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INDÚSTRIA CULTURAL
Como vimos anteriormente, a questão cultural vem sendo muito estudada por variados 
autores do campo das Ciências Sociais. Falamos do relativismo e do estruturalismo 
cultural. Pudemos perceber a grande relevância desse tipo de construção teórica e 
como ela influencia autores e estudos até a atualidade!
Agora vamos trabalhar com o tema da indústria cultural. Mas o que será isso? Essa 
ideia de que haveria uma indústria cultural foi alimentada pelo fenômeno da cultura de 
massa. Formada nas primeiras décadas do século XX, a cultura de massa tem como 
característica o incentivo ao consumo e ao entretenimento como um mecanismo de 
redução das tensões sociais próprias do sistema capitalista.
Colaboraram especialmente para o surgimento desse fenômeno os avanços tecnológicos, 
que possibilitaram a reprodução e a difusão dos bens culturais em larga escala. Pense 
no efeito que o cinema e as transmissões televisivas tiveram sobre aquelas gerações 
das primeiras décadas do século XX! Ir ao cinema era, para muitos, uma ocasião solene, 
em que as pessoas colocavam os seus melhores trajes.
Foram (e ainda são) diversos os usos dessas formas de produção artística, desde 
propaganda política à análise crítica. A sétima arte, como é conhecido o cinema, teve 
um papel importante entre os anos de 1920 e 1950, especialmente no contexto da 
Segunda Guerra Mundial. Um clássico da propaganda política foi o filme russo O 
Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, lançado em 1925. Um filme crítico que 
também deu muito o que falar na época foi O Grande Ditador, de Charles Chaplin, em 
que o comediante satiriza Hitler.
 
Cartaz do filme 
O Encouraçado de Potemkin
Cartaz do filme 
O Grande Ditador, de Charles Chaplin
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l Ao mesmo tempo, como é abordado pela tirinha abaixo, a reprodução em larga 
escala levou a uma indústria cultural baseada na cultura de massa, a qual passa a ser 
mercantilizada e não alimenta o senso crítico. Em um mundo cada vez mais preenchido 
por telas, como o que vivemos, isso dá o que pensar, não dá? Então vamos entender 
quando esse debate sobre a indústria cultural começou!
INDÚSTRIA CULTURAL
A discussão sobre indústria cultural começou nos anos 1940. Os grandes intelectuais 
por trás desse debate foram Theodor Adorno e Max Horkheimer. Eles fizeram parte 
da famosa Escola de Frankfurt. Para quem não conhece, a Escola de Frankfurt surgiu 
nos anos 1920 com a reunião de alguns pensadores alemães que atuavam no Instituto 
de Pesquisas Sociais de Frankfurt, entre eles Walter Benjamin e Jürgen Habermas. O 
objetivo desses estudiosos era chegar a uma teoria crítica da sociedade a partir de uma 
abordagem completa que reunisse distintas áreas do conhecimento, como a Filosofia, a 
Economia e a História.
Esses estudiosos publicaram o livro Dialética do esclarecimento, em 1944, no qual 
defenderam o argumento de que a produção artística também é atingida pelos processos 
de industrialização. Em outras palavras, o processo de troca de mercadorias presente 
na mercantilização também vinha se apropriando da arte e da cultura, que passaram a 
ser comercializadas como se fossem um produto qualquer, como uma geladeira, uma 
bicicleta ou um ventilador.
Vale lembrar que, nessa época, a produção em larga escala havia sido impulsionada 
pelos modelos fordista e taylorista de produção ( já vimos isso em aulas anteriores!). 
Como afirmam o autor Igor José de Renó Machado e outros, no livro Sociologia Hoje, o 
“desenvolvimento de uma produção de massa leva, necessariamente, a um consumo 
de massa” (p. 207).
“O desenvolvimento da mercantilização da vida atingiu, com isso, setores da 
sociedade que pareciam estar imunes a esse processo. O teatro, a dança e as artes 
plásticas teriam, segundo essa perspectiva, sucumbido ao desenvolvimento da 
racionalidade econômica. Adorno percebeu também que a produção artística desse 
período, a exemplo do cinema (e depois, podemos dizer, da televisão), já teria nascido 
impregnada dos signos da produção e do consumo em massa. A produção cultural 
estaria articulada aos objetivos estruturais do capital, isto é, os objetivos da produção 
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lcultural seriam determinados, em grande medida, pela troca mercantil. Assim, 
qualquer expressão crítica da arte e da cultura estaria praticamente descartada.” 
Fonte: MACHADO, Igor José de Renó; AMORIM, Henrique; BARROS, Celso Rocha de. Sociologia Hoje. São Paulo: Editora 
Ática, 2016, p. 207.
A questão é que, nesse tipo de indústria, não haveria uma livre manifestação do 
pensamento e nem seria esse o objetivo. O que é almejado é o lucro capitalista e, dentro 
desse panorama, a cultura poderia ser consumida e descartada como qualquer outra 
mercadoria. Haveria, assim, uma padronização para atender o que se considera que é 
a expectativa média dos consumidores. Uma arte que incentive o pensamento não é 
bem-vinda e perde espaço para a chamada indústria do entretenimento, esta sim vista 
como lucrativa.
CULTURA DE MASSA
Falamos sobre produção de massa e consumo de massa, mas o que seria exatamente 
cultura de massa? Existem algumas reflexões e formas de ver o fenômeno. Edgar Morin 
traz um olhar interessante sobre o tema. No livro Cultura de massa no século XX, Morin 
defende que existiriam três tipos de cultura: a primeira seria a cultura humanística, que 
englobaria reflexões sobre o sentido da vida, a moral e a divisão entre o bem e o mal. 
Na visão do autor, esse tipo de cultura estimularia o desenvolvimento cognitivo dos 
indivíduos e agregaria conhecimento conjunto à sociedade.
Em segundo lugar, haveria uma cultura científica, que conduziria à especialização e à 
fragmentação do conhecimento, possibilitando o surgimento de teorias que possam ser 
generalizadas. Por último, o autor aponta para a existência de uma cultura de massa, 
que seria resultado de um processo industrial. Sua difusão ocorreria por meio da mídia 
e seu consumo seria imediato e sem reflexão. Uma crítica que se faz à cultura de massa 
é a de que ela seria homogeneizadora e não teria um valor cultural de fato.
Alguns artistas buscaram refletir sobre a cultura de massa a partir de sua arte. Grandes 
contribuições vieram da pop art, um movimento artístico que teve início no Reino Unido 
durante os anos 1950 e que continuou forte nos Estados Unidos durante a década 
seguinte. Haveria uma estética das massas, ou seja, da maioria da população?
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l Um grande expoente desse movimento foi o artista Andy Warhol. Entre as tantas obras 
famosas que produziu, está o conjunto de imagens das 32 latas de sopa Campbell (foto 
abaixo), que eram vendidas nos supermercados e muito famosas nos Estados Unidos. 
Warhol pegou um produto considerado de massa e o ressignificou, dando a ele o status 
de arte. Trata-se de uma obra icônica da cultura pop. 
“A cultura de massas recebe o seu duvidoso nome exatamente por conformar-se 
às necessidades de distração e diversão de grupos de consumidores com um nível 
de formação relativamente baixo, ao invés de, inversamente, formar o público mais 
amplo numa cultura intacta em sua substância” 
HABERMAS, 1984, p. 195 apud SERPA, Angelo. CULTURA DE MASSA VERSUS CULTURA POPULAR NA CIDADE DO 
ESPETÁCULO E DA “RETRADICIONALIZAÇÃO”. ESPAÇO E CULTURA, UERJ, RJ, Nº. 22, P. 79-96, JAN./DEZ. DE 2007. 
[Grifo nosso]
A IDEIA DE UM PRODUTO CULTURAL
Como nos explica Teixeira Coelho em seu livro O que é a Indústria Cultural, um debate 
central em torno desse tipo de indústria gira em torno das características do produto 
que ela gera. Afinal, os produtos da indústria cultural seriam bons ou maus para o 
homem? Auxiliariam ou não o indivíduo a desenvolver suas potencialidades? Não se 
trata de uma questão estética, mas sim ética.
Para que exista a cultura de massa é preciso que haja meios de comunicação de 
massa. No entanto, nem tudo que é produzidopor este último é um produto de massa. 
Vejamos! Como nos explica Coelho, o surgimento dos jornais impressos criou meios 
de comunicação de massa, mas, para que haja um produto de massa, foi necessário 
que esses jornais começassem a produzir os famosos romances de folhetim. Estes sim 
eram verdadeiros produtos de massa, uma leitura fácil, com esquemas simplificadores, 
que buscavam abarcar de maneira ampla as condições de vida da época. Uma outra 
característica, segundo o autor, é a de que esse produto de massa não costuma ser feito 
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lpor aqueles que o consomem.
É o mesmo caso das novelas da televisão hoje em dia. Sucessos como Avenida Brasil 
possuem exatamente essas características (Quem não se lembra de Rita e Carminha?). 
Conectam-se com o imaginário da população, fazendo uso de sua linguagem. 
Em síntese, o que se entende é que a indústria cultural é produto do capitalismo e 
busca gerar lucro a partir da criação de produtos que possam ser consumidos em larga 
escala. Dentro dessa perspectiva, a população assumiria uma posição passiva diante 
dos meios de comunicação de massa.
É diferente do que observamos, por exemplo, na cultura erudita. Esse tipo de cultura 
é pensada para ficar restrita a um grupo seleto, que, em geral, pertence a uma classe 
social mais elevada, assim como possui poder econômico, até porque esse tipo de arte 
costuma ser cara. São exemplos desse tipo de cultura as óperas, o ballet, as orquestras 
sinfônicas e as artes plásticas.
Mulher sentada diante de três obras em museu. Exemplo de cultura erudita.
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l A cultura de massa também se diferencia da cultura popular. Esta se origina do povo e 
não é produto de uma indústria cultural. Geralmente, é transmitida através de gerações 
de forma oral. Podem ser a dança, o artesanato, a música, a culinária, etc. Ela é resultado 
da tradição e não de um ensino formal.
“Assim, a indústria cultural, os meios de comunicação, de massa e a cultura de massa 
surgem como funções do fenômeno da industrialização. É esta, através das alterações 
que produz no modo de produção e na forma do trabalho humano, que determina 
um tipo particular de indústria (a cultural) e de cultura (a de massa), implantando 
numa e noutra os mesmos princípios em vigor na produção econômica em geral: o 
uso crescente da máquina e a submissão do ritmo humano de trabalho ao ritmo da 
máquina;a exploração do trabalhador; a divisão do trabalho. Estes são alguns dos 
traços marcantes da sociedade capitalista liberal, onde é nítida a oposição de classes 
e em cujo interior começa a surgir a cultura de massa. Dois desses traços merecem 
uma atenção especial: a reificação (ou transformação em coisa: a coisificação) e a 
alienação. Para essa sociedade, o padrão maior de avaliação tende a ser a coisa, o 
bem, o produto; tudo é julgado como coisa, portanto tudo se transforma em coisa 
— inclusive o homem. E esse homem reificado só pode ser um homem alienado: 
alienado de seu trabalho, que é trocado por um valor em moeda inferior às forças por 
ele gastas; alienado do produto de seu trabalho, que ele mesmo não pode comprar, 
pois seu trabalho não é remunerado a altura do que ele mesmo produz; alienado, 
enfim, em relação a tudo, alienado de seus projetos, da vida do país, de sua própria 
vida, uma vez que não dispõe de tempo livre, nem de instrumentos teóricos capazes 
de permitir-lhe a crítica de si mesmo e da sociedade.” 
COELHO, Teixeira. O que é Indústria Cultural. Brasília: Editora Brasiliense, 1980, p. 5.
Comida tradicional mineira como exemplo de cultura popular.

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