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DIMENSIONAMENTO DE DUTOS DE VENTILAÇÃO 1-Introdução Antes de apresentar o dimensionamento dos dutos de ventilação vamos ver como é dimensionada a vazão que vai ser transportada por esse duto. A vazão é determinada pelas condições termodinâmicas desejadas do ar no recinto que vai ser alimentado por esse duto. Para tanto vamos aplicar a fórmula que relaciona as características que definem a condição do ar no recinto: Vazão do ar insuflado = hihc qlqs titccp qs )(. ti hi Onde qs=taxa de calor sensível na sala (kW) ql=taxa de calor latente na sala (kw) tc=temperatura do ar no ambiente condicionado (°C) ti=temperatura do ar insuflado(°C) Øc=umidade relativa do ambiente condicionado Cp= calor específico do ar à pressão constante=1,0 ° hc=entalpia específica do ar no ambiente condicionado (kJ/kg de ar seco) hi=entalpia específica do ar insuflado (kJ/kg de ar seco) Podemos utilizar também a equação da reta relação entre cargas (taxa de calor sensível e taxa de calor latente) para auxiliar na determinação de propriedades do ar no ambiente condicionado graficamente com auxílio da carta psicrométrica: Equação da reta relação entre cargas: qlqs qs hihc titccp )(. tc qs hc Øc ql Ambiente condicionado onde qs=taxa de calor sensível na sala ql=taxa de calor latente na sala tc=temperatura do ar no ambiente condicionado (°C) ti=temperatura do ar insuflado (°C) hc=entalpia específica do ar no ambiente condicionado (kJ/kg de ar seco) hi=entalpia específica do ar insuflado (kJ/kg de ar seco) Cp= calor específico do ar à pressão constante=1,0 ° A variação das propriedades termodinâmicas como entalpia específica, temperatura de bulbo seco, temperatura de bulbo úmido, e umidade absoluta, para uma região onde é conhecida a pressão barométrica pode ser obtida através da consulta de uma carta psicromética como mostrado abaixo. Esta carta foi obtida para uma região onde a pressão é de 101,325 kPa. Seguindo o exemplo mostrado abaixo podemos determinar pela carta que para uma temperatura de bulbo seco de 42 °C e umidade absoluta de 0,013 kg de vapor/kg de ar seco, a entalpia específica é 75kJ/kg de ar seco. Assim conhecendo duas propriedades podemos determinar uma terceira. 2-Traçado da Linha de Relação entre cargas na Carta Psicrométrica Vamos tomar como exemplo um recinto condicionado onde a taxa de calor sensível é igual 65 kW, a taxa de calor latente é igual a 8 kW, a umidade relativa é igual a 50%, e a temperatura tc=24 °C. Supondo que o ar seja insuflado com uma temperatura de 14 °C. Com Øc = 50% e tc=24 °C na carta psicrométrica encontramos hc=47,5kJ/kg Aplicando a equação da linha de relação entre cargas temos podemos encontrar : qlqs qs hihc titccp )(. Substituindo os valores 865 65 5,47 1424 hi resolvendo hi=36,3 kJ/kg hc Podemos verificar esse valor na carta psicrométrica: A linha de cor laranja é a linha relação entre cargas A vazão em massa do ar insuflado pode ser calculada aplicando-se a fórmula = )(. titccp qs Substituindo-se os valores = skg /5,6 1424 65 ou = hihc qlqs Substituindo-se os valores = 3,365,47 865 = 6,5 kg/s EXEMPLO – APLICAÇÃO DE LINHA DE RELAÇÃO ENTRE CARGAS Uma sala de um laboratório apresenta uma carga térmica sensível de 60 kW e uma carga latente de 32 kW para uma temperatura interna de 25C e umidade relativa de 50 %. O ar deixa a serpentina de resfriamento com uma temperatura de 10C e 90 % de umidade relativa, sendo insuflado diretamente na sala do laboratório que deverá ser mantida nas condições acima citadas. As condições externas de projeto são : temperatura de bulbo seco igual a 35C e temperatura de bulbo úmido igual a 25C. O ar externo deve ser admitido na proporção de 1 para 4 com o ar recirculado. Determinar: a) A vazão de ar insuflado. b) A potência térmica desenvolvida na serpentina de resfriamento. SOLUÇÃO: Cálculo das condições do ar na entrada da serpentina: Da carta psicrométrica para o ar recirculado entrando com tc=25C e =50% podemos ler a entalpia hc=50,5 kJ/kg Da carta psicrométrica para o ar externo entrando com tbs=35C e tbu=25C podemos ler a entalpia he=76 kJ/kg Como a proporção de massas é igual a 1:4 podemos escrever: 0,8 X50,5 + 0,2 X 76 = 55,6 kJ/kg que é a entalpia de entrada do ar na serpentina. Com os dados de saida do ar da serpentina t = 10C e =90% podemos ler na carta psicrométrica hs=27,5 kJ/kg Portanto a variação de entalpia do ar na serpentina é he - hs= 55,6 – 27,5 = 28,1 kJ/kg qs=60W ql=32W tc=25°C Ø = 50% Serp. Resfr. T=10°C Ø=90% AR EXT TBU=25°C TBS=35°C 1 4 Determinação da vazão do ar insuflado: Aplicando-se a equação para cálculo da vazão de ar insuflado temos . m= )( titccp qs = 1025 60 = 4 kg/s Assim a potência desenvolvida na serpentina é igual a: Ps= (he-hs). m =28,1 X 4 = 114,4 kW. Resumindo os resultados: a) vazão do ar insuflado m=4,0 kg/s b) Potência na serpentina de refrigeração = 114,4 kW. 3-Determinação da perda de carga em dutos de ventilação A determinação da perda de carga em dutos de ventilação pode ser feita com auxílio de um ábaco que mostra em função da velocidade em m/s, diâmetro de duto (para dutos de seção circular) em mm, e da vazão em m3/s, obtendo-se a perda de carga no eixo horizontal inferior em Pa . Esta perda é avaliada para um duto com um comprimento de 30m. Para comprimentos maiores deve-se aplicar uma regra de 3. 1 2 Na figura mostrada na página anterior temos dois exemplos de determinação: Ponto 1 – Entramos com um duto de 550mm de diâmetro onde o ar flui a uma velocidade de 6,2 m/s – a perda de carga encontrada para um duto com comprimento de 30m lida no eixo inferior é igual a 23 Pa. Ponto 2 – Entramos com um duto de 200mm de diâmetro onde o ar flui a uma vazão de 0,78 m3/s – a perda de carga encontrada para um duto com comprimento de 30m lida no eixo inferior é igual a 900 Pa. Aplicação de dutos de seção retangular Quando o duto for de seção retangular, devemos converter a seção retangular em seção circular com aplicação da seguinte fórmula Equivalente Circular de um Duto Retangular: 8 2 5 )( ).( .3,1 ba ba dc Onde dc é o diâmetro circular equivalente, a=altura da seção, e b=largura da seção. Exemplo a=300mm e b=500mm substituindo na fórmula dc=420mm Aplicação de curvas de 90°: Quando em um duto de seção retangular temos um cotovelo de 90° devemos calcular o comprimento equivalente através da fórmula: 126,0)(13,2 ].33,0[. W H W R WL Onde L = comprimento equivalente em mm W= largura da seção H= altura da seção W e H devem ser considerados conforme mostrado na figura ao lado. R=raio da curva na linha de centro R=raio interno + Após determinado L podemos entrar no ábaco de perda de carga com o diâmetro equivalente A perda de carga nas reduções de seção pode ser determinada pela fórmula que avalia a Perda de Pressão dinâmica devido à variação de área (em função da velocidade na nova seção) : 2 2 2 29,1 . V cHd onde Hd= perda de carga dinâmica em pascal V2= velocidade após a redução de seção C2 = coeficiente em função da geometria Tabela do coeficiente C2 em função da geometria 1 V2 1,5 m3/s