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Brasília-DF. 
Ergonomia, ambiEntE E as DoEnças 
Do trabalho
Elaboração
Elisa Maria Amate
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 5
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 6
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 8
UNIDADE I
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR ................................................................................... 9
CAPÍTULO 1
UM POUCO DE HISTÓRIA... ....................................................................................................... 9
CAPÍTULO 2
MEDICINA DO TRABALHO, SAÚDE OCUPACIONAL E SAÚDE DO TRABALHADOR ........................ 18
CAPÍTULO 3
SAÚDE DO TRABALHADOR: O COLETIVO E O INDIVIDUAL......................................................... 27
CAPÍTULO 4
ANAMNESE OCUPACIONAL .................................................................................................... 36
CAPÍTULO 5
AGRAVOS À SAÚDE RELACIONADOS AO TRABALHO E AO AMBIENTE ....................................... 39
UNIDADE II
DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR ................................ 43
CAPÍTULO 1
POLÍTICAS PÚBLICAS EM SAÚDE DO TRABALHADOR ................................................................. 43
CAPÍTULO 2
SERVIÇOS ESPECIALIZADOS E PROGRAMAS DE SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHADOR ....... 49
UNIDADE III
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO .................................................................. 58
CAPÍTULO 1
DOENÇAS DO TRABALHO CAUSADAS POR FATORES DE RISCO FÍSICO, QUÍMICO E BIOLÓGICO, 
PSICOERGONÔMICO E MECÂNICO – ACIDENTES .................................................................. 58
CAPÍTULO 2
ACIDENTE COM EXPOSIÇÃO A MATERIAL BIOLÓGICO RELACIONADO AO TRABALHO ............. 61
CAPÍTULO 3
CÂNCER RELACIONADO AO TRABALHO (DECORRENTE DA EXPOSIÇÃO AO BENZENO) ........... 67
CAPÍTULO 4
DERMATOSES OCUPACIONAIS ................................................................................................ 72
CAPÍTULO 5
DISTÚRBIOS OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO (DORT) ................................. 76
CAPÍTULO 6
PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO (PAIR) RELACIONADA AO TRABALHO ............................ 81
CAPÍTULO 7
PNEUMOCONIOSES RELACIONADAS AO TRABALHO ............................................................... 85
CAPÍTULO 8
TRANSTORNOS MENTAIS RELACIONADOS AO TRABALHO ......................................................... 88
CAPÍTULO 9
TRABALHO INFANTIL ................................................................................................................ 97
UNIDADE IV
ERGONOMIA ...................................................................................................................................... 99
CAPÍTULO 1
ORIGENS E CARACTERÍSTICAS DA ERGONOMIA ..................................................................... 99
CAPÍTULO 2
CONTEXTO DE PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS (CPBS) ...................................................... 111
CAPÍTULO 3
ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO (AET) ........................................................................ 118
CAPÍTULO 4
NORMA REGULAMENTADORA 17 ......................................................................................... 125
PARA (NÃO) FINALIZAR ................................................................................................................... 130
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................ 131
5
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade 
dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos 
específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém 
ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a 
evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
6
Organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para 
aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos 
Cadernos de Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
7
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
8
Introdução
No cenário contemporâneo, as transformações ocorridas nos processos produtivos 
(precarização, informalidade, globalização etc.) implicam a necessidade de construção 
de conhecimento sobre agravos relacionados ao trabalho para além do estudo de suas 
manifestações clínicas. Essa construção será fomentada como categoria fundamental 
de reconhecimento da relação “causa e efeito”, resultante da interação da tríade 
ambiente-saúde-trabalho. O ponto de partida será a definição dos principais conceitos 
até o rol de agravos relacionados ao assunto em questão. 
O assunto não se esgota porque ele faz interface direta com as demais disciplinas do 
curso e o cotidiano de profissionais da área de Segurança e Saúde do Trabalhador, 
pública ou privada. 
Portanto, a disciplina contribui para a discussão dos entrecruzamentos dos campos do 
Ambiente, Saúde e Trabalho, por intermédio da compreensão dos aspectos conceituais 
e históricos. Assim, possibilita-se avaliar todas aquelas situações que ofereçam 
risco de acidentes e adoecimento associados aos processos produtivos, à avaliação 
de procedimentos utilizados na investigação das situações de risco, bem como as 
metodologias utilizadas na suaprevenção e controle. Dá-se ênfase às morbidades mais 
prevalentes. 
Objetivos
 » Aprofundar os aspectos conceituais e históricos do campo da Saúde 
Ambiental e do Trabalhador. 
 » Identificar as relações entre saúde, ambiente e trabalho, de maneira a 
estimular a prevenção de fatores de riscos que levariam à redução de 
NTEP. 
 » Identificar os principais sujeitos envolvidos nos procedimentos de 
investigação de situações de risco para a saúde do trabalhador. 
 » Analisar os procedimentos utilizados para a investigação de situações de 
risco, bem como as metodologias utilizadas em sua prevenção e controle.
 » Avaliar as situações de risco e dos acidentes e patologias associadas aos 
processos produtivos.
9
UNIDADE I
ASPECTOS GERAIS 
DA SAÚDE DO 
TRABALHADOR
CAPÍTULO 1
Um pouco de História...
Os acidentes e doenças relacionadas ao trabalho são antigos e a sua origem está 
vinculada ao surgimento do trabalho: ao longo de toda História, as condições do 
ambiente de trabalho têm causado incapacidades e mortes para um grande número de 
trabalhadores (MATTOS; MÁSCULO, 2011). Observe:
 » Na Antiguidade, essa associação foi encontrada em papiros antigos, 
no Império Babilônico e em escrituras greco-romanas. Nesse período, 
predominava o conceito de fenômenos de origem mágico-religiosa e, 
posteriormente, naturalista. 
 » No Egito, há registros de 2360 a.C., como o Papiro Seler II e o Anastasi 
V, sendo este último conhecido como “Sátira dos Ofícios”, de 1800 
a.C., no qual estão evidenciados problemas relativos à insalubridade, 
periculosidade e penosidade dos profissionais à época (MATTOS; 
MÁSCULO, 2011).
 » Em 1750 a.C., o código de Hamurabi trazia em seu bojo cerca de 281 artigos 
a respeito das relações de trabalho, família, propriedade e escravidão. Um 
deles, em especial, tratava da pena de morte ao arquiteto que projetasse 
uma casa que desmoronasse e causasse a morte de seus ocupantes.
 » As civilizações greco-romanas não tinham interesse em estudar o 
trabalho em si, uma vez que essa área era de competência dos escravos. 
Entretanto, houve estudos relevantes, como o tratado de Hipócrates, 
Sobre os Ares, Águas e Lugares, no século IV a.C., cujo conteúdo 
indicava ao médico a relação entre ambiente e saúde, bem como 
descreveu um quadro de intoxicação saturnina em um mineiro. No séc. 
I a.C., o naturalista romano Plínio escreve um tratado chamado História 
10
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
Natural, evidenciando o aspecto dos trabalhadores expostos a chumbo, 
mercúrio e poeiras (MATTOS; MÁSCULO, 2011).
 » No período entre o apogeu do Império Romano e o final da Idade Média, 
poucos relatos foram encontrados sobre doenças. Porém, nessa época, 
foram criadas ordens hospitalares para prestar atendimento a enfermos 
(MATTOS; MÁSCULO, 2011).
A sociedade feudal caracterizava-se pela produção de bens e serviços efetuados pelo 
trabalho servil e artesanal. Mas qual era a relação de servidão com o acúmulo de capital? 
Os camponeses não eram trabalhadores livres e não possuíam direito de propriedade 
ou de venda de sua força de trabalho em troca de salário, onde quer que estivessem. 
O senhor feudal e o clero exigiam os dízimos e impostos, pouco se importando 
com o estado de saúde de seus subalternos. A assistência ao doente ou inválido era 
arcada pela família, pois o trabalho e as doenças decorrentes disso não eram objetos 
de regulamentação e interferência do Estado (VASCONCELOS; OLIVEIRA, 2011). 
O artesão era capaz de realizar todas as tarefas do ofício, conhecendo o início e o fim 
do trabalho, não o distanciando de seu objeto de atuação, o que ocorrerá na Revolução 
Industrial. 
Após anos, apenas em 1473, Ulrich de Elsborg desenvolveu o estudo sobre 
vapores metálicos, em que há o descritivo de sinais e sintomas de envenenamento 
ocupacional por monóxido de carbono, chumbo, mercúrio e ácido nítrico, além de 
sugerir medidas preventivas (MATTOS; MÁSCULO, 2011).
Até o final do século XV, muitas pesquisas tratavam de doenças causadas por 
agentes químicos, como o estudo completo De Re Metallica (George Bauer ou 
Georgius Agricola, Inglaterra), que se compõe de: problemas relacionados às 
atividades de extração e fundição de prata e ouro; acidentes de trabalho; doenças 
comuns entre mineiros; e meios de prevenção (MATTOS; MÁSCULO, 2011).
Já no início do século XVIII, o mundo do trabalho sofreu grandes transformações 
com o surgimento de novos estudos pela Europa e, por conseguinte, com as grandes 
contribuições para a medicina do trabalho, como a obra De Morbis Artificum Diatriba, 
de Bernadino Ramazzini. Em seu estudo, o autor descreveu as doenças, os riscos e as 
precauções relacionados a 50 profissões da época. É considerado o pai da medicina do 
trabalho (MATTOS; MÁSCULO, 2011).
No final do XVIII e início do século XIX, ocorre na Europa a Revolução Industrial, 
inicialmente na Inglaterra, França e Alemanha, tendo como marcos a invenção da 
máquina a vapor por James Watts (1784) e a publicação polêmica de Adam Smith da 
11
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
obra Riqueza das nações (1776), apontando as vantagens econômicas na divisão do 
trabalho (MATTOS; MÁSCULO, 2011).
Nesse espectro, a forma de fabricação industrial caracterizou-se por: 
1. Divisão técnica do trabalho;
2. Uso intensivo de máquinas do dono da empresa; e
3. Uso de energia motriz capaz de movimentar um conjunto de máquinas. 
A operação das máquinas gerava uma divisão técnica do trabalho 
e as atividades passaram a ser parceladas, com tarefas divididas, 
exigindo movimentos de partes específicas do corpo do trabalhador 
(VASCONCELOS; OLIVEIRA, 2011).
Com o furor causado pela Revolução Industrial, houve grande aumento da 
produtividade e ampliação do consumo de bens pela sociedade em geral, necessitando 
de mais mão de obra para conduzir as máquinas. Para isso, foram empregadas 
mulheres, homens e crianças (a partir dos 6 anos), em condições de trabalho 
degradadas, como jornada de trabalho prolongada, ruído exacerbado, más condições 
de higiene no local de trabalho, somando-se a esses aspectos o elevado número de 
acidentes e adoecimentos (MATTOS; MÁSCULO, 2011).
A indústria capitalista demandou legiões de trabalhadores e trouxe consigo efeitos 
devastadores, como alta frequência de mortes, epidemias e mutilações, contudo, 
em função disso, várias leis começaram a ser editadas, principalmente na França e 
Inglaterra (VASCONCELOS; OLIVEIRA, 2011).
A situação só se modificou com os movimentos sociais de trabalhadores, que 
obrigaram legisladores e políticos a repensar o papel do Estado na regulação das 
condições de trabalho nas fábricas. Desta forma, em 1802, foi aprovada a Lei 
da Preservação da Saúde e da Moral dos Aprendizes e de Outros Empregados, 
constituindo-se, portanto, na primeira legislação de amparo e proteção aos 
trabalhadores. E aí foi feita uma comissão de inquérito do parlamento britânico, 
que estabelecia a jornada diária de trabalho de 12 horas, proibia o trabalho noturno 
e obrigava a ventilação e lavagem das paredes das fábricas pelos empregadores 
(MATTOS; MÁSCULO, 2011).
As ações dessa comissão parlamentar resultaram na primeira legislação no 
campo da saúde do trabalhador, a Factory Act (Lei das Fábricas), que, apoiada 
pela sociedade britânica, obrigou todos os empregadores a proibirem o trabalho 
noturno para menores de 18 anos e montarem escolas para menores de 13 anos. 
12
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
Além disso, a idade mínima para o trabalho passou a ser de 9, e não mais de 6 
anos, e o desenvolvimento físico do trabalhador menor deveria ser avaliado por 
um médico. No mesmo ano, a Lei Operária foi aprovada na Alemanha (MATTOS; 
MÁSCULO, 2011).
A Factory Act tomou por base o conselho de Baker, que foi um médico contratado 
por um industrial inglês, Robert Derham, em 1830, para estudar a melhor forma 
de preservar a saúde dos trabalhadores de sua fábrica. Após seu estudo, Baker 
sugeriu que Derhamcontratasse um médico que visitasse a fábrica diariamente 
e estudasse a influência do trabalho na saúde dos trabalhadores – aqui foi criado 
o ensaio do primeiro serviço médico industrial do mundo. Quatro anos depois, 
Baker foi nomeado inspetor médico do parlamento inglês. A criação da legislação 
ocupacional na Inglaterra contou também com a contribuição de Charles Turner 
Thackrah, em 1830, quando ele publicou um livro sobre doenças ocupacionais.
Quando os trabalhadores começaram a ser contratados massivamente pela via 
salarial, costumava-se pagá-los por produção, e as jornadas de trabalho eram muito 
mais longas do que as atuais – podiam atingir de 16 a 18 horas seguidas – e, comumente, 
eram empregadas crianças e mulheres para realizar tarefas árduas, fato gerador de duras 
críticas por parte das primeiras associações formadas por trabalhadores (primeiros 
sindicatos, por assim dizer). A partir daí, obteve-se a melhoria das condições de trabalho 
e o advento das primeiras leis no século XVIII, que se consolidariam especialmente 
no século XIX, em alguns países da Europa, como França e Inglaterra, e nos Estados 
Unidos da América (MATTOS; MÁSCULO, 2011).
No auge da Revolução Industrial, muitos artesãos habilitados foram contratados e 
mantiveram suas tradições e regras de ofício até a difusão da “organização científica do 
trabalho”, por Frederic Taylor, a partir do século XX. Dessas tradições e regras de ofício, 
partiram muitos marcos regulatórios que determinariam a organização do trabalho 
e cuidados aos riscos profissionais para a saúde do trabalhador (VASCONCELOS; 
OLIVEIRA, 2011).
A transição ocorreu com as profundas transformações provocadas pelo taylorismo 
e fordismo. O fordismo desencadeou a 2a Revolução Industrial quando Henry Ford 
estabeleceu, em sua montadora de carros nos Estados Unidos, o gerenciamento 
científico de Taylor, valorizando todas as formas de intensificação das tarefas e 
automação industrial (VASCONCELOS; OLIVEIRA, 2011), instituindo a produção 
em série e o consumo em massa. Aqui o trabalhador entra como uma equipagem 
merecedora de processos de análise seletiva na sua inserção na indústria. Nessa 
condição, a manutenção da sua saúde destina-se a evitar o absenteísmo por meio 
13
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
de práticas de medicina, psicologia, higiene industrial, com vias de não interferir na 
produtividade e no lucro. 
Leia o artigo “Fordismo, taylorismo e toyotismo: apontamentos sobre suas 
rupturas e continuidades”, de Érika Batista, disponível em nossa biblioteca 
virtual. 
A partir do século XX, algumas organizações criaram resoluções e convenções na 
tentativa de melhorar as condições de trabalho e atendimento à saúde em todos os 
países membros que tivessem aderido às referidas convenções. Estamos falando das 
organizações multigovernamentais tais como a ONU e suas afiliadas: OIT (Organização 
Internacional do Trabalho) e OMS (Organização Mundial da Saúde) (MATTOS; 
MÁSCULO, 2011).
Em 1979, foi retomado o movimento sindical no Brasil, e várias entidades tiveram 
acesso às informações das empresas, prontuários, laudos e exames médicos de 
trabalhadores para constituir dossiês e instigar a discussão das suas condições de 
vida e trabalho, divulgando essas informações na imprensa e estações de rádio e de 
televisão daquela época (MATTOS; MÁSCULO, 2011).
É importante ressaltar que esse movimento deu fruto a uma obra pioneira na 
integração das atividades sindicais com a pesquisa em saúde e área jurídica: “De 
que adoecem e morrem os trabalhadores”, organizado pelo médico Herval Ribeiro 
e Francisco Lacaz. Obras como essa foram fruto de pesquisas organizadas pelos 
sindicatos para melhoria de base técnica em defesa dos direitos dos trabalhadores 
(MATTOS; MÁSCULO, 2011).
Muitos sindicalistas conseguiram espaço com direito a voto nos processos de 
criação e retificação das normas regulamentadoras, bem como a participação 
nos embrionários Conselhos-Centros de Referência em Saúde do Trabalhador 
(MATTOS; MÁSCULO, 2011).
O movimento de redemocratização e a abertura cultural e política, aliados ao 
intercâmbio entre entidades ambientalistas, pesquisadores, sindicatos e outros 
intelectuais da época, resultaram na inserção de leis de proteção ao meio ambiente 
e saúde do trabalhador na Constituição Federal de 1988 e em legislações estaduais 
(MATTOS; MÁSCULO, 2011).
Essa pressão incisiva, fomentada pelos sindicatos sobre os parlamentares e 
Administração Pública, foi em sua maioria integrada por categorias de trabalhadores 
atreladas diretamente às atividades econômicas com dependência direta dos recursos 
14
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
naturais, das águas, compostos químicos, além de trabalhadores rurais, sem-terras 
e extrativistas (MATTOS; MÁSCULO, 2011). Ora, essas categorias possuíam a real 
dimensão dos impactos ambientais e da saúde dessas atividades econômicas... 
Você sabia que a implantação da NR 5 começou, de fato, nas plantas industriais 
químicas e refinarias de petróleo? Em 1990, multiplicaram-se casos de 
contaminação por exposição a compostos químicos, em que as doenças mais 
prevalentes apresentadas foram leucemia e outros tipos de cânceres. Na indústria 
química, trabalhadores e comunidade em volta desses complexos industriais são 
expostas à toxicidade variada dos insumos, produtos e subprodutos efluentes. 
Por isso, a preocupação da comunidade veio se somar ao foco ocupacional, e a 
noção de perigo foi cada vez mais agregada ao conhecimento dos sindicalistas 
sobre os riscos químicos para a saúde humana e ambiental. 
Os problemas de saúde ocupacional pioraram com a 2a Revolução Industrial, 
advinda pela descoberta da eletricidade e motor de explosão, culminando no 
surgimento de várias obras que tratavam da situação do mundo do trabalho naquela 
época, como o livro O Capital, de Karl Marx, que trata principalmente dos mecanismos 
de acumulação de capital pelos empregadores por meio da mais-valia, além de 
descrever a exploração da mão de obra na Inglaterra. Nesse período, a enfermeira 
italiana Florence Nightingale publicou, em 1861, “Notas sobre a enfermagem para as 
classes trabalhadoras”, tornando-se pioneira em sua área de atuação. 
Diante do quadro preocupante, muitos países do continente europeu aprovaram leis 
sobre a reparação de acidentes e doenças profissionais, como a Alemanha (1884), 
Inglaterra (1897), França (1898), Portugal (1913) e, no continente americano, os 
Estados Unidos (1911) (MATTOS; MÁSCULO, 2011).
Em 1900, foi criada a Internacional Association for Labour Legislation – embrião 
da OIT, que seria formalmente criada após 19 anos. As duas primeiras convenções 
internacionais sobre o trabalho, especificamente sobre trabalho noturno das mulheres 
e eliminação de fósforo branco da indústria de máquinas, foram originadas em 
conferências diplomáticas realizadas em Berna, na Suíça (1905). A medicina do trabalho 
foi reconhecida enquanto especialidade somente em 1954. 
Os movimentos mundiais pela conscientização do papel fundamental da saúde do 
trabalhador foram motivadores para o trabalho em conjunto da OIT e OMS de tal 
modo que, na década de 1950 do século passado, uma comissão conjunta foi formada 
para tratar da saúde ocupacional, na Suíça, e, desde essa época, o tema tem sido 
debatido em vários encontros da Conferência Internacional do Trabalho (MATTOS; 
MÁSCULO, 2011).
15
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
Na história brasileira colonial e imperial, a mão de obra escrava teve uma importância 
central no panorama econômico, perfazendo um total de 400 anos de trabalho escravo. 
Diferentemente do que imaginamos, naquela época, surgiu uma prática de medicina do 
trabalho dirigida aos escravos com um foco do que hoje seria a zootecnia ou medicina 
veterinária: o escravo era considerado mercadoria animal, cujo senhorio era proprietário 
de corpo físico, da liberdade e da prole do escravo por toda eternidade.
Considerandoa escravidão em larga escala nas Américas, o mercado de escravos 
organizou-se de maneira distinta do mercado de força de trabalho desenvolvido no modo 
capitalista industrial. A visibilidade da doença do trabalho se perdia em um mundo de 
extrema violência e crueldade, o que se configuraria em um massacre moral extremo e 
desastre epidêmico (VASCONCELOS; OLIVEIRA, 2011). Quando doentes, os escravos 
eram tratados por seu valor patrimonial, caso houvesse interesse do proprietário, caso 
não sobrevivesse, era substituído por outro hígido. 
Segundo Vasconcelos e Oliveira (2011), a medicina do trabalho no Brasil surge como 
aquela assistência à saúde dos escravos por meio de práticas de medicina veterinária 
aplicadas aos seres humanos em cativeiros. Algumas leis foram promulgadas para 
amenizar o sofrimento dos escravos durante o Império, culminando com a Lei Áurea, 
em 1888. 
Pouco se diferenciava as condições de trabalho no Brasil com aquelas encontradas 
na Europa, quando do advento da indústria em território nacional. Com aumento da 
atividade fabril, principalmente em São Paulo, os movimentos sociais pressionaram o 
Estado à criação de legislação trabalhista em 1917, ainda que rudimentar, e também uma 
lei sobre acidentes de trabalho em 1919. Aqui, a Revolução Industrial foi tardia, assim 
como em toda América Latina, lá pelos idos dos anos de 1930, tendo-se a promulgação 
da Consolidação das Leis do Trabalho (1943), por Getúlio Vargas, como marco principal 
do século XX (MATTOS; MÁSCULO, 2011).
A 8a Conferência Nacional de Saúde e seus desdobramentos na Assembleia Nacional 
Constituinte, bem como a criação do Sistema Único de Saúde, advieram dos ideais 
e bases teóricas fomentados pela Epidemiologia Social. Ela apresentou avanços 
tecnológicos importantes na América Latina, desde o final da década de 1970, 
tendo grande reflexo na saúde pública brasileira. 
A ênfase no processo de produção estimulou a expansão conceitual da “Saúde 
Ocupacional” para “Saúde dos Trabalhadores”, paralela à implantação de políticas 
de saúde coerentes com esse novo marco. Em paralelo, a pauta da saúde ambiental 
ganhava espaço nas esferas políticas do mundo inteiro. Após a Rio 92, no Brasil, o 
campo da saúde ambiental teve uma abertura maior não apenas ao debate específico 
16
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
sobre o saneamento básico e as doenças infectocontagiosas, mas também ao enfoque 
de problemáticas a respeito de agrotóxicos, metais pesados, contaminação das águas 
para consumo humano, ambiente urbano, além de outros. Isso representaria os 
primeiros passos para o delineamento de uma política de saúde ambiental consistente 
(RIGOTTO, 2003).
Do ponto de vista institucional, as questões ambientais, tradicionalmente relacionadas 
à saúde no Brasil – numa preocupação quase que exclusiva de instituições voltadas ao 
saneamento básico (água, esgoto, lixo etc.) –, estiveram, durante muitos anos, pautadas 
nas propostas do Governo e atreladas aos diversos campos internos do aparelho de 
Estado, notadamente em alguns ministérios, como o da Saúde e do Interior, secretarias 
estaduais e municipais, além de algumas Universidades. A partir da década de 1970, 
com a piora dos problemas ambientais gerados pelo crescimento industrial, novas 
instituições surgiram ou foram criadas, como a Companhia Estadual de Tecnologia 
em Saneamento Ambiental (CETESB) e a Fundação Estadual de Engenharia do Meio 
Ambiente (FEEMA). Essas instituições contribuíram para o desenvolvimento de ações de 
monitoramento e controle da poluição ambiental, sem sequer ter ligação com o sistema 
de saúde. Em outra via, a elaboração de novas teorias e abordagens que renovavam esse 
aporte institucional estava latente no mundo acadêmico – estando majoritariamente 
associado a outras organizações civis no bojo da luta pela redemocratização do país 
(TAMBELINNI; CÂMARA, 1998). 
Com o crescimento da saúde do trabalhador, a partir do final da década de 1970, e 
durante toda a década de 1980, ficou explícito o elo existente entre essas questões e 
o sistema de saúde, abrindo o caminho para a incorporação de uma saúde ambiental 
moderna no setor. O período anterior à realização da Conferência das Nações Unidas 
sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), em 1992, no Rio de Janeiro, 
também corroborou para aumentar as preocupações com os problemas de saúde 
relacionados ao ambiente. Além disso, esse período pode ser caracterizado pelo 
crescimento dos movimentos ecológicos – ONGs e outras formas organizadas de luta 
da sociedade civil pela preservação do ambiente e da saúde –, que ganharam dia após 
dia mais publicidade. Esse desenrolar de fatos históricos concatenados demonstra e 
explicita o convencimento do meio político e social a respeito da importância da questão 
ambiental em seus desdobramentos para a saúde humana, atingindo todo o planeta 
também (TAMBELINNI; CÂMARA, 1998). 
O SUS resulta de movimentos inusitados na área de saúde do trabalhador: influencia 
a organização da saúde do trabalhador na rede pública como direito universal e dever 
do Estado, incorpora princípios institucionais nas legislações estaduais, introduz o 
conceito ampliado de saúde do trabalhador – diferente dos conceitos reducionistas 
17
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
de medicina do trabalho e saúde ocupacional –, e vislumbra a saúde como elemento 
central na proteção dos trabalhadores diante das imposições econômicas e sociais dos 
processos de trabalho historicamente arraigados (VASCONCELOS; OLIVEIRA, 2011).
Falaremos detidamente sobre esse assunto nos próximos capítulos, quando 
da evolução das políticas de Saúde no Trabalho (ST) no SUS até a atualidade, 
partindo da década de 1980.
18
CAPÍTULO 2
Medicina do trabalho, saúde 
ocupacional e saúde do trabalhador
A medicina do trabalho está pautada principalmente na presença de um serviço 
médico dentro das empresas, para monitorar a saúde dos trabalhadores, modelo 
ainda muito próximo à sua origem na Revolução Industrial (vide história de Baker). 
Mendes e Dias (1991) descrevem, além dessas, outras características típicas da 
especialidade em questão: é-lhe atribuída a tarefa de cuidar da “adaptação física e 
mental dos trabalhadores”, supostamente contribuindo na colocação deles em lugares 
ou tarefas correspondentes às aptidões. Essa adaptação estaria mais limitada à seleção 
de candidatos mais sadios e à adequação dos trabalhadores às suas atividades, e não o 
inverso. É atribuída a essa tarefa “a contribuição à manutenção do nível mais elevado 
possível do bem-estar biopsicossocial dos trabalhadores”, conferindo-lhe ainda um 
caráter de plenitude e inerente à própria concepção positivista da prática médica. 
No campo das ciências da administração, a medicina do trabalho vai sustentar o 
desenvolvimento da “Administração Científica do Trabalho”, em que os princípios de 
Taylor, ampliados por Ford, encontraram uma aliada para aumentar produtividade nas 
empresas (MENDES; DIAS, 1991).
Entretanto, essa onipotência começa a dar espaço a uma nova abordagem de relação 
saúde versus trabalho, denominada saúde ocupacional, que visava à adequação à nova 
realidade resultante das inovações tecnológicas introduzidas após a Segunda Guerra 
Mundial (MATTOS; MÁSCULO, 2011). Assim, o contexto econômico e político – como 
o pós-guerra, o custo provocado pela perda de vidas e as doenças do trabalho – começou 
a ser também sentido pelos empregadores e pelas companhias de seguro, às voltas 
com o pagamento de pesadas indenizações por incapacidade provocada pelo trabalho 
(MENDES; DIAS, 1991).
Uma vez que o modelo positivista centrado na figura do médico não respondia às 
inovações tecnológicas e da sociedade, repensou-se a metodologia que aliasse médicos 
e engenheiros para higienizar os ambientes insalubres, ou seja, o que antes tinha como 
centro das atenções o trabalhador, agora extrapola para o ambiente em volta. Eis que 
surge a saúde ocupacional.19
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
Entretanto, nas escolas de saúde pública dos Estados Unidos, o desenvolvimento 
do novo modelo proposto não promoveu a multidisciplinariedade na íntegra, 
acompanhado de certa desqualificação do aspecto epidemiológico do trabalho 
(MENDES; DIAS, 1991). 
Para Mattos e Másculo (2011), essa abordagem é tecnicista, valoriza os ambientes de 
trabalho e agentes ambientais com atenção à saúde do trabalhador sadio, quantifica 
os riscos ambientais e despreza a análise dos processos de trabalho e organização da 
produção com o contexto social. O trabalhador permanece como objeto de análise – 
para melhor produtividade – e não como sujeito ativo de transformação do seu meio. 
A partir do final dos anos 1960, começam as críticas à concepção de saúde e à denúncia 
dos efeitos negativos da medicalização e do caráter ideológico e reprodutor das 
instituições médicas. Nesse intenso processo social de discussões teóricas e de práticas 
alternativas, ganha corpo a teoria da determinação social do processo saúde-doença 
(MENDES; DIAS, 1991). O modelo operário italiano contribuiu para as mudanças na 
relação saúde versus trabalho, por meio do Estatuto dos Direitos dos Trabalhadores 
(1970), em que foram incorporadas as reivindicações dos trabalhadores ao corpo da lei. 
Dessa forma, surge um novo conceito de trabalho versus saúde, enquanto modelo 
participativo, em que: 
1. O trabalhador é sujeito de transformações do ambiente de trabalho; 
2. A epidemiologia estuda as questões sanitárias da massa de trabalhadores 
e não do indivíduo; e
3. O indivíduo agora é considerado ser holístico, traduzindo esse 
modelo quanto ao cuidado biopsicossocial, levando-se em conta os 
macrocondicionantes externos ao trabalho nos determinantes em saúde 
para o desenvolvimento de doenças e agravos relacionados ao trabalho 
(MATTOS; MÁSCULO, 2011; ANAMT, 2014). 
As ações vinculadas à relação saúde e trabalho são resultados de diferentes conceitos e 
práticas de diversas correntes que tentaram, ao longo de anos, trazer a hegemonia do 
conceito (conhecimento) para si. Esse modelo de análise nos permite conceber alguns 
conceitos de áreas específicas no campo da saúde e das normas (jurídico) segundo a 
sua abordagem em relação ao processo de trabalho, reflentindo-se em algumas áreas 
específicas, como a medicina do trabalho, saúde ocupacional e saúde do trabalhador 
(MATTOS; MÁSCULO, 2011).
20
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
A relação saúde, ambiente e trabalho
O homem é ao mesmo tempo criatura e criador do meio ambiente, que 
lhe dá sustento físico e lhe oferece a oportunidade de desenvolver-se 
intelectual, moral, social e espiritualmente (...) Natural ou criado pelo 
homem o meio ambiente é essencial para o bem-estar e para o gozo 
dos direitos humanos fundamentais, até mesmo o direito à própria vida 
(ONU, 1972).
Quaisquer ações do homem têm impacto sobre a natureza, sejam positivas ou 
negativas: a sua criticidade, determinada pela intensidade e a natureza do impacto, é 
equivalente à organização social e às atividades econômicas desenvolvidas pelo homem. 
Dentre alguns problemas apresentados por essa relação entre o homem e a natureza, 
ressaltam-se os ambientais, que incidem sobre a saúde. Em meados do século XIX, 
o intenso processo de industrialização e urbanização acelerou os efeitos do meio 
ambiente na saúde humana, acometendo as condições de vida e trabalho das populações 
(RADICHI; LEMOS, 2009).
É pacificado o entendimento dos cientistas e estudiosos do assunto acerca da 
existência de uma crise generalizada e profunda, insistentemente denominada 
por alguns deles como “crise da modernidade”. Um dos aspectos evidentes dessa 
crise diz respeito à questão ambiental. Depois de longa trajetória de crescimento, 
marcada pela infinita capacidade do desenvolvimento tecnológico em dar resposta 
aos problemas externos produzidos pelos processos produtivos, no início dos anos 
1970 do século passado, a economia contemporânea tem seus padrões de produção 
e consumo questionados (RADICHI; LEMOS, 2009).
Os problemas ambientais são decorrentes tanto da modernidade expansiva quanto do 
atraso e da pobreza: países pobres e ricos, ambientes aquáticos e terrestres, a atmosfera 
e as aglomerações urbanas, todos vivem as consequências (impactos) dos modos de 
produção e reprodução material criados pela e na modernidade.
Esses impactos ambientais gerados sobre a saúde humana podem se manifestar sob 
a forma de eventos agudos de grandes proporções, como os acidentes industriais 
ampliados – Seveso, Chernobyl, Bhopal, entre outros –, bem como o adoecimento 
em doses homeopáticas traduzido em mortes, cânceres, malformações congênitas e 
intoxicações crônicas geradas por contaminações ambientais devido à prolongada 
exposição a doses variadas de diferentes poluentes.
Desigualdades entre povos, países ou até mesmo regiões fazem com que muitos 
problemas ambientais atinjam populações mais pobres e marginalizadas pelo processo 
21
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
de desenvolvimento de forma diferenciada. Riscos ambientais modernos atingem com 
mais gravidade os “excluídos”, como aquelas pessoas que moram em áreas de risco 
como encostas, áreas de enchentes ou de poluição.
Os processos que mais consomem recursos naturais e os mais geradores de poluentes 
se caracterizam por processos de trabalho muito insalubres e perigosos e tenderiam a 
se localizar naqueles locais que apresentam legislações ambientais e trabalhistas mais 
flexíveis, onde a população (trabalhadores) esteja mais suscetível a aceitar precárias 
condições de vida e trabalho, bem como onde a desinformação é o canal mantenedor de 
injustiças ambientais (RIGOTTO, 2003).
Em nível de industrialização, essa desigualdade é traduzida enquanto “perigos 
tradicionais” como, por exemplo, a contaminação dos alimentos por organismos 
patógenos, a falta de acesso à água potável, saneamento básico deficitário em 
moradias e na comunidade pobres etc. Jáos “perigos modernos estão relacionados ao 
desenvolvimento rápido e ao consumo insustentável dos recursos naturais” (RIGOTTO, 
2003), que não levam em conta a proteção a saúde e o meio ambiente . 
Esses “perigos modernos” são oriundos de processos produtivos – particularmente os 
de natureza industrial –, nos moldes do padrão de consumo que o modo de produção 
capitalista impõe à sociedade bem como na indução da utilização de mão de obra 
das aglomerações urbanas, de forma a atender às necessidades de força de trabalho 
e infraestrutura. Seriam os perigos modernos a seguir: contaminação da água pelos 
núcleos de população, indústria e agricultura intensiva; contaminação do ar urbano 
pelas emissões de motores de veículos, centrais energéticas e indústria; acumulação de 
resíduos sólidos e perigosos etc. (RIGOTTO, 2003).
Para saber mais sobre injustiça ambiental e o mapa de conflitos atuais no Brasil, 
acesse o link a seguir. Disponível em: <http://www.conflitoambiental.icict.
fiocruz.br/>.
A alteração dos elementos do sistema cria desequilíbrio e, ao tender para o equilíbrio, 
pode significar benefício ou não para os seres humanos e/ou biológicos.
Segundo Rigotto (2003), reconhecer que este tema é complexo e demanda práticas 
inter e transdisciplinares de produção de conhecimento torna-se essencial à 
superação dos reducionismos por meio de uma ciência mais dirigida à identificação 
dos problemas e reconhecimento dos seus limites. Legitimando esse entendimento da 
autora, no mesmo sentido, as políticas intersetoriais e participativas devem ter ciência 
dessa dimensão complexa dos problemas ambientais. Reitera-se a necessidade de 
22
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
redelineamento e reorientação da função do setor de saúde diante do tema “ambiente”, 
na elaboração de um modelo mais amplo, fundamentado na promoção da saúde e na 
perspectiva ampliada de vigilância ema saúde – superando o modelo hegemônicoassistencial-sanitarista vigente (RADICCHI; LEMOS, 2009).
Segundo Rigotto (2003), um indivíduo é considerado exposto a um fator de risco 
quando existem vias de ingresso do fator ao organismo (inalação, ingestão, contato 
dérmico etc.). Nas situações de exposição a algum poluente, é estritamente necessário 
o conhecimento a respeito de: 
 » Toxicologia do contaminante, características como a capacidade de 
transformação, tempo de atividade no ambiente e vias ingresso no 
organismo, por exemplo; 
 » Grupo de pessoas exposto a esse poluente;
 » Local de exposição ao risco e fonte do mesmo; e
 » Tempo , intensidade e frequência de exposição das pessoas ao risco. 
Para a saúde ambiental, as evidências maiores são representadas pelos acidentes, 
doenças e outros agravos causados por condições do ambiente. Contudo, quanto às 
doenças e aos agravos, é complexo definir qual fator ambiental adverso interferiu 
diretamente na saúde de uma pessoa exposta. Esse fator deveria ser estudado. Essa 
situação é agravada quando a sintomatologia apresentada pelo exposto é inespecífica, 
podendo o quadro clínico ficar inalterado muito tempo após a fase inicial da exposição. 
Essa peculiaridade na saúde ambiental é latente nos estudos epidemiológicos, em que 
é comum a existência de casos suspeitos, que posteriormente podem ser confirmados 
ou não. Por isso a importância da vigilância em saúde e da valorização desses sinais 
e sintomas precoces dos agravos nos estudos epidemiológicos, uma vez que as ações 
de saúde nessa fase são mais efetivas e podem evitar o desenvolvimento completo do 
agravo (RADICCHI; LEMOS, 2009).
Nos anos 1990, a Organização Mundial da Saúde desenvolveu um “marco causa-efeito 
para a saúde e o ambiente”, voltado para a elaboração de indicadores de sustentabilidade 
ambiental pela Comissão de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e pela 
Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE). No campo 
das relações saúde-ambiente, Briggs, Corvalán e Nurminen, em 1996, construiram um 
amplo arcabouço de indicadores de saúde ambiental, incluindo temáticas afetas ao 
contexto sociodemográfico, às condições de saneamento básico, aos fatores de riscos 
23
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
ocupacionais, à segurança alimentar, à poluição do ar, entre outras, relacionado 
abaixo (RIGOTTO, 2003): 
 » Forças motrizes: são responsáveis pela criação das condições que 
podem desenvolver ou evitar distintas ameaças ambientais para a saúde. 
Estão assentadas nas políticas que estabelecem as linhas mestras do 
desenvolvimento econômico, tecnológico, dos padrões de consumo e do 
crescimento da população. São elas: população, urbanização, pobreza 
e desigualdade, avanços técnicos e científicos, pautas de produção e 
consumo, desenvolvimento econômico. Elas exercem... 
 » Pressões sobre o meio ambiente, como a superexploração, contaminação 
e desigualdade na distribuição da água; a urbanização; a disputa pela 
terra, a degradação do solo e as mudanças ambientais decorrentes do 
desenvolvimento agrícola; a industrialização que, embora traga melhores 
perspectivas, tem consequências desfavoráveis, como as emissões, os 
resíduos, a utilização de recursos naturais, os acidentes industriais 
maiores; a energia, em que o uso doméstico de biomassa e carvão 
ameaça a qualidade do ar em ambientes fechados; as centrais térmicas, 
as indústrias e os meios de transporte que usam combustíveis fósseis e 
contaminam o ambiente; e as hidrelétricas que provocam deslocamento 
de populações e causam mudanças ecológicas; além da energia nuclear. 
Essas pressões podem produzir mudanças no... 
 » Estado do meio ambiente, alterando a qualidade do ar ambiental urbano, 
contaminando o ar das moradias; expondo-o a radiações ionizantes; 
gerando resíduos domésticos; contaminando ou promovendo acesso 
desigual à água, ou facilitando a transmissão de doenças transmitidas por 
vetores relacionados à água; contaminando biológica ou quimicamente 
os alimentos; degradando o solo; trazendo problemas relacionados à 
habitação – escassez, confinamento, qualidade dos materiais; acidentes e 
lesões; trazendo exposições nos locais de trabalho e, finalmente, gerando 
mudanças ambientais de impacto global, como as mudanças climáticas, 
o esgotamento da camada de ozônio, a contaminação atmosférica 
transfronteiriça e o movimento dos resíduos perigosos; além do problema 
das exposições combinadas procedentes de distintas fontes. Para que esse 
estado alterado do ambiente exerça algum efeito sobre a saúde humana, 
entre outros fatores, tem que haver a... 
 » Exposição, enquanto interação entre o ser humano e o perigo ambiental. 
Dessa exposição vão resultar... 
24
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
 » Efeitos sobre a saúde, que variarão em intensidade, magnitude e tipo 
de acordo com a natureza do perigo, nível de exposição e número de 
afetados. Eles atuam junto com os fatores genéticos, a nutrição, os riscos 
ligados ao estilo de vida e outros fatores para provocar a doença. São eles: 
as infecções respiratórias agudas, as doenças diarreicas, as preveníveis 
por vacinação, as doenças tropicais transmitidas por vetores e as doenças 
emergentes, os acidentes e intoxicações – ocupacionais ou não –; as 
alterações de saúde mental relacionadas aos fatores físicos, químicos 
e psicossociais; as doenças cardiovasculares; o câncer – de origem 
ocupacional, por agentes infecciosos, por contaminantes do ar, da água 
ou dos alimentos, das radiações ionizantes e não ionizantes, ou dos fumos 
de tabaco –; as doenças respiratórias crônicas, alergias e problemas de 
saúde da reprodução (RIGOTTO, 2003).
Instrumentos para o estudo das relações 
produção-trabalho-ambiente-saúde – roteiro 
para estudo dos processos de trabalho em sua 
relação com o ambiente interno e externo às 
atividades produtivas
Ao longo desta unidade, verificou-se a intrínseca relação entre a saúde, ambiente e 
trabalho. A construção histórica de conceitos cruciais se desvelou em processos humanos 
impactantes no meio ambiente, bem como os efeitos desses processos na saúde humana, 
constituindo-se enquanto ciclo. Assim, não há que se falar de saúde do trabalhador sem 
vinculá-la à saúde ambiental e vice-versa. Mas como se poderia analisar os processos 
de trabalho, considerando o ambiente externo à fábrica? Para facilitar essa análise, 
Rigotto (2003) elaborou um estudo de processos de trabalho e sua relação com o meio 
ambiente, abrangendo os ambientes internos e externos às atividades produtivas. Este 
roteiro a seguir foi adaptado segundo diretrizes estabelecidas pela autora. 
a. Identificação da empresa: razão social, localização, ramo de 
atividades.
b. Instalação da empresa: área física, tipo de construção, ventilação 
e iluminação. Condições de conforto e higiene (refeitórios, instalações 
sanitárias e fornecimento de água potável, vestiário, transporte dentro 
da empresa).
c. Aspectos históricos da organização da empresa: origens da 
empresa e do capital, evolução, procedência, unidades, produção e 
mercado consumidor, matérias-primas, subprodutos e produtos finais.
25
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
d. Etapas do processo produtivo (fluxograma): descrever cada uma 
das etapas do processo de produção, materiais utilizados, ferramentas, 
máquinas, processos auxiliares ou paralelos bem como produtos finais, 
resíduos e subprodutos. 
e. Trabalhadores e relações de trabalho: procedência, distribuição 
por sexo, idade e etnia, escolaridade, treinamento para a função, critérios 
para seleção, formas de contrato de trabalho, remuneração, benefícios e 
jornada de trabalho.
f. Organização do trabalho: percepção do trabalhador sobre seu 
trabalho, grau de satisfação, mecanismos de controle do ritmo e da 
produção. Jornada diária, salário, pausas, horas extras, férias, contrato 
de trabalho, relacionamento com colegas e chefias. 
g. Condições ambientais de trabalho eatenção à saúde: riscos 
químicos, físicos, biológicos, ergonômicos, de acidentes; natureza, dose, 
fontes, momentos críticos; medidas de proteção individual e coletiva 
com adequação, manutenção, eficácia, uso efetivo de equipamentos ou 
remodelagem de processos; política de assistência médica, ações de 
segurança e saúde no trabalho; dados epidemiológicos sobre doenças e 
acidentes.
h. Relação com o meio ambiente: área: recursos físicos e espaço 
ocupado. Fonte e consumo de água, consumo de energia elétrica e 
de combustíveis. Poluentes da água: vazamentos de tanques, dutos, 
canalizações, válvulas, bacias, valas e canaletas; borras e lamas; efluentes 
líquidos; descarte de fluidos, saídas líquidas das estações de tratamento 
de esgotos e de despejos industriais (dimensionamento e adequação do 
tratamento). Poluentes do ar: produtos da combustão, gases combustíveis 
residuais, emanações de substâncias químicas (formas de captação 
e tratamento). Poluentes do solo: resíduos sólidos, aparas e sucatas, 
borras, cinzas e poeiras coletadas, embalagens utilizadas (tratamento 
e destinação). Geração de ruído. Transporte de matérias-primas e de 
produtos finais: eixos. Coletividades humanas concernidas: vizinhos e 
transeuntes.
a. Relações institucionais: com o município, o estado, os órgãos 
fiscalizadores do trabalho e do ambiente.
26
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
 » Ao final deste capítulo o aluno conseguirá definir:
 » A evolução histórica da saúde do trabalhador no mundo e Brasil;
 » A relação entre ambiente, saúde e trabalho; e
 » A análise preliminar dos processos produtivos e seus efeitos no 
ambiente.
27
CAPÍTULO 3
Saúde do trabalhador: o coletivo e o 
individual
Aspectos epidemiológicos em saúde do 
trabalhador 
A epidemiologia, como área moderna do conhecimento científico, foi fundamental para 
a elaboração de questões que permitiram a incorporação da relação ambiente-saúde, 
em termos atuais, no campo da saúde coletiva. Com a introdução das ciências sociais no 
campo da epidemiologia, o estudo com foco no indivíduo passou a ser na coletividade, 
possibilitando o debate com as categorias “população” ou “grupos populacionais” 
tradicionalmente adotadas pela epidemiologia (TAMBELINNI; CÂMARA, 1998).
Rigotto (2003) aborda que todo o perfil de adoecimento e morte de uma população 
poderia ser interpretado no contexto da relação sociedade-natureza, em que doença 
é sinal de alteração do equilíbrio homem-ambiente, produzida por transformações 
produtivas, territoriais, demográficas e culturais. E, segundo Tambelinni e Câmara 
(1998), a intromissão do homem nas coisas da natureza, ou por ela conservadas – 
ecossistemas –, cria condições de aparecimento e difusão de doenças causadas por 
agentes etiológicos biológicos, o que determinaria os fatores condicionantes de agravos e, 
consequentemente, de epidemias. 
Cada indivíduo tem uma resposta à exposição ambiental, que varia de acordo com a 
sua suscetibilidade condicionada por fatores relacionados à idade, estado nutricional, 
predisposição genética, estado geral de saúde, comportamento e estilo de vida, entre 
outros. Há o fator de que algumas doenças podem ter longo tempo de latência para se 
manifestar, a exemplo da silicose, que tem um percurso insidioso e prolongado.
O conhecimento das condições patológicas mais comumente observadas numa 
população é de grande relevância e interesse para gestores públicos e profissionais 
que atuam na promoção, prevenção e assistência em saúde. Os levantamentos 
epidemiológicos e o processamento de dados advindos de arquivos e sistemas de 
informação devem servir de base para o correto planejamento e elaboração de medidas 
de saúde contextualizadas às reais necessidades da população assistida. Nesse contexto, 
a epidemiologia ganha destaque como ferramenta útil e indispensável. 
28
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
A definição de exposição humana e de populações expostas é crucial para identificação 
das situações de risco (RADICCHI; LEMOS, 2009) e, principalmente, para orientar 
as ações de saúde relativas à gestão SST, definir o perfil de saúde e adoecimento dos 
trabalhadores, elaborar indicadores e estatísticas de saúde e acidentes de trabalho, 
entre outras. Para tanto, o conhecimento de epidemiologia é crucial para o devido 
acompanhamento dos trabalhadores, delineando-se estudos com metodologias 
adequadas a resultados palpáveis. 
Uma forte aliada da epidemiologia, como ferramenta de análise da associação do 
fator de risco ao agravo do trabalho, é a estatística. Ela é importante ferramenta 
para constatar a associação de variáveis de causa e efeito e, por conseguinte, a 
relação causal.
Os estudos epidemiológicos devem valorizar os sinais e sintomas precoces dos 
agravos, uma vez que as ações de saúde nessa fase são mais efetivas e podem evitar 
o desenvolvimento completo do agravo. Há muitas incertezas em estimar tanto as 
exposições como os efeitos e suas relações (RIGOTTO, 2003). Por outro lado, a reação 
adversa a um contaminante pode assumir várias formas que afloram, desde sinais 
mais simples como um desconforto físico ou psicológico, passando por alterações 
fisiológicas de difícil interpretação, doenças clínicas de intensidade variável, até a morte 
(RADICCHI; LEMOS, 2009). 
Segundo Rigotto (2003), algumas patologias podem ter largo tempo de latência para 
se manifestar. Não obstante os avanços na produção de conhecimento nas últimas 
décadas, principalmente no campo da epidemiologia, ainda tem-se muita incerteza 
no bojo das relações saúde-doença-ambiente, especialmente quando se é incisivo no 
estabelecimento das correlações ou na medição de impactos das condições do ambiente 
sobre a saúde.
Contudo, a sociedade em si – muito marcada pelo positivismo – sempre demandará 
evidências, valores, medições, avaliações quantitativas, em suma, números para 
justificar mudanças de prioridades ou do modo de agir, permitindo o monitoramento 
de níveis de poluição, estabelecer prioridades de acordo com os recursos disponíveis e 
com a relação custo-benefício de algumas ações (RIGOTTO, 2003). 
A consciência da importância da relação do trabalho com a saúde da população 
trabalhadora e não trabalhadora cresceu à medida que os profissionais da área de saúde 
do trabalhador e afins detiveram o conhecimento das tecnologias e metodologias para 
a avaliação e controle dos riscos originados a partir dos ambientes de trabalho. Essa 
é outra das razões que levou grupos de instituições de pesquisa e ensino a definirem 
29
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
seu campo de atuação de forma mais abrangente, sob a denominação de “Trabalho, 
Ambiente e Saúde”. Esse motivo vem fortalecendo o desenvolvimento de uma área 
técnica de intervenção nos serviços públicos sob a denominação de Saúde Ambiental 
dentro do Ministério da Saúde e de outras instituições de pesquisa, como a Fiocruz 
(TAMBELINNI; CÂMARA, 1998).
De forma a atender às demandas da sociedade, supracitadas, enquanto alternativa 
viável e tangente ao conhecimento e à detecção de qualquer mudança nos fatores 
determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde 
humana, veio a proposta do Sistema Nacional de Vigilância Ambiental em Saúde. Além 
da definição do escopo de atuação desse sistema, ele tem a finalidade de identificar 
as medidas de prevenção e controle dos fatores de risco ambientais relacionados às 
doenças ou a outros agravos (CÂMARA, 2005).
Vigilância em saúde 
A este respeito, acompanhe o seguinte trecho da revista Ciência e Saúde Coletiva:
O termo Vigilância tem sua origem nas ações de isolamento e quarentena 
no pós II Guerra Mundial, especialmente nos Estados Unidos da 
América (EUA) do período da Guerra Fria, o conceito de Vigilância 
esteve associado à ideia de “inteligência”, em razão dos riscos de guerra 
química e ou biológica. Nos EUA, a vigilância evoluiu, passando a 
significara ação coordenada para controle de doenças na população, 
constituída de monitoramento, avaliação, pesquisa e intervenção. 
No Brasil, até a década de 1950 do século passado, o conceito de 
Vigilância era compreendido como o conjunto de ações de observação 
sistemática sobre as doenças na comunidade, voltadas para medidas de 
controle. Somente a partir da década de 1960, essas ações ganham uma 
estruturação de programa, incorporando as medidas de intervenção. 
Desde então, essas ações foram estendidas ao controle da produção, 
do consumo de produtos e da fiscalização de serviços de saúde, sob a 
denominação de Vigilância Sanitária. 
As ações de controle sobre o meio ambiente relacionadas à saúde 
– como a vigilância da qualidade da água para o consumo humano 
– embora restritas, estiveram, até o final da década de 1990, 
subordinadas à Vigilância Sanitária. As ações de vigilância foram 
agrupadas em Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária, ambas 
30
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
com praticamente os mesmos objetivos: prevenir e controlar os riscos 
e agravos à saúde.
Foi apenas na década de 1980 que “a vigilância passou a ser apresentada 
mais claramente sob o ponto de vista de articulação com outras ações 
de saúde”. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados 
Unidos (CDC), por exemplo, definiram esse novo sistema onde “as 
ações referentes aos dados coletados (coleta, análise e interpretação) 
se articulam à informação periódica como instrumento da prevenção”, 
o que implica uma ação de controle sobre os riscos ambientais para a 
saúde. 
Também no Brasil, somente em meados da década de 1980 é que são 
promovidas iniciativas para se instituir, no âmbito do setor Saúde, 
ações de Vigilância da Saúde do Trabalhador e do Meio Ambiente, 
de acordo com a Constituição de 1988 e a Lei Orgânica de Saúde de 
1990. Mas é a partir do ano 2000 que o Ministério da Saúde formula 
a denominada Vigilância Ambiental, onde “a vigilância ambiental em 
saúde se configura como um conjunto de ações que proporcionam 
o conhecimento e a detecção de qualquer mudança nos fatores 
determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na 
saúde humana, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas 
de prevenção e controle dos fatores de riscos e das doenças ou agravos 
relacionados à variável ambiental”. 
No novo enfoque a necessidade de monitorar o ambiente é decorrente 
do reconhecimento de que ele não é dado, mas está em permanente 
construção e transformação pela ação do homem e da própria natureza. 
Nos setores ambientais e do trabalho, adota-se o termo Monitorar, 
para o qual são utilizados indicadores quantitativos, geralmente. 
Entretanto, para a Vigilância em Saúde, sob a ótica da Saúde Coletiva, 
monitorar é mais do que um ato de medição instrumental. 
Uma nova compreensão da causalidade com a crescente importância 
de eventos e doenças não relacionadas com agentes biológicos 
transmissíveis, houve a exigência de agregar-se mais um nível de 
prevenção, ditado pelas condições social, econômica e cultural das 
populações que não podem mais ser reduzidas a um único agente 
causal. Para o qual, aliás, não haveria uma vacina ou antibiótico capaz 
de prevenir ou curar. Então, o foco das ações passou, obrigatoriamente, 
para as condições determinantes. 
31
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
Na investigação de um acidente de trabalho, o contexto é conformado 
pelas características do processo produtivo, política de recursos 
humanos, condições de vida do trabalhador; a causa, dependendo do 
tipo de acidente, pode ser uma prensa sem mecanismo protetor, a falta 
de manutenção de uma máquina, o vazamento de uma tubulação, um 
curto circuito, o piso irregular, o rompimento de um cabo etc. 
A Saúde Coletiva trouxe um novo enfoque para o entendimento 
do processo saúde-doença, visto como “algo em permanente 
transformação e que a (cuja) ação se dá em um meio que não é só 
reativo, mas sobretudo transformável.” A construção de um sistema de 
vigilância ambiental de interesse para a saúde requer que o contexto 
seja devidamente valorizado. Para tanto, não só as bases de dados 
oriundas de monitoramentos quantitativos são necessárias, como 
também devem ser integradas técnicas de avaliação de risco que 
incluam dados qualitativos. 
O Princípio da Precaução é outro conceito que deve servir de guia 
para a ação em vigilância ambiental, isto é, não se deve priorizar a 
ação apenas pela ocorrência de doenças e desastres ou acidentes, mas 
antecipar esses eventos pelo reconhecimento, anterior, dos riscos e dos 
contextos nocivos à saúde. O Princípio da Precaução foi desenvolvido 
na Alemanha, para justificar a intervenção regulamentadora e de 
restrição das descargas de poluição marinha – na ausência de provas 
consensuais quanto aos seus efeitos e danos ambientais. Esse princípio 
tem sido tomado como referência em outras áreas e caracteriza-se por 
requerer que as decisões acerca de processos industriais e produtos 
perigosos sejam deslocadas da ponta final do processo para a ponta 
inicial. Por essa razão, a promoção e a prevenção terão, necessariamente, 
que prevalecer no enfoque da vigilância ambiental. 
A Saúde Ambiental, assim proposta, integra as dimensões histórica, 
espacial e coletiva das situações, a partir de um compromisso ético com 
a qualidade de vida das populações e dos ecossistemas em questão. 
A necessidade de implementar ações de Vigilância em Saúde 
Ambiental e do Trabalhador (VISAT) é uma questão que surge 
desde que essa ação pública foi consignada na Constituição Federal 
de 1988 e, particularmente, ao longo da trajetória de construção 
da área da saúde do trabalhador no Brasil. É uma estratégia que 
visa ultrapassar a dimensão assistencial que prevalecia (e ainda 
32
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
prevalece em certa medida) nos primeiros programas de saúde 
do trabalhador, anteriores ao advento do Sistema Único de Saúde 
(SUS), e precursores dos Centros de Referência em Saúde do 
Trabalhador (CEREST). O foco principal dessas iniciativas era 
diagnosticar, orientar e acompanhar as doenças decorrentes do 
trabalho, com a perspectiva de criar condições para que a rede 
pública viesse a se constituir em instância efetiva para assistência à 
saúde dos trabalhadores, além de iniciar algumas ações de vigilância 
de acidentes de trabalho. 
Com a atuação da VISAT, voltada para a intervenção nos ambientes, 
processos e formas de organização do trabalho geradoras de agravos 
à saúde, passa-se a incorporar a dimensão preventiva da saúde do 
trabalhador. Ou seja, somente com ações interventoras de vigilância 
é possível interromper o ciclo de doença e morte no trabalho. Esta 
dimensão prevencionista de atenção à saúde cabe, principalmente, à 
Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador - RENAST, 
por meio dos CEREST, os seus núcleos executivos de ação efetiva. 
A VISAT é um componente do Sistema Nacional de Vigilância em 
Saúde que visa à promoção da saúde e à redução da morbimortalidade 
da população trabalhadora, por meio da integração de ações que 
intervenham nos agravos e seus determinantes decorrentes dos modelos 
de desenvolvimento e dos processos produtivos. 
Na Portaria no 1.823, de agosto de 2012, que instituiu a Política 
Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT), consta 
como objetivo prioritário o fortalecimento da Vigilância em Saúde do 
Trabalhador. Coerente com a PNSTT, na agenda do Ministério da Saúde 
foi definido como prioridade fortalecer a VISAT e a sua integração com 
os demais componentes da Vigilância em Saúde, com vistas à promoção 
da saúde e de ambientes e processos de trabalho saudáveis. A partir daí, 
a proposta nacional de ação estratégica, estabelecida pela Secretaria de 
Vigilância em Saúde (SVS), foi intensificar as ações de vigilânciana 
área de saúde do trabalhador, tendo como meta ampliar o número de 
CEREST desenvolvendo essas ações, de modo que, até 2015, todos eles 
estejam realizando essas ações. Existe uma razoável produção de textos 
de VISAT, onde encontramos material detalhado sobre seu conceito 
e sua forma de ser. Parte desta produção diz respeito às diversas 
modalidades de VISAT, inclusive no trato com agravos específicos, caso 
dos vários tipos de acidentes, agrotóxicos, silicose, asbestose, benzeno, 
lesões por esforços repetitivos, entre outras.
33
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
É possível também observar algumas experiências de VISAT 
sobre determinados segmentos econômico-produtivos, caso dos 
ramos químico, petroquímico, siderúrgico, frigorífico, agronegócio 
(agroindústria), construção civil, transporte, elétrico, setor saúde e 
educação, e sobre determinados contextos socioeconômicos de grupos 
populacionais específicos, caso do trabalho infantil, trabalho informal 
e cooperativado, entre outros. 
Observamos, também, que existe uma base legal para a ação em VISAT 
dispersa em várias legislações nacionais, estaduais e municipais, a 
exemplo da Lei Orgânica da Saúde 8.080, da Portaria MS no 3.120, 
de 1 de julho de 1998, de nível federal e das constituições e códigos 
sanitários de vários entes estaduais e municipais. Entretanto, ao 
observarmos a VISAT numa perspectiva de ação pública coordenada, 
articulada e harmônica entre aqueles que vêm se esforçando para 
desenvolver suas ações, vemos o quanto ainda falta para afirmarmos 
que existe um sistema de Vigilância em Saúde do Trabalhador no Brasil, 
sob essa ótica. Apesar de serem muitas as iniciativas, são minoritários 
os casos em que se pode falar de implementação de ações sistemáticas 
de VISAT, isto sem contar que em muitos locais do país sequer elas 
existem (VASCONCELOS; GOMEZ; MACHADO, 2014) 
Este texto, sintético e simplificado em suas indagações e formulações, 
traz alguns elementos para discussão que poderão ser considerados 
na IV Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador e da 
Trabalhadora (CNSTT), a ser realizada este ano, 2014, em Brasília, 
e também por todos aqueles que vêm de alguma forma contribuindo 
para o aprimoramento da VISAT no Brasil. Em síntese, nosso roteiro 
de discussão baseia-se nos seguintes tópicos: (1) o lugar de fala da 
VISAT – para passar do discurso à ação; (2) a formação de agentes de 
VISAT; (3) o resgate dos trabalhadores enquanto sujeitos da ação de 
VISAT; (4) as estratégias de articulação intersetorial com outras áreas 
do Estado; (5) o diálogo estruturante dos pares. (VASCONCELOS; 
GOMEZ; MACHADO, 2014)
Não se pode falar em integração de setores, de participação da comunidade 
ou de estruturação de um sistema de VISAT sem a matéria-prima básica: 
informação sobre saúde. E a disciplina básica que mais nos oferece meios para 
produzir as informações acerca da saúde da população é a epidemiologia 
(CÂMARA, 2005). 
34
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
O sistema de informação (SI) sobre acidentes e agravos do trabalho – em específico o 
SINAN – trata da constituição de “um conjunto de procedimentos organizados que, 
quando executados, proveem informação de suporte à organização” de serviços de 
saúde (BRASIL, 2004). A princípio, o propósito dos sistemas de informação a respeito 
de acidentes de trabalho é fornecer informações fidedignas sobre o impacto desses 
acidentes, seja pelas lesões provocadas, seja no tocante a aspectos associados às suas 
origens, o que pode ser usado como ferramenta de prevenção.
Segundo Freitag e Hale (BRASIL, 2004), os procedimentos relacionados a seguir visam 
facilitam ao usuário a melhor visualização e compreensão das fases de um SI, que inclui 
a seleção e análise de eventos em saúde: 
1. Detecção ou reconhecimento e registro dos eventos com criação de banco 
de dados. 
2. Seleção de eventos para análise aprofundada; análise e criação de 
banco de dados complementar.
3. Exploração dos bancos de dados e emissão de relatórios com descrição 
de aspectos identificados distribuídos no mínimo segundo características 
de pessoa, tempo e lugar, incluindo aspectos do processo causal dos 
acidentes. Sempre que possível, os dados serão distribuídos de modo a 
permitir visualização de sua evolução temporal. 
4. Interpretação, incluindo tentativa de reconhecimento de 
necessidades de saúde; padrões de processos causais; necessidades 
de aprimoramento da formação de pessoal; identificação, seleção de 
prioridades a serem abordadas e recomendações. 
5. Implementação e monitoramento das recomendações com avaliação 
de impacto de providências recomendadas e efetivamente adotadas e 
também de aspectos do próprio sistema. Isso significa avaliar aspectos 
como o tempo decorrido entre a ocorrência de agravos e sua detecção 
pelo sistema. Também implica em avaliação dos tipos e da proporção 
de eventos ocorridos que o sistema efetivamente detecta. Esse conjunto 
de medidas deve servir de fonte de retroalimentação do sistema, 
contribuindo para o seu aperfeiçoamento contínuo.
35
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
Quadro 1. Relação de alguns sistemas de informação (SI) da Vigilância em Saúde.
SIs importantes para a Vigilância:
SIAB: Sistema de Informações de Atenção Básica.
SIAMED: Sistema de Informações de Medicamentos.
SIA-SUS: Sistema de Informações Ambulatoriais de Saúde.
SIH/SUS: Sistema de Informações Hospitalares.
SIM: Sistema de Informação de Mortalidade.
SINAN: Sistema de Notificação de Agravos.
SINASC: Sistema de Informações de Nascidos Vivos.
SINITOX: Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas.
SISAGUA: Sistema de Inf. de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano.
Fonte: Próprio autor.
A Notificação Compulsória é obrigatória para os médicos, outros profissionais 
de saúde ou responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde, que 
prestam assistência ao paciente, em conformidade com o art. 8o da Lei no 
6.259, de 30 de outubro de 1975 (BRASIL, 1975), e deve ser realizada diante 
da suspeita diagnóstica ou confirmação de doença ou agravo, de acordo com 
o estabelecido no anexo da referida lei, observando-se, também, as normas 
técnicas estabelecidas pela Secretaria de Vigilância em Saúde/MS.
A relação das doenças e agravos monitorados por meio da estratégia de vigilância 
em unidades sentinelas e suas diretrizes constam na Portaria no 1.984, de 12 de 
setembro de 2014 (BRASIL, 2014), situação prevista no art. no 11, da Portaria anterior: 
“A relação das doenças e agravos monitorados por meio da estratégia de vigilância em 
unidades sentinelas e suas diretrizes constarão em ato específico do Ministro de Estado 
da Saúde”.
Monitorar indicadores-chave em unidades de saúde selecionadas (unidades 
sentinelas) que sirvam como alerta precoce para o sistema de vigilância é o objetivo 
da estratégia de vigilância sentinela. Ela se configura enquanto modelo de vigilância 
realizada a partir de estabelecimento de saúde estratégico para a vigilância de 
morbidade, mortalidade ou agentes etiológicos de interesse para a saúde pública, 
com participação facultativa, segundo norma técnica específica estabelecida pela 
Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS). Para a VISAT, é nítido que os Centros 
de Referência em Saúde do Trabalhador (CERESTs) serão essas unidades sentinelas, 
servindo de apoio técnico a toda rede do SUS.
Os dados públicos adquiridos por meio dessas notificações serão divulgados pelas 
autoridades de saúde aos profissionais de saúde, órgãos de controle social e população 
em geral. Demais informações referentes aos canais de comunicação para notificação 
(endereço eletrônico oficial, o número de telefone, fax, endereço de e-mail institucional 
ou formulário para notificação compulsória) serão divulgadas pela SVS/MS, as 
secretarias de Saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. 
36
CAPÍTULO4
Anamnese Ocupacional
Na anamnese ocupacional, deve ficar evidente o que o(a) trabalhador(a) 
faz, como faz, com que produtos e instrumentos ele entra em contato, 
quanto faz, onde, em que condições e há quanto tempo faz (LUCCA, 
2012).
Segundo Lucca (2012), as doenças relacionadas ao trabalho, em sua maioria, apresentam 
quadro clínico similar ao das doenças comuns: estabelecer o nexo com o trabalho não é 
tarefa fácil, em especial para aquele profissional que não está habilitado ou habituado a 
relacionar as informações aos fatores de risco presentes no ambiente de trabalho com 
as atividades desenvolvidas pelo paciente trabalhador durante a sua anamnese clínica. 
A anamnese é fundamental porque objetiva tanto construir a história clínica-ocupacional 
completa quanto não se limitar à profissão do paciente, explorando sintomas, sinais 
clínicos e exames complementares.
Segundo diretrizes do Conselho Federal de Medicina (1998), alguns parâmetros devem 
ser considerados no estabelecimento de nexo causal, além do exame clínico (físico e 
mental) e dos exames complementares, quando necessários, deve o profissional de 
saúde considerar as seguintes informações:
1. O histórico clínico-ocupacional, primordial em qualquer diagnóstico e/
ou investigação de nexo causal; 
2. Conhecimento a respeito do local de trabalho e da organização do 
trabalho, incluindo a realização da atividade; 
3. As informações epidemiológicas da empresa e de grupos ocupacionais 
similares (homogêneos); 
4. A literatura atualizada; 
5. O aparecimento de quadro clínico ou subclínico em trabalhador exposto 
a condições agressivas; 
6. O reconhecimento de riscos físicos, químicos, biológicos, mecânicos, 
estressantes e outros; 
7. O relato de vida e a experiência dos trabalhadores; e
8. conhecimento e as práticas de outras disciplinas e de seus profissionais, 
sejam ou não da área da saúde. 
37
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
O objetivo é o de avaliar se as queixas e o quadro clínico possuem relação com as 
atividades de trabalho. O profissional deve considerar a multiplicidade de fatores 
envolvidos na determinação das doenças e, em especial, daquelas desencadeadas ou 
agravadas pelas condições em que o trabalho é realizado. 
Nesse sentido, é de fundamental importância valorizar o conhecimento e sentimentos 
dos pacientes sobre seu trabalho e os fatores de risco potencialmente causadores 
de doença. Em alguns casos, são de natureza química; em outros, intrinsecamente 
relacionados às formas de organização e gestão do trabalho ou mesmo da ausência de 
trabalho e, em muitos casos, decorrem de uma ação sinérgica desses fatores. 
Além do adoecimento que resulta da articulação de agravos que atingem a “população 
geral”, em função de sua idade, gênero, grupo social ou inserção em um grupo específico 
de risco, o trabalhador pode ter sua condição clínica agravada pelo trabalho. No entanto, 
o médico deve suspeitar de uma doença desencadeada ou agravada pelas condições de 
trabalho a partir da anamnese ocupacional, cujos componentes básicos incluem: 
 » análise detida das queixas que motivam a busca de atenção médica; 
 » a história ocupacional pregressa; 
 » a descrição detalhada do processo de trabalho no emprego atual ou do 
trabalho supostamente relacionado à doença sob investigação; e
 » as características da organização do trabalho do emprego atual ou do 
trabalho supostamente relacionado à doença sob investigação, além do 
compartilhamento de informações individuais e coletivas.
Durante a investigação das queixas, devem ser valorizadas as informações sobre o 
momento de surgimento dos sintomas e sua relação com o trabalho, exposição a 
agentes de risco específicos ou a realização de determinadas tarefas são fundamentais, 
verificando-se a relação temporal entre o surgimento de sinais e sintomas e a jornada 
de trabalho. Na mesma linha de atuação médica, o levantamento de informação quanto 
ao desaparecimento ou melhora de sintomas quando de finais de semana, feriados 
prolongados e férias pode fortalecer a hipótese de tratar-se de um agravo relacionado ao 
trabalho. A associação dos sintomas com mudanças recentes no ambiente ou processo 
de trabalho também deve ser investigada (LUCCA, 2012). 
A anamnese ocupacional tem que contemplar todos os riscos pelos quais o trabalhador 
está exposto, assim como avaliar as condições psicossociais desse trabalhador para 
realmente atingir o nível de prevenção adequado. Além disso, o profissional de saúde 
deve adotar uma postura ética para com o cliente interno e externo, preservando a 
38
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
identidade do trabalhador, acolhendo-o de forma humanizada, pois a origem de suas 
demandas ou queixas, em suma, está associada às angústias ou condições de vida, 
ora manifestadas por sintomas que traduzem o sofrimento na mente, no corpo ou 
insatisfação com o trabalho (LUCCA, 2012).
Por meio do Manual de Anamnese Ocupacional (2001), o Ministério da Saúde 
concebe um instrumento a ser utilizado nos Centros de Referência em Saúde 
do Trabalhador que compõem a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do 
Trabalhador (RENAST), a Ficha de Resumo de Atendimento Ambulatorial em Saúde 
do Trabalhador (Firaast). Ela foi elaborada ainda como instrumento passível de 
utilização como prontuário eletrônico e de informatização a partir das experiências 
dos CEREST/MG, CEREST/BH e CEREST/Contagem.
Essa ficha foi criada enquanto instrumento epidemiológico que contribui para 
conhecimento, investigação, sistematização, padronização e intercambiação de dados 
e informações úteis ao planejamento em saúde, à capacitação de recursos humanos, ao 
atendimento, à vigilância, à avaliação de serviços de saúde do trabalhador e à divulgação 
pública mais ampliada (PINHEIRO et al., 1993), por meio dos Sistemas de Informação 
em Saúde componentes do SUS. O manual explicita todos os itens necessários na ficha 
de consulta e de retorno, sendo um norteador importante para aqueles serviços que 
ainda não dispõem de instrumentos validados para o atendimento em SST. 
Importante atentar para o Manual de Anamnese Ocupacional (2006a), lá você vai 
encontrar perguntas-chave para a investigação de agravos em ST em seu serviço 
de saúde.
39
CAPÍTULO 5
Agravos à saúde relacionados ao 
trabalho e ao ambiente
Para Rigotto (2003), a ocorrência de acidentes e doenças ocupacionais é oriunda de 
novas tecnologias e novas relações de trabalho. Estas por sua vez trazem novos valores, 
novos hábitos e introduzem novos riscos tecnológicos, de natureza física, química, 
biológica, mecânica, ergonômica e psíquica, que interferem na saúde humana no 
ambiente de trabalho. 
O acidente tem o caráter de um evento agudo, que causa lesão corporal ou perturbação 
funcional temporária ou permanente, como seria o caso de uma amputação de dedos ou 
de uma intoxicação aguda por agrotóxico, ou mesmo dos acidentes ocorridos no trajeto 
do trabalhador entre sua residência e o local de trabalho, seguindo ao que se define 
como: 
Todo evento súbito ocorrido no exercício de atividade laboral, 
independentemente da situação empregatícia e previdenciária do 
trabalhador acidentado, e que acarreta dano à saúde, potencial ou 
imediato, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que 
causa, direta ou indiretamente (concausa) a morte, ou a perda ou 
redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. 
Inclui-se ainda o acidente ocorrido em qualquer situação em que o 
trabalhador esteja representando os interesses da empresa ou agindo 
em defesa de seu patrimônio; assim como aquele ocorrido no trajeto da 
residência para o trabalho ou vice-versa (BRASIL, 2006d). 
Devido ao seu expressivo impacto na morbimortalidade da população, os acidentes 
constituem-se em importante problema de saúde pública e objeto prioritário das ações 
do SUS, que, em conjunto com outros segmentos dos serviços públicos e da sociedade 
civil, devem continuar a buscarformas efetivas para o seu enfrentamento. Entre esses 
outros setores dos serviços públicos e sociedade civil, encontramos universidades e 
institutos de pesquisa, Ministério Público, Ministério do Trabalho e Emprego e outros 
correlatos. 
São pouco estudadas as sequelas crônicas e de instalação tardia de acidentes 
adequadamente reconhecidos como provenientes do trabalho, e aquelas que só 
tardiamente são identificadas como relacionadas aos acidentes, inicialmente não são 
registradas como do trabalho (BRASIL, 1999).
40
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
Em 2011, foram registrados cerca de 700 mil acidentes e doenças do trabalho entre 
os trabalhadores assegurados da Previdência Social. Observe que esse número, que já 
é alarmante, não inclui os trabalhadores autônomos (contribuintes individuais) e as 
empregadas domésticas. Tais eventos provocam enorme impacto social e econômico 
sobre a saúde pública no Brasil. Entre esses registros, foram contabilizadas 15.083 
doenças relacionadas ao trabalho. Parte desses acidentes e doenças resultou em 
afastamento de 611.576 trabalhadores de suas atividades devido à incapacidade 
temporária (309.631 até 15 dias e 301.945 com tempo de afastamento superior a 15 
dias), e com incapacidade permanente, contabilizou-se 14.811 trabalhadores. Os óbitos 
ocorreram com 2.884 cidadãos (BRASIL, 2013).
Para se ter a real dimensão da importância do tema saúde e segurança do trabalho, 
basta observar que no Brasil, em 2011, registrou-se cerca de 1 morte a cada 3 horas, 
motivada pelo risco decorrente dos fatores ambientais do trabalho e ainda uma média 
de 81 acidentes e doenças do trabalho reconhecidos a cada 1 hora na jornada diária. 
Nesse mesmo ano (2011), foi observada uma média de 49 trabalhadores por dia que não 
mais retornaram ao trabalho devido à invalidez ou morte (BRASIL, 2013).
Em 2012, ocorreram 423.935 acidentes típicos, índice 0,5% menor que o de 2011 
(426.153), mas 1,6% maior que o de 2010 (417.295); 14.955 doenças apuradas, em 2012, 
atingiram o total mais baixo em 20 anos, desde 1993, e acentuam a curva descendente 
já observada em 2011 (16.839 adoecimentos), 2010 (17.177) e na segunda metade dos 
anos 2000. Entretanto, ainda representam números elevados de acidentes, ainda que os 
sistemas de notificação de doenças e acidentes de trabalho venham sendo aperfeiçoados 
(PROTEÇÃO, 2014).
Na classificação proposta por Schilling (1984), segundo a sua relação com o trabalho 
(nexo de causalidade), as doenças do trabalho podem ser reunidas em três grupos. 
A saber:
Quadro 2. Divisão em categorias segundo classificação de Schilling.
Grupos de doenças Exemplos de patologias
 » Grupo I: doenças em que o trabalho é causa necessária e suficiente; 
tipificadas pelas “doenças profissionais” em que o nexo com o 
trabalho é direto.
Intoxicações por chumbo devido à exposição a esse agente químico nas 
atividades de fabricação de baterias; silicose, nas atividades da fabricação 
de cerâmica; e asbestose nas atividades de mineração, extração e 
fabricação de cimento amianto.
 » Grupo II: doenças em que o trabalho pode ser um fator de risco, 
contributivo, mas não necessário, denominadas “doenças do 
trabalho”, exemplificadas pelas doenças “comuns”, mais frequentes 
ou mais precoces em determinados grupos ocupacionais e para as 
quais o nexo causal é de natureza eminentemente epidemiológica.
Doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho, à hipertensão arterial; 
as neoplasias malignas em determinados grupos ocupacionais ou ramos 
de atividade constituem exemplos típicos.
 » Grupo III: doenças em que o trabalho é provocador de um distúrbio 
latente, ou agravador de doença já estabelecida ou preexistente, ou 
seja, com causa, também denominada “doenças do trabalho”.
Doenças alérgicas de pele e respiratórias, e distúrbios mentais em 
determinados grupos ocupacionais ou ramos de atividade.
Fonte: Schilling, 1984.
41
ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE I
Por sua vez, as doenças relacionadas ao trabalho surgem de modo insidioso, após 
manifestação aguda, como as intoxicações por substâncias químicas, a perda da 
audição, dermatoses, lesões por esforços repetitivos e incluem, ainda, sofrimento 
psíquico, desgaste, doenças crônico-degenerativas e alterações genéticas que podem se 
manifestar em câncer ou alterações da reprodução (RIGOTTO, 2003).
Em 1999, os Ministérios da Saúde e da Previdência Social no Brasil elaboraram uma 
lista que discrimina 210 patologias reconhecidas como relacionadas ao trabalho, a Lei 
no 3.048 de 1999. Cumprindo também a determinação do art. 6o, §3o, inciso VII, da Lei 
no 8.080 (BRASIL, 1990), o Ministério da Saúde elaborou a Lista Brasileira de Doenças, 
segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), em que são atribuídos os 
agentes patogênicos causadores das doenças profissionais ou do trabalho. 
Veja também o Manual de Doenças Relacionadas ao Trabalho (2001) e outros 
protocolos do MS, disponíveis em nossa biblioteca virtual.
Enquanto norteadora das ações de vigilância compulsória no SUS, incluindo os 
agravos relacionados ao trabalho supracitados, a Portaria no 1.271, de 6 de junho de 
2014 (BRASIL, 2014), trata da Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, 
e aquelas de notificação exclusiva das unidades sentinelas do SUS estão previstas na 
Portaria no 1.984 (BRASIL, 2014). 
Essas normas constituem uma parte do variado leque de acervo criado pelos órgãos 
públicos responsáveis pelo monitoramento em SST, direta ou indiretamente, portanto, 
é importante frisar os materiais que foram frutos de anos de trabalho do Ministério da 
Saúde, tais como: Manual de Doenças Relacionadas ao Trabalho (2001), protocolos de 
atendimento e notificação para acidentes graves, fatais e com crianças e adolescentes, 
DORT, PAIR, pneumoconioses etc. Esses materiais visam ao atendimento igualitário, em 
todo território nacional, a todos os trabalhadores atendidos pelo SUS, compreendendo 
os procedimentos entre o primeiro atendimento até a notificação, recomendações e 
parâmetros para seu diagnóstico, tratamento e prevenção de incapacidade laboral. Veja 
os principais protocolos a seguir. 
Quadro 3. Principais protocolos na área de Saúde do Trabalhador.
Principais protocolos em ST
1. Trabalho infantil.
2. Anamnese ocupacional.
3. Acidentes de trabalho graves, fatais.
4. Exposição a material biológico.
5. Expostos ao chumbo metálico.
6. Perda Auditiva Induzida pelo Ruído (PAIR).
7. Pneumoconioses.
8. Risco químico.
9. Câncer relacionado ao trabalho.
10. Dermatoses ocupacionais.
11. Doenças osteomusculares.
Fonte: Próprio autor.
42
UNIDADE I │ ASPECTOS GERAIS DA SAÚDE DO TRABALHADOR
Neste capítulo, pudemos aprender um pouco mais sobre a investigação de agravos 
relacionados à saúde do trabalhador, tanto em abordagem coletiva quanto individual, 
e a responsabilização dos entes públicos e privados no monitoramento desses agravos – 
dados que refletem o impacto direto no nível de saúde da população brasileira (número 
de incapacitados, mortes, famílias seguradas etc.). 
Reiteramos, ainda, que a notificação compulsória não exime o empregador de 
emitir o Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT), direcionado principalmente 
à concessão do benefício previdenciário daqueles trabalhadores regidos pela 
Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). A partir deste ponto, você já se perguntou 
de que forma é realizado o monitoramento dos agravos em saúde da imensidão de 
trabalhadores informais? Se sim, reflita a respeito da abordagem do profissional de 
saúde da rede que não consegue visualizar a determinação do trabalho na saúde 
do paciente atendido em sua unidade de saúde. Esses e outros questionamentos 
poderemos trazer para o nosso cotidiano em busca de respostas. 
43
UNIDADE II
DIRETRIZES E 
ATORES DA ESFERA 
PÚBLICO-PRIVADA 
DA SAÚDE DO 
TRABALHADOR
CAPÍTULO 1
Políticas públicas em saúde do 
trabalhador
No SUS, a área de saúde do trabalhador constitui-se enquantoo conjunto de práticas 
sanitárias que articula ações de assistência, reabilitação, vigilância, prevenção e 
promoção à saúde, e possui a intervenção na relação saúde-doença dos trabalhadores 
como especificidade (TAKAHASHI et al., 2012).
A saúde do trabalhador constitui uma área da saúde pública e é um campo de 
práticas de conhecimento cujo enfoque teórico-metodológico, no Brasil, emerge da 
saúde coletiva, buscando conhecer e intervir nas relações de trabalho-saúde-doença 
(LACAZ, 2007). 
No Brasil, segundo Dias e Hoefel (2005), o movimento da saúde do trabalhador 
articula-se no final dos anos 1970, com os seguintes eixos: a participação dos 
trabalhadores nas decisões sobre a organização, a defesa do direito ao trabalho digno 
e saudável e a gestão dos processos produtivos, e a busca pela garantia de atenção 
integral à saúde. 
A sua inserção no campo da saúde pública teve seu marco na VIII Conferência 
Nacional de Saúde, em 1986, e contribuiu para reafirmar a saúde como direito de 
cidadania e dever do Estado. A I Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, 
realizada no mesmo ano, consagrou a institucionalização política desse movimento, 
cuja luta favoreceu a incorporação das questões da saúde do trabalhador na 
Constituição Federal de 1988, ao enunciar o conceito ampliado de saúde e ao 
atribuir ao Sistema Único de Saúde (SUS) a responsabilidade de coordenar as 
ações no país. 
44
UNIDADE II │ DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR
As atribuições previstas pela Constituição foram regulamentadas, em 1990, pela Lei 
Orgânica da Saúde no 8.080 e no 8.142, que definiram os princípios e formatação do 
SUS. Nas palavras de Dias e Hoefel (2005, p. 819): “consolida-se, assim, no plano legal 
e institucional, o campo da Saúde do Trabalhador”.
As ações desencadeadas no setor saúde, sob a tutela do Ministério da Saúde, foram 
frutos de decreto presidencial sobre a Política Nacional de Saúde e Segurança no 
Trabalho (PNSST) (BRASIL, 2011), ratificação da Convenção 155 da OIT no Brasil. 
Segundo Gomez (2013), essa política pretenderia superar a fragmentação das ações 
interministeriais no âmbito do trabalho, da saúde e da previdência, ministérios 
estes citados no corpo do texto da Política. 
Na sua concepção, a PNSST estava em consonância com os princípios e diretrizes do 
Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que a Constituição institui que: 
[...] toda a Política de saúde do Trabalhador para o SUS tenha como 
propósito a promoção da saúde e redução da morbimortalidade dos 
trabalhadores, mediante ações integradas, intra e intersetorialmente, 
de forma contínua, sobre os determinantes dos agravos decorrentes dos 
modelos de desenvolvimento e processos produtivos, com a participação 
de todos os sujeitos sociais envolvidos (BRASIL, 2011).
Nesse contexto, a PNSST surge como marco estratégico para trazer significativas 
contribuições na área de segurança e saúde do trabalhador no Brasil e, por conseguinte, 
a instituição da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT) 
(BRASIL, 2012), por meio da portaria GM/MS no 1.823, de 23 de agosto de 2012, alinhada 
ao decreto assinalado pelo presidente em 2011. A nova portaria contempla uma proposta 
que entidades representativas da sociedade civil e profissionais de saúde vêm almejando 
desde a I Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador (GOMEZ, 2013).
A PNSTT tem o intuito de definir os princípios, as diretrizes e as estratégias a serem 
observadas nas três esferas de gestão do SUS – federal, estadual e municipal – para o 
desenvolvimento das ações de atenção integral à saúde do trabalhador, enfatizando-se 
a vigilância, visando à promoção e à proteção da saúde dos trabalhadores e à redução 
da morbimortalidade decorrente dos modelos de desenvolvimento e dos processos 
produtivos.
Ela enfatiza a integralidade na atenção à saúde do trabalhador, inserindo as ações 
desse campo em toda a rede SUS, da atenção primária até a especializada (reabilitação, 
atenção pré-hospitalar, serviços de urgência e emergência e hospitais, rede de 
laboratórios), sistemas de informações em saúde e na vigilância à saúde. Compreende, 
45
DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE II
ainda, a articulação intra e intersetorial, a estruturação da rede de informações em 
saúde do trabalhador, o apoio e desenvolvimento de estudos e pesquisas nessa área, 
com o desenvolvimento e capacitação de recursos humanos e participação comunitária 
na gestão das ações. Os princípios, diretrizes, objetivos e estratégias da PNSTT estão 
listadas a seguir.
1. Princípios e diretrizes:
 › Universalidade;
 › Integralidade;
 › Controle social, com a participação da comunidade, dos trabalhadores;
 › Descentralização;
 › Hierarquização;
 › Equidade;
 › Precaução.
2. Objetivos (cap. II, art. 8o): 
 › Fortalecer a Vigilância em Saúde do Trabalhador e a integração com os 
demais componentes da Vigilância em Saúde; 
 › Promover a saúde e ambientes e processos de trabalho saudáveis;
 › Garantir a integralidade na atenção à saúde do trabalhador;
 › Ampliar o entendimento de que a saúde do trabalhador deve 
ser concebida como uma ação transversal, devendo a relação 
saúde-trabalho ser identificada em todos os pontos e instâncias da 
rede de atenção;
 › Incorporar a categoria trabalho como determinante do processo 
saúde-doença dos indivíduos e da coletividade, incluindo-a nas 
análises de situação de saúde e nas ações de promoção em saúde; 
 › Assegurar que a identificação da situação do trabalho dos usuários 
seja considerada nas ações e serviços de saúde do SUS e que a 
46
UNIDADE II │ DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR
atividade de trabalho realizada pelas pessoas, com as suas possíveis 
consequências para a saúde, seja considerada no momento de cada 
intervenção em saúde; e
 › Assegurar a qualidade da atenção à saúde do trabalhador usuário do 
SUS.
3. Estratégias (cap. III, art. 9o):
 › Integração da Vigilância em Saúde do Trabalhador nos demais 
componentes da Vigilância em Saúde e com a Atenção Primária em 
Saúde;
 › Análise do perfil produtivo e da situação de saúde dos trabalhadores;
 › Estruturação da RENAST no contexto da Rede de Atenção à Saúde: 
ações de ST jna APS; na Urgência e Emergência; e na Atenção 
Especializada (Ambulatorial e Hospitalar). 
 › Ampliação após o fortalecimento da articulação intersetorial;
 › Incentivo à participação da comunidade, dos trabalhadores e do 
controle social;
 › Desenvolvimento e capacitação de recursos humanos; e
 › Apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas.
Segundo Gomez (2013), a PNSTT é um texto bastante consistente e pormenorizado 
sobre o patrimônio reflexivo e de práticas acumuladas, ao longo das últimas 
décadas, por setores acadêmicos, movimentos de trabalhadores e profissionais que 
atuam nos serviços. Ele pondera que todos os trabalhadores (homens e mulheres), 
independentemente de sua localização (urbana ou rural), de sua forma de inserção 
no mercado de trabalho (formal ou informal) e de seu vínculo empregatício (público 
ou privado, assalariado, autônomo, avulso, temporário, cooperativado, aprendiz, 
estagiário, doméstico, aposentado ou desempregado) são dignamente contemplados 
pela Política.
Rede nacional de atenção integral à saúde 
do trabalhador 
No final do ano de 2002 foi criada a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do 
Trabalhador (RENAST), pela Portaria no 1.679 (BRASIL, 2002), que, pela primeira 
47
DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE II
vez, disponibilizou recursos para a operacionalização das ações nos âmbitos estadual 
e municipal. A RENAST impôs-se como uma prioridade e como uma das principais 
estratégias da Política Nacional de Saúde do Trabalhador (PNST) para o SUS. 
A Portaria no 2.437 (BRASIL, 2005) dispôs sobre a ampliação e o fortalecimento 
da RENAST, prevendo maior número de Centrosde Referência em Saúde do 
Trabalhador (CERESTs), incluindo as ações de saúde do trabalhador na atenção 
básica e em ações de vigilância em saúde do trabalhador. Ela instituiu 
uma rede de serviços sentinelas para retaguarda de média e alta complexidade e 
de registro de doenças/agravos de notificação compulsória, bem como estabeleceu 
municípios sentinelas. Já a Portaria no 2.728 (BRASIL, 2009) adequou a RENAST 
ao Pacto de Gestão do SUS. 
Conceitualmente, a RENAST é uma rede nacional de informação e de práticas de 
saúde, organizada com o objetivo de implementar ações assistenciais, de vigilância 
e de promoção da saúde na perspectiva da saúde do trabalhador no âmbito do SUS, 
sob o controle social. A RENAST integra e articula a atenção básica, a média e alta 
complexidade ambulatorial, pré-hospitalar e hospitalar, sob o controle social, nos três 
níveis de gestão: municipal, estadual e nacional. 
Com a RENAST, os CERESTs deixam de ser porta de entrada do sistema e assumem 
o papel de suporte técnico e científico dos princípios e fundamentos teóricos da saúde 
do trabalhador, no âmbito da saúde pública, e passam a ser núcleos disseminadores 
da cultura da centralidade do trabalho e da produção social das doenças. Além disso, 
refletem o ponto privilegiado de articulação e pactuação das ações de saúde, intra e 
intersetorialmente, no seu território de abrangência, que pode ser na esfera municipal, 
estadual e nacional, abrangendo municípios polos de assistência das regiões e 
microrregiões de saúde. 
Em uma análise da incorporação da saúde do trabalhador ao longo dos 20 anos do 
SUS, Santana e Silva (2009) verificaram que os CERESTs e as ações de saúde do 
trabalhador haviam sido ampliados, nacionalmente, a todas as unidades da federação, 
alcançando-se uma razão CEREST: população de trabalhadores aproximadamente 
homogênea no país. 
No nível local, as ações de saúde do trabalhador poderão ser organizadas, em 
municípios sentinelas, interferindo em situações de riscos à saúde decorrentes de 
processos produtivos danosos ou por contaminação ambiental em um dado território, 
com base em critérios epidemiológicos, previdenciários, socioeconômicos, além da 
presença efetiva do controle social. 
48
UNIDADE II │ DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR
A Rede Sentinela é uma estrutura da RENAST que organiza o fluxo de atendimento em 
todos os níveis de atenção do SUS: na rede de básica, média e alta complexidades, de 
modo articulado com as vigilâncias sanitária, epidemiológica e ambiental. 
Machado et al. (2013) aglutinam uma série de estudos de outros autores que 
indicam os pontos positivos dos CERESTs porque (1) representam um avanço na 
institucionalização das ações de saúde do trabalhador, embora estejam ausentes 
definições claras dos critérios de regionalização, das estruturas componentes 
da RENAST, do papel dos CERESTs, entre outros pontos; concluem que (2) a 
potencialidade delas está na formação de redes intra e interinstitucionais em torno de 
projetos de ação ditos prioritários; (3) na possibilidade de transcender a abordagem do 
processo saúde e doença, pautada no modelo tradicionalmente médico assistencialista 
com foco no indivíduo para a perspectiva de ações que visem à prevenção, à promoção 
e à vigilância em saúde do trabalhador. 
A RENAST é uma rede constituída de todos os CERESTs, concretizada com ações 
integradas em saúde do trabalhador (ST), incluindo a governabilidade do novo 
modelo de atenção à ST, como a gestão, os dados e informações correlatas, o 
delineamento e o compartilhamento das ações de vigilância e de assistência em 
todos os níveis de atenção. Nesse cenário, os CERESTs são compreendidos como 
polos estratégicos responsáveis pela disseminação e padronização da ação de 
matriciamento da RENAST no SUS (MACHADO et al., 2013). Eles têm o papel de 
dar provimento às políticas e diretrizes técnicas especializadas em saúde do 
trabalhador para o conjunto de ações e serviços da rede SUS. Essa retaguarda 
deve ser organizada segundo o método do apoio matricial às equipes de 
referência das diversas instâncias da rede de atenção, promoção e vigilância em 
saúde, garantindo funções de suporte técnico, de educação permanente, de 
assessoria ou coordenação de projetos de assistência, promoção e vigilância à 
saúde dos trabalhadores, no âmbito da sua área de abrangência, além de atuar 
como articulador e organizador das ações intra e intersetoriais de saúde do 
trabalhador.
49
CAPÍTULO 2
Serviços especializados e programas 
de saúde e segurança do trabalhador
Serviços Especializados em Medicina do 
Trabalho e sua relação com a Engenharia de 
Segurança do Trabalho (SESMT)
Os Serviços Especializados em Medicina do Trabalho (SESMT) são um grupo de 
profissionais habilitados a exercer a segurança em medicina do trabalho, técnica e 
legalmente, de modo a garantir a integridade física e psíquica dos trabalhadores, de 
caráter obrigatório em empresas públicas e privadas, órgãos públicos da administração 
direta e indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário que possuam empregados regidos 
pela Consolidação da Lei do Trabalho, estabelecendo as responsabilidades da empresa 
e dos trabalhadores quanto às normas de SST. Reitera-se que todos aqueles programas 
afetos à SST (PPRA e PCMSO, por exemplo) estão sob a responsabilidade dessa equipe, 
bem como de outros grupos de trabalhadores que contribuem para o monitoramento 
dos riscos no trabalhão, tais como CIPA, sindicatos etc. Os SESMT estão regulamentados 
conforme dispositivo da Lei no 6.514/1977 e Portaria no 3.214/1978, e especificado na 
Norma Regulamentadora NR-4. 
Conforme o art. no 157 da CLT (BRASIL, 1943), cabe às empresas:
 » Cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho;
 » Instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às 
precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho e doenças 
ocupacionais;
 » Adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelos órgãos competentes;
 » Facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente.
O art. 158 da CLT (BRASIL, 1943) estabelece as responsabilidades dos empregados:
 » Observar as normas de segurança e medicina do trabalho, bem como as 
instruções dadas pelo empregador;
 » Colaborar com a empresa na aplicação das leis sobre segurança e medicina 
do trabalho;
 » Usar corretamente o EPI quando necessário.
50
UNIDADE II │ DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR
Quanto ao dimensionamento dos SESMT, eles estão vinculados à graduação do 
risco da atividade principal e ao número total de empregados do estabelecimento. 
Para que o funcionamento dos SESMT atinja seus objetivos, é necessário que a 
política vise à segurança e à saúde do trabalhador, seja bem definida e garantida 
pelo apoio da administração e pela conscientização de cada trabalhador da empresa 
em todos os níveis hierárquicos.
Atribuições dos SESMT resumem-se em: 
 » Aplicar os conhecimentos de Engenharia de Segurança e Medicina 
do Trabalho no ambiente de trabalho e a todos os seus componentes, 
inclusive máquinas e equipamentos, de modo a reduzir até controlar os 
riscos ali existentes à saúde do trabalhador;
 » Exigir a utilização pelos trabalhadores de equipamentos de proteção 
individual (EPI), quando esgotados todos os meios conhecidos para a 
eliminação do risco como determina a NR 6 e se mesmo assim houver sua 
persistência, e desde que a concentração, a intensidade ou característica 
do agente assim o exijam;
 » Colaborar, quando solicitado, nos projetos e na implantação de novas 
instalações físicas e tecnológicas da empresa;
 » Responsabilizar-se, tecnicamente, pela orientação quanto ao 
cumprimento do disposto nas NRs aplicáveis às atividades executadas 
pelos trabalhadores das empresa e/ou estabelecimentos;
 » Manter permanente relacionamento com a CIPA, valendo-se ao máximo 
de suas observações, além de apoiá-la, treiná-la e atendê-la, conformedispõe a NR 5;
 » Promover a realização de atividades de conscientização, educação e 
orientação dos trabalhadores para a prevenção de acidentes do trabalho 
e doenças ocupacionais, tanto por meio de campanhas quanto de 
programas de duração permanente (treinamentos);
 » Esclarecer e conscientizar os empregados sobre acidentes do trabalho e 
doenças ocupacionais, estimulando-os em favor da prevenção; 
 » Analisar e registrar em documentos específicos todos os acidentes 
ocorridos na empresa ou estabelecimento e todos os casos de doença 
ocupacional, descrevendo a história e as características do acidente 
51
DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE II
e/ou da doença ocupacional, os fatores ambientais, as características 
do agente e as condições dos indivíduos portadores de doença 
ocupacional ou do acidentado;
 » As atividades dos profissionais integrantes dos SESMT são essencialmente 
prevencionistas, embora não seja vedado o atendimento de emergência, 
quando se tornar necessário. A elaboração de planos de controle de 
efeitos de catástrofes, a disponibilidade de meios que visem ao combate 
a incêndios e ao salvamento e a de imediata atenção à vítima de qualquer 
outro tipo de acidente estão incluídas em suas atividades.
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais 
(PPRA)
Atualmente, este programa é regulamentado pela NR 9 do Ministério do Trabalho 
(MTE) e versa sobre a obrigatoriedade da elaboração e implementação por parte de 
todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, 
focando a preservação da saúde e integridade deles, por meio da antecipação, 
reconhecimento, avaliação e controle da ocorrência de riscos ambientais presentes ou 
que venham a existir no ambiente de trabalho, em consideração à proteção do meio 
ambiente e dos recursos naturais; sua revisão é atualizada a cada ano.
É fundamental a verificação da existência dos aspectos estruturais no documento 
base do PPRA, que dentre todos os legalmente estabelecidos, cabe especial atenção 
para os seguintes:
 » Discussão do documento base com os empregados (CIPA);
 » Descrição de todos os riscos potenciais existentes em todos ambientes 
de trabalho, internos ou externos e em todas as atividades realizadas na 
empresa (trabalhadores próprios ou de empresa contratadas);
 » Realização de avaliações ambientais quantitativas dos riscos ambientais 
levantados (radiação, calor, ruído, produtos químicos, agentes biológicos, 
entre outros), contendo descrição de metodologia adotada nas avaliações, 
resultados das avaliações, limites de tolerância estabelecidos na NR 15 
e medidas de controle sugeridas, devendo ser assinado por profissional 
legalmente habilitado;
 » Descrição das medidas de controle coletivas adotadas; e
 » Cronograma das ações a serem adotadas no período de vigência do 
programa.
52
UNIDADE II │ DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR
O PPRA deve estar articulado com os demais documentos de saúde e segurança do 
trabalho (SST), como PCMSO, Programa de Conservação Auditiva e o PCMAT (em 
caso de construção de linhas elétricas, obras civis de apoio a estruturas, prediais), e 
inclusive com todos os documentos relativos ao sistema de gestão em SST adotado 
pela empresa.
Programa de Controle Médico em Saúde 
Ocupacional (PCMSO)
É fundamental que o Programa de Controle Médico em Saúde Ocupacional 
(PCMSO) seja elaborado e planejado anualmente com base em um preciso 
reconhecimento e avaliação dos riscos presentes em cada ambiente de trabalho, 
em conformidade com os riscos levantados e avaliados no Programa de Prevenção 
de Riscos Ambientais (PPRA), no Programa de Condições e Meio Ambiente de 
Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT), bem como em outros documentos 
de saúde e segurança e, inclusive, no mapa de riscos desenvolvido pela Comissão 
Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). Seu objetivo é promover e preservar 
a saúde do conjunto de trabalhadores, considerando as questões incidentes sobre 
o indivíduo e a coletividade, além de ter o caráter de prevenção, rastreamento e 
diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive os de 
natureza subclínica. 
Esse programa constitui-se num dos elementos de saúde e segurança do trabalho 
(SST) da empresa e não pode prescindir de total engajamento e correspondência com 
o sistema de gestão adotado na empresa, se houver, integrando-o tanto na fase de 
planejamento de ações quanto na fase de monitoração dos resultados das medidas de 
controle implementadas. 
Além da avaliação individual periódica de cada trabalhador envolvido, tem o caráter de 
um estudo de corte, longitudinal, em que a medicina do trabalho tem a oportunidade 
de acompanhar determinada população de trabalhadores ao longo de sua vida laboral, 
estudando o possível aparecimento de sintomas ou patologias, a partir da exposição 
conhecida a fatores agressores – riscos químicos, físicos e biológicos, de acidente e 
ergonômicos. Em relação a isso, temos os fatores: 
 » De ordem psicossocial, relacionados à presença do risco de vida no 
trabalho, o estresse associado a tais riscos, grande exigência cognitiva e 
de atenção, necessidade de condicionamento psíquico e emocional para 
execução dessas tarefas, entre outros fatores estressores;
53
DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE II
 » De natureza biomecânica, relacionados às atividades em posturas pouco 
fisiológicas e inadequadas, com exigências extremas de condicionamento 
físico; 
 » De natureza organizacional, relacionados às tarefas planejadas sem 
critérios de respeito aos limites técnicos e humanos, levando a premência 
de tempo, atendimento emergencial, pressão produtiva. 
O controle médico deverá incluir:
 » Avaliações clínicas cuidadosas, admissionais e periódicas, com ênfase em 
aspectos neurológicos e ósteo-músculo-ligamentares de modo geral; 
 » Avaliação de aspectos físicos do trabalhador pertinentes a outros riscos 
levantados, incluindo ruído, calor ambiente e exposição a produtos 
químicos; 
 » Avaliação psicológica voltada para o tipo de atividade a desenvolver; e
 » Avaliação de acuidade visual (trabalho a distância e com percepção de 
detalhes). 
Exames complementares poderão ser solicitados, a critério médico, conforme cada 
caso. Ainda, ações preventivas para situações especiais devem ser previstas, como 
vacinação contra tétano e hepatite, influenza, no caso de atividades com riscos 
biológicos, Programas de Conservação da Voz e ou Auditiva, Qualidade de Vida no 
Trabalho, Acompanhamento de Doentes Crônicos, entre outros. 
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes 
(CIPA)
Conforme determina a NR 5, as empresas privadas, públicas, sociedades de 
economia mista, órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes, 
associações recreativas, cooperativas, bem como outras instituições que admitam 
trabalhadores como empregados, devem constituir CIPA por estabelecimento e 
mantê-la em regular funcionamento. 
A CIPA tem como objetivo prevenir acidentes e doenças decorrentes do trabalho, 
de forma a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da 
vida e a promoção da saúde do trabalhador. O empregador deverá garantir que 
seus empregados indicados tenham a representação necessária para a discussão e 
54
UNIDADE II │ DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR
o encaminhamento das soluções de questões de segurança e saúde no trabalhado 
analisados pela Comissão (BARSANO, 2014).
A empresa designará entre seus representantes o presidente da CIPA, e o 
vice-presidente será escolhido entre os representantes dos empregados titulares. 
Serão indicados, em comum acordo, um secretário e seu substituto entre os 
componentes, ou não, da comissão, necessitando, nesse caso, da concordância do 
empregador (BARSANO, 2014).
Atribuições da CIPA: 
 » Identificar os riscos do processo de trabalhoe elaborar o mapa de riscos 
com a participação do maior número de trabalhadores, com assessoria 
dos SESMT, onde houver; 
 » Elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução 
de problemas de segurança e saúde no trabalho;
 » Participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de 
prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação 
nos locais de trabalho;
 » Realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de 
trabalho, visando à identificação de situações que tragam riscos para a 
segurança e saúde dos trabalhadores; 
 » Realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em 
seu plano de trabalho e discutir as situações de risco identificadas; 
 » Divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no 
trabalho;
 » Participar, com os SESMT, onde houver, das discussões promovidas 
pelo empregador para avaliar os impactos de alterações no ambiente e 
processo de trabalho relacionado à segurança e saúde dos trabalhadores;
 » Requerer aos SESMT, quando houver, ou ao empregador a paralisação 
de máquina ou setor em que considere haver risco grave e iminente à 
segurança e saúde dos trabalhadores;
 » Colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO e PPRA e de 
outros programas relacionados à segurança e saúde no trabalho;
55
DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE II
 » Divulgar e promover o cumprimento das Normas Regulamentadoras, 
bem como cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho, 
relativas à segurança e saúde no trabalho;
 » Participar, em conjunto com os SESMT, onde houver, ou com o 
empregador da análise das causas das doenças e acidentes de trabalho e 
propor medidas de solução dos problemas identificados;
 » Requisitar ao empregador e analisar as informações sobre questões que 
tenham interferido na segurança e saúde dos trabalhadores;
 » Requisitar à empresa as cópias das CATs emitidas;
 » Promover, anualmente, em conjunto com os SESMT, onde houver, a 
Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT); 
 » Participar, anualmente, em conjunto com a empresa, de campanhas de 
prevenção da AIDS.
A CIPA terá reuniões ordinárias mensais, de acordo com calendário preestabelecido, 
e extraordinárias sempre que houver denúncia de situação de risco grave e iminente 
que determine aplicação de medidas corretivas de emergência, acidente do trabalho 
grave ou fatal e solicitação expressa de uma das representações (BARSANO, 2014). 
O treinamento dos integrantes da CIPA será antes da posse, promovido pela empresa, 
para titulares e suplentes, no prazo máximo de 30 dias contados da data da posse. 
Sob a responsabilidade da CIPA está a elaboração do mapa de risco. Esse instrumento 
é a representação gráfica do mapeamento de riscos ambientais, por meio de círculos 
de cores e tamanhos proporcionalmente diferentes (riscos pequeno, médio e grande), 
definida a partir do levantamento dos riscos presentes nos locais de trabalho, sentidos 
e/ou observados pelos próprios trabalhadores, de acordo com a sua sensibilidade. Fora 
os riscos, é elaborado sobre o leiaute da empresa, devendo ficar afixado em local visível 
a todos os trabalhadores.
Participação e controle social
A participação na perspectiva do controle social no Sistema Único de Saúde (SUS) foi 
um dos eixos dos debates da VIII Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, 
e é tida como um dos princípios fomentadores da reformulação do sistema nacional 
de saúde e como via imprescindível para a sua democratização. Essa participação 
foi instituída pela Lei no 8.142/1990 dentro do SUS, por meio de seus Conselhos 
56
UNIDADE II │ DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR
de Saúde e de diversas modalidades como conselho nacional, estadual, municipal. 
Esses conselhos têm composição paritária entre os representantes dos usuários que 
congregam setores organizados da sociedade civil e dos demais segmentos (gestores 
públicos, filantrópicos e privados e trabalhadores da saúde), e que objetivam o controle 
social (CORREIA, 2000).
Na saúde do trabalhador, área de práticas eminentemente intersetoriais, a Lei no 
8.142/1990 previu, desde 1990, a criação e funcionamento das Comissões Intersetoriais 
de Saúde do Trabalhador (CIST) como assessoras dos conselhos de saúde. No SUS, 
o controle social é efetivado pela RENAST por meio do controle direto das ações do 
CEREST, pela participação efetiva de organização de trabalhadores na definição de 
prioridades de intervenção, na implementação da política de ST e aplicação de recursos 
disponíveis segundo a realidade do setor produtivo local. As CISTs foram criadas para 
elaborar normas, técnicas e parâmetros de qualidade em SST, a fim de implementar 
políticas relativas às condições de trabalho e o seu controle. 
O objetivo dessa comissão é participar em conjunto com entidades representativas 
de empregados e empregadores, instituições da sociedade civil e órgãos públicos, 
direta e indiretamente responsáveis pela preservação da saúde. Sua composição não 
segue a paridade do Conselho de Saúde, porém ela deve ser a mais representativa 
possível dos trabalhadores, tendo na sua composição técnicos da área de ST. 
A população pode recorrer a outros mecanismos de garantia dos direitos sociais para 
além dos conselhos e conferências de saúde, em especial, o direito à saúde, por exemplo, 
o Ministério Público, a Comissão de Seguridade Social e/ou da Saúde do Congresso 
Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras de Vereadores, a Promotoria 
dos Direitos do Consumidor (Procon), os conselhos profissionais etc. A denúncia por 
intermédio dos meios de comunicação como rádios, jornais, televisão e internet também 
é forte instrumento de pressão na defesa dos direitos (CORREIA, 2000). É importante 
reiterar a importância dos sindicatos representativos de categorias profissionais no 
processo de construção da saúde do trabalhador no Brasil.
O sindicato é uma associação de direito privado, criado por decisão de seus membros, 
com o objetivo de representar, promover e defender, de forma permanente, os direitos 
e interesses da categoria profissional ou econômica, em especial, podendo ser de 
empregados, empregadores ou profissionais liberais. Eles fizeram parte de toda a 
evolução da política trabalhista no nosso país em defesa dos direitos dos trabalhadores. 
E até hoje, via acordos ou dissídios coletivos, conselhos deliberativos etc., garantem 
melhores condições de trabalho e saúde para sua classe. 
57
DIRETRIZES E ATORES DA ESFERA PÚBLICO-PRIVADA DA SAÚDE DO TRABALHADOR │ UNIDADE II
A Constituição Federal de 1988 prevê, enquanto função dos sindicatos, a defesa de 
direitos e interesses coletivos ou individuais de uma categoria, tanto em questões 
judiciais quanto em questões administrativas (art. 8o, III) e a atuação nas negociações 
coletivas de trabalho (art. 8o, VI). No art. 513 da CLT (BRASIL, 1943), dispondo das 
seguintes prerrogativas: 
a. Delegação, judicial e administrativa, dos interesses gerais e individuais 
da categoria ora representada; 
b. A celebração de acordos ou convenções coletivas; 
c. Eleger seus representantes; 
d. Cooperar com o Estado, como órgãos técnicos e consultivos, em temas 
relacionados à categoria representada; e 
e. Impor contribuições aos participantes da categoria representada. Além 
da assistência jurídica, muitos sindicatos detêm uma estrutura de 
saúde de profissionais que orientam os trabalhadores filiados em caso 
de acidentes, contribuindo, desta forma, para a vigilância em saúde do 
trabalhador. 
Você percebeu os principais sujeitos envolvidos no monitoramento da 
saúde dos trabalhadores em uma organização? Não podemos nos esquecer 
de que existem outros atores nessa relação, como os órgãos ambientais, a 
Vigilância Sanitária, ONGs, instituições públicas de ensino, entre outros. Para 
complementar a leitura desta unidade, leia naíntegra as NRs 4, 5, 7, 9 e 17.
58
UNIDADE III
SOBRE ALGUNS 
AGRAVOS 
RELACIONADOS 
AO TRABALHO
CAPÍTULO 1
Doenças do trabalho causadas 
por fatores de risco físico, químico 
e biológico, psicoergonômico e 
mecânico – acidentes
O diagnóstico das doenças relacionadas ao trabalho é também influenciado pelo 
conhecimento e pelo grau de consciência do profissional a respeito da relação entre o 
agente (fator de risco) e ocorrência da doença, por outros diversos fatores que interferem 
na relação médico-paciente, pela disposição do paciente em buscar tratamento médico 
e reconhecimento da doença provocada pelo trabalho (LUCCA, 2012).
Para a NR 9, os riscos ambientais resumem-se em agentes físicos, químicos e biológicos 
presentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou 
intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador. 
Entretanto, a visão reducionista dos riscos ambientais a três grupos perdeu força quando 
a NR 17 estabeleceu que a análise do ambiente de trabalho deve levar em consideração 
as características psicofisiológicas do trabalhador, por meio de uma análise ergonômica 
do trabalho. 
Essas condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, 
transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições 
ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho. Os fatores de 
risco presentes, ou não, nos ambientes de trabalho são classificados, quanto a sua 
natureza, em cinco grupos: 
59
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
Quadro 4. Resumo dos agentes ambientais causadores de agravos à saúde.
Tipo de risco Descrição
1. Físicos
Ruídos; vibrações; radiação (não) ionizante; temperaturas extremas (frio e calor); e pressões anormais 
(hiperbarismo).
2. Químicos
Agentes e substâncias químicas na forma líquida, gasosa (gases e vapores), partículas e névoas, poeiras minerais e 
vegetais (aerodispersoides).
3. Biológicos Vírus, bactérias, fungos e parasitas.
4. Ergonômicos e 
psicossociais
Decorrem da organização e gestão do trabalho, da utilização de equipamentos, máquinas e mobiliários 
inadequados, impondo posturas e posições incorretas; más condições de iluminação nos postos de trabalho; 
podem desencadear fadiga visual no trabalho e acidentes; ventilação e desconforto interferem na produtividade 
dos trabalhadores; trabalhos em turnos noturnos; monotonia ou ritmo de trabalho excessivo; exigências cognitivas 
acentuadas e/ou de produtividade; falhas no treinamento e supervisão autoritária, entre outros. Aqui é importante 
salientar o processo e o ritmo de trabalho enquanto risco ergonômico.
5. Mecânicos
Ligados ao funcionamento das máquinas e equipamentos; arranjo físico; ordem e limpeza do ambiente de trabalho; 
ou falta de sinalização, que pode levar a acidentes de trabalho.
Fonte: Próprio autor.
Você se lembra da classificação das doenças por Schiling? Resgate esse 
conhecimento e verifique o anexo desta apostila, no qual consta a lista de 
doenças e CIDs relacionados a determinadas atividades econômicas.
Alguns autores atribuem os riscos relacionados à organização do trabalho ao que 
chamaríamos de “Riscos Sociais”. Eles são oriundos de comportamentos sociais 
incompatíveis com a preservação da saúde e seriam o pano de fundo de doenças mentais 
(MATTOS; MÁSCULO, 2011). Lucca (2012, p. 204) já os atribui aos riscos ergonômicos 
e psicossociais, a saber:
Os aspectos relacionados à organização do trabalho podem estar 
relacionados à doença sob investigação e devem incluir a duração da 
jornada, realização de horas extras, duração de pausas, folgas e gozo 
regular de férias. A duração da jornada constitui um poderoso indicador 
não apenas do tempo de exposição aos demais riscos presentes no 
ambiente de trabalho e a possibilidade de fadiga, mas do impacto que o 
trabalho tem sob as demais dimensões da vida, como participação em 
atividades familiares e comunitárias, atividades de lazer, realização de 
atividade física regular, estudo etc. O grau de monotonia, autonomia, 
isolamento, ritmo de trabalho, sobrecarga cognitiva, sobrecarga afetiva, 
grau de responsabilidade e suporte social, impostos pela organização 
do trabalho, exercem efeitos distintos sobre as formas de uso do 
corpo, a sobrecarga de determinados segmentos e grupos musculares, 
a satisfação com o trabalho e o sentimento de gratificação pessoal no 
trabalho.
A NR 9 elenca uma série de medidas essenciais para a eliminação, a minimização ou o 
controle dos riscos ambientais, pela identificação antecipada do risco potencial à saúde; 
60
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
constatação de risco evidente à saúde, quando os resultados das avaliações quantitativas 
da exposição dos trabalhadores excederem os valores dos limites previstos na NR 
15 ou, na ausência destes, os valores limites de exposição ocupacional adotados pela 
ACGIH (American Conference of Governmental Industrial Hygienists), ou aqueles 
que venham a ser estabelecidos em negociação coletiva de trabalho e quando, por meio 
do controle médico da saúde, ficar caracterizado o nexo causal entre danos observados 
na saúde dos trabalhadores e a situação de trabalho a que eles ficam expostos. 
Diferenças entre doenças profissionais e doenças do trabalho: a primeira 
é aquela produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar à 
determinada atividade ou profissão e constante da respectiva relação elaborada 
pelo Ministério do Trabalho e Emprego e o da Previdência Social. A segunda, 
a doença do trabalho, é adquirida ou desencadeada em função de condições 
especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relaciona diretamente 
(também constante da relação supracitada) como, por exemplo, saturnismo 
(intoxicação provocada pelo chumbo) e silicose (intoxicação provocada pela 
sílica). Ou surdez por trabalho realizado em local ruidoso.
Em seguida, verificaremos os principais grupos de agravos em ST, vinculando-os aos 
protocolos de atendimento em saúde estabelecidos pelo Ministério da Saúde. 
O estudo desta unidade estará sempre vinculado ao protocolo em questão e 
o Manual de Doenças do Trabalho do Ministério (2001), disponíveis em nossa 
biblioteca virtual.
61
CAPÍTULO 2
Acidente com exposição a material 
biológico relacionado ao trabalho
Os acidentes com material biológico, como sangue ou outros fluidos orgânicos 
potencialmente contaminados, correspondem às exposições mais comumente relatadas 
entre todos os profissionais e trabalhadores que atuam, direta ou indiretamente, na 
assistência à saúde, assistência domiciliar e atendimento pré-hospitalar. Podemos 
considerar como grupo de risco as manicures e pedicures dos salões de beleza. 
Os ferimentos com material perfurocortante são potencialmente capazes de 
transmitir mais de 50 tipos de patógenos diferentes. É importante conhecer os 
procedimentos quando da exposição a material biológico com risco de soroconversão 
(HIV, hepatite B e C), estabelecendo conduta de atendimento inicial, orientação e 
segmento dos trabalhadores acidentados, uso de quimioprofilaxia e notificação de 
casos (BRASIL, 2006b).
Em termos percentuais, o risco de infecção por HIV pós-exposição ocupacional 
percutânea com sangue contaminado é de aproximadamente 0,3%, de 6 a 30%, 
podendo chegar até a 60%, para hepatite B (HBV) e de cerca 1,8% quanto ao vírus da 
hepatite C (HCV). Frisa-se que o risco de adquirir infecção pós-exposição ocupacional 
é variável e depende de diversos fatores como o tipo de acidente, tamanho e gravidade 
da lesão, presença e volume de sangue envolvido, condições clínicas do paciente-fonte 
e seguimento adequado pós-exposição.
Condutas após o acidente 
a. Cuidados com a área exposta: 
 › Lavagem do local exposto com água e sabão nos casos de exposição 
percutânea ou cutânea. 
 › Nas exposições de mucosas, deve-se lavar exaustivamente com água 
ou solução salina fisiológica.› Não há evidência de que o uso de antissépticos ou a expressão do local 
do ferimento reduzam o risco de transmissão, entretanto, o uso de 
antisséptico não é contraindicado. 
62
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
 › Não devem ser realizados procedimentos que aumentem a área 
exposta, tais como cortes e injeções locais. A utilização de soluções 
irritantes (éter, glutaraldeído, hipoclorito de sódio) também está 
contraindicada.
b. Avaliação do acidente:
 › Estabelecer o material biológico envolvido: sangue, fluidos orgânicos 
potencialmente infectantes (sêmen, secreção vaginal, liquor, líquido 
sinovial, líquido pleural, peritoneal, pericárdico e amniótico), fluidos 
orgânicos potencialmente não infectantes (suor, lágrima, fezes, urina 
e saliva), exceto se contaminado com sangue.
 › Tipo de acidente: perfurocortante, contato com mucosa, contato com 
pele com solução de continuidade. 
 › Conhecimento da fonte: fonte comprovadamente infectada ou exposta 
à situação de risco ou fonte com origem fora do ambiente de trabalho. 
 › Fonte desconhecida.
Quadro 5. Situações de maior inoculação viral.
Maior inoculação viral
Paciente-fonte com HIV/aids em estágio avançado.
Infecção aguda pelo HIV.
Situações com viremia elevada.
Ainda com a carga viral baixa e pequeno volume de sangue, há a possibilidade de transmissão.
Fonte: Adaptada de Brasil, 2006b.
c. Orientações e aconselhamento ao acidentado com relação ao risco do 
acidente:
 › Possível uso de quimioprofilaxia. 
 › Consentimento para realização de exames sorológicos.
 › Comprometer o acidentado com seu acompanhamento durante seis 
meses.
 › Prevenção da transmissão secundária. 
 › Suporte emocional devido estresse pós-acidente. 
63
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
 › Orientar o acidentado a relatar de imediato os seguintes sintomas: 
linfoadenopatia, rash, dor de garganta, sintomas de gripe (sugestivos 
de soroconversão aguda).
 › Reforçar a prática de biossegurança e precauções básicas em serviço.
d. Notificação do acidente:
 › Registro do acidente em CAT.
 › Preenchimento da ficha de notificação do Sinan.
e. Manejo frente ao acidente com material biológico.
Condutas frente ao acidente com exposição ao HIV
Quadro 6. Resumo sobre a conduta pós-acidente versus situação do paciente-fonte.
Paciente-fonte Descrição Conduta Tratamento
Paciente-fonte HIV positivo
Um paciente-fonte é considerado 
infectado pelo HIV quando há 
documentação de exames anti-HIV 
positivos ou o diagnóstico clínico 
de aids.
Análise do acidente e indicação 
de quimioprofilaxia antirretroviral 
(ARV)/profilaxia pós-exposição 
(PPE), conforme o fluxograma do 
Manual do MS.
Indicação de profilaxia pós-
exposição (PPE) quando indicada. 
A PPE deverá ser iniciada o mais 
rápido possível, idealmente, nas 
primeiras duas horas após o 
acidente.
Recomenda-se que o prazo 
máximo, para início de PPE, seja 
de até 72 horas após o acidente. 
A duração da quimioprofilaxia é 
de 28 dias. Atualmente, existem 
diferentes medicamentos 
antirretrovirais potencialmente úteis, 
embora nem todos indicados para 
PPE, com atuações em diferentes 
fases do ciclo de replicação viral 
do HIV.
Paciente-fonte HIV negativo
Envolve a existência de 
documentação laboratorial 
disponível e recente (até 60 dias 
para o HIV) ou no momento 
do acidente, por meio do teste 
convencional ou do teste rápido.
Não está indicada a 
quimioprofilaxia antirretroviral.
Paciente-fonte com situação 
sorológica desconhecida
Um paciente-fonte com situação 
sorológica desconhecida deve, 
sempre que possível, ser testado 
para o vírus HIV, depois de obtido 
o seu consentimento.
Deve-se colher também sorologias 
para HBV e HCV.
Paciente-fonte desconhecido
Na impossibilidade de se colher as 
sorologias do paciente-fonte ou de 
não se conhecer o mesmo (p. ex., 
acidente com agulha encontrada 
no lixo).
Recomenda-se a avaliação 
do risco de infecção pelo HIV, 
levando-se em conta o tipo 
de exposição, dados clínicos e 
epidemiológicos.
Fonte: Adaptada de Brasil, 2006b.
64
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
Na escolha do esquema profilático em exposições envolvendo pacientes-fonte infectados 
pelo HIV/aids, deve-se avaliar a história prévia e atual de uso dos antirretrovirais e 
os parâmetros que possam sugerir a presença de vírus resistentes, como o tratamento 
antirretroviral prolongado e a ocorrência, durante o tratamento, de progressão clínica, 
aumento de RNA viral, queda dos níveis de linfócitos CD4+ e falta de resposta na troca 
do esquema medicamentoso. 
Na prevenção secundária, trata-se de o profissional acidentado (exposto ao HIV) 
realizar atividade sexual com proteção pelo período de monitoramento, especialmente, 
nas primeiras 6 a 12 semanas pós-exposição. Deve também evitar: gravidez, doação de 
sangue, plasma, órgãos, tecidos e sêmen. O aleitamento materno deve ser interrompido. 
Condutas frente ao acidente com exposição 
ao HBV
Aqui a conduta vai variar segundo os parâmetros sorológicos do paciente-fonte e do 
acidentado (níveis de anti-HBs), resumidos no quadro a seguir.
Quadro 7. Condutas segundo paciente-fonte e acidentado.
Situação vacinal 
sorológica do trabalhador 
acidentado
Paciente-fonte:
HBsAg reagente
Paciente-fonte:
HBsAg não reagente
Paciente-fonte:
BHsAg desconhecido
Não vacinado IGHAHB + completar vacinação Iniciar vacinação Iniciar vacinação
Com vacinação incompleta IGHAHB + iniciar nova vacinação Completar vacinação Completar vacinação
Com resposta vacinal conhecida e 
adequada (>10UI/ml)
Nenhuma medida específica Nenhuma medida específica Nenhuma medida específica
Sem resposta vacinal após a 1a 
série de vacina
IGHAHB + iniciar nova vacinação
Iniciar nova série de vacinação 
(3 doses)
Iniciar nova série de vacinação (3 
doses)
Sem resposta vacinal após a 2a 
série de vacina
IGHAHB (2 doses) com intervalo 
de 30 dias
Nenhuma medida específica
Resposta vacinal desconhecida
Testar o profissional de saúde: Se 
anti-HBs >10 – Nenhuma
Se Anti-HBs <10 – Fazer 
segunda série de vacinação
Testar o profissional de saúde: Se 
anti-HBs >10 – Nenhuma
Se Anti-HBs <10 – Fazer 
segunda série de vacinação
Testar o profissional de saúde: Se 
anti-HBs >10 – Nenhuma
Se Anti-HBs <10 – Fazer série de 
vacinação
Fonte: Adaptado de Brasil, 2006b.
Condutas frente ao acidente com exposição 
ao HCV 
A incubação do HCV é de 2 a 24 semanas (em média seis a sete semanas). Pode 
ocorrer alteração na TGP em torno de 15 dias, e a positividade do RNA-HCV (PCR – 
reação em cadeia da polimerase) aparece entre 8 e 21 dias. O Anti-HCV (3a geração) 
já pode ser detectado cerca de seis semanas após a exposição. 
65
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
A positivação do Anti-HCV pode ser tardia, e grande parte dos profissionais acidentados 
terá a eliminação espontânea do vírus até 70 dias após a exposição, por isso é 
recomendada a realização do RNA-VHC qualitativo (que já se apresenta detectável 
dias após a contaminação), no prazo de 90 dias após a data do acidente. Em caso de 
resultado positivo, o profissional acidentado será orientado a realizar o tratamento. 
Assim, o monitoramento preestabelecido para trabalhadores, que se acidentaram com 
fonte HCV positiva ou desconhecida, consiste na realização dos seguintes exames (em 
locais que disponham de laboratórios de Biologia Molecular):
Quadro 8. Tipo de exame e periodicidade de acompanhamento.
EXAME/TEMPO Momento zero 90 dias 180 dias
ALT(TGP) Realizar Realizar Realizar
Anti-HCV Realizar Realizar
PCR(RNA-HCV) Realizar *
Nota: *Se positivo, encaminhar para tratamento da hepatite C aguda em centro de referência. Se negativo, um novo Anti-HCV deverá ser feito em 180 dias.
Fonte: Adaptada de Brasil, 2006b.
Em caso de soroconversão, deve-se realizar teste confirmatório por PCR. Quando 
se identifica precocemente a infecção pelo HCV, o acidentado deve ser informado 
sobre a possibilidade de tratamentoe encaminhado para um serviço de referência. 
Concomitantemente, realizar a prevenção da transmissão secundária. 
Sempre é importante focar na prevenção e solicitar do profissional de saúde a carteira 
de vacinação atualizada em que conste a dose da vacina contra a hepatite B, além das 
exigidas pela NR 32 e a adoção de condutas mais seguras em seu ambiente de trabalho, 
sem negligenciar o fato de que o paciente pode ser portador de uma patologia ainda 
desconhecida pela equipe de saúde. Assim, ao longo da vida do profissional de saúde, 
o monitoramento, desde a admissão, e os cuidados durante os procedimentos são de 
extrema importância para a manutenção de sua saúde. É o cuidado com o cuidador. 
Recomendamos a leitura da NR 32 para a complementação das precauções 
adotadas pelos profissionais de saúde, ainda que tenhamos um breve resumo 
logo a seguir.
Medidas de precaução individuais
 » Adotar precauções padrão: sempre utilizar luvas, óculos, máscara e 
avental quando manipular sangue e secreções (independentemente do 
diagnóstico do paciente); 
66
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
 » Lavar as mãos antes e após qualquer procedimento, ainda que tenha 
utilizado EPI;
 » Manter atenção durante a realização dos procedimentos; 
 » Manipular com cuidado as agulhas e instrumentos cortantes; 
 » Não utilizar os dedos como anteparo durante a realização de 
procedimentos que utilizem materiais perfurocortantes; 
 » Não reencapar as agulhas e não as entortar, quebrá-las ou retirá-las das 
seringas com as mãos; 
 » Desprezar conjunto seringa/agulha sem desmontá-lo; 
 » Seguir as recomendações para montagem e preenchimento das caixas de 
perfurocortantes;
 » Desprezar todo material perfurocortante, mesmo que estéril, em 
recipientes adequados; e
 » Manter atualizada a carteira de vacinação e os exames médicos periódicos.
67
CAPÍTULO 3
Câncer relacionado ao trabalho 
(decorrente da exposição ao benzeno)
O câncer ocupacional é decorrente da exposição a riscos ambientais capazes de 
causar tal enfermidade, alguns descritos nas Normas Regulamentadoras 7 e 15: 
benzeno, 4-aminodifenil, benzidina, beta-naftilamina e 4-nitrodifenil. Adota-se 
no país a concepção de “níveis de tolerância” para a exposição ocupacional para a 
maior parte dos cancerígenos, conflitando com o atual conhecimento científico sobre 
carcinogênese, em que não há o reconhecimento de limites seguros para a exposição 
do trabalhador aos agentes cancerígenos, tais como a radiação ionizante, amianto e a 
sílica, que estão entre as que possuem exposições toleradas (BRASIL, 2006c).
O benzeno caracteriza-se como um hidrocarboneto aromático que se apresenta sob 
a forma líquida e incolor, diante das condições normais da temperatura do ambiente 
e da pressão atmosférica, e sua fonte principal de exposição dá-se no ambiente 
ocupacional.
A preocupação em torno do benzeno está na variedade de processos produtivos 
cujo composto é matéria-prima ou solvente: de um lado, colocam-se as indústrias 
siderúrgicas, químicas, petroquímicas e de petróleo, que utilizam e produzem o benzeno 
e suas misturas com mais de 1% de concentração por volume; de outro, representando 
um grupo maior, aparecem as atividades com concentrações inferiores a 1%, tais como 
postos de gasolina, indústrias de produção e uso de cola, solventes, tintas, indústria de 
borracha, indústria gráfica, entre outras (BRASIL, 2006c).
Seu alto poder de volatilização faz com que sua presença se manifeste, principalmente, 
na atmosfera, sendo a sua principal via de absorção no organismo humano a 
respiratória, podendo ocorrer também a penetração por via cutânea. Além de causar 
intoxicação aguda e crônica, o quadro clínico de toxicidade pode se caracterizar pelo 
comprometimento da medula óssea e, consequentemente, de diversas alterações 
hematológicas: “os órgãos hematopoiéticos como a medula óssea são muito 
sensíveis ao benzeno e este malefício tem sido usado como base para a construção da 
regulamentação do uso deste composto” (BRASIL, 2006c).
68
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
Segundo o Ministério da Saúde (2006c), os sinais e sintomas de intoxicação por 
benzeno são: 
“astenia, mialgia, sonolência, tontura e infecções repetidas. Os dados 
hematológicos mais relevantes são neutropenia, leucopenia, eosinofilia, 
linfocitopenia, monocitopenia, macrocitose, pontilhado basófilo, 
pseudo Pelger e plaquetopenia. O diagnóstico é obtido através de 
histórico clínico ocupacional, além de sinais e sintomas característicos 
do quadro de benzenismo” (BRASIL, 2006c). 
Segundo Militão et al. (2000 apud FERREIRA et al., 2015), os principais efeitos 
nocivos provocados são a mielotoxicidade, imunotoxicidade e carcinogênese.
a. Efeito mielotóxico – oriundo de três diferentes manifestações do benzeno 
condizentes à: 
 › Depressão das células progenitoras primitivas e indiferenciadas;
 › Dano ao tecido da medula óssea; e
 › Formação clonal de células primitivas afetadas em decorrência de 
lesões cromossômicas.
b. Efeito imunotóxico – está vinculado aos efeitos produzidos na medula 
óssea, que provocam interferências na imunidade humoral e celular do 
organismo.
c. Efeito carcinogênico – a capacidade de gerar câncer vem do fato de 
provocar danos cromossômicos e à medula óssea.
Diagnóstico das alterações hematológicas
Suspeita diagnóstica:
 » Documentação do nexo causal (risco ocupacional) – anamnese 
ocupacional; 
 » Hemograma completo com plaquetometria e contagem de reticulócitos; 
 » Hematoscopia.
69
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
Confirmação diagnóstica: 
 » Mielograma e citoquímica incluindo a coloração para o ferro; 
 » Biópsia de medula óssea; 
 » Citometria de fluxo do material medular nos casos suspeitos de leucemia 
aguda; 
 » Citogenética do material obtido por meio do mielograma.
Complicação da exposição ao benzeno
Segundo Ministério da Saúde (2006c), as complicações mais graves são a leucemia 
mieloide aguda ou síndrome mielodisplásica. A leucemia mieloide aguda (LMA) é 
caracterizada pela presença de células imaturas (blastos) na medula óssea e/ou sangue 
periférico, em percentual maior ou igual a 20% em relação às células nucleadas, 
mostrando diferenciação mieloide comprovada (citoquímica e/ou imunofenotipagem), 
geralmente expressa num contexto de citopenia(s) periférica(s), de início rápido. 
Já a síndrome mielodisplásica é caracterizada pela 
presença de hematopoiese ineficaz, geralmente expressa por 
citopenia(s) periférica(s) em uma medula hipercelular, às vezes 
hipocelular, com a existência de anormalidades de diferenciação 
celular, em pelo menos uma das três linhagens hematopoiéticas 
mieloides e cuja propensão para evolução em leucemia mieloide aguda 
varia conforme os subtipos encontrados (BRASIL, 2006c).
Vigilância e notificação
O trabalhador exposto a benzeno que apresenta quadro clínico compatível com 
leucemia mieloide aguda ou síndrome mielodisplásica deverá ser encaminhado a um 
serviço de referência em oncologia. Nessa área, os médicos deverão estar capacitados 
para adotar os seguintes procedimentos: 
a. Completa e minuciosa anamnese clínica e ocupacional;
b. Reavaliar os exames hematopatológicos e, quando for o caso, solicitar 
que um patologista faça a revisão da lâmina;
c. Consultar os sistemas de informação e vigilância para verificar se o 
trabalhador está cadastrado como exposto a agentes mielotóxicos.
70
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
Monitoramento e prevenção no ambiente de 
trabalho
Segundo a NR 7, os parâmetros mínimos de acompanhamento da exposição 
ao benzeno se dão por meio do hemograma completo e contagem de plaquetas 
na admissão do trabalhador e a cada semestre. Quanto ao monitoramento das 
condições de trabalho, as empresas que utilizam benzeno em suas atividades deverão 
elaborar o Programa de Prevenção da Exposição Ocupacional ao Benzeno(PPEOB), 
contemplando mais aspectos que aqueles descritos para o PPRA da NR 09:
 » Caracterização das instalações contendo benzeno ou misturas que o 
contenham em concentração maior do que 1% (um por cento) em volume; 
 » Avaliação das concentrações de benzeno para verificação da exposição 
ocupacional e vigilância do ambiente de trabalho segundo a Instrução 
Normativa (IN) no 1;
 » Ações de vigilância à saúde dos trabalhadores próprios e de terceiros, 
segundo a IN no 2; 
 » Descrição do cumprimento das determinações da Portaria e acordos 
coletivos referentes ao benzeno; procedimentos para o arquivamento dos 
resultados de avaliações ambientais previstas na IN no 1 por 40 (quarenta) 
anos; 
 » Adequação da proteção respiratória ao disposto na IN no 1, de 11 de abril 
de 1994; 
 » Definição dos procedimentos operacionais de manutenção, atividades de 
apoio e medidas de organização do trabalho necessárias para a prevenção 
da exposição ocupacional ao benzeno; 
 » Nos procedimentos de manutenção, deverão ser descritos os de caráter 
emergencial, rotineiros e preditivos, objetivando minimizar possíveis 
vazamentos ou emissões fugitivas; 
 » Levantamento de todas as situações em que possam ocorrer 
concentrações elevadas de benzeno, com dados qualitativos e 
quantitativos que contribuam para a avaliação ocupacional dos 
trabalhadores; 
 » Procedimentos para proteção coletiva e individual dos trabalhadores, do 
risco de exposição ao benzeno nas situações críticas, verificadas no item 
71
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
anterior, por intermédio de medidas como: organização do trabalho, 
sinalização apropriada, isolamento de área, treinamento específico, 
ventilação apropriada, proteção respiratória adequada e proteção para 
evitar contato com a pele; descrição dos procedimentos usuais nas 
operações de drenagem, lavagem, purga de equipamentos, operação 
manual de válvulas, transferências, limpezas, controle de vazamentos, 
partidas e paradas de unidades que requeiram procedimentos rigorosos 
de controle de emanação de vapores e prevenção de contato direto do 
trabalhador com o benzeno; 
 » Descrição dos procedimentos e recursos necessários para o controle da 
situação de emergência até o retorno à normalidade; 
 » Cronograma detalhado das mudanças que deverão ser realizadas na 
empresa para a prevenção da exposição ocupacional ao benzeno e a 
adequação ao Valor de Referência Tecnológico; 
 » Exigências contratuais pertinentes que visem adequar as atividades de 
empresas contratadas à observância do programa de contratante; 
 » Procedimentos específicos de proteção para o trabalho do menor de 18 
(dezoito) anos, mulheres grávidas ou em período de amamentação.
72
CAPÍTULO 4
Dermatoses ocupacionais
As dermatoses são compreendidas nas alterações da pele, mucosas e anexos, 
direta ou indiretamente causadas, mantidas ou agravadas pelo trabalho. Podem 
estar vinculadas às substâncias químicas, o que ocorre em 80% dos casos, ou a 
agentes biológicos ou físicos, e ocasionam quadros do tipo irritativo (a maioria) 
ou do tipo sensibilizante. Dentre os principais agentes químicos causadores de 
dermatoses estão cimento, borracha, plástico, solventes orgânicos, graxas e óleo 
de corte, resinas, níquel, cosméticos, madeira, cromo e outros. 
Segundo Ministério da Saúde (2001), as dermatoses ocupacionais são as alterações 
da pele, mucosas e anexos mantidas pelo trabalho e determinadas pela interação de 
dois grupos de fatores:
 » Causas indiretas, como idade, sexo, etnia, antecedentes mórbidos e 
doenças concomitantes, fatores ambientais, como o clima (temperatura, 
umidade), hábitos e facilidades de higiene;
 » Causas diretas constituídas pelos agentes biológicos, físicos, químicos 
ou mecânicos presentes no trabalho que produzem ou agravam uma 
dermatose preexistente. Incluem-se nesse grupo insetos e animais 
peçonhentos (ALI, 2009).
Em média, cerca de 80% das dermatoses ocupacionais são provocadas por agentes 
químicos, substâncias orgânicas e inorgânicas, irritantes e sensibilizantes. A maioria é 
de tipo irritativo e um menor número é de tipo sensibilizante.
Dentre as dermatoses ocupacionais mais frequentes estão as dermatites de contato. 
Estima-se que, juntas, as dermatites alérgicas de contato e as dermatites de contato por 
irritantes representem cerca de 90% dos casos das dermatoses ocupacionais. Apesar 
de, na maioria dos casos, não produzirem quadros considerados graves, são, com 
frequência, responsáveis por desconforto, prurido, ferimentos, traumas, alterações 
estéticas e funcionais que interferem na vida social e no trabalho.
73
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
Quadro 9. Alterações na pele e anexos por causas ocupacionais.
Estrutura Função Alterações cutâneas
Camada córnea Barreira para agentes biológicos, físicos e químicos
Descamação, fissuras, desocloração, absorção 
percutânea
Epiderme: camada espinhosa e 
basal
Síntese da camada córnea
Dermatite de contato, queimadura, infecções, câncer 
cutâneo
Melanócitos
Absorção de radiação UV, regeneração tecidual; 
absorção da luz solar
Hiper-/Hipopigmentação, vitiligo, melanoma
Células de Langerhans Imunorregulação Dermatite alérgica de contato, micose fungoide
Células sensoriais e de Merkel Percepção tátil Neuropatias tóxicas
Vasos e mastócitos Nutrição e termorregulação Choque térmico, urticária, eritema, dedos brancos
Tecido conjuntivo Proteção, reparo tecidual
Traumas, infecções, granuloma, escara, elastose, 
escleroderma
Glândulas sudoríparas, écrinas Termorregulação Miliária cristalina e rubra
Glândulas sebáceas
Síntese lipídica, formação do manto lipídico, pH 
cutâneo
Erupções acneiformes, cloracne, furúnculos
Pelos, ósteofolicular Proteção sensorial, estética Foliculites, alopecia tóxica
Unhas Função de garra e preensão de pequenos objetos Distrofias, paroníquia, onicólises
Fonte: Ali (2009).
Diagnóstico 
Para um diagnóstico preciso, é importante observar: 
a. Anamnese ocupacional (história de exposição ocupacional, melhora com 
o afastamento e piora com o retorno ao trabalho); 
b. Exame físico; 
c. Diagnóstico diferencial**; 
d. Exames de laboratório: histopatologia, testes de contato (teste epicutâneo* 
positivo, nos casos de dermatites de contato por sensibilização); 
e. Inspeção do local de trabalho***; 
f. Informações fornecidas pelo empregador****. 
*Os testes epicutâneos consistem na reexposição, de forma controlada, da pele do 
paciente ao contato com substâncias químicas, em concentrações não irritantes, 
podendo-se diferenciar a dermatite irritativa de contato (DIC) da dermatite alérgica de 
contato (DAC). “Elas são colocadas de modo ordenado, identificadas sobre uma tira de 
micropore e fixadas na pele do dorso do paciente. Depois de 48 horas, retira-se a fita 
e, decorridos de 30 a 60 minutos, faz-se a primeira leitura. Novas leituras deverão ser 
feitas de 24 a 48 horas após a primeira” (BRASIL, 2001). Não se deve coçar, molhar a 
área do teste, e devem ser evitados movimentos bruscos (MENDES, 2013). 
74
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
**Diagnóstico Diferencial – existem algumas dermatites e afecções dermatológicas 
que apresentam características comuns àquelas de origem ocupacional, ou foram 
agravadas no ambiente de trabalho. Tais dermatites de contato não ocupacional 
são: erupções por drogas, disidroses, fotodermatoses, neurodermatites, escabiose, 
dermatite atópica, líquen plano, eczema numular, picadas de insetos e reação a insetos, 
dermatofitoses e dermatite artefacta (simulação, ou malingering).
***Inspeção do ambiente de trabalho – aqui os profissionais podem ter de identificar 
as condições de trabalho e possíveis agentes potencialmente irritantes ou alergênicos.
****Informações junto ao empregador – obter as informações necessárias para 
se estabelecer nexo entre o agente e a dermatose. Atente-se para o nome comercial 
do produto suspeito – ficha técnica;composição química; presença de substâncias 
sensibilizantes; presença de substâncias irritantes (ALI, 2009).
Segundo Mendes (2013), em dermatologia ocupacional, as lesões são frequentes 
em membros superiores, pescoço, face e pernas, podendo atingir toda a pele, 
em alguns casos.
Tratamento 
De um modo geral, o tratamento local contempla cuidados higiênicos em 
locais para prevenir a infecção secundária. Aliado ao uso tópico de corticoides 
e/ou antibióticos, emolientes, hidratantes; e o sistêmico com a prescrição de 
anti-histamínicos sistêmicos e, nos casos mais extensos, corticoidoterapia sistêmica 
(BRASIL, 2012). Em caso de infecção secundária, usa-se: antibiótico tópico, ou 
sistêmico, dependendo da extensão das lesões.
O afastamento da exposição é essencial, utilizando-se de critérios para a sua 
recomendação, conforme “Tabela 2 – Estadiamento, indicadores e parâmetros 
para afastamento do trabalhador de sua função” do protocolo do Ministério da 
Saúde (2012).
A exposição de trabalhadores desprotegidos à radiação solar é a maior 
causa atual de câncer cutâneo ocupacional, tendo como maior incidência 
de tumores cutâneos os indivíduos de pele clara. Outros agentes químicos 
quando em contato habitual com a pele podem igualmente causar cânceres 
cutâneos. Dentre os mais importantes, destacamos: creosoto, piche, arsênico, 
óleos usados, graxa usada, agentes químicos com presença de alguns 
hidrocarbonetos policíclicos aromáticos e outros.
75
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
Prevenção 
O conhecimento dos riscos implica esforços que visem sua neutralização e devem ser 
avaliados de acordo com a atividade executada, a fim de adequar as ações de saúde com 
o nível necessário de prevenção (BRASIL, 2012). Ali (2009) resume em um fluxograma 
as ações de prevenção das dermatoses, por níveis, conforme Quadro 10.
Quadro 10. Resumo de ações de prevenção ao câncer ocupacional.
Conceito de prevenção – avaliar previamente o ambiente de trabalho e propor medidas que evitem danos à 
integridade física dos trabalhadores
Prevenção primária Prevenção secundária Prevenção terciária
 » Ambiente de trabalho com instalações 
adequadas e seguras.
 » Estrutura sanitária de fácil acesso para boa 
higiene pessoal.
 » Refeitório ou restaurante com ambientação 
adequada.
 » Treinamento sobre riscos e a sua prevenção.
 » Orientação sobre doenças de modo geral.
 » Males sociais, como álcool e outras drogas.
 » Normas de higiene, imunização, campanhas 
etc.
 » Detecção precoce de agravos à pele.
 » Neutralização/minimização de riscos.
 » Inspeção periódica dos locais de trabalho.
 » Exames médicos periódicos.
 » Tratamento precoce.
 » Diagnóstico clínico, exame de laboratório, 
testes epicutâneos.
 » Tratamento: cura, cura com sequelas ou 
cronificação.
 » Reabilitação para a mesma atividade.
 » Reabilitação para outra atividade, em caso 
de alergia severa.
Fonte: Adaptado de Ali (2009).
76
CAPÍTULO 5
Distúrbios Osteomusculares 
Relacionados ao Trabalho (DORT)
Dados recentes do Anuário Estatístico da Previdência Social (2012) revelam que, 
em 2012, ocorreram 385.991 casos de doenças do sistema osteomuscular e do tecido 
conjuntivo. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 
o aumento dessas doenças está relacionado à revolução tecnológica, a fatores 
biomecânicos, psicossociais, bem como ligados à psicodinâmica do trabalho e aos 
fatores organizacionais, tais como inflexibilidade, ritmo elevado de trabalho com 
movimentos repetitivos e sem pausa, grande exigência de produção e posto de trabalho 
desconfortável e ergonomicamente favorável ao adoecimento (BRASIL, 2001).
A ocorrência de LER/DORT em grande número de pessoas, em diferentes países e em 
atividades consideradas leves, provocou uma mudança no conceito tradicional de que o 
trabalho pesado, envolvendo esforço físico, é mais desgastante do que o trabalho leve. 
No Brasil, segundo dados do boletim epidemiológico publicado na 4a Conferência 
de Saúde do Trabalhador (2014), em Brasília, as doenças de interesse exclusivo de 
notificação por estratégia sentinela contabilizam 8% dos agravos, e as LER/DORT 
predominam com 74% das notificações no país.
Sinais e sintomas
Segundo Ministério da Saúde (2001), os sinais e sintomas de LER/DORT são múltiplos 
e diversificados, destacando-se: 
 » Dor espontânea ou relativa à movimentação passiva, ativa ou 
contrarresistência; 
 » Alterações sensitivas de fraqueza, cansaço, peso, dormência, formigamento, 
sensação de diminuição, perda ou aumento de sensibilidade, agulhadas, 
choques; 
 » Dificuldades para o uso dos membros, particularmente das mãos, e, mais 
raramente, sinais flogísticos e áreas de hipotrofia ou atrofia.
A descrição específica dos sinais e sintomas relacionada à localização, forma da lesão; 
momento de início, duração e caracterização da evolução temporal, bem como a sua 
intensidade, são cruciais para o diagnóstico. Além disso, devem ser especificados os 
fatores que contribuem para a melhora ou agravamento do quadro. 
77
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
Outros sintomas desse grupo podem ser confirmados por testes específicos, mas isso 
nem sempre é um processo direto, porque a ausência de sinais conclusivos não permite 
descartar a presença da doença se o paciente continua a queixar-se de dor intensa. 
A dor é subjetiva, podendo decorrer de situações de conflito no trabalho ou um 
sofrimento maior.
O reconhecimento das patologias específicas no grupo LER/DORT é muito útil na 
orientação do plano terapêutico. A demora do reconhecimento de uma LER/DORT na 
fase aguda pode favorecer a apresentação de mais de uma patologia específica na fase 
crônica. Por exemplo, pacientes com inflamações teciduais podem apresentar também 
alterações sensitivas originadas de uma compressão do nervo periférico e uma sobrecarga 
emocional muito grande no trabalho e assim sucessivamente. Daí a necessidade de se 
ter um olhar clínico para além da sintomatologia do agravo, percebendo as condições 
ambientais de trabalho. 
Plano de tratamento
A definição de plano de tratamento para membros superiores depende: 
1. Da presença de inflamação e/ou degeneração; 
2. De alterações sensitivas e/ou motoras e/ou edema; e 
3. Desequilíbrios psíquicos gerados em certas situações especiais de 
trabalho, na origem do adoecimento e/ou associados à sua evolução 
quando, por exemplo, exige afastamento do paciente de sua atividade 
laboral. 
Assim, deve-se contemplar ainda: 
 » Explicação ao paciente de que a dor advém de um longo tempo de 
exposição aos fatores de risco no trabalho e que o tratamento também 
será longo; 
 » Orientação de que a postura nas atividades domésticas e outras deverão 
ser corrigidas;
 » Orientação quanto à postura para dormir; 
 » Uso de gelo, ou calor, dependendo do caso, três vezes ao dia durante 20 
minutos;
78
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
 » Consideração da unidade do membro superior e estabelecimento de 
conduta focada nos objetivos de:
 › Aliviar a dor e paresia; 
 › Reduzir o edema; 
 › Manter ou aumentar a amplitude de movimentos (adm) dos mmss; 
 › Aumentar a força muscular dos mmss; 
 › Reeducar a função sensorial; 
 › Aumentar a resistência à fadiga; 
 › Melhorar a funcionalidade dos mmss; e
 › Proteger a função articular; 
 » Eficácia do uso do anti-inflamatório, acompanhado ou não de relaxante 
muscular; 
 » Necessidade de se introduzir outros medicamentos, como, por exemplo, 
antidepressivos tricíclicos em doses baixas; 
 » Recursos de eletrotermoterapia, com programação individualizada, 
avaliando sempre sua eficácia; 
 » Atividades de relaxamento muscular com massageador elétrico, de 
hidromassagem, massagem manual e outras técnicas de terapia corporal; 
 » Na presença de edema, massagem retrógrada para reduzi-lo; 
 » Exercícios passivos, ativo-assistidos e com resistências; 
 » Exercícios isométricos, com estimulaçãotátil com diferentes texturas e 
exercício de pinça; 
 » Atividades de terapia ocupacional, visando propiciar a recuperação da 
capacidade de desenvolver atividades da vida diária, gradativamente; 
 » Em alguns casos, uso do splint para reduzir a dor, manter a integridade 
articular e melhorar a função (recomendado por terapeuta);
 » Avaliação de desequilíbrios psíquicos existentes, procurando identificar 
formas precoces de seu aparecimento;
 » Observação de que, quando houver mais de um diagnóstico específico, 
não é aconselhável somar as terapias, pois uma prescrição fisioterápica 
para um quadro clínico específico pode agravar os sintomas de outro;
79
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
 » Evolução dos sintomas da patologia específica, pois a maioria das lesões 
da coluna cervical inicia-se com dor e, posteriormente, surgem os 
sintomas de disfunção neurológica, que podem acentuar os sintomas de 
outra patologia; 
 » Identificação do estado das estruturas musculoesqueléticas atingidas 
para, então, instituir a terapêutica conveniente. 
 » Diagnóstico da origem da dor no membro superior e as possíveis 
alterações anatômicas e funcionais que incluem testes de força dos 
grupos musculares de ambos os membros, sempre comparados com o 
lado normal, se houver; e
 » Na perspectiva de avaliar o membro superior enquanto unidade, os testes 
irritativos que reproduzem sintomas, estalos e sensação de instabilidade 
podem ajudar na avaliação dos efeitos da exposição aos fatores de risco 
de LER/DORT sobre as diferentes estruturas do membro superior.
Os procedimentos cirúrgicos não têm se mostrado úteis nos casos de LER/DORT. 
Frequentemente, os pacientes com história relativamente longa, submetidos a 
procedimentos cirúrgicos, evoluem para dor crônica de difícil controle (BRASIL, 2012).
Temos uma extensa relação de CIDs enquadrados como LER/DORT na Lista de 
Doenças Relacionadas ao Trabalho do Ministério da Saúde (1999) e a conduta 
terapêutica específica para cada agravo no Manual de Doenças Relacionadas ao 
Trabalho (2001). Seguem a seguir as descrições de algumas delas.
Quadro 11. LER/DORTS mais comuns.
Algumas LER/DORT
A tenossinovite é um processo inflamatório provocado por um problema mecânico: o atrito entre os tendões e os ossos lesa a bainha que fica entre 
tais estruturas, gerando sintomas inflamatórios. Este quadro pode gerar a compressão dos nervos periféricos localizados na região do punho. Temos 
como exemplo a tenossinovite estenosante (“dedo em gatilho”) quando um espessamento nos tendões flexores superficiais dos dedos o leva a ficar 
encarcerado em flexão.
A síndrome de impacto exemplifica a evolução de LER/DORT: é consequência de uma disfunção do manguito rotatório (ombro) por atrofia ou por 
lesão degenerativa dos tendões dos músculos – muito solicitados nas tarefas que o trabalhador desempenhava – que o compõem, devido a gestos 
e movimentos estereotipados e certas exigências do posto de trabalho. A dor denominada síndrome do impacto é resultante de uma alteração 
mecânica, ou seja, o aumento do atrito na região subacromial quando o braço é elevado.
Epicondilite lateral “cotovelo de tenista” decorre do envolvimento da origem dos tendões extensores do carpo; já a epicondilite medial denominada 
“cotovelo de golfista” tem sua origem nos tendões flexores do carpo. Em geral, são desencadeadas por movimentos repetitivos de punho e dedos, 
com flexão brusca ou frequente, esforço estático e preensão prolongada de objetos, por exemplo, preensão de chaves de fenda, condução de veículos 
cujos volantes exigem esforço e transporte de cargas pesadas.
Fonte: Próprio autor.
80
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
Notificação
No Protocolo de atendimento à LER-DORT, recentemente lançado, tem-se duas 
situações que prescindem de notificação em um momento inicial, não descartando a 
possibilidade de uma futura notificação, caso seja confirmado o diagnóstico: 
1. Ainda que o ramo de atividade não seja de conhecido risco para tal 
agravo, com quadro clínico sugestivo e anamnese pouco elucidativa dos 
riscos para LER e ocupação, deve-se apenas encaminhar o paciente para 
tratamento clínico e acompanhamento.
2. Quando sem quadro característico e/ou com a permanência de dúvidas, 
encaminhar para avaliação clínica especializada (reumatologista, 
neurologista, ortopedista) e/ou exames complementares (radiografia, 
ultrassonografia, ressonância magnética).
81
CAPÍTULO 6
Perda Auditiva Induzida Por Ruído (PAIR) 
relacionada ao trabalho
Segundo Mendes (2013), o sistema auditivo pode ser atingido de diversas formas na 
atividade laboral por meio da exposição a ruído intenso, produtos químicos e outros, 
podendo sofrer até traumas acústicos. Entre esses agentes, o ruído aparece como o 
maior causador de perda auditiva, expondo maior número de trabalhadores. Este 
agravo é conhecido como PAIR. A Perda Auditiva Induzida Pelo Ruído (PAIR) consiste 
na diminuição gradual da acuidade auditiva, decorrente da exposição continuada a 
níveis elevados de ruído no ambiente de trabalho. Ela é neurossensorial, irreversível 
e passível de não progressão uma vez cessada a exposição ao ruído. A NR 7 estabelece 
que, inicialmente, o acometimento dos limiares auditivos acontecem em uma ou mais 
frequências da faixa de 3.000 a 6.000 Hz e, nas mais altas e mais baixas, poderão levar 
mais tempo para serem afetados.
“O trauma acústico é a perda súbita da acuidade auditiva, ocasionada por uma 
única exposição a pressão sonora intensa, como as explosões e detonações por 
exemplo, ou devido a trauma físico do ouvido, crânio ou coluna cervical direto ” 
(BRASIL, 2001).
Diagnóstico
Um conjunto de procedimentos que envolve anamnese clínica e ocupacional, exame 
físico, avaliação audiológica e, se necessário, testes complementares são fundamentais 
para o diagnótico de PAIR ocupacional (BRASIL, 2001). Distinguem-se em estágios de 
evolução clínica os seguintes:
Quadro 12. Estágios de evolução da PAIR ocupacional.
Estágios de evolução clínica
1o Estágio: compreende as primeiras 2 ou 3 semanas de início da exposição. O trabalhador pode referir tinidos (acufeno) em finais de jornada, 
sensação de plenitude auricular, cefaleia e tontura. A audiometria pós-exposição ao ruído pode mostrar aumento de limiares auditivos em frequências 
agudas, reversíveis após afastamento da exposição.
2o Estágio: caracteriza-se por ser completamente assintomática, exceto por eventuais tinidos. Pode durar de meses a anos e a audiometria pode 
mostrar perda de 30 a 40 dB (NA) na frequência de 4 KHz, atingindo às vezes as frequências de 3 e 6 KHz.
3o Estágio: o trabalhador passa a referir dificuldades para ouvir o tique-taque de relógios, o som de campainhas de residências e/ou telefones, 
necessidade de aumentar o volume do rádio e TV, dificuldade para compreender alguns sons de consoantes principalmente em ambientes com 
ruídos de fundo (inclusive de baixa intensidade), pode começar a pedir que repitam o que foi falado. O déficit audiométrico nas frequências atingidas 
na fase 2 aumenta de intensidade, podendo atingir de 45 a 60 dB (NA).
4.o Estágio: coincide com a surdez pelo ruído. O trabalhador tem dificuldade para ouvir a voz de familiares e colegas de trabalho, pede para que 
falem mais alto. Por causa do recrutamento, os sons são percebidos de maneira distorcida, já descrita como “se fosse um rádio mal sintonizado”. A 
audiometria mostra comprometimento também das frequências de 2, 3 e 8 KHz.
Fonte: Brasil, 2001.
82
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
De modo resumido, os sinais e sintomas da PAIR são: 
a. Auditivos: perda auditiva, zumbidos, dificuldades no entendimento de 
fala, outros sintomas menos frequentes, como algiacusia (sensação de 
audição “abafada”) e dificuldade na localização da fonte sonora. 
b. Não auditivos: alterações do sono e vigília; transtornos da comunicação, 
transtornos neurológicos, vestibulares, digestivose comportamentais. 
c. Outros efeitos do ruído: transtornos cardiovasculares e hormonais. 
Avaliação audiológica
Para a confirmação da existência de alterações auditivas, é fundamental a realização 
da avaliação audiológica. Ela requer equipamento calibrado, cabine audiométrica e 
repouso acústico de no mínimo 14 horas e é formada por uma bateria de exames, tais 
como: 
 » Audiometria tonal por via aérea;
 » Audiometria tonal por via óssea;
 » Logoaudiometria; e 
 » Imitanciometria.
Situação A: quando o diagnóstico for feito a partir de apenas uma avaliação 
audiológica, deve-se considerar, principalmente que: 
 » A perda auditiva é sempre neurossensorial e, geralmente, nas duas 
orelhas, com padrões similares, podendo, em alguns casos, haver 
diferenças entre os graus de perda bilateral. 
 » Geralmente, não produz perda maior que 40 dB (NA) nas frequências 
baixas e 75 dB (NA) nas altas. 
 » O trabalhador pode desenvolver intolerância a sons intensos, 
queixar-se de zumbido e diminuição de inteligibilidade da fala, com 
prejuízo da comunicação oral.
Situação B: quando houver avaliações audiológicas anteriores, elas devem ser 
comparadas, observando se há ou não a progressão da perda auditiva, que na 
PAIR tem seu início e predomínio nas frequências de 3, 4 ou 6kHz, progredindo, 
83
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
posteriormente, para 8, 2, 1, 0,5 e 0,25kHz. Em condições estáveis de exposição, 
as perdas em 3, 4 ou 6kHz geralmente atingirão um nível máximo, em cerca de 
10 a 15 anos.
Avaliação dos efeitos não auditivos 
Essa avaliação visa à verificação do impacto que a perda auditiva está gerando na 
vida do trabalhador, possibilitando o real dimensionamento do problema, assim 
como direcionando possíveis ações de reabilitação (BRASIL, 2006e). Pode ser feita 
utilizando-se a própria anamnese ocupacional para caracterização dos sintomas não 
auditivos da PAIR assim como outros instrumentos padronizados específicos para 
o levantamento de dificuldades de vida diária (principalmente comunicação), como 
questionários de autoavaliação e/ou a CIF. 
A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, 
publicada em 2003, pela OMS/OPAS, fornece uma descrição de situações 
relacionadas ao funcionamento humano e suas restrições, envolvendo 
funções e estruturas corporais, atividades e participação relacionados às 
ações tanto individuais quanto coletivas (BRASIL, 2006e).
Tratamento
Não existe até o momento tratamento para PAIR. Além da notificação do agravo 
quando ele existir, faz-se necessário o monitoramento das condições do ambiente de 
trabalho e da saúde dos trabalhadores, por meio de avaliações periódicas de saúde 
que incluam avaliações audiológicas, caso haja exposição a ruído. A reabilitação pode 
ser feita por meio de ações terapêuticas individuais e em grupo, a partir da análise 
cuidadosa da avaliação audiológica do trabalhador. 
Medidas de prevenção
As medidas de prevenção estão previstas principalmente nas NR 7, quanto ao 
acompanhamento de saúde, e na NR 9, em relação ao monitoramento dos níveis de 
pressão sonora no ambiente de trabalho, utilizando-se como parâmetro as referências 
constantes da NR 15. 
De modo geral, as ações de monitoramento do ruído focam a redução da fonte geradora 
em níveis menores a 85dB (o nível de ação de 80dB, Portaria no 25 MTB, 1994), 
considerando-se a carga horária de 8 horas por dia. Caso essa medida não possa ser 
84
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
tomada, a recomendação de uso de EPIs se faz obrigatória, com o acompanhamento 
da sua utilização, guarda e higiene pelo empregador, além do comprometimento dos 
trabalhadores na prevenção da perda auditiva. 
Mendes (2013) resume em seu tratado de patologias do trabalho alguns tópicos 
obrigatórios para o sucesso do Programa de Conservação Auditiva, onde quer que ele 
seja implantado. Confira o Quadro 13. 
Quadro 13. Programa de prevenção de PAIR ocupacional.
Programa Preventivo
Com o trabalhador
Exames audiométricos
Afastamento do risco
Instrução e treinamento
Participação ativa e comprometimento no uso do EPI
Com o ambiente
Identificação das causas
Avaliação ambiental
Controle do risco
Novos projetos (previsão de regras de Engenharia)
Vigilância ambiental
Avaliação do Programa
Checklist
Resultados
Acompanhamento permanente
Fonte: Adaptado de Ali, 2009.
85
CAPÍTULO 7
Pneumoconioses relacionadas ao 
trabalho
As pneumoconioses são genericamente designadas pneumopatias relacionadas 
etiologicamente à inalação de poeiras em ambientes de trabalho. São excluídas dessa 
denominação as alterações neoplásicas, as reações de vias aéreas, como asma e a 
bronquite, e o enfisema. Apesar de esse conceito englobar a maior parte das alterações 
pulmonares envolvendo o parênquima, alguns autores apontam para o fato de que 
o termo pneumoconiose pode não ser adequado quando aplicado a determinadas 
pneumopatias mediadas por processos de hipersensibilidade, atingindo o parênquima 
pulmonar, como as alveolites alérgicas por exposição a poeiras orgânicas e outros 
agentes, a doença pulmonar pelo berílio ou a pneumopatia pelo cobalto, por exemplo 
(BRASIL, 2006f).
Um dos maiores causadores de pneumoconioses, o cimento, tem a sua produção 
em diversos ramos de atividades econômicas – mineração e transformação de 
minerais em geral – nos quais há exposição dos trabalhadores ao risco de inalação 
de poeiras causadoras de pneumoconioses (BRASIL, 2006f). Dados de 1999 a 2000, 
no Brasil, apontaram que cerca 1.815.953 trabalhadores vinculados a empregos 
formais estavam expostos à sílica por mais de 30% de sua jornada de trabalho 
(BRASIL, 2006f). 
De acordo com Ribeiro et al. (2008), sobre a saúde do trabalhador nas fábricas 
de cimento, pouco se conhece sobre a realidade das indústrias brasileiras, 
pois é pequeno o número de estudos disponível na literatura, mas há uma 
alta correlação entre o nível de exposição ao material particulado e doenças 
respiratórias dos trabalhadores em alguns estudos internacionais. Trabalhar 
com material sólido, em que a possibilidade de geração de poeiras é elevada, 
expõe o trabalhador a riscos, sem contar que a exposição de trabalhadores a 
material particulado na indústria de produção de cimento é potencialmente 
uma das mais preocupantes.
Observe a divisão desses riscos no Quadro 14. 
86
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
Quadro 14. Tipos de pneumoconioses.
Tipo Descrição
1 Pneumoconioses não 
fibrogênicas
Ausência de fibrose, não se excluindo a presença desta. Na dependência do conhecimento do tipo de poeira inalada, 
a pneumoconiose leva denominação específica como siderose (Fe), baritose (Ba), estanose (Sn) etc. Normalmente, 
ocorrem após exposições ocupacionais de longa duração. Os sintomas respiratórios costumam ser escassos, 
sendo que a dispneia aos esforços é o principal deles. A disfunção respiratória é praticamente ausente e a evolução 
clínica é considerada benigna quando comparada à evolução possível das pneumoconioses fibrogênicas. Apesar da 
ausência de fibrose, o padrão de alteração radiológica é bastante semelhante à silicose.
2 Pneumoconioses 
fibrogênicas
Reações pulmonares à inalação de material particulado que leva à fibrose intersticial do parênquima pulmonar.
Silicose e asbestose
Os processos de instalação e desenvolvimento da silicose e da asbestose são similares, muito embora a primeira 
dê origem a uma fibrose intersticial focal, que se inicia com a formação de granulomas de deposição concêntrica 
de colágeno, e a segunda com a proliferação de colágeno no interstício, sem a presença relevante de células 
inflamatórias de defesa, diferença não bem compreendida até o momento. Se a exposição (inalação) tiver sido 
grande ou por longo período, o processo inflamatório com dano celular persiste instalando-se a fibrose difusa e 
progressiva do parênquima pulmonar.
Pneumoconiosedos 
trabalhadores de carvão
Ocorre a passagem de partículas para o pulmão e tem início a formação de acúmulos de carvão e de células de 
defesa macrófagos ao redor dos bronquíolos respiratórios, com presença de fibras de reticulina e deposição de 
pequena quantidade de colágeno (máculas de carvão). Essas lesões são intralobulares, pouco ou não visíveis à 
radiografia e geralmente acompanhadas de enfisema focal adjacente às áreas das máculas. Com a progressão da 
doença, decorrente da continuada inalação ou mesmo após o afastamento da exposição, pode ocorrer a formação 
de nódulos maiores. A exposição crônica pode dar origem à forma de fibrose maciça progressiva (FMP), que 
costuma ser bilateral e predomina nos lobos superiores, lobo médio e segmentos superiores dos lobos inferiores 
do pulmão. Geralmente são assimétricas, apresentando às vezes características de lesão maligna, podendo cavitar, 
com o paciente expectorando material enegrecido, conhecido como melanoptise. Nesse estágio, o trabalhador pode 
cursar mais com dispneia (dificuldade em respirar), distúrbio ventilatório misto (oscilações no ritmo da respiração), 
hipertensão pulmonar e cor pulmonale.
Pneumoconiose por poeira 
mista
Poeiras mistas são aerossóis minerais com baixo conteúdo de sílica, como por exemplo a mica, sericita, caulim 
e outros. Podem produzir quadros de fibrose nodular, diferentes da silicose clássica. Ocasionalmente, essas 
pneumoconioses cursam com FMP (ver item b).
Doenças relacionadas ao 
asbesto
Ver item a.
Pneumoconiose por 
abrasivos
É causada pela exposição inalatória a poeiras de abrasivos: alumina ou corindo (Al
2
O
3
) e o carbeto de silício ou 
carborundum (SiC). Ocupações de risco: trabalhadores na produção de abrasivos, em operações de acabamento em 
fundições, metalúrgicas em geral, afiação de ferramentas e moagem de sucatas de rebolos.
Pneumoconiose por metais 
duros
Envolve reação inflamatória desencadeada por liga metálica que se manifesta por meio de mecanismos 
imunológicos, apresentando quadros subagudos de alveolite ou evoluindo insidiosamente para fibrose intersticial, 
convivendo com as fases de pneumonia intersticial descamativa e de fibrose crônica.
Pneumopatia por berílio
Apresenta três características importantes: 1) pode ser desencadeada por baixas doses ou curta exposição (< 1 
ano); 2), manifesta-se após longo período de latência (geralmente > 10 anos após início da exposição), mesmo 
estando o indivíduo afastado da exposição há vários anos; e 3) menos de 5% dos indivíduos expostos desenvolvem 
a doença, provavelmente por maior suscetibilidade genética. É indistinguível da sarcoidose e, diferentemente das 
demais pneumoconioses, pode ser tratada com uso de corticosteroide.
Pneumonite por 
hipersensibilidade
É caracterizada por episódios agudos de acúmulo de líquidos nos espaços aéreos e no interstício, poucas horas 
após o contato com antígeno (alergia). Clinicamente pode se manifestar com febre, tosse, dispneia, cefaleia, mialgia, 
sintomas de curta duração (1 a 3 dias) e que se resolvem espontaneamente. A exposição repetida leva a quadros 
recorrentes de pneumonia exsudativa, podendo evoluir para a forma crônica da doença com presença de granuloma 
não necrotizante, bronquiolite obliterante e fibrose intersticial difusa. Pelos mecanismos implicados em sua fase de 
atividade geralmente responde ao tratamento com corticosteroides.
Fonte: Brasil, 2006f e Ribeiro et al., 2008.
Diagnóstico
Qual a conduta diagnóstica para as pneumoconioses? De modo geral, contempla a 
história ocupacional de exposição a poeiras, história clínica com sintomas ausentes 
87
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
ou com presença de sintomas que são precedidos pelas alterações radiológicas, 
radiografia simples de tórax interpretada de acordo com os critérios da OIT (2000). 
Alguns agravos requerem exames complementares mais específicos, como a tomografia 
computadorizada de alta resolução ou lavado brônquio alveolar. 
Tratamento
Existe indicação obrigatória de afastamento da exposição para todos e quaisquer 
trabalhadores com pneumoconioses diagnosticadas. A terapêutica medicamentosa 
está indicada somente nas pneumoconioses com patogenia relacionada à resposta de 
hipersensibilidade, como a pneumopatia pelo cobalto, a pneumopatia pelo berílio e as 
pneumonites por hipersensibilidade. Aqui, além do afastamento obrigatório e definitivo 
da exposição, indica-se corticoterapia prolongada.
Existem muitas outras doenças associadas à pneumoconioses, tendo o seu tratamento 
embasado nos consensos atuais de manejo, como a tuberculose, DPOC e o câncer de 
pulmão.
Prevenção
As medidas de prevenção estão relacionadas à higiene ocupacional, visando à redução 
de partículas dispersas no ar, a exemplo da umidificação do ambiente com lavagem do 
piso, exaustão local, boa ventilação, utilização de máscaras faciais apropriadas, entre 
outras formas de prevenção às pneumoconioses. 
88
CAPÍTULO 8
Transtornos mentais relacionados ao 
trabalho
Transtornos mentais e comportamentais relacionados ao trabalho são:
aqueles resultantes de situações do processo de trabalho, provenientes 
de fatores pontuais como exposição à determinados agentes tóxicos, até a 
completa articulação de fatores relativos à organização do trabalho, como 
a divisão e parcelamento das tarefas, as políticas de gerenciamento das 
pessoas, assédio moral no trabalho e a estrutura hierárquica organizacional 
(BRASIL, 2001).
Segundo Leão e Gomez (2014), a questão da saúde mental dos trabalhadores 
é atualmente uma das demandas mais prementes para os serviços de ST. 
As características da organização dos trabalhos atuais induzem uma série de 
sofrimentos físicos, psíquicos e sociais – as queixas relativas a assédio moral e violência 
psicológica, insatisfação, cansaço, mal-estar e sofrimentos constantes e duráveis são 
cada vez mais frequentes no meio trabalhista. Também emergem manifestações 
mais agudas e graves que levam à depressão, estresse pós-traumático, neuroses 
profissionais e até suicídio – dado certos contextos de concorrência em que estão 
inseridos, e a tendência a desenvolver e manter performances de alto nível inibem ou 
camuflam qualquer manifestação de sofrimento (LEÃO; GOMEZ, 2014).
Quadro 15. Lista de transtornos mentais relacionados ao trabalho.
LISTA DE TRANSTORNOS MENTAIS E COMPORTAMENTAIS RELACIONADOS AO TRABALHO
 » Demência em outras doenças específicas classificadas em outros locais (F02.8) 
 » Delirium, não sobreposto à demência, como descrita (F05.0) 
 » Transtorno cognitivo leve (F06.7) 
 » Transtorno orgânico de personalidade (F07.0) 
 » Transtorno mental orgânico ou sintomático não especificado (F09.-) 
 » Alcoolismo crônico (relacionado ao trabalho) (F10.2) 
 » Episódios depressivos (F32.-) 
 » Estado de estresse pós-traumático (F43.1) 
 » Neurastenia (inclui síndrome de fadiga) (F48.0) 
 » Outros transtornos neuróticos especificados (inclui neurose profissional) (F48.8) 
 » Transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não orgânicos (F51.2) 
 » Sensação de estar acabado (síndrome de burnout ou síndrome do esgotamento profissional) (Z73.0)
Fonte: Brasil, 2001.
89
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
Trataremos de três patologias aqui: alcoolismo e outras drogas; transtornos depressivos; 
e síndrome de burnout. 
Alcoolismo crônico relacionado ao trabalho 
É o modo crônico e continuado de usar bebidas alcoólicas, caracterizado pelo descontrole 
periódico da ingestão ou pelo padrão de consumo de álcool com episódios frequentes 
de intoxicação e preocupação com o álcool e o seu uso, a despeito das consequências 
adversas desse comportamento para a vida e a saúde do usuário. A perturbação do 
controle de ingestão de álcool caracteriza-se por ser contínua ou periódica e por 
distorções do pensamento, caracteristicamente a negação, isto é, o bebedor alcoólico 
tende a não reconhecer que faz uso abusivo do álcool (BRASIL, 2001). O trabalhoé 
considerado um dos fatores psicossociais de risco para o alcoolismo crônico.
Segundo Ministério da Saúde (2001), o alcoolismo é mais frequente em determinadas 
ocupações, principalmente naquelas desprestigiadas socialmente, como as que 
têm contato com cadáveres, lixo ou dejetos em geral, apreensão e sacrifício de cães; 
atividades em que a tensão é constante e elevada, como nas situações de trabalho 
perigoso, grande exigência e atividade mental (repartições públicas, estabelecimentos 
bancários e comerciais), de trabalho monótono, tedioso, trabalhos em isolamento do 
convívio humano e/ou com afastamento prolongado do lar.
Com evidências epidemiológicas de excesso de prevalência de alcoolismo 
crônico em determinados grupos ocupacionais, a ocorrência poderá ser 
classificada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação 
de Schilling. O trabalho pode ser considerado como fator de risco, no conjunto 
de fatores de risco associado à etiologia multicausal do alcoolismo crônico. 
Trata-se, portanto, de um nexo epidemiológico, de natureza probabilística, 
principalmente quando as informações sobre as condições de trabalho forem 
consistentes com as evidências epidemiológicas disponíveis. 
Quadro clínico e diagnóstico
Os critérios diagnósticos foram adaptados daqueles previstos para a caracterização das 
demais síndromes de dependência, segundo os quais três ou mais manifestações devem 
ter ocorrido, conjuntamente, por pelo menos um mês, ou se persistirem por períodos 
menores do que um mês. E devem ter ocorrido juntas, de forma repetida durante um 
período de 12 meses, tendo sido explicitada sua ocorrência em relação à situação de 
trabalho, como:
90
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
 » Forte desejo ou compulsão de consumir álcool em situações de forte 
tensão presente ou gerada pelo trabalho;
 » Comprometimento da capacidade de controlar o comportamento de 
uso da substância, evidenciado pelo uso da substância em quantidades 
maiores, ou por um período mais longo que o pretendido, ou por um 
desejo persistente ou esforços infrutíferos para reduzir ou controlar o seu 
uso;
 » Estado fisiológico de abstinência quando o uso do álcool é reduzido ou 
interrompido;
 » Evidência de tolerância aos efeitos da substância de forma que há uma 
necessidade de quantidades crescentes da substância para obter o efeito 
desejado;
 » Preocupação com o uso da substância, manifestada pela redução ou 
abandono de importantes prazeres ou interesses alternativos por causa de 
seu uso ou pelo gasto de uma grande quantidade de tempo em atividades 
necessárias para obter, consumir ou recuperar-se dos efeitos da ingestão 
da substância;
 » Uso persistente da substância, a despeito das evidências das suas 
consequências nocivas e da consciência do indivíduo a respeito.
Tratamento
O tratamento tem inúmeras estratégias terapêuticas que demandam, muitas vezes, 
mudanças do ambiente de trabalho, sendo a abstinência completa de álcool fundamental 
para o sucesso do tratamento. A maioria das pessoas com transtornos relacionados ao 
álcool busca tratamento pressionada por alguém da família (a esposa, geralmente) ou 
por um empregador, chefe ou amigo. Os pacientes que são persuadidos ou encorajados 
ao tratamento por pessoas significativas do seu ciclo social têm maiores chances de ter 
um prognóstico melhor. Já para Mendes (2013), o sucesso do tratamento depende do 
estágio da doença em que este se inicia, além do diagnóstico precoce. 
As estratégias de tratamento do alcoolismo crônico incluem: 
1. Psicoterapia;
2. Tratamento farmacológico com ansiolíticos e ou antidepressivos; 
91
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
3. Grupos de mútua ajuda, como Alcoólicos Anônimos (AA) ou Grupos 
Anônimos de Familiares de Alcoólicos (Al-Anon); e 
4. Acompanhamento de CAPSad, com a reinserção do trabalhador à 
sociedade e ao trabalho, com medidas de suporte emocional, orientação 
e reabilitação psicossocial (BRASIL, 2001).
Além disso, as recaídas fazem parte da evolução prognóstica e devem ser entendidas 
como oportunidades de melhoria (MENDES, 2013). 
Prevenção
Ações de prevenção do alcoolismo que se limitam a realizar cursos e palestras com a 
finalidade de procurar transmitir conhecimentos científicos e aconselhamento sobre as 
ações prejudiciais do álcool no organismo são frequentemente inócuas.
Transformações em aspectos organizacionais do trabalho de risco para o alcoolismo: 
 » Valorização do trabalhador e tratamento digno pela chefia nas situações 
de trabalho socialmente desprestigiadas; 
 » Fornecimento de equipamentos adequados, disponibilidade de chuveiros 
e material para a higiene pessoal; 
 » Desenvolvimento de estratégias de redução das situações de exposição 
às ameaças, como agressão armada e ira popular, com a participação dos 
próprios trabalhadores no desenvolvimento de tais estratégias; 
 » Alívio de tensão em pausas no trabalho em ambientes agradáveis; 
 » Disponibilizar meios de comunicação e de interação com outras pessoas 
durante a jornada de trabalho nas situações de trabalho em isolamento; 
 » Redução e controle dos níveis de ruído e de vibração nos ambientes 
de trabalho (esses riscos induzem o trabalhador a ingerir álcool para 
suportar a exposição por meio do efeito hipnótico do álcool).
Episódios depressivos 
Episódios depressivos, nas variedades leve, moderada ou grave sem sintomas 
psicóticos; caracterizando-se por humor deprimido, perda do interesse e prazer, fadiga 
aumentada e atividade diminuída, ansiedade, sensação de cansaço acentuado após 
92
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
esforços leves. Ainda há queixas de dificuldade de concentração, baixa autoestima 
e autoconfiança, desesperança, ideias de culpa e inutilidade; visões desoladas e 
pessimistas do futuro, ideias ou atos suicidas, problemas de sono, diminuição do 
apetite, acompanhado de perda de peso. A angústia tende a ser tipicamente mais 
intensa pela manhã. As alterações da psicomotricidade podem variar da lentificação 
(do pensamento também) à agitação. 
Episódios depressivos também estão associados à exposição ocupacional às 
seguintes substâncias químicas tóxicas: 
 » Brometo de metila; 
 » Chumbo e seus compostos tóxicos; 
 » Manganês e seus compostos tóxicos; 
 » Mercúrio e seus compostos tóxicos; 
 » Sulfeto de carbono; 
 » Tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos; 
 » Tricloroetileno, tetracloroetileno, tricloroetano e outros solventes 
orgânicos halogenados neurotóxicos; 
 » Outros solventes orgânicos neurotóxicos.
Em trabalhadores expostos a essas substâncias químicas neurotóxicas, entre outras, o 
diagnóstico de episódios depressivos, excluídas outras causas não ocupacionais, pode 
ser enquadrado no Grupo I da Classificação de Schilling, em que o trabalho desempenha 
o papel de causa necessária. A sintomatologia depressiva nesses casos geralmente não 
constitui o quadro primário, estando geralmente associada aos transtornos mentais 
orgânicos induzidos por essas substâncias, como a demência, o delirium, o transtorno 
cognitivo leve, o transtorno orgânico de personalidade, o transtorno mental orgânico 
ou sintomático não especificado, conforme descritos nos itens específicos. Assim, 
sempre que ficar caracterizada uma síndrome depressiva e houver história ocupacional 
de exposição a substâncias tóxicas, deve-se investigar a coexistência de um transtorno 
mental orgânico, ou seja, indicativo de disfunção ou lesão cerebral (BRASIL, 2001).
Quadro clínico e diagnóstico
A caracterização da síndrome somática dos episódios depressivos requer a presença 
de pelo menos cinco dos sintomas abaixo:
93
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
 » Evidente perda de interesse ou prazer em atividades naturalmente 
agradáveis;
 » Ausência de reações emocionais a eventos ou atividades que normalmente 
produzem uma resposta emocional;
 » Levantar pela manhã 2 horasa mais ou a menos do horário usual;
 » Depressão pior pela manhã;
 » Evidência objetiva de retardo ou agitação psicomotora marcante 
(observado ou relatado por outras pessoas);
 » Perda de apetite;
 » Perda de peso (5% ou mais do peso corporal, no último mês)
 » Marcante perda da libido.
Em episódios depressivos graves, a síndrome somática pode estar ausente.
Tratamento
A prescrição dos recursos terapêuticos disponíveis depende da gravidade e da 
especificidade de cada caso, entretanto, é consenso em psiquiatria que o tratamento de 
episódios depressivos envolva: 
1. Psicoterapia;
2. Tratamento farmacológico com antidepressivos – frequentemente estão 
indicados os benzodiazepínicos para controle de sintomas ansiosos 
e da insônia no início do tratamento, pois o efeito terapêutico dos 
antidepressivos tem início, em média, após duas semanas de uso; e
3. Apoio social (BRASIL, 2001). 
Segundo Ministério da Saúde (2001), é muito importante que a equipe 
multiprofissional esteja capacitada a:
 » Avaliar cuidadosamente a indicação de afastamento do trabalho por meio 
de licença para tratamento;
 » Justificar cada uma de suas recomendações perante a organização em 
que o paciente trabalha, o seguro social e o sistema de saúde, buscando 
garantir o respeito à situação clínica do trabalhador; 
94
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
 » Auxiliar o paciente a lidar com as dificuldades envolvidas em um processo 
de afastamento e retorno ao trabalho, como, por exemplo, a ameaça de 
demissão após a volta ao trabalho. Entre outras medidas. 
Prevenção
Os episódios depressivos relacionados ao trabalho podem ser prevenidos, basicamente, 
pela vigilância dos ambientes, das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. 
Quanto aos agentes químicos causadores de depressão, as medidas de controle 
ambiental visam à eliminação ou à redução da exposição por meio de: 
 » Enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho, se 
possível, utilizando sistemas hermeticamente fechados; 
 » Normas de higiene e segurança rigorosas, incluindo sistemas de ventilação 
exaustora adequados e eficientes; 
 » Monitoramento sistemático das concentrações no ar ambiente; 
 » Adoção de formas de organização do trabalho que permitam diminuir o 
número de trabalhadores expostos, bem como o tempo de exposição; 
 » Medidas de limpeza geral dos ambientes de trabalho, de higiene pessoal, 
recursos para banhos, lavagem das mãos, braços, rosto e troca de 
vestuário; 
 » Fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual 
adequados, de modo a complementar as medidas de proteção coletiva.
 » Análise ergonômica do trabalho, buscando conhecer entre outros fatores, 
conteúdo das tarefas, processo e posto de trabalho, ritmo e intensidade 
do trabalho; fatores mecânicos e condições físicas dos postos de trabalho 
e das normas de produção; sistemas de turnos; sistemas de premiação 
e incentivos; fatores psicossociais e individuais; relações de trabalho 
entre colegas e chefias; medidas de proteção coletiva e individual 
implementadas pelas empresas; e as estratégias individuais e coletivas 
adotadas pelos trabalhadores.
Síndrome de burnout ou síndrome do 
esgotamento profissional 
A síndrome do esgotamento profissional (burnout) é um tipo de resposta 
prolongada a estressores emocionais e interpessoais crônicos no trabalho. Mendes 
(2015, p. 45) expõe que pessoas com perfil dinâmico e propensas a assumir papel 
95
SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO │ UNIDADE III
de liderança ou idealistas são mais suscetíveis, é aquele “alguém que vive uma 
fadiga ou frustração crônica, causada por uma devoção a uma causa a um modo 
de vida que não produziu o resultado esperado”. Todos os fatores de insegurança 
social e econômica aumentam o risco (incidência) de esgotamento profissional em 
todos os grupos etários.
A síndrome de burnout envolve atitudes e condutas negativas com relação aos 
usuários, aos clientes, à organização e ao trabalho, sendo uma experiência subjetiva 
que acarreta prejuízos práticos emocionais para o trabalhador e a organização. 
Principalmente relacionadas às profissões afetas ao cuidado e ao ensino (profissionais 
de saúde e professores, por exemplo). Pode estar associada a uma suscetibilidade 
aumentada para doenças físicas, uso de álcool ou outras drogas (para obtenção de 
alívio) e para o suicídio (BRASIL, 2001).
Quadro clínico e diagnóstico
No quadro clínico podem ser identificados:
 » Perda de autocontrole emocional;
 » Aumento de irritação, manifestação de agressividade;
 » Perturbações do sono; e
 » Manifestações depressivas marcadas pela decepção e perda de interesse 
no trabalho e consequente diminuição do desempenho.
Tratamento e outras condutas
O tratamento envolve psicoterapia, tratamento farmacológico e intervenções 
psicossociais, em especial o apoio social. Entretanto, a intensidade da prescrição de 
cada um dos recursos terapêuticos depende da gravidade e da especificidade de cada 
caso.
Prevenção 
A prevenção demanda estabelecimento de restrições à exploração do desempenho 
individual, diminuição da competitividade no ambiente organizacional, diminuição da 
intensidade de trabalho, busca de metas coletivas que incluam o bem-estar de cada um, 
e de modo geral, mudanças na cultura da organização do trabalho. 
96
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
Hoje existem serviços especializados na linha de cuidado relacionado ao trabalho 
e saúde mental que atendem os seguintes ramos: clínicas do trabalho, enfoques 
de estresse, assédios e violências psicológicas; linhagens da psicopatologia do 
trabalho e da psiquiatria, incluindo a vertente do desgaste mental; psicossociologia 
e análises institucionais; e abordagens organizacionais e da subjetividade (LEÃO; 
GOMEZ, 2014).
No Brasil, durante a primeira década do século XXI, 33% da população 
economicamente ativa sofreu alguma forma de assédio e, em 2010, os transtornos 
mentais e do comportamento foram o terceiro maior motivo de afastamento por 
incapacidade (auxílio doença). Essa situação traz o desafio urgente de inserir as 
questões de saúde mental no escopo das ações de Vigilância à Saúde do Trabalhador 
(Visat) (LEÃO; GOMEZ, 2014). Portanto, há necessidade de se ampliar o âmbito 
das intervenções, com a incorporação de estratégias de identificação e atuação sobre 
o sofrimento originado nos processos de trabalho, principalmente por haver ainda 
dificuldade em distinguir o transtorno mental relacionado com o trabalho com aquele 
advindo de outras causas.
97
CAPÍTULO 9
Trabalho Infantil
As atividades econômicas e/ou atividades de sobrevivência, com 
ou sem finalidade de lucro, remuneradas ou não, realizadas por 
crianças ou adolescentes em idade inferior a 16 (dezesseis) anos, 
ressalvada a condição de aprendiz a partir dos 14 (quatorze) anos, 
independentemente da sua condição ocupacional são considerados 
trabalho infantil (BRASIL, 2011).
Dados publicados pela OIT (2013) indicam que 168 milhões de crianças em todo o 
mundo são trabalhadoras; esse número representa cerca de 11% da totalidade da 
população infantil. No Brasil, cerca de 36,5% das crianças estão em granjas, sítios e 
fazendas, e 24,5% em lojas e fábricas. No Nordeste, 46,5% aparecem trabalhando em 
fazendas e sítios (ZEVALLOS, 2013).
Geralmente, jovens e crianças são diariamente inseridos no mundo do trabalho 
em condições precárias, percebendo baixos salários e um grande risco para o seu 
desenvolvimento psicomotor. A inserção desse público no trabalho deve-se a duas 
questões centrais: a pobreza e o caráter “educativo e disciplinar” do trabalho. 
Em relação à pobreza, dela resulta a necessidade de complementar a renda familiar 
e, dada a importância do trabalho em nossas sociedades, é costumeiro ser atribuído 
a ele poderes de cura, salvação, formação ao indivíduo enquanto ser social, com 
certa dificuldade em observar seus efeitos negativos no desenvolvimentoe na saúde 
(LIMA, 2002).
Segundo Ministério da Saúde (2005), muitos são os prejuízos à saúde dessa 
população, que além de estar exposta aos riscos do ambiente de trabalho insalubre, 
tem a redução do tempo disponível para ser criança. Isso implica impactos no 
lazer, na vida em família, educação e de estabelecer relações de convivência com 
seus pares e outras pessoas da comunidade. Crianças forçadas a serem adultas, pelo 
compromisso e responsabilidade assumidos. 
Elas possuem como características o retardo no desenvolvimento de peso e estatura, 
desnutrição proteico-calórica, fadiga precoce, maior ocorrência de doenças infecciosas 
(gastrointestinais e respiratórias) e parasitárias. Esses prejuízos são agravados pelas 
condições de trabalho, que levam à formação de adultos com menor capacidade de 
trabalho e aumentando o contingente de trabalhadores incapazes parcial ou totalmente 
para o trabalho (LIMA, 2002).
98
UNIDADE III │ SOBRE ALGUNS AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO
O Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990) prevê, em seu artigo no 67, 
que ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de 
trabalho, aluno de escola técnica, assistido em entidade governamental 
ou não governamental, é vedado o trabalho perigoso, insalubre ou 
penoso, e o realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu 
desenvolvimento físico, psíquico, moral e social. 
A Convenção no 182 da OIT, que trata das Piores Formas de Trabalho Infantil, ratificada 
pelo Brasil, preconiza como ação prioritária absoluta a eliminação imediata dos 
trabalhos que prejudicam a saúde, a segurança e a moral da criança. Essas legislações 
foram norteadoras para o Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil em nosso 
país, estabelecido entre vários órgãos do Governo. 
A Área Técnica de Saúde do Trabalhador (Cosat), do Ministério da Saúde, elaborou 
uma Política Nacional de Saúde para a Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção 
do Trabalhador Adolescente, tendo como desdobramento a elegibilidade de crianças e 
adolescentes acidentadas no trabalho como evento passível de notificação compulsória 
(BRASIL, 2005). Nele, os profissionais de saúde poderão verificar o fluxo de atendimento 
de crianças e adolescentes em situação de risco e alguns efeitos do trabalho no 
desenvolvimento e crescimento psicomotor com reflexos sociais. 
Quer saber mais sobre os efeitos do trabalho precoce na saúde de crianças e 
adolescentes? Consulte a Cartilha do MTE “Saiba tudo sobre o trabalho infantil”, 
disponível em nossa bibliografia recomendada.
99
UNIDADE IVERGONOMIA
CAPÍTULO 1
Origens e características da ergonomia
Conceito de atividade
O trabalho é uma atividade representativa do resultado e do valor agregado a um 
determinado bem e/ou serviço no contexto de produção. A forma como os indivíduos 
realizam a atividade e o que eles produzem impactam a visão de mundo que eles têm 
a respeito do que, como e por que fazem algo no decorrer do processo de trabalho. 
Para o indivíduo identificar-se com o trabalho que realiza, é necessário que o faça de 
maneira eficiente e com resultados; que represente bem-estar; que seja moralmente 
aceitável; que seja favorável às relações satisfatórias entre pares; que garanta segurança 
e autonomia; e que possibilite a criatividade no executar (MACHADO, 2003).
O trabalhador identifica-se na organização quando se vincula 
ao perfil da atividade, tendo espaço para agir e interagir no 
cotidiano de trabalho (FARIAS, 2000). O contexto de trabalho, 
consequentemente, deve garantir ao trabalhador um espaço bem 
definido pelos valores, normas e crenças organizacionais que serão 
apoiados pelas condições de trabalho favoráveis e, ainda, que 
possibilitem a dimensão social entre pares no lócus do trabalho 
(FERREIRA; MENDES, 2003, p. 52). 
Considerando esse pressuposto, quem de fato deve ser a variável de ajuste: o 
trabalhador ou seu contexto de trabalho? O trabalhador é forjado ou é o seu contexto 
de trabalho? Para respondermos tais questionamentos, a ciência da Ergonomia, desde 
a sua origem, discute tais papeis. Confira a seguir.
100
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
De onde veio e quais são as características da 
ergonomia da atividade?
Etimologicamente, a palavra ergonomia é composta pelos termos ergon + nomos, 
significando, ambos, trabalho e normas com leis naturais respectivamente. Em suma, 
pode-se apreender que a palavra represente os preceitos da forma adequada de se 
trabalhar normas e leis naturais do trabalho (GRANDJEAN, 1998; IIDA, 2005). 
O primeiro registro de uso da palavra ergonomia foi primeiramente utilizado no ano de 
1947, na Grã-Bretanha, pelo engenheiro Murrel, apoiado pelo fisiologista Floyd e pelo 
psicólogo Welford.Aqui foram trazidas as perspectivas conceituais e caracterizadoras 
da ergonomia, baseadas em sua origem e em seu principal objeto de estudo. 
No contexto social, houve a consolidação da ergonomia principalmente para atender a 
um nicho específico: o da guerra. Foi por meio das necessidades militares e tecnológicas 
prementes da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, entre 1914-1917 e 1939-1945, que 
ocorreu a propulsão de pesquisas a respeito da relação homem-trabalho (IIDA, 2005). 
Os principais fisiologistas e psicólogos da época foram incumbidos de promover o 
projeto bélico melhorando e aumentando a produção de armamentos, com a finalidade 
de melhorar o desempenho da indústria bélica, diminuir fadiga, erros e acidentes 
entre os trabalhadores. Ainda que o início tenha ocorrido no contexto de guerra, os 
conhecimentos adquiridos naquelas experiências foram aplicados, posteriormente, na 
produção civil (FEITOSA, 2010).
Assim, a nomenclatura “ergonomia” foi disseminada formalmente após a Segunda 
Guerra Mundial, quando cientistas britânicos se utilizaram desse termo para descrever 
os aspectos anatômicos, fisiológicos e psicológicos que começavam a ser aplicados para 
compreender a relação entre seres humanos e seu ambiente de trabalho (LEAMON, 
1995). Porém, somente em 194,9 esse termo obteve o reconhecimento oficial perante 
a comunidade científica, quando foi constituída a Ergonomic Research Society – a 
primeira sociedade de Ergonomia – definida como “o estudo do relacionamento entre 
o homem e seu trabalho, equipamento, ambiente e, particularmente, a aplicação dos 
conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas que 
surgem desse relacionamento” (IIDA, 2005, p. 2).
Segundo Wisner (2004), a ergonomia surgiu em meados dos anos 1950, na França, 
consolidando-se apenas na década seguinte (1960). Tal consolidação foi legitimada com 
a criação do primeiro laboratório de “Estudos Fisiológicos” – lembrando que neste caso 
a palavra ergonomia foi desconsiderada, e tal laboratório criado para realizar estudos e 
pesquisas na área (WISNER, 2004).
101
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
O campo da ergonomia da atividade foi sendo construído fundamentado na 
constatação dos efeitos deletérios na saúde humana produzidos pela administração 
científica do trabalho e seus modelos clássicos de produção estruturados em 
princípios taylor-fordistas. Nesses modelos, a ideia era guiada por um paradigma, 
vigente no início do século XX, no qual o homem se adapta ao trabalho enquanto 
variável de ajuste e em cuja máxima reside a concepção de um “operário médio” bem 
treinado e que trabalhe em um posto estável (WISNER, 1977).
Diferentemente dessa análise, a ergonomia da atividade sustenta-se na inversão 
desse paradigma, ou seja, a necessidade de adaptar o trabalho para quem 
trabalha (FERREIRA, 2008), integrando em suas análises a variabilidade 
(intra- e inter-) individual dos trabalhadores, noção desconsiderada nos pressupostos 
de feição taylor-fordistas. Para a ergonomia, o operário médio, bem treinado, 
que trabalha em um posto estável é um “mito”, muito bem aceito por sinal, que, 
entretanto, não corresponde à realidade da variabilidade humana, uma vez que 
pressupõe a padronização de performances sem consideraradequadamente as 
capacidades (fisiológicas e psicológicas) e limites de funcionamento do ser humano 
(FERREIRA, 2008).
Na perspectiva de expansão, a ergonomia apresentou-se sob duas dimensões, conforme 
segue abaixo: 
a. Dos estudos empenhados na adaptação da máquina ao homem; e 
b. Dos estudos direcionados à adaptação do trabalho ao homem. 
No pós-guerra, mais especificamente, nos Estados Unidos, a ergonomia foi fortalecida 
com a criação do Human Factors Society (Fatores Humanos), que possibilitou 
associação verossimilhante com o termo ergonomia (IIDA, 2005). Na década de 1990, 
houve uma alteração na nomenclatura dessa instituição para Human Factors and 
Ergonomics Society, o que significou maior representatividade ao termo e ao interesse 
pela área de conhecimento, caracterizando, assim, a abordagem anglo-saxônica da 
ergonomia (FEITOSA, 2010). 
Em consonância com os pressupostos da corrente anglo-saxônica, segundo a 
abordagem da International Ergonomics Association (IEA), a ergonomia define-se 
por ser:
A disciplina que trata da compreensão das interações entre os seres 
humanos e outros elementos de um sistema. [...] os ergonomistas 
contribuem para o planejamento, projeto e avaliação de tarefas, 
102
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas para torná-los 
compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas 
(International Ergonomics Association, 2000,p. ?).
Aqui se observa o início da evolução conceitual do termo ergonomia, repercutindo 
nas possibilidades de atuação do ergonomista e na reflexão da dimensão de análise 
indivíduo versus trabalho. Nessa mesma ótica, o objetivo da ergonomia é ter 
eficiência e eficácia na condução das atividades humanas para o alcance dos objetivos 
organizacionais. Para tanto, é imprescindível que haja a redução da fadiga e do estresse, 
possibilitando o aumento da segurança, garantia do conforto e da satisfação das pessoas 
(STANTON,1998; IIDA, 2005).
Já na a dimensão franco-belga, a ergonomia é definida como “[...] um conjunto de 
conhecimentos científicos, relativos ao homem e necessários para a concepção de 
ferramentas, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo conforto, 
segurança e eficácia” (WISNER, 1977, p.12).
No contexto dos países francofônicos, a concepção de ergonomia apresentava-se 
diferente dos pressupostos do Human Factors: aqui, a preocupação estava centrada 
em conceber novos postos de trabalho a partir da situação real de trabalho, 
elaborando-se análise da atividade em situação real de trabalho Essa concepção também 
foi influenciada pelo período pós-guerra, bem como pelas demandas de reconstrução 
do polo industrial europeu, que teve as primeiras investigações nessa abordagem em 
fábricas de automóveis (WISNER, 1977, p.12).
Posteriormente, os estudos empenhados na compreensão da relação ser 
humano-trabalho deram origem à Análise Ergonômica do Trabalho (WISNER, 
2004). Dessa forma, o enfoque está no contexto real de trabalho, entendendo que os 
trabalhadores são sujeitos atuantes nessa análise (LAVILLE, 2001).
Em suma, sintetizando os parágrafos anteriores, a ergonomia anglo-saxônica 
(Human Factors) dá prioridade à relação homem-máquina, enquanto que a ergonomia 
francofônica está preocupada, substancialmente, em compreender o contexto de 
trabalho na sua complexidade e contradições (WISNER, 2004).
É importante ressaltar que as duas abordagens não existem no intuito de serem eleitas 
como a mais ou menos eficaz, mas como construtos complementares ao estudo da 
demanda da realidade de trabalho a ser investigada. O Quadro 16 apresenta um resumo 
das características e dimensões analíticas das abordagens anglo-saxônica e francofônica 
da ergonomia. 
103
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
Quadro 16. Características e dimensões das abordagens anglo-saxônica e francofônica.
Características Anglo-saxônica Francofônica
Quanto à origem Tradicional, com forte influência americana. Mais recente, com forte influência francesa.
Da Ergonomia
Ciência do trabalho aplicada ao contexto de projeto. Estudo específico do trabalho orientado para a avaliação 
dos contextos de trabalho.
Quanto aos objetivos
Adaptação da máquina ao homem, melhoria das 
condições de trabalho e cuidados com a segurança.
Análise do trabalho (tarefa e atividade).
Da pesquisa
Experimentos em laboratório, predomínio do delineamento 
quantitativo, possibilidade de generalização. Análise 
antropométrica e fisiológica.
Análise de processos, das atividades, das tarefas, 
observações e registro do trabalho real, predomínio do 
delineamento qualitativo. Análise psicológica e cognitiva.
Quanto ao foco analítico Nas características do trabalhador. Na atividade do trabalhador.
Da tarefa Prescrita. Entre o prescrito e o real, ênfase na atividade.
Quanto à atividade de 
trabalho
Considerada como estática, reduzida a movimentos do 
corpo humano.
Considerada com dinâmica, enfoque tanto na variabilidade 
do contexto quanto na variabilidade do trabalhador.
Quanto aos aspectos 
do trabalhador a serem 
investigados
Características anatômicas e psicológicas gerais. Comportamentos físicos e mentais.
Fonte: FEITOSA (2010). 
Diante da demonstração irrefutável da evolução conceitual e social da ergonomia, 
pode-se constatar que essa ciência veio para acompanhar os avanços dos 
conhecimentos científicos e sanar os problemas no contexto de trabalho, tendo como 
pedra fundamental a saúde dos trabalhadores e a eficácia econômica (LAVILLE, 1977; 
DANIELLOU, 2004).
Fundamentada nos pressupostos da corrente franco-belga e alicerçada nesse contexto 
de mudanças teórico-metodológicas que envolveram a ergonomia, vamos discorrer um 
pouco mais a respeito da ergonomia da atividade. 
A ergonomia da atividade destaca-se pelo seu caráter prático e aliado intrinsecamente 
às situações reais de trabalho. Constitui-se enquanto abordagem científica interessada 
em investigar a relação entre os trabalhadores e o contexto de produção (FERREIRA; 
MENDES, 2003).
Tem por principal característica o estudo da relação homem-trabalho, baseado em três 
dimensões de análise interdependentes, a saber: 
1. Os indivíduos (trabalhadores, consumidores, usuários); 
2. As atividades (de trabalho, uso e consumo); e 
3. Ambientes (de trabalho, consumo, prestação de serviços). 
Além disso, também tem como característica o enfoque interdisciplinar na psicologia e 
fisiologia, principalmente, e interface com outras disciplinas científicas aplicadas, tais 
104
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
como a engenharia, a administração e a arquitetura. E, finalmente, empreende entender 
o trabalho ou as situações de uso de bens e serviços num viés de transformação do 
ambiente e dos seres ali envolvidos, formulando e aplicando medidas que visem adaptar 
tarefas, serviços e produtos aos indivíduos que neles atuem (FERREIRA, 2003).
Fora os aspectos outrora citados, a ergonomia da atividade encontra-se como uma 
abordagem focada no homem (antropocêntrica) e humanizadora dos espaços de 
trabalho (FERREIRA, 2003), buscando alocar o processo de humanização do ambiente 
e do indivíduo no cerne das práticas diárias e políticas dos gestores organizacionais 
(FEITOSA, 2010). 
Desse modo, a ergonomia da atividade tem como principal objetivo privilegiar o 
bem-estar dos trabalhadores e a eficácia dos processos produtivos, promovendo 
a transformação das condições laborais e a adaptação do contexto de trabalho à 
necessidade de todos. Compreende também os indicadores críticos existentes no 
contexto de trabalho, para que haja transformação com compromisso real de todos 
os envolvidos, contemplando desde as necessidades e os objetivos de trabalhadores, 
gestores, usuários e consumidores aos organizacionais (FERREIRA; MENDES, 2003).
Para tanto, a produção teórica em ergonomia da atividade, opera uma distinção 
importante entre os conceitos de atividade e tarefa. O conceito de tarefa expressa o 
trabalho prescrito que estabelece, principalmente,o que e o como do trabalho a ser 
executado, dando visibilidade aos “braços invisíveis” da organização do trabalho, cuja 
pretensão é, em certa medida, fixar os “trilhos da atividade” (FERREIRA; MENDES, 
2001). 
Assim, a tarefa, que representa um quadro formalizado pela organização não 
corresponde necessariamente à atividade, ou seja, o trabalho efetivo dos trabalhadores 
se trata, portanto, de uma imposição ao trabalhador e constitui-se num referencial 
indispensável para que ele possa agir (GUÉRIN et al., 2001).
Em que consiste a atividade? Ela consiste na utilização do corpo e da inteligência 
para realizar as tarefas (ABRAHÃO; SZNELWAR, 2008) e integra diversos aspectos, 
logicamente concatenados em extrair as informações de algum lugar, decidir a ação sobre 
comandos, a adoção de posturas diferentes, a execução de esforços, os deslocamentos 
e as comunicações com outras pessoas. Ferreira e Mendes (2001) ressaltam que, na 
ergonomia, a atividade aparece inseparável, em amplo entendimento, de um corpo no 
espaço e de um contexto sociotécnico, figurando-se em uma categoria teórica central, 
pragmática, sem vocação para a abstração.
105
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
Desta forma, a ergonomia da atividade tem como missão orientar-se para a melhoria 
da qualidade de vida e bem-estar dos trabalhadores, auxiliando com as ciências do 
trabalho, diante de um contexto empresarial da organização pouco ou nada flexível 
nesse início de século (ABRAHÃO; SZNELWAR, 2008). Abrahão e Sznelwar (2008) 
afirmam que flexíveis mesmo são os trabalhadores.
Um ponto importante a ser evidenciado refere-se à descontinuidade existente entre o 
trabalho prescrito (tarefa prescrita) e o trabalho real (a atividade) dos trabalhadores: 
isso constitui uma dimensão crucial a ser investigada, buscando-se identificar e analisar 
principalmente o custo humano do trabalho, conceito detalhado em tópico específico 
nos próximos capítulos. 
Para trabalhar bem, os trabalhadores “elaboram estratégias operatórias para 
responder às exigências físicas, cognitivas e afetivas inerentes às tarefas e as condições 
de trabalho disponibilizadas pela organização” (FEITOSA, 2010, p. 52). 
Outro ponto fundamental a ser comentado refere-se a algumas características da 
ergonomia que autorizam sua interlocução com a abordagem de QVT preventiva. Nesse 
sentido, destacam-se:
a. Seu caráter multidisciplinar e aplicado que articula diversos saberes e 
profissionais para a produção de conhecimento sobre um mesmo objeto;
b. O foco no bem-estar dos trabalhadores e na eficácia dos processos 
produtivos;
c. A adaptação do contexto de trabalho a quem nele trabalha;
d. A transformação dos ambientes de trabalho com foco no bem-estar dos 
trabalhadores, na prevenção de agravos à saúde, compatibilizando esses 
aspectos com a eficiência e eficácia dos processos produtivos.
Qualidade de vida no trabalho: evolução 
histórica, conceitos e características
A qualidade de vida no trabalho (QVT) é afetada consideravelmente pelas frequentes 
modificações e exigências nos contextos de trabalho que alteram a rotina organizacional 
e dos trabalhadores. Isto posto, nessas possíveis dificuldades relacionadas entre o local 
de trabalho, o trabalhador e a QVT, fizeram-se necessários um breve relato histórico 
a respeito da QVT e a sua respectiva evolução conceitual, dispondo as principais 
características em um recorte analítico da história desse campo da saúde do trabalhador.
106
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
Diante do conjunto de exigências presentes e contínuas nos mais diversos contextos 
organizacionais, por meio do excesso de ritmo de trabalho, do aumento dos prazos 
e cobranças, do incentivo à polivalência e da individualização da tomada de decisão, 
por exemplo, legitima-se mais uma vez a ratificação da premissa do trabalhador 
como a “variável de ajuste” – premissa esta tão criticada pela ergonomia da atividade, 
(FERREIRA, 2008). 
Cada vez mais esse cenário crítico representa um desafio para as organizações 
repensarem os seus modelos de gestão, dos quais emergem questionamentos (dúvidas) 
a respeito do possível diálogo entre bem-estar e produtividade. Há de se ter em mente 
que as políticas cotidianas organizacionais devem incorporar a temática da qualidade de 
vida no trabalho para lograr êxito. Assim, o bem-estar dos trabalhadores, dos usuários 
e o alcance dos objetivos organizacionais inter-relacionam-se favoravelmente quando 
colocados na QVT (FERREIRA; ANTLOGA; BERGAMASCHI, 2009). 
O interesse pelo campo da qualidade de vida no trabalho teve seus primeiros registros 
após a Primeira Guerra Mundial, quando diversos fenômenos econômicos, políticos 
e sociais influenciaram no ajuste entre a forma de tratamento dos trabalhadores e 
as necessidades de mudanças nos ambientes de trabalho. Nesse período, o objetivo 
maior das organizações era obter maiores lucros, com metas baseadas no caráter 
econômico, e manter a produtividade dos seus empregados a qualquer custo 
(FERREIRA et al., 2009).
No período imediatamente pós I Guerra, entre as décadas de 1930 e 1940, os 
programas de saúde e segurança do trabalho apresentaram bons resultados quanto 
às mudanças em relação ao bem-estar dos trabalhadores – o que imediatamente 
repercutiu no velho mundo. Posteriormente, em 1950, instituiu-se, na Inglaterra, 
o primeiro modelo de QVT (RODRIGUES, 1991; FERNANDES, 1996), baseado nos 
estudos de Eric Trist e colaboradores no Tavistock Institute. Os estudos conduzidos 
por Trist tinham como enfoque a satisfação do trabalhador e eram aplicados nas minas 
de carvão e indústrias têxteis. Essa abordagem de QVT, denominada sociotécnica, 
referia-se à inter-relação entre indivíduo-trabalho-organização, privilegiando o 
redelineamento da tarefa, com o objetivo de amenizar as condições sacrificantes e 
penosas na vida dos trabalhadores (FERNANDES, 1996; VIEIRA,1996).
No Novo mundo, em específico nos Estados Unidos, em 1960, houve aumento das 
preocupações a respeito da qualidade de vida no trabalho: primeiro com a criação 
da National Comission Produtivity, sendo possível a análise das causas da baixa 
produtividade nas indústrias norte-americanas; segundo, a estruturação de um 
laboratório para o desenvolvimento de estudos sobre a produtividade e qualidade de 
107
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
vida do trabalhador, construído pela National Center for Productivity and Quality 
of Working Life (FERNANDES, 1996).
Na década de 1970, o cenário econômico mundial aponta para uma crise energética 
e a alta inflação dos mercados, assolando as potências ocidentais, principalmente os 
Estados Unidos. Diante disso, grandes empresas foram forçadas a preocuparem-se, 
estritamente, com a sua sobrevivência no mercado, voltando o olhar apenas para a 
produtividade e os aspectos técnicos do trabalho, provocando, assim, a desaceleração 
nos avanços e investimentos científicos na área de QVT (FEITOSA, 2010).
Na contramão do supracitado, ainda nesse período, Walton (1973) desenvolveu uma 
pesquisa focada na produtividade, destacando a importância da satisfação e motivação 
como forma de proposta para o equilíbrio entre trabalho e vida. Esse estudo é uma 
referência clássica de QVT, sendo um dos mais citados na literatura científica (LIMA, 
2008; FERREIRA et al., 2009).
No modelo teórico de Walton, oito categorias conceituais são selecionadas para abordar 
a QVT, como segue abaixo:
a. Compensação justa e adequada;
b. Condições de trabalho;
c. Uso e desenvolvimento das capacidades;
d. Oportunidades de crescimento e segurança;
e. Integração social na empresa;
f. Constitucionalismo;
g. Trabalho e espaço total de vida; e
h. Relevância social de trabalho (FERNANDES, 1996; VASCONCELOS, 
2001).
Ao final da década de 1970 e início dos anos 1980, a competição acirrada dos grandes 
polos internacionais e das incursões toyotistas trouxe a reflexão a respeito do modelo 
de gestão dentro do contexto norte-americano no que diz respeito à eficácia. Em 
seguida, é dado novo impulso à qualidadede vida no trabalho, seja em todo cenário 
das organizações ocidentais, seja nas norte-americanas em específico (FERNANDES, 
1996). Ou seja, aquela disputa de fatia de mercado entre oligopólios empresariais 
contribuiu para o contexto de desenvolvimento da QVT.
108
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
A perspectiva da QVT está intimamente associada aos aspectos de motivação interna, 
satisfação e enriquecimento do cargo, em consonância com as contribuições de Walton 
(1973), (HACKMAN; OLDHAM, 1975). Segundo esse modelo, a gestão de QVT tem 
como suporte
1. A força de necessidade de crescimento do trabalhador;
2. A percepção do significado da tarefa;O significado da tarefa, a tarefa em 
si e autonomia em fazê-la (FERREIRA; ALVES; TOSTES, 2009). 
 › À luz dessa mesma ótica, estudos destacaram mais dois aspectos 
envolvendo a QVT que estão associados à eficácia organizacional: 
3. O envolvimento do trabalhador na tomada de decisões e nos problemas 
da organização e
4. A preocupação com o bem-estar do trabalhador (HUSE; CUMMINGS, 
1985).
No Brasil, a produção científica sobre qualidade de vida no trabalho ganhou força 
nas áreas da administração e psicologia a partir de 1990 (FERREIRA et al., 2009). 
A QVT manifesta preocupação pelo equilíbrio de interesses entre as organizações e 
os trabalhadores; saúde e ambientes de trabalho; conflitos das relações interpessoais; 
fatores de gestão em nível crítico; saúde mental e contexto de trabalho ainda com a 
gama de aspectos a serem tratados (FERNANDES, 1996; SILVA; MARCHI, 1997; BOM 
SUCESSO, 2002; LIMONGI-FRANÇA, 2004; SAMPAIO, 2004).
Frequentemente, os estudos e pesquisas em QVT evidenciam a dificuldade em se 
obter uma definição consensual do referido termo (MARTEL; DUPUIS, 2006). 
Pesquisadores da área afirmam que não se tem uma definição única e fechada a 
respeito da qualidade de vida no trabalho, na academia e, tampouco, na literatura 
específica da temática. Tais pesquisadores consensuam que o termo QVT 
apresenta-se como um continuum construto multidimensional não reconhecido como 
universal o que, portanto, justifica as controvérsias no conceito de QVT (ROYUELA; 
LÓPEZ-TAMAYO; SURINÃCH, 2007; MAY; LAU; JOHNSON, 1999; GRAMKOW, 
1999).
Embora não fazendo menção ao termo QVT, os primeiros registros conceituais 
associavam a melhoria das condições de trabalho à saúde do trabalhador e ao 
bem-estar dos funcionários (NADLER; LAWLER, 1983). Posteriormente, 
discutiu-se o conceito da temática por meio da concepção de que o ambiente 
de trabalho é o fator responsável para que os trabalhadores se sintam com 
109
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
possibilidades para o crescimento e desenvolvimento como sujeitos, seguros e 
satisfeitos (MAY et al., 1999).
Na tentativa de estabelecer um conceito que representasse o estudo das dimensões 
analíticas do termo, outras definições conceituais de QVT foram consideradas pelos 
estudiosos da área. Registrou-se a QVT como um conjunto de consequências positivas 
para a vida ocupacional do indivíduo, empresa e sociedade. Em outro momento, a QVT 
é vista como um suporte da organização ao desenvolvimento do trabalho onde há o 
envolvimento dos trabalhadores nos processos organizacionais. A compreensão sobre 
QVT perpassou também a forma de pensar sobre pessoas, trabalho e a organização 
(BOISVERT, 1980; CARLSON, 1980; NADLER; LAWLER, 1983).
Tendo em vista essas perspectivas, identificam-se, portanto, duas abordagens para os 
estudos na área de QVT: a clássica, de caráter fundamentalmente assistencialista; e a 
contra-hegemônica, com enfoque preventivo (FERREIRA et al., 2009).
Na maioria dos estudos na área de QVT, predomina a abordagem assistencialista 
(FERREIRA et al., 2009). Aqui, as ofertas de ações práticas em QVT cumprem somente 
o seu papel quando estão em equilíbrio com as demandas e o contexto de trabalho. 
Caracteriza-se, ainda, por julgar o trabalhador como variável de ajuste diante das 
exigências do ambiente organizacional. Assim, quando em desequilíbrio com a realidade 
dos trabalhadores e das práticas gerenciais, as ações em prol da QVT, como massagens 
terapêuticas, aulas de dança, ioga, coral, dentre outras, tornam-se apenas paliativas e 
com o papel de compensar o desgaste físico e mental desses indivíduos, tornando-os 
resistentes (ou resilientes?) aos problemas existentes nas organizações, e ainda com o 
enfoque na produtividade. Logo, implementar ações no ambiente de trabalho, sob essa 
perspectiva, resultará, ao longo do tempo, no aumento das reclamações por parte dos 
gestores e no desinteresse dos trabalhadores (FERREIRA, 2006c; ANTLOGA; LIMA, 
2007).
Já no enfoque preventivo, como produto dos primeiros estudos em QVT, têm-se as 
produções bibliográficas e os resultados de pesquisa do Grupo de Estudos e Pesquisas 
Aplicadas ao Setor Público (ErgoPublic), da Universidade de Brasília, que alicerçam 
(VIEIRA; FERREIRA, 2006; 2006a, 2006b, 2008) e apresentam propostas de ações 
interventivas nas instituições públicas investigadas (CARNEIRO; FERREIRA, 2007; 
ANTLOGA; LIMA, 2007; LIMA, 2008; FERREIRA et al. 2009; FERREIRA; ALVES; 
TOSTES, 2009; FERREIRA, 2010; LEITE; FERREIRA; MENDES, 2010), assim como 
complementadas por estudos em andamento que fundamentam esta abordagem 
considerada contra-hegemônica.
110
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
A QVT, no enfoque preventivo, vem no intuito de minimizar e/ou sanar os 
fatores causadores de mal-estar no trabalho, elencando três dimensões analíticas 
interdependentes de atuação, a saber: condições laborais, organização e relações sociais 
de trabalho, de forma que esta é compreendida como uma responsabilidade de todos 
os envolvidos, no empenho de manter o equilíbrio entre o bem-estar, a eficiência e a 
eficácia no trabalho e não se limitando ao enfoque na produtividade exclusivamente 
(FERREIRA, 2006b).
Neste material, sob a perspectiva da abordagem preventiva, adotar-se-á como definição 
a qualidade de vida no trabalho sob dois enfoques interdependentes e intrinsecamente 
relacionados: organizacional e dos sujeitos. Na ótica das organizações, a QVT é 
uma premissa para a gestão organizacional que se expressa por um conjunto de 
normas, diretrizes e práticas no âmbito da organização, das condições e das relações 
socioprofissionais de trabalho, que intenta o desenvolvimento pessoal dos trabalhadores, 
a promoção do bem-estar individual e coletivo e o exercício da cidadania organizacional 
nos ambientes de trabalho. 
De acordo com a ótica dos sujeitos, ela se define pelas representações globais que 
estes constroem sobre o contexto de produção no qual estão inseridos, indicando o 
predomínio de vivências de reconhecimento institucional e coletivo, de respeito às 
características individuais, de bem-estar no trabalho e de possibilidade de crescimento 
profissional (FERREIRA, 2006b, p. 219).
Dessa forma, a elaboração de programas e campanhas de QVT demanda a consideração 
do modelo antropocêntrico da gestão do trabalho, em que os trabalhadores são vistos 
como ponto central e sujeitos ativos em todo o processo, para que, assim, viabilizem-se 
cooperação intra e intergrupal, criatividade e autonomia e participação nos processos 
de tomada de decisão que interferem no bem-estar individual e coletivo (FERREIRA, 
2006b).
Considera-se portanto que o aporte preventivo da QVT possui uma interface direta 
de interesses com a ergonomia da atividade em relação, principalmente, aos objetivos 
e às afinidades teóricas respectivas. Globalmente, as abordagens em QVT filiam-se a 
uma dimensão de análise macroprocessual, ou seja, no cenário geral da organização; 
enquanto que as pesquisas e estudos em ergonomia da atividade têm tradição no 
enfoque microprocessual, em que se se investiga a demanda de determinados setores 
específicos da organização (FERREIRA, 2008; FERREIRA et al., 2009).
A partir da discussão iniciada nesta Unidade, sugere-se a leitura e/ou aquisição do livro 
Compreender o Trabalho para Transformá-lo: A Prática da Ergonomia, de 2001, dos 
autores Guérin, Laville,Daniellou, Duraffourg e Kerguelen. 
111
CAPÍTULO 2
Contexto de Produção de Bens e 
Serviços (CPBS)
A experiência no mundo do trabalho é imprescindível para a constituição dos aspectos 
identitários, pois conduz o trabalhador a incorporar características, hábitos e valores 
compartilhados por um grupo com o qual passa a maior parte do tempo. Assim, o 
trabalho que os modifica, os torna semelhantes em alguns aspectos, ao tempo em que os 
separa e os diferencia em outros. No entanto, com as mudanças no cenário do trabalho 
contemporâneo, frutos das incursões da revolução tecnológica, as quais, por sua vez, 
tornam as atividades de trabalho intensas, despersonalizadas e com maior nível de 
exigência por cobrança de resultados, é que se reforçou a pauta da lógica produtivista 
(FERREIRA, 2009). 
As implicações dessas transformações refletem-se na forma de concepção e execução 
do trabalho, na qual o trabalhador é a variável de ajuste (SENNETT, 2001). E é sob essa 
perspectiva que a corrente franco-belga da ergonomia se contrapõe ao cenário atual 
do contexto de produção. No viés da análise da relação homem-trabalho, o indivíduo 
depara-se constantemente com as contradições existentes no contexto de trabalho, que 
podem obstaculizar e/ou desafiá-lo a enfrentá-las, fazendo com que esse trabalhador 
desprenda esforço nas esferas física, cognitiva e afetiva. 
Estar atento às contradições faz toda a diferença no sucesso do uso de uma intervenção 
ergonômica. Você já pensou sobre isso?
Os elementos organizacionais, o lócus e as 
relações socioprofissionais do trabalho
Por entender que a atividade de trabalho tem a funcionalidade de mediar a interação 
entre sujeito e ambiente (FERREIRA, 2000; 2003), na qual tanto o sujeito atua sobre o 
ambiente, modificando-o via trabalho, quanto o ambiente transforma o sujeito, também 
por meio do trabalho, é imprescindível caracterizar o trabalhador em seu contexto 
de produção. Nesse sentido, neste tópico, será discutido o conceito de Contexto de 
Produção de Bens e Serviços (CPBS) e as dimensões constituintes respectivamente.
112
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
No referencial teórico-metodológico da ergonomia da atividade, o contexto de trabalho 
assume especificidades que caracterizam o viés da ergonomia da atividade. Ele pode 
ser denominado genericamente como um Contexto de Produção de Bens e Serviços 
(CPBS) singular, espacial e formalmente circunscrito, que disponibiliza parâmetros 
estruturadores da ação humana. Esses parâmetros manifestam-se, sobretudo, sob 
a forma de tarefas prescritas, recursos materiais, instrumentais, tecnológicos e 
organizacionais, disponibilizados aos trabalhadores que os utilizam para exercer suas 
atividades. 
O CPBS é definido por ser o lócus organizacional, material e social onde se desenvolvem 
a atividade de trabalho e as estratégias individual e coletiva de mediação que são 
utilizadas pelos trabalhadores ao interagirem com a realidade de trabalho (FERREIRA; 
MENDES, 2003). 
É constituído pelas dimensões organização do trabalho, condições de trabalho e relações 
socioprofissionais. Abaixo, a Figura 1 apresenta a estrutura interligada e exemplificada 
dessas dimensões, garantindo “maior e melhor visualização das características de cada 
uma das dimensões que integram a concretude do trabalho” (FERREIRA; MENDES, 
2003, p. 40).
Figura 1.
 Interações hierárquicas 
ascendentes; 
 Interações hierárquicas 
descendentes 
 Interações coletivas 
intragrupos; 
 Interações coletivas 
intergrupos; 
 Interações com 
demandantes de produtos 
e serviços; 
 Interações com 
fornecedores; 
 Interações com 
representantes de órgãos 
responsáveis por legislação 
e fiscalização. 
 Ambiente físico; 
 Instrumentos; 
 Equipamentos; 
 Matéria-prima 
 Suporte organizacional 
 Práticas de remuneração e 
benefícios; 
 Política de seleção e 
desenvolvimento de pessoal 
 Divisão do trabalho 
 Exigências de qualidade 
e produtividade 
 Regras formais e 
informais (jornada, pausas) 
 Ritmos (prazos) 
 Controles exercidos 
 Características das 
tarefas prescritas. 
Organização
do trabalho
Relações
sociais de 
trabalho
Condições de trabalho
Fonte: Adaptado de Ferreira e Mendes (2003, p. 41).
Em ”organização do trabalho”, têm-se os elementos prescritos, sejam formais ou 
informais, que expressam as concepções e as práticas de gestão de pessoas e do trabalho. 
Em ”condições de trabalho”, caracterizam-se os elementos estruturais contidos no 
113
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
lócus de produção e que constituem sua infraestrutura, apoio institucional e práticas 
administrativas. E, em ”relações socioprofissionais”, constituem-se os elementos 
interacionais que expressam as relações sociais de trabalho, contidas no lócus de 
produção, definidoras de sua dimensão social (FERREIRA, 2003). 
Em seu conjunto, as dimensões do CPBS refletem a estrutura, os processos e a cultura 
organizacional, e entrelaçam a complexidade do contexto de produção em função, da 
diversidade, da variabilidade, da dinâmica e da imprevisibilidade de seus elementos. 
Dessa forma, tais dimensões não seguem uma linha reta, pelo contrário, são dinâmicas 
e continuamente articuladas. A noção de CPBS resume uma parte do mundo objetivo do 
trabalho e representa a compreensão do diálogo entre sujeito-atividade-mundo, no qual 
cada sujeito atua transformando o seu ambiente por meio do trabalho; e o ambiente, 
por meio do trabalho também, “deixa (ou impõe)” marcas, às vezes, inextinguíveis 
nos indivíduos (MEDEIROS, 2011). Entende-se, assim, que essas dimensões do CPBS 
abarcam elementos da cultura organizacional, em que se concebe o caráter interacional 
entre trabalhador-atividade-contexto.
Custo Humano do Trabalho (CHT): as 
exigências vinculadas ao trabalho
As contradições existentes no cotidiano de trabalho de determinado CPBS requerem 
dos trabalhadores dispêndio físico, cognitivo e emocional. Tais exigências, apresentadas 
como empecilhos e/ou desafios a serem enfrentados, são denominadas de Custo 
Humano do Trabalho (CHT). Sob essa perspectiva, nesta seção, foi apresentado e 
descrito o conceito de CHT na tentativa de esclarecer a predominância da exigência ao 
trabalhador quanto ao distanciamento entre o que é prescrito e o que é real no contexto 
de trabalho.
O CHT expressa o dispêndio dos trabalhadores, individual e coletivamente, nas esferas 
físicas, cognitivas e afetivas para lidar com as contradições existentes no contexto 
de produção que impedem e desafiam a inteligência dos trabalhadores (FERREIRA; 
MENDES, 2003).
Os níveis de exigências que constituem o CHT são representados pelos seguintes custos, 
a saber (FERREIRA, 2006a):
 » Custo físico – expressa o custo corporal vinculado ao dispêndio fisiológico 
e biomecânico, sob a forma de posturas, gestos, deslocamentos e emprego 
114
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
da força física, produto da imposição das características do CPBS aos 
trabalhadores.
 » Custo cognitivo – expressa o custo em termos de exigência mental, sob 
a forma de aprendizagem, formação de esquemas de ação, resolução de 
problemas e de tomada de decisão, também impostas aos trabalhadores 
em decorrência das características do CPBS.
 » Custo afetivo – expressa o custo emocional, sob a forma de reações afetivas, 
de sentimentos e de estado de humor, resultante das características do 
CPBS.
O CHT mantém relação de proximidade com a atividade, sofrendo imposição externa 
na forma de constrangimentos às atividades dos trabalhadores, conduzindo-os a 
desenvolverem estratégias de trabalho (FERREIRA, 2006a). 
Nos estudos conduzidos por Medeiros (2011), a literatura apontou que toda 
atividade requer do trabalhador algum esforço, podendo aparecer com 
diferentes ênfases. Porém, os três aspectos sempre estarão presentes (ABRAHÃO; 
PINHO, 2002). As características principais do CHT podem ser assim sintetizadas: 
a. Ele é imposto externamente aos trabalhadores sob a forma de 
constrangimentos(contraintes) para suas atividades; 
b. Ele é gerido por meio das estratégias de mediação individual e coletiva 
que visam, fundamentalmente, responder à discrepância entre as 
tarefas prescritas pelos modelos de gestão e as situações reais de 
trabalho; e
c. Ele está na origem das vivências de bem-estar e de mal-estar 
no trabalho, modalidades de representações mentais, que os 
trabalhadores constroem sobre os efeitos do CHT (FERREIRA, 2008a; 
FERREIRA et al., 2009a).
O conhecimento das exigências que compõem o CHT apresenta-se 
como um elemento fundamental para ações que visam à melhoria 
da QVT. As situações vivenciadas pelos atendentes impactam 
positivamente ou negativamente no CHT. Quanto mais difícil for 
lidar com as exigências do CHT maiores serão os riscos para o 
trabalhador vivenciar o mal-estar no trabalho. A superação desse 
quadro é possibilitada com as estratégias de mediação, conforme 
apresentação adiante (MEDEIROS, 2011,p. ?). 
115
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
Estratégias de Mediação Individual e Coletiva 
(EMICs): o suporte das contradições do 
trabalho
Tendo em vista que o CHT, em determinado contexto de trabalho, pode exigir em 
demasia dos trabalhadores, faz-se necessário o desenvolvimento de estratégia 
de mediação individual e coletiva (EMIC), que objetiva atenuar as contradições, 
discrepâncias e/ou adversidades nessa realidade. Dessa forma, nesta seção, foi definido 
EMIC para que melhor se entenda a reação dos trabalhadores ao CHT.
As estratégias de mediação individual e coletiva representam o “modo de pensar, de 
sentir e de agir frente a um contexto de produção específico” (FERREIRA; MENDES, 
2003, p. 43), com o objetivo de garantir a “integridade física, psicológica e social” 
do trabalhador (FERREIRA; MENDES, 2003, p. 44). Quando a EMIC é gerida com 
sucesso, configuram-se as fontes de bem-estar no trabalho; caso contrário, têm-se as 
fontes de mal-estar nesse local.
Tanto o bem-estar quanto o mal-estar no trabalho definem-se como representações 
mentais, nas quais os trabalhadores manifestam o seu estado geral em determinados 
momentos e contextos de trabalho. Pontualmente, define-se bem-estar no 
trabalho como representações positivas que os trabalhadores fazem sobre o seu 
estado físico, psicológico e social relativo ao contexto de produção no qual estão 
inseridos; e mal-estar no trabalho define-se como representações negativas que 
os trabalhadores fazem sobre tais estados em determinado contexto de produção 
(FERREIRA, 2006a).
Sob essa perspectiva é que se compreende a inter-relação entre contexto de produção, 
CHT e representações de bem-estar e mal-estar no trabalho, uma vez que quanto 
mais eficientes e eficazes forem as estratégias de mediação individuais e coletivas 
dos trabalhadores para lidarem com as exigências de determinado contexto de 
produção, menor será o CHT, tendo-se o predomínio das representações positivas, 
isto é, bem-estar individual e coletivo. E quanto menos eficientes e eficazes forem 
tais estratégias de mediações individuais e coletivas dos trabalhadores para gerirem 
as mesmas exigências do contexto de produção, maior será o CHT, predominando as 
representações de mal-estar individual e coletivo (FERREIRA, 2006a). 
As principais estratégias de mediação individual e coletiva dos trabalhadores 
subdividem-se em estratégias operatórias, fundamentadas conceitualmente pela 
ergonomia da atividade, e as estratégias de mobilização coletiva defensivas, discutidas 
pelo enfoque da psicodinâmica do trabalho.
116
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
 » Estratégias operatórias – são modos, individual e coletivo, de ação 
finalística dos trabalhadores, com a intenção de responderem às exigências 
externas existentes em determinado CPBS, especificamente aquelas 
originadas pela distância entre o trabalho prescrito e o real (FERREIRA; 
MENDES, 2003). São centrais na análise ergonômica do trabalho, uma 
vez que possibilitam a compreensão das respostas dos trabalhadores 
frente às situações de trabalho. Estas estratégias elaboradas pelos 
trabalhadores constituem-se no processo de manutenção de sua saúde, 
mas podem falhar quando não mais permitem dar respostas às exigências 
do contexto de trabalho, podendo, então, acarretar adoecimento no 
trabalho (FERREIRA; MENDES, 2003).
 » Estratégias de mobilização coletiva – são modos de ação que se 
configuram de forma conjunta, envolvendo grupos de trabalhadores, e 
buscam modificar a organização, as condições e as relações sociais de 
trabalho em fontes representativas de bem-estar. A operacionalização 
dessas estratégias desenvolve-se por meio do espaço público de discussão, 
representado pelo local onde os trabalhadores têm espaço público e livre 
para expressarem suas opiniões, compartilhar estratégias operatórias 
mediante o sofrimento enfrentado; e, por meio da cooperação, na 
qual se desenvolve uma ação coordenada, fundamentada na confiança 
e solidariedade, caracterizando-se pela articulação de contribuições 
individuais, com impacto transformador.
 » Estratégias defensivas – frequentemente são inconscientes e podem ser 
tanto individuais quanto coletivas. Apesar de ter função de proteção, se 
assumirem caráter constante de uso pelos trabalhadores, podem produzir 
alienação e fracasso como estratégia de mediação, pois se apresentam 
inúteis e preditoras de doenças, sejam elas de origem psicossomáticas, 
psíquicas e/ou físicas.
Portanto, considerando que o escopo deste trabalho se fundamenta na ergonomia da 
atividade, tem-se que as estratégias operatórias podem, de fato, reduzir o custo humano 
do trabalho e possibilitar nele representações de bem-estar. 
Ao considerar o conjunto de exigências presentes nos mais diversos contextos 
de trabalho, que se exemplificam por meio do excesso de ritmo de trabalho, do 
aumento dos prazos e cobranças, do incentivo à polivalência e da individualização 
da tomada de decisão, tem-se mais uma vez a confirmação da premissa, tão 
criticada pela ergonomia da atividade, do trabalhador como a “variável de ajuste” 
117
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
(FERREIRA, 2008). Esse contexto crítico torna-se um desafio para as organizações 
repensarem nos respectivos modelos de gestão que questionam o possível 
diálogo entre bem-estar e produtividade.
Para Medeiros (2011), o papel das estratégias de mediação é propiciar uma 
margem de manobra para o trabalhador lidar com as contradições presentes 
no contexto de trabalho, com a finalidade de transformar as adversidades e, ao 
mesmo tempo, assegurar as integridades física, psicológica e social, buscando, 
consequentemente, a prevalência de vivências de bem-estar no trabalho sobre 
as de mal-estar. 
Quanto mais eficientes e eficazes forem as estratégias de mediação individuais e 
coletivas dos trabalhadores, para gerirem as exigências do contexto de trabalho, 
menor será o CHT, configurando o predomínio de representações e sentimentos 
de bem-estar individual e coletivo; e quanto menos eficientes e eficazes forem 
as estratégias de mediação individuais e coletivas dos trabalhadores, para 
gerirem as exigências do contexto de trabalho, maior será o CHT, configurando o 
predomínio de representações e sentimentos de mal-estar individual e coletivo 
(FERREIRA, 2006).
118
CAPÍTULO 3
Análise Ergonômica do Trabalho (AET)
Pressupostos e características da AET
Para compreender as situações de trabalho em sua totalidade e dimensões, a ergonomia 
faz uso de um método particular de intervenção: a Análise Ergonômica do Trabalho 
(AET), cujo elemento central organizador e estruturante da situação de trabalho é a 
atividade de trabalho (GUÉRIN et al., 2001). 
A AET mescla diferentes instrumentos e procedimentos de pesquisa para o diagnóstico 
de situações de trabalho e constrói recomendações focadas em aspectos que visem 
transformar as situações-problemas investigadas no âmbito de propor alternativas que 
articulem o bem-estar dos trabalhadores e a efetividade organizacional.
Ressalta-se que o processode investigação, tendo a AET como método, evolui por um 
trajeto não linear e tampouco direto. O delineamento metodológico é marcado por 
idas e vindas, orientadas segundo a dinâmica das situações analisadas, que permitam 
a adequação (em qualquer tempo) da escolha dos instrumentos e procedimentos 
de investigação (FERREIRA, 2003). Dessa maneira, encara-se como um poderoso 
diferencial pertencente a este método, uma vez que as etapas não são engessadas. Isso 
proporciona ao ergonomista maior flexibilidade e possibilita, conforme posto, ajustes 
nos diferentes estágios de análise.
O Modelo teórico-metodológico da 
ergonomia
A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) tem seu registro como método baseado nos 
estudos desenvolvidos por pesquisadores franceses (WISNER, 2004; DANIELLOU, 
2004; GUÉRIN et al., 2001). A principal característica desse método é investigar o que 
acontece no contexto da realidade sem utilizar um modelo técnico a priori (WISNER, 
2004), não desmerecendo a relação de diferentes variáveis nas situações de trabalho 
como possíveis responsáveis pela situação-problema identificada (FERREIRA, 2003).
Desta feita, a AET é utilizada para trazer respostas a uma pergunta específica a fim 
de propor soluções operatórias, que acarretem mudanças de aprimoramento de uma 
determinada realidade. Assim, de modo geral, ela possibilita a descrição alternada das 
fases de concepção e de resolução dos problemas, o que não significa o estabelecimento 
119
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
de um receituário predefinido para atuação e intervenção na análise da demanda, mas 
sim de um estudo da situação-problema de forma imparcial que compartilhe, quando 
necessário, de campos disciplinares que melhor respondam às questões levantadas na 
investigação (FERREIRA, 2003; WISNER, 2004).
A Figura 2, a seguir, apresenta o esquema das etapas da AET que destacam o 
valor da atividade no estudo da interação indivíduo-ambiente. A ideia é elencar os 
níveis de interdependência que há entre o contexto de trabalho e a atividade que, 
se permanecerem em sincronia, alcançam o objetivo de “responder eficiente e 
eficazmente às exigências das tarefas prescritas e garantir o próprio bem-estar do 
indivíduo” (FERREIRA, 2003, p. 43).
Figura 2.
Atividade
a) Análise da 
demanda
b) Análise 
da tarefa
c) Análise 
da
atividade
d) Análise 
do
ambiente
e) Diagnós-
tico
f)
Recomen-
dações
Fonte: Adaptado de Feitosa (2010).
Recorrendo aos trabalhos desenvolvidos por Wisner (1996), Guérin et al. (2001), 
Ferreira (2003) e Iida (2005), descrevem-se as etapas que compõem a AET, a saber:
a. Análise da demanda: representa a descrição de uma determinada 
situação-problema (IIDA 2005); é o recorte necessário para estruturar 
a ação (GUÉRIN et al., 2001). Ressalta-se ainda que para identificar a 
situação-problema é necessário verificar a análise da atividade concreta 
de trabalho e a análise da distância existente entre o trabalho prescrito 
e o real (GUÉRIN et al., 2001). Contribuem para a formação da 
situação-problema os diretores, trabalhadores, sindicalistas, entre outros 
120
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
(FERREIRA, 2003). Este elemento pode ser considerado como a ponta 
do iceberg, submergindo outros possíveis reais determinantes; é valido 
destacar que a análise da demanda é o guia norteador da AET no decorrer 
da trajetória de investigação (FERREIRA, 2003).
b. Análise da tarefa: corresponde à identificação das normas e objetivos 
prescritos formalmente que devem ser executados pelos trabalhadores. 
Contempla o planejamento do trabalho e pode preexistir em documentos 
formais, tais como regimentos, manuais, descrição de cargos, instruções 
e normas de segurança do bem ou do serviço a ser prestado (GUÉRIN 
et al., 2001; IIDA, 2005). Montmollin (1990) acrescenta que a tarefa se 
opõe à atividade, antecede a atividade e visa conduzir de forma plena a 
sua execução.
c. Análise da atividade: constitui um dos pilares da ergonomia (GUÉRIN 
et al., 2001). Envolve a observação da realidade dos fatos vivenciados 
pelos trabalhadores, descrevendo como esses profissionais atuam para 
alcançar as metas que lhes foram repassadas (IIDA, 2005). Nesta etapa, 
verificam-se todos os determinantes considerados pelos trabalhadores, 
como as variáveis intra e interindividual, para construir as estratégias e 
modos operatórios para responder às prescrições da tarefa (FERREIRA, 
2003; COSTA, 2003).
d. Análise do contexto de trabalho: representa os elementos materiais 
que estruturam o trabalho (WISNER, 1994). Na perspectiva de Ferreira 
e Mendes (2003), esses elementos constituem a dimensão condições de 
trabalho, inserida no Contexto de Produção de Bens e Serviços (CPBS). 
e. Diagnóstico: nesta etapa, têm-se as ações que buscam identificar as 
causas da demanda apresentadas na análise da situação-problema 
(IIDA, 2005). Para contribuir nesse nível de análise, pode-se recorrer 
à colaboração dos gestores e trabalhadores que podem prestar 
informações sobre a situação real de trabalho, via entrevistas, aplicação 
de questionários, observações livres e/ou sistemáticas e a análise 
documental (FERREIRA, 2003). 
f. Recomendações: consiste nas sugestões e indicações de mudanças 
a serem tomadas para a resolução dos problemas identificados (IIDA, 
2005). Tendo em vista a contribuição das etapas constituintes da AET, 
pode-se considerar que a atividade se caracteriza por ser “finalística; 
enigmática; organizada/organizante e, sobretudo, busca responder às 
lacunas do trabalho prescrito e à variabilidade das situações de trabalho” 
121
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
(FERREIRA, 2003, p. 20). Além disso, ela “estabelece, portanto, pela sua 
própria realização, uma interdependência e uma interação estreita entre 
esses componentes” (GUÉRIN et al., 2001, p. 26).
A escolha pela utilização da AET, para o diagnóstico da situação-problema, 
justifica-se pelo seu comprometimento em responder a uma demanda específica, 
orientando propostas de soluções operatórias (WISNER, 2004), além de se empenhar 
em analisar situações reais em que o trabalho se inscreve (FERREIRA; FREIRE, 2001), 
quando são identificadas as contradições presentes no contexto de produção. Soma-se 
a isso as estratégias de mediação utilizadas pelos trabalhadores, na tentativa de atenuar 
a distância entre o trabalho prescrito e o real, minimizando o custo humano do trabalho 
e, consequentemente, possibilitando uma prospecção da qualidade de vida no trabalho.
Ressalta-se que, durante o processo de investigação, no qual a AET serve de suporte, 
há uma seleção criteriosa dos instrumentos e procedimentos a serem utilizados; 
corroborando, portanto, com a perspectiva de que a AET permite uma flexibilidade 
instrumental e procedimental no seu decorrer metodológico, configurando o “ir e vir” 
no estudo do recorte analítico da pesquisa (FERREIRA, 2003).
A ergonomia da atividade, como referencial teórico, e a análise ergonômica do trabalho 
como estratégia metodológica atuam em demandas específicas ou situações-problema 
socialmente estabelecidas que, de modo geral, apresentam-se como uma queixa ou um 
problema formalizado, seja pela organização, seja pelos trabalhadores. Assim, o ponto 
de partida para a AET é uma demanda inicial, que cumpre o objetivo de delimitar o 
objeto de estudo de análise. Com a demanda evidenciada, procura-se esclarecê-la com 
vistas a propor formas de intervenção. Para tanto, é necessário o aprofundamento de 
alguns aspectos para melhor compreensão do contexto no qual se desenvolve a atividade 
(PINHO, 2002). 
Wisner (1984) apresenta argumentos esclarecedores sobre a “condição” da 
demanda, porque para ele a demanda inicial nem sempre representa a demanda 
real. A analogia com um iceberg ilustra de forma satisfatória essa questão: a 
demanda inicial revela a “ponta do iceberg”, isto é, a parte aparente da questão, 
sinalizando para os indicadores críticos presentes no contexto de trabalho 
sem, contudo, revelar o que estaria na gênese de tais indicadores, aspectoencoberto e representado pelo restante do que está submerso. Assim, há muita 
coisa não visível que convida a ser revelada. A demanda inicial é importante 
em informações e traz consigo o potencial de sinalizar uma situação-problema 
socialmente estabelecida no contexto organizacional, o que corrobora para 
nortear os passos subsequentes da investigação que caminha no sentido de 
nomear e revelar o que está encoberto.
122
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
Análise ergonômica do trabalho aplicada à 
qualidade de vida no trabalho
Nesta seção são apresentados, a caráter de exemplo, os elementos principais que 
constituem abordagem metodológica possível para a ergonomia da atividade. São 
descritas as características do estudo de caso como método de procedimento utilizado, 
assim como o delineamento metodológico da pesquisa de natureza quantitativa e 
qualitativa, filiada à abordagem teórico-metodológica da ergonomia da atividade 
aplicada à aualidade de vida no trabalho (EAA/QVT) (FERREIRA, 2008). Ela é 
subdividida em duas etapas interdependentes, a saber: análise macrodiagnóstico e 
análise microergonômica, esta última como objeto da démarche clássica da análise 
ergonômica do trabalho, cuja aplicação se alicerçou nos pressupostos de Guérin et al. 
(2001), complementados por estudos de Montmollin (1990), Laville (1993), Wisner 
(1995), Daniellou (2004), Grandjean (1998) e Ferreira (2003).
A abordagem da QVT de viés preventivo reserva nítida interface de interesses com 
o campo da ciência ergonômica, diante, principalmente, das aproximações teóricas 
conforme argumentado nos capítulos anteriores. Tais afinidades possibilitam a 
construção da abordagem ergonomia da atividade aplicada à qualidade de vida no 
trabalho (EAA/QVT). 
No entanto, alguns autores apontam que a construção dessa abordagem traz implicações 
de natureza metodológica (FERREIRA, 2008; FERREIRA et al., 2009; FEITOSA, 
2010), em especial, ao que concerne à AET, pois, segundo Ferreira et al. (2009), as 
abordagens de QVT, de modo geral, filiam-se a uma perspectiva analítica de natureza 
macroprocessual (foco no estudo da organização como um todo), enquanto a tradição 
de estudos e pesquisas em ergonomia da atividade alinha-se a uma perspectiva de 
natureza microprocessual (foco em setores específicos da organização, nos quais se 
manifestam determinados problemas).
Nos estudos da área, observa-se que uma parcela significativa de pesquisas com bases 
epistemológicas vinculadas à ergonomia utiliza em suas coletas de dados um conjunto 
de técnicas e instrumentos predominantemente de cunho qualitativo, os quais 
caracterizam a démarche metodológica e em larga medida tradicional da ergonomia 
da atividade. Em tais pesquisas, observa-se de forma recorrente a utilização da análise 
documental, as entrevistas do tipo semiestruturadas, as observações livres e sistemáticas 
e a mensuração físico-ambiental.
A partir dessa constatação buscou-se alternativas que possibilitassem a investigação 
da QVT, de viés preventivo, aliada à ergonomia da atividade, o que permitiu a 
combinação de procedimentos quantitativos e qualitativos. Com esse entendimento, 
123
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
incluiu-se o uso de escalas psicométricas que, embora pouco presentes nos estudos 
“clássicos” em ergonomia, segundo Mendes e Ferreira (2007), são instrumentos 
pertinentes para estudos em contextos laborais, pois viabilizam dimensionar as 
representações de grandes grupos.
Para compreender as situações de trabalho em sua totalidade e dimensões, a 
ergonomia utiliza metodologia própria de intervenção – a análise ergonômica do 
trabalho (AET), cujo elemento central organizador e estruturante da situação de 
trabalho é a atividade de trabalho (GUÉRIN et al., 2001). 
A AET combina diferentes instrumentos e procedimentos de pesquisa para o 
diagnóstico de situações de trabalho e formula recomendações focadas em aspectos 
que visem transformar as situações-problema investigadas na perspectiva de 
propor alternativas que articulem o bem-estar dos trabalhadores e a efetividade 
organizacional. 
Por isso, diferentemente de outros estudos que investigam o trabalho, a AET procura 
identificar como o trabalhador elabora os problemas que deve resolver em confronto 
com a situação real de trabalho. Nessa perspectiva, a abordagem da ergonomia 
centrou-se na atividade dos atendentes das agências de atendimento ao público, ligadas 
ao governo municipal. 
Os traços característicos que orientam a AET são assim sumarizados:
a. Compreensão de que a natureza do objeto de investigação (mediação 
indivíduo- trabalho) subordina o método, e em consequência, o 
instrumental e os procedimentos adotados;
b. A AET não tem como propósito demonstrar modelos teóricos 
preestabelecidos, pois se constitui em instrumento de diagnóstico da 
gênese e ocorrência de indicadores críticos no contexto de trabalho;
c. Ancora-se na lógica de análise ascendente do tipo bottom-up, ou seja, 
tem como ponto de partida uma demanda posta; e
d. A participação dos trabalhadores de forma efetiva, voluntária e 
abrangente.
Para conhecer as diversas ferramentas ergonômicas que podem auxiliar no uso do 
método da análise ergonômica do trabalho, pesquise como e quando aplicar os seguintes 
métodos:
 » Método NIOSH (equação de levantamento de carga);
 » Método OWAS;
124
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
 » Método RULA;
 » Método REBA;
 » Método Suzanne Rodgers;
 » Moore e Garg (Strain Iindex);
 » Questionário bibolar;
 » Método Lehmann;
 » Checklist de Couto;
 » Método QEC;
 » Análise de imagem;
 » Análise de vídeo;
 » Antropometria;
 » Cálculo de força;
 » Uso de EPI (NR 6);
 » Avaliação de calor (NR 15);
 » Avaliação de ruído (NR 15);
 » Avaliação de digitação (NR 17);
 » Avaliação de iluminação (NBR 8.995);
 » Checklist para escritório. 
O software Ergolândia, versão 5.0, é uma alternativa para conhecer e aplicar esses 
métodos no momento de estudo da análise de determinada situação-problema.
125
CAPÍTULO 4
Norma Regulamentadora 17
NR 17: orientação e aplicação
O bem-estar dos trabalhadores, dos usuários e o alcance dos objetivos organizacionais 
inter-relacionam-se favoravelmente quando colocados nas políticas cotidianas das 
organizações e ao se tornarem pertinentes na temática qualidade de vida no trabalho 
(QVT) (FERREIRA; FERREIRA; ANTLOGA; BERGAMASCHI, 2009) e também da 
saúde do trabalhador.
As questões ergonômicas constituem-se pela análise do ambiente de trabalho, 
posturas, ritmos de trabalho, leiaute, conforto térmico, ruído, iluminação, formas de 
trabalho, aspectos envolvendo quantidade de horas trabalhadas, entre muitos outros 
elementos que podem levar ao desconforto ou até mesmo a doenças ocupacionais. 
Dessa forma, caberá ao ergonomista, por meio de suas técnicas, proporcionar ao 
trabalhador a aproximação com o equilíbrio entre si mesmo, o seu contexto de trabalho 
e a infraestrutura na qual este é realizado, em todas as suas dimensões. São, portanto, 
imprescindíveis para a aplicação da ergonomia nos ambientes de trabalho por conta 
da existência de elevado número de equipamentos e pessoas nesses ambientes, para os 
quais não foram considerados os princípios ergonômicos quando da realização de seus 
projetos de instalação.
O dispositivo legal da ergonomia
Atualmente o Brasil dispõe de 36 Normas Regulamentadoras (NRs) que obrigam as 
empresas a cumprirem o disposto nas normas relativas à segurança e à medicina do 
trabalho. A NR 17, especificamente, orienta a respeito da adaptação das condições de 
trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, possuindo os seguintes 
fundamentos jurídicos:
 » Redação atual dada pela Portaria MTPS no 3.751, de 23 de setembro de 
1990. 
 » Art. no 7, XXII e XXXIII, da Constituição da República Federativa do 
Brasil de 1988.
 » Arts. nos 72, 198, 199, 253, 390 da Consolidação das Leis do Trabalho.
 » Súmula do Tribunal Superior do Trabalho no 346.
126
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
Trata-se de uma regulamentação resultanteda intervenção das entidades sindicais 
sobre o reconhecimento das doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho 
informatizado e de enfrentamentos para melhoria das condições de trabalho de 
bancários, digitadores, entre outros. Por conta do seu processo de elaboração, a NR 
17 foi aplicada especialmente na área de informática, porém sua redação contém 
parâmetros que devem ser observados e seguidos, de forma ampla e abrangente e em 
todos os segmentos laborais.
A redação atual da NR 17, Ergonomia, prescrita pela Portaria Ministério do Trabalho e 
da Previdência Social no 3.751, de 23 de novembro de 1990, dispõe sobre os seguintes 
subitens, que são imprescindíveis para os trabalhadores que executam suas atividades 
laborais sentados e possam ter à disposição um posto de trabalho adaptado às suas 
capacidades psicofisiológicas, antropométricas e biomecânicas humanas. Dentre os 
vários aspectos investigados pela NR 17, destacam-se os seguintes: 
 » Postura e movimentos corporais: trabalho sentado, trabalho em pé, 
movimentação de cargas, levantamento de peso;
 » Informações captadas pela visão e audição;
 » Controle (relação de mostradores e controles); e
 » Cargos e tarefas.
O objetivo geral da norma é permitir a adaptação das condições de trabalho às 
características psicofisiológicas dos trabalhadores, incluindo aspectos relacionados à 
organização do trabalho, condições ambientais dos postos de trabalho, equipamentos 
utilizados, mobiliário, transporte e descarga de materiais.
Sob essa ótica, Wachowicz (2008) acrescenta que a investigação ergonômica deve 
buscar os seguintes objetivos:
 » Ajustar as exigências do trabalho às possibilidades do homem, com o fim 
de reduzir a carga externa.
 » Conceber máquinas, os equipamentos e as instalações, pensando na 
maior eficácia, precisão e segurança. 
 » Estudar cuidadosamente a configuração dos postos de trabalho, com o 
intuito de assegurar ao trabalhador uma postura correta. 
 » Adaptar o ambiente físico às necessidades físicas do homem.
127
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
Entende-se que, com a criação da NR 17, ergonomia, tem-se uma inovação nos 
marcos regulatórios das instituições organizacionais porque gera parâmetros para um 
ambiente de trabalho mais adequado e, consequentemente, pode auxiliar na prevenção 
de doenças ocupacionais, como Lesão por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).
Contêm na NR 17 orientações a respeito dos levantamentos ergonômicos das atividades 
de trabalho, inclusive nas operações que exigem posturas rígidas e fixas, introdução 
de novas tecnologias, absenteísmo elevado, rotatividade elevada de pessoal, conflitos 
frequentes, trabalho em turnos, situações essas que estão diretamente ligadas ao tema 
principal deste trabalho, o teleatendimento.
Recomendamos que a norma seja consultada, na íntegra, para complementar 
o estudo desta disciplina. Ainda sobre esse assunto, a Revista Proteção publica 
dicas sobre saúde e segurança no trabalho mensalmente. Como sugestão de 
estudo complementar desta unidade, acesse o seguinte endereço eletrônico: 
<http://www.protecao.com.br/protegildo/pagina=2>.
Nesta disciplina vocês conheceram o conteúdo da Norma Regulamentadora 17 (NR-17), 
que se refere à regulamentação do trabalho informatizado e de enfrentamentos para 
melhoria das condições de trabalho de bancários, digitadores, entre outros, resultante 
da intervenção das entidades sindicais contra as doenças osteomusculares oriundas 
destas atividades específicas. A Portaria MTPS no 3.751, de 23/11/1990; art. 7o, XXII 
e XXXIII, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988; arts. 72, 198, 
199, 253; 390 da Consolidação das Leis do Trabalho e Súmula do Tribunal Superior do 
Trabalho no 346 foram os marcos legais que deram respaldo a NR-17.
Cabe ainda falar dos aspectos psicossociais relacionados ao trabalho, cujo 
aprofundamento se faz imprescindível dentro da nova realidade do trabalho no 
Brasil: o aumento de casos de transtornos mentais entre os trabalhadores. A NR 17 
apenas menciona algo sobre os aspectos psicossociais interferentes no ambiente de 
trabalho. Assim, como forma de preencher essa lacuna, dentro do campo da psicologia 
organizacional e do trabalho, foram criadas várias metodologias de abordagem 
do sofrimento e prazer vinculados ao trabalho bem como instrumentos valiosos na 
identificação e diagnósticos de riscos à saúde mental, tais como questionário de Lipp, 
ICT, entre outros. 
O índice de capacidade para o trabalho (ICT) é um instrumento que avalia 
a percepção do trabalhador em relação ao quão bem está, ou estará, neste 
momento ou num futuro próximo, e quão bem ele pode executar seu trabalho, 
128
UNIDADE IV │ ERGONOMIA
em função das exigências, de seu estado de saúde e capacidades físicas e mentais 
(SILVA JUNIOR et al., 2016). 
O ICT é construído com base em um questionário autoaplicável composto de 
dez itens, sintetizados em sete dimensões:
1. Capacidade para o trabalho comparada com o melhor de toda vida, 
2. Capacidade para o trabalho em relação a exigências físicas,
3. Número de doenças atuais diagnosticadas pelo médico, 
4. Perda estimada para o trabalho por causa de doenças,
5. Faltas ao trabalho por doenças nos últimos 12 meses, 
6. Prognóstico próprio da capacidade para o trabalho daqui a 2 anos e 
7. Recursos mentais. 
A pontuação do ICT varia de 7 (pior índice) a 49 pontos (melhor índice).
Sua aplicação no Brasil demanda como escolaridade mínima a quarta série do 
Ensino Fundamental 1. A versão em português e as instruções detalhadas para o 
cálculo do escore são encontradas em Tuomi et al. 
Quadro 17. Estrutura do Índice de Capacidade para o trabalho.
Item No de questões Pontuação
1. Capacidade atual para o trabalho 
comparada com o melhor de toda vida
1 De 0 a 10 pontos
2. Capacidade para o trabalho em relação 
às exigências do trabalho
2
De 0 a 10 pontos (considera a natureza do trabalho física 
e ou mental)
Número de doenças atuais diagnosticadas 
por médico
1 (lista de 51 doenças)
De 0 a 7 pontos (inversamente proporcional ao número de 
doenças diagnosticadas apenas, sendo nenhuma doença de 
0, e 5 ou mais doenças, 1 ponto)
Perda estimada para o trabalho por causa 
de doenças
1 De 1 a 6 pontos
Faltas ao trabalho (dias) por doenças nos 
últimos 12 meses
1
De 1 a 5 pontos (inversamente proporcional ao valor 
apontado). Para nenhum dia 5 pontos e no mínimo 100 
dias 1 ponto. 
Prognóstico próprio da capacidade para o 
trabalho daqui a 2 anos
1 1,4 ou 7 pontos (respectivamente incapaz, incerto e capaz)
Capacidade de apreciar a vida, de se sentir 
alerta e da esperança no futuro.
3
Cada questão varia de 0 a 4, sendo respectivamente 
nunca e sempre. Os valores das questões são somados e a 
pontuação final varia de 1 a 4 proporcional a soma. 
Fonte: adaptação de Tuomi et al. (2010).
129
ERGONOMIA │ UNIDADE IV
Quadro 18. Pontos do ICT e seus objetivos.
Pontos Capacidade para o trabalho Objetivos das medidas Ações
7-27 Baixa
Restaurar a capacidade para o 
trabalho 
Agir sobre o ambiente de trabalho e a 
capacidade de restaurar as condições do 
trabalhador
28-36 Moderada
Melhorar a capacidade para o 
trabalho
Incentivar atitudes positivas como a prática 
de exercícios físicos, dieta, sono, repouso e 
atividades sociais. 
37 – 43 Boa
Apoiar a capacidade para o 
trabalho
Esclarecer o trabalhador acerca dos fatores 
ligados ao trabalho e ao estilo de vida que 
auxiliam ou deterioram sua capacidade para 
o trabalho.
44 - 49 Ótima
Manter a capacidade para o 
trabalho
Esclarecer o trabalhador acerca dos fatores 
ligados ao trabalho e ao estilo de vida que 
auxiliam ou deterioram sua capacidade para 
o trabalho. 
Fonte: adaptado de TUOMI et al. (2010). 
130
Para (não) Finalizar
A identificação de indivíduos e populações expostas é crucial para visualizar no 
ambiente de trabalho todas as situações de riscos, além de direcionar as orientações 
de saúde dentro de uma organização,pois esse é um objetivo especial da gestão em 
SST. Aliada a isso, a investigação dos agentes presentes no ambiente de trabalho trará 
subsídios para o estabelecimento do nexo causal do agravamento do estado de saúde 
do trabalhador com a sua atividade.
Contudo, a investigação (coletiva ou individual) deve ser criteriosamente desenhada, 
para que reflita fidedignamente a realidade laboral e mitigue os riscos à saúde do 
trabalhador, diminuindo o número de adoecimentos, afastamentos pelo INSS e 
acidentes de trabalho, entre outros agravos, além de contribuir para a promoção da 
saúde e prevenção de doenças. 
Algumas doenças dessa natureza sequer são diagnosticadas (associadas) como efeito 
do “ambiente e do trabalho”, podendo passar despercebidas por anos, levando o 
trabalhador da incapacidade física e mental leve-moderada até ao óbito. Podemos 
listar, ainda, neste rol: os impactos ambientais em comunidades circunvizinhas 
aos grandes empreendimentos; o envenenamento cumulativo da cadeia alimentar 
humana; o esgotamento de recursos naturais; injustiça ambiental entre ricos e pobres, 
sendo estes últimos afetados em maiores proporções; entre outros agravos. Dessa 
forma, finalizamos esta etapa da disciplina carregando o seguinte questionamento: 
quantas vidas serão lesadas até que possamos efetivar uma sólida gestão dos agravos 
relacionados ao ambiente de trabalho, envolvendo todos os atores da complexa relação 
entre Estado, empregadores e sociedade? 
131
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