Prévia do material em texto
Gabriele Moraes – 04135934 Turma: 1NMA Curso: Direito PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL [indenização por danos materiais, indenização por danos morais, reembolso de valor integral de passagem aérea] AUTOR: JOÃO DA SILVA RÉU: COMPANHIA AÉREA VOAR ALTO Ltda. Sentença Trata-se de uma AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS E REENBOLSO DE PASSAGEM AÉREA COM VALOR INTEGRAL, ajuizada por JOÃO DA SILVA em face da COMPANHIA AÉREA VOAR ALTO Ltda., todos devidamente qualificados nos autos. O autor argumenta, em síntese que adquiriu uma passagem aérea para viajar de São Paulo com destino ao rio de janeiro, porém, uma semana antes da data prevista para o voo precisou cancelar devido a uma emergência médica. Embora tenha cancelado com uma semana de antecedência, A COMPANHIA AÉREA comunicou que só poderia reembolsar 50% do valor pago, justificando que essa era a política da instituição para cancelamentos com menos de 30 dias de antecedência e o autor alega que não foi informado sobre o caso. A ré alega que comunicou através do site comercial de sua instituição que havia essa cláusula, motivo pelo qual não há de se falar em não conhecimento da política da empresa. Requereu que o valor a ser pago integralmente e os danos causados fosse imediatamente normalizado. Requereu, a procedência da ação, bem como a condenação da ré ao pagamento de indenização por danos morais e materiais. Breve relatório. Passo a decidir. DA FUNDAMENTAÇÃO Trata-se de uma demanda em que se discute responsabilidade por reembolso de valor de passagem aérea e reparação por danos morais e materiais. Resta nos autos que o autor adquiriu originalmente uma passagem aérea demandada para o seguinte trecho: São Paulo > Rio de janeiro, voo 1666 programado para o dia 23/03/2024, com partida às 21h30 e chegada ao destino às 06h55 do dia 24/03/2024. Ocorre que o referido voo foi alterado pelo autor com uma semana de antecedência no dia 19/03/2024 e o autor alega que não foi informado sobre a política da empresa que só receberia 50% do valor. De um lado, o autor afirma que não foi informado sobre essa cláusula, tendo sido surpreendido no momento de ressarcir seu reembolso referente a passagem com a informação da impossibilidade do valor integral. O réu, por sua vez, informa que o valor parcial de passagens canceladas com menos de 30 dias de antecedência foi previamente informada ao autor em seu site comercial. Em que pese as escusas apresentadas pelo réu, não restou devidamente comprovado nos autos que a cia aérea demandada tenha comunicado ao passageiro sobre a política da companhia. O demandado não explica em que consiste esse meio de comunicação denominado. O demandado, assim, descumpriu o ônus probatório previsto na resolução n° 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) essa resolução trata sobre diversos tópicos relacionados ao transporte aéreo, dentre eles, os direitos dos passageiros em casos de viagens afetadas por atraso de voo e cancelamento de voo. O autor tem direito ao reembolso, o reembolso é integral se o passageiro solicitar a devolução do dinheiro antes de embarcar. Assim, resta configurada a falha na prestação do serviço do réu o qual deve ser responsabilizado nos termos do art. 6 do CDC. trata-se, no caso, de o fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. Outrossim, de acordo com o art. 51, incisos IV, do CDC, são nulas de pleno direito, entre outras, “as cláusulas contratuais que estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou seja, incompatíveis com a boa-fé ou a equidade”, o que restou evidenciado. Comprovado a ocorrência na falha de prestação de serviços por parte da companhia aérea, o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO – TJSP possui entendimentos sobre a restituição dos valores pagos integralmente e indenização por danos morais e materiais por motivos de força maior. Por conseguinte: Apelação - Responsabilidade civil – Ação de indenização por danos materiais e morais – Ilegitimidade "ad causam" afastada - Relação de consumo - Responsabilidade da requerida que é de caráter objetivo e solidária, nos termos do art. 7º e art. 25, § 1º, ambos do Código de Defesa do Consumidor, aplicável no caso vertente – Transporte aéreo – Pacote de viagem - Cancelamento por motivo de doença – Recusa à restituição da totalidade dos valores pagos pelas passagens aéreas - Caso fortuito que caracteriza justa causa para a rescisão contratual e exclui a cláusula penal – Restituição dos valores pagos pelas passagens aéreas que deve ser integral – Autor que também fazem jus à indenização por danos morais. O autor requereu uma indenização no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No caso concreto, levo em consideração para o arbitramento do dano moral o descumprimento à Resolução nº 400 da ANAC em relação ao dever de informação com antecedência, bem como os transtornos causados, cujas implicações e consequências já foram expostas acima, a indenização no valor de R$ 3,000,00 (três mil reais) em favor do autor, em razão dos danos morais suportados e de acordo com valores e parâmetros praticados em casos semelhantes. Quanto aos danos materiais, o autor despendeu o valor de R$ 50,00 (cinquenta reais) para o translado via Uber de sua casa até a companhia aérea > aeroporto, quando, na verdade, essa despesa deveria ser arcada pela própria cia aérea, conforme determina a Resolução 400 da ANAC. Assim, cumpre reconhecer o dano material no valor de R$ 50,00 (quarenta reais), cujo pagamento dar-se-á de forma simples. DISPOSITIVO Por todo o exposto, acolho a pretensão autoral, e nos termos do art. 487, I, CPC/2015, julgo PARCIALMENTE PROCEDENTE a demanda, condenando a parte promovida ao pagamento de indenização pelos Danos Morais no importe de R$ 3.000,00 (três mil reais), além de danos Materiais no valor de R$ 50,00 (cinquenta reais), a ser pago de forma simples, tudo em favor do autor. A importância do dano moral será corrigida monetariamente a partir deste ato sentencial, conforme súmula 362 do STJ, incidindo, ainda, sobre a base, juros moratórios de 1% ao mês a contar da citação. A importância do dano material será corrigida monetariamente desde a data do efetivo prejuízo, conforme súmula 43 do STJ, incidindo, ainda, sobre a base, juros moratórios de 1% ao mês a contar da citação. Condeno a parte ré ao pagamento das custas processuais, bem como em honorários advocatícios, os quais arbitro em 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação, com observância no art. 85, § 2º, do CPC/2015. Publicação e registros eletrônicos. Intimem-se. Transitada em julgado e não cumprida voluntariamente a obrigação pelo vencido, intime-se o autor para dar início ao cumprimento de sentença, na forma e no prazo do art. 523, CPC/2015, sob pena de arquivamento. BELÉM (Pa) ,03 de abril de 2024 Gabriele S. Moraes – Juiz(a) de Direitoimage1.png