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Amélia, Mme. Brizard a dava por natural e coerente. Não via na cunhada uma vítima ou coisa que o valha, mas tão-somente um membro solidário naquela empresa, enviando os esforços de sua competência para o comum interesse da associação. Isto, já de deixa ver, era o que pensava a francesa, mas não o que ela expunha; de sorte que o marido ficou muito espantado, quando, falando sobre a necessidade de tratar do casamento de Amélia com o hóspede, lhe ouviu dizer: - Homem...para falar com franqueza...acho que o melhor é deixar seguir o barco como vai!... - Como vai!... E o Coqueiro engoliu a frase indignado: - Ora essa! Tu, com certeza, não estás falando sério! - às vezes, quem tudo quer, tudo perde!...sentenciou a mulher. - Mas que diabo quero eu?! Retrucou aquele. - Eu não quero senão o que é de justiça! Quero apenas que eles se casem! A outra, para quem o casamento de Amélia não trazia vantagens imediatas e podia, aliás, comprometer o estado feliz das coisas, saltou logo com uma bateria de opiniões contrárias:” Coqueiro faria muito mal em precipitar os acontecimentos! Naquela situação o mais razoável e o mais prudente era sem dúvida esperar! A natureza não dava saltos! As coisas haviam de atingir a um bom resultado, sem ser preciso lançar mão de meios violentos!... - Mas é que ele nos pode escapar!...argumentou Coqueiro. - Não creias! Retorquiu a velha com um gesto arraigado na experiência. - Mas filha, vem cá! - Não vês como o Amâncio está ultimamente? Já não é o mesmo! Amelinha já não tem sobre ele domínio de espécie alguma! O maroto já não pensa nela, é todo da Hortênsia! - E que tem isso! O que tem que ele farisque a Hortênsia?! Está no seu direito! - é moço, tem dinheiro! - Ora essa!...exclamou de novo o Coqueiro, ainda mais indignado que da outra vez. - O que em isso?!... E cruzando os braços: - É muito boa!... Mas tornou logo : - Tem, que ele deve uma reparação à minha irmã! Tem , que ele, apaixonado pela Hortênsia, pode virar as costas à pobre menina e abandoná-la no estado em que a pôs! - Desonrada, perdida! “Que tem isso?! “Ora faça-me o favor! - Tolo! Disse a francesa com um riso cheio de filosofia, cuja tranqüilidade contrastava com as irritações do marido. - Tolo! Bem se vê que não conheces os homens!...pois acreditas lá que o Amâncio despreze a rapariga por ter agora um