Logo Passei Direto
Buscar

Cw2 - Responsabilidade Social e Ambiental - A

User badge image
Dora

em

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

Apesar dos questionamentos, a expressão Antropoceno se popularizou e tornou-se não só a designação de um novo tempo geológico mas também uma metáfora dos novos tempos em curso. Em uma ou em outra perspectiva, o Antropoceno traz a discussão sobre os limites de um planeta finito, tanto de espaço quanto de recursos naturais. Além disso, se sistemas econômicos e sociais continuarem na mesma sistemática, passaremos de um cenário de crise para uma provável e desafiadora emergência ecológica, afetando a vida como um todo. AS CONFERÊNCIAS AMBIENTAIS DA ONU Entender o processo de constituição das instâncias de governança ambiental internacional passa pela compreensão das conferências das Nações Unidas sobre a temática. Da primeira conferência em 1972 até os dias atuais, a ONU promoveu quatro conferências mundiais, que foram decisivas para que assuntos, como meio ambiente equilibrado, desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, entre outros, assumissem centralidade na agenda global. São elas: 1. Conferência das Nações Unidades sobre o Meio Ambiente Humano (1972). 2. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992). 3. Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+10 (2002). Em 1968, a Assembleia-Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução nº 2.398 (XXIII), decidiu pela realização de uma conferência mundial para discutir as questões ambientais. Dessa forma, ocorreu, de 5 a 16 de junho de 1972, na cidade de Estocolmo, Suécia, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, que é considerada um marco do direito ambiental internacional. No curso dos trabalhos da Conferência, os países participantes dividiram-se em duas correntes de interpretação sobre os problemas ambientais (MELO, 2017): de um lado, os preservacionistas, liderados pelos países desenvolvidos, que defenderam a mitigação nas intervenções antrópicas sobre o meio ambiente; de outro, os desenvolvimentistas, composta pelos países em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, que defendiam a aceitação da poluição e que a preocupação deveria ser com o crescimento econômico. Ao término dos trabalhos foi editada a Declaração de Estocolmo sobre Meio Ambiente Humano, com 26 princípios. O Princípio 1 da Declaração reconhece o meio ambiente com qualidade como direito fundamental: No quadro de governança internacional, em dezembro de 1972, foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com sede em Nairóbi, Quênia, responsável por promover a proteção ao meio ambiente e o uso eficiente de recursos naturais no contexto do desenvolvimento sustentável. O PNUMA é uma agência do Sistema das Nações Unidas e a principal autoridade global em meio ambiente (MELO, 2017). A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), realizada em 1992, na cidade do Rio de Janeiro, também conhecida como a Cúpula da Terra, representou o momento máximo da preocupação ambiental global. Foram produzidos cinco documentos internacionais: (i) Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; (ii) Agenda 21; (iii) Convenção-Quadro sobre Mudanças do Clima; (iv) Convenção sobre Diversidade Biológica ou da Biodiversidade; (v) Declaração de Princípios sobre Florestas. Desses, somente a Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima e a Convenção sobre Diversidade Biológica possuem força jurídica vinculante, obrigatória, denominados no direito internacional de hard law. Os demais são declarações, destituídas de caráter vinculante, chamadas de soft law. A Declaração do Rio é um documento que contém 27 princípios, norteadores do direito ambiental na esfera internacional e fonte para o desenvolvimento principiológico na legislação ambiental dos países. A Declaração do Rio traz preceitos fundamentais para o desenvolvimento de uma agenda internacional de proteção ao meio ambiente, que conjugue compromissos e obrigações para os Estados. O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas, em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna, gozar de bem-estar e é portador solene de obrigação de proteger e melhorar o meio ambiente, para as gerações presentes e futuras. — (ONU, 1972, p. 2) No que se refere à Agenda 21, trata-se de um documento programático, com 40 capítulos, em que se estabelecem diretrizes para a implementação do desenvolvimento sustentável, do espaço global ao local. Já a Convenção sobre Diversidade Biológica é o mais importante instrumento internacional de proteção da biodiversidade. Os objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica são: (i) a conservação da diversidade biológica; (ii) a utilização sustentável de seus componentes; (iii) a repartição justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos, mediante, inclusive, o acesso adequado aos recursos genéticos e a transferência adequada de tecnologias pertinentes, levando em conta todos os direitos sobre tais recursos e tecnologias e mediante financiamento adequado (MELO, 2017). Por fim, a Declaração de Princípios sobre Florestas é um documento sem força jurídica vinculativa. Em seu conteúdo, ela exprime que os países, em especial os desenvolvidos, devem empreender esforços para recuperar a Terra por meio de reflorestamento, arborização e conservação florestal. Em 2002, a ONU promoveu, em Johanesburgo, África do Sul, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, também conhecida como Rio+10. Em seus debates, emergiu a necessidade de adoção de medidas concretas para executar os objetivos da Agenda 21 até então não suficientemente implementados, além do enfoque na importância da concretização de políticas públicas para um crescimento com sustentabilidade. Dois foram os documentos oficiais da Cúpula Mundial: Declaração Política e Plano de Implementação. A Declaração Política, denominada “O Compromisso de Johanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável”, reafirma os princípios das duas conferências anteriores e faz uma análise da pobreza e da má distribuição de renda no mundo. O Plano de Implementação é o documento das metas, assentadas em três objetivos: (i) a erradicação da pobreza; (ii) a alteração nos padrões insustentáveis de produção e consumo; (iii) a proteção dos recursos naturais para o desenvolvimento econômico e social. A partir deles, o Plano de Implementação relaciona as medidas de desenvolvimento sustentável para cada região do planeta. Em junho de 2012, a cidade do Rio de Janeiro foi palco da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). A Rio+20 teve dois temas principais: (i) a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; (ii) a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável (MELO, 2017). A Rio+20 não teve a mesma representatividade das conferências anteriores. Os países desenvolvidos, diante da crise econômica global de 2008, optaram por não se comprometer com medidas vinculantes ou mesmo metas específicas para as diversas temáticas com pertinência ambiental. O documento final da Conferência é denominado “O Futuro que Queremos”, contendo 283 tópicos que, em linhas gerais, relaciona a renovação dos compromissos políticos das conferências anteriores (Estocolmo/1972, Rio/1992 e Johanesburgo/2002) e consigna proposições genéricas sobre a economia verde e o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável (MELO, 2017). Por fim, em 28 de julho de 2022, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução declarando que todas as pessoas têm direito a um meio ambiente limpo e saudável (ONU, 2022). Apesar de não ser vinculante, a resolução é um importante indicativo para a proteção ambiental em todo o planeta. A INTERFACE INTERNACIONAL E O DIREITO BRASILEIRO As decisões proclamadas nas conferências das Nações Unidas e nos acordos internacionais têm influência direta

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Questões resolvidas

Apesar dos questionamentos, a expressão Antropoceno se popularizou e tornou-se não só a designação de um novo tempo geológico mas também uma metáfora dos novos tempos em curso. Em uma ou em outra perspectiva, o Antropoceno traz a discussão sobre os limites de um planeta finito, tanto de espaço quanto de recursos naturais. Além disso, se sistemas econômicos e sociais continuarem na mesma sistemática, passaremos de um cenário de crise para uma provável e desafiadora emergência ecológica, afetando a vida como um todo. AS CONFERÊNCIAS AMBIENTAIS DA ONU Entender o processo de constituição das instâncias de governança ambiental internacional passa pela compreensão das conferências das Nações Unidas sobre a temática. Da primeira conferência em 1972 até os dias atuais, a ONU promoveu quatro conferências mundiais, que foram decisivas para que assuntos, como meio ambiente equilibrado, desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, entre outros, assumissem centralidade na agenda global. São elas: 1. Conferência das Nações Unidades sobre o Meio Ambiente Humano (1972). 2. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992). 3. Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+10 (2002). Em 1968, a Assembleia-Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução nº 2.398 (XXIII), decidiu pela realização de uma conferência mundial para discutir as questões ambientais. Dessa forma, ocorreu, de 5 a 16 de junho de 1972, na cidade de Estocolmo, Suécia, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, que é considerada um marco do direito ambiental internacional. No curso dos trabalhos da Conferência, os países participantes dividiram-se em duas correntes de interpretação sobre os problemas ambientais (MELO, 2017): de um lado, os preservacionistas, liderados pelos países desenvolvidos, que defenderam a mitigação nas intervenções antrópicas sobre o meio ambiente; de outro, os desenvolvimentistas, composta pelos países em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, que defendiam a aceitação da poluição e que a preocupação deveria ser com o crescimento econômico. Ao término dos trabalhos foi editada a Declaração de Estocolmo sobre Meio Ambiente Humano, com 26 princípios. O Princípio 1 da Declaração reconhece o meio ambiente com qualidade como direito fundamental: No quadro de governança internacional, em dezembro de 1972, foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com sede em Nairóbi, Quênia, responsável por promover a proteção ao meio ambiente e o uso eficiente de recursos naturais no contexto do desenvolvimento sustentável. O PNUMA é uma agência do Sistema das Nações Unidas e a principal autoridade global em meio ambiente (MELO, 2017). A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), realizada em 1992, na cidade do Rio de Janeiro, também conhecida como a Cúpula da Terra, representou o momento máximo da preocupação ambiental global. Foram produzidos cinco documentos internacionais: (i) Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; (ii) Agenda 21; (iii) Convenção-Quadro sobre Mudanças do Clima; (iv) Convenção sobre Diversidade Biológica ou da Biodiversidade; (v) Declaração de Princípios sobre Florestas. Desses, somente a Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima e a Convenção sobre Diversidade Biológica possuem força jurídica vinculante, obrigatória, denominados no direito internacional de hard law. Os demais são declarações, destituídas de caráter vinculante, chamadas de soft law. A Declaração do Rio é um documento que contém 27 princípios, norteadores do direito ambiental na esfera internacional e fonte para o desenvolvimento principiológico na legislação ambiental dos países. A Declaração do Rio traz preceitos fundamentais para o desenvolvimento de uma agenda internacional de proteção ao meio ambiente, que conjugue compromissos e obrigações para os Estados. O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas, em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna, gozar de bem-estar e é portador solene de obrigação de proteger e melhorar o meio ambiente, para as gerações presentes e futuras. — (ONU, 1972, p. 2) No que se refere à Agenda 21, trata-se de um documento programático, com 40 capítulos, em que se estabelecem diretrizes para a implementação do desenvolvimento sustentável, do espaço global ao local. Já a Convenção sobre Diversidade Biológica é o mais importante instrumento internacional de proteção da biodiversidade. Os objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica são: (i) a conservação da diversidade biológica; (ii) a utilização sustentável de seus componentes; (iii) a repartição justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos, mediante, inclusive, o acesso adequado aos recursos genéticos e a transferência adequada de tecnologias pertinentes, levando em conta todos os direitos sobre tais recursos e tecnologias e mediante financiamento adequado (MELO, 2017). Por fim, a Declaração de Princípios sobre Florestas é um documento sem força jurídica vinculativa. Em seu conteúdo, ela exprime que os países, em especial os desenvolvidos, devem empreender esforços para recuperar a Terra por meio de reflorestamento, arborização e conservação florestal. Em 2002, a ONU promoveu, em Johanesburgo, África do Sul, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, também conhecida como Rio+10. Em seus debates, emergiu a necessidade de adoção de medidas concretas para executar os objetivos da Agenda 21 até então não suficientemente implementados, além do enfoque na importância da concretização de políticas públicas para um crescimento com sustentabilidade. Dois foram os documentos oficiais da Cúpula Mundial: Declaração Política e Plano de Implementação. A Declaração Política, denominada “O Compromisso de Johanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável”, reafirma os princípios das duas conferências anteriores e faz uma análise da pobreza e da má distribuição de renda no mundo. O Plano de Implementação é o documento das metas, assentadas em três objetivos: (i) a erradicação da pobreza; (ii) a alteração nos padrões insustentáveis de produção e consumo; (iii) a proteção dos recursos naturais para o desenvolvimento econômico e social. A partir deles, o Plano de Implementação relaciona as medidas de desenvolvimento sustentável para cada região do planeta. Em junho de 2012, a cidade do Rio de Janeiro foi palco da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). A Rio+20 teve dois temas principais: (i) a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; (ii) a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável (MELO, 2017). A Rio+20 não teve a mesma representatividade das conferências anteriores. Os países desenvolvidos, diante da crise econômica global de 2008, optaram por não se comprometer com medidas vinculantes ou mesmo metas específicas para as diversas temáticas com pertinência ambiental. O documento final da Conferência é denominado “O Futuro que Queremos”, contendo 283 tópicos que, em linhas gerais, relaciona a renovação dos compromissos políticos das conferências anteriores (Estocolmo/1972, Rio/1992 e Johanesburgo/2002) e consigna proposições genéricas sobre a economia verde e o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável (MELO, 2017). Por fim, em 28 de julho de 2022, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução declarando que todas as pessoas têm direito a um meio ambiente limpo e saudável (ONU, 2022). Apesar de não ser vinculante, a resolução é um importante indicativo para a proteção ambiental em todo o planeta. A INTERFACE INTERNACIONAL E O DIREITO BRASILEIRO As decisões proclamadas nas conferências das Nações Unidas e nos acordos internacionais têm influência direta

Prévia do material em texto

03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativid… 1/21
Imprimir
INTRODUÇÃO
Estudante, é uma alegria tê-lo conosco em mais uma aula da disciplina de Responsabilidade Social e
Ambiental.
A nossa temática será sobre o sistema de proteção e governança ambiental internacional. Ela permitirá que
você compreenda o processo de reconhecimento e a�rmação da proteção ambiental no âmbito da
Organização das Nações Unidas (ONU). Por meio das conferências da ONU, discussões, como mudanças do
clima, sustentabilidades e outras, passaram a fazer parte do nosso dia a dia pro�ssional. Além disso, há a
aplicabilidade dos documentos internacionais no ordenamento jurídico brasileiro, em um diálogo cada vez
mais recorrente para que os desa�os ambientais sejam enfrentados por todos os Estados.
Portanto, você, como futuro pro�ssional, a partir dessa aula, compreenderá a estrutura internacional de
proteção ao meio ambiente e a relação com o direito brasileiro.
Vamos juntos no estudo do sistema internacional de proteção ao meio ambiente?      
A PROTEÇÃO AMBIENTAL INTERNACIONAL
O arcabouço da proteção e da governança ambiental tem os seus aspectos mais importantes nas instâncias
internacionais, pois as questões ambientais não estão limitadas às de�nições de fronteiras entre países, o     u
seja, os desa�os são transfronteiriços ou transnacionais e discuti-los e enfrentá-los exige a cooperação
comum entre os Estados. As deliberações são estabelecidas nos arranjos das organizações supranacionais.
A temática ambiental entrou na agenda global na década de 1960, a partir das preocupações com os efeitos
da explosão demográ�ca mundial e do aumento da poluição. Em um período de forte expansão do comércio
e das atividades econômicas, houve a constatação dos limites desse crescimento, que se tornou um assunto
de debates entre pesquisadores e atores das instâncias internacionais.
Para visualizar o objeto, acesse seu material digital.
Aula 1
PROTEÇÃO AMBIENTAL INTERNACIONAL
A nossa temática será sobre o sistema de proteção e governança ambiental internacional.
35 minutos
GOVERNANÇA E PROTEÇÃO AMBIENTAL
 Aula 1 - Proteção ambiental internacional
 Aula 2 - Desenvolvimento sustentável
 Aula 3 - Políticas públicas ambientais
 Aula 4 - Responsabilidade em matéria ambiental 
 Referências
152 minutos
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativid… 2/21
O sistema internacional contemporâneo é relativamente recente, com origem no �nal da Segunda Guerra
Mundial, com a Conferência de São Francisco, de 1945, que aprovou a Carta de São Francisco, de criação da
Organização das Nações Unidas (ONU). O propósito primordial da ONU é o de garantir a paz mundial, mas
também o de “conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter
econômico, social, cultural ou humanitário [...]” e de “ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações
para a consecução desses objetivos comuns” (BRASIL, 1945, [s. p.]). Nota-se, pois, que a ONU se tornou, assim,
o centro das discussões globais, atuando por meio de seus conselhos – Segurança; Econômico e Social; outros
–, de suas comissões – Direitos Humanos (que desde 2006 se transformou em Conselho) e outras – e de suas
agências especializadas – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco);
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO); Fundo Monetário Internacional (FMI).
Além da ONU, organizações foram criadas em âmbito regional, como a Organização dos Estados Americanos
(OEA), em 1948, pelos países das Américas. Na Europa, foram criados o Conselho da Europa, em 1949, e a
Comissão Europeia, em 1951. Esses compõem, hoje, o arcabouço da União Europeia, a qual, por sua vez, foi
criada em 1993.
No que se refere ao direito internacional, em que os principais sujeitos são os Estados, é preciso destacar o
papel da ONU, que se tornou os lócus de formação de um arcabouço de normas e instituições em várias
áreas, como direitos humanos, educação, cultura e meio ambiente. Com essa perspectiva, a discussão entre
Estados é fundamental para a formação de normas ambientais internacionais, com o objetivo comum de
proteção ao meio ambiente em todas as suas dimensões. Vários problemas ambientais são de caráter
transnacional e exigem ações multilaterais e cooperativas (BURSZTYN; BURSZTYN, 2012).
A formalização da proteção ambiental no âmbito internacional se dá essencialmente por meio de dois tipos de
atos: tratados e declarações. Os tratados são �rmados entre Estados e podem ser bilaterais (dois Estados) ou
multilaterais (vários Estados). Um tratado possui força jurídica vinculante, assim, é chamado de hard law. Os
tratados podem ser globais, quando estabelecidos em organizações de abrangência mundial (por exemplo,
ONU), ou regionais, quando �rmados por países de uma determinada região do mundo ou em uma
organização delimitada geogra�camente (por exemplo, OEA). Os tratados de direito ambiental
frequentemente recebem      a denominação de convenção, porque costumam ser oriundos de conferências
especí�cas para debater temáticas ambientais. Já as declarações, no direito ambiental, não têm força jurídica
vinculante, são chamadas de soft law, ou seja, não são normas impositivas, mas formam os princípios do
direito internacional. Esses são gradativamente reconhecidos nas instâncias internacionais e nacionais.
Portanto, ao estudar o direito ambiental, esses dois tipos de atos são os mais frequentes.
Os tratados em matéria ambiental costumam ter algumas características, como: (i) os países signatários se
submetem às regras comuns; (ii) os países adotam uma cooperação interestatal, por meio de agências
internacionais ou órgãos especí�cos que são criados; (iii) o conteúdo dos tratados depende do estágio atual
do conhecimento cientí�co; (iv) os tratados podem comportar obrigações diferenciadas entre países
(BURSZTYN; BURSZTYN, 2012). Os tratados ambientais são compromissos para enfrentar questões, como
poluição, diversidade biológica, mudança do clima, �orestas, entre outros, que são reveladores de como as
dinâmicas ambientais não respeitam fronteiras de Estados. Exige-se deles a cooperação e a articulação
comum para o enfrentamento dos desa�os ambientais.
Por evidente, esse é um processo complexo, com di�culdades, porque a estrutura do direito internacional foi
construída em observância a um dos pressupostos do Estado moderno, a soberania. E isso signi�ca a
autodeterminação sobre os seus territórios para dispor livremente de suas riquezas e de seus recursos
naturais. Além disso, a autodeterminação está diretamente ligada ao desenvolvimento, que é um argumento
presente entre os países, em especial, os emergentes, marcados pela desigualdade em múltiplas dimensões –
econômica, social, ambiental. A cooperação para lidar com os problemas ambientais deve equacionar esses
desa�os. Isso demonstra a complexidade dos debates nas instâncias internacionais.
A partir da década de 1970, há o franco desenvolvimento do direito internacional do meio ambiente, que
ocorreu com as conferências no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), como veremos a seguir.
A expressão Antropoceno é objeto de questionamentos. O geógrafo norte-americano Jason Moore prefere o
vocábulo Capitoloceno, porque, segundo ele, não é possível atribuir à espécie humana a condição de força
geológica, mas, sim, ao sistema capitalista que, por seu caráter expansionista, é o causador da mudança de
era geológica (MOORE, 2016). Outros usam o termo Ocidentaloceno, porque a responsabilidade pelos
desdobramentos atuais é dos países ricos do norteglobal, e esses não podem ser atribuídos às nações mais
pobres (UNESCO, 2018; COSTA, 2022); ou ainda Tecnoceno, porque as mudanças em curso e suas
consequências foram a partir do desenvolvimento tecnológico e tem o poder de alcançar todas as condições
de vida para as gerações futuras (COSTA, 2021).
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativid… 3/21
Apesar dos questionamentos, a expressão Antropoceno se popularizou e tornou-se não só a designação de
um novo tempo geológico mas também uma metáfora dos novos tempos em curso. Em uma ou em outra
perspectiva, o Antropoceno traz a discussão sobre os limites de um planeta �nito, tanto de espaço quanto de
recursos naturais. Além disso, se sistemas econômicos e sociais continuarem na mesma sistemática,
passaremos de um cenário de crise para uma provável e desa�adora emergência ecológica, afetando a vida
como um todo.
AS CONFERÊNCIAS AMBIENTAIS DA ONU
Entender o processo de constituição das instâncias de governança ambiental internacional passa pela
compreensão das conferências das Nações Unidas sobre a temática. Da primeira conferência em 1972 até os
dias atuais, a ONU promoveu quatro conferências mundiais, que foram decisivas para que assuntos, como
meio ambiente equilibrado, desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, entre outros, assumissem
centralidade na agenda global. 
São elas:
1.  Conferência das Nações Unidades sobre o Meio Ambiente Humano (1972).
2.  Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992).
3.  Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+10 (2002).
Em 1968, a Assembleia-Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução nº 2.398 (XXIII), decidiu pela
realização de uma conferência mundial para discutir as questões ambientais. Dessa forma, ocorreu, de 5 a 16
de junho de 1972, na cidade de Estocolmo, Suécia, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente
Humano, que é considerada um marco do direito ambiental internacional. 
No curso dos trabalhos da Conferência, os países participantes dividiram-se em duas correntes de
interpretação sobre os problemas ambientais (MELO, 2017):   de um lado, os preservacionistas, liderados
pelos países desenvolvidos, que defenderam a mitigação nas intervenções antrópicas sobre o meio
ambiente;   de outro, os desenvolvimentistas, composta pelos países em desenvolvimento, entre os quais o
Brasil, que defendiam a aceitação da poluição e que a preocupação deveria ser com o crescimento
econômico. 
Ao término dos trabalhos foi editada a Declaração de Estocolmo sobre Meio Ambiente Humano, com 26
princípios. O Princípio 1 da Declaração reconhece o meio ambiente com qualidade como direito fundamental:
No quadro de governança internacional, em dezembro de 1972, foi criado o Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente (PNUMA), com sede em Nairóbi, Quênia, responsável por promover a proteção ao meio
ambiente e o uso e�ciente de recursos naturais no contexto do desenvolvimento sustentável. O PNUMA é
uma agência do Sistema das Nações Unidas e a principal autoridade global em meio ambiente (MELO, 2017).
A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), realizada em 1992, na
cidade do Rio de Janeiro, também conhecida como a Cúpula da Terra, representou o momento máximo da
preocupação ambiental global. Foram produzidos      cinco      documentos internacionais: (i) Declaração do Rio
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; (ii) Agenda 21; (iii) Convenção-Quadro sobre Mudanças do Clima; (iv)
Convenção sobre Diversidade Biológica ou da Biodiversidade; (v) Declaração de Princípios sobre Florestas.
Desses, somente a Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima e a Convenção sobre Diversidade Biológica
possuem força jurídica vinculante, obrigatória, denominados no direito internacional de hard law. Os demais
são declarações, destituídas de caráter vinculante, chamadas de soft law. 
A Declaração do Rio é um documento que contém 27 princípios, norteadores do direito ambiental na esfera
internacional e fonte para o desenvolvimento principiológico na legislação ambiental dos países. A Declaração
do Rio traz preceitos fundamentais para o desenvolvimento de uma agenda internacional de proteção ao
meio ambiente, que conjugue compromissos e obrigações para os Estados.
O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de condições
de vida adequadas, em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida
digna, gozar de bem-estar e é portador solene de obrigação de proteger e melhorar o
meio ambiente, para as gerações presentes e futuras.
— (ONU, 1972, p. 2)
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativid… 4/21
No que se refere à Agenda 21, trata-se de um documento programático, com 40 capítulos, em que se
estabelecem diretrizes para a implementação do desenvolvimento sustentável, do espaço global ao local.
Já a Convenção sobre Diversidade Biológica é o mais importante instrumento internacional de proteção da
biodiversidade. Os objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica são: (i) a conservação da diversidade
biológica; (ii) a utilização sustentável de seus componentes; (iii) a repartição justa e equitativa dos benefícios
derivados da utilização dos recursos genéticos, mediante, inclusive, o acesso adequado aos recursos genéticos
e a transferência adequada de tecnologias pertinentes, levando em conta todos os direitos sobre tais recursos
e tecnologias      e mediante �nanciamento adequado (MELO, 2017).
Por �m, a Declaração de Princípios sobre Florestas é um documento sem força jurídica vinculativa. Em seu
conteúdo, ela exprime que os países, em especial os desenvolvidos, devem empreender esforços para
recuperar a Terra por meio de re�orestamento, arborização e conservação �orestal.
Em 2002, a ONU promoveu, em Johanesburgo, África do Sul, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento
Sustentável, também conhecida como Rio+10. Em seus debates, emergiu a necessidade de adoção de
medidas concretas para executar os objetivos da Agenda 21 até então não su�cientemente implementados,
além do enfoque na importância da concretização de políticas públicas para um crescimento com
sustentabilidade. Dois foram os documentos o�ciais da Cúpula Mundial: Declaração Política e Plano de
Implementação.
A Declaração Política, denominada “O Compromisso de Johanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável”,
rea�rma os princípios das duas conferências anteriores e faz uma análise da pobreza e da má distribuição de
renda no mundo. O Plano de Implementação é o documento das metas, assentadas em três objetivos: (i) a
erradicação da pobreza; (ii) a alteração nos padrões insustentáveis de produção e consumo; (iii) a proteção
dos recursos naturais para o desenvolvimento econômico e social. A partir deles, o Plano de Implementação
relaciona as medidas de desenvolvimento sustentável para cada região do planeta.
Em junho de 2012, a cidade do Rio de Janeiro foi palco da Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). A Rio+20 teve dois temas principais: (i) a economia verde no contexto
do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; (ii) a estrutura institucional para o
desenvolvimento sustentável (MELO, 2017). A Rio+20 não teve a mesma representatividade das conferências
anteriores. Os países desenvolvidos, diante da crise econômica global de 2008, optaram por não se
comprometer      com medidas vinculantes ou mesmo metas especí�cas para as diversas temáticas com
pertinência ambiental. O documento �nal da Conferência é denominado “O Futuro que Queremos”, contendo
283 tópicos que,em linhas gerais, relaciona a renovação dos compromissos políticos das      conferências
anteriores (Estocolmo/1972, Rio/1992 e Johanesburgo/2002) e consigna proposições genéricas sobre a
economia verde e o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável (MELO, 2017).
Por �m, em 28 de julho de 2022, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução declarando
que todas as pessoas têm direito a um meio ambiente limpo e saudável (ONU, 2022). Apesar de não ser
vinculante, a resolução é um importante indicativo para a proteção ambiental em todo o planeta.
A INTERFACE INTERNACIONAL E O DIREITO BRASILEIRO
As decisões proclamadas nas conferências das Nações Unidas e nos acordos internacionais têm in�uência
direta na estrutura jurídica e nos órgãos de governança ambiental nacional. Há uma simbiose entre direito
internacional e nacional na proteção ambiental. Isso se dá tanto pela incorporação dos tratados ambientais na
ordem jurídica brasileira quanto pela inspiração na elaboração de diplomas legais na legislação brasileira.
Inicialmente, a aprovação de um tratado pelo Brasil passa por estágios, como a negociação; a assinatura pelo
representante do Estado, no caso do Brasil, o Presidente da República; a aprovação pelas duas casas do
Congresso Nacional – Câmara dos Deputados e Senado Federal; a rati�cação, ato pelo qual o país assume a
obrigação de cumpri-lo no plano internacional. Com essas etapas, o tratado é válido em nível internacional.
Contudo, para concluir a incorporação do tratado, o Presidente da República edita um decreto com a sua
promulgação na ordem jurídica brasileira. Com isso, o Brasil assume uma série de obrigações para a
implementação correspondente, de acordo com as disposições especí�cas de cada convenção. Para
exempli�car, no caso da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima, o Brasil assumiu o compromisso de
reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa, o que implica uma série de medidas e instrumentos para
observar as prescrições da Convenção-Quadro, o que afeta todos os setores do país, como o poder público, a
esfera empresarial e a sociedade civil. O Acordo de Paris, decorrência da Convenção-Quadro, também foi
incorporado à ordem jurídica brasileira. A propósito, o Supremo Tribunal Federal reconheceu recentemente o
Acordo de Paris como um tratado de direitos humanos, ou seja, possui um status especial, de supralegalidade,
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativid… 5/21
estando acima da legislação brasileira, mas abaixo da Constituição (BRASIL, 2022). Isso signi�ca que a
legislação ordinária terá que observar as normas do Acordo de Paris para a redução dos gases de efeito
estufa.
Figura 1 Status dos Tratados de Direitos Humanos
Fonte: elaborado pelo autor.
Outro exemplo de aplicabilidade dessa sistemática é Convenção sobre Diversidade Biológica, que, além de
incorporada internamente, proporcionou a edição do Decreto nº 4.339/2002, com os princípios e as diretrizes
para a implementação da Política Nacional da Biodiversidade. Esses são somente alguns exemplos da
dinâmica de relação entre as esferas nacional e internacional. Portanto, os compromissos no âmbito
internacional têm implicações diretas no direito brasileiro. Ser signatário de um tratado em matéria ambiental
é assumir obrigações perante a comunidade internacional e conferir a sua observância na ordem jurídica
doméstica.
A partir da normatização internacional, temos re�exos na ordem jurídica brasileira, inclusive em nível
constitucional. Até mesmo instrumentos sem força jurídica vinculante, como as declarações, têm in�uência. A
Declaração de Estocolmo, de 1972, inseriu o meio ambiente no rol dos direitos humanos, enquanto o
Relatório Nosso Futuro Comum, de 1987, consignou que o meio ambiente deve ser protegido para as
presentes e futuras gerações. O art. 225 da Constituição de 1988, que é o coração da proteção ambiental em
nível constitucional, dispôs que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito fundamental e que
deve ser protegido para as presentes e futuras gerações (BRASIL, 1988). Essa passagem demonstra a
in�uência das discussões da ONU. Em nível infraconstitucional, o exemplo mais signi�cativo é a Declaração do
Rio de Janeiro, de 1992, que trouxe princípios internacionais de proteção ao meio ambiente, que são
atualmente previstos na legislação brasileira, como os princípios da precaução, poluidor-pagador, participação
comunitária, informação e análogos. No mesmo sentido, a Agenda 21, elaborada em 1992, que apesar de não
ser obrigatória, serviu de parâmetro para muitas iniciativas nos órgãos da Administração Pública brasileira e
no setor empresarial.
Com relação à legislação propriamente dita, o Brasil editou leis a partir das discussões originárias nos
documentos e acordos das organizações supranacionais. Como exemplos, a Lei nº 12.187/2009, que instituiu a
Política Nacional de Mudanças do Clima, e a Lei nº 13.123/2015, que disciplina conteúdo atinente à
biodiversidade e ao patrimônio genético.
No que se refere à estrutura administrativa brasileira, ela é igualmente in�uenciada pelas conferências das
Nações Unidas. Após a realização da Conferência de Estocolmo, o Brasil criou, em 1973, no âmbito do
Ministério do Interior, a Secretaria Especial de Meio Ambiente da Presidência da República, como primeiro
órgão nacional de proteção ao meio ambiente, tendo como secretário o Sr. Paulo Nogueira Neto. Em 1992,
após a Cúpula da Terra (Rio-     92), a Secretaria de Meio Ambiente se transformou no Ministério do Meio
Ambiente e Amazônia Legal, integrando a estrutura diretamente vinculada à Presidência da República (MELO,
2017). Por todos esses elementos, evidencia-se a in�uência do domínio internacional em face da legislação
brasileira.
VÍDEO RESUMO
Nesse vídeo, conheceremos o sistema de proteção internacional ao meio ambiente, a partir do sistema global
das Nações Unidas (ONU). Para tanto, faremos uma abordagem do processo de a�rmação da proteção
ambiental, a partir das conferências da ONU. Por �m, demostraremos a relação entre o direito internacional e
o direito brasileiro. Vamos juntos? Estou te aguardando para essa aula!
Para visualizar o objeto, acesse seu material digital.
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativid… 6/21
 Saiba mais
Nessa aula, estudamos o sistema internacional de proteção ao meio ambiente. Como forma de
aprofundar, uma sugestão é conhecer o site da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) ,
que mantém um banco de dados com as principais convenções internacionais em matéria de meio
ambiente. Trata-se de uma oportunidade de conhecer os documentos e instrumentos globais das
principais temáticas ambientais.
INTRODUÇÃO
Querido aluno, é uma alegria tê-lo conosco em uma aula sobre um tema fundamental para a sua formação
pro�ssional: a sustentabilidade.
Atualmente, não há nenhuma discussão estatal ou empresarial que prescinda da sustentabilidade enquanto
um valor central para as nossas sociedades, em todas as escalas, do global ao local. Por meio da
sustentabilidade, temos o compromisso de compatibilização das atividades econômicas com a proteção ao
meio ambiente.
Assim, conhecer o surgimento, os desa�os e a implementação da sustentabilidade é uma competência
essencial na formação dos pro�ssionais contemporâneos. A sustentabilidade é uma proposição necessária
para uma sociedade ética e socialmente comprometida com o planeta.
Vamos juntos no estudo dessa instigante temática!
A CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
As ocorrências das expressões sustentabilidade e desenvolvimento sustentável encontram-se associadasnos documentos o�ciais, sejam internacionais ou nacionais. Contudo, deve-se apontar que sustentabilidade é
uma expressão mais antiga e com signi�cado singular.  Sustentabilidade é uma palavra de origem latina,
sustentare, e signi�ca sustentar, manter algo. O conceito de sustentabilidade surgiu nas províncias da Saxônia
e da Prússia, nos primórdios da modernidade, nos processos de manejo das �orestas (BOFF, 2016) e se
consolidou na Alemanha do século XIX, dando origem à prática da silvicultura (restauração de �orestas).
Na primeira metade do século XX, a sustentabilidade esteve majoritariamente ligada aos domínios da biologia
e, em especial, da ecologia. Ao longo da segunda metade do século XX, o termo se estende para a
problemática da explosão demográ�ca e da poluição na sociedade global, como alertou o zoólogo Eugene
Odum (2001, p. 812): “chegou o momento de o homem administrar tanto a sua própria população com os
recursos de que depende, dado que pela primeira vez na sua breve história se encontra perante limitações
de�nitivas, e não puramente locais”. Tal estado de coisas se deve à intensidade das intervenções
antropogênicas que afetaram decisivamente “[...] o frágil e complexo equilíbrio entre componentes e
acontecimentos que determinam a organização do ecossistema no Planeta Terra ao longo de milhões de
anos” (ALMEIDA, 2016 , p. 58).
A noção de sustentabilidade, em sentido amplo, é primordialmente a manutenção dos sistemas de suporte à
vida. Portanto, a sustentabilidade é um conceito sistêmico, visto que conjuga saberes interdisciplinares,
especi�camente aqueles de sustentação da vida no planeta e, no caso da vida humana, os processos
econômicos, sociais, culturais e, claro, ambientais.
Aula 2
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Por meio da sustentabilidade, temos o compromisso de compatibilização das atividades econômicas com
a proteção ao meio ambiente.
33 minutos
https://cetesb.sp.gov.br/centroregional/
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativid… 7/21
A partir dos domínios da ecologia, com as suas preocupações com a superpopulação, uso dos recursos
naturais e a poluição e seus resíduos, houve a transposição de suas análises para outros domínios,
notadamente através dos relatórios patrocinados pelo Clube de Roma, grupo de empresários e pensadores
formado no �nal da década de 1960 e que patrocinou uma série de discussões sobre o futuro do planeta. Um
dos estudos foi particularmente importante, o denominado Os limites do crescimento, do ano de 1972,
elaborado por cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT), também conhecido como Relatório
Meadows, por ter sido liderado por Dennis Meadows e Donella Meadows. A principal conclusão desse estudo
cientí�co foi de que:
 Não consta na lista de referências, favor inserir a referência completa.
Contudo, o relatório cientí�co apontou:
Apesar das críticas que recebeu, diante de suas projeções pouco otimistas sobre o futuro da humanidade,
deixando clara a �nitude de recursos naturais em uma sociedade de consumo acelerado, o Relatório
Meadows contribuiu para que as discussões ambientais adentrassem de�nitivamente no tabuleiro global.
A�nal, ele tocou num ponto central para o sistema econômico global: a necessidade de limitações nos
padrões de produção e consumo.
É a partir desse momento que entra em debate uma série de termos e teorias para equacionar as premissas
do crescimento econômico em um mundo �nito, limitado. Por isso, a ideia de crescimento, central para o
pensamento moderno e intensi�cada após o término da Segunda Guerra Mundial, precisará ser sustentada,
razão pela qual se iniciam as formulações teóricas para uma concepção de desenvolvimento, que deverá ser
sustentável. Isto é, um desenvolvimento em que a economia seja sustentada pelo uso racional dos recursos
naturais; o que é preciso reconhecer, trata-se de um dos grandes desa�os da contemporaneidade.
Gradativamente, como veremos, as expressões desenvolvimento e sustentabilidade serão associadas, com
o surgimento da compreensão de desenvolvimento sustentável e de uma multiplicidade de sentidos para a
palavra sustentabilidade.
A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Em 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou a Conferência sobre o Meio Ambiente Humano, em
Estocolmo, Suécia. Nesse período, deu-se o delineamento dos contornos da expressão ecodesenvolvimento
por Maurice Strong – Secretário-Geral dessa Convenção –, cabendo a Ignacy Sachs a popularização do
conceito como um projeto de desenvolvimento socialmente inclusivo, ecologicamente viável e
economicamente sustentado, o qual se converteu com o passar dos anos no conceito de desenvolvimento
sustentável.
A expressão desenvolvimento sustentável apareceu pela primeira vez no ano de 1980 no documento
intitulado Estratégia de Conservação Mundial (World Conservation Strategy), que foi editado pelas
organizações ambientalistas União Internacional para a Conservação da Natureza (IUNC) e World Wildlife Fund
(WWF), a pedido das Nações Unidas (BARBIERI, 2020).
Se se mantiverem as tendências actuais de crescimento da população mundial, da
industrialização, da poluição, da produção de alimentos e de esgotamento de recursos, os
limites de crescimento do nosso planeta serão atingidos nos próximos cem anos. O
resultado mais provável vai ser um declínio súbito e incontrolável da população e da
capacidade produtiva.
— (TAMARES,1983, p. 151)
É possível alterar essas tendências de crescimento e criar condições de estabilidade
ecológica e económica que podem ser mantidas a longo prazo. O estado de equilíbrio
global pode ser concebido de forma a garantir, a cada habitante da Terra, a satisfação das
necessidades materiais básicas e a igualdade de oportunidades por forma que cada
pessoa possa atingir a sua plena realização humana.
— (TAMARES, 1983, p. 151)
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativid… 8/21
Em 1983, a ONU criou a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, cujo longo ciclo de
audiências e debates com líderes políticos e organizações em todo o planeta resultou, em 1987, como
conclusão de suas atividades, no Relatório Nosso Futuro Comum, também conhecido como Relatório
Brundtland, nome dado em homenagem à senhora Gro Harlen Brundtland, a ex-primeira-ministra da
Noruega, que havia presidido os trabalhos (MELO, 2017). Esse documento de�niu os contornos clássicos do
desenvolvimento sustentável, que passou a ser considerado como aquele “[...] que atende às necessidades
das gerações atuais sem comprometer a capacidade de as futuras gerações terem suas próprias necessidades
atendidas” (ONU, 1991). O Relatório Nosso Futuro Comum é um manifesto essencialmente ético, de
conjugação da economia com os propósitos de justiça social e ambiental. A partir de sua elaboração,
expressões como desenvolvimento sustentável e sustentabilidade passam a ser associadas como sinônimos.
Em 1992, a ONU realizou a Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e o conceito
de desenvolvimento sustentável cristalizou-se por meio de um dos seus principais documentos: a Declaração
do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, cujas principais proposições seguem :
A Declaração do Rio Janeiro pretendeu, através de suas proposições, conciliar os pleitos do mercado
capitalista com as carências dos países em desenvolvimento e pobres, o que terminou por elencar princípios
contraditórios. De qualquer forma, por meio de uma declaração �exível – soft law –, foi possível articular o
desenvolvimento sustentável em escalas e esferas, do global ao local, dos mercadosà sociedade civil, apesar
de tal abrangência se reduzir ao plano discursivo.
Outro documento representativo dessas conjugações foi igualmente editado ao término dos trabalhos da Rio-
92, a ambiciosa Agenda 21. Trata-se de um documento programático, com 40 capítulos, com as diretrizes para
a implementação do desenvolvimento sustentável em todas as escalas, do global ao local, para o século XXI
(MELO, 2017). Apesar de festejada em sua edição, a Agenda 21 foi perdendo força com os passar dos anos.
A interpretação sobre desenvolvimento sustentável foi consolidada com a Cúpula Mundial sobre
Desenvolvimento Sustentável (Rio+10), realizada em Johannesburgo, África do Sul, em 2002. A conferência
admitiu as limitações e as di�culdades na implementação da Agenda 21, mas rea�rmou o signi�cado de
desenvolvimento sustentável da Rio-92. A Declaração de Johannesburgo sobre o Desenvolvimento Sustentável
defendeu o capitalismo verde, diante da globalização e que “[...] a rápida integração de mercados, a
mobilidade do capital e os signi�cativos aumentos nos �uxos de investimento mundo afora trouxeram novos
desa�os e oportunidades para a busca do desenvolvimento sustentável” (MELO, 2017, p. 29). Contudo, “[...] os
benefícios e custos da globalização são distribuídos desigualmente, e os países em desenvolvimento
enfrentam especiais di�culdades para encarar esse desa�o” (MELO, 2017, p. 29).
Da edição do Relatório Brundtland, passando pela Agenda 21 até chegar aos dias atuais, a esfera internacional
reforçou o aspecto de multiplicidade de signi�cados de desenvolvimento sustentável e da expressão
sustentabilidade, que, inclusive, foi apropriada por adjetivações, tais como sustentabilidade ambiental,
Os seres humanos estão no centro das preocupações com o desenvolvimento sustentável.
Têm direito a uma vida saudável e produtiva, em harmonia com a natureza (princípio 01). 
O direito ao desenvolvimento deve ser exercido de modo a permitir que sejam atendidas
equitativamente as necessidades de desenvolvimento e de meio ambiente das gerações
presentes e futuras (princípio 03). 
Para alcançar o desenvolvimento sustentável, a proteção ambiental constituirá parte
integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente
deste (princípio 04). 
Para todos os Estados e todos os indivíduos, como requisito indispensável para o
desenvolvimento sustentável, irão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza, a
�m de reduzir as disparidades de padrões de vida e melhor atender às necessidades da
maioria da população do mundo (princípio 05). 
Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma qualidade de vida mais elevada para
todos, os Estados devem reduzir e eliminar os padrões insustentáveis de produção e
consumo, e promover políticas demográ�cas adequadas (princípio 08). 
— (ONU, 1992, [s. p.])
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativid… 9/21
econômica, social, cultural e tantas outras digressões. Apesar dessas perspectivas, as expressões
desenvolvimento sustentável e sustentabilidade conjugam a abordagem preferencial dos documentos o�ciais
e diplomas legais.
SUSTENTABILIDADE NO ÂMBITO ESTATAL E CORPORATIVO
O desenvolvimento sustentável é um princípio no direito brasileiro. A Constituição de 1988, em seu art. 170,
disciplina que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho e na livre-iniciativa e visa assegurar
uma existência digna para todos conforme os ditames da justiça social, com a observância, entre outros, dos
princípios da função social da propriedade e da defesa do meio ambiente (BRASIL, 1988). Por função social
entende-se que o exercício do direito de propriedade impõe o respeito pelas normas ambientais (MELO,
2017). A defesa do meio ambiente nas atividades econômicas ocorre igualmente por meio do tratamento
diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e
prestação (BRASIL, 1988).
Na ordem constitucional brasileira, o desenvolvimento sustentável encontra-se na conjugação do art. 170 –
ordem econômica – com o art. 225 – proteção ao meio ambiente –, ambos da Constituição Federal (MELO,
2017). Apesar disso, há uma constante tensão na implementação das atividades econômicas com as normas
jurídicas de proteção ambiental. Daí surge a indagação: em caso de confronto entre uma atividade econômica
e a proteção ao meio ambiente, qual é a interpretação que deverá prevalecer? Embora sejamos uma
economia de livre mercado, nenhuma atividade pode ser exercida em desconformidade com a proteção ao
meio ambiente. A�nal, só é possível uma existência com dignidade se as pessoas possam viver em um meio
ambiente ecologicamente equilibrado, sem poluição, com salubridade. E se não temos o ambiente saudável,
como falar em saúde e qualidade de vida? Apesar dessas a�rmações serem reconhecidas por todos, sabemos
que a questão é bem mais complexa. Por isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a disciplinar a
matéria, decidindo que é necessária a compatibilização entre atividades econômicas e proteção ao meio
ambiente. Contudo, consignou que as atividades econômicas não podem ser exercidas em desarmonia com
os princípios destinados a tornar efetiva a proteção ao meio ambiente (MELO, 2017). Nos termos da Ação
Direta de Inconstitucionalidade 3.540, “[...] a atividade econômica não pode ser exercida em desarmonia com
os princípios destinados a tornar efetiva a proteção ao meio ambiente”. E conclui que: “A incolumidade do
meio ambiente não pode ser comprometida por interesses empresariais nem �car dependente de motivações
de índole meramente econômica [...]” (BRASIL, 2005, [s. p.]).
Portanto, é necessário sempre buscar a compatibilização entre atividades econômicas e proteção ao meio
ambiente; na impossibilidade, é preciso atentar para as questões ambientais. E isso porque a preocupação
somente na dimensão econômica tem ocasionado os danos e desastres ambientais que são constantemente
relatados nos meios de comunicação, em que pessoas, populações ou cidades são afetadas. A�nal, ao se
privilegiar somente os argumentos econômicos, continuamos somente como crescimento econômico, e a
sustentabilidade torna-se meramente retórica, sem qualquer efetividade.
Em meados da década de 1990, o britânico John Elkington propõe o termo Triple Bottom Line (TBL), no âmbito
corporativo norte-americano, o qual �ca conhecido no Brasil como o tripé da sustentabilidade, conjugando as
dimensões econômica, social e ambiental. Esse conceito possui como elementos constitutivos os três Ps da
sustentabilidade (people, planet, pro�t; ou em português, pessoas, planeta e lucro). Em suma, as empresas
devem buscar o lucro corporativo, mas com responsabilidade social em suas operações, que devem estar
alinhadas no compromisso ambiental com o planeta (MELO, 2017). O TBL é utilizado atualmente como um dos
indicadores de mensuração da sustentabilidade para governos, setor empresarial e organizações sem �ns
lucrativos.
O tripé da sustentabilidade associa os aspectos econômicos, sociais e ambientais. Por sustentabilidade
econômica, o uso racional e e�ciente dos recursos naturais, com o uso de tecnologias que diminuam os
impactos ambientais e as externalidades negativas. A sustentabilidade social envolve uma distribuição de
renda justa, de modo a reduzir as desigualdades e promover os valores de uma sociedade inclusiva. Por
sustentabilidade ambiental, respeitar e proteger os ciclos de regulação dos processos ecológicos essenciais,
de modo a garantir recursos para as presentes e futuras gerações, em uma concepção que as variáveis
ambientais sejam integradas aos ciclos econômicos.
No âmbito governamental, um exemplo de aplicação do tripé da sustentabilidade é a Agenda Ambiental na
Administração Pública (A3P), que articula a promoçãoda sustentabilidade nas entidades da Administração
Pública Direta e Indireta em nível federal, estadual e municipal, nos três poderes: Executivo, Legislativo e
Judiciário. Apesar da adesão ser voluntária, a A3P é um relevante programa de práticas governamentais
sustentáveis.
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativi… 10/21
Uma outra leitura de sustentabilidade procura dividi-la em duas abordagens: sustentabilidade fraca e
sustentabilidade forte (BURSZTYN; BURSZTYN, 2012). A sustentabilidade fraca é aquela que se baseia na
economia clássica, em que o capital natural pode ser substituído pelo capital produzido e que, por
consequência, não há limites para o crescimento econômico. Nesse pensamento, é possível adotar soluções
tecnológicas para solucionar os problemas ambientais. Já a sustentabilidade forte assenta-se na economia
ecológica, isto é, a ausência do capital natural impõe limites para o crescimento econômico. Essa
compreensão tem como fundamento a preservação dos componentes ecológicos, de forma que será preciso
conter os fatores de pressão, ou seja, limites para uma economia de crescimento contínuo. Em qualquer
dessas perspectivas, é importante compreender a importância que a sustentabilidade assume na
contemporaneidade, como elemento essencial para as nossas sociedades.
VÍDEO RESUMO
Nesse vídeo, quero convidá-lo para conhecer as principais discussões sobre a sustentabilidade, um valor
fundamental em nossas sociedades. Faremos uma abordagem do processo de a�rmação do desenvolvimento
sustentável e das principais interpretações sobre a sustentabilidade, no âmbito público e empresarial. Trata-
se de um tema que estará muito presente no seu dia a dia. Vamos juntos? Estou te aguardando para essa
aula!
 Saiba mais
Nessa aula, estudamos o surgimento e o contexto da sustentabilidade no mundo contemporâneo. Essa
será uma temática constante em sua vida pro�ssional. Como aprofundamento, sugerimos o artigo
Desenvolvimento Sustentável: a evolução teórica, o abismo com a prática e o princípio de
responsabilidade, de autoria de Isabella Pearce de Carvalho Monteiro, que está disponível em:
https://sou.undb.edu.br/public/publicacoes/revceds_n_2_desenvolvimento_sustentavel_a_evolucao_teoric
a_o_abismo_com_a_pratica_e_o_principio_de_responsabilidade_isabella_pearce_monteiro.pdf
A autora faz uma abordagem histórica do desenvolvimento sustentável para, ao �nal, defender a
importância em nossas sociedades.
Para visualizar o objeto, acesse seu material digital.
INTRODUÇÃO
Querido aluno, você sabe o que são políticas públicas? Qual é a importância delas em nossa sociedade? E
como as políticas públicas ambientais dialogam com as atividades econômicas? 
Esta é a temática da nossa aula: as políticas públicas ambientais. Estudaremos a Política Nacional do Meio
Ambiente, que é o diploma legal estruturante das políticas e da governança ambiental no Brasil. Você
conhecerá o Sistema Nacional do Meio Ambiente, com os órgãos em nível federal, estadual e municipal
responsáveis pela promoção e proteção ao meio ambiente. Além disso, faremos uma abordagem de dois dos
principais instrumentos da Política Nacional que regulamentam as atividades econômicas: a avaliação de
impactos ambientais e o licenciamento ambiental.
Venha conosco conhecer os principais fundamentos da estrutura normativa e de governança ambiental no
nosso país. 
Aula 3
POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS
Esta é a temática da nossa aula: as políticas públicas ambientais. Estudaremos a Política Nacional do
Meio Ambiente, que é o diploma legal estruturante das políticas e da governança ambiental no Brasil.
32 minutos
https://sou.undb.edu.br/public/publicacoes/revceds_n_2_desenvolvimento_sustentavel_a_evolucao_teorica_o_abismo_com_a_pratica_e_o_principio_de_responsabilidade_isabella_pearce_monteiro.pdf
https://sou.undb.edu.br/public/publicacoes/revceds_n_2_desenvolvimento_sustentavel_a_evolucao_teorica_o_abismo_com_a_pratica_e_o_principio_de_responsabilidade_isabella_pearce_monteiro.pdf
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativid… 11/21
O CONCEITO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
O que é uma política pública? Quando ela deve ser elaborada? Quem participa da sua elaboração? Qual o
conteúdo de uma política pública? Essas são perguntas necessárias para a compreensão da importância das
políticas públicas de responsabilidade social e ambiental. São múltiplas as interpretações para essas
indagações, mas vamos nos ater às respostas que dialogam com a nossa atuação pro�ssional.
Quando um problema público é identi�cado, surge a necessidade de ofertar respostas e alternativas para
resolvê-lo. Situações socialmente sensíveis exigem do poder público uma diretriz. Essa diretriz é o que
chamamos de políticas públicas (SECCHI; COELHO; PIRES, 2019), isto é, o mecanismo de atuação estatal para a
resolução de problemas públicos. Portanto, esses, socialmente reconhecidos por atores estatais e não
estatais, entram na agenda de discussões do poder público e, como tal, exigem a formulação de políticas
públicas para as mudanças possíveis e pretendidas.
Figura 1 | A formação da política pública
Fonte: elaborada pelo autor.
A pergunta seguinte é: a quem cabe a elaboração de políticas públicas? Há duas interpretações para essa
indagação (SECCHI; COELHO; PIRES, 2019). De um lado, há os que defendem a centralidade dos atores estatais
na elaboração dessas – por exemplo, agentes políticos e técnicos dos poderes Executivo e Legislativo –, pela
legitimidade e pela capacidade de alocar recursos �nanceiros para equacionar os problemas públicos. Do
outro lado, há os que advogam uma compreensão multicêntrica, de que a elaboração das políticas públicas é
uma conjugação da atuação de atores estatais com os atores não estatais, como empresas, sindicatos,
organizações religiosas, organizações não governamentais etc. No caso brasileiro, as dinâmicas das políticas
públicas estão diretamente ligadas ao Estado pela sua centralidade e intervencionismo histórico. Isto é: o
Estado brasileiro é o responsável pela elaboração de políticas públicas. Mas o fato de ser o responsável não
impede a participação dos grupos de interesse, como o setor empresarial e a sociedade civil.
É importante destacar que o Brasil é uma Federação, em que o Estado divide suas atribuições com
competências atribuídas aos seus entes federativos União, estados-membros, Distrito Federal e municípios.
Assim, políticas públicas são formuladas em termos espaciais ou territoriais, isto é, aquelas que interessam a
todo o país são políticas nacionais, como é o caso do meio ambiente, da educação, da saúde e de outras
áreas. Em articulação com as políticas nacionais, as políticas estaduais e municipais são estabelecidas
atendendo às especi�cidades e singularidades de cada recorte territorial.
Mas, qual o conteúdo de uma política pública? Como já mencionamos, uma política pública parte de um
problema público, uma situação que a sociedade exige um conjunto de ações para a resolução do problema.
A política pública abrange o reconhecimento do problema e o nível de mudança pretendido, ou seja, as
transformações desejadas. É nesse ponto que temos o conteúdo de uma política pública. Essa é composta de
princípios, objetivos e instrumentos para a sua concretização. Os princípios são os elementos estruturantes
que balizarão a política pública; é por meio deles que são de�nidas as estratégias. Quanto aos objetivos, eles
articulam as mudanças pretendidas, os estágios de implementação de uma política pública e, por vezes, o
tempo necessário. Já os instrumentos são as ações, os meios e os mecanismos que permitem que a políticapública alcance os seus objetivos.
Uma outra forma de compreender as políticas públicas é por meio dos níveis operacionais. Nesse sentido,
temos três níveis: plano, programa e projetos. No plano, temos os princípios, objetivos e instrumentos, como
já estudamos no parágrafo anterior. O plano deve ser aplicado por meio de programas, que são os recortes
ou desdobramentos dele. Para exempli�car, os programas podem ser aplicados no âmbito dos estados ou
dos municípios e podem ser divididos em projetos, que são a menor unidade de planejamento ou de ação.
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativi… 12/21
Portanto, políticas públicas possuem níveis operacionais na articulação e operacionalização por meio de um
plano, que é um nível estruturante e de longo prazo; com os programas, em um nível intermediário e de
médio prazo; com os projetos, de curto prazo e em um nível operacional (SECCHI; COELHO; PIRES, 2019). A
imagem a seguir expõe os níveis operacionais de uma política pública.
Figura 2 | Níveis operacionais da política pública
Fonte: elaborado pelo autor.
Pois bem, feitas essas considerações, estudaremos agora as políticas públicas em matéria ambiental.
POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS
Uma política pública ambiental é uma diretriz de planejamento e intervenção estatal, com a participação do
setor produtivo e dos atores não governamentais, para a proteção do meio ambiente. Uma política pública
ambiental condiciona e disciplina as atividades econômicas e sociais em compatibilização com a proteção
ambiental.
No Brasil, as políticas públicas ambientais existem desde a década de 1930, com a aprovação do Código
Florestal de 1934, do Código de Águas de 1934 e outros diplomas legais (BURSZTYN; BURSZTYN, 2012). Na
década de 1970, teve início a estruturação dos órgãos administrativos de proteção ao meio ambiente, mas de
forma fragmentada. Esse quadro mudaria na década seguinte.
A efetiva concepção de proteção ao meio ambiente ocorreu somente em 1981, quando foi editada a Lei da
Política Nacional do Meio Ambiente, instituída pela Lei nº 6.938. Essa é a lei estruturante da proteção
ambiental brasileira e traz os princípios, objetivos e instrumentos para uma política ambiental para o Brasil.
Em primeiro plano, é preciso mencionar a importância dos princípios, uma vez que toda política ambiental
ocorre pela observância deles. No contexto das nossas discussões, dois merecem destaque: o princípio da
prevenção e o princípio da precaução. O princípio da prevenção signi�ca agir antecipadamente para evitar os
possíveis danos ambientais, que costumam ser irreversíveis. Assim, as políticas ambientais são formuladas de
forma a prevenir os impactos ambientais negativos. Por meio do princípio da precaução, deve-se observar
que, em situações que predominem a incerteza cientí�ca, com a ausência de pesquisas e estudos cientí�cos
sobre as possíveis consequências de atividades econômicas sobre a saúde das pessoas e o meio ambiente,
não se façam as intervenções pretendidas. Esses dois princípios são balizadores das políticas públicas no
Brasil.
A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) estabeleceu como objetivo geral “[...] a preservação, melhoria e
recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao
desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida
humana [...]” (BRASIL, 1981, [s. p.]). Nota-se que a PNMA conjuga o desenvolvimento das atividades sociais e
econômicas com a proteção ambiental, de forma a assegurar a dignidade humana.
O art. 4º da Lei nº 6.938 (BRASIL, 1981) elenca os seus objetivos especí�cos. Destacaremos os três mais
relevantes para a nossa discussão. O primeiro deles é a “[...] compatibilização do desenvolvimento econômico-
social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico” (BRASIL, 1981, [s. p.]). Esse
objetivo é o que chamamos atualmente de desenvolvimento sustentável, ou seja, compatibilizar as atividades
econômicas com a proteção ao meio ambiente. O segundo objetivo é o “[...] estabelecimento de critérios e
padrões da qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais” (BRASIL,
1981, [s. p.]). Cabe ao poder público estabelecer padrões de qualidade ambiental para o ar, os recursos
hídricos e o solo. O terceiro objetivo é a “[...] imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar
e/ou indenizar os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com
�ns econômicos” (BRASIL, 1981, [s. p.]). Esse último objetivo articula dois aspectos que convergem para o
conteúdo de princípios ambientais. O primeiro é o princípio do poluidor-pagador, que estabelece a obrigação
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativi… 13/21
do poluidor de reparar os danos causados ao meio ambiente. O segundo é o princípio do usuário-pagador,
que impõe o pagamento pelo uso de recursos ambientais com �ns econômicos, como no caso da cobrança
pelo uso de recursos hídricos. Por exemplo, uma empresa ou uma atividade agropecuária que faça a captação
de água em um rio – em níveis que afetem a qualidade ou a quantidade desse curso d’água – deve pagar por
esse uso.
Outro ponto fundamental da Lei nº 6.938/1981 foi a criação do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama),
que é o conjunto de órgãos da União, estados, Distrito Federal, municípios e suas respectivas administrações
indiretas, responsáveis pela proteção, pelo controle, pelo monitoramento e pela melhoria da qualidade e da
política ambiental no país. Trata-se da estrutura responsável pela administração ambiental no Brasil. O
Sisnama é regulamentado pelo Decreto nº 99.274/1990 (BRASIL, 1990) e estrutura-se em seis recortes
fundamentais:
1. Órgão superior: o Conselho de Governo, com a �nalidade de assessor o Presidente da República nas
questões ambientais.
2. Órgão consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), com a função de
assessor o Conselho de Governo e, especialmente, de deliberar sobre normas e padrões compatíveis com o
meio ambiente.
3. Órgão central: o Ministério do Meio Ambiente, com a �nalidade de coordenar a política nacional e as
diretrizes para a proteção ambiental.
4. Órgão executor: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que são autarquias federais responsáveis por
executar e fazer executar as diretrizes governamentais para o meio ambiente.
5. Órgãos seccionais: os órgãos ou as entidades estaduais responsáveis pela execução de programas,
projetos e pelo controle e �scalização de atividades capazes de provocar a degradação ambiental.
6. Órgãos locais: os órgãos ou as entidades municipais responsáveis pelo controle e pela �scalização dessas
atividades nas suas respectivas jurisdições.
Por �m, é preciso evidenciar que a partir da PNMA surgiram outras políticas públicas em áreas especí�cas em
matéria ambiental, como a Política Nacional de Recursos Hídricos; a Política Nacional de Resíduos Sólidos; a
Política Nacional de Biodiversidade; a Política Nacional Educação Ambiental; a Política Nacional de Mudança
do Clima e outras. O fato de termos políticas em nível nacional mostra a preocupação da articulação entre a
União, os estados, o Distrito Federal e os municípios.
POLÍTICAS PÚBLICAS E A REGULAÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS
As políticas públicas ambientais possuem uma interface imediata com as atividades econômicas,
especi�camente por meio de programas e procedimentos para disciplinar e condicionarempreendimentos e
atividades potencialmente poluidores ou causadores de degradação. No caso da Política Nacional do Meio
Ambiente, dois de seus instrumentos, previstos em seu art. 9º (BRASIL, 1981), são fundamentais para a
regulação das atividades econômicas: a avaliação de impactos ambientais e o licenciamento ambiental.
A avaliação de impactos ambientais é um instrumento de gestão ambiental que dispõe sobre a
obrigatoriedade de estudos sobre os impactos ambientais de atividades e empreendimentos potencialmente
causadores de poluição ou degradação ambiental. A avaliação de impactos ambientais é a análise técnica
sobre os possíveis impactos, que se dá por meio dos estudos ambientais. Um exemplo é o Estudo Prévio de
Impacto Ambiental, conhecido pela sigla Eia/Rima, com previsão constitucional e obrigatório para as
atividades e empreendimentos potencialmente causadores de signi�cativa degradação do meio ambiente
(BRASIL, 1988 ). Note que o Eia/Rima não é para todos os empreendimentos; o pressuposto é que a obra ou
atividade seja potencialmente causadora de signi�cativa degradação do meio ambiente, como é o caso de
rodovias, ferrovias, atividades de mineração e outras (CONAMA, 1986). O Eia/Rima é um estudo público,
complexo, elaborado pelo empreendedor, que será analisado pelo órgão ambiental competente. Agora,
quando o empreendimento não for causador de signi�cativa degradação ambiental, os estudos ambientais
serão simpli�cados, como é o caso do Relatório Ambiental Preliminar (RAP), aplicável para obras e atividades
poluidoras e degradadoras, mas não de forma signi�cativa.
A avaliação de impactos ambientais está diretamente ligada a outro importante instrumento da PNMA: o
licenciamento ambiental. Isso porque, no curso de um licenciamento ambiental, teremos a necessidade de
elaboração de estudos ambientais por parte dos empreendedores. O licenciamento ambiental, segundo Melo
(2017, p. 221), é um procedimento administrativo com a “[...] �nalidade de avaliar os possíveis impactos e
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativi… 14/21
riscos de uma atividade ou empreendimento potencialmente causador de degradação ambiental ou poluição”.
Esse instrumento é uma manifestação do princípio da prevenção, ou seja, tem como objetivo antecipar e
mitigar os impactos negativos de uma empresa ou atividade potencialmente causadora de poluição ou
degradação ambiental. Enquanto procedimento, o licenciamento ambiental passa por etapas, em que o
empreendedor deverá observar as prescrições do órgão ambiental para a obtenção das licenças ambientais
do seu negócio. No licenciamento ambiental trifásico, que é o mais completo, é necessária a obtenção de três
licenças ambientais. São elas (MELO, 2017): (i) licença prévia, obtida com a aprovação do projeto e de sua
localização; (ii) licença de instalação, em que o projeto é implementado e ganha materialidade; (iii) licença de
operação, que permite o funcionamento da empresa. Caso o empreendimento seja potencialmente causador
de signi�cativa degradação do meio ambiente, o empreendedor deverá elaborar o Eia/Rima, cuja aprovação
pelo órgão ambiental enseja a concessão da licença prévia, prosseguindo, depois, com as demais etapas. A
propósito, nos casos de exigência de Eia/Rima, será possível a realização de audiência pública, na garantia do
princípio da participação comunitária. Podem requerer a audiência pública o próprio órgão ambiental
licenciador, o Ministério Público, uma entidade da sociedade civil ou cinquenta ou mais cidadãos (CONAMA,
1987).
O licenciamento ambiental pode ser realizado por qualquer ente federativo – União, estados-membros,
Distrito Federal e municípios –, desde que tenha órgão ambiental capacitado e conselho de meio ambiente.
Para exempli�car, no âmbito federal temos o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (IBAMA) – órgão ambiental – e o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). Esses dois
requisitos são obrigatórios para que um ente federativo proceda ao licenciamento ambiental. A divisão de
atribuições entre os entes federativos encontra-se na Lei Complementar nº 140/2011, que divide as ações
administrativas entre os entes federativos.
Em uma síntese, a União licenciará os empreendimentos localizados e desenvolvidos (i) no Brasil e em país
limítrofe; (ii) no mar territorial, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva; (iii) em terras
indígenas; (iv) em unidades de conservação instituídas pela União, exceto em Áreas de Proteção Ambiental
(APAs); (v) em dois ou mais Estados; (vi) de caráter militar; (vii) destinados a material radioativo, em qualquer
estágio, ou que utilizem energia nuclear, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN);
entre outras atribuições (BRASIL, 2011). Os estados-membros promoverão o licenciamento de atividades ou
empreendimentos efetivos ou potencialmente poluidores ou capazes de causar degradação, ressalvada as
atribuições dos demais entes; ou de atividades ou empreendimentos em unidades de conservação instituídas
pelo Estado, exceto em APAs (BRASIL, 2011). Por �m, os municípios licenciarão os empreendimentos que
causem ou possam causar impacto ambiental de âmbito local, ou em unidades de conservação instituídas
pelo município, exceto em APAs (BRASIL, 2011).
O licenciamento ambiental é, portanto, um instrumento de grande centralidade para as atividades
econômicas em nosso país.
Não consta na lista de referências, favor inserir a referência completa.
VÍDEO RESUMO
Nesse vídeo, estudaremos as políticas públicas ambientais. Qual a importância delas e como se relacionam
com as suas atividades pro�ssionais? É o que responderemos! Para isso, faremos uma leitura da Política
Nacional do Meio Ambiente e do Sistema Nacional do Meio Ambiente. Ao �nal, o estudo de um importante
instrumento: o licenciamento ambiental. Vamos juntos? Estou te aguardando para essa aula!
 Saiba mais
Um dos principais instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente para compatibilizar as atividades
econômicas com a proteção ao meio ambiente é o licenciamento ambiental. É importante para o
pro�ssional das áreas pública e corporativa conhecer os fundamentos e procedimentos do licenciamento
ambiental. Por isso, a dica é baixar a Cartilha do Licenciamento Ambiental, do Tribunal de Contas da
União (TCU).
Com ela, você conhecerá a leitura sobre o licenciamento ambiental pelo principal órgão de �scalização
das contas públicas do Brasil.
Para visualizar o objeto, acesse seu material digital.
https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/cartilha-de-licenciamento-ambiental-2-edicao.htm
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativi… 15/21
INTRODUÇÃO
Querido aluno, nessa aula, estudaremos um dos temas mais importantes para a sua formação acadêmica e
pro�ssional: a responsabilidade em matéria ambiental.
Apesar do sistema jurídico ambiental pautar-se na prevenção das condutas consideradas lesivas ao meio
ambiente, sabemos que mesmo assim elas ocorrem, em especial, os danos ambientais. E é nesse momento
que surge a discussão da nossa aula. A�nal, será preciso responsabilizar as pessoas físicas e jurídicas que
violam as normas jurídicas de proteção ao meio ambiente. 
Assim, você conhecerá os principais fundamentos da responsabilidade civil, penal e administrativa em matéria
ambiental, com a leitura dos tribunais superiores sobre os principais pontos dessa aula. 
Tenho certeza de que você vai gostar desse conteúdo! 
DANO AMBIENTAL
O arcabouço jurídico de proteção ao meio ambiente tem como objetivo a prevenção aos impactos ambientais
que causem poluição oudegradação, notadamente em casos de dano ambiental. Com a ocorrência de um
dano ambiental, adentra-se nas discussões sobre a responsabilidade em matéria ambiental (MELO, 2017).
Em que pese a sua importância, o ordenamento jurídico brasileiro não confere uma de�nição de dano
ambiental. Por essa razão, a sua compreensão passa por elementos doutrinários e pela interpretação dos
tribunais superiores, especialmente o Superior Tribunal de Justiça (MELO, 2017). Antes de adentrar nos
aspectos doutrinários e jurisprudenciais, é importante conhecer dois conceitos legais e que estão associados
ao entendimento do dano ambiental. São eles: degradação da qualidade ambiental e poluição.
Considera-se degradação da qualidade ambiental a “[...] alteração adversa das características do meio
ambiente”, conforme o art. 3º, II, da Lei nº 6.938/1981 (BRASIL, 1981, [s. p.]). A degradação da qualidade
ambiental ocorre tanto pela ação antrópica (humana) quanto por um evento natural, como um abalo sísmico
ou uma erupção vulcânica. 
Já o conceito de poluição possui amparo legal no art. 3º, III, da Lei nº 6.938/1981, considerada
A poluição é a degradação da qualidade ambiental provocada por uma atividade antropogênica, isto é,
promovida pelo homem. A poluição é sempre negativa, e no ordenamento jurídico brasileiro é um ilícito penal,
conforme o art. 54 da Lei nº 9.605/1998 (BRASIL, 1998), e administrativo, ao teor do art. 61 do Decreto nº
6.514/2008 (BRASIL, 2008).
Quanto ao dano ambiental, Benjamin (2011, p. 132) vai de�ni-lo “[...] como a alteração, deterioração ou
destruição, parcial ou total, de qualquer dos recursos naturais, afetando adversamente o homem e/ou a
natureza”. 
[...] a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou
indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem
condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a
biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem
matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.
— (BRASIL, 1981, [s. p.])
Aula 4
RESPONSABILIDADE EM MATÉRIA AMBIENTAL 
Estudaremos um dos temas mais importantes para a sua formação acadêmica e pro�ssional: a
responsabilidade em matéria ambiental.
37 minutos
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativi… 16/21
Leite e Ayala (2010, p. 102), após análise da legislação brasileira, apresentam o seguinte conceito: 
Por essa leitura, o dano ambiental pode atingir o macrobem ambiental, esse que é o meio ambiente em uma
visão global e integrada, como bem de uso comum do povo, e os microbens, que são a parte corpórea do
meio ambiente (fauna, �ora etc.). Ademais, o dano ambiental pode afetar interesses individualizáveis,
patrimoniais ou extrapatrimoniais. 
De comum entre esses conceitos é a caracterização, em regra, da dupla face do dano ambiental, afetando a
natureza e o homem. O dano ambiental possui “[...] feição multifacetária, com implicações no macrobem
ambiental, nos microbens ambientais (�orestas, rios, fauna etc.), no patrimônio material e moral de pessoas e
da coletividade” (MELO, 2017, [s.p.]).
Nesse sentido, diante das várias dimensões jurídicas, apresentaremos duas das principais classi�cações
doutrinárias e jurisprudenciais sobre o dano ambiental: quanto à extensão do bem protegido e quanto à
extensão do dano ambiental (LEITE; AYALA, 2010).
Figura 1 | Classi�cação de dano ambiental
Fonte: elaborada pelo autor.
Quanto à extensão do bem protegido, é possível con�gurar como: (i) dano ambiental lato sensu; (ii) dano
individual, re�exo ou em ricochete.
Compreende-se como “[...] dano ambiental lato sensu (em sentido amplo) o que afeta os interesses difusos da
coletividade e, como tal, todos os componentes do meio ambiente (meio ambiente natural, cultural, arti�cial)”
(MELO, 2017, p. 374).
Dano ambiental individual, re�exo ou em ricochete é “[...] o dano individual, que afeta interesses próprios, e
somente de forma indireta ou re�exa protege o bem ambiental” (MELO, 2017, p. 374). Para exempli�car, as
lesões à saúde, ao patrimônio e à atividade econômica de uma ou de um grupo de pessoas.
Quanto à extensão do dano, a divisão em: (i) dano patrimonial; (ii) dano extrapatrimonial. Dano ambiental
patrimonial “[...] é o que diz respeito à perda material do bem atingido. É o dano físico, material” (MELO, 2017,
p. 375). Quanto ao dano extrapatrimonial ou moral ambiental, é aquele que ofende valores imateriais,
reduzindo o bem-estar, a qualidade de vida do indivíduo ou da coletividade ou atingindo o valor intrínseco do
bem. O dano extrapatrimonial pode ser dividido em individual e coletivo. O dano moral ambiental individual é
aquele que acarreta dor ou sofrimento psíquico para uma pessoa, como no caso de um pescador impedido de
exercer sua atividade econômica por causa de um dano ambiental. O dano moral ambiental coletivo, por sua
vez, se dá pelo prejuízo à imagem e moral coletiva dos indivíduos. Com esses apontamentos, �ca evidenciado
o caráter multifacetário do dano ambiental no ordenamento jurídico brasileiro.
RESPONSABILIDADE AMBIENTAL
Entende-se por responsabilidade a obrigação de responder pela ação ou omissão que seja lesiva a uma
pessoa, patrimônio ou em face de uma obrigação legal. Na esfera ambiental, a responsabilidade surge com a
conduta considerada lesiva ao meio ambiente. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 disciplina a
Dano ambiental deve ser compreendido como toda lesão intolerável causada por qualquer
ação humana (culposa ou não) ao meio ambiente, diretamente, como macrobem de
interesse da coletividade, em uma concepção totalizante, e, indiretamente, a terceiros,
tendo em vista interesses próprios e individualizáveis e que re�etem no macrobem.
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativi… 17/21
responsabilidade em matéria ambiental nos seguintes termos: “as condutas e atividades consideradas lesivas
ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,
independentemente da obrigação de reparar os danos causados” (BRASIL, 1988, [s. p.]). Essa norma
estabelece a tríplice responsabilidade em matéria ambiental: civil, penal e administrativa. Cada uma delas
dispõe de um regime jurídico próprio que, apesar de disciplinarem a aplicação de sanções aos responsáveis, a
preocupação central está em reparar os danos causados ao meio ambiente.
Figura 2 | Natureza jurídica da responsabilidade ambiental
Fonte: elaborada pelo autor.
A responsabilidade penal ambiental é disciplinada pela Lei nº 9.605/1998, também conhecida como Lei de
Crimes Ambientais. No caso de cometimento de um crime ambiental, conforme os tipos penais, teremos a
imputação da pessoa física ou jurídica. Essa responsabilidade é sempre subjetiva, com a necessidade de
comprovação da culpabilidade – dolo ou culpa – do autor do crime. Uma das novidades da Lei nº 9.605/1998
foi instituir a responsabilidade penal da pessoa jurídica, “[...] nos casos em que a infração seja cometida por
decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua
entidade” (BRASIL, 1998, [s. p.]). Dois são os requisitos para con�gurar a responsabilidade penal da pessoa
jurídica: (i) a decisão deve ser praticada pelo representante legal ou pelo órgão colegiado da empresa; (ii) a
conduta deve satisfazer ou bene�ciar os interesses da pessoa jurídica. Assim, uma decisão do representante
legal/contratual ou de um órgão colegiado, que bene�cie a empresa, enseja a discussão do cometimento de
um ilícito penale, caso se con�rme, ela poderá ser condenada isolada, cumulativa ou alternativamente às
penas de multa, restritivas de direitos e prestação de serviços à comunidade (BRASIL, 1998). Registra-se que
não é obrigatório a dupla imputação, isto é, a persecução penal simultânea da pessoa jurídica e da pessoa
física responsável no âmbito da empresa. Já as pessoas físicas que cometem crimes ambientais poderão
sofrer as penas restritivas de liberdade, restritivas de direitos e multa, de acordo com o crime ambiental
cometido.
A responsabilidade administrativa ambiental, por sua vez, surge quando a pessoa física ou jurídica pratica
uma infração administrativa que, segundo de�nição legal, é “[...] toda ação ou omissão que viole as regras
jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente” (BRASIL, 1998, [s. p.]). Em nível
federal, o Decreto nº 6.514/2008 disciplina as infrações administrativas e o processo administrativo ambiental.
Na responsabilidade administrativa, que é subjetiva – há que demonstrar o dolo e a culpa do responsável –, ao
se veri�car o cometimento de uma infração ambiental, o �scal do órgão ambiental – que pode ser federal,
estadual ou municipal – lavra um auto de infração e aplica uma sanção à pessoa física ou jurídica, que pode
ser uma multa, suspensão de atividades, demolição de obra e outras (BRASIL, 2008). Com isso, é instaurado o
processo administrativo, em que o autuado poderá se defender dos fatos e fundamentos consignados no
auto de infração e, ao �nal, a decisão da autoridade administrativa ambiental.
Por �m, temos a responsabilidade civil ambiental. No caso da ocorrência de um dano ambiental, o
responsável, pessoa física e jurídica, de direito público ou privado, é obrigado à reparação. O ordenamento
jurídico brasileiro adota, desde a Lei nº 6.938/1981, a teoria da responsabilidade civil objetiva, em que é
necessária somente a comprovação do nexo de causalidade entre a conduta e o dano, sem discutir sobre a
culpabilidade, isto é, não é preciso investigar a culpa ou o dolo do poluidor/degradador. Além disso, a adoção
da teoria da responsabilidade objetiva implica a irrelevância da licitude ou ilicitude da atividade e que
questões como caso fortuito e de força maior não são excludentes.
A licitude de uma atividade ou um empreendimento, quer autorizado ou licenciado, não afasta ou atenua a
responsabilidade do poluidor. Isso porque, nas palavras de Milaré (2011, p. 1257), “[...] não raras vezes o
poluidor se defendia alegando ser lícita a sua conduta, porque estava dentro dos padrões de emissão
traçados pela autoridade administrativa e, ainda, tinha autorização ou licença para exercer aquela atividade”.
O fato do empreendimento ou da atividade ter se submetido ao licenciamento ambiental, por exemplo, não
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativi… 18/21
exime a empresa da obrigação de reparar as consequências de suas intervenções, especialmente em caso de
dano ao meio ambiente. De forma direta, o argumento da licitude da atividade não afasta eventual
responsabilidade do poluidor. Em paralelo, é tese do STJ que “[...] não há direito adquirido à manutenção de
situação que gere prejuízo ao meio ambiente” (BRASIL, 2018a, [s. p.]).
Com relação ao caso fortuito e da força maior, que são clássicas excludentes de responsabilidade, elas não
podem ser invocadas para elidir a obrigação de reparar os danos causados. Uma vez que o empreendedor
assume a atividade, ele é integralmente responsável pelos danos decorrentes de sua atividade econômica.
Isso porque o STJ adota a teoria do risco integral em matéria ambiental, que não admite excludentes e
atenuantes na responsabilização do degradador (BRASIL, 2014).
REPARAÇÃO DO DANO AMBIENTAL
Ao se veri�car a ocorrência de um dano ao meio ambiente, é necessário que se proceda à sua reparação, que
deve ser integral.
A primeira pergunta é: quem deve reparar? Por evidente, o causador do dano ambiental. Todavia, essa
resposta precisa ser adequada com a �gura do poluidor no sistema jurídico brasileiro. Conforme a Lei nº
6.938/1981, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente, o poluidor é a pessoa física ou jurídica, de
direito público ou de direito privado, direta ou indiretamente responsável pela poluição ou degradação
ambiental (BRASIL, 1981). Por esse conceito, tanto pessoas de direito privado – empresas – quanto as
entidades da Administração Pública Direta – União, estados, Distrito Federal e municípios – e Indireta –
autarquias, fundações públicas e outras – podem ser consideradas como poluidoras. Mas, há um aspecto
muito importante: o poluidor pode ser direto ou indireto. O poluidor direto é aquele que efetivamente causou
a degradação, ao passo que o poluidor indireto é aquele que, de alguma forma, contribuiu para o dano
ambiental. Como exemplo, instituições �nanceiras podem ser responsabilizadas por empréstimos a empresas
que causem danos ambientais; a empresa como poluidora direta, a instituição �nanceira como poluidora
indireta, porque sem o empréstimo não teria ocorrido o dano ambiental. E o último ponto a ser destacado é
que pela jurisprudência �rmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) os poluidores direto e indireto são
solidários, signi�ca dizer que aqueles que participaram do dano ambiental ou que tiraram proveito da
atividade são igualmente responsáveis pela reparação. Assim, uma ação civil pública – a principal ação de
natureza ambiental – pode ser ajuizada em face de ambos, poluidor direto ou indireto, ou de qualquer um
deles.
A Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (BRASIL, 1981) e a Lei da Ação Civil Pública (BRASIL, 1985)
relacionam, basicamente, duas formas de reparação do dano ambiental: (i) a reparação/restauração e a (ii)
indenização pecuniária. Uma outra modalidade de reparação é destacada pela doutrina: a compensação
ecológica (MELO, 2017). Dessa forma, são três as modalidades de reparação do dano ambiental: (i) reparação
especí�ca (in natura); (ii) compensação ecológica; (iii) indenização pecuniária. Destaca-se, em um primeiro
momento, que a ordem estabelecida deve ser observada, ou seja, deve ser priorizada a reparação especí�ca
sobre as demais modalidades, que são subsidiárias.
A reparação especí�ca, também chamada de in natura, é aquela no local em que ocorreu o dano ambiental e,
assim, encontra-se na perspectiva de retorno do equilíbrio ecológico, ou pelo menos uma situação mais
próxima (MELO, 2017). Nessa modalidade, é o próprio bem lesado que deve ser reparado. Por exemplo, se o
dano é o desmatamento de dez hectares de vegetação primária, a reparação será no próprio local, com a
obrigação de fazer, consistente na recomposição da área desmatada.
Agora, se não for possível a reparação especí�ca, adentra-se nas hipóteses de compensação ecológica ou de
indenização pecuniária. A compensação ecológica é a substituição do bem lesado por outro equivalente
(MELO, 2017). Para essa modalidade, além da impossibilidade da reparação especí�ca, é preciso que a área a
ser compensada seja do mesmo tamanho da área do dano e que tenha a mesma importância ecológica. A
indenização pecuniária, por �m, é a forma clássica de reparação no direito civil, mas subsidiária no direito
ambiental (MELO, 2017). Os valores arrecadados a título de indenização são destinados para o fundo para
reconstituição dos bens lesados, criado pela Lei da Ação Civil Pública.
Uma questão relevante é a cumulação de pedidos em uma ação civil pública ambiental, isto é, tanto a
reparação especí�ca – obrigação de fazer ou de não fazer – quanto a indenização pecuniária. O STJ entende
por essa possibilidade. Segundo a Súmula 629, “quanto ao dano ambiental, é admitida a condenação do réu à
obrigação de fazer ou à de não fazer cumulada com a de indenizar” (BRASIL, 2018b, [s. p.]).Portanto, aquele
que cometer um dano ambiental poderá ser obrigado reciprocamente a reparar onde ocorreu o dano
ambiental e destinar recursos �nanceiros para o fundo para reconstituição dos bens lesados.
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativi… 19/21
Por �m, a pretensão de reparação aos danos causados ao meio ambiente é imprescritível, conforme decidiu o
STF (BRASIL, 2020). Por outras palavras, uma ação civil pública de reparação de danos causados ao meio
ambiente não está sujeita ao instituto da prescrição, podendo ser ajuizada mesmo que tenha se passado
vários anos da ocorrência do dano. Trata-se de demonstração da relevância do bem ambiental, cuja proteção
é imprescindível para todas as atividades humanas.
VÍDEO RESUMO
Nesse vídeo, estudaremos um dos temas mais importantes no âmbito pro�ssional: a responsabilidade em
matéria ambiental. Você conhecerá as dimensões do dano ambiental e a responsabilidade civil, penal e
administrativa das pessoas físicas ou jurídicas que cometem condutas lesivas ao meio ambiente. Por �m,
conhecerá as formas de reparação do dano ambiental. Vamos juntos? Estou te aguardando para essa aula!
 Saiba mais
Um dos maiores desastres ambientais do Brasil foi o rompimento da barragem de rejeitos da mineração
no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais, em 5 de novembro de 2015. Durante o
processo de reparação, um dos ajustes feitos entre as empresas responsáveis pela barragem e o
Ministério Público Federal foi a assinatura de um Termo de Transação e Ajustamento de Conduta. Nele
�cou estabelecida a criação de uma organização autônoma, dedicada às atividades de reparação e
compensação dos impactos ambientais na Bacia do Vale do Rio Doce. Essa organização é a Fundação
Renova. Trata-se de uma entidade que hoje é responsável por vários projetos e iniciativas de reparação
dos danos ambientais do acidente de Mariana. Você pode conhecer o trabalho da Fundação Renova em
seu site: https://www.fundacaorenova.org/.
Para visualizar o objeto, acesse seu material digital.
Aula 1
BRASIL. Decreto nº 19.841, de 22 de outubro de 1945. Promulga a Carta das Nações Unidas, da qual faz parte
integrante o anexo Estatuto da Corte Internacional de Justiça, assinada em São Francisco, a 26 de junho de
1945, por ocasião da Conferência de Organização Internacional das Nações Unidas. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d19841.htm  Acesso em: 15 set. 2022.    
BRASIL. [Constituição (1988) ]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF:
Presidência da República, [202     2]. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm  . Acesso em: 1º ago. 2022.    
BRASIL. Supremo Tribunal Federal.  Argu     ição de Descumprimento de Preceito Fundamental 708 Distrito
Federal. Relator: Min. Roberto Barroso. Brasília, DF: STF, 2022. Disponível em:
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5951856 . Acesso em: 18 set. 2022.    
BURSZTYN, M.; BURSZTYN, M.      A. Fundamentos de Política e Gestão Ambiental: caminhos para a
sustentabilidade. Rio de Janeiro, RJ: Garamond, 2012.    
MELO, F. Direito Ambiental. 2. ed. São Paulo, SP: Método, 2017.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
de 2012. Estud. av., v. 6, n. 15, ago. 1992. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-40141992000200013 .
Acesso em: 30 ago. 2022.
REFERÊNCIAS
15 minutos
https://www.fundacaorenova.org/
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d19841.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5951856
https://doi.org/10.1590/S0103-40141992000200013
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativi… 20/21
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU declara que meio ambiente é um direito humano. Nações Unidas
Brasil, 2022. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/192608-onu-declara-que-meio-ambiente-saudavel-e-
um-direito-humano . Acesso em: 18 set. 2022.
Aula 2
BARBIERI, J. C. Desenvolvimento sustentável: das origens à agenda 2030. Petrópolis, RJ: Vozes, 2020.
BOFF, L. Sustentabilidade: o que é, o que não é. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF:
Presidência da República, [2022]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm  . Acesso em: 1º ago. 2022.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.540. Rel. Min. Celso de Melo.
Brasília, DF: STF, 2005. Disponível em: https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?
docTP=AC&docID=387260. Acesso em: 10 set. 2022.
BURSZTYN, M.; BURSZTYN, M. A. Fundamentos de Política e Gestão Ambiental: caminhos para a
sustentabilidade. Rio de Janeiro, RJ: Garamond, 2012.
MELO, F. Direito Ambiental. 2. ed. São Paulo, SP: Método, 2017.
ODUM, E. P. Fundamentos de ecologia. 6. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso
Futuro Comum. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ: FGV, 1991.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
de 2012. Estud. av., v. 6, n. 15, ago. 1992. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-40141992000200013.
Acesso em: 30 ago. 2022.
SACHS, I. Terceira margem. Em busca do ecodesenvolvimento. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2009.
TAMARES, R. Crítica dos Limites do Crescimento. Lisboa: Dom Quixote, 1993.
Aula 3
BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981.  Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus �ns
e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República,
[2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm . Acesso em: 11 set. 2022.
BRASIL. Decreto nº 99.274, de 6 de junho de 1990. Regulamenta a Lei nº 6.902, de 27 de abril de 1981, e a Lei
nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõem, respectivamente sobre a criação de Estações Ecológicas e
Áreas de Proteção Ambiental e sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, e dá outras providências. Brasília,
DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/antigos/d99274.htm. Acesso em: 15 set. 2022.
BRASIL. Lei Complementar nº 140, de 8 de dezembro de 2011. Fixa normas, nos termos dos incisos III, VI e
VII do caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição Federal, para a cooperação entre a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência
comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à
poluição em qualquer de suas formas e à preservação das �orestas, da fauna e da �ora; e altera a Lei nº 6.938,
de 31 de agosto de 1981. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp140.htm. Acesso em: 18 set. 2022.
BURSZTYN, M.; BURSZTYN, M. A. Fundamentos de Política e Gestão Ambiental: caminhos para a
sustentabilidade. Rio de Janeiro, RJ: Garamond, 2012.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução nº 1, de 23 de janeiro de 1986. Dispõe sobre critérios
básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental. Brasília, DF: CONAMA, [2022]. Disponível
em: http://conama.mma.gov.br/?option=com_sisconama&task=arquivo.download&id=745. Acesso em: 30 ago.
2022.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução nº 9, de 3 dedezembro de 1987. Dispõe sobre a
questão de Audiências Públicas no processo de licenciamento ambiental. Brasília, DF: CONAMA, [2022].
Disponível em: http://conama.mma.gov.br/?option=com_sisconama&task=arquivo.download&id=60. Acesso
em: 30 ago. 2022.
https://brasil.un.org/pt-br/192608-onu-declara-que-meio-ambiente-saudavel-e-um-direito-humano
https://brasil.un.org/pt-br/192608-onu-declara-que-meio-ambiente-saudavel-e-um-direito-humano
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=387260
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=387260
https://doi.org/10.1590/S0103-40141992000200013
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/antigos/d99274.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp140.htm
http://conama.mma.gov.br/?option=com_sisconama&task=arquivo.download&id=745
http://conama.mma.gov.br/?option=com_sisconama&task=arquivo.download&id=60
03/04/2024, 15:53 wlldd_231_u2_res_soc_amb
https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=leticiamazurmaia%40gmail.com&usuarioNome=LETICIA+DE+ARAUJO+MAZUR+MAIA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3923852&ativi… 21/21
Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.
MELO, F. Direito Ambiental. 2. ed. São Paulo, SP: Método, 2017.
SECCHI, L.; COELHO, F. de S.; PIRES, V. Políticas públicas: conceitos, casos práticos, questões de concursos. 3.
ed. São Paulo, SP: Cengage, 2019.
Aula 4
BENJAMIN, A. H. Responsabilidade Civil pelo Dano Ambiental. Doutrinas Essenciais de Direito Ambiental.
São Paulo: RT, 2011.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF:
Presidência da República, [2022]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm  . Acesso em: 1 ago. 2022.
BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus �ns e
mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República,
[2022]. Disponível em: https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?
tipo=LEI&numero=6938&ano=1981&ato=5b0UTRE50MrRVT15d. Acesso em: 11 set. 2022.
BRASIL. Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985. Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos
causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e
paisagístico e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em:
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=7347&ano=1985&ato=955oXR65keBpWT�b.
Acesso em: 20 ago. 2022.
BRASIL. Lei nº 9.605, 12 fevereiro de 1998.
Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio
ambiente, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm . Acesso em: 13 set. 2022.
BRASIL. Decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008. Dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao
meio ambiente, estabelece o processo administrativo federal para apuração destas infrações, e dá outras
providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022].  Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2008/decreto/d6514.htm#:~:text=Decreto%20n%C2%BA%206514&text=DECRETO%20N%C2%BA%206.51
4%2C%20DE%2022%20DE%20JULHO%20DE%202008.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20as%20infra%C3%A7%
C3%B5es%20e,infra%C3%A7%C3%B5es%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias . Acesso
em: 11 set. 2022.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 1.374.284 – MG. Rel. Min. Luiz Felipe Salomão.
Brasília, DF: STJ, 2014. Disponível em: https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?
componente=ATC&sequencial=38502232&num_registro=201201082657&data=20140905&tipo=5&formato=H
TML . Acesso em: 11 set. 2022.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 1.755.077 – PA. Relator: Min Herman Benjamin.
Brasília, DF: STJ, 2018. Disponível em: https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?
componente=ATC&sequencial=87352078&num_registro=201801607244&data=20190204&tipo=5&formato=P
DF. Acesso em: 12 set. 2022.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Súmula 629, de 12 de dezembro de 2018. Quanto ao dano ambiental, é
admitida a condenação do réu à obrigação de fazer ou à de fazer cumulada com a de indenizar. Brasília, DF:
STJ, [2022]. Disponível em:
https://www.stj.jus.br/publicacaoinstitucional/index.php/sumstj/author/proofGalleyFile/5059/5185 Acesso em:
18 set. 2022.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 654.833 Acre. Rel. Min Alexandre de Moraes.
Brasília, DF: STF, 2020. Disponível em: https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?
docTP=TP&docID=753077366. Acesso em: 11 set. 2022.
LEITE, J. R. M; AYALA, P. de A. Dano Ambiental: do individual ao coletivo, extrapatrimonial. Teoria e Prática. 3.
ed. São Paulo, SP: RT, 2010.
MELO, F. Direito Ambiental. 2. ed. São Paulo, SP: Método, 2017.
MILARÉ, É. Direito do Ambiente. 7. ed. São Paulo, SP: RT, 2011.
https://storyset.com/
https://www.shutterstock.com/pt/
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=6938&ano=1981&ato=5b0UTRE50MrRVT15d
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=6938&ano=1981&ato=5b0UTRE50MrRVT15d
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=7347&ano=1985&ato=955oXR65keBpWTffb
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6514.htm#:~:text=Decreto%20n%C2%BA%206514&text=DECRETO%20N%C2%BA%206.514%2C%20DE%2022%20DE%20JULHO%20DE%202008.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20as%20infra%C3%A7%C3%B5es%20e,infra%C3%A7%C3%B5es%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6514.htm#:~:text=Decreto%20n%C2%BA%206514&text=DECRETO%20N%C2%BA%206.514%2C%20DE%2022%20DE%20JULHO%20DE%202008.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20as%20infra%C3%A7%C3%B5es%20e,infra%C3%A7%C3%B5es%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6514.htm#:~:text=Decreto%20n%C2%BA%206514&text=DECRETO%20N%C2%BA%206.514%2C%20DE%2022%20DE%20JULHO%20DE%202008.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20as%20infra%C3%A7%C3%B5es%20e,infra%C3%A7%C3%B5es%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6514.htm#:~:text=Decreto%20n%C2%BA%206514&text=DECRETO%20N%C2%BA%206.514%2C%20DE%2022%20DE%20JULHO%20DE%202008.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20as%20infra%C3%A7%C3%B5es%20e,infra%C3%A7%C3%B5es%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias
https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ATC&sequencial=38502232&num_registro=201201082657&data=20140905&tipo=5&formato=HTML
https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ATC&sequencial=38502232&num_registro=201201082657&data=20140905&tipo=5&formato=HTML
https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ATC&sequencial=38502232&num_registro=201201082657&data=20140905&tipo=5&formato=HTML
https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ATC&sequencial=87352078&num_registro=201801607244&data=20190204&tipo=5&formato=PDF
https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ATC&sequencial=87352078&num_registro=201801607244&data=20190204&tipo=5&formato=PDF
https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ATC&sequencial=87352078&num_registro=201801607244&data=20190204&tipo=5&formato=PDF
https://www.stj.jus.br/publicacaoinstitucional/index.php/sumstj/author/proofGalleyFile/5059/5185
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=753077366
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=753077366

Mais conteúdos dessa disciplina