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Aula 8 Reprodução Humana 193 Placenta A placenta é um órgão materno-fetal formado pelo córion viloso (porção fetal) e pela decídua basal (porção materna). O córion e a decídua estão separados por uma fi na camada de citotrofoblasto e por espaços intervilosos provenientes das lacunas do sinciciotrofoblasto. O córion viloso é dividido em pequenas porções chamadas cotilédones, formados pela presença de septos oriundos da decídua basal. Cada cotilédone possui uma ou duas vilosidades coriônicas bem desenvolvidas e ramifi cadas seguidas pelo espaço interviloso (Figura 14). Figura 14 – Desenho de um corte transversal da placenta, mostrando a relação do córion viloso com a decídua basal e as circulações placentárias materna e fetal Fonte: Moore e Persaud (2008). Como funciona a circulação placentária O sangue fetal chega à placenta através das duas artérias umbilicais que se ramifi cam por todo córion e formam os vasos sanguíneos das vilosidades. Essas artérias se dividem cada vez mais, formando redes de capilares nas ramifi cações terminais das vilosidades através das quais ocorrerão as trocas de nutrientes entre a mãe e o feto. Os capilares sanguíneos se reúnem em vasos Aula 8 Reprodução Humana194 venosos que se unem para formar a veia umbilical, vaso que transporta o sangue agora rico em nutrientes, oxigênio e outras substâncias de volta para o feto. Já o sangue arterial materno chega à placenta através das artérias espiraladas do endométrio presentes em toda decídua basal. Essas artérias liberam seu conteúdo nos espaços intervilosos, permitindo que as vilosidades fi quem banhadas pelo sangue materno (fi gura 14). Para entrar em contato com o sangue fetal, o sangue materno precisa se difundir pela membrana placentária que divide a circulação materna da fetal. Até a vigésima semana, a membrana placentária é formada por sinciciotrofoblasto, citotrofoblasto, tecido conjuntivo da vilosidade (mesoderma extraembrionário) e pelo endotélio dos capilares sanguíneos. A partir da vigésima semana, a membrana placentária torna-se mais fi na devido ao desaparecimento do citotrofoblasto e, em algumas regiões, do sinciciotrofoblasto também. Isso facilita a troca de nutrientes entre a mãe e o feto, porém, permite também a passagem de substâncias nocivas a esse feto. As principais funções da placenta estão basicamente envolvidas com o metabolismo de substâncias, o transporte e a secreção hormonal. Como função metabólica, pode-se citar a síntese de glicogênio e ácidos graxos importantes para a nutrição inicial do feto. As principais substâncias transportadas através da membrana placentária são: os gases oxigênio, dióxido de carbono e monóxido de carbono; as substâncias nutritivas como água, glicose, aminoácidos e vitaminas; os hormônios, principalmente os esteroides, como a testosterona, passam livremente pela membrana placentária; os eletrólitos; os anticorpos maternos, que são importantes para conferir imunidade ao feto, pois o seu sistema imunológico ainda não está maduro; os produtos de excreção como ureia e ácido úrico; as drogas; alguns agentes infecciosos, como o vírus da rubéola, o Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose, e o Treponema pallidum, causador da sífi lis. A termo, a placenta apresenta uma forma discoide com diâmetro entre 15 e 20 centímetros, espessura entre 2 e 3 centímetros e um peso que varia de 500 até 600 gramas.