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Sentença Trata-se de uma AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS E REENBOLSO DE PASSAGEM AÉREA COM VALOR INTEGRAL, ajuizada por JOÃO DA SILVA em face da COMPANHIA AÉREA VOAR ALTO Ltda., todos devidamente qualificados nos autos. O autor argumenta, em síntese que adquiriu uma passagem aérea para viajar de São Paulo com destino ao rio de janeiro, porém, uma semana antes da data prevista para o voo precisou cancelar devido a uma emergência médica. Embora tenha cancelado com uma semana de antecedência. A COMPANHIA AÉREA comunicou que só poderia reembolsar 50% do valor pago, justificando que essa era a política da instituição para cancelamentos com menos de 30 dias de antecedência e o autor que não foi informado sobre o caso. Requereu que o valor a ser pago integralmente e os danos causados fosse imediatamente normalizado, sendo deferido pelo juízo competente. Requereu, a procedência da ação, bem como a condenação da ré ao pagamento de indenização por danos materiais e morais Breve relatório. Passo a decidir. DA FUNDAMENTAÇÃO Trata-se de uma demanda em que se discute responsabilidade por reembolso de valor de passagem aérea e reparação por danos morais e materiais. Resta nos autos que o autor adquiriu originalmente uma passagem aérea demandada para o seguinte trecho: São Paulo > Rio de janeiro, voo 1666 programado para o dia 23/03/2024, com partida às 22h45 e chegada ao destino às 01h55 do dia 24/03/2024. Ocorre que o referido voo foi alterado pelo autor com uma semana de antecedência no dia 19/03/2024 e o autor alega que não foi informado sobre a política da empresa que só receberia 50% do valor. De um lado, o autor afirma que não foi informado sobre essa cláusula, tendo sido surpreendido no momento de ressarcir seu reembolso referente a passagem com a informação da impossibilidade do valor integral. O réu, por sua vez, informa que o valor parcial de passagens canceladas com menos de 30 dias de antecedência foi previamente informada ao autor em seu site comercial. Em que pese as escusas apresentadas pelo réu, não restou devidamente comprovado nos autos que a cia aérea demandada tenha comunicado ao passageiro sobre a política da companhia. O demandado não explica em que consiste esse meio de comunicação denominado. O demandado, assim, descumpriu o ônus probatório previsto na resolução n° 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) essa resolução trata sobre diversos tópicos relacionados ao transporte aéreo, dentre eles, os direitos dos passageiros em casos de viagens afetadas por atraso de voo e cancelamento de voo. O autor tem direito ao reembolso, o reembolso é integral se o passageiro solicitar a devolução do dinheiro antes de embarcar. Assim, resta configurada a falha na prestação do serviço do réu o qual deve ser responsabilizado nos termos do art. 6 do CDC. trata-se, no caso, de o fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos, o que restou evidenciado. Comprovado a ocorrência na falha de prestação de serviços por parte da companhia aérea, o STJ possui entendimentos que o dano moral nesses casos decorre da surpresa, demora, desconforto, aflição e dos transtornos suportados pelo passageiro, não se exigindo prova por ser considerado in re ipsa Por conseguinte: A responsabilidade da companhia aérea é objetiva, pois "O dano moral decorrente de atraso de vôo opera-se in re ipsa. O desconforto, a aflição e os transtornos suportados pelo passageiro não precisam ser provados, na medida em que derivam do próprio fato" (AgRg no Ag 1.306.693/RJ, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, DJe de 6/9/2011). Tribunal local alinhado à jurisprudência do STJ. V – DO DISPOSITIVO ISTO POSTO, JULGO TOTALMENTE PROCEDENTE ESTA AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS AJUIZADA EM FAVOR DA XXX- TELEFONIA, CONFIRMANDO PARA TANTO,INDEFIRO TAMBÉM OS PEDIDOS DE INDENIZAÇÕES CONSISTENTES EM DANOS MATERIAIS E MORAIS, ENTENDO QUE TAL DEFERIMENTO ENSEJARIA O ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA DA REQUERENTE.