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17/04/23, 22:03 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/16
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARQUEOLOGIA
AULA 3
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Ana Luíza Berredo
17/04/23, 22:03 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/16
CONVERSA INICIAL
Com base em conteúdos anteriores, foi possível se familiarizar com a temática arqueológica e
suas origens. Nesta aula, o objetivo é apresentar as formas de trabalho dos arqueólogos que envolve
atividades que são fundamentais para empreender pesquisas arqueológicas. A escavação,
compreensão da estratigrafia, identificação dos objetos e interpretação dos artefatos arqueológicos
são características desse trabalho, que envolve uma série de profissionais para pensar o fazer
arqueológico em equipe (História, Geologia, Biologia, Palinologia, Química, Física, Botânica,
Arquitetura, Geografia etc.), tornando a arqueologia uma ciência fascinante, mostrando toda a sua
diversidade e riqueza de detalhes que nos levarão a coletar dados, construir e testar hipóteses,
chegando aos resultados e interpretações.
TEMA 1 – ANTES DE IR A CAMPO
A escavação é uma das oportunidades mais aguardadas pelos arqueólogos, pois é nesse
momento que entrarão em contato direto com seus possíveis objetos de estudo. Porém, antes de ir a
campo, é necessário tomar algumas providências para que a atividade transcorra sem problemas.
1.1 A CONFECÇÃO DO PROJETO
Antes do início das escavações, é necessária a confecção de um projeto de pesquisa com os
estudos prévios, nomes dos trabalhadores envolvidos, etapas de pesquisa e determinação da
instituição de guarda do material que sair das escavações. Esse projeto deve ser autorizado pelo
governo brasileiro, pois os bens arqueológicos estão legalmente sob proteção da União, conforme
estabelece a Portaria n. 7 de 1 de dezembro de 1988 – que normatiza as formas de submissão de
projeto para autorização da emissão da Portaria de Permissão de Pesquisa Arqueológica – e a
Portaria Interministerial e Instrução Normativa n. 0001 de 25 de março de 2015 – que exige que, nos
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processos de licenciamento ambiental, cuja área tenha bens culturais, haja acompanhamento pela
supervisão de um arqueólogo (Brasil, 1988; 2015).
1.2 AS ETAPAS DE ELABORAÇÃO DO PROJETO
De acordo com Pereira (2017), a elaboração de um projeto é dividida em várias etapas que
podem ser resumidas em:
a. Elaboração;
b. Submissão ao IPHAN ;
c. Aprovação do projeto pelo governo;
d. Atividades de campo: prospecção e escavações de sítios arqueológicos;
e. Atividades pós-campo ou de laboratório que envolvem a curadoria do material obtido com o
projeto (higienização, catalogação, numeração e interpretação arqueológica dos artefatos);
f. Confecção dos relatórios (parciais e finais);
g. Educação Patrimonial.
TEMA 2 – INVESTIGAÇÃO PRÉ-ESCAVAÇÃO
Antes da escavação propriamente dita, os arqueólogos trabalham com o estudo prévio da área
em que farão o levantamento de todas as informações pertinentes que podem auxiliar a entender o
panorama ambiental e contextual do sítio arqueológico. Por exemplo, em sítios pré-coloniais, faz-se
um levantamento da produção bibliográfica prévia com o intuito de conhecer os trabalhos já
desenvolvidos na área para facilitar a escolha de qual a melhor estratégia metodológica adotar na
escavação de um sítio. Em sítios históricos, além do levantamento bibliográfico, também se utilizam
as fontes históricas como documentações escritas.
2.1 MALHA DE PROSPECÇÃO ARQUEOLÓGICA
A malha consiste no estabelecimento de quadrantes com distância mínima, que podem variar de
tamanho sendo os mais comuns: 1cmx1cm ou 2cmx2cm, formando quadrículas. Essa metodologia
facilita o trabalho, pois concentra os esforços nos quadrantes em que aparecem maior quantidade de
material arqueológico (Pereira, 2017).
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Esse método também é chamado de quadriculamento ou grids (feitos em esquema
alfanumérico, parecido com o que é utilizado em jogos como batalha naval). O quadriculamento
permite um trabalho mais acurado na área e necessita ser registrado em uma ficha de campo,
material fundamental para a composição do relatório de pesquisa, pois é no que se anotam as
informações sobre os materiais recuperados e suas relações, revelando o contexto em que foram
encontrados.
Pereira (2017) destaca que no quadriculamento são utilizados programas de geoprocessamento
para a demarcação dos pontos a serem prospectados, levando à necessidade de conhecimentos ou
de presença de um geoprocessador na equipe de pesquisa.
2.2 PROSPECÇÃO
Partindo do trabalho de Fogolari (2009), é possível inferir que a prospecção é uma intervenção
de pequeno porte no registro arqueológico que abrange coletas controladas, retificação de
barrancos e ravinamentos, diversos tipos de sondagens e decapagem de superfícies restritas. A
prospecção proporciona o detalhamento ambiental da matriz arqueológica e coletas amostrais
sistemáticas, permitindo a avaliação de extensão dos registros arqueológicos em subsuperfícies
(Fogolari, 2009, p. 130).
Em resumo, a prospecção pode revelar a potencialidade arqueológica presente em campo, antes
da abertura de escavações em área ampla. Se a prospecção demonstrar a existência de artefatos
arqueológicos, o pesquisador marca a área e pode realizar a delimitação de um sítio arqueológico.
TEMA 3 – A ESCAVAÇÃO
Esta etapa de trabalho pode ser feita mediante a delimitação do sítio, por meio das prospecções,
mas também por open-area, em que o arqueólogo pode escolher uma escavação total, em áreas
amplas na superfície do terreno.
Pereira (2017) chama atenção para o fato de que é interessante que seja selecionada uma das
áreas do sítio que deve ser deixada como bloco-testemunho, que não vai sofrer escavações ao longo
do projeto, pois é uma forma de preservação da estrutura inicial do sítio para que o arqueólogo
consiga sempre voltar ao estágio inicial da escavação.
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Segundo Fogolari (2009), é a intervenção detalhada no registro arqueológico que revela a
distribuição tridimensional das estruturas na matriz original. A escavação se apoia em métodos
complementares: superfícies amplas, limpeza do terreno, amarração planimétrica georreferenciada,
abertura de trincheiras e cortes. Além disso, permite a elaboração de plantas e modelagens digitais
de terreno e os registros arqueológicos escavados inserem-se em unidades geográficas de manejo
patrimoniais (Fogolari, 2009, p. 130).
3.1 FERRAMENTAS
As primeiras intervenções no solo podem ser feitas com ferramentas como o trado manual,
também conhecido como “boca-de-lobo”, que são muito utilizadas nas prospecções, permitindo
chegar a uma profundidade de 1m a 1,50m.
Figura 1 - Exemplo de prospecção utilizando o trado manual
Créditos: Gribanov/Adobe Stock.
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Outras ferramentas utilizadas são a pá de arqueólogo, trinchas ou pincéis, peneiras, baldes, sacos
para amostras, fichas identificadoras dos sacos com as Notações de Proveniência (NP) que
corresponde ao número do registro da ordem em que as peças foram encontradas em campo. Nas
NPs, é necessário que tenha a identificação do nome do sítio, local onde a peça foi encontrada,
profundidade, quadrícula e o tipo de material encontrado. Além disso, as fichas de campo e os
diários de campo são fundamentais para o trabalho, pois são nessas ferramentas em que são
registradas as principais anotações sobre a escavação. O arqueólogo precisa dessas informações para
a confecção dos relatórios que serão entregues ao final do trabalho.
Figura 2 - Escavação arqueológica mostrando os instrumentos utilizados em campo (baldes, pá de
arqueólogo, carrinhos de mão, enxadas, dentre outros)
Créditos: Compagnie-17/Adobe Stock.
Cabe destacarque o trabalho do arqueólogo consiste numa escavação que depreda e destrói o
sítio arqueológico; por isso, é fundamental que se faça todos os registros possíveis durante uma
escavação, descrevendo nos mínimos detalhes os aspectos da paisagem, estratigrafia (análise do tipo
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de solo e as camadas arqueológicas identificadas nos sítios), tipos de materiais encontrados, local e a
forma de deposição, seguindo as referências dos pontos cardeais, por exemplo. Tudo isso é
necessário, pois, uma vez que uma área é escavada, ela perderá seus aspectos originais e os artefatos
encontrados precisam de tratamento adequado para não se deteriorarem.
Figura 3 – Arqueólogo peneirando o sedimento encontrado durante escavação
Créditos: Gorodenkoff/Shutterstock.
Figura 4 – Funções dos arqueólogos durante escavação em sítio arqueológico que consiste em
observar a estratigrafia, escavar, desenhar, fotografar e apresentar os relatos da forma mais detalhada
possível
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Créditos: Sensvector/Shutterstock.
3.2 CONSERVAÇÃO DO MATERIAL EM CAMPO
Em “Manual da conservação arqueológica em campo”, Wanda Loredo (1994, p. 17) discorre
sobre a importância de se conhecer o ambiente do sítio para a conservação do material coletado,
uma vez que, por meio desse conhecimento, o pesquisador pode antever o tipo de material que será
encontrado, as suas condições de preservação e os problemas de conservação.
Com base nessas informações, o pesquisador pode estabelecer contato com os conservadores
que darão orientação quanto à maneira mais apropriada de manusear os objetos e quanto aos
métodos e às técnicas mais adequados de tratamento. Além disso, pode prever os gastos com
materiais, suprimentos ou equipamentos que poderão ser incluídos na parte orçamentária dos
projetos de pesquisa (Loredo, 1994, p. 17).
TEMA 4 – LABORATÓRIO
As informações veiculadas a seguir foram adaptadas do livro de Rodrigo Pereira (2017) e serão
apresentadas como um guia de como tratar os artefatos em laboratório. Após o fim do campo, os
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materiais resgatados do sítio arqueológico são levados para o laboratório e ocorre a separação dos
tipos de materiais:
a. Cerâmico;
b. Ósseo;
c. Malacológico ;
d. Construtivo;
e. Lítico;
f. Vítreo;
g. Ferroso;
h. Madeira;
i. Demais materiais encontrados.
4.1 PASSO A PASSO DO PROCESSAMENTO DOS MATERIAIS EM LABORATÓRIO
1. O primeiro passo é a lavagem de alguns materiais:
a. Líticos: utilização de escova com cerdas macias;
b. Ósseo , malacológico e madeira: só são higienizados quando possível por se tratar de
materiais muito frágeis;
c. Cordas, fibras e tecidos: material frágil, é recomendado que não se lave;
d. Cerâmica pintada: lavada com cuidado utilizando escova de cerdas macias ou as pontas
dos dedos;
e. Peças de barro: não devem ser lavadas, uma vez que pode ser verificada a presença de
elementos orgânicos que indicam possíveis hábitos de consumo.
2. Secagem ao ar livre (12 a 24h), ou o tempo que for necessário para a peça secar;
3. Peças numeradas e organizadas de modo a criar uma lista de materiais para cada tipo, levando
em consideração a NP vinda do campo;
4. Armazenamento preferencialmente em sacos ZIP ou Acrilon/etaflon para materiais mais frágeis;
5. Armazenamento na Reserva Técnica em caixas de acordo com a preferência da Instituição de
Guarda;
6. Instituições de Guarda: Museus e Laboratórios vinculados a Universidades. De acordo com
Pereira (2017), é importante que a guarda seja feita no mesmo Estado em que foi realizada a
pesquisa para que o patrimônio arqueológico não seja desconectado de sua origem geográfica.
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Figura 5 – Arqueólogos comparando as cores das cerâmicas
Créditos: Microgen/Adobe Stock.
Figura 6 – Arqueólogos registrando com câmera fotográfica as peças de lítico separadas e
etiquetadas em laboratório
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Créditos: Microgen/Shutterstock.
4.2 INTERPRETAÇÃO
A interpretação de um material arqueológico faz parte da confecção do relatório, que é feita
após todas as análises de laboratório, buscando relacionar esses resultados com as informações
obtidas em campo e com os levantamentos bibliográficos que foram feitos antes das escavações.
As interpretações são ampliadas com a participação de equipe multidisciplinar e vão depender
também das correntes teóricas escolhidas, dos tipos de análises e das perguntas a serem feitas aos
objetos. Para os sítios pré-históricos, os pesquisadores podem se apoiar nos levantamentos
bibliográficos, já para sítios históricos, além da bibliografia, é possível analisar as fontes históricas,
permitindo a confrontação de fontes históricas e arqueológicas para a construção de narrativas.
TEMA 5 – EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
A educação patrimonial faz parte dos projetos de pesquisas em arqueologia, pela necessidade
de levar os conhecimentos arqueológicos para o público em geral. São ações de propagação do
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conhecimento acerca do passado que ressignificam e atualizam não apenas o campo material das
relações, mas também imateriais (Pereira, 2017).
5.1 EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: EDUCAÇÃO CONSCIENTIZADORA
De acordo com Andrade (2019), apoiada em Florêncio et al. (2014),
a educação patrimonial constitui-se em processos educativos que destacam o Patrimônio Cultural,
apropriado socialmente como recurso para a compreensão sócio-histórica das referências culturais
em todas as suas manifestações, com o objetivo de colaborar para seu reconhecimento, sua
valorização e preservação [...] os processos educativos devem primar pela construção coletiva e
democrática do conhecimento através do diálogo permanente entre os agentes culturais e sociais e
pela participação efetiva das comunidades detentoras e produtoras das referências culturais, onde
convivem diversas noções de Patrimônio Cultural. (Andrade, 2019, p. 241)
Andrade (2019) continua ressaltando que a participação da comunidade juntamente com a
pesquisa arqueológica, auxilia no modo de interpretar os dados de maneira mais complexa e
apurada. As múltiplas narrativas aliadas à cultura material levam os grupos a contextualizarem e
trocarem experiências que tem como base o interessem no passado dos monumentos e dos lugares
históricos.
5.2 EDUCAÇÃO PATRIMONIAL COMO MEDIDA POLÍTICA E SOCIAL
A educação patrimonial tem caráter político, na medida em que trabalha com o reconhecimento,
por parte da comunidade e dos pesquisadores, de sua própria história cultural. Cabe destacar que é
necessário verificar o público-alvo e adequar a linguagem para que todos consigam ter acesso à
informação, envolvendo todos os participantes de um projeto, desde os pesquisadores, os auxiliares
de campo, transeuntes (caso seja um sítio arqueológico urbano) e escolas vinculadas aos projetos.
Assim, as pessoas deixam de ser expectadoras e se tornam sujeitos da história. É uma forma de
dar visibilidade às histórias que não tiveram espaços nos livros tradicionais.
Andrade apoiada em Freire (1996) acentua que a relação entre ensino e aprendizagem é mútua:
quem educa constrói conhecimento ao educar e quem é educado também educa durante seu
processo de construção do conhecimento. Não se trata de sujeito e objeto: ambos precisam ser
sujeitos nesses processos, e é nesse sentido que ensinar não é transmitir conhecimentos, pois não há
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educador sem educando. Ensinar demanda aprender criticamente, pensar e não apenas produzir
conteúdo em pessoas (Freire, 1996). A proposta de Freire pode ser integralmente aplicada à
educação patrimonial, pois preza pelo conhecimento compartilhado deforma coletiva com a
interação de todos os sujeitos.
Figura 7 - Exposição de peças arqueológicas em museus auxiliam no envolvimento das pessoas com
as narrativas do passado e na promoção da conscientização e apropriação do patrimônio
Créditos: Siberian Art/Adobe Stock.
NA PRÁTICA
A proposta de atividade consiste no exercício que é muito praticado pelos arqueólogos: observar
e descrever. Nesse sentido, escolha uma parede de um cômodo da sua casa e se imagine como um
arqueólogo que irá observar e descrever a área. Pegue seu diário de campo e descreva de modo
sucinto, em um texto corrido, as suas observações, como, por exemplo, os detalhes da parede,
objetos, rodapé etc.
Observe o exemplo a seguir:
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Créditos: Vanitjan/Shutterstock.
O cômodo escolhido é a sala que tem uma de suas paredes pintada na cor branca, rodapé de
madeira cor clara e piso de madeira clara. No lado direito, há um avanço da parede em formato de
“L”, em que, à sua frente, está posicionado um vaso com formato esférico na cor cinza e dentro do
vaso há uma planta. Do lado esquerdo da parede, há um detalhe em madeira, com luminária
pendurada e disposta próxima a uma cadeira de cor amarela, que tem ao seu lado uma mesinha
redonda de apoio para livros e um pequeno vaso com planta. Atrás da cadeira, há uma estante baixa
onde estão dispostos livros e um vaso com flores.
FINALIZANDO
Nesta aula, aprendemos de forma prática como se dá o trabalho do arqueólogo que começa
muito antes da escavação. O início dos trabalhos envolve a confecção de um projeto com teorias e
metodologias propostas para determinado sítio arqueológico em que são apresentadas as
estratégias de pesquisa que serão abordadas neste sítio.
Este projeto é submetido ao IPHAN e passa pela avaliação dos arqueólogos técnicos dessa
instituição que irão decidir pela viabilidade de execução do projeto. Quando aprovado, é emitida
uma portaria com a autorização para o desenvolvimento do trabalho e o arqueólogo (coordenador)
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reúne sua equipe e vai a campo escavar: por prospecção, sondagens ou em áreas de ampla
superfície. É necessário ter muito cuidado e apreço na execução da escavação, uma vez que escavar
significa destruir o lugar de trabalho. Por isso, devem ser registrados todos os mínimos detalhes que
serão fundamentais para a escrita do relatório final, em que os arqueólogos têm que apresentar os
dados e resultados das pesquisas.
Após as escavações, os materiais são levados para o laboratório onde serão separados por tipo,
lavados (quando viável), secos e analisados detalhadamente para que os arqueólogos possam tentar
identificar a relação dos objetos, com os sujeitos que os criaram e com a paisagem, sempre se
atentando para o contexto e a estratigrafia na qual os artefatos foram encontrados.
Em seguida, é a vez de colocar os resultados das pesquisas disponível para toda a comunidade.
Aliás, o trabalho de educação patrimonial não é feito somente no final da escavação ou etapa de
laboratório, mas sim antes, durante e depois da escavação. Isso porque é de interesse do fazer
arqueológico que a comunidade participe e se sinta integrada à pesquisa, de modo a se identificar
com a cultura material em questão e reconhecer a questão patrimonial dos sítios arqueológicos. A
ideia é integrar a comunidade ao fazer arqueológico para que juntos consigam criar novos olhares
para o patrimônio cultural.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, C. Educação Patrimonial Em Arqueologia: A Dinâmica Das Práticas Evidenciando
Redes De Conhecimento. Revista De Arqueologia, [S. L.], v. 32, n. 2, p. 239-255, 2019.
BRASIL. Ministério da Educação e Saúde Pública. Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional. Portaria n. 7, de 1º de dezembro de 1988. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 dez.1988.
BRASIL. Ministério da Cultura. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Instrução
Normativa n. 0001, de 25 de março de 2015. Diário Oficial da União, Brasília, 26 mar. 2015.
FOGOLARI, E. Gestão em projetos de arqueologia. Erechim: Habilis, 2009
FLORÊNCIO, S. R.; CLEROT, P.; BEZERRA, J.; RAMASSOTE, R. Educação Patrimonial: histórico,
conceitos e processos. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 2014.
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FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e
Terra, 1996.
LOREDO, W. Manual de conservação em arqueologia de campo. Revisão: Ayla Pereira de Melo –
Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural. Departamento de Proteção. 1994.
NEVES, W. A. Um esqueleto incomoda muita gente… Campinas: Editora da UNICAMP, 2013.
PEREIRA, R. Arqueologia, Patrimônio Material e legislação: Conceitos, aplicações e
perspectivas. Editora InterSaberes. 2017.
 Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
 Extensão de um poço-teste que permite a visualização ampliada das camadas sedimentares
que formam um sítio e suas possíveis continuidades e descontinuidades; são como janelas do sítio
arqueológico (Pereira, 2017).
 Referente aos vestígios deixados por moluscos.
 Para mais informações sobre curadoria de ossos humanos verificar: NEVES, W. A. Um
esqueleto incomoda muita gente… Editora da UNICAMP, Campinas, 2013.
 
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