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EXCELENTÍSSIMA SENHORA DOUTORA JUÍZA DE DIREITO DA 44ª VARA 
CIVIL DA COMARCA DE VÁRZEA GRANDE – MT. 
 
 
Proc. n.º 3000000/2004 
CONSTITUIÇÃO DE SERVIDÃO ADMNISTRATIVA 
Req.te: Fredd Oliveira 
Req.dos: Empresa de energia 
 
 
JUDIVAL MADUREIRA LÉ FILHO, engenheiro civil, Assistente 
Técnico indicado pela parte requerida, na ação que esta move contra Fredd 
Oliveira e outros, no processo em epígrafe, tendo feito as diligências 
necessárias e não podendo concordar com o LAUDO JUDICIAL, vem a 
presença de V.S. a apresentar as razões de seu: 
PARECER TÉCNICO 
DIVERGENTE RESUMO DAS 
DIVERGÊNCIAS 
1. EQUÍVOCO NO VALOR OFERECIDO NA INICIAL. 
 
2. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA DEPRECIAÇÃO DE TODAS AS 
ÁREAS. 
 
IMPORTANTE: Todos os itens apontados referem-se a fatos objetivos, que não 
dependem de opinião. 
 
1. PRELIMINARES 
 
A empresa de energia elétrica do Mato Grosso propôs a desapropriação 
do imóvel situado em Várzea Grande, nº. 1316, denominado Gaioso. 
Para tanto ofereceu a quantia de R$ 180.000,00, apurado em perícia 
técnica, conforme alegado na inicial. 
 
 
2. CARACTERÍSTICAS DO IMÓVEL 
 
Imóvel urbano situado na Avenida Bandeirantes, num local chamado de 
“gaioso”, e seu respectivo terreno que totaliza uma área total de 92.500 m2. 
Concordamos com o laudo pericial quanto à Localização do Imóvel, 
Melhoramentos Públicos e confrontante. 
Se levarmos em conta somente números brutos, como valor pago pela 
prefeitura de Várzea Grande pelo m² de desapropriação, que é de R$ 23,65, 
sendo assim um bom parâmetro, o valor de R$ 358.841,45 não seria inadequado. 
Porém, este valor não será utilizado, uma vez que o local em questão depende 
de outras variáveis. 
 
3. AVALIAÇÃO 
 
3.1 VALOR DE DESVALORIZAÇÃO DA ÁREA EXPROPRIADA 
 
Não podemos concordar com o valor de desvalorização do expropriado, 
uma vez que uma análise somente pelo valor pago por m² x área remanescente é 
de certa forma infundada na análise pericial, uma vez que a linha de transmissão 
e a estrada da mesma abrangem lotes aleatórios e que não seguem uma ordem 
de desapropriação pensada, abrangendo o número mínimo de lotes possíveis e 
um caminho menos invasivo, e sim, segue a topografia mais adequada para a 
transmissão de energia (FUCHS, 1977). Para uma análise mais real, define-se, 
de início, a força do ato expropriatório: 
Fexp = A exp x V m² 
Onde: 
A exp = área expropriada 
Vm2 = Valor do m2 médio para terra nua da área primitiva (área total do 
imóvel). 
Assim, o valor de Fexp = 15.173 m² x 16,67 R$/m² = R$ 252.933,91. 
Segundo Pellegrino (1983), os danos podem ser distribuídos em 3 classes, 
sendo elas: incômodos, riscos e restrições de uso. O fator de ponderação para as 
mesmas são, respectivamente, 7%, 3% e 90%. Como nas terras remanescentes, 
não houveram fatos que inutilizassem seu uso, o fator de distribuição equivale a 
100% da força expropriatória: 
F dist = 1 * R$ 252.933,91 = R$ 252.933,91. 
Uma vez que toda esta faixa de terreno está comprometida pela linha de 
alta tensão, o valor indenizado é de R$ 252.933,91. 
 
 
3.2 VALOR DE DESVALORIZAÇÃO DA ÁREA REMANESCENTE 
 
Não podemos concordar com o valor de desvalorização do remanescente, 
uma vez que, segundo MARCONDES (2008), deve-se levar em conta um fator de 
impacto nas terras com desapropriação parcial. 
Conforme consta na perícia do Sr. Eng. Civil Edmilson Pinho de Sá, na 
pergunta 3 de respostas ao requerido, o mesmo informa que os riscos, 
incômodos e restrições ao uso que alteram o planejamento da propriedade, e 
também, conforme protocolo 3609 de 28/11/2000, para a regulamentação de 
execução de loteamento urbano, a faixa de servidão administrativa impede a 
continuidade da aprovação de projeto. 
Conforme avaliação deste que lhes fala, definiu-se assim que o impacto 
nas áreas remanescentes é de grau médio, ou seja, de 2, por conta do imbróglio 
a respeito da execução do loteamento urbano. 
Como a área remanescente é de 77.327 m² (92.500 m² - 15.173 m² = 
77.327 m²), calcula-se o fator de impacto de acordo com este valor de área 
remanescente. 
Desvalorização = Área remanescente x F impacto 
Desvalorização = (77.327 m² x 16,67 R$/m² = 1.289.041,09) x 0,02 = R$ 
25.780,8218. 
Sendo assim, a avaliação da desvalorização do remanescente, de acordo 
com o fator de impacto, é de R$ 25,780,82. 
 
3.3 VALOR FINAL DA INDENIZAÇÃO 
 
Conclui-se então, que o valor final da indenização é de R$ 278.714,73, 
segundo os métodos aqui aplicados. 
 
 
 
 
 
4. ENCERRAMENTO 
 
O presente PARECER TÉCNICO é composto por 03 (três) laudas 
digitalizadas e rubricadas, sendo esta via devidamente assinada e datada. 
 
Nos anexos encontram-se juntadas fotografias e pesquisa de valores. 
 
 
 
 
 
Campo Grande, 25 de agosto de 2013. 
 
 
 
 
 
 
 
Judival Madureira Lé Filho 
Eng.ºCivil CREA 42.102-D/CE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
FUCHS, R.D., “Transmissão de Energia Elétrica: Linhas Aéreas,” Livros 
Técnicos e Científicos, 1977. 
 
MARCONDES, Gandhi Furtado. Avaliação de Danos em Servidão de 
Passagem. Artigo Técnico. São Paulo, 2008. 
 
PELLEGRINO, José Carlos. Engenharia de Avaliações. Editora Pini, 1983.

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