto
Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl
Ana Carolina Gulelmo Staut
Camila Braga de Oliveira Higa
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Coordenador
Henrique Salustiano Silva
Revisor
Tainah Morais Lago
Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Carolina Yaly
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ 
Martinelli, Felipe Orsini
Design editorial/ Felipe Orsini Martinelli, – Londrina: 
Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2023.
32 p.
ISBN 978-65-5903-364-5
1. Design. 2. Editorial. 3. Gráfico. I. Título.
CDD 744.55
_____________________________________________________________________________ 
 Raquel Torres – CRB 8/10534
M385d 
© 2023 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A
https://www.cogna.com.br/
4
DESIGN EDITORIAL
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina ______________________________________5
Breve histórico e características do design editorial _____________7
Fundamentos Tipográficos ____________________________________ 20
Propriedades do design editorial impresso ___________________ 32
Propriedades do design editorial digital _______________________ 44
5
Apresentação da disciplina
Nesta disciplina, estudaremos sobre o campo do design editorial, que 
lida com a criação de vários produtos, como livros, revistas e jornais. 
Na primeira unidade, veremos uma breve evolução histórica do 
campo editorial, indo desde o surgimento da escrita até os dias atuais, 
passando pela prensa de Gutenberg e como impactou a sociedade nos 
anos 1400. Abordaremos também conceitos relativos à criação de grids, 
além de analisar as propriedades que cada meio gráfico possui, ou seja, 
veremos alguns aspectos básicos nos quais devemos pensar enquanto 
designers na criação do layout de uma revista, um jornal ou um livro, 
tanto em meio impresso quanto em meio digital.
Depois, no segundo tema, falaremos sobre os fundamentos da 
tipografia, área que está presente em qualquer produto de design que 
envolva texto. Falaremos sobre propriedades que a tipografia possui, 
alguns conceitos relacionados à estrutura visual de letras, para depois 
abordarmos os principais tipos existentes de fontes tipográficas. 
Abordaremos também o conceito de famílias tipográficas, lidando com 
exemplos de opções para combinar mais de um tipo de fonte. 
Já no terceiro tema, aprofundaremos sobre os conceitos editoriais 
para peças impressas, abordando os principais tipos de impressão 
disponíveis no mercado editorial. Falaremos também sobre padrões 
de cor dentro do design, além de suas aplicações. Logo depois, 
discutiremos sobre a resolução de imagens digitais, algo que impacta 
diretamente em como uma imagem será exibida em uma tela ou 
impressa em papel. Abordaremos também as principais propriedades 
do papel, às quais devemos estar sempre atentos ao criar um produto 
impresso.
6
Por fim, no quarto tema, daremos maior enfoque no meio digital, 
abordando as características de um projeto para livro, revista ou jornal 
em suporte digital. Aqui, serão tratados formatos como PDF e ePUB, que 
são amplamente usados no mercado digital. Também veremos alguns 
pontos introdutórios sobre sites para web, visto que tal área está em 
grande convergência com a área de design editorial. É desejado que os 
conceitos sejam facilmente compreensíveis e que esta disciplina traga 
grande valor para sua formação. 
Bons estudos!
7
Breve histórico e características 
do design editorial
Autoria: Felipe Orsini Martinelli
Leitura crítica: Tainah Morais Lago
Objetivos
• Compreender a evolução histórica dos principais 
conceitos e mídias dentro do design editorial.
• Analisar diferentes estruturas de grid, a fim de 
trabalhar a organização e a hierarquia visual em um 
projeto gráfico.
• Identificar as propriedades que cada mídia possui 
em sua produção gráfica para a construção de 
projetos editoriais.
8
1. Introdução ao design editorial
Dentro das diversas áreas de atuação do design, enquanto campo de 
estudo e prática, há o design editorial. Tal área pode ser estabelecida 
como aquela que aborda a criação de produtos com uma quantidade 
significativa de informação textual (ADG, 2003). Pode-se também 
descrevê-la como um jornalismo visual, em que se publica conteúdo que 
pode “entreter, informar, instruir, comunicar, educar, ou pode ser uma 
combinação dessas coisas” (CALDWELL, 2014, p. 8). 
Seguindo os conceitos citados, pode-se afirmar que tal campo possui 
como propósito contar uma história por meio da organização de 
materiais, normalmente relacionando textos e imagens, trazendo 
personalidade ao conteúdo e criando interesse no público em consumi-
lo (CALDWELL, 2014). Assim, entram, aqui, meios impressos, como 
jornais, revistas e livros, e meios digitais, como e-books, sites para web, 
entre as demais opções existentes e outras que possam surgir nos 
próximos anos.
Para que esses objetivos sejam alcançados, vários conceitos e processos 
precisam ser trabalhados, como a escolha de imagens, cores e fontes 
tipográficas, definição do papel e técnicas de impressão, quando um 
produto impresso, ou o layout, em um produto digital. Dentro disso, 
várias técnicas merecem ser estudadas e analisadas a partir de sua 
evolução histórica, algo que será feito no próximo tópico. Depois, será 
abordado o conceito de grid, extremamente importante para qualquer 
área que lida com composição visual. Por fim, serão abordadas as 
peculiaridades dos principais meios que se encontram dentro do campo 
do design editorial.
9
2. Breve evolução histórica
O ser humano sempre criou maneiras de gravar informações e se 
expressar, desde pinturas pré-históricas e escritas feitas em argila, 
passando pelas técnicas de impressão e chegando ao invento que 
trouxe grande impacto à sociedade que foram os computadores. A 
argila deu lugar ao papiro e aos pergaminhos de pele de animais, que 
foram substituídos pelo papel, que foi trabalhado em vários formatos 
até chegar ao livro como conhecemos hoje. Foram inúmeros inventos e 
pessoas importantes nesse processo, porém, o foco será em dois pontos 
principais: a prensa e o computador.
Até a antiguidade, os livros eram escritos à mão, muitos deles feitos 
por monges, aos quais se deu o nome de copistas, pois seu trabalho 
era copiar os livros. Dessa forma, tais objetos demoravam para ficar 
prontos, tendo um preço elevado, já que eram feitos um a um. Diversos 
processos técnicos surgiram e foram se aprimorando, até que se 
desenvolveram as máquinas de prensa para impressão em papel. Tais 
máquinas funcionavam como um grande carimbo, contendo o texto, 
que era feito com chapas de metal ou madeira. Sobre esta superfície 
era inserida tinta e depois esta era pressionada contra uma folha de 
papel. Assim, uma folha era produzida inteira de uma vez. Aqui, entra 
a importante figura de Johannes Gutenberg, que refinou diversos 
processos e técnicas, criando o sistema que veio a popularizar e difundir 
os métodos de impressão, chamado de prensa de tipos móveis. Tratava-se de um sistema em que as letras eram peças individuais, de forma 
que as páginas eram facilmente montadas e desmontadas, sendo as 
letras reutilizáveis durante o processo (FONSECA, 2011). Dessa forma, 
não seria necessário criar uma placa única para cada folha de um livro, 
o que veio a facilitar todo o processo de impressão. Isso significa que 
o processo ficou mais rápido e barato, permitindo a popularização 
dos livros enquanto instrumento de comunicação. A Figura 1 ilustra o 
invento de Gutenberg.
10
Figura 1 – Ilustração da oficina de Gutenberg
 
Fonte: wikipedia.org
Pode-se ver, na Figura 1, que existe um sistema que é pressionado por meio 
de uma alavanca (adaptado de uma máquina de espremer frutas), embaixo 
do qual era inserido o papel. Esse sistema foi aprimorado e adaptado 
durante séculos, passando por vários aperfeiçoamentos em qualidade 
de tinta, materiais usados, tipos de papel e sistemas de impressão. Com 
o surgimento dos computadores, as técnicas de editoração e impressão 
foram extremamente modificadas pelos sistemas digitais. Sem dúvidas, 
os computadores trouxeram mudanças imensas, migrando o processo 
11
editorial para o meio digital, com o uso de softwares, o que tornou o 
trabalho mais rápido e barato mais uma vez. 
Dentro do meio digital, as publicações começaram com arquivos em 
PDF, nos quais era possível alternar entre as páginas com animações 
de páginas virando, como em uma revista ou livro de verdade. O 
surgimento da linguagem HTML para web facilitou a inserção de vídeos 
e animações em projetos editoriais, inclusive com o surgimento dos 
sites web e aplicativos (CALDWELL, 2014). Além disso, o surgimento 
de smartphones e tablets permitiu que novas opções de interação e 
formatos fossem exploradas, além de possibilitar um maior alcance de 
público. Passou-se da simples transposição de um jornal ou uma revista 
digitalizada para a exploração das potencialidades do meio digital. Um 
exemplo disso é a facilidade com que podemos transportar milhares de 
arquivos de texto em um único celular que cabe no bolso.
3. Grid
Quando um projeto editorial é feito, é necessário que os elementos 
gráficos sejam organizados visualmente, para que não apenas 
combinem entre si, mas fiquem visualmente bem distribuídos e 
tragam uma fácil compreensão por parte do público. Para isso, 
podem ser usados os grids, que são estruturas compostas de linhas 
invisíveis para a organização de elementos em uma tela ou página. 
Pode-se dizer que são “um meio de dispor e relacionar os elementos 
de um design para facilitar a tomada de decisão” (AMBROSE; HARRIS, 
2014, p. 27). Tal recurso já era encontrado em trabalhos antigos, 
porém, os métodos usados no design gráfico ocidental atual surgiram 
durante a Revolução Industrial (SAMARA, 2007). Hoje em dia, grids 
são usados em qualquer área que lida com composição visual, como 
web design, interface de aplicativos, cartazes, projetos de identidade 
visual, jornais, revistas, entre outros.
12
Existem grids simétricos, assimétricos, lineares, circulares, entre 
várias outras possibilidades. Alguns mais simples e outros mais 
complexos, com várias medidas e ângulos específicos. No design 
editorial, em especial em páginas que trazem matérias em jornais e 
revistas, costuma-se usar um sistema de grid com linhas e colunas, 
ou outro baseado em módulos, como se fosse um plano cartesiano 
composto de vários retângulos a serem preenchidos (AMBROSE; 
HARRIS, 2014). Além disso, publicações impressas que possuem 
páginas em sequência, quando abertas, costumam lidar com grids 
que relacionam o conteúdo destas páginas, criando relação visual 
entre elas. Em um livro, essas páginas são chamadas de verso e 
reto, respectivamente as páginas da esquerda e da direita. A Figura 
2 mostra um exemplo de um modelo genérico de grid baseado em 
colunas usado em uma revista, com os blocos azuis representando 
imagens e os blocos rosas representando as colunas do grid.
Figura 2 – Exemplo de grid com duas páginas
 
Fonte: elaborada pelo autor.
13
Pode-se ver, na Figura 2, que as duas páginas possuem a informação 
visual distribuída de maneira igual entre elas, com a variação da posição 
das imagens. A estrutura usada tem como base seis colunas. Apesar 
disso, é importante notar que o texto e as imagens são distribuídos em 
blocos que possuem tamanho de duas ou três colunas criadas, tendo 
as seis colunas menores como referência. Essa prática de criar blocos 
a partir das colunas é muito comum no design editorial, trazendo mais 
possibilidades criativas e melhor, organizando o conteúdo visual em 
uma página sem deixar de lado a estrutura do grid. Inclusive, não é 
recomendado trabalhar com uma coluna única de texto em cada página, 
pois isso atrapalha a leitura, por ser difícil localizar visualmente o início 
de cada linha (AMBROSE; HARRIS, 2014).
Outro ponto a ser considerado é de que o texto inserido é um texto 
falso, gerado no Adobe InDesign (software de design editorial) a partir de 
palavras do Latim, inseridas de maneira aleatória. O recurso de texto 
falso, também conhecido como lorem ipsum, é comumente utilizado no 
preenchimento do espaço, para que tenhamos noção de como um bloco 
de texto se comportará visualmente na composição depois que o texto 
verdadeiro for inserido (AMBROSE; HARRIS, 2014).
Por fim, podemos dizer que ao mesmo tempo em que grids auxiliam na 
organização e facilitam o processo de criação, podem também limitar 
a criatividade em um projeto gráfico, prendendo toda a criação a uma 
estrutura fixa. Dessa forma, devem ser vistos como uma ferramenta e 
não uma regra a ser sempre seguida. Isso significa que não é obrigatório 
que todo projeto de design siga um sistema de grid, embora auxiliem na 
organização visual e, em consequência, na construção da hierarquia de 
informação em uma capa de livro, em uma matéria de uma revista, em 
um site na web, entre outros exemplos (SAMARA, 2007).
14
4. Particularidades de cada meio
Alguns elementos gráficos são comuns a diversas mídias. Jornais, 
revistas e livros costumam ter o número da página, também chamado 
de fólio, indicado em alguma das margens, o que facilita a orientação 
do público durante a leitura e para encontrar capítulos ou matérias 
específicas. Outro elemento é a margem, que pode ser definida como 
um espaço vazio em torno da página (AMBROSE; HARRIS, 2014). Quando 
falamos em espaço vazio, não quer dizer necessariamente que não 
há nada na margem, podendo ser preenchida com cores, texturas, 
fólio ou imagens vazadas. A margem serve para dois propósitos: 
organizar visualmente a composição, deixando um respiro visual, e 
evitar problemas de impressão quando as folhas forem cortadas e 
encadernadas. Apesar dessas similaridades, cada meio possui suas 
particularidades, que serão explicadas a seguir.
4.1. Meios impressos
Dentro dos meios impressos, temos três tipos de grande importância, 
a começar pelos livros. São conjuntos de páginas com uma capa, 
unidas por grampos, cola ou encadernação (FONSECA, 2011). A capa 
pode ser rígida ou flexível, possuir vários tipos de acabamentos, 
além de elementos como orelha e lombada. O conjunto de páginas 
é chamado de corpo do livro ou miolo. Características como o 
formato do livro, o tipo de papel e o acabamento da capa são 
determinados por vários fatores como padrões editoriais, limitações 
de impressão, orçamento disponível, público-alvo e, principalmente, 
o conteúdo que será trabalhado (FONSECA, 2011). Por exemplo, 
livros infantis precisam ser em um tamanho e formato fácil para 
crianças segurarem, além de trazerem capas coloridas e informais, 
assim como livros sobre fotografia precisam de uma impressão mais 
refinada e, em consequência, mais cara.
15
Um ponto fundamental do livro é sua capa, que deve ser chamativa 
para atrair a atenção do público, ao mesmo tempo que seja clara 
e demonstre sobre o que é o livro, sem deixar dúvidas ao público. 
Diferente de revistas e jornais, a capa do livro precisa refletir oproduto 
que, em muitos casos, é resultado de anos de pesquisa e escrita. Dessa 
forma, segundo Fonseca (2011, p. 262), “o design da capa é também 
mais do que uma embalagem, porque o produto que está dentro dela 
não é chocolate ou detergente, mas pensamento e espírito humano.” 
O segundo meio a ser discutido é o das revistas. Temos vários tipos 
deste produto, sendo dois os principais: as revistas vendidas em 
bancas e as distribuídas em locais específicos. No primeiro caso, 
temos um produto voltado ao consumo do grande público, ou 
mainstream, normalmente, vendido em bancas (CALDWELL, 2014). 
Essas revistas precisam chamar a atenção do público com as capas, 
pois concorrem com todos os outros exemplares disponíveis nas 
prateleiras. No segundo tipo, as revistas são voltadas para um público 
específico, como uma empresa, um clube ou uma instituição de 
ensino, de modo que há mais liberdade para criar a capa, já que não 
é preciso convencer o público a comprá-las. Tais revistas possuem 
uma distribuição específica, sendo mantidas com verba do clube ou 
instituição, ou por meio de anúncios em suas páginas, já que a grande 
maioria é de distribuição gratuita. 
Temos outros modelos de criação e distribuição, como as revistas 
independentes, voltadas a um público menor e mais específico, trazendo 
ao público conteúdos diferentes das revistas mainstream (CALDWELL, 
2014). Em consequência, também possuem uma tiragem menor. Aqui, 
entram as chamadas zines. Um quarto tipo que pode ser citado são as 
revistas de suplementos, que acompanham jornais, como uma parte 
destes. Essas revistas, por não serem vendidas separadamente, também 
não precisam se preocupar tanto em prender a atenção do público, 
permitindo maior experimentação em sua elaboração, ao mesmo tempo 
16
que precisam manter a identidade visual em harmonia com o jornal 
(CALDWELL, 2014).
Por fim, mas não menos importante, podemos citar os jornais, que 
são publicações que trazem notícias e ideias (CALDWELL, 2014), com 
periodicidade que pode ser diária, semanal, quinzenal, entre outras 
opções. Um ponto importante a respeito de tal meio de comunicação 
é que, por meio dele, segundo Fonseca (2011, p. 204), “nasceram a 
moderna publicidade, as técnicas de mídia e várias manifestações de 
literatura de massa, como os folhetins e as histórias em quadrinhos”. 
Além disso, da mesma forma que as revistas, precisam chamar a 
atenção do público com imagens e manchetes, e continuar a demonstrar 
os valores da marca depois da compra. 
Com a popularização da web, os jornais deixaram de ser a fonte 
primária para acompanhar notícias, passando a gerir novos papéis 
de trazer novidades e interpretações a respeito das notícias que são 
rapidamente encontradas na web (CALDWELL, 2014), o que nos leva aos 
meios editoriais digitais.
4.2. Meios digitais
A tecnologia trouxe várias opções para o design editorial, a começar pela 
navegação por hiperlinks. É possível criar pontes entre conteúdo em 
um arquivo ou em um site publicado, de modo que o público consiga 
navegar entre matérias de um jornal, por exemplo. Outro exemplo 
desse uso é a possibilidade de inserir links nas capas de revistas 
digitais, servindo como elemento da navegação. Um usuário pode clicar 
na notícia da capa de uma revista e abrir rapidamente o conteúdo 
(CALDWELL, 2014).
Outro ponto a ser abordado é que há uma grande integração entre 
conceitos de design editorial e design para web, como a necessidade de 
se lidar com conteúdo responsivo, o que quer dizer que os conteúdos 
17
precisam ser adaptados a tamanhos e resoluções diferentes conforme 
a tela na qual são vistas (CALDWELL, 2014). Essa integração se dá, 
também, com elementos interativos como vídeos e galerias de fotos, 
que podem ser utilizados para complementar o conteúdo de maneira 
inviável de ser feita no meio impresso. Por exemplo, um site de notícias 
pode trazer uma galeria com cinquenta fotos de um evento e um 
conjunto de vídeos com entrevistas, o que traz uma experiência mais 
rica ao usuário em relação ao acontecimento noticiado.
Assim como acontece em outros produtos para web, temos a 
personalização do conteúdo conforme o usuário ou sua localização, de 
modo que teremos conteúdos diferentes ao entrarmos em um mesmo 
site, conforme nosso perfil de navegação. Além disso, há maior interação 
com o público de um produto editorial com o uso de redes sociais, 
caixas de comentários e reviews em sites. 
Em relação ao tipo de mídia, projetos podem ser feitos de maneira 
mista, integrando o meio impresso com o digital, de maneira que se 
complementem e a versão digital não seja apenas uma replicação da 
versão impressa. É importante lembrar também que, embora existam 
livros digitais, os chamados e-books, e versões digitais de revistas e 
sites, temos novas opções a serem exploradas a partir de conceitos de 
composição visual, como os sites web, aplicações móveis e jogos digitais.
A exemplo disso, os e-books trouxeram novos formatos possíveis para 
os livros, fazendo com que toda a cadeia produtiva fosse repensada, 
sendo necessário criar dois projetos gráficos para um livro novo: um 
para impressão e outro adaptável para vários tipos de telas e suportes 
(FREITAS, 2022). A distribuição também é repensada, considerando a 
facilidade em publicar um título on-line, além do acesso instantâneo 
assim que a compra é feita. Vale a pena comentar que podemos ler 
e-books em computadores, tablets e celulares, mas também que 
existem dispositivos próprios para este tipo de leitura, como o Kindle, o 
Kobo e o Mi Reader. Chamados de e-readers, tais dispositivos possuem 
18
grande capacidade de armazenamento e duração da bateria, o que 
facilita o transporte e uso para leitura de e-books.
Projetos de design para web lidam com os mesmos conceitos de 
cor, tipografia e layout, além de aspectos próprios do meio como a 
interatividade e a capacidade do site responder às ações que o usuário 
tiver (FONSECA, 2011). Um site pode, por exemplo, mostrar uma 
mensagem específica para um usuário que não está cadastrado, ou até 
mesmo oferecer um cupom de desconto para assinar um jornal digital. 
Novas formas de rentabilizar o conteúdo também surgiram. Há jornais 
que liberam o acesso a uma quantidade diária ou semanal de notícias, 
ou que possuem uma parte do conteúdo gratuita e outra parte paga. A 
este conceito é dado o nome de paywall, que é um bloqueio na notícia 
até que se faça uma assinatura (CALDWELL, 2014).
Pode-se ver, dessa forma, que a evolução dos conceitos de design 
editorial foi extensa e continua trazendo novas maneiras de se 
comunicar e expor ideias. Torna-se importante, dessa forma, 
compreender a evolução que os conceitos apresentados tiveram e, ao 
mesmo tempo, ter atenção às novas possibilidades, em especial com 
os meios digitais existentes e os que estão se popularizando, como 
a realidade aumentada, realidade virtual, Internet das coisas, entre 
outras opções.
Referências 
ADG. O Valor do Design: guia ADG Brasil de prática profissional do designer gráfico. 
São Paulo: Senac, 2003.
AMBROSE, G.; HARRIS, P. Layout. Porto Alegre: Grupo A, 2014. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788540700390/. Acesso em: 10 
jul. 2023.
CALDWELL, C. Editorial Design: digital and print. Londres: Laurence King Publishing 
Ltd, 2014.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788540700390/
19
FONSECA, J. da. Tipografia e design gráfico. Porto Alegre: Grupo A, 2011. 
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788577804177/. 
Acesso em: 10 jul. 2023.
FREITAS, M. F. de. Design de livro: do códice ao e-book. Curitiba: Intersaberes, 
2022. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/197493. 
Acesso em: 10 jul. 2023. 
SAMARA, T. Grid: construção e desconstrução. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788577804177/
 https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/197493
20
Fundamentos TipográficosAutoria: Felipe Orsini Martinelli
Leitura crítica: Tainah Morais Lago
Objetivos
• Escolher e utilizar fontes tipográficas para a criação 
de projetos editoriais, conforme a mensagem a ser 
transmitida.
• Analisar, de maneira crítica, o uso tipográfico em 
peças de design editorial.
• Reconhecer e classificar fontes tipográficas conforme 
suas propriedades e usos.
21
1. Introdução
Quando falamos em tipografia, estamos nos referindo à elaboração 
visual de uma ideia escrita, o que é feito pela organização das letras 
em um espaço (LUPTON, 2004), o que, por sua vez, é feito por meio 
de fontes tipográficas. Além desse uso, o termo pode ser utilizado 
também para especificar as técnicas de escrever e imprimir textos a 
partir do uso de fontes, que são peças de metal ou madeira prensados 
contra uma folha de papel (AMBROSE; HARRIS, 2011) ou a criação das 
fontes tipográficas. Em outras palavras, a criação das letras que são 
utilizadas em um texto. Esse tipo de produção gráfica requer amplo 
aprofundamento nos conceitos que permeiam a área, além de muita 
prática e pesquisa para se chegar a um produto.
Fontes tipográficas são uma peça fundamental dentro de qualquer 
área do design que envolve elementos textuais, servindo a esta área 
assim como o metal e o vidro são utilizados na arquitetura (LUPTON, 
2004). Encontramos tipografia em revistas, jornais, livros, logotipos, 
cartazes, sites, e-books, placas de trânsito, embalagens de produtos, 
bulas de remédios. Este texto que você está lendo se utiliza de fontes 
tipográficas, que podemos chamar também de tipos. Até mesmo em 
meios audiovisuais são utilizados tipos dos mais diversos, seja para 
mostrar o título de um filme ou os créditos da obra, de maneira estática 
ou com animações. Pode-se afirmar que a tipografia está em todo lugar, 
trazendo personalidade a uma mensagem e falando também sobre 
quem compôs a mensagem (AMBROSE; HARRIS, 2011).
Para que uma mensagem seja transmitida de maneira correta, é 
de extrema importância que se tenha domínio das propriedades 
tipográficas. Isso significa compreender conceitos como peso, 
ascendentes e descendentes, além de como aplicá-los e combiná-los de 
maneira que estejam de acordo com a mensagem a ser transmitida para 
uma audiência em particular e em uma situação específica (LUPTON, 
22
2004), pois o formato das letras utilizadas interferirá diretamente no 
peso emocional e na credibilidade de um texto (SALTZ, 2010). Além 
disso, designers podem criar tipos novos ou utilizar já existentes. 
Entretanto, antes de explorar esses conceitos, vamos dar início aos 
aspectos históricos, a fim de compreender como a escrita evoluiu até 
chegarmos aos modelos digitais que utilizamos hoje. 
2. Evolução histórica da tipografia
Um ponto importante para começarmos é de que não existe um 
consenso de quando a escrita surgiu. Estima-se que os primeiros 
escritos que se tem registro são datados de 3200 a.C., na 
Mesopotâmia, sendo que os hieróglifos egípcios surgiram duzentos 
anos depois. Após isso, podem ser citados escritos encontrados na 
China, em torno de 1600 a.C., sendo que, oitocentos anos depois, 
surgiram os primeiros alfabetos gregos e etruscos. Apesar desses 
fatos, constantemente surgem descobertas que mudam tais 
hipóteses (FONSECA, 2011). Embora não haja consenso sobre seu 
início, é possível perceber que a escrita acompanha o ser humano 
há milênios, sendo utilizada para diversos fins de comunicação e 
expressão. Diversos sistemas de símbolos textuais surgiram no 
decorrer da história (hebraico, fenício, chinês, romano, dentre 
outros), sendo que vários ainda são usados atualmente.
Passando pelos processos de cravar símbolos em barro, pelos 
monges copistas, que copiavam livros em um processo caro e 
demorado, e os primeiros sistemas de impressão, podemos ver 
que diversas alterações e inovações ocorreram. Pode-se citar 
também o surgimento das letras cursivas, que facilitaram a escrita 
de documentos, já que são letras ligadas entre si, ou as letras 
góticas, que baratearam a produção de um livro, por serem mais 
comprimidas do que as que eram utilizadas até então.
23
No século XV surgiram os tipos de metal, peças que eram encaixadas em um 
suporte para serem prensadas contra uma folha de papel. Estes e os tipos 
de madeira, mudaram a maneira de se pensar a construção visual de uma 
composição textual, dando origem aos conceitos tipográficos, já que as letras 
usadas já estavam prontas. Assim, tornava-se necessário pensar em técnica de 
organização visual, como o espaço seria utilizado, quais palavras precisavam 
de maior destaque, dentre outros conceitos. A Figura 1 mostra um exemplo de 
fontes utilizadas na elaboração de uma chapa para impressão.
Figura 1 - Exemplo de uma composição tipográfica
 
Fonte: pixabay.com.
Pode-se ver na Figura 1 que cada letra é um bloco, havendo vários 
tamanhos, além dos blocos voltados para os espaços. Além destes, 
podemos ter também palavras em um mesmo bloco ou textos inteiros em 
um bloco, conforme a impressão que será feita. Um detalhe que se pode 
notar é de que as letras estão espelhadas, sendo que o texto também é 
composto de maneira espelhada, já que a impressão irá invertê-lo.
24
Posteriormente aos mecanismos de impressão, surgiu o computador, 
que trouxe novas técnicas, tanto para a composição tipográfica quanto 
para a criação de tipos. Com o uso das tecnologias digitais, tornou-se 
muito mais prático criar tipos para os mais diversos fins, além de sua 
distribuição por meio de sites especializados na comercialização deles. O 
meio digital também facilitou os ajustes de espaçamento, alinhamento 
e as modificações de tipos em um mesmo bloco de texto. Para que 
consigamos lidar com tal uso tipográfico, é necessário entendermos 
como se constituem as fontes, o que será discutido no próximo tópico.
3. Propriedades tipográficas
Um primeiro ponto fundamental é de que os desenhos, que uma letra, 
número ou símbolo possui dentro de uma fonte tipográfica é chamado 
de glifo (AMBROSE; HARRIS, 2011). Os glifos possuem uma anatomia 
própria, sendo que cada letra, algarismo ou símbolo possui seus 
elementos próprios. Entre esses, temos dois que merecem destaque: 
os ascendentes e os descendentes, sendo que os primeiros são aqueles 
elementos que passam da altura das letras minúsculas, ou linha média, 
enquanto os segundos são os elementos que passam para baixo da 
linha de base. A Figura 2 exemplifica esses conceitos, a partir de alguns 
elementos da fonte Baskerville Old Face.
Figura 2 - Linhas de guia para fontes tipográficas
 
Fonte: adaptada de Ambrose e Harris (2011, p. 28).
25
Repare que na Figura 2 temos algumas linhas, que servem como 
referência para a construção de tipos, criando uma unidade 
visual entre eles, o que é importante dentro de uma mesma fonte 
tipográfica. A linha de base servirá de referência para a parte inferior 
dos caracteres. Enquanto isso, a linha de altura das capitulares 
servirá como referência para a parte superior de letras maiúsculas e a 
linha média para as letras minúsculas. 
A linha média é traçada a partir da altura-x, que é a altura da letra x, a 
qual serve de referência por ser plana tanto no topo quanto na base 
(AMBROSE; HARRIS, 2011). Aqui, cabem duas observações importantes: 
a altura das capitulares não será necessariamente igual à linha de altura 
das ascendentes, embora sejam iguais em várias fontes. Isso quer dizer 
que, por exemplo, na palavra Sofá, o f minúsculo pode passar a altura do S 
maiúsculo. Uma segunda observação é de que a medida de fontes costuma 
ser feita em pontos, abreviados como pt. Essa medida é feita a partir da 
distância entre a linha das ascendentes e as descendentes. Dessa forma, a 
altura-x não possui uma relação direta com o tamanho da fonte em pontos. 
Assim, como o tamanho é medido pelas ascendentes e descendentes, 
podemos ter várias fontes tipográficas com um mesmo tamanho em 
pontos, mas cada letra terá um tamanho visualmente distinto. A Figura 3 
mostraum exemplo disso com cinco fontes distintas.
Figura 3 - Exemplo de diferença entre altura-x com o mesmo 
tamanho em pt
 
Fonte: elaborada pelo autor.
Podemos verificar, na Figura 3, a partir da altura-x da Arial, que, nos 
demais exemplos, a altura-x é diferente desta primeira. Além disso, a 
altura das capitulares também não coincide, embora todas estejam com 
26
o mesmo tamanho em pontos. Podemos verificar também nesta figura, 
que, em algumas fontes, existe uma grande diferença na espessura 
dos traços, como na Baskerville Old Face e na French Script MT. Em 
outras, a diferença é muito pequena ou imperceptível, como na Arial 
e na Haettenschweiler. A esta diferença entre traços, damos o nome de 
contraste. Uma letra com alto contraste possui diferença na espessura 
de seus traços. Da mesma forma, uma letra com baixo contraste possui 
traços com a espessura próxima entre si (AMBROSE; HARRIS, 2011).
Além destes conceitos, uma consideração importante é de que temos 
fundamentalmente três tipos de glifos de um mesmo caractere: caixa 
alta, também chamado de letra maiúscula; caixa baixa, também 
chamado de letra minúscula, e versalete, também conhecida como 
small caps. Esta última é uma adaptação das maiúsculas, porém, para a 
altura das minúsculas, com adaptações a este tamanho, que são úteis 
para destacar um texto sem ficar visualmente desconexo do restante, 
como acontece com palavras em maiúsculas em um texto de minúsculas 
(AMBROSE; HARRIS, 2011).
Por fim, um último ponto, neste tópico, é de que em alguns tipos, 
temos mais de um glifo para um mesmo caractere, chamados de 
variações. Temos também as ligaturas, que resultam da junção de 
dois ou três glifos, de modo que se evite a interferência entre eles, 
deixando-os visualmente mais agradáveis do que os glifos simplesmente 
posicionados um ao lado do outro. As ligaturas são feitas “pela 
extensão da barra ou pela conexão entre ascendentes, dependendo 
dos caracteres envolvidos” (AMBROSE; HARRIS, 2011, p. 82). A Figura 4 
mostra um exemplo de variações da letra “a” em caixa baixa na fonte 
P22 Cezanne Pro, uma fonte que possui muitas variações para seus 
caracteres, além de dois exemplos de ligaturas na fonte tipográfica Times 
New Roman, muito conhecida e utilizada para a escrita de textos.
27
Figura 4 - Exemplos de variações e ligaturas
 
Fonte: elaborada pelo autor.
Repare que, embora sejam visualmente próximas, as variações da 
mesma letra permitem vários efeitos, principalmente ao final de 
uma palavra, considerando o prolongamento da letra. Já as ligaturas, 
permitem que não haja sobreposição da letra “f” com o pingo da letra 
“i”, no caso de “fit”, enquanto a ligatura das letras “T” e “h” permite 
que fiquem visualmente mais harmônicas, como se estivessem 
conectadas no “Th”.
4. Classificação de tipos
Devido à infinidade de tipos existentes, é importante que se utilizem 
técnicas de classificação (AMBROSE, HARRIS, 2011), o que facilita a 
escolha e a organização em um projeto, além de facilitar a comunicação 
em uma equipe de design, em uma agência ou estúdio. Existem 
inúmeras maneiras de se classificar tipos: pela função, pelas influências 
históricas, pelas propriedades anatômicas, dentre outras possibilidades. 
Uma das categorizações mais importantes é em relação a um elemento 
anatômico: a serifa. A partir dele, podemos criar duas grandes classes: 
tipos com serifa e sem serifa, conforme o que será explicado a seguir.
4.1. Fontes serifadas
Serifas são traços no final de linhas verticais ou horizontais, que servem 
como ornamentos e para facilitar a leitura. De acordo com Fonseca 
(2011, p. 85), “elas melhoram a legibilidade porque conduzem o olho 
do leitor ao longo da linha de tipos, formando linhas óticas paralelas 
28
que agem como um trilho imaginário.” As serifas tiveram seu primeiro 
registro em Roma por volta do ano 114, mesmo lugar em que surgiram 
as primeiras letras maiúsculas (FONSECA, 2011), sendo usadas até os 
dias atuais em tipos conhecidos como Times New Roman e Baskerville Old 
Face, os quais foram mostrados nos tópicos anteriores.
Entre os vários tipos existentes de fontes serifadas, podemos abordar 
três grandes subcategorias: estilo antigo, que possui baixo contraste 
e serifas mais arredondadas, inspiradas nas antigas letras romanas; 
estilo moderno, que possui alto contraste e serifas mais finas; e o 
estilo transicional, que é um intermediário entre os dois, com grande 
influência das técnicas de impressão. A Figura 5 mostra um exemplo de 
cada uma delas.
Figura 5 - Exemplos de fontes serifadas
 
Fonte: elaborada pelo autor.
4.2. Fontes não serifadas
Fontes que não possuem serifa podem ser chamadas de lineais, bastão, 
grotescas, ou simplesmente sem serifa (AMBROSE; HARRIS, 2011). Esse 
é o caso de várias fontes utilizadas no dia a dia, como Arial, Helvetica, 
Verdana e Calibri. Este estilo de fonte começou a ser amplamente 
usado no século XX (FONSECA, 2011). Entre as inúmeras possibilidades 
existentes nessa classe, podemos destacar três grandes subgrupos: 
geométricas, elaboradas a partir de formas geométricas e com pouco 
contraste; humanísticas, que possuem maior contraste; e transicionais 
sem serifa, que são próximas das transicionais serifadas, relembrando 
antigos caracteres romanos, mas sem as serifas (LUPTON, 2004). Na 
Figura 6, temos um exemplo de cada um desses tipos.
29
Figura 6 - Exemplos de fontes sem serifa
 
Fonte: elaborada pelo autor.
5. Famílias tipográficas
Como foi visto nos tópicos anteriores, temos inúmeras variações 
entre fontes tipográficas. Algumas delas constituem o que chamamos 
de família tipográfica, que pode ser definida como “o conjunto de 
caracteres tipográficos cujo desenho apresenta as mesmas características 
fundamentais, variando no peso e na inclinação dos traços, ou na largura 
relativa das letras”, segundo Fonseca (2011, p. 126). Dessa forma, uma 
família possui fontes tipográficas visualmente parecidas, mantendo 
uma continuidade visual a partir de um estilo comum. Fontes serifadas 
costumam ter uma família pequena, com um grupo principal contendo a 
fonte romana (ou normal), itálica, versalete, negrito e seminegrito, além 
das combinações entre tais propriedades. Já fontes sem serifa trazem mais 
possibilidades e, em consequência, podem gerar famílias maiores (LUPTON, 
2004). Assim, algumas famílias possuem poucas fontes, outras possuem 
uma grande variedade como, por exemplo, a Univers, que possui vinte e 
uma variações ou a Helvetica, que possui sessenta tipos diferentes. 
Um ponto importante a se observar é de que as variações são indicadas 
no nome dos tipos, em especial ao tratarem das propriedades de largura 
dos glifos, inclinação e espessura dos traços. Dessa forma, uma família, 
como, por exemplo, a Arial, pode trazer tipos como Arial Italic, Arial Bold 
e Arial Bold Italic. Conforme surgem variações, as propriedades são 
acrescidas ao nome do tipo, podendo se tornar algo confuso, quando 
se trata de famílias com vinte variações ou mais. Dessa forma, algumas 
famílias lidam com um sistema numerado no nome, para facilitar a 
organização. Aqui, podem ser citadas as famílias Univers, Glypha e 
30
Frutiger (AMBROSE HARRIS, 2011). A Figura 7 mostra um exemplo com 
alguns membros da extensa família Arial.
Figura 7 - Exemplo da família tipográfica Arial
 
Fonte: elaborada pelo autor.
A ideia de combinar fontes em famílias surgiu no século XVI, sendo 
algo formalizado no século XX (LUPTON, 2004, p. 45) e usado até os 
dias atuais, tanto para a criação quanto para a utilização de tipos. 
Assim, tal conceito é muito útil para a criação de composições visuais. 
Tipos dentro de uma mesma família trazem propriedades similares 
de design, altura-x, altura das capitulares, extensão de ascendentes e 
descendentes, entre outras propriedades (FONSECA, 2011). Por conta 
disso, produzem combinações harmônicas entre si. Em outras palavras, 
usar fontes tipográficas de uma mesma família trará combinações 
agradáveis em um projetográfico, com poucas exceções (SALTZ, 2010).
Como pudemos ver, existem vários conceitos que permeiam uma 
simples escolha de um tipo para um bloco de texto em um projeto de 
design. Aqui, abordamos os principais pontos de cada conceito, que não 
se limitam aos tópicos aqui abordados. Por exemplo, a classificação de 
fontes em serifadas e não serifadas auxilia muito na composição visual, 
porém, há outras possibilidades para categorização, como, por exemplo, 
as fontes escriturais, que simulam a escrita à mão, também chamadas 
de cursivas, ou outras inúmeras categorias existentes em livros e em 
plataformas paras compra de fontes. Além disso, tal conceituação de 
nada adianta se não existir uma prática envolvida. Por isso, é importante 
experimentar diferentes fontes e combinações, o que pode ser feito 
abrindo um editor de texto, mudando as fontes em duas linhas de um 
31
texto qualquer, comparando os variados tipos de mensagens e ideias 
que diversas fontes tipográficas podem transmitir.
Referências 
AMBROSE, G.; HARRIS, P. Tipografia. Porto Alegre: Grupo A, 2011. 
LUPTON, E. Thinking With Type: a critical guide for designers, writers, editors, students. 
New York: Princeton Architectural Press, 2004.
FONSECA, J. da. Tipografia e design gráfico. Porto Alegre: Grupo A, 2011. 
SALTZ, I. Design e tipografia: 100 fundamentos do design com tipos. São Paulo: 
Blucher, 2010.
32
Propriedades do design 
editorial impresso
Autoria: Felipe Orsini Martinelli
Leitura crítica: Tainah Morais Lago
Objetivos
• Compreender os principais padrões de cor utilizados 
na produção gráfica, para seu uso correto em 
projetos impressos.
• Analisar diferentes tipos de papel, para que sejam 
escolhidos conforme as especificações de um 
projeto gráfico.
• Construir uma composição gráfica de modo que 
respeite questões de sangria e margem, garantindo 
uma impressão sem erros.
33
1. Introdução ao design editorial
Quando vemos um cartaz pendurado em uma parede, recebemos um 
panfleto de propaganda, ou quando abrimos uma revista, lidamos 
com uma peça gráfica impressa. Isso quer dizer que é um produto 
que passou por uma fase de concepção, criação em um software e 
preparo para que fosse impresso em papel, tecido ou outro material. 
A esses materiais que receberão pigmentos damos o nome de suporte 
de impressão (RIBEIRO, 2020). Diversas são as técnicas que lidam com 
processos gráficos, assim como as técnicas e condições para preparar os 
arquivos, de modo que tudo ocorra sem problemas.
Vamos supor que queremos criar um projeto gráfico e enviar para uma 
gráfica. Podemos ter problemas com o resultado, caso não saibamos que 
tipo de papel deve ser usado ou se o arquivo foi configurado corretamente 
para impressão. Por conta disso, há vários conceitos que precisam ser 
compreendidos, inclusive para que ocorra uma comunicação eficaz 
tanto com clientes quanto com a gráfica. O primeiro desses conceitos é 
relacionado ao uso da cor, o que será discutido a seguir.
2. Padrões de cor
A cor é uma característica muito importante no design editorial, pois 
pode trazer dinamismo a um projeto, atrair a atenção do público, 
produzir reações emocionais, organizar elementos visuais e auxiliar 
o público a encontrar informações em uma peça gráfica (AMBROSE; 
HARRIS, 2012). A percepção que temos de uma cor é resultado de 
vários fatores, além da pigmentação em si. Aqui, soma-se a intensidade 
e o tipo de luz, superfícies e texturas, além das cores que estão em 
volta dela. Isso quer dizer que uma cor clara aparenta ser mais clara 
quando contornada por uma cor escura do que por outra cor clara 
(LUPTON; PHILLIPS, 2008). Além da parte física, a percepção da cor 
34
possui também o fator cultural, de modo que seu significado mudará 
conforme a sociedade em que se encontra. Enquanto em vários países 
ocidentais, a cor preta representa luto, a mesma associação é feita com 
a cor branca em países orientais. O vermelho pode representar paixão, 
celebração, perigo, alegria, dependendo da cultura e do contexto em 
que está inserido. Temos também associações de cores com objetos 
em determinadas culturas, como os carros amarelos rapidamente 
associados a taxis em Nova York (AMBROSE; HARRIS, 2012), ou carros 
pretos que trazem uma ideia de luxo, apenas para dar alguns exemplos.
Um fator importante sobre as cores é que precisamos trabalhar com 
padrões pré-estabelecidos, de modo que tenhamos maior organização 
em um projeto, e para evitar interpretações dúbias, inclusive para a 
impressão. Por mais específica que seja uma explicação de uma cor, 
por exemplo, azul claro levemente esverdeado, pode remeter a cores 
diferentes para duas pessoas. Existem inúmeros padrões no mercado, 
cada um para um propósito específico, mas focaremos em três, os 
sistemas RGB, HSB e CMYK.
O RGB é um sistema pensado para uso em telas, sendo o padrão 
utilizado em projetos de design digital (LUPTON; PHILLIPS, 2008). 
Celulares, computadores e televisões digitais seguem esse padrão (ou 
uma variação dele), considerando a composição da imagem a partir 
de pixels. Cada pixel terá uma informação de cor para três cores de 
base: vermelho, verde e azul. O nome do padrão vem do nome dessas 
cores em inglês (red, green, blue). Quando temos as três cores em sua 
intensidade máxima, a combinação delas gera luz branca. Quando 
na intensidade mínima, gera a cor preta. Por conta dessa adição de 
intensidade de luz, esse padrão recebe também o nome de padrão 
aditivo. O sistema RGB pode gerar 16.777.216 cores.
Já o CMYK, é um padrão utilizado para impressão a partir de quatro 
cores, o que pode ser chamado de quadricromia: ciano, magenta, 
amarelo e preto (ou cyan, magenta, yellow e black). A combinação se dá 
35
pela sobreposição dos pigmentos, de modo que quanto mais pigmentos, 
mais escura a cor. Por conta disso, o sistema é considerado o inverso 
do RGB, sendo chamado de padrão subtrativo. A Figura 1 mostra a 
diferença entre esses dois padrões.
Figura 1 - Modelos de cor CMYK e RGB
 
Fonte: Shutterstock.com.
Repare, na Figura 1, que a junção no padrão CMYK gera cores mais 
escuras do que as primárias, enquanto no RGB as cores são mais 
claras, até chegar no branco. Aqui, vale a pena lembrar que, embora 
um projeto impresso esteja em CMYK, na tela do computador ele será 
exibido em RGB, tentando aproximar as cores de um padrão para o 
outro. É importante comentar que reproduzir cores é um processo 
complicado, pois precisamos levar em conta três aspectos: o que o olho 
humano enxerga, o que a tela de um monitor, ou outro equipamento, 
mostra, e o que é reproduzido nos processos de impressão (CALDWELL; 
ZAPPATERRA, 2014). Por conta disso, é importante que seja feita uma 
calibração entre o impresso e o digital, evitando grandes diferenças 
no momento de passar do software para o papel. Isso significa realizar 
um ajuste das cores no computador, conforme o resultado previsto na 
impressão. Podem ser usados também perfis de cor estabelecidos na 
36
indústria gráfica, como o International Colour Consortium (ICC), que vem 
de Consórcio Internacional de Cores (CALDWELL; ZAPPATERRA, 2014).
Além desses padrões, outros dois que merecem atenção são o HSB e 
o sistema Pantone. O HSB é um sistema ligado ao RGB, trabalhando 
também com a composição de cor a partir da luz. No entanto, o HSB 
é considerado mais intuitivo do que o RGB, pois lida com um valor de 
matiz de cor como base e, partindo dele, chega a variações da mesma 
cor, variando as propriedades de saturação e brilho. A sigla vem dessas 
propriedades: matiz (hue), saturação (saturation) e brilho (brightness). 
Esse sistema pode ser chamado também de HSL, com a letra L se 
referindo ao conceito de lightness, similar ao brilho. A Figura 2 mostra 
uma representação das cores desse sistema. 
Figura 2 - Representação das propriedades do HSB ou HSL
 
Fonte: Shutterstock.com.
Por fim, temos uma categoria de cores especiais, que necessitam de 
pigmentos específicos para a impressão. Aqui, entram coresmetálicas, 
fluorescentes e sistemas que seguem uma cor extremamente precisa, 
como o Pantone, que é muito conhecido no design e na moda. Trata-
se de um sistema de cores pré-estabelecidas com nomes próprios, que 
são obtidas a partir de misturas minuciosamente trabalhadas, inclusive 
utilizando tintas específicas para isso (AMBROSE; HARRIS, 2012).
37
3. Conceitos de resolução
A imagem digital é composta de pequenos pontos, chamados pixels. 
Cada pixel é constituído por três pequenas luzes, uma vermelha, uma 
verde e uma azul, seguindo o sistema RGB. As cores são determinadas 
de acordo com a intensidade com a qual cada uma dessas luzes está 
acesa. Quando as três estão acesas em sua intensidade máxima, temos 
a cor branca. A Figura 3 mostra um exemplo de uma tela.
Figura 3 - Tela ampliada de modo que podemos ver os pixels
 
Fonte: Shutterstock.com.
É possível ver, na Figura 3, que temos sempre a repetição de cores 
na sequência: vermelho, verde, azul. Na parte branca do olho, pode-
se perceber que as três cores estão definidas, enquanto, no centro 
do olho, as três parecem apagadas. A imagem que vemos na tela 
de um computador, ou de um celular, segue esse mesmo princípio 
em sua constituição. Essas telas podem ter muitos ou poucos pixels, 
independente do tamanho da tela em si. Em outras palavras, podemos 
ter uma televisão de vinte e nove polegadas com a mesma quantidade 
38
de pixels que um celular. Isso tem a ver com a resolução. Uma tela com 
resolução FullHD, por exemplo, será composta por uma malha de 1920 
pixels de largura, por 1080 de altura, independente do tamanho da tela 
em polegadas.
Outro fator importante em relação à resolução se refere à quando 
lidaremos com um arquivo para impressão. Nesses casos, o valor 
é medido, principalmente, em pixels por polegada, ou pontos por 
polegada, de onde vem a abreviação dpi (ou dots per inch). A resolução 
padrão para a web é de 72 dpi, o que quer dizer que se fizermos um 
quadrado com altura e largura de uma polegada, teremos 72 pixels 
dentro desse quadrado. Agora, quando lidamos com um arquivo para 
impressão, temos que trabalhar com pelo menos 300 dpi, sendo que 
impressoras de alta definição lidam com valores bem maiores, como 
1200, 2400 dpi, ou até mais (AMBROSE; HARRIS, 2012). Tais pixels serão 
passados diretamente na proporção de pontos na impressão, de modo 
que quanto maior a resolução, mais detalhada será a imagem impressa. 
Do mesmo modo, um valor menor do que a resolução de impressão 
gerará um impresso quadriculado, resultando em baixa qualidade visual. 
Aliado a isso, outro fator que influenciará o resultado da impressão é o 
tipo de papel, que será abordado a seguir. 
4. Propriedades do papel
O papel, enquanto suporte amplamente usado em processos 
gráficos, possui diversas propriedades que precisam ser conhecidas, 
pois afetarão diretamente tanto o processo de impressão quanto o 
resultado produzido. Podemos começar pela gramatura, que é um 
valor numérico que indica o peso que uma folha de papel possui. Esse 
valor é dado considerando o peso em gramas de uma folha de um 
metro quadrado do papel (AMBROSE; HARRIS, 2012), de modo que 
quanto maior a gramatura, mais rígido é o papel. Tal número impacta 
39
em outra propriedade, que é o corpo, também chamado de calibre 
ou volume, relacionado à espessura do papel, ou profundidade dele. 
Assim, uma folha sulfite com gramatura de 75 g/m² é mais fina do que 
um papel com gramatura de 300 g/m². Depois, temos o acabamento, 
que é relacionado às “características de superfície do papel, incluindo 
o tato e a aparência” (AMBROSE; HARRIS, 2012, p. 146), em que 
há papéis foscos, brilhantes, entre outras possibilidades. Alguns 
acabamentos podem ser feitos antes da impressão e outros, depois. 
Aqui, podemos citar também os papéis com revestimento. Nos 
acabamentos posteriores à impressão, podemos citar a aplicação 
de materiais como verniz em algumas áreas específicas da página 
(chamado de verniz localizado), na página toda, a criação de relevo, 
entre outras opções. Por fim, um item a ser levado em consideração 
é o sentido da fibra, que é relacionado a como a fibra passa na 
máquina durante a fabricação do papel. Seguir o sentido em que as 
fibras são dispostas na folha, faz com que dobrar e rasgar o papel 
seja mais fácil.
Essas propriedades impactam na impressão, pois não são todas as 
impressoras que conseguem trabalhar com gramaturas altas, e a 
impressão pode sair diferente conforme o acabamento do papel. 
Além disso, a escolha do tipo de papel está relacionada diretamente 
ao tom, estilo e mensagem de uma peça gráfica. Por exemplo, papéis 
com maior gramatura são mais usados em capas do que no miolo de 
revistas (RIBEIRO, 2020). Outro exemplo que podemos dar é que papéis 
revestidos refletem mais luz e absorvem mais tinta, podendo trazer 
destaque para imagens, enquanto papéis sem revestimento resultam 
em uma impressão mais suave e facilitam a leitura de textos (CALDWELL; 
ZAPPATERRA, 2014). Outro fator importante de ser citado é que as 
escolhas de tipo de papel, revestimento e acabamento interferirão 
diretamente no orçamento de um projeto gráfico.
40
5. Tipos de impressão
Existem vários métodos de impressão disponíveis para a criação 
de projetos editoriais, sendo cada um melhor para um propósito 
específico. O primeiro que podemos citar é o offset, que deriva do 
processo de litografia. A impressão litográfica era muito utilizada no 
século XIX, por meio de uma placa de calcário que tinha o conteúdo a 
ser impresso em relevo e era pressionada contra o papel. O processo 
offset contemporâneo lida com um conceito parecido, porém, com 
placas de alumínio e três rolos de borracha. O primeiro distribui tinta, 
o segundo passa pelo papel com a placa de impressão e o terceiro é 
um rolo em branco. Tal processo cria um resultado com alta qualidade 
visual (KRAEMER, 2019). O offset é comumente usado para impressão de 
embalagens, livros, envelopes, cartazes, entre outros. A Figura 4 mostra 
um exemplo de impressão offset.
Figura 4 - Exemplo de máquina gráfica para impressão
 
Fonte: Shutterstock.com.
41
Depois, temos a impressão digital, que lida com a transferência 
digitalizada de informações entre um arquivo e o maquinário de 
impressão. Por conta de lidar com arquivos digitais, tal método “não 
exige a impressão de fotolitos e a gravação de chapas, etapas que eram 
tradicionais em outros sistemas de impressão, como o offset.” (GOMES, 
2019a, p. 106). Trata-se de um sistema mais barato e mais rápido do que 
os anteriores, especialmente se lidarmos com tiragens pequenas, como 
cem cartões de visita, algo inviável de ser feito com o offset, por conta do 
seu custo operacional.
Outras técnicas podem ser apontadas, como a serigrafia, que é um 
processo de impressão que foi amplamente utilizado até o fim do século 
XX. É feito a partir de uma tela de poliéster, nylon ou seda, pela qual a 
tinta passa para o material em que será fixada. Outro ponto importante 
é que é um processo amplamente utilizado na impressão de tecidos 
(GOMES, 2019b), porém, pode criar resultados bem interessantes em 
papel. Podemos falar da impressão tipográfica, que lida com peças de 
metal ou madeira, cada uma com um símbolo de caractere, número ou 
pontuação. Por fim, podemos apontar os equipamentos para impressão 
de pequenas tiragens, como as impressoras domésticas, que possuem 
sistemas de impressão com jato de tinta ou laser (GOMES, 2019b).
6. Cortes, sangrias e margens
Em alguns tipos de impressão, o papel é maior do que o produto 
final, precisando ser cortado depois que é impresso e passa por 
processos de acabamento (GOMES, 2019a). O corte é feito a partir de 
um equipamento com uma lâmina, normalmente reta, mas podemos 
ter cortes em formatos curvos e personalizados, conforme o resultado 
desejado. Ainda em relação ao corte, podemos abordar a questão da 
margem, que é um espaço ao redor da composição em que não haverá 
informação visual relevante. A margem possuia função de criar um 
42
respiro visual nas composições. Além desse propósito, em documentos 
impressos a margem também serve como uma área interna de 
segurança para evitar problemas durante a etapa de corte. Temos 
também a sangria, que cumpre o mesmo papel, porém, na área externa 
da página, sendo utilizada em alguns tipos de impressão que não são 
feitas na folha em seu tamanho original, mas em folhas maiores que 
serão cortadas. Assim, caso o corte na folha passe alguns milímetros 
para fora da área impressa, não teremos uma linha branca, pois o 
conteúdo está dentro da sangria. Da mesma forma, caso passe alguns 
milímetros para dentro, não perderemos informações relevantes, já que 
a margem não as possui. A Figura 5 mostra graficamente a relação entre 
a sangria e a margem interna na folha. 
Figura 5 - Exemplificação da sangria e da margem com uma falha no corte
 
Fonte: elaborada pelo autor.
Pode-se ver na Figura 5, um erro exagerado no corte, de modo que a 
área azul possui continuidade, evitando que seja um erro visível. Da 
mesma forma, caso o corte fosse dentro da margem, também não 
perderíamos informação.
Por meio desses conceitos, foi possível ver as principais propriedades 
que envolvem a impressão de um projeto gráfico, além de detalhes 
43
que precisam ser sempre levados em consideração. A criação de peças 
impressas possui inúmeras possibilidades criativas, de modo que 
compreender esses pontos é fundamental para que possamos criar 
peças inovadoras e que despertem interesse do público.
Referências 
AMBROSE, G.; HARRIS, P. Fundamentos de design criativo. Porto Alegre: 
Grupo A, 2012. 
CALDWELL, C.; ZAPPATERRA, Y. Editorial design: digital and print. Londres: 
Laurence King Publishing Ltd, 2014.
GOMES, R. P. Impressão Digital. In: REIS, L. B. et al. Produção gráfica. Porto Alegre: 
Grupo A, 2019a. 
GOMES, R. P. Serigrafia. In: REIS, L. B. et al. Produção gráfica. Porto Alegre: 
Grupo A, 2019b. 
KRAEMER, D. Impressão em Offset. In: REIS, L. B. et al. Produção gráfica. Porto 
Alegre: Grupo A, 2019. 
LUPTON, E.; PHILLIPS, J. C. Novos fundamentos do design. São Paulo: Cosac 
Naify, 2008.
RIBEIRO, A. Conceitos fundamentais de planejamento e produção gráfica. 
Curitiba: Intersaberes, 2020. 
44
Propriedades do design 
editorial digital
Autoria: Felipe Orsini Martinelli
Leitura crítica: Tainah Morais Lago
Objetivos
• Analisar os principais produtos existentes no 
design editorial em meio digital, assim como suas 
características fundamentais.
• Compreender os principais formatos para produtos 
editoriais digitais, conforme seu uso e distribuição 
no mercado.
• Entender a relação entre conceitos do webdesign 
com o campo do design editorial, e como aplicá-los 
em projetos para web.
45
1. Introdução ao meio digital
Com a popularização dos meios de comunicação digitais, em especial 
computadores, tablets e smartphones, tivemos uma mudança na 
maneira com que criamos produtos tanto no campo da comunicação 
quanto no design. Com tais mudanças, toda a cadeia de produção 
editorial precisou ser repensada. Funções no processo, como o 
transporte e o armazenamento de produtos, deram lugar aos serviços 
de plataformas on-line de hospedagem e pagamento (FREITAS, 2022). 
Temos, hoje, uma convergência entre as áreas do design editorial 
e do webdesign, o que leva à necessidade de compreendermos 
conceitos relativos a como um produto será visto em uma tela, além de 
inúmeras possibilidades que o meio digital trouxe, como a facilidade 
de distribuição e atualização de informações, a interatividade e a 
possibilidade de conectar conteúdos entre produtos. Tais fatores 
deverão ser levados em consideração durante todo o planejamento de 
um produto voltado para esse meio.
Passando do meio impresso para o digital, várias técnicas de composição 
visual se mantêm as mesmas, assim como algumas técnicas aplicadas ao 
uso tipográfico e à teoria das cores. Por outro lado, conceitos como o tipo de 
papel e métodos de impressão deixam de ser uma preocupação, dando lugar 
a conceitos como responsabilidade e interatividade, que são essenciais no 
meio digital. Aqui, consideramos os principais produtos deste meio: e-books, 
revistas digitais, sites, portais, entre outras opções. Partimos assim, para a 
compreensão do que são tais produtos e como são elaborados, começando 
pelos livros digitais, também chamados de e-books.
2. E-books
Um e-book é um livro armazenado em um arquivo digital, que pode 
ser lido em computadores e celulares, além de dispositivos criados 
46
especialmente para a leitura deste tipo de arquivo, os chamados 
e-readers, como o Kindle, criado pela Amazon, o Kobo, da Livraria 
Cultura, e o Lev, da Saraiva (FREITAS, 2022). Em 1971, foi feita a primeira 
digitalização de um livro (a declaração da independência dos Estados 
Unidos), que é considerado o primeiro e-book da história (FLATSCHART, 
2014). Muita coisa mudou, desde então, com as inovações tecnológicas, 
trazendo inúmeras funcionalidades aos e-books.
Tal mídia traz praticidade e agilidade de acesso ao seu conteúdo, 
considerando que os arquivos podem ser baixados imediatamente após 
serem comprados em um site (FREITAS, 2022), sem contar a facilidade 
em se produzir um livro digital em comparação com o físico. Além disso, 
alguns formatos de e-book lidam com fontes tipográficas, cores e layout, 
que podem ser alterados pelo leitor, especialmente nos e-readers. Tais 
mudanças alteram a quantidade de páginas, o que o torna um produto 
de formato fluído (FLATSCHART, 2014). Em outras palavras, os layouts 
fixos dão espaço aos layouts fluídos e adaptáveis às necessidades de 
cada usuário e dispositivo.
Os livros digitais podem trabalhar com vários formatos, desde arquivos 
mais simples como o txt do bloco de notas, até outros mais elaborados, 
que trazem inúmeros recursos para o produto. Falaremos de quatro 
formatos básicos: PDF, HTML, ePub e livros aplicativos. Além destes, 
há também os formatos específicos de cada e-reader, como o mobi 
e o azw, próprios do Kindle da Amazon. Esses dois últimos formatos 
citados podem ser lidos tanto no dispositivo, quanto no aplicativo da 
Amazon específico para isso (FREITAS, 2022). A começar pelo PDF, trata-
se de um formato amplamente usado na distribuição digital de livros 
e arquivos, que conta, inclusive, com um sistema de assinatura digital 
de documentos. Uma de suas principais características é gerar um 
layout fixo, de forma que o arquivo exibirá a mesma distribuição dos 
elementos gráficos no espaço em qualquer tamanho de tela. Em outras 
palavras, o PDF gera uma composição visual que não pode ser alterada 
em softwares de leitura. Tal ponto pode ser considerado negativo ao se 
47
tentar abri-lo em dispositivos móveis, por ser um fator que dificulta sua 
leitura em telas pequenas. Pode ser considerado positivo também, pois 
sempre trará a composição visual que foi pensada pelos profissionais 
de design envolvidos em sua criação. Outros pontos a se levar em 
consideração são a possibilidade de aplicação de recursos multimídia, 
a inserção de formulários que aceitam entrada de dados, e o uso de 
inúmeros recursos de acessibilidade (FLATSCHART, 2014).
O segundo formato é o HTML, que trabalha com um sistema de 
interpretação de tags, ou marcações. Por exemplo, <p> é uma tag de 
parágrafo. Assim, inserir um texto “<p>olá</p>” faz o computador 
entender que o conteúdo entre as duas tags é um parágrafo. Tal 
sistema é utilizado para que as informações sejam compreendidas 
na web, de modo que podemos criar várias peças voltadas a esse 
suporte utilizando essa linguagem de marcação, além de possibilitar 
interações por meio de links e a inserção de conteúdo multimídia, 
como áudio e vídeo. Uma grande vantagem existente no HTML é 
a de que consegue ser lido por qualquer navegador web, sem a 
necessidade de instalação de plugins ou outros softwares. Outra 
vantagem que podemos citar é a facilidade na publicação de um 
conteúdo, discussão que será tratada no tópico sobreweb.
O terceiro formato é o ePUB, o qual pode ser apontado como um 
pacote com “documentos XHTML que exibem conteúdo, documentos 
XML que definem estrutura e metadados, documentos CSS que 
marcam a formatação visual, arquivos de imagens e arquivos de fontes” 
(FLATSCHART, 2014, p. 33). Este formato, por lidar com os arquivos 
XHTML e CSS, possui uma estrutura próxima ao HTML. Assim, tem uma 
organização similar aos sites web, o que permite que também lide com 
interações e inserção de arquivos multimídia. A Figura 1 mostra um 
exemplo de um arquivo ePUB, do livro Dom Casmurro de Machado de 
Assis, aberto com dois ajustes diferentes em uma aplicação de leitura 
online de arquivos desse tipo.
48
Figura 1 - Exemplo de um arquivo ePUB aberto com duas configurações
 
Fonte: epub-reader.online.
Na Figura 1, podemos ver que um mesmo livro pode ser exibido para 
o leitor com uma quantidade variável de palavras no mesmo espaço, 
dependendo do tamanho da fonte que foi ajustado dentro da aplicação. 
Além disso, a relação entre a cor do texto e a do fundo pode ser alterada 
conforme as preferências de leitura, normalmente com fundo branco, 
preto ou sépia, modificando automaticamente a cor do texto, para 
manter o contraste entre ambos. O uso da cor sépia é um exemplo de 
ação utilizada para reduzir o cansaço da leitura, causado pela iluminação 
da tela de computadores e dispositivos móveis (FREITAS, 2022).
O quarto formato, do livro aplicativo, é um arquivo autoexecutável, 
normalmente voltado para dispositivos móveis, o que quer dizer que o 
livro não precisa de um software específico para ser lido (FREITAS, 2022). 
Por serem arquivos autônomos, possuem uma grande quantidade 
de recursos possíveis e personalizáveis, como “conteúdos interativos, 
animações, diagramas, narração guiada, definições instantâneas de 
glossário, entre outros” (Freitas, 2022, p. 288). A criação desse tipo de 
livro necessita de profissionais de programação na equipe, visto que são 
desenvolvidos da mesma maneira que um software, ou um aplicativo 
para dispositivos móveis.
49
Um ponto importante ao comentarmos sobre os livros digitais é que 
permitem novas maneiras de se consumir o conteúdo. Pode-se pagar 
pelo acesso a um livro, ou a um acervo, ao invés de comprá-lo, e 
sincronizar vários dispositivos enquanto se lê um único título (Freitas, 
2022). A exemplo disso, temos serviços de assinatura em que uma taxa 
é paga mensalmente para se ter acesso a um extenso catálogo de livros 
em formato digital, como o Ubook ou o Kindle Unlimited. Tais serviços 
não apenas fornecem os arquivos pelo tempo em que a assinatura está 
ativa, mas também permitem sincronizar a leitura e indicar os livros 
que já foram concluídos, além de sugerir livros parecidos com os que se 
acabou de ler.
3. Revistas e jornais digitais
Os conceitos explicados para os livros digitais também se aplicam 
aos jornais e revistas digitais, preservando as peculiaridades de cada 
meio. Assim, estes também lidam com diversos formatos, inserção de 
multimídia, interação com o conteúdo e o uso de aplicativos próprios 
para sua leitura. Além disso, podem trazer conteúdos e anúncios 
específicos para os usuários de acordo com a localização deles a 
partir de dados de GPS (CALDWELL; ZAPPATERRA, 2014). Uma vez no 
meio digital, jornais e revistas também passaram por mudanças em 
seu consumo, considerando aqui os sistemas de assinatura, além da 
facilidade em publicar conteúdos independentes.
Lidando com o fato de trabalharem com um conteúdo mais datado 
do que os livros, as revistas e os jornais digitais se utilizam dos 
conceitos de navegação vindos de sites para web, trazendo para este 
campo técnicas importantes de diagramação e construção de layouts, 
as quais são usadas em seus respectivos sites. O uso de sites no 
design editorial possui vários pontos a serem discutidos, o que será 
feito no próximo tópico.
50
4. Sites para web
A web é uma rede em que há vários computadores conectados e que 
exibe páginas com conteúdo de vários formatos (PAZ, 2021). As páginas, 
ou sites, ficam armazenados em servidores, que são computadores 
criados para ter um funcionamento ininterrupto e conseguir enviar as 
informações de um mesmo site para vários outros computadores que 
tentam acessá-lo. Hoje em dia, temos várias ferramentas que facilitam 
a criação de sites, sem a necessidade de ter domínio dos sistemas de 
HTML e CSS. HTML vem de Linguagem de Marcação de Hiper Texto (ou 
Hyper Text Markup Language), sendo esta uma linguagem usada para 
inserir textos, imagens e indicar a importância semântica de conteúdos 
específicos. Já o CSS é a Folha de Estilo em Cascata (ou Cascading Style 
Sheets), e serve para indicar fontes tipográficas, cores e a configuração 
do layout do site. Enquanto o HTML lida com a estrutura e o conteúdo, 
o CSS lida com a organização visual, ou seja, como os elementos devem 
ser apresentados no site ou em um arquivo ePUB (paz, 2021). A Tabela 
1 mostra um código em HTML e CSS e a Figura 2 mostra o resultado do 
código criado.
Quadro 1 - Exemplo de HTML e CSS para a criação de um site simples
Código HTML Código CSS
<!DOCTYPE html>
<html>
<head>
<title>Teste</title>
<title>Teste</title>
<link rel="stylesheet" 
href="style.css" />
</head>
body {
 background-color: 
azure;
}
h1 {
 font-size: 40px;
 color: darkblue;
51
<body>
<h1>Este é um título<h1>
<p>Este é um parágrafo que, 
tanto visualmente quanto 
semanticamente, terá menos 
importância do que o título 
acima.</p>
</body>
</html>
}
p {
 font-size: 20px;
 color: black;
}
Fonte: elaborado pelo autor.
Figura 2 - Resultado do código apresentado no texto
 
Fonte: elaborado pelo autor.
A partir do código apresentado, e da Figura 2, pode-se verificar que, 
embora o HTML não seja um código parecido com a escrita textual, 
não é um sistema de compreensão complexa, necessitando apenas de 
prática para habituar-se a utilizar tal sistema de tags. Vamos explicar 
alguns pontos que são relevantes para a compreensão do HTML. Tal 
código possui seu conteúdo dividido em duas partes fundamentais. 
A primeira é a área <head></head>, que serve como um cabeçalho 
do documento e contém informações sobre ele (mas não é um 
cabeçalho visual). Nesta área inserimos o título da página e metadados 
do arquivo, os quais são úteis para mecanismos de busca, recursos 
de acessibilidade, dentre outros. Repare que também há uma tag 
<link>, que é utilizada para importar as informações do arquivo CSS. 
A segunda é a área <body></body>, que é aonde vai todo o conteúdo 
do site: textos, imagens, links, vídeos, tabelas e demais informações. 
52
Tal estrutura segue os padrões mais recentes da linguagem HTML5 
(CARDOSO, 2021).
Ainda em relação ao exemplo dado na Tabela 1, pode-se ver que o CSS 
também segue uma estrutura simples, que indica uma propriedade e 
um valor para esta propriedade dentro de colchetes (Cardoso, 2021). No 
exemplo dado, “font-size: 40px; color: darkblue;” indica que o tamanho 
da fonte para os elementos do tipo <h1> será de 40px e terão uma 
cor azul. Da mesma forma, “font-size: 20px; color: black;” indica que 
os elementos de parágrafo, ou seja, que estão entre <p> e </p>, terão 
tamanho de 20px e cor preta. Em um arquivo HTML, todo texto que 
esteja dentro das tags de parágrafo terá essas mesmas propriedades, 
a não ser que haja alguma indicação específica para que siga outros 
valores de cor ou tamanho de fonte.
A criação de sites traz possibilidades interessantes ao campo do design 
editorial, principalmente pela facilidade de auto publicação de conteúdo. 
Isso quer dizer que não é necessário que um texto passe por uma 
equipe editorial ou de revisão, bastando publicá-lo em um site. Além 
disso, temos vários formatos de leitura que possibilitam novas propostas 
na área, como a criação de blogs, sites de notícias de diversos tamanhos, 
sites de escrita colaborativa, entre outros.
Outro fator importante são os tipos de site existentes. Podemosclassificar sites de acordo com sua funcionalidade, função, periodicidade 
do conteúdo e do seu propósito (Paz, 2021). Em relação à frequência 
de atualizações, ou periodicidade, temos sites estáticos e dinâmicos. 
No primeiro caso, podem ser citados os sites empresariais que focam 
apenas em mostrar a presença da empresa na web, mas sem a 
necessidade de atualizações constantes, ou sites pessoais que possuem 
o mesmo propósito. Tais sites servem ao seu objetivo, porém se tornam 
menos interessantes do que os dinâmicos.
53
Nos sites dinâmicos, temos produtos que lidam com uma maior 
atualização de informações, além de maior interação com o público. 
Aqui, entram os blogs, fóruns, portais, mídias sociais, entre outros. Blogs 
são sites que servem como diários, tendo como facilidade a postagem 
de conteúdo de maneira cronológica. Podem ser mantidos por pessoas 
ou por empresas (GABRIEL; KISO, 2020). Já os portais são um tipo de 
site mais estruturado, que apresenta conteúdo de maneira vertical, ou 
seja, diferentes conteúdos para diferentes públicos. A elaboração de 
um portal é bem mais complexa do que sites simples, pois vai lidar com 
a organização de uma grande quantidade de informação, o que traz 
técnicas da área de arquitetura da informação para sua organização 
(GABRIEL; KISO, 2020). Tal área lida com a organização e distribuição de 
conteúdos de modo que sejam facilmente encontrados pelos usuários, a 
partir de termos que façam sentido para sua busca.
Podemos abordar também os perfis em redes sociais, que são de 
extrema importância para a divulgação de um produto e para manter 
contato com o público, por meio de vários tipos de interação. Os perfis 
são criados seguindo as limitações e o propósito que cada rede possui 
(Gabriel; Kiso, 2020). Apesar disso, em especial na criação de postagens, 
é sempre importante atentar ao uso de conceitos de composição visual 
que estejam de acordo com a identidade visual do produto no qual 
estamos trabalhando para o meio digital. 
Por fim, um conceito fundamental de projetos para web é o de 
responsividade. Trata-se da necessidade do site ser estruturado de 
modo que seu conteúdo se adapte a variados tipos de tela e tamanhos 
(paz, 2021). Conforme essas duas características, podem ocorrer ajustes 
no layout, como a quantidade e a largura de colunas, a posição de 
imagens, o tipo de menu, dentre outras possibilidades. Podemos citar 
como exemplo um portal de notícias que ajusta e altera seu layout 
quando exibido em um celular ou em um computador. Caso a tela tenha 
mais de 600 pixels de largura, o portal exibirá sempre quatro colunas 
que terão 25% da largura da tela cada. Caso a largura seja menor do que 
54
600 pixels, haverá apenas uma coluna. Podem ocorrer mudanças mais 
bruscas na interface também, como o caso de menus que passam de 
uma exposição direta na interface para um menu que só aparecerá caso 
um botão no canto da tela seja clicado.
5. Usabilidade, UI e UX
Em qualquer projeto de design para meio digital, a usabilidade entra 
como fator fundamental, junto aos princípios de UI e UX (Cardoso, 2021). 
A usabilidade pode ser definida como a área de estudo que objetiva 
criar produtos de uso simples, a partir de alguns pontos (NIELSEN, 
1993): facilidade para se aprender a usar, eficiência na execução de 
tarefas, possuir funções fáceis de lembrar, auxiliar o usuário a evitar 
erros em seu uso e, por fim, ter um uso agradável, que traga satisfação 
ao usuário. Considerando o contexto do design editorial, imagine um 
portal de entretenimento cuja interface inicial não indique claramente 
quais são as opções do menu, ou como navegar por entre os conteúdos. 
Tal portal precisaria ser remodelado em sua interface. Tomemos 
outro exemplo, de um livro digital cujo índice não possui hiperlink 
para os capítulos, sendo necessário transcorrermos várias páginas até 
chegarmos a um ponto específico da leitura. Tais exemplos mostram o 
quanto a usabilidade é fundamental para que o público tenha um bom 
uso de um produto editorial.
Junto à usabilidade, temos a UI, que é a área de design de interfaces 
para usuários, ou user interface. Tal área lida com a construção 
de interfaces para aplicativos, softwares e sites, de modo que os 
conceitos de usabilidade sejam aplicados a partir da construção das 
interfaces gráficas. Por fim, a UX lida com o design da experiência 
do usuário, ou user experience. Enquanto a primeira área lida 
diretamente com princípios gráficos, a segunda traz conceitos de 
áreas diversas, como psicologia, interação humano-computador, 
55
design visual, entre outras (TEIXEIRA, 2014). Trazendo tais conceitos 
para o campo editorial, uma interface bem planejada, e que traz uma 
boa experiência, se torna fundamental para que o público consiga 
navegar pelos conteúdos sem problemas.
A partir dos conceitos apresentados nesta unidade, foi possível ver que 
o meio digital trouxe inúmeras possibilidades para o design editorial, 
permitindo novas experiências para o público. Além disso, há outras 
tendências tecnológicas em crescimento, como os jogos digitais e a 
realidade aumentada, que podem trazer ainda mais formas de abordar 
e interagir com os conteúdos, assim como os livros-aplicativos, voltados 
ao público infantil (FLATSCHART, 2014). Dessa forma, é necessário 
sempre acompanharmos o mercado tecnológico e pensar em maneiras 
de utilizarmos os novos meios para a criação de um produto.
Referências 
CALDWELL, C.; ZAPPATERRA, Y. Editorial Design: digital and print. Londres: 
Laurence King Publishing Ltda, 2014.
CARDOSO, L. da C. Design digital. Curitiba: Intersaberes, 2021. 
FLATSCHART, F. Livro Digital Etc. São Paulo: Brasport, 2014
FREITAS, M. F. de. Design de livro: do códice ao e-book. Curitiba: Intersaberes, 2022. 
GABRIEL, M.; KISO, R. Marketing na era digital: conceitos, plataformas e 
estratégias. São Paulo: Atlas, 2021. 
NIELSEN, J. Usability engineering. Burlington: Morgan Kaufmann, 1993.
PAZ, M. Webdesign. Curitiba: Intersaberes, 2021. 
TEIXEIRA, F. Introdução e boas práticas em Ux Design. São Paulo: Casa do Código, 2014.
56
	Apresentação da disciplina
	Breve histórico e características do design editorial
	Objetivos
	1. Introdução ao design editorial
	2. Breve evolução histórica
	3. Grid
	4. Particularidades de cada meio
	Referências
	Fundamentos Tipográficos
	Objetivos
	1. Introdução 
	2. Evolução histórica da tipografia 
	3. Propriedades tipográficas 
	4. Classificação de tipos 
	5. Famílias tipográficas 
	Referências
	Propriedades do design editorial impresso
	Objetivos
	1. Introdução ao design editorial
	2. Padrões de cor
	3. Conceitos de resolução
	4. Propriedades do papel
	5. Tipos de impressão
	6. Cortes, sangrias e margens
	Referências
	Propriedades do design editorial digital
	Objetivos
	1. Introdução ao meio digital 
	2. E-books 
	3. Revistas e jornais digitais 
	4. Sites para web 
	5. Usabilidade, UI e UX 
	Referências