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PRÁTICA CÍVEL II CASO 2 EXECUÇÃO BANCO PAN move ação executiva que em “Instrumento Particular de Confissão de Dívida, Ratificação de Garantias e Outras Avenças nº 75772” (doc. 2), datado de 27.5.2015, em que figura como credor o exequente BANCO PAN, sendo devedora principal a coexecutada XXX COMÉRCIO. Como garantidores e devedores solidários do título, figuram Q1 COMERCIAL, Q1 DA AMAZÔNIA, XXX COMÉRCIO, A.J.M.J e P.J.M, pelo que todos eles são partes legítimas para figurar no polo passivo da execução. A dívida confessada no título, que representava o saldo devedor em aberto junto ao BANCO PAN, alcançava, à época, R$ 15.658.296,18 (quinze milhões, seiscentos e cinquenta e oito mil, duzentos e noventa e seis reais e dezoito centavos), a qual deveria ser paga em 94 (noventa e quatro) parcelas, na forma estabelecida em sua Cláusula 2 (doc. 2), sendo a primeira com vencimento em 11.6.15 e última prevista para 30.12.15. Em garantia do pagamento da dívida confessada, a XXX COMÉRCIO emitiu Nota Promissória no valor de R$ 18.789.955,42 (dezoito milhões, setecentos e oitenta e nove mil, novecentos e cinquenta e cinco reais e quarenta e dois centavos), devidamente avalizada por todos os garantidores da operação supracitados (cf. doc. 3). 6. O primeiro Convênio, emitido em 29.11.13 e aditado em 16.6.14, possuía valor limite R$ 9.900.000,00 (Convênio nº 75745 e aditamento —— doc. 4). Já o segundo Convênio foi emitido em 30.4.14, aditado em 15.2.15, e possuía como valor limite a quantia de R$ 4.400.000,00 (Convênio nº 76063 e respectivo aditamento —— doc. 5). O terceiro e último Convênio, por sua vez, foi firmado em 05.5.14 e aditado em 05.2.15, possuindo como valor limite R$ 5.300.000,00 (Convênio nº 76065 e aditamento —— doc. 6). Em todos os 3 Convênios e respectivos aditamentos figuraram como garantidores os coexecutados Q1 COMERCIAL, Q1 DA AMAZÔNIA e XXX COMÉRCIO. A garantia fidejussória prestada pelos coexecutados A.J.M.J e P.J.M foi devidamente constituída e formalizada na própria Confissão de Dívida, bem como na nota promissória a ela vinculada. Foram entregues ao BANCO PAN, adicionalmente, 3 (três) Notas Promissórias emitidas pela coexecutada Q1 COMÉRCIAL (cf. doc. 7). Apesar de concluída a renegociação, os devedores interromperam o pagamento e, consequente, não honraram com o cumprimento das obrigações assumidas, o que ocasionou o vencimento antecipado da integralidade da dívida. Com efeito, a cláusula 11 da Confissão de Dívida descreve com clareza as hipóteses de vencimento antecipado da dívida, inclusive àquelas verificadas no caso em apreço (doc. 2), veja- se: Em exceção de pré-executividade os executados alegam que as devedoras distribuíram recentemente, pedido de recuperação judicial, o que exige seja a presente execução e todos os atos constritivos dela provenientes sobrestados. Conquanto o pedido de recuperação ainda não tenha sido deferido pelo juízo competente, nos autos do processo de recuperação judicial, foi concedida liminar que antecipou os efeitos do período de proteção, culminando na necessidade de suspensão de todas as ações e execuções que tratem de crédito sujeito ao concurso de credores. Que em 04.02.2020, a Excipiente distribuiu seu pedido de recuperação judicial junto à 1ª Vara Cível da Comarca de Cuiabá/MT, processo este autuado sob o nº 012345668- 34.2020.x.xx.0000(Doc. 02). Em que pese até o momento não ter sido deferido o processamento da recuperação judicial, o D. Juízo Recuperacional houve por bem conceder liminar para antecipar os efeitos do chamado stay period, de modo a proteger as empresas e seus sócios do Grupo Colombo de atos expropriatórios e constritivos enquanto realizada perícia prévia (Doc. 03). Com isso, nos termos do que dispõe o art. 6º, § 4º2 da Lei nº 11.101/05 (LREF), devem ser suspensas todas as ações e execuções que são movidas contra as empresas Excipientes E CONTRA SEUS SÓCIOS, mormente quando a ação se fundar em crédito sujeito aos efeitos do procedimento concursal. No que tange à concursalidade do crédito, o art. 49, caput3 da LREF estabelece que serão sujeitos ao processo de reestruturação todos os créditos cujo fato gerador é anterior à data da distribuição do pedido de recuperação judicial, de modo que o crédito ora perseguido pela Excepta é indiscutivelmente sujeito ao concurso de credores da Excipiente. Em outras palavras, sendo o crédito ora executado gerado em momento anterior à data da distribuição do pedido de recuperação judicial da devedora, tem-se que a liminar concedida pelo D. Juízo Recuperacional se apresenta como uma causa superveniente que modifica o direito da credora de prosseguir com a presente execução e que impõe a paralisação dos atos constritivos contra a Excipiente. Necessário frisar que o recebimento de crédito sujeito ao processo de soerguimento por via transversa ao quanto estipulado no plano de recuperação judicial que será apresentado dentro do prazo legal representa violação ao princípio do par conditio creditorum, e caracteriza o cometimento de crime falimentar, com fulcro nos art. 1724 e seguinte da LREF. No mais, é cediço que o art. 6º, caput5 da LREF dispõe que a recuperação judicial suspende o curso da prescrição das ações e execuções movidas contra a devedora, isto porque, a recuperação judicial tem o condão de suspender a mora e, consequentemente, a exigibilidade dos créditos sujeitos ao concurso de credores. Nesse diapasão, certo é que o crédito detido pela Excepta – por razão de causa superveniente – se tornou inexigível, de modo que a presente execução não cumpre com o requisito legal da exigibilidade, descrito no já citado art. 783 do Código de Processo Civil. Adicionalmente, o art. 803, inciso I6 do Código de Processo Civil estabelece que será nula a execução fundada em título que não represente uma obrigação certa, líquida e exigível. Assim, conclui-se que a decisão proferida pelo D. Juízo Recuperacional exige seja a presente execução suspensa, bem como sejam baixadas as ordens de penhora e bloqueios de ativos via sistema Bacenjud ou qualquer outro tipo de constrição. Pergunta-se: 1. Que medidas podem ser tomadas pelo credor para resguardar sua pretensão? 2. Cabe recurso contra eventual decisão de acolhimento da exceção? Com quais fundamentos se pode recorrer? 3. É possível penhorar bens dos sócios?