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Desnutrição Energético-Proteica 1
Desnutrição Energético-
Proteica
PREVALÊNCIA 3
A desnutrição é o estado de desequilíbrio entre o suprimento de energia, de 
nutrientes e a demanda do organismo, alterando a garantia na manutenção, no 
crescimento e nas funções metabólicas. Por esse conceito, uma criança obesa 
mas com deficiência de ferro apresenta desnutrição.
Pode ser classificada em primária, quando há baixa ingesta alimentar, ou 
secundária, quando há uma demanda maior por parte do organismo, por 
exemplo, quando há uma doença disabsortiva ou cardiopatia congênita.
A desnutrição pode ser classificada de acordo com:
Intensidade: leve, moderada ou grave.
Tempo: indivíduos emagrecidos (wasted), na fase aguda e/ou com parada 
de crescimento (stunted), na fase crônica, quando já há interferência 
estatural.
As classificações antropométricas mais utilizadas são a de Gomez, Waterlow 
e OMS.
Método de Gomez: avalia o déficit de peso apresentado pela criança em 
relação ao peso do P50 para a idade. Essa classificação é preconizada 
para menores de 2 anos, quando o peso varia mais em função da idade que
da estatura. De acordo com as perdas ponderais, classifica-se a criança 
em desnutrida leve, moderada ou grave.
Na presença de edema comprovadamente nutricional, a criança será 
considerada desnutrida grau 3.
Método de Warlow: baseia-se no índice estatura/idade E/I e 
peso/estatura P/E. É preconizado para crianças de 2 a 10 anos, quando o 
peso varia mais em função da estatura que da idade.
Eutrofia: E/I  95% e P/E  90% do P50.
Desnutrido atual ou agudo (wasting): E/I  95% e P/E  90% do P50.
Desnutrição Energético-Proteica 2
Desnutrido crônico (wasting and stunting): E/I  95% e P/E  90% do 
P50.
Desnuntrido pregresso (stunting): E/I  95% e P/E  90% do P50.
OMS pode ser empregada para crianças independente da faixa etária, 
avaliandao o Z escore da E/I e do P/E.
Desnutrição moderada: E/I e P/E entre 2 e 3.
Desnutrião grave: E/I e P/E abaixo de 3.
O principal sinal clínico de gravidade na desnutrição é a preença de edema. 
A desnutrição grave baseia-se em critérios clínicos e laboratoriais e é dividida 
em marasmo, kwashiorkor e kwashiokor-marasmático. 
Kwashiorkor: acomete crianças acima de 2 anos. Caracteriza-se por 
alterações de pele (lesões hipercrômicas, hipocrômicas ou descamativas), 
acometimento de cabelos, hepatomegalia (ascite), fáscies de lua, edema de 
MMII e/ou anasarca e apatia. O edema geralmente é bilateral simétrico, 
começando nos pés e, em casos graves, pode acometer a face.
As causas do kwashiorkor são complexas, mas a causa primária da 
desnutrição grave, em geral, é associada a uma dieta com qualidade 
nutricional pobre, com consequente perda do apetite, 
comprometimento do crescimento e resposta desfavorável às 
infecções.
Marasmo: acomete crianças menores de 12 meses, com emagrecimento 
acentuado, baixa atividade, iriritabilidade, atrofia muscular e subcutânea, 
com desaparecimento da bola de Bichat (último depósito de gordura a ser 
consumido, localizado na região malar), o que favorece o aspecto 
envelhecido (fáscies senil ou simiesca), com costelas visíveis e nádegas 
hipotróficas.
As principais alterações clínicas da criança com desnutriçao grave são 
hipoglicemia, hiponatremima, hipocalemia, hipomagnesemia, 
hipoalbuminemia, infecção e deficiência de ferro.
Com base na antropometria, a OMS define desnutrição grave como 
circunferência braquial  11,5cm, escore Z de P/E abaixo de 3 ou pela 
presença de edema nos pés, bilateralmente, em crianças com kwashiorkor. 
Na ausência de recursos, apenas a aferição da circunferência braquial é 
suficiente para o diagnóstico.
Desnutrição Energético-Proteica 3
Na desnutrição grave, avalia-se a presença de complicações clínicas e 
metabólicas que justifiquem a internação hospitalar. Na maior parte das vezes, 
há a necessidade de manter o paciente internado para a estabilização clínica, 
hemodinâmica, eletrolítica, além da necessidade de terapia nutricional 
adequada. A abordagem terapêutica é dividida em estabilização, reabilitação e 
acompanhamento ambulatorial.
Primeira fase  Estabilização: nesse momento, o objetivo é tratar as 
comorbidades associadas ao risco de óbito, corrigir as deficiências 
nutricionais específicas, reverter as anormalidades metabólicas e iniciar a 
alimentação. É importante lembrar que se presume que todas as crianças 
com desnutrição grave tenham infecção, devendo receber 
antibioticoterapia desde o início do tratamento. Após a estabilização 
hemodinâmica e o suporte meteabólico, inicia-se a alimentação. De acordo 
com os dias de internação e a situação clínica da criança, são 
recomendados aumentos graduais do volume e da diminuição gradativa da 
frequência da dieta. Não é previsto, nesse momento, a recuperação do 
estado nutricional, mas sim, a sua conservação e a estabilização clínico-
metabólica.
Segunda fase  Reabilitação: nessa fase há progressão da dieta de modo 
mais intensivo, visando rercuperar grande parte do peso perdido e 
estimular física e emocionalmente a criança e sua família.
Terceira fase  Ambulatorial: trata-s-e do acompanhamento ambulatorial 
após a alta hospitalar, na qual serão realizadas avaliações para prevenir 
recaídas e acompanhar o paciente após o período de internação.
A síndrome da recuperação nutricional/realimentação/roubo celular é 
definida como um conjunto de sinais e sintomas secundários a um distúrbio 
metabólico e bioquímico que ocorre a partir da reintrodução alimentar na 
terapia nutricional dos pacientes com desnutrição. Pode durar de 20 dias a 12 
semanas.
As manifestações clínicas mais comuns são: hepatomegalia, distensão 
abdominal com circulação venosa colateral, ascite, fáscies de lua cheia, 
alterações de pele e fâneros (sudorese intensa em região cefálica, 
hipertricose, unhas com desnível transversal, cabelos com pontas mais 
claras e telangiectasias em face). A alteração laboratorial mais frequente é 
a hipofosfatemia.

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