Prévia do material em texto
Protocolos de avaliação 2 PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL, SEM AUTORIZAÇÃO. Lei nº 9610/98 – Lei de Direitos Autorais 3 Para contextualizar, a identificação precoce do transtorno do espectro autista (TEA) está estreitamente relacionada a intervenções mais eficazes (Green et al., 2015; Pierce et al., 2011; Valicenti-McDermott, Hottinger, Seijo, & Shulman, 2012). Para tanto, necessita-se da avaliação de repertório, nas mais diferentes áreas do desenvolvimento humano, sendo no comportamento, na comunicação, no motor, no sistema cognitivo e entre outros. Em relação a avaliação comportamental, entende-se que ela envolve a coleta e a análise de informações e dados, a fim de identificar e descrever o comportamento-alvo, além de identificar possíveis causas para o comportamento, selecionar estratégias de tratamento adequadas para modificar o comportamento e avaliar os resultados desse tratamento. O objetivo da avaliação comportamental consiste em identificar déficits ou excessos, identificar causas de problema de comportamentos atuais, fornecer informações que possam ajudar no planejamento de intervenções e avaliar os efeitos das intervenções, dessa forma, concluiremos se a intervenção em relação a instauração de comportamento foi efetiva ou não. E, caso não tenha dado certo é necessário refazer esse plano interventivo. Marques e Bosa (2015) dissertam que o chamado “Protocolo de Avaliação para Crianças com Suspeita de Transtornos do Espectro do Autismo” (PRO-TEA) foi idealizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Transtornos do Desenvolvimento (NIEPED/UFRGS), no ano de 1998 e, posteriormente, aprimorado em 2007. Segundo os autores, esse protocolo é resultante da sistematização da observação clínica em avaliações e reavaliações de crianças com suspeita de TEA, quando não se tem instrumentos internacionais validados para essa análise. De acordo com Marques e Bosa (2015), o PRO-TEA é utilizado por diferentes especialistas, como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, há muitos anos, em várias regiões do Brasil, apontando para a urgência no exame de suas propriedades psicométricas, para operacionalizar o diagnóstico do autimos com base no DSM-V. "O instrumento é de rápida aplicação por meio de observação direta da criança em interação com um adulto (pais e/ou profissional) e requer um conjunto de brinquedos de baixo custo e fácil reposição. Os itens do protocolo contemplam a tríade de comprometimentos, levando em consideração a frequência, intensidade e peculiaridade dos sintomas, assim como registros qualitativos, a partir de resultados de pesquisas na área. Contudo, havia uma necessidade de refinamento deste instrumento, tanto em termos de readequação de itens que se mostravam ambíguos quanto de busca de evidências de validade, examinando-se em que medida seus itens identificavam peculiaridades dos comportamentos do espectro, que distinguiriam estas crianças de outros grupos" (e.g.: atraso de desenvolvimento) (MARQUES; BOSA, 2015, p. 44). Existem diferentes etapas contidas na avaliação comportamental. A primeira etapa é a avaliação de triagem, entenderemos qual é o problema que leva o sujeito a procurar ajuda. Ele precisa descrever o que geralmente faz ou diz quando enfrenta algum problema, há quanto tempo vem ocorrendo o problema (entender a temporalidade ou frequência), se ele consegue dizer o que desencadeia o problema (intensidade) e o que 4 costuma acontecer imediatamente após o problema (disparador). A segunda etapa consiste na própria avaliação comportamental, na qual temos diferentes instrumentos especializados utilizados, além da aplicação de protocolos. O Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program – VB - MAPP, é o instrumento avaliativo para o comportamento do sujeito que possui alguns elementos de observação. Por meio dele entendemos qual é o repertório comportamental e o que ele sabe e sua avaliação é baseada em marcos, isso significa que, ela analisa como o paciente está, levando em consideração o desenvolvimento típico do paciente. O VB-MAPP funciona em três níveis. São eles: Nível 1: 0 a 18 meses Nível 2: 18 a 30 meses Nível 3: 30 a 48 meses Dentro de cada divisão, existem diferentes habilidades, tais como o Mando, o Tato, a imitação motora,as habilidades de grupo e pré-acadêmicas. Além disso, são avaliadas 24 possíveis barreiras para o aprendizado, como comportamento hiperativo e baixo contato visual, por exemplo. Por fim, a terceira etapa equivale a análise da avaliação, na qual, é partilhado um feedback para o paciente, é feita aplicação de novos testes (se necessário), e uma proposta interventiva é feita para esses comportamentos apresentados ou essas habilidades faltantes. 5 Referências BOSA, Cleonice Alves; ZANON, Regina Basso; BACKES, Bárbara. Autismo: construção de um Protocolo de Avaliação do Comportamento da Criança–Protea-R. Psicologia: teoria e prática, v. 18, n. 1, p. 194-205, 2016. GIOIA, Paula Suzana; GUILHARDI, Cintia. Protocolo comportamental de avaliação e intervenção precoces para bebês de risco autístico. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, v. 20, n. 3, p. 118-135, 2018. HAGE, Simone Rocha de Vasconcellos; PEREIRA, Tatiane Cristina; ZORZI, Jaime Luiz. Protocolo de Observação comportamental-PROC: valores de referência para uma análise quantitativa. Revista CEFAC, v. 14, p. 677-690, 2012. MARQUES, Daniela Fernandes; BOSA, Cleonice Alves. Protocolo de avaliação de crianças com autismo: evidências de validade de critério. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 31, p. 43-51, 2015.