Prévia do material em texto
O infarto agudo do miocárdio (IAM) é a principal manifestação clínica associada à morbidade cardiovascular. O tratamento do IAM objetiva salvar o miocárdio e é melhor obtido quando o diagnostico é realizado o mais breve possível. Por isso, os marcadores laboratoriais de doença cardíaca são essenciais para o diagnóstico. Os marcadores cardíacos mais utilizados são: • Aspartato aminotransferase(AST/TGO) • Creatino fosfoquinase fração MB (CK-MB) Enzimático e Massa • Lactato desidrogenase (LDH) • Creatino fosfoquinase (CK ou CPK) • Aspartato aminotransferase(AST/TGO) • Mioglobina • Troponinas: cTnI e cTnT Processo investigativo de IAM, a sociedade brasileira de cardiologia preconiza que no processo investigativo de IAM devem ser usados pelo menos marcadores: • Precoce - mioglobina e CK-MB • Tardio definitivo - CK-MB e troponina As troponinas são consideradas o padrão-ouro, devendo-se considerar que elas podem se elevar diante de pequenos (micro) infartos. Contudo são liberadas mais tardiamente. Mioglobina e CK-MB são liberados precocemente após IAM, mas são menos especificas que a troponina. ASPARTATO AMINOTRANSFERASE (AST): é uma enzima catalizadora de reações, atua na síntese e degradação de aminoácidos. Pode se alterar em problemas no miocárdio, pulmonares, hepáticos e músculo esquelético. Após o IAM aumenta de 6 a 8 horas, o pico é de 18 a 24 horas (os valores excedem 5 a 10 vezes o normal), os níveis voltam a serem normais de 4 a 5 dias após o IAM. O valor de referência é até 40 U/L. Em doenças hepáticas os valores excedem em ate 20 vezes os níveis normais. • Sensível – cerca 80% dos pacientes com IAM tem alterações. • Inespecífica – pode ocorrer por doenças em outros órgãos. Pouco utilizada no diagnóstico de IAM. LACTATO DESIDROGENASE (LDH): é uma enzima que atua na catalise de oxidação do lactato á piruvato, presentes no miocárdio, eritrócito, pulmão, linfócito, baço, pâncreas, fígado e músculos. Apresenta 5 isoenzimas distribuídas pelos órgãos, sendo elas: LD1, LD2, LD3, LD4 e LD5. Sendo LD1 e LD2 mais presentes no miocárdio (IAM: LD1>LD2), se elevam após 24 horas do início do IAM e persistem por 10/14 dias. Valor de preferência: até 480 Ul/mL. CREATINO FOSOFOQUINASE (CK ou CPK): são isoenzimas presentes nos tecidos musculares (cardíaco e esquelético) e cerebral. Sua função é impedir que haja rápida depleção de ATP, abastecendo os músculos com fosfato de alta energia. É mais específica para problemas cardíacos, existem como três isoenzimas dimericas: • CK-Mt: associada a mitocôndria; • CK-BB – (CK-1): principalmente no tecido cerebral, raramente presente no sangue; • CK-MB – (CK-2): hibrida, predominantemente presente no miocárdio; • CK-MM – (CK-3): músculo esquelético e cardíaco; CREATINO FOSFOQUINASE TOTAL: é um excelente marcador para diagnostico de IAM e doença muscular, pois se eleva rapidamente. Pode ser medida na forma total (CK) ou pelas suas frações (CK-MB e CK-MM). A CK total é útil no diagnostico de IAM, possui a desvantagem de também estar presente nos músculos esqueléticos e deve ser avaliada junto com sinais e sintomas do paciente e com outros marcadores de IAM. A concentração plasmática aumenta de 4 a 8 horas, o pico é de 12 a 24 horas e os níveis normais voltam de 3 a 4 dias. Valores de referência: mulheres – até 175 ng/mL e homens – até 180 ng/mL. CREATINO FOSFOQUINASE FRAÇÃO MB (CK-MB): é a fração mais abundante na fibra cardíaca do que em outro tecido do corpo, é utilizada para verificar a extensão do IAM e avaliar o prognóstico. Para aprimorar a especificidade da creatinoquinase pode-se calcular o índice relativo (é o percentual de CK-MB), sendo: Índice relativo = 100% x (CK-MB/CK total) índice relativo < 4% - Músculo esquelético; Índice relativo > 4% < 25% - Músculo cardíaco e Índice relativo > 25% - Macro-CK Detecção de CK-MB sérico CK-MB enzimática é feito pelo método colorimétrico e detecta a atividade enzimática. CK-MB massa é um método imunométrico e detecta sua concentração independente de sua atividade, incluindo enzimas ativas e inativas. Vantagens: detecta lesões no miocárdio 1 a 2 horas antes que o teste CK-MB enzimática. Desvantagens: pode gerar falso positivo, pois detecta CK-MB oriundos á danos nos músculos lisos e esqueléticos. Valores de referência: CK-MB enzimático – até 25 UI e CK-MB massa – até 5,1 ng/mL; MACRO-CK: são enzimas macromoleculares, apresentam-se em dois complexos (macro-ck1: complexo de CK-BB ou CK-MM Ligado à IgA ou IgG – associada à quadros de miosite e processos autoimunes; macro-ck2: complexo de origem mitocondrial – associado a neoplasias). Para identificar a presença de macro-ck é realizado o cálculo de índice relativo e teste de termoestabilidade, a diferença entre a dosagem antes e depois da incubação fornece a real atividade de CK-MB. EX: CK-MB antes do aquecimento = 70 UI CK-MB após aquecimento = 40 UI ou seja 70 – 40 = 30 UI. MIOGLOBINA é um hemeproteina presente no músculo esquelético e cardíaco, é responsável por carear o O2 na fibra muscular e representa assim 2% da proteína total do músculo. Se eleva em 2 horas após início de IAM e alcança o pico máximo entre 2-12 horas e normaliza de 24 a 36 horas. A mioglobina possui baixo peso molecular, é eliminada rapidamente pelo rim em valores mais baixos, no reinfarto os valores voltam a subir. Pode se elevar-se também: • Rabdomiólise (destruição da fibra muscular por diversas patologias) • Lesão muscular esquelética • Atrofia muscular progressiva • Insuficiência renal grave • Uso de cocaína Valor de referência: Até 70 ng/mL TROPONINA são proteínas que atuam na regulação da contração muscular. Existem 3 tipos: Troponina I: subunidade inibidora de actina; Troponina C: subunidade ligada ao Ca2+ e reguladora da contração; Troponina T: subunidade ligada a miosina; Troponina I e T são os marcadores mais utilizados no diagnóstico de IAM; Vantagem em relação à CK-MB: a Troponina (cTnI) tem maior especificidade para lesão do miocárdio – CK-MB pode ser oriunda de outros tecidos. Já a Troponina permite detectar pequenas lesões no miocárdio – lesões muito pequenas não produzem aumento considerável de CK-MB. DETECÇÃO DA TROPONINA: é realizada por teste rápido de imuno cromatografia; Teste qualitativo A Troponina I (cTnI) presente na amostra se liga ao anticorpo anti-cTnI formando um complexo antígeno- anticorpo. Este complexo flui pela área absorvente da placa teste, se ligando ao reagente de captura. Amostra - Sangue total (EDTA), soro ou plasma. No sangue, a Troponina l é estável por 2 dias entre 2 - 8 ºC, Para manter a sua estabilidade por um período maior, congelar a -20 ºC. Teste quantitativo – imunoensaio quimioluminescênte ou eletroquimioluminescênte. Utiliza anticorpos monoclonais específicos – reação antígeno-anticorpo. Amostra – Soro (mais comum) ou plasma (depende do equipamento) Interferentes: os principais interferentes analíticos nas dosagens de troponina são hemólise, lipemia intensa e anticorpos heterofilos (produzidos contra imunoglobulinas animais, induzidos a partir de vacinas, contato ambiental ou doenças autoimunes). Diversos kits comerciais com diferentes características metodológicas - o laboratório deve analisar criteriosamente a bula do kit diagnóstico utilizada para verificar o tipo de amostra e a ação dos possíveis interferentes. Valor de referência: Até 1 ng/mL QUADRO COMPARATIVO DA VIDA MÉDIA DOS MARCADORES DE IAM