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DESIGN EDITORIAL
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Felipe Orsini Martinelli
Londrina
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
2023
DESIGN EDITORIAL
1ª edição
3
2023
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
Homepage: https://www.cogna.com.br/
Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM
Silvia Rodrigues Cima Bizatto
Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl
Ana Carolina Gulelmo Staut
Camila Braga de Oliveira Higa
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Coordenador
Henrique Salustiano Silva
Revisor
Tainah Morais Lago
Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Carolina Yaly
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________
Martinelli, Felipe Orsini
Design editorial/ Felipe Orsini Martinelli, – Londrina:
Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2023.
32 p.
ISBN 978-65-5903-364-5
1. Design. 2. Editorial. 3. Gráfico. I. Título.
CDD 744.55
_____________________________________________________________________________
Raquel Torres – CRB 8/10534
M385d
© 2023 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de
informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A
https://www.cogna.com.br/
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DESIGN EDITORIAL
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina ______________________________________5
Breve histórico e características do design editorial _____________7
Fundamentos Tipográficos ____________________________________ 20
Propriedades do design editorial impresso ___________________ 32
Propriedades do design editorial digital _______________________ 44
5
Apresentação da disciplina
Nesta disciplina, estudaremos sobre o campo do design editorial, que
lida com a criação de vários produtos, como livros, revistas e jornais.
Na primeira unidade, veremos uma breve evolução histórica do
campo editorial, indo desde o surgimento da escrita até os dias atuais,
passando pela prensa de Gutenberg e como impactou a sociedade nos
anos 1400. Abordaremos também conceitos relativos à criação de grids,
além de analisar as propriedades que cada meio gráfico possui, ou seja,
veremos alguns aspectos básicos nos quais devemos pensar enquanto
designers na criação do layout de uma revista, um jornal ou um livro,
tanto em meio impresso quanto em meio digital.
Depois, no segundo tema, falaremos sobre os fundamentos da
tipografia, área que está presente em qualquer produto de design que
envolva texto. Falaremos sobre propriedades que a tipografia possui,
alguns conceitos relacionados à estrutura visual de letras, para depois
abordarmos os principais tipos existentes de fontes tipográficas.
Abordaremos também o conceito de famílias tipográficas, lidando com
exemplos de opções para combinar mais de um tipo de fonte.
Já no terceiro tema, aprofundaremos sobre os conceitos editoriais
para peças impressas, abordando os principais tipos de impressão
disponíveis no mercado editorial. Falaremos também sobre padrões
de cor dentro do design, além de suas aplicações. Logo depois,
discutiremos sobre a resolução de imagens digitais, algo que impacta
diretamente em como uma imagem será exibida em uma tela ou
impressa em papel. Abordaremos também as principais propriedades
do papel, às quais devemos estar sempre atentos ao criar um produto
impresso.
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Por fim, no quarto tema, daremos maior enfoque no meio digital,
abordando as características de um projeto para livro, revista ou jornal
em suporte digital. Aqui, serão tratados formatos como PDF e ePUB, que
são amplamente usados no mercado digital. Também veremos alguns
pontos introdutórios sobre sites para web, visto que tal área está em
grande convergência com a área de design editorial. É desejado que os
conceitos sejam facilmente compreensíveis e que esta disciplina traga
grande valor para sua formação.
Bons estudos!
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Breve histórico e características
do design editorial
Autoria: Felipe Orsini Martinelli
Leitura crítica: Tainah Morais Lago
Objetivos
• Compreender a evolução histórica dos principais
conceitos e mídias dentro do design editorial.
• Analisar diferentes estruturas de grid, a fim de
trabalhar a organização e a hierarquia visual em um
projeto gráfico.
• Identificar as propriedades que cada mídia possui
em sua produção gráfica para a construção de
projetos editoriais.
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1. Introdução ao design editorial
Dentro das diversas áreas de atuação do design, enquanto campo de
estudo e prática, há o design editorial. Tal área pode ser estabelecida
como aquela que aborda a criação de produtos com uma quantidade
significativa de informação textual (ADG, 2003). Pode-se também
descrevê-la como um jornalismo visual, em que se publica conteúdo que
pode “entreter, informar, instruir, comunicar, educar, ou pode ser uma
combinação dessas coisas” (CALDWELL, 2014, p. 8).
Seguindo os conceitos citados, pode-se afirmar que tal campo possui
como propósito contar uma história por meio da organização de
materiais, normalmente relacionando textos e imagens, trazendo
personalidade ao conteúdo e criando interesse no público em consumi-
lo (CALDWELL, 2014). Assim, entram, aqui, meios impressos, como
jornais, revistas e livros, e meios digitais, como e-books, sites para web,
entre as demais opções existentes e outras que possam surgir nos
próximos anos.
Para que esses objetivos sejam alcançados, vários conceitos e processos
precisam ser trabalhados, como a escolha de imagens, cores e fontes
tipográficas, definição do papel e técnicas de impressão, quando um
produto impresso, ou o layout, em um produto digital. Dentro disso,
várias técnicas merecem ser estudadas e analisadas a partir de sua
evolução histórica, algo que será feito no próximo tópico. Depois, será
abordado o conceito de grid, extremamente importante para qualquer
área que lida com composição visual. Por fim, serão abordadas as
peculiaridades dos principais meios que se encontram dentro do campo
do design editorial.
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2. Breve evolução histórica
O ser humano sempre criou maneiras de gravar informações e se
expressar, desde pinturas pré-históricas e escritas feitas em argila,
passando pelas técnicas de impressão e chegando ao invento que
trouxe grande impacto à sociedade que foram os computadores. A
argila deu lugar ao papiro e aos pergaminhos de pele de animais, que
foram substituídos pelo papel, que foi trabalhado em vários formatos
até chegar ao livro como conhecemos hoje. Foram inúmeros inventos e
pessoas importantes nesse processo, porém, o foco será em dois pontos
principais: a prensa e o computador.
Até a antiguidade, os livros eram escritos à mão, muitos deles feitos
por monges, aos quais se deu o nome de copistas, pois seu trabalho
era copiar os livros. Dessa forma, tais objetos demoravam para ficar
prontos, tendo um preço elevado, já que eram feitos um a um. Diversos
processos técnicos surgiram e foram se aprimorando, até que se
desenvolveram as máquinas de prensa para impressão em papel. Tais
máquinas funcionavam como um grande carimbo, contendo o texto,
que era feito com chapas de metal ou madeira. Sobre esta superfície
era inserida tinta e depois esta era pressionada contra uma folha de
papel. Assim, uma folha era produzida inteira de uma vez. Aqui, entra
a importante figura de Johannes Gutenberg, que refinou diversos
processos e técnicas, criando o sistema que veio a popularizar e difundir
os métodos de impressão, chamado de prensa de tipos móveis. Tratava-se de um sistema em que as letras eram peças individuais, de forma
que as páginas eram facilmente montadas e desmontadas, sendo as
letras reutilizáveis durante o processo (FONSECA, 2011). Dessa forma,
não seria necessário criar uma placa única para cada folha de um livro,
o que veio a facilitar todo o processo de impressão. Isso significa que
o processo ficou mais rápido e barato, permitindo a popularização
dos livros enquanto instrumento de comunicação. A Figura 1 ilustra o
invento de Gutenberg.
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Figura 1 – Ilustração da oficina de Gutenberg
Fonte: wikipedia.org
Pode-se ver, na Figura 1, que existe um sistema que é pressionado por meio
de uma alavanca (adaptado de uma máquina de espremer frutas), embaixo
do qual era inserido o papel. Esse sistema foi aprimorado e adaptado
durante séculos, passando por vários aperfeiçoamentos em qualidade
de tinta, materiais usados, tipos de papel e sistemas de impressão. Com
o surgimento dos computadores, as técnicas de editoração e impressão
foram extremamente modificadas pelos sistemas digitais. Sem dúvidas,
os computadores trouxeram mudanças imensas, migrando o processo
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editorial para o meio digital, com o uso de softwares, o que tornou o
trabalho mais rápido e barato mais uma vez.
Dentro do meio digital, as publicações começaram com arquivos em
PDF, nos quais era possível alternar entre as páginas com animações
de páginas virando, como em uma revista ou livro de verdade. O
surgimento da linguagem HTML para web facilitou a inserção de vídeos
e animações em projetos editoriais, inclusive com o surgimento dos
sites web e aplicativos (CALDWELL, 2014). Além disso, o surgimento
de smartphones e tablets permitiu que novas opções de interação e
formatos fossem exploradas, além de possibilitar um maior alcance de
público. Passou-se da simples transposição de um jornal ou uma revista
digitalizada para a exploração das potencialidades do meio digital. Um
exemplo disso é a facilidade com que podemos transportar milhares de
arquivos de texto em um único celular que cabe no bolso.
3. Grid
Quando um projeto editorial é feito, é necessário que os elementos
gráficos sejam organizados visualmente, para que não apenas
combinem entre si, mas fiquem visualmente bem distribuídos e
tragam uma fácil compreensão por parte do público. Para isso,
podem ser usados os grids, que são estruturas compostas de linhas
invisíveis para a organização de elementos em uma tela ou página.
Pode-se dizer que são “um meio de dispor e relacionar os elementos
de um design para facilitar a tomada de decisão” (AMBROSE; HARRIS,
2014, p. 27). Tal recurso já era encontrado em trabalhos antigos,
porém, os métodos usados no design gráfico ocidental atual surgiram
durante a Revolução Industrial (SAMARA, 2007). Hoje em dia, grids
são usados em qualquer área que lida com composição visual, como
web design, interface de aplicativos, cartazes, projetos de identidade
visual, jornais, revistas, entre outros.
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Existem grids simétricos, assimétricos, lineares, circulares, entre
várias outras possibilidades. Alguns mais simples e outros mais
complexos, com várias medidas e ângulos específicos. No design
editorial, em especial em páginas que trazem matérias em jornais e
revistas, costuma-se usar um sistema de grid com linhas e colunas,
ou outro baseado em módulos, como se fosse um plano cartesiano
composto de vários retângulos a serem preenchidos (AMBROSE;
HARRIS, 2014). Além disso, publicações impressas que possuem
páginas em sequência, quando abertas, costumam lidar com grids
que relacionam o conteúdo destas páginas, criando relação visual
entre elas. Em um livro, essas páginas são chamadas de verso e
reto, respectivamente as páginas da esquerda e da direita. A Figura
2 mostra um exemplo de um modelo genérico de grid baseado em
colunas usado em uma revista, com os blocos azuis representando
imagens e os blocos rosas representando as colunas do grid.
Figura 2 – Exemplo de grid com duas páginas
Fonte: elaborada pelo autor.
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Pode-se ver, na Figura 2, que as duas páginas possuem a informação
visual distribuída de maneira igual entre elas, com a variação da posição
das imagens. A estrutura usada tem como base seis colunas. Apesar
disso, é importante notar que o texto e as imagens são distribuídos em
blocos que possuem tamanho de duas ou três colunas criadas, tendo
as seis colunas menores como referência. Essa prática de criar blocos
a partir das colunas é muito comum no design editorial, trazendo mais
possibilidades criativas e melhor, organizando o conteúdo visual em
uma página sem deixar de lado a estrutura do grid. Inclusive, não é
recomendado trabalhar com uma coluna única de texto em cada página,
pois isso atrapalha a leitura, por ser difícil localizar visualmente o início
de cada linha (AMBROSE; HARRIS, 2014).
Outro ponto a ser considerado é de que o texto inserido é um texto
falso, gerado no Adobe InDesign (software de design editorial) a partir de
palavras do Latim, inseridas de maneira aleatória. O recurso de texto
falso, também conhecido como lorem ipsum, é comumente utilizado no
preenchimento do espaço, para que tenhamos noção de como um bloco
de texto se comportará visualmente na composição depois que o texto
verdadeiro for inserido (AMBROSE; HARRIS, 2014).
Por fim, podemos dizer que ao mesmo tempo em que grids auxiliam na
organização e facilitam o processo de criação, podem também limitar
a criatividade em um projeto gráfico, prendendo toda a criação a uma
estrutura fixa. Dessa forma, devem ser vistos como uma ferramenta e
não uma regra a ser sempre seguida. Isso significa que não é obrigatório
que todo projeto de design siga um sistema de grid, embora auxiliem na
organização visual e, em consequência, na construção da hierarquia de
informação em uma capa de livro, em uma matéria de uma revista, em
um site na web, entre outros exemplos (SAMARA, 2007).
14
4. Particularidades de cada meio
Alguns elementos gráficos são comuns a diversas mídias. Jornais,
revistas e livros costumam ter o número da página, também chamado
de fólio, indicado em alguma das margens, o que facilita a orientação
do público durante a leitura e para encontrar capítulos ou matérias
específicas. Outro elemento é a margem, que pode ser definida como
um espaço vazio em torno da página (AMBROSE; HARRIS, 2014). Quando
falamos em espaço vazio, não quer dizer necessariamente que não
há nada na margem, podendo ser preenchida com cores, texturas,
fólio ou imagens vazadas. A margem serve para dois propósitos:
organizar visualmente a composição, deixando um respiro visual, e
evitar problemas de impressão quando as folhas forem cortadas e
encadernadas. Apesar dessas similaridades, cada meio possui suas
particularidades, que serão explicadas a seguir.
4.1. Meios impressos
Dentro dos meios impressos, temos três tipos de grande importância,
a começar pelos livros. São conjuntos de páginas com uma capa,
unidas por grampos, cola ou encadernação (FONSECA, 2011). A capa
pode ser rígida ou flexível, possuir vários tipos de acabamentos,
além de elementos como orelha e lombada. O conjunto de páginas
é chamado de corpo do livro ou miolo. Características como o
formato do livro, o tipo de papel e o acabamento da capa são
determinados por vários fatores como padrões editoriais, limitações
de impressão, orçamento disponível, público-alvo e, principalmente,
o conteúdo que será trabalhado (FONSECA, 2011). Por exemplo,
livros infantis precisam ser em um tamanho e formato fácil para
crianças segurarem, além de trazerem capas coloridas e informais,
assim como livros sobre fotografia precisam de uma impressão mais
refinada e, em consequência, mais cara.
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Um ponto fundamental do livro é sua capa, que deve ser chamativa
para atrair a atenção do público, ao mesmo tempo que seja clara
e demonstre sobre o que é o livro, sem deixar dúvidas ao público.
Diferente de revistas e jornais, a capa do livro precisa refletir oproduto
que, em muitos casos, é resultado de anos de pesquisa e escrita. Dessa
forma, segundo Fonseca (2011, p. 262), “o design da capa é também
mais do que uma embalagem, porque o produto que está dentro dela
não é chocolate ou detergente, mas pensamento e espírito humano.”
O segundo meio a ser discutido é o das revistas. Temos vários tipos
deste produto, sendo dois os principais: as revistas vendidas em
bancas e as distribuídas em locais específicos. No primeiro caso,
temos um produto voltado ao consumo do grande público, ou
mainstream, normalmente, vendido em bancas (CALDWELL, 2014).
Essas revistas precisam chamar a atenção do público com as capas,
pois concorrem com todos os outros exemplares disponíveis nas
prateleiras. No segundo tipo, as revistas são voltadas para um público
específico, como uma empresa, um clube ou uma instituição de
ensino, de modo que há mais liberdade para criar a capa, já que não
é preciso convencer o público a comprá-las. Tais revistas possuem
uma distribuição específica, sendo mantidas com verba do clube ou
instituição, ou por meio de anúncios em suas páginas, já que a grande
maioria é de distribuição gratuita.
Temos outros modelos de criação e distribuição, como as revistas
independentes, voltadas a um público menor e mais específico, trazendo
ao público conteúdos diferentes das revistas mainstream (CALDWELL,
2014). Em consequência, também possuem uma tiragem menor. Aqui,
entram as chamadas zines. Um quarto tipo que pode ser citado são as
revistas de suplementos, que acompanham jornais, como uma parte
destes. Essas revistas, por não serem vendidas separadamente, também
não precisam se preocupar tanto em prender a atenção do público,
permitindo maior experimentação em sua elaboração, ao mesmo tempo
16
que precisam manter a identidade visual em harmonia com o jornal
(CALDWELL, 2014).
Por fim, mas não menos importante, podemos citar os jornais, que
são publicações que trazem notícias e ideias (CALDWELL, 2014), com
periodicidade que pode ser diária, semanal, quinzenal, entre outras
opções. Um ponto importante a respeito de tal meio de comunicação
é que, por meio dele, segundo Fonseca (2011, p. 204), “nasceram a
moderna publicidade, as técnicas de mídia e várias manifestações de
literatura de massa, como os folhetins e as histórias em quadrinhos”.
Além disso, da mesma forma que as revistas, precisam chamar a
atenção do público com imagens e manchetes, e continuar a demonstrar
os valores da marca depois da compra.
Com a popularização da web, os jornais deixaram de ser a fonte
primária para acompanhar notícias, passando a gerir novos papéis
de trazer novidades e interpretações a respeito das notícias que são
rapidamente encontradas na web (CALDWELL, 2014), o que nos leva aos
meios editoriais digitais.
4.2. Meios digitais
A tecnologia trouxe várias opções para o design editorial, a começar pela
navegação por hiperlinks. É possível criar pontes entre conteúdo em
um arquivo ou em um site publicado, de modo que o público consiga
navegar entre matérias de um jornal, por exemplo. Outro exemplo
desse uso é a possibilidade de inserir links nas capas de revistas
digitais, servindo como elemento da navegação. Um usuário pode clicar
na notícia da capa de uma revista e abrir rapidamente o conteúdo
(CALDWELL, 2014).
Outro ponto a ser abordado é que há uma grande integração entre
conceitos de design editorial e design para web, como a necessidade de
se lidar com conteúdo responsivo, o que quer dizer que os conteúdos
17
precisam ser adaptados a tamanhos e resoluções diferentes conforme
a tela na qual são vistas (CALDWELL, 2014). Essa integração se dá,
também, com elementos interativos como vídeos e galerias de fotos,
que podem ser utilizados para complementar o conteúdo de maneira
inviável de ser feita no meio impresso. Por exemplo, um site de notícias
pode trazer uma galeria com cinquenta fotos de um evento e um
conjunto de vídeos com entrevistas, o que traz uma experiência mais
rica ao usuário em relação ao acontecimento noticiado.
Assim como acontece em outros produtos para web, temos a
personalização do conteúdo conforme o usuário ou sua localização, de
modo que teremos conteúdos diferentes ao entrarmos em um mesmo
site, conforme nosso perfil de navegação. Além disso, há maior interação
com o público de um produto editorial com o uso de redes sociais,
caixas de comentários e reviews em sites.
Em relação ao tipo de mídia, projetos podem ser feitos de maneira
mista, integrando o meio impresso com o digital, de maneira que se
complementem e a versão digital não seja apenas uma replicação da
versão impressa. É importante lembrar também que, embora existam
livros digitais, os chamados e-books, e versões digitais de revistas e
sites, temos novas opções a serem exploradas a partir de conceitos de
composição visual, como os sites web, aplicações móveis e jogos digitais.
A exemplo disso, os e-books trouxeram novos formatos possíveis para
os livros, fazendo com que toda a cadeia produtiva fosse repensada,
sendo necessário criar dois projetos gráficos para um livro novo: um
para impressão e outro adaptável para vários tipos de telas e suportes
(FREITAS, 2022). A distribuição também é repensada, considerando a
facilidade em publicar um título on-line, além do acesso instantâneo
assim que a compra é feita. Vale a pena comentar que podemos ler
e-books em computadores, tablets e celulares, mas também que
existem dispositivos próprios para este tipo de leitura, como o Kindle, o
Kobo e o Mi Reader. Chamados de e-readers, tais dispositivos possuem
18
grande capacidade de armazenamento e duração da bateria, o que
facilita o transporte e uso para leitura de e-books.
Projetos de design para web lidam com os mesmos conceitos de
cor, tipografia e layout, além de aspectos próprios do meio como a
interatividade e a capacidade do site responder às ações que o usuário
tiver (FONSECA, 2011). Um site pode, por exemplo, mostrar uma
mensagem específica para um usuário que não está cadastrado, ou até
mesmo oferecer um cupom de desconto para assinar um jornal digital.
Novas formas de rentabilizar o conteúdo também surgiram. Há jornais
que liberam o acesso a uma quantidade diária ou semanal de notícias,
ou que possuem uma parte do conteúdo gratuita e outra parte paga. A
este conceito é dado o nome de paywall, que é um bloqueio na notícia
até que se faça uma assinatura (CALDWELL, 2014).
Pode-se ver, dessa forma, que a evolução dos conceitos de design
editorial foi extensa e continua trazendo novas maneiras de se
comunicar e expor ideias. Torna-se importante, dessa forma,
compreender a evolução que os conceitos apresentados tiveram e, ao
mesmo tempo, ter atenção às novas possibilidades, em especial com
os meios digitais existentes e os que estão se popularizando, como
a realidade aumentada, realidade virtual, Internet das coisas, entre
outras opções.
Referências
ADG. O Valor do Design: guia ADG Brasil de prática profissional do designer gráfico.
São Paulo: Senac, 2003.
AMBROSE, G.; HARRIS, P. Layout. Porto Alegre: Grupo A, 2014. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788540700390/. Acesso em: 10
jul. 2023.
CALDWELL, C. Editorial Design: digital and print. Londres: Laurence King Publishing
Ltd, 2014.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788540700390/
19
FONSECA, J. da. Tipografia e design gráfico. Porto Alegre: Grupo A, 2011.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788577804177/.
Acesso em: 10 jul. 2023.
FREITAS, M. F. de. Design de livro: do códice ao e-book. Curitiba: Intersaberes,
2022. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/197493.
Acesso em: 10 jul. 2023.
SAMARA, T. Grid: construção e desconstrução. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788577804177/
https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/197493
20
Fundamentos TipográficosAutoria: Felipe Orsini Martinelli
Leitura crítica: Tainah Morais Lago
Objetivos
• Escolher e utilizar fontes tipográficas para a criação
de projetos editoriais, conforme a mensagem a ser
transmitida.
• Analisar, de maneira crítica, o uso tipográfico em
peças de design editorial.
• Reconhecer e classificar fontes tipográficas conforme
suas propriedades e usos.
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1. Introdução
Quando falamos em tipografia, estamos nos referindo à elaboração
visual de uma ideia escrita, o que é feito pela organização das letras
em um espaço (LUPTON, 2004), o que, por sua vez, é feito por meio
de fontes tipográficas. Além desse uso, o termo pode ser utilizado
também para especificar as técnicas de escrever e imprimir textos a
partir do uso de fontes, que são peças de metal ou madeira prensados
contra uma folha de papel (AMBROSE; HARRIS, 2011) ou a criação das
fontes tipográficas. Em outras palavras, a criação das letras que são
utilizadas em um texto. Esse tipo de produção gráfica requer amplo
aprofundamento nos conceitos que permeiam a área, além de muita
prática e pesquisa para se chegar a um produto.
Fontes tipográficas são uma peça fundamental dentro de qualquer
área do design que envolve elementos textuais, servindo a esta área
assim como o metal e o vidro são utilizados na arquitetura (LUPTON,
2004). Encontramos tipografia em revistas, jornais, livros, logotipos,
cartazes, sites, e-books, placas de trânsito, embalagens de produtos,
bulas de remédios. Este texto que você está lendo se utiliza de fontes
tipográficas, que podemos chamar também de tipos. Até mesmo em
meios audiovisuais são utilizados tipos dos mais diversos, seja para
mostrar o título de um filme ou os créditos da obra, de maneira estática
ou com animações. Pode-se afirmar que a tipografia está em todo lugar,
trazendo personalidade a uma mensagem e falando também sobre
quem compôs a mensagem (AMBROSE; HARRIS, 2011).
Para que uma mensagem seja transmitida de maneira correta, é
de extrema importância que se tenha domínio das propriedades
tipográficas. Isso significa compreender conceitos como peso,
ascendentes e descendentes, além de como aplicá-los e combiná-los de
maneira que estejam de acordo com a mensagem a ser transmitida para
uma audiência em particular e em uma situação específica (LUPTON,
22
2004), pois o formato das letras utilizadas interferirá diretamente no
peso emocional e na credibilidade de um texto (SALTZ, 2010). Além
disso, designers podem criar tipos novos ou utilizar já existentes.
Entretanto, antes de explorar esses conceitos, vamos dar início aos
aspectos históricos, a fim de compreender como a escrita evoluiu até
chegarmos aos modelos digitais que utilizamos hoje.
2. Evolução histórica da tipografia
Um ponto importante para começarmos é de que não existe um
consenso de quando a escrita surgiu. Estima-se que os primeiros
escritos que se tem registro são datados de 3200 a.C., na
Mesopotâmia, sendo que os hieróglifos egípcios surgiram duzentos
anos depois. Após isso, podem ser citados escritos encontrados na
China, em torno de 1600 a.C., sendo que, oitocentos anos depois,
surgiram os primeiros alfabetos gregos e etruscos. Apesar desses
fatos, constantemente surgem descobertas que mudam tais
hipóteses (FONSECA, 2011). Embora não haja consenso sobre seu
início, é possível perceber que a escrita acompanha o ser humano
há milênios, sendo utilizada para diversos fins de comunicação e
expressão. Diversos sistemas de símbolos textuais surgiram no
decorrer da história (hebraico, fenício, chinês, romano, dentre
outros), sendo que vários ainda são usados atualmente.
Passando pelos processos de cravar símbolos em barro, pelos
monges copistas, que copiavam livros em um processo caro e
demorado, e os primeiros sistemas de impressão, podemos ver
que diversas alterações e inovações ocorreram. Pode-se citar
também o surgimento das letras cursivas, que facilitaram a escrita
de documentos, já que são letras ligadas entre si, ou as letras
góticas, que baratearam a produção de um livro, por serem mais
comprimidas do que as que eram utilizadas até então.
23
No século XV surgiram os tipos de metal, peças que eram encaixadas em um
suporte para serem prensadas contra uma folha de papel. Estes e os tipos
de madeira, mudaram a maneira de se pensar a construção visual de uma
composição textual, dando origem aos conceitos tipográficos, já que as letras
usadas já estavam prontas. Assim, tornava-se necessário pensar em técnica de
organização visual, como o espaço seria utilizado, quais palavras precisavam
de maior destaque, dentre outros conceitos. A Figura 1 mostra um exemplo de
fontes utilizadas na elaboração de uma chapa para impressão.
Figura 1 - Exemplo de uma composição tipográfica
Fonte: pixabay.com.
Pode-se ver na Figura 1 que cada letra é um bloco, havendo vários
tamanhos, além dos blocos voltados para os espaços. Além destes,
podemos ter também palavras em um mesmo bloco ou textos inteiros em
um bloco, conforme a impressão que será feita. Um detalhe que se pode
notar é de que as letras estão espelhadas, sendo que o texto também é
composto de maneira espelhada, já que a impressão irá invertê-lo.
24
Posteriormente aos mecanismos de impressão, surgiu o computador,
que trouxe novas técnicas, tanto para a composição tipográfica quanto
para a criação de tipos. Com o uso das tecnologias digitais, tornou-se
muito mais prático criar tipos para os mais diversos fins, além de sua
distribuição por meio de sites especializados na comercialização deles. O
meio digital também facilitou os ajustes de espaçamento, alinhamento
e as modificações de tipos em um mesmo bloco de texto. Para que
consigamos lidar com tal uso tipográfico, é necessário entendermos
como se constituem as fontes, o que será discutido no próximo tópico.
3. Propriedades tipográficas
Um primeiro ponto fundamental é de que os desenhos, que uma letra,
número ou símbolo possui dentro de uma fonte tipográfica é chamado
de glifo (AMBROSE; HARRIS, 2011). Os glifos possuem uma anatomia
própria, sendo que cada letra, algarismo ou símbolo possui seus
elementos próprios. Entre esses, temos dois que merecem destaque:
os ascendentes e os descendentes, sendo que os primeiros são aqueles
elementos que passam da altura das letras minúsculas, ou linha média,
enquanto os segundos são os elementos que passam para baixo da
linha de base. A Figura 2 exemplifica esses conceitos, a partir de alguns
elementos da fonte Baskerville Old Face.
Figura 2 - Linhas de guia para fontes tipográficas
Fonte: adaptada de Ambrose e Harris (2011, p. 28).
25
Repare que na Figura 2 temos algumas linhas, que servem como
referência para a construção de tipos, criando uma unidade
visual entre eles, o que é importante dentro de uma mesma fonte
tipográfica. A linha de base servirá de referência para a parte inferior
dos caracteres. Enquanto isso, a linha de altura das capitulares
servirá como referência para a parte superior de letras maiúsculas e a
linha média para as letras minúsculas.
A linha média é traçada a partir da altura-x, que é a altura da letra x, a
qual serve de referência por ser plana tanto no topo quanto na base
(AMBROSE; HARRIS, 2011). Aqui, cabem duas observações importantes:
a altura das capitulares não será necessariamente igual à linha de altura
das ascendentes, embora sejam iguais em várias fontes. Isso quer dizer
que, por exemplo, na palavra Sofá, o f minúsculo pode passar a altura do S
maiúsculo. Uma segunda observação é de que a medida de fontes costuma
ser feita em pontos, abreviados como pt. Essa medida é feita a partir da
distância entre a linha das ascendentes e as descendentes. Dessa forma, a
altura-x não possui uma relação direta com o tamanho da fonte em pontos.
Assim, como o tamanho é medido pelas ascendentes e descendentes,
podemos ter várias fontes tipográficas com um mesmo tamanho em
pontos, mas cada letra terá um tamanho visualmente distinto. A Figura 3
mostraum exemplo disso com cinco fontes distintas.
Figura 3 - Exemplo de diferença entre altura-x com o mesmo
tamanho em pt
Fonte: elaborada pelo autor.
Podemos verificar, na Figura 3, a partir da altura-x da Arial, que, nos
demais exemplos, a altura-x é diferente desta primeira. Além disso, a
altura das capitulares também não coincide, embora todas estejam com
26
o mesmo tamanho em pontos. Podemos verificar também nesta figura,
que, em algumas fontes, existe uma grande diferença na espessura
dos traços, como na Baskerville Old Face e na French Script MT. Em
outras, a diferença é muito pequena ou imperceptível, como na Arial
e na Haettenschweiler. A esta diferença entre traços, damos o nome de
contraste. Uma letra com alto contraste possui diferença na espessura
de seus traços. Da mesma forma, uma letra com baixo contraste possui
traços com a espessura próxima entre si (AMBROSE; HARRIS, 2011).
Além destes conceitos, uma consideração importante é de que temos
fundamentalmente três tipos de glifos de um mesmo caractere: caixa
alta, também chamado de letra maiúscula; caixa baixa, também
chamado de letra minúscula, e versalete, também conhecida como
small caps. Esta última é uma adaptação das maiúsculas, porém, para a
altura das minúsculas, com adaptações a este tamanho, que são úteis
para destacar um texto sem ficar visualmente desconexo do restante,
como acontece com palavras em maiúsculas em um texto de minúsculas
(AMBROSE; HARRIS, 2011).
Por fim, um último ponto, neste tópico, é de que em alguns tipos,
temos mais de um glifo para um mesmo caractere, chamados de
variações. Temos também as ligaturas, que resultam da junção de
dois ou três glifos, de modo que se evite a interferência entre eles,
deixando-os visualmente mais agradáveis do que os glifos simplesmente
posicionados um ao lado do outro. As ligaturas são feitas “pela
extensão da barra ou pela conexão entre ascendentes, dependendo
dos caracteres envolvidos” (AMBROSE; HARRIS, 2011, p. 82). A Figura 4
mostra um exemplo de variações da letra “a” em caixa baixa na fonte
P22 Cezanne Pro, uma fonte que possui muitas variações para seus
caracteres, além de dois exemplos de ligaturas na fonte tipográfica Times
New Roman, muito conhecida e utilizada para a escrita de textos.
27
Figura 4 - Exemplos de variações e ligaturas
Fonte: elaborada pelo autor.
Repare que, embora sejam visualmente próximas, as variações da
mesma letra permitem vários efeitos, principalmente ao final de
uma palavra, considerando o prolongamento da letra. Já as ligaturas,
permitem que não haja sobreposição da letra “f” com o pingo da letra
“i”, no caso de “fit”, enquanto a ligatura das letras “T” e “h” permite
que fiquem visualmente mais harmônicas, como se estivessem
conectadas no “Th”.
4. Classificação de tipos
Devido à infinidade de tipos existentes, é importante que se utilizem
técnicas de classificação (AMBROSE, HARRIS, 2011), o que facilita a
escolha e a organização em um projeto, além de facilitar a comunicação
em uma equipe de design, em uma agência ou estúdio. Existem
inúmeras maneiras de se classificar tipos: pela função, pelas influências
históricas, pelas propriedades anatômicas, dentre outras possibilidades.
Uma das categorizações mais importantes é em relação a um elemento
anatômico: a serifa. A partir dele, podemos criar duas grandes classes:
tipos com serifa e sem serifa, conforme o que será explicado a seguir.
4.1. Fontes serifadas
Serifas são traços no final de linhas verticais ou horizontais, que servem
como ornamentos e para facilitar a leitura. De acordo com Fonseca
(2011, p. 85), “elas melhoram a legibilidade porque conduzem o olho
do leitor ao longo da linha de tipos, formando linhas óticas paralelas
28
que agem como um trilho imaginário.” As serifas tiveram seu primeiro
registro em Roma por volta do ano 114, mesmo lugar em que surgiram
as primeiras letras maiúsculas (FONSECA, 2011), sendo usadas até os
dias atuais em tipos conhecidos como Times New Roman e Baskerville Old
Face, os quais foram mostrados nos tópicos anteriores.
Entre os vários tipos existentes de fontes serifadas, podemos abordar
três grandes subcategorias: estilo antigo, que possui baixo contraste
e serifas mais arredondadas, inspiradas nas antigas letras romanas;
estilo moderno, que possui alto contraste e serifas mais finas; e o
estilo transicional, que é um intermediário entre os dois, com grande
influência das técnicas de impressão. A Figura 5 mostra um exemplo de
cada uma delas.
Figura 5 - Exemplos de fontes serifadas
Fonte: elaborada pelo autor.
4.2. Fontes não serifadas
Fontes que não possuem serifa podem ser chamadas de lineais, bastão,
grotescas, ou simplesmente sem serifa (AMBROSE; HARRIS, 2011). Esse
é o caso de várias fontes utilizadas no dia a dia, como Arial, Helvetica,
Verdana e Calibri. Este estilo de fonte começou a ser amplamente
usado no século XX (FONSECA, 2011). Entre as inúmeras possibilidades
existentes nessa classe, podemos destacar três grandes subgrupos:
geométricas, elaboradas a partir de formas geométricas e com pouco
contraste; humanísticas, que possuem maior contraste; e transicionais
sem serifa, que são próximas das transicionais serifadas, relembrando
antigos caracteres romanos, mas sem as serifas (LUPTON, 2004). Na
Figura 6, temos um exemplo de cada um desses tipos.
29
Figura 6 - Exemplos de fontes sem serifa
Fonte: elaborada pelo autor.
5. Famílias tipográficas
Como foi visto nos tópicos anteriores, temos inúmeras variações
entre fontes tipográficas. Algumas delas constituem o que chamamos
de família tipográfica, que pode ser definida como “o conjunto de
caracteres tipográficos cujo desenho apresenta as mesmas características
fundamentais, variando no peso e na inclinação dos traços, ou na largura
relativa das letras”, segundo Fonseca (2011, p. 126). Dessa forma, uma
família possui fontes tipográficas visualmente parecidas, mantendo
uma continuidade visual a partir de um estilo comum. Fontes serifadas
costumam ter uma família pequena, com um grupo principal contendo a
fonte romana (ou normal), itálica, versalete, negrito e seminegrito, além
das combinações entre tais propriedades. Já fontes sem serifa trazem mais
possibilidades e, em consequência, podem gerar famílias maiores (LUPTON,
2004). Assim, algumas famílias possuem poucas fontes, outras possuem
uma grande variedade como, por exemplo, a Univers, que possui vinte e
uma variações ou a Helvetica, que possui sessenta tipos diferentes.
Um ponto importante a se observar é de que as variações são indicadas
no nome dos tipos, em especial ao tratarem das propriedades de largura
dos glifos, inclinação e espessura dos traços. Dessa forma, uma família,
como, por exemplo, a Arial, pode trazer tipos como Arial Italic, Arial Bold
e Arial Bold Italic. Conforme surgem variações, as propriedades são
acrescidas ao nome do tipo, podendo se tornar algo confuso, quando
se trata de famílias com vinte variações ou mais. Dessa forma, algumas
famílias lidam com um sistema numerado no nome, para facilitar a
organização. Aqui, podem ser citadas as famílias Univers, Glypha e
30
Frutiger (AMBROSE HARRIS, 2011). A Figura 7 mostra um exemplo com
alguns membros da extensa família Arial.
Figura 7 - Exemplo da família tipográfica Arial
Fonte: elaborada pelo autor.
A ideia de combinar fontes em famílias surgiu no século XVI, sendo
algo formalizado no século XX (LUPTON, 2004, p. 45) e usado até os
dias atuais, tanto para a criação quanto para a utilização de tipos.
Assim, tal conceito é muito útil para a criação de composições visuais.
Tipos dentro de uma mesma família trazem propriedades similares
de design, altura-x, altura das capitulares, extensão de ascendentes e
descendentes, entre outras propriedades (FONSECA, 2011). Por conta
disso, produzem combinações harmônicas entre si. Em outras palavras,
usar fontes tipográficas de uma mesma família trará combinações
agradáveis em um projetográfico, com poucas exceções (SALTZ, 2010).
Como pudemos ver, existem vários conceitos que permeiam uma
simples escolha de um tipo para um bloco de texto em um projeto de
design. Aqui, abordamos os principais pontos de cada conceito, que não
se limitam aos tópicos aqui abordados. Por exemplo, a classificação de
fontes em serifadas e não serifadas auxilia muito na composição visual,
porém, há outras possibilidades para categorização, como, por exemplo,
as fontes escriturais, que simulam a escrita à mão, também chamadas
de cursivas, ou outras inúmeras categorias existentes em livros e em
plataformas paras compra de fontes. Além disso, tal conceituação de
nada adianta se não existir uma prática envolvida. Por isso, é importante
experimentar diferentes fontes e combinações, o que pode ser feito
abrindo um editor de texto, mudando as fontes em duas linhas de um
31
texto qualquer, comparando os variados tipos de mensagens e ideias
que diversas fontes tipográficas podem transmitir.
Referências
AMBROSE, G.; HARRIS, P. Tipografia. Porto Alegre: Grupo A, 2011.
LUPTON, E. Thinking With Type: a critical guide for designers, writers, editors, students.
New York: Princeton Architectural Press, 2004.
FONSECA, J. da. Tipografia e design gráfico. Porto Alegre: Grupo A, 2011.
SALTZ, I. Design e tipografia: 100 fundamentos do design com tipos. São Paulo:
Blucher, 2010.
32
Propriedades do design
editorial impresso
Autoria: Felipe Orsini Martinelli
Leitura crítica: Tainah Morais Lago
Objetivos
• Compreender os principais padrões de cor utilizados
na produção gráfica, para seu uso correto em
projetos impressos.
• Analisar diferentes tipos de papel, para que sejam
escolhidos conforme as especificações de um
projeto gráfico.
• Construir uma composição gráfica de modo que
respeite questões de sangria e margem, garantindo
uma impressão sem erros.
33
1. Introdução ao design editorial
Quando vemos um cartaz pendurado em uma parede, recebemos um
panfleto de propaganda, ou quando abrimos uma revista, lidamos
com uma peça gráfica impressa. Isso quer dizer que é um produto
que passou por uma fase de concepção, criação em um software e
preparo para que fosse impresso em papel, tecido ou outro material.
A esses materiais que receberão pigmentos damos o nome de suporte
de impressão (RIBEIRO, 2020). Diversas são as técnicas que lidam com
processos gráficos, assim como as técnicas e condições para preparar os
arquivos, de modo que tudo ocorra sem problemas.
Vamos supor que queremos criar um projeto gráfico e enviar para uma
gráfica. Podemos ter problemas com o resultado, caso não saibamos que
tipo de papel deve ser usado ou se o arquivo foi configurado corretamente
para impressão. Por conta disso, há vários conceitos que precisam ser
compreendidos, inclusive para que ocorra uma comunicação eficaz
tanto com clientes quanto com a gráfica. O primeiro desses conceitos é
relacionado ao uso da cor, o que será discutido a seguir.
2. Padrões de cor
A cor é uma característica muito importante no design editorial, pois
pode trazer dinamismo a um projeto, atrair a atenção do público,
produzir reações emocionais, organizar elementos visuais e auxiliar
o público a encontrar informações em uma peça gráfica (AMBROSE;
HARRIS, 2012). A percepção que temos de uma cor é resultado de
vários fatores, além da pigmentação em si. Aqui, soma-se a intensidade
e o tipo de luz, superfícies e texturas, além das cores que estão em
volta dela. Isso quer dizer que uma cor clara aparenta ser mais clara
quando contornada por uma cor escura do que por outra cor clara
(LUPTON; PHILLIPS, 2008). Além da parte física, a percepção da cor
34
possui também o fator cultural, de modo que seu significado mudará
conforme a sociedade em que se encontra. Enquanto em vários países
ocidentais, a cor preta representa luto, a mesma associação é feita com
a cor branca em países orientais. O vermelho pode representar paixão,
celebração, perigo, alegria, dependendo da cultura e do contexto em
que está inserido. Temos também associações de cores com objetos
em determinadas culturas, como os carros amarelos rapidamente
associados a taxis em Nova York (AMBROSE; HARRIS, 2012), ou carros
pretos que trazem uma ideia de luxo, apenas para dar alguns exemplos.
Um fator importante sobre as cores é que precisamos trabalhar com
padrões pré-estabelecidos, de modo que tenhamos maior organização
em um projeto, e para evitar interpretações dúbias, inclusive para a
impressão. Por mais específica que seja uma explicação de uma cor,
por exemplo, azul claro levemente esverdeado, pode remeter a cores
diferentes para duas pessoas. Existem inúmeros padrões no mercado,
cada um para um propósito específico, mas focaremos em três, os
sistemas RGB, HSB e CMYK.
O RGB é um sistema pensado para uso em telas, sendo o padrão
utilizado em projetos de design digital (LUPTON; PHILLIPS, 2008).
Celulares, computadores e televisões digitais seguem esse padrão (ou
uma variação dele), considerando a composição da imagem a partir
de pixels. Cada pixel terá uma informação de cor para três cores de
base: vermelho, verde e azul. O nome do padrão vem do nome dessas
cores em inglês (red, green, blue). Quando temos as três cores em sua
intensidade máxima, a combinação delas gera luz branca. Quando
na intensidade mínima, gera a cor preta. Por conta dessa adição de
intensidade de luz, esse padrão recebe também o nome de padrão
aditivo. O sistema RGB pode gerar 16.777.216 cores.
Já o CMYK, é um padrão utilizado para impressão a partir de quatro
cores, o que pode ser chamado de quadricromia: ciano, magenta,
amarelo e preto (ou cyan, magenta, yellow e black). A combinação se dá
35
pela sobreposição dos pigmentos, de modo que quanto mais pigmentos,
mais escura a cor. Por conta disso, o sistema é considerado o inverso
do RGB, sendo chamado de padrão subtrativo. A Figura 1 mostra a
diferença entre esses dois padrões.
Figura 1 - Modelos de cor CMYK e RGB
Fonte: Shutterstock.com.
Repare, na Figura 1, que a junção no padrão CMYK gera cores mais
escuras do que as primárias, enquanto no RGB as cores são mais
claras, até chegar no branco. Aqui, vale a pena lembrar que, embora
um projeto impresso esteja em CMYK, na tela do computador ele será
exibido em RGB, tentando aproximar as cores de um padrão para o
outro. É importante comentar que reproduzir cores é um processo
complicado, pois precisamos levar em conta três aspectos: o que o olho
humano enxerga, o que a tela de um monitor, ou outro equipamento,
mostra, e o que é reproduzido nos processos de impressão (CALDWELL;
ZAPPATERRA, 2014). Por conta disso, é importante que seja feita uma
calibração entre o impresso e o digital, evitando grandes diferenças
no momento de passar do software para o papel. Isso significa realizar
um ajuste das cores no computador, conforme o resultado previsto na
impressão. Podem ser usados também perfis de cor estabelecidos na
36
indústria gráfica, como o International Colour Consortium (ICC), que vem
de Consórcio Internacional de Cores (CALDWELL; ZAPPATERRA, 2014).
Além desses padrões, outros dois que merecem atenção são o HSB e
o sistema Pantone. O HSB é um sistema ligado ao RGB, trabalhando
também com a composição de cor a partir da luz. No entanto, o HSB
é considerado mais intuitivo do que o RGB, pois lida com um valor de
matiz de cor como base e, partindo dele, chega a variações da mesma
cor, variando as propriedades de saturação e brilho. A sigla vem dessas
propriedades: matiz (hue), saturação (saturation) e brilho (brightness).
Esse sistema pode ser chamado também de HSL, com a letra L se
referindo ao conceito de lightness, similar ao brilho. A Figura 2 mostra
uma representação das cores desse sistema.
Figura 2 - Representação das propriedades do HSB ou HSL
Fonte: Shutterstock.com.
Por fim, temos uma categoria de cores especiais, que necessitam de
pigmentos específicos para a impressão. Aqui, entram coresmetálicas,
fluorescentes e sistemas que seguem uma cor extremamente precisa,
como o Pantone, que é muito conhecido no design e na moda. Trata-
se de um sistema de cores pré-estabelecidas com nomes próprios, que
são obtidas a partir de misturas minuciosamente trabalhadas, inclusive
utilizando tintas específicas para isso (AMBROSE; HARRIS, 2012).
37
3. Conceitos de resolução
A imagem digital é composta de pequenos pontos, chamados pixels.
Cada pixel é constituído por três pequenas luzes, uma vermelha, uma
verde e uma azul, seguindo o sistema RGB. As cores são determinadas
de acordo com a intensidade com a qual cada uma dessas luzes está
acesa. Quando as três estão acesas em sua intensidade máxima, temos
a cor branca. A Figura 3 mostra um exemplo de uma tela.
Figura 3 - Tela ampliada de modo que podemos ver os pixels
Fonte: Shutterstock.com.
É possível ver, na Figura 3, que temos sempre a repetição de cores
na sequência: vermelho, verde, azul. Na parte branca do olho, pode-
se perceber que as três cores estão definidas, enquanto, no centro
do olho, as três parecem apagadas. A imagem que vemos na tela
de um computador, ou de um celular, segue esse mesmo princípio
em sua constituição. Essas telas podem ter muitos ou poucos pixels,
independente do tamanho da tela em si. Em outras palavras, podemos
ter uma televisão de vinte e nove polegadas com a mesma quantidade
38
de pixels que um celular. Isso tem a ver com a resolução. Uma tela com
resolução FullHD, por exemplo, será composta por uma malha de 1920
pixels de largura, por 1080 de altura, independente do tamanho da tela
em polegadas.
Outro fator importante em relação à resolução se refere à quando
lidaremos com um arquivo para impressão. Nesses casos, o valor
é medido, principalmente, em pixels por polegada, ou pontos por
polegada, de onde vem a abreviação dpi (ou dots per inch). A resolução
padrão para a web é de 72 dpi, o que quer dizer que se fizermos um
quadrado com altura e largura de uma polegada, teremos 72 pixels
dentro desse quadrado. Agora, quando lidamos com um arquivo para
impressão, temos que trabalhar com pelo menos 300 dpi, sendo que
impressoras de alta definição lidam com valores bem maiores, como
1200, 2400 dpi, ou até mais (AMBROSE; HARRIS, 2012). Tais pixels serão
passados diretamente na proporção de pontos na impressão, de modo
que quanto maior a resolução, mais detalhada será a imagem impressa.
Do mesmo modo, um valor menor do que a resolução de impressão
gerará um impresso quadriculado, resultando em baixa qualidade visual.
Aliado a isso, outro fator que influenciará o resultado da impressão é o
tipo de papel, que será abordado a seguir.
4. Propriedades do papel
O papel, enquanto suporte amplamente usado em processos
gráficos, possui diversas propriedades que precisam ser conhecidas,
pois afetarão diretamente tanto o processo de impressão quanto o
resultado produzido. Podemos começar pela gramatura, que é um
valor numérico que indica o peso que uma folha de papel possui. Esse
valor é dado considerando o peso em gramas de uma folha de um
metro quadrado do papel (AMBROSE; HARRIS, 2012), de modo que
quanto maior a gramatura, mais rígido é o papel. Tal número impacta
39
em outra propriedade, que é o corpo, também chamado de calibre
ou volume, relacionado à espessura do papel, ou profundidade dele.
Assim, uma folha sulfite com gramatura de 75 g/m² é mais fina do que
um papel com gramatura de 300 g/m². Depois, temos o acabamento,
que é relacionado às “características de superfície do papel, incluindo
o tato e a aparência” (AMBROSE; HARRIS, 2012, p. 146), em que
há papéis foscos, brilhantes, entre outras possibilidades. Alguns
acabamentos podem ser feitos antes da impressão e outros, depois.
Aqui, podemos citar também os papéis com revestimento. Nos
acabamentos posteriores à impressão, podemos citar a aplicação
de materiais como verniz em algumas áreas específicas da página
(chamado de verniz localizado), na página toda, a criação de relevo,
entre outras opções. Por fim, um item a ser levado em consideração
é o sentido da fibra, que é relacionado a como a fibra passa na
máquina durante a fabricação do papel. Seguir o sentido em que as
fibras são dispostas na folha, faz com que dobrar e rasgar o papel
seja mais fácil.
Essas propriedades impactam na impressão, pois não são todas as
impressoras que conseguem trabalhar com gramaturas altas, e a
impressão pode sair diferente conforme o acabamento do papel.
Além disso, a escolha do tipo de papel está relacionada diretamente
ao tom, estilo e mensagem de uma peça gráfica. Por exemplo, papéis
com maior gramatura são mais usados em capas do que no miolo de
revistas (RIBEIRO, 2020). Outro exemplo que podemos dar é que papéis
revestidos refletem mais luz e absorvem mais tinta, podendo trazer
destaque para imagens, enquanto papéis sem revestimento resultam
em uma impressão mais suave e facilitam a leitura de textos (CALDWELL;
ZAPPATERRA, 2014). Outro fator importante de ser citado é que as
escolhas de tipo de papel, revestimento e acabamento interferirão
diretamente no orçamento de um projeto gráfico.
40
5. Tipos de impressão
Existem vários métodos de impressão disponíveis para a criação
de projetos editoriais, sendo cada um melhor para um propósito
específico. O primeiro que podemos citar é o offset, que deriva do
processo de litografia. A impressão litográfica era muito utilizada no
século XIX, por meio de uma placa de calcário que tinha o conteúdo a
ser impresso em relevo e era pressionada contra o papel. O processo
offset contemporâneo lida com um conceito parecido, porém, com
placas de alumínio e três rolos de borracha. O primeiro distribui tinta,
o segundo passa pelo papel com a placa de impressão e o terceiro é
um rolo em branco. Tal processo cria um resultado com alta qualidade
visual (KRAEMER, 2019). O offset é comumente usado para impressão de
embalagens, livros, envelopes, cartazes, entre outros. A Figura 4 mostra
um exemplo de impressão offset.
Figura 4 - Exemplo de máquina gráfica para impressão
Fonte: Shutterstock.com.
41
Depois, temos a impressão digital, que lida com a transferência
digitalizada de informações entre um arquivo e o maquinário de
impressão. Por conta de lidar com arquivos digitais, tal método “não
exige a impressão de fotolitos e a gravação de chapas, etapas que eram
tradicionais em outros sistemas de impressão, como o offset.” (GOMES,
2019a, p. 106). Trata-se de um sistema mais barato e mais rápido do que
os anteriores, especialmente se lidarmos com tiragens pequenas, como
cem cartões de visita, algo inviável de ser feito com o offset, por conta do
seu custo operacional.
Outras técnicas podem ser apontadas, como a serigrafia, que é um
processo de impressão que foi amplamente utilizado até o fim do século
XX. É feito a partir de uma tela de poliéster, nylon ou seda, pela qual a
tinta passa para o material em que será fixada. Outro ponto importante
é que é um processo amplamente utilizado na impressão de tecidos
(GOMES, 2019b), porém, pode criar resultados bem interessantes em
papel. Podemos falar da impressão tipográfica, que lida com peças de
metal ou madeira, cada uma com um símbolo de caractere, número ou
pontuação. Por fim, podemos apontar os equipamentos para impressão
de pequenas tiragens, como as impressoras domésticas, que possuem
sistemas de impressão com jato de tinta ou laser (GOMES, 2019b).
6. Cortes, sangrias e margens
Em alguns tipos de impressão, o papel é maior do que o produto
final, precisando ser cortado depois que é impresso e passa por
processos de acabamento (GOMES, 2019a). O corte é feito a partir de
um equipamento com uma lâmina, normalmente reta, mas podemos
ter cortes em formatos curvos e personalizados, conforme o resultado
desejado. Ainda em relação ao corte, podemos abordar a questão da
margem, que é um espaço ao redor da composição em que não haverá
informação visual relevante. A margem possuia função de criar um
42
respiro visual nas composições. Além desse propósito, em documentos
impressos a margem também serve como uma área interna de
segurança para evitar problemas durante a etapa de corte. Temos
também a sangria, que cumpre o mesmo papel, porém, na área externa
da página, sendo utilizada em alguns tipos de impressão que não são
feitas na folha em seu tamanho original, mas em folhas maiores que
serão cortadas. Assim, caso o corte na folha passe alguns milímetros
para fora da área impressa, não teremos uma linha branca, pois o
conteúdo está dentro da sangria. Da mesma forma, caso passe alguns
milímetros para dentro, não perderemos informações relevantes, já que
a margem não as possui. A Figura 5 mostra graficamente a relação entre
a sangria e a margem interna na folha.
Figura 5 - Exemplificação da sangria e da margem com uma falha no corte
Fonte: elaborada pelo autor.
Pode-se ver na Figura 5, um erro exagerado no corte, de modo que a
área azul possui continuidade, evitando que seja um erro visível. Da
mesma forma, caso o corte fosse dentro da margem, também não
perderíamos informação.
Por meio desses conceitos, foi possível ver as principais propriedades
que envolvem a impressão de um projeto gráfico, além de detalhes
43
que precisam ser sempre levados em consideração. A criação de peças
impressas possui inúmeras possibilidades criativas, de modo que
compreender esses pontos é fundamental para que possamos criar
peças inovadoras e que despertem interesse do público.
Referências
AMBROSE, G.; HARRIS, P. Fundamentos de design criativo. Porto Alegre:
Grupo A, 2012.
CALDWELL, C.; ZAPPATERRA, Y. Editorial design: digital and print. Londres:
Laurence King Publishing Ltd, 2014.
GOMES, R. P. Impressão Digital. In: REIS, L. B. et al. Produção gráfica. Porto Alegre:
Grupo A, 2019a.
GOMES, R. P. Serigrafia. In: REIS, L. B. et al. Produção gráfica. Porto Alegre:
Grupo A, 2019b.
KRAEMER, D. Impressão em Offset. In: REIS, L. B. et al. Produção gráfica. Porto
Alegre: Grupo A, 2019.
LUPTON, E.; PHILLIPS, J. C. Novos fundamentos do design. São Paulo: Cosac
Naify, 2008.
RIBEIRO, A. Conceitos fundamentais de planejamento e produção gráfica.
Curitiba: Intersaberes, 2020.
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Propriedades do design
editorial digital
Autoria: Felipe Orsini Martinelli
Leitura crítica: Tainah Morais Lago
Objetivos
• Analisar os principais produtos existentes no
design editorial em meio digital, assim como suas
características fundamentais.
• Compreender os principais formatos para produtos
editoriais digitais, conforme seu uso e distribuição
no mercado.
• Entender a relação entre conceitos do webdesign
com o campo do design editorial, e como aplicá-los
em projetos para web.
45
1. Introdução ao meio digital
Com a popularização dos meios de comunicação digitais, em especial
computadores, tablets e smartphones, tivemos uma mudança na
maneira com que criamos produtos tanto no campo da comunicação
quanto no design. Com tais mudanças, toda a cadeia de produção
editorial precisou ser repensada. Funções no processo, como o
transporte e o armazenamento de produtos, deram lugar aos serviços
de plataformas on-line de hospedagem e pagamento (FREITAS, 2022).
Temos, hoje, uma convergência entre as áreas do design editorial
e do webdesign, o que leva à necessidade de compreendermos
conceitos relativos a como um produto será visto em uma tela, além de
inúmeras possibilidades que o meio digital trouxe, como a facilidade
de distribuição e atualização de informações, a interatividade e a
possibilidade de conectar conteúdos entre produtos. Tais fatores
deverão ser levados em consideração durante todo o planejamento de
um produto voltado para esse meio.
Passando do meio impresso para o digital, várias técnicas de composição
visual se mantêm as mesmas, assim como algumas técnicas aplicadas ao
uso tipográfico e à teoria das cores. Por outro lado, conceitos como o tipo de
papel e métodos de impressão deixam de ser uma preocupação, dando lugar
a conceitos como responsabilidade e interatividade, que são essenciais no
meio digital. Aqui, consideramos os principais produtos deste meio: e-books,
revistas digitais, sites, portais, entre outras opções. Partimos assim, para a
compreensão do que são tais produtos e como são elaborados, começando
pelos livros digitais, também chamados de e-books.
2. E-books
Um e-book é um livro armazenado em um arquivo digital, que pode
ser lido em computadores e celulares, além de dispositivos criados
46
especialmente para a leitura deste tipo de arquivo, os chamados
e-readers, como o Kindle, criado pela Amazon, o Kobo, da Livraria
Cultura, e o Lev, da Saraiva (FREITAS, 2022). Em 1971, foi feita a primeira
digitalização de um livro (a declaração da independência dos Estados
Unidos), que é considerado o primeiro e-book da história (FLATSCHART,
2014). Muita coisa mudou, desde então, com as inovações tecnológicas,
trazendo inúmeras funcionalidades aos e-books.
Tal mídia traz praticidade e agilidade de acesso ao seu conteúdo,
considerando que os arquivos podem ser baixados imediatamente após
serem comprados em um site (FREITAS, 2022), sem contar a facilidade
em se produzir um livro digital em comparação com o físico. Além disso,
alguns formatos de e-book lidam com fontes tipográficas, cores e layout,
que podem ser alterados pelo leitor, especialmente nos e-readers. Tais
mudanças alteram a quantidade de páginas, o que o torna um produto
de formato fluído (FLATSCHART, 2014). Em outras palavras, os layouts
fixos dão espaço aos layouts fluídos e adaptáveis às necessidades de
cada usuário e dispositivo.
Os livros digitais podem trabalhar com vários formatos, desde arquivos
mais simples como o txt do bloco de notas, até outros mais elaborados,
que trazem inúmeros recursos para o produto. Falaremos de quatro
formatos básicos: PDF, HTML, ePub e livros aplicativos. Além destes,
há também os formatos específicos de cada e-reader, como o mobi
e o azw, próprios do Kindle da Amazon. Esses dois últimos formatos
citados podem ser lidos tanto no dispositivo, quanto no aplicativo da
Amazon específico para isso (FREITAS, 2022). A começar pelo PDF, trata-
se de um formato amplamente usado na distribuição digital de livros
e arquivos, que conta, inclusive, com um sistema de assinatura digital
de documentos. Uma de suas principais características é gerar um
layout fixo, de forma que o arquivo exibirá a mesma distribuição dos
elementos gráficos no espaço em qualquer tamanho de tela. Em outras
palavras, o PDF gera uma composição visual que não pode ser alterada
em softwares de leitura. Tal ponto pode ser considerado negativo ao se
47
tentar abri-lo em dispositivos móveis, por ser um fator que dificulta sua
leitura em telas pequenas. Pode ser considerado positivo também, pois
sempre trará a composição visual que foi pensada pelos profissionais
de design envolvidos em sua criação. Outros pontos a se levar em
consideração são a possibilidade de aplicação de recursos multimídia,
a inserção de formulários que aceitam entrada de dados, e o uso de
inúmeros recursos de acessibilidade (FLATSCHART, 2014).
O segundo formato é o HTML, que trabalha com um sistema de
interpretação de tags, ou marcações. Por exemplo, <p> é uma tag de
parágrafo. Assim, inserir um texto “<p>olá</p>” faz o computador
entender que o conteúdo entre as duas tags é um parágrafo. Tal
sistema é utilizado para que as informações sejam compreendidas
na web, de modo que podemos criar várias peças voltadas a esse
suporte utilizando essa linguagem de marcação, além de possibilitar
interações por meio de links e a inserção de conteúdo multimídia,
como áudio e vídeo. Uma grande vantagem existente no HTML é
a de que consegue ser lido por qualquer navegador web, sem a
necessidade de instalação de plugins ou outros softwares. Outra
vantagem que podemos citar é a facilidade na publicação de um
conteúdo, discussão que será tratada no tópico sobreweb.
O terceiro formato é o ePUB, o qual pode ser apontado como um
pacote com “documentos XHTML que exibem conteúdo, documentos
XML que definem estrutura e metadados, documentos CSS que
marcam a formatação visual, arquivos de imagens e arquivos de fontes”
(FLATSCHART, 2014, p. 33). Este formato, por lidar com os arquivos
XHTML e CSS, possui uma estrutura próxima ao HTML. Assim, tem uma
organização similar aos sites web, o que permite que também lide com
interações e inserção de arquivos multimídia. A Figura 1 mostra um
exemplo de um arquivo ePUB, do livro Dom Casmurro de Machado de
Assis, aberto com dois ajustes diferentes em uma aplicação de leitura
online de arquivos desse tipo.
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Figura 1 - Exemplo de um arquivo ePUB aberto com duas configurações
Fonte: epub-reader.online.
Na Figura 1, podemos ver que um mesmo livro pode ser exibido para
o leitor com uma quantidade variável de palavras no mesmo espaço,
dependendo do tamanho da fonte que foi ajustado dentro da aplicação.
Além disso, a relação entre a cor do texto e a do fundo pode ser alterada
conforme as preferências de leitura, normalmente com fundo branco,
preto ou sépia, modificando automaticamente a cor do texto, para
manter o contraste entre ambos. O uso da cor sépia é um exemplo de
ação utilizada para reduzir o cansaço da leitura, causado pela iluminação
da tela de computadores e dispositivos móveis (FREITAS, 2022).
O quarto formato, do livro aplicativo, é um arquivo autoexecutável,
normalmente voltado para dispositivos móveis, o que quer dizer que o
livro não precisa de um software específico para ser lido (FREITAS, 2022).
Por serem arquivos autônomos, possuem uma grande quantidade
de recursos possíveis e personalizáveis, como “conteúdos interativos,
animações, diagramas, narração guiada, definições instantâneas de
glossário, entre outros” (Freitas, 2022, p. 288). A criação desse tipo de
livro necessita de profissionais de programação na equipe, visto que são
desenvolvidos da mesma maneira que um software, ou um aplicativo
para dispositivos móveis.
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Um ponto importante ao comentarmos sobre os livros digitais é que
permitem novas maneiras de se consumir o conteúdo. Pode-se pagar
pelo acesso a um livro, ou a um acervo, ao invés de comprá-lo, e
sincronizar vários dispositivos enquanto se lê um único título (Freitas,
2022). A exemplo disso, temos serviços de assinatura em que uma taxa
é paga mensalmente para se ter acesso a um extenso catálogo de livros
em formato digital, como o Ubook ou o Kindle Unlimited. Tais serviços
não apenas fornecem os arquivos pelo tempo em que a assinatura está
ativa, mas também permitem sincronizar a leitura e indicar os livros
que já foram concluídos, além de sugerir livros parecidos com os que se
acabou de ler.
3. Revistas e jornais digitais
Os conceitos explicados para os livros digitais também se aplicam
aos jornais e revistas digitais, preservando as peculiaridades de cada
meio. Assim, estes também lidam com diversos formatos, inserção de
multimídia, interação com o conteúdo e o uso de aplicativos próprios
para sua leitura. Além disso, podem trazer conteúdos e anúncios
específicos para os usuários de acordo com a localização deles a
partir de dados de GPS (CALDWELL; ZAPPATERRA, 2014). Uma vez no
meio digital, jornais e revistas também passaram por mudanças em
seu consumo, considerando aqui os sistemas de assinatura, além da
facilidade em publicar conteúdos independentes.
Lidando com o fato de trabalharem com um conteúdo mais datado
do que os livros, as revistas e os jornais digitais se utilizam dos
conceitos de navegação vindos de sites para web, trazendo para este
campo técnicas importantes de diagramação e construção de layouts,
as quais são usadas em seus respectivos sites. O uso de sites no
design editorial possui vários pontos a serem discutidos, o que será
feito no próximo tópico.
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4. Sites para web
A web é uma rede em que há vários computadores conectados e que
exibe páginas com conteúdo de vários formatos (PAZ, 2021). As páginas,
ou sites, ficam armazenados em servidores, que são computadores
criados para ter um funcionamento ininterrupto e conseguir enviar as
informações de um mesmo site para vários outros computadores que
tentam acessá-lo. Hoje em dia, temos várias ferramentas que facilitam
a criação de sites, sem a necessidade de ter domínio dos sistemas de
HTML e CSS. HTML vem de Linguagem de Marcação de Hiper Texto (ou
Hyper Text Markup Language), sendo esta uma linguagem usada para
inserir textos, imagens e indicar a importância semântica de conteúdos
específicos. Já o CSS é a Folha de Estilo em Cascata (ou Cascading Style
Sheets), e serve para indicar fontes tipográficas, cores e a configuração
do layout do site. Enquanto o HTML lida com a estrutura e o conteúdo,
o CSS lida com a organização visual, ou seja, como os elementos devem
ser apresentados no site ou em um arquivo ePUB (paz, 2021). A Tabela
1 mostra um código em HTML e CSS e a Figura 2 mostra o resultado do
código criado.
Quadro 1 - Exemplo de HTML e CSS para a criação de um site simples
Código HTML Código CSS
<!DOCTYPE html>
<html>
<head>
<title>Teste</title>
<title>Teste</title>
<link rel="stylesheet"
href="style.css" />
</head>
body {
background-color:
azure;
}
h1 {
font-size: 40px;
color: darkblue;
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<body>
<h1>Este é um título<h1>
<p>Este é um parágrafo que,
tanto visualmente quanto
semanticamente, terá menos
importância do que o título
acima.</p>
</body>
</html>
}
p {
font-size: 20px;
color: black;
}
Fonte: elaborado pelo autor.
Figura 2 - Resultado do código apresentado no texto
Fonte: elaborado pelo autor.
A partir do código apresentado, e da Figura 2, pode-se verificar que,
embora o HTML não seja um código parecido com a escrita textual,
não é um sistema de compreensão complexa, necessitando apenas de
prática para habituar-se a utilizar tal sistema de tags. Vamos explicar
alguns pontos que são relevantes para a compreensão do HTML. Tal
código possui seu conteúdo dividido em duas partes fundamentais.
A primeira é a área <head></head>, que serve como um cabeçalho
do documento e contém informações sobre ele (mas não é um
cabeçalho visual). Nesta área inserimos o título da página e metadados
do arquivo, os quais são úteis para mecanismos de busca, recursos
de acessibilidade, dentre outros. Repare que também há uma tag
<link>, que é utilizada para importar as informações do arquivo CSS.
A segunda é a área <body></body>, que é aonde vai todo o conteúdo
do site: textos, imagens, links, vídeos, tabelas e demais informações.
52
Tal estrutura segue os padrões mais recentes da linguagem HTML5
(CARDOSO, 2021).
Ainda em relação ao exemplo dado na Tabela 1, pode-se ver que o CSS
também segue uma estrutura simples, que indica uma propriedade e
um valor para esta propriedade dentro de colchetes (Cardoso, 2021). No
exemplo dado, “font-size: 40px; color: darkblue;” indica que o tamanho
da fonte para os elementos do tipo <h1> será de 40px e terão uma
cor azul. Da mesma forma, “font-size: 20px; color: black;” indica que
os elementos de parágrafo, ou seja, que estão entre <p> e </p>, terão
tamanho de 20px e cor preta. Em um arquivo HTML, todo texto que
esteja dentro das tags de parágrafo terá essas mesmas propriedades,
a não ser que haja alguma indicação específica para que siga outros
valores de cor ou tamanho de fonte.
A criação de sites traz possibilidades interessantes ao campo do design
editorial, principalmente pela facilidade de auto publicação de conteúdo.
Isso quer dizer que não é necessário que um texto passe por uma
equipe editorial ou de revisão, bastando publicá-lo em um site. Além
disso, temos vários formatos de leitura que possibilitam novas propostas
na área, como a criação de blogs, sites de notícias de diversos tamanhos,
sites de escrita colaborativa, entre outros.
Outro fator importante são os tipos de site existentes. Podemosclassificar sites de acordo com sua funcionalidade, função, periodicidade
do conteúdo e do seu propósito (Paz, 2021). Em relação à frequência
de atualizações, ou periodicidade, temos sites estáticos e dinâmicos.
No primeiro caso, podem ser citados os sites empresariais que focam
apenas em mostrar a presença da empresa na web, mas sem a
necessidade de atualizações constantes, ou sites pessoais que possuem
o mesmo propósito. Tais sites servem ao seu objetivo, porém se tornam
menos interessantes do que os dinâmicos.
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Nos sites dinâmicos, temos produtos que lidam com uma maior
atualização de informações, além de maior interação com o público.
Aqui, entram os blogs, fóruns, portais, mídias sociais, entre outros. Blogs
são sites que servem como diários, tendo como facilidade a postagem
de conteúdo de maneira cronológica. Podem ser mantidos por pessoas
ou por empresas (GABRIEL; KISO, 2020). Já os portais são um tipo de
site mais estruturado, que apresenta conteúdo de maneira vertical, ou
seja, diferentes conteúdos para diferentes públicos. A elaboração de
um portal é bem mais complexa do que sites simples, pois vai lidar com
a organização de uma grande quantidade de informação, o que traz
técnicas da área de arquitetura da informação para sua organização
(GABRIEL; KISO, 2020). Tal área lida com a organização e distribuição de
conteúdos de modo que sejam facilmente encontrados pelos usuários, a
partir de termos que façam sentido para sua busca.
Podemos abordar também os perfis em redes sociais, que são de
extrema importância para a divulgação de um produto e para manter
contato com o público, por meio de vários tipos de interação. Os perfis
são criados seguindo as limitações e o propósito que cada rede possui
(Gabriel; Kiso, 2020). Apesar disso, em especial na criação de postagens,
é sempre importante atentar ao uso de conceitos de composição visual
que estejam de acordo com a identidade visual do produto no qual
estamos trabalhando para o meio digital.
Por fim, um conceito fundamental de projetos para web é o de
responsividade. Trata-se da necessidade do site ser estruturado de
modo que seu conteúdo se adapte a variados tipos de tela e tamanhos
(paz, 2021). Conforme essas duas características, podem ocorrer ajustes
no layout, como a quantidade e a largura de colunas, a posição de
imagens, o tipo de menu, dentre outras possibilidades. Podemos citar
como exemplo um portal de notícias que ajusta e altera seu layout
quando exibido em um celular ou em um computador. Caso a tela tenha
mais de 600 pixels de largura, o portal exibirá sempre quatro colunas
que terão 25% da largura da tela cada. Caso a largura seja menor do que
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600 pixels, haverá apenas uma coluna. Podem ocorrer mudanças mais
bruscas na interface também, como o caso de menus que passam de
uma exposição direta na interface para um menu que só aparecerá caso
um botão no canto da tela seja clicado.
5. Usabilidade, UI e UX
Em qualquer projeto de design para meio digital, a usabilidade entra
como fator fundamental, junto aos princípios de UI e UX (Cardoso, 2021).
A usabilidade pode ser definida como a área de estudo que objetiva
criar produtos de uso simples, a partir de alguns pontos (NIELSEN,
1993): facilidade para se aprender a usar, eficiência na execução de
tarefas, possuir funções fáceis de lembrar, auxiliar o usuário a evitar
erros em seu uso e, por fim, ter um uso agradável, que traga satisfação
ao usuário. Considerando o contexto do design editorial, imagine um
portal de entretenimento cuja interface inicial não indique claramente
quais são as opções do menu, ou como navegar por entre os conteúdos.
Tal portal precisaria ser remodelado em sua interface. Tomemos
outro exemplo, de um livro digital cujo índice não possui hiperlink
para os capítulos, sendo necessário transcorrermos várias páginas até
chegarmos a um ponto específico da leitura. Tais exemplos mostram o
quanto a usabilidade é fundamental para que o público tenha um bom
uso de um produto editorial.
Junto à usabilidade, temos a UI, que é a área de design de interfaces
para usuários, ou user interface. Tal área lida com a construção
de interfaces para aplicativos, softwares e sites, de modo que os
conceitos de usabilidade sejam aplicados a partir da construção das
interfaces gráficas. Por fim, a UX lida com o design da experiência
do usuário, ou user experience. Enquanto a primeira área lida
diretamente com princípios gráficos, a segunda traz conceitos de
áreas diversas, como psicologia, interação humano-computador,
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design visual, entre outras (TEIXEIRA, 2014). Trazendo tais conceitos
para o campo editorial, uma interface bem planejada, e que traz uma
boa experiência, se torna fundamental para que o público consiga
navegar pelos conteúdos sem problemas.
A partir dos conceitos apresentados nesta unidade, foi possível ver que
o meio digital trouxe inúmeras possibilidades para o design editorial,
permitindo novas experiências para o público. Além disso, há outras
tendências tecnológicas em crescimento, como os jogos digitais e a
realidade aumentada, que podem trazer ainda mais formas de abordar
e interagir com os conteúdos, assim como os livros-aplicativos, voltados
ao público infantil (FLATSCHART, 2014). Dessa forma, é necessário
sempre acompanharmos o mercado tecnológico e pensar em maneiras
de utilizarmos os novos meios para a criação de um produto.
Referências
CALDWELL, C.; ZAPPATERRA, Y. Editorial Design: digital and print. Londres:
Laurence King Publishing Ltda, 2014.
CARDOSO, L. da C. Design digital. Curitiba: Intersaberes, 2021.
FLATSCHART, F. Livro Digital Etc. São Paulo: Brasport, 2014
FREITAS, M. F. de. Design de livro: do códice ao e-book. Curitiba: Intersaberes, 2022.
GABRIEL, M.; KISO, R. Marketing na era digital: conceitos, plataformas e
estratégias. São Paulo: Atlas, 2021.
NIELSEN, J. Usability engineering. Burlington: Morgan Kaufmann, 1993.
PAZ, M. Webdesign. Curitiba: Intersaberes, 2021.
TEIXEIRA, F. Introdução e boas práticas em Ux Design. São Paulo: Casa do Código, 2014.
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Apresentação da disciplina
Breve histórico e características do design editorial
Objetivos
1. Introdução ao design editorial
2. Breve evolução histórica
3. Grid
4. Particularidades de cada meio
Referências
Fundamentos Tipográficos
Objetivos
1. Introdução
2. Evolução histórica da tipografia
3. Propriedades tipográficas
4. Classificação de tipos
5. Famílias tipográficas
Referências
Propriedades do design editorial impresso
Objetivos
1. Introdução ao design editorial
2. Padrões de cor
3. Conceitos de resolução
4. Propriedades do papel
5. Tipos de impressão
6. Cortes, sangrias e margens
Referências
Propriedades do design editorial digital
Objetivos
1. Introdução ao meio digital
2. E-books
3. Revistas e jornais digitais
4. Sites para web
5. Usabilidade, UI e UX
Referências