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IPECS – INSTITUTO DE PSICOLOGIA, COMPORTAMENTO, EDUCAÇÃO E SAÚDE. ESPECIALIZAÇÃO EM NEUROPSICOLOGIA MARIA ELISA BUOSI CORREIA AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA EM CRIANÇA COM TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE: ESTUDO DE CASO. PRESIDENTE PRUDENTE-SP 2021 MARIA ELISA BUOSI CORREIA AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA EM CRIANÇA COM TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE: ESTUDO DE CASO. Trabalho de conclusão de curso de especialização apresentado ao IPECS para obtenção de certificado de especialista em neuropsicologia. PRESIDENTE PRUDENTE-SP 2021 RESUMO Este trabalho busca avaliar cognitivamente uma criança, do sexo masculino com idade de 7 anos, com queixas comportamentais e aprendizagem, utilizando como método o estudo de caso. E mediante a avaliação completa nota-se dificuldades nos aspectos atencionais e comportamentais. Os aspectos de atenção concentrada, sustentada são a com maiores prejuízos. A discrepância entre os índices de memória operacional e velocidade de processamento de WISC-IV, que deixam de forma evidente as dificuldades com vias corticais superiores. Palavras chaves: Avaliação Neuropsicológica, transtorno de déficit de Atenção e Hiperatividade. SUMÁRIO 1. Introdução 5 2. Referencial teórico 7 3. Método 9 3.1. Material 10 3.2. Procedimentos 11 4. Resultados e Discussão 11 5. Conclusão 17 Referências bibliográficas 19 1. Introdução O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), é um transtorno mental crônico, neurobiológico, que segundo pesquisas é de alta frequência e grande impacto sobre o portador do transtorno, tais impactos também influenciam em muito sua família e a sociedade. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-IV) define o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade como um Transtorno do Neurodesenvolvimento como característica essencial um padrão de desatenção e/ou hiperatividade, impulsividade que interfere no funcionamento ou no desenvolvimento (American Psychiatry Association – APA, 2014). Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o TDAH é caracterizado no grupo de Transtornos hipercinéticos sendo definido como um “grupo de transtornos caracterizados por início precoce (habitualmente nos cinco primeiros anos de vida), falta de perseverança nas atividades que exigem um envolvimento cognitivo, e uma tendência de passar de uma atividade para outra sem acabar nenhuma, associadas a uma atividade global desorganizada, incoordenada e excessiva. (Wajnsztejn, 2017, p. 89). De acordo com Barkley (2008), ”embora diversas etiologias possam levar ao TDAH, as evidências apontam para fatores neurológicos e genéticos como as principais contribuições para o transtorno”. A etiologia do TDAH é multifatorial e fazem parte dela não somente os fatores neurológicos e genéticos como afirma Barkley (2008), mas também os fatores ambientais em diferentes combinações. Ao lado dos fatores genéticos, existem fatores exógenos ou ambientais que coexistem com o primeiro. Os fatores ambientais podem ser divididos em pré, peri e pós-natais. Tais fatores podem levar a alterações lesionais ou funcionais do Sistema Nervoso Central (SNC). No caso do TDAH são destacadas as alterações funcionais. (Rotta, Ohlweiler, Riesgo, 2016). De acordo com Rotta (2016), os fatores pré-natais distinguem-se por infecções maternas, as quais, atingindo o sistema nervoso central em formação, podem produzir alterações no seu desenvolvimento. As infecções podem ocorrer por intoxicação medicamentosa, ou aspiração de substância tóxica; irradiação, entre outras possibilidades que podem vir a alterar as trocas materno-fetais. Os fatores perinatais, são aqueles que principalmente ocorrem no desenrolar do trabalho de parto e podem ser divididas em: fetais, maternas e do parto: 1) nas causas fetais podemos destacar macrossomia fetal, primogeneidade, prematuridade, dismaturidade, malformações fetais, distúrbios respiratórios do recém-nascido (membrana hialina), incompatibilidade sanguínea. 2) nas causas maternas são considerados malformações pélvicas, primípara idosa, anemia, hipotensão, sedação exagerada, hipertensão. 3) entre os fatores do parto, são considerados as distocias como placenta prévia; deslocamento prematuro da placenta; procidência e anomalias de cordão; ruptura precoce da bolsa. Quando olhamos a caracterização clínica, o TDAH é um transtorno do Neurodesenvolvimento que acomete 5,29% da população infantil mundial (Polanczyk, Lima, Horta, Bierderman & Rohde, 2007). Cerca de 30 a 70% dessas crianças mantém sintomas ao longo da vida adulta (Fuentes, [et al], 2014). Quando analisados as estruturas que envolvem as regiões dorsolateral, ventrolateral do córtex pré-frontal, essas áreas corticais envolvem atenção, vigilância, planejamento e memória de trabalho e executiva. (Brandão & Graeff, 2014). Este impacto no córtex pré-frontal tende a ser relevante no comportamento e desenvolvimento do sujeito, durante todo o processo de desenvolvimento da infância até a idade adulta. Capacidades como a atenção, concentração, planejamento, controle inibitório (capacidade de conter impulsos), organização e aprendizagem passam a ser mais comprometidas. (Castro & Lima, 2018). O diagnóstico é realizado com base no aparecimento dos seguintes distúrbios comportamentais: A desatenção manifesta-se como divagação em tarefas, falta de persistência, dificuldade de manter o foco e desorganização. A hiperatividade refere-se a atividade motora excessiva quando não apropriado ou remexer, batucar ou conversar em excesso. A impulsividade refere-se a ações precipitadas que ocorrem no momento sem premeditação e com elevado potencial para dano à pessoa (American Psychiatry Association – APA, 2014). No que tange o TDAH a avaliação neuropsicológica é de fundamental importância. O perfil neuropsicológico de pacientes com TDAH é heterogêneo. Isso significa que não há um único déficit ou um conjunto de deficits que esteja presente em todos os pacientes que apresentem o transtorno. Por envolver um conjunto de deficits é necessário que a avaliação neuropsicológica possa englobar toda a estrutura cognitiva, pois o lobo frontal desempenha as funções mais evoluídas e complexas do cérebro: as funções executivas. Elas orientam outras estruturas neurais em ações coordenadas e supramodais. Atuam em inúmeras ações exercendo um papel de liderança em várias faces do comportamento social. Relacionam-se com as aprendizagens. A linguagem, a motricidade, o humor, criatividade, abstração, modulação atencional, autocontrole do comportamento entre outras habilidades (Wajnsztejn, 2017). Sendo assim a avaliação neuropsicológica constitui um instrumento técnico de inestimável valor no auxilio diagnóstico, na identificação da existência de possíveis disfunções cognitivas, na investigação da expressão comportamental destas disfunções e sua associação com o funcionamento global do examinando. Devido a falta de estudos na evidencia científica para ser discutido com os relatórios além da descrição dos resultados dos testes, assim os resultados da avaliação neuropsicológica contribuem, ainda, para o planejamento de intervenções terapêuticas mais eficazes, pois fornece informações detalhadas sobre o perfil cognitivo e psicoafetivo da criança ou adolescente (LEZAK, 2004. apud WAJNSZTEJN, 2017). Este estudo teve, portanto, o objetivo de elucidar um caso clinico de criança com sete anos de idade, analisando os dados obtidos em avaliação neuropsicológica para diagnóstico e planejamento terapêutico. Na perspectiva de propor possibilidades de ajustes e intervenções para facilitar seu rendimento acadêmico e nos demais aspectos da sua vida cotidiana. 2. Referencial teórico Segundo a autora, Benczik (2016), a hiperatividade pode ser conceituada como uma “atividade motora e corporal excessiva e desorganizada, sem objetivo especifico (...) Podendo a criança, apresentar inquietação e dificuldade de ficar em silêncio ou para realizar atividades monótona”.Pinto (2016), relata que no Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDHA), são avaliados sintomas principais e secundários para determinar o diagnóstico e consequentemente o tratamento a ser realizado, e quando o tratamento é desenvolvido em crianças, o tratamento pode auxiliar também em questões como a dificuldade de dormir e eliminação do terror noturno. Para Benczik (2016), o transtorno de deficit de atenção e a hiperatividade (TDAH), pode ter causas variadas como: · Hereditariedade: O fator genético pode chegar a 70% dos casos, mostrando que o aluno hiperativo tem em sua família pessoa com transtorno ou risco de outras crianças nascerem com o mesmo gene. · Substâncias ingeridas no período da gravidez: Ingestão de substâncias como álcool e nicotina, que alteram a região frontal do feto, aumentando as chances de desenvolver crianças com problemas de hiperatividade. · Contato com chumbo: Exposição a altos níveis de chumbo, que causam prejuízos ao desenvolvimento cerebral, conforme as evidências científicas. Assim, Benczik (2016), explica que a criança hiperativa apresenta alterações em seu comportamento, como problemas de adaptação escolar e familiar, impaciência, falta de concentração e de persistência e dificuldade de aprendizagem. Conforme Benczik (2016), a criança hiperativa traz com ela, muitas dificuldades relacionada ao processo educativo e de aprendizagem. Assim os pais devem buscar por escolas que tenham uma estrutura adequada e profissionais preparados para a adaptação dos alunos hiperativos. A autora, Benczik (2016), também destaca que os educadores, devem analisar o aluno, para criar as melhores estratégias de prender sua atenção ao mesmo tempo em que aprendem o conteúdo das aulas. E conforme o aluno hiperativo vai avançando no aprendizado, novas estratégias são criadas de forma que ele continue sendo estimulado. E de acordo com, Benczik (2016), a área pedagógica disponibiliza diversas ferramentas de ensino que podem ser usadas em suas atividades com alunos hiperativos, já que esse desenvolvimento deve ser tratado em conjunto, onde os pais, os professores, a escola e o psicólogo que trata da criança, devem voltar sua atenção ao direcionamento de sua aprendizagem. Quanto ao tratamento, conforme Alvarenga (2018), no TDHA, primeiramente nota-se a diminuição da impulsividade e da irritabilidade em seguida, na metade do tratamento nota-se também a melhora na memória e na compreensão com os individuos em geral. 3. Método Como método adotado, trata-se de estudo de caso sobre a avaliação neuropsicológica, tendo como participante uma criança, sexo masculino, com sete anos de idade, com hipótese diagnóstica de Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Os pais da criança em questão procuraram avaliação neuropsicológica a pedido da neuropediatra que o acompanha. Segundo relato dos pais, a gestação foi conturbada, quando estava no sétimo mês de gestação, necessitou de medicação para segurar até que D. C. R. estivesse melhor desenvolvido para realização do parto. D., nasceu pré-termo, parto cesariana pois, a bolsa rompeu com sangramento. Mãe relata que nasceu bem esperto, se mexeu bastante, apgar normal, teste do pezinho e orelhinha normal. Com quatro meses começou a inserir as frutas, e ele começou a vomitar, com papinha a mesma situação. Quando completou ano e meio de vida o médico deixou dar qualquer comida para ver o que ele aceitava para que assim pudesse se alimentar. Atualmente ele aceita o alimento dependendo do marcar do produto, já que apresenta problema sensorial nas papilas gustativas, onde o paladar é mais acentuado que o esperado nas pessoas típicas. O desenvolvimento neuropsicomotor ocorreu dentro do esperado, andou com um ano de idade, sempre muito agitado. A fala ocorreu dentro de dois anos e um mês de vida, porém D. ainda apresenta muitas trocas na hora da fala, pois ele troca o R pelo L. Os pais também relatam que o controle esfincteriano ocorreu com três anos de idade e tem o sono agitado, mas dorme a noite inteira. Nas funções adaptativas, consegue realizar atividades esperadas para sua idade, e propõe-se a realizar atividades de mais responsabilidade. Compreende limites e aceita quando se fala o não após questionar, pois quer entender o porquê. Na escola sempre se adaptou bem e conseguiu estabelecer amizades, bem como ir bem no aprendizado inicial. Com a mudança de cidade em sua nova escola apresentou problemas relacionados a dificuldade com a professora, chegando a ir à diretoria, na aprendizagem a escola exigia um nível alto onde uma criança de cinco anos já deveria saber a letra cursiva, e na escola onde D. veio o processo de aprender era diferente, sendo assim começou a ter dificuldade e recusa em ir à escola. Problema que foi resolvido após a troca de escola, onde hoje ele adora e se desenvolvem bem nos aspectos de aprendizagem e socialização. Segundo a mãe ela procurou a neuropediatra, pois a escola relatava a hiperatividade e explosão de raiva quando tinha de lidar com a frustração. 3.1. Material Foi realizado entrevista de anamnese com os pais, observação clínica do examinando e aplicação dos seguintes testes psicológicos: · Bateria Psicológica de Avaliação da Atenção (BPA) foi desenvolvida por Rueda FJM e publicada pela editora vetor em 2013, sua idade de abrangência é dos 6 a 82 anos de idade. O BPA é composto por três testes, incluindo Atenção Concentrada (AC), Atenção Dividida (AD) e Atenção Alternada (AA), o BPA também fornece uma medida de atenção geral, o desempenho é medido avaliando a sua assertividade dentro de um determinado tempo para cada teste. · Teste de Atenção Visual (TAVIS-IV) foi publicado em 2019 pela editora Hogrefe, desenvolvido por Mattos P. 2019. Tem o objetivo de avaliar funções atencionais visuais por meio de tarefas de seletividade, alternância e sustentação. · Escala Wechsler de Inteligência para Crianças – WISC-IV. Trata-se de um instrumento clínico com objetivo de avaliar a capacidade intelectual e o processo de resolução de problemas em crianças e adolescente, abrange a faixa etária dos 6 a 16 anos de idade. · Figuras Complexas de Rey, este teste possui duas figuras distintas, figura A e figura B, para idades específicas. A figura A pode ser aplicada entre as idades de 5 a 88 anos de idade. E a figura B se destina a idade de 4 a 7 anos. É um teste muito utilizado, pois possibilita a investigação de diversas habilidades cognitivas, como a memória episódica de evocação visuoespacial tardia, visuoconstrução ou praxia construtiva, planejamento e organização. · Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey – RAVLT, é um instrumento cognitivo que utiliza uma lista de palavras com o objetivo de avaliar a memória episódica verbal. Aprendizagem, armazenamento e recordação de novas informações. · Teste de Desempenho Escolar – TDE II, avalia o desempenho escolar de crianças e adolescentes até o nono ano do ensino fundamental, com três subtestes: teste de leitura, teste de escrita sob ditado e teste de aritmética. · Teste dos Cinco Dígitos – FDT, sua finalidade é avaliar a velocidade e eficiência mental de indivíduos, ou seja, busca avaliar e verificar a velocidade para raciocínio e emissão de respostas para assim obter dados sobre inibição e flexibilidade mental. Todos os resultados e condutas foram compreendidos pelo viés teórico da Neuropsicologia. 3.2. Procedimentos Foram realizadas 8 sessões de avaliação com 1 hora de duração cada. Foram efetuadas análises a partir dos pontos ponderados e percentis, utilizando o ponto de corte sugerido pela literatura. Os resultados obtidos foram analisados com base no referencial teórico pesquisado relacionado à hipótese diagnóstica. 4. Resultados e Discussão Os resultados são quantificados por testes e feito a análise qualitativa caracterizado pelos constructos cognitivos. Sendo analisado de acordo com critérios e normativas individual em cada teste. Assim, no teste de atenção visual, TAVIS, demonstrou dificuldade na atenção seletiva, é umexercício de cancelamento continuo e na atenção sustentada, onde requer que o examinando se mantenha continuamente orientado a tela do computador, respondendo a uma atividade simples, porém com um tempo longo e repetitiva. Segue tabela abaixo. Tabela 1: Tipos de atenção. Tarefas Tipo de Atenção Escore Faixa percentil Classificação Tarefa 1 Atenção seletiva 0,800 2 a < 9 Limítrofe Tarefa 2 Atenção alternada 0,995 9 a < 25 Médio inferior Tarefa 3 Atenção sustentada 0,753 2 a < 9 Limítrofe Fonte: Elaborado pela autora (2021). E nos aspectos que envolvem atenção o examinando, apresenta facilidade na Atenção Dividida, ou seja, para procurar dois ou mais estímulos simultaneamente em um tempo predeterminado, e com vários distratores ao redor. Porém na Atenção Concentrada obteve índice que demonstram que ele tem maior dificuldade, para selecionar uma única fonte de informação diante de vários estímulos distratores em um tempo predeterminado. Conforme tabela abaixo: Tabela 2: Testes de atenção. Atenção Pontos Percentil Classificação Atenção Concentrada 19 1 Inferior Atenção Dividida 46 60 Médio Superior Atenção Alternada 41 40 Médio Inferior Atenção Geral 106 25 Médio Inferior Fonte: Elaborado pela autora (2021). E na velocidade de processamento, tem-se os seguintes resultados: Tabela 3: Velocidade de processamento. IVP Pontos Ponderados Pontos Compostos Percentil Classificação Velocidade de Processamento 30 129 97 Média Superior As habilidades de velocidade de processamento, mensuradas pelo Índice de Velocidade de Processamento, são superiores a aproximadamente 97% das crianças com a mesma idade (IVP = 129; intervalo de confiança 95% = 117-134). O Índice de Velocidade de Processamento é um indicador da velocidade com a qual a criança pode processar mentalmente uma informação, simples ou rotineira, sem errar. Desempenhos em tarefas dessa natureza podem ser influenciados pela discriminação visual e coordenação visuomotora. Fonte: Elaborado pela autora (2021). O índice de velocidade de processamento é composto por subtestes que medem velocidade de processamento mental e grafomotor. Como definido operacionalmente no WISC-IV, o índice de velocidade de processamento é uma indicação com a qual a criança processa informações simples ou rotineiras sem erros de omissão ou comissão. Na avaliação da memória, segundo os testes nota-se dificuldade no processo ativo de seleção, fixação, armazenamento e recuperação das informações no teste auditivo verbal de Rey, conforme gráfico ele começa com índice inferior e sua curva de aprendizagem vai evoluindo, porém como não consegue manter a atenção na categoria A4 ele volta a apresentar resultado inferior. Mediante a análise dos dados a curva de aprendizagem auditivo verbal com a repetição da lista de palavras D. mostrou algumas dificuldades em mantê-la nas duas primeiras leituras que avaliam a memória imediata, apresentando resultados inferior ao esperado para sua idade, porém no decorrer da aprendizagem ele apresenta um ponto de queda como no índice A4 onde obteve resultado inferior e pode estar ligado a criança não conseguir sustentar a atenção, no caso do D. pelo seu comportamento hiperativo. Na interferência proativa que avalia a capacidade de aprender conteúdos após a exposição sucessiva a um conteúdo anterior, obteve resultado médio para aprender algo novo. Na interferência retroativa que avalia a capacidade de manter uma informação anteriormente aprendida, após um novo conteúdo ser apresentado, seu resultado é médio, com boa qualidade na aprendizagem. Na tabela a segui, observa-se as categorias, as pontuações e a classificação obtida com avaliação em D. Tabela 4: Categorias, pontuações e classificação dos testes. Categorias Pontuação Percentil Classificação A1 2 5 Inferior A2 4 5 Inferior A3 9 75 Médio A4 2 5 Inferior A5 9 50 Médio B1 2 5 Inferior A6 9 75 Médio A7 10 75 Médio Reconhecimento 13 50 Médio Escore Total 26 25 Médio Inferior Aprendizagem ao longo das tentativas (ALT) 16 75 Médio Velocidade de esquecimento 1,111 75 Médio Interferência proativa 1 50 Médio Interferência retroativa 1 75 Médio Fonte: Elaborado pela autora (2021). Na avaliação das funções executivas, nota-se no índice de memória operacional é composto por subtestes que avaliam a atenção, concentração e memória operacional. D. apresentou resultado médio inferior, quando analisados os subtestes dígitos, sequencia número e letras e aritmética, o desempenho de D. fica abaixo da média, demonstrando assim algumas dificuldades, principalmente quando ele precisa manusear uma informação para utilizá-la no seu dia a dia. Nos testes dígitos ordem inversa, foi exigido de D. que ele manuseasse um determinado número de dígitos e depois falar ele em ordem inversa seu resultado demonstrou muita dificuldade. Tal dificuldade pode ver a prejudicá-lo nas atividades que envolvam aprendizagem, conforme observa-se na tabela a seguir. Tabela 5: Wisc-IV IMO Pontos Ponderados Pontos Compostos Percentil Classificação Memória Operacional 14 88 21 Médio Inferior As habilidades de memória operacional de D. C. R, mensuradas pelo Índice de Memória Operacional, estão acima de aproximadamente 21% das crianças com a mesma idade (IMO = 88; intervalo de confiança 95% = 82- 96). O Índice de Memória Operacional avalia as habilidades do examinando de sustentar atenção, concentração e exercer controle mental. Fonte: Elaborado pela autora (2021). Processamento Automático: Apresenta resultado na média no Teste Dígitos Ordem Direta do WISC-IV, pois apresentou pontos ponderados 10 (com base na análise de pontos ponderados de Satter & Dumont), porém no processo avaliativo no teste dos cincos dígitos, onde obteve resultado inferior para leitura com percentil cinco (5), e no processo de contagem quando avaliado o tempo conseguiu o índice médio com percentil 50, porém no número de erros seu desempenho ficou inferior com percentil cinco (5). Processamento Controlado: Mediante o teste Dígitos Ondem Inversa do WISC-IV e teste dos cinco dígitos demonstrou resultado na média para atenção, concentração e controle mental, que possibilita evocação de informações para o processamento ativo. No teste cinco dígitos nos processos controlados ESCOLHA, na avaliação do tempo conseguiu o resultado médio, porém quando avaliado os erros seu percentil que foi cinco (5) o coloca como inferior. Durante o processo de aplicação, ele pulou fileiras inteiras na leitura dos dígitos. Nos processos de ALTERNÂNCIA, apresentou resultado médio inferior para tempo e erros durante a leitura com percentil 25. Quando avaliado os Processos de Inibição, obteve resultado médio superior com percentil 75, no Processo que avalia Flexibilidade Mental, seu resultado é médio inferior com percentil 25. Nos fatores intelectuais avaliados pela Escala Wechsler (WISC-IV). Figura 1: Resulta WISC-IV. ICV IOP IMO IVP TOTAL 0 20 40 60 80 100 120 140 106 104 88 129 108 Coluna2 Coluna1 Resultado Obtido Fonte: Elaborado pela autora (2021). Mediante a interpretação dos dados do gráfico acima, nota-se que D. apresenta uma habilidade cognitiva dentro da média. Em uma análise ideográfica há diferença significativas entre o índice de memória operacional e o índice de velocidade de processamento. A memória operacional pode ser pensada como um controle mental (processos executivos) envolvendo tarefas de ordem superior (em vez de tarefas de rotina) e pressupõe atenção e concentração. Assim, o IMO mede a habilidade complexa, ou traço latente relevante para sustentar a atenção, concentração e exercer controle mental. (Weiss, 2017, p.157) E quando analisa-se o desempenho do examinando, nota-se dificuldades que envolvem atenção concentrada, alternada e manusear informações como exige o teste de sequência de números e letras e dígitos ordem inversa. No IVP, “.é a indicação darapidez com a qual a criança processa informações simples e rotineiras sem erros de omissão ou comissão”. (Weiss, 2017, p. 163). Onde apresentou-se maior facilidade neste item, demonstrando assim sua maior facilidade com habilidades rotineiras, ou sejam tarefas que exijam uma aprendizagem que envolve processamento de informações. Quando realizada a análise comparativa entre os dois índices IMO e IVP, pode vir a apresentar maiores dificuldades da aprendizagem devidos a discrepância entre os índices, pois para um desenvolvimento cognitivo adequado é importante a inter-relação e correlação entre os índices para o bom desenvolvimento do seu repertório cognitivo. O avaliado mostrou-se interessado e disposto durante todo o processo de avaliação. Foi pontual e comprometido. Bastante participativo, apresentou bom estado de humor, porém com muita inquietação motora. Na maior parte das atividades, pôde-se identificar uma tendência a um desempenho mais lentificado ou menos assertivo nos primeiros processos das tarefas, seguindo-se por momentos posteriores de melhor desempenho. Os comportamentos durante a avaliação que são congruentes com o TDAH, estão hiperatividade, pois precisava levantar ou estar se mexendo constantemente, fala excessiva, dificuldade em sustentar atenção, de organizar e gerenciar o tempo de execução, sempre parava para contar algo, ou distrair-se com estímulos externos. Segundo o DSM-V (APA, 2014), todos esses comportamentos enquadram-se nos critérios diagnósticos e se mantêm presentes em mais de dois ambientes por mais de seis meses. Diante da análise dos subtestes e das funções executivas, sugere-se que o examinando apresenta características compatíveis com comportamento externalizantes, ou seja, com o quadro de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. Suas alterações encontram-se nas funções corticais superiores, necessitando de estimulação para melhoras dos aspectos funcionais e cognitivos. 5. Conclusão Decorrida a avaliação e testagem, verificou-se a manifestação do TDAH de acordo com a avaliação seus resultados, resultam em dificuldades atencionais pontuais, em especial sobre a atenção concentrada, seletiva e alternada. Soma-se a dificuldades pontuais em funções executivas, em especial no planejamento e flexibilidade mental, ambas típicas do Transtorno Atencional. Estes fatores impactam negativamente a autoestima, desempenho acadêmico, disposição e em menor escala aspectos sociais. O examinando apresenta uma velocidade de processamento acima da média para aquisição de aprendizagem rotineiras, porém para uma aprendizagem mais complexa como a exigida pela memória operacional, o avaliando obteve muita dificuldade, correspondentes aos aspectos atencionais comprovados nos testes aplicados. Para tanto, é importante que haja reforço nos constructos de linguagem e organização, apresentados como pontos fortes, servindo dinamicamente como contraponto ao quadro desatencional. Sua velocidade de processamento emerge como boa alternativa para que sirvam de “apoio” a fim de promover o desenvolvimento dos processos cognitivos como um todo. Tarefas como listas, recados e diversos estímulos de lembrete, utilizando materiais coloridos são bem-vindos para facilitar o dia a dia. É também importante estimular os comportamentos de auto-avaliação, reflexão e revisão no processo de tomada de decisão para auxiliar no controle da impulsividade. Indica-se que haja manutenção da intervenção em Psicoterapia com foco nas questões atencionais e emocionais, continuidade do acompanhamento fonoaudiológico, pois apresenta trocas na fala, bem como eventual intervenção medicamentosa, especialmente em momentos de maior dificuldade para auxiliar na regulação destes processos. 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