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historia da terapia ocupacional 1

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Essa discussão pressupõe a reflexão sobre os modos de vida dos sujeitos, e as relações que eles estabelecem com seus espaços de vida para busca de uma intervenção que promova a tessitura da solidariedade nos lugares como uma das finalidades da ação técnica. Nesse processo, destacam-se ainda cinco princípios presentes na atuação terapêutica ocupacional com base no território-comunidade: a atuação implicada no coletivo e nas relações sociais; a tessitura de redes formais e informais; a construção de vínculos por meio do uso das atividades; a horizontalidade e a disponibilidade nas relações; e as estratégias para lidar com a vulnerabilidade social nos âmbitos micro e macrossocial. É sob esse olhar que surge a terapia ocupacional e que passaremos a abordar a seguir. Marcos Históricos da Terapia Ocupacional A terapia ocupacional comemorou seu centenário em 2017, mas referências ao emprego das atividades com finalidades de saúde vêm muito anterior à sua fundação. • Em 2600 a.C., os povos chineses já recomendavam a atividade para combater doenças; • Em 220 d.C., o grego Hipócrates recomendava o trabalho para garantir o equilíbrio corpo-mente; • Em 1786, o médico psiquiatra Philippe Pinel (principal precursor do processo de mudança que possibilitou o surgimento do alienismo na sociedade moderna) reformou a atenção à saúde mental na França, valorizando a ocupação como tratamento moral; • Em 1852, o Hospital D. Pedro II – Rio de Janeiro, passou a utilizar a ocupação como tratamento; • Em 1898, houve a criação da Colônia Juliano Moreira – Rio de Janeiro, que enfatizou o trabalho no campo como terapia; • Em 1914, a Primeira Grande Guerra Mundial impulsionou a reabilitação física, recuperando soldados com atividades de carpintaria e pintura; foi nessa fase que o arquiteto norte-americano George Edward Barton criou o termo “terapia ocupacional”, para explicar a utilização das ocupações como terapia; • Em 1917, foi criada a Associação Americana de Terapia Ocupacional (American Occupational Therapy Association – AOTA); essa foi a primeira associação para profissionais terapeutas ocupacionais da história, portanto, o “marco zero” da contagem para o centenário da profissão; • Em 1940, houve o movimento internacional de reabilitação, que incentivou o início da laborterapia no Brasil; • Em 1944, a médica psiquiatra Nise da Silveira implementou o serviço de terapia ocupacional no Hospital D. Pedro II – Rio de Janeiro; • Em 1945, os países mais atingidos com a Segunda Grande Guerra Mundial enfatizaram a implantação de serviços de terapia ocupacional; • Em 1951, a Organização das Nações Unidas – ONU escolheu o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – HCFMUSP para implantar um Centro de Reabilitação no Brasil; • Em 1952, houve a fundação da World Federation of Occupational Therapy – WFOT; • Em 1959, houve a criação do Curso Técnico de Alto Padrão em Terapia Ocupacional (formação de dois anos), USP-SP; • Em 1960, houve a criação do primeiro centro de reabilitação profissional do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) – Brasil; • Em 1964, teve início a primeira turma do curso de graduação em terapia ocupacional do Brasil, na Universidade de São Paulo – USP; • Em 1969, houve a regulação da profissão de terapeuta ocupacional no Brasil, através do Decreto-Lei 938, de 13 de Outubro; • Em 1987, houve a publicação da “Carta de Bauru”, promovendo o engajamento profissional e social na luta antimanicomial, com o protagonismo dos terapeutas ocupacionais; • Em 1989, houve a fundação da Associação Brasileira dos Terapeutas Ocupacionais – ABRATO; • Em 1999, houve a publicação da primeira Portaria do Ministério da Saúde do Brasil, que menciona a terapia ocupacional como parte da equipe de Cuidados Prolongados, nas estratégias do Sistema Único de Saúde – SUS; • Em 2009, houve o reconhecimento do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO, para as primeiras especialidades da terapia ocupacional – Resolução COFFITO 366/2009; • Em 2011, houve o reconhecimento da terapia ocupacional como parte do Sistema Único de Assistência Social – SUAS; • Em 2012, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO estabeleceu os Parâmetros Assistenciais Terapêuticos Ocupacionais; • Em 2014, houve a inclusão da terapia ocupacional na lista de profissões reconhecidas como pertencentes à área de saúde do Mercosul; • Em 2017, houve as comemorações do centenário da terapia ocupacional; • Em 2020, a American Occupational Therapy Association – AOTA publicou no American Journal of Occupational Therapy a “Occupational therapy practice framework: domain and process” ou, como traduzido para a língua portuguesa: “A estrutura da prática em terapia ocupacional: domínio e processo”.

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Questões resolvidas

Essa discussão pressupõe a reflexão sobre os modos de vida dos sujeitos, e as relações que eles estabelecem com seus espaços de vida para busca de uma intervenção que promova a tessitura da solidariedade nos lugares como uma das finalidades da ação técnica. Nesse processo, destacam-se ainda cinco princípios presentes na atuação terapêutica ocupacional com base no território-comunidade: a atuação implicada no coletivo e nas relações sociais; a tessitura de redes formais e informais; a construção de vínculos por meio do uso das atividades; a horizontalidade e a disponibilidade nas relações; e as estratégias para lidar com a vulnerabilidade social nos âmbitos micro e macrossocial. É sob esse olhar que surge a terapia ocupacional e que passaremos a abordar a seguir. Marcos Históricos da Terapia Ocupacional A terapia ocupacional comemorou seu centenário em 2017, mas referências ao emprego das atividades com finalidades de saúde vêm muito anterior à sua fundação. • Em 2600 a.C., os povos chineses já recomendavam a atividade para combater doenças; • Em 220 d.C., o grego Hipócrates recomendava o trabalho para garantir o equilíbrio corpo-mente; • Em 1786, o médico psiquiatra Philippe Pinel (principal precursor do processo de mudança que possibilitou o surgimento do alienismo na sociedade moderna) reformou a atenção à saúde mental na França, valorizando a ocupação como tratamento moral; • Em 1852, o Hospital D. Pedro II – Rio de Janeiro, passou a utilizar a ocupação como tratamento; • Em 1898, houve a criação da Colônia Juliano Moreira – Rio de Janeiro, que enfatizou o trabalho no campo como terapia; • Em 1914, a Primeira Grande Guerra Mundial impulsionou a reabilitação física, recuperando soldados com atividades de carpintaria e pintura; foi nessa fase que o arquiteto norte-americano George Edward Barton criou o termo “terapia ocupacional”, para explicar a utilização das ocupações como terapia; • Em 1917, foi criada a Associação Americana de Terapia Ocupacional (American Occupational Therapy Association – AOTA); essa foi a primeira associação para profissionais terapeutas ocupacionais da história, portanto, o “marco zero” da contagem para o centenário da profissão; • Em 1940, houve o movimento internacional de reabilitação, que incentivou o início da laborterapia no Brasil; • Em 1944, a médica psiquiatra Nise da Silveira implementou o serviço de terapia ocupacional no Hospital D. Pedro II – Rio de Janeiro; • Em 1945, os países mais atingidos com a Segunda Grande Guerra Mundial enfatizaram a implantação de serviços de terapia ocupacional; • Em 1951, a Organização das Nações Unidas – ONU escolheu o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – HCFMUSP para implantar um Centro de Reabilitação no Brasil; • Em 1952, houve a fundação da World Federation of Occupational Therapy – WFOT; • Em 1959, houve a criação do Curso Técnico de Alto Padrão em Terapia Ocupacional (formação de dois anos), USP-SP; • Em 1960, houve a criação do primeiro centro de reabilitação profissional do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) – Brasil; • Em 1964, teve início a primeira turma do curso de graduação em terapia ocupacional do Brasil, na Universidade de São Paulo – USP; • Em 1969, houve a regulação da profissão de terapeuta ocupacional no Brasil, através do Decreto-Lei 938, de 13 de Outubro; • Em 1987, houve a publicação da “Carta de Bauru”, promovendo o engajamento profissional e social na luta antimanicomial, com o protagonismo dos terapeutas ocupacionais; • Em 1989, houve a fundação da Associação Brasileira dos Terapeutas Ocupacionais – ABRATO; • Em 1999, houve a publicação da primeira Portaria do Ministério da Saúde do Brasil, que menciona a terapia ocupacional como parte da equipe de Cuidados Prolongados, nas estratégias do Sistema Único de Saúde – SUS; • Em 2009, houve o reconhecimento do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO, para as primeiras especialidades da terapia ocupacional – Resolução COFFITO 366/2009; • Em 2011, houve o reconhecimento da terapia ocupacional como parte do Sistema Único de Assistência Social – SUAS; • Em 2012, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO estabeleceu os Parâmetros Assistenciais Terapêuticos Ocupacionais; • Em 2014, houve a inclusão da terapia ocupacional na lista de profissões reconhecidas como pertencentes à área de saúde do Mercosul; • Em 2017, houve as comemorações do centenário da terapia ocupacional; • Em 2020, a American Occupational Therapy Association – AOTA publicou no American Journal of Occupational Therapy a “Occupational therapy practice framework: domain and process” ou, como traduzido para a língua portuguesa: “A estrutura da prática em terapia ocupacional: domínio e processo”.

Prévia do material em texto

História da Terapia Ocupacional
Conteudista
Prof. Me. Adriano Conrado Rodrigues
Revisão Textual
Prof.ª Esp. Lorena Garcia Aragão de Souza
 2
OBJETIVOS DA UNIDADE
Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao conteúdo on-line 
para que você assista à videoaula. Será muito importante para o 
entendimento do conteúdo.
Este arquivo PDF contém o mesmo conteúdo visto on-line. Sua dis-
ponibilização é para consulta off-line e possibilidade de impressão. 
No entanto, recomendamos que acesse o conteúdo on-line para 
melhor aproveitamento.
• Compreender os aspectos que influenciaram na formação da identidade 
profissional e a relação entre diferentes culturas;
• Conhecer os principais marcos históricos da terapia ocupacional, desde 
a sua concepção até os dias atuais.
 3
Aspectos Ontológicos da 
Terapia Ocupacional
“Se temos uma doença ocupacional, por que não uma terapia ocupacional?” 
Essa frase foi proferida pelo então arquiteto George E. Barton, por volta de 1914. 
Além de ser considerada a primeira vez em que o termo “terapia ocupacional” 
foi citado, ela nos remete a uma situação de causa e efeito. Porém, uma análise 
mais criteriosa nos leva à busca do entendimento sobre a complexidade do ser 
humano, ou seja, questões relacionadas à sua existência, à sua consciência, ao 
seu papel social e às atividades que desenvolve, ao ambiente em que interage, e 
questões que auxiliem na manutenção da sua saúde e do seu bem-estar.
Pode-se dizer também que nascemos a partir do sentimento de compassividade, 
frente às adversidades; eventos como guerras, pandemias e outras situações em 
que o ser humano é impactado de forma ampla (física, emocional e socialmente), 
tendem a demandar a atenção terapêutica ocupacional, e assim acabam por dar 
evidência sobre a importância desse profissional nos diferentes contextos.
Figura 1 – Artigo de Hart e Albert Bushnell (1919, 15 de julho). War pensions and 
something better
Fonte: THE MENTOR ASSOCIATION, 1919, n. p.
#ParaTodosVerem: artigo de jornal, datado de 15 de julho de 1919, composto de texto e foto de veteranos 
de guerra pensionistas norte-americanos (Primeira Guerra Mundial), executando atividades manuais de 
seus interesses, como proposta para reinserção social, dando a entender que a condução clínica seria 
oferecida por terapeutas ocupacionais. Fim da descrição.
 4
Certamente, isso influenciou ao longo do tempo a formação da identidade desse pro-
fissional, nos remetendo aos aspectos ontológicos e epistemológicos da profissão. 
Enquanto a epistemologia se preocupa com a natureza do conhecimento, de que 
lugar ele surgiu, como foi formado e quais suas bases, a ontologia, ramo da me-
tafísica, está preocupada em identificar as coisas que realmente existem.
Na terapia ocupacional, esse “encontro” se dá à medida que pesquisamos e cor-
relacionamos os elementos pessoais e constitutivos da profissão – as experiên-
cias (e as evidências) da prática contextualizada e dos campos de pesquisa ou o 
olhar científico para a ocupação humana.
Assim, considerando os elementos constitutivos da profissão, temos a seguinte 
configuração para definição: 
• Objeto: um substantivo, ao qual é lançado o olhar da profissão. Na tera-
pia ocupacional, a ação, o fazer humano, a atividade, o ambiente, o coti-
diano, entre outros, têm sido considerados como objetos da profissão;
• Objetivos: metas ou resultados que se deseja alcançar a partir da in-
tervenção profissional (por exemplo, melhorar o desempenho nas ati-
vidades, aumentar a autonomia da pessoa na realização de tarefas de 
seu interesse, promover independência nas atividades da vida diária ou 
prática, promover maior participação ou inclusão social, entre outros); 
no objetivo, o “verbo” é a essência;
• Instrumentos de trabalho: caracterizam as intervenções, próprias de cada 
profissão; recursos terapêuticos e metodologia de trabalho do profissional;
• Clientela: uma realidade, uma pessoa ou um grupo, como parte de um 
contexto institucional ou social. Caracteriza o público-alvo da abordagem 
terapêutica ocupacional.
Ao longo dos mais de cem anos de existência da terapia ocupacional no mundo, 
e mais de cinquenta anos no Brasil, inúmeras definições foram publicadas. Para 
um olhar temporal e uma análise da evolução das características ontológicas e 
epistemológicas da profissão, trago três momentos:
A primeira definição de terapia ocupacional, realizada em 1922, pelo médico 
H. A. Pattison, foi: “qualquer atividade, mental ou física, claramente prescrita e 
orientada, com o objetivo específico de contribuir para o tratamento e acelerar 
a recuperação de uma doença ou trauma” (CAVALCANTI, A.; GALVÃO, C., 2007, 
págs. 10-16).
 5
A literatura brasileira traz uma definição formulada pelo curso de terapia ocupa-
cional da Universidade de São Paulo (USP), como segue: 
É um campo de conhecimento e de intervenção em saúde, educação 
e na esfera social, reunindo tecnologias orientadas para a emanci-
pação e autonomia das pessoas que, por razões ligadas a problemá-
tica específica, físicas, sensoriais, mentais, psicológicas e/ou sociais, 
apresentam, temporariamente ou definitivamente, dificuldade na 
inserção e participação na vida social. As intervenções em Terapia 
Ocupacional dimensionam-se pelo uso da atividade, elemento cen-
tralizador e orientador, na construção complexa e contextualizada 
do processo terapêutico.
DE CARLO; BARTALOTTI, 2001. p. 63-80
Já o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Brasil (COFFITO) 
traz a seguinte definição: 
Profissão nível superior voltada aos estudos, à prevenção e ao tra-
tamento de indivíduos portadores de alterações cognitivas, afetivas, 
perceptivas e psicomotoras, decorrentes ou não de distúrbios genéti-
cos, traumáticos e/ou de doenças adquiridas, através da sistematiza-
ção e utilização da atividade humana como base de desenvolvimento 
de projetos terapêuticos específicos, na atenção básica, média com-
plexidade e alta complexidade.
COFFITO
Nessas definições, podemos observar claramente o olhar para a saúde, e a di-
mensão em que a terapia ocupacional se posiciona nesse universo, o que tam-
bém diz sobre a identidade do profissional, uma vez que tais definições pontuam 
os objetos, os objetivos, os materiais e a clientela.
Assim, temos que a identidade da terapia ocupacional se relaciona intimamente 
com a visão de saúde e do próprio ser humano, bem como com as atividades que 
realiza, e assim também evolui ou se constrói na relação tempo e espaço. 
Na prática, estudar a história da terapia ocupacional significa buscar no passa-
do algumas das respostas para dúvidas ou questões do tempo presente, sem 
reduzir essa busca a uma visão de mundo fora do contexto atual, ou seja, sem 
conexão com a realidade e as exigências que essa realidade traz.
Nesse processo de busca histórica e contextos sociais “vivos” que se compõem a 
partir de um “acúmulo” contextualizado de experiências é que se forma a ideolo-
gia e até a diversidade de recursos empregados na terapia ocupacional.
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Há que atentar, ainda, para o fato de que uma história de caráter evolucionista 
(continuidade e periodização linear) pode levar a uma ideia reducionista de pen-
samento ou realidade, o que também é característica de determinadas culturas e 
respalda o uso de modelos ou determinadas abordagens em terapia ocupacional.
É importante compreender que, quando evocamos a ideia de terapia ocupacio-
nal, temos diferentes âmbitos que se referem desde às práticas de atenção e 
cuidado a populações específicas, passando pelas propostas de formação téc-
nica, profissional e acadêmica de uma área específica de conhecimento, até os 
processos de regulamentação e institucionalização da profissão.
Podemos aqui reconhecer a centralidade das mulheres para o desenvolvimento 
da terapia ocupacional. É fato o protagonismo de mulheres nesse processo, pro-
tagonismo que estaria associado à situação de submissão que caminhou para 
emancipação de gênero em seus diversos contextoshistóricos, até os dias atuais.
É importante compreender como as origens da profissão estão intimamente liga-
das à possibilidade de inserção de parte das mulheres (principalmente brancas 
e de elites urbanas) em outras esferas da vida social, que não apenas as ligadas 
ao espaço doméstico, destacando a participação nas instituições de ensino, nas 
instituições de caridade e benemerência (especialmente as de caráter religioso), 
nas universidades e, também, como parte da resposta a demandas do mercado 
de trabalho.
Algumas dessas mudanças foram possíveis devido ao contexto social estaduni-
dense do final do século XIX e início do século XX, em uma sociedade marcada 
pelo processo de transformação do capital monopolista.
Nesse contexto de transformações, mulheres rechaçaram o casamento e dedica-
ram suas vidas ao ensino, à enfermagem ou ao trabalho social.
Outras, ainda que casadas, pertenciam a legiões e a grupos de caridade e/ou 
de outros tipos de ajuda social. Essa ampliação de circulação e de inserção em 
diferentes espaços sociais pôde criar referências femininas em outras esferas 
públicas.
A criação da Hull House, no contexto da Escola de Cívica e Filantropia de Chicago, faz 
parte desse processo, no qual muitas jovens mulheres foram impulsionadas pelos 
movimentos feministas da época, que mudaram as noções de ajuda e compromis-
so social voluntário (baseado em perspectivas morais e religiosas) para valorizar 
suas atividades laborais, proporcionando suas inserções em empregos formais.
 7
A Hull House era um abrigo de extrema importância para o movimento de mu-
lheres em Chicago, tendo contribuído para a formação política, profissional e 
laboral de muitas mulheres, além de ter oferecido apoio a muitas famílias, prin-
cipalmente imigrantes.
Figura 2 – Hull House, no início do século XX
Fonte: Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: uma grande casa no estilo mansão, com tijolos à vista, preenchendo todo um quarteirão, 
com ruas desertas ao seu redor, na cidade de Chicago, EUA. Fim da descrição.
Podemos dizer que foi o movimento desses abrigos sociais que permitiu que 
muitas mulheres (brancas e de elites urbanas) se inspirassem e começassem a 
desenvolver atividades laborais, uma vez que mulheres pobres, mulheres negras 
(ou ambas) e mulheres pobres imigrantes, sempre trabalharam, de um modo 
ou de outro, fora de seus espaços domésticos. Para Morrison e colaboradores 
(2021), pela primeira vez, aquelas mulheres começaram a observar maneiras al-
ternativas de participação social, podendo optar por distanciarem-se de formas 
tradicionais, como o casamento e a família.
As mulheres fundadoras da Hull House buscavam compreender as condições e as 
circunstâncias em que viviam outras mulheres e as famílias de imigrantes, o que 
se traduzia, por um lado, em ajuda imediata e, por outro, em elaboração teórica 
sobre esses temas, tarefa compartilhada com a Universidade de Chicago.
Jane Addams e Ellen Gates Starr, como principais fundadoras da Hull House no 
final dos anos de 1880, Julia Lathrop, uma das primeiras a se incorporar a essa 
instituição, e Eleanor Clarke Slagle foram as primeiras mulheres responsáveis 
pelas ações da Hull House. Esse trabalho, no âmbito da ação social, do lidar com 
 8
demandas da questão social da sociedade capitalista que se levantava sob os 
alicerces estadunidenses, sob um enfoque político, começa também, para parte 
dessas mulheres, a oferecer parâmetros para ações que, mais tarde, viriam com-
por propostas em torno da terapia ocupacional.
Adolf Meyer se junta a essas mulheres e começa a trabalhar com as reformas 
no tratamento de pessoas tidas como doentes mentais, sendo que um de seus 
pressupostos era que as deploráveis condições da vida dos pobres e dos traba-
lhadores nas cidades que se agigantaram poderiam ser parte das causas que 
favoreciam ou mantinham situações de enfermidades. 
Além disso, tentavam responder, também, às críticas da época sobre a ausência 
de “ciência” nesses “novos métodos” empregados em Psiquiatria, publicando al-
guns artigos originados dessas práticas.
Em 1910, Adolf Meyer solicita à Julia Lathrop a indicação de uma trabalhado-
ra social que pudesse se incorporar ao Hospital Johns Hopkins (na cidade de 
Baltimore), dirigido por ele, para trabalhar com pessoas tidas como doentes 
mentais. Lathrop sugere Slagle, que aceita a incumbência. 
Depois de dois anos de trabalho, Meyer destacava Slagle como a principal refe-
rência para o serviço de terapia ocupacional.
Ao fim dessa experiência, Slagle regressa a Chicago, em 1913, para fundar a pri-
meira escola de terapia ocupacional.
As principais dificuldades no desenvolvimento da profissão, para as primeiras 
terapeutas ocupacionais, centraram-se em dois principais aspectos: 1) o posicio-
namento dentro do campo da medicina; 2) a terapia ocupacional ser considerada 
como uma profissão de mulheres.
Desde seus inícios, a terapia ocupacional foi considerada uma nova profissão 
para mulheres, e, para legitimar-se como uma disciplina profissional a ser reco-
nhecida, buscou articulações com a medicina, até então um campo masculino e, 
assim como hoje, com elevado reconhecimento e poder social. O papel dos ho-
mens dentro do mundo visível da medicina, e o das mulheres dentro da invisibi-
lidade das redes de caridade e de boas moças e senhoras de bem, conformaram 
os mecanismos empregados pela primeira geração de terapeutas ocupacionais.
As primeiras mulheres consideradas terapeutas ocupacionais foram Eleanor 
Clarke Slagle, assistente social que se juntou à Hull House, Susan Cox Jonhson, 
enfermeira que pretendia provar que as ocupações poderiam melhorar a saúde 
física e mental dos pacientes internados em contextos hospitalares, e Susan 
 9
Elizabeth Tracy, enfermeira, uma das pioneiras no uso das ocupações como tra-
tamento e uma das primeiras a sistematizar suas reflexões.
A Primeira Guerra Mundial teve início em 1914, contudo, os Estados Unidos ape-
nas se inseriram de forma oficial em 1917, sendo assim, a profissão reconhecida 
nesse mesmo ano nesse país não surgiu como resultado imediato da Guerra, e 
sim nesse contexto.
Tal momento histórico possibilitou um grande desenvolvimento e uma expansão 
da profissão, uma vez que a terapia ocupacional se configurou como uma das 
profissões que compunham as “auxiliares da reconstrução”, lidando com lesões 
e deficiências geradas pela Guerra, participando ativamente nos processos de 
reabilitação. 
A terapia ocupacional teve sua expansão nos Estados Unidos nas primeiras dé-
cadas do século XX, experimentando uma importante retomada dessa expansão 
nos anos da Segunda Guerra Mundial e chegando na América Latina, enquanto 
programa de formação profissional, a partir da década de 1950, configurando 
uma segunda onda de crescimento.
Na tese de doutorado da terapeuta ocupacional Pamela Cristina Bianchi, apre-
sentada pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, em 2019, temos que o 
conceito de espaço pode advir de território, como uma combinação que conside-
ra, ainda, processo e relação, ultrapassando o espaço geográfico físico; nesse se-
guimento, articula-se ainda o conceito de comunidade, que compõe com a ideia 
de coletividade, redes, pertencimento e identidade.
Leitura
Leia, na íntegra, a tese de Pamela, intitulada 
“Terapia Ocupacional, Território e Comu-
nidade: Desvelando Teorias e Práticas a 
Partir de um Diálogo Latino-Americano”.
A Confederação Latino-americana de Terapia Ocupacional (Clato), fundada em 
1997, conta atualmente com os seguintes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, 
Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, 
Uruguai, Venezuela e Porto Rico (considerado território dos Estados Unidos da 
América e não um país independente).
 10
As epidemias de poliomielite e a história da loucura (principalmente pelas ideias 
do tratamento moral) são alguns dos marcos importantes para abordar as histó-
rias da terapia ocupacional nos países latino-americanos.
Apoliomielite foi, durante séculos, uma importante causa de invalidez e de morte 
infantil, até a criação da vacina contra essa doença, em meados da década de 
1950. Na América Latina, os primeiros casos de poliomielite foram identificados 
e registrados no final do século XIX no México, em 1906 na Argentina, em 1909 
no Chile, em 1911 no Brasil, em 1915 na Colômbia e em 1928 na Venezuela. 
Entretanto, seu reconhecimento epidêmico nesses países foi declarado entre os 
anos de 1930, 1940 e 1950.
A poliomielite epidêmica e suas consequências foi um dos argumentos principais 
para a criação e/ou para a ampliação dos centros de reabilitação física e hospitais 
infantis, entre outras instituições de assistência, no contexto latino-americano. 
Isso pode ser observado pela criação do Hospital Infantil do México, em 1943, 
do Centro de Reabilitação Infantil no Chile, em 1947, da Associação Brasileira 
Beneficente de Reabilitação, em 1954, entre outros centros de reabilitação e as-
sociações que tiveram um crescimento importante, decorrente de investimentos 
nacionais e articulações internacionais, fruto de preocupações com a circulação 
de pessoas e mercadorias diante do avanço da epidemia, além de serem algu-
mas das principais instituições que começaram, nos anos de 1950, os programas 
de formação em terapia ocupacional.
Esse contexto regional, caracterizado por países latino-americanos sendo obri-
gados a lidar com as causas dessas epidemias de poliomielite ao mesmo tempo 
em que se produziam tecnologias de atenção às pessoas acometidas por essa 
enfermidade e técnicas de prevenção às infecções, desencadeou o desenvolvi-
mento de disciplinas relacionadas com a reabilitação, além da importação de 
conhecimentos e práticas de países do Norte que, dado o interesse econômico 
agroexportador que criava laços importantes entre os países dessas regiões, já 
tinham passado por esse quadro e detinham maiores informações, principal-
mente na área da saúde, durante o período posterior à Segunda Guerra Mundial.
Tal processo desencadeou a criação e a expansão de carreiras compreendidas, 
até então, como tecnologias médias, entre elas a terapia ocupacional.
Para as histórias da terapia ocupacional nos países da América Latina, tão impor-
tantes quanto os centros de reabilitação física criados ou impulsionados pelos 
interesses postos em torno das epidemias de poliomielite foram os hospitais 
psiquiátricos e as instituições que lidavam com pessoas tidas como loucas, ou 
com problemáticas decorrentes da questão social, como detentos, pessoas em 
situação de rua ou prostitutas.
 11
Em 1940, a ONU passa a assumir a coordenação, o planejamento e o supri-
mento de reforços em áreas voltadas à reabilitação, partindo de diversas orga-
nizações, como a OMS, que se responsabilizou pela formação de profissionais 
de reabilitação, como médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fisiote-
rapeutas, entre outros. Em 1951, a ONU começa a enviar emissários para a 
América Latina a fim de identificar possíveis locais para instalação de um centro 
de reabilitação. 
Um desses locais escolhidos foi o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina 
da Universidade de São Paulo (HC-USP), que já tinha um reconhecimento 
internacional.
No Brasil, tanto a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação quanto 
o HC- USP começaram a ser assessorados por essas agências internacionais 
para introduzir práticas especializadas em reabilitação até então inexistentes 
no Brasil. 
Além disso, a criação de programas de formação profissional também foi um dos 
seus resultados, como no caso da própria terapia ocupacional, no Brasil, entre 
outras profissões que foram criadas e/ou impulsionadas nesse contexto.
Ainda sobre formação profissional, alguns técnicos e profissionais que atuavam 
na área de reabilitação no HC-USP foram enviados aos Estados Unidos para se 
especializarem. Esse foi o caso de Neyde Tosetti Hauck, assistente social e enfer-
meira, que foi estudar terapia ocupacional na New York University, com financia-
mento da OMS, além dos terapeutas ocupacionais trazidos ao Brasil para contri-
buir com programas de formação profissional.
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País Instituição Cidade Ano de 
início
Brasil Escola de Reabilitação do Rio de 
Janeiro.
Rio de 
Janeiro 1956
México Hospital Infantil de México. Cidade do 
México 1957
Brasil
Instituto de Reabilitação 
do Hospital das Clínicas da 
Universidade de São Paulo.
São Paulo 1958
Argentina Escuela Nacional de Terapia 
Ocupacional.
Buenos 
Aires 1959
Venezuela Instituto Venezolano de Los Seguros 
Sociales. Caracas 1959
Brasil
Instituto Universitário de 
Reabilitação da Faculdade de 
Medicina do Recife.
Recife 1962
Brasil Faculdade de Ciências Médicas de 
Minas Gerais.
Belo 
Horizonte 1962
Chile Facultad de Medicina – Universidad 
de Chile. Santiago 1963
Colômbia Facultad de Medicina – 
Universidade Nacional de Colombia. Bogotá 1966
Quadro 1 – Ano de criação de programas de formação profissional em terapia ocupa-
cional, em cada país, instituição e cidade, nos dez primeiros anos
Fonte: Adaptada de MONZELIA; MORRISON; LOPES, 2019, p. 244
Essa discussão pressupõe a reflexão sobre os modos de vida dos sujeitos, e as 
relações que eles estabelecem com seus espaços de vida para busca de uma in-
tervenção que promova a tessitura da solidariedade nos lugares como uma das 
finalidades da ação técnica.
Nesse processo, destacam-se ainda cinco princípios presentes na atuação tera-
pêutica ocupacional com base no território-comunidade: a atuação implicada no 
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coletivo e nas relações sociais; a tessitura de redes formais e informais; a cons-
trução de vínculos por meio do uso das atividades; a horizontalidade e a disponi-
bilidade nas relações; e as estratégias para lidar com a vulnerabilidade social nos 
âmbitos micro e macrossocial. 
É sob esse olhar que surge a terapia ocupacional e que passaremos a abordar 
a seguir.
Marcos Históricos da Terapia 
Ocupacional
A terapia ocupacional comemorou seu centenário em 2017, mas referências ao em-
prego das atividades com finalidades de saúde vêm muito anterior à sua fundação.
• Em 2600 a.C., os povos chineses já recomendavam a atividade para com-
bater doenças;
• Em 220 d.C., o grego Hipócrates recomendava o trabalho para garantir o 
equilíbrio corpo-mente;
• Em 1786, o médico psiquiatra Philippe Pinel (principal precursor do pro-
cesso de mudança que possibilitou o surgimento do alienismo na socie-
dade moderna) reformou a atenção à saúde mental na França, valorizan-
do a ocupação como tratamento moral;
• Em 1852, o Hospital D. Pedro II – Rio de Janeiro, passou a utilizar a ocu-
pação como tratamento;
• Em 1898, houve a criação da Colônia Juliano Moreira – Rio de Janeiro, que 
enfatizou o trabalho no campo como terapia;
• Em 1914, a Primeira Grande Guerra Mundial impulsionou a reabilitação físi-
ca, recuperando soldados com atividades de carpintaria e pintura; foi nessa 
fase que o arquiteto norte-americano George Edward Barton criou o termo 
“terapia ocupacional”, para explicar a utilização das ocupações como terapia;
• Em 1917, foi criada a Associação Americana de Terapia Ocupacional 
(American Occupational Therapy Association – AOTA); essa foi a primeira 
associação para profissionais terapeutas ocupacionais da história, por-
tanto, o “marco zero” da contagem para o centenário da profissão;
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Figura 3 – Foto dos fundadores da terapia ocupacional, em 1917
Fonte: crefito12.org.br
#ParaTodosVerem: seis pessoas (fundadores da terapia ocupacional) dispostas em fotografia, como segue, 
fileira de trás, da esquerda para a direita: William Rush Dunton, Isabel Newton, Thomas Bessell Kidner; 
fileira da frente, da esquerda para a direita: Susan Cox Johnson, George Edward Barton, Eleanor Clarke 
Slagle. Fim da descrição.
• Em 1940, houve o movimento internacional de reabilitação, que incenti-
vou o início da laborterapia no Brasil; 
• Em 1944, a médica psiquiatra Nise da Silveira implementou o serviço de 
terapia ocupacionalno Hospital D. Pedro II – Rio de Janeiro;
• Em 1945, os países mais atingidos com a Segunda Grande Guerra Mun-
dial enfatizaram a implantação de serviços de terapia ocupacional; 
• Em 1951, a Organização das Nações Unidas – ONU escolheu o Hospital 
das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – 
HCFMUSP para implantar um Centro de Reabilitação no Brasil; 
• Em 1952, houve a fundação da World Federation of Occupational Therapy 
– WFOT;
• Em 1959, houve a criação do Curso Técnico de Alto Padrão em Terapia 
Ocupacional (formação de dois anos), USP-SP;
 15
• Em 1960, houve a criação do primeiro centro de reabilitação profissional 
do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) – Brasil;
• Em 1964, teve início a primeira turma do curso de graduação em terapia 
ocupacional do Brasil, na Universidade de São Paulo – USP;
• Em 1969, houve a regulação da profissão de terapeuta ocupacional no 
Brasil, através do Decreto-Lei 938, de 13 de Outubro;
• Em 1987, houve a publicação da “Carta de Bauru”, promovendo o engaja-
mento profissional e social na luta antimanicomial, com o protagonismo 
dos terapeutas ocupacionais;
• Em 1989, houve a fundação da Associação Brasileira dos Terapeutas 
Ocupacionais – ABRATO;
• Em 1999, houve a publicação da primeira Portaria do Ministério da 
Saúde do Brasil, que menciona a terapia ocupacional como parte da 
equipe de Cuidados Prolongados, nas estratégias do Sistema Único de 
Saúde – SUS;
• Em 2009, houve o reconhecimento do Conselho Federal de Fisioterapia 
e Terapia Ocupacional – COFFITO, para as primeiras especialidades da 
terapia ocupacional – Resolução COFFITO 366/2009; 
• Em 2011, houve o reconhecimento da terapia ocupacional como parte 
do Sistema Único de Assistência Social – SUAS;
• Em 2012, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – 
COFFITO estabeleceu os Parâmetros Assistenciais Terapêuticos Ocu-
pacionais;
• Em 2014, houve a inclusão da terapia ocupacional na lista de profissões 
reconhecidas como pertencentes à área de saúde do Mercosul; 
• Em 2017, houve as comemorações do centenário da terapia ocupacional;
• Em 2020, a American Occupational Therapy Association – AOTA publicou 
no American Journal of Occupational Therapy a “Occupational therapy 
practice framework: domain and process” ou, como traduzido para a lín-
gua portuguesa: “A estrutura da prática em terapia ocupacional: domí-
nio e processo”.
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Leitura
Leia o artigo “Occupational Therapy Prac-
tice Framework: Domain and Process – 
Fourth Edition” publicado pelo jornal “Ame-
rican Journal of Occupational Therapy” e 
saiba mais.
Figura 4 – Representação visual de todos os aspectos da estrutura da terapia ocupacio-
nal: domínio e processo
Fonte: AOTA, 2020
#ParaTodosVerem: a figura fornece uma representação visual em forma de círculo, de todos os aspectos do 
domínio e do processo, e o objetivo abrangente da profissão escrito no centro do círculo: “alcançar saúde, 
bem-estar e participação na vida por meio do engajamento na ocupação”; os conceitos estão dispostos da 
extremidade para o centro, nas cores roxa (extremidade), verde (linha média) e laranja (centro); escritos em 
branco e dourado. Fim da descrição.
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Em uma análise atual, considerando dados da realidade geopolítica do Brasil e 
dados do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Brasil sobre 
a consolidação da terapia ocupacional nas práticas desse território, vemos que 
(logicamente não limitando-se somente a isso) há uma maior densidade demo-
gráfica nos estados do Norte, do Centro-Oeste, do Sul e do Sudeste. Em contra-
partida, o consumo de saúde e educação (redes particulares) é mais evidente nos 
estados do Sul e Sudeste e escassos no Norte (exceto no Pará), no Nordeste e no 
Centro-Oeste. A renda familiar, com exceção do Amapá, também apresenta-se 
mais baixa nos estados do Norte e do Nordeste do Brasil.
A presença do terapeuta ocupacional no País se dá em maior quantidade no Sul 
e no Sudeste, e com precariedade numérica, exceto nos estados do Rio Grande 
do Norte, da Paraíba e de Pernambuco, nos estados do Norte, do Nordeste e do 
Centro-Oeste.
Justaposto, considerando que o Sistema Único de Saúde preconiza a equidade, 
a universalidade e a integralidade, nota-se evidência da necessidade desse pro-
fissional dos estados do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste para desenvolver 
ações junto à população desses estados e oferecer os importantes serviços, que 
já estão consolidados nas áreas da saúde, da educação e da assistência social.
A partir de dados simples como esses, concluímos que os terapeutas ocupacio-
nais podem ocupar espaços ainda não explorados, haja vista que nessa perspec-
tiva, como ocorre com outras categorias profissionais, a valorização financeira e 
a empregabilidade são condição sine qua non.
Em consonância a essa análise, urge a necessidade dos conselhos regionais e ao 
Conselho Federal o reconhecimento das especialidades, o fortalecimento e a valida-
ção das ações do terapeuta ocupacional, bem como a normatização, a criação e a 
divulgação dos procedimentos operacionais padrões dentro das especialidades que 
assim permitem. Sustentarmos a nossa profissão com práticas de excelência e a em-
basarmos com evidências científicas é, talvez, o maior desafio dos próximos anos. 
Assim, contextualizar a terapia ocupacional no cenário nacional, assim como 
contextualizar a própria prática da terapia ocupacional, nos remete a alguns 
questionamentos:
• O que realmente faz o terapeuta ocupacional num programa de atenção?
• Como posso organizar a minha prática num programa de atenção?
• O que fazer para que a equipe entenda o meu trabalho e as minhas atri-
buições?
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Esse entendimento depende das variáveis interferentes do processo de trabalho 
como terapeuta ocupacional, bem como do perfil, do propósito ou das caracte-
rísticas do meio de interação ou ambiente de relação. Essa correlação é o norte 
que dirige a exposição de evidências e “boas práticas” profissionais.
Nesse caminho, temos o conceito de trabalho em “rede”, como, por exemplo, 
a Rede de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde do Brasil. Esse conceito de 
trabalho em rede nos remete diretamente a um outro conceito, denominado 
“matriciamento”.
Como descrito no texto do “Portal Educação” do Ministério da Saúde Brasileiro: 
Entende-se por matriciamento, o suporte realizado por profissionais 
e diversas áreas especializadas, dado a uma equipe interdisciplinar 
com o intuito de ampliar o campo de atuação e qualificar suas ações. 
Ou seja, matriciamento ou apoio matricial é um novo modo de produ-
zir saúde em que duas ou mais equipes, num processo de construção 
compartilhada, criam uma proposta de intervenção pedagógico-te-
rapêutica. O apoio matricial, formulado por Gastão Wagner em 1999, 
tem possibilitado, no Brasil, um cuidado colaborativo entre a saúde 
mental e a atenção primária, e essa relação amplia a possibilidade de 
realizar a clínica ampliada e a integração e diálogo entre diferentes 
especialidades e profissões.
Biblioteca Virtual em Saúde
Em resumo, quanto maior o matriciamento entre os serviços (considerando os 
diferentes níveis de atenção), mais fortalecida e mais eficiente a rede de atenção, 
a estratégia ou a gestão; eficiência essa que deve ser mensurada a partir das 
variáveis pautadas, com base nos resultados alcançados. Basicamente, é uma 
questão de referência e contrarreferência (como preconiza o Sistema Único de 
Saúde – SUS), e efetivá-la deve ser responsabilidade de cada profissional inserido 
nesse processo.
Por outro lado, dada a complexidade das demandas de educação, saúde e assis-
tência social e da própria complexidade do ser humano, a falta de matriciamento e 
a consequente fragmentação da rede, não só leva à ineficiência dos serviços, como 
à desorganização e à descaracterização destes, além da frustração dos profissio-
nais. O reflexo disso se dá na falta de atenção às demandas e na formação de filas 
infindáveis comoconstantemente é observado (ou até por alguns é vivenciado), 
por cidadãos do Brasil que utilizam a rede pública de atenção básica à Saúde. 
Cabe ressaltar, ainda, que segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, o núme-
ro correto de terapeutas ocupacionais é de um profissional para cada mil pessoas.

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