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RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO 
NEUROPSICOLÓGICA 
 
 
1 - Dados de Identificação 
 
Nome: 
Data de Nascimento: 09/01/2001 
Idade: 
Nível Educacional: 
Data da Avaliação: entre julho e agosto de 2019 
Lateralidade: destro 
Medicação: não faz uso 
 
2 - Histórico do Quadro Clínico 
 
Os pais procuraram a avaliação neuropsicológica encaminhados pela 
neurologista Dra. Laryssa Garcia de Almeida, alegando que o filho 
apresenta possíveis características condizentes com o Transtorno de 
Espectro Autista (TEA). Segundo os mesmos, Lucas já realizou 
acompanhamento psicológico, porém decidiu interromper por iniciativa 
própria. Relataram ainda, que a psicóloga solicitou parecer neurológico do 
adolescente, frente a interesse restrito e repetitivos, com dificuldades nas 
habilidades sociais. Atualmente, Lucas reside em São José dos Campos – SP 
para estudar, porém tem manifestado dificuldades na socialização, 
permanecendo dentro do quarto durante grande parte de seu tempo. No que 
tange ao comportamento, o adolescente é pouco afetivo, apresenta certas 
manias repetitivas, é perfeccionista e se irrita quando algo não sai conforme 
planejado. Além disso, não despertou interesse sexual, alegando ausência de 
habilidades sociais para conversar com outras pessoas. Por outro lado, é 
tranquilo, gosta de conversar sobre assuntos intelectualizados e sempre 
obteve bom desempenho escolar. No que diz respeito aos sintomas de TEA 
na infância, ao contrário do previsto na literatura, disseram que o filho 
gostava de brincar, mantinha contato visual e não possuía sensibilidade a 
toques. Entretanto, na escola, não gostava de participar de eventos e datas 
comemorativas, evitando sair de casa e interagir com outras pessoas. Quanto 
ao histórico genealógico, os avós maternos eram primos e tiveram dez 
filhos. Ao serem questionados, relataram que alguns apresentam diagnóstico 
de alterações no humor e esquizofrenia. No que se refere ao contexto 
familiar, o casal possui outro filho mais velho, com o qual Lucas mantém 
uma relação amigável. O pai atua como comerciante e alegou ser mais 
tranquilo e passional, enquanto a mãe, por sua vez, atua como promotora de 
justiça e se intitulou mais impulsiva e enérgica. Por fim, afirmaram que 
buscam oferecer todas as condições necessárias para o bom 
desenvolvimento dos filhos e aguardam o resultado da avaliação para 
tomadas de decisões. 
 
 
 
3 – Atitude em Tarefas 
 
Durante todo o processo de avaliação, Lucas se mostrou simpático e 
colaborativo nas atividades propostas, preocupando-se positivamente com 
seu desempenho. Por outro lado, foi verificada tendência rígida no 
comportamento, certa dificuldade na manutenção do contato visual e 
rebaixamento na socialização. Lucas também, embora bastante inteligente, 
demonstrou necessidade de tempo diferenciado para a realização das tarefas. 
 
4 – Procedimentos 
 
Para realização desta avaliação, foram propostas oito sessões com duração 
de quarenta minutos cada. Inicialmente, foi feita entrevista inicial com os 
responsáveis, assim como o preenchimento da anamnese (entrevista 
semiestruturada cujo objetivo é investigar o histórico do quadro clínico do 
paciente). Posteriormente, foram utilizados instrumentos para análise e 
compreensão da dinâmica cognitiva da criança, sendo eles: (a) Escala 
Wechsler de Inteligência para Adultos (WAIS-III; Wechsler, 2004); (b) 
Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey (RAVLT; Paula & Malloy-
Diniz, 2018); (c) Figuras Complexas de Rey (Rey, 2014); (d) Bateria 
Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA; Rueda, 2013); (e) Teste das 
Pirâmides Coloridas de Pfister (Villemor-Amaral, 2015); (f) Escala de 
Avaliação de Disfunções Executivas de Barkley (BDEFS; Barkley, 2018); 
(g) Teste Wisconsin de Classificação de Cartas (WCST; Heaton et al., 
2017); (h) Quociente de Espectro Autista Versão Adultos (QA; Baron-
Cohen et al., 2001) e (i) Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão 
(HADS). Por fim, foi realizada a entrevista devolutiva com os responsáveis, 
objetivando esclarecimentos técnicos e possíveis encaminhamentos 
necessários. 
 
 
5 – Avaliação Neuropsicológica 
 
5.1 – Funções Intelectuais 
 
Segundo a pontuação composta prevista na Escala Wechsler de Inteligência 
para Adultos (WAIS III), Lucas apresenta capacidade intelectual total 
estatisticamente MUITO SUPERIOR para sua idade cronológica (QI Total 
= 138; P% 99)*. Vale destacar, inicialmente, que o coeficiente total de 
inteligência analisado pelo WAIS III é o resultado da soma ponderada de 
subtestes que analisam a Compreensão Verbal, a Organização Perceptual, a 
Memoria Operacional e a Velocidade de Processamento das Informações. 
Assim, visando melhor interpretação dos resultados, dados mais 
particularizados do instrumento podem ser vistos na tabela abaixo. 
 
 
Tabela 1. Desempenho de Lucas nos Índices Fatoriais previstos pelos WAIS III** 
 
 Definição Valor do 
Índice** 
Classificação 
Compreensão 
Verbal 
Tarefas vinculadas ao raciocínio 
verbal 
123 Superior 
Organização 
Perceptual 
Tarefas vinculadas ao raciocínio 
visual 
138 Muito Superior 
Memória 
Operacional 
Tarefas vinculadas à manipulação 
mental de informações 
143 Muito Superior 
Velocidade de 
Processamento das 
Informações 
Tarefas vinculadas a processos 
atencionais e à rapidez processual 
133 Muito Superior 
QI TOTAL 138 Muito Superior 
 ** A média dos índices situa-se entre as notas 90 e 109. 
 
Como informado, o paciente apresentou resultados muito acima da média 
em todas as atividades que analisaram a compreensão verbal, o 
processamento visual dos estímulos, a capacidade de manipular 
mentalmente as informações (memória operacional) e a velocidade com que 
uma pessoa processa as informações. No que se refere ao detalhamento dos 
escores, a seguir será apresentado o desempenho de Lucas em cada um dos 
subtestes propostos pelo WAIS III. 
 
 
Gráfico 1. Gráfico de Desempenho TOTAL de Lucas no WAIS III*** 
 
 
 
***A média dos escores é concentrada entre as notas ponderadas 9 e 11. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5.2 – Funções Atencionais 
 
De acordo com a Bateria de Provas Atencionais (BPA; Rueda, 2013)2, 
Lucas apresenta coeficiente atencional total estatisticamente acima da média 
(P% 80), em comparação às pessoas da mesma faixa etária. 
 
Atenção Sustentada – o teste demonstrou resultados acima da média (P% 
90) em relação à capacidade de manter-se atento de forma contínua e 
consistente ao longo do tempo. 
Atenção Alternada – o instrumento apontou resultados acima da média 
ainda para a atenção alternada (P% 90), ou seja, na capacidade de modificar 
o foco da atenção de um componente da tarefa para outro. 
Atenção Dividida – o paciente demonstrou desempenho estatisticamente 
acima do esperado para a idade cronológica no que se refere à habilidade de 
sustentar o foco atencional em dois ou mais estímulos simultaneamente (P% 
75). 
 
 
5.3 – Funções Visuo-Espaciais e Construtivas 
 
Os instrumentos indicaram resultados na faixa superior para a cópia de 
figura geométrica complexa e para os testes que recrutaram organização 
perceptual visual (P% 95). Ao lado disso, não foram evidenciados déficits 
visuo-construtivos (capacidade de reproduzir com materiais concretos 
figuras abstratas previamente visualizadas) com desempenho acima da 
média para sua faixa etária (P% 97). 
 
 
5.4 – Processos de Memória 
 
Os testes que avaliaram memória semântica (conhecimentos adquiridos ao 
longo da escolaridade) demonstraram resultados estatisticamente acima da 
média (P% 97). Os instrumentos que avaliaram a memória imediata e a 
memória operacional (sistema responsável pelo armazenamento de curto 
prazo e pela manipulação de informações necessárias para funções 
cognitivas superiores) sugeriram escores estatisticamente acima do previsto 
para a idade (P% 99). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No que tange à memória episódica verbal de evocação imediata e tardia dos 
estímulos, de acordo o Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey(RAVLT; Rey, 2018), Lucas também apresentou resultados muito acima do 
previsto para sua faixa etária, conforme demonstrado na tabela abaixo. 
 
 
Tabela 2. Desempenho de Lucas no Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey 
(RAVLT)* 
 
*A média dos percentis situa-se entre as notas 25 e 50. 
Etapa do Teste Definição Percentil Interpretação 
Aprendizagem Auditivo 
Verbal 
Memória de Curto Prazo Verbal – 
capacidade de manter temporariamente um 
conteúdo verbal específico. 
95 Superior 
Curva de Aprendizagem auditivo-verbal – 
capacidade de retenção mediante a 
apresentação sucessiva de um mesmo 
estímulo. 
95 Superior 
Distrator 
Memória de Curto Prazo Verbal – 
capacidade de manter temporariamente um 
novo conteúdo verbal. 
95 Superior 
Evocação Imediata 
Memória de Curo Prazo episódica-verbal – 
capacidade de se lembrar imediatamente dos 
estímulos após distrator. 
95 Superior 
Evocação Tardia 
Memória de Curo Prazo episódica-verbal – 
capacidade de se lembrar tardiamente dos 
estímulos após distrator. 
95 Superior 
Reconhecimento 
Capacidade de reconhecer os estímulos 
previamente aprendidos em meio a outros 
distratores. 
95 Superior 
Índices de Aprendizagem 
Medida global de aprendizagem auditivo-
verbal – capacidade de aprender um conteúdo 
exposto repetidas vezes. 
95 Superior 
Aprendizagem ao longo das tentativas (ALT) 
- compara as diferenças apresentadas pelo 
sujeito entre a primeira lista e o desempenho 
total ao longo das 5 tentativas. 	
50	 Superior	
Velocidade de 
Esquecimento 
Efeito de passagem do tempo, incluindo a 
exposição a novos conteúdos e distratores 
sobre a capacidade de reter novas 
informações. 
50 Média 
Interferência Proativa 
Suscetibilidade à interferência proativa –
Reflete a dificuldade em aprender algo novo 
após a automatização de um conteúdo prévio. 
75 Média Superior 
Interferência Reativa 
Suscetibilidade à interferência retroativa – 
capacidade de manter uma informação 
anteriormente aprendida após um novo 
conteúdo ser apresentado. 
75 Média Superior 
 
5.5 – Linguagem e Habilidades Acadêmicas 
 
Lucas apresentou fala fluente, comunicando-se por meio de diálogos e 
expressando adequadamente suas ideias. Em testes de vocabulário que 
demandaram evocação semântica de palavras, obteve resultado situado na 
faixa superior (P% 99), bem como na nomeação (P% > 95) e nos testes que 
demandaram julgamento e compreensão de padrões sociais (P% 98). 
Quanto às habilidades acadêmicas, o paciente também apresentou resultados 
muito acima do previsto no que tange tanto à realização cálculos, à leitura, à 
escrita quanto à interpretação de textos (P% > 99). 
 
 
5.6 – Funções Executivas 
 
As funções executivas são as habilidades relacionadas à capacidade das 
pessoas de se empenharem em comportamentos orientados a objetivos, ou 
seja, à realização de ações voluntárias, independentes, autônomas, auto 
organizadas e direcionadas a metas específicas. Essas funções, juntas, são 
responsáveis pela integração, capacitação do individuo de tomar decisões, 
avaliar e adequar seus comportamentos e táticas. Desse modo, os testes que 
avaliaram essas funções indicaram resultados muito acima de média (P% 
99) no que tange à flexibilidade mental, à capacidade de categorização e 
abstração, bem como à manipulação mental de regras e o controle inibitório 
de estímulos irrelevantes e a capacidade de elaboração de estratégias para a 
resolução de problemas. 
 
 
 
6 – Aspectos Relevantes da Personalidade 
 
De acordo com os Teste das Pirâmides Coloridas de Pfister (Villemor-
Amaral, 2012), instrumento que avalia a personalidade e os aspectos 
cognitivos e emocionais dos indivíduos, Lucas apresentou, inicialmente, 
capacidade intelectual estatisticamente acima da média prevista como visto 
no WAIS III, descrito acima no item 5.1. Por outro lado, verificou-se que o 
adolescente demonstra tendência à influenciabilidade, passividade ou 
submissão. Além disso, foram vistos indicadores de imaturidade e baixa 
tolerância à frustração. O instrumento apontou ainda, tendência mais 
instável de comportamentos, egocentrismo e irritabilidade, demonstrando 
medo do desencadeamento de impulsos que conduziriam à perda do 
equilíbrio. Lucas também pode demonstrar rebaixamento na afetividade, 
indicando certa insensibilidade emocional, que podem, até certo ponto, 
prejudicar a abertura para os relacionamentos, levando ao retraimento 
social. 
 
 
 
 
 
 
 
Com o objetivo de rastrear o humor do paciente, foi utilizada a Escala 
Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS) cujos resultados apontaram 
níveis dentro da média para depressão. Por outro lado, no que tange aos 
sintomas condizentes com quadro de ansiedade, os escores se mostraram 
acima do previsto, evidenciando sintomas como excesso de preocupações e 
tensões internas que precisam ser melhores analisados em contexto médico 
e psicoterapêutico. 
 
No que diz respeito à hipótese médica de características condizentes com o 
Transtorno do Espectro Autista (TEA), verificou-se tendência mais rígida 
diante dos estímulos, com certa dificuldade nas habilidades sociais e na 
manutenção do contato visual, corroborando com os relatos cedidos pelos 
pais. De acordo com o QA - Quociente de Espectro Autista Versão Adultos, 
Lucas demonstra características leves condizentes com o quadro. No 
entanto, não foram vistas alterações na linguagem, tão pouco estereotipias 
previstas para o TEA. 
 
Nas entrevistas clínicas foi possível observar o apego de Lucas a detalhes 
irrelevantes do estímulo, demandando tempo diferenciado para realização 
do que lhe era solicitado. Aparentemente, é detalhista e com inclinação mais 
obsessiva diante das atividades propostas. Tal comportamento pode 
favorecer tempo de execução mais longo que o previsto para a idade. Por 
outro lado, o adolescente é persistente, esgotando ao máximo seu raciocínio 
para que a atividade seja perfeitamente executada. Por fim, Lucas também 
apresentou duvidas em relação ao processo de escolha profissional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 – Conclusão 
 
Os pais procuraram a avaliação neuropsicológica encaminhados pela 
neurologista Dra. Laryssa Garcia de Almeida, alegando que o filho 
apresenta possíveis características condizentes com o Transtorno de 
Espectro Autista (TEA). Assim, após análise dos dados, os resultados 
apontaram, inicialmente, funcionamento intelectual total estatisticamente 
MUITO ACIMA DA MÉDIA (QIT = 138; P% 99)* em comparação às 
pessoas da mesma faixa etária, segundo a Escala Wechsler de Inteligência 
para Adultos (WAIS III). Pontuações muito acima da média também foram 
encontradas nas tarefas que avaliaram as funções atencionais (sustentação, 
alternância e divisão) (P% > 75), as funções visuo-espaciais e construtivas 
(P% > 95), a linguagem (P% > 95), as habilidades acadêmicas (P% > 95), 
as funções executivas (flexibilidade mental, capacidade de categorização e 
abstração, manipulação mental de regras, controle inibitório de estímulos 
irrelevantes e capacidade de elaboração de estratégias para a resolução de 
problemas.) (P% 99) e a memorização episódica das informações tanto 
visuais quanto auditivas (P% > 95). Contudo, vale destacar os aspectos de 
personalidade acima descritos (item 6.0) para melhor compreensão do 
quadro clínico do paciente, principalmente no que diz respeito à rigidez 
comportamental, à imaturidade, à baixa manutenção do contato visual e 
tendência ao isolamento social. 
 
Frente às observações realizadas na presente avaliação, sugere-se, portanto: 
 
ü Parecer médico no que se refere a sintomas discretos condizentes 
com o espectro autista (TEA); 
ü Continuidade ao acompanhamento psicoterapêutico com enfoque nas 
habilidades sociais; 
ü Inserção do adolescente em programa de orientação profissional; 
ü Orientação parental; 
 
 
Coloco-me a disposição para possíveis esclarecimentos nos telefones 
(35) 3421 0550 ou (35) 9 9929 9592. 
 
 
Pouso Alegre, agosto de 2019. 
 
 
 
 
____________________________Dr. Fernando José Silveira 
Psicólogo e Neuropsicólogo – FMUSP 
Mestre e Doutor em Avaliação Psicológica 
CRP 04/ 26 848

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