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Língua Portuguesa - Interpretação de texto II IM PR IM IR Voltar GA BA RI TO Avançar 71 164. Unifor-CE Infere-se do texto que: a) no mundo atual, marcado por situações de extrema violência, os videogames signifi- cam proteção para os jovens. b) a tendência a viver em grupo leva o jovem, muitas vezes, a um tipo de diversão violen- to e cruel. c) o costume de não fazer perguntas induz o jovem a isolar-se do mundo, tanto dos adultos quanto dos outros jovens como ele. d) é possível desenvolver-se um tipo de videogame que ensine às crianças como viver e divertir-se em grupo. e) o relacionamento social é necessário para que se desenvolvam comportamentos con- siderados normais e sadios. Texto para as questões de 165 a 168: “Um sonho de simplicidade Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou os amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas? Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo, assim, a escolher um pano colorido para amarrar no pescoço. A vida bem poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava a água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça. Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo do Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barran- ca, no meio do mato, e chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquen- tamos um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca — foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos. ……………………………………… Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas… Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa. Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número… Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver — sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.” BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. São Paulo: Círculo do Livro. s/d, p. 3267. 165. Uneb-BA No texto, o narrador: a) questiona o artificialismo do convívio social. b) revela-se cauteloso na defesa de um outro estilo de vida. c) cobra do ser humano uma atitude em face da vida que coincide com o Carpe Diem. d) estabelece proximidade entre o viver urbano e o viver rural. e) requer da sociedade uma postura mais solidária no convívio social. 166. Uneb-BA “Um sonho de simplicidade”, para o narrador, seria ter uma vida: a) ligada aos bens/riquezas materiais. b) despojada, cuidando tão-somente de um viver filantrópico. c) em que o relacionamento entre as pessoas atendesse a convenções. d) em que a atividade física fosse intensa e servisse de bálsamo para a alma. e) de evasão para um mundo de sonhos, em detrimento do mundo real. Língua Portuguesa - Interpretação de texto II IM PR IM IR Voltar GA BA RI TO Avançar 72 167. Uneb-BA O narrador: a) no primeiro parágrafo, afirma a inutilidade de sonhar com outras formas de viver. b) no segundo parágrafo, revela uma consciência crítica do seu comportamento urbano. c) no terceiro parágrafo, põe em destaque a necessidade de afeto no relacionamento humano. d) no quarto parágrafo, enfatiza as dificuldades que o homem enfrenta na vida rural. e) no penúltimo parágrafo, apresenta a quebra da rotina da vida como inviável. 168. Uneb-BA A alternativa cujo fragmento apresenta a mesma idéia do narrador no parágra- fo final, é: a) “Os livros são objetos transcendentes / Mas podemos amá-los do amor táctil”. b) “Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso / (E, sem dúvida, sobretudo o verso) / É o que pode lançar mundos no mundo”. c) “Caminhando contra o vento / sem lenço, sem documento / No sol de quase dezembro / Eu vou”. d) “Enquanto os homens exercem seus podres poderes / Índios e padres e bichos, negros e mulheres / E adolescente / Fazem o carnaval”. e) “Sei que a arte é irmã da ciência / Ambas filhas de um Deus fugaz / Que faz num momento e o mesmo momento desfaz”. Texto para as questões de 169 e 170: “Vida menor A fuga do real, ainda mais longe a fuga do feérico, mais longe de tudo, a fuga de si mesmo, a fuga da fuga, o exílio sem água e palavra, a perda voluntária de amor e memória, o eco já não correspondendo ao apelo, e este fundindo-se, a mão tornando-se enorme e desaparecendo desfigurada, todos os gestos afinal impossíveis, senão inúteis, a desnecessidade do canto, a limpeza da cor, nem braço a mover-se nem unha crescendo. Não a morte, contudo. Mas a vida: captada em sua forma irredutível, já sem ornato ou comentário melódico, vida a que aspiramos como paz no cansaço (não a morte), vida mínima, essencial; um início; um sono; menos que terra, sem calor; sem ciência nem ironia; o que se possa desejar de menos cruel: vida em que o ar, não respirado, mais me envolva; nenhum gasto de tecidos; ausência deles; confusão entre manhã e tarde, já sem dor, porque o tempo não mais se divide em sessões; o tempo elidido, domado. Não o morto nem o eterno ou o divino, apenas o vivo, o pequenino, calado, indiferente e solitário vivo. Isso eu procuro.” ANDRADE Carlos Drummond de. In: Antologia poética. Rio de Janeiro: Record, 1993, p. 234-5.