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VOLUME 1 | Ciências da natureza e suas tecnologias 115 A doença pode apresentar duas formas principais, a pri- meira dela é a Leishmaniose Tegumentar, que é a mais ca- racterística, com lesões na pele que podem ser rapidamente combatidas pelo próprio organismo, deixando uma cicatriz incompleta (atrófica). A outra forma é a Leishmaniose Visceral, sendo a mais grave e adquirida a partir da picada do mosquito sobre uma área exposta da pele, podendo provocar feridas graves (úlce- ras), que justificam o segundo nome da doença “úlcera-de- -Bauru”, e podendo ainda ser assintomática O tratamento é feito a partir do uso de medicamentos específicos, podendo ser curada, além disso, é muito comum o monitoramento da doença em áreas endêmicas, principal- mente no Brasil, Peru e Bolívia. 1.4 Toxoplasmose A toxoplasmose é uma doença causada pelo agente etioló- gico Toxoplasma gondii e, diferente das demais, não possui um vetor, nesse caso, existem dois hospedeiros, sendo o homem o hospedeiro intermediário (podendo também ser aves, roedores e outros mamíferos) e os felídeos como hospedeiros definitivos. O início do ciclo da doença se dá quando gatos domésti- cos, por exemplo, se alimentam de ratos infectados com oo- cistos maduros, sendo assim: • Primeiro ciclo - felinos - ciclo sexuado 1. Ingestão de oocistos maduros em fezes e urina de roedores, a partir disso, os parasitas eclodem em for- mas que podem se locomover na corrente sanguínea do seu hospedeiro. 2. Essas formas móveis recebem o nome de taqui- zoitos e podem formar cistos no tecido nervoso e muscular do seu hospedeiro, nos felinos, essa forma migra para o sistema digestório. 3. Já no sistema digestório, o parasita realiza reprodu- ções sexuadas, resultando em inumeros oocistos, que são eliminados nas fezes • Segundo ciclo - ser humano - ciclo assexuado 4. As fezes contaminadas pelo parasita se encontram na terra, na água, na areia e em diversos lugares de fácil contato pelos humanos. Um organismo se torna infectado ao ingerir os oocistos presentes no ambiente 5. Os oocistos eclodem em formas móveis dos parasitas que circulam na corrente sanguínea e se alojam nos tecidos, criando cistos, que acometem principalmen- te o tecido nervoso, muscular esquelético e cardíaco, cerebral e ocular. fonte: mouRA, AmendoeiRA & bARbosA, 2009. Biologia 116 Uma outra forma de transmissão pode acontecer por via transplacentária, ou seja, a partir de uma mãe infectada, durante a gestação, o parasita pode alcançar o embrião por meio da placenta. Hoje em dia, com o avanço da medicina, esse método de contágio já não é mais tão comum, mesmo ainda sendo motivo de atenção entre gestantes. A toxoplasmose pode apresentar uma alta variedade de quadros clínicos, desde assintomáticos, com sintomas leves e gripais como febre, dores de cabeça e no corpo e mal estar, até sintomas mais sérios, como convulsões e danos cerebrais irreversíveis. O tratamento da toxoplasmose se dá por meio de medi- camentos específicos e pode ser feito em qualquer estágio da doença, no caso de gestantes, hoje em dia existem inúmeros métodos de tratamento para evitar que a doença seja trans- mitida de modo transplacentário. A prevenção da doença se dá principalmente pelos hábi- tos de higiene, como lavar as mãos frequentemente, além de evitar o contato com excreções de gatos e evitar o consumo de carne crua ou mal cozida. 1.5. Amebíase Também conhecida como disenteria amébica, a amebía- se é uma doença sanitária, ou doença de veiculação hídrica causada pelo protozoário Entamoeba histolytica. Por se tratar de uma doença hídrica, é muito mais comum em re- giões onde a disponibilidade de saneamento básico é insufi- ciente ou, simplesmente, não existe. Essa parasitose não apresenta vetor, e existe um único hospedeiro no seu ciclo, que pode ser o homem ou outros mamíferos, como cães, gatos e gado. A transmissão ocorre única e exclusivamente pela ingestão de água e alimentos contaminados, assim: • Ciclo monoxênico (1 único hospedeiro) 1. Ingestão de água e alimentos contaminados com os cistos do parasita. 2. Os cistos alcançam o intestino delgado e eclodem no estágio de trofozoíto, migrando até o intestino grosso, onde se fixam na mucosa intestinal. 3. É no intestino delgado grosso que os parasitas pas- sam a se alimentar a partir dos nutrientes do hospe- deiro e se multiplicam incessantemente. 4. Os parasitas se desprendem da mucosa intestinal e se encistam novamente, sendo eliminados pelas fezes em solo e água, reiniciando o ciclo. Amebíase fonte: https://imAGes.App.Goo.Gl/lKQsm8Au6hKh7tdh9 A amebíase possui cura e o seu tratamento é feito a partir de medicamentos específicos que possuem ação tanto nos cistos quanto nos organismos adultos, a mortalidade não é comum, e se faz presente nos locais associados com quadros de desnutrição infantil, como acontece em alguns países africanos e asiáticos. Os sintomas se igualam com a maioria das parasitoses intestinais, assim, temos a dor e a cólica abdominal, perda de peso e febre, e o sintoma mais recorrente e característico é a forte disenteria que pode, ou não, estar associada com sangue ou muco. O parasita pode ferir gravemente as paredes do intestino, o que pode resultar em doenças associadas, como a anemia e problemas intestinais graves, mas isso depende do grau de avanço da doença e do grau de nutrição do paciente. Como qualquer outra doença de veiculação hídrica, os método preventivos envolvem principalmente a higiene sa- nitária, ou seja, além dos hábitos de higiene como lavar os alimentos antes de consumir, lavar as mãos e frutas e verdu- ras, existe também a necessidade da disponibilização de sa- neamento básico para áreas mais desfavorecidas, impedindo o contato de novos hospedeiros com o cisto do parasita. VOLUME 1 | Ciências da natureza e suas tecnologias 117 1.6. Giardíase A giardíase também configura uma parasitose que depende diretamente das condições sanitárias, podendo também ser clas- sificada como uma parasitoses intestinal de veiculação hídrica. É causada pelo protozoário Giardia lamblia, que também pode ser chamada de G. duodenales ou G. in- testinales. É prevalente em regiões com pouca ou nenhu- ma disponibilidade de saneamento básico e, assim como a amebíase, possui uma baixa mortalidade, principalmente em locais mais desfavorecidos socioeconomicamente. O ciclo da doença não envolve vetores e conta somente com um único hospedeiro, sendo principalmente o ser huma- no, mas pode também infectar animais domésticos, gado e outros mamíferos. • Ciclo monoxênico (1 único hospedeiro) 1. A contaminação se inicia com a ingestão de cistos do parasita em água ou alimentos contaminados. 2. O parasita passa pelo processo de desencistamento no estômago e viaja até o intestino delgado. 3. No intestino delgado, o parasita faz o seu processo de colonização se fixando nas microvilosidades intestinais. 4. Aumento no pH ou temperatura, fazem com que o parasita volte a se encistar e migre para as porções finais do intestino. 5. Os novos cistos são eliminados pelas fezes, atingindo o solo e a água e reiniciando o ciclo. O tratamento da giardíase gira em torno de eliminar os sintomas do paciente e evitar que o protozoário continue se replicando, dessa forma, se faz uso de medicamentos especí- ficos que tendem a quebrar a cadeia de transmissão e inter- romper o ciclo do parasita A maioria das pessoas que apresentam o parasita no seu intestino não desenvolve sintomas, contudo, por ser uma pa- rasitose intestinal, os sintomas mais comuns são a diarreia, mal estar, emagrecimento, cólicas abdominais, flatulência e vômito. A febre não é recorrente nesta infecção. Assim como qualquer parasitose intestinal de veiculação hídrica, o principal método preventivo é a disponibilidade de saneamento básico, impedindo que fezes contaminadas pos- sam entrar em contato com novos hospedeiros. Além do saneamento básico, são métodos preventivos: lavar asmãos frequentemente, beber água fervida, evitar o consumo de alimentos mal lavados, evitar o contato com solo e água de locais duvidosos etc. A doença atinge o mundo todo, mas sua incidência e sua mortalidade estão intimamente ligadas com as condições socioeconômicas de uma região, a mortalidade, em especial, costuma ser infantil quando já existe quadro de subnutrição que, apesar de raro e pontual, é possível. Multiplataformas: Série Parasitas mortais – Discovery Channel