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Devolutiva 9 Como classificar uma massa em Incidentaloma de adrenal → Os incidentalomas adrenais (IA) constituem massas adrenais descobertas ao acaso durante exames de imagem para investigação de distúrbios não relacionados com patologias adrenais. As mais comuns são: dor lombar, hematúria, dor abdominal e nefrolitíase → Hoje são diagnosticados cada vez com maior frequência devido ao uso de diferentes exames de imagem, sendo detectado em até 4% das tomografias computadorizadas abdominais → A idade média dos pacientes com incidentaloma de adrenal é de aproximadamente 56 anos, a maioria do sexo feminino → Podem ser um achado clínico benigno ou implicar elevadas morbidade e mortalidade em função de sua atividade hormonal ou histologia maligna. Entretanto, na maioria das vezes, os IA são lesões benignas e não funcionantes. → Geralmente, a investigação adicional de lesões adrenais incidentais faz-se necessária apenas naquelas ≥ 1cm, exceto se paciente tiver sinais ou sintomas sugestivos de excesso de produção hormonal adrenal, e tem como princípio determinar sua funcionalidade (produção hormonal) e risco de malignidade → Após a detecção da massa a conduta diagnostica deve direcionar-se para identificar se existe um tumor primário ou secundário, presença de malignidade e secreção hormonal → Todos os pacientes devem sofrer investigação para os tumores que mais frequentemente metastatizam para adrenais: mama, pulmão, melanoma, rim, estômago, coloretal e linfoma ou outros, de acordo com o quadro clínico. É muito importante definir se o tumor adrenal é primário ou metastático. IA por metástases são mais comuns em pacientes com uma neoplasia confirmada (32 a 73%) do que naqueles sem diagnóstico prévio de malignidade (até 21%). Risco de Malignidade Tamanho dos incidentalomas: → Maioria dos tumores < 3 cm é benigna, enquanto lesões adrenais malignas medem, em geral, mais de 6 cm: massas benignas raramente excedem 6 cm, a menos que sejam cistos ou mielolipomas (estas duas têm aspectos característicos à TC ou à RM). Em contrapartida, o carcinoma adrenal primário (CAP) é raro em lesões adrenais com menos de 5 a 6 cm. Achados dos exames de imagem → Tomografia computadorizada: Método de imagem de escolha para o estudo das adrenais, no que se refere a localização, tamanho e forma. Mas, a TC fornece pouca informação sobre a natureza da massa. Mielolipoma é a única lesão que apresenta imagem patognomônica (gordura no interior). No entanto, imagens muito similares podem ser igualmente vistas em feocromocitomas e tumores metastáticos para as adrenais. Adenomas: lesões pequenas (geralmente< 3 cm), ovais ou arredondadas, contornos bem delimitados e densidade homogênea que não se altera após a injeção do contraste Carcinomas: em contraste, têm como aparência característica lesão > 6 cm, contornos irregulares e densidade não homogênea, que tende a se intensificar na imagem pós- contraste. Mas, carcinomas < 6 cm e homogêneos podem se assemelhar aos adenomas. Em geral, adenomas adrenais contêm grande quantidade intracelular de lipídios, o que possibilita a avaliação quantitativa do valor de atenuação sem contraste das lesões na TC, convencionalmente expresso pelas unidades de Hounsfield (HU). Geralmente, adenomas têm valores de atenuação < 10 HU na TC sem contraste. Utilizando-se esse ponto de corte, obtém-se uma sensibilidade de 75%, com especificidade de 100% para o diagnóstico de adenomas versus não adenomas. Mas, 30% dos adenomas têm baixo teor de lipídios e podem ser indistinguíveis de outras lesões não adenomatosas. Por outro lado, adenomas tipicamente exibem na TC um rápido clareamento (washout) do contraste intravenoso, enquanto se observa retardo nesse clareamento em outras lesões adrenais. Metástases adrenais: aspecto inespecífico e tamanho variável. Pequenas lesões tendem a ser homogêneas, porém menos definidas que adenomas. Lesões maiores podem ter áreas císticas irregulares, resultantes de hemorragia ou necrose. Habitualmente, os valores de atenuação são mais altos do que dos adenomas e exibem lento clareamento do contraste TC tem sensibilidade de 93 a 100% na detecção dos feocromocitomas: aparecem como massa arredondada ou oval, com densidade similar à do fígado na imagem sem contraste. Lesões maiores podem ter um componente cístico devido a necrose central ou hemorragia. Calcificações são observadas em cerca de 10% dos casos. Diagnóstico do mielolipoma é obtido pela demonstração de gordura dentro de massa adrenal e pode ser facilmente exequível com TC ou ressonância magnética (RM). A presença de hemorragia pode, contudo, dificultar o diagnóstico. → Ressonância magnética: Fornece menos resolução espacial do que a TC e é mais cara. Sua vantagem estaria no fato de diversas patologias comportarem-se de maneira diversa, quando se comparam as imagens em T1 e T2. O tecido adrenal normal visualizado em T1 é de baixa intensidade ou "escuro" em relação ao fígado. Em T2, o tecido adrenal normal, o tecido adrenal hiperplásico e os tumores benignos permanecem "escuros': Já carcinomas adrenais, tumores metastáticos e FEO geralmente mostram um sinal com intensidade aumentada, ou seja, eles são "brilhantes" em relação ao fígado. Os FEO habitualmente são as lesões mais "brilhantes" → Cintilografia: A cintilografia com 75 Se-selenometil-19-norcolesterolou NP-59 não é mais empregada na maioria dos centros. Nesse exame, captação aumentada do traçador no lado em que a massa foi visualizada pela TC é o padrão típico de um adenoma ou uma hiperplasia nodular. No entanto, um padrão discordante, com captação ausente, diminuída ou distorcida, indica carcinoma, metástase ou outras lesões não funcionantes. Na tomografia por emissão de pósitron (PET), os tumores malignos metabolicamente ativos retêm a 18F-FDG dentro das células, enquanto a maioria das lesões benignas não o faz. Achados falso-negativos são vistos em lesões adrenais com necrose ou hemorragia, tumores pequenos, nódulos metastáticos ou metástases de carcinomas não ávidos pela 18F-FDG. → Achados da biopsia percutânea Biopsia de aspiração percutânea com agulha fina, guiada por US ou TC, é raramente indicada. Tem como indicação maior os casos cujos aspectos fenotípicos de imagem sugiram infecção ou metástase. Sua principal limitação é não conseguir diferenciar um adenoma de um carcinoma adrenal primário. Antes da realização da BAAF, deve-se descartar a existência de um feocromocitoma; caso contrário, pode-se induzir uma crise hipertensiva potencialmente letal, em função da liberação de catecolaminas pelo tumor. Outro exame que pode ser útil na distinção entre lesões adrenais benignas e malignas é a dosagem do sulfato de deidroepiandrosterona. Observa-se diminuição da concentração sérica desse hormônio em até 65% dos pacientes com adenomas adrenais, mas o mesmo pode acontecer em até 50% daqueles com carcinomas. Em contrapartida, um aumento é sugestivo de carcinoma adrenal, sendo excepcional em pacientes com adenomas. Avaliação endócrina: → Há basicamente quatro tipos de massas adrenais secretórias ou funcionantes: adenomas ou carcinomas adrenais secretores de cortisol, feocromocitomas, aldosteronomas e lesões secretoras de androgênios. → Tumores secretores de cortisol Esses tumores secretam pequenas quantidades de cortisol, as quais muitas vezes não são suficientes para elevar a excreção do cortisol livre urinário (UFC), mas são capazes de causar alguma supressão do eixo hipotalâmico-hipofisário. Caracteristicamente, não há manifestações cushingoides; por isso, essa condição tem sido denominada síndrome de Cushing subclínica. Dependendo da quantidade de cortisol secretada pelo tumor, o espectro clínico da SCSC varia de um ritmo diurno de cortisol discretamente diminuído à completa atrofia da glândula contralateral.Embora os pacientes com a SCSC não tenham os estigmas clássicos do hipercortisolismo, eles apresentam, em comparação à população geral, maior prevalência de obesidade (35 a 50%), hipertensão (40 a 90%), hiperlipidemia (50%), diabetes mellitus tipo 2 (DM2) ou intolerância à glicose (20 a 75%) e osteopenia. Entre os achados bioquímicos mais frequentes incluem-se supressão anormal do cortisol sérico no teste com doses baixas de dexametasona (DMS) e detecção de níveis baixos do ACTH plasmático e DHEA-S. A redução do DHEA-S resultaria da supressão da secreção de ACTH pela produção autônoma de cortisol. Não existe ainda consenso sobre a melhor maneira de investigar o SCSC. O teste de rastreamento mais recomendado é o teste de supressão com 1 mg de dexametasona (DST- 1 mg), em que se administra 1 mg de DMS às 23 h e dosa-se o cortisol sérico (CS) na manhã seguinte às 8 h. Os critérios para resposta anormal do CS à DMS em diversos estudos têm variado de 1,8 a 5 μg/dL. Outros testes de rastreamento são as dosagens do cortisol livre urinário (UFC) e do cortisol salivar no final da meia noite (CSFN), entre 23 h e meia-noite, que têm se mostrado com baixa acurácia diagnóstica. → Feocromocitoma Recomenda-se investigação para feocromocitoma em todo paciente com incidentaloma adrenal, uma vez que pode ser desencadeada crise hipertensiva potencialmente letal pela indução anestésica e/ ou pela manipulação tumoral durante a cirurgia. O teste inicial de rastreamento para feocromocitoma costuma ser a dosagem das metanefrinas e/ ou catecolaminas livres em uma amostra urinária de 24h. Quando disponível, a dosagem das metanefrinas livres plasmáticas pode substituir os testes urinários por ser mais simples e ter elevada sensibilidade (95 a 100%). Em geral, resultados normais nesses testes em pacientes assintomáticos tornam desnecessária outra investigação. Entretanto, é preciso estar atento ao fato de que feocromocitomas (FEO) podem ser, às vezes, bioquimicamente silenciosos, o que não elimina seu potencial de letalidade. → Adenomas produtores de aldosterona Também chamados de aldosteronomas, os adenomas produtores de aldosterona (APA) têm como manifestação mais característica hipertensão (HA) associada à hipocalemia. Entretanto, o hiperaldosteronismo primário (HAP) normocalêmico é comum. A investigação inicial consiste em dosar a aldosterona plasmática (AP) e a atividade plasmática de renina (APR). Caso a relação AP (em ng/dL) /APR (em ng/mL/h) [RAR] seja < 27, a presença de um APA praticamente fica excluída. Se a AP for> 12 ng/dL e a RAR > 27, deve-se dosar a aldosterona urinária (AU) após 3 dias de dieta sem restrição de sódio. Uma AU > 14 μg/24 h é consistente com o diagnóstico de HAP. → Lesões secretoras de androgênios e hiperplasia adrenal congênita Na hiperplasia adrenal congênita (HAC) por deficiência da 21-hidroxilase (Def-210H), é bastante comum o achado de massas adrenais, uni ou bilaterais, presumivelmente por excessiva estimulação crônica das adrenais pelo ACTH. O tamanho dos nódulos na HAC geralmente é < 1 cm, mas pode exceder 5 cm A forma não clássica da Def-210H pode ser diagnosticada pela detecção de valores plasmáticos da 17-hidroxiprogesterona (17-0HP) exageradamente elevados (p. ex., > 10 ng/dLou 1.000 ng/mL), 45 minutos após a administração intravenosa de 0,25 mg de ACTH sintético. Adenomas adrenais secretores de hormônios sexuais são bastante raros. Também infrequentes são carcinomas secretores de androgênios. Entretanto, os pacientes geralmente têm manifestações de virilização, o que torna improvável que esses tumores se apresentem como incidentalomas adrenais. Assim, a dosagem de rotina de testosterona e estradiol não está recomenda danos pacientes com IA. Indicação de cirurgia e evolução → Indica-se sempre cirurgia aos pacientes com feocromocitomas e aldosteronomas. Contudo, a maioria a indica para os indivíduos mais jovens (< 40 a 50 anos) ou aqueles com história recente de ganho de peso, obesidade considerável, hipertensão, diabetes mellitus ou osteopenia. → Uma crise addisoniana pode ocorrer após a cirurgia em pacientes com hipercortisolismo subclínico, devido à supressão da glândula contralateral. Por isso, tem sido recomendada a administração de glicocorticoides no pós-operatório desses pacientes. → Diante de um incidentaloma adrenal não funcionante, a maioria dos autores baseia-se no tamanho da massa para indicar sua retirada cirúrgica. → A cirurgia deve também ser considerada no caso de lesões menores que cresçam de modo significativo durante o seguimento clínico ou que tenham sinais de malignidade à TC. Elevação do DHEA-S é uma potencial indicação para cirurgia, mas raramente também é vista em casos de adenomas adrenais. → A maioria das massas adrenais permanece com tamanho estável, enquanto 3 a 20% crescem e 3 a 4% diminuem. A típica taxa de crescimento do feocromocitoma benigno é de 0,5 a 1cm por ano, enquanto carcinomas adrenocorticais tipicamente crescem acima de 2 cm por ano. → Pode surgir hiperatividade endócrina (sobretudo hipersecreção de cortisol) em até 20% dos pacientes durante o seguimento, mas é improvável que isso ocorra em lesões < 3 cm. → Para massas que pareçam ser benignas (tamanho < 3 cm, densidade < 10 HU, clareamento > 50%) e completamente não funcionantes, convém uma reavaliação por imagem e bioquímica após 1 ano. Nessa situação, o risco de malignidade ou hiperfunção subsequente é quase nulo. → Para lesões maiores e/ou com características radiológicas indeterminadas, seria apropriado realizar nova TC para avaliação de crescimento após 3, 12 e 24 meses. Nesse contexto, deve ser considerada excisão cirúrgica para tumores que cresçam, pelo menos, 0,8 cm em um período de 3 a 12 meses, em função do maior risco de malignidade. Mas, a maioria das massas adrenais que aumentam de tamanho não são malignas e o tamanho dos carcinomas pode decrescer. → Também tem sido recomendado que, na pesquisa de hiperatividade endócrina, realize-se avaliação hormonal anualmente durante 4 a 5 anos. Essa avaliação deve constar do teste de supressão noturna com 1 mg de dexametasona e da dosagem de metanefrinas livres plasmáticas; esta última, pode ser substituída pela medição das metanefrinas livres urinárias. Principais etiologias de incidentaloma: → IA podem ser unilaterais ou bilaterais (11 a 16% dos casos). Entre as massas unilaterais, a principal etiologia são adenomas adrenais, enquanto as metástases são a 2ª causa mais comum. Adenomas: 41 %, metástases: 19%, carcinomas: 10%, mielolipomas: 9% e feocromocitomas: 8%. → Adenomas adrenais são bem mais frequentes do que carcinomas. Geralmente, os adenomas são pequenos, com diâmetro médio de 2 a 3 cm. Embora a maioria seja não funcionante, 5 a 24% secretam cortisol e 1,6 a 3,3%, mineralocorticoides. Adenomas secretores de androgênios ou estrogênios são extremamente raros. → São tumores secretores de catecolaminas que, apesar de raros, implicam elevadas morbidade e mortalidade. Estima-se que sejam encontrados em 1 de cada 500 a 1.000 hipertensos. Entretanto, até 75% dos casos não são diagnosticados em vida. Aproximadamente 10% dos FEO são diagnosticados como massas adrenais clinicamente inaparentes → Os sintomas se relacionam a secreção excessiva de catecolaminas, como cefaleia, diaforese, palpitações e nervosismo – porém, não raramente, os sintomas podem estar ausentes → Geralmente os sintomas são do tipo paroxístico → Hipertensão é verificada em cerca de 90% dos pacientes e pode ser mantida ou intermitente → Apresentam um diâmetro médio de 5cm (variando entre 2,1-10cm) → Em uma série de 201 pacientes com feocromocitoma comprovado, apenas 10% dos casos tinham a tríade de sintomas típicos (sudorese, cefaleia e palpitações), enquanto 12,5% dos casos acidentalmente encontrados eram normotensos.→ Também chamados de aldosteronomas, os adenomas produtores de aldosterona (APA) têm como manifestação mais característica hipertensão (HA) associada à hipocalemia. Entretanto, o hiperaldosteronismo primário (HAP) normocalêmico é comum. → O carcinoma (CA) primário de adrenal é raro e responde por apenas 0,05 a 0,2% de todos os cânceres. É mais frequente no sexo feminino (65 a 90% dos casos). Ocorre uma distribuição bimodal: em crianças menores de 5 anos e adultos nas quarta e quinta década → Até 94% dos carcinomas adrenais são funcionantes; desses, 45% secretam cortisol, 45% cortisol e andrógenos, enquanto 10% apenas produzem androgênios. → Lesões secretoras de estrogênio (levando à feminização) ou mineralocorticoides (causando hiperaldosteronismo primário) são bem mais raras. Cerca de 90% dos carcinomas descobertos ao acaso são não funcionantes → Geralmente o prognóstico é bastante desfavorável, com uma sobrevida média de 18 meses e até 75% apresentam metástases já ao diagnóstico. Em crianças o prognóstico tende a ser melhor → Metástases causam IA em, aproximadamente, 50% dos pacientes com história de doença maligna. As glândulas adrenais são locais frequentes de metástases em várias neoplasias. Carcinomas de pulmão, rim, cólon, mama, pâncreas, fígado e estômago respondem por uma grande proporção das metástases adrenais. Outras neoplasias envolvidas são linfomas, melanoma, leucemia e carcinoma ovariano. Embora a maior parte dos casos ocorra em pacientes com múltiplas metástases, a adrenal pode, eventualmente, ser o único local afetado. Muito raramente, a metástase adrenal pode ser a manifestação inicial do tumor primário. → São tumores benignos compostos de gordura e tecido hematopoético → A maioria é não funcionante e detectada casualmente. → Geralmente, os pacientes são assintomáticos; contudo, lesões maiores podem causar dor ou se manifestar com hemorragia retroperitoneal → Apresentam um crescimento lento e, em geral, não excedem 5cm, porém MLP gigantes (pesando mais de 6kg) já foram encontrados → MLP adrenais podem vir associados, na mesma glândula, a adenomas não funcionantes ou adenomas secretores de cortisol ou aldosterona → Outras possíveis causas de IA são ganglioneuromas, infecções (sobretudo tuberculose e histoplasmose), hiperplasia adrenal, hematomas e doenças raras, tais como angiomielolipoma, carcinoma epitelial maligno, angiossarcoma epitelioide, oncocitoma e neurinoma → O linfoma adrenal primário é raro (menos de 100 casos relatados na literatura), mas seu reconhecimento é importante, uma vez que se trata de uma doença potencialmente curável. Em 60% dos casos há envolvimento adrenal bilateral. Insuficiência renal está presente à ocasião do diagnóstico em dois terços dos pacientes → Hematopoese extramedular constitui uma causa extremamente rara de massa adrenal → O envolvimento adrenal pela tuberculose (TB) é, em geral, bilateral. Entretanto, eventualmente, pode se manifestar como uma massa unilateral assintomática ou associada a hipocortisolismo → Raramente, alguns achados de imagem podem simular massas adrenais, como nódulo hepático regenerativo, angiomiolipoma do rim, linfoma periadrenal, cisto broncogênico subdiafragmático, nódulos decorrentes de esplenose após esplenectomia e o fundo gástrico, entre outros. → Lesões metastáticas devem ser a primeira hipótese a ser considerada, já que são observadas em 53 a 67% dos incidentalomas adrenais (IA) bilaterais se houver uma neoplasia primária extra- adrenal comprovada. Infecções fúngicas ou TB são prováveis diante de outros focos dessas infecções, geralmente nos pulmões. Raramente, pode haver envolvimento isolado das adrenais. Tais infecções podem levar à insuficiência adrenal e precisam ser diagnosticadas o mais precocemente possível. → Outra causa frequente de massa adrenal bilateral é a hemorragia adrenal bilateral, que deve ser sempre lembrada em pacientes com coagulopatias ou terapia anticoagulante, especialmente durante períodos de estresse, como no infarto agudo do miocárdio. Clinicamente, os pacientes apresentam dor no flanco, náuseas, vômitos, febre e hipotensão. → O raro linfoma adrenal primário, como mencionado, é bilateral na maioria das vezes. Doenças infiltrativas são outra possível causa de IA bilaterais. Entre as massas bilaterais funcionantes, as principais a serem lembradas são hiperplasia adrenal congênita por deficiência da 21- hidroxilase, hiperplasia adrenal macronodular (síndrome de Cushing ACTH-dependente), hiperaldosteronismo primário (forma hiperplásica) e feocromocitomas (10% são bilaterais). → Carcinomas adrenais raramente são bilaterais (em torno de 2 a 10% dos casos). Adenomas podem também ser bilaterais. Ocasionalmente, uma das massas bilaterais é um adenoma não funcionante e a outra, um tumor secretor de hormônios. Cerca de 10% dos mielolipomas são bilaterais. Todos os pacientes, com massas adrenais não secretoras bilaterais, devem ser avaliados para hipofunção adrenocortical.