Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

17
mundo, luta que deve inevitavelmente fluir da progressão geométrica do seu au-
mento em número. É a doutrina de Malthus aplicada a todo o reino animal e a todo 
o reino vegetal. Como nascem muitos mais indivíduos de cada espécie, que não 
podem subsistir; como, por conseqüência, a luta pela existência se renova a cada 
instante, segue-se que todo o ser que varia, ainda que pouco, de maneira a tornar-
se-lhe aproveitável tal variação, tem maior probabilidade de sobreviver, este ser é 
também objeto de uma seleção natural. Em virtude do princípio tão poderoso da 
hereditariedade, toda a variedade objeto da seleção tenderá a propagar a sua no-
va forma modificada. 
Tratarei com mais minúcias, no quarto capítulo, este ponto fundamental da 
seleção natural. Veremos então que a seleção natural causa quase inevitavelmen-
te uma extinção considerável das formas menos bem organizadas e conduz ao 
que se chama a divergência dos caracteres. No capítulo seguinte, indicarei as leis 
complexas e pouco conhecidas da variação. Nos cinco capítulos subseqüentes, 
discutirei as dificuldades mais sérias que parecem opor-se à adoção desta teoria; 
isto é, primeiramente, as dificuldades de transição, ou, por outros termos, como 
um ser simples, ou um simples organismo, pode modificar-se e aperfeiçoar-se, 
para tornar-se um ser altamente desenvolvido, ou um organismo altamente consti-
tuído; em segundo lugar, o instinto, ou o poder intelectual dos animais; terceiro, a 
hibridade, ou a esterilidade das espécies e a fecundidade das variedades quando 
se cruzam; e, em quarto lugar, a imperfeição dos documentos geológicos. No ca-
pítulo seguinte examinarei a sucessão geológica dos seres através dos tempos; 
no duodécimo e décimo terceiro capítulos, a sua distribuição geográfica através do 
espaço; no décimo quarto, a sua classificação ou afinidades mútuas, quer no es-
tado de completo desenvolvimento, quer no estado embrionário. Consagrarei o 
último capítulo a uma breve recapitulação da obra inteira e a algumas notas finais. 
Ninguém se pode admirar que haja ainda tantos pontos obscuros relativa-
mente à origem das espécies e das variedades, se refletirmos na nossa profunda 
ignorância sobre tudo o que se prende com as relações recíprocas dos inúmeros 
seres que vivem em redor de nós. Quem pode dizer a razão por que tal espécie é

Mais conteúdos dessa disciplina