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alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO NACIONAL A geografia política dedica-se ao estudo das relações entre o Estado e o espaço geográfico. O poder do Estado é exercido por um conjunto de instituições governamentais, executivas, legislativas ou judiciárias. Essas instituições regulamentam a vida política da sociedade situada no interior do seu território. A Constituição é a norma jurídica que ordena as relações entre as instituições do Estado e define os direitos e deveres dos cidadãos. A sede do poder político é a capital, uma cidade que tem a função especial de abrigar os órgãos centrais do Estado. A diversidade das formas de organização do Estado reflete diferentes opções de distribuição do poder político. Do ponto de vista territorial, as formas mais difundidas de organização são o Estado Unitário, a Federação e a Confederação. O Estado Unitário não admite partilha da soberania. As unidades regionais não possuem legislação própria e seus dirigentes limitam-se a exercer funções administrativas. A maior parte das monarquias constitui Estados Unitários. A França e a Bolívia figuram entre os raros exemplos de república unitária. A organização federativa oferece um elevado grau de autonomia política para as unidades regionais (chamadas estados, províncias, cantões ou repúblicas). Os governos das unidades federadas decidem sobre assuntos de política econômica e social, com base em legislação própria. Mas a legislação autônoma das unidades federadas subordina-se à Constituição Federal, que reserva ao governo central o controle sobre as esferas mais importantes do exercício do poder, tais como sobre as Forças Armadas, a emissão de moeda e as relações internacionais. Ex.: Estados Unidos, Brasil, Alemanha, Argentina, etc. A organização confederativa baseia-se no princípio da reunião de entidades políticas soberanas. O Estado consiste em um contrato político que pode ser legalmente desfeito, com a separação das partes constitutivas. Cada uma das repúblicas confederadas possui sua Constituição e pode até mesmo emitir moeda e manter Forças Armadas próprias. O governo confederado conserva apenas os poderes a ele atribuídos pelo contrato entre as repúblicas, como o de representá-las nas instituições internacionais. A Suíça – cujo nome oficial é Confederação Helvética – foi um exemplo clássico dessa forma de organização, mas tornou-se uma federação no século XIX. Do ponto de vista do ordenamento jurídico-político, as formas de organização do Estado compreendem diversos tipos de repúblicas e monarquias. Nas repúblicas, o chefe de Estado é escolhido pelos cidadãos ou, no caso das ditaduras, imposto pelas Forças Armadas (caso de Mianmar), pela elite política dirigente (caso da China, Cuba ou Coreia do Norte) ou pela elite religiosa (caso do Irã). Nas monarquias, o chefe de Estado pertence a uma linhagem dinástica. As repúblicas são presidencialistas quando o presidente acumula as funções de chefe de Estado e chefe de governo. É o que acontece, por exemplo, no Brasil. Nas repúblicas parlamentaristas, o presidente é apenas chefe de Estado, pois a chefa do governo é exercida https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 pelo primeiro-ministro, que representa a maioria parlamentar. Esse sistema é adotado na Alemanha, na Itália e na Índia, entre outros países. Há ainda sistemas mistos, nos quais o presidente divide as funções de chefe de governo com o primeiro-ministro, como na França. As monarquias democráticas adotam regime de governo parlamentarista, como ocorre no Reino Unido, na Espanha, na Suécia e no Japão. Nas monarquias autoritárias, o soberano (rei, sultão, emir ou príncipe) exerce as funções de chefe de governo, seguindo regras tradicionais ou legislações religiosas. Entre os exemplos desse tipo de regime encontra-se a Arábia Saudita. ESTADOS FORA-DA-LEI Em um de seus últimos trabalhos, John Rawls, a mais importante figura da filosofia política e moral norte-americana do fim do século XX, esboçou a sua ideia de uma sociedade internacional moralmente aceitável. Ele propôs um “Direito dos Povos” que considerava adequado à “sociedade dos povos liberal-democráticos” e à “sociedade dos povos decentes”, esses últimos não democracias liberais, mais com características que os tornam admissíveis numa comunidade internacional justa. Fora da esfera desses “povos bem-estruturados”, segundo Rawls, estão os “Estados fora- da-lei”, que se recusam a agir de acordo com o “Direito dos Povos”. O Direito dos Povos inclui os compromissos de “observar tratados e obrigações”, de reconhecer que todos são “iguais e partícipes dos acordos aos quais são vinculados”, de rejeitar o uso da força “por razões outra que não a legítima defesa” e de “respeitar os direitos embora não pelos Estados fora-da-lei e seus acólitos”. A ideia de que todos os Estados são “igualmente responsáveis perante os acordos aos quais estão vinculados” foi há muito codificada em normas internacionais como as Convenções de Genebra – criadas em 1864 para proteger os feridos em tempos de guerra e posteriormente ampliada por uma série de protocolos, notadamente os de 1949 e 1977 – e os princípios do Tribunal de Nuremberg, criados para punir os crimes de guerra nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e adotados pela Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas em 1950. O Artigo 3º dos Princípios de Nuremberg diz claramente: “O fato de um indivíduo que cometeu ato que constitui crime perante a lei internacional ter agido como chefe de Estado ou funcionário governamental não o exime de responsabilidade perante o direito internacional”. Por exemplo, o ministro do Exterior alemão foi enforcado por crimes como o papel que desempenhou no ataque preventivo à Noruega. Além do mais violações graves à Convenção de Genebra são delitos universais e passíveis de extradição dentro da jurisdição de quaisquer membros da Convenção, e esses Estados são obrigados a “aprovar as leis que forem necessárias para aplicar sanções penais efetivas contra pessoas que cometam, ou mandem cometer”, quaisquer dessas violações. As responsabilidades derivadas da adesão ao império da lei são bastante graves. Ou seriam, se alguém ousasse desafiar a “única e brutal superpotência cujos líderes pretendem moldar a realidade segundo sua própria e incontrastável visão de mundo”. CHOMSKY, Noam. Estados Fracassados: o abuso do poder e o ataque à democracia. 2ª ed. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2009. p. 49-50. https://www.alfaconcursos.com.br/