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Semiologia Psiquiátrica Introdução → É o estudo dos sinais e sintomas dos transtornos mentais → Sinais comportamentais verificáveis pela observação direta do paciente → Sintomas são as vivências subjetivas relatadas pelo indivíduo → Propicia uma compreensão multidimensional dos elementos biopsicossociais do transtorno → Objetivo: obter informações, estabelecer um diagnóstico e fornecer um tratamento centrado no paciente → Entrevista deve ser centrada no paciente → A individualidade da experiência do paciente é o tema central → A história de vida é evocada sujeita a restrições de tempo, vontade de compartilhar e habilidade do entrevistador → A comunicação é reforçada pela atitude e comportamento do entrevistador → Isenção de críticas do médico → O relacionamento entre o paciente e o médico é o cerne da prática da medicina → Confidencialidade: componente essencial do relacionamento médico-paciente → Emergências → avaliar confidencialidade. → Confidencialidade só é quebrada quando o relato/comportamento do paciente leva a risco a si ou a terceiros (emergência) → Ingrediente essencial → empatia → Empatia é entender o que o paciente está pensando e sentindo → Ocorre quando o psiquiatra é capaz de se colocar no lugar do paciente Entrevista: Exame do Estado Mental (EEM) → Parte extremamente importante da anamnese → Equivale ao exame físico → Explora todas as áreas do funcionamento mental → Os dados são obtidos ao longo de toda a entrevista – forma direta e indireta → Maior parte das informações não requer questionamentos diretos → Obtidas através da observação → Questionamento direto → Utilizado de forma acessória 1) Aparência e comportamento 2) Atividade motora 3) Fala 4) Humor e afeto 5) Pensamento 6) Alteração na sensopercepção 7) Cognição 8) Insight e julgamento Transtornos de Humor → Humor: estado emocional basal em que o paciente se encontra no momento da consulta → Emoções: reação afetiva momentânea, agudas desencadeadas por um estímulo. Estado afetivo intenso, de curta duração, originado como reação do indivíduo a certas excitações internas ou externas → Sentimentos: estados afetivos estáveis; menos atenuados que as emoções e menos reativos a estímulos passageiros. São associados a conteúdos intelectuais, valores e representações → O afeto pode ser descrito com: Qualidade (tom) → Eutímico (normal), depressivo (hipotimico ou melancólico), hipertímico (alegria em exagero), eufórico (alegria exagerada = patológica ou disfuncional), disfórico (irritabilidade), apático, pueril (infantilizado), ansioso (medo e preocupação em excesso) Quantidade → Medida da intensidade do estado de qualidade. → Descrição pode ser por leve, moderado ou grave Variação → Normal → Hipomodulado: incapacidade do paciente modular a resposta afetiva de acordo com a situação existencial, indicando rigidez em relação ao mundo → Hipermodulado: oscila o afeto e humor de forma abrupta, rápida e inesperada – mudança do tom afetivo durante a consulta Adequação → O afeto está apropriado com a situação ambiente Adequado Inadequado (paratimia) → indica desarmonia profunda da vida psíquica Congruência → O afeto pode ser congruente ou incongruente com o humor ou o conteúdo do pensamento do paciente → Doenças onipolares (depressão maior, depressão recorrente, distimia e depressão dupla): ficam relacionadas somente ao polo depressivo → Quadros cbipolares: quadros clínicos relacionados tanto a episódios depressivos como a episódios que temos uma elevação desse humor (mania e hipomania) Transtornos Depressivos → Depressão maior: episódio depressivo único (por fatores exógenos ou genéticos) → Depressão recorrente: após a recuperação da depressão maior (cerca de 6 meses depois) abre um segundo episódio depressivo → Distimia: depressão crônica, de baixa intensidade e que ocorre por um período maior que 2 anos → Depressão dupla: paciente distímico + agudização do quadro de humor = episódio depressivo sobreposto a distimia → Episódio depressivo: mudança do estado de humor basal do paciente por um período de pelo menos 2 semanas, em que tenha obrigatoriamente humor deprimido associado ou não a apatia ou perda de interesse (anedonia). E pelo menos 4 sintomas acessórios: alteração do apetite, alteração do padrão de sono, agitação ou retardo psicomotor, fadiga, peso no corpo, pensamento de culpa e inutilidade, desesperança. Pode apresentar quadros de disfunção executiva, alteração de concentração e memória. Ideação suicida deve ser perguntado em toda consulta → Aparência e comportamento: aspecto envelhecido, vestes sujas, desleixadas, higiene prejudicada, com postura cooperativa → Atividade motora: bradicinesia (lentificado) → Fala: não espontânea, sucinta, respondendo somente o questionamento do entrevistador pergunta, bradilalia e hipofônica → Humor e afeto: depressivo ou apático, hipomodulado, e congruente com queixas relatadas → Pensamento: com conteúdo desesperançoso ou suicida, bradipsiquismo e organizado → Insight e julgamento: podem estar ausentes Bipolaridade → Paciente tem episódios depressivos e um quadro de alteração de humor no polo oposto (maníaco ou hipomaníaco) → Nos quadros hipomaníacos o episódio não é suficientemente grave ao ponto de causar prejuízo acentuado no funcionamento social, profissional ou para necessitar de hospitalização. O paciente em mania corre muitos riscos em níveis eufóricos, não tem senso crítico → Hipomania deve ter a duração mínima de quatro dias → Mania deve ter a duração mínima de uma semana → Alteração do estado de humor basal levando a 2 sintomas principais: humor elevado (+ 3 critérios acessórios) ou humor irritado (+ 4 critérios acessórios) → Sintomas acessórios: autoestima aumentada, aumento da atividade dirigida a objetos e/ou agitação, corre riscos, gastos excessivos, libido exagerada, redução do sono, pensamento acelerado, taquilalia, alteração de concentração (distração) → TAB I: Pelo menos um episódio de mania, pode apresentar ou não episódios depressivos, pode ter sintomas hipomaníacos precedendo a um quadro de mania → TAB II: Pelo menos um episódio de hipomania e um episódio depressivo (na maioria dos casos, tem mais episódios depressivos do que hipomaníacos), dificuldade do paciente reconhecer um quadro hipomaníaco → Aparência e comportamento: exagerada, com vestes coloridas, sexualizadas e inadequada para consulta. Comportamento agitado, desinteressada ou desinibido → Atividade motora: hipercinesia ou inquieto → Fala: espontânea, taquilalica, verborrágico, sem objetivo e hipertônica → Humor e afeto: eufórico, hipermodulante e congruente com queixas apresentadas → Pensamento: taquipsiquismo podendo ir da fuga de ideias, com conteúdo grandioso → Insight e julgamento: ausentes Transtorno de Ansiedade → Ansiedade: sensações comuns ao ser humano → sinais de alerta que levam a comportamentos de luta ou fuga → Caracterizada por: sensação difusa, desagradável e vaga de apreensão, acompanhada por sintomas somáticos como tremor, sudorese, inquietação, podendo levar até mesmo a insônia → Ansiedade e medo: resposta normal e adaptativa, objetivo de proteger e advertir → impelindo o indivíduo a tomar medidas necessárias para evitar a ameaça ou reduzir suas consequências → Ansiedade: resposta a uma ameaça desconhecida, interna, vaga ou conflituosa → Medo: resposta a uma ameaça conhecida, externa e definida → Ansiedade normal ou adaptativa: emoção normal, principalmente em situações de ameaça (luta e fuga) → Ansiedade não adaptativa (transtorno) → Sintomas centrais (nucleares) → Medo e preocupações excessivas → Sintomasassociados → Transtorno do sono, fadiga, irritabilidade e excitabilidade, dificuldade de concentração e tensão muscular → Tipos de transtornos de ansiedade: TAG, Pânico, Fobia específica, Agorafobia, Fobia social, Ansiedade de separação → A maior comorbidade nos transtornos de humor são transtornos ansiosos, e vice-versa → Aparência e comportamento: roupas adequadas para consulta, higienizado, idade cronológica condizente com aparente; comportamento podendo variar do cooperativo ao agitado → Atividade motora: normal até hipercinesia, com presença de tremores em membros ou inquietação em perna → Fala: espontânea a ausente com mutismo seletivo, normolalia a taquilalia, normofônica → Humor e afeto: apreensivo, preocupado, angustiado; normodulado, adequado e congruente com queixas apresentadas → Pensamento: normal ao taquipsiquismo; com conteúdo catastrófico, obsessivos; com Circunstancialidade ou tangencial → Cognição: consciente, alerta, hipervigil, hipertenaz → Insight e julgamento: presentes Transtornos Psicóticos → O maior representante desses transtornos é a esquizofrenia. → Na esquizofrenia existem os sintomas positivos que são os delírios e as alucinações associados a alterações de fala como também alterações de comportamento. E os sintomas negativos que é apatia, anedonia e embotamento afetivo Delírio é uma alteração do pensamento → É avaliado através do que o paciente expressa de forma espontânea, bem como pelas respostas as perguntas realizadas → Alterações de conteúdo → Obsessivos, delírios, com potencial suicida ou homicida → Delírios → Ideias fixas, falsas que não são compartilhadas por outras pessoas e não passíveis de mudança à luz de evidências conflitantes → Divididos em bizarros e não bizarros → Delírios comuns: grandiosos, erotomaníacos, de ciúmes, somáticos, de referência, religiosos, niilista e persecutórios Alucinação é uma alteração da sensopercepção → Vai incluir as alucinações, ilusões, despersonalização e desrealização → Despersonalização: sensação de ser estranho a si mesmo ou de que alguma coisa mudou → Desrealização: sensação de que o ambiente mudou → Ilusão: percepção errônea de estímulo → Alucinações são percepções na ausência de estímulos que justifiquem, não estando sob o controle voluntário. → Auditivas, visuais, olfatórias, táteis e gustativas → Mais comum → auditivas → Aparência e comportamento: vestes não adequadas para situação vigente, paciente não higienizado, comportamento desinteressado, agitado ou catatônico (irresponsivo a estímulos externos) → Atividade motora: bradicinesia a hipercinesia, presença de tiques, tremor ou movimentos estereotipados → Fala: bradilalia a taquilalia, com presença de neologismos ou ecolalias → Humor e afeto: apático, pueril ou disfórico, hipomodulado, inadequado e incongruente com as queixas → Pensamento: pensamento lógico ausente, com conteúdo delirante (bizarro ou não bizarro) de conteúdo persecutórios, tangencial ou com bloqueio de pensamento → Alteração na sensopercepção: presença de alucinações (auditivas) → Cognição: desorientado em tempo e espaço, hipervigil e hipotenaz → Insight e julgamento: ausentes Dependência Química → Não existe uso seguro de drogas psicoativas → O uso nocivo e a dependência são pouco diagnosticado → Tratamos mais as complicações clínicas da dependência do que ela própria → Existe demora em fazer diagnóstico e tratamento → A minoria dos indivíduos com problemas relacionados ao uso de drogas psicotrópicas busca ajuda → Toda consulta médica deve investigar o uso de substâncias psicoativas → Usuários com ou sem problemas devem receber orientações básicas sobre conceito de abuso e dependência de drogas → Usuário de substância psicoativa → Usuário nocivo/abuso de substância psicoativas → Usuários que tem consequências negativas ao utilizar a substância → Dependente químico → período de tempo, com consequências negativas com sintomas como abstinência, tolerância e fissura → Três ou mais manifestações ocorridas conjuntamente por pelo menos um mês, ou, se persistirem por períodos menores do que um mês, devem ter ocorridos juntas de forma repetida durante um período de 12 meses 1) Tolerância 2) Estado fisiológico de abstinência 3) Forte desejo ou compulsão de consumir a substância (fissura) 4) Comprometimento da capacidade de controlar o comportamento de uso da substância em termos de seu início, término ou quantidade 5) Preocupação com o uso da substância, manifestada pela redução ou pelo abandono de importantes prazeres ou interesses alternativos em virtude do seu uso ou pelo gasto de uma quantidade de tempo em atividades necessárias para obter, consumir ou recuperar-se dos efeitos da substância 6) Uso persistente apesar de evidências claras de consequências nocivas, evidenciadas pelo uso continuado quando o indivíduo está efetivamente consciente da natureza e da extensão dos efeitos nocivos