Prévia do material em texto
PATOLOGIA Graziela Gonzaga Santana CONCEITO • É uma reação dos tecidos a um agente agressor caracterizada morfologicamente pela saída de líquidos e de células do sangue para o interstício. → Bogliolo. • A inflamação é uma resposta dos tecidos vascularizados a infecções e tecidos lesados. Consiste em recrutar células e moléculas de defesa do hospedeiro da circulação para os locais onde são necessárias, com a finalidade de eliminar os agentes agressores. → Robbins. CLASSIFICAÇÃO INFLAMAÇÃO AGUDA • Seu início é rápido. De modo geral, dura alguns minutos e, no máximo, horas. • O infiltrado inflamatório é basicamente neutrófilo, mas isso depende do agente agressor. • O neutrófilo refere-se à célula de defesa que temos em maior quantidade. Logo, ele atua na maioria dos casos. • Portanto, a maior parte dos processos de agressão endógena, física, química ou biológica, é feita por neutrófilos, com exceção das doenças autoimunes. • Ex.: em caso de um resfriado comum → mesmo sendo agudo, o infiltrado inflamatório não será neutrófilo, pois o resfriado é causado por vírus (não é apresentado aos neutrófilos). • Logo, mesmo o processo sendo agudo, o infiltrado inflamatório varia com a etiologia. • Resposta alérgica → eosinófilo (célula infiltrada). • Células de defesa (tipos de leucócitos): Granulócitos (PNM - neutrófilos polimorfonucleares): o Neutrófilos. o Eosinófilos. o Basófilos. Agranulócitos (MN – mononucleares): o Linfócito T. o Linfócito B (plasmócito, quando produz anticorpos). o Monócito (quando está na corrente sanguínea) → macrófago (nos tecidos) → histiócito (quando o macrófago mora no tecido, ex.: macrófago alveolar; micróglia). • Lesão tecidual/fibrose na inflamação aguda geralmente é pequena, muitas vezes é imperceptível. • Há tanto sinais locais quanto sinais sistêmicos no processo inflamatório. • Na inflamação aguda, os sinais agudos e sistêmicos acontecem de uma maneira bem mais intensa e rápida. • Sinais locais → sinais cardinais da inflamação: calor, rubor, tumor, dor e perda de função. Inflamação aguda → caso de pneumonia. Alvéolos pulmonares repletos de neutrófilos. Contato com pneumococo → fenômenos vasculares → liberação de mediadores → manifestação de sintomatologia → surgimento de uma elevada quantidade de neutrófilo nas primeiras 24h tentando fagocitar o pneumococo → pulmão quase sem ar, pois está com muitas células e muito líquido de edema. Logo, dependendo da quantidade afetada → diminui a taxa respiratória → cai a saturação → paciente mais cansado → ausculta com estertor/crepitação → paciente tossindo com escarro, muitas vezes com pus e/ou com sangue → passado 48h, o exsudato já é macrofágico → o macrófago fagocita os restos de células, de hemácias, de bactéria... e começa o fator de crescimento para fibroblasto fazer fibrose. Se foi administrado antibiótico nas primeiras 24h, não haverá sequelas. Se levou dias para iniciar, pode-se ter fibrose e perda de tecido pulmonar. 2 INFLAMAÇÃO CRÔNICA • O processo inicial leva tempo, porém é muito relativo. O processo crônico da tuberculose, por exemplo, se inicia em menos de 12h. Logo, depende do agente. • Não necessariamente precisa passar da inflamação aguda para ser crônica. Ex.: hepatite B. • O infiltrado é basicamente mononuclear, pois a inflamação crônica inicia-se porque a resposta aguda não foi o suficiente. Portanto, necessita-se de células mais capacitadas que no caso são os mononucleares. • A inflamação aguda é, em maioria dos casos, granulócito. E o processo crônico é basicamente agranulócito mononuclear. Com exceção do processo viral que já começa com o agranulócito mononuclear. • A lesão tecidual, de modo geral, leva bem mais tempo. • O processo crônico evolui durante meses, anos, décadas (hanseníase). • Muito mais lesão tecidual e fibrose, em relação ao processo agudo, e, consequentemente, mais sequelas. • É um processo muito menos chamativo, pois o paciente convive com a inflamação durante muito tempo, levando uma vida praticamente normal. • A doença autoimune é uma inflamação crônica. Mastócito → no tecido. Na corrente sanguínea → neutrófilos, linfócitos, plaquetas. Monócito que vira macrófago. Proteínas plasmáticas que são fontes de mediadores químicos muito importantes no processo inflamatório e cicatricial. Para transformar fibrinogênio em fibrina: cliva uma parte do fibrinogênio, obtém-se a fibrina polimeriza e a parte restante são os fibronopeptídeos Tem-se também a ação da plasmina, a qual quebra os coágulos e também e ativador de outros sistemas de protease: sistema de cinina (produz bradicinina e calicreína). A plasmina inicia o sistema de cinina. A calicreína é capaz de ativar si mesma e também o sistema de coagulação. Na coagulação se tem o fator XII que quando ativado, inicia o sistema de cinina e produz mais bradicinina. Logo, a plasmina é um ativador de todos os sistemas. O sistema completo também é um sistema de protease plasmática. E a plasmina inicia esse sistema a partir da via alternativa. Portanto, as proteínas plasmáticas são fontes de mediadores químicos que são fundamentais para iniciar, manter o processo inflamatório e gerar a cicatrização. • Anti-inflamatórios → mecanismo de ação: eles são inibidores da cicloxigenase, enzima que transforma o ácido araquidônico e produz prostaciclinas, prostaglandinas e tromboxano → mediadores inflamatórios. • Corticoide: inibe a fosfolipase. O ácido araquidônico vem do fosfolipídeo que é quebrado pela fosfolipase e aí produz o ácido. • Mediadores liberados → processo de recrutamento de leucócitos → fagócitos, macrófagos e neutrófilos eliminando tecido morto e microrganismos → ação de mediadores de vasodilatação → aumento da permeabilidade vascular → edema. • Depois da eliminação de microrganismos e de tecido morto, tem-se o macrófago produzindo fatores de crescimento para fibroblastos produzirem colágeno, cicatrizando a área. • Torna-se crônica quando o processo agudo não é o suficiente. Ex.: agressão por agentes contra os quais os neutrófilos não são suficientes → tuberculose, hepatite B... • Quando a inflamação se torna crônica? Infecções persistentes. Doenças de hipersensibilidade. Ex.: asma. Exposição prolongada a agentes potencialmente tóxicos, tanto exógenos quanto endógenos. Ex.: Na figura do canto esquerdo superior, tem-se hiperemia, mediadores, neutrófilos... isso pode evoluir para resolução (figura no canto direito superior), de modo que o agressor foi eliminado, tudo voltando à normalidade, as células lesadas sendo substituídas por outras idênticas, voltando à função normal. Pode evoluir também para abscesso (figura do meio, deslocada para direita), isto é, acúmulo de pus, gerando cavitação. Isso pode evoluir para cura com fibrose e, portanto, sequela. Pode ter progressão para inflamação crônica (figura canto esquerdo inferior) que também pode se curar através de fibrose. E quando se tem um agente agressor muito intenso e difícil debelar, demora para tratar ou cura sozinho, a cura também pode ser por fibrose. 3 alcoolismo e tabaco → exógenos; cálculo biliar e elevada quantidade de ácido úrico → endógenos. • Células que vão gerar resposta inflamatória: linfócitos T e B; monócitos (macrófago → monócitos ativados/histiócito → macrófago residente em um tecido). • Na medula óssea tem-se a célula-tronco que dá origem ao monoblasto que vai para a corrente sanguínea já diferenciado em monócito. • Figura do canto esquerdo inferior → monócito com núcleo reniforme (formatode rim). Quando ativado, passa a ser chamado de macrófago, o qual pode estar em tecido na forma de micróglia, célula de Kupffer, macrófagos alveolares e osteoclastos. • Macrófago ativado → muitos lisossomos repletos de lipases, proteases, produz muitos radicais livres e, principalmente, citocinas e fatores de crescimento. Logo, há uma síntese proteica muito intensa. • Dois tipos de macrófago: podem ter sínteses diferentes de acordo com o mediador químico que o ativa. • Macrófago M1: ativo principalmente contra bactérias e interferon gama (produzido principalmente em infecção viral. Ele induz a apoptose da célula infectada). Sempre produz mais citocinas, aumentando a resposta inflamatória e, consequentemente, o fator de defesa do organismo. Produz quimiotáticos para outras células, como CXCL9, 10 e 11. Efeito inflamatório, microbicida e tumoricida (resposta naturla contra neoplasia). • Macrófago M2: resolução da inflamação; remoção de restos apoptóticos; processo de reparo e de angiogênese. Produz muita IL-10 que é anti-inflamatória → sinalização para diminuir a resposta de defesa. Ex.: inflamação aguda que em 48h o predomínio é de macrófagos → M2. No processo agudo quando entra macrófago é resolução de inflamação (M2). Se não conseguir debelar o agente agressor ou se for uma agressão mais intensa → começa já com M1. O M2 sempre sinaliza um processo cicatricial. • M1 → inflamação. • M2 → cicatrização. • Em uma inflamação, tem-se quimiotaxia, assim, tem-se recrutamento da corrente sanguínea do mesmo modo que se tem diapedese de neutrófilo. Desse modo, tem- se macrófago ativado no tecido. Essa ativação pode ser não imunológica, pois pode ser uma resposta de defesa natural. • Pode-se ter, ainda, ativação por citocina. A citocina que ativa o macrófago é o interferon-gama. • M1 gerando radicais livres → radicais livres geram lesão tecidual. • A intensão do processo inflamatório é destruir o agente agressor. A membrana plasmática de uma bactéria é destruída por radicais livres, mas a nossa também é. Por isso, pode causar necrose. • Também libera proteases. Portanto, a exsudato é uma necrose de liquefação por causa das proteases. • Tem-se também produção de fatores quimiotáticos de neutrófilo e fatores de coagulação. 4 • Necessidade de coagulação: fatores de coagulação, principalmente o fator XII, podendo ser ativado através do macrófago. Ao mesmo tempo, inicia-se a resposta de defesa, pois a ativação do fator XII vai ativar o sistema de cininas. • Fosfolipídeo e quebrado pela fosfolipase, produz o ácido araquidônico, o possui duas vias: a das ciclooxigenases (produz prostaglandina E-2, prostaglandina F-2, prostaciclina e tromboxano) e a das lipoxigenases (leucotrienos: LTA4, B4, C4 e D4; lipoxina). • Logo, o macrófago é um grande produtor desses mediadores da inflamação. • Protaciclina e prostaglandina são vasodilatores, aumentam a permeabilidade vascular. • Tromboxano aumenta a vasoconstrição e a agregação plaquetária, gerando coagulação ou trombose. • Leucotrieno é vasodilatador, aumenta a permeabilidade vascular e é, ainda, broncoconstritor (está presente na asma, o tratamento trata-se de inibidores de leucotrienos). • Produção, ainda, de óxido nítrico que é vasodilatador. • No M2 há, ainda, estimulação de fatores de crescimento → citocinas estimuladoras de fibroblastos, os quais produzem colágeno (elevada síntese de colágeno). Além disso, o fator de crescimento de fibroblasto também é estimulador de angiogênese, assim como, fator de crescimento vascular e fator de crescimento vascular endotelial. • Temos protease que gera um remodelamento da fibrose. Começa o processo de fibrose depositando colágeno III que forma rede, ele é um colágeno pouco resistente, é mais delicado. Já o colágeno I é bem mais resistente, está presente nos tendões, por exemplo. • Portanto, começa o processo de cicatrização com colágeno III que vai sendo trocado por colágeno I que forma feixe e é mais resistente. • M1: Macrófago ativado classicamente, isto é, através de produto bacteriano. Ele produz radicais livres de oxigênio, enzimas lisossômicas e óxido nítrico que vira peróxido nítrico. Com isso, ele aumenta a atividade de fagocitose e a microbicida, sendo, portanto, eficaz contra bactérias e vírus. Ele vai produzir IL-1, IL-22, IL-23 e quimiocinas. Logo, ele é pró inflamatório. • M2: A ativação de M2: principalmente pelo interferon- gama. Teremos fatores de crescimento sendo produzidos, inclusive fator de crescimento transformador beta (TGF-β), ele é anti- inflamatório, possui a função de diminuir a resposta inflamatória e aumentar o processo cicatricial. Produz também IL-1 que também é anti- inflamatória. Dessa maneira, sinaliza para o término da inflamação. • Tem-se um linfócito (circulado de vermelho), o macrófago apresentou o antígeno ao linfócito, ativando-o. • O linfócito ativado (circulado de verde) vai produzir citocinas, com fator de necrose tumoral (TNF) e demais mediadores que podem atrair uma resposta aguda. • Produz INF-γ que ativa o macrófago (circulado em azul escuro). • O macrófago ativado (circulado de rosa) produz IL-1, TNF, metabólitos do ácido araquidônico, radicais livres... • Logo, tem-se uma ação sinergia entre macrófago e linfócito. Ambos são ativados mutuamente para gerar uma resposta mais efetiva. • Diapedese leucocitária: aproximação → rolagem → pavimentação → diapedese. • O macrófago também pode proliferar no tecido que tem processo inflamatório crônico → centros proliferativos. • Normalmente, se tem uma área clara e uma área mais densa. • A inflamação crônica cursa com fenômenos produtivos: produz células inflamatórias; fibrose e nossos vasos sanguíneos. 5 • O tecido inflamado vai ser proliferação de linfócitos e macrófagos, como se fosse um linfonodo. É uma característica de cronicidade. • Logo, o linfócito assim como o macrófago, pode ser entrar em mitose no tecido, para fazer uma produção local de células de defesa, já que está difícil de resolver o problema. • Ex.: entrada de um vírus na orofaringe → primeira coisa que acontece é produção de citocinas, inchando a tonsila, pois ela está aumentando as células de defesa. Se tiver infecções repetidas, ela vai ficando cada vez maior, pois ela estará em um processo crônico. • Há imobilização de macrófagos no local do processo de inflamação crônico. • Ex.: a tatuagem → pigmentos na derme que causam um processo inflamatório. Como o pigmento continua na derme, a inflamação cronifica. E esse pigmento é fagocitado por macrófago que fica fixo na derme, por isso o desenho permanece. Alguns acabam voltando para a corrente sanguínea, o que explica a necessidade de retocar a tatuagem. • Também tem angiogênese no processo inflamatório crônico. • Para formar novos vasos precisa de um vaso pré- existente (“vaso mãe”). → vaso maior na figura acima. • A partir do momento em que se tem estimulação por fatores de crescimento de fibroblasto, vascular, vascular endotelial... A célula endotelial começa a degradar a membrana basal do capilar e, a partir daí, ela se solta e começa a migrar por quimiotaxia para o local de concentração dos fatores de crescimento. • Então, a célula endotelial migra, para, faz mitose e ocupa o espaço atrás dela. Faz esse processo, fazendo surgir um broto que a princípio é sólido. Assim, temos uma diferenciação da célula endotelial, criando um vacúolo. • Vacúolos de células juntas, uma do lado da outra, se completam, criando uma luz no meio. E essaluz ao se abrir no vaso-mãe, o sangue vai circular nessa luz. • Continuando a diferenciação, faz as junções e a membrana basal. Só que antes de terminar esse processo, o capilar neoformado tem uma grande permeabilidade vascular. Então, tem-se um grande extravasamento de líquido e a formação de edema. Tecido muscular com processo inflamatório crônico e há um grande infiltrado entre as células musculares. Na figura B, é possível visualizar linfócitos e macrófagos. Corte de pulmão com processo inflamatório crônico. Circulado em vermelho não são pneumócitos I, são pneumócitos II. Quando se tem uma grande inflamação e destruição de pneumócito I, o alvéolo passa a ser revestido de pneumócito II (produz surfactante → permite que o pulmão distenda com facilidade). Tem-se alvéolos que não estão fazendo trocas. Além disso, os alvéolos estão muito espaçados, possuem muito tecido entre si. Diante disso, mesmo que não faça trocas, não é possível direcionar corretamente entrada e saída de O2 e CO2. Como tem muito tecido conjuntivo, tem muita fibrose. Tem também muitos vasos neoformados. O círculo roxo maior na figura A é o folículo linfoide. Desse modo, há prolifera de células, tem fibrose e novos vasos sanguíneos. 6 INFLAMAÇÃO CRÔNICA GRANULOMATOSA • A inflamação granulomatosa é uma forma de inflamação crônica caracterizada por coleções de macrófagos ativos, frequentemente com linfócitos T, e, algumas vezes, associada à necrose central. • Os macrófagos ativos vão tentar isolar, circunscrever o agente agressor. E também vai ter sincícios tentando fagocitar o agente agressor. • Temos uma coroa de linfócitos T, pois são eles que fazem a síntese de citocina para a ativação do macrófago. Temos também a transformação de macrófagos em células epitelióides. • O que faz um tecido epitelial ser reconhecido como tal, do ponto de vista citológico? No epitélio, as células estão dispostas uma do lado da outra, bem próximas. • Portanto, cria-se junções intercelulares, formando uma “cerca” e células epitelióides para isolar o agente agressor e, do lado de fora, há os linfócitos liberando citocinas. E, do lado de dentro, tem sincícios e necrose. • Doenças granulomatosas mais comuns: TUBERCULOSE: o Causada por Mycobacterium tuberculosis. o Granuloma caseoso (tubérculo): foco de macrófagos ativados (células epitelioides), margeado por fibroblastos, linfócitos, histiócitos, células gigantes do tipo Langhans ocasionais; necrose central com restos granulares amorfos; bacilos álcool-ácido resistentes. o Presença de células epitelióides; fibroblasto, linfócitos; células gigantes; necrose caseosa central, além da presença do bacilo. HANSENÍASE: o Mycobacterium leprae. o Bacilos álcool-ácido resistentes em macrófagos, granulomas não caseosos. o Depende do sistema imunológico, pois a bactéria não é tão agressiva quanto a da tuberculose, por exemplo. o Para contrair o agente agressor é preciso ter uma convivência bem próxima com o indivíduo infectado, pois é transmitido pela gotícula de flugge na respiração. o Pode ser paucibacilar ou multibacilar (atrofia muscular), depende do sistema imune do indivíduo. SÍFILIS: o Treponema pallidum. o Goma: lesão microscópica a francamente visível, parede de histiócitos encerrando a lesão; infiltrado de plasmócitos; células centrais são necróticas sem perda dos contornos celulares. o Granulomas tanto microscópicos quanto macroscópicos (gomas → granulomas com necrose gomosa). o Temos um grande infiltrado de plasmócito, sendo que na sífilis temos linfonodo plasmocitário. DOENÇA DA ARRANHADURA DO GATO: o Bartonella henselae. o Granuloma arredondado ou estrelado contendo restos granulares centrais e neutrófilos reconhecíveis; células gigantes incomuns. o Formação de granuloma com célula gigante e tem também neutrófilos. SARCOIDOSE: o Etiologia desconhecida. o Granulomas muito parecidos com as da tuberculose, porém não caseosos com abundância de macrófagos ativados. Processo inflamatório crônico por protozoário (Trypanossoma cruzi) → Doença de Chagas. A figura A é do miocárdio, é possível ver que já se perdeu muitos cardiomiócitos, tanto por necrose quanto por apoptose. A força contrátil desse coração diminuiu, ele só tem dilatação. A passagem de estímulo de célula a célula é dificultada, pois tem poucas células e ainda tem exsudato no meio → arritmia. Na figura B (imagem mais ampliada), observa-se célula (eosinófilo) tanto em processo agudo quanto crônico. Na imagem C, observa-se uma célula gigante, visto que há necessidade de fagocitar o trypanossoma. Assim, junta de 50 a 100 macrófagos, formando uma grande célula → sincício (aglomerado de células que não se separa mais o citoplasma que se torna comum). 7 DOENÇA DE CROHN (TIPO DE DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL): o Reação imune contra bactérias intestinais e antígenos próprios. o Ocasionais granulomas não caseosos na parede do intestino, com denso infiltrado inflamatório crônico. o Doença de base imunológica em que o organismo é ativado contra a bactéria, mas ele começa a reagir contra os antígenos. Coro Granuloma Th1: células epitelióides e células gigantes. A figura trata-se de um granuloma tuberculoso. Granuloma Th2: não possui células gigantes. //// Células gigantes: Figuras A e B → células gigantes de Langhans: disposição do núcleo em forma de ferradura, isto é, estão na periferia da célula formando semiarco. Dentro temos um brotamento. Figura C → célula gigante de corpo estranho. Ex.: fio de sutura esquecido em cirurgia; ácido úrico. Coroa linfocitária ao redor; célula epitelióide; célula gigante; necrose caseosa → granuloma da tuberculose. Granulomas não caseosos com algumas células gigantes. Figura C → granuloma cicatricial, cicatriza formando uma fibrose concêntrica. Granuloma causado por ovo de schistosoma (seta amarela). Figura A → ovo do schistosoma. Figura B → início do granuloma Th2 ao redor do ovo do schistosoma. Figura C → o ovo do schistosoma já morto e presença de epitelióide. Figura D → já necrótico. Figura A → quadro de hanseníase virchowiana, não se tem formação de granuloma, tem apenas macrófagos com citoplasma muito branco. Figura B → dentro de cada macrófago há muitos bacilos, chamado de globia. 8 SINAIS CARDINAIS DA INFAMAÇÃO • Calor. • Tumor (aumento volumétrico). • Rubor. • Dor. • Perda da função. FENÔMENOS INFLAMATÓRIOS AGRESSÃO: • Causa dor. • Ex.: ralado, infarto, garganta inflamada... IRRITATIVOS: • Mediador químico é causador de dor. VASCULARES: • Agressão → liberação de mediadores químicos → vasodilatação de arteríolas → hiperemia ativa. • O mesmo mediador que causou a vasodilatação abre os capilares, a rede capilar se enche, aumenta a permeabilidade e começa a sair líquido para o interstício. • A viscosidade do sangue aumenta e, consequentemente, diminui a velocidade da saída do sangue, o qual fica represado no sistema venular → hiperemia passiva. • A hiperemia ativa gera nos sinais cardinais: rubor; calor. • Começa a sair líquido para o interstício → tumor, calor rubor. • A dor é muito importante, pois é um sinal de que há algo fora da normalidade. • Hiperemia ativa e passiva → dor. EXSUDATIVOS: • Aquilo que liberta produto seroso, purulento, composto de células, proteínas e outros materiais. • Causa dor. • Iniciacom neutrófilo (pontos em roxo na figura A). • No primeiro momento da inflamação tem-se a liberação de líquido. Em seguida, começa uma exsudação neutrofílica. • Em 24h, tem-se o predomínio de neutrófilos. Porém, o neutrófilo não é o melhor fagócito. Então, em 36h já se tem tanto neutrófilo quanto macrófago. • E, em 48h, o predomínio é de macrófago, pois é ele que vai produzir fator de crescimento para novos vasos, para cicatrização. Logo, é o macrófago que encerra o processo inflamatório. • Neutrófilo foi exsudado → neutrófilo morreu → tecido morreu → todos os restos são fagocitados → o fluído volta para a linfa → o macrófago produz fator de crescimento que gera o reparo por fibrose. DEGENERATIVOS: • Causa dor. • Ex.: necróticos. PRODUTIVOS: • Gera dor. • Ex.: fibrose; neoplasia. Granuloma subepitelial. Dentro das células gigantes há fungos que são naturalmente marrons. Doença chamada de cromomicose e é comum em pessoas que lidam com terra. 9 • Mediadores químicos liberados, causando fenômenos vasculares: hiperemia ativa e passiva → gerando calor e rubor. • Há, ainda, fenômenos exsudativos (saída de líquido e de células de dentro do vaso) → tumor. • Lembrando que mediador químico causa dor, o que é muito importante para a sobrevivência da espécie. • Temos, ainda, mediador como radical livre, por exemplo, gerando degeneração e necrose. • Pode-se ter também a própria agressão gerando degeneração e necrose. • O neutrófilo é cheio de enzimas, ele também causa necrose, do tipo liquefativa. • Resolvendo a inflamação, podemos ter a reabsorção do exsudato e regeneração, ou fibrose → reparação (sempre que tem fibrose tem sequelas). Ou, ainda, não cura, evoluindo para processo inflamatório crônico. • Inflamação → dilata arteríola, capilar e vênula → saída de líquido → saída de célula. • A saída de líquido e sempre antes de sair células, pois precisa-se primeiro de mudar a corrente axial do sangue. Junto com o líquido sairá proteínas plasmáticas que vão fazer parte do sistema de mediadores. • Como o líquido sai? Primeiro porque aumenta a pressão hidrostática, aumentando a saída de líquido. Além disso, tem-se a permeabilidade vascular aumentada. • Tem-se uma modificação do citoesqueleto do endotélio. Com a ação dos mediadores, a junção oclusiva se separe, criando uma lacuna entre as células. Essa lacuna é o local onde o líquido sairá. • Durante a diapedese leucocitária, pode-se ter uma lesão direta do endotélio, assim como em algumas causas: queimaduras, toxinas... • A lesão no endotélio permite o escape de líquido. • Durante o processo de inflamação crônica ou do processo cicatricial temos uma produção de novos vasos. Esses vasos recém formados são vasos com menor maturidade, de modo que suas junções ainda não se formaram e isso permite maior escape de líquido. • Outra alteração gerada é o aumento da transcitose (transporte de macromoléculas). MIGRAÇÃO DO LEUCÓCITO PARA ÁREA DE AGRESSÃO • O fluxo sanguíneo diminui de velocidade e uma desarranjada no fluxo axial. • Para sair da corrente sanguínea, a célula precisa seguir para as extremidades e vai parando a partir de moléculas de adesão transitórias, isso é chamado de rolagem. • Posteriormente, faz-se moléculas de adesão mais permanentes, fazendo com o leucócito tenha condições para aderir ao endotélio (pavimentação) • O leucócito aproxima-se e nesse momento há a expressão da selectina. Lembrando que lectina é uma molécula reconhecedora de um carboidrato específico. • P-selectina, L-selectina e E-selectina estão, respectivamente, presentes no endotélio e no leucócito, cada uma reconhecendo um açúcar. Isso gera a adesão transitória → rolagem. Logo, a ligação selectina-carboidrato freia o leucócito, para em seguida ter a expressão de imunoglobulina (proteína transmembrana) e integrinas que também são moléculas ligadoras complementares. • A partir da imunoglobulina e da integrina, o leucócito fica aderido de forma mais permanente. Com isso, consegue-se aproximar o lisossomo da membrana, liberar as enzimas e quebrar o colágeno, atravessando a membrana → migração do leucócito para o local de inflamação, onde está a agressão. • Quimiotaxia: é uma movimentação direcionada por um gradiente químico de uma substância. Ex.: produto bacteriano. 10 • Há receptor na superfície da célula que se liga ao quimiotático → ativa uma fosfolipase na face interna → quebra o fosfatidil em diacilglicerol e inositol trifosfato → o Inositol trifosfato vai na mitocôndria e no retículo e libera cálcio → cálcio forma feixe de actina e miosina → lança um lamelípódio → adere → solta a parte traseira → contração do citoesqueleto e puxa para frente. É um movimento semelhante à de uma lagarta. • Logo, microrganismo, fragmento de matriz e quimiocinas → quimiotáticos. • Molécula de adesão normalmente não é expressa, é expressa apenas durante a inflamação. • Pode-se ter, ainda, fator de necrose tumoral (TNF) e interleucina 1 (IL-1) aumentando a expressão de moléculas de adesão no leucócito. • As quimiocinas quando ligam no leucócito mudam a configuração espacial da integrina, tornando-a passiva de ligação. EFEITOS SISTÊMICOS DA INFLAMAÇÃO • Resposta de fase aguda (apesar de ser chamada de fase aguda, pode acontecer em qualquer momento): FEBRE: • Bom mecanismo de defesa, pois ela aumenta a ação microbicida de neutrófilo e macrófago, aumentando também a fagocitose. • Pode manter febre em adultos até 40 graus. • Em bebês e idosos tenta-se inibir a febre por causar desidratação. • Por que se tem febre? Porque as prostaglandinas E-2 ativando a liberação de IL-1, a qual age no centro termorregulador do hipotálamo. Tem-se, então, a fase de termogênese, o hipotálamo sinaliza para que tentemos gerar calor, por isso sentimos frio, começamos a movimentar a musculatura (tremor) e os pelos ficam eretos, evitando a perda de calor para o ambiente. Faz a elevação de temperatura, o platô e depois tem a fase de termólise, ativando a glândula sudorípara, iniciando a sudorese, esfriando o corpo. • “Febre vespertina da tuberculose” → é comum a manifestação de febre após às 17h, pois os níveis de cortisol vão diminuindo ao logo do dia. De manha ao acordar há mais cortisol, o qual inibe a resposta de citocina. Ao final da tarde com baixo nível de cortisol, ele já não é o suficiente para inibir a resposta de citocinas e surge a febre. PROTEÍNAS DA FASE AGUDA: • Durante o processo inflamatório, o fígado altera a síntese proteica. Ele diminui a síntese de globulina e aumenta a produção de opsoninas inespecíficas, proteína C-reativa e alfa2-macroglobulina. • Por isso, usamos proteínas C-reativas como marcador inflamatório, mas não é específico de uma determinada inflamação. • Há também aumento de fibrinogênio no fígado. Então, se tiver uma inflamação muito intensa, tem muito fibrinogênio, fazendo com que o estado líquido do sangue fique mais coagulante, uma vez que o fibrinogênio é precursor da fibrina que é utilizada na coagulação. Portanto, pode evoluir para coagulação vascular disseminada (CID). Para saber se o paciente tem ou não aumento de fibrinogênio e, consequentemente, de fibrina e o sangue está mais coagulante, pede-se → teste de velocidade de hemossedimentação. Se tiver aumentado, vai dar maior que 20ml. LEUCOCITOSE: • Tem-se aumento da sinalização para medula óssea lançar forma jovem na corrente sanguínea. Então, temos leucocitose, podendo ser à base de neutrófilo, de linfócito ou de macrófago. • Forma jovem de neutrófilo → bastonete. • Forma jovemde linfócito → linfócito atípico. ALTERAÇÕES DE APETITE E SONO: • Processo inflamatório causa inapetência (perda de apetite) e sono. • Isso é porque o organismo desvia toda a energia para a defesa contra o agente agressor. • Se isso demorar muito tempo (processo inflamatório crônico), causa emagrecimento, pois como não está se alimentando, começa a extrair energia do tecido adiposo. • Portanto, inflamação crônica cursa com emagrecimento → ação do fator de necrose tumoral. RESISTÊNCIA À DOR: • Aumenta a resistência à dor e faz, também, resistência à insulina. Vaso sanguíneo dentro do tecido adiposo com muitos neutrófilos. Na figura B (mais ampliada) é possível ver que os leucócitos (neutrófilos, no caso) estão aderidos sobre o endotélio (parede do vaso). Logo, é um processo de pavimentação leucocitária. 11 • Temos uma resposta dos linfonodos regionais gerando aumento da produção de células. E, portanto, tem-se linfonodomegalia. Inflamação local → temos: TNF e IL-1; aumento da permeabilidade; aumento da molécula de adesão. Aumenta também quimiocina por endotélio, atrai mais leucócitos do tipo neutrófilo e macrófago. Efeitos protetores sistêmicos: No caso, IL-1, IL-6 e TNF geram febre. IL1 e Il-6, fígado, as proteínas de fase aguda. IL-1, IL-6 e TNF, na medula óssea, levam à leucocitose. Efeitos patológicos sistêmicos: TNF diminui contratilidade cardíaca e gera baixo débito cardíaco. Logo, inflamação intensa e muito TNF, o paciente terá, como distúrbio hemodinâmico, choque séptico. Tem também TNF gerando lesão endotelial e muito fibrinogênio e, assim, tem formação de trombose ou de coagulação vascular disseminada (CID). Tem-se resistência à insulina, isto é, todo paciente internado com processo inflamatório grave vai começar a apresentar glicemia elevada, mas isso não quer dizer que ele esteja diabético, pois é resultado da inflamação.