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HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE 5 6 HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE EXERCÍCIOS. 1. (Fuvest 2021) Canto V Estância 81 E foi que, de doença crua e feia, A mais que eu nunca vi, desampararam Muitos a vida, e em terra estranha e alheia Os ossos para sempre sepultaram. Quem haverá que, sem ver, o creia? Que tão disformemente ali lhe incharam As gengivas na boca, que crescia A carne e juntamente apodrecia? Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas. É correto afirmar que Camões, neste trecho, descreveu sintomas de a) peste bubônica, zoonose transmitida por ratos que assolou populações europeias e asiáticas no século XIV, propagada pelas viagens comerciais. b) escorbuto, deficiência em vitamina C, doença comum nas viagens ultramarinas europeias dos séculos XV e XVI, como a de Vasco da Gama em busca das Índias. c) malária, doença de ampla ocorrência nas viagens de exploradores para a África e Américas nos séculos XV e XVI. d) varíola, doença viral disseminada no Velho Mundo e trazida pelos navegantes dos séculos XV e XVI às colônias, onde dizimou populações nativas. e) leishmaniose, parasitose transmitida por mosquitos e contraída pelos primeiros exploradores da Amazônia e dos Andes durante o século XVI. 2. (Enem 2020) Porque todos confessamos não se poder viver sem alguns escravos, que busquem a lenha e a água, e façam cada dia o pão que se come, e outros serviços que não são possíveis poderem-se fazer pelos Irmãos Jesuítas, máxime sendo tão poucos, que seria necessário deixar as confissões e tudo mais. Parece-me que a Companhia de Jesus deve ter e adquirir escravos, justamente, por meios que as Constituições permitem, quando puder para nossos colégios e casas de meninos. LEITE, S. História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938 (adaptado). O texto explicita premissas da expansão ultramarina portuguesa ao buscar justificar a a) propagação do ideário cristão. b) valorização do trabalho braçal. c) adoção do cativeiro na Colônia. d) adesão ao ascetismo contemplativo, e) alfabetização dos indígenas nas Missões. 3. (Enem 2020) Afirmar que a cartografia da época moderna integrou o processo de invenção da América por parte dos europeus significa que os conhecimentos dos ameríndios sobre o território foram ignorados pela cartografia europeia ou que eles foram privados de sua representação territorial e da autoridade que seus conhecimentos tinham sobre o espaço. OLIVEIRA, T. K. Desconstruindo mapas, revelando espacializações: reflexões sobre o uso da cartografia em estudos sobre o Brasil colonial. Revista Brasileira de História, n. 68, 2014 (adaptado). Na análise contida no texto, a representação cartográfica da América foi marcada por a) asserção da cultura dos nativos. b) avanço dos estudos do ambiente. c) afirmação das formas de dominação. d) exatidão da demarcação das regiões. e) aprimoramento do conceito de fronteira. 4. (Enem (Libras)) Os cartógrafos portugueses teriam falseado as representações do Brasil nas cartas geográficas, fazendo concordar o meridiano com os acidentes geográficos de forma a ressaltar uma suposta fronteira natural dos domínios lusos. O delineamento de uma grande lagoa que conectava a bacia platina com a amazônica já era visível nas primeiras descrições geográficas e mapas produzidos por Gaspar Viegas, no Atlas de Lopo Homem (1519), nas cartas de Diogo Ribeiro (1525-27), no planisfério de André Homen (1559), nos mapas de Bartolomeu Velho (1561). KANTOR, Í. Usos diplomáticos da ilha-Brasil: polêmicas cartográficas e historiográficas. Varia Historia, n. 37, 2007 (adaptado). HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE 7 De acordo com a argumentação exposta no texto, um dos objetivos das representações cartográficas mencionadas era a) garantir o domínio da Metrópole sobre o território cobiçado. b) demarcar os limites precisos do Tratado de Tordesilhas. c) afastar as populações nativas do espaço demarcado. d) respeitar a conquista espanhola sobre o Império Inca. e) demonstrar a viabilidade comercial do empreendimento colonial. 5. (Enem PPL) Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito. Eram pardos, todos nus. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros. Os cabelos seus são corredios. CAMINHA, P. V. Carta. RIBEIRO, D. et al. Viagem pela história do Brasil: documentos. São Paulo: Companhia das Letras, 1997 (adaptado). O texto é parte da famosa Carta de Pero Vaz de Caminha, documento fundamental para a formação da identidade brasileira. Tratando da relação que, desde esse primeiro contato, se estabeleceu entre portugueses e indígenas, esse trecho da carta revela a a) preocupação em garantir a integridade do colonizador diante da resistência dos índios à ocupação da terra. b) postura etnocêntrica do europeu diante das características físicas e práticas culturais do indígena. c) orientação da política da Coroa Portuguesa quanto à utilização dos nativos como mão de obra para colonizar a nova terra. d) oposição de interesses entre portugueses e índios, que dificultava o trabalho catequético e exigia amplos recursos para a defesa da posse da nova terra. e) abundância da terra descoberta, o que possibilitou a sua incorporação aos interesses mercantis portugueses, por meio da exploração econômica dos índios. 6. (Fuvest-Ete 2022) Mas, enfim, quanto à gênese do fenômeno da Expansão Portuguesa, pensamos que, ao nível dos objetivos vitais-estruturais, foi decisiva a satisfação da coesão nacional e da independência face à ameaça de Castela. [...] Dificilmente poderia ter encontrado outra forma de crescimento e desenvolvimento e, só crescendo, se poderia opor à anexação ou à iberização plena. SANTOS, João Marinho dos. A expansão pela espada e pela cruz. In: NOVAES, Adauto (org.) A descoberta do homem e do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. p. 147. Segundo o texto, a) as navegações portuguesas foram impulsionadas tanto pelo propósito de encontrar um caminho exclusivamente marítimo para as índias como pelo objetivo de selar alianças políticas e anexar Portugal a Castela. b) o reino de Castela lutava para se tornar independente de Portugal, que monopolizou o comércio marítimo no Mediterrâneo no século XVI. c) a disputa entre Portugal e Castela iniciou-se com a expedição de Cabral, em 1500, e resultou na assinatura do Tratado de Tordesilhas. d) as descobertas portuguesas no além-mar guardam relação direta com as disputas políticas envolvendo os reinos ibéricos entre o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. e) a expansão marítima portuguesa só foi possível devido à União Ibérica entre 1580 e 1640, resultado de uma crise sucessória no trono português. 7. (Unesp 2022) Depois do estabelecimento do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama em 1499, a Coroa portuguesa logo preparou nova expedição, tendo como base as informações recolhidas pelo navegante. E essa era mesmo a melhor saída para o pequenino reino português, que ficava justamente na boca do Atlântico. (Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia, 2018.) Além do motivo apresentado no excerto, contribuíram para que Portugal se lançasse à expansão marítima a) o interesse por colonizar o litoral africano e a disposição militar para a reconquista ibérica. b) a aliança política e comercial com a Coroa de Castela e a posição geográfica do país. 8 HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE c) a busca pelas especiarias da América e o desenvolvimento de uma indústria bélica. d) o desenvolvimento de instrumentos náuticos e a articulação entre interesses comerciais e religiosos. e) a precoce unificação política e a necessidade de insumos para a nascente indústria têxtil. 8. (Espcex(Aman) 2022) A participação portuguesa no comércio europeu ganhou impulso no início do século XV, no contexto das grandes navegações que se iniciaram nesse período. A primeira ação imperialista dos portugueses, a partir da qual os súditos do rei Dom João I sentiram-se seguros para iniciar seu avanço por “mares nunca dantes navegados” foi a) o descobrimento do Brasil. b) a ultrapassagem do Cabo da Boa Esperança. c) a chegada a Calcutá, nas Índias. d) a descoberta da América. e) a tomada de Ceuta. 9. (G1 - cps 2020) No início do século XV, os portugueses iniciaram um processo de expansão marítima que se tornou conhecido posteriormente como Grandes Navegações. Esse processo foi resultado de um conjunto de fatores políticos, econômicos e científicos. Sobre a Ciência e as Grandes Navegações, é correto afirmar que a) estavam ligadas ao desenvolvimento econômico das comunidades pesqueiras do litoral do mar Egeu. b) o desenvolvimento científico era considerado um empecilho para os navegadores, pois estes acreditavam que a Terra era plana. c) as viagens foram favorecidas por invenções, tais como as caravelas, navios rápidos, versáteis e de fácil manobra, que podiam navegar inclusive com ventos contrários. d) os grandes cientistas do período se afastaram dessa empreitada, pois, sob comando da Igreja Católica, dedicaram-se às grandes questões teológicas de sua época. e) a experiência dos povos americanos foi decisiva para o desenvolvimento científico de instrumentos de localização e de embarcações apropriadas para as viagens transoceânicas. 10. (G1 - ifsul 2020) Sob o ponto de vista europeu, a ampliação dos horizontes geográficos tornou-se possível a partir do expansionismo marítimo-comercial europeu, num processo histórico ocorrido entre os séculos XV e XVI, que teve Portugal como nação pioneira. Sobre a formação do Estado português, é correto afirmar que a) foi tardio, comparado com Estados europeus fortes, como Inglaterra e França. b) já nasceu grande, considerando as terras do Brasil, África e Ásia. c) nasceu de doações da Igreja, daí sua ligação profunda com a Igreja Católica. d) surgiu em terras reconquistadas aos muçulmanos na península Ibérica. 11. (Enem 2019) A ocasião fez o ladrão: Francis Drake travava sua guerra de pirataria contra a Espanha papista quando roubou as tropas de mulas que levavam o ouro do Peru para o Panamá. Graças à cumplicidade da rainha Elizabeth I, ele reincide e saqueia as costas do Chile e do Peru antes de regressar pelo Oceano Pacífico, e depois pelo Índico. Ora, em Ternate ele oferece sua proteção a um sultão revoltado com os portugueses; assim nasce o primeiro entreposto inglês ultramarino. FERRO, M. História das colonizações. Das colonizações às independências. Séculos XIII a XX. São Paulo: Cia. das Letras, 1996. A tática adotada pela Inglaterra do século XVI, conforme citada no texto, foi o meio encontrado para a) restabelecer o crescimento da economia mercantil. b) conquistar as riquezas dos territórios americanos. c) legalizar a ocupação de possessões ibéricas. d) ganhar a adesão das potências europeias. e) fortalecer as rotas do comércio marítimo. 12. (Fatec 2019) Em 1519, os navegadores Fernão de Magalhães e Sebastião del Cano partiram de Cádiz, na Espanha, para uma viagem que entraria para a história por a) estabelecer um caminho terrestre para as Índias ocidentais. b) descobrir uma rota segura para atravessar o Polo Norte. c) comprovar o formato esférico do planeta Terra. d) desbravar o canal do Panamá. e) explorar o istmo de Suez. 13. (Espcex (Aman) 2018) No início do século XIV, a China era a maior potência mundial e empenhava- HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE 9 se intensamente na expansão marítima e comercial, chegando à Índia, quase um século antes de Cabral. Os chineses estiveram no sul da África Oriental e no Mar Vermelho, enquanto os portugueses mal iniciavam sua exploração na costa norte da África. Entretanto, antes de 1440, a expansão marítima chinesa estagnou. Aponte, dentre as opções abaixo, aquela que apresenta a causa para o sucesso da exploração marítima portuguesa. a) O fato de os portugueses não terem desenvolvido tecnologias relacionadas à navegação ultramarina não afetou suas ações exploratórias. b) Em Portugal, a centralização monárquica só ocorreria no final do Século XIII, sendo este fato de pouca influência no processo exploratório dos portugueses além-mar. c) As finanças portuguesas não estavam estabilizadas e dificultaram os investimentos necessários para os projetos relacionados às navegações, o que fez com que D. Henrique procurasse financiamento público com os soberanos espanhóis. d) Portugal, apesar da guerra de emancipação política com a Espanha, manteve a busca por conhecimento para a consecução das grandes navegações. e) Em Portugal, as explorações foram conduzidas com recursos de empresas comerciais privadas e apoio governamental. 14. (Udesc 2018) Ao observamos mapas ou relatos de viajantes dos séculos XV e XVI, é comum encontrarmos referências a seres fantásticos, descritos, muitas vezes, como monstros sem olhos ou nariz, com uma perna ou com corpo desproporcional. A existência destes seres na África, Ásia e América foram relatados por diversos navegadores da época. Tais relatos são considerados indicativos do(a): a) intenção explícita dos cartógrafos que, ao fazerem os mapas, desenhavam seres monstruosos para desencorajar novos exploradores. b) movimento iluminista, que se estabelecia especialmente a partir do contato com novos povos e sociedades. c) visão de mundo da sociedade europeia da época, que ainda não era pautada pela observação científica e analítica da natureza e da cultura. d) influência da mitologia céltica, cujo legado pode ser fortemente observado nos vitrais que ornamentavam as igrejas e catedrais ao longo de toda a baixa Idade Média. e) versão evolucionista, que demarcava a especificidade da civilização europeia em relação à americana ou à africana. 15. (Udesc 2018) É prática comum nos programas escolares a delimitação de datas que marcam o início e, muitas vezes, o fim de processos históricos. No caso da História do Brasil, o ano de 1500 recebe bastante atenção. A respeito do ano de 1500 como início oficial da História do Brasil, analise as proposições. I. A definição de datas como marcos históricos tem implicações políticas, uma vez que elege certos eventos como fundamentais. No caso da História do Brasil, a ênfase no ano de 1500 ressalta a importância atribuída à chegada dos europeus para a constituição da história brasileira. II. Ao definir o ano de 1500 como marco inicial para a História do Brasil, corre-se o risco de desconsiderar a importância da história, as características e os costumes dos vários grupos indígenas que já habitavam o território, que seria posteriormente conhecido como Brasil. III. A definição do ano de 1500, como marco para o início oficial da História do Brasil, foi resultado de uma série de demandas populares que reivindicavam a possibilidade de opinar a respeito da oficialização da História Nacional. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. c) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. d) Somente a afirmativa I é verdadeira. e) Somente a afirmativa II é verdadeira. Gabarito: 1: [B]; 2: [C]; 3: [C]; 4: [A]; 5: [B]; 6: [D]; 7: [D]; 8: [E] 9: [C]; 10: [D]; 11: [B]; 12: [C]; 3: [E]; 14: [C]; 15: [A]